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Índice
1.Introdução ........................................................................................................................................ 2

2. Objectivos ....................................................................................................................................... 4

2.1. Objectivo Geral............................................................................................................................ 4

2.2. Objectivo Específico.................................................................................................................... 4

3. Metodologia .................................................................................................................................... 4

4. Fundamentação teórica ................................................................................................................... 4

4.1. História do betão .......................................................................................................................... 4

4.2. Primeira associação do aço com a pedra .................................................................................. 12

4.3. O início do cimento armado ...................................................................................................... 14

4.4. Joseph monier “ inventor do betão armado .............................................................................. 14

4.5. O betão armado na Alemanha.................................................................................................... 15

4.6. Início do betão armado no brasil ............................................................................................... 16

4.1.1. Materiais e componentes ....................................................................................................... 16

4.1.2. Cimento .................................................................................................................................. 16

4.1.3. Agregados ............................................................................................................................... 17

4.1.4. Água........................................................................................................................................ 17

4.1.5. Aditivos .................................................................................................................................. 18

4.2.1. Produção de betão ................................................................................................................... 18

4.2.2. Mistura .................................................................................................................................... 18

5. Evolução do betão ........................................................................................................................ 19

5.2. Aços para betão armado ............................................................................................................ 20

5.3. Durabilidade das Estruturas de Betão. Recobrimento das Armaduras ...................................... 20

5.4. Modelos de verificação da segurança ........................................................................................ 21

5.5. Pormenorização de armaduras e execução de trabalhos ............................................................ 22

5.6. Betão em sua natureza básica ................................................................................................... 23

5.7. Origem do Homem .................................................................................................................... 23

5.8. Betão .......................................................................................................................................... 24


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5.9. Reacção de Calcinação .............................................................................................................. 26

5.1.1. Extinção da Cal Viva .............................................................................................................. 26

5.1.2. Endurecimento da cal ............................................................................................................. 26

5.1.3.Gipsita...................................................................................................................................... 27

5.1.4. Cal Pozolânica ........................................................................................................................ 27

5.1.5. Cal Hidráulica ......................................................................................................................... 27

5.1.6. Idade Média ............................................................................................................................ 28

5.1.8. Anos 20 – Betão Pré-Misturado ............................................................................................. 30

5.1.9. Presente e Futuro do Betão ..................................................................................................... 30

5.2. Pré-fabricação na construção civil ............................................................................................. 30

5.2 Aplicações recentes .................................................................................................................... 31

6. Eurocódigo.................................................................................................................................... 32

6.1.Utilização dos Eurocódigos na construção metálica .................................................................. 32

6.2. Acções em estruturas ................................................................................................................. 33

6.3. Conceitos gerais ......................................................................................................................... 33

6.4. CLASSIFICAÇÃO DE ACÇÕES EM ESTRUTURAS ........................................................... 33

6.5. Estatuto e campo de aplicação dos Eurocódigos ....................................................................... 36

6.6. Normas nacionais de implementação dos Eurocódigos ............................................................ 37

6.7. Ligações entre os Eurocódigos e as especificações técnicas harmonizadas (EN e ETA)


relativas aos produtos ....................................................................................................................... 38

7. Conclusões .................................................................................................................................... 39

8. Referências bibliográficas ............................................................................................................ 42


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1.Introdução

Este trabalho tem por intuito inicialmente falar sobre história do betão e a evolução do betão
armado. Entretanto, ao colectar material, verificamos que a história do betão armado não pode ser
tratada de maneira estanque. O betão moderno, utilizado actualmente para a construção dos mais
diversos tipos de estrutura é fruto do trabalho de inúmeros homens, que durante milhares de anos
observaram a natureza e se esmeraram por aperfeiçoar materiais, técnicas, teorias e formas
estruturais. Desta forma, constatamos que a história do concreto armado não começou no século
passado, mas com a própria civilização humana, pois a partir do momento que o homem existe
sobre a terra, ele tem a necessidade básica de morar e morar melhor a cada dia, desenvolvendo
novas tecnologias para isto.
Mas podemos ir mais longe que isto, a milhões de anos atrás, se considerarmos que os primeiros
cimentos e betão foram gerados pela natureza. Podemos até considerar as rochas sedimentares
como o betão naturais. Desta forma, resolvemos reestruturar este trabalho como um breve histórico
sobre a arte de construir, tendo como enfoque principal a utilização do concreto. Para isto,
organizamos o texto em forma de linha cronológica e colectamos fatos diversos que consideramos
relevantes para a evolução da ideia de se construir com concreto.

Hoje o betão é o segundo recurso mais consumido no mundo perdendo somente para água. Em
qualquer lugar que estejamos, se olharmos para os lados com certeza iremos nos deparar com
este material. É um material que tem aceitação mundial, e no Brasil é utilizado em todo território
nacional. Devido a abundância dos materiais constituintes do concreto armado na natureza, a
facilidade de aplicação do material que se molda a qualquer forma e seu custo-benefício, que o
torna praticamente imbatível no mercado da construção civil.
Também nos trouxe muitos avanços nas áreas sociais, de habitação, educação, saúde,
saneamento básico, desenvolvimento de cidades. A maioria das construções de casas, prédios,
escolas, hospitais, redes de esgoto, tem usado na sua estrutura o concreto armado.
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2. Objectivos

2.1. Objectivo Geral


 Estudar o betão desde seus primórdios até os dias atuais.

2.2. Objectivo Específico


 Apresentar a evolução e história do betão desde seu surgimento até os dias de hoje,
 Conceituar o betão armado e protendido;
 Analisar as características do betão;
.

3. Metodologia
A confecção do presente trabalho baseia-se em uma revisão bibliográfica com base na literatura
técnica, nacional e internacional, na busca de informações em diversas páginas da Internet e na
experiência prática do autor e dos orientadores do presente trabalho

4. Fundamentação teórica

4.1. História do betão


O betão é um material de construção feito pelo homem que se assemelha a uma pedra.
Combinando cimento, agregado graúdo e água obtém-se o betão. A água permite a fixação e união
dos materiais. Diferentes misturas são adicionadas para que o concreto obtenha específicas
características. O betão é geralmente reforçado com o uso de barras de aço, antes de ser lançado
nos moldes. De forma interessante, a história do concreto tem as primeiras evidências em Roma, a
aproximadamente 2000 anos atrás. Betão era essencialmente utilizado em aquedutos e estradas em
Roma.

Fonte: Arnaldo 2003


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Diz-se que os romanos usavam uma matéria prima especial para seus concretos. Tal mistura
consistia de cascalho e areia grossa misturados com cal quente e água, e, às vezes, até mesmo
sangue de animal. Para reduzir retracções, eles utilizavam cabelo de cavalo. Evidências históricas
constatam que sírios e babilônios usavam argila como material ligante. Mesmo os Egípcios antigos
são conhecidos por utilizar cal e cimento para o concreto. Argamassa de cal e cimento também
foram usadas nas construções das pirâmides mundialmente aclamadas.

Contudo, Romanos são conhecidos por terem feito amplo uso de concreto para construir estradas.
É interessante notar que eles construíram aproximadamente 5.300 milhas de estradas utilizando
concreto. Concreto é um material de construção muito resistente. Evidências históricas também
apontam que Romanos usavam pozolana, gordura animal, leite e sangue como aditivos em
construções de concreto.

REPORT THIS AD

O primeiro fato registado aponta para o ano 1756, quando John Smeaton fez concreto misturando
agregado graúdo e cimento. Em 1793, ele construiu o Eddystone Lighthouse in Cornwall
(Inglaterra) com o uso de cimento hidráulico. Outro grande desenvolvimento aconteceu no ano
1824. O inventor inglês Joseph Aspdin desenvolveu o cimento portlant. Ele fez concreto
queimando giz com terra e finalmente argila, em um forno até que o dióxido de carbono
evaporasse, resultando em um forte cimento.

Foi na Alemanha que o primeiro teste sistemático de concreto aconteceu em 1836. O teste media a
resistência à tracção e à compressão do concreto. Outro importante ingrediente do concreto é
agregado e isso inclui areia, brita, argila, cascalho, escolha e xisto. Concreto que faz uso de
aço/metal é um concreto reforçado ou concreto armado. Foi Joseph Monier quem inventou o
primeiro concreto armado em 1849. Ele foi quem quem fez cubas e tubos de concreto armado com
o uso de aço. O concreto armado, portanto, combina a capacidade à tracção do metal e à
compressão do concreto para suportar elevadas cargas. Ele recebeu a patente por essa invenção em
1867.

Em 1886, o primeiro forno rotatório foi introduzido na Inglaterra e tornou constante a produção de
cimento. Em 1981, George Bartholomew fez a primeira rua em concreto em Ohio, USA. Por volta
de 1920, concreto foi largamente utilizado em construções de estradas e construções. Foi em 1936
que as barragens de concreto Hoover e Grand Cooley foram construídas.
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Concreto, desde a idade moderna, é um caminho sem volta. Conhecido como o mais resistente
material de construção, o concreto encontrou maior emprego em represas, rodovias, prédios, entre
outros diferentes tipos de edificações e construções.

O betão é o material mais utilizado na construção civil, composto por uma mistura
de água, cimento e agregados. O cimento é o aglomerante do concreto que une os agregados. Estes
podem ser agregados miúdos (areias naturais ou artificiais) ou agregados graúdos (pedras britadas
ou seixos). Associando esses materiais de diferente maneiras pode-se ter:

 Pasta, Nata ou Calda: cimento + água;


 Argamassa: pasta + agregado miúdo;
 Concreto: argamassa + agregado graúdo;

Contrariando o que é comummente difundido, a adição de agregados de maiores dimensões para


compor o concreto não tem a finalidade, apenas, de diminuir o custo do seu volume unitário. As
razões, além da redução do custo, são também os ganhos significativos relacionados à sua
funcionalidade e vida útil, uma vez que tais agregados garantem menos retracção na cura (podendo
ser 10 vezes menor que a retracção apresentada pela pasta de cimento pura), evitando assim
fissurações, e garantindo menor fluência (também podendo chegar a ser 10 vezes menor que a
fluência apresentada pela pasta de cimento pura).

Historicamente, os romanos foram os primeiros a usar uma espécie de concreto para assentar seus
tijolos cerâmicos maciços. Eles utilizavam como cimento pozolana natural e cal. Embora o
primeiro uso é muito antigo, o cimento e concreto ficaram esquecidos por conta da ruralização da
Europa e idade média. O material só veio a ser novamente desenvolvido e pesquisado no século
XIX.

