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INTRODUÇÃO À PROBLEMÁTICA DO TURISMO

TÉCNICO DE AGÊNCIA DE VIAGENS

I- PARTE

I – BREVE HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO TURÍSTICA

1. VISÃO HISTÓRICA DO FENÓMENO TURÍSTICO (Baptista, 1990)


A evolução do turismo internacional teve as seguintes fases:
1.ª Fase - As primícias: Grécia, Roma, Jogos Olímpicos, Termas, Residências de Verão
Renascimento, Circuitos no Continente Europeu;
2.ª Fase - Nascimento (Séc. XIX): incidência da modificação dos meios de transporte, do aumento
dos rendimentos e da modificação das mentalidades;
3.ª Fase - Desenvolvimento (Séc. XX): incidência da modificação da clientela, do desaparecimento do
turismo aristocrático, da extensão das estações (tempo) turísticas e do reconhecimento
do lazer ou ócio.

FASES DO CICLO DE VIDA

Vendas Maturidade
Nascimento Desenvolvimento Declínio

Tempo
II - EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO TURISMO

Cunha (1997) identifica três épocas históricas do turismo:

- a idade clássica;
- a idade moderna;
- a idade contemporânea.

Idade Clássica Idade Moderna

Idade Contemporânea

1. Idade Clássica

 Período que vai desde os primórdios das primeiras civilizações até à primeira metade do
século XVIII.
 A invenção da roda permitiu o desenvolvimento da carruagem puxada por animais e criou
as primeiras condições que possibilitaram a realização das viagens, não só para efectuar
transações comerciais, mas também para outros fins.
 As estradas começaram a generalizar-se e a ser construídas com maiores cuidados.
 Mas foram os romanos que, cerca de 150 anos A.C. criaram a maior rede de estradas até
então construídas, das quais algumas ainda hoje são utilizadas, subsistindo ainda várias
pontes da época atravessadas pelos automóveis de hoje.
 Também por via marítima, há mais de 5000 anos, eram organizadas viagens pelo rio Nilo,
no Egipto, para visitar os vários templos que existiam ao longo daquele rio.
 Os romanos e os gregos viajavam para visitar os templos e as sete maravilhas do mundo
da área do Mediterrâneo, em particular as pirâmides e os monumentos do Egipto que
ainda hoje constituem uma das grandes atracções turísticas do mundo.
 A Grécia atraía grandes multidões por altura dos Jogos Olímpicos e ofereciam grande
número de atracções como as produções teatrais, os banhos termais, competições
atléticas e festivais.

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 Entre 180 e 160 A.C., foi escrita em dez livros uma «Descrição da Grécia» que continham
uma descrição pormenorizada dos mais importantes sítios e monumentos da Grécia -
pode ser considerado como o primeiro guia turístico .
 É, no entanto, com o desenvolvimento das instalações termais, em 25 A.C, em Roma, que
nascem os verdadeiros centros de turismo que se prolongam até aos nossos dias.
 Já os gregos, há cerca de 4000 anos, haviam aproveitado as fontes termais para
realizarem curas, mas foram os romanos que as transformaram em centros de atracção
espalhados por todo o território imperial: em Itália, França, Espanha, Portugal, Inglaterra,
Roménia, Norte de África e Ásia Menor.
 A grandeza e o luxo das instalações termais com piscinas, banheiras de água quente,
salas de sudação e massagens, acompanhados de representações teatrais, jogos de
circo, corridas de carros e outras distracções, a que hoje chamamos animação, permitiram
que o termalismo desempenhasse um importante papel no plano das viagens e da
animação que ainda hoje se mantém.
 Grande parte das estâncias termais europeias em funcionamento, e que constituem
importantes centros de atracção turística moderna, iniciaram-se com os romanos e, em
alguns casos, mantém o esplendor do passado. Tal é o caso de Ischia e Abano, em Itália,
Vichy, Mont-Dore ou Évian, em França, Chaves, S. Pedro do Sul ou Luso, em Portugal,
Bath, em Inglaterra, e muitas outras em vários outros países.
 erca de 900 A. C. as viagens tinham como principal razão as peregrinações sendo
célebres as que se dirigiam a Santiago de Compostela, em Espanha, Canterbury, em
Inglaterra, à Terra Santa, na Palestina, e a Meca, na Arábia. Para alguns autores, as
peregrinações que já se efectuavam na Grécia, no Egipto ou em Roma, são mesmo as
primeiras viagens turísticas.
 No século XIV, existiam já guias de viagens que forneciam aos peregrinos indicações
detalhadas sobre as regiões que tinham de atravessar e os tipos de alojamentos que
poderiam utilizar.
 As grandes viagens iniciam-se com Marco Polo no século XIII, percorreu o Oriente até à
China.
 Posteriormente, os portugueses preparam as suas grandes expedições por mar e Lisboa
torna-se um centro de atracções.
 As primeiras descobertas dos portugueses, seguidas das grandes viagens dos espanhóis,
ingleses, franceses e holandeses, transformaram o mundo e permitiram a universalização
das viagens.
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 Os portugueses - percorrem toda a costa de África e Mar Vermelho, chegam à Índia,
Tailândia, China e Japão, estabelecem-se em Malaca e em Timor e
descobrem o Brasil;
 Os espanhóis – chegam às Caraíbas, às Antilhas e América Central e Sul.
 Os ingleses - descobrem a América do Norte.

A Idade Clássica do turismo, que se prolonga até ao século XVIII, caracteriza-se pelo facto das
viagens serem individuais e se realizarem, predominantemente, por necessidades fundamentais como
o comércio, as peregrinações religiosas, a saúde ou por razões políticas e de estudo.

Idade Moderna
 Durante todo o período histórico que abrange a Antiguidade e a Idade Média as formas e os
motivos das viagens mantiveram as mesmas características e os mesmos traços não se
distinguindo claramente as duas épocas.
 A partir de meados do século XVIII produzem-se grandes mudanças do ponto de vista
tecnológico, económico, social e cultural, que introduzem alterações significativas nas viagens.
 É nesta época que se popularizam, entre as camadas sociais de maiores recursos, as viagens
de recreio como forma de aumentar os conhecimentos, procurar novos encontros e
experiências.

 Em Inglaterra, o nascimento das ideias da livre-troca no comércio internacional e dos primeiros


passos da revolução industrial, com a invenção da máquina a vapor, incrementaram as
relações internacionais.
 Em toda a Europa, e em particular em França, desenvolve-se a construção de estradas e de
redes de comunicação necessárias à circulação de toda a espécie de carruagens puxadas a
cavalo: diligências, coches, carroças, etc.
 Na segunda metade do século, a generalidade das pessoas cultas e mais ou menos célebres
viajavam por quase toda a Europa e realizavam estadas de longa duração.
 Os diplomatas, estudantes e os membros das famílias ricas inglesas que viviam na ociosidade
faziam a Grand Tour viajando pela Europa, passando a ser moda visitar Paris, Florença, Roma
ou Veneza.
 A Grand Tour passou a ser convencional e regular com uma duração normal de três anos. O
itinerário, geralmente aceite, incluía uma longa permanência em França, principalmente Paris,
em Génova, Florença, Roma e regresso por Veneza, Alemanha e os Países Baixos via Suíça.

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 Com a Grand Tour nasce o conceito de turismo e, pela primeira vez, começam a designar-se
as pessoas que viajam por turistas.
 Multiplica-se a publicação de guias turísticos. Em 1793 surge o Guide dês Voyageurs en
Europe.
 No mesmo ano de 1793, foi também publicado Le Guide d'Espagne et Portugal.
 O vasto movimento dos ingleses para o Continente europeu influenciou extraordinariamente o
desenvolvimento dos transportes, da hotelaria e da restauração.

 A palavra restaurante aparece, pela primeira vez, numa lei francesa de 1786 que autoriza os
«restaurateurs à recevoir du monde dans Ieurs salles et v donner à manger».
 No século XIX, o progresso da ciência, a revolução industrial, a multiplicação das trocas, o
desenvolvimento dos transportes, em particular do comboio, e a transmissão de ideias com a
generalização da publicação de jornais, dão um novo impulso às viagens.
 As viagens começam a encontrar a sua verdadeira identidade: um meio de as pessoas se
interessarem pelas particularidades de cada povo, pelas tradições, pelo exotismo e por outros
modos e vida e novas culturas.
 Por volta de 1830, surgem na Suíça os primeiros hotéis que começam a tomar o lugar dos
albergues e das hospedarias.
 São, sobretudo, as viagens dos ingleses que impulsionam a hotelaria e, por isso, não é de
estranhar que muitos deles passem a ter nomes ingleses: Hotel d'Angleterre, Hotel Albion,
Hotel de Londres, Hotel Windsor, Carlton, etc.
 Surgem, nessa época, alguns dos grandes hoteleiros que, ainda hoje, dão o nome a cadeias
famosas como Pullman e Ritz.
 Em 1822, Robert Smart, de Bristol, tornou-se o primeiro agente de viagens encarregando-se
das reservas de lugares para os passageiros de barco entre a Inglaterra e a Irlanda.

 Foi em 1841 que nasceu o turismo organizado com Thomas Cook. Este organiza a primeira
Viagem Colectiva com duração de um dia e com 570 passageiros entre Loughborough e
Leicester para assistirem a uma manifestação anti-alcoólica.
 Em 1855 dá-se a primeira viagem internacional – Great Exhibition.
 Em 1864 Thomas Cook organizou a primeira excursão acompanhada no regime “tudo incluído”
para 500 turistas – destino Suíça. Seguindo-se um ano depois uma viagem no mesmo regime
de Londres para os E.U.A.
 Em 1867 a Agência de Viagens “Thomas Cook & Son” emite o Voucher.
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 Thomas Cook abre escritórios por todo o mundo (Egipto e Índia). As suas iniciativas marcam
uma das mais importantes etapas na história do turismo e estão na origem do turismo dos
nossos dias, continuando a agência por ele criada a ser uma das maiores organizações
turísticas do mundo.
 Em 1872 em 222 dias realiza-se a primeira volta ao mundo.
 Henry Wells emite em 1891 os primeiros Traveller Cheque da American Express.
 Em Portugal nascem as primeiras organizações de viagens de que é exemplo a criação da
Agência Abreu, em 1840.
 A primeira década do século XX caracterizou-se por inovações e transformações que alteraram
profundamente os modos de vida: é a chamada Belle Epoque:
- A descoberta do telégrafo;
- A descoberta do telefone;
- O alargamento da rede de caminhos de ferro que ultrapassa o milhão de Km;
- A extensão das redes de estradas, que só em França atingem os 700.000 Km;
- O grande desenvolvimento industrial, que transfere a força económica da Europa para os
Estados Unidos;
- A racionalização do trabalho e as reivindicações sindicais, conduzem a uma maior
democratização das sociedades e a novos conceitos de vida;
- O tempo de trabalho diminui e alcança-se o direito ao repouso semanal pelo que o conceito
de lazer surge como uma nova noção;
- O turismo transforma-se num fenómeno da sociedade;
- O turismo influencia o comportamento das pessoas;
- O turismo começa a alcançar uma dimensão económica sem precedentes.
 O reconhecimento da importância do turismo leva a que quase todos os países da Europa
criem instituições governamentais com o fim de promover e organizar, sendo a Áustria o
primeiro país a fazê-lo, seguida da França com a criação Office National du Tourïsm, em 1910,
e da Repartição de Turismo de Portugal, em 1911.
 Os grandes destinos turísticos são as estâncias termais, as estações climáticas da montanha
com o lançamento de helioterapia na Suíça, e surgem as primeiras estâncias balneares
marítimas, como Biarritz, Deauville, Miami ou a Riviera francesa e italiana.
 A Organização Internacional de Trabalho (OIT) estabelece numa convenção o principio das
férias pagas, posteriormente reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, e,
em 1936, uma lei de 20 de Junho, institui em França as férias pagas, acontecimento que vai
marcar profundamente o futuro do turismo.
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 A aviação e o automóvel fazem a sua entrada no mundo das viagens embora de utilização
reservada às elites: em 1918, cria-se a Deutsche Lufthansa com a linha Berlim-Leipzig-Weimar

 Nos Estados Unidos da América, cria-se, em 1926, a Varney Airlines, primeira companhia aérea
que estabelece um serviço de correio aéreo regular.
 Estavam criadas as condições para a universalização do turismo e para o seu desenvolvimento
como actividade económica consistente mas a eclosão da II Guerra Mundial faz atrasar o seu
avanço.
3. Idade Contemporânea

O turismo passa a ser considerado como uma actividade económica relevante a partir do inicio do
século XX:

 O desenvolvimento dos transportes;

 O reconhecimento do direito às férias pagas;

 A criação de organizações nacionais e internacionais destinadas a promover o turismo.

 Apesar dos acontecimentos que ensombraram o mundo como:

- a I Guerra Mundial;

- a Grande Crise de 1929;

- a Guerra Civil de Espanha;

o turismo alcançou dimensões significativas até ao inicio da II Guerra Mundial para, a partir daí, entrar
numa fase em que, praticamente, desapareceu.
 A partir dos anos cinquenta, os países europeus conheceram a fase de maior progresso
económico e social que o mundo jamais havia conhecido o que impulsionou e consolidou o
desenvolvimento do turismo.

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É importante aprofundar a análise da época posterior a 1945 por forma a determinar os factores que
influenciaram o turismo:
- o tempo livre;
- o rendimento disponível;
- Prosperidade;
- Férias pagas;
- Excesso de aviões de guerra;
- Avanços tecnológicos – viagens mais rápidas e destinos distantes;
- Mudança social – igualdade / democracia;
- Televisão;
- as motivações das viagens – interesse em conhecer outros locais;
De acordo com as características de cada período, Cunha (1997) subdivide aquela época em três
partes:

a) Alterações produzidas entre 1945 e 1973

b) Alterações ocorridas entre 1973 e 1990

c) Alterações ocorridas a partir de 1990

a) Alterações produzidas entre 1945 e 1973

 A alteração mais marcante operada a seguir à guerra mundial foi a ascensão de um


grande número de países à independência;

 À data da sua fundação, a ONU contava com 51 países membros mas, em 1973, foram
ultrapassados os 150;

 A população mundial duplicou no mesmo período passando de cerca de 2 mil milhões


de pessoas para cerca de 4 mil milhões.

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No plano económico, este período foi marcado por um grande desenvolvimento:
 a produção mundial aumentou à média anual de 5%;
 crescimento do rendimento real por habitante da ordem dos 3%.
 Esta expansão foi fruto da conjugação de vários factores favoráveis:
 progresso científico;
 progresso técnico;
 existência de matérias-primas abundantes;
 inflação fraca;
 taxas de câmbio estáveis;
 bom funcionamento do sistema financeiro criado pelos acordos de Bretton Woods;
 alargamento da divisão internacional do trabalho;
 entre 1948 e 1973, as trocas internacionais multiplicaram-se por seis;
 crescimento superior em 50% da produção mundial;
 enorme mobilidade dos créditos internacionais, do capital, da tecnologia e da mão-de-obra;
 emergência de gigantescas empresas multinacionais;
 no domínio da política, constituição de grupos sócio-económicos como a Comunidade
Económica Europeia (CEE) E O Conselho de Assistência Económica Mútua (COMECON) que
reforçaram a divisão da Europa em dois blocos: a Europa Ocidental e a Europa de Leste;
 aumento dos dias de férias dos trabalhadores;
 em 1970, a OIT aprovou uma convenção que elevou para três semanas o período de férias
pagas;
 inicia-se a conquista do espaço com o lançamento dos primeiros satélites
 primeira viagem à lua com consequências revolucionárias em vários domínios.

Os efeitos produzidos a nível do turismo por estas alterações fizeram-se sentir nas duas vertentes:
Procura e Oferta.

Do lado da Procura:

 alterações por via do tempo livre:


 decorrente da diminuição do tempo de trabalho semanal;
 generalização das férias pagas nos países desenvolvidos.

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 alterações por via do rendimento:
 aumentou o rendimento considerado discricionário;
 adoptaram medidas sociais (pensões de reforma, pagamento das despesas com
doença, subsídios à família);
 facilidade na compra de viagens.

 alterações por via das motivações


 necessidade de diversificação e diferenciação;
 as pessoas passaram a ter necessidade de compensar os desequilíbrios psicológicos
ligados à vida profissional;
 necessidade pela evasão ao meio.

