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PRÉ EDITAL INTENSIVÃO DELEGADO CIVIL – PRÉ EDITAL INTENSIVÃO

ESCRIVÃO ESPÍRITO SANTO


Disciplina: Direito Penal
Prof. Paulo Sumariva
Aula nº 07

MATERIAL DE APOIO – MONITORIA

Índice
1. Artigos Correlatos
1.1. Ainda a velha questão da continuidade delitiva nos crimes contra a liberdade sexual
1.2. Lei nº 12.012/09: foi de propósito? Sobre a política de controle de aparelhos celulares em
estabelecimentos prisionais
2. Jurisprudência
2.1. Resp 1.102.005 STJ
2.2. Inquérito 1.769 STF
2.3. HC 87.478 STF
2.4. HC 180.871 TJ/SP
3. Assista
3.1. Qual a diferença dos crimes funcionais próprios para os crimes funcionais impróprios?
3.2. Qual espécie de ação penal deve ser ajuizada para tratar dos crimes contra a dignidade sexual?
4. Simulados

1. ARTIGOS CORRELATOS

1.1. AINDA A VELHA QUESTÃO DA CONTINUIDADE DELITIVA NOS CRIMES CONTRA A


LIBERDADE SEXUAL
Elaborado em 03.2010

Autor: Eduardo Luiz Santos Cabette - delegado de polícia, mestre em Direito Social, pós-graduado com
especialização em Direito Penal e Criminologia, professor da graduação e da pós-graduação da Unisal

Não é despiciendo abordar a velha questão da continuidade delitiva ou concurso de crimes entre estupro e
atentado violento ao pudor, tema este que sofre importantes alterações com o advento da sistemática da
Lei 12.15/09.

Antes da reforma procedida pela Lei 12.015/09 discutia-se sobre a possibilidade de continuidade delitiva
entre estupro e atentado violento ao pudor. As correntes doutrinárias e jurisprudenciais se dividiam, mas
tendia-se a não reconhecer continuidade ao menos quando o ato libidinoso fosse independente da
conjunção carnal. [01] Exemplo: um sujeito constrangia uma mulher a coito anal e conjunção carnal.
Agora, porém, com as duas antigas figuras amalgamadas em um único tipo penal sob o "nomen júris" de
"estupro", passa, segundo alguns, a ser praticamente inegável a possibilidade de se reconhecer a
continuidade das condutas. [02] Para Paulo Queiroz trata-se, inclusive, de "novatio legis in mellius",
devendo retroagir aos casos pretéritos, mesmo aqueles em fase executiva. [03]

Há ainda quem entenda que nem mesmo se trataria de aplicação de continuidade delitiva, mas sim de
reconhecimento de crime de ação múltipla, de conteúdo variado ou tipo misto alternativo, no qual a
realização de seus diversos núcleos pelo agente configura apenas uma única infração penal. [04] Nucci
afirma que a maior parte dos casos deverá ser solucionada pelo reconhecimento do crime de ação
múltipla, conforme acima exposto. Entretanto, admite a continuidade delitiva acaso os atos libidinosos

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sejam praticados em contextos diversos contra a mesma vítima. Afasta, porém, de forma peremptória, a
possibilidade de concurso material face à nova configuração legal. [05]

Por seu turno, Vicente Greco Filho se insurge contra tais posicionamentos, considerando-os fruto de
irreflexão e de certo laxismo penal. Para o autor o advento da Lei 12.015/09 não altera a impossibilidade
em geral de continuidade entre condutas criminosas em que o agente perpetra conjunção carnal e atos
libidinosos independentes com a vítima, ainda que em um mesmo contexto. Estes seriam casos de
concurso material de crimes, eis que os atos libidinosos não guardam relação de necessidade com a
prática da conjunção carnal. Greco Filho somente reconhece a possibilidade absorção de atos libidinosos
para casos em que estes sejam perpetrados em progressão ou relação de "causalidade ou
consequencialidade" com a conjunção carnal. Para os demais casos haveria concurso material de infrações
como sempre foi reconhecido pela doutrina e jurisprudência majoritárias. Exemplificando: se um agente
pratica sexo anal e depois conjunção carnal com uma mulher, ainda que num mesmo contexto, não há
relação de necessidade entre os atos, de modo que se configuraria concurso material. Já se, num mesmo
contexto, desnuda lascivamente a vítima, a apalpa e beija para depois chegar à conjunção carnal, haveria
apenas um crime de estupro no qual os atos libidinosos preliminares seriam absorvidos por serem um
caminho progressivo necessário à consumação delitiva. [06]

