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Curso Profissional de Técnico de Secretariado - CTSOES

 Turma: SE1
 Disciplina: Psicologia e Sociologia
 Módulo: 4 – Sociedade e Indivíduo
 Nº horas do MÓDULO: 24
 Nome do formador: Dionísia Sá
 Contacto de e-mail: dionisiamsa@gmail.com
Interação Social

Conceito e situações
Imaginemos, por momentos, dois jovens que mutuamente se olham,
examinando-se. As interpretações poderão variar, à falta de outros indícios.
Poder-se-á tratar de um olhar agressivo, de competição ou mesmo de
marcação de “território”. Ou, quem sabe, mera curiosidade, por um qualquer
pormenor tido como relevante. Ou, ainda, porque não, um olhar de sedução
incluído num ritual de enamoramento.
Falemos, também em outro registo. Um grupo de adolescentes de uma
escola secundária fala animadamente entre si. Ao mesmo tempo, na
biblioteca da mesma escola, alguns dos seus colegas conversam virtualmente
na internet, no Messenger ou num qualquer chat. A seu lado, outros ainda
enviam mensagens por telemóvel.
Em ambos os casos, falamos de formas de interação social, isto é, dos
mecanismos que os agentes sociais utilizam para comunicar entre si num
determinado tempo e espaço.
As situações formais de interação ocorrem quando os sujeitos que
estabelecem a comunicação desempenham um determinado papel social e
existe todo um conjunto estruturado de normas e regras que rege a interação
(por exemplo, entre um professor e um aluno). Por outro lado, quando os
indivíduos não se conhecem e interagem pela primeira vez, as interacções
tendem também a ser formais, ou seja, reguladas por normas gerais de
educação que interiorizamos desde criança.
As situações informais de interação predominam em todas as situações
de comunicação em que existe proximidade e familiaridade entre os sujeitos:
num grupo de amigos, entre os colegas de escola, na família, etc.
Não há vida social sem interação, ou seja sem comunicação. É através
da comunicação e da linguagem, conjunto de regras e de símbolos
reconhecíveis numa dada sociedade e num dado quadro cultural – que me
reconheço como eu próprio, diferente dos demais, mas em estreito contacto
com eles. Só há identidade através da troca comunicacional, do contacto
contínuo entre os agentes sociais. Como refere Anthony Giddens, “as nossas
rotinas diárias e as interacções nas quais elas nos envolvem com os outros
estruturam e formam aquilo que fazemos”.
Um dos sociólogos que mais estudaram as formas e contextos da
interação foi Erving Goffman, co-fundador da corrente designada por
interaccionismo simbólico. Ao faze-lo elegeu a vida quotidiana e as suas
rotinas como objeto legitimo e fundamental da análise sociológica.
O essencial da sua análise situa-se no estudo dos papéis sociais
enquanto quadros de norma e regras de comportamento no interior das quais

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se exprimem e individualizam as personalidades dos atores sociais, bem como
as expectativas que permanentemente criam a respeito uns dos outros.

Espaço de interação

Existem três entidades fundamentais no estudo do tipo ideal da


interação social, utilizando o modelo dramatúrgico: os dois atores (ou
personagens…) em presença e ainda a audiência ou público. Cada ator tem
como tarefa a gestão da sua apresentação pública, cabendo à audiência o
papel de sancionar ou consagrar essa representação.
A projeção de uma dada impressão e a interpretação dessa impressão
constituem 2 momentos fundamentais no processo de interação. O ator,
mesmo em situação de silêncio não deixa de transmitir uma impressão.
Sabemos como o corpo fala! Fala a indumentária, falam os adornos
(brincos, tatuagens…) falam as posturas, falam os gestos e falam os silêncios.
Nestas situações de comunicação não-verbal, a impressão adquire um
significado acrescido, o que a remete para o seu caráter eminentemente
simbólico.
Em suma, o espaço não é neutro. Pelo contrário, circunscreve e
modelo das interacções, permitindo um maior ou menor número de escolhas
para a ação.