 O turismo passou a ser a procura do sol e mar. Foi a célebre época dos 3 S: Sun, Sea and
Sand .
Do lado da oferta:

 as viagens aéreas conheceram um desenvolvimento rápido;


 as viaturas individuais tornaram-se mais correntes;
 os organizadores de viagens iniciaram a produção em série de produtos de massa tendo por
base os transportes por avião fretado e as cadeias de hotéis no litoral;
 neste período, todas as preocupações e toda a política foi orientada para o desenvolvimento do
turismo internacional e captação de correntes turísticas externas;
 o turismo interno era ainda um subproduto do turismo internacional nas orientações das
políticas turísticas.

Neste período, o turismo transformara-se já numa das actividades com maior volume de negócios nos
países industrializados.

Os movimentos internacionais de pessoas intensificaram-se, sobretudo entre certos países europeus:


 entre os países nórdicos e os países mediterrâneos;
 entre a América do Norte e a Europa Ocidental.

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b) Alterações ocorridas entre 1973 e 1990

A aceleração do desenvolvimento da economia mundial operada no decurso do período anterior originou


a criação de fortes disparidades:

 acentuou-se a diferença entre o nível de vida dos países em vias de desenvolvimento e dos
países industrializados;
 os problemas mundiais tomaram uma tal amplitude que foi necessário criar condições para uma
melhor cooperação mundial;
 um dos problemas era o crescimento da população mundial (2% ao ano) e a sua alimentação;
 a população dos países em vias de desenvolvimento representava mais de metade da
população global mas apenas fornecia um quarto da produção agrícola mundial;
 enquanto os países desenvolvidos de economia de mercado detinham 18% da população mas
asseguravam 38% da produção de bens alimentares;
 um outro problema foi a chamada «crise ou choque do petróleo», ocorrida em 1973, que pôs fim
à era da energia a preço baixo;
 o aumento das tensões políticas e o rápido aumento das despesas militares tiveram como
consequência a intensificação dos problemas internacionais;
 afrouxamento do crescimento económico mundial e, em alguns casos, a diminuição da
produção;

 O turismo mundial sofreu uma alteração estrutural ao mesmo tempo que se reduziu o
ritmo de crescimento.
 A distância e a duração das viagens encurtou-se e as fórmulas de alojamento a baixo
preço passaram a ser as mais procuradas.
 Do lado da oferta, multiplicaram-se os equipamentos desportivos e de animação e
surgiram novas fórmulas para utilização dos meios de alojamento turístico em regime de
compropriedade e de utilização periódica com carácter de permanência.
 O turismo interno passou a adquirir uma importância cada vez maior e, em alguns
países, ultrapassou, em importância e em volume, o turismo internacional.
 Os poderes públicos passaram a dar maior ênfase às políticas de desenvolvimento de
equipamentos e de promoção susceptíveis de enquadrarem o turismo dos nacionais no interior
dos seus territórios.

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 A nível conceptual, passou a enfatizar-se menos o papel económico do turismo no qual
se tinha, até então, insistido em excesso para, igualmente, se atribuir importância ao seu papel
social, político, ecológico, cultural e educativo o que levou a passar a considerá-lo como uma das
componentes essenciais da vida do homem.
 Deixou de ser unidimensional para passar a ser multidimensional, na medida em que
responde a uma multiplicidade de necessidades humanas e não apenas à melhoria do bem-estar
material.
 Os valores económicos do turismo, sem deixar de estar presentes nas preocupações
do seu desenvolvimento, foram relegados para um plano de menor evidência dando lugar aos
valores da identidade e valorização do homem.
 A Declaração de Manila, resultante da Conferência Mundial de Turismo realizada em
1980, colocou em destaque as tendências da estratégia de desenvolvimento turístico
recomendável:
Quadro — Estratégias do Turismo

Antes da Conferência de Manila Depois da Conferência de Manila

1. Desenvolvimento espontâneo 1. Desenvolvimento planificado

2. Estratégias deixadas à iniciativa individual 2. Política de turismo desenvolvida a nível


nacional orientada para as empresas
3. Importância dada aos aspectos económicos 3. Consideração dada aos factores políticos,
sociais, económicos, educacionais, culturais e
ambientais
4. Maximização dos lucros 4. Optimização das vantagens económicas e
sociais
5. Importância atribuída aos preços 5. Importância dada aos valores

6. Crescimento 6. Desenvolvimento

7. Férias passivas 7. Férias activas

8. Produtos estereotipados 8. Produtos diferenciados

9. Publicidade e promoção do turismo 9. Informação e educação por intermédio do


turismo
10. Degradação do ambiente 10. Protecção do ambiente

1l. «Guetos» turísticos 11. Integração da população local

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12. Falta de comunicação 12. Utilização das línguas numa óptica universal

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Relativamente aos elementos da procura, as alterações operadas durante este período
influenciaram:

o tempo livre - na medida em que se reduziu ainda mais a duração do trabalho diário e semanal.

os rendimentos reais - diminuíram levando a atrasar as compras de bens não essenciais, sem
renúncia às viagens, que passaram a ser encaradas como um bem de primeira necessidade.
- Em contrapartida, porém, os viajantes passaram a optar por férias mais económicas e a escolher
destinos menos distantes.

as motivações - destaca-se a procura de programas de férias com inclusão de actividades culturais e


desportivas susceptíveis de contribuírem para o enriquecimento da personalidade e para o alargamento
dos conhecimentos.
- As viagens temáticas começaram a conhecer um grande sucesso bem como as viagens de fim-de-
semana e as excursões de um dia.

Alterações ocorridas a partir de 1990

 Na parte final dos anos 80, a economia mundial registou um novo dinamismo com taxas de
crescimento que permitiram a retoma da expansão que se prolongou para além de 1990.

 A partir, porém, de 1992, a economia entrou em recessão generalizada tendo-se verificado, nos
países mais desenvolvidos, a maior crise económica posterior à II Guerra Mundial.

 As relações económicas internacionais alteraram-se profundamente dando origem a um


importante fluxo entre a Europa e a Ásia (Extremo-Oriente) de bens e serviços, de capitais de
empresas e de tecnologia e ideias surgindo novos pólos de desenvolvimento nesta parte do
mundo.

 Efeitos da adesão de Portugal e da Espanha à Comunidade Europeia

 Criação do Mercado Interno que conduziu à liberalização dos movimentos de bens e serviços,
capitais e pessoas entre os Estados Membros

 Alargamento da Comunidade Europeia pela adesão da Áustria, Finlândia e Suécia.

 A aprovação do Tratado de Maastricht institucionalizou a União Europeia e criou as condições


jurídicas para o avanço no sentido da criação da União Económica e Monetária e da moeda
única.

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 No domínio político assistiu-se à constituição de um grande número de novos países europeus
como resultado da queda do muro de Berlim e da desintegração da Jugoslávia e da União
Soviética, elevando para 184 o número de membros da ONU.

 A profunda crise económica vivida e as tensões políticas internacionais não abalaram o turismo
que manteve a sua tendência de crescimento embora a taxa menos elevada.

 Produziram-se, no entanto, alterações, quer em termos de origens, quer em termos de destinos.


A Europa perdeu posição no conjunto mundial diminuindo a sua quota de mercado enquanto os
países do Extremo-Oriente aumentaram a sua.

 Os países europeus que acederam à democracia liberal foram os grandes beneficiários do


turismo, em particular a República Checa, a Hungria e a Polónia que registaram elevadas taxas
de crescimento da procura turística popularizando-se como novos destinos.

 As preocupações dos grandes países receptores centraram-se mais na solução dos


desequilíbrios produzidos anteriormente e no lançamento de infra-estruturas do que na
continuação do crescimento da oferta.

O TURISMO EM PORTUGAL

Factores que favoreceram o desenvolvimento do turismo:

 condições naturais
 condições climatéricas
 elevado grau de competitividade em termos de preços
 sentido de hospitalidade do seu povo
 peculiaridade da sua cultura
Factores que desfavoreceram o desenvolvimento do turismo:
 concepção política dominante durante muitos anos;
 privilégio do isolamento internacional;
 situações avessas às mudanças e pouco propensas à modernidade
 atraso dos meios de transporte
 atraso das vias de comunicação
 inexistência de uma iniciativa privada esclarecida e informada

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 Apesar do atraso com que se iniciou o seu processo de desenvolvimento, o turismo
alcançou rapidamente um lugar de relevo no conjunto das actividades económicas,
devido:

 ao volume de receitas externas que passou a proporcionar

 ao emprego criado

 ao impacto produzido a nível regional.

Etapas de Desenvolvimento do Turismo Português

Infância Adolescência

Maioridade Maturidade

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Primeira etapa: 1900 a 1950. Infância

 1911 – Criação da primeira organização oficial de turismo – Repartição de Turismo.

 1906 – criação da Sociedade de Propaganda de Portugal, sociedade de iniciativa


privada, com objectivos de promoção do turismo a nível interno e internacional.

 Turismo a nível interno assente nas estâncias termais

 Turismo internacional baseava-se na Madeira e Lisboa

 1920 – A Sociedade de Propaganda de Portugal (SPP) abriu 143 representações por todo o
país.

 objectivos da SPP:

- organizar e divulgar o inventário de todos os monumentos, riquezas artísticas,


curiosidades e lugares pitorescos do país;

- promover a concorrência de estrangeiros e uma maior circulação de nacionais


dentro do território.

 Lançamento do plano de aproveitamento turístico do Estoril, primeiro grande centro


internacional do país

 Lançamento do programa de construção de pousadas que constituem uma imagem de


marca do turismo português

 1928 – o jogo ficou ligado ao turismo e criou-se a Repartição de Jogos e Turismo integrada
no Ministério do Interior.

 No início da década de 30: Entradas de estrangeiros: 51 mil; por exemplo em Itália: 5


milhões de estrangeiros.

 Guerra civil de Espanha (1936) contribuiu para o reduzido número de visitas de


estrangeiros.

 1936 – 1945 – II GG limitou profundamente as correntes turísticas internacionais.

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 1930 – Surgiu a comissão de propaganda do Turismo de Portugal no estrangeiro e foram
criadas casas de Portugal em Paris, Londres e Antuérpia.

 Entradas de estrangeiros em Portugal: 76 mil; por exemplo em Espanha: 456 mil.

Segunda Etapa: 1950 a 1963: Adolescência

 No início da década de 50, Portugal não acompanhou a nova era do turismo na Europa,
devido ao atraso sobre o aperfeiçoamento dos meios materiais exigidos pela vida moderna.

 O turismo deve ser encarado como uma verdadeira indústria, tendo de se subordinar a
princípios de organização administrativa.

 A política do turismo é concebida segundo uma abordagem horizontal porque uma política
de turismo, para ser eficiente não pode ser obra de um só sector.

 1956 – foi criado o Fundo de Turismo, destinado a assegurar o fomento do turismo.

 dado o interesse do turismo para a economia nacional, o governo sentiu a necessidade de


se criarem condições institucionais que permitissem o seu fomento.

 Em 1956 foi publicada a Lei 2082 que passou a constituir a lei base do turismo.

 Passaram a ser criadas zonas de turismo nos concelhos em que existiam praias, estâncias
hidrológicas ou climáticas, de altitude, de repouso ou de recreio ou monumentos.

 A criação destas zonas passou a depender de requerimento da respectiva Câmara


Municipal por se entender que a execução de uma política local de turismo se poderá
desenvolver com a participação dos interesses municipais e para ser eficiente terá de ser
vivida e sentida pelo agregado de pessoas que formam o concelho.

 1950 – Entradas 76 mil

 1963 – Entradas: 514 mil

Terceira etapa: 1964 a 1973: Maioridade

 O ano de 1964 marca o início do verdadeiro desenvolvimento do turismo português:

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- consolidação da recuperação económica dos países industrializados afectados pela
guerra

- seguiu-se um boom económico

- generalização do automóvel

- generalização das férias pagas

- desenvolvimento explosivo do trânsito aéreo

 1964 – ultrapassou-se, pela primeira vez, o milhão de entradas, tendo forte contributo os
seguintes factores:

- localização geográfica

- condições climatéricas

- preços praticados

 Surgem os grandes empreendimentos turísticos que polarizam as atenções e concentram


os investimentos:

- Algarve

- Madeira

- Tróia

 perda de posição dos centros tradicionais e desvio de investimentos para os novos pólos
turísticos.

 O país não estava preparado, nem soube preparar-se, quer no que respeita aos circuitos de
distribuição, quer em infra-estruturas surgindo assim os primeiros desequilíbrios estruturais.

 Em 1963, o distrito de Lisboa concentrava quase 30% da capacidade hoteleira

 O Algarve e a Madeira dispunham apenas de 5 e 3,3% respectivamente, da capacidade


hoteleira.

 Tratava-se de um turismo altamente concentrado no distrito de Lisboa e fortemente


dependente de três mercados, do ponto de vista externo:

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- Reino Unido

- França

- Estados Unidos da América

 Construíram-se os aeroportos do Funchal e do Algarve permitindo estabelecer relações


aéreas com os principais centros emissores

 Procurou-se adaptar a organização administrativa às novas situações, pela transformação


da Direcção de Serviços de Turismo em Comissariado do Turismo, que, pouco tempo
depois, dá lugar à Direcção Geral do Turismo

 Criação do Centro de Formação Turística e Hoteleira destinado a superintender na


formação profissional.

 O turismo, que, até aí, não tinha sido objecto de qualquer planeamento, passa a ser
enquadrado nos Planos de Fomento

 é atribuído ao turismo o papel de «motor do desenvolvimento económico», mas sem


definição de um modelo global de desenvolvimento turístico e sem enquadramento numa
política de ordenamento do território e aproveitamento dos espaços.

 Multiplicam-se os empreendimentos desligados de uma concepção de desenvolvimento


regional e sem infra-estruturas adequadas

 resultam os primeiros desgastes do ambiente e do património natural

 disfunções ambientais e descaracterização, particularmente, em certas zonas que se


tinham revelado com vocação para o turismo.

 não se preveniu a destruição dos espaços nem a descaracterização;

 pretendia-se um desenvolvimento turístico que evitasse os erros que já eram preocupantes


em Espanha mas acabaram por se cometer os mesmos;

 desejava-se uma oferta equilibrada mas a construção dos meios de alojamento não foi
acompanhada, nem pelos equipamentos de animação e de ocupação dos tempos livres,
nem pela protecção dos espaços envolventes.

 Em 1973, as entradas de estrangeiros ultrapassaram os 4 milhões

20
 A Alemanha, a Espanha, a França, o Reino Unido e os Estados Unidos da América passam
a ser os primeiros clientes de Portugal

 a oferta hoteleira aumentou significativamente: com 59 mil camas, em 1964, atinge as 86


mil, em 1973, passando o Algarve a deter cerca de 16% da capacidade hoteleira e a
Madeira 9,5%.

 O distrito de Lisboa baixa a sua participação no conjunto da capacidade hoteleira para 27%.

 desenvolvem-se novas formas de alojamento (aldeamentos turísticos, apartamentos,


motéis) e novas formas de exploração (títulos de férias, multipropriedade).

 A procura dominante caracteriza-se pela busca do sol, do mar e das praias de areia fina que
existem em abundância no país

 todo o desenvolvimento do turismo se concentra na exploração destes atractivos, com


abandono do turismo do interior e dos valores turísticos em que as regiões do interior são
particularmente ricas: termalismo, cultura, gastronomia, paisagens.

 O turismo, em Portugal, passa a ser sinónimo de «litoral».

Quarta etapa: a partir de 1974. Maturidade

 em finais de 1973, com a eclosão da crise da energia, operam-se grandes transformações a


nível económico que deram origem a uma crise económica internacional;

 Surgem situações novas como, por exemplo, a quebra de produção e desemprego a


conviver com elevadas taxas de inflação,

 os desequilíbrios ecológicos provocados por deficiente aproveitamento dos recursos


naturais e os novos comportamentos do consumidor que influenciam, profundamente, a
procura turística.

