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INTRODUCAO A ECONOMIA TRADUGAO DA 5? EDICAO NORTE-AMERICANA N. GREGORY MANKIW Universidade de Harvard Tradugao: Allan Vidigal Hastings Elisete Paes e Lima Revisao Técnica: Carlos Roberto Martins Passos (in memoriam) Manuel José Nunes Pinto Economista, com especializacao em Financas e Economia de Empresas, émestre em Administracéo. Ex-reitor do Centro Universitario da Fecap, atualmente é coordenador de Pés-Graduacéo, Pesquisa e Extenso da Faculdade de Economia da Faap, + CENGAGE ‘t= Learning= Australia + Brasil + Jap3o + Coreia + México ~ Cingapura + Espanha - Reino Unido + Estados Unidos DEZ PRINCIPIOS DE ECONOMIA palavra economia vem do termo grego oikonomos e pode ser entendida comoaquele que administra urn lar”. A prinefpio, essa origem pode parecer estranha. Mas, na verdade, os lares e as economias térm muito em comum, Uma familia precisa tomar muitas decistes. Precisa decidir quais tarefas cada membro desempenha e 0 que cada um deles recebe em troca: Quem prepara o jantar? Quem lava a roupa? Quem pode repetir a sobremesa? Quem decide que programa sintonizar na TV? Em resumo, cada familia prec recursos escassos a seus diversos membros, levando em consideracéo as habilidades, os de cada um alocar seus 5 © desejos Assim como uma familia, uma sociedade deve tomar muitas decisbes. Precisa encontrar uma forma de ue tarefas serdo executadas e por quem. P para fazer roupas e ainda outras para desenvolver p alocado as pessoas (assim como terra e aloe de algumas pessoas para produzir alimentos, outras ‘amas de computador. Uma vez que a sociedade tenha méquinas) para produzir diversas tarefas, deve também g prédios a produgio de bens e servigos que as pe as produzer. Deve decidir quem comerd caviar e quem comer’ batatas. Deve decidir quem vai andar de Ferrari e quem vai andar de énibus. gerenciamento dos recursos da soci 50s, Escassez significa que @ sociedade t ade é importante porque estes sio escas- recursos limitados e, portanto, nao pode ex produzir todos os bens e servigos que as pessoas desejam ter. Assim como cada mem- a natuezalmitada dos bro de uma famifia ndo pode ter tudo o que dese} no pode ter um padrda de vida alto ao qual aspire. ida individuo de uma sociedade _recutsos da sociedade 4 PARTE 1 INTRODUCAO Economia é 0 estudo de como a sociedade administra seus recursos escassos. Na economia ‘maioria das sociedades, os recursos sdo alocados no por um tinico planejador central, estudo de como 2 as pelos atos combinados de milhdes de familias e empresas. Assim sendo, 0s eco- sociedade administa_nomnistas estudam como as pessoas tomam decisdes: o quanto trabalhem, o que com- seusrecusos.scassos pram, quanto poupam e como investem suas economias, Estudam também como as pessoas interagem umas com as outras.For exemplo, eles examinam como um grande némero de compradores e vendedores de um bem determinam, juntos, 0 prego pelo qual o bem é vendido e a quantidade que é vendida. Por fim, os economistas analisar as forcas e tendéncias que afetam a economia como uum todo, incluindo 0 crescimento da renda méia, a parcela da populagéo que no consegue encontrar trabalho e a taxa & qual os pregos esto subindo. Oestudo da economia tem muitas facetas, porém o campo é unificado por diversas ideias centrais. Neste capitulo, trataremos dos Dez Principios de Economia, Nao se preocupe se nao entender todos eles imediata- ‘mente ou se no os achar totalmente convincentes. Nos capitulos seguintes essas ideias serdo aprofundadas. Os dez principios s6 estio sendo introduzidos aqui para dar uma nogio sobre 0 que trata a economia Considere este capitulo como uma “prévia das proximas atracbes’” COMO AS PESSOAS TOMAM DECISOES ‘Nao hé nada de misterioso sobre o'que é uma “economia”. Nao importa se estamos falando da economia de Los Angeles, dos Estados Unidos ou do mundo todo, uma economia é apenas tum grupo de pessoas que ‘nteragem umas com as outras enquanto levam sua vida. Como o comportamento de uma economia reflete © comportamento das pessoas que a compem, comegaremos nosso estudo com quatro principios de