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O Sétimo Mandamento

Pureza
Cornelius Van Til
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Traduzido do original em Inglês


The Ten Commandments
By Cornelius Van Til

Philadelphia: Westminster Theological Seminary,


Syllabus, 65 pp. 1993

Este raro resumo fornece uma exposição da ética do Decálogo antes que John Murray começasse
a ensinar este curso no STW.

Via: Presuppositionalism 101

Tradução por William e Camila Teixeira


Revisão e Capa por William Teixeira

1ª Edição: Janeiro de 2017

Salvo indicação em contrário, as citações bíblicas usadas nesta tradução são da versão Almeida
Corrigida Fiel | ACF • Copyright © 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

Traduzido e publicado em Português pelo website oEstandarteDeCristo.com, sob a licença Creative


Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International Public License.

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O Sétimo Mandamento — Pureza


Por Cornelius Van Til

O Sexto Mandamento corresponde ao Primeiro Mandamento. A transgressão do


Primeiro Mandamento busca destruir Deus, como tal, e a transgressão do Sexto
Mandamento busca destruir o homem como tal. O Nono Mandamento corresponde ao
Terceiro, este defende o bom nome do nosso próximo e o anterior o bom nome de Deus. O
Sétimo e o Oitavo correspondem ao Quarto, este defende a Deus na medida em que Ele
deseja culto externo e os anteriores defendem meu próximo em sua aparência exterior.
Dentre estes dois Mandamentos o Sétimo vem em primeiro lugar, uma vez que nossos
corpos são mais próximos de nós do que as nossas posses.

Além da união da alma e do corpo, que juntos formam o mistério da personalidade


humana, Deus trouxe os seres humanos individuais à união uns com os outros, a fim de
formar uma raça. O indivíduo humano não é completo em si mesmo. Deste modo, Deus
criou uma companheira para o homem e formou essa companheira como complemento
para o homem, tanto na alma quanto no corpo. Com a Sua própria mão, Ele uniu os dois e
ordenou que a partir de sua união a raça nascesse. Apenas na raça concluída, a imagem
de Deus no homem poderia ser verdadeiramente expressa.

Estas simples ordenações da criação têm enormes consequências. Nelas reside,


antes de tudo, o reconhecimento das diferenças entre homem e mulher. Tentar remover
essas diferenças é contra a natureza. Nós já encontramos nos tempos do Antigo
Testamento que isso foi feito. Daí as ordenanças proibindo a troca de roupas entre os
sexos, etc. Cada um dos sexos tem um espaço natural de trabalho e o intrometer-se no
campo de trabalho do outro tende a remover as distinções criadas por Deus, e geralmente
resultam em tristes consequências.

Em segundo lugar, a santidade do casamento está envolvida na ordenação Divina da


criação. Deus colocou na raça uma atração natural entre os sexos. Mas essa atração
natural envolve também uma relação moral. Não haveria nada moral originalmente,
testemunha disso era a ausência de qualquer sentimento de vergonha. Originalmente, o
natural era bom. Devemos ter o cuidado de distinguir este sentido do termo natural daquele
muitas vezes dado a ele. Muitas vezes a transgressão do Sétimo Mandamento é tolerada
sobre o fundamento de que transgredir assim é “natural”. Agora, é verdade que a
transgressão do Sétimo Mandamento é particularmente “natural” desde a entrada do

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pecado, mas isso é porque o pecado fez com que o verdadeiro natural seja “natural” no
sentido de pecaminosidade.

