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América Latina e Caribe

Revolta contra elites alavanca protestos na América do


Sul
Como uma greve põe a Colômbia no mapa de revoltas do
continente
Acordo para nova Constituição não faz violência cessar
no Chile
'O Mercosul pode ser um novo Sudeste Asiático', afirma
chanceler de Bolsonaro

China

Pompeo diz que documentos confirmam China comete


abusos "significativos" em Xinjiang

Meio Ambiente

Espanha critica "cumplicidade silenciosa" em crise


climática e reclama do Brasil

Línguas Estrangeiras

Trump issued direct order to halt disciplining of Navy Seal


Edward Gallagher
Texto indicado pela professora Gilda Gama: L’OTAN EST
MORTE MAIS L’EUROPE EST MALADE
La petición para incluir a los cárteles mexicanos en la lista
de terroristas aumenta la tensión con EE UU

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Revolta contra elites alavanca
protestos na América do Sul
DW.COM , Gabriel González

Onda de manifestações não se deve apenas às desigualdades


sociais, mas também à resistência às classes privilegiadas,
avaliam especialistas. Também falta confiança nos partidos
políticos. 

Bolívia, Chile, Equador e agora Colômbia: na América Latina


crescem os protestos contra os governos. Eles nem afetam
tanto países governados autocraticamente, onde muitos
esperavam uma maior exacerbação, como Nicarágua e
Venezuela, mas outros onde isso era menos esperado,
especialmente o Chile. 

Antes conhecido como modelo na América do Sul, o país está


passando pelos maiores protestos desde seu retorno à
democracia. O que começou devido ao aumento relativamente
insignificante das tarifas do metrô evoluiu para um debate
sobre a desigualdade e a elaboração de uma nova
Constituição. 

Na Bolívia, dois blocos se opõem de forma inconciliável após


uma eleição presidencial presumivelmente manipulada, e a
renúncia e exílio do ex-presidente Evo Morales. 

No Equador, o presidente Lenín Moreno foi forçado a voltar


atrás no início de outubro e reintroduzir subsídios para
combustível após violentos protestos. O corte dos subsídios
era na verdade uma condição para a concessão de um
empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

E na Colômbia, na última sexta-feira os manifestantes


protestaram contra a desigualdade econômica, corrupção e
violência contra indígenas e ativistas. 

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"Não devemos cair na armadilha de colocar tudo no mesmo
saco. Os motivos também têm raízes locais, embora existam
semelhanças. As populações têm uma enorme insatisfação
com suas elites, tanto econômicas quanto políticas", analisa
Ingrid Spiller, chefe do departamento América Latina da
Fundação Heinrich Böll. Para a especialista, as elites nacionais
são "completamente alheias à realidade" e "não têm mais
noção do que realmente preocupa o povo". 

Philipp Kauppert, diretor do escritório da Fundação Friedrich


Ebert na Bolívia, também enfatiza que, apesar da diversidade
da situação política, há uma "forte insatisfação das populações
com suas elites políticas e desconfiança em relação ao
partidos". 

Na comparação internacional, o continente latino-americano


apresenta alto grau de desigualdade social. Mas atribuir os
atuais protestos a apenas essa causa, como se costuma fazer
na atual cobertura jornalística, parece não ser consistente. Na
América Latina está atualmente sendo revelada uma profunda
desconfiança em relação às elites, independente de estarem
politicamente à esquerda ou à direita. 

Outsiders e críticas aos partidos 

Normalmente, uma democracia é capaz de integrar os


insatisfeitos com o governo num pool de partidos de oposição
dentro do sistema político. Por que isso parece não funcionar
na América Latina? "Na maioria dos países da região, no
passado se votou pela mudança de governo, ou seja: os
canais democráticos foram usados para votos de protesto,
resultando na vitória de outsiders, como no caso de Bolsonaro
no Brasil", diz Philipp Kauppert. 

Também na Bolívia ele vê um papel destacado dos outsiders


que prometem um caminho completamente novo. Chi Hyun
Chung, um político evangélico de direita de ascendência sul-
coreana, era considerado um azarão nas eleições
presidenciais de 20 de outubro, mas surpreendentemente
conquistou 9% dos votos. Algumas semanas atrás, o político
local Luis Fernando Camacho ainda era completamente

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desconhecido de um grande número de bolivianos. Com
barulho e palavras de ordem conservadoras, ele agora avança
com toda força, tendo o cargo de presidente na mira. 

"Muitos não acreditam mais ser possível mudar algo através


de eleições ou do trabalho em partidos políticos. A insatisfação
é tão alta que já chega às ruas". Kauppert acredita que essa
situação reacendeu um debate na América Latina sobre a crise
fundamental da democracia. No entanto: "Acredito que ainda
seja possível superar esses protestos e crises na região por
mecanismos democráticos, e prefiro falar de uma crise dos
partidos, já que muitos não se sentem mais representadas por
seus partidos e a elite política." 

Cultura democrática falha e tendências globais 

Ingrid Spiller, por sua vez, questiona a cultura democrática em


grande parte dos países latino-americanos. "A população pôde
ir às urnas, mas no fim o Estado implementou políticas que
não serviam a um equilíbrio de interesses entre todos os
setores da população e das classes sociais". Por fim, teriam
prevalecido outros grupos de influência poderosos, definindo
a política estatal. 

A especialista ressalta, além disso, que na América Latina


também há menos partidos com programas políticos definidos
do que na Europa: "Os partidos latino-americanos são mais
grupos de interesse e, em grande parte, desacreditados entre
a população." 

Mas ainda permanece a questão: porque só agora explode


esse descontentamento, sentido basicamente por uma
geração jovem que não vivenciou nenhuma das ditaduras
latino-americanas passadas? 

"Em muitos países da América Latina, uma nova classe média


surgiu nos anos após a democratização, nas décadas de 80 e
90. E com ela veio a esperança de um futuro democrático e
socialmente mais justo. Essa classe média chegou a seus
limites econômicos também devido à queda dos preços das
matérias primas e outros fatores", avalia Philipp Kauppert.

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Assim, foi-se o boom dos altos preços das matérias primas,
que fortalecera a economia de muitos países da região e
também essa jovem classe média, sem ter fornecido a
prometida prosperidade estável. 

Depois de Equador, Chile e Bolívia, o "vírus do protesto" latino-


americano saltou recentemente para a Colômbia. Na última
sexta-feira (22/11) ocorreram as maiores manifestações em
massa na história recente do país. "É possível irmos além da
região", frisa Kauppert. "De Hong Kong ao Líbano até a
América Latina, parece haver um maior potencial de
mobilização no mundo. Gente que não tinha coragem, ou
achava que não faria diferença, está agora indo às ruas para
mostrar sua insatisfação e ainda canalizá-la politicamente." 

