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INTRODUÇÃO À ENGENHARIA

DE SEGURANÇA NO TRABALHO
PROF. ME. EDINALDO FAVARETO GONZALEZ
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR

Reitor:
Prof. Me. Ricardo Benedito de
Oliveira
Pró-reitor:
Prof. Me. Ney Stival
Diretora de Ensino a Distância:
Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo Profa. Ma. Daniela Ferreira Correa
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não Diagramação:
vale a pena ser vivida.” Alan Michel Bariani/
Thiago Bruno Peraro
Cada um de nós tem uma grande res-
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, Revisão Textual:
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica
Gabriela de Castro Pereira/
e profissional, refletindo diretamente em nossa
Letícia Toniete Izeppe Bisconcim/
vida pessoal e em nossas relações com a socie-
Mariana Tait Romancini
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente
e busca por tecnologia, informação e conheci-
Produção Audiovisual:
Eudes Wilter Pitta /
mento advindos de profissionais que possuam Heber Acuña Berger/
novas habilidades para liderança e sobrevivên- Leonardo Mateus Gusmão Lopes/
cia no mercado de trabalho. Márcio Alexandre Júnior Lara
De fato, a tecnologia e a comunicação Gestão da Produção:
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, Kamila Ayumi Costa Yoshimura
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e
nos proporcionando momentos inesquecíveis. Fotos:
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino Shutterstock
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes
atuantes.

Que esta nova caminhada lhes traga


muita experiência, conhecimento e sucesso.

© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114
ENSINO A DISTÂNCIA

01
UNIDADE

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA
SEGURANÇA DO TRABALHO
PROF. ME. EDINALDO FAVARETO GONZALEZ

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 4
EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO MUNDO ........................................................................................................................ 5
EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO BRASIL ......................................................................................................................... 6
FUNDACENTRO ........................................................................................................................................................ 13
SEGURANÇA DO TRABALHO, NA ATUALIDADE ..................................................................................................... 14

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INTRODUÇÃO
Desde do aparecimento do homem na Terra convive com o risco. As atividades laborais
nasceram com o homem e sempre ocorreram condições e atos inseguros. O problema dos
acidentes e doenças profissionais acompanha o desenvolvimento das atividades do homem através
dos séculos. E por não ter controle sobre os riscos o homem esteve sempre sujeito a todo tipo de
acidente. Segundo Bitencourt (1998), o trabalho existe desde do aparecimento do homem, mas
os conceitos de segurança são bem mais recentes. Partindo da atividade predatória, o homem
evoluiu para a agricultura e o pastoreio, alcançou a fase do artesanato e atingiu a era industrial,
sempre acompanhado de novos e diferentes riscos que afetavam e ainda afetam sua vida e saúde.
No que diz respeito a medicina a questão entre saúde e trabalho é uma relação que
existe de muito tempo, pois segundo Mattenberger (apud FACCHINI 2009), os marcos iniciais

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da história da medicina vão da Medicina clássica até fins do século XVIII, no qual teve com
estudiosos como Hipócrates, Plínio e Galeno. A doença era considerada essência abstrata. Com
o passar do tempo e o desenvolvimento da tecnologia o ser humano conheceu a roda d’água, os
teares mecânicos, as máquinas movidas a vapor, a eletricidade até chegar a era dos computadores.
Foi efetivamente um longo aprendizado. Se por um lado os inúmeros progressos científicos e
tecnológicos facilitaram o processo de trabalho em vários aspectos, por outro acabaram gerando
novos riscos e aumentando consequentemente tanto a frequência como principalmente a
gravidade dos acidentes e das doenças do trabalho.
Com o início da revolução industrial o aldeão começou a agrupar-se nas cidades,
substituindo o risco de ser apanhado pelas garras de uma fera, para aceitar o risco de poder
ser apanhado pelas garras de uma máquina. Segundo Mattenberger (2009), foi também com a
Revolução Industrial houve um desenvolvimento do mundo moderno e das ações da moderna
Saúde Pública, sendo nesta época também surge a teoria microbiana das doenças consagradas
por Louis Pasteur e de Robert Koch.
Até 300 anos, praticamente inexistiam as relações entre atividades laborativas e as doenças
ocupacionais. Em 1556 foi publicado o primeiro livro da área, com o título de “De Re Metallica”,
descrevendo problemas relacionados com a extração de minerais argentíferos e auríferos e
a fundição da prata e do ouro. Seu autor George Bauer mais conhecido pelo seu nome latino
Georgius Agrícola, discute os acidentes do trabalho e as doenças mais comuns entre os mineiros,
em destaque a “asma dos mineiros”, que segundo ele era provocada por poeiras corrosivas, cuja
descrição dos sintomas e rápida evolução da doença demonstraram tratar-se de silicose.
Para Lamas apud Martins (2008), o Brasil nos anos 1970 e 1980 os frequentes insucessos
de diversos programas voltados à saúde do trabalhador decorrentes de iniciativas exclusivamente
institucionais, eventualmente em articulação com a empresa, mas sem a participação dos
trabalhadores, provocou a falência das políticas públicas na área de saúde e segurança do trabalho.
Ainda de acordo com o mesmo autor, o exemplo mais concreto é a publicação da Lei nº 6.367, de
19/10/1976 que retirava da lista várias doenças profissionais, no qual resultou a redução de um
quinto o número de acidentes de trabalho entre 1975 e 1985.

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO MUNDO


O rastro da Segurança do Trabalho é muito antigo, como se poderá ser observado, no
entanto, se demorou muito séculos para que a evolução produzisse frutos fortes, e que realmente
resultasse em melhorias na qualidade de vida do trabalhador em seu ambiente de trabalho.
Segundo Moreira (2003), sua pesquisa bibliográfica mostra os seguintes dados da evolução da
segurança do trabalho no mundo:

✓ Hipócrates (460-357 AC) e Plínio, o Velho (23-79 DC), indicaram nos seus trabalhos
a ocorrência de doenças pulmonares em mineiros.

✓ 1.556: Georg Bauer publicou o livro “Re De Metallica”, no qual estuda doenças e
acidentes de trabalho que estão relacionados à mineração e fundição de ouro e prata.

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✓ 1.567: Aureolus Theophrastur Bembastur von Hohenheim apresentou a primeira
monografia cujo o tema era trabalho com doença.

✓ 1.700: O médico Bernardino Ramazzini italiano publicou o livro “De Morbis Artificium
Diatriba”, no qual relatava as doenças de 50 profissões.

✓ Século XVIII: Surge a revolução Industrial na Inglaterra.

✓ 1.769: James Watt patenteou a primeira máquina a vapor com boa aplicabilidade
substituindo a de propulsão hidráulica mudando completamente o quadro industrial da época,
possibilitando a instalação de indústrias longe dos cursos d`água, ou seja, nas cidades onde há
mão-de-obra em abundância. Para sustentar as máquinas a vapor houve uma grande migração de
pessoas para as cidades e para as minas de carvão. Neste ano haviam cinco milhões de trabalhadores
nas minas (Grã-Bretanha, Alemanha, EUA, França, Rússia, Áutria-Hungria, Bélgica, Índia, Japão,
Sul da África) suas condições de trabalho eram degradantes e incêndios, explosões, intoxicação
por gases, eram comuns e muitos ficavam sepultados nas galerias. O trabalho nas minas era mais
pesado ficavam para os homens, nas fábricas ficavam para as mulheres e crianças.

✓ 1.792: Inventado o lampião de gás, houve uma tendência de aumento da jornada de


trabalho, que já era excessiva.

✓ 1.802: O parlamento inglês nomeou uma comissão que criou a primeira lei de proteção
aos trabalhadores, “Lei de Saúde e Moral dos Aprendizes”, que estabelecia o limite de 12 horas de
trabalho diário, proibia trabalho noturno, obrigação de ventilação nas fábricas e lavar as paredes
duas vezes por ano.

✓ 1.819: Complementação da Lei dos Aprendizes, não teve eficiência devido a oposição
dos empregadores.

✓ 1831: A comissão de inquérito da Lei dos Aprendizes retrata as condições de trabalho


das fábricas.

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✓ 1.833: Em função do relatório publicado pela comissão de inquérito é instituída


na Inglaterra a “Lei das Fábricas”. Aplicada a indústria têxtil, proibia o trabalho noturno para
menores de 18 anos, carga horária de 12 horas diárias (69 horas semanais), idade mínima de 9
anos. As fábricas precisavam ter, ainda, escolas frequentadas por todos os trabalhadores menores
de 13 anos.

✓ 1.844: Estabelece jornada de trabalho para as mulheres de 10 horas diárias.

✓ Meados do século XIX: A França tinha jornadas de trabalho que variavam de 11 horas
até 15 horas diárias.

✓ 1.867: Reconhecimento e determinação de providências para prevenção das doenças


provocadas por condições de trabalho, exigiu a instalação de proteção nas máquinas e proibiu a
realização de refeições em locais que tivessem a presença de agentes químicos agressivos.

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A partir dessas datas e conquistas outros países começaram a implementarem novas
regras para segurança de nos ambientes de trabalho.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA NO BRASIL


No Brasil as primeiras mudanças iniciaram em 1.919 com a primeira lei aprovada. Moreira
(2003), retrata bem essa questão em seu estudo segue, portanto a cronologia.

✓ 1.730: Existia o predomínio de trabalho escravo no qual trabalhava se 18 horas diárias,
como a vida útil de um escravo começou a se tornar curta, cerca de 12 anos, e cada vez mais
existiam limitações ao tráfico de negros, se inicia uma preocupação com a preservação a saúde e
bem-estar no trabalho.

✓ 1.919: Primeira lei sobre indenização por acidentes de trabalho, que se limitava-se ao
setor ferroviário.

✓ 1.923: Criação da previdência social pela Lei Eloy Chaves, que criou a Caixa de
Aposentadoria e Pensões para uma empresa de estrada de ferro.

✓ 1.930: Era Vargas, o mundo estava passando pela grande depressão de 1.929, portanto
não havia importação, e Getúlio nacionalista favorece o desenvolvimento industrial brasileiro.
Ocorreu, portanto uma profunda reestruturação da ordem jurídica trabalhista, muitas dessas
medidas em vigor até hoje.

✓ 1.934: Institui várias garantias para o trabalhador como por exemplo, o depósito
obrigatório para garantia da indenização, simplificou o processo e aumentou o valor da
indenização em caso de morte do acidentado, entendendo a doença profissional também como
acidente de trabalho indenizável, em complementação à legislação anterior de 1919.

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✓ 1.938: Criado o adicional de insalubridade de 10, 20 e 40% sobre o salário mínimo


vigente conforme a atividade que o trabalhador desenvolve.

✓ 1.943: Criada a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), no qual reuniu a legislação
relacionada com a organização sindical, previdência social, justiça e segurança do trabalho.

Procure ler a CLT, pois existem muitas informações existentes nas


Normas Regulamentadoras.

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✓ 1.955: Criado o adicional de periculosidade para os trabalhadores que prestam serviço
em contato permanente com inflamáveis, 30% do valor do salário.

✓ 1.966: Criada a Fundacentro.

✓ 1.967: Alteração da CLT em vários pontos no que se destaca é a exigência que as


empresas mantivessem “Serviços Especializados em Segurança e em Higiene do Trabalho”.

✓ 1.967: O seguro de acidente de trabalho somente poderia ser feito com a Previdência
Social, tornando o seguro obrigatório um monopólio estatal, fato que permanece inalterado até
os dias atuais.

✓ 1.978: Alteração da CLT, regulamentando a Portaria 3.214 de 08/06/1978, no qual cria


as normas regulamentadoras que representou um grande salto qualitativo para a segurança do
trabalho, sistemática que está em vigor até hoje. A Portaria cria 28 Normas Regulamentadoras
que tem como finalidade estabelecer regras para orientar empregados e empregadores quanto aos
riscos existentes no ambiente de trabalho.

✓ 1988: Promulgação da Constituição Federal de 1988, que estabelece direitos relativos a


Segurança do Trabalho aos trabalhadores.

✓ Década 90: Várias normas regulamentadoras sofreram atualização seguindo a filosofia


da gestão da segurança do trabalho, até porquê em 1987, nascia a ISO 9000, norma de certificação
da qualidade nível internacional. Para Gonzalez (2017) esse acontecimento serviu de grandes
avanços para as normas de segurança do trabalho assim como uma melhor gestão na área.

✓ 1992: Criada a FENATEST - Federação Nacional dos Técnicos de Segurança do


Trabalho.

✓ 2002: NR 30 - Segurança no Trabalho Aquaviário.

✓ 2003: Criação de novas normas e instruções normativas para o Perfil Profissiográfico


Previdenciário (PPP).

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✓ 2005: Criação da Radio Kosak, a primeira rádio de Segurança do Trabalho no Brasil.


Criadas as NR 31 e 32.

✓ 2006 até 2013: Foram criadas as NRs 33, 34, 35 e 36, como pode ser verificado mais
adiante suas portarias.

Década de 70: “Ninguém segura este País”


Em pleno regime militar no qual o Governo tinha campanhas publicitárias como
“Ninguém segura este País”, “Brasil, ame-o ou deixe-o”, “Este é um País que vai pra frente”, entre
outras, a segurança do trabalho, não ia tão bem assim. A seguir verifica-se alguns prêmios
conquistados pelo Brasil na 70:

• Copa de 70, Brasil Tri-campeão mundial de futebol


Copa do Mundo realizada no México traria o título ao Brasil de Tri-Campeão Mundial
de Futebol, derrotando no dia 21 de junho no Estádio Aztecana, Cidade do México, com um

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público aproximado de 108.000 torcedores, derrotando em 4 x 1 a Itália, a figura 01, mostra a
seleção campeã.

Figura 1 – Copa de 70. Fonte: Chima (2015).

• Milagre econômico brasileiro


O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu na década de 70 como nunca, tanto que
o período ficou conhecido por “Milagre Econômico Brasileiro”, conforme mostra a figura 02, PIB
Brasil Década 70 – IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Figura 2 - PIB brasileiro. Fonte: IBGE.

