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DADOS

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VOCÊ ESCRITOR
Porque você pode mais
Ensaio
Coleção 29 Minutos
Paulo Tedesco

“A arte segue, pois, o desenvolvimento social: acha-se ligada, como ciência, aos
progressos da civilização”.

Augusto Conte

Direitos autorais do texto original

© 2013 Paulo Tedesco

Todos os direitos reservados


Sumário
Somos todos autores-editores
Todo o livro é digital
Quem é o editor de livros?
O Conteúdo Ubíquo
Futurologia
O escritor, onde tudo nasce
Geradores de Riqueza
Quando escrever é mudar o mundo
Bibliografia
Sobre Paulo Tedesco

Coleção 29 Minutos
Somos todos autores-editores

O fato de escrevermos um simples e-mail, uma nota no blog ou rede social,


significa que podemos compartir, numa fração de segundos e pelo planeta
inteiro, nossas frases e ideias, sem barreira de língua tampouco de tempo, logo,
tornando público o que escrevemos, é legítimo entender que somos todos os
escritores de nossas comunicações pessoais. O ato de escrever passou, como
nunca antes, a ter importância o suficiente para que precisemos refletir sobre
escrever e publicar. Não por acaso temos hoje oficinas de escrita criativa e
fóruns sobre escrita cada vez mais procurados e frequentados.

Mas se hoje somos todos escritores, somos também editores. Talvez sempre
assim tenha sido, mas o importante é que, na história, jamais passamos por
momento tão vívido dessa aproximação, ou melhor, dessa materialização entre o
texto original, aquele que até há pouco era somente um rascunho em papel, e
hoje é escrito de forma instantânea, diretamente na rede mundial, e o texto
publicado.

Os meios tecnológicos e a evolução mercadológica aproximaram nações e


línguas das mais distintas, bem como colocou em xeque a primazia de uma única
e cara tecnologia, que dominava quase que exclusivamente a reprodução dos
textos. O que acabou facilitando, isso é preciso sempre frisar, como marco desse
nosso tempo, a produção escrita e o acesso ao conteúdo de modo cada vez mais
diverso e em progressiva escala geométrica.

Para aqueles que estão familiarizados com o mundo da imprensa e das gráficas
que imprimem em papel, os custos de impressão em pequenas tiragens de livros,
há uma década atrás eram estratosféricos, e é legítimo de se imaginar os valores
de duas ou mais décadas, quando não somente o papel, mas tinta e máquinas
estavam ainda mais caros. E hoje? Hoje, é radical a diferença! Ao contrário de
uma década atrás, onde dificilmente se conseguiria bons preços para 1.000 livros
impressos, – sendo que era proibitivo tiragem menor, em função da relação
custo-benefício –, na atualidade, podemos imprimir um único livro, por preços
razoáveis e em questão de poucas horas, com direito a optar por diferentes tipos
de papéis e acabamentos!

Vamos um pouco mais longe. Copiar com fidelidade e por conta, uma única
folha para ser distribuída em sala de aula, nos exigia conhecimentos de
mimeógrafo a álcool ou o uso do exótico carbono. Em seguida, barateando e
mecanizando o processo, surgiram as fotocópias, que deram o passo em direção
ao que temos. Ah, claro, faltou comentar do tempo de produção dos originais,
geralmente feitos em máquina de escrever manual ou elétrica, ou até eletrônica,
que igualmente exigiam um trabalho braçal e lento. Visto com olhos digitais e
interconectados, pareceria ridículo, coisa de homens e mulheres das cavernas,
mas era a realidade, uma realidade artesanal que demandava não somente tempo
mas algum, e bom, preparo para lidar com todo o processo e suas engenhocas.

Seria maldade fazer a comparação, mas vale a anotação de que tudo, agora,
partindo da produção dos originais ao envio do conteúdo para os leitores,
simplesmente tornou-se instantâneo, ou quase, dependendo da complexidade do
que se está a escrever. Perdoem, ia esquecendo o ato de distribuir o conteúdo
escrito, esse ato que dependia quase exclusivamente de empresas como os
correios, de pombos – isso mesmo, os pássaros emplumados que infestam as
praças –, da boa vontade de amigos, e, nos ambientes editoriais, dos próprios
editores, que carregavam livros, revistas e até jornais para diferentes locais.

