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Caderno de resumos

Conferências e Workshops
Painéis Temáticos
Comunicações

18 E 19 DE OUTUBRO DE 2018 | FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Edição e diagramação: Gabriel Isola-Lanzoni


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Sumário
Conferências e Workshops
18/10
Conferência: The Sublime in Hate Propaganda on the Internet. A Critical Discourse 4
Analysis
Michael Rinn – Université de Bretagne Occidentale.
Workshop: Metáforas, cognição e o fogo que arde sem se ver 5
José Teixeira – Universidade do Minho
Workshop: Comunicar discursos através de imagens visuais: aplicações da socio- 6
semiótica na análise crítica de discursos de género
Zara Pinto-Coelho e Silvana Mota-Ribeiro – Departamento de Ciências da
Comunicação, Instituto de Ciências Sociais; Centro de Estudos em
Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho.
19/10
Conferência: Computational Argumentation. A Journey Beyond Semantics, Logic, 7
Opinions, and Easy Tasks
Iryna Gurevych – Ubiquitous Knowledge Processing (UKP) Lab; Computer
Science Department, Technische Universität Darmastadt, Germany.
Workshop: Argumentação, discurso e cognição 8
Zilda Gaspar Oliveira de Aquino e Paulo Roberto Gonçalves-Segundo –
Universidade de São Paulo
Workshop: Desgranando el discurso publicitário multimodalmente 9
Zósimo López Pena – Universidad Internacional de La Rioja

Painéis Temáticos
Programação de Painéis Temáticos 10
Painel 1 Desafios da argumentação em diferentes discursos
Marise Adriana Mamede Galvão (UFRN) 11
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN) 12
Maria Inês Batista Campos (USP) 13
Painel 2 Cognição e Discurso
Paulo Roberto Gonçalves-Segundo (USP) 14
Gabriela Dioguardi (USP) 15
Viviane de Melo Resende (UnB) 16
Zilda Aquino (USP) 17
Renata Palumbo (Fac Drummond)

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Painel 3 O espaço da argumentação em diferentes discursos


Maria Inês Batista Campos (USP) 18
Miriam Bauab Puzzo (UNITAU) 19
Sandra Mara Moraes Lima (UNIFESP) 20
Cristiane Dominiqui Vieira Burlamaqui (UEPA/USP) 21
Nathalia Akemi Sato Mitsunari (USP) 22
Painel 4 Argumentação e Interfaces Discursivas: 30 anos da Constituição Brasileira
Rosalice Pinto (FCSH/ICNova) 23
Carla Teixeira (CLUNL)
Sueli Cristina Marquesi (PUCSP) 24
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN) 25
Ana Elvira Luciano Gebara (UNICSUL/FGV) 26
Ana Lúcia Tinoco (UNICSUL) 27

Comunicações
Ana Elvira Luciano Gebara (UNICSUL/FGV) ........................................................................................................... 27
Anabel Medeiros Azerêdo de Paula (UFF) ............................................................................................................. 28
Audria Leal (CLUNL/FCT)
Carla Teixeira (CLUNL) ........................................................................................................................................... 29
Cristiane Borges de Oliveira (USP) ......................................................................................................................... 30
Daniela Zimmermann Machado (UNIV-ORLEANS/UNESPAR) ............................................................................... 31
Elaine Maria Gomes de Abrantes (UERN) ............................................................................................................. 32
Élida Cristina de Carvalho Castilho (UFMS/IFSP-Avaré) ........................................................................................ 33
Elsa Simões Lucas Freitas (UFP) ............................................................................................................................. 34
Esperanza Morales López (UDC)............................................................................................................................ 35
Fábio Gusmão da Silva (UFRJ/ULisboa) ................................................................................................................. 36
Flávio Faccioni (UFMS)
Claudete Cameschi de Souza (UFMS) .................................................................................................................... 37
Gabriel Isola-Lanzoni (USP) ................................................................................................................................... 38
Gissele Alves (UnB/FLUP/IFB) ................................................................................................................................ 39
Giulia Maltese (UNIBO) ......................................................................................................................................... 40
Maria Aldina Marques (UMinho)
Isabel Margarida Duarte (FLUP)
Maria Isabel Seara (UAb) ...................................................................................................................................... 41

2
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Josenilde Cidreira Vieira (FLUP) ............................................................................................................................. 42


Julia Lourenço Costa (UFSCar)
Roberto Leiser Baronas (UFSCar)........................................................................................................................... 43
Leiva de Figueiredo Viana Leal (UFMG) ................................................................................................................ 44
Manuel Ramos (FLUP-DEPER/IF) ........................................................................................................................... 45
Maria Eduarda Giering (UNISINOS) ....................................................................................................................... 46
Maria Fabiola Vasconcelos Lopes (UFC/UFMG) .................................................................................................... 47
Mariana Ximenes Bastos (UFRJ) ............................................................................................................................ 48
Paulo Nunes da Silva (UAb/CELGA-ILTEC)
Joana Vieira Santos (CELGA-ILTEC)........................................................................................................................ 49
Renata Aiala de Mello (UFBA/FLUP) ..................................................................................................................... 50
Renata Almeida Danin (UFPA) ............................................................................................................................... 51
Romilton Batista de Oliveira (UBI) ......................................................................................................................... 52
Rosa Leite da Costa (UERN) ................................................................................................................................... 53
Rosalice Pinto (CLUNL/CEDIS/PROTEXTO) ............................................................................................................. 54
Samuel Ponsoni (UEMG)
Julia Lourenço Costa (UFSCar) ............................................................................................................................... 55
Sandra Tuna (UFP) ................................................................................................................................................. 56
Tamires Bonani (UFSCar) ....................................................................................................................................... 57
Tatiana Aparecida Moreira (UFSCar/IFES) ............................................................................................................ 58
Viviane de Melo Resende (UnB) ............................................................................................................................ 59

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Conferência
The Sublime in Hate Propaganda on the Internet. A Critical Discourse Analysis
Michael Rinn
Université de Bretagne Occidentale.
Abstract: This paper considers how two rhetorical concepts, pathos and the sublime, are used to reinforce
hate propaganda on radical Islamist websites. The concept of pathos comes from Aristotle's theory on modes
of persuasion, which is based on the idea of stimulating dialogue, debate or even argument between a
speaker and an audience to bring about the most favourable choice for the common good. The raison d’être
of discourse, namely negotiation of social meaning through persuasive speech, has been recognised since
Greek Antiquity. Although the desired goal of hate propaganda, above all else, is the destruction of social life,
this paper will show why pathos can be used to establish inter-subjectivity in a pseudo-shared social space,
strengthening the impact of its persuasive action. Unlike pathos, the sublime is a sophist concept, as the main
focus point of the paper will largely discuss. Analysis of Islamic State's website (jihadology.net) reveals how
the sublime is used to trigger action influenced by constraint, fear and intense violence, through language.
The paper will show how this strategy not only deprives Internet users of all ability to judge, but also
transforms them into agents totally committed to the destruction of society.

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Workshop
Metáforas, cognição e o fogo que arde sem se ver
José Teixeira
Universidade do Minho
Resumo: A perspetiva da Linguística Cognitiva alterou profundamente a visão tradicional sobre os fenómenos
metafóricos, contribuindo para que o interesse dos estudos sobre a metáfora se estenda desde a Economia
até à Inteligência Artificial. No entanto, tal interesse, paradoxalmente, não tem acarretado significativas
alterações na perceção que fora das ciências cognitivas se tem sobre esta temática, continuando
frequentemente a metáfora a ser vista e definida como “figura de estilo”. Esta sessão propõe-se (de forma
condensada) fazer entender o fenómeno metafórico dentro da perspetiva das ciências cognitivas, mostrar a
diferença entre metáforas e expressões metafóricas, verificar e testar a dificuldade cognitiva da identificação
das metáforas no discurso e debater a questão da continuidade entre os fenómenos metafóricos,
metonímicos e sinestésicos.
Palavras-chave: metáfora concetual, metonímia, metaftonímia, semântica cognitiva.
Referências
Barcelona, Antonio (ed.), 2000, Metaphor and Metonymy at the Crossroads: A Cognitive Perspective, Berlin,
Mouton de Gruyter.

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Workshop
Comunicar discursos através de imagens visuais: aplicações da socio-semiótica na análise crítica de discursos
de género
Zara Pinto-Coelho e Silvana Mota-Ribeiro – Departamento de
Ciências da Comunicação, Instituto de Ciências Sociais; Centro de
Estudos em Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho.
Resumo: A sessão tem como objetivo dar conta do potencial de uma análise de textos imagéticos ou
multimodais enformada pela perspetiva socio-semiótica (Kress & van Leeuwen, 2006) para desvendar
discursos e ideologias reproduzidas e construídas nos textos visuais. Aquela perspetiva é aqui adotada,
simultaneamente, como abordagem teórica do funcionamento dos discursos e ideologias nas imagens e
como ferramenta metodológica de análise das suas realizações e construções visuais específicas, no âmbito
da Comunicação. Pode dizer-se que a socio-semiótica é “uma teoria que lida com o significado em todas as
suas aparências, em todas as ocasiões sociais e em todos os contextos culturais” (Kress, 2010: 2) e permite
examinar em detalhe as estruturas visuais destas imagens, no que diz respeito, tanto à sua forma, como aos
conteúdos, bem como as suas articulações com discursos. A socio-semiótica constitui-se, aliás, como uma
forma de Análise Crítica do Discurso que, não só descreve, como procura influenciar as práticas semióticas
que analisa. Dedica-se “às questões de poder e à função ideológica das imagens” e “defende que as imagens
não refletem a “realidade”, mas constroem-na” (Jewitt, 1996: 7), pelo que permite abordar o papel das
escolhas visuais específicas na expressão e construção de discursos e ideologias.
Os textos visuais são entendidos como eventos comunicativos socialmente situados e os discursos são
concetualizados como “conhecimentos socialmente construídos (de alguns aspectos) da realidade” (Kress &
van Leeuwen, 2001).
Assim, partindo da tripla gramática do design visual ocidental (Kress e van Leeuwen, 2006), enunciam-se,
descrevem-se e ilustram-se os recursos visuais e seus potenciais de significado, para, de seguida, se mostrar
como diferentes textos visuais e multimodais podem sistematicamente ser analisados de acordo com aquela
gramática. Fornecem-se, pois, caminhos para a construção de instrumentos de análise e sua aplicação a
imagens concretas, assim como se apontam procedimentos metodológicos com vista a compreender de que
forma diferentes traços significantes constroem determinados discursos relativos ao género. Tais discursos,
no seu conjunto – em constelações –, apontam para estruturas de poder, mecanismos de desigualdade e
ideologias de género “invisíveis” noutros tipos de análise, que tomam os textos como transparentes, ou como
“contendo” determinados significados. Afirma-se, pois, a complexidade dos processos de criação de sentido
e a necessidade de ir para além da superfície visual, do óbvio “que se dá a ver”, para a subtileza do
funcionamento discursivo e do trabalho ideológico dos recursos visuais que lhes subjazem.
Palavras-chave: Socio-semiótica visual; Análise Crítica do Discurso; Multimodalidade; Análise visual; Género.
Referências
Kress, G. (2010). Multimodality: A Social Semiotic Approach to Contemporary Communication. New York, NY:
Routledge,
Kress, G., & Van Leeuwen, T. (2006). Reading Images The Grammar of Visual Design. London/ New York: Routledge.
Kress, G., & Van Leeuwen, T. (2001). Multimodal Discourse The Modes and Media of Contemporary Communication.
London: Arnold Publishers.
Jewitt, C. (1996). Images of Men: Images of Male Sexuality in Sexual Health Leaflets and Posters for Young People.
Unpublished M.Sc. in Social Research, University of Surrey.
Mota-Ribeiro, S.; Pinto-Coelho, Z. (2011). Para além da superfície visual: os anúncios publicitários vistos à luz da
semiótica social: representações e discursos da heterossexualidade e de género. Comunicação e Sociedade,19, 227-
246.

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Conferência
Computational Argumentation. A Journey Beyond Semantics, Logic, Opinions, and Easy Tasks
Iryna Gurevych – Ubiquitous Knowledge Processing
(UKP) Lab; Computer Science Department,
Technische Universität Darmastadt, Germany.
Abstract: Argumentation or debating is a fascinating activity people love to engage in. However, modelling
arguments computationally is very challenging; for example, arguments may be noisy, incomplete, subjective,
or emotional. This talk will focus on computationally assessing the quality of arguments along three
exemplary dimensions.
First, we propose a new task in the field of computational argumentation in which we investigate qualitative
properties of Web arguments, namely their convincingness [1]. We cast the problem as relation classification,
where a pair of arguments having the same stance to the same prompt is judged. We annotate a large
datasets of 16k pairs of arguments over 32 topics using crowdsourcing. We then experiment with neural
networks to predict which argument from an argument pair is more convincing and to label the quality
properties of arguments related to their convincingness.
Second, we present Argotario, a serious game designed to train humans in recognizing fallacies, which is an
important skill in critical thinking and argumentation [2]. Fallacious arguments, omnipresent in argumentative
discourse, can be deceptive, manipulative, or simply leading to 'wrong moves' in a discussion. The non-
existence of resources dealing with fallacious argumentation requires scalable approaches to data acquisition
and annotation, for which the serious games methodology offers an appealing, yet unexplored alternative.
Argotario is a multilingual, open-source, platform-independent application with strong educational aspects,
accessible at www.argotario.net.
Third, we perform several large-scale annotation studies of the ad hominem based on web forums,
experiment with neural networks and validate our working hypotheses, such as controversy or
reasonableness, and provide linguistic insights into triggers of ad hominem using explainable neural network
architectures [3].
Finally, we summarize the main insights from several years of research into computational argumentation in
the UKP Lab, TU Darmstadt.

[1] Habernal, Ivan ; Gurevych, Iryna :


What makes a convincing argument? Empirical analysis and detecting attributes of convincingness in Web
argumentation.
Proceedings of the 2016 Conference on Empirical Methods in Natural Language Processing (EMNLP)
Association for Computational Linguistics
[2] Habernal, Ivan ; Hannemann, Raffael ; Pollak, Christian ; Klamm, Christopher ; Pauli, Patrick ;
Gurevych, Iryna :
Argotario: Computational Argumentation Meets Serious Games.
Proceedings of the 2017 Conference on Empirical Methods in Natural Language Processing: System
Demonstrations Association for Computational Linguistics
[3] Habernal, Ivan ; Wachsmuth, Henning ; Gurevych, Iryna ; Stein, Benno :
Before Name-calling: Dynamics and Triggers of Ad Hominem Fallacies in Web Argumentation.
Proceedings of the 16th Annual Conference of the North American Chapter of the Association for
Computational Linguistics: Human Language Technologies Association for Computational Linguistics

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Workshop
Argumentação, discurso e cognição
Zilda Gaspar Oliveira de Aquino e Paulo Roberto
Gonçalves-Segundo – Universidade de São Paulo
Resumo: Este workshop visa a debater teoricamente o papel argumentativo das metáforas construídas
linguística e visualmente, aplicando as categorias pertinentes na análise de corpora variados, como charges,
campanhas governamentais, dentre outros.
O embasamento teórico faz-se a partir da Linguística Cognitiva — especialmente no que concerne à Teoria
da Metáfora Conceptual e seus desdobramentos recentes (Lakoff & Johnson, 1980; Charteris-Black, 2014;
Chilton, 2004; Forceville, 2009; Kövecses, 2010; Vereza, 2013; Steen, 2017) — em sua correlação com a Nova
Retórica (Perelman & Olbrechts-Tyteca, 2002[1958]), para discutir o funcionamento da metáfora conceptual
e situada em termos de provas retóricas (logos, ethos, pathos).
Palavras-chave: Linguística Cognitiva; Nova Retórica; Metáfora conceptual e situada; Provas retóricas.
Referências
CHARTERIS-BLACK, J. (2014). Analysing Political Speeches: rhetoric, discourse and metaphor. Basingstoke:
Palgrave Macmillan.
CHILTON, P. A. (2004). Analysing political discourse. United Kingdom: Routledge.
FORCEVILLE, C. (2009) Non-verbal and multimodal metaphor in a cognitivist framework: Agendas for
research. In: Charles Forceville & Eduardo Urios-Aparisi (eds.) Multimodal Metaphor, 19-42. Berlin: Mouton
de Gruyter.
KÖVECSES, Z. (2010). Metaphor: a practical introduction. 2nd edition. New York: Oxford University Press.
LAKOFF, G.; JOHNSON, M. (1980). Metaphors We Live By. Chicago: Chicago University Press.
PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, L. (2002 [1958]). Tratado da argumentação. A Nova Retórica. Tradução
Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes.
STEEN, G. (2017) Deliberate Metaphor Theory: Basic assumptions, main tenets, urgent issues. Intercultural
Pragmatics, 14 (1): 01-24.
VEREZA, S. (2013). “Metáfora é que nem...”: Cognição e discurso na metáfora situada. Signo, 38(65): 02-21.

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Workshop
Desgranando el discurso publicitário multimodalmente
Zósimo López Pena – Universidad Internacional de La Rioja
Resumen: Puede resultar habitual que en muchas aulas de diferentes docentes de lenguas (sean maternas o
extranjeras) nos encontremos ante la posibilidad de utilizar el código publicitario bien como objeto (cuando
tenemos que explicar la fenomenología y características de este tipo de código) bien como recurso (cuando
proponemos una serie de ejemplos extraídos del lenguaje publicitario para ilustrar ejemplos sobre la lengua
y/o la cultura sobre la que está construida el producto publicitario). El objetivo del siguiente workshop es el
de proporcionar herramientas para realizar un análisis multimodal de anuncios publicitarios audiovisuales
que nos ayuden a desgranar los posibles significados que se incluyen en este tipo de mensajes complejos y
condensados. Para esto, utilizaremos un marco teórico basado en la Multimodalidad propuesta por Gunter
Kress y Theo Van Leeuwen (2001, 2006) a partir de las ideas de M.A.K. Halliday. Asimismo, aportaremos
conceptos establecidos por otros autores dentro de esta teoría como Jewitt, Bezemer, y O’Halloran, (2016)
así como de Bateman y Schmidt (2012). Una vez delimitado el objetivo y el marco teórico en este workshop
propondremos una metodología dividida en fases para analizar spots pudiendo así de esta manera describir
y analizar posibles significados y argumentaciones dentro del discurso publicitario. Como herramientas se
tiene previsto apoyarnos en software de reconocimiento de imágenes al igual que en otros programas que
ayuden a la sistematización de datos obtenidos a partir de un análisis multimodal.
Palavras-chave: Multimodalidade; Análise do discurso publicitario; Argumentação publicitária; Didática da
publicidade.
Bibliografía
Bateman, J.A. y Schmidt, K.H. (2012). Multimodal Film Analysis. How Films Mean. New York/London:
Routledge.
Halliday, M.A. K. (1978). Language as social semiotic. London: Edward Arnold
Jewitt, C., Bezemer, J. e O’Halloran, K. (2016). Introducing Multimodality. London/New York: Routledge:
Kress, G. and van Leeuwen, T. (2006). Reading Images: the grammar of visual design. London and New York:
Routledge.
Kress, G. and van Leeuwen, T. (2001). Multimodal discourse: the modes and media of contemporan;
communication. London: Arnold.