Grupo social
Caraterísticas (interesses e objetivos comuns,
permanência no tempo e estrutura interna)

Quando a interação social entre sujeitos adquire um certa


sistematicidade e ganha um a determinada estrutura, orientação e
enquadramento formal ou mesmo ritual, poderemos estar na presença de
grupos sociais.
Para o sociólogo francês Georges Gurvitch, os grupos são “unidades
coletivas reais, contínuas e ativas.” Tal significa que constituem bem mais do
que meros agregados sociais (conjunto de pessoas que se encontram num
mesmo espaço físico – na paragem de um autocarro, numa sala de aula, de
cinema – sem que, por esse facto se criem laços sociais).
Em suma, o grupo social, apresenta as seguintes caraterísticas:
- é distinto e distintivo – tanto pode ser identificado pelos seus
membros como por elementos exteriores;
- é estruturado – cada elemento ocupa uma posição especifica
relativamente aso demais, através da distribuição de papéis sociais;
- promove interesses, objetivos e valores comuns;
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- equaciona a relação entre meios e fins;
- exerce um maior ou menor controlo social sobre os seus membros,
tendendo para a coesão.
Assim, os grupos têm já um certo nível de consciência coletiva, isto é,
de pertença a um Nós, por oposição, a um Outro. Por isso mesmo, também
são fonte de identidades sociais. Um sujeito sente-se membro de um grupo
por integração (partilha de objetivos, símbolos, rituais) mas, igualmente, por
diferenciação (existem, barreiras físicas ou simbólicas face aos restantes
grupos).

Grupo de pertença e grupo de referência

Entretanto, convém distinguir entre grupos de pertença e grupos de


referência, conceitos propostos pelo americano Robert Merton.
Os primeiros dizem respeito aos grupos em que estamos inseridos e
mais ou menos integrados, devido á classe e contexto social onde nascemos e
vivemos, á família que temos e aos papéis sociais que desempenhamos. No
entanto, frequentemente orientamos os nossos comportamentos não em
função dos objetivos dos grupos a que pertencemos, mas sim em relação á
imagem que possuímos dos grupos de referência a que geralmente não
pertencemos.
Imaginemos o caso de um jovem operário, que trabalha numa fábrica
de calçado do centro do país. O seu salário é baixo, o ambiente de trabalho
pesado e coercivo, a autonomia e a criatividade inexistentes. O seu projeto
de mobilidade social leva-o a identificar-se com grupos de jovens urbanos de
classe média, relativamente escolarizados e com profissões mais qualificadas.
Neste caso, os comportamentos do jovem operário vão orientar-se não no
sentido de grupo de pertença mas sim face às normas e comportamentos
adequados aos tais jovens urbanos de classe média – com implicações na
maneira de vestir, nos gostos musicais, nas opções dos tempos livres e até no
treino de uma nova linguagem.
Merton designou este último processo de socialização por antecipação.
O jovem em questão molda as suas ações de forma a tentar ingressar no grupo
de referência antes mesmo de integrar tal grupo. No entanto, nada garante
que alcance os seus objetivos. Nesse caso, as aspirações não concretizadas
poderão tornar-se fonte de intensos sentimentos de frustração pessoal e
social.

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Papel e estatuto Social
Definição e relação dos conceitos

Importa relacionar os papéis sociais com o lugar que os indivíduos


ocupam na estrutura social e com a própria diferenciação e desigualdade
social.
Dito de outra forma: se eu viver numa zona privilegiada de uma grande
cidade não num território rural profundo; se a minha profissão for altamente
qualificada e bem paga; se eu for homem e não mulher; se eu for ocidental e
não habitante de um pais chamado 3º mundo; se eu possuir escolaridade
superior e não for analfabeto; então a minha margem de manobra para
negociar e selecionar determinados papéis sociais é consideravelmente
superior.
O estatuto social resulta precisamente da avaliação que se faz de um
determinado papel social, em função de variáveis ligadas a estrutura mais
profunda das sociedades, como rendimento, a escolaridade, a ascendência, a
idade, o género, a etnia, a religião, o modo de vida, etc…
De acordo com as épocas e os lugares, muda a importância relativa de
cada uma destas variáveis estruturais.