Inobstante não se possa deixar de reconhecer os judiciosos fundamentos expostos por Vicente Greco
Filho, vêm prevalecendo na doutrina os entendimentos que apontam para a continuidade delitiva, senão
para a configuração do tipo misto alternativo, de conteúdo variado ou de ação múltipla. A solução que se
apresenta mais escorreita tecnicamente e de acordo com a "mens legis", que não pretende beneficiar os
autores de crimes contra a dignidade sexual e sim recrudescer a repressão penal, é certamente a
defendida por Greco Filho. Entretanto, deve-se aguardar o seguimento das manifestações doutrinário –
jurisprudenciais, havendo uma tendência muito forte para a adoção da tese da continuidade delitiva, o
que demonstra que nem sempre a "vox populi" e nem mesmo a "communis opinio doctorum" se
conformam de acordo com os melhores fundamentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAÚJO, Tiago Lustosa Luna de. Os novos crimes de estupro. Apontamentos sobre as modificações
implementadas pela Lei 12.015/2009. Disponível em www.jusnavigandi.com.br, acesso em 08.11.2009.

BERTASSO, Marcelo Pimentel. A revogação do atentado violento ao pudor e a continuidade delitiva no


crime de estupro. Disponível em www.jusnavigandi.com.br, acesso em 08.11.2009.

GÊNOVA, Jairo José. Novo crime de estupro. Breves anotações. Disponível em www.jusnavigandi.com.br,
acesso em 08.11.2009.

GRECO FILHO, Viente. Uma interpretação de duvidosa dignidade (sobre a nova lei dos crimes contra a
dignidade sexual). Disponível em www.jusnavigandi.com.br, acesso em 08.11.2009.

GRECO, Rogério. Adendo Lei 12.015/2009 Dos crimes contra a dignidade sexual. Niterói: Impetus, 2009.

LEAL, João José, LEAL, Rodrigo José. Novo tipo penal de estupro. Formas típicas qualificadas e concurso
de crimes. Disponível em www.jusnavigandi.com.br, acesso em 08.11.2009.

NUCCI, Guilherme de Souza. Crimes contra a dignidade sexual. São Paulo: RT, 2009.

QUEIROZ, Paulo. Estupro e atentado violento ao pudor na Lei 12.015/2009. Disponível em Revista
Eletrônica Jusvigilantibus, www.jusvi.com, acesso em 08.11.2009.

NOTAS
1.
A solução preconizada era o concurso material de crimes.
2.
Vide neste sentido: BERTASSO, Marcelo Pimentel. A revogação do atentado violento ao pudor e a
continuidade delitiva no crime de estupro. Disponível em www.jusnavigandi.com.br, acesso em
08.11.2009. ARAÚJO, Tiago Lustosa Luna de. Os novos crimes de estupro.

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Apontamentos sobre as modificações implementadas pela Lei 12.015/2009. Disponível em
www.jusnavigandi.com.br, acesso em 08.11.2009.
3.
Estupro e atentado violento ao pudor na Lei 12.015/2009. Disponível em Revista Eletrônica
Jusvigilantibus www.jusvi.com, acesso em 08.11.2009. No mesmo sentido: GÊNOVA, Jairo José.
Novo crime de estupro. Breves anotações. Disponível em www.jusnavigandi.com.br, acesso em
08.11.2009. LEAL, João José, LEAL, Rodrigo José. Novo tipo penal de estupro. Formas típicas
qualificadas e concurso de crimes. Disponível em www.jusnavigandi.com.br, acesso em
08.11.2009.
4.
Neste sentido: GRECO, Rogério. Adendo Lei 12.015/2009 Dos crimes contra a dignidade sexual.
Niterói: Impetus, 2009, p. 40.
5.
NUCCI, Guilherme de Souza. Crimes contra a dignidade sexual. São Paulo: RT, 2009, p. 18 – 19. É
de se discordar do autor quando reconhece possibilidade de continuidade delitiva mesmo em
contextos diferentes de crimes que são apenas perpetrados contra uma mesma vítima. Esse seria
um caso típico de concurso material e não de continuidade somente pelo fato de o crime ter por
sujeito passivo uma mesma pessoa.