O Governo Militar proporcionou ao país um espantoso crescimento no PIB de 14%


que causou uma grande euforia para os brasileiros e o mundo. As propagandas nacionalistas
consolidavam que o Brasil estava no caminho certo, como mostra figura 03 e figura 04.

Figura 3 - Slogan de campanha do governo Médici (1970). Fonte: Hernadez (2012).

Figura 4 - Propaganda no governo Médici sobre a semana da pátria. Fonte: Hernadez (2012).

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Motivado por esse grande impulso do PIB, o Governo Militar fez grandes obras de
infraestrutura como por exemplo:
- Rodovia Transamazônica: Ligaria o Oceano Atlântico ao Pacifico na região norte do
país, objetivo era trazer desenvolvimento e colonizar a região com menos população do país,
Presidente Medici disse: “levar homens sem terra para uma terra sem homens”, figura 05. A
Rodovia Transamazônica até hoje não foi finalizada, apresentando trechos asfaltadas e outros
não.

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Figura 5 - O projeto mais faraônico do governo militar, segue até hoje inacabada. Fonte: Hernadez (2012).

- O primeiro metrô do Brasil, inaugurado em São Paulo, na década de 70.


- Ponte Rio-Niterói, inaugurada em 1974.
- Usinas nucleares de Angra 1 e 2.
- Usina de Itaipu, em 1975, executadas pela empreiteira Mendes Junior, logo em seu início
foram realizadas uma enorme alteração na região com a grande quantidade de trabalhadores
das mais diversos locais do Brasil, foi utilizada a mão de obra de aproximadamente 40 mil
trabalhadores durante a obra, a figura 06 mostra a Usina de Itaipu sendo construída.

Figura 6 - Usina Hidrelétrica de Itaipu sendo construída na década de 70. Fonte: Construção Civil PET
(2017).

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O grande crescimento na década de 70, as grandes obras para construir um grande país,
um forte nacionalismo, e por outro lado um grande despreparo em nível técnico, sem muitas
preocupações com o trabalhador, fez com que o Brasil tivesse um outro título não muito positivo.

Leia mais sobre o Brasil da década de 70 para se entender melhor


contexto histórico do momento.

• Brasil campeão mundial de acidentes de trabalho


O Brasil recebeu outro título mundial, “Campeão Mundial de Acidentes de Trabalho”,
conforme pode ser verificado na figura 07, a cada 4,7 trabalhadores 01 morria no ambiente de

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trabalho:

Figura 7 - Brasil campeão mundial de acidentes do trabalho. Fonte: OIT.

Imaginem o seguinte cenário: Brasil década de 70, PIB média de 10%, construções de
Megas Obras (pontes, usinas hidrelétricas/nucleares, estradas, ...) cuidado com o trabalhador
quase zero, se hoje já ocorrem acidentes e as máquinas de hoje mais modernas com dispositivos
de segurança, e na década de 70, existiam máquinas que possuíam dispositivos de segurança?
Lembre-se que a engenharia de segurança do trabalho é uma ciência recente e que as engenharias
nasceram bem antes, com a função principal de criar uma máquina para aumentar a produção, e
jamais, o propósito de uma máquina nasceu com a preocupação em segurança do trabalho.

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Uma reportagem da revista Proteção, edição 239 - 11/2011

Técnico de Segurança do Trabalho é quem que faz a prevenção


acontecer
Por: Cristiane Reimberg

Ano de 1975. Um jovem de 19 anos, do interior, veio realizar


o sonho de construir sua história na cidade grande. Logo conse-
guiu emprego em uma fábrica na cidade de São Paulo e passou
a exercer a função de ajudante de operador de máquina. O sonho,
no entanto, esbarrou em um acidente de trabalho. Certo dia, o res-
ponsável precisou ir ao banheiro e deixou o rapaz operando o equi-
pamento. A luva dele enroscou na máquina, e ele perdeu um dedo.
Naquele ano, o Brasil chegou a ter cerca de 1,9 milhão de aciden-

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tes de trabalho. Histórias como essas se repetiam, com menor ou
maior gravidade, mudando o rumo de vida dos trabalhadores.

No caso deste acidentado, ele foi socorrido, ficou afastado e


30 dias após a reintegração ao trabalho, pediu demissão. O super-
visor de segurança na época, Armando Henrique, tentou convencer
o trabalhador a permanecer na empresa. Não adiantou. Chorando,
o rapaz revelou que passados oito meses do acidente, ainda não
havia tido coragem de escrever uma carta contando para a mãe
o ocorrido. Desiludido, queria voltar para o campo e ficar junto da
família.

Vi o quanto eu podia contribuir para a vida das pessoas fa-
zendo Segurança do Trabalho. Ele saiu da empresa e nunca mais
tive notícias. Nós que ficamos fizemos um trabalho que revolucio-
nou a parte da segurança da empresa. Comecei em uma época
em que não sabíamos se fazíamos prevenção ou se socorríamos
os acidentados. Trabalhei em indústria que tinha índice de 10% de
acidentes e conseguimos baixar para 1%.

No país, de cada 100 trabalhadores, 17 se acidentavam.


Hoje, a média é de 2,5. Houve uma evolução, e o SESMT (Serviço
Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Tra-
balho) teve papel decisivo nessa redução’, relembra o técnico de
segurança Armando Henrique, que hoje é vice-presidente da Fena-
test (Federação Nacional dos Técnicos de Segurança do Trabalho).

A própria criação do SESMT e a instituição dos profissionais


de segurança foi uma resposta a essa alta taxa de acidentalidade.
Nos anos 70, o Brasil foi considerado campeão mundial em aciden-
tes do trabalho. Foi quando a pressão internacional fez o governo
federal agir. O Ministério do Trabalho publicou duas portarias para
mudar o rumo dessa tragédia: a 3.236 e a 3.237, no dia 27 de julho
de 1972.

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Assim, instituiu o Plano Nacional de Valorização do Traba-


lhador, que tinha entre as metas, a preparação de profissionais de
nível superior e médio para atuar no controle da Segurança e Higie-
ne do Trabalho. Um deles era o inspetor de segurança, que depois
ganhou a denominação de supervisor de segurança, hoje corres-
pondendo ao técnico de segurança. Também se criou o SESMT -
Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho.”

Fonte: http://www.protecao.com.br/edicoes/11/2011/J9jb

Na década de 70, pelo visto nem todos os méritos foram tão bons, por esse motivo o
Banco Mundial ameaçou em cortar os financiamentos para o Brasil, caso o quadro de acidentes de
trabalho não fosse revertido, pressões políticas também ocorreram, o fato resultou na publicação
das portarias nº 3236 e 3237, em 27 de julho de 1972, do então ministro do trabalho Júlio Barata,

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que regulamentou a formação técnica em Segurança e Medicina do Trabalho e atualizando o
artigo 164 da CLT. Por isto, a data foi escolhida para ser o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes
de Trabalho.
O Brasil foi o primeiro país a ter um serviço obrigatório de Segurança e Medicina do
Trabalho em empresas com mais de 100 funcionários. Segundo estimativas da época, 1,7 milhão
de acidentes ocorriam anualmente e 40% dos profissionais sofriam lesões. Devido a todas as
questões levantadas, em 14 de março de 1974 o Presidente general Ernesto Geisel, nomeou o
deputado, gaúcho, engenheiro civil Arnaldo Prieto ao cargo de ministro do Ministério do
Trabalho. Assumiu o ministério numa conjuntura onde começavam a reaparecer no seio da
sociedade civil movimentos de oposição ao regime vigente. No ano de 1978, o ministro publicou
uma portaria que seria eternizado por todos que trabalham na área de Engenharia e Medicina do
Trabalho, na qual criou as Normas Regulamentadoras (NRs) que existem até hoje.

FUNDACENTRO
Segundo o próprio site da FUNDACENTRO, ele relata os motivos no qual foi criada
a instituição. Criada em 1966, a FUNDACENTRO (Fundação Centro Nacional de Segurança,
Higiene e Medicina do Trabalho) os primeiros dados estatísticos do início da década de 60,
quando começou a preocupação com os altos índices de acidentes e doenças do trabalho.

Figura 8 - Logomarca atual da FUNDACENTRO. Fonte: FUNDACENTRO (2017).

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A FUNDACENTRO teve como presidente destaque o engenheiro civil Jorge Duprat


Figueiredo, que se formou em 1943 na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo ficou no
cargo de dezembro de 1968 até setembro de 1978. Jorge D. Figueiredo ficou 10 anos no cargo,
e trouxe grandes melhorias ao setor e premiações para a FUNDACENTRO. Sendo assim, em
1978 o Ministro Arnaldo Prieto sugeriu que a FUNDACENTRO recebesse o seu nome. A seguir,
palavras do Ministro oficializando o novo nome da FUNDACENTRO:

Nada mais justo, Excelentíssimo Senhor Presidente, do que dar o nome de Jorge
Duprat Figueiredo à própria Fundação que dirigiu com tanto acerto, dedicação
e sensibilidade pela segurança do trabalhador e tranquilidade de sua família”,
afirmou o então ministro quando foi oficializado a publicação do Diário do
Congresso Nacional, a Lei nº 6.618, de 16 de dezembro de 1978 que mudou
o nome da FUNDACENTRO. Portanto, hoje, a FUNDACENTRO é Fundação
Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho.

Atualmente a FUNDACENTRO dispõe de laboratórios em segurança, higiene e saúde no

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trabalho e biblioteca completa especializada, profissionais formados nas mais diferentes áreas de
atuação de segurança do trabalho, muitos deles pós-graduados no Brasil e exterior atuando em
praticamente em três principais frentes:

1- Desenvolvimento de pesquisas na área;

2- Difusão de conhecimento, por meio de ações educativas como palestras, cursos,


seminários, produção de material didático, congressos, e de publicações periódicas cientificas e
informativas;

3- Prestação de serviços à comunidade e assessoria técnica a órgãos de trabalhadores,


empresariais e públicos.

Com todo o contexto histórico, é lógico que a FUNDACENTRO tinha como objetivo
inicial a pesquisa, difundir ações educativas e prestação de serviços, gratuitamente, e se mantem
até hoje, portanto caso ocorra a visita da FUNDACENTRO em sua empresa, receba de braços
abertos, pois eles estarão lá para te ajudar. Atualmente, a FUNDACENTRO em várias capitais,
distribuídas em 11 Estados e no Distrito Federal. Hoje atua com os princípios do tripartismo
(CTPP - Comissão Tripartite Paritária Permanente), nele estão representados, além do governo,
os trabalhadores e empresários, por meio de suas organizações de classe.

SEGURANÇA DO TRABALHO, NA ATUALIDADE


O Brasil tem demostrado, pelo menos em atualização de algumas normas, um grande
compromisso e responsabilidade com a segurança do trabalho, como por exemplo a as atualizações
das normas NR-10, NR-12, a criação de novas como as recentes NR-34, 35 e 36.

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A atualização ou criação de Normas Regulamentadoras é realiza-


da pela CTPP (Comissão Tripartite Paritária Permanente), pois re-
únem representantes do Governo, Trabalhadores e Empregadores,
fazendo com que a atualização ou a criação de uma nova NR seja
estabelecida em um consenso.

O processo de atualização de uma NR ou criação de uma não é só esse, de forma


simplificada, em primeiro lugar um texto preliminar vai para consulta pública no site do MTE
(Ministério do Trabalho e Emprego), depois CTPP, avaliação final e por última publicação.
A seguir, veja a relação das NRs existentes para consulta, que estão disponíveis no site do
ministério do trabalho e durante essa disciplina irá estudar algumas delas, que estão relacionadas
a atividades das engenharias, segundo Brasil (2018) e Moraes (2011).

• Norma Regulamentadora Nº 01 - Disposições Gerais

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• Norma Regulamentadora Nº 02 - Inspeção Prévia
• Norma Regulamentadora Nº 03 - Embargo ou Interdição
• Norma Regulamentadora Nº 04 - Serviços Especializados em Engenharia de
Segurança e em Medicina do Trabalho
• Norma Regulamentadora Nº 05 - Comissão Interna de Prevenção de Acidentes
• Norma Regulamentadora Nº 06 - Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
• Norma Regulamentadora Nº 07 - Programas de Controle Médico de Saúde
Ocupacional (PCMSO)
• Norma Regulamentadora Nº 08 - Edificações
• Norma Regulamentadora Nº 09 - Programas de Prevenção de Riscos Ambientais
• Norma Regulamentadora Nº 10 - Segurança em Instalações e Serviços em
Eletricidade
• Norma Regulamentadora Nº 11 - Transporte, Movimentação, Armazenagem e
Manuseio de Materiais
• Norma Regulamentadora Nº 12 - Segurança no Trabalho em Máquinas e
Equipamentos
• Norma Regulamentadora Nº 13 - Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações.
• Norma Regulamentadora Nº 14 - Fornos
• Norma Regulamentadora Nº 15 - Atividades e Operações Insalubres
• Norma Regulamentadora Nº 16 - Atividades e Operações Perigosas
• Norma Regulamentadora Nº 17 - Ergonomia
• Norma Regulamentadora Nº 18 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na
Indústria da Construção
• Norma Regulamentadora Nº 19 - Explosivos
• Norma Regulamentadora Nº 20 - Segurança e Saúde no Trabalho com
Inflamáveis e Combustíveis
• Norma Regulamentadora Nº 21 - Trabalho a Céu Aberto
• Norma Regulamentadora Nº 22 - Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração
• Norma Regulamentadora Nº 23 - Proteção Contra Incêndios
• Norma Regulamentadora Nº 24 - Condições Sanitárias e de Conforto nos
Locais de Trabalho
• Norma Regulamentadora Nº 25 - Resíduos Industriais
• Norma Regulamentadora Nº 26 - Sinalização de Segurança
• Norma Regulamentadora Nº 27 - Revogada pela Portaria GM n.º 262,
29/05/2008 Registro Profissional do Técnico de Segurança do Trabalho no MTB
• Norma Regulamentadora Nº 28 - Fiscalização e Penalidades
• Norma Regulamentadora Nº 29 - Segurança e Saúde no Trabalho Portuário
• Norma Regulamentadora Nº 30 - Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário
• Norma Regulamentadora Nº 31 - Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura,
Pecuária Silvicultura, Exploração Florestal e Aqüicultura

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ENSINO A DISTÂNCIA

• Norma Regulamentadora Nº 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em


Estabelecimentos de Saúde
• Norma Regulamentadora Nº 33 - Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços
Confinados
• Norma Regulamentadora Nº 34 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na
Indústria da Construção e Reparação Naval
• Norma Regulamentadora Nº 35 - Trabalho em Altura
• Norma Regulamentadora n.º 36 - Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas
de Abate e Processamento de Carnes e Derivados

Após a Portaria 3.214 de 1978, outras NRs, como foram vistas anteriormente, foram
criadas, segundo BRASIL (2018), segue suas portarias com suas respectivas datas de criação.

