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A criança com distúrbios de inteligência: Bernard Gibello: Os casos de confusão mental raramente

apresentam problema de diagnóstico: na realidade existe uma desorientação temporo-espacial maciça,


distúrbios mnésicos múltiplos e sobretudo existe sempre a noção de um factor desencadeante conhecido ou
manifesto. Os delírios são também de fácil reconhecimento. Para os autores clássicos, os distúrbios de
inteligência eram constituídos essencialmente pelas demências, as debilidades e os atrasos mentais de
diversos níveis, que se preocupavam distinguir do grupo das psicoses. Gibello propõe distinguir três
grandes grupos distintos de distúrbios cognitivo-intelectuais: - Um é constituído por distúrbios
relacionados com a capacidade do aparelho intelectual;- o segundo grupo é o das anomalias da estrutura
dos “continentes” psíquicos: são as desarmonias cognitivas patológicas e os atrasos ou regressões de
organização do raciocínio.;- No terceiro grupo, sujeitos que apresentam anomalias intelectuais funcionais
sem anomalia dos “continentes” psíquicos, mas com perturbação dos conteúdos do pensamento e dos
investimentos destes conteúdos: é o grupo constituído essencialmente pelos sujeitos neuróticos, sofrendo
de inibição intelectual.
Nas anomalias na capacidade do aparelho intelectual incluem-se os superdotados e os deficientes mentais.
Os superdotados são fáceis de reconhecer. Na infância, apresentam um avanço muito importante no
desenvolvimento intelectual, avanço que se manifesta particularmente por uma aprendizagem
extremamente rápida dos números, assim como da língua falada e escrita. Muitos superdotados,
apresentam distúrbios da personalidade relacionados com a grande diferença da maturação dos processos
cognitivos e intelectuais (muito adiantados para a sua idade) e a maturação dos processos afectivos que é
ou normal ou atrasada. Nos casos mais benignos de imaturidade afectiva simples, ou de maturidade
afectiva comum à sua idade, as crianças superdotadas são frequentemente vítimas da ilusão do seu meio
ambiente, que pensa que elas são tão capazes de “compreender” a necessidade de suportar certas
frustrações afectivas, quanto capazes de “compreender” a matemática, jogo de xadrez… Como não é
assim, estas crianças sentem-se rejeitadas, submetidas a exigências excessivas e injustas, que as levam a
um estado depressivo mais ou menos grave. A deficiência mental compõe uma síndrome característica, de
gravidade variável que, após ter sido separada clinicamente da psicose por Pinel, tende a aproximar-se
novamente destes, por intermédio da pesquisa etiológica. O diagnóstico de debilidade mental apoia-se em
quatro critérios fundamentais: * Ausência de elaboração da linguagem que se manifesta sob a forma de um
atraso de linguagem mais ou menos grave durante todo o desenvolvimento;* Possibilidades de autonomias
sociais são reduzidas em todos os casos. O deficiente está precariamente inserido no seu meio;* A
possibilidade de escolarização é reduzida, um deficiente com 14 anos leva em média um atraso de 4 anos
de escolaridade.* Os resultados nos testes psicométricos mostram um QI que varia entre os 50 e 69 para os
deficientes leves; entre 30 e 50 para os deficientes médios e nos deficientes profundos o QI é inferior a 30.
As desarmonias cognitivas patológicas constituem uma síndrome grave, traduzindo a incoerência dos
“continentes” psíquicos. Foram identificadas recentemente, e o seu conhecimento continua parcial no
interior da psicopatologia. A síndrome de desarmonia cognitiva é acompanhada pelo desconhecimento das
dificuldades de entendimento; os fracassos são regularmente interpretados pelo sujeito como uma
perseguição contra ele, jamais como resultado das suas incompetências. Reacções de orgulho vêm denegar
toda a dificuldade, todo o sentimento de insuficiência e de dependência.
A hiperactividade com problemas de atenção: questões clínicas e epistemológicas: Bursztejn e Golse:
A questão da hiperactividade coloca a tolerância variável do meio social em relação à mobilidade das suas
crianças, tal como os critérios educativos do envolvimento familiar e escolar. Como não se interrogar
também sob a influencia dos modos de vida vibrante das crianças das nossas civilizações urbanizadas, ou
sob a moldagem desde a mais tenra idade das nossas cognições por objectos culturais e lúdicos, nos quais
dominam os estímulos sensoriais e emocionais intensos e breves. É necessário relembrar que os problemas
mentais, e mais particularmente os da criança e do adolescente, não são doenças comparáveis às doenças
somáticas. As patologias psiquiátricas, de facto, não são – de momento – identificáveis através de nenhum
marcador biológico específico; o seu reconhecimento, identificação e delimitação em relação à
normalidade ou em relação a outros distúrbios, apenas se pode fundamentar pela clínica e sobre um
consenso entre diferentes especialistas do campo. Existe uma hipótese etiopatogénica de uma anomalia de
ordem neurobiológica. De facto, as hipóteses são múltiplas:- o disfuncionamento dos sistemas
dopaminergicos, sugerido pela semelhança com outras patologias e sobretudo pelo efeito das anfetaminas (
que têm um efeito farmacológico de estimulação destes sistemas);- disfuncionamento das estruturas

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cerebrais assegurando a selectividade e o mantimento da atenção, a hiperactividade motora sendo apenas
uma consequência.
É nesta perspectiva que nos parece importante relembrar alguns mecanismos psicopatológicos susceptíveis
de estar na origem ou de favorecer um comportamento hiperactivo: - pode corresponder a derrotas do
reatamento em período de latência, a agitação tendo então como função evacuar toda a responsabilidade
psiquicamente mútua; - a hiperactividade pode estar compreendida com processo paradoxalmente
autocalmante em relação à angústia (segundo mecanismos descritos pelos psicossomáticos da escola de
Paris);- a hiperactividade pode também representar uma forma de defesa contra a depressão – alcançando a
noção de defesa maníaca; - pode corresponder a uma estratégia destinada a controlar as figuras parentais
para prevenis as separações; - Algumas formas de hiperactividade muito precoce a deficiências do sistema
para-excitaçao materno levando na criança à colocar em acção daquilo que é normalmente transformado
pela mãe em elementos pensáveis.
Em termos de problemática, um comportamento hiperactivo da criança pode observar-se no contexto: -
problemas do attachment ( attachment desorganizado); - estrutura abandonica, frequente nas crianças que
viveram rupturas ou carências múltiplas; aqui a instabilidade diz respeito não apenas ao comportamento e
empenhamento atenciosas mas também às relações com os objectos afectivos; podemos também colocar a
hipótese de problemas de instauração de envelopes e de consistência psíquicas para as crianças cuja
história é marcada por derrotas do holding inicial e das carências do ambiente primordial.; - por fim
estados de instabilidade motora e psíquica podem ver-se no contexto de problemas reaccionais – em
relação com eventos com porte traumático; podem inscrever-se a longo prazo no quadro de um síndrome
pos-traumatico. Assim, a desregulação da motricidade, da cognição e dos afectos aparece como uma
espécie de “via final comum” sobre a qual intervêm este tipo de factores tal como factores de ordem
neurobiológico ou psicopatológica.