 Simultaneamente, em Portugal, dá-se, em 1974, a revolução de 25 de Abril provocando


grandes transformações económicas, sociais e políticas e ocasionando o afluxo de grandes
massa de desalojados das ex-colónias que passam a ocupar os alojamentos hoteleiros.

 As entradas reduziram-se para metade do ano anterior.

21
 as receitas externas que, em 1973, haviam ultrapassado os 13,5 milhões de contos
baixaram para 9,2 milhões;

 a nível institucional operaram-se algumas modificações de relevo:

. criação da Secretaria de Estado do Turismo;

. intervenção do Estado nas principais empresas do sector e a posterior


desintervenção, processo que levou `estagnação da oferta hoteleira;

 apesar de tudo, o sector reagiu rapidamente e, em 1979, as entradas de estrangeiros


atingiram novo máximo proporcionando 46 milhões de contos de receitas externas;

 nos anos posteriores continuou a assistir-se a um crescimento acelerado: em dez anos


triplicaram as entradas de turistas;

 no período 1980 a 1992, Portugal registou a nível europeu as mais elevadas taxas de
crescimento;

 este crescimento foi gerador de euforias utópicas e produziu efeitos perversos e


desenvolveu o espírito do lucro fácil;

 apesar do extraordinário crescimento da procura, o turismo português passou a viver em


estado de crise latente ou explícita derivada do excesso de oferta, da inadequação das
infra-estruturas, do desordenado aproveitamento dos espaços, etc.;

 mas também no âmbito da procura se registaram alguns desequilíbrios: a origem dos


turistas que visitam Portugal concentrou-se excessivamente nos mercados britânico e
espanhol;

A dependência destes mercados tornou o turismo português


extremamente vulnerável;

 as suas vulnerabilidades mais importantes residem nas excessivas concentrações:

1 – concentração em termos de mercado de origem


22
 mais de metade das dormidas de estrangeiros na hotelaria global provém do Reino
Unido e da Alemanha e cerca de dois terços de dormidas em todos os meios de
alojamento provêm destes dois países e da Espanha;

2 – concentração territorial

 só o Algarve detém mais de 40% da oferta turística nacional e em conjunto com a


Costa de Lisboa, absorve 70% de todas as dormidas de estrangeiros;

3 – concentração em atractivos e motivações

 é o sol e o mar que servem de base essencial à oferta e aposta-se


fundamentalmente nas motivações que estão na origem da procura do sol e do mar

 um dos desafios mais prementes com que o turismo português se passou a defrontar é,
então, o da diversificação;

 o seu equilíbrio e o seu crescimento sustentado dependem fortemente:

- da diversificação de mercados;

- de produtos e de motivações a par da adopção de estratégias empresariais


baseadas na inovação;

- no desenvolvimento e na resposta às motivações e necessidades dos clientes.

 Com o fim de adoptar uma nova estratégia para o desenvolvimento do turismo foi lançado,
em meados da década de oitenta, um Plano Nacional de Turismo que tinha como
objectivos:

a) contribuir para a atenuação dos défices cambiais;

b) contribuir para atenuar os desequilíbrios e assimetrias regionais;

c) contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos portugueses;

d) contribuir para a protecção do património natural e valorização do património


cultural.
A importância do turismo na economia portuguesa

 1968-1973 – III Plano de Fomento - o sector do turismo era já considerado como


estratégico do crescimento económico;
 as medidas de política turística foram:
 defender a qualidade do turismo;
 promover a formação e aperfeiçoamento profissionais;
23
 privilegiar o desenvolvimento turístico do Algarve, da Madeira e da Região
de Lisboa;
 promover a expansão do turismo interno;
 recuperar as termas;
 conservar as arribas, praias e regularizar as zonas fluviais de interesse
turístico;
 conservar os edifícios e monumentos nacionais, pavimentar os caminhos
florestais e fomentar a caça e pesca.
 1973 – Projecto do IV Plano de Fomento – definia como objectivos para o sector:
 aumentar o saldo da balança turística;
 atenuar os desequilíbrios regionais;
 fomentar o turismo social.

 Nos últimos vinte anos – as acções incluídas nas Grandes Opções do Plano (GOP) têm
incidido:

 o reforço da promoção internacional;


 a promoção do turismo interno, nomeadamente do turismo social;
 a atenuação da sazonalidade;
 a valorização e recuperação do parque hoteleiro;
 o crescimento equilibrado da oferta turística nacional;
 o apoio ao investimento privado;
 a melhoria da qualidade da formação;
 a regionalização dos serviços públicos.

 As GOP92 indicavam as seguintes actuações quanto ao turismo:


 inventariação do património turístico;
 apoio ao investimento no sector;
 reforço da imagem de Portugal como destino turístico de qualidade;
 maior divulgação dos vários produtos turísticos nacionais.
 As GOP93 consideraram o turismo uma das áreas de actividade que assume um peso
importante na economia nacional;
 pretendia-se um crescimento que privilegiasse a qualidade e a correcção dos
desequilíbrios estruturais;
24
 As acções do Governo assentavam em quatro vectores:
 aumento da qualidade da oferta;
 melhoria do profissionalismo;
 diversificação de produtos;
 diversificação de mercados.
 nas GOP94, as linhas de orientação estratégica para o turismo foram definidas tendo como
objectivo global o reforço da competitividade garantindo um crescimento sustentado, através da:
 melhoria da qualidade da oferta com base na:
 modernização dos estabelecimentos hoteleiros existentes;
 investimentos em novos empreendimentos de nível superior, tais como:
 pousadas;
 aldeias turísticas.
 instalação de estruturas de animação;
 melhoria da qualidade dos recursos humanos;
 diversificação dos produtos turísticos através do investimento em novos produtos
como:
 turismo cultural;
 turismo desportivo;
 turismo em espaço rural;
 turismo de congressos e incentivos.
 diversificação de mercados, incluindo o interno.
 Nas GOP96, as prioridades em relação turismo são:
 diversificar os produtos turísticos;
 reduzir a sazonalidade;
 conquistar novos mercados;
 melhorar a qualidade do turista que nos visita;
 aumentar a receita turística.
 as receitas do turismo internacional contribuíram com 4,7% para o PIB;
 mas o contributo do turismo para o PIB não são só as receitas do turismo internacional. De
facto o turismo (interno e externo) contribui também para o consumo e para o investimento
quer directamente através das actividades turísticas, quer indirectamente através das
restantes actividades da economia;

25
 existe uma dificuldade em calcular a percentagem exacta da contribuição do turismo para o
PIB devido à diversidade de actividades (alojamento, transportes, serviços de viagens,
restauração, animação, comércio a retalho, etc.)
 actualmente, o turismo representa mais de 8% do Produto Interno Bruto e emprega cerca
de 10% da população activa.

26
II - PARTE

1. CONCEITOS DE TURISMO

1.1. Definição de Turista

A expressão turista é relativamente recente. Começou a ser utilizada no início do século XIX para

designar aqueles que “viajavam por prazer”. Mas, actualmente, a expressão turista tem um sentido

muito mais amplo.

Na segunda metade do século XVIII, passou a ser normal para os jovens ingleses, das camadas

sociais mais elevadas, complementarem a sua educação com uma viagem ao Continente que era

designada, na Inglaterra, pela expressão “fazer a Grand Tour” ou, mais tarde, apenas a «Tour». As

pessoas que faziam esta viagem - a Tour - eram designadas de «Touristes».

A palavra foi, posteriormente, introduzida em França por um escritor, passando a designar toda a

pessoa que fazia uma viagem para o seu próprio prazer.

Muitas outras línguas adoptaram as palavras francesas Touriste e Tourisme com o sentido

restrito de:

- viagem feita sem fim lucrativo,

- por distracção,

- repouso

- satisfação da curiosidade de conhecer outros locais e outras pessoas;

embora a viagem não fosse considerada um mero capricho mas antes uma forma de

aprendizagem, um meio complementar de educação.

27
Esta concepção prevaleceu durante muitos anos e, ainda em 1932, um autor português (José

Ataíde), escrevia o seguinte: o turismo consiste nas viagens por mero prazer, as que se fazem com

o fim exclusivo de gozar os encantos dos países que se visitam . Face a esta consideração, surgem

então as seguintes questões:

- Então o homem de negócios não é um turista?

- Um caixeiro viajante não é um turista?

- Um indivíduo que vai fazer uma cura numa estância termal não é um turista?

- Não são turistas as pessoas que o acompanham?

- Aqueles que passam uma temporada numa praia não são turistas?

- Os que fazem uma viagem de estudo não são turistas?

Todos eles, ao deslocarem-se para fora da sua residência habitual, seja no interior do país ou para o

estrangeiro, comportam-se de modo idêntico àqueles que viajam por puro prazer e utilizam-se dos

mesmos meios de transporte e dos mesmos estabelecimentos hoteleiros e de restauração,

procedem a reservas pelas agências de viagens e fazem compras nos locais para onde se

deslocam.

Têm tudo em comum, excepto quanto à razão da sua deslocação ou da motivação que esteve na

origem desta, e provocam idênticos efeitos económicos e sociais.

Para a economia das companhias aéreas, dos hotéis ou das agências de viagens é indiferente que

o viajante utilize os seus serviços, quer se desloque por puro prazer ou para satisfazer uma

necessidade profissional.

Deste modo, na acepção moderna, a expressão turista refere-se às pessoas que se deslocam para

fora da sua residência habitual.

Convém, pois, desde já reter os dois elementos que integram o conceito de Turista:

- a deslocação

28
- e a residência.

Para alguém ser considerado como Turista é necessário que se desloque para um local diferente

do da sua residência.

Mas todos os dias há pessoas que se deslocam para fora da sua residência e não podem ser

considerados como turistas. É o caso dos que vivem nos arredores dos centros urbanos e que

todos os dias se têm de deslocar para estes por razões profissionais ou quaisquer outras.

Falta, portanto, um terceiro elemento: o da duração da permanência.

Para que uma pessoa possa ser considerado como turista é necessário que se desloque para um

local diferente da sua residência habitual e aí tenha uma certa permanência, tendo-se

convencionado que esta não deverá ser inferior a 24 horas.

Há, contudo, milhares de pessoas que se deslocam para fora da sua residência por períodos

inferiores ou superiores a 24 horas exclusivamente por razões ligadas ao exercício da sua profissão

e com o objectivo de auferirem uma remuneração, não sendo correcto englobá-las na mesma

categoria daquelas que se deslocam por motivos considerados no conceito inicial de turista.

Encontramos, então, um quarto elemento integrante do conceito de turista: a remuneração.

A definição de turista ou de turismo não tem sido tarefa fácil nem pacífica em virtude da dificuldade

em enquadrar no mesmo conceito realidades, por vezes, muito distintas mas com pontos comuns

inseparáveis e gerando fenómenos semelhantes mas nem sempre produzindo resultados iguais.

Mas uma viagem de uma pessoa nacional no interior do seu país tem muito de comum com a

viagem de uma pessoa estrangeiro nesse mesmo país mas os resultados que produzem são

diferentes.

29
A primeira tentativa de definição de turista ocorreu em 1937, quando a Comissão Económica da

Sociedade das Nações (SDN) se defrontou com a necessidade de «tornar mais comparáveis as

estatísticas turísticas internacionais».

Em consonância com a tendência, na altura dominante, de apenas se considerar como turistas os

viajantes estrangeiros, a SDN entendeu que o termo turista deve, em princípio, ser interpretado

como significando toda a pessoa que viaja por uma duração de 24 horas, ou mais, para um país

diferente do da sua residência.

Como esta definição era imprecisa e não considerava a remuneração, a Comissão fê-la seguir da

enumeração das categorias de pessoas que deveriam ou não considerar-se como turistas.

Assim, considerou como turistas:

1. As pessoas que realizam uma viagem por prazer ou por razões familiares, de saúde, etc.;

2. As pessoas que se deslocam para realizar reuniões ou missões de toda a espécie: científicas,

administrativas, diplomáticas, religiosas, desportivas, etc.;

3. As pessoas em viagem de negócios;

4. Os visitantes em cruzeiros marítimos mesmo quando a duração da permanência seja inferior a

24 horas.

Não eram consideradas turistas:

1. As pessoas, com ou sem contrato de trabalho, que chegam a um país para ocupar um

emprego ou aí exercem uma actividade profissional;

2. As pessoas que vão fixar o seu domicílio no país;

3. Os estudantes e jovens vivendo em pensionatos ou internos em estabelecimentos escolares;

30
4. Os viajantes em trânsito sem paragem no país, mesmo se a travessia durar mais de 24 horas.

Esta primeira definição ampliou o conceito inicial passando a considerar como turistas as pessoas

que se deslocavam para realizar reuniões ou missões ou em viagens de negócios e, levou, pela

primeira vez, a incluir no turismo pessoas que viajavam independentemente do puro prazer.

Em 1950, a então União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo (UIOOT), que mais tarde

daria lugar a Organização Mundial de Turismo (OMT), entendeu que não se justificava a exclusão

dos estudantes da definição da SDN porque a manutenção dos jovens é, em geral, assegurada

pelas respectivas famílias que residem no estrangeiro e passou a incluí-los na definição de turista.

For outro lado, a UIOOT preocupou-se com uma categoria especial de pessoas, cada vez mais

numerosa, que se deslocam para um país estrangeiro por períodos inferiores a 24 horas e que não

estavam incluídos na definição da SDN. Estas pessoas, chamadas excursionistas, passaram

também a ser incluídas no conceito de turista.

Posteriormente, a Organização das Nações Unidas (ONU), que resultou da transformação da

Sociedade das Nações, em conjunto com a Organização da Aviação Civil Internacional, modificaram

a definição da SDN, com as alterações introduzidas pela UIOOT, E elaboraram a sua própria

definição substituindo a designação de turista por “visitante temporário”.

A definição a que chegaram difere essencialmente da anterior pelo facto de abandonar o critério da

duração mínima de estada de 24 horas, estabelecer, em contrapartida, uma duração máxima de

estada no país visitado de 3 meses e passando a incluir na categoria de «visitantes» as pessoas em

trânsito.

31
Uma outra definição foi incluída na Convenção sobre as Facilidades Aduaneiras em favor do

turismo, concluída em Nova York, em 1954, que considerou como turista toda a pessoa que entra

em território de um Estado, diferente daquele em que a dita pessoa tem a sua residência habitual e

nele permaneça pelo menos 24 horas e não mais de 6 meses, em qualquer período de 12 meses,

com fins de turismo, recreio, desporto, saúde, assuntos familiares, estudo, peregrinações religiosas

ou negócios, sem propósito de emigração.

0 facto de existirem várias definições de turismo internacional apresentava sérias dificuldades,

sobretudo por razões de comparação e análise estatística, pelo que a UIOOT tomou a iniciativa de

propor a adopção de uma definição uniforme e que integrasse os elementos caracterizadores do

turismo atrás indicados.

A proposta foi apresentada e discutida em 1963, na Conferencia das Nações Unidas sobre o

Turismo e as Viagens Internacionais, realizada em Roma, que adoptou a seguinte definição de

visitante para fins estatísticos: «o termo visitante designa toda a pessoa que se desloca a um país,

diferente daquele onde tem a sua residência habitual, desde que aí não exerça uma profissão

remunerada, compreendendo-se nesta definição:

a) Os turistas, isto é, os visitantes que permaneçam pelo menos 24 horas no país visitado e

cujos motivos de viagem podem ser agrupados em:

• Lazer (férias, saúde, estudos, religião, desportos e prazer)

• Negócios, razões familiares, missões, reuniões;

b) Os excursionistas, isto é, os visitantes temporários que permaneçam menos de 24 horas no

país visitado (incluindo os viajantes em cruzeiros).

32
Esta definição abrange, portanto, os visitantes no número dos quais se incluem todos os não

residentes que chegam a um determinado país, com excepção dos que, juridicamente, não entram

no território nacional (por exemplo, os viajantes que chegam a um aeroporto e nele permanecem até

reembarcarem), subdividindo-se em turistas e excursionistas.

Surge-nos aqui uma distinção importante. A distinção entre visitante e turista, que habitualmente se

confundem, mas que têm uma diferença essencial.

Os visitantes são todos os que chegam às fronteiras e, por isso, é habitual falar em «chegadas»,

mas só são turistas os que permanecem mais de 24 horas.