Estatuto atribuído e Estatuto adquirido

Os estatutos sociais podem classificar-se em duas categorais:


 Estatutos de atribuição ou inatos : o individuo não os controla
já que nasceram com ele (ascendência, género, etnia, etc…);

 Estatutos de realização ou adquiridos: resultam das aquisições


do individuo (escolaridade, profissão, modo de vida…),
condicionadas pelos recursos que dispõe.

A cada estatuto corresponde um papel social, sendo assim estatuto e


papel social conceitos complementares, ou seja só exercemos um papel se
tivermos um estatuto correspondente; e só temos um estatuto se exercermos
um papel correlativo.

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Socialização
Conceito e agentes de socialização

“Entenda-se por socialização a dinâmica da transmissão de cultura, o


processo pelo qual os homens aprendem as regras e as práticas dos grupos
sociais. A socialização é um dos aspectos de toda e qualquer atividade em
toda a sociedade humana. Tal como aprendemos um jogo, jogando-o, também
aprendemos a viver, vivendo. Somos socializados através das próprias
atividades em que participamos.”
Peter Worsley, Introdução à Sociologia

A socialização consiste na interiorização que cada individuo faz, desde


que nasce e ao longo de toda a sua vida, das normas e valores da sociedade
em que está inserido e dos seus modelos de comportamento. Socializar é,
portanto, incutir no individuo os modos de pensar, de sentir e de agir do
grupo em que ele está integrado.
Trata-se de um processo de aprendizagem que permite a integração dos
indivíduos na sociedade. Estes aprendem os modelos culturais vigentes,
assimilam-nos e adotam-nos como seus, tornando-se seres sociais. A
interiorização de normas e valores comuns faz aumentar a solidariedade entre
os membros do grupo e, por isso, a socialização é determinante para a
integração social.

A socialização como um processo

O processo de socialização tem o seu início no nascimento do indivíduo


e termina com a morte. Ou seja, a socialização acontece ao longo de toda a
vida, embora, com intensidades e em contextos diferentes.
Durante a infância ocorre a chamada socialização primária. Nesta fase,
a criança é socializada sobretudo pela família, sendo as aprendizagens mais
intensas, porque biologicamente a criança está preparada para receber e
assimilar grandes doses de informações (muito mais do que em qualquer outra
fase da vida) e porque existe uma forte ligação emocional e afetiva com os
seus agentes socializadores (pais, educadores e outros).
Ao longo deste período são aprendidas coisas tão determinantes como:
 a linguagem;
 as regras básicas da sociedade;
 a moral;
 os modelos comportamentais do grupo a que pertence.

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A socialização secundária é todo e qualquer processo que introduz um
indivíduo já socializado em novos sectores da sua sociedade. Acontece a partir
da infância e em cada nova situação com que nos deparamos ao longo da vida:
na escola, nos grupos de amigos, no trabalho, nas atividades de lazer, nos
países que visitamos ou para onde emigramos; em cada novo papel que
assumimos – aluno, amigo, colega, profissional, turista, pai, avô, reformado –
existe uma aprendizagem das expectativas que a sociedade ou o grupo
depositam em nós, relativamente ao nosso desempenho, assim como dos
novos papéis que vamos assumindo nos vários grupos a que vamos
pertencendo e nas várias situações em que somos colocados.
Em jeito de conclusão, a socialização primária tem um valor
fundamental para o sujeito e deixa marcas muito profundas em toda a sua
vida. Nesta, constrói-se o 1º mundo do sujeito. A criança confia nos adultos
que são importantes para si e nas situações que estes lhe proporcionam. A
socialização secundária assenta, assim, na socialização primária.