O subdiretor da Fundação Friedrich Ebert postula que a mídia


social também está ajudando a criar uma consciência global
sobre questões como a desigualdade e a presunção das elites
políticas. Caso seja assim, adverte, é possível a onda de
protestos se espalhe para outros países. 

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'O Mercosul pode ser um novo
Sudeste Asiático', afirma chanceler
de Bolsonaro
O Globo , Eliane Oliveira

Em meio ao estado de ebulição e convulsão social em vários


países da América do Sul, o Brasil se prepara para levar à
reunião do Mercosul uma mensagem em defesa da
democracia e de prosperidade para a região, disse o ministro
de Relações Exteriores, Ernesto Araújo . Segundo o chanceler,
o bloco sul-americano reúne todas as condições para crescer
e se transformar em um Sudeste Asiático — região da Ásia
formada formada por seis países emergentes com acentuado
crescimento econômico. Araújo admite que os povos sul-
americanos têm suas próprias reivindicações, mas vê como
um risco a possibilidade de organizações de esquerda, como o
Foro de São Paulo , tomarem as rédeas desses movimentos. 

Desde que assumiu a chefia do Itamaraty, o senhor


sempre disse que um dos problemas da política
externa brasileira era sua distância do povo. O povo já
entendeu essa mensagem?

Em grande medida, sim. A gente quebrou aquela ideia do


isolamento do Itamaraty, daquela coisa técnica, da política
externa imutável. Tudo está sujeito à discussão e à renovação.
A gente quebrou um pouco o gelo. 

Mesmo assim, o governo atual é alvo de críticas...

As críticas partem de um paradigma anterior, não ao conteúdo


que, dizem, não podemos mudar. A resposta à sua pergunta
é: sim, estamos mais próximos do povo e sentimos isso. Vejo
isso nos contatos que tenho na rua, quando vou a
restaurantes, a shopping centers. As pessoas vêm conversar
comigo e, de forma geral, elogiam esse engajamento. 

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Na semana que vem, líderes de toda a América do Sul
estarão na cidade gaúcha de Bento Gonçalves,
participando da reunião do Mercosul. Diante do
cenário de conflitos, manifestações e protestos na
região, qual a mensagem a ser levada pelo Brasil, que
será o anfitrião e é o presidente pró-tempore do
bloco?

Será um momento importante. Continuamos confiando em


que a América Latina pode ser um espaço de democracia e
prosperidade. É a vocação da região, estamos bem mais
próximos disso do que estivemos no passado. As situações
são diferentes em cada país e não podemos deixar que
retrocedam a uma América do Sul que não confiava na
democracia e na economia aberta. É um trabalho árduo, mas a
gente não pode desistir por causa de situações como as do
Chile e do Equador, por exemplo. 

As características de cada país são diferentes entre


si...

É claro que cada país tem a sua visão, mas tentamos manter
viva e aprofundar essa visão hemisférica regional, porque a
América do Sul estava ficando para trás no mundo como
região. No Brasil, temos uma perspectiva de crescer de
maneira consistente, mas não podemos dar as costas para a
região. Queremos ser parte de uma América do Sul integrada,
porque é bom para nós também. O Mercosul pode ser um
novo Sudeste Asiático, se a tivermos as políticas corretas. 

Como o Mercosul se transformaria em um Sudeste


Asiático?

Uma região que tem crescido pouco, de modo geral, precisa


crescer mais e não depende só do Brasil. Precisa ser um
destino competitivo de investimento, com estabilidade. Está
havendo uma reconfiguração do panorama global de
investimentos, há oportunidades novas, há muitos
investimentos novos vindo para o Brasil, mas pode ter
investimentos vindos para a região como um todo. Não é o
momento de se fechar e se acomodar e nós acreditamos

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muito no binômio liberdade econômica e liberdade política. É
uma coisa que vai sempre alimentando a outra. 

O governo brasileiro levará ao Mercosul alguma


proposta no campo econômico?

Sim. Vamos tentar fechar um acordo de facilitação de


comércio, para eliminar algumas barreiras intra-Mercosul que
ainda existem. Também vamos continuar no processo de
revisão da Tarifa Externa Comum, que acontecerá não
exatamente agora. 

Todos os líderes da América do Sul foram convidados?

Sim, à exceção da Venezuela. Isto porque nós reconhecemos


Juan Guaidó (presidente da Assembleia Nacional que se
autoproclamou governante do país) como presidente, mas ele
não tem o poder efetivo. E, para nós, o regime de Nicolás
Maduro é ilegítimo. 

O senhor sempre responsabiliza o Foro de São Paulo


pelas manifestações em alguns países sul-americanos.
Há uma contraofensiva conjunta dos governos do
Brasil e outros países para combater o socialismo na
região?

Temos conversado sobre isso. Tratamos um pouco do


assunto na última reunião do Grupo de Lima (grupo formado
por mais de uma dezena de países do continente, que
rechaçam o governo do venezuelano Nicolás Maduro). Os
países têm visões diferentes. Alguns têm mais em conta as
questões nacionais, individuais. Outros, mais a questão
regional. No Grupo de Lima, a grande maioria dos países já
vislumbra um desafio regional e acredita que é preciso sair em
defesa de um projeto de uma América do Sul livre. Há uma
evolução muito grande em termos da conscientização. Seis,
oito meses atrás, muito pouco se falava, e hoje já se fala nisso.
As pessoas veem que existe essa articulação hemisférica,
alguns veem isso como algo mais profundo, outros menos
profundo, alguns como algo mais retórico, outros como algo
mais prático, mas há uma conscientização. 

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Mas o senhor concorda que, independentemente da
ideologia, os povos têm necessidades básicas,
preocupações, reivindicações?

Sim, claro! Em cada país existem determinadas reivindicações,


mas é preciso cuidado para que isso não seja explorado por
correntes que não têm o compromisso democrático. 

Como seria essa contraofensiva?

A contraofensiva é nossa afirmação de que nós temos essa


visão. É a reafirmação de nossos compromissos, de nossa
convicção democrática, da nossa fé na integração, a abertura
da região consigo mesma e com o resto do mundo. Não nos
deixaremos intimidar e também não vamos nos dividir. 

Preocupa a possibilidade de o povo ir para as ruas,


como está acontecendo em outros países da América
do Sul?