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Programação de Painéis Temáticos


Painel 1 – Desafios da argumentação em diferentes discursos Sala: Reuniões 2
Marise Adriana Mamede Galvão (UFRN) – Coordenadora
• Audiências de conciliação: um estudo das sequências dialogais na organização da interação
Marise Adriana Mamede Galvão (UFRN)
• A visada argumentativa de narrativas em diferentes gêneros do discurso jurídico
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN)
• A dor pede passagem em A criatura dócil: argumentação e estilo
Maria Inês Batista Campos (USP)
Painel 2 – Cognição e Discurso Sala: A2
Zilda Gaspar Oliveira de Aquino (USP) - Coordenadora
• Posicionamento epistêmico, argumentação e provas retóricas: possibilidades de articulação
Paulo Roberto Gonçalves-Segundo (USP)
• Perspectivação conceptual e metaforização na compreensão de tweets
Gabriela Dioguardi (USP)
• Metáforas espaciais na representação de políticas públicas e situação de rua na Folha de S. Paulo
Viviane de Melo Resende (UnB)
• Argumentação e cognição: a construção do frame Lava Jato
Zilda Aquino (USP)
Renata Palumbo (Fac. Drummond)
Painel 3 – O espaço da argumentação em diferentes discursos Sala: Reuniões 2
Maria Inês Batista Campos (USP) - Coordenadora
• Ensino da dissertação e argumentação em livros didáticos: por uma análise dialógica da linguagem
Maria Inês Batista Campos (USP)
• Miniconto e argumentação: vozes em conflito
Miriam Bauab Puzzo (UNITAU)
• O tom apreciativo como elemento de argumentação e a modalidade oral no ensino/aprendizagem de
língua materna
Sandra Mara Moraes Lima (UNIFESP)
• Entre as margens do rio Guamá em Belém do Pará: o texto narrativo argumentativo na sala de aula
como acontecimento da vida
Cristiane Dominiqui Vieira Burlamaqui (UEPA/USP)
• Argumentação e dissertação em manuais didáticos da década de 1980
Nathalia Akemi Sato Mitsunari (USP)
Painel 4 – Argumentação e Interfaces Discursivas: 30 anos da Constituição Brasileira Sala: A2
Ana Lúcia Tinoco (UNICSUL) - Coordenadora
• Preâmbulos constitucionais em contextos lusófonos: uma análise retórico-argumentativa contrastiva
Rosalice Pinto (FCSH/ICNova)
Carla Teixeira (CLUNL)
• Constituição da República Federativa do Brasil – interfaces discursivas para a produção de sentidos
Sueli Cristina Marquesi (PUCSP)
• Constituição da República Federativa do Brasil – dispositivos enunciativos e argumentação
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN)
• Mudando de ideia sobre a prisão após condenação em 2a. Instância: a estratégia argumentativa do min.
Gilmar Mendes
Ana Elvira Luciano Gebara (UNICSUL/FGV)
• Constituição e argumentação: a função social do imóvel rural
Ana Lúcia Tinoco (UNICSUL)

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Painel 1 – Desafios da argumentação em diferentes discursos


Audiências de conciliação: um estudo das sequências dialogais na organização da interação
Marise Adriana Mamede Galvão (UFRN)
Resumo: Neste trabalho, nos interessa investigar a linguagem em situações de interação com o judiciário,
especificamente em audiências ocorridas na esfera do Juizado Especial Cível (JEC), em uma determinada comarca.
Assim sendo, o nosso interesse é direcionado às interações que ocorrem via modalidade falada da língua em cenários
institucionalizados. Partimos do princípio de que os envolvidos em uma interação no âmbito jurídico organizam suas
falas em função dos objetivos estabelecidos por normas e rotinas institucionais. As bases teóricas que orientam esta
pesquisa são oriundas da Análise da Conversa Etnometodologia, da Análise da Conversação, a partir das discussões dos
seguintes autores: Heritage (2013, 2005), Kerbrat-Orecchioni (2006), Garcia (2013). Privilegiamos, também, a
perspectiva da Análise Textual dos Discursos (ADAM, 2011), do ponto de vista específico,a fim de abordar as sequências
dialogais, descrever e interpretar como elas organizam as “engrenagens” (HERITAGE, 2013) da interação. No que se
refere ao aspecto metodológico, esta reflexão é qualitativa, orientada pelos estudos interacionais e textuais citados.
Selecionamos, para tanto, um corpus constituído por duas audiências gravadas em vídeo, em um fórum cível, no ano
de 2017, em uma comarca de um município do Rio Grande do Norte. Adotamos o sistema de transcrição dos estudos
conversacionais, com base em Preti (2013), porém com adaptações, tendo em vista o objetivo que adotamos.
Palavras-chave: Audiências de conciliação; Sequências dialogais; Interação.
Referências
ADAM, Jean-Michel. A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. Tradução Maria das Graças Soares
Rodrigues, João Gomes da Silva Neto, Luís Passeggi, Eulália Vera Lúcia Fraga Leurquin. São Paulo: Cortez, 2011.
GARCIA, A. C. An Introduction to interaction: understanding talk in formal and informal settings. New York: Bloomsbury
Academic, 2013.
HERITAGE, John. Conversation analysis and institutional talk.In. FITCH, K. L; SANDERS, R. E. Language and social
interaction. New Jersey: Lawrence Erilbaun Associates, Inc Publishers, 2005.
______. Language and social institutions: the conversation analytic view. Journal of foreign languages.
http://www.cnki.net. Acesso em out. 2017.
KERBRAT-ORECCHIONI, Katherine. Análise da conversação: princípios e métodos. São Paulo: Parábola. 2006.

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Painel 1 – Desafios da argumentação em diferentes discursos


A visada argumentativa de narrativas em diferentes gêneros do discurso jurídico
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN)
Resumo: Muitos gêneros do discurso, no âmbito da esfera jurídica, apresentam em sua organização linguística, textual
e discursiva, predominantemente, o tipo textual narrativo. Os depoimentos de testemunha, na modalidade escrita,
retomam fatos passados que são narrados pelo locutor e retextualizados pelo escrivão, o enunciador, conforme postula
Rodrigues (2017). As petições iniciais, na seara do direito civil, e denúncia, na esfera penal, têm o propósito
comunicativo de formalizar um pedido a um juiz, em decorrência de algum fato ocorrido no contexto dessas áreas do
Direito ou em outra(s). Observamos em Lourenço (2017) que o plano de texto desse gênero do discurso se organiza, de
um modo geral, em um tripé: (1) seção dos fatos; (2) seção do direito e (3) seção do pedido. A seção dos fatos se
constitui da narrativa dos acontecimentos que originaram o litígio. Por seu turno, a contestação/defesa é a
manifestação da parte ré, após o juiz ter recebido a peça inaugural do processo. Esse gênero do discurso jurídico retoma
a narrativa da parte autora, a fim de contraditá-la e apresentar, consequentemente, um pedido ao juiz em nome da
parte ré, logo com uma visada argumentativa contrária à parte autora. Esses três gêneros apresentam uma interseção:
a narrativa dos locutores e enunciadores primeiros (L1/E1), em situação de sincretismo ou não. A narrativa evidencia o
ponto de vista (PDV) dos narradores que assumem ou não a responsabilidade enunciativa pelo conteúdo proposicional
dos seus dizeres. É, pois, nosso objetivo analisar a visada argumentativa das narrativas em diferentes gêneros do
discurso jurídico à luz de estudos no âmbito da Análise Textual dos Discursos, da Enunciação, da Narrativa e da
Argumentação. Os dados, objeto da análise, foram produzidos por jovens bacharéis em Direito em uma pós-graduação
lato sensu.
Palavras-chave: Narrativa; Argumentação; Responsabilidade enunciativa.
Referências
ADAM, Jean-Michel. A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. Tradução de Maria das Graças
Soares Rodrigues, João Gomes da Silva Neto, Luís Passeggi, Eulália Vera Lúcia Fraga Leurquin. São Paulo: Cortez, 2011.
LOURENÇO, Maria das Vitórias Nunes Silva. A argumentação na petição inicial. Curitiba: CRV, 2017.
RODRIGUES, Maria das Graças Soares. Linguística textual e responsabilidade enunciativa. In. CAPISTRANO JÚNIOR,
Rivaldo; LINS, Maria da Penha Pereira; ELIAS, Vanda Maria (Orgs.). Linguística textual: diálogos interdisciplinares. São
Paulo: Labrador, 2017, p. 299-319.

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Painel 1 – Desafios da argumentação em diferentes discursos


A dor pede passagem em A criatura dócil: argumentação e estilo
Maria Inês Batista Campos (USP)
Resumo: Um dos objetivos centrais de nossa pesquisa é tratar a questão da argumentação em diferentes esferas, como
a escolar e a literária. Para alcançá-lo, tomo como base noções que emergem da obra de Bakhtin e do Círculo, como
“enunciado concreto”, “responsabilidade”, “relações dialógicas” e “argumentação no discurso” de Amossy (2018). A
partir do estudo em torno da novela de Dostoiévski, Uma criatura dócil (1876), esta comunicação pretende mostrar, de
um lado, que o narrador desse solilóquio busca uma argumentação obsessiva diante do suicídio da esposa; de outro
esse mesmo narrador recupera o prazer em destruir a imagem da esposa com quem se casou, como uma tentação de
matar o outro, negando-lhe a existência, por quem afinal é responsável. Diante da dor e da morte, como a alma
perturbada do narrador traça vários percursos argumentativos para se defender, visto que na maldade que ele impôs
a dócil, ela sempre se humilhou diante dele, beijando a seus pés. como a dor e o exílio acabam flagrados no suicídio da
mulher do ponto de vista do narrador; de outro como essa angústia feminina é recriada nas cinco gravuras (1918) de
Lasar Segall, a partir do texto dostoievskiano. Como o corpo material e o social são apresentados sob esses dois olhares?
Examinaremos, na materialidade discursiva, os expedientes argumentativos que buscam uma explicação para a morte,
buscando a verdade dos fatos que compõem a dor da tragédia humana. Dois olhares diferentes – a tentação de matar
o outro e a tentação de salvá-la - discutem a temática da solidão humana na sociedade que explora os mais fracos, as
mulheres, não lhes permitindo um mínimo de esperança.
Palavras-chave: Argumentação; Responsabilidade; Solilóquio, Proposição argumentativa.
Referências
AMOSSY, R. Argumentação no discurso. Coord. Trad. Eduardo Lopes Piris; Moisés Olímpio-Ferreira. São Paulo: Contexto,
2018.
BAKHTIN, M. [1963] Problemas da poética de Dostoiévski. 5 ed. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense
Universitária, 2015.
CHARAUDEAU, P. Linguagem e discurso: modos de organização. Coord. Trad. Angela M.S.Corrêa; Ida Lúcia Machado.
São Paulo: Contexto, 2016.

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Painel 2 – Cognição e Discurso


Posicionamento epistêmico, argumentação e provas retóricas: possibilidades de articulação
Paulo Roberto Gonçalves-Segundo (USP)
Resumo: Nosso objetivo, neste trabalho, é discutir de que maneira a construção linguística do posicionamento
epistêmico – em especial, da evidencialidade – pode revelar facetas importantes da configuração das três provas
retóricas: do ethos, do pathos e do logos. Para proceder a tal investigação, analisamos dois editoriais do jornal Folha
de S. Paulo que tematizavam a problemática das ocupações estudantis realizadas em 2015 e 2016 como forma de
protesto contra o plano de reorganização das escolas públicas do estado de São Paulo, conforme elaborado pela gestão
do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Em termos teóricos, partimos de uma leitura que busca fazer convergir
diversas abordagens acerca do posicionamento epistêmico (Gonçalves-Segundo, no prelo), de modo a considerar as
dimensões linguística (Bednarek, 2006), cognitiva (Marín-Arrese, 2011, 2013; Chilton, 2014) e dialógica (Martin &
White, 2005) do processo para a análise da argumentação no discurso. No que se refere à problemática das provas
retóricas, partiremos de Amossy (2018) para tratar do ethos; de Meyer (2007) para tratar do pathos; e dos modelos de
configuração funcional para tratar do logos (Toulmin, 2006[1958]; Gonçalves-Segundo, 2016; Fairclough & Fairclough,
2012) em termos de argumentação epistêmica e prática. Por esse percurso, poderemos mostrar, em primeiro lugar,
que tanto as expressões evidenciais quanto modais epistêmicas cumprem papéis relevantes na dimensão do logos,
uma vez que atuam na construção de Dados, Bases e Alegações, sinalizando o modo pelo qual textualizamos nossos
raciocínios e pelo qual incitamos a sua reconstrução. Em segundo lugar, poderemos discutir o papel desses recursos na
construção do ethos, na medida em que diferentes padrões evidenciais evocam diferentes modalidades de autoridade
e credibilidade autorais. Por fim, poderemos articular a relação entre posicionamento epistêmico e pathos, debatendo
como evidenciais e modais epistêmicos estão envolvidos no gerenciamento de expectativas e na negociação de
alternativas dialógicas, o que inclui as distintas formas de nos relacionarmos com refutações efetivamente produzidas
ou antecipadas e de nos filiarmos a determinados discursos.
Palavras-chave: Argumentação; Evidencialidade; Ethos; Pathos; Logos.
Referências
BEDNAREK, Monika. Epistemological positioning and evidentiality in English News discourse: A text-driven approach.
Text & Talk, n. 26, v. 6, 2006, p. 635-60. DOI: http://dx.doi.org/10.1515/TEXT.2006.027
CHILTON, Paul. Language, Space and Mind: The Conceptual Geometry of Linguistic Meaning. Cambridge: Cambridge
University Press, 2014.
MARÍN-ARRESE, Juana. Epistemic legitimizing strategies, commitment and accountabiliy in discourse. Discourse
Studies, v. 13, n. 6, dez. 2011a, p. 789-797.
MARÍN-ARRESE, Juana. Effective vs. Epistemic stance and subjetctivity in political discourse: Legitimising strategies and
mystification of responsibility. In: HART, Christopher (org.) Critical Discourse Studies in Context and Cognition.
Amstedam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 2011b, p. 193-223.
MARTIN, James & WHITE, Paul. The language of evaluation: appraisal in English. New York/Hampshire: Palgrave
Macmillan, 2005.
MEYER, Michel. A retórica. São Paulo: Ática, 2007.
TOULMIN, Stephen. Os usos do argumento. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006 [1958].
TOULMIN, Stephen; RIEKE, Richard; JANIK, Allan. An introduction to reasoning. 2nd ed. New York: Macmillan Publishing
Company, 1984 [1978].
AMOSSY, Ruth. A argumentação no discurso. São Paulo: Contexto, 2018.
FAIRCLOUGH, Isabella & FAIRCLOUGH, Norman. Political Discourse Analysis: A method for advanced students.
London/New York: Routledge, 2012.
GONÇALVES-SEGUNDO, Paulo Roberto. Argumentação e falácias em entrevistas televisivas: por um diálogo entre o
modelo Toulmin e a perspectiva textual-interativa. Revista Linha D'Água, 29(2), p.69 -96, 2016.
http://dx.doi.org/10.11606/issn.2236-4242.v29i2p69-96
GONÇALVES-SEGUNDO, Paulo Roberto. Posicionamento epistêmico e argumentação: articulações entre
evidencialidade, modalidade epistêmica e provas retóricas (ethos, pathos e logos). No prelo.

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Painel 2 – Cognição e Discurso


Perspectivação conceptual e metaforização na compreensão de tweets
Gabriela Dioguardi (USP)
Resumo: Esta comunicação tem como objetivo identificar e analisar a metaforização como uma das estratégias
metacognitivas de construção de sentidos de tweets argumentativos - gênero textual digital que circula somente no
ambiente Twitter - escritos em até duzentos e oitenta caracteres. Com o objetivo de atender às demandas de usuários
que expressavam muita dificuldade em produzir textos até o limite inicial permitido de cento e quarenta caracteres,
compreendemos que os apontamentos envolvidos na expressão dessas dificuldades são de ordem cognitiva e, mais
especificamente, de ordem metacognitiva, já que os interlocutores recorrem a complexos mecanismos de recuperação
contextual resultantes de processos inferenciais necessários para defender um ponto de vista, seja para a produção ou
para a compreensão desses textos. Por meio da análise de três tweets publicados no ambiente, fundamentamo-nos
teoricamente nas Teorias da Argumentação, mais notadamente àquelas vinculadas aos postulados de Perelman- Tyteca
[1996 (1958)], uma vez que, por envolverem escolhas conscientes resultantes de processos inferenciais,
compreendemos essas estratégias metacognitivas como argumentativas; na perspectiva sociocognitiva-interacionista
da Linguística Cognitiva (LC) em relação à concepção de conceptualização como um processo cognitivo dinâmico
envolvido na construção e reconstrução de significados nos conceitos de Cognição apresentados por Marcuschi (2007),
de Metacognição, segundo Kleiman (1989); na noção de Contexto defendida por Van Dijk (2014); de perspectivação
conceptual apresentada por Croft (2012) e de operações de perspectivação conceptual proposta por Hart (2014). Os
resultados parciais permitem-nos observar que a metaforização estabelece-se como uma operação de perspectivação
conceptual de ordem metacognitiva baseada no uso e na experiência e concebida como resultado de uma construção
cognitivo-perceptual inferencial e, portanto, argumentativa, ajustada ao contexto específico do Twitter.
Palavras-chave: Twitter; Tweet; Argumentação; Cognição; Metacognição.
Referências
CROFT, William; CRUSE, Allan. Cognitive Linguistics. New York: Cambridge University Press, 2004.
HART, Christopher. Critical Discourse Analysis and Cognitive Science: New Perspectives on Immigration Discourse. New
Tork: Palgrave Macmillan, 2010.
KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. Campinas: Pontes, 1989
MARCUSCHI, Luiz Antônio Cognição, Linguagem e Práticas Interacionais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007.
PERELMAN, Chaïm; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da argumentação: a nova retórica. Martins Fontes, [1996
(1958)].
VAN DIJK Teun A. Discourse and Knowledge: A Sociocognitive Appro- ach. Cambridge: Cambridge University Press, 2014.

