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ALEXASNDRO A SILVA

Perseverança:
“A arte de não desistir”

Nossa fé de cada dia


Produções

JATAIZINHO – 2020
Perseverança: “A arte de não desistir”
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Introdução

Gostaria de começar com uma afirmação, o livro


de Atos é um documento fundamentalmente
missionário, conforme lemos no capítulo 1 versos 7-8:
Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer
tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua
exclusiva autoridade; mas recebereis poder, ao
descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis
minhas testemunhas tanto em Jerusalém como
em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da
terra.
O que vale ressaltar neste texto é contraposição de
expectativas, os discípulos apresentam suas
preocupações particulares delimitado um Reino
econômico e político, enquanto que Jesus lhes revela
uma missão mundial, a qual apesar de ter seu início em
Jerusalém, seu alvo era chegar aos confins da Terra, para
que assim o mundo inteiro chegasse ao conhecimento da
Salvação por meio do Evangelho.

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Perseverança: “A arte de não desistir”
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É importante lembrar que a Judéia estava sob


domínio Romano e todo judeu ansiava pela libertação
das suas terras e demais propriedades, livrando-se das
imposições dos impostos estrangeiros e exercendo sua
total liberdade como proprietário legal da região,
estabelecendo assim sua própria forma de governo e
liderança.
Segundo STOTT (1994), “o verbo restaures
mostra que eles estavam esperando um reino político e
territorial; o objeto, Israel, que eles estavam esperando
um reino nacional”, para os discípulos restauração do
reino de a Israel poria ser imediata, pelo menos era a
expectativa. Mas, Jesus os orienta corrigindo essas
noções falsas da natureza, extensão e chegada do reino.
O ideal missionário foi se mostrando com mais
clareza a cada linha que podemos ler no livro de Atos,
revelando uma Igreja comprometida em cumprir o
mandato do Mestre. No entanto, vale ressaltar, o
espantoso e surpreendente detalhe de uma igreja que não
possuía sede, não possuía dinheiro, não possuía
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Perseverança: “A arte de não desistir”
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influência social e grande parte de seus membros eram


iletrados, pobres ou escravos; mas, aprove a Deus usar
as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias1
(1 Co 1.27-29), pois foi esta igreja que crescia em
número e expansão, começando em Jerusalém, depois
por toda Judeia, Samaria, chegando aos rincões mais
distantes do mundo. Este foi um dos principais temas
estudados pelo bispo Lesslie Newbigin:
A igreja é o povo peregrino de Deus. Ela está em
movimento, correndo para os cantos da terra
para implorar que todos os homens se
reconciliem com Deus, correndo para o final dos
tempos para encontrar o seu Senhor que reunirá
a todos ... Ela não pode ser entendida
corretamente, exceto sob uma perspectiva ao

1
...pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para
envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para
envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do
mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a
nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de
Deus. 1Coríntios 1.27-29

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Perseverança: “A arte de não desistir”
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mesmo tempo missionária e escatológica.


(Newbigin apud STOTT, 1994, p.43).
Como lemos em Atos 2.47, “acrescentava dia a dia
os que iam sendo salvo”. Talvez a pergunta que não quer
calar seja: Como um povo simples e singelo alcançou
virtuoso crescimento com tão pouco recurso? A resposta
não é tão fácil, porém cremos em algumas questões
importantes, por exemplo: A Igreja pertence ao próprio
Deus e seus crescimento e estabelecimento é desejo do
próprio Deus; A Igreja caminhava no poder do Espírito
Santo, “quando vier sobre vós o Espírito Santo sereis
minhas testemunhas” (Atos 1.8), em outras palavras ela
é capacitada pelo Espírito para fazer a vontade de Deus
na Terra; e uma terceira tese que desejamos apresentar é
que a Igreja é o ambiente onde Deus quer reunir todos
os povos, conforme registrado no livro do Apocalipse
5.7-10:
Digno és (o Cordeiro) de tomar o livro e de abrir-
lhe os selos, porque foste morto e com o teu
sangue compraste para Deus os que procedem de
toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso
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Perseverança: “A arte de não desistir”
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Deus os constituíste reino e sacerdotes; e


reinarão sobre a terra.
Neste sentido, STOTT faz sua reflexão sobre a
missão da Igreja movida pelo Espírito Santo:
O reino de Deus, mesmo não sendo incompatível
com o patriotismo, não tolera o nacionalismo
estreito. Ele domina sobre uma comunidade
internacional em que raça, nação, posição e sexo
não são barreiras para a comunhão. E quando o
seu reino for consumado no final, a inumerável
multidão dos remidos será recolhida de "todas as
nações, tribos, povos e línguas". (1991, p.46)

