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Português para comunicação I

Narrar para comunicar

Magda Regina Lourenço Cyrre

EDITORA UNISINOS
2013
APRESENTAÇÃO

Neste livro, você encontra alguns aspectos que envolvem a leitura e a produção de
textos narrativos. Primeiramente, você precisa saber que para ser um bom redator de
textos narrativos, você precisa desenvolver as suas habilidades de leitor. Ler e escrever
são habilidades que se complementam na atividade comunicativa. Você também precisa
estar ciente de que a narrativa nas organizações é um importante veículo de
comunicação que se sustenta por ser uma modalidade textual/discursiva que
naturalmente envolve leitores e ouvintes.
Os textos organizados de maneira a narrar podem ser elaborados com diferentes
finalidades: informar, explicar, motivar,… As fábulas, de modo geral, são textos que se
organizam seguindo os princípios do modo de organização textual narrativo, no
entanto, ao final da narrativa, é apresentada uma moral da história para o
leitor/ouvinte. Essa “moral da história”, embora muitas vezes seja até “imoral”, busca
levar o leitor/ouvinte a se convencer da verdade que está sendo apresentada na
história. Outras vezes, o texto narrativo pode servir como ferramenta de motivação.
Em todas as situações de uso da narrativa, o trabalho de leitura e de interpretação faz
parte do processo narrativo. O melhor é entender como ocorre a organização dos
textos e perceber como são construídos os efeitos de verdade do texto, mesmo quando
estamos diante de uma narrativa ficcional.
Convido você a conhecer como ocorre o planejamento e a organização dos recursos
que envolvem o processo narrativo por meio da leitura das páginas que compõem este
livro. Somente conhecendo todo o processo, você poderá aplicá-lo nas Relações
Públicas. Boa Leitura!

Professora Magda Regina Lourenço Cyrre


SUMÁRIO

CAPÍTULO 1 – LER PARA INTERPRETAR E ESCREVER NARRATIVAS


1.1 Sobre narração e narrativa

CAPÍTULO 2 – OS ELEM ENTOS CONSTITUINTES DA ESTRUTURA


NARRATIVA
2.1 Exemplo

CAPÍTULO 3 – SOBRE O DISCURSO NARRATIVO: DIRETO, INDIRETO,


INDIRETO LIVRE
3.1 Tipos de narrador
3.2 Tipos de narrativa
3.3 Tipos de discursos

CAPÍTULO 4 – A DESCRIÇÃO COM O SUPORTE DA NARRATIVA


4.1 Características da descrição
4.2 Técnicas para captar a realidade e (re)processá-la
4.3 Tipos de descrição

CAPÍTULO 5 – A NARRATIVIDADE E SUA M ANIFESTAÇÃO EM


DIFERENTES TIPOS DE TEXTUALIDADE
5.1 Exemplos de outros tipos de narrativas
5.2 Narrativas organizacionais

CAPÍTULO 6 – O VERBAL E O NÃO VERBAL NA NARRATIVA

CAPÍTULO 7 – A ESCRITA PARA A COM UNICAÇÃO


7.1 Princípios basilares da redação eficaz

CAPÍTULO 8 – COM O LER E INTERPRETAR NARRATIVAS


8.1 Exemplo de leitura comparativa

REFERÊNCIAS
CAPÍTULO 1

LER PARA INTERPRETAR E ESCREVER NARRATIVAS1

A competência de leitura é um pré-requisito para interpretar e escrever adequadamente


narrativas. Apesar de o ato de contar ou ouvir histórias ser tão antigo quanto a própria
humanidade, para que a narrativa seja bem sucedida, é necessário o emprego de
vocabulário adequado ao público leitor e determinadas técnicas. O modo de organização
narrativo é o resultado de uma combinação de elementos e recursos, como que, quem,
quando; como, onde e por que (3Qs + COP), em torno de um enredo. O gênero
narrativo é o resultado da organização desses elementos.

A alfabetização marca o início da aquisição das habilidades de leitura na escola. No


entanto, o termo “leitura”, bastante usado tanto na escola como fora dela,
frequentemente assume efeitos de sentido diversos. Você pode observar o uso
polissêmico do vocábulo leitura nos enunciados seguintes:
a. O comandante do Titanic fez a leitura da carta náutica.
b. A leitura de mundo que o candidato à vaga apresenta influencia no processo
seletivo.
c. Um dos principais problemas dos estudantes brasileiros é a limitação
vocabular e a interpretação da leitura.
d. Parabéns! A sua leitura está ótima: b a, bá.

Produzir diferentes efeitos de sentido conforme o uso não é um privilégio só da


palavra “leitura”, esse fenômeno é natural e recorrente em todas as línguas. Em vista
disso, usar a linguagem para a comunicação interpessoal – como é o caso da
comunicação para as Relações Públicas – envolve um conjunto de habilidades do
profissional de comunicação. Essas habilidades, em alguns casos, precisam ser
adquiridas e, em outros casos, desenvolvidas. Como foi possível observar, o uso da
palavra leitura é bastante corrente. No entanto, a noção de leitura nem sempre é bem
compreendida. Podemos dizer que a definição de leitura depende do ponto de vista do
sujeito que a vivencia. Pesquisas demonstraram que enquanto as classes dominantes
veem a leitura como fruição, lazer, ampliação de horizontes, de conhecimentos, de
experiências, as classes dominadas a veem pragmaticamente como instrumento
necessário à sobrevivência, ao acesso ao mundo do trabalho, à luta contra suas
condições práticas de existência.
É evidente que ler é muito mais do que decodificar sinais gráficos. A leitura não
pode ser resumida a um mero instrumento. A leitura é uma questão social e, portanto,
deve ser tratada como processo, não como produto acabado. Em vista disso, a
compreensão de um texto/discurso implica a relação entre o texto/o discurso e o
contexto do sujeito leitor. Paulo Freire destaca a importância de uma leitura vertical,
que atravessa as palavras e interpreta o mundo. Ele diz que “A leitura do mundo
precede a leitura da palavra” e que “linguagem e realidade se prendem dinamicamente”
(FREIRE, 1973, p. 11-12).
A leitura plena dos sentidos de um texto ou discurso faz supor o reconhecimento
da dimensão sócio-histórica da linguagem, das injunções do poder e das diferentes
posições do sujeito nos textos. Segundo Orlandi, as condições em que a leitura se
processa “abrangem o contexto histórico, social, ideológico, a situação, os
interlocutores e o objeto do discurso, de tal forma que aquilo que se diz significa em
relação ao que não se diz, ao lugar social do qual se diz, para quem se diz, em relação
aos outros discursos etc.” (ORLANDI, 1984, p. 37). Daí se depreende que a leitura
não é um ato isolado; cada leitura resulta da contribuição do leitor ao interagir com o
texto, da experiência do autor ao elaborar o texto e da relação entre o texto e os outros
textos que concorrem com ele. Pode-se dizer que a leitura é um processo triangular no
qual fazem parte o próprio texto, os agentes da interação e o contexto da interação.
Então, anterior à produção de um texto/discurso narrativo, por exemplo, é preciso
imaginar virtualmente quem será o público-alvo leitor do texto e em que condições ele
vai receber a narrativa.
A simultaneidade de imagens visuais e sonoras tem criado novos condicionamentos
para a percepção dos significados. Os sentidos não nascem do nada, são criados, são
construídos em confronto de relação que são sócio-historicamente fundadas e
permeadas por relações sociais e culturais. Isso resulta que um mesmo texto pode
produzir efeitos de sentidos ou leituras diferentes. Com isso, quero dizer que o texto
ou o discurso não preexiste à sua leitura, e a leitura não é aceitação passiva, mas é
construção ativa; é no processo de interação desencadeado pela leitura que o texto se
constitui.
Sem dúvidas há textos/discursos que se prestam a várias possibilidades de
interpretação, mas há limites. Isso mesmo: a interpretação não é algo pessoal que
esteja submetida ao leitor. Caso isso fosse verdadeiro, o mundo se tornaria um caos.
Cada leitor tiraria as suas conclusões após ler um texto. A atividade de leitura é um
processo regrado. Há exemplo de determinados jogos, como o xadrez, quem sabe
melhor as regras tem mais chances de vencer. Ou seja, apesar de existirem textos que
possibilitem mais de uma leitura – aqui tomo leitura no sentido de interpretação –
certas leituras se tornarão inaceitáveis se levarmos em conta a coerência entre seus
vários elementos. Essa coerência é garantida, entre outros fatores, pela reiteração, a
redundância, a repetição, a recorrência de traços semânticos ao longo do
texto/discurso.
Entretanto, dizer que um texto pode permitir várias leituras não implica, de modo
algum, admitir que qualquer interpretação seja correta nem que o leitor possa dar ao
texto o sentido que lhe aprouver. O texto que admite várias leituras contém em si
indicadores dessas várias possibilidades. No seu interior aparecem temas que têm mais
de um significado e que, por isso, apontam para mais de uma possibilidade de leitura.
O leitor cauteloso deve abandonar as interpretações que não encontrem apoio em
elementos do texto.
Para desenvolver uma competência de leitura, não basta estabelecer correlações
entre as formas e os significados da língua, na medida em que o uso desta é governado
por regras que se constituem no espaço intersubjetivo das relações humanas. Um dos
aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação de que ele pode dizer
coisas que parece não estar dizendo; além das informações explicitamente anunciadas,
existem outras que ficam subentendidas ou pressupostas. Para realizar uma leitura
eficiente, o leitor deve captar tanto os dados explícitos quanto os implícitos. O leitor
perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas. Caso contrário, ele pode passar
por cima de sentidos importantes ou pode concordar com coisas que rejeitaria se as
percebesse.
Para exemplificar essa questão de leitura, proponho a interpretação do seguinte
enunciado do famoso poeta português Fernando Pessoa: “Navegar é preciso, viver não
é preciso.” Um leitor que pertence a um grupo social que não tenha muitos
conhecimentos sobre o vocabulário da língua portuguesa pode fazer a seguinte leitura:
a. O poeta era um viajante, ou seja, navegar é necessário e viver não é necessário
(vai que o poeta estava deprimido quando escreveu esse verso e estava
desiludido com a vida!?).

Apesar dessa possibilidade de leitura, prefiro pensar que o poeta era um exímio
conhecedor dos vocábulos da Língua Portuguesa e explorava ao máximo os efeitos de
sentido que as palavras da língua possuem. Com isso, quero dizer que existe outra
possibilidade de interpretação para: “Navegar é preciso, viver não é preciso.” Ou seja,
quero dizer que é possível interpretar esse enunciado como:
b. Navegar é preciso, tem precisão. Já viver, não é preciso, não tem exatidão, não
tem precisão.

Saber que “preciso” pode ser sinônimo de necessário e também de exato é o que
vai ser o diferencial entre o sujeito leitor que tem esse conhecimento vocabular e o que
não tem. Para demonstrar a importância da adequação vocabular ao público-alvo nos
processos comunicativos interpessoais, um último exemplo: “No porto, o navio inglês
entrava o navio francês.” Isso mesmo que você leu. Não há problemas de digitação, o
verbo é “entrava”. O que para alguns leitores pode parecer um enunciado sem nexo,
com total falta de sentido, para outros leitores, conhecedores do vocabulário da Língua
Portuguesa, esse será um enunciado lógico e com sentido. Se você ler “entrava” como
o tempo pretérito do verbo “entrar” a leitura estará comprometida, já que não faz
sentido: “No porto, o navio inglês entrava o navio francês.” Porém, se você ler
“entrava” como presente do verbo entravar, o enunciado terá sentido: “No porto, o
navio inglês é um entrave, é um obstáculo, ao navio francês.”
Em vista disso, podemos afirmar que a leitura, além de ser uma questão social,
cultural, é uma questão de grau, em proporção à bagagem cultural do leitor.
Compreende-se, assim, a leitura como um processo interativo que depende do leitor
para se obter legibilidade. Daí a importância de saber quem será o seu público leitor
antes da produção de qualquer narrativa. Para encerrar essa reflexão sobre a
importância da leitura, do leitor e do redator, cito um dito popular russo: “A leitura é
um jogo conjunto entre quem escreve e quem lê contra as forças da confusão.”

1.1 Sobre narração e narrativa


Agora que você já leu sobre a importância da adequação vocabular para uma leitura
eficiente, vamos focar em aspectos que envolvem a formulação de textos/discursos
narrativos. De acordo com Gancho (2006), contar ou ouvir histórias é uma atividade
tão antiga quanto a existência do homem. Pessoas de todas as raças, credos e
condições socioeconômicas sentem prazer em ouvir e em contar histórias. Ao longo da
história da humanidade, tivemos vários personagens reais ou fictícios que se
notabilizaram por contar narrativas. Por exemplo, Jesus Cristo contava histórias
narrativas para seus apóstolos, as parábolas. Essas narrativas exploravam,
normalmente, a linguagem conotada, num primeiro momento, após havia a elucidação
do real significado de cada elemento da narrativa, para um público-alvo seleto, com o
uso da linguagem denotada, em sentido real. Inspirados, também, na Bíblia, os
famosos sermões do Padre Antônio Vieira usavam a linguagem figurada para prender a
atenção de seus fiéis ouvintes nas missas do tempo do Brasil Colonial. Em nosso
repertório brasileiro de histórias infantis, temos as famosas narrativas contadas por
Dona Benta, personagem de M onteiro Lobato – que foi até fonte de inspiração para a
criação de seriados televisivos. A narração, sem dúvidas, faz parte da vida do homem
em todas as fases de sua vida: infância, juventude e fase adulta.
Você, com certeza, já presenciou alguém que contou uma anedota, mas que não
teve graça. A narração, apesar de estar há muito tempo com a humanidade, só é bem-
sucedida quando emprega determinadas técnicas. Salientamos que narração não é o
mesmo que narrativa. A narração é algo simples que consiste em apresentar os
componentes narrativos sem se preocupar em prender a atenção do leitor ou do
ouvinte, aproxima-se de simples relatos. A narrativa é uma organização
textual/discursiva que emprega determinadas técnicas para alcançar os seus
propósitos, enquanto que a narração é simplesmente uma tipologia textual assim como
a descrição ou a dissertação.
No momento em que é tomada a decisão de construir uma narrativa escrita ou oral,
passa-se, conscientemente ou não, a combinar determinados elementos e recursos
linguísticos para construir um universo mutável capaz de encantar e prender a atenção
do leitor ou do ouvinte. O modo de organização narrativo é o resultado de uma
combinação de elementos e recursos que vão ser empregados de acordo com a
finalidade que se quer atingir. M as que elementos são esses? Quais são esses recursos
linguísticos? Essas são algumas perguntas que serão respondidas ao longo deste livro.
Antes de seguir adiante, é importante que você saiba que a narrativa é um gênero
textual. Gênero textual é um grupo concreto de textos que aborda um tema de acordo
com alguns critérios comuns.
Entre os critérios mais gerais, podemos citar:
a. a estrutura de organização do texto: descritiva, dissertativa, narrativa;
b. o propósito com que o texto foi escrito: informar, persuadir, distrair, explicar.