Por conseguinte, também encontramos em terceiro lugar que, a fim de obter uma ideia
verdadeiramente bíblica da relação entre os sexos não devemos começar por admitir algo
deste antinatural “natural” ser verdadeira e originalmente natural. Roma erra aqui. Todo o
seu ascetismo, e em particular o seu celibato do clero, é baseado na suposição de que o
natural original é mau até certo ponto. Portanto, aqueles que pretendem ser mais
espirituais, devem abster-se do contato com o natural, tanto quanto possível. Assim, a
posição de Roma não é meramente um retorno à dispensação do Antigo Testamento
quando havia ordenanças peculiares no que diz respeito ao casamento, etc., para o
sacerdócio. Pelo contrário, a posição de Roma é sim uma reintrodução do semi-paganismo.
As ordenanças do Antigo Testamento não foram dadas na hipótese do mal inerente da
matéria, mas na suposição de que o homem tinha corrompido o natural. Mesmo a elevação
Católica Romana do casamento à posição de um sacramento não escapa da acusação de
ter nascido de um princípio semi-pagão. Os sacramentos na igreja Cristã têm relação com
ordenanças da redenção e não da criação. E embora seja verdade e importante que a
redenção restaurou o verdadeiro significado do natural e, portanto, restaurou a santidade
do casamento também, esta santidade não envolve, mas, antes, exclui a ideia de
sacramento. É exatamente porque Roma não tem claramente insistido sobre a santidade
original do matrimônio que posteriormente inclinou-se a fazer do matrimônio um
sacramento.

Então, ainda mais, a sacralidade da infância está envolvida na ordenança da criação.


Parece ser algo mais do que uma fantasia desenfreada ou alegoria injustificável ver na
família, composta por pai, mãe e filho, uma analogia da Trindade. A raça humana, e não
apenas o indivíduo humano, deve expressar analogicamente algo do mistério da Divindade.
E um dos maiores mistérios da Divindade é a interação eterna das três Pessoas da
Divindade. Assim, apenas na Trindade da família algo disso poderia ser expresso. Por isso,
qualquer interferência com o processo da família humana por razões triviais é uma
interferência relativa ao plano de Deus. Parece ser seguro dizer que a literatura sobre o
atual controle de natalidade é quase sempre motivada pela concepção antiteísta de que a
vida humana pertence ao homem, em vez de a Deus.

Ainda mais, a originalidade do casamento monogâmico está implícita na ordenação


da criação. Este não é apenas o caso porque Deus trouxe Eva a Adão como se fosse com
Sua própria mão. Isto é significativo. Igualmente direta é a palavra de Cristo de que as

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concessões feitas no que diz respeito aos tempos do Antigo Testamento não modificam
minimamente as ordenanças monogâmicas originais. Mas o próprio fato de que Deus criou
diretamente apenas um homem e uma mulher confirma estas palavras de Jesus; também
vimos que somente por meio de casamento monogâmico a família poderia ser elevada a
ser realmente expressiva da Trindade de Deus. Assim, vemos que o casamento
monogâmico precede a revelação especial. A Redenção também restaurou isso, mas não
o apresentou pela primeira vez.

Não pode ser facilmente observado o quão radicalmente a atual concepção


evolucionista da origem e natureza do matrimônio e da família se opõe à nossa posição.
Deve-se observar que a visão atual não é baseada na descoberta de fatos pela antropologia
moderna. Será que a antropologia prova que a relação sexual era originalmente promíscua?
Será que a antropologia ensina que o casamento e a família têm gradualmente surgido até
o ponto que vemos agora de modo que existam a partir da esfera não-moral da vida inferior?
Negamos que ela o fez. Negamos que ela possa fazê-lo. O contexto de toda a questão não
pode sequer ser tocado por qualquer ciência histórica. O cerne da questão deve ser travado
entre o teísmo e antiteísmo como dois sistemas fatalmente opostos de filosofia. Tanto
quanto os fatos são averiguados, eles não militam contra um casamento monogâmico
original instituído por Deus.

O pecado operou estragos em toda ordenança de Deus e tem feito o maior estrago
possível aqui. O primeiro capítulo de Romanos nos dá uma ideia dos estragos feitos. Toda
a relação normal foi subvertida. Mesmo em nome da religião, imoralidades grosseiras foram
perpetradas. E Paulo nos diz que ele não ousa sequer falar de toda a extensão à qual estas
questões foram. Os pais da igreja, consequentemente, muitas vezes falaram como se a
própria natureza do pecado pudesse ser expressa na palavra concupiscência.