Vale, ou não, o momento para repensarmos nossa produção de textos? Mas


vamos adiante.
Todo o livro é digital

Pois somos todos um pouco mais do que escritores, somos “conteudistas”,


mas deixemos essa ousadia para outro texto, afinal, nesse momento, é melhor
que entendamos porque somos todos escritores e como melhor podemos
conviver com isso, do que sair a buscar terminologias pretensamente
revolucionárias.

O livro, para desespero dos puristas, já nasce digital, embora alguns livros
ainda nasçam da escrita do próprio punho, o fato é que nenhum texto vai a
público sem antes passar, pelo menos, por um ordenador digital. Ou seja,
contrapor livro em papel a um suposto livro digital, como se fossem duas coisas
diferentes, é um exagero para gerar notícia boba. O que interessa, ao fim, é que
todo o conteúdo é necessariamente digital, e somente depois pode ser convertido
em alguma outra qualidade de suporte, papel, plástico, vidro, alumínio, etc.

Isso implica dizer que tudo que escrevemos é já conteúdo de livro, ou melhor,
tudo, se pensarmos por esse viés, é livro. Sim e não. Sim, pelo fato de que apesar
de todas as teorias sobre livros, estes não passam de um apanhado de conteúdo
com alguma ordem interna e título, e não, porque as inovações tecnológicas,
embora tenham aproximado leitor e autor como nunca, também trouxeram novas
complexidades editoriais e expuseram as necessidades vitais para se obter um
texto apresentável ao público.

O livro em papel é um produto cultural, com mais de 2 mil anos de história, e


carrega consigo a história do conhecimento humano. Sua evolução enquanto
suporte nasceu nas cavernas, nas paredes com as pinturas rupestres, que
contavam histórias de caçadas (há quem diga que isso eram os rudimentos das
histórias em quadrinhos, vale refletir), passou pelo barro, o bambu na China, os
monolitos em pedra, o papiro egípcio, e começou a tomar forma de livro. Mas
foi somente com a introdução do pergaminho em formato códex, e,
posteriormente, o papel derivado da celulose, que o livro em papel ganhou a cara
contemporânea. Nessa longa jornada muito mudou, a leitura mudou, assim como
a forma de produzir o conteúdo, e, por óbvio, o próprio conteúdo. E é sempre
bom lembrar algo estudado exaustivamente em literatura: ao mudar a forma
muda-se o conteúdo. O mesmo, portanto, serve para as diferentes formas do
livro e as diferentes formas de escrita ao longo dos séculos.

O papel do editor também mudou, pois tínhamos um personagem que


coordenava e comandava a produção e circulação de textos sagrados, sendo
geralmente os próprios editores os raros letrados com capacidade de ler o que
estava cunhado. Depois, vieram os vendedores de papiro, que levavam o
precioso material e os rolos impressos pelo mundo afora, em seguida, surgiram
os preparadores de pergaminho e suas técnicas de produção e reprodução, ao que
se somaram os monges copistas, a copiar livro a livro em bico de pena e tinteiro
nos monastérios e torres medievais. Mas foi com a invenção da imprensa de
Guttemberg, que o papel do editor, como até há pouco conhecíamos, amadureceu
e ganhou corpo. Eles não somente eram responsáveis pela produção dos livros e
pela proteção dos conteúdos, evitando cópias não autorizadas de seus produtos,
como eram os verdadeiros disseminadores de novas ideias na Europa e em
seguida pelos demais continentes.

ALGUNS FATOS
· A mudança do padrão tecnológico: evoluímos do mecânico para o bite
em todos os níveis que regulam a relação do homem com a produção
cultural.

· Novas gerações estão nascendo com novas tecnologias, que por sua
vez estão impondo novos e revolucionários padrões.

· Podemos arriscar que para cada nova geração (agora separadas por
poucos anos), teremos uma nova tecnologia, ou seja, de pouco em pouco
surgirá uma nova cultura e novas relações com essa cultura.
Quem é o editor de livros?

