•• EDER SADER
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•• IESPI UERJ BIBLIOTECA Convênios/uperj-T~c
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Biblioteca
•• 3ª Reimpressão
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PAZ E TERRA
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Copyright by Eder Sader
Bibliografia .
1. Trabalho e classes trabalhadoras - Brasil - Atividade política 2. Tra -
balho e classes trabadoras - Brasil - São Paulo, Região Metropolitana 1.
Título. II. Título : Experiências, falas e lutas dos traba lhador es da Grande
••
São Paulo.
CDD-322 .2098161
-305.56098161
••
88-1477 -322.20981
Prefácio
Marilena Chaui 9 ••
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Índices para catálogo sistemático:
l. Brasil: Movimentos operários: Ciência polílica 322.20981
2. Grande São Paulo: Movimentos trabalhistas: Ciência política 322.2098161 APRESENTAÇÃO 17
3. Grande São Paulo: Operários : Movimentos trabalhistas : 25
Capítulo 1 - IDfüAS .E QUESTÕES
4.
Ciência política 322.2098161
Grande São Paulo: Trabalhadores : Classe operária: Sociologia 305.5609816J O impacto do novo
Duas imagens
De
25
30
37
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1~ edição: 1988 estruturas a experiências
Direitos adquiridos por Do caráter de classe às configurações sociais 46
ED~TORA PAZ E TERRAS / A A identificação dÓs sujei.tos 50
Rua do Triunfo, 177
Santa lfigênia, São Paulo, SP
Te!. (011) 223-6522
Rua São José, 11? andar
Os discursos que cons~ituem sujeitos
t97
Prefácio
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O Mo~imento de saúde da periferia leste
O Sindicato dos Metalúrgicos de S. Bernardo 277
Posfácio
311
•••
Bibliografia Consultada 321
Democracia Antiga e Moderna, o historiador helenista Moses
Finley observa um fenômeno paradoxal que percorre a ciência
política contemporânea, isto é, a tese segundo ,a qual o sucesso
das democracias modernas tem como causa a apatia política
••
meno paradoxal pelo menos por dois motivos. Em primeiro
lugar, porque politólogos defensores da apatia costumam ser
críticos severos de Platão, por eles considerado anti-democrata
••
e das "e] ites" dirigentes costumam afirmar qtie o maior perigo
para a democracia é a intervenção política da -''massa dos des-
contentes" que red unda em "movimentos populares extremistas" .
•• 9
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••
velho centro, pois já não são centros organizadores no sentido
cidas de que não obteriam seus fins por meios ·democráticos. clássico e sim "instituições em crise" que experimentam "a
Finley desconhecia o Brasil. Nós o conhecemos, pelo menos o crise sob a forma de um descolamento com seus públicos .res-
bastante para tomá-lo como ilustração empírica da tese geral de
Finley.
Navegando . contra a corrente das p osições predo minantes
pectivos", precisando encontrar vias para reatar relações co.m
eles.
Eder Sader examina os procedimentos dessas instituições
••
na ciência política, Eder Sader nos oferece a saga dos movi-
mentos sociais populares da região de São Paulo que puseram
novos personagens na cena histór ica brasileira, entre 1970 e
em crise. Crise da Igreja, que conduz à reformulação de seu
discurso e de sua prática, graças à "matriz discursiva da teolo-
gia da libertação". Crise das esquerdas que, sob o impacto das
••
1980, criando condições para o exercício da democracia. Trata-
se da primeira visão de- e'onjunto dos movimentos do período
1970-80, que- já recebeu vários e importantes estudos parciais,
derrotas das décadas anteriores e dos impasses internacionais,
ainda não reformularam a "matriz discursiva marxista", embora ••
dedicados a movimentos sociais populares específicos. Não é
esta, porém, a maior contribu}ção do autor e sim aquilo que
tragam "em seu benefício um corpo teórico consistentemente
elaborado a respeito dos temas da exploração e da luta sob (e
contra) o capitalismo". Crise do sindicalismo que, entretanto, ••
constitui o fio condutor de seu traba lho, ou seja, a determinação
desses movimentos como criação de um novo sujeito social e
histórico.'
graças à "matriz discursiva do novo sindicalismo", supera a
ausência das tradições populares (com que conta a matriz reli-
giosa) e da sistematicidade teórica (com que conta a matriz
••
Por que sujeito novo?
Antes de mais nada, porque criado pelos próprios movi-
marxista), vindo a ocupar um lugar institucional cuja eficácia
será decisiva para repensar e praticar os conflitos na esfera
trabalhista e, com isto, alargar a percepção dos antagonismos
••
mentos socia is populares do período: sua pr_ática os põe como
suje itos sem que teorias prévias os houvessem constituído ou
designado. Em segundo lugar, porque se trata de um s1.1jeito
que regem a sociedade de classes. Em suma, os antigos centros
organizadores, em crise, são desfeitos e refeitos sob a ação si- ••
coletivo e descentralizado, portanto, despojado das duas marcas
que caracterizaram o advento da concepção burguesa da subje-
tividade: a individualida de solipsista ou monádica como centro
multânea de novos discursos e práticas que informam os movi-
mentos sociais populares, seus sujeitos .
Porém, sujeito novo ainda noutro sentido, pois os traços
••
de onde partem ações livres e responsáveis e o sujeito como
consciência individuar soberana de onde irradiam idéias e repre-
sentações, postas como objetos domináveis pelo intelecto . O
anteriores revelam ser uma determinação decisiva desse sujeito
histórico a defesa da autonomia dos movimentos, tendendo a
romper com a tradição sócio política da tutela e da cooptação
••
novo sujeito é social; são os movimentos sociais populares em
-cujo interior indivíduos, até então dispersos e privatizados, pas-
e, por isso mesmo, fazendo a política criar novos lugares para
exercitar-se. Lugares onde a política institucional ainda não ••
sam a definir-se, a reconhecer-se mutuamente, a dec idir e agir
em conjunto e a redefinir-se a cada efeito resultante das decisões
e atividades realizadas. Em terceiro lugar, porque é um sujeito
lançou tentácu los e que interessam a Eder Sa~er neste livro:
aqueles onde se efetua a experiência do cotidiano popular.
"Quando uso a noção de sujeito coletivo", escreve Sader,
••
que, embora colet ivo, não se apresenta como po rtador da uni-
versalidade definida a partir de uma organização determinada
que operaria como centro, vetor e telos das ações sócio políticas
a. expressão indica "uma coletividade onde se elabora uma
identidade e se organizam práticas através das quais seus mem- ••
••
bros pretendem defender interesses e expressar suas vontades,
e para a qual não ~averia propriamente sujeitos, mas objetos constituindo-se nessas lutas", de sorte que a novidade é trípli-
ou engrenagens da máquina organizadora. Referido à Igreja, ao ce: um novo sujeito (coletivo), lugares políticos novos (a expe-
sindicato e às esquerdas, o novo sujeito neles não encontra o
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11
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••
•• riência do cotidiano) numa prática nova (a criação de direitos,
a partir da consciência de interesses e vontades próprias) . como conseqüência, a cnaçao de novos espaços político s, uma
••
vez que a expe riência dos movimentos os conduz a novas rela-
Justarnente porque busca pensar essa novid ade, Eder Sader
ções com o espaço público - assim, os clubes de mães passam
inovará. Seu trabalho não se volta para a análise das estruturas
a perceber seu espaço como imbricado com o público através
(econômicas , sociais, políticas), mas para as experiências popu-
••
zaram as análises das esquer da s e das ciências sociais onde , por
nhar-se na elaboração do espaço fabril como campo de solida-
definição e por essência, ~d~é encarado como um espa-
riedade e de aprendizado da luta mais ampla, a luta de classes.
