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Estudo de

Impacto
Ambiental

EIA LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista C1 e C2

Volume 1

Estudo de Impacto Ambiental

OUTUBRO
2018
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL - EIA
VOLUME 1

LT 500 kV SE ESTREITO – SE CACHOEIRA PAULISTA C1 E C2


P.011333-RL-EIA-001_L18
OUTUBRO DE 2018
LT 500 kV SE ESTREITO – SE CACHOEIRA PAULISTA C1 E C2
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – VOL. 1

SUMÁRIO GERAL
VOLUME 1
1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR
2. EMPRESA RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS
3. DADOS DA EQUIPE TÉCNICA MULTIDISCIPLINAR
4. DADOS DO EMPREENDIMENTO
4.1 IDENTIFICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
4.2 DESCRIÇÃO DO PROJETO
5 ESTUDO DE ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS
5.1 ESTUDOS REALIZADOS PELA EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA
5.2 ALTERNATIVAS LOCACIONAIS

VOLUME 2
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.1 DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO
6.2 MEIO FÍSICO
6.2.1 METEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA
6.2.2 RECURSOS HÍDRICOS
6.2.3 ESTUDOS GEOLÓGICOS E GEOTÉCNICOS
6.2.4 PALEONTOLOGIA
6.2.5 ESPELEOLOGIA
6.2.6 NÍVEL DE RUÍDO

VOLUME 3
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.3 MEIO BIÓTICO
6.3.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
6.3.2 CARACTERIZAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS
6.3.3 FLORA
6.3.4 FAUNA
6.3.5 ECOLOGIA DA PAISAGEM

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VOLUME 4
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.4 MEIO SOCIOECONÔMICO
6.4.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
6.4.2 CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO
6.4.3 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
INFRAESTRUTURA, SERVIÇOS PÚBLICOS E
6.4.4
VULNERABILIDADES
6.4.5 RECURSOS MINERAIS
6.4.6 POPULAÇÕES TRADICIONAIS
PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO, CULTURAL,
6.4.7
NATURAL
6.4.8 DIAGNÓSTICO POR MUNICÍPIO
7. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

VOLUME 5
8. ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS
8.1 IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS
8.2 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS
8.3 ANÁLISE CONCLUSIVA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS E MEDIDAS
MITIGADORAS
8.4 PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS
9. ÁREAS DE INFLUÊNCIA
9.1 ÁREA DIRETAMENTE AFETADA (ADA)
9.2 ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRETA (AID)
9.3 ÁREA DE INFLUÊNCIA INDIRETA (AII)

VOLUME 6
10. MEDIDAS MITIGADORAS, COMPENSATÓRIAS E PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1 PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1.1 PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1.2 PLANO AMBIENTAL DE CONSTRUÇÃO
10.1.3 PROGRAMA DE SUPRESSÃO DA VEGETAÇAO E REPOSIÇÃO
FLORESTAL
10.1.4 PROGRAMA DE MITIGAÇÃO DE ACIDENTES COM A FAUNA
10.1.5 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA AVIFAUNA
10.1.6 PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
10.1.7 PROGRAMA DE INDENIZAÇÃO DA FAIXA DE SERVIDÃO
10.1.8 PROGRAMA DE ACOMPANHAMENTO DOS DIREITOS
MINERÁRIOS
10.1.9 PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS
10.1.10 PROGRAMA DE MANUTENÇÃO DA FAIXA DE SERVIDÃO
10.1.11 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DAS INTERFERÊNCIAS
ELETROMAGNÉTICAS

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10.1.12 PROGRAMA AMBIENTAL PARA GESTÃO DO PATRIMÔNIO
ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO E CULTURAL
10.1.13 PLANO DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL
11. SOLICITAÇÕES DO ICMBIO PARA A APA DA SERRA DA MANTIQUEIRA

VOLUME 7
12. PROGNÓSTICO AMBIENTAL
12.1 NÃO IMPLANTAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
12.2 IMPLANTAÇÃO E OPERAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
13. CONCLUSÃO
14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
15. GLOSSÁRIO

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SUMÁRIO VOL. 01

1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR ............................................................................... 1

2. EMPRESA RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS .................................................................... 2

3. DADOS DA EQUIPE TÉCNICA MULTIDISCIPLINAR ............................................................ 3

4. DADOS DO EMPREENDIMENTO ........................................................................................... 6

4.1. IDENTIFICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO................................. 6


4.1.1. CUSTO TOTAL DO EMPREENDIMENTO ................................................... 15
4.1.2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS DO EMPREENDIMENTO ....................... 15

4.2. DESCRIÇÃO DO PROJETO ..................................................................................... 17


4.2.1. INFORMAÇÕES TÉCNICAS ......................................................................... 17
4.2.2. IMPLANTAÇÃO DO EMPREENDIMENTO ................................................... 33
4.2.3. SUBESTAÇÕES EXISTENTES QUE NECESSITAM DE AMPLIAÇÃO ....... 39
4.2.4. FAIXA DE SERVIDÃO ................................................................................... 42

5. ESTUDO DE ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS ................................... 46

5.1. ESTUDOS REALIZADOS PELA EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA .......... 46

5.2. ALTERNATIVAS LOCACIONAIS ............................................................................. 49


5.2.1. AVALIAÇÃO DAS ALTERNATIVAS EM NÍVEL REGIONAL ........................ 50
5.2.2. SELEÇÃO DA MACRO ALTERNATIVAS ..................................................... 51
5.2.3. AVALIAÇÃO DAS ALTERNATIVAS NO CORREDOR PREFERENCIAL .... 54
5.2.4. DEFINIÇÃO DA ALTERNATIVA DE MENOR IMPACTO ............................. 57
5.2.5. JUSTIFICATIVA PARA A ALTERNATIVA SELECIONADA .......................... 60
5.2.6. HIPÓTESE DE NÃO EXECUÇÃO DO PROJETO ........................................ 70

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LISTA DE FIGURAS

Figura 4-1 - Mapa de localização da LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista. .......................7


Figura 4-2 - Resumo do Plano de Obras e Datas de Entrada de Operação da Alternativa
Escolhida .................................................................................................................................16
Figura 4-3 - Configuração para a Região Sudeste, Entrada de Operação do Bipolo 2 .........17
Figura 4-4 - Torre Estaiada Cross Rope de Suspensão Leve ................................................19
Figura 4-5 - Torre Autoportante de Suspensão Leve .............................................................20
Figura 4-6 - Torre Autoportante de Suspensão Pesada .........................................................20
Figura 4-7 - Torre Autoportante de Suspensão para Transposição .......................................21
Figura 4-8 - Torre Autoportante de Ancoragem Meio de Linha Leve .....................................21
Figura 4-9 - Torre Autoportante de Ancoragem Meio de Linha Pesada e Fim de Linha .......22
Figura 4-10 - Estrutura Estaiada: Fundação em Sapata para o Mastro (Corte A-A, sem escala)
.................................................................................................................................................23
Figura 4-11 - Estrutura Estaiada: Fundação em Tubulão com Grampo U para Estais (Corte A-
A, sem escala) .........................................................................................................................24
Figura 4-12 - Estrutura Estaiada: Fundação em Viga L para Estais (Corte A-A, sem escala)
.................................................................................................................................................24
Figura 4-13 - Estrutura Estaiada: Fundação em Estaca Helicoidal para Estais ....................25
Figura 4-14 - Estrutura Estaiada: Fundação em Tirante Ancorado em Rocha para Estais ...25
Figura 4-15 - Estrutura Autoportante: Fundação em Tubulão com Abertura de Base (Corte A-
A, sem escala) .........................................................................................................................26
Figura 4-16 - Estrutura Autoportante: Fundação em Sapata (Corte A-A, sem escala)..........26
Figura 4-17 - Estrutura Autoportante: Fundação em Tubulão Ancorado em Rocha (Corte A-A,
sem escala) .............................................................................................................................27
Figura 4-18 - Estrutura Autoportante: Fundação em Bloco Ancorado em Rocha (Corte A-A,
sem escala) .............................................................................................................................27
Figura 4-19 - Largura da faixa de servidão na LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista,
considerando os dois circuitos paralelos (C1 e C2). ..............................................................43
Figura 5-1 - Detalhe do trecho da Alternativa B que desvia da APA Bacia Hidrográfica do Rio
Machado ..................................................................................................................................55
Figura 5-2 - Reservatório da Usina Hidrelétrica de Poço Fundo, na APA Estadual Bacia
Hidrográfica do Rio Machado, em uma região com o predomínio de pastagens (20/09/17). 57

LISTA DE QUADROS

Quadro 1-1 - Dados do Empreendedor ....................................................................................1


Quadro 2-1 - Dados da Empresa Responsável pelos Estudos ................................................2
Quadro 3-1 - Gerência e Coordenação.....................................................................................4
Quadro 3-2 - Equipe Técnica ....................................................................................................4
Quadro 3-3 - Equipe Administrativa ..........................................................................................5
Quadro 3-4 - Supervisão EDP ..................................................................................................5
Quadro 4-1 - Extensão da Linha de Transmissão Circuito 1 em cada Município ....................7
Quadro 4-2 - Deflexão, Distância e Coordenadas (SIRGAS 2000 / Fuso 23k) dos Vértices da
Linha de Transmissão Circuito 1 ...............................................................................................8
Quadro 4-3 - Deflexão, Distância e Coordenadas (SIRGAS 2000 / Fuso 23k) dos Vértices da

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Linha de Transmissão Circuito 2 .............................................................................................11
Quadro 4-4 - Custos dos Empreendimentos do Lote 18 fornecido pelo empreendedor........15
Quadro 4-5 - Descrição do Cabo Condutor ............................................................................28
Quadro 4-6 - Descrição dos Cabos Para-Raios .....................................................................28
Quadro 4-7 - Características dos Para-Raios .........................................................................28
Quadro 4-8 - Descrição dos Tipos de Cadeias Isoladores .....................................................29
Quadro 4-9 - Efeitos Elétricos no Interior e Limite da Faixa de Servidão da LT ....................31
Quadro 4-10 - Linhas de Transmissão interceptadas pela LT 500 kV Estreito - Cachoeira
Paulista C1 e C2......................................................................................................................32
Quadro 4-11 - Rodovias interceptadas pela LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista C1 e C2
.................................................................................................................................................32
Quadro 4-12 - Mão de obra Direta Estimada por Canteiro .....................................................34
Quadro 4-13 - Mão de obra Indireta Estimada por Canteiro ..................................................34
Quadro 4-14 - Cronograma de Implantação ...........................................................................35
Quadro 4-15 - Distâncias horizontais mínimas de aproximações a obstáculos, em metros, na
condição de máximo deslocamento dos cabos condutores (condição de vento máximo) ....43
Quadro 4-16 - Distâncias verticais mínimas dos cabos condutores aos obstáculos, em metros,
na condição de flecha máxima ................................................................................................43
Quadro 4-17 - Distâncias verticais mínimas dos cabos condutores aos obstáculos, em metros,
na condição de emergência ....................................................................................................44
Quadro 5-1 - Análise e pontuação das alternativas de traçado avaliadas em nível regional 52
Quadro 5-2 - Análise e pontuação das alternativas de traçado avaliadas no corredor .........58
Quadro 5-3 - Planos e Programas com algum grau de interação com a alternativa selecionada
.................................................................................................................................................67

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1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR

A EDP Transmissão SP-MG S.A., inscrita no CNPJ Nº 27.821.748/0001-01, é a concessionária


da Linha de Transmissão (LT) 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista (C1 e C2) referente
ao Lote 18 do leilão ANEEL nº 005/2016 de concessões de serviço público de transmissão de
energia elétrica, realizado em 24/04/2017.

Quadro 1-1 - Dados do Empreendedor

RAZÃO SOCIAL EDP Transmissão SP-MG S.A.

CNPJ 27.821.748/0001-01

CTF 6894025

Rua Gomes de Carvalho, 1996, 80 andar, Vila Olímpia.


ENDEREÇO São Paulo - SP
CEP: 04547-006

TELEFONE (11) 2185-5900

André Luiz de Castro Pereira


REPRESENTANTE LEGAL
E-mail: andre.pereira@edpbr.com.br
Eduardo Guilherme Santarelli
PESSOA DE CONTATO
E-mail: eduardo.santarelli@edpbr.com.br

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2. EMPRESA RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS

Quadro 2-1 - Dados da Empresa Responsável pelos Estudos

NOME Tractebel Engineering Ltda.

CNPJ 33.633.561/0001-87

CTF 22.279

Avenida dos Andradas, 3.000 - 13º andar – Boulevard Corporate Tower


ENDEREÇO
– Santa Efigênia. Belo Horizonte – Minas Gerais. CEP 30.260-070.
Cristiane Peixoto Vieira
Tel. (31) 3249-7711
RESPONSÁVEL LEGAL
E-mail: cristiane.vieira@tractebel.engie.com
CTF: 2.010.648
Luciana Magalhães Vaz de Mello – Crea - MG
no 84.365/01
PESSOA DE CONTATO Tel. (31) 3249-7127
E-mail: luciana.vaz@tractebel.engie.com
CTF: 7114738

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3. DADOS DA EQUIPE TÉCNICA MULTIDISCIPLINAR

Neste item são apresentadas informações referentes à Equipe Técnica Multidisciplinar


envolvida na elaboração do estudo, conforme indicado no Termo de Referência. O ANEXO 3-
1 apresenta os quadros dos responsáveis técnicos pelo estudo e o ANEXO 3-2, as ART dos
profissionais.

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Quadro 3-1 - Gerência e Coordenação
NOME FORMAÇÃO FUNÇÃO REG. NO CONSELHO CTF ART
CRISTIANE PEIXOTO VIEIRA Engenheira Civil MSc Gerente do Projeto CREA/MG 57.945-D 2.010.648 14201800000004424576
LUCIANA MAGALHÃES VAZ DE MELLO Engenheira Química Coordenação do Projeto CREA/MG 84365-D 7114738 14201800000004438319
ANDRÉ JEAN DEBERDT Biólogo MSc Coordenação Meio Biótico CRBio 23.890/01-D 490.315 2014/01822
ALEXANDRE LUIZ CANHOTO DE
Geólogo Coordenação Meio Físico CREA/RJ 100.015/4-D 567.608 14201800000004433334
AZEREDO
DANIELA ASSUNÇÃO CAMPOS DO Coordenação Meio
Socióloga - 5214221 NA
AMARAL Socioeconômico

Quadro 3-2 - Equipe Técnica


NOME FORMAÇÃO FUNÇÃO REG. NO CONSELHO CTF ART
Meio Físico
ALEXANDRE LUIZ CANHOTO DE
Geólogo Coordenação Meio Físico CREA/RJ 100.015/4-D 567.608 14201800000004433334
AZEREDO
JOSÉ ROBERTO THEDIM BRANDT Engenheiro Civil Diretor comercial CREA/RJ 1978102612 2020170098945
VIVIANE PINTO FERREIRA Especialista em Recursos 14201800000004438409
Engenheira Civil, Drª CREA/MG 94.502 D 5.883.844
MAGALHÃES Hídricos
Meio Biótico
ANDRÉ JEAN DEBERDT Biólogo MSc Coordenação Meio Biótico CRBio 23890/01 490.315 2014/01822
JULIO DA SILVA SOUSA Biólogo Coordenação Campo CRBio 091011/RS 5428572
ANDREA CECÍLIA SICOTTI MAAS Bióloga MSc Especialista Mastofauna CRBio 60865/02 3707362
BERNARDO SILVEIRA PAPI Biólogo Dr. Especialista Mastofauna CRBio 65920/02 2913780
BRUNNA DE ALMEIDA DOS SANTOS Bióloga Especialista Mastofauna CRBio 096598/02 5951197
FLÁVIA GUIMARAES CHAVES Bióloga Dra. Especialista Avifauna CRBio 71306/02 618065
JIMI MARTINS DA SILVA Biólogo Dr. Especialista Avifauna CRBio 102162/02 3016157
MARCOS FERREIRA VENANCIO Biólogo Especialista Herpetofauna CRBio 71081/02 2585864
NADJHA REZENDE VIEIRA Bióloga MSc Especialista Mastofauna CRBio 65239/02 2925237
PRISCILA DE PAULA A. COBRA Bióloga MSc Especialista Mastofauna CRBio 65245/02 2269384
THIAGO MARCIAL DE CASTRO Biólogo Especialista Herpetofauna CRBio 48324/02 533874
Especialista Ecologia da
RENATO MIAZAKI DE TOLEDO Ecólogo PhD - -
Paisagem

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NOME FORMAÇÃO FUNÇÃO REG. NO CONSELHO CTF ART
Especialista Ecologia da
CARLOS LEONARDO VIEIRA Biólogo MSc CRBio 30805/4 317519
Paisagem
DANIEL CAVALCANTI Engenheiro Florestal Coordenação Flora CREA 2007142964 3952406 0720180014137
Coordenação Campo
EDUARDO SADDI Biólogo MSc CRBio 55611/02 -
(Flora)
ANA BEATRIZ LIAFFA Engenheira Florestal Revisão de relatórios - 6683702
GABRIEL PINTO RODRIGUES
Engenheira Florestal Auxiliar de Campo CREA - 2014137576 5967808
GONÇALVES
THIAGO SERRANO DE ALMEIDA
Biólogo Auxiliar de Campo - 2088791
PENEDO
JOÃO HENRIQUE MARTINS Biólogo Auxiliar de Campo - -
Meio Socioeconômico
DANIELA ASSUNÇÃO CAMPOS DO Coordenação Meio
Socióloga - 5214221
AMARAL Socioeconômico
Especialista em Meio
RENATA DATRINO Ciências Sociais - 5289461
Socioeconômico
Geoprocessamento e Cartografia
LUCIANO FERRAZ ANDRADE Geógrafo Geoprocessamento CREA/MG 164.360-D 5.552.542 14201800000004438737

Quadro 3-3 - Equipe Administrativa


NOME FORMAÇÃO FUNÇÃO
ROSANA BICEGO Secretária Executiva Assistente de Projetos
FRANCISCO RIBEIRO Técnico em Informática Técnico em Banco de Dados

Quadro 3-4 - Supervisão EDP


NOME FORMAÇÃO FUNÇÃO
EDUARDO GUILHERME SANTARELLI Engenharia Florestal Gestor Executivo de Meio Ambiente
MÁRCIA ROIG SPERB Engenharia Civil Gestora Operacional de Meio Ambiente
RAFAEL RIBEIRO BORGHERESI Engenharia Ambiental Especialista Ambiental
FERNANDA VIEGAS FARIAS Engenharia Ambiental Analista Ambiental

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4. DADOS DO EMPREENDIMENTO

4.1. IDENTIFICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DO


EMPREENDIMENTO

A LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 tem aproximadamente 375 km de extensão,


com circuito duplo, denominado C1 e C2. Essa linha de transmissão interliga a subestação de
Estreito, localizada no município de Ibiraci - MG, à subestação de Cachoeira Paulista, localizada
no município de Cachoeira Paulista - SP.

Cada circuito da LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista possui seu próprio conjunto de torres
e cabos. Dentro do possível, foi priorizado um traçado paralelo de ambos os circuitos, de forma
a minimizar os impactos ambientais e facilitar a construção e manutenção da futura LT. Porém,
em certos trechos, foi necessário o afastamento dos mesmos, para contornar eventuais
obstáculos no terreno. A largura da faixa de servidão é de 40 m para cada lado do traçado.
Considerando os dois circuitos paralelos (C1 e C2), a faixa de servidão passa a ter 160m de
largura, conforme será detalhado na Descrição do Projeto, item “Faixa de Servidão”.

A Subestação Estreito é composta atualmente de um pátio de 500 kV e outro de 345 kV, com
o arranjo “disjuntor e meio” nos dois setores. Esta subestação pertence à LT Triângulo S.A. Já
a Subestação de Cachoeira Paulista, instalação existente, é composta basicamente de um
setor de 500 kV em “anel modificado”, um setor de 138 kV em barra dupla cinco chaves e um
pátio para banco de transformadores. A ampliação de ambas encontra-se detalhada em um
item específico na Descrição do Projeto.

O empreendimento atravessa a região sudeste do Brasil, percorrendo o território de dois


estados, sendo 26 municípios de Minas Gerais e quatro municípios de São Paulo, totalizando
30 municípios, onde os dois traçado da LT são projetados: Ibiraci, Cássia, Passos, Bom Jesus
da Penha, Muzambinho, Juruaia, Nova Resende, Cabo Verde, Monte Belo, Campestre, Divisa
Nova, Poço Fundo, Pouso Alegre, Espírito Santo do Dourado, Ipuiuna, Cachoeira de Minas,
São Sebastião da Bela Vista, Santa Rita do Sapucaí, Brasópolis, Piranguinho, Piranguçu,
Itajubá, Wenceslau Braz, Santa Rita de Caldas, Itaú de Minas e Delfim Moreira no Estado de
Minas Gerais e Guaratinguetá, Piquete, Lorena e Cachoeira Paulista no Estado de São Paulo.

A Figura 4-1 apresenta a localização da LT em relação aos municípios supracitados. O mapa


L18-MP-G-4.1-001, disponibilizado no caderno de mapas, apresenta a localização geral da
linha de transmissão e a faixa de servidão correspondente. Os mapas L18-MP-G-4.1-002 a
L18-MP-G-4.1-014 apresentam o traçado da LT em detalhe, evidenciando o paralelismo dos
dois circuitos (C1 e C2).

6 / 71
Figura 4-1 - Mapa de localização da LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista.

No Quadro 4-1 são apresentadas as extensões das linhas de transmissão em cada município,
para cada um dos circuitos.

Quadro 4-1 - Extensão da Linha de Transmissão Circuito 1 em cada Município


MUNICÍPIO EXTENSÃO C1 (m) EXTENSÃO C2 (m)
Bom Jesus da Penha 10.897,70 10.974,58
Brazópolis 8.679,02 9.110,32
Cabo Verde 7.559,14 7.660,89
Cachoeira de Minas 6.203,24 6.343,38
Cachoeira Paulista 7.647,96 7.800,32
Campestre 36.064,76 36.638,87
Cássia 34.078,36 34.238,26
Delfim Moreira 12.134,26 12.025,11
Divisa Nova 9.902,88 9.852,38
Espírito Santo do Dourado 28.215,76 27.893,08
Guaratinguetá 2.626,13 2.933,53
Ibiraci 22.994,12 23.022,08
Ipuiúna 4.986,37 5.049,62
Itajubá 9.761,49 8.853,93
Itaú de Minas 3.666,24 4.048,01
Juruaia 8.406,11 8.376,46
Lorena 2.645,99 3.060,54
Monte Belo 16.754,04 16.592,04
Muzambinho 4.993,38 5.049,44

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MUNICÍPIO EXTENSÃO C1 (m) EXTENSÃO C2 (m)
Nova Resende 14.999,14 15.020,85
Passos 47.443,24 46.788,60
Piquete 12.145,04 11.501,25
Piranguçu 6.047,40 6.415,57
Piranguinho 13.073,83 12.431,29
Poço Fundo 4.424,28 3.732,26
Pouso Alegre 9.215,06 9.455,79
Santa Rita de Caldas 531,30 686,38
Santa Rita do Sapucaí 14.007,34 14.031,76
São Sebastião Da Bela Vista 6.008,59 5.960,59
Wenceslau Braz 4.217,12 4.654,50
Extensão Total 370.329,29 370.201,68

Os Quadro 4-2 e Erro! Fonte de referência não encontrada. mostram os vértices de cada um
dos circuitos com as suas respectivas deflexões, distâncias parciais e progressivas e suas
coordenadas.

Quadro 4-2 - Deflexão, Distância e Coordenadas (SIRGAS 2000 / Fuso 23k) dos Vértices
da Linha de Transmissão Circuito 1
DISTÂNCIA DISTÂNCIA COORDENADAS
VÉRTICES DEFLEXÃO
PARCIAL (m) PROGRESSIVA (m) X Y
SE
- 124,90 0,00 272701,332 7758205,9
ESTREITO
V1 13°41'12"E 407,66 124,90 272623,972 7758107,836
V2 58°51'28"E 2797,08 532,57 272454,385 7757737,123
V3 29°46'60"E 4830,62 3329,64 274029,621 7755425,789
V4 24°52'47"E 1417,61 8160,26 278373,522 7753312,642
V5 27°31'37"D 2098,97 9577,87 279790,887 7753286,38
V6 28°45'01"D 646,45 11676,84 281633,952 7752281,992
V7 19°49'05"E 2772,40 12323,29 281982,821 7751737,766
V8 11°00'12"D 1519,81 15095,69 284181,713 7750049,245
V9 18°48'40"E 1726,55 16615,50 285188,297 7748910,559
V10 19°04'36"D 1243,38 18342,05 286687,848 7748054,791
V11 16°17'43"D 3581,26 19585,43 287507,022 7747119,411
V12 12°52'33"D 1108,17 23166,69 289015,743 7743871,462
V13 27°43'50"E 1147,38 24274,86 289246,896 7742787,669
V14 10°59'16"D 2362,13 25422,23 289980,887 7741905,78
V15 01°32'54"E 14649,97 27784,36 291118,225 7739835,49
V16 27°55'04"E 1790,69 42434,33 298516,408 7727190,785
V17 30°38'21"D 6503,79 44225,02 300039,107 7726248,468
V18 35°18'32"E 5448,93 50728,81 303053,268 7720485,298
V19 02°52'23"E 5656,77 56177,74 307904,778 7718004,638
V20 06°16'22"D 7353,19 61834,51 313064,096 7715685,055
V21 29°08'41"D 3676,26 69187,70 319401,055 7711955,131
V22 08°13'32"D 2105,50 72863,95 321259,949 7708783,479

8 / 71
DISTÂNCIA DISTÂNCIA COORDENADAS
VÉRTICES DEFLEXÃO
PARCIAL (m) PROGRESSIVA (m) X Y
V23 02°28'15"E 3368,93 74969,46 322053,75 7706833,345
V24 22°49'43"E 2316,39 78338,39 323457,224 7703770,673
V25 02°30'54"D 4371,91 80654,78 325163,634 7702204,206
V26 21°17'01"D 3553,23 85026,69 328251,454 7699109,209
V27 09°00'20"E 3477,51 88579,92 329676,826 7695854,407
V28 28°56'04"D 1642,08 92057,42 331553,246 7692926,593
V29 11°43'41"E 3721,73 93699,50 331659,817 7691287,977
V30 31°40'39"E 2676,73 97421,23 332651,232 7687700,725
V31 05°09'35"D 1572,35 100097,96 334612,905 7685879,542
V32 02°56'54"E 2760,87 101670,31 335664,344 7684710,458
V33 14°52'35"D 4800,26 104431,18 337613,693 7682755,352
V34 14°42'37"D 2631,97 109231,44 340016,653 7678599,84
V35 04°48'01"D 3365,54 111863,41 340712,433 7676061,504
V36 15°16'47"E 6536,00 115228,94 341327,392 7672752,626
V37 44°48'03"E 4313,79 121764,95 344172,883 7666868,538
V38 29°39'03"D 2014,79 126078,73 348241,962 7665436,287
V39 40°18'27"D 3042,99 128093,52 349562,668 7663914,733
V40 09°49'21"D 2524,61 131136,51 349597,207 7660871,942
V41 29°16'09"E 2566,13 133661,12 349194,785 7658379,612
V42 05°20'45"E 1652,60 136227,25 350076,544 7655969,729
V43 16°15'28"D 2270,50 137879,85 350786,526 7654477,41
V44 17°21'36"E 1576,70 140150,35 351148,961 7652236,029
V45 30°28'31"D 1123,68 141727,05 351853,598 7650825,54
V46 26°40'06"E 5495,98 142850,73 351776,586 7649704,502
V47 37°05'36"E 766,85 148346,71 353900,928 7644635,683
V48 43°12'50"D 3093,22 149113,55 354563,908 7644250,313
V49 24°12'11"E 1816,97 152206,78 355448,53 7641286,284
V50 05°23'24"D 3645,13 154023,75 356636,28 7639911,28
V51 03°17'52"D 2690,70 157668,88 358749,44 7636941,173
V52 03°51'59"D 3522,55 160359,58 360180,588 7634662,651
V53 12°42'41"D 3501,01 163882,13 361848,793 7631560,156
V54 06°29'25"E 6072,92 167383,14 362787,655 7628187,378
V55 19°49'13"E 1403,83 173456,06 365067,096 7622558,48
V56 04°59'47"D 2319,04 174859,89 366003,996 7621513,035
V57 11°56'07"E 886,20 177178,93 367395,405 7619657,792
V58 24°08'02"D 4380,19 178065,13 368062,243 7619074,114
V59 03°26'37"E 1586,06 182445,33 369890,541 7615093,735
V60 01°44'20"D 6025,50 184031,38 370637,941 7613694,817
V61 00°00'13"D 4325,43 190056,88 373314,765 7608296,552
V62 07°10'45"E 3201,70 194382,32 375236,095 7604421,262
V63 22°42'05"D 660,55 197584,02 377005,599 7601752,976
V64 41°22'15"D 562,86 198244,57 377129,934 7601104,234
V65 16°59'38"E 379,52 198807,43 376844,079 7600619,364
V66 48°07'08"E 1168,07 199186,95 376755,304 7600250,373

9 / 71
DISTÂNCIA DISTÂNCIA COORDENADAS
VÉRTICES DEFLEXÃO
PARCIAL (m) PROGRESSIVA (m) X Y
V67 05°21'07"D 1699,07 200355,01 377418,436 7599288,794
V68 02°20'57"D 2142,19 202054,09 378248,362 7597806,204
V69 08°29'35"E 1124,09 204196,28 379217,235 7595895,641
V70 07°17'56"D 4582,27 205320,36 379868,128 7594979,175
V71 08°17'10"E 1911,85 209902,63 382025,32 7590936,438
V72 24°38'40"D 1859,56 211814,48 383159,053 7589397,02
V73 32°27'03"D 961,68 213674,04 383536,979 7587576,267
V74 30°39'02"E 599,26 214635,72 383196,663 7586676,819
V75 32°51'00"E 3863,88 215234,98 383299,961 7586086,529
V76 18°14'25"D 3716,48 219098,85 385924,052 7583250,39
V77 05°28'51"D 3048,27 222815,33 387467,361 7579869,503
V78 20°55'28"E 3930,48 225863,60 388462,55 7576988,261
V79 23°16'55"D 5459,12 229794,08 390987,931 7573976,434
V80 14°35'47"E 9044,02 235253,20 392556,441 7568747,495
V81 06°10'55"E 1477,76 244297,22 397254,161 7561019,256
V82 03°59'20"D 1320,94 245774,97 398153,265 7559846,493
V83 32°43'33"E 1593,78 247095,92 398882,089 7558744,811
V84 23°19'30"D 1349,50 248689,70 400340,478 7558101,971
V85 22°57'30"E 710,89 250039,20 401258,902 7557113,205
V86 24°26'40"E 1862,87 250750,09 401907,551 7556822,318
V87 56°21'10"D 1155,77 252612,96 403770,395 7556831,769
V88 13°43'40"D 514,69 253768,73 404415,654 7555872,889
V89 09°11'10"E 1438,67 254283,42 404593,459 7555389,892
V90 33°23'50"E 1077,99 255722,09 405299,625 7554136,457
V91 15°03'48"D 2652,85 256800,07 406258,35 7553643,603
V92 22°26'42"E 1841,80 259452,93 408221,428 7551859,24
V93 22°52'24"D 4184,63 261294,72 409954,07 7551234,611
V94 05°32'28"D 990,69 265479,35 413029,52 7548396,877
V95 17°00'41"D 1497,84 266470,04 413689,346 7547657,889
V96 06°23'11"E 2282,27 267967,88 414316,423 7546297,633
V97 28°37'02"E 2447,98 270250,15 415496,519 7544344,144
V98 18°26'06"D 2578,94 272698,13 417611,241 7543111,038
V99 11°31'40"E 4448,66 275277,07 419313,96 7541174,116
V100 08°53'25"D 2002,28 279725,73 422859,617 7538487,312
V101 24°13'25"E 4167,83 281728,01 424249,409 7537045,922
V102 00°49'45"E 1371,33 285895,84 428118,631 7535496,743
V103 37°43'28"D 2624,16 287267,18 429398,955 7535005,498
V104 21°53'04"E 4433,01 289891,34 430761,646 7532762,89
V105 17°19'06"D 5653,86 294324,34 434309,85 7530105,485
V106 07°54'29"E 3070,83 299978,21 437621,164 7525522,76
V107 11°10'05"D 784,31 303049,04 439745,024 7523304,823
V108 11°59'03"E 2702,30 303833,35 440167,481 7522644,007
V109 06°02'55"D 2133,79 306535,65 442064,062 7520719,064
V110 19°19'32"E 728,76 308669,45 443393,139 7519049,746

10 / 71
DISTÂNCIA DISTÂNCIA COORDENADAS
VÉRTICES DEFLEXÃO
PARCIAL (m) PROGRESSIVA (m) X Y
V111 05°52'01"E 1331,63 309398,21 444010,164 7518661,961
V112 59°41'08"D 1075,90 310729,84 445204,14 7518072,345
V113 35°13'44"E 780,04 311805,74 445279,812 7516999,109
V114 21°16'44"D 1074,13 312585,78 445773,476 7516395,152
V115 43°30'33"E 1664,04 313659,91 446105,1 7515373,494
V116 20°35'13"E 2702,59 315323,95 447567,378 7514579,29
V117 33°31'33"D 2035,91 318026,54 450244,19 7514206,871
V118 36°42'56"D 806,01 320062,46 451770,256 7512859,258
V119 31°47'54"E 1223,56 320868,47 451935,606 7512070,387
V120 29°24'53"E 3021,00 322092,03 452779,959 7511184,852
V121 08°37'54"D 3184,47 325113,03 455669,742 7510304,174
V122 17°55'59"D 1080,93 328297,51 458542,071 7508929,182
V123 12°18'45"D 1930,12 329378,44 459325,976 7508184,932
V124 19°23'30"E 1129,26 331308,56 460410,141 7506588,075
V125 19°14'14"E 1940,58 332437,82 461318,674 7505917,406
V126 44°50'41"D 1783,74 334378,40 463172,494 7505343,656
V127 23°54'01"E 4679,42 336162,14 464008,758 7503768,094
V128 13°29'05"E 3455,02 340841,56 467689,061 7500878,052
V129 11°32'55"D 2921,31 344296,57 470829,057 7499436,679
V130 13°05'27"E 838,51 347217,89 473186,274 7497711,104
V131 20°15'14"E 4213,27 348056,40 473957,471 7497381,926
V132 12°33'40"E 1102,28 352269,67 478165,487 7497171,633
V133 08°10'15"D 2081,36 353371,95 479252,012 7497357,358
V134 13°10'19"D 2288,94 355453,31 481332,63 7497412,902
V135 08°17'08"E 319,88 357742,25 483574,479 7496950,973
V136 07°43'44"E 9375,86 358062,14 483893,811 7496932,24
V137 08°13'53"D 2804,93 367438,00 493242,394 7497646,918
V138 09°22'22"D 86,37 370242,92 496040,958 7497458,102
SE CACH.
- 0,00 370329,29 496125,036 7497438,331
PTA

Quadro 4-3 - Deflexão, Distância e Coordenadas (SIRGAS 2000 / Fuso 23k) dos Vértices
da Linha de Transmissão Circuito 2
DISTÂNCIA DISTÂNCIA COORDENADAS
VÉRTICES DEFLEXÃO
PARCIAL (m) PROGRESSIVA (m) X Y
SE
- 121,15 0,00 272581,732 7758253,007
ESTREITO
V1 01°47'29"D 445,65 121,15 272536,576 7758140,587
V2 58°01'20"E 2870,26 566,80 272357,622 7757732,442
V3 29°43'12"E 4869,03 3437,06 273977,029 7755362,649
V4 20°22'02"E 1534,78 8306,10 278355,777 7753233,314
V5 22°24'21"D 1947,22 9840,88 279883,323 7753084,454
V6 28°49'10"D 603,18 11788,10 281603,068 7752171,136
V7 19°21'56"E 2753,32 12391,28 281933,424 7751666,47
V8 10°55'48"D 1547,44 15144,60 284119,955 7749993,199

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DISTÂNCIA DISTÂNCIA COORDENADAS
VÉRTICES DEFLEXÃO
PARCIAL (m) PROGRESSIVA (m) X Y
V9 18°50'49"E 1699,96 16692,04 285148,245 7748836,824
V10 19°28'46"D 1228,38 18392,00 286627,691 7747999,504
V11 16°07'40"D 3572,51 19620,38 287433,776 7747072,601
V12 12°41'15"D 1099,68 23192,89 288937,042 7743831,766
V13 09°46'39"E 1880,14 24292,57 289169,371 7742756,913
V14 21°53'57"E 1704,25 26172,71 289872,902 7741013,36
V15 13°32'03"D 14657,88 27876,96 291054,065 7739784,813
V16 27°44'57"E 1786,51 42534,84 298458,032 7727134,327
V17 30°25'13"D 6504,07 44321,36 299974,539 7726189,958
V18 35°08'55"E 5481,56 50825,43 302994,708 7720429,619
V19 02°35'22"E 5668,49 56306,98 307870,831 7717925,448
V20 05°30'35"D 7288,09 61975,47 313025,08 7715566,322
V21 29°29'59"D 3670,34 69263,56 319330,159 7711910,883
V22 08°08'50"D 2102,66 72933,90 321187,303 7708745,063
V23 02°25'38"E 3377,13 75036,56 321983,462 7706798,967
V24 22°32'57"E 2340,76 78413,69 323393,414 7703730,244
V25 02°17'43"D 4347,95 80754,44 325111,622 7702140,621
V26 21°19'04"D 3542,50 85102,40 328182,372 7699062,443
V27 03°37'23"E 2394,25 88644,89 329601,336 7695816,551
V28 10°23'58"D 6319,62 91039,14 330697,078 7693687,752
V29 28°09'58"E 7263,49 97358,76 332527,49 7687639,02
V30 14°53'09"D 4547,99 104622,25 337663,785 7682503,192
V31 14°53'27"D 2597,23 109170,24 339945,812 7678569,16
V32 12°23'01"D 2522,91 111767,47 340627,913 7676063,101
V33 27°04'18"E 1285,51 114290,38 340753,02 7673543,293
V34 04°00'27"D 6250,78 115575,90 341394,107 7672429,043
V35 44°37'57"E 4317,79 121826,68 344125,106 7666806,42
V36 29°38'25"D 1964,53 126144,47 348196,224 7665367,898
V37 40°16'54"D 3014,91 128109,00 349482,45 7663882,979
V38 09°44'14"D 2535,30 131123,90 349514,933 7660868,245
V39 29°26'06"E 2577,74 133659,20 349113,08 7658364,996
V40 04°54'06"E 1651,70 136236,94 350008,022 7655947,597
V41 16°03'48"D 2272,56 137888,64 350711,716 7654453,298
V42 17°26'11"E 1568,90 140161,20 351073,226 7652209,677
V43 30°04'36"D 1128,61 141730,10 351775,465 7650806,712
V44 26°12'13"E 5518,18 142858,71 351706,824 7649680,194
V45 19°31'02"E 1166,33 148376,89 353837,808 7644590,088
V46 25°18'31"D 2593,83 149543,21 354621,765 7643726,533
V47 24°01'23"E 1842,07 152137,04 355376,889 7641245,058
V48 05°30'56"D 3628,37 153979,11 356584,142 7639853,745
V49 03°19'38"D 2681,94 157607,47 358687,68 7636897,368
V50 03°51'59"D 3507,34 160289,41 360113,08 7634625,578
V51 13°03'43"D 3356,58 163796,75 361772,591 7631535,678
V52 06°55'24"E 6237,38 167153,33 362651,362 7628296,178

12 / 71
DISTÂNCIA DISTÂNCIA COORDENADAS
VÉRTICES DEFLEXÃO
PARCIAL (m) PROGRESSIVA (m) X Y
V53 19°42'34"E 1419,50 173390,71 364998,078 7622517,088
V54 19°39'48"D 499,45 174810,21 365944,408 7621459,05
V55 18°26'27"E 1839,60 175309,66 366132,691 7620996,449
V56 08°31'53"E 899,42 177149,27 367329,557 7619599,432
V57 24°26'54"D 4130,84 178048,69 368009,586 7619010,768
V58 01°57'42"E 7832,75 182179,54 369733,815 7615256,983
V59 20°35'34"D 1894,09 190012,29 373244,975 7608255,29
V60 38°30'02"E 716,77 191906,37 373444,272 7606371,718
V61 09°14'60"D 2888,32 192623,14 373947,023 7605860,835
V62 09°03'50"D 2645,90 195511,46 375615,664 7603503,29
V63 35°14'49"D 878,44 198157,36 376784,943 7601129,779
V64 43°34'22"E 1241,70 199035,80 376647,217 7600262,2
V65 05°21'20"D 1685,91 200277,50 377351,463 7599239,526
V66 02°22'36"D 2141,76 201963,41 378173,875 7597767,818
V67 06°17'36"E 1177,38 204105,17 379140,225 7595856,457
V68 04°29'52"D 2840,41 205282,55 379783,433 7594870,295
V69 02°26'28"D 2280,20 208122,97 381143,809 7592376,839
V70 04°12'59"E 2010,96 210403,17 382149,635 7590330,468
V71 14°43'21"D 1051,32 212414,12 383166,981 7588595,835
V72 36°14'26"D 956,17 213465,45 383450,919 7587583,581
V73 31°16'41"E 667,38 214421,62 383114,939 7586688,381
V74 32°07'24"E 3853,89 215089,00 383238,923 7586032,617
V75 18°18'35"D 3697,38 218942,89 385858,879 7583206,262
V76 05°28'32"D 3057,72 222640,27 387393,33 7579842,322
V77 20°53'41"E 3931,54 225697,99 388391,07 7576951,962
V78 23°13'08"D 5453,32 229629,53 390915,02 7573937,552
V79 14°35'10"E 9057,12 235082,85 392483,941 7568714,793
V80 06°08'58"E 1479,73 244139,97 397190,162 7560976,394
V81 04°02'18"D 1343,40 245619,70 398090,062 7559801,754
V82 32°46'30"E 1549,15 246963,10 398829,922 7558680,444
V83 22°41'31"D 1393,12 248512,25 400247,252 7558055,104
V84 22°58'12"E 747,95 249905,38 401206,222 7557044,575
V85 23°49'31"E 1843,09 250653,33 401891,982 7556745,975
V86 56°41'01"D 1093,86 252496,42 403735,052 7556755,485
V87 13°23'04"D 512,57 253590,28 404340,572 7555844,515
V88 00°15'35"D 1606,67 254102,85 404517,792 7555363,555
V89 31°29'44"E 2899,65 255709,52 405066,457 7553853,471
V90 13°29'57"E 3377,86 258609,17 407334,593 7552046,946
V91 16°29'09"D 3547,36 261987,02 410395,036 7550617,399
V92 17°31'47"D 4647,52 265534,38 413050,896 7548265,771
V93 28°54'36"E 2445,14 270181,91 415440,873 7544279,859
V94 18°28'41"D 2581,06 272627,05 417555,373 7543052,007
V95 11°30'07"E 4447,40 275208,11 419261,553 7541115,298
V96 08°55'29"D 2011,82 279655,51 422807,833 7538431,408

13 / 71
DISTÂNCIA DISTÂNCIA COORDENADAS
VÉRTICES DEFLEXÃO
PARCIAL (m) PROGRESSIVA (m) X Y
V97 24°06'53"E 4169,12 281667,33 424204,253 7536983,159
V98 00°45'30"E 1366,78 285836,45 428071,723 7535426,169
V99 37°28'54"D 2611,57 287203,23 429346,258 7534932,557
V100 41°22'02"E 1,89 289814,80 430704,867 7532702,208
V101 19°27'59"D 4430,50 289816,69 430703,061 7532702,77
V102 17°24'20"D 5649,77 294247,19 434252,943 7530051,79
V103 07°53'41"E 3068,70 299896,97 437561,243 7525471,931
V104 11°16'56"D 783,74 302965,67 439682,803 7523254,751
V105 12°10'32"E 2710,52 303749,41 440103,393 7522593,421
V106 06°06'31"D 2140,23 306459,92 442007,633 7520664,492
V107 19°15'52"E 2122,54 308600,15 443340,613 7518990,052
V108 53°39'48"D 892,93 310722,69 445136,433 7517858,592
V109 35°06'03"E 789,30 311615,62 445200,643 7516967,972
V110 21°11'17"D 1090,69 312404,92 445699,763 7516356,522
V111 43°34'06"E 1709,82 313495,61 446037,463 7515319,432
V112 20°27'17"E 2695,37 315205,43 447541,573 7514506,323
V113 33°34'20"D 1986,61 317900,81 450211,103 7514133,963
V114 36°49'54"D 801,47 319887,42 451698,693 7512817,263
V115 32°02'18"E 1265,88 320688,88 451860,613 7512032,323
V116 29°22'29"E 3033,38 321954,76 452735,093 7511117,043
V117 21°10'34"D 2618,23 324988,14 455636,992 7510233,654
V118 19°35'15"E 1424,19 327606,37 457697,162 7508617,854
V119 32°56'42"D 2094,30 329030,56 459047,602 7508165,484
V120 15°01'13"E 1151,40 331124,87 460352,344 7506527,266
V121 19°24'13"E 1923,06 332276,27 461278,57 7505843,282
V122 45°02'15"D 1769,85 334199,33 463117,202 7505279,725
V123 23°57'08"E 4704,41 335969,18 463945,962 7503715,905
V124 13°29'39"E 3456,41 340673,60 467646,711 7500811,435
V125 11°36'53"D 2924,34 344130,01 470788,611 7499370,856
V126 13°12'43"E 864,95 347054,35 473147,041 7497641,816
V127 20°10'57"E 4234,11 347919,30 473943,031 7497303,376
V128 12°29'26"E 1106,51 352153,42 478171,9 7497092,716
V129 08°04'24"D 2063,97 353259,93 479262,79 7497277,986
V130 13°13'53"D 2286,20 355323,90 481325,99 7497334,376
V131 09°13'44"E 365,93 357610,10 483564,969 7496872,096
V132 06°48'24"E 9341,29 357976,03 483930,569 7496856,536
V133 07°53'54"D 2774,26 367317,33 493244,708 7497568,266
V134 08°02'26"E 110,10 370091,59 496013,71 7497397,52
SE CACH.
- 0,00 370201,68 496123,466 7497406,181
PTA

Os vértices e traçado da LT, polígonos das faixas de servidão e das subestações nos formatos
kmz e shapefile encontram-se no ANEXO 4-1.

14 / 71
4.1.1. CUSTO TOTAL DO EMPREENDIMENTO

O empreendimento LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 terá um custo total de


R$ 1.290.014.361, conforme detalhado no Quadro 4-4 a seguir.

Quadro 4-4 - Custos dos Empreendimentos do Lote 18 fornecido pelo empreendedor


CAPEX LOTE 18 R$ REAL
SS - Equipamento R$ 40.527.230
SS – Trabalhos Civis R$ 17.730.977
SS - Projeto R$ 964.774
SS - Comissionamento, Instalação e Montagem R$ 8.933.247
TL - Equipamento (FINAME) R$ 83.983.361
TL - Equipamento (FINEM) R$ 468.012.422
TL - Equipamento (não financiado) R$ 0
TL – Trabalhos Civis R$ 138.988.203
TL – Projeto R$ 9.083.650
TL - Comissionamento, Instalação e Montagem R$ 216.522.254
Engenharia do Proprietário (FINAME) R$ 4.361.821
Engenharia do Proprietário (FINEM) R$ 8.114.769
Engenharia do Proprietário (não financiado) R$ 29.416.974
Meio Ambiente R$ 24.837.500
Linhas de Terra e de Servidão R$ 88.993.500
Investimento Social R$ 3.563.432
Contingências R$ 145.980.247
Custos de Engenharia em termos reais R$ 1.290.014.361

4.1.2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS DO EMPREENDIMENTO

O empreendimento faz parte de um conjunto de obras necessárias para a ampliação e


fortalecimento do Sistema Integrado Nacional (SIN), por meio da expansão da capacidade de
intercâmbio de energia entre as regiões Norte – Sul e reforço na região Sudeste.

No relatório EPE-DEE-RE-063/2012-rev2 de 21 de novembro de 2013 – “Expansão das


interligações Norte-Sudeste e Norte-Nordeste” a LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e
C2 foi recomendada como parte de um conjunto de obras necessárias para possibilitar o
recebimento pela região Sudeste da energia adicional da ampliação da interligação Norte-
Sudeste, associado à entrada do 1º Bipolo Xingu-Estreito (Terminal Rio).

Foi realizada uma reavaliação pela EPE, considerando a perda do bipolo Xingu-Nova Iguaçu,
onde levou-se à necessidade de reforçar o atendimento à área do Rio de Janeiro no cenário
Norte Exportador. Como reforços para a alternativa, foram recomendadas duas Linhas de
Transmissão em 500 kV entre a Subestação Estreito e a Subestação Cachoeira – Paulista,
tornando comuns os reforços da região Sudeste para as alternativas de chegada.

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Por um lado, esse reforço adicional levou a um aumento dos investimentos, por outro lado
reduziu as perdas elétricas, o que manteve o empate econômico entre as alternativas.

Na Figura 4-2, é possível verificar o resumo do plano de obras e as datas de entrada de


operação do sistema. De acordo com a legenda as Linhas de Transmissão C1 e C2 Estreito –
Cachoeira Paulista tem previsão de entrada em operação para o ano de 2020.

Figura 4-2 - Resumo do Plano de Obras e Datas de Entrada de Operação da Alternativa


Escolhida

Na Figura 4-3 é possível ver de forma mais detalhada a configuração para a região Sudeste
quando o Bipolo 2 entrar em operação. Nela está contemplada a futura interligação entre as
Subestações de Estreito e Cachoeira Paulista, que será feita pelas Linhas de Transmissão
objeto deste estudo.

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Figura 4-3 - Configuração para a Região Sudeste, Entrada de Operação do Bipolo 2

Os seguintes benefícios são esperados com a implantação LT 500 kV Estreito-Cachoeira


Paulista C1 e C2:

 Aumento da segurança energética do sistema interligado em cenários hidrológicos


adversos, a exemplo daqueles que vem ocorrendo com frequência não desprezível nos
últimos anos;

 Maior flexibilidade para a adequada gestão dos estoques de energia pelo Operador
Nacional do Sistema Elétrico (ONS);

 Melhoria da confiabilidade e do desempenho elétrico do sistema interligado também em


cenários hidrológicos menos severos, com frequência próxima da média do histórico de
ocorrências.

 Geração de empregos na região com a utilização de mão-de-obra local.

 Incremento no setor de comércio e serviços locais.

4.2. DESCRIÇÃO DO PROJETO

4.2.1. INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Nesse item serão apresentadas as principais informações técnicas referentes à LT 500 kV


Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2.

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4.2.1.1. TENSÃO NOMINAL E TRAÇADO

A LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 possui tensão máxima operativa (Vmax) de


550 kV e tensão nominal de 500 kV. Conforme informado no item 4.1 “Identificação e
Localização do Empreendimento”, a extensão da LT é de 370.329,29 m para o Circuito 1 (C1)
e de 370.201,68 m para o Circuito 2 (C2). A largura da faixa de servidão é de 40 m para cada
lado do traçado e sua área é de 29,63 km2 para C1 e 29,62 km2 para C2.

4.2.1.2. TORRES

O número estimado de torres para a LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista é de 1.581, sendo
792 para C1 e 789 para C2. A distância média entre as torres é de 500 m. A distância mínima
entre cabos e solo é de 14 m e a distância mínima entre cabo e obstáculos naturais ou
construídos é de 7 m.

4.2.1.2.1. Estruturas Adotadas

Para LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista C1 e C2 estão previstas torres do tipo estaiada e
autoportante, com estruturas em aço galvanizado, que atendem adequadamente aos aspectos
técnicos e econômicos do empreendimento, conforme a seguir:

 Torre Estaiada Cross Rope de Suspensão Leve, tipo ECCL;


 Torre Autoportante de Suspensão Leve, tipo ECSL;
 Torre Autoportante de Suspensão Pesada, tipo ECSP;
 Torre Autoportante de Suspensão para Transposição, tipo ECTR;
 Torre Autoportante de Ancoragem Meio de Linha Leve, tipo ECAA;
 Torre Autoportante de Ancoragem Meio de Linha Pesada e Fim de Linha, tipo ECAT.

A altura das torres varia da seguinte maneira: Torre Estaiada Cross Rope de Suspensão Leve,
tipo ECCL, a altura varia entre 25,5 a 42 metros; Torre Autoportante de Suspensão Leve, tipo
ECSL, altura entre 25,5 a 52,5 metros; Torre Autoportante de Suspensão Pesada, tipo ECSP,
altura entre 25,5 a 55,5 metros; Torre Autoportante de Suspensão para Transposição, tipo
ECTR, altura variando entre 24,5 a 45,5 metros; Torre Autoportante de Ancoragem Meio de
Linha Leve, tipo ECAA, e Torre Autoportante de Ancoragem Meio de Linha Pesada e Fim de
Linha, tipo ECAT, possuem alturas variando entre 22,5 e 34,5 metros.

A dimensão das praças das torres, ou praças de montagem, tanto para torre estaiada quanto
para a autoportante, será de 40 m por 80 m, suficiente para a movimentação de maquinário,
veículos e de pessoal, durante a montagem das estruturas. Nessa área ocorrerá o corte raso,
com a supressão total da vegetação.

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4.2.1.2.2. Silhuetas

O projeto das estruturas ECCL, ECSL, ECSP, ECTR, ECAA e ECAT irá obedecer às dimensões
principais indicadas nos desenhos de silhuetas no que se refere aos seguintes itens:

 Distâncias elétricas e respectivos ângulos de balanço das cadeias de isoladores;


 Ângulo de blindagem dos cabos para-raios;
 Espaçamento entre fases;
 Altura útil.

Vale ressaltar que a distância entre eixo de torres típicas é de 40 metros.

Em trechos onde houver travessia de fragmentos florestais, serão utilizadas as estruturas que
permitam o menor impacto possível à vegetação, observando-se os requisitos técnicos e de
segurança para sua implantação.

As silhuetas típicas que compõem a série de estruturas são apresentadas a seguir (medidas
em milímetros), nas Figura 4-4, Figura 4-5, Figura 4-6, Figura 4-7, Figura 4-8 e Figura 4-9.

Figura 4-4 - Torre Estaiada Cross Rope de Suspensão Leve

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Figura 4-5 - Torre Autoportante de Suspensão Leve

Figura 4-6 - Torre Autoportante de Suspensão Pesada

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Figura 4-7 - Torre Autoportante de Suspensão para Transposição

Figura 4-8 - Torre Autoportante de Ancoragem Meio de Linha Leve

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Figura 4-9 - Torre Autoportante de Ancoragem Meio de Linha Pesada e Fim de Linha

4.2.1.2.3. Fundações

Para cada tipo de torre, serão analisadas as fundações para os diferentes tipos de solos, em
função de parâmetros geotécnicos pré-estabelecidos. Desta maneira serão elaborados projetos
típicos de fundações, considerando os diversos tipos de solos e os tipos de torres utilizadas.
Na presença de solos com baixa capacidade de suporte e/ou ocorrência do nível d´água a baixa
profundidade, serão elaborados projetos de fundações especiais.

A escolha do tipo de fundação a ser utilizada em cada torre, se dará em função do tipo do
carregamento atuante e do tipo e capacidade suporte do solo, definidos através dos ensaios
geotécnicos a serem realizados. A estabilidade das fundações será verificada através dos
procedimentos clássicos de análise de estabilidade, adotando-se fatores de segurança globais
para determinação das cargas admissíveis nas fundações. Na execução dos serviços
especificados, deverão ser atendidas as disposições estabelecidas na última edição das
Normas Brasileiras (NBR) e demais normas que indiretamente sejam necessárias.

Nas torres estaiadas Cross-rope de suspensão leve tipo ECCL, as fundações para os mastros
serão executadas em sapatas, variando-se as dimensões em função das características do
solo. As fundações para os estais serão executadas em tubulões (com ou sem alargamento de
base), viga “L”, estacas helicoidais ou tirantes ancorados em rochas (Figura 4-10 a Figura
4-14).

 A solução em tubulão é constituída por elementos moldados "in loco", em concreto


armado, com dimensões e profundidades racionalmente determinadas, onde são

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fixadas as ancoragens.

 A solução em viga “L” é constituída por elementos pré-moldados, em concreto armado,


onde são fixadas as ancoragens.

 A solução em estacas helicoidais é constituída por elementos metálicos, aplicadas no


terreno segundo a inclinação dos estais.

 A solução em tirantes ancorados em rocha consiste na fixação das ancoragens


diretamente sobre a rocha, de acordo com diâmetros e profundidades definidas.

A escolha de cada tipo será definida em função das características do solo e das condições de
acesso ao local da fundação. Os estais serão fixados às fundações por meio de sistema de
ancoragens apropriados.

As fundações para as torres autoportantes de suspensão tipos ECSL, ECSP, ECTR e torres de
ancoragem tipos ECAA e ECAT, serão executadas em tubulões (com ou sem alargamento de
base), sapatas, tubulões ancorados em rocha ou blocos ancorados em rocha. A escolha de
cada tipo será definida em função das características do solo e das condições de acesso ao
local da fundação (Figura 4-15 a Figura 4-18).

 A solução em tubulão (com ou sem alargamento de base) é constituída por elementos


moldados "in loco", em concreto armado, com dimensões e profundidades
racionalmente determinadas, onde são fixados os stubs.

 A solução em sapata é constituída por elementos moldados "in loco", em concreto


armado, com o fuste acompanhando o ângulo de inclinação dos stubs.

 A solução em tubulão ou bloco ancorado em rocha é constituída por elementos


moldados "in loco", em concreto armado, com dimensões e profundidades
racionalmente determinadas, ancorados na rocha através de tirantes.

Figura 4-10 - Estrutura Estaiada: Fundação em Sapata para o Mastro (Corte A-A, sem

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escala)

Figura 4-11 - Estrutura Estaiada: Fundação em Tubulão com Grampo U para Estais
(Corte A-A, sem escala)

Figura 4-12 - Estrutura Estaiada: Fundação em Viga L para Estais (Corte A-A, sem
escala)

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Figura 4-13 - Estrutura Estaiada: Fundação em Estaca Helicoidal para Estais

Figura 4-14 - Estrutura Estaiada: Fundação em Tirante Ancorado em Rocha para Estais

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Figura 4-15 - Estrutura Autoportante: Fundação em Tubulão com Abertura de Base
(Corte A-A, sem escala)

Figura 4-16 - Estrutura Autoportante: Fundação em Sapata (Corte A-A, sem escala)

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Figura 4-17 - Estrutura Autoportante: Fundação em Tubulão Ancorado em Rocha (Corte
A-A, sem escala)

Figura 4-18 - Estrutura Autoportante: Fundação em Bloco Ancorado em Rocha (Corte


A-A, sem escala)

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4.2.1.3. CABOS E ISOLADORES

4.2.1.3.1. Características dos cabos e isoladores

Serão utilizados 23 isoladores (240 kN – 170 x 280 mm - distância de escoamento de 380 mm)
nas cadeias de suspensão simples, o que dimensiona as LT 500 kV em pauta para um nível de
poluição de aproximadamente 16,0 mm/kV, referido à tensão entre fases, o que permitirá a
obtenção de um adequado desempenho sob descargas atmosféricas, além de prover uma boa
margem de segurança.

As cadeias de ancoragem serão quádruplas e terão 24 isoladores (4 x 160 kN 170 x 280 mm,
distância de escoamento de 380 mm). Já para as cadeias de jumpers serão 23 isoladores (160
kN – 170 x 280 mm - distância de escoamento de 380 mm). Para maiores detalhes ver relatório
ECP-BO-LT-325-ES-10008 (Arranjos de Cadeias de Isoladores e Ferragens).

Nos Quadro 4-5, Quadro 4-6, Quadro 4-7 e Quadro 4-8 são apresentados os dados básicos
referentes às características dos cabos e isoladores empregados nas estruturas.

Quadro 4-5 - Descrição do Cabo Condutor


CONDUTOR AL LIGA 1120 850 MCM 37 X 3,84
Peso (kgf/m) 1.1814
Diâmetro (cm) 2.6880
Área (cm2) 4.2850
Mód. Elasticidade (kgf/cm2) 652600
Coef. Dilatação Térmica (1/⁰C) 0.000023
Carga de Ruptura (kgf) 9544
Nº de Condutores por Fase 6

Quadro 4-6 - Descrição dos Cabos Para-Raios


PARA-RAIOS OPGM 16,75 OPGW 13,40
Peso (kgf/m) 0.7680 0.6820
Diâmetro (cm) 1.6750 1.3400
Área (cm2) 1.5900 1.0300
Mód. Elasticidade (kgf/cm2) 1111100 1380000
Coef. Dilatação Térmica (1/⁰C) 0.0000155 0.0000132
Carga de Ruptura (kgf) 9888 9477

Quadro 4-7 - Características dos Para-Raios


PARA-RAIOS DOTTEREL 3/8”EHS
Peso (kgf/m) 0.6570 0.4060
Diâmetro (cm) 1.5420 0.9520
Área (cm2) 1.4193 0.5114
Mód. Elasticidade (kgf/cm2) 1060000 1850000
Coef. Dilatação Térmica (1/⁰C) 0.0000154 0.0000115
Carga de Ruptura (kgf) 7865 6990

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Quadro 4-8 - Descrição dos Tipos de Cadeias Isoladores
CADEIA SUSPENSÃO CADEIA CADEIA ANCORAGEM
PARA-RAIOS
I SUSPENSÃO V QUÁDRUPLA
Peso (kgf) 250 435 1080
Área exposta ao vento (m2) 1,0948 2,1896 4.5696

Para trabalho em linha viva, são admitidas como premissa algumas condições limitantes de
forma a reduzir praticamente a zero os riscos a que possam estar submetidos os trabalhadores
durante as delicadas operações a serem realizadas. Os principais condicionantes que se
estabelecem são dois, a saber:

 Os trabalhos em linha viva só podem ser realizados em condições de tempo bom, sem
ventos apreciáveis e sem trovoadas. Assim sendo, as distâncias de segurança
necessárias são aquelas para os condutores ou feixes em repouso, ou seja, sem
balanço de cadeia.

 Para os trabalhos em linha viva, são bloqueados os circuitos de religamento, de forma


a não haver surtos de manobra para essa condição.

As distâncias mínimas de segurança estabelecidas no projeto das estruturas devem ser


aplicadas tanto para o trabalho ao potencial (bare hand) quanto para o trabalho com bastão
(hot stick). Para o nível de tensão de 500 kV, a distância mínima condutor-estrutura para
manutenção, estabelecida pelo antigo Grupo Coordenador de Operação Integrada (GCOI), é
de 3,40 m. No entanto, conforme estudos realizados, o ideal é manter a distância de 3,91 m
para a presente linha.

Para o trabalho em linha viva, devem adicionalmente ser analisadas as distâncias críticas em
cada torre, de forma a se instalarem as ferramentas e bastões de trabalho e se poder trabalhar
em condições de total segurança. Quando necessário, são utilizados bastões isolantes para se
afastar os condutores das partes aterradas, permitindo-se assim obter maior segurança.

4.2.1.3.2. Lançamento dos cabos

A operação de lançamento dos cabos condutores fará uso do cabo piloto. O lançamento do
cabo piloto será feito por terra, se utilizando da faixa de serviço da linha de transmissão. O cabo
piloto é passado em cada uma das torres compreendida entre as praças de PULLER e FREIO
(praças de lançamento). Na sequência, o lançamento tensionado dos cabos condutores a partir
das praças de lançamento com apoio terrestre.

As praças de lançamentos de cabos têm caráter provisório e localizar-se-ão dentro da faixa de


servidão da LT, a localização dessas praças priorizará áreas de topografia plana, evitando
áreas de vegetação.

A instalação das cadeias de isoladores e o lançamento dos condutores serão realizados sob
tração mecânica. O método construtivo adotado para a LT prevê o lançamento tensionado dos

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cabos, que diminui a necessidade de desmatamento na faixa de servidão, no eixo da LT,
necessitando apenas do uso da faixa de serviço de 5m.

Em áreas escarpadas, especialmente na região da Serra da Mantiqueira, a operação de


lançamento dos cabos condutores utilizará cabos guias para içar o cabo piloto. Caso
necessário, o lançamento do cabo guia poderá vir a ser feito por equipamento com capacidade
de voo (ex: drones, VANT, helicópteros, etc.). Neste caso, o dispositivo com capacidade de voo
leva o guia que é passado em cada uma das torres compreendida entre as praças de PULLER
e FREIO. A partir desse momento inicia-se o processo de lançamento do cabo piloto e, na
sequência, o lançamento tensionado dos cabos condutores a partir das praças de lançamento
com apoio terrestre. Esta metodologia dispensa a abertura da faixa de serviços, restringindo a
supressão da vegetação apenas nas bases das torres.

4.2.1.4. SISTEMA DE ATERRAMENTO DE ESTRUTURAS

No presente caso, os sistemas de aterramento das estruturas da LT 500 kV Estreito –


Cachoeira Paulista C1 e C2 devem ser compatíveis com a taxa de desligamentos de 1
desligamento / 100 km / ano. Portanto, para as LT em questão, adotou-se uma solução
considerada econômica que se aproxima de um desempenho viável.

O sistema de aterramento consistirá na instalação de quatro ou seis cabos contrapesos em


disposição radial, sendo adotada uma das fases indicadas nas Tabelas 1 e 2 de acordo com
as resistividades efetivamente obtidas no local de cada estrutura e o tipo de estrutura.

Para efeito de definição do sistema de aterramento foram analisadas diversas configurações


de contrapeso. Em todos os casos considerou-se a utilização das seguintes premissas:

 Cabo de aço galvanizado 3/8” SM de diâmetro 9,525 mm;

 Profundidade de instalação do cabo: 0,8 m;

 Resistividade do solo: 1000 Ω.m (valor utilizado no cálculo da resistência dos


aterramentos, para efeito de comparação de valores apresentados por cada um deles).

4.2.1.5. DISTÚRBIOS E INTERFERÊNCIAS

Foram verificados os níveis máximos de campo elétrico e campo magnético no interior da faixa
de servidão e em seu limite, além da Rádio Interferência (RI) e do Ruído Audível (RA) nos
limites da faixa. Os valores desses efeitos situam-se abaixo das recomendações brasileiras e
internacionais a respeito, bem como das condições estabelecidas no Edital da ANEEL.

Na determinação dos níveis de Rádio Interferência para a condição de tensão máxima operativa
(550 kV), foi obtido um nível de ruído máximo igual a 37,88 dB, válido para condições de tempo
bom prevalente em cerca de 90% do tempo. Admitindo-se cerca de 10% de tempo chuvoso ou
com condutor molhado, haverá um acréscimo para a condição de 50% de todos os tempos da

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ordem de, no máximo, 1,5 dB no nível de ruído.

Portanto: RI50% = 37,88+ 1,5 = 39,38 dB

O nível de rádio interferência acima é calculado para resistividade de 100 Ω.m. Corrigindo para
a resistividade considerada para a região (1000 Ω.m) e para o DRA específico da região, obtém-
se o seguinte nível de RI final no limite da faixa:

RI50% cor = 40,93 dB (ρ = 1000 Ω.m).

Os valores dos campos elétrico e magnético calculados estão abaixo dos valores máximos
permissíveis no limite e no interior da faixa de servidão (Quadro 4-9).

Quadro 4-9 - Efeitos Elétricos no Interior e Limite da Faixa de Servidão da LT


EFEITO ELÉTRICO MÁXIMO NO LIMITE DA FAIXA MÁXIMO NO INTERIOR DA FAIXA
0,746 kV/m 7,978 kV/m
CAMPO ELÉTRICO
(limite 4,17 kV/m) (limite 8,33 kV/m)
6,281 T 66,207 T
CAMPO MAGNÉTICO
(limite 200,0 T) (limite 1000,0 T)

O valor do Ruído Audível (RA) para condutor molhado no limite de uma faixa de 60 m, é de
51,4 dBA. Foi estabelecido no Edital da ANEEL o valor de 58 dBA no limite da faixa, para
condições de chuva fina. Verifica-se que o nível de RA atingido fica abaixo dessa ordem de
grandeza no limite de uma faixa de 60 metros.

Deve-se lembrar ainda dois pontos básicos que frequentemente tornam os critérios de máxima
Rádio Interferência e máximo Ruído-Audível de menor importância:

 Em muitos trechos da rota das linhas, não se registra a recepção de sinais suficientes
de rádio, na faixa de AM. Em outras partes, o próprio ruído de fundo (back-ground
noise), sem existência de linha de transmissão, seria maior que o nível de sinais de
rádio receptor. Assim, não haveria sinal a proteger. Tampouco o Ruído Audível, em
áreas como essas, terá muita importância.

 A baixa densidade populacional de alguns trechos e a pequena probabilidade de algum


receptor de rádio estar situado no limite de faixa torna o fenômeno de RI pouco crítico.

4.2.1.6. INTERFERÊNCIA COM OUTRAS LINHAS DE TRANSMISSÃO

A LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 intercepta seis linhas de transmissão


existentes, sendo duas delas com circuito duplo, compartilhando, nestes pontos, a faixa de
servidão. Os municípios que ocorrem os encontros pontuais entre as linhas são: Ibiraci,
Januária, Piranguçu, em Minas Gerais, e Cachoeira Paulista, em São Paulo (Quadro 4-10).

Em Piranguçu, a partir do limite da APA Serra da Mantiqueira, até a SE Cachoeira Paulista, o


traçado da LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 segue paralelo ao da LT 345 kV
Cachoeira Paulista - Itajubá 3 C1 (Mapas L18-MP-G-4.1-002 a L18-MP-G-4.1-014).
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Quadro 4-10 - Linhas de Transmissão interceptadas pela LT 500 kV Estreito - Cachoeira
Paulista C1 e C2
LINHAS DE TRANSMISSÃO MUNICÍPIO DE INTERCEPÇÃO
LT 500 kV Estreito - Ribeirão Preto C1 Ibiraci - MG
LT 345 kV Estreito - UHE Luiz Carlos Barreto de Carvalho C1 Ibiraci - MG
LT 345 kV Estreito - UHE Luiz Carlos Barreto de Carvalho C2 Ibiraci - MG
LT 345 kV Poços de Caldas - UHE Furnas C1 Juruaia - MG
LT 345 kV Poços de Caldas - UHE Furnas C2 Juruaia - MG
LT 345 kV Poços de Caldas - Itajubá 3 C1 Piranguçu - MG
LT 345 kV Cachoeira Paulista - Itajubá 3 C1 Piranguçu - MG
LT 500 kV Fernão Dias - Terminal Rio, C1 Cachoeira Paulista

4.2.1.7. INTERFERÊNCIA COM RODOVIAS, FERROVIAS E AERÓDROMOS

4.2.1.7.1. Rodovias

A LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 cruza 14 rodovias federais e estaduais ao


longo de seu traçado, conforme apresentado no Quadro 4-11 a seguir e nos mapas L18-MP-
G-4.1-002 a L18-MP-G-4.1-014. Não foram identificados oleodutos, gasodutos, pivôs centrais
e hidrovias afetados pelo traçado da LT.

Quadro 4-11 - Rodovias interceptadas pela LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista C1 e


C2
RODOVIA MUNICÍPIO DE INTERCEPÇÃO
Rodovia João Traficante (MG-438) Ibiraci - MG
Rodovia Doutor Rogério Antônio Pinto (LMG-856) Cássia - MG
Rodovia Newton Penido (MG-050) Passos - MG
Rodovia LMG-837 Itaú de Minas - MG
Rodovia BR-146 Bom Jesus da Penha
Rodovia MG-446 Nova Resende - MG
Rodovia BR-491 Monte Belo - MG
Rodovia BR-267 Campestre - MG
Rodovia Deputado Sebastião Navarro Vieira (MG-179) Pouso Alegre - MG
Rodovia Fernão Dias (BR-381) São Sebastião da Bela Vista - MG
Rodovia Juscelino Kubitschek de Oliveira (BR-459) Santa Rita do Sapucaí - MG
Rodovia MG-295 Piranguinho - MG
Rodovia BR-383 Itajubá - MG
Rodovia BR-459 Delfim Moreira – MG e Piquete - SP

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4.2.1.7.2. Ferrovias

A LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 cruza dois ramais da Ferrovia Bandeirantes


S.A (FERROBAN), nos municípios de Passos – MG e Santa Rita do Sapucaí – MG e a Ferrovia
Centro-Atlântica em Piranguçu – MG.

4.2.1.7.3. Aeródromos

Cinco aeródromos de pequeno porte foram identificados nos municípios afetados pela LT 500
kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2, todos localizados a mais de 3 km de distância do
traçado, conforme listado a seguir:

 Aeródromo Municipal José Figueiredo, Passos – MG (3,9 km);

 Aeroporto Municipal de Pouso Alegre, Pouso Alegre – MG (13,4 km);

 Aeródromo Fazenda Planalto, Nova Resende - MG (3,3 km);

 Aeródromo Fazenda Paineira, São Sebastião da Bela Vista – MG (8,2 km);

 Aeródromo Helicópteros do Brasil S.A. (Helibrás), Itajubá – MG (3,8 km).

4.2.2. IMPLANTAÇÃO DO EMPREENDIMENTO

4.2.2.1. HISTOGRAMA DA OBRA

No Quadro 4-12 e no Quadro 4-13 são apresentados os histogramas de mão de obra direta e
indireta por canteiro de obra durante a implantação do empreendimento.

4.2.2.2. CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO

A implantação da LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 está prevista para durar 21


meses, conforme Quadro 4-14.

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Quadro 4-12 - Mão de obra Direta Estimada por Canteiro
MÃO DE OBRA DIRETA ESTIMADA POR CANTEIRO
Km MESES
Município Abrangência PICO
LT 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 27 18 19 20 21
SE Cássia - MG NA 198 27 46 198 46 54 124 71 11 4 4 4 4 0 0 0 0 0 0

LT Cássia 62 518 10 10 10 50 107 160 213 360 394 430 435 518 466 346 332 172 118 146 153 58 25

LT Nova Resende 92 768 10 10 10 74 158 237 317 534 585 638 646 768 693 514 492 255 175 216 227 86 38

LT Campestre 90 755 10 10 10 72 156 234 311 524 575 627 635 755 680 505 484 250 172 213 223 84 37

LT Itajubá 100 842 15 15 15 81 174 260 347 585 641 698 708 842 758 563 540 280 190 237 249 94 41

LT Piquete 25 213 20 44 66 88 148 162 177 179 213 192 143 137 71 49 60 63 24 10

SE Cachoeira Paulista NA 225 0 0 0 0 34 49 102 184 225 87 93 165 23 5 2 4 7 3

TOTAL 45 45 45 324 685 1.155 1.322 2.239 2.530 2.743 2.798 3.325 2.880 2.168 2.154 1.051 709 874 919 353 154

Quadro 4-13 - Mão de obra Indireta Estimada por Canteiro


MÃO DE OBRA INDIRETA ESTIMADA POR CANTEIRO
MESES
Município PICO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 27 18 19 20 21
LT Cássia 11 8 9 10 9 9 10 9 9 9 9 9 9 9 11 9 8 5 3

LT Nova Resende 11 8 9 10 9 9 10 9 9 9 9 9 9 9 11 9 8 5 3

LT Campestre 10 8 9 10 9 9 10 9 9 9 9 9 9 8 7 4 3 5 3

LT Itajubá 101 12 13 42 49 78 74 88 93 95 101 101 99 91 90 86 81 67 63 44 32 19

LT Piquete 10 8 9 10 9 9 10 9 9 9 9 9 9 8 7 4 3 5 3

SE Cachoeira Paulista 5 - - - - 1 2 3 4 5 3 2 2 1 2 2 2 2 1

TOTAL 12 13 42 89 120 130 131 137 142 143 143 141 131 129 125 116 105 91 68 54 32

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Quadro 4-14 - Cronograma de Implantação
LOTE 18 - CRONOGRAMA
MESES
Item Atividade
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21
1 Implantação dos canteiros de obras
2 Abertura de acessos
3 Supressão da vegetação
4 Fundações das torres
5 Montagem das estruturas
6 Lançamento dos cabos
7 Testes e comissionamento.
8 Desmobilização de canteiros e praças
9 Operação dos empreendimentos

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4.2.2.3. CANTEIROS DE OBRAS

Os canteiros de obras servem de base de apoio administrativo e logístico para a execução dos
serviços de construção e montagem das LT e são áreas fixas da obra, fora da faixa de servidão.

A instalação de canteiros de obras em alguns municípios ao longo da linha de transmissão


torna-se necessária devido à falta de infraestrutura necessária para a execução das obras. A
procedência da mão de obra especializada, o tipo de habitação a ser utilizada por ela e a
estratégia que será adotada pela empreiteira contratada são fatores que influenciam na
definição dos locais aonde serão instalados os canteiros de obras.

No caso desse empreendimento, são previstos 7 canteiros de obras, sendo um principal, quatro
canteiros de apoio e dois canteiros de subestações. Os municípios possíveis para a localização
dos canteiros são: Cássia, Nova Resende, Campestre, Itajubá, localizados em Minas Gerais, e
Piquete, localizado em São Paulo.

Esses canteiros, sempre que necessário, serão compostos pelas seguintes estruturas:
área/pátio de armazenagem de materiais e almoxarifado, área de alojamento de pessoal, área
de vivência/lazer, área de vestiários/banheiros, área de lavanderia, área de refeitório/cozinha,
ambulatório, escritórios administrativos, oficinas, carpintaria, pátio de armação, planta de
combustíveis, estação de tratamento de efluentes ou fossa séptica, central de concreto,
depósito de cimento e agregados, área de lavagem de betoneiras, área de descarte de resíduos
e áreas de estacionamento de equipamentos e veículos leves. Salienta-se que tais estruturas
serão aplicadas apenas aos canteiros da Linha de Transmissão, uma vez que os canteiros das
subestações terão apenas a estrutura operacional, pois estarão situados dentro das áreas
acessadas (ou seja, das subestações já existentes).

Para o canteiro principal está prevista a construção de um alojamento para até 1.150
trabalhadores, no entanto, caso seja necessário, há a possibilidade de montar o alojamento
fora dos canteiros, utilizando-se a estrutura hoteleira/pousadas da cidade de implantação dos
canteiros.

Salienta-se que a localização precisa dos locais onde os canteiros serão instalados depende
da anuência das Prefeituras Municipais, da definição da logística para a construção, da
infraestrutura disponível e do planejamento da construção e montagem e, portanto, será
apresentada em momento oportuno.

Não será necessária a instalação de tanques de combustível para abastecimento. Serão


utilizados os postos de combustíveis próximos à obra.

Também não estão previstas áreas de empréstimo e de bota-fora. Caso seja necessário, serão
utilizadas áreas já licenciadas.

Ademais, o armazenamento de materiais ocorrerá apenas nos canteiros de obra, não sendo
previsto tal procedimento ao longo do traçado.

No ANEXO 4.2-1 é apresentado o layout previsto para os canteiros de obra.

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4.2.2.3.1. Operação do Canteiro de Obras

A carga de trabalho será de 44 horas semanais, sendo segunda a quinta-feira das 7 às 17 horas
e às sextas-feiras das 7 às 16 horas, com 1 hora de almoço. O sábado é compensado e o
domingo é dia de folga. Quando houver necessidade de se trabalhar mais horas, as mesmas
serão computadas e pagas como hora extra.

4.2.2.3.2. Abastecimento de Água

O abastecimento dos canteiros será feito prioritariamente pela rede pública de fornecimento de
água e esgoto. Caso não haja essa disponibilidade para alguma localidade aonde serão
implantados os canteiros, haverá necessidade de perfuração de poço artesiano que será
devidamente licenciado. Para esse licenciamento poderá ser analisada a qualidade da água
com vistas ao consumo humano e avaliada a necessidade de algum tratamento específico,
como instalação de bombas de cloro ou outros mecanismos. Existe ainda a possibilidade de
abastecimento de água através de caminhões pipa de empresas locais que apresentem
operação legalizada.

4.2.2.3.3. Controle de Emissões Atmosféricas

Fumaça preta

Qualquer equipamento móvel que apresentar indício de emissão de fumaça preta fora dos
padrões permitidos será monitorado na sua mobilização com a utilização da escala ringelmann
ou com o opacímetro. Nesse caso, será elaborado um procedimento específico para definição
do tipo de registro e da periodicidade com que será feito o monitoramento de acordo com o
nível de emissão.

Emissão de particulados

A operação dos canteiros de obras ocorrerá a céu aberto e sobre piso não revestido e, devido
à movimentação de máquinas e equipamentos, poderá ocasionar a emissão de material
particulado. Para controlar e mitigar essa emissão, será utilizada uma técnica muito difundida
e eficaz, que é a umectação das vias não pavimentadas. De acordo com a periodicidade de
utilização das vias e das condições meteorológicas, será implantada uma rotina de umectação
das vias, o que propiciará o controle imediato das emissões de material particulado.

4.2.2.3.4. Fornecimento de Energia Elétrica

A energia elétrica dos canteiros de obra será fornecida prioritariamente através da rede local
de distribuição de energia. Será utilizado gerador, instalado sobre a bacia de contenção, caso
não haja a possibilidade de instalação da ligação com a rede local.
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4.2.2.3.5. Estação de Tratamento de Efluentes

No canteiro central será implantada e operada uma ETE modular com o objetivo de atender a
demanda para o tratamento de todo o efluente sanitário gerado no canteiro e frentes de serviço
próximas.