O avanço da economia de mercado, com sua globalização e comoditização,


dispersa em bolsas de valores planetárias, unidas a mudanças de ordem política e
cultural, impuseram um novo mercado editorial, regido por grandes corporações,
onde é usual encontrarmos livros em papel em que cada pequeno pedaço
disponível no comércio, ou sendo vendido através da internet com entregas a
domicílio. Também a produção de um exemplar vem sendo realizada em
diferentes países e por muitas mãos. O mesmo serve para as livrarias e os
livreiros, que assistem a um mercado oscilante e voraz defrontar-se com as
pequenas livrarias, que permitem pequenas tiragens e um contato mais humano
em torno do objeto livro.

Tudo estaria em quase perfeita ordem, as pequenas livrarias caminhariam para


a extinção enquanto as editoras se transformariam em grandes e poucos
oligopólios, e o consumidor passaria a comprar livros cada vez mais como quem
compra sabão em pó num supermercado. Mas, de repente, interligaram os
computadores, colocaram todos em rede, e pior, criaram leitores práticos,
interconectados sem fio, ali, mesmo onde se podia ler e escrever, agora poderia
se comprar e pesquisar com possibilidades nunca antes sonhadas pelo mais
comum dos leitores.

Não tardou a surgir os tais “e-books” ou “e-livros”, versões caricatas dos


livros em papel mas chapadas em telas digitais. Vendidos como a redenção para
preços e mercado, os “e-books” foram anunciados como os precursores do
definitivo fim do livro em papel, repetindo uma cantilena bastante ouvida na
época do lançamento dos Compact Discs frente aos tradicionais LPs em vinil. Os
editores, mais atônitos, assim como seus parceiros, os livreiros, não sabiam e,
confesso, ainda não sabem bem como reagir com a novidade, saltaram com a
preocupação de proteger os direitos autorais que lhes pertenciam, e investiram
para que as mudanças no digital não fossem tão rápidas como poderiam ser.
Resumindo, o livro precisaria de alguns programas de computadores
sofisticados, que bloqueassem a livre cópia e que fossem lidos em aparelhinhos
caros, onde, preferencialmente, os fornecedores desses aparelhinhos pudessem
manter um controle sobre o que ali estava sendo lido, e, de preferência,
bloqueando quaisquer “empréstimos” de livros digitais, e assim impedindo a
leitura de outros livros que não carregassem os mesmos programas sofisticados.

Podemos dizer, então, que o primeiro resultado foi atingido pelo mercado no
novo do mundo interligado digitalmente: o livro “digital” não barateou e não
zerou os custos de seu acesso, assim como o mercado não deslanchou com toda
sua potencialidade.

Creio ser legítimo, então, se perguntar: Para onde vai o conteúdo dos livros?
O Conteúdo Ubíquo

Se nas origens da humanidade o conteúdo estava basicamente nas paredes,


pintadas e esculpidas, é fácil de notar que o conteúdo voltou com força total às
paredes modernas. Vejamos os centros de consumo, as lojas, os shopping
centers, os restaurantes, alguns com ares de catedrais, outros mais pós-modernos
e despojados, mas todos a cada dia mais carregam aparelhos dependurados em
suas paredes, vitrines e portas.

Encontrar aparelhos eletroeletrônicos que transmitem de forma ininterrupta a


promoção do dia, o almoço da hora, o lanche mais gostoso, o livro mais
procurado nas últimas horas, ou simplesmente avisando que o consumidor é
bem-vindo ao estabelecimento, não surpreendem mais. Mas é preciso começar a
entender o que há por trás de cada conteúdo ali exposto. E por que esse excesso
vem sendo chamado de BigData, a se espalhar e se avolumar de forma
impressionante na vida de todos.

Mas não paremos nas paredes, e esse, a meu ver, é o toque que mostra a
modernidade para além das cavernas, torres e castelos: O conteúdo escrito,
visual, caminha para nossas vestimentas, muito além do que aquela estampa
estática, unidimensional e bicolor na camiseta a dizer que amo NY. Está agora no
pulso parecendo um relógio, onde posso até conversar e transmitir mensagens
eletrônicas; está no aro dos óculos, onde posso fotografar e ditar um texto que
será de imediato colocado em rede mundial; está nas geladeiras, fogões e tantos
outros eletrodomésticos a me avisar da temperatura ideal e me informando das
receitas do que melhor pode ser cozinhado naquele dia, e, muito breve, nosso
velho conteúdo das cavernas, estará em movimento, e sendo atualizado a cada
nova inserção de seus editores em latas de refrigerantes, garrafas de bebidas,
rótulos de maionese, caixas de sabão em pó, e onde mais pudermos imaginar.