O antiteísmo pode não ver, em tudo isso, motivo para reprovação moral. Por isso, o
que existe, é certo. No máximo, pode-se falar de detritos desfigurados das algas do fundo
do mar quando se vê a humanidade apenas emergindo lentamente a partir da prática
animal. Consequentemente, a maior sagacidade é gasta para encontrar desculpas para o
que é uma completa transgressão da lei de Deus. Ou, o que mais é o casamento de
companheirismo? E o que mais é a concepção bolchevista de casamento, senão a
conclusão lógica do motivo antiteísta nesta matéria? É somente devido a uma medida de
graça comum de Deus que tem restringido a fruição completa deste princípio antiteísta.
Devido à graça comum em conexão com os subprodutos do Cristianismo, a civilização tem
sido capaz, até certo ponto, de acorrentar a besta maligna do pecado. Mas somos

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informados de que no futuro a medida da graça comum será reduzida de forma que o caos
irá desenvolver-se na medida em que os homens perderão até mesmo sua afeição natural.

É somente com este pano de fundo que podemos entender o matrimônio e a família
Cristãos. O Cristianismo é aqui, como em outros lugares, restaurador. E isto é verdade para
a dispensação do Antigo Testamento, bem como para a do Novo. A única diferença é que
durante na Nova Dispensação o princípio restaurador pode e deve ser mais completamente
cumprido. Já vimos que o próprio Cristo disse que a posição mais baixa do Antigo
Testamento era uma questão de tolerância devido às circunstâncias.

O âmago da ideia redentiva de casamento é que ele simboliza a relação da Igreja com
Cristo, a sua cabeça. E uma vez que Cristo restaura o homem a Deus, o casamento
simboliza toda a relação de pacto entre Deus e Seu povo. É isso que torna o casamento,
se possível, ainda mais belo e sagrado do que já era como uma ordenação da criação.

Somente assim nós entendemos por que a ideia do casamento é dada com tanta
proeminência no âmbito da noção de aliança durante o Antigo Testamento. Israel, como o
povo de Deus, é apresentado como a noiva de Yahwéh. Toda a profecia de Oséias lida com
este motivo. Yahwéh espera que Sua noiva seja impecavelmente pura. Idolatria é
prostituição. E o grande amor de Yahwéh é expresso em Sua disposição de receber
novamente em Seu seio a Sua esposa terrivelmente infiel. Ela era indigna de Sua escolha,
em primeiro lugar. E, tendo sido feita a Sua escolhida, ela faz de si mesma alguém indigna
de confiança uma e outra vez. Ainda assim, Yahwéh a ama e a purifica de toda impureza.

No Novo Testamento, a mesma ideia é demonstrada. Como um aspecto dessa ideia,


podemos notar a ênfase de Paulo sobre o corpo como um templo do Espírito Santo (1
Coríntios 6:19; 2 Coríntios 6:16). Por meio de Seu Espírito Santo, Cristo está atraindo os
Seus próprios, Sua noiva, para uma relação íntima conSigo mesmo. Sendo isso totalmente
realizado, toda a personalidade — o corpo bem como a alma — deve pertencer a Cristo.
Por isso o Espírito Santo habita nos corpos daqueles que são de Cristo. O Cristão “não é
de si mesmo”, mas de Cristo. A impureza corporal é, portanto, um insulto direto a Cristo e
ao Seu amor redentor. Aqueles que são “comprados por bom preço” cofiaram aos seus
cuidados os tesouros de Cristo. Ainda assim, a tentação é tão grande exatamente neste
ponto. Daí a ênfase de Paulo sobre a pureza. Essa pureza deve ser interior, em primeiro
lugar. Um Cristão deve especialmente controlar seus pensamentos e imaginação. Assim
sendo, ele deve evitar o que é sugestivo do mal. Será que o filme que, às vezes, anuncia -
se como “erótico, excêntrico, exótico, fantástico, fatalista e futurista”, ajudar o jovem Cristão,
moço ou moça, a serem puros em sua imaginação? E a falta de pureza interior leva à

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impureza exterior em palavras ou por obras, o que é expressamente proibido no Novo


Testamento. A impureza faz um Cristão impróprio para o trabalho que é de valor para o
reino de Cristo. Isso retarda ou impede uma livre vida de oração, e portanto, a verdadeira
espiritualidade para o indivíduo, e facilmente se torna um motivo de injúria por parte do
mundo.

Mais centralmente, no entanto, o fato de que o casamento simboliza a relação de


Cristo com os Seus próprios aparece quando consideramos a Igreja como um todo, em vez
de seus membros individuais. Já vimos que era o povo como um todo que simbolizava a
noiva do Deus da aliança no Antigo Testamento. Esta mesma ideia vem ao seu clímax final
no livro de Apocalipse. O mundo é apresentado como a grande prostituta e a igreja é a
noiva. E a vida futura em glória é apresentada como a união ininterrupta e pura de Cristo,
o Esposo, e a Igreja, Sua Noiva. Quão santo, então, e quão belo é o amor, glorificado
duplamente deste modo. Aquele que peca contra isso, peca contra a sua própria vida, seu
Criador e seu Redentor.

Inculcar essa concepção teísta Cristã do amor e do casamento é o privilégio de


ministros Cristãos e do povo Cristão. Se, então, o pecado tem sido e é tão
excepcionalmente virulento nesta esfera, isso parece ser completamente a fim de soar uma
nota especial de alerta contra qualquer influência dentro e fora do lar que tornaria mais
difícil de viver conforme as exigências de Cristo. Os Cristãos não devem brincar com os
inimigos que estão de fora dos portões, há, além disso, os perigosos inimigo que estão
dentro dos portões. Uma coisa em particular pode ser mencionada. Como pode qualquer
Cristão esperar expressar algo da bela relação de Cristo com a igreja se ele se casar com
quem é incrédulo? Casamentos firmes são mui facilmente consumados em tempos em que
as linhas entre a Igreja e o mundo são muito tênues. O mundanismo permitido em um lugar
leva a mundanismo em outros lugares. Daí o dever sagrado de pais Cristãos fornecerem o
mais sadio ambiente dentro e fora da casa, o mais puro e o melhor do deleite e da
associação. É mais difícil do que costumava ser para um jovem rapaz guardar o seu
caminho. Somente se, em todos os aspectos, ele for ensinado a guardá-lo de acordo com
a Palavra, ele escapará das armadilhas e ciladas, e ao mesmo tempo expressará algo
nessa vida daquele amor de Cristo, que Ele tem pelos Seus próprios.

Sola Scriptura!
Sola Gratia!
Sola Fide!
Solus Christus!
Soli Deo Gloria!

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2 Coríntios 4
1
Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos;
2
Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem
falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem,
3
na presença de Deus, pela manifestação da verdade. Mas, se ainda o nosso evangelho está
4
encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os
entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória
5
de Cristo, que é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo
6
Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. Porque Deus,
que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações,
7
para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém,
este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
8
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
9 10
Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre
por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus
11
se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre
entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na
12 13
nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. E temos
portanto o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também,
14
por isso também falamos. Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará
15
também por Jesus, e nos apresentará convosco. Porque tudo isto é por amor de vós, para
que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de
16
Deus. Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o
17
interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação
18
produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas
que se veem, mas nas que se não OEstandarteDeCristo.com
veem; porque as que se veem são temporais, e as que se 9
não veem são eternas. Issuu.com/oEstandarteDeCristo