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Painel 2 – Cognição e Discurso


Argumentação e cognição: a construção do frame Lava Jato
Zilda Aquino (USP)
Renata Palumbo (Fac. Drummond)
Resumo: Propomos uma interface entre a Linguística Cognitiva e os estudos acerca da Argumentação, a fim de analisar
as ocorrências de metáforas conceptuais e seu papel argumentativo na criação do frame operação Lava Jato, tendo em
vista que sua construção está em curso pelos discursos midiáticos no Brasil. Pressupomos que os frames, ancorados à
linguagem, tomam parte dos mecanismos discursivos por meio dos quais se constroem ideias e se encaminham
sentidos, assim como Fauconnier (1999) vem assinalando, e estão estreitamente relacionados à prática argumentativa,
extremamente presente nos discursos públicos pelos quais os acontecimentos do campo político chegam à população.
O corpus para este trabalho consiste de um recorte das notícias sobre a Lava Jato, coletadas desde 2014. Os resultados
da pesquisa apontam para o fato de que a mobilização e a organização da informação via práticas discursivas na mídia
permitem construções discursivo-cognitivas das quais os públicos tomam parte, produzem pontos de vista e tomam
decisões – finalidades centrais da argumentação. A discussão teórica tem por embasamento as pesquisas de Fauconnier
(1999), Morato (2016), Fillmore e Baker (2009) sobre frames, os estudos acerca da metáfora conceptual de Lakoff e
Johnson (1980), Lakoff (1995), às quais aliamos os preceitos da Teoria da Argumentação que tem entre seus expoentes
Perelman e Olbrechts-Tyteca (2002 [1958]).
Palavras-Chave: Frame; Metáfora Conceptual; Argumentação.
Referências
FAUCONNIER,G. Mappings in Thought and Language. Cambridge: Cambridge University Press, 1999.
FILLMORE,C.J.; BAKER,C. A frames approach to semantic analysis. In: HEINE, B. & HEIKO, N. (Eds.). The Oxford Handbook
of Linguistic Analysis. New York: The Oxford University Press, 2009. p. 313-339.
LAKOFF, G. “The contemporary theory of metaphor”. In: Ortony, Andrew (ed.). Metaphor and Thought. Cambridge:
Cambridge University Press, 1995, 202-251.
LAKOFF, G.; JOHNSON, M. Metaphors We Live By. Chicago: The University of Chicago Press, 1980.
MORATO, E. M. Das relações entre linguagem, cognição e interação – algumas implicações para o campo da saúde.
Linguagem em (Dis)curso – LemD, Tubarão, SC, v. 16, n. 3, p. 575-590, set./dez. 2016.
PERELMAN, Ch; OLBRECHTS-TYTECA, L. Tratado da argumentação. A Nova Retórica. Tradução Maria Ermantina Galvão.
São Paulo: Martins Fontes. 2002 (1958).

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Painel 3 – O espaço da argumentação em diferentes discursos


Ensino da dissertação e argumentação em livros didáticos: por uma análise dialógica da linguagem
Maria Inês Batista Campos (USP)
Resumo: Nesta comunicação, o objetivo é discutir as mudanças e as permanências do ensino de
dissertação/argumentação nos livros didáticos de língua portuguesa. Foram selecionadas duas obras do ensino médio
publicadas em 1989 e 2000: Redação escolar: criatividade, de Meserani e Texto e interação, de Cereja; Magalhães a fim
de comparar as mudanças ocorridas com a introdução dos estudos linguísticos no ensino de língua portuguesa. Não se
pode negar que ainda hoje o ensino sistemático da produção de textos dissertativos integra o currículo da disciplina de
português no ensino médio e os resultados nos exames finais continuam apresentando resultados pouco satisfatórios.
Como as propostas didáticas nas duas décadas foram elaboradas levando em consideração os conceitos de “texto” e
“produção escrita” advindos das teorias linguísticas tomadas como base de elaboração do material didático em cada
período? A partir da perspectiva dialógica da linguagem, uma das noções bakhtinianas mobilizadas é a “dupla
orientação do gênero na realidade”, desenvolvida em O método formal nos estudos literários: uma introdução crítica a
uma poética sociológica (1928), de P. Medviédev. Segundo o estudioso russo, o gênero do discurso orienta-se em
relação à realidade “de forma dupla [...]: em primeiro lugar, para os ouvintes e os receptores, e para determinadas
condições de realização e de percepção. Em segundo lugar [...], cada gênero está tematicamente orientado para a vida,
para seus acontecimentos, problemas, e assim por diante” (2012, p. 195). Nesse enfoque, as propostas didáticas serão
compreendidas como unidades reais da cadeia verbal como fenômenos sociológicos. Os resultados da pesquisa indicam
que as mudanças dos referenciais curriculares no final da década de 1990 introduziram mudanças no livro didático, e
uma delas foi a noção de texto argumentativo. Trata-se de discutir, nessa comunicação, como as orientações didáticas
permitem ao estudante produzir textos argumentativos dentro de uma relação compreensão ativa.
Palavras-chave: Dissertação; Argumentação; Livros didáticos; Dupla orientação.

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Painel 3 – O espaço da argumentação em diferentes discursos


Miniconto e argumentação: vozes em conflito
Miriam Bauab Puzzo (UNITAU)
Resumo: Os contos modernos apresentam uma narrativa fragmentada, cujos enunciados servem como motivação para
possíveis respostas dos leitores com a finalidade de lhes dar acabamento. Partindo do pressuposto de que os
enunciados literários e suas narrativas fazem parte do repertório dos leitores, os escritores atuais, considerando a
rapidez necessária para acompanhar o ritmo de vida moderno, sintetizam ao máximo suas narrativas. É o caso dos
minicontos de Dalton Trevisan, um conjunto de instantâneos da vida urbana que exige do leitor a capacidade de
responder a esses fragmentos completando-os. Assim, o objetivo deste trabalho é observar como tais contos deixam
entrever momentos cruciais na vida de suas personagens, instigando seus leitores a completarem as lacunas deixadas
pelo autor, concluindo individualmente as narrativas a partir de suas experiências pessoais. Dessa forma, tais contos
flagram momentos significativos em que o embate entre as personagens constitui momentos de tensão em seu clímax.
Tais fragmentos deixam entrever o diálogo e os argumentos que por ele perpassam de modo inusitado. O conceito de
argumentação, ampliado pelo plano discursivo tem como referência os conceitos sugeridos pela retórica moderna que
procura deslocar o conceito clássico de Aristóteles para as novas formas de comunicação. A fundamentação que
sustenta essa pesquisa é a teoria dialógica da linguagem de Bakhtin e do Círculo a partir dos conceitos de linguagem,
enunciado e estilo, tendo como princípio a concepção tensa que constitui toda forma de manifestação comunicativa.
Para cumprir essa proposta, foram selecionados os minicontos: 33; 34; 35; 36 e 222 do livro 2 3 4 de Dalton Trevisan
(1997). Cada texto constitui uma unidade independente, mas existem elementos que permitem o diálogo
argumentativo entre eles, deixando entrever as vozes sociais que neles ecoam, tendo em vista o contexto social e o
momento de sua produção.
Palavras-chave: Miniconto; Argumentação; Teoria dialógica da linguagem; Estilo.

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Painel 3 – O espaço da argumentação em diferentes discursos


O tom apreciativo como elemento de argumentação e a modalidade oral no ensino/aprendizagem de língua
materna
Sandra Mara Moraes Lima (UNIFESP)
Resumo: O trabalho se propõe a analisar um anúncio publicitário, abordando a modalidade oral como objeto de ensino.
Tem como objetivo demonstrar como o tom apreciativo, conceito bakhtiniano, é determinante na interação com o
telespectador funcionando como elemento de argumentação e persuasão. Pretende ainda discorrer acerca da
modalidade oral, presente em alguns gêneros, demonstrando que nem sempre essa modalidade está vinculada aos
gêneros primários e, portanto, deve estar prevista nas atividades de ensino/aprendizagem de língua materna tanto
quanto a modalidade escrita. O trabalho é fundamentado nas bases teóricas do Círculo bakhtiniano, tomando conceitos
como gêneros discursivos, tom emocional-volitivo (tom apreciativo), autoria, no sentido de evidenciar o caráter
argumentativo nas interações discursivas. E, ainda, considerando o tom apreciativo como um elemento determinante
para a produção de sentido, marcando argumentação e tomada de posição, enfatizamos a necessidade de sua
abordagem nas práticas de sala de aula no processo ensino/aprendizagem dos gêneros discursivos como elemento
argumentativo/persuasivo.
Palavras-chave: Oralidade; Tom apreciativo; Argumentação; Ensino/aprendizagem.

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Painel 3 – O espaço da argumentação em diferentes discursos


Entre as margens do rio Guamá em Belém do Pará: o texto narrativo argumentativo na sala de aula como
acontecimento da vida
Cristiane Dominiqui Vieira Burlamaqui (UEPA/USP)
Resumo: O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados da investigação sobre os significados da escrita na
produção textual verbo-visual de estudantes do 6º ano da escola pública em Belém do Pará. A questão norteadora da
análise é a seguinte: como se dá a seleção do material e da forma para se estabelecer um recorte da realidade social
em que vivem os estudantes? Para essa compreensão, foi empregado o método sociológico proposto por Bakhtin e o
Círculo (BAKHTIN, 2011 [1979], 1999 [1965]; MEDVIÉDEV, 2012 [1928]; VOLÓCHINOV, 2017 [1929]), isto é, uma
compreensão da linguagem em seu caráter indissociável com a vida social, situando-se em uma perspectiva sócio-
histórico da língua como alternativa às perspectivas sistêmico-abstrata e subjetivista defendidas pelo estruturalismo
linguístico. Para esta apresentação, foram selecionados seis textos verbo-visuais a fim de investigar como os estudantes
materializaram seu ato histórico-social de argumentação à proposta didática. Com base no material usado – cores,
traços, desenhos, palavras e na disposição espacial na página, os alunos produziram narrativas argumentativas verbo-
visuais. Os resultados demonstram como, no contexto semiótico-discursivo, cada estudante selecionou e criou seu
próprio sistema de associações, produzindo enunciados concretos a partir de sua compreensão sobre a realidade sócio-
cultural. Os enunciados concretos revelam a percepção ativa sobre os interlocutores, sobre o contexto enunciativo e
sobre as possibilidades que as formas linguísticas dispõem para reprodução da realidade, efetuando-se, assim, um
recorte dessa realidade.
Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa; Texto narrativo argumentativo; Enunciado concreto; Teoria dialógica do
discurso.

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Painel 3 – O espaço da argumentação em diferentes discursos


Argumentação e dissertação em manuais didáticos da década de 1980
Nathalia Akemi Sato Mitsunari (USP)
Resumo: Nesta comunicação, será feita uma análise comparativa entre a apreensão ativa do discurso do outro no
ensino da dissertação em dois livros didáticos de língua portuguesa da década de 1980: Língua e Literatura (1982, 1ª
edição, Ática), de Carlos Emílio Faraco e Francisco Marto de Moura e Fundamentos de Língua e Linguagem (1987, 1ª
edição, Ática), de Cloder Rivas Martos e Roberto Melo Mesquita. A década de 1980, no Brasil, foi um período marcado
pelo encontro entre discursos acadêmicos e pedagógicos e, sobretudo, por reformas significativas na educação – a
ditadura militar reformara o ensino primário e o ensino médio, a serviço do desenvolvimento industrial e tecnológico
do país. A disciplina “Português” passou a ser designada “Língua portuguesa e literatura portuguesa e literatura
brasileira”, no 2º grau. Em 1977, o decreto nº 79.298 alterou as prescrições que orientavam o vestibular, obrigando as
instituições a adotar a prova de redação. A fundamentação teórica e metodológica está ancorada na perspectiva
bakhtiniana, tendo o conceito de discurso alheio com o propósito de estabelecer relação com as diferentes
terminologias para o conceito de dissertação. Partindo do pressuposto de que o livro didático configura um gênero do
discurso, com historicidade, forma composicional complexa composta de intercalações e estilo didático de gênero,
investigarei os diálogos existentes na seleção e na organização de determinados objetos de ensino, e não outros, a fim
de chegar a um conjunto de papéis que o livro didático pode assumir, em função de seu lugar de produção e de
circulação. Os resultados obtidos contribuem para a reflexão em torno do que pode significar o ensino de dissertação
no ensino de língua materna em regimes autoritários.
Palavras-chave: Linguística Aplicada; Análise dialógica do discurso; Livro didático de Língua Portuguesa.

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Painel 4 – Argumentação e Interfaces Discursivas: 30 anos da Constituição Brasileira


Preâmbulos constitucionais em contextos lusófonos: uma análise retórico-argumentativa contrastiva
Rosalice Pinto (FCSH/ICNova)
Carla Teixeira (CLUNL)
Resumo: A Constituição, como se sabe, é o mais importante texto na hierarquia dos textos normativos, sendo a lei
fundamental de uma sociedade politicamente organizada. Neste gênero textual altamente instituído (MAINGUENEAU,
2015) é de ser ressaltada a importância do preâmbulo enquanto gênero incluído (RASTIER, 1989), trazendo subsídios
discursivos relevantes para a interpretação dos diversos artigos que lhe seguem (PINTO & TEIXEIRA, 2017). Face a esse
contexto, este trabalho, centrado em perspectivas textuais-discursivas que evidenciam a influência de aspectos
genéricos de natureza contextual na análise de textos/discursos (BRONCKART, 1999; MAINGUENEAU, 2015), objetiva
estabelecer uma análise retórico-argumentativa contrastiva dos preâmbulos da Constituição da República Federativa
do Brasil, de 1988 e da Constituição da República Portuguesa, de 1976. Para cumprir tal objetivo serão estudadas,
primeiramente, algumas marcas de responsabilização enunciativa, formas verbais e nominais presentes nos
documentos. Num segundo momento, será estabelecida uma relação entre a seleção dessas mesmas marcas e os
contextos político-históricos em que os documentos são produzidos. Estudos preliminares atestam que a seleção das
marcas textuais efetuada não é aleatória, uma vez que incorpora as representações coletivas/individuais da sociedade
da época, evidenciando o caráter retórico-argumentativo dos textos em análise.
Palavras-chave: Preâmbulos constitucionais; Argumentação; Retórica; Gêneros textuais.
Referências
BRONCKART, J-P. (1999). Atividade de linguagem, textos e discursos. Por um interacionismo sócio-discursivo. Trad. de
Anna Rachel Machado e Péricles Cunha. São Paulo: EDUC.
MAINGUENEAU, D. (2015). La philosophie comme institution discursive. Paris: Lambert Limoges.
PINTO, R. & TEIXEIRA, C. (2017). Argumentação em preâmbulos constitucionais: interfaces em contextos
lusófonos. Acta Scientarum. Language and Culture. v. 39, n. 2, p. 143-153.
RASTIER, F. (1989). Sens et Textualité. Paris: Hachette.

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Painel 4 – Argumentação e Interfaces Discursivas: 30 anos da Constituição Brasileira


Constituição da República Federativa do Brasil – interfaces discursivas para a produção de sentidos
Sueli Cristina Marquesi (PUCSP)
Resumo: Escrita em importante momento da história brasileira recente – o do fim da ditadura militar e início da
redemocratização do país, a Constituição do Brasil (1988) insere-se no cenário nacional como um documento singular,
orientador de garantias individuais. Trata-se, pois, de um gênero prescritivo, cujo conteúdo proposicional será
entendido na interface com documentos escritos posteriormente. Diante desta consideração inicial, defino como
objetivo, neste trabalho, responder as seguintes questões: 1) quais são os elementos linguísticos que revelam o gênero
prescritivo do texto constitucional? 2) quais interfaces podem ser estabelecidas para o entendimento do que está
prescrito no referido texto? Para respondê-las, proponho-me a analisar dois artigos da Constituição do Brasil– o
referente à autonomia da educação superior (art. 207) e o referente à ciência, tecnologia e inovação (art. 218), em
interface com o que a eles se relacionam em dois documentos da educação brasileira escritos posteriormente: 1) a Lei
de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996; 2) o instrumento de avaliação institucional do INEP/MEC, de 2016. Para
tanto, tomarei por base princípios teóricos da Linguística Textual (Koch, 2004) e da Linguística Enunciativa (Colas-Blaise,
Perrin, Tore, 2016), numa relação estabelecida entre ambas para a abordagem da Análise Textual dos Discursos (Adam,
2011, 2001).
Palavras-chave: Constituição Federal de 1988; Gênero prescritivo; conteúdo proposicional; construção de sentidos.
Referências
ADAM, J. M. (2011). A Linguística Textual: a análise textual dos discursos. Revisão técnica João Gomes da Silva Neto.
Vários tradutores. 2. ed. revista e aumentada. São Paulo: Cortez, 2011.
________________. (2001). Types de textes ou genres de discours ? Comment classer les textes qui disent de et
comment faire? In: Langages, 35ᵉ année, n°141. Les discours procéduraux. pp. 10-27;
CAPISTRANO JÚNIOR, R.; LINS, M. P. P.; ELIAS, V. M. (Orgs.) (2017). Linguística textual: diálogos interdisciplinares. São
Paulo: Labrador.
COLAS-BLAISE, M.; PERRIN, L.; TORE, G. M. (Dirs.). (2016). L`énonciation aujourd`hui: un concept clé des sciences du
langage. Limoges: Lambert-Lucas.
KOCH, I. G. V. (2004). Introdução à linguística textual: trajetória e grandes temas. São Paulo: Martins Fontes.
SOUZA, E. R. F. de; PENHAVEL, E.; CINTRA, M. R. (Orgs.) (2017). Linguística textual: interfaces e delimitações:
homenagem a Ingedore Grünfeld Villaça Koch. São Paulo: Cortez.