ço-tempo onde "nada acontece". Eder nos mostra o que e o
Passando a fazer política doutra maneira e noutros lugar es, os
•• t,'i,
/u"
..
/ junto · que - lhes dá ··a dignldade de um 'acontecimentQ _ l}jstó-
rico"~'. Não é o cotidiano nem sua aparência reiterativa que
em "conscientização"; na das esquerdas, em "reflexão crítica";
na do sindicalismo, em "socialização do saber" . Todavia, seja
•• ' fazem a novidade, mas _o_ s~ntido no vo que lhes emp~estam qual for a designação e seja qual for o pressuposto teórico de
seus agentes ao experimentar suas ações como lutas e resistên- quem a formula, o importante é que está simplesmente a indica r
cias. No dizer de um operário: "são pequenas lutas, mas que que os movimentos sociais operam como fontes populares de
•• """
11a consciência do cara representa uma puta coisa , porque é
uma vitória, o cara sente que foi uma conquista dele, sabe?" .
Pequenas luta s que, no dizer de um outro, são "l utas por
informação, apren dizado e conhecimento políticos que tendem
a ser ampliados e redefinidos pela própria prática e sua dinâm ica.
••
Disso, duas falas feminin as, recolhidas por Eder, são exem-
migalhas" e, ao mesmo tempo, "uma luta interessante". Que · · plares. A primeira delas interpreta a dificuldade para passar
são as miga lhas das pequenas vitórias das pequenas lutas? São das discussões em pequenos grupos, onde as pessoas estão mu-
••
entre os movimentos e de sua autonomia. Em segund o lugar, e
ainda revela um du plo processo em curso, o do aprend izado
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••
13
••
já realizado e o da transmissão de uma linguagem comum aos
que "falavam uma outra língua". Essas falas e as numerosas
mentos sociais populares e a representação político-partidária,
mas sem nisso demorar-se porquanto a per iodização escolhida
pelo autor coloca um término à análise antes que a reformu- ••
••
outras trazidas pelo autor culminam na afirmação do principal lação partidária viesse a ocorrer, nos anos seguintes.
esforço dos vários movimentos: "a gente procurava ficar tudo
N. análise das dificuldades enfrentadas pelos movimentos
bem juntinho". Solidariedade nascen le.
popu lares do período é concluíd a de modo aparentemente me-
Ainda como resultado da inovação de Eder Sader, surgem
às claras dificuldades e ilusões, ambigüidades e contradições
dos movimentos sociais populares do período, em São Paulo.
'!ancólico - Sader fala em derrota e ilusão -, mas só aparen-
temente. De fato, tendo escolhido um cam inho metodológico ••
••
novo, seria impossível ao autor concluir volta ndo às velhas
Dent re elas, reteremos duas. Por um lado, a tendência dos teses da ciência política sobre limites e ineficácia dos movi-
movimentos à rotina ou à paralisia sob o peso das dificuldades mentos sociais e sua necessária absorção pelos partidos polí-
••
materiais para mantê-los vivos após uma derrota ou depo is de ticos, únicos a lhes dar generalidade polít ica sob a condução
conseguida uma vitória, dificuldades, no entanto, que apontam de "elites" dirigentes.
para um outro fenômeno importante, qual seja , a preservação Com efeito, Ede r Sader se afasta critica mente de duas
..
de lideranças populares na figura dos que Jutam para manter
a criatividade dos movimentos e dos que conservam sua memó-
ria. Forma-se uma tradição de lutas popu lares . Por outro lado,
tentações: a da historiografia dos "mitos fundadores", que faria
dos movimentos sociais populares da década 70-80 a origem ••
a diferença qualitativa profunda entre movimentos coordenados
pela Igreja e aqueles nos quais sua presença é pequena ou nula.
única das lutas democráticas no Brasil e que, por conseguinte,
veria nos eventos posteriores a destruição ou o esquecimento
da origem que, então, se transformaria em mito, um acontecer ••
Nestes últ imos, como no caso das comissões de saúde da zona
leste da cidade de São Paulo, que rumaram para a formação de
conselhos populares de saúde e para o início da prática da
posto fora do tempo e este, através de seus agentes, surgiria
como traição; e a da periodização historiográfica oficial, onde a
democracia se converte em "processo de redemocratização" cujos
••
auto-gestão, a politização é mais clara, o confronto com o
Estado mais nítido, a defesa da aut~nomia mais acentuada do
que naq ueles em que a presença da Igreja é mais forte. Dife-
maTcos, vindos do alto, seriam a "distensão" (Geisel), a "aber-
. tura" (Figueiredo) e a "transição" (Tancredo-Sarney). Captan- ••
••
do a história, fazendo-se nou tro lugar e numa outra tempora-
rença que nos leva a indagar se o fato de Igreja, esquerdas e lidade, analisando a diferença espacial e temporal à distância
sindicatos serem "instituições em crise", no período, conduz dessas duas historiografias lineares, Sader nos prepara para a
••
ao mesmo resu ltado nos três casos ou se, no que tange à pri- compreensão da dupla face dos movimentos sociais ·populares
meira, a saída da crise não seria retorno a velhas práticas como o momento em que "novos personagens entraram em
centralizadoras. Pergunta necessária, no Brasil, onde a Igreja cena". Numa delas, vemos o início de uma sociabilidade fun-
tem-se mantido presente no campo político enquanto única
instituição organizada de uma tal maneira que a faz ser única
na capacidade para contrapôr-se ao outro centro organizado,
dada na solidariedade de classe e pela qual as chamadas clas-
ses populares passaram a fazer parte da cena histórica, não como
atores desempenhando papéis pré-fixados, mas como sujeitos
••
isto é, o Estado. Pergunta pertinente, uma vez que a tendência
dos movimentos populares analisados era a da autonomia (em
muitos deles chegando-se à auto-gestão) que pode ser bloqueada,
criando a própria cena através de sua própria ação e, com isso,
"constituíram um espaço público além do sistema da represen- ••
se uma instância centralizadora poderosa deles se apropriar.