Para que isso aconteça é necessário que a Igreja de


hoje continue a obra dos primeiros cristãos, pregando o
Evangelho e cumprindo seu chamado missionário. Uma
vez que compreendemos o cerne missionário do Livro
de Atos dos Apóstolos, podemos agora nos aplicar a
compreender a importância de uma Igreja
Perseverante, afinal, será essa que irá viver a vontade
de Deus e fará de maneira plena o seu querer no mundo.
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Leiamos o texto de Atos 2.42: E perseveravam na


doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do
pão e nas orações.
Ao comentar este texto, John Wesley escreveu: “E
eles continuaram firmes – De modo que a comunhão
diária da Igreja deles consistia naquelas quatro
particularidades: 1. Ouvir a Palavra; 2. Ter todas as
coisas em comum; 3. Receberem a Ceia do Senhor; 4.
Orar”, assim, ao cumprir e perseverar neste propósito
mostram onde os verdadeiros cristãos se encontram, pois
são estas características que os revelam!
A palavra perseverança tem uma importante
função neste texto, a qual pode ser definida da seguinte
maneira: qualidade de quem não desiste com facilidade;
que persiste; particularmente, gosto de conceituar
perseverança como sendo “a arte de não desistir”, pois
juntamente com o tom poético nos mostra que
perseverar não é apenas repetir, mas continuar de forma
inspirada e dedicadamente o propósito que temos diante
de nós.
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Perseverança: “A arte de não desistir”
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Por sua vez, a tradução da Bíblia mais conhecida


e usada no mundo, King James Bible traz a expressão
“continued stedfastly” (continue firmemente). Desta
maneira, não se refere a uma prática repetitiva,
mecânica, mas algo que se deve continuar fazendo e se
aplicando em fazer de forma dedicada e motivada o
exercício da fé cristã, seja no aprendizado e na vivência
da doutrina dos apóstolos e comunhão com os irmãos,
seja no compartilhar do pão e nas orações pessoais e da
comunidade cristã a qual pertencemos.
FABRIS (1991), comentarista bíblico, afirma o
seguinte sobre a perseverança de Atos 2.42, diz ser o
elemento fundamental que qualifica a comunidade, a
qual manifesta-se como fidelidade da Igreja ao Senhor.
Em outras palavras, a perseverança é a marca
comportamental de dedicação constante e
comprometimento dos cristãos advindos do dia de
Pentecostes (Atos 2.1ss).

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Para John Stott, o que está registrado em Atos


2.42-47 são evidências das marcas de uma Igreja cheia
do Espírito Santo:
O que aconteceu no Pentecoste foi que o
remanescente do povo de Deus tornou-se o
corpo de Deus cheio do Espírito. Quais foram,
então, as evidências da presença e do poder do
Espírito Santo? Lucas descreve-as para nós. E
perseveravam na doutrina dos apóstolos e na
comunhão, no partir do pão e nas orações. (1994,
p.86)

Portanto, fica-nos o desafio da perseverança, não


só pelos desafios que temos hoje, como também pela
herança que recebemos dos nossos irmãos do passado,
pois a Igreja de Cristo só chegou até nossos dias pela
dedicação e empenho daqueles que não desistiram
pagando um alto preço, muitas vezes de sangue, para que
o Evangelho salvador de Cristo se mantivesse vivo e
eficaz para transformação de vidas, para transformação
do mundo, apontando para o caminho, para a verdade e
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para a vida, Cristo, Aquele que morreu e ressuscitou para


nos conduzir a eternidade com o Pai, lavando-nos de
todo pecado e enchendo-nos com seu Espírito Santo.