NR Nº 29 - Segurança e Saúde no Trabalho Portuário: Portaria SSST N.º 53, de


17 de dezembro de 1997

NR Nº 30 - Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário: Portaria SIT n.º 34, de

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 1


04 de dezembro de 2002

NR Nº 31 - Segurança e Saúde no Trabalho na Agricultura, Pecuária Silvicultura,


Exploração Florestal e Aqüicultura: Portaria MTE n.º 86, de 03 de março de 2005

NR Nº 32 - Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Saúde:


Portaria GM n.º 485, de 11 de novembro de 2005.

NR Nº 33 - Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços Confinados: Portaria


MTE n.º 202, 22 de dezembro de 2006.

NR Nº 34 - Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção


e Reparação Naval: Portaria SIT n.º 200, de 20 de janeiro de 2011

NR Nº 35 - Trabalho em Altura: Portaria SIT n.º 313, de 23 de março de 2012

NR n.º 36 - Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento


de Carnes e Derivados: Portaria MTE n.º 555, de 18 de abril de 2013

As Normas Regulamentadoras (NR) diferente das demais normas,


por exemplo ABNT, elas são fornecidas gratuitamente pelo site do
MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e atualizadas.

A consulta das NRs, sempre se recomenda ser realizada pelo site do Ministério do
Trabalho e Emprego, pois é o local que se encontra as normas atualizadas, situação que as vezes
não se encontra em livros ou outros sites, levando o pesquisador a considerações erradas. Segue
as instruções para acessar as NRs do site do MTE:

1º Passo: entre no site: www.mte.gov.br;

2º Passo: Lado direito do site “Fiscalização” – “Segurança do Trabalho”;

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INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 1


Figura 9 - Coluna, direita do site www.mte.gov.br. Fonte: TEM (2017).

3º Passo: Clique em “Normatização”;

4º Passo: Clique em “Normas Regulamentadoras (português)”;

5º Passo: Tenha acesso a todas a Normas Regulamentadoras em vigor e sempre na última


versão.

As Normas Regulamentadoras, da forma que foram estruturadas e a regra de atualização


pela CTPP se torna muito prático e versátil sua aplicação. O que é difícil de entender o porquê uma
NR tão importante quanto as NRs 15 e 16, não tem uma atualização mais profunda, apresentando
limites de tolerância de produtos químicos da década de 70, bom esses detalhes serão estudados
em outras disciplinas do curso.

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02
UNIDADE

ATRIBUIÇÕES,
RESPONSABILIDADES E
ÉTICA PROFISSIONAL
PROF. ME. EDINALDO FAVARETO GONZALEZ

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 19
TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO ........................................................................................................... 20
RESPONSABILIDADES ............................................................................................................................................ 30

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INTRODUÇÃO
Na unidade I, foi informado um breve histórico dos principais fatos que aconteceram
na evolução da segurança do trabalho no mundo e no Brasil. Nesse capítulo, irá se estudar as
atribuições de cada categoria possível de trabalhar na área de Segurança do Trabalho, em especial
vinculada ao CONFEA/CREA. Para se ter uma ideia da quantidade de profissionais existente no
mercado, vinculado ao CONFEA/CREA, veja a figura 1:

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


Figura 1 – CREA. Fonte: o autor.

Observe que Engenheiros de Segurança do Trabalho são 55.000 profissionais, que


segundo o CONFEA maior do que Engenheiro de Produção (31.641 profissionais), para uma
ordem de grandeza os engenheiros civis são maioria no CREA, totalizando 285.428 profissionais.
Outro detalhe interessante são os Tecnólogos em Segurança do Trabalho, o número exato são
1.023 profissionais, essa pequena partição se deve por ser nova essa profissão e por outro motivo
que se irá falar na sequência.

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TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO


O que determina as atribuições do técnico de segurança do trabalho é a Portaria N.º 3.275
de 21 de setembro de 1989.

Art. 1º - As atividades do Técnico de Segurança do Trabalho são as seguintes:


I - informar o empregador, através de parecer técnico, sobre os riscos exigentes
nos ambientes de trabalho, bem como orientá-los sobre as medidas de eliminação
e neutralização;
II - informar os trabalhadores sobre os riscos da sua atividade, bem como as
medidas de eliminação e neutralização;
III - analisar os métodos e os processos de trabalho e identificar os fatores de
risco de acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho e a presença
de agentes ambientais agressivos ao trabalhador, propondo sua eliminação ou
seu controle;

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


IV - executar os procedimentos de segurança e higiene do trabalho e avaliar os
resultantes alcançados, adequando-os estratégias utilizadas de maneira a integrar
o processo prevencionista em uma planificação, beneficiando o trabalhador;
V - executar programas de prevenção de acidentes do trabalho, doenças
profissionais e do trabalho nos ambientes de trabalho, com a participação dos
trabalhadores, acompanhando e avaliando seus resultados, bem como sugerindo
constante atualização dos mesmos estabelecendo procedimentos a serem
seguidos;
VI - promover debates, encontros, campanhas, seminários, palestras, reuniões,
treinamentos e utilizar outros recursos de ordem didática e pedagógica com o
objetivo de divulgar as normas de segurança e higiene do trabalho, assuntos
técnicos, visando evitar acidentes do trabalho, doenças profissionais e do
trabalho;
VII - executar as normas de segurança referentes a projetos de construção,
aplicação, reforma, arranjos físicos e de fluxos, com vistas à observância das
medidas de segurança e higiene do trabalho, inclusive por terceiros;
VIII - encaminhar aos setores e áreas competentes normas, regulamentos,
documentação, dados estatísticos, resultados de análises e avaliações, materiais
de apoio técnico, educacional e outros de divulgação para conhecimento e auto-
desenvolvimento do trabalhador;
IX - indicar, solicitar e inspecionar equipamentos de proteção contra incêndio,
recursos audiovisuais e didáticos e outros materiais considerados indispensáveis,
de acordo com a legislação vigente, dentro das qualidades e especificações
técnicas recomendadas, avaliando seu desempenho;
X - cooperar com as atividades do meio ambiente, orientando quanto ao
tratamento e destinação dos resíduos industriais, incentivando e conscientizando
o trabalhador da sua importância para a vida;
XI - orientar as atividades desenvolvidas por empresas contratadas, quanto aos
procedimentos de segurança e higiene do trabalho previstos na legislação ou
constantes em contratos de prestação de serviço;
XII - executar as atividades ligadas à segurança e higiene do trabalho utilizando
métodos e técnicas científicas, observando dispositivos legais e institucionais
que objetivem a eliminação, controle ou redução permanente dos riscos de
acidentes do trabalho e a melhoria das condições do ambiente, para preservar a
integridade física e mental dos trabalhadores;
XIII - levantar e estudar os dados estatísticos de acidentes do trabalho, doenças
profissionais e do trabalho, calcular a frequência e a gravidade destes para ajustes
das ações prevencionistas, normas regulamentos e outros dispositivos de ordem
técnica, que permitam a proteção coletiva e individual;

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XIV - articular-se e colaborar com os setores responsáveis pelos recursos


humanos, fornecendo-lhes resultados de levantamento técnicos de riscos das
áreas e atividades para subsidiar a adoção de medidas de prevenção a nível de
pessoal;
XV - informar os trabalhadores e o empregador sobre as atividades insalubre,
perigosas e penosas existentes na empresa, seus riscos específicos, bem como as
medidas e alternativas de eliminação ou neutralização dos mesmos;
XVI - avaliar as condições ambientais de trabalho e emitir parecer técnico que
subsidie o planejamento e a organização do trabalho de forma segura para o
trabalhador;
XVII - articula-se e colaborar com os órgãos e entidades ligados à prevenção de
acidentes do trabalho, doenças profissionais e do trabalho;
XVIII - participar de seminários, treinamento, congressos e cursos visando o
intercâmbio e o aperfeiçoamento profissional.

Enfim, pelo que se pode perceber as atribuições do técnico é muito focado em executar,
articular, informar, as tarefas de engenharia de segurança do trabalho, que é de grande importância

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


para fazer funcionar a segurança dentro das empresas. Essa função é nível técnico de um curso de
2 anos, podendo ser vinculados ao CREA ou ao Ministério do Trabalho. Para maior embasamento
veja o que estabelece a Lei No 7.410, de 27 de novembro de 1.985, quanto quem pode ser um
Técnico de Segurança do Trabalho.

Figura 2 - Atividade de Técnico de Segurança do Trabalho. Fonte: Iegran (2015).

Art. 2º - O exercício da profissão de Técnico de Segurança do Trabalho será


permitido, exclusivamente:
I - ao portador de certificado de conclusão de curso de Técnico de Segurança
do Trabalho, a ser ministrado no País em estabelecimentos de ensino de 2º grau;
II - ao portador de certificado de conclusão de curso de Supervisor de Segurança
do Trabalho, realizado em caráter prioritário pelo Ministério do Trabalho;
III - ao possuidor de registro de Supervisor de Segurança do Trabalho, expedido
pelo Ministério do Trabalho, até a data fixada na regulamentação desta Lei.
Parágrafo único - O curso previsto no inciso I deste artigo terá o currículo fixado
pelo Ministério da Educação, por proposta do Ministério do Trabalho, e seu
funcionamento determinará a extinção dos cursos de que trata o inciso II, na
forma da regulamentação a ser exercida.

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O técnico precisa estar vinculado ao Ministério do Trabalho, gratui-


tamente, para poder exercer a profissão, por outro lado, o profissio-
nal não recebe nenhum documento, deste modo, caso ele queira
ter uma carteira de técnico, poderá vincula-se ao CREA, pagando
anuidade.

Tecnólogo de Segurança do Trabalho


A Resolução Nº 313, de 26 setembro 1986, é a que determina as atribuições de tecnólogos
em geral, tendo em vista que atualmente eles podem atuar em diversas áreas, para o qual foram
criadas, não somente da engenharia de segurança do trabalho.

Art. 3º - As atribuições dos Tecnólogos, em suas diversas modalidades, para


efeito do exercício profissional, e da sua fiscalização, respeitados os limites de
sua formação, consistem em:

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


1) elaboração de orçamento;
2) padronização, mensuração e controle de qualidade;
3) condução de trabalho técnico;
4) condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou
manutenção;
5) execução de instalação, montagem e reparo;
6) operação e manutenção de equipamento e instalação;
7) execução de desenho técnico.
Parágrafo único - Compete, ainda, aos Tecnólogos em suas diversas modalidades,
sob a supervisão e direção de Engenheiros, Arquitetos ou Engenheiros
Agrônomos:
1) execução de obra e serviço técnico;
2) fiscalização de obra e serviço técnico;
3) produção técnica especializada.
Art. 4º - Quando enquadradas, exclusivamente, no desempenho das atividades
referidas no Art. 3º e seu parágrafo único, poderão os Tecnólogos exercer as
seguintes atividades:
1) vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico;
2) desempenho de cargo e função técnica;
3) ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica,
extensão.
Parágrafo único - O Tecnólogo poderá responsabilizar-se, tecnicamente, por
pessoa jurídica, desde que o objetivo social desta seja compatível com suas
atribuições.”

Percebe-se que a as atribuições dos tecnólogos estão focados em execução, operação,


condução, função intermediária entre os Técnicos e os Engenheiro de Segurança do Trabalho,
porém sempre bom lembrar que o tecnólogo é nível de graduação em um curso de 3 anos, sendo
vinculados ao CREA. A função de Tecnólogo de Segurança do Trabalho foi criada, em situações
muito estranhas, pois as instituições de ensino começaram a fornecer o curso, porém muitos
CREAs nem sabiam ao certo o que fazer com esse profissional que nascia, dentro da segurança do
trabalho. A legislação citada, diz respeito ao tecnólogo, mas não especificamente ao tecnólogo de
segurança do trabalho. Outro fato muito estranho é a própria NR-04: Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), no Quadro II, que não especifica
esse profissional. Então a grande pergunta: Porque o Ministério do Trabalho, Governo, CTPP,
não pediu a alteração da NR-04, incluindo o Tecnólogo no Quadro II, da NR-04? Não se sabe
o porquê, mas a impressão que se tem que criaram a função, mas não especificaram o mercado
para ele trabalhar.

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INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


Engenheiro de Segurança do Trabalho
Esse profissional possui a atribuição mais completa dos três e suas atribuições são as de
maiores responsabilidades - figura 03. Veja o que diz a Lei No 7.410, de 27 de novembro de 1.985
ou a Resolução do CONFEA N.º 359/1991 ou Decreto Federal 27 de janeiro de 1.987 - Art. 1º
trazem textos semelhantes quanto exercer a função de engenheiro de segurança do trabalho:

Figura 3 – Engenharia de Segurança do Trabalho. Fonte: Redação Revista Proteção (2010).

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Art. 1º - O exercício da especialização de Engenheiro de Segurança do Trabalho


é permitido, exclusivamente:
I - ao Engenheiro ou Arquiteto, portador de certificado de conclusão de curso
de especialização a nível de pós-graduação, em Engenharia de Segurança do
Trabalho;
II - ao portador de certificado de curso de especialização em Engenharia de
Segurança do Trabalho, realizado em caráter prioritário pelo Ministério do
Trabalho;
III - ao portador de registro de Engenharia de Segurança do Trabalho, expedido
pelo Ministério do Trabalho, dentro de 180 (cento e oitenta) dias da extinção do
curso referido no item anterior.
Parágrafo único - O curso previsto no inciso I deste artigo terá o currículo fixado
pelo Conselho Federal de Educação, por proposta do Ministério do Trabalho, e
seu funcionamento determinará a extinção dos cursos de que trata o inciso II, na
forma da regulamentação a ser expedida.