Questões apenas afloradas por Eder Sader à luz de um outro
tação política" permitida, ou seja, o espaço da participação
cívica e trabalhista. Na outra face, vemos os limites impostos
ao projeto político que ali se desenhava e que, este sim , foi ••
••
prob lema de igual gravidade, isto é, a relação entre os movi-
15
14
•
1 . ,
••
mentos sociais populares da década de 1970-80? Desse sentido
encarrega-se a interpretação de Eder Sader, testemunho da con-
fiança num por -vir que não se deixa medir pelo passado, embo-
•...
•
ra se deixe ler por ele; quando a interpr etação permanece alerta
para a diferença temporal, irredutível à mera diferença empí-
rica dos tempos .
Marilena Chaui
. ••
,
emergência abre um novo período na história das classes traba-
lhadoras em nosso país, eu me propus a investigar circunstâncias
e características dessa nova configuração .
Enfrentei vários problemas nessa investigação, e, certamen-
••
mente definidos meu objeto e minha q·uestão, também poderia
definir com mais rigor as hipóteses e os métodos da pesquisa .
Mas na verdade não foi assim. Percebendo no início que os
.• '1
16 17
• IESP
/ UERJ BIBLIOTECA
••
necessário para a minha pesquisa. O campo era muito vasto,
e eu me vi dividido entre as exigências do rigor científico, im-
plicando uma delimitação maior e mais precisa do objeto da
suas condições de vida: a vida na metrópole, a ressocialização
dos migrantes, a luta pela casa, os espaços públicos. Procurei com
isso entender padrões de comportamento presentes no cotidiano
••
pesquisa, e os impulsos de um interesse político que levavam a
uma interrogação mais abrangente. Como, além disso, não sabia
em que aspectos da realida de a pesquisa poderia revelar melhor
popular de onde os movimentos sociais extraíram suas energias.
No capítulo lll estudo as matrizes discursivas que procura- ••
o significado dds novidades observadas, por um bom· tempo a
pesquisa e a reflexão se fizeram sob re aspectos os mais variados
e sem conexão evidente.
ram interpretar aque las experiências, atribuindo-lhes ·· novos sig-
nificados e fazendo de condições da vida cotidiana temas de
novas posturas políticas. Identif iquei três matrizes bás icas, desi-
••
. A verdade é que ~ modo como procurei entender o signi-
ficado do que acontecia, através dos movimentos sociais em
guais em consistência interna e incidência social: a das comu-
nidades de base, a de uma esquerda em crise e a do chamado
"novo sindicalismo " . Procurei reconstituir o modo como se for-
••
São Paulo, exigiu um longo percurso intelectual, que percorri
sem saber, no início, exatamente do que se tratava . Fui Jevndo
por minhas interrogações, que, no início, nem tinham seus con-
maram e se transformaram no in terior dos próprios movimentos
sociais que as incorporaram. ••
tornos bem definidos, mal podendo configurar um "objeto de
pesquisa" tal como apareceu no meio da jornada.
Até que, quase simultaneamente, se desenharam com mais
No capítulo IV proc uro acompanhar a história de quatro
movimentos sociais na Grande São Paulo, que se deram em torno
de quatro tipos diversos de organização: a do sindicato dos
••
cla~e~a o objeto, a questão e os caminhos da pesquisa. O objeto
defm 1u-se em torno das novas características dos mov imentos
metalúrgicos de São Bernardo, a da oposição metalúrgica de
São Paulo, a dos clubes de mães da periferia sul de São Paulo
e a das "comissões de saúde" da periferia leste. Procurei, nessa
••
••
sociais ocorr idos na década de 70. As questões centrafa come-
çam com a interrogação sobre as formas pelas quais movimen tos reconstituição da dinâmica desses movimentos, examinar as
sociais abriram novos espaços políticos, reelaborando temas modalidades particulares de reelaboração das experiências dos
••
da experiência cotidiana. Como isso se deu? Quais as implica- trabalhadores e a configuração de novos padrões de ação coletiva.
ções, decorrências, problemas que daí advieram? Na pesqu isa, eu recorri a técn icas e fontes as mais variadas.
No capítulo I procurei esclarecer a natureza das interroga - Ao tratar das experiências das condições de vida dos tra-
ções que me animaram na pesquisa e o significado dos conceitos
que lancei mão para efetuá-la. Procurei reconstituir os modos
balhado res cm São Paulo, lancei mão de depoime n tos pessoais,
dados estatís ticos, reportagens jornalísticas e relatórios de pes-
quisa, além das exposições e interpretações de outros pesquisa -
••
••
pelos quais os aspectos principais do tema emergiram teorica-
mente. Através das discussões que acompanharam a emergência dores. Para captar os significados presentes nas experiências,
do tema, tentei apresentar minhas escolhas teóricas. com os temas e interpretações atrib uídos, usei : depoimentos
••
No capítulo lI trato das experiências da condição proletária constantes em 21 entrevistas que realizei; depoimentos colhidos
em São Paulo no período considerado. Tomei depoimentos indi - pelo Gru po de Educação Popular da UR PL AN (Instituto de
vi~uais corno manifestações de significados presentes nas expe- Planejamento Regional e Urbano) da PUC; depoimentos colhi-
riências vividas e como indicadores das experiências coletivas.
Procurei então referênc ias mais gerais sobre as condições de
existência dessas popu lações para ter uma idéia da dimensão
dos pelo Centro de Estudos Migratórios; reportagens sobre a
vida urbana na Grande São Paulo, publicadas em diversos jornais
e revistas; narrativas e interpretações de outros autores, citados
••
das diversas modalidades registradas. Pesquisei aspectos que
iluminam os modos pelos quais os trabalhadores experimentaram
na bibliografia arrolada ao final. Para informações sobre a dis-
tribuição dos trabalhadores na formação do espaço metropolitaryo,
dist ribuição e condições dos migrantes, distrib uição da QOpula-
••
18
19 ••
••
•:1
interna. Os trabalhadores são o resultado não somente de suas
•••
com a "velha política" ainda dominante no sistema estatal. Como
politana de Planejamento da Grande São Paulo - S.A.), SEADE
os movimentos sociais dos trabalhadores incidem sobre o sistema
(Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) e DIEESE
de poder estabelecido? Como se determinam recipro camente os
(Departamento lntersindical de Estatís tica e Estudos Sócio-Eco-
•• zadas com mulheres dos clubes de mães pela URPLAN e dispo- sário. Seria quase impossível relacioná-los todos aqui, embora
níveis na Rede Mulher; a documentação sobre o Movimento do estejam inscritos num outro plano, "invisível aos olhos".