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Aprendendo através dos exemplos

É sempre bom aprendermos diante de exemplos.


Fica tudo mais claro para nós, mas os exemplos nem
sempre são bons, e apesar disso, ainda assim têm o que
nos ensinar. Por outro lado, como é bom nos depararmos
com história de vida que desperta em nós o desejo de
sermos parecidos, de vivermos o que já foi vivido por
alguém em tempos anteriores.
Passaremos a compartilhar algumas situações
registradas na Palavra de Deus, as quais nos trazem
grandes e profundos ensinamentos nos ajudando a viver
a perseverança de propósito na vida como cristãos que
somos.

O povo e o deserto

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Perseverança: “A arte de não desistir”
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Pense em como seria diferente a história daqueles


que foram libertos do Egito, conforme relata o livro do
Êxodo, mas a sua falta de consistência, sua falta de fé e
entendimento quanto ao propósito e ao chamado de
Deus para eles o fizeram desistir, e mesmo caminhando
por 40 anos no deserto não alcançaram a Terra
Prometida.
É difícil compreendermos como aqueles que
experimentaram das coisas sobrenaturais não
compreenderem, ou mesmo, no se submeterem ao
propósito de Deus, veja que o autor de Êxodo se refere
ao povo como gente de “duras cerviz” (Êx 32.9).
Eles presenciaram os manifestações poderosas de
Deus por meio das pragas, viram o Mar Vermelho se
abrir e engolir o exército de Faraó, experimentaram da
água nascente da rocha, do pão do céu e se alimentaram
das codornizes enviadas pelo Senhor, no entanto,
endureceram o coração, se rebelaram, e cometeram a
afronta dizendo que o Deus Libertador os libertou para
morrerem no deserto, como lemos em Êxodo 14.11:
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Perseverança: “A arte de não desistir”
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Será, por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste


de lá, para que morramos neste deserto?
Uma das principais lições que podemos aprender
com o relato do deserto é que Deus usa o deserto para
tratar profundamente o caráter do seu povo. Quando
somos experimentados no deserto revelamos nossa
natureza, revelamos nossas fraquezas, apresentamos
sem máscaras quem realmente somos, bem como
enxergamos o tamanho da nossa fé.
Foi no deserto que o povo recebeu e rejeito a Lei
de Deus. Moisés permaneceu 40 dias e 40 noites para
aprender e ter acesso as Tábuas da Lei, e logo depois as
quebrou, mas pela misericórdia do Senhor as obteve
novamente para que fossem a instrução de Deus aos seu
povo. O Senhor nos dá o ensino para não precisar nos
disciplinar, mas ao rejeitarmos o ensino sobra-nos a
disciplina.
Isso nos faz lembrar de muitos que hoje vivem
numa grande aridez espiritual, com uma condição de
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vida tão precária, e ainda assim permanecem com um


coração endurecido, amargurado, entristecido. Não
importa quanto sermões ouvem nada muda, e nada
mudará, pois o que nos faz mudar de condição não é
somente o ouvir, mas sobretudo o praticar da Palavra do
Senhor:
“Mas aquele que considera, atentamente, na lei
perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não
sendo ouvinte negligente, mas operoso
praticante, esse será bem-aventurado no que
realizar.” (Tg 1.25)
Ser operoso praticante, é também expor o quanto
há em nós a disposição de crer confiantemente no
Senhor, quanto há em nós a disposição de continuar a
despeito das adversidade que nos cercam, lembrando
que o que acontece conosco, as provações que chegam
até nós, também passa na vida de muitos de nossos
irmãos:
Amados, não estranheis o fogo ardente que surge
no meio de vós, destinado a provar-vos, como se
alguma coisa extraordinária vos estivesse
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acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na