O tratamento do efluente possui etapas distintas, sendo elas: gradeamento, equalização,


biodigestão anaeróbia e aeróbia, filtração e cloração.

Esse equipamento permite o reuso de água em atividades não potáveis como vasos sanitários,
lavagem em geral, rega de jardins e umidificação de solo para redução do nível de poeira, por
conta da eficiência na remoção de matéria orgânica, eliminação de turbidez, cor e odor.

A destinação de todo o efluente após tratamento estará de acordo com os requisitos


estabelecidos na CONAMA 430/11 e demais legislações pertinentes, quando não for viável o
reuso do mesmo.

4.2.2.3.6. Pátio de estocagem de materiais

Uma área específica do canteiro será destinada à estocagem de materiais como estruturas
metálicas, bobinas, isoladores, ferragens e parafusos que serão utilizadas na obra. Os mesmos
serão acondicionados sobre o solo calçado por madeiras. Deve ser localizado de modo a
permitir uma fácil distribuição dos materiais pelo canteiro. Os depósitos são locais destinados
à estocagem de materiais volumosos ou de uso corrente, podendo ser a céu aberto ou coberto.

4.2.2.3.7. Bota fora

Conforme já informado, não estão previstas áreas de bota-fora. Caso seja necessário, serão
utilizadas áreas já licenciadas.

4.2.2.3.8. Desmobilização

A desmobilização dos canteiros de obra ocorrerá após o término da obra. As suas instalações
serão removidas e destinadas de acordo com a legislação vigente. A entrega efetiva das áreas
será realizada após a inspeção e adequação das mesmas com relação às condições
ambientais. Será elaborado um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas e protocolado no
órgão ambiental responsável. Caso seja de interesse do proprietário da área, algumas
instalações podem permanecer no local.

4.2.2.4. ACESSOS

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Para a implantação e manutenção da LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 serão
priorizados os acessos existentes na região, que poderão ou não ter seu traçado e padrão
ajustados às características dos equipamentos de construção e montagem.

A ampliação e/ou melhoria do sistema viário possui aspectos positivos, como a intensificação
das relações econômicas entre os municípios da área de influência. Apesar do caráter pontual
e de curta duração, considerando que as obras de implantação das linhas de transmissão
costumam ser dinâmicas e de curta permanência em cada localidade, os estabelecimentos
agropecuários atingidos por estas vias, ou que estejam sob influência das mesmas, podem vir
a ser beneficiados, principalmente, pela melhor facilidade de acesso e de escoamento da
produção. Ainda quanto aos estabelecimentos agropecuários, pode haver uma valorização dos
preços das terras em função da melhoria da infraestrutura.

Por outro lado, existem alguns desdobramentos de natureza negativa associados à melhoria
do sistema viário, uma vez que esta atividade pode induzir novos vetores de penetração, e
favorecer processos de desmatamento, atividades de caça e acesso do gado às áreas antes
inacessíveis. As áreas abertas também propiciam o crescimento de espécies vegetais
heliófilas, situação que pode se agravar no caso de espécies exóticas invasoras.

Os processos de abertura, ampliação e melhoria do sistema viário podem resultar na retirada


da camada superficial do solo, deixando-o em condições de instabilidade, principalmente nos
períodos em que o solo permanecer saturado de água, situação agravada pelo contínuo trânsito
de equipamentos pesados. Essas condições podem propiciar também o carreamento de
sedimentos por meio do escoamento superficial das águas durante os períodos de precipitação,
que podem se depositar em pequenas ravinas, sulcos superficiais e corpos d’água próximos.

Destaca-se que boa parte das alterações possuem caráter temporário, especialmente em
relação aos acessos às praças de torres necessários apenas durante a etapa de implantação
dos empreendimentos. Já a abertura e/ou melhorias nos acessos existentes podem
eventualmente se tornar permanentes, desde que haja interesse do município ou dos
proprietários na continuidade da conservação das obras viárias realizadas.

O planejamento da execução desses serviços deverá considerar as características


geológico/geotécnicas dos solos da região e de suas susceptibilidades a processos erosivos,
visando minimizar, ou mesmo eliminar, a possibilidade de degradação ambiental em
decorrência dos mesmos. Todos os taludes de corte e/ou aterro deverão ser dimensionados
considerando os critérios de estabilidade adotados no projeto.

Os mapas L18-MP-G-4.1-002 a L18-MP-G-4.1-014 apresentam o traçado da LT em detalhe,


evidenciando os principais acessos existentes e os novos acessos previstos.

4.2.3. SUBESTAÇÕES EXISTENTES QUE NECESSITAM DE AMPLIAÇÃO

As saídas das LT na SE Estreito (Terminal Minas) serão no centro dos pórticos de 500 kV,
situado nas coordenadas aproximadas E = 272701,332 e N = 7758205,9 para o Circuito 1 e E
= 272581,732 e N = 7758253,007 para o Circuito 2.

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As chegadas das LT na SE Cachoeira Paulista serão no centro do pórtico de 500 kV, situado
nas coordenadas aproximadas E = 496125,036 e N = 7497438,331 para o Circuito 1 e E =
496123,466 e N = 7497406,181 para o Circuito 2.

Para a ampliação das subestações de Estreito e Cachoeira Paulista serão executadas


sondagens em pontos estratégicos definidos pelo projeto. Estas sondagens, que estão a cargo
da empreiteira, deverão ser executadas por empresa especializada com equipamentos e
procedimentos definidos na norma NBR 6484. As finalidades das sondagens são a exploração
por perfuração e amostragem do solo e a medida da resistência à penetração necessária para
o dimensionamento das fundações dos equipamentos, pórticos e edificações.

A partir dos arranjos básicos da ampliação e do levantamento geotécnico e topográfico, serão


definidas as cotas de implantação das plataformas das áreas e as inclinações dos taludes, de
modo a otimizar os serviços de movimentação de terra (terraplenagem). Para a execução do
aterro serão adotadas as recomendações da NBR 5681 e NBR-7180 a 7182 da ABNT. Ensaios
de compactação, quando necessários, poderão ser executados.

Serão consideradas a elaboração de projetos de sistemas de drenagem compatíveis com as


condições hidrológicas e geotécnicas do local, sem prejuízos ao funcionamento das instalações
existentes.

Em relação ao risco de vazamento de óleo, será previsto sistema de captação e separação de


óleo nas SE Estreito e Cachoeira Paulista constando de bacia coletora nas fundações dos
Reatores, tubulação necessária para drenagem de óleo e caixa separadora de água e óleo.

No ANEXO 4.2-2 são apresentadas as plantas com o detalhamento das subestações Estreito
e Cachoeira Paulista e os pontos de ligação da LT.

4.2.3.1. SUBESTAÇÃO ESTREITO

A Subestação Estreito, de propriedade da LT Triângulo S.A. é existente e a ampliação será


constituída de:

 1 Módulo de Entrada de Linha – DJM – LT Cachoeira Paulista C1 com um banco de


reatores não manobrável composto de 4 x 80MVAr;

 1 Módulo de Entrada de Linha – DJM – LT Cachoeira Paulista C2 com um banco de


reatores não manobrável composto de 3 x 80MVAr.

4.2.3.2. SUBESTAÇÃO CACHOEIRA PAULISTA

A Subestação Cachoeira Paulista, de propriedade de FURNAS é composta atualmente por um


setor de 500 kV em “anel modificado”, um setor de 138 kV em barra dupla cinco chaves e um
pátio para banco de transformadores. As instalações existentes na área são:

 Nove vãos de linha 500 kV, para as SE Tijuco Preto I e II, Taubaté, Campinas, Itajubá,

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Adrianópolis, Resende, Angra e Baixada Fluminense;
 Dois vãos de 500 kV para bancos de reatores de 3 x 50 MVAr;
 Dois vãos de transformação de 500/138 kV-250MVA;
 Dois vãos de linha 138 kV, para a SE Volta Redonda I e II.

A seguir serão listadas as características dos equipamentos encontrados na SE Cachoeira


Paulista:

Disjuntores
 Tensão nominal: 550 kV;
 Capacidade de interrupção nominal: 40 kA;
 Corrente nominal: 3150 A;
 Distância de escoamento para terra: 11000 mm;
 Nível básico de isolamento: 1550 kV.

Secionadores
 Tipo: Abertura Vertical;
 Tensão nominal: 550 kV;
 Corrente nominal: 3150 A;
 Capacidade de curto-circuito simétrica: 40 kA;
 Distância de escoamento para terra: 11000 mm;
 Nível básico de isolamento: 1550 kV.

Transformadores de corrente
 Tensão nominal: 550 kV;
 Corrente primária nominal: 3150 A;
 Corrente secundária nominal: 5 A;
 Corrente de curto-circuito simétrica: 40 kA;
 Distância de escoamento para terra: 11000 mm;
 Nível básico de isolamento: 1550 kV.

Transformadores de Potencial Capacitivo


 Tensão primária nominal: 550 kV;
 Tensão secundária nominal: 115/115 √3 V;
 Distância de escoamento para terra: 11000 mm;
 Nível básico de impulso: 1550 kV.

Para-raios
 Tensão máxima do sistema: 550 kV;
 Tensão nominal do para-raios: 420 kV;
 Corrente de descarga: 20 kA

Filtros de Onda Portadora


 Tensão nominal: 500 kV
 Corrente nominal: 3000 A
 Indutância: 0,5 mH

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A ampliação da subestação Cachoeira Paulista será constituída de:

Setor 500 kV

 Um Módulo de Entrada de Linha – AN – LT Estreito C1 com um banco de reatores


não manobrável composto de 4 x 80MVAr;

 Um Módulo de Entrada de Linha – AN – LT Estreito C2 com um banco de reatores


não manobrável composto de 3 x 80MVAr;

4.2.4. FAIXA DE SERVIDÃO

4.2.4.1. DEFINIÇÃO DA FAIXA DE SERVIDÃO

Para a definição da faixa de servidão da LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista C1 e C2 foram


considerados os critérios de balanço de cabos condutores e para-raios de forma que não
venham a tocar entre si e não atinjam obstáculos vizinhos, colocando em risco a segurança da
linha e dos obstáculos.

Quando da utilização de torres estaiadas, foi conferida a área a ser atingida pelos cabos estais,
pois estes, em certos casos, podem exigir um acréscimo na largura da faixa, pelo menos na
área de atuação das torres. Também foram conferidos os níveis máximos de campo elétrico e
campo magnético, no interior da faixa e em seu limite, além da Rádio Interferência (RI) e do
ruído audível (RA) nos limites da faixa. Os valores desses efeitos situam-se abaixo das
recomendações brasileiras e internacionais a respeito, bem como das condições estabelecidas
no Edital da ANEEL. Ressalta-se que os valores dos campos elétrico e magnético calculados
estão abaixo dos valores máximos permissíveis no limite e no interior da faixa de servidão.

Até algum tempo atrás, verificava-se que, de um modo geral, quando era atendido o critério de
RI, dentro de uma relação sinal-ruído aceitável, os outros critérios elétricos também eram
automaticamente atendidos, com alguma margem de segurança. No entanto, após a entrada
em vigor da Resolução Normativa nº 398 da ANEEL, que mais tarde foi revisada na Resolução
Normativa nº 616 em 2014, o campo elétrico operacional no interior da faixa passou a exigir
alturas condutor-solo mais elevadas.

No presente caso, foi determinada a largura de faixa pelo critério de balanço dos cabos
condutores e dos efeitos elétricos máximos aceitáveis, de forma a definir não só a largura de
faixa como também a altura mínima de locação da linha. Para a configuração da torre típica, foi
adotada a torre de suspensão estaiada tipo “cross rope”, nomenclatura ECCL. Para o cálculo
dos efeitos elétricos, foi considerada a tensão operativa máxima de 550 kV.

Diante do exposto, foi adotada uma faixa de servidão de 80m, sendo 40 metros para cada lado
da linha de transmissão. Esta largura atende satisfatoriamente os critérios de balanço dos
condutores e para-raios, bem como os critérios de área atingida pelos estais, máxima Rádio
Interferência e máximo Ruído-Audível, campos elétrico e magnético nas bordas da faixa.

Uma vez que a LT é formada por dois circuitos paralelos, C1 e C2, a largura da faixa de servidão

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será de 160m na maior parte do traçado, salvo nos trechos em que haja necessidade de
afastamento dos circuitos devido à ocorrência de eventuais obstáculos (Figura 4-19).

Figura 4-19 - Largura da faixa de servidão na LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista,


considerando os dois circuitos paralelos (C1 e C2).

4.2.4.2. DISTÂNCIAS DE SEGURANÇA

As distâncias de segurança a serem adotadas para a LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista


C1 e C2 foram calculadas conforme as recomendações da norma NBR-5422 (Projetos de
Linhas Aéreas de Transmissão de Energia Elétrica), sendo as mesmas apresentadas nos
Quadro 4-15, Quadro 4-16 e Quadro 4-17, a seguir:

Quadro 4-15 - Distâncias horizontais mínimas de aproximações a obstáculos, em


metros, na condição de máximo deslocamento dos cabos condutores (condição de
vento máximo)
NATUREZA DO OBSTÁCULO PRÓXIMO À LT ABNT – NBR 5422 ADOTADO
Paredes de edificações 5,68 6,00
Paredes cegas de edificações 4,39 5,00
Gabaritos dos veículos de rodovias e ferrovias, ou à instalação destas 5,68 6,00

Quadro 4-16 - Distâncias verticais mínimas dos cabos condutores aos obstáculos, em
metros, na condição de flecha máxima
NATUREZA DO OBSTÁCULO ATRAVESSADO ABNT – NBR 5422 ADOTADO
Cruzamento sobre locais acessíveis a pedestres 8,68 11,50*
Cruzamento sobre locais acessíveis a máquinas agrícolas 9,18 11,50*
Cruzamento sobre rodovias, ruas e avenidas 10,68 11,50*
Trecho urbano 10,68 11,50*
Cruzamento sobre ferrovias eletrificadas ou eletrificáveis 14,68 15,00
Cruzamento sobre superfícies de águas não navegáveis 8,68 11,50*
Cruzamento sobre superfícies de águas navegáveis, sendo “H” a
4,68 + H 5,00 + H
altura do maior mastro fixado pela autoridade responsável
Cruzamento sobre linhas elétricas, 13,8 kV ou linhas com para-raios 3,88 4,00

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NATUREZA DO OBSTÁCULO ATRAVESSADO ABNT – NBR 5422 ADOTADO
Cruzamento sobre linhas de telecomunicações 4,48 5,00
Cruzamento sobre suportes da linha pertencente à ferrovia 6,68 7,00
Cruzamento sobre edificações 6,68 7,00
Cruzamento sobre vegetação de preservação permanente 6,68 7,00
Cruzamento sobre linhas de transmissão 500 kV 6,55 7,00
Cruzamento sobre linhas de transmissão 345 kV 5,57 6,00
Cruzamento sobre linhas de transmissão 230 kV 4,84 5,00
Cruzamento sobre linhas de transmissão 138 kV 4,25 4,50
Cruzamento sobre linhas de transmissão 69 kV 3,88 4,00
*Valores compulsórios para atender a Resolução Normativa da ANEEL nº 398/616

Quadro 4-17 - Distâncias verticais mínimas dos cabos condutores aos obstáculos, em
metros, na condição de emergência
NATUREZA DO OBSTÁCULO PRÓXIMO À LT DISTÂNCIA ADOTADA
Locais acessíveis apenas a pedestres 10,8*
Locais onde circulam máquinas agrícolas 10,8*
Rodovias, ruas e avenidas 10,8*
Ferrovias não eletrificadas 10,8*
*Valores compulsórios para atender a Resolução Normativa da ANEEL nº 398/616

Na locação das estruturas das Linhas de Transmissão deverão ser verificadas e atendidas as
Distâncias Mínimas de Segurança definidas neste documento. Nos casos de rodovias e
ferrovias, os suportes devem se situar sempre fora das faixas de domínio da via atravessada e
a uma distância tal que a eventual queda da estrutura não atinja a borda do acostamento (no
caso de rodovias) ou trilho mais próximo (no caso de ferrovias).

A seguir são listadas as atividades que não podem ser executadas sob a faixa de servidão:

 Abastecer veículos;
 Atear fogo em pastagens e lavouras;
 Erguer construções em geral (casas, galpões, chiqueiros, etc.);
 Plantar árvores de grande porte, como eucalipto e pinheiro, na faixa e/ou próximo à
mesma;
 Atirar objetos nos sinalizadores ou danificar os cabos enterrados;
 Instalar bombas e equipamentos eletromecânicos;
 Jogar lixo;
 Soltar pipas próximo às linhas;
 Subir nas torres;
 Danificar cabos aterrados;
 Causar erosão no solo;
 Estacionar implementos e maquinário agrícola e automotivo. Estes só poderão ser
utilizados em uma distância mínima de 3 metros da faixa de servidão;
 Instalar motores e bombas d'água, pivô central para irrigação e cercas elétricas;
 Depósito de materiais;
 Passar com aeronave por baixo dos cabos da linha de transmissão.

44 / 71
No processo de implantação da faixa de servidão e liberação da área para a construção da LT
deverá ser instituída a servidão administrativa da área, permanecendo o domínio dos imóveis
rurais com seus proprietários.

A servidão administrativa será instituída através do cadastramento de propriedades, avaliação


dos imóveis e negociação e indenização. Após o cadastramento e avaliação dos imóveis
afetados, o empreendedor apresentará aos proprietários uma proposta justa de indenização.
Após o fechamento com os proprietários, haverá registro da faixa de servidão na matrícula dos
imóveis.

45 / 71
5. ESTUDO DE ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E
LOCACIONAIS

A avaliação das alternativas tecnológicas e locacionais é parte do escopo dos estudos


ambientais para o licenciamento de sistemas de transmissão de energia elétrica, conforme o
Art. 5º da Resolução CONAMA nº 001/1986, que estabelece que o Estudo de Impacto
Ambiental deve contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização de projeto,
confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto. Atende ainda ao constante nos
anexos da Portaria MMA nº 421/2011, que dispõe sobre o licenciamento e a regularização
ambiental federal de sistemas de transmissão de energia elétrica e ao solicitado no Termo de
Referência (TR) que direcionou a elaboração do presente EIA.

Dessa forma, o presente capítulo é estruturado de maneira a apresentar inicialmente os


procedimentos metodológicos e as análises realizadas pela Empresa de Pesquisa Energética
(EPE), responsável pelos primeiros estudos de alternativas locacionais de linhas de
transmissão.

Na sequência, são apresentados os estudos feitos no âmbito do presente EIA, os quais


abarcaram, num primeiro momento, a análise de alternativas de passagem da LT, a partir da
macro caracterização ambiental da região a ser atravessada pelo sistema, de modo a propiciar
a identificação dos aspectos socioambientais mais relevantes numa escala mais abrangente.

Posteriormente, tendo-se em mãos os resultados da análise regional e, portanto, a alternativa


preferencial selecionada para implantação do empreendimento, são descritas as análises
realizadas para otimização deste traçado, contemplando um nível de detalhamento mais
aprofundado, de forma a abordar novos aspetos sociais e ambientais, identificados numa
escala local.

Os estudos culminam na escolha da melhor alternativa de locação da linha de transmissão,


cujas justificativas para sua seleção são apresentadas discriminando cada um dos
componentes socioambientais avaliados.

Cabe salientar que, em paralelo ao processo de licenciamento ambiental do empreendimento


em tela, são realizados pequenos ajustes no Projeto Básico de Engenharia, documento
precursor do Projeto Executivo que, por sua vez, estabelecerá a localização final e definitiva
das praças de torres de transmissão. Tais etapas correspondem ao processo ordinário
estabelecido pelo órgão regulador do Sistema Interligado Nacional – SIN (ou seja, o Operador
Nacional do Sistema – ONS) e, portanto, cabem a todos os empreendimentos de transmissão.
Dessa forma, ressalta-se que o posicionamento dessas torres buscará, em todas as etapas do
processo, gerar a menor interferência possível com fatores ambientais e sociais.

5.1. ESTUDOS REALIZADOS PELA EMPRESA DE PESQUISA


ENERGÉTICA

Com base nos estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 2012 (EPE-
DEE-RE-063/2012-rev2), após análises de mínimo custo global, foram realizadas diversas
46 / 71
possibilidades de expansão, de forma a identificar o conjunto de obras a ser recomendado para
a ampliação das interligações Norte – Sul, para atender de forma econômica as necessidades
dos intercâmbios energéticos.

O resultado das comparações das diversas tecnologias levou à indicação de um sistema de


corrente contínua de ± 800 kV, para reforço à interligação Norte – Sudeste, além de um sistema
em 500 kV em corrente alternada, com reforço às interligações Norte – Nordeste – Sudeste.
Os sistemas receptores também foram reforçados através da expansão de suas linhas de
transmissão, basicamente da rede de 500 kV, para permitir o recebimento do aumento desses
intercâmbios regionais, atendendo aos critérios de qualidade exigidos.

Afim de interligar as subestações de Estreito com a de Cachoeira Paulista, foram realizados


estudos, tendo em vista a melhor forma de otimizar o traçado para a referida interligação.

De acordo com o Relatório R3 – Caracterização e Análise Socioambiental elaborado pela


Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em abril de 2015, foi definido um corredor junto com a
equipe de engenharia, com largura de 20 km, sendo 10 km de cada lado do eixo da diretriz
preferencial da LT. Após a delimitação do corredor, foram realizados estudos de alternativa
locacional que permitiram a escolha do melhor traçado para implantação do empreendimento,
passando este a ser definido como a proposta de diretriz de traçado preferencial para subsidiar
a licitação da Linha de Transmissão Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2.

No referido relatório foram apresentadas várias características, dentre elas estão as


socioambientais referentes aos meios, físico, socioeconômico, cultural e biótico, associadas ao
corredor da LT.

Para a definição do corredor de passagem da LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2


a EPE considerou o Termo de Referência para Execução de Estudos do Relatório de
Caracterização e Análise Socioambiental GEF.E.TR.003.2014, assim como o TR para
Elaboração do “Relatório de Caracterização e Análise Socioambiental (R3) para Linhas de
Transmissão e Subestações Associadas (EPE, 2008).

Para caracterizar o devido corredor foram feitas coletas e análises de dados secundários
disponíveis, seleção de imagens de satélite, utilização do software Google Earth Pro e utilização
de um Sistema de Informações Geográficas – SIG, culminado com a indicação de uma proposta
de diretriz preferencial do traçado da referida Linha de Transmissão.

Foi realizada também uma vistoria de campo em março de 2015, para verificar os aspectos
associados à proposta de diretriz preferencial selecionada pela equipe de engenharia, com o
intuito de verificar as travessias, rotas escolhidas, realizar eventuais ajustes necessários e
confirmar as informações levantadas no escritório.

O corredor definido no Relatório R3 (EPE, 2015) indica um alto índice de áreas já antropizadas
(cerca de 75% da área total do corredor, onde aproximadamente 60% é constituído por áreas
ocupadas por pastagens). Cerca de 24% é ocupado por vegetação nativa, predominando as
tipologias florestais, correspondentes a cerca de 19% da área total em foco.

Foi realizada uma análise de sensibilidade socioambiental integrada com base no cruzamento
de variáveis socioambientais, contemplando a interação simultânea dos aspectos físicos,

47 / 71
bióticos e socioeconômicos por meio da álgebra de mapas desenvolvida em ambiente de
Sistema de Informação Geográfica – SIG. A seleção dos componentes permitiu refletir os
principais aspectos socioambientais para verificação das áreas mais favoráveis e aquelas mais
sensíveis à implantação do empreendimento. O procedimento envolveu, na primeira etapa a
qualificação das variáveis ambientais em gradientes de muito alta, alta, média, baixa e muito
baixa sensibilidade e foram atribuídos diferentes pesos ao aspecto ambiental correlacionado à
variável. Os pesos de ponderação na análise foram: aspecto físico 20%, aspecto biótico 20%,
aspecto socioeconômico 30% e restrições ambientais 30%.

Com relação à sensibilidade relativa aos atributos físicos buscou-se contemplar fragilidades
relacionadas à erodibilidade dos solos e à presença de áreas sujeitas a inundação, que são
potenciais fatores que podem ser complicadores na manutenção das Linhas de Transmissão
ou instalação das torres.

A sensibilidade relativa aos atributos bióticos, focou no uso e ocupação do solo e na sua
correlação com os corredores e áreas prioritárias para conservação. Adotou-se a premissa de
que as áreas de vegetação menos densas são mais favoráveis à instalação do
empreendimento, por outro lado, áreas de vegetação florestal e destinadas à agricultura e
agropecuária são menos favoráveis a implantação do empreendimento, tendo em vista maiores
custos para a supressão vegetal e manutenção, além da necessidade de indenização de
produtores.

Com relação à sensibilidade relativa aos atributos socioeconômicos e cultural, foi considerada
principalmente a presença de comunidades sensíveis ao longo do corredor. Para isso foi
considerada a existência de assentamentos do INCRA, terras indígenas e quilombolas, que
são fatores de muito alta restrição à implantação do empreendimento. Além desses fatores, foi
considerado que a interferência em núcleos urbanos também é um aspecto complicador para
a instalação do empreendimento. Já a presença de outras Linhas de Transmissão existentes
ao longo do corredor foi considerada como fator estimulador à instalação do empreendimento.

O componente de restrições ambientais e legais envolveu a pesquisa de cavidades naturais,


direitos minerários, cones de aproximação de aeródromos e unidades de conservação.
Considerou-se que a presença de cavidades naturais e seu entorno de proteção é um fator de
muito alta sensibilidade à implantação do empreendimento.

Com relação aos direitos minerários, a sensibilidade está relacionada à fase em que o título
minerário se encontra. Considerou-se que fases de pesquisa ou a própria disponibilidade da
área são muito pouco restritivas à implantação, por outro lado, as fases de concessão de lavra
e de licenciamento são mais restritivas, uma vez que envolvem empreendimentos mais
consolidados.

A existência de aeródromos e seus respectivos cones de aproximação foram considerados


como fator de muito alta restrição à implantação do empreendimento, uma vez que a instalação
das Linhas de Transmissão ou torres podem interferir no tráfego de aeronaves.

As unidades de conservação quando de uso sustentável foram consideradas como fatores de


muito baixa interferência e as unidades de conservação de proteção integral foram
consideradas de muito alta sensibilidade ambiental.

48 / 71
Os resultados da análise da sensibilidade socioambiental para o corredor da SE – Estreito –
SE Cachoeira Paulista revelaram, de uma maneira geral, uma baixa sensibilidade ambiental
integrada.

A diretriz escolhida no Relatório R3 (EPE, 2015) buscou otimizar o traçado mais curto possível,
de modo a não afetar áreas com maior sensibilidade socioambiental. Outras alternativas
implicariam, inevitavelmente, em uma ampliação muito grande na extensão da LT,
especialmente em relação à Serra da Mantiqueira, um obstáculo relevante, tendo como
consequência uma maior área sujeita a impactos ambientais.

5.2. ALTERNATIVAS LOCACIONAIS

Conforme já descrito neste relatório, os primeiros estudos referentes à análise de alternativas


locacionais restringiram-se a uma observação em nível regional, ou seja, contemplaram
verificações expeditas dos fatores ambientais selecionados.

No que tange à escolha desses quesitos, tomou-se como premissa a presença de elementos
identificáveis em macro escala com potencial de representar óbices à implantação de projetos
dessa natureza, bem como foram observadas características do empreendimento em si que
possuem potencialidade de impacto ao meio físico, biótico e socioeconômico. Para tanto, foram
levantados os seguintes componentes:

 Extensão da Linha de Transmissão.


 Número de municípios afetados.
 Necessidade de abertura de novos acessos.
 Interferência em remanescentes de vegetação natural.
 Interferência em unidades de conservação.
 Interferência em adensamentos urbanos e áreas rurais povoadas.
 Interferência em aeródromos e grandes edificações.
 Interferência em grandes corpos d’água.
 Interferência em áreas com relevo acidentado e com grandes desníveis.
 Interferência em terras indígenas, comunidades quilombolas ou tradicionais.

No que diz respeito à extensão da Linha de Transmissão, tem-se como objetivo selecionar a
alternativa de traçado mais curta, de modo a reduzir os impactos associados à sua implantação.
O mesmo conceito cabe à análise do número de municípios afetados, quando busca-se optar
pela alternativa que atravesse o menor número possível de municípios.

Com relação à necessidade de abertura de novos acessos, tal parâmetros, juntamente com o
quesito “extensão da Linha de Transmissão”, constituiu uma das premissas de proposição das
alternativas locacionais, de forma a identificar a presença de outros empreendimentos lineares
na região e, sempre que possível, acompanhá-los. Dessa forma, busca-se fazer uso das vias
de acesso construídas para a implantação e/ou operação das referidas linhas de transmissão,
bem como aproveitar as faixas de servidão já instituídas, especialmente em áreas ocupadas
por vegetação nativa.

49 / 71
No que tange aos demais parâmetros em análise, foi observada a presença de tais áreas ao
longo dos traçados alternativos, buscando-se, sempre que possível, evitar interferência direta
com as mesmas.

Dessa forma, foram definidas e comparadas três macro alternativas, abaixo caracterizadas.

5.2.1. AVALIAÇÃO DAS ALTERNATIVAS EM NÍVEL REGIONAL

As alternativas de traçado em nível regional são apresentadas no mapa L18-MP-G-5.2-001 e


detalhadas a seguir.

5.2.1.1. ALTERNATIVA 1

Essa alternativa foi contemplada neste estudo, pois a mesma é representada pela diretriz de
traçado preferencial proposta no Relatório R3 (EPE, 2015).

Composta por 47 vértices e com extensão aproximada de 362 km, inicia-se na SE Estreito, no
Município de Ibiraci – MG, tomando o rumo sul, em direção a SE Cachoeira Paulista, no
município de Cachoeira Paulista – SP.

De maneira geral, a análise realizada no R3 para o corredor SE Estreito – SE Cachoeira


Paulista revelou baixa sensibilidade ambiental integrada, influenciada pelo estado de
fragmentação da vegetação nativa, pela predominância de pastagens e ausência de fatores de
maior sensibilidade, como processos minerários, comunidades sensíveis, aeródromos e
unidades de conservação de proteção integral. As áreas de sensibilidade média e alta estão
associadas apenas à presença de regiões com relevo montanhoso e escarpado, presença de
remanescentes significativos de vegetação nativa e manchas urbanas.

Tais resultados foram corroborados com as verificações realizadas no âmbito do presente


estudo, no que diz respeito aos componentes ora em análise.

5.2.1.2. ALTERNATIVA 2

A premissa adotada para proposição dessa alternativa refere-se à busca pelo aproveitamento
da presença de outras linhas de transmissão situadas na região de estudo.

Dessa forma, seu traçado objetiva aproveitar o paralelismo com a LT 345 kV Estreito -
Mascarenhas de Moraes C1, a LT 345 kV UHE Furnas - Mascarenhas de Morais C1, a LT 345
kV Poços de Caldas - UHE Furnas C2, a LT 500 kV Poços de Caldas - Itajubá 3 C1 e a LT 500
kV Cachoeira Paulista - Itajubá 3 C1.

Conforme já destacado neste relatório, tal paralelismo possibilitaria a otimização das áreas das
faixas de servidão e, sobretudo, de acessos

50 / 71
As análises indicaram que o aproveitamento total do paralelismo com as linhas de transmissão
existentes acarretaria em uma grande ampliação da extensão da LT Estreito – Cachoeira
Paulista (445 km) e, consequentemente, em uma maior área sujeita a impactos ambientais,
principalmente aqueles relacionados às propriedades afetadas e às restrições de uso do solo.

Além disso, o traçado interceptaria aglomerados urbanos, incluindo áreas da sede dos
municípios de Passos e Poços de Caldas, esta última cidade conhecida pela importância do
turismo. Neste município, poderiam ainda ocorrer impactos no aeroporto Embaixador Walther
Moreira Salles, localizado em área próxima ao traçado analisado e seu respectivo cone de
aproximação, fator de muito alta restrição à implantação da LT.

Por fim, a alternativa atravessaria áreas da Reserva Indígena Fazenda Boa Vista, no município
de Caldas, dos índios da Etnia Xucuru – Kariri.

5.2.1.3. ALTERNATIVA 3

A Alternativa 3 teve como premissa estabelecer um traçado mais curto entre as duas
subestações, de forma a interferir na menor área possível. Para tanto, sua locação buscou,
sempre que possível, manter-se em uma orientação retilínea entre a SE Estreito e a SE
Cachoeira Paulista.

Como resultado, apenas 24 municípios foram afetados. No trecho compreendido entre os


municípios de Heliodora – MG e Piquete – SP, um relevo irregular com predomínio de serras e
escarpas passa a predominar na paisagem, principal fator que impediu uma redução na
extensão do traçado, que se manteve com aproximadamente 370 km.

Há uma interferência maior em aglomerados urbanos, bairros residenciais e rurais, além da


necessidade de implantação de torres em um dos braços do Reservatório de Furnas.

Dentre os principais fatores ambientais verificados, destaca-se que esta alternativa passa cerca
de 2 km ao largo do Monumento Natural Municipal do Pico do Itaguaré, uma Unidade de
Conservação de Proteção Integral.

O Pico do Itaguaré possui 2.038 metros de altitude e é considerado o quarto pico mais alto do
estado de São Paulo. Além disso, a região em tela é parte integrante dos Maciços da Serra
Fina e Marins-Itaguaré, que compreendem as partes mais altas e frágeis do espigão central da
Serra da Mantiqueira. Tais características imprimem à área um forte apelo turístico e uma alta
sensibilidade ambiental.

5.2.2. SELEÇÃO DA MACRO ALTERNATIVA

Para melhor interpretação dos resultados alcançados nas investigações acima descritas,
apresenta-se no Quadro 5-1 uma matriz comparativa das interferências ambientais, integrando
todos os componentes verificados.

51 / 71
Neste, foi adotada uma pontuação simples, onde ‘1’ representa uma menor viabilidade de
implantação do traçado relacionada aos impactos previstos; ‘2’ representa uma média
viabilidade; e ‘3’ uma maior viabilidade.

Quadro 5-1 - Análise e pontuação das alternativas de traçado avaliadas em nível regional
QUESITO ALTERNATIVA 1 ALTERNATIVA 2 ALTERNATIVA 3
362 km 445 km 370 km
Extensão média da LT
3 1 2

30 municípios 30 municípios 24 municípios


Municípios afetados
2 2 3

O traçado procura priorizar trechos


com menor impacto em
Com um número menor de vértices
O acréscimo da extensão da LT remanescentes de vegetação
(47), o traçado corta uma
Interferência em aumenta o impacto direto em natural e otimizar o uso de acessos
quantidade maior de fragmentos
remanescentes de fragmentos com remanescentes de existentes. Porém, a limitação na
com remanescentes de vegetação
vegetação natural. vegetação natural. extensão da LT aumenta o impacto
natural.
direto em fragmentos de vegetação
nativa.

1 1 1

O traçado cruza a APA Bacia


O traçado afeta a Zona de Hidrográfica do Rio Machado e a
O traçado cruza a APA Bacia Amortecimento do Parque Nacional APA Serra da Mantiqueira.
Interferência em Hidrográfica do Rio Machado e a da Serra da Canastra, no município
unidades de APA Serra da Mantiqueira. de São José da Barra-MG e cruza A alternativa passa cerca de 2 km
conservação a APA Serra da Mantiqueira. ao largo do Monumento Natural
Municipal do Pico do Itaguaré.

2 1 1

Com um número menor de vértices O traçado afeta adensamentos


(47), o traçado cruza uma O traçado afeta adensamentos
urbanos e bairros residenciais nos
quantidade maior de áreas urbanos e bairros residenciais já
municípios mineiros de Nova
Interferência em povoadas. impactados por LT existentes, nos
Resende, Machado e Varginha
adensamentos urbanos municípios mineiros de Passos,
O traçado afeta bairros residenciais (Bairro Natércia), além de um
e áreas rurais povoadas. Nova Resende, Poços de Caldas e
em Monte Belo – MG e Campestre condomínio residencial rural em
Conceição dos Ouros.
– MG. Areado.

1 1 1

O traçado passa a 750m do


O traçado passa a 470m da O traçado se aproxima dos
aeroporto de Furnas, em São José
cabeceira da pista do Aeródromo seguintes aeródromos:
da Barra-MG e a 2,4 km do
Interferência em da Fazenda Planalto, em Nova
aeroporto Embaixador Walther - Aeródromo Municipal José
Rezende – MG e a 500m do
aeródromos e grandes Moreira Salles, em Poços de Figueiredo, Passos – MG (2,8 km);
edificações. Instituto SENAI de Inovação, em
Caldas- MG, podendo afetar seu
Itajubá – MG. - Aeródromo de machado (4,5 km).
cone de aproximação.

1 1 2

O paralelismo com outras linhas


existentes permite uma otimização Ajustes no traçado buscaram áreas
O relatório R3 não avaliou a do uso de acessos, porém, o com uma maior oferta de acessos,
Necessidade de disponibilidade de acessos significativo aumento na extensão porém, não permite o paralelismo
abertura de novos existentes e a necessidade de total da LT pode implicar na com outros empreendimentos
acessos. abertura de novos acessos. necessidade de adequação ou lineares na maior parte de sua
mesmo abertura de novos extensão.
caminhos.

1 3 1

Para a interligação com a SE


Os principais rios ao longo do Furnas, seria necessário cruzar o Na divisa dos municípios de
traçado são: o rio Sapucaí, o rio Rio Grande na proximidade da Areado e Alfenas, o traçado cruza
Muzambo, o rio Cervo e o rio Barragem da UHE. um dos braços do Reservatório de
Machado, porém, não há previsão
Interferência em Na divisa dos municípios de Furnas, cuja extensão superior a
de interferência de torres ou de
grandes corpos d’água Botelhos e Poços de Caldas, o 1,5km do trecho alagado implicaria
obras construtivas que possam
traçado cruza um braço da na implantação de torres em áreas
afetar os corpos d’água mapeados
Represa da Graminha, formada alagadas.
e as respectivas margens.
pela UHE Caconde.

3 1 1

Na região geomorfológica do Na região geomorfológica do Entre os municípios de Heliodora-


Planalto de Poços de Caldas o Planalto de Poços de Caldas o MG e Piquete-SP o relevo passa a

52 / 71
QUESITO ALTERNATIVA 1 ALTERNATIVA 2 ALTERNATIVA 3
traçado percorre áreas com cotas traçado encontra trechos com ser mais acidentado, com uma
altimétricas na faixa de 1.100 a relevo acidentado nos municípios sucessão de serras escarpadas.
1.200 m, porém sem grandes de poços de Caldas-MG e Caldas- Na região geomorfológica da Serra
variações. MG. da Mantiqueira, o traçado cruza
Interferência em áreas Na região geomorfológica da Serra Na região geomorfológica da Serra áreas com altitudes acima de 1.400
com relevo acidentado e da Mantiqueira, o traçado cruza da Mantiqueira, o traçado cruza m, formada por escarpas e
com grandes desníveis. áreas com altitudes acima de 1.400 áreas com altitudes acima de 1.400 serranias.
m, formada por escarpas e m, formada por escarpas e
serranias. serranias.

2 1 1

Não foram identificadas Não foram identificadas


Interferência em terras A alternativa atravessaria áreas da
interferências diretas ou indiretas interferências diretas ou indiretas
indígenas, comunidades Reserva Indígena Fazenda Boa
em terras indígenas, comunidades em terras indígenas, comunidades
quilombolas ou Vista, no município de Caldas-MG
quilombolas ou tradicionais. quilombolas ou tradicionais.
tradicionais.
3 1 3

PONTUAÇÃO TOTAL 19 13 16

Com base nas análises realizadas, concluiu-se que Alternativa 1 apresenta-se como a
melhor opção, uma vez que gera menores interferências no conjunto de aspectos
socioambientais.

Dentre os componentes ambientais mais sensíveis que poderiam ser afetados pelas demais
alternativas, estão:

 Braços do Reservatório da Usina Hidrelétrica de Furnas, principalmente na região de


Alfenas-MG;

 A APA Estadual da Bacia Hidrográfica do Rio do Machado, que passaria a ser afetada
em áreas de maior sensibilidade ambiental, nos municípios de Poço Fundo - MG e
Machado – MG.

 Terra Indígena Fazenda Boa Vista, no município de Caldas – MG e comunidade


quilombola em Muzambinho, no município de mesmo nome.

 Aeródromos e seus respectivos cones de aproximação, identificados nos municípios de


Passos – MG, Pouso Alegre – MG, Nova Resende – MG, São Sebastião da Bela Vista
– MG e Itajubá – MG.

 Maior interferência no mosaico de unidades de conservação da Serra da Mantiqueira,


em especial a APA Serra da Mantiqueira, APA Estadual Fernão Dias e o Monumento
Natural Municipal do Pico do Itaguaré, no município de Cruzeiro - SP.

 Intensa ocupação antrópica da paisagem com cidades, povoados, infraestrutura e


áreas agrícolas.

É importante salientar que a busca por alternativas de traçado visa reduzir a interferência do
empreendimento em áreas de maior sensibilidade socioambiental. Porém, pode resultar em um
aumento na extensão da LT, o que implica em um maior número de torres e em uma maior
área afetada, elevando o ônus do empreendimento sobre outros aspectos ambientais. A melhor
alternativa de traçado deve buscar um equilíbrio entre a extensão do traçado, a interferência
nos elementos de maior sensibilidade socioambiental da paisagem e as demandas intrínsecas
53 / 71
ao empreendimento, dentre elas os custos construtivos, prazos e capacidade de gestão, entre
outras.

Por fim, observa-se que a alternativa selecionada se refere à diretriz proposta no Relatório R3,
corroborando com as análises previamente realizadas pela EPE.

5.2.3. AVALIAÇÃO DAS ALTERNATIVAS NO CORREDOR PREFERENCIAL

Dando continuidade aos estudos, procedeu-se com uma nova análise de alternativas
locacionais, a partir de otimizações do traçado selecionado, limitadas a um corredor de 20 km
(10 km para cada lado de seu eixo principal), abarcando inspeções realizadas numa escala
mais detalhada dos componentes socioambientais, sendo estes:

 Extensão da Linha de Transmissão.


 Número de municípios afetados.
 Necessidade de abertura de novos acessos (presença de outros empreendimentos
lineares instalados ou planejados).
 Interferência em áreas de importância biológica.
 Interferência em regiões de elevada declividade e quebras abruptas de relevo.
 Interferência em áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade.
 Interferência em áreas legalmente protegidas.
 Interferência na paisagem e na dinâmica regional de uso e conversão do solo.
 Interferência em remanescentes de vegetação natural.
 Interferência em adensamentos urbanos e áreas rurais povoadas.
 Interferência em pequenas propriedades rurais.
 Interferência em patrimônio espeleológico, histórico, cultural e áreas de beleza cênica.
 Interferência em corpos d’água.
 Interferência em poligonais de áreas de processos minerários.
 Interferência em aeródromos e grandes edificações.
 Interferência em terras indígenas, comunidades quilombolas ou tradicionais.
 Interferência com projetos de assentamento.

As alternativas de traçado no corredor preferencial são apresentadas no mapa L18-MP-G-5.2-


002 e detalhadas a seguir.

5.2.3.1. ALTERNATIVA ‘A’

Representada pela diretriz de traçado preferencial proposta no Relatório R3 (EPE, 2015),


conforme já mencionado anteriormente, a Alternativa A é composta por 47 vértices, com
extensão aproximada de 362 km. Além de uma redução na extensão do traçado, a menor
quantidade de vértices possibilita uma diminuição nos custos de implantação da LT, uma vez
que implica em um número menor de torres com estrutura reforçada. Por outro lado, as
possibilidades de desvio de áreas com maior sensibilidade ambiental.

54 / 71
5.2.3.2. ALTERNATIVA ‘B’

A Alternativa B é uma versão otimizada da diretriz de traçado apresentada no Relatório R3, e


adota um traçado similar ao da alternativa seguinte (Alternativa C), sendo o seu diferencial o
trecho que desvia da APA Estadual Bacia Hidrográfica do Rio Machado, pelos municípios
mineiros de Caldas, Santa Rita de Caldas, Ipuiúna e Congonhal, por uma região com forte
presença de silvicultura e cafeicultura, mas com a vegetação ripária ainda bastante íntegra ao
longo dos corpos d’água e das respectivas planícies de inundação, conforme apresentado em
detalhe na Figura 5-1. Com o desvio, a extensão aproximada da LT passa a ser de 375 km.

Figura 5-1 - Detalhe do trecho da Alternativa B que desvia da APA Bacia Hidrográfica
do Rio Machado

5.2.3.3. ALTERNATIVA ‘C’

Esta alternativa é uma versão otimizada da diretriz de traçado apresentada no Relatório R3.
Como forma de minimizar os impactos da LT em uma região florestada e com relevo bastante
acidentado, tem como premissa seu paralelismo à LT 500 kV Cachoeira Paulista - Itajubá 3 C1,
no trecho situado na Serra da Mantiqueira, por meio da otimização dos acessos existentes.
Especialmente nas áreas florestadas, a utilização de acessos preexistentes resulta em uma
redução da necessidade de supressão da vegetação e, consequentemente, em menores
55 / 71
impactos negativos do sobre a fauna, a flora, além de evitar processos erosivos e a
consequente perda de solo por lixiviação e o carreamento de material alóctone para os corpos
d’água.

Além disso, esta alternativa agrega uma série de refinamentos, dentre eles:

 Menor interferência em áreas com remanescentes de fitofisionomias de cerrado na


região de Ibiraci – MG;

 Maior distanciamento em relação ao Aeródromo Municipal José Figueiredo, em Passos


– MG;

 Desvio de remanescente florestal no limite dos municípios de Passos - MG e Bom Jesus


da Penha – MG;

 Maior distanciamento em relação ao Aeródromo Fazenda Planalto, Nova Resende –


MG;

 Desvio de comunidades rurais em Muzambinho – MG e da malha urbana de Monte Belo


- MG

 Desvio de bairro rural na região do Rio do peixe, em Campestre – MG;

 Desvio da serra no vale do rio Cervo, em Espirito Santo Dourado – MG;

 Desvio do recém implantado Instituto SENAI de Inovação – Centro Empresarial de


Desenvolvimento e Inovação da Indústria Elétrica e Eletrônica (ISI-CEDIIEE), em
Itajubá – MG.

Assim como na Alternativa ‘A’, foi mantido o traçado que cruza a APA Estadual Bacia
Hidrográfica do Rio Machado. A LT segue próximo ao limite leste da unidade de conservação,
margeando o reservatório da Usina Hidrelétrica de Poço Fundo (Usina Oswaldo Costa) pela
margem esquerda, por uma região onde há o predomínio de pastagens e áreas agriculturáveis
(Figura 5-2).

56 / 71
Figura 5-2 - Reservatório da Usina Hidrelétrica de Poço Fundo, na APA Estadual Bacia
Hidrográfica do Rio Machado, em uma região com o predomínio de pastagens (20/09/17).

Os ajustes realizados resultaram em uma linha de transmissão de aproximadamente 370 km,


com 140 vértices no circuito 1 (C1) e 136 vértices no circuito 2 (C2). Na maior parte da LT os
dois circuitos seguem paralelos, com alguns poucos trechos onde o afastamento das linhas se
faz necessário, devido a interferências no traçado.

5.2.4. DEFINIÇÃO DA ALTERNATIVA DE MENOR IMPACTO

Por compartilharem um mesmo eixo referencial, as três alternativas avaliadas apresentam


características de traçado similares. As possibilidades de intervenções negativas de maior vulto
foram identificadas e evitadas nos estudos das alternativas em nível regional.

Portanto, a matriz apresentada no Quadro 5-2 avalia, principalmente, as alterações resultantes


da evolução do traçado, obtida por meio de sucessivas revisões e ajustes que, dentro do
possível, procurou adotar os espaços de menor sensibilidade ambiental. Assim como feito na
primeira análise comparativa descrita neste relatório, para a comparação das alternativas foi
adotada uma pontuação simples, onde ‘1’ representa uma menor viabilidade de implantação
do traçado relacionada aos impactos; ‘2’ uma média viabilidade; e ‘3’ uma maior viabilidade.

Cabe ressaltar que as três alternativas cruzam, obrigatoriamente, a Serra da Mantiqueira, não
sendo possível desviar desta unidade de relevo devido à sua grande extensão e ao seu
posicionamento geográfico perpendicular e linear em relação à LT.

57 / 71
Quadro 5-2 - Análise e pontuação das alternativas de traçado avaliadas no corredor
QUESITO ALTERNATIVA ‘A’ ALTERNATIVA ‘B’ ALTERNATIVA ‘C’
362 km 375 km 370 km
Extensão média da LT
3 1 2

30 municípios 32 municípios 30 municípios


Municípios afetados
2 1 2

Com um número maior de vértices


Ao desviar da APA Estadual Bacia
Com um número menor de vértices (C1 140 / C2 136), o traçado
Hidrográfica do Rio Machado cruza
(47), o traçado corta uma consegue evitar trechos mais
uma região com muitos fragmentos
quantidade maior de fragmentos relevantes com remanescentes de
Interferência em florestais, matas ripárias e
com remanescentes de vegetação vegetação natural, além de
remanescentes de planícies de inundação com
natural. priorizar áreas com acessos
vegetação natural e áreas vegetação campestre.
Interferências em áreas de Floresta existentes.
de maior importância Interferências em áreas de Floresta
biológica. Ombrófila Densa na Serra da Interferências em áreas de Floresta
Ombrófila Densa na Serra da
Mantiqueira. Ombrófila Densa na Serra da
Mantiqueira.
Mantiqueira.

1 1 2

Sete Áreas Prioritárias para a Sete Áreas Prioritárias para a Sete Áreas Prioritárias para a
Interferência em áreas Conservação da Biodiversidade Conservação da Biodiversidade Conservação da Biodiversidade
prioritárias para afetadas, sendo três de afetadas, sendo três de afetadas, sendo três de
conservação da importância extremamente alta. importância extremamente alta. importância extremamente alta.
biodiversidade.
1 1 1

O traçado cruza a APA Bacia O traçado cruza a APA Bacia


Hidrográfica do Rio Machado, a O traçado cruza a APA Serra da Hidrográfica do Rio Machado, a
Interferência em unidades APA Serra da Mantiqueira e um Mantiqueira e um dos polígonos da APA Serra da Mantiqueira e um
de conservação. dos polígonos da APA Bacia APA Bacia Paraíba do Sul. dos polígonos da APA Bacia
Paraíba do Sul. Paraíba do Sul.

2 3 2

Com um número menor de vértices Com um número maior de vértices Com um número maior de vértices
(47), o traçado cruza uma (119), o traçado consegue evitar as (C1 140 / C2 136), o traçado
quantidade maior de áreas áreas povoadas ao longo do consegue evitar as áreas povoadas
Interferência em povoadas. traçado. ao longo do traçado.
adensamentos urbanos e O traçado afeta bairros residenciais Ajustes no traçado evitam os Ajustes no traçado evitam os
áreas rurais povoadas. em Monte Belo – MG e Campestre bairros residenciais em Monte Belo bairros residenciais em Monte Belo
– MG. – MG e Campestre – MG. – MG e Campestre – MG.

1 3 3

Ajustes no traçado aumentaram a Ajustes no traçado aumentaram a


distância entre a LT e os distância entre a LT e os
aeródromos: aeródromos:
- Aeródromo Municipal José - Aeródromo Municipal José
Figueiredo, Passos – MG (3,9 km); Figueiredo, Passos – MG (3,9 km);
- Aeroporto Municipal de Pouso - Aeroporto Municipal de Pouso
O traçado passa a 470m da Alegre, Pouso Alegre – MG (13,4 Alegre, Pouso Alegre – MG (13,4
cabeceira da pista do Aeródromo km); km);

Interferência em da Fazenda Planalto, em Nova - Aeródromo Fazenda Planalto, - Aeródromo Fazenda Planalto,
aeródromos e grandes Rezende – MG e a 500m do Nova Resende - MG (3,3 km); Nova Resende - MG (3,3 km);
edificações. Instituto SENAI de Inovação, em - Aeródromo Fazenda Paineira, - Aeródromo Fazenda Paineira,
Itajubá – MG. São Sebastião da Bela Vista – MG São Sebastião da Bela Vista – MG
(8,2 km); (8,2 km);
- Aeródromo Helicópteros do Brasil - Aeródromo Helicópteros do Brasil
S.A., Itajubá – MG (3,8 km). S.A., Itajubá – MG (3,8 km).
O traçado passa cerca de 750m do O traçado passa cerca de 750m do
Instituto SENAI de Inovação, em Instituto SENAI de Inovação, em
Itajubá – MG. Itajubá – MG.

1 3 3

A alternativa intercepta 14 rodovias A alternativa intercepta 14 rodovias A alternativa intercepta 14 rodovias


federais e estaduais e seis linhas federais e estaduais e seis linhas federais e estaduais e seis linhas
Interferência em de transmissão, sendo duas delas de transmissão, sendo duas delas de transmissão, sendo duas delas
empreendimentos lineares com circuito duplo com circuito duplo com circuito duplo

1 1 1

Ajustes no traçado buscaram áreas Ajustes no traçado buscaram áreas


O relatório R3 não avaliou a
com uma maior oferta de acessos, com uma maior oferta de acessos,
Necessidade de abertura disponibilidade de acessos
de maneira a reduzir a de maneira a reduzir a
de novos acessos. existentes e a necessidade de
necessidade de abertura de novos necessidade de abertura de novos
abertura de novos acessos.
caminhos. caminhos.

58 / 71
QUESITO ALTERNATIVA ‘A’ ALTERNATIVA ‘B’ ALTERNATIVA ‘C’
1 3 3

Os principais rios ao longo do Os principais rios ao longo do Os principais rios ao longo do


traçado são: o rio Sapucaí, o rio traçado são: o rio Sapucaí, o rio traçado são: o rio Sapucaí, o rio
Muzambo, o rio Cervo e o rio Muzambo, o rio Cervo e o rio Muzambo, o rio Cervo e o rio
Machado, porém, não há previsão Machado, porém, não há previsão Machado, porém, não há previsão
Interferência em corpos de interferência de torres ou de de interferência de torres ou de de interferência de torres ou de
d’água obras construtivas que possam obras construtivas que possam obras construtivas que possam
afetar os corpos d’água mapeados afetar os corpos d’água mapeados afetar os corpos d’água mapeados
e as respectivas margens. e as respectivas margens. e as respectivas margens.

3 3 3

Na região geomorfológica do Na região geomorfológica do Na região geomorfológica do


Planalto de Poços de Caldas o Planalto de Poços de Caldas o Planalto de Poços de Caldas o
traçado percorre áreas com cotas traçado percorre áreas com cotas traçado percorre áreas com cotas
altimétricas na faixa de 1.100 a altimétricas na faixa de 1.100 a altimétricas na faixa de 1.100 a
1.200 m, porém sem grandes 1.200 m, porém sem grandes 1.200 m, porém sem grandes
Interferência em áreas variações. variações. variações.
com relevo acidentado e Na região geomorfológica da Serra Na região geomorfológica da Serra Na região geomorfológica da Serra
com grandes desníveis. da Mantiqueira, o traçado cruza da Mantiqueira, o traçado cruza da Mantiqueira, o traçado cruza
áreas com altitudes acima de 1.400 áreas com altitudes acima de 1.400 áreas com altitudes acima de 1.400
m, formada por escarpas e m, formada por escarpas e m, formada por escarpas e
serranias. serranias. serranias.

2 2 2

Não foram identificadas Não foram identificadas Não foram identificadas


Interferência em terras interferências diretas ou indiretas interferências diretas ou indiretas interferências diretas ou indiretas
indígenas, comunidades em terras indígenas, comunidades em terras indígenas, comunidades em terras indígenas, comunidades
quilombolas ou quilombolas ou tradicionais. quilombolas ou tradicionais. quilombolas ou tradicionais.
tradicionais.
3 3 3

A alternativa selecionada atravessa


apenas as áreas rurais. Ajustes
A alternativa selecionada atravessa pontuais no traçado buscaram A alternativa selecionada atravessa
apenas as áreas rurais. evitar ao máximo áreas com apenas as áreas rurais. Ajustes
Com uma quantidade menor de remanescentes florestais e pontuais no traçado buscaram
Interferência na paisagem agricultura perene.
e na dinâmica regional de vértices, o traçado não consegue evitar ao máximo áreas com
uso e conversão do solo evitar todos os adensamentos Ao desviar da APA Estadual Bacia remanescentes florestais e
rurais e remanescentes florestais. Hidrográfica do Rio Machado cruza agricultura perene.
áreas de maior importância
biológica e áreas com silvicultura.

1 2 3

Cerca de 700 propriedades rurais Cerca de 700 propriedades rurais Cerca de 700 propriedades rurais
Interferência em pequenas afetadas afetadas afetadas
propriedades rurais
1 1 1

Interferência em Nenhuma cavidade afetada. Nenhuma cavidade afetada. Nenhuma cavidade afetada.
patrimônio espeleológico. 3 3 3

Não foram identificadas Não foram identificadas Não foram identificadas


Interferência em interferências em patrimônio, interferências em patrimônio, interferências em patrimônio,
patrimônio, histórico, histórico, cultural. histórico, cultural. histórico, cultural.
cultural.
3 3 3

Interferência em poligonais 71 65 71
de áreas de processos
minerários.* 1 2 1

Não foram identificadas Não foram identificadas Não foram identificadas


Interferência com projetos interferências com assentamentos. interferências com assentamentos. interferências com assentamentos.
de assentamento
3 3 3

PONTUAÇÃO TOTAL 33 39 41
* Base de dados do DNPM consultada em 25/10/18.

Conforme o esperado, a Alternativa ‘A’, apresentada no Relatório R3, é a que incorre em


maiores impactos, devido ao menor refinamento do traçado. Nesta, há uma interferência maior
em remanescentes florestais, áreas com fitofisionomias de cerrado, edificações, áreas
povoadas e uma pista de pouso de aeronaves. O menor número de vértices implica em mais
trechos retilíneos ao longo do traçado, que afetam pequenas edificações na área rural e alguns

59 / 71
adensamentos populacionais. Além disso, não contempla uma maior preocupação com a
otimização de vias de acessos a serem utilizadas durante o processo construtivo.

Já a Alternativa ‘B’ tem como principal diferencial o desvio da APA Estadual Bacia Hidrográfica
do Rio Machado. Embora essa mudança de trajeto possa, num primeiro momento, induzir a
uma percepção positiva sob a ótica ambiental (por evitar a intervenção direta sobre a Unidade
de Conservação), cabe observar que tal alteração resultou em um aumento na extensão da
Linha de Transmissão e, consequentemente, em um maior número de municípios afetados,
além de ocasionar interferência direta em uma região de maior sensibilidade ambiental se
comparada às áreas afetadas pelo traçado adotado nas alternativas ‘A’ e ‘C’, devido à
ocorrência de remanescentes florestais, matas ripárias, planícies de inundação e grandes
talhões de silvicultura.

Quanto à Alternativa ‘C’, esta cruza cerca de 60 km da APA Estadual Bacia Hidrográfica do
Rio Machado, nos municípios mineiros de Poço Fundo, Campestre, Ipiúna e Espirito Santo
Dourado, por uma região onde predominam pastagens e culturas agrícolas. Apesar de afetar
diretamente a unidade de conservação, este traçado foi considerado o mais viável em termos
econômicos e ambientais, se comparado com o traçado proposto nas Alternativas ‘A’ e “B’.

Cabe lembrar que, após a elaboração do projeto executivo e realização das atividades de
topografia em campo, alguns trechos da alternativa selecionada ainda podem sofrer pequenas
adequações, com desvios de polígonos impeditivos, sejam eles de caráter geotécnico ou
socioambiental.

5.2.5. JUSTIFICATIVA PARA A ALTERNATIVA SELECIONADA

A Alternativa ‘C’ se mostrou a mais adequada, considerando as restrições socioambientais


identificadas por meio da análise dos principais aspectos físicos, bióticos e socioeconômicos.
Neste sentido, cabe ressaltar a ausência de comunidades sensíveis ao longo do corredor
estudado, considerando áreas densamente povoadas, assentamentos, terras indígenas e
comunidades quilombolas, unidades de conservação de proteção integral, grandes corpos
d’água e patrimônio espeleológico, o que constituiria fator de muito alta restrição à implantação
do empreendimento.

Nos itens a seguir são detalhados alguns aspectos importantes que embasam a escolha da
alternativa selecionada.

5.2.5.1. NECESSIDADE DE ABERTURA DE ESTRADAS DE ACESSOS

Para a implantação do empreendimento, serão priorizados, sempre que possível, as estradas


e acessos existentes na região. Estradas vicinais necessárias para a passagem dos veículos
de transporte de mão de obra, caminhões britadeiras, estruturas das torres e os equipamentos
de suspensão e montagem dos cabos poderão ser ampliadas e melhoradas, viabilizando o
acesso às frentes de obras. Na alternativa selecionada, os ajustes realizados priorizaram áreas
com maior oferta de acessos existentes.

60 / 71
Nos municípios previstos para a implantação dos canteiros de obra da Linha de Transmissão
(Cássia, Nova Resende, Campestre, Itajubá, localizados em Minas Gerais, e Piquete e
Cachoeira Paulista, localizados em São Paulo), serão utilizadas as principais vias de acesso
disponíveis para a interligação dos canteiros às frentes de obra, tais como a rua Silene Faráh,
em Cássia; a MG-446 – Rodovia Osvaldo Américo dos Reis, em Nova Resende; a BR-267 –
Rodovia Vital Brasil, em Campestre; a BR-383, em Itajubá; e as rodovias BR-360 e BR-459,
nas proximidades de Piquete. Estes acessos poderão ser ampliados e melhorados, tendo em
vista as características dos equipamentos e máquinas a serem transportados para atender a
demanda do empreendimento.

5.2.5.2. EXTENSÃO DA LT E PREVISÃO DE NÚMERO DE TORRES

A alternativa selecionada possui uma extensão aproximada de 370 km em cada circuito (C1 e
C2). Resulta da priorização de um traçado com menor impacto ambiental em relação às demais
alternativas, uma vez que desvia de aglomerados urbanos, edificações, áreas produtivas e de
maior sensibilidade ambiental, além de adotar um trajeto paralelo a uma LT existente na região
da Serra da Mantiqueira, visando reduzir a necessidade de abertura de novos acessos,
conforme já detalhado em itens anteriores.

O número estimado de torres para a alternativa selecionada é de 1.581, sendo 792 para o
Circuito 1 e 789, para o Circuito 2. A distância média entre as torres é de 500 m. A distância
mínima entre cabos e solo é de 14 m e a distância mínima entre cabo e obstáculos naturais ou
construídos é de 7 m. O tipo de fundação das torres é tubulão e o tipo de estrutura que será
utilizada em áreas florestadas é a autoportante.

5.2.5.3. INTERFERÊNCIA EM ÁREAS DE IMPORTÂNCIA BIOLÓGICA

A região que concentra os maiores e mais representativos fragmentos florestais encontra-se


abrangida pela APA Serra da Mantiqueira, entre os municípios de Itajubá-MG e Piquete-SP,
caracterizada pelas formações ainda razoavelmente preservadas de Floresta Ombrófila Densa
(Submontana e Montana), com elevada diversidade de ecossistemas e, consequentemente, de
fauna e flora. Neste trecho a alternativa selecionada segue paralela a LT 345 kV Cachoeira
Paulista - Itajubá 3 C1 existente, visando a redução da necessidade de supressão de vegetação
na abertura de novos acessos.

A região compreendida pela APA Estadual Bacia Hidrográfica do Rio Machado e suas
adjacências ainda possuem formações ripárias e planícies de inundação bem preservadas ao
longo dos cursos d’água. O inventário de fauna realizado nessa região revelou uma elevada
riqueza de aves, porém, com o predomínio de espécies comuns e de maior plasticidade
ambiental. A opção de cruzar a APA buscou evitar as formações ripárias mais preservadas,
especialmente nas áreas lindeiras a esta UC, por um trajeto que prioriza ambientes já alterados
pelo homem.

61 / 71
5.2.5.4. INTERFERÊNCIA EM REGIÕES DE ELEVADA DECLIVIDADE E QUEBRAS
ABRUPTAS DO RELEVO

Nas áreas afetadas pelo empreendimento predomina o relevo suave ondulado a ondulado, com
variações altimétricas pouco abruptas, onde a maior parte dos terrenos encontra-se na faixa de
600 a 1.100 m (cotas altimétricas). Acima desta faixa altimétrica se destaca a região
geomorfológica da Serra da Mantiqueira Meridional, mais ao sul do traçado, com altitudes acima
de 1.400 m (escarpas e serranias) e mais duas regiões, com cotas altimétricas na faixa de
1.100 a 1.200 m, inseridas na região geomorfológica Planalto de Poços de Caldas.

A alternativa selecionada foi ajustada em pontos específicos, para desviar de trechos com
relevo acidentado, como, por exemplo, no limite sul do município de Espírito Santo Dourado,
junto ao vale do rio Cervo, onde o traçado desvia de um trecho preservado de uma pequena
serra. Neste contexto, excetuando-se a barreira natural representada pela Serra da
Mantiqueira, não há restrições ambientais significativas à implantação do empreendimento,
tendo em vista os estudos geomorfológicos e ajustes realizados.

5.2.5.5. INTERFERÊNCIA EM ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA A CONSERVAÇÃO DA


BIODIVERSIDADE

O traçado da alternativa selecionada atravessa sete Áreas Prioritárias para a Conservação da


Biodiversidade, três delas de importância extremamente alta, conforme apresentado nos
mapas L18-MP-B-6.3.2-014 a L18-MP-B-6.3.2-017.

As Áreas Prioritárias Corredor Pouso Alegre (Ma274), Sapucaí (Ma267) e Corredor Sapucaí
(Ma259) encontram-se interligadas entre si. O corredor Sapucaí, por sua vez, é contíguo à área
da APA Serra da Mantiqueira (Ma761), que é contígua à área de Piquete (Ma249). Essas áreas
prioritárias, com diferentes importâncias, formam um grande e extenso mosaico, sendo que
parte dele é cortado pelo traçado LT.

Diante do tamanho e da distribuição espacial das referidas Áreas Prioritárias, não foram
encontradas alternativas locacionais viáveis para evitar a interferência do traçado da LT. Não
obstante, o traçado selecionado foi otimizado de maneira a afetar o mínimo possível os
fragmentos florestais remanescentes existentes nestes locais.

5.2.5.6. INTERFERÊNCIA EM ÁREAS LEGALMENTE PROTEGIDAS

O levantamento revelou a existência de 13 unidades de conservação na Área de Estudo, sendo


que três delas são diretamente afetadas pelo traçado da alternativa selecionada: a APA Bacia
Hidrográfica do Rio Machado, a APA da Serra da Mantiqueira e a APA Bacia do Rio Paraíba
do Sul, esta última sobreposta pela APA da Serra da Mantiqueira.

Conforme mencionado nos itens anteriores, a opção por cruzar a APA Bacia Hidrográfica do
Rio Machado visou evitar áreas lindeiras a esta UC mais bem conservadas onde há uma
quantidade maior de remanescentes florestais e áreas destinadas a silvicultura.

62 / 71
A APA da Serra da Mantiqueira ainda abriga grandes maciços de Floresta Ombrófila, com
elevada diversidade de ecossistemas e, consequentemente, de fauna e flora. Possui elevada
importância ao integrar o conjunto de unidades de conservação que formam o Mosaico da
Mantiqueira, que integra Corredor da Biodiversidade da Serra do Mar, juntamente com o
Mosaico Bocaina e Mosaico Central Fluminense.

Diante da impossibilidade de contornar esta unidade de relevo, a alternativa selecionada adotou


um traçado paralelo ao da LT 345 kV Cachoeira Paulista - Itajubá 3 C1 existente, visando a
redução da necessidade de supressão de vegetação na abertura de novos acessos.

5.2.5.7. INTERFERÊNCIA NA PAISAGEM E NA DINÂMICA REGIONAL DE USO E


CONVERSÃO DO SOLO

Com base nos estudos de Ecologia da Paisagem, é esperado que a interferência do


empreendimento na paisagem seja mais pronunciada em áreas fragmentadas com menor
integridade florestal. Em áreas com maior cobertura vegetal, como as existentes na região
abrangida pela Serra da Mantiqueira, onde as manchas de ocupação antrópica estão
envolvidas por uma matriz de Mata Atlântica altamente dominante, a maior disponibilidade de
habitat faz com que pequenas alterações não promovam repercussões ecológicas expressivas.

Em outras palavras, a região da Serra da Mantiqueira apresenta elevada redundância de


conexões e o efeito de uma perda localizada de habitat, ocasionada pela implantação da LT,
tende a não ser tão prejudicial quanto seria no caso de uma posição estratégica em paisagem
fragmentada.

O corredor definido indica um alto índice de áreas já antropizadas, onde aproximadamente 43%
é constituído por áreas ocupadas por pastagens. Neste sentido, os principais usos do solo
identificados nas propriedades inseridas no corredor de 1 km são as pastagens e as áreas
agrícolas, somando aproximadamente 70% da área do corredor. As áreas de vegetação
secundária representam 15% da área considerada e as florestas naturais, 13%

Na região de Varginha, as propriedades inseridas no corredor de 1 km são dedicadas


principalmente à pecuária e às lavouras, em especial café, cana-de-açúcar e milho. Na região
de Pouso Alegre também predominam as pastagens, com destaque para Brazópolis, Cachoeira
de Minas, Campestre e Itajubá. Pouso Alegre se destaca pelas áreas agrícolas, assim como
São Sebastião da Bela Vista, Santa Rita do Sapucaí e Espírito Santo do Dourado. As principais
culturas são o café, batata, cana-de-açúcar, milho e mandioca.

Nos municípios paulistas os usos do solo nas propriedades inseridas no corredor de 1 km se


distribuem entre áreas agrícolas e áreas de pastagens, à exceção de Guaratinguetá, onde 85%
da área é formada por florestas. Lorena e Cachoeira Paulista se destacam ainda pela área de
silvicultura dentro do corredor. Cabe ressaltar que grande parte das atividades produtivas
praticadas nessas áreas poderão coexistir com o empreendimento, minimizando a interferência
do empreendimento nas atividades e na renda dos produtores rurais.

Considerando-se os usos do solo identificados e a presença de áreas já bastante antropizadas,

63 / 71
ocupadas principalmente por pastagens, não se identificam restrições à alternativa selecionada
sob o ponto de vista dos impactos ambientais relacionados à alteração da paisagem.

5.2.5.8. ESTIMATIVA DE ÁREA COM COBERTURA VEGETAL, DISCRIMINANDO AS


FORMAÇÕES FLORESTAIS PASSÍVEIS DE SEREM SUPRIMIDAS

Por meio de ajustes pontuais no traçado, buscou-se ao máximo evitar as áreas com
remanescentes florestais. A partir da definição da melhor alternativa locacional, a supressão da
vegetação nativa foi estimada em 426,11 hectares, sendo que 46% destes são de caráter
temporário, ou seja, será submetido à regeneração natural após a implantação do
empreendimento. A supressão em Áreas de Preservação Permanente (APP) foi estimada
preliminarmente em 83,92 hectares, correspondendo a 16,22% do total. Segundo as
estimativas realizadas, 47% da área em APP que poderá ser suprimida são de caráter
temporário, reduzindo o impacto em longo prazo.

Por meio da base de dados fornecida pelo site do CAR, foram registradas interferência em
cerca de 300 Reservas Legais (RL). Contudo, apesar da grande quantidade de RL
interceptadas, a interferência em cada uma será mínima, sendo que a RL mais afetada terá
cerca de 5 hectares suprimidos e a média de supressão é de 0,47 hectares por RL.

5.2.5.9. PROXIMIDADE COM ADENSAMENTOS POPULACIONAIS URBANOS E


RURAIS

A alternativa selecionada atravessa apenas as áreas rurais de 30 (trinta) municípios. Os


adensamentos urbanos mais próximos estão situados nos municípios de Cássia, Monte Belo e
Bom Jesus da Penha, em Minas Gerais, e Cachoeira Paulista, em São Paulo e não são
afetados pelo traçado.

De acordo com a classificação do IBGE, apenas o povoado de Furnas, no município de São


Sebastião da Bela Vista - MG está localizado na faixa de 1 km do empreendimento. Os demais
povoados identificados estão localizados a mais de 1 km, sendo eles: Aterradinho, em Ibiraci;
Monte Alto, em Itaú de Minas; Porto de Sapucaí, em Santa Rita do Sapucaí, todos em Minas
Gerais; e Quilombo e Vila Embú, em Cachoeira Paulista (SP). Não foram identificados
assentamentos nas regiões afetadas pelo traçado.

Vinte e sete comunidades ou bairros estão localizados próximo ao traçado da alternativa


selecionada, nenhum deles diretamente afetado. Apenas um (Bairro Laje em Ibiraci – MG) está
localizado a cerca de 100m de um dos circuitos. Os demais ocupam uma faixa de 250 a 1900
metros do traçado.

5.2.5.10. INTERFERÊNCIA EM PEQUENAS PROPRIEDADES RURAIS

O traçado da alternativa selecionada afetará áreas cultivadas e benfeitorias situadas na área

64 / 71
rural dos municípios abrangidos, interferindo nas atividades e na renda dos produtores rurais,
sobretudo na Região Intermediária de Varginha, onde existem extensas áreas de plantação de
café com alto valor agregado.

Com base nos dados disponibilizados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), a faixa de servidão
da alternativa selecionada, considerando os dois circuitos, afetará aproximadamente 693
propriedades no circuito C1 e 683 no circuito C2, a maior parte no estado de Minas Gerais.

Campestre é o município com o maior número de propriedades inseridas na faixa de servidão,


a maioria pequenas e médias propriedades, com áreas até 100 ha. Passos, Monte Belo, Nova
Resende, Cássia e Espírito Santo do Dourado também possuem número significativo de
pequenas e médias propriedades localizadas na faixa de servidão, embora Cássia e Passos
também se destaquem pelo maior número de grandes propriedades nesta área em relação aos
demais municípios.

De acordo com os dados levantados, 38 propriedades estão sujeitas ao efeito cumulativo,


devido à interferência de outras linhas de transmissão, sendo Piquete - SP e Cachoeira Paulista
- SP, os municípios com o maior número de propriedades nessa situação, devido à proximidade
com a SE Cachoeira Paulista.

5.2.5.11. INTERFERÊNCIA EM PATRIMÔNIO ESPELEOLÓGICO

Com base nos estudos realizados, quatro cavidades consideradas de baixa relevância foram
identificadas na área de estudo, nenhuma delas diretamente afetada pelo traçado da alternativa
selecionada.

Em face das litologias apresentadas pelas sequências geológicas seccionadas pelo


empreendimento, compostas por granitos e gnaisses, além de xistos e quartzitos, em especial
atribuídos aos diversos embasamentos cristalinos regionais interferidos, o potencial
espeleológico da Área de Estudo Espeleológico é, predominantemente, baixo e médio.

5.2.5.12. INTERFERÊNCIA EM PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO,


CULTURAL E ÁREAS DE BELEZA CÊNICA

De acordo com os estudos realizados no âmbito do diagnóstico socioeconômico não há


interferência direta do empreendimento em patrimônio arqueológico, histórico, cultural e áreas
de beleza cênica.

Na área de estudo foram identificados bens culturais imateriais registrados como Patrimônio
Cultural do Brasil, nos termos do Decreto nº 3.551/2000, a saber: Ofício dos Mestres de
Capoeira, Roda de Capoeira, Fandango Caiçara e Jongo no Sudeste, no Estado de São Paulo;
e Modo artesanal de fazer Queijo de Minas nas regiões do Serro – da Serra da Canastra e
Salitre/ Alto Paranaíba, Ofício dos Mestres de Capoeira, Roda de Capoeira, Jongo no Sudeste,
Ofício de Sineiro, Toque dos Sinos, em Minas Gerais.

65 / 71
De acordo com os estudos realizados não foi identificado, no âmbito federal, patrimônio
histórico cultural tombado na área de estudo do empreendimento. Já no âmbito estadual, foram
identificados dois bens tombados no estado de Minas Gerais, um no município de Passos e um
em Wenceslau Braz, e 13 bens tombados no estado de São Paulo (nove no município de
Guaratinguetá, dois em Lorena, um em Cachoeira Paulista e um em Piquete). Ainda no nível
estadual, foram identificados dois bens registrados no estado de Minas Gerais (um em Bom
Jesus da Penha e um em Itaú de Minas). Não foram identificados bens inventariados. A maioria
dos bens tombados identificados são relativos a bens imóveis, tais como edificações, fazendas
e ferrovias. Ainda de acordo com o diagnóstico, foram identificados, no âmbito municipal, 164
bens culturais tombados nos municípios afetados de Minas Gerais e um em São Paulo.

Destaca-se que os bens culturais identificados não estão localizados nas proximidades do
empreendimento e não estão sujeitos aos seus impactos. Vale ressaltar que na Ficha de
Caracterização de Atividade – FCA – elaborada conforme a Instrução Normativa IPHAN n.º
001/2015, não foram identificadas áreas ou bens de interesse cultural acautelados em âmbito
federal na área de influência do empreendimento.

5.2.5.13. INTERFERÊNCIA EM CORPOS D'ÁGUA

A alternativa selecionada cruza 75 corpos hídricos, com destaque para os rios Sapucaí,
Muzambo, Cervo e Machado, sendo que em relação a este último, o traçado da alternativa
selecionada cruza o reservatório da Usina Hidrelétrica de Poço Fundo. Não há previsão de
interferência de torres ou de obras construtivas que possam afetar os corpos d’água mapeados
e as respectivas margens.

No mapeamento de nascentes foram diagnosticadas 390 cabeceiras, sendo que 25 delas


encontram-se na faixa 200 m de cada um dos circuitos da alternativa selecionada, o que
representa 9% em relação ao total verificado.

5.2.5.14. TRAÇADOS DE EMPREENDIMENTOS LINEARES INSTALADOS OU


PLANEJADOS

A alternativa selecionada intercepta 14 rodovias federais e estaduais e seis linhas de


transmissão, sendo duas delas com circuito duplo. Em Piranguçu, a partir do limite da APA
Serra da Mantiqueira, até a SE Cachoeira Paulista, o traçado da LT 500 kV Estreito – Cachoeira
Paulista C1 e C2 segue paralelo ao da LT 345 kV Cachoeira Paulista - Itajubá 3 C1. Não foram
identificados oleodutos, gasodutos e hidrovias afetados pelo traçado.

Ressalta-se que a presença de outros empreendimentos lineares pode ser considerada um


facilitador para o empreendimento, tendo em vista a possibilidade de aproveitamento do
paralelismo com as outras linhas, reduzindo os impactos da implantação da faixa de servidão.

5.2.5.15. INTERFERÊNCIA EM POLIGONAIS DE ÁREAS DE PROCESSOS

66 / 71
MINERÁRIOS

Com relação aos direitos minerários, as interferências estão relacionadas à fase em que o título
minerário se encontra. Considerou-se que fases de pesquisa ou a própria disponibilidade da
área são muito pouco restritivas à implantação, por outro lado, as fases de concessão de lavra
e de licenciamento são mais restritivas, uma vez que envolvem empreendimentos mais
consolidados. Salienta-se que o cenário observado para a alternativa selecionada é
considerado positivo, tendo em vista a quantidade de atividades minerárias no estado de Minas
Gerais.

Um total de 71 processos minerários interferem diretamente no traçado da alternativa


selecionada, 38 deles (54% do total de 71 processos), em fase de Autorização de Pesquisa,
etapa em que são realizados os trabalhos voltados para a definição da jazida, sua avaliação e
a determinação da exequibilidade de seu aproveitamento econômico. O restante dos processos
minerários está distribuído por fase da seguinte maneira: dois processos estão na fase de
Concessão de Lavra; oito processos na fase de Disponibilidade; dois processos na fase de
Licenciamento; 13 processos na fase de Requerimento de Lavra; dois processos na fase de
Requerimento de Licenciamento e, por fim, seis processos na fase de Requerimento de
Pesquisa.

5.2.5.16. EMPREENDIMENTOS, PROGRAMAS E PROJETOS NA REGIÃO

O diagnóstico realizado concluiu que não existem programas e projetos previstos, em


andamento ou já desenvolvidos que sejam conflitantes com a implantação da alternativa
selecionada ou que possam ser impactados pela mesma. A região onde será implantada a LT
Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 já conta com outros empreendimentos de transmissão
de energia e não apresenta restrições socioambientais que inviabilizem sua implantação.

Os Planos e Programas governamentais propostos e em implantação na área de influência do


projeto e que apresentam algum grau de interação com o empreendimento são apresentados
no Quadro 5-3 a seguir.

Quadro 5-3 - Planos e Programas com algum grau de interação com a alternativa
selecionada
NÍVEL PLANO / PROGRAMA RESUMO SITUAÇÃO INTERAÇÃO
O PNMA tem o objetivo de
reforçar a capacidade de
gestão ambiental nos níveis
federal, estadual e municipal.
Sua meta principal é a
O empreendimento
atuação junto aos estados e Segunda fase
Programa Nacional de está de acordo com
Federal ao governo federal nos de
Meio Ambiente (PNMA) a legislação
seguintes temas: Implantação
vigente.
licenciamento,
monitoramento e
instrumentos econômicos
para a gestão do meio
ambiente.

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NÍVEL PLANO / PROGRAMA RESUMO SITUAÇÃO INTERAÇÃO
O objetivo do plano de ação
é contribuir com a
implementação dos
Objetivos de O empreendimento
Desenvolvimento busca o
Plano de Ação 2017 - Sustentável (ODS) em todo desenvolvimento
Federal 2019 o território nacional, além de Implantação
sustentável
disseminar a Agenda 2030
melhorando a vida
e aprimorar as políticas
públicas que ajudem o da população
Brasil a alcançar as metas
estabelecidas pela ONU.