O concreto simples possui uma razoável resistência a compressão (esmagamento), entretanto uma
baixa resistência a tracção (cerca de 10% do valor da compressão). Como na maioria das estruturas
é comum se encontrar os dois tipos de esforços, o uso do concreto se dá normalmente junto com
um outro material (na maioria das vezes aço carbono). O tipo de armadura empregada caracteriza
o concreto. Usualmente, chama-se de concreto armado, quando o aço é disposta nos locais
apropriados (armadura passiva). Quando o aço colocado na estrutura sofre a aplicação de um
alongamento (traccionado antes ou depois de concertado), recebe o nome de concreto protendido.
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Além disso existem vários tipos de concretos especiais, como o concreto autoadensável, concreto
leve, concreto pós-reactivo, concreto translúcido, concreto colorido, concreto com fibras, que são
utilizados de acordo com necessidades especificas de cada projecto.

A água utilizada contribui para a reacção química que transforma o cimento portland em uma pasta
aglomerante. Se a quantidade de água for muito pequena, a reacção não ocorrerá por completo e
também a facilidade de se adaptar às formas ficará prejudicada, porém se a quantidade for superior
a ideal, a resistência diminuirá em função dos poros que ocorrerão quando este excesso evaporar. A
porosidade, por sua vez, tem influência na impermeabilidade e, consequentemente, na durabilidade
das estruturas confeccionadas em concreto. A proporção entre a água e o cimento utilizados na
mistura é chamada de factor água ou cimento. As proporções entre areia e brita na mistura tem
influência na facilidade de se adaptar às formas e na resistência.

Materiais constituintes do concreto:

 Aglomerante — cimento portland;


 Agregado Miúdo — areia natural ou artificial (pó de pedra beneficiado), pó de pedra;
 Agregado Graúdo — pedra britada ou seixo natural;
 Água — pode ter parte ou totalidade substituída por gelo;
 Aditivo — plastificante, retardador de pega, aumenta fluidez;
 Adições — metacaulim, cinza volante, pozolanas, cal, pó de pedra;

As Termas de Caracalla foram resultado de uma ambiciosa política de obras impostas pelo
imperador romano Marcus Aurelius Antoninus (188 - 217), mais conhecido como Caracalla - que
na realidade é o nome de um manto gaulês com capuz, usado por ele. Construídas entre os anos
212 e 217, as tais termas são o primeiro exemplo que se conhece de associação de barras metálicas
a pedras ou argamassa com a finalidade de aumentar a resistência das construções.

Fig. - Termas de Caracalla


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A partir dos primórdios do século XV, durante a recuperação das ruínas dessas termas,
descobriram-se barras de bronze dentro da argamassa de pozzolana - rocha de origem vulcânica
constituída por uma mistura de areia, argila e silte - em estruturas que, sem apoio, cobriam
distâncias muito grandes para a época. Muitos anos depois, entre 1764 e 1790, a associação
aço/pedra natural foi utilizada pelo arquiteto Jean-Baptiste Rondelet (1743 - 1829) na construção
da estrutura da Igreja de Santa Genoveva, em Paris, hoje chamada Panthéon de Paris.

Fig. - projeto arquitetônico da Igreja de Santa Genoveva

Concebido pelo [também] arquitecto Jacques Germain Soufflot (1713 - 1780), o projecto da igreja
previa poucas colunas na fachada, segundo ele "para agregar a leveza do gótico com a pureza da
arquitectura grega". Assim, havia a necessidade de executar grandes vigas com o objectivo de
transferir as elevadas cargas da superestrutura para as fundações. Rondelet utilizou barras
longitudinais rectas nas zonas de tracção e barras transversais para evitar o cisalhamento - tensão
gerada por forças perpendiculares à maior dimensão de uma estrutura, que incidem na mesma
direcção, mas em sentidos opostos - nas vigas executadas com pedra lavrada. As barras eram
enfiadas através de furos feitos nas pedras, e os espaços vazios eram preenchidos com argamassa
de cal. Não faltaram nem as barras dobradas - barras longitudinais dobradas entre 30 e 45 graus
para absorver os esforços de cisalhamento das estruturas, adoptadas em projectos de engenharia até
meados da década de 1960.

Em 1824, portanto passados 34 anos do término da obra pioneira, o empresário Joseph Aspdin
(1778 - 1855) fez algumas experiências utilizando misturas de pó de pedra calcária e argila, as
quais eram queimadas e depois moídas. Aos materiais obtidos dessas misturas eram acrescentadas
quantidades experimentais de água, e o resultado vinha sob a forma de um certo tipo de argamassa
que depois de seca ficava dura como pedra. O produto final era parecido com um tipo de rocha
encontrado na ilha britânica de Portland, semelhante, inclusive em resistência e durabilidade.
Aspdin patenteou o produto com o nome de Cimento Portland.
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O barco de Lambot foi por ele apresentado, juntamente com um pedido de patente, na Exposição
Universal de Paris de 1855. Ele imaginava que seu barco [de cimento armado] chamaria muito
mais atenção do público do que o normal, garantindo então mais oportunidades para usar o tal
cimento armado em obras. Porém seu objectivo não foi atingido, uma vez que ninguém considerou
ser de alguma valia a sua invenção. O uso do cimento armado para a construção de navios foi
descartado pelos funcionários da Administração da Marinha de Toulon por considerarem
inadequado o novo material.

Fig. 3 - Barco de Lambot (1849)

Entretanto, entre os visitantes da exposição, estava um comerciante de plantas ornamentais,


horticultor e paisagista, que não dava a mínima importância para regulamentos ou normas técnicas,
principais observações dos engenheiros. Ele enxergava o barco de Lambot com outros olhos. Seu
nome era Joseph Monier (1823 - 1906). Monier tinha grandes problemas com as caixas de madeira
ou cerâmica onde, em estufas, acomodava as laranjeiras em crescimento durante o inverno. Em
contacto com a terra húmida, as caixas quebravam ou apodreciam rapidamente. Ao ver o barco de
cimento armado, imaginou que o material utilizado para construí-lo serviria para fazer suas caixas
de terra. Provavelmente não teria pensado nisso se, ao invés de se deparar com um barco, tivesse
visto, por exemplo, uma laje.

Lambot, apesar de ser engenheiro, não foi convincente em suas argumentações junto às associações
de normas técnicas da época; Monier, por outro lado, sem a pretensão de convencer ninguém,
aproveitou a ideia de Lambot e passou a construir suas caixas de plantas de cimento armado, do
que jeito que melhor lhe parecia ficar. Com as malhas de ferro dava os formatos que queria às suas
caixas e vasos e, com cimento, preenchia os espaços e efetuava o cobrimento da armadura.

Em 1875 construiu uma ponte de 16,5 metros da vão e 4,0 metros de largura nas propriedades do
Marquês de Tillière. A partir de então, atento aos negócios, começou a registar patentes de tudo o
que fazia, expandindo seu trabalho de construção em cimento armado para outros países da Europa,
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passando a ser considerado como o inventor do concreto armado. Na Alemanha o


termo Monierbau é, ainda hoje, sinónimo de Concreto Armado.

Fig. - Primeira ponte construída [por Joseph Monier] em cimento armado, imitando aparência de troncos e
ramificações de árvores

Na América, quase à época em que Lambot patenteava seu barco, um advogado dotado de grande
capacidade inventiva, também fazia suas experiências, mostrando-as a um reduzido círculo de
amigos. Só mais tarde, em 1877, Thaddeus Hyatt (1816 - 1901) publicou seus ensaios, com um
título que mais parece título de tese de mestrado ou doutorado: "An Account of Some Experiments
with Portland-Cement-Concrete, Combined with Iron as a Building Material with Reference to
Economy of Construction and for Security Against Fire in the Making of Roofs, Floors and
Walking Surfaces".

Hyatt conseguiu decifrar o verdadeiro papel da armadura no trabalho com o concreto, enxergando a
composição ferro/concreto como uma peça única e compreendendo a necessidade de uma armadura
transversal muito bem ancorada, tal como o atual estado de conhecimento sobre concreto determina
em norma.

De seus ensaios Hyatt obteve as seguintes conclusões:

 O concreto deve ser considerado como um material de construção resistente ao fogo;


 Para que a resistência ao fogo possa ser garantida, o ferro deve estar totalmente envolvido
por concreto;
 O funcionamento em conjunto do concreto com ferro chato ou redondo é perfeito e
constitui uma solução mais económica do que com o uso de perfis "I" como armadura;
 O coeficiente de dilatação térmica dos dois materiais é suficientemente igual;
 A relação dos módulos de elasticidade deve ser adoptada igual a 20;
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 Concreto com ferro do lado traccionado presta-se não somente para estruturas de
edificações como também para construções de abrigos.
Thaddeus Hyatt foi o primeiro a compreender profundamente a necessidade de uma boa aderência
entre o concreto e o ferro, bem como do posicionamento correto das barras de ferro para que este
material fosse eficaz na obtenção da resistência do produto final. Portanto, Hyatt foi, de fato, o
grande precursor do concreto armado da forma como hoje o conhecemos.