Aqui no Itamaraty não tenho os elementos para avaliar essa


possibilidade. O que vejo é que o apoio popular ao governo do
presidente Bolsonaro é muito grande, independentemente de
pesquisas ou números. O calor humano é muito grande e
vemos essa efervescência nas redes sociais. Acho que a
sociedade brasileira como um todo está se relacionando de
maneira muito institucional, de olho nas suas instituições.
Agora, se há correntes interessadas em criar turbulência, isso
é outra questão. Claro que a gente tem que ficar de olho no
que a população brasileira está dizendo e esperando. 

Em maio deste ano, o líder da oposição ao ex-


presidente da Bolívia Evo Morales esteve com o
senhor, junto com um grupo de parlamentares.
Também este ano, o general de direita do Uruguai
Guido Manini Ríos reuniu-se com o vice-presidente da
República, Hamilton Mourão. Não seria uma articulação
que ultrapassa a não ingerência em assuntos
internos?

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Não existe qualquer interferência de nossa parte. No caso de
Camacho, ele fez parte de uma delegação, veio para falar
sobre o referendo, mas não houve nenhuma articulação. Nem
no caso do Uruguai. Há, hoje, muito interesse pelo papel do
Brasil como um esteio da democracia na região. É bom que as
pessoas vejam o Brasil como esse pilar de liberdade na
América do Sul. 

O senhor já manteve contato com o governo eleito da


Argentina?

Até agora não nos procuraram. 

E quanto ao Uruguai?

A eleição ainda não está definida. 

O senhor vai à África em dezembro. Qual o objetivo da


viagem?

Queremos muito voltar a estar mais presentes na África,


reinventar nossa relação em benefício mútuo e com muito
enfoque à parte econômica. A África é o continente que mais
cresce economicamente, embora haja desafios de pobreza e
desenvolvimento. Vou a Cabo Verde, a Angola, ao Senegal e à
Nigéria. Claro que nem tudo se resolve numa visita, mas é o
primeiro passo para passarmos a ter a uma nova presença na
região. A África está se movendo de uma maneira muito
diferente, muito intensa. Estão com um projeto de uma zona
de livre comércio que é algo que estamos olhando com o
maior interesse. Eu sempre disse que o Brasil é, em grande
parte, um país africano, embora separado por um oceano.
Acho que nenhum país fora da África tem tanta conexão com
a região como o Brasil. 

Também em dezembro, será inaugurado um escritório


de negócios do Brasil em Jerusalém. E a transferência
da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém,
ainda vai acontecer?

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A inaguração do escritório da Apex (Agência Brasileira de
Promoção de Exportação e Investimentos) vai potencializar
muito nossa relação com Israel , assim como nossas relações
com os países do Golfo deram um salto qualitativo. Quanto à
transferência da embaixada, não estamos pensando nisso
neste momento. 

Após a polêmica das queimadas na Floresta Amazônica,


em meados deste ano, houve melhora da imagem do
Brasil no exterior?

Deu uma melhorada, sem dúvida, mas acho que ainda existe
muita desinformação que estamos tentando superar,
sobretudo na questão ambiental. No Japão, na China, no
Oriente Médio e nos outros países do Brics (bloco formado
por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a imagem do
Brasil é excelente. Esse problema é muito concentrado nos
países europeus. 

E na área de direitos humanos?

Nossa eleição para o Conselho de Direitos Humanos foi muito


importante. Tivemos uma votação maior do que da última vez.
Temos uma pauta muito forte de direitos humanos. 

Existe algum tipo de frustração nas relações com os


Estados Unidos? Parece que, até o momento, apenas
o Brasil fez concessões unilaterais, como o aumento
da cota de importação de etanol e a liberação da
importação de trigo. Por outro lado, não foi aberto o
mercado de carne in natura brasileira e também não
houve um apoio mais contundente dos EUA à
candidatura do Brasil a membro da OCDE (Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Não há frustração alguma. Realmente mudou o patamar de


nossa relação com os EUA. O nível de profundidade do diálogo
é outro, há confiança mútua, não tenha dúvida. Já temos
alguma coisa emblemática, que é o acordo de salvaguardas
tecnológicas (para a o lançamento de satélites na Base de
Alcântara, no Maranhão). Já foi aprovado na Câmara e, se tudo

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der certo, será aprovado no Senado. Na OCDE , o principal,
que era o apoio americano, já temos. E tivemos esse apoio
justamente num momento em que os EUA tinham dúvidas
sobre a própria expansão da OCDE. Não é uma coisa banal.
Queremos mais coisas, no comércio, em investimentos, mas é
bom lembrar que os EUA estão num momento difícil no que
depende do Congresso, a agenda está sendo tomada por
política interna. A declaração do Brasil como aliado preferencial
extra-Otan é algo que não é simplesmente retórico, são novas
oportunidades para a nossa defesa. A cesta está cheia, mas
os ovos vão sendo fritos com o tempo.

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Acordo para nova Constituição não
faz violência cessar no Chile
O Globo ,

O governo do presidente Sebastián Piñera — que, com 12%


de apoio, detém o recorde de impopularidade desde o retorno
à democracia — não conseguiu restaurar a ordem pública no
Chile. Nem as medidas sociais adotadas nesses quase 40 dias
de emergência, nem a decisão de praticamente toda a classe
política de criar uma nova Constituição para o país
conseguiram deter a violência. O clima de desordem ameaça
saídas políticas para a crise. 

Acusada de cerca de mil casos de abuso, segundo dados do


Ministério Público, a polícia parece sobrecarregada em dias
como a última quinta-feira, quando houve batalhas entre
manifestantes e policiais e cenas de destruição de
infraestrutura pública e privada. Os episódios aconteceram em
diferentes cidades do país, como Santiago, Valparaíso ou
Coquimbo, onde grupos violentos queimaram até mesmo
dependências de um hospital público. Em 86 eventos graves,
segundo números oficiais, 767 pessoas foram presas. 

Piñera busca apoio enquanto luta contra o relógio para tentar


escapar da crise que emergiu em 18 de outubro e deixou 23
mortos em vários atos de violência que estão sendo
investigados, incluindo incêndios, abusos sexuais e pelo
menos cinco mortes por agentes do Estado. Nesta segunda-
feira, o presidente convocou o presidente da Corte Suprema,
Haroldo Brito, os líderes do Senado e da Câmara dos
Deputados — Jaime Quintana e Iván Flores, respectivamente
— e o procurador nacional, Jorge Abott. 

No domingo, Piñera fez um novo apelo a um "acordo pela paz,


pela democracia e contra a violência", que comprometa
policiais, promotores, juízes, governo, o Congresso e a
população. Anunciou também que mais 4.354 policiais sairão
para as ruas nos próximos 60 dias, por meio da reintegração

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de policiais aposentados e da antecipação de quadros ainda
em formação. O presidente também indicou que a polícia
receberá “aconselhamento profissional” de seus pares na
Inglaterra, França e Espanha e anunciou o envio ao Parlamento
de um projeto de lei que permitiria o deslocamento de os
militares às ruas para proteger infraestrutura crítica sem a
necessidade de decretar Estado de exceção ou restringir as
liberdades dos cidadãos. 