A socialização no espaço e no tempo

A socialização é um processo global, contínuo e dinâmico que decorre


ao longo da vida do ser humano.
É por intermédio da socialização que vamos interiorizando normas e
valores que moldam o nosso comportamento às diversas situações do nosso
quotidiano.
Não sendo um ato isolado, mas um complexo e permanente processo de
aprendizagem dos modos de pensar, de sentir e de agir de uma sociedade,
necessitamos de contextualizar a socialização no espaço e no tempo.
Somente por intermédio da contextualização espacial e temporal da
socialização poderemos compreender o seu sentido e, consequentemente,
aprender as diferenças culturais das sociedades, o modo como tais diferenças
afetam o modo de socializar, mas também a própria evolução dos valores, das
normas e dos comportamentos ao longo do tempo numa dada sociedade.

Cultura
O conceito sociológico de cultura

O conceito de cultura evoluiu bastante através dos tempos e foi


incorporando cada vez mais significados.
Nesse sentido, conclui-se que a palavra cultura é pluridimensional e
pode significar, nomeadamente:
 terra trabalhada para produzir vegetais (agricultura);
 desenvolvimento do espirito;

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 civilização (conhecimentos, crenças religiosas, arte, moral,
costumes, capacidades e hábitos);
 desenvolvimento material e técnico;
 património social;
 modo de vida de um povo.

A cultura é um fenómeno exclusivo do ser humano representa tudo o


que nele não é inato, não é natural. Assim, sabemos que os atos de comer,
beber, dormir, reproduzir-se e morrer são naturais no ser humano mas que a
forma como ele pratica ou organiza esses atos no seu quotidiano, no seu grupo
é cultural.
Na cultura ocidental, por exemplo em Portugal, habitualmente, usamos
o preto como forma de luto, mas é o branco que cumpre essa função noutras
culturas.
A cultura representa, pois, as várias formas que o ser humano
encontrou de se relacionar com a Natureza, e de a compreender, organizar e
manipular em seu proveito e para a sua própria organização.
Assim, os instrumentos de trabalho e de produção, os rituais, as
crenças, o vestuário, as regras de comportamento, a religião, a politica, as
instituições e as expectativas em relação ao futuro são fenómenos culturais.
A cultura organiza e dá sentido à vida dos grupos e das sociedades e é,
simultaneamente, o resultado dessa mesma organização.
Na sociologia, a cultura assume um significado específico e é analisada
na perspectiva da sua dimensão social.

Os elementos materiais e espirituais da Cultura

Podemos considerar como elementos espirituais ou intangíveis de uma


cultura os seus valores, as suas crenças, as suas normas, a sua linguagem e os
seus ideais de bem e de mal, de justo e de injusto, de beleza, de liberdade,
entre outros.
Os elementos materiais ou tangíveis de uma cultura podem ser
encontrados por exemplo, nos monumentos, na arte, nos rituais e nos seus
instrumentos de trabalho – em suma, nas suas concretizações objetivas.
Apesar desta distinção os vários elementos da cultura não devem ser
encarados separadamente, porque eles influenciam-se mutuamente.
Exemplo, na cultura hindu, a vaca é considerada um animal sagrado e, por
isso, a sua carne é rejeitada na alimentação. Neste exemplo o espiritual
influencia o material, a crença dita o comportamento.
Ao mesmo tempo, à influência entre os vários elementos de cada
cultura, que conduz à sua evolução ao longo do tempo, o próprio ser humano
é um agente produtor de cultura. Cada vez mais o ser humano acrescenta

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elementos novos à sua cultura e fá-la evoluir, transformando a herança a
transmitir às gerações futuras. O ser humano é um produto da cultura em que
nasce e, simultaneamente produtor de cultura.