Fig. - Vigas de ensaio de Hyatt, com indicação das armaduras e das trincas

Na Alemanha o engenheiro alemão Gustav Adolph Wayss (1851 - 1917) obteve as patentes de
Monier, compradas anteriormente pelas firmas Freytag e Heidschuch e Martenstein e Josseaux.
Seu entusiasmo originou-se de uma visita à Exposição Universal de Antuérpia, em 1879, quando
viu as peças de concreto construídas pelo engenheiro francês François Hennebique (1842 - 1921).
O primeiro passo de Wayss foi fundar em Berlin a empresa "Aktiengesellschaft für Beton - und
Monierbau". Porém, o novo processo construtivo despertou incertezas e desconfianças, levando-o
a investir muitos recursos em ensaios para demonstrar, mediante provas de carga, que existiam
vantagens económicas na utilização de armaduras de ferro dentro do concreto. O órgão público de
fiscalização designou, então, o engenheiro Mathias Koenen (1849 - 1924) para conduzir os
ensaios de corpos de prova, e ele concluiu que a função da armadura de ferro era absorver as
tensões de tracção, enquanto o concreto resistia às compressões. Estavam, portanto, elucidadas as
dúvidas sobre a eficácia das construções em concreto armado, e daí para frente os estudos na área
foram crescendo em escala exponencial.
A avaliação das propriedades do betão, durante ou após a construção de uma determinada
estrutura tem sido uma preocupação dos engenheiros ao longo dos tempos. A maioria das
regras de dimensionamento são baseadas na resistência à compressão do betão, sendo por isso
natural que esta propriedade seja da maior importância. As principais propriedades mecânicas
do betão são a resistência à compressão, resistência à tracção e módulo de elasticidade.
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Para garantir que o betão utilizado possua a resistência prescrita no dimensionamento de uma
determinada estrutura, ou em conformidade com determinados requisitos, é necessário um bom
controlo de qualidade bem como os meios para o garantir. Usualmente, o controle de qualidade
do betão numa estrutura é feito através de ensaios de determinação da resistência à compressão.
Desde longa data, o ensaio mais utilizado para o controle de qualidade do betão tem sido a
determinação da resistência à compressão através de ensaios em provetes normalizados,
cúbicos ou cilíndricos, moldados com o mesmo betão a utilizar na estrutura, sendo prática
corrente das normas a determinação da resistência aos 28 dias. O ensaio é fácil de realizar, quer
em termos da preparação das amostras quer na obtenção de resultados.
Esta dissertação surge assim no âmbito de contribuir para os estudos das tensões de rotura à
compressão em cubos e cilindros formados a partir de betões de massa volúmica normal da
mesma classe de resistência.

4.2. Primeira associação do aço com a pedra


Segundo (KAEFER, 2006) a ideia de associar barras metálicas à pedra ou argamassa com a
finalidade de aumentar a resistência às solicitações de serviço remonta ao tempo dos romanos.
Durante a recuperação das ruínas das termas de Caracalla em Roma, notou-se a existência de
barras de bronze dentro da argamassa de pozolana, em pontos onde o vão a vencer era maior do
que o normal na época. A associação do aço com a pedra natural aparece peça primeira vez na
estrutura da igreja de Santa Genoveva, hoje Pantheon Paris, fig(1). Segundo o arquitecto Jacques
Germain Soufflot, a intenção era reunir nesta obra a leveza do gótico com a pureza da
arquitectura grega.

Com poucas colunas na fachada, fez-se necessário a construção de grandes vigas capazes de
efectuar a transferência de elevadas cargas da superestrutura as fundações. As vigas forma
executadas em pedra lavada, verdadeiras vigas em concreto armado, com barras longitudinais
rectas na zonas de tracção e barras transversais de cisalhamento. As barras longitudinais eram
enfiadas em furos executados artesanalmente nas pedras, uns em seguida aos outros e os espaços
vazios eram preenchidos com uma argamassa de cal. Nota-se que neste caso a pedra foi
executada antes ( corte, prepara das superfícies, furos ) e a armadura veio em seguida.
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Figura – Pantheon Paris 1770 (KAEFER, 2006)

1824 – CIMENTO PORTLAND


De acordo (KAEFER, 2006) Joseph Aspdin inventa o cimento Portland, queimando calcário e
argila finamente moídos e misturados a altas temperaturas até que o gás carbónico (CO2) fosse
retirado. O material obtido era então moído. Aspdin denomina este cimento como cimento
Portland em menção às jazidas de excelente pedra para construção existentes em Portland,
Inglaterra. A definição moderna de cimento Portland não poderia ser aplicável ao produto que
Aspdin patenteou. O cimento Portland hoje em dia é "feito a partir da queima a altas
temperaturas – até a fusão incipiente do material – de uma mistura definida de rocha calcária e
argila finamente moídas resultando no clínquer. É duvidoso que o cimento produzido sob a
patente de Aspdin de 1824 tenha sido queimado a uma temperatura suficiente para produzir
clínquer e além disso, sua patente não define as proporções dos ingredientes empregados.

Segundo (KAEFER, 2006) em 1825 Aspdin estabeleceu uma fábrica de cimento em um


subúrbio de Leeds . Os fornos fig.(3) utilizados para queimar o material cru foram construídos
em alvenaria com a forma de uma garrafa, com aproximadamente 12m de altura e 5,6m de
diâmetro próximo à base. Entretanto, estes fornos eram bastante precários, pois havia um grande
desperdício de combustível (cada fornada necessitava que a massa inteira de tijolos fosse
reaquecida e certas velocidades e direcção do vento podiam resultar num consumo de coque
acima da metade do peso de clínquer produzido) e uma grande percentagem do produto era
queimado imperfeitamente, o que requeria um tedioso e custoso trabalho de inspecção e
classificação manual.
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Figura - Forno em forma de garrafa para produção de cimento Portland


(KAEFER, 2006)

4.3. O início do cimento armado


Cimento Armado (denominação usada até meados de 1920). Em 1850,segundo (KAEFER,
2006) o engenheiro Francês Joseph Louis Lambot efectuou as primeiras experiências práticas da
introdução de ferragens numa massa de concreto. É desta data a construção de uma parede de
argamassa nas Forjarias Carcês, departamento do Var, sul da França, parede essa armada com
grande número de finas barras de ferro. Imerso em estudos sobre o concreto armado e motivado
por problemas com a manutenção de canoas de madeira utilizadas para lazer em um pequeno
lago existente em sua propriedade em Miraval, no Var, sul da França, Lambot tem a ideia de
construir um barco de concreto. Nada mais lógico, pois o concreto é durável, requer pouca
manutenção e resistente bem em meios aquáticos.

Lambot empregou para a construção de sua canoa uma malha fina de barras finas de ferro (ou
arame), entrelaçadas, entremeadas com barras mais grossas, usando essa malha fina ao mesmo
tempo como gabarito para se obter o formato adequado do barco , para segurar a argamassa,
dispensando a confecção de moldes e para evitar problemas com fissuras.

4.4. Joseph monier “ inventor do betão armado

Na exposição Universal de Paris Lambot não obteve êxito, visto que não conseguiu convencer
ninguém a fazer o uso deste material e os funcionários da Administração da Marinha em Toulon
se recusaram a aceitar o novo material por considerarem o concreto armado não apropriado para
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a execução de navios. Entre os visitantes da feira estava Joseph Monier. Este não era engenheiro
e não se preocupava com regulamentos : era um comerciante de plantas ornamentais, paisagista
e horticultor, muito prático e óptimo negociante. Monier tinha problemas com seus vasos
cerâmicos e de madeira, problemas como humidade e durabilidade eram os principais.

Foi então que ao se deparar na feira com a invenção de Lambot, veio a ideia de fabricar caixas e
vasos de concreto armado. Monier era prático e para ele o concreto armado era muito útil para
dar forma a qualquer peça onde a argamassa é envolvida nas malhas de ferro. Foi com esse
pensamento que durante muitos anos comercializou caixas e vasos de formas variáveis. Seu
rendimento foi tal que desistiu da sua profissão e partiu a dedicação total a nova actividade,
porém pensava sempre na utilização do material com algo que estivesse em contacto com a
água. É por isso que suas primeiras realizações forma peças como : bacias, caixas d`água, tubos
para encanamentos. Foi sempre ampliando seu campo de acções quando por volta de 1868 a
1873 construiu três grandes reservatórios, o primeiro com 25m³, outro com 120m³ e por último
um de 200m³, suportado por colunas, em Nogentsur-Marne. Começou então a patentear tudo
que fazia em foi em 1875 quando construiu uma ponte de 16,5m de vão e 4m de largura nas
propriedades do Marquês de Tilliers. Joseph Monier foi portanto o grande realizador, o criador.

4.5. O betão armado na Alemanha

Segundo (KAEFER, 2006) o início se deu com a compra da patente Monier pela Firma Freytag
& Heidschuch de Neustadt sobre o Haardt, para o norte da Alemanha e por Martentein Josseaux
de Offenbach sobre o Meno para a região de Frankfurt. Essas duas firmas garantiram o direito de
preferência de compra da patente para o resto da Alemanha.

Em 1886 essas duas firmas cederam o direito para o engenheiro alemão Gustavo Adolpho
Wayss. Este fundou em Berlin uma firma “ Aktiengesellschaft Für beton – und Monier bau “. O
novo processo construtivo gerou diversas suspeitas e desconfianças. Foi então que Wayss
decidiu investir em ensaios para provar, por meio de provas de carga, que existiam vantagens
económicas ao se colocar armaduras de ferro dentro do betão. O engenheiro encarregado de
conduzir os trabalhos das provas de cargas foi Mathias Koenen. Este concluiu que a função do
ferro deveria consistir, na absorção das tensões de tracção enquanto que o concreto se
encarregaria de resistir as compressões.
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4.6. Início do betão armado no brasil

Segundo (VASCONCELOS, 2006), pouco se conhece sobre o início efectivo do concreto armado
no Brasil. A mais antiga noticia sobre a utilização do concreto armado data de 1904, documentada
no curso do professor António de Paula Freitas na "Escola Polytechnica do Rio de Janeiro ".

Em sua publicação "Construções de Cimento Armado" menciona que as primeiras aplicações de


concreto armado no Brasil foram em casas de habitação em Copacabana. A execução foi do
Engenheiro Carlos Poma que obtivera em 1892 a patente, que não passava de uma variante do
sistema de Monier. Poma chegou a executar várias obras em concreto armado como: prédios,
sobrados, escadas, fundações, soalhos e muros.

Conforme (VASCONCELOS, 2006) no Rio de Janeiro, segundo informações contidas em "A


arquitectura moderna e suas raízes" de Paulo F. Santos, em 1908, Echevarria teria construído
uma ponte de 9m de comprimento com cálculos feitos na França por Hennebique. Nada resta
desta ponto, nem mesmo o construtor.

Segundo (VASCONCELOS, 2006) as primeiras estruturas de concreto armado calculados no


Brasil foram de Carlos Euller e de seu auxiliar Mário de Andrade Martins Costa que projectaram
a ponte em arco de concreto armado sobre o Rio Maracanã, anterior a 1908. Segundo
(VASCONCELOS, 2006) a revista Brazil-Ferro Carril de 1940 ao publicar a biografia de Carlos
Euller cita como a grande aplicação do concreto armado, pela primeira vez no Brasil a obra do
viaduto entre São Cristóvão e São Diogo, sem especificar detalhes sobre a obra.