medida em que sois co-participantes dos
sofrimentos de Cristo, para que também, na
revelação de sua glória, vos alegreis exultando.
(1Pe 4.12-13)
Ao exortar os irmãos, Pedro Apóstolo, apresenta-lhes
algo maior e mais importante que o sofrimento, o qual é
momentâneo, passageiro, pois os olhos dos crentes
devem sempre permanecer no que há de vir, na glória
futura, na eternidade, na morada celestial. Certa vez
estava ouvindo uma pregação de um Pastor chinês onde
compartilhava algumas coisas que estão distantes dos
cristãos brasileiros, uma vez que ele se referia a dura
perseguição que os irmãos passavam em determinadas
regiões onde pastoreava, dizia: sabemos que vamos
morrer. Todos morreremos um dia, o que podemos
decidir é se morremos servindo ao Senhor ou não. Nós
décimos morrer servindo ao Senhor. Num primeiro
momento parece assustador, mas faz todo sentido, pois
servir ao Senhor é uma escolha que não admite
retrocessos, como nos lembra o autor aos Hebreus (12.1-
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Perseverança: “A arte de não desistir”
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2): desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que


tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a
carreira que nos está proposta, olhando firmemente
para o Autor e Consumador da fé, Jesus (...)
Não precisamos perecer e morrer nos desertos da
vida, há uma Terra Prometida para nós, sigamos para ela
com perseverança, como canta o hino: Céu, lindo céu2.

Daniel e a perseverança do Jejum

O jejum é uma das práticas mais comuns da


vivência cristã, porém, isso não significa que seja fácil,
nem tão pouco que todos os cristãos jejuam. Hoje se
esmiúça o jejum e se pode encontrar as mais variadas
estratégias para se cumprir este propósito, onde uns se
abstém de alguma coisa que gosta, outros deixam de

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Hino nº580 do Hinário para o Culto Cristão.
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Perseverança: “A arte de não desistir”
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fazer uma refeição ou apenas de um tipo de alimento.


Seja como for jejuar é um exercício devocional que
acrescenta muito na vida e maturidade cristã.
Pense em Daniel, grande homem de Deus! Ele foi
fiel ao seu propósito de jejum, não se deixando
desfalecer e se entregando as fraquezas de seu corpo
físico. Cabe fazermos uma ressalva importante: Daniel,
diferente de muitos em nossos dias, não se propôs jejuar
por 21 dias, ele se propôs jejuar até alcançar a resposta
de Deus para que a revelação do Senhor fosse completa
em sua vida. Alguns dizer que o jejum parcial de Daniel
se deu em virtude de suas atividades na corte, pois caso
jejuasse de forma total seu corpo não resistiria as
demandas de trabalho.
No entanto, o que mais importa, é sabermos que
ele foi perseverante aos pés do Senhor, chegando aos 21
dias de abstinência dos manjares, se assim não fosse,
certamente não receberia a resposta divina as suas
orações. Veja o que o anjo do Senhor lhe disse:

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Perseverança: “A arte de não desistir”
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Então, me disse: Não temas, Daniel, porque,


desde o primeiro dia em que aplicaste o coração
a compreender e a humilhar-te perante o teu
Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por
causa das tuas palavras, é que eu vim. Mas o
príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte
e um dias; porém Miguel, um dos primeiros
príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive
vitória sobre os reis da Pérsia. (Dn 10.12-13)
O que lemos da experiência de Daniel foi o fato de
que sua oração havia sido ouvida desde o primeiro dia,
mas havia uma grande batalha no mundo espiritual que
tentava de todas as formas impedir a resposta de Deus
de chegar até ele. A mensagem que nos fica é para que
perseveremos até alcançar o que temos buscado do
Senhor. Há respostas que demoram mais, mas não
significa que Deus não tenha ouvido, e sim, significa que
você deve persistir. Não desista até ouvir a Palavra que
vem de Deus como resposta as suas orações. Daniel
perseverou, nós também devemos perseverar!

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Perseverança: “A arte de não desistir”
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Há batalhas em que se alcança vitória somente


com oração e jejum. Jesus disse, se referindo a libertação
de um endemoninhado que ele só seria liberto por meio
da oração e do jejum. Há, portanto, vitórias em que a luta
será acirrada e por isso temos, assim com o Daniel, usar
o recurso do jejum perseverante até que o Senhor nos
conceda a vitória. Não desista, persista!