A diferença entre eles não é meramente estatística: os excursionistas, que adicionados aos

turistas constituem o grupo de visitantes, não se utilizam dos alojamentos e limitam as suas visitas

à proximidade das fronteiras.

Para se avaliar a diferença entre uns e outros bastará referir que, em 1995, as entradas de

visitantes em Portugal ultrapassaram largamente os 22 milhões mas os turistas entrados pouco

ultrapassaram os 9,7 milhões. Tradicionalmente, o número de turistas não chega aos 45% do

número total de visitantes embora, em Espanha, a proporção do número de turistas, relativamente

ao número de visitantes, ronde os 70%.

33
Entradas de Visitantes Estrangeiros em Portugal

Unid.: Milhares
Visitantes 1990 1992 1994 1995

l. Turistas 8.019,9 8.884,1 9.169,1 9.705,5


Excursionistas 10.179,8 11.634,9 12.377,9 12.925,0

Trânsito marítimo 222,4 222,9 211,9 244,7


2. Total 18.422,1 20.741,9 21.758,9 22.875,2
(1)/(2) % 43,5 42,8 42,1 42,4

34
Fonte: «O Turismo em 1994». Análise de Conjuntura. Boletim n° 18, Jan./Fev. 1996, DGT.

Em Portugal apura-se, estatisticamente, a diferença entre turistas e visitantes decompondo-se o

número de visitantes pelos seus componentes mas em alguns países não é feita esta distinção

como, por exemplo, no Reino Unido cujas estatísticas apenas fornecem o número de visitantes, pelo

que não há possibilidade de efectuar comparações.

Pela definição das Nações Unidas, que é a normalmente seguida internacionalmente, verifica-se

facilmente que ela comporta os seguintes elementos na definição de turista:

a) A deslocação de uma pessoa de um país para outro diferente daquele em que tem a

residência habitual;

b) Um motivo ou uma razão de viagem que não implique o exercício de uma profissão

remunerada;

c) Uma permanência no país visitado superior a 24 horas;

d) A adopção do conceito de residência por contraposição ao da nacionalidade.

De acordo com o último dos elementos integrantes da definição de turista conclui-se que um

português que resida habitualmente em França deve ser considerado como turista francês quando

visita Portugal e um residente estrangeiro em Portugal quando passa férias no interior do país deve

ser considerado como turista português. No entanto, as estatísticas portuguesas não incluem os

portugueses não residentes no número de visitantes estrangeiros que chegam às nossas fronteiras,

contrariamente ao que se verifica em Espanha, por exemplo, e aqui encontramos mais um factor

que dificulta ou impede mesmo as comparações internacionais.

35
Esta definição das Nações Unidas é, porém, incompleta. Apenas se refere ao turismo internacional

excluindo, portanto, os movimentos turísticos no interior de cada país provocados pelas pessoas

que neles residem e não limita o tempo de permanência no local visitado, condicionando apenas,

esta, a que, no mínimo, seja de 24 horas, quando em anterior definição se considerava também um

tempo de permanência máxima de 3 meses e a Convenção sobre as Facilidades Aduaneiras a

limitar a 6 meses.

Por isso, em 1983, a Organização Mundial de Turismo, elaborou uma definição de turismo

nacional pela qual: o termo «visitante nacional» designa toda a pessoa, qualquer que seja a sua

nacionalidade, que reside num país e que se desloca a um lugar situado nesse país e cujo motivo

principal da visita é diferente do de aí exercer uma actividade remunerada. Esta definição

compreende:

a) Os turistas nacionais, isto é, os visitantes com uma permanência no local visitado, pelo

menos, de 24 horas mas não superior a um ano, e cujos motivos de viagem podem ser

agrupados em:

 Prazer, férias, desportos;

 Negócios, visita a parentes e amigos, missão, reunião, conferência, saúde,

estudos, religião;

b) Os excursionistas nacionais, isto é, os visitantes que permanecem no local visitado menos

de 24 horas (incluindo os passageiros em cruzeiro)».

Chegados a este ponto é possível assentar nos seguintes conceitos de acordo com a definição da

ONU:
36
• Visitante, é toda a pessoa que se desloca temporariamente para fora da sua residência habitual,

quer seja no seu próprio país ou no estrangeiro, por uma razão que não seja a de aí exercer uma

profissão remunerada;

• Turista, é todo o visitante temporário que permanece no local visitado mais de 24 horas;

• Excursionista, é todo o visitante temporário que permanece menos de 24 horas fora da sua

residência habitual.

Por estas definições, essencialmente de carácter estatístico, não se faz qualquer destrinça entre os

que viajam por motivos de lazer, repouso, desporto, negócios, cultura, saúde ou religião e, assim,

englobamos na categoria de turistas, por exemplo, os componentes de uma equipa de futebol, de

uma peregrinação religiosa ou de um congresso que se deslocam no interior do país ou para o

estrangeiro desde que, no local para que se deslocaram, não exerçam qualquer profissão

remunerada e aí permaneçam entre 24 horas e um ano.

Conceitos de acordo com a definição da ONU

Visitante Turista Excursionista


Pessoa que se desloca Visitante temporário que Visitante temporário que
temporariamente para fora da permanece no local visitado mais permanece menos de 24 horas
sua residência habitual, quer seja de 24 horas. fora da sua residência habitual.
no seu próprio país ou no
estrangeiro, por uma razão que
não seja a de aí exercer uma
profissão remunerada.

A Organização Mundial de Turismo designa os consumidores do produto turístico por


visitantes. O termo "visitante" ficou definido para fins estatísticos, como designando toda a
pessoa que se dirige para outro destino, diferente daquele em que fixou residência habitual,
movida por razões que as de não exercer uma profissão remunerada no destino visitado.

37
Classificação de Viajantes

1. Visitantes que passam pelo menos uma noite no país visitado;


2. Tripulantes dos navios ou aviões estrangeiros em reparação ou fazendo escala no país e que
utilizam os meios de alojamento do país;
3. Visitantes que não passam a noite no país visitado dado que podem visitá-lo durante um ou vários
dias e dormir no barco ou no comboio;
4. Incluídos normalmente nos excursionistas. Uma classificação separada destes visitantes é todavia
recomendada;
5. Visitantes que chegam e partem no mesmo dia;
6. Tripulantes que não são residentes do país visitado e que aí permanecem durante o dia;
7. Quando se deslocam do país de origem para o país onde estão colocados e inversamente (inclui
as domésticas e as pessoas a cargo que os acompanham);
8. Que permanecem na área de trânsito do aeroporto ou do porto. Em certos países o trânsito pode
comportar uma estadia de um ou vários dias. Neste caso, é necessário incluí-los nas estatísticas dos
visitantes.

Fonte: Organização Mundial do Turismo

Os visitantes, por sua vez, são classificados em:

38
1. Turistas - visitantes temporários que permanecem pelo menos 24 horas
no destino e cujo propósito da viagem pode ser classificado como:
 lazer
 negócios
 família
 missão
 encontro

2. Excursionistas - visitantes temporários que permanecem menos de 24 horas no


destino, pelos mesmos motivos, não passando nenhuma noite em qualquer meio
de alojamento (excluindo passageiros em trânsito).

Composição das entradas de estrangeiros em Portugal

Tipo de Entradas (milhares) % do Total Var %


Viajantes 1998 1997 1996 1998 1997 1996 1998/97 1997/96

Turistas 11295,0 10172,4 9730,2 42,5 42,0 41,8 11,0 4,5

Excursionistas 15029,9 13841,6 13300,6 56,6 57,1 57,2 8,6 4,1

Trâns. Marít. 234,8 230,1 220,9 0,9 0,9 1,0 2,0 4,2

Total 26559,7 24244,1 23251,7 100,0 100,0 100,0 9,6 4.3

Fonte: DGT

1.2. Conceito de TURISMO

Assente o conceito de turista importa precisar o que se entende por turismo que, de modo
simplista, se poderia considerar como a actividade económica decorrente dos movimentos turísticos

A primeira definição de turismo foi estabelecida pelos Professores Hunziker e Krapf, em 1942,
sendo posteriormente adoptada pela Association Internationale des Experts cientifiques du
Tourisme (AIEST).

39
Segundo aqueles professores, o turismo «é o conjunto das relações e fenómenos originados pela

deslocação e permanência de pessoas fora do seu local habitual de residência, desde que tais

deslocações e permanências não sejam utilizadas para o exercício de uma actividade lucrativa

principal, permanente ou temporária».

Esta definição, que integra o conceito de visitante não fazendo a separação entre turistas e

excursionistas, destaca vários elementos de interesse:

• O turismo é um conjunto de relações e fenómenos;

• Exige a deslocação da residência habitual:

• Não pode ser utilizada para o exercício de uma actividade lucrativa principal.

Pelo facto de evidenciar a «actividade lucrativa principal» pode concluir-se que devem ser incluídas

no turismo todas as deslocações mesmo que impliquem a obtenção de um rendimento desde que

este não tenha carácter de principal.

Por não ter em consideração os aspectos sociológicos, sobretudo quando se trata de turismo

nacional, esta definição é considerada incompleta pelos sociólogos. Do ponto de vista destes, o

turista é, antes de tudo, o homem que se desloca para satisfazer a sua curiosidade, o desejo de

conhecer, para se cultivar e evadir, para repousar ou se divertir num meio diferente do que lhe é

habitual.

São estes aspectos recreativos, educativos e culturais que levam a considerar o turismo não

apenas como um fenómeno económico mas, antes de tudo, como um fenómeno social não

evidenciado na definição de Hunziker e Krapf.

40
Em 1991, a Organização Mundial de Turismo apresentou uma nova definição entendendo que: «o

turismo compreende as actividades desenvolvidas por pessoas ao longo de viagens e estadas em

locais situados fora do seu enquadramento habitual por um período consecutivo que não ultrapasse

um ano, para fins recreativos, de negócios e outros».

A expressão «enquadramento habitual», em substituição da residência habitual, foi introduzida para

excluir do conceito de visitante as pessoas que todos os dias se deslocam entre a sua casa e o

local de trabalho ou de estudo bem como as deslocações efectuadas no seio da comunidade local

com carácter rotineiro.

Na sua explicitação, a OMT considera que o conceito reveste duas dimensões: a primeira é a

frequência na medida em que os locais frequentemente visitados por uma pessoa fazem parte do

seu enquadramento habitual: a segunda dimensão é a distância, na medida em que os locais

próximos da residência fazem também parte do enquadramento habitual mesmo se forem

raramente visitados. Deste modo, o enquadramento habitual é uma certa zona em redor do local de

residência bem como os locais visitados com uma certa frequência.

Embora adoptada pela Comissão de Estatística da ONU, esta definição peca por imprecisão e por

privilegiar o lado da procura. E imprecisa porque, ao introduzir o elemento «enquadramento

habitual», tal como foi definido, elimina do conceito do turismo as deslocações efectuadas, com fins

indiscutivelmente turísticos, no espaço geográfico que compreende aquele enquadramento e,

privilegia o lado da procura, porque apenas inclui no turismo as actividades desenvolvidas pelos

turistas com esquecimento de todo o complexo de actividades produtoras de bens e serviços

criadas para servir directa e indirectamente os turistas e cuja existência permanece, mesmo quando

as deslocações e estadas não se efectuam.

Mais completa e correcta nos parece a definição de Mathieson e Wall que consideram que «o

turismo é o movimento temporário de pessoas para destinos fora dos seus locais normais de

41
trabalho e de residência, as actividades desenvolvidas durante a sua permanência nesses destinos

e as facilidades criadas para satisfazer as suas necessidades».

Esta definição enfatiza a complexidade da actividade turística e deixa perceber, implicitamente, as

relações que ela envolve.

O Prof. Bernecker, considerando que no turismo se estabelecem dois grupos de contactos, a saber,

o grupo de relações materiais, que consiste no recurso a serviços e bens de consumo por parte

dos visitantes que para isso fazem uma despesa, e o grupo das relações imateriais, que consiste

no contacto com o local visitado, a sua população, a sua cultura, as suas instituições, etc.,

apresentou a seguinte definição simplificada: «o turismo é a soma das relações e dos serviços que

resultam de uma alteração de residência, temporária e voluntária, não motivada por razões de

negócios ou profissionais».

No entanto, tal como se encontra formulada, esta definição exclui as deslocações provocadas pêlos

negócios, missões de carácter económico ou congressos.

Ora, a cada vez maior internacionalização das actividades económicas bem como as, também,

cada vez maiores deslocações no interior de cada país motivadas por razões profissionais, esbatem

as diferenças entre os movimentos turísticos e não turísticos a que acresce a impossibilidade prática

de separar uns dos outros.

Daí que, do ponto de vista económico, consideremos que o turismo abrange todas as deslocações

de pessoas, quaisquer que sejam as suas motivações, que obriguem ao pagamento de prestações

e serviços durante a sua deslocação e permanência temporária fora da sua residência habitual

superior ao rendimento que, eventualmente, aufiram nos locais visitados.

O turismo é, assim, uma transferência espacial de poder de compra originada pela deslocação de

pessoas: os rendimentos obtidos nas áreas de residência são transferidos pelas pessoas que se

deslocam para outros locais aonde procedem à aquisição de bens ou serviços.

Nesta concepção, o turista é considerado como um puro consumidor cujos actos de consumo

42
não têm relação com a obtenção de um rendimento.

Excluímos as deslocações do e para o local de trabalho exigidas pelo exercício de uma profissão

fora da residência habitual, como resulta da própria definição, bem como as pessoas que se

deslocam, habitualmente, da sua residência com o objectivo de adquirirem os produtos ou serviços

de que necessitam para seu consumo corrente (caso das compras habituais em hipermercados

situados fora da localidade de residência).

Tratando-se de uma deslocação de poder de compra compreende-se, então, que um português

residente em França, e ai exerça uma profissão remunerada ou aí obtenha os seus rendimentos,

deva ser considerado como turista ou visitante francês quando se desloca a Portugal. Na sua

deslocação operou uma transferência de poder de compra de França para Portugal e Portugal, por

via disso, exportou serviços para França. É o que acontece, aliás, com a exportação de produtos

portugueses para serem consumidos pelos emigrantes portugueses. Em ambos os casos há lugar a

uma exportação diferindo apenas o local de consumo.

Podemos, então, desde já, extrair uma conclusão: todas as actividades económicas, culturais e

recreativas que, embora se possam inscrever na categoria das turísticas por prestarem o mesmo

serviço, sejam predominantemente destinadas à utilização dos residentes ou das pessoas que se

desloquem para o local onde se situam para aí exercerem uma profissão, não podem ser

classificadas como turísticas.

Assim, um restaurante de Lisboa, embora seja, em tudo, idêntico ao de um centro turístico, só

poderá ser considerado como turístico desde que seja predominantemente frequentado por

visitantes. Também não é turístico um campo de golfe reservado aos sócios de um clube local ou

43
um campo de ténis que serve um aglomerado residencial e é reservado aos utentes desse

aglomerado.

Trata-se de uma distinção importante para a política turística porque permite evidenciar as

actividades predominantemente turísticas das que o não são.

1.3. Turismo Social

E já lugar comum falar-se em «turismo social» por contraposição ao chamado turismo comercial

como expressão de conteúdo mais restrito do que o contido na definição atrás referida, associando-

o ao turismo praticado pelas classes trabalhadoras, dispondo, regra geral, de fracos rendimentos.

O Bureau International du Tourisme Social (BITS) define-o como «o conjunto de relações e de

fenómenos resultantes da participação no turismo das camadas sociais com rendimentos modestos,

participação que se torna possível ou é facilitada por medidas de carácter social bem definidas».

Pode dizer-se que se trata de um turismo sui generis, na medida em que se dirige para locais bem

determinados e se alimenta de prestações e de serviços muito peculiares como, por exemplo,

colónias de férias em vez de hotéis ou estabelecimentos dirigidos e abertos a todos.

Na medida em que subsistem desigualdades sociais no acesso às férias, o turismo social é

entendido como aquele que necessita de uma exploração subvencionada pelo Estado, por

organismos públicos ou pelas empresas.