4.1.1. Materiais e componentes


4.1.2. Cimento

O Cimento Portland e um aglomerante obtido pela moagem do clinquer, ao qual são adicionados
durante a moagem, quantidades de sulfato de cálcio - gesso. As matérias primas empregadas na
fabricação são o calcário, a argila e o gesso. Os sacos de cimento vendidos no comercio, além da
sigla de letras e algarismos romanos que caracterizam o tipo do cimento, devem apresentar um
numero em algarismo arábico: 25, 32 ou 40, indicando a mínima resistência a compressão aos 28
dias de idade em argamassa normal, ou
17

seja, 25 MPa, 32 MPa ou 40 MPa. Excepção aos cimentos de alta resistência inicial cujas
resistências devem ser medidas aos 7 dias de idade. As normas brasileiras apresentam nove
tipos diferentes de cimento, através de seis normas.

4.1.3. Agregados

Agregados são materiais geralmente inertes (não reagem com o cimento) que entram na
composição do concreto com as finalidades de: - aumentar a resistência - reduzir a retracção -
reduzir custos.
Como pelo menos 70% do volume do concreto e ocupado pelos agregados, as suas qualidades
são de grande importância. A EB 4 / NBR 7211 fixa as características exigíveis na recepção de
agregados: faixas recomendáveis de composição granulometria, teor máximo de substâncias
nocivas e impurezas orgânicas e outros dados de importância pratica.
Segundo o tamanho, os agregados são classificados em graúdos e miúdos. Agregado miúdo e a
areia natural quartzosa, ou a artificial resultante do britamento de rochas estáveis, de diâmetros
máximos igual ou inferior a 4,8 mm. Agregado graúdo e o pedregulho natural, ou a pedra
britada, de diâmetros máximos superiores a 4,8 mm.
De acordo com a procedência, os agregados são classificados em naturais e artificiais:
 Agregados naturais: areia, cascalho lavado do rio, britas. Pedra-pomes e escoria de lava
são agregados naturais para concreto leve (~ 1800 kg/m3) e os fragmentos de magnetita
e de barita são utilizados para concreto pesado (~3700 kg/m3).
 Agregados artificiais: escoria de alto-forno e argila expandida (para concreto leve).

Para a dosagem de concretos, especial atenção deve ser dada a humidade nos agregados, o que
exigira uma correcção das proporções da mistura (diminuição da quantidade de água a ser
adicionada e acréscimo da massa do agregado de igual valor).

4.1.4. Água

A água destinada ao amassamento do concreto devera ser isenta de impurezas que possam vir a
prejudicar as reacções entre ela e o cimento. Normalmente as águas potáveis são satisfatórias
para o uso em concreto.
18

O item 8.1.3 da NB 1 / NBR 6118 especifica os teores máximos toleráveis de substâncias


nocivas para a água. A água do mar não e recomendada. Pode levar a resistências iniciais mais
elevadas que os concretos normais, mas as resistências finais são sempre menores, além da
possibilidade de corrosão da armadura. As águas minerais também não são recomendadas.

Na pratica, quase todas as águas naturais são utilizáveis. Os maiores defeitos provenientes da
água tem maior relação com o excesso de água empregada do que propriamente com os
elementos que ela possa conter.
A reacção química do cimento com a água e fundamental para dar ao concreto as propriedades
mais importantes: resistência, durabilidade, trabalhabilidade, impermeabilidade, etc.

4.1.5. Aditivos
Aditivos são substâncias adicionadas intencionalmente ao concreto, com a finalidade de
reforçar ou melhorar certas características, inclusive facilitando seu preparo e utilização.
Eis alguns casos de utilização de aditivos:
 Acréscimo de resistência
 Aumento da durabilidade
 Melhora na impermeabilidade
 Melhora na trabalhabilidade
 Possibilidade de retirada de formas em curto prazo
 Diminuição do calor de hidratação - retardamento ou aceleração da pega
 Diminuição da retracção

4.2.1. Produção de betão


Uma vez estudados os materiais componentes, suas características e propriedades, uma série de
cuidados deve ser observada nas etapas de produção do concreto. Vejamos, de forma resumida,
cada uma destas etapas:

4.2.2. Mistura
Antes de se iniciar a mistura, logicamente, os utensílios que medirão os materiais devem estar
preparados, com suas capacidades rigorosamente verificadas. Os agregados (miúdo e graúdo)
normalmente são medidos em padiolas de madeira, devendo sempre levar em conta a influencia
da humidade. O cimento sempre deve ser medido em peso, podendo ser considerado o peso de
50 kg quando a dosagem for para um saco de cimento. A água normalmente e medida em latas.
A mistura poderá ser manual ou mecânica:
19

 Amassamento manual - a Norma NB 1, item 12.3, recomenda: “O amassamento


manual do concreto, a empregar-se excepcionalmente em pequenos volumes ou em
obras de pouca importância, devera ser realizado sobre um estrado ou superfície plana

 Impermeável e resistente. Misturar-se-ao primeiramente a seco os agregados e o


cimento de maneira a obter-se cor uniforme; em seguida adicionar-se-a aos poucos a
água necessária, prosseguindo-se a mistura até conseguir-se massa de aspecto uniforme.
Não será permitido amassar-se, de cada vez, volume de concreto superior ao
correspondente a 100 kg de cimento”.

 Amassamento Mecânico - A mistura mecânica e feita em maquinas especiais


denominadas “betoneiras”. Não existem regras gerais para a ordem de carregamento dos
materiais na betoneira, entretanto, aconselhamos essa sequencia: coloca-se
primeiramente, uma parte da água; os demais materiais serão colocados nessa ordem:
brita, cimento, areia e o restante da água. Algumas vezes também pode ser adoptada a
seguinte sequencia: brita, 1/2 quantidade de água, cimento e finalmente o restante da
água. Essas sequencias de colocação de materiais são indicadas para as betoneiras de
360 litros (as mais usadas) e quando a dosagem for feita para um volume de 20 litros de
cimento (= 28,3 kg).

5. Evolução do betão
5.1. Evolução nos materiais

Nos regulamentos de 1918 e 1935 dão-se indicações quanto à composição a adoptar num betão
normal (dosagem tipo: 300 Kg de cimento; 400 litros de areia e 800 litros de brita).
A resistência era definida pelo valor médio dos resultados de ensaio à compressão simples, aos 28
dias, de cubos de 20cm de aresta o qual deveria ser superior a 120 Kg/cm2 (regulamento de 1918)
e 180 Kg/cm2 (regulamento de 1935). A técnica de compactação era inicialmente o apiloamento
sendo também referida no Regulamento de 1935 a vibração mecânica.
No regulamento de 1967 introduz-se o conceito da classe de resistência para o betão definida pela
resistência característica em Kg/cm2 obtida em ensaios de cubos aos 28 dias, à compressão simples
(B180/B225/B300/B350/B400).
20

Em 1971 é publicado o Regulamento de Betões de Ligantes Hidráulicos (RBLH, Dec. 404/71 de


23/9/71) no qual são introduzidos 2 tipos de betão B para os requisitos de resistência e BD 1, 2 ou
3 para betões com qualidades e requisitos de durabilidade especial.
Em 1983 é publicado o actual regulamento REBAP (Dec.Lei 349-C/83) que amplia as classes de
resistência, definidas agora nas unidades internacionais (MPa), até ao B55.
Em 1990 é publicada a ENV206 – Betão – Comportamento, produção, colocação e critérios de
conformidade que substitui o RBLH, aprofundando-se neste documento os conceitos de
durabilidade do betão. Actualmente está em curso a implementação do Eurocódigo 2 ENV1992 e
da EN206, sendo novamente ampliadas as classes de resistência até ao C90/105 (fck = 90MPa
referida a cilindros e 105MPa referida a cubos).

5.2. Aços para betão armado


Os regulamentos de 1918 e 1935 referem-se ao aço então disponível – aço liso de dureza natural
com uma tensão última da rotura fsu de 3800 a 4600 Kg/m2 (Reg. 1918) e superior a 3700 Kg/cm2
(Reg. 1935) e uma grande ductilidade, definida pela extensão após rotura εu (superior a 22% no
reg. 1918 e superior a 24% no Reg. 1935). Para estes aços a tensão de cedência deveria também ser
superior ou igual a fsu/2 (Reg. 1918) ou de 0.6 fsu (Reg. 1935).
No regulamento de 1983 são adoptadas três classes de resistência A230/A400/A500 referidas ao
valor característico da tensão de cedência ou f0.2k expressa em MPa. São ainda introduzidas as
armaduras de alta resistência (pré-esforço).

5.3. Durabilidade das Estruturas de Betão. Recobrimento das Armaduras


No regulamento de 1918 os recobrimentos mínimos Cmin especificados eram os seguintes:
Cmin ≥ 1.5 φ (diâmetro do varão)
≥ 1cm (lajes)
≥ 2cm (vigas e pilares)
É no entanto recomendado que estes valores sejam duplicados em construções junto ao mar ou para
as dotar de boa resistência ao fogo. No regulamento de 1967 este assunto não teve evolução
positiva. Com efeito especificam-se valores semelhantes aos de 1918 (Cmin ≥ φ; 1.0cm em geral; e
2.0cm em estruturas não protegidas) e apenas se sugere que tais valores devem ser aumentados se
se pretender melhorar a protecção contra a corrosão ou o fogo.
Com o regulamento de 1983 (e de acordo com as classes de agressividade definidas no RBLH) são
definidas três classes de exposição a que correspondem valores de recobrimentos mínimos de
2.0cm; 3.0cm e 4.0cm.
21

Finalmente com o Eurocódigo 2 (EN 1992) e com a EN206 as classes de exposição são mais
diferenciadas e os correspondentes requisitos de durabilidade mais coerentes e apropriados. É
também introduzido neste contexto a importância da qualificação do período de vida útil requerido
para as construções.