— Isso permitiria que nossas Forças Armadas colaborassem


na proteção de nossa infraestrutura crítica, incluindo serviços
públicos essenciais— afirmou Piñera. 

Segundo informações oficiais, 2.171 policiais foram feridos e


154 quartéis foram atacados nessas semanas de protestos,
sem contar os ataques a unidades militares. 

O controle da ordem pública parece uma questão central


nessas horas delicadas pelas quais passa a política chilena
está passando. No sábado, o diplomata socialista Juan Gabriel
Valdés, embaixador nos Estados Unidos do segundo governo
de Michelle Bachelet (2014-2018), disse em uma carta pública
que “já não basta condenar e menos ainda nivelar verbalmente
a violência da polícia e a de criminosos queimando hospitais,
igrejas e museus. É necessário que aqueles que ocupam
posições de liderança atuem com urgência, antes que o
desvario dos vândalos e o fascismo nostálgico de Pinochet
ocupem o cenário”. 

Segundo Valdés, "a cada dia que passa, o Chile está mais
próximo de um colapso total da ordem pública que só pode
terminar em um golpe militar ou no mínimo que o poder caia
nas mãos das Forças Armadas, mesmo que elas não o
queiram". 

Ao mesmo tempo em que Piñera se reunia no Palácio de La


Moneda com os principais líderes estaduais, grupos de
estudantes entraram em estações de metrô sem pagar — as
“evasões coletivas”, como são chamadas no Chile, ou
“catracaços”, no Brasil —, como aconteceu no começo do
protesto que gerou o surto. Enquanto isso, o coordenador da

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Unidade Social — que reúne cerca de 200 organizações
sociais, sindicais, secundárias e universitárias e de saúde —
fez uma nova convocação para uma greve geral para segunda
e terça-feira. Na anterior, em 12 de novembro, as
concentrações foram seguidas por um dos dias de maior
violência. Foi um dos momentos mais delicados da democracia
chilena nas últimas décadas. 

Discórdia sobre nova Constituição 

Como o Partido Comunista e parte da Frente Ampla, a Unidade


Social, entidade que reúne mais de 200 organizações sociais e
sindicais de defesa dos direitos humanos, rejeita o acordo
para uma nova Constituição alcançada no Congresso, que
inclui um plebiscito em abril para decidir se a Carta de 1980
será substituída — proposta apoiada por 85 % dos cidadãos,
de acordo com pesquisas — e por meio de qual mecanismo.
"É uma proposta adaptada aos partidos políticos", diz a
Unidade Social em sua declaração exigindo uma assembléia
constituinte. 

Não está claro se Piñera pode conseguir unir forças no


Parlamento, onde não tem maioria, para levar adiante seu
“acordo pela paz, pela democracia e contra a violência”, que
inclui sete projetos de lei para modernizar a polícia, fortalecer
sistemas de inteligência do Estado e punir com maior força os
saques, entre outras iniciativas. Embora uma parte da
oposição tenha sido aberta aos pedidos do Executivo,
especialmente os membros da Democracia Cristã, outros
setores avançaram em sua rejeição. 

— É desconcertante o fato de o presidente anunciar uma lei


que alteraria os a definição constitucional de Estado de
exceção para pôr as Forças Armadas na proteção da
infraestrutura, incluindo a polícia — disse Heraldo Muñoz,
presidente do Partido para a Democracia (PPD) e ministro das
Relações Exteriores do último governo de Bachelet. —
Rejeitamos a violência sem hesitação, mas defendemos uma
solução política com um pacto social e profunda justiça
tributária. 

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Enquanto um setor da oposição apresentou uma acusação
constitucional contra Piñera na semana passada, pedindo que
o Congresso casse seu mandato por suposta
responsabilidade em violações de direitos humanos, a
população rejeita a classe política em todas as partes do
espectro. De acordo com a última pesquisa da Cadem, todos
os líderes caíram em suas avaliações em relação a outubro. 

Nestes dias de protestos, não só lojas foram saqueadas, nem


só centros culturais incendiados. Os ataques atingiram a sede
de partidos políticos como a UDI, da direita, e gabinetes
parlamentares, como o de Gabriel Boric, da Frente Ampla, da
esquerda. Outros líderes foram atacados nas ruas. No fim de
semana passado, jogaram tinta e cuspiram contra o senador
socialista José Miguel Insulza, ex-secretário geral da OEA entre
2005 e 2015. 

Segundo a pesquisa da Cadem, 67% concordam com a


continuidade das mobilizações, um aumento de 11 pontos em
relação à medição da semana passada.

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Como uma greve põe a Colômbia no
mapa de revoltas do continente
Nexo Jornal , João Paulo Charleaux

Dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas de


pequenas e grandes cidades da Colômbia na quinta-feira (21)
para protestar contra o governo do presidente Iván Duque. 

Sindicatos de trabalhadores conseguiram emplacar uma greve


geral, enquanto estudantes secundaristas e universitários
paralisaram o funcionamento de escolas e universidades em
grande parte do país. 

Os protestos foram majoritariamente pacíficos e festivos.


Porém, em pelo menos três cidades – Bogotá, Cali e Manizales
– houve depredação e choques com a polícia, seguidos de
toque de recolher. Na sexta-feira (22), o Ministério da Defesa
informou que pelo menos três pessoas morreram no
departamento de Valle del Cauca, cuja capital é Cali. No país
todo, 98 foram detidas. 

A manifestação nacional na Colômbia ocorre num momento


convulsionado para a América do Sul: 

No Chile, manifestantes saem às ruas desde outubro para


pressionar por mudanças constitucionais profundas 

Na Bolívia, o presidente Evo Morales renunciou no dia 10 de


novembro pressionado por marchas e por uma ameaça
militar 

No Equador, 11 dias de protestos levaram o governo a impor


toque de recolher e mudar temporariamente a capital de lugar 

No Peru, o presidente dissolveu o Congresso e antecipou


eleições, depois de um impasse com a oposição 

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Todas essas manifestações e convulsões sociais ocorrem de
maneira descentralizada, como resposta a questões políticas
internas de cada um desses países. 

Ainda assim, cientistas políticos veem elementos em comum


em alguns desses processos, como o rechaço a receitas
econômicas neoliberais (como nos casos do Chile e do
Equador) ou a repulsa a manobras políticas percebidas como
inconstitucionais (como nos casos da Bolívia e do Peru). 