A diversidade cultural e os valores

Os valores constituem-se como um elemento espiritual ou intangível da


cultura, mas também é algo que numa determinada cultura, se considera
ideal ou desejável. Estes concretizam-se por intermédio das regras e das
normas que, por sua vez, condicionam os comportamentos.
Os valores predominantes numa dada cultura podem estar descritos
formalmente, nomeadamente em textos institucionais, como as leis de cada
país. Outros não estão formalizados mas apenas inscritos na mente de cada
indivíduo – são, por isso, informais -, não deixando de condicionar fortemente
as suas ações.
Uma das caraterísticas principais dos valores é o facto de orientarem
(ou mesmo determinarem) as ações das pessoas e dos grupos. Os atores
sociais, com efeito, não pensam, avaliam, decidem e escolhem no vazio –
fazem-no, sim, pautados por um sistema de referências em que acreditam e
que consideram desejável.
Outra sua caraterística é a relatividade espacial e temporal. Os
valores são sempre específicos de uma sociedade particular, que os moldou e
adotou. Por esta razão, os valores não só variam de cultura para cultura,
entre os vários grupos que a constituem e ao longo do tempo.
Alguns exemplos de como a diversidade de culturas se traduz na
diversidade de valores e de comportamentos. Por exemplo, no nosso país,
encontramos traços caraterísticos de várias regiões, tão diferentes entre si, e
mesmo dentro de cada região, de cidade para cidade ou de aldeia para
aldeia. Numa grande cidade, podem coexistir subgrupo com culturas
igualmente distintas. Existem também as chamadas culturas de classe, em
que as diferentes classes sociais defendem valores próprios, o que origina
comportamentos também diferentes.
A diversidade cultural revela a multiplicidade de padrões culturais
existentes em todas as sociedades.

Cultura e socialização

Os comportamentos de cada ser humano não são determinados pela sua


herança biológica mas, sobretudo, por uma duradoura aprendizagem
sociocultural. O processo de socialização do indivíduo resulta, assim, na
aquisição gradual de hábitos e na interiorização de normas e valores, que vão

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orientando os nossos comportamentos naturais em favor de comportamentos
socialmente aceites e desejados.
São os elementos da cultura que condicionam a adaptação do sujeito à
sociedade e o levam a reproduzir determinados padrões de comportamento,
que expressam a cultura do seu grupo e da sociedade na sua conduta pessoal.
Contudo, para além da diversidade de valores no espaço, a evolução
dos valores no tempo, nas diferentes culturas e dentro de uma mesma
sociedade condiciona a forma e o modo de socializar.
Sendo a socialização um processo de transmissão de cultura, a forma
como esta é transmitida constitui também uma manifestação cultural própria
e singular.

O dinamismo da cultura

As culturas não são estáticas. A evolução das sociedades nos mais


diversos níveis (social, politico, económico, etc.) pressupõe um processo de
transformação cultural.
Apesar de a cultura ter modelos mais ou menos estáveis (tradições),
estes sofrem alterações que provêm do próprio dinamismo das diferentes
sociedades. Cada nova geração apresenta valores, aspirações e desejos
diferentes das gerações anteriores.
Embora seja uma constante ao longo da história, estas mudanças
acentuaram-se mais devido á facilidade de comunicação, aos numerosos
movimentos migratórios, em suma, às contantes interacções entre os
diferentes povos e culturas.
A globalização financeira, económica e cultural, não sendo um
fenómeno completamente novo, tem agora caraterísticas diferentes, só
possíveis com os avanços tecnológicos com que lidamos todos os dias.
A globalização contemporânea processa-se ao nível do espaço global,
ou seja, é planetária. Contudo, a transformação maior reside no facto de as
diferentes sociedades e culturas viverem, cada vez mais, num mesmo tempo,
ou seja, um tempo que ultrapassa a distância.
As transformações culturais por influências de outras culturas
(aculturação) são assim um processo cada vez mais dinâmico, reflexo da
capacidade científica e tecnológica da humanidade actual.

Aspetos culturais das sociedades contemporâneas


As subculturas

O conceito de subculturas refere-se, às diferentes manifestações


culturais presentes nas sociedades, designando o conjunto de padrões, de

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comportamentos, de crenças, valores e interesses próprios de determinados
grupos sociais.
As subculturas mais significativas surgem associadas a movimentos
culturais, artísticos e políticos que, pela sua criatividade, marcaram
importantes transformações em diversos períodos da história contemporânea.
Os movimentos hippie, hip hop, são exemplos de subculturas com impacto
entre os jovens e posteriormente nos valores e padrões de comportamento da
própria cultura dominante.
O conceito de subcultura relaciona-se com o de contracultura, pois,
muitas vezes, os movimentos minoritários rejeitam e contestam os valores e
modos de vida dominantes na sociedade.

