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Economia da Complexidade
Alan Kirman

Introdução
A economia, há bem mais de cem anos, quer ser considerada uma "ciência". Para conseguir
isso, inevitavelmente é preciso reduzir o que é uma realidade extremamente complicada a um
"modelo" simples, através do qual possamos ter alguma chance de explicar o que causa o quê.
Agora, pense, por um momento na estação ferroviária central de Tóquio na hora do
rush. Vista de cima, parece um ninho de formigas, com filas de indivíduos se formando à
medida que os insetos correm para seus compromissos. Como se deve reduzir isso a um
modelo simples? Uma abordagem é pegar um indivíduo e tentar entender o que ele está
fazendo e por quê. Seria claramente muito difícil modelar cada indivíduo individualmente, de
modo que se poderia tentar entender como um indivíduo "típico" ou "representativo" escolhe
o que fazer. Essa é a abordagem que a economia tradicional adotou e, conforme a disciplina
se desenvolveu, esse indivíduo "representativo" tem sido retratado como capaz de um
comportamento cada vez mais sofisticado e calculista.
Mas pense em outra abordagem. Em vez de estudar esse indivíduo "típico",
poderíamos reconhecer que estamos lidando com uma coleção - geralmente uma coleção
muito grande - de indivíduos cujo comportamento é influenciado um pelo outro. Como se
simplificaria isso? A resposta é dada no que é chamado de abordagem de "sistemas
complexos", que está no cerne da Economia da Complexidade. A seguinte descrição simples
disso foi dada por Herbert Simon.
“Grosso modo, por um sistema complexo quero dizer um composto de um grande
número de partes que interagem de uma maneira pouco simples. Em tais sistemas, o
todo é mais do que a soma das partes, não num sentido metafísico final, mas no
importante sentido pragmático de que, dadas as propriedades das partes e as leis de sua
interação, não é uma questão trivial inferir as propriedades do todo. ”Simon (1962)
p.467-468

A questão é que não se deve reduzir o comportamento de toda a economia ao de um


único indivíduo sofisticado e calculista que trabalha o que é bom para ele isoladamente. Em
vez disso, é mais realista pensar nos indivíduos como sendo bastante simples e seguindo as
"regras básicas". É então através da interação entre eles que muitos fenômenos interessantes
podem emergir. A forma como o formigueiro é estruturado e desenvolvido não depende de
nenhum tipo de comportamento sofisticado ou organização de formigas individuais, mas sim
da complexidade das interações da colônia como um todo. Dessa forma, também dentro da
sociedade humana faz pouco sentido explicar como fenômenos sociais, como revoluções ou
colapsos de mercado de ações, ocorrem estudando indivíduos isoladamente. Ou, como
Mervyn King, o ex-governador do Banco da Inglaterra disse:


Repensando a Economia – tradução de André Roncaglia de Carvalho (NÃO REPRODUZIR)

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"Devemos evitar a arrogância de pensar que entendemos como a economia


funciona, assim como devemos evitar a arrogância de pensar que deixar os
mercados funcionarem por conta própria levará ao nirvana". Mervyn King (abril de
2013)

Neste capítulo, vou então contrastar duas alternativas simples ao abordar o estudo de
como as economias funcionam: a abordagem "padrão" adotada na economia mainstream, na
qual a economia é retratada como se comportando como um indivíduo único e muito
sofisticado; e a abordagem dos "sistemas complexos", na qual os indivíduos são considerados
como interagindo uns com os outros com base em regras simples, de modo a produzir um
comportamento agregado muitas vezes complicado, não diretamente dedutível do
comportamento individual tomado isoladamente.
Neste capítulo, examinarei brevemente alguns dos problemas da abordagem padrão e
argumentarei que a visão da complexidade oferece uma alternativa mais realista e útil.

Equilíbrio
Uma das principais diferenças entre essas duas abordagens está na importância atribuída ao
"equilíbrio". Pense numa economia em que todos os consumidores conheçam os preços de
todos os bens disponíveis, agora e no futuro, e também saibam qual é e qual será sua renda.
Dadas essas informações, eles decidem quais mercadorias querem comprar com a única
restrição de que o que querem comprar não deve custar mais, no total, do que sua renda. As
empresas, sabendo os preços dos bens e o nível dos salários, decidem quanto de cada bem
produzir. Agora a questão é: todas essas escolhas serão consistentes entre si? Se os preços dos
bens e os salários são tais que o quantidade total de cada bem produzido por todas as
empresas é apenas igual à quantidade total de cada bem escolhido por todos os consumidores,
então dizemos que a oferta agregada de cada bem é igual à demanda agregada por cada bem e
que a economia está em equilíbrio.
A análise de tais estados de equilíbrio é uma preocupação definidora da economia
convencional. Isto é em parte porque, como resumido no "Primeiro Teorema Fundamental da
Economia do Bem-Estar", uma economia perfeitamente competitiva em equilíbrio, como
descrito acima, é considerada "eficiente", pois nenhum indivíduo pode ser beneficiado sem
piorar a situação de alguém. No entanto, uma das primeiras perguntas que podem ocorrer a
um estudante de economia é: como a economia chega a tal equilíbrio? Dependendo do estágio
específico de seus estudos, a resposta pode variar. Inicialmente, ele ou ela será informado de
que é a "mão invisível" de Adam Smith que, de alguma forma, misteriosamente, consegue
isso. Se os indivíduos forem deixados à própria sorte, a economia alcançará um equilíbrio que
terá a propriedade socialmente desejável de eficiência. Como isso vai acontecer, no entanto,
não fica claro. Frases como "mercados dão conta da tarefa" são invocadas. Em momentos de
fraqueza, até mesmo alguns economistas muito distintos afirmaram que somos capazes de