Custo de Vida disponível no CPV; a pesqui sa de Hamilton Faria Mas quero mencionar algwnas pessoas e experiências mais
•• muitos anos. Foi ele que acompanhou esta pesquisa com crí-
ticas e sugestões. Foi ele que me deu o exemplo de uma paix ão
militante pela causa dos trabalhadores un ida ao rigor crítico na
••
tuída e politizando questões do cotidiano dos lugares de trabalho No percurso intelectual que me levou à formulação das
e de moradia, eles " inventaram" novas formas de política. Mas questões que estão aqui colocadas, as observações de Maria Celia
a história dos movimentos sociais não é apenas a sua história
21
:• 1 20
••
••
Paoli foram decisivas, apontando novos caminhos num momento
de revisões teóricas. pude corrigir algumas das imperfeições do trabalho e sinto apenas
Devo agradecer a Hamilton Faria, que me permitiu o acesso não as ter aqui assimilado todas. A feitura do mapa só foi possí-
vel graças à orientação e ao trabalho de Ma1·ia Elena Simielli.
ao precioso material de sua pesquisa, mesmo antes que estivesse
acabada. O mesmo devo dizer de Lais Abramo. E das equipes
do GE P-URPLAN, em particular a Leila Blass e Silvio Caccia
Quero ainda registrar a ajuda de Monica Fern andes, Ana
Amélia Silva, Marlene Goldenstein, Marília Koutzii , Mareia ••
Bava, e da Rede Mulher , em particular a Moema Viezzer.
Eunice Durham contribuiu com sugestões extremamente
important es no momento do exame de qualificação.
Ferraz, José Antonio Carlos, Marilisa Garretta , Od ete Seabra,
Enali de Biagi, José Cesar Gnacarini em diferentes momentos do
,trabalho. E no zelo posto no trabalho de datil ografia por Maria
••
O amadurecimento das idéias que me ajudaram a pensar
o tema se fez em algumas experiências coletivas que me foram
do Carmo Gomes.
Este trabalho, com pouca s modificações, foi a tese de douto -
ramento que, sob a orientação de Azis Simão, apresentei ao
••
••
particularment e importantes.
Em primeiro lugar nas discussões travadas no coletivo da Departam ento de Sociologia da USP. Dos membro s da banca
revista Desvios,entre 1982 e 1985, onde o tema dos movimentos presidida por Aparecida Joly Gouveia e integrada por Marilen;
••
socia is foi freqüent emente associado às questões da autonomia, Chauí, Franci sco Weffort, Flavio Peirru cci e Orlando Miranda
da institu cionaliz aç ão, das possibilidades de uma nova prática tive a satisfação de recolher preciosas observações, críticas, su~
política e dos caminhos da transição brasileira. gestões, que já iniciaram um diálogo que, afinal, constitui o
Na Comissão de Movimentos Populare s do Partido dos
Trabalhad ores, entre 1983 e 1985, particip ei de elaborações sobre
experiências concretas, suas histórias e seus desafios políticos.
próprio sent ido do labor acadêmico.
Para a re dação da tese, além do apoio recebido em casa e no
antigo Depart amento de Ciências Sociais - com respectivas
••
O curso ministrado por Lucio Kowarick , sobre "Classes
sociais, Estado e urbanização", em 1983, constituiu um rico
dispensas de atividades domésticas e pr ofissionais -, contei
ainda, em parte do tempo, com a ajuda financ eira de uma bolsa
do CNPq.
••
momento de discussão sobre o tema.
A pesqui sa com Maria Celia Paoli e Vera da Silva Telles,
sobre a "rep resentação dos trabalhadores nas ciências sociais",
Finalmente , aqueles que se dispuseram a narr ar-me suas
experiências, tornando possível esta pesquisa: Conceição, Moura ••
em 1984, foi para mim · a oportunidade de uma reflexão coletiva
sobre as intrincadas relações entre realidade e representação.
Com elas mesmas e mais Flavio Aguiar e Artur Rfüeiro Neto, e a
Fernando , Ricardo, Pedro , Paulo , Zico, Vera, Sílvio , Carlos'.
Hélio , Roberto, Silvio, Cloves, Virgínia, Irma, Eduardo, Fabiano ,
Franc isca, Vera Lúcia, Resende. Espero ter sido digno de toda
••
partir de um roteiro formulado por Marilena Chauí , realizamos
um seminário sobre o tema da subjetividade e o sujeito, com
a atenção que cada um me dedicou.
Desejo dedicar este trabal ho à memória de amigos que ••
••
notórios reflexos sobre este estudo. morreram quando eu o redigia. Jurantir Garçoni, Jorge Baptista,
Meus cursos sobre "autonomia e submissão na formação do Luís Roberto Salinas Fortes e Gilberto Mathias puseram suas
proletariado" forneceram-me ocasião de sistematizar idéias e de inteligências a serviço de uma luta contra as injustiças e a
recolher inúmeras sugestões postas pelos estudantes.
As observaçõe s críticas de Marco Aurélio Garcia, Iren e
Cardoso, Regina Sader , Vera Silva Telles, Maria Celja Paoli,
opressão nos piores anos da ditadura em nosso país. E também
a de Santo Dias , militante da oposição sindical metalúrgica
de São Paulo, morto pela polícia militar durant e a greve de sua
••
Paul o Sérgio Muçouçah e Maria Helena Augusto, além de Azis
Simão, me foram particularmente importantes. Gra ças a elas
categor ia em novembro de 1979.
••
22
23 ••
••
•1
•• Capítulo
1
••
••
••••
••
1
el Idéias
e questões
.
•I
•,
••
•• O impacto do novo
•••
.,
Apresentando uma comunicação ao IV Encontro Regional
de História de São Paulo, realizado em 1978, o historiador
Kazumi Munakata afirmava que o "acontecimento político mais
importante do primeiro semestre deste ano não foi a indicação
•1
e'
do general Figueiredo para a Presidência da República e a
conseqüente crise do meio militar, nem o surgimento da candi-
•
Figueiredo já exerceu seu mandato e voltou para casa, quando
a transição política do regime militar para um civil já parece
•·
• 1 1. K. Munakata, "O lugar do movimento operário· in Anais do IV En-
•• ' cc.-ztro Regi onal de Hil,tória de São Paulo, ANPUH -UNESP , Araraquara,
1980, p. 61 .
•• 25
sua representação. 2 Foram assim redescobe rtos movimentos so- ')
••
ter cumprido suas etapas decisivas com o governo da "Aliança
Democrática", quando nada mais resta da "Frente N~cional de
ciais desde sua gestação no curso da década de 70. Eles foram
vistos, então, pelas suas linguagens, pelos lugares de onde se ••
Redemocratização", e quando a movimentação operária não
apenas forçou alterações de fato nas esferas da política salarial,
da liberdade sindical, do direito de greve, como fundamental-
manifestavam, pelos valores que professavam, como indicadores
da emergência de novas identidades coletivas. Tratava-se de uma
novidade no real e nas categodas de representação do real. ••
mente provocou o nascimento de novos atores no cenário político,
a afirmação feita por Kazumi, atrevida em seu tempo, corre até
o risco de parecer banal. Mas é preciso que nos situemos naquele
Absorver o impacto dessa novidade teria mesmo de demandar
·tempo. Minha pesquisa e minha reflexão sobre esses aconteci-
mentos fazem parte de um movimento intelectual que vem pro-
••
momento para poder avaliar a dimensão da ousadia. Basta aliás
acompanhar seu empenho ao polemizar sobre o lugar atribuído
curando compreender seu signüicado.