Os critérios que permitem definir o conteúdo do turismo social são: baixo preço relativo, ausência

de fim lucrativo e carácter colectivo dos consumos. Trata-se, pois, de critérios que não estão

presentes no conteúdo do turismo no sentido corrente ou comercial como já se convencionou

chamar-lhe.

Com efeito, no turismo social, o preço das férias ou das estadas quando calculadas a partir do custo

de produção médio, é inferior ao nível médio dos preços do mercado para prestações similares.

44
Sendo o preço dos bens e serviços consumidos inferior ao nível de preços do mercado, o turismo

social tem de ser justificado, não por critérios económicos, mas antes pela sua rendibilidade social

avaliada a partir de certos indicadores sociais.

O objectivo do desenvolvimento do turismo social é fazer participar todas as pessoas no turismo

como, aliás, é reconhecido pela Carta de Viena, aprovada em 1972 pela Assembleia Geral do BITS,

segundo a qual o turismo faz parte integrante da vida social contemporânea devendo ser

considerado como um direito inalienável do indivíduo, pelo que nenhuma política social deve ser

concebida sem incluir uma política social do turismo.

Muitas vezes, porém, os regimes políticos utilizam esta «classe» particular do turismo para

desenvolver ou alimentar uma ideologia política. Isso mesmo aconteceu em Portugal antes e

durante o período revolucionário de 1974/76 mas o exemplo mais frisante é-nos fornecido pelo

período estalinista na ex-URSS, altura em que as autoridades soviéticas reservaram três funções ao

turismo:

a) Reproduzir a força do trabalho da mão-de-obra para melhorar a sua qualificação profissional e

melhor desenvolver a produção;

b) Assegurar a educação das massas no espírito da ideologia comunista para melhor as

mobilizar;

c) Reforçar o Estado proletário.

Era o turismo ao serviço da ideologia e os turistas tinham de comportar-se por forma a ganhar uma

nova força ideologia sendo os seus tempos livres ocupados na formação da ideologia comunista.

2. CLASSIFICAÇÕES DE TURISMO

45
Estabelecidos os conceitos de turista e turismo, várias classificações deste se podem fazer

tomando como base as suas causas e influências e atendendo aos factores que intervêm nas

deslocações de pessoas, tais como a sua origem, os meios de transporte utilizados, o grau de

liberdade administrativa, a época da deslocação, etc..

Deste modo, podem ter-se as seguintes classificações:

a) Segundo a origem dos visitantes

Atendendo ao facto de se atravessar ou não uma fronteira o turismo subdividir-se-á, de acordo com

46
as classificações metodológicas adoptadas pela OMT e pelo Eurostat, em:

• Turismo doméstico ou interno que resulta das deslocações dos residentes de um país, quer

tenham a nacionalidade ou não desse país, viajando apenas dentro do próprio país;

• Turismo receptor (inbound tourism) que abrange as visitas a um país por não residentes;

• Turismo emissor (outbound tourism) que resulta das visitas de residentes de um país a outro

ou outros países.

Estas três formas básicas podem ser combinadas de vários modos, resultando dessas combinações

as seguintes categorias de turismo:

• Turismo interior que abrange o turismo realizado dentro das fronteiras de um país e compreende

o turismo doméstico e o receptor;

• Turismo nacional que se refere aos movimentos dos residentes de um dado país e compreende

o turismo doméstico e o turismo emissor;

• Turismo internacional que, por abranger unicamente as deslocações que obrigam a atravessar

uma fronteira, consiste no turismo receptor adicionado do emissor.

Embora as referências ao turismo evidenciem, normalmente, o turismo internacional e, quase

sempre, seja este que vem à mente quando se fala em turismo, o facto é que os movimentos

turísticos no interior de cada país são, regra geral, de dimensão superior aos fluxos internacionais.

Na actualidade, estima-se que estes, pouco ultrapassam as mil milhões de chegadas de

estrangeiros aos países de todo o mundo enquanto os primeiros ultrapassam as 6.000 milhões de

chegadas, ou seja, 6 vezes mais.

No entanto, pelos diferentes efeitos económicos que provoca, é, geralmente, dada maior ênfase e

importância ao turismo internacional e, inicialmente, a própria definição de turismo excluía, como

vimos, os nacionais. Também os primeiros estudos dedicados ao turismo o entendiam como

«actividade económica destinada a servir os visitantes estrangeiros» (Stadner, em 1883) ou como

«o total de operações, especialmente de natureza económica, directamente relacionadas com a

entrada, permanência e movimento de estrangeiros num certo país ou região» (Hermann von Schul-

lard, 1910).

47
Actualmente, porém, a expressão turismo abrange tanto o doméstico como o internacional.

b) Segundo as repercussões na balança de pagamentos

Dado que as entradas de visitantes estrangeiros contribuem para o activo da balança de

pagamentos de um país, na medida em que provocam a entrada de divisas, e que as saídas de

residentes nesse país têm um efeito passivo sobre aquela balança por provocarem uma saída de

divisas

c) Segundo a duração da permanência


48
Quanto ao tempo de duração da estada de um turista numa dada região ou num país pode

distinguir-se entre turismo de passagem e turismo de permanência. O primeiro será efectuado

apenas pelo período de tempo necessário para se alcançar uma outra localidade ou país objectivo

da viagem, isto é, o destino final. Turismo de permanência será o realizado numa localidade ou num

país, objectivo da viagem, por um período de tempo variável que, porém, exigirá, pelo menos, uma

dormida.

Este período de tempo variará, naturalmente, com o objectivo da viagem, mas para aqueles que

viajam, em particular, por motivo de férias, dependerá das condições existentes para reter ou não o

turista, das características do local visitado e dos preços aí praticados, do país de onde proceda, da

duração das suas férias e das suas motivações.

Considerando um determinado turista, um país ou uma localidade terá capacidade ou não de

retenção consoante dispuser de condições capazes de lhe proporcionar uma estada atraente e

agradável o que é tanto mais importante quanto as receitas proporcionadas pelo turismo dependem

mais da duração da estada do que do número de turistas.

C LASSIFICAÇÃO DO T URISMO SEGUNDO A DURAÇÃO DE PERMANÊNCIA

Turismo de passagem Turismo de permanência

Tempo de Permanência depende:

 Objectivos da viagem

 Condições existentes e características do local visitado (condições

naturais, investimentos realizados, capacidade criativa, ...)


49
 País de origem;

 Duração da férias;

 Motivações.

O Reino Unido, com três vezes menos visitantes do que a Espanha, obtém uma receita

proporcionalmente superior, o mesmo se verificando na comparação entre Portugal e a Irlanda. E

óbvio, contudo, que não há uma relação de causa-efeito por, na formação das receitas, intervirem

múltiplos factores como, por exemplo, os preços, mas não resta dúvida que a permanência é um

factor determinante das receitas.

A capacidade de retenção de uma região depende de múltiplos factores locais, uns ligados às

condições naturais existentes (paisagem, praias, termas, neve), outros aos investimentos realizados

(infra-estruturas, alojamento, diversões, parques de atracção) e outros, ainda, à capacidade criativa

(manifestações culturais, informações sobre a região, organização de actividades para ocupação de

tempos livres).

Algumas regiões portuguesas, embora disponham de condições naturais susceptíveis de reterem os

visitantes e apesar de serem atravessadas por importantes correntes turísticas, continuam a ser

meras zonas de passagem por não terem equipamentos adequados nem revelado capacidade para

criarem condições mínimas de retenção.

Como se vê pelo Quadro 1.3, em que se comparam as entradas de estrangeiros pelas principais

fronteiras terrestres do país com as dormidas registadas na hotelaria do respectivo distrito, é

insignificante o número dos estrangeiros que permanece uma noite na área dos distritos

considerados o que significa que não dispõem de condições de retenção e os turistas que

atravessam os seus territórios procuram outros destinos. Trata-se de áreas com um turismo
50
predominantemente de passagem o que evidencia o facto de a uma região, que pretenda

desenvolver-se turisticamente, não bastar dispor de atractivos ou de facilidades na entrada de

turistas: é, também, indispensável dispor de condições de retenção.

Entradas de Visitantes e Receitas de Turismo (1992)

Chegadas às Receitas Noites nos Receitas/ Chegadas/


Países Fronteiras (Milhões de estabelecimentos Chegadas Noites
Dólares) registados
Espanha 55.330.716 22.181 76.934.318 400,88 0,71
Irlanda 3.124.000 1.615 33.777.000 516,97 0,09
Portugal 20.741.879 3.721 20.064.465 179,40 1,03
Reino Unido 18.179.000 13.683 186.400.000 752,68 0,09
Itália 50.088.720 21.577 83.642.567 430,78 0,59
Fonte: «Yearbook of Tourism Statistics», OMT e © OCDE, «Tourism Policy and International Tourism in ORCD Member
Countries» 1991-1992. Reproduzido com autorização da OCDE.

Entradas e Dormidas de Estrangeiros (1992)

Unid.: Milhares
Entradas pela fronteita Dormidas de (1)/(2)
Distritos do distrito estrangeiros %
(2) (1)
Viana do Castelo 6.571,6 238.6 3,6

Guarda 2.367,2 128.9 5,4

Beja 233.1 88,4 37,9

Bragança 585.8 98,9 16,9

Évora 3.071,9 129.4 4,2


Fonte: «O Turismo em 1993», DGT.

d) Segundo a natureza dos meios utilizados

De acordo com as vias utilizadas, podemos distinguir turismo terrestre, náutico e aéreo e, de

acordo com os meios utilizados, distinguiremos o turismo por caminho de ferro, por barco, por ar

ou por automóvel.

Com a perda da importância relativa dos dois primeiros meios de transporte, a maior parte dos

turistas desloca-se, ou por via aérea, ou por automóvel, embora em relação aos países que

possuem fronteiras terrestres importantes, como Portugal, e no turismo interno, continue a dominar
51
o turismo automóvel.

Chegadas de Visitantes às Fronteiras


Entradas por Vias de Acesso

Entradas (milhares) % do Total Var. % Var. %

1998 1997 1996 1998 1997 1996 97/96 98/97

Total 26559,7 24244,1 23251,6 100,0 100,0 100,0 4,3 9,6

Terra 21548,4 19649,1 18894,0 81,3 81,0 81,3 4,0 9,7

Via Férrea 116,7 105,7 101,6 0,4 0,4 0,4 4,0 10,4

Estrada 21431,7 19543,4 18792,4 80,8 80,6 80.8 4,0 9,7

Mar 259.7 251,4 241,9 1,0 1,0 1,0 3,9 3,3

Desembarcados 24,9 21,3 21,0 0,1 0,1 0,1 1,4 16,9

Em Trânsito 234,8 230,1 220,9 1,0 0,9 1,0 4,2 2,0

Ar 4751,6 4343,6 4115,7 17,7 17,9 17,7 5,5 9,4

Fonte: DGT
O quadro da distribuição das entradas de visitantes por fronteiras, que reflecte os meios de

transporte utilizados, revela a importância do automóvel, como meio de transporte, para o turismo.

Como é óbvio, se, em vez do número de visitantes, se utilizasse como indicador o número de

turistas evidenciar-se-ia uma importância relativa do transporte aéreo superior, mas, mesmo assim,

o automóvel continuaria a ser o meio que só por si transporta mais turistas que o conjunto dos

restantes.

Esta conclusão realça a importância das vias rodoviárias para o desenvolvimento do turismo, quer

sob o ponto de vista nacional, quer sob o ponto de vista regional.

É comum dizer-se que sem transportes não há turismo mas tal afirmação será também válida para

as vias rodoviárias, na medida em que estas constituem as mais importantes vias de acesso aos

destinos turísticos.

e) Segundo o grau de liberdade administrativa


52
De conformidade com este critério resulta a diferenciação entre turismo dirigido e turismo livre,

segundo as regulamentações existentes nos países, quer emissores, quer receptores, limitem a

liberdade das deslocações de turistas ou lhes concedam inteira liberdade de movimentos.

Os países emissores, em situações de dificuldade das respectivas balanças de pagamentos ou por

razões políticas, podem limitar as saídas dos seus nacionais por vários meios: limitações na

aquisição de divisas; lançamento de impostos; obrigação de constituição, prévia à saída, do

depósito de uma certa quantia de dinheiro; obrigação de vistos; restrições na concessão de

passaportes.

Também os países receptores limitam, por vezes, sobretudo por razões políticas, as entradas de

estrangeiros ou as suas deslocações no interior do país. A ex-União Soviética exigia visto de

entrada com indicação precisa das cidades de permanência, há países que impedem as visitas a

certas localidades e, outros, que condicionam a passagem de visto, ou mesmo das entradas,

através de pesados procedimentos administrativos e, outras vezes, não permitem a entrada de

nacionais de países com os quais não mantêm relações diplomáticas (caso de Portugal em relação

aos indonésios por causa de Timor).

No entanto, pelo reconhecimento da importância do turismo para a economia de cada país e pelo

facto de os turistas se revelarem extremamente sensíveis a todo o tipo de limitações, assiste-se,

cada vez mais, a um abrandamento dos condicionamentos às deslocações turísticas.

f) Segundo a organização da viagem

O turismo, quer nacional, quer internacional, de acordo com a forma como é organizada a viagem,

pode ser dividido em turismo individual e turismo colectivo ou de grupo.

Quando uma pessoa ou um grupo de pessoas parte para uma viagem cujo programa é por elas

próprias fixado, podendo modificá-lo livremente, com ou sem intervenção de uma agência de

53
viagens, estamos perante o turismo individual.

Estamos perante o turismo colectivo ou de grupo, package tour (também conhecido por

organizado), quando um operador de viagens ou uma agência oferece a qualquer pessoa, contra o

pagamento de uma importância que cobre a totalidade do programa oferecido, a participação numa

viagem para um determinado destino segundo um programa previamente fixado para todo o grupo.

São elementos deste tipo de viagem:

 a organização prévia;

 oferta de um conjunto de prestações

 preço fixo.

As componentes da viagem são determinadas antes da sua oferta ao público integrando:

 um destino;

 meio de transporte;

 alojamento bem como o modo de acompanhamento.

 viagem de ida e volta;

 transferências dos pontos de chegada para o respectivo meio de alojamento e vice-

versa;

 alojamento;

 alimentação;

 distracções e ocupação dos tempos livres;

 seguros;

 outras prestações particulares.

Também, o preço é determinado previamente e, normalmente, pago antes do início da viagem,

embora sejam frequentes as vendas a crédito.


54
Estas viagens podem também ser organizadas por associações sem fim lucrativo, clubes,

organizações profissionais ou sindicais ou mesmo por empresas, mas unicamente para os seus

membros.

O turismo começou por ser fundamentalmente individual mas, sobretudo a partir da década de

sessenta, com o aparecimento dos voos fretados (charter flights), o acesso às viagens pela

generalidade das populações e a intervenção de organizações empresariais de grande dimensão,

as viagens organizadas passaram a ganhar cada vez maior importância. A título de exemplo, refira-

se que 40% dos britânicos que se deslocam ao estrangeiro, ou seja à volta de 15 milhões, fazem-no

na modalidade de viagem de grupo.

3. TURISMO DE MINORIAS E TURISMO DE MASSAS - A QUALIDADE NO TURISMO

Na época do seu nascimento, o turismo surgiu como uma actividade própria das classes

aristocráticas e, até finais da II Grande Guerra Mundial manteve-se como um privilégio das classes

sociais pertencentes aos estratos económicos mais elevados.

Começou por ser uma actividade aristocrática, aburguesou-se posteriormente, mas hoje

transformou-se numa actividade popular e massifícada.

As conquistas económicas e sociais das sociedades modernas ao incrementarem os

rendimentos individuais e ao instituírem o principio das férias pagas, cuja duração tem vindo a

aumentar, garantiram o acesso ao turismo de camadas cada vez mais vastas da população.

Este acesso tem na sua origem razões de ordem económica e social, mas foi alargado por outros

factores como a elevação da cultura, o desenvolvimento das ideologias liberais, o reconhecimento

dos direitos do homem e o desenvolvimento tecnológico, sobretudo, no domínio dos transportes.