6. Uma interpretação de duvidosa dignidade (sobre a nova lei dos crimes contra a dignidade sexual).
Disponível em www.jusnavigandi.com.br, acesso em 08.11.2009.

Fonte: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=14499

1.2. LEI Nº 12.012/09: FOI DE PROPÓSITO? SOBRE A POLÍTICA DE CONTROLE DE APARELHOS


CELULARES EM ESTABELECIMENTOS PRISIONAIS
Elaborado em 08.2009

Autor: Israel Domingos Jorio - Professor de Direito Penal da FDV e da Escola Superior do Ministério
Público do Espírito Santo. Advogado.

Foi publicada, no dia 07 de Agosto de 2009, a Lei n° 12.012, que tem por aparente escopo disciplinar
(mais uma vez?) a política de controle de aparelhos celulares em estabelecimentos prisionais.

Como muitas leis penais exclusivamente simbólicas, essa mal planejada produção legislativa, além de não
se prestar à solução dos problemas que supostamente deram azo à sua criação, tem o demérito de
suscitar novas dúvidas e inseguranças.

A redação dada ao art. 349-A (a situação do dispositivo, topologicamente falando, é incompreensível) é a


seguinte: "Ingressar, promover, intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada de aparelho telefônico de
comunicação móvel, de rádio ou similar, sem autorização legal, em estabelecimento prisional. Pena:
detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano."

Logo de início, se confrontarmos a redação dada ao dispositivo com as especulações midiáticas e as


expectativas populares, concluiremos pela falta de um aspecto que, pelo que vinha sendo discutido,
constituiria uma das mais importantes inovações da medida legislativa. Constatamos, forçosamente, que
o porte de aparelhos celulares, assim como seu uso, no interior dos estabelecimentos prisionais, não foi
criminalizado pela nova lei. Diante dessa constatação, para que o presente trabalho seja considerado
bastante direto e objetivo, passemos à pergunta que o motiva: foi de propósito?

É importante frisar que, muito diferentemente do que possa parecer, não avolumamos o grupo dos que
anseiam pela criminalização das condutas do porte ou do uso de celulares em presídios. Inclusive porque,
descrentes, não vemos por que o Estado, que já tem a obrigação de vedar o acesso do detento aos
aparelhos celulares, mas não se desincumbe satisfatoriamente dessa obrigação, passaria, tão-só pela
chegada da nova lei, a se esforçar para que ela fosse efetivamente cumprida. Uma lei nesse sentido é tão
falaciosa quanto desnecessária: se o Estado pode controlar, por que precisaria de outra lei? E

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se, prostrado, não pode controlar, de que adiantaria a nova lei? Mais papel, mais letra morta, mais
impunidade.

Além disso, a conduta já caracteriza falta grave (art. 50, VII, da Lei 7.210/84), o que importa em
relevantes repercussões no que tange à execução da pena (pode haver perda do tempo de pena remido
pelo trabalho e regressão de regime prisional, por exemplo), afigurando-se, também sob perspectiva
prática, desnecessária a criminalização.

Diante do que foi dito, e sem julgar acerto ou desacerto da omissão, a questão, destarte, é: foram
deixadas de lado as condutas do uso e do porte do aparelho pelos presos de propósito?