Para começar a identificar minha questão, me permito reto- ••
••
ao movimento operário nas representações dominantes. Na forma mar um desses momentos em que os novos atores começavam a
mais visível, nos meios de comunicação de massa, as greves ocupar os espaços públicos.
eram noticiadas nas seções de economia e referidas separada- Era a manhã ensolarada do dia 1.0 de maio de 1980, e as
mente aos diferentes setores da produção em que ocorriam.
e muito provável que na história política do país o período
entre 1978 e 1985 (portanto entre as greves do ABC e a vitória
pessoas que haviam chegado ao centro de São Bernardo para a
comemoração da data se depararam com a cidade ocupada por
8 mil policiais armados, com ordens de impedir qualquer concen-
••
de Tan credo Neves no Colégio Eleitoral) fique marcado como
mpmento decisivo na transição para uma nova forma de sistema
tração. Já desde as primeiras horas daquele dia as vias de acesso
estavam bloqueadas por comandos policiais que vistoriavam ôni-
bus, caminhões e automóveis que se dirigiam à cidade metalúr-
••
político. Mas, por sua vez, este novo sistema político está condi-
.cionado por significativas alterações no conjunto da sociedade
civil. Entre as rupturas, que marcam todas as transições, uma
gica. Pela manhã, enquanto um helicóptero ·sobrevoava os locais
previstos para as manifestações, carros de assalto e b'rucutus
exibiam a disposição repressiva das forças da ordem. -e que
••
das mais impressionantes nesta que estamos tratando é certamente
a q4e cruza a história do movimento operário, ou das "classes
aquele Dia do Trabalhador ocorria quando uma greve dos
metalúrgicos da região alcançava já um mês de duração e levara ••
••
populares", ou dos "setores dominados" (e esta própria hesitação o chefe do Serviço Nacional de Informações a prometer que
na nomenclatura, presente nas interpretações sobre esses fatos, "dobraria " a "república de São Bernardo". O que poderia ter
já indica uma novidade na forma como eles apareceram que se permanecido um dissídio salarial tornara-se um enfrentamento
acomodava mal às denominações já feitas). Atores sociais e
intérp retes, no próprio calor da hora, se aperceberam de que
político que polarizava a sociedade. Movidos pela solidariedade
à greve formaram-se comitês de apoio em fábricas e bairros
da Grande São Paulo. Pastorais da Igreja, parlamentares da
••
••
havia algo de novo emergindo na história social do país, cujo
significado, no entanto, era difícil de ser imediatamente captado. oposição, Ordem dos Advogados, sindicatos, artistas, estudantes,
jornalistas, professores assumiram a greve do ABC como expres-
A novidade eclodida em 1978 foi primeiramente enunciada
sob a forma de imagens, narrativas e análises referindo-se a
grupos populares os mais diversos que irrompiam na cena pública
reivindicando seus direitos, a começar pelo primeiro, pelo direito
são ·da luta democrática em curso. A resposta viera pronta: os
••
de reivindicar direitos. O impacto dos movimentos sociais em
1978 levou a uma revalorização de práticas sociais presentes no
2. Ver M. C. P~oli, E. Sader e V. Telles, • Pensando a classe operária:
os trabalhadores sujeitos ao imaginário acadêmico· in Revista Brasileira
de História, n.º 6, 1984. •
cotidiano popular, ofuscadas pelas modalidades dominantes de
26
27 1
:,•
1•
•
.,•
e' sindicatos promotores da greve foram postos sob intervenção e
••
••
Dois operários foram levados feridos para dentro da Matriz.
Entre os parlamentares presentes, o senador Teotônio Vilella
procurava convencer o coronel Braga, chefe da operação militar,
que as diferentes interpretações mostravam era o fato de o con-
flito fabril ter extravasad<r o contexto sindica l e, exprimindo uma
••
de Brasília para evitar enfrentamentos de alcance imprevisível em 1967 e imediatamente tornou -se um dos hinos da contestação daqueles
e permitir a concentração. A notícia correu rapidamente, e os anos. Seu refrão diz:
pequenos grupos foram se juntando, e só então seus participantes • Vem, vamos embora, que esperar não é saber,
••
1 Ainda fazem da flor seu mais forte refrão,
pequenos grupos, agora reunidos, consolidou uma imagem evo- E acreditam nas flores vencendo o canhão .
cada cada vez que os que o viveram falam sobre os movimentos Há soldados arruados, amados ou não,
Quase todos perdidos, de armas na mão,
••
sociais da década passada. Nas narrativas das pastorais da Igreja Nos quartéis lhes ensinam urna antiga lição,
aparecem uma pluralidade de pequenos grupos comunitários que De morrer pela pátria e viver sem razão.
se unem numa "caminhada". Não é por acaso que a canção de Nas escolas, .nas ruas, campos, construções,
., •• Vandré, aliás entoada naquela manhã de maio Jogo na · saída Somos todos soldados, armados ou não,
da praça da Matriz e até chegarem ao Estádio de Vila Euclides, Caminhando e cantando e seguindo a canção,
Somos todos iguais, braços dados ou .não .
foi incorporada como peça obrigatória nos ritos dos tempos de Os amores na mente, as flores no chão,
A certeza na frente, a história na mão,
•• 28
anos 70, adotada pelos grupos comunitários como expressão de resis-
tência.
•• 29
••
disposição coletiva de auto-afirmação, aberto um novo espaço
para a ~xpressão política dos traba lhadores. 5
sem maior esforço. A começar com palavras d~ixadas pelo
superintendente geral da Fiat no Brasil no começo dos anos 70: ••
Duas imagens
• A disciplina , a dedicação ao trabalho , o entusiasmo dos trabalha·
dores brasileiros c-0ntrastam profundamente c-0m as agitações e
convulsões que afligem atualmente todos os países desenvolvidos da ••
Quanto a mim, iniciei meu estudo interrogando-me sobre o
significado e o alcance das mudanças observa das no comporta-
área capitalista .. . •7
=
1•
•
•r
•
•• leira, do seu Estado e sua indust rialização. Os resultados de
••
classe incapaz de ação autônoma.
estas mudanças constituem um efeito retardado e mais profundo
As derrotas sofridas pelo movimento operário em 1964 e das derrotas dos anos 60. Elas expressam uma crise dos referen-
1968 tiveram um pr imeiro efeito de reforçar a imagem de impo- ciais políticos e analíticos que balizavam as representações sociais
••
partidos aos mais se pudesse recorrer, nem tribunais nos quais
tria automobilística e a 2.ª Revolução Industrial no Brasil, escrito se pudesse confiar. Na hora difícil, o primeiro recurso era à família,
pelo empresário Ramiz Gattás, que consegue falar de tudo que depois aos amigos, em algtms casos também aos companheiros de
trabalho. Se havia alguma chance de defesa havia que procurar um
•• gastar nenhuma das suas 500 páginas para referir -se aos tra-
balhadores.
