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Bibliografia:

- DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. 7ª ed., São Paulo:
Malheiros, vol. II, 2017.

- MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Curso de Direito
Processual Civil – Tutela dos direitos mediante procedimento comum. 2ª ed., São Paulo: Revista
dos Tribunais, vol. II, 2016.

INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
- Ter em mente a diferença entre relação jurídica de direito material e relação jurídica de direito
processual.

- Como a decisão tomada em determinado processo pode alcançar a esfera de interesses de


terceiros, é necessário que o legislador viabilize formas processuais que permitam a eles
participar da relação jurídica de direito processual em curso. Intervir é, justamente, entrar no
meio (do latim inter venire).

- A melhor forma de conceituar terceiro é mediante um silogismo excludente: terceiro é aquele


que não é parte de um processo pendente. Simples assim. Portanto, é vital ter em mente o
conceito de parte.

- Do ponto de vista do processo já instaurado – isto é, da relação jurídica de direito processual


pendente com sujeitos parciais mínimos (um autor e um réu) –, os terceiros podem ser
classificados como terceiros juridicamente indiferentes e terceiros juridicamente interessados.

- Os primeiros não possuem qualquer ligação com o objeto do processo, ou seja, com a
pretensão colocada pelo autor diante do juiz (Dinamarco: “Em si mesma, a pretensão existe
desde antes do processo. Quando posta em juízo ela continua a ser uma pretensão, agora em
busca de reconhecimento ou satisfação por obra do Estado-juiz. Em relação ao processo, ela é
havida como seu objeto, ou seja, como o material sobre o qual atuará a jurisdição”). Isto é, não
têm nenhuma ligação com a relação jurídica de direito material controvertida em juízo. Tais
terceiros, obviamente, não estão legitimados a participar do processo (cuidado com a
diferenciação entre parte e parte legítima, vou explicar em sala).

- Já os terceiros juridicamente interessados são aqueles que têm ligação com a relação jurídica
de direito material que compõe o núcleo da pretensão apresentada em juízo, seja porque
participam de uma relação jurídica conexa àquela deduzida em juízo; seja porque participam
direta ou indiretamente da própria relação jurídica deduzida em juízo; ou ainda porque têm
interesse específico no debate institucional da matéria que é objeto de determinado processo
judicial.

- O fundamento da existência dos institutos da intervenção de terceiros no sistema do processo


civil é a proximidade entre certos terceiros e o objeto da causa, podendo-se prever que, por
algum modo, o julgamento dessa causa projetará efeitos indiretos sobre a esfera de direitos do
terceiro.
- Sem ter sido parte no processo, a nenhum terceiro poderão ser impostos os efeitos diretos da
sentença, sequer em aplicação dos mais rigorosos ou lógicos raciocínios de direito substancial
(exemplo da lesão causada pelo preposto e o art. 932, III, do Código Civil, que falarei em sala). A
extensão subjetiva dos efeitos diretos da sentença é excepcionalíssima no sistema, tendo em
vista as garantias do contraditório e do devido processo legal. O terceiro não ficará vinculado à
autoridade da coisa julgada desfavorável – especialmente porque o art. 506 do CPC/15
determina que, em princípio, a coisa julgada se limita às partes do processo –, mas efeitos
reflexos podem existir sobre terceiros, sempre como consequência do emaranhado de
relações jurídicas sobre o qual se desenvolve a sociedade.

- O CPC/15 arrolou expressamente essas espécies de intervenção: a) assistência, que pode ser
simples (art. 121) ou litisconsorcial (art. 124); b) amicus curiae (art. 138); c) denunciação da lide
(art. 130); e d) a participação do terceiro que pode ser atingido pelo incidente de
desconsideração da personalidade jurídica (art. 133).

- Explicada a razão de ser das intervenções de terceiro e enumeradas as espécies de intervenção,


o Direito brasileiro as subdivide entre intervenções voluntárias e intervenções
forçadas/provocadas/coatas. Quanto às primeiras, têm-se a assistência simples, a assistência
litisconsorcial e o amicus curiae: o terceiro comparece ao processo espontaneamente,
postulando a admissão de sua participação. Já a denunciação à lide, o chamamento ao processo
e o incidente de desconsideração da personalidade jurídica são formas de intervenção forçada,
quando o terceiro é convocado a participar do processo, devendo fazê-lo independentemente
da sua vontade.

- Em todos esses casos, o que viabiliza a participação do terceiro no processo de forma voluntária
ou forçada é a sua ligação com o objeto litigioso, isto é, a sua participação em uma relação
jurídica conexa àquela deduzida em juízo (assistência simples e denunciação à lide), a sua
participação direta ou indireta na própria relação jurídica deduzida em juízo (assistência
litisconsorcial, chamamento ao processo e incidente de desconsideração da personalidade), ou
ainda a existência de um interesse específico no debate institucional da matéria que é objeto de
determinado processo judicial (amicus curiae).