O PAC foi criado em 2007 e


busca promover o
planejamento e execução
de grandes obras de O empreendimento
Programa de infraestrutura social, contribuirá para o
Federal Aceleração do urbana, logística e Operação
crescimento dos
Crescimento – PAC energética do país, dois Estado.
contribuindo para o seu
desenvolvimento acelerado
e sustentável.

O PNRH foi estabelecido


Plano Nacional pela Lei nº 9.433/97, visa O empreendimento
Federal de Recursos elaborar diretrizes políticas Operação respeita as leis
Hídricos - PNRH para a melhoria da oferta de vigentes.
água no país.

Orientado pela Política


Nacional de Resíduos Os residuos sólidos
Sólidos – PNRS (Lei nº gerados durante a
12.305/2010), o plano visa o fase de implantação
Plano de Resíduos controle dos resíduos
Federal Implantação serão destinados
Sólidos Urbanos gerados, juntamente com a da forma adequada
disposição final dos conforme legislação
mesmos de forma vigente.
adequada.

Elaborado pelo Decreto


Nº5.758/2006, o PNAP tem O empreendimento
Plano Nacional de o objetivo de estabelecer e cumpre as normas
Federal Áreas Protegidas – fortalecer os componentes Operação
estabelecidas peli
PNAP federais, estaduais e SNUC.
municipais da SNUC

O PMDI de Minas Gerais


estabelece as principais
diretrizes de longo prazo O empreendimento
Plano Mineiro de para a atuação do governo visa o
Desenvolvimento estadual. O plano visa desenvolvimento
Estadual Implantação
Integrado – PMDI promover um modelo de regional,
(2016 – 2027) desenvolvimento melhorando a vida
socioeconômico sustentável da população.
para Minas Gerais,
integrado e tecnológico,

68 / 71
NÍVEL PLANO / PROGRAMA RESUMO SITUAÇÃO INTERAÇÃO
reduzindo as desigualdades
regionais.
O PPAG de Minas Gerais
estabelece instrumento
normatizador do
planejamento da O empreendimento
administração pública a busca o
Plano Plurianual de
médio prazo (quatro anos). O desenvolvimento
Estadual Ações Governamentais Implantação
plano define os programas e sustentável
– PPAG (2016 – 2019)
ações de governo, com suas melhorando a vida
respectivas metas físicas e da população
orçamentárias, que serão
executados durante esse
período.
Desenvolvido pelo Conselho
O empreedimento
Estadual de Política
irá fornecer energia
Energética – CEPE,
para o estado de
estabelece propostas de
Plano Paulista de Saõ paulo de forma
Estadual políticas púbucas para Implantação
Energia - PPE 2020 sustentável e
promover o auemento da
cumprindo a
oferta de energia elétrica
legislação
renovável, e consientrização
ambiental vigente.
do uso de energia
O PPA estabelece
instrumento normatizador do
O empreendimento
planejamento da
busca o
Plano Plurianual - PPA administração pública a
desenvolvimento
Estadual do estado de São médio prazo (quatro anos) Implantação
sustentável
Paulo (2016 – 2019) instituído pela Constituição
melhorando a vida
Federal para as três esferas
da população
de governo: União, Estado e
Municípios
As obras em
Projeto de Concessão
trechos das
de Redovias e O governo de Minas Gerais
rodovias podem
Transporte nos avalia leiloes e concessões
Municipal Planejamento coincidir com a
municípios de Santa de capital público-provado
passagem do
Rita do Sapucaí e para elaboração de projetos.
traçado da linha de
Piranguinho.
transmissão.

Em relação ao uso e ocupação do solo, conforme analisado anteriormente neste mesmo


documento, a região de implantação da LT apresenta um alto índice de áreas já antropizadas,
ocupadas em grande parte por pastagens, que não implicam em restrições significativas à
implantação do empreendimento. Somadas às áreas agrícolas, dedicadas principalmente aos
cultivos de café, milho e cana-de-açúcar, correspondem a 70% do total da área mapeada dentro
do corredor de 1 km.

Cabe ressaltar que grande parte das atividades produtivas praticadas nessas áreas poderão
coexistir com o empreendimento, minimizando a interferência da alternativa selecionada nas
atividades e na renda dos produtores rurais. Os proprietários das terras afetadas pela LT serão
indenizados com pagamento em dinheiro pela restrição de uso que a linha impõe ao terreno,
porém, o domínio da área continuará sendo destes. Após a fase de construção, as atividades

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compatíveis com a existência das linhas de transmissão poderão ser retomadas, como as
plantações de pequeno porte (horticultura, feijão, café, milho, soja, etc.) e as áreas de
pastagens. Entretanto, atividades não compatíveis com a existência da LT não poderão mais
ser desenvolvidas nesta área, como a utilização de queimadas em pastagens e lavouras,
plantação de árvores de grande porte (eucalipto, pinus, etc.), e construções em geral (casas,
galpões, estábulos, etc.).

5.2.5.17. OUTRAS POSSÍVEIS INTERFERÊNCIAS

Ao longo do traçado da alternativa selecionada, não foram identificadas interferências diretas


ou indiretas em terras indígenas, projetos de assentamento, comunidades quilombolas ou
tradicionais.

O traçado das alternativas locacionais avaliadas é apresentado no mapa L18-MP-G-5.2-001.

5.2.6. HIPÓTESE DE NÃO EXECUÇÃO DO PROJETO

De acordo com o Art. 3o, inciso VIII da Lei no 12.651/2012 e o Art. 2º, inciso I, alínea b da
Resolução CONAMA nº 369/2006, as obras de infraestrutura destinadas aos serviços públicos
de energia, entre outros serviços, são consideradas de utilidade pública e interesse social, uma
vez que visam ao desenvolvimento econômico e social do país.

A expansão das interligações Norte-Sudeste e Norte-Nordeste faz parte de um conjunto de


obras necessárias para a expansão da capacidade de escoamento de energia gerada pela
UHE Belo Monte, conforme recomendações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)
e determinações estabelecidas pela Resolução Normativa ANEEL nº 443/2011, relativas às
melhorias e reforços em instalações de transmissão sob responsabilidade de concessionária
de transmissão. Neste caso, a LT 500 kV Estreito-Cachoeira Paulista C1 e C2 foi proposta
como parte integrante dos reforços necessários para a região Sudeste.

A não execução do empreendimento deixaria de reforçar o recebimento de energia pela região


Sudeste, da energia adicional derivada da ampliação da interligação Norte-Sudeste associado
a entrada do bipolo Xingu – Terminal Rio, o que resultaria em prejuízos ao desenvolvimento
das regiões a serem abastecidas pela energia gerada, além do não cumprimento de metas
estabelecidas no Plano Nacional de Energia - PNE 2030 (BRASIL, 2007).

Sem a realização deste empreendimento, é factível afirmar que as características ambientais


dos Meios Físico, Biótico e Socioeconômico na área de estudo prosseguirão suas tendências
evolutivas locais e regionais próprias observadas atualmente, diante da eliminação da
possibilidade de ocorrência dos impactos ambientais avaliados no presente estudo.

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ANEXOS

ANEXO 3-1: quadros dos responsáveis técnicos pelo estudo.

ANEXO 3-2: ART dos profissionais responsáveis pelos estudos.

ANEXO 4-1: vértices e traçado da LT, polígonos das faixas de servidão e das subestações nos
formatos kmz e shapefile.

ANEXO 4.2-1: layout dos canteiros de obra.

ANEXO 4.2-2: plantas com o detalhamento das subestações Estreito e Cachoeira Paulista.

CADERNO DE MAPAS

L18-MP-G-4.1-001 a L18-MP-G-4.1-0014 (traçado e localização)

L18-MP-G-5.2-001 e L18-MP-G-5.2-002 (Alternativas locacionais)

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Estudo de
Impacto
Ambiental

EIA LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista C1 e C2

Volume 2

Estudo de Impacto Ambiental

OUTUBRO
2018
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL - EIA
VOLUME 2

LT 500 kV SE ESTREITO – SE CACHOEIRA PAULISTA C1 E C2


P.011333-RL-EIA-001_L18
OUTUBRO DE 2018
LT 500 kV SE ESTREITO – SE CACHOEIRA PAULISTA C1 E C2
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – VOL. 2

SUMÁRIO GERAL

VOLUME 1
1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR
2. EMPRESA RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS
3. DADOS DA EQUIPE TÉCNICA MULTIDISCIPLINAR
4. DADOS DO EMPREENDIMENTO
4.1 IDENTIFICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
4.2 DESCRIÇÃO DO PROJETO
5 ESTUDO DE ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS
5.1 ESTUDOS REALIZADOS PELA EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA
5.2 ALTERNATIVAS LOCACIONAIS

VOLUME 2
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.1 DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO
6.2 MEIO FÍSICO
6.2.1 METEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA
6.2.2 RECURSOS HÍDRICOS
6.2.3 ESTUDOS GEOLÓGICOS E GEOTÉCNICOS
6.2.4 PALEONTOLOGIA
6.2.5 ESPELEOLOGIA
6.2.6 NÍVEL DE RUÍDO

VOLUME 3
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.3 MEIO BIÓTICO
6.3.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
6.3.2 CARACTERIZAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS
6.3.3 FLORA
6.3.4 FAUNA
6.3.5 ECOLOGIA DA PAISAGEM

P.011333.0001_L18_VOL.1
VOLUME 4
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.4 MEIO SOCIOECONÔMICO
6.4.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
6.4.2 CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO
6.4.3 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
INFRAESTRUTURA, SERVIÇOS PÚBLICOS E
6.4.4
VULNERABILIDADES
6.4.5 RECURSOS MINERAIS
6.4.6 POPULAÇÕES TRADICIONAIS
PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO, CULTURAL,
6.4.7
NATURAL
6.4.8 DIAGNÓSTICO POR MUNICÍPIO
7. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

VOLUME 5
8. ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS
8.1 IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS
8.2 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS
8.3 ANÁLISE CONCLUSIVA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS E MEDIDAS
MITIGADORAS
8.4 PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS
9. ÁREAS DE INFLUÊNCIA
9.1 ÁREA DIRETAMENTE AFETADA (ADA)
9.2 ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRETA (AID)
9.3 ÁREA DE INFLUÊNCIA INDIRETA (AII)

VOLUME 6
10. MEDIDAS MITIGADORAS, COMPENSATÓRIAS E PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1 PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1.1 PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1.2 PLANO AMBIENTAL DE CONSTRUÇÃO
10.1.3 PROGRAMA DE SUPRESSÃO DA VEGETAÇAO E REPOSIÇÃO
FLORESTAL
10.1.4 PROGRAMA DE MITIGAÇÃO DE ACIDENTES COM A FAUNA
10.1.5 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA AVIFAUNA
10.1.6 PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
10.1.7 PROGRAMA DE INDENIZAÇÃO DA FAIXA DE SERVIDÃO
10.1.8 PROGRAMA DE ACOMPANHAMENTO DOS DIREITOS
MINERÁRIOS
10.1.9 PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS
10.1.10 PROGRAMA DE MANUTENÇÃO DA FAIXA DE SERVIDÃO
10.1.11 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DAS INTERFERÊNCIAS
ELETROMAGNÉTICAS

P.011333.0001_L18_VOL.1
10.1.12 PROGRAMA AMBIENTAL PARA GESTÃO DO PATRIMÔNIO
ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO E CULTURAL
10.1.13 PLANO DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL
11. SOLICITAÇÕES DO ICMBIO PARA A APA DA SERRA DA MANTIQUEIRA

VOLUME 7
12. PROGNÓSTICO AMBIENTAL
12.1 NÃO IMPLANTAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
12.2 IMPLANTAÇÃO E OPERAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
13. CONCLUSÃO
14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
15. GLOSSÁRIO

P.011333.0001_L18_VOL.1
SUMÁRIO VOL. 02
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL ................................................................................................... 1

6.1. DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO ..................................................................... 1


6.1.1. ÁREA DE ESTUDO PARA O MEIO FÍSICO ................................................... 1
6.1.2. ÁREA DE ESTUDO PARA O MEIO BIÓTICO ................................................ 2
6.1.3. ÁREA DE ESTUDO PARA O MEIO SOCIOECONÔMICO ............................ 3

6.2. MEIO FÍSICO ............................................................................................................... 4


6.2.1. METEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA ............................................................ 4
6.2.1.1. CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO CLIMATOLÓGICA ........ 5
6.2.1.2. SISTEMAS ATMOSFÉRICOS EM ESCALA SINÓTICA ................. 7
6.2.1.3. FENÔMENOS EXTREMOS ............................................................. 9
6.2.1.4. PARÂMETROS METEOROLÓGICOS .......................................... 12
6.2.1.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................... 35
6.2.2. RECURSOS HÍDRICOS ................................................................................ 35
6.2.2.1. CARACTERIZAÇÃO GERAL DOS RECURSOS HÍDRICOS ........ 35
6.2.2.2. REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARANÁ ...................................... 41
6.2.2.3. REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUDESTE ..................... 44
6.2.2.4. NASCENTES E ÁREAS ALAGÁVEIS ........................................... 46
6.2.2.5. PERÍODOS DE CHEIA E VAZANTE ............................................. 48
6.2.2.6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................... 52
6.2.3. ESTUDOS GEOLÓGICOS E GEOTÉCNICOS ............................................. 53
6.2.3.1. GEOLOGIA .................................................................................... 53
6.2.3.2. GEOMORFOLOGIA ....................................................................... 74
6.2.3.3. SOLOS ...................................................................................... 94
6.2.3.4. SISMICIDADE .............................................................................. 104
6.2.3.5. VULNERABILIDADE GEOTÉCNICA ........................................... 108
6.2.4. PALEONTOLOGIA ...................................................................................... 121
6.2.4.1. CARACTERIZAÇÃO PALEONTOLÓGICA .................................. 121
6.2.4.2. PALEONTOLOGIA DA ÁREA DE ESTUDO ................................ 122
6.2.4.3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................... 125
6.2.5. ESPELEOLOGIA ......................................................................................... 125
6.2.5.1. CARACTERIZAÇÃO ESPELEOLÓGICA REGIONAL ................. 125
6.2.5.2. LEGISLAÇÃO PERTINENTE ....................................................... 130
6.2.5.3. METODOLOGIA DOS LEVANTAMENTOS ESPELEOLÓGICOS131
6.2.5.4. RESULTADOS DOS LEVANTAMENTOS ESPELEOLÓGICOS . 134
6.2.5.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................... 149
6.2.6. NÍVEL DE RUÍDO ........................................................................................ 150
6.2.6.1. ATIVIDADES COM POTENCIAL DE GERAÇÃO DE RUÍDOS ... 150
6.2.6.2. CARACTERIZAÇÃO DA POLUIÇÃO SONORA .......................... 151
6.2.6.3. COMUNIDADES PASSÍVEIS DE SOFRER INFLUÊNCIA DA
POLUIÇÃO SONORA .................................................................. 152
6.2.6.4. NORMAS TÉCNICAS APLICADAS PARA A MEDIÇÃO DE
RUÍDOS .................................................................................... 154
6.2.6.5. RUÍDO AUDÍVEL ......................................................................... 156
6.2.6.6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................... 157
LISTA DE FIGURAS

Figura 6.2.1-1 - Zona de Convergência do Atlântico Sul ............................................................... 9

Figura 6.2.1-2 - Efeitos Regionais na América do Sul do El Niño e La Niña, durante o Verão
(DJF) e Inverno (JJA). .......................................................................................................................11

Figura 6.2.1-3 - Precipitação Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas ao
Empreendimento ................................................................................................................................13

Figura 6.2.1-4 - Temperatura Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas ao
Empreendimento ................................................................................................................................15

Figura 6.2.1-5 - Temperatura Máxima Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas
ao Empreendimento...........................................................................................................................17

Figura 6.2.1-6 - Temperatura Mínima Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas
ao Empreendimento...........................................................................................................................18

Figura 6.2.1-7 - Umidade Relativa do Ar Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações
Próximas ao Empreendimento .........................................................................................................21

Figura 6.2.1-8 - Pressão Atmosférica Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas
ao Empreendimento...........................................................................................................................24

Figura 6.2.1-9 - Insolação Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas ao
Empreendimento ................................................................................................................................26

Figura 6.2.1-10 - Intensidade Média Mensal do Vento no período de 1981 a 2010 em Cinco
Estações Climatológicas Próximas ao Empreendimento ............................................................28

Figura 6.2.1-11 - Mapa de Densidade de Descargas Elétricas, onde se destaca a região do


traçado da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista .......................................................33

Figura 6.2.2-1 - Mapa do Brasil contendo as 12 Regiões Hidrográficas, onde se destaca em


vermelho o Traçado da LT 500kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 ..................36

Figura 6.2.2-2 - Aspecto Geral de um trecho do rio Sapucaí, onde se prevê que o Traçado da
LT vai passar (vista observada da Estrada Municipal José Victor Amaral) ..............................39

Figura 6.2.2-3 - Aspecto Geral de um trecho do rio Muzambo que será cortado pelo Traçado
da LT. Divisa entre os municípios de Muzambinho-MG e Juruaia-MG .....................................40

Figura 6.2.2-4 - Margens do rio Machado, junto ao barramento da UHE Poço Fundo ...........40

Figura 6.2.2-5 - Vista geral de um trecho do reservatório da UHE Poço Fundo, onde o traçado
da LT passará .....................................................................................................................................41

Figura 6.2.2-6 - Vista geral de um trecho do rio Cervo, onde o traçado da LT cruzará o referido
corpo hídrico. Vista da Rodovia MG179 .........................................................................................41

Figura 6.2.2-7 - Histograma dos Quantitativos de Cabeceiras diagnosticadas na AE do


Empreendimento, considerando as diferentes faixas de distância até o traçado da LT .........47
Figura 6.2.2-8 - Vazões Médias Mensais no rio Sapucaí (1999-2009), extraídas da Base de
Dados da Agência Nacional de Águas (ANA). ..............................................................................50

Figura 6.2.2-9 - Vazões Médias Mensais no rio Muzambo (1999-2009), extraídas da Base de
Dados da Agência Nacional de Águas (ANA). ..............................................................................50

Figura 6.2.2-10 - Vazões Médias Mensais no rio Machado (1999-2009), extraídas da Base de
Dados da Agência Nacional de Águas (ANA). ..............................................................................51

Figura 6.2.2-11 - Vazões Médias Mensais no rio do Cervo (1999-2009), extraídas da Base de
Dados da Agência Nacional de Águas (ANA). ..............................................................................51

Figura 6.2.2-12 - Precipitação Mensal Média nas Estações Meteorológicas de Araxá,


Machado, São Lourenço, Resende, Campos do Jordão, Franca e Taubaté, extraída das
Normais Meteorológicas (1981-2010) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). .........52

Figura 6.2.3-1 - (a) Afloramento de migmatito cinza claro. (b) Presença de matacões de
gnaisse na região de domínio do complexo Campos Gerais. .....................................................56

Figura 6.2.3-2 - Cavidade formada em rocha carbonática característica do complexo Campos


Gerais. Local conhecido como Gruta do Angico (caracterizada no tema “Espeleologia”). ....56

Figura 6.2.3-3 - Afloramento de gnaisse migmatítico de coloração cinza escuro posicionado


em vertente de média a alta declividade, na região de domínio da Suíte Serra de São Gonçalo.
..............................................................................................................................................................57

Figura 6.2.3-4 - Afloramento de gnaisse pouco alterado e muito fraturado do complexo São
Gonçalo do Sapucaí. .........................................................................................................................58

Figura 6.2.3-5 - Afloramento de quartzito branco a creme com grãos de granulometria média
na região de domínio do Grupo Canastra Indiviso........................................................................59

Figura 6.2.3-6 - Vista geral de afloramento rochoso quartzítico no alto de uma serra na região
de domínio do Grupo Canastra Indiviso .........................................................................................59

Figura 6.2.3-7 - Vista aérea de grandes afloramentos do complexo Varginha Guaxupé .......60

Figura 6.2.3-8 - (a) Área contendo matacões de gnaisse de textura fina a média com
feldspatos caulinizados na região de domínio da Unidade Granulítica Basal (rocha
intemperizada). (b) Amostra de gnaisse característico desta unidade. .....................................61

Figura 6.2.3-9 - (a) Afloramento de gnaisse de coloração cinza claro. (b) Afloramento de rocha
gnaisse migmatítica com veios de quartzo e feldspato em região de afloramento do leito do
Rio do Machado, em áreas de domínio da Unidade Ortognáissica Migmatítica Intermediária.
..............................................................................................................................................................61

Figura 6.2.3-10 - (a) Afloramento de gnaisse de coloração cinza claro e textura média. (b)
Outro afloramento de gnaisse com textura fanerítica grosseira. Ambas ocorrências se
encontram na Unidade Paragnáissica Migmatítica Superior.......................................................62
Figura 6.2.3-11 - Afloramento de gnaisse migmatítico muito intemperizado mostrando bandas
máficas de coloração arroxeada e félsicas claras dominadas por feldspato e quartzo em iguais
proporções. .........................................................................................................................................63

Figura 6.2.3-12 - (a) Detalhe de amostra de quartzito feldspático fino a médio do grupo
Andrelândia (NPaq – quartzito). (b) Detalhe de amostra de gnaisse de coloração cinza escuro
fortemente tectonizado, mostrando foliação intensamente dobrada e possuindo textura
fanerítica. .............................................................................................................................................64

Figura 6.2.3-13 - Vista geral de escarpa de quartzito característico do Grupo Araxá.............65

Figura 6.2.3-14 - (a) Campo de blocos gnáissicos do Grupo Araxá dispersos em área de
pastagem. (b) Detalhe de uma amostra de gnaisse cinza escuro do Grupo Araxá ................66

Figura 6.2.3-15 - Afloramento de gnaisse migmatítico de textura fanerítica fina a média que
se encontra na região de domínio do Granito Serra dos Coelhos. ............................................67

Figura 6.2.3-16 - Amostra de granito intemperizado de textura média e grosseira, na região


de domínio do Granitoide Caconde .................................................................................................68

Figura 6.2.3-17 - (a) Afloramento de rocha granítica característico do Granito Serra do


Alto da Pedra. (b) Amostra de granito de textura equigranular fina e coloração cinza
escura com feldspato alcalino......................................................................................................69

Figura 6.2.3-18 - Vista geral de blocos e alguns afloramentos rochosos compreendidos na


região de domínio do Granito Cachoeira de Minas ......................................................................70

Figura 6.2.3-19 - Detalhe de um afloramento de arenito da Formação Botucatu ....................71

Figura 6.2.3-20 - Diferentes aspectos do relevo na região de domínio da Unidade


Geomorfológica Serra da Canastra .................................................................................................80

Figura 6.2.3-21 - Aspectos geomorfológicos na região de domínio da unidade geomorfológica


da Depressão do Rio Grande ...........................................................................................................81

Figura 6.2.3-22 - (a) Paisagem característica na região de Bom Jesus da Penha-MG. (b)
Paisagem característica da região de Nova Resende – MG, onde predomina a cafeicultura.
As duas regiões se localizam na Unidade do Planalto Jacuí – Muzambinho...........................82

Figura 6.2.3-23 - Aspecto geral do relevo na região de domínio da Unidade Geomorfológica


Patamares de Varginha.....................................................................................................................83

Figura 6.2.3-24 - Aspectos gerais do relevo da unidade Planalto Poços de Caldas, onde se
evidencia um relevo ondulado a montanhoso Formado por colinas e morros com controle
estrutural, onde se observam, em algumas encostas a exposição de afloramentos rochosos
..............................................................................................................................................................85

Figura 6.2.3-25 - Aspecto geral da Unidade Geomorfológica Depressão do Rio Sapucaí,


apresentando características de relevo arrasado e aplanado ....................................................86

Figura 6.2.3-26 - Aspecto geral de um trecho onde se situa da Unidade Geomorfológica


Planalto de Campos do Jordão que faz parte da Serra da Mantiqueira Meridional. ...............87
Figura 6.2.3-27 - Aspecto geral do relevo de morros e serras representados pela Unidade
Serranias de Delfim Moreira – Carmo de Minas, nas proximidades de Itajubá .......................88

Figura 6.2.3-28 - Aspecto geral de uma faixa das escarpas da Serra da Mantiqueira, com
vegetação nativa preservada ...........................................................................................................89

Figura 6.2.3-29 - Aspecto geral da Unidade Geomorfológica Depressão do Médio Vale do


Paraíba do Sul ....................................................................................................................................90

Figura 6.2.3-30 - Vista aérea da Unidade Geomorfológica Tabuleiros e Colinas da Bacia


Sedimentar de Taubaté, onde está inserida a SE Cachoeira Paulista ......................................92

Figura 6.2.3-31 - (a) Detalhe de uma amostra de latossolo vermelho (LVd) de textura areno-
argilosa encontrado em campo. (b) Pequeno perfil de solo LVd de coloração vermelha e
textura argilo-arenosa........................................................................................................................97

Figura 6.2.3-32 - (a) Perfil de solo LVAd de coloração vermelho amarelo e granulometria
areno-argilosa. (b) Solo LVAd de coloração vermelha e granulometria fração areno-argilosa
encontrado em campo. ......................................................................................................................97

Figura 6.2.3-33 - Perfil de Neossolo Litólico em beira de estrada de terra ...............................98

Figura 6.2.3-34 - (a) Detalhe de Cambissolo CXbd de coloração avermelhada e granulometria


fração areia encontrado em campo. (b) Perfil desse mesmo solo em talude .........................100

Figura 6.2.3-35 - (a) Cambissolo Háplico (CHd) de coloração ocre e granulometria argilosa
encontrado em campo. (b) Pequeno talude de corte de estrada em região de abrangência de
Cambissolo Húmico. ........................................................................................................................100

Figura 6.2.3-36 - Perfil de Argissolo Vermelho (PVd1) de talude de corte de estrada .........101

Figura 6.2.3-37 - (a) e (b) Perfis de Argissolo Vermelho Amarelo (PVAd8) de talude de corte
de estrada..........................................................................................................................................102

Figura 6.2.3-38 - Aspecto geral do Argissolo (PVAe) de coloração vermelha e textura arenosa
contendo grânulos de quartzo angulosos.....................................................................................102

Figura 6.2.3-39 - (a) Crista linear com cerca de 20 0m de altura composta de afloramento de
xisto bastante diaclasado. (b) Topo de montanha constituída por afloramentos de xisto.
Ambos os pontos observados são referentes ao Afloramento rochoso puro (AR1). ............103

Figura 6.2.3-40 - Gráfico dos percentuais de distribuição das classes de vulnerabilidade


geotécnica na Área de estudo do empreendimento ...................................................................118

Figura 6.2.3-41 - Vista geral de uma cicatriz de um deslizamento de terra (movimento de


massa) – Ponto 67 do Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica ...................................................120

Figura 6.2.3-42 - Talude de corte de estrada com solo exposto com sinais de processos
erosivos e movimento de material (Ponto 119 - Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica). .....120

Figura 6.2.5-1 - Mapa de províncias espeleológicas no território brasileiro............................127


Figura 6.2.5-2 - Zoom da Figura 6.2 - 46, onde se destaca a região do traçado da LT 500 kV
Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 que não corta nenhuma província espeleológica
estabelecida no território brasileiro................................................................................................128

Figura 6.2.5-3 - Mapa de potencial alto e muito alto para ocorrência de cavernas conforme
CECAV (Jansen et al. 2012), considerando o traçado do empreendimento ..........................129

Figura 6.2.5-4 - Vista geral da boca de entrada da Gruta do Angico.......................................137

Figura 6.2.5-5 - Presença de fauna cavernícola na Gruta do Angico ......................................137

Figura 6.2.5-6 - Vista geral do conduto central da cavidade .....................................................138

Figura 6.2.5-7 - Vista geral do conduto direito da cavidade ......................................................138

Figura 6.2.5-8 - Vista geral do conduto esquerdo da cavidade ................................................139

Figura 6.2.5-9 - Espeleotemas presentes na Gruta do Angico .................................................139

Figura 6.2.5-10 - Lixo acumulado e restos de construção no interior da cavidade ...............139

Figura 6.2.5-11 - Vista geral da Cavidade 1 do Complexo Alto da Serra................................141

Figura 6.2.5-12 - Vista geral da Cavidade 2 do Complexo Alto da Serra................................141

Figura 6.2.5-13 - Vista geral da Cavidade 3 do Complexo Alto da Serra................................142

Figura 6.2.5-14 - Vista frontal aérea do Abrigo do Itambé.........................................................143

Figura 6.2.5-15 - Vista aérea da boca do Abrigo do Itambé......................................................143

Figura 6.2.5-16 - Vista frontal do maciço onde está inserida a Toca do Urubu .....................145

Figura 6.2.5-17 - Vista da boca da Gruta do Itambé ..................................................................145

Figura 6.2.5-18 - Maior detalhe da Toca do Urubu, onde se observa urubus presentes na
mesma ...............................................................................................................................................146

Figura 6.2.5-19 - Vista frontal da Gruta da PCH Poço Fundo ...................................................147

Figura 6.2.5-20 - Vista do interior da Gruta da PCH Poço Fundo ............................................148

Figura 6.2.5-21 - Processo de esfoliação esferoidal. .................................................................148

Figura 6.2.5-22 - Detalhe da colmeia de vespas presentes na entrada da Gruta da PCH Poço
Fundo .................................................................................................................................................149
LISTA DE QUADROS

Quadro 6.1.3-1 - Municípios da Área de Estudo (AE) .................................................................... 3

Quadro 6.2.1-1 - Lista das Sete Estações Meteorológicas utilizadas para a Caracterização
Climatológica na Região do Empreendimento ................................................................................ 5

Quadro 6.2.1-2 - Anos de Ocorrência e Intensidade do fenômeno El Niño (CPTEC, 2017) .12

Quadro 6.2.1-3 - Anos de Ocorrência e Intensidade do fenômeno La Niña (CPTEC, 2017).12

Quadro 6.2.1-4 - Resumo da Precipitação Acumulada Mensal e Anual para cada uma das
Sete Estações Climatológicas definidas para a Região de Estudo do Empreendimento. ......14

Quadro 6.2.1-5 - Resumo da Temperatura Média Compensada Mensal e Anual para cada
uma das Sete Estações Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do
Empreendimento ................................................................................................................................16

Quadro 6.2.1-6 - Resumo da Temperatura Máxima Mensal e Anual para cada uma das Sete
Estações Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do Empreendimento ...............19

Quadro 6.2.1-7 - Resumo da Temperatura Mínima Mensal e Anual para cada uma das Sete
Estações Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do Empreendimento ...............19

Quadro 6.2.1-8 - Resumo da Umidade Relativa do Ar para cada uma das Sete Estações
Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do Empreendimento .................................22

Quadro 6.2.1-9 - Resumo da Pressão Atmosférica para as Seis das Estações Climatológicas
na Região de Estudo Definida para o Empreendimento ..............................................................25

Quadro 6.2.1-10 - Resumo da Insolação Total para cada uma das Sete Estações
Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do Empreendimento .................................27

Quadro 6.2.1-11 - Resumo da Intensidade dos Ventos em Cinco das Estações Climatológicas
Definidas para a Região de Estudo do Empreendimento ............................................................29

Quadro 6.2.1-12 - Resumo da Direção dos Ventos para cada uma das Sete Estações
Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do Empreendimento .................................31

Quadro 6.2.1-13 - Concentração de raios (densidade de descargas) nos municípios


intervenientes ao traçado do empreendimento, segundo o Mapa de Raios em Tempo Real
(INPE - ELAT, dezembro de 2017)..................................................................................................34

Quadro 6.2.2-1 - Listagem dos 75 Corpos Hídricos que serão atravessados pelo Traçado da
Linha de Transmissão e seus respectivos Municípios. ................................................................37

Quadro 6.2.2-2 - Quantitativos das Cabeceiras verificadas na AE do Empreendimento e


Classificadas dentro das faixas de distância que estão até o eixo do traçado da LT .............46

Quadro 6.2.2-3 - Lista das cinco Estações Fluviométricas utilizadas para a Caracterização
Climatológica na região do Empreendimento ................................................................................49
Quadro 6.2.3-1 - Quadro Resumo com os Domínios Morfoestruturais, Regiões
Geomorfológicas e Unidades Geomorfológicas presentes na AE do empreendimento .........75

Quadro 6.2.3-2 - Lista das Unidades Geomorfológicas presentes na AE do empreendimento,


com o cálculo das suas respectivas Áreas de Domínio ...............................................................75

Quadro 6.2.3-3 - Extensão das Unidades Geomorfológicas que interferem diretamente nos
traçados C1 e C2 da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista......................................76

Quadro 6.2.3-4 - Classificação de Declividades definida para os estudos geomorfológicos,


com base naquela definida pela Embrapa (1979). .......................................................................77

Quadro 6.2.3-5 - Lista dos eventos sísmicos registrado na AE do empreendimento no período


compreendido entre os anos de 1900 a 2017 .............................................................................105

Quadro 6.2.3-6 - Lista dos 65 eventos sísmicos registrados nas adjacências do


empreendimento no período compreendido entre os anos de 1900 a 2017 ..........................106

Quadro 6.2.3-7 - Classificação da Vulnerabilidade Geotécnica das Unidades Geológicas .112

Quadro 6.2.3-8 - Classificação da vulnerabilidade geotécnica dos tipos de solo. .................114

Quadro 6.2.3-9 - Classificação da vulnerabilidade geotécnica de acordo com o uso e


cobertura do solo ..............................................................................................................................115

Quadro 6.2.3-10 - Classificação da vulnerabilidade geotécnica a partir da declividade .......116

Quadro 6.2.3-11 - Classificação da vulnerabilidade geotécnica a partir da altimetria...........116

Quadro 6.2.3-12 - Quantitativo de área para as cinco classes de vulnerabilidade geotécnica


definidas para a Área de Estudo do empreendimento. ..............................................................118

Quadro 6.2.4-1 - Quantitativos das Classes de Potencial Paleontológico ..............................125

Quadro 6.2.5-1 - Grau de Potencialidade de Ocorrência de Cavernas no Brasil de acordo com


a Litologia ..........................................................................................................................................133

Quadro 6.2.5-2 - Principais características das cavidades encontradas na área de estudo da


LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 .........................................................136

Quadro 6.2.6-1 - Lista de Comunidades próximas à Linha de Transmissão 500 kV Estreito –


Cachoeira Paulista C1 e C2. ..........................................................................................................153

Quadro 6.2.6-2 - Nível de critério de avaliação NCA para ambientes externos, em dB(A)..155

Quadro 6.2.6-3 - Nível de critério de avaliação NCA para ambientes externos, em dB(A)..155

Quadro 6.2.6-4 - Resumo dos Cálculos do Ruído Audível (RA) na Borda de uma faixa de 60
m - Baseado nos Estudos “Faixa de Passagem e Distâncias de Segurança” de da LT, 2017.
............................................................................................................................................................156
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL

6.1. DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO

Neste capítulo são apresentadas as Áreas de Estudo (AE) para cada meio contemplado neste
EIA, acompanhadas das devidas justificativas técnicas utilizadas para sua delimitação.

Tal delimitação abrange as áreas utilizadas como referência para o diagnóstico socioambiental
realizado, incluindo a provável área a ser diretamente afetada pelo Projeto (Área Diretamente
Afetada – ADA), conforme apresentado no mapa L18-MP-G-6-001.

Salienta-se que neste item não são delimitadas a Área de Influência Direta (AID) e a Área de
Influência Indireta (AII) do empreendimento, dado que essas só serão conhecidas após a
avaliação dos impactos ambientais.

6.1.1. ÁREA DE ESTUDO PARA O MEIO FÍSICO

A definição da Área de Estudo do Meio Físico foi fundamentada e estabelecida a partir de


aspectos específicos inerentes a cada um dos diferentes fatores (temas) que o caracterizam e
que pudessem ser avaliados, para a determinação das possíveis interferências e impactos
causados pela implantação do empreendimento.

Embasado nesta premissa, a Área de Estudo foi determinada de formas variadas, levando-se
em consideração as particularidades de cada tema específico que compõe o meio físico
associadas com as próprias características do empreendimento a ser implantado.

Para os componentes geológicos, pedológicos, geomorfológicos e recursos hídricos


estabeleceu-se como Área de Estudo, uma extensão de 5 km para cada lado dos eixos
principais do traçado da Linha de Transmissão (LT) 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista
(C1 e C2). Considerou-se que esta extensão é suficientemente representativa para a
caracterização da dinâmica destes fatores físicos, tanto de forma independente quanto de
forma integrada, que irão interagir com a implantação do empreendimento.

Em relação a outros componentes do meio físico, tais como Clima e Sismicidade, a delimitação
de uma Área de Estudo já não foi tão importante e necessária. Para estes temas procurou-se
caracterizar, de forma regionalizada, seus principais indicadores já que os mesmos
condicionam e afetam diretamente a dinâmica e caracterização dos componentes mencionados
anteriormente (Geologia, Pedologia, Geomorfologia e Recursos Hídricos). Portanto, seus
efeitos em relação à linha de transmissão a ser implantada ocorrem de forma correlacionada
aos outros componentes do meio físico.

Para a caracterização dos componentes Níveis de Ruído, Recursos Minerais, Vulnerabilidade


Geotécnica, Paleontologia e Espeleologia procedeu-se a definição de uma Área de Estudo com
uma abrangência territorial mais restritiva e localizada, já que a implantação do
empreendimento pode impactar diretamente os aspectos inerentes a cada um destes temas.
Para estes itens, o foco do estudo se concentrou, principalmente, na faixa de servidão da LT
(80 m de extensão - 40 m para cada lado dos seus eixos).

1 / 158
Entretanto, vale ressaltar que para o componente de Espeleologia foi criada uma área de
estudo específica denominada Área de Influência de Cavidades (AIC) com buffer de 250 m para
cada lado dos eixos do traçado do empreendimento, além de uma Área de Estudo maior,
abrangendo uma extensão de 1 km para cada lado, sendo que as mesmas nortearam o
detalhamento da caracterização espeleológica da região. Para a Paleontologia se determinou
apenas uma Área de Estudo, também com 1 km para cada lado dos eixos do traçado para
verificação do seu potencial paleontológico, levando-se em consideração, as características
geológicas da região (componente Geologia).

Para o tema Recursos Minerais foi feita uma avaliação abrangente dos processos minerários
existentes em uma área de 5 km de extensão (conforme caracterizado acima), só que
detalhando apenas os processos que interferem diretamente no traçado da LT, isto é, dentro
da faixa de servidão de 80 m. Vale destacar que este tema específico se enquadra também à
caracterização do meio socioeconômico, onde a Área de Estudo poderia ser mais restritiva,
com extensão de a 1 km para cada lado dos eixos do traçado.

Por fim, para o tema Vulnerabilidade Geotécnica restringiu-se a Área de Estudo com 1 km para
cada lado dos eixos da LT, em função de ser um tema que associa tanto características do
meio físico (geológica, geomorfologia, pedologia, declividade, entre outros), quanto do meio
socioeconômico (usos e ocupação do solo). Além disso, suas ocorrências, efeitos e
interveniências se concentram na área de influência direta de implantação do empreendimento.

Portanto, informa-se que para o meio físico o estabelecimento da Área de Estudo considerou
as particularidades de cada um de seus componentes a fim de se estabelecer uma
caracterização mais acurada e qualitativa de seus aspectos que possibilitasse uma melhor
avaliação dos possíveis impactos que a implantação do empreendimento trará para a região.

6.1.2. ÁREA DE ESTUDO PARA O MEIO BIÓTICO

A definição das Áreas de Estudo para o Meio Biótico teve como base as fitofisionomias originais
predominantes e as classes mais representativas da cobertura vegetal e uso do solo ao longo
da diretriz de traçado preferencial da LT SE Estreito – SE Cachoeira Paulista.

A Serra da Mantiqueira abrange uma extensa área de Floresta Ombrófila que se prolonga
perpendicularmente ao traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista, com variações altitudinais
abruptas do relevo que resultam num conjunto variado de fitofisionomias. Por se tratar de uma
região extremamente relevante para o diagnóstico do Meio Biótico, especialmente para o
levantamento da fauna, toda sua extensão foi considerada para o estudo, respeitada a
similaridade fitofisionômica com o trecho afetado pela LT.

Diante do exposto, foram adotadas as seguintes áreas de estudo para o Meio Biótico, de acordo
com necessidades específicas para cada estudo realizado:

Área de Estudo para o diagnóstico da fauna:

Para o levantamento de dados secundários a Área de Estudo abrangeu as fitofisionomias e as


respectivas subdivisões afetadas pelo traçado da LT, incluindo a Serra da Mantiqueira. O

2 / 158
levantamento de dados primários priorizou as áreas diretamente afetadas pelo traçado da LT,
com áreas amostrais representativas para as principais fitofisionomias.

Área de Estudo para o diagnóstico da vegetação e ecologia da paisagem:

Para a caracterização das fitofisionomias, cobertura vegetal e ecologia da paisagem foi adotada
como Área de Estudo uma faixa de 10 km ao redor do traçado projetado para a LT, resultando
em uma poligonal alongada com 20 km de largura e aproximadamente 410 km de extensão.
Esta faixa se mostrou mais adequada para a caracterização da cobertura vegetal e dos
fragmentos florestais, após a realização de ensaios com uma faixa menor (1 km ao redor do
traçado) e com a delimitação maior a partir das sub-bacias Otto nível 4, ambas consideradas
menos adequadas para o estudo em questão, conforme será justificado no capítulo específico.

Para o levantamento da flora a partir de dados primários, foi adotada uma faixa de 500 metros
ao redor do traçado projetado para a LT (1 km de corredor), para a distribuição das unidades
amostrais nas fitofisionomias interceptadas pela LT.

6.1.3. ÁREA DE ESTUDO PARA O MEIO SOCIOECONÔMICO

Para o meio socioeconômico, a área estabelecida para a realização dos estudos (AE) é definida
como o conjunto dos territórios municipais atravessados pela LT 500 kV Estreito-Cachoeira
Paulista, que poderão sofrer os impactos sociais e econômicos do empreendimento nas suas
fases de implantação e operação, de forma direta e indireta. O traçado da LT percorre o
território de 26 municípios no estado de Minas Gerais e quatro no estado de São Paulo,
conforme apresentado no Quadro 6.1.3-1 a seguir. Esta Área de Estudo será considerada para
a análise da infraestrutura, dos serviços públicos e das vulnerabilidades da região de
implantação do empreendimento.

Quadro 6.1.3-1 - Municípios da Área de Estudo (AE)


UF MUNICÍPIO
Brasópolis
Cachoeira de Minas
Campestre
Delfim Moreira
Espírito Santo do Dourado
Ipuiúna
Itajubá
Piranguçu
Piranguinho
Pouso Alegre
MG
Santa Rita de Caldas
Santa Rita do Sapucaí
São Sebastião da Bela Vista
Wenceslau Braz
Bom Jesus da Penha
Cabo Verde
Cássia
Divisa Nova
Ibiraci
Itaú de Minas

3 / 158
UF MUNICÍPIO
Juruaia
Monte Belo
Muzambinho
Nova Resende
Passos
Poço Fundo
Cachoeira Paulista
Guaratinguetá
SP
Lorena
Piquete

Conforme determinação do Termo de Referência do IBAMA, a segunda escala de análise dos


estudos socioeconômicos contempla uma abordagem mais detalhada sobre alguns temas,
considerando como área de estudo a área compreendida no corredor de 1 km de largura para
cada lado a partir da diretriz da LT e abrangendo a identificação das localidades rurais mais
próximas do empreendimento, que podem ter sua dinâmica socioeconômica afetada de forma
direta pela sua implantação e operação. Esta escala de análise será utilizada para a
caracterização da população afetada e dos usos do solo nas áreas mais próximas ao
empreendimento.

A área necessária à implantação do empreendimento – Área Diretamente Afetada (ADA) – é


delimitada pela faixa de servidão de 40 m para cada lado do eixo da futura LT, somada à área
destinada à infraestrutura associada, como as áreas de apoio às obras, vias de acessos, área
de bota-fora e de canteiros de obra. A análise da ADA considerará os possíveis impactos do
empreendimento nas propriedades rurais localizadas na faixa de servidão – que receberão as
torres – e nas áreas destinadas aos canteiros de obra e vias de acesso, que serão afetadas
pelas obras civis e infraestrutura temporária e permanente do empreendimento.

6.2. MEIO FÍSICO

6.2.1. METEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA

Para a caracterização dos parâmetros meteorológicos da Área de Estudo foram utilizados


dados das normais climatológicas do período de 1981 a 2010 disponibilizados pelo Instituto
Nacional de Meteorologia (INMET). Sete estações foram consideradas para essa análise
devido à proximidade com a LT, sendo elas: Araxá, Machado e São Lourenço, em Minas
Gerais, Resende, no estado do Rio de Janeiro, e Campos do Jordão, Franca e Taubaté em
São Paulo. Vale destacar que para alguns parâmetros meteorológicos, nem todas as estações
apresentam dados completos do período avaliado, nestes casos específicos foram
considerados apenas os dados das estações que não apresentavam estas falhas, conforme
será evidenciado no item 6.2.1.4 (Parâmetros Meteorológicos) do presente relatório.

O Quadro 6.2.1-1 lista as sete estações meteorológicas utilizadas na presente caracterização


climatológica da região de implantação do empreendimento.

4 / 158
Quadro 6.2.1-1 - Lista das Sete Estações Meteorológicas utilizadas para a
Caracterização Climatológica na Região do Empreendimento
NOME DA
LATITUDE (o) LONGITUDE (o) DISTÂNCIA ATÉ A LT (km) ALTITUDE (m)
ESTAÇÃO
Araxá -19,61 -46,95 77,3 1.023,61

Machado -21.68 -45.94 23,9 873,35

São Lourenço -22.1 -45.01 59,2 953,2

Resende -22.45 -44.44 68,3 439,89

Campos do Jordão -22.75 -45.6 31,4 1.642,00

Franca -20.58 -47.36 39,1 1.026,2

Taubaté -23.03 -45.55 53,8 577

O mapa L18-MP-F-6.2.1-001 do Caderno de Mapas apresenta a localização e distribuição


espacial das supracitadas estações climatológicas em relação ao traçado da Linha de
Transmissão (LT) 500kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista (C1 e C2).

Vale ressaltar que os estudos climatológicos a nível regional, no contexto do presente


EIA/RIMA, deram ênfase para as variações espaciais e temporais dos diferentes parâmetros
meteorológicos. Já a classificação climática da região de influência do empreendimento foi
baseada nos critérios utilizados para o projeto Clima do Brasil 1:500.000 apresentado pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados coletados foram tabulados e foram calculadas as médias mensais e anuais para cada
uma das estações estabelecidas para caracterização dos parâmetros meteorológicos
estabelecidos. Estes dados analisados foram representados em gráficos e ilustrações, com a
identificação e determinação de valores característicos.

A seguir é apresentada a caracterização climatológica da região do empreendimento, assim


como a avaliação dos principais parâmetros meteorológicos inerentes aos estudos ambientais,
que são: precipitação pluviométrica, temperatura, umidade relativa do ar, pressão atmosférica,
insolação, vento e nível ceráunico. Enfatiza-se, conforme já mencionado, que estes parâmetros
meteorológicos se basearam nos dados das normais climatológicas do período de 1981 a 2010
disponibilizados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

6.2.1.1. CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO CLIMATOLÓGICA

Conforme mencionado anteriormente, para a caracterização e classificação climatológica da


área de estudo da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 foi utilizada a
classificação estabelecida no projeto Clima do Brasil 1:500.000, apresentado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujos dados pesquisados indicam que sua última
atualização ocorreu no dia 24/10/2017. Este mapa representa as diferentes zonas climáticas
do território brasileiro que estão agrupadas de acordo com a temperatura e umidade.

Essa classificação climatológica foi idealizada e produzida por Edmon Nimer e sua equipe, no
ano de 1974, que procurou integrar métodos tradicionais e dinâmicos para exprimir, de maneira
simples, as complexas relações entre os fatores ecológicos do território brasileiro. Este modelo
de classificação procura representar um esforço de sistematização macroclimática do território

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brasileiro definido a partir de dados obtidos de diversas estações climatológicas previamente
estabelecidas. Dessa forma, procura atender aos objetivos mais gerais da síntese do complexo
climático zonal e regional, podendo assim definir e determinar mesoclimas (climas locais) em
seus aspectos mais proeminentes, evidenciando uma compreensão da distribuição geográfica
dos diversos tipos de vegetação, de solos e de uso da terra (Nimer, 1979).

Conforme relatado pelo IBGE (2017), a classificação climatológica de Edmon Nimer, adotada
no presente diagnóstico foi baseada em três sistemas que integram métodos quantitativos e de
dinâmica atmosférica.

O primeiro sistema, mais abrangente, relativo à gênese climática, fundamentado na


climatologia dinâmica e nos padrões de circulação atmosférica, define os três climas zonais
(Equatorial, Tropical e Temperado) e suas subunidades regionais. Os climas zonais são
divididos nas seguintes modalidades regionais:

 Clima Equatorial
 Clima Tropical Austral do Brasil Setentrional
 Clima Tropical do Nordeste Oriental
 Clima Tropical do Brasil Central
 Clima Tropical Boreal do Brasil Setentrional
 Clima Temperado do Brasil Meridional

O segundo sistema delimita as regiões térmicas (Mesotérmico Mediano e Brando, Subquente


e Quente) e fundamenta-se na frequência e médias dos valores extremos mensais. Assim são
classificadas da seguinte maneira:

 Temperatura média de 18ºC para o mês mais frio:


• Clima Quente – temperaturas maiores que 18oC.
• Clima Subquente – temperaturas menores que 18oC.

 Temperatura média de 15ºC para o mês mais frio:


• Clima Subquente – temperaturas maiores que 1oC.
• Clima Mesotérmica – temperaturas menores que 15oC, que podem ser
brando (15 a 10oC), mediano (10 a 0oC) e frio (menor que 0oC)

A classificação de regiões quanto aos padrões de umidade e seca mensais (que vão de
Superúmido até Semiárido) é resultante do terceiro sistema adotado. Neste se relaciona o
número de meses secos com tipo de vegetação natural predominante, afim de mostrar a
interação do regime climático com a biogeografia e a ecologia.

 Clima Superúmido (sem seca ou com subseca)


 Clima Úmido (com um a dois ou três meses secos)
 Clima Subúmido (com quatro a cinco meses secos)
 Clima Semiárido (com seis ou mais meses secos), sendo subdividido em brando (com
seis meses secos), mediano (com sete a oito meses secos), forte (com nove a 10 meses
secos) e muito forte (com 11 meses secos)
 Clima Árido ou Desértico (com 12 meses secos)
 Clima Temperado do Brasil Meridional

6 / 158
Portanto, os três sistemas e suas unidades relacionadas são independentes e se superpõem,
resultando em diversas regiões climáticas e ecologicamente distintas. Segundo Nimer (1979),
o Clima Tropical pode, do ponto de vista da variação de umidade e temperatura, conter todos
os tipos climáticos, desde o mais úmido ao mais seco, do mais quente ao mais frio, dependendo
das condições específicas controladas por fatores dinâmicos e geográficos regionais e locais.
Já o Clima Equatorial pode estar relacionado a climas quentes, mesotérmicos, frios ou gelados,
mas deverá ser superúmido ou úmido, porém jamais subúmido ou seco, pois não se permite
uma longa estação seca. Além disso, os climas equatorial, tropical e temperado podem estar
combinados a climas mesotérmicos superúmidos e úmidos.

Com base nestas premissas metodológicas definidas por Edmond Nimer (1979), o mapa L18-
MP-F-6.2.1-002 foi elaborado para o presente EIA, baseado na classificação climatológica
caracterizada acima.

Verifica-se pelo referido mapa, que o traçado da LT 500kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista
está localizado em uma região que se caracteriza pelo clima Tropical Brasil Central (tropical
úmido-seco), predominando a região térmica classificada como subquente, com temperaturas
médias entre 15 e 18 oC em pelo menos um mês do ano, e clima úmido com pelo menos 3
meses secos, onde em algumas regiões esse período pode ser menor, entre 1 a 2 meses.
Pequenas variações no clima são observadas ao longo do traçado, o que acarreta a presença
de seis tipos diferentes de classificação a partir da metodologia utilizada.

Por fim, vale destacar que o clima Tropical do Brasil Central se caracteriza por duas estações
bem definidas: uma chuvosa e outra seca, ou de chuvas insuficientes. Além disso, a distinção
entre o verão e o inverno é reforçada pelo regime térmico, pois excluindo as áreas mais
montanhosas, o verão é quente em toda a região abrangida por este clima, enquanto o inverno
é brando ao sul e nas áreas serranas (Nimer, 1979).

6.2.1.2. SISTEMAS ATMOSFÉRICOS EM ESCALA SINÓTICA

Para o entendimento dos fenômenos meteorológicos em escala sinótica, é fundamental o


conhecimento dos sistemas atmosféricos atuantes no território brasileiro, já que os mesmos
acarretam fortes influências nas condições do clima e tempo. Nesta escala define-se a
circulação primária ou geral da atmosfera, onde se destacam a Zona de Convergência dos
Alísios (ITCZ), os cinturões de alta pressão nas latitudes médias, as zonas ciclônicas
circumpolares, a Oscilação Sul associada ao El Niño e a circulação monçônica. Os fenômenos
climáticos em escala sinótica possuem permanência temporal de uma semana a seis meses.

Nas regiões sudeste e central do Brasil observam-se duas estações bem definidas: uma
estação seca e outra chuvosa. A estação chuvosa possui um regime do tipo monção, com
períodos chuvosos em que predomina a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e
períodos secos com regimes pluviométricos mais localizados. Ressalta-se ainda que durante o
inverno, algumas frentes frias atingem as regiões sudeste e centro oeste, ocasionalmente
provocando geadas, e às vezes chegam até a região Norte, onde são denominadas de friagens.

A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) se caracteriza por ser uma persistente banda
de nebulosidade e precipitação com orientação noroeste-sudeste, que se estende desde o sul
e leste da Amazônia até o sudoeste do Oceano Atlântico Sul, sendo o principal sistema
meteorológico de grande escala responsável pelo regime de chuvas sobre as regiões sul e

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sudeste do Brasil durante os meses de primavera e verão (Cavalcanti et al, 2009). Ressalta-se
que a permanência da ZCAS, por tempos mais extensos na região sudeste, acarreta em
períodos de enchentes de verão nesta região e veranicos na região sul.

A atividade convectiva se inicia na bacia Amazônica no início do mês de agosto e se movimenta


em direção ao sudeste do Brasil. Na segunda quinzena de outubro tem início a estação chuvosa
em grande parte das regiões centro oeste e sudeste do Brasil, onde as chuvas mais intensas
ocorrem no período entre os meses de dezembro a fevereiro. Já em meados de março e
começo de abril, esta atividade convectiva se enfraquece sobre a região tropical. Portanto,
considera-se que a ZCAS é responsável pelas precipitações pluviométricas mais volumosas
para as regiões centro oeste e sudeste do Brasil.

A intensificação da ZCAS pode estar associada a outros sistemas meteorológicos que não
atuam diretamente na área de estudo, como os sistemas frontais, os vórtices ciclônicos de altos
níveis e a Alta Bolívia.

Vale destacar ainda, o papel primordial que as características topográficas do continente sul-
americano, principalmente no que se refere à presença da Cordilheira dos Andes, exercem na
modulação de certas feições da circulação atmosférica, sendo mais acentuada durante a época
de verão. Em geral a ZCAS encontra-se na sua posição mais a leste em dezembro,
principalmente em associação com a alta precipitação sobre o Brasil, o escoamento de
nordeste sobre a parte leste da Bolívia e a baixa precipitação sobre o Altiplano. Entretanto em
janeiro, a ZCAS se situa mais a oeste, devido ao aumento da precipitação no Altiplano, que é
fortemente modulada pelo escoamento de ar úmido em baixos níveis na região leste dos Andes.
Portanto, as características topográficas influenciam efetivamente nas variações pluviométricas
por todo o continente sul-americano já que afetam diretamente a circulação atmosférica.

A Figura 6.2.1-1 ilustra a atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) pelo
continente sul-americano, se destacando o território brasileiro.

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Figura 6.2.1-1 - Zona de Convergência do Atlântico Sul
Fonte: https://www.climatempo.com.br

Ressalta-se que todas as regiões do Brasil estão sujeitas as variações temporais do clima,
onde os Sistemas Convectivos de Mesoescala (SCMs), que são definidos como aglomerados
de tempestades, se organizam em sistemas específicos que se movimentam por horas,
provocando chuvas intensas, ventos fortes, e muitas vezes, queda de granizo.

Por fim, vale lembrar a importância da atuação e influência da ZCAS para a região sudeste do
Brasil, pois as altas precipitações pluviométricas observadas no período de verão garantem
uma grande quantidade de água, que é utilizada para diversas atividades socioeconômicas,
tais como: agricultura, geração de energia elétrica, abastecimento de água para população ali
existente, entre outros. Entretanto, problemas relacionados a deslizamentos de terra e
enchentes também estão associados às altas precipitações observadas na região, que
somadas às condições topográficas da região e à falta de planejamento habitacional e
governamental (ocupação ordenada do solo), acarretam estes tipos de situação que devem ser
remediadas e mitigadas.

6.2.1.3. FENÔMENOS EXTREMOS

Os fenômenos extremos que podem ocorrer na região da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira


Paulista C1 e C2, acarretando períodos de seca extrema ou de chuvas intensas, geralmente
estão associados aos eventos do El Niño e La Niña.

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Estes fenômenos El Niño e La Niña caracterizam-se, respectivamente, pelo aquecimento e
esfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical Central e Oriental. O gradiente
de pressão entre o Pacífico Central e do Oeste (chamado de “oscilação sul”) experimenta
variações associadas ao aquecimento ou esfriamento do Pacífico Equatorial. A interação entre
o comportamento de anomalias de TSM (Temperatura da Superfície do Mar) no Pacífico
Tropical e as mudanças na circulação atmosférica decorrentes deste aquecimento constituem
o fenômeno de interação oceano-atmosfera mencionado na literatura como ENOS (El Niño /
Oscilações Sul).

A combinação das circulações atmosféricas anômalas induzidas pelas distribuições especiais


de TSM sobre os oceanos Pacífico Equatorial e Atlântico Tropical afeta o posicionamento
latitudinal da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) sobre o Atlântico, influenciando a
distribuição da pluviometria sobre a bacia do Atlântico Norte da América do Sul.
Portanto, ressalta-se que os fenômenos El Niño (anomalias positivas) e La Niña (anomalias
negativas) são oscilações normais e previsíveis das temperaturas da superfície do mar, nas
quais o homem não pode interferir. São fenômenos naturais, variações normais do sistema
climático da Terra, que existem há milhares de anos e continuarão a existir.

Segundo Marengo (1998), o fenômeno La Niña, ou episódio frio do Oceano Pacífico, é o


resfriamento anômalo das águas superficiais no Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental.
Este fenômeno é o oposto do El Niño, pois as temperaturas habituais da água do mar à
superfície nesta região situam-se em torno de 25oC, enquanto durante o El Niña, as
temperaturas diminuem para cerca de 22 a 23oC. Os principais efeitos do La Niña observados
no Brasil são:

 Passagens rápidas de frentes frias sobre a Região Sul, com tendência de diminuição
da precipitação nos meses de setembro a fevereiro, principalmente no Rio Grande do
Sul, além do centro-nordeste da Argentina e Uruguai;

 Temperaturas próximas da média climatológica ou ligeiramente abaixo da média sobre


a Região Sudeste, durante o inverno;

 Chegada das frentes frias até a Região Nordeste, principalmente no litoral da Bahia,
Sergipe e Alagoas;

 Tendência às chuvas abundantes no norte e leste da Amazônia; e

 Possibilidade de chuvas acima da média sobre a região semiárida do Nordeste do


Brasil.

Essas chuvas só ocorrem se, concomitantemente ao La Niña, as condições atmosféricas e


oceânicas sobre o Oceano Atlântico mostrarem-se favoráveis, isto é, as variações da
Temperatura da Superfície do Mar (TSM) estejam acima da média no Atlântico Tropical Sul e
abaixo da média no Atlântico Tropical Norte.

Mais especificamente, para a região no sul e sudeste do Brasil, durante o forte evento de La
Niña de 1988/1989, a estação chuvosa de setembro a dezembro de 1988 teve um mês de muita
seca, mas os demais meses da estação tiveram chuva normal, ou ligeiramente acima da média.

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Por fim, informa-se que o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos / Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) monitora a evolução do La Niña e El Niño e
dissemina previsões de seus impactos climáticos sobre o Brasil através do Boletim de
Informações Climáticas – INFOCLIMA.

A Figura 6.2.1-2 apresenta didaticamente os impactos observados do El Niño e La Niña na


América do Sul, considerando o histórico destes eventos nos últimos 50 anos. É provável que
durante alguns eventos do El Niño ou La Niña não aconteçam os impactos representados na
mencionada figura.

Figura 6.2.1-2 - Efeitos Regionais na América do Sul do El Niño e La Niña, durante o


Verão (DJF) e Inverno (JJA).
Fonte: CPTEC/INPE/ENOS.

O Quadro 6.2.1-2 apresenta os anos de ocorrência e a intensidade do fenômeno El Niño,


evidenciados pelo CPTEC/INPE (2017), onde se verifica a existência de 33 eventos desta
natureza. Já o Quadro 6.2.1-3 apresenta os anos de ocorrência e a intensidade do fenômeno
La Niña registrados pelo CPTEC/INPE (2017), onde se observa a existência de 19 eventos
desta natureza. Ressalta-se que a intensidade destes fenômenos pode ser classificada em
fraca, moderada ou forte.

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Quadro 6.2.1-2 - Anos de Ocorrência e Intensidade do fenômeno El Niño (CPTEC, 2017)
EVENTOS ANO DE OCORRÊNCIA INTENSIDADE EVENTOS ANO DE OCORRÊNCIA INTENSIDADE

1 1877 - 1878 Forte 18 1963 Fraca


2 1888 - 1889 Moderada 19 1965 - 1966 Moderada
3 1896 - 1897 Forte 20 1968 - 1970 Moderada
4 1899 Forte 21 1972 - 1973 Forte
5 1902 - 1903 Forte 22 1976 - 1977 Fraca
6 1905 - 1906 Forte 23 1977 - 1978 Fraca
7 1911 - 1912 Forte 24 1979 - 1980 Fraca
8 1913 - 1914 Moderada 25 1982 - 1983 Forte
9 1918 - 1919 Forte 26 1986 - 1988 Moderada
10 1923 Moderada 27 1990 - 1993 Forte
11 1925 - 1926 Forte 28 1994 - 1995 Moderada
12 1932 Moderada 29 1997 - 1998 Forte
13 1939 - 1941 Forte 30 2002 - 2003 Moderada
14 1946 - 1947 Moderada 31 2004 - 2005 Fraca
15 1951 Fraca 32 2006 - 2007 Fraca
16 1953 Fraca 33 2009 - 2010 Fraca
17 1957 -1959 Forte

Quadro 6.2.1-3 - Anos de Ocorrência e Intensidade do fenômeno La Niña (CPTEC, 2017)


EVENTOS ANO DE OCORRÊNCIA INTENSIDADE EVENTOS ANO DE OCORRÊNCIA INTENSIDADE
1 1886 Forte 11 1964 - 1965 Moderada
2 1903 - 1904 Forte 12 1970 - 1971 Moderada
3 1906 - 1908 Forte 13 1973 - 1976 Forte
4 1909 - 1910 Forte 14 1983 - 1984 Fraca
5 1916 - 1918 Forte 15 1984 - 1985 Fraca
6 1924 - 1925 Moderada 16 1988 - 1989 Forte
7 1928 - 1929 Fraca 17 1995 - 1996 Fraca
8 1938 - 1939 Forte 18 1998 - 2001 Moderada
9 1949 - 1951 Forte 19 2007 - 2008 Forte
10 1954 - 1956 Forte

6.2.1.4. PARÂMETROS METEOROLÓGICOS

6.2.1.4.1. Precipitação Pluviométrica

A precipitação pluviométrica pode ser entendida como o processo pelo qual a água condensada
na atmosfera atinge gravitacionalmente a superfície terrestre. Já o índice pluviométrico é a
medição da quantidade de chuva, em milímetros, que ocorre em um determinado local durante
um dado período de tempo.

A Figura 6.2.1-3 ilustra um gráfico com os valores de precipitação média mensal para as sete

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estações meteorológicas situadas próximas à região do empreendimento.

Figura 6.2.1-3 - Precipitação Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas ao
Empreendimento

O Quadro 6.2.1-4 apresenta os valores de precipitação acumulada mensal e anual para cada
uma das estações, assim como o valor médio acumulado para cada mês somando os valores
das sete estações.

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Quadro 6.2.1-4 - Resumo da Precipitação Acumulada Mensal e Anual para cada uma das Sete Estações Climatológicas definidas para a
Região de Estudo do Empreendimento.
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Precipitação Acumulada Mensal e Anual (mm)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG 304,3 215,3 192,1 78,0 49,1 11,4 9,6 17,6 67,7 123,6 193,1 292,4 1554,2
83683 Machado MG 309,1 218,1 199,6 76,3 64,1 18,8 21,9 16,5 83,6 117,1 173,8 257,0 1555,9
83736 São Lourenço MG 323,9 203,3 188,7 73,9 65,1 27,3 27,2 24,1 83,5 121,3 170,6 286,3 1595,2
83738 Resende RJ 292,9 216,9 232,5 85,9 47,6 22,9 28,7 20,9 70,7 125,4 213,0 260,8 1618,2
83714 Campos do Jordão SP 253,1 206,0 196,7 85,5 82,5 38,0 45,9 38,3 85,8 133,0 160,6 240,0 1565,4
83630 Franca SP 323,2 243,8 207,5 77,7 57,5 17,9 18,4 21,6 67,2 161,4 189,0 287,4 1672,6
83784 Taubaté SP 238,1 197,3 163,6 78,6 55,8 26,7 37,9 26,4 79,6 118,2 160,7 178,0 1360,9
Som a da Precipitação das Estações 2044,6 1500,7 1380,7 555,9 421,7 163,0 189,6 165,4 538,1 900,0 1260,8 1801,9

Média Mensal das Estações 292,1 214,4 197,2 79,4 60,2 23,3 27,1 23,6 76,9 128,6 180,1 257,4

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Verificam-se dois períodos bem distintos durante o ano no que se refere aos índices
pluviométricos: um período seco e outro chuvoso. O primeiro compreende os meses de abril a
setembro, onde se destacam os meses de junho, julho e agosto (inverno) como os mais secos,
com precipitações médias acumuladas de 23,3 mm, 27,1 mm e 23,6 mm respectivamente. Já
o segundo abrange o período entre os meses de outubro a março, onde os índices
pluviométricos são bem mais elevados, evidenciando um período chuvoso, sendo que se
destacam as precipitações que ocorrem nos meses de janeiro e dezembro (verão), com
precipitações médias acumuladas de 292,1 e 257,4 mm, respectivamente.

Além disso, observa-se que o maior valor de precipitação acumulada anual está na estação
Franca com 1.672,6 mm, enquanto o menor valor de precipitação acumulada anual é verificado
na estação climatológica de Taubaté, com 1.360,9 mm. Já as outras cinco estações
climatológicas apresentam valores de precipitação acumulada anual na faixa entre 1.550 mm
e 1.620 mm.

6.2.1.4.2. Temperatura do Ar

A temperatura pode ser entendida como o nível de calor que existe no ambiente, resultante,
por exemplo, das ações dos raios solares. Pode ser traduzida como a temperatura reinante em
um ponto da atmosfera próximo à superfície da Terra.

A Figura 6.2.1-4 ilustra um histograma com os valores de temperatura média mensal para as
sete estações climatológicas situadas próximas à região do empreendimento.

Figura 6.2.1-4 - Temperatura Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas ao
Empreendimento

O Quadro 6.2.1-5 apresenta os valores de temperatura média compensada mensal e anual


para cada uma das estações, assim como o valor médio para cada mês considerando os
valores das sete estações.

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Quadro 6.2.1-5 - Resumo da Temperatura Média Compensada Mensal e Anual para cada uma das Sete Estações Climatológicas Definidas
para a Região de Estudo do Empreendimento
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Temperatura Média Compensada Mensal e Anual (°C)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG 22,4 22,5 22,2 21,5 19,4 18,5 18,4 20,0 21,6 22,3 22,0 21,9 21,1

83683 Machado MG 22,6 22,7 22,2 20,6 17,7 16,0 16,2 17,8 19,8 21,5 21,9 22,3 20,1

83736 São Lourenço MG 22,4 22,3 21,7 20,0 16,5 14,8 14,8 16,6 18,8 20,8 21,5 22,0 19,4

83738 Resende RJ 24,2 24,5 23,9 22,4 19,7 17,9 17,8 18,9 20,2 21,9 23,1 23,9 21,5

83714 Campos do Jordão SP 17,6 17,7 17,0 15,3 12,6 10,4 10,3 11,4 13,5 15,2 16,4 17,0 14,5

83630 Franca SP 22,2 22,4 22,2 21,3 19,0 18,2 18,3 20,2 21,2 22,2 22,1 22,0 20,9

83784 Taubaté SP 23,8 23,9 23,0 21,4 18,1 16,5 16,4 17,8 19,6 21,5 22,3 23,3 20,6
Média Mensal das Estações 22,2 22,3 21,7 20,4 17,6 16,0 16,0 17,5 19,2 20,8 21,3 21,8

16 / 158
Verifica-se que a temperatura média do ar apresenta menores valores para os meses de junho
e julho (inverno) com temperaturas de 16,0oC para ambos os meses. Já os maiores valores
observados correspondem aos meses de janeiro e fevereiro (verão), com temperaturas médias
de 22,2oC e 22,3oC, respectivamente.

Quanto à temperatura média anual, esta oscila entre 14,5oC em Campos do Jordão-SP,
obviamente por se situar na região da Serra da Mantiqueira com cotas altimétricas elevadas e
21,5oC em Resende-RJ. Verifica-se que para as outras cinco estações, a temperatura varia
pouco, estando na faixa de 19oC a 21oC.

Em relação às temperaturas máxima e mínima médias mensais, as Figura 6.2.1-5 e Figura


6.2.1-6 ilustram, respectivamente, suas variações mensais ao longo do ano por meio de
histogramas. Enquanto isso, o Quadro 6.2.1-6 e o Quadro 6.2.1-7 apresentam os valores das
temperaturas máxima e mínima para cada umas das sete estações que embasam o estudo dos
parâmetros meteorológicos.

Figura 6.2.1-5 - Temperatura Máxima Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações
Próximas ao Empreendimento

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Figura 6.2.1-6 - Temperatura Mínima Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações
Próximas ao Empreendimento

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Quadro 6.2.1-6 - Resumo da Temperatura Máxima Mensal e Anual para cada uma das Sete Estações Climatológicas Definidas para a Região
de Estudo do Empreendimento
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Temperatura Máxima Mensal e Anual (°C)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG 28,0 28,4 28,1 27,6 25,8 25,1 25,2 27,2 28,4 28,8 27,9 27,5 27,3

83683 Machado MG 29,0 29,5 28,9 27,9 25,4 24,5 24,8 26,8 27,6 28,7 28,5 28,6 27,5

83736 São Lourenço MG 28,8 29,4 28,9 27,9 25,0 24,3 24,6 26,5 27,1 28,2 28,5 28,5 27,3

83738 Resende RJ 30,1 30,8 29,6 27,9 25,5 24,7 24,5 25,9 26,5 27,9 28,9 29,6 27,7

83714 Campos do Jordão SP 22,5 23,0 22,2 21,0 18,5 17,9 17,9 19,7 20,4 21,4 21,6 22,0 20,7

83630 Franca SP 27,0 27,5 27,2 26,4 24,5 23,9 24,3 26,3 27,4 27,9 27,4 26,9 26,4

83784 Taubaté SP 30,6 31,2 30,1 28,5 25,4 24,7 24,9 26,7 27,3 29,0 29,5 30,4 28,2
Média Mensal das Estações 28,0 28,5 27,9 26,7 24,3 23,6 23,7 25,6 26,4 27,4 27,5 27,6

Quadro 6.2.1-7 - Resumo da Temperatura Mínima Mensal e Anual para cada uma das Sete Estações Climatológicas Definidas para a Região
de Estudo do Empreendimento
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Temperatura Mínima Mensal e Anual (°C)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG 18,7 18,7 18,5 17,4 15,0 13,9 13,8 15,0 16,5 17,8 18,0 18,4 16,8

83683 Machado MG 18,4 18,1 17,7 15,4 11,9 9,7 9,5 10,3 13,4 15,7 16,9 17,9 14,6

83736 São Lourenço MG 17,8 17,4 16,7 14,2 10,5 8,2 7,6 8,7 12,2 14,8 16,3 17,4 13,5

83738 Resende RJ 20,4 20,3 19,9 18,5 15,6 12,9 12,4 13,3 15,4 17,5 18,8 20,0 17,1

83714 Campos do Jordão SP 13,9 13,6 12,8 10,6 7,7 5,3 4,6 5,1 8,0 10,3 11,7 13,1 9,7

83630 Franca SP 18,8 18,9 18,7 17,5 15,2 14,1 13,9 15,4 16,5 17,6 18,1 18,4 16,9

83784 Taubaté SP 19,4 19,1 18,6 16,6 13,0 10,9 10,7 11,5 14,1 16,3 17,3 18,5 15,5
Média Mensal das Estações 18,2 18,0 17,6 15,7 12,7 10,7 10,4 11,3 13,7 15,7 16,7 17,7

19 / 158
Verifica-se que, seguindo a tendência de temperatura média mensal, os maiores valores de
temperatura máxima mensal são observados nos meses de janeiro e fevereiro (verão), com
valores de 28,0oC e 28,5oC. Essa mesma tendência é observada para os valores de
temperatura mínima mensal que evidenciam os menores valores para os meses de junho e
julho (inverno) com valores de 10,7oC e 10,4oC.

Vale destacar ainda que a estação Campos do Jordão apresenta os menores valores anuais
tanto de temperatura máxima (20,7oC) quanto de temperatura mínima (9,7oC), já que
notoriamente é uma região com temperaturas mais baixas devido a sua localização na Serra
da Mantiqueira (cotas altimétricas mais elevadas). Tal constatação já tinha sido evidenciada no
gráfico de temperatura média compensada (Figura 6.2.1-4). Por outro lado, a estação
climatológica de Taubaté apresenta o maior valor anual de temperatura máxima com 28,2oC,
enquanto a estação climatológica de Resende apresenta o maior valor anual de temperatura
mínima com 17,1oC.

6.2.1.4.3. Umidade Relativa do Ar

O parâmetro meteorológico de umidade relativa do ar é definido como a razão entre o


percentual (em número de moléculas) de água no ar e o percentual que corresponde à
saturação naquela temperatura ambiente, onde seus valores variam de acordo com a
temperatura e precipitação pluviométrica. Destaca-se que a umidade relativa do ar é a medida
mais utilizada para mensurar a sensação térmica em dias muito secos ou muito úmidos.

Ressalta-se ainda, que o aumento ou redução da umidade relativa do ar não evidencia


necessariamente a ocorrência de alteração na concentração de vapor de água no ar, pois a
sua variação, seja para cima ou para baixo, pode se originar da alteração da temperatura
ambiente, uma vez que a umidade relativa do ar é inversamente proporcional à temperatura do
ar.

A Figura 6.2.1-7 ilustra um histograma com os valores de umidade relativa do ar média mensal
para as sete estações climatológicas situadas próximas a região do empreendimento. Enquanto
o Quadro 6.2.1-8 apresenta os valores de umidade relativa do ar para cada uma das sete
estações que embasam os estudos dos parâmetros meteorológicos.

20 / 158
Figura 6.2.1-7 - Umidade Relativa do Ar Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações
Próximas ao Empreendimento

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Quadro 6.2.1-8 - Resumo da Umidade Relativa do Ar para cada uma das Sete Estações Climatológicas Definidas para a Região de Estudo
do Empreendimento
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Umidade Relativa do Ar Média Compensada (%)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG 81,2 80,0 80,6 78,2 75,9 72,5 67,8 63,5 65,5 70,9 78,0 82,7 74,7

83683 Machado MG 81,6 79,0 80,3 77,9 78,3 77,4 73,9 65,9 67,9 71,7 75,4 80,2 75,8

83736 São Lourenço MG 78,4 78,0 78,4 77,1 79,0 79,7 75,7 68,5 68,7 70,7 73,6 78,1 75,5

83738 Resende RJ 78,0 76,7 78,3 77,4 77,6 77,2 75,0 69,9 71,7 73,9 76,0 78,2 75,8

83714 Campos do Jordão SP 86,1 87,1 87,5 87,2 86,9 85,3 84,5 80,9 81,5 84,2 83,8 86,8 85,2

83630 Franca SP 79,7 77,6 77,8 73,2 70,4 64,9 58,7 53,4 58,8 65,7 72,6 78,7 69,3

83784 Taubaté SP 79,9 79,3 79,9 78,9 80,0 79,7 77,5 72,8 74,1 74,0 75,2 76,6 77,3
Média Mensal das Estações 80,7 79,7 80,4 78,6 78,3 76,7 73,3 67,8 69,7 73,0 76,4 80,2

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Os maiores valores observados da umidade relativa do ar se encontram nos meses de janeiro
e março, com valores de 80,7% e 80,4%, respectivamente. Já os menores valores constatados,
se situam nos meses de agosto e setembro, com valores de 67,8% e 69,7%. Os meses
restantes apresentam valores variando em relação a esses extremos.

O maior valor médio anual de umidade relativa do ar foi verificado na estação de Campos do
Jordão, com valor de 85,2%, que está acima do valor médio mensal mais elevado de 80,7%
diagnosticado no mês de janeiro. Já o menor valor médio de umidade relativa do ar foi
observado na estação de Franca com valor de 69,3%, que também está acima do menor valor
médio mensal observado em agosto, que foi de 67,8%.

6.2.1.4.4. Pressão Atmosférica

Pressão atmosférica é definida como o peso exercido por uma coluna de ar, com secção reta
de área unitária, que se encontra acima do observador, em um dado instante e local.
Fisicamente, representa o peso que a atmosfera exerce por unidade de área.

O estudo da distribuição da pressão atmosférica está intimamente relacionado com o


movimento da atmosfera, sendo que o ar é um fluido que se movimenta das áreas de alta
pressão em direção às áreas de menor pressão. Geralmente, a pressão atmosférica apresenta
valores maiores no período de inverno do que no período de verão, sendo que a mesma é
reduzida ao nível do mar.

Em geral, a pressão atmosférica está em contínua variação, mudando de ponto para ponto e,
em cada ponto, ao longo do tempo. Esta variação ocorre devido à contínua alteração da massa
específica do ar nas diferentes camadas da atmosfera, causada por alterações na temperatura,
no conteúdo de vapor de água ou em ambas. Informa-se que a massa específica do ar diminui
quando aumenta a temperatura, o teor de umidade, ou ambos (Varejão-Silva, 2006).

A Figura 6.2.1-8 apresenta um gráfico com os valores de média mensal de pressão atmosférica
ao nível do barômetro para seis das sete estações climatológicas definidas para a
caracterização dos parâmetros meteorológicos, pois no Banco de Dados das Normais
Climatológicas disponibilizado pelo INMET (período de 1981 a 2010), este parâmetro não é
apresentado na Estação Campos do Jordão. Já o Quadro 6.2.1-9 apresenta os valores
mensais e anual de pressão atmosférica ao nível do barômetro para essas mesmas seis
estações climatológicas situadas na região próxima ao empreendimento.

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Figura 6.2.1-8 - Pressão Atmosférica Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações
Próximas ao Empreendimento

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Quadro 6.2.1-9 - Resumo da Pressão Atmosférica para as Seis das Estações Climatológicas na Região de Estudo Definida para o
Empreendimento
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Pressão Atmosférica ao Nível do Barômetro (hPa)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG 899,8 900,6 900,5 901,7 902,8 904,4 904,9 904,1 902,5 900,8 899,6 899,5 901,8
83683 Machado MG 915,1 916,2 916,1 917,6 918,7 920,5 920,9 920,4 918,6 916,8 915,3 914,6 917,6
83736 São Lourenço MG 912,7 914,0 913,9 915,3 916,4 918,5 918,7 918,4 916,6 914,7 913,0 912,4 915,4
83738 Resende RJ 961,0 961,9 961,9 963,8 965,2 967,2 967,6 967,0 965,5 963,4 961,2 960,4 963,8
83630 Franca SP 901,8 902,8 902,7 904,0 905,1 906,6 907,1 906,3 904,7 903,0 901,9 901,5 904,0
83784 Taubaté SP 946,4 947,7 948,2 950,0 951,4 952,9 953,7 952,9 951,2 949,0 947,1 946,3 949,7
Média Mensal das Estações 922,8 923,9 923,9 925,4 926,6 928,4 928,8 928,2 926,5 924,6 923,0 922,5

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Observa-se que a variação sazonal da pressão atmosférica ao longo dos meses do ano é muito
pequena para cada uma das estações climatológicas, mantendo valores praticamente
constantes, onde o maior valor médio mensal é verificado no mês de julho com 928,8 hPa e o
menor valor médio mensal diagnosticado no mês de dezembro com valor de 922,5 hPa.