E no entanto mudanças decisivas ocorreram no curso da
E é da experiência tensa do "terror de Estado" que Weffort
deriva a elaboração da sociedade civil e a alteração do próprio
••
• 1
década, mas através de progressivos deslocamentos de sentido tão
sutis que demandaram tempo para mostrarem-se em sua intei-
modo de abordar as questões políticas:
:1
•
reza. Pequenos atos, que até então seriam cons iderados insigni-
. ficantes ou reiteração de uma impotência, começam a receber
novas conotações. Manifestações incapazes de incidir eficazmente
"Nós queríamos ter uma sociedade civil, precisávamos dela para
nos defender do Estado monstruoso à .nossa frente. Isso significa
que , se não existisse, precisaríamos inventá -la. Se fosse pequena,
precisaríamos engrandecê-la ( . . . ) E evidente que, quando falq aqui
de 'invenção' ou de 'engrandecimento', não torno estas palavras no
•• 32
33
•
••
sentido de propaganda artificiosa. Tom o-as como sinais de valore s
presen tes na ação política , e que lhe conferiam sentido exata mente
porque a ação pretendia torná -los uma realidade• .12
rências culturai s /na metró pole, 15 despolitizadas pela ação de um
Estado que esvazia ou reprime os mecanismos de representação,16
alienadas e mas sific adas pelos meios de comunicação. 17 Até mes-'
••
Estávamos nesses momentos de crise nos qu ais se alteram
as próprias quest ões e os ângulos desde os quai s a sociedade
mo suas estratégias de sobreviv~ nçia aparec iam f W1cionais à
reprodu ção capitalista : a autoconst rução, meçanismo· pelo qual ••
se inte Froga; Nisso consiste a "invenção " de que fala Weffort,
assinalando o campo das experiê ncias vividas, de onde brotam
as especulações teóricas. Foi da experiência do fechamento do
a população mais pobre resolveu seu problema habitacional,
barateava os custos da repr odução da força de trabalho, permi-
tindo um rebaixamento dos salários reais; 18 o aprendizado pro-
••
Esta do que ele deixou de ser visto como o parâm etro no qual
se media a relevância de cada manif estação social. 13 Começam
fissiona l, através do qual famílias de trabalhadotes projetaram
uma ascensão social ou simplesmente protegeram-se num merca-
do de trabalho altamente competitivo , ao torn ar-se um processo
••
••
a surgir interrogações sobre as potencialidades de movimentos
sociais que só pod eri am se desenvolver fora da institucionalidade maciço, terminou diminuindo os salários reai s dos operários
estatal. Como disse Weffo rt, esse não é um movimento pura- qualificados. 19 Essas observ ações, feita s no campo das ciências
••
mente intelectua l. As idéia s aqui cor responde m - isto é, tanto sociais - sobre as prática s sociais dos trabalhadores, determi-
manifestam quant o pfoduzem - à emergência de novos padrões nadas ou subsumida _s pela lógica do capita l e de seu Estado -,
correspondem aos registros deixado s em depoimentos de operários
de prát icas coletivas. Essa nova valori zação da "sociedade civil "
expressava uma alteração de posições e significa dos na sociedad e,
que se mostrava~ tanto nas catego ria s de pensamento qu anto
e de militantes. ·
Ao final da década vários textos passaram a se referir à
irrupção de movimentos ope rários e popular es que emergiam
••
nas orientações das ações sociais.
Se formos examinar as idéias formuladas sobre as práti cas
e as cond ições de existê ncia dos trabalhadores, perceberemos uma
coqi a marca da autonomia e da contestação à ordem estabele-
cida. Era o "novo sindicali smo", que se pretend eu independente
do Estado e dos part idos; 20 eram os "novos movimentos de
••
significativa difer ença entre as represe ntações elabora das no
iníci o da década de 70 e as feitas ao findar da década. Na
bairro", que se constit u íram num pr ocesso de· auto-organização,
reivindicando direitos e não trocando favores como os do pas- ••
••
primeir a metade dos anos 70 as classes trabalh ador as foram vistas sado;21 era o su rgimento de uma "nova sociabilidade" em asso-
completamente subjugad as pela lógica do capital e pel a domina-
ção de um Esta do oni potente. Divididas pela concorrência no
••
15. Veja-se M. Berlinck, Marginalidade social e relações de classe em
mercad o de trabalho e pelas estratégia s empresariais, 14 atomi- São Paulo, Vozes, 1977; L. M. Rodrigues, Trabalhadores, sindi catos e
zadas na qualidade de migrantes rurais que perd em suas refe- industrialização, Brasiliense, 1974; C. Menezes, A mudan ça, Imago, 1976.
16. Veja-se F. H. Cardoso, O modelo politico brasileiro, Difel, 1977.
1•
34 35
•
~
•r
•• expressão dos trabalhadores, que poderia ser contra stado com o
••
nova configuração.
na esfera privada. 23 De onde ninguém espera va, pareciam emergir
novos sujeitos coletivos, que cr iava m seu própr io espaço e
requeriam novas categorias para sua inteligibilí dade.24
••
••
constituíam como sujeitos coletivos; pela sua linguagem, seus
temas e valores; pelas características das ações sociais em que
se moviam, anunciava-se o aparecimento de um novo tipo de
Na caracte riza ção de uma cr ise da sociologia clássica, feit a
por Alain Tourain e num livr o com o sugestivo título de Le
retour de l'acteur, reconhecemos uma proble mática similar .
Segundo Touraine, a socio logia se const ituiu como um modelo
de anál ise da vida social no qual o sistema social aparece levad o
• 1 por um movimento que vai da tradição à modernidade, da fé
••
1981. Difel, 1976; F. Foot H ardman, Nem pátria, nem patrão, Brasiliense,
23. Veja-se M. Celia Paoli, "Mulheres: o . lugar, a imagem, o movimento"
1983. Para o tipo populi sta , veja-se L. M. Rodrigue s, Sindicalismo e con -
in Perspectivas antropológicas da mulher , 4, 1985. flito industrial no Brasil, Dilel, 1966; F. Weffort, Sindicato e política,
24. Veja-se M. Celia Paoli, ·os trabalhadores urbanos nas falas dos
••
tese de livr e-docência, USP, 1975.
ou tros" in Comu nicação, n.º 7. do Museu Nacional UFRJ. 1982.
37
36
••
·~
harmonizaria ordem e progresso. Sem pretender expor toda a
linha de raciocinio do autor, aponto a importân cia que ele coloca para a defesa das condições de reprodução da força de trabalho". ••
na relação entre ator - ou sujeito - e sistema: O único problema consiste em que desaparecem, nesse processo,
as caracterí stic as singulares qu e mais chamam a atenção se nos
debru çamos pa ra examinar o fenômeno em sua originalidade.