- Da decisão que admite ou inadmite a participação do terceiro no processo, cabe o recurso de


agravo de instrumento (CPC/15, art. 1.015, IX).

ASSISTÊNCIA SIMPLES
- A assistência é, em si e em todos os casos, a ajuda que um terceiro vem prestar a uma das
partes principais do processo, com vista a melhorar suas condições para obter a tutela
jurisdicional favorável. O sujeito que se vê na contingência de ser indireta ou reflexamente
prejudicado por uma sentença é autorizado a ingressar no processo em que ela será proferida
para auxiliar uma das partes e, assim, tentar evitar tal prejuízo.
- Pela assistência, além de prestar auxílio à parte principal, pode o assistente fiscalizar a atuação
das demais partes em juízo a fim de evitar conluio tendente à indevida violação de sua esfera
jurídica.

- Assistente simples vira parte auxiliar ou segue como terceiro? Discussão interessante.
Dinamarco e Didier versus Marinoni, Mitidiero e Arenhart. Explicarei brevemente em aula.

- Termo chave para a assistência é o interesse jurídico do assistente. Segundo dispõe o art. 119
do CPC/15, pode intervir no processo o terceiro com interesse jurídico em que a sentença seja
favorável a uma das partes. Tal interesse jurídico é o fator que confere ao terceiro a legitimidade
para intervir como assistente (legitimatio ad interveniendum). Em suma: não basta um interesse
qualquer, que não possa ser qualificado como jurídico.

- É preciso que o assistente simples tenha interesse em sentença favorável ao assistido, seja
porque possui interesse na correta interpretação dos fatos e do direito colocados em litígio que
diretamente não lhe diz respeito, seja porque possui relação jurídica de direito material conexa
com o assistido, a qual DEPENDE da solução a ser dada ao litígio que deve ser decidido.

- O que significa esse “depende”? Uma relação de prejudicialidade entre a situação jurídica do
terceiro e os direitos e obrigações versados na causa pendente, na qual o assistente irá intervir.
Ao afirmar ou negar o direito do autor, de algum modo o juiz estará colocando premissas para
a afirmação ou negação do direito ou obrigação de terceiro – e daí o interesse deste em
ingressar. Lembrar que a prejudicialidade jurídica, segundo Barbosa Moreira, é o fenômeno que
confere à resolução de uma questão o condão de influenciar, ou mesmo delimitar, a resolução
de outra (BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Questões prejudiciais e coisa julgada. Rio de Janeiro: Instituto
Mackenzie, 1967, pp. 44-54).

- A melhor forma de explicar interesse jurídico é exemplificando. Interesse jurídico: intervenção


do tabelião em processo no qual se discute a validade da escritura por ele elaborada;
intervenção do arrendatário de parcela do terreno que está sendo objeto de ação petitória, ou
seja, ação envolvendo a propriedade daquele terreno; intervenção do sublocatário em ação de
despejo.

- Interesse meramente econômico: pretendo que meu devedor seja vitorioso na ação
reivindicatória movida por outrem em face dele, vez que seu eventual empobrecimento, em
caso de procedência, poderá deixá-lo sem patrimônio que garanta meu direito de crédito junto
a ele; pretendo que meu amigo seja vitorioso nessa ação de petição de herança, pois ele está
sem recursos para sustentar sua família.

- Poderes do assistente simples: em princípio, são os mesmos da parte assistida (CPC/15, art.
121). Pode requerer e produzir provas, participar do procedimento relativo às provas, pode
recorrer conquanto não o faça a parte principal... todavia, NÃO PODE CONTRARIAR A VONTADE
MANIFESTA DO ASSISTIDO – e aqui reside seu caráter estritamente auxiliar. Se o assistido
renunciou ao direito de recorrer ou desistiu do recurso interposto, se manifestou o intuito de
dispensar determinado meio de provas, ou se tiver aceito a competência territorial do juiz etc.,
serão ineficazes os atos do assistente contrários a tais atos volitivos da parte assistida.

- Em contrapartida, é lícita e eficaz a prática de atos dispositivos pela parte assistida ainda que
contrários à vontade do assistente simples (reconhecimento do pedido, renúncia ao direito,
desistência da ação etc.), vez que o bem jurídico em litígio, a pretensão controvertida, pertence
à parte ASSISTIDA, não ao assistente. Eis a vital importância da relação jurídica de direito
material no tema processual da assistência.

- Tema complexo e interessante: os efeitos que decorrem para o assistente em virtude de sua
participação no processo. Submete-se à imutabilidade da coisa julgada material ou a outro tipo
de estabilidade processual? O art. 123 do CPC/15 vincula o assistente à “justiça da decisão”,
efeito da intervenção diverso da coisa julgada material mas que também impede que o
assistente discuta a decisão prolatada em eventual processo futuro, tornando-a imutável para
ele.

ASSISTÊNCIA LITISCONSORCIAL
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