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Espaços Verdes e de Recreio: reflexão em torno da sua importância para o

contexto urbano e no bem-estar da população


Paula Gonçalves
Doutoranda em Geografia - Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território
Faculdade de Letras – Universidade de Coimbra
Paula17@sapo.pt

Resumo
As áreas urbanas têm nas últimas décadas vindo a adquirir um papel cada vez mais
importante, tanto na vida política, como na vida económica, social e cultural. São, por isso, o
motor das economias e do desenvolvimento. Contudo, é também nestas áreas que se geram
alguns dos maiores problemas e desafios que a sociedade tem de enfrentar e para os quais
urge encontrar resposta: os problemas ambientais (ex.: ruído, falta de espaços públicos e de
áreas de recreio, de rede de abastecimento de esgotos, etc.), os problemas sociais (ex.: o
desemprego, a falta de habitação ou a sua degradação, a pobreza, etc.), e psicológicos/
mentais (ex.: aumento do stress, da depressão, etc.), entre outros aspectos. Nos últimos anos,
estes fenómenos têm vindo a ser percepcionados pela população em geral e sobretudo pelas
entidades responsáveis pela administração do território, nas áreas urbanas. Constituindo-se,
na maior parte dos casos, como obstáculos à melhoria da qualidade de vida e bem-estar das
populações. Neste sentido, têm vindo a ser desenvolvidas novas abordagens e orientações
baseadas numa relação mais simbiótica entre o desenvolvimento económico, social, cultural e
o equilíbrio ecológico, traduzidas através do desenvolvimento sustentável. Actualmente, os
espaços verdes e de recreio apresentam um elevado potencial para atenuar os efeitos
negativos do processo de urbanização (ex.: conferindo a estas áreas melhores condições de
habitabilidade, melhoria da qualidade do ambiente urbano, diminuição dos custos energéticos,
etc.). Além de constituírem um aspecto determinante para a qualidade de vida dos indivíduos,
sobretudo, pelas diversas funções (enquadramento paisagístico, melhoria da qualidade do ar,
oportunidades de recreio e lazer, efeito na saúde física e mental, perspectiva cultural e
pedagógica, etc.) que desempenham na área urbana.
Palavras-Chave: Espaços Verdes; Espaços de Recreio; Qualidade de Vida; Desenvolvimento
Sustentável.

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O papel dos Espaços Verdes e de Recreio nas Áreas Urbanas
“A presença da natureza no espaço urbano tem vindo a ser considerada desde a
industrialização como um aspecto determinante na melhoria da qualidade estética da cidade,
da qualidade de vida das populações e do ambiente urbano”
(MONTEIRO, 2003: 72)
Na área urbana, os espaços verdes e de recreio desempenham funções distintas de
acordo com a sua localização, acessibilidade, dimensão, tipo de cobertura vegetal,
equipamentos que possuem, entre outras características. Os espaços verdes e de recreio nas
áreas urbanas proporcionam diversos tipos de benefícios, tais como a atenuação da poluição
sonora e atmosférica, conforto térmico, quebra da monotonia das áreas urbanas, diminuição
do desconforto psicológico, entre outros aspectos (NUCCI, 2001: 34-56).
Os espaços verdes nas áreas urbanas funcionam como agentes de termoregularização, de
controle da humidade, radiação solar e nebulosidade, de purificação da atmosfera, de
absorção de dióxido de carbono e aumento de oxigénio e de protecção contra o vento, chuva,
erosão e ruído, entre outros aspectos (MAGALHÃES et. al., 1992: 73). Segundo GANHO (1998:
24) estes espaços influenciam as características climáticas locais, criando localmente um clima
com uma identidade própria. Segundo CERVEIRA (1990: 19), as árvores são por excelência os
elementos indicados para “*…+ para sombrear os passeios e ruas, locais de lazer e lúdicos (…),
conjuntos habitacionais de cércea baixa (…)”. Para PAIVA (2005: 17-37), as áreas verdes tem
um papel de destaque nas áreas urbanas ao nível da qualidade ambiental. Na perspectiva de
PALOMO (2003: 20-22) refere que além do grande valor ecológico, os espaços verdes nas áreas
urbanas constituem um requisito essencial para o bem-estar físico e psicológico e qualidade de
vida da população.
As áreas verdes, tal como refere MAGALHÃES (2001: 88), podem contribuir para o
controle de ruídos, criar correntes de arejamento, contribuir para dispersar o ar poluído, sendo
que a vegetação ainda serve de filtro de retenção da poeira, etc.. MAGALHÃES et. al. (1992:
86) referem que estas áreas desempenham, ainda, um papel importante contra a erosão
eólica (protecção mecânica) e a erosão hídrica (limitam os efeitos negativos das gotas de chuva
e contribuem para o aumento da infiltração da água da chuva). VAZ (2003: 30-34) destaca o
papel que os espaços verdes e de recreio exercem como “amortecedores” entre os espaços
construídos. Estes espaços possuem elementos com diferentes formas, portes, estruturas,
volumes e cores que podem servir de enquadramento às massas edificadas. Por exemplo, a
vegetação confere identidade aos espaços públicos exteriores, podendo, constituir um
elemento de continuidade e coerência que articula vários espaços diferenciados entre si e cria
como que um filtro que desvanece a opacidade dos volumes construídos dos edifícios, tal