••
••
• O aspecto mais impo rtant e da sociologia clássica está em qu e,
criando grandes conjuntos históricos portadores de sentido neles No caso, os padrões comunitári os, uma parti cular formulação
mesmos, ela reduzia a análise da ação social à pesquisa da posição das noções de justiça e direit o, a aversão pelo que é considerado
do ator no sistema. A sociologia da ação recusa essa explicação
••
do ator pelo sistema. Ela vê, pelo contrár io, em toda situação, o política, por exemplo, apare cem como simples "traços conjun-
resultado de relações entre os atores, definidos por suas orientações tura is" de um processo genérico sempre o mesmo.
culturais como por seus conflitos sociais· .26 A impossib ilidade de apreensão da natur eza dos novos
38
39
1
•1
•e 1
• A trajetória do sindicalismo metalúrgico de São Bernardo
refutaria esse prognóstico de Maria Herminia Almeida, 30 mos-
Tal tipo de interpretação já se defrontou com as dificu ldades
expostas pelo próprio curso do processo político no país. Com
••
••
orientações dos agentes sociais aí implicados .
E creio que o problema central está no modo como ela usa
a noção de "interesses" . Quando ela diz que o projeto daquela
nos proC'essos de atribuição de significado e no mundo simbólico
que definem fatos sociais nesses termos. Mais uma vez, ao fazer
as características políticas derivarem diretamente de fatores eco-
nômicos, o analista opera uma naturalização destes, perde~do
corrente sindi calista correspondia aos ' 'interesses" do setor mo-
••• derno dos assa lariados fabris, poupando-se de qua lqu er análise
específica sobre os valores assumidos por tais agentes, era como
a dimensão daquilo que os antropólogos chamaram de "enorme
plasticidade do organismo humano": ou seja, a grande gama de
respostas possíveis diante de uma mesma solicitação dada.32 Ou
•1
••
se aque les interesses decorressem naturalmente das características
das indústrias onde estavam empregados . Mas, então, seriam
inexplicáveis as diversidades de orientações entre correntes sindi-
cais assentadas em setores industriais com estrutura produtiva
poderíamos, para ficar ent re os sociólogos, nos remeter aos estu-
dos de Max Weber sobre os tipos de dominação legítima, onde
precisamente a legitimidade da dominação (ou suas ambigüida-
des, ou suas máscaras ... ) não é dada por si mesma, mas peJo
••
similar .
sentido que faz para os agentes sociais implicados. 33 Ou, final-
Também nos primeiros estudos sobre os movimentos sociais mente, no campo do marxismo, poderíamos nos remeter aos estu-
urbanos predominavam as explicações das características de dos de Gramsci sobre os mecanismos da hegemonia, pela qual.
.,
diretamente na produção, o Estado perderia toda sua ambigüi- determinações estruturais, os analistas chegam a impasses in-
••, .
Cultura e Política, n.º l, 1979. Esse tipo de explicação predominou nos
estudos pfoneiros sobre movimeptos sociais urbanos no Brasil .
32. Mais particularmente a pesquisa etnológica se sobrepôs às idéias
30. Mas caberia dizer que mesmo antes disso J. Humphrey elaborava acerca de demandas e necessidades enquanto dados naturais que rece-
uma caracterização do sindicalismo de São Bernardo que pareceria con- beriam respostas culturais. Desde, pelo menos, Marcel Mauss, o conjunto
firmada por seu desdobramento. Ver J. Humphrey, op. cit.
•
das instituições sociais configura uma totalidade que já pertence ao
3 l. Veja-se, por exemplo, F. Oliveira, Elegia pará urna re(li)gião, Paz domínio da cultura .
•• ,
•
40 41
••
Um deles apareceu para aqueles que, querendo falar da
"autonomia" dos movimentos sociais, apontavam-na como decor-
aquilo que diferenciou a liderança metalúrgica de São Bernardo
da direção sindical dos metalúrgicos de São Paulo, ou uma comu-
nidade de base de uma sociedade de amigos de bairro. O que ,
••
••
rente de determinações da estrutu ra polftii;a e econômica. Tais
movimentos seriam autônomos porque, buscando as condições em definitivo, é deixar escapar o principal.
necessárias para a reprodução da força de trabalho, encontravam Fui levado, por isso, ao estudo dos prtfoessos de atribuição
um Estado que se antepunha inflexivelmente a tais interesses.
Ainda que tal explicação pudesse dar conta da realidade empírica
observada (o que !, duvidoso), a noção mesma de autonomia aí
de significados, pelos quais uma ausência é definida' como carên-
cia e como necessidade, e pelos quais certas ações sociais são
definidas como correspondendo aos interesses de uma coletivida-
••
veiculada fica bastante mutilada. Seria uma autonomia diante do
Estado (mas então melhor teria sido dizer "antagonismo") , mas
nenhuma autonomia haver ia no sentido de um papel criativo ·
de. Refiz, assim, o percur so das ciências sociais e me dei conta de
que sua crise se expressa na perda de poder explicativo dos mo-
delos globais que a sustentaram, mas não implica a irrelevância
••
na história.
Outro está nessa idéia de "condições necessárias à repro-
das contribuições de seus autores para o conhecimento da vida
social, mesmo no que ela apresenta de mais atual. 37 ••
dução da força de trabalho" e que necessariamente não seriam
satisfeitas devido aos padrões da acumulação capita lista. Segundo
Marx, em cuja obra se inspiram os formuladores dessa explica-
Para a questão que neste momento está colocada - da
mediação entre estruturas dadas e ações sociais desenvolvidas -,
exponho os pontos que me servem de referência no estudo feito.
••
ção para as contradições urbanas, as con dições necessárias à
reprodução da força de trabalho são definidas historicamente,
correspondendo a um nível instituído socialmente (pelas lutas de
Com relação à elaboração cultural das necessidades, é certo
que os diferentes movimentos sociais aqui tratados, encontrando-
se numa mesma sociedade, partilham de uma mesma definição
••
classe, pela cultura). 35 Assim, como são necessidades sociais se
são necessariamente não satisfeitas? Onde estão instituídas en-
daquilo que é necessário - dos alimentos que saciam a fome,
do 'tipo de vestimenta que os abriga e os expõe, do significado ••
••
quanto necessidades? O paradoxo já foi apontado por Edison da casa, dos meios de transporte, do laz er etc. É certo que,
Nunes em sugestiva comunicação a respeito dos estudos sobre constituindo-se no campo genérico das chamadas classes traba-
movimentos reivindicativos urbanos. 36 lhadoras, tais movimentos se inscrev em num conjunto de práticas·
Uma conclusão extra ída da observação desses impasses é
que não se pode deduzir orientações e comportamentos de
"co ndições objetivas dadas ". Tais deduções pressupõem uma
que podem ser identifi cadas como lutas pela obtenção de bens
e serv iços que satisfaçam suas necessidades de reprodução. Isso
é compa rtid o pelos clubes de mães do Grajaú, pelos movimentos
••
noção de "necessidades objetivas" que moveriam os atores sem
as mediações simbólicas que as instituem enquanto necessidades
socia is. Quem pretender captar a dinâmica de movimentos sociais
dos favelados de Itaqu era, pelos membros do sindicato dos meta-
lúrgicos de Osasco. Ainda assim, o modo como o fazem (que
tipo de ações para alcançar seus objeti vos), tanto quanto a
••
explicando-os pelas condições objetivas que os envolvem e pou-
pando-se de · uma análise específica de seus imaginários próprio s
irá perder aquilo que os singu lariza. Ir á perder, por exemplo,
importância relativa atribuída aos diferentes bens, materiais ê
simbólicos, que reivindi cam, dep ende de uma constelação de
significados que orientam suas ações.