Acostumados que estamos à má qualidade dos textos legislativos – especialmente dos emergenciais,
interesseiros e meramente simbólicos, dados como "prestação de contas" à sociedade –, não é demais
supor esquecimento por parte dos legisladores. E não é demais, igualmente, cogitar que, por operação
interpretativa promíscua, esteja sendo suposta pelos criadores da norma a proibição das condutas do uso
e do porte do aparelho no interior dos estabelecimentos prisionais. Afinal, o que esperar de um legislador
que, a pretexto de hastear uma caricata bandeira da "guerra contra a pedofilia", enxerta, na seara dos
crimes contra a liberdade sexual, normas tão profundamente eivadas de atecnias e defeitos congênitos
que conseguem piorar o já deficitário tratamento legal dessa perniciosa matéria (recente Lei
12.015/2009)?

De um ou de outro jeito, o erro do Poder Legislativo deve ficar patente: se houve esquecimento ou má
formulação, e as mencionadas condutas foram deixadas de fora da área de incidência do novo tipo sem
querer; ou se, conscientemente, tais comportamentos foram omitidos do tipo. Nos dois casos, o equívoco
é crasso. Explicamos.

Se o legislador quis prever e punir as condutas do porte e do uso não autorizado do celular no interior dos
estabelecimentos prisionais, mas se esqueceu, dá-nos uma prova de que as leis vêm sendo elaboradas
sem qualquer nível de compromisso ou atenção, como se não versassem sobre os mais importantes
aspectos da vida social. Pois, de outro modo, como passaria despercebida a omissão quanto ao ponto
nevrálgico da própria lei? Quanto à sua própria razão de ser?

De outro lado, se o legislador entendeu que, com a redação dada, está subentendido o comportamento do
uso ou do porte, dá-nos um atestado de insuficiência interpretativa e, de quebra, revela preocupante
desconhecimento acerca do Princípio da Legalidade. Os núcleos do tipo – "ingressar, promover,
intermediar, auxiliar ou facilitar a entrada" – proíbem a inserção do aparelho no estabelecimento prisional.
Não se destinam primariamente, então, aos detentos que deles possam fazer uso para aplicar golpes,
cometer extorsões ou comandar todo tipo de crime do interior de suas celas (seriam essas as razões
alegadas para a criminalização do porte e do uso). Os destinatários imediatos da norma parecem ser os
visitantes, os advogados e os agentes públicos que possam inserir o aparelho nos estabelecimentos
prisionais. É bom lembrar que, para o caso dos agentes públicos, há dispositivo legal que regula a matéria
(o ainda recente art. 319-A do Código Penal). Diante da natural perplexidade que surge do conflito
aparente de normas, dois são os caminhos para a interpretação dos dispositivos: o primeiro deles nos
orienta no sentido de afirmar que o novo art. 349-A não se presta a regular a conduta dos agentes
públicos, porque já há o art. 319-A e porque a sua situação não se dá entre os delitos funcionais; o
segundo caminho, porém, conduz à conclusão de que o art. 319-A se voltaria à punição das condutas
puramente omissivas por parte dos funcionários, ao passo que o art. 349-A se destinaria à repressão das
condutas comissivas. Difícil, por enquanto, escolher um dos dois porque ambos contêm brechas: no
primeiro caso, a situação do novo delito fora do setor correspondente aos crimes funcionais não impede
que dele sejam sujeitos ativos os funcionários públicos (na verdade, os servidores podem cometer os
crimes compreendidos entre os arts. 328 e 337-A e entre os arts. 338 e 359, mas como "particulares",
isto é, como "cidadãos comuns", fora do exercício das suas funções; será que foi essa a idéia do
legislador?). No segundo caso, porque, por força da lógica, o funcionário que insere, promove ou
intermedeia a inserção de aparelho celular em estabelecimento prisional, também está, automaticamente,
violando seu dever de vedar o acesso dos detentos a aparelhos dessa natureza (o que, naturalmente,
configuraria o delito do art. 319-A).