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provar que uma economia "perfeitamente competitiva" alcançará um equilíbrio. A tarefa é,
portanto, estudar esses equilíbrios e como eles podem mudar com o tempo.
Nenhuma dessas provas, no entanto, alguma vez foi realmente apresentada. Um
mecanismo de ajuste frequentemente invocado neste contexto, conhecido como processo de
"tatonnement" (tateamento), foi discutido primeiramente por Walras (1877). Isso se refere à
redução de preços de mercadorias em que as empresas estão produzindo mais do que as
pessoas querem comprar e ao aumento dos preços desses bens, onde os consumidores querem
comprar mais do que as empresas estão produzindo. O aluno de alerta terá imediatamente
duas perguntas sobre isso. Em primeiro lugar, por que o preço do mesmo bem deve ser
idêntico em um mercado? A observação casual mostra que esse não é o caso. A segunda
pergunta seria: quem ajusta todos esses preços para equilibrar o mercado? Deixe sua
descrença de lado por um momento e imagine que algo assim fosse possível. O que três
famosos economistas matemáticos, Sonnenschein (1972) Mantel (1974) e Debreu (1974)
mostraram, era altamente destrutivo. Eles provaram que, mesmo com todas as suposições
irrealistas sobre o comportamento dos agentes econômicos individuais e a economia sendo
"perfeitamente competitiva", o processo de "tateamento" não necessariamente levaria a
economia a um equilíbrio. Nesse ponto, muitos teóricos econômicos sugeriram que seria
suficiente propor outro processo de ajuste. No entanto, rapidamente ficou claro que isso não
resolveria o problema. Os processos de ajuste sugeridos simplesmente requeriam muita
informação e Saari e Simon (1978) deram o golpe de misericórdia, mostrando que um
mecanismo de ajuste que levaria uma economia de qualquer conjunto inicial de preços fora do
equilíbrio a um equilíbrio exigiria necessariamente um quantidade infinita de informações.
Mas tudo isso levou à ideia básica de que aquilo que deveria interessar a economistas
é o equilíbrio de uma economia. De acordo com a abordagem da complexidade, se estamos
realmente interessados em explicar e compreender os fenômenos econômicos, não devemos
nos limitar a simplesmente olhar para o equilíbrio e suas propriedades. A abordagem da
complexidade leva a sério a ideia de um sistema econômico que está constantemente se
organizando e que nunca se estabelece em um equilíbrio. Ao fazê-lo, visa abordar uma das
falhas centrais da teoria econômica convencional. Na verdade, há muito que os formuladores
de políticas reconhecem que, quando surge uma crise, a teoria padrão tem pouco a dizer.
Poderíamos citar governadores de bancos centrais, economistas-chefes do Banco Mundial e
outras organizações internacionais, todos explicando que a análise convencional não os
ajudou na recente crise. Por quê? Simplesmente pelo fato de que, se estudarmos economias
que estão "em equilíbrio", descartamos, por suposição, grandes crises em que, muito
claramente, alguns mercados, como o mercado de trabalho, não estão em equilíbrio.

Abordagens Alternativas
Diante de tais problemas, diferentes economistas reagiram de maneiras diferentes. Alguns
decidiram que deveríamos simplesmente ficar com o modelo básico, modificando um pouco
as suposições para que ele se encaixasse melhor nos dados. Isso está longe de ser um
fenômeno novo. De fato, assim como os ptolomaicos resistiram aos argumentos de


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Copérnico, muitos economistas continuam aderindo aos modelos convencionais, tentando em
vão "calibrá-los", de modo a adequá-los aos fatos.
Outros, em vez disso, sugeriram um afastamento radical dos modelos padrão que se
baseiam na análise de equilíbrio e nas fortes suposições sobre otimização individual. Werner
Hildenbrand (1994), um dos principais teóricos do Equilíbrio Geral chegou ao ponto de dizer
que devemos abandonar completamente as suposições que fazemos sobre o ator principal em
nosso jogo econômico, "homo economicus", e sua extrema racionalidade e apenas olhar para
a distribuição empírica das escolhas realmente feitas pelos indivíduos na vida real. Este apelo
para basear nossa teoria na evidência empírica, uma abordagem que é tão essencial às ciências
físicas, não encontrou, infelizmente, qualquer receptividade.
A abordagem dos Sistemas Complexos emergiu em resposta a esse apelo e agora está
sendo discutida regularmente não apenas em círculos acadêmicos, mas em bancos centrais
como o Banco da Inglaterra, em organizações internacionais como a OCDE e em vários
ministérios de finanças, como o Tesouro dos EUA.