••
~
••
Depende , em primeiro lugar, do significado daquilo que
define um determinado grupo enquanto grupo, quer dizer , sua
35. Veja-se o ite m"Compra e venda da força de trabalho" in K. Marx
E( capital, vol. 1, cap IV, FCE, México, 1946, p. 124.
36. E. Nunes, "Carên cias urbanas e reivindicações populares·, mimeo,
CEDEC, 1985. 37. A. Touraine , op. cit.
•~
42 . 43
•~
•
•1
••
••
· identidade. Não se trata de alguma suposta identidade essenc~al,
inerente ao grupo e preexistente às suas práticas, mas sim ~:la
identidade derivada da posição que assume. Tal identidade se
implica tratar tais condições no quadro das significações cultu-
rais que as impregnam. E é na elaboração dessas experiências
que se identificam interesses, constituindo-se então coletiv idades
••
na formação social, mesmo aquela "estrutura já dada" é também
sujeitos em questão? São membros de um sindicato? Militantes produz ida pelas interações e lutas de classe.)
de um partido? Participantes de uma comunidade de base? E aqui finalmente retomo a questão da passagem de uma
•:1 dade. Podem lutar pela defesa de melho res condições de trabalho
como afirmação de uma dignidade coletiva. E daí por diante.
Depende finalmente - e talvez sobretudo - das expe-
ações", constitu iu um movimento intelectual de oposição ao
"objetivismo" preexistente. 39 Mas seguir essa trajetória seria
manter uma falsa dicotomia entre sujeitos e estruturas. Ora, os
riências vividas e que ficaram plasmadas em certas representações sujeitos estão implicad os nas estmturas objetivas da realidade.
•
••
expectativas herdadas, e ao modelar essas experiências em formas
culturais· _38
•
estruturada já de determinada maneira, a constituição histórica
das classes depende da experiência das condições dadas, o que
••
A. C. Ribeiro, "Paradigma e movimento social: por onde andam nossas
y conciencia de e/ase, Anagrama, p. 38. idéias?". Anpocs, 1984.
44
•
•
45
.•
.,
Mas o que sustentou é que, ainda assim, o "fazer histórico " "classes sociais", por outro lado os conceitos que permitiriam
fundamentar tais estudos ficaram por ser feitos. ••
••
"estabelece e se dá outra coisa que não o que ~implesmente é, Colocada a questão, ela foi freqüentemente respondida com
e que há nele significações que não são nem reflexo do percebido,
um esforço estéril para inserir as novas realidades nos velhos
nem simples prolongamento e sublimação das tendências da anima-
lidade, nem elaboração estritamente racional dos dados· .40 esquemas. Assim, por exemplo, M. Gloria Gohn, preocupada
••
,.
ginário constituído, através de novas experiências, · onde se pro-
duzem alterações de falas e deslocamentos de significados . Por Segundo tal concepção, movimentos sociais são deriv.ados
aí surgem práticas instituintes.
Do caráterde
classeàs configuraçõessociais
de diferentes classes sociais previamente configuradas. Seriam
como manifestações de uma essência.
Eu não considero que se deva abandonar a conceituação
marxista da existência "objetivamente dada" das classes sociais,
•1 .
. sob a condição de que nos entendamos bem a respeito do signi- l•
As referências empíricas dos estudos sobre os movimentos
sociais são as mais diversas: uma categoria sindical de trabalha-
dores, uma comunidade de base ou o conjunto das comunidades,
ficado dessa objetividade . Se pensarmos a realidade objetiva
como o resultado das ações sociais que se obietivaram - que
é' portanto , concomitantemente exterior aos atores sociais e fruto
••
favelados de uma determinada favela ou de uma vila, moradores
de um loteamento clandestino que se organizam, mulheres de
reiterado de suas práticas institucionalizadas 43 -, poderemos
pensar a existência objetiva da divisão de classes na sociedade ••
clubes de mães, o "movimento popular" pensado como um con-
junto de movimentos etc. Logo se colocou a questão de se
capitalista como uma "realidade virtual", uma condição vivida
e continuamente reelaborada. "Classe social" desse modo desig-
••
elucidar a relação entre tais agrupamentos, empiricamente dados ,
e a conceituação das classes sociais. Se os estudos concretos
desvendaram formas originais de práticas coletivas, freqüente-
na uma condição que é comum a um conjunto de indivíduos.
Mas ela é alterada pelo modo mesmo como é vivida. Francisco ••
mente encobertas por uma simplificada explicação através das
41. M. Gloria Gohn, A força da periferia, Vozes, 1985, p. 46.
42. Idem, ibidem, p. 49.
••
40. C. Castoriadis, A instituição imaginária da sociedade, Paz e Terra ,
1982, pp. 176-7.
43. Ver P. Berger e T. Luckmann, A construção social 'da realidade,
Vozes, 1978. ••
46
47
••
•
el
••
••.,. de Oliveira, estudando a constitu ição das classes e identidades
de classe em Salvador através da relação entre as esferas da
produção e da reprodução, observa que para tal pesquisa
Estão aí presentes d uas noções de classe: numa primeira,
"objetivamente dada" , a classe é definida pelas condições de
existência; na segunda ela depende d.a elaboração "subjet iva",
•I • faz-se necessário ater-se em prime iro lugar · à objetividade da da organ ização dos sujeitos implicados. Não se trata de escolher
•• A reprodução implica representações simbó licas pelas quais tiva, como nos casos em que um movimento operário aparece
.,
realidade criando a "classe para si". 47 Tal concepção foi nitida-
••
mentos sociais operam cortes e combinações de classe, conf igu-
rações e cruzamentos que não estavam dados previamente. mente expressada por dois marxistas franceses no curso dos
debates políticos do pós-68, ao assumirem a defesa das posições
Tomemos a célebre passagem do Dezoito Brumário, em
.'j. leninistas:
,, que Marx discute. a realidade de classe dos camponeses parce-
. 1! lários da França para explicar sua forma passiva de represen- "Lenin distingue cuidadosamente o sujeito teórico-histórico da revo-
•• tação através de Luís Bonaparte: lução (o proletariado como classe, que deriva do modo de produção)
e seu sujeito político-prático (a vanguarda que deriva da formação
social) que representa não já o proletariado 'em si', dominado
"Na medida em que milhões de famílias camponesas vivem em
e·conômica, política e ideologicamente, mas o proletariado 'para si',
••
seu próprio nome ( ... ) Não podem representar-se, têm que ser
representados" