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prova 900

Crianças Ladronas

“Já por várias vezes o nosso jornal, que é sem dúvida o órgão das mais
legítimas aspirações da

população baiana, tem trazido notícias sobre a atividade criminosa dos


Capitães da Areia, nome

pelo qual é conhecido o grupo de meninos assaltantes e ladrões que infestam a


nossa urbe.”

(Jorge Amado, Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013, p.
9.)

“O Sem-Pernas já tinha mesmo (certo dia em que penetrara num parque de
diversões armado no

Passeio Público) chegado a comprar entrada para um [carrossel], mas o


guarda o expulsou do

recinto porque ele estava vestido de farrapos. Depois o bilheteiro não quis lhe
devolver o bilhete da

entrada, o que fez com que o Sem-Pernas metesse as mãos na gaveta da


bilheteria, que estava

aberta, abafasse o troco, e tivesse que desaparecer do Passeio Público de


uma maneira muito

rápida, enquanto em todo o parque se ouviam os gritos de: “Ladrão!, ladrão!”


Houve uma tremenda

confusão enquanto o Sem-Pernas descia muito calmamente a Gamboa de


Cima, levando nos

bolsos pelo menos cinco vezes o que tinha pago pela entrada. Mas o Sem-
Pernas preferiria, sem

dúvida, ter rodado no carrossel (...).”

(Idem, p. 63.)

1. (UNICAMP 2014) O primeiro excerto é representativo do conjunto de textos


jornalísticos que

iniciam Capitães da Areia. Que voz social eles expressam?

2. (UNICAMP 2014)
O narrador, no segundo trecho, adere a um ponto de vista social que
caracteriza a ficção de Jorge

Amado. Que ponto de vista é esse?

Igualdade de oportunidades

Se todos os jovens brasileiros tivessem estudado em

boas escolas, com as mesmas oportunidades, muitos dos que

passaram no vestibular teriam sido desclassificados, perdendo a

proteção de escolas especiais desde a infância. É como se

houvesse dois caminhos definidos pela renda: um deles leva à

universidade, outro não.

Aqueles que têm o privilégio de acessar o caminho da

universidade, no final têm que saltar o muro do vestibular, e

disputar com companheiros de estrada, usando o próprio talento.

Mas os que são empurrados para o outro caminho ficam

impedidos de desenvolver seus talentos e de disputar o vestibular,

e vão cair na vala comum dos deseducados.

A democracia das oportunidades desiguais é injusta e

estúpida. Injusta porque usa seus recursos para atender

diferentemente aos seus membros; estúpida porque desperdiça o

seu potencial, excluindo e desestimulando talentos. A riqueza

intelectual da universidade fica prejudicada pela exclusão de

talentos não desenvolvidos e pela acomodação diante da falta de

concorrência entre todos.

Diferentemente da universidade, que faz parte da

democracia das oportunidades desiguais, o futebol é uma


atividade de oportunidades iguais. Desde cedo, toda e qualquer

criança das cidades brasileiras, desde que alimentada, tem

chances iguais de brincar com a bola em campos improvisados.

(...)

O futebol é o setor das oportunidades iguais, por isso é

eficiente (o Brasil tem tantos craques e nenhum Prêmio Nobel), e

justo (o Brasil tem “tantos” craques de origem pobre e tão poucos

pobres entre os cientistas).

Não brincando com livros, computadores, sem escolas

nem professores valorizados, formados e dedicados, a imensa

maioria de nossas crianças fica sem oportunidades, sem

possibilidade de desenvolver seu potencial.

Nossos Prêmios Nobel morreram sem saber ler, sem

aprender matemática. E sem participar do democrático

campeonato de talento e das oportunidades iguais. A democracia

se diferencia da loteria porque esta só pode beneficiar a poucos,

nunca a todos, e depende da sorte, não do mérito. A democracia é

o regime das oportunidades iguais. E a escola é o ninho onde se

constrói a democracia, oferecendo oportunidades iguais a todos.

(Cristovam Buarque. http://www.brazil-brasil.com/ fragmento)

01) Com relação às ideias do texto, assinale a afirmativa

correta:

(A) Se todos tivessem as mesmas oportunidades de desenvolver

seus talentos, ainda assim os ricos alcançariam os melhores

resultados por serem naturalmente mais inteligentes.