toma- das de decisées individuais. Principio 1: As Pessoas Enfrentam Tradeoffs! Certamente vocé conhece o provérbio: “nada é de grace”, Ele expressa uma grande verdade. Para conseguir ‘mos algo que queremos, geralmente precisamos abrir mao de outra coisa de que gostamos. A tomada de decisbes exige escolher um objetivo em detrimento de outro. Consideremos, por exernplo, uma estudante que precise decidir como alocar seu recurso mais precioso~o tempo. Ela pode passar todo o seu tempo estudando economia ou psicologia, ou pode dividir seu tempo entre as duas disciplinas. Para cada hora que passa estudando uma matéria, ela abre mao de uma hora que poderia ‘sar para estudar a outra.E, para cada hora que passa estudando qualquer uma das duas matérias, abre mao de uma hora que poderia gastar cochilando, andando de bicideta, vendo TV ou trabalhando meio periodo para ganhar dinheiro para alguma despesa extra Ou consideremos um casal decidindo como gastar a renda familiar. Eles podem comprar comida, roupas 4 pagar uma viagem para a familia. Ou podem poupar parte da renda para a aposentadoria ou para pagar a faculdade dos filhos. Quando decidem gastar um délar a mais em qualquer uma dessas coisas, tém um. lar a menos para gastar em outras coisas. Quando as pessoas estio agrupadas em sociedade, deparam com tipos diferentes de tradeoff O tradeoff cléssico se dé entre “armas e manteiga”. Quanto uma sociedade gasta em defesa nacional (armas) para pro- teger suas fronteiras contra agressores estrangeitos, menos gasta com bens de consumo (manteige) para clevar 0 padrao de vida interno. Igualmente importante na sociedade modema é o imdeoff entre um meio 1 Bm economia tadeof 6 uma expressio que define uma situagio de escolha conftante, isto 6 quando uma aco econémica que vise & resolugio de determinado problema acareta inevitavelmente, outs. Por exemplo, em deter padas drcunstancias, a redugo da taxe de desemprego apenas poderd sor obtida com o aumento da taxa de inlagio, ‘sstindo, portanto, um tradenf entre inflagdo e desemprego. (NRT) CAPITULO 1 DEZ PRIN |OS DE ECONOMIA 5 ambiente sem poluigdo e um alto nivel de rend, AS leis que exigem que as empresas reduzam a poluicéo elevam o custo de produgio de bens e servigos. Em rezo dos custos mais elevadas, essas empresas acabam btendo lucros menores, pagando saris menores,cobrando pregos mais elevados ou fazendio alguma com- inacdo dessas trés coisas, Assim, embora os regulamentos antipoluigo proporcionem 0 beneficio de wm meio ambiente com menos poluisio e a melhor saide que dele decorre eles trazem consigo o custo de redu- io da renda dos proprietérios das empresas, dos trabalhadores e clientes. Outro tradeoff que a sociedade enfrenta é entre eficigncia e igualdade. Eficiéncia significa que a sociedade estd obtendo o maximo que pode de seus —_efcigncia recursos escassos. Igualdade significa que os beneficios advindos desses recur- a propriedade que a socedade 50s esto sendo distibuidos uniformemente entre os membros da sociedade. tem de obtero maximo possivela Em outras palavras, a eficincia se refere ao tamanho do bolo econémico e & partir de seus recursos efcassos ‘gualdade, & maneira como 0 bolo é dividido em partes individuais, Quando as politicas do governo so formuladas, esses dois objetivos geral- mente entram em conflito, Consideremos, por exemplo, as politicas que tém _igualdade por objetivo atingir a distrbuicio mais igualitaria do bem-estar econémico. a propriedade de cstrbuira Algumas delas, como o sistema de bem-estar ou 0 seguro-desemprego, pro- _prospeidade econdmice de curam ajudar os membros mais necessitados da sociedade. Outras, como © manera uniforme ente os imposto de renda das pessoas fisicas, requerem que os bem-sucedidos finan- membros da sociadade ceiramente contribuam mais do que outros para sustentar 0 governo. Enquanto proporcionam mais igualdade, essas politicas reduzem a eficiéncia. Quando 0 governo redistrbui renda dos ricos para os pobres, reduz a recompensa pelo trabalho érduo; com isso, as pessoas trabalham menos e produzem menos bens e servigos. Em outras palavras, quando 