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Painel 4 – Argumentação e Interfaces Discursivas: 30 anos da Constituição Brasileira


Constituição da República Federativa do Brasil – dispositivos enunciativos e argumentação
Maria das Graças Soares Rodrigues (UFRN)
Resumo: Desde o processo de redemocratização ocorrido no final da década de 1980, a Constituição Federal de 1988
passou a ser um marco de referência relevante e central da experiência jurídica brasileira recente. Assim, cada vez mais,
diferentes gêneros discursivos (petição, contestação, sentença, entre outros), que materializam textos jurídicos,
passaram a ter na Constituição Federal um dos pilares para a realização dos seus objetivos pragmáticos-contextuais de
acordo com as especificidades de cada gênero discursivo em questão. Desse modo, a Constituição Federal de 1988 não
apenas figura como argumento jurídico usado pelos juristas, mas como enunciador que participa da construção de
sentidos decorrentes dos discursos veiculados nos textos em que ela é convocada para orientar a visada argumentativa.
Diante dessas considerações, o objetivo deste capítulo é analisar alguns dispositivos enunciativos, entre eles, o locutor,
o enunciador, o ponto de vista, a responsabilidade enunciativa e a mediatividade em alguns artigos da Constituição de
1988 e sua aplicação em sentenças judiciais na área civil e penal, seja de juízes singulares, seja de tribunais superiores.
Para tanto, seguiremos abordagens teóricas que orientam a Análise Textual dos Discursos (ATD), entre elas a Linguística
Enunciativa, a Linguística Textual. Ademais, consideraremos a Linguística Jurídica, a Argumentação Jurídica, entre
outras. Interessam-nos de modo particular alguns autores, entre eles, Adam (2015) Pinto, Cabral e Rodrigues (2016)
Rabatel (2017), Guentchéva (2011), Forray e Pimont (2017), Goltzberg (2017).
Palavras-chave: Constituição Federal de 1988; ponto de vista; responsabilidade enunciativa e mediatividade.
Referências
ADAM, J.-M. (2015) Faire texte: frontières textuelles et opérations de textualisation. Besançon: Presses Universitaires
de Franche-Comté.
FORRAY, V.; PIMONT., S. (2017) Décrire le droit... et le transformer: essai sur la décriture du droit. Paris: Dalloz.
GOLTZBERG, S. (2017). L'argumentation juridique. 3. ed. Paris: Dalloz.
GUENTCHÉVA, Z. (2011) L'opération de prise en charge et la notion de médiatif. In. DENDALE, P.; COLTIER, D. La prise
en charge énonciative: études théoriques et empiriques. Bruxelles: De boeck / Duculot, p. 117-142.
PINTO, R.; CABRAL, A. L. T.; RODRIGUES, M. G. S. (Orgs.). (2016). Linguagem e direito: perspectivas teóricas e práticas.
São Paulo: Contexto.
RABATEL, A. (2017) Pour une lecture linguistique et critique des médias: empathie, éthique, point(s) de vue. Limoges:
Lambert-Lucas.

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Painel 4 – Argumentação e Interfaces Discursivas: 30 anos da Constituição Brasileira


Mudando de ideia sobre a prisão após condenação em 2a. Instância: a estratégia argumentativa do min.
Gilmar Mendes
Ana Elvira Luciano Gebara (UNICSUL/FGV)
Resumo: A prisão após condenação em 2ª instância era um tema de relativa estabilidade quanto à posição dos ministros
do STF. Isso se alterou no caso do Habeas Corpus do ex-presidente Lula (HC 152752/2018) após um dos ministros,
Gilmar Mendes, ter mudado de posição a respeito da possibilidade ou não de prisão. Essa ocorrência trouxe à tona a
necessidade de estudo interdisciplinar das decisões dos ministros, seus votos, na perspectiva da enunciação que coloca
em exame a relação complexa entre a argumentação jurídica que estrutura o voto, principalmente no que se refere a
suas estratégias e a fontes para a elaboração de argumentos, e a dinâmica instaurada no Supremo, a sequência em que
os votos são proferidos, a posição do voto de cada um dos ministros, bem como a posição de cada ministro (presidente,
relator etc.). A análise desenvolvida nesta comunicação se refere à análise do acontecimento comunicativo instaurado
pelas condições de produção, pelo gênero que permite sua consecução, pela organização do enunciado, no caso, o
voto, e a situação em que ele se insere. Dessa maneira, a análise tem como corpus os votos do Min. Gilmar Mendes nos
HC 84078/2009; HC 126292/2016 e HC 152752/2018, em que há alteração de posição do ministro, e como categorias,
a dinâmica do proferimento no STF e a estrutura argumentativa do voto. A fundamentação teórica para tal análise
acompanha o caráter interdisciplinar do estudo envolvendo a Análise do Discurso, em Maingueneau (2013; 2015) e em
Adam (2010; 2011); as Teorias de Argumentação em geral em Amossy (2017; 2018); e em Cabral (2010; 2016); e
especificamente as Teoria da Argumentação Jurídica, em MacCormick (2005) e em Dworkin (1982; 1986).
Palavras-chave: Votação no STF; Argumentação Jurídica; Coerência; Convencimento
Referências
ADAM, J. M. (2011). A Linguística Textual: a análise textual dos discursos. Revisão técnica João Gomes da Silva Neto.
Vários tradutores. 2. ed. revista e aumentada. São Paulo: Cortez, 2011.
ADAM, J.M.; HEIDMANN, U.; MAINGUENEAU, D. (2010). Análises textuais e discursivas: metodologia e aplicações.
Organização de Maria das Graças Soares Rodrigues; João Gomes da Silva Neto; Luís Passeggi. São Paulo: Cortez.
AMOSSY, R. Argumentação no Discurso. (2018). Coordenação de Tradução: Eduardo Lopes Piris e Moisés Olímpio-
Ferreira; Tradução de Angela M. S. Corrêa et al. São Paulo: Contexto.
_______ . (2017) Apologia da Polêmica. Tradução de Mônica Magalhães Cavalcante. São Paulo.
CABRAL, A. L. T. (2010). A força das palavras: dizer e argumentar. São Paulo: Contexto.
DWORKIN, R. (1986). Law’s Empire. Cambridge: Harvard University Press.
MacCORMICK, N. (2005). Rhetoric and the Rule of Law. A Theory of Legal Reasoning. Oxford: Oxford University Press.
MAINGUENEAU, D. Discurso e Análise do Discurso. Tradução de Sírio Possenti. São Paulo: Parábola.
______ . (2013). Análise dos Textos de Comunicação. 6ª. ed. Tradução de Maria Cecília Souza Cecília Souza-e-Silva e
Décio Rocha. São Paulo: Cortez.
PINTO, R.; CABRAL, A. L. T.; RODRIGUES, M. G. S. (Orgs.). (2016). Linguagem e direito: perspectivas teóricas e práticas.
São Paulo: Contexto.

25
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Painel 4 – Argumentação e Interfaces Discursivas: 30 anos da Constituição Brasileira


Constituição e argumentação: a função social do imóvel rural
Ana Lúcia Tinoco (UNICSUL)
Resumo: A preservação da atividade agrária, garantindo seu desenvolvimento constitui um dos objetivos do
ordenamento jurídico. Se em países europeus o objetivo do ordenamento foi organizar a atividade agrária, no Brasil, o
fim foi promover, por meio de desapropriações, a distribuição de terras e a preservação de interesses sociais no setor
rural. Dito isso, este trabalho tem por objetivo apresentar um estudo jurídico e linguístico do Artigo e 184 e do Artigo
186 da Constituição brasileira, a fim de identificar e descrever as lacunas jurídicas em tais artigos no que diz respeito à
função social do imóvel rural e suas implicações, procurando analisar as marcas linguísticas de argumentação no texto
constitucional e interpretar como a orientação argumentativa contribui para restringir a função social do imóvel rural.
O estudo apoia-se em autores que tratam do Direito Agrário, como como Garrozza e Zeledón (1990); Scaff (2005) e
Bueno (2017), entre outros. Do ponto de vista da linguagem, o estudo apoia-se nos estudos da Teoria da Argumentação
na Língua, postulada por Ducrot (1884) e por Anscombre e Ducrot (1997). Para Ducrot, a argumentação está na língua,
o que quer dizer que as palavras da língua trazem em si uma argumentação que orienta o discurso. Desse ponto de
vista, as escolhas linguísticas implicam uma orientação argumentativa do dizer e indicam uma tomada de posição do
enunciador frente aos enunciados que produz. Investigaremos o que indicam as escolhas do legislador, ao caracterizar
“o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social” (Art. 184) e ao estabelecer o que concerne o cumprimento
da função social do imóvel rural.
Palavras-Chave: Direito Agrário; Função Social do Imóvel Rural; Constituição Federativa do Brasil; Argumentação.
Referências:
ANSCOMBRE, J-C.; DUCROT, O. (1997). L’argumentation dans la langue. Liège: Mardaga.
BUENO, F. de G. (2017) Contratos agrários agroindustriais: análise à luz da teoria dos contratos atípicos. São Paulo:
Almedina.
CABRAL, A. L. T. (2014) Enunciação e Argumentação no Discurso Jurídico: léxico, significação e sentido. IN: Esther Gomes
de Oliveira, Suzete Silva (org). Semântica e Estilística: dimensões atuais do Significado e do Estilo. Homenagem a Nilce
Sant’Anna Martins. Campinas Pontes, p. 57-73.
_______. A força das palavras: dizer e argumentar. São Paulo: Contexto, 2010.
CARROZZA, A.; ZELEDÓN, R. (1990). Teoría general e institutos de derecho agrario. Buenos Aires: Astrea.
DUCROT, O. (1984). Le dire et le dit. Paris: Minuit.
PINTO, R.; CABRAL, A. L. T.; RODRIGUES, M. G. S. (Orgs.). (2016). Linguagem e Direito: Perspectivas Teóricas e Práticas.
São Paulo: Contexto, 2016.
SCAFF, F. C. (2005) A função social dos imóveis agrários. In: Revista dos Tribunais. São Paulo. v.94. n.840.

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Comunicações

Poemas em diálogo em Amigos do Peito: argumentação de criança na hora de brincar


Ana Elvira Luciano Gebara (UNICSUL/FGV)

Resumo: Em função da dimensão argumentativa da linguagem (AMOSSY, 2006), desde pequenos, apresentamos
raciocínios argumentativos em formas e momentos variados. Um dos mais frequentes é a hora da brincadeira,
principalmente, porque há uma equalização hierárquica mediada e garantida por regras que têm como função dar a todos
a mesma oportunidade de participar e vencer. As estratégias argumentativas que envolvem esses momentos têm como
resultado, o empoderamento das crianças na interação com seus “colegas” de brincadeira. Na literatura para a infância,
essas interações são frequentes. No entanto, nos poemas até a segunda metade do século XX, a voz das crianças, de suas
expectativas, de suas formas de dizer, nem sempre eram representadas, pois, no espaço desses gêneros de caráter lírico,
a voz que comandava era a do adulto e, desse lugar discursivo (BRANDÃO, 2012), ele enunciava. Porém, com poetas como
Cecília Meireles, José Paulo Paes, Bartolomeu de Queirós, abrem-se espaços, maneiras de se ocupar o mundo. Nessa
linha, insere-se o livro Amigos do Peito (THEBAS, 1996), em que a voz da criança se torna o centro das cenografias criadas
entre o espaço privado e o escolar. Essas cenografias se baseiam em sua maioria nas conversas e nos relatos das crianças
em diversas situações do cotidiano e revelam a posição e a tentativa de persuasão desses sujeitos em formação em
relação a outros de seu entorno. Desta forma, esta comunicação tem como objetivo identificar e analisar as estratégias
argumentativas (CABRAL, 2011; FIORIN, 2006, 2015) adotadas por esse sujeito lírico (COLLOT, 2013), tendo como base as
cenas enunciativas em que são empregadas (MAINGUENEAU, 1998, 2010, 2013, 2016); dentro de configurações genéricas
determinadas (MARCUSCHI, 2008) em quatro poemas que emulam em relações intratextuais e em relações intertextuais,
os diálogos necessários para retomar a autoridade da criança ou para restabelecer as regras do jogo.

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O contrato de comunicação no álbum de potencial recepção infantil: narrar para fazer crer
Anabel Medeiros Azerêdo de Paula (UFF)

Resumo: Neste trabalho, cujo aporte teórico concentra-se na Teoria Semiolinguística (CHARAUDEAU, 2008), pretende-se
demonstrar, por meio de análise qualitativa, como uma narrativa verbo-visual endereçada, potencialmente, a crianças
pode servir a uma finalidade argumentativa (CHARAUDEAU, 2004). Nossa hipótese é a de que o leitor destinatário é
interpelado por um projeto de influência social, que visa à sua adesão a uma determinada proposta sobre o mundo, seja
na literatura infantil produzida, prioritariamente, como instrumento utilitário-pedagógico, seja naquela pensada,
predominantemente, para fins estético-literários (COELHO, 2000). Considerando os altos índices de violência contra
homossexuais no Brasil, urge a necessidade de combater o preconceito, fomentando o respeito às diferenças. Portanto,
decidiu-se investigar como os temas fraturantes (RAMOS, 2010) homoafetividade e homoparentalidade são postos em
discurso na literatura infantil. Elegeu-se duas obras remetidas a crianças em estágios diferentes de leitura (COELHO, 2000):
Meu amigo Jim (CROWTHER, 2007), destinada a leitores iniciantes e Meus dois pais (CARRASCO; CARDON, 2010), indicada
aos leitores em processo, com a finalidade de descrever e comparar as estratégias discursivas, relacionadas à captação,
empregadas em dois níveis de leitura distintos. Verifica-se que essas obras possibilitam ao leitor uma atitude projetiva,
ligada ao fazer-crer, pois permitem a sua identificação com as personagens e com a trama narrativa e o confronto com
as representações que espelham o ser social.
Palavras-chave: Semiolinguística; Persuasão; Álbum; Homossexualidade.
Referências
CHARAUDEAU, Patrick. A argumentação talvez não seja o que parece ser. In:
GIERING, Maria Eduarda; TEIXERIA, Marlene. Investigando a linguagem em uso: estudos em Linguística Aplicada. São
Leopoldo, RS: Editora Usininos, 2004. (p. 33-44)
_________. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Contexto, 2008.
COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: toeira, análise, didática. São Paulo:
Moderna, 2000.
RAMOS, Ana M. Saindo do Armário – Literatura para a infância e a reescrita da homossexualidade, Forma Breve, n. 7, p.
295 – 314, Aveiro, 2010.

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A argumentação para o consumo em textos jornalísticos


Audria Leal (CLUNL/FCT)
Carla Teixeira (CLUNL)

Resumo: Os estudos sociais contemporâneos retratam a intensificação do consumo na sociedade atual e a influência da
economia na produção de géneros textuais (Bazerman, 2005). Considerando que a atividade económica orienta a
formatação dos géneros textuais e reforça nos textos uma lógica de mercado, é objetivo desta comunicação refletir sobre
a argumentação para o consumo nos textos jornalísticos.
Como tal, este trabalho inscreve-se nos estudos dos discursos, no campo teórico do Interacionismo Sociodiscursivo
(Bronckart, 2008), observando uma análise descendente que relaciona as atividades sociais, a escolha dos géneros e as
estratégias textuais verbais e não verbais. Complementar-se-á esta abordagem com o quadro teórico da Análise Crítica
do Discurso e seguir-se-á o quadro teórico-metodológico da Semiótica Social (Kress & van Leeuwen, 2006).
Metodologicamente, analisaremos textos jornalísticos da revista Time Out, a publirreportagem, a notícia e o artigo de
opinião, visando identificar características e estratégias argumentativas de incentivo ao consumo, propomo-nos a:
- identificar as estratégias de textualização dos diferentes textos jornalísticos de carácter persuasivo e que orientam para
o consumo.
- descrever as relações que a atividade jornalística estabelece com outras atividades, entenda-se, publicitárias e/ou de
consumo.
Como resultado desta análise, esperamos contribuir para desenvolver a noção de géneros de mercado. Além disso,
procuraremos contribuir para os estudos sobre a construção de ideologias pela comunicação social, nomeadamente, a
ideologia do consumo.
Palavras-chave: Atividade de linguagem; Géneros de mercado; Consumo e argumentação.
Referência
Bazerman, C. (2005). Gênero e Identidade: na cidadania na era da internet e na era do capitalismo global. In A. Dionisio &
J. Hoffnagel. Gêneros Textuais, Tipificação e Interação: Charles Bazerman. São Paulo: Cortez.
Bronckart, J-P. (1999). Atividades de Linguagem, Textos e Discursos. Por um Intercionismo Sócio-discursivo. São Paulo:
Editora da PUC-SP, EDUC.
Kress, G. & van Leeuwen, T. (2006). Reading Images. The Grammar of Visual Design. London: Routledge. 2.ª edição.