Em única definição: o conteúdo agora é “Ubíquo”.


O conteúdo caminha para ser ubíquo, presente e em movimento, vivo,
interconectado, sem barreiras a não ser a que seus editores impuserem. Note o
leitor que até o momento não se falou explicitamente em tabletes eletrônicos
nem aparelhos de telefones inteligentes, esses não passam de invenções
poderosas mas certamente intermediárias, um meio de caminho importante entre
o mundo estático e analógico dos aparelhos antigos e o mundo orgânico e
interconectado que se apresenta novo a cada dia.

Futurologia
Embora mereçam estudos sobre as patentes possibilidades, é também passível
aceitar que o mais interessante, no momento, é exercitar a imaginação sobre o
que está ainda por vir, e não sobre o que já temos. Afinal, se olharmos o tempo
de leitura e absorção de um conteúdo de livro pela sociedade, entenderemos que
quando se escreve ou mesmo se entende uma teoria, ou mesmo se encontra um
clássico da literatura, o processo, em geral, toma anos, décadas, para alcançar
sua plenitude e finalmente ser superado. Ou seja, entre se produzir uma teoria,
mesmo uma boa ficção, e essa encontrar alcance nas interpretações, nos debates
sociais, o processo permanece ainda relativamente lento. Mas mudará,
certamente. O avanço do letramento e do multilinguismo poderá ser um
determinante essencial.

Desponta aqui a grande pergunta do início desse brevíssimo ensaio: Então,


quem é o escritor? Que figura é essa? Será o fim enquanto indivíduo que produz
algo seu, dotado de direitos autorais inalienáveis e inseparáveis de sua
personalidade física e social? Teremos livros coletivos, produzidos por muitas
cabeças e publicados automaticamente em rede mundial? Seremos, então e de
fato, todos escritores? Basta escrever e publicar na internet para sermos
escritores? Será possível conviver com isso? Levantar pela manhã, sentar-se
diante de uma tela e sair a digitar, para, em questão de segundos checar nossa
conta bancária e ali encontrar o resultado daquelas horas de dedicação? Veremos.
O escritor, onde tudo nasce

Na ciência é costumeiro o debate sobre as origens das teorias e suas


posteriores aplicações e confirmações através de pesquisas. Passada essa fase de
teste prático, a teoria, aliada aos números é materializada em produtos, sejam
eles na forma que forem, e que depois se encaminham ao mercado – peço
atenção ao fato de é também justo se entender o serviço como um produto, logo
produtos, a princípio intangíveis, como os culturais e os assistenciais, fazem
parte dessa mesma cadeia científica geradora de novos produtos. O que por si
justifica a existência de academias voltadas aos estudos sociais e culturais.

A ciência, fruto das teorias, vem provocando mudanças expressivas na


humanidade, além de reduzir as taxas de mortalidade como um todo, vem
provocando o aumento na longevidade sem comprometer a base da produção
alimentar, como os Neo-malthusianos tanto argumentaram ao longo do século
XX. Essa mesma ciência, uma vez inserida no contexto de mercado, gera bilhões
de dólares, euros, ienes, yuans, e acrescenta na sociedade de consumo, em escala
cada vez maior, a mudança de status de uma nação inteira ou de um único
indivíduo, somente por obra de uma nova teoria científica ou de uma solução
para um problema universal.

Quem, então, está na base da ciência, o que está por trás do cientista? O que
está além da escola, do processo educativo? Ora, o livro, o conteúdo escrito e
transmitido de pesquisador para pesquisador, de cientista para cientista. Portanto,
se é o conteúdo escrito o propulsor de riquezas e descobertas revolucionárias,
quem está por trás da sociedade do conhecimento é o produtor de conhecimento
escrito.