Gramática e Texto

(B) Os brasileiros que conquistaram o Prêmio Nobel morreram


antes que pudessem aprender a ler.

(C) “Não brincando com livros, computadores, sem escolas nem

professores valorizados, formados e dedicados” é

consequência em relação a “a imensa maioria de nossas

crianças fica sem oportunidades, sem possibilidades de

desenvolver seu potencial”.

(D) A existência de um número grande de craques do futebol no

Brasil se deve ao fato de os jovens brasileiros gostarem mais

de jogar bola do que de estudar.

(E) Tanto o caminho que leva quanto o caminho que não leva à

universidade são definidos no Brasil pela renda.

02) O sentido original do texto e a correção gramatical serão

mantidos se substituirmos:

(A) “Diferentemente da universidade, que faz parte da

democracia das oportunidades desiguais”. Analogamente à

universidade, que faz parte da democracia das oportunidades

desiguais.

(B) “A riqueza intelectual da universidade fica prejudicada pela

exclusão de talentos não desenvolvidos e pela acomodação

diante da falta de concorrência entre todos”. A exclusão de

talentos não desenvolvidos e a acomodação diante da falta de

concorrência entre todos prejudicam a riqueza intelectual da

universidade.

(C) “O futebol é o setor das oportunidades iguais, por isso é

eficiente”. O futebol é o setor das oportunidades, pois é

eficiente.

(D) “A escola é o ninho onde se constrói a democracia,


oferecendo oportunidades iguais a todos”. A escola é o

ninho o qual se constrói a democracia, oferecendo

oportunidades iguais a todos.

(E) “Oferecendo oportunidades iguais a todos”. Oferecendo

oportunidades iguais à todos.

03) No trecho “Diferentemente da universidade, que faz parte

da democracia das oportunidades desiguais, o futebol é uma

atividade de oportunidades iguais”, as vírgulas foram usadas

para:

(A) Separar orações subordinadas adverbiais.

(B) Separar o adjunto adverbial e a ele dar ênfase.

(C) Separar orações subordinadas substantivas.

(D) Isolar uma oração subordinada adjetiva explicativa.

(E) Separar uma oração substantiva anteposta à principal.

04) A correção gramatical do texto será mantida caso se

substitua o trecho “onde se constrói a democracia” por:

(A) onde se constrói as democracias.

(B) onde se constroem a democracia.

(C) onde constroem-se a democracia.

(D) onde a democracia constroem-se.

(E) onde a democracia é construída.

05) A substituição do segmento grifado pelo pronome está

feita de modo INCORRETO em:

(A) “o privilégio de acessar o caminho da universidade” = o

privilégio de acessá-lo.

(B) “no final têm que saltar o muro do vestibular” = no final

têm que saltar-lhe.


(C) “ficam impedidos de desenvolver seus talentos” = ficam

impedidos de desenvolvê-los.

(D) “perdendo a proteção de escolas especiais desde a

infância” = perdendo-a desde a infância.

(E) “Injusta porque usa seus recursos” = injusta porque os usa.

06) Nos trechos: “Desde cedo, toda e qualquer criança das

cidades brasileiras, desde que alimentada” e, “O futebol é o

setor das oportunidades iguais, por isso é eficiente”, as

expressões destacadas indicam, respectivamente ideias de:

(A) Tempo, condição, conclusão.

(B) Tempo, tempo, conclusão.

(C) Condição, condição, explicação.

(D) Tempo, condição, explicação.

(E) Condição, condição, tempo.

07) Assinale a alternativa correta com relação às estruturas

linguísticas do texto:

(A) “seu potencial” (linha 17) é um objeto indireto.

(B) Em “porque esta só pode beneficiar a poucos” (linha 19) o

pronome “esta” se refere ao antecedente “democracia” (linha

19).

(C) As palavras “infância”, “privilégio” e “próprio” são

acentuadas graficamente, segundo a mesma regra.

(D) Obedecem à mesma regra de acentuação as palavras

“infância”, “constrói” e “prêmio”.