5.4. Modelos de verificação da segurança


No regulamento de 1918 e de 1935 a verificação da segurança é feita pelo critério das tensões
admissíveis estando nesses valores incorporado o coeficiente global de segurança (as acções não
eram majoradas na verificação das condições de segurança à rotura, sendo apenas minoradas as
capacidades resistentes dos materiais). Na verificação da segurança o cálculo de esforços é baseado
num modelo elástico linear à rotura, a resistência à tracção do betão era desprezada, e no cálculo de
tensões a relação tensão/deformação do betão à compressão é elática e linear.
Os valores das tensões admissíveis eram os seguintes:
À compressão: σb = 40 Kg/cm2 (Reg. 1918)
= 40/45 Kg/cm2 (Reg. 1935 em compressão simples)
= 45/50 Kg/cm2 (Reg. 1935 à flexão simples ou composta)
À Tracção: σs = 1100 Kg/cm2 (Reg. 1918)
= de 1200 Kg/cm2 (aço corrente) a 1500 (aço com fsu > 4800 Kg/cm2)
Ao corte: τ = 4 Kg/cm2

No regulamento de 1967 é introduzida a moderna filosofia de segurança aos estados limites


mediante a aplicação do método sem probabilístico de coeficientes parciais de segurança.
Para os cálculos à rotura a relação tensão/deformação do betão é uma parábola limitada por uma
extensão de 2‰. As acções passam a ser definidas em regulamento específico – RSEP
(Regulamento de Solicitações em Edifícios e Pontes, Dec 44041 de 18/11/1961) sendo introduzido
o conceito de acções excepcionais que integram em especial a acção sísmica (não majorada).
No regulamento de 1983 é aprofundada a filosofia da verificação da segurança aos estados limites
(agora definida em conjunto com as acções no RSA – Regulamento de Segurança e Acções). A
acção sísmica é tratada como acção variável sendo majorada por 1.5 para a verificação da
segurança ao Estado Limite Último.
22

Verifica-se com a entrada em vigor deste Regulamento uma redução significativa da capacidade
resistente ao esforço transverso em lajes sem armaduras transversais visto tal resistência estar
fortemente dependente da resistência à tracção do betão (e da amarração das armaduras
longitudinais). Por outro lado verifica-se um aumento da resistência máxima ao esforço transverso
em peças com armaduras transversais.

5.5. Pormenorização de armaduras e execução de trabalhos


O regulamento de 1918 inclui indicações detalhadas relativas à betonagem e execução dos moldes.
De referir que os varões, referenciados a polegadas, eram lisos devendo terminar em gancho,
quando traccionados.
No regulamento de 1935 aumentou-se consideravelmente o tratamento das disposições
construtivas. No que se refere aos varões de resistência do esforço transverso recomenda-se que,
para além dos estribos, sejam levantados varões de 45º junto aos apoios, alguns dos quais
associados à dispensa de varões requeridos
pela resistência ao momento flector. De referir a indicação relativa à compactação do betão por
apiloamento ou vibração mecânica (desenvolvimento então recente) e a hipótese de realizar a
junção de varões por união roscados.
No regulamento de 1967 são introduzidos os conceitos de armaduras mínimas e para a resistência
ao esforço transverso é recomendada a adopção de estribos. Os varões passam a ser referenciados
em milimetros.

No regulamento de 1983 são introduzidas as disposições construtivas relativas ao pré-esforço e são


introduzidas modificações importantes na pormenorização da cintagem em pilares. É ainda
introduzido um capítulo muito interessante e actual relativo à forma de conceber, calcular e
pormenorizar estruturas de ductilidade melhorada, com um tratamento muito semelhante ao que
veio a ser introduzido no eurocódigo 8 para estruturas de betão em regiões sísmicas.

Este trabalho tinha por intuito inicialmente resumir a evolução do concreto armado. Entretanto,
ao colectar material, verificamos que a história do concreto armado não pode ser tratada de
maneira estanque. O concreto moderno, utilizado actualmente para a construção dos mais
diversos tipos de estrutura é fruto do trabalho de inúmeros homens, que durante milhares de
anos observaram a natureza e se esmeraram por aperfeiçoar materiais, técnicas, teorias e formas
estruturais.
23

Desta forma, constatamos que a história do concreto armado não começou no século passado,
mas com a própria civilização humana, pois a partir do momento que o homem existe sobre a
terra, ele tem a necessidade básica de morar e morar melhor a cada dia, desenvolvendo novas
tecnologias para isto. Mas podemos ir mais longe que isto, a milhões de anos atrás, se
considerarmos que os primeiros cimentos e concretos foram gerados pela natureza. Podemos
até considerar as rochas sedimentares como concretos naturais. Desta forma, resolvemos
reestruturar este trabalho como um breve histórico sobre a arte de construir, tendo como
enfoque principal a utilização do concreto. Para isto, organizamos o texto em forma de linha
cronológica e colectamos fatos diversos que consideramos relevantes para a evolução da ideia
de se construir com concreto.

5.6. Betão em sua natureza básica


Material plástico, que é moldado de maneira a adquirir a forma desejada antes que desenvolva
um processo de endurecimento, adquirindo resistência suficiente para resistir sozinho aos
esforços que o solicitam.

12.000 a.C. – Israel

Reacções entre calcário e argila xistosa durante combustão espontânea formaram um depósito
natural de compósitos de cimento. Estes depósitos foram caracterizados por geólogos
israelenses na década de 70. Este é o cimento natural, o primeiro cimento que os homens
primeiro utilizaram.

Cimento: Mistura finamente moída de compósitos inorgânicos que quando combinados com
água endurecem por hidratação.

5.7. Origem do Homem


Os primeiros Homo Sapiens refugiaram-se nos lugares que a natureza lhes oferecia. Esses
locais poderiam ser aberturas nas rochas, cavernas, grutas ao pé de montanhas ou até no alto
delas. Mais tarde eles começariam a construir abrigos com as peles dos animais que caçavam
ou com as fibras vegetais das árvores das imediações, que aprenderam a tecer, ou então
combinando ambos os materiais.
24

8.000 a 4.000 a.C. – Europa

É somente no final do neolítico e início da idade do bronze que surgem as primeiras


construções de pedra, principalmente entre os povos do Mediterrâneo e os da costa atlântica.
No entanto, como esses monumentos colossais tinham a função de templo ou de câmaras
mortuárias, não se tratando de moradias, seu advento não melhorou as condições de habitação.
Pelo peso dessas pedras, acredita-se que não poderiam ter sido transportadas sem o
conhecimento da alavanca. Existem três tipos de formações megalíticas: as galerias cobertas,
ou dolmens, espécie de corredor que possibilita o acesso a uma tumba; os menires, que são
pedras gigantes cravadas verticalmente no solo encontrados isoladamente ou em fileiras
(alinhamentos); e os cromlech, que são menires dispostos em círculo.

5.8. Betão
Material plástico que é moldado de maneira a adquirir a forma desejada antes que desenvolva
um processo de endurecimento, adquirindo resistência suficiente para resistir sozinho aos
esforços que o solicitam. Apesar de rudimentares vemos nestas edificações o desenvolvimento
de estruturas aporticadas (dolméns, que são monumentos tumulares colectivos), onde dois
pilares de pedra apoiam uma viga também de pedra. Interior de uma Habitação Neolítica –
Skara Brae, Ilhas Órcadas

É somente no final do neolítico e início da idade do bronze que surgem as primeiras


construções de pedra, principalmente entre os povos do Mediterrâneo e os da costa atlântica.
No entanto, como esses monumentos colossais tinham a função de templo ou de câmaras
mortuárias, não se tratando de moradias, seu advento não melhorou as condições de habitação.
25

As construções megalíticas mais famosas são as de Stonehenge, em Salisbury, na Inglaterra; as


da ilha de Malta e as de Carnac, na França. Todos esses monumentos tem uma função ritual, já
que não serviam de habitação. Concreto na actualidade é definido como a mistura de um
aglomerante, o cimento, com agregados, normalmente areia e pedras, água e, as vezes, aditivos,
com a finalidade de construção de peças para obras civis. Pela escassez de outros materiais de
construção na região (pedra, madeira) os povos dessa região desenvolveram a fabricação de
tijolos de barro e a construção sobre solos com pouca capacidade de suporte.

Estes povos já sabiam da natureza frágil dos tijolos, como podemos observar pela forma de
suas construções, como por vestígios do uso de esteiras de fibras vegetais para reforçar a
estrutura de zigurates, combatendo os esforços de tracção que tendem a desmoronar o maciço.
A ideia de combinar materiais frágeis e dúcteis é lançada.

3.000 a.C. a 2.500 a.C. – Egipto

Uso de barro misturado com palha para fabricação de tijolos (secos ao ar livre) e de argamassas
de gipsita e de cal na construção das pirâmides.

Argamassa:
Pasta de um aglomerante misturado a areia.

Cal:
Cal é o nome genérico de um aglomerante simples, resultante da calcinação de rochas calcárias,
que se apresentam sob diversas variedades, com características resultantes da natureza da
matéria-prima empregada e do processamento conduzido.

A calcinação da rocha calcária pura resulta na produção de óxido de cálcio puro. Nas rochas
calcárias naturais é comum a associação do carbonato de cálcio com o carbonato de magnésio,
que não constitui impureza propriamente dita, mas altera algumas propriedades da cal. A sílica,
os óxidos de ferro e de alumínio são as impurezas que acompanham os carbonatos, em maior
ou menor grau, na constituição das rochas calcárias.

Observa-se que na fabricação da cal estas impurezas podem alterar bastante as propriedades da
cal produzida.
26

5.9. Reacção de Calcinação


A cal viva não é ainda o aglomerante utilizado em construção. O óxido deve ser hidratado,
transformando-se em hidróxido, que é o constituinte básico do aglomerante cal. A operação de

hidratação recebe o nome de extinção (reacção fortemente exotérmica), e o hidróxido resultante


denomina-se cal extinta.

5.1.1. Extinção da Cal Viva


A cal extinta é utilizada em mistura com água e areia, em proporções apropriadas na elaboração
de argamassas. Estas têm consistência mais ou menos plástica e endurecem por recombinação
do hidróxido com o gás carbónico presente na atmosfera, reconstituindo o carbonato original,
cujos cristais ligam-se de maneira permanente aos grãos de agregado utilizado. Esse
endurecimento se processa com lentidão e ocorre, evidentemente, de fora para dentro, exigindo
uma certa porosidade que permita, de um lado, a evaporação da água em excesso e, de outro, a
penetração do gás carbónico do ar atmosférico. Devido a este processo, este aglomerante é
chamado frequentemente de cal aérea. A cal não endurece debaixo da água e depois de
endurecida dissolve-se lentamente debaixo da água.