Comparando as abordagens padrão e complexa do sistema



A Abordagem Convencional (ou Padrão)
Como descrito acima, a abordagem padrão da economia se concentra na caracterização dos
equilíbrios dentro dos mercados. Pensa-se que as economias saltam de um equilíbrio para
outro em resposta a choques "exógenos", isto é, a mudanças no ambiente inteiramente
externas à tomada de decisão dos indivíduos dentro de uma economia, como um inesperado
avanço tecnológico ou mudança na política do governo.
Um requisito importante de tais modelos convencionais da economia é que eles sejam
construídos com "microfundamentos sólidos". Com isso, entende-se que os modelos são
construídos em torno de indivíduos que, isoladamente, e dadas as restrições com as quais são
enfrentados - tipicamente restrições orçamentárias aos consumidores e restrições técnicas à
produção das empresas - tentam "otimizar", isto é, alcançar a melhor alternativa possível
disponível para eles. O que se entende por "melhor", para os consumidores, é em termos do
que eles preferem.
Normalmente, a teoria padrão impõe condições rigorosas sobre como as preferências
das pessoas são compreendidas, a fim de garantir que suas escolhas sejam "racionais". As
preferências são, por exemplo, modeladas como sempre coerentes. Isso significa que, se em
um caso uma pessoa escolhe uma alternativa A em detrimento de outra alternativa B quando
ambas estão disponíveis, elas nunca devem escolher B sobre A quando ambas forem
possíveis. Tal inconsistência seria "irracional" e, como tal, não devemos esperar observar isso
na realidade. Isso talvez pareça razoável no começo, mas uma vez que se pense com um
pouco mais de cuidado, essa é uma suposição muito forte. As pessoas frequentemente mudam
suas escolhas de um dia para o outro, sem nenhuma outra razão do que imaginaram a
mudança. Os principais teóricos econômicos frequentemente respondem a esse problema


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argumentando que não existe, de fato, nenhuma contradição: o peixe que o consumidor
preferiu às bananas na semana passada não é o mesmo bem que o peixe que eles preferiram às
bananas nesta semana. "Peixe esta semana" é um bem por si só. No entanto, embora essa
sutileza resolva as aparentes "contradições" observáveis no comportamento cotidiano, ela, por
sua vez, torna a suposição de "consistência" descrita acima inteiramente não verificável, uma
vez que duas escolhas são sempre feitas em diferentes pontos no tempo. Esta e outras
suposições que são feitas sobre as preferências das pessoas têm sido objeto de mais de um
século de debate. De fato, Pareto, muitas vezes considerado com Walras como o pai da
moderna economia matemática, quando se voltou para a sociologia, observou que sentia que
os indivíduos passavam parte de seu tempo tomando decisões pouco racionais e o resto de seu
tempo racionalizando-as. A verdade é que nossas suposições sobre a racionalidade do
comportamento das pessoas foram baseadas na introspecção e não no comportamento real
observado dos indivíduos.
Assim que começamos a nos preocupar com a forma como as pessoas levam em conta
seu futuro incerto, também precisamos nos preocupar com a forma como elas preveem o
ambiente futuro. Se as pessoas podem ter alguma expectativa sobre o futuro, então não
podemos dizer muito. Tipicamente, a abordagem padrão adota a suposição simplificadora de
que as pessoas não apenas têm as mesmas expectativas, mas que essas expectativas são
consistentes com a maneira como a economia realmente evolui (a chamada hipótese das
"Expectativas Racionais", discutida mais adiante). Você se perguntará, é claro, como as
pessoas chegam a formar tais expectativas, uma pergunta que, de fato, vários economistas de
fato se dedicaram a tentar responder.
A preocupação com os "microfundamentos" típicos da abordagem padrão também é
percebida na tendência de olhar apenas para características individuais. Em outras palavras,
não devemos nos preocupar sobre como os agentes interagem diretamente entre si nem sobre
a estrutura dessa interação. Dentro dessa visão, as redes de relações sociais, por exemplo, não
têm um papel na determinação dos resultados econômicos agregados.
Tais simplificações facilitam a vida dos teóricos econômicos, mas as suposições sobre
o mundo necessárias para torná-las críveis são tão restritivas que muitas vezes não são tão
úteis para analisar a evolução das economias reais.
Além disso, há um foco em resultados eficientes dentro da abordagem padrão, o que
negligencia o grande desafio da economia de explicar como tantos indivíduos distintos
conseguem coordenar suas diferentes atividades. Para muitos estudantes, a irracionalidade
dessas suposições feitas na análise econômica padrão e o pesado investimento requerido em
ferramentas matemáticas específicas é suficiente para fazê-los abandonar o assunto logo no
início dos estudos. Mas é possível pensar na economia de maneira diferente e não menos
rigorosa.