0 governo tenta cortar © bolo econémico em fatias mais iguais, o bolo diminui de tamanho. Reconhecer que as pessoas enfrentam tradeoffs néo nos diz, por sis6, quais as decisdes que elas tomarao ou Gesejariam tomar, Uma estudante nao deveria abandonar o estudo de psicologia apenas porque isso aumenta o tempo disponivel para estudar economia. A sociedade no deveria deixar de proteger 0 meio ambiente 86 porque as regulamentagdes ambientais reduzem nosso padrao de vida material. Os pobres nao devetiam ser ignorados s6 porque ajudé-los distorce os incentivos ao trabalho. Ainda assim, reconhecer os tradeoffs em nossa vida é importante porque as pessoas somente podem tomar boas decisdes se compreen- dem as opgdes que lhes esto disponiveis. Nosso estudo de economia, portanto, inicia-se com o reconheci- ‘mento dos tradeoffs da vida, Principio 2: 0 Custo de Alguma Coisa E Aquilo de que Vocé Desiste para Obté-la Como as pessoas enfrentam tradeoffs, a tomada de decisdes exige comparar os custos e beneticios de possi- bilidades alternativas de a¢éo. Em muitos casos, contudo, 0 custo de uma ago nfo é téo clato quanto pode parecer i primeira vista, Consideremos, por exemplo, a deciséo de ir & faculdade. Os beneficios principais sio 0 enriquecimen- to intelectual e uma vida com melhores oportunidades de emprego. Mas qual € o custo? Para responder 4 essa pergunta, vocé talvez sinta-se tentado a somnar os gastos que tem com anuidades, livros, moradia e alimentago, Mas, na verdade, esse total ndo representa aquilo que vocé sacrifica para passar um ano na faculdade. HE dois problemas com esse célculo. Primeiro, ele inclui algumas coisas que nao sio, na verdade, custos para frequentar a faculdade, Mesmo que vocé abandone os estudos, precisard de um lugar para dormir e de comida para se alimentar, Os custos de moradia e alimentagdo somente sero custos se fotem mais caros na faculdade do que em outro lugar. Segundo, esse eélculo ignora o maior custo de cursar a faculdade ~ 0 tempo. Quando vocé passa um ano assistindo &s aulas, lendo livros e fazendo trabalhos, néo pode dedicar esse tempo a um emprego. Para a maioria dos estudantes, os salérios que deixam de ganhar enquanto esto na faculdade sao os principais custos de sua educacéo. PARTE 1 INTRODUGAO. custo de oportunidade de um item é aquilo de que voc abre mio para casto de oportunidade obté-lo. Ao tomarem qualquer decisio, como a de frequentar a faculdade, por ‘qualquer coisa dequesetenha de _exernplo, os tomadores de decisdes precisam estar cientes dos custos de opor- abrrméoparase obteragumitem tunidade que acompanham cada ago possfve. Atletas universit&ios que podem garhar milhdes se abandonarem os estudose se dedicarem ao esporte +rofissional esto bem cientes de que, para eles, o custo de oportunidade de ccusar a faculdade é muito elevado, Nao é de surpreender que muitas vezes concluam que o beneficio de estudar néo compense 0 custo de fazé-Io, Principio 3: As Pessoas Racionais Pensam na Margem Os economistas normalmente presumem que as pessoas so racionais. Uma pessoa racional pessoa racional faz o melhor para alcangar seus objetivos, sistemética e obje- aquela que sstematica ‘ivamente, conforme as oportunidades dispontveis, Ao estudar economia, voce objetivamente, faz 0 maximo conhecerd empresas que decidem quantas pessoas irdo contratar e a quanti- par alcancar ses obetvos dade de bens que serdo manufaturados e vendidos para maximizar os lucros. ‘Também encontraré individuos que decidem quanto tempo passam trabalhan- do e que bens e servicos itéo comprar com a renda obtida para conseguir alto nivel de satisfacio. ‘Uma pessoa racional sabe que as decisées que tomamos durante a vida raramente so “preto no bran- co"; elas geralmente envolvem diversos tons de cinza. Na hora do jantar, a decisio mio é entre jeuar e comer até no poder mais, mas aceitar uma colherada a mais de puré de batatas ou no. Quando chege a hora das provas, sua escolha nao é entre nao estudar mais nada e ficer estu- dando 24 horas por dia, mas sim passar uma hora extra a mais revendo suas ‘mudangas marginals anotagées ou ver TV. Os