5.1.2. Endurecimento da cal


A calcinação do calcário pode ser realizada em instalações rudimentares, de forma similar à
qual os nossos antepassados a fabricavam dispondo camadas de calcário e carvão vegetal ou
através de fornos modernos, de produção ininterrupta e de alto padrão de qualidade como os
fornos rotativos.
27

5.1.3.Gipsita
É constituída por sulfato bi-hidratado de cálcio (CaSO4.H20) geralmente acompanhado de uma
certa proporção de impurezas, como sílica, alumina, óxido de ferro, carbonatos de cálcio e
magnésio. Da sua calcinação obtém-se o gesso, um aglomerante que endurece por hidratação, mas
que se dissolve lentamente na água, inclusive pela acção da chuva. O gesso é obtido por processo
semelhante ao empregado na fabricação da cal.

800 a.C. – Grécia: Creta e Cyprus

Uso de argamassas de cal mais resistentes que as argamassas romanas. Construção de muros e
paredes de baixo custo compostas por tijolos de barro (secos ao sol) ou pedras, assentados
directamente uns sobre os outros ou com argila e reforçados com madeira apareceram cedo na
Grécia e foram comuns mesmo na era clássica para edificações modestas. Nas construções
monumentais gregas, ao invés de argamassa, grampos ou tarugos de ferro foram geralmente usados
para manter juntos os blocos de pedra.

500 a.C. – Atenas

Apesar de o cimento e a argamassa não terem sido usados na Grécia, tanto para a construção de
paredes ou fundações, o cimento hidráulico já era conhecido desde o começo do século V a.C. e foi
comummente utilizado para revestir fontes atenienses deste período. Uma surpreendente técnica
usando ferro para aumentar a confiabilidade das peças estruturais de pedra é encontrada no
Propylaea em Atenas, construído entre 437 e 432 a.C. pelo arquitecto Mnesikles. A cobertura de
mármore é suportada por uma série de vigas que se apoiam sobre arquitraves jónicas.

5.1.4. Cal Pozolânica


Os romanos descobriram que, misturando uma cinza vulcânica encontrada nas proximidades do
Vesúvio chamada pozolana com cal hidratada (que entra em proporção variável, de 25 a 45%),
obtinham um aglomerante que endurecia sob a água. Esse material, actualmente encontra-se em
desuso. Sua reacção de endurecimento se dava por processo químico e produzia um material
resistente sob a água.

5.1.5. Cal Hidráulica


O nome cal hidráulica é aplicado a uma família de aglomerante de composição variada, obtidos
pela calcinação de rochas calcárias que, natural ou artificialmente, contenham uma porção
apreciável de materiais argilosos. O produto goza da propriedade de endurecer sob a água, embora,
28

pela quantidade de hidróxido de cálcio que contém, sofra também acção de endurecimento pela
carbonatação proveniente da fixação de CO2 do ar.

A cal hidráulica é fabricada por processos semelhante ao da fabricação da cal comum. A matéria
prima é calcinada em fornos e o produto obtido subsequentemente extinto. Apesar de endurecer
sob a água (reacção de hidratação) e resistir quando imerso, não é um produto apropriado para
construções sob a água, pois sua pega é muito lenta.

A escassez de madeira em grande parte do Império Romano demandava economia na preparação


das formas, sendo o reaproveitamento de formas e escoramento prática comum. Pisos alternados de
edifícios eram frequentemente suportados por cúpulas de concreto enquanto os pisos entre eles
eram construídos em madeira. Foi a técnica de se construir com concreto que constituiu a base para
a ordem espacial encontrada na arquitectura romana.

5.1.6. Idade Média


Arquitectos medievais utilizaram pedras na maioria de suas construções. Para a fundação,
construtores góticos usualmente preenchiam uma vala com pedregulhos e os compactavam para
servir de base para a alvenaria, mas em alguns edifícios mais importantes, uma fundação melhor
era feita com um resistente concreto constituído por pedregulhos e argamassa de cal. Muros
inteiros eram feitos com pedras assentadas com argamassa, mas frequentemente as faces exteriores
eram cuidadosamente confeccionadas com pedras de cantaria, utilizando argamassa e pedregulhos
para preencher o interior do muro, similarmente como os romanos faziam. A Idade Média não
trouxe inovações expressivas no emprego de argamassas e concretos. Pelo contrário, a qualidade
dos materiais cimentíceos em geral decai, perdendo-se o uso da cal pozolânica (adição).

Há evidências de que no vale do Rio Reno, tarras, uma rocha vulcânica era adicionada à mistura.
Pó de tijolos de barro também foram utilizados para aumentar a resistência das argamassas.
Inovações expressivas só começam a ocorrer no século XVIII no tocante ao uso de cimentos e
argamassas.

1824 – Cimento Portland de Joseph Aspdin, InglaterraJoseph Aspdin

inventa o cimento Portland, queimando calcário e argila finamente moídos e misturados a altas
temperaturas até que o gás carbónico (CO2) fosse retirado. O material obtido era então moído.
Aspdin denomina este cimento como cimento Portland em menção às jazidas de excelente pedra
para construção existentes em Portland, Inglaterra.
29

A definição moderna de cimento Portland não poderia ser aplicável ao produto que Aspdin
patenteou. O cimento Portland hoje em dia é “feito a partir da queima a altas temperaturas – até a
fusão incipiente do material – de uma mistura definida de rocha calcária e argila finamente moídas
resultando no clínquer. É duvidoso que o cimento produzido sob a patente de Aspdin de 1824 tenha
sido queimado a uma temperatura suficiente para produzir clínquer e além disso, sua patente não
define as proporções dos ingredientes empregados.

Em 1825 Aspdin estabeleceu uma fábrica de cimento em um subúrbio de Leeds. Os fornos


utilizados para queimar o material cru foram construídos em alvenaria com a forma de uma garrafa,
com aproximadamente 12m de altura e 5,6m de diâmetro próximo à base. Entretanto, estes fornos
eram bastante precários, pois havia um grande desperdício de combustível (cada fornada
necessitava que a massa inteira de tijolos fosse reaquecida e certas velocidades e direcção do vento
podiam resultar num consumo de coque acima da metade do peso de clínquer produzido) e uma
grande percentagem do produto era queimado imperfeitamente, o que requeria um tedioso e
custoso trabalho de inspecção e classificação manual.

1828 – Inglaterra

I. K. Brunel é creditada a primeira aplicação de cimento Portland, que foi utilizado para preencher
uma fenda no Túnel do Tâmisa.

1836 – Alemanha

Têm início os primeiros ensaios sistemáticos para determinação da resistência a tracção e


compressão do cimento.

1836 – George Godwin, Inglaterra

Uso do concreto é descrito por um artigo de George Godwin para o Institute of British Architects.
Segundo ele, para fundações uma mistura de cal, água e pedras podia ser utilizada, colocando-se
numa trincheira camadas alternadas de pedra e argamassa, compactando-se a mistura após o
lançamento da argamassa. É interessante notar que hoje em dia são utilizados métodos parecidos a
este para a construção de pavimentos flexíveis

1850 a 1900 – Alemanha

Na segunda metade do século XIX, a Alemanha foi o principal centro de desenvolvimento de


métodos e testes para o cimento. A melhoria da qualidade do cimento decorreu principalmente a
avanços no projecto dos fornos que aumentaram a uniformidade do clínquer e da introdução em
30

1871 de análises químicas sistemáticas de toda matéria-prima utilizada. Uma maior proporção de
calcário e fornos capazes de suportar temperaturas mais altas resultaram num clínquer mais duro.
Em 1875 foi reconhecido que os maiores grãos do clínquer moído faziam pouco pela resistência do
cimento e em dois anos somente 3 a 4% das partículas do cimento alemão eram retidas na peneira
no 6000 (6000 furos por polegada quadrada). Todas estas melhorias técnicas foram assistidas pelo
governo alemão, seus laboratórios e instalações das Universidades Técnicas.

1850– B. P. E. Clapeyron, França

Clapeyron, um engenheiro francês começa a utiliza um novo método para resolver o problema de
vigas contínuas, o “Teorema dos Três Momentos”.

Descoberta de que a adição de gipsita ao moer o clínquer age como agente retardador de pega do
concreto. Fornos de cuba vertical são trocados por fornos rotativos e moinhos de bolas são
adoptados para moer o cimento.

5.1.8. Anos 20 – Betão Pré-Misturado


A qualidade do mistura do concreto passa a ser muito melhor controlada após a introdução do
betão preparado em usina.1930Agentes incorporadores de ar são introduzidos para aumentar a
resistência do betão aos danos devidos ao efeito congelamento ou descongelamento .

Década de 70

Introdução do concreto reforçado com fibras e de concretos de alta resistência.

Década de 80

Superplastificantes são introduzidos nas misturas.

5.1.9. Presente e Futuro do Betão


O betão evoluiu muito desde o tempo de Roma. A engenharia usa concreto actualmente em campos
muito diversos, em muitos casos sob ambientes extremamente agressivos. Para se adaptar aos
novos e desafiadores usos o homem criou uma infinidade de tipos de concretos, utilizando uma
enorme gama de cimentos, agregados, adições, aditivos e formas de aplicação (armado, protendido,
projectado,…). Encontramos concreto na fundação de plataformas petrolíferas no dos oceanos ou
enterrado a centenas de metros abaixo da terra em fundações, túneis e minas a 452m acima do solo
em arranha-céus.
31

5.2. Pré-fabricação na construção civil

Segundo VASCONCELLOS (2002), não se pode precisar a data em que começou a pré-moldagem.
O próprio nascimento do concreto armado ocorreu com a pré-moldagem de elementos, fora do
local de seu uso. Sendo assim, pode-se afirmar que a pré moldagem
começou com a invenção do concreto armado.
O termo pré-fabricação no campo da construção civil possui o seguinte significado: ”fabricação de
certo elemento antes do seu posicionamento final na obra” (REVEL, 1973).
A norma NBR 9062 - Projecto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado (ABNT, 1985)
define estrutura pré-fabricada como elemento pré-moldado executado industrialmente, mesmo em
instalações temporárias em canteiros de obra, ou em instalações permanentes de empresa destinada
para este fim que atende aos requisitos mínimos de mão-de-obra qualificada; a matéria-prima dos
elementos pré-fabricados deve ser ensaiada e testada quando no recebimento pela empresa e
previamente à sua utilização.

Segundo REVEL (1973), a pré-fabricação em seu sentido mais geral se aplica a toda fabricação de
elementos de construção civil em indústrias, a partir de matérias primas e semi-produtos
cuidadosamente escolhidos e utilizados, sendo em seguida estes elementos transportados à obra
onde ocorre a montagem da edificação.