A Abordagem de Sistemas Complexos


De acordo com essa visão, os indivíduos dentro de uma economia seguem regras simples para
determinar seu curso de ação. No entanto, eles se adaptam ao ambiente alterando as regras


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que usam quando tem menos êxito. Eles não são irracionais, pois não agem contra seus
próprios interesses, mas não têm nem a informação nem a capacidade de calcular para
"otimizar". De fato, supõe-se que eles tenham informações limitadas e - em grande parte -
locais e modificam seu comportamento para melhorar sua situação. Não se presume que os
indivíduos em modelos de complexidade entendam como a economia funciona, nem buscam
conscientemente a "melhor escolha". A principal preocupação não é se os resultados
agregados são eficientes ou não, mas sim como todos esses diferentes indivíduos interagindo
uns com os outros chegam a coordenar seu comportamento.
Dar aos indivíduos em um modelo regras simples para seguir e permitir que eles as
modifiquem enquanto interagem com os outros significa pensar neles muito mais como
partículas ou insetos sociais. Os economistas do mainstream muitas vezes se opõem a isso,
argumentando que os seres humanos têm intenções e objetivos que não podem ser
encontrados nem em partículas inanimadas nem em formas inferiores de vida. No entanto,
esse argumento não é totalmente convincente. Dentro da abordagem padrão, as intenções dos
indivíduos são modeladas em termos de suas preferências e expectativas. Uma vez que damos
ao nosso agente representativo um certo conjunto de preferências e uma regra para prever o
que acontecerá no futuro, ele é muito parecido com um autômato que responderá
mecanicamente ao que está acontecendo.
O importante sobre considerar a economia como um sistema complexo é que se pode,
então, lidar com agentes heterogêneos e, em particular, agentes cujas características podem
mudar à medida em que muda o comportamento dos que os cercam . Dentro de um modelo de
complexidade, os indivíduos interagem, influenciam e são influenciados pelos que os
rodeiam. O comportamento no agregado emerge dessa interação à medida que os indivíduos
se adaptam à situação ao seu redor, mas, crucialmente, não pode ser previsto observando-se
um único indivíduo.
Dentro de uma abordagem de sistemas complexos, os sistemas podem, à medida que
evoluem, passar por grandes mudanças sem exigir qualquer choque externo "exógeno". Este
princípio é bem demonstrado pelo "Jogo da Vida" (Game of Life) de John Conway, um jogo
de simulação de computador. É um famoso exemplo inicial de como um sistema, no qual os
indivíduos respeitam regras muito simples, pode ter configurações agregadas que mudam
constantemente ou que podem se ajustar a um padrão fixo. O jogo consiste em uma grade de
células, muito parecida com a de um tabuleiro de xadrez gigante, cada uma das quais é "viva"
ou "morta". Eles continuam a viver, morrer ou nascer dependendo dos estados de seus
vizinhos. Muitas animações de "O Jogo da Vida" podem ser encontradas na web.
Seguindo este modelo simples, considere um mercado no qual os participantes
decidem comprar, manter ou vender uma ação seguindo o que a maioria daqueles com quem
estão vinculados (seus vizinhos) o fazem. Adicione algumas condições extras, por exemplo,
sobre como os preços evoluem dependendo de quanto do estoque é demandado ou fornecido,
deixe os indivíduos cometerem alguns erros de tempos em tempos, e o mercado desenvolverá
grandes flutuações que não são causadas por nenhuma influência exógena (de fora do
sistema), mas apenas por indivíduos que decidem o que fazer em função do que seus vizinhos
estão fazendo. Neste exemplo, como no Jogo da Vida, você tem os ingredientes de um


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sistema complexo. Os participantes agem em função do estado em que se encontram (neste
caso, quanto de estoque possuem) e suas escolhas evoluem dependendo do que seus vizinhos
escolherem fazer. Esse tipo de quadro parece representar uma visão muito mais apropriada de
como os mercados evoluem, em vez de um modelo em que o sistema se acomoda em uma
posição de equilíbrio e depois é retirado desse equilíbrio por algum choque externo.

Um Exemplo: Segregação Racial


Para ilustrar esses pontos, vamos analisar um problema social importante, o da segregação
racial. A segregação racial é um fenômeno persistente em muitas cidades em muitos países.
Nos Estados Unidos, por exemplo, enquanto mais da metade dos negros norte-americanos
vive agora em famílias de renda média ou alta, a segregação habitacional persistiu nas
grandes cidades. A explicação natural para esse fenômeno seria que os indivíduos são racistas
e preferem evitar viver com pessoas de outra raça. Assim, a segregação não é mais do que um
macro-fenômeno que reflete, de maneira consistente, os sentimentos individuais das pessoas.
Mas Tom Schelling, o ganhador do Prêmio Nobel em economia de 2005, cuja influência
permeia grande parte do que hoje chamamos de economia da complexidade, mostrou, mais
uma vez, que a relação entre comportamentos micro e macro não é tão simples. Ele
argumentou que o grau de segregação que observamos está longe de refletir visões
individuais. No final da década de 1960, ele introduziu um modelo de segregação (um bom
resumo das variantes de seu modelo é dado em Schelling, 1978), que mostrou essencialmente
que mesmo se as pessoas tivessem uma preferência muito leve por viver com vizinhos de sua
própria cor, à medida que se movem para satisfazer suas preferências, a segregação completa
pode ocorrer.
Para ver o que está em funcionamento aqui, vale a pena olhar com algum detalhe o
modelo que Schelling introduziu. Isso pode ser explicado de maneira simples e intuitiva, e
essa é uma das características das contribuições de Schelling que as torna tão atraentes e que
gerou essa surpresa. Um relato mais completo dessa relação surpreendente entre micro-
características e fenômenos agregados no modelo de segregação ou, para usar a frase original
de Schelling, a relação entre "micromotivos e macrocomportamento" pode ser encontrada no
artigo de Pancs e Vriend (2007).
A ideia básica é essa. Pegue um grande tabuleiro de xadrez e coloque um certo
número de marcadores pretos e brancos no tabuleiro, deixando alguns lugares livres. A
suposição básica é que cada contador prefere estar em um quadrado onde, no máximo, quatro
de seus oito vizinhos são de uma cor diferente da sua. Enquanto menos da metade de seus
vizinhos são de cor diferente da sua, o indivíduo é feliz ou tem alta utilidade, como diriam os
economistas do mainstream.
No entanto, se o número de vizinhos de cores de pele diferentes ultrapassar esse
limiar, o indivíduo fica infeliz.
Em cada etapa, um indivíduo é sorteado aleatoriamente e, se estiver infeliz, ou seja,
com baixa utilidade, ele se deslocará para o espaço não ocupado mais próximo, onde sua
utilidade será maior. Um exemplo do que acontece ao longo do tempo (ou seja, ao longo do