Pela conjugação de uma multiplicidade de factores diferenciados que as sociedades modernas

desenvolveram, a participação das diferentes classes sociais no turismo sofreu transformações

profundas destacando-se os seguintes passos:

55
• A exclusividade da participação no turismo das minorias aristocráticas e endinheiradas cedeu o

lugar à população em geral, isto é, o turismo transformou-se num fenómeno de massas;

• O turismo, com a massificação, assumiu características de uma importância económica e social

indiscutível tendo como consequência a necessidade de realização de importantes

investimentos;

• O turismo passou a ser um direito do homem, reconhecido pela Declaração Universal dos

Direitos do Homem, transformando-se em necessidade social;

• De privilégio de elites, o turismo democratizou-se, não só pelo acesso às viagens da população

em geral, mas também pelo alargamento dos seus benefícios que passaram a respeitar a

todos.

O reconhecimento, pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, do direito que assiste a

todas as pessoas de mudar de residência, de se deslocar livremente e de viajar, levou a que o

turismo passasse a ser considerado como uma das liberdades do homem.

Liberdade que, porém, ainda reveste apenas um carácter teórico e de princípio, na medida em que

só uma parcela reduzida da população mundial tem efectivo acesso às viagens e ao turismo em

geral, fundamentalmente por razões económicas, culturais e sociais. Mesmo em alguns países

desenvolvidos economicamente, isto é, grandes «produtores» de correntes turísticas, cerca de 50%,

em média, da população não passa férias fora da sua residência habitual.

Situação de Férias
Índice de gozo de férias
ANOS TOTAL FORA DA RESIDÊNCIA
1980 44 30
1981 39 28
1982 41 26
1983 38 26
1984 44 28
1985 41 29
1980 43 28
1987 34 21
1988 32 22
1989 32 20
1990 32 22
1991 36 26
1992 38 27
1993 44 30

56
1994 46 29
1995 43 32
1996 37 25
1997 47 27
1998 63 42
Nota: Estes resultados, são obtidos com base na população portuguesa maior
de 15 anos e residente no Continente.

Percentagem da População que gozou Férias


fora da Residência Habitual – 1997

Portugal
Irlanda
Portugal (98)
Áustria
Grécia
Espanha
Bélgica
Alemanha
Itália
França
Reino Unido
Luxemburgo
Finlândia
Suécia
Holanda
Dinamarca

0 10 20 30 40 50 60 70 80

57
Percentagem de Férias passadas no estrangeiro em 1997

Gré cia
Espanha
Portugal (98)
Portugal
França
Itália
Finlândia
Re ino Unido
Sué cia
Irlanda
Dinamarca
Áustria
Holanda
Alemanha
Bé lgica
Luxe mburgo

0 20 40 60 80 100

Férias dos Portugueses


Residentes no Continente Número de indivíduos (Milhares)
Maiores de 15 anos 1994 1995 1996 1997 1998
População Total 7.609 7.687 7.687 7.687 7.678
População que gozou férias 3.605 3.249 2.853 3.641 4.800
População que gozou férias fora da residência
habitual 2.206 2.378 1.919 2.087 3.198
População que gozou férias no estrangeiro 347 423 401 279 528
População que gozou férias em Portugal fora da
residência habitual 1.994 2.008 1.606 1.899 2.869
População que gozou férias na residência
habitual 1.299 871 934 1.553 1.602
População que não gozou férias 4.104 4.438 4.834 4.046 2.886

Os diferentes comportamentos dos turistas e as motivações que estão na origem das suas

deslocações permitem-nos distinguir entre turismo de minorias, a que é hábito chamar,

enfaticamente, turismo de qualidade, e turismo de massas.

O turismo de minorias pode ser tomado em dois sentidos. Num sentido puramente quantitativo,

segundo o qual os turistas pertencentes a esta categoria se consideram em relação à totalidade dos

turistas recebidos num país ou à totalidade dos turistas saídos do país de que procedem. Tomada
58
nesta acepção, a expressão «turismo de minorias» pouco nos diz e, então, preferimos tomá-la no

sentido qualitativo, isto é, do turismo realizado por indivíduos isolados (o turismo individual) ou

formado por pequenos grupos caracterizando-se por um princípio de selecção económica ou

cultural.

O turismo de massas será, por oposição ao anterior, tomado na segunda acepção, o realizado

pelas pessoas de menor nível de rendimentos, viajando, na sua maioria, em grupos, sendo

escassos os seus gastos, a sua permanência de curta duração, ocupando, em regra, os

estabelecimentos hoteleiros de menor categoria e os meios complementares de alojamento

(parques de campismo, apartamentos, quartos particulares, etc.).

Assim, podem apontar-se ao turismo de massas as seguintes características:

a) Os motivos que estão na origem das deslocações prendem-se, fortemente, com a

necessidade de evasão ao meio e com o efeito de imitação;

b) Nas deslocações, a preferência, nos transportes, é dada ao automóvel, ao autocarro, aos

voos «charter»;

c) A época de férias situa-se, predominantemente, no Verão, em especial, em Julho e Agosto, no

caso europeu;

d) Utiliza-se, geralmente, de alojamentos de mais baixa categoria;

e) O turismo de massas orienta-se, em particular, para os centros de maior concentração

turística;

f) É muito afectado pêlos movimentos políticos e sociais e fortemente condicionado pela situação

económica e pelas medidas de carácter restritivo.

59
A massificação passou a ser uma característica inerente ao turismo que se irá acentuando com o

cada vez maior acesso das pessoas às viagens. À medida que se acentua o grau de urbanização,

que aumentam os rendimentos e se banaliza a informação aumenta a apetência das pessoas pelas

viagens que tendem a passar, normalmente, as suas férias fora da área da sua residência.

O aumento do grau de massificação do turismo daí resultante leva à intensificação da utilização das

infra-estruturas e equipamentos turísticos, à excessiva utilização dos espaços e, muitas vezes, à

sua destruição, perverte a calma e o repouso que está na origem de importantes correntes

turísticas, degrada os monumentos e os centros históricos e destrói o património natural mais

sensível.

A massificação encerra, assim, uma contradição dificilmente superável: por um lado, o acesso às

viagens corresponde a um direito inalienável dos homens e a todos deve ser reconhecido o direito à

fruição dos bens a que só o turismo dá acesso mas, por outro, o acesso indiscriminado e

massificado a esses bens pode destruí-los ou danificá-los irremediavelmente. Em muitos casos, já

se torna difícil, senão impossível, visitar palácios ou museus em virtude das multidões que os

invadem impedirem a observação dos objectos expostos.

Os bens turísticos, seja qual for a sua natureza ou característica, são bens escassos que têm de ser

utilizados com parcimónia e em condições tais que garantam a sua preservação tanto mais que

muitos deles não podem ser reproduzidos: uma gruta, uma vez destruída, jamais pode ser

reconstruída.

É, então, necessário enquadrar e regulamentar a utilização dos espaços, condicionar o acesso à

utilização dos bens mais sensíveis e, sobretudo informar e ensinar os turistas a usufruírem esses

60
bens sem os destruir. O turismo tem de ser, cada vez mais, um acto de cultura e um acto cívico que

se alcança com a educação e com a informação.

A massificação do turismo é um facto inelutável e seria absurdo lutar contra ele ou ignorá-lo. O que

é fundamental é compreender e conhecer com profundidade os fenómenos que provoca e tomar as

medidas que evitem os seus efeitos nefastos.

Perante a democratização e a massificação do turismo e, também, pelo aumento das classes

médias no conjunto da população, que tende a esbater as diferenças sociais e culturais, não faz

qualquer sentido falar, hoje, no turismo de qualidade como expressão que pretende fazer depender

o desenvolvimento do turismo apenas do grupo de pessoas com mais elevados rendimentos. Aliás,

nos países desenvolvidos que fornecem os maiores contingentes do turismo mundial, a parcela da

população que dispõe de rendimentos superiores à média não ultrapassa os 10% pelo que qualquer

desenvolvimento turístico baseado nesta parcela de turistas seria sempre limitado.

A opção pelo turismo de qualidade, expressão carregada de ambiguidades, leva a privilegiar o

lado da procura quando as questões fundamentais do turismo residem no lado da oferta

considerada como o conjunto de todos os serviços de que o turista se utiliza e de todas as

condições de recepção e atracção internas, quer se trate de receber estrangeiros, quer nacionais.

Deve, então, falar-se da qualidade do turismo em contraposição ao turismo de qualidade que,

sendo ópticas diferentes, conduzem a posições diferentes relativamente à forma de encarar o

processo de desenvolvimento turístico.

No caso particular do turismo português, a qualidade da oferta é uma questão vital para o seu

desenvolvimento e para o aumento da sua capacidade competitiva.

61
Com efeito, a qualidade dos alojamentos, dos transportes, da utilização dos espaços, do

enquadramento natural, dos equipamentos complementares, dos serviços e, em geral, das

condições de recepção interna, constitui condição essencial para o desenvolvimento do turismo

nacional e factor básico para enfrentar a concorrência de outros destinos, umas vezes melhor

dotados com equipamentos histórico-culturais e, outras vezes, mais aptos em condições naturais.

A viabilidade do turismo português, em particular na óptica da procura externa, passa

necessariamente pela defesa intransigente da qualidade. De facto, na ausência de grandes

atractivos histórico-culturais, de fenómenos naturais relevantes ou das «paisagens dramáticas», a

especificidade do turismo português há-de ter como suporte básico a qualidade da oferta.

Coloca-se, no entanto, a necessidade de precisar o conceito de qualidade, isto é, da identificação

dos atributos que qualificam a oferta turística como sendo de qualidade. Estamos perante um

conceito frequentemente utilizado subjectivamente e em relação ao qual é possível encontrar

opiniões dispares e imprecisas que, por vezes, induzem à adopção de soluções desajustadas e

inconvenientes. Não se trata, pois, de uma mera questão de semântica mas da essência do

problema.

A qualidade - factor Q - é um factor que influencia e condiciona, horizontal e verticalmente, o

sistema político, económico e social.

Além de ser uma palavra de ordem moral e cívica, a qualidade tornou-se, nos últimos anos, um

estilo e uma atitude cultural.

Mais do que um instrumento, ou um objectivo a alcançar, a qualidade tem de ser uma forma de

estar na vida: o que se faz tem de ser bem feito, sem defeitos e sem erros.

São os comportamentos e as atitudes que determinam a qualidade mais do que as políticas ou as

estratégias e, por isso, deve ser integrada no nosso sistema de valores.

62
Tem de ser um objectivo de sempre, em todas as actividades e em todas as manifestações do

homem e não uma moda. Hoje corremos o risco de a transformar numa moda de tanto falar nela,

sem a devida correspondência nos actos e nas acções.

O processo evolutivo, segundo um fabricante de automóveis, revela que:

a) Até finais dos anos 50 a qualidade era um luxo;

b) Nos anos 60 passou a ser considerada como um custo que se aceitava com dificuldade num

mercado ainda dominado pelo produtor;

c) Nos anos 70 a qualidade tornou-se um factor de venda num mercado em que a concorrência

se fazia sentir mais intensamente do que anteriormente;

d) Hoje é um factor estratégico e um factor crítico de sucesso.

Em menos de trinta anos de introdução do conceito na produção e na vida das empresas, a

qualidade passou a ser o termo de confronto mais importante na competição entre as empresas e

os produtos.

Há várias razões para isso:

1. O consumidor é muito mais selectivo do que no passado tendo-se tornado mais

consciente e mais exigente, não se subordinando aos produtos, como acontecia na

época da produção massificada, mas agora são os produtos que se adaptam aos

gostos e preferências do consumidor.

2. A exigência de qualidade não se circunscreve ao produto «em si», estendendo-se a

tudo quanto o precede, segue e acompanha: desde a concepção, à assistência técnica

após venda, ao sistema de crédito para financiar a aquisição. Por exemplo, num hotel, a

exigência de qualidade vai desde a reserva, passando pela estada até às condições de

venda e à publicidade. A relação com o cliente não se inicia nem se esgota no acto de

consumo e todo o ciclo de relações exige qualidade.

63
3. Vivemos numa época de globalização dos mercados, produtos e processos, o que

significa que as barreiras nacionais desapareceram ou, aonde ainda subsistem, são

mais permeáveis à concorrência externa.

4. O preço que, até recentemente, constituía o factor determinante das opções e escolhas

dos consumidores, foi substituído pela relação qualidade/preço. Esta passou a constituir

o fulcro da concorrência global. Esta relação depende de factores tecnológicos,

capacidade de organização e de inovação, capacidade humana (motivação, aptidão,

conhecimentos profissionais).

Qualidade é um conceito relativo porque cada segmento de mercado tem os seus padrões.

E por isso que algumas empresas optam pela eleição de atributos diferenciados que melhor

qualificam o seu produto ou serviço para o mercado.

Por exemplo, uma companhia aérea pode partir do princípio que qualidade significa boa decoração

dos aviões e bom serviço a bordo prestado por hospedeiras apresentáveis e simpáticas, mas

outras, entendem que qualidade é sinónimo de cumprimento de horários: partir e chegar a horas!

Provavelmente ambas têm razão mas não significa que ambas tenham o mesmo êxito. Tudo

depende da preferência que os seus clientes dão a um ou outro daqueles atributos. Cada uma

aposta em atributos diferentes embora a ideia de qualidade dominante deva ser a da qualidade total

que, em primeiro lugar, conduz a conceber a organização como um conjunto de processos cujo

objectivo é o da optimização das relações entre o produtor e o consumidor e, em segundo lugar, a

entender a cadeia de relações internas com o cliente como uma engrenagem fundamental de gerar

valor acrescentado com interesse para o cliente.

Para uns, qualidade «é o ajustamento dos produtos e serviços às exigências da clientelas para

outros, «é atender às necessidades da clientela fazendo as coisas bem à primeira» e, ainda para

outros, «é a aptidão de um produto ou serviço para satisfazer as necessidades do cliente, dando-

lhe satisfação».

64
Em qualquer destes conceitos há um traço comum fundamental: satisfação das necessidades e

exigências da clientela.

De facto «a qualidade é apenas dar às pessoas o produto ou o serviço que realmente desejam e de

que necessitam» ou «o melhor é o que a maioria dos clientes quer comprar».

Neste sentido, qualidade é igual à satisfação dos consumidores. E, portanto, um conceito dinâmico

que tem de acompanhar a evolução das preferências dos consumidores. Este aspecto assume

particular relevância em turismo na medida em que a procura turística, por reflectir profundamente

as mudanças da sociedade, está em constante mutação. As preferências, hábitos e

comportamentos dos consumidores turísticos alteram-se a ritmos extremamente rápidos e a

preocupação da qualidade tem de ser permanente.

Quando se fala do turismo de qualidade, em vez de qualidade do turismo, está-se implicitamente a

dar ênfase à clientela endinheirada e a privilegiar as acções de comercialização que visam a sua

conquista em detrimento das que garantam a qualidade da oferta o que tem sido nefasto para o

turismo português.

Com efeito, a qualidade da oferta turística deve ser definida, a par do respeito pela defesa do

património natural e cultural, em função das preferências e das características da procura, como foi

sublinhado na Conferência Mundial sobre o Turismo, realizada em Manila, em 1980.

É uma questão fundamental mas complexa: o turismo é um produto compósito e que tem a ver com

as condições gerais do país. A procura turística não se satisfaz apenas de um bem material

identificável e isolável mas também de um conjunto de prestações intangíveis: limpeza, higiene,

segurança, arquitectura, paisagem e cultura são elementos que formam o produto turístico e que

influenciam decisivamente a procura. Um hotel de luxo deixa de ter qualidade se estiver rodeado de

entulhos, com acessos poeirentos e debruçados sobre o mar poluído e mal cheiroso.

A qualidade não depende da categoria dos estabelecimentos e tem de ser adequada a cada

segmento de mercado. Não significa luxo e tanto deve haver qualidade num estabelecimento ou

65
num produto de luxo como num estabelecimento ou num produto de modesta categoria. Tanto num

parque de campismo como num hotel de cinco estrelas. A confusão entre qualidade e luxo é um

erro grave que tem de ser evitado.

A qualidade surge, assim, definida pelo consumidor e entendida como componente da satisfação de

uma necessidade e de resposta às preferências dos consumidores. Terá de ser o conhecimento e

acompanhamento constante destas preferências que determinará os aperfeiçoamentos qualitativos.