economistas usam a expresso mudangas marginais quenos juste incrementals para descrever pequenos ajustes incrementais a um plano de acdo existente aum plano de acéo Lembre-se de que “margem” pressupde a existéncia de extremos, portanto mudancas marginais sio ajustes a0 redor dos “extremos” daquilo que vocé estd fazendo. A pessoa racional geralmente toma decisdes comparando esses benefcios marginais com custos marginais. For exemplo, imagine uma companhia aérea ao decidir quanto cobrar de passageiros que estejam na lista de espera. Suporhames que 0 voo de um avido de 200 lugares, costa a cost, através do pais, custe& empresa $ 100 mil. Nesse caso, 0 custo médio de cada assento seré de $ 100 mil/200, ou seja, de $ 500, Foderia ser tentador concluir que a empresa jamais deveria vender uma passagem por menos do que $ 500. Na verdade, una empresa racional geralmente consegue encontrar formas de aumentar seus eros pensando na marger. ‘Vamos imeginar que o avi esteja prestes a decolar com dez assentos vagos e que um passageiro em espera esteja disposto a pagar $ 300 pela passagem. A empresa deve vender a passagem a esse prego? Claro que sim. Se o avido esté com assentos vagos, o custo de acrescenter mais um passageiro é mintisculo. Embora 0 custo ‘édio por passagero seja de $ 500, o custo marginal € apenas 0 custo do saquinho de amendoins e do refrige- zante que o passageiro extra consumird. Desde que o passageiro pague mais do que o custo marginal, vender a passagem para ele é ucrativo A tomada de decisdes marginais pode ajudar a explicar outros fendienos intrigantes da economia, Eis uma pergunta clssica: por que a agua é tao barata e os diamantes tio caros? A dgua 6 essencial para asobre- vivéncia humana, os diamantes no. Contudo, por algum motivo, hé pessoas que preferem desembolsar mais dinheiro por um diamante a fazé-lo por um copo de agua. O motivo é que o desejo de pagar por qualquer bem baseia-se no beneficio marginal que uma unidade extra deste proporcionaria, © beneficio marginal, por sua vez, depende de quantas unidades a pessoa jé possi. A 4gua 6 essencial, mas o beneficio marginal de uum copo a mais é pequeno, pois a gua existe em abundancia, Ninguém precisa de diamantes para sobrevi- ver, mas, como so 1270s, 0 beneticio marginal é considerado alto. CAPITULO 1 DEZ PRINCIPIOS DE ECONOMIA 7 ‘Um tomador de decisées racional executa uma ago se, e somente se, 0 beneficio marginal ultrapassa 0 ccusto mazginal. Esse principio explica por que as companhias aéreas vendem passagens abaixo do custo médio e por que se paga mais por diamantes que por agua. £ preciso algum tempo para se ecostumar com a légica do pensamento marginal, mas o estuda da economia oferece muitas oportunidades para praticar. Principio 4: As Pessoas Reagem a Incentivos Incentivo é algo que induz a pessoa a agir. Como as pessoas racionais tomam _incentivo decisdes comparando custo e benefico, elas respondem a incentivos, que tém algo queinduza pessoa ai papel importante no estudo de’economia. Certo economista sugeriu que todo 0 setor da economia poderia ser simplesmente resumido com a seguinte frase: “As pessoas respondem a incentivos. O resto séo comentarios”. Os incentivos sio cruciais para analisar o funcionamento do mercado. Por exemplo, quando o prego da ‘maga aumenta, as pessoas optam por comer menos macés. Ao mesmo tempo, 0s fazendeitos com pomares de macieiras decidem contratar mais trabalhadores e colher mais magis. Em outras palavras, 0 prego mais alto do mercado proporciona im incentivo para que os compradores consumam menos e urn incentivo para que os vendedores produzam mais. Como veremos, efeito do preco sobre o comportamento de consumi- ores e produtores é crucial para entender como a economia de mercado aloca recursos escassos Os formuladores de politicas puiblicas nunca devem esquecer os incentivos: muitas politicas alteram os custos e beneficios para as pessoas e, portanto, alteram seu comportamento, O imposto sobre a gasolina é um incentivo ao uso de carros menores, que consomem menos gasolina. Este é um dos motivos porque s40 ‘mais usados na Europa, onde os impostos sobre a gasoline so altos, do que nos Estados Unidos, onde so mais baixos, Ee também incentiva as pessoas a revezar carros, a usar o transporte piblico e a morar mais perto do local de trabalho. Se os impostos fossem mais altos, mais passoas comegariam a usar carros hibridos, ese forem muito altos, elas trocariam para o carro elético. ‘Quando os formuladores de politicas deixam de considerar como suas polticas afetam os incentivos, eles geralmente provocam consequéncias indesejadas. Vamos pensar, por exemplo, na politica piblica quanto & seguranga no trénsito, Hoje, todos os carros tém cintos de seguranca, o que nfo ocomta hé cinquenta anos. Na década de 1960, o ivro Unsafe at any speed [Inseguro em qualquer velocidade], de Ralph Nader, gerou grande preocupagéo publica com a seguranca. © Congresso norte-americano reagiu com leis que impunham 0s cintos de seguranca como equipamento obrigatério em tados os carros novos. Que efeito tern uma lei de cintos de seguranga sobre a seguranca no trinsito? O efeito direto & ébvio: quando uma pessoa usa cinto de seguranca, a probabilidade de que sobreviva a um acidente grave aumenta, Mas a hist6ria no acaba af, uma vez que a lei também afeta o comportamento ao alterar incentives. O com- portamento em questdo aqui é a velocidade e o cuidado com que os motoristas conduzem seus carts. Diigir devagar e com cautela é custoso porque consome tempo e energia do motorista. Ao decidirem o nivel de cuidado tomado ao cirigr, as pessoas racionais comparam,talvez inconscientemente, o beneticio marginal de dirigir com cuidado ao custo marginal. Dessa forma, elas dirigem mais devagar e com mais cuidado quando 0 beneficio do aumento da seguranga é elevado. For exemplo, quando as estradas esto molhadas e escorte- gadis, as pessoas ditigem com mais atengao e em velocidades mais baixas do que quando estdo secas. Consideremos agora como uma lei sobre cintos de seguranga afeta 0 céleulo de custo-beneficio de um motorista. Os cintos de seguranga reduzem o custo dos acidentes porque diminuem a probabilidade de feri- ‘mento ou morte. Em outras palavras, os cintos de seguranca reduzem os beneficios de se dirigir lenta e cui- dadosamente. As pessoas reagem aos cintos de seguranca da mesma maneira que reagiriam a uma melhora das condigdes das estradas - ditigindo com velocidade mais alta e com menos cuidado. Assim, o resultado de uuma lei de cintos de seguranga & um maior niimero de acidentes. A diminuiglo da condugo cuidadosa tem uum efeito claro e adverso sobre os pedestres, que passam a ter maiores chances de se envolver em um aci- dente, mas (ao contrério dos motoristas) no gozam do beneticio da maior seguranga decorrente da utlzagio do cinto de seguranca 8 PARTE1 INTRODUGAO A primeira vista, essa discussZo sobre os incentivos e os cintos de seguranga pode parecer mera especu- Jago. Mas, em um estudo realizado em 1975, o economista Sam Peltzman demonstrou que as leis de segu- zanga no transito apresentavarn muitos efeitos como esse. De acordo com as evidéncias apresentadas por Peltzman, essas leis produzem tanto menos mortes por acidente quanto um maior niimero de acidentes. O resultado liquido é uma pequena variagdo do ntimero de mortes de motoristas e um aumento do niimero de mortes de pedestres A andlise que Peltzman fez da seguranga no trnsito & um exemplo incomum do prinefpio geral, segundo © qual as pessoas reagem a incentivos, Ao analisarmos qualquer politica, precisamos considerar ndo apenas seus efeitos diretos, mas também os efeitos indiretos e menos ébvios que operam por meio dos incentivos. Se a politica mudar os incentivos, ela provocaré alteraco no comportamento das pessoas, Teste Rapido Descieva um radeaffimportante que voc® tena enfentado recentemente, Che um exempl de ume aco que tena tanto um custo de oportunidad manetrio quanto no manera. Descreva um incenivo que Seu pis feecerem numa tentativa de inflvenciaseucomportamerto, COMO AS PESSOAS INTERAGEM Os primeiros quatro prineipios trataram de como os individuos tomam decisbes. Enquanto levamos nossa vida, muitas de nossas decisdes no nos afetam exclusivamente, mas também outras pessoas. Os préximos tés principios dizem respeito a como as pessoas interagem mas com as outras. Principio 5: 0 Comércio Pode Ser Bom para Todos Voce provavelmente jd tomou conhecimento pelos noticidtios de que o Japao concome com os Estados ‘Unidos na economia mundial De certa forma isso é verdade, pois as empresas norte-americenas e japonesas produzem muitos bens do mesmo tipo. A Ford e a Toyota concorrem pelos mesmos clientes no mercado de caztos.A Apple e a Sony concortem pelos mesmos clientes no mercado de equipamentos de musica digital E facil se enganar, porém, ao pensar na competicao entre paises. O comércio entre os Estados ‘Unidos e Tapio no € como uma competicio esportiva, em que um lado ganha e 0 outro perde. Na verdade, 0 que acontece € o contriio: o comércio entre dois paises pode ser bom para ambas as partes. Para sabermos 0 porqué, vamos pensar como 0 comércio afeta sua familia. Quando um parente seu pro- cura por emprego, esté concomendo com membros de outras familias que também querem estar empregados. As familias também competem umas com as outras quando vo as compras, uma vez que cada uma quer comprar os melhores bens aos menores precos. Assim, de certa forma, cada familia existente na economia esté concorrendo com todas as demais. Apesar dessa competicio, sua familia ndo se daria melhor isolando-se de todas as outras, Se 0 fizesse, pre- Cisaria produzir sua propria comida, confeccionar suas préprias roupas e construir sua propria casa. B evidente «qe sua familia se beneficia muito da prépria abilidade de comerciar com outras pessoas. O comércio permite que as pessoas se especializem na atividade em que sao melhores, agricutura, costura ou construc. Ao comer ciarem com os outros, as pessoas podem comprar uma maior variedade de bens e servigos a um custo menor. Assim como as familias, os paises beneficam-se da possibilidade de comerciar uns com 0s outros, O comércio permite que eles se especializem naquilo que fazem melhor e desfrutem de uma maior variedade de bens e servigos. Os japoneses, como os franceses, 0 egipcios e os brasileiros,sio tanto nossos parcizos nha economia mundial quanto nossos concorzentes, Principio 6: Os Mercados So Geralmente uma Boa Maneira de Organizar a Atividade Econémica © colapso do comunismo na Unigo Soviética e no Leste Buropeu na década de 1980 pode ser a mudanca ‘mais importante que aconteceu no mundo nos tltimos cinguenta anos, Os ps s comunistas operavamn CAPITULO 1 DEZ PRINCIPIOS DE ECONOMIA, com base na premissa de que as autoridades do govemo estavam na melhor posigdo para alocar os recur- sos escassos da economia. Os planejadores centrais decidiam que bens e servigos prodiuzr, quanto pro- uzir de cada um e quem os produziria e consumiia. A teoria por trés do planejamento central era a de que apenas o governo poderia organizar a atividade econdmica de uma maneira que promovesse o bem- -estar econdmico detodo o pais. Noticias INCENTIVO NO PAGAMENTO (Omode como as pessoas so pagasaftasincentvos a torada de decides. Onde os Onibus Sao Pontuais for usan Gokbee Em uma tarde de verbo, 0 trajeto ds Uni= -versidade de Chicago até o norte da cida- de deve ser um dos mals bones do ‘mundo. No ldo esquerco da Lake Shore Drive, passamos pelo Grant Park, um dos primeinos arranha-céus do mundo, e pela ‘Sears Tower, No lado diteito, vemos 0 azul Intenso do Lago Michigan, Mas, apesar de ‘toda a beleza, otrénsito pade se tornar um ‘cas, Entéo, quem faz esse caminho todo dla conhece 0s atahos. Sebe que, se © tansito esté paredo da Buckingham Fountain até McCormick, é melhor pecar as Tuas paraleles € voltar para a Lake Shore Dive alguns quilémetros mais adante ‘Muiltos énibus, contd, ficam presos no tensa, Sempre fo magnando omo ‘vo: por que os motoristas nao pegam os stalhos E légico que conhecem, pais sequem a mesmi rota todo die certa ‘mente evilam 0 trénsito quando estéo dirigindo 0 proprio canto. Como no ha Pontos de dnibus em Lake Shore Drive, rninguém ficaria para tras, se eles desvias- ‘sem dos congestionamentos. E, quando os nibs cam pesos no tnt, dil cumprr 0 horétio. Em vez de passar um ‘ribusa cade 1O minutos gerakenteche- gam tés de uma s6 vez, depois de reia ho. E esa & 3 forma menos efciente de administer um sistema de transporte pi- bio Portanta, por que no pega ats, Se sso manera oconograme eos bibus 10 hora? A pincoio voc® pode achar que os rmotorstas no ganhar 0 sufciente para labora estratgis Porém, 0s motoristas de Chicago estio na stim posicéo dos rmorarstas mais bem pagos do pas; os que trabalam period inteoal ganham mas de § 23 por hora, canforme uma pesquisa feta em novembro de 2004 Taz 0 problema nio seja 0 valor do salrig, mas como ele €pago. Plo menos, € 0 que sugere um novo estudo sobre 0s motorists de dnibus do Chile rela do por Ryan Johnson David Rely, da Urivesidade do Arona, ean Ctlos ‘Mure, de Ponti Uriversidade Cable do Chie No Chile as empresas de Gnibus real amo pagamento os matoistas de das formas. por hore ou por pasagero. 0 pagarrentoporpassageioprovacamenas 120s Aoreceberem incentives, os moter tts comegam a ag como pesscas nor mas pegam alos quando 0 ténsto ‘est um, Diminuem hort dealmoco 0 tempo que pasam no banheo. Que- vem pegar a estade e tansporar um rnimero maior de passages, o ma p- do posse, Resumindo, a produtiidade ‘aumenta[-] caro que nem tudo & perfeto com relacao aos pagementos de incentive, Ad seguitem de um lugar pa outra com mals rapdez, 05 motos se envohem ‘em mas acidentes (como qualquer um de 16s). Alm dso alguns passages rea ‘mam que cam enjados pois o motorsta acelera muito, asim que o passageita so- be no énibus, Contudo, quando podem ecolhe as pessoas prefeem a empresa que fa 0 transporte no hori. Mas de 95% das rots, em Santiago, recebem in- centvos no pagamento, Talver devéssemos saber que in cents no pagamento poderiam au- ‘mentat a produiidade das motorsas ‘inal 0 tis em Chicago pegam os atalhos a Lake Shore Dive para evter 0 congestionamentos em que os dni- bus simplesmentefcam parados. Como 0§ mototstas de tix ganham por cor da, querem chegar 0 mals répida poss ve para fazer mals cores Fente-Satecom 16m 206, 10 PARTE 1 INTRODUCAO A maioria dos paises que tiveram economias de planejamento central abendo- ‘economia de mercado ‘nou esse sistema e esta tentando desenvolver economias de mercado. Em uma uma economia que aloce economia de mercado, as decisdes do planejador central sio substituidas pelas recursos por melo das decisdes de milhGes de empresas e familias. As empresas decidem quem contratar decisbesdescenralzadas de _€ 0 que produzir. As familias decidem em que empresas tabalhar eo que comprar mites empress efamflas com seus rendimentos, Essas empresas e familias interagem no mercado, em que os ‘quando estasinteragem nos _precos 0 interesse proprio guiam suas decisdes, mercados de bens e servigas A primeira vista, 0 sucesso das economias de mercado é enigmético. Em uma ‘economia de mercado, ninguém cuida do bem-estar econémico de toda a socie- dade; Os mercados livres contém muitos compradores e vendedores de diversos bens e servigos todos estdo interessados, antes de mais nada, no seu proprio bem-estar. Ainda assim, ape- sar da tomada descentralizada de decisbes e de tomadores de decisdes movidos pelo interesse particular, as economias de mercado tém se mostrado muito bem-sucedidas na organizagéo da atividade econémica para promover o bem-estar econémico geral O economista Adam Smith, em seu livro A rigueze das nagies, publicado em 1776, fez a observacdo mais famosa da ciéncia econémica:“as familias e as empresas, ao interagirem nos mercados, agem como se fos- sem guiadas por uma‘mao invisivel’que as leva a resultados de mercado desejéveis". Um de nossos objeti- vvos neste liv € entender como essa mao invisivel faz sua mégica Ao estudar economia, vocé aprenderd que os precos so 0 instrumento com que a mao invisivel conduz @ atividade econ6mica. Em qualquer mercado, 0 comprador abserva o prego ao determinar a demanda e 0 vvendedor analisa o preco ao decidir a oferta. Como resultado dessas decisées, os pregos do mercado refletem ‘no s6 0 valor de um bem para a sociedade, mas também o custo de sua manufatura. A visdo de Adam Smith era de que os precos se ajustam para direcionar a oferta e a demanda, de modo a aleancar resultados que, em ‘muitos casos, maximizam o bem-estar da sociedade como win todo A observagio de Adam Smith apresenta um corolétio importante: quando o governo impede que os pre- 605 se ajustem naturalmente & oferta e & demanda, impede que a mio invisivel coordene as decisdes de familias e empresas que compSem a economia, Esse corolério explica por que os impostos tém um efeito adverso sobre a alocacio de recursos: eles distoroem os pregos e, com isso, as decisbes das empresas e das familias. Bplica também o mal ainda maior que pode ser causado por poiticas de controle direto dos pros, como a de controle dos aluguéis. E explica o fracasso do comunismo. Nos paises comunistas, os pregos no eram determinados no mercado, mas ditados pelos planejadores centrais. Os planejadores néo tinham as informagoes necessétias sobre o gasto dos consumidores e os custos dos produtores que, em uma economia de mercado, sao refletidas nos pregos. Os planejadores centrais falharam porque tentaram conduzir a econo- mia com uma mio amarrada nas costas ~ a mao invisivel do mercado, Principio 7: As Vezes os Governos Podem Melhorar os Resultados dos Mercaclos Se a mao invisivel do mercado é grande, por que precisamos do govemo? Um dos objetivos do estudo de economia é refinar nossa visio sobre o papel e os objetivas adequados das politcas governamentais, ‘Um dos motivos por que precisamos do governo é que a mo invisivel poderé fazer maravilhas apenas se 0 governo garantir o cumprimnento das regras e mantiver a instituigées principais da economia. Mais importante, as economias de mercado precisam das instituigSes para garantir o direito de propriedade de modo que os individuos tenham condicbes de possuir e controlar os recursos escassos. Os fazendeiros nao cultivardo alimentos se acharem que suas colheitas serdo roubadas; os restaurantes 96 servirdo reeicOes se tiverem a garan- tia de que os clientes pagarSo antes de ir embora e uma companhia no produzi- 14 CD se muitos consumidores em potencial fizerem cépias ilegais. Todos nés confiamos no governo para providenciar poica e tribunais para fazer valero direi- to sobre aquilo que produzimos — e a mio invisivel conta com nossa habilidade para garantir esses cireitos, direto de propiedade habiidade de um individuo para poss eexercer controle ‘sobre recursos escassos CAPITULO 1 SAIBA MAIS SOBRE... ADAM SMITH E A MAO INVISIVEL Pooesermer crc oto de onde Fro de AdamSmih Ariqueza dos nage te sido publicido em 176, ano exato em que 0s revolucionéios norte-americanos assinaram a sua Declaracio da Independéncia, Mas 0s dois documentos compartiham um ponto de vista que ere predominante na época: os individuos normal= mente toram melhores decses se dexados a agi por conta Dropria, em a mio opressive do governo conduzindo suas acbes, se fllosofia politica proporciona a base intelectual para a econo- mia de mercado e, de maneira mais geral, para a sociedade live. Por que as economias descentralizadas de mercado funcio- ‘nam to bem? Seré porque se pode contar que as pessoas trate ‘umas as outras com carinho e bondade? De forma alguma. Adam Smith desceveu a maneire como 2s pessoas intetagem em um economia de mercado da seuinte mane home tam quasequeconsantes porunidadesparceperar judo de seus emelhanes,e src wo esperar cba somente da DEZ PRINCIPIOS DE ECONOMIA " benevoéncia. Ted mais chances de ser Gemesucedio se puder imeresar 0 amor pepo dels «seu fovore mostarihe que é para suo prépa vantage faze para ele agi que dees eige. De aqulo que deseo tro que desea eso significado deta oferta € dessa maneia obtems um do outro ua pare muito macy dos ofosde que necesstomos, 'Néo da beneolnca do acouguetg do cen au do pei (0 qu esperaros ress ana, mas da consieago que ees tim eos seus pps intresses Nguém,exeto© mendgn, ecole pend prinipalente da benevolca dos cidadis ata individu. ndo tem a meno ce promove 0 intesse ibe. nem sabe © quanto o est promovende, No pensa senéo ‘m0 prdprio ganho,e neste caso, camo ern muttos autos casos, écan-