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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO – UFMA

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, SAÚDE E TECNOLOGIA – CCSST


COORDENAÇÃO DO CURSO DE DIREITO

UGO LEONARDO ARAÚJO DIAS

O PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO JURÍDICA DOS TERREIROS DE


UMBANDA/CANDOMBLÉ DO MUNICÍPIO DE IMPERATRIZ/MA

Imperatriz
2019
UGO LEONARDO ARAÚJO DIAS

O PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO JURÍDICA DOS TERREIROS DE


UMBANDA/CANDOMBLÉ DO MUNICÍPIO DE IMPERATRIZ/MA

Monografia apresentada ao Curso de Direito da


Universidade Federal do Maranhão / Centro de Ciências
Sociais, Saúde e Tecnologia, como requisito para a
obtenção do título de bacharel em direito.

Orientador: Prof. Me. Denisson Gonçalves Chaves.


Co-Orientador: Prof.ª Dra. Herli de Sousa Carvalho

Imperatriz
2019
UGO LEONARDO ARAÚJO DIAS

O PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO JURÍDICA DOS TERREIROS DE


UMBANDA/CANDOMBLÉ DO MUNICÍPIO DE IMPERATRIZ/MA

Monografia apresentada ao Curso de Direito da


Universidade Federal do Maranhão / Centro de Ciências
Sociais, Saúde e Tecnologia, como requisito para a
obtenção do título de Bacharel em Direito.

Aprovada em: ____de ______________________de ______

COMISSÃO EXAMINADORA

______________________________________
Prof. Me. Denisson Gonçalves Chaves (Orientador)
Universidade Federal do Maranhão – UFMA

_____________________________________
Prof.ª Dra. Herli de Sousa Carvalho (1º Examinadora)
Universidade Federal do Maranhão – UFMA

______________________________________
Prof.ª Me. Tâmara Matias Guimarães (2º Examinadora)
Unidade de Ensino Superior do Sul do Maranhão – UNISULMA
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho primeiramente а Deus, que sempre


me iluminou em toda minha trajetória.
Dedico este trabalho aos santos e orixás que nos guiam a
cada dia.
Dedico a todos os terreiros do município de
Imperatriz/MA, em especial a Tenda Espírita Oxum e
Obaluayê, da qual faço parte.
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus todo-poderoso, pela força, pela fé, pela saúde, pela
motivação e por tudo!
Agradeço muito a minha família e amigos pelo apoio e incentivo, em especial minha
avó paterna Maria da Consolação Dias Araújo, sacerdotisa da Tenda Espírita Oxum e Obaluayê,
mãe de criação, amiga de todas as horas.
Agradeço ao professor Denisson Gonçalves Chaves, meu orientador, pelo apoio e
pelas contribuições que me proporcionou na vida acadêmica.
Agradeço a professora Herli de Sousa Carvalho pelo apoio, pelo incentivo e disposição
em me ajudar nessa jornada de pesquisa.
Por fim, agradeço a todos os professores que contribuíram direta ou indiretamente
nessa jornada acadêmica.
Muito obrigado!
Refletiu a luz divina
Com todo seu esplendor
Vem do Reino de Oxalá
Aonde há paz e amor
Luz que refletiu na terra
Luz que refletiu no ar
A Luz que veio de Aruanda
É para nos iluminar
A Umbanda é paz e amor
É um Mundo cheio de luz
É a força que nos dá vida
E à grandeza nos conduz
Avante filhos de fé
Como a nossa lei não há
Levando ao Mundo inteiro
A bandeira de Oxalá.
(Hino da Umbanda).
RESUMO

O presente trabalho monográfico consiste em um estudo acerca da legalização das casas


religiosas de matriz africana do município de Imperatriz-MA. A problemática dessa pesquisa
orientou-se por meio do seguinte questionamento: as casas religiosas de matriz africana
terreiros de umbanda/candomblé) do município de Imperatriz/MA são legalizadas? A
relevância desse trabalho se dá em virtude da falta de orientações que as casas religiosas de
matriz africana possuem, sendo que boa parte dos terreiros não são legalizados, realidade essa
do Brasil, em geral, embora alguns estados e municípios venham realizando campanhas nos
últimos anos a fim de solucionar este problema. O objetivo geral dessa pesquisa consistiu em
realizar um levantamento dos terreiros de umbanda/candomblé do município de Imperatriz/MA
que são legalizados, prestando orientações aos que não são, para que os mesmos sejam
legalizados. Os objetivos específicos desse estudo pretenderam-se: realizar uma breve
abordagem histórica sobre as religiões de matriz africana no Brasil; debater sobre a imunidade
tributária das instituições religiosas; abordar as previsões legais e como deve ser feita a
regularização jurídica dos terreiros; elencar os benefícios da regularização jurídica dos terreiros,
bem como as obrigações decorrentes desse processo; realizar um levantamento dos terreiros do
município de Imperatriz que já são legalizados; prestar orientações jurídicas aos terreiros que
ainda não são legalizados. Em relação aos procedimentos metodológicos, esse estudo possui
uma abordagem de natureza qualitativa, tratando-se de uma pesquisa bibliográfica, documental
e de campo.

Palavras-chave: Terreiros. Matriz Africana. Legalização. Imunidade Tributária.


ABSTRACT

The present monographic work consists of a study about the legalization of the religious houses
of African matrix of the municipality of Imperatriz-MA. The problem of this research was
guided by the following question: are the religious houses of African matrix (Umbanda/
Candomblé terreiros) of the municipality of Imperatriz / MA legalized? The relevance of this
work is due to the lack of guidelines that African religious houses have, and most of the terreiros
are not legalized, a reality of Brazil in general, although some states and municipalities have
been conducting campaigns in recent years in order to solve this problem. The general objective
of this research was to carry out a survey of the Umbanda/Candomblé terrariums of the
municipality of Imperatriz / MA, which are legalized, providing guidance to those who are not
so that they can be legalized. The specific objectives of this study were: to make a brief
historical approach on the religions of African matrix in Brazil; discussing the tax immunity of
religious institutions; addressing legal predictions and how legal settlement of terreiros should
be done; the benefits of legal regularization of terreiros, as well as the obligations arising from
that process; carry out a survey of the terreiros of the municipality of Imperatriz that are already
legalized; legal guidelines for terreiros that are not yet legalized. In relation to the
methodological procedures, this study has a qualitative approach, being a bibliographical,
documentary and field research.

Keywords: Terreiros. African Matrix. Legalization. Tax Immunity.


LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

CC ............................................................................................................................ Código Civil


CF ................................................................................................................ Constituição Federal
CLT.......................................................................................Consolidação das Leis Trabalhistas
CNAS ..........................................................................Conselho Nacional de Assistência Social
CNPJ ................................................................................. Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica
CPF ...................................................................................... Cadastro Nacional de Pessoa Física
CTN ..................................................................................................Código Tributário Nacional
DPE-MA ................................................................. Defensoria Pública do Estado do Maranhão
FGTS ........................................................................... Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
ICMS ....................................................... Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
INSS ..............................................................................Instituto Nacional da Seguridade Social
IPHAN .................................................... Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
IPTU .................................................................................. Imposto Predial e Territorial Urbano
IRRF ..................................................................................... Imposto de Renda Retido na Fonte
ISS .......................................................................................................... Imposto Sobre Serviços
MPMA ..................................................................... Ministério Público do Estado do Maranhão
OAB-MA .......................................... Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Maranhão
PIS ............................................................................................... Programa de Integração Social
RG.............................................................................................. Registro Geral de Pessoa Física
RCPJ ........................................................................................ Registro Civil de Pessoa Jurídica
SEMFAZ ..................................................................................Secretaria Municipal da Fazenda
STF ..................................................................................................... Supremo Tribunal Federal
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 11
2 BREVE HISTÓRICO DAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA NO BRASIL.... 14
3 A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS TEMPLOS RELIGIOSOS ................................. 18
3.1 Do instituto da imunidade tributária .............................................................................. 18
3.2 Da imunidade tributária dos templos de qualquer culto .............................................. 19
4 O PROCESSO DE LEGALIZAÇÃO DOS TERREIROS .............................................. 23
4.1 Legalização de terreiros na modalidade de associação religiosa .................................. 25
4.2 A legalização dos terreiros na modalidade de organização religiosa ........................... 28
4.3 Obrigações após a legalização do terreiro ...................................................................... 30
5 O PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO JURÍDICA DOS TERREIROS DO
MUNICÍPIO DE IMPERATRIZ/MA .................................................................................. 33
5.1 Procedimentos metodológicos .......................................................................................... 33
5.2 A realidade dos terreiros do município de Imperatriz .................................................. 35
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................. 41
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 43
APÊNDICE A ....................................................................................................................... 46
APÊNDICE B ........................................................................................................................ 47
11

1 INTRODUÇÃO

O Brasil como Estado Democrático de Direito é laico, isso quer dizer que não existe
uma crença oficial no país. Todas as religiões devem ser tratadas com igual respeito e
consideração. A lei proíbe que o Estado estabeleça ou subvencione cultos religiosos ou igrejas,
bem como mantenha com eles, ou seus representantes, relações de dependência ou aliança.
Também o Estado brasileiro não pode atrapalhar ou impedir o funcionamento de cultos e
igrejas, nem mesmo privar alguém de seus direitos por motivo de crença religiosa.
As religiões de matriz africana, como o candomblé e umbanda, por exemplo, são
consideradas como as religiões dos excluídos. Tal fato se deve a fatores históricos, relacionados
principalmente ao racismo. Os sacerdotes destas religiões normalmente não têm um alto grau
de instrução, e muitos deles nem sabem de todos os direitos que possuem.
Isso tão é verdade, que um levantamento feito em 2008 constatou que poucos terreiros
da Bahia eram legalizados, cerca de 15% apenas (OLIVEIRA, 2008). Essa notícia impulsionou
a pesquisar mais sobre isso. A inquietação foi tamanha, que esse tema foi definido como tema
monográfico pouco tempo depois. Após estabelecer essa temática, sondou-se alguns terreiros
do município de Imperatriz, acerca da legalização, criação de CNPJ, e de início nenhum
possuía.
Alguns sacerdotes de umbanda e candomblé pensam que a carteirinha de “pai de
santo” ou alvará de funcionamento do terreiro traz os direitos previstos pela Constituição
Federal de 1988, como a imunidade fiscal e tributária. Mas esses direitos só são reconhecidos
aos terreiros que possuem Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ.
Poucos sacerdotes sabem o que é o CPNJ e como fazer para criá-lo, quais os passos
necessários para a regularização jurídica do terreiro, quais benefícios terão, quais os direitos e
deveres após a regularização. Eles não têm culpa disso, afinal é pouco divulgado e políticas
públicas nessa área são escassas. Pesquisas relacionadas a essa temática também são raras, e
por isso, torna-se necessário debater sobre, visando contribuir para a valorização e
reconhecimento desse legado cultural.
Em Imperatriz/MA existem cerca de 20 templos religiosos de matriz africana
(umbanda/candomblé). Ainda não existe um mapeamento ou dados oficiais relativos a essa
informação, porém, o fato de ser da religião e ter contato com pais e mães de santo da região,
confirma essa informação. Percebe-se que os terreiros nos últimos anos têm procurado se
12

organizar e lutar por seus direitos, sendo criado grupos de WhatsApp, realizadas reuniões e uma
associação para dar representatividade a esse grupo social.
Esse trabalho é relevante porque visa abordar essas questões de regularização jurídica
dos terreiros, analisando os terreiros que já possuem CNPJ e os que ainda não possuem.
Pretende-se no decorrer da pesquisa prestar orientações jurídicas a fim de ajudar os terreiros
que ainda não são regularizados e sanar eventuais dúvidas dos terreiros que já possuem.
Neste sentido, a problemática desse estudo gira em torno do seguinte questionamento:
As casas religiosas de matriz africana (terreiros de umbanda/candomblé) do município de
Imperatriz/MA são legalizadas, isto é, possuem CNPJ?
O objetivo geral desse trabalho é realizar o levantamento dos terreiros de
umbanda/candomblé do município de Imperatriz/MA que são legalizados, e na oportunidade
prestar orientações aos que não são, para que os mesmos sejam regularizados juridicamente.
No que tange aos objetivos específicos pretende-se realizar uma breve abordagem
histórica sobre as religiões de matriz africana no Brasil; debater sobre a imunidade fiscal e
tributária das instituições religiosas; abordar as previsões legais e como deve ser feita a
regularização jurídica dos terreiros; elencar os benefícios da regularização jurídica dos terreiros,
bem como as obrigações decorrentes desse processo; e por fim, realizar um levantamento dos
terreiros do município de Imperatriz que já são legalizados, além de prestar orientações jurídicas
aos terreiros que ainda não são legalizados.
No tocante aos procedimentos metodológicos, o estudo proposto possui uma
abordagem de natureza qualitativa. Para Prodanov e Freitas (2013, p. 70), na pesquisa
qualitativa: “há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito [...] entre o mundo objetivo
e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números [...] Os pesquisadores
tendem a analisar seus dados indutivamente”.
Marconi e Lakatos (2007) afirmam que essa metodologia se preocupa em analisar e
interpretar aspectos mais profundos, descrevendo-o a complexidade do comportamento
humano. Fornece análise mais detalhados sobre as investigações, hábitos, atitudes, tendências
de comportamento e etc. A abordagem de natureza qualitativa aproxima o sujeito e o objeto de
investigação.
Este trabalho também se enquadra como uma pesquisa de campo. Severino (2007)
destaca que no estudo de campo o pesquisador realiza a maior parte do trabalho pessoalmente,
pois é enfatizada a importância de o pesquisador ter tido ele mesmo uma experiência direta com
a situação de estudo. Para Severino (2017), na pesquisa de campo o objeto/fonte é abordado em
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seu meio ambiente próprio. Neste sentido, a coleta dos dados é realizada nas condições naturais
em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados, sem intervenção e
manuseio por parte do pesquisador. Abrange desde os levantamentos (surveys), que são mais
descritivos, até estudos mais analíticos.
Inicialmente foram escolhidos 08 (oito) terreiros, para ser realizada a pesquisa de
campo. O critério adotado para a escolha foi a disponibilidade e interesse dos sacerdotes em
participarem da pesquisa. Sendo que alguns já foram previamente convidados e manifestaram
interesse em participar/colaborar com a pesquisa.
Nos meses de maio e junho de 2019, foram realizadas entrevistas informais com alguns
sacerdotes do município de Imperatriz, durante festejos de alguns terreiros. Na oportunidade, o
autor questionou aos sacerdotes se os seus respectivos terreiros possuem CNPJ, se já são
regulamentados juridicamente e se disponibilizou as prestar maiores orientações acerca da
importância da regularização e seus benefícios.
As entrevistas prévias que foram realizadas durante os festejos serviram também para
selecionar alguns terreiros para a entrevista formal com a aplicação de questionário
semiestruturado e ensinar os procedimentos para a regularização jurídica. Durante a pesquisa
de campo, foi abordado o modelo de estatuto do terreiro a ser criado.
O presente trabalho está organizado da seguinte forma: o primeiro capítulo realiza uma
breve abordagem histórica a respeito das religiões de matriz africana no Brasil. No segundo
capítulo aborda-se q questão da imunidade tributária, que se figura como o principal benefício
dos terreiros legalizados. No terceiro capítulo é abordado como se dá o processo de
regularização jurídica dos terreiros e as obrigações após a legalização. Por fim, tem-se a análise
e resultados da pesquisa de campo.
14