(E) As palavras “constrói”, “iguais” e “teriam” têm o mesmo

número de sílabas.

08) Assinale a alternativa na qual a modificação da frase do


texto “É como se houvesse dois caminhos” resulta em

concordância que atende à norma culta:

(A) É como se pudessem haver dois caminhos.

(B) É como se houvessem dois caminhos.

(C) É como se pudesse existir dois caminhos.

(D) É como se existissem dois caminhos.

(E) É como se pudesse existirem dois caminhos

901
Os jovens e a violência: vítimas ou vilões?
    A cada dia vemos crescer em nossas cidades as estatísticas de
jovens envolvidos em situações de violência. Basear o julgamento
sobre a violência cometida por jovens no que ocorre atualmente no
Rio de Janeiro – e em muitas outras cidades do Brasil – é, no mínimo,
simplista de nossa parte e acaba eximindo a todos de uma ação
realmente eficaz para a mudança de nossa realidade.
“Com justiça e igualdade acontecendo poderemos tentar descobrir
quem é vilão e quem é vítima”

    Os jovens são, sim, vítimas, pois há décadas o Estado priva a


maior parte da população do acesso à saúde, educação, cultura,
saneamento básico e outros itens fundamentais à formação de um
cidadão de excelência. Noções de valores como respeito, educação,
cordialidade, entre outras, há muito tempo foram esquecidas ou
menosprezadas. As cidades foram segmentadas entre os que têm e
os que não têm direito a itens fundamentais para um
desenvolvimento pleno e sadio. Foram divididas entre os que podiam
tudo e os que não podiam nada. Tudo de melhor estava em uma
parte da cidade e o restante ficava com o que sobrava. Quem tinha
tudo esqueceu que a outra parte da população crescia e, mesmo sem
uma educação de qualidade, começava a ter noções do que ocorria
no resto do mundo graças à globalização e a difusão das informações.
Começaram a querer essas coisas também. E, se não podiam tê-las
pelas maneiras tradicionais, o fariam de alguma outra forma. Dariam
um “jeito”, mesmo errado. Enquanto uns baseavam o seu ser naquilo
que tinham, outros o fizeram através do poder, pela força bruta.

    Podemos pensar que são também vilões se lembrarmos que


mesmo com tanta informação, bolsas, vagas gratuitas, cursos, um
jovem escolhe ficar nas ruas assaltando, roubando e matando. Se há
tantos exemplos de pessoas vencedoras que nasceram e cresceram
em uma realidade de violência diária, escolher entre a ilusão de poder
de chefiar um grupo em sua comunidade através da violência ou
crescer na vida com esforço e trabalho parece uma decisão simples.

    E para quem nasceu com segurança, teve uma educação formal


razoável e uma estrutura psicológica e familiar sólida. Porém, para
quem cresceu e vive em total insegurança, em locais onde se dorme
e acorda ao som de tiros, estuda – isso quando o professor consegue
chegar até a escola – muitas vezes abaixado ou deitado no chão para
se proteger de bala perdida, tem de esperar horas para ter acesso a
tratamento médico e é humilhado por atendentes, seguranças e
enfermeiros, no limite de suas condições humanas por causa do
estresse, entre outras diversas questões, é difícil tomar a decisão
mais correta e as escolhas feitas nem sempre são as melhores.

    Hoje temos diversas bolsas de auxílio para os jovens. Em cada


comunidade há dezenas de projetos sociais que prometem mudar a
vida das pessoas. Vende-se uma falsa ideia de que quem mora em
uma favela tem direito a coisas que a classe média não tem.

    Claro, há, sim, dezenas de oportunidades para qualquer indivíduo,


seja ele de onde for. Porém, nem todos cresceram em um ambiente
que mostrasse o valor disso. Muitos cresceram ouvindo promessas e
experimentando atividades que iniciavam e não acabavam,
acostumaram-se a cursos e aulas dadas de qualquer maneira, sem
despertar o real interesse dos alunos.

    Quando aprendermos a tratar a todos da mesma forma teremos


uma sociedade mais justa e igualitária. Com justiça e igualdade
acontecendo aí, sim, poderemos tentar descobrir quem é vilão e
quem é vítima.