As questões em jogo na Colômbia 

Na Colômbia, a questão econômica foi preponderante – os


manifestantes se opõem em primeiro lugar à agenda neoliberal
do governo Duque –, porém a questão política também tem
peso. 

Na Política
Duque, como membro do Centro Democrático, de direita, é
herdeiro do presidente Álvaro Uribe (2002-2010). Ambos
lideram setores que se opõem a vários pontos do Acordo de
Paz firmado em 2016 com as hoje extintas Farc (Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia). 

Duque e Uribe estão entre os que consideram o Acordo de


Paz brando demais com guerrilheiros. A Justiça instituiu penas
mais baixas ou até mesmo anistia a ex-guerrilheiros envolvidos
no passado com tráfico de drogas, sequestro e até crimes de
guerra. As Farc viraram partido político e passaram a ter cota
no Congresso. Para parte da direita colombiana, o Acordo de
2016 tem erros irremediáveis. 

A absorção política das Farc pelo sistema político-eleitoral


colombiano tem um trágico antecedente. Em 1985, a mesma
saída foi tentada com a criação da UP (União Patriótica). À
época, os ex-guerrilheiros e outros políticos ligados às Farc
foram mortos ao assumir protagonismo público, numa onda
de assassinatos seletivos protagonizados por membros das
AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia) – conglomerado de
grupos paramilitares de direita ligados a proprietários de
terra. 

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Da mesma forma, agora, lideranças que deixaram a selva para
se expor na campanha foram alvo de ataques. Mais de 100
delas foram mortas dessa forma desde a assinatura do
acordo de 2016. 

Muitos dos manifestantes que estão nas ruas pedem que


Duque honre integralmente os termos do Acordo de Paz de
2016, e garanta as condições para que esse setor participe
pacificamente da vida política, levando à reconciliação de um
país marcado por 50 anos de guerra civil. 

Esses protestos de quinta-feira (21) não estão associados


diretamente a nenhum político ou partidos em particular.
Porém, os sindicatos e grêmios estudantis mais atuantes são
de esquerda e, como tal, veem Duque com desconfiança
desde que ele iniciou o mandato, em agosto de 2018. 

O presidente colombiano é reprovado por 64% da população,


de acordo com pesquisa Gallup publicada em agosto. O
partido dele foi mal nas eleições locais de 27 de outubro,
perdendo o controle de cidades importantes da Colômbia. 

Por tudo isso, Duque optou por não bater de frente com os
protestos. Se, no Chile, o também direitista Sebastián Piñera
falou em “guerra” contra inimigos internos, convocou o
Exército e decretou toque de recolher em todo o país, na
Colômbia, Duque, ao contrário, chamou os manifestantes ao
diálogo e tentou manter o uso da força o mais restrito possível
– ainda que, do ponto de vista de quem foi às ruas, as
autoridades tenham ultrapassado limites. 

Na Economia
Os manifestantes reclamam de duas grandes reformas que
estão sendo discutidas na Colômbia: do sistema de
aposentadoria e das leis trabalhistas, a exemplo do que
ocorreu no governo do presidente Michel Temer (2016-2019),
e do que ocorre agora, no mandato de Jair Bolsonaro, no
Brasil. 

Duque disse que ainda não existem sequer propostas formais


de reforma, e, em resposta à pressão popular, prometeu abrir

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um amplo e transparente debate nacional antes de promover
qualquer mudança. 

Em outra frente, o dólar subiu 19% na Colômbia de agosto,


quando Duque foi empossado, até outubro. O desemprego é
de 10,8%, na medição de setembro. Antes de assumir, Duque
prometeu baixar o índice para 7,9% – o que ainda ainda não
cumpriu. 

Outra promessa foi a de aumentar em US$ 1,3 milhão o


orçamento destinado às universidades públicas do país ao
longo de quatro anos. Duque acenou com essa medida após
ser pressionado por uma grande onda de marchas estudantis,
em 17 de outubro. 

Um mês depois, os grêmios estudantis dizem que o governo


não apenas descumpriu a promessa de começar a aumentar
os aportes como sacou dinheiro destinado à educação pública
para pagar processos judiciais que envolvem as
universidades. 

Apesar da concentração em torno desses grandes eixos,


político e econômico, houve também demandas mais difusas,
como a defesa dos direitos das mulheres, além da pauta
ambiental e da proteção das comunidades indígenas e LGBT. 

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Pompeo diz que documentos
confirmam China comete abusos
"significativos" em Xinjiang
Reuters ,

Documentos recém-vazados confirmam que a China está


cometendo abusos de direitos humanos “muito significativos”
contra uigures muçulmanos e outras minorias detidas em
massa, disse o secretário de Estado norte-americano, Mike
Pompeo, nesta terça-feira. 

No domingo, um grupo internacional de jornalistas divulgou


documentos confidenciais do governo chinês que descrevem
a repressão levada a cabo em campos de detenção de
Xinjang, região conturbada do oeste da China. 

VALE LEMBRAR DO CLIPPING

A República Popular da China (RPC) possui como uma das


suas diretrizes de política externa a defesa da estabilidade
doméstica e regional, em defesa de “uma só China”.
Contudo, o país possui fragilidades internas, como, por
exemplo, movimentos separatistas na região de Xinjiang (as
minorias uigures) no Tibet, em Taiwan e em Hong Kong.

Para a RPC, "Taiwan é parte inalienável do território chinês”.


Nesse sentido, o Brasil estabeleceu relações diplomáticas
com a RPC em 1974 e rompeu com Taiwan. Na América do
Sul, somente o Paraguai mantém relações diplomáticas com
Taiwan.
      

“Estes relatos são condizentes com uma série de indícios


impressionantes e crescentes de que o Partido Comunista
chinês está cometendo violações e abusos de direitos
humanos contra indivíduos detidos em massa”, disse Pompeo
em uma coletiva de imprensa, pedindo que Pequim liberte
todos os que foram detidos arbitrariamente. 

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Ele disse que as informações dos documentos confirmaram
que abusos de direitos humanos “muito significativos” estão
ocorrendo. 

“Isso mostra que não é aleatório, que é intencional e que


continua”. 

A publicação dos documentos por parte do Consórcio


Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) veio na
sequência de uma reportagem de 16 de novembro do jornal
New York Times baseada em uma coleção de documentos
secretos com detalhes da repressão chinesa aos uigures
étnicos e outros muçulmanos da região. 

Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) e


ativistas dizem que ao menos um milhão de uigures étnicos e
membros de outros grupos minoritários em grande parte
muçulmanos estão detidos em campos em Xinjiang. 