Isso mesmo, o escritor, o cientista que se vê obrigado a publicar suas teses,


seus “papers” para ver validada suas teorias, passa a ser um escritor técnico para
poder aspirar a aprovação de todo seu arcabouço teórico. Fazemos, então, a
ponte para as demais áreas, que hoje começam a ser entendidas também sob a
mesma ótica da ciência: o de serviços e produção de bens culturais e
assistenciais.
Geradores de Riqueza
Nas ciências sociais, uma descoberta de um padrão de comportamento de uma
coletividade pode apontar soluções aplicáveis no mundo inteiro, portanto, o
cientista social é um poderoso gerador de riqueza indireta, e que pode ser
quantificada de outra maneira, que não do faturamento bruto proporcionado pela
produção de um aparelho, ou uso de fórmula química.

Para os bens culturais, temos na atualidade os primeiros debates sobre


Economia da Cultura, um termo pomposo e provocador que ainda trará muito
assunto. Mas este mostra já sua aplicação, sim, um poeta ou escritor de peça de
teatro é gerador plenipotenciário de riqueza, seus versos ou seus diálogos
poderão proporcionar o acompanhamento de plateias, presenciais ou não, que
por sua vez gerarão outras plateias a partir do que viram e ouviram, ou
simplesmente leram, agora não mais como plateia mas como o tal de leitor!

Um romancista, ao criar seu personagem, ao colocar no mundo um


Raskonilkov, está produzindo um personagem que atravessará corações e mentes
e terminará, ao cabo, disputando espaço em sonhos de seus leitores, ou ainda de
não leitores mas que tomaram contato através de releituras dos personagens. Um
Raskonilkov é gerador de outros tantos Raskonilkovs – para desespero de
muitos.

Falar, nessas alturas, do cinema, da televisão, ou da indústria do


entretenimento, é dizer que sem os Irmãos Grimm não teríamos a Disneylândia,
sem Dostoiévski não teríamos muitos personagens derivados de Raskonilkov e
que infestam telenovelas e best sellers, que sem Edgar Alan Poe não existiram
livros de histórias policiais e possivelmente os seriados que tantos aficionados
assistem diariamente nas televisões. Enfim, sem Freud a loucura do mundo não
seria compreendida tampouco dimensionada e possivelmente não estaríamos
mais aqui, na Terra, afinal o aprendizado sobre a insanidade humana é o que
talvez tenha impedido uma troglodita e exterminadora Guerra Atômica,
perpetrada por seres sem imaginação e excessivos em seus pragmatismos
genocidas.

Os milhões a que nos acostumamos ouvir, quando do lançamento de um filme


de Hollywood, são creditados a muitos, inclusive a seus roteiristas, esses que
escritores a meio do caminho entre a obra de arte escrita e a interpretada. Mas
qual filme não surgiu, no mínimo, de um livro? Qual história de telenovela
brasileira ou mexicana não partiu inicialmente de um romance, editado e
publicado? Isso mesmo o que o amigo leitor pensa nesse momento, o escritor
está por trás de tudo.

Então é chegado o momento, afinal, o que é ser escritor? Somos todos, de fato,
escritores? Quem escreve e quem lê? Qual o papel do escritor? Aliás, qual a
importância de se escrever, hoje?
Quando escrever é mudar o mundo

Muitos escritores afirmam que, para eles, escrever nada tem a ver com mudar
o mundo, para eles o mundo não se muda por um livro, e não serão seus textos
que mudarão algo. Se isso significa modéstia, autocrítica ou um desprezo por
teorias como a desse livro, é difícil dizer, mas que um escritor e seus textos está
conectado ao mundo além da palavra, isso está.

Já dizia Mario Quintana, poeta brasileiro, “um erro em bronze é um erro


eterno”. Portanto, é correto entender que um erro publicado, um erro tornado
público é um erro em bronze, um erro eterno. Nada mais patente para provocar a
reflexão de toda a humanidade, sobre sua relação com o ambiente digital,
interconectado, do que compreender a profundidade do ato de publicar. Hoje, o
conteúdo escrito viaja no espaço infinito e inesquecível do BigData, da explosão
no volume de conteúdo no mundo – escrita instantânea e outros delírios da Beat
Generation, soam na atualidade mais ameaçadoras do que produtos criativos e
inovadores.

Escrever tornou-se um ato tão poderoso que é possível afirmar que nossos
textos serão o nosso mais legítimo legado para nossos filhos, e nossa forma de
escrever, nossa assinatura é o que nos diferencia das massas. Quem escreve e
tem estilo, e quantos mais escreverem e escreverem mais, mais estilos teremos e
mais difícil, e não menos belo, se tornará o mundo do conhecimento e da escrita.