2 BREVE HISTÓRICO DAS RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA NO BRASIL

Inicialmente antes de dar-se início ao histórico das religiões de matriz africana no


Brasil, torna-se necessário conceituar religião. O termo religião provém do verbo latino
religare, que significa “vincular”, ou “atar”. Ser religioso, nesse sentido, seria então estar
vinculado ou unido com o divino, como queira esta seja percebida e entendida na própria
tradição religiosa. Para Alarcos (2006), a pessoa religiosa transcende, que é maior que ela
mesma. A religião – religião em sentido primeiro – é uma dimensão formalmente constitutiva
da existência. Portanto, religação ou religião não é algo que simplesmente se possui ou não
possui. O ser humano
Os termos Terreiro, Casa de Santo, Ilê Axé, Tenda Espírita, Roça, dentre outros, são
categorias construídas por integrantes e adeptos das religiões afro-brasileiras ao longo do
tempo, para designar espaços religiosos das diversas religiões de matrizes africanas instaladas
nas distintas regiões do Brasil (GOMBERG, 2011).
Todas essas instituições religiosas mediúnicas de matriz africana integram o
seguimento religioso do espiritismo. Historicamente, “o espiritismo era equiparado não só à
umbanda, macumba e outras manifestações mediúnicas, mas também a toda uma
superdiferenciada gama de práticas que iam do candomblé de afirmação africana à bruxaria
europeia” (ISAIA, 2007, p. 135), e isso foi fixado a essas religiões nos dias atuais.

O tratamento inferiorizante a religião africana, bem como a toda sua história, demanda
de um momento em que os responsáveis de construir uma identidade nacional,
buscavam como personagens principais os membros da aristocracia rural brasileira,
os quais se assemelhavam aos civilizados europeus, cabendo aos negros, índios,
pobres brancos e mestiços um papel de coadjuvantes. (SÁ JUNIOR, 2011, p. 48).

Em todo o país, desde o início do séc. XIX, quando as religiões afro-brasileiras se


expandiram, os adeptos não podiam revelar-se ou organizar-se abertamente, devido às
perseguições do Estado e da Igreja, sob o medo de sofrer violência física e/ou simbólica. “A
violência era oriunda dos preconceitos e consequentemente perseguição advindos da condição
de marginalização e exclusão social de seus primeiros criadores: os negros africanos em
situação de escravidão” (TRAMONTE, 2012, p. 273).
Assim era comum associar a figura do negro africano escravo e suas práticas religiosas
a uma imagem negativa, considerando as religiões africanas uma engenharia de obras
15

demoníacas, feitiçaria, bruxaria, dentre outras. Tais resquícios permanecem ainda na sociedade
atual, vez que o preconceito e discriminação religiosa ainda existem.
Quando os africanos que vieram de diversas regiões da África se cruzaram aqui no
Brasil, se uniram para cultuarem os orixás, criando uma nova religião: o candomblé. Na África
não existe o Candomblé como existe no Brasil. Lá as religiões que cultuam os orixás são
simplesmente denominadas de religiões tradicionais, ou religião tradicional iorubá. E cada uma
delas normalmente cultua determinado orixá, em detrimento dos demais. Enquanto no
continente africano são cultuados 202 orixás, aqui no Brasil são cultuados apenas 16 principais.
Para Opoku (2010) a religião africana tradicional estava (e está) inextricavelmente
ligada à cultura africana, segundo esse estudioso,

Essa onipresença no modo de viver dos povos africanos dava à religião tradicional um
caráter global, no contexto da cultura de onde se tinha originado. Estava baseada em
uma visão particular de mundo, que não incluía somente a percepção do sobrenatural,
mas também a compreensão da natureza do universo, dos seres humanos e do seu
lugar no mundo, assim como a compreensão da natureza de Deus, cujo nome variava
de uma região para outra (OPOKU, 2010, p. 592).

No que tange às revelações africanas, estas se davam e se dão em dias atuais de forma
contínua, diferentemente da revelação associada aos colonizadores, ou seja, uma revelação
baseada nas grandes religiões, na qual todo conhecimento foi engessado, disposto em livros
sagrados, tais como: a bíblia, o Alcorão etc., portanto, escrituras religiosas que dispunham como
o fiel deve agir em relação à religião. Os orixás sempre manifestaram suas vontades por meio
de revelações nos jogos de búzios, opelés, sonhos, etc.

Assim, essencialmente espírito, Deus não possuía imagens nem representações


físicas: era o criador e o pilar do mundo. Poder, justiça, beneficência e eternidade eram
atributos dele e, como fonte de todo o poder, governava a vida e a morte. Deus
recompensava os homens, mas também os castigava quando agiam mal. De mil
maneiras o comparavam a um suserano da sociedade, e o consideravam como
autoridade última em todos os domínios. De forma geral, Deus não se assemelhava
aos seres humanos e era totalmente superior à sua criação, mas, ao mesmo tempo,
envolvia -se nos negócios dos homens, sustentando a criação e defendendo a ordem
moral, assim como os seres humanos repousavam sobre ele enquanto poder que lhes
era superior. Deus, portanto, era ao mesmo tempo transcendente e imanente (OPOKU,
2010, p. 592).

Nas religiões tradicionais africanas existia uma hierarquia dos espíritos. De acordo
como Opoku (2010), abaixo de Deus estavam os espíritos dos ancestrais, sempre tratados com
reverência e temor; depois, vinham as deidades, ou os deuses, que se acreditava terem o poder
de recompensar os seres humanos ou de castigá-los com má sorte, doenças e até a morte. As
16

divindades tinham seus cultos, sacerdotes e altares. Algumas estavam ligadas a diversas
características do ambiente, mas esses objetos tangíveis não eram mais que habitáculos
terrestres dos deuses, e não os próprios deuses.

Além das deidades sobrenaturais, havia outros espíritos, ou poderes místicos,


reconhecidos pela capacidade de ajudar ou de prejudicar os seres humanos.
Pertenciam a essa esfera todos os agentes da feitiçaria, da magia e da bruxaria.
Finalmente, vinham os encantos, os amuletos e os talismãs, que tanto eram
empregados para proteção como para agressão.

Os orixás e entidades cultuadas pelas religiões de matriz africana estão presentes no


dia-a-dia das pessoas. Sempre eram invocados para auxiliá-los nos mais diversos momentos,
sendo usados às vezes para o bem, outras para o mal. Exemplo clássico é o orixá Exu,
considerado o orixá guardião dos terreiros sempre era invocado pelos escravos em momentos
difíceis, e por sua capacidade de fazer o bem e mal, foi associado a figura do diabo cristão.
Além disso, esse livre arbítrio para escolher entre o bem e o mal de algumas entidades
espirituais, levaram “a concepção geral do homem era que o ser humano compõe-se de
substância material e de substância imaterial” (OPOKU, 2010, p. 592).
A parte imaterial (a alma) sobrevive à morte e a parte material (o corpo) se desintegra.
A morte, portanto, não significa o fim da vida: é antes a continuidade e a extensão da vida. Os
mortos permanecem membros da sociedade e se acredita que exista, ao lado da comunidade dos
vivos, uma comunidade dos mortos. Entre ambas ocorre uma relação simbiótica. A sociedade
humana, portanto, é uma família unida, composta pelos mortos, pelos vivos e por aqueles que
ainda não nasceram (OPOKU, 2010).
Na maioria das lendas dos orixás, os mesmos são retratados como ancestrais dos seres
humanos, o que significa que já foram humanos e conhecem a realidade da vida de cada um
dos seus filhos. Alguns orixás foram reis, rainhas, príncipes, princesas, líderes tribais, etc. Na
lenda da criação, Deus deu aos orixás várias tarefas específicas, e por exemplo, Oxalá ficou
incumbido da criação humana, enquanto Iemanjá ficou responsável pela maternidade.
A vida do povo africano era fortemente marcada pela intervenção do divino, e:

Nesta perspectiva, no século XIX, com a instauração do domínio colonial europeu


sobre o continente africano, os exploradores se depararam com uma comunidade
povoada por deuses. Pelo lado europeu um deus e uma fé, pelo lado africano, vários
deuses com diferentes possibilidades de crenças. Nestes pressupostos (a religião
africana tradicional inextricavelmente ligada à cultura africana) padeceu pela
imposição cultural por parte dos europeus que determinavam o que era ou não aceito
como religiosidade (SANTOS, 2018, p. 14).
17

Por outro lado, malgrado o progresso europeu em sua imposição cultural,


fundamentaram-se no postulado de que, para implantar o progresso, era preciso transformar ou
mesmo destruir por completo a cultura africana (OPOKU, 2010). Assim sendo, "é fácil perceber
que a política colonial europeia podia chocar-se violentamente com princípios da religião
tradicional, que constituíam as próprias bases da sociedade africana" (OPOKU, 2010, p. 597).
Neste sentido, percebe-se que desde o princípio, a religião tradicional viu-se submetida ao
desafio da sobrevivência e da necessidade de se fortalecer.
Foi nesse desafio da sobrevivência e da necessidade de se fortalecer que surgiu o
sincretismo religioso. Os africanos passaram a associar características comuns entre suas
divindades e os santos da igreja católica. Assim, Oxalá passou ser associado a Jesus Cristo,
Iemanjá a Nossa Senhora, Santa Bárbara a Iansã, etc.
Embora na prática o Candomblé tenha surgido no Brasil, a Umbanda é considerada a
única religião criada no Brasil, com a sua fundação em 1917 na cidade de Niterói. Além de sua
constituição candomblecista ou africanista, a religião promove outras relações, com o
misticismo, de uma forma geral, com valores ciganos, kardecistas, indígenas, hinduístas, muitas
vezes, criando também outras liturgias.
Assim, pode-se considerar que a Umbanda foi criada num contexto de valorização do
“ser brasileiro”, patrocinou a integração no plano mítico de todas as classes sociais,
especialmente as excluídas, apresentando uma nova visão distinta da prevalência dos valores
dominantes da classe média (catolicismo e posteriormente Kardecismo), com maior abertura as
formas populares afro-brasileiras, depurando-as a favor de uma mediação no plano religioso,
que representou a convivência das três raças brasileiras (NASCIMENTO, 2010).
Assim existem várias Umbandas no Brasil. Têm-se umbandas mais kardequizadas, ou
seja, onde as práticas estão mais alinhadas com a religião kardecista, espírita. Têm-se umbandas
mais místicas, na qual o culto oriental, aos deuses e personalidades egípcias, hinduístas também
é reconhecido. E têm-se ainda umbandas influenciadas pela pajelança, religião dos índios. Desta
forma, a Umbanda se destaca "pelo desejo dos brancos, em sua maioria de classe média urbana,
de um modelo de religião nacional" (NASCIMENTO, 2010, p. 939).
Neste sentido, essas religiões de matriz africana no Brasil possuem identidades
singulares e se distinguem umas das outras de região para região. Por exemplo, a Umbanda do
Maranhão, que é fortemente influenciada pela pajelança é bem diferente da Umbanda carioca,
que tem mais ligação com os orixás e raízes africanas.
18

São, portanto, religiões que remontam em suas origens ao culto às entidades africanas,
dando ênfase às suas características culturais. Tudo isso, denota o dinamismo da religiosidade
desse povo e a dificuldade de seus adeptos em encontrar uma religião que seja considerada
única, ou ainda, certa ou errada (SANTOS, 2018).
No município de Imperatriz é nítida as diferenças doutrinárias entre as religiões de
matriz africana. Isso se dá pelo fato de não existir um livro padrão de conhecimento a seguido,
como a bíblia, por exemplo. O conhecimento é passado oralmente. As entidades espirituais e
os orixás são cultuados de maneira distinta de terreiro para terreiro e costuma-se dizer que o
santo nasce na vida da pessoa com a feitura de santo ou batismo.
Apenas com o processo de iniciação na religião que verdadeiro aprendizado sobre a
umbanda e candomblé se inicia. Os dias de reclusão no quarto de santo para as primeiras
obrigações para com os santos e orixás são cruciais para os adeptos conhecerem os fundamentos
da religião e serem reconhecidos como umbandistas e/ou candomblecistas.
19

3 A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS TEMPLOS E INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS

O presente capítulo tem por objetivo abordar o instituto da imunidade tributária


conferida às instituições religiosas e templos de qualquer culto. Para tanto, torna-se necessária
uma abordagem inicial sobre a imunidade tributária, em linhas gerais. Após isso, discute-se a
imunidade tributária dos templos religiosos de qualquer culto.