O ICIJ disse ter obtido uma lista de diretrizes de 2017 “que na


prática serve como um manual para operar os campos”.

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Espanha critica "cumplicidade
silenciosa" em crise climática e
reclama do Brasil
Reuters ,

 A Espanha criticou a “cumplicidade silenciosa” de algumas


nações com a crise ambiental global, disse que a cúpula da
Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, que o
país sediará, não pode ser tratada como uma “feira de
negócios” e afirmou que não tem sido fácil lidar com o Brasil
sobre o tema nos últimos anos. 

Diante dos incêndios florestais que ardem dos Estados Unidos


à Austrália e das inundações na Europa, todos ligados à
mudança climática, aumenta a pressão pública para que
governos encontrem soluções urgentes na cúpula da ONU em
Madri entre os dias 2 e 13 de dezembro. 

VALE LEMBRAR DO CLIPPING

É importante que o candidato ao CACD saiba o desenrolar


da COP 21, marco no sistema internacional de mudança
climática. A COP 22, realizada em Marraquexe em 2016,
teve como principal tema as regras de implementação do
Acordo de Paris. Em 2017, a COP 23 foi sediada em Bonn e
centrou-se nos entendimentos sobre a relação entre o Fundo
de Adaptação do Protocolo de Quioto e o Acordo, bem como
deu continuidade às discussões da COP anterior. Por fim, a
Conferência das Partes de 2018 ocorreu em Katowice,
Polônia. Na COP 24 aprovou-se, por unanimidade, o
Programa de Trabalho do Acordo de Paris, um guia de
implementação do tratado que possui diretrizes para a os
compromissos individuais dos países, incluindo
monitoramento, revisão, adaptação dos países, entre
outros. 

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A ministra da Energia interina da Espanha disse à Reuters que


os delegados precisam combinar entusiasmo com propostas
críveis para implantar o pacto de Paris sobre o limite de
emissões e que sejam suficientes para limitar o aumento das
temperaturas a 1,5-2 graus Celsius acima dos níveis pré-
industriais. 

“Isto não é uma feira de negócios, uma exibição de quem está


fazendo mais, trata-se de consolidar o que está feito para se
poder fazer mais”, disse Teresa Ribera em seu ministério em
Madri. 

“Infelizmente, aqueles que fazem progresso são mais


criticados do que as pessoas que silenciam”, disse a ministra
de 50 anos, que comandou o Instituto de Desenvolvimento
Sustentável e Relações Internacionais, sediado na França,
antes de assumir a pasta no governo do socialista Pedro
Sánchez. 

“A pior coisa em uma situação como a nossa é a cumplicidade


silenciosa. E ela está em toda parte.” 

Para frustração dos ativistas ambientais e muitos cientistas,


existe uma discórdia nos altos escalões globais a respeito das
causas e soluções do aquecimento ambiental. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a


retirar os EUA do Acordo de Paris, e o presidente Jair
Bolsonaro vem sendo criticado pela aceleração da destruição
da floresta amazônica. 

“Não tem sido fácil trabalhar com o Brasil neste assunto em


anos recentes”, admitiu Ribera, alertando que perder a
cobertura vegetal da Amazônia seria uma “bomba de
carbono” para o mundo. 

“Mas as coisas estão mudando, e existe uma reação com a


qual precisamos trabalhar.” 

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A China, a maior emissora de carbono do mundo, não fez
nenhum comunicado contra o Acordo de Paris, mas está
reativando projetos de novas usinas a carvão, disse ela.

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Trump issued direct order to halt
disciplining of Navy Seal Edward
Gallagher
the Guardian , Julian Borger

Donald Trump issued a direct order to halt disciplinary


measures against a Navy Seal officer accused of war crimes in
Iraq, the US defence secretary has revealed. 

Mark Esper said the president gave him an instruction on


Sunday for Navy Chief Petty Officer Edward Gallagher to retain
his right to wear the Trident pin, the insignia of the elite Navy
Seal unit, reversing a demotion by a navy disciplinary board. 

However, Esper added, Gallagher would retire at the end of


the month. 

Trump defended his decision on Monday, describing Gallagher


as a “warrior” and claiming he had been treated unfairly
compared to other soldiers who had deserted or disclosed
military secrets. 

Gallagher was acquitted of a murder charge related to the


2017 stabbing of an Isis militant in Iraq, but was found to have
posed for a “trophy” photo with the corpse. Trump had called
for him to retain his Trident pin on Twitter, and Esper
confirmed that the tweet was followed a formal order. 

While taking responsibility for carrying out Trump’s


instructions for Gallagher to avoid disciplinary action, Esper
signalled he was uneasy with the decision, saying he would
prefer not to have been put in the situation. 

“The president is the commander-in-chief. He has every right,


authority and privilege to do what he wants to do,” Esper told
journalists on Monday. “If folks want to criticize anyone at this
point for reaching down into administrative processes, simply

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blame me. I’m responsible at this point. It’s not where I prefer
to be but I’ll own it.” 

Esper also defended his decision to fire the navy secretary,


Richard Spencer, on Sunday, after Spencer had resisted
pressure from Trump to intervene in the Gallagher case. 

Conservative commentators on Fox TV, one of Trump’s main


sources of information, have portrayed Gallagher as a victim
of injustice. One of the Navy Seal’s lawyers, Marc Mukasey,
also works for the Trump Organization, the president’s
business empire, CNN reported. 

In a letter released on Sunday, Spencer pointedly did not


resign, saying instead: “I hereby acknowledge my
termination,” adding: “I no longer share the same
understanding with the commander-in-chief who appointed
me, in regards to the key principle of good order and
discipline.” 

Esper said that Spencer had threatened to resign if Gallagher


was not disciplined, but that he later found out that the navy
secretary had tried to make a deal with Trump over the case, in
conflict with the agreed position of the Pentagon, and without
telling Esper. 

“Chairman [of joint chiefs of staff] Milley and I were completely


caught off-guard by this information, and realized that it had
undermined everything we had been discussing with the
president,” the defence secretary told journalists. 

“I lost trust and confidence when I found that this secret


proposal was happening …… that he was willing to undermine
this process.” 

It was reported in the Washington Post on Sunday that


Spencer had proposed to Trump an arrangement by which
Gallagher would retire at the end of the month with a
honourable discharge and his Trident pin, avoiding presidential
interference in the Seal disciplinary review process. It is the
same outcome that Esper announced on Monday. 

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When a reporter suggested it made no sense for Spencer to
try to make a deal for Gallagher to keep his pin, but threaten to
resign if that happened, Esper agreed.

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Texto indicado pela professora Gilda
Gama: L’OTAN EST MORTE MAIS
L’EUROPE EST MALADE
iris-france.org , Frédéric Mauro

"Bonjour, pessoal! 

