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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL


DISCIPLINA: HISTÓRIA DA ARTE 1
ALUNO: GUSTAVO RAMOS MARQUES
MATRÍCULA: 1191608
TURMA: S31

Resenha Crítica Acerca do Documentário “Atelier de Luzia”

Produzido pela Rumo Cinema e Vídeo, o documentário “Atelier de Luzia”, do


diretor Marcos Jorge, é uma viagem por sítios arqueológicos brasileiros. Nele são
exploradas as características e tradições de povos pré-históricos responsáveis por uma
enorme produção cultural. No fim do documentário é feito um paralelo entre os povos
primitivos e os atuais “pichadores” ou grafiteiros..........................................................
Conforme exposto no vídeo, existiram várias tradições entre os povos pré-
históricos de nosso território. Cada uma delas possui seu próprio arcabouço cultural,
seus costumes. Acredita-se que essa produção possuía algum sentido mágico-religioso.
Mesmo que provavelmente de forma involuntária, nossos ancestrais guardaram suas
tradições. As pinturas rupestres e parietais funcionam para nós como uma crônica social
antiga. Para eles, no entanto, existia uma gama de significados atribuídos aos símbolos
desenhados. Havia um código interpretativo que era compartilhado entre os membros
das tradições e obviamente não possuímos estes códigos. Por isso, tudo o que for dito
acerca dos significados envolvidos nos símbolos desenhados, pode ser refutado por
qualquer pesquisador, de qualquer época............................................................................
Outro aspecto importante relatado no filme é a comparação entre a produção
cultural nos tempos pré-históricos e a relativa à sociedade de consumo. Se atualmente o
consumo cultural é mais importante que a criação, os primitivos invertiam esta relação.
Havia grande necessidade de produção cultural. A vida daqueles povos dependia do
sucesso da colheita ou então da subjugação de um animal. Sem essas conquistas, havia a
possibilidade da morte. Desenhavam, então, um bisão com uma lança no peito, pois isto
supostamente os ajudaria a matá-lo no dia seguinte. Já a modernidade tem,
gradualmente, desencorajado a produção cultural, através da facilitação ao consumo da
cultura, seja através de downloads na internet, ou então da fácil absorção de filmes
estrangeiros. Aliena-se então a sociedade da necessidade de produção cultural. .............
O documentário faz, ainda, um paralelo entre os atuais pichadores e os homens
pré-históricos. Uma diferença importante mostra-se na atitude do artista,
frente ao trabalho do outro. Ao examinar as pinturas rupestres não encontramos
sobreposições de desenhos, o que indica profundo respeito ao que provavelmente seria
um rito religioso de um antepassado. Num contexto diferente estão os pichadores, que
buscam no seu trabalho a posição que não ocupam na sociedade. Marginalizados, não
estão muito preocupados se embaixo de seu desenho há outro. O que realmente importa
é o respeito que ganharão se conseguirem pichar em um local que tenha a maior
visibilidade possível e que seja suficientemente desafiador. É interessante, também,
notar as trajetórias opostas entre as duas épocas. Enquanto a arte rupestre começa com
uma quantidade maior do estilo figurativo e caminha para a abstração, a pichação
(abstrata) vem sendo substituída pelo grafite (figurativo). Este movimento atual, dá-se
em razão do crescente respeito que o grafite vêm ganhando no meio artístico, fato
exemplificado pela atual ocupação de grandes galerias de arte por grafiteiros, como é o
caso da exposição “ Os Gêmeos – Vertigem”.
Provavelmente nunca compreenderemos plenamente a arte dos povos Pré-
Históricos. Não possuímos seus códigos interpretativos. Porém, é sempre interessante
traçar paralelos entre nossa sociedade e aquela e constatar sua larga produção cultural,
em relação à nossa ou ainda as diferenças contextuais, que modificarão de forma
decisiva a criação artística. Fica, então, evidente a necessidade que o homem sempre
teve de externar sentimentos, ideias ou necessidades.