Portanto, a resolução deixa claro que o profissional que tem a especialização em Engenharia
de Segurança do Trabalho possui uma reserva de mercado, pois somente ele poderá desenvolver

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


essa atividade, é a única atividade perante o CREA/CAU que garante ao engenheiro/arquiteto
aumento de atribuição, ninguém mais poderá ser engenheiro de segurança do trabalho a não ser
quem fizer o curso de Especialização de Engenharia de Segurança do trabalho com 630horas/
aula, ou seja, não adianta fazer doutorado no tema de engenharia de segurança do trabalho, pois
perante ao CREA/CAU não poderá exercer a profissão.
Segundo a Resolução do CONFEA, no 1010/2005 considera como as seguintes atribuições
dos engenheiros, que essas podem estar relacionadas a engenharia de segurança do trabalho, são
elas:

Atividade 01 - Gestão, supervisão, coordenação, orientação técnica;


Atividade 02 - Coleta de dados, estudo, planejamento, projeto, especificação;
Atividade 03 - Estudo de viabilidade técnico-econômica e ambiental;
Atividade 04 - Assistência, assessoria, consultoria;
Atividade 05 - Direção de obra ou serviço técnico;
Atividade 06 - Vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer
técnico, auditoria, arbitragem;
Atividade 07 - Desempenho de cargo ou função técnica;
Atividade 08 - Treinamento, ensino, pesquisa, desenvolvimento, análise,
experimentação, ensaio, divulgação técnica, extensão;
Atividade 09 - Elaboração de orçamento;
Atividade 10 - Padronização, mensuração, controle de qualidade;
Atividade 11 - Execução de obra ou serviço técnico;
Atividade 12 - Fiscalização de obra ou serviço técnico;
Atividade 13 - Produção técnica e especializada;
Atividade 14 - Condução de serviço técnico;
Atividade 15 - Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo
ou manutenção;
Atividade 16 - Execução de instalação, montagem, operação, reparo ou
manutenção;
Atividade 17 – Operação, manutenção de equipamento ou instalação;
Atividade 18 - Execução de desenho técnico.

A Resolução do CONFEA N.º 359/1991 é mais especifica quais são as atividades dos
engenheiros de segurança do trabalho.

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Art. 4º - As atividades dos Engenheiros e Arquitetos na especialidade de


Engenharia de Segurança do Trabalho são as seguintes:
1 - supervisionar, coordenar e orientar tecnicamente os serviços de Engenharia
de Segurança do Trabalho;
2 - estudar as condições de segurança dos locais de trabalho e das instalações
e equipamentos, com vistas especialmente aos problemas de controle de risco,
controle de poluição, higiene do trabalho, ergonomia, prática contra incêndio e
saneamento;
3 - planejar e desenvolver a implantação e técnicas relativas a gerenciamento e
controle de riscos;
4 - vistoriar, avaliar, realizar perícias, arbitrar, emitir parecer, laudos técnicos
e indicar medidas de controle sobre grau de exposição a agentes agressivos de
riscos físicos, químicos e biológicos, tais como: poluentes atmosféricos, ruídos,
calor, radiação em geral e pressões anormais, caracterizando as atividades,
operações e locais insalubres e perigosos;
5 - analisar riscos, acidentes e falhas, investigando causas, propondo medidas
preventivas e corretivas e orientando trabalhos estatísticos, inclusive com
respeito a custos;

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


6 - propor políticas, programas, normas e regulamentos de Segurança do
Trabalho, zelando pela sua observância;
7 - elaborar projetos de sistemas de Segurança e assessorar a elaboração de
projetos de obras, instalação e equipamentos, opinando do ponto de vista da
Engenharia de Segurança;
8 - estudar instalações, máquinas e equipamentos, identificando seus pontos de
riscos e projetando dispositivos de Segurança;
9 - projetar sistema de proteção contra incêndios, coordenar atividades de
combate a incêndio e de salvamento e elaborar planos para emergência e
catástrofes;
10 - inspecionar locais de trabalho no que se relaciona com a Segurança do
Trabalho, delimitando áreas de periculosidade;
11 - especificar, controlar e fiscalizar sistemas de proteção coletiva e
equipamentos de segurança, inclusive os de proteção individual e os de proteção
contra incêndio, assegurando-se sua qualidade e eficiência;
12 - opinar e participar da especificação para aquisição de substâncias e
equipamentos cuja manipulação, armazenamento, transporte ou funcionamento
possam apresentar riscos, acompanhando o controle do recebimento e da
expedição;
13 - elaborar planos destinados a criar e desenvolver a prevenção de acidente,
promovendo a instalação de comissões e assessorando-lhes o funcionamento;
14 - orientar o treinamento específico de Segurança do Trabalho e assessorar a
elaboração de programa de treinamento geral, no que diz respeito à Segurança
do Trabalho;
15 - acompanhar a execução de obras e serviços decorrentes da adoção de
medidas de segurança, quando a complexidade dos trabalhos a executar assim
o exigir;
16 - colaborar na fixação de requisitos de aptidão para o exercício de funções,
apontando os riscos decorrentes desses exercícios;
17 - propor medidas preventivas no campo de Segurança do Trabalho, em face
do conhecimento da natureza e gravidade das lesões provenientes do Acidente
de Trabalho, incluídas as doenças do trabalho;
18 - informar aos trabalhadores e à comunidade, diretamente ou por meio de
seus representantes, as condições que possam trazer danos a sua integridade e
as medidas que eliminam ou atenuam estes riscos e que deverão ser tomadas.

Percebe-se que os verbos utilizados nesse profissional são muito mais fortes, por exemplo,
inspecionar, elaborar, projetar, desenvolver (figura 04),..., portanto o Engenheiro de Segurança
do Trabalho tem uma grande responsabilidade quando ele assume essas atividades.

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Figura 4 – Engenharia. Fonte: Redação Revista Proteção (2010).

O profissional, ao preencher o formulário de ART (Anotação de


Responsabilidade Técnica), especificará em qual item do art. 4º da
Resolução do CONFEA nº 359, de 1991, se enquadra o documento
técnico e/ou atividade técnica objeto de ART.

A Resolução do CONFEA No 437/1999 é ainda mais especifica e possui entendimentos


mais claros e diretos sobre o que faz o profissional de engenharia de segurança do trabalho:

Art. 4º Incluem-se entre as atividades de Engenharia de Segurança do Trabalho,


referidas no art. 4º da Resolução nº 359, de 1991, a elaboração e os seguintes
documentos técnicos, previstos na Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, que
regulamentou a Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977, que alterou o Capítulo
V, Título II da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT:
I- programa de condições e meio ambiente do trabalho na indústria da
construção - PCMAT, previsto na NR-18;
II- programa de prevenção de riscos ambientais – PPRA, previsto na NR-09;
III- programa de conservação auditiva;
IV- laudo de avaliação ergonômica, previsto na NR-17;
V- programa de proteção respiratória, previsto na NR-06; e
VI- programa de prevenção da exposição ocupacional ao benzeno – PPEOB,
previsto na NR-15.

O Engenheiro de Segurança do Trabalho no dia a dia tem um campo muito amplo de


aplicações nas empresas, pode-se citar como a atividade mais comum:

1- Elaboração de Programas de Segurança do Trabalho: O engenheiro poderá elaborar,


por exemplos, PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) NR-09, PCMAT (Programa
de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção Civil) NR-18.

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2- Elaboração de laudos o mais comum deles é o LTCAT (Laudo Técnico das Condições Ambientais do
Trabalho): Esse Laudo, tem como função especificar se um funcionário tem direito ao adicional de insalubridade,
NR-15, ou adicional de periculosidade, NR-16 ou até mesmo se o funcionário terá direito a aposentadoria especial.

3- Responsável técnico de uma empresa: O engenheiro ficará responsável pela empresa, orientando, fiscali-
zando, empregados e empregador. Verificando documentações, gerenciando riscos, estabelecendo regras e criando/
desenvolvendo ideias para evitar acidentes de trabalho.

A “venda de laudos e programas” é deprimente na área, atualmente devido a experiência


desse autor, recomenda-se a realização de produtos mais completos, por exemplo, elaboração e
acompanhamento de Laudos e Programas, levando para o cliente não só papel, e sim uma Gestão
de Segurança do Trabalho, melhorando toda a estrutura da empresa, essa tática possui algumas
vantagens:

a) possibilita uma melhor gestão da segurança do trabalho na empresa;


b) o empregador vê melhores resultados, e consequentemente valoriza o seu trabalho;

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


c) cria-se um maior vínculo com a empresa;
d) os empregados tem um maior contato contigo;
e) o engenheiro tem a justificativa de cobrar mais pelo seus honorários.

É muito desagradável para o empregador receber a ligação do Engenheiro de Segurança do


Trabalho, depois de 01 ano, informando que seu LTCAT teoricamente está vencido, e que deverá
ser renovado, LTCAT não é apólice de seguro, não é Imposto Predial, sendo que o empregador
nem tirou da gaveta naquele ano.
O mais desagradável é saber que existem profissionais que somente imprimem um novo,
só troca a data e entrega para empresa, documento esse que ficará na gaveta por mais 01 ano.
Atualmente o Ministério do Trabalho tem feito fiscalizações para coagir esse tipo de prática,
convocando engenheiros para se explicar erros do tipo, datas repetidas, nome de empresa erradas,
documentos idênticos por vários anos, documentos iguais em empresas diferentes e outras
práticas eticamente péssimas para a categoria que não valoriza nada a tão importante profissão.

Outros Profissionais
O profissional que faz graduação em Arquitetura e Urbanismo, poderá fazer a
Especialização de Engenharia de Segurança do Trabalho, tendo as mesmas atribuições que o
engenheiro, pois isso está estabelecido na Resolução Nº 359, de 31 de julho de 1991. Considerando
a NR-04 e novamente o seu anexo do Quadro II, temos outros profissionais que trabalham na
área, por exemplo, auxiliar de enfermeiro do trabalho, enfermeiro do trabalho e o médico do
trabalho, que cada conselho e outros órgãos irão regulamentar.

ÉTICA PROFISSIONAL
O “Código de Ética do Profissional da Engenharia, da Agronomia, da Geologia, da
Geografia e da Meteorologia” é o que rege as questões éticas aos profissionais de engenharia.
Segundo o Artigo 8º do Código de Ética citado acima, se define os seguintes princípios éticos aos
quais o profissional deve pautar sua conduta da prática da profissão:

Do objetivo da profissão
I – A profissão é bem social da humanidade e o profissional é o agente capaz
de exercê-la, tendo como objetivos maiores a preservação e o desenvolvimento
harmônico do ser humano, de seu ambiente e de seus valores;

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Da natureza da profissão
II – A profissão é bem cultural da humanidade construído permanentemente
pelos conhecimentos técnicos e científicos e pela criação artística, manifestando-
se pela prática tecnológica, colocado a serviço da melhoria da qualidade de vida
do homem;
Da honradez da profissão
III – A profissão é alto título de honra e sua prática exige conduta honesta, digna
e cidadã;
Da eficácia profissional
IV – A profissão realiza-se pelo cumprimento responsável e competente dos
compromissos profissionais, munindo-se de técnicas adequadas, assegurando
os resultados propostos e a qualidade satisfatória nos serviços e produtos e
observando a segurança nos seus procedimentos;
Do relacionamento profissional
V – A profissão é praticada através do relacionamento honesto, justo e com
espírito progressista dos profissionais para com os gestores, ordenadores,
destinatários, beneficiários e colaboradores de seus serviços, com igualdade de
tratamento entre os profissionais e com lealdade na competição;

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


Da intervenção profissional sobre o meio
VI – A profissão é exercida com base nos preceitos do desenvolvimento
sustentável na intervenção sobre os ambientes natural e construído e da
incolumidade das pessoas, de seus bens e de seus valores;
Da liberdade e segurança profissionais
VII – A profissão é de livre exercício aos qualificados, sendo a segurança de sua
prática de interesse coletivo.

É de extrema importância que todo profissional leia o Código de Ética referenciado nesse
módulo, figura 05.

Figura 5 – Ética. Fonte: AEASJC (2015).

Tendo em vista a situação apresentada no texto anteriormente (Atualmente o Ministério


do Trabalho tem feito fiscalizações para coagir esse tipo de prática, convocando engenheiros
para se explicar erros do tipo, datas repetidas, nome de empresa erradas, etc) utilizar tal situações
como um exercício: Como se enquadraria um engenheiro que utilizasse desses atos?
Segundo o “4 - Dos Deveres”, define-se:

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IV – Nas relações com os demais profissionais:


a. atuar com lealdade no mercado de trabalho, observando o princípio da
igualdade de condições;
Enganar o cliente e agir com falta de igualdade com os demais profissionais, e
portanto não fazer um laudo respeitando todos os passos, afim de fazer serviços
mais baratos, é estar desrespeitando a Ética.

Veja item seguinte do Código:

III – Nas relações com os clientes, empregadores e colaboradores:


[...]
b. apresentar proposta de honorários com valores vis ou extorsivos ou
desrespeitando tabelas de honorários mínimos aplicáveis;”
Cuidado com preços destorcidos da realidade, projetos por R$ 100,00 e ganha a
execução, laudos por valores incompatíveis com as do mercado, simplesmente
porque é apenas o custo de uma nova impressão, por gerar processo Ética no
CREA.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


Portanto, com os exemplos apresentados e trechos do Código de Ética do
CREA, pode se verificar que todos os profissionais podem estar sujeito a esse
tipo de questionamentos ou até mesmo processo no conselho. Imagine se o
próprio Ministério do Trabalho faz essa denúncia no conselho, por verificar
irregularidades em seu LTCAT, PPRA.