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Com relação aos detentos (devemos nos recordar que é em função do receio de que eles tenham acesso
aos aparelhos celulares que existem os dispositivos comentados), é bem possível que aqueles que
concorrerem ou contribuírem, de modo geral, para a realização de qualquer dos núcleos do tipo, sejam,
pelas regras do concurso de pessoas, responsabilizados, nas respectivas medidas de suas culpabilidades,
quer na qualidade de co-autores, quer na qualidade de partícipes (conforme a situação concreta e a
orientação teórica adotada – se a filiação é à Teoria Formal-Objetiva ou à Teoria do Domínio Funcional do
Fato). Aliás, é certo que, ao proibir a promoção e o auxílio, o texto legal já abrangeu os detentos que,
indiretamente, contribuam para o ingresso ou a inserção do aparelho em questão. Mas esse raciocínio, se
minimiza o problema, o faz em pequena dosagem. A maior porção está ainda por resolver. Pois, com base
nessa linha de raciocínio, o detento que jamais houver contribuído para a entrada do aparelho no sistema
prisional definitivamente não poderá ser responsabilizado pelo uso ou pelo porte. Mesmo que sejam
reunidas provas irrefutáveis do porte e do uso, pelo fato de essas condutas, isoladamente consideradas,
serem atípicas, ficará a punição pendente em função da necessidade de se comprovar o envolvimento
direto ou indireto do detento na entrada do produto no estabelecimento prisional.

Se o legislador deliberadamente excluiu as condutas do porte e do uso não autorizados do aparelho


celular nos presídios, está a merecer a mesma censura. Esclareçamos o aparente paradoxo: não
concordamos com a criminalização do porte ou do uso, como já dito. Mas não podemos concordar,
também, com tamanha incoerência cometida pelo legislador. Pois criar essa lei para punir os atos
relacionados com o ingresso do aparelho nos presídios, sem punir as condutas do uso e do porte, é como
proibir atos preparatórios e deixar de lado os atos de execução. Pois o que é de fato lesivo: a entrada do
celular no presídio ou a sua utilização com propósitos delituosos? Concernir-se com a entrada do
aparelho, deixando de fora o seu efetivo emprego (que constitui o cerne da preocupação com a própria
entrada) é o mesmo que punir crimes de perigo e deixar impunes os crimes de dano que se apresentem
como seus desdobramentos mais graves! É essa incoerência que não pode passar despercebida.

Ora, se não somos a favor da criminalização do porte ou do uso (por razões de ordem prática e
ideológica), não somos a favor da criação de tipos penais voltados à disciplina da entrada do aparelho
(pela incoerência que isso representaria e pela inutilidade de mais uma lei "congenitamente decrépita").
Somos a favor, sim, do uso consciente dos poderes e das prerrogativas inerentes aos que têm a nobre
tarefa de legislar acerca dos interesses de uma população que, por suas conduções sociais, econômicas e
culturais, fica à especial mercê de normas desprovidas de finalidades concretas e propósitos claros.

Em resumo: essa é uma lei que não pode ser acusada de não haver criado nada. Afinal, ela criou. Criou
uma incoerência para avultar o número de ilogicidades dispostas no ordenamento jurídico brasileiro.

Fonte: http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=13333

2. JURISPRUDÊNCIA

2.1. Resp 1.102.005 STJ


Ementa
PENAL. RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO. AUMENTO PREVISTO NO ART. 9º DA LEI Nº 8.072/90. VIOLÊNCIA
REAL E GRAVE AMEAÇA. INCIDÊNCIA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI Nº 12.015/2009.
I - Esta Corte firmou orientação de que a majorante inserta no art. 9º da Lei nº 8.072/90, nos casos de
presunção de violência, consistiria em afronta ao princípio ne bis in idem. Entretanto, tratando-se de
hipótese de violência real ou grave ameaça perpetrada contra criança, seria aplicável a referida causa de
aumento. (Precedentes).
II - Com a superveniência da Lei nº 12.015/2009 restou revogada a majorante prevista no art. 9º da Lei
dos Crimes Hediondos, não sendo mais admissível a sua aplicação para fatos posteriores à sua edição.
Não obstante, remanesce a maior reprovabilidade da conduta, pois a matéria passou a ser regulada no
art. 217-A do CP, que trata do estupro de vulnerável, no qual a reprimenda prevista revela-se mais
rigorosa do que a do crime de estupro (art. 213 do CP).
III - Tratando-se de fato anterior, cometido contra menor de 14 anos e com emprego de violência ou

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grave ameaça, deve retroagir o novo comando normativo (art. 217-A) por se mostrar mais benéfico ao
acusado, ex vi do art. 2º, parágrafo único, do CP. Recurso parcialmente provido.