Conforme ORDONÉZ (1974), foi no período pós Segunda Guerra Mundial, principalmente na
Europa, que começou, verdadeiramente, a história da pré-fabricação como “manifestação mais
significativa da industrialização na construção”, e que a utilização intensiva do pré-fabricado em
concreto deu-se em função da necessidade de se
construir em grande escala.

5.2 Aplicações recentes


Segundo a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND – ABCP (2005), a
primeira empresa a colocar os painéis de fachada como produto de mercado foi a Stamp, que
trouxe a tecnologia do Canadá e transformou a obra em uma linha de montagem de componentes.
Isso em 1994, com as obras do Condominium Club Ibirapuera, em São Paulo, a partir de então vem
crescendo sua utilização como alternativa ao emprego das alvenarias nas fachadas de edifícios de
múltiplos pavimentos.
32

6. Eurocódigo

6.1.Utilização dos Eurocódigos na construção metálica


Os Eurocódigos estruturais são um conjunto de normas técnicas que têm como objectivo abranger
o projecto e verificação de qualquer tipo de construção para os países membros da União Europeia.
O objectivo deste trabalho é sistematizar todos os procedimentos que estão presentes nos
Eurocódigos e que são aplicáveis, de uma forma geral, à construção metálica. Foi feito o
desenvolvimento de uma solução estrutural para o caso concreto de uma estrutura metálica de uma
ponte rolante com o objectivo de se fazer o levantamento dos normativos estabelecidos para o
projecto de estruturas metálicas.
Este trabalho foi desenvolvido considerando fundamentalmente três Eurocódigos. O Eurocódigo 0
que estabelece o princípio e bases para o projecto de estruturas, o Eurocódigo 1 que define as
acções em estruturas e o Eurocódigo 3 que estabelece as regras gerais, de verificação ao fogo, de
projecto de ligações e de verificação à fadiga.

O trabalho desenvolvido consistiu em projectar a estrutura metálica da ponte rolante considerada e


para tal foram feitos os seguintes passos.
 Determinação das acções na estrutura e das situações de projecto;
 Projecto da estrutura considerando a verificação de cedência ou deformação excessiva dos
seus elementos;
 Projecto da estrutura considerando a perda de equilíbrio estático da estrutura;
 Projecto da estrutura considerando a verificação da sua resistência ao fogo;
 Projecto das ligações aparafusadas;
 Verificação da resistência à fadiga.

A Convenção Europeia de Construção em Aço (ECCS) apresenta para ano de 2008 o boletim
estatístico de aço produzido na Europa. Neste boletim estão ilustradas os valores estatísticos de
produção de aço de construção o que pode ser uma referência para a evolução da construção
metálica.
O autor Rui Simões (2) refere que em 2007 verificava-se um aumento progressivo da construção
metálica a nível nacional o que leva a considerar a possibilidade de um comportamento
similar entre a construção metálica e a produção de aço nacional.
33

Desde 1975 que tem havido um esforço considerável, a nível europeu, para se uni formizar a
regulamentação de projecto e verificação de diversos tipos de estruturas e recentemente foram
aprovados os regulamentos Europeus designados por Eurocódigos Estruturais . Os Eurocódigos
têm como objectivo abranger, enquanto norma técnica de projecto e verificação, toda a construção
de estruturas. A uniformização verificada com os Eurocódigos possibilita a eliminação de entraves
técnicos à comercialização de estruturas e de elementos estruturais .
A elaboração dos Eurocódigos ficou a cargo do CEN3, trata-se de um comité técnico de
normalização. Em Portugal é o LNEC4 que tem a cargo a tradução dos Eurocódigos para a língua
portuguesa bem como a elaboração dos anexos nacionais que determinam os pa râmetros nacionais
de cálculo enquanto a publicação dos Eurocódigos como norma nacional fica a cargo do IPQ5 .
A construção metálica não tem só importância devido ao seu volume mas também devido ao
impacto social que este tipo de obras tem.

6.2. Acções em estruturas

6.3. Conceitos gerais

O EC0 (4) é o documento, que define todos os princípios básicos para o projecto de estruturas.
Trata-se de um documento de âmbito geral em estruturas e tem como objectivo estabelecer os
princípios e os requisitos de segurança, de utilização e de durabilidade a aplicar no projecto de
estruturas de uma forma geral.
No projecto ou na verificação de estruturas metálicas devem ser considerados os princípios básicos
para se determinar o valor de cálculo das acções a que as estruturas estão sujeitas bem como ao seu
efeito combinado.

6.4. CLASSIFICAÇÃO DE ACÇÕES EM ESTRUTURAS


Uma estrutura está, de uma forma geral, submetida a um conjunto de acções que têm características
físicas diferentes devido à sua origem. O EC0 indica uma classificação de acções em função da
sua variação no tempo.
Símbolo Tipo Exemplo
34

G
 Acções
 Permanentes
 Peso próprio das estruturas.
 Equipamentos fixos. Pavimentos.
 Q Acções Variáveis Acções do vento.
 A Acções de Acidente
As acções da neve e as acções sísmicas podem ser consideradas acções de acidente (A), esta
consideração é feita em função do local da obra . Existem locais onde a probabilidade de nevar ou
de ocorrer um sismo são bastantes reduzidas o que faz com que este tipo de acções sejam por vezes
consideradas acções de acidente.
As acções podem ainda ser classificadas de acordo com a sua origem, de directas ou indirectas na
estrutura, de acordo com a sua variação no espaço de fixas ou livres e, por fim, de acordo com a
sua natureza e/ou resposta estrutural de estáticas ou dinâmicas.

Os Eurocódigos 0 e 1 (EN 1990, EN 1991), que substituíram o Regulamento de Segurança e


acções para Estruturas de Edifícios e Pontes (RSAEEP) na quantificação das principais acções a
que uma estrutura está sujeita, como sejam a sobrecarga de utilização, o vento e a neve, trouxeram
uma uniformização das metodologias de concepção e dimensionamento estrutural a nível da União
Europeia. A Suíça é um dos poucos países da Europa que, não fazendo parte da União Europeia,
continua a seguir normas de dimensionamento internas, as SIA – Société Suisse des Ingénieurs et
des Architectes.
A segurança estrutural é um dos factores importantes da construção. Para garantir esta segurança
há a necessidade de dotar a estrutura de capacidade resistente adequada. Uma das etapas iniciais do
processo de dimensionamento consiste na quantificação e combinação das diferentes acções. São
abordados ainda, no presente trabalho, os vários métodos de combinação da acção, bem como as
principais acções a considerar no dimensionamento estrutural. Os três regulamentos são analisados
e comparados para as diferentes acções.

Esta investigação envolveu o estudo das normas e o processo de obtenção das acções associadas à
neve, ao vento e às sobrecargas de utilização actuantes na estrutura. Faz também parte deste
trabalho a realização de folhas de cálculo automático através do Software Microsoft Excel para a
determinação das diferentes acções aqui analisadas.
Por fim, é analisado um caso de estudo de um edifício real para validar as referidas folhas de
cálculo e analisar as principais diferenças existentes entre as normas.
35

O sector da construção tem vindo a mudar para dar resposta às crescentes necessidades das
populações. A segurança é um dos factores fundamentais na construção e o aparecimento de
regulamentos e normas de dimensionamento contribuem para garantir essa segurança. Com a
formação da União Europeia, e com o desaparecimento das fronteiras, assistiu-se à crescente
preocupação na homogeneização das normas de maneira a que um profissional de qualquer um dos
estados-membros pudesse dimensionar estruturalmente obedecendo a normas uniformizadas.

Dessa forma, o Comité Europeu de Normalização (CEN) procurou criar um conjunto de normas
articuladas e comuns a todos os países para incentivar o mercado interno europeu. Essa família de
normas é denominada por Eurocódigos e é constituída por 10 normas, em que cada uma é,
geralmente, organizada em distintas partes. Para efeito deste estudo serão analisadas as normas EN
1990 [1] e EN 1991 [2], intituladas bases para o projecto de estruturas e acções em estruturas,
respectivamente. A primeira norma (EN 1990) diz respeito à combinação das acções, isto é,
consiste num arranjo probabilístico de ocorrência de uma determinada acção com acontecimento de
uma outra em simultâneo. Este procedimento simula a actuação das várias acções para um cenário
extremo de forma a manter uma margem aceitável de segurança estrutural. Como é natural, um
edifício está sujeito a acções exteriores provenientes do clima, tal como a ocorrência de queda de
neve, o vento, as mudanças de temperatura, entre outros, pelo que existe a necessidade de dotar o
edifício de capacidade resistente adequada face às acções previsíveis. Para tal é necessário
combinar as acções entre si de forma a varrer o maior número de hipóteses de solicitação, e
assegurar que o edifício estará preparado para suportar os efeitos dessas acções, a menos de uma
diminuta probabilidade de ruína tida como aceite. Para que seja possível analisar todos os casos
possíveis, evitando contudo o sobredimensionamento da estrutura com consequências ao nível da
economia da construção, é considerada uma acção variável que actuará na totalidade (denominada
por acção de base da combinação) enquanto as restantes acções variáveis são afectadas por um
coeficiente reduzindo a sua participação. Este procedimento deve-se ao fato de ser inverosímil a
ocorrência plena e simultânea das diferentes acções na sua totalidade. Assim, cada combinação de
acções corresponde a um cenário ou hipótese real de carga.