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como, pode acentuar determinadas perspectivas do tecido construído. Os espaços verdes e de
recreio são fundamentais para o equilíbrio e enquadramento paisagístico da massa edificada e
outras infra-estruturas urbanas (ex.: vias urbanas, estações de tratamento de águas residuais,
etc.). Na perspectiva de MAGALHÃES et. al. (1992: 91), estes espaços atenuam as
diferenciações e procuram harmonizar e colmatar os impactes visuais gerados nas áreas
urbanas. A função destes espaços é a integração/ enquadramento do tecido construído com os
espaços verdes / arborização urbana, de forma a criar uma paisagem harmoniosa. GUTIERRES
(1997: 116-120) sublinha que o contacto da população com a natureza (observação da vida
natural, da sequência dos ritmos estacionais, dos ciclos biológicos, entre outros fenómenos
físicos) constitui uma fonte de equilíbrio psicológico e de bem-estar, que se traduzem na
melhoria da qualidade de vida nas áreas urbanas. A criação de diferentes realidades, cores,
texturas, luminosidades e atmosferas no espaço urbano, pela diversidade de formas que
apresentam durante o ano, dá às pessoas a percepção dos ciclos da natureza: “*…+ o evoluir de
diferentes cores e matizes das folhas, desde o verde claro na Primavera, passando pelo verde
(…) no Verão (…) e (…) amarelo torrado-castanho do Outono” (CERVEIRA, 1990: 27).
Os espaços verdes e de recreio nestas áreas desempenham também funções humanas e
sócio-culturais (MAGALHÃES et. al., 1992: 91), didácticas e contemplativas. Segundo SUKOPP
et al. (1991: 66) a criação de laços emocionais com a natureza pode contribuir para a
diminuição dos actos de vandalismo e de criminalidade. A existência e utilização de espaços
verdes e de recreio nas áreas urbanas contribui para o aumento da capacidade de
concentração e disciplina das crianças (TAYLOR et al., 2001), para o alívio do stress e fadiga
(ULRICH, 1984), o que se traduz na diminuição da agressividade e violência (KUO et al., 2001).
Ainda, de acordo com JOHNSTON (1977: 121-126), estes espaços exercem influência na
capacidade de relacionamento entre os vizinhos e os sentimentos de pertença a um lugar (KIM
et al., 2004). A vegetação desempenha um papel vital numa área urbana, pois é em simultâneo
um mecanismo de retenção dos efeitos nefastos provocados pela actividade humana e um
meio de preservação do bem-estar e qualidade de vida das pessoas. É de ressaltar ainda que,
para além das funções como embelezar o espaço urbano, serem espaços de lazer, recreação e
repouso, as áreas verdes são responsáveis pela sensação de conforto térmico associado com o
bem-estar físico e com a qualidade da vida urbana. Na opinião de PINHO (1995: 31), os
espaços verdes urbanos são uma das componentes das áreas urbanas que mais contribui para
a melhoria da qualidade do ambiente urbano, exercendo um papel importante na protecção
do meio ambiente. Assim o seu duplo papel torna os espaços verdes componentes
imprescindíveis numa área urbana.