Como exemplo de textos que estão estruturados segundo o modo de organização


do gênero narrativo, podemos citar: contos, romances, novelas, histórias em
quadrinhos, piadas, fábulas, narrativas organizacionais.
Para pertencer ao gênero narrativo, o texto/discurso precisa organizar uma
sequência de acontecimentos contados, criando-lhe um contexto de acordo com o que
define Charaudeau (1992). Narrar é uma atividade posterior à existência de uma
realidade que se dá, necessariamente, como passada. Ao mesmo tempo, essa atividade
tem a faculdade de fazer nascer um universo: o universo contado, que se ancora sobre
uma outra realidade, a qual só existe através deste universo. O sujeito que narra
desempenha o papel de um testemunho que está preso ao passado vivido. O modo de
organização narrativo caracteriza-se por uma dupla articulação: a construção de uma
sucessão de ações e a disposição de uma representação narrativa, que se faz por meio
da combinatória de determinados elementos. Entre as características do gênero
narrativo, podemos citar a presença de determinados elementos básicos que se tornam
presentes desde as narrativas mais simples até os textos mais elaborados redigidos por
grandes mestres da literatura.
Por isso, o modo de organização narrativo está presente todas as vezes que
percebemos que um ou mais fatos que ocorreram com alguém, em determinado tempo
e lugar, estão organizados em torno de um conflito que é criado com um determinado
propósito. Assim, a narrativa se organiza combinando-se os seguintes componentes
básicos em torno de um conflito também conhecido como enredo.
a. Fato (o que se vai narrar?);
b. personagens (quem participou do ocorrido ou o observou?);
c. tempo (quando o fato ocorreu?);
d. lugar (onde o fato se deu?);
e. modo (como se deu o fato?);
f. causas (por que isso ocorreu?).

Fórmula resumo dos componentes básicos da narrativa


3Qs + COP = Narrativa
QUE + QUEM + QUANDO (esses elementos situam a temática da narrativa)
COMO + ONDE + POR QUE (esses elementos complementam, desenvolvem a narrativa e
enredam o público-alvo da narrativa)

É interessante você observar que a narrativa pode ser baseada em fatos reais ou
pode ser ficcional e sempre terá, no mínimo, seis elementos básicos: fato, personagem,
tempo, espaço mobilizados por um narrador em torno de um conflito ou enredo.
Esses elementos deverão ser organizados de acordo com a finalidade da narrativa:
informar, distrair, explicar, ensinar, persuadir, convencer etc. Além disso, é importante
que você saiba que toda narrativa possui uma característica muito peculiar, ela nunca
pode ser negada. Ou seja, podemos dizer que a narrativa é inexata ou inventada, mas
jamais que ela não existe. Uma vez formulada, a narrativa passa a fazer parte da
memória de leitores ou ouvintes.
Hoje, cada vez mais, as organizações empresariais estão cientes da força que uma
narrativa tem e, por isso, investem em narrativas. A narrativa pode estar presente na
publicidade de produtos e de serviços, em vídeos ou textos institucionais para contar a
história da organização ou a história de vida do fundador da empresa, só para
exemplificar.
Antes de sair escrevendo as suas primeiras narrativas organizacionais, sempre é
bom lembrar que assim como não se vai a uma festa de gala usando camiseta e chinelos
e nem à praia de longo ou usando terno e gravata, também devemos adequar o que
vamos escrever à situação de uso. Quem serão os interlocutores da narrativa? Amigos,
familiares, profissionais com quem você pretende trabalhar? Lembre-se: a situação de
uso determinará o que é mais adequado escrever.

1 Publiquei um artigo com conteúdo muito semelhante à primeira parte deste capítulo sob o título
de Leitura: um jogo social, na revista Ciências & Letras, Porto Alegre, n. 23 e 24/1998 – p.
219-222.
CAPÍTULO 2

OS ELEMENTOS CONSTITUINTES DA ESTRUTURA


NARRATIVA

Conforme o público-alvo que se quer alcançar com uma narrativa, os elementos


constituintes básicos da narrativa devem ser organizados: o fato, os personagens, o
tempo, o espaço são mobilizados por um narrador em torno de um conflito ou enredo.
Esses elementos deverão ser organizados de acordo com a finalidade da narrativa:
informar, distrair, explicar, ensinar, persuadir, convencer, motivar. A organização do
texto se dá por meio da distribuição desses elementos nas seguintes partes da narrativa:
exposição, complicação, dinâmica de ação, clímax e desfecho.

As organizações são constituídas por suas narrativas. As histórias organizacionais


são vistas como uma forma de transmitir a cultura da organização para os novos
membros, além de manter e desenvolver a percepção da instituição. Por isso, a
construção e uso de histórias de sucesso é uma das formas de gerenciar impressões, na
medida em que transmitem o que é relevante, assim como as condutas que são
aceitáveis e aprovadas pela organização. Em vista disso, é importante que você
conheça os elementos constituintes da narrativa e como os elementos básicos da
narrativa precisam ser organizados para se compor uma boa narrativa.
O universo contado deve ser planejado e organizado de acordo com critérios que
precedem a sua escrita. A estrutura do texto/discurso narrativo vai se organizar em
torno de elementos básicos, como o fato a ser contado, os personagens envolvidos, o
tempo em que tudo ocorreu, o espaço onde tudo ocorreu, como e por que tudo
aconteceu. Esses seis elementos são considerados básicos porque são eles que
garantem a existência do universo contado: a narrativa. Além disso,
independentemente da narrativa ser real ou ficcional, de ser direcionada a um público
adulto ou infantil, esses elementos estão sempre presentes, embora, muitas vezes,
apresentem uma organização particular. A seguir, você encontrará mais detalhes sobre
os elementos constituintes das narrativas.

FATO: é o episódio que será narrado. As narrativas costumam se desenvolver em torno de um


fato principal e uma sequência de fatos secundários. Os fatos podem ser reais (verdadeiros) ou
inventados (ficcionais). Eles devem ser organizados dentro da narrativa de tal forma que
prendam a atenção do público-alvo da e cumpram a função textual.
PERSONAGEM: o/a personagem é um ser real ou ficcional criado por um autor; pode ser um
humano, um animal, um vegetal, um objeto ou um ser ficcional personificado, criado pelo
autor. A sua maior característica é ter personalidade, que é demonstrada por suas ações ao longo
do universo contado pelo narrador. Numa obra literária, o que define a personagem é o que
sabemos dela, e o que sabemos dela é o que o narrador nos conta. Personagens e narrador
estão, pois, em estreita conexão. O narrador dá nome às personagens, descreve suas
características físicas e psicológicas, faz comentários a respeito delas e, principalmente, coloca-
as em ação. Personagens são encontradas em obras de literatura, cinema, teatro, televisão,
desenho animado, histórias em quadrinhos, videogames, marketing etc.
TEMPO: o tempo na narrativa é um período que marca o início da história que será contada e o
seu fim. O tempo da narrativa pode ser breve, como nas fábulas, ou pode ser longo como em
alguns romances: como exemplo, cito a obra de Gabriel García Marquez, Cem anos de solidão.
O tempo também pode ser ficcional e se passar num passado muito distante, como é o caso
dos contos de fadas: era uma vez… Ou acontecer num futuro muito distante de nossa realidade,
como nas narrativas fílmicas de ficção: ano estelar vinte e cinco mil e quinze.
ESPAÇO: o espaço na narrativa é o lugar onde os fatos se desenrolam. Ele é imprescindível e
deve ser esclarecido logo no início da narrativa, pois assim o leitor poderá localizar a ação e
imaginá-la com mais facilidade.
COMO: como a narrativa será contada, elaborada, recriada, está intimamente relacionado ao
objetivo que se quer atingir com a história a ser contada: persuadir, buscar a adesão dos
colaboradores, imortalizar os feitos do fundador da organização, motivar a equipe de trabalho,
buscar novos clientes, e ao público-alvo a quem se direciona a narrativa. Esses dois fatores:
objetivo e público-alvo determinarão o tipo de narrador que será escolhido para contar o
universo criado.

Em algumas narrativas, não aparecem explicitamente todos os seus elementos


básicos. Algumas histórias delegam para o leitor interpretar quais seriam as causas e as
consequências dos fatos. Isso ocorre porque, muitas vezes, o criador da narrativa não
apresenta de maneira explícita todos os elementos que compõem a trama.
Para que a escrita seja eficaz, é necessário que o público-alvo leia adequadamente o
texto, em vista disso, esse público-alvo leitor faz parte do processo de escrita, pois
determinará como os elementos constituintes da estrutura narrativa deverão ser
organizados. Isso acontece porque o produtor da narrativa vai organizar os elementos
constituintes de sua narrativa com formato diferenciado, conforme a finalidade e o
conhecimento que o público-alvo tem do assunto tratado.
É sempre bom lembrar que o que prende a atenção do leitor ou ouvinte é o enredo.
É interessante observar a similaridade dos termos enredo e rede. Daí talvez alguns
autores preferirem usar o termo trama como sinônimo de enredo. Conforme Araújo
(2012), enredo é o conflito que determina o nível de tensão (expectativa) relacionado
ao desenrolar dos fatos ou acontecimentos envolvendo as personagens do texto. Além
disso, o enredo está diretamente ligado às personagens, já que a história que se conta é
a respeito delas. Um depende do outro, como explica Antônio Cândido: “O enredo
existe através das personagens; as personagens vivem do enredo. Enredo e personagem
exprimem ligados os intuitos do romance, a visão da vida
que decorre dele, os significados e valores que o animam” (CÂNDIDO, 1987. p.
534). Salientamos que narração e narrativa não são sinônimos. A narrativa possui
enredo, o qual apresenta as seguintes características:
a. mudança de estado do(s) personagem(ns);
b. conjunto de transformações de situações referentes a personagens
determinadas, mesmo que sejam coletivas, num tempo determinado e num
espaço;
c. progressão temporal entre os fatos (anterior, posterior, predominante).

Em resumo, o enredo é o esqueleto da narrativa, a sua base. Se não há enredo, não


há narrativa, não há personagens, não há tempo e nem espaço. É com base nele,
portanto, que os demais itens que compõem a estrutura da narrativa vão se formando
e se relacionando para a construção de um texto coerente e lógico. Isso quer dizer que
a descrição pode fazer partes da construção narrativa.
Para se construir uma boa narrativa, um bom enredo, não basta o texto possuir os
elementos constituintes básicos da narrativa, é preciso organizá-los de tal forma que
prenda a atenção do público-alvo. Você já deve ter lido ou ouvido que todo texto deve
ter início, meio e fim; mas o que colocar no início, no meio e no fim de um texto
narrativo? Uma forma tradicional de organização da narrativa é a apresentação de seus
elementos básicos da seguinte forma:

Situação inicial ou exposição: apresenta a exposição da situação, citando personagens, tempo e


espaço.
Situação problema ou complicação: um novo acontecimento modifica a situação apresentada.
Inclui-se um novo personagem ou um novo fato que desestabiliza a situação inicial; forças
opositoras aos propósitos do personagem central intensificam o conflito ou enredo da narrativa;
ou, ainda, busca-se a resposta a uma questão.
Dinâmica de ação: é o desenrolar do enredo, por meio das ações e reações dos personagens da
trama. Na dinâmica de ação, é apresentado um conjunto de acontecimentos que se sucedem,
segundo um princípio de casualidade, com vista a um desenlace.
Clímax: é o ponto máximo de tensão nas narrativas, é o momento de maior intensidade
dramática da narrativa. É nesse momento que o conflito fica insustentável, algo tem de ser feito
para que a situação se resolva.
Situação final ou desfecho: normalmente ocorre a solução do conflito, um estado de
estabilização que pode ser feliz, trágico, cômico, surpreendente, mas, em algumas narrativas, o
final pode ficar em aberto, deixando ao leitor a missão de interpretar e completar a história
narrada. É importante observar o fato de que algumas narrativas apresentam a solução do
conflito, mas isso nem sempre significa um final feliz.

2.1 Exemplo
Veja a seguir um exemplo da disposição dos elementos constituintes da estrutura
da narrativa:

Quadro 1 – Exemplo de narrativa


Como funciona o mundo corporativo… Modo de organização da narrativa
Todos os dias, uma formiga chegava
Situação inicial ou exposição:
cedinho ao escritório e pegava duro no
trabalho. A formiga era produtiva e feliz. apresenta os personagens principais, o
tempo e o espaço onde ocorrem os fatos.
O diretor marimbondo estranhou a formiga
trabalhar sem supervisão.
Se ela era produtiva sem supervisão, seria
ainda mais se fosse supervisionada. E Complicação:
colocou uma barata, que preparava um novo fato e um novo personagem
belíssimos relatórios e tinha muita desestabiliza a situação inicial.
experiência como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de
padronizar o horário de entrada e saída da
formiga. Logo, a barata precisou de uma
secretária para ajudar a preparar os
relatórios e contratou também uma aranha
para organizar os arquivos e controlar as
ligações telefônicas. O marimbondo ficou
encantado com os relatórios da barata e
pediu também gráficos com indicadores e
análise das tendências que eram mostradas
em reuniões. A barata, então, contratou
uma mosca, e comprou um computador
com impressora colorida. Logo, a formiga
produtiva e feliz começou a se lamentar de Dinâmica de ação:
toda aquela movimentação de papéis e é apresentado um conjunto de
reuniões! O marimbondo concluiu que era acontecimentos que se sucedem, segundo
o momento de criar a função de gestor para um princípio de casualidade, com vista a
a área onde a formiga produtiva e feliz um desenlace.
trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra,
que mandou colocar carpete no seu
escritório e comprar uma cadeira especial.
A nova gestora cigarra logo precisou de um
computador e de uma assistente, a pulga
(sua assistente na empresa anterior), para
ajudá-la a preparar um plano estratégico de
melhorias e um controle do orçamento
para a área onde trabalhava a formiga, que
já não cantarolava mais e cada dia se
tornava mais chateada. A cigarra, então,
convenceu o gerente marimbondo de que
era preciso fazer um estudo de clima.
M as, o marimbondo, ao rever as cifras, se
deu conta de que a unidade na qual a
formiga trabalhava já não rendia como
antes e contratou a coruja, uma prestigiada Clímax:
consultora, muito famosa, para que fizesse
é nesse momento que o conflito fica
um diagnóstico da situação. A coruja
insustentável, algo tem de ser feito para
permaneceu três meses nos escritórios e
que a situação se resolva.
emitiu um volumoso relatório, com vários
volumes, que concluía: “Há muita gente
nesta empresa!” E adivinha quem o
marimbondo mandou demitir?
A formiga, claro, porque ela andava muito
desmotivada e aborrecida. Situação final ou desfecho: apresenta a
solução do conflito, mas isso nem sempre
Já viu esse filme antes?
significa um final feliz.
Bom trabalho a todas as formigas!!!
Fonte: recebida via e-mail pela autora, em março de 2012.