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curso, muitas etapas individuais) é ilustrado na Figura 6, que mostra a segregação se
desenvolvendo rapidamente.

Figura 6 - Segregação Emergente a partir de Preferências "Não Discriminatórias"

Fonte: Pancs e Vriend (2007)

De fato, Schelling mostrou que o resultado seria, em geral, uma segregação completa.
Isso é, em certo sentido, bastante surpreendente, uma vez que o resultado segregado não
reflete a tolerância relativa dos indivíduos. No entanto, como Vinkovic e Kirman (2006)
apontam, um físico não ficaria tão surpreso: o óleo e a água não tendem naturalmente a se
misturar, e essa mistura rapidamente se divide em duas camadas separadas. Eles desenvolvem
uma analogia física simples para o quebra-cabeça de Schelling, que mostra claramente o que
está acontecendo. Às vezes é útil para os economistas dar uma olhada em outras disciplinas!
Os resultados acima resultaram de apenas uma das muitas possíveis funções de
utilidade que podemos usar para determinar como os indivíduos se comportam nesse
ambiente. Talvez mais surpreendente seja o que acontece quando todos os indivíduos
preferem vizinhanças perfeitamente balanceadas, de modo que sua utilidade só é alta quando
exatamente metade de seus vizinhos compartilham sua própria cor de pele. O resultado da
condução do mesmo experimento com indivíduos desse tipo é ilustrado nos painéis inferiores
da Figura 7, abaixo.
Os resultados podem ser comparados ao resultado da função de utilidade original,
mostrada nos painéis superiores. A situação nos painéis inferiores parece notavelmente
similar: segregação quase total. No entanto, no nível micro, as situações não poderiam ser
mais diferentes. Com a função de utilidade original, quase não há movimento após um certo
ponto no tempo. A grande maioria dos indivíduos é feliz e não tem incentivo para se mudar.
Ainda com a nova função de utilidade, os indivíduos da população estão em constante
movimento. De longe, a situação parece ser estática em comparação com o experimento
original, mas no segundo experimento, quase ninguém fica satisfeito e as pessoas estão
constantemente à procura de um quadrado melhor. A razão para isso é óbvia: um equilíbrio
exato de vizinhos entre as duas cores é facilmente perturbado. Assim que uma pessoa se
move, ela destrói um equilíbrio muito bom, criando assim um incentivo para se mover para
todos os seus antigos vizinhos. Assim, a semelhança entre os dois modelos é ilusória, de


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forma que se nota como a similaridade macro não pode não ser equivalente à similaridade
micro .

Figura 7 - Segregação com diferentes funções de utilidade

Fonte: Pancs e Vriend (2007)

Muitas das principais lições da Economia da Complexidade podem ser apreendidas


com a análise desse modelo muito simples e suas variações. Vemos que os sistemas
interativos de partículas ou "agentes" podem ter uma tendência a se auto-organizar, cujos
resultados podem ser muito diferentes do que se poderia antecipar e podem não ser
socialmente satisfatórios do ponto de vista agregado.

Mercados
A ideia de que os mercados têm uma estabilidade intrínseca é um mito central nascido da
abordagem padrão da economia. Como Adair Turner, anteriormente o chefe da Financial
Services Authority no Reino Unido disse,
“Mas também há uma forte crença, da qual compartilho, de que uma teoria econômica
ruim, ou bastante simplista e excessivamente confiante, ajudou a criar a crise. Havia uma
sabedoria convencional dominante de que os mercados eram sempre racionais e auto-
equilibrados, que a conclusão do mercado por si só poderia garantir eficiência econômica e
estabilidade, e que a inovação financeira e o aumento da atividade comercial eram portanto
axiomaticamente benéficos.” Adair Turner, Chefe da Superintendência de Serviços


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Financeiros do Reino Unido. Discurso no City Banquet, Mansion House, Londres, 22 de
setembro de 2009.