Marcelo Andriotti

www.gazetadopovo.com.br

Questões
Após a leitura do texto responda:

1) De acordo com o texto, a cada dia vemos crescer em nossas


cidades as estatísticas de jovens envolvidos em situações de
violência. Por que você acha que isso acontece?

R: 

2) Marcelo Andriotti apresenta dois pontos de vista em relação aos


jovens serem vítimas ou vilões. Explique com suas palavras os
argumentos usados por ele para justificar porque os jovens são
vítimas.

R:

 
3) Explique os argumentos que Marcelo Andriotti utiliza para embasar
sua tese de que os jovens também são vilões em relação aos atos de
violência ocorridos no nosso país?

R:

4) Com qual ponto de vista você concorda? O que afirma que os


jovens são vilões ou o que afirma que eles são vítimas? Por quê?

R: 

5) Qual é a dica que Marcelo Andriotti dá para que possamos


descobrir quem é vilão ou vítima em relação aos atos de violência
ocorridos pelos jovens em nosso país?

R: 

6) Você acha que o sol pode nascer para todos, ou seja, as boas
oportunidades surgem para todos ou apenas para pessoas que
nasceram em uma vida estruturada financeiramente? Explique.

R:

8) Será que o homem é corrompido pela sociedade, por exemplo: se


eu nasci no meio de pessoas corruptas , invejosas, rancorosas,
amargas, fingidas, ladras, vou aprender a ser como elas ou não?
Comente.

R: 

11) Esse texto é um artigo de opinião. Qual é a sua opinião em


relação a jovens se envolverem em atos de violências, que muitas
vezes acabam matando pessoas inocentes?

R:

 
13) O problema de tanta violência em nosso país está em quem? Na
sociedade ou nos governantes? Comente.

Prova 800
A paz se constrói a cada instante
    Muitos homens sabem que a paz não se estabeleceu de uma vez
por todas e para sempre. Então, pensam bastante em tudo o que é
preciso fazer para construí-la e evitar a guerra.

    A paz pode ser semeada em qualquer lugar, o tempo todo. Ela se


constrói quando aprendemos a história do mundo, quando
dialogamos com aqueles que têm ideias diferentes, quando reagimos
diante das injustiças.

    Na escola, os maiores chantageiam os menores. Um dos alunos vai


falar com o diretor para acabar com essa chantagem: esse aluno, não
fechando os olhos para o que acontece, reagindo, está construindo a
paz. O diretor procura os aproveitadores, aplica-lhes uma punição e
explica por que estão sendo punidos: ele está construindo a paz.

    Aparece um artigo no jornal propondo que se proíba a transmissão


de jogo de futebol pela televisão. Milhares de pessoas reagem e
publicam artigos para dizer que não estão de acordo: elas ajudam a
construir a paz.

    Os líderes de todas as religiões do mundo se reúnem para falar do


que têm em comum, de tudo o que é semelhante em suas crenças,
da importância da vida. Mostram que é possível dialogar; mesmo não
estando de acordo em tudo: eles constroem a paz.
    Os homens optam por não esquecer o passado: juntos, lembram-
se do fim de uma antiga guerra. Certo dia, em suas famílias ou
comunidades, os mais velhos contam aos jovens como aquela guerra
começou, como era a vida naquele período, o que poderiam ter feito
para evitá-la: eles constroem a paz.
    Em diversas cidades da Europa, por exemplo, para recordar o fim
da Segunda Guerra Mundial, os homens construíram monumentos em
homenagem aos que morreram lutando. Assim, as pessoas não se
esquecem que a guerra existe e que é necessário prestar atenção
para que ela não volte.

    Nas escolas, os professores ensinam História. E, juntamente com


os alunos, tentam compreender por que as guerras explodem em
todo o mundo. Raciocinam em conjunto e se perguntam: será que
elas podem voltar a acontecer? O que pode ser feito para evitá-las?
Agindo assim, eles constroem a paz.

Brigitte Labbé e Michel Puech. A guerra e a paz.  São Paulo: Scipione,


2002.
 