Paralelo à distribuição dos elementos da narrativa, na exposição, complicação,


dinâmica de ação, clímax e no desfecho, é preciso ocupar-se com a escolha da
linguagem que será empregada para compor o texto. A escolha da linguagem está
intimamente ligada ao público-alvo da narrativa. Você deve se perguntar: para quem eu
escrevo? Quem é meu interlocutor? O tipo de linguagem a ser adotado por quem
escreve uma narrativa vai depender do contexto específico de uso entre os envolvido:
redator e leitor. Após traçar o perfil de quem será o público receptor do texto, você
deve optar por algumas destas possibilidades de uso da linguagem para a comunicação:

Linguagem formal: também conhecida como forma culta, a linguagem formal é aquela que o
redator usa quando não existe familiaridade com o público-alvo receptor do texto, quando se
dirigem aos superiores hierárquicos ou quando tem de falar para um público-alvo mais amplo
ou desconhecido. É a linguagem que normalmente podemos observar nos discursos públicos,
nas reuniões de trabalho, nas salas de aula etc.
Linguagem informal: é a aquela em que o usuário da língua emprega em um contexto familiar.
Nesse contexto, entre familiares e amigos, pode usar expressões que normalmente não são
usadas em discursos públicos (palavrões ou palavras com um sentido conotado que apenas os
elementos do grupo conhecem).
Linguagem denotada: a linguagem denotada pertence ao primeiro nível de linguagem e está
associada à literalidade dos sentidos. O literal estabelece uma ligação natural entre significado e
significante. Antigamente, dizia-se que o sentido literal de uma palavra era o seu sentido real,
denotado.
Linguagem conotada: a linguagem conotada está relacionada com o simbólico e pertence ao
segundo nível da linguagem. A linguagem conotada é codificada e está relacionada a sentidos
culturais de uma determinada comunidade de usuários da língua. Antigamente, dizia-se que o
sentido conotado de uma palavra ocorria quando a palavra era usada em sentido figurado,
simbólico.

Lembre-se, as organizações são construídas e reconstruídas discursivamente, visto


que são faladas, escritas, personificadas, codificadas e registradas por meio de suas
narrativas. Além disso, a narrativa nas organizações pode ser usada para personificar
seus valores.
CAPÍTULO 3

SOBRE O DISCURSO NARRATIVO: DIRETO,


INDIRETO, INDIRETO LIVRE

P ara elaborar uma narrativa que cumpra adequadamente a sua finalidade, é necessário
planejar o texto e escolher adequadamente o tipo de narrador (personagem, observador
ou onisciente), o tipo de discurso (direto, indireto ou indireto livre), o tipo de narrativa
(subjetiva ou objetiva), além do tipo de linguagem (prosa ou poética).

Além da combinação dos elementos básicos da narração, é também necessário


associar alguns recursos linguísticos à construção da narrativa, como tipo de narrador,
tipo de discurso, tipo de linguagem. Ou seja, antes de iniciar a elaboração do texto
narrativo, é necessário que você planeje e decida qual ponto de vista será adotado pelo
narrador, pois é ele quem organiza o universo contado e recriado da narrativa. A
narrativa pode estar em primeira ou terceira pessoa, dependendo do papel que o
narrador assuma em relação à história. De acordo com o tipo de narrador criado pelo
autor da narrativa e as diferentes combinações com tipos de linguagem e tipos de
discursos, o universo narrado poderá ser contado e recontado, produzindo diferentes
efeitos de sentido.

3.1 Tipos de narrador


O narrador pode ser basicamente de três tipos, com isso, teremos três tipos de
foco narrativo: narrador personagem, narrador observador e narrador onisciente.

Narrador personagem: este narrador participa ativamente da história como personagem


(mesmo que não seja o personagem principal) e apresenta os fatos contados de acordo com a
sua perspectiva subjetiva. Uma das principais características desse tipo de narrador é o uso da
primeira pessoa do singular (eu) para apresentar o universo contado. Esse tipo de narrativa é
sempre parcial, pois o ponto de vista do narrador é sempre limitado às suas percepções.
Narrador observador: este narrador não participa da história contada como personagem, ou
seja, não pratica nenhuma ação. Ele apenas observa tudo que se passa e conta em detalhes o
que vê e ouve. Ele conhece todos os fatos e, por não participar deles, narra com certa
neutralidade, apresenta os fatos e os personagens com imparcialidade. Não tem conhecimento
íntimo das personagens nem das ações vivenciadas. O universo contado por esse tipo de
narrador sempre aparece pelo uso da terceira pessoa do singular (ele).
Narrador onisciente: este tipo de narrador é superpoderoso, pois, além de contar os fatos,
consegue prever o que vai acontecer na história, já que tem o pode de ler os pensamentos mais
íntimos de cada personagem. Esse narrador conta a história em terceira pessoa e, às vezes,
permite certas intromissões narrando em primeira pessoa. Ele conhece tudo sobre as
personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo das personagens, conhece suas
emoções e pensamentos. Ele é capaz de revelar suas vozes interiores, seu fluxo de consciência,
em primeira pessoa. Quando isso acontece, o narrador faz uso do discurso indireto livre.
Assim, o enredo se torna plenamente conhecido, os antecedentes das ações, suas entrelinhas,
seus pressupostos, seu futuro e suas consequências.

3.2 Tipos de narrativa


A narrativa pode ser objetiva, subjetiva ou mesclar momentos de objetividade com
momentos de subjetividade.

Narrativa subjetiva: é aquela em que os fatos são apresentados levando-se em conta as


emoções, os sentimentos envolvidos na história. Nota-se claramente a posição sensível e
emocional do narrador ao relatar os acontecimentos.
Características da narração subjetiva: juntamente com os fatos que são contados, aparecem
claramente as emoções e os sentimentos envolvidos na história. São ressaltados os efeitos
psicológicos que os acontecimentos desencadeiam nas personagens. O narrador em primeira
pessoa, normalmente por seu envolvimento emocional com a narrativa, é o mais indicado, mas
não está descartada a presença de narração subjetiva com narrador em terceira pessoa.
Narrativa objetiva: ocorre quando os fatos narrados são apresentados de modo frio e impessoal.
É, portanto, o oposto da narração subjetiva. Mas será que é possível narrar um fato de forma
totalmente objetiva, sem manifestação de opinião ou emissão de qualquer juízo de valor? O
simples fato de você escolher este fato para narrar em vez de outro já implica um juízo de valor.
Características da narração objetiva: apenas informa os fatos, sem se deixar envolver
emocionalmente com o que está sendo narrado; é de cunho impessoal e direto. Normalmente, é
escrita em terceira pessoa do singular.

3.3 Tipos de discursos


Quanto ao tipo de discurso, o texto pode usar o discurso direto, indireto ou
indireto livre, ou, ainda, pode combinar as três modalidades de discurso em momentos
determinados do texto. Se o discurso escolhido para narrar o texto for o indireto,
poderá fazer emergir a subjetividade da linguagem.
O simples fato de a narrativa apresentar um narrador em 1ª pessoa (aquele que
participa da ação, ou seja, que se inclui na narrativa, o narrador-personagem) já faz
com que um mesmo fato seja narrado de forma diferenciada do que é contado por um
narrador em 3ª pessoa (aquele que não participa da ação, ou seja, que não se inclui na
narrativa, o narrador observador). Isso se deve porque no momento em que você faz
essa escolha, faz emergir em seu texto a subjetividade da e na linguagem.
De acordo com Benveniste (1988), a instalação da subjetividade na linguagem cria,
na própria linguagem e, acreditamos, igualmente fora da linguagem, a categoria da
pessoa, pois é na linguagem e pela linguagem que o homem se constitui como sujeito;
porque só a linguagem fundamenta na realidade, na sua realidade que é a do ser, o
conceito de ego. Resumindo, a linguagem só é possível porque cada locutor se
apresenta como sujeito remetendo a ele mesmo como eu no seu discurso. Entretanto, a
natureza dessa subjetividade vai além do sentido produzido pela mudança das pessoas
gramaticais em certos verbos e pelas palavras. Não podemos simplesmente
caracterizar um texto como sendo subjetivo quando apresenta as marcas da primeira
pessoa do discurso (eu) e objetivo quando o texto não é marcado, ou seja, apresenta
apenas as marcas de terceira pessoa (ele).
A linguagem como instrumento de comunicação engloba inúmeras outras
propriedades, além da própria subjetividade. De acordo com Bakthin (1981), não
existe linguagem neutra, todas as formas de um signo são condicionadas tanto pela
organização social dos indivíduos usuários da língua como pelas condições em que a
interação acontece. Por isso, a língua como sistema organizado de linguagem dispõe de
um rico arsenal de recursos linguísticos, lexicais, morfológicos e sintáticos para se
expressar. No entanto, as palavras não são de ninguém, estão a serviço de qualquer
usuário da língua e de qualquer juízo de valor, que podem mesmo ser totalmente
diferentes, e até mesmo contrários. É por essa razão que só compreendemos o sentido
das palavras da língua em relação à realidade de comunicação. E dentro do processo de
comunicação também adotamos para com as palavras uma atitude responsiva ativa
(simpatia, concordância, discordância, estímulo à ação etc.) e, consequentemente, um
juízo de valor.
Quanto ao tipo de discurso, o texto narrativo pode usar o discurso direto, indireto
ou indireto livre. Ou, ainda, pode combinar as três modalidades de discurso em
momentos determinados do texto. O que vai determinar o tipo de discurso a ser usado
no texto será a situação de emprego do texto final. Tradicionalmente, os tipos de
discursos estão associados à forma de apresentar a fala dos personagens na narrativa.
A fala dos personagens pode aparecer diretamente, tal qual a personagem falou, ou
intermediada pelo narrador. Quando o narrador apresenta o que viu e ouviu de cada
personagem, dizemos que o discurso usado foi o indireto.

Discurso direto: ocorre quando a personagem tem voz e expressa a sua fala por meio de
diálogo com outra(s) personagens ou com os seus próprios pensamentos. O discurso direto é
facilmente reconhecido em uma narrativa, já que apresenta marcas de pontuação específicas
antes de seu aparecimento. Usam-se dois pontos, seguidos de travessão, para indicar a mudança
de personagem e a alternância das falas. Em algumas narrativas, a fala das personagens pode
aparecer entre aspas. No discurso direto, a própria personagem assume a sua fala e é responsável
pelo que diz. Em vista disso, o discurso direto é usado para criar efeito de veracidade, verdade,
já que a fala aparece como sendo dita tal qual a personagem pronunciou. Em narrativas mais
complexas, o narrador pode apresentar a voz da personagem sem demarcar claramente, por meio
de pontuação, o que a personagem falou e o que ela pensou.
Exemplo
Senhor, posso lhe fazer uma pergunta?
Diga, soldado.
O que havia por detrás de assustadora porta?
Vá e veja.

Fonte: fragmento extraído do texto A porta assustadora. Disponível em:


<http://www.sinomar.com.br/ff_porta.asp>. Acesso em: 10 nov. 2011.

Comentário: duas personagens dialogam e são responsáveis pelo que dizem. Fica bem marcada
a mudança de interlocutor por meio do uso dos sinais de pontuação.
Discurso indireto: o discurso é indireto quando o narrador usa as suas palavras para transmitir
de modo indireto o que a personagem falou. Costuma-se dizer que o narrador parafraseia a fala/o
discurso das personagens. É importante destacar que há distanciamento entre o que a
personagem disse e o que o narrador transmite, porque a narração indireta passaria por um
processo de interpretação. O distanciamento entre o momento em que o personagem falou e o
momento em que o narrador reproduziu a fala da personagem é marcado pelo tempo verbal.
Isso mesmo, o tempo verbal é o que marca o distanciamento. Portanto, o tempo da fala da
personagem e o tempo do narrador nunca coincidem, e é por isso que o narrador narra sempre
em tempo posterior ao da fala da personagem. Isso acontece mesmo quando ela se expressa
com uma frase no futuro. Nesse caso, o narrador usará o futuro do pretérito para reproduzir a
fala.

Exemplo
O jogador disse: – Assinarei o contrato na próxima semana.
Narrador: O jogador disse que assinaria o contrato na próxima semana. (Narração com o uso do
discurso indireto.)

Comentário: Veja, a interpretação fica evidenciada pelo uso do verbo: assinarei não produz o
mesmo efeito de sentido de assinaria.
Discurso indireto livre: ocorre o discurso indireto livre quando o narrador mistura a fala e os
pensamentos da personagem sem distinção, por meio do uso de sinais de pontuação. Ou seja, a
fala das personagens são mescladas por pensamentos e intervenções do narrador. O discurso
indireto livre é mais usual em narrativas literárias complexas como, por exemplo, em Grande
sertão veredas, de Guimarães Rosa.

Resumindo, o discurso indireto é usado quando o narrador quer criar o efeito de


total controle sobre todas as ações e pensamentos das personagens. Já com o uso do
discurso direto, a própria personagem toma a palavra e fala, sem intermediários. Por
isso, o discurso direto costuma criar efeitos de realidade, de verdade, já que a própria
personagem falou. E no discurso indireto livre, fica em suspenso o discurso. O leitor é
exigido a interpretar a situação que é apresentada: a personagem pensou ou falou? É o
narrador quem está narrando ou é a personagem que está pensando? É realidade ou
imaginação?
A forma como o narrador se apropria das falas, das vozes das personagens, vai
conduzir a diferentes tipos de narrativas. Lembre-se, as personagens podem ser reais
ou ficcionais, e em toda narrativa há sempre uma boa dose de interpretação.
Veja os exemplos, a seguir, de narrações que podemos encontrar em nosso
cotidiano.

Notícia de jornal
João Gomes, 35 anos, carregador de feira livre e morador do morro da Babilônia, morreu afogado,
na última sexta-feira, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Conhecidos contam que ele bebeu no bar Vinte
de Novembro, divertindo-se com as músicas e as danças. Logo depois, saiu e não foi mais visto.
Fonte: texto elaborado pela autora a partir de adaptação de poema de Manuel Bandeira (2012).

Observe que o narrador apresenta outras vozes no texto por meio do discurso
indireto: “Conhecidos contam que ele bebeu no bar Vinte de Novembro, divertindo-se
com as músicas e as danças. Logo depois, saiu e não foi mais visto.” Além disso, o
narrador conta o que aconteceu, mas não se inclui na narrativa, criando um efeito de
verdade, já que essa narrativa teria a finalidade informativa. Já completamente
diferente, apesar de tratar do mesmo tema, seria o exemplo da narrativa poética
apresentada a seguir, elaborada por M anuel Bandeira.

Poema tirado de uma notícia de jornal


João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem
número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Fonte: Manuel Bandeira (1996).

Como é possível observar, as duas narrativas anteriores referem-se ao mesmo fato.