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Contribuição dos Espaços Verdes e de Recreio para a Qualidade de Vida
“A qualidade de vida urbana passa pela existência de espaços verdes, corredores verdes e áreas
naturais (…), mas também por espaços públicos de recreio que permitam as actividades lúdico-
recreativas, a interacção social (…)”.
CAMPBELL (1996: 296-312)
Actualmente muitas áreas urbanas, baseando o seu crescimento em modelos e padrões
de desenvolvimento desequilibrados, apresentam importantes sinais de degradação do
ambiental, com graves reflexos ao nível da qualidade de vida (ROSETA, 1999: 12-22). A
problemática da qualidade de vida em áreas urbanas tem vindo a ter uma importância
acrescida face à tendência crescente para o aumento exponencial da população a viver neste
tipo de áreas. LEIDY et al. (1999: 113- 127) definem a qualidade de vida como sendo a
percepção subjectiva de satisfação ou felicidade com a vida em domínios que são importantes
para cada indivíduo como o bem-estar físico, mental e social. SIRGY (2002) citado por RIBEIRO
(2005: 95) inclui o termo de qualidade de vida dentro do conceito mais abrangente no qual se
interligam diversas componentes: tangíveis e intangíveis, objectivas e subjectivas, individuais e
colectivas. RIBEIRO (2005: 91-109) citando SIRGY (2002) analisa a qualidade de vida com base
em quatro aspectos: 1) necessidades materiais e as necessidades humanas básicas; 2)
qualidade de vida e condições de vida: aspectos relacionados com as características intrínsecas
ao indivíduo e à sua relação com a sociedade; 3) satisfação: associada à percepção subjectiva
das condições de vida; 4) felicidade: que deriva da percepção subjectiva da qualidade de vida.
FRANCESCHI et al. (2003: 211-220) sublinham que existe uma interligação entre o bem-estar,
qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável. Deste modo, inúmeros são os aspectos a
considerar: a qualidade do ambiente urbano (ex.: ambiente físico - qualidade/quantidade dos
espaços verdes e de recreio e espaços públicos, etc.); o ambiente social; a qualidade
urbanística/qualidade do espaço físico nas áreas urbanas; o tipo e modos de mobilidade/
acessibilidade; entre outros aspectos.
A qualificação deste tipo de espaços públicos exteriores urbanos que sirvam as
necessidades sociais, culturais, estéticas e funcionais da população é outra medida importante
para melhorar a qualidade de vida das populações. A integração destes espaços nas áreas
urbanas tem vindo a ser considerado como um aspecto determinante para a qualidade de vida
da população, assim como para a melhoria do ambiente urbano e também como um dos
principais critérios para a definição de modelos urbanos mais sustentáveis. Segundo
MONTEIRO (2003: 72), os espaços verdes são decisivamente elementos promotores da
qualidade de vida das populações: amenizam os efeitos negativos do clima urbano, promovem
condições de conforto bioclimático, asseguram o funcionamento dos sistemas naturais,

