Sie sind auf Seite 1von 5

TENDA DE UMBANDA

ORIENTAL - CABOCLO PENA


BRANCA - RJ
Grupo de estudos e pesquisas de
Umbanda Esotérica de Raiz de Guiné

Aspectos Históricos da Umbanda

Introdução
A Umbanda é uma poderosa Corrente Espiritual que tem dentro de si os
aspectos: religioso, filosófico, cientifico, simbólico, mitológico, ritualístico,
litúrgico, terapêutico e de magia, para a defesa das forças antagônicas. Essa
poderosa Corrente Espiritual é mantida pelo Astral, através dos espíritos de
Caboclos, Pretos Velhos e Crianças.

A Umbanda é uma religião genuinamente brasileira, formada pelo


congraçamento da três raças matrizes deste povo, o índio, o branco e o negro.

Raízes históricas
Para nos aprofundar nos aspectos históricos da Umbanda, vamos viajar pelo
passado das raízes que deram origem a essa Umbanda de Todos Nós no Solo
Brasileiro.
A Raiz Africana

Logo após o descobrimento do Brasil, tivemos em nosso país, o triste e


vergonhoso episódio da escravidão e os negros que aqui chegaram, como
escravos, trouxeram um sistema religioso que compreendia vários rituais, cada
qual de suas nações de origem.

Mas quais eram as várias raças ou tribos africanas introduzidas no mercado de


escravos do Brasil?

O estudo desta e outras tantas questões relacionadas ao negro no Brasil,


esbarraram em muitas dificuldades e foi tão grande a confusão nessas
pesquisas, que os nossos mais eruditos historiadores e sociólogos tropeçaram
em fatos elementares do estudo destas tribos importadas, seu valor numérico,
antropológico, sociológico etc.

Isto ocorreu devido a vários fatores, entre eles, os principais motivos foram:
▪ Inexistência de documentos originais de registros aduaneiros;
▪ Destruição de documentos históricos, por uma geração que se ocupou em
apagar de nossa história o vestígio da escravidão, queimando em fogueira
documentos, por determinação do Ministério da Fazenda1;
▪ Vastidão do território nacional, tornando unilaterais esses estudos;
▪ Nomes vulgares que os negros se davam a eles próprios, de acordo com o
lugar de origem, às vezes simples cidades ou vilas.

1 A Circular n º 29 do M.F. datada de 13 de maio de 1891 manda queimar arquivos inerentes a


escravidão.
Foi Nina Rodrigues (Os Africanos no Brasil, 1932) quem lançou a primeira luz
sobre estas questões, seguida por Arthur Ramos (O Negro Brasileiro, 1940), em
largo inquérito sobre as religiões negras. Estas pesquisas identificaram que a
maioria da população negra era de procedência sudanesa e em menor número
os negros de origem banto.

Estes negros que aqui aportaram como escravos saíram, principalmente de três
grandes áreas, a saber: do Congo, do Golfo da Guiné
e do Sudão Ocidental e vieram para os Estados da
Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Maranhão, Minas
Gerais e São Paulo

Dos negros Sudaneses, os mais importantes


foram, nessa ordem:
▪ Iorubas ou Nagôs
▪ Gêges (Ewes, Jejes ou Daomeanos)
▪ Minas
▪ Hauçás
▪ Tapas
▪ Bornus
▪ Gruncis ou Galinhas

Com esses negros sudaneses entraram dois


povos de influência maometana:
▪ Fulas
▪ Malês2

Dos negros Bantos ou Bantus, os mais importantes foram:


▪ Angolas
▪ Congos ou Cambindas
▪ Benguelas
▪ os de Moçambique (incluindo os Macuas e Angicos).