O primeiro texto é uma narrativa com finalidade informativa e, por isso, com aparência
de neutralidade. M esmo com essa aparência de neutralidade e tendo como objetivo
maior informar, passa ao leitor, além da informação do fato, detalhes que podemos
considerar juízos de valor. Ou seja, apesar do narrador não aparecer (o texto está em 3ª
pessoa), ele passa a sua opinião. Essa opinião é transmitida sem que muitos leitores
percebam, porque o repórter utilizou uma determinada estratégia ao escrever seu
texto. Notem que não é o narrador (repórter) que está afirmando que João estava
alcoolizado quando saiu do bar. Quem faz essa declaração ou especulação são
conhecidos que curiosamente aparecem na terceira pessoa do plural, dessa forma,
escondendo-se por trás de uma multidão anônima.
Já a finalidade do poema de M anuel Bandeira não seria informar como na narrativa
anterior, mas evidenciar o lúdico. Percebemos que apesar do “eu” poético do narrador
do terceiro texto não aparecer explicitamente no poema (o poema também está narrado
em 3ª pessoa), ele transmite muito mais apreciações sobre o ocorrido. Podemos dizer
que a subjetividade está mais presente no último texto pelo uso da linguagem poética.
As narrativas podem ser usadas com os mais variados propósitos. Nas
organizações, elas podem ser usadas para instruir, comunicar mensagens, informar,
enfatizar uma marca no mercado, reforçar uma filosofia etc. A escolha por apresentar
um fato usando o discurso direto, indireto ou indireto livre é uma opção que implica
um viés interpretativo.
Antes de passarmos a utilizar efetivamente a linguagem para compor um texto,
temos que ter clareza sobre onde pretendemos chegar com esse texto. Qual a finalidade
do texto? Informar, persuadir, ordenar, distrair, motivar. Dessa forma, fica mais fácil
organizar a narrativa. Um mesmo vocábulo poderá ser usado tanto para informar
quanto para distrair. Sabendo disso, você deve fazer as combinações adequadas do
tipo de narrador, do tipo de discurso e de linguagem adequados à narrativa que
queremos. Reflita um pouco quando for produzir uma narrativa: qual o propósito que
você quer atingir? Para alcançar o seu propósito, é melhor deixar a personagem falar ou
falar pela personagem? Pense nisso antes de escrever a sua próxima narrativa.
CAPÍTULO 4

A DESCRIÇÃO COMO SUPORTE DA NARRATIVA

Você verá neste capítulo como a descrição pode dar suporte para a narrativa. Descrever
objetos, cenários ou personagens, além de sensações e sentimentos que acompanham
todas as ações narradas, colaboram com a comunicação eficaz. Você já reparou que em
uma narrativa tudo o que sabemos de um objeto, personagem, paisagem, organização
depende das sensações e percepções que o narrador apreendeu e (re)transmitiu para o
público leitor?

Você é um bom observador? Se você não é, passe a prestar atenção nos pequenos
detalhes ao realizar suas leituras: seja a leitura de documentos oficiais (os autorizados
e produzidos pelas organizações) ou a leitura de mundo feita por via de documentos
informais (informações verbais ou textos produzidos por terceiros em blogs, redes
sociais ou outros meios acerca de uma organização). Por que prestar atenção nos
detalhes? Porque eles interferem na interpretação e na imagem que fazemos de pessoas
e de organizações. E, principalmente, porque a descrição é uma atividade altamente
subjetiva. Você já ouviu falar naquele dito popular: “Quem ama o feio, belo lhe
parece.” Pois é, a descrição está associada à subjetividade de quem descreve e à
subjetividade de quem lê. Por isso, nunca considere um único aspecto em um texto.
Considere sempre o conjunto. Um verdadeiro ato de leitura pleno faz supor o
reconhecimento da dimensão sócio-histórica da linguagem, das injunções do poder e
das diferentes posições do sujeito nos textos.
As condições nas quais a leitura se processa abrangem o contexto histórico-social-
ideológico, a situação, os interlocutores e o objeto do discurso. Isso ocorre de tal
forma que aquilo que se diz significa em relação ao que não se diz, ao lugar social do
qual se diz, para quem se diz, em relação aos outros discursos etc. Daí se depreende
que a leitura não é um ato isolado; cada leitura resulta da contribuição do leitor ao
interagir com o texto, da experiência do autor ao elaborar o texto e da relação entre o
texto e outros textos que concorrem com ele. Pode-se dizer que a leitura é um
processo triangular, no qual fazem parte o próprio texto, os agentes da interação e o
contexto situacional. Por isso, em uma narrativa, ao descrever ou interpretar uma
situação, apure os seus cinco sentidos: audição, visão, olfato, paladar e tato.

Audição: Quem disse o quê? Para quem? Em que tom?


Visão: Como é o cenário, a paisagem? O colorido? As expressões faciais?
Olfato: Que aromas e cheiros estão no ar? Perfumes, alimentos, cigarros?
Paladar: Deguste as falas, as músicas; prove as sensações que o momento proporciona.
Tato: Toque os cenários, sinta todos os componentes do momento.

Como você já deve ter percebido, a descrição é subjetiva. Portanto, enquanto


suporte à narrativa, a descrição tem a capacidade de criar, já que desperta a imaginação
do leitor ou do ouvinte do texto. Em vista disso, os cinco sentidos são instrumentos
legítimos para constituir uma análise de narrativas com descrição. Com os
instrumentos de análise da descrição, você pode interpretar um filme, uma história em
quadrinhos ou a letra da música que você mais gosta, e descobrir muitos detalhes que
talvez você não tenha prestado atenção. Segundo o fundador da linguística moderna,
Saussure (1974), quem determina como é o objeto, não é o objeto em si, mas o ponto
de vista do observador. Partindo desse princípio, um mesmo objeto, pessoa, paisagem,
cenário etc. pode ser visto e interpretado de forma diferente por público-alvo
diferenciado. Essa perspectiva pode ser comprovada em situações como a descrita a
seguir: duas pessoas diante de um copo com 50% de água, uma descreve o copo
dizendo que está metade cheio e a outra o descreve dizendo que está metade vazio.
Esse exemplo foi usado para você perceber a importância da descrição na comunicação
interna e externa nas organizações. A quem interessa saber que o copo está metade
vazio? A quem interessa saber que o copo está metade cheio? Se o copo está com 50%
de água, as duas respostas representam aspectos verdadeiros da mesma situação, mas
é claro que essas respostas não produzem o mesmo efeito de sentido: uma passa uma
ideia de falta, carência, e a outra uma ideia de abundância, plenitude. Quem vai
determinar o modo de descrever um produto, serviço, situação, organização é a
sensibilidade do profissional de comunicação e o conjunto das condições em que os
envolvidos estão imersos. Portanto, é o profissional de comunicação que vai
determinar o que é importante e deve der descrito. A descrição, muito mais do que a
enumeração de características ou aspectos evidentes no objeto descrito, é uma
atividade que envolve a sensibilidade do descritor, dessa forma, percebe-se como o
dito popular faz sentido: “Quem ama o feio, belo lhe parece.”

4.1 Características da descrição


A descrição caracteriza-se por ser estática, imóvel no tempo, sem nenhuma
transformação de estado. Todos os detalhes que compõem o objeto, ser, espaço,
situação etc. descritos são simultâneos. Essa modalidade de texto/discurso não relata,
como o narrativo, as transformações de estado que vão ocorrendo progressivamente
com pessoas, produtos, instituições etc. A descrição apresenta as propriedades e
aspectos concretos do ser, objeto ou paisagem descritos num determinado período de
tempo sem que haja progressão temporal. A singularidade da descrição está no
descritor captar o maior número possível de detalhes para compor a sua descrição,
como se fosse um retrato verbal. No entanto, uma descrição não se limita apenas à
enumeração pura e simples. É necessário algo mais: o essencial é saber captar o traço
distintivo, o particular, o que diferencia o objeto ou ser descrito de todos os demais de
sua espécie.
A descrição é, portanto, um processo no qual se empregam os sentidos para captar
uma determinada realidade e (re)processá-la num texto, fixando-a no tempo. O texto
final dependerá basicamente da finalidade da descrição (informar, persuadir, transmitir
emoções e impressões ou mesmo distrair o público-alvo) e da competência linguística
do descritor (adequação ao público-alvo: vocabular e temática).

4.2 Técnicas para captar a realidade e (re)processá-la


a. Comparação: usar a comparação é uma forma de apropriação das
características de elementos pertencentes a universos iguais ou diferentes. A
comparação é uma forma de organização das experiências de mundo e também
de captar valores da realidade e associá-los a novos objetos ou seres. A
comparação produz um deslocamento de sentidos, uma apropriação de
qualidades ou defeitos que são (re)alocados em um outro objeto ou ser. A
comparação pode ser usada para realçar semelhanças ou destacar as diferenças.
b. Definição: usar a definição equivale a apontar os limites conceituais em relação
aos demais, seres, produtos ou serviços, por exemplo. Ao usar a definição e
conceituar o objeto descrito, este estará preso a um universo que cria uma
sensação de realidade: isso ou aquilo “é”. A definição aprisiona o objeto ou ser
descrito, pois apresenta as suas características como imutáveis. Portanto,
apesar de ser uma excelente forma de captar a realidade e (re)processá-la, deve
ser usada com cuidado.
c. Metáfora: usar a metáfora equivale a fazer uma comparação entre dois seres,
objetos, sentimentos etc. sem utilizar o elemento comparativo “como”. A
comparação é subjetiva.
d. Sinestesia: usar o recurso semântico da sinestesia é uma forma singular e
subjetiva de articular a união ou junção de planos sensoriais diferentes para
processar a realidade. Tal como a metáfora ou a comparação, quanto mais
sentidos cruzados em uma frase, mais rica será a descrição.

4.3 Tipos de descrição


Tecnicamente, ou teoricamente, falando, você poderá processar dois tipos de
descrição: a descrição objetiva e a descrição subjetiva. O porquê de considerar apenas
teoricamente a existência de dois tipos de descrição é que por mais objetivo que o
produtor da descrição procure ser, ele vai se inscrever na produção da descrição e, com
isso, a sua subjetividade fará parte do material descrito, mesmo que as marcas do “eu”
sejam apagadas do texto/discurso.
a. Na descrição objetiva, o descritor se limita a descrever em detalhes o que
realmente vê, sem tecer comentários ou fazer qualquer associação com outros
objetos, pessoas, paisagens etc. Apenas a descrição técnica busca uma
objetividade absoluta e, mesmo nesse caso, é praticamente impossível anular
totalmente a interferência do produtor do material descritivo.
b. Na descrição subjetiva, o “eu” do descritor aflora e não só as suas emoções
influenciam o modo de descrever como todo o contexto sócio-histórico que o
envolve. A interferência do descritor nesse tipo de descrição é sempre maior e
costuma ser caracterizada pela emissão de juízos de valor sobre o que está
sendo descrito.

Exemplo de uso da descrição:

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a. entrar em novos mercados;
b. aumentar receitas em mercados já existentes;
c. melhorar o desempenho operacional;
d. fornecer produtos e serviços de forma mais efetiva e eficiente.
Fonte: exemplo de emprego da descrição, elaborado pela autora com nomes e dados fictícios.

O olhar do narrador será responsável pela caracterização da ou das personagens


principais e secundárias, além da descrição dos fatos, do espaço e do tempo em que
ocorrem as narrativas. Em vista disso, quanto mais detalhes você observar na
composição da narrativa, mais elementos você terá para fazer uma boa análise desse
tipo de material escrito.
CAPÍTULO 5

A NARRATIVIDADE E SUA MANIFESTAÇÃO EM


DIFERENTES TIPOS DE TEXTUALIDADE

A narratividade não é uma propriedade exclusiva do gênero narrativo clássico literário.


Modernamente, existem diferentes gêneros discursivos que trabalham o funcionamento
narrativo. O narrativo pode apresentar-se em forma de: romance, novela, conto, crônica,
fábula, apólogo, filme, histórias em quadrinhos, fotonovela, radionovela, vídeo
institucional etc.

Você já deve ter observado que são bem variados os textos em que aparecem os
componentes da narrativa. Essa presença massiva da narratividade em diferentes
materialidades (verbal e não verbal) são variações do gênero narrativo. Em outras
palavras, segundo Gancho (2006), os gêneros podem ser identificados segundo a
forma e o conteúdo. Quanto à forma, os gêneros são verso e prosa. Quanto ao
conteúdo, desde os estudos clássicos, costuma-se separar o gênero narrativo em épico,
lírico e dramático. Entre os gêneros narrativos da atualidade mais difundidos em prosa,
temos o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula, o apólogo. Além desses tipos
canônicos de histórias narrativas, as estruturas narrativas também estão presentes em
tiras de jornais, nas novelinhas de rádio, na fotonovela, na telenovela. Usando o verbal
e o não verbal é possível elaborar diferentes tipos de narrativas na atualidade, como,
por exemplo, as narrativas fílmicas e ou as organizacionais. Vivemos cercados de
histórias.

5.1 Exemplos de outros tipos de narrativas

Balada de amor através das idades


(Carlos Drummond de Andrade)

Eu te gosto, você me gosta


desde tempos imemoriais.
Eu era grego e você troiana,
troiana mas não Helena..
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,


flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria do meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal da cruz
e rasgou o peito a punhal…
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)


fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira…
Pulei muro do convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno


remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loira notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz muito gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
Fonte: Carlos Drummond de Andrade (2001).

Faroeste caboclo (Renato Russo)


– Não tinha medo o tal João de Santo Cristo,
Era o que todos diziam quando ele se perdeu.
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu.
Quando criança só pensava em ser bandido,
Ainda mais quando com um tiro de um soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu.
Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar.
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
E de escolha própria, escolheu a solidão.
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado para o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.
Não entendia como a vida funcionava –
Discriminação por causa da sua classe ou sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.
E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar
Dizia ele: – Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há.
Estou precisando visitar a minha filha
Então fico aqui e você vai no meu lugar.
E João aceitou sua proposta e num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal.
– Meu Deus, mas que cidade linda,
No ano novo eu começo a trabalhar.
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava três mil por mês em Taguatinga
Na sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô:
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar.
E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversa e decidiu que,
como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E, sem ser crucificado, a plantação foi começar.
Logo, logo os malucos da cidade souberam da novidade:
– Tem bagulho bom aí!
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.
Fez amigos, frequentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinhos da cidade
Começou a roubar.
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
– Vocês vão ver, eu vou pegar vocês.
Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general.
Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu.
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele
Pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
– Maria Lúcia, pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter.
O tempo passa e um dia vem à porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa e diz que espera uma resposta.
Uma resposta do João:
– Não boto bomba em banca de jornal nem em colégio de criança
Isso eu não faço, não
E não protejo general de dez estrelas, que fica atrás da mesa
Com o cu na mão.
E é melhor senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes com ascendente Escorpião.
Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
– Você perdeu sua vida, meu irmão.
Você perdeu a sua vida meu irmão. Você perdeu a sua vida meu irmão
Essas palavras vão entrar no coração
E eu vou sofrer as consequências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira descobriu que tinha outro
Trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia e Santo Cristo revendia em Planaltina
Mas acontece que um tal de Jeremias, traficante de renome,
Apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar
(O Jeremias, maconheiro sem-vergonha, organizou a Rockonha
E fez todo mundo dançar)
Desvirginava mocinhas inocentes
E dizia que era crente, mas não sabia rezar
E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
– Eu vou embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já tá em tempo de a gente se casar.
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez.
Santo Cristo era só ódio por dentro e então o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanhã às duas horas na Ceilândia, em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor
Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão
No sábado então, às duas horas, todo o povo
Sem demora foi lá só para assistir
Um homem que atirava pelas costas e acertou o Santo Cristo
E começou a sorrir.
Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo ali.
E se lembrou de quando era uma criança e de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
– Se a via-crúcis virou circo, estou aqui.
E nisso o sol cegou seus olhos e então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester-22
A arma que seu primo Pablo lhe deu
– Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é.
E não atiro pelas costas não.
Olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha
Dá uma olhada no meu sangue
E vem sentir o teu perdão.
E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor
E o povo declarava que João de Santo Cristo era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade não acreditou na estória que eles viram na TV
E João não conseguiu o que queria quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente
Que só faz sofrer.
Fonte: Renato Russo (1987).