3.1 Do instituto da imunidade tributária

Inicialmente frise-se que as imunidades tributárias se apresentam como normas


constitucionais de desoneração tributária. Neste sentido, são mandamentos que distanciam a
tributação, por vontade do legislador constituinte, que assim se manifesta objetivando
homenagear determinados valores inalienáveis da pessoa. Outrossim, as imunidades tributárias
delineiam exonerações justificadas teologicamente, vez que o legislador constituinte deliberou
prestigiar valores constitucionalmente consagrados, tais como a liberdade religiosa, a liberdade
política, a liberdade sindical, a liberdade de expressão, os direitos sociais, o acesso à cultura, o
incentivo à assistência social etc. (SABBAG, 2018).
Assim, ressalta-se que as imunidades tributárias são limitações constitucionais ao
poder de tributar, recebendo, para o STF, a estatura de cláusulas pétreas, e consequentemente o
status de direito fundamental. Sabbag (2018) aduz que, no plano conceitual, é possível asseverar
que a norma imunizante representa uma delimitação negativa da competência tributária, o que
nos leva a afirmar que a imunidade é uma norma de “incompetência tributária”.
Precipuamente, antes de realizar-se uma abordagem mais aprofundada acerca da
imunidade tributária, se faz necessária uma distinção entre a imunidade e a isenção. Para Sabbag
(2018), a isenção traduz-se em dispensa legal de pagamento de tributo; a imunidade é a não
incidência apreciada constitucionalmente. De acordo com esse doutrinador:

A isenção situa-se no campo da incidência tributária e diz respeito à conjuntura


econômica e social de um país. Em síntese, o que se inibe na isenção é o lançamento
do tributo, tendo ocorrido fato gerador e nascido o vínculo jurídico-obrigacional. Na
imunidade, não há que se mensurar em relação jurídico-tributária, posto que a norma
imunizadora está excluída do campo de incidência do tributo. A não incidência, a
propósito, é a ausência de subsunção do fato imponível ao conceito descrito na
hipótese de incidência, ou seja, o acontecimento fático não se alinha com fidelidade à
descrição legal originária, restando incompletos os elementos para a tipicidade. A
isenção, por sua vez, é um favor legal consolidado na dispensa de pagamento de
tributo devido, isto é, a autoridade legislativa impede que o sujeito passivo da
obrigação tributária se sujeite ao tributo. Portanto, inibe-se o lançamento. A
20

imunidade, por seu turno, manifesta-se pela não incidência qualificada


constitucionalmente. Traduz-se no obstáculo, que decorre de preceito constitucional,
à incidência de tributos sobre fatos ou situações específicas (SABBAG, 2018, p. 46).

Ao se analisar o que dispõe o art. 150, VI, a, b, c, d, e, da CF, nota-se que o referido
preceptivo afasta apenas a incidência de impostos. Assim sendo, as situações protegidas pela
presente regra imunizante, não estarão livres, entretanto, da incidência habitual das outras
exações, como das taxas ou das contribuições de melhoria. Como exemplo, podemos dizer que
sobre os templos o IPTU não incidirá, entretanto haverá a incidência normal de uma taxa de
coleta de lixo; ainda, sobre o diretório do partido político, não incidirá o IPTU, mas sobre ele
recairá a sujeição passiva da contribuição de melhoria.
Por fim, evidencia-se que há dispositivos imunizadores afetos aos mais diferentes
tributos. Assim, nota-se que as principais imunidades versam sobre impostos (art. 150, VI, da
CF), entretanto sobejam comandos imunitórios que preveem desonerações de outros tributos,
v.g., o art. 195, § 7.º, da CF (no âmbito das contribuições previdenciárias); o art. 149, § 2.º, I,
da CF (no âmbito das contribuições interventivas e sociais); entre outros exemplos.

3.2 Da imunidade tributária dos templos religiosos de qualquer culto

Essa imunidade visa à proteção dos valores espirituais. A religiosidade do povo


brasileiro é um de seus traços característicos. Por isso, em todas as Constituições, nos
respectivos preâmbulos, encontram-se referências invocando a proteção de Deus: “Nós,
representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte [...]
promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte[...]”.
A expressão templos de qualquer culto abrange não só o edifício onde se realiza a
prática religiosa, como também o próprio culto, sem qualquer distinção de ritos.
O art. 150, VI, c, in fine, da CF contém duas expressões que precisam ser
cuidadosamente interpretadas: (a) “atendidos os requisitos de lei” e (b) “sem fins lucrativos”.
Para Sabbag (2018), a expressão “(...) atendidos os requisitos da lei”: a alínea c é
preceito não autoaplicável, não automático, necessitando de acréscimo normativo. A lei a
respeito é a lei complementar, posto que a imunidade, assumindo a feição de limitação
constitucional ao poder de tributar, arroga, ipso facto, no bojo do art. 146, II, da CF, a indigitada
lei complementar, que, no caso, é o próprio Código Tributário nacional. A alínea c tem
operatividade conferida pelo art. 14, I, II e III, do CTN.
21

Vale dizer que a entidade da alínea c, cumprindo os requisitos que constam dos incisos
do art. 14 do CTN, terá direito à fruição da imunidade. Frise-se que as normas
veiculadas no art. 14 são meramente explicitantes, tendo apenas o objetivo de conferir
operatividade à alínea c do inc. VI do art. 150 da CF. Portanto, são apenas comandos
explicitativos, não servindo para complementar ou incrementar a norma imunizante,
modificando-lhe a essência. (SABBAG, 2018, p. 52).

Por sua vez, a expressão “(...) sem fins lucrativos”: é entendida como a
“impossibilidade de se obter lucro”, devendo ser observada em consonância com o art. 14, I,
do CTN. Para Sabbag (2018), não há, de fato, vedação ao lucro, mas, sim, proibição à
apropriação particular do lucro. Essa apropriação se mostra no animus distribuendi, que não
pode ser confundido com uma normal remuneração dos diretores de uma entidade imune, pela
execução dos seus trabalhos. Nesse sentido, discute-se a legitimidade o art. 12, § 2.º, da Lei nº
9.532/1997, que, de modo acintoso, vedou tal remuneração.
Assim, permite-se a obtenção do resultado positivo, da sobra financeira, do “superávit”
ou, em linguagem técnica, do ingresso financeiro líquido positivo. Em última análise, o que se
busca é que todo o resultado se transforme em investimento ou custeio para que a entidade
cumpra sua função institucional.
Em março de 2017, o Plenário do STF finalizou, conjuntamente, um vultoso
julgamento de um recurso extraordinário (com repercussão geral reconhecida e relatoria do
Min. Marco Aurélio), e de quatro ações diretas de inconstitucionalidade (relatoria do então Min.
Joaquim Barbosa), debatendo, entre outros aspectos, a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei
nº 8.212/1991. São eles: RE 566.622/RS e ADI 2.028/DF, 2.036/DF, 2.621/DF e 2.228/DF. O
decantado art. 55 da Lei nº 8.212/1991 dispõe acerca das exigências que devem ser
cumulativamente cumpridas por entidades beneficentes de assistência social para fins de
concessão de imunidade tributária em relação às contribuições para a seguridade social.
Observou-se, in casu, o embate entre a lei ordinária e a lei complementar, no âmbito
jurídico-tributário (art. 14 do CTN c/c o art. 146, II, CF). Com o veredicto, afirmou-se que a
reserva de lei complementar, aplicada à regulamentação da imunidade tributária, prevista no
art. 195, § 7º, da CF, limita-se à definição de contrapartidas a serem observadas para garantir a
finalidade beneficente dos serviços prestados pelas entidades de assistência social, o que não
impede seja o procedimento de habilitação dessas entidades positivado em lei ordinária. Dessa
forma, os aspectos meramente procedimentais, relativos à certificação, à fiscalização e ao
controle administrativo continuam passíveis de definição em lei ordinária. Tais exigências não
se confundem com bruscas alterações legislativas, tendentes a afetar negativamente o modo
22

beneficente de atuação das entidades assistenciais: aqui, deve incidir a reserva legal qualificada
prevista no art. 146, II, da CF.
As sucessivas redações do art. 55, II e III, da Lei nº 8.212/1991 têm em comum a
exigência de registro da entidade no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), a
obtenção do certificado expedido pelo órgão e a validade trienal do documento. Como o
conteúdo da norma tem relação com a certificação da qualidade de entidade beneficente, ficou
afastada, no julgamento, a tese de vício formal. A norma trata de meros aspectos procedimentais
necessários à verificação do atendimento das finalidades constitucionais da regra de imunidade.
Portanto, com o veredicto, tornam-se mais límpidas as fronteiras entre a lei complementar e a
lei ordinária na seara jurídico-tributária.
Mesquita Filho e Campos (2012) asseveram que a locação de imóveis pertencentes ao
culto goza de imunidade, desde que eventual. Assim, quando essa atividade é permanente, trata-
se de atividade econômica, que nada tem a ver com um culto religioso. Neste sentido, se fosse
utilizado a imunidade tributária, estaria se praticando concorrência desleal, em detrimento da
livre iniciativa, ferindo assim o disposto no art. 150 da CF.

Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:


[...]
IV – cobrar imposto sobre:
a) [...]
b) templos de qualquer culto;
[...]
§ 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas,
da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não a
dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de
obrigações tributárias por terceiros.

Para Mesquita Filho e Campos (2012) o referido artigo de CTN versa sobre as
obrigações acessórias, e, portanto, as instituições têm o dever de cumpri-las perante o fisco,
informando aos órgãos tributários e procedendo a retenções e recolhimento de tributos como
ISS, Previdência Social, IRRF dentre outros. Também se obrigam no pagamento de taxas,
recolhimento do FGTS e do PIS. Deve o líder religioso, enquanto responsável perante a
instituição, atentar quanto às obrigações tributárias e contribuições retidas de terceiros. Não o
fazendo, estará incorrendo em crime de apropriação indébita, e, assim, sujeito às cominações
da Lei nº 8.137/90 (Crime Contra a Ordem Tributária). Esse doutrinador ressalta ainda, que as
Igrejas devem observar alguns requisitos, conforme o art. 14 do CTN. Seu não cumprimento é
causa de suspensão da imunidade de impostos, submetendo a Igreja ao devido processo legal
do direito administrativo, estabelecido pela Lei nº 9.430/96.
23

O art. 150, § 4.º, da CF aponta que a imunidade alcançará não somente as atividades
essenciais, mas também “o patrimônio, a renda e os serviços relacionados”, atraindo uma
interpretação extensiva quanto às atividades exercidas pelas entidades da alínea c. Essa é a visão
do STF (RE 257.700/MG-2000). As atividades essenciais, mas também “o patrimônio, a renda
e os serviços relacionados”, atraindo uma interpretação ampliativa quanto às atividades
exercidas pelas entidades da alínea c. Aliás, a Súmula 724 do STF oferta um entendimento
nessa direção: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel
pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição, desde que
o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”.
Em 2015, o Plenário do STF, por maioria, acolheu proposta de edição de enunciado
de Súmula Vinculante com o seguinte teor: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece
imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, c, da
CF, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades
foram constituídas”.
Assim, tornou vinculante o conteúdo do Verbete 724 da Súmula do STF. Trata-se da
Súmula Vinculante nº 52 do STF. A esse respeito, observe-se que a parte final do texto da
Súmula nº 724 não equivale exatamente à parte final do texto da Súmula Vinculante nº 52. Em
tempo, o próprio STF decidiu, por maioria, pela não incidência do ICMS nas vendas realizadas
por entidades beneficentes, desde que o lucro fosse destinado aos objetivos precípuos da
entidade (STF, RE 210.251/SP).
Frise-se que o instituo da imunidade tributária possibilita que as instituições religiosas
tenham maior autonomia e sejam valorizadas. Afinal, o objetivo das instituições religiosas em
geral não é o lucro, mas sim a busca pelo divino, religar-se, reconectar-se com o sagrado, como
o próprio significado do termo religião consiste. As instituições religiosas embora possuam suas
diferenças/divergências, pregam o amor ao próximo, a fé, a caridade, a esperança.
As religiões de matriz africana que são o foco deste trabalho são fundadas nesses três
pilares: a fé, caridade e o amor. Afirmam inclusive que não há salvação sem a caridade.
Historicamente, como viu-se anteriormente, são as religiões dos excluídos e necessitam de uma
maior valorização pelo Estado Brasileiro, tendo em vista que formam a identidade cultural do
país. Diante disso, o próximo capítulo irá abordar a legalização dos terreiros, e os demais
direitos e deveres decorrentes da legalização, vez que a imunidade tributária é apenas um desses
direitos.
24

4 O PROCESSO DE REGULARIZAÇÃO JURÍDICA DOS TERREIROS

Inicialmente, convém entender o porquê legalizar as casas religiosas de matriz


africana. O Iphan (2015) ressalta que a legalização do espaço religioso das comunidades
tradicionais de matriz africana configura-se como um passo importante na valorização e
reconhecimento do seu legado cultural e de suas liturgias, favorecendo a construção de um
caminho de respeito às diferenças e a garantia da igualdade, no intuito de tornar concreto e real
o Estado Democrático de Direito laico que valorize as diversas tradições e costumes que
formam historicamente o Brasil.
De acordo a cartilha de orientações para legalização de associações de apoio às casas
religiosas de matriz africana, criada pelo MPMA e Fundação Josué Montello: é um passo
importante na valorização e reconhecimento de seu legado cultural; favorece a construção de
um caminho de respeito às diferenças e garantia da igualdade; contribui para efetivar o estado
democrático de direito e valorizar as diversas tradições que formam o Brasil. Dentre os direitos
exercidos nos espaços litúrgicos legalizados, destacam-se:

 Manter locais destinados aos cultos e criar instituições de assistência social;


 Elaborar e fazer a divulgação das publicações litúrgicas;
 Solicitar e receber doações voluntárias;
 Realizar atividades litúrgicas em locais fechados ou abertos, ruas, praças,
parques, praias, bosques, florestas ou qualquer outro local de acesso público;
 A imunidade tributária;
 Poder ter cemitério em sua jurisdição;
 Poder ter espaço educacional.