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A Construção do conceito Competência em políticas de formação docente


Cristiane Borges de Oliveira (USP)

Resumo: Neste trabalho, pesquisamos em um conjunto de 19 documentos curriculares como a categoria


“Competência” (Fleury & Fleury, 2001) – relacionada aos conteúdos, não apenas em um sentido restrito do
conceito, mas na discussão sobre temas, atividades, abordagens teórico-metodológicas para o ensino –
constituiu-se na (e para) formação de professores de Língua Portuguesa no Ensino Médio. Nosso objetivo foi
analisar qual(is) representação(ões) do docente se constrói(em) em documentos de referência curricular
lançados entre 1995 e 2014, período no qual três diferentes gestões políticas governaram o Brasil. Para
fundamentar o trabalho analítico, utilizamos como base a Análise do Discurso francesa, a partir dos conceitos
de representação e enunciação de Pêcheux (2014) e de interdiscurso de Maingueneau (2005). Os resultados
apresentam que, mesmo havendo relações de consonância nos discursos produzidos nas três gestões, os
contextos de produção discursiva se constituem mais por dissonâncias, tanto no modo como ocorre o
tratamento dos currículos – com rupturas em relação ao já dito – quanto na constituição da representação
docente – a qual oscila ao apresentar ora um sujeito resistente, ora reflexivo, ora conformado frente ao processo
formativo. Assim, nota-se um desafiador confronto discursivo, permanente nos documentos para os docentes
na formação inicial e nos documentos para o ensino de Língua Portuguesa no Ensino Médio, pois a tentativa
de construção da nova perspectiva curricular gera tensão ao ocorrer apenas como resposta e disputa aos
materiais anteriormente produzidos.
Palavras-chave: Formação docente; Língua Portuguesa; Currículo; Competência.
Referência
PÊCHEUX, M. Semântica e Discurso: Uma crítica à Afirmação do Óbvio. Campinas: Ed. Unicamp, 2014.
MAINGUENEAU, D. Gênese dos discursos. Curitiba, PR: Criar Edições, 2005.
FLEURY, M.T.L.; FLEURY, A. Construindo o Conceito de Competência. In: RAC, Edição Especial 2001: 183-
196. Disponível: http://www.scielo.br/pdf/rac/v5nspe/v5nspea10.pdf (Acesso: abril/2016).

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Estudo da argumentação: análise da construção de uma referência no texto pelo viés


semântico e discursivo
Daniela Zimmermann Machado (UNIV-ORLEANS/UNESPAR)

Resumo: Neste estudo, investigamos a argumentação textual a partir da análise dos processos de referenciação, tendo
como corpus de análise dois romances policiais. Entendemos a construção textual da referência como uma construção
dinâmica e negociada de referentes que ocorre nos textos e que está ligada à argumentatividade discursiva. Assumimos
que todo texto é intrinsicamente argumentativo. Para a realização da pesquisa, propomos os seguintes questionamentos:
de que modo os elementos de referenciação revelam a argumentação dos textos? De que modo o discurso e a semântica
podem contribuir para a análise da construção da referência? Analisamos a presença de anáforas (co-referenciais e não-
correferenciais), observando como esses elementos promovem a progressão temática do texto e a construção da
argumentação, por parte dos leitores. A hipótese da pesquisa, já confirmada, é a de que os elementos de referenciação
revelam indícios de argumentatividade, sejam pelas escolhas lexicais, seja pela forma como os elementos são introduzidos
e retomados ao longo do texto. Para discutirmos sobre as questões textuais e discursivas, baseamo-nos em Koch (2005);
sobre o estudo da referenciação textual, baseamo-nos em Cavalcante (2011) e sobre a semântica do ponto de vista,
Raccah (2008). Os resultados revelam que a construção da referência no texto promove a construção do sentido e auxilia
na interpretação do encaminhamento argumentativo sugerido pelo autor do texto.
Palavras-chave: Argumentação; Texto; Discurso; Referenciação.
Referência
CAVALCANTE, M. Referenciação: sobre coisas ditas e não ditas. Fortaleza: Edições UFC, 2011.
KOCH, I.V. Referenciação e orientação argumentativa. In: I.G.V. KOCH; MORATO, E.; BENTES, A.C. (orgs). Referenciação e
discurso. São Paulo: Contexto, 2005.
RACCAH, P-Y. Contraintes linguistiques et compréhension des énoncés : la langue comme outil de manipulation. In :
Entretiens d’orthophonie. Paris, Expansion Formations et Éditions, 2008.

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Argumentação em processos jurídicos que envolve direito proprietário


Elaine Maria Gomes de Abrantes (UERN)

Resumo: O Direito caracteriza-se essencialmente por sua atividade argumentativa, que opera com recursos para produzir
determinados efeitos de sentido. Estes são também efeitos de poder. A linguagem é a ferramenta de trabalho do
profissional do Direito, quando ele interpreta, opera com referências linguísticas e quando justifica os sentidos
produzidos, coloca em cena recursos argumentativos. Este artigo busca observar os principais recursos argumentativos
presentes ou ausentes em peças processuais judiciais. Para tanto, realizamos um estudo descritivo e analítico em
processos de Direito de Propriedade de Bens Imóveis na Comarca de Sousa, Paraíba, Brasil, coletadas em processos reais
físicos, já findos e arquivados. Através de uma análise tanto dedutiva quanto indutiva e direta dos textos obtidos mediante
autorização escrita e retirada de cópia xerográfica, realizamos uma exploração empírica para a obtenção de dados tanto
quantitativos quanto qualitativos das técnicas argumentativas apontadas pelo Direito Processual e pela Nova Retórica.
Para tanto, com respaldo teórico nas obras de Perelman e Olbrech-Tyteca (2006), além de Henriques (2013), Fiorin (2016),
Souza (2008) e no Dialogismo do Círculo de Bakhtin (1995), avaliamos se a argumentação jurídica presente nos processos
atende os requisitos de responsabilidade e responsividade. Os resultados apontam um grande número de processos
extintos sem julgamento de mérito, o que indica tanto déficit jurisdicional quanto argumentativo.
Palavras-chave: Direito; Argumentação; Propriedade; Processos.
Referência
HENRIQUES, Antônio. Argumentação e Discurso Jurídico. 2. Ed. São Paulo: Atlas, 2013.
FIORIN, José Luiz. Argumentação. 1. ed., 2ª reimpressão. São Paulo: Contexto, 2016.
PERELMAN, C.; OLBRECHTS-TYTECA, L. Tratado da Argumentação: a nova retórica. Tradução de M. E. G. G. PEREIRA. São
Paulo: Martins Fontes, 2006.

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A língua imaginária e a língua fluída na escrita de Geovani Martins


Élida Cristina de Carvalho Castilho (UFMS/IFSP-Avaré)

Resumo: As análises que propomos aqui advém das reflexões iniciais que vem sendo realizadas em nosso trabalho de
doutoramento das e sobre as subjetivações discursivo-literárias do livro “O sol na cabeça”, do escritor contemporâneo
Geovani Martins. O esforço empreendido será no sentido de verificar quais engendramos discursivos, acerca das
representações de seus referentes, podem ser mobilizados nos dizeres dos alunos do Ensino Médio e de graduação em
Letras e também, a partir do discurso do autor. Morador da favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, e nova promessa (e
realidade) editorial brasileira, seu lócus de enunciação é condição decisiva em sua criação/produção (FREIRE, 2017). Nesta
comunicação, entretanto, propomo-nos a analisar o funcionamento das concepções de língua imaginária e língua fluida
(ORLANDI, 1988, 1990, 2002, 2009) em dois contos da obra, “Rolézim” e “Espiral”. Desse modo, à luz das teorias
discursivas (CORACINI, 2007) buscamos não interpretar como emergem esses dois conceitos em seu dizer, mas como
acontecem as relações de sentido, de força desses discursos (FOUCAULT, 1999), nos dizeres desse sujeito que, entendido
como interpelado pela ideologia e afetado pelo inconsciente (MILNER, 2002), inscreve rastros linguísticos de uma lalingua
(LACAN, 1985) que constitui seus discursos sobre seus referentes principais – a pobreza, a vida em comunidade, a
criminalidade no Rio de Janeiro, as intervenções militares e governamentais. Assim, nessa perspectiva, observamos que
escrever literatura a partir desse lugar e sobre esse lugar traz em seu discurso marcas linguísticas dessas acepções de
língua que, imbricadas, justapostas, sobrepostas, (re)velam a “máscara arbitrariamente construída que é a língua”
(MILNER, 2002), que não toca nenhum real, articula sempre língua e desejo e sempre estará a serviço de um não-todo;
de uma incompletude que é própria da língua e, por extensão, dos sujeitos que dela fazem uso.
Palavras-chave: Discurso; Língua Fluida; Língua Imaginária.

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‘Long live Harry and Meghan!’: an analysis of polite and aggressive argumentation strategies
from online forums on recent celebrity-related news
Elsa Simões Lucas Freitas (UFP)

Abstract: The royal wedding of Prince Harry and Meghan Markle took place at St George's Chapel, in Windsor, on 19 May,
2018. This occasion elicited a deluge of contradictory comments on every social media. Even prior to the event, things like
the bride’s nationality, profession, marital status and ethnicity were already news fodder for tabloids and society
magazines. The high visibility enjoyed by a prominent member of the Royal Family and, therefore, by his bride, makes
them both easy targets for supportive and exultant comments, as well as for hate speech and verbal aggression. At the
time of the Royal Wedding, an array of contradictory online comments was to be found in the newspaper pages, often
with disparate and extreme opinions being voiced.
By means of methodologies from discourse analysis, a sample of comments found on The Telegraph on the 19th May will
be looked into, focusing on different aspects of the wedding ceremony, such as the bride’s dress(es), outfits and behavior
of guests, and performance of broadcasters from different TV channels.
In an effort to explore the functioning of argumentation within such a contemporary arena for public discussion, it is the
purpose of this paper to elaborate on the ways of expressing given lines of reasoning which are displayed in these online
comments, which often appear as a starting point to opinions ‘for’ or ‘against’; under analysis will also be the
argumentation strategies used to indicate agreement or disagreement as to previously expressed points of view, either
general in tone, or appearing as a thread in direct response to a specific commentator. As we will see, specific (and
sometimes fully-fledged) arguments are often put forward, in an effort to persuade other commentators; in other cases,
disagreement is established by poking fun at other people’s contributions, whereas in other instances, humor is also
shown to be effective for face-saving purposes or for deflecting aggressive ‘ad hominem’ comments.
Keywords: Argumentation; Online comments; Discourse analysis; Argumentative strategies
Bibliography
Blair, J. A. 2012. Argumentation as Rational Persuasion. Argumentation, 26:71–81.
Green, N.L. 2017. Argumentation Schemes for Critical Thinking on Current Events. In Floris Bex, Floriana Grasso, Nancy
Green (eds) 18th Workshop on Computational Models of Natural Argument : 38-42.

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La creatividad en los discursos de cambio social: del 15m al post-15m en España


Esperanza Morales López (UDC)

Resumen: El objetivo de mi comunicación es mostrar los principales resultados del análisis que hemos llevado a cabo de
los discursos de contrapoder surgidos en España desde el 15 mayo de 2011 cuando surge el movimiento conocido como
15M (o “movimiento de los indignados”) (Pujante y Morales López 2013; y Montesano Montessori y Morales López 2015).
La característica más importante de este movimiento ciudadano masivo fue la creación de eslóganes muy innovadores,
dirigidos tanto al conjunto de la ciudadanía como a la clase política dominante.
A lo largo de los años, e inspirados en el discurso de este movimiento inicial, han surgido nuevas iniciativas populares y
políticas con discursos también enormemente creativos. Son los que hemos denominado “discursos post-15M”
(Montesano Montessori y Morales López 2018; y Morales López 2016a y b, 2017, 2018). Los recursos formales para
expresar esta creatividad han sido diversos, pero en mi comunicación me detendré en dos: la creación metafórica y la
ironía. Con el uso de estas figuras retóricas, estos discursos han mostrado la capacidad de crear un marco discursivo nuevo
que ha desbancado al status quo dominante en nuestra primera etapa democrática, tras la muerte del dictador Franco.
Además, han ofrecido propuestas para la mejora de la vida cotidiana de la ciudadanía; por ello también los hemos
calificado de “discursos de cambio social”, en oposición a la política caduca del bipartidismo de los años anteriores.
Desde el punto de vista teórico-metodológico, adoptamos una perspectiva discursiva constructivista (nos inspiramos, por
un lado, en la propuesta teórica de Hayden White, procedente a su vez de Vico; y, por otro, en la perspectiva
constructivista de los biólogos chilenos Humberto Maturana y Fernando Varela); e interdisciplinaria (combinamos en el
análisis las disciplinas del análisis crítico del discurso con la retórica, la argumentación y la lingüística cognitiva), tal como
hemos desarrollado en Morales-López y Floyd (2017).
Referencias
Montesano Montessori, Nicolina y Morales-López, Esperanza. 2015. “Multimodal Narrative as an Instrument for Social
Change. Reinventing Democracy in Spain: the Case of 15M.” CADAAD 7 (2): 200-221.
Montesano Montessori, Nicolina y Morales-Lopez, Esperanza. 2018. “The articulation of ‘the people’ in the discourse of
Podemos”. En evaluación.
Morales-López, Esperanza. 2016a. “Frame Construction in Post-15M Speeches”. Res Rhetorica1/2016: 50-67.
(http://resrhetorica.com/index.php/RR/article/view/2016-1-4).
Morales-López, Esperanza. 2016b. “La ironía en los discursos de cambio social”. Oralia 19: 177-200.
Morales-López, Esperanza. 2018. “The dialectics form-function in the analysis of irony in political discourse”. En
preparación.
Morales-López, Esperanza. 2017. “Cognitive Frames, Imaginaries and Discursive Constructions: Post 15M’s Discourses
with Reference to Eco-social Alternatives”. En Developing New Identities in Social Conflicts: Constructivist Perspectives on
Discourse Studies, ed. by Esperanza Morales-López and Alan Floyd, 249-272. Amsterdam: John Benjamins. DOI:
10.1075/dapsac.71.12mor
Morales-López, Esperanza y Floyd, Alan. (2017) (eds.) Developing New Identities in Social Conflicts: Constructivist
Perspectives on Discourse Studies, 227-248. Ámsterdam: John Benjamins. DOI: doi 10.1075/dapsac.71.
Pujante, David y Morales López, Esperanza. (2013) “Discurso (discurso político), constructivismo y retórica: los eslóganes
del 15-M”, Language, Discourse, & Society, 2/2: 32-59 (open access: http://www.language-and-
society.org/journal/issues.html). Publicado en inglés en (2017) “Discourses of social movements in Southern Europe: The
slogans of 15M”, en Morales-López, Esperanza y Floyd, A. (eds.) Developing New Identities in Social Conflicts: Constructivist
Perspectives on Discourse Studies, 227-248. Ámsterdam: John Benjamins. DOI: doi 10.1075/dapsac.71.

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Estratégias argumentativas: o emprego do intertexto na construção dos efeitos de sentido e


do ethos discursivo no gênero crônica
Fábio Gusmão da Silva (UFRJ/ULisboa)

Resumo: Neste trabalho, recorte de uma tese de doutoramento, analisamos um texto do gênero Crônica, publicado na
revista semanal brasileira Veja, cujo articulista emprega estratégias argumentativas e procedimentos linguístico-
discursivos com intuito de criar efeitos de sentido, de verdade ou de realidade para persuadir o seu interlocutor. Nessa
perspectiva, o enunciador do texto organiza sua estratégia discursiva em função de um jogo de imagens que faz do seu
interlocutor, bem como emprega estratagemas, neste caso, o intertexto como uma marca explícita na construção de seu
estilo, analisado em sua relação enunciativa com o ethos discursivo, para argumentar. Logo, o recorte teórico utilizado,
na análise, baseia-se em preceitos da Semiolinguística do Discurso, de Patrick Charaudeau (2008 e 2011), em pressupostos
da Linguística Textual, de Ingedore Koch (2004 e 2008) e de postulados da Análise do Discurso desenvolvidos por
Dominique Maingueneau. O conceito de ethos está em consonância com o da Análise do Discurso, especificamente com
as pesquisas de Patrick Charaudeau e Dominique Maingueneau (2001, 2005 e 2008), em que se leva em consideração a
posição enunciativa do enunciador, ou seja, uma das imagens de si que o enunciador do texto projeta em seu discurso.
No tocante à metodologia, empregada para feitura desta investigação, foram utilizados tanto aspectos de caráter
qualitativo quanto quantitativo, com intuito de melhor aproveitarmos os dados, bem como garantirmos, de maneira mais
precisa, a confirmação das hipóteses. Desse modo, as conclusões da pesquisa revelam a imagem de um enunciador com
um repertório cultural bastante vasto que contribui para a formação de um determinado ethos, cujo resultado deriva do
emprego de intertextos presentes em seus dizeres, constituindo, assim, um modo singular de enunciar.
Palavras-chave: Argumentação; Semiolinguística do discurso; Intertextualidade; Ethos discursivo.
Referências
CHARAUDEAU. P. Linguagem e discurso: modos de organização. Trad. Coordenação de Ângela M. S. Corrêa e Ida Lúcia
Machado. São Paulo: Contexto, 2008.
______. Discurso Político. São Paulo: Contexto, 2011.
KOCH, I. V. Introdução à linguística textual. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
______.; BENTES, A. C.; CAVALCANTE, M. M. Intertextualidade: diálogos possíveis. São Paulo: Cortez, 2008.
MAINGUENEAU, D. Análise de textos de comunicação. São Paulo: Cortez Editora, 2001.
______. Ethos, cenografia, incorporação. In: AMOSSY, R. (Org.) Imagens de si no discurso: a construção do ethos. São
Paulo: Contexto, 2005, p. 69-92.
______. A propósito do ethos. In: MOTTA, A.R.; SALGADO, L. (Org.) Ethos discursivo. São Paulo: Contexto, 2008a, p. 11-29.