Observe que, tanto na poesia de Carlos Drummond de Andrade escrita com a


finalidade de ser recitada, quanto na poesia de uma letra de música para ser cantada –
como a que apresenta a saga de João de Santo Cristo, são narrativas poéticas. Em
ambas as textualidades, é possível encontrar os componentes da narrativa organizados
e disponibilizados em: situação inicial, complicação, dinâmica de ação, clímax e
desfecho. O diferencial básico dos dois textos é: a finalidade a que se propõe cada
texto e o seu público-alvo. Em vista disso, são notórias as diferenças de linguagem
empregadas em cada texto. Certamente, a história contada na letra da música seria
considerada ofensiva aos leitores (público-alvo) contemporâneos de Drummond.
Atualmente, os textos narrativos elaborados para acompanhar melodias estão
presentes em jingles de propagandas eleitorais, comerciais de serviços e de produtos,
além das letras das músicas de bandas artísticas dos mais variados ritmos.
Antes de seguir adiante, convém salientar a diferença entre relato e narrativa e as
manifestações da narrativa em diferentes tipos discursivos. A narrativa e o relato,
apesar de suas semelhanças, não se confundem. Toda narrativa é uma forma de relato,
mas nem todo relato é uma narrativa. Ou seja, o relato apresenta de forma simples os
componentes básicos de uma narração, mas sem enredo:
FATO – O que aconteceu?
PERSONAGENS – Quem são os envolvidos?
LUGAR – Espaço onde tudo ocorreu?
TEM PO – Quando tudo ocorreu?
M ODO – Como tudo ocorreu?

Esses elementos aparecem numa forma ordenada e simples, sem elaboração mais
profunda. Não há a construção de um clima narrativo. Já a narrativa precisa do clima
narrativo, da situação inicial, da situação problema, da dinâmica de ação, do clímax e da
situação final.

5.2 Narrativas organizacionais


A narrativa organizacional é a fixação, pela linguagem (verbal e não verbal), de
transformações que ocorrem no espaço organizacional e que são contadas e seguidas,
umas vezes apaixonadamente, outras vezes mais frivolamente, pelos seus membros ou
parceiros externos da organização.
Os relatos podem ser tanto as leituras estratégicas do mercado e de novas
tecnologias quanto as decisões sobre participações financeiras, os critérios de
promoção dos empregados ou, ainda, as conversações que levam à criação de novas
regras, rotinas e valores. Para David Boje (2008), as histórias organizacionais são
performances orais ou escritas, envolvendo duas ou mais pessoas que procuram
interpretar uma experiência passada ou antecipada. Aos membros da organização,
mais do que “imitar” comportamentos ou “aplicar” histórias, é-lhes proposto um
quadro orientador e regulador para as decisões que têm de tomar, uma moldura para a
sua experiência na organização e para as narrações em que se envolvem.
A comunicação narrativa precisa de interações, “alimenta-se” das nossas conversas
ou, se quisermos, das intrigas que aí criamos ou que nos envolvem. O comunicador
social é um ouvinte e um narrador ativo. Algumas vezes, acrescenta pontos às
narrativas em curso, outras, se distancia e lê as produções discursivas dos vários
lugares estruturais e funcionais da organização. Nesse sentido, um bom narrador deve
ser também um bom intérprete das diferentes situações do cotidiano.
A narrativa enquanto processo de comunicação está presente em várias
materialidades: rádio, livros, jornais, filmes e outros meios de comunicação. Essa
presença afeta as inúmeras pessoas envolvidas. Uma forma alternativa de comunicação
é a transformação da materialidade de uma narrativa para outra forma de materialidade.
Quando isso ocorre, dizemos que a narrativa sofreu uma adaptação.

A adaptação é justamente a transposição de uma mesma obra de um veículo para outro.

Quantos livros e histórias em quadrinhos viraram filmes? Por exemplo, o livro O


Código Da Vinci, de Dan Brown, foi adaptado para o cinema em forma de filme com o
mesmo nome. Há também os filmes de super-heróis saídos das histórias em
quadrinhos para as telas de cinema.
Quando há uma transformação total do estilo da obra original, mudando-se, por
exemplo, de ficção para comédia, deixa-se de ter uma adaptação e passa-se a ter uma
paródia da obra original. Quanto à paródia, Sant’Anna (1991) entende que a
frequência com que aparecem textos parodísticos testemunha que a arte
contemporânea se compraz num exercício de linguagem onde esta se dobra sobre si
mesma num jogo de espelhos. Já que a paródia é um traço de nossa época, por que não
intensificar o seu uso? No momento em que você passa a ver a paródia como um
efeito metalinguístico – uma linguagem que fala sobre outra linguagem – você descobre
que é possível distinguir não apenas uma paródia de textos alheios (intertextualidade)
como uma paródia dos próprios textos (intratextualidade). Vendo o processo de
elaboração de uma narrativa como um processo de apropriação e reescrita de textos,
você poderá dispor de um princípio criativo a ser desenvolvido e trabalhado nas
organizações.
No processo interpretativo da narrativa, é importante o (re)conhecimento da obra
original. M odernamente, a paródia se define através de um jogo intertextual – quando
um autor utiliza textos de outros autores – e intratextual quando o escritor retoma sua
própria obra e a reescreve. Quanto à intertextualidade, Barthes (1974) nos diz que o
texto redistribui a língua. Uma das vias dessa reconstrução é a de permutar textos,
fragmentos de textos, que existiram ou existem ao redor do texto considerado, e, por
fim, dentro dele mesmo. Toda narrativa é um intertexto; outros textos estão presentes
nelas, em níveis variáveis, sob formas mais ou menos reconhecíveis. Isso significa que
todo texto é um objeto heterogêneo, que revela uma relação radical de seu interior com
seu exterior; e, desse exterior, evidentemente, fazem parte outros textos que lhe dão
origem, que o (pré)determinam, com os quais dialoga, que retoma, a que alude, ou a
que se opõe. Nesse sentido, o leitor ou o ouvinte só captará os efeitos de sentido
produzidos pela paródia se tiver conhecimento do texto ou dos textos que deram
origem ao texto parodístico. Caso o leitor desconheça o texto original, passará por
cima de sentidos ou efeitos de sentidos importantes para a compreensão da mensagem
que esse novo texto quer comunicar.
A interpretação de narrativas em suas diferentes materialidades, como, por
exemplo, a narrativa fílmica ou as histórias em quadrinhos, pressupõe que o
leitor/ouvinte considere o contexto global de seu surgimento.
CAPÍTULO 6

O VERBAL E O NÃO VERBAL NA NARRATIVA

As narrativas não são só feitas de palavras, também são constituídas pelo não verbal.
O processo interpretativo envolve a leitura das imagens e a compreensão das palavras
que as acompanham, nos casos em que há o verbal e o não verbal associados. As
imagens não falam por si, mas elas são capazes de atualizar saberes que são de domínio
público e, com isso, significar. A materialidade imagética – o não verbal – quando
associada a legendas, além de mostrar a relação complexa entre palavra e imagem,
restaura o processo narrativo que produz o que nela deve ser visto e lido.

Os textos não são feitos somente de palavras. O não verbal, o imagético, também
produz efeitos de sentido e, por isso, significa. Existem várias formas de comunicação
atualmente em nossa sociedade. O texto verbal e o não verbal devem se complementar.
Quando você se utiliza da palavra, ou seja, da linguagem oral ou da escrita, dizemos
que você está utilizando uma linguagem verbal, pois o código usado é a palavra, e está
centrado no verbo. Tal código está presente, quando falamos com alguém, quando
lemos, quando escrevemos. A linguagem verbal é a forma de comunicação mais
presente em nosso cotidiano. M ediante a palavra falada ou escrita, expomos aos
outros os nossos pensamentos.
No entanto, às vezes, as palavras não são capazes de tornar comum os nossos
pontos de vista. As dificuldades de comunicação ocorrem quando as palavras têm
graus distintos de abstração e variedade de sentido. O significado das palavras não está
nelas mesmas, mas nos sujeitos envolvidos escritor/leitor e no repertório de cada um.
O conhecimento de mundo é que permite decifrar e interpretar as palavras.
Objetivando sempre a comunicação, a humanidade desenvolveu outros códigos e
formas de comunicação ao longo de sua evolução. Se você parar e olhar para os lados,
verá que em nosso dia a dia recebemos dezenas de informações que são comunicadas
pelo não verbal. As pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos
faciais e corporais, os gestos, os olhares, a entoação são também importantes: são os
elementos não verbais da comunicação. Além do gestual, há também vários símbolos
convencionais em nossa sociedade que servem para comunicar. Por exemplo, ao sair de
casa, para se dirigir ao trabalho ou à faculdade, é comum nos depararmos com uma
forma de comunicação não verbal denominada semáforo:
Figura 1 – Exemplo de linguagem não verbal: semáforo.
Fonte: Disponível em: <http://naldoaraujo.blogspot.com.br/2011/09/senta-que-la-vem-noticia.html>.
Acesso em 20 jul. 2012.

É interessante observar que, ao olhar a imagem, o não verbal, sabemos que estamos
diante de um objeto que serve para regular o trânsito de automóveis e pedestres,
embora em cada região esse mesmo objeto possa receber denominações diferenciadas
pelo uso da linguagem verbal: semáforo, farol, sinaleira etc. Sabemos o que representa
essa linguagem não verbal, pois as cores usadas no semáforo foram convencionadas e
fazem parte de nossa cultura.
Outras situações existem em que nos deparamos com o não verbal. Por exemplo,
ao entrar em um consultório médico, podemos encontrar uma das seguintes imagens:
cartaz pedindo silêncio ou uma placa que indique que lá não é um lugar próprio para
fumar.
Figura 2 – Exemplo de linguagem não verbal: placa indicando que é proibido fumar.
Fonte: Disponível em: <http://www.vinxp.com/curso-pare-de-fumar-em-5-dias>. Acesso em 20 jul. 2012.

O não verbal está no mundo todo e quando se refere a imagens gráficas


convencionais parece comunicar as mensagens de forma mais instantâneas e imediatas,
por isso, o não verbal é usado universalmente para comunicar mensagens, como
podemos ver nas imagens a seguir.

Figura 3 – Exemplo de linguagem não verbal: placa que indica que se deve parar.
Fonte: Disponível em: <http://recado.info/recados/placas-pare>. Acesso em 20 jul. 2012.

Figura 4 – Exemplo de linguagem não verbal: placa que indica que é proibido usar o celular.
Fonte: Disponível em: <http://metanoiacruz.blogspot.com.br/2012/04/criacao-de-leis-so-pode-ser-uma-
das.html>. Acesso em: 20 jul. 2012.
Em muitos casos, a mensagem visual – o não verbal – serve para reforçar a
mensagem verbal, oral, e não raro é possível ver esse uso conjunto, como em livros
ilustrados, outdoors, reportagens em revistas, jornais e house organ etc. Além da
associação entre palavras e imagens, também é possível associar imagens e sons. A
simultaneidade de imagens visuais e de sonoridades tem criado novos
condicionamentos para a percepção dos significados.
No entanto, é importante ressaltar que os sentidos não nascem do nada, são
criados, são construídos em confronto de relação que são sócio-historicamente
fundadas e permeadas pelas relações de poder. De um mesmo texto, podem-se extrair
leituras diferentes. Portanto, o texto não preexiste a sua leitura, e leitura não é
aceitação passiva, mas é construção ativa. Por exemplo: cinema é ficção, não é mundo
real. Porém, imagem não é só representação, é também produção de sentido(s). As
relações de proximidade entre o que se vê no registro ficcional (filme de ficção) e no
factual (filme documentário) são produtos da posição em que se encontra o leitor,
como o espectador-leitor é afetado pela imagem. As relações de proximidade entre o
que se vê no registro ficcional e no factual são produto da posição em que se encontra
o leitor. É no processo de interação desencadeada pela leitura que o texto se constitui.
O verbal e o não verbal corroboram para a produção dos efeitos de sentido.
As imagens (o não verbal) podem bifurcar-se, movimentando-se para a ficção ou
para a realidade. Tudo depende da memória que é atualizada para ler e dizer o visível.
O confronto de imagens de diferentes esferas de produção e o problema dos sentidos
que provocam está ligado também ao lugar de enunciação (posição sujeito) de quem lê.
Por isso, qualquer que seja a imagem veiculada pelo cinema ou pela televisão, para lê-
la o leitor precisa da mediação de referencial de reconhecimento de si mesmo. Em
outras palavras, as imagens precisam ser lidas, precisam ser interpretadas, e só é
possível interpretar uma imagem nova a partir de um conhecimento anterior sobre o
tema ou assunto tratado. Por isso, muitas vezes, a linguagem não verbal vem
acompanhada de legendas. A legenda em uma fotografia, por exemplo, determina o
modo como a imagem deve ser lida. A legenda conduz o olhar do leitor para a
produção de sentidos. Para exemplificar o funcionamento da legenda como
determinadora do que o leitor deve ler e interpretar, observe a seguir as fotos
veiculadas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e uma militante em três jornais
gaúchos diferentes.
A seguir, você pode observar um exemplo de linguagem não verbal: imagem que
acompanha notícia do Jornal O Sul, publicada em 16 de julho de 2011 sob o título
“Lula pegador”.
Figura 5 – “ Lula Pegador”.
Fonte: Jornal O Sul, 16 de julho de 2011.

A linguagem não verbal de uma fotografia é também um jeito de sugerir um tipo de


leitura para o público-alvo leitor do texto. A diagramação da fotorreportagem ao
mesmo tempo em que a particulariza perante as demais formas de reportagem, impõe
uma leitura mais visual que textual da reportagem. Esta montagem situa o leitor na
página, indicando onde começa a leitura e onde termina; cria caminhos para o olhar
transitar; direciona as ideias e as significações. Objetiva encher a página da reportagem
e os olhos do leitor com uma argumentação visual. Não é só informação sobre o ex-
presidente que está sendo comunicada. A diagramação dita ritmos de leitura podendo
deter o leitor por mais tempo na página ou fazer com que ele passe rápido para outro
lugar do jornal. A montagem da sequência de imagens juntamente com a legenda que a
acompanha, neste caso, o título da reportagem: Lula pegador, determina como o não
verbal deve ser lido. Ao se tornar enunciado, o discurso da imagem passa a ser o
discurso do texto. A legenda surge da imagem, mas parece-nos que é a imagem que
surge da legenda. Se a imagem é suja, no sentido de que é passível de infinitas
interpretações, a legenda limpa a imagem, dando ao leitor o rumo e a clareza para a sua
interpretação, nesse caso: “Lula pegador”.
Imagem que acompanha as notícias dos jornais Correio do Povo e Zero Hora,
publicadas em 16 de julho de 2011 sob os títulos respectivos: “Recepção calorosa” e
“Corpo a corpo”.