Jesus: o deserto, o Jejum, a tentação e a


perseverança

É impossível pensar sobre este tema, perseverança


e não lembramos de Jesus, principalmente, pelo fato
apresentado na Epístola aos Hebreus, onde diz que Ele
“aprendeu a obediência por aquilo que sofreu” (Hb 5.8).
Há duas situações que nos fazem lembrar do Mestre e
como seu exemplo de vida nos motiva a uma vida de
perseverança.
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A primeira foi a vivência do jejum de 40 dias no


deserto. O texto bíblico relatado por Mateus no cap. 4.1-
11, diz que por todo aquele tempo ele não comeu e,
consequentemente, teve fome e foi tentado pelo Diabo.
Aqui temos um ensinamento precioso e importante, pois
quando nos lançamos a um propósito diante de Deus,
inevitavelmente seremos tentados, não pela
obrigatoriedade de jejuarmos 40 dias como Jesus fez,
mas seremos tentado pelo Diabo a desistir de qualquer
coisa que se refira a vontade de Deus, a dedicação a Ele,
a obediência a Sua vontade.
Neste sentido, lembremos de que assim como
Jesus foi tentando e se manteve firme, perseverante,
diante de Deus, foi por Ele também honrado como relata
Mc 1.12-13:
Logo depois o Espírito Santo fez com que Jesus
fosse para o deserto. Jesus ficou lá durante
quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Ali

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havia animais selvagens, e os anjos cuidavam de


Jesus. (Mc 1:12-13)3
O que mais chama atenção é o fato de que, sendo
Jesus levado pelo Espírito Santo ao deserto, lá ele teve
fome, foi tentado pelo Diabo e estava cercado por
animais selvagens, mas sobretudo, a questão foi que sua
fidelidade ao propósito de se submeter a direção do
Espírito, os anjos cuidavam dele e o serviam. Persistir
na vontade de Deus continua sendo a melhor opção.
A segunda situação onde há grande ensinamento
de Jesus no que diz respeito a disposição em perseverar
se dá na passagem do Monte das Oliveiras, onde depois
de ter ceado pelo última vez om os discípulos, todos
subiram ao monte, e chamando Pedro, João e Tiago para
orarem com Ele, se derramou diante do Pai, transpirando
gotas de sangue, segundo escreve Lucas o Evangelista:
E, estando em agonia, orava mais
intensamente. E aconteceu que o seu suor

3
Disponível em: https://my.bible.com/bible/211/MRK.1.12-13

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se tornou como gotas de sangue caindo


sobre a terra. (Lc 22.44)
Neste instante, a pesar da companhia do trio de
apóstolos, os quais não podiam dominar a sonolência
que os acometia, Jesus estava numa batalha pessoal,
contra a qual não lhe dava conforto, mas a situação de
tensão e estresse era tamanha que gostas de sangue lhe
fluíram dos poros.
Cremos que há situações em que a solução parece
não chegar, noites longas em que o dia não vem, e somos
tomadas e um grande desespero, onde chorar é o único
recurso. Nessa horas de dor profunda, somos desafiados
a crer mais, a nos entregar mais, a orar no mais profundo
do nosso intimo. Assim procedeu Jesus naquele noite
mais terrível de sua vida, foi neste contexto de grande
sofrimento que o Senhor, nosso Salvador orou ao Pai
dizendo:
Pai, se queres, passa de mim este cálice;
contudo, não se faça a minha vontade, e
sim a tua. (Lc 22.42)
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Esta oração deve ser o modelo da oração cristã.


Cada vez que chegarmos a presença de Deus para
derramarmos nossa alma, nossas lágrimas, que no final
sempre seja: “faça-se a tua vontade”. Em dias como os
nossos, onde o discurso triunfalista prevalece, onde a
negação da angústia é obrigatória, onde se ensina apenas
a orar dizendo “venha o teu reino” e se esquecem de
ensinar que na mesma oração também está a afirmativa
“seja feita a tua vontade assim na terra como céu”. Em
dias como esses, precisamos aprender a nos submeter a
vontade do Pai, ao tempo do seu agir, a hora do seu
mover, e sermos corajosos ao ponto de dizer como os
amigos de Daniel ante a fornalha:
Se o nosso Deus, a quem servimos, quer
livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo
ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica
sabendo, ó rei, que não serviremos a teus
deuses, nem adoraremos a imagem de ouro
que levantaste. (Dn 3.17-18)