O esquecimento deste princípio elementar e a adopção de soluções que repousem em meros

critérios económicos e financeiros, algumas vezes, compreensivelmente, induzidos pelas situações

de crise, conduzem, mais cedo ou mais tarde, ao insucesso e a consequências desastrosas do

ponto de vista económico e social.

Trata-se de uma questão que impõe o constante acompanhamento da procura e uma grande

capacidade de adaptação a situações novas já que a procura turística não é estática mas, antes,

acompanha a evolução da própria sociedade.

Novas preocupações surgem e novos comportamentos e preferências se desenvolvem dando

origem a novas e mais cuidadas formas de oferta. A preferência pêlos espaços equilibrados, pelo

contacto com a natureza, pelas férias activas e personalizadas em detrimento das férias

estandardizadas e massificadas, levam a que a oferta turística, em todas as suas componentes,

tenha de ser concebida de forma a responder a estas preferências.

Só assim se pode falar na qualidade da oferta. Com a excessivamente rápida evolução da procura,

a oferta turística portuguesa não só se degradou como viu agravarem-se os seus desequilíbrios

estruturais: destruíram-se ou comprometeram-se espaços naturais que definiam a vocação turística

local, agravou-se a poluição das praias, perdeu-se qualidade estética, alastrou a clandestinidade,

descaracterizou-se a paisagem urbana, degradou-se o serviço, em suma, perdeu--se qualidade.

O evidente desajustamento qualitativo entre as várias componentes da oferta configura uma oferta

turística incaracterística: praias de grande beleza natural servidas por vias de acesso poeirentas e

66
com construções abarracadas a que se dá o nome de restaurantes, hotéis bem concebidos e

vivendas luxuosas a conviver com construções inestéticas e desenquadradas do ambiente natural e

urbano, locais aprazíveis invadidos pelo barulho e pelo lixo.

Em Portugal existe matéria-prima valiosa e de qualidade incontestável, desde os recursos naturais

ao património cultural, passando pelo sentido de hospitalidade do povo, mas tem sido abastardada

e, muitas vezes, destruída. A falta ou a incorrecta planificação do aproveitamento dos espaços,

frequentemente associada à incapacidade de impedir o alastramento das construções clandestinas,

está na origem da criação de situações que reduzem o grau de satisfação dos visitantes e

constituem obstáculos sérios ao sucesso das iniciativas empresariais.

O inquérito, levado a efeito, em 1992, pela Direcção Geral do Turismo (DGT), sobre o turismo de

estrangeiros, revelou que 61,4% dos turistas entrados emitiram opinião favorável sobre o nosso

país contra 85,9% em 1989, sendo sintomático que, para aquela percentagem, o

«povo/acolhimento» e o «clima/natureza/mar» tenham contribuído com 45,3% enquanto a

«qualidade dos serviços hoteleiros» contribuiu com apenas 3,2%, contra 5,7% em 1989. Com base

no principio de que são os utilizadores que definem a qualidade, ter-se-á de concluir que as

componentes da oferta turística portuguesa, que implicam uma intervenção humana decisiva, não

satisfazem as condições essenciais para serem classificadas como tal.

Sendo a qualidade o factor primário do desenvolvimento do turismo parece, então, que a política do

turismo português é, antes de mais, a política da qualidade a que se têm de subordinar todos os

departamentos do Estado, as autarquias locais e a iniciativa privada.

A questão da qualidade do turismo não se esgota neste e, embora lhe respeite directamente, é uma

questão mais ampla que abrange todos os aspectos que determinam a qualidade de vida das

populações e cuja realização depende de factores alheios ao turismo.

67
Implica, para alem de investimentos vultosos em infra-estruturas que não podem ser encaradas

apenas na perspectiva do turismo, um estado de espírito e uma certa forma de estar na vida. A

consciência da qualidade representa, além do mais, um estádio de civilização e cultura que só se

adquire pela educação colectiva permanente e pela criação de novos comportamentos e novas

atitudes sociais.

Como condições prioritárias e de fundo, para garantia da qualidade do turismo, já no Plano

Nacional de Turismo para 1986/89 se defendia que a defesa da qualidade exige, entre outras

coisas:

a) A contenção, através de planos de ordenamento, das pressões sobre as áreas litorais

estabelecendo zonas de protecção e áreas prioritárias para o desenvolvimento turístico com a

eliminação das construções clandestinas;

b) A intolerância quanto à construção de equipamentos turísticos sem a aprovação prévia de planos

urbanísticos que salvaguardem o ambiente e a construção de infra-estruturas básicas;

c) Que a política de turismo a nível autárquico seja orientada pelo princípio da «concentração

descentralizada» por forma a estimular o desenvolvimento das regiões que oferecem reais

aptidões turísticas e a permitir a racionalização e a viabilidade dos investimentos. Este princípio

impõe que a construção de equipamentos turísticos seja concentrada em áreas delimitadas,

criando zonas equilibradas de concentração turística com libertação de espaços mais extensos;

d) Que a arquitectura satisfaça as exigências dos tempos livres e seja adequada ao ambiente e às

características históricas e culturais de cada região.

Na generalidade, trata-se de questões que escapam ao âmbito de actuação dos responsáveis

pelo turismo por se situarem na área da administração e da gestão do território mas, para um país

que pretende ter no turismo um factor de desenvolvimento económico, são questões que exigem

um tratamento preferencial.

68
Apesar de sobre estas propostas ter decorrido uma década elas mantêm integralmente a sua

validade e actualidade.

4. TIPOS DE TURISMO

A identificação dos tipos de turismo resulta das motivações e das intenções dos viajantes,

podendo seleccionar-se uma enorme variedade, dada a grande diversidade dos motivos que levam

as pessoas a viajar.

A diversidade de motivações turísticas traduz-se por uma diversidade de tipos de turismo. Como as

regiões e os países de destino apresentam também uma grande diversidade de atractivos, a

identificação dos vários tipos de turismo permite avaliar a adequação da oferta existente ou a

desenvolver às motivações da procura.

Embora as razões que levam os homens a viajar sejam extremamente variadas e, muitas vezes, se

misturem na mesma pessoa, é possível distinguir certos tipos de turismo e agrupando por

afinidades os motivos de viagens, podem destacar-se os tipos a seguir enumerados que, porém,

não esgotam todos os que se podem identificar nem estabeleçam uma barreira entre eles.

Turismo
Turismo Étnico
TIPOS DE
de Recreio
TURISMO Turismo
Turismo Religioso
de
Repouso Turismo
de Saúde
Turismo
Cultural Turismo
Político
Turismo Turismo
Desportivo de
Negócios

69
a) Turismo de recreio

Este tipo de turismo é praticado pelas pessoas que viajam para «mudar de ares», por curiosidade,

ver coisas novas, disfrutar de belas paisagens, das distracções que oferecem as grandes cidades

ou os grandes centros turísticos.

Algumas pessoas encontram prazer em viajar pelo simples prazer de mudar de lugar, outras por

espírito de imitação e de se imporem socialmente.

Este tipo de turismo é particularmente heterogéneo porque a simples noção de prazer muda

conforme os gostos, o carácter, o temperamento ou o meio em que cada um vive.

b) Turismo de repouso

A deslocação dos viajantes incluídos neste grupo é originada pelo facto de pretenderem obter um

relaxamento físico e mental, de obterem um benefício para a saúde ou de recuperarem fisicamente

dos desgastes provocados pelo «stress», ou pêlos desequilíbrios psicofisiológicos provocados pela

agitação da vida moderna, ou pela intensidade do trabalho.

Para eles, o turismo surge como um factor de recuperação física e mental e procuram, por via de

regra, os locais calmos, o contacto com a natureza, as estâncias termais ou os locais onde tenham

acesso à prestação de cuidados físicos como as modernas health farms, ou beauty/arms.

Constituem um importante segmento de mercado, principalmente originário dos grandes centros

urbanos, que não desdenha a animação, os desportos e a recreação.

c) Turismo cultural

As viagens das pessoas incluídas neste grupo são provocadas pelo desejo de ver coisas novas, de

aumentar os conhecimentos, de conhecer as particularidades e os hábitos doutras populações, de

conhecer civilizações e culturas diferentes, de participar em manifestações artísticas ou, ainda, por

motivos religiosos.

70
Os centros culturais, os grandes museus, os locais onde se desenvolveram no passado as grandes

civilização do mundo, os monumentos, os grandes centros de peregrinação ou os fenómenos

naturais ou geográficos constituem a preferência destes turistas.

Incluem-se neste grupo as viagens de estudo, bem como as realizadas para aprender línguas.

d) Turismo desportivo

Hoje as motivações desportivas respeitam a camadas cada vez mais vastas das populações de

todas as idades e de todos os estratos sociais, quer se trate de assumir perante as actividades

desportivas uma atitude passiva, quer activa. No primeiro caso, o objectivo da viagem é o de assistir

às manifestações desportivas como os jogos olímpicos, os campeonatos de futebol, os jogos de

inverno; no segundo, o objectivo centra-se nas práticas de actividades desportivas como a caça, a

pesca, os desportos náuticos, o alpinismo, o ski, o ténis, o golfe, etc.

As modernas tendências da procura, em que a preferência pelas férias activas assume uma

importância cada vez maior, obrigam a que o desenvolvimento de qualquer centro turístico deva ser

equipado com os meios mais apropriados à prática dos desportos tendo em consideração as

possibilidades de cada local.

e) Turismo de negócios

As profissões e os negócios têm como consequência movimentos turísticos importantes e de

grande significado económico, hoje extraordinariamente desenvolvido pelo crescente grau de

internacionalização das economias e das empresas, pelo aumento das reuniões científicas e pela

proliferação de manifestações de divulgação de produtos, como as feiras e as exposições.

Do mesmo modo, constituem frequentemente ocasiões para viajar as visitas aos grandes

complexos industriais ou técnicos e às explorações agrícolas ou pecuárias bem como a participação

em congressos.

71
Incluem-se neste grupo as deslocações organizadas pelas empresas para os seus colaboradores,

quer como prémio, quer para participarem em reuniões de contacto com outros que trabalham em

locais ou países diferentes: as chamadas «viagens de incentivo».

Este tipo de turismo assume um elevado significado para os locais ou países visitados na medida

em que, regra geral, as viagens são organizadas fora das épocas de férias e pagas pela empresa,

ou pela instituição a que os viajantes pertencem.

Implica, contudo, a existência de equipamentos e serviços adequados, tais como salas de reuniões,

centros de congressos, espaços para exposições e facilidades de contactos internacionais.

Muitos teóricos e sociólogos consideram que uma viagem de negócios não pode ser considerada

como uma verdadeira viagem turística porque dela está ausente a voluntariedade que caracteriza o

turismo. Segundo eles, trata-se de viagens profissionais que não permitem ao viajante a escolha do

destino nem o tempo da sua deslocação: a noção de liberdade do indivíduo, fundamental no

turismo, é inexistente nestas viagens.

No entanto, não só a multiplicidade de situações que originam as viagens de negócios e a ligação

que frequentemente se estabelece entre estas e o aproveitamento do tempo disponível ou o seu

alongamento para actividades lúdicas, mas, também, a utilização, imposta pela viagem, de

equipamentos e serviços turísticos, levam a esbater as diferenças entre o turismo de negócios e

qualquer outro tipo.

O Turismo de negócios engloba, assim: Viagens de Negócios Individuais / Congressos e

Convenções / Feiras, Exposições e Salões Especializados / Seminários e Reuniões de Empresa /

Conferências e Colóquios / Incentivos e Workshops.

Vantagens do Turismo de Negócios para o país de acolhimento:

 Grande rentabilidade – os seus participantes são geralmente membros de classes sociais

mais favorecidas;

72
 Distribuição ao longo do ano – permite combater a sazonalidade, porque as deslocações

ocorrem fora da época alta do turismo de lazer, permitindo manter ocupados os vários serviços

turísticos, ao longo do ano.

 O impacto ambiental das viagens de negócios é menos reduzido , de uma maneira geral

do que o provocado por outros tipos de deslocações. Os seus participantes, embora visitem a

região, para fazer compras, para a conhecer ou para se divertirem, passam a maior parte do tempo

em salas de reuniões.

 As oportunidades promocionais levam a que a maior parte dos países desejem captar

este tipo de turistas, desejando que eles levem uma boa imagem do local visitado, dada a

capacidade que têm de influenciar outros visitantes. Além disso muitos dos acontecimentos

relacionados com o mundo dos negócios são objecto de cobertura mediática, o que promove,

necessariamente, a zona receptora, muitas vezes em termos internacionais. As autoridades locais

demonstram, por isso um empenhamento, por vezes muito grande na captação destes turistas,

através de uma participação activa no evento ou através de uma acção facilitadora da sua

realização.

Devido às vantagens para o destino de receber turistas com a possibilidade de dispenderem

montantes mais elevados e que simultaneamente não perturbam muito a vida da comunidade local,

a competição para captar este tipo de visitantes é muito intensa, sobretudo no sector das reuniões,

feiras e incentivos, em que os seus organizadores podem escolher o local onde o querem realizar.

Já o turismo de negócios propriamente dito, devido à rigidez das suas opções, não é captável

através da promoção.

f) Turismo político

A participação em acontecimentos ou reuniões políticas provocam uma movimentação significativa

de pessoas, quer se trate de ocasiões esporádicas, quer de reuniões ou acontecimentos regulares.

73
São exemplos das primeiras as comemorações do duplo centenário da Revolução Francesa, em

Paris, os funerais do Imperador do Japão, ou, mais distante, a coroação da Rainha de Inglaterra;

são exemplos das segundas as reuniões originadas pêlos trabalhos da União Europeia em

Bruxelas, ou pelo Parlamento Europeu em Estrasburgo.

São, porém, casos específicos que não traduzem a realidade dos movimentos das pessoas por

razões políticas já que, diariamente, eles se verificam com maior ou menor intensidade, quer

interna, quer internacionalmente.

em características e efeitos semelhantes ao turismo de negócios e exige ainda condições idênticas,

necessariamente acrescidas de uma organização mais cuidada por razões diplomáticas e de

segurança.

g) Turismo de Saúde

 Termalismo

O termalismo é praticado desde, pelo menos, os tempos da ocupação romana. As qualidades

terapêuticas das águas foram desde então utilizadas, tendo atingido, a nível europeu o seu maior

desenvolvimento, nos séculos XVIII e XIX.

A permanência, durante um certo período de tempo, nas termas, oferece a imagem

tranquilizadora de cuidados sérios com a saúde, fazendo, actualmente, as termas um esforço

para se adaptarem às novas exigências científicas e tecnológicas da nossa época.

Paralelamente a este esforço de modernização assiste-se ao aparecimento de novos produtos

designados “Fitness” ou “Manter a Forma”, que complementam os tradicionais produtos para

clientes que buscam a cura de um determinado tipo de doença.

Os clientes dos produtos “Fitness” desejam encontrar o equilíbrio mais intensivo, uma vez que

engloba aspectos físicos, psicológicos e sociológicos. Trata-se de um bem estar que se liga a

74
sentimentos de reequilíbrio e de vitalidade, ou seja, manter a unidade do corpo e do espírito,

para além das adversidades da vida.

Este novo produto resulta de:

 Um recurso cada vez maior a tratamentos de saúde múltiplos, incluindo a homoterapia e outros

medicamentos naturais;

 A recusa da erosão do corpo. O envelhecimento é retardado o mais possível;

 A duração das férias que tendem a ser mais freqüentes, por menos tempo e a preço pouco

elevado;

 Crescimento da população urbana e a sua vida desgastante.

O conceito “manter em Forma” tem em conta:

 O envelhecimento global da população;

 A sofisticação dos tratamentos derivados das tecnologias mais recentes;

 A tomada de consciência da necessidade de prever os riscos da doença.

 Talassoterapia

Os centros de talassoterapia atraem cada vez mais clientes, quer por motivos de saúde

(curativos ou preventivos), quer para consumo de produtos “manter a forma”.