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contribuem para a melhoria do ambiente biofísico, redução da velocidade do vento, etc..
VASCONCELOS e VIEIRA (2007: 205-215) também referem que estes espaços desempenham
um papel importante na melhoria do clima urbano à escala local. Outros autores também
referem que a existência de espaços verdes de pequena e média dimensão junto às áreas
residenciais tem impactes directos no bem-estar e qualidade de vida: melhoram a capacidade
de concentração/ disciplina das crianças, nas actividades diárias; contribuem para o alívio do
stress e a restauração da fadiga física e mental, o que se traduz na diminuição da agressividade
e violência; permitem a interacção social e o sentimento de pertença a um lugar, entre outros
aspectos (TAYLOR et al., 2001; ULRICH, 1984; KUO et al., 2001; KIM et al., 2004).
Segundo GRAHN et al. (2003: 2-4) a presença de espaços verdes junto de hospitais ou
clínicas pode reduzir substancialmente o tempo de recuperação e até contribuir para a rápida
recuperação dos indivíduos que sofreram uma intervenção cirúrgica. Os espaços verdes
também podem de acordo com DALGARD et al. (1991: 430) serem espaços que contribuem
para o desenvolvimento motor (ex.: prática de actividades físico-desportivas), intelectual (ex.:
jogos tradicionais), psicológico e social (ex.: a sociabilização e interacção social) das crianças e
jovens. CACKOWSKI e NASAR (2003: 736-738) constataram que a presença de espaços verdes
ao longo das vias rodoviárias contribuem para a diminuição dos efeitos negativos no humor
(ex.: frustração, stress, impaciência, irritabilidade, distracção, etc.) e comportamento (ex.:
fadiga física, entre outros aspectos), que podem causar acidentes ou conduzir a actos violentos
(ex.: agressões verbais e físicas). Estes espaços ao proporcionarem um ambiente físico que
incentiva as actividades lúdico-recreativas e físico-desportivas contribuem para o bem-estar e
qualidade de vida dos indivíduos residentes nas áreas urbanas. Alguns autores também fazem
referência ao facto de a frequência de espaços - a disponibilidade e qualidade (ex.: boa
iluminação e visibilidade, manutenção/ limpeza, etc.) dos espaços verdes e de recreio, a
existência de vias pedonais e ciclovias, de equipamentos lúdico-recreativos – terem efeitos
positivos na qualidade de vida dos indivíduos. De acordo com NOGUEIRA (2006: 131-134), o
bem-estar físico e psicológico dos indivíduos nos espaços urbanos deve passar pela existência
de mais espaços verdes e de recreio (e melhoria dos já existentes) que permitam a criação de
ambientes e comportamentos saudáveis (prática de actividades físico-desportivas, a realização
de actividades lúdico-recreativas, etc.).
SÉRGIO (1986: 87-96) considera que o desenvolvimento dos conceitos integrados de
qualidade do ambiente e de qualidade de vida tem dado origem à formulação de conjuntos de
indicadores (objectivos, subjectivos) onde se inter-relacionam diversas componentes sociais,
económicas e físicas. Os indicadores de qualidade de vida têm uma componente social e
económica muito forte, enquanto os índices de qualidade do ambiente têm uma expressão

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tendencialmente mais física. No que diz respeito aos indicadores de qualidade de vida,
verifica-se que estes incidem em geral sobre as áreas urbanas. Segundo PARTIDÁRIO (2000:
33), os indicadores de qualidade de vida e do ambiente em geral, são, contudo, bastante
diversificados. Este facto demonstra a multiplicidade de aspectos envolvidos no conceito de
qualidade de vida, mas também a utilidade dos indicadores na medição do bem-estar. Os
indicadores de qualidade de vida são importantes instrumentos de apoio à decisão e à
formulação de políticas de gestão urbana.
Os indicadores que se propõem para proceder à análise da qualidade de vida numa área
urbana baseiam-se em quatro domínios: condições ambientais relacionado com o ambiente
em geral, que remete para os aspectos físicos do espaço urbano (ex.: espaços verdes, clima,
qualidade do ar, etc.); condições materiais colectivas, relativo aos equipamentos e infra-
estruturas existentes nestes espaços (ex.: equipamentos culturais, desportivos, de ensino,
etc.); condições económicas, onde se pretende analisar os aspectos relativos à actividade
económica e as questões daí decorrentes ligadas às condições individuais de vida (ex.:
rendimento e consumo, mercado de trabalho, habitação, etc.); por último, os aspectos
relacionados com a sociedade, que integra as questões ligadas à dimensão social e cultural
(ex.: educação, segurança, participação cívica, etc.). Para cada um destes domínios serão
seleccionados diversos indicadores de natureza quantitativa, agrupados em áreas temáticas.
Com os indicadores seleccionados pretende-se caracterizar as diversas dimensões associadas
ao conceito de qualidade de vida numa área urbana, de forma a realizar uma caracterização
global de um espaço urbano situação, e para cada um dos domínios escolhidos, poder numa
fase posterior comparar essa situação com a de outros espaços urbanos.