Ressalta-se que esse rol de direitos só é garantido apenas para as casas religiosas de
matriz africana que são legalizadas. Frise-se que processo de legalização das casas religiosas
de matriz africana encontra fundamento no ordenamento jurídico brasileiro a partir de diversos
dispositivos e institutos que garantem a liberdade de culto, regulam todo o processo de registro
perante os diversos órgãos governamentais e as garantias decorrentes dessa regularização.
Diante da multiplicidade de normas que tratam de todo este processo, destacam-se duas delas,
que servem de fundamento para todo o processo de registro: a Constituição Federal de 1988,
no art. 5º, incisos IV, VI e IX, consagram a liberdade de manifestação do pensamento, a
liberdade de expressão, de consciência e de crença e expressão da atividade intelectual,
assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos
locais de culto e as suas liturgias, como um dos direitos fundamentais; e o Código Civil de 2002
e sua posterior alteração pela Lei nº 10.825/2003.
25

Foi a partir do Código Civil de 2002 que foi criada uma pessoa jurídica de direito
privado específica para as organizações religiosas tornando mais simples e mais flexível a sua
legalização. Para garantir a livre criação dessa pessoa jurídica ficou determinada a proibição de
qualquer ente estatal criar dificuldades com o objetivo de negar o registro, veja-se:

Art. 44. [...]


§1º. São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das
organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento
ou registro dos atos constitutivos (de criação) e necessários ao seu funcionamento.

Desde a alteração do Código Civil em 2003, atualmente existem três possibilidades


para a constituição de uma organização religiosa: na forma de associação religiosa (arts. 53 a
61 do Código Civil); na forma de fundação religiosa (arts. 62 a 69 do Código Civil) e na forma
específica de organização religiosa (art. 45 a 52 do Código Civil).
Uma instituição religiosa constituída como associação deve ser registrada com
observância dos requisitos essenciais (art. 54, CC/2002) em seus atos constitutivos (estatuto
social), sob pena de ser considerada ilegal, devendo ter uma estrutura organizacional mínima
exigida por lei, o que torna mais complexa a sua formação e manutenção, especialmente para
as organizações religiosas com um corpo de membros reduzido.
Uma fundação religiosa representa a destinação de um patrimônio para atividades
desta natureza. Serão criadas por escritura pública ou testamento, definindo os bens que lhe
serão transferidos, especificando o fim a que se destinam, e declarando a maneira de administrá-
los (art. 62, CC/2002). As fundações só terão seus atos constitutivos registrados após aprovação
do Ministério Público, que observará que foram observadas as bases da fundação e se os bens
são suficientes para sua finalidade. O Ministério Público também será o responsável pela
fiscalização das fundações, de sua administração, visando assegurar o cumprimento das
finalidades sociais das mesmas.
A forma específica considerada a mais adequada é a de organização religiosa, por ser
capaz de se adaptar ao tamanho, à finalidade de cada entidade religiosa, à sua estrutura interna,
às funções de seus membros, ao seu funcionamento, possibilitando uma maior autonomia desde
o momento de sua criação. Com isso, é proibido ao poder público negar-lhes reconhecimento
ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. Na forma de Organização
Religiosa, não é obrigatória a elaboração de um estatuto social com os mesmos requisitos
exigidos para o registro da Associação previstos no Código Civil, art. 54. Assim, o documento
que levará à criação da Organização Religiosa, deve preencher apenas os requisitos gerais para
26

o registro das pessoas Jurídicas (art. 46 do CC/2002), podendo ser denominado tão somente
“Ato Constitutivo de Organização Religiosa”.
Dentre essas três modalidades de legalização dos terreiros, as duas mais usuais são a
de associação e a de organização religiosa, sendo a última mais simples, de acordo com Iphan
(2015).

4.1 Legalização de terreiros na modalidade de associação religiosa

De acordo com a Cartilha do MPMA e Fundação Josué Montello, inicialmente as


pessoas que participam do espaço litúrgico e que compõem o povo tradicional de matriz
africana deve ter consciência da importância do registro civil e expressar sua vontade de compor
uma diretoria. Depois, deve ser realizada uma reunião preliminar com os membros da casa para
determinar a necessidade de legalização da mesma. Nesta reunião irão propor a fundação da
associação.
O terceiro passo consiste em escolher o nome que vai constar do território, pode ter
um nome longo e um nome fantasia. No cartório será feita uma pesquisa para verificar se existe
outra associação com o mesmo nome, já registrada no Registro Civil de Pessoa Jurídica (RCPJ).
No quarto passo deve-se escrever um edital de convocação de assembleia geral para
constituição da associação e eleição da diretoria. O edital deve ser publicado um mês antes da
reunião, em local visível. O documento também pode ser enviado via convite para os membros
da casa, por meio de e-mail.
Antes mesmo da assembleia ser realizada deve-se ter uma proposta de Estatuto Social.
Este documento define a missão, objetivos e a organização do território. Na assembleia deve-
se finalizar a redação do Estatuto Social da Associação. O Apêndice B traz um modelo de
Estatuto Social da Associação de um terreiro. No tocante ao Estatuto, o Código Civil de 2002
estabelece em seu art. 54, que:

Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá:


I – a denominação, os fins e a sede da associação;
II – os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;
III – os direitos e deveres dos associados;
IV – as fontes de recursos para sua manutenção;
V – o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e
administrativos;
V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos;
VI – as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução.
VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas.
27

O Estatuto deve classificar como organização religiosa sem finalidade econômica de


lucro, devendo conter: o Endereço completo da sede e, caso o espaço seja alugado, necessita
do contrato de locação ou cópia da capa/contra capa do carnê IPTU; prazo de duração da
organização (indeterminado); atribuições de todos os diretores para os povos tradicionais de
matriz africana: podem ser divididos aqueles que são responsáveis pela liturgia e ter cargos
vitalícios e definido pelas divindades e os cargos administrativos, devendo ser descrita as
funções de cada um; conselho fiscal e pode ter ainda, um conselho de anciãos. Além disso, é
necessário conter no Estatuto Social:

a) Modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos (aqui geralmente


os ligados a liturgia) e administrativo (financeiro, projetos, comunicação e etc.);
b) Prazo de mandato de todos os órgãos (os da liturgia – vitalícios e/ou não; os
administrativos com tempos determinados e se podem ser reconduzidos ao cargo ou
não e sob que circunstâncias);
c) Fontes de recursos (se é por pagamento de mensalidades, doações e etc.);
d) Órgão competente e quórum para dissolução (no caso de morte, dissolução do
território para onde será destinado o espaço e quem é responsável). Este espaço é
muito importante porque muitos territórios sagrados têm sido destruídos após a morte
dos zeladores. (CARTILHA DE ORIENTAÇÕES PARA LEGALIZAÇÃO DE
ASSOCIAÇÕES DE APOIO ÀS CASAS RELIGIOSAS DE MATRIZ AFRICANA).

De acordo com a cartilha, o estatuto deve permitir abrangência nas competências,


principalmente tratando-se de uma Comunidade Tradicional de Matriz Africana e que
desenvolve projetos e programas muito além dos requisitos destacados acima, portanto devem
ser colocadas estas funções (educacionais, assistenciais, de comunicação, cultura. Cabe ao
Regimento Interno determinar as regras éticas, normativas e ritualísticas do terreiro). Por fim,
a cartilha ressalta que o estatuto deve conter a auto declaração de compor os povos tradicionais
de matriz africana, por falar a língua - Jeje, Yorubá ou uma das Bantu, por terem hábitos
alimentares específicos e seguirem a tradição de ancestrais africanos vindos para o Brasil e que
foram escravizados.
Na realização da Assembleia Geral para constituição da associação e eleição de
diretoria ocorrerá:
 A apresentação da Diretoria proposta – a Diretoria deve ser composta por
Presidente, Vice-Presidente, coordenadores gerais e coordenadores administrativo, financeiro,
de comunicação, de projetos etc. As atribuições exercidas pelo Presidente ou coordenadores
não se confundem com as funções desempenhadas pelo Zelador das divindades ou cargos da
tradição de matriz africana podendo as pessoas ter dupla função (administrativa e litúrgica);
 Eleição da Diretoria pelos presentes;
28

 Apresentação e aprovação do Estatuto da Associação;


 Elaboração da Ata com registro da Assembleia e assinatura dos presentes.
Torna-se necessário ressaltar a importância que no restante do processo se contrate ou
conte com apoio de um contador para dar suporte à diretoria.
O próximo passo é dirigir-se ao cartório, promover o Registro Civil de Pessoa Jurídica
(RCPJ); este documento é pago e para que seja feito devem ser apresentados: duas vias do
Estatuto, com o requerimento assinado pelo Presidente, com firma reconhecida, ou por
procurador (procuração especifica para RCPJ com firma reconhecida), solicitando o registro; e
a ata de Assembleia da Fundação.
Em relação ao Estatuto, deve possuir visto do advogado, com o número da OAB -
somente na última folha; rubrica do Presidente e do Secretário da Assembleia de Fundação em
todas as páginas; mesma data da Assembleia de Fundação na última página; assinaturas do
Presidente e do Secretário da Assembleia de Fundação, na última página.
No tocante à ata de fundação, deverá conter: aprovação do Estatuto e da criação da
Associação; relação dos Fundadores com RG e CPF, assinaturas do Presidente e Secretário da
Assembleia de Fundação; nomeação da diretoria com qualificação completa: cargo, nome,
estado civil, nacionalidade, profissão, CPF, RG, endereço; rubrica do Presidente e do Secretário
da Assembleia de Fundação em todas as páginas com assinatura na última página; e por fim, a
Ata da Assembleia deverá conter a data igual à de Fundação.
Após isso, o passo seguinte é dar entrada no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas
(CNPJ), que poderá ser feito via Internet através do site da Receita Federal
(www.receita.fazenda.gov.br) e no link FCPJ – Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica, que poderá
ser preenchida; e via PGD – download e transmitida exclusivamente pela Internet por meio do
Programa Receitanet ou preenchida diretamente no sítio da Secretaria da Receita Federal do
Brasil (RFB) http://www.receita.fazenda.gov.br, por meio do Aplicativo de Coleta Web.
A casa de Matriz Africana deverá solicitar o Alvará de Vistoria, documento oficial
emitido pelo Corpo de Bombeiros Militar, atestando que a edificação possui condições de
segurança contra incêndio. Para requerer o Alvará de Vistoria, é necessário o desenvolvimento
de um projeto de segurança contra incêndio, onde nele constarão todos os equipamentos de
segurança que a casa terá, incluindo extintores, sinalização de saída de emergência, dentre
outros. A casa deve descrever o formato e as necessidades estruturais que garantam a
preservação da tradição de matriz africana, referendando o Decreto nº 6.040/2003. Esse projeto
será enviado para o Corpo de Bombeiros Militar, que emite um protocolo e realiza a vistoria
29

para aprovação ou não do projeto. Caso não esteja adequado às normas de segurança, o projeto
é devolvido com as alterações a serem feitas e nova vistoria deve ser marcada.
Após isso, com a documentação organizada, deve-se buscar o licenciamento na
Secretaria Municipal de Meio Ambiente onde a casa se encontra. Deve-se retirar o
licenciamento ambiental e sanitário, se necessário, e o licenciamento de funcionamento
(alvará), na SEMFAZ, que é também chamado de inscrição municipal. Sem isso, não há como
conseguir, por exemplo, a isenção de Imposto Sobre Serviços (ISS) se a casa prestar algum
serviço.
Após esse procedimento, o representante da casa deve comparecer pessoalmente ou
por advogado ou contador habilitado (via procuração) à SEMFAZ para entregar os documentos
necessários para o recebimento de alvará. Ressalta-se que somente após esse procedimento que
o terreiro terá, por exemplo, a possibilidade de se inscrever na nota fiscal eletrônica, que
permitirá a emissão de notas pela prestação de serviços eventuais relacionados à sua finalidade.

4.2 A legalização dos terreiros na modalidade de organização religiosa

De acordo com IPHAN (2015), inicialmente, as pessoas que fazem parte de uma casa
de religião de matriz africana, devem ter consciência da importância de ter o registro civil, bem
como das responsabilidades decorrentes da legalização. Após isso, torna-se necessário a
convocação de uma Assembleia de Fundação com membros da casa para decidir sobre a
legalização da mesma por meio da criação de uma pessoa jurídica na forma de organização
religiosa.
A Assembleia Geral de Fundação deverá ser presidida e secretariada por membros da
casa e nela deverão ser definidos os seguintes pontos:
a) Apresentar e aprovar o texto do ato constitutivo da organização religiosa;
b) Definir e eleger a diretoria. A diretoria é o órgão de administração e representação
judicial e extrajudicial da casa. Como a organização religiosa tem sua composição livre, a
diretora pode ser integrada por um ou mais membros. No caso de diretoria com mais de um
membro, deve ser indicado se todos atuam conjuntamente ou não, e ainda a nomeação ou não
de um diretor presidente;
c) Elaborar a Ata com registro das decisões tomadas em Assembleia, com assinatura
dos presentes.
30

Escolher o nome que vai identificar a organização religiosa. É possível o registro de


uma denominação e de um nome fantasia. Antes de efetuar o registro é necessário realizar uma
pesquisa no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas para verificar se já não existe outra
organização religiosa com o mesmo nome já registrado.
O Ato Constitutivo a ser elaborado pela Organização Religiosa deve conter os
seguintes requisitos exigidos no art. 46 do CC/2002:

Art. 46. O registro declarará:


I – a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando
houver;
II – o nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;
III – o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e
extrajudicialmente;
IV – se o ato constitutivo é reformável no tocante à administração, e de que modo;
V – se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais;
VI – as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse
caso.

Assim, percebe-se que deverá conter a identificação do documento como Ato


Constitutivo de Organização Religiosa sem Finalidade Lucrativa; a denominação – que consiste
no nome que irá identificar a casa de matriz africana. Ressalta-se que são proibidos nomes
iguais no mesmo Estado; as finalidades da instituição religiosa; a sede da Organização – que se
trata do domicílio e o endereço completo do ponto escolhido para estabelecer a casa. O endereço
deverá estar completo, de modo que seja referência exata tanto para atos judiciais e
extrajudiciais. Caso o espaço seja locado necessita de cópia do contrato de locação ou cópia da
capa/contracapa do carnê de pagamento do IPTU; prazo de duração da organização, podendo
ser determinado ou indeterminado – mas, normalmente é indeterminado, e inicia-se desde
quando a casa foi fundada de fato; e as fontes de recursos, devendo-se indicar as fontes de
recursos para a manutenção da instituição, se é por doações, etc.
Conforme o inciso II, deverá conter o nome e a individualização dos fundadores e do
responsável pelo culto com qualificação completa: cargo, nome, estado civil, nacionalidade,
profissão, CPF, identidade com órgão expedidor, domicílio. Além disso, deverá ser definido a
diretoria com a qualificação dos diretores: nome, cargo, estado civil, nacionalidade, profissão,
CPF, identidade com órgão expedidor, domicílio. Pode ser escolhido um ou mais diretores.
O inciso III versa sobre a forma de escolha, prazo do mandato e atribuições dos
diretores, sendo necessário estabelecer quem administrará e quem representará a casa, devendo
observar que essas atribuições podem ser realizadas por uma mesma pessoa ou por um grupo.
Por sua vez, o inciso IV define a possibilidade de alteração do Ato Constitutivo e a competência
31

para esta alteração. É possível que a alteração seja feita pela diretoria ou em Assembleia de
membros.
Por fim, tem-se o órgão competente e quórum para dissolução da organização. (No
caso de fechamento da casa, definir para quem será destinado o espaço e quem será responsável
pela administração do patrimônio). Deve ser definido se a morte dos fundadores ou ministro de
culto levará ao fechamento da casa. Frise-se que o Ato Constitutivo pode descrever outras
atividades além do culto, que venham a ser desenvolvidas na casa, respeitando as finalidades já
previstas (IPHAN, 2015).

4.3 Obrigações após a legalização do terreiro

No tocante às obrigações do terreiro pós legalização, deve-se observar as seguintes


exigências legais, de acordo com a Cartilha do MPMA e Fundação Josué Montello:

 Emitir mensalmente pelo contador da instituição a GFIP (Guia de


Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à
Previdência Social);
 Emitir anualmente pelo contador da instituição o RAS (Regime de Apuração
simplificado), junto à Caixa Econômica, bem como a CND (Certidão Negativa de
Débitos), junto ao INSS e à Receita Federal;
 Declarar anualmente o IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica). Apesar da
isenção, os templos estão sujeitos à cobrança de multa no caso de atraso na entrega
das declarações;
 Realizar anualmente o balanço contábil;
 Verificar as condições de pagamento de Taxa de Incêndio de acordo com o
município em que se localiza a instituição;
 Reunir-se em assembleia, conforme o período de renovação do mandato, para
eleição de membros da nova diretoria.

O IPHAN (2015) ressalta que se deve manter livros contábeis obrigatórios, tais como:
a) Livro Caixa ou Diário/Razão: Conforme determina o Regulamento do Imposto de Renda, a
organização religiosa é obrigada a possuir um Livro Caixa com o Balanço de Abertura, Termo
de Abertura e Termo de Encerramento, o qual depois de registrado em cartório, deverá ser
escriturado com todas as receitas e despesas e as contas patrimoniais; b) Livro de Atas: A
organização religiosa está obrigada a possuir o Livro de Atas, devidamente registrado em
cartório com os devidos Termos de Abertura e Termo de Encerramento.
O Terreiro legalizado deve apresentar RAIS Negativo (Relação Anual de Informações
Sociais): tendo em vista que todos os locais de culto enumerados no Decreto nº 76.900 de 13
de dezembro de 1975, devem apresentar anualmente e dentro do prazo legal o RAIS Negativo,
32

quando as organizações religiosas não possuírem empregados registrados, conforme


determinação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
A Casa de santo deve entregar Declaração de Isenção, tendo em vista todas as
organizações religiosas estão obrigadas a entregar anualmente a Receita Federal, até o mês de
junho de cada ano, sua Declaração de Isenção do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica;
Deve realizar matrícula no INSS: após o registro do Ato Constitutivo e da inscrição do
CNPJ, a casa deverá providenciar sua matrícula no INSS. Toda vez que ocorrer modificação da
diretoria, deve-se registrar em cartório Ata de Eleição da Diretoria.
O Terreiro deve também recolher o Imposto Sindical Patronal: vez que as organizações
religiosas são consideradas empregadoras, deverão recolher no mês de janeiro de cada ano o
imposto sindical patronal ou solicitar a sua isenção.
Além disso, é obrigação do terreiro manter sua contabilidade regular: a contabilidade
torna-se obrigatória tendo em vista a necessidade de prestação de contas perante os membros,
como também para fins de isenção do Imposto de Renda. Enviar declarações de pessoa jurídica
à Receita Federal tais como: DIPJ, DCT, DACON e DIRF. Frise-se que este serviço deverá ser
realizado por um contador. Elaborar folha de pagamento, caso contrate empregados. E por fim,
recolher PIS, caso contrate empregados.
33

5 A REGULARIZAÇÃO JURÍDICA DOS TERREIROS DO MUNICÍPIO DE


IMPERATRIZ/MA

O presente capítulo aborda os resultados da pesquisa de campo, realizada entre os


meses de maio e junho de 2019. Antes de apresentar os resultados da pesquisa e discuti-los,
tona-se necessário expor a metodologia, adotada, por isso o capítulo se tem início com os
procedimentos metodológicos.

5.1 Procedimentos metodológicos

Inicialmente convém destacar que a metodologia se trata de um conjunto sistemático


e racional de atividades que permite alcançar os objetivos propostos pela pesquisa científica,
para que o conhecimento obtido seja válido e verdadeiro. Neste sentido, trata-se do
planejamento do melhor caminho a ser seguido dentro da pesquisa, e é de fundamental
importância para as ciências de modo geral. Para Marconi e Lakatos (2007), método é o
conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite
alcançar o objetivo, trazendo conhecimentos válidos e verdadeiros, e, traçando o caminho a ser
seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.
Este estudo foi realizado por meio de uma abordagem qualitativa. Na abordagem
qualitativa

(...) há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo
indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser
traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados
são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Esta não requer o uso de métodos e
técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o
pesquisador é o instrumento-chave. Tal pesquisa é descritiva. Os pesquisadores
tendem a analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos
principais de abordagem. (PRODANOV; FREITAS 2013, p. 70).

Neste sentido, a escolha por este método de abordagem se fez necessária tendo em
vista que foi realizado um estudo sobre o processo de regularização jurídica dos terreiros, os
dispositivos legais e institutos que regem a matéria, a fim de conscientizar os terreiros de
Imperatriz sobre a necessidade de legalizar os mesmos.
Pretendeu-se levantar a quantidade de casas religiosas de matriz africana no município
de Imperatriz, quantas delas já são legalizadas e/ou possuem interesse em se regularizarem
juridicamente.
34

Quanto aos fins desta pesquisa, verifica-se que será adotada pesquisa exploratória.
Segundo Gil (2002), a pesquisa exploratória tem como objetivo proporcionar maior
familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito. Esta pesquisa pode
envolver levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes no problema
pesquisado, e, geralmente, assume a forma de pesquisa bibliográfica e estudo de caso.
Tendo em vista que esta pesquisa objetivou identificar como se dá o processo de
regularização jurídica dos terreiros de Umbanda/Candomblé do município de Imperatriz – MA,
esta pesquisa adotou três procedimentos técnicos: a pesquisa bibliográfica, documental e de
campo.
A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado,
constituído principalmente de livros e artigos científicos. Por sua vez, a pesquisa documental
se vale de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser
reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa (GIL, 2002).
A presente proposta enquadra-se como uma pesquisa de campo. Severino (2007)
destaca que no estudo de campo o pesquisador realiza a maior parte do trabalho pessoalmente,
pois é enfatizada a importância de o pesquisador ter tido ele mesmo uma experiência direta com
a situação de estudo. Para o autor, na pesquisa de campo:

[…] o objeto/fonte é abordado em seu meio ambiente próprio. A coleta dos dados é
feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente
observados, sem intervenção e manuseio por parte do pesquisador. Abrange desde os
levantamentos (surveys), que são mais descritivos, até estudos mais analíticos.
(SEVERINO, 2007, p. 123).

Para Prodanov e Freitas (2013), o elemento mais importante para a identificação de


um delineamento é o procedimento adotado para a coleta de dados. Segundo esses autores,
existem dois grandes grupos de delineamentos: pesquisa bibliográfica e pesquisa documental
que são aqueles que se valem das chamadas fontes de papel, e pesquisa experimental, pesquisa
ex-postfacto, o levantamento, o estudo de caso, a pesquisa-ação e a pesquisa participante
aqueles cujos dados são fornecidos por pessoas.
Na pesquisa documental, os documentos são classificados em dois tipos principais:
fontes de primeira mão e fontes de segunda mão. Segundo Gil (2002), os documentos de
primeira mão são os que não receberam qualquer tratamento analítico, como: documentos
oficiais, reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc. Já
os documentos de segunda mão são os que, de alguma forma, já foram analisados, tais como:
relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas, dentre outros.
35

Para Prodanov Freitas (2013) documento é qualquer registro que possa ser usado como
fonte de informação, por meio de investigação, que engloba: observação (crítica dos dados na
obra); leitura (crítica da garantia, da interpretação e do valor interno da obra); reflexão (crítica
do processo e do conteúdo da obra); crítica (juízo fundamentado sobre o valor do material
utilizável para o trabalho científico).

5.2 A realidade dos terreiros de Imperatriz

Historicamente as religiões de matriz africana no Brasil sempre foram discriminadas


e associadas a uma imagem negativa. Isso se deu principalmente pelo fato de ser a religião dos
excluídos, os escravos! Mesmo após a abolição da escravatura os negros continuaram a ser
perseguidos, e a principal forma de perseguição foi por meio da intolerância religiosa.
Antigamente os terreiros e denominações espíritas em geral eram “ilegais”, e
consequentemente, quando se tinha roda em alguns, a polícia invadia e fazia uso de força para
o ritual acabar. Nessas intervenções policiais os tambores, atabaques e demais instrumentos
eram destruídos, cortados, etc. Hoje essa realidade mudou, existe a liberdade de culto no Brasil
e são seus direitos por meio da Constituição Cidadã.
Porém, para que as casas religiosas de matriz africana tenham seus direitos
reconhecidos em lei e benefícios como o da imunidade tributário, dentre outros, é necessário
que as mesmas possuam Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Esse documento exige
que a entidade religiosa crie um Estatuto Social e a ata de abertura (criação) da entidade ou
terreiro. Além disso, é necessária a assistência de um advogado, pois todos os atos de
constitutivos de pessoa jurídica exigem isso.
A inquietação do autor se deu pelo fato de possuir vivência nos terreiros de matriz
africana do município de Imperatriz/MA e observar que boa parte dos sacerdotes/sacerdotisas
não possui grau de instrução. Existem sacerdotes que sequer sabem ler e/ou escrever e boa parte
das pessoas que integram os terreiros também não possuem. Afinal, como dito anteriormente,
as religiões de matriz africana se tornaram as religiões dos excluídos.
A ideia de pesquisar uma solução para o problema que impulsionou este trabalho se
deu em 2017, quando o autor viu uma notícia a respeito da regularização jurídica de terreiros
em Salvador/BA, no qual constatou-se que apenas uma pequena porção dos templos religiosos
possuíam CNPJ. E desde então por meio de sondagens preliminares, pretendeu-se verificar a
existência de terreiros legalizados no município de Imperatriz.
36

Por meio das primeiras entrevistas informais com os sacerdotes dos terreiros de
Imperatriz, percebeu-se que alguns pensavam que a carteira de associações religiosas ou alvará
para realização dos rituais litúrgicos eram a mesma coisa, ou possuíam a mesma
validade/finalidade. Alguns sacerdotes afirmaram inclusive possuir CNPJ, mas depois foi
explicou-se seu conceito, negaram possuir.
O município de Imperatriz não possui mapeamento dos terreiros e tão pouco possui
dados oficiais a respeito da quantidade de casas religiosas de matriz africana no município.
Porém, de acordo com o levantamento realizado na pesquisa de campo e em um grupo de
WhatsApp, Imperatriz conta com aproximadamente 20 terreiros, sendo apenas dois deles de
candomblé. Dessa quantidade de terreiros, 10 sacerdotes foram questionados apenas quanto a
existência de CNPJ dos seus terreiros e quatro foram contemplados pela pesquisa de campo.
A realização da pesquisa de campo não foi uma tarefa fácil. Houve dificuldade em
agendar visitas com os sacerdotes dos terreiros pesquisados. Além disso, como se propôs a esta
pesquisa uma modalidade interventiva, a fim de prestar orientações jurídicas para a
regularização dos terreiros, houve a necessidade de confeccionar um modelo de Estatuto Social
que foi entregue aos sacerdotes via WhatsApp. Além disso, foi entregue uma cartilha de
orientações para legalização das casas religiosas de matriz africana criada pela Fundação Josué
Montello e o Ministério Público do Estado do Maranhão.
Como dito no início desse trabalho, não há dados oficiais a respeito da quantidade de
terreiros do município de Imperatriz/MA. Mas, o autor foi realizado durante a pesquisa de
campo o levantamento da quantidade de terreiros existentes no município. Constatou-se que:
O Bairro Bom Sucesso conta com quatro terreiros, sendo um de Candomblé e três de
Umbanda, sendo que um deles encontra-se parado atualmente;
O Bairro Santa Inês conta com um terreiro de Umbanda;
O Bairro Vila Macedo conta com quatro terreiros, sendo um de Candomblé e três de
Umbanda;
O Bairro Vila Machado conta com um terreiro de Umbanda;
O Bairro Nova Imperatriz conta com dois terreiros de Umbanda;
O Bairro Bacuri conta com um terreiro de Umbanda;
O Bairro Vila Nova Conta com dois terreiros de Umbanda;
O Bairro Bom Jesus conta com um terreiro de Umbanda;
O Bairro Vila Airton Senna conta com um terreiro de Umbanda;
O Bairro Vila Redenção conta com um terreiro de Umbanda;
37

O Bairro Vila JK conta com um terreiro de Umbanda;


O Bairro Lagoa Verde conta com um terreiro de Umbanda.
Assim, o número total de terreiros de Imperatriz corresponde a vinte, sendo 18 de
Umbanda e 02 de Candomblé. Alguns já fecharam há muitos anos e não foram incluídos na
contagem, com um que fica localizado na Rua Piauí, Centro de Imperatriz. Dentre esse total de
terreiros existentes em Imperatriz, boa parte deles existem há mais de uma década. O mais
recente deles possui cerca de dois anos.
É importante ressaltar que no município de Imperatriz a Umbanda e Candomblé se
misturam, e juntamente com a forte influência do Kardecismo, Catolicismo, Pajelança dão
origem a uma “nova religião”: o Terecô. Tanto, que o grupo de WhatsApp dos terreiros de
município de Imperatriz, grupo esse que o autor faz parte, recebe o nome de “Terecô de
Imperatriz”.
De acordo com os sacerdotes pesquisados e a vivência que o autor possui no terecô,
percebe-se que para os que participam dessa manifestação religiosa, trata-se do próprio ritual
em si: a roda; os toques de tambores e atabaques, dentre outros instrumentos; das cantigas e
rezas; das doutrinas; a forma de vestir-se, etc. Neste sentido, seria como a missa do católico e
o culto do protestante.
Para Ferretti (2001), o terecô, também conhecido como tambor de mina e/ou tambor
da mata, é uma religião afro-brasileira tradicional de Codó, cidade do interior do Maranhão,
tendo surgido provavelmente em fins do século XIX.
No terecô cultuam-se entidades que normalmente não são cultuadas na Umbanda e
também não são cultuadas de forma alguma no Candomblé. Os chamados encantados ou voduns
são símbolos do terecô, que não se limita a cultuar apenas os santos e orixás. Existe um panteão
de encantados da mata, tendo principalmente a figura de Légua Bogi Buá da Trindade como
chefe da família.
A família de Légua Bogi é enorme e de suma importância para o terecô, tanto que
todos os terreiros do Maranhão cultuam essas entidades. A maioria dos terreiros de terecô se
denominam como terreiros de Umbanda.
A Tenda Espírita Oxum e Obaluayê, da mãe-de-santo Escurinha, do município de
Imperatriz-MA, é um exemplo clássico de terreiro de terecô, que denomina de Candomblé.
Nesse caso específico, a sacerdotisa já foi interna de convento, já foi da Umbanda, do
Kardecismo e foi iniciada no Candomblé, passando por diversas nações, como o Angola, Jeje-
Nagô e por último a nação Ketu.
38

Boa parte dos terreiros, os líderes religiosos já tiveram outras religiões e/ou recebem
forte influência de outras. Por exemplo, nos festejos dos terreiros são realizadas missas,
ladainhas, rezados terços e rosários, procissões, e até mesmo batismos com o auxílio de um
padre.
Embora na prática, os terreiros sejam de terecô, os sacerdotes tendem a afirmar que se
tratam de terreiros de umbanda e/ou de candomblé. Terecô seria apenas os toques de tambores,
os rituais dançantes, com as manifestações dos encantados, caboclos, voduns, orixás, pretos-
velhos, etc. Neste sentido, esta pesquisa considera apenas as religiões de matriz africana que
existem no município de Imperatriz/MA, como terreiros de Umbanda e Candomblé, e não
terreiro de terecô.
Durante a pesquisa de campo e levantamento dos terreiros de Imperatriz, foi
constatado que nenhum terreiro é legalizado, isto é, possui RCPJ ou CNPJ. Contudo, todos os
terreiros possuem Alvará de funcionamento e os sacerdotes possuem carteiras de zeladores de
santo, reconhecidas pelas associações de religiões de matriz africana competentes. Inclusive,
alguns pensavam que, por exemplo, a carteira da Associação Espírita da Região Tocantina daria
representatividade jurídica. O Alvará de funcionamento dos terreiros é anual. O mesmo é
retirado perante a autoridade policial, para realização dos festejos e utilização de fogos de
artifício.
A pesquisa de campo foi realizada em quatro terreiros. Inicialmente houve certa
dificuldade em agendar o dia da visita, por indisponibilidade de horário dos sacerdotes dos
terreiros. A fim de preservar a imagem dos entrevistados, constará apenas o nome dos terreiros
nos resultados obtidos. A idade dos sacerdotes foi ignorada, pois a maioria possui receio em
divulgar dados pessoais como nome completo, data de aniversário, etc.
Durante a pesquisa de campo em todos os terreiros ressaltou-se a importância da
legalização, bem como seus direitos e deveres após isso. Em todos os terreiros pesquisados foi
deixado a Cartilha de Orientações para Legalização de Associações de Apoio às Casas
Religiosas de Matriz Africana, criada pelo Ministério Público do Maranhão e Fundação Josué
Montello, além do modelo de Estatuto Social elaborado por o autor. Tais documentos foram
encaminhados via WhatsApp e via e-mail.
Nenhum dos terreiros pesquisados possui CNPJ ainda. Mas manifestaram interesse na
regularização jurídica dos mesmos, embora não soubessem como proceder. Os sacerdotes
ficaram de se organizar, com os membros de seus respectivos terreiros e criarem seus estatutos.
Quando isso acontecer, solicitaram mais orientações para sanar eventuais dúvidas.
39

Questionaram onde deveriam buscar apoio para se regularizarem. De acordo com a


Cartilha do MP e Fundação Josué Montello os lugares são: Secretaria de Estado Extraordinário
de Igualdade Racial; Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular;
Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Maranhão
(OAB/MA); Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE-MA); Promotoria de Justiça de
Defesa dos Direitos Humanos; Promotoria de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse
Social; e o Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e Cidadania (CAOp/DHC).
Frise-se que a preocupação central desse estudo não foi de levantar a quantidade de
terreiros que existem no município de Imperatriz e quantos deles possuem CNPJ, por isso, a
abordagem dessa pesquisa não foi de natureza quantitativa. A natureza baseou-se numa
abordagem qualitativa, pois a preocupação central foi abordar como se dá o processo de
regularização jurídica dos terreiros. Para tanto, realizou-se a pesquisa de campo no intuito de
verificar o interesse das casas religiosas de matriz africana em serem legalizadas, e então prestar
as orientações necessárias para tal.
Todos os terreiros manifestaram interesse em saber mais sobre o processo de
regularização jurídica. Alguns informaram que já buscaram inclusive orientações de
advogados, mas os advogados não souberam prestar orientações de forma clara e objetiva. A
Tenda Espírita São Gerônimo informou inclusive que entrou em contato com um advogado e o
mesmo ficou de visitar o terreiro e prestar as orientações devidas e até o momento não deu
notícias.
A Tenda Espírita Oxum e Abaloaê existe há cerca de quarenta anos. Não possui CNPJ
ou RCPJ. Os membros do terreiro ainda não eram conscientes de todos os direitos que a
instituição terá de forma reconhecida após a legalização. Também não sabiam das obrigações
decorrentes após legalização. Porém, o cônjuge da sacerdotisa manifestou ter receio de perder
o imóvel, caso venha a regularizar o terreiro e não poder vendê-lo um dia.
A Tenda Espírita Oxum e Abaloaê já realizou uma reunião para verificar a necessidade
de legalizar o terreiro ou não. Os membros concordaram com a legalização e propuseram juntar
um dinheiro para contratarem um advogado e contador para auxiliar na documentação
necessária.
O Terreiro de Umbanda Nossa Senhora do Carmo já marcou uma reunião para discutir
a necessidade da legalização e formar um pequeno conselho para elegerem o presidente e
demais cargos. O sacerdote desse terreiro informou que já possui contador e vai procurar um
advogado para dar entrada no processo de legalização.
40

A entrevista com o representante do Terreiro de Umbanda Nossa Senhora do Carmo


se deu por meio de conversa no WhatsApp. O mesmo solicitou uma visita do autor, no dia da
reunião para prestar orientações aos membros da casa e tirar eventuais dúvidas. Porém, já foi
encaminhado ao terreiro o modelo de Estatuto Social e a Cartilha de orientações para
legalização.
A entrevista com o Terreiro de Umbanda Nossa Senhora Aparecida se deu em maio
de 2019 durante um ritual litúrgico (festejo). Na oportunidade, verificou-se que inicialmente o
sacerdote afirmou que seu terreiro já era legalizado. Porém, no decorrer da conversa o mesmo
concluiu que possui apenas o Alvará de funcionamento do terreiro e a carteira de Associação
Espírita e de Matriz Africana, bem como seu documento de Pai-de-santo.
O representante do Terreiro de Umbanda Nossa Senhora Aparecida informou ter
interesse em legalizar seu terreiro, para economizar nos gastos que possui com IPTU, água,
energia elétrica e outros. E além disso, poder receber doações etc. Ainda não foi realizada
reunião, mas o terreiro convidou o pesquisador para participar da reunião que será realizada no
final de julho.
O entrevistado da Tenda Espírita São Gerônimo informou que já realizou uma pequena
reunião com alguns membros da casa a respeito de legalizar o terreiro. O pai-de-santo ouviu
dizer que existem verbas para os festejos dos terreiros, que só podem ser adquiridas se a
instituição possuir CNPJ. Na oportunidade, questionou onde buscar ajuda para legalizar o
terreiro e mostrou que possui diversos documentos do terreiro que serão registrados em cartório,
dentre eles um que se assemelha a um Estatuto.
Percebe-se que todos os terreiros pesquisados possuem interesse na legalização. Boa
parte ainda não fez isso, por falta de informações e consequentemente não saber como proceder,
nem onde buscar ajuda para tal. Embora o MPMA e Fundação Josué Montello tenham
confeccionado uma cartilha de orientações para legalização das casas de matriz africana, o
município de Imperatriz não foi contemplado, apenas São Luís e região.
Alguns dos entrevistados disseram que já ouviram falar da existência de fundos
governamentais para ajudar nas despesas dos festejos e achavam que o CNPJ seria apenas para
possibilitar o recebimento de doações e verbas do governo. Outros comentaram saber de alguns
de seus direitos, mas que não sabiam como fazer para os garantir.
41

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Preliminarmente, torna-se necessário relembrar o questionamento que impulsionou a


realização desse trabalho. A problemática envolveu o questionamento de que se as casas
religiosas de matriz africana (terreiros de umbanda/candomblé) do município de Imperatriz/MA
são legalizadas. Esse questionamento surgiu tendo em vista que boa parte das casas religiosas
de matriz africana não têm seus direitos garantidos devido a inexistência de documentos como
o RCPJ e CNPJ dos terreiros.
Ressalta-se que a relevância desse trabalho se deu em virtude da falta de orientações
que as casas religiosas de matriz africana possuem, sendo que boa parte dos terreiros não são
legalizados, realidade essa que assola o Brasil em geral, embora alguns estados e municípios
venham realizando campanhas nos últimos anos a fim de solucionar este problema.
O objetivo geral dessa pesquisa consistiu na realização de um levantamento dos
terreiros de umbanda/candomblé do município de Imperatriz/MA que são legalizados,
prestando orientações aos que não são, para que os mesmos sejam legalizados. Assim, com a
realização da pesquisa de campo e as orientações prestadas aos sacerdotes dos terreiros,
considera-se que esse objetivo foi atingido.
Dentre os objetivos específicos desse estudo pretendeu-se realizar uma breve
abordagem histórica sobre as religiões de matriz africana no Brasil. Essa abordagem histórica
foi realizada no primeiro capítulo de fundamentação teórica, onde viu-se que as religiões de
matriz africana sempre fizeram parte do dia-a-dia de seus adeptos, influenciando fortemente a
forma de viver e interagir com os outros em sociedade. Embora os orixás e entidades de matriz
africana sejam considerados por muitos como “deuses”, filia-se a ideia de que essas religiões
são monoteístas, pois existe um Deus supremo e criador, e essas entidades cultuadas, são como
os santos e anjos da igreja católica.
O segundo objetivo específico desse trabalho monográfico consistiu em debater sobre
a imunidade tributária das instituições religiosas. Para tanto, foi confeccionado um capítulo
abordando o instituto da imunidade tributária, dando ênfase a imunidade tributária dos templos
de quaisquer cultos. A existência de um capítulo de específico para essa temática se deu em
razão da imunidade tributária ser o principal benefício concedido às instituições religiosas
legalizadas.
O terceiro objetivo específico desse trabalho consistiu em abordar as previsões legais
e como deve ser feita a regularização jurídica dos terreiros e o quarto objetivo específico visou-
42

se elencar os benefícios da regularização jurídica dos terreiros, bem como as obrigações


decorrentes desse processo. Para atingir esses dois objetivos específicos que são interligados,
foi confeccionado o terceiro capítulo de fundamentação teórica desse trabalho. Viu-se que os
principais dispositivos legais que regem esse conteúdo são a Constituição Federal de 1988 e o
Código Civil de 2002.
Por fim, o último objetivo específico desse estudo consistiu em realizar um
levantamento dos terreiros do município de Imperatriz que já são legalizados, prestando
orientações jurídicas aos terreiros que ainda não são legalizados. O estudo foi realizado e
percebeu-se que nenhum dos terreiros é legalizado ainda, embora exista interesse dos sacerdotes
na legalização.
Pretendeu-se analisar as mudanças, aspectos positivos e negativos decorrentes da
legalização, em terreiros que já tivessem legalizados. Porém, nenhum dos terreiros é legalizado
ainda. Verificou-se no estudo teórico e documental, que após a legalização os terreiros, dentre
outras obrigações, serão obrigados e prestar contas anualmente e deverão contar com o auxílio
de um contador.
Embora na realização desse trabalho tenham sido prestadas algumas orientações aos
terreiros pesquisados acerca do processo de legalização dos mesmos, o autor percebeu a
necessidade de realizar trabalhos interventivos nas casas religiosas de matriz africana do
município de Imperatriz/MA, como por exemplo, realizar um estudo de caso em um terreiro
que esteja em processo de legalização.
Ressalta-se que esta área necessita de mais estudos, um maior aprofundamento, de
forma intervencionista, onde o pesquisador possa efetivamente ajudar a mudar a realidade das
casas de matriz africana, não apenas no âmbito do município de Imperatriz, mas no Maranhão
e Brasil, em geral, pois todo o território brasileiro possui templos religiosos de matriz africana.
Além disso, a umbanda e candomblé são religiões genuinamente brasileiras, e, portanto,
merecem ser valorizadas pelo Estado Brasileiro, que embora laico, deve garantir a liberdade
religiosa de todos os cidadãos e promover políticas públicas a fim de valorizar e apoiar essas
instituições religiosas que fazem parte do dia-a-dia de vários brasileiros.
Por fim, sugere-se ainda que o Poder Público, tanto na esfera municipal quanto
estadual, realize ações para a legalização dos terreiros no município de Imperatriz. Isso pode
ser realizado em parceria com a Defensoria Pública, Ministério Público e OAB, como já vem
acontecido em outros lugares, a exemplo de Duque de Caxias/RJ no ano passado.
43

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PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar de. Metodologia do trabalho


científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo:
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45

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afrobrasileiras: história e ciências sociais. São Paulo, 2012. p. 271-290.
46

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APLICADO AOS SACERDOTES DOS TERREIROS


DE IMPERATRIZ/MA

1. Seu terreiro possui CNPJ?


2. Sabe dos seus direitos relativos a imunidade fiscal e tributária?
3. Sabe que para ter os direitos da imunidade fiscal e tributária, e demais benefícios
previstos em lei é necessário que o terreiro possua CNPJ?
4. Tem interesse em regularizar o terreiro juridicamente?
5. Tem interesse em receber orientações para a regularização jurídica do terreiro?
6. Alguma observação a ser feita?
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APÊNDICE B – MODELO DE ESTATUTO SOCIAL

ESTATUTO SOCIAL – TERREIRO DE UMBANDA SANTA BÁRBARA

TÍTULO I – DO TERREIRO DE UMBANDA SANTA BÁRBARA E SEUS


OBJETIVOS

Artigo 1º – O TERREIRO DE UMBANDA SANTA BÁRBARA, é uma Sociedade Civil,


sem fins lucrativos, pessoa jurídica de direito privado, constituído com caráter religioso
espiritualista (CNAE 9491-0 Atividades de Organizações Religiosas), filantrópico, beneficente,
social e cultural (CNAE 9199-5 Associação Social, Cultural e Comunitária), com âmbito
municipal, tendo como sede, domicílio e foro a cidade de Imperatriz, no Estado do Maranhão,
doravante denominado TUSB, reger-se-á pelo presente Estatuto Social e pela legislação
pertinente.

Artigo 2º – O TUSB tem por objetivos:


A – Pesquisar os aspectos teóricos e práticos da ciência espiritualista, nunca visando fins
lucrativos, mas sim beneficentes, difundindo os conhecimentos da doutrina religiosa
umbandista;
B – Fomentar as virtudes propugnadas pelo Cristianismo, entre as quais o amor universal, a
caridade e a fraternidade entre os irmãos de fé;
C – Defender a Doutrina Espiritualista de Umbanda em seus aspectos essenciais, na realização
de trabalhos, visando o bem-estar e a elevação espiritual do homem;
D – Manter intercâmbio cultural, social e de cooperação com outras entidades afins;
E – Promover a assistência material à comunidade carente, sempre respeitadas as suas
possibilidades financeiras, materiais e de recursos humanos, através de campanhas e ações
próprias ou em cooperação com entidades de assistência social, públicas ou particulares, ou
ainda colaborando nas campanhas públicas de auxílio às pessoas necessitadas;
F – Associar-se a outras entidades congêneres, Federações, Confederações e Conselhos.
Artigo 3º – O prazo de duração do TUSB é indeterminado, tendo iniciado as suas atividades
em XX/XX/XXXX.

TÍTULO II – DOS INTEGRANTES DO TUSB

Artigo 4º – O TUSB será constituído por associados fundadores, contribuintes, beneméritos e


simpatizantes.
A – Associados fundadores, são todos aqueles que participaram das atividades de fundação, até
a data da constituição;
B – Associados contribuintes, são todos aqueles que contribuem com as mensalidades
estipuladas pela Diretoria Executiva do TUSB;
C – Associados beneméritos, são todos aqueles que forem julgados dignos desse título, por
relevantes serviços prestados ao TUSB;
D – Associados simpatizantes, são todos aqueles que contribuem para a manutenção e
funcionamento do TUSB.
PARÁGRAFO 1° – Os associados contribuintes e simpatizantes deverão preencher uma ficha
cadastral no momento da sua admissão e ambas as categorias deverão atualizar anualmente as
informações.
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TÍTULO III – DA ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO

Artigo 5º – O TUSB será administrado pelos seguintes órgãos e instâncias:


A – Assembleia Geral
B – Diretoria Executiva
C – Conselho Fiscal
D – Diretor de Terreiro
Artigo 6º – A Assembleia Geral é o poder soberano do TUSB, nos limites do presente Estatuto
Social, poderá ser Ordinária ou Extraordinária, convocadas com antecedência mínima de 10
(dez) dias através de edital afixado na sede do TUSB, pelo Presidente da Diretoria-Executiva,
pela Diretoria-Executiva ou por 2/3 (dois terços) dos associados em pleno gozo dos seus direitos
associativos, na qual, obrigatoriamente, constará data, horário e local da realização, bem como
o motivo da convocação e se constituirá pelos associados em pleno gozo dos seus direitos
associativos.
PARÁGRAFO 1º – Os trabalhos da Assembleia Geral serão dirigidos por um presidente da
mesa, auxiliado por um secretário, escolhidos por aclamação entre os associados presentes.
PARÁGRAFO 2º – As Assembleias Gerais Ordinárias serão realizadas anualmente, com as
seguintes finalidades:
A – Eleger e dar posse à Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal a cada três anos;
B – Analisar o relatório anual de atividades do TUSB e sobre ele deliberar;
PARÁGRAFO 3º – As Assembleias Gerais Extraordinárias, serão convocadas sempre que
existir motivo justificado para a convocação, com as seguintes finalidades:
A – Eleger, a cada três anos, a nova Diretoria-Executiva e/ou Conselho Fiscal e
excepcionalmente, caso os mesmos tenham sido dissolvidos antes do término do mandato;
B – Decidir pela extinção do TUSB, desde que convocada exclusivamente para esse fim e por
decisão UNÂNIME dos associados em pleno gozo dos seus direitos associativos.
C – Outros assuntos de interesse geral, que ao critério dos ocupantes dos cargos e órgãos citados
no caput do presente artigo, justifiquem a convocação da Assembleia Geral Extraordinária.
D – Discutir e deliberar sobre sugestões e propostas para a melhor consecução dos objetivos
do TUSB;
E – Discutir e deliberar quanto a modificações no estatuto do TUSB;
Artigo 7º – A Diretoria Executiva é o órgão que representa juridicamente o TUSB e será
constituída por um Presidente, um Vice-Presidente, um Diretor Administrativo-Financeiro e
um Diretor Cultural, eleitos em eleição direta, pelos associados pleno gozo dos seus direitos
associativos, para um mandato de três anos. São competências da Diretoria-Executiva:
A – Executar a parte espiritual definida pelo Diretor de Terreiro e ordenar os trabalhos e cultos
bem como administrar, fazer uso e cuidar de todos os bens, móveis ou imóveis, que constituem
o patrimônio do TUSB, com o auxílio do Conselho Fiscal e dos demais associados;
B – Criar, dissolver e/ou desmembrar grupos de trabalhos espirituais que utilizem o espaço
físico pertencente ao TUSB;
C – Encaminhar as decisões quanto á admissão de novos associados ou a aplicação de
penalidades aos associados que pratiquem atos incompatíveis com os objetivos do TUSB;
D – Tomar as providências necessárias ou angariar os recursos para a manutenção e/ou
ampliação dependências para o melhor funcionamento dos trabalhos espirituais.
E – Discutir, elaborar e juntamente com o Conselho Fiscal, aprovar o Regimento Interno.
PARÁGRAFO ÚNICO: As eleições para a Diretoria Executiva e para o Conselho Fiscal
acontecerão simultaneamente.
Artigo 8º – É de competência do Presidente do TUSB:
A – Representar o TUSB em juízo e fora dele;
49

B – Praticar todos os atos necessários à boa administração, tais como planejar, organizar,
coordenar, comandar e controlar jurídica e administrativamente o TUSB;
C – Admitir e dispensar pessoal, contratar serviços e assinar contratos e outros papéis que
exijam representação jurídica, comercial ou administrativa;
D – Ordenar as despesas do TUSB;
E – Apresentar trimestralmente ao Conselho Fiscal o balancete do TUSB, demais contas e
demonstrativos;
F – Abrir, movimentar e encerrar contas bancárias, assinando cheques e outros documentos
sempre em conjunto com o Diretor Administrativo-Financeiro;
G – Convocar as reuniões da Diretoria Executiva;
H – Prover o TUSB de todas as suas necessidades, e zelar pela sua integridade patrimonial;
I – Convocar e realizar a cada triênio as eleições para o Conselho Fiscal e Diretoria Executiva;
J – Apresentar projeto para a divulgação do TUSB nas mais diversas formas de mídia durante
o período do mandato, para análise pela Diretoria Executiva e Conselho Fiscal e a seu
julgamento conjunto, executá-las.
K – Estabelecer Conselho Editorial para a publicação de artigos e textos nas diversas formas de
mídia, notadamente com relação ao site (home-page) do TUSB.
Artigo 9º – É de competência do Vice-Presidente do TUSB:
A – Auxiliar o Presidente do TUSB nas suas atribuições e substituí-lo nas suas ausências;
B – Zelar pela ordem, conservação e manutenção do patrimônio do TUSB;
C – Planejar e administrar obras e benfeitorias realizadas no espaço do TUSB;
D – Apresentar projetos de obras e benfeitorias para análise pela Diretoria Executiva e Conselho
Fiscal e a seu julgamento conjunto, executá-las;
E – Auxiliar no controle e manutenção de cadastro atualizado de todos os associados com dados
pessoais, profissionais e religiosos;
F – Outras atribuições que lhe forem concedidas pela Diretoria Executiva.
Artigo 10º – É de competência do Diretor Administrativo-Financeiro do TUSB:
A – Fazer cumprir as determinações do Presidente do TUSB;
B – Manter um cadastro atualizado de todos os associados contribuintes e simpatizantes, com
os dados pessoais e profissionais;
C – Fazer carteiras de identificação e/ou crachás para os associados;
D – Arquivar e manter em local seguro todos os documentos da TUSB e cedê-los aos demais
diretores quando solicitado;
E – Receber e enviar correspondências quando solicitado pelo Presidente ou pelo Diretor de
Terreiro;
F – Publicar editais;
G – Secretariar as reuniões da Diretoria-Executiva, lavrando as atas em livro próprio e
promovendo o registro legal das mesmas e de outros documentos do TUSB;
H – Arrecadar toda a receita do TUSB;
I – Abrir, movimentar, e encerrar contas bancárias, assinando cheques e outros documentos
sempre em conjunto com o Presidente;
J – Manter demonstrativos de arrecadação e despesas do TUSB;
K – Elaborar fluxos de caixa;
L – Apresentar demonstrativos financeiros quando solicitado pelo Presidente ou pelo Conselho
Fiscal;
M – Elaborar planos de aumento de arrecadação e de investimentos.
N – Prover a contabilidade com as informações necessárias para atender aos dispositivos legais.
O – Outras atribuições que lhe forem concedidas pela Diretoria Executiva.
Artigo 11º – É de competência do Diretor Cultural:
50

A – Apresentar projetos de atividades culturais para o período do mandato, em consonância


com os objetivos do TUSB, para análise pela Diretoria Executiva e Conselho Fiscal e a seu
julgamento conjunto, executá-las.
B – Manter intercâmbio cultural e de cooperação com outras entidades religiosas;
C – Promover ações culturais de interesse do TUSB, com foco nas atividades de dança, música,
teatro, artesanato e literatura.
Artigo 12º – O Conselho Fiscal será constituído por três membros titulares, dentre os quais será
escolhido o seu presidente, e três membros suplentes, eleitos para um mandato de três anos,
coincidente com o mandato da Diretoria-Executiva.
Artigo 13º – Em caso de vacância do cargo de conselheiro fiscal, a vaga será preenchida pela
Diretoria-Executiva, que indicará um associado, em pleno gozo dos seus direitos associativos,
para complementação do mandato original.
Artigo 14º – O Conselho Fiscal reunir-se-á até 31 de março de cada ano.
Artigo 15º – É de competência do Conselho Fiscal:
A – Analisar as contas, balancetes, balanços e planos de arrecadação e aplicação de recursos
apresentados pela Diretoria Executiva do TUSB, emitindo parecer técnico de forma a facilitar
a tomada de decisões pela Assembleia Geral Ordinária de prestação de contas.
B – Eleger entre os seus membros o seu Presidente e o seu Secretário;
C – Apreciar e julgar os casos omissos neste estatuto.
PARÁGRAFO 1º – Poderão participar das reuniões do Conselho Fiscal, com direito a voz,
mas sem direito a voto, os conselheiros suplentes e os membros da Diretoria Executiva.
PARÁGRAFO 2º – A critério do próprio Conselho Fiscal, poderão participar das suas reuniões
outros associados e convidados, com direito a voz, mas sem direito a voto.
PARÁGRAFO 3º – Todos os atos do Conselho Fiscal serão registrados em livro de atas
próprio cabendo ao Secretário comunicar por escrito ao Presidente da Diretoria-Executiva as
suas deliberações.

TÍTULO IV – DOS DIREITOS E DEVERES DOS ASSOCIADOS

Artigo 16º – São direitos e deveres dos associados:


A – Votar e ser votado;
B – Cumprir o Estatuto Social, Regimento Interno e todas as normas e orientações emanadas
dos poderes constituídos do TUSB, inclusive a manutenção em dia das contribuições e
mensalidades estipuladas pela Diretoria Executiva;
C – Receber as contas, balancetes, balanços e planos de arrecadação e aplicação de recursos
apresentados pela Diretoria Executiva do TUSB, de forma a facilitar a tomada de decisões pela
Assembleia Geral que participar.

TÍTULO V – DAS ELEIÇÕES PARA O CONSELHO FISCAL E DIRETORIA


EXECUTIVA

Artigo 17º – O Presidente do TUSB, no uso de suas atribuições, marcará e realizará as eleições
para o Conselho Fiscal e para a Diretoria Executiva, os quais serão eleitos pelo voto direto
cabendo um voto a cada associado efetivo do TUSB;
Parágrafo Único – As eleições para o Conselho Fiscal e Diretoria Executiva serão realizadas
simultaneamente.
Artigo 18º – Os candidatos a conselheiros organizar-se-ão em chapas constituídas por 03 (três)
membros efetivos e 03 (três) suplentes cada, obrigatoriamente formada por associados efetivos
do TUSB, em dia com as suas obrigações.
51

Artigo 19º – Os candidatos a Diretoria-Executiva organizar-se-ão em chapas constituídas por


Presidente, Vice-presidente, Diretor Administrativo, Diretor Financeiro, Diretor de Patrimônio,
Diretor de Ação Social, Diretor Social e Diretor Cultural, obrigatoriamente associados efetivos
do TUSB, em dia com as suas obrigações.
Artigo 20º – Poderão candidatar-se quantas chapas se constituírem, desde que envolvam
participantes de todas as Giras do Terreiro.
Parágrafo 1º – Serão impugnadas as chapas que não atendam a todos os requisitos constantes
deste estatuto.
Parágrafo 2º – Dentre as condições que podem ensejar a impugnação das chapas ou dos
candidatos está a inadimplência com as mensalidades ou outros débitos em aberto.
Artigo 21º– As eleições serão marcadas com no mínimo 45 (quarenta e cinco) dias de
antecedência e, depois de marcadas as chapas candidatas terão o prazo de 30 (trinta) dias para
fazer o registro da candidatura, junto a Direção Executiva.
Artigo 22º – Será considerada eleita a chapa que obtiver o maior número de votos.
Parágrafo 1º – Se, findo o prazo para registro das candidaturas, houver chapa única
concorrendo esta será considerada eleita e o Presidente lhe dará posse quando do término do
mandato anterior.

TÍTULO VI – DA EXTINÇÃO DO TUSB

Artigo 23º – O TUSB será extinto:


A – Por decisão UNÂNIME dos associados legalmente convocados de acordo com o Artigo 6º,
Parágrafo 3º, Letra B do presente estatuto;
B – Nos casos previstos em lei.
Artigo 24º – Em caso de extinção todos os seus bens serão doados à entidade congênere que
possua o maior número de associados ativos e tenha reconhecida idoneidade.

TÍTULO VII – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Artigo 25º – Nenhum dos cargos definidos neste estatuto poderá ser, em tempo algum,
remunerado. Todo trabalho realizado pelos participantes do Conselho Fiscal e da Diretoria
Executiva será benemerente.
Artigo 26º – É vedada a cobrança de qualquer quantia, a qualquer título, de qualquer pessoa,
associada ou não do TUSB, pelo atendimento espiritual, seu objetivo principal.
Artigo 27º – Os bens do TUSB, somente poderão ser utilizados para a consecução dos seus
objetivos determinados no Artigo 2º deste estatuto.
Artigo 28º – Constituem rendimentos da do TUSB:
A – As mensalidades pagas pelos associados efetivos e contribuintes;
B – Subvenções eventuais que receber dos poderes públicos;
C – Doações efetuadas por entidades públicas, pessoas jurídicas de direito público ou privado
ou por pessoas físicas;
D – Outros valores eventualmente recebidos.
Artigo 29º – Os rendimentos do TUSB somente poderão ser aplicados na manutenção ou
ampliação do seu patrimônio.
Artigo 30º – Os integrantes do Conselho Fiscal e da Diretoria Executiva não responderão
pessoalmente pelas obrigações do TUSB.
Artigo 31º – O presente estatuto somente poderá ser modificado, total ou parcialmente, por
Assembleia Geral legalmente convocada, nos termos do Estatuto Social.

TÍTULO VIII – DO DIRETOR DE TERREIRO


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Artigo 32º – Por ser uma entidade de cunho religioso, o TUSB será dirigido espiritualmente
por um Diretor de Terreiro, cuja função é aplicar a filosofia da religião seguida pelo Terreiro
de Umbanda Santa Bárbara, respeitando a orientação herdada da “raiz” religiosa adotada e
também não permitindo aos seus seguidores o uso de filosofias estranhas aos princípios morais,
legais e éticos e pregando o respeito à vida de todos os seres vivos e a proteção dos sítios
energéticos naturais do planeta.
Artigo 33º – O cargo Diretor de Terreiro é vitalício, embora deva ser referendado a cada eleição
geral das demais instâncias deliberativas.
Artigo 34º – Em caso de vacância do cargo de Diretor de Terreiro, seja por falecimento,
renúncia ou impossibilidade física ou de qualquer origem, será substituído por quem foi
previamente escolhido pelo mesmo, através de documento escrito ou vontade declarada
cabendo-lhe o direito de sigilo. No caso de não haver escolha declarada o seu substituto será
escolhido em Assembleia Geral Extraordinária, convocada exclusivamente para esse fim,
dentre os associados efetivos.
Artigo 35º – São prerrogativas exclusivas do Diretor de Terreiro:
A – Cuidar da parte espiritual e ordenar os trabalhos e cultos da Umbanda bem como
administrar, fazer uso e cuidar de todos os bens, móveis ou imóveis, que constituem o
patrimônio da Sociedade, com o auxílio do Conselho Deliberativo e da Diretoria Executiva;
B – Criar e/ou dissolver grupos de trabalhos espirituais (Giras) que utilizem o espaço físico
pertencente à Sociedade;
C – Encaminhar à Diretoria Executiva decisões quanto á admissão de novos associados ou a
expulsão de associados que pratiquem atos incompatíveis com os objetivos da sociedade.
D – Solicitar ao Presidente da Diretoria Executiva providências ou recursos para a manutenção
ou construção de dependências para melhor funcionamento dos trabalhos espirituais.
E – Divulgar na rede mundial de informação – Internet – as atividades da sociedade, mantendo
uma home-page ativa e responder aos e-mails para ela encaminhados;
F – Vetar os nomes de candidatos a cargos eletivos na Diretoria-Executiva e no Conselho Fiscal,
individualmente para um cargo específico, mais de um nome ou até toda a composição das
chapas inscritas;
G – Aprovar modificações ao presente Estatuto Social, deliberadas em assembleia Geral
Extraordinária;
H – Aprovar a extinção da Sociedade, desde que deliberada por UNANIMIDADE pela
Assembleia Geral Extraordinária.
Artigo 36º – O Diretor de Terreiro Somente será afastado do seu cargo e da vitaliciedade se
praticar trabalhos espirituais ou outros atos incompatíveis com os objetivos da sociedade e
desde que por decisão em Assembleia Geral Extraordinária, convocada para esse fim, com
aprovação mínima de 75% (setenta e cinco por cento) dos associados efetivos, no exercício dos
seus direitos associativos, com verificação do quórum, sem o qual não se instalará a referida
Assembleia Geral extraordinária.

TÍTULO XIII – DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS

Artigo 42º – O presente Estatuto Social passará a vigorar a partir da sua aprovação em
Assembleia Geral Ordinária convocada para esse fim, devendo ser encaminhado para registro
no competente Cartório de Registro de Títulos e Documentos e Civil das Pessoas Jurídicas,
imediatamente após a sua aprovação.
Artigo 37º – O Conselho Fiscal e a Diretoria Executiva terão o prazo de 90 (noventa) dias para
adequar-se as modificações ora aprovadas e que forem de sua competência, principalmente no
tocante a elaboração do Regimento Interno.
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Estatuto Social aprovado na Assembleia Geral Ordinária de constituição do TERREIRO DE


UMBANDA SANTA BÁRBARA – TUSB, realizada na data de XX de XXXXXXXX de 2018,
de acordo com a Constituição Federal da República Federativa do Brasil, Lei 10.406 de 2002,
Código Civil Brasileiro em demais legislação vigente, consoante com a matéria.

Imperatriz, MA, 16 de julho de 2019.

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