Como pode ter visto a importância de saber, entender o Código de


Ética do Conselho, por esse motivo sugere leitura para melhor en-
tendimento e resolução das questões.
Disponível em:
http://www.crea-pr.org.br/ws/codigo-de-etica-do-profissional-da-
-engenharia-da-agronomia-da-geologia-da-geografia-e-da-meteo-
rologia

Assédio Moral
Assédio moral muito em alta e está relacionado ao tema discutido no Módulo I, no qual
foi discutido questões que originavam algumas doenças ocupacionais que são as “doenças do
futuro” no ambiente de trabalho. Assédio moral está relacionado com a questão da falta de ética.
Provavelmente esse tema voltará a ser discutido em outros módulos em outras disciplinas, em
todo caso irá se discutir um pouco agora para cada aluno ter uma noção do que significa o tema.
Leia o texto a seguir:

Assédio Moral

A 3ª Turma do TST condenou o Banco Bradesco S.A. a indenizar


por danos morais, uma profissional chamada de “gerente Gabriela”,
pelo superior hierárquico. O gerente regional. O chefe referia-se aos
versos da música Modinha para Gabriela, de Dorival Caymmi, co-
nhecida na voz de Gal Costa como abertura da novela Gabriela “eu
nasci assim, eu cresci assim e sou mesmo assim, vou ser sempre
assim” para dizer que ela era incompetente para cumprir metas.

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Pelo assédio moral, a empresa deverá pagar R$ 30 mil de indeniza-


ção. Relatos de testemunhas descreveram que o assédio envolveu
vários gerentes, inclusive a que ajuizou a ação, e que ele chegou a
afirmar que “se o capim mudasse de cor, morreriam de fome”. Para
a relatora do processo no TST, desembargadora convocada Vania
Maria da Rocha Abensur, os atos abusivos do gerente foram devi-
damente comprovados. “Sua atitude era de contínua perseguição
e prática reiterada de situações humilhantes e constrangedoras,
caracterizando assédio moral

Fonte:
www.tst.jus.br (RR-1660-21.2012.5.01.0013)

Disponível em: http://www.protecao.com.br/materias/noticias_


dos_tribunais/edicao_292_abril_de_2016__assedio_moral/AJjbJj

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


Assédio moral é caracterizado quando geralmente um superior (ou não) ao funcionário,
exige em excesso ou falta com respeito com piadas relacionadas ao trabalho desmoralizando,
fazendo pressão psicológica em comprimento de metas, ações e outros. Se o ambiente de trabalho
fosse uma “escola” e os funcionários fossem “alunos” seria chamado de bullying, nesse caso um
assédio moral em mesmo nível hierárquico. Repare que o texto mostra brincadeiras de mal gosto,
e esse tipo de atitude é combatido e estudado pela segurança do trabalho, pois há estatísticas que
mostram que um funcionário que sofre constantes assédio moral fica mais suscetível a acidentes
de trabalho.

RESPONSABILIDADES
As reponsabilidades de um Engenheiro de Segurança do Trabalho, não é diferente das
responsabilidades de qualquer outro, talvez um pouco pior, pois o engenheiro foca mais em
processos, já o de segurança do trabalho foca mais nas pessoas.
O texto a seguir publicado no site da IBGPAT (Instituto Brasileiro de Gestão em Prevenção
de Acidentes do Trabalho) mostra a negligência do técnico e do engenheiro de segurança que
tiveram de responder por suas responsabilidades. Lembrando, o que especifica o vínculo da
empresa x engenheiro se chama ART. Ao ler o texto repare nos trechos grifados:

ENGENHEIRO E TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO SÃO PRESOS


EM SÃO LEOPOLDO/RS
Publicado em 29 de junho de 2015

Engenheiro e Técnicos de Segurança são presos por causa de incêndio. O


engenheiro responsável pela Utresa (Usina de Tratamento de Resíduos) e dois Técnicos
de Segurança do Trabalho foram presos na madrugada deste sábado em São Leopoldo, na
região metropolitana de Porto Alegre (RS).

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A Polícia Civil afirma que João Luis Bombarda (Engº), Antônio Joaquim e Felisberto
Fonseca (TST) sabiam das diversas irregularidades que contribuíram para um incêndio de
grandes proporções ocorrido um terminal da empresa, em Estância Velha. O fogo começou
por volta das 12h30 de sexta-feira (24), se alastrou e só foi controlado pelos bombeiros na
madrugada de hoje.
Os funcionários da empresa são acusados pelos crimes de poluição ambiental,
incêndio e descumprimento de licença, legislação ambiental e Normas Regulamentadoras.
De acordo com a delegada do Meio Ambiente Elisangela Melo, Bombarda, que
é engenheiro químico, tinha conhecimento de inúmeras irregularidades no Plano de
Prevenção e Combate à Incêndio e Licenciamento Ambiental da empresa. ‘Não havia
mecanismos, como hidrantes, para dar conta dos focos de incêndio. O laudo preliminar
indicou presença de poliuretano, material altamente tóxico e inflamável e, com o calor,
entra facilmente em autocombustão’, disse. A delegada destacou, ainda, que o responsável
técnico da Utresa deve responder pelos crimes de poluição, incêndio e descumprimento de
licença ambiental. Se condenado, poderá pegar até cinco anos de prisão.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


Entre as irregularidades estariam a falta de hidrantes e o não funcionamento de
uma bomba de água próxima do local do incêndio. A defesa do engenheiro e dos Técnicos
já entraram com pedido de relaxamento da prisão, segundo a polícia.
Carece de uma discussão ampla da categoria de prevencionista do país sobre quem
legalmente é responsável pela segurança dos trabalhadores em seus ambientes de trabalho.
A discussão surge após a prisão, por serem acusados de negligência. De acordo com
as primeiras informações, a autoridade policial encontrou indícios que os três profissionais
tinham conhecimento das condições irregulares e que não tomaram as providências
necessárias para evitar o incêndio na empresa.
Ainda conforme as informações relatadas na reportagem, a autoridade policial em
nenhum momento cita o dono da empresa, como sabedor das condições irregulares que
acabaram contribuindo para o incêndio em instalações na sua empresa.
Segundo especialista em Direito, a empresa deveria ter este conhecimento e
providenciar para que as ações de controle fossem realizadas. Para os profissionais de
segurança caberia identificar estas condições e relatar por meio de documentos, as formas
de melhoria ao seu empregador. Se elas serão executadas ou não, isto fica a critério do
patrão e não de seus funcionários, eles não têm o poder de execução, têm o da gestão de
perigos ambientais.
Portanto, se existem irregularidades e elas não estão sendo executadas, por quem
tem o poder econômico para executar, e isso o empregador tem, neste caso a culpa
possivelmente não é dos trabalhadores, é sim da empresa. No entanto, quem deve responder
perante o judiciário é justamente ele, o proprietário da empresa. Se os três profissionais
tinham conhecimentos dos riscos de incêndio e o que sabia o empresário sobre tudo isto?
Porque ele não foi preso também?”

Fonte: http://www.ibgpat.org.br/engenheiro-e-tecnico-de-seguranca-do-trabalho-sao-presos-em-sao-leo-
poldors/ Acesso: fev/2018.

O texto é muito bom, pois relata claramente a responsabilidade das pessoas que possuem
conhecimento, que são pagas para gerenciar situações de segurança do trabalho, no entanto
foram negligentes. Toda vez que um cidadão ou um engenheiro se torna negligente em relação a
uma lei, ele assume a culpa. O que os técnicos e o engenheiro deveriam fazer? Encaminhar para o
responsável pela empresa, documento formal, por escrito, coletando a assinatura dele, alertando
aos riscos existentes devido ao sistema de prevenção de incêndio não estar funcionando, mais
especificamente o de hidrante e bombas.

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Esse procedimento isentaria a culpa dos profissionais transferindo para o proprietário


da empresa. Possivelmente, o proprietário não terá grandes problemas, pois ele é considerado
leigo e muitas vezes “não conhece” as regras técnicas e por essa razão ele contratou 02 técnicos
e 01 engenheiro de segurança do trabalho. O texto foi citado para explicar como é de grande
importância as responsabilidades de um engenheiro, independentemente de sua função, seja a
frente de uma grande empresa na produção ou na segurança do trabalho. E conforme a negligencia
pode-se ter maiores complicações como pagamento de pensões, prisão, perda do registro, ou
penas alternativas.
Veja o Código Civil Brasileiro: “Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito”. Ou seja, a negligência ocorrida pelos técnicos e o engenheiro, faz
torna-se um ato ilícito. “Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de
outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos
responderão solidariamente pela reparação”. Ou seja, o dano é para todos, técnicos e para o
engenheiro, cada um assumindo sua culpa relativo sua responsabilidade, figura 06.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2

Figura 6 – Engenheiro e Técnico. Fonte: Iegran (2015).

Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer
o seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a
indenização, além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da
convalescença, incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para
que se inabilitou, ou da depreciação que ele sofreu.

O texto, não informa se houve morte ou alguma lesão de algum funcionário, mas caso
tenha ocorrido os culpados terão que arcar com esse ônus também.

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INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 2


Figura 7 – Lesões. Fonte: Iegran (2015).

Veja como é gigantesca a responsabilidade de um engenheiro, e como é grandiosa e


magnífica, saber que em sua profissão, poderá melhorar o ambiente de trabalho dele, e até mesmo
salvar sua vida.

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03
UNIDADE

ACIDENTE DE TRABALHO
PROF. ME. EDINALDO FAVARETO GONZALEZ

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 35
DEFINIÇÕES ............................................................................................................................................................. 36
ACIDENTE DO TRABALHO ...................................................................................................................................... 39

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INTRODUÇÃO
O conceito de acidente se questionado a um leigo será uma regra muito mais severa do
que estabelece a própria definição. O leigo irá considerar acidente de trabalho, algo do tipo, “tem
que sair sangue”, para as regras estabelecidas atualmente, não é necessariamente isso.
Segundo o art. 19 da Lei nº 8.213/91,

acidente de trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da


empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do
art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause
a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para
o trabalho.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 3


Segundo a Norma de Certificação Segurança do Trabalho, padrão internacional, OHSAS
18000, “Evento não-planejado que resulta em morte, doença, lesão dano ou outra perda”.
Independente qual seja a definição de acidente o fato é que há uma perda, um dano, e que o
grande prejudicado é o acidentado, o trabalhador, suas famílias. Em todo caso, se unir as duas
definições pode-se obter o seguinte conceito: Qualquer imprevisto que ocorre durante a atividade
do trabalhador que lhe provoca uma lesão ou doença. Observe que se coloca é algo bastante
abrangente “qualquer imprevisto”, mais adiante se irá detalhar esses fatos mais claramente. Outra
situação importante a ser esclarecida que para o Governo a definição de acidente de trabalho
é: aquele que tem afastamento. No caso da engenharia de segurança do trabalho é: qualquer
evento não planejado que pode até não ter resultado em lesão ou doença.

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Definições
• Acidente de trabalho Típico: É aquele que ocorre no local e durante o trabalho,
considerando como um acontecimento súbito, violento e ocasional provocando no trabalhador
uma incapacidade temporária ou permanente, para a prestação de serviço. Pode-se citar como
exemplos: cortes, quedas, queimaduras, batidas, contato com produtos químicos – pele/vias
aéreas, choque elétrico, etc.

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Figura 1 – Típico. Fonte: Redação Revista Proteção (2010).

O acidente típico é o mais comum, pois em sua maioria, ele ocorre dentro do espaço
da empresa, podendo o risco e as medidas preventivas, serem avaliados, e controlados pelos
técnicos e engenheiros de segurança do trabalho. Segundo Gonzalez 2017, uma medida simples
para se evitar acidentes de trabalho é manter o ambiente de trabalho limpo e organizado livre de
materiais/equipamentos inúteis, ou seja, aplicação de Programa 5S.

• Acidente de trabalho de Trajeto: É o acidente sofrido pelo empregado no percurso


da residência para o local de trabalho ou vice-versa, qualquer que seja o meio de locomoção,
inclusive veículo de propriedade do empregado. Deixa de caracterizar-se como “acidente de
trajeto” quando o empregado tenha, por interesse próprio, interrompido ou alterado o percurso
normal.

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INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 3


Figura 2 – Trajeto. Fonte: BBB (2018).

• Doença do trabalho segundo a Lei Nº 8.213/91 - Art 20:

I - doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo


exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva
relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

Outra explicação mais clara sobre a doença do trabalho, decorre do exercício continuado
ou intermitente de atividade laborativa capaz de provocar lesão por ação mediata. Exemplo:
se um frentista que trabalha num determinado posto de combustível e depois de um tempo
trabalhando nessa atividade, ele apresentou problemas respiratórios, devido a respiração de
hidrocarboneto existente nos combustíveis, é um exemplo de doença do trabalho relacionado a
sua atividade.

Figura 3 – Doença. Fonte: Ruff (2017).

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• Doença profissional ou ocupacional segundo a Lei Nº 8.213/91 - Art 20: “II - doença
do trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em
que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada
no inciso I”. Exemplo: se um atendente que trabalha com digitação, num determinado escritório
de um posto de combustível a beira de uma rodovia de trânsito intenso e pesado, provocando
uma quantidade de ruído excessivo durante todo o dia, em virtude disso adquire uma Perda
Auditiva Induzida por Ruído Ocupacional (PAIR), apesar de não fazer parte de sua ocupação,
ele teve perda auditiva, é um exemplo de doença do trabalho. Pois não está relacionada a sua
profissão, a doença que ele poderia apresentar seria proveniente da digitação.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 3


Figura 4 – Doenças. Fonte: Géssyca (2011).

É importante salientar que a mesma lei, estabelece o que não pode ser considerada
doenças relativas ao trabalho:
“§ 1º Não são consideradas como doença do trabalho:

a) a doença degenerativa;
b) a inerente a grupo etário;
c) a que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se
desenvolva, salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado
pela natureza do trabalho”.