Os Espaços Verdes e de Recreio em Áreas Urbanas como suporte de Lazer


De acordo com PAIS (1990: 591-644), em muitas épocas históricas ou sociedades, o
conceito de lazer teve um papel chave. SEELEY (1973: 3) enfatiza que o recreio é uma
modalidade do lazer. Este conceito pode envolver “ *…+ actividade – física, mental ou
emocional (…)”. DUMAZEDIER (1979: 170) esclarece que o espaço de lazer “*…+, tanto como
espaço cultural, é um espaço social onde se entabulam relações específicas entre seres,
grupos, meios, classes”. Sendo que os espaços de lazer e recreio são determinados pelas
características físicas do próprio espaço e da sua envolvente e pelas características da
população que deles usufrui. DUMAZEDIER (1979) menciona ainda que os espaços destinados ao
recreio e lazer devem estar geograficamente implementados em áreas acessíveis à população em
geral.

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ARAÚJO (2002: 15-67) classifica lazer activo e passivo conforme o grau de sedentarismo
envolvido na actividade de lazer. Segundo ARAÚJO (2002), entende-se por lazer activo, as
actividades desenvolvidas nos espaços públicos urbanos que exigem um maior desgaste físico
e movimento, como praticar uma actividade desportiva, caminhar, brincar, correr, entre
outras. Para cada uma das actividades referenciadas existe um espaço adequado onde a
actividade se poderá desenvolver: para brincar as áreas mais apropriadas são as de recreio;
para caminhar e correr deverão existir espaços destinados à circulação pedonal (ex.: circuitos
pedestres); para andar de bicicleta deverão existir ciclovias; enquanto que para a prática físico-
desportiva os espaços desportivos, como por exemplo os polidesportivos, campos de jogos,
são os espaços mais apropriados para a prática deste tipo de actividade. Em relação ao lazer
passivo, ARAÚJO (2002) refere que podem ser citadas as seguintes actividades: conversar,
descansar, contemplação, observação da paisagem, áreas de refúgio das «tensões da vida
urbana», ler, entre outras. Estas actividades geralmente podem ser realizadas nos parques,
praças e jardins.
Os espaços verdes e de recreio representam importantes suportes para as actividades
recreativas e de lazer. “O aumento dos tempos livres e da procura de espaço para os desportos
e o recreio veio aumentar a necessidade de espaços abertos dentro das áreas urbanas”
(COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS, 1990: 47). Os jardins e parques urbanos constituem a
par com outros espaços de lazer e recreio, áreas de refúgio da tensão da vida urbana, onde as
pessoas procuram o contacto com a natureza, com o ar livre e realizar actividades recreativas e de
lazer (activo e passivo). Os espaços de recreio infanto-juvenil e espaços verdes são espaços de lazer
essenciais nas áreas urbanas por serem importantes suportes de lazer/ ócio e das actividades
recreativas, sobretudo quando se regista uma procura cada vez mais elevada deste tipo de
espaços, em virtude do aumento do tempo livre. A diversidade de espaços verdes e de recreio
ditam diferentes formas de utilização: local apropriado para o lazer contemplativo, para a
sociabilização, actividades recreativas, prática físico-desportiva, etc. Os espaços de lazer, devem
ser lugares de dinâmica cultural e social onde o lúdico faça ressaltar um conjunto de
expressões ou rituais, sinónimos do direito à cidade e de usufruto de lugares «agradáveis para
viver». Os espaços verdes e de recreio devem ser lugares que ofereçam uma grande escolha de
actividades e que, ao prolongarem a vida interior, sirvam de receptáculo de muitas aspirações
por vezes contraditórias, mas onde os cidadãos procurem sempre, mais ou menos
conscientemente, estar em osmose com a sua unidade de vizinhança, o seu bairro, a sua
cidade. Para BOYER et al. (1994: 107), este tipo de espaços públicos exteriores “*…+
desempenham importantes funções no espaço urbano como, por exemplo, a nível social
(encontros), cultural (eventos), funcional (circulação) ou mental ou físico (…)”. O contínuo