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Reflexões finais

Diante do que compartilhamos até aqui,


gostaríamos de ressaltar algumas questões importantes,
as quais valem a pena pois nos ajudam quanto a vivência
cristã mais aprofundada sobre as bases da
perseverança.
A primeira é, lembre-se, há um chamado
missionário para Igreja de Cristo, e ao fazermos parte da
Igreja devemos entender que também estamos
envolvidos nesta missão. Chegar até aos confins da terra
para proclamar, Jesus o Salvador, também é uma
vocação pessoal; pode até ser que não saiamos nunca da
cidade onde habitamos hoje, mas podemos nos envolver
com a obra missionário por meio da intercessão e das
ofertas e doações.
A segunda questão tão importante quanto a
primeira é, a única forma de vivermos a vontade de Deus
é sendo perseverantes. A Igreja que cumpri a missão é
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Perseverança: “A arte de não desistir”
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uma Igreja perseverante em fazer a vontade de Deus.


Devemos nos inspirar e seguir os exemplos de Daniel e
de Jesus, sempre cuidando para não incorrer no erro
daqueles que morreram no Deserto.
Que os desertos da vida sejam apenas uma
maneira de mostrarmos a Deus o quanto estamos
dispostos em permanecermos firmes em seu propósito e
o quanto estamos desejosos em fazer conforme a sua boa
vontade que opera em nós! Deus abençoe sua vida.
PERSEVERE hoje e sempre!
A Bíblia está repleta de exemplos e ensinamentos
que nos desafiam a perseverança, como lemos na
Epístola de Tiago: Mas aquele que considera,
atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela
persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso
praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.
(Tg 1.25). O segredo para a tão almejada felicidade e o
sucesso está em perseverar na Lei de Deus, ou seja, em
fazer a sua vontade.

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Paulo em sua Epístola aos Colossenses vai nos


escrever: Perseverai na oração, vigiando com ações de
graças (Col 4.2). Isso significa que não devemos
abandonar as prática devocionais e a praticarmos com
um coração grato a todas as coisas, lembrando de que,
para o verdadeiro cristão, é a perfeita vontade de Deus
acontecendo mesmo nos dias de “tempestade” (1Ts
5.18), bem como, todas as coisas cooperam para o bem
daqueles que amam e são chamados segundo o seu
propósito de Deus, ainda que tais coisas não sejam as
melhores ou as mais esperadas (Rm 8.28-29).
Jesus nos deixou um linda lição ao usar a
singeleza da vida agrícola, explicando sobre a semente
que caiu em boa terra a qual produz em abundância, faz
tal referência dizendo que ela frutifica na perseverança,
e é da mesma feita que devemos nós também proceder:
a (semente) que caiu na boa terra são os que, tendo
ouvido de bom e reto coração, retêm a palavra; estes
frutificam com perseverança. (Lc 8.15)

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Perseverança: “A arte de não desistir”
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Na segunda Epístola a Timóteo aprendemos


algo precioso, pois está escrito que é em nossa
perseveranças em Cristo que nos garantirá também
que com Ele haveremos de reinar, veja: Fiel é esta
palavra: Se já morremos com ele, também viveremos
com ele; se perseveramos, também com ele
reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos
negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de
maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo (2Tm
2.11-13). E para terminarmos esta reflexão não nos
esqueçamos das palavras do Senhor quanto a
salvação: É na vossa perseverança que ganhareis a
vossa alma. (Lc 21.19)
Perseverança é “a arte de não desistir” – não
desista, não pare de crer, os sonhos de Deus jamais
vão morrer. Não desista, não pare de lutar, não pare

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de adorar. Levanta os teus olhos e vê; Deus está


restaurando os teus sonhos e a tua visão!4

4
Canção de Ludmila Ferber – “Os Sonhos De Deus” – gravadora Kairós
Music, 2001.

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