Entretanto, constata-se que há uma considerável variação espacial quando comparados os


valores medidos individualmente para cada uma das seis estações (valor anual – Quadro
6.2.1-9), onde a Estação Araxá apresenta o menor valor médio anual de 901,8 hPa, enquanto
que a estação Resende possui o maior valor médio anual de pressão atmosférica com 963,8
hPa.

6.2.1.4.5. Insolação

A insolação é definida como a radiação solar recebida pela Terra e a sua medição corresponde
à quantidade de horas de brilho solar que uma superfície recebe. Também pode ser
caracterizada como a energia que se propaga sem necessidade da presença de um meio
material ou aplica-se para designar o próprio processo de transferência desse tipo de energia.

A Figura 6.2.1-9 ilustra o gráfico contendo os valores de insolação média mensal para as sete
estações meteorológicas situadas próximas à região do empreendimento, enquanto que o
Quadro 6.2.1-10 apresenta os valores médios da insolação para cada umas das sete estações
climatológicas situadas na região próxima ao empreendimento.

Figura 6.2.1-9 - Insolação Média Mensal de 1981 a 2010 nas Estações Próximas ao
Empreendimento

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Quadro 6.2.1-10 - Resumo da Insolação Total para cada uma das Sete Estações Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do
Empreendimento
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Insolação Total (horas)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG 149,2 171,5 186,6 216,2 215,1 213,1 239,1 252,4 204,3 199,6 170,9 137,0 2355,0
83683 Machado MG 130,9 152,5 149,4 177,8 174,4 166,9 185,5 205,2 152,4 163,2 146,2 129,4 1933,8
83736 São Lourenço MG 170,9 178,1 199,7 210,7 199,1 187,0 218,6 239,8 203,3 203,6 193,0 168,1 2371,9
83738 Resende RJ 143,8 157,8 149,9 159,3 163,4 169,0 174,9 182,4 125,2 129,4 131,0 130,6 1816,7
83714 Campos do Jordão SP 106,4 93,6 99,8 122,9 137,2 157,9 180,3 177,9 123,8 137,2 128,0 97,6 1562,6
83630 Franca SP 142,3 151,1 183,3 221,8 232,6 238,9 257,2 253,7 200,3 190,7 175,4 152,5 2399,8
83784 Taubaté SP 148,9 154,3 158,4 178,6 171,6 179,3 183,6 197,7 137,0 147,1 152,2 162,6 1971,3
Média Mensal das Estações 141,8 151,3 161,0 183,9 184,8 187,4 205,6 215,6 163,8 167,3 156,7 139,7

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Observa-se que os maiores valores anuais acumulados de insolação (última coluna relacionada
ao Ano – Quadro 6.2.1-10) correspondem às estações São Lourenço e Franca, com valores
de 2.371,9 horas e 2.399,8 horas, respectivamente. Enquanto que os menores valores de
insolação anual observados são 1.562,6 horas na Estação de Campos do Jordão e 1.816,7
horas na Estação de Resende.

Os meses de julho e agosto apresentam os maiores valores de insolação, com média de 205,6
horas e 215,6 horas, respectivamente. Já os meses de janeiro e dezembro possuem os valores
médios mais baixos de insolação, com 141,8 horas e 139,7 horas, respectivamente.

6.2.1.4.6. Vento

A caracterização do vento em qualquer ponto da atmosfera requer a determinação de dois


parâmetros: sua direção e sua velocidade. Essas grandezas são instantâneas e pontuais, pois
o escoamento do ar depende das condições atmosféricas que variam no espaço e no tempo.

A direção do vento define a posição do horizonte aparente do observador a partir da qual o


vento parece provir (ou seja, de onde o vento sopra). Já a velocidade do vento à superfície
varia bastante com o tempo e se caracteriza por intensas oscilações, sendo que o módulo da
velocidade do vento é, normalmente, expresso em metros por segundo (m/s), em quilômetros
por hora (km/h) ou em knot (Varejão-Silva, 2006).

A Figura 6.2.1-10 apresenta o gráfico com os valores de média mensal da intensidade do vento
para cinco das sete estações climatológicas definidas para a caracterização dos parâmetros
meteorológicos, pois no Banco de Dados das Normais Climatológicas disponibilizado pelo
INMET (período de 1981 a 2010), este parâmetro não é apresentado nas Estações Resende e
Taubaté. Já o Quadro 6.2.1-11 apresenta os valores de intensidade dos ventos para cada
umas dessas cinco estações climatológicas situadas na região próxima ao empreendimento.

Figura 6.2.1-10 - Intensidade Média Mensal do Vento no período de 1981 a 2010 em


Cinco Estações Climatológicas Próximas ao Empreendimento

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Quadro 6.2.1-11 - Resumo da Intensidade dos Ventos em Cinco das Estações Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do
Empreendimento
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Intensidade do Vento (m/s)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG 2,00 2,00 2,00 2,20 2,20 2,20 2,40 2,50 2,50 2,30 2,20 2,00 2,20
83683 Machado MG 1,00 1,00 0,90 0,90 0,90 0,90 1,00 1,10 1,20 1,10 1,10 1,10 1,00
83736 São Lourenço MG 1,40 1,30 1,30 1,20 1,30 1,20 1,30 1,40 1,50 1,40 1,50 1,50 1,40
83714 Campos do Jordão SP 1,40 1,20 1,20 1,10 1,30 1,20 1,20 1,20 1,30 1,30 1,20 1,30 1,20
83630 Franca SP 2,70 2,60 2,60 2,60 2,60 2,60 2,80 2,80 2,90 2,80 2,80 2,80 2,70
Média Mensal das Estações 1,70 1,62 1,60 1,60 1,66 1,62 1,74 1,80 1,88 1,78 1,76 1,74

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Verifica-se que os ventos são mais intensos nos meses de agosto e setembro com valores de
1,80 m/s e 1,88 m/s, enquanto os meses que apresentam os menores valores de intensidade
dos ventos são março e abril, com valor de 1,6 m/s para ambos. Constata-se que a variação
sazonal dos ventos é muito pouco significativa, com valores constantes ao longo dos meses do
ano quando se avalia cada estação de forma individual.

Ressalta-se ainda que a Estação de Franca é a que apresenta maior intensidade de vento
média anual, com valor de 2,70 m/s, enquanto a Estação Machado apresenta o valor mais baixo
de intensidade média dos ventos com 1,00 m/s. Nesse caso observa-se uma variação espacial
considerável entre os extremos dos valores de intensidade dos ventos nas estações utilizadas.

Com relação aos dados de direção do vento, o Quadro 6.2.1-12 representa a caracterização
desse parâmetro para todas as sete estações climatológicas definidas para a caracterização
climatológicas, onde se verifica que para este atributo também foram disponibilizados dados
referentes das Estações Resende e Taubaté.

Os dados de direção do vento indicam que predomina a condição de calmaria na região em


estudo para as estações Machado, Resende, Campos do Jordão e Franca. Já a Estação de
Araxá indica predominância de ventos de Leste, enquanto nas Estações São Lourenço e
Taubaté a direção do vento se mostra variável, com ventos de Nordeste e calmaria ao longo
do ano.

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Quadro 6.2.1-12 - Resumo da Direção dos Ventos para cada uma das Sete Estações Climatológicas Definidas para a Região de Estudo do
Empreendimento
Normais Climatológicas do Brasil 1981-2010
Direção Predominante do Vento (pontos cardeais e colaterais)
Código Nome da Estação UF Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro Ano
83579 Araxá MG E E E E E E E E E E E E E
83683 Machado MG Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma
83736 São Lourenço MG Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma NE -
83738 Resende RJ Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma
83714 Campos do Jordão SP Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma
83630 Franca SP Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma Calma
83784 Taubaté SP NE - - NE Calma Calma Calma NE NE NE NE NE -

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6.2.1.4.7. Nível Ceráunico

O nível ceráunico é definido como a contagem dos dias de trovoadas por ano, ou seja, são
registrados os números de cada dia no ano em que foi ouvido o trovão de ao menos uma
descarga atmosférica.

Segundo a NBR 5419/2001, a densidade de descargas atmosféricas (Ng) é estimada pela


equação:

Ng = 0,04 x Td1,25 [descargas / km2 / ano]

A Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (RINDAT) define


descargas atmosféricas como descargas elétricas de grande extensão e de grande intensidade
que ocorrem devido ao acúmulo de cargas elétricas em regiões localizadas da atmosfera, em
geral dentro de tempestades. Podem ocorrer da nuvem para o solo, do solo para a nuvem,
dentro da nuvem, da nuvem para um ponto qualquer na atmosfera (denominados descargas
no ar), ou ainda entre nuvens (intra-nuvens). Dentre os tipos existentes, o mais comum é o
intra-nuvens, que representa cerca de 70% do número total de descargas.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) elaborou o Mapa de Densidades de


Descargas Atmosféricas com dados do período compreendido entre os anos de 1998 a 2013,
onde a Figura 6.2.1-11 destaca a região de estudo que abrange o traçado da LT 500 kV SE
Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2.

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Figura 6.2.1-11 - Mapa de Densidade de Descargas Elétricas, onde se destaca a região
do traçado da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista
Fonte: INPE / Operador Nacional do Sistema Elétrico

A partir do mapa da Figura 6.2.1-11, é possível observar que a densidade de descargas


atmosféricas na região de estudo do empreendimento varia entre 5 a 11 descargas/km2/ano,
predominando a faixa entre 7 e 9 descargas/km2/ano, com maior intensidade na tríplice divisa
dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, provavelmente em função da
ocorrência de relevo montanhoso, caracterizado pela Serra da Mantiqueira. O nível ceráunico
médio para a região de Minas Gerais é de 75 dias de trovoadas por ano.

Além disso, foi feita uma consulta ao site do INPE/ELAT (Grupo de Eletricidade Atmosférica)
onde se constatou que o mapa de raios em tempo real que pode ser visualizado em seu site
evidencia as mesmas características observadas no Mapa da Figura 6.2.1-11 para a região ao
longo do traçado do empreendimento. No referido site foi possível coletar informações
atualizadas no dia 06/12/2017 da concentração de raios nos municípios que são interceptados
pelo traçado da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2.

O Quadro 6.2.1-13 abaixo apresenta a relação destes municípios que são interceptados pelo

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traçado do empreendimento e seus respectivos valores de densidade de raios. Identifica-se
que o município com menor densidade de raios é Piranguinho (MG), com 2,0003 descargas
por km²/ano, enquanto o município de maior densidade foi Lorena (SP), com 7,6090 descargas
por km²/ano.

Quadro 6.2.1-13 - Concentração de raios (densidade de descargas) nos municípios


intervenientes ao traçado do empreendimento, segundo o Mapa de Raios em Tempo
Real (INPE - ELAT, dezembro de 2017)
Municípios compreendidos pela LT Densidade de descargas (descargas por km²/ano)
Piranguinho (MG) 2,0003
Brazópolis (MG) 2,0123
Santa Rita do Sapucaí (MG) 2,0278
São Sebastião da Bela Vista (MG) 2,0373
Campestre (MG) 2,1170
Itajubá (MG) 2,1989
Divisa Nova (MG) 2,2201
Espírito Santo do Dourado (MG) 2,2831
Poço Fundo (MG) 2,3286
Piranguçu (MG) 2,3318
Monte Belo (MG) 2,3372
Cachoeira de Minas (MG) 2,3423
Muzambinho (MG) 2,3651
Nova Resende (MG) 2,3785
Juruaia (MG) 2,3841
Cabo Verde (MG) 2,4195
Santa Rita de Caldas (MG) 2,4561
Passos (MG) 2,4945
Itaú de Minas (MG) 2,5136
Bom Jesus da Penha (MG) 2,5472
Wenceslau Braz (MG) 2,5913
Pouso Alegre (MG) 2,6000
Ipuiúna (MG) 2,8154
Cássia (MG) 3,1121
Ibiraci (MG) 3,2180
Delfim Moreira (MG) 3,2950
Piquete (SP) 4,4600
Guaratinguetá (SP) 5,9895
Cachoeira Paulista (SP) 7,1646
Lorena (SP) 7,6090

Avaliando os dados do Quadro 6.2.1-13, de modo geral, os municípios pertencentes ao estado


de São Paulo são os que apresentam maior densidade, haja vista o município de Lorena, que
é seguido por Cachoeira Paulista, com 7,1646 descargas por km²/ano, Guaratinguetá, com
5,9895 descargas por km²/ano e Piquete, com 4,4600 descargas por km²/ano. O município de
Minas Gerais relacionado ao empreendimento com maior valor de densidade é Delfim Moreira,
com 3,2950 descargas por km²/ano, o que mostra que há pouca variação nos municípios
estudados desse estado, que possui a média de 2,4395 descargas por km²/ano. A média dos
municípios estudados em São Paulo é de 6,3058 descargas por km²/ano.

Por fim, ressalta-se que para a implantação de linhas de transmissão e distribuição de energia
elétrica, é fundamental a caracterização detalhada das descargas atmosféricas existentes na

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região dos referidos empreendimentos, já que as mesmas quando muito elevadas são
responsáveis pelos seus desligamentos não programados ocasionados por sobretensões de
origem atmosférica. Segundo o INPE - ELAT, as medidas a serem adotadas para minimização
do aparecimento de tais eventos é o aperfeiçoamento dos sistemas de aterramento e uso de
para raios, principalmente nas regiões com maior incidência de descargas.

6.2.1.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Verifica-se que todo o traçado do empreendimento encontra-se em uma região de clima


Tropical Brasil Central, com temperaturas nas estações climatológicas para o estudo
apresentando média anual entre 19 a 21 0C, sendo a única exceção a estação Campos do
Jordão, que pela sua localização, situada na Serra da Mantiqueira (influência da altitude e
relevo montanhoso), possui valor médio abaixo dessa faixa (14,2 0C).

Já a distribuição da precipitação pluviométrica possui caráter sazonal, caracterizando


plenamente o clima Tropical Brasil Central com duas estações bem definidas: uma estação
seca, principalmente no período entre os meses de junho a agosto, e uma estação mais úmida,
onde se destaca o período entre os meses de dezembro a fevereiro como o mais chuvoso
(verão quente e úmido).

Vale ressaltar que os valores mais elevados de umidade relativa do ar são observados durante
o verão, enquanto os de pressão atmosférica e insolação são verificados durante os meses de
inverno.

De maneira geral, a intensidade dos ventos indica valores baixos, sendo o maior valor
observado na estação climatológica de Franca. Verificou-se que a variação sazonal dos ventos
é muito pouco significativa com valores constantes ao longo dos meses do ano quando se
avaliou cada estação de forma individual.

Por fim, em relação ao nível ceráunico, verifica-se que o traçado do empreendimento se situa
predominantemente na faixa de valor entre 7 a 9 descargas/km2/ano, conforme observado na
Figura 6.2.1-11, que define uma incidência média de descargas atmosféricas.

6.2.2. RECURSOS HÍDRICOS

6.2.2.1. CARACTERIZAÇÃO GERAL DOS RECURSOS HÍDRICOS

Em função da importância que os corpos hídricos possuem como elementos integradores da


paisagem e da dinâmica dos ambientes terrestres, é de fundamental importância o pleno
conhecimento dos cursos d’água existentes e seu comportamento hidrológico para que a
implantação de qualquer tipo de empreendimento, no caso em questão, a LT 500 kV SE Estreito
– SE Cachoeira Paulista C1 e C2, acarrete os menores impactos possíveis.

O Brasil possui 12 regiões hidrográficas por todo o seu território, definidas a partir da Resolução
no 32 de 2003 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, onde o traçado da linha de
transmissão em estudo corta duas destas regiões hidrográficas, sendo que a Região
Hidrográfica do Paraná corta quase toda a totalidade desta, enquanto a Região Hidrográfica

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Atlântico Sudeste é responsável por uma pequena faixa. A Figura 6.2.2-1 ilustra o mapa do
Brasil contemplando as regiões hidrográficas existentes, onde está destacado por uma linha
vermelha o traçado da LT em estudo.

Figura 6.2.2-1 - Mapa do Brasil contendo as 12 Regiões Hidrográficas, onde se destaca


em vermelho o Traçado da LT 500kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2
(IBGE, de acordo com a Resolução no 32 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos de 2003).

No contexto da Região Hidrográfica do Paraná constata-se que o traçado da linha de


transmissão em estudo encontra-se situado na bacia hidrográfica do rio Grande, enquanto no
âmbito da Região Hidrográfica do Atlântico Sudeste constata-se que o traçado da referida LT
localiza-se na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul.

Segundo dados obtidos da Agência Nacional de Águas (ANA), a Região Hidrográfica do Paraná
apresenta uma área de 879.873 km2 abrangendo os estados de São Paulo (25% da região),
Paraná (21% da região), Mato Grosso do Sul (20% da região), Minas Gerais (18% da região),
Goiás (14% da região) e Distrito Federal (0,5% da região), englobando 33,21% da população
nacional. Essa região possui a maior demanda por recursos hídricos do País, equivalente a 736
m3/s, que corresponde a 31% da demanda nacional, onde a irrigação (42%) é a maior usuária
dos recursos hídricos, seguida do abastecimento industrial (27%). A região do traçado da linha
de transmissão interfere na bacia hidrográfica do rio Grande que está inserida nessa região
hidrográfica.

A Região Hidrográfica Atlântico Sudeste se caracteriza pelo elevado contingente populacional


e pela importância econômica de sua indústria. Sua área é de aproximadamente 213.172 km2,
o equivalente a 2,5% do território brasileiro, abrangendo territórios dos estados do Espírito
Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e litoral do Paraná. Os seus principais rios são
o Paraíba do Sul e o Doce, sendo que o traçado da LT interfere apenas em um pequeno trecho
da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul.

Para caracterização detalhada dos corpos hídricos que estão inseridos nas duas bacias

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hidrográficas supracitadas e que interferem na Área de Estudo da LT SE Estreito – SE
Cachoeira Paulista, foram elaborados 13 mapas hidrográficos (L18-MP-F-6.2.2-001 a L18-MP-
F-6.2.2-013), que são devidamente apresentados no Caderno de Mapas do presente EIA.
Ressalta-se que estes mapas hidrográficos apresentam também a identificação das cabeceiras
de rio que representam as nascentes dos corpos hídricos existentes na área de estudo e a
distância delas em relação ao eixo do traçado (item 6.2.2.4 do presente relatório). Além disso,
é importante informar que a Área de Estudo (AE) estabelecida abrange um raio de 5 km para
cada lado dos eixos do traçado do empreendimento.

O mapa geral L18-MP-F-6.2.2-014 contempla as regiões hidrográficas do Paraná e do Atlântico


Leste, onde se delimita a Bacia do rio Grande e a Bacia do rio Paraíba do Sul, destacando-se
ainda o traçado da linha de transmissão.

Com base nas informações inerentes aos supracitados mapas, estabeleceu-se a listagem dos
75 corpos hídricos que vão sofrer interferência direta com a implantação do empreendimento,
sendo estes cortados pela LT. O Quadro 6.2.2-1 apresenta a listagem dos referidos corpos
hídricos e seus respectivos municípios, enquanto da Figura 6.2.2-2 até a Figura 6.2.2-6 são
apresentados aspectos gerais de alguns corpos hídricos observados nas atividades de campo
realizadas para diagnóstico ambiental do meio físico.

A partir do enquadramento realizado pelo ZEE-MG, todos os cursos d’água que cortam o
traçado da LT são pertencentes à Classe 2, exceto o Córrego da Fortaleza, que segundo esta
mesma fonte, é classe especial. As águas de Classe 2 podem ser destinadas ao abastecimento
para consumo humano, após tratamento convencional; à proteção das comunidades aquáticas;
à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho; à irrigação de
hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o
público possa vir a ter contato direto; e à aquicultura e à atividade de pesca. Já as águas de
classe especial podem ser destinadas ao abastecimento para consumo humano, após
desinfecção; à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e à preservação
dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral.

Quadro 6.2.2-1 - Listagem dos 75 Corpos Hídricos que serão atravessados pelo
Traçado da Linha de Transmissão e seus respectivos Municípios.
CORPO HÍDRICO IDENTIFICADO MUNICÍPIOS
Córrego Bela Vista Santa Rita Do Sapucaí
Córrego Boa Vista Delfim Moreira
Córrego Cachoeira Monte Belo
Córrego Chica Costa Espírito Santo Do Dourado
Córrego Coutinho Cássia
Córrego da Bocaína Delfim Moreira
Córrego da Cachoeirinha Espírito Santo Do Dourado
Córrego da Divisa Espírito Santo Do Dourado
Córrego da Fortaleza Passos
Córrego da Jacuba Monte Belo
Córrego da Lagoa Passos
Córrego da Onia Delfim Moreira
Córrego da Peroba Cássia

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CORPO HÍDRICO IDENTIFICADO MUNICÍPIOS
Córrego da Ponte Alta Espírito Santo Do Dourado
Córrego da Rosata Pouso Alegre
Córrego da Sepultura Santa Rita De Caldas
Córrego das Flores Nova Resende
Córrego do Bairro da Berta Itajubá
Córrego do Cafundu Campestre
Córrego do Feital Monte Belo
Córrego do Ouro Campestre
Córrego do Patuá Santa Rita Do Sapucaí
Córrego do Pontal Bom Jesus Da Penha
Córrego do Pouso Frio Piranguçu
Córrego do Quilombo Wenceslau Braz
Córrego do Roque Campestre
Córrego dos Quatis Monte Belo
Córrego Fundo Ibiraci/Itaú de Minas/Passos
Córrego Inha Pouso Alegre
Córrego Mandagaia Passos
Córrego Pinhalzinho Nova Resende
Córrego Pouso d'Anta Santa Rita Do Sapucaí
Córrego Rico Passos
Córrego Sanharão Monte Belo
Córrego Santa Cruz Itaú De Minas
Córrego Sapezinho Cássia/Passos
Córrego Tijuco Preto Divisa Nova
Ribeirão Assunção Cabo Verde
Ribeirão da Paca Divisa Nova
Ribeirão Barra Mansa Passos
Ribeirão Campestre Bom Jesus Da Penha
Ribeirão da Cachoeira Muzambinho
Ribeirão da Cachoeirinha Cachoeira De Minas
Ribeirão da Estiva Bom Jesus Da Penha/Divisa Nova
Ribeirão das Anhumas Itajubá
Ribeirão das Araras Passos
Ribeirão das Areias Cássia/Itaú de Minas/Passos
Ribeirão das Posses Campestre
Ribeirão do Machadinho do Campo Nova Resende
Ribeirão do Tanque Ibiraci
Ribeirão do Vintém Santa Rita Do Sapucaí
Ribeirão dos Afonsos Pouso Alegre
Ribeirão dos Fisis Monte Belo
Ribeirão dos Porcos Piranguinho
Ribeirão Inhumas Cabo Verde

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CORPO HÍDRICO IDENTIFICADO MUNICÍPIOS
Ribeirão Machadinho do Campo Espírito Santo Do Dourado
Ribeirão Barra Mansa Cássia
Ribeirão Piranguinho ou dos Antunes Piranguçu
Ribeirão Piranguçu Piranguçu
Ribeirão Santa Quitéria Cássia/Passos
Ribeirão São Bartolomeu Monte Belo
Ribeirão São Joaquim Cássia
Ribeirão São Pedro Espírito Santo Do Dourado
Ribeirão Vargem Grande ou da Candel Cachoeira De Minas
Ribeirão Vermelho ou do Camban Delfim Moreira
Bom Jesus Da Penha/Cabo Verde/Itaú de Minas/Nova
Rio Cabo Verde
Resende/Passos
Rio Claro Passos
Rio Comprido Delfim Moreira
Rio do Cervo Pouso Alegre
Rio do Peixe Itaú De Minas
Rio Dourado Espírito Santo Do Dourado
Rio Machado Campestre/Ipuiúna
Rio Muzambo Juruaia/Passos
Rio São Tomé Passos
Bom Jesus Da Penha/Cássia/Itajubá/Passos/Santa Rita do
Rio Sapucaí
Sapucaí/São Sebastião da Bela Vista/Wenceslau Braz

Figura 6.2.2-2 - Aspecto Geral de um trecho do rio Sapucaí, onde se prevê que o
Traçado da LT vai passar (vista observada da Estrada Municipal José Victor Amaral)

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Figura 6.2.2-3 - Aspecto Geral de um trecho do rio Muzambo que será cortado pelo
Traçado da LT. Divisa entre os municípios de Muzambinho-MG e Juruaia-MG

Figura 6.2.2-4 - Margens do rio Machado, junto ao barramento da UHE Poço Fundo

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Figura 6.2.2-5 - Vista geral de um trecho do reservatório da UHE Poço Fundo, onde o
traçado da LT passará

Figura 6.2.2-6 - Vista geral de um trecho do rio Cervo, onde o traçado da LT cruzará o
referido corpo hídrico. Vista da Rodovia MG179

6.2.2.2. REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARANÁ

A Região Hidrográfica do Paraná, conforme citado anteriormente, apresenta uma área de


879.873 km2, abrangendo os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,
Goiás e Distrito Federal, englobando quase que um terço da população nacional. Além de ser
a região mais populosa do país, é também a mais urbanizada, com taxa de urbanização de
90,5%. 1.505 municípios fazem parte da região, sendo 1.402 com a sede inserida na Região

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Hidrográfica do Paraná (MMA, 2006). A bacia hidrográfica do rio Grande, que está inserida
nessa região hidrográfica, sofre interferência da linha de transmissão em estudo.

A ocupação atual dessa região é destacada por grandes aglomerações populacionais,


principalmente concentradas nas áreas de cabeceiras das principais drenagens ou nos altos e
médios cursos dos principais cursos d’água regionais. Há uma menor concentração
populacional na parte central da região, onde se encontram grandes centrais hidrelétricas e
aproveitamento múltiplo da água. Uma das grandes vocações da região é de geração de
energia hidrelétrica, sendo responsável por mais de 60% da produção do Sistema Interligado
Nacional (SIN). Ainda, apresenta o mais desenvolvido parque industrial nacional e
diversificadas atividades agropecuárias ao longo da região, sendo responsável por mais de
40% do PIB brasileiro (MMA, 2006). Essas atividades apresentam relação direta com os usos
da água e geração de potenciais impactos negativos.

A Região Hidrográfica do Paraná possui a maior demanda por recursos hídricos do País, o
equivalente a 736 m3/s, correspondendo a 31% da demanda nacional, na qual a irrigação (42%)
é a maior usuária dos recursos hídricos, seguida do abastecimento industrial (27%). Apesar da
grande demanda, a Região Hidrográfica do Paraná possui menos que 7% da disponibilidade
hídrica do Brasil, o que pode possibilitar conflitos entre usos múltiplos da água e potenciais
situações de escassez (MMA, 2006).

Quanto à disponibilidade hídrica, segundo o Ministério do Meio Ambiente (2006), a região


apresenta vazão média de 11.453 m³/s e vazão específica média de 13,1 L/s.km². Já a Q95,
que corresponde à vazão média diária excedida ou igualada em 95% do tempo, é de 4.657
m³/s. Quando levados em conta os eventos hidrológicos críticos, não há situações
contundentes de escassez por falta de disponibilidade hídrica na Região Hidrográfica do
Paraná, mas ocorre excesso de demanda em relação às disponibilidades existentes, isto é, em
áreas mais populosas pode ocorrer uma demanda superior à disponibilidade existente no local
(MMA, 2006). Um evento crítico a ser destacado foi o rebaixamento dos níveis dos reservatórios
a partir do final da década de 1990, sendo mais crítico em 2001. Esse evento gerou implicações
socioeconômicas na época e houve racionamento de consumo de energia na maior parte do
Brasil.

A região é dividida em seis unidades hidrográficas principais: Grande, Iguaçu, Paranaíba,


Paranapanema, Paraná e Tietê. O rio Paraná é formado principalmente pelos rios Paranaíba e
Grande, que se unem para formá-lo entre os limites dos estados de São Paulo, Minas Gerais e
Mato Grosso do Sul. Os outros rios que nomeiam as bacias citadas anteriormente são afluentes
de margem esquerda do rio Paraná (MMA, 2006). Conforme relatado anteriormente, a maior
parte do traçado da linha de transmissão em estudo está situada na bacia hidrográfica do rio
Grande.

6.2.2.2.1. Bacia Hidrográfica do Rio Grande

A Bacia Hidrográfica do rio Grande abrange cerca de 143.000 km2, com 60% de sua extensão
inserida no estado de Minas Gerais e 40% no estado de São Paulo, interceptando um total de
393 municípios. Sua nascente se situa na Serra da Mantiqueira, no município de Bocaina de
Minas (MG), a uma altitude de cerca de 2.000 m. Os principais afluentes do rio Grande pela
margem direita são os rios das Mortes, Jacaré, Santana, Pouso Alegre, Uberaba e Verde,
enquanto pela margem esquerda são os rios Capivari, Sapucaí, Pardo, Mogi-Guaçu e Turvo.

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A área da bacia corresponde a 16,3% da área total da região hidrográfica em que ela está
inserida. Essa bacia também compreende 13,9% da população total da Região Hidrográfica do
Paraná, abrangendo 434 municípios e possuindo uma alta taxa de urbanização, sendo esta de
aproximadamente 86,6% (MMA, 2006).

Quanto à disponibilidade hídrica, a vazão média da bacia é de 2.210,9 m³/s, enquanto a vazão
específica média é de 15,4 L/s.km², superior à da Região Hidrográfica em que ela está inserida.
Já a Q95 é de 913,5 m³/s (MMA, 2006). A disponibilidade hídrica per capita é de 9.159,1
m³/hab.ano, valor classificado como situação confortável pela Unesco, 2003, e como situação
rica por Rebouças, 1994.

Vale destacar a caracterização dessa bacia no Relatório R3 da LT 500 kV SE Estreito – SE


Cachoeira Paulista C1 e C2 (Caracterização e Análise Socioambiental – ELETROBRAS/EPE,
2015) que informa que o rio Grande, no seu curso inferior, constitui a divisa natural entre os
estados de Minas Gerais e de São Paulo, com extensão de pouco mais de 600 km, com uma
área drenada de aproximadamente 83.000 km² sendo quase exclusivamente constituída pelas
bacias dos afluentes da margem esquerda, em território paulista, sendo que os principais são
os rios Sapucaí, Pardo e Turvo (ANA, 2015). Enquanto que o seu curso superior, com extensão
de 700 km, corre em território mineiro, onde recebe como contribuição principal o rio das
Mortes, afluente da margem direita e o rio Sapucaí, afluente da margem esquerda.

Nesta bacia destaca-se a presença de duas importantes represas. No início do corredor está a
Usina Mascarenhas de Moraes (Peixoto), com capacidade para 476 MW e que possui 59.600
km² de área, gerando energia a partir de um desnível de 43 m, sendo operada por Furnas. Seu
lago é capaz de armazenar 2,18% de todo o volume represável pelos reservatórios do sistema
Sudeste/Centro Oeste, o que corresponde a 8,47% do armazenamento do subsistema do rio
Grande (FURNAS, 2015). A segunda grande represa é a de Furnas, que está localizada entre
os municípios de São José da Barra e São João Batista da Glória, possuindo capacidade de
geração de 1.216 MW. Seu reservatório cobre 1.440 km² (banhando 34 municípios) e a cota
máxima do armazenamento atinge 768 m de altitude, de modo que a cota mínima de operação
da usina é de 750 m (FURNAS, 2015).

Além disso, o rio Grande apresenta 13 barragens instaladas ao longo de seu curso, onde se
observa, de montante para jusante: Alto Rio Grande (em fase de outorga), Camargos, Itutinga,
Funil, Furnas, Marechal Mascarenhas de Moraes (Peixoto), Estreito, Jaguara, Igarapava, Volta
Grande, Porto Colômbia, Marimbondo e Água Vermelha; além de parte do reservatório de Ilha
Solteira (IPT, 2008).

Suas águas vêm sendo utilizadas para diversos fins, como abastecimento, diluição de esgotos,
irrigação, e como já apresentado, para a geração de energia elétrica. A vertente mineira, onde
se localiza o traçado da linha de transmissão, apresenta como principal demanda o setor de
irrigação/aquicultura/dessedentação, com 2,571m³/s, seguido do uso industrial, com 0,936m³/s.
O abastecimento público, bem como outros usos de água, apresenta 0,086 e 0,283m³/s,
respectivamente. Já a vertente paulista do rio Grande corresponde a maior demanda de suas
águas, onde 43% das mesmas são utilizadas no setor irrigação/aquicultura/dessedentação
animal, seguido pelo uso industrial, com cerca de 37% da demanda, e abastecimento público
com 16,78%.

Com o objetivo de contribuir para o planejamento da formação dos comitês de bacia, além de

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identificar áreas específicas para embasar a implantação de instrumentos da Política Estadual
de Recursos Hídricos e a gestão descentralizada desses recursos, foram identificadas e
definidas unidades de planejamento e gestão dos recursos hídricos no Estado de Minas Gerais
(UPGRH), para todas as Regiões Hidrográficas. As unidades de planejamento são unidades
físico-territoriais identificadas dentro das bacias hidrográficas do Estado de Minas Gerais,
apresentando uma identidade regional caracterizada por aspectos físicos, socioculturais,
econômicos e políticos.

A Bacia do Rio Grande (GD) é dividida em GD1 – Bacia do Alto Rio Grande; GD2 – Bacias dos
rios das Mortes e Jacaré; GD3 – Bacia do reservatório de Furnas; GD4 – Bacia do rio Verde;
GD5 – Bacia do rio Sapucaí; GD6 – Bacias dos afluentes mineiros dos rios Mogi-Guaçu/Pardo;
GD7 – Bacia dos afluentes mineiros do Médio Rio Grande; e GD8 – Bacia dos afluentes
mineiros do Baixo Rio Grande. Informa-se que o traçado da LT em questão corta as unidades
GD3, GD5 e GD7.

6.2.2.3. REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUDESTE

A outra região hidrográfica que a linha de transmissão atravessa, mesmo que em uma pequena
parcela ao sul do traçado, é a Região Hidrográfica Atlântico Sudeste, que abrange os estados
de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Esta Região se
caracteriza pelo elevado contingente populacional, abrigando 14,7% da população brasileira,
além da alta taxa de urbanização e da importância econômica de sua indústria. Sua área é de
214.629 km2, o equivalente a 2,5% do território brasileiro. Os seus principais rios são Paraíba
do Sul e Doce, sendo que o traçado da LT interfere apenas na bacia hidrográfica do rio Paraíba
do Sul.

Devido ao grande número de habitantes, a região hidrográfica em questão apresenta uma das
maiores demandas nacionais, além de uma das menores disponibilidades hídricas relativas.
Quanto à disponibilidade de águas superficiais, a vazão média é de 3.178 m³/s, enquanto a
vazão média relativa é de 16,3 L/s.km². A Q95, vazão média diária excedida ou igualada em
95% do tempo, é de 989,4 m³/s, o que corresponde à 2% da água disponível no país (MMA,
2006).

Há uma diferença considerável entre as vazões máximas e mínimas obtidas nos períodos secos
e chuvosos nos principais rios da região. Essa variação, somada às condições geomorfológicas
da bacia, acabam por definir eventos hidrológicos críticos (MMA, 2006).

O desenvolvimento da região fez com que ela fosse responsável por uma parcela significante
do PIB brasileiro, sendo esta correspondente a 14,4% no ano de 2002. Isso tem relação com
seus usos superficiais outorgados, que abrangem as atividades de mineração, indústria,
abastecimento humano, irrigação e termeletricidade. Em termos de demanda de água, segundo
a ANA, 2005, o setor agropecuário consome 15,13% do total demandado pela região, enquanto
o setor industrial requer 14,01% desse total.

6.2.2.3.1. Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul

A Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul possui área de cerca de 57.000 km 2 e


aproximadamente 1.100 km de extensão, abrangendo os estados de São Paulo (23,7%), Rio
de Janeiro (36,7%) e Minas Gerais (39,6%), sendo considerada uma das mais problemáticas

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do Brasil, devido à grande urbanização dessa região com múltiplos usos da água,
principalmente para abastecimento, geração de energia elétrica e uso industrial. Os principais
afluentes pela margem esquerda são os rios Jaguari, Paraibuna, Pomba e Muriaé, enquanto
pela margem direita são os rios Piraí, Piabanha e Dois Rios.

Esta bacia abrange uma área com 181 municípios e possui uma vazão específica de 14,5
L/s.km², sendo que a vazão média por habitante é de 5.633,81 m³/hab.ano, o que confere uma
situação confortável para a bacia. Entretanto, em função da grande industrialização da região,
problemas ambientais de qualidade das águas da bacia são observados, principalmente no que
se refere à presença de metais pesados, fenóis e oxigênio dissolvido. Além disso, o rio também
é afetado por efluentes domésticos despejados incorretamente sem tratamento prévio. Por fim,
a extração de areia do leito e das planícies de inundação desse rio também trazem prejuízos,
pois alteram significativamente trechos do rio e a qualidade das águas, assim como a
estabilização das margens.

Sua nascente se localiza na Serra da Bocaina, no estado de São Paulo, a partir da confluência
dos rios Paraitinga e Paraibuna. Informa-se que o rio Paraitinga desce da Serra da Bocaina,
nos municípios de Areias e São José do Barreiro, a 1.800 m de altitude rumo a sudoeste em
vale estreito e encaixado entre a Serra do Mar e as Serras da Bocaina, Quebra-Cangalha e
Jambeiro (ANA, 2015), enquanto percorrendo um vale, aproximadamente paralelo, desce o rio
Paraibuna, no estado de São Paulo, até o encontro entre ambos, formando o rio Paraíba do
Sul.

Vale destacar também a caracterização dessa bacia no Relatório R3 da LT 500 kV SE Estreito


– SE Cachoeira Paulista (Caracterização e Análise Socioambiental – ELETROBRAS/EPE,
2015) que informa que no período entre as décadas de 1930 a 1960 foram construídas as
principais barragens ao longo do rio Paraibuna/Paraitinga; Santa Branca; Funil; Santa Cecília
e Ilha dos Pombos (IGAM, 2015). Destacando-se o sistema Paraíba do Sul/Guandu, que é
composto por dois subsistemas:

 Paraíba: compreende a transposição das águas do rio Paraíba do Sul em Santa


Cecília. Esse subsistema é composto pela estação elevatória de Santa Cecília,
barragem de Santana, estação elevatória de Vigário, usinas hidrelétricas Nilo
Peçanha e Fontes Nova, reservatório de Ponte Coberta e usina hidrelétrica
Pereira Passos.

 Lajes: consiste das barragens de Tocos e Lajes, calha da CEDAE e das Usinas
Fontes Nova e Fontes Velha (que está atualmente desativada). Ambos os
subsistemas foram projetados para suprir de energia elétrica e água a cidade
do Rio de Janeiro. Essas barragens modificaram o comportamento hidráulico-
sedimentológico do rio.

Adicionalmente, próximo à fronteira entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, encontra-
se uma barragem que forma a represa de Funil (Furnas), que tem uma potência nominal de 72
MW (FURNAS, 2015). Nos principais afluentes do rio Paraíba do Sul existem outras
hidrelétricas, dentre as quais podem ser citadas as que passam por Itagauçaba, Bananal e
Piraí. Outra barragem do rio Paraíba do Sul a ser citada é a de Santa Cecília, onde ocorre a
transposição de águas para o rio Guandu. A represa de Ribeirão das Lajes recebe águas do
rio Paraíba do Sul, do rio Piraí e do córrego do Vigário, desviando-as para o rio Guandu
(ABESRIO, 2015).

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6.2.2.4. NASCENTES E ÁREAS ALAGÁVEIS

Segundo a Lei Federal 12.651/2012 (Artigo 3º, XVII), nascente é definida como um afloramento
natural do lençol freático que apresenta perenidade e dá início a um curso d’água. Enquanto
isso, o Art. 2o da Resolução CONAMA nº 303/2002 define nascente ou olho d’água como o
local onde aflora naturalmente, mesmo que de forma intermitente, a água subterrânea. Já
Felipe & Magalhães Junior (2013) propõem que nascente seja entendida como um sistema
ambiental em que o afloramento da água subterrânea ocorre naturalmente, de modo temporário
ou perene, e cujos fluxos hidrológicos na fase superficial sejam integrados à rede de drenagem.
Portanto, uma nascente contempla os mais diversos processos hidrológicos, hidrogeológicos e
geomorfológicos que acarretam a exfiltração da água e a formação de um curso d’água.

Para verificação da presença de nascentes ao longo do traçado da LT 500 kV SE Estreito – SE


Cachoeira Paulista C1 e C2, foi utilizado o método de identificação e determinação dos pontos
onde se iniciam os corpos hídricos (drenagens) na Área de Estudo (AE), correspondentes as
suas cabeceiras, que podem ser observados nos mapas topográficos. Considera-se que estes
pontos correspondem às principais nascentes das drenagens naturais e perenes ali existentes.
A partir desta identificação foi determinada a distância de cada uma destas cabeceiras até o
eixo do traçado do empreendimento.

Dentro da AE do empreendimento foram determinadas 390 cabeceiras que foram classificadas


dentro de cinco faixas pré-estabelecidas e relacionadas à distância das referidas cabeceiras
até o eixo do traçado da LT, sendo elas: (1) até 50 m; (2) de 51 a 200 m; (3) de 201 a 1.000 m;
(4) de 1.001 a 3.000 m; e (5) de 3.001 a 5.000 m. Destaca-se que o limite de 5.000 m se deve
ao fato da AE definida para o empreendimento estabelecer esta faixa limítrofe significativa para
os estudos ambientais inerentes ao diagnóstico do meio físico.

O Quadro 6.2.2-2 apresenta os quantitativos do mapeamento das nascentes com o número


total de cabeceiras observadas e classificadas dentro das faixas pré-estabelecidas, com a
determinação de percentagem para cada uma destas faixas dentro do total diagnosticado. A
Figura 6.2.2-7 ilustra um histograma, onde se observa a variação dos quantitativos das
cabeceiras classificadas nas referidas faixas determinadas.

Quadro 6.2.2-2 - Quantitativos das Cabeceiras verificadas na AE do Empreendimento e


Classificadas dentro das faixas de distância que estão até o eixo do traçado da LT
MAPEAMENTO DAS NASCENTES (CABECEIRAS)
CLASSIFICAÇÃO QUANTITATIVOS PERCENTAGEM
Até 50 m 12 3%
De 51 a 200 m 13 3%
De 201 a1000 m 68 18%
De 1001 a 3000 m 133 34%
De 3001 a 5000 m 164 42%
TOTAL 390 100%

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Cabeceiras

1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral Cabeceiras
1900ral
1900ral
1900ral
1900ral
até 50 m 51-200 m 201-1000 m 1001-3000 3001-5000
m m

Figura 6.2.2-7 - Histograma dos Quantitativos de Cabeceiras diagnosticadas na AE do


Empreendimento, considerando as diferentes faixas de distância até o traçado da LT

Avaliando os dados apresentados no Quadro 6.2.2-2 e na Figura 6.2.2-7, verifica-se que


atenção especial deve ser dada as 12 cabeceiras que estão classificadas na faixa de “até 50
m”, já que as mesmas estão inseridas na faixa de servidão do empreendimento (40 m para
cada um dos lados do seu traçado) ou estão muito próximas dos limites desta faixa. Portanto,
para a implantação das torres da LT deverão ser avaliadas as possíveis interferências
ambientais, frente à presença destas possíveis nascentes detectadas durante este diagnóstico.
Além disso, ressalta-se que a implementação dos canteiros de obra e de toda infraestrutura
envolvida na fase de implantação do empreendimento também devem levar em consideração
a localização das cabeceiras dos corpos hídricos existentes na região.

Durante a fase de implantação do empreendimento, considera-se importante também uma


avaliação detalhada das 13 cabeceiras classificadas na faixa “de 51 até 200 m”, pois também
se encontram em um trecho que pode sofrer interferências ambientais diretas devido às
atividades construtivas a serem implementadas.

Portanto, dentro do total de 390 cabeceiras (nascentes) observadas, deve-se estabelecer uma
avaliação mais atenta de 25 cabeceiras que estão classificadas dentro das faixas de “até 50 m”
e “de 51 a 200 m”, que representam a percentagem de apenas 9% em relação ao total
verificado. Ademais, informa-se que os mapas hidrográficos do Caderno de Mapas (L18-MP-
F-6.2.2-001 a L18-MP-F-6.2.2-013) evidenciam as 390 cabeceiras (nascentes) mapeadas na
área de estudo, onde se pode visualizar a distribuição espacial e a classificação das faixas de
distância ao traçado de cada uma delas.

Com relação às áreas alagáveis dos corpos hídricos, que estão estreitamente relacionadas às
suas planícies de inundação, não foram verificados gleissolos representativos durante os
levantamentos pedológicos realizados que pudessem caracteriza-las. No contexto deste
aspecto, devem ser avaliadas, preliminarmente, as regiões que são caracterizadas e definidas
como depósitos quaternários (levantamento geológico) e de neossolos flúvicos (levantamento
pedológico) que podem estabelecer relações com as planícies de inundação dos corpos
hídricos.

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Portanto, considera-se que a avaliação das áreas alagáveis deve ser evidenciada durante a
fase construtiva do empreendimento, onde a locação final das torres da LT deverá ser
determinada “in loco”, levando-se em consideração a possível presença dessas áreas. A
identificação destas áreas alagáveis deve ser feita pontualmente, caso a caso, quando o
traçado da LT cortar definitivamente determinados corpos hídricos. Vale lembrar que tanto as
margens quanto a própria calha do corpo hídrico em questão deverão ser avaliadas no campo,
onde será possível determinar o melhor ponto para a implantação das torres da LT sem
acarretar modificações ambientais locais.

Por fim, destaca-se que a definição atual do traçado do empreendimento estabeleceu como um
dos critérios evitar o máximo possível qualquer tipo de interferência no que se refere aos corpos
hídricos, principalmente em relação as suas possíveis nascentes e áreas alagáveis, para evitar
possíveis impactos ambientais a serem gerados por estas situações e pelas dificuldades
técnicas para a própria implantação do referido empreendimento. O refinamento do traçado
final deverá ocorrer durante a fase executiva do próprio empreendimento, quando estes
aspectos deverão ser levados em consideração.

6.2.2.5. PERÍODOS DE CHEIA E VAZANTE

Para o estudo dos fenômenos de cheia e vazante foram utilizados dados de precipitação
obtidos nas estações climatológicas de Araxá, Machado, São Lourenço, Resende, Campos do
Jordão, Franca e Taubaté, que foram selecionadas para o diagnóstico ambiental do tema
relacionado à Meteorologia e Climatologia, conforme caracterizado no item 6.2.1 do presente
EIA.

Além disso, foram coletados e consolidados dados hidrométricos obtidos de estações


fluviométricas localizadas em quatro dos principais rios presentes na Área de Estudo (AE) que
são cortados pelo traçado da linha de transmissão, sendo eles: rios Sapucaí, Muzambo,
Machado e do Cervo, pertencentes à Bacia do Rio Grande. Foram estabelecidas cinco estações
fluviométricas para o estudo dos fenômenos de cheia e vazante, sendo que as mesmas se
encontram listadas no Quadro 6.2.2-3. O funcionamento e manutenção das referidas estações
fluviométricas são de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA), sendo que os
dados obtidos para este estudo foram obtidos por meio de consulta ao sistema Hidroweb (ANA,
2018).

Ressalta-se que a escolha das supracitadas estações possibilitou uma cobertura de toda a
Área de Estudo da LT, como pode ser verificado pelo mapa L18-MP-F-6.2.2-015, que mostra a
localização dessas estações climatológicas e fluviométricas.

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Quadro 6.2.2-3 - Lista das cinco Estações Fluviométricas utilizadas para a
Caracterização Climatológica na região do Empreendimento
ÁREA DE
NOME DA LATITUDE LONGITUDE
CÓDIGO RIO MUNICÍPIO DRENAGEM
ESTAÇÃO (º) (º)
(Km²)
Santa Rita do Rio Santa Rita do
61305000 -22,25 -45,71 2810
Sapucaí Sapucaí Sapucaí
Rio
61271000 Itajubá Itajubá -22,45 -45,42 869
Sapucaí
Rio
61610000 Juréia Monte Belo -21,28 -46,36 884
Muzambo
Cachoeira Rio do
61565000 Poço Fundo -21,79 -46,12 349
Poço Fundo Machado
Vargem do Rio do
61390000 Pouso Alegre -22,12 -45,92 486
Cervo Cervo

A partir dos dados coletados e consolidados no período entre os anos de 1999 a 2009, foram
elaborados hidrogramas dos quatro rios citados acima, que estão inseridos na Área de Estudo
do empreendimento. A determinação deste período se deve ao fato de serem dados
apresentados com ausência de falhas para todas as referidas estações utilizadas. A partir
desses hidrogramas apresentados nas Figura 6.2.1-8 até Figura 6.2.2-11, é possível observar
que o comportamento da vazão dos corpos hídricos segue o mesmo padrão de variação
sazonal em todas as estações, sendo que o mesmo está diretamente relacionado às variações
do regime pluviométrico da região (dados de precipitação) que podem ser observadas na
Figura 6.2.2-12.

Nota-se que os maiores valores de precipitação são observados nos meses de dezembro,
janeiro e fevereiro, sendo que os maiores picos de vazão dos referidos corpos hídricos também
ocorrem neste período (principalmente em janeiro e fevereiro). A partir de março, o valor das
vazões começa a decrescer gradualmente, na medida em que a precipitação também diminui,
encontrando valores mínimos em agosto e setembro. Enquanto isso, a precipitação apresenta
seus menores valores de junho a agosto. Após esse período, a precipitação começa a
aumentar, fazendo o mesmo com as vazões. Tal constatação consolida a estreita relação
informada acima, em que as variações das vazões dos corpos hídricos da região ocorrem em
função da quantidade de chuvas (regime pluviométrico).

Adicionalmente, avaliando os dados da Figura 6.2.2-12 fica evidenciada a presença de duas


estações bem características, a saber, uma estação seca (junho a agosto) e uma estação
chuvosa (dezembro a fevereiro), sendo que os valores de vazão seguem esta tendência, onde
os maiores valores de vazão são observados na estação cheia, enquanto os menores são na
época de estiagem (seca).

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Figura 6.2.2-8 - Vazões Médias Mensais no rio Sapucaí (1999-2009), extraídas da Base
de Dados da Agência Nacional de Águas (ANA).

Figura 6.2.2-9 - Vazões Médias Mensais no rio Muzambo (1999-2009), extraídas da Base
de Dados da Agência Nacional de Águas (ANA).

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Figura 6.2.2-10 - Vazões Médias Mensais no rio Machado (1999-2009), extraídas da Base
de Dados da Agência Nacional de Águas (ANA).

Figura 6.2.2-11 - Vazões Médias Mensais no rio do Cervo (1999-2009), extraídas da Base
de Dados da Agência Nacional de Águas (ANA).

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Figura 6.2.2-12 - Precipitação Mensal Média nas Estações Meteorológicas de Araxá,
Machado, São Lourenço, Resende, Campos do Jordão, Franca e Taubaté, extraída das
Normais Meteorológicas (1981-2010) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

6.2.2.6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observa-se que a maior parte do traçado da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista


C1 e C2 está inserida na Região Hidrográfica do Paraná, mais especificamente contemplada
na bacia hidrográfica do rio Grande. Um pequeno trecho do traçado, que abrange a região de
SE Cachoeira Paulista, está localizado na Região Hidrográfica do Atlântico Sudeste,
compreendendo a bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul.

Ao longo do traçado foram diagnosticados 75 corpos hídricos que são cortados pelo seu eixo,
onde podemos destacar os rios Sapucaí, Muzambo, Machado e do Cervo. Nestes pontos
específicos, a locação de torres da LT nas proximidades dos corpos hídricos deve ser definida
em locais que não interfiram com os mesmos, evitando possíveis impactos e suas áreas
alagáveis.

Para o mapeamento de nascentes existentes foram diagnosticadas 390 cabeceiras, sendo que
apenas 12 delas encontram-se a menos de 50 m do traçado principal. Essas constituem,
portanto, pontos de atenção que devem ser obrigatoriamente evitados para a instalação das
torres. Outras 13 cabeceiras foram classificadas como na faixa “de 51 até 200 m” e os 9% que
somam essas duas categorias devem receber maior atenção, pois se encontram em um trecho
que pode sofrer interferências ambientais diretas devido às atividades de implantação da LT.

Em relação aos períodos de cheia e vazante, observa-se que a região se caracteriza por duas
estações bem definidas, a saber, uma de seca (julho a agosto) e outra de cheia (dezembro a
fevereiro), onde as vazões dos corpos hídricos ali existentes variam de acordo com o regime
pluviométrico da região.

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6.2.3. ESTUDOS GEOLÓGICOS E GEOTÉCNICOS

6.2.3.1. GEOLOGIA

6.2.3.1.1. Geologia Regional

A região de inserção do empreendimento abarca uma ampla complexidade tectônica bem


caracterizada em diversos estudos. Esta região é marcada principalmente pela presença de
importantes faixas de dobramentos proterozoicos, envolvendo um conjunto de unidades
estratigráficas de evolução policíclica e assentadas sobre um embasamento arqueano de alto
grau metamórfico, essencialmente granito-gnáissico com sequências vulcano-sedimentares do
tipo greenstone belt associadas e cinturões granulíticos. Essas faixas são compostas
essencialmente por rochas metassedimentares dobradas e metamorfizadas em pelo menos
dois ciclos tectônicos – Uruçuano e Brasiliano, com rochas máficas e ultramáficas associadas,
sendo que as mesmas estão em posição marginal a duas regiões cratônicas: os crátons do
São Francisco e Amazônico (DNPM, 1984). Em âmbito regional, o contexto geológico da área
estudada está inserido nas seguintes Províncias Geotectônicas: Tocantins, Mantiqueira e Bacia
do Paraná.

A Província do Tocantins representa uma importante faixa orogenética Brasiliana originada pela
junção dos crátons Amazônico e do São Francisco, e possivelmente de um terceiro bloco
cratônico, o Bloco Paranapanema, encoberto pelas rochas sedimentares da Bacia do Paraná.
A junção dessas áreas continentais participou da aglutinação do Gondwana ocidental no fim do
Neoproterozoico. É constituída de faixas de dobramentos conhecidas individualmente como
faixas Brasília, Araguaia e Paraguai (Viana et al, 2017).

A Província Tocantins é uma mega-entidade litotectônica, de direção aproximadamente N-S,


inserida entre os Crátons Amazônico e São Francisco-Congo (Almeida et al., 1981) no ciclo
orogenético Pan-Africano/Brasiliano, durante o Neoproterozoico, ocasião em que amalgamou
o supercontinente do Gondwana (Unrug, 1992). Esta Província compreende as Faixas Araguaia
e Paraguai, fazendo fronteira com o limite leste do Cráton Amazônico, e a Faixa Brasília, na
margem oeste do Cráton São Francisco, segundo Pimentel et al. (2000b) e Dardenne et al.
(2000).

A Província da Mantiqueira constitui um sistema orogenênico Neoproterozoico situado na


região sul e sudeste do Brasil, abrangendo os orógenos Araçuaí, Ribeira, Brasília Meridional,
Dom Feliciano e São Gabriel, que se distribuem desde o sul da Bahia até o Rio Grande do Sul.
Esta Província desenvolveu-se durante a orogenia Neoproterozoica Brasiliano - Pan Africana,
a qual resultou na amalgamação do paleocontinente Gondwana Ocidental (Heilbron et al,
2004). A região do empreendimento encontra-se no segmento central da província Mantiqueira,
abrangendo a compartimentação tectônica da extremidade sul do Orógeno Brasília e Ribeira.

O Orógeno Brasília apresenta trend estrutural NNW-SSE, sendo constituído por nappes
inferiores com metamorfismo que atinge fácies granulito de pressão relativamente alta e nappes
inferiores com metamorfismo de pressão mais baixa e inúmeros corpos granitoides cálcio-
alcalinos derivados de um arco magmático cordilherano. O Orógeno Ribeira apresenta trend
estrutural NE-SW e é composto por cinco terrenos tectono-estratigráficos separados por falhas
de empurrão ou por zonas de cisalhamento oblíquas transpressivas (Heilbron et al, 2004).

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A Bacia do Paraná é definida como uma bacia intracratônica e se caracteriza por ser uma região
de sedimentação suportada por um embasamento consolidado, com um domínio crustal de
elevada resistência a esforços compreensivos originados pela convergência de placas ao longo
da faixa de colisão (margens de placas) durante o Fanerozoico. É uma bacia de grandes
dimensões, associadas a um perfil em rampa de mergulho suave e uma história de
sedimentação marcada por múltiplos episódios de acumulação e subsequente erosão regional
de pacotes rochosos, onde sua história de subsidências é subdividida em várias fases distintas
(Milani & Ramos, 1998).

A análise integrada da subsidência da Bacia do Paraná com as grandes orogêneses ocorridas


na borda continental ativa do Gondwana evidenciou uma relação entre ciclos de criação de
espaço deposicional na área intracratônica e os referidos episódios orogênicos. Originou-se na
forma de depressões alongadas na direção NE-SW, segundo a trama do substrato pré-
cambriano (Milani, 2007).

Esta bacia está situada na porção centro-oriental do continente sulamericano e se desenvolveu


durante o Paleozoico e o Mesozoico. Seu arcabouço estratigráfico é composto por seis
supersequências: Rio Ivaí, Paraná e Gondwana que representam grandes ciclos transgressivo-
regressivos paleozoicos; e Gondwana II, Gondwana III e Bauru que representam pacotes
sedimentares continentais e rochas ígneas associadas (Milani & Ramos, 1998).

6.2.3.1.2. Caracterização das Unidades Geológicas

Para caracterização e delimitação das unidades geológicas na área de estudo da LT 500kV SE


Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 foi realizada uma pesquisa bibliográfica para
levantamento de dados secundários e foram realizadas atividades de campo abrangendo a
Área de Estudo (AE) definida para o empreendimento (5 km para cada lado a partir do eixo
principal do traçado) que resultou na elaboração de 13 mapas, na escala 1:100.000, que são
apresentados em L18-MP-F-6.2.3-001 a L18-MP-F-6.2.3-013 do Caderno de Mapas. Ressalta-
se que estes se embasaram no conteúdo do mapeamento geológico realizado pela Companhia
de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de relatórios técnicos relacionados à região em
estudo e de observações de campo.

Vale destacar que a definição da Área de Estudo com 5 km para cada lado do eixo principal do
traçado visou a identificação das principais unidades geológicas presentes na região, além de
melhor caracterizar os principais aspectos estruturais existentes não só da Faixa de Servidão
do empreendimento (40 m para cada lado dos eixos dos dois circuitos da LT), como no seu
entorno.

A caracterização das unidades litológicas observadas na Área de Estudo da linha de


transmissão será apresentada abaixo em ordem cronoestratigráfica, agrupando as mesmas na
escala geológica em que foram consolidadas.

Arqueano - Mesoarqueano

GREENSTONE FORTALEZA DE MINAS (A3fm)

A unidade Greenstone Fortaleza de Minas é caracterizada por terrenos granitos-greenstone e

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é constituída por uma sequência de makomatiitos, metabasaltos e metassedimentos, exposta
em uma janela estrutural com cerca de 30 km de largura e 180 km de comprimento, em meio a
rochas metassedimentares da Faixa Brasília. É formada por faixas alongadas e descontínuas
de sequências supracrustais circundadas por rochas gnáissicas, possuindo direção NW-SE. É
constituída por duas Unidades: a Unidade Morro do Níquel, que se caracteriza pelos derrames
komatiíticos diferenciados; e a Unidade Morro do Ferro, com metassedimentos químicos e
detríticos (Pimentel, M. & Ferreira Filho, C, 2002).

A unidade Greenstone Fortaleza de Minas corresponde a sucessões supracrustais arqueanas


do tipo greenstone-belts, que incluem rochas metavulcânicas ultrabásicas (komatitos) e máficas
magnesianas (basaltos komatíticos), rochas subvulcânicas máficas a félsicas (diabásios,
riodacitos) e metapelitos frequentemente carbonosos. Formações ferríferas são localmente
observadas (CPRM, 2007).

A presença desta unidade é muito restritiva e pode ser observada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-
003 e L18-MP-F-6.2.3-004.

COMPLEXO CAMPOS GERAIS (A3cg)

O Complexo Campos Gerais é um fragmento da crosta siálica Arqueana, situado no extremo


sudoeste do Cráton do São Francisco, sendo caracterizado por ortognaisses que podem ser
subdivididos em dois grupos principais.

O primeiro grupo é denominado de Ortognaisse Campos Gerais e apresenta estrutura


migmatítica e composição tonalítica a monzogranítica. Caracteriza-se por um conjunto de tipos
faciológicos com mesossoma composto por rocha foliada, de coloração cinza esverdeada,
granulometria fina e composição predominantemente tonalítica. Possui variações
composicionais de termos granodioríticos a monzograníticos, que transicionam para o
leucossoma. A estrutura migmatítica caracteriza-se por termos nebulíticos, estromáticos e
schlieren (Turbay et al., 2008).

O segundo grupo foi denominado de Ortognaisse Serra do Quilombo e possui bandamento


composicional irregular, decimétrico a centimétrico, resultante da intensa deformação de uma
suíte de rochas tonalíticas e graníticas. Ressalta-se que tanto o Ortognaisse Serra do
Quilombo, quanto o de Campos Gerais, são cortados por veios e diques pegmatóides e aplíticos
(Turbay et al., 2008).

De maneira geral, o Complexo Campos Gerais é formado por um conjunto de metamorfitos de


fácies anfibolito, em parte migmatizado e retrometamorfizado, onde se identificam gnaisses e
migmatitos diversos e subordinamente lepititos, rochas calcissilicáticas, calcários, xistos
granadíferos e quartzitos (DNPM, 1984). Especificamente, destaca-se na região da cidade de
Itaú de Minas a presença de rochas calcárias, onde a exploração de calcário é observada com
presença de fábricas de cimento.

A distribuição espacial desta unidade na Área de Estudo (AE) do empreendimento pode ser
visualizada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-001 a L18-MP-F-6.2.3-004. A Figura 6.2.3-1 e a Figura
6.2.3-2 apresentam aspectos geológicos da região de domínio do Complexo Campos Gerais
que foram observados durante as atividades de campo.

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(a) (b)
Figura 6.2.3-1 - (a) Afloramento de migmatito cinza claro. (b) Presença de matacões de
gnaisse na região de domínio do complexo Campos Gerais.

Figura 6.2.3-2 - Cavidade formada em rocha carbonática característica do complexo


Campos Gerais. Local conhecido como Gruta do Angico (caracterizada no tema
“Espeleologia”).

Proterozoico – Paleoproterozoico

SUÍTE SERRA DE SÃO GONÇALO (PPssg)

A Suíte Serra de São Gonçalo é constituída por (hornblenda)-biotita ortognaisse de composição


granítica ou granodiorítica cinza ou rosa, com matriz de granulação média. Encontra-se
deformada e submetida a metamorfismo regional de grau alto (fácies anfibolito), anteriormente
ao evento orogênico brasiliano. Neste evento desenvolveu-se uma foliação planar ou plano-
linear, correspondente ao bandamento metamórfico e à transposição de bandas anatéticas
pretéritas que se apresentam paralelas ao plano axial de nappes de dobramento e
cavalgamento responsáveis pela justaposição tectônica dos conjuntos ortognáissicos
paleoproterozoicos e as sequências supracrustais neoproterozoicas (CPRM, 2005).

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Esta unidade geológica ocupa uma pequena extensão de área da AE do empreendimento,
onde sua distribuição espacial pode ser visualizada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-008 e L18-MP-
F-6.2.3-009. A Figura 6.2.3-3 apresenta uma ocorrência encontrada em campo na região de
domínio da Suíte Serra de São Gonçalo.

Figura 6.2.3-3 - Afloramento de gnaisse migmatítico de coloração cinza escuro


posicionado em vertente de média a alta declividade, na região de domínio da Suíte
Serra de São Gonçalo.

COMPLEXO SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ (PPsg)

O Complexo São Gonçalo do Sapucaí é caracterizado por ortognaisses bandados de


composição granodiorítica a tonalítica, gnaisses dioríticos, quartzitos e rochas metamáficas.
Esta unidade é essencialmente metassedimentar, metamorfizada em condições da fácies
anfibolito e mais localmente, da granulito.

Os referidos ortognaisses bandados se caracterizam por uma alternância de bancos


centimétricos a métricos de biotita e/ou hornblenda gnaisses diorito-tonalíticos de granulação
fina. Associam-se subordinadamente bancos ou lentes de quartzitos, turmalinito e xisto
grafitoso. Os ortognaisses homogêneos, que também são observados nesta unidade litológica,
são constituídos por (hornblenda)-biotita gnaisses granodiorito-tonalíticos, leucocráticos e de
granulação média. Informa-se que tanto os ortognaisses bandados quanto os homogêneos
estão associados a bancos anfibolíticos concordantes (CPRM, 2005).

A distribuição espacial desta unidade geológica na AE do empreendimento pode ser visualizada


nos mapas L18-MP-F-6.2.3-008 e L18-MP-F-6.2.3-009. A Figura 6.2.3-4 apresenta um
afloramento gnáissico pertencente a esta unidade geológica.

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Figura 6.2.3-4 - Afloramento de gnaisse pouco alterado e muito fraturado do complexo
São Gonçalo do Sapucaí.

ORTOGNAISSE POUSO ALEGRE (PPpa)

O Ortognaisse Pouso Alegre é um ortognaisse alóctone de composição granítica a


granodiorítica, apresentando feições migmatíticas. Estas rochas são correlacionadas com a
borda meridional do Cráton do São Francisco e interpretadas como uma parte da paleoplaca
Sanfranciscana, que foi desmembrada durante a evolução da Faixa Brasília (CPRM, 2008).

A distribuição espacial desta unidade geológica pode ser observada no mapa L18-MP-F-6.2.3-
009.

Proterozoico - Mezoproterozoico

GRUPO CANASTRA INDIVISO (MPci)

O Grupo Canastra é caracterizado, basicamente, por um conjunto de intercalações, mais ou


menos espessas, de filitos e quartzitos. A espessura média dessa sequência varia
consideravelmente, desde a porção norte, onde sustenta chapadões de grande extensão, até
a porção sul, onde parece ter ocorrido encurtamento crustal por força de tectônica compressiva
imposta à área. O conjunto compreende uma sequência iniciada por filitos que, em direção ao
topo, apresentam aumento progressivo da contribuição arenosa (granocrescência ascendente),
passando a quartzo-filitos, quartzitos micáceos, quartzitos e finalmente, ortoquartzitos que
sustentam as escarpas das serras e os chapadões (Pereira et al., 1994).

Toda a sequência apresenta uma gradação lateral e vertical entre pacotes de filito e quartzito,
que evidenciam uma ritmicidade do conjunto. Os quartzitos compreendem desde quartzitos
micáceos laminados até ortoquartzitos maciços, sendo comuns intercalações de níveis
centimétricos de clorita-muscovita filito em quase todos os estratos. Os filitos e quartzo-filitos
se caracterizam por coloração prateada quando rocha sã e coloração avermelhada quando
alteradas (Pereira et al., 1994).

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Esta unidade pode ser observada no mapa L18-MP-F-6.2.3-001. A Figura 6.2.3-5 apresenta
um afloramento que ocorreu no domínio predominante do Grupo Canastra Indiviso e a Figura
6.2.3-6 mostra um aspecto geral de um afloramento quartzítico.

Figura 6.2.3-5 - Afloramento de quartzito branco a creme com grãos de granulometria


média na região de domínio do Grupo Canastra Indiviso

Figura 6.2.3-6 - Vista geral de afloramento rochoso quartzítico no alto de uma serra na
região de domínio do Grupo Canastra Indiviso

Proterozoico - Neoproterozoico

COMPLEXO VARGINHA-GUAXUPÉ (NPv)

O Complexo Varginha-Guaxupé é constituído por paragnaisses que recobrem extensas áreas


de rochas de fácies granulito em meio a rochas de fácies anfibolito, em parte migmatizadas e
retrometamorfizadas. Os núcleos granulíticos vão diminuindo em dimensão na direção sul,
onde se destacam os migmatitos e granitóides (DNPM, 1984).

A Figura 6.2.3-7 mostra a vista aérea de afloramentos do Complexo Varginha Guaxupé.

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Figura 6.2.3-7 - Vista aérea de grandes afloramentos do complexo Varginha Guaxupé

Portanto, este complexo é caracterizado por gnaisses neoproterozoicos de origem ígnea e


sedimentar, com grau de metamorfismo na fácies anfibolito e granulito, que está subdividido
em três unidades:

• Unidade Granulítica Basal (NPvg)

A Unidade Granulítica Basal é constituída predominantemente por granada-(ortopiroxênio)


granulito bandado de composição modal enderbítica, mangerítica e sienítica (Oliveira et al.
1986). A foliação principal apresenta estrutura plano linear a lineações minerais e de
estiramento com baixo ângulo de caimento para W-SW. Observa-se indicadores cinemáticos,
contemporâneos a dobramentos isoclinais e em bainha sob condições metamórficas de alto
grau. Em direção ao topo dos granulitos basais ocorre cisalhamento sin-metamórfico normal
com indicadores cinemáticos consistentes com topo a SW (CPRM, 2005).

A distribuição espacial desta unidade pode ser verificada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-005, L18-
MP-F-6.2.3-006 e L18-MP-F-6.2.3-010. A Figura 6.2.3-8 ilustra aspectos desta unidade, com
detalhe de uma amostra.

60 / 158
(a) (b)
Figura 6.2.3-8 - (a) Área contendo matacões de gnaisse de textura fina a média com
feldspatos caulinizados na região de domínio da Unidade Granulítica Basal (rocha
intemperizada). (b) Amostra de gnaisse característico desta unidade.

• Unidade Ortognáissica Migmatítica Intermediária (NPvog)

A unidade litológica Ortognáissica Migmatítica é caracterizada por biotita-hornblenda


ortognaisses e biotita gnaisse de composição granodiorítica a tonalítica em contatos
transicionais com corpos batolíticos de granito gnáissico. Geralmente, apresenta aspecto
migmatítico com textura estromática. Estes gnaisses possuem granulometria fina, além de
localmente a presença de porfiroclastos, e originalmente, de feldspatos. Ambos os litotipos
possuem intercalações de lentes de anfibolitos com espessura variando de centimétrica a
métrica e granulometria fina a grossa (CPRM, 2005).

Esta unidade ocupa extensa parte da AE do empreendimento, podendo ser visualizada nos
mapas L18-MP-F-6.2.3-004 a L18-MP-F-6.2.3-013 do Caderno de Mapas, com exceção da
Folha L18-MP-F-6.2.3-006. A Figura 6.2.3-9 apresenta afloramentos rochosos desta unidade
geológica.

(a) (b)
Figura 6.2.3-9 - (a) Afloramento de gnaisse de coloração cinza claro. (b) Afloramento de
rocha gnaisse migmatítica com veios de quartzo e feldspato em região de afloramento
do leito do Rio do Machado, em áreas de domínio da Unidade Ortognáissica
Migmatítica Intermediária.

61 / 158
• Unidade Paragnáissica Migmatítica Superior (NPvgm)

A unidade litológica Paragnáissica Migmatítica Superior é composta por metassedimentos


migmatíticos com anatexia decrescente em direção ao topo, que se caracterizam por
(cordierita)-granada-(sillimanita) biotita gnaisse bandado com leucossomas a biotita e granada,
que gradam, para o topo, a micaxisto com leucossoma a muscovita restrito. Ocorrem ainda,
intercalações de gnaisse básico a intermediário e metabásico. Os metassedimentos possuem
uma foliação regional, de segunda geração, superimposta a uma foliação, ou bandamento
gnáissico pretérito (CPRM, 2005).

Sua distribuição espacial na AE do empreendimento pode ser observada nos mapas L18-MP-
F-6.2.3-006 a L18-MP-F-6.2.3-013 do Caderno de Mapas, com exceção do Mapa L18-MP-F-
6.2.3-010. Na Figura 6.2.3-10 observa-se afloramentos rochosos característicos da Unidade
Paragnáissica Migmatítica Superior.

(a) (b)
Figura 6.2.3-10 - (a) Afloramento de gnaisse de coloração cinza claro e textura média.
(b) Outro afloramento de gnaisse com textura fanerítica grosseira. Ambas ocorrências
se encontram na Unidade Paragnáissica Migmatítica Superior

COMPLEXO PETÚNIA (NPpt)

O Complexo Petúnia é caracterizado por diferentes associações litológicas, condições de


metamorfismo e contexto estrutural. É constituído por paragnaisses, metapelitos e rochas
metamáficas da faixa Jacuí-Bom Jesus da Penha (Turbay et al, 2008), apresentando uma
grande variabilidade de tipos litológicos, tais como: biotita gnaisse, clorita xisto, quartzo-mica
xisto, quartzito, cianita-granada micaxisto, hornblendito, talco xisto, cromititos, metaultramafito
e metagabro. O grau de metamorfismo diagnosticado foi determinado na fácies anfibolito.

O Complexo Petúnia pode ser dividido em duas unidades informais, sendo elas a Unidade
Gnáissica e a Unidade Metassedimentar-Metaultramáfica (Roig, 1993 apud Fayad, 2013). A
Unidade Gnáissica é constituída por gnaisses finos, parcialmente migmatizados, que ocorrem
com intercalações de quartzitos, quartzo-mica xistos e xistos pelíticos, que apresentam granada
e cianita, além de anfibolitos e granitóides. Corpos gabróicos parcialmente anfibolitizados
também são muito comuns dentro desta unidade.

A unidade Metassedimentar-Metaultramáfica é formada por metapelitos com porções distintas


de granada e cianita, além de corpos metaultramáficos, representados principalmente por
xistos à base de tremolita, clorita e antofilita (Roig, 1993 apud Fayad, 2013).

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Esta unidade geológica pode ser visualizada no mapa L18-MP-F-6.2.3-004. A Figura 6.2.3-11
apresenta uma ocorrência (rocha alterada) observada em campo do Complexo Petúnia.

Figura 6.2.3-11 - Afloramento de gnaisse migmatítico muito intemperizado mostrando


bandas máficas de coloração arroxeada e félsicas claras dominadas por feldspato e
quartzo em iguais proporções.

COMPLEXO EMBU – UNIDADE PARAGNÁISSICA (NPepg)

A unidade paragnáissica do Complexo Embu é constituída predominantemente por muscovita-


granada-sillimanita-biotita gnaisses migmatíticos, com aspecto nebulítico ou schlieren, e biotita
gnaisses de composição tonalítica a granodiorítica. Também há ocorrência de rochas
calcissilicáticas como bandas ou boudins intercalados nestes gnaisses associados a anfibolitos.
O grau de metamorfismo diagnosticado foi determinado na fácies anfibolito. As rochas do
Complexo Embu sofreram cinco fases de deformação, onde o metamorfismo principal está
relacionado às duas primeiras fases e a segunda fase de deformação gerou a foliação principal
e dobras regionais associadas à terceira, quarta e quinta fases de deformação (CPRM, 2005).

Segundo Motidome (1992), o Complexo Embu é constituído basicamente por prováveis


ortognaisses microporfiróides e biotita gnaisses aluminosos/xistos. Rochas granitoides
intrusivas também são observadas, sendo de cinco tipos diferentes e três deles com
composições quartzo-monzoníticas, granodioríticas e graníticas.

Esta unidade pode ser visualizada em um pequeno trecho da AE do empreendimento, nos


mapas L18-MP-F-6.2.3-012 e L18-MP-F-6.2.3-013.

GRUPO ANDRELÂNDIA (NPa)

O Grupo Andrelândia é representado por biotita-granada gnaisses de bandamento milimétrico,


quartzitos, xistos, metagrauvaca, migmatitos e xistos intercalados a porções lenticulares de
quartzo-muscovita xistos e quartzitos micáceos. Estes paragnaisses evidenciam um alto grau
de intemperismo, com feldspatos e muscovita caulinizados (Turbay et al, 2008).

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Essas rochas sofreram uma história de deformação complexa cujos resultados foram padrões
de interferência produzidos por três fases deformacionais (D1, D2 e D3). Duas unidades tecto-
estratigráficas distintas são reconhecidas, separadas por falhamento de empurrão, sendo que
este divide o Grupo Andrelândia em uma parte autóctone e outra alóctone. Além disso, estudos
detalhados sugerem que os sedimentos que preencheram a bacia proterozoica foram
metamorfizados na fácies anfibolito (Nummer, 1993).

O Grupo Andrelândia é caracterizado por Elbert, 1957 (apud DNPM, 1984), por quartzitos
basais e por granada-micaxistos com estaurolita, cianita e sillimanita e gnaisses. Também
micaxistos, xistos feldspáticos, gnaisses, leptinolitos, anfibolitos, metaultrabasitos, dioritos
gnáissicos se associam às litologias do referido complexo. Ocorre em domínios distintos do
Orógeno Ribeira a sul e sudeste do Cráton São Francisco, bem como nos nappes do extremo
sul do Orógeno Brasília.

A Megassequência Andrelândia é constituída pela Sequência Carrancas (inferior) que inclui


paragnaisses bandados com intercalações de anfibolitos, quartzitos e filitos, quartzitos e
intercalações de xistos e filitos e xistos cinzentos; e pela Sequência Serra do Turvo (superior)
que se caracteriza por biotita xisto, com protólitos sedimentares formados por turbiditos
pelíticos e pelitos hemipelágicos (CPRM, 2007).

A ocorrência desta unidade pode ser observada no trecho do traçado do empreendimento nos
mapas L18-MP-F-6.2.3-004, L18-MP-F-6.2.3-005, L18-MP-F-6.2.3-009 e L18-MP-F-6.2.3-010
do Caderno de Mapas. A Figura 6.2.3-12 apresenta duas amostras, uma de quartzito e a outra
de gnaisse, que são litologias características do Grupo Andrelândia na AE do empreendimento.

(a) (b)
Figura 6.2.3-12 - (a) Detalhe de amostra de quartzito feldspático fino a médio do grupo
Andrelândia (NPaq – quartzito). (b) Detalhe de amostra de gnaisse de coloração cinza
escuro fortemente tectonizado, mostrando foliação intensamente dobrada e possuindo
textura fanerítica.

UNIDADE ARANTINA (NPaarg)

A Unidade Arantina está inserida na Megassequência Andrelândia que representa uma


sucessão metassedimentar neoproterozoica com rochas metaígneas máficas associadas,
composta regionalmente por seis associações de litofácies, onde as duas sequências das
sucessões distais dessa Megassequência correspondem a Unidade Arantina (CPRM, 2005).

Esta unidade ocorre na nappe Varginha, em fácies granulito e se caracteriza por sucessões de

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espessura até decamétricas de biotita-muscovita xistos/gnaisses de granulometria grossa,
separadas por frequentes intercalações de quartzitos, quartzo xistos, quartzitos
manganesíferos, rochas calcissilicáticas e anfibolitos. Entretanto, vale se destacar que essa
unidade específica é caracterizada por gnaisses fitados com cianita e k-feldspato e ausência
de muscovita (CPRM, 2005).

Esta unidade pode ser encontrada no mapa L18-MP-F-6.2.3-005, ocupando uma pequena área
da Área de Estudo (AE) do empreendimento.

GRUPO ARAXÁ (NPaa)

O Grupo Araxá representa uma sequência ígnea máfica recoberta por sedimentos pelíticos que
foi metamorfizado em fácies anfibolito (Seer, 1991 apud Silva, 2006). As unidades que
compõem o Grupo Araxá têm origem tanto sedimentar (xistos e quartzitos), quanto magmática
(anfibolitos), e devido a sua complexidade estrutural se torna difícil sua separação em
formações (Silva, 2006).

O conjunto de rochas que caracterizam o Grupo Araxá é constituído por quartzitos finamente
foliados, biotita-xistos, clorita xistos e muscovita-xistos, além de xistos metavulcânicos
porfiríticos e anfibolitos. Essas rochas foram correlacionadas ao Grupo Araxá com base na
semelhança da litologia e do seu empilhamento, e formam a klippe da Serra do Pararaca e
outra menor a oeste, ambas encaixadas ao longo de uma zona milonítica (Turbay et al. 2008).

O vulcanismo associado à sedimentação do Grupo Araxá é variado, indo desde anfibolitos de


fundo oceânico até tufos e metavulcânicas ácidas, ocorrendo intrusões gabróicas e granítica
sin, tardi e pós tectônicas frequentes (Teixeira & Danni, 1978; Leonardos et al, 1990; Brod et
al, 1991/1992 apud COMIG & SEME, 1994).

A distribuição espacial deste grupo pode ser visualizada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-001 a L18-
MP-F-6.2.3-003. A Figura 6.2.3-13 apresenta uma vista geral de escarpa de quartzito,
enquanto a Figura 6.2.3-14 apresenta pequeno afloramento rochoso de gnaisse do Grupo
Araxá.

Figura 6.2.3-13 - Vista geral de escarpa de quartzito característico do Grupo Araxá

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(a) (b)
Figura 6.2.3-14 - (a) Campo de blocos gnáissicos do Grupo Araxá dispersos em área de
pastagem. (b) Detalhe de uma amostra de gnaisse cinza escuro do Grupo Araxá

CORPOS GRANÍTICOS E GRANITOIDES

Na região de influência da linha de transmissão em estudo verifica-se a ocorrência de corpos


graníticos, granitoides e charnockitóides da era Neoproterozoica que são listados abaixo:

• Granito Serra dos Coelhos (NP2_y_1lsc).

O Granito Serra dos Coelhos é um dos conjuntos graníticos que ocorrem encaixados em rochas
metamórficas do Complexo Varginha-Guaxupé, estando incluso na unidade granitóides tipo I,
sinorogênicos do Orógeno Socorro-Guaxupé.