Doenças degenerativa pode se citar como sendo, alzheimer, diabetes, hipertensão,


parkinson, arteriosclerose, osteoporose, esclerose múltipla, reumatismo, esclerose lateral
amiotrófica, alguns tipos de câncer, e outros, lembrando que muitos canceres são provocados
pelo ambiente de trabalho, exemplo, respiração de produtos químicos, trabalhadores em minas
de carvão - câncer em pulmão, e outras relações.

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• Acidente impessoal: acidente cuja caracterização independe de existir acidentado, não


podendo ser considerado como causador direto da lesão pessoal, como ocorrências que provocam
dano e/ou perda patrimonial. Uma colisão de veículo ou queda de um material ou equipamento
ilustram este conceito.

• Acidente pessoal: acidente cuja caracterização depende de existir acidentado.

• Agente do acidente: coisa, substância ou ambiente que, sendo inerente à condição


ambiente de insegurança, tenha provocado o acidente.

• Fonte da lesão: máquina, substância, equipamento, energia ou movimento do corpo


que diretamente provocou a lesão.

ACIDENTE DO TRABALHO

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 3


Para ser caracterizado acidente de trabalho segundo a legislação tem que estar enquadrado
na Lei No 6.367, de 19 de outubro de 1976, segue a explicação trecho a trecho da lei.

§ 1º Consideram-se também empregados, para os fins desta lei, o trabalhador


temporário, o trabalhador avulso, assim entendido o que presta serviços a diversas
empresas, pertencendo ou não a sindicato, inclusive o estivador, o conferente e
assemelhados, bem como o presidiário que exerce trabalho remunerado.

Nesse parágrafo da lei se estabelece quais os trabalhadores que estão sobre a proteção
da lei. “Art. 2º Acidente do trabalho é aquele que ocorrer pelo exercício do trabalho a serviço da
empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, ou perda, ou
redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho”.

Figura 5 – Proteção. Fonte: Ventura (2009).

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No artigo segundo, reforça a definição do termo “Acidente de Trabalho”, já relatado em


outras ocasiões no texto. A seguir, vem o ponto crucial, são os pontos que segundo a Lei considera
o que é acidente de trabalho especificando o que se equipara ao acidente do trabalho, para efeitos
da Lei:

§ 1º Equiparam-se ao acidente do trabalho, para os fins desta lei:


I - a doença profissional ou do trabalho, assim entendida a inerente ou peculiar
a determinado ramo de atividade e constante de relação organizada pelo
Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS).

Considera sem dúvidas que, já que no passado foi colocada sobre suspeitas a questão da
doença no ambiente de trabalho, e, portanto, deixa registrado que acidente do trabalho qualquer
doença que tenha sido provocada pelo meio ambiente de trabalho relacionada pelo Ministério da
Previdência e Assistência Social. “II - o acidente que, ligado ao trabalho, embora não tenha sido
a causa única, haja contribuído diretamente para a morte, ou a perda, ou redução da capacidade
para o trabalho”. Independente de quantas são as causas, se estiver a serviço da empresa será

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 3


considerado acidente de trabalho.

III - o acidente sofrido pelo empregado no local e no horário do trabalho, em


consequência de:
a) ato de sabotagem ou de terrorismo praticado por terceiros, inclusive
companheiro de trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa
relacionada com o trabalho;
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro inclusive
companheiro de trabalho;

Figura 6 – Acidentes. Fonte: Peixoto (2013).

“d) ato de pessoa privada do uso da razão;


e) desabamento, inundação ou incêndio;
f) outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior”.

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De um modo geral, qualquer acidente sofrido pelo empregado no local e no horário do


trabalho será considerado acidente de trabalho, por exemplo: sabotagem, terrorismo, ofensiva
física motivada por questões do trabalho, imprudência ou negligência de colega do trabalho,
desabamento, queda de barreira, e para fechar com chave de ouro quaisquer “outros casos fortuitos
ou decorrentes de força maior”. “IV - a doença proveniente de contaminação acidental de pessoal
de área médica, no exercício de sua atividade”. A figura 7 mostra como deve ser feito o descarte
de agulhas e seringas de uso na área da saúde, para evitar perfurações, cortes e contaminação.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 3


Figura 7 – Medidas de segurança. Fonte: IPT (2017).

Esse é bastante lógico, contaminação acidental, não provocada, em área médica a exercício
da atividade, é considerado acidente de trabalho, exemplo, espetar-se com agulhas contaminadas,
por contato de excreções de pacientes, contaminação por vírus, bactérias, entre outros.

V - o acidente sofrido pelo empregado ainda que fora do local e horário de


trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autoridade da empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar
prejuízo ou proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, seja qual for o meio de locomoção utilizado,
inclusive veículo de propriedade do empregado;
d) no percurso da residência para o trabalho ou deste para aquela.

Acidente de trabalho pode ser considerado também quando o trabalhador está fora do
local de trabalho e fora do horário de trabalho, adiante segue o exemplo relacionando a cada item
da lei:
a) A empresa te convoca para atender um cliente num domingo em seu domicílio, nesse
caso se ocorrer um acidente, é de responsabilidade da empresa.

b) A empresa não te convocou, mas você ao passar em frente da empresa fora do horário
de expediente você constata que há um vazamento de água, uma fumaça, uma máquina em
funcionamento,..., enfim ao entrar na empresa para resolver tal problema, caso ocorra algum
acidente, é de responsabilidade da empresa.

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c) A empresa te oferece um curso em outra cidade, você pode aceitar ou não, mas se
não aceitar você pode ficar mal visto pelo chefe, portanto você aceita e deste modo, você está a
serviço da empresa. Outra situação muito comum é empresas darem ajuda de custos (desde que
comprovada) a funcionários para estudarem, caso ocorra um acidente do percurso Empresa x
Escola x Casa, (acidente de trajeto) é de responsabilidade da empresa, pois a lei entende que a
empresa está ajudando a pagar a seu estudo, pois tem interesse no que o funcionário estudando,
e portanto está a serviço da empresa.

d) Esse item é mais comum no entendimento das pessoas, se refere ao acidente de trajeto,
sempre focado no caminho que o trabalhador faz da casa para o trabalho, do trabalho para casa.
Caso o funcionário saia do trajeto, por exemplo para comprar pão, a carne para assar no sábado,
a cerveja do fim de semana, entre outros, estará descaracterizado.

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Figura 8 – Acidente. Fonte: Tharries (2017).

“§ 2º Nos períodos destinados a refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação


de outras necessidades fisiológicas, no local do trabalho ou durante este, o empregado será
considerado a serviço da empresa”. Esse parágrafo a Lei especifica outro detalhe que muitas vezes
passa despercebido pelo empregador, ou seja, o empregado se ele permanecer dentro do local de
trabalho durante o horário de almoço, caracteriza estar a serviço da empresa, e, portanto, o que
acontecer nesse período pode ser considerado um acidente de trabalho.

§ 3º Em casos excepcionais, constatando que doença não incluída na relação


prevista no item I do § 1º resultou de condições especiais em que o trabalho
é executado e com ele se relaciona diretamente, o Ministério da Previdência e
Assistência Social deverá considerá-la como acidente do trabalho.

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Doenças relativas a atividades do trabalho são consideradas acidente de trabalho, segundo


o parágrafo 3, independente se está relacionada no Ministério da Previdência e Assistência
Social, basta a comprovação que a doença foi provocada pelo meio ambiente de trabalho ou pela
sua ocupação. “Art. 10. A assistência médica, aí incluídas a cirúrgica, a hospitalar, farmacêutica
e a odontológica, bem como o transporte do acidentado e a reabilitação profissional, quando
indicada, serão devidos em caráter obrigatório”. O artigo estabelece claramente que qualquer
acidente de trabalho o trabalhador tem direito a total suporte para seu reestabelecimento, o
problema que essa palavra “assistência médica” pode significar plano de saúde da empresa (se
tiver), ou rede pública de saúde (SUS).

Art. 11. Quando a perda ou redução da capacidade funcional puder ser atenuada
pelo uso de aparelhos de prótese ou órtese, estes serão fornecidos pelo INPS,
independentemente das prestações cabíveis.
Art. 12. Nas localidades onde o INPS não dispuser de recursos próprios ou
contratados, a empresa prestará ao acidentado a assistência médica de emergência
e, quando indispensável a critério do médico, providenciará sua remoção.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 3


§ 1º Entende-se como assistência médica de emergência a necessária ao
atendimento do acidentado até que o INPS assuma a responsabilidade por ele.
§ 2º O INPS reembolsará a empresa das despesas com a assistência de que trata
este artigo até limites compatíveis com os padrões do local de atendimento.

Devido ao fato da lei ser muito antiga e na época se usava o termo INPS, ao invés de
INSS usado atualmente. A lei prevê que caso o SUS demore para dar atendimento a empresa
deverá assumir esse custo, agora se o INSS irá reembolsar a empresa, aí são outros quinhentos!
A Lei é antiga, mas vale até hoje e foi aprovada em um momento que o Governo Federal estava
preocupado com o número crescente de acidente de trabalho e como já foi relatado aqui, no
módulo I, o ministro que estava à frente dessa Lei é o Arnaldo Prieto.

Ainda tem dúvidas quando é um acidente de trabalho? A regra é


simples e direta, sempre que o funcionário estiver no exercício do
trabalho a serviço da empresa e sofrer algum tipo de lesão. Sabia
que conforme a situação em um torneiro de futebol de entre em-
presas, com a camiseta do time da empresa, o trabalhador pode
ser caracterizado, em caso de lesão no jogo, como acidente de tra-
balho?
Acesse ao link <https://observatoriosst.mpt.mp.br/#> e veja algu-
mas informações como as mostradas na figura 09, que mostra em
ponto vermelhos locais que tem acidentes de trabalho ocorrido em
2016.

Acesse esse segundo texto: <http://www.protecao.com.br/noti-


cias/geral/empresas_evitam_a_comunicacao_de_acidente_de_
trabalho/JajyAcy5>. O texto tem várias questões para serem discu-
tidas, segue cada uma delas:

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ENSINO A DISTÂNCIA

1- O fato relatado por Verquietini, é bastante comum, ver uma es-


tatística de acidente de trabalho que diminui ou que aumentou de
um ano para o outro ou que a cidade “X” tem menos acidentes
do que a cidade “Y” isso tudo é muito relativo, pois a única forma
de quantificar os números de acidentes do trabalho é através da
CAT, e sabe-se que nem sempre ela é emitida, outro detalhe que
trabalhadores informais e públicos “não sofrem acidentes” estão
protegidos por “força divina”!

2- As empresas têm medo de assumirem uma culpa através da


emissão da CAT, culpa essa que não tem como negar, independen-
temente da situação.

Outro motivo que pode justificar o fato das empresas não realizar
a emissão da CAT é o que explica o texto disponível em: <http://

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 3


www.gazetadopovo.com.br/especial-patrocinado/sesi-senai/cui-
dar-da-seguranca-e-saude-pode-diminuir-os-impostos-pagos-pela-
-sua-empresa-8lvnvc28uoacjouizitipbxxu>. Este mostra outro fato
que serve de motivo para a empresa rejeitar a emissão da CAT,
lamentavelmente prejudica o trabalhador possibilitando a perda de
futuros benefícios.

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ENSINO A DISTÂNCIA

04
UNIDADE

CAUSAS E CONSEQUÊNCIA DO
ACIDENTE DE TRABALHO
PROF. ME. EDINALDO FAVARETO GONZALEZ

SUMÁRIO DA UNIDADE

INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 46
CONCEITOS .............................................................................................................................................................. 47
CONCEITO PREVENCIONISTA DO ACIDENTE DE TRABALHO – QUASE ACIDENTES ....................................... 51
CAUSAS DOS ACIDENTES DE TRABALHO ............................................................................................................ 54
CONSEQUÊNCIAS ................................................................................................................................................... 58
A INVESTIGAÇÃO – ANÁLISE DE ACIDENTES ....................................................................................................... 61
RISCOS OCUPACIONAIS ......................................................................................................................................... 63

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ENSINO A DISTÂNCIA

INTRODUÇÃO
A cada novo módulo é necessário especificar alguns conceitos referente a área, para então
padronizar o dialogo. Deste modo segue alguns conceitos especificados pela “NBR 14280:2001 -
Cadastro de acidente do trabalho - Procedimento e classificação que se irá ser utilizado.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 4

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CONCEITOS
• Ato inseguro: omissão ou ação que, contrariando recomendações de segurança, pode
causar ou possibilitar a ocorrência de acidentes, é quando o trabalhador conscientemente ou não,
se coloca em risco.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 4


Figura 1 -Ato insero. Fonte: Badaue (2012).

Condição insegura: condição do meio que causou o acidente ou contribuiu para a sua
ocorrência. Na figura 2, repare o andaime está irregular, sem guarda corpo, possibilitando uma
queda do trabalhador.

Figura 2 – Acidentes.Fonte: Bernardo (2015).

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• Acidentado: vítima de acidente de trabalho.


• Lesão pessoal: qualquer dano sofrido no organismo humano, decorrentes de um
acidente do trabalho.
• Lesão mediata: lesão que não se manifesta imediatamente após o acidente de trabalho,
exemplo: principalmente doenças do trabalho que podem demorar anos para se manifestarem,
exemplo trabalhador de minas de carvão, a doença no pulmão poderá demorar anos para
aparecer, figura 3.

INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE SEGURANÇA NO TRABALHO | UNIDADE 4


Figura 3 – Pulmões. Fonte: Vasey (2014).

Lesão imediata: lesão que se manifesta no momento do acidente.

Figura 4 – Lesões. Fonte: Arenas (2015).

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• Lesão sem afastamento: lesão pessoal que não impede o acidentado de voltar ao
trabalho no dia imediato ao do acidente, desde que não haja incapacidade permanente, exemplo:
pequenos cortes, batidas com ferramentas em partes do corpo, entre outros.

• Lesão com afastamento: lesão pessoal que impede o acidentado de voltar ao trabalho
no dia imediato ao do acidente ou de que resulte incapacidade permanente, exemplo: fraturas,
torções, amputações, entre outros.