A aculturação

A aculturação resulta da riqueza e diversidade de culturas e


civilizações que, ao longo da História, se foram cruzando e misturando de uma
forma pacífica. Do contacto e diálogo entre duas ou mais culturas formam-se
novas culturas e renovadas expressões culturais.
Certo é que o tema da aculturação – ou a absorção, total ou parcial, de
uma cultura por outra através de contactos diretos e contínuos, dando origem
a uma cultura nova – tornou-se uma preocupação fundamental das sociedades
do presente.
Determinados autores defendem que, devido a rapidez de comunicação
entre os diferentes países do globo, os traços originais das culturas nacionais
tendem a enfraquecer ou mesmo a perder-se, em favor de culturas
estrangeiras, como maior poder de atração (efeito de homogeneização
cultural).
Outros autores, porém, perspectivam a globalização como um processo
que conduz a uma crescente diferenciação cultural. O mundo contemporâneo
caracteriza-se pela coexistência de uma variedade de culturas, dando a todos
os indivíduos a possibilidade de escolher e combinar formas nacionais e
estrangeiras. Exemplo, o hip-hop norte-americano e britânico tem liderado
nos últimos anos as vendas de discos.

O Etnocentrismo Cultural

O conceito de etnocentrismo tem origem no facto de julgarmos as


outras culturas tendo como ponto de referência a nossa própria cultura. Se
partirmos do princípio que os nossos valores, hábitos e comportamentos são os
normais, assumimos então que todos os outros, diferentes dos nossos são
inferiores e condenáveis. Tal atitude gera fenómenos de rejeição e, até, de
conflito entre sujeitos de culturas diferentes.
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A diversidade cultural, muito presente na Europa e nos Estados Unidos
da América, nem sempre é um facto pacífico e muito bem aceite. Nos últimos
anos registou-se um aumento de sentimentos de intolerância e de
manifestações de racismo, ou seja de rejeição de indivíduos de raça e etnia
diferente e de xenofobia, isto é, rejeição de indivíduos de nacionalidade
diferente.

Representações sociais
Conceito de Representação Social

As representações sociais têm origem na necessidade de reduzir a


complexidade da realidade e de a classificarmos, por isso, são esquemas de
perceção e classificação da realidade. Estas pressupõem valores. No caso da
representação do que é um bom aluno, por exemplo, atribuímos valor ao
sucesso escolar, à escola enquanto instituição e ao sucesso profissional.

Assim, uma representação social é:

 Uma avaliação de uma dada realidade ou situação;


 Existe no plano social e no plano individual;
 É fruto de experiencias passadas, ou seja, decorre da nossa
socialização;
 Orienta e justifica comportamentos, isto é, agimos em função das
representações que temos;
 É formada ao nível social, ou seja, é partilhada socialmente;
 Classifica e dá sentido ao que observamos;
 Pressupõe valores.

Exemplos de novas representações sociais associadas,


nomeadamente, ao corpo, ao juvenil, ao trabalho, à
mulher e ao lazer
Exemplo, a representação social da beleza física evoluiu bastante na
cultura ocidental ao longo dos séculos, estando hoje associada a valores como
a saúde, a boa forma física, a juventude, a magreza e a um conjunto de
características físicas mais ou menos objetivas. Este conceito provém da
comunicação social bem como, de outros agentes socializadores, como os
grupos de pares, que nos dizem que ser bonito é ser alto e magro.

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Em consequência, tem-se assistido recentemente á procura, por parte
de cada vez mais pessoas de forma de manterem uma aparência jovem e
saudável: cosméticos, cirurgia estética, ginásios, etc…
Existe, uma série de modelos de comportamento que estão associados
a esta representação social da beleza física e que são condicionados por ela,
por vezes com consequências perigosas para a saúde.