A ideia de que os mercados, deixados à própria sorte, são auto-estabilizantes, tem sido
usada como justificativa para desregulamentar os mercados financeiros e para remover o
máximo possível de controles sobre as atividades dos bancos. O raciocínio básico por trás
disso é a hipótese do “mercado eficiente”, que foi originalmente desenvolvido por Bachelier
em 1900. Seu argumento era simples. Cada indivíduo, independentemente, recebe alguma
informação privada, sobre a qual ele decide. O resultado do ato é revelar suas informações
privadas para todos os outros. Desta forma, todas as informações disponíveis são transmitidas
através dos preços dos ativos. Portanto, ninguém precisa olhar para nada além dos preços
atuais de mercado.
Existem dois problemas com isso. Em primeiro lugar, como Grossman e Stiglitz
(1980) apontaram há muito tempo, se realmente não houvesse necessidade de olhar para nada
além de preços de mercado, ninguém olharia para suas informações privadas que, como
resultado, nunca seriam incorporadas aos preços. Em segundo lugar, ignora-se a possibilidade
de comportamento de "manada". Como Poincaré, o famoso matemático do século XIX (e
membro da banca de avaliação da tese de Bachelier) disse mais tarde:
“Quando as pessoas estão em contato próximo, elas não mais decidem aleatoriamente e
independentemente umas das outras. Muitos fatores entram em jogo, os quais perturbam as
pessoas que os mudam de uma forma ou de outra, mas há uma coisa que eles não vão
destruir e que é a tendência das pessoas a se comportarem como ovelhas. É isto que sempre
persistirá.” Henri Poincaré (1908) Science et Methode, p. 49 (tradução do autor).

Para Poincaré, essa tendência natural de rebanho solapou a teoria de Bachelier. No


entanto, a Hipótese dos Mercados Eficientes, que se desenvolveu a partir de sua teoria,
tornou-se a base não apenas para a teoria financeira moderna, mas para muitas das políticas de
regulação - ou não regulamentação - de tais mercados.
Para ver como o comportamento de manada, que prejudica a teoria, pode ocorrer,
suponha que o sistema seja tal que, quando os agentes esperam preços mais altos, os preços,
de fato, acabam sendo mais altos. Isso é chamado de feedback positivo ou, para usar o termo
de George Soros, “reflexividade”. Esse tipo de auto-reforço é como o comportamento de
formigas que se reúnem em uma fonte de alimento: cada vez que uma formiga segue a trilha
até aquela fonte, ela coloca mais feromônio, atraindo mais formigas. Mas observe que não há
nada de "irracional" em relação a esse comportamento de manada, a menos que adotemos a
definição restrita do termo frequentemente usado na economia padrão.
Como esse tipo de comportamento pode ser visto nos mercados financeiros? Há uma
longa e bem documentada história de bolhas financeiras, incluindo a bolha das tulipas, a bolha
do Mar do Sul e muito mais recentemente a bolha das "pontocom", as bolhas imobiliárias nos
EUA, as bolhas derivadas e muito recentemente a bolha Bitcoin. Usando as ideais sugeridas
pelo comportamento das formigas, é fácil construir modelos que geram bolhas à medida que


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os indivíduos se concentram em uma regra de previsão e outra (veja Föllmer et al. (2005)),
assim como as formigas mudam de uma fonte de alimento para outra. O tipo de interações e
feedbacks positivos envolvidos são típicos de sistemas complexos, mas estão amplamente
ausentes em modelos macroeconômicos padrão. As principais características de tais modelos
são, em primeiro lugar, que o comportamento agregado emerge da interação entre os
indivíduos e não pode ser previsto a partir de apenas olhar para os indivíduos em isolamento.
Segundo, que esses sistemas se auto-organizam, mas nunca se estabelecem em um
"equilíbrio", pois estão constantemente evoluindo. Em terceiro lugar, os indivíduos no sistema
podem ter um comportamento bastante simples e, novamente, é a interação entre os
indivíduos que gera o comportamento complexo do todo. Por fim, essa interação direta entre
os indivíduos é uma característica central e definidora e não apenas algum tipo de fricção.
Para ilustrar de como essas ideias podem nos ajudar a entender a Crise Financeira
Global, por exemplo, vale a pena olhar para uma parte fundamental do sistema. No mercado
de títulos hipotecários, um quebra-cabeça era que os preços não caíam gradualmente à medida
que o mercado imobiliário piorava e à medida que mais e mais hipotecas se tornavam
inadimplentes. Por que indivíduos e bancos compravam esses instrumentos nessas
circunstâncias e por que o preço deles não estava caindo? Uma explicação simples é que é
caro checar as hipotecas subjacentes aos ativos e se os participantes do mercado observam
que os que estão ao seu redor não estão verificando, eles podem comprar a si mesmos,
sabendo que, com uma alta probabilidade, podem vender o instrumento sem o comprador
verificar. No entanto, esta situação é frágil. Como o conhecimento que muitos dos derivativos
são ativos tóxicos, finalmente, alguns participantes decidem verificar. Vendo isso acontecer,
no entanto, outros também começarão a verificar e o mercado entrará em colapso à medida
que a toxicidade dos ativos se tornar aparente. Esta parece ser uma explicação razoável, pelo
menos em parte, para o colapso do mercado de ativos baseados em hipotecas (MBS -
Mortgage-based securities). Mas tal colapso não foi provocado por algum grande choque
externo - a desaceleração nos preços dos imóveis, por exemplo, aconteceu algum tempo antes
do colapso do mercado de MBS - mas sim como resultado de uma combinação de contágio na
rede de compradores com a mudança nas percepções sobre a situação. Isso está longe da visão
do mundo na economia padrão, na qual todos os atores estão bem cientes da situação real e na
qual tomam decisões racionais plenamente informadas. Aqui há algo mais como uma
epidemia de dúvida.1 Novamente, vemos que pequenos choques no nível individual podem se
traduzir em grandes crises no nível agregado.

Expectativas
Em uma economia onde há incerteza sobre o futuro, as expectativas que os indivíduos têm
desempenham um papel importante. Se a macroeconomia é capaz de definir um equilíbrio,
tem que ser aquele do qual as expectativas participem. Claramente, em um mundo incerto, o
que as pessoas ou empresas fornecem e demandam será baseado nos preços atuais, mas
também na antecipação de preços futuros. Mas, se os indivíduos podem ter qualquer

1
Para uma descrição e um modelo deste tipo de fenómeno, ver por exemplo Anand et al. (2013)


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expectativa sobre os preços futuros, não está claro em quais dos preços correntes haverá um
equilíbrio. Uma maneira de sair disso, adotada na abordagem padrão da economia, é assumir
que todos os participantes de uma economia compreendem completamente seu funcionamento
e evolução. Eles, portanto, têm as mesmas antecipações também. Tais antecipações são,
portanto, referidas como "Expectativas Racionais".
Tendo em mente a citação de Mervyn King dada no início deste capítulo, isso parece
uma suposição heroica. Além disso, há uma grande quantidade de evidências de que as
pessoas não têm as mesmas expectativas. Pior, suas expectativas não são independentes, mas
são fortemente influenciadas pelas expectativas dos outros, exatamente como Poincaré
sugeriu. Como tal, eles não podem ser tratados como sendo distribuídos aleatoriamente em
torno de um ponto de vista "médio". Como observou Willem Buiter, economista-chefe do
Citibank,
"Nós que nos preocupamos com a incerteza endógena decorrente das interações de
participantes do mercado racionalmente limitados achamos estranha a insistência dos
modelos convencionais na noção de que toda incerteza é exógena e aditiva" (Buiter, 2009).

Muitos economistas expressaram dúvidas sobre a noção de expectativas racionais que,


na realidade, é apenas uma maneira conveniente de tornar os modelos padrão tratáveis. Não
temos nenhuma explicação sobre o motivo pelo qual os agentes devem ter essas expectativas.
Como tal, uma abordagem mais pragmática seria voltar ao básico e estudar como, de fato, os
atores econômicos formam suas expectativas. Como Herb Simon disse,
“Um próximo passo muito natural para a economia é manter as expectativas na posição
estratégica que elas passaram a ocupar, mas construir uma teoria empiricamente válida de
como a atenção é de fato dirigida dentro de um sistema social e como as expectativas são,
de fato, formadas. Dar o próximo passo requer que o trabalho empírico em economia tome
uma nova direção, a direção da investigação em nível micro proposta pela abordagem
comportamental ”. Herb Simon (1984).

Tal passo, indubitavelmente, marcaria uma grande mudança para a economia. Algum
progresso foi feito nessa direção por meio de experimentos de laboratório e já existem
evidências consideráveis de que os indivíduos, embora perfeitamente informados sobre a
renda gerada por um ativo no futuro, ainda podem gerar bolhas no preço do ativo,
contradizendo a Hipótese das Expectativas Racionais. Novamente, o que vemos é a interação
entre os indivíduos que observam as ações tomadas por outros que podem gerar um feedback
positivo. São essas características, características de sistemas complexos, que geram tais
bolhas.2

Conclusão
No geral, talvez fosse sensato ouvir o ponto de vista pragmático e realista apresentado pelo

2
Um relato muito bom de tais experimentos é feito por Cars Hommes (2015).


Repensando a Economia – tradução de André Roncaglia de Carvalho (NÃO REPRODUZIR)

13
ex-presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke:
"Eu só acho que não é realista pensar que os seres humanos podem antecipar totalmente
possíveis interações e desenvolvimentos complexos. A melhor abordagem para lidar com
essa incerteza é ter certeza de que o sistema é fundamentalmente resiliente e que tenhamos
tantas salvaguardas e arranjos de segurança quanto forem possíveis.” Ben Bernanke,
Entrevista com o International Herald Tribune - 17 de maio de 2010.