Figura 6 – “ Recepção Calorosa” e “ Corpo a Corpo”.


Fonte: Disponível em: <http://blogdokuelho.bk2.com.br/noticia/6075/kuelho-tv>. Acesso em: 20 jul.
2012.

No entanto, os diferentes títulos para o não verbal designam a mesma cena


registrada em foto, mas recuperam diferentes possibilidades de interpretação.
Em O Sul, os sentidos que circulam em torno da expressão “Lula pegador” fazem
emergir saberes que não pertencem ao domínio da política. No Dicionário Houaiss
(2001), temos que pegador é adjetivo ou substantivo masculino; remetendo a que ou o
que pega; que ou o que trabalha com forcado; no pugilismo e esportes afins diz-se do
lutador hábil em nocautear. Por estar acompanhando o substantivo próprio “Lula”,
consideramos “pegador” como adjetivo e abarcando o sentido de homem que é hábil
em pegar mulheres, em conquistar mulheres. Lula nocauteou a sindicalista, existe essa
possibilidade de sentido pela relação do título com a enunciação da sindicalista
selecionada pelo jornal para comentar o ato: “Eu disse na hora: ‘meu Deus, um beijo
de Lula’. M inhas pernas amoleceram.” A memória que a expressão recupera e
aproxima é a do personagem conquistador Dom Juan. O não verbal que acompanha as
informações verbais publicadas pelo jornal direciona os leitores para interpretar o fato
como representação das habilidades do ex-presidente Lula com as mulheres.
Porém se observarmos o título da notícia escolhido pelo jornal Correio do Povo
para descrever o retorno de Lula ao cenário político, remete à sensação ou à atitude de
acolhida ou de demonstração de afeto. A expressão “recepção calorosa” que
acompanha a fotografia, o não verbal, traz à memória lembranças e sensações de
recebimento de calor humano. A memória que a expressão recupera e aproxima é a do
recebimento com deferência. O beijo registrado em foto conduziria o leitor do jornal
para interpretar o acontecimento como uma acolhida afetiva.
O jornal Zero Hora, para narrar/noticiar o retorno de Lula, usa a expressão: “corpo
a corpo”. Essa expressão traz à memória, entre outras possibilidades de sentidos, o
contato físico entre duas ou mais pessoas ou o contato direto de um político com o
eleitor em potencial. O beijo registrado em foto representaria: o contato físico do
político com a eleitora em potencial, deixando emergir o sentido de que Lula é possível
candidato nas próximas eleições.
Os exemplos comentados demonstram que o verbal e o não verbal quando
somados podem direcionar interpretações. Associando aos exemplos anteriores um
dito popular que diz: “quem conta um conto aumenta um ponto”, podemos dizer que
mesmo a evidência de um fato registrado em linguagem não verbal, como uma
fotografia, pode sofrer a interferência do narrador/redator. Quem escolhe a legenda ou
o título da fotografia determina como a imagem deve ser interpretada, deve ser
contada, narrada.
O não verbal está presente também em outras materialidades narrativas há muito
tempo. Nos filmes mudos, era possível contar uma sequência de fatos, envolvendo
uma personagem, em um determinado espaço e tempo, sem o uso da palavra falada.
Hoje também alguns jornais apresentam tirinhas narrativas em desenho sem usar
palavras para comunicar e narrar fatos.
Veja o exemplo a seguir, retirado das histórias em quadrinhos (HQs) de M aurício
de Souza. O autor consegue narrar uma sequência de fatos sem o auxílio de palavras.
Basta lermos as três imagens para entender o que aconteceu.

Figura 7 – Exemplo de narrativa não verbal.


Fonte: Disponível em: <http://www.monica.com.br/comics/tirinhas/tira88.htm>. Acesso em: 20 jul.
2012.
Considerando as afirmações anteriores sobre o uso do não verbal, podemos
concluir que, para interpretar bem um texto, seja ele narrativo ou não, devemos ler
todas as partes que o compõem: não só as palavras, mas também as imagens que o
acompanham. E principalmente, devemos estar cientes de que nem tudo que parece é.
A combinação do verbal e do não verbal é uma fórmula poderosa para atualizar novos
sentidos. A leitura eficaz pressupõe também a leitura do não verbal. Pense nisso na
hora de compor o seu texto. Não só as palavras devem ser bem selecionadas, mas
também as imagens, as cores e a diagramação.
CAPÍTULO 7

A ESCRITA PARA A COMUNICAÇÃO

As habilidades de comunicação precisam ser desenvolvidas e trabalhadas para o alcance


da comunicação eficaz. Selecionar e adequar o vocabulário ao público-alvo é um dos
princípios básicos da comunicação.

Um profissional de Relações Públicas deve se preocupar não só com o que vai


comunicar, mas também como vai formular a sua narrativa ou o seu relato. A insistente
repetição de palavras, além de causar uma impressão desagradável, também prejudica a
expressão adequada das ideias. Escrever é um ato que exige reflexão. M ais do que um
exercício de transmissão de informações, a elaboração de um texto escrito é uma
complexa atividade social. Cada situação de comunicação estabelece uma demanda
específica interpessoal, ética, legal e cultural para o escritor. Redatores sem
consciência do real valor do ato de escrever negligenciam decisões que são cruciais para
uma escrita eficaz. Somente definindo o seu problema retórico e fazendo perguntas
importantes os escritores podem elaborar um texto adequado ao público a quem se
destina. Os profissionais de hoje cada vez mais desenvolvem as habilidades de
comunicação oral e escrita e, além disso, tornam-se consumidores de informação. Em
vista disso, precisam ter desenvolvidas as habilidades em métodos de investigação,
recuperação, avaliação e interpretação. Etapas estas que compreendem o processo de
escrita. Embora não exista uma única sequência preestabelecida, o processo de escrita
não é uma coleção de atividades aleatórias; é um conjunto de decisões deliberadas na
resolução de problemas. M ais do que delimitar esse ou aquele modelo de documento,
quem escreve necessita compreender que a escrita eficaz requer pensamento crítico.
São inúmeras as razões que levam alguém a escrever. A escrita pode ser pessoal e
intransferível como em um diário particular ou pode-se escrever para alguém. O uso
eficiente, hábil e competente da linguagem escrita permite a quem escreve alcançar
vários objetivos, como expressar algo livremente; criar alguma coisa de efeito estético
através da palavra; informar alguém de ou sobre alguma coisa; exercer comando;
convencer alguém de alguma coisa ou para fazer alguma coisa; explicar processos;
fazer imposições, obrigações; apresentar atos imperativos para se chegar a
determinado propósito. Enfim, não se pode listar todas as finalidades que se pretende
alcançar com textos narrativos. O certo é que sempre que você redige um texto,
pretende, consciente ou inconscientemente, que alguém aja de alguma forma, a partir
de sua leitura, pois o texto narrativo, sem exceção, encerra uma mensagem que provoca
alguma modificação em quem o lê. Essa modificação vai desde tornar o leitor
consciente de uma informação, sentir uma emoção, até executar alguma ação que você
deseja que ele concretize. A finalidade de cada texto, que pode estar explícita ou
implícita, chama-se propósito. O propósito de um texto, entre tantos outros
possíveis, pode ser: informar, persuadir, explicar, distrair, motivar equipes, fazer o
público-alvo realizar ações ou a combinação das possibilidades anteriores.
É claro que em muitos contextos de escritura, o propósito imediato de quem
escreve pode ser completar uma tarefa ou conseguir uma boa nota. M as o propósito
de longo alcance é comunicar-se eficientemente. Comunicar-se eficientemente com um
público específico e entender o propósito de escritura fará de quem escreve um
escritor melhor. Em vista disso, é importante escrever de forma eficaz porque quem
desenvolve a capacidade de expressar com clareza por escrito um conteúdo tem um
aumento da capacidade de pensar e de compreender o que se diz e o que se escreve.
Somente o desenvolvimento dessas duas últimas habilidades apresentadas já são
razões suficientes para se desejar aprender a escrever com eficiência.
Durante sua vida profissional, você poderá escrever sozinho ou colaborativamente
com alguém ou com um grupo. E para produzir um texto eficaz, em ambas as
situações, é necessário o bom domínio do código linguístico, uma vez que você deverá
agregar valor para a organização de que faz parte, pois ela dependerá da sua perícia na
elaboração textual e de quão clara e persuasiva seja a mensagem. Hoje, quanto mais
alta a posição de uma pessoa em uma empresa, mais ela escreve e para diferentes
públicos-alvo. Esses diferentes públicos esperam ler documentos eficientes. Por
exemplo, geralmente um relatório narra o registro único dos resultados de uma
atividade ou de um procedimento em que foram investidos anos de trabalho. Ele
poderá servir tanto como ponto de partida para as ações futuras de um projeto, para
uma alteração de trajetória ou para tomadas de decisões importantes na vida da
organização. Tome como exemplo a documentação que é produzida para atender a ISO
9001, que garante a qualidade do produto desde seu projeto inicial, passando pela fase
de desenho industrial, acompanhando a manufatura e o desenvolvimento, até a venda
para o consumidor final. Nessa série, há vinte testes a que os produtos devem ser
submetidos, para poderem ser aprovados, e todas as etapas devem ser
cuidadosamente descritas e documentadas. Se essa documentação não for elaborada
com o apuro, a clareza e a objetividade necessários, a empresa pode não obter a
desejada certificação de qualidade.
Uma boa redação propicia a você e a suas ideias visibilidade e autoridade em seu
ambiente de trabalho. Os empregadores julgam você primeiramente pela redação de
seu currículo e pela sua carta de apresentação. Depois, a avaliação de seu desempenho
profissional poderá ser realizada a partir das cartas, dos memorandos, dos relatórios,
dos pareceres, dos e-mails e postagens que você faz em redes sociais, e, na medida em
que você sobe na hierarquia empresarial, as habilidades de comunicação vão se
tornando cada vez mais importantes e necessárias.
Hoje, com a concorrência mercadológica cada vez mais intensa e selvagem, é de
extrema importância que você dê atenção à produção textual. Ela pode estabelecer o
diferencial entre uma organização e a sua concorrente, não só na atração e na conquista
de mais clientes, mas também na satisfação e manutenção desses clientes com a
empresa e com o produto ou o serviço fornecido.

7.1 Princípios basilares da redação eficaz


O texto eficaz não é mecânico, nem repetitivo, por isso não basta seguir um
modelo pronto e preestabelecido. O texto eficiente é o resultado de um conjunto de
decisões anteriores a sua escrita. Para isso, são necessários pensamento e análise
crítica para escrever textos bem-sucedidos. Cada situação de produção de texto deve
ser vista como um acontecimento social único que envolve relações interpessoais,
éticas, legais, culturais. Em vista disso, há a necessidade de aplicação de métodos
particulares para cada processo de escrita. Partindo de perguntas importantes e
específicas, você pode formular as respostas efetivas para cada situação de emprego
de seu texto. Deve levar em consideração se a situação é nova; se os leitores são os
mesmos; se o contexto mudou etc. Não é possível escrever um texto sempre da mesma
forma. Um dos segredos do texto eficiente está em escrevê-lo como algo que vai além
de uma simples transferência de conhecimento ou informação. A mensagem precisa ser
degustada, saboreada, pelo leitor, e o texto tem de ser atraente. Ter clareza sobre o que
você vai escrever, para qual público-alvo será o texto e qual o motivo que o leva a
escrever são conhecimentos básicos que você deve possuir para produzir um bom
documento. A seguir, serão apresentados alguns componentes da redação eficaz.

Público-alvo: é a quem se destina o material escrito; pode ser constituído de um


indivíduo, um pequeno grupo ou uma quantidade massiva de leitores. Pode ainda
constituir-se de um grupo de pessoas semelhantes ou uma combinação de diferentes
grupos de pessoas. Para redigir um texto eficiente, é necessário que você conheça
quem é o seu público-alvo antes de iniciar a organização da mensagem. Esse é um
ponto-chave do sucesso das produções textuais eficientes.
Não importa o tamanho de seu público-alvo, é ele que orienta o que se escreve. É o
interesse do leitor que deve prevalecer quando se vai escolher o conteúdo, o tipo de
texto, o tom e a forma de apresentação. Preencher a expectativa do leitor
adequadamente pode ser o diferencial entre uma organização empresarial e a sua
concorrente. Esse detalhe pode gerar ganhos na atração de clientes e,
consequentemente, a empresa pode ter seus lucros aumentados. Um texto
personalizado, dirigido especificamente ao público-alvo, dá uma atenção especial ao
cliente e conquista-lhe a simpatia pela empresa. Isso faz com que ele responda da
forma esperada. Independentemente do texto que se esteja redigindo e do propósito
escolhido, conseguir o interesse do leitor é de importância capital para o sucesso da
mensagem. Essa é uma das etapas cruciais para criar uma comunicação efetiva entre a
empresa em que você trabalha e os diversos públicos que com ela interagem, sejam
eles internos ou externos.
Antes de redigir, procure conhecer o seu receptor, buscando entender o modo
como o leitor (ou os leitores) pode imaginar, pensar ou agir quando interage com os
textos. Para isso, você deve reservar algum tempo para analisar o seu público-alvo,
pois, mesmo que você esteja escrevendo para conseguir algum resultado para sua
empresa, deve fazê-lo sempre a partir do ponto de vista do leitor de sua mensagem.
Um texto técnico deve dirigir-se aos desejos de informação do leitor, em detrimento
dos anseios de quem escreve. Toda a produção textual revela muito sobre o seu autor:
sua competência, seu conhecimento, sua integridade etc., mas raramente foca a sua
personalidade. Você deve lembrar-se de que os leitores estão sempre interessados no
que você tem a dizer sobre um determinado evento, produto, quais são suas
recomendações, ou como você fala pela sua empresa. Eles têm apenas interesse
profissional naquilo que é dito, contado.