Somos todos escritores, e para ser escritor basta amar a escrita e exercê-la ao
seu limite, mas sobretudo respeitá-la. Quem vive, a diário, de enviar e-mails
precisa respeitar, ou aprender a respeitar, as diferenças, e em especial as
diferenças de língua, as idiossincrasias de cada povo e sua língua. Pode-se ir
mais longe, pode-se destruir por vez o mito do escrever correto ou falar correto.
Cada meio tem sua mensagem, isso, simples assim, escrever como falar exige
ser entendido dentro do meio em que está sendo realizado o ato. Falar errado ou
escrever errado existe quando se utiliza a linguagem em desacordo com o meio,
momentos formais exigem linguagens formais, momentos solenes exigem
linguagens solenes, momentos familiares exigem linguagens familiares.

E o que devemos fazer, nós, que somos todos escritores? Aprender e aprimorar
nossas linguagens, para que delas possamos fazer bom uso nos momentos
diferentes em que somos exigidos. Exemplo ainda mais claro, e alvo de muitas
brincadeiras, são as mensagens eletrônicas dentro de uma mesma empresa, afinal
você não se dirigiria a seu chefe falando de assunto de trabalho, da mesma forma
que falaria com um colega íntimo e conhecedor das dificuldades, ou falaria? A
cada nível uma linguagem para se fazer entendido, cada pé no seu sapato, e
todos caminharão melhor, do que claudicar com gírias e termos mal escritos em
momentos públicos e inadequados.

Certo, parece fácil teorizar, mas como enfrentar a língua? Como decorar toda
uma gramática para poder escrever correto e de acordo com o momento? Ou
precisaremos sempre de um corretor automático para até quando falamos? Bom,
isso certamente não será necessário, até porque muitas vezes os próprios
corretores automáticos não estão corretos. A grande saída é simplesmente
utilizar a ferramenta da conexão com o mundo como nossa grande aliada. Hoje,
se pode ler clássicos da literatura em muitas línguas e aprender com eles. Ler, e
ler com profundidade uma única obra clássica da literatura mundial, pode nos
trazer mais lições do que gramáticas e anos de cursos.

Quantos estudantes não aprenderam outra língua, a ler e escrever, traduzindo


por conta alguma obra que tenha lhes desafiado? Se o exemplo serve para dentro
das universidades, pode perfeitamente servir para fora delas. Não se escreve boa
poesia sem se ler muita, mas muita poesia, preferencialmente as indicadas por
professores, não se escreve um conto sem ler muitos contos, sem entender um
pouco do gênero, suas complexidades e possibilidades, enfim, não existe um
romance por um novo escritor sem esse antes haver lido e estudado outros
grandes romances. Isso é tão simples como uma fórmula básica e universal da
matemática.

Mas entendamos que seu tempo é curto ou mesmo que a leitura revelou-se
árdua, e sua escrita começa a ser necessária para situações mais importantes do
que falar com amigos íntimos. A interconexão é definitivamente a aliada,
procure amigos, professores, cursos a distância, gente disponível para ajudar a
destrinchar suas dúvidas, a deslindar as grandes questões que surgem quando nos
propusermos a ler Madame Bovary, de Flaubert, ou Cem Anos de Solidão, de
Gabriel Garcia Marques. Obras que podem nos chegar traduzidas à nossa língua
materna e ainda assim nos colocar diante de desafios para sua compreensão.
Afinal, as redes sociais não existem somente para postarmos a foto fofa do nosso
mais novo e fofo cachorrinho, não é?
Bibliografia

O grito dos pequenos, independência editorial e bibliodiversidade no


Brasil e Argentina/ José de Souza Muniz Jr. – São Paulo, SP, 2010.

A Educação a distância em transição, tendências e desafios/ Otto Peters –


São Leopoldo, RS - Editora Unisinos, 2009.

Breve História do Livro, Campos, Arnaldo– Ed. Mercado Aberto/Inst.


Estadual do Livro, Porto Alegre – 1994.

A Construção do Livro / Emanuel Araujo – Editora Lexikon-Biblioteca


Nacional, 2008.

Free: grátis: o futuro dos preços/ Chris Anderson – Rio de Janeiro; Elsevier,
2009.