Questões
Questão 1 – Pela leitura do texto, podemos afirmar que:
a) A paz acontece naturalmente.

b) Diferentes atitudes praticadas no dia a dia podem semear a paz.

c) A paz é estabelecida, de forma definitiva, no momento em que é


conquistada.

d) As guerras fazem parte do passado.

Questão 2 – A finalidade do texto é:


a) informar sobre fatos históricos.

b) debater sobre situações cotidianas.

c) apresentar o conceito de “guerra”.

d) convencer as pessoas de uma opinião.

Questão 3 – Assinale a passagem que foi transcrita de forma


incorreta, no que se refere à regência verbal:
a) “Muitos homens sabem que a paz não se estabeleceu de uma vez
por todas e para sempre.”

b) “[…] Mostram que é possível dialogar […]”

c) “[…] juntos, lembram-se do fim de uma antiga guerra.”

d) “Assim, as pessoas não se esquecem que a guerra existe e que é


necessário […]”

Questão 4 – “E, juntamente com os alunos, tentam


compreender por que as guerras explodem em todo o mundo.”.
Explique o emprego da forma destacada nesse trecho:
  

Questão 5 – “Raciocinam em conjunto e se perguntam: será


que elas podem voltar a acontecer? O que pode ser feito para evitá-
las?”. Identifique o referente das formas pronominais grifadas:
  

Questão 6 – Na parte “Agindo assim, eles constroem a paz.”, o


pronome sublinhado substitui, considerando o contexto:
a) os líderes de todas as religiões do mundo.

b) os mais velhos.

c) os homens.

d) os professores e os alunos.

Questão 7 – “Os líderes de todas as religiões do mundo se reúnem


para falar do que têm em comum […]”. Justifique o emprego do
acento circunflexo no verbo em destaque:

Texto:Amazônia; lar, doce lar

        Se alguém diz “Amazônia”, quase sempre nos pegamos imaginando uma grande floresta.
Mas quem é que mora lá? Hoje, muitas pessoas vivem na região amazônica – cidades como
Belém e Manaus têm mais de um milhão de habitantes! – e, no passado, a Amazônia foi o lar
de diferentes populações. Vamos fazer uma viagem no tempo e saber mais sobre antigos
moradores da maior floresta tropical do mundo?

        Os povos que habitaram a Região Amazônica há milhares de anos não produziram textos
nos quais descreviam o modo como viviam. Para saber quem eles eram e como viviam, os
arqueólogos – cientistas que estudam os costumes e as culturas de populações antigas –
buscam informações no estudo daquilo que esses povos produziam no passado e que resistiu à
longa ação do tempo e de elementos da natureza, como o sol, a chuva e o vento.

        Os mais variados materiais podem ser úteis para o trabalho dos arqueólogos. Vasos de
cerâmica, tanto inteiros como quebrados em pedaços, por exemplo, podem trazer
informações importantes. O mesmo acontece com objetos feitos de pedra lascada ou polida.
Para esses especialistas, interessam também dados sobre a forma de enterrar os mortos,
amostras de solo ou de carvão, além de pinturas ou gravuras feitas sobre rochas.

        Tudo isso é exemplo do que pode ser encontrado nos chamados sítios arqueológicos,
recuperados por meio de escavações e levados ao laboratórios. Lá, esses materiais são
processados, catalogados e analisados. A partir deles, os arqueólogos formulam muitas
perguntas, tentam responde-las e elaboram hipóteses sobre a forma como viviam os povos
que habitavam a Amazônia no passado.

        Nos últimos anos, por exemplo, os cientistas que trabalham na Amazônia têm tentado
responder a uma pergunta aparentemente simples: Qual era o tamanho da população
amazônica na época em que o Brasil foi descoberto, ou melhor, colonizado pelos europeus?
Essa questão, que ainda deve demorar um bom tempo para ser respondida, traz consigo
muitas outras dúvidas. Por exemplo: Será que os antigos habitantes da Amazônia moravam em
aldeias fixas em determinadas regiões ou em pequenos acampamentos que mudavam de lugar
sempre? Como essas pessoas conseguiam seus alimentos? Elas caçavam, pescavam e
coletavam frutos ou cultivam pequenas roças? Qual impacto elas causavam à natureza? Será
que, como ocorre hoje, os antigos povos que habitavam a Amazônia realizam queimadas ou
desmatavam a floresta? [...]