Adequação vocabular: a comunicação escrita pressupõe a conversão de


pensamentos vagos ou complexos em linguagem clara e compreensível para o público-
alvo. Para se chegar à transmissão dos pensamentos, deve-se passar da intenção de
dizer algo ao ato de dizê-lo por meio da forma escrita. Até a finalização do texto
escrito, pressupõe-se a utilização de etapas anteriores em sua elaboração: gerar ideias
para escrever, definir o propósito do texto, adequar ao público-alvo, planejar o esboço
da mensagem, acomodá-lo a um gênero textual, formar parágrafos, cuidar a adequação
gramatical. Nas etapas citadas anteriormente, uma das principais preocupações de
quem escreve deveria ser sempre encontrar as palavras certas para dizer o que
realmente quer dizer. Essa busca pelas palavras deve ser fiel aos pensamentos.
Devem-se empregar os vocábulos que transmitam o mais precisamente o que se quer
dizer. No entanto, essa escolha não depende somente de quem escreve. O propósito, o
público-alvo, a mensagem e o gênero do texto impõem certo tipo de escolha vocabular.
Como se vai dizer, com quais palavras, é tão importante quanto o que se vai dizer. A
escolha lexical deve considerar vários aspetos.
A escolha do vocabulário, quando se vai escrever algo, diz muito de quem escreve.
Textos com palavras repetidas, além de serem cansativos e monótonos para quem lê,
também revelam um autor com conhecimento lexical limitado e incipiente. Textos que
contêm vocabulário altamente técnico e jargões também tornam o texto desinteressante
para um leitor leigo. A leitura de revistas, livros e jornais diários faz com que o escritor
desenvolva e amplie o seu léxico usual e o torne capaz de flexibilizar sua linguagem de
acordo com o público-alvo, o propósito e a mensagem. Existem outras soluções (além
de muita leitura) para quem está começando e ainda tem um domínio restrito da língua.
Uma forma de contornar esse problema e desenvolver o vocabulário é o uso de um
bom dicionário. Hoje, existem à disposição de quem escreve, além dos tradicionais
livros impressos, excelentes dicionários eletrônicos, alguns também podem ser
acessados gratuitamente por meio de endereços eletrônicos online.
Uma boa sugestão para ampliar o vocabulário é: após a escritura da primeira
versão do texto, sublinhar as palavras consideradas comuns, banais, estrangeiras,
inadequadas e toda a espécie de repetição. Identificados esses pontos, deve-se dar
atenção especial a esses vocábulos e buscar uma nova forma para expressar as ideias
do texto com o auxílio do dicionário. Atenção, cuidado com a denotação e a conotação
das palavras. Quando se elabora um texto (dependendo do propósito, do público-alvo
e do tipo de mensagem) deve-se ter em mente que as palavras poderão ser usadas em
sentido denotado ou conotado. A denotação ocorre quando o vocábulo é usado em
sentido literal, real. Já a conotação, ao contrário, ocorre quando há um desvio do
sentido original da palavra e esta é usada de forma figurada, sendo uma representação.
A situação de uso é que determinará o que pode ou não ser apropriado. Recomenda-se
ao autor do texto usar o bom senso antes de fazer a sua escolha vocabular.
Exemplos:
a. A equipe feminina deu o bote (entregou a balsa inflável) preto à outra equipe.
b. A sucuri deu o bote (atacou) em sua presa.

Para evitar que o texto fique repetitivo, você deve usar os recursos de
correferência com a finalidade de diversificar as palavras que integram o texto. Os
principais recursos de correferência são: a pronominalização, a substituição vocabular
e a elipse.
Para dar ritmo à sua redação e não repetir palavras, você pode referir-se a palavras
já citadas no texto por meio do uso de pronomes. Essa forma de correferência chama-
se pronominalização. Convém lembrar que os pronomes representam uma classe de
palavras que acompanha e substitui um nome (um substantivo). Em vista disso, nada
mais natural do que referir-se a uma palavra ou expressão já citada no texto com um
pronome.

Exemplo: Texto sem os recursos de correferência de pronominalização


Ninguém trabalha mais que os japoneses, mas o fato dos japoneses trabalharem muito não quer
dizer que os japoneses vivam melhor. Segundo dados governamentais e de organismos
internacionais, os japoneses vivem pior que os colegas trabalhadores do Primeiro Mundo, em
termos de moradia, tempo livre, férias e salários
Fonte: adaptado de Giering et al. (1999, p. 8).

Exemplo: Texto com os recursos de correferência de pronominalização


Ninguém trabalha mais que os japoneses, mas isso não quer dizer que eles vivam melhor. Segundo
dados governamentais e de organismos internacionais, os japoneses vivem pior que seus colegas do
Primeiro Mundo, em termos de moradia, tempo livre, férias e salários.
Fonte: Giering et al. (1999, p. 8).
Comentário: o uso dos pronomes tornou o texto menos repetitivo e mais fluido.
Não só palavras, mas também expressões inteiras foram substituídas por um único
pronome.
Outro recurso de correferência que deve ser usado para evitar a repetição de
palavras e expressões é a substituição vocabular. Este recurso não é o mesmo que os
sinônimos. A sinonímia é um recurso que consiste na substituição de uma palavra ou
expressão do texto por outra de valor semântico semelhante. Ora, o usuário da língua
deve estar atento, pois há inúmeras palavras com semelhança semântica, mas igual
sentido constituem casos raros. Semelhança não é o mesmo que igualdade. M uitas
vezes, tem-se uma gradação de valor com o uso de uma ou outra expressão. Em
virtude disso, ao escrever deve-se considerar SEM PRE qual é o propósito, qual é o
público-alvo e qual é o foco da mensagem. A escolha lexical que considera esses
requisitos, normalmente, é bem-sucedida.
EXEM PLO: Ocorreu um erro na classificação dos candidatos. O vazamento dessa
informação foi um equívoco do setor de RH. Na tentativa de contornar o engano,
haverá a aplicação de mais um teste a todos os candidatos.
No Dicionário Houaiss (2001), encontram-se vários outros vocábulos sugeridos
como sinônimos para erro, mas nem todos são adequados à situação comunicativa em
questão. Veja:
Erro: abusão, bobeada, cabeçada, cinca, cincada, cochilo, confusão, desacerto,
descuido, deslize, desvio, discrepância, engano, equívoco, equivocação, errada,
errônea, error, escorregada, escorregadela, falta, gafe, incorreção, inapropriado, inexato,
imperfeição, inverídico, impropriedade, inexatidão, lapso, mancada, pecado, testada,
tropeção, tropeço, vacilada, vício.
A substituição vocabular não se confunde com o uso da sinonímia, porque os
sinônimos substituem uma única palavra e há reconhecimento do valor significativo
em outros contextos. Já a substituição vocabular enquanto recurso de correferência é
limitada ao contexto exclusivo e único de seu uso. Pode-se dizer que todo sinônimo
possibilita uma substituição vocabular, mas nem toda substituição vocabular é um
sinônimo. O exemplo abaixo elucida essa diferença:

Exemplo: Texto sem o uso do recurso de correferência: substituição vocabular


Os empresários têm encontrado certos problemas para contratar mão de obra nesses últimos meses.
O problema da mão de obra é consequência de um problema maior: os altos níveis de desemprego
constatados alguns meses atrás. Enfrentando problemas para conseguir emprego nas fábricas a que
estavam acostumados, os trabalhadores dedicaram-se a outras atividades, criando, para as indústrias
o problema de não encontrar pessoas acostumadas a funções específicas. Demorará ainda algum
tempo para que este problema seja solucionado.
Fonte: Granatic (1996, p. 128).
Exemplo: Texto com o uso do recurso de correferência: substituição vocabular
Os empresários têm encontrado certa dificuldade para contratar mão de obra nesses últimos meses.
A falta de trabalhador especializado é consequência de uma questão maior: os altos níveis de
desemprego constatados meses atrás. Enfrentando obstáculos para conseguir uma vaga nas fábricas a
que estavam habituados, os operários dedicaram-se a outras atividades, criando, para as indústrias o
problema de não encontrar pessoas qualificadas para as funções específicas. Demorará ainda para que
esta situação seja solucionada.
Fonte: Granatic (1996, p. 128).

Como você observou, o texto ficou com o léxico diversificado. Os termos


destacados apareceram uma única vez, deixando a redação mais elegante.
Outro recurso para evitar a repetição de vocábulos no texto é a elipse. A elipse é a
ausência de uma palavra ou expressão facilmente identificável. Ou seja, é possível
perceber que não houve a repetição ou a substituição do léxico. Ocorre a percepção
dessa ausência por meio das desinências verbais (marcas da terminação verbal) e
outras vezes pelo uso da vírgula.

Exemplo: Texto com o recurso da elipse


a. Eu vou à feira de calçados; vocês, ao shopping center.

Exemplo: Texto com o recurso da elipse


b. Vários autores rejeitam a clássica ideia darwiniana da origem da vida numa tépida lagoa
tranquila, na qual as reações químicas entre as moléculas teriam levado à célula original.
*Preferem imaginar ambiente superaquecido comparável ao das fontes hidrominerais que
brotam ao longo da crista do meio do oceano, por onde surge o magma (material em fusão)
subjacente que contribui para formar o leito do mar.
Fonte: Giering (1999, p. 110).

Comentário: no exemplo “a” ocorre a elipse do verbo ir (vão), marcada pela


vírgula. Já no exemplo “b”, é possível identificar a elipse da expressão vários autores,
eles, pela desinência do verbo preferem.
CAPÍTULO 8

COMO LER E INTERPRETAR NARRATIVAS

Esta última parte do livro apresenta uma síntese geral de aspectos importantes para a
realização da leitura e da interpretação de narrativas. Além da elucidação sobre algumas
noções e conceitos fundamentais da narrativa, são apresentados exemplos de análises
comparativas de textos organizados sob a forma narrativa.

Neste último capítulo, vamos retomar os principais conceitos e noções


apresentados sobre narrativa ao longo deste livro com o objetivo de ler e interpretar
narrativas. Para alcançar esses objetivos, seguiremos de perto o que propõe Gancho
(2006). Antes de começar a ler, interpretar e analisar uma narrativa é necessário
lembrar que existem vários tipos de narrativas: reais e ficcionais; curtas e longas;
literárias e não literárias; verbais e não verbais; em verso e em prosa. Apesar dessa
variedade de tipos, todas as narrativas têm em comum a presença de determinados
componentes que se organizam em uma estrutura vista como narrativa. Ou seja, toda
narrativa apresentará os 3Qs + COP (O que aconteceu? Quem viveu os fatos?
Quando? Como? Onde? Por quê?). Em outras palavras, a narrativa é estruturada sobre
cinco elementos principais: enredo, personagens, tempo, espaço, narrador, sem os
quais a narrativa não existe.
No conto, no romance, na fábula ou na novela, por exemplo, o narrador é o
elemento organizador de todos os outros componentes, o intermediário entre aquilo
que é narrado (a história) e o autor, entre o narrador e o leitor. É o conjunto organizado
dos fatos de uma história que constitui o enredo ou a trama. E duas são as questões
fundamentais a se observar no enredo: sua estrutura (as partes que a integram) e sua
natureza ficcional. A ilusão de verdade de uma narrativa, a lógica interna do enredo,
que o torna verdadeiro para um determinado público-alvo, é denominada de
verossimilhança. Os fatos de uma narrativa não precisam ser verdadeiros, mas devem
ser verossímeis; isto quer dizer que, mesmo sendo inventados, o leitor deve acreditar
no que lê. Essa credibilidade advém da organização lógica dos fatos dentro do enredo,
da relação entre os vários elementos da história. Cada fato da história tem uma
motivação (causa), nunca é gratuito, e sua ocorrência desencadeia inevitavelmente
novos fatos (consequências). Na análise de narrativas, a verossimilhança é percebida
na relação causal do enredo, isto é, cada fato tem uma causa e desencadeia uma
consequência. Esse efeito, muitas vezes, é alcançado pela combinação da linguagem
verbal e da linguagem não verbal (imagens) nas narrativas. Esse efeito de verdade faz
com que a(s) narrativa(s) cumpra(m) as muitas possibilidades de finalidade com que
foi/foram elaborada(s): informar, explicar, persuadir, distrair, motivar etc.
Quanto à organização das partes do enredo, Gancho (2006) afirma que para se
entender a organização dos fatos no enredo, não basta perceber que toda história tem
começo, meio e fim; é preciso compreender o elemento estruturador das partes: o
conflito; pois, seja entre duas personagens, seja entre a personagem e o ambiente, o
conflito possibilita ao leitor-ouvinte criar expectativa frente aos fatos do enredo.
Sendo assim, conflito é qualquer componente da história (personagens, fatos,
ambiente, ideias, emoções) que se opõe a outro, criando uma tensão que organiza os
fatos da história e prende a atenção do leitor, criando expectativas. Em geral, o conflito
se define pela tensão criada entre o desejo da personagem principal (isto é, sua
intenção no enredo) e alguma força opositora, que pode ser outra personagem, o
ambiente, ou mesmo algo do universo psicológico.
Quanto aos personagens, a autora afirma que personagem é um ser fictício
responsável pelo desempenho do enredo, ou seja, é quem faz a ação. E por mais real
que pareça, a personagem é sempre invenção, mesmo quando se constata que algumas
são baseadas em pessoas reais ou em elementos da personalidade de determinado
indivíduo. Em outras palavras, a personagem é um ser que pertence à história e que só
existe como tal se participar efetivamente do enredo, se age ou fala, e por isso as
personagens se definem no enredo pelo que fazem ou dizem, e pelo julgamento que
fazem delas o narrador e as outras personagens. É importante destacar que o narrador
que é apenas observador dos fatos não é personagem, mas o organizador da narrativa.
Podemos encontrar nas narrativas diversos tipos de personagens e diferentes
conflitos: morais, religiosos, econômicos, sociais e psicológicos. E em termos de
estrutura, o conflito, geralmente, determina as partes do enredo: exposição ou situação
inicial, complicação ou situação problema, dinâmica de ação, clímax e desfecho ou
situação final.
Ao analisar qualquer tipo de narrativa, é importante observar quem são as
personagens e qual o papel que elas desempenham no enredo. Nas obras de Gancho
(2006) e Todorov (1970), encontramos a seguinte classificação para as personagens:

Protagonista: é a personagem principal.


Antagonista: é a personagem que se opõe ao protagonista, seja por sua ação que o atrapalha,
seja por suas características diametralmente opostas às do protagonista. Geralmente seria o
vilão da história.
Personagens secundárias: são personagens menos importantes na história, isto é, que têm uma
participação menor ou menos frequente no enredo; podem desempenhar papel de ajudantes do
protagonista ou do antagonista, de confidentes, enfim, de figurantes.
Personagens planas: são personagens caracterizadas com um número pequeno de atributos, que
as identificam facilmente perante o leitor; de um modo geral são personagens pouco complexas.
Personagens redondas: são mais complexas que as planas, isto é, apresentam uma variedade
maior de características que podem ser classificadas em:
a. físicas: incluem corpo, voz, gestos, roupas;
b. psicológicas: referem-se à personalidade e aos estados de espírito;
c. sociais: indicam classe social, profissão, atividades sociais;
d. ideológicas: referem-se ao modo de pensar da personagem, sua filosofia de
vida, suas opções políticas, sua religião;
e. morais: implicam em julgamento, em dizer se a personagem é boa ou má, se é
honesta ou desonesta, se é moral ou imoral, de acordo com determinado ponto
de vista.