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Representações de índio nas músicas compostas e interpretadas por Almir Sater


Flávio Faccioni (UFMS)
Claudete Cameschi de Souza (UFMS)

Resumo: Com foco no discurso veiculado nas/pelas músicas interpretadas e compostas pelo cantor sul-mato-grossense
Almir Sater, e por meio dos processos históricos e ideológicos, pretende-se, com este trabalho, problematizar as
representações de índio que estes discursos apresentam. Justifica-se este trabalho na possibilidade de investigar as
músicas e (des) construir os sentidos presentes nestes discursos musicais. Partindo dos pressupostos dos estudiosos da
Análise do Discurso, em especifico, de linha francesa, quer-se estudar e observar as condições de produção, as formações
discursivas e interdiscursivas que permeiam os discursos presentes nos chamamés (gênero musical de Mato Grosso do
Sul, que se miscigena com a música fronteiriça, estrangeira e a música sertaneja sul-mato-grossense) produzidos e
reproduzidos por Almir Sater. Tais produções musicais são resultados dos atravessamentos e heterogeneidades de
discursos, povos, lugares e fronteiras, enveredando-as por caminhos híbridos e (des) locados. Para alcançar o objetivo
supracitado, elegeu-se como suporte teórico os aportes da Análise do Discurso de linha francesa, sobretudo os textos de
Foucault (1984); Pêcheax (2015); Orlandi (2009); Coracini (2010); Brandão (2002); Mazière (2007); em relação à música
sul-mato-grossense, Teixeira (2014), Rosa e Duncan (2009), Fonseca e Simões (1981); para os aspectos históricos Taunay
(1931); Metraux (1996); os estudos culturalistas com Bhabha (2010); questões fronteiriças com Nolasco (2015) e, os
aspectos metodológicos, vinculam-se à arqueogenealogia proposta por Foucault (2005). Como resultados parciais,
constatou-se que a formação do povo sul-mato-grossense e a história deste estado se constrói pelas formações discursivas
presentes nas músicas. Por fim, espera-se com o desenvolvimento deste projeto analisar as músicas e possibilitar outros
olhares para os povos indígenas de Mato Grosso do Sul, sobretudo nas identidades, nas culturas e nas etnias.
Palavras-chave: Representações; Povos Indígenas; Discurso; Música.

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Argumentação multimodal em vídeos de youtubers: reflexões iniciais


Gabriel Isola-Lanzoni (USP)

Resumo: Este trabalho propõe-se a discutir a construção da argumentação multimodal em vídeos de youtubers, buscando
compreender, mais especificamente, os papéis exercidos por elementos da modalidade visual/pictórica na configuração
funcional da argumentação. Como aparato teórico, parte-se do modelo Toulmin (TOULMIN, 1958; TOULMIN; RIEKE;
JANIK, 1984 [1978]), e dos desdobramentos oriundos de sua tradição crítica (SLOB, 2006; VERHEIJ, 2006; GRÁCIO, 2010;
FREEMAN, 2011; LANGSDORF, 2011; GONÇALVES-SEGUNDO, 2016), assim como de sistemas de relação verbo-visual
(MARTINEC; SALWAY, 2005; UNSWORTH, 2006, KONG, 2006; BATEMAN, 2014) para a análise da interação entre as
modalidades verbal e visual/pictórica, com o intuito de refinar as relações estabelecidas entre os componentes do modelo
Toulmin em contexto multimodal. Em outros termos, visa-se a identificar as funções argumentativas que imagens podem
ocupar em face do modelo (Dados, Alegações, Garantia, Base ou Refutação). A título de ilustração das reflexões, serão
analisados movimentos argumentativos dos vídeos “Nostalgia Ciência - A TERRA É PLANA? Com Leon e Nilce”, publicado
no dia 08 de novembro de 2017, de autoria de Felipe Castanhari (Canal Nostalgia), e “AQUELE VÍDEO DE CIÊNCIA! - PSVVU
(Ep. 01)”, publicado no dia 26 de setembro de 2017, de autoria de Leon Martins e Nilce Moretto (Canal Coisa de Nerd),
ambos publicados na plataforma de streaming YouTube. Tais youtubers figuram-se como influenciadores digitais de
grande alcance, por apresentarem cerca de 11 e 8 milhões de inscritos, respectivamente, em seus Canais. A partir das
análises, foi possível depreender diferente padrões de articulação entre as modalidades, o que resultou em distintas
configurações no âmbito do modelo Toulmin.
Palavras-chave: Argumentação; Multimodalidade; Toulmin; Youtubers.

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As cotas sociais & universidades públicas brasileira – “o jogo” discursivo em textos midiáticos
Gissele Alves (UnB/FLUP/IFB)

Resumo: Esta proposta tem como objetivo apresentar parte de pesquisa de doutoramento sobre as representações
discursivas atualizadas em textos da mídia acerca das cotas sociais para ingresso nas universidades federais brasileiras,
instituídas pela Lei 12.711/2012, que garante a reserva de, no mínimo, 50% das vagas das instituições federais de ensino
superior para jovens que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. Para tanto, o trabalho tem
por base o arcabouço teórico-metodológico da Análise de Discurso Crítica de Fairclough (2001; 2003) e de Chouliaraki
e Fairclough (1999) – colocado em diálogo com as discussões sobre Identidade, Diferença, Pós-Modernidade, Educação,
Pensamento Pós-Abissal de autores como Bauman (2005,2013), Boaventura Santos (2002, 2011), Coroa (2006, 2012),
Dias (2015), Giddens (2002), Giroux (2011), Thompson (1990). Desse modo, a constituição do corpus resulta da
compilação de textos midiáticos, veiculados na internet, cujo tema tenha relação com sistema de cotas na universidade,
de julho a dezembro de 2012, período de implementação da lei, fato que promove relevante transformação na
configuração do corpo discente das universidades federais brasileiras. Destarte, desvelam-se, à luz da Análise de Discurso
Crítica, no jogo discursivo travado nos textos da mídia, representações naturalizam a desigualdade social, como também
discursos de resistência aos constrangimentos de acesso aos bens simbólicos e materiais, sobretudo, à universidade
pública no Brasil.
Palavras-chave: Cotas Sociais; Universidade; Juventudes; Representações discursivas; Análise de Discurso Crítica.

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El papel del yo poético en la poesía contemporánea saharaui en español: estrategias


discursivas en el proceso de reescritura de una multi-biografía
Giulia Maltese (UNIBO)

Resumen: En el presente trabajo nos proponemos ofrecer un breve estudio crítico de la poesía contemporánea saharaui
en español, mediante el análisis crítico de un corpus de poemas insistiendo en la osmosis entre la experiencia
autobiográfica del poeta y las vivencias colectivas del pueblo saharaui ‒el origen del nacimiento de su conciencia
identitaria. Para ello, nos planteamos los siguientes objetivos específicos: (1) contextualizar el fenómeno, al definir sus
dinámicas sociopolíticas, antropológicas y culturales; (2) sentar las bases teóricas de nuestra propuesta de análisis del
corpus de poemas; (3) aplicar dicho análisis a una muestra de textos seleccionados de la obra de la Generación del exilio
y la Generación de la Amistad Saharaui.
Nuestras reflexiones arrancan de los estudios de Análisis Crítico del Discurso (ACD) y de lingüística pragmática y, a la vez,
echan mano de algunas de las herramientas del análisis informatizado de corpus, en su intento de hacer hincapié en las
manifestaciones discursivas de la naturaleza polifónica del yo poético saharaui en su intento de reescritura de la biografía
colectiva de todo un pueblo ─o multi-biografía─, colocándose en el margen entre autobiografía y autoficción.
De ahí que el trabajo abarque la noción de “identidad saharaui” ‒con sus especificidades‒ desde una perspectiva
multidisciplinar. Concretamente, al desarrollar las nociones de identidad nacional, política y lingüístico-cultural,
pondremos especial énfasis en las etapas y los espacios de la colonización, de la ocupación, del exilio argelino y de la
diáspora. La poesía contemporánea saharaui en español, pues, se hace eco de las demandas de todo un pueblo a la vez
que sirve de puente entre las expectativas individuales y las comunitarias, presentándose como herramienta de auto-
reconocimiento y resistencia íntima y social.
Bibliografía esencial:
BAKTHIN, M. (1982). Estética de la creación verbal. Ciudad de México: Siglo XXI.
DE FINA, A. (2003). Identity in narrative. A Study of Immigrant Discourse. John Benjamins B. V.
DOUBROVSKY, S. (1977). Fils. Parigi: Éditions Galilée.
DUCROT, O. (1984). El decir y lo dicho. Vanves: Hachette.
FUENTES, C. (1999). La organización informativa del texto. Madrid: Arco Libros.
FUENTES, C. (2000). Lingüística pragmática y Análisis del discurso. Madrid: Arco Libros.
FUENTES, C. (2004). “Enunciación, aserción y modalidad. Tres cásicos”, Anuario de estudios filológicos, Vol. 27, 2004, pp. 121 - 145.
FUENTES, C. (2016). “(Des)cortesía, imagen social e identidad como categorías sociopragmáticas en el discurso público”, in
DOMITRESCU, D., BRAVO, D. (eds.), Roles situacionales, interculturalidad y multiculturalidad en encuentros en español. Buenos Aires:
Editorial Dunken, pp. 165-192.
FUENTES, C. (coord.) ( 2013). Imagen social y medios de comunicación. Madrid: Arco Libros/Arco Muralla.
Generación de la Amistad Saharaui (2002). Añoranza. Palma de Mallorca: Asociación de Amigos-as del pueblo saharaui de Baleares.
Generación de la Amistad Saharaui (2003). Bubisher, poesía saharaui contemporánea. Las Palmas de Gran Canaria: Editorial
Puentepalo.
Generación de la Amistad Saharaui (2006). Aaiún, gritando lo que se siente. Madrid: Universidad Autónoma.
Generación de la Amistad Saharaui (2007a). Treinta y uno,Thirty one. A bilingual anthology of saharawi resistance poetry in Spanish.
Leeds: Ediciones Sombrerete, Sandblast e University of Leeds.
Generación de la Amistad Saharaui (2007b). Um Draiga. Poesía saharaui contemporánea. Zaragoza: Diputación de Zaragoza e Um
Draiga, Amigos del pueblo saharaui en Aragón.
Generación de la Amistad Saharaui (2012). La primavera saharaui. Escritores saharaui con Gdeim Izik. Autoedición-Bubok.
Generación de la Amistad Saharaui (2014). Las voces del viento. Poesía saharaui contemporánea. Montevideo: Ministerio de
Relaciones Exteriores.
GOFFMAN, E. (1967). Interaction Ritual. Nueva York: Doubleday Anchor Books.
GOFFMAN, E. (1981). Forms of talk. Philadelphia: University of Pennsylvania Press.
VAN DIJK, T. (ed.) (1976). Pragmatics of language and literature. Amsterdam e New York: North-Holland.
VAN DIJK, T. (1977). «The Pragmatics of Literary Communication», Studies in the Pragmatics of Discourse. La Haya: Mouton, pp. 243-
263.
VAN DIJK, T. (1983). La ciencia del texto: un enfoque interdisciplinario. Barcelona: Paidos.
VAN DIJK, T. (et al.) (1999). Pragmática de la comunicación literaria. Madrid: Arco Libros.
VV. AA. (1990). I fiori nascono anche nel Sahara: poesie in combattimento: antologia dei poeti saharaui. Torino: Il Papiro Edizioni.

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Argumentação ad hominem, formas de tratamento e protesto político


Maria Aldina Marques (UMinho)
Isabel Margarida Duarte (FLUP)
Maria Isabel Seara (UAb)

Resumo: A descortesia linguística é um fenómeno discursivo que deve ser analisado no contexto em que ocorre e no
género discursivo concreto em que está presente. O protesto político em manifestações ou nas redes sociais configura-
se, frequentemente, em enunciados em que o confronto verbal está presente. A descortesia decorre da inadequação do
ato de fala do locutor, tendo em conta as normas sociodiscursivas. As formas de tratamento têm um papel central na
desconsideração do outro contra quem se protesta.
Os objetivos desta pesquisa são
1. Analisar a construção discursiva da descortesia no espaço público em Portugal, tendo em conta manifestações e a
rede.
2. Definir os traços do género discursivo em causa.
3. Identificar argumentos ad hominem que se constituam com base nas formas de tratamento
4. Analisar o uso das formas de tratamento (nominais e pronominais) nos enunciados dos protestos de rua e nas redes
sociais quanto a frequência, aos contextos em que surgem e à finalidade discursiva.
Metodologia
Iremos constituir um corpus de enunciados descorteses do espaço público português, seja em cartazes ou palavras de
ordem de manifestações, seja nas redes sociais. Esses enunciados podem acompanhar fotografias divulgadas na rede ou
serem recolhidos de slogans, ou jornais que relatem palavras de ordem de protesto. Num segundo momento,
analisaremos esses enunciados, a fim de caracterizar o género discursivo em que surgem, a partir dos respetivos traços
enunciativo-discursivos.
Resultados esperados
A descortesia linguística faz parte do género protesto político e é socialmente tolerada nesse contexto. As formas de
tratamento desempenham um papel central na construção da imagem descredibilizada do outro e contribuem para uma
argumentação ad hominem.
Palavras-chave: Descortesia; Argumentação ad hominem; Formas de tratamento; Protesto político.
Referências
BOUSFIELD, Derek (2008). Impoliteness in Interaction. Amsterdam: John Benjamins.
BOUSFIELD, d. & LOCHER, M., (eds), 2008), Impoliteness in Language, Berlin: Mouton de Gruyter
CULPEPER, Jonathan, 1996 «Towards an anatomy of impoliteness». Journal of Pragmatics 25, p.349-367
CULPEPER, Jonathan, 2005, «Impoliteness and entertainementin television quiz show: the weakest link. Journal of Politeness Research
1, 35-72
CULPEPER, Jonathan, 2009, «Impoliteness: Using language to cause offence. Full research report ESRC End of Award Report, RES-063-
27-0015. Swindon: ESRC
CULPEPER, Jonathan, 2011, Using language to cause offence. London: CUP
GRINSHPUN, Yana, 2013, «Discours manifestant et contestation universitaire (2009)», Argumentation et Analyse du Discours [En
ligne], 10|2013, mis en ligne le 10 avril Consulté le 15 juin 2014. URL: http://aad.revues.org/1476
KERBRAT-ORECCHIONI, 2012, «L’impolitesse en interaction: Aperçus théoriques et étude de cas». Lexisspecial2. ICAR: Lyon
MARQUES, Maria-Aldina, 2009, “Quando a cortesia é agressiva. Expressão de cortesia e imagem do Outro”, in Oliveira, F. e Duarte, I.
M. (org), Ofascínio da linguagem. Actas do Colóquio de Homenagem a Fernanda Irene Fonseca, FLUP, p. 277-296
MARQUES, Maria-Aldina, 2014a «Cortesia, formas de tratamento e géneros discursivos - condições de ocorrência e de uso», in Seara,
Isabel (org), Cortesia: Olhares e reinvenções, Lisboa: Chiado Editora, p.145-172
MARQUES, Maria-Aldina, 2014, «Todos os rios vão dar a Março. O movimento dos indignados e a construção de um ethoscoletivo», I
Congresso Internacional de Estudos do Discurso (I CIED),Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de S. Paulo,
Brasil (forthcoming)
ORKIBI, Eithan, 2012 L’insulte comme argument et Outil de cadrage dans le mouvement «anti-Sarko». Argumentation et analyse du
discours 8, URL: http://aad.revues .org/1335 (acesso: 7 junho2014)

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Estratégias de argumentação na construção do ethos do governador do Maranhão, Flávio


Dino, nas plataformas dos media sociais Facebook e Twitter
Josenilde Cidreira Vieira (FLUP)

Resumo: Esta comunicação tem como objetivo identificar alguns procedimentos discursivos que conferem o caráter
persuasivo aos posts e tweets do governador do Maranhão, Flávio Dino. No entendimento de Fiorin (2016), todo discurso
tem uma dimensão argumentativa e o discurso político, em particular, é explicitamente argumentativo. “Os argumentos
são os raciocínios que destinam a persuadir, isto é, a convencer ou a comover, ambos meios igualmente válidos de levar
a aceitar uma determinada tese” (Fiorin, 2016, p. 19). A relação entre argumentação e ethos é anunciada por Aristóteles,
na sua obra Retórica, pois ao tratar da arte da persuasão, este autor considera três provas: o caráter moral do orador (o
ethos), a disposição do auditório (o pathos) e o próprio discurso (logos). Ressalte-se que nesta pesquisa, estaremos
centrados na construção do ethos por parte do enunciador e no poder argumentativo que esta construção representa.
Ethos é a imagem de si que o orador constrói diante do auditório e que “quer causar impacto e suscitar adesão” (Amossy,
2016, p.17). O corpus de análise é constituído por 50 posts e 50 tweets publicados nas plataformas sociais Facebook e
Tweeter no período de janeiro a junho de 2018, tendo sido analisado maioritariamente o conteúdo linguístico dos
mesmos. Os resultados prévios indicam que, no processo argumentativo, o governador Flávio Dino investe na construção
de um ethos credível, empático e de rutura com um passado político de governadores anteriores conotados com um perfil
corrupto. Esta construção resulta, em grande medida, do desenvolvimento de argumentos de autoridade, de argumentos
probabilísticos e de argumentos pelo exemplo.
Palavras-chave: Argumentação; Ethos; Discurso político; Post; Tweet.
Referências:
Amossy, R. (2016). Imagens de si no discurso: a construção do ethos. 2. ed. São Paulo: Contexto.
Aristóteles. Retórica. (2006). Trad. Manuel Alexandre Júnior, Paulo Farmhouse Alberto e Abel do Nascimento Pena. Lisboa:
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, (Col. Biblioteca de autores clássicos).
Charaudeau, P. (2015). Discurso político. 2. ed. São Paulo: Contexto.
Fiorin, J.L. (2016). Argumentação. São Paulo: Contexto.