Neste sector do Turismo de Saúde é uma espécie de porta estandarte. Quais as razões dos eu

sucesso? A água do mar, acima de tudo, mas também a imagem de luxo, a tecnicidade das

instalações, a duração e os conteúdos dos produtos propostos, os cuidados, a necessidade de

recuperar do stress do dia a dia, sem esquecer os meios de comunicação social que lhe imprime

um carácter idílico, acentuando este aspecto do sonho.

75
A talassoterapia, quer dizer a exploração, com fins terapêuticos das virtudes combinadas da

água do mar, do clima, e da atmosfera marítimas, adaptam-se perfeitamente aos males do

século, e no entanto, esta não é uma actividade recente.

Ao longo dos tempos as águas do mar foram utilizadas para fins terapêuticos. Em 1899, o

primeiro centro de talassoterapia foi criado em Roscoff. Os tratamentos incluíam, apenas, fins

curativos. Em Portugal conhece-se a existência de barcaças inundáveis, junto às praias onde se

podia usufruir de um banho com fins curativos. Assim acontecia, por exemplo, na costa de

Lisboa. O próprio complexo de Santo António do Estoril, na sua fase inicial encara a água de

uma perspectiva curativa. Como já foi dito, aquele incluía termas e a ideia era de que as pessoas

pudessem tirar partido, igualmente, dos efeitos benéficos para a saúde, da água e do mar.

O produto talassoterapia evoluiu do produto medicinal para produto “manter a forma”. Esta

mudança deve-se, por um lado, às características da nova procura e, por outro, às incertezas

quanto à manutenção de subsídios da segurança social para este tipo de tratamentos. Não

deixa, contudo, de ser verdade que a melhor maneira de evitar a doença é precisamente manter

a forma, prevenindo assim o seu aparecimento.

h) Turismo Religioso

De forma a simplificar podemos afirmar que existem duas grandes correntes religiosas:

 As religiões para as quais a peregrinação faz parte integrante da prática religiosa (católicos,

muçulmanos e budistas). Estas religiões, em particular a católica, criaram organizações para

encorajar e facilitar a sua prática.

 As religiões para as quais a peregrinação não existe mas cujos crentes, praticam pelo menos

uma forma de turismo ligada à religião – os Judeus e os Protestantes visitam locais que guardam

76
as marcas dos seus correlegionários: lugares de memória que são em geral, lugares de

peregrinação.

O Turismo religioso tem normalmente três tipos de abordagem:

 A abordagem espiritual – o turismo é um meio do indivíduo se aproximar de DEUS. O

participante encara a peregrinação como parte integrante da sua prática religiosa. Aquele que

realiza esta viagem pode, a qualquer instante, tocado pela emoção do lugar ou pelo espírito que

o habita, converter-se a esta fé.

 A abordagem sociológica – o turismo religioso é um meio para o crente conhecer melhor a

história do grupo a que pertence.

 A abordagem cultural – a visita a lugares de culto e a santuários é um modo do indivíduo,

crente ou não, compreender as religiões, que influenciam as nossas sociedades, no plano

histórico, sociológico e simbólico.

O aumento da procura dos locais religiosos está ligado, à motivação cultural e aos projectos de

valorização cultural e turística do património religioso.

Tipologia dos turistas em meio religioso:

 O Peregrino – que se situa completamente fora do turismo, para viver uma experiência

totalmente religiosa, mesmo transcendente;

 O Praticante Tradicionalista – que é, em regra, um visitante que viaja em grupo,

acompanhado pela família, com guia ou assistente espiritual;

 O Praticante Liberal – que tem como objectivo estimular a sua espiritualidade, relembrar os

mistérios da salvação e a procura da santidade;

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 O Apreciador de Arte e Cultura – que encara a sua experiência apenas do ponto de vista

das ciências sociais.

 O Catolicismo A Igreja Católica é muito estruturada, tendo por base uma organização

territorial: diocese com um conjunto do “Povo de Deus” sob a responsabilidade de um Bispo.

Os serviços e os movimentos têm em conta diversos aspectos da vida humana (do território da

diocese). A Igreja emprega, muitas vezes, na sua acção, as denominadas Pastorais, como a do

Turismo e dos Tempos Livres. A Pastoral do Turismo e do Lazer é um organismo oficial ao

serviço da igreja encarregada do “Turismo e Lazer”. O acolhimento nas Igrejas é um dos seus

principais objectivos.

Tem lugar também, uma reflexão teológica que procura responder a questões como as

mudanças de mentalidade que o Turismo opera e os novos comportamentos que gera.

A Pastoral procura também, a formação e coesão dos cristãos implicados no Mundo do Turismo
e dos Tempos Livres – criação de ligações que lhes permita partilhar experiências por sectores
(guias, agentes de viagens, hospedeiras, jornalistas, postos de turismo, ...).

A animação que se centra no acolhimento, especialmente nas visitas às Igrejas, mas também a
monumentos, etc, é outro dos seus objectivos. Desenvolvem igualmente iniciativas nas praias,
nas montanhas e em estações termais.

As Peregrinações mais importantes do Mundo Católico dirigem-se a:

Roma

Terra Santa Lurdes

Fátima Santiago de Compostela*

*(Património da Humanidade – Caminho de Santiago – 1º Itinerário Cultural Europeu.)

78
No que concerne ao Património da Igreja, a Pastoral tenta também, resolver alguns problemas

práticos:

 As Igrejas encontram-se, muitas vezes, fechadas por medo de roubos e degradações – é

necessário organizar a sua abertura e vigilância;

 Que imagem dar? É preciso fazer a manutenção do edifício, cuidar da limpeza e sobretudo dar

imagem de comunidade de vida;

 As Igrejas são também locais culturais. É preciso encorajar, com respeito pelo local,

espectáculos que aí possam ser organizados;

 O visitante médio tem pouca ou nenhuma cultura religiosa. O edifício nada diz. Há pois que

criar desdobráveis, quadros, visitas guiadas, para sua melhor compreensão.

 O Islamismo

A peregrinação para os muçulmanos é o momento ideal para demonstrar o fervor dos seus fiéis

para com o seu Deus. A peregrinação a Meca é talvez a mais prestigiada do mundo islâmico –

deve, se possível, ocorrer no Ramadão, relembrando a conquista pacífica que Maomé e sus

discípulos levaram a cabo nos ano 630 da nossa era e que marca o início do calendário

muçulmano. A data do nascimento do profeta Maomé é outra das escolhidas para as

peregrinações, a maior parte dos peregrinos fazem a viagem de avião, mas ainda existem

muitos, que a fazem por estrada, em caravana, desejosos de conhecer as realidades dos países

islâmicos percorridos, cumprindo o seu dever religioso.

 O Budismo

79
A doutrina budista apóia-se num só conceito: reconhecer os sofrimento e libertar-se. Esta

máxima leva a que a vida humana ganhe um valor especial: permite que o Homem se liberte da

sua condição insatisfatória e conheça a felicidade, a lucidez e a liberdade interior.

Os principais lugares de peregrinação ligados à vida de Buda são: o lugar de seu nascimento no

Nepal, o local do sermão da “Roda da Lei” no Parque das Gazelas em Sarnath e o local do

Panirvana, a 175 kms de Patna.

 O Judaísmo

A religião judaica não considera o conceito de peregrinação. Não se pode falar num turismo

judaico propriamente dito, mas sim num turismo judeu, ligado à identidade judia.

As suas motivações são as seguintes:

 a procura da história do povo judeu podendo ser incluído neste grupo o muro das lamentações,

que lembra o Templo de Herodes, destruído pelos romanos, a Fortaleza de Massada, último

bastião judeu contra os romanos e os campos de concentração como Auschwitz.

 o regresso à Terra Prometida – viagem que é efectuada por aqueles que não regressaram a

Israel, após a fundação do Estado Judaico. Visitam os locais mais importantes, sob o ponto de

vista cultural.

 Israel é o local mais importante do Turismo Judeu – é referência para 17 milhões de judeus no

mundo inteiro.

i) Turismo étnico e de carácter social

Incluem-se neste grupo as viagens realizadas para visitar amigos, parentes e organizações, para

participar na vida em comum com as populações locais, as viagens de núpcias ou por razões de

prestígio social.

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Uma parte significativa de pessoas que integra este grupo é formada por jovens que pretendem

aumentar os seus conhecimentos ou, temporariamente, se integrarem em organizações ou

manifestações juvenis.

Incluímos neste grupo as viagens realizadas ao país de origem, pêlos nacionais de um país, seus

descendentes e afins residentes no estrangeiros e que, em muitos casos, constitui um mercado de

grande dimensão. Os portugueses e seus descendentes, residentes em França ou nos Estados

Unidos da América, constituem vastos mercados potenciais para Portugal com uma disponibilidade

para serem motivados, incomparavelmente superior à dos nacionais desses países.

Nas fronteiras portuguesas não se procede à recolha de informações relativas aos movimentos dos

portugueses residentes no estrangeiro, não sendo, por isso, possível avaliar a importância que

assumem para o turismo português. No entanto, em Espanha contam-se, em cada ano, à volta de 4

milhões de entradas de espanhóis residentes no estrangeiro, ou seja, o quarto maior fornecedor de

visitantes ao país; por sua vez, quase 5 milhões de britânicos deslocam-se anualmente ao

estrangeiro para visitar amigos e parentes.

5. PAÍSES OU CENTROS EMISSORES E PAÍSES OU CENTROS RECEPTORES

Consoante a origem e o destino das correntes turísticas assim falamos em emissores e receptores,

designação que tanto se pode aplicar às regiões como aos países donde provêm os turistas ou

aonde se destinam, respectivamente.

Os termos emissor e receptor são utilizados com muita frequência mas a sua definição é

complexa e, por isso, é necessário ter em consideração os seguintes aspectos:

• Na realidade, não é fácil encontrar países que sejam exclusivamente emissores ou receptores pelo
que será mais correcto utilizar as expressões «predominantemente emissor» ou
«predominantemente receptor»;

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• A noção de país emissor ou receptor do ponto de vista do turismo internacional anda, geralmente,
ligada ao nível de desenvolvimento económico: os países predominantemente emissores são,
normalmente, mais desenvolvidos economicamente do que os receptores e as regiões mais
desenvolvidas de um país são, normalmente, as
emissoras de turismo para outras do mesmo país;
• Um país ou região predominantemente emissor apresenta, normalmente, condições sócio--
económicas favoráveis, elevado nível de vida e níveis culturais que incitam à viagem;
• O país ou região predominantemente receptor dispõe de recursos, infra-estruturas e
instalações turísticas necessárias para acolher os turistas mas as suas condições sócio--
económicas são, por via de regra, inferiores às dos países emissores.
Esquematicamente, a deslocação de pessoas a partir do seu local de residência para um dado local

e regresso à sua origem, pode representar-se de acordo com o esquema apresentado.

De acordo com este esquema, entre o país emissor e o país receptor, estabelece-se um fluxo

e um refluxo turístico de uma certa intensidade mas o receptor também estabelece idêntico

movimento com o emissor embora de menor intensidade.

Receptor
Emissor

Entre o local de origem e o local de recepção estabelecem-se movimentos de migração temporária

que se chamam correntes turísticas.

Este esquema, meramente ilustrativo, considera o aspecto direccional daquelas correntes já que um

mercado é, simultaneamente, receptor e emissor a não ser no caso de certas localidades que

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podem gerar fluxos turísticos mas que, não possuindo condições de recepção, não os recebem ou

vice--versa.

Já o mesmo se não passa em relação a um país que sempre dá origem a fluxos turísticos em

ambos os sentidos.

Podemos, então, classificar como emissor um país que dá origem a movimentos turísticos

superiores àquele que recebe e, o inverso, permitirá classificar um país como receptor. Assim, em

relação a Portugal, o Reino Unido é um emissor e Portugal receptor porquanto o número de turistas

ingleses que visita Portugal é superior ao número de portugueses que visitam o Reino Unido.

Esta é uma distinção que assenta numa comparação relativa interessando-nos, porém, em termos

absolutos, classificar os países em emissores e receptores.

Para o efeito, o melhor indicador é fornecido pelas receitas e despesas geradas pelo turismo e.

assim, um país cujas despesas turísticas sejam superiores às receitas classificar-se-á como emissor

ao passo que um país cujas receitas sejam superiores às despesas será receptor.

De acordo com este critério, como se vê pelo Quadro 1.4 das receitas e despesas turísticas de cada

país, a Alemanha, o Japão, a Bélgica, o Reino Unido, a Holanda e a Suécia, são países

predominantemente emissores, enquanto a Espanha, os Estados Unidos, a França, a Grécia, a

Turquia. a Itália e Portugal, são países predominantemente receptores.

As situações podem inverter-se e um país que se manteve sempre como receptor, na acepção da

balança turística, pode tornar-se emissor em virtude de o seu desenvolvimento económico ou da

sua favorável conjuntura económica permitir um acréscimo das saídas dos seus residentes superior

às entradas de residentes doutros países. E o caso do Reino Unido que, em 1992, obteve do

turismo externo activo menos receitas do que as despesas que os seus residentes provocaram,

tendo sido predominantemente emissor. Em 1985, pelo contrário, as receitas que obteve do turismo

suplantaram largamente as despesas devendo, então, ser classificado como receptor.

Receitas e Despesas Turísticas (1994)


Milhões deUS dls
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País Receitas Despesas Saldo

USA 60.406 43.562 +16.844


França 24.678 13.773 +10.905
Itália 23.927 12.181 +11.746
Espanha 21.853 4.188 +17.665
Áustria 13.160 9.330 +3.830
Reino Unido Alemanha 15.190 22.485 -6.995
Japão 10.585 41.419 -30.834
Suíça 3.477 30.715 -27.233
Bélgica 7.570 6.325 +1.245
Portugal 5.182 7.782 -2.600
Holanda (a) 3.828 1.698 +2.130
Turquia 5.612 10.983 -5.371
Grécia 4.321 866 +3.455
Suécia 3.905 1.125 +2.780
2.816 4.Sn4 -2.048
(a) Dados de 1992. Fonte' «Yenrhook of Tniirisi-n Sliili^l

Nesta acepção, os países emissores são deficitários em termos turísticos e os receptores são

superavitários.

Os países com maiores défices e, portanto, os maiores emissores mundiais de turismo eram, em

1992:

País Défice

Alemanha 26.327
Japão 23.271
Reino Unido 6.168
Canadá 5.586
Holanda 4.326
Taiwan 4.647
Suécia 3.708
Bélgica 2.550
Noruega 1.895
(*) Em milhões de dólares. Fonte: «Yearbook of Tourism Statistics», 1994, OMT.

Embora Portugal seja, a todos os títulos e qualquer que seja o critério utilizado, um país

predominantemente receptor, as despesas turísticas realizadas no estrangeiro têm vindo a

aumentar mais rapidamente do que as receitas pelo que o

saldo positivo em relação a estas tem vindo a diminuir. Enquanto, na década de oitenta, as

despesas representavam entre 25 e 30% das receitas, em 1996, ultrapassaram os 55% em virtude

da melhoria das condições de vida e da maior abertura ao estrangeiro terem aumentado a


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propensão às viagens no exterior. Neste sentido, Portugal tem vindo a transformar-se num

importante emissor de turismo.

A distinção entre países emissores e receptores radica, tradicionalmente, na existência de

desigualdades de rendimento económico entre os países, ao mesmo tempo que a desigual

distribuição de riqueza num país determina a existência de regiões emissoras ou receptoras

relativamente a esse país. No entanto, a distinção baseada nas condições económicas é cada vez

menos relevante, na medida em que, entre os países mais desenvolvidos do mundo, tanto

encontramos países predominantemente receptores, como predominantemente emissores.

Quando existem níveis de rendimento diferentes entre dois países origina-se uma corrente turística

do país mais rico (emissor) para o país mais pobre (receptor). A existência de um país rico próximo

de outro mais pobre origina uma corrente turística que este pode desenvolver pelo aproveitamento

dos recursos turísticos naturais com o fim de promover o seu turismo no primeiro.

Relativamente ao turismo interno verifica-se uma situação semelhante: as regiões mais pobres,

sempre que possuam suficientes meios e condições de captação, desenvolvem os seus recursos

turísticos que são vendidos nas regiões mais ricas. O mesmo raciocínio se pode aplicar entre as

áreas rurais e as áreas urbanas onde reside a população com maior apetência para o turismo.

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