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crescimento das áreas urbanas faz com que os espaços exteriores de recreio e lazer tenham
vindo a assumir cada vez mais um papel de vital importância no espaço urbano. Em síntese, a
distintas intervenções nas áreas urbanas correspondem diferentes tipologias de espaços
verdes e de recreio que desempenham funções distintas consoante a sua localização,
acessibilidade, dimensão, tipo de cobertura vegetal, equipamentos que possuem, entre outras
características (MENDES, 1986:145). A finalidade desta tipologia de espaços é a de fomentar a
participação comunitária e a adopção de estilos de vida activos e saudáveis e de valorização/
integração pessoal. Em síntese, os espaços verdes e de recreio pelas características e funções
que exercem na área urbana são importantes suportes de lazer e recreio, sobretudo quando se
revela uma procura crescente de espaços lúdico-recreativos e de ócio nestas áreas, devido a
factores como a diminuição do tempo destinado ao trabalho, aumento do rendimento e à
maior facilidade de deslocação.

Notas Conclusivas
Os espaços verdes e de recreio são elementos fundamentais numa área urbana, em
virtude dos benefícios que trazem para o ambiente urbano, mas também ao nível da qualidade
de vida e do bem-estar físico e mental dos indivíduos (MONTEIRO, 2003: 71). Estes espaços
podem contribuir para a sustentabilidade das áreas urbanas, a dois níveis: em primeiro lugar,
através da resolução dos problemas relacionados com a qualidade ambiental urbana, com a
qualidade de vida e bem-estar dos indivíduos; em segundo lugar, como elemento estruturante
a nível territorial, que permite definir a forma e o limite do espaço urbano. Além de
constituírem uma das componentes-chaves numa área urbana por assumirem um importante
papel como áreas lúdico-recreativas (prática de actividades físico-desportivas, de actividades
culturais e de recreio) ou apenas de contemplação (permanência). Mas principalmente, por
trazerem benefícios ecológicos e micro-climáticos (minorar e colmatar os problemas
resultantes da crescente densificação e artificialização da área urbana) aos espaços
urbanizados. Este tipo de espaços públicos urbanos exteriores variam consideravelmente em
termos de extensão, tipologia e distribuição nas áreas urbanas. Os espaços verdes e de recreio
possibilitam ainda ambientes de estar, lazer, etc. As áreas verdes e de recreio desempenham
um papel fulcral na área urbana, pois segundo BARTALINI (1986: 12-24) têm um papel
importante a nível visual, paisagístico, recreativo e ambiental. As áreas verdes pontuam os
espaços urbanos com elementos de cor, textura, movimento e odores contrastantes.
Enfatizam pontos dominantes onde se localizam miradouros ou edifícios históricos, marcam e
referenciam percursos e dão escala aos edifícios. “Constituem, portanto, um dos elementos
indispensáveis à construção da estrutura do lugar” (MAGALHÃES et al., 1992). A importância

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de cada espaço verde e de recreio está intimamente relacionada com o contexto espácio-
temporal, com as funções que lhe são atribuídas e com o papel que desempenham na área
urbana. De acordo com KLIASS (1993: 10-20), uma área urbana com um maior número de
espaços verdes e uma maior oferta de áreas de recreação para a comunidade, propiciará um
estilo de vida mais saudável. As áreas verdes urbanas são consideradas na actualidade como
elementos que contribuem para a qualidade de vida, para o bem-estar físico e mental e para o
desenvolvimento urbano sustentável. Há que ressaltar que não se pode avaliar a qualidade
ambiental de uma área urbana pela quantidade de área verde que ela abriga, mas sim pela sua
distribuição na área urbana. O modo como os espaços verdes e de recreio se distribuem,
interligam e inter-relacionam na área urbana podem contribuir para a estruturação e controlo
do desenvolvimento urbano, através da utilização de critérios ecológicos e socioeconómicos
sustentáveis.

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