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A construção midiática da gafe: uma abordagem discursiva


Julia Lourenço Costa (UFSCar)
Roberto Leiser Baronas (UFSCar)

Resumo: Partindo do pressuposto de que a argumentação não altera a posição do sujeito, mas determina o domínio da
organização do dizer e afeta sua ordem (ORLANDI, 1998) analisaremos o enunciado tenho convicção do que a mulher faz
pela casa com base no conceito de sobreasseveração (MAINGUENEAU, 2010), compreendendo que tal processo de
destacamento orienta argumentativamente o discurso na mesma medida em que o inscreve em determinada posição
enunciativa e ideológica. A mídia não só efetua a sobreasseveração do referido enunciado, a partir do pronunciamento
do presidente Michel Temer no Dia Internacional da Mulher em 2017, como também o classifica enquanto gafe (LE BART,
2003) em seus títulos e manchetes principais. A partir das análises empreendidas, é possível verificar que a polêmica
(AMOSSY, 2017; MAINGUENEAU, 2005) gerada por tal posicionamento sobre o papel da mulher na sociedade brasileira é
minimizada quando esta é cenografada (MAINGUENEAU, 2009) enquanto gafe.
Palavras chave: Sobreasseveração; Gafe; Cenas da enunciação; Mídia.
Referências
AMOSSY, R. Apologia da polêmica. São Paulo: Contexto, 2017.
LE BART, C. L'Analyse du discours politique: de la théorie des champs à la sociologie de la grandeur. Mots. Les langages du
politique. 72, 2003. Disponível em: http://journals.openedition.org.mots/6323.
MAINGUENEAU, D. Gênese dos discursos. Curitiba: Criar Edições, 2005.
_______. Cenas da Enunciação. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
_______. Doze conceitos em Análise do discurso. São Paulo: Parábola Editorial,
2010.
ORLANDI, E. Discurso e argumentação: um observatório do político. Fórum linguístico. Florianópolis, n.1 (73-81), jul-dez,
1998.

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Tensões enunciativas em discurso midiático de representatividade social na ótica da nova


retórica e da análise do discurso
Leiva de Figueiredo Viana Leal (UFMG)

A palavra democracia é uma das mais conclamadas no mundo inteiro. No Brasil, não é diferente: a luta pela democracia
parece infindável, e o pais vive, hoje, um dos períodos mais turbulentos de sua história política, provocando gigantesco
debate nas mídias, em que o sentido da democracia é constantemente evocado. Este estudo é uma investigação
qualitativa que toma, como objeto de análise, Cartas ao Leitor, veiculadas em revista de circulação nacional, publicadas
entre junho de 2017 a abril de 2018. Considerando o contexto enunciativo-discursivo de uma carta ao leitor, cotejou-se a
presença da expressão democracia e de seus derivados nas referidas cartas, para analisar de que modo a argumentação
nelas se inscreve. O procedimento de recorte dos enunciados seguiu o referencial teórico - metodológico da AD,
selecionando, aproximadamente, 120 eventos discursivos e, desses, como corpus, 20, categorizados a partir de seus
efeitos de enunciação. A análise dos dados se sustenta no aporte teórico de Amossy (2005; 2006 e 2011) e Charaudeau,
(2006; 2013), dialogando com outros teóricos, como Maingueneau (2002), Mayer (2005) e Plantin (2011). O estudo
retoma dois polos da retórica clássica: o ethos ou a construção da imagem de si no discurso (AMOSSY, 2005), e o pathos:
a construção discursiva da emoção que pretende provocar no auditório, analisando a maneira como a argumentação se
inscreve, não somente na materialidade discursiva, mas também no interdiscurso. Resultados apontam que o jornalismo
contemporâneo brasileiro, neste momento político do país, produz um jogo discursivo do enunciado democracia,
marcado pela dissonância e pela contradição.
Palavras-chave: Democracia; Interdiscurso; Nova retórica
Referências
AMOSSY, Ruth. L'argumentation dans le discours. Paris: Armand Colin, 2010.
CHARAUDEAU, Patrick. O discurso político. Trad. Fabiana Komesu e Dilson Ferreira da Cruz. 2.ed. São Paulo: Contexto,
2013.
MEYER, Michel. Questões de retórica: linguagem, razão e sedução. Trad. Antônio Hall. Lisboa: Edições 70, 2007.

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Teoria retórica da conversação


Manuel Ramos (FLUP-DEPER/IF)

Resumo: Quantas vezes não assistimos já a uma conversação entre duas ou mais pessoas e não gostámos? Não gostámos
porque as regras do bom colóquio não foram respeitadas, tendo daí resultado muita descortesia, incomunicabilidade,
ruído e até conflito. Foi por isso que a ars retórica se interessou pela teoria da conversação (sermo, sermocinatio), não só
por saber quanto ela era útil, mas também porque era mais praticada do que o discurso individual (oratio, contentio).
Apesar da utilidade e da frequência, a teoria retórica acabou por dedicar muita mais atenção ao discurso, quer ele fosse
de género deliberativo, judicial ou demonstrativo, do que à conversação. Ainda assim, vários autores (entre os quais se
contam Cícero e Júlio Victor…), conscientes dessa lacuna, esboçaram as principais regras da conversação, as quais
permanecem atuais. Só não foram mais longe por acharem que muita da teoria da oratio, codificada em muitos tratados
e facilmente acessível, poderia aplicar-se à conversação, que também é um discurso, ainda que diferente. Com esta
comunicação, propomo-nos apresentar as regras em que deverá acontecer a conversação entre duas ou mais pessoas e
teremos em conta a abundante teoria da oratio que se aplica à sermocinatio. Servir-nos-emos de exemplos
contemporâneos.
Palavras-chave: Teoria retórica da conversação; Oratio; Contentio e sermocinatio.

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A construção da imagem de comentaristas de notícias de divulgação online


Maria Eduarda Giering (UNISINOS)

Resumo: Realizamos pesquisas relativas à divulgação científica midiática há algum tempo e chamou-nos a atenção o papel
discursivo do leitor-comentarista de notícias divulgadas em revistas de popularização. Perguntamo-nos sobre qual
imagem que os comentaristas fazem de si quando tomam a palavra para interagir com as notícias de divulgação científica
publicadas na revista Superinteressante online. Esta questão norteou a pesquisa que realizamos em um corpus composto
de 40 notícias (e seus comentários) publicadas na aba de ciência do site da revista. O objetivo foi conhecer como se
constrói a interação do leitor desse tipo de notícias, considerando o Modo de Organização Enunciativo que se evidencia
nos comentários. Para a análise, investigamos, a partir de marcas do comportamento enunciativo do comentarista, a
imagem que ele dá de si para legitimar sua fala. A realização dessa investigação se sustenta em conceitos advindos da
área da Comunicação - Rost (2006; 2014); Canavilhas (2001; 2014); Palacios (2002); de postulados de Charaudeau (2008;
2016) sobre o discurso de midiatização da ciência e acerca do Modo de Organização Enunciativo, e, ainda, de
considerações de Maingueneau (2010) e Amossy (2005) quanto ao conceito de ethos discursivo. Os resultados mostram
que a identificação de comportamentos enunciativos do locutor-comentarista revela o ethos discursivo desses locutores
e que seu discurso, desenvolvido a partir de uma cenografia, institui uma cena de enunciação que legitima sua fala.

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A argumentação no discurso na peça teatral


Maria Fabiola Vasconcelos Lopes (UFC/UFMG)

Resumo: Amparados em uma análise empreendida entre modalidade deôntica e a construção discursiva, e, a partir de
Charadeau (2006) que focaliza as estratégias de encenação da informação, objetivamos discutir as condições semiológicas
por meio dos valores deônticos acionados no discurso dos interlocutores na peça teatral The Glass Ménagerie de
Tennessee Williams. O estudo de base funcionalista, nos permite reconhecer a interação como atividade cooperada (Dik,
1989) contemplando os aspectos sintáticos, semânticos e pragmático-discursivos integradamente. Assim, a base teórica
encontra apoio em autores como Lyons (1977), Palmer (2001), Neves (2006), Lopes (2012) e outros. A metodologia
consistiu em leituras dirigidas, investigação da literatura em questão, seleção da peça The Glass Ménagerie, análise dos
excertos, classificação e quantificação dos valores, manifestações e asseveração. Os resultados revelam que os valores
mais recorrentes são: ordem com 44,0%, obrigação com 12,4% sendo a manifestação mais frequente por meio de verbo
lexical (67,0%), seguido de verbo auxiliar (32,0%). Com base em tais resultados, a pesquisa revelou a maior incidência do
valor de ordem e proferido pela personagem de Mrs. Wingfield, a mãe na trama, refletindo o caráter dominador sobre os
dominados, os filhos: Laura e Tom. Entendemos que a investigação é relevante uma vez que o entendimento acerca dos
modalizadores deônticos veiculados no discurso dos personagens podem gerar orientações mais seguras aos estudiosos
da área. Por fim, a investigação é desenvolvida em estudos de pós-doutoramento na UFMG.
Palavras-chave: Discurso; Condições semiológicas; Modalidade; Peça teatral.
Referência
CHARADEAU, Patrick. Discurso das mídias. Contexto, 2006.
NEVES, Maria Helena de Moura. Texto e gramática. São Paulo, Editora Contexto, 2006.
LOPES, Maria Fabiola Vasconcelos. Gramática de significados. Fortaleza: Edições UFC, 2012.

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A avaliatividade no artigo de divulgação científica


Mariana Ximenes Bastos (UFRJ)

Resumo: Entendemos os gêneros textuais como ações representativas de situações discursivas recorrentes (Bakhtin,
2003; Bathia, 2009), com especial relevância à sua função que se encontra intimamente relacionada às diferentes
instâncias de comunicação nas quais os gêneros circulam. Desse modo, cabe à divulgação científica (DC) difundir e colocar
ao alcance do público assuntos que são do seu interesse.
Dessa forma, com intuito de que o público, leigo no assunto, se interesse pela temática, é preciso que sejam utilizadas
estratégias que devem atrair sua atenção, considerando se tratar de um assunto sobre o qual ele tem pouco (ou nenhum)
domínio. Nesse ponto, é possível propor que tais recursos funcionem de forma argumentativa, na tentativa de convencer
a audiência sobre a validade e a importância do tema. Para essa comunicação, pretende-se discutir, a partir dos resultados
parciais, como os elementos avaliativos (cf. Martin & White, 2005 e Vian Jr., 2009) são utilizados pela DC e de que forma
imprimem uma orientação argumentativa ao gênero. Para tal, utilizamos como corpus, de um lado, artigos publicados em
revistas de temas variados, como Superinteressante e Galileu, e, de outro, artigos de revistas temáticas, como Psique e
Filosofia. A partir da comparação entre as formas de avaliação utilizadas por cada um desses grupos de revistas, busca-se
apresentar como os fatores autoria e público-alvo influenciam nas escolhas lexicogramaticais e diferenciam, dessa forma,
esses dois tipos de publicação. Nesse sentido, pretende-se, ainda, ampliar a caracterização do gênero artigo de divulgação
cientifica. Levaremos em consideração, além das já citadas, as contribuições de Bakhtin (1988), Koch (2014), Giering
(2007), Halliday & Matthiessen (2004) e Marcuschi (2002, 2003 e 2008).
Palavras-chave: Divulgação Científica; Avaliatividade; Argumentação; Relação autor-leitor.

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In my ending is my beginning: as estruturas argumentativas das secções finais em teses de


doutoramento como ponto de partida para novas argumentações
Paulo Nunes da Silva (UAb/CELGA-ILTEC)
Joana Vieira Santos (CELGA-ILTEC)

Resumo: Sendo o discurso académico de essência argumentativa, a tese de doutoramento, em particular, inclui,
entre múltiplas finalidades, a persuasão (Swales 2004, Bunton 2002). Neste enquadramento, o presente
trabalho pretende identificar as dimensões argumentativas de textos deste género, intersectando-as com as
formações sociodiscursivas (Bronckart, 1997).
A pesquisa baseia-se na análise por amostragem de um corpus recolhido no “Estudo Geral da Universidade de
Coimbra” (2015). Incide na escolha da língua (português/inglês) e na estrutura retórica da secção que, sob
designações várias (“Conclusões”, “Considerações finais”, “Reflexões finais”), apresenta as conclusões da
pesquisa. Consideram-se os cinco movimentos retóricos e o plano textual da sua organização previstos no
modelo de Nguyen e Pramoolsook (2016), inspirado em Swales (1990, 2004). A seleção, ordenação e
prevalência destes movimentos permitem reconhecer e explicitar a estrutura retórica que subjaz a cada texto
analisado e identificar padrões que tipicamente se distribuem, de modo mais ou menos uniforme, por áreas
disciplinares distintas.
Dado que o capítulo final da tese de doutoramento condensa o essencial da argumentação desenvolvida ao
longo do texto, configura um locus ótimo para dilucidar mecanismos argumentativos, num quadro de
legitimação retórica da investigação passada, que integra a investigação a desenvolver (através das “linhas de
futura investigação”) e outorga a entrada do autor na comunidade científica pela concessão de um grau
académico.
Palavras-chave: Discurso académico, Tese de doutoramento, Conclusões, Movimentos retóricos
Referências
Bronckart, Jean-Paul (1997). Activité langagière, textes et discours. Pour un Interactionisme Socio-Discursif.
Lausanne: Delachaux et Niestlé.
Bunton, David (2002). Generic Moves in PhD Thesis Introductions. In Flowerdew, John (Ed.). Academic
Discourse. London: Pearson Education Ltd, pp. 57-75.
Hyland, Ken (2009). Academic Discourse. London: Continuum.
Nguyen, Loan; Pramoolsook, Issra (2016). A move-based analysis of TESOL master’s thesis’ conclusion chapters
by Vietnamese postgraduates. Global Journal of Foreign Language Teaching 6 (1), pp. 2-12.
Swales, John (1990). Genre analysis: English in academic and research settings. Cambridge: Cambridge
University Press.
Swales, John (2004). Research genres: Explorations and applications. Cambridge: Cambridge University Press.

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A argumentação na literatura: uma análise de Medo e Submissão, de Amélie Nothomb


Renata Aiala de Mello (UFBA/FLUP)

Resumo: Este trabalho se situa nas fronteiras das áreas da Análise do Discurso, da Retórica, da Argumentação e da
Literatura, tomando como base estudos atuais acerca do discurso literário no campo das Ciências da Linguagem.
Considerando como ponto de interseção duas artes que exerceram e ainda exercem grande influência na civilização
ocidental – a Retórica e a Literatura, o objetivo maior é analisar discursivamente as imagens de si (ethos) e as emoções
(pathos) no discurso (logos), ou seja, na obra Medo e submissão (2001), da escritora belga Amélie Nothomb. Trata-se de
um romance autobiográfico no qual a narradora-personagem relata emoções, tais como o medo e a submissão, advindas
de suas experiências sociais, culturais e profissionais durante os dois períodos em que viveu no Japão. Pretendo refletir
sobre essas três noções ligadas à argumentação em dois universos distintos, a saber: i) no nível interno da obra, ou seja,
no universo ficcional em que vivem narradora e personagens; e ii) no universo situacional da produção e da recepção
dessa obra. Ethos, pathos e logos são noções complexas e complementares, isso porque elas formam um amálgama no
qual não se poderia decompor as partes. No entanto, procedo a uma disjunção operatória e didática, não as analisando
em bloco, mas sim, separadamente. Busco demarcar as interfaces, as possíveis convergências/divergências entre tais
noções no entendimento do corpus selecionado, numa relação que mescla as imagens de si e as paixões dos/nos sujeitos
ficcionais, no nível enunciativo, argumentativo e simbólico, e dos/nos sujeitos efetivos da interação comunicativa, no nível
situacional empírico. Como resultado, traço um maior clareamento das forças e dos sentidos do ethos, do pathos e do
logos no discurso analisado, numa relação (inter)textual, (inter)discursiva e (inter)disciplinar.
Palavras-chave: Medo e submissão; Amélie Nothomb; Discurso; Argumentação; Literatura.
Referência
AMOSSY, R. Les idées reçues : sémiologie du stéréotype. Paris : Nathan. 1991.
BARTHES, R. “A retórica antiga”. In: BARTHES, R. A Aventura Semiológica. Lisboa: Edições 70. 1987, p. 19-91.
LEBLANC, A. « Le statut comparé de l'autofiction chez Nothomb. » In : Synergies. Pays Scandinaves, n° 9, 2014, p. 37-48.
LEJEUNE, P. Le pacte autobiographique. Essais : Paris, 1975.
MAINGUENEAU, D. O contexto da obra literária. São Paulo: Martins Fontes, 2001a.
MAINGUENEAU, D. Elementos de linguística para o texto literário. São Paulo: Martins Fontes, 2001b.
NOTHOMB, A. Stupeur et tremblements. Paris : Albin Michel, 1999.
NOTHOMB, A. Medo e submissão. Rio de Janeiro: Record. 2001.

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Racismo discursivo: o caso Marielle Franco e a cobertura da mídia internacional


Renata Almeida Danin (UFPA)

Resumo: Neste artigo foram analisadas formas discursivas presentes no discurso midiático de um periódico internacional
sobre a cobertura do assassinato da vereadora Marielle Franco e as relações entre violência policial e racismo, inerentes
ao debate da cobertura deste evento. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi explorar o cenário atual de divulgação
do assassinato da vereadora Marielle Franco utilizando a metodologia qualitativa da análise do discurso, proposta pelo
Sociólogo holandês Teun Van Dijk, e ainda, avaliar como esta discussão retrata o negro e a polícia no campo jornalístico-
informacional e seus significados, a partir da análise de uma reportagem exclusiva da versão online do jornal norte-
americano intitulado: The Washington Post, publicado em 23 de março de 2018, com o título: After Marielle Franco’s
murder, i’m not hopeful for black Brazilians. Observou-se o uso de técnicas de dominação pelas elites simbólicas e uma
narrativa de manipulação do ponto de vista discursivo.
Palavras-chave: Análise do Discurso; Violência Policial; Elites Simbólicas.