As demais denominações, que tanta confusão originaram, nada mais são do

2
Malê vem de Malinkê (Mali-nkê, gente ou homens de Mali). Mali ou Mandinga era o nome de
um reino ou império que se desenvolveu no vale do Niger. Esta raça é muito antiga e se
compunha de elementos negros primitivos. Este povo tinha uma índole guerreira e cruel, eram
considerados grandes mágicos e feiticeiros, e daí o termo mandinga, no sentido de mágica, coisa
feita, despacho, que os negros divulgaram no Brasil.
que províncias ou regiões do vasto território afro-austral, habitat dos povos
bantos.

Os compradores de escravos, movidos por interesses mercantilistas,


procuravam comprar aqueles que não pertenciam à mesma nação, separando
as mães dos filhos e dos maridos. Era comum um fazendeiro comprar um lote
de escravos minas, juntamente com congos ou angolas. Essa estratégia tinha
por objetivo diminuir o risco de uma rebelião ou trama de fugas. Surgiu aí a
primeira dificuldade da prática de um culto, em função das várias línguas faladas
pelos negros de uma mesma senzala.

Roger Bastide (As Religiões Africanas no Brasil), cita que não era possível aos
iorubás nem aos daomedanos conservarem sua religião familiar, nem aos bantos
continuarem o culto de seus ancestrais. Então a solidariedade deixou de
acontecer no plano doméstico para se tornar uma solidariedade étnica.

A manutenção, ainda que parcial, dos valores religiosos negros durante o


período escravagista ocorreu devido à chegada, nos vários lotes de escravos de
adivinhos, médicos-feiticeiros e sacerdotes. Esses mais ligados aos ritos
africanos souberam, ao longo do tempo, unir de maneira adequada os negros
de várias nações e línguas diferentes, naquilo que tinham em comum, a crença
nos Orixás.

Um dos motivos da perda significativa dos valores religiosos africanos é que


provavelmente raríssimos babalawos vieram para o Brasil como escravos,
perdendo-se muito do seu conhecimento iniciático.

A procedência do negro escravizado foi majoritariamente iorubana, num ciclo


que se iniciou no fim do século XVIII. Chegaram à Bahia em tal número e em
relativo pouco espaço de tempo, que puderam conservar e impor aos outros
negros escravizados as suas tradições e a sua linguagem – o Nagô, que passou
a ser a língua franca da única instituição religiosa negra no Brasil.

Estes vários rituais que os negros trouxeram para o Brasil, de suas nações de
origem, chamados de culto de nações ou culto africano, com o passar do tempo
foram sofrendo adaptações até perder suas características, dando origem ao
Candomblé.3

Os Mandingas
Os negros mulçumanos, chamados malês ou mandingas cultuavam Alá como
seu Deus e Maomé como seu profeta e consideravam os demais negros que
cultuavam os Orixás como infiéis. Os brancos, aproveitando essa animosidade,
confiava aos Mandingas funções superiores aos demais, incrementando a
rivalidade entre os dois grupos. Geralmente eram os mandingas que acabavam
ocupando o lugar de caçadores de escravos fujões, conhecidos por capitães do
mato.

Os mandingas tinham permissão para usar pequenos trechos do alcorão,


dentro de invólucros de pele animal, que levavam ao pescoço, como patuás.

Quando um escravo fugia da senzala, pendurava ao pescoço um patuá, de modo


que pensassem tratar-se de um negro mandinga, para não ser perseguido.
Entretanto, se um mandinga o abordasse e ele não soubesse responder em
Árabe, o verdadeiro mandinga descarregaria toda a sua violência nesse infeliz
negro fugitivo. Assim nasceu a expressão:

“quem não pode com mandinga não carrega patuá”.

A vingança a quem se atrevesse a portar um falso objeto sagrado pelo


muçulmano era algo terrível. Com o passar do tempo o hábito de utilizar patuás
entre os negros foi se generalizando, pois eles acreditavam que o poder dos
mandingas era devido, em grande parte, aos poderes do patuá.

3
O termo Candomblé significa barracão e não é encontrado na África como culto religioso.
Segundo Edison Carneiro (Os Candomblés da Bahia, 1948), é o lugar em que os negros da Bahia
realizavam as suas festas públicas anuais das seitas africanas.