Após declaração dada pelo presidente Emmanuel Macron


em entrevista ao The Economist, na qual declara que a
OTAN padece de "morte cerebral", muito se falou e pouco se
esclareceu sobre o futuro da aliança. O texto que
recomendo para leitura nessa semana aborda o tema e lhe
dedica um olhar mais amplo: a crise da OTAN e a segurança
da Europa.

Bonne lecture!"

La vérité est parfois insupportable à regarder. C’est pour cela


que les peintres de la Renaissance la représentaient sous
l’allégorie d’une femme nue, la pudeur commandant que l’on
détourne le regard. Que l’on songe au célèbre tableau de
Botticelli, la calomnie d’Apelle, dans lequel le roi Midas empêché
de regarder la vérité, prête ses oreilles d’âne à l’ignorance, au
soupçon, à la flatterie et la fraude. Et c’est bien parce qu’elle
contient une grande part de vérité que la déclaration
d’Emmanuel Macron sur la « mort cérébrale » de l’OTAN est
insupportable à beaucoup d’oreilles. Pourtant, cette
déclaration soulève deux questions essentielles que l’on aurait
tort de ne pas affronter.

L’OTAN est-elle morte définitivement ?

Sur la forme, d’éminents experts l’ont dit avant le président,


Jacques Attali et Pascal Boniface pour ne citer qu’eux. Mais un
chef d’État n’est pas un analyste, simple spectateur du monde
qui l’entoure. Fallait-il que lui le dise ? On peut en débattre à
l’infini.

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Sur le fond que faut-il en penser ? L’OTAN est une alliance
militaire et, comme toutes les alliances militaires depuis la Ligue
de Délos, elle puise sa raison d’être dans l’unité de ses
membres — faire ensemble ce qu’on ne peut faire tout seul —
et sa force dissuasive dans sa crédibilité : l’attaque contre un
membre vaut attaque contre tous. Quelle est la crédibilité de
l’OTAN ? C’est celle de la parole des États-Unis à défendre les
membres européens. Y compris le Monténégro. Si le moment
de vérité arrive, la crédibilité ultime de l’Alliance dépendra de ce
qui se passera sous un seul crâne : celui du Président des
États-Unis. Quelle est cette crédibilité depuis que Donald Trump
est au pouvoir ? Objectivement, elle a beaucoup souffert. C’est
lui, pas Macron, qui a dit que l’OTAN était obsolète. C’est lui,
pas Macron, qui a mis en doute l’article 5. Et c’est encore lui
qui a dit que l’Union européenne était un ennemi commercial
des États-Unis. Peut-on rester alliés militaires en étant ennemis
commerciaux ? Les dirigeants européens ont fait l’autruche et
se sont dit que ce n’était qu’un mauvais moment à passer.

Mais en octobre dernier, en Syrie, un État membre de l’OTAN,


la Turquie, a menacé la sécurité des Européens, et les a même
menacés tout court, à cause d’une situation causée par un
autre État membre de l’OTAN : les États-Unis. Cela a ébranlé
jusqu’à la base l’unité et la crédibilité de l’Alliance. D’autant que
Donald Trump s’est réjoui du fait qu’il était à 11 000 km de la
Syrie. Tallinn n’est pas tellement moins loin. Comme si cela ne
suffisait pas, Donald Trump a déroulé le tapis rouge à M.
Erdogan à Washington, déclarant qu’il était un « big fan » du
président turc. Que faudrait-il de plus pour prononcer la mort
clinique de cette alliance aujourd’hui ?

Certes, les forces américaines en Europe sont toujours là.


Leur nombre a même augmenté. Mais leur pouvoir dissuasif
ressemble à celui du mur de Berlin avant sa chute. Fort et
puissant extérieurement, il peut s’effondrer du jour au
lendemain. Car si Donald Trump peut trahir les Kurdes après
un coup de fil avec Erdogan, pourquoi ne trahirait-il pas les
Lituaniens après un coup de fil avec Poutine ? Qui peut croire
qu’il sacrifierait Mar-A-Lago pour sauver Vilnius ?

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On peut toujours dire que les mots d’Emmanuel Macron sont
mal choisis. Qu’il eût mieux valu parler d’arrêt cardiaque, ce
qui suppose que l’on peut réanimer le patient. Ou que l’Alliance
va mal alors que l’OTAN va bien. Mais on joue sur les mots. Le
fait est que l’Alliance est à l’agonie et ceux qui prétendent le
contraire ne font que détourner le regard. Ce sont des
somnambules.

Est-ce définitif ? C’est ça la vraie question, car l’Alliance a déjà


traversé maintes crises et s’en est toujours sortie.

L’Europe est-elle capable de se défendre seule ?

Encore faut-il savoir contre quoi. La seule menace imminente


contre l’Europe est celle exercée de la Turquie dans les eaux
territoriales chypriotes, donc européennes. Que va faire
l’Union ? L’autruche encore ? Pourtant, elle a de quoi se
défendre. Ce qui lui manque c’est la volonté.

Pour tous les Européens du Nord et de l’Est la seule menace


qui compte est celle d’une attaque conventionnelle russe dans
la trouée de Suwalski. Et techniquement il faut reconnaître que
les forces européennes auraient du mal à faire face sans les
forces américaines. Mais attention à ne pas rejouer les batailles
de la guerre froide, qui de surcroît n’ont pas eu lieu ! Et
arrêtons de nous mentir. Si nous avons peur d’un pays dont le
PIB est celui de l’Espagne et qui dépense pour sa défense cinq
fois moins que les vingt-huit membres de l’Union ensemble,
c’est bien que le problème n’est pas dans le volume des
dépenses, mais dans leur structure. Tant qu’ils n’intégreront
pas leurs outils militaires et leurs processus de décision, les
Européens seront impuissants face à des États unitaires
déterminés et bien organisés. L’absence d’intégration et
l’absence de volonté sont les deux maladies dont souffre la
défense européenne. D’autant que si la Russie s’en prend à
l’Europe ce sera sur d’autres champs de bataille que la plaine
germano-polonaise : le cyber, l’espace politique et électoral,
l’espace tout court, et par d’autres moyens, comme par
exemple en dominant les perceptions ou en donnant de
l’argent à des leaders politiques, comme en Italie. Réveillons-
nous ! La guerre avec la Russie a déjà commencé et ce n’est

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pas celle qu’on croit. Son but est de briser l’unité des
Européens, pas d’envahir la Lituanie.