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Trauma e discurso: a escrita traumática em Primo Levi


Romilton Batista de Oliveira (UBI)

Resumo: Este artigo tem como objetivo apresentar o testemunho autobiográfico de Primo Levi (judeu-italiano e
sobrevivente de Auschwitz) através do discurso interpelado por uma escrita traumática. Por meio da trilogia
autobiográfica de Levi pretendemos, em diálogo com Seligmann-Silva (2000, 2003, 2005), Agamben (2008), Foucault
(2008), Bakhtin (1995), Genette (1999), Ducrot (1987, 1988), Maingueneau (1997), (Brandão (2004), Pêcheux (1969),
Possenti (2004), entre outros autores, investigar o discurso/testemunho como processo discursivo de representação do
trauma, tornando o indizível dizível. Segundo Helena Brandão (2004), o discurso é o espaço em que saber e poder se
unem, se articulam, pois quem fala, fala de algum lugar, a partir de um direito que lhe é reconhecido socialmente. Desta
forma, Primo Levi expressa o discurso autorizado por sua experiência vivida nos campos de concentração. Ele, a partir do
lugar situado social e historicamente, consegue trazer à tona a voz do sujeito que representa outros sujeitos que por lá
passaram e conseguiram sobreviver. As condições de produção desse discurso perpassam por uma precariedade do ser,
aqui definido como “sobrevivente”, aquele que ao sobreviver, tem duas alternativas a escolher: ou silenciar e viver a vida
de acordo com as condições desse silêncio ou tornar público, por meio de seu discurso, a representação daquilo que
muitos afirmam ser indizível. Quando o sobrevivente de Auschwitz faz o que Primo Levi fez, torna o indizível dizível,
desatando os “nós” que impediam a língua de dar conta do que ela presenciou. Nesse sentido, acreditamos que o trauma
"fala" quando o sobrevivente conta sobre o que ele presenciou em Auschwitz. O inenarrável e irrepresentável torna-se
narrável e apresentável por meio de rastros-resíduos deixados pelo passado. “Só através de uma impotência tem lugar
uma potência de dizer, a sua autoridade não depende […] da conformidade entre o dito e os fatos, entre a memória e o
acontecido, mas, sim, depende da relação imemorável entre o indizível e o dizível, entre o fora e o dentro da língua”
(AGAMBEN, 2008, p. 157). Os enunciados vêm à tona quando ele resolve ser, além de sobrevivente, também testemunha
de Auschwitz. As obras de Primo Levi fazem parte da Literatura de Testemunho, literatura que surge depois da Segunda
Guerra Mundial, e, consequentemente, do Holocausto, para agregar as vozes que conseguem falar, descentrar e
“descarregar” o peso do horror vivido por sujeitos potencializados por um discurso movido por uma representação que
se faz possível por meio da argumentação de uma língua sobrevivente.
Palavras-chave: Trauma. Discurso. Literatura. Representação.
Referência
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da linguagem. 7. ed. São Paulo: Hucitec, 1995.
DUCROT, O. O dizer e o dito. Trad. Eduardo Guimarães. Campinas: Pontes, 1987.
DUCROT, O., Polifonia y Argumentación, Universidad del Valle, Cali, Colombia, 1988.
MAINGUENEAU, Dominique. Novas tendências em análise do discurso. 3. ed. Campinas, SP: Pontes: Editora da Unicamp,
1997.
KOCH, Ingedore Grunfeld Vilaça. A inter-ação pela linguagem. 7 ed. São Paulo: Contexto, 2001.

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A argumentação em documentos do século XIX: O código de postura da Vila de Pau dos


Ferros/RN
Rosa Leite da Costa (UERN)

Resumo: Este trabalho tem como objeto de estudo o discurso de um documento da Vila de Pau dos Ferros, hoje um
importante município da região oeste do Rio Grande Norte, Brasil. O documento foi elaborado pela Câmara Municipal
em1881 e dispõe sobre as leis que, após aprovada pela Assembleia Provincial e sancionada pelo presidente da província,
deveriam reger a referida vila. Analisamos aspectos do processo argumentativo, dentre eles os valores e suas hierarquias
e os lugares da argumentação. O corpus é constituído por recortes do “Codigo de Posturas Municipaes da Villa de Páu dos
Ferros” e publicado na “Colleção de Leis Provinciaes do Rio Grande do Norte”, no ano posterior à sua elaboração, sob
forma. Fundamenta-se na Nova Retórica (Perelman, 1993; Perelman e Olbrechts-Tyteca, 2002, Reboul, 2002) e em
estudiosos da área (Sousa 2003; Fiorin, 2015; dentre outros). Trata-se de um trabalho descritivo-interpretativista e se
constitui parte da pesquisa de uma tese de doutorado em desenvolvimento (Costa, 2015). Os resultados apontam, neste
documento, valores e hierarquias muito diferentes dos dias atuais, em algumas partes, com discursos excludentes; suas
leis respaldam-se no lugar da quantidade, do número, como forma de punição e atribuem a Pau dos Ferros aspectos de
sua identidade como terra com forte influência da pecuária.
Palavras-chave: Argumentação; Documento; Pau dos Ferros; Valores; Discurso.
Referência
PERELMAN, Chaim. O império retórico: retórica e argumentação. Porto: ASA, 1993. 01- 204p.
PERELMAN, Chaim; OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado de argumentação: a nova retórica. São Paulo: Martins Fontes,
2002.
REBOUL, Olivier. Introdução à retórica. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
Palavras-chave: Argumentação; Documento; Pau dos Ferros; Valores; Discurso.

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Argumentação e Persuasão em Gêneros Textuais Midiáticos: o papel das estratégias


referenciais
Rosalice Pinto (CLUNL/CEDIS/PROTEXTO)

Resumo: Como se sabe, os processos referenciais viabilizados tanto pela anáfora quanto pelos dêiticos são identificados
no universo textual através de elementos da linguagem verbal e não verbal. Estes são introduzidos no texto e
recategorizados, contribuindo, por um lado, para certa estabilidade do universo textual; por outro, para a sua progressão
(CUSTÓDIO FILHO, 2011) e (CAVALCANTE E BRITO, 2017). Contudo, é de se ressaltar que esses processos e as expressões
referenciais que os materializam podem vir a assumir papeis distintos em função dos gêneros textuais em que se inserem,
de acordo com contextos sócio-histórico-interacionais diversos (PINTO, 2015). Salientamos, inclusive, que tanto no
processo de produção quanto de interpretação do texto existe uma reconstrução do referente segundo as escolhas feitas
pelo agente produtor [de ordem valorativa], consoante os diversos elementos situacionais (papel social do interlocutor,
objetivo proposto, tempo e espaço da interação, dentre outros), estabelecendo-se assim, nos gêneros textuais, certo
percurso argumentativo de teor mais ou menos persuasivo. Estudos preliminares sinalizam que gêneros textuais de teor
mais argumentativo, como o editorial, dado o seu caráter mais estável, mostram-se com uma revaloração do referente
mais previsível. Por outro lado, gêneros textuais de teor mais persuasivo (em que se salientam alguns gêneros jornalísticos
multissemióticos, como as capas de jornal), devido provavelmente a alguma ‘instabilidade’ e certa ‘imprevisibilidade’,
podem apresentar uma revaloração do referente mais criativa e, até, menos previsível (PINTO, 2018).
Palavras-chave: Argumentação; Processos referenciais; Gêneros textuais midiáticos
Referência
Cavalcante, M. & Brito, M. (no prelo). Estratégias de referenciação em textos multissemióticos. Linguistic Studies/ Estudos
Linguísticos.
Custódio Filho, V. (2011). Múltiplos fatores, distintas interações: esmiuçando o caráter heterogêneo da referenciação.
331p. Tese (Doutorado em Linguística – Universidade Federal do Ceará).
Pinto, R. (2015). Argumentação e persuasão em gêneros textuais. In. EID&A – Revista Eletrônica em Estudos Integrados
em Discurso e Argumentação, no. 9, pp. 102-114. Diponível em:
http://periodicos.uesc.br/index.php/eidea/article/view/839 (consultado em 14.03.2018).
Pinto, R. (2018). Discursos midiáticos e persuasão: a re(valorização) referencial do referente. Trabalho apresentado no
IV SEDiAr – Seminário Internacional de Estudos sobre Discurso e Argumentação. Buenos Aires: Universidade de Buenos
Aires., 14 a 16 de março.

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Estereótipos de mulher: relações de aliança discursiva nos casos Veja e Temer


Samuel Ponsoni (UEMG)
Julia Lourenço Costa (UFSCar)

Resumo: Neste trabalho, temos como objetivo fazer uma análise teórico-comparativa entre os estereótipos de mulher
trazidos em dois discursos diferentes, a saber, a reportagem produzida pela revista Veja, acerca de Marcela Temer, em
abril de 2016, e o pronunciamento de Michel Temer, na ocasião do Dia Internacional da Mulher, em março de 2017 e os
efeitos de sentido ideológicos que colocam esses discursos em relação de aliança e complementação. Partimos do
arcabouço teórico da Análise do Discurso de matriz francesa, relacionando duas noções-conceito, respectivamente
préconstruído e a articulação de discursos transversos (PÊCHEUX, 1988), aos estereótipos mobilizados. Para tanto,
procedemos com uma compreensão sucinta da conceituação acerca de estereótipos, ancorados sobretudo em Ruth
Amossy (1991; 2008), para refletir de que(quais) maneira(s) e como os dois discursos, dados em tempos distintos, formam
essa correlação discursiva, que se complementa para reforçar e apresentar um estereótipo feminino ideologicamente
marcado por diversos elementos de conservadorismos machistas.
Palavras-chave: Estereótipos; Pré-construídos; Articulação em discursos transversos; Efeitos ideológicos.
Referência
AMOSSY, R. Les idées reçues: semiologie du stéréotype. Paris: Éditions Nathan, 1991.
AMOSSY, R. (Org.). As imagens de si no discurso: a construção do ethos. São Paulo: Contexto, 2008.
PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 1988.

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Promoting youthfulness: the construction of persuasive discourse and argumentation


Sandra Tuna (UFP)

Abstract: Advertising discourse is persuasive by its very nature. Essentially goal-oriented, it is constructed so as to propose
a pre-determined view of the world that suits its purposes, by means of a well-defined argumentative pathway that leads
up to the proposed most (desired) suitable option. As a discourse that enjoys unparalleled freedom – both in terms of
content and form – it has long moved beyond a clear-cut argumentative process based on hard sell versus soft sell, or
tickle versus reason approaches (see, for example, Cook, 2001:15). In their attempts to overcome boredom and scepticism
on the part of an ad-literate audience, advertisers resort to different forms of argumentative reasoning: deduction,
opposition, analogy or calculation, as proposed by Charaudeau (2008). In addition, as multi-modal texts, they make the
most of the different modes available – pictures, text, sound, moving pictures – to build theirs argument. As claimed by
Ripley (2008), and ad is an argument, thus, whichever claims or statements it makes, we are aware of – and suspicious
about – its persuasive intent, though we often tend to go along with the worldviews it suggests. In spite of common
accusations of stereotyping, segregating, imposing models of beauty, lifestyle among others, overlooking (and blurring)
national idiosyncrasies, advertising has somehow managed to build rather convincing arguments that seemingly consider
such criticism.
In this study we will look into cosmetics adverts that explicitly and implicitly build their arguments in ways that almost
always encourage identical proposals of youthfulness, despite their apparent different claims and argumentative routes
and despite their apparent concern for incorporating socially correct positions.
Keywords: Argumentation; Advertising; Discourse; Stereotyping
Reference
Charaudeau, P. (2008) "L’argumentation dans une problématique de l’influence", Revue Argumentation et Analyse du
Discours, (AAD) n°1, L’analyse du discours au prisme de l’argumentation. Available at (http://aad.revues.org), accessed
on 26/5/2018. URL: http://www.patrick-charaudeau.com/L-argumentation-dans-une.html
Cook, G. (2001) (2nd ed.) The Discourse of Advertising. London and New York: Routledge.
Ripley, L. (2008) “Argumentation Theorists Argue that an Ad is an Argument”, in Argumentation (2008) 22: 507. Springer,
available at https://doi.org/10.1007/s10503-008-9102-2.

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Apontamentos sobre uma narrativa do acontecimento discursivo científico: o caso da


linguística brasileira
Tamires Bonani (UFSCar)

Resumo: Este trabalho, de maneira ampla, visa construir, compreender e compilar um levantamento biográfico e
genealógico, no sentido de saberes discursivos, acerca dos principais estudiosos da linguagem brasileiros, que cobrem,
cronologicamente, do fim do Século XIX até anos 40 do Século XX, de modo que esses estudos sejam colocados em
circulação e que sejam visíveis a toda sociedade contemporânea, principalmente para mostrar a importância desses
trabalhos para o desenvolvimento social do Brasil. Teoricamente fundamentados em uma escrita de história balizada na
narrativa dos acontecimentos discursivos (GUILHAUMOU, 2009), pretendemos, por meio desta pesquisa histórico-
biográfica e genealógico-discursiva, entender a construção de conjunto de informações, constituídas sobretudo por
pequenas frases (MAINGUENEAU, 2014) que preencham e cubram narrativas nos entornos de personagens de suma
importância para a constituição do saber linguístico sobre a língua portuguesa no Brasil, bem como da própria identidade
cultural de nossa brasilidade, algo que os estudos até os anos 1960 compilados deixam descobertos por, em muitos
aspectos, deixarem biografias e biografados como algo secundário ao processo de compreensão dos estudos de
linguagem, sobretudo os arquivos e as personagens que se empenharam nesse ramo de saber da linguagem do fim do
Século XIX e início do Século XX. É, portanto, nesse mote da escrita da história determinando a narrativa dos
acontecimentos, inclusive do saber científico (ANGERMULLER, 2014), que se constitui a cerne desta pesquisa.
Palavras-chave: Biografias; Genealogia Discursiva; Narrativa do Acontecimento.

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Do gênero canção rap à produção textual: criticidade, ensino e responsividades


Tatiana Aparecida Moreira (UFSCar/IFES)

Resumo: Este trabalho parte de uma perspectiva interacional e dialógica de linguagem (BAKHTIN, 2003) e da concepção
de gêneros do discurso, caracterizados como tipos relativamente estáveis de enunciados, que possuem tema, estilo e
estrutura composicional (BAKHTIN, 2003). Nesse sentido, apresentaremos atividades desenvolvidas, nas quais se utilizou
o gênero canção, em especial, o rap, em minicurso realizado em escola pública federal, como parte integrante das aulas
de língua portuguesa. A partir desse estilo musical e tendo como suporte teórico e metodológico os estudos do Círculo
de Bakhtin (1995, 2003) sobre dialogismo, atitude responsivo-ativa e os mencionados, e os de Aristóteles (s/d) sobre
argumentação, mostraremos de que forma pode-se desenvolver uma sequência didática (DOLZ; NOVERRAZ; SCHNEUWLY,
2004), tendo o rap como o gênero que impulsiona discussões ligadas à discriminação racial e social, a violências física e
simbólica, à desiguladade social, e outras, a fim de se promover o diálogo com outros gêneros, como poema, propaganda,
tirinha e história em quadrinhos. Assim, nosso objetivo é analisar em que medida, a partir da teoria elencada, as
produções resultantes refletem e refratam o posionamento crítico, responsivo e persuasivo dos participantes do
minicurso em relação a temas relevantes na nossa sociedade, como os destacados, ao se analisar, interpretar e aplicar
recursos expressivos da linguagem, no fazer ético e estético da atividade de produção e de reescrita de textos. A partir
disso, como resultados preliminares, mostraremos de que forma podem existir fronteiras e desafios, na argumentação
construída, e de que maneira estes se manifestam, discursivamente, a partir da teoria mobilizada, nas produções
realizadas com os gêneros do discurso listados.
Palavras-chave: Rap; Gêneros do discurso; Produção de texto.
Referências:
ARISTÓTELES. Arte Retórica e Arte Poética. Trad. Antônio Pinto. São Paulo: Ediouro, [s/d].
BAKHTIN, Mikhail. Estética de Criação Verbal. Trad. Paulo Bezerra. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BAKHTIN, Mikhail; VOLOCHINOV, V. N. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Trad. Michel Lahud e Yara Frateschi. 7. ed.
São Paulo: Hucitec, 1995.
DOLZ, J; NOVERRAZ, M; SCHNEUWLY, B. Sequências Didáticas para o Oral e a Escrita: Apresentação de um Procedimento.
In: Gêneros orais e escritos na escola. São Paulo: Mercado de Letras, 2004.

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Metáforas espaciais na representação de políticas públicas e situação de rua na Folha de S.


Paulo
Viviane de Melo Resende (UnB)

Resumo: O objetivo geral do projeto “Representação de políticas públicas para população em situação de rua como gestão
do território: metáforas espaciais na Folha de S. Paulo” é mapear e analisar representações de políticas e ações públicas
voltadas à população em situação de rua na produção discursiva do portal de notícias on-line da Folha de S. Paulo. Para
tanto, são utilizados dados de jornalismo web coletados para o projeto “Representação midiática da violação de direitos
e da violência contra pessoas em situação de rua no jornalismo on-line” (CNPq 304075/2014-0), que mapeou mais de 750
notícias no recorte temporal 2011-2013. Este trabalho toma um foco parcial desses dados, situando formas como a Folha
de S. Paulo representa a população em situação de rua em notícias que tematizam políticas públicas. As análises focalizam
os textos em seus aspectos verbais e visuais, com ferramentas da análise de discurso crítica (Fairclough, 2003; van Dijk,
2008; Resende, 2017) e da gramática do design visual (van Leeuwen, 2005; Biasi-Rodrigues; Nobre, 2010), buscando
mapear metáforas espaciais (Charteris-Black, 2004) que permitam uma discussão da gestão do espaço urbano como
gestão de população, e especialmente de seus movimentos e permanências na cidade. O projeto ainda está em
andamento, e neste trabalho apresentarei alguns resultados analíticos parciais.
Palavras-chave: Análise de discurso crítica; NVivo; Folha de S. Paulo; Situação de rua; Metáfora.
Referências
Charteris-Black, J. (2004).Corpus approaches to critical metaphor analysis. New York: Palgrave-MacMillan.
Fairclough, N. (2003). Analysing discourse: textual analysis for social research. London: Routledge.
Biasi-Rodrigues, B; Nobre, K.C. (2010). Sobre a função das representações conceituais simbólicas na gramática do design
visual: encaixamento ou subjacência. Linguagem em (Dis)curso. 10(1), pp. 91-109.
Resende, V. M. (2017). Reflexões teóricas e epistemológicas quase excessivas de uma analista obstinada. In: Resende, V.
M.; Regis, J. F. S. (orgs.), Outras perspectivas em análise de discurso crítica. Campinas: Pontes. pp. 11-52.
Van Dijk, T. (2008). Discurso e poder. Trad. J. Hoffnagel et al. São Paulo: Contexto.
Van Leeuwen, T. (2005). Introducing social semiotics. London: Routledge.

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