A segunda norma (EN 1991) trata da quantificação das acções na estrutura, de forma a definir as
solicitações elementares que a estrutura deverá suportar. O presente estudo apenas irá abordar três
acções, sendo elas as acções devidas à sobrecarga de utilização em edifícios, ou seja, a acção que o
36

edifício deverá suportar devido à sua utilização, a acção da neve nas diferentes zonas do edifício, e
por fim a acção do vento na estrutura. Num mundo globalizado, o sector da construção teve e
continua a ter a necessidade de se expandir e ganhar mobilidade o que nos torna cada vez mais
competitivos. A procura de mercados externos por parte das empresas portuguesas e dos técnicos
ligados ao sector da construção civil surgiu como uma resposta à estagnação que se verifica em

Portugal. Assim, o presente trabalho pretende dar um contributo no sentido de estabelecer a ponte
entre duas realidades normativas bem distintas. Entender a regulamentação vigente num outro país
contrapondo com a utilizada em Portugal e na Europa é, por certo, uma mais-valia.
A pesquisa bibliográfica feita sobre o tema revelou que este género de análise não foi ainda
conduzido. Dada a escassez de informação, foi estabelecido contacto com o responsável pela
comissão de revisão das normas suíças SIA 260 e SIA 261, o Professor Pierino Lestuzzi, com o
objectivo de obter mais informações acerca do tema. A referida comissão está presentemente a
trabalhar nestas matérias, sendo portanto um tema ainda em desenvolvimento.
Assim, o presente trabalho pretende dar um contributo no tema da comparação dos regulamentos
estruturais. A abordagem inicial assentava num processo de análise paramétrica das normas, sendo
o objectivo a inclusão das normas EN 1990 e EN 1991, bem assim como a utilização dos Anexos
Nacionais suíços. Esta ideia foi barrada com a falta dos Anexos Nacionais referentes ao território
helvético, tornando impossível estabelecer uma comparação directa na ausência dos parâmetros
específicos desse país. Sucessivos contactos com os responsáveis pela comissão de implementação
dos Anexos Nacionais suíços advertiram que, à data, a referida comissão trabalha nessas matérias
pelo que não é ainda possível facultar as informações necessárias para a progressão da ideia inicial.
Dessa forma, deu-se início à comparação das diferentes normas baseada na consideração de locais
semelhantes do ponto de vista climatérico, sendo a altitude e os parâmetros de carácter semelhante
entre os dois locais escolhidos.
Os Eurocódigos reconhecem a responsabilidade das autoridades regulamentadoras de cada Estado-
Membro e salvaguardaram o seu direito de estabelecer os valores relacionados com questões de
regulamentação da segurança, a nível nacional, nos casos em que estas continuem a variar de
estado para estado.

6.5. Estatuto e campo de aplicação dos Eurocódigos


Os Estados-Memeuos da UE e da EFTA reconhecem que os Eurocódigos servem de documentos
de referência para os seguintes efeitos:
37

 Como meio de comprovar a conformidade dos edifícios e das obras de engenharia civil com
as exigências essenciais da Directiva 89/106/CEE do Conselho particularmente a Exigência
Essencial n.º 1 – Resistência mecânica e estabilidade – e a Exigência Essencial n.° 2 –
Segurança contra incêndios;
 Como base para a especificação de contratos de trabalhos de construção e de serviços de
engenharia a eles associados;
 Como base para a elaboração de especificações técnicas harmonizadas para os produtos de
construção (EN e ETA).
Os Eurocódigos, dado que dizem respeito às obras de construção, têm uma relação directa com os
documentos interpretativos(2) referidos no artigo 12º da DPC, embora sejam de natureza diferente
da das normas harmonizadas relativas aos produtos(3). Por conseguinte, os aspectos técnicos
decorrentes dos Eurocódigos devem ser considerados de forma adequada pelas Comissões
Técnicas do CEN e ou pelos grupos de Trabalho da EOTA envolvidos na elaboração das normas
relativas aos produtos, tendo em vista a obtenção de uma compatibilidade total destas
especificações técnicas com os Eurocódigos.

Os Eurocódigos fornecem regras comuns de cálculo estrutural para a aplicação corrente no projecto
de estruturas e dos seus componentes, de natureza quer tradicional quer inovadora. Elementos
construtivos ou condições de cálculo não usuais não são especificamente incluídos, devendo o
projectista, nestes casos, assegurar o apoio especializado necessário.

6.6. Normas nacionais de implementação dos Eurocódigos


As normas nacionais de implementação dos Eurocódigos incluirão o texto completo do Eurocódigo
(incluindo anexos), conforme publicado pelo CEN, o qual poderá ser precedido de uma página de
título e de um preâmbulo nacionais, e ser também seguido de um Anexo Nacional.
O Anexo Nacional só poderá conter informações sobre os parâmetros deixados em aberto no
Eurocódigo para escolha nacional, designados por Parâmetros Determinados a nível Nacional, a
utilizar no projecto de edifícios e de outras obras de engenharia civil no país em questão,
nomeadamente:
 Valores ou classes, nos casos em que são apresentadas alternativas no Eurocódigo;
 Valores para serem utilizados nos casos em que apenas um símbolo é apresentado no
Eurocódigo;
 Dados específicos do país (geográficos, climáticos, etc.), por exemplo, mapa de zonamento
da neve;
38

 O procedimento a utilizar nos casos em que sejam apresentados procedimentos alternativos


no Eurocódigo.

Poderá ainda conter:


 Decisões sobre a aplicação dos anexos informativos;
 Informações complementares não contraditórias para auxílio do utilizador na aplicação do
Eurocódigo.

6.7. Ligações entre os Eurocódigos e as especificações técnicas harmonizadas (EN e ETA)


relativas aos produtos

É necessária uma consistência entre as especificações técnicas harmonizadas relativas aos produtos
de construção e as regras técnicas relativas às obras(4). Além disso, todas as informações que
acompanham a marcação CE dos produtos de construção que fazem referência aos Eurocódigos
devem indicar, claramente, quais os Parâmetros Determinados a nível Nacional que foram tidos em
conta.
39

7. Conclusões

Concluindo, como visto, o betão, embora tenha características que o permitem ser
classificado como material sustentável, ainda possui sinais de insustentabilidade tendo,
porém, a seu favor, a mudança de cultura imposta pela necessidade humana de
sustentabilidade, aliada ao fato de que se constitui no material da construção civil
mais utilizado na contemporaneidade, o que mobiliza pesquisadores, fabricantes,
projectistas e construtores na busca de soluções adequadas, atitude que configura a
evidência de extraordinário progresso tecnológico no pertinente. A construção do edifício
não está baseada simplesmente na montagem dos elementos na concepção da arquitectura
diversificada, mas em uma série de factores económicos, logísticos, organizacionais e
culturais.

Com os avanços da ciência e da tecnologia e com as transformações sócio- económicas


podemos desfrutar hoje de toda esta conquista que se obteve por meio dos séculos no
desenvolvimento do betão armado. Conquista esta que nos permite realizar projectos de
construções dos mais variados tipos de arquitectura, estruturas esbeltas, complexas, com
o melhor custo benefício e em um curto espaço de tempo.
40

Glossário

ECCS – Convenção Europeia de Construção em Aço


REAE – Regulamento de Estruturas de Aço em Edifícios.
RSA – Regulamento de Segurança e Acções
CEN – Comité Europeu de Normalização
LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil
IPQ – Instituto Português da Qualidade
EC0 – Eurocódigo o
EC1 – Eurocódigo 1
EC3 – Eurocódigo 3
STR – Verificação da rotura e da deformação estrutural
EQU – Verificação do equilíbrio estático estrutural
FAT – Verificação da resistência à fadiga
G – Acção permanente
Q –Acção variável
A – Acção de acidente
Fk – Valor característico de uma acção
Fd – Valor de cálculo de uma acção
Ed – Efeito combinado de acções ou valor de cálculo das acções considerando o efeito
combinado
i – Factor dinâmico
Qc ou G1 – Peso próprio do carro da ponte rolante
Qh – carga de elevação da ponte rolante
HL – Acção horizontal de translação do carro ou da ponte
HS – Acções devido à falta de guiamento do sistema
HB – Acções de acidente
XVI
QT – Carga de Teste
Pk – peso próprio de um elemento estrutural
Fw – Valor de cálculo da acção no vento num elemento estrutural
fw – acção do vento representada em forma de carga uniformemente distribuída
Fn – Força segundo o eixo n considerado.
Mn – Momento segundo o eixo n considerado.
41

fn – Carga uniformemente distribuída segundo o eixo n considerado


ELU – Estado Limite Ultimo
fy – tensão de limite elástico do aço
fu – tensão de rotura do aço
ε – deformação unitária
E – módulo de Young
S – secção
V1 – Situação de vento 1
V2 – Situação de vento 2
δ- Deslocamento
σx – Tensão normal
τ – Tensão de corte
σVM – Tensão equivalente de Von Mises
Ncr – Esforço axial critica que pode provocar encurvadura
Mcr – Momento flector crítico que pode provocar encurvadura
– factor de segurança do elemento estrutural à encurvadura devido a compressão com o
elemento sujeita a torção e flexão
– factor de segurança à encurvadura de um elemento sujeita a flexão composta com torsão
XVII
σ – Constante de Stephan Boltzman
Tm – Temperatura média de um elemento devido a incêndio
- Factor de redução para as acções à temperatura ambiente considerando o acidente de
incêndio
ε – Parâmetro adimensional para se classificar a secção transversal de um elemento
estrutural
– Factor de segurança da resistência mecânica de uma secção em situação de incêndio
Ps – Acção de corte num parafuso
P – Acção de tracção num parafuso
Fp – Pré carga num parafuso
Qe – Acção equivalente de fadiga
U – Classe da estrutura em função do número de ciclos estimado para o seu tempo de vida
útil
Q – Classe de espectro de carga
S - Classificação de fadiga para uma estrutura
42

8. Referências bibliográficas

BOTELHO, M. H. C. & MARCHETTI, Osvaldemar. Concreto armado eu te amo. Ed.


Blücher.
BUNJEY, J.- The testing of concrete in structures, Surrey University Press, 2nd Edition,
Glasgow
COSTA, A; APPLETON, J. – Estruturas de Betão I, Lisboa, IST, 2002
COUTINHO, A.; GONÇALVES, A. – Fabrico e Propriedades do Betão Volume I.
Lisboa, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 1994.
COUTINHO, A.; GONÇALVES, A. – Fabrico e Propriedades do Betão Volume II.
Lisboa, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 1994.
COUTINHO, A.; GONÇALVES, A. – Fabrico e Propriedades do Betão Volume II.
Lisboa, Laboratório Nacional de Engenharia Civil, 1994.
FUSCO, Péricles Brasiliense. Estruturas de concreto - solicitações tangenciais. Ed. PINI.
Macedo, António - Execução de estacas, Seminário Mota-Engil, Porto, 2002.
Silva, Daniel Vaz - Estacas moldadas no terreno, monografia da cadeira de Tecnologia
de Contenções e Fundações, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2007.
SIMÕES, PEDRO - Estacas moldadas com tubo moldador recuperável, curso fundec
sobre execução de estacas, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2000.
SIMÕES, TERESA NOGUEIRA - Estacas pré-fabricadas cravadas, curso FUNDEC sobre
Execução de estacas, Instituto Superior Técnico, Lisboa, 2000.
TOMLINSOn, M. J. - Pile design and construction practice, Fourth Edition, E & FN
Spon, London, 1994.
43