Além de observar atentamente como a(s) personagem(ns) é/são apresentada(s) na


narrativa pelo olhar do narrador, é importante estar atento ao espaço onde se
desenrolam os fatos e ao tempo em que se desenvolvem as ações. Também em uma
análise de narrativa é importante estar atento ao tema, assunto e mensagem abordados
na história.
Gancho (2006, p. 34) afirma que:

Tema é a ideia em torno da qual se desenvolve a história. Pode-se identificá-lo, pois


corresponde a um substantivo (ou expressão substantiva) abstrato(a). Assunto é a concretização
do tema, como o tema aparece desenvolvido no enredo. Pode-se identificá-lo nos fatos da
história e corresponde geralmente a um substantivo (ou expressão substantiva) concreto(a).
Mensagem é um pensamento ou conclusão que se pode depreender da história lida ou ouvida.
Configura-se como uma frase. Mas cuidado: nem sempre a mensagem equivale a moral da
história.

Para ver na prática como é possível ler, analisar e interpretar narrativas, passamos
a trabalhar com dois textos narrativos do tipo fábula, que são apresentados a seguir:

8.1 Exemplo de leitura comparativa

Texto 1 – O leão e o macaco

(Fábula de Esopo)
O leão, o rei dos animais, convocou todos os bichos a uma assembleia geral para tratar de
assuntos graves. Acudiram (foram) estes ao convite, que consideravam uma grande honraria. E o
leão lhes disse: “ Prestantes e estimadíssimos vassalos capachos, convidei-vos para que me tirásseis
de uma dúvida cruel: há muito que quero saber se o meu bafo ou fede ou cheira; vou consultar-vos a
cada um em particular.” Dito isso, tomou-os um por um, e os consultou. Aos que diziam que fedia,
ele falava: “ Insolente! Tens o atrevimento de dizer que fede o bafo de teu rei?!”, tornava-lhes o leão,
e logo os matava. “ Adulador! Pois tens cara de dizer-me a mim, que o meu bafo cheira”, dizia aos
que mentiam para lisonjeá-lo; “ não gosto de quem quer me enganar!” E os matava. Chegou a vez
do macaco: “ Meu Rei, há Vossa Majestade de perdoar-me, disse o espertalhão; ando há quinze dias
com um resfriado horrível; saí da cama há pouco e apresentei-me só para não faltar à devida
obediência; mas não estou em estado de perceber cheiro algum. E o Leão riu-se da malandragem e
sutileza do macaco; e este foi salvo.

Moral: Por que ter pressa de dizer aquilo que, não podendo trazer utilidade alguma, só traz
comprometimento?
Fonte: Esopo.

Texto 2 – O rei dos animais

(Fábula de Millôr Fernandes)


Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o rei das selvas. Os
tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia e os métodos de
combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas, de modo que
seria bom indagar. Não que restasse ao leão qualquer dúvida quanto à sua realeza. Mas, assegurar-se
é uma das constantes do espírito humano, e, por extensão, do espírito animal. Ouvir da boca dos
outros a consagração do nosso valor, saber o sabido, quando ele nos é favorável, eis um prazer dos
deuses. Assim o leão encontrou o macaco e perguntou: “ Hei, você aí, macaco – quem é o rei dos
animais?” O macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de pavor e, quando
respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da floresta: “ Claro que é você, leão,
claro que é você!”.
Satisfeito, o leão continuou pela floresta e perguntou ao papagaio: “ Currupaco, papagaio. Quem
é, segundo seu conceito, o senhor da floresta, não é o leão?” E como aos papagaios não é dado o
dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o papagaio: “ Currupaco… não é o leão?
Não é o leão? Currupaco, não é o leão?”.
Cheio de si, prosseguiu o leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade.
Encontrou a coruja e perguntou: “ Coruja, não sou eu o maioral da mata?” “ Sim, és tu”, disse a
coruja. Mas disse de sábia, não de crente. E lá se foi o leão, mais firme no passo, mais alto de
cabeça. Encontrou o tigre. “ Tigre, – disse em voz de estentor – eu sou o rei da floresta. Certo?” O
tigre rugiu, hesitou, tentou não responder, mas sentiu o barulho do olhar do leão fixo em si, e
disse, rugindo contrafeito: “ Sim”. E rugiu ainda mais mal-humorado e já arrependido, quando o
leão se afastou.
Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o leão encontrou o elefante. Perguntou:
“ Elefante, quem manda na floresta, quem é rei, imperador, presidente da república, dono e senhor
de árvores e de seres, dentro da mata?” O elefante pegou-o pela tromba, deu três voltas com ele pelo
ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro. O leão caiu no chão, tonto
e ensanguentado, levantou-se lambendo uma das patas e murmurou: “ Que diabo, só porque não
sabia a resposta, não era preciso ficar tão zangado.”

Moral: Cada um tira dos acontecimentos a conclusão que bem entende


Fonte: Millôr Fernandes (1964).

A nossa proposta é realizar uma análise comparativa dos dois textos narrativos.
Passo a passo para analisar os textos narrativos:
a. Leia atentamente todos os dois textos, do começo ao fim. Sem ter ideia do que
é abordado em cada texto, fica difícil realizar uma análise.
b. Responda à seguinte pergunta sobre cada um dos textos: o que trata o texto?
c. Busque identificar qual o tema, assunto e mensagem a narrativa apresenta.
d. Feita a investigação inicial, passe a comentar aspectos que são destaques ou
que se evidenciaram nas duas narrativas.

8.1.1 Análise comparativa


Observamos que as duas narrativas são do tipo fábula, já que apresentam animais
como personagens que agem e têm atitudes semelhantes aos seres humanos. Por ser
uma fábula, notamos que ambas as histórias possuem uma moral. Em vista disso,
podemos afirmar que os dois textos possuem uma finalidade persuasiva. Dependendo
da situação comunicativa em que os textos forem apresentados e do público-alvo,
podemos inferir que essas narrativas buscam transmitir mensagens quanto à conduta
de determinadas pessoas: a primeira narrativa referindo-se às pessoas que falam
demais mesmo quando não há necessidade de comentários ou o comentário não vá
agregar nada: não há a possibilidade de mudança; e a segunda narrativa referindo-se à
forma de interpretar os fatos, a realidade: a subjetividade interfere na forma de ver os
acontecimentos. Em vista disso, às vezes não adianta argumentar com pessoas que só
querem enxergar os fatos de seu modo ou de seu ângulo de visão.
Nas duas narrativas, é possível observar que há personagens que se repetem.
Analisando o personagem leão, a partir de suas atitudes em cada texto, é possível
descrever quais são as suas características. No Texto 1: O leão é autoritário e impõe
medo aos seus súditos. É cruel tanto com os que dizem a verdade quanto com os que
mentem. O leão também é esperto, pois percebeu a malandragem do macaco para não
comprometer-se nem com a verdade e nem com a mentira. No Texto 2: O leão é
autoritário e vaidoso e impõe medo aos animais pequenos e médios da floresta. É
ingênuo, já que interpretou a reação do elefante como um desconhecimento e não como
uma afronta.
Em relação aos personagens e ao tipo de narrador, podemos constatar que tanto o
Texto 1 quanto o Texto 2 têm um personagem protagonista (principal): o leão. No
Texto 1, há vários outros personagens secundários, mas somente o macaco é nomeado.
Enquanto que no Texto 2 todos os personagens secundários que participam da história
são nomeados: macaco, papagaio, coruja, tigre e elefante. Quanto ao tipo de narrador,
os dois textos têm narrador em terceira pessoa, narrador observador. No entanto, no
Texto 1, o narrador apresenta quase a totalidade da narrativa em discurso indireto,
dando voz – discurso direto – apenas ao diálogo entre o macaco e o leão. Já no Texto
2, o narrador faz o contrário, abre espaço para que todos os personagens dialoguem
com o leão, com exceção do personagem elefante. As ações do elefante são descritas
pelo narrador.
Em relação ao vocabulário, é possível constatar que no Texto 1, ao lado do verbo
“acudiram”, foi empregada entre parênteses a palavra “foram”. Tendo em vista a
situação comunicativa do texto e o público-alvo, pode-se afirmar que o uso do termo
“foram” está adequado. Essa afirmação é possível, pois é preciso considerar a
necessidade de toda comunicação prezar pela clareza. O termo “foram” é muito mais
claro e faz mais sentido, atualmente, do que o termo “acudiram”, que não é tão usual.
A fábula de Esopo foi publicada em um espaço da internet, portanto, poderia causar
estranheza ao internauta leitor a frase inicial do texto, por desconhecimento do
significado de “acudiram”. Em face ao local que foi publicado o texto, é considerada
normal a necessidade de adequação e adaptação vocabular. Quanto à questão
gramatical, apesar dos dois termos não apresentarem a mesma regência, o fato de o
verbo “foram” estar entre parênteses evidencia que se trata de um esclarecimento do
significado do termo “acudiram” e, portanto, dispensa a concordância com os demais
elementos da frase. Os dois textos fazem uso de recursos de correferência
(pronominalização e substituição vocabular) para evitar a repetição de vocábulos.
Quanto à organização sequencial dos componentes da narrativa, podemos fazer a
seguinte segmentação dos textos:
Saiu o leão a fazer sua pesquisa
estatística, para verificar se
ainda era o rei das selvas. Os
tempos tinham mudado muito,
as condições do progresso
alterado a psicologia e os
O leão, o rei dos animais, métodos de combate das feras,
convocou todos os bichos as relações de respeito entre os
a uma assembleia geral animais já não eram as mesmas,
Exposição ou situação para tratar de assuntos de modo que seria bom indagar.
inicial graves. Acudiram (foram) Não que restasse ao leão
estes ao convite, que qualquer dúvida quanto à sua
consideravam uma grande realeza. M as assegurar-se é
honraria. uma das constantes do espírito
humano, e, por extensão, do
espírito animal. Ouvir da boca
dos outros a consagração do
nosso valor, saber o sabido,
quando ele nos é favorável, eis
um prazer dos deuses.
E o leão lhes disse:
“Prestantes e
estimadíssimos vassalos
capachos, convidei-vos Assim o leão encontrou o
Complicação ou situação para que me tirásseis de macaco e perguntou: “Hei,
problema uma dúvida cruel: há você aí, macaco – quem é o rei
muito que quero saber se dos animais?”
o meu bafo ou fede ou
cheira; vou consultar-vos
a cada um em particular.”
O macaco, surpreendido pelo
rugir indagatório, deu um salto
de pavor e, quando respondeu,
já estava no mais alto galho da
mais alta árvore da floresta:
“Claro que é você, leão, claro
que é você!” Satisfeito, o leão
continuou pela floresta e
perguntou ao papagaio:
“Currupaco, papagaio. Quem
é, segundo seu conceito, o
senhor da floresta, não é o
leão?” E como aos papagaios
Dito isso, tomou-os um não é dado o dom de
por um, e os consultou. improvisar, mas apenas o de
Aos que diziam que fedia, repetir, lá repetiu o papagaio:
ele falava: “Insolente! tens “Currupaco… não é o leão?
o atrevimento de dizer que Não é o Leão? Currupaco, não
fede o bafo de teu rei?!”, é o Leão?”. Cheio de si,
tornava-lhes o leão, e logo prosseguiu o leão pela floresta
Dinâmica de ação
os matava. “Adulador! em busca de novas afirmações
Pois tens cara de dizer-me de sua personalidade.
a mim que o meu bafo Encontrou a coruja e
cheira, dizia aos que perguntou: “Coruja, não sou
mentiam para lisonjeá-lo; eu o maioral da mata?” “Sim,
não gosto de quem quer és tu”, disse a coruja. M as
me enganar!” E os matava. disse de sábia, não de crente. E
lá se foi o leão, mais firme no
passo, mais alto de cabeça.
Encontrou o tigre. “Tigre, –
disse em voz de estentor – eu
sou o rei da floresta. Certo?” O
tigre rugiu, hesitou, tentou não
responder, mas sentiu o
barulho do olhar do leão fixo
em si, e disse, rugindo
contrafeito: “Sim.” E rugiu
ainda mais mal-humorado e já
arrependido, quando o leão se
afastou.

Três quilômetros adiante, numa


Chegou a vez do macaco:
grande clareira, o leão
M eu rei, há Vossa
encontrou o elefante.
M ajestade de perdoar-me,
Perguntou: “Elefante, quem
disse o espertalhão; ando
manda na floresta, quem é rei,
há quinze dias com um
imperador, presidente da
resfriado horrível; saí da
Clímax república, dono e senhor de
cama há pouco e
árvores e de seres, dentro da
apresentei-me, só para
mata?” O elefante pegou-o pela
não faltar à devida
tromba, deu três voltas com ele
obediência; mas não estou
pelo ar, atirou-o contra o
em estado de perceber
tronco de uma árvore e
cheiro algum.
desapareceu floresta adentro.
O leão caiu no chão, tonto e
ensanguentado, levantou-se
E o leão riu-se da lambendo uma das patas e
Desfecho ou situação final malandragem e sutileza do murmurou: “Que diabo, só
macaco; e este foi salvo. porque não sabia a resposta,
não era preciso ficar tão
zangado.”
Por que ter pressa de
dizer aquilo que, não Cada um tira dos
M oral podendo trazer utilidade acontecimentos a conclusão
alguma, só traz que bem entende.
comprometimento?

Ler e interpretar as diferentes narratividades disponíveis em nossa atual sociedade


torna-se um trabalho mais simples quando o intérprete conhece o tema e o assunto
que estão sendo abordados na narrativa e é um bom observador dos elementos que as
compõem. Além disso, é sempre bom conhecer a sua língua. Em caso de dúvidas, o
dicionário é um bom aliado para ler e interpretar termos mais complexos e menos
usuais.
REFERÊNCIAS

ANDRADE , Carlos Drummond. Balada de amor através das idades. In: Alguma poesia. São Paulo:
Record, 2001.
A P ORTA assustadora. Disponível em: <http://www.sinomar.com.br/ff_porta.asp>. Acesso em: 10 nov.
2011.
ARAÚJO , Ana Paula de. Enredo. Disponível em: <http://www.infoescola.com/redacao/enredo/>.
Acesso em: 6 ago. 2012.
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C997p Cyrre, Magda Regina Lourenço.


P ortuguês para comunicação, I : narrar para comunicar / Magda Regina Lourenço Cyrre. –
São Leopoldo, RS : Ed. UNISINOS, 2013.
66 p. – (EAD)

ISBN 978-85-7431-546-1

1. Narrativa (Retórica). 2. Análise do discurso narrativo. I. Título. II. Série.

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Editor
Carlos Alberto Gianotti

Acompanhamento editorial
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Revisão Editoração Capa


Caroline Soares Décio Remigius Ely Isabel Carballo

Impressão, verão de 2013.

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Sobre a autora
MAGDA REGINA LOURENÇO CYRRE é doutoranda em Teorias do Texto e do Discurso pela UFRGS;
mestre em Estudos de Linguagem pela UFRGS; licenciada em Letras com ênfase em P ortuguês e Literaturas
em Língua P ortuguesa também pela UFRGS. Atua como professora na UNISINOS desde 1999 e na Faculdade
P orto-Alegrense desde 1994.
Edição digital: dezembro 2013

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