2.2. Inquérito 1.769 STF


EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. PECULATO. Código Penal, art. 312. PRESCRIÇÃO: NÃO-
OCORRÊNCIA. DENÚNCIA: CPP, art. 41. GOVERNADOR DE ESTADO: Código Penal, art. 327. COISA
JULGADA: NÃO-OCORRÊNCIA. I. - A denúncia descreve crime em tese, crime de peculato -- Código Penal,
art. 312 -- e contém os requisitos inscritos no art. 41, CPP. Deve ser recebida, portanto. II. - Prescrição:
não-ocorrência, presente a causa de aumento de pena inscrita no art. 327, § 2º, do Código Penal. III. -
Coisa julgada: não-ocorrência, por isso que a decisão que manda arquivar inquérito ou peças de
informação não causa preclusão. Súmula 524-STF. IV. - Denúncia recebida.

2.3. HC 87.478 STF


EMENTA: HABEAS CORPUS. PECULATO PRATICADO POR MILITAR. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.
APLICABILIDADE. CONSEQÜÊNCIAS DA AÇÃO PENAL. DESPROPORCIONALIDADE. 1. A circunstância de
tratar-se de lesão patrimonial de pequena monta, que se convencionou chamar crime de bagatela,
autoriza a aplicação do princípio da insignificância, ainda que se trate de crime militar. 2. Hipótese em que
o paciente não devolveu à Unidade Militar um fogão avaliado em R$ 455,00 (quatrocentos e cinqüenta e
cinco) reais. Relevante, ademais, a particularidade de ter sido aconselhado, pelo seu Comandante, a ficar
com o fogão como forma de ressarcimento de benfeitorias que fizera no imóvel funcional. Da mesma
forma, é significativo o fato de o valor correspondente ao bem ter sido recolhido ao erário. 3. A
manutenção da ação penal gerará graves conseqüências ao paciente, entre elas a impossibilidade de ser
promovido, traduzindo, no particular, desproporcionalidade entre a pretensão acusatória e os gravames
dela decorrentes. Ordem concedida.

2.4. HC 180.871 TJ/SP


"HABEAS CORPUS" - IMPETRAÇÃO VISANDO AO TRANCAMENTO DE SINDICÂNCIA JUNTO À
CORREGEDORIA DA POLÍCIA CIVIL
- Coação emanada da autoridade judiciária. Delegado de polícia de plantão que baixa portaria para apurar
fato delituoso ao invés de autuar em flagrante delito os suspeitos do crime. Opção justificável em face das
circunstâncias invocadas, que se insere no âmbito de suas atribuições. Inteligência do artigo 319 do
Código Penal. A satisfação de interesse ou sentimento pessoal, que integra o preceito do crime de
prevaricação, não se confunde com o erro na escolha da solução do caso.
(TJSP - 4ª Câm.; HC nº 180.871-3-0-São Paulo; Rel. Des. Emeric Levai; j. 13.03.1995; v.u.).
- PRESERVAÇÃO DO "STATUS DIGNATIS"
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos...
Acordam, em Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, por votação
unânime, conceder a ordem para trancar a apuração, comunicando-se incontinenti ao MM. Juiz-
Corregedor do DIPO.
Trata-se de "habeas corpus" impetrado pelo advogado V.V.C. em favor do Delegado de Polícia W.S.R., em
exercício no...
DP da Capital, objetivando o trancamento do "inquérito policial/sindicância", instaurado junto à
Corregedoria da Polícia Civil, por determinação do MM. Juiz de Direito da... Vara Criminal da Capital (fl.
58), a fim de apurar o eventual delito de prevaricação que o paciente teria praticado num plantão noturno
do... DP, ao deixar de lavrar o auto de flagrante delito no i. p. nº..., envolvendo 03 (três) indiciados por
furto.
Em termos de constrangimento, alega-se que o depoimento prestado pelas testemunhas do fato perante
o MM. Juiz da... Vara Criminal, acerca da aludida prevaricação, é fruto de vingança pessoal, visto que
noutra ocorrência policial, objeto do b.o. nº... do... DP, o soldado PM L.C.O. constou como indiciado.
A impetração, com minuciosa análise das circunstâncias que rodearam o delito patrimonial, sustenta que
a autoridade de plantão, na opção adotada, agiu corretamente quanto ao modo de instaurar o inquisitório,
visto que naquele momento não estavam presentes todos os elementos necessários à lavratura do
flagrante, além de faltar a "fundada suspeita" a respeito da autoria do crime.
Por fim, frisa a inicial que o paciente, candidato ao concurso de ingresso à Magistratura, não pode ter em