        Há milhares de anos

        Atualmente, sabe-se que a Amazônia é habitada há pelo menos 11 mil anos, sendo que
ainda existe a possibilidade de que antes disso já houvesse povos na região. Os primeiros
habitantes da Floresta Amazônia viviam da caça, da pesca e da coleta de frutos e raízes, sendo
que algumas das plantas que costumavam comer ainda hoje são populares na Amazônia, como
o Buriti, a bacaba, a pupunha e, posteriormente, o açaí. Por lidarem constantemente com os
vegetais, acredita-se que, eventualmente, esses povos antigos passaram a cultivar algumas
espécies, como a mandioca.

        É importante dizer, porém, que os arqueólogos conhecem mais sobre o início da presença
humana na Amazônia – que ocorreu entre onze mil e sete mil anos atrás – do que sobre o
período mais recente – que vai de sete mil a três mil anos atrás. O que se sabe, porém, é que, a
partir de três mil anos atrás, há evidência de que o tamanho das populações que viviam na
Amazônia cresceu. Isso é comprovado pelo aumento da quantidade e das dimensões dos sítios
arqueológicos da região, sendo que há ainda outras marcas desse crescimento.

        No estado do Pará – na Ilha de Marajó e na cidade de Santarém –, bem como no


Amazonas – na cidade de Manaus –, foram encontradas cerâmicas elaboradas, que
apresentam ricos desenhos, com idade a partir de 2.900 anos. Por serem tão detalhadas, elas
indicam que provavelmente havia um grupo especializado na sua confecção, sugerindo a
existência de uma divisão de trabalho na sociedade em questão, o que normalmente somente
acontece dentro de grandes populações.

        Já outro indicativo de crescimento populacional na Amazônia há cerca de dois mil anos é
encontrado na parte leste da Ilha de Marajó. Nessa época, começaram a ser construídos ali
grandes aterros artificiais, na forma de colinas, que serviam de moradia, de cemitério e,
também, ajudavam a população local a pescar.
        Encontrados em uma região coberta por campos que passavam metade do ano inundados
pela água da chuva, os aterros, por sua localização, acabavam servindo para formar áreas em
que a água ficava retida durante a seca. Nelas, havia peixes que eram consumidos pelas
populações, que também produziam cerâmica com pintura em branco, preto e vermelho, já
encontradas em escavações.

        Por fim, outro indício do grande crescimento dos povos que viviam na Amazônia há cerca
de três mil anos é a existência das chamadas terras pretas de índio, férteis solos escuros
formados no passado por meio da ação humana, não se sabe se intencionalmente ou não. Para
que elas surgissem, era preciso que populações passassem muito tempo em um mesmo local,
às vezes, até alguns séculos.

        Os sítios arqueológicos com terra preta de índio têm tamanhos variados, sendo que alguns
são considerados bem extensos – com dezenas de hectares –, o que indica que as populações
que ali viveram espalhavam-se por grandes pedaços de terra. Curiosamente, hoje esses locais
são procurados pelos agricultores porque permitem o cultivo contínuo sem a perda de sua
fertilidade. Logo, entender como eles foram formados pode contribuir para que se
desenvolvam técnicas adequadas para o uso atual dos solos da Amazônia. Afinal, um dos
maiores desafios que o Brasil enfrenta é o de se encontrar formas de explorar os recursos
naturais da Amazônia sem destruí-los. E o que a arqueologia da região tem mostrado é que, do
passado, pode vir uma dica de como nós, atualmente, poderíamos empregar o solo
amazônico, evitando os desmatamentos feitos para substituir a floresta por plantações.

             Neves, Eduardo Góes. Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo.

         

  Ciência Hoje das Crianças. Ano 21, n° 187, jan. fev. 2008. p. 2-5.

Interpretação do texto:

01 – Qual a função do título em uma reportagem?

      Em letras chamativas, ele tem o objetivo de chamar a atenção do leitor.