Observe que esta é uma admissão de que, no contexto de um setor financeiro


desregulado, nenhuma mão invisível ou auto-organização dos agentes no sistema
necessariamente levará a uma solução socialmente satisfatória. De fato, os formuladores de
políticas em Bancos Centrais e organizações como o FMI e a OCDE chegaram a aceitar que o
sistema econômico precisa de monitoramento constante e medidas corretivas. Dada a
complexidade do sistema e a complicação de lidar com pessoas com diferentes expectativas,
isso é inevitável.
Neste breve capítulo, argumentei que a visão da economia veiculada por modelos
padrão, particularmente modelos macroeconômicos, não fornece uma explicação adequada de
como o sistema econômico evolui. A visão da economia como um sistema que se auto-
organiza em um estado socialmente satisfatório é o resultado de dois séculos de
desenvolvimento filosófico de uma tendência social e política ao liberalismo. A economia
desenvolveu sua teoria para derivar um modelo consistente com essa posição filosófica. No
entanto, à medida que nossos modelos se tornaram cada vez mais matematicamente
sofisticados, eles tenderam a ficar cada vez mais distantes da realidade do mundo econômico
em que vivemos.
Reconsiderar nossa estrutura básica e ver a economia como um complexo sistema
adaptativo no qual o macro-comportamento emerge da interação entre os participantes da
economia nos ajudaria de várias maneiras. Em primeiro lugar, em um modelo como esse,
choques endógenos podem ocorrer e crises não devem ser atribuídas ao que Adam Smith
chamou de “A Mão Invisível de Júpiter”. Em segundo lugar, não temos que atribuir aos
indivíduos a notável capacidade de calcular e adquirir um conhecimento completo de como
funciona a economia que se supõe que o "indivíduo representativo" nos modelos padrão
tenha.
Por último, não temos que sugerir que existem relações mecânicas simples entre as
ações tomadas e os resultados econômicos. Em sistemas complexos, há sempre a
possibilidade de "consequências não intencionais". Em vez de afirmar que sabemos qual será
o resultado das medidas políticas, uma abordagem sistêmica complexa propõe um paradigma
que faz reivindicações muito menos afirmações normativas e exige que os responsáveis pela
política econômica se antecipem e tentem moderar a evolução da economia sem serem
capazes de fazer previsões precisas. Apesar da afirmação de Walras de que um dia suas leis
seriam tão irrefutáveis quanto as da astrofísica, a economia não é e nunca será uma "ciência
exata" no sentido de que é muitas vezes reivindicado para ela.


Repensando a Economia – tradução de André Roncaglia de Carvalho (NÃO REPRODUZIR)

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Sugestões de Leitura Adicional


Kirman, A. (2011), ‘Complex Economics: Individual and Collective Rationality’,
London: Routledge,
Brian, A. W. (2015), ‘Complexity and the Economy’, Oxford: Oxford University Press.

Livros que adotam abordagens similares (comece com o clássico abaixo)


Schelling, T. S. (1978), ‘Micromotives and macrobehavior’, New York: W.W. Norton
and co.

Outras referências sobre Modelos Baseados em Agentes (ABM)


Caiani A., Russo A., Palestrini A. and Gallegati M. (2016), ‘Economies with
Heterogeneous Interacting Agents: A practical guide to agent based modelling’, New
York: Springer Verlag,
Epstein, J. M. (2007), ‘Generative social science: Studies in agent-based computational
modeling’, Princeton, NJ: Princeton University Press,
Epstein J. M. (2014), ‘Agent_Zero: Toward Neurocognitive Foundations for Generative
Social Science’, Princeton Studies in Complexity, Princeton, NJ: Princeton University
Press,
Miller, J. and Page, S. (2007), ‘Complex Adaptive Systems: An Introduction to
Computational Models of Social Life’, Princeton and Oxford: Princeton University Press.

Uma coletânea seminal de artigos sobre complexidade:


Arthur, W. B., Durlauf, S. N. and Lane, D. (eds.) (1997), ‘The Economy as an Evolving
Complex System II’, Redwood City, CA: Addison Wesley.

Caso você pense que a crise de 2008 seja nova:


Reinhart, C. M. and Rogoff, K. S. (2010), ‘This Time Is Different: A Panoramic View of
Eight Centuries of Financial Crises’, Princeton, NJ: Princeton University Press.

Reação dos formuladores de política econômica


Turner, A. (2013), ‘Economics After the Crisis: Objectives and Means’, Cambridge
Mass: M.I.T Press.


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15
Abordagem Sociológica
Granovetter, J. (1997), ‘Society and economy: The social construction of economic
institutions’, Cambridge, MA: Harvard University Press.

Lições com os Insetos


Gordon, D. (2010), ‘Ant Encounters: Interaction Networks and Colony Behavior’,
Princeton: Princeton University Press,
Seeley, T. (2012), ‘Honeybee democracy’, Princeton: Princeton University Press.

Referências

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Monetary Economics’, available at: http://blogs.ft.com/maverecon/2009/03,
Debreu, G. (1974), ‘Excess demand functions’, Journal of Mathematical Economics, Vol., pp.
15–23,
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Heterogeneous Agents: A Probabilistic Perspective’, Journal of Mathematical Economics,
Vol.41, No.1–2, pp. 123–55,
Grossman, S. J. and Stiglitz, J. E. (1980), ‘On the Impossibility of Informationally Efficient
Markets’, American Economic Review, Vol.70, No.3, pp. 393-408,
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Kaushik, B. (2010), ‘Beyond the Invisible Hand: Groundwork for a New Economics’,
Princeton: Princeton University Press,
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Repensando a Economia – tradução de André Roncaglia de Carvalho (NÃO REPRODUZIR)