Esse granito, assim como os outros dessa unidade, apresenta tendência calcialcalina potássica
e caráter que pode variar de metaluminoso a fracamente peraluminoso. As composições
monzogranítica, granodiorítica, monzodiorítica e diorítica são predominantes, com também
alguns termos monzoníticos, sieníticos e tonalíticos. A orientação planar de micas e/ou
anfibólios é a principal contribuinte para a foliação bem desenvolvida desse granito (CPRM,
2005).

A distribuição espacial desta unidade geológica na AE do empreendimento pode ser visualizada


no mapa L18-MP-F-6.2.3-011. A Figura 6.2.3-15 apresenta aspectos da geologia englobada
pelo Granito Serra dos Coelhos.

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Figura 6.2.3-15 - Afloramento de gnaisse migmatítico de textura fanerítica fina a média
que se encontra na região de domínio do Granito Serra dos Coelhos.

• Charnockitóides sinorogênicos do orógeno Socorro-Guaxupé (NP3s_y_1C).

A unidade Charnockitóides sinorogênicos do Orógeno Socorro-Guaxupé engloba diversos


corpos de rochas mangerito-graníticas da suíte São José do Rio Pardo (CPRM, 2005). Esta
unidade é constituída por mangeritos verdes, de granulação média a grossa, e quartzo
mangeritos com aproximadamente 10% de minerais máficos. Localmente os mangeritos
gradam para hornblenda granitos rosados e, em algumas porções, granitos hololeucocráticos
podem ser abundantes. Rochas sieníticas, charnockitos e enclaves de piroxênio dioritos
ocorrem esporadicamente. Estas rochas apresentam-se intensamente deformadas, com
foliação e lineação mineral normalmente bem definidas pelos agregados de minerais máficos.

Esta unidade geológica pode ser observada no mapa L18-MP-F-6.2.3-006 do Caderno de


Mapas do presente EIA, ocupando um pequeno trecho da Área de Estudo (AE) do
empreendimento.

• Granitoides tipo I, tardi-orogênicos do Paranapiacaba (NP3p_y_2l).

A unidade Granitoides tipo I, tardi-orogênicos do Paranapiacaba se refere a corpos graníticos


foliados calcialcalinos, tipo I, sin a tardicolisionais, do Orógeno Paranapiacaba. Estes formam
diversos conjuntos, principalmente no sul de São Paulo, em mais de uma dezena de corpos,
além de no centro e leste do estado ocorrerem pequenas intrusões isoladas (CPRM, 2005).

A pequena ocorrência desta unidade pode ser verificada no mapa L18-MP-F-6.2.3-011.

• Granitoides indiferenciados do orógeno Socorro-Guaxupé (NP3s_y).

Os Granitoides indiferenciados do orógeno Socorro-Guaxupé são granitoides tectônica e


quimicamente indiferenciados do Orógeno Socorro-Guaxupé e apresentam-se na forma de
corpos contínuos, alongados, por vezes boudinados e dobrados, além de possuírem

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composição calcialcalina. Esta unidade é representada por granitoides a hornblenda e
clinopiroxênios, nebulíticos ou schlieren, classificados como monzodioritos, tonalitos,
granodioritos, monzogranitos e granitos álcali-feldspáticos (CPRM, 2005). Também são
constituídos por biotita granitos róseos, por vezes acinzentados, finos, equigranulares a
inequigranulares. Localmente ocorrem muscovita-biotita monzogranitos brancos, finos a
médios.

Esta unidade pode ser visualizada em um pequeno trecho da AE do empreendimento, no mapa


L18-MP-F-6.2.3-012.

• Granitoide Caconde (NP3s_y_cc).

A unidade Granitoide Caconde é representada por granitos, monzodioritos e tonalitos foliados,


calcioalcalinos e alcalinos básicos e ultrabásicos. Possui em seu contexto litologias granitoides
pré a sinorogênicas, tais como granitoides foliados, e ortognaisses calcialcalinos de alto teor
de potássio.

O Granitoide Caconde é englobado pela unidade de Granitoides tectônica e quimicamente


indiferenciados do Orógeno Socorro-Guaxupé. Esta unidade é caracterizada por possuir
composição calcialcalina, além de ser representada por monzodioritos, tonalitos, granodioritos,
monzogranitos e granitos álcali-feldspáticos (CPRM, 2005).

A distribuição espacial desse Granitoide na AE do empreendimento pode ser observada no


mapa L18-MP-F-6.2.3-006 do Caderno de Mapas, identificando que o traçado da LT corta essa
unidade. A Figura 6.2.3-16 apresenta uma amostra de granito situado neste domínio.

Figura 6.2.3-16 - Amostra de granito intemperizado de textura média e grosseira, na


região de domínio do Granitoide Caconde

• Suíte Mangerítica (NP3s_y_1Csm).

A Suíte Mangerítica é um dos corpos de rocha mangerito-graníticas englobados pela unidade

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de Charnockitóides sinorogênicos, do Orógeno Socorro-Guaxupé. Assim como a unidade já
citada anteriormente, essa suíte é representada por mangeritos verdes, de granulação média
a grossa, além de quartzo mangeritos com aproximadamente 10% de minerais máficos (CPRM,
2005).

Esta unidade pode ser visualizada no mapa L18-MP-F-6.2.3-007.

• Granito Serra do Alto da Pedra (NP3p_y_2Sap).

O Granito Serra do Alto da Pedra está enquadrado na unidade de granitos foliados


peraluminosos, tipo S, sin a tardicolisionais, do Orógeno Paranapiacaba, estando localizado na
divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais. Trata-se de uma biotita granitoide orientado
e apresenta forma alongada, sendo associado a zonas de cisalhamento. Está alojado entre
uma faixa da unidade ortognáissica migmatítica intermediária e a unidade paragnáissica
migmática superior do Complexo Varginha (CPRM, 2005).

A sua ocorrência na região que do traçado do empreendimento pode ser visualizada no mapa
L18-MP-F-6.2.3-011. A Figura 6.2.3-17 apresenta aspectos característicos dessa unidade.

(a) (b)
Figura 6.2.3-17 - (a) Afloramento de rocha granítica característico do Granito Serra do
Alto da Pedra. (b) Amostra de granito de textura equigranular fina e coloração cinza
escura com feldspato alcalino.

• Granito Cachoeira de Minas (NP3s_y_2cm)

O Granito Cachoeira de Minas está relacionado às faixas móveis neoproterozoicas e pode ser
classificados em dois tipos: os granitoides tardi a pós-tectônicos, que se caracterizam por biotita
granitos, muscovita granitos e granitos pegmatóides; e granitoides sintectônicos e complexos
granitoides polidiapíricos que se caracterizam por extensos maciços petrograficamente
heterogêneos e com grande variabilidade mineralógica, os quais englobam porções gnáissicas
ou migmatíticas e restos de metassedimentos (COMIG & SEME, 1994).

Sua distribuição espacial na AE do empreendimento pode ser observada no mapa L18-MP-F-


6.2.3-010. Na Figura 6.2.3-18 observa-se ocorrências presentes na região de domínio do
Granito Cachoeira de Minas.

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Figura 6.2.3-18 - Vista geral de blocos e alguns afloramentos rochosos compreendidos
na região de domínio do Granito Cachoeira de Minas

Fanerozoico - Mesozoico

FORMAÇÃO BOTUCATU (J3K1bt)

A Formação Botucatu é composta por arenitos quartzosos finos a grossos de origem eólica do
Período Jurássico, com grãos bem selecionados e arredondados, de coloração vermelha, com
estruturas sedimentares bem características, tais como estratificações cruzadas, planares ou
acanaladas de médio a grande porte. Verifica-se ainda a ocorrência de intercalações de argilito
e siltito. Além disso, informa-se que são interpretados como depósitos residuais de dunas
eólicas crescentes e lineares acumuladas em extenso mar de areia (CPRM, 2005). O contato
superior com a Formação Serra Geral é concordante e caracterizado pelo primeiro derrame
vulcânico, com ocorrência de camadas do topo da Formação Botucatu interdigitadas nos
basaltos da Formação Serra Geral (Zálan, et al., 1987).

A idade da Formação Botucatu é atribuída ao Jurássico Superior e seus sedimentos de topo


intercalam-se em derrames basálticos da base da Formação Serra Geral (COMIG & SEME,
1994).

Verifica-se que esta unidade geomorfológica margeia paralelamente o traçado da LT 500kV SE


Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 sem, no entanto, atravessá-la. Os mapas L18-MP-F-
6.2.3-001 e L18-MP-F-6.2.3-002 do Caderno de Mapas ilustram a localização desta unidade
na AE do empreendimento. A Figura 6.2.3-19 ilustra, em detalhe, um afloramento rochoso
arenítico de coloração vermelha e friável típico desta formação.

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Figura 6.2.3-19 - Detalhe de um afloramento de arenito da Formação Botucatu

FORMAÇÃO MARÍLIA (K2m)

A Formação Marília é constituída por arenitos finos a médios, imaturos, com presença
subordinada de frações de areia grossa a grânulos, de coloração bege a rosa pálida, podendo
conter cimentação e nódulos carbonáticos. Constituem estratos tabulares, normalmente
maciços, de cor bege a rosa, com cimentação e nódulos carbonáticos, onde na base é comum
a ocorrência discreta de concentração de clastos, enquanto no topo são comuns intercalações
de delgadas lentes de lamitos arenosos (Fernandes e Coimbra, 2000 apud CPRM, 2005).

Ressalta-se que o ambiente deposicional interpretado para essa unidade litológica é de um


sistema de leques aluviais, com depósitos de canais entrelaçados e de fluxos densos, e
presença subordinada de dunas eólicas de pequeno porte.

Esta unidade é observada em um pequeno trecho da Área de Estudo (AE) no mapa L18-MP-
F-6.2.3-001, sem que o traçado da LT passe por ela.

FORMAÇÃO SERRA GERAL (K1_Ʌ_sg)

A Formação Serra Geral é caracterizada por basaltos tholeiíticos e andesi-basaltos tholeiíticos,


com augita e pigeonita, perfazendo aproximadamente 90% do volume total das rochas
extrusivas. Subordinadamente ocorrem andesitos tholeiíticos, riodacitos e riolitos. Ressalta-se
que a Formação Serra Geral é resultado de intenso magmatismo fissural no período Cretáceo,
representado na forma de uma espessa cobertura de lavas, com cerca de 1.500 m de
espessura junto ao depocentro da bacia, associado a uma extensa rede de diques e múltiplos
níveis de soleiras intrudidos na pilha sedimentar (CPRM, 2005). As rochas desta formação são
compostas por fenocristais de plagioclásio, piroxênio, e rara olivina, em matriz afanítica máfica.

Portanto, a Formação Serra Geral é dominantemente constituída por derrames basálticos que,
via de regra, estão sobrepostos aos arenitos da Formação Botucatu. A maior parte deste
vulcanismo de bacia intracontinental ocorreu no Jurássico Superior / Cretáceo Inferior até o
final deste período (COMIG & SEME, 1994).

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Esta unidade pode ser visualizada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-001 e L18-MP-F-6.2.3-002 do
Caderno de Mapas. A Formação Serra Geral cruza o traçado da LT em um pequeno trecho.

Fanerozoico - Cenozoico

FORMAÇÃO SÃO PAULO (Esp) – GRUPO TAUBATÉ

A Formação São Paulo é representada por arenitos grossos, conglomeráticos, localmente


conglomerados, com granodecrescência ascendente para o topo até siltitos e argilitos. A origem
de sua formação está relacionada a um sistema fluvial meandrante. Apresentam estratificações
cruzadas de portes variados, geometria plano-côncava e bases erosivas. Na base dos arenitos
grosseiros se verificam clastos argilosos de dimensões centimétricas, enquanto que as
camadas siltosas e os argilitos do topo são laminados (CPRM, 2005). Este conjunto de
sedimentos corresponderia a depósitos meandrantes, tendo os depósitos finos laminados
testemunhos de lagoas oriundas da migração e abandono de canais (Riccomini, 1989 apud
CPRM, 2005).

Em um outro conjunto constituído por arenitos grossos que gradam para sedimentos mais finos,
até siltitos e argilitos apresentam estruturais gradacionais normais, rítmicas, estratificações
cruzadas plano-paralelas horizontais, com grande persistência lateral e estruturas tipo climbing
ripples nas porções arenosas finas, representando depósitos de rompimentos de diques
marginais associados à planície de inundação deste sistema (Riccomini, 1989 apud CPRM,
2005).

Esta formação pode ser visualizada no mapa L18-MP-F-6.2.3-013, estando situada no estado
de São Paulo.

FORMAÇÃO RESENDE (Er) – GRUPO TAUBATÉ

Ressalta-se que a unidade litológica Formação Resende se localiza nas porções basais e
laterais do Rift Continental do Sudeste do Brasil, correspondendo a um sistema de leques
aluviais associado à planície fluvial de rios entrelaçados (CPRM, 2005).

A Formação Resende é caracterizada, na porção proximal do sistema de leques aluviais, por


depósitos de diamictitos e conglomerados, com seixos, matacões e blocos angulosos a
subarredondados, normalmente polimíticos, em matriz lamítica e arenosa, arcoseana e
gradação normal ou inversa (Riccomini, 1989 apud CPRM, 2005). A parte distal é constituída
por arenitos com estratificação cruzada e lamitos predominantemente arenosos, com
ocorrência de crostas calcíticas, sob a forma nodular (CPRM, 2005).

A ocorrência desta unidade se encontra em um pequeno trecho na Área de Estudo (AE), que
pode ser observada no mapa L18-MP-F-6.2.3-012.

FORMAÇÕES QUATERNÁRIAS (Q)

As Formações Quaternárias se caracterizam por Depósitos Aluvionares (Q2a) que são os


depósitos de areias, cascalhos, siltes, argilas e localmente turfas, que se formam nas margens,
fundos de canal e planícies de inundação e rios que foram resultados de processos de erosão,
transporte e deposição a partir de áreas-fontes diversas (CPRM, 2005).

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Os Depósitos Aluvionares podem ser ilustrados nos mapas L18-MP-F-6.2.3-009 a L18-MP-F-
6.2.3-013 do Caderno de Mapas, com exceção do mapa L18-MP-F-6.2.3-012. Essa unidade se
faz presente na Área de Estudo, sendo que o traçado da LT passa por ela.

Além dos Depósitos Aluvionares, observa-se ainda as Coberturas Detríticas Indiferenciadas


(Qdi e N1dl) que são caracterizadas por areias finas a grossas, localmente síltico-argilosas e
mais, raramente, conglomeráticas, intimamente relacionadas a superfícies de aplainamento,
formando terrações argilo-arenosos com cascalhos dispersos e níveis de material transportado
e ferruginoso. Estes níveis são constituídos por uma matriz rica em óxido de ferro, que
evidencia material alóctone (CPRM, 2005).

As Coberturas Detríticas Indiferenciadas podem ser encontradas na Área de Estudo (AE) nos
mapas L18-MP-F-6.2.3-001 e L18-MP-F-6.2.3-010.

6.2.3.1.3. Considerações Finais

A Área de Estudo referente à LT 500kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 está


localizada em uma região predominantemente formada por uma grande variedade de rochas
metamórficas, principalmente na fácies granulito, que sofreram intenso metamorfismo.

Tal característica evidencia a complexidade tectônica da Área de Estudo, que se caracteriza


pela presença de importantes faixas de dobramentos proterozoicos, envolvendo um conjunto
de unidades estratigráficas de evolução policíclica e assentadas sobre um embasamento
arqueano de alto grau metamórfico, essencialmente granito-gnáissico com sequências vulcano-
sedimentares do tipo greenstone belt associadas e cinturões granulíticos. Além disso, em
função deste intenso processo de tectonismo, observam-se sistemas de zonas de cisalhamento
transcorrentes com lineamentos estruturais com orientação predominante de NE-SW. Em
âmbito regional, conforme já caracterizado no presente relatório, o contexto geológico da área
estudada está inserido nas Províncias Geotectônicas de Tocantins, Mantiqueira e Bacia do
Paraná.

As unidades geológicas mais representativas ao longo do traçado do empreendimento são


aquelas referentes ao Complexo Varginha-Guaxupé, Grupo Araxá, Grupo Andrelândia e
Complexo Campos Gerais. A ocorrência de corpos graníticos e granitoides também são
observados na Área de Estudo do empreendimento, além de formações quaternárias
(depósitos aluvionares e coberturas detríticas), que estão relacionadas principalmente com os
corpos hídricos existentes na região. Pode-se constatar esta caracterização e distribuição
geológica e estrutural a partir da observação dos mapas geológicos elaborados no contexto
deste tema (L18-MP-F-6.2.3-001 a L18-MP-F-6.2.3-013 do Caderno de Mapas).

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6.2.3.2. GEOMORFOLOGIA

6.2.3.2.1. Aspectos Gerais da Caracterização Geomorfológica

A Geomorfologia objetiva o estudo das formas de relevo identificando, descrevendo e


analisando as mesmas, buscando compreender os seus processos pretéritos e atuais. Para o
estudo integral das formas de relevo leva-se em consideração três abordagens sistematizadas
que compõem todo o contexto da análise geomorfológica, a saber, compartimentação
morfológica, levantamento da estrutura superficial e estudo da fisiologia da paisagem.

A Geomorfologia estuda as formas da paisagem, realizando uma análise integrada com os


outros temas relacionados ao meio físico, principalmente, Geologia, Hidrografia, Pedologia,
Espeleologia, entre outros.

Para caracterização e delimitação das unidades geomorfológicas da LT 500kV SE Estreito –


SE Cachoeira Paulista foi realizada uma pesquisa bibliográfica (dados secundários),
abrangendo toda a Área de Estudo (AE) definida com extensão de 5 km para cada lado dos
eixos dos dois circuitos do traçado que resultou na elaboração de 13 mapas geomorfológicos,
na escala 1:100.000, que são apresentados nos mapas L18-MP-F-6.2.3-014 a L18-MP-F-6.2.3-
026 do Caderno de Mapas. Destaca-se que a abrangência desta Área de Estudo objetivou
englobar todas as regiões e unidades geomorfológicas que são interferidas pelo traçado do
empreendimento.

Ressalta-se que os referidos mapas se embasaram no conteúdo de informações obtidas junto


ao IBGE, destacando-se aquelas oriundas do mapeamento multidisciplinar integrado dos
recursos naturais do Território Nacional executados no âmbito do Projeto RADAMBRASIL de
1983, relativo às Folhas SF. 23/24 Rio de Janeiro/Vitória, em escala 1:250.000, sendo que as
mesmas contemplam a região de estudo onde está inserido o traçado do empreendimento.

A caracterização da Área de Estudo (AE) definida para o empreendimento constatou a


presença de três domínios morfoestruturais que correspondem aos maiores táxons na
compartimentação do relevo. Ocorrem em escala regional e organizam os fatores
geomorfológicos, segundo o arcabouço geológico marcado pela natureza das rochas e pela
tectônica que atua sobre elas (IBGE, 2009). A compartimentação morfoestrutural objetiva
fornecer a base espacial para a classificação das regiões e unidades geomorfológicas e o
conhecimento de suas relações.

Os domínios morfoestruturais existentes na AE do empreendimento são: os Depósitos


Sedimentares Quaternários englobando uma região geomorfológica e duas unidades
geomorfológicas; as Bacias e Coberturas Sedimentares Fanerozóica contemplando duas
regiões geomorfológicas e três unidades geomorfológicas; e os Cinturões Móveis
Neoproterozóicos abrangendo seis regiões geomorfológicas e 11 unidades geomorfológicas.

O Quadro 6.2.3-1 apresenta um Quadro Resumo com as regiões geomorfológicas e unidades


geomorfológicas existentes na Área de Estudo do empreendimento que pertencem a cada um
dos três domínios morfoestruturais supracitados. A partir desta classificação serão
caracterizados cada um destes compartimentos no presente relatório.

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Analisando o Quadro 6.2.3-1, observa-se a ocorrência de 16 unidades geomorfológicas
presentes na Área de Estudo (AE) da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista, sendo
que as mesmas são devidamente representadas e caracterizadas ao longo do presente
relatório, onde também são definidas as regiões geomorfológicas que elas se encontram.

Quadro 6.2.3-1 - Quadro Resumo com os Domínios Morfoestruturais, Regiões


Geomorfológicas e Unidades Geomorfológicas presentes na AE do empreendimento
DOMÍNIOS
REGIÕES GEOMORFOLÓGICAS UNIDADES GEOMORFOLÓGICAS
MORFOESTRUTURAIS
Depressão do Médio Vale do Rio
Depressões do Rio Paraíba do Sul
Paraíba do Sul
Depressão do Rio Sapucaí
Planalto do Alto Rio Grande Serranias de Lambari e Conceição das
Pedras
Patamares Cuestiformes Orientais da
Patamar Oriental da Bacia do Paraná
Bacia do Paraná
Planalto de Poços de Caldas
Cinturões Móveis
Planalto de Poços de Caldas Patamares de Varginha
Neoproterozóicos
Planalto de Jacuí - Muzambinho
Serra da Canastra
Planaltos da Canastra
Depressão do Rio Grande
Planalto de Campos do Jordão
Serranias de Delfim Moreira - Carmo de
Serra da Mantiqueira Meridional
Minas
Escarpas da Serra da Mantiqueira
Tabuleiros e Colinas Sedimentares Tabuleiros e Colinas da Bacia
Bacias e Coberturas do Rifte Continental do SE do Brasil Sedimentar de Taubaté
Sedimentares Fanerozóicas
Planaltos da Bacia do Alto Rio Paraná Planalto do Triângulo Mineiro
Depósitos Sedimentares Formas Agradacionais Atuais e Planícies e Terraços Fluviais
Quaternários Subatuais Interioranas Planícies do Rio Paraíba do Sul

O Quadro 6.2.3-2 apresenta a listagem destas 16 unidades geomorfológicas e a área por km2
ocupada por cada uma delas na referida Área de Estudo, destacando-se que a região ocupada
por corpo d’água continental (marcada em vermelho) não é uma unidade geomorfológica e sim
regiões ocupadas por lagos, reservatórios, rios, entre outros.

Quadro 6.2.3-2 - Lista das Unidades Geomorfológicas presentes na AE do


empreendimento, com o cálculo das suas respectivas Áreas de Domínio
UNIDADES GEOMORFOLÓGICAS ÁREA (Km2) PORCENTAGEM (%)

Planalto de Jacuí - Muzambinho 679,4 17,8%


Planalto de Poços de Caldas 671,0 17,6%
Depressão do Rio Grande 553,7 14,5%
Depressão do Rio Sapucaí 439,1 11,5%
Patamares de Varginha 343,3 9,0%
Serranias de Delfim Moreira - Carmo de Minas 212,3 5,6%
Serra da Canastra 152,5 4,0%
Patamares Cuestiformes Orientais da Bacia do Paraná 124,2 3,3%
Escarpas da Serra da Mantiqueira 108,1 2,9%
Serranias de Lambari e Conceição das Pedras 107,0 2,8%

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UNIDADES GEOMORFOLÓGICAS ÁREA (Km2) PORCENTAGEM (%)

Tabuleiros e Colinas da Bacia Sedimentar de Taubaté 106,6 2,8%


Planícies e Terraços Fluviais 97,1 2,6%
Planalto de Campos do Jordão 70,6 1,9%
Depressão do Médio Vale do Rio Paraíba do Sul 66,2 1,8%
Planícies do Rio Paraíba do Sul 23,8 0,6%
Planalto do Triângulo Mineiro 15,7 0,4%
Corpo D'água Continental * 37,6 1,0%
TOTAL 3.808,2 100,0%

Verifica-se que as duas unidades geomorfológicas mais representativas na Área de Estudo


(AE) são o Planalto Jacuí – Muzambinho e o Planalto de Poços de Caldas, com 17,8% e 17,6%
da área total, respectivamente. Além disso, as unidades Depressão do Rio Grande e Depressão
do Sapucaí também apresentam uma área considerável dentro da AE do empreendimento,
com porcentagens também acima de 10% em relação a área total. Em contrapartida, o Planalto
do Triângulo Mineiro e as Planícies do rio Paraíba do sul são as unidades geomorfológicas
menos representativas na AE, ambas apresentando valores inferiores a 1% da área total.

Avaliando apenas os traçados C1 e C2 do empreendimento verifica-se que das 16 unidades


geomorfológicas observadas nos estudos realizados, apenas 13 têm interferência direta ao
longo dos mesmos. O Quadro 6.2.3-3 apresenta a extensão em km para cada uma das
unidades geomorfológicas que cortam os traçados C1 e C2 do empreendimento (com
pequenas variações entre as mesmas).

Quadro 6.2.3-3 - Extensão das Unidades Geomorfológicas que interferem diretamente


nos traçados C1 e C2 da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista
EXTENSÃO (kM)
LT UNIDADES GEOMORFOLÓGICAS
C1/C2
Planalto de Poços de Caldas 64,5 / 64,6
Planalto de Jacuí - Muzambinho 64,3 / 64,3
Depressão do Rio Grande 63,4 / 62,0
Depressão do Rio Sapucaí 43,8 / 44,0
Patamares de Varginha 37,2 / 36,5
Serra da Canastra 22,0 / 23,2
Serranias de Delfim Moreira - Carmo de Minas 20,0 / 20,0
C1 / C2 Serranias de Lambari e Conceição das Pedras 14,7 / 14,4
Escarpas da Serra da Mantiqueira 10,9 / 11,1
Tabuleiros e Colinas da Bacia Sedimentar de Taubaté 9,6 / 9,6
Planalto de Campos do Jordão 8,3 / 8,4
Planícies e Terraços Fluviais 6,7 / 6,9
Depressão do Médio Vale do Rio Paraíba do Sul 4,7 / 4,6
Corpo D'água Continental 0,2 / 0,4
TOTAL 370,2 / 370,2

Comparando-se os dados apresentados no Quadro 6.2.3-2 e no Quadro 6.2.3-3 verifica-se


que as unidades geomorfológicas Patamares Cuestiformes Orientais da Bacia do Paraná,
Planícies do rio Paraíba do Sul e Planalto Triângulo Mineiro não estão presentes ao longo do
traçado da LT.

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As quatro unidades geomorfológicas mais representativas ao longo dos traçados C1 e C2 da
LT são as mesmas que apresentam as maiores áreas inseridas na AE do empreendimento, a
saber: Planalto de Poços de Caldas, Planalto de Jacuí – Muzambinho, Depressão do Rio
Grande e Depressão do Rio Sapucaí.

Ressalta-se que a localização e a distribuição espacial das 16 unidades geomorfológicas


supracitadas podem ser observadas nos mapas geomorfológicos confeccionados para o
presente relatório que compõem os mapas L18-MP-F-6.2.3-014 a L18-MP-F-6.2.3-026.

Adicionalmente, para a caracterização geomorfológica da AE do empreendimento também


foram elaborados 13 mapas de declividade (L18-MP-F-6.2.3-027 a L18-MP-F-6.2.3-039),
sendo que cada um deles corresponde a um dos 13 mapas geomorfológicos apresentados nos
mapas L18-MP-F-6.2.3-014 a L18-MP-F-6.2.3-026. Ressalta-se que o mapa de declividade é
uma ferramenta de grande potencial para determinação de áreas críticas no que se refere à
possibilidade de deslizamentos de encostas, de erodibilidade, análises de terreno para
definição do planejamento de obras, traçados de perfis ecodinâmicos da paisagem, entre
outros. No contexto deste tema, informa-se que a determinação de movimentos de massa
existentes, potenciais, naturais ou induzidos, ativos ou inativos é apresentada no item
“Vulnerabilidade Geotécnica” já que envolve a integração e caracterização de diversas
temáticas do meio físico, de forma conjunta, tais como: geologia, pedologia, clima, entre outros,
inclusive a própria geomorfologia a partir da caracterização da dinâmica dos processos
geomorfológicos.

Para caracterização da declividade foram determinadas cinco classes de relevo distintas,


conforme apresentado no Quadro 6.2.3-4.

Quadro 6.2.3-4 - Classificação de Declividades definida para os estudos


geomorfológicos, com base naquela definida pela Embrapa (1979).
DECLIVIDADE CLASSES DE RELEVO

0-3% Plano
3 - 8% Suave Ondulado
8 - 20% Ondulado
20 - 45% Forte Ondulado
> 45% Montanhoso/Escarpado

Além disso, foi elaborado o mapa hipsométrico da AE do empreendimento, conforme pode ser
visualizado no mapa L18-MP-F-6.2.3-040 do Caderno de Mapas. Este mapa objetiva avaliar as
variações altimétricas existentes e, dessa forma, associar com os aspectos geomorfológicos
presentes na região em estudo, principalmente no que se refere à interferência direta ao traçado
da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista.

Conforme pode ser observado tanto nos mapas de declividade quanto no mapa hipsométrico,
o traçado da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista encontra-se em um terreno onde
predomina um relevo suave ondulado a ondulado, se caracterizando basicamente com
variações altimétricas pouco abruptas e evidenciando, na sua maior parte, a presença de mares
de morros (colinas intermontanas) que são comuns no estado de Minas Gerais.

Avaliando-se, exclusivamente, o conteúdo do mapa hipsométrico verifica-se que o traçado está

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localizado, na sua maior parte, em terrenos com cotas na faixa de 600 a 1.100 m, onde em três
trechos característicos do traçado, ocorre um aumento da elevação do terreno.

O primeiro trecho se situa na região de Nova Resende, situado no Planalto Jacuí –


Muzambinho, onde se observa uma faixa de relevo cortando, transversalmente, o traçado do
empreendimento e que apresenta cotas altimétricas na faixa de 1.100 a 1.200 m.

Já o segundo trecho, bem mais extenso, se dispõe paralelamente ao eixo do traçado e está
associado à unidade geomorfológica Planalto de Poços de Caldas, que também apresenta
cotas altimétricas na faixa de 1.100 a 1.200 m. Ressalta-se que estes dois trechos estão
inseridos na região geomorfológica Planalto de Poços de Caldas (Quadro 6.2.3-1).

O terceiro trecho que se destaca pelas elevadas cotas altimétricas, refere-se às escarpas da
Serra da Mantiqueira e Serranias de Delfim Moreira – Carmo de Minas que apresentam
altitudes acima de 1.400 m, sendo que ambas as unidades geomorfológicas supracitadas estão
inseridas na região geomorfológica da Serra da Mantiqueira Meridional (Quadro 6.2.3-1).

6.2.3.2.2. Descrição Geomorfológica na AE do Empreendimento

Neste item são caracterizados os três domínios morfoestruturais que são observados na Área
de Estudo do empreendimento para o tema geomorfologia, assim como são descritas as suas
principais unidades geomorfológicas observadas. Além disso, é evidenciada para cada uma
destas unidades a respectiva região geomorfológica onde as mesmas se inserem. Ressalta-se
que a caracterização de todo o contexto geomorfológico baseou-se nas premissas e diretrizes
estabelecidas pelo Manual Técnico de Geomorfologia do IBGE, 2007.

Os domínios morfoestruturais, conforme caracterizado no item anterior, ocorrem em escala


regional e organizam os fatos geomorfológicos segundo o arcabouço geológico levando-se em
consideração as características litológicas e estruturais (tectônica) da região em estudo (IBGE,
2009).

As regiões geomorfológicas representam os compartimentos inseridos nos conjuntos


litomorfoestruturais que, sob a ação dos fatores climáticos, lhes conferem características
genéticas comuns, agrupando feições semelhantes, associadas às formações superficiais e às
fitofisionomias (IBGE, 2009).

Já as unidades geomorfológicas são determinadas como um arranjo de formas altimétricas e


fisionomicamente semelhantes em seus diversos tipos de modelados. Estas unidades indicam
seus processos originários, formações superficiais, comportamento da drenagem, e tipos de
modelados diferenciados dos demais (IBGE, 2009).

Cinturões Móveis Neoproterozóicos

Este domínio morfoestrutural é caracterizado por extensas áreas representadas por planaltos,
alinhamentos serranos e depressões interplanálticas formadas em terrenos que sofreram
intensa atividade tectônica, como dobramentos e falhamentos, incluindo principalmente
metamorfitos e granitoides associados.

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SERRA DA CANASTRA

Essa unidade geomorfológica corresponde ao divisor de águas dos rios que correm para a
bacia do São Francisco e de afluentes formadores da bacia do Paraná. Inclui as barras, cristas
e chapadas que se constituem nos relevos mais elevados da Região dos Planaltos da Canastra.
Os topos das chapadas, geralmente planos e descontínuos, são herança da superfície de
aplanamento que truncou os topos destas estruturas, em que as camadas mostram mergulho
de 65º e ocorrem, predominantemente, em quartzitos. Apresentam vales encaixados que
aproveitam as camadas de rochas mais sensíveis à erosão linear, como por exemplo, os filitos
presentes na referida região. Nas escarpas voltadas para sudoeste, no extremo norte da
unidade, são observadas ravinas em diferentes estágios de evolução. (RADAMBRASIL, 1983).

Presença de modelados de dissecação estrutural com topos convexos e agrupados e de


modelados de dissecação homogênea ou diferencial com topos convexos e tabulares, com
densidade de drenagem baixa e aprofundamentos das incisões muito fraco (até 50 m) a fraco
(> 50 até 100 m). Localmente, também são observados modelados de aplanamento tipo
pediplano degradado inumado por coberturas detríticas e/ou alteração, constituídas de
couraças e/ou latossolos.

Esta unidade faz parte da região geomorfológica dos Planaltos da Canastra e sua ocorrência
pode ser observada no trecho do traçado do empreendimento, onde está situada a SE Estreito
(mapa L18-MP-F-6.2.3-014 do Caderno de Mapas). A Figura 6.2.3-20 apresenta aspectos
gerais do relevo característico da região da unidade Serra da Canastra na AE do
empreendimento.

(a) (b)

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(c)

Figura 6.2.3-20 - Diferentes aspectos do relevo na região de domínio da Unidade


Geomorfológica Serra da Canastra

DEPRESSÃO DO RIO GRANDE

A Depressão do Rio Grande pode ser definida como um amplo compartimento rebaixado,
desenvolvido ao longo da drenagem do Rio Grande e seus afluentes diretos. A Depressão é do
tipo periférica e possui disposição geral NW-SE, sendo concordante com outras feições
marcantes em cunho regional, como a Serra da Canastra (Cortes, 2015).

Essa Depressão ocupa grandes extensões no sul de Minas e pequena parte do Triângulo
Mineiro. Esta unidade isolou trechos do planalto dissecado do sul de Minas em seu
desenvolvimento, assim como promoveu o recuo das camadas areníticas e basálticas da Bacia
Sedimentar do Paraná (Andrade, 2006).

O setor meridional da Depressão é caracterizado por um relevo de colinas com altitudes médias
em torno de 1.000 m. Entre a Serra da Canastra e o Planalto da Bacia Sedimentar do Paraná,
a depressão é do tipo periférica, apresentando relevo de colinas com altitudes próximas de
800m. Enquanto isso, na região noroeste da Depressão, seus limites mineiros são pouco nítidos
e podem apresentar passagens gradativas para os compartimentos mais rebaixados do
Planalto da Bacia Sedimentar do Paraná. Nessa área, sobre formas mistas de aplainamento e
dissecação fluvial, as altitudes variam de 550 a 580 m (Andrade, 2006).

Adicionalmente, a Depressão do Rio Grande é caracterizada por relevos planos situados em


altitudes em torno de 450 m esculpidos sobre depósitos coluvionares e eluvionares,
predominantemente arenosos, que recobrem as litologias do Grupo Bambuí. É uma área
densamente povoada por uma população de baixa renda (Meira & Alves, 2010).

Essa unidade faz parte da região geomorfológica dos Planaltos da Canastra apresentando
modelados de dissecação homogênea com topos convexos, com grande variabilidade na
densidade de drenagem ao longo de sua extensão (de muito baixa a alta) e predominância de

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aprofundamento das incisões classificadas como muito fracos (até 50 m).

A distribuição espacial dessa unidade na Área de Estudo (AE) do empreendimento pode ser
visualizada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-014 a L18-MP-F-6.2.3-016. A Figura 6.2.3-21
apresenta aspectos geomorfológicos da região de domínio da unidade Depressão do Rio
Grande, que foram observadas durante as atividades de campo.

Figura 6.2.3-21 - Aspectos geomorfológicos na região de domínio da unidade


geomorfológica da Depressão do Rio Grande

PLANALTO DE JACUÍ - MUZAMBINHO

Esta unidade geomorfológica ocupa a maior extensão de área da AE do empreendimento, onde


sua distribuição espacial pode ser visualizada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-016 a L18-MP-F-
6.2.3-019. Além disso, esta unidade está inserida na região geomorfológica denominada Poços
de Caldas.

A unidade do Planalto de Jacuí – Muzambinho se caracteriza por dois tipos de formas de relevo
preponderantes, a saber:

 O primeiro tipo se caracteriza pelos modelados de dissecação homogênea ou


diferencial que não possuem controle estrutural marcante e são caracterizados
predominantemente por colinas, morros e interflúvios tabulares. Apresentam alta
densidade de drenagem com predominância de padrões dendríticos e com
aprofundamentos das incisões variando de fraco (> 50 a 100 m) a médio (> 100 a 150
m). Observa-se que são as formas de relevo que predominam na AE do
empreendimento, abrangendo parte dos municípios de Muzambinho, Bom Jesus da
Penha, Nova Resende, Fortaleza de Minas e Cabo Verde.

 O segundo tipo se caracteriza pelos modelados de dissecação estrutural, onde sua


própria denominação já evidencia a ocorrência de um controle estrutural nos processos
de dissecação, em geral associadas a rochas metamórficas, que possuem cristas, vales
e sulcos estruturais. Verifica-se padrões de drenagem característicos, onde seus canais
evidenciam possíveis estruturas geológicas ou acamamentos estratigráficos.

Destaca-se na região de domínio da referida unidade geomorfológica, os modelados de


dissecação estrutural que são subdivididos em duas formas específicas, a saber: aqueles com
encostas de topo convexo que apresentam vales bem definidos e vertentes de declividades
variadas, que são observados nos municípios de Juruaia, principalmente Nova Resende; e

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aqueles com encostas de topo aguçado que se caracterizam por serem alongados e estreitos,
onde o controle estrutural é definido por vales encaixados. Os topos aguçados são produto da
interceptação de vertentes de declividade acentuada, entalhadas por sulcos e ravinas
profundas. A Figura 6.2.3-22 apresenta o aspecto geral do relevo na região de domínio da
unidade geomorfológica Planalto de Jacuí - Muzambinho.

(a) (b)
Figura 6.2.3-22 - (a) Paisagem característica na região de Bom Jesus da Penha-MG. (b)
Paisagem característica da região de Nova Resende – MG, onde predomina a
cafeicultura. As duas regiões se localizam na Unidade do Planalto Jacuí – Muzambinho

PATAMARES DE VARGINHA

A unidade Patamares de Varginha está inserida na região geomorfológica do Planalto de Poços


de Caldas, apresentando altitudes variando de 800 m nas margens da represa de Furnas a
1.200 m em algumas cristas destacadas. Nessa unidade geomorfológica toda a rede de
drenagem pertence à Bacia do Paraná. Na parte oeste, destacam-se as bacias dos rios
Guaxupé e Canoas, afluentes do rio Pardo; e a leste as bacias dos rios Muzambinho, Verde,
São Tomé, Machado e Sapucaí-Guaçu, afluentes do rio Grande.

Verifica-se a predominância dos modelados de dissecação homogênea, com densidade de


drenagens variando de baixa a média e aprofundamento das incisões em geral muito fraco a
fraco, variando na faixa entre 38 e 115 m. Configuram colinas e morros algumas vezes
alongados, das vertentes convexo-côncavas e topos convexos a planos. Ocorrem algumas
linhas de cumeada e formas de topos aguçados. Foram reconhecidos setores de dissecação
diferencial, com aprofundamento das incisões na faixa de 101 a 155 m, refletindo algumas
direções estruturais de unidades adjacentes, como os Patamares da Canastra e Planaltos de
Andrelândia e de Poços de Caldas. Além disso, são observados modelados de acumulação
correspondentes a planícies fluviais, com a presença de terraços esculpidos em formações
aluviais.

Entre as cidades de Passos-MG e Guaxupé-MG, o relevo é escalonado em setores, a partir


dos contatos com a Unidade Geomorfológica Patamares da Canastra. Nos limites com essa
unidade ocorre a Serra do Chapadão, delimitada por cornijas, onde ocorrem ravinas. A área à
sua frente encerra entalhes de drenagem profundos.

Após a subida ao nível topograficamente mais elevado do chapadão, há um relevo aplanado,


com vales que alcançam de 30 a 40 m de aprofundamento. Trata-se de restos de uma
superfície de aplanamento, posicionada a cerca de 1.000 a 1.200 m. Daqui, individualizam-se

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relevos destacados em forma de mesas que se mostram como residuais das formações
cretácicas distribuídas a oeste. Feições de dissecação mais acentuadas assinalam a descida
do nível de topo do Chapadão para um nível inferior de aplanamento situado entre 900 e 1.000
m. Aqueles relevos dissecados acusam aprofundamentos dos vales da ordem de 60 a 70 m,
prolongando-se até as proximidades de Jacuí-MG. Na descida desse compartimento
morfológico mais alto observa-se a intercalação de formas rebaixadas de topos abaulados ou
planos e conjuntos de relevos dissecados mais elevados que se alongam no sentido leste -
oeste. Os relevos aplanados têm setores, especialmente, contínuos, interrompidos por pontões
e cristas.

No trecho compreendido entre Guaxupé-MG e as vertentes do Planalto de Poços de Caldas, a


sul, prolongam-se os dissecados mais baixos, definidos por vales encaixados entremeados por
alvéolos, posicionados em torno da elevação 950 m, dos quais se elevam cristas e pontões
isolados.

A distribuição espacial desta unidade geomorfológica na AE do empreendimento pode ser


visualizada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-018 e L18-MP-F-6.2.3-019. A Figura 6.2.3-23
apresenta um aspecto geral do relevo da referida unidade geomorfológica.

Figura 6.2.3-23 - Aspecto geral do relevo na região de domínio da Unidade


Geomorfológica Patamares de Varginha.

PLANALTO POÇOS DE CALDAS

A unidade do Planalto de Poços de Caldas constitui um compartimento topográfico elevado,


em que as altimetrias variam entre pouco menos de 1.000 m até cerca de 1.300 m, com pontos
cotados em mais de 1.640 m. Destaca-se nesta unidade a presença do corpo intrusivo alcalino
cretáceo, componente da estrutura elevada e internamente erodida de Poços de Caldas. Além
disso, vale lembrar que esta unidade está inserida na região geomorfológica de mesma
denominação (Planalto de Poços de Caldas).

O Planalto de Poços de Caldas abrange uma extensa região da AE do empreendimento e


apresenta relevo variando de ondulado a montanhoso, já que as deformações e deslocamentos

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do embasamento cristalino, que compõem a região resultaram em blocos de relevos alçados.
Ao longo do tempo, esses blocos de relevos alçados, têm sofrido ação erosiva frequente,
acarretando pacotes de erosão evoluídos tanto em profundidade quanto em extensão real. As
encostas são classificadas como estrutural convexa e homogênea convexa (RADAMBRASIL,
1983).

Trata-se de um planalto de dissecação fortemente controlado por fatores litoestruturais. A


drenagem reflete nos canais, com segmentos orientados e vales profundos condicionados pela
geologia estrutural da região. Em função desta influência tectônica, observa-se escarpas
adaptadas a falhas, escarpas indiferenciadas, vales e sulcos estruturais, cristas e linhas de
cumeada orientadas (RADAMBRASIL, 1983).

Predominam os modelados de dissecação diferencial com aprofundamentos de 101 a 165 m.


Setores de modelados de dissecação homogênea são encontrados pontualmente, como por
exemplo, na parte central da estrutura circular erodida de Poços de Caldas e na parte oriental
da unidade.

Feições de relevos alongados de topos convexos, definindo interflúvios estreitos mais extensos,
recobertos por colúvios são observados na região.

Algumas das cumeadas e cristas que se desdobram como abas externas da estrutura elevada,
interiormente erodida de Poços de Caldas, definem relevos assimétricos com blocos nas
encostas. A drenagem de primeira ordem que parte das bordas dessa estrutura é centrífuga. O
seu interior apresenta um nível rebaixado de colinas e morros de topos convexos, com
vertentes convexo-côncavas, isolados por densa malha de drenagem em que as incisões dos
vales contam cerca de 30 m de aprofundamento, em média. Os vales são preenchidos por
pacotes coluviais, enquanto os topos e meias vertentes sustentam coberturas delgadas. Os
interflúvios são intensamente entalhados por ravinas sub-atuais cicatrizadas pela vegetação de
pastagem. Dos dissecados mais baixos de topos nivelados, anteriormente referidos, elevam-
se pontões e cristas estruturais representando, em maior ou menor escala, variações de
componentes Iitológicos (RADAMBRASIL, 1983).

Há escarpas reconhecidas como adaptadas a falhas ou escarpas de falhas, com feições tipo
facetas trapezoidais nas bases. As escarpas de alguns morros mostram fissuras que
aparentam o deslocamento de blocos, com elevação e/ou abatimento. Ocorrem feições tipo
cristas, que se destacam dos relevos mamelonares rebaixados, assim como ocorrências de
matacões nas encostas dos relevos, em áreas fechadas nos seus sopés. Os vales
eventualmente são largos, sendo que alguns possuem fundos planos e colmatados
(RADAMBRASIL, 1983).

A distribuição espacial desta unidade geomorfológica pode ser observada nos mapas L18-MP-
F-6.2.3-019 a L18-MP-F-6.2.3-021 do Caderno de Mapas do presente EIA. Enquanto a Figura
6.2.3-24 presenta aspectos gerais do relevo predominante da unidade Planalto de Poços de
Caldas.

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Figura 6.2.3-24 - Aspectos gerais do relevo da unidade Planalto Poços de Caldas, onde
se evidencia um relevo ondulado a montanhoso Formado por colinas e morros com
controle estrutural, onde se observam, em algumas encostas a exposição de
afloramentos rochosos

DEPRESSÃO DO RIO SAPUCAÍ

A unidade geomorfológica Depressão do Rio Sapucaí apresenta relevos de suaves colinas ou


morros de vertentes convexas, com topos semi aplanados e expressivas coberturas aluviais
nos vales. O relevo ao longo dos principais cursos fluviais é dissecado em formas colinosas,
de interflúvios longos, com topos e vertentes convexizadas e aprofundamentos entre 30 a 40
m. O intemperismo é intenso, impossibilitando a observação da rocha matriz, com formação e
espessas camadas de solo residual maduro recoberto por colúvio nos topos das colinas, dando
ao relevo um aspecto ligeiramente abaulado (RADAMBRASIL, 1983).

Predominam formas de relevo com modelados de dissecação homogênea com topos convexos
ou aguçados, densidade de drenagem variando de baixa a média e com aprofundamento das
incisões classificado como fraco (> 50 a 100 m). Localmente, observam-se modelados de
dissecação estrutural com encostas de topo convexo.

As colinas nas proximidades dos principais rios são balizadas por cristas e linhas de cumeadas
mais elevadas e extensas que correspondem a grandes falhas regionais. Outros falhamentos
se interceptam a este, facilitando a atuação dos agentes erosivos na ampliação da área por
erosão remontante.

Os rios Sapucaí, Sapucaí-Mirim, do Cervo e Itaim formam terraços fluviais de grande extensão
ao longo dos canais e com larguras variáveis que chegam a ultrapassar 2,5 km, como no rio
Sapucaí, a sudeste da cidade de Santa Rita do Sapucaí-MG. Podem ser entrevistos, em alguns
desses terraços, setores mais elevados e convexos, que correspondem a alterações da rocha
em feições afogadas pelo entulhamento dos vales. As colinas nas proximidades dos rios
principais são balizadas por cristas e linhas de cumeadas mais elevadas e extensas, que
correspondem a grandes falhas regionais (RADAMBRASIL, 1983).

Esta unidade está inserida na região geomorfológica Planalto do Alto Rio Grande e sua
distribuição espacial pode ser verificada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-022 a L18-MP-F-6.2.3-
024. Na Figura 6.2.3-25 pode-se observar o aspecto geral de um trecho desta unidade
geomorfológica.

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Figura 6.2.3-25 - Aspecto geral da Unidade Geomorfológica Depressão do Rio Sapucaí,
apresentando características de relevo arrasado e aplanado

SERRANIAS DE LAMBARI E CONCEIÇÃO DAS PEDRAS

As Serranias de Lambari e Conceição das Pedras possuem relevos de formas alongadas, tipos
cristas e linhas de cumeada, com cotas altimétricas elevadas entre 1.000 a 1.400 m. Os relevos
topograficamente elevados e com aspecto serrano evidenciam predominância de cristas com
escarpas íngremes e seus vales são alinhados, com presença de blocos fraturados ao longo
das encostas.

A unidade é marcada por escarpas adaptadas a falhas, sulcos estruturais, grandes linhas de
cumeadas e cristas simétricas alinhadas que indicam a direção dos dobramentos e falhamentos
ocorridos na área (modelados com dissecação estrutural). Algumas áreas com predominância
de formas de topos aguçados são balizadas por cristas de maior altitude, escarpadas e de
topos também aguçados. Estes relevos têm forte tendência de orientação SO-NE e apresentam
como característica principal uma menor espessura no manto de alteração (RADAMBRASIL,
1983).

Esta unidade está inserida na região geomorfológica Planalto do Rio Grande e pode ser
visualizada em um pequeno trecho da AE do empreendimento, sendo que a mesma atravessa
uma faixa do traçado da LT (mapa L18-MP-F-6.2.3-022 do Caderno de Mapas).

PLANALTO DE CAMPOS DO JORDÃO

A unidade geomorfológica Planalto de Campos do Jordão se apresenta intensamente


influenciada pela tectônica da região, onde predominam os relevos com dissecação diferencial,
cujos aprofundamentos das incisões variam de 158 a 372 m. Presença de relevos irregulares,
com cristas mais elevadas e marcadas por planos de falhas, quase destituídas de formações
superficiais. Nas porções mais baixas, as formas são mais convexizadas e alongadas,
recobertas por camada de colúvio de textura argilo-arenosa com 2 a 3 m de espessura
(RADAMBRASIL, 1983).

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Presença de ravinas é frequente, evidenciando a parcela de contribuição destes relevos no
assoreamento dos vales, de fundos planos e colmatados. Além disso, são frequentes os sinais
de movimentação de solo devido ao intenso uso agrícola (RADAMBRASIL, 1983).

A parte mais central da unidade apresenta formas homogêneas de dissecação, com densidade
de drenagem que variam de fina a média e aprofundamentos que vão de 66 a 90 m. Apresentam
topos alongados e convexizados recobertos por colúvio e espessa camada de solo residual
maduro. Nestas áreas, os vales têm perfil transversal aproximado de “V’.

Esta unidade faz parte da região geomorfológica da Serra da Mantiqueira Meridional e sua
distribuição espacial na AE do empreendimento pode ser observada nos mapas L18-MP-F-
6.2.3-023 a L18-MP-F-6.2.3-025 do Caderno de Mapas, destacando-se o L18-MP-F-6.2.3-025
onde o traçado da LT a atravessa. A Figura 6.2.3-26 ilustra um trecho desta unidade, onde se
constata a presença de uma LT já implantada.

Figura 6.2.3-26 - Aspecto geral de um trecho onde se situa da Unidade Geomorfológica


Planalto de Campos do Jordão que faz parte da Serra da Mantiqueira Meridional.

SERRANIAS DE DELFIM MOREIRA – CARMO DE MINAS

A unidade geomorfológica Serranias de Delfim Moreira se caracteriza por relevos escarpados


de morros com vertentes côncavas a retilíneas e topos variando entre arredondados e
angulosos, com cumes acima de 1.800 m. Em função dessas características, as formas de
relevo são caracterizadas como modelados de dissecação estrutural aguçada com encostas
de topos aguçados.

As serranias projetam-se a NNW do maciço alcalino de Passa Quatro até a passagem da zona
de Cisalhamento São Bento do Sapucaí, conformando um conjunto de cristas alongadas
orientadas para NNE e balizadas por litologias granitoides e biotita-gnaisses conspícuos.
Apresenta também direção NW-SE dada fundamentalmente pela drenagem invertida que
intercepta as estruturas NE-SW que são determinadas pelos alinhamentos topográficos
(MARQUES NETO, 2017).

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Essa unidade situa-se na região geomorfológica da Serra da Mantiqueira Meridional e pode ser
visualizada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-024 e L18-MP-F-6.2.3-025. A Figura 6.2.3-27
apresenta aspectos gerais da região de abrangência desta unidade geomorfológica.

Figura 6.2.3-27 - Aspecto geral do relevo de morros e serras representados pela


Unidade Serranias de Delfim Moreira – Carmo de Minas, nas proximidades de Itajubá

ESCARPAS DA SERRA DA MANTIQUEIRA

A unidade Escarpas da Serra da Mantiqueira é caracterizada por um alinhamento montanhoso


bastante elevado, alçado por tectônica, sendo que sua linha de cumeada sustenta altitudes
entre 1.100 e 1.400 m, atingindo mais de 1.700 m (Pico da Pedra Selada – 1.755 m). Ressalta-
se que na Área de Estudo é a região que apresenta as maiores altitudes, conforme pode ser
constatado no Mapa Hipsométrico (mapa L18-MP-F-6.2.3-040 do Caderno de Mapas).

As escarpas da Serra da Mantiqueira consistem em um relevo de transição entre a depressão


interplanáltica do médio vale do rio Paraíba do Sul e o planalto do alto rio Grande, em território
mineiro. Na escarpa da Serra da Pedra Selada, situam-se os formadores dos rios Pirapetinga
e da Pedra Preta, que drenam para o rio Paraíba do Sul, sendo o seu reverso montanhoso,
drenado por pequenos tributários do rio Preto (RADAMBRASIL, 1983).

A região se caracteriza por um conjunto de cristas alongadas de diversificadas características


geomorfológicas, com a elevada amplitude altimétrica e morros associados a vales estreitos.
Resultam de processos endógenos e exógenos complexos, tectônicos, denudacionais e
agradacionais que dinamizam a evolução dessa paisagem (OLIVEIRA & MARQUES NETO,
2015).

Essa unidade está inserida na região geomorfológica da Serra da Mantiqueira Meridional


contemplando formas de relevo caracterizadas por modelados de dissecação estrutural
aguçada, com topos estreitos e alongados que evidenciam controle estrutural e presença de
vales encaixados. A sua ocorrência limita-se a uma pequena faixa que corta o traçado do
empreendimento que pode ser visualizado no mapa L18-MP-F-6.2.3-025. A Figura 6.2.3-28
apresenta um aspecto geral das escarpas da Serra da Mantiqueira.

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Figura 6.2.3-28 - Aspecto geral de uma faixa das escarpas da Serra da Mantiqueira, com
vegetação nativa preservada

DEPRESSÃO DO MÉDIO VALE DO PARAÍBA DO SUL

A Depressão do Médio Vale do Rio Paraíba do Sul é caracterizada por uma extensa depressão
interplanáltica, ladeada pelo reverso da Serra do Mar e pela escarpa da Serra da Mantiqueira.
Está localizada entre os municípios de Três Rios e Engenheiro Passos, se propagando também
a oeste, no Vale do Paraíba paulista. A região reflete um forte controle lito-estrutural assinalado
pelo lineamento Além-Paraíba e pela tectônica extensional, o que apresentou como resultado
a geração de bacias sedimentares continentais, como as bacias de Resende e Volta Redonda.
Nessas áreas também se situam as mais amplas planícies fluviais do rio Paraíba do Sul,
possuindo boa aptidão agrícola devido a sua boa fertilidade natural. Também há presença de
colinas tabulares resultantes do modelado dos sedimentos e de rochas terciárias depositados
nessas bacias (DANTAS, et al., 2005).

Essa unidade encontra-se incorporada a região geomorfológica conhecida como Depressões


do Rio Paraíba do Sul, registrando altimetrias de 500 a 600 m na sua maior parte, contrastando
com as dos planaltos circundantes que ultrapassam os 2.500 m. Sua distribuição espacial na
AE do empreendimento pode ser observada nos mapas L18-MP-F-6.2.3-025 e L18-MP-F-
6.2.3-026 do Caderno de Mapas, onde se observam modelados de dissecação estrutural e
homogênea com predominância de colinas com topos convexos, mas com ocorrência de topos
aguçados.

Apresenta formas de relevo condicionadas a um controle geológico (depressão tectônica) e


afetadas por sucessivas fases erosivas e deposicionais, onde se desenvolveram em gnaisses,
migmatitos e rochas graníticas diversas. Os modelados se apresentam, estruturalmente,
alongados e paralelos entre si, identificando-se colinas, cristas, escarpas erosivas e vales
adaptados a falhas e fraturas que cortam a área com orientação preferencial NE-SO
(RADAMBRASIL, 1983).

As formas de relevo mais comuns são as colinas convexas, com aprofundamentos de


aproximadamente 40 a 127 m e predominância de drenagens do tipo fina. Nos sopés das

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escarpas do Planalto de Campos do Jordão ocorrem relevos com dissecação preferencial,
cujos aprofundamentos oscilam entre 115 e 156 m. O conjunto topográfico e morfológico forma
paisagem de “mar de morros”. Além disso, processos erosivos atuantes são comuns em seu
relevo dissecando as encostas convexas, onde ravinas, terracetes e grandes voçorocas são
comuns, fato este que limita o aproveitamento das terras (RADAMBRASIL, 1983).

Na Figura 6.2.3-29 observa-se o aspecto geral da unidade geomorfológica Depressão do


Médio Vale do Paraíba do Sul.

Figura 6.2.3-29 - Aspecto geral da Unidade Geomorfológica Depressão do Médio Vale


do Paraíba do Sul

Bacias e Coberturas Sedimentares Fanerozóicas

O domínio morfoestrutural bacias e coberturas sedimentares fanerozóicas é constituído por


planaltos e chapadas desenvolvidos sobre rochas sedimentares horizontais a sub-horizontais,
eventualmente dobradas e/ou falhadas, em ambientes de sedimentação diversos, dispostos
nas margens continentais e/ou interior do continente.

PATAMARES CUESTIFORMES ORIENTAIS DA BACIA DO PARANÁ

Os Patamares Cuestiformes Orientais da Bacia do Paraná se caracterizam pela ocorrência de


relevos monoclinais com caimento topográfico voltado para o interior da bacia e bordas
escarpadas e vales pouco profundos. Suas encostas são caracterizadas como homogêneas
convexas e seu relevo é plano e/ou dissecado em interflúvios tabulares e amplos interflúvios
convexizados. Os Patamares Cuestiforrnes correspondem ao desdobramento de cuestas,
ocasionado em diferentes camadas de rochas sedimentares do Mesozoico intercaladas pelos
derrames basálticos do Jura-Cretáceo (RADAMBRASIL, 1983).

Nessa unidade geomorfológica é possível reconhecer as bordas escarpadas erosivas,


características das cuestas basálticas, com relevo alto marcado por colinas amplas de topos
aplainados, alcançando altitudes que variam de 700 até 1.200 m. Além disso, linhas de escarpa
festonadas e relevo intensamente dissecado com formas convexas nas vertentes marcam a

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transição para as regiões rebaixadas para o compartimento ao lado (DE MOURA
PASSARELLA et al, 2010).

Verifica-se que essa unidade geomorfológica margeia paralelamente o traçado da LT 500kV


SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 a partir da subestação SE Estreito sem, no
entanto, atravessa-la. Os mapas L18-MP-F-6.2.3-014 e L18-MP-F-6.2.3-015 ilustram a
localização desta unidade na AE do empreendimento. Ressalta-se que esta unidade está
inserida na região geomorfológica Patamar Oriental da Bacia do Paraná.

PLANALTO DO TRIÂNGULO MINEIRO

O Planalto do Triângulo Mineiro possui relevo plano e ondulado, apresentando modelados de


dissecação homogênea ou diferencial compostos, predominantemente por colinas suaves, com
topos planos ou arredondados, encostas côncavas e convexas e com padrão de drenagem
dendrítica. A densidade de drenagem varia de muito baixa a baixa, enquanto o aprofundamento
das incisões é classificado como fraco (> 50 a 100 m). Já as cotas altimétricas ficam na faixa
de 600 a 800 m na AE do empreendimento.

Essa unidade está inserida na região geomorfológica Planaltos da Bacia do Alto Rio Paraná.
Além disso, observa-se no mapa L18-MP-F-6.2.3-014 que a referida unidade não atravessa o
traçado do empreendimento, estando disposta paralelamente ao mesmo, em um pequeno
trecho próximo à subestação SE Estreito.

TABULEIROS E COLINAS DA BACIA SEDIMENTAR DE TAUBATÉ

A Bacia Sedimentar de Taubaté está localizada na região do Vale do Rio Paraíba do Sul entre
as bacias de São Paulo e Resende. É uma bacia assimétrica, possui forma de semigraben
basculhada para direção NW, ocasionalmente afetada por fenômenos de silicificação anteriores
a sedimentação e atividade tectônica sin e pós sedimentar com sedimentos basculhados e
afetado por falhas (Melo et al, 1983).

Especificamente, essa unidade geomorfológica se caracteriza pela presença de amplas colinas


sedimentares nos pacotes mais espessos dos sedimentos terciários com topos achatados e
altitudes de 600 a 650 m. As partes mais baixas se caracterizam por vales abertos, onde as
altitudes estão na faixa de 560 a 600 m. Os principais relevos reconhecidos vão de formas
extremamente regulares e suavizadas, como os Tabuleiros e as Colinas Amplas, até as Colinas
Pequenas com Espigões locais (Vidal, 1997).

Além disso, essa unidade está inserida na região geomorfológica conhecida como Tabuleiros
e Colinas Sedimentares do Rift Continental do sudeste do Brasil. Possuem modelados de
dissecação homogênea ou diferencial com formas de topos convexos, densidade de drenagem
muito variada (baixa a alta) e aprofundamento das incisões variando de muito fraco (até 50 m)
a fraco (>50 a 100 m). Essa unidade é observada no mapa L18-MP-F-6.2.3-026 e está
localizada no estado de São Paulo. A Figura 6.2.3-30 apresenta um aspecto geral da unidade
Tabuleiros e Colinas da Bacia Sedimentar de Taubaté.

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Figura 6.2.3-30 - Vista aérea da Unidade Geomorfológica Tabuleiros e Colinas da Bacia
Sedimentar de Taubaté, onde está inserida a SE Cachoeira Paulista

Depósitos Sedimentares Quaternários

O domínio morfoestrutural Depósitos Sedimentários Quaternários é composto pelas áreas de


acumulação representadas pelas planícies e terrações de baixa declividade e, eventualmente,
depressões modeladas sobre depósitos de sedimentos horizontais a sub-horizontais de
ambientes fluviais, marinhos, fluviomarinhos, lagunares e/ou eólicos, dispostos na zona
costeira ou no interior do continente.

PLANÍCIES DO RIO PARAÍBA DO SUL

A unidade geomorfológica Planície do Rio Paraíba do Sul se caracteriza pelas planícies e


terraços fluviais específicos do rio Paraíba do Sul, situada no trecho final do traçado do
empreendimento, no estado de São Paulo. São áreas de acumulação de sedimentos fluviais
quaternários. Esta unidade está inserida na região geomorfológica conhecida como Formas
Agradacionais Atuais e Subatuais Interioranas.

Os terraços fluviais do rio Paraíba do Sul apresentam-se dissecados em colinas muito amplas,
gerando relevos tabuliformes e descontínuos. Estes terraços se dispõem em dois níveis: o
inferior posiciona-se a 3 a 8 m acima da planície de várzea, sendo caracterizado por cascalhos
e areias grossas, sendo que o mesmo passa gradativamente para o nível superior, capeado
por aluviões antigos (RADAMBRASIL, 1983).

Já o curso do rio Paraíba do Sul forma inúmeros meandros, sendo que ainda ocorrem diques
naturais e canais abandonados distribuídos ao longo de sua ampla planície fluvial. São áreas
planas que podem ser periodicamente alagadas. Esta planície é caracterizada por sedimentos
argilo-arenosos, argilosos, sílticos e orgânicos.

Essa unidade geomorfológica pode ser visualizada no mapa L18-MP-F-6.2.3-026, estando


situada no estado de São Paulo. Entretanto, destaca-se que tal unidade não atravessa o
traçado do empreendimento.

PLANÍCIES E TERRAÇOS FLUVIAIS

As planícies se caracterizam por áreas planas resultantes de acumulação fluvial, sujeitas a


inundações periódicas, correspondendo às várzeas atuais e ocorrem nos vales com
preenchimento aluvial. São depósitos sedimentares quaternários que estão associados aos rios

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existentes na região de influência do empreendimento (áreas de acumulação de sedimentos).

Os terraços fluviais também são modelados de acumulação fluvial de forma plana, levemente
inclinada, apresentando ruptura de declive em relação ao leito do rio e às várzeas recentes
situadas em nível inferior, entalhada devido às mudanças de condições de escoamento e
consequente retomada de erosão. Ocorrem, geralmente, nos vales dos corpos hídricos que
existem na AE do empreendimento, contendo aluviões finos a grosseiros, pleistocênicos e
holocênicos. Essa unidade também está inserida na região geomorfológica conhecida como
Formas Agradacionais Atuais e Subatuais Interioranas.

6.2.3.2.3. Considerações Finais

A Área de Estudo (AE) referente à LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 está


localizada, predominantemente, na região geomorfológica conhecida como Planalto de Poços
de Caldas, onde se destacam as unidades geomorfológicas Planalto de Poços de Caldas,
Planalto Jacuí – Muzambinho e Patamares de Varginha que juntas abrangem um total de 44,4%
da AE do empreendimento (vide Quadro 6.2.3-2). Outras duas unidades geomorfológicas com
ocorrência considerável na Área de Estudo são a Depressão do Rio Grande (14,5% do total da
AE) e a Depressão do Rio Sapucaí (11,5% do total da AE). Ressalta-se que todas estas cinco
unidades geomorfológicas estão inseridas no Domínio Morfoestrutural Cinturões Móveis
Neoproterozoicos.

Pela caracterização geomorfológica dissertada ao longo do presente diagnóstico verifica-se


que a Área de Estudo é uma região formada por uma grande variação de formas de relevo, se
destacando os planaltos e patamares, serras e cadeias montanhosas, assim como depressões
e, menos comumente, planícies e terraços fluviais.

Destaca-se ainda que os processos morfodinâmicos predominantes estão associados a


processos erosivos e de dissecação, onde os modelados de dissecação homogênea e
estrutural com encostas convexas são os mais comuns, apresentando vales e drenagens
encaixadas. Em relação a este ponto específico, destaca-se que a região é bastante
antropizada, com exceção de alguns trechos de serras e escarpas, com presença de intensa
atividade agrícola, com destaque ao café, e pecuária, onde a vegetação nativa está bem
degradada. Fato este, que facilita a ação dos processos erosivos e de dissecação comuns na
região, associados aos períodos de chuvas intensas. Destaca-se que a determinação e
caracterização dos movimentos de massa existentes na AE são devidamente apresentadas no
âmbito do tema “Vulnerabilidade Geotécnica” já que este assunto envolve a integração conjunta
de vários temas específicos do meio físico (Geologia, Pedologia, Clima, entre outros), além da
própria Geomorfologia.

Além disso, ressalta-se que na região em estudo predomina o relevo suave ondulado a
ondulado, com variações altimétricas pouco abruptas, onde a maior parte dos terrenos
encontra-se na faixa de 600 a 1.100 m (cotas altimétricas). Acima desta faixa altimétrica se
destaca a região geomorfológica da Serra da Mantiqueira Meridional, mais ao sul do traçado,
com altitudes acima de 1.400 m (escarpas e serranias) e mais duas regiões, com cotas
altimétricas na faixa de 1.100 a 1.200 m, inseridas na região geomorfológica Planalto de Poços
de Caldas.

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6.2.3.3. SOLOS

6.2.3.3.1. Aspectos Metodológicos

Para caracterização e delimitação dos diversos tipos de solo na Área de Estudo da LT 500 kV
SE Estreito – SE Cachoeira Paulista foi realizada uma pesquisa bibliográfica para obtenção de
dados secundários e um levantamento de campo com o levantamento de dados primários,
abrangendo um raio de 5 km de extensão em relação aos eixos dos dois traçados do
empreendimento. As informações adquiridas resultaram na elaboração de 13 mapas, na escala
1:100.000, que são apresentados nos mapas L18-MP-F-6.2.3-041 a L18-MP-F-6.2.3-053 do
Caderno de Mapas.

Ressalta-se que os referidos mapas se embasaram no mapeamento pedológico realizado no


estado de Minas Gerais pela Universidade de Viçosa (Departamento de Solos-DPS/LABGEO)
que procurou relacionar os tipos de solo com características de tipos de relevo e de vegetação.
Adicionalmente, foi realizada uma vasta pesquisa bibliográfica em artigos e documentos
técnicos relacionados ao tema em questão (caracterização pedológica) para complementação
de informações técnicas. Após essa pesquisa bibliográfica foi feito um levantamento de campo
a fim de consolidar os dados obtidos na primeira etapa e observar os tipos de solo existentes
ao longo do traçado da LT.

Vale destacar que os critérios adotados para classificação dos tipos de solo foram adotados
em consonância com as diretrizes atualizadas e preconizadas pelo Sistema Brasileiro de
Classificação de Solo (EMBRAPA, 2006).

A caracterização pedológica integral envolve a definição e delimitação dos horizontes e


camadas com identificação e registro de suas características morfológicas individualmente,
especificando a transição entre os referidos horizontes e camadas, profundidade, espessura,
cloração, textura, estrutura, consistência e outros atributos mais específicos. Além de
observações de campo, são realizadas análises laboratoriais para complementação de sua
caracterização.

Para o entendimento de como é feita a classificação dos solos é fundamental o conhecimento


dos principais atributos físicos e químicos que os definem, a partir das premissas e diretrizes
estabelecidas pelo Manual Técnico de Pedologia do IBGE, 2007, que são:

 Determinação dos horizontes diagnósticos superficiais e subsuperficiais do solo -


seções de constituição mineral ou orgânica característica e dotada de propriedades
geradas por processos formadores do próprio solo.

 Cor – sensação visual que se manifesta na presença da luz e, de certa maneira, reflete
a quantidade de matéria orgânica, o tipo de óxido de ferro e a classe de drenagem do
solo. Utiliza-se a Carta de Munsell para designação de cores do solo.

 Textura – pode ser confundida com o conceito de granulometria do solo, já que


representa a fase mineral sólida do solo e determina a proporção dos teores de argila,
silte e areia.

 Estrutura – corresponde ao arranjo das partículas (areia, argila e silte) do solo, podendo

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ser granular, prismática, em blocos e laminar.

 Consistência – refere-se às forças de adesão e coesão que variam de acordo com o


grau de umidade do solo.

 Cerosidade – são filmes de material inorgânico de natureza diversa, orientados ou não,


constituindo revestimentos ou superfícies brilhantes na superfície dos elementos
estruturais. Sua ocorrência é ocasional.

 Transição entre Horizontes – é a faixa de transição que separa horizontes distintos,


podendo ser abrupta, gradual, clara ou difusa.

 Saturação por Bases (V%) e Saturação por Alumínio (m%) – indicam o potencial
nutricional dos solos, classificando-os em eutrofico (alta saturação), distrófico (baixa
saturação), álico e ácrico.

 Atividade da Fração Argila (T) – capacidade de troca de cátions correspondente à


fração argila.

 Caráter Alítico – refere-se à condição em que o solo se encontra fortemente


dessaturado.

 Contato Lítico – refere-se ao contato entre o solo e a rocha dura.

Para o presente relatório são caracterizados os principais solos da região que estão inseridos
na Área de Estudo (AE) e também na Área de Intervenção (AI) do empreendimento. O
conhecimento dos tipos de solo existentes (texturas, estruturas, comportamento, entre outros)
é fundamental para o entendimento da dinâmica geomorfológica da região, além de subsidiar
amplamente a caracterização e o entendimento técnico de outro tema inerente ao meio físico
que se refere à vulnerabilidade geotécnica. Para esse tema supracitado será feita a avalição
da susceptibilidade à erosão dos solos existentes para caracterizar a presença ou não do
aparecimento e desenvolvimento de processos erosivos e de movimentos de massa na Área
de Estudo, além de associá-los com a própria implantação do empreendimento.

De maneira geral, apesar da região sul e sudoeste do estado de Minas Gerais, que compreende
grande parte do traçado do empreendimento, ser uma grande produtora de café, verifica-se
que os solos da região, em geral, são classificados como ácidos e com baixa reserva de
nutrientes, o que restringe a produção cafeeira caso não sejam executadas atividades de
calagem e adubação adequadas.

6.2.3.3.2. Tipos de Solo na Área de Estudo

A caracterização dos tipos de solo observados na Área de Estudo da linha de transmissão será
apresentada abaixo.

LATOSSOLOS

Os latossolos são solos muito intemperizados e, portanto, bastante evoluídos, caracterizados


por material mineral, sendo homogêneos profundos, de boa drenagem e com horizonte B

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latossólico subjacente a qualquer tipo de horizonte A. Possui mineralogia da fração argila
predominantemente caulinítica ou caulinítica oxídica. Difere-se entre si, principalmente, pela
coloração e teores de óxido de ferro. São fortemente ácidos, sendo que o caráter distrófico
destes solos evidencia baixa fertilidade natural, pois a saturação por bases costuma ser menor
que 50% nos primeiros metros.

São solos típicos de regiões tropicais e estão distribuídos por amplas e antigas superfícies de
erosão, pedimentos ou terraços fluviais. Geralmente são encontrados em terrenos de relevo
plano ou suave ondulado, apesar de também ocorrerem em relevo montanhoso.

Os solos observados na Área de Estudo para essa categoria são os Latossolos Vermelhos e
os Latossolos Vermelho Amarelos.

Os Latossolos Vermelhos recebem esse nome devido às cores vermelhas acentuadas que
apresentam, sendo esta coloração consequência dos altos teores e da natureza dos óxidos de
ferro presentes no material originário em ambientes bem drenados. A cor, a textura e a estrutura
desse solo são uniformes em profundidade. Além disso, apresenta condições adequadas para
um bom desenvolvimento radicular em profundidade, em função de serem profundos, além de
porosos ou muito porosos (EMBRAPA, 2013).

Os Latossolos Vermelho Amarelos, que são característicos de ambientes bem drenados, são
muito profundos e muito utilizados para agropecuária, sendo indicada a adubação fosfatada, já
que em condições naturais os teores de fósforo são baixos nesses solos. Estes latossolos
apresentam como limitação também a baixa quantidade de água disponível para as plantas,
porém por serem profundos e porosos ou muito porosos, apresentam condições adequadas
para um bom desenvolvimento radicular em profundidade. Também apresentam uniformidade
em profundidade para as características de cor, textura e estrutura (EMBRAPA, 2013).

Na Área de Estudo, estes latossolos compreendem o tipo de solo mais comum, com
predominância dos Latossolos Vermelhos distróficos (LVd2 e LVd1) com horizonte típico A
moderado, com textura média a argilosa e saturação por bases menor que 50%, com relevo
plano e suave ondulado e fase floresta subcaducifólia (d1), cerrado (d2); e Latossolos Vermelho
Amarelos distróficos (LVAd1 e LVAd3), bem drenados, com horizonte típico A moderado, muito
profundos e bastante intemperizados, com textura média a argilosa, com relevo plano e suave
ondulado e fase cerrado (d1) e fase caatinga hipoxerófila (d2). Os Latossolos Vermelho
distróficos e Latossolos Vermelho Amarelos distróficos são representados na Figura 6.2.3-31
e na Figura 6.2.3-32, respectivamente.

96 / 158
(a) (b)
Figura 6.2.3-31 - (a) Detalhe de uma amostra de latossolo vermelho (LVd) de textura
areno-argilosa encontrado em campo. (b) Pequeno perfil de solo LVd de coloração
vermelha e textura argilo-arenosa.

(a) (b)
Figura 6.2.3-32 - (a) Perfil de solo LVAd de coloração vermelho amarelo e granulometria
areno-argilosa. (b) Solo LVAd de coloração vermelha e granulometria fração areno-
argilosa encontrado em campo.

Variantes desses quatro tipos de latossolos são observadas ao longo do traçado, que
apresentam variações em suas características tais como: horizonte A fraco/moderado, textura
arenosa a argilosa e com fases de vegetação e tipos de relevo diversos. Ademais, é importante
destacar, que se observam localmente Latossolos Vermelhos distroférricos (LVdf1) com
horizonte típico A moderado/proeminente, com textura argilosa e fase floresta subcaducifólia e
relevo plano e suave ondulado.

NEOSSOLOS

Os Neossolos são solos constituídos por material mineral ou orgânico pouco espesso (< 30 cm)
e sem apresentar qualquer tipo de horizonte B diagnóstico. Apresentam predomínio de
características herdadas do material originário, sendo solos pouco evoluídos. Variam de solos
rasos até profundos e de baixa a alta permeabilidade, podendo apresentar também alta ou
baixa saturação por bases, além de acidez e altos teores de alumínio e de sódio. Na região do
traçado são verificados dois tipos de neossolos, a saber, o Neossolo Litólico e o Neossolo
Flúvico.

97 / 158
O Neossolo Litólico encontrado na região é distrófico, com horizonte típico A fraco/moderado
assentado diretamente sobre rocha. São solos rasos ou muito rasos (pouco desenvolvidos), de
textura arenosa e não hidromórficos (RLd1 – fase cerrado e relevo ondulado e escarpado).
Apresentam grande presença de material cascalhento e de fragmentos de rocha, alta
erodibilidade e, em função destas características, são de baixa fertilidade. A Figura 6.2.3-33
apresenta um perfil de Neossolo Litólico.

Figura 6.2.3-33 - Perfil de Neossolo Litólico em beira de estrada de terra

Enquanto isso, o Neossolo Flúvico é também distrófico, com típico Horizonte A moderado
assentado sobre camada ou horizonte C e que apresenta uma sucessão de camadas de
natureza aluvionar sem relação pedogenética entre si (RUbd1 – fase caatinga hipoxerófilas e
relevo plano). Em geral apresenta argila de atividade baixa e saturação por bases menor que
50%.

NITOSSOLOS

Os Nitossolos são solos compostos por material mineral, de textura argilosa ou muito argilosa,
moderadamente ácidos a ácidos com saturação por bases baixa a alta e se caracterizam pela
presença de um horizonte B nítico. Esse solo apresenta baixa atividade da argila, além de ser
não hidromórfico. São solos profundos, bem drenados e de coloração vermelha a brunada,
estando mais relacionados ao material de origem, podendo ser originados de rochas básicas,
calcárias ou intermediárias.

Na região de influência do traçado é encontrado apenas em uma pequena faixa na região norte
da LT, próximo a SE Estreito (Folha 01), que se caracteriza por um Nitossolo Vermelho (NVef1)
eutrófico típico A chernozêmico / moderado, com textura argilosa, fase caatinga hipoxerófila e
relevo suave ondulado.

Os Nitossolos Vermelhos, geralmente, de coloração vermelha a vermelho-escura, podem ser


argilosos ou muito argilosos, além de possuírem estrutura em blocos fortemente desenvolvidos,
derivados de rochas básicas e ultrabásicas, com diferenciação de horizontes pouco notável.

98 / 158
Apesar de apresentarem alto risco de erosão devido aos relevos acidentados em que esses
solos são encontrados, os Nitossolos Vermelhos são de grande importância agronômica, já que
mesmo os solos distróficos e álicos respondem bem à aplicação de corretivos (EMBRAPA,
2013).

CAMBISSOLOS

Os Cambissolos são solos constituídos por material mineral com horizonte B incipiente e
subjacente a qualquer tipo de horizonte superficial, geralmente são rasos a profundos com teor
de argila semelhante entre os horizontes A e B, forte a imperfeitamente drenados, de baixa a
alta saturação por bases e presença de argilas de atividade baixa a alta. Sua textura é bastante
variada, desde argilosa até cascalhenta.

É identificado no campo pela sensação de sedosidade na textura devido ao silte presente e


pela massa de solo rica em mica. São solos em estágio intermediário de intemperismo, onde o
seu horizonte B incipiente possui, em geral, textura franco arenosa ou mais argilosa. Além
disso, podem apresentar estruturas em blocos, granular ou prismática, com casos de solos com
ausência de agregados, que possuem estrutura em grãos simples ou maciça. Na Área de
Estudo são encontrados dois solos dessa classe: os Cambissolos Háplicos (CX) e os
Cambissolos Húmicos (CH).

Os Cambissolos Háplicos, geralmente, são identificados por não apresentarem horizonte


superficial A húmico, e podem ser encontrados, normalmente, em relevo forte ondulado ou
montanhoso. De fertilidade natural variável, esses solos apresentam como principais limitações
para uso o relevo com declives acentuados, a pequena profundidade e a ocorrência de pedras
na massa do solo (EMBRAPA, 2013).

Os Cambissolos Húmicos são caracterizados por possuírem horizonte A superficial húmico,


que se caracteriza pela cor escura, devido à riqueza em matéria orgânica. São solos de baixa
fertilidade e, geralmente, ácidos, sendo mais utilizados para cultivos de subsistência, pastagem
e reflorestamento. São associados a climas frios de altitude ou clima subtropical do Sul do Brasil
(EMBRAPA, 2013).

Na Área de Estudo são encontrados os Cambissolos Háplicos (CX) distróficos, com típico
horizonte A fraco e moderado, horizonte B incipiente, textura argilosa (bd1) a cascalhenta (bd6),
relevo forte ondulado e fase caatinga hipoxerófila (bd1) a cerrado (bd6). Possuem argila de
baixa atividade, com fertilidade baixa e são medianamente profundos a rasos. O Cambissolo
Háplico distrófico é ilustrado na Figura 6.2.3-34 a seguir.