Integração Social
Valores, normas e comportamentos

O que se entende por ordem social? Trata-se de um conjunto


interligado e relativamente estável no tempo de estruturas, instituições e
práticas sociais que conservam e reforçam formas normais, ou socialmente
aceitáveis, de comportamento.
Como diz Guy Rocher, “ as maneiras de agir, de pensar e de sentir
exercem o seu constrangimento (…) porque se nos apresentam sob a forma de
regras, normas, modelos, em que nos devemos inspirar para guiar e orientar a
nossa ação, se quisermos que ela seja aceitável na sociedade em que
vivemos.” Estamos pois, perante o conceito de princípio da orientação
normativa da ação social, ou os comportamentos regulados por normas
coletivas, que se impõem aos sujeitos a partir do seu exterior.
Tal como dissemos a respeito dos valores, tambéma as normas podem
assumir duas formas:
 As normas formais, que se traduzem nas leis aplicads pelos estados e
pelas organizações religiosas, económicas e outras (o Código penal, os
estatutos de uma associação ou o regulamento interno de uma
empresa…).
 As normas informais, expressas por via dos hábitos, costumes e
convenções implicitamente aceites pela sociedade (as regras de
educação à mesa, por exemplo).

O comportamento social é o produto da interiorização das normas e dos


valores aceites pela sociedade, que entre si partilham tais normais e tais
valores.
Daqui resulta que os comportamentos “normais” no sentido de
corresponderem às normas vigentes, são os praticados pela maioria dos
membros da comunidade, a qual censura os comportamentos desviantes –
aplicando sanções.

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A importância do processo de socialização na integração
social

A socialização é um processo pelo qual cada ser humano recebe,


aprende e interioriza a cultura da sociedade em que vive. É o caso dos
valores, normas e padrões de comportamento, que são transmitidos pelos
agentes de socialização e gradualmente assimilados pelo indivíduo.
Este processo permite aos sujeitos tornarem-se membros funcionais de
uma comunidade, ou seja, é pela socialização que nos integramos numa dada
sociedade. A socialização é, simultaneamente, um processo de transmissão
cultural, de aprendizagem e de integração social. Isto é o que permite aos
sujeitos a coesão social.

Controlo social e sanções

Na vida social, os atos praticados pelos indivíduos e pelos grupos que se


conformem às normas podem receber recompensas (sanções positivas), assim
como os comportamentos contrários às mesmas normas (ou desviantes) podem
ser alvo de punição (sanções negativas). Exemplo: a polícia de trânsito tem
como função regular a circulação rodoviária e aplicar sanções aos condutores
que não cumpram o Código da Estrada.
O controlo social informal – aquele que se exerce através das sanções
informais ou não escritas – é, em gral, mais utilizado e eficaz, uma vez que é
interiorizado pelos sujeitos através do processo de socialização. Quando, ao
longo do nosso dia a dia, achamos que podemos ou não podemos fazer algo
porque a nossa “consciência” assim manda, não estamos mais do que a
reconhecer o peso determinante dos mecanismos informais de controlo social
sobre os nossos comportamentos, mesmo que disso não nos apercebamos.

Ordem social e comportamentos desviantes

Nenhuma sociedade pode dispensar o controlo formal, nomeadamente


para fazer face aos comportamentos desviantes mais graves, ou seja, aquelas
condutas que podem pôr em causa a normalidade da ordem social: é o caso,
por exemplo, da ação vigilante da polícia em relação ao cumprimento das leis
pelos cidadãos.
O desvio consiste na adoção de modelos de comportamento situados nas
margens, ou mesmo fora, dos socialmente aceitáveis pela maioria dos
membros da colectividade, embora sejam partilhados por alguns grupos

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minoritários, opondo-se estes ao conceito de conformidade, que significa a
adesão aos valores, normas e comportamentos predominantes na sociedade.

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Bibliografia
CUCHE, D. (1999). A noção de cultura nas ciências sociais. Lisboa: Fim do
Século DUBAR, C. (1997).

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