• Incapacidade permanente parcial: redução parcial da capacidade de trabalho, em


caráter permanente que, não provocando morte ou incapacidade permanente total, é causa de
perda de qualquer membro ou parte do corpo, perda total do uso desse membro ou parte do
corpo, ou qualquer redução permanente de função orgânica, exemplo, perda parcial auditiva,
perda parcial da visão, perda parcial de movimentos de membros como braços e pernas, entre
outros.

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• Incapacidade permanente total: perda total da capacidade de trabalho, em caráter
permanente, sem morte, exemplo: perda da visão, amputações, perda da audição, ...entre outros.

• Incapacidade temporária total: perda total da capacidade de trabalho que resulte um


ou mais dias perdidos, a incapacidade permanente parcial e a permanente total, exemplo: torções,
fraturas, entre outros.

Figura 5 – Incapacidade. Fonte: Covered to go (2015).

• Dias debitados: dias que se debitam, por incapacidade permanente ou morte, para o
cálculo do tempo computado. Esses números são obtidos pela NBr 14.280:2001, em resumo veja
a seguinte tabela:

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Figura 6 – Tabela. Fonte: Malbino (2015).

A tabela de dias debitados ela quantifica o quanto de dias equivale uma lesão de um
acidente de trabalho e por esse número serve de parâmetro para cálculo de indenização. É ridículo
o critério, é macabro, mas lamentavelmente é o que existe.

• Análise do acidente: estudo do acidente para a pesquisa de causas, circunstâncias e


consequências.

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• Comunicação de acidente: informação que se dá aos órgãos interessados, em formulário


próprio, quando da ocorrência de acidente, esse documento é a CAT – Comunicação de Acidente
de Trabalho.

• Custo de acidentes: valor do prejuízo material decorrente de acidentes.

• Custo segurado: total das despesas cobertas pelo seguro de acidente do trabalho.

• Custo não segurado: total das despesas não cobertas pelo seguro de acidente do trabalho
e, em geral, não facilmente computáveis, tais como as resultantes da interrupção do trabalho,
do afastamento do empregado de sua ocupação habitual, de danos causados a equipamentos e
materiais, da perturbação do trabalho normal e de atividades assistenciais não seguradas.

CONCEITO PREVENCIONISTA DO ACIDENTE DE

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TRABALHO – QUASE ACIDENTES
Acidente de trabalho é qualquer ocorrência não programada, inesperada ou não, que
interfere ou interrompe a realização de uma determinada atividade, trazendo como consequência
isolada ou simultânea a perda de tempo, danos materiais ou lesões. Para o profissional
prevencionista, mesmo um acidente sem lesão (quase acidente) é muito importante, pois, durante
a análise das suas causas surgirão medidas capazes de impedir sua repetição ou agravamento, isto
é, um acidente com lesão.
Incidentes ou quase acidentes, são situações que não provoca lesões físicas, apresentando,
porém, potencial para causar danos físicos ou materiais. Os quase acidentes se torna importante
uma análise ou um estudo sobre o assunto porque são através deles que se descobrem os potenciais
acidentes, por exemplo:

✓ Quantas vezes se deixa cair uma ferramenta de sua mão durante uma jornada de
trabalho? Se essa atividade estiver sendo executada em um nível superior isso poderá atingir
alguém.
✓ Quantas vezes se utiliza ferramentas inadequadas para determinadas atividades?

Enfim, quantas vezes durante a jornada de trabalho se realizou atos inseguros e tudo
correu bem, sem problemas, mas quantas vezes isso chegou a ocorrer um incidente ou um
acidente.
Essas estatísticas, são importantes terem registradas, para então começar a mapear e
iniciar um processo de correção. As figuras a seguir irão explicam melhor a situação descrita:

Situação 01: Por algum motivo a caixa foi para o chão, mas não teve danos nem para
caixa, nem para o conteúdo da caixa, nem para o funcionário.
Análise 01: Em um primeiro momento não houve acidente de trabalho. Ao analisar
melhor a situação, pode-se concluir que o fato ocorrido é um Quase Acidente, e que em outras
situações isso poderá ser um acidente de trabalho, portanto deverá ser investigado.

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Figura 7 – Situação 01. Fonte: o autor.

Situação 02: Por algum motivo a caixa foi para o chão, talvez por um tropeço, por um chão
molhado, etc., danos somente para as garrafas que se carregava, nenhum dano ao trabalhador.
Analise 02: Mesmos aspectos relatados na Análise 01.

Figura 8 – Situação 02. Fonte: o autor.

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Situação 03: Por algum motivo a caixa foi para o chão, talvez por um tropeço, por um
chão molhado, etc., os danos foram para as garrafas, e para o funcionário.
Analise 03: Agora será considerado um acidente de trabalho, pois o trabalhador sofreu
um dano. Caso ele tenha um atestado médico superior a 15 dias, receberá seguro do INSS.

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Figura 9 – Situação 03. Fonte: o autor.

A diferença entre os dois conceitos (quase acidentes e o acidente) reside no fato de que
para o conceito legal é necessário haver lesão física, enquanto que no conceito prevencionista
(figura 05) são levadas em consideração, além das lesões físicas, a perda de tempo e de materiais,
podendo ser investigado a origem desses fatos, pois esses poderão ser um potencial acidente de
trabalho.

Figura 10 – Cuidados. Fonte: Marques (2015).

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CAUSAS DOS ACIDENTES DE TRABALHO


O foco da engenharia de segurança do trabalho é nunca estudar as causas de acidentes de
trabalho, pois a forma de trabalho é sempre prevensionista, então não tem acidentes, mas nem
sempre isso ocorre, e são com as causas que se possibilitam o estudo para evitar novos acidentes.
Por esse motivo, com o intuito de evitar novos acidentes, errando no mesmo ponto que o anterior
aconteceu, esse módulo visa fazer um estudo porque os acidentes acontecem, investigando suas
causas do mais simples acidente de trabalho, pois esse poderá revelar um possível acidente de
maior gravidade em outra ocasião, isso vale para os quase acidentes. Por exemplo, o transporte
de materiais, suas possíveis causas do acidente durante esse percurso.

1. o piso estava liso?


2. o piso estava liso devido à chuva?

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3. o piso estava liso devido a resíduos de óleo?
4. o piso não era antiderrapante?
5. houve distração do funcionário?
6. tipo de calçado ele estava utilizando?
7. o funcionário estava com pressa?
8. o local possui iluminação adequada?

Figura 11 – Acidente. Fonte: Carlos (2014).

Enfim, acidentes não são inevitáveis e nem surgem por acaso. Eles são causados e por
essas razões são possíveis de serem evitados através da prevenção. Essas causas geralmente estão
relacionadas a atitudes inadequadas dos operários (ato inseguro) ou dos ambientes de trabalho
(condição insegura).

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Acidentes e suas Causas


Os técnicos e os engenheiros precisam identificar rapidamente as causas mais comuns de
acidentes de trabalho e serem capazes de precocemente eliminar os fatores de risco para evitar
acidentes, enquanto os funcionários precisam estar atentos e conscientes de todos os riscos que
correm, assim como cumprir com todas as regras de segurança.

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Figura 12 – Segurança. Fonte: Ventura (2009).

Os acidentes de trabalho acontecem por várias razões. Os resultados podem ser desde
lesões simples ou até mais graves, podendo em alguns casos causar até a morte. Um acidente de
trabalho é considerado, caso se verifique no local e no tempo de trabalho e produza direta ou
indiretamente lesão corporal, perturbação funcional ou doença que resulte a morte ou redução
na capacidade de trabalho ou de ganho.

Figura 13 – Segurança. Fonte: Ventura (2009).

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As principais causas dos acidentes de trabalho são:

✓ Negligência.
✓ Falta de formação, capacitação, conhecimento, entre outras.
✓ Avaliações de riscos mal elaboradas ou subestimadas.
✓ Brincadeiras e distrações.
✓ Excesso de confiança, pelo tempo que faz a atividade.
✓ Descumprimento ou subestimar as regras de segurança.
✓ Falta de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI).
✓ Falta de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC).
✓ Uso de álcool ou droga.
✓ Cansaço, alta carga de trabalho, esforço excessivo, entre outras.
✓ Materiais inúteis no ambiente de trabalho, desorganização no posto de trabalho, falta
de limpeza, Gonzalez 2017.

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Os programas de segurança possuem grande utilidade pois eles possibilitam, se bem
gerenciados a reduzirem a quantidade de acidentes de trabalho, pois os que os usam conseguem
facilmente avaliar os riscos e implementar medidas de proteção coletivas, procedimentos de
segurança e equipamentos de proteção.

Ato Inseguro como Causa de Acidentes


Termo técnico em prevenção de acidentes que possui o seguinte significado: são os
procedimentos do homem que contrariem normas de prevenção de acidentes, ou até mesmo a
maneira como o trabalhador se expões aos riscos de acidentes. Os atos inseguros mais comuns
praticados são:

✓ Ficar junto ou sob cargas suspensas.


✓ Usar máquinas sem habilitação ou permissão.
✓ Trabalhar alcoolizado.
✓ Lubrificar, ajustar e limpar máquinas em movimento.
✓ Inutilização de dispositivos de segurança.
✓ Problemas de saúde.
✓ Não usar as proteções individuais.
✓ Tentativa de ganhar tempo.
✓ Brincadeiras e exibicionismo.
✓ Emprego impróprio de ferramentas.
✓ Manipulação insegura de produtos químicos.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam


que de 20 a 25% dos acidentes de trabalho são causados no mun-
do tem relação com o consumo de álcool ou outro tipo de drogas
durante o período de trabalho.

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São causas frequentes de atos inseguros:


✓ Desconhecimento dos riscos de acidente.
✓ Excesso de confiança em si mesmo.
✓ Falta de aptidão ou de interesse pelo trabalho.
✓ Atitudes impróprias, tais como violência ou revolta.
✓ Incapacidade física para o trabalho (idade).
✓ Problemas familiares, discussões com colegas.

Condições Inseguras como Causa de Acidentes


Caracterizam-se por situações de risco, presentes no local de trabalho, que podem causar
acidentes e doenças profissionais. As deficiências apresentam-se como problemas técnicos
e materiais, e encontram-se nas formas mais variadas. Ocorrem por falta de planejamento,
prevenção ou omissão de requisitos essenciais relacionados a medidas de higiene e segurança,
para manutenção do ambiente físico isento de perigos. Exemplos:

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✓ No ambiente: processos abertos com substâncias tóxicas e inflamáveis, gases e poeiras
nas transformações de matérias primas, iluminação deficiente, excesso de ruído, temperaturas
extremas e outros.

✓ No pavilhão industrial: pé - direito baixo, telhado inadequado, falta de entradas de


luz e ventilação natural, colunas e vigas mal dimensionadas e localizadas, piso liso e irregular,
escadas inseguras e outros.

✓ Nas instalações: linhas de ar comprimido e gases, rede de energia elétrica/subestações


e demais utilidades.

✓ No lay-out: áreas insuficientes, corredores estreitos, equipamentos mal posicionados,


linhas de produção mal projetadas, falta de sinalização e organização.

✓ Na maquinaria: falta de proteção em pares móveis e pontos de agarramento, deficiência


de manutenção vibração, máquinas obsoletas e perigosas, ferramentas defeituosas e outros.

✓ Na proteção do trabalhador: falta de EPCs (Equipamentos de Proteção Coletiva).

✓ Instalações da empresa: edificação com área insuficiente, pisos escorregadios,


iluminação deficiente, instalações elétricas mal executadas ou faltando manutenção, ruídos,
vibrações, entre outros.
✓ Instalações elétricas inadequadas, defeituosas, com fiação exposta.

✓ Nível de ruído elevado, acima dos limites de tolerância especificado na NR-15.

✓ Proteções inadequadas, defeituosas, sem manutenção.

✓ Local de trabalho com entulho acumulado, falta de arrumação, limpeza, (Programa


5S).

✓ Iluminação inadequada, para a atividade que está sendo exercida.

✓ Piso danificado, favorecendo queda dos funcionários.

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Apesar de estar discriminado os conceitos de Ato Inseguro e Con-


dição Insegura, esse termo está em desuso, pois nos acidentes de
trabalho sempre se quer formalizar que o acidente foi causado por
um Ato Inseguro, transferindo a culpa da empresa para o trabalha-
dor. Exemplo: O trabalhador esmagou o dedo em uma máquina, Ato
Inseguro, porque o trabalhador colocou o dedo em local de risco,
figura 08. No entanto, ele só colocou o dedo lá simplesmente por-
que não havia uma proteção, ou seja, faltou um EPC (Equipamento
de Proteção Coletiva), faltou uma proteção, etc., enfim é uma Con-
dição Insegura.

CONSEQUÊNCIAS

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Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil está em quarto lugar
no mundo em número de acidentes de trabalho, atrás somente de China, Índia e Indonésia.
Portanto se contabiliza estatística de 700 mil acidentes anuais, lembrando como foi discutido no
módulo anterior, esses são acidentes oficiais. As consequências de um acidente de trabalho são
imensas, tais como, custos, quer para o empregador como para o funcionário; além de resultar
em baixa de produtividade; perdas humanas, deficiências físicas, psicólogas, entre outras. Os
custos de um acidente de trabalho são tão altos que tem se a única certeza é trabalhar sempre na
prevenção, tendo em vista que o acidente gera custos/danos para a empresa, família, governo e o
trabalhador:

• Empresa: diminuição da sua força de trabalho ou capacitar outro para substituir, custos
com hospital, remédios, indenizações e readaptação do ambiente para que consiga se adaptar
mais facilmente.

• Família: perdeu o seu sustento, readaptação da casa, renda menor, as vezes despesas
maiores e em outras situações perde o familiar.

• Governo: na verdade toda a sociedade, que paga previdência.

• Trabalhador: danos temporários ou permanentes na sua constituição física e mental,


quando não o seu falecimento.