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seu "curriculum" qualquer registro criminal, lembrando que, em razão do inquérito, jamais voltará a gozar
de bom conceito "como autoridade pública responsável e de reputação ilibada", ainda que a final venha a
ser absolvido (fls. 02/08).
O pedido, inicialmente endereçado ao MM. Juiz do DIPO, veio para este eg. Tribunal depois de superado o
incidente relativo à fixação da competência para se conhecer do "mandamus", em face da origem da
coação (fls. 93/94), tendo a i.
Procuradoria-Geral da Justiça, em seguida, se manifestado pela denegação da ordem impetrada (fls.
99/102).
É o relatório.
Assiste razão ao paciente, sem embargo do r. ponto de vista sustentado no d. parecer.
Na verdade, a determinação da lavratura do auto de prisão em flagrante pelo delegado de polícia não se
constitui em um ato automático, a ser praticado diante da simples notícia do ilícito penal, como se vê do
v. aresto inserto na RT 679/351, visto que a referida autoridade, no sistema processual vigente, tem o
poder de decidir da oportunidade ou não de lavrar aquela peça.
No caso "sub judice", o paciente, que dava plantão noturno num movimentado distrito policial, deixou de
tomar a providência sugerida pelos PMs, em virtude da dúvida razoável que a vítima do furto demonstrou
no tocante à autoria do crime, além de ponderar a insignificância do valor da "res" representada por um
grampo de cabelo e um par de brincos de bijuteria, cuja apuração, todavia, foi determinada por meio de
portaria, baixada na mesma madrugada.
A hipótese, assim resumida, de nenhum modo se ajusta à moldura do artigo 319 do Código Penal, que
reclama, como elemento subjetivo da infração, a satisfação de interesse ou sentimento pessoal do
funcionário, que não se confunde "data venia" com o eventual erro na escolha da solução do caso (RT
486/356).
Aliás, ao receber o preso, acompanhado de informes a respeito da conduta tida como delituosa, a
autoridade policial deverá analisá-los, com muita cautela, conforme preconiza Mirabete ("Código de
Processo Penal Interpretado", 2ª ed., p. 359), a fim de verificar se a hipótese comporta a lavratura do
flagrante, que poderá ser dispensada sem prejuízo da instauração de inquérito para apurar o fato
mediante registro da "notitia criminis" e boletim de ocorrência, e providenciando a soltura imediata do
preso.
É o que ocorreu, precisamente, na madrugada referida na impetração, quando o zeloso bacharel W.S.R.,
no exercício de seu cargo, desconsiderou a proposta dos condutores dos indiciados por entender que o
fato não se revestia das características próprias do flagrante, em face da rígida conceituação legal, ou
porque inexistia suspeita razoável de que os conduzidos fossem os autores do furto, segundo a praxe
seguida nos plantões, em boa hora lembrada por Tales Castelo Branco ("Da Prisão em Flagrante", edição
de 1980, p. 128).
Anote-se, em demasia, que a própria vítima do furto, ouvida na sindicância instaurada perante à
Corregedoria-Geral da Polícia, admitiu que teve dúvidas em apontar o casal de suspeitos como sendo os
autores da subtração (fls. 67/vº), circunstância essa que vem abonar, ainda mais, a solução adotada pela
autoridade policial, no interior da delegacia, em pleno calor da hora, se não bastasse, por outro lado, a
grave insinuação, enfatizada na inicial, de que um dos PMs teria agido por um sentimento de vingança,
em face da inclusão do seu nome no rol dos indiciados, num episódio pretérito, objeto do boletim de
ocorrência de fls. 17/vº.
Diante do exposto, demonstrada que a investigação instaurada a respeito dos fatos para apurar suposto
delito de prevaricação carece de justa causa, concede-se a ordem impetrada, para os fins almejados na
impetração com o conseqüente trancamento da sindicância em curso na eg. Corregedoria de Polícia Civil,
cuja instauração resultou da iniciativa do magistrado que atua no feito principal (fl. 58), de maneira a
tornar-se responsável pela coação encampada pela autoridade sindicante (fl. 60).
Isento de custas, na forma da lei.
Participaram do julgamento os Desembargadores Ary Belfort (Presidente sem voto), Sinésio de Souza e
Augusto Marin (Relator).
São Paulo, 13 de março de 1995. Emeric Levai - Relator designado.