Direito Autoral: conceitos essenciais/ Otávio Afonso – Barueri, SP; Manole,


2009.

Propriedade Intelectual, gestão da inovação e desenvolvimento/ Org. por


Salete Oro Boff e Luiz Otávio Pimentel. – Passo Fundo; IMED, 2009.

The Smashwords Style Guide/ Mark Coker – USA; Smashwords, 2010.

The Smashwords Marketing Guide/ Mark Coker – USA; Smashwords,


2010.

Economia Criativa: como estratégia de desenvolvimento: uma visão dos


países em desenvolvimento/ Org. Ana Carla Fonseca Reis. – São Paulo: Itaú
Cultural, 2008.

O Livro Eletrônico Começa a Mudar Indústria/ Geoffrey A. Fowler e


Jeffrey A. Trachtenberg – The Wall Street Journal Americas, 08 de junho de
2010.
Is B2B the Real Market for E-books?/ Dev Ganesan – Publisherweekly,
2009.

Quem Procura, acha? O Impacto dos buscadores sobre o modelo


distributivo da World Wide Web/ Suely Fragoso – Revista de Economia de las
Tecnologias de la Informacion y Comunicacion, vol. IX, n. 3, Sep. – Dec./2007.

Interatividade e aprendizagem/ João Mattar. In: LITTO, Fredric M.;


FORMIGA, Manuel M. M. (Orgs.). Educação a distância: o estado da arte. São
Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.

Educação a distância: uma visão integrada. / MOORE, Michael G.;


KEARSLEY, Greg. São Paulo: Thomson Learning, 2007.

Movimento didático na educação a distância: análises e percepções. 2005.


223f. SOUZA, Alba Regina Battisti. Tese (Doutorado)-Programa de Pós-
Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 2005. 17.

Valiati, Leandro. Economia da cultura e cinema: notas empíricas sobre o Rio


Grande do Sul. São Paulo – Ecofalante, 2010.

O Livro como Objeto de Desejo, Thaís Cristina Sehn. UFPEL, 2009.

O negócio do livro, Jason Epstein. Rio de Janeiro, Editora Record, 2002.

A Genética dos Textos, Pierre-Marc de Biasi, EDIPUCRS, Porto Alegre,


2010.

Américo, o homem que deu seu nome ao continente, Felipe Fernández-


Armesto, Companhia das Letras, São Paulo, 2011.

Impresso no Brasil, dois séculos de livros brasileiros, Aníbal Bragança e


Márcia Abreu (organizadores), Editora Unesp, São Paulo, 2011.

Entre a prosa e a poesia: Bakhtin e o formalismo russo, Cristóvão Tezza.


Rocco Editora, Rio de Janeiro, 2003.
Sobre Paulo Tedesco

Nascido em 1970, Paulo Tedesco é professor, editor e escritor. Autor de livros


em ficção e técnicos, articulista e coeditor em jornais do Brasil e Estados
Unidos. Em 2009 desenvolveu a Oficina do Livro e desde então vem
participando em atividades presenciais e a distância em diferentes universidades,
como a PUCRS e UNISINOS, sempre com foco no mundo do livro, além de
instituições e associações ligadas à cultura e ao mundo editorial, como
StudioClio e a Feira do Livro de Porto Alegre.

Como escritor, foi aluno das oficinas literárias de Charles Kiefer por 6 anos,
publicando 2 livros próprios e outros 6 em coautoria, sendo alguns também
como coeditor. Angariou concursos como o Fumprocultura de Caxias do Sul no
ano de 2004, com o livro Quem Tem Medo do Tio Sam?, o concurso de contos
Histórias do Trabalho – 2011, com o conto Hindemburg, e menção honrosa no
Prêmio Sofia de literatura com o livro Contos da Mais-valia & Outras Taxas,
da Editora Dublinense – 2010.

Atualmente é diretor na bmm – Broadcast Media Mobile


Coleção 29 Minutos
Ensaios
Ebook - Cidadão PoWeb de Luciano Medici
Ebook - Você Escritor
Literatura
Ebook - Borboletas de Carne, contos, Scifi&Outros Monstros, Luciano Medici

Ebook - Contos de Micharia, contos, Urbanos e Suburbanos Paulo Tedesco

www.bmediamob.com