99 / 158
(a) (b)
Figura 6.2.3-34 - (a) Detalhe de Cambissolo CXbd de coloração avermelhada e
granulometria fração areia encontrado em campo. (b) Perfil desse mesmo solo em
talude

Localmente, também são encontrados Cambissolo Háplico + Latossolo Vermelho Amarelo


(CXbd9) distróficos na fase cerrado e relevo suave ondulado e ondulado / plano e suave
ondulado; além destes observa-se Cambissolo Háplico (CXbd24) distrófico, com horizonte A
moderado, textura média, cascalhenta, na fase subcaducifólia e relevo forte ondulado.

Também são observados Cambissolos Húmicos (CHd1) distróficos, com típico horizonte A
úmido/proeminente, textura argilosa + Cambissolos Háplicos Tb distróficos, com horizonte A
moderado, textura argilosa. A fase é de floresta subperenifólia e o relevo é forte ondulado. O
Cambissolo Húmico distrófico é representado pela Figura 6.2.3-35.

(a) (b)
Figura 6.2.3-35 - (a) Cambissolo Háplico (CHd) de coloração ocre e granulometria
argilosa encontrado em campo. (b) Pequeno talude de corte de estrada em região de
abrangência de Cambissolo Húmico.

ARGISSOLOS

Os Argissolos são solos constituídos por material mineral, pouco profundos a profundos, que
mostram aumento do teor de argila do horizonte superficial A para o subsuperficial Bt. Possuem
argila de atividade baixa ou argila de atividade alta correlacionada com saturação por bases
baixa e/ou caráter alítico na maior parte do horizonte B. As cores do horizonte Bt variam de
acinzentadas a avermelhadas. Frequentemente, apresentam baixa atividade da argila (CTC) e
normalmente, são solos ácidos. Podem ser alíticos (altos teores de alumínio), distróficos (baixa

100 / 158
saturação de bases) ou eutróficos (alta saturação de bases). Na região foram observados
Argissolos Vermelhos e Argissolos Vermelho Amarelos.

Os Argissolos Vermelhos recebem esse nome devido aos teores mais altos e à natureza dos
óxidos de ferro presentes no material originário em ambientes bem drenados, o que gera cores
vermelhas acentuadas. Apresenta um teor de argila no horizonte subsuperficial bem superior
ao horizonte superficial, além de ocorrerem principalmente em áreas de relevo ondulado. A
fertilidade natural desse solo é muito variável devido à diversidade de materiais de origem
(EMBRAPA, 2013).

Os Argissolos Vermelho-Amarelos são solos que apresentam horizonte de acumulação de


argila B textural, com cores vermelho-amarelas devido à presença da mistura dos óxidos de
ferro hematita e goethita. São solos profundos e muito profundos, bem estruturados e bem
drenados. Além disso, apresentam principalmente a textura média/argilosa, podendo também
ser encontradas em menores frequências as texturas média/média e média/muito argilosa.
Quanto à fertilidade natural, esta é baixa a muito baixa, possuindo também reação fortemente
ácida e argilas de atividade baixa (EMBRAPA, 2013).

Na Área de Estudo são observados, ao longo do traçado, os Argissolos Vermelhos distróficos


(d), na sua grande maioria, e também eutróficos (e), típico horizonte A moderado e textura
média argilosa. Os argissolos distróficos se encontram na fase floresta subperenifólia, enquanto
os argissolos eutróficos estão na fase floresta subcaducifólia, estando ambos presentes em
relevo ondulado. Os argissolos distróficos se divergem entre si em função do tipo PVd2
apresentar no seu perfil, um horizonte de latossolo vermelho amarelo muito profundo, que não
é observado no tipo PVd1. O aspecto geral de um Argissolo Vermelho distrófico pode ser
observado em um talude de corte de estrada na Figura 6.2.3-36.

Figura 6.2.3-36 - Perfil de Argissolo Vermelho (PVd1) de talude de corte de estrada

Também são encontrados na região de estudo, os Argissolos Vermelho Amarelos com cinco
variações observadas, onde predominam os Argissolos Distróficos (PVAd2), com típico
horizonte A moderado, textura média/argilosa com fase de floresta subcaducifólia e relevo
suave ondulado e ondulado; e Argissolos Eutróficos (PVAe2) com típico horizonte A moderado,

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textura média/argilosa com fase de floresta subcaducifólia e relevo forte ondulado e
montanhoso. As outras três variações observadas na região são menos frequentes, são eles:
(a) o Argissolo Vermelho Amarelo + Latossolo Vermelho Amarelo + Cambissolo Háplico
(PVAd8 – relevo ondulado e forte ondulado e floresta subcaducifólia); (b) o Argissolo Vermelho
Amarelo + Cambissolo Háplico + Afloramento Rochoso (PVAd9 – relevo forte ondulado e
floresta subperenifólia); e (c) o Argissolo Vermelho Amarelo + Latossolo Vermelho (PVAd11 –
relevo ondulado e floresta subcaducifólia). Os Argissolos Vermelho Amarelos Distróficos e
Argissolos Vermelho Amarelos Eutróficos estão representados na Figura 6.2.3-37 e na Figura
6.2.3-38, respectivamente.

(a) (b)
Figura 6.2.3-37 - (a) e (b) Perfis de Argissolo Vermelho Amarelo (PVAd8) de talude de
corte de estrada.

Figura 6.2.3-38 - Aspecto geral do Argissolo (PVAe) de coloração vermelha e textura


arenosa contendo grânulos de quartzo angulosos

102 / 158
AFLORAMENTOS DE ROCHA

Os Afloramentos de Rocha são terrenos representados por exposições de diferentes tipos de


rochas, ocorrendo principalmente na zona semi-árida. Se caracterizam por exposições de rocha
dura, branda ou semi-branda, nua ou com reduzidas porções de materiais detríticos grosseiros
não consolidados, constituindo uma mistura de fragmentos provenientes da desagregação das
rochas com material terroso. Não é classificável como solo e muitas vezes encontra-se
associado à Neossolos Litólicos, ocorrendo também como inclusões em áreas de outros solos
(EMBRAPA, 2013).

No mapeamento pedológico realizado foram diagnosticadas duas áreas significativas que


foram caracterizadas como de Afloramento rochoso puro (AR1) e Afloramento Rochoso +
Cambissolo Háplico distrófico típico e léptico, com Horizonte A moderado, textura siltosa
gradando para argilosa + Neossolo Litólico distrófico Horizonte A fraco/moderado,na fase
floresta subperenifólia e relevo montanhoso (AR4). Esta unidade se encontra em uma extensa
área que abrange a subestação SE Estreito. Portanto, quando os afloramentos de rocha
aparecem como unidade, eles representam no mínimo 1/5 da área delimitada para a referida
unidade. Em função disso, informa-se que no seu domínio mapeado (mapas L18-MP-F-6.2.3-
041 e L18-MP-F-6.2.3-042 do Caderno de Mapas) não se observa apenas afloramentos de
rocha, que são mais predominantes nas cotas mais elevadas e nas encostas mais íngremes
do relevo mais montanhoso, mas também a ocorrência de perfis de solo (cambissolos e
neossolos), principalmente, nas porções mais baixas dessa região.

A Figura 6.2.3-39 apresenta uma vista aérea na região de domínio destes afloramentos
rochosos, onde se observa nas cotas elevadas (crista da serra), afloramento de xistos bastante
diaclasados.

(a) (b)
Figura 6.2.3-39 - (a) Crista linear com cerca de 20 0m de altura composta de
afloramento de xisto bastante diaclasado. (b) Topo de montanha constituída por
afloramentos de xisto. Ambos os pontos observados são referentes ao Afloramento
rochoso puro (AR1).

6.2.3.3.3. Considerações Finais

Observa-se pelos mapas pedológicos elaborados no contexto do diagnóstico ambiental que a


maior parte da Área de Estudo é caracterizada, predominantemente, por latossolos vermelhos

103 / 158
e latossolos vermelhos amarelos. Essa evidência está em consonância com solos típicos de
regiões tropicais e comuns em terrenos de relevo plano ou suave ondulado que caracterizam,
geomorfologicamente, a maior parte da região em estudo formado por planaltos – mar de
morros).

Além disso, os argissolos também representam uma ocorrência significativa na Área de Estudo.
Ressalta-se ainda, que os afloramentos rochosos indicados na região no entorno da SE Estreito
são mais comuns na área montanhosa e alta declividade, onde as condições de
desenvovimento de perfis de solo não são tão propícias. Enquanto que nas cotas mais baixas,
como por exemplo, na região de acesso a referida SE Estreito, há presença de solo neste
domínio com predominãncia de cambissolos.

Vale destacar que a maioria dos solos existentes está associada, principalmente a rochas
metamórficas, que são as unidades litológicas que predominam na região do traçado do
empreendimento, conforme observado e relatado no contexto do tema “Geologia”.

Ressalta-se que a caracterização e deteminação da susceptibilidade à erosão que está


estreitamente relacionada aos tipos de solo existentes será devidamente avaliadada no
contexto do tema “Vulnerabilidade Geotécnica”. Pois esse tema envolve uma gama ainda maior
de dados que precisam ser correlacionados e integrados com outros aspectos do meio físico,
como por exemplo: geomorfologia (tipos de relevo, tografia e declividade) e geologia (tipos de
rocha), assim como aspectos do meio socioeconômico, tal como uso e manejo dos solos e
aspectos do meio biótico, como por exemplo a questão da cobertura vegetal.

6.2.3.4. SISMICIDADE

6.2.3.4.1. CARACTERIZAÇÃO SISMOLÓGICA

A crosta terrestre apresenta uma série de placas tectônicas que se movimentam lentamente
entre si, produzindo um esforço contínuo de deformação nas grandes massas de rocha que
compõem a litosfera. Os movimentos das placas tectônicas podem ocasionar afastamento
(movimentos divergentes), colisão (movimentos convergentes) ou deslizamentos de uma placa
pela outra (movimentos transcorrentes). Os terremotos ocorrem, com maior frequência e
intensidade, nos limites entre as placas tectônicas que são zonas tectonicamente instáveis.

Os terremotos ou abalos sísmicos de grande magnitude ocorrem quando o deslocamento na


interface entre as placas tectônicas é impedido, fato este que acarreta um acúmulo gradual de
energia de deformação que só é liberada quando a resistência da rocha ali existente é
superada, originando sua ruptura abruptamente. Essa situação gera uma liberação de energia
até que se alcance uma nova posição de equilíbrio. Essa energia liberada, subitamente, se
propaga por meio de ondas de deformação acarretando deslocamentos da superfície, podendo
ou não causar destruição.

O Brasil, por se localizar no interior da placa tectônica da América do Sul (zona intraplaca),
apresenta uma sismicidade bem inferior (frequência e magnitude) do que aquela observada
nas regiões de limites de placas tectônicas, como é o caso, por exemplo, da região leste do
continente sul-americano que se caracteriza pela zona de convergência e de contato entre as
placas de Nazca e Sul-americana. Além disso, o Brasil se caracteriza por apresentar
sismicidade inferior de outras regiões intraplacas semelhantes, tais como: leste da América do

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Norte, África e Austrália.

Portanto, os eventos sísmicos naturais ocorrem continuamente no processo de equilíbrio do


arcabouço tectônico da Terra a grandes profundidades, acarretando terremotos, vulcanismos,
acomodação da crosta e outros fenômenos. Destaca-se que os sismos naturais também são
conhecidos como sismos tectônicos, sendo entendidos como os movimentos da crosta terrestre
(placas tectônicas) que ocorrem num determinado espaço de tempo e local, se propagando em
todas as direções (ondas sísmicas) para dentro, para fora e ao longo da superfície da crosta.

Além dos sismos naturais, podem ocorrer os chamados sismos induzidos, que são aqueles que
podem ser gerados no interior da crosta e estão comumente relacionados ao enchimento de
reservatórios hidrelétricos. Este processo pode ocorrer em função do aumento das pressões
hidrostáticas geradas pela infiltração de água nas descontinuidades do substrato rochoso,
ocasionando perda de resistência do mesmo e, consequentemente, gerando tremores
(acomodação do substrato rochoso). Os principais fatores que influem no desencadeamento
de sismos induzidos são a altura da coluna d’água do reservatório, velocidade do enchimento,
características geológicas estruturais específicas da região e presença de solos permeáveis
que facilitam a infiltração d’água.

A caracterização sismológica natural e induzida na área de estudo se baseou na consulta,


levantamento e compilação de dados coletados junto aos principais observatórios sismológicos
existentes (Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, Instituto de Astronomia,
Geofísica e Ciência Atmosféricas da Universidade de São Paulo - IAG/USP e IPT) no período
compreendido entre os anos de 1900 a 2017. A coleta dos eventos sísmicos na Área de Estudo
(AE) foi realizada na base de dados dos supracitados observatórios, especificamente, no dia
20/11/2017.

O mapa L18-MP-F-6.2.3-054 do Caderno de Mapas ilustra os eventos sísmicos registrados em


uma área de 110 km2, onde está inserida a Área de Estudo do empreendimento, onde se
destacam os municípios que são cortados pelo traçado da LT 500kV SE Estreito – SE
Cachoeira Paulista. Informa-se que os limites dos referidos municípios delimitam a Área de
Estudo definida para a caracterização e avaliação dos aspectos específicos inerentes ao meio
socioeconômico.

Ao todo foram diagnosticados 71 eventos sísmicos, sendo que apenas seis deles foram
detectados dentro de municípios que estão contemplados na Área de Estudo. O Quadro 6.2.3-5
apresenta a listagem e as principais características (ano de ocorrência, coordenadas do
epicentro, magnitude, distância ao traçado e local) dos referidos eventos sísmicos observados
na AE. Informa-se que estes eventos são representados no mapa L18-MP-F-6.2.3-054 como
pontos vermelhos, onde cada um deles é identificado por um código ID definido pelo
Observatório que o registrou.

Quadro 6.2.3-5 - Lista dos eventos sísmicos registrado na AE do empreendimento no


período compreendido entre os anos de 1900 a 2017
EVENTO_ID ANO LATITUDE LONGITUDE MAGNITUDE DISTÂNCIA LOCAL
Poços de
usp2017gdih 2017 -21,93 -46,53 2,2 mR 43,17 km
Caldas/MG
Poços de
usp2017avpb 2017 -21,94 -46,53 2,2 mR 43,73 km
Caldas/MG
usp2016dzvu 2016 -22,24 -45,92 2,2 MLv 11,24 km Pouso

105 / 158
EVENTO_ID ANO LATITUDE LONGITUDE MAGNITUDE DISTÂNCIA LOCAL
Alegre/MG
Jacuí-
bsb19961018214401 1996 -21,04 -46,74 4,0 mR 20,23 km
Guaxupé/MG
bsb19840408205600 1984 -20,80 -46,76 3,8 mR 8,18 km Passos/MG
bsb19810118161950 1981 -20,71 -46,7 3,3 mR 1,63 km Passos/MG

Avaliando os dados do Quadro 6.2.3-5 verifica-se que o evento sísmico mais próximo do
traçado atual do empreendimento ocorreu em Passos/MG no ano de 1981, a uma distância de
1,63 km do seu eixo e com uma magnitude de 3,3 mR. Já o evento sísmico de maior magnitude
ocorreu em Jacuí-Guaxupé/MG com um valor de 4,0 mR no ano de 1996.

O Quadro 6.2.3-6 lista os outros 65 eventos sísmicos registrados nas adjacências da AE que
estão representados por círculos amarelos no mapa L18-MP-F-6.2.3-054. No Quadro 6.2.3-6
é informado o ano de ocorrência, as coordenadas geográficas, magnitude e localização de cada
um dos eventos coletados.

Observa-se no Quadro 6.2.3-6 que o evento de maior magnitude registrado na área


representada no presente documento foi de 5,1 mA em Mogi Guaçu/SP no ano de 1922 (evento
56). Posteriormente, verificam-se dois eventos sísmicos de magnitude de 3,9 mA e 4,0 m mA
em Poços de Caldas/MG e Bom Sucesso/MG, respectivamente (eventos 52 e 60). Ressalta-se
que o evento sísmico de Jacuí-Guaxupé/MG mencionado no Quadro 6.2.3-5 e que se encontra
na AE do empreendimento, também teve magnitude de 4,0 mR, indicando ser o segundo evento
de maior magnitude na área estudada.

Quadro 6.2.3-6 - Lista dos 65 eventos sísmicos registrados nas adjacências do


empreendimento no período compreendido entre os anos de 1900 a 2017
EVENTOS ANO LATITUDE LONGITUDE MAGNITUDE LOCAL

1 2017 -21,18 -44,94 0,9 MLv Ijaci/MG


2 2017 -22,64 -44,51 2,3 mR Arapei/SP
3 2017 -21,93 -46,57 2,2 mR Poços de Caldas/MG
4 2017 -21,96 -46,55 2,3 mR Poços de Caldas/MG
5 2017 -21,79 -46,54 3,2 mR Poços de Caldas/MG
6 2016 -21,91 -44,88 2,6 mR Baependi/MG
7 2016 -21,37 -46,15 2,3 mR Areado/MG
8 2015 -20,11 -45,25 2,3 mR Santo Antonio do Monte/MG
9 2014 -21,14 -44,60 2,5 mR Nazareno/MG
10 2014 -20,18 -45,40 2,7 mR Japaraiba/MG
11 2014 -21,09 -44,59 2,5 mR Nazareno/MG
12 2014 -21,22 -45,77 2,4 mR Campos Gerais/MG
13 2014 -21,20 -45,67 1,9 mR Campos Gerais/MG
14 2014 -21,97 -45,50 1,8 mR Heliodora/MG
15 2014 -21,62 -44,93 2,2 mR Luminarias/MG
16 2014 -20,41 -46,16 2,3 mR Piumhi/MG
17 2014 -21,07 -44,66 0,9 MLv Bom Sucesso/MG
18 2014 -21,06 -44,66 1,1 MLv Bom Sucesso/MG
19 2014 -21,06 -44,66 1,3 MLv Bom Sucesso/MG

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EVENTOS ANO LATITUDE LONGITUDE MAGNITUDE LOCAL

20 2014 -21,05 -44,66 0,8 MLv Bom Sucesso/MG


21 2014 -21,06 -44,65 1,7 MLv Bom Sucesso/MG
22 2014 -20,60 -45,29 2,4 mR Camacho/MG
23 2013 -21,13 -44,83 1,6 mR Ibituruna/MG
24 2013 -21,85 -46,89 2,9 mR Vargem Grande do Sul/SP
25 2013 -20,63 -45,76 2,8 mR Santo Inacio/MG
26 2011 -21,17 -44,95 3,2 mR Ijaci; Funil/MG
27 2006 -21,64 -46,86 3,0 mR S.Jose do Rio Pardo/SP
28 2005 -21,03 -47,29 3,1 mR SBenedAreias/SP
29 2003 -20,37 -44,81 2,9 mR Itaguara-MG
30 2003 -21,31 -46,19 3,2 mR Areado-MG
31 2002 -20,27 -44,67 3,4 mR Itaguara-MG
32 1997 -20,75 -45,75 3,5 mR Guaxupé/MG
33 1997 -20,82 -47,17 2,9 mR Antas-SP
34 1996 -21,29 -47,32 2,8 mInd Cajuru/SP
35 1993 -20,58 -45,40 2,9 mR Formiga/MG
36 1993 -20,58 -45,40 3,1 mR Formiga/MG
37 1992 -21,33 -46,15 2,9 mR Areado/MG
38 1992 -20,33 -44,58 3,3 mR Crucilandia/MG
39 1990 -20,11 -44,62 2,8 mR Divinopolis/MG
40 1990 -21,23 -46,02 2,9 mR Alfenas/MG
41 1987 -21,30 -46,20 2,9 mR NW Alfenas/MG
42 1987 -20,50 -44,50 2,8 mR S. Itaguara/MG
43 1982 -20,76 -45,80 3,2 mR Furnas/MG
44 1982 -21,64 -46,65 3,1 mR Poços de Caldas/MG
45 1981 -21,45 -46,09 3,1 mR Alfenas/MG
46 1976 -20,28 -44,75 3,2 mInd Carmo do Cajuru/MG
47 1972 -20,28 -44,75 3,7 mR Carmo do Cajuru/MG
48 1971 -20,28 -44,75 3,5 mInd Carmo do Cajuru/MG
49 1970 -20,28 -44,75 3,4 mA Carmo do Cajuru/MG
50 1966 -20,80 -46,00 3,2 mI Região de Furnas/MG
51 1964 -20,51 -45,59 3,0 mI Pontevila/MG
52 1950 -21,82 -46,71 3,9 mA Poços de Caldas/MG
53 1947 -21,79 -46,58 3,0 mI Poços de Caldas/MG
54 1946 -21,31 -46,71 3,0 mI Guaxupé/MG
55 1935 -21,03 -44,75 3,7 mA Bom Sucesso/MG
56 1922 -22,17 -47,04 5,1 mA Mogi Guaçu/SP
57 1920 -21,03 -44,75 3,0 mI Bom Sucesso/MG
58 1920 -21,03 -44,75 3,0 mI Bom Sucesso/MG
59 1920 -21,03 -44,75 3,2 mI Bom Sucesso/MG
60 1920 -21,03 -44,75 4,0 mA Bom Sucesso/MG
61 1919 -21,03 -44,75 3,2 mI Bom Sucesso/MG
62 1901 -21,03 -44,75 3,0 mI Bom Sucesso/MG

107 / 158
EVENTOS ANO LATITUDE LONGITUDE MAGNITUDE LOCAL

63 1901 -21,03 -44,75 3,0 mI Bom Sucesso/MG


64 1901 -21,03 -44,75 3,0 mI Bom Sucesso/MG
65 1901 -21,03 -44,75 3,0 mI Bom Sucesso/MG

6.2.3.4.2. Considerações Finais

Em função do Brasil estar situado em uma região intraplacas, a atividade sísmica registrada
em seu território é de baixa magnitude. Levando-se em consideração esta premissa, observa-
se que a Área de Estudo definida para avaliação sísmica da região de implantação do
empreendimento, abrangendo os municípios que são intervenientes ao traçado, apresenta um
histórico de baixíssimas ocorrências de eventos sísmicos. Em levantamento de dados
secundários junto aos principais observatórios sismológicos do Brasil, que registram os eventos
sísmicos, constatou-se a ocorrência direta de apenas seis eventos sísmicos na AE, onde o de
maior magnitude registrado foi de 4,0 mR no ano de 1996, no município de Jacuí-Guaxupé/MG.

Portanto, com base nos dados levantados e consistidos com relação à sismicidade, conclui-se
que a LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 será implantada em uma região
que não representa riscos de segurança e integridade ,no que se refere a possível ocorrência
de eventos sísmicos.

6.2.3.5. VULNERABILIDADE GEOTÉCNICA

6.2.3.5.1. Contextualização

A geotecnia é a ciência que caracteriza o comportamento dos materiais e terrenos da crosta


terrestre. A geotecnia ambiental, um segmento mais específico dessa ampla ciência, é a prática
que envolve considerações referentes aos aspectos técnicos dos materiais geológicos, ao meio
geológico natural e não natural e aos processos naturais do meio ambiente.

A linha de transmissão se caracteriza por ser um tipo de empreendimento que abrange grandes
extensões lineares (comprimento) com uma largura restrita (faixa de servidão), necessitando
de investigações geológico-geotécnicas do subsolo a pequenas profundidades para
conhecimento das condições estruturais das fundações e do local onde serão implementadas
e construídas as bases das torres metálicas. Além disso, as atividades de infraestrutura e de
apoio inerentes à fase de implantação do empreendimento requer a abertura de vias de acesso
e execução de taludes de corte e aterro que podem potencializar o aparecimento de processos
erosivos e instabilizatórios que evidenciam a vulnerabilidade geotécnica das encostas
antropizadas. Face a essas premissas, consolida-se o conceito que a caracterização da
vulnerabilidade geotécnica pode ser embasada em aspectos relacionados à caracterização da
suscetibilidade a erosão dos materiais subsuperficiais existentes na área de implantação do
empreendimento.

Portanto, para a definição da vulnerabilidade geotécnica de uma determinada região é


fundamental a realização de uma análise integrada dos fatores condicionantes que interferem
diretamente na suscetibilidade a erosão e que possam acarretar o possível desencadeamento
de processos erosivos (ravinamentos, voçorocas) e instabilizatórios (movimentos de massa,

108 / 158
queda de blocos) e, consequentemente, assoreamentos de corpos hídricos próximos a estes
eventos devido à implantação do empreendimento. Os principais fatores condicionantes do
meio físico que evidenciam a caracterização da vulnerabilidade geotécnica no presente estudo
são: geologia (tipos litológicos e aspectos estruturais), pedologia (tipos de solo), climatologia,
geomorfologia (declividade e hipsometria) e usos e cobertura do solo.

Ressalta-se que estes componentes supracitados e a interação entre eles são os fatores
condicionantes naturais para o desenvolvimento e intensificação de processos erosivos em um
dado local, evidenciando e identificando, dessa maneira, a vulnerabilidade geotécnica da área
em questão. Destaca-se ainda, que a retirada indiscriminada da vegetação natural para
implantação de sistemas antrópicos de uso e manejo das terras acarreta a intensificação no
desenvolvimento de processos erosivos. Portanto, comumente, a interferência humana acelera
em muito o processo, tornando-o, muitas vezes, de difícil controle. Assim, a caracterização da
susceptibilidade à erosão das terras permite identificar as áreas mais frágeis e sujeitas à
degradação, que devem ser utilizadas e manejadas com maior cuidado, ou mesmo preservadas
ou mantidas sem utilização.

Conceitualmente, a erosão é um processo contínuo que engloba a desagregação ou


destacamento de uma massa de solo de um local, e o seu transporte e deposição em outro
local (HOLY, 1980). No caso da erosão hídrica, são considerados dois subtipos: erosão areolar
e erosão linear (LAFLEN e ROSE, 1998). A erosão areolar é também chamada de entressulcos
ou laminar, e a erosão linear pode ser referida por erosão em sulcos. A erosão areolar inicia
com o impacto das gotas de chuva sobre a superfície do solo descoberto, desagregando-o.
Após a saturação da camada superficial do solo, forma-se um filme líquido à superfície em que
as partículas em suspensão podem ser mais facilmente transportadas. Com a continuidade da
precipitação, aumentando o volume de água à superfície do solo, esta pode alcançar os
caminhos preferenciais de escoamento do terreno, formando-se a enxurrada ou “runoff”. A
depender do volume e energia da enxurrada, dá-se o destacamento do solo nos sulcos, que é
transportado para as áreas mais baixas, ocorrendo então o sub-tipo de erosão referido por
linear ou em sulcos (WEILL e PIRES NETO, 2007).

Em estudos regionais de natureza mais qualitativa, como é o caso dos estudos de impacto
ambiental, não são feitas determinações ou estimativas da erosão. O diagnóstico, nesse caso,
pode ser efetuado a partir da caracterização qualitativa da susceptibilidade das terras ao
processo erosivo, por diferentes aproximações. Uma abordagem adequada é partir da análise
e interpretação integrada das condições presentes dos principais fatores condicionantes do
processo. Assim, em uma área que se possa considerar homogênea quanto às condições
climáticas, ou mais especificamente quanto à erosividade das chuvas para causarem erosão,
as variações locais da geologia, do relevo, da pedologia e usos e cobertura do solo é que
poderão definir a maior ou menor susceptibilidade das terras ao processo.

6.2.3.5.2. Procedimento Metodológico

Para o diagnóstico da vulnerabilidade geotécnica da Área de Estudo foi adotada a metodologia


de mapeamento da vulnerabilidade natural à perda de solo estabelecida por CREPANI et al.
(2001) que adota critérios específicos para atribuição de valores de vulnerabilidade. No caso
do presente diagnóstico, conforme mencionado anteriormente, os fatores condicionantes
definidos para este estudo são: geologia, geomorfologia, pedologia, climatologia e usos e
ocupação do solo.

109 / 158
Portanto, para a diferenciação e caracterização da vulnerabilidade geotécnica da Área de
Estudo utilizaram-se dados obtidos no diagnóstico ambiental do meio físico para os temas de
Geologia, Geomorfologia, Pedologia e Uso e Cobertura do Solo. Reitera-se que para o tema
Clima, considerou-se que as condições climáticas são homogêneas para toda a região em
estudo, não sendo, portanto, um fator principal para a diferenciação da vulnerabilidade
geotécnica.

A partir da coleta de dados, estabeleceu-se a integração das informações geológicas,


geomorfológicas, pedológicas e de uso e cobertura do solo que foi efetuada empregando
técnicas de geoprocessamento, que permitiram a confecção de um Mapa de Vulnerabilidade
Geotécnica da Área de Estudo, a partir da determinação e da espacialização de classes de
vulnerabilidade geotécnica definidas para o presente diagnóstico.

Em face ao que foi exposto, o produto final deste diagnóstico foi à elaboração e apresentação
de 13 folhas que compõem o Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica da Área de Estudo do Meio
Físico, em escala 1:100.000, considerando 1 km para cada lado dos eixos principais dos
traçados da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 (L18-MP-F-6.2.3-055 a
L18-MP-F-6.2.3-067 apresentados no Caderno de Mapas). Ressalta-se que a definição desta
área de 1 km para cada lado do traçado foi considerada suficiente para a abrangência e
caracterização efetiva deste tema em relação às futuras atividades executivas inerentes à
implantação deste empreendimento.

Portanto, a elaboração do Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica objetivou representar, de forma


integrada, a sensibilidade natural intrínseca dos atributos físicos da Área de Estudo frente às
pressões antrópicas já existentes, que podem ser potencializadas ou acrescidas com a
implantação do empreendimento. A sistematização das características do meio físico foi feita
por meio de análise multicritério a partir da valoração de elementos desses quatro fatores físicos
supracitados.

Esta valoração teve como objetivo identificar os graus de fragilidade de cada aspecto, por meio
de interpretações de seus elementos. Foram atribuídos valores de 1 a 7 para cada fator
condicionante, com exceção do uso e cobertura dos solos que foi classificado de 0 a 7. Destaca-
se que quanto maior o número, maior a vulnerabilidade geotécnica., onde a sua classificação
foi subdividida em cinco classes principais: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta que são
devidamente detalhadas no presente diagnóstico.

A seguir são descritos os atributos considerados na avaliação relativos a cada fator


condicionante supracitado (geologia, geomorfologia, pedologia e usos e cobertura do solo).

GEOLOGIA

A vulnerabilidade dos aspectos geológicos ocorre em função da combinação da resistência da


rocha ao intemperismo, a presença de falhas, fraturas ou dobras, além do grau de alteração e
de coesão da rocha. A caracterização desse fator condicionante foi realizada com base em
informações apresentadas no próprio texto dissertativo do diagnóstico ambiental do tema
geologia e da distribuição espacial das unidades litológicas representadas nos Mapas
Geológicos (L18-MP-F-6.2.3-001 a L18-MP-F-6.2.3-013 do Caderno de Mapas) produzidos na
escala de 1:100.000.

110 / 158
A coesão da rocha e dos solos refere-se à força interna que une suas partículas. De uma
maneira geral, quanto mais coesa a rocha ou o solo, menos frágil o mesmo será às ações
antrópicas e de intemperismo. As rochas ígneas e metamórficas (granitos, tonalitos, gnaisses,
diabásio, entre outros), apresentam, em sua maioria, alto grau de coesão da rocha quando não
decompostas, o que imprime uma baixa fragilidade. Já nas rochas sedimentares, onde a
coesão da rocha é menor, a sua fragilidade é consequentemente maior. Vale destacar também,
que a composição mineralógica de cada unidade litológica também é importante neste
contexto. Dentro desse critério, os Depósitos Quaternários são os que apresentam a maior
fragilidade, já que praticamente não há coesão interna.

Em face ao que foi exposto, consolida-se o conceito que às rochas metamórficas e ígneas são
mais resistentes aos processos erosivos do que as sedimentares. Dentre estas últimas, é
conhecido que em termos gerais as de granulometria grosseira, como os arenitos, são mais
susceptíveis à erosão do que as de granulometria fina, como os argilitos e folhelhos. Em um
mesmo tipo de rocha, a composição mineralógica ou conjunto dos principais minerais
presentes, e a ocorrência ou não de cimentação entre os grânulos dos minerais, também
definem o grau de susceptibilidade à erosão.

Com base nestas premissas, as unidades geológicas foram classificadas de 1 a 7, conforme


apresentado no Quadro 6.2.3-7.

111 / 158
Quadro 6.2.3-7 - Classificação da Vulnerabilidade Geotécnica das Unidades Geológicas
UNIDADES GEOLÓGICAS DESCRIÇÃO CLASSIFICAÇÃO

Terrenos granitos-greenstone, constituída por uma sequência de makomatiitos,


Greenstone Fortaleza de Minas 3
metabasaltos e metassedimentos.

Ortognaisses subdivididos em dois grupos: Ortognaisse Campos Gerais e Ortognaisse


Complexo Campos Gerais 3
Serra do Quilombo.

Suíte Serra de São Gonçalo (Hornblenda)-biotita ortognaisse de composição granítica ou granodiorítica. 3

Ortognaisses bandados de composição granodiorítica a tonalítica, gnaisses dioríticos,


Complexo São Gonçalo do Sapucaí 2
quartzitos e rochas metamáficas.

Ortognaisses alóctones de composição granítica a granodiorítica, apresentando feições


Ortognaisse Pouso Alegre 3
migmatíticas.

Grupo Canastra Indiviso Conjunto de intercalações, mais ou menos espessas, de filitos e quartzitos. 3

Granada-(ortopiroxênio) granulito bandado de composição modal enderbítica,


Unidade Granulítica Basal 2
mangerítica e sienítica.

Unidade Ortognáissica Migmatítica Biotita-hornblenda ortognaisses e biotita gnaisse de composição granodiorítica a


3
Intermediária tonalítica em contatos transicionais com corpos batolíticos de granito gnáissico.

Unidade Paragnáissica Migmatítica Superior Metassedimentos migmatíticos com anatexia decrescente em direção ao topo. 3

Complexo Petúnia Paragnaisses, metapelitos e rochas metamáficas da faixa Jacuí-Bom Jesus da Penha 4

Muscovita-granada-sillimanita-biotita gnaisses migmatíticos, com aspecto nebulítico ou


Complexo Embu – unidade paragnáissica 3
schlieren, e biotita gnaisses de composição tonalítica a granodiorítica.

Biotita-granada gnaisses de bandamento milimétrico, quartzitos, xistos, metagrauvaca,


Grupo Andrelândia migmatitos e xistos intercalados a porções lenticulares de quartzo-muscovita xistos e 3
quartzitos micáceos.
Fácies granulito e se caracteriza por sucessões de espessura até decamétricas de
Unidade Arantina 3
biotita-muscovita xistos/gnaisses de granulometria grossa.
Sequência ígneas máfica recoberta por sedimentos pelíticos que foi metamorfizado em
Grupo Araxá 2
fácies anfibolito.

112 / 158
UNIDADES GEOLÓGICAS DESCRIÇÃO CLASSIFICAÇÃO

Corpos Graníticos e Granitóides Corpos graníticos, granitoides e charnockitóides. 3

Formação Botucatu Arenitos quartzosos finos a grossos de origem eólica do Período Jurássico. 5

Arenitos finos a médio, imaturos, com presença subordinada de frações de areia grossa a
Formação Marília 5
grânulos.

Formação Serra Geral Basaltos tholeiíticos e andesi-basaltos tholeiíticos, com augita e pigeonita. 3

Arenitos grossos, conglomeráticos, localmente conglomerados, com granodecrescência


Formação São Paulo - Grupo Taubaté 5
ascendente para o topo até siltitos e argilitos.
Depósitos de diamictitos e conglomerados, com seixos, matacões e blocos angulosos a
Formação Resende - Grupo Taubaté 5
subarredondados.

Formações Quaternárias Depósitos Aluvionares 6

113 / 158
PEDOLOGIA

Outro fator condicionante que exerce importante influência na determinação da Vulnerabilidade


Geotécnica é o tipo de solo e suas características intrínsecas. A sua caracterização foi baseada
no próprio texto dissertativo do diagnóstico ambiental do tema pedologia e da distribuição
espacial das unidades pedológicas representadas nos mapas L18-MP-F-6.2.3-041 a L18-MP-
F-6.2.3-053 do Caderno de Mapas, produzidos na escala de 1:100.000.

Comumente em trabalhos regionais, não se procede à determinação mesmo que indireta da


erodibilidade dos diferentes tipos de solos presentes na área de estudo, mas se interpreta essa
qualidade do solo. A erodibilidade do solo é uma função do tipo de solo (classe taxonômica), e
para dado tipo de solo, a erodibilidade ou susceptibilidade à erosão varia com a textura
(associada à granulometria), estrutura e agregação, profundidade, teor de matéria orgânica e
drenagem da camada de solo. Grande parte dessas informações pode ser extraída dos mapas
e relatórios dos levantamentos de solos, permitindo a avaliação qualitativa da erodibilidade, em
termos de alta, média ou baixa erodibilidade e classes intermediárias, em relação às quais se
atribuem os graus de susceptibilidade à erosão dos diferentes tipos de solos.

Para este diagnóstico, avaliou-se a suscetibilidade à erosão dos solos por meio da
caracterização dos seus principais atributos físicos tais como: textura, estrutura do solo,
profundidade e drenagem.

Os solos com drenagens deficientes apresentam comportamento de menor estabilidade


quando comparados aos solos mais drenados. A deficiência na drenagem torna os solos mais
frágeis, pois faz com que os mesmos permaneçam mais tempo úmidos ou até mesmo
encharcados (saturados), favorecendo a erosão e/ou desbarrancamento, por perda de sua
resistência.

Um comportamento análogo ocorre em relação à profundidade. Os solos mais rasos são mais
facilmente removidos, ou seja, são mais susceptíveis às ações externas, apresentando-se mais
frágeis quando comparados a solos de maior profundidade. Já em relação à estrutura, pode-se
dizer que quanto mais desenvolvida, maior a resistência à desagregação, ou seja, menor a
fragilidade.

A sua textura também é um fator preponderante na suscetibilidade a erosão, onde solos mais
arenosos apresentam maior fragilidade às ações erosivas das águas pluviais por serem não
coesivos, enquanto solos de textura argilosa tendem a ter maior estabilidade, justamente por
serem solos classificados como coesivos. Com base nestas premissas, as unidades
pedológicas foram classificadas de 1 a 7, conforme apresentado no Quadro 6.2.3-8.

Quadro 6.2.3-8 - Classificação da vulnerabilidade geotécnica dos tipos de solo.


UNIDADES PEDOLÓGICAS DESCRIÇÃO CLASSIFICAÇÃO
Distrófico, com textura média a argilosa e relevo plano
Latossolo Vermelho 2
e suave ondulado
Distrófico, com textura média a argilosa e relevo plano
Latossolo Vermelho Amarelo 2
e suave ondulado.
Distroférrico, com textura argilosa e relevo plano e
Latossolo Vermelho 2
suave ondulado.

114 / 158
UNIDADES PEDOLÓGICAS DESCRIÇÃO CLASSIFICAÇÃO
Distrófico, com textura arenosa e relevo ondulado e
Neossolo Litólico 7
escarpado.
Neossolo Flúvico Distrófico, com textura arenosa e relevo plano. 5
Eutrófico, com textura argilosa e relevo suave
Nitossolo Vermelho 4
ondulado.
Distrófico, com textura argilosa a cascalhenta e relevo
Cambissolo Háplico 5
forte ondulado.

Cambissolo Húmico Distrófico, com textura argilosa e relevo forte ondulado. 5

Distrófico, com textura média argilosa e relevo


Argissolo Vermelho 4
ondulado.
Eutrófico, com textura média argilosa e relevo
Argissolo Vermelho 4
ondulado.
Distrófico, com textura média/argilosa e relevo suave
Argissolo Vermelho Amarelo 4
ondulado e ondulado.
Eutrófico, com textura média/argilosa e relevo forte
Argissolo Vermelho Amarelo 5
ondulado e montanhoso.
Terrenos representados por exposições de rocha com
Afloramentos Rochosos 7
direntes graus de alteração associados a cambissolos

USO E COBERTURA DO SOLO

O levantamento da cobertura vegetal e uso do solo foram avaliados no contexto da


vulnerabilidade geotécnica a partir das informações apresentadas nos Mapas de Uso do Solo
e Cobertura Vegetal (mapas L18-MP-S-6.4.3-001 a L18-MP-S-6.4.3-013 do Caderno de
Mapas), produzidos na escala 1:100.000 que está inserido no contexto do diagnóstico
ambiental do meio socioeconômico.

Os tipos de uso e fitofisionomias do mapeamento foram estabelecidos e valorados nas


seguintes classes: Estrutura urbana; Campo Cerrado; Áreas Agrícolas Perenes ou
Semiperenes; Campos Agrícolas de Culturas Temporárias; Pasto; Silvicultura; Florestas
Naturais ou Seminaturais; Vegetação Secundária; Rios, Reservatórios e Lagos; e Área Úmida,
Brejosa ou Alagada.

Ressalta-se que a classificação do uso e cobertura do solo se baseia na taxa de cobertura


proporcionada pela vegetação ou seu uso. Para cada uma dessas classes, foi atribuída uma
classificação de 0 a 7, que pode ser visualizada no Quadro 6.2.3-9.

Quadro 6.2.3-9 - Classificação da vulnerabilidade geotécnica de acordo com o uso e


cobertura do solo
USO E COBERTURA DESCRIÇÃO CLASSIFICAÇÃO
Estrutura urbana Cidades ou aglomerados urbanos 0
Vegetação nativa alterada que naturalmente oferece
Campo Cerrado 6
pouca cobertura.
Áreas agrícolas perenes Área de uso agrícola de ciclo longo, sem rotatividade
7
ou semiperenes de culturas.
Campos agrícolas de Área de uso agrícola, com frequente movimentação de
7
culturas temporárias solo.
Pasto Pasto com poucas ou nenhuma árvore. 7

115 / 158
USO E COBERTURA DESCRIÇÃO CLASSIFICAÇÃO
Área com boa cobertura vegetal, porém de exposição
Silvicultura do solo periodicamente, além de vegetação com 7
crescimento lento.
Florestas naturais ou
Área florestada com vegetação nativa. 1
seminaturais
Vegetação secundária Vegetação em regeneração. 4
Rios, reservatórios e lagos Rios, lagos, açudes ou outra massa d’água. 0
Área úmida, brejosa ou Vegetação com influência fluvial e pouca cobertura do
6
alagada solo.

GEOMORFOLOGIA

Com relação ao relevo, as formas de maior amplitude, mais inclinadas e de vertentes mais
longas favorecem o processo erosivo, ao contrário daquelas mais baixas e de menor
declividade. A interferência da amplitude das formas no processo erosivo se relaciona ao fato
de que ela determina a energia potencial atuante e a capacidade do agente erosivo (água)
realizar trabalho: quanto maior a amplitude, maior a energia do relevo. O relevo desempenha
ainda papel importante na circulação da água pluvial e nas relações infiltração-deflúvio, de
modo que em relevos mais planos a infiltração da água é favorecida, enquanto que nos mais
inclinados o escoamento superficial é promovido (WEILL e PIRES NETO, 2007).

Na análise dos aspectos geomorfológicos para o presente diagnóstico foram analisadas as


variáveis relacionadas à declividade ou inclinação de encostas (relação entre a amplitude e o
comprimento de rampa), além do gradiente altimétrico (hipsometria) com base nos dados
obtidos no contexto do diagnóstico ambiental do tema geomorfologia. Para esta análise foram
utilizados os textos dissertativos referentes às duas variáveis e os mapas de Declividade (L18-
MP-F-6.2.3-027 a L18-MP-F-6.2.3-039) e Hipsométrico (L18-MP-F-6.2.3-040) presentes no
diagnóstico ambiental do Meio Físico do tema Geomorfologia e no Caderno de Mapas.

Informa-se que quanto maior a declividade, maior é a sua vulnerabilidade geotécnica a eventos
erosivos e instabilizatórios, assim como se observa para as variações das cotas altimétricas
(hipsometria). Portanto, os valores atribuídos de 1 a 7 aumentam proporcionalmente com os
valores de declividade e cota altimétrica, conforme pode ser visualizado no Quadro 6.2.3-10 e
no Quadro 6.2.3-11, respectivamente.

Quadro 6.2.3-10 - Classificação da vulnerabilidade geotécnica a partir da declividade


INTERVALOS – DECLIVIDADE CLASSIFICAÇÃO
0° - 3° 1
4° - 8° 3
9° - 20° 4
21° - 45° 5
>45° 7

Quadro 6.2.3-11 - Classificação da vulnerabilidade geotécnica a partir da altimetria


INTERVALOS – COTAS ALTIMÉTRICAS CLASSIFICAÇÃO
0 - 600m 1
601 - 900m 2
901 – 1.200 m 3

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INTERVALOS – COTAS ALTIMÉTRICAS CLASSIFICAÇÃO
1201 – 1.400 m 4
1401 – 1.800 m 5
1801 – 2.200 m 6
2201 – 2.792 m 7

6.2.3.5.3. Caracterização da Vulnerabilidade Geotécnica

A partir da valoração de cada um dos elementos característicos das cinco variáveis físicas
definidas para a caracterização da vulnerabilidade geotécnica procedeu-se o cruzamento das
informações técnicas provenientes dos mapas de geologia, pedologia, usos e cobertura do solo
e geomorfologia, este último, mais especificamente relativo à declividade e a hipsometria da
Área de Estudo (1 km para cada eixo do traçado das LT).

O somatório dos valores de vulnerabilidade das cinco variáveis consideradas variou de 4 a 35.
Após a classificação dos dados e agrupando os valores em cinco diferentes classes, foi obtido
a partir do ArcGIS o Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica com a espacialização destas classes,
composto por 13 folhas e que está apresentado no Caderno de Mapas (L18-MP-F-6.2.3-055 a
L18-MP-F-6.2.3-067).

As classes foram estabelecidas como: vulnerabilidade muito baixa (valores de 4 a 10),


vulnerabilidade baixa (valores de 11 a 16), vulnerabilidade média (valores de 17 a 22),
vulnerabilidade alta (valores de 23 a 29), e por fim, vulnerabilidade muito alta (valores de 30 a
35).

Ressalta-se que as classes de vulnerabilidade alta e muito alta são aquelas que requerem
maior atenção, pelo fato de serem as que apresentam maior suscetibilidade à erosão e,
portanto, mais propícias à ocorrência de processos erosivos e instabilizatórios (movimentos de
massa – deslizamentos e escorregamentos, voçorocamento, ravinamento, queda de blocos,
entre outros). As áreas de média vulnerabilidade geotécnica também são áreas sujeitas a estes
tipos de processos, mas que em caso de implementação de medidas mitigadoras, preventivas
e de controle adequadas e efetivas (disciplinamento das águas pluviais por dispositivos de
drenagem, reconformação e planejamento de taludes de corte e aterro) a ocorrência destas
patologias será inibida. Por fim, as áreas definidas como de muito fraca e fraca vulnerabilidade
geotécnicas apresentam pouco ou nulo risco a ocorrência e desenvolvimento de processos
erosivos e/ou instabilizatórios.

O Quadro 6.2.3-12 apresenta um resumo dos quantitativos das áreas ocupadas por cada uma
das classes definidas para a vulnerabilidade geotécnica existentes na Área de Estudo,
enquanto a Figura 6.2.3-40 mostra um gráfico detalhando a porcentagem de distribuição
espacial de cada uma destas classes em relação à área total do estudo (1 km para cada lado
do eixo dos traçados do empreendimento).

117 / 158
Quadro 6.2.3-12 - Quantitativo de área para as cinco classes de vulnerabilidade
geotécnica definidas para a Área de Estudo do empreendimento.
CLASSES ÁREA (km²) PORCENTAGEM (%)
Muito Baixa 9,58 1,27%
Baixa 202,48 26,84%
Média 494,32 65,54%
Alta 47,89 6,35%
Muito Alta 0,00 0,00%
TOTAL 754,89 km2 100,00%

Porcentagem das Classes de Vulnerabilidade Geotécnica

1%

6%

Muito Alto

27% Alto

Médio

Baixo

Muito Baixo
66%

Figura 6.2.3-40 - Gráfico dos percentuais de distribuição das classes de vulnerabilidade


geotécnica na Área de estudo do empreendimento

Avaliando os dados apresentados tanto no Quadro 6.2.3-12 quanto na Figura 6.2.3-40,


constata-se a ampla predominância da classe de vulnerabilidade geotécnica média em relação
às outras quatro classes, com uma área de abrangência de 493,32 km2, o que corresponde
aproximadamente a 66% da Área de Estudo definida para este diagnóstico.

Em relação às classes de vulnerabilidade geotécnica muito baixa e baixa, verifica-se que


considerando seus quantitativos de forma conjunta, ambas representam uma área de
abrangência de 212,06 km2, perfazendo uma porcentagem aproximada de 28% da área total.

No outro extremo observa-se que não há ocorrência da classe de vulnerabilidade geotécnica


muito alta, entretanto a classe definida como alta abrange uma área de 47,89 km2,
correspondendo a aproximadamente a 6% da área total de estudo. Ressalta-se que esta área
de abrangência da classe alta deverá ter atenção especial na fase de implantação do
empreendimento, afim de se evitar a potencialização de eventos de movimentos de massa e
processos erosivos.

118 / 158
Observa-se que em geral a abrangência das áreas de vulnerabilidade geotécnica alta está
associada a relevo ondulado a forte ondulado, como observado por exemplo nas unidades
geomorfológicas da Serra da Canastra, Serranias de Delfim Moreira – Carmo de Minas e no
Planalto de Poços de Caldas. Há também ocorrência de classe de vulnerabilidade alta
associada a relevo montanhoso/escarpado como observado na unidade geomorfológica da
Serra da Mantiqueira. Além disso, verifica-se que as rochas metamórficas predominam
amplamente nestas regiões, podendo haver presença de corpos graníticos associados. Em
relação aos tipos de solo, verifica-se uma grande variabilidade na área de abrangência de
vulnerabilidade alta, predominando afloramentos de rocha, argissolos e cambissolos.

Nestas áreas de vulnerabilidade geotécnica alta, o projeto executivo do empreendimento


deverá tomar medidas de engenharia mais efetivas e criteriosas no que diz respeito às
intervenções relacionadas à abertura de acessos, serviços de corte e aterro, de escavação de
fundações, entre outras, que envolvem revolvimento de material sub-superficial do terreno para
que amenize ou anule o possível desenvolvimento de processos erosivos e instabilizatórios de
qualquer natureza. Estas medidas necessariamente passam pela necessidade de
disciplinamento do escoamento superficial das águas pluviais que é o fator catalisador
preponderante no desencadeamento dos referidos eventos. Casos específicos, podem ocorrer
no que se refere ao possível desplacamento de lascas ou blocos de rocha em escarpas
rochosas inerentes ao relevo montanhoso/escarpado, onde medidas de estabilização dos
mesmos poderão ser necessárias.

Por fim, foi feito um levantamento expedito para verificação da presença de processos erosivos
existentes ao longo da Área de Estudo do empreendimento, por meio da observação de
imagens de satélite do Google, onde foram identificadas voçorocas, ravinas, escorregamentos
e/ou deslizamentos, além também de encostas rochosas íngremes que podem potencializar
queda de blocos e/ou lascas rochosas. Também foram identificados pontos que indicavam
material de solo exposto que podem sofrer processo de erosão frente à ação de águas pluviais,
como por exemplo: saibreiras, decapeamento de encosta e taludes de corte. Em relação aos
corpos hídricos não foram identificados pontos que evidenciassem a presença de processos
de assoreamento natural ou induzido.

Neste levantamento foram interpretados e indicados 131 pontos de atenção relacionados ao


tema de vulnerabilidade geotécnica (suscetibilidade à erosão), que foram agrupados em quatro
classes distintas de caracterização geotécnica, onde dentre estes se tem: 39 pontos estão
relacionados às feições erosivas (presença de ravinas e voçorocas), 20 pontos estão
relacionados a movimentos de massas (cicatrizes ou vestígios de deslizamentos, rastejos e
escorregamentos), 15 pontos relacionados a afloramentos rochosos (encostas íngremes – em
serras) e o restante 57 pontos relacionados ao material de solo exposto às intempéries,
principalmente a ação erosiva de águas pluviais. A localização e a distribuição espacial de cada
um dos supracitados pontos de atenção dentro da sua classe definida são representadas no
Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica (13 Folhas - L18-MP-F-6.2.3-055 a L18-MP-F-6.2.3-067).

Exemplificando o diagnóstico de vulnerabilidade geotécnica, são apresentados dois aspectos


de processos erosivos e instabilizatórios. A Figura 6.2.3-41 ilustra uma cicatriz de movimento
de massa observada na região do Ponto 67 correspondente ao Mapa de Vulnerabilidade
Geotécnica, enquanto a Figura 6.2.3-42 apresenta talude de encosta sofrendo ação erosiva
com sinais de movimento de massa (Ponto 119 – Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica).

119 / 158
Figura 6.2.3-41 - Vista geral de uma cicatriz de um deslizamento de terra (movimento de
massa) – Ponto 67 do Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica

Figura 6.2.3-42 - Talude de corte de estrada com solo exposto com sinais de processos
erosivos e movimento de material (Ponto 119 - Mapa de Vulnerabilidade Geotécnica).

6.2.3.5.4. Considerações Finais

Os Mapas de Vulnerabilidade Geotécnica inerentes ao traçado da LT 500 kV SE Estreito – SE


Cachoeira Paulista C1 e C2 evidenciaram que 66% da Área de Estudo (1 km para cada lado
do eixo do traçado) foi caracterizada como de média vulnerabilidade geotécnica, tendo por base
o cruzamento dos dados geológicos, pedológicos, usos e cobertura do solo e geomorfológicos
(declividade e hipsometria) levantados no diagnóstico do meio físico e socioeconômico. Além

120 / 158
disso, verificou-se que em geral as áreas classificadas de alta vulnerabilidade geotécnica
correspondem à região de relevo ondulado a muito ondulado, em alguns pontos alcançando
relevo montanhoso/escarpado, associados a rochas metamórficas que compõem as serras e
serranias existentes, como também a unidade geomorfológica Planalto de Poços de Caldas.

Um levantamento expedito dos processos erosivos e instabilizatórios foi realizado com base
em observações de imagens de satélite do Google ao longo do traçado do empreendimento,
onde foram verificadas cicatrizes, vestígios e presença de ravinas, voçorocas e movimentos de
massa esparsos, além de pontos de material de solo exposto que podem sofrer processo futuro
de erosão. Além disso foram levantados pontos de encostas rochosas que podem sofrer
processos instabilizatórios relativos à queda de blocos e/ou lacas rochosas (desplacamento).
De maneira geral, verifica-se que a Área de Estudo onde será implantado o empreendimento
não apresenta muitos eventos destas naturezas.

Por fim, vale ressaltar que este diagnóstico é uma ferramenta técnica importante para nortear
as futuras atividades de implantação do empreendimento (obras de engenharia e
infraestrutura), visando a minimizar o possível desencadeamento de processos erosivos e
assoreamento de corpos hídricos.

6.2.4. PALEONTOLOGIA

6.2.4.1. CARACTERIZAÇÃO PALEONTOLÓGICA

A caracterização paleontológica visa o levantamento, identificação e mapeamento das áreas


com potencial fossilífero que estão inseridas na Área de Estudo definida para o referido tema,
dando ênfase para a Área de Intervenção (AI). Neste contexto, é importante ressaltar que a
caracterização geológica da Área de Estudo, com definição das unidades geológicas ali
existentes é o fator condicionante e indicador para estabelecer e identificar o potencial
fossilífero de uma região. Vale destacar que no contexto deste estudo, são avaliadas apenas
as unidades litoestratigráficas sedimentares, já que são os tipos litológicos que possuem
potencial positivo de ocorrências de fósseis.

Em relação à definição da Área de Estudo para o tema “Paleontologia”, informa-se que foi a
mesma estabelecida para a caracterização geológica, justamente pela estreita relação entre
ambos os temas conforme mencionado no parágrafo anterior. Portanto, para o presente
diagnóstico ambiental do potencial paleontológico considerou-se a Área de Estudo de 5 km
para cada lado dos eixos do traçado do empreendimento.

O Decreto-Lei No 4.146, de 04 de março de 1942, estabelece que os depósitos fossilíferos são


propriedade da Nação e, como tais, a extração de espécimes fósseis depende da autorização
prévia e fiscalização do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM). Portanto, no
Brasil, a responsabilidade de coordenar e supervisionar as atividades relacionadas aos
depósitos fossilíferos é do DNPM, que possui uma série de mecanismos legais que norteiam e
definem as diretrizes para salvamento dos fósseis antes da fase de implantação de qualquer
tipo de empreendimento.

Em função dessa premissa, a caracterização paleontológica da região da LT 500kV SE Estreito

121 / 158
– SE Cachoeira Paulista C1 e C2 (ELETROBRAS - EPE, 2015) se baseou na identificação das
unidades litoestratigráficas que possuem potencial fossilífero (rochas sedimentares) e da
existência ou não de sítios fossilíferos na Área de Estudo, por meio de uma consulta minuciosa
na base de dados PALEO da CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) e na base
de dados do SIGEP (Comissão Brasileira dos Sítios Geológicos e Paleobiológicos), além de
artigos acadêmicos que evidenciem novos registros fossilíferos nas unidades litoestratigráficas
sedimentares observadas na região.

Além disso, levando-se em conta a geologia da Área de Estudo estabeleceu-se uma


classificação para cada unidade litológica quanto ao seu potencial de ocorrência fossilífera para
a elaboração do Mapa de Potencial Paleontológico, onde foram determinadas três classes
específicas:

 Positiva: unidades litoestratigráficas que apresentam registros de ocorrências


fossilíferas (rochas sedimentares);

 Improvável: unidades que não apresentam fósseis registrados (rochas


sedimentares e depósitos quaternários atuais); e

 Nulo: unidades que possuem características que não tornam possível a ocorrência
e manutenção de ocorrências fossilíferas (rochas metamórficas e ígneas).

6.2.4.2. PALEONTOLOGIA DA ÁREA DE ESTUDO

O levantamento bibliográfico na Área de Estudo do empreendimento foi realizado a partir da


consulta aos Bancos de Dados do SIGEP e PALEO da CPRM, onde foi constatada a
inexistência de sítios paleontológicos na referida região. Foi consultado o inventário de
geossítios do Brasil por meio das publicações disponibilizadas pela SIGEP (Volumes I, II e II –
Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil) e verificada a distribuição espacial das
ocorrências paleontológicas cadastradas no Brasil objetivando a possível interferência da
implantação da LT 500kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 sobre algum destes
sítios paleontológicos. A distribuição das ocorrências paleontológicas mais próximas ao traçado
da linha de transmissão foi incorporada ao Mapa de Potencial Paleontológico apresentado no
mapa L18-MP-F-6.2.4-001 do Caderno de Mapas.

Ressalta-se que esta avaliação técnica final já era esperada, já que grande parte do
empreendimento está localizada em domínio de rochas metamórficas e ígneas, que para sua
formação requerem uma série de condições específicas de pressão e temperatura que
impedem a formação de fósseis. Lembrando que a fossilização é produto de uma ação
combinada de processos físicos, químicos e biológicos que para o seu desenvolvimento há
necessidade de uma série de condições de deposição e consolidação de sedimentos que esteja
associada à ocorrência de um rápido processo de soterramento de restos de animais e plantas.
Este tipo de ambiente deposicional é bem característico na formação de rochas sedimentares
(processos de sedimentação e diagênese).

Levando-se em consideração esta premissa, foram determinadas e caracterizadas as unidades


litológicas que apresentam potencial fossilífero conhecido, estando todas elas relacionadas
com sua origem sedimentar. Estas unidades litológicas de origem sedimentar foram
classificadas de acordo com as três classes supracitadas anteriormente (positiva, improvável e

122 / 158
nulo), enquanto as unidades representadas por rochas metamórficas e ígneas foram
classificadas, exclusivamente, como de potencial fossilífero nulo.

A seguir são caracterizadas, em ordem cronológica, as unidades litológicas de origem


sedimentar, relacionando-as à ocorrência de fósseis na literatura existente e assim,
evidenciando suas respectivas classificações estabelecidas no âmbito deste diagnóstico.

6.2.4.2.1. Formação Botucatu (J3K1bt)

A Formação Botucatu é composta por arenitos quartzosos finos a grossos de origem eólica, do
Período Jurássico, com estruturas sedimentares bem características, tais como estratificações
cruzadas, planares ou acanaladas de médio a grande porte. Verifica-se ainda a ocorrência de
intercalações de argilito e siltito.

Essa Formação apresenta 165 ocorrências na Base PALEO, estando elas principalmente
localizadas na região de Garivaldino e na Região do Ouro, na Pedreira São Bento. Por isso, é
classificada como potencial de ocorrência fossilífera POSITIVA.

A Formação Botucatu se constitui em uma das maiores deposições eólicas contínuas do


mundo, possuindo extensos ergs. Apresenta inúmeros icnofósseis, estes sendo atribuídos a
vertebrados e invertebrados e associados às ocorrências de estruturas sedimentares não-
biogênicas, o que confirmou a existência de um ambiente desértico com relativa umidade
ocasional, especialmente nas regiões de interduna e subsuperfície.

6.2.4.2.2. Formação Marília (K2m)

A Formação Marília é constituída por arenitos finos a médios, imaturos, com presença
subordinada de frações de areia grossa a grânulos, podendo conter cimentação e nódulos
carbonáticos. Possui espessura média de 60 m e seus arenitos e arenitos conglomeráticos
possuem frequentes estratificações cruzadas (acanalares e planares).

A partir da Base PALEO, 27 ocorrências fossilíferas foram identificadas nessa Formação,


estando elas, principalmente, próximo ao município de Uberaba (MG). Assim, pode-se
classificar essa unidade como POSITIVA para a ocorrência de fósseis. Esses fósseis são
caracterizados em pedreiras e cortes de estrada contendo moldes de conchostráceos,
ostracodes, gastrópodes, escamas de peixes e carófitas.

6.2.4.2.3. Formação Serra Geral (K1_Ʌ_sg)

A Formação Serra Geral é caracterizada por basaltos tholeiíticos e andesi-basaltos tholeiíticos,


com augita e pigeonita, perfazendo aproximadamente 90% do volume total das rochas
extrusivas. Subordinadamente ocorrem andesitos tholeiíticos, riodacitos e riolitos. Ressalta-se
que a Formação Serra Geral é resultado de intenso magmatismo fissural no período Cretáceo,
representado na forma de uma espessa cobertura de lavas, com cerca de 1.500 m de
espessura junto ao depocentro da bacia, associado a uma extensa rede de diques e múltiplos
níveis de soleiras intrudidos na pilha sedimentar.

Foram encontradas seis ocorrências fossilíferas nessa Formação a partir da Base PALEO,

123 / 158
sendo que esses fósseis contêm principalmente espículas. Portanto, é possível classificar essa
unidade como POSITIVA para a ocorrência de fósseis.

6.2.4.2.4. Formação São Paulo (Esp) – Grupo Taubaté

A Formação São Paulo é representada por arenitos grossos, conglomeráticos, localmente


conglomerados, com granodecrescência ascendente para o topo até siltitos e argilitos. A origem
de sua formação está relacionada a um sistema fluvial meandrante.

Essa Formação, a partir da Base PALEO, não apresenta ocorrências fossilíferas. Por isso, essa
Formação é classificada como potencial de ocorrência fossilífera IMPROVÁVEL.

6.2.4.2.5. Formação Resende (Er) – Grupo Taubaté

A Formação Resende é caracterizada, na porção proximal do sistema de leques aluviais, por


depósitos de diamictitos e conglomerados, enquanto na parte distal é constituída por arenitos
com estratificação cruzada e lamitos predominantemente arenosos, com ocorrência de crostas
calcíticas, sob a forma nodular (CPRM, 2005).

Essa Formação também não apresenta ocorrências fossilíferas a partir da Base PALEO. Assim
sendo, essa unidade é classificada como potencial de ocorrência fossilífera IMPROVÁVEL.

6.2.4.2.6. Formações Quaternárias (Q)

As Formações Quaternárias se caracterizam por Depósitos Aluvionares (Q2a) que são os


depósitos de areias, cascalhos, siltes, argilas e localmente, turfas, além dos Depósitos
Aluvionares e as Coberturas Detríticas Indiferenciadas (Qdi e N1dl) que são caracterizadas por
areias finas a grossas, localmente síltico-argilosas e mais raramente conglomeráticas,
intimamente relacionadas a superfícies de aplainamento.

A partir da Base PALEO, não foram identificadas ocorrências nessa Formação. Portanto, pode-
se classificar essa unidade como IMPROVÁVEL para a ocorrência de fósseis.

A partir dessa caracterização e de todo o conhecimento geológico da Área de Estudo definida


para o empreendimento foi estabelecida a elaboração do Mapa de Potencial Paleontológico
que pode ser visualizado no Caderno de Mapas (L18-MP-F-6.2.4-001).

Destaca-se ainda, que conforme mencionado anteriormente, no referido Mapa de Potencial


Paleontológico foram plotados também os pontos de ocorrência fossilífera existentes. O ponto
mais próximo dessa área se encontra à aproximadamente 30 km do traçado da LT (próximo SE
Estreito), situando-se no município de Pedregulho – SP, em um local denominado Pedreira
Chave do Calixto. Suas ocorrências fossilíferas correspondem à Formação Botucatu.

Avaliando as informações técnicas oriundas do Mapa de Potencial Espeleológico, observa-se


que mais de 90% da Área de Estudo do empreendimento apresenta potencial paleontológico
categorizado como de classe NULO, fato este estreitamente relacionado com a predominância
de rochas metamórficas e ígneas assentadas na região. As unidades litológicas de origem
sedimentar compreendem 9,63% do valor total da Área de Estudo, sendo que 3% foram

124 / 158
categorizadas como classe “Positiva” e 6,63% categorizadas na classe “Improvável”. O Quadro
6.2.4-1 apresenta estes quantitativos.

Quadro 6.2.4-1 - Quantitativos das Classes de Potencial Paleontológico


ÁREA DE ESTUDO
CLASSIFICAÇÃO
Km2 PORCENTAGEM (%)
Nulo 3.410,93 90,37
Improvável 250,30 6,63
Positivo 113,15 3,00
Total 3.774,38 Km2 100,00%

6.2.4.3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com base nos dados levantados, ratifica-se que a Área de Estudo do empreendimento não
possui sítios paleontológicos situados nos municípios atravessados pelo traçado do
empreendimento.

Conforme amplamente relatado no presente diagnóstico, grande parte do seu traçado corta
unidades geológicas caracterizadas por rochas metamórficas e ígneas, que não são propícias
a ocorrência de fósseis. Esta afirmação pode ser constatada observando-se o mapa L18-MP-
F-6.2.4-001, onde mais de 90% da área total estudada é classificada com potencial
paleontológico nulo.

6.2.5. ESPELEOLOGIA

6.2.5.1. CARACTERIZAÇÃO ESPELEOLÓGICA REGIONAL

O estudo de cavernas em território nacional geralmente está focado em cavidades


desenvolvidas em litologias clássicas como o quartzito, arenito, minério de ferro e,
notadamente, as rochas carbonáticas.

Existem publicações adotadas como base pelo CECAV que identificam o potencial para
formação de cavernas de acordo com a litologia presente. Jansen et al. (2012) fizeram esta
classificação dividindo o potencial espeleológico em cinco classes: ocorrência improvável,
baixa, média, alta e muito alta.

Esta classificação foi discutida a partir de informações de bases de dados espeleológicos, por
meio da contagem de cavidades presentes em cada litologia. Devido à alta solubilidade das
rochas carbonáticas, estas vêm em primeiro lugar, seguidas pelas cavidades em minério de
ferro, também muito solúveis. Os arenitos são mais complexos, haja vista que nem todos
possuem a mesma cimentação, que pode ou não facilitar a formação de cavidades. Os
quartzitos são susceptíveis a formação de cavidades, devido a um fator estrutural. As demais
litologias, geralmente pouco solúveis e imprevisíveis, por serem pouco estudadas e por não
comporem uma carste propriamente dita, apresentam, em sua grande maioria, baixo
desenvolvimento e baixa relevância.

125 / 158
Estima-se que apenas 5% das cavidades do território brasileiro estão cadastradas em bases
de dados. Isso se deve ao fato de o Brasil possuir área continental e uma diversidade litológica
muito rica. Praticamente qualquer litologia pode desenvolver cavidade, mas a espeleologia é
pouco difundida e, mesmo que uma cavidade seja conhecida por uma comunidade inteira,
poderá levar anos para que seja cadastrada nas bases espeleológicas, pelo simples fato de
que aquela população desconhece a facilidade de tal ação ou mesmo pela falta de interesse.

As áreas cuja litologia e até mesmo geomorfologia são propícias para a ocorrência de cavernas
no Brasil, são chamadas de Províncias Espeleológicas. Estas regiões, geralmente, são
caracterizadas por ocorrência de unidades litoestratigráficas carbonáticas ou areníticas.

A Figura 6.2.5-1 apresenta um mapa com a distribuição e caracterização de todas as províncias


espeleológicas existentes no território brasileiro, assim como evidencia a localização do traçado
da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2 (em azul). A Figura 6.2.5-2
apresenta um zoom da Figura 6.2.5-1, onde se destaca o traçado do referido empreendimento.

126 / 158
-2000000 -1000000 0 1000000
11000000

µ
10000000
9000000
8000000

Legenda
7000000

LT 500kV Estreito Cachoeira Grupo Corumbá


Regiões Cársticas do Brasil Grupo Paranoá
Formação Caatinga Grupo Rio Pardo
Formação Carajás Grupo Ubajara
Formação Salinas Grupo Una
Formação Vazante Grupo Vargem Grande
Grupo Apodi Grupo Xambioá
Grupo Araras Região Carstica Quadrilátero Ferrifero
Grupo Açungui Região Cárstica de São João del Rei
6000000

Grupo Bambui Supergrupo Canudos


Grupo Brusque

0 360 720 1.440


Km
Figura 6.2.5-1 - Mapa de províncias espeleológicas no território brasileiro

127 / 158
8000000
7800000
7600000
7400000

Figura 6.2.5-2 - Zoom da Figura 6.2 - 46, onde se destaca a região do traçado da LT 500
kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2 que não corta nenhumaLegenda província
espeleológica estabelecida no território brasileiro.
LT 500kV Estreito Cachoeira
Regiões Cársticas do Brasil
Levando-se em consideração o empreendimento em estudo, verifica-se pelas Figura 6.2.5-1 e
Formação Salinas
Figura 6.2.5-2 que os traçados dos circuitos C1 e C2 da LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista
Formação Vazante
7200000

não seccionam nenhuma região com potencial cárstico reconhecido. Na verdade, a LT está
Grupo Açungui
distante mais de 30 km de qualquer província cárstica conhecida, mais precisamente, se
Grupo Bambui
localiza entre as províncias cársticas de São João Del Rei a norte
GrupoeBrusque
do Grupo Açungui ao sul
(Figura 6.2.5-2). Grupo Paranoá
Região Carstica Quadrilátero Ferrifero
Embora não seccione litologias carbonáticas ou regiões cársticas conhecidas,
Região a João
Cárstica de São diretriz da LT,
del Rei
geomorfologicamente, atravessa regiões com vertentes 0de alta 70 140
declividade, com 280
potencial
espeleológico citado em bibliografia especializada. A Serra da Mantiqueira é umaKm destas
regiões. Um recente trabalho de mapeamento espeleológico no município de Resende - RJ
(Almeida et al., 2017) mapeou nove cavidades em gnaisses na Mantiqueira, sendo que algumas
apresentaram espeleotemas e até mesmo registros arqueológicos (cerâmica e ponta de flecha).
Entretanto, a cidade de Resende está a cerca de 30 km a norte de Cachoeira Paulista, porém
a LT cruza a Serra da Mantiqueira a 10 km a oeste da SE Cachoeira Paulista, aumentando um
pouco mais essa distância para este contexto.

Em face ao que foi exposto, verifica-se que grande parte de empreendimento, mais de 80% do
traçado, secciona rochas cristalinas compostas por granitos e gnaisses, com ocorrências de
cavidades nas áreas limítrofes da Área de Estudo. O restante está representado por depósitos
de alúvio, colúvio e elúvio além de arenitos das Formações Marília e Botucatu e unidades
terciárias pouco consolidadas do grupo Taubaté.

Além disso, de acordo com o mapa de potencial para ocorrência de cavernas no Brasil,
produzido por Jansen et al. (2012) (Figura 6.2.5-3) e adotado pelo Centro Nacional de Pesquisa
e Conservação de Cavernas – CECAV, algumas pequenas regiões do traçado foram definidas
como possuindo alto potencial. Desta forma, estas possíveis interferências junto ao patrimônio
espeleológico das regiões a serem seccionadas pelas futuras linhas de transmissão justificam
estes estudos, que tem como objetivo primordial, evitar que o traçado proposto interfira em
qualquer cavidade natural subterrânea ao longo do empreendimento.

128 / 158
300000 350000 400000 450000 500000

µ
7750000
7700000
7650000
7600000

Legenda
7550000

LT 500kV Estreito Cachoeira


Potencial para Formação de Cavernas
Muito Alto
Alto
Médio
Baixo
7500000

Ocorrência Improvável

km
0 12,5 25 50

Figura 6.2.5-3 - Mapa de potencial alto e muito alto para ocorrência de cavernas
conforme CECAV (Jansen et al. 2012), considerando o traçado do empreendimento

Portanto, considerando o contexto geológico, grande parte do empreendimento secciona


litologias do embasamento cristalino muito antigas, representadas por gnaisses e granitos com
baixo potencial para formação de cavernas, mesmo assim estas litologias foram investigadas
em campo por meio de amostragem total ao longo de traçado, atendendo o princípio da
precaução. Tendo em vista a possibilidade da descoberta de novas cavidades ao longo do
empreendimento, tornou-se prudente um criterioso levantamento em campo, com a realização
de caminhamentos para a checagem da real potencialidade espeleológica da região de
inserção do empreendimento.

129 / 158
6.2.5.2. LEGISLAÇÃO PERTINENTE

A espeleologia é a área das ciências que estuda as cavidades naturais. De acordo com o
parágrafo único do art. 1º do Decreto 99.556/90, cavidade natural é todo e qualquer espaço
subterrâneo penetrável pelo homem com ou sem abertura identificada, popularmente
conhecido como caverna, incluindo seu ambiente, conteúdo mineral e hídrico, a fauna e a flora
encontrados, e o corpo rochoso onde o mesmo se insere, desde que a sua formação tenha sido
formada por processos naturais, independentemente de suas dimensões ou do tipo de rocha
encaixante. Nesta designação estão incluídos todos os termos regionais, tais como gruta, lapa,
toca, abismo, furna e buraco.

O patrimônio espeleológico é, primeiramente, retratado na legislação brasileira como bem de


posse da União, nos termos da Constituição Federal de 1988, no inciso X do Artigo 20.

Em face à sua relevância sociocultural, econômica e ambiental, a Constituição Federal no Artigo


216 estabelece que as cavernas são patrimônio cultural brasileiro e, por isso, estão submetidas
a intensa fiscalização, sob a premissa de que todos possuem o direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado (Art.225 – Constituição Federal).

Para tal, o Estado criou leis que viabilizam a preservação das cavidades naturais nos aspectos
cultural, econômico e ambiental, como:

 Decreto nº 99.556, de 01/10/1990 - Dispõe sobre a proteção das cavidades


naturais subterrâneas existentes no território nacional, e dá outras providências.

 Decreto nº 6.640, de 07/11/2008 - Dá nova redação aos arts. 1º, 2º, 3º, 4º e 5º e
acrescenta os arts. 5-A e 5-B ao Decreto nº 99.556, de 1º de outubro de 1990, que
dispõe sobre a proteção das cavidades naturais subterrâneas existentes no
território nacional.

 Instrução Normativa n° 100 de 05/06/2006 - Regulamenta o mergulho em caverna.

 Instrução Normativa n°30 de 19/09/2012 - Estabelece procedimentos


administrativos e técnicos para a execução de compensação espeleológica de que
trata o art. 4º, § 3º, do Decreto nº 99.556, de 1º de outubro de 1990, alterado pelo
Decreto nº 6.640, de 7 de novembro de 2008, para empreendimentos que
ocasionem impacto negativo irreversível em cavidade natural subterrânea
classificada com grau de relevância alto, e que não possuam na sua área,
conforme análise do órgão licenciador, outras cavidades representativas que
possam ser preservadas sob a forma de cavidades testemunho.

 Instrução Normativa/ICMBIO nº 01, de 24/01/2017 - Estabelece procedimentos


para definição de outras formas de compensação ao impacto negativo irreversível
em cavidade natural subterrânea com grau de relevância alto, conforme previsto
no art. 4º, § 3º do Decreto nº 99.556, de 1º outubro de 1990.

 Portaria IBAMA nº 887 de 15/06/1990 - Dispõe sobre o uso das cavidades


subterrâneas, entre outros.

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 Portaria IBAMA nº 015 de 23/02/2001 - Disciplina o acesso e uso de cavernas
turísticas na Chapada Diamantina/BA.

 Portaria ICMBIO nº 078 de 03/09/2009 - Cria o Centro Nacional de Pesquisa e


Conservação de Cavernas - CECAV.

 Portaria MMA nº 358 de 30/09/2009 - Institui o Programa Nacional de Conservação


do Patrimônio Espeleológico.

 Resolução CONAMA nº 009/86 de 24/01/1986 - Dispõe sobre a criação de


Comissão Especial para estudos do Patrimônio Espeleológico.

 Resolução CONAMA nº 237/97 de 19/12/1997 - Dispõe sobre a revisão e


complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento
ambiental.

 Resolução CONAMA nº 347/04 de 10/09/2004 - Dispõe sobre a proteção do


patrimônio espeleológico.

Da legislação acima vale ressaltar os seguintes pontos normativos:

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas - CECAV, criado pela Portaria nº


78/2009, passa a ter como objetivo realizar pesquisas científicas e ações de manejo para
conservação dos ambientes cavernícolas e espécies associadas, assim como auxiliar no
manejo das Unidades de Conservação federais com ambientes cavernícolas.

A Resolução CONAMA nº 347/2004 estabelece no Art. 4º que a localização, construção,


instalação, ampliação, modificação e operação de empreendimentos e atividades,
considerados efetiva ou potencialmente poluidores ou degradadores do patrimônio
espeleológico ou de sua área de influência dependerão de prévio licenciamento pelo órgão
ambiental competente, nos termos da legislação vigente. Estabelece ainda que, as
autorizações ou licenças ambientais, na hipótese de cavidade natural subterrânea relevante ou
de sua área de influência, na forma do Art. 2º inciso II, dependerão, no processo de
licenciamento, de anuência prévia do IBAMA (art. 4º, § 1º).

A Resolução CONAMA nº 347/2004 ainda estabelece um raio mínimo de 250 m, que


compreende elementos do ecossistema cavernícola e sua interligação com o ambiente externo,
responsáveis pela manutenção da integridade física e equilíbrio ecológico.

Apesar das competências e atribuições do ICMBIO e do CECAV nos processos de regulação


do patrimônio espeleológico, a mesma Resolução CONAMA nº 347/2004, no tocante ao
licenciamento ambiental, versa sobre o patrimônio espeleológico nacional e estabelece que o
órgão ambiental competente pelo licenciamento do empreendimento ou atividade é
responsável por analisar os estudos espeleológicos e avaliar o grau de impacto ao patrimônio
espeleológico afetado.

6.2.5.3. METODOLOGIA DOS LEVANTAMENTOS ESPELEOLÓGICOS

Os levantamentos espeleológicos na Área de Estudo do empreendimento foram realizados

131 / 158
para cumprimento das diretrizes estabelecidas pelo Decreto 6640/2008 e Instrução Normativa
(IN) MMA no 02/2017 que visam a análise da potencialidade espeleológica da área de estudo
definida para o meio físico da LT 500kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2.

De modo a evitar a interferência do empreendimento sobre o patrimônio espeleológico nacional,


principalmente, em cavidades de grande relevância espeleológica, como as desenvolvidas em
litologias carbonáticas, buscou-se mapear toda e qualquer cavidade na Área de Estudo definida
para os levantamentos espeleológicos de campo, Esse mapeamento também teve o objetivo
de propor medidas para evitar qualquer intervenção junto às eventuais cavidades naturais, haja
vista que a melhor forma de se preservar as cavernas é deixando-as intocáveis e distantes das
ações antrópicas, que de forma direta ou indireta, podem influir no sistema cárstico regional.
Essa influência pode gerar impactos sobre a biota, patrimônio geológico, água, controles
erosivos, aproveitamento inadequado dos aspectos de ordem histórica, cultural, arqueológica
e paleontológica.

Para os levantamentos espeleológicos detalhados foi estabelecida a Área de Influência de


Cavidades (AIC) com buffer de 250 m para cada lado do eixo dos dois circuitos da LT, onde foi
executada uma investigação pormenorizada, por meio de caminhamento exocárstico, dos 370
km que englobam o traçado da LT, mesmo onde não existia potencial para ocorrência de
cavernas definidas como de alto ou muito alto potencial. Além disso, para incrementação dos
estudos espeleológicos estabeleceu-se que o caminhamento de campo se estenderia para uma
área de abrangência com 1 km a partir do eixo dos dois circuitos, denominando-a de Área de
Estudo Espeleológico, onde as cavidades ali identificadas também deveriam ser registradas.