02 – Roda reportagem destina-se a um público-alvo, ou seja, o público que mais se interessa


por aquele tema. Diante disso, responda.

a)   Essa reportagem foi publicada numa revista especializada em assuntos científicos.


Analisando o título da revista e a linguagem utilizada, você considera que o texto foi escrito
para qual público-alvo?

Resposta pessoal do aluno.


b)   Como você chegou a essa conclusão? Justifique a sua resposta, citando um trecho da
reportagem.

Resposta pessoal do aluno.

03 – A publicação dessa reportagem é de 2008. Você considera as informações ali presentes


importantes até hoje? Por quê?

      Sim. Porque ela nos informa tudo sobre as propriedades existente na terra, sem que seja
feito o desmatamento descontrolado.

04 – Em termos de estrutura, a reportagem assemelha-se muito ao gênero notícia, que você já


estudou. Assim, é muito comum você encontrar em uma reportagem a seguinte estrutura: o
título e / ou manchete, o lide, o corpo da reportagem e imagens. Retome, com o auxílio do seu
professor, os conceitos relacionados à estrutura da notícia e, de acordo com a reportagem que
você leu, indique.

a)   Título da reportagem:

Amazônia: Lar, doce lar.

b)   Quantos parágrafos tem o corpo da reportagem:

12 parágrafos.

c)   Qual o nome do autor? Onde ele trabalha? Por que é importante saber quem é o autor de
uma reportagem?

Eduardo Góes Neves. No Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo. É


através do conhecimento do autor da reportagem é que podemos dar a credibilidade ou não.

05 – Sublinhe, na reportagem, o lide do texto.

      O 1° parágrafo.   

  

06 – Toda reportagem parte de fatos relevantes para a sociedade. Por ser um texto mais
extenso, a reportagem pode ser dividida em partes pelo autor. Releia a reportagem e escreva,
em seu caderno, quais foram os fatos reais abordados na primeira parte do texto.
      Resposta pessoal do aluno.

07 – Sobre a segunda parte da reportagem que você leu, assinale Vpara as alternativas


verdadeiras e F para as falsas:

(F) De acordo com pesquisas, a Amazônia é habitada há mais de 11 milhões de anos, mas há
indícios de que outros povos já habitavam a região antes disso.

(V) Os povos antigos que habitavam a Amazônia alimentavam-se basicamente de caça, pesca,
frutos e raízes retirados do solo; por isso, acredita-se possível que cultivassem a mandioca.

(F) Segundo os dados, a população da Amazônia diminuiu no período entre 7 mil e 3 mil anos
atrás e ainda não há explicações científicas para justificar essa diminuição demográfica.

(F) Com base em estudos, acredita-se que não havia divisão de trabalho nos antigos povos que
habitavam a Amazônia, pois viviam em tribos nas quais todos faziam de tudo um pouco.

(V) Os povos antigos construíam aterros artificiais, na forma de colinas, que serviam de
moradia, de cemitério e, também, ajudavam a população local a pescar.

(V) A presença de terra preta do índio é um grande indício do crescimento da população na


região Amazônica há cerca de 3 mil anos, pois para que ela surgisse era necessário que os
habitantes passassem muito tempo em um mesmo local.

(V) Segundo o autor, conhecer o passado das terras amazônicas e o modo como foram
utilizadas pelos povos antigos pode ajudar a desenvolver técnicas de cultivo na região sem
destruir os recursos naturais da Amazônia.

08 – Aponte as principais características do gênero textual da reportagem.

      Como principais características da reportagem podemos citar: a presença de títulos e a


escolha de temas atuais mediados por um texto de cunho jornalístico, cuja linguagem e clara e
simples.

09 – Quais os suportes em que as reportagens aparecem geralmente?

      Os principais suportes onde se observa a maior ocorrência de reportagem são os meios de
comunicação (jornais, revistas, televisão, rádio, internet, etc.).

10 – Qual a principal diferença entre os gêneros textuais: reportagem e notícia?


      Embora sejam dois textos jornalísticos, a principal diferença entre esses tipos de produções
textuais está no teor opiniativo. Outro ponto importante a ressaltar é que a reportagem é um
texto maior e mais complexo que a notícia.