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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2013.0000185428

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº 0023245-


74.2009.8.26.0309, da Comarca de Jundiaí, em que é apelante FMCR PRESTAÇÃO
DE SERVIÇOS LTDA, é apelado CONDOMÍNIO RESIDENCIAL DAS FLORES.

ACORDAM, em 25ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de


São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de
conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores HUGO


CREPALDI (Presidente) e VANDERCI ÁLVARES.

São Paulo, 27 de março de 2013.

EDGARD ROSA
RELATOR
-Assinatura Eletrônica-
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APELAÇÃO Nº 0023245-74.2009.8.26.0309 – VOTO N° 9.173


APELANTE: FMCR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA.
APELADO: CONDOMÍNIO RESIDENCIAL DAS FLORES
COMARCA DE JUNDIAÍ 6ª VARA CÍVEL
MM. JUIZ DE DIREITO: ANTONIO CARLOS SOARES DE MOURA E
SEDEH

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS


COBRANÇA DE MULTA POR SUPOSTA INFRAÇÃO
PRATICADA PELO TOMADOR DOS SERVIÇOS
MULTA ESTIPULADA EM CLÁUSULA
CONTRATUAL INVIABILIDADE DE COBRANÇA
PELA VIA EXECUTIVA AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ,
CERTEZA E EXIGIBILIDADE EMBARGOS
ACOLHIDOS EXECUÇÃO EXTINTA SEM
RESOLUÇÃO DO MÉRITO SENTENÇA
CONFIRMADA.

- Recurso desprovido.

Trata-se de apelação interposta contra a r.


sentença de fls. 101/102, cujo relatório se adota, que julgou
procedentes os embargos do devedor e julgou extinto o processo
de execução, dada a ausência de título líquido e certo.
Inconformada, a embargada recorre para pedir a reforma da
sentença. Insiste na liquidez e certeza do título, ante o
descumprimento do contrato de prestação de serviços, com
infração que deu causa à aplicação da multa.

O recurso foi respondido (fls. 120/127).

É O RELATÓRIO.

Malgrado o inconformismo da
embargada/apelante, o recurso não merece provimento.

Apelação nº 0023245-74.2009.8.26.0309 - Jundiaí - Voto nº 9.173 – RG


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Assenta-se, de início, que a circunstância


de não ter o juiz indeferido liminarmente a inicial não tem o
condão de vedar o reexame de tema concernente às condições da
ação; como é sabido, trata-se de matéria cognoscível de ofício, de
modo que era possível ao mesmo Juiz que deferiu a execução e
promoveu o bloqueio eletrônico de ativos, reconsiderar a sua
decisão e declarar a inexistência de título, trancando o curso da
execução.

Assim, ainda que deferida a petição


inicial de execução por quantia certa e determinada a citação, nada
obsta que em sede de embargos opostos à execução, uma vez
acolhidos, seja ela extinta sem resolução do mérito, conforme
ocorreu no caso.

Era mesmo o caso de extinção da


execução ajuizada, por falta dos pressupostos ínsitos ao título
executivo extrajudicial (liquidez, certeza e exigibilidade). A
execução foi ajuizada para a cobrança de multa pactuada por
descumprimento de cláusula estabelecida em contrato de prestação
de serviços celebrado entre as partes.

É cediço que o contrato bilateral pode


servir de título executivo de obrigação de pagar quantia certa,
desde que definidas a liquidez e certeza da prestação do devedor,
comprovando o credor o cumprimento da sua obrigação (RSTJ
82/278).

Apelação nº 0023245-74.2009.8.26.0309 - Jundiaí - Voto nº 9.173 – RG


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No caso concreto, o que se pretende, pela


via executiva, é fazer valer a multa estabelecida na cláusula 13ª do
contrato de prestação de serviços, assim redigida:

“A CONTRATANTE e/ou por intermédio de outra empresa de


prestação de serviço, não poderá oferecer emprego/trabalho a
qualquer um dos funcionários da CONTRATADA de qualquer
localidade, ainda que para outras funções, durante ou após a
vigência deste contrato, ficando certo que se isto ocorrer até 6
(seis) meses após a rescisão deste contrato, o CONTRATANTE
pagará à CONTRATADA, a título de ressarcimento desta
preparação de seus funcionários, 6 (seis) meses de custo mensal
por funcionário aproveitado, fixando-se, para este efeito os
preços reajustados, atualizados e descritos na cláusula sétima
deste instrumento.”

Sem embargos da validade ou não da


referida estipulação, o certo é que carece de liquidez e certeza o
título apresentado, porque a exigibilidade da multa depende da
apuração de fatos controversos, devendo a apelante percorrer o
processo de conhecimento para obter título judicial.

A jurisprudência não discrepa desse


entendimento:

“Título executivo extrajudicial previsto no CPC,


artigo 585, II, é o documento que contém a obrigação incondicionada de
pagamento de quantia determinada (ou entrega de coisa fungível) em
momento certo. Os requisitos da certeza, liquidez e exigibilidade devem estar
ínsitos no título. A apuração de fatos, a atribuição de responsabilidades, a
exegese de cláusulas contratuais tornam necessário o processo de
conhecimento e descaracterizam o documento como título executivo.” (STJ-

Apelação nº 0023245-74.2009.8.26.0309 - Jundiaí - Voto nº 9.173 – RG


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Recurso Especial 39567, Relator Ministro WALDEMAR ZVEITER, j.


15.12.1993).

Somente após o reconhecimento do


inadimplemento contratual de um dos contratantes, em processo de
conhecimento, é que será possível, se favorável a sentença à parte
supostamente credora, a cobrança da multa.

Nesse sentido:

“EMBARGOS À EXECUÇÃO Acordo de


rescisão de contrato de franquia (distrato) Cerceamento de prova
inocorrente Execução de cláusula penal prevista para o caso de
inadimplemento da obrigação de não utilizar a marca relativa ao sistema de
franquia 5 À SEC a partir de certa data Cobrança da multa sujeita ao
prévio reconhecimento do descumprimento das obrigações assumidas pelos
embargantes em ação de conhecimento Ausência de certeza e exigibilidade
da multa contratual Falta de título executivo hábil Inadequação da via
eleita Procedência Execução por título extrajudicial extinta Ratificação
dos fundamentos do decisum hostilizado Aplicação do artigo 252 do
RITJSO/2009 Recurso improvido.” (Apelação n. 9200513-
21.2006.8.26.0000, j. 08.08.2011, Rel. Desembargador CORREIA LIMA).

Em suma, correta a sentença que acolheu


os embargos opostos e julgou extinto o processo de execução.

Nega-se provimento.

EDGARD ROSA
Relator
-Assinatura Eletrônica-

Apelação nº 0023245-74.2009.8.26.0309 - Jundiaí - Voto nº 9.173 – RG