Ressalta-se também que para consulta na base de dados do Centro Nacional de Pesquisa e
Conservação de Cavernas - CECAV-ICMBio, foi realizado um raio de abrangência ainda maior
de 5 km para cada lado do eixo do traçado, onde outras cavidades foram diagnosticadas e que
são citadas no presente diagnóstico ambiental. Entretanto, em função das grandes distâncias
em relação ao empreendimento, não havendo qualquer tipo de interferência com o mesmo, a
caracterização detalhada das mesmas não foi realizada por não se justificar, exceção feita a
uma única cavidade, denominada Gruta do Angico, pela sua relevância espeleológica.

Por fim, destaca-se que a metodologia definida para os levantamentos espeleológicos foi
conduzida objetivando gerar um mapa espeleológico para uso na definição final do traçado e,
principalmente, a atender plenamente as leis regulamentadoras que norteiam o referido tema,
levando-se em conta, principalmente, os possíveis impactos que o empreendimento poderia
acarretar em cavidades que estivessem localizadas dentro da AIC estabelecida, a partir da
caracterização dos aspectos geológicos e geomorfológicos levantados.

6.2.5.3.1. Atividades de Escritório

Os trabalhos de escritório iniciaram com a criação de uma base SIG (Sistema de Informação
Geográfica), a partir do uso do software ArcGIS da ESRI. O abastecimento dos dados teve
início com o traçado da linha de transmissão em estudo. A partir da diretriz do traçado foram
criados os buffers da Área de Intervenção (AI) com 40 m a partir dos eixos principais dos
circuitos da LT, da AIC (Área de Influência das Cavidades) definida, englobando 250 m a partir
do eixo principal de cada um dos circuitos da LT e da Área de Estudo Espeleológico (AEE) com
1 km para cada lado dos eixos dos referidos circuitos.

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O aporte dos dados secundários, iniciou-se com a pesquisa e download da base do CANIE, de
responsabilidade do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV) e
Instituto Chico Mendes de Biologia (ICMBio) compreendendo as cavidades cadastradas e Mapa
de Potencialidade de Ocorrência de Cavernas no Brasil, na escala de 1:2.500.000 (JANSEN,
2012) e das cavidades cadastradas no CNC (Cadastro Nacional de Cavernas da Sociedade
Brasileira de Espeleologia – SBE) para os estados interferidos pelo empreendimento. Além
disso, foi feita uma análise integrada da geologia regional da região do traçado para verificação
e caracterização de locais susceptíveis ao aparecimento de cavidades naturais (caracterização
das unidades litológicas. Outro aspecto fundamental para esses estudos foi a avaliação das
características geomorfológicas da Área de Estudo, (unidades geomorfológicas) visando a
constatação da possível ocorrência de feições geomorfológicas específicas que pudessem
estar associadas com aspectos espeleológicos. Destaca-se que os resultados deste
levantamento inicial de dados secundários foram devidamente caracterizados no item 6.2.5.1
Caracterização Espeleológica Regional. Conforme indicado anteriormente, para este
levantamento inicial foi considerada uma Área de Estudo mais abrangente de 5 km para cada
lado do eixo do traçado principal.

Com a base SIG (Sistema de Informação Geográfica) estruturada, foi iniciado o levantamento
bibliográfico referente às publicações sobre a geologia e espeleologia. A base SIG foi
transportada para o formato KMZ do Google, iniciando-se um trabalho de fotointerpretação,
utilizando as imagens e relevo digital do software Google Earth Pro. Esta etapa teve como
proposta identificar áreas com potencial espeleológico para compilação de um novo mapa de
potencialidades espeleológicas do empreendimento com base em características geológicas e
geomorfológicas já relatadas no presente Diagnóstico Ambiental (item 6.2.3).

A confecção do mapa de caminhamento para levantamento exocárstico foi embasado no Mapa


de Potencialidades de Cavernas no Brasil de 1:2.500.000, refinado por meio do confronto com
a base geológica e fotointerpretação da Área de Influência de Cavidades - AIC. O grau de
potencialidade para formação de cavidades foi subdividido segundo Jansen (2009) em:
improvável, baixo, médio, alto e muito alto, de acordo com as litologias existentes (Quadro
6.2.5-1).

Quadro 6.2.5-1 - Grau de Potencialidade de Ocorrência de Cavernas no Brasil de acordo


com a Litologia
GRAU DE
LITOTIPO
POTENCIALIDADE

Calcário, Dolomito, Evaporito, Metacalcário, Formação ferrífera bandada, Itabirito e


Muito Alto
Jaspilito.

Calcrete, Carbonatito, Mármore e Marga. Alto

Arenito, Conglomerado, Filito, Folhelho, Fosforito, Grauvaca, Metaconglomerado,


Metapelito, Metassiltito, Micaxisto, Milonito, Quartzito, Pelito, Riolito, Ritmito, Rocha Médio
calci-silicática, Siltito e Xisto.

Anortosito, Arcóseo, Augengnaisse, Basalto, Charnockito, Diabasio, Diamictito,


Enderbito, Gabro, Gnaisse, Granito, Granitóide, Granodiorito, Hornfels, Kinzigito,
Baixo
Komatito, Laterita, Metachert, Migmatito, Monzogranito, Oliva gabro, Ortoanfibolito,
Sienito, Sienogranito, Tonalito, Trondhjemito, entre outros litotipos.

Aluvião, Areia, Argila, Cascalho, Lamito, Linhito, Turfa e outros sedimentos. Ocorrência Improvável

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A partir dos dados compilados, associados à estrutura geomorfológica e às cavidades
inventariadas das bases CANIE e CNC, foi confeccionado o mapa refinado do potencial
espeleológico para a AIC, utilizado como referência na etapa de campo para a coleta de dados
primários. Nenhuma área definida como de alto ou muito alto potencial espeleológico, de acordo
com o CECAV, foi suprimida deste estudo antes do caminhamento para a investigação do
exocárste.

Após as atividades de campo, os dados levantados foram unidos à base SIG. A compilação e
análise destes dados permitiram identificar a interferência do traçado junto a cavidades, sendo
propostas variantes de forma que todas as cavidades ficassem fora da AIC.

6.2.5.3.2. Atividades de Campo

As atividades de campo foram executadas entre os dias 12 e 24 de novembro de 2017. Nesta


etapa foi realizado o caminhamento exocárstico, tendo por finalidade mapear cavidades
passíveis de serem interferidas pelo empreendimento. Desta forma, foi executada uma
avaliação de todo o traçado da LT, mesmo apresentando potenciais médio, baixo ou
improvável. A investigação foi executada por amostragem, dando maior ênfase para áreas cujo
contexto litológico e geomorfológico fosse propício para formação de cárste ou pseudocarste.

Para concretizar os estudos ainda foram consultados os Grupos Espeleológicos locais em


busca de informações de cavidades ainda não registradas ou regiões de interesse
espeleológico, além de entrevistas com moradores da região, normalmente donos de fazenda
dentro da AIC e da Área de Estudo, por meio de formulários elaborados, especificamente, para
esta finalidade.

Basicamente, a caracterização do potencial espeleológico do empreendimento se deu por


coleta de informações litológicas e geomorfológicas, por meio de pontos de controles
espeleológicos. Procurou-se identificar principalmente estruturas e afloramentos que
caracterizassem relevo cárstico. DRONEs DJI, modelos Phantom III Advanced e Spark,
também foram utilizados como apoio na prospecção de locais de difícil acesso ou para
localização de pontos com necessidade de investigação detalhada, assim como para a
identificação de novas cavidades.

6.2.5.4. RESULTADOS DOS LEVANTAMENTOS ESPELEOLÓGICOS

Conforme relatado anteriormente, o empreendimento não secciona nenhuma região cárstica


reconhecida ou mesmo litologias que apresentem alto e muito alto potenciais espeleológicos,
ainda que o mapa de potencial para ocorrência de cavernas no Brasil de acordo com Jansen
et al. (2012), utilizado como base pelo CECAV, apresentasse alto potencial para o trecho final
do empreendimento, próximo a SE Cachoeira Paulista.

Na primeira reavaliação ainda de dados secundários, por meio de uma compilação de dados
geológicos de 1:100.000 e o mapeamento do CECAV de 1:2.500.000, notou-se que na verdade
as áreas que poderiam apresentar litologias carbonáticas não estão presentes na região da
Área de Estudo, em seu lugar estão depósitos notadamente inconsolidados da Formação
Resende que não apresentam potencial espeleológico. Além disso, avaliando as características
geomorfológicas da região levantadas a partir de dados secundários, também se evidenciou a

134 / 158
inexistência de aspectos que pudessem estar associados ou atrelados com o aparecimento de
feições cársticas.

Mesmo após a reavaliação do mapa de potencial para formação de cavernas, todo o traçado
da LT em estudo foi alvo de caminhamento exocárstico para garantir uma melhor
contextualização geomorfológica e litológica e, assim, caracterizar e definir o real potencial das
unidades litoestratigráficas presentes na região de estudo.

Basicamente, conforme relatado anteriormente, os levantamentos espeleológicos realizados


foram divididos em duas etapas distintas: A primeira etapa se caracterizou pela consulta ao
banco de dados do CECAV-ICMBio que evidenciou a ocorrência de quatro cavidades ao longo
do traçado da LT, considerando a Área de Estudo com 5 km para cada lado do eixo dos dois
circuitos do traçado do empreendimento para os levantamentos espeleológicos. Já a segunda
etapa se caracterizou pelas atividades de campo realizadas para a prospecção espeleológica,
em uma Área de Estudo Espeleológico (AEE) de 1 km para cada do eixo dos dois circuitos do
traçado, onde foram identificadas e cadastradas mais quatro cavidades, sendo que o conjunto
de abrigos nomeados como Complexo de Abrigos do Alto da Serra é o único que se localiza
dentro da AIC definida (250 m para cada lado do eixo do traçado).

A partir do levantamento de dados de escritório e de campo foram elaborados os mapas de


potencial espeleológico ao longo de toda a extensão do traçado da LT, levando-se em
consideração a Área de Estudo Espeleológico definida para o empreendimento. No Caderno
de Mapas encontram-se os referidos mapas espeleológicos (L18-MP-F-6.2.5-001 a L18-MP-F-
6.2.5-013) elaborados na escala 1:100.000, enquanto o Anexo 6.2.5 - 1 corresponde ao relato
das informações de campo (relatório de campo refinado), com os pontos do levantamento
espeleológico e das entrevistas realizadas durante as atividades de campo, os quais
correspondem aos pontos espeleológicos indicados nos mapas L18-MP-F-6.2.5-001 a L18-
MP-F-6.2.5-013. Adicionalmente, é importante se destacar, que para estes estudos
espeleológicos foram utilizadas as características geológicas evidenciadas nos mapas
geológicos confeccionados e apresentados no item 6.2.3.1 do presente Diagnóstico Ambiental
(L18-MP-F-6.2.3-001 a L18-MP-F-6.2.3-013 do Caderno de Mapas), assim como as
características geomorfológicas evidenciadas nos mapas geomorfológicos elaborados e
relatados no item 6.2.3.2 (L18-MP-F-6.2.3-014 a L18-MP-F-6.2.3-026 do Caderno de Mapas).

O mapa L18-MP-F-6.2.5-014 apresenta a localização de todas as cavidades diagnosticadas


durante os levantamentos espeleológicos realizados ao longo do traçado da LT 500 kV SE
Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2, levando-se em consideração a Área de Estudo
definida para o referido empreendimento. Posteriormente, é caracterizada cada uma destas
cavidades encontradas durante as duas etapas de trabalho acima relatadas.

Embora os estados de Minas Gerais e São Paulo sejam reconhecidos por abrigarem milhares
de cavidades, apenas quatro cavidades estão cadastradas na base de dados do Centro
Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas - CECAV-ICMBio, dentro da área de
abrangência de 5 km para cada lado do eixo do traçado: três em granitos e uma em rocha
carbonática. Vale destacar que nenhuma delas se encontra dentro da faixa de 250 m
estabelecida e que caracteriza a Área de Influência de Cavidades (AIC).

O Quadro 6.2.5-2 apresenta as principais características das quatro cavidades naturais


encontradas na Base de Dados do CECAV-ICMBio e que se situam na Área de Estudo com 5
km em relação aos eixos dos traçados. Enquanto a localização de cada uma delas também

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pode ser observada no mapa L18-MP-F-6.2.5-014 (pontos em vermelho).

Quadro 6.2.5-2 - Principais características das cavidades encontradas na área de


estudo da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2
CAVIDADES ENCONTRADAS NA ÁREA DE ESTUDO
NOMENCLATURA MUNICÍPIO LITOLOGIA DISTÂNCIA DA LINHA (m)

Gruta do Rio do Peixe I Campestre - MG Granito 3.770m

Toca do Morcego Campestre - MG Granito 3.770m

Toca do Bicho I Cabo Verde - MG Granito 1.200m

Gruta do Angico Passos - MG Mármore 2.090m

Avaliando os dados apresentados no Quadro 6.2.5-2, verifica-se que a Gruta do Angico


encontra-se em região de rocha carbonática, enquanto as outras três cavidades se situam em
região de rocha granítica.

Além disso, observa-se que a Toca do Bicho I é a cavidade situada mais próxima ao traçado
da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2, a uma distância de 1,2 km da
diretriz do circuito, estando, portanto, fora da Área de Estudo Espeleológico definida. Esta
cavidade encontra-se registrada na base CNC com o código MG-469 e no CANIE com o código
010159.02978.31.09501. Durante as atividades de campo, esta cavidade não foi identificada
devido a possível coordenada deslocada, entretanto, a mesma foi mantida nos presentes
estudos espeleológicos.

Dentre estas quatro cavidades relatadas, a Gruta do Angico (registrada no CNC com o código
de MG-523 e no CANIE 009501.02950.31.47907) é a cavidade de maior relevância
espeleológica, sendo a única cavidade desenvolvida em rochas carbonáticas (mármore). É a
cavidade que possui o maior desenvolvimento, contendo um salão principal com cerca de 20
m de diâmetro e mais um salão menor com apenas 3 m de diâmetro. Além disso, ela está
localizada a 2,9 km do traçado, em uma lente de mármore entre xistos e quartzitos do Grupo
Araxá. Ressalta-se que a referida cavidade, mesmo estando localizada a uma distância
considerável do eixo do traçado do empreendimento, foi visitada durante as atividades de
campo realizadas, apesar de não estar inserida na Área de Estudo estabelecida para os
levantamentos espeleológicos.

A Gruta do Angico é uma caverna desenvolvida em mármores de coloração cinza escuro. A


cavidade possui abertura em semicírculo arredondado no teto, com 10 m de largura por 4 m de
altura (Figura 6.2.5-4). Na fauna cavernícola foram observados alguns quirópodes de grande
porte, além de insetos e nidificação de aves silvestres (Figura 6.2.5-5).

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Figura 6.2.5-4 - Vista geral da boca de entrada da Gruta do Angico

Figura 6.2.5-5 - Presença de fauna cavernícola na Gruta do Angico

A Gruta do Angico possui desenvolvimento dividido em três condutos distribuídos em forma


quase simétrica, partindo do salão principal, com cerca de 10 m de diâmetro e 10 m de altura
máxima, desenvolvendo em declividade de aproximadamente 20°, a partir da entrada. O
conduto central possui desenvolvimento horizontal com apenas 3 m de diâmetro (Figura
6.2.5-6). O da direita é subvertical em espiral, seguindo pelo lado esquerdo, onde está
localizada grande parte dos espeleotemas da cavidade (Figura 6.2.5-7). O conduto da
esquerda tem desenvolvimento com 20° de declividade e abertura em formato cilíndrico com
1,5 m de diâmetro, abrindo para uma pequena sala com cerca de 3 m de altura de 1,7 m de
diâmetro (Figura 6.2.5-8).

Os espeleotemas mais característicos da cavidade são estalactites, estalagmites, colunas e


escorrimentos, e geralmente estão danificados por ação humana (Figura 6.2.5-9).

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Figura 6.2.5-6 - Vista geral do conduto central da cavidade

Figura 6.2.5-7 - Vista geral do conduto direito da cavidade

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Figura 6.2.5-8 - Vista geral do conduto esquerdo da cavidade

Figura 6.2.5-9 - Espeleotemas presentes na Gruta do Angico

A cavidade demonstra grande atividade humana, alvo de grande número de visitações,


acarretando acúmulo de lixo, inscrições no interior e construções de alvenaria (Figura
6.2.5-10).

Figura 6.2.5-10 - Lixo acumulado e restos de construção no interior da cavidade

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6.2.5.4.1. Cavidades Identificadas nos Levantamentos de Campo

Os levantamentos espeleológicos de campo na Área de Estudo Espeleológico (AEE)


constataram a ocorrência de mais quatro cavidades que não estavam registradas no banco de
dados do CECAV. O registro destas novas cavidades foi feito de forma cadastral. Foram
anotadas coordenadas e cotas da boca das cavidades, estimativas de tamanho da entrada e
desenvolvimento, litologia, presença ou não de fauna cavernícola, classificação de classe e
número de indivíduos observados ou mesmo registros biológicos presentes na cavidade,
presença de espeleotemas, presença de zona afótica e fatores de preservação. Ao final do
estudo todas as cavidades identificadas foram cadastradas no CANIE mantido pelo CECAV.

A seguir são caracterizadas, detalhadamente, as quatro cavidades encontradas, sendo que a


localização de cada uma delas pode ser observada no mapa L18-MP-F-6.2.5-014 (pontos em
roxo).

Abrigo Alto da Serra

Coordenadas UTM: 23k 404002E 7556873N.

Altitude da Boca: 1.137 m.

Distância para eixo das LT: 214 m do C1 e 286 m do C2.

Município: Espírito Santo do Dourado – MG.

Litologia: Gnaisse.

Registro CANIE/CECAV: 023306.00001.31.24401.

O complexo de cavidades Alto da Serra está situado no topo de uma serra com vertentes de
alta declividade, onde ocorrem blocos de ortognaisses arranjados de forma caótica,
constituindo um conjunto de cavidades, situada em sua vertente Sul. O complexo consiste em
um conjunto de três cavidades, classificadas como abrigo e de baixa relevância espeleológica,
desenvolvidas nestes gnaisses de coloração cinza escuro. Estas cavidades se situam dentro
da AIC do empreendimento estando a uma distância inferior a 250 m no que se refere ao eixo
do circuito C1 (distância de 214 m).

O acesso é realizado pela rodovia sem nome que liga a cidade de Espírito Santo do Dourado
até o trevo com a rodovia MG – 179. Ao atingir o km 5, saindo de Espírito Santo, deve-se tomar
à direita, no bairro Alto da Serra, e ao deslocar 65 m, entrar na estrada vicinal à esquerda,
passando por casas, até chegar ao final da estrada onde se localiza o sítio do Sr. Odilei,
informante das cavidades. A partir daí o acesso se dá através de caminhada, partindo da casa
sede, caminhando por 40 m em área de pastagem, até cruzar a cerca de arame farpado. Em
meio à mata fechada caminhar por mais 120 m sentido Sudoeste até o local das cavidades. A
Figura 6.2.5-11 ilustra a cavidade 1 do Complexo Alto da Serra.

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Figura 6.2.5-11 - Vista geral da Cavidade 1 do Complexo Alto da Serra

A Cavidade 2 é um pequeno abrigo com uma passagem de 3 m de desenvolvimento, 3 m de


largura e 1 m de altura, sem presença de fauna cavernícola (Figura 6.2.5-12).

Figura 6.2.5-12 - Vista geral da Cavidade 2 do Complexo Alto da Serra

A Cavidade 3, também classificada como abrigo possui diminutas dimensões, com 1 m de altura
e 1,5 m de desenvolvimento em formato triangular, sem presença de fauna cavernícola (Figura
6.2.5-13).

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Figura 6.2.5-13 - Vista geral da Cavidade 3 do Complexo Alto da Serra

Abrigo do Itambé

Coordenadas UTM: 23k 289434E 7740976N.

Altitude da Boca: 918 m.

Distância para eixo das LT’s: 433 m do C2 e 945 m do C1.

Município: Ibiraci – MG.

Litologia: Quartzito.

Registro CANIE/CECAV: 023307.00001.31.29707.

A cavidade está inserida na classificação tipo abrigo, e recebeu o nome de Abrigo do Itambé
por estar localizada no bairro rural de Itambé, sendo classificada como de baixa relevância
espeleológica. O acesso é realizado pela Rodovia Antônio Leite Garcia (MG – 344), saindo de
Cássia – MG, percorrendo 12 km sentindo a cidade de Ibiraci – MG, entrando em estrada vicinal
à direita que liga os bairros rurais de Manoelino e Itambé. Posteriormente, segue por 7,8 km
em estrada principal, até chegar a um entroncamento, aonde se toma a esquerda seguindo por
5 km até a entrada da fazenda Pasto da Serra, à esquerda. Passar a porteira e seguir por 1.450
m sempre na estrada principal que leva a sede. Ao chegar na casa, o acesso é realizado
somente por caminhada, no sentido SO por cerca de 650 m, em área de alta declividade até
chegar ao maciço de quartzito, onde está o abrigo.

A Cavidade foi desenvolvida em um quartzito com cerca de 100 m de altura, acima da rampa
de colúvio (Figura 6.2.5-14). Foi possível identificar uma gênese inicial gerada por piping,
seguindo por lixiviação do cimento e desprendimento de blocos do teto, ocasionando a
formação de um grande abrigo de baixo desenvolvimento (Figura 6.2.5-15). Verifica-se pelas
Figura 6.2.5-14 e Figura 6.2.5-15 que o seu acesso terrestre é impossível, em função do abrigo

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se situar em uma encosta rochosa íngreme.

Geologicamente está inserida no Grupo Araxá, que localmente é representada por um pacote
constituído, essencialmente, por quartzitos, dando origem a extensas serras, constituindo
verdadeiros hogbacks, cujos topos, de uma maneira geral, representam os máximos
topográficos locais.

Figura 6.2.5-14 - Vista frontal aérea do Abrigo do Itambé.

Figura 6.2.5-15 - Vista aérea da boca do Abrigo do Itambé

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Toca do Urubu

Coordenadas UTM: 23k 288200E 7744299N.

Altitude da Boca: 946 m.

Distância para eixo das LT’s: 475 m do C2 e 565 m do C1.

Município: Ibiraci – MG.

Litologia: Quartzito.

Registro CANIE/CECAV: 023310.00002.31.29707.

Localizada em um maciço de quartzito com, aproximadamente, 240 m de altitude acima do


relevo circunvizinho (Figura 6.2.5-16), não é possível acessar a Toca do Urubu por meio de
caminhada, com isso, foi realizado levantamento aéreo com auxílio de Drone, resultando na
descoberta da cavidade. Classificada como abrigo, a cavidade possui pequenas dimensões e
apresenta baixa relevância espeleológica.

O acesso é realizado pela Rodovia Antônio Leite Garcia (MG – 344), saindo de Cássia – MG,
percorrer por 12 km sentindo a cidade de Ibiraci – MG, e entrar em estrada vicinal à direita que
liga os bairros rurais de Manoelino e Itambé. Seguir por 7,8 km em estrada principal, até chegar
no entroncamento, virando-se a esquerda, deve-se seguir por 7,3 km até chegar em um acesso
à esquerda que liga a torres de uma linha de transmissão já existente. Ao passar o colchete,
seguir por 1 km até o fim da estrada, onde já será possível avistar a gruta no maciço de
quartzito. Como não é possível chegar até lá por caminhada, o acesso até a sua entrada só
pode ser realizado com rapel. Em função desta dificuldade de acesso foi feito um levantamento
aéreo com uso de drone para sua caracterização.

Geologicamente está inserida no Grupo Araxá, que localmente é representada por um pacote
constituído essencialmente por quartzitos, dando origem a extensas serras com morfologia de
hogbacks, representando os máximos topográficos locais. Sua gênese foi gerada pelo
chamado piping, que consiste na erosão interna que provoca a remoção de partículas do interior
da rocha, formando uma porosidade secundária, por meio de pequenos canais que vão
aumentando de proporção e forma, de acordo com a percolação e circulação da água. (Figura
6.2.5-17).

Durante o levantamento aéreo foi possível observar por imagem de vídeo uma grande
concentração de abelhas no entorno da toca, além de urubus possivelmente moradores, ou
usuários da cavidade em épocas de reprodução (Figura 6.2.5-18).

144 / 158
Figura 6.2.5-16 - Vista frontal do maciço onde está inserida a Toca do Urubu

Figura 6.2.5-17 - Vista da boca da Gruta do Itambé

145 / 158
Figura 6.2.5-18 - Maior detalhe da Toca do Urubu, onde se observa urubus presentes na
mesma

Gruta da PCH Poço Fundo

Coordenadas UTM: 23k 382931E 7588423N.

Altitude da Boca: 1.165 m.

Distância para eixo das LT’s: 275 m do C2 e 424 m do C1.

Município: Campestre – MG.

Litologia: Gnaisse.

Registro CANIE/CECAV: 023309.02984.31.11002.

A Gruta da PCH Poço Fundo está desenvolvida em um ortognaisse migmatítico da Unidade


Ortognáissica Intermediária (NPvog), recebendo esse nome por estar localizada nas
proximidades da PCH Poço Fundo e sendo classificada como caverna e de baixa relevância
espeleológica. O seu acesso é realizado pela cidade de Campestre – MG, saindo do centro da
cidade, seguir na rua Gabriel Junqueira até chegar na estrada vicinal que liga ao Bairro dos
Campos, seguindo por mais 23 km até chegar na ponte da cachoeira da barragem - PCH Poço
Fundo, local bastante conhecido na região. A partir deste ponto, seguir em caminhada por uma
pequena trilha à esquerda que leva ao leito do rio, ao atravessar para a margem direita do rio,
encontra-se a cavidade.

A cavidade possui abertura em formato triangular invertido com teto composto por um grande
bloco retangular de granito, e laterais formadas por matacões da mesma litologia com coloração
cinza claro, contendo pouca biotita (Figura 6.2.5-19), possuindo cerca de 2,2 m de altura e 1,7
m de largura, sendo maior na entrada e afunilando com desenvolvimento ascendente por cerca

146 / 158
de 8 m com 10º de declividade positiva (Figura 6.2.5-20).

Geologicamente está inserida na Unidade Ortognáissica Intermediária, caracterizado


localmente por gnaisses migmatíticos, de granulação fina e de composição granodiorítica a
tonalítica. Sua mineralogia é composta, basicamente, por plagioclásio, quartzo, feldspato
potássico, biotita e anfibólio. A sua gênese deve-se a conjunção da esfoliação esferoidal
(Figura 6.2.5-21) e fluxo fluvial, gerando um processo de corrosão, pois a cavidade era
inicialmente inundada pelo curso original do rio Machado, atualmente desviado para a produção
de energia na PCH.

Não apresentam quirópteros em sua fauna cavernícola, apenas colmeias de vespas na entrada
da gruta (Figura 6.2.5-22).

Figura 6.2.5-19 - Vista frontal da Gruta da PCH Poço Fundo

147 / 158
Figura 6.2.5-20 - Vista do interior da Gruta da PCH Poço Fundo

Figura 6.2.5-21 - Processo de esfoliação esferoidal.

148 / 158
Figura 6.2.5-22 - Detalhe da colmeia de vespas presentes na entrada da Gruta da PCH
Poço Fundo

6.2.5.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo espeleológico da LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista englobou ações sistemáticas


para a caracterização do mapeamento geológico e exocárstico de cavidades e definição do real
potencial espeleológico para a fase de avaliação do impacto ambiental do empreendimento a
fim de promover a proteção do patrimônio espeleológico de acordo com o estipulado pela
Legislação Brasileira em vigor. No âmbito da espeleologia, o traçado não intercepta nenhuma
região cárstica de relevância nacional.

Em face das litologias apresentadas pelas sequências geológicas seccionadas pelo


empreendimento, compostas por granitos e gnaisses, além de xistos e quartzitos, em especial
atribuídos aos diversos embasamentos cristalinos regionais interferidos, o potencial
espeleológico da Área de Estudo Espeleológico é, predominantemente, baixo e médio. Não
ocorrem áreas de alto e muito alto potencial dentro da Área de Estudo, e as regiões, antes
definidas com esta classificação, foram rebaixadas em função da inexistência de litologias com
algum potencial para formação de cavidades naturais subterrâneas.

Os domínios graníticos e gnaisses formam relevos arredondados, compondo mar de morros


com raros depósitos de tálus que, geralmente, são os responsáveis pela formação de cavidades
naturais nestas litologias, haja visto, o arranjo de acúmulo de grandes matacões, que a princípio
poderiam gerar tais cavidades de pequeno porte. Embora tenham sido registradas duas
cavidades neste contexto, estas possuem desenvolvimento pequeno e ausência de
espeleotemas ou fauna que as atribuam alguma relevância espeleológica. Apenas um conjunto
de abrigos registrados e denominados de Abrigos Alto da Serra está localizado dentro da AIC
(250 m dos eixos dos traçados), porém possuem desenvolvimento inferior a 5 m e, logo, uma
pequena área de influência. Devido às cavidades estarem inseridas em mata primária do bioma
Mata Atlântica, com bordas definidas, sua área de influência pode ser considerada o próprio
fragmento de mata, não sendo afetado diretamente pelo empreendimento.

149 / 158
Uma segunda cavidade em gnaisse também foi cadastrada e denominada como Gruta da PCH
Poço Fundo, desenvolvida no antigo leito do rio Machado fora da AIC. Possui desenvolvimento
reduzido e não será afetada pelas construções e aberturas de acesso da LT.

Em um grande maciço de quartzito do Grupo Araxá foram identificadas mais duas cavidades
de pequenas dimensões que, além de estarem fora da AIC, situam-se a mais de 100 m de
altura da base do maciço e, por conseguinte, não serão interferidas pelo empreendimento.

Todas as quatro novas cavidades identificadas durante o caminhamento exocárstico para este
diagnóstico foram devidamente registradas na base do CANIE/CECAV e já se encontram
validadas com o grau 2.

Com relação às quatro cavidades que já estavam cadastradas no Banco de Dados do


CANIE/CECAV, a de maior relevância e que foi visitada nas atividades de campo foi a Gruta
do Angico em rocha carbonática (mármore). Ressalta-se que a cavidade Toca do Bicho I,
também foi visitada (fora da AIC, mas próxima ao limite de 1 km da AEE – Área de Estudo
Espeleológico) porém, mesmo tendo sido feito todo o caminhamento no entorno da região onde
deveria estar localizada tal cavidade, não foi encontrada em meio à vegetação densa. É
provável que suas coordenadas estejam deslocadas ou foram colhidas sem uso de
equipamento de precisão, o que impediu a sua localização. Já as cavidades Toca do Morcego
e Gruta do Rio Peixe I não foram visitadas devido a sua localização estar a mais de 3.000 m
do eixo do traçado, portanto, fora da área de estudo estabelecida para os levantamentos de
campo, tendo sido apenas relatadas no presente documento (coleta de dados secundários).

Diante do exposto, como as pequenas cavidades existentes estão dentro da classificação de


baixa relevância e não ocorrem regiões classificadas como de alto ou muito alto potencial para
formação de cavernas, torna-se inócuo o avanço dos estudos nestas “eventuais cavidades”,
como maneira de se adotar medidas mitigadoras e até mesmo conservacionistas para a
preservação destas áreas, uma vez que não serão afetadas diretamente pelo empreendimento.
Assim, os estudos aqui apresentados são bastante consistentes e representam resultados
sólidos e suficientes para se negativar espeleologicamente o empreendimento em questão.

6.2.6. NÍVEL DE RUÍDO

No presente item, serão apresentadas as informações relativas às atividades que apresentam


potencial de geração de poluição sonora relacionadas às fases de instalação e operação da
Linha de Transmissão (LT) 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2. Convém destacar
que a descrição completa de todas as atividades previstas para as fases de planejamento,
instalação e operação, independente do seu potencial para a geração de poluição sonora, é
apresentada no Capítulo 4 referente à “Descrição do Empreendimento”.

6.2.6.1. ATIVIDADES COM POTENCIAL DE GERAÇÃO DE RUÍDOS

Durante a etapa de mobilização das obras e execução dos serviços preliminares, serão
executadas diversas atividades necessárias para dar início à implantação da linha de
transmissão. As principais atividades desenvolvidas nessa etapa estão relacionadas com a
preparação de logística e dos acessos que serão utilizados durante as obras, bem como a

150 / 158
instalação dos canteiros de obras e estocagem de estruturas metálicas. Durante a execução
dessas atividades ocorrerá grande movimentação de veículos de pequeno, médio e grande
porte Este fato pode gerar um acréscimo no nível de ruído associado ao tráfego de veículos
nas principais vias de acesso e nas áreas dos canteiros de obras, caso não sejam adotadas
medidas de prevenção e de controle.

Todos os equipamentos, máquinas e veículos utilizados para a execução dessas atividades


apresentam determinados níveis de emissão de ruído, os quais devem estar dentro dos limites
estabelecidos na legislação vigente. Deve-se dar atenção ao efeito sinérgico oriundo do
funcionamento em conjunto do maquinário, o qual poderá resultar em poluição sonora.

Para a implantação da linha de transmissão está prevista a instalação de sete canteiros de


obras, sendo um principal, quatro canteiros de apoio e dois canteiros de subestações. Os
municípios possíveis para a localização dos canteiros são: Cássia, Nova Resende, Campestre
e Itajubá, localizados em Minas Gerais; além de Piquete e Cachoeira Paulista, localizados em
São Paulo. Para a definição da localização dos canteiros, foram considerados diversos fatores,
como por exemplo: logística, prioridade de escolha em local já antropizado e estratégia de
execução de obras, objetivando a redução de deslocamentos dos efetivos de mão de obra e
de equipamentos nas frentes de serviço, o que acarretará a minimização de impactos.

Durante a fase de implantação dos canteiros de obras, dependendo da localização definida,


algumas atividades podem apresentar potencial de aumento de ruído, das quais se destacam
a supressão vegetal (uso de motosserras e maquinários pesados), os serviços de
terraplenagem (nivelamento do terreno), a construção civil e a abertura e melhoria de acessos.
Porém essas atividades podem ou não ser necessárias para a implantação dos canteiros de
obras, dependendo de cada caso específico.

Outras atividades importantes a serem executadas podem aumentar os níveis de ruído na Área
de Intervenção do empreendimento, estando as mesmas relacionadas à implantação das
praças de torres e praças de lançamento de cabos que também caracterizam a fase de
implantação da linha de transmissão. Essas atividades envolvem serviços de escavação,
preparação de fundação e montagem de estruturas inerentes a cada uma das referidas torres
a serem construídas ao longo do traçado, além da necessidade de abertura de acessos e
supressão vegetal.

Em face ao que foi exposto, ratifica-se que as atividades de supressão vegetal e abertura de
acessos, além da montagem das estruturas de torres, praças de lançamento de cabo e praças
de torres são as principais atividades que serão realizadas durante a etapa de implantação da
LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2, que podem gerar um acréscimo ao nível de
ruído durante sua execução. Essas atividades são pontuais e temporárias, portanto, uma vez
terminada a execução de tais atividades, os ruídos decorrentes da implantação da linha de
transmissão deixam de ser gerados.

6.2.6.2. CARACTERIZAÇÃO DA POLUIÇÃO SONORA

A poluição sonora pode ser entendida como um conjunto crítico de fenômenos sonoros com
elevada intensidade e de longa duração, que superem os níveis considerados normais para os
seres humanos. Basicamente, se desenvolve pelo elevado nível de ruídos em um determinado
local, capaz de produzir incômodos ao bem estar e a saúde. Ressalta-se que o termo “ruído”

151 / 158
pode ser definido, juridicamente, como um agente poluente.

Destaca-se que a poluição sonora pode causar impactos à qualidade de vida, à medida que os
níveis excessivos de sons e ruídos estejam acima dos limites suportáveis pelo ouvido humano
ou prejudiciais ao repouso noturno e ao sossego público, em especial nos centros urbanos e
comunidades rurais.

As principais fontes de ruídos que apresentam as características do nível de ruído atual no


entorno do empreendimento são definidas como:

 Ruído Natural: São gerados por eventos naturais, como vento, rios, queda de
árvores e frutos, tempestades, chuvas, podendo ser gerados também pela fauna e
flora local.

 Ruído das Comunidades no Entorno: É gerado principalmente em locais com


adensamento populacional. Esses ruídos normalmente são gerados em atividades
cotidianas, carros de som, construção de obras civil, etc., sendo mais conhecido
como “ruído urbano”.

 Ruídos Gerados pela Circulação de Veículos na Malha Viária: Estes ruídos são
decorrentes da circulação de veículos na malha viária.

6.2.6.3. COMUNIDADES PASSÍVEIS DE SOFRER INFLUÊNCIA DA POLUIÇÃO


SONORA

Durante a realização dos estudos ambientais, foram identificadas algumas comunidades que
estão localizadas dentro da Área de Estudo que possam sofrer influência da poluição sonora.
Nesse contexto, a Área de Estudo foi definida com uma abrangência de 2 km para cada lado
dos eixos das LT 500 kV Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2.

Na Área de Estudo existem várias rodovias tanto federais, quanto estaduais que influenciam
diretamente no nível de ruído do empreendimento, as principais são: MG-438, LMG-856, MG-
344, MG-444, MG-050, BR-146, LMG-837, LMG-846, MG-446, MG-446, BR-491, BR-267, MG-
179, BR-459, BR-381, MG-295, BR-383, BR-360, SP-183, SP-060, SP-058 e BR-488, e existem
também diversas estradas municipais que dão acesso às comunidades rurais. O ruído gerado
nessas rodovias se deve, em geral, à grande movimentação de veículos de diferentes portes e
velocidades.

A partir dessa malha viária, se estabelecerá a implantação do empreendimento que deverá


passar próximo de centros urbanos e comunidades rurais ali existentes. Em função dessa
premissa, é importante frisar que os ruídos oriundos das atividades previstas durante a etapa
de implantação do empreendimento irão se somar aos ruídos já existentes na região de
inserção da linha de transmissão, aumentando o potencial para a geração de poluição sonora
nas comunidades identificadas.

Dessa forma as comunidades rurais e urbanas passíveis de sofrer influência da poluição sonora
na fase de implantação e operação do empreendimento foram mapeadas e estão listadas no
Quadro 6.2.6-1. Enquanto no Caderno de Mapas (L18-MP-F-6.2.6-001) encontra-se um mapa
da distribuição espacial das referidas comunidades rurais e urbanas ao longo do traçado do

152 / 158
empreendimento.

É importante ressaltar que as comunidades foram levantadas durante a realização dos estudos
ambientais e até o início da construção do empreendimento esse número de comunidades pode
vir a aumentar, devido à possível expansão urbana em alguns municípios.

Quadro 6.2.6-1 - Lista de Comunidades próximas à Linha de Transmissão 500 kV


Estreito – Cachoeira Paulista C1 e C2.
COORDENADAS
DISTÂNCIA GEOGRÁFICAS (UTM)
NOME TIPO UF MUNICÍPIO
DA LT (M)
E N
Bairro
Bairro Laje MG Ibiraci 100 279.727 7.752.995
Rural
Bairro
Bairro Itambé MG Cassia 700 291.807 7.739.706
Rural
Município de Bairros
MG Cassia 1500 299.926 7.723.347
Cassia Urbanos
Bom Jesus da Bom Jesus da
Cidade MG 600 341.668 7.675.284
Penha Penha
Nova Resende Cidade MG Nova Resende 1500 351.252 7.663.300
Bairro
Bairro Barra Bonita MG Muzambinho 1400 350.427 7.648.822
Rural
Município de Monte
Cidade MG Monte Belo 1400 357.942 7.640.181
Belo
Bairro Fundão dos Bairro
MG Cabo Verde 1200 359.050 7.634.259
Cardoso Rural
Bairro Pedro dos Bairro
MG Cabo Verde 200 361.025 7.632.098
Reis Rural
Distrito
Serra dos Lemes Cabo MG Cabo Verde 1900 364.288 7.630.133
Verde
Bairro
Bairro Posses MG Campestre 600 376.123 7.600.727
Rural
Bairro Rural
Bairro
Município de Pouso MG Pouso Alegre 250 405.023 7.552.962
Rural
Alegre
Bairro
Bairro Rural Furnas MG Pouso Alegre 670 415.326 7.545.863
Rural

Localidades
Bairro Santa Rita do
próximas a Santa MG 450 423677.00 7.538.602
Rural Sapucai
Rita do Sapucai

Localidades
Bairro Santa Rita do
próximas a Santa MG 660 422305.00 7.538.138
Rural Sapucai
Rita do Sapucai 2

Bairro - Município
Bairro Santa Rita do
de Santa Rita do MG 1100 426.765 7.537.364
Urbano Sapucai
Sapucai

Bairro Pinhal Bairro


MG Piranguinho 700 435.642 7.529.166
Redondo Rural

153 / 158
COORDENADAS
DISTÂNCIA GEOGRÁFICAS (UTM)
NOME TIPO UF MUNICÍPIO
DA LT (M)
E N
Bairro
Bairro Teodoros MG Brasópolis 1800 440.601 7.524.823
Rural
Bairro
Bairro Laje MG Piranguinho 1700 444.427 7.520.499
Urbano
Bairro
Bairro Grotão MG Piranguinho 500 446.319 7.516.519
Rural
Bairro
Bairro Melos MG Piranguçu 600 449.164 7.513.571
Rural
Bairro
Bairro Freires MG Itajuba 500 457.997 7.508.863
Rural
Bairro Wesceslau
Bairro Vieiras MG 300 459.080 7.507.572
Rural Braz
Bairro Wenceslau
Bairro Imbiruçu MG 800 461.492 7.506.665
Rural Braz

Município Piquete Cidade SP Piquete 1400 482.014 7.498.610

Bairro Cachoeira
Bairro Quilombo SP 1300 490.926 7.498.758
Rural Paulista
Bairro Cachoeira
Bairro Embaú SP 1850 495.728 7.499.373
Rural Paulista

6.2.6.4. NORMAS TÉCNICAS APLICADAS PARA A MEDIÇÃO DE RUÍDOS

Baseado nas premissas dissertadas acima será estabelecida a definição e caracterização de


um programa ambiental específico de monitoramento de níveis de ruídos para amenizar os
possíveis impactos negativos que possam ser gerados.

Tal programa ambiental deverá estar embasado na Resolução CONAMA N0 001/1990 que
dispõe sobre os critérios de padrões de emissão de ruídos decorrentes de quaisquer atividades
industriais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política, além de
indicar a observância de atendimento as Normas NBR-10151 e NBR-10152 da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A Resolução CONAMA n° 001/90, datada de 08/03/1990, com publicação no DOU de


02/04/1990 – página 6.408, transcreve: “Dispõe sobre critérios de padrões de emissão de
ruídos decorrentes de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas,
inclusive as de propaganda política.” Adicionalmente, esta Resolução indica a observância das
Normas NBR-10.151 e NBR-10.152, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.

Informa-se que, resumidamente, a NBR-10151 estabelece os procedimentos para avaliação do


ruído em áreas habitadas, visando o bem estar da comunidade e define um método de medição
de ruído. Já a NBR-10152 determina os níveis de ruído para conforto acústico em ambientes
diversos.

6.2.6.4.1. NBR 10.151

A NBR 10.151 fixa as condições exigíveis para avaliação da aceitabilidade do ruído em

154 / 158
comunidades, independentemente da existência de reclamações. Determina os procedimentos
para avaliação de ruído em áreas habitadas, como um método para medição de ruído e um
método de avaliação para medições do nível de pressão sonora equivalente (LAeq) em decibéis
ponderados em “A” [dB (A)]. Também indica os equipamentos adequados (medidor de nível de
pressão sonora e calibrador acústico), sendo que ambos devem ser certificados pelo
INMETRO, para realizar as medições.

Define também como se deve fazer a avaliação do ruído e estabelece um nível de critério de
avaliação (NCA) para ruídos em ambientes externos, conforme consta no Quadro 6.2.6-2.

Quadro 6.2.6-2 - Nível de critério de avaliação NCA para ambientes externos, em dB(A).
TIPOS DE ÁREAS DIURNO NOTURNO
Áreas de sítios e fazendas 40 35
Área estritamente residencial urbana ou de hospitais ou de escolas 50 45
Área mista, predominantemente residencial 55 50
Área mista, com vocação comercial e administrativa 60 55
Área mista, com vocação recreacional 65 55
Área predominantemente industrial 70 60
Fonte: Adaptado da NBR-10.151

6.2.6.4.2. NBR 10.152

A norma NBR 10.152 fixa os níveis de ruído compatíveis com o conforto acústico em ambientes
diversos, bem como estipula níveis de decibéis e a curva de avaliação de ruídos (NC)
considerados confortáveis em diferentes ambientes considerando a NBR.10-151, conforme
mostra o Quadro 6.2.6-3.

Quadro 6.2.6-3 - Nível de critério de avaliação NCA para ambientes externos, em dB(A).
LOCAIS dB (A) NC
Apartamentos, Enfermarias, Berçários, Centros cirúrgicos 35 - 45 30 - 40
Hospitais Laboratórios, Áreas para uso do público 40 - 50 35 - 45
Serviços 45 - 55 40 - 50
Bibliotecas, Salas de música, Salas de desenho 35 - 45 30 - 40
Escolas Salas de aula, laboratórios 40 - 50 35 - 45
Circulação 45 - 55 40 - 50
Apartamentos 35 - 45 30 - 40
Hotéis Restaurantes, Salas de Estar 40 - 50 35 - 45
Portaria, Recepção, Circulação 45 - 55 40 - 50
Dormitórios 35 - 45 30 - 40
Residências
Salas de estar 40 - 50 35 - 45
Sala de concertos, Teatro 30 - 40 25 - 30
Auditórios Salas de conferências, cinemas, salas de uso múltiplo 35 - 45 30 - 35
Restaurantes 40 - 50 35 - 45
Salas de reunião 30 - 40 25 - 35
Salas de gerência, salas de projetos e administração 35 - 45 30 - 40
Escritórios
Salas de computadores 45 - 65 40 - 60
Salas de mecanografia 50 - 60 45 - 55
Igrejas e Templos (cultos meditativos) 40 - 50 35 - 45
Locais para
Pavilhões fechados para espetáculos e atividades esportivas 45 - 60 40 - 55
esporte
Fonte: Adaptado da NBR-10.152

155 / 158
Notas:

a) O valor inferior da faixa representa o nível sonoro para conforto, enquanto que o valor
superior significa nível sonoro aceitável para a finalidade.

b) Níveis superiores aos estabelecidos nesta Tabela são considerados de desconforto,


sem necessariamente implicar risco de dano à saúde.

6.2.6.5. RUÍDO AUDÍVEL

O Ruído Audível (RA) é o principal ruído gerado na fase de operação do empreendimento,


sendo também denominado de efeito corona. É comumente verificado nas superfícies dos seus
condutores, como consequência direta dos níveis de tensão de operação nas mesmas.
Importante se destacar, que o efeito corona é um fator inerente às Linhas de Transmissão,
desde que o nível de ruído gerado esteja enquadrado na legislação brasileira (NBR-10.152).

Ressalta-se que o ruído audível é consequência direta dos níveis de tensão de operação da
LT, sendo comumente observado nas superfícies dos condutores destas. Ocorre quando o
valor do gradiente de potencial excede o valor do gradiente crítico disruptivo ao ar.

Esse efeito pode ser influenciado pelas configurações de fixação dos condutores e pelas
condições climáticas, que provocam perdas, ruído eletromagnético, vibrações, entre outros. E
a tensão da linha também influencia o nível de ruído, sendo que quanto maior a tensão, maior
o ruído.

Os maiores valores de Ruído Audível são normalmente limitados na faixa de passagem das
linhas, sendo obtidos a partir de expressões empíricas durante o projeto de coordenação de
isolamento. É importante ressaltar também que, quanto mais água acumulada em torno dos
condutores, mais audível é o ruído, sendo este mais intenso em dias de neblina nos quais
devido à grande umidade do ar, a transmissão do som é facilitada.

No contexto do empreendimento, o Edital da ANEEL estabelece o valor de 58 dBA para o Ruído


Audível (RA) no limite da faixa para condições de chuva fina. Levando-se em consideração esta
premissa, estabeleceu-se o cálculo do nível de ruído audível para o empreendimento em uma
faixa de servidão de no mínimo 60 m.

Para obtenção do ruído audível foi adotada a metodologia e rotina de cálculo descrita no livro
vermelho “EPRI AC – Transmission Line Reference Book 200 kV and Above – Third Edition –
2008”. O Quadro 6.2.6-4 apresenta o resumo dos cálculos dos valores do Ruído Audível (RA)
em função da largura adotada da faixa de servidão de 60 m.

Quadro 6.2.6-4 - Resumo dos Cálculos do Ruído Audível (RA) na Borda de uma faixa de
60 m - Baseado nos Estudos “Faixa de Passagem e Distâncias de Segurança” de da LT,
2017.
LIMITE SEMI-FAIXA L50 RAIN EPRI L5 RAIN EPRI FAIR WEATHER RANGE
(m) (dbA) (dbA) (dbA)

30 51,4 59,4 23,3 a 43,8

O valor obtido do Ruído Audível (RA) para o condutor molhado no limite de uma faixa de 60 m,

156 / 158
foi de 51,4 dBA, estando o mesmo abaixo do valor de 58 dBA estabelecido pela ANEEL,
evidenciando que este valor está em conformidade com a condicionante definida pelo órgão
regulador.

6.2.6.6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De forma geral os ruídos gerados durante as etapas de construção e operação do


empreendimento irão se misturar aos ruídos já existentes. Sabe-se que a etapa que poderá
gerar maiores níveis de ruído será a etapa de implantação do empreendimento, decorrente das
atividades construtivas das Linhas de Transmissão. Porém, cabe ressaltar que as atividades
são pontuais e provisórias, e, portanto, uma vez finalizadas, os níveis de ruídos voltam a ser
apenas aqueles já existentes nas localidades.

Os níveis de ruídos indicados pelas Normas NBR-10.151 e NBR-10.152, devem ser


observados, independente da etapa do empreendimento.

Na etapa de operação da linha de transmissão, o ruído audível é o principal ruído gerado, porém
o nível de ruído audível durante essa etapa está abaixo do limite estabelecido no edital da
ANEEL.

157 / 158
ANEXOS

ANEXO 6.2.5-1: Lista dos Pontos de Campo e das Entrevistas Realizadas do Levantamento
Espeleológico.

CADERNO DE MAPAS

L18-MP-G-6-001 (Áreas de Estudo)

L18-MP-F-6.2.1-001 (estações climatológicas)

L18-MP-F-6.2.1-002 (classificação climatológica)

L18-MP-F-6.2.2-001 a L18-MP-F-6.2.2-013 (hidrografia)

L18-MP-F-6.2.2-014 (regiões hidrográficas do Paraná e do Atlântico Leste)

L18-MP-F-6.2.2-015 (estações climatológicas e fluviométricas)

L18-MP-F-6.2.3-001 a L18-MP-F-6.2.3-013 (unidades geológicas)

L18-MP-F-6.2.3-014 a L18-MP-F-6.2.3-026 (unidades geomorfológicas)

L18-MP-F-6.2.3-027 a L18-MP-F-6.2.3-039 (declividade)

L18-MP-F-6.2.3-040 (hipsometria)

L18-MP-F-6.2.3-041 a L18-MP-F-6.2.3-053 (solo)

L18-MP-F-6.2.3-054 (sismicidade)

L18-MP-F-6.2.3-055 a L18-MP-F-6.2.3-067 (vulnerabilidade geotécnica)

L18-MP-F-6.2.4-001 (potencial paleontológico)

L18-MP-F-6.2.5-001 a L18-MP-F-6.2.5-013 (espeleologia)

L18-MP-F-6.2.5-014 (cavidades)

L18-MP-F-6.2.6-001 (ruído – comunidades)

158 / 158
Estudo de
Impacto
Ambiental

EIA LT 500 kV Estreito - Cachoeira Paulista C1 e C2

Volume 3

Estudo de Impacto Ambiental

OUTUBRO
2018
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL - EIA
VOLUME 3

LT 500 kV SE ESTREITO – SE CACHOEIRA PAULISTA C1 E C2


P.011333-RL-EIA-001_L18
OUTUBRO DE 2018
LT 500 kV SE ESTREITO – SE CACHOEIRA PAULISTA C1 E C2
ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL – VOL. 3

SUMÁRIO GERAL

VOLUME 1
1. IDENTIFICAÇÃO DO EMPREENDEDOR
2. EMPRESA RESPONSÁVEL PELOS ESTUDOS
3. DADOS DA EQUIPE TÉCNICA MULTIDISCIPLINAR
4. DADOS DO EMPREENDIMENTO
4.1 IDENTIFICAÇÃO E LOCALIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
4.2 DESCRIÇÃO DO PROJETO
5 ESTUDO DE ALTERNATIVAS TECNOLÓGICAS E LOCACIONAIS
5.1 ESTUDOS REALIZADOS PELA EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA
5.2 ALTERNATIVAS LOCACIONAIS

VOLUME 2
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.1 DEFINIÇÃO DAS ÁREAS DE ESTUDO
6.2 MEIO FÍSICO
6.2.1 METEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA
6.2.2 RECURSOS HÍDRICOS
6.2.3 ESTUDOS GEOLÓGICOS E GEOTÉCNICOS
6.2.4 PALEONTOLOGIA
6.2.5 ESPELEOLOGIA
6.2.6 NÍVEL DE RUÍDO

VOLUME 3
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.3 MEIO BIÓTICO
6.3.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
6.3.2 CARACTERIZAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS
6.3.3 FLORA
6.3.4 FAUNA
6.3.5 ECOLOGIA DA PAISAGEM

P.011333.0001_L18_VOL.1
VOLUME 4
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
6.4 MEIO SOCIOECONÔMICO
6.4.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS
6.4.2 CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO
6.4.3 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
INFRAESTRUTURA, SERVIÇOS PÚBLICOS E
6.4.4
VULNERABILIDADES
6.4.5 RECURSOS MINERAIS
6.4.6 POPULAÇÕES TRADICIONAIS
PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO, CULTURAL,
6.4.7
NATURAL
6.4.8 DIAGNÓSTICO POR MUNICÍPIO
7. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

VOLUME 5
8. ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS
8.1 IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS
8.2 AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS
8.3 ANÁLISE CONCLUSIVA DOS IMPACTOS AMBIENTAIS E MEDIDAS
MITIGADORAS
8.4 PLANOS, PROGRAMAS E PROJETOS
9. ÁREAS DE INFLUÊNCIA
9.1 ÁREA DIRETAMENTE AFETADA (ADA)
9.2 ÁREA DE INFLUÊNCIA DIRETA (AID)
9.3 ÁREA DE INFLUÊNCIA INDIRETA (AII)

VOLUME 6
10. MEDIDAS MITIGADORAS, COMPENSATÓRIAS E PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1 PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1.1 PROGRAMAS AMBIENTAIS
10.1.2 PLANO AMBIENTAL DE CONSTRUÇÃO
10.1.3 PROGRAMA DE SUPRESSÃO DA VEGETAÇAO E REPOSIÇÃO
FLORESTAL
10.1.4 PROGRAMA DE MITIGAÇÃO DE ACIDENTES COM A FAUNA
10.1.5 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA AVIFAUNA
10.1.6 PROGRAMA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
10.1.7 PROGRAMA DE INDENIZAÇÃO DA FAIXA DE SERVIDÃO
10.1.8 PROGRAMA DE ACOMPANHAMENTO DOS DIREITOS
MINERÁRIOS
10.1.9 PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS
10.1.10 PROGRAMA DE MANUTENÇÃO DA FAIXA DE SERVIDÃO
10.1.11 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DAS INTERFERÊNCIAS
ELETROMAGNÉTICAS

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10.1.12 PROGRAMA AMBIENTAL PARA GESTÃO DO PATRIMÔNIO
ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO E CULTURAL
10.1.13 PLANO DE COMPENSAÇÃO AMBIENTAL
11. SOLICITAÇÕES DO ICMBIO PARA A APA DA SERRA DA MANTIQUEIRA

VOLUME 7
12. PROGNÓSTICO AMBIENTAL
12.1 NÃO IMPLANTAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
12.2 IMPLANTAÇÃO E OPERAÇÃO DO EMPREENDIMENTO
13. CONCLUSÃO
14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
15. GLOSSÁRIO

P.011333.0001_L18_VOL.1
SUMÁRIO VOL. 03
6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL ................................................................................................... 1

6.3. MEIO BIÓTICO ............................................................................................................ 1


6.3.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS .......................................................................... 1
6.3.2. CARACTERIZAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS ................................................. 1
6.3.2.1. FITOFISIONOMIAS.......................................................................... 3
6.3.2.2. SERRA DA MANTIQUEIRA ............................................................. 8
6.3.2.3. ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA CONSERVAÇÃO DA
BIODIVERSIDADE ........................................................................... 9
6.3.3. FLORA ........................................................................................................ 12
6.3.3.1. INTRODUÇÃO ............................................................................... 12
6.3.3.2. OBJETIVO ...................................................................................... 13
6.3.3.3. ÁREAS AMOSTRAIS ..................................................................... 13
6.3.3.4. ASPÉCTOS METODOLÓGICOS .................................................. 18
6.3.3.5. RESULTADO ................................................................................. 24
6.3.3.6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................... 130
6.3.4. FAUNA ...................................................................................................... 131
6.3.4.1. INTRODUÇÃO ............................................................................. 131
6.3.4.2. OBJETIVOS ................................................................................. 132
6.3.4.3. ASPECTOS METODOLÓGICOS ................................................ 132
6.3.4.4. ÁREAS AMOSTRAIS ................................................................... 133
6.3.4.5. HERPETOFAUNA ........................................................................ 135
6.3.4.6. AVIFAUNA ................................................................................... 169
6.3.4.7. MASTOFAUNA ............................................................................ 210
6.3.5. ECOLOGIA DA PAISAGEM ........................................................................ 270
6.3.5.1. INTRODUÇÃO ............................................................................. 270
6.3.5.2. FUNDAMENTAÇÃO..................................................................... 270
6.3.5.3. ABORDAGEM METODOLÓGICA ............................................... 271
6.3.5.4. DIAGNÓSTICO DO ESTUDO DE ECOLOGIA DE PAISAGENS 274
6.3.5.5. SETORIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO .................................... 274
6.3.5.6. COMPOSIÇÃO DAS PAISAGENS .............................................. 291
6.3.5.7. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................... 292

P.011333.0001_L18_VOL.1
LISTA DE FIGURAS

Figura 6.3.2-1 - Mapa com a Área Ocupada pelos Biomas Cerrado e Mata Atlântica, ao longo
do traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista. ......................................................................2
Figura 6.3.2-2 - Região de Ibiraci-MG, próximo ao Bairro Lage. Predomínio de pastagens em
áreas onde originalmente ocorriam fitofisionomias de Savana Gramíneo-Lenhosa................3
Figura 6.3.2-3 - Fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na região de Passos-MG,
em meio a um mosaico de culturas agrícolas e pastagens (20/09/17). ...................................4
Figura 6.3.2-4 - APA Serra da Mantiqueira. Região de serra no município de Wenceslau Braz,
com cobertura vegetal de Floresta Ombrófila Densa (21/09/17)..............................................4
Figura 6.3.3-1 - Modelo do arranjo do conglomerado e suas unidades amostrais. ...............19
Figura 6.3.3-2 - Coleta do material botânico em campo.........................................................23
Figura 6.3.3-3 – Material botânico em estufa portátil de campo. ...........................................23
Figura 6.3.3-4 - Detalhe do solo argiloso no fragmento. ........................................................25
Figura 6.3.3-5 – Detalhes da fina camada de serrapilheira. ...................................................25
Figura 6.3.3-6 - Distribuição Diâmetrica..................................................................................29
Figura 6.3.3-7 - Distribuição por classe de altura total ...........................................................30
Figura 6.3.3-8 - Detalhe das Flores do Pau-terrão (Qualea grandiflora)................................33
Figura 6.3.3-9 – Detalhes dos Frutos do Pequi (Caryocar brasiliense). ................................33
Figura 6.3.3-10 – Detalhe do Sub-bosque Denso do Fragmento...........................................34
Figura 6.3.3-11 – Detalhes das Espécies Herbáceas Terrestres das Famílias Cyperaceae e
Poaceae...................................................................................................................................34
Figura 6.3.3-12 - Distribuição por Classe de DAP (Diâmetro a Altura do Peito). ...................46
Figura 6.3.3-13 - Distribuição por Classe de Altura Total. ......................................................47
Figura 6.3.3-14 - Detalhe do solo argiloso no fragmento do Conglomerado 15 ....................52
Figura 6.3.3-15 – Detalhes da camada de serrapilheira no Conglomerado 05. ....................52
Figura 6.3.3-16 –Dossel no Conglomerado 05 com árvores acima de 20 metros. ................53
Figura 6.3.3-17 – Detalhes dos frutos de Cedrela fissilis no Conglomerado 06. ...................53
Figura 6.3.3-18 – Detalhe do sub-bosque aberto no Conglomerado 05. ...............................54
Figura 6.3.3-19 – Detalhe do sub-bosque denso no Conglomerado 08. ...............................54
Figura 6.3.3-20 – Detalhe da inflorescência do arbusto Psychotria carthagenensis
(Rubiaceae) no Conglomerado 04. .........................................................................................54
Figura 6.3.3-21 – Detalhe da inflorescência do arbusto Piper aduncum (Piperaceae) no
Conglomerado 04. ...................................................................................................................54
Figura 6.3.3-22 – Detalhe da inflorescência da Herbácea Terrestre Bromelia sp.1
(Bromeliaceae) no Conglomerado 07. ....................................................................................55
Figura 6.3.3-23 – Detalhe do hábito da Epífita Gomesa cornigera (Orchidaceae) no
Conglomerado 08. ...................................................................................................................55
Figura 6.3.3-24 - Detalhe da área aluvial do fragmento do Conglomerado 03. .....................60
Figura 6.3.3-25 – Detalhe da serrapilheira mediana no Conglomerado 03. ..........................60
Figura 6.3.3-26 – Detalhe dos frutos do Ingá (Inga sessilis) no Conglomerado 03. ..............61
Figura 6.3.3-27 – Detalhe do ramo fértil do Pau-pombo (Tapirira guianensis) no
Conglomerado 03. ...................................................................................................................61
Figura 6.3.3-28 - Sub-bosque denso no Conglomerado 03. ..................................................62
Figura 6.3.3-29 - Detalhe da grande quantidade de trepadeiras e lianas no Conglomerado 03.
.................................................................................................................................................62
Figura 6.3.3-30 - Detalhe do hábito da Pteridófita Adiantum sp.1 no Conglomerado 03. .....62
Figura 6.3.3-31 - Detalhe do hábito do Arbusto Randia armata (Rubiaceae) no Conglomerado
03. ............................................................................................................................................62

P.011333.0001_L18_VOL.1
Figura 6.3.3-32 - Distribuição por Classes de Diâmetro. ........................................................73
Figura 6.3.3-33 - Distribuição do Número de Fustes por Classe de Altura. ...........................73
Figura 6.3.3-34 - Detalhe do corte interno do tronco da Canjerana (Cabralea canjerana) no
Conglomerado 09. ...................................................................................................................79
Figura 6.3.3-35 - Detalhe do dossel no Conglomerado 10. ....................................................79
Figura 6.3.3-36 - Detalhe do sub-bosque denso no Conglomerado 09. ................................83
Figura 6.3.3-37 - Detalhe do sub-bosque aberto no Conglomerado 10. ................................83
Figura 6.3.3-38 - Detalhe da Cyathea sp.1 (Cyatheaceae) no Conglomerado 10. ................83
Figura 6.3.3-39 - Detalhe do hábito da Epífita Specklinia grobyi (Orchidaceae) no
Conglomerado 10. ...................................................................................................................83
Figura 6.3.3-40 - Distribuição em Classe de DAP. .................................................................91
Figura 6.3.3-41 - Distribuição em Classe de Altura Total. ......................................................92
Figura 6.3.3-42 - Declividade do terreno nos arredores do Conglomerado 14. .....................98
Figura 6.3.3-43 - Fezes de boi encontradas no interior do Conglomerado 13. ......................98
Figura 6.3.3-44 - Detalhe do dossel no Conglomerado 13. ....................................................99
Figura 6.3.3-45 - Corte no tronco de Vochyzia tucanorum, Conglomerado 14. .....................99
Figura 6.3.3-46 - Detalhe do sub-bosque denso no Conglomerado 13. ................................99
Figura 6.3.3-47 - Detalhe do sub-bosque aberto no Conglomerado 13. ................................99
Figura 6.3.3-48 - Detalhe da Epífita Gomesa sp.1 (Orchidaceae) no Conglomerado 13. .. 100
Figura 6.3.3-49 - Detalhe da presença de Anthurium sp.1 (Araceae) no Conglomerado 14.
.............................................................................................................................................. 100
Figura 6.3.3-50 - Distribuição dos DAP’s em Relação ao Número de Indivíduos Identificados.
.............................................................................................................................................. 100
Figura 6.3.3-51 - Riqueza de Espécies das famílias botânicas mais representativas da Área
de Estudo.............................................................................................................................. 103
Figura 6.3.3-52 - Riqueza de espécies das famílias botânicas mais representativas da Área
de Estudo.............................................................................................................................. 117
Figura 6.3.3-53 - Gráfico de Distância Euclidiana entre os Conglomerados (C1 a C15). .. 125
Figura 6.3.3-54 - MDS Obtido pela Similaridade de Bray-Courts considerando os
Conglomerados (C1 a C15) amostrados ao longo da LT. ................................................... 126
Figura 6.3.3-55 - Curva com Riqueza em Campo e Estimadores Booststrap e Chao 2..... 127
Figura 6.3.3-56 - Gráfico com Singleton (Indivíduo nas Amostras) e Doubleton (Número de
Espécies com apenas dois Indivíduos nas Amostras). ....................................................... 128
Figura 6.3.4-1 - Mapa com a localização das áreas estudadas pelas fontes de Dados
Secundários (HF=Herpetofauna). ........................................................................................ 137
Figura 6.3.4-2 - Dominância das famílias de anfíbios registradas em campo durante as
campanhas 1 e 2 conjuntamente para as áreas afetadas pela LT Estreito– Cachoeira Paulista.
.............................................................................................................................................. 157
Figura 6.3.4-3 - Dominância das famílias de répteis registradas em campo durante as
campanhas 1 e 2 conjuntamente para as áreas afetadas pela LT Estreito– Cachoeira Paulista.
.............................................................................................................................................. 158
Figura 6.3.4-4 - Curva do Coletor (linha azul) e Estimador de Riqueza de Espécies Jackknife
1ª Ordem (linha vermelha) para Anfíbios registrados nas campanhas 1 e 2 conjuntamente.
.............................................................................................................................................. 158
Figura 6.3.4-5 - Curva do Coletor (linha azul) e Estimador de Riqueza de Espécies Jackknife
1ª Ordem (linha vermelha) para Répteis registrados nas campanhas 1 e 2 conjuntamente.
.............................................................................................................................................. 159
Figura 6.3.4-6 - Abundância relativa (%) de cada espécie de anfíbios registrada durante as
amostragens das campanhas 1 e 2 conjuntamente. ........................................................... 160

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Figura 6.3.4-7 - Abundância relativa (%) de cada espécie de réptil registrada durante as
amostragens das campanhas 1 e 2 conjuntamente. ........................................................... 161
Figura 6.3.4-8 - Sucesso das metodologias utilizadas nas amostragens de Anfíbios e Répteis
(em porcentagem). ............................................................................................................... 162
Figura 6.3.4-9 - Análise de Similaridade de Bray-Curtis de Anfíbios considerando as duas
campanhas conjuntamente para as Áreas Amostradas. ..................................................... 163
Figura 6.3.4-10 - Análise de Similaridade de Bray-Curtis de Répteis considerando as duas
campanhas conjuntamente para as Áreas Amostradas. ..................................................... 163
Figura 6.3.4-11 - Porcentagem da riqueza de espécies de anfíbios por área amostrada
durante as campanhas 1 e 2 conjuntamente. ...................................................................... 164
Figura 6.3.4-12 - Porcentagem da riqueza de espécies de répteis por área amostrada durante
as campanhas 1 e 2 conjuntamente. ................................................................................... 164
Figura 6.3.4-13 - Mapa com a localização das áreas estudadas pelas Fontes de Dados
Secundários (AF=Avifauna). ................................................................................................ 171
Figura 6.3.4-14 - Famílias de aves mais representativas registradas durante a Primeira
Campanha de Levantamento de Fauna da LT 500kV Estreito – Cachoeira Paulista (MG/SP).
.............................................................................................................................................. 175
Figura 6.3.4-15 - Curva de Rarefação de espécies da avifauna registradas durante a Primeira
e Segunda Campanhas de Levantamento de Fauna da LT 500kV Estreito – Cachoeira
Paulista (MG/SP). ................................................................................................................. 195
Figura 6.3.4-16 - Espécies mais abundantes de acordo com o Índice Pontual de Abundância
em cada uma das áreas amostradas durante a Primeira e Segunda Campanha de
Levantamento da Avifauna da LT 500kV Estreito – Cachoeira Paulista (MG/SP). A: Área
Amostral 2, B: Área Amostral 3, C: Área Amostral 4 e D: Área Amostral 5. ....................... 198
Figura 6.3.4-17 - Espécies mais frequentes de acordo com o Índice de Frequencia de Listas
em cada uma das áreas amostradas durante a Primeira e Segunda Campanhas de
Levantamento da Avifauna da LT 500kV Estreito – Cachoeira Paulista (MG/SP). A: Área
Amostral 2, B: Área Amostral 3, C: Área Amostral 4 e D: Área Amostral 5. ....................... 201
Figura 6.3.4-18 - Dendrograma de Similaridade entre cada uma das áreas amostradas
durante a Primeira e Segunda Campanhas de Levantamento da Avifauna da LT 500kV
Estreito – Cachoeira Paulista (MG/SP). P2: Área Amostral 2, P3: Área Amostral 3, P4: Área
Amostral 4 e P5: Área Amostral 5. ....................................................................................... 202
Figura 6.3.4-19 - Mapa com a localização das Áreas Estudadas pelas Fontes de Dados
Secundários (MF=Mastofauna). ........................................................................................... 214
Figura 6.3.4-20 - Registro Monodelphis sp. (cuíca) com uma faixa longitudinal bem evidente
no dorso foi registrado, foto tirada pela armadilha fotográfica (Câmera Trap) na Área de
Estudo 4................................................................................................................................ 224
Figura 6.3.4-21 - Curva de Acumulação e Rarefação de espécies de Mamíferos Terrestres
não voadores registradas na 1ª Campanha do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas
Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ................................................................. 225
Figura 6.3.4-22 - Dendrograma de Cluster do Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 1ª
Campanha do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. .............................................................................................................. 226
Figura 6.3.4-23 - Curva de Acumulação e Rarefação de espécies de Mamíferos Terrestres
não voadores registradas durante na 2ª Campanha do Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ................................................ 231
Figura 6.3.4-24 - Dendrograma de Cluster do Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 2ª
Campanha do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. .............................................................................................................. 233

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Figura 6.3.4-25 - Curva de Acumulação e Rarefação de espécies de Mamíferos Terrestres
não voadores registradas durante na 1a e 2ª Campanha do Estudo de Impacto Ambiental
(EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista........................................ 234
Figura 6.3.4-26 - Dendrograma de Cluster do Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 1ª e 2a
Campanha do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. .............................................................................................................. 236
Figura 6.3.4-27 - Gráfico da Abundância relativa (%) das ordens de mamíferos não voadores
registrados durante a 1a e 2ª Campanha do EIA nas Áreas Afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. .............................................................................................................. 237
Figura 6.3.4-28 - Gráfico da Abundância relativa (%) das Famílias de mamíferos não voadores
registrados durante a 1a e 2ª Campanha do EIA nas Áreas Afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. .............................................................................................................. 238
Figura 6.3.4-29 – Frequência das espécies de morcegos capturadas nas Áreas Amostrais
Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. Estudo realizado entre 26 de março e 05 de
abril de 2018 (Estação Chuvosa). ........................................................................................ 253
Figura 6.3.4-30 – Curva de Acumulação de Espécies (Linha Preta) e Riqueza Esperada (Linha
Cinza) usando o estimador Jackknife 1 (Jack 1) das espécies de morcegos coletadas nos 12
pontos distribuídos nas quatro Áreas de Estudo Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira
Paulista. Estudo realizado entre 26 de março e 05 de abril de 2018 (Estação Chuvosa). . 254
Figura 6.3.4-31 - Frequência das espécies de morcegos capturadas nas áreas amostrais
afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. Estudo realizado na segunda campanha nos
dias 19 a 26 de setembro de 2018 (estação seca).............................................................. 257
Figura 6.3.4-32 - Curva de acumulação de espécies (linha preta) e riqueza esperada (linha
cinza) usando o estimador Jackknife 1 (Jack 1) das espécies de morcegos coletadas nos 12
pontos distribuídos nas quatro áreas amostrais afetadas pela LT Estreito – Cachoeira
Paulista. Estudo realizado na segunda campanha nos dias 19 a 26 de de setembro de 2018
(estação seca). ..................................................................................................................... 258
Figura 6.3.4-33 - Frequência das espécies de morcegos capturadas durante as duas
campanhas nas áreas amostrais afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ............ 260
Figura 6.3.4-34 - Curva de acumulação de espécies (linha preta) e riqueza esperada (linha
cinza) usando o estimador Jackknife 1 (Jack 1) das espécies de morcegos coletadas durante
as duas campanhas nas quatro áreas amostrais afetadas pela LT Estreito – Cachoeira
Paulista. ................................................................................................................................ 262
Figura 6.3.5-1 - Frequência de Classes de Cobertura Natural do Habitat no Setor 1. ....... 276
Figura 6.3.5-2 - Área acumulada de habitat e de habitat distante da borda em mais de 50 m
em função do tamanho da mancha de habitat natural no Setor 1. (Eixo X: Área Máxima
apresentada em hectares; Eixo y: Porção acumulada de área de habitat em números
porcentuais). ......................................................................................................................... 277
Figura 6.3.5-3 - Mapa com a Distribuição dos Fragmentos no Setor 1, com a classificação de
sua importância e a condição quanto a cobertura do habitat. ............................................. 278
Figura 6.3.5-4 - Frequência de Classes de cobertura natural do habitat no Setor 2. ......... 279
Figura 6.3.5-5 - Área acumulada de habitat, e de habitat distante da borda em mais de 50 m,
em função do tamanho da mancha de habitat natural no Setor 2. (Eixo X: Área Máxima
apresentada em hectares; Eixo y: Porção acumulada de área de habitat em números
porcentuais). ......................................................................................................................... 280
Figura 6.3.5-6 - Mapa com a distribuição dos fragmentos no Setor 2, com a classificação de
sua importância e sua condição quanto a cobertura do habitat. ......................................... 281
Figura 6.3.5-7 - Frequência de classes de cobertura do habitat para o Setor 3. ................ 282
Figura 6.3.5-8 - Área acumulada de habitat, e de habitat distante da borda em mais de 50 m,

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em função do tamanho da mancha de habitat natural no Setor 3. (Eixo X: Área máxima
apresentada em hectares; Eixo y: Porção acumulada de área de habitat em números
porcentuais). ......................................................................................................................... 282
Figura 6.3.5-9 - Mapa com a distribuição dos fragmentos no Setor 3, com a classificação de
sua importância e sua condição quanto a cobertura do habitat. ......................................... 283
Figura 6.3.5-10 - Frequência de classes de cobertura do habitat para o Setor 4. .............. 284
Figura 6.3.5-11 - Acumulada de habitat, e de habitat distante da borda em mais de 50 m, em
função do tamanho da mancha de habitat natural no Setor 4. (Eixo X: Área máxima
apresentada em hectares; Eixo y: Porção acumulada de área de habitat em números
porcentuais). ......................................................................................................................... 284
Figura 6.3.5-12 - Mapa com a distribuição dos fragmentos no Setor 4, com a classificação de
sua importância e sua condição quanto a cobertura do habitat. ......................................... 286
Figura 6.3.5-13 - Frequência de classes de cobertura do habitat para o Setor 5. .............. 287
Figura 6.3.5-14 - Área acumulada de habitat, e de habitat distante da borda em mais de 50
m, em função do tamanho da mancha de habitat natural no Setor 5. (Eixo X: Área máxima
apresentada em hectares; Eixo y: Porção acumulada de área de habitat em números
porcentuais). ......................................................................................................................... 287
Figura 6.3.5-15 - Mapa com a distribuição dos fragmentos no Setor 5, com a classificação de
sua importância e sua condição quanto a cobertura do habitat. ......................................... 288
Figura 6.3.5-16 - Frequência de classes de cobertura do habitat para o Setor 6. .............. 289
Figura 6.3.5-17 - Área acumulada de habitat, e de habitat distante da borda em mais de 50
m, em função do tamanho da mancha de habitat natural no Setor 6. (Eixo X: Área máxima
apresentada em hectares; Eixo y: Porção acumulada de área de habitat em números
porcentuais). ......................................................................................................................... 290
Figura 6.3.5-18 - Mapa com a distribuição dos fragmentos no Setor 6, com a classificação de
sua importância e sua condição quanto a cobertura do habitat. ......................................... 291

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LISTA DE QUADROS

Quadro 6.3.2-1 - Áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade afetadas pelo


traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista. .........................................................................10
Quadro 6.3.3-1 - Unidades Amostrais (UA), Azimute de Caminhamento (AZ), município de
localização onde está inserido, assim como as Respectivas Fitofisionomias (FES – Floresta
Estacional Semidecidual, FOD – Floresta Ombrófila Densa), Estágio Sucessional e
Coordenadas Geográficas. .....................................................................................................15
Quadro 6.3.3-2- Formulário utilizado nos cálculos dos Índices Fitossociológicos. ................21
Quadro 6.3.3-3 - Número total de espécies por família, acompanhada do número de
indivíduos e fustes. ..................................................................................................................25
Quadro 6.3.3-4 - Resultados da Análise Fitossociológica - estrutura horizontal em ordem
decrescente do valor de importância. .....................................................................................26
Quadro 6.3.3-5 - Resultados da Análise de Agregação das espécies amostradas - Índice de
MacGuinnes. ...........................................................................................................................27
Quadro 6.3.3-6 - Estratificação Vertical. .................................................................................30
Quadro 6.3.3-7 - Média de DAP e Altura Total (Ht). ...............................................................32
Quadro 6.3.3-8 - Número de Espécies por família, com número de indivíduos e número de
fustes. ......................................................................................................................................34
Quadro 6.3.3-9 - Resultados da Análise Fitossociológica - Estrutura Horizontal em ordem
decrescente do valor de importância – Conglomerados C2 a C8 e C15. ..............................36
Quadro 6.3.3-10 - Distribuição das Espécies (Índice de MacGuinnes)..................................41
Quadro 6.3.3-11 - Resumo dos Parâmetros DAP e Altura Total por Espécie. ......................47
Quadro 6.3.3-12 - Estratificação Vertical Floresta Estacional Semideciual Montana
(Congloremerados C2 a C8 e C15). .......................................................................................55
Quadro 6.3.3-13 - Número Total de espécies por família, acompanhada do número de
indivíduos e fustes contato (C9 a C12). ..................................................................................63
Quadro 6.3.3-14 - Resultados da Análise Fitossociológica - estrutura horizontal em ordem
decrescente do valor de importância – Conglomerados C9 a C12. ......................................65
Quadro 6.3.3-15 - Resultados da Análise de Agregação das Espécies Amostradas - Índice de
MacGuinnes. ...........................................................................................................................70
Quadro 6.3.3-16 - Estratificação Vertical. ...............................................................................74
Quadro 6.3.3-17 - Médias de DAP e Altura Total por Espécie. ..............................................79
Quadro 6.3.3-18 - Famílias com seus respectivos número de espécies, indivíduos e fustes.
.................................................................................................................................................84
Quadro 6.3.3-19 - Resultados da Análise Fitossociológica - Estrutura Horizontal em Ordem
Decrescente do Valor de Importância – Conglomerados C13 e C14. ...................................86
Quadro 6.3.3-20 - Índice de Agregação (MacGuinnes). .........................................................89
Quadro 6.3.3-21 - Estratificação Vertical. ...............................................................................93
Quadro 6.3.3-22 - Médias de DAP e Altura Total por Espécie. ..............................................96
Quadro 6.3.3-23 - Espécies encontradas no levantamento florístico do sub-bosque e seus
conglomerados de ocorrência. ............................................................................................. 101
Quadro 6.3.3-24 - Lista Florística das espécies levantadas na área de estudo com seus
respectivos hábitos, origem e grupo ecológico. ................................................................... 104
Quadro 6.3.3-25 - Espécies Endêmicas do Cerrado. .......................................................... 118
Quadro 6.3.3-26 - Espécies Endêmicas da Mata Atlântica. ................................................ 118
Quadro 6.3.3-27 - Lista das espéies ameaçadas de extinção encontradas no presente estudo
e suas respectivas unidades amostrais de ocorrência. ....................................................... 122

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Quadro 6.3.3-28 - Índices de Diversidade. .......................................................................... 126
Quadro 6.3.3-29 - Estimativa de Supressão Vegetal .......................................................... 129
Quadro 6.3.4-1 - Dados Secundários utilizados para o Levantamento da Herpetofauna de
potencial ocorrência na área da LT Estreito – Cachoeira Paulista...................................... 136
Quadro 6.3.4-2 - Lista das espécies da Herpetofauna registradas durante as campanhas 1 e
2, por meio de dados Primários e Secundários, para as áreas afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. .............................................................................................................. 142
Quadro 6.3.4-3 - Lista das espécies da Herpetofauna registradas durante as campanhas 1 e
2 por meio de dados Primários e Secundários e as respectivas abundâncias obtidas em
campo, para as áreas afetadas pela LT Estreito– Cachoeira Paulista. .............................. 148
Quadro 6.3.4-4 - Índices Ecológicos referentes às amostragens de anfíbios e répteis nas
Áreas de Estudo considerando as duas campanhas conjuntamente. ................................ 162
Quadro 6.3.4-5 - Espécies registradas por dados secundários na área de influência da LT
Estreito - Cachoeira Paulista. ............................................................................................... 165
Quadro 6.3.4-6 - Espécies de anfíbios e répteis registradas por dados primários e secundários
consideradas bioindicadores de qualidade do ambiente e aquelas consideradas raras. ... 167
Quadro 6.3.4-7 - Dados Secundários utilizados para o levantamento da Avifauna de Potencial
Ocorrência na Área da LT Estreito – Cachoeira Paulista .................................................... 170
Quadro 6.3.4-8 - Lista das Espécies da Avifauna registradas por meio de Dados Primários e
Secundários para as áreas afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ..................... 176
Quadro 6.3.4-9 - Comparação entre as áreas de amostragem por meio do Índice de
Similaridade de Jaccard (ISj) durante a Primeira e Segunda Campanhas de Levantamento de
Fauna da LT 500kV Estreito – Cachoeira Paulista (MG/SP). .............................................. 202
Quadro 6.3.4-10 - Indicadores Ecológicos por área amostral durante a Primeira e Segunda
Campanhas de Levantamento de Fauna da LT 500kV Estreito – Cachoeira Paulista (MG/SP).
.............................................................................................................................................. 203
Quadro 6.3.4-11 - Espécies de Aves Ameaçadas de Extinção e Grau de Ameaça de acordo
com as listas vigentes registradas por meio de Dados Secundários para a LT 500kV Estreito
– Cachoeira Paulista (MG/SP). ............................................................................................ 205
Quadro 6.3.4-12 - Espécies de Aves Endêmicas de Mata Atlântica e Áreas de Amostragem
registradas durante a Primeira e Segunda Campanhas da LT 500kV Estreito – Cachoeira
Paulista (MG/SP). ................................................................................................................. 206
Quadro 6.3.4-13 - Espécies de Aves Registradas por Dados Primários presente na Lista
CITES e respectivas Áreas de Amostragem durante a Primeira e Segunda Campanhas da LT
500kV Estreito – Cachoeira Paulista (MG/SP). ................................................................... 208
Quadro 6.3.4-14 - Dados Secundários utilizados para o Levantamento da Mastofauna de
Potencial Ocorrência na Área da LT Estreito – Cachoeira Paulista. ................................... 212
Quadro 6.3.4-15 - Lista das Espécies da Mastofauna terrestre não voadora registradas por
meio de dados primários e secundários para as Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira
Paulista. ................................................................................................................................ 217
Quadro 6.3.4-16 - Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 1ª Campanha do Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ....... 225
Quadro 6.3.4-17 - Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 1ª Campanha do Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ....... 226
Quadro 6.3.4-18 - Esforço Amostral, Número de Registros, Riqueza e Sucesso de Captura
Obtidos em cada um dos Métodos de Amostragem utilizados durante a 1ª Campanha do EIA
nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ................................................ 227
Quadro 6.3.4-19 - Lista das Espécies da Mastofauna registradas por meio de dados primários
na segunda campanha para as Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ... 228

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Quadro 6.3.4-20 - Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 2ª Campanha do Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ....... 232
Quadro 6.3.4-21 - Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 2ª Campanha do Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ....... 233
Quadro 6.3.4-22 - Esforço Amostral, Número de Registros, Riqueza e Sucesso de Captura
Obtidos em cada um dos Métodos de Amostragem utilizados durante a 2ª Campanha do EIA
nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ................................................ 234
Quadro 6.3.4-23 - Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 1a e 2ª Campanha do Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ....... 235
Quadro 6.3.4-24 - Índice de Dissimilaridade de Jaccard da 1a e 2ª Campanha do Estudo de
Impacto Ambiental (EIA) nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ....... 236
Quadro 6.3.4-25 - Esforço Amostral, Número de Registros, Riqueza e Sucesso de Captura
Obtidos em cada um dos Métodos de Amostragem utilizados durante a 1a e 2ª Campanha do
EIA nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ......................................... 237
Quadro 6.3.4-26 - Lista das espécies e frequência de captura da 1a e 2ª Campanha do EIA
nas Áreas Afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. ................................................ 239
Quadro 6.3.4-27 - Lista das espécies com algum grau de ameça obtido de dados secindários
e primários durante a 1a e 2ª Campanha do EIA nas Áreas Afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. .............................................................................................................. 241
Quadro 6.3.4-28– Dados Secundários utilizados para o Levantamento da Quiropterofauna de
potencial ocorrência na área da LT Estreito – Cachoeira Paulista...................................... 246
Quadro 6.3.4-29 – Coordenadas Geográficas (UTM) dos Pontos de Amostragem da
Quiropterofauna nas quatro áreas de estudo afetadas pela LT. ......................................... 248
Quadro 6.3.4-30 – Lista das espécies da quiropterofauna registradas por meio de dados
primários (duas campanhas) e secundários para as áreas afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. .............................................................................................................. 250
Quadro 6.3.4-31 – Lista das espécies, abundância, frequência de captura e hábito alimentar
dos morcegos capturados nas Áreas de Estudo Afetadas pelo empreendimento. Estudo
realizado entre 26/03e 05/04/18 (Estação Chuvosa). ......................................................... 252
Quadro 6.3.4-32 – Valores de Riqueza, Abundância, Índice de Diversidade de Shannon-
Wiener, Equitabilidade e Dominância nas quatro Áreas de Estudo Afetadas pela LT Estreito
– Cachoeira Paulista. Estudo realizado entre 26 de março e 05 de abril de 2018 (Estação
Chuvosa). ............................................................................................................................. 255
Quadro 6.3.4-33 – Valores de p (negrito) correspondentes ao Teste t-Student Comparando
os Índices de Diversidade e Matriz de Similaridade de Jaccard das Áreas de Estudo Afetadas
pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. Estudo entre 26 de março e 05 de abril de 2018
(Estação Chuvosa). .............................................................................................................. 255
Quadro 6.3.4-34 – Esforço amostral com o uso de redes de neblina e o sucesso de captura
durante o levantamento da quiropterofauna nas áreas de estudo afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. Estudo realizado nos dias 27 de março a 04 de abril de 2018 (estação
chuvosa). .............................................................................................................................. 256
Quadro 6.3.4-35 - Lista das espécies, abundância, frequência de captura e hábito alimentar
dos morcegos capturados nas áreas amostrais afetadas pela LT Estreito – Cachoeira
Paulista. Estudo realizado na segunda campanha nos dias 19 a 26 de setembro de 2018
(estação seca). ..................................................................................................................... 256
Quadro 6.3.4-36 - Valores de riqueza, abundância, índice de diversidade de Shannon-Wiener,
equitabilidade e dominância nas quatro áreas amostrais afetadas pela LT Estreito – Cachoeira
Paulista. Estudo realizado na segunda campanha nos dias 19 a 26 de setembro de 2018
(estação seca). ..................................................................................................................... 259

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Quadro 6.3.4-37 - Valores de p (negrito) correspondentes ao teste t-Student comparando os
índices de diversidade e matriz de similaridade de Jaccard das áreas de estudo afetadas pela
LT Estreito – Cachoeira Paulista. Estudo realizado na segunda campanha nos dias 19 a 26
de setembro de 2018 (estação seca)................................................................................... 259
Quadro 6.3.4-38 - Esforço amostral com o uso de redes de neblina e o sucesso de captura
durante o levantamento da quiropterofauna nas áreas de estudo afetadas pela LT Estreito –
Cachoeira Paulista. Estudo realizado na segunda campanha nos dias 19 a 26 de setembro
de 2018 (estação seca). ....................................................................................................... 260
Quadro 6.3.4-39 - Lista das espécies, abundância, frequência de captura e hábito alimentar
dos morcegos capturados durante as duas campanhas nas áreas amostrais afetadas pela LT
Estreito – Cachoeira Paulista. .............................................................................................. 261
Quadro 6.3.4-41 - Valores de riqueza, abundância, índice de diversidade de Shannon-Wiener,
equitabilidade e dominância durante as duas campanhas nas quatro áreas amostrais
afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. .................................................................. 263
Quadro 6.3.4-42 - Valores de p (negrito) correspondentes ao teste t-Student comparando os
índices de diversidade e matriz de similaridade de Jaccard durante as duas campanhas nas
áreas de estudo afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista........................................ 263
Quadro 6.3.4-43 - Esforço amostral com o uso de redes de neblina e o sucesso de captura
durante o levantamento da quiropterofauna nas duas campanhas nas áreas de estudo
afetadas pela LT Estreito – Cachoeira Paulista. .................................................................. 264
Quadro 6.3.5-1 - Resultados da Setorização, com informações obtidas dos Mde Vegetação
que cobre a Área de Estudo................................................................................................. 274
Quadro 6.3.5-2 - Índice de LCP do Setor 1, Incluindo o Total de Fragmentos, Componentes e
Conexões entre os Fragmentos (Área Expandida). ............................................................ 276
Quadro 6.3.5-3 - Índice de LCP do Setor 2, incluindo o total de fragmentos, componentes e
conexões entre os fragmentos (Área Expandida). .............................................................. 279
Quadro 6.3.5-4 - Índice de LCP do Setor 3, Incluindo o total de fragmentos, componentes e
conexões entre os fragmentos (Área Expandida). .............................................................. 283
Quadro 6.3.5-5 - Índice de LCP do Setor 4, incluindo o total de fragmentos, componentes e
conexões entre os fragmentos (Área Expandida). .............................................................. 285
Quadro 6.3.5-6 - Índice de LCP do Setor 5, incluindo o total de fragmentos, componentes e
conexões entre os fragmentos (Área Expandida). .............................................................. 288
Quadro 6.3.5-7 - Índice de LCP do Setor 6, incluindo o total de fragmentos, componentes e
conexões entre os fragmentos (Área Expandida). .............................................................. 290

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6. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL

6.3. MEIO BIÓTICO

6.3.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Este capítulo do Diagnóstico Ambiental contempla o diagnóstico do Meio Biótico das áreas
afetadas pelo traçado da LT 500 kV SE Estreito – SE Cachoeira Paulista C1 e C2, Lote 18 do
Leilão ANEEL nº 005/2016 (doravante LT Estreito – Cachoeira Paulista) e inclui a
caracterização dos ecossistemas existentes nas áreas de estudo, a caracterização da flora, a
caracterização da vegetação, a caracterização da fauna e uma abordagem sobre Ecologia da
Paisagem, com a análise da distribuição e a categorização das manchas de habitat quanto à
importância para a manutenção da biodiversidade nas paisagens abrangidas.