Malheureusement, les Russes ne sont pas les seuls. Il y a aussi


les Chinois et surtout… Donald Trump. Ce Président est celui
qui s’en prend le plus activement à l’unité de l’Europe. Il
incarne l’image inversée de la pensée d’Eisenhower, de
Kennedy et de Reagan qui voyaient dans l’Europe non pas un
compétiteur, mais un partenaire. C’est extrêmement
dérangeant car l’unité européenne s’est fait aussi grâce aux
Américains et nous avons à leur égard une immense dette de
reconnaissance.

Aujourd’hui cette reconnaissance ne doit pas nous aveugler.


Une bascule de vent s’est produite. Il est temps que les
Européens prennent leur destin en main. Pas seulement en
paroles, mais en actes. Et surtout qu’ils ne laissent personne
s’emparer de leur trésor le plus précieux : leur unité. United
we stand, divided we fall.

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La petición para incluir a los cárteles
mexicanos en la lista de terroristas
aumenta la tensión con EE UU
EL PAÍS , Pablo Ferri

Por tercera vez en pocos meses, la posibilidad de que el


Gobierno de Estados Unidos incluya a "los cárteles" mexicanos
en su lista de organizaciones terroristas ha tocado tierra en la
política binacional. Un integrante de la familia LeBarón, Bryan
LeBarón, registró el domingo una petición en la web de la Casa
Blanca en este sentido, inaugurando una campaña mediática a
ambos lados de la frontera. El objetivo es exigir justicia al
Gobierno mexicano por el asesinato de sus familiares. Justicia
por la matanza de tres mujeres y seis niños a manos
supuestamente de un grupo criminal en Sonora hace tres
semanas. 

En varias entrevistas radiofónicas mantenidas este lunes en


Ciudad de México, Julián LeBarón, uno de los voceros de la
familia, ha explicado que la petición es producto de la violencia
generalizada que sufren amplias regiones de México y las
consecuencias de esa violencia, mencionando el caso concreto
de su familia. El lunes 4 de noviembre, presuntos integrantes
de un grupo armado atacaron un convoy de tres camionetas
en que se desplazaban tres mujeres y 14 niños, entre Sonora
y Chihuahua. Las tres mujeres murieron, también seis niños.
Otros cinco resultaron heridos. 

La inclusión de los cárteles, en general, en la lista de


organizaciones terroristas extranjeras del Departamento de
Estado de Estados Unidos es un rumor alimentado desde hace
meses por el entorno del presidente Donald Trump. En marzo,
el propio Trump dijo en una entrevista en el digital extremista
Breitbart que estaba pensando "muy seriamente" incluir a los
cárteles mexicanos en esta lista. Luego, los congresistas Mark
Green y Charles Roy pidieron formalmente que se tomara esta
decisión a través de una carta al titular del Departamento de
Estado, Mike Pompeo. Después de la matanza, el mandatario

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insinuó que EE UU podía mandar al Ejército al sur de la
frontera. Este domingo llegó el turno de los LeBarón. 

El canciller mexicano, Marcelo Ebrard, se ha referido este lunes


al asunto, rechazando toda intromisión del país vecino. "El
tema de narcoterrorismo tiene una implicación jurídica,
considerando que los actos son gravísimos, pero tiene un
impacto jurídico internacional. Es inconveniente e innecesario". 

La cuestión es qué significa cártel para el Gobierno de Estados


Unidos, a cuales incluiría en su lista y qué consecuencias
tendría. La doctora Iliana Rodríguez Santibáñez, profesora e
investigadora del TEC de Monterrey, dice que Estados Unidos
debería primero definir justo esto. "Se tendría que buscar a
qué cartel incluir. Porque no todos los grupos criminales
generan terrorismo. Cuando Al Qaeda empieza a
fragmentarse, surgen agrupaciones, pero no todas fueron
incluídos en la lista". 

Para Rodríguez Santibáñez, el problema de incluir


organizaciones criminales mexicanas en esta lista radica sobre
todo en las consecuencias económicas. "La repercusión es
económica, en materia de inversión y congelamiento de
activos", explica. "No es cosa de una intervención directa, eso
no ocurre. Decir que un territorio tiene organizaciones
terroristas es decir que ese estado es incapaz, o sea, que
cuenta con un estado de derecho débil". 

A raíz de las amenazas de Trump, el internacionalista Mauricio


Meschoulam escribía hace unos meses: "El terrorismo, más
que una categoría de violencia, es empleado como etiqueta
política para favorecer, respaldar o impulsar determinadas
agendas (...) El uso de esa etiqueta por parte de Washington
no nos dice nada acerca de si ese cuerpo utiliza o no utiliza el
terrorismo como táctica. Lo único que nos dice es que la Casa
Blanca tiene toda la intención de lanzar una ofensiva en contra
de esa agrupación y el país al que pertenece, lo que puede
incluir desde sanciones económicas, hasta operativos en
países extranjeros". Cuestionado hoy al respecto, Meschoulam
decía que su opinión es exactamente la misma que entonces. 

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En el mismo sentido se expresaba en junio el consultor
internacional Arturo Sarukhán: "En el fondo, una eventual
decisión de esta índole estaría basada tanto en un análisis
perezoso y errado de política pública y de la realidad sobre el
terreno como en buscar la satanización de México y los
mexicanos, eje narrativo de Trump cara a los comicios de
2020". 

Reunión con López Obrador 

Desde la matanza, Julián LeBarón y los familiares de los


asesinados han tratado de buscar una explicación a lo que
pasó. Se mencionó la compra venta de combustible entre
Sonora y Chihuahua, conflictos de tierras, pero ninguna
parecía lo suficientemente importante ante la brutalidad de los
asesinatos. Con el paso de los días, la búsqueda de un motivo,
la perplejidad, dejó paso a la necesidad de soluciones. Más allá
de la detención de los autores, las familias pedían -piden-
acciones contundentes contra los criminales. 

Este lunes, entrevista con la emisora Radiofórmula, Julián


LeBarón decía: "Ninguna persona que tiene liderazgo le puede
pedir a otras personas que se asuman como víctimas. Y como
padres no podemos asumir esa posición". Era un mensaje
claro al presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador,
de que su mensaje, su estrategia contra el crimen, que el
mandatario suele resumir en la frase "abrazos, no balazos", no
les sirve. 

López Obrador recibirá a los LeBarón el 2 de diciembre en


Ciudad de México. Antes, el día 1, Julián ha anunciado que
marcharán por la capital para exigir justicia. Mientras tanto, la
familia acopia fuerzas. Este lunes se han juntado con Javier
Sicilia. Ambos han quedado en colaborar, en "juntar fuerzas",
ha dicho Julián la tarde de este lunes en entrevista. "Va a haber
una marcha grande en enero con todos, queremos unir a toda
la sociedad".

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