Prejuízos a Empresa
A empresa é tão diretamente afetada como o trabalhador que se acidentou, veja alguns
pontos:

✓ Terá que arcar com os custos financeiros do funcionário lesionado, pois se o SUS
(Sistema Único de Saúde) demorar a responsabilidade é da empresa.
✓ Os custos para conserto dos prejuízos no setor e suas melhorias que provavelmente os
funcionários irão exigir.
✓ Interdição do setor para investigar o acidente, perda da produção.

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✓ Perda de produção em outros setores, pois imagine 20 funcionários curiosos parados


vendo o desenrolar do acidente, por uns 30 minutos, assistindo alarme do acidente, chama o
corpo de bombeiros, ambulância, ... enfim um dia de trabalho perdido só nessa situação,
provavelmente o restante do dia a empresa irá liberar pelo menos parte da empresa, nos dias
subsequentes ao acidente o assunto será o acidente, enfim, não tem como negar que há uma
perda de produtividade.
✓ Prejuízo social da empresa, seu nome ficará manchado na sociedade, nas mídias e redes
sociais.
✓ Provavelmente haverá indenizações e processos trabalhistas as quais a empresa terá
que se responsabilizar.

A empresa terá uma perda material e conforme o tamanho da repercussão manchará sua
imagem à frente da sociedade e clientes, podendo ter uma diminuição de vendas.

Prejuízos a Família

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A família sofre juntamente com o trabalhador em diversos aspectos, pois como já foi
citado, até 15 dias após o acidente a empresa paga o mesmo valor de salário ao funcionário, após
isso o Governo entra com o benefício que o funcionário tem uma redução de seu salário, isso
provoca na família uma diminuição de padrão de vida e além do mais poderá ter um aumento de
despesas, sejam elas diretas ou indiretas devido ao acidente.
Conforme o tamanho da lesão que o familiar sofreu, irá mudar toda a rotina da casa do
acidentado, por em algumas situações necessitar de cuidados de outra pessoa, se o acidentado era
a única pessoa que dirigia na casa, se o cônjuge trabalhava por conta e agora fica difícil atender o
acidentado (ex.: produzia doces e salgados em casa, se a esposa do acidentado trabalhava como
diarista, ... ) todas essas possibilidades podem causar alguns transtornos internos na casa do
acidentado.
A dor dos filhos, vendo o pai afastado, por um determinado período, imagine se esse
período for para sempre! Ou ainda pior, imagine os filhos perderem o pai, a dor nos filhos será
algo que jamais será esquecido, e eles crescerão podendo ter problemas psicológicos por muito
tempo.

Prejuízos ao Governo
Os prejuízos podem ser referenciados como quanto mais brasileiros afastados, tem-se
mais pessoas precisando da previdência (INSS) e menos pessoas produzindo, isso é uma grande
perda para o país.
Como foi relatado no Módulo I, quanto mais acidentes, mais suja a imagem do país, é a
mesma relação quanto empresa, seu nome fica exposto negativamente.

Prejuízos ao Trabalhador
O prejuízo mais evidente é claro, é a lesão causada no trabalhador, esse conforme o
acidente terá mais ou menos dias de afastamento. O problema complica para o trabalhador
quando o afastamento for maior que 15 dias, a empresa deixa de pagar o salário e é transferido
para o Governo (INSS), esse utiliza uma tabela de redução do benefício (salário). Outro prejuízo
é o retorno dele na empresa, que conforme a atividade e o tempo que ficou afastado, terá que ficar
um tempo longo de readaptação, para retomar sua produtividade e confiança que o trabalhador
tinha antes do acidente. Isso se ele puder voltar na mesma função, as vezes ele nem poderá voltar,
que o trauma será ainda maior.

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O trabalhador que se acidenta, ainda mesmo não tendo culpa, o empregador ficará
aborrecido com o trabalhador, pois com experiência o momento de distração, causará tantos
problemas empresa e funcionário. Um prejuízo que também deve ser considerado mesmo que
não ocorrido o acidente, ou seja, um quase acidente, é o “susto”, isso pode ser suficiente para o
trabalhador ter alguns traumas. Um quase acidente, já é possível traumas, imagine o acidente, que
conforme a gravidade poderá ter consequências irreversíveis, não permitindo que o trabalhador
possa trabalhar na mesma seção, tornar-se depressivo, ter síndrome do pânico e até mesmo
dificuldade de socialização.

Prejuízos aos Colegas de Trabalho


O acidente de trabalho não afeta apenas o acidentado, mas também os colegas de trabalho
são prejudicados indiretamente, pois eles ficarão receosos quanto ao acidente de trabalho, e farão
com que eles questionem, será que se tem segurança na empresa? Será que o próximo acidentado
sou eu? Será que agora é a hora de exigir mais segurança?

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Figura 14 – Segurança. Fonte: Ventura (2009).

Quem é o culpado?
O tema quem é culpado o Nilson Campan em seu site “Temas para SIPAT” traz a pergunta
quem é o culpado por um acidente de trabalho? Veja o que ele escreve: “Quando uma adversidade
de grandes proporções vem para nos assolar, nossa tendência é caçar um bode expiatório e
lançar sobre ele a culpa da causa do problema. Porém, se fôssemos apontar alguém, todos são
“culpados”. A empresa é “culpada” por não verificar constantemente as condições de trabalho de
seus subordinados.
Os superiores, pressionados por clientes e fornecedores, acabam exigindo demais dos
colaboradores, o que gera estresse, desconforto e até irá. O técnico de segurança é “culpado”
por não ter garantido a segurança do setor e a prevenção de acidentes com treinamento e
equipamento apropriado. O próprio acidentado é “culpado” por estar trabalhando fora dos
padrões exigidos, causando insegurança. Seja por cansaço, pressão psicológica, negligência no
uso dos EPIs etc. A família do trabalhador que se lesou também é “culpada”: a cobrança do
sustento, a supervalorização do dinheiro, a indiferença com o provedor até o seu acidente…

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Como se pode ver acima, não há como culpar alguém. De uma certa forma, todas as
pessoas próximas ao acidentado – incluindo o próprio acidentado – contribuíram direta ou
indiretamente para o desastre, se realmente fôssemos apontar quem errou. O que eu posso fazer
para evitar um acidente de trabalho? A melhor maneira de se evitar um acidente de trabalho ainda
é a prevenção. Todos podem colaborar para um ambiente mais seguro. Todos os funcionários
devem trabalhar conforme as instruções do setor, usando os EPIs necessários. Se você detectar
qualquer anormalidade na forma de trabalho, deve imediatamente informar a um superior ou
ao técnico de segurança. O técnico de segurança deve verificar periodicamente se o ambiente, o
maquinário e os EPIs estão perfeitamente seguros. Em caso de anormalidades, ele deve tomar as
providências cabíveis (por exemplo, um EPI defeituoso deve ser substituído).
A empresa deve investir pesado em segurança e treinamento apropriado para todos os
funcionários. Ela não deve negligenciar aspecto algum, incluindo a remediação dos problemas
já causados”. O texto é muito interessante pois desmistifica um culpado, não que ele não exista
legalmente, mas um acidente de trabalho pode ter inúmeras causas, a humanidade evoluiu e ainda
não parou para pensar que por de trás de uma máquina tem uma pessoa, que tem emoções, tem

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estresse, tem cansaço, medos da vida, que ele está inserido em um contexto, como por exemplo,
a prestação da casa está vencida, o neto que vai nascer e o filho desempregado, a esposa que
trabalha de noite e ele só a vê no final de semana, etc., enfim um acidente de trabalho terá uma ou
outra causa principal, mas terá várias outras causas secundárias, cabe a empresa, os profissionais
do futuro saber identificar isso.

A INVESTIGAÇÃO – ANÁLISE DE ACIDENTES


A investigação tem o propósito de saber as causas do acidente e evitar que tal situação
volte a ocorrer, essa investigação pode iniciar-se da seguinte forma:

✓ Dados preliminares: data, dia da semana, hora, turno, local exato da ocorrência e área.

✓ Natureza do acidente: vazamento, escapamento, incêndio, quebra de máquina, curto


circuito.

✓ Descrição do acidente: o que e como aconteceu, com descrição de fatos que antecederam
ao acidente, e o que acontecia antes da ocorrência.

✓ Danos: pessoais e materiais.

✓Avaliação: indicar qual a classe da perda, a probabilidade da ocorrência, o custo dos


reparos e o grau de controle que a providência dará.

✓ Causas: as causas imediatas e as básicas deverão ser indicadas claramente e objetivamente.

✓ Pessoal envolvido: indicar quem viu primeiro a ocorrência, os que trabalhavam no


local e os que trabalhavam à distância na operação em que o acidente ocorreu.

✓ Custos: indicar os de mão-de-obra (dos acidentados, dos envolvidos, dos que


investigaram, dos que recuperaram os equipamentos, dos que pararam, etc.), os de material
(danificados, produtos perdidos, etc), os lucros cessantes, entre outros.

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✓ Comentário: anexar os depoimentos das testemunhas bem como fatos passados que
ajudam a esclarecer a ocorrência.

✓ Providências: indicar as recomendações que deverão ser adotadas para que o acidente
não mais se repita.

✓ Desenhos: anexar desenhos, croquis, etc, ao relatório.

✓ Data e assinatura: relativos aos que participaram da investigação.

✓ CAT: Não esquecer de abrir a CAT (Comunicação de Acidente do Trabalho).

Outra maneira de fazer uma investigação em um acidente de trabalho é utilizar ferramentas


da qualidade como por exemplo a citada por Gonzalez 2017, diagrama de Ishikawa ou como
também é conhecido diagrama de espinha de peixe. O diagrama é um instrumento voltado para

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a análise de processos produtivos, no qual o eixo principal mostra um fluxo de informações, e
as “espinhas”, que para ele se dirigem, representam contribuições secundárias ao processo sob
análise, como pode ser visto na figura 15.

Figura 15 - Diagrama de Ishikawa. Fonte: Gonzalez (2017).

O diagrama funciona da seguinte forma, tudo que se vê nele é fixo o “efeito” pode
representar uma falha na produção, um erro na entrega de um produto, ou até mesmo como
é o caso desse estudo, um acidente de trabalho. O método de investigativo pelo diagrama de
Ishikawa possui algumas vantagens:

✓ Direciona para todas as etapas executivas, mostrando quais setores tiveram maiores
responsabilidades.

✓ É bastante válido para a empresa já tem Sistema de Gestão da Qualidade.

✓ Possui muitas sugestões (palavras) que ajudam na investigação do acidente.

✓ Cada palavra envolvida é um departamento da empresa, que terá deverá apresentar


suas justificativas.

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Todo e qualquer acidente sempre é bom informar ao SESMT para


que ele avalie investigue causas e consequências. O Portal da
Educação apresenta um texto intitulado Investigação e análise de
acidentes de trabalho e apresenta algumas recomendações para
análise de acidente de trabalho, segue cada uma delas:

• Fotografar e/ou filmar, fazer esquemas, croquis no cenário rela-


cionado ao acidente de trabalho.

• Descrever as instalações físicas, nível de ruído, condições de ilu-


minação, posição de máquinas, materiais, equipamentos, entre ou-
tros.

• Verificar o tipo de energia utilizada, se for o caso, descrever má-

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quinas e/ou equipamentos (tipo, forma de acionamento, de alimen-
tação, entre outros).

• Descrever a forma habitual de execução da atividade (descrever o


passo a passo da atividade) em desenvolvimento no momento de
ocorrência do acidente.

• Identificar, em relação às condições de trabalho habituais, ou


seja, sem ocorrência de acidente, o que alterou, mudou, ou variou,
investigando as origens das alterações ocorridas, sejam mudança
no processo ou no layout. É extremamente importante identificar
as condições do sistema que permitiram o aparecimento dessas
mudanças. Em outras palavras, buscar as “causas das causas”.

• Descrever cuidadosamente as alterações que provocaram pertur-


bações que ultrapassaram a tolerância habitual do sistema, isto é,
aquelas que não foram resolvidas com as estratégias adotadas no
funcionamento do sistema nas situações sem acidente.

• Com o intuito de ter a maior fidelidade possível dos fatos, buscar


a confirmação para todas as afirmações colhidas nas entrevistas
visando descrever os fatores que participaram do desencadea-
mento do acidente.

RISCOS OCUPACIONAIS
Em 1994, ocorreria troca de governo no Brasil e o então presidente Itamar Franco, deixaria
o poder e passaria a faixa presidencial ao mentor do Plano Real o Fernando Henrique Cardoso.
No entanto antes de sair do governo, o Itamar Franco que era formado em engenharia civil na
Escola de Engenharia de Juiz de Fora (1955), provavelmente preocupado com algumas regras que
deveriam serem aprovadas no âmbito da Engenharia sanciona a Portaria no 25 de 29/12/1994,
repare nos últimos dias de mandato.

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A portaria estabelece 5 (cinco) categorias de riscos para somente então poder elaborar o
mapa de risco, conforme mostra figura.

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Figura 16 – Tabela. Fonte: Nogueira (2016).

Essa portaria estabelece ainda regras para se elaborar mapas de riscos, que funciona da
seguinte forma, conforme mostra a figura 17, suas cores, tamanhos e riscos.

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Figura 17 – Mapa de Risco. Fonte: SESTM (2017).

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Quanto maior o risco, maior o círculo, a cor identifica o risco, o projeto arquitetônico
(ou um esbouço do projeto) é identificado os riscos evidenciados naquele ambiente. A portaria
formalizou qual risco pertenceria para qual Grupo, ou seja, disciplinou a área. Nessa disciplina
não se irá entrar em detalhes em cada risco, pois isso é uma função de todo o curso de Engenharia
de Segurança do Trabalho, mas para um primeiro contato, seria mais uma apresentação e mostrar
essa portaria que rege todo o mapeamento de riscos dentro da segurança do trabalho.

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REFERÊNCIAS
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23 mar. 2018.

ATLAS. Segurança e medicina do trabalho. 80. ed. São Paulo: Atlas; 2018.

BADAUE. J. B. Atos inseguros. 2012. Disponível em: <https://pt.slideshare.net/BrunoCarlosCarlos/


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BITENCOURT. C. L.; QUELHAS. O. L. G. Histórico da Evolução dos Conceitos de Segurança,


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