3. ASSISTA

3.1. Qual a diferença dos crimes funcionais próprios para os crimes funcionais
impróprios?

Pré Edital Intensivão Delegado Civil – Pré Edital Intensivão Escrivão Espírito Santo – Direito Penal – Paulo
Sumariva – Aula n. 07
http://www.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20100518151953434

3.2. Qual espécie de ação penal deve ser ajuizada para tratar dos crimes contra a dignidade
sexual?

http://www.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20100201172626244

4. SIMULADOS

4.1. João, 19 anos de idade, manteve conjunção carnal com Maria, 13 anos de idade. Em nenhum
momento, João empregou violência ou grave ameaça contra Maria, porém fez uso de fraude para
persuadi-la a praticar conjunção carnal. Diante desse fato e de acordo com o Código Penal, marque a
alternativa correta.

a) João praticou o crime de estupro presumido, pois praticou relação sexual com menor de 14 anos, não
sendo este crime considerado hediondo.
b) João praticou o crime de estupro presumido, pois praticou relação sexual com menor de 14 anos,
sendo este crime considerado hediondo.
c) João praticou o crime de violação sexual mediante fraude, pois o crime foi praticado sem violência ou
grave ameaça à pessoa.
d) João praticou o crime de estupro de vulnerável, que apresenta pena mais grave do que o crime de
estupro na sua forma tradicional, e é considerado crime hediondo.
e) João praticou o crime de estupro de vulnerável, que apresenta a mesma pena do crime estupro na sua
forma tradicional, e é considerado crime hediondo.

4.2. Túlio praticou ato libidinoso, ao tocar os seios de Cida, e, nesse momento, decidiu estuprá-la. Túlio
acabou, então, consumando ambas as condutas contra a mesma vítima e no mesmo contexto.
Nessa situação hipotética, Túlio deverá responder

a) pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor em concurso formal.


b) pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor em concurso material.
c) pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor em continuidade delitiva.
d) por crime único de estupro.
e) por crime único de atentado violento ao pudor.

4.3. Sobre os delitos contra a liberdade sexual, marque a alternativa CORRETA.

a) A ação penal no caso de estupro de vítima menor de 18 anos é pública condicionada, já que a vontade
da vítima em processar o sujeito ativo, bem como as conseqüências da exposição decorrente da
instauração de um processo penal, na visão do legislador, devem ser levadas em consideração.
b) Pratica assédio sexual (art. 216-A do CP) a mulher que obriga qualquer homem a manter com ela
conjunção carnal.
c) Há presunção de violência na hipótese de crime de estupro (previsto no art. 213 do CP) praticado
contra menor de 14 anos, consoante regra expressa no art. 224 do CP.
d) Constitui qualificadora do crime de estupro, o fato de a vítima ser menor de 18 e maior de 14 anos.

GABARITO
4.1. D
4.2. D
4.3. D

Pré Edital Intensivão Delegado Civil – Pré Edital Intensivão Escrivão Espírito Santo – Direito Penal – Paulo
Sumariva – Aula n. 07