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Flip-Flops Prof.

Luiz Marcelo Chiesse da Silva

CIRCUITOS SEQÜENCIAIS

Um modo de classificar os circuitos digitais seria subdividi-los em:


- circuitos combinacionais;
- circuitos seqüenciais.

Os circuitos combinacionais são aqueles em que as saídas dependem


unicamente das entradas, seguem a lógica combinacional e utiliza a álgebra de
Boole como ferramenta. Pode-se representar um circuito combinacional qualquer
através de um modelo genérico como abaixo:

Circuito
Entradas Saídas
Combinacional

Um circuito seqüencial possui uma realimentação da saída para a entrada,


denominada estado interno, cuja principal característica é fazer com que as saídas
sejam dependentes das entradas atuais e de estados ocorridos anteriormente.

Circuito
Combnacional

Entradas Saídas
Estado
interno

O estado interno funciona como uma memória que armazena informações de


eventos passados exigidos para o funcionamento apropriado do circuito. Os circuitos
seqüenciais dividem-se em síncronos e assíncronos.
As funções lógicas, tabelas verdade e Mapas de Karnaugh são utilizadas
também no estudo destes circuitos.

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BIESTÁVEIS OU FLIP-FLOPS

Os flip-flops são os circuitos seqüenciais mais elementares e possuem a


capacidade de armazenar a informação neles contida. Representam a unidade
elementar de memória de 1 bit (binary digit), ou seja, funcionam como um elemento
de memória por armazenar níveis lógicos temporariamente. São chamados de
biestáveis porque possuem dois estados lógicos estáveis, geralmente representados
por “0” e “1”.
Nem todos os circuitos estão disponíveis na forma de circuito integrado. Os
catálogos dividem os biestáveis em flip-flops e latches.
- Flip-flops: tipos “D” e “JK” disparados pela borda;
- Latches: “RS” e “D” disparado por nível.

Existe um outro tipo, o flip-flop “T” que pode não estar presente em catálogos
de circuitos integrados, mas pode ser construído a partir dos outros tipos existentes.

FLIP-FLOP TIPO RS (OU LATCH) ASSÍNCRONO


S(t)
Q(t)

Q(t)
R(t)

O flip-flop RS assíncrono constitui a base de todos os outros modelos de flip-


flop.
Notação:
- Q(t) e Q(t) são por definição complementares;
- R(t) e S(t) são as entradas atuais;
- Q(t) é a saída atual;
- Q(t+1) é o próximo estado (novo valor de Q(t) após a transição).

Tabela de transição do flip-flop:

R(t) S(t) Q(t) Q(t+1)


0 0 0 1 – situação proibida
0 0 1 1 – situação proibida
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0 1 0 1
0 1 1 1
1 0 0 0
1 0 1 0
1 1 0 0
1 1 1 1

O próximo estado (Q(t+1)) é obtido aplicando-se os valores atuais R(t) e S(t) nas
entradas e considerando o estado atual de saída Q(t). Como exemplo para montar a
tabela de transição consideremos a terceira situação da tabela, em que no instante
“t” é aplicado na entrada S um sinal de nível lógico “1”, na entrada R um sinal de
nível lógico “0” e a saída Q possui nível lógico “0” (consequentemente a saída Q
complementar possui nível lógico “0”).
S(t)=1
Q(t)=1

Q(t)=0
R(t)=0

Entradas e saídas no instante “t”.

Logo após o instante “t”, a entrada R(t) produz na saída de sua porta lógica o
nível lógico “1”, ou seja, muda Q(t) de “0” para “1”, repetindo este valor na entrada
da outra porta lógica pela ligação interna.
Entradas e saídas logo após “t” (tempo para atualizar Q(t)).
S(t)=1
Q(t)=1
1
Ligação interna

Q(t)=1
R(t)=0

A outra porta lógica da entrada S atualiza sua saída Q de “1” para “0”, de
acordo com suas entradas (S=”1” e “1”).
Entradas e saídas do flip-flop no instante “t+1” (saídas com valores estáveis).
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As saídas se estabilizam em “t+1”, permanecendo com estes valores até a


aplicação de novos sinais nas entradas que mudem estes estados. Procede-se de
maneira similar para a montagem do restante da tabela de transição.
S(t)=1
Q(t)=0
1

0
Q(t)=1
R(t)=0

O intervalo de tempo entre a aplicação dos sinais nas entradas S e R até a


atualização das saídas Q e Q é chamado de tap – tempo de atraso de propagação.
Convém observar que antes dos valores nas saídas se estabilizarem pode ocorrer
uma mudança momentânea dos valores, como no exemplo acima: num instante
entre “t” e “t+1” as duas saídas Q e Q possuem o mesmo valor “1”. Apesar dos
circuitos eletrônicos atuais de flip-flops alcançarem uma velocidade muito alta de
atualização das saídas (tap muito pequeno) é necessário um sincronismo entre o flip-
flop e os circuitos ligados às suas saídas para que estes não detectem este estado
momentâneo de instabilidade.

Tabela de função:
A tabela de função é obtida a partir da tabela de transição, agrupando-se os
valores iguais de R(t) e S(t) para se obter um valor desejado no estado seguinte
Q(t+1). Esta tabela mostra as características básicas de funcionamento do flip-flop.
R(t) S(t) Q(t+1)
0 0 Proibido
0 1 1
1 0 0
1 1 Q(t)

Equação de transição
É obtida a partir da tabela de transição.
S(t)Q(t)
R(t) 00 01 11 10
0 1 1 1 1
1 1

Q(t+1) = R (t) + S(t).Q(t)


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Esta equação é utilizada na análise dos circuitos sequenciais.

Tabela de excitação:
A tabela de excitação possibilita saber os valores das excitações, R(t) e S(t),
quando ocorre uma transição Q(t) para Q(t+1). Utilizamos a equação de transição
para gerar uma tabela de transição. Esta tabela é utilizada na síntese dos circuitos
sequenciais, pois em função das transições que deverão ocorrer, podemos saber os
valores das excitações. Conhecendo-se os valores nas entradas de excitação pode-
se determinar os circuitos combinacionais que irão propiciar as transições desejadas
nos flip-flops.
Q(t) Q(t+1) T(t)
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 0

O nome “RS” deve-se a função realizada de “SET” e “RESET”, ou seja, o


RESET limpa a saída levando a mesma para “0”. O SET leva a mesma para “1”.
Nos demais flip-flops que serão analisados não serão apresentados os circuitos
internos, no entanto, serão estudados de forma idêntica ao flip-flop RS. Para facilitar
a representação em diagramas os flip-flops possuem um símbolo alternativo no
diagrama abaixo:

S Q
_
R Q
Entradas diretas

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As entradas diretas são utilizadas para estabelecer um estado inicial para o


flip-flop, ou para manter o flip-flop em um estado particular independente dos dados
presentes nas entradas.
Denominação das entradas
SET, PRESET leva a saída para “1”;
RESET, CLEAR leva a saída para “0”.
O efeito das entradas diretas pode ser observado na tabela abaixo:

Flip-Flop tipo D

A denominação “D” se deve a “dado” (data). Nas operações deste flip-flop, o


mesmo transfere sua entrada para a saída.

Símbolo:

D Q
_
CK Q

Tabela de transição:
D(t) Q(t) Q(t+1)
0 0 0
0 1 0
1 0 1
1 1 1

Tabela de função:
D(t) Q(t+1)
0 0
1 1
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Equação de transição:
Q(t+1) = D(t). Q (t) + D(t).Q(t)
Q(t+1) = D(t).(Q(t) + Q (t))
Q(t+1) = D(t)
O flip-flop tipo D é o melhor exemplo de uma memória, isto é, o dado na
entrada D(t) é armazenado na saída Q(t+1).

Tabela de excitação:
É obtida da tabela de transição fazendo-se um rearranjo das linhas.

Q(t) Q(t+1) D(t)


0 0 0
0 1 1
1 0 0
1 1 1

Flip-Flop tipo T

A denominação “T” deve-se a “Toggle”, que no flip-flop T está associado a


mudança (Q(t)), sempre que a entrada T(t) estiver em 1.
Símbolo:

J
T Q
CP _
CK
K Q
R

Tabela de transição:
Q(t+1) = R (t) + S(t).Q(t) Q(t) Q(t+1) R(t) S(t)
0 = R (t) + S(t).0 0 0 1 X
1 = R (t) + S(t).0 0 1 0 1
0 = R (t) + S(t).1 1 0 1 0
1 = R (t) + S(t).1 1 1 X X

Tabela de função:
É obtida a partir da tabela de transição para uma mesma entrada T(t).
T(t) Q(t+1)
0 Q(t)
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1 Q (t)

Equação de transição
Q(t+1) = T (t)Q(t) + T(t) Q (t)  Q(t+1) = T(t)  Q(t)

Tabela de excitação:
T(t) Q(t) Q(t+1)
0 0 0
0 1 1
1 0 1
1 1 0

Observa-se na tabela de função que se T(t)=0, o próximo estado será igual ao


estado anterior, ou seja, nada acontece na saída. Porém, se T(t)=1, a saída será
complementada. Esta característica confere ao flip-flop a capacidade de divisão por
2.

Flip-Flop RS Síncrono

Este flip-flop apresenta uma terceira entrada a mais denominada CK (clock) a


qual determina através de um sinal externo, o instante de atualização das saídas.
Para propiciar o sequenciamento no tempo os flip-flops necessitam de um sinal
externo de entrada chamado pulso de clock (relógio) entrada de relógio.
 Uma entrada de dados sincronizada por relógio é aquela que não provoca uma
mudança instantânea (imediata) na saída;
 Um relógio pode controlar um grande número de flip-flops, forçando-os a mudar
de estado simultaneamente e de forma previsível.
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Por simplicidade se fará a análise na estrutura do flip-flop RS já estudado:


Símbolo:

R Q

CK

S Q
Símbolo lógico do flip-flop RS síncrono

Neste circuito, quando a entrada CK está no nível lógico “’0” as saídas Q e Q


permanecem inalteradas independentemente das variações das entradas R e S, ou
seja, a entrada CK no nível lógico “0” inibe as entradas R e S. Caso contrário,
quando a entrada CK está no nível lógico “1” as entradas R e S podem definir as
saídas Q e Q .
É importante ressaltar que os tempos dos níveis “0”e “1” do pulso de clock
devem ser maiores que o tempo de atraso das portas lógicas do circuito para
estabilizar as saídas, para que estas se atualizem sem problemas.
Nos circuitos que operam por relógio, as transições podem ocorrer na borda
positiva, negativa ou a nível. Nos manuais, a tabela de função é notificada da
seguinte forma:

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Flip-Flop tipo JK

J
Q

CK

Q
K

A tabela de transição do flip-flop JK é praticamente igual a tabela do flip-flop


RS síncrono, com exceção da situação em que J=K=”1” em que, logo que o pulso
CK muda de “0” para “1” as saídas Q e Q se complementam, ou seja, passam de
“0” e “1” para “1” e “0” respectivamente ou vice-versa. Esta complementação das
saídas e a realimentação às portas lógicas de entrada provocam sucessivas
complementações (oscilação) enquanto o nível de clock CK encontra-se em “1”. Tal
característica também existe no flip-flop T.
Tabela de transição:

Tabela de função
É obtida a partir da tabela de transição para um mesmo par J(t) K(t).
J(t) K(t) Q(t+1)
0 0 Q(t)
0 1 0
1 0 1
1 1 Q
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Equação de transição:
Obtida aplicando-se o mapa “k” na tabela de transição.

Tabela de excitação:

A oscilação encontrada quando J=K=”1” não é desejável pois o flip-flop torna-


se instável (não biestável).

Flip-flop JK Mestre Escravo

Duas características são comuns a sistemas digitais sequenciais:


1. um clock (relógio) comum é utilizado para todos os flip-flops do sistema;
2. os dados de entrada dos flip-flops podem ser derivados inteiramente ou em parte
das saídas de outros flip-flops;
Onde estas características existem, um flip-flop que responde quando o clock
muda de “0” a “1’ acarreta o problema em que o flip-flop responde não somente aos
dados presentes nas suas entradas antes da transição do clock, mas também a
novos dados apresentados como resultado de que outros flip-flops tenham mudado
sua saída.
Considere o circuito abaixo:

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O circuito Mestre-Escravo
Mestre (Master) Escravo (Slave)
R=RM
QM=RS

QS=Q

ck

QS=Q
QM=SS
S=SM

Na transição de “0” para “1” do sinal de clock, o flip-flop mestre é habilitado e


sofre transição de acordo com as entradas RS e o flip-flop escravo é desabilitado
(Q(t+1) = Q(t)). Na transição de “1” para “0” do clock, o flip-flop mestre é desabilitado
e o flip-flop escravo é habilitado sofrendo transição de acordo com a saída do
mestre.

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Nota-se que a transição final ocorre após a transição de “1”para “0”, isto é, no
final do pulso do clock. No flip-flop mestre-escravo, uma transição ocorre durante
toda a duração do clock.

CI 7473: 2 flip-flops JK Mestre-Escravo


Entradas Saídas
CLR C J K Q(t+1) Q(t+1)
L X X X L H
H  L L Q(t) Q(t)
H  H L H L
H  L H L H
H  H H comuta

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