As caracterizações foram elaboradas com base em dados secundários, obtidos a partir de


estudos prévios realizados nas áreas de inserção dos empreendimentos, e de dados primários,
obtidos a partir de campanhas de campo, realizadas no período compreendido entre novembro
de 2017 e fevereiro de 2018.

6.3.2. CARACTERIZAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS

De acordo com o mapa de biomas do IBGE (2004) e MMA (2006), a LT Estreito – Cachoeira
Paulista está inserida em regiões dominadas pelo Bioma Cerrado, em uma pequena porção ao
norte, por uma extensão de 68,6 km a partir da SE Estreito e Mata Atlântica, ao longo dos 301,7
km restantes do traçado, até a SE Cachoeira Paulista (Figura 6.3.2-1). Ambos são
considerados hotspots da biodiversidade (MYERS, 2000), uma vez que possuem um elevado
número de espécies endêmicas e alto índice de desmatamento e degradação.

Minas Gerais é o quarto maior estado federativo do Brasil, ocupando uma área de 586.522 km2,
dos quais o domínio do Cerrado, localizado na porção centro-ocidental, ocupa 57% da extensão
territorial do Estado. O domínio da Mata Atlântica, localizado na porção oriental, ocupa 41% da
área do Estado e o domínio da Caatinga, restrito ao norte do Estado, ocupa cerca de 2% do
território mineiro (SEMAD, 2017).

O Inventário Florestal do Estado conduzido pelo Instituto Estadual de Florestas – IEF apontou
a ocorrência de 2.401 espécies arbóreas, sendo 766 exclusivas do bioma Mata Atlântica, 265
do bioma Cerrado e apenas 17 exclusivas da Caatinga. Para os biomas Cerrado e Mata
Atlântica foram constatadas 866 espécies de arbóreas em comum. Estas espécies ocorrem
especialmente nas regiões de transição entre os biomas, situação encontrada em boa parte do
traçado inicial da LT, confluindo numa alta riqueza de espécies regionais.

1 / 293
O estado de São Paulo ocupa uma área territorial de 248.222 km2 e uma população equivalente
a 22% dos habitantes brasileiros. Esta característica, em um dos menores estados federativos,
reflete as condições de caracterização da paisagem e sua conservação. Na condição original,
o território era integralmente coberto pelos biomas Mata Atlântica e Cerrado. Estes biomas
foram devastados e hoje tem sua ocorrência reduzida a fragmentos pequenos, em geral
isolados, e ainda submetidos à forte pressão antrópica. De acordo com Inventário Florestal do
Estado de São Paulo, desenvolvido pelo SIFESP – Sistema de Informações Florestais de São
Paulo, da superfície total do estado, cerca de 3.457.000 ha são remanescentes de “Vegetação
Natural”, o que equivale a 14% do território paulista.

Figura 6.3.2-1 - Mapa com a Área Ocupada pelos Biomas Cerrado e Mata Atlântica, ao
longo do traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista.

No que concerne ao bioma Mata Atlântica, as áreas sujeitas à supressão da vegetação ao


longo do traçado deverão observar a aplicação da Lei da Mata Atlântica (Lei no 11.428, de 22
de dezembro de 2006) e Decreto no 6.660, de 21 de novembro de 2008, que a regulamenta.
Esta lei estabeleceu o mapa do IBGE como parâmetro técnico da abrangência de aplicação da
lei quanto às formações vegetacionais nela definidas. A lei aplica seus efeitos apenas nas
formações fitofisonômicas ou disjunções florestais que ocorrem integralmente no bioma.
Contudo, as formações florestais Estacional Semidecidual e Decidual e os Refúgios
Vegetacionais que ocorrem associados ao Cerrado também são reconhecidos como
remanescentes de Mata Atlântica.

2 / 293
6.3.2.1. FITOFISIONOMIAS

Partindo da SE Estreito em direção à SE Cachoeira Paulista o traçado percorre superfícies sob


o domínio do bioma Cerrado, no município de Ibiraci-MG e Cássia-MG, quando então adentra
sob o domínio da Mata Atlântica até a SE Cachoeira Paulista. Na região mediana do traçado,
de Itaú de Minas a Pouso Alegre, ambos em Minas Gerais, ainda que predominem as florestas
estacionais semideciduais, ocorrem transições e encraves de fitofisionomias do Cerrado.
De acordo com o Inventário Florestal de Minas Gerais, a LT Estreito – Cachoeira Paulista cruza
áreas ocupadas originalmente pelas seguintes fitofisionomias de Cerrado: Cerrado sensu
strictu, Campo Cerrado e Campo Rupestre, todas localizadas na extremidade norte do traçado
(SE Estreito), que abrange as feições geomorfológicas e fitogeográficas da Serra da Canastra.
Quanto às fitofisionomias de Mata Atlântica, podem ser distinguidas: Floresta Estacional
Semidecidual, Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Mista. Ao longo do traçado,
verifica-se também a presença de áreas de tensão ecológica, representadas pelos ecótonos
na transição entre diferentes tipos vegetacionais.

Observa-se ainda, que em toda a extensão da LT, as formações florestais ou savânicas


originais estão descaracterizadas, em meio a regiões permeadas pelas áreas antropizadas,
especialmente pastagens, culturas agrícolas e silvicultura que predominam na paisagem atual.
A exceção é a região da Serra da Mantiqueira que ainda guarda remanescentes florestais
significativos de Floresta Ombrófila (Figura 6.3.2-2, Figura 6.3.2-3 e Figura 6.3.2-4).

Figura 6.3.2-2 - Região de Ibiraci-MG, próximo ao Bairro Lage. Predomínio de pastagens


em áreas onde originalmente ocorriam fitofisionomias de Savana Gramíneo-Lenhosa.

3 / 293
Figura 6.3.2-3 - Fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na região de Passos-
MG, em meio a um mosaico de culturas agrícolas e pastagens (20/09/17).

Figura 6.3.2-4 - APA Serra da Mantiqueira. Região de serra no município de Wenceslau


Braz, com cobertura vegetal de Floresta Ombrófila Densa (21/09/17).

4 / 293
As fitofisionomias associadas aos Biomas Cerrado e Mata Atlântica, ao longo do traçado da LT,
além das áreas de contato (transição entre as fitofisionomias), são descritas a seguir, conforme
a nomenclatura adotada no Manual Técnico da Vegetação Brasileira (IBGE, 2012). A cobertura
vegetal ao longo de todo o traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista é apresentada nos
mapas L18-MP-B-6.3.2-001 a L18-MP-B-6.3.2-013.

6.3.2.1.1. Fitofisionomias de Cerrado na Área de Estudo

Cerrado Típico (Savana Arborizada)

O Cerrado stricto sensu ou Savana Arborizada (IBGE, 2012) representa a tipologia mais
conhecida do Bioma, típica de clima estacional (com seis meses de seca, em média). Trata-se
da conhecida savana de árvores tortuosas e baixas, com cascas grossas e endemicamente
tisnadas pelo fogo, seu mais importante agente condicionador (GRAEFF, 2015).

A vegetação exibe somente dois estratos, um arbustivo-arbóreo, mais ou menos contínuo e


aberto, e o estrato herbáceo, formado por gramíneas, subarbustos (arbustos lenhosos) e
poucas ervas (RIBEIRO & WALTER, 2008). Goodland (1970, 1979) considera que as variações
fisionômicas do Cerrado podem ser atribuídas aos teores de alumínio encontrados comumente
em abundância nos solos sendo, neste caso, responsáveis pelo seu empobrecimento, uma vez
que ocupariam os sítios de troca dos nutrientes minerais favorecendo sua perda por lixiviação.

O fogo pode ser considerado um fator de forte influência no cerrado devido à frequência com
que ocorre e à resistência da vegetação típica à sua ação. Rawitscher e Rachid (1946) ao
estudarem a existência de caules subterrâneos nas espécies do Cerrado, relacionam estes
órgãos à proteção contra a seca e aos efeitos das queimadas. Cole (1986) fez referência ao
papel do súber espesso como proteção efetiva contra o fogo. Estas estruturas, que somadas
às folhas esclerófilas e à tortuosidade dos troncos emprestam o caráter xeromórfico típico e
exclusivo das savanas brasileiras que, segundo Eiten (1963), têm origem na pobreza do solo e
foram selecionadas em favor de proteção contra o fogo.

As espécies arbóreas mais frequentes nas áreas consideradas de cerrado típico são:
Acosmium dasycarpum (amargosinha), Annona coriacea (araticum, cabeça-de-negro),
Aspidosperma tomentosum (peroba-do-campo), Astronium fraxinifolium (gonçalo-alves),
Brosimum gaudichaudii (mama-cadela), Bowdichia virgilioides (sucupira-preta), Byrsonima
coccolobifolia (murici), B. crassa (murici), B. verbascifolia (murici), Caryocar brasiliense (pequi),
Casearia sylvestris (guaçatonga), Connarus suberosus (bico-de-papagaio, galinha-choca),
Curatella americana (lixeira), Davilla elliptica (lixeirinha), Dimorphandra mollis (faveiro),
Diospyros hispida (olho-de-boi, marmelada-brava), Eriotheca gracilipes (paineira-do-cerrado),
Erythroxylum suberosum (mercúrio-do-campo), Hancornia speciosa (mangaba), Himatanthus
obovatus (pau-de-leite), Hymenaea stigonocarpa (jatobá-do-cerrado), dentre outras (RIBEIRO
& WALTER, 2008).

Os cerrados típicos presentes na área de estudo encontram-se bastante alterados pela ação
do homem, em especial devido ao fogo, ao pastoreio do gado e à conversão em culturas
agrícolas sazonais, o que torna difícil sua diferenciação das demais formações campestres,

5 / 293
naturais e artificiais, existentes na região.

Campo Cerrado (Savana Gramíneo-Lenhosa)

Essa fitofisionomia predominantemente herbácea pode ser de origem natural ou antrópica,


sendo encontrada em diversas regiões do Brasil. Nela prevalecem, quando natural, os
gramados entremeados por plantas lenhosas raquíticas, que ocupam extensas áreas
dominadas por hemicriptófitos e que, aos poucos, quando manejados através do fogo ou
pastoreio, vão sendo substituídos por geófitos que se distinguem por apresentar colmos
subterrâneos, portanto mais resistentes ao pisoteio do gado e ao fogo (IBGE, 2012).

O campo cerrado apresenta árvores de menor porte, esparsas, associada a estratos


graminóides, que está sujeita ao fogo anual. As espécies vegetais ocorrentes são semelhantes
às do cerradão, no entanto, áreas em Minas Gerais são dominadas por faveiros (Dimorphandra
mollis).

As áreas de campo cerrado sofrem atualmente forte pressão antrópica, tendo sido substituídas
por pastagens formadas por gramíneas exóticas.

Campo Rupestre

Os campos rupestres existentes nas proximidades da SE Estreito são caracterizados por


formações herbáceo-arbustivas que se desenvolvem sobre solos predominantemente
quartízicos, oligotróficos e ácidos normalmente associados a altitudes acima de 900 metros
(RAPINI et al., 2008; GIULIETTI et al., 1997).

A vegetação dos campos rupestres exibe características xeromóficas, uma vez que os
ambientes são caracterizados pelo estresse hídrico e alta exposição ao sol. Nos solos arenosos
pode-se encontrar vegetação típica de campo limpo e campo sujo, enquanto nos afloramentos
rochosos há diversas espécies de líquens e plantas rupícolas (CONCEIÇÃO & PIRANI, 2005).
As famílias de plantas mais comuns em campos rupestres são Velloziaceae (canelas-de-ema),
Cyperaceas (gramíneas), Eriocaulaceae (sempre-vivas), Xyridaceae, Orchidaceae (orquídeas),
Bromeliaceae (Bromelias) e Cactaceae (cactos).

Em relação à LT Estreito – Cachoeira Paulista, os campos rupestres estão presentes apenas


na porção norte (SE Estreito), região que compreende o complexo da Serra da Canastra, não
sendo portanto, afetados pelo traçado da LT.

6.3.2.1.2. Fitofisionomias de Mata Atlântica na Área de Estudo

Floresta Estacional Semidecidual

Este tipo florestal é estabelecido em função da ocorrência de clima estacional que determina
semideciduidade da folhagem da cobertura florestal, marcado por uma época de chuvas
intensas que geralmente perduram entre os meses de setembro e março, e uma época de
estiagem acentuada compreendida entre os meses de abril e agosto, quando as temperaturas
médias são inferiores a 15ºC, que determinam o repouso fisiológico e queda parcial (de 20 a

6 / 293
50%) da folhagem (IBGE, 2012).

De acordo com as características ambientais, a Floresta Estacional Semidecidual pode ser


subdividida em aluvial, terras baixas, submontana e montana. Ao longo do traçado da LT
Estreito – Cachoeira Paulista, ocorre a formação montana, característica em altitudes acima
dos 500 metros e aluvial, em alguns poucos trechos. O gênero mais expressivo dessa formação
é Anadenanthera.

Floresta Ombrófila Densa

A Floresta Ombrófila Densa, conhecida até 1967 como Floresta Tropical Pluvial, é uma
importante fitofisionomia da Mata Atlântica, com aproximadamente 700 espécies endêmicas
desta unidade vegetacional (MMA, 2017).

Esta formação é caracterizada por fanerófitos, lianas e epífitas em abundância. O termo


ombrófila, vem do Latim e está relacionado à condição de umidade provinda da chuva, sendo
que a característica principal dos ambientes é denominada ombrotérmica com elevadas
temperaturas e altas precipitações (IBGE, 2012).

Conforme sua posição no território, em função das características edafoclimaticas e de altitude,


a Floresta Ombrófila Densa é classificada em subformações, conforme a seguir:

 Subformação Montana: Compreende as formações florestais que ocupam a porção


intermediária, situadas entre 400 e 1200 m s.n.m., apresentando estrutura de dossel
uniforme próximo a 20 metros de altura, com presença de vegetais de casca grossa e
folhas coriáceas (IBGE, 2012). Embora fisionomicamente semelhante à formação
submontana, sua florística é diferenciada, com a diminuição até a ausência de espécies
de caráter tropical, resultante da diminuição das médias térmicas anuais, em função da
elevação em altitude, incluindo a menor profundidade efetiva dos solos. No caso
específico da Serra da Mantiqueira, esta formação ocorre nas encostas das montanhas,
onde muitas áreas são ocupadas atualmente por pastos demonstrando uma retração
da vegetação (IEF, 2009).

 Subformação Altomontana: compreende as formações florestais que ocorrem acima de


1.200 metros, confrontando com as formações campestres e rupestres das cimeiras
das serras. É constituída por associações arbóreas simplificadas e de porte reduzido (3
a 7 metros de altura), regidas por condicionantes climáticas e pedológicas mais
restritivas ao desenvolvimento das árvores (baixas temperaturas, ventos fortes e
constantes, elevada nebulosidade e solos progressivamente mais rasos e de menor
fertilidade). Na Serra da Mantiqueira, também são conhecidas como “Matas Nebulares”
(AGEVAP, 2017).

No traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista a subformação submontana (50 a 400 m) não


ocorre, tendo em vista os limites altitudinais para ela estabelecidos (AGEVAP, 2017).

Floresta Ombrófila Mista

Também chamada de Mata de Araucária, a Floresta Ombrófila Mista ocorre ao sul do Brasil e
na Serra da Mantiqueira. Os Gêneros representativos deste tipo de formação são o Drymis,
7 / 293
Araucaria e Podocarpus, de origem primitiva que sugerem, principalmente nas áreas de altitude
elevada, a ocupação recente em refúgios altomontanos.

Na Serra da Mantiqueira, a Floresta Ombrófila Mista ocorre predominantemente na


subformação altomontana, em altitudes superiores a 1.000 m, apresentando composição
florística similar a existente nos estados de Paraná e Santa Catarina, porém, disjunta, mantendo
dominância de indivíduos arbóreos de Araucaria angustifolia que sobressaem ao dossel, com
espécimes de estaturas entre 16 m a 20 m. É bastante característica desta formação a
associação com outras espécies como o pinheirinho Podocarpus lambertii, Drimys brasiliensis,
o cedro Cedrela fissilis e várias espécies das famílias Lauraceae e Myrtaceae (IBGE, 2012;
AGEVAP, 2017).

Cabe ressaltar que a Floresta Ombrófila Mista na Serra da Mantiqueira encontra-se em um grau
de isolamento muito alto, permanecendo na condição de relictos florestais (AB’SÁBER, 1992).
Tal situação resulta das condições climáticas associadas a geomorfologia e altitude, que em
conjunto garantem ambiente propício para a sobrevivência das espécies mais típicas dessa
fitofisionomia, especialmente Araucária angustifolia (SANTIAGO, 2014), normalmente
associados a encostas e grotões com maior umidade e solos mais estáveis em altitudes até
aproximadamente 1.500 m (SOLORZANO, 2001; MEIRELES, 2009).

6.3.2.1.3. Áreas de Tensão Ecológica

De acordo com o IBGE (2012), entre duas ou mais regiões ecológicas ou tipos de vegetação
existem, na maioria das vezes, comunidades indiferenciadas, onde as floras se interpenetram
constituindo as transições florísticas ou contatos edáficos.

Ao longo do traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista as fitofisionomias de cerrado cedem


lugar, paulatinamente, à Floresta Estacional Semidecidual sem, no entanto, desaparecer por
completo, ocorrendo na forma de encraves que persistem ao longo do Planalto de Poços de
Caldas, até que as formações de Floresta Ombrófila passem a ocupar por completo a paisagem
na medida em que se aproxima a Serra da Mantiqueira.

6.3.2.2. SERRA DA MANTIQUEIRA

O traçado na porção sul mineira até a SE Cachoeira Paulista atravessa a Serra da Mantiqueira
onde predominam as formações Floresta Ombrófila Densa e Floresta Ombrófila Mista.
Depreende-se do estudo de Ecologia da Paisagem, apresentado em um capítulo específico do
Diagnóstico do Meio Biótico, que esta menor porção do traçado concentra a maior área de
remanescentes florestais, com o predomínio de Floresta Ombrófila Densa.

Na Serra da Mantiqueira persiste cerca de 20% da cobertura florestal atlântica remanescente


no estado de Minas Gerais, na divisa com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro (COSTA
& HERRMANN, 2006). Sua porção meridional, composta pelo Planalto de Campos de Jordão
e pelo Planalto do Itatiaia, apresenta um desnível altitudinal entre 1.000 a 2.000 metros de
altitude e uma considerável extensão de formações vegetacionais altimontanas (MOREIRA &

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CAMELIER, 1977). Este complexo vegetacional está imerso em uma matriz composta pela
Floresta Estacional Semidecidual do sul de Minas de Gerais, a oeste em direção ao interior, e
pela Floresta Ombrófila Densa Montana do Vale do Paraíba, no estado de São Paulo, ao leste
(HUECK, 1972; BERG & OLIVEIRA-FILHO, 2000).

A Serra da Mantiqueira é considerada uma Área de Importância Biológica Especial (COSTA &
HERRMANN, 2006) devido ao elevado nível de endemismos para plantas, anfíbios e répteis,
além de uma alta diversidade de aves e pequenos mamíferos (DUSÉN 1955; BRADE 1956;
WILLIS 1996, apud MEIRELES et al., 2014).

Em um estudo da vegetação altamontana na região do distrito de Monte Verde- MG, na região


abrangida pela Serra da Mantiqueira, foram aferidas 499 espécies da flora, distribuídas entre
95 famílias e 285 gêneros. Destas 111 espécies (22,1%) eram arbóreas, 133 (26,7%)
arbustivas, 193 (38,7%) herbáceas, duas (0,4%) bambusóides, 35 (7,1%) trepadeiras, 22
(4,4%) epífitas e três (0,6%) parasitas. As famílias com maior riqueza específica foram
Asteraceae (77 espécies), Melastomataceae e Orchidaceae (25 cada), Myrtaceae (24),
Solanaceae (23), Cyperaceae e Fabaceae (22 cada) e Rubiaceae (18). Os gêneros mais ricos
foram Baccharis (16 espécies), Solanum (15), Leandra (10), Myrceugenia (nove), Tibouchina
(oito) e Myrcia (sete) (MEIRELES et al., 2014).

6.3.2.3. ÁREAS PRIORITÁRIAS PARA CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

As Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição dos Benefícios da


Biodiversidade Brasileira foram estabelecidas como um instrumento para auxiliar no
planejamento e na implementação de ações como criação de unidades de conservação,
licenciamento, fiscalização e fomento ao uso sustentável. As regras para a identificação de tais
Áreas e Ações Prioritárias foram instituídas formalmente pelo Decreto nº 5.092 de 21/05/2004,
no âmbito das atribuições do MMA. Posteriormente, a Portaria MMA no 09/2007 incorporou
novos critérios para a atualização das Áreas Prioritárias, cuja base de dados é disponibilizada
no endereço http://www.mma.gov.br/biodiversidade/biodiversidade-brasileira/%C3%A1reas-
priorit%C3%A1rias/item/489.

O traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista atravessa sete Áreas Prioritárias para a


Conservação da Biodiversidade, três delas de importância extremamente alta, conforme
apresentado no Quadro 6.3.2-1 e no Mapa das Áreas Prioritárias para a Conservação da
Biodiversidade (mapas L18-MP-B-6.3.2-014 a L18-MP-B-6.3.2-017).

9 / 293
Quadro 6.3.2-1 - Áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade afetadas pelo traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista.
ÁREA MUNICÍPIO DE EXTENSÃO DA
CÓDIGO DENOMINAÇÃO IMPORTÂNCIA PRIORIDADE AÇÃO
(km²) REFERÊNCIA LT NA AP (km)
 Criação de UC;
 Inventário Ambiental;
 Recuperação de Área
Ce059 Conquista - Canastra 682 Extremamente Alta Muito Alta Degradada; Ibiraci, MG 5,4
 Educação Ambiental;
 Estudos Socioantropológicos;
 Estudos do Meio Físico.
Muzambinho,
Florestas do Planalto
Ma314 1.129 Alta Muito Alta Nenhuma ação prevista. MG e Monte 25,3
Sul Mineiro
Belo,MG
São Sebastião
Corredor Pouso  Criação de UC;
da bela Vista e
Ma274 Alegre/Conceição das 291 Alta Alta  Inventário Ambiental; 3,1
Santa Rita do
Pedras  Educação Ambiental. Sapucaí-MG
Pouso Alegre-
MG, Santa Rita
Ma267 Sapucaí 149 Alta Alta Nenhuma ação prevista. do Sapucaí, MG, 8,3
Piranguinho-MG
e Itajubá
Cachoeira de
Ma259 Corredor Sapucaí 628 Extremamente Alta Muito Alta Nenhuma ação prevista. 3,6
Minas-MG
APA da Serra da Wenceslau Braz-
Ma761 3.923 Extremamente Alta Extremamente Alta Nenhuma ação prevista. 23,2
Mantiqueira MG
Piquete - Adjacente à
Ma249 APA da Serra da 76 Alta Alta Nenhuma ação prevista. Piquete-SP 0,8
Mantiqueira

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Nos itens a seguir são descritas cada uma das sete Áreas Prioritárias para Conservação, Uso
Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade Brasileira, com base nas
informações disponíveis no Banco de Dados de fichas das "Áreas Prioritárias", disponibilizado
pelo MMA.

Ce059 – Conquista-Canastra

A Área Prioritária Conquista-Canastra está inserida no Bioma Cerrado e abrange uma área de
682 km2, tendo como referência os municípios de Claraval-MG e Ibirací-MG. Encontra-se
inserida em uma região onde predominam atividades antrópicas como agricultura, pecuária,
silvicultura, tendo como principal ameaça o desmatamento, o fogo e a ocupação humana. Não
foram identificadas unidades de conservação nesta área. A interferência do traçado da LT
Estreito – Cachoeira Paulista corresponde a uma extensão de 5,4 km.

Ma314 – Florestas do Planalto Sul Mineiro

A Área Prioritária Florestas do Planalto Sul Mineiro está inserida no Bioma Mata Atlântica e
abrange uma área de 1.129 km2, tendo como referência os municípios de Muzambinho-MG e
Monte Belo-MG. Sua principal característica é a presença de várias espécies da fauna e flora
ameaçadas, alta diversidade de aves e presença de grandes fragmentos florestais na região, o
que lhe confere prioridade alta. A RPPN Fazenda do Lago está inserida nesta área, tendo sido
alvo de diversos estudos da fauna. A interferência do traçado da LT Estreito – Cachoeira
Paulista corresponde a uma extensão de 25,3 km.

Ma274 - Corredor Pouso Alegre/Conceição das Pedras

A Área Prioritária Corredor Pouso Alegre/Conceição das Pedras está inserida no Bioma Mata
Atlântica e abrange uma área de 291 km2, tendo como referência os municípios de Santa Rita
do Sapucaí-MG e Pouso Alegre - MG. Não foram identificadas unidades de conservação nesta
área. A interferência do traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista corresponde a uma
extensão de 10 km.

Ma267 – Sapucaí

A Área Prioritária Sapucaí está inserida no Bioma Mata Atlântica e abrange uma área de 149
km2, tendo como referência o município de Pouso Alegre - MG, Santa Rita do Sapucaí-MG,
Piranguinho-MG e Itajubá-MG. Corresponde às Áreas de Preservação Permanente ao longo
de um trecho do Rio Sapucaí. A interferência do traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista
corresponde a uma extensão de 8,3 km.

Ma259 - Corredor Sapucaí

A Área Prioritária Corredor Sapucaí está inserida no Bioma Mata Atlântica e abrange uma área
de 628 km2, tendo como referência o município de Cachoeira de Minas-MG. A RPPN Terra dos
Sabiás e o Parque Municipal Pouso Alegre estão inseridos nesta área. A interferência do
traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista corresponde a uma extensão de 3,6 km.

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Ma761 - APA da Serra da Mantiqueira

A Área Prioritária APA da Serra da Mantiqueira está inserida no Bioma Mata Atlântica e abrange
uma área de 3.923 km2, tendo como referência o município de Wenceslau Braz-MG. Possui
prioridade extremamente alta, provavelmente em função do mesmo motivo de criação da APA
e de outras UCs encontradas dentro de seus limites: presença de grande biodiversidade,
endemismo, proteção de mananciais e da estabilidade geológica da área. A interferência do
traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista corresponde a uma extensão de 23,2 km.

Ma249 - Piquete - Adjacente à APA da Serra da Mantiqueira

A Área Prioritária Piquete - Adjacente à APA da Serra da Mantiqueira está inserida no Bioma
Mata Atlântica e abrange uma área de 76 km2, tendo como referência o município de Piquete -
SP. A interferência do traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista corresponde a uma extensão
de 0,8 km.

As Áreas Prioritárias Corredor Pouso Alegre (Ma274), Sapucaí (Ma267) e Corredor Sapucaí
(Ma259) encontram-se interligadas entre si. O corredor Sapucaí, por sua vez, é contíguo à área
da APA Serra da Mantiqueira (Ma761), que é contígua à área de Piquete (Ma249). Essas áreas
prioritárias, com diferentes importâncias, formam um grande e extenso mosaico, sendo que
parte dele é cortado pelo traçado LT Estreito – Cachoeira Paulista, como pode ser visualizado
nos mapas de Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade (mapas L18-MP-B-6.3.2-
014 a L18-MP-B-6.3.2-017).

6.3.3. FLORA

6.3.3.1. INTRODUÇÃO

O Brasil é o país com a maior biodiversidade registrada no mundo (MITTERMEIER et al, 2005)
que abriga cerca de 43.020 espécies vegetais catalogadas até então, conforme apontado na
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO, 2018). Porém há vários
fatores que afetam esta biodiversidade, sendo o mais frequente deles os efeitos antrópicos.

O aumento populacional e o crescente desenvolvimento urbano têm causado no decorrer dos


anos uma perda vegetacional significativa para o meio ambiente. A abertura de estradas de
acesso para a implantação de empreendimentos, como as linhas de transmissão, é uma das
ações com impacto notável para as espécies que habitam a área afetada, embora seja
inevitável para o crescimento econômico e social das cidades.

A retirada da vegetação em certa área contribui para a descaracterização da paisagem, a


destruição de habitats, e a diminuição da evapotranspiração realizada pelas plantas com a
impermeabilidade do solo (TROMBULAK & FRISSELL, 2000). Além do afastamento da fauna
devido à movimentação no local.

Projetos de recomposição da flora afetada são importantes durante a implantação e a operação


da linha de transmissão, uma vez que visam mitigar dos impactos causados pelo

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empreendimento. Embora esta vegetação não seja depositada na área afetada, o replantio da
mesma em áreas próximas proporciona um refúgio para as espécies faunísticas.

6.3.3.2. OBJETIVO

A caracterização da flora presente no traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista tem como


objetivos:

 Realizar a análise quali-quantitativa da vegetação na Área de Estudo (AE);

 Caracterizar as fisionomias encontradas na Área de Estudo (AE) e Área Diretamente


Afetada (ADA);

 Identificar e destacar as espécies protegidas, raras, endêmicas e ameaçadas de


extinção conforme a legislação vigente em nível estadual e nacional;

 Apresentar a similaridade florística entre os conglomerados amostrados e a curva do


coletor.

6.3.3.3. ÁREAS AMOSTRAIS

A Linha de Transmissão Estreito – Cachoeira Paulista, está inserida entre os municípios de


Minas Gerais e São Paulo. De acordo com o Mapa de Vegetação do Brasil publicado pelo
Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE) no ano de 2004, o traçado da LT interferirá
em dois biomas, Cerrado e Mata Atlântica. As principais fitofisionomias presentes na área de
estudo são Savana Arborizada (Cerrado), Floresta Estacional Semidecidual e Floresta
Ombrófila Densa (Mata Atlântica). O melhor detalhamento sobre estas áreas consta no Capítulo
6.3.2 - Caracterização dos Ecossistemas.

6.3.3.3.1. Caracterização Fitofisionômica e Determinação do Estágio Sucessional

A descrição e caracterização das tipologias vegetais presentes na Área de Estudo - AE partiram


preliminarmente da consulta a fontes secundárias de dados e da análise de imagens de satélite
de alta resolução. Posteriormente, foi realizada campanha de campo para confirmar e refinar
as referências obtidas. Na campanha de campo foi empregado esforço de amostragem de
unidades amostrais para representação das tipologias de vegetação ocorrentes na AE.

A caracterização baseou-se em critérios fisionômicos, ecológicos e florísticos das áreas


visitadas. Foram observadas características gerais da vegetação, entre as quais: formas de
vida, composição florística (ervas, arbustos, árvores, epífitas e lianas), estratificação,
continuidade do dossel, presença ou ausência de epífitas e lianas, quantidade de serrapilheira,

13 / 293
além de informações de relevo, tipo de substrato e o grau de intervenção antrópica. Para a
caracterização do estágio sucessional de fragmentos de Mata Atlântica, foi utilizada a
Resolução CONAMA Nº 392/2007, para os conglomerados instalados em Minas Gerais e a
Resolução CONAMA Nº 01/1994, para os conglomerados localizados em São Paulo.

Foram locados 15 conglomerados com quatro unidades amostrais em cada, totalizando 60


unidades amostrais distribuídas em 13 municípios dos estados de Minas Gerais e São Paulo,
conforme Quadro 6.3.3-1. De acordo com o mapa de áreas amostrais, apresentado no L18-
MP-B-6.3.3-001 a L18-MP-B-6.3.3-014, a vegetação é mais intensa a partir do conglomerado
13, uma vez que se aproxima da Serra da Mantiqueira, esta vegetação apresenta fisionomia
de floresta ombrófila montana. Já conglomerados iniciais apresentam remanescentes do
cerrado e campos do cerrado.

14 / 293
Quadro 6.3.3-1 - Unidades Amostrais (UA), Azimute de Caminhamento (AZ), município de localização onde está inserido, assim como as
Respectivas Fitofisionomias (FES – Floresta Estacional Semidecidual, FOD – Floresta Ombrófila Densa), Estágio Sucessional e
Coordenadas Geográficas.
ESTÁGIO
C PARCELA AZIMUTE MUNICÍPIO ESTADO FISIONOMIA COORDENADAS (UTM 23K)
SUCESSIONAL
Savana Arborizada
1 Norte Ibiraci MG Médio 274605.92 7755112.29
Densa
Savana Arborizada
2 Leste Ibiraci MG Médio 274637.51 7755093.87
Densa
1
Savana Arborizada
3 Oeste Ibiraci MG Médio 274589.16 7755083.94
Densa
Savana Arborizada
4 Sul Ibiraci MG Médio 274625.61 7755069.02
Densa
5 Sul Cassia MG FES Montana Médio 295794.36 7731732.34
6 Leste Cassia MG FES Montana Médio 295824.28 7731760.60
2
7 Oeste Cassia MG FES Montana Médio 295769.22 7731758.06
8 Norte Cassia MG FES Montana Médio 295791.67 7731783.13
9 Sul Passos MG FES Aluvial Médio 311691.65 7716196.23
10 Norte Passos MG FES Aluvial Médio 311703.48 7716247.18
3
11 Oeste Passos MG FES Aluvial Médio 311673.19 7716225.58
12 Leste Passos MG FES Aluvial Médio 311716.78 7716222.86
13 Norte Passos MG FES Montana Médio 327621.07 7699678.35
14 Sul Passos MG FES Montana Médio 327623.21 7699631.87
4
15 Leste Passos MG FES Montana Médio 327648.97 7699658.37
16 Leste Passos MG FES Montana Médio 327602.59 7699652.36
17 Norte Nova Resende MG FES Montana Médio 348537.08 7665047.61
18 Sul Nova Resende MG FES Montana Médio 348541.47 7664998.60
5
19 Leste Nova Resende MG FES Montana Médio 348553.43 7665031.59
20 Oeste Nova Resende MG FES Montana Médio 348507.73 7665030.62
21 Oeste Muzambinho MG FES Montana Médio 352013.67 7648933.01
6
22 Leste Muzambinho MG FES Montana Médio 352074.00 7648940.97

15 / 293
ESTÁGIO
C PARCELA AZIMUTE MUNICÍPIO ESTADO FISIONOMIA COORDENADAS (UTM 23K)
SUCESSIONAL
23 Sul Muzambinho MG FES Montana Médio 352047.48 7648912.95
24 Norte Muzambinho MG FES Montana Médio 352033.96 7648961.00
25 Leste Cabo Verde MG FES Montana Médio 362957.79 7627695.47
26 Sul Cabo Verde MG FES Montana Médio 362934.91 7627667.15
7
27 Oeste Cabo Verde MG FES Montana Médio 362909.75 7627688.86
28 Norte Cabo Verde MG FES Montana Médio 362932.67 7627712.08
29 Norte Campestre MG FES Montana Médio 371927.92 7611034.69
30 Oeste Campestre MG FES Montana Médio 371904.29 7611011.47
8
31 Sul Campestre MG FES Montana Médio 371938.57 7610991.74
32 Leste Campestre MG FES Montana Médio 371954.25 7611017.63
33 Leste Campestre MG Contato FES x FOD Médio 383187.15 7588793.46
34 Sul Campestre MG Contato FES x FOD Médio 383160.10 7588773.89
9
35 Oeste Campestre MG Contato FES x FOD Médio 383142.53 7588787.71
36 Norte Campestre MG Contato FES x FOD Médio 383169.20 7588815.91
Espirito Santo do
37 Sul MG Contato FES x FOD Médio 393390.23 7567276.59
Dourado
Espirito Santo do
38 Leste MG Contato FES x FOD Médio 393415.08 7567295.80
Dourado
10
Espirito Santo do
39 Norte MG Contato FES x FOD Médio 393386.21 7567321.00
Dourado
Espirito Santo do
40 Oeste MG Contato FES x FOD Médio 393364.80 7567296.13
Dourado
São Sebastião da
41 Sul MG Contato FES x FOD Médio 415075.85 7544940.25
Bela Vista
São Sebastião da
42 Leste MG Contato FES x FOD Médio 415099.00 7544965.95
Bela Vista
11
São Sebastião da
43 Oeste MG Contato FES x FOD Médio 415054.87 7544968.58
Bela Vista
São Sebastião da
44 Norte MG Contato FES x FOD Médio 415077.32 7544990.63
Bela Vista

16 / 293
ESTÁGIO
C PARCELA AZIMUTE MUNICÍPIO ESTADO FISIONOMIA COORDENADAS (UTM 23K)
SUCESSIONAL
45 Leste Piranguinho MG Contato FES x FOD Médio 434856.55 7529388.38
46 Norte Piranguinho MG Contato FES x FOD Médio 434838.53 7529412.99
12
47 Sul Piranguinho MG Contato FES x FOD Médio 434835.03 7529363.38
48 Oeste Piranguinho MG Contato FES x FOD Médio 434812.98 7529389.41
49 Norte Wenceslau Braz MG FOD Alto-Montana Médio 461629.32 7505798.34
50 Leste Wenceslau Braz MG FOD Alto-Montana Médio 461657.94 7505781.26
13
51 Sul Wenceslau Braz MG FOD Alto-Montana Médio 461640.12 7505755.53
52 Oeste Wenceslau Braz MG FOD Alto-Montana Médio 461615.68 7505782.26
53 Norte Delfim Moreira MG FOD Alto-Montana Médio 464103.68 7503659.71
54 Leste Delfim Moreira MG FOD Alto-Montana Médio 464117.68 7503649.89
14
55 Sul Delfim Moreira MG FOD Alto-Montana Médio 464091.93 7503628.46
56 Oeste Delfim Moreira MG FOD Alto-Montana Médio 464081.00 7503643.83
57 Leste Piquete SP FES Montana Médio 487915.84 7497214.56
58 Norte Piquete SP FES Montana Médio 487929.91 7497233.72
15
59 Sul Piquete SP FES Montana Médio 487928.19 7497193.98
60 Leste Piquete SP FES Montana Médio 487955.30 7497214.37

17 / 293
6.3.3.4. ASPÉCTOS METODOLÓGICOS

O levantamento da flora foi elaborado a partir de dados primários, realizados no período de 05


a 23 de dezembro de 2017, considerando o período chuvoso do ciclo hidrológico. Este estudo
visou à instalação e mensuração das unidades amostrais, além da execução do levantamento
florístico e fitossociológico para a caracterização dos ecossistemas e tipologias vegetais
ocorrentes na Área de Estudo - AE (500 metros para cada lado da LT) e na Área Diretamente
Afetada - ADA (Faixa de Servidão).

Os dados primários foram executados por um biólogo especializado em botânica, um


engenheiro florestal e dois auxiliares de campo, da empresa Dossel Ambiental Consultoria e
Projetos, com sede em Brasília - DF.

No levantamento supracitado foram destacadas as espécies constantes nas listas oficiais de


flora ameaçada em nível nacional: IUCN Red List of Threatened Species (IUCN, 2017) e
Portaria MMA nº 443, de 16 de dezembro de 2014. Em nível estadual, foram consultadas as
espécies pertencentes à lista de ameaça do Estado Minas Gerais e São Paulo, sendo a
Deliberação COPAM nº 367, de 15 de dezembro de 2008 (revogada pela Deliberação COPAM
nº. 424, de 17 de junho de 2009), para Minas Gerais e a Resolução SMA Nº 57 de 05 de junho
de 2016, para o estado de São Paulo, a qual revisou a Resolução SMA nº 48 de 22 de setembro
de 2016.

Considerando as leis estaduais específicas para as árvores imunes de corte no estado de Minas
Gerais, considerou-se o Decreto Nº 46.602 de 19 de setembro de 2014, que deixa imune ao
corte o pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifólia), a Lei Estadual Nº 10883/92 que deixa imune
ao corte o pequi (Caryocar brasiliense) e a Lei Estadual Nº 9.743/88 que deixa imune ao corte
o ipê-amarelo (Handroanthus spp.).

Para melhor entendimento da flora pertencente na área de estudo, as informações foram


complementadas com dados secundários obtidos por meio de consultas em fontes de
informações provenientes de instituições de caráter público e privado e literatura científica.

6.3.3.4.1. Análise do Levantamento Fitossociológico

A metodologia escolhida para este levantamento foi a de conglomerados em formato de cruz


com quatro Unidades Amostrais (UA), cada uma medindo 20 x 20 metros (400 m2) distribuídas
proporcionalmente de acordo com cada fitofisionomia. A partir do centro do conglomerado as
quatro unidades de amostra foram locadas 25 metros de distância no sentido Norte, Sul, Leste
e Oeste (Figura 6.3.3-1).

18 / 293
Figura 6.3.3-1 - Modelo do arranjo do conglomerado e suas unidades amostrais.

Neste estudo foram alocados 15 conglomerados, resultando em 60 Unidades Amostrais -UA,


somando uma área total de 2,4 hectares.

Cada ponto central do conglomerado foi marcado com fitas de fácil visualização, assim como o
início de cada unidade amostral. Nestas fitas de demarcação foram anotados o número do
conglomerado, o número das unidades amostrais e seus respectivos azimutes de posição. Para
cada unidade amostral foi aberta uma picada central e marcada suas laterais com tiras de
plástico azul para uma melhor visualização.

Todos os indivíduos presentes nas UAs com diâmetro à altura do peito (130 cm do solo) para
fisionomias florestais e diâmetro a altura do solo (30 cm do solo), maior ou igual a 5 cm, foram
marcados com numeração específica e medido suas variáveis dendrometrias, tais como
diâmetro do tronco, altura comercial, altura total e qualidade do fuste.

A verificação das alturas (total e comercial) dos indivíduos foi realizada por meio de estimativa,
com auxílio de vara graduada (haste do podão), sendo esta última definida como aquela onde
a árvore apresenta bifurcação significativa do fuste ou qualquer outra deformidade que
comprometa sua utilização comercial.

Cada indivíduo foi identificado no campo através do nome comum e científico. Quando não foi
possível a identificação do nome científico, procedeu-se a coleta de um ramo de preferência
fértil, para posterior identificação em herbários e por especialistas. A identificação foi realizada
até o menor nível taxonômico possível.

Todos os dados coletados em campo (identificação numérica, nome comum, nome científico,
altura comercial, altura total e qualidade do fuste) foram anotados em planilha de campo
específica (ANEXO 6.3.3-1).

Sobre os registros de campo foram calculados os parâmetros fitossociológicos visando


caracterizar quali-quantitativamente a composição e a estrutura das áreas amostradas. A
distribuição das frequências em classes de altura (estrutura vertical) foi avaliada visando
19 / 293
caracterizar melhor a ocupação do espaço vertical dos fragmentos, enquanto a estrutura
horizontal foi avaliada visando caracterizar os estratos que compõem os fragmentos estudados.
Nesta análise foi utilizada a distribuição dos indivíduos por classes diamétricas, além da posição
sociológica das espécies arbóreas em cada estrato da comunidade.

Dentre as variáveis mensuráveis em uma árvore e no povoamento florestal, o diâmetro é a


medida básica mais importante e necessária para o cálculo da área transversal, área basal e
volume (MACHADO & FIGUEIREDO, 2003).

A distribuição diamétrica de uma floresta é obtida com o agrupamento dos indivíduos em


intervalos de diâmetro à altura do peito (DAP), sendo esses bastante utilizados para descrever
as alterações na estrutura de povoamentos florestais (SILVA JUNIOR & SILVA, 1998). De
acordo com Durigan (1999), não existe regra rigidamente definida quanto à definição da
amplitude dessas classes, sendo que em florestas tropicais normalmente se utilizam classes
com amplitude de 5 cm. Para Silva Junior & Silva (1998), a interpretação das medidas em
histogramas de frequência de classes pode demonstrar a situação atual da vegetação, além de
indicar possíveis perturbações, tais como: exploração de madeiras, abates seletivos, incêndios
e desmatamentos. Estes eventos, incidindo de forma drástica sobre grupos taxonômicos
específicos, apresentam interrupções, indicando que o ciclo de vida das espécies não estaria
se completando.

Para descrever a estrutura da comunidade arbórea foram calculados, por espécie, os


parâmetros quantitativos clássicos propostos por Mueller-Dombois & Ellenberg (1974):
densidade absoluta, frequência absoluta, dominância absoluta expressa pela área basal,
densidade relativa, frequência relativa, dominância relativa e valor de importância. Além destes,
foram calculados os índices de diversidade de Shannon (H') e equabilidade de Pielou (J')
(MAGURRAM, 1988).

A estrutura horizontal de uma floresta resulta das características e combinações entre as


quantidades em que cada espécie ocorre por unidade de área (densidade), da maneira como
estas espécies se distribuem na área (frequência) e do espaço que cada uma ocupa no terreno
(dominância) (CURTIS & MCINTOSH, 1950; LAMPRECHT, 1990; CARVALHO, 1997).

A análise da estrutura vertical infere sobre o estágio geral em que a espécie se encontra dentro
de uma comunidade florestal. A partir desta análise é possível constatar a importância da
espécie em cada estrato (HOSOKAWA et al., 1998; CIENTEC, 2006).

Para Longhi et al. (1992), as comunidades variam de acordo com o número de estratos que
apresentam, dependendo da variedade de formas de vida que estão presentes na comunidade,
refletindo as condições pedológicas, climáticas e as ações dos fatores bióticos que interagem
no ambiente.

Atualmente, vários métodos para a estratificação vertical das florestas tropicais têm sido
propostos. Entretanto, talvez por sua facilidade de aplicação, o método proposto por Lamprecht
(1990) e adaptado por Souza & Leite (1993), continua sendo um dos mais usados. Este método
divide a expansão vertical das árvores em três estratos: inferior, médio e superior, a partir do
dossel superior das espécies da floresta em estudo, estabelecendo as amplitudes das classes
por meio do desvio padrão. Dentre os indicadores da estrutura vertical, costuma-se ser
considerada a posição sociológica (FINOL, 1971).

20 / 293
Para diversidade florística, de acordo com Brower & Zar (1984), os índices mais aplicados nos
estudos ecológicos são os de Shannon (H’) e Pielou (J). O primeiro leva em consideração a
riqueza das espécies e sua abundância relativa (ODUM, 1988), enquanto o índice de
equitabilidade ou uniformidade (J) refere-se ao padrão de distribuição dos indivíduos entre as
espécies (PIELOU, 1977).

De acordo com Odum (1988), o índice de Shannon atribui um peso maior às espécies raras,
enquanto o índice de Pielou representa a proporção da diversidade de espécies encontradas
na amostragem atual em relação à diversidade máxima que a comunidade poderá atingir. A
seguir, o Quadro 6.3.3-2 apresenta o formulário utilizado nos cálculos dos índices.

Quadro 6.3.3-2- Formulário utilizado nos cálculos dos Índices Fitossociológicos.


FITOSSOCIOLOGIA: PARÂMETROS DA ESTRUTURA HORIZONTAL E VERTICAL
Médias das Alturas Médias dos Diâmetros Área Basal da Vegetação Arbórea
n n

h d n

h i 1

n
i
d  i 1

n
i
g
g  d
i 1
2
G i
onde: onde: 4 A
hi = altura estimada das di = diâmetro medido das
onde:
árvores presentes na árvores presentes na Unidade
gi = área basal da i-ésima espécie
Unidade Amostral Amostral
presente na área
n = número total de árvores n = número total de árvores
A = unidade de área
amostradas amostradas
Densidade Absoluta por Frequência Absoluta por Dominância Absoluta por Unidade
Unidade de Área Unidade de Área de Área
ui
Fi  n

Di 
n ut g i

a Doi  i 1
onde: A
onde: ui = número de unidades onde:
n = número de indivíduos da amostrais em que a i-ésima gi = área basal da i-ésima espécie
espécie espécie ocorre presente na área
a = unidade de área ut = número total de unidades A = unidade de área
amostrais
Densidade Relativa Frequência Relativa Dominância Relativa
Di Fi
Dr   100 Fr   100 Doi
n p Dor   100
D
i 1
i  Fi
i 1  Do
n

i 1
onde: onde:
onde:
Di = densidade absoluta de Fi = frequência absoluta de uma
Doi = dominância absoluta de uma
uma espécie espécie
espécie
Di = somatório das Fi = somatório das frequências
Do = somatório das dominâncias
densidades absolutas de absolutas de todas as espécies
absolutas de todas as espécies
todas as espécies amostradas
Valor de Cobertura Valor de Importância Valor de Importância Ampliado
VIa  Dr  Dor  Fr  PSR
VI  Dr  Dor  Fr
VC  Dr  Dor onde:
onde:
onde: DR = Densidade relativa;
DR = Densidade relativa;
DR = Densidade relativa Dor = Dominância relativa,
Dor = Dominância relativa;
Dor = Dominância relativa Fr = Frequência relativa
Fr = Frequência relativa
PSR = Posição sociológica relativa
Critérios de Estratificação Vertical Posição Sociológica
Estrato inferior: árvores com hj < (h - 1s) n 
V fi   i1  100
Estrato intermediário: árvores com N

21 / 293
FITOSSOCIOLOGIA: PARÂMETROS DA ESTRUTURA HORIZONTAL E VERTICAL
(h - 1s) ≤ hj (h + 1s)
 
m

Estrato superior: árvores com hf ≥ (h + PSA i  V fi  ni1


i 1
1s)
  p  
PSRi   PSAi /   PSAi  100
onde:   i 1  
h = média das alturas dos indivíduos onde:
amostrados; Vfi = valor fitossociológico do i-ésimo estrato de altura, para
s = desvio padrão das alturas totais; 1=1,...., m-estrato, para a i-ésima espécie;
hj = altura total da j-ésima árvore ni1 = número de indivíduos da i-ésima espécie, no i-ésimo
individual. estrato de altura;
N = número total de indivíduos amostrados; m = número de
estratos amostrados;
p = número de espécies.
Índice de Shannon-Weaver
 S

 N log N   ni  log ni 
H 
'  i 1 
N
onde:
N = número total de indivíduos amostrados;
ni = número total de indivíduos amostrados da i-ésima espécie;
S = número de espécies amostrado;
log = logaritmo de base 10;
Coeficiente de Mistura de Jentsch

QM  S
N
onde:
S = número de espécies amostradas;
N = número total de indivíduos amostrados;
Índice de Uniformidade de Pielou Índice de Simpson
S
H' J   ni (ni  1)/[N(N  1)]
C i 1
Hmax
onde: onde:
C = Índice de uniformidade de Pielou; J = índice de dominância de Simpson;
Hmax = Ln(S) = Diversidade máxima; ni = número total de indivíduos amostrados da i-
S = número de espécies amostradas; ésima espécie;
N = número total de indivíduos amostrados
Índice de Agregação de MacGuinnes Similaridade de Jaccard

Di
IGAi 
di
ni u
Di  fi  i
u t ; d i   Ln(1  f i ) ; ut

Sendo em que:
IGAi = índice de MacGuiness para a i-ésima
espécie; a = as duas espécies ocorrem
Di = densidade observada da i-ésima espécie; b = somente a primeira ocorre
di = densidade esperada da i-ésima espécie; c = somente a segunda ocorre
fi = frequência absoluta da i-ésima espécie;
ni = número de indivíduos da i-ésima espécie;
ui = número de unidades amostrais em que a
i-ésima espécie ocorre;
ut = número total de unidades amostrais.

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FITOSSOCIOLOGIA: PARÂMETROS DA ESTRUTURA HORIZONTAL E VERTICAL
Similaridade de Bray Curtis Distância de Bray Curtis
2∑Si=1min(ni1,ni2)/N
∑Si=1|ni1−ni2|/N
N é a soma de indivíduos de todas as espécies e
parcelas, e min(ni1,ni2)min(ni1,ni2) é a menor das
Onde |ni1−ni2||ni1−ni2| é o valor absoluto da
duas abundâncias da espécie ii, entre as duas
diferença das abundâncias da espécie ii nas duas
parcelas. Como já definido, ni1ni1 e ni2ni2 são as
parcelas.
abundâncias da ii-ésima espécie na primeira e
segunda parcela, SS é o total de espécies.

6.3.3.4.2. Análise Levantamento Florístico

O levantamento florístico contemplou diferentes formas de vida, incluindo espécies lenhosas


arbóreas, arbustivas, subarbustivas, palmeiras arborescentes e não arborescentes, herbáceas,
trepadeiras herbáceas e lenhosas, sendo esse realizado quando da locação das unidades
amostrais durante a campanha de campo.

Os materiais botânicos que não foram possíveis identificar em campo devido à falta de
características marcantes como ramos férteis, sementes e frutos, foram coletados e tratados,
seguindo técnicas usuais de herborização (Figura 6.3.3-2 e Figura 6.3.3-3), para a posterior
identificação e/ou confirmação. A identificação deste material se deu por metodologia usual em
taxonomia (consulta a bibliografia especializada, comparação de exsicatas e envio de
duplicatas a especialistas nacionais), estando de acordo com as regras do Código Internacional
de Nomenclatura Botânica. A comparação das exsicatas tomou como referência as coleções
do Herbário RB do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). A maior parte das espécies foi
identificada com o binômio científico e a sua grafia foi conferida no site da Lista das Espécies
da Flora do Brasil (FLORA DO BRASIL, 2020) e seguiu o APG IV - Angiosperm Phylogeny
Group (APG IV, 2016).

Figura 6.3.3-2 - Coleta do material Figura 6.3.3-3 – Material botânico em


botânico em campo. estufa portátil de campo.

Além da composição florística das fisionomias amostradas, as listagens florísticas para as


espécies permitiram a determinação das principais famílias, gêneros e espécies encontradas
nas unidades amostrais, o que possibilitou a elaboração de gráficos de distribuição de
frequência absoluta e relativa, considerando-se as famílias mais abundantes em relação a
riqueza e a abundância em relação ao número de indivíduos.

23 / 293
Para analisar a similaridade florística entre as unidades amostrais baseadas foram geradas
tabelas e gráficos, utilizando o Coeficiente de Jaccard (Sj) e índice de similaridade de Bray-
Curtis, expresso no Modelo Escalonado Multidimensional (MDS). Os dados foram analisados
no Software PAST v1.34 ("Paleontological Statistics") (HAMMER et al., 2001). Para as análises
de diversidade e randomização e estimativa do número acumulado de espécies foi utilizado o
software EstimateS® (COLWELL et al., 2012; COLWELL, 1997; COLWELL, 2013;
MAGURRAN, 1988).

6.3.3.5. RESULTADO

6.3.3.5.1. Levantamento Fitosociológico

As fisionomias presentes no traçado da LT Estreito – Cachoeira Paulista pertencentes aos


biomas Cerrado e Mata Atlântica foram amostradas através de 60 UA alocadas na área de
estudo. As nomenclaturas seguiram a classificação proposta pelo Manual Técnico da
Vegetação Brasileira (IBGE, 2012).

O enquadramento dos estágios sucessionais dos fragmentos foi baseado nas Resoluções
CONAMA Nº01/94, para as unidades amostrais localizadas em São Paulo e CONAMA Nº
392/2007, para as unidades amostrais localizadas em Minas Gerais. Ressalta-se que as
impressões observadas em campo complementaram as informações contidas nas resoluções.
Dos 15 conglomerados instalados, todos os fragmentos foram enquadrados como estágio
médio de regeneração.

A seguir será apresentado os resultados registrados nas diferentes fisionomias encontradas


conforme levantamento de campo.

SAVANA (CERRADO)

O conglomerado de Savana foi amostrado ao longo do traçado do empreendimento, localizado


no Município de Ibiraci, estado de Minas Gerais. O fragmento foi enquadrado como sendo de
Savana Arborizada Densa.

Savana Arborizada Densa

Na área denominada Savana Arborizada Densa foi realizado um conglomerado em quatro


unidades amostrais. Analisando este fragmento florestal, o mesmo foi enquadrado com
cobertura vegetal em estágio médio de sucessão, possuindo topografia plana, solo argiloso
(Figura 6.3.3-4) e serrapilheira de espessura fina (Figura 6.3.3-5) apresentando pequenas
áreas de solo exposto. O fragmento é permeado por áreas de pasto para bovinocultura e
silvicultura de eucalipto. No conglomerado foram encontrados indícios de interferência
antrópica como trilhas cortando o fragmento.

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Figura 6.3.3-4 - Detalhe do solo argiloso Figura 6.3.3-5 – Detalhes da fina camada
no fragmento. de serrapilheira.

Durante o levantamento florístico foram medidos 395 fustes pertencentes a 384 indivíduos, os
quais se distribuem em 25 famílias e 43 espécies arbóreas.

Vochysiaceae foi a família com maior abundância (número de fustes) com aproximadamente
22% do total, seguida de Fabaceae (13%), e Anacardiaceae (10%) (Quadro 6.3.3-3). Um total
de oito famílias se apresentaram com apenas um único fuste. Os indivíduos mortos em pé
representaram cerca de 5,5% do total.

Em relação à riqueza de espécies, Fabaceae foi a mais rica com 10 espécies, seguida de
Myrtaceae (spp.5), Vochysiaceae (spp.4) e Annonaceae e Nyctaginaceae (spp.2 cada). Um
total de 20 famílias contribuíram com apenas uma única morfoespécie (Quadro 6.3.3-3).

Quadro 6.3.3-3 - Número total de espécies por família, acompanhada do número de


indivíduos e fustes.
% %
NÚMERO % (NÚMERO
(NÚMERO NÚMERO NÚMERO (NÚMERO
FAMÍLIAS DE DE
DE INDIVÍDUOS FUSTES DE
ESPÉCIES INDIVÍDUOS)
ESPÉCIES) FUSTES)
Vochysiaceae 4 9,30 84 21,88 85 21,52
Fabaceae 10 23,26 49 12,76 50 12,66
Anacardiaceae 1 2,33 40 10,42 41 10,38
Myrtaceae 5 11,63 40 10,42 40 10,13
Annonaceae 2 4,65 35 9,11 35 8,86
Siparunaceae 1 2,33 22 5,73 27 6,84
Myristicaceae 1 2,33 21 5,47 24 6,08
Indivíduos Mortos em pé - - 21 5,47 21 5,32
Sapindaceae 1 2,33 17 4,43 17 4,30
Caryocaraceae 1 2,33 14 3,65 14 3,54
Primulaceae 1 2,33 8 2,08 8 2,03
Ochnaceae 1 2,33 6 1,56 6 1,52
Chrysobalanaceae 1 2,33 4 1,04 4 1,01
Euphorbiaceae 1 2,33 4 1,04 4 1,01
Opiliaceae 1 2,33 4 1,04 4 1,01
Melastomataceae 1 2,33 3 0,78 3 0,76
Apocynaceae 1 2,33 2 0,52 2 0,51
Nyctaginaceae 2 4,65 2 0,52 2 0,51

25 / 293
% %
NÚMERO % (NÚMERO
(NÚMERO NÚMERO NÚMERO (NÚMERO
FAMÍLIAS DE DE
DE INDIVÍDUOS FUSTES DE
ESPÉCIES INDIVÍDUOS)
ESPÉCIES) FUSTES)
Araliaceae 1 2,33 1 0,26 1 0,25
Asteraceae 1 2,33 1 0,26 1 0,25
Calophyllaceae 1 2,33 1 0,26 1 0,25
Erythroxylaceae 1 2,33 1 0,26 1 0,25
Loganiaceae 1 2,33 1 0,26 1 0,25
Lythraceae 1 2,33 1 0,26 1 0,25
Moracae 1 2,33 1 0,26 1 0,25
Sapotaceae 1 2,33 1 0,26 1 0,25
Total Geral 43 100 384 100 395 100

Do total de fustes registrados (395), foi observado que apenas cinco espécies representam
cerca de 45% do total de fustes, apresentando uma maior dominância. As espécies Qualea
grandiflora e Tapirira guianensis somam mais de 20% do total de indivíduos, com 13% e 10,4%
respectivamente, seguidas de Xylopia aromatica e Siparuna guianensis, com 8 e 6,8% do total.
Quinze espécies se apresentaram com apenas um indivíduo (Quadro 6.3.3-4).

Quanto aos parâmetros fitossociológicos, também observa-se que 50% do Índice do Valor de
Importância (IVI%) foi concentrado em apenas sete espécies. Sendo as espécies com maior
IVI% as mesmas que apresentam o maior número de indivíduos (Qualea grandiflora e Tapirira
guianensis). Estas espécies foram destaque em qualquer uma das ordenações possíveis com
os parâmetros analisados (Frequência, Densidade e Dominância) (Quadro 6.3.3-4).

Quadro 6.3.3-4 - Resultados da Análise Fitossociológica - estrutura horizontal em


ordem decrescente do valor de importância.
Táxon N g ni DR% FR% DoR% VC IVC% VI IVI%
Qualea grandiflora Mart. 52 0,536743 4 16,2 14,0 4,4 30,1 15,1 34,5 11,5

Tapirira guianensis Aubl. 41 0,482582 4 14,5 11,0 4,4 25,5 12,8 29,9 10,0

Xylopia aromatica (Lam.) Mart. 34 0,151466 4 4,6 9,1 4,4 13,7 6,8 18,1 6,0

Virola sebifera Aubl. 24 0,234052 4 7,0 6,4 4,4 13,5 6,7 17,9 6,0

Caryocar brasiliense Cambess. 14 0,31592 4 9,5 3,8 4,4 13,3 6,6 17,7 5,9
Leptolobium dasycarpum Vogel 24 0,172076 4 5,2 6,4 4,4 11,6 5,8 16,0 5,3
Myrcia cf. vestita DC. 23 0,105471 4 3,2 6,2 4,4 9,4 4,7 13,7 4,6
Qualea parviflora Mart. 19 0,131472 4 4,0 5,1 4,4 9,1 4,5 13,5 4,5
Siparuna guianensis Aubl. 27 0,088485 3 2,7 7,2 3,3 9,9 5,0 13,2 4,4
Copaifera langsdorffii Desf. 7 0,301959 2 9,1 1,9 2,2 11,0 5,5 13,2 4,4
Matayba guianensis Aubl. 17 0,073146 4 2,2 4,6 4,4 6,8 3,4 11,2 3,7
Hymenaea stigonocarpa Mart.
7 0,116028 4 3,5 1,9 4,4 5,4 2,7 9,8 3,3
ex Hayne
Qualea multiflora Mart. 12 0,061866 3 1,9 3,2 3,3 5,1 2,5 8,4 2,8
Pera glabrata (Schott) Poepp.
4 0,072919 3 2,2 1,1 3,3 3,3 1,6 6,6 2,2
ex Baill.
Ouratea hexasperma (A.St.-
6 0,023501 3 0,7 1,6 3,3 2,3 1,2 5,6 1,9
Hil.) Baill.
Myrsine guianensis (Aubl.)
8 0,027956 2 0,8 2,1 2,2 3,0 1,5 5,2 1,7
Kuntze
Eugenia cf. punicifolia (Kunth)
8 0,024811 2 0,7 2,1 2,2 2,9 1,4 5,1 1,7
DC.

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Táxon N g ni DR% FR% DoR% VC IVC% VI IVI%
Hirtella glandulosa Spreng. 4 0,017756 3 0,5 1,1 3,3 1,6 0,8 4,9 1,6
Agonandra brasiliensis Miers
4 0,025815 2 0,8 1,1 2,2 1,9 0,9 4,0 1,3
ex Benth. & Hook.f.
Dalbergia miscolobium Benth. 3 0,025616 2 0,8 0,8 2,2 1,6 0,8 3,8 1,3
Myrcia splendens (Sw.) DC. 5 0,039677 1 1,2 1,3 1,1 2,5 1,3 3,6 1,2
Miconia rubiginosa (Bonpl.) DC. 3 0,01013 2 0,3 0,8 2,2 1,1 0,6 3,3 1,1
Andira vermifuga (Mart.) Benth. 2 0,012732 2 0,4 0,5 2,2 0,9 0,5 3,1 1,0
Aspidosperma macrocarpon
2 0,01083 2 0,3 0,5 2,2 0,6 0,3 3,1 1,0
Mart. & Zucc.
Strychnos pseudoquina A.St.-
1 0,040115 1 1,2 0,3 1,1 1,5 0,7 2,6 0,9
Hil.
Kielmeyera coriacea Mart. &
1 0,036797 1 1,1 0,3 1,1 1,4 0,7 2,5 0,8
Zucc.
Pouteria ramiflora (Mart.)
1 0,036797 1 1,1 0,3 1,1 1,4 0,7 2,5 0,8
Radlk.
Myrcia fenzliana O.Berg 3 0,013398 1 0,4 0,8 1,1 1,2 0,6 2,3 0,8
Enterolobium gummiferum
1 0,020698 1 0,6 0,3 1,1 0,9 0,4 2,0 0,7
(Mart.) J.F.Macbr.
Vochysia rufa Mart. 2 0,010108 1 0,3 0,5 1,1 0,8 0,4 1,9 0,6
Lafoensia pacari A.St.-Hil. 1 0,017579 1 0,5 0,3 1,1 0,8 0,4 1,9 0,6
Stryphnodendron adstringens
2 0,007719 1 0,2 0,5 1,1 0,8 0,4 1,9 0,6
(Mart.) Coville
Dimorphandra mollis Benth. 1 0,011612 1 0,3 0,3 1,1 0,6 0,3 1,7 0,6
Machaerium acutifolium Vogel 2 0,016465 1 0,5 0,1 1,1 0,6 0,3 1,7 0,6
Bowdichia virgilioides Kunth 1 0,008666 1 0,3 0,3 1,1 0,5 0,3 1,6 0,5
Annona coriacea Mart. 1 0,007162 1 0,2 0,3 1,1 0,5 0,2 1,6 0,5
Brosimum gaudichaudii Trécul 1 0,005801 1 0,2 0,3 1,1 0,4 0,2 1,5 0,5
Myrcia sp.1 1 0,005379 1 0,2 0,3 1,1 0,4 0,2 1,5 0,5
Erythroxylum deciduum A.St.-
1 0,004974 1 0,1 0,3 1,1 0,4 0,2 1,5 0,5
Hil.
Guapira noxia (Netto) Lundell 1 0,004974 1 0,1 0,3 1,1 0,4 0,2 1,5 0,5
Schefflera macrocarpa (Cham.
1 0,004974 1 0,1 0,3 1,1 0,4 0,2 1,5 0,5
& Schltdl.) Frodin
Piptocarpha rotundifolia (Less.)
1 0,002873 1 0,1 0,3 1,1 0,4 0,2 1,5 0,5
Baker
Neea theifera Oerst. 1 0,0023 1 0,1 0,3 1,1 0,3 0,2 1,4 0,5
Total Geral 374 3,321398 99,9 100,2 100,1 199,8 99,8 300 99,9
Onde: N= número de indivíduos; g = somatório de área basal da i-ésima espécie; ni= número de parcelas que a espécie
ocorre; DR= densidade relativa; FR= frequência relativa;; DoR= dominância relativa; VC= valor de cobertura absoluto; IVC%=
valor de cobertura percentual; VI= valor de importância absoluta; e IVI%= valor de importância relativo. Obs: os indivíduos
mortos em pé foram retirados para análise de fitossociológica.

Um total de 12 espécies se apresentaram agrupadas conforme o Índice de MacGuinnes, dentre


elas Qualea grandiflora e Tapirira guianensis. Cinco espécies obtiveram valores que podem
indicar tendência ao agrupamento. Todas as outras espécies (43) se apresentaram com
distribuição uniforme (Quadro 6.3.3-5).

Quadro 6.3.3-5 - Resultados da Análise de Agregação das espécies amostradas - Índice


de MacGuinnes.
ÍNDICE DE
TÁXONS N DI UI UT IGP
MACGUINNES
agregada ou
Qualea grandiflora Mart. 52 13,0 4 4 13,00
agrupada.
Tapirira guianensis Aubl. 41 10,3 4 4 10,25 agregada ou

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ÍNDICE DE
TÁXONS N DI UI UT IGP
MACGUINNES
agrupada.
agregada ou
Xylopia aromatica (Lam.) Mart. 34 8,5 4 4 8,50
agrupada.
agregada ou
Siparuna guianensis Aubl. 27 6,8 3 4 6,00
agrupada.
agregada ou
Virola sebifera Aubl. 24 6,0 4 4 6,00
agrupada.
agregada ou
Leptolobium dasycarpum Vogel 24 6,0 4 4 6,00
agrupada.
agregada ou
Myrcia cf. vestita DC. 23 5,8 4 4 5,75
agrupada.
agregada ou
Qualea parviflora Mart. 19 4,8 4 4 4,75
agrupada.
agregada ou
Matayba guianensis Aubl. 17 4,3 4 4 4,25
agrupada.
agregada ou
Caryocar brasiliense Cambess. 14 3,5 4 4 3,50
agrupada.
agregada ou
Qualea multiflora Mart. 12 3,0 3 4 2,67
agrupada.
tendência ao
Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne 7 1,8 4 4 1,75
agrupamento
tendência ao
Myrsine guianensis (Aubl.) Kuntze 8 2,0 2 4 1,54
agrupamento
tendência ao
Eugenia cf. punicifolia (Kunth) DC. 8 2,0 2 4 1,54
agrupamento
tendência ao
Copaifera langsdorffii Desf. 7 1,8 2 4 1,35
agrupamento
tendência ao
Ouratea hexasperma (A.St.-Hil.) Baill. 6 1,5 3 4 1,33
agrupamento
Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. 4 1,0 3 4 0,89 uniforme
Hirtella glandulosa Spreng. 4 1,0 3 4 0,89 uniforme
Myrcia splendens (Sw.) DC. 5 1,3 1 4 0,78 uniforme
Agonandra brasiliensis Miers ex Benth.
4 1,0 2 4 0,77 uniforme
& Hook.f.
Dalbergia miscolobium Benth. 3 0,8 2 4 0,58 uniforme
Miconia rubiginosa (Bonpl.) DC. 3 0,8 2 4 0,58 uniforme
Myrcia fenzliana O.Berg 3 0,8 1 4 0,47 uniforme
Andira vermifuga (Mart.) Benth. 2 0,5 2 4 0,38 uniforme
Aspidosperma macrocarpon Mart. &
2 0,5 2 4 0,38 uniforme
Zucc.
Vochysia rufa Mart. 2 0,5 1 4 0,31 uniforme
Stryphnodendron adstringens (Mart.)
2 0,5 1 4 0,31 uniforme
Coville
Machaerium acutifolium Vogel 2 0,5 1 4 0,31 uniforme
Strychnos pseudoquina A.St.-Hil. 1 0,3 1 4 0,16 uniforme
Kielmeyera coriacea Mart. & Zucc. 1 0,3 1 4 0,16 uniforme
Pouteria ramiflora (Mart.) Radlk. 1 0,3 1 4 0,16 uniforme
Enterolobium gummiferum (Mart.)
1 0,3 1 4 0,16 uniforme
J.F.Macbr.
Lafoensia pacari A.St.-Hil. 1 0,3 1 4 0,16 uniforme
Dimorphandra mollis Benth. 1 0,3 1 4 0,16 uniforme
Bowdichia virgilioides Kunth 1 0,3 1 4 0,16 uniforme
Annona coriacea Mart. 1 0,3 1 4 0,16 uniforme
Brosimum gaudichaudii Trécul 1 0,3 1 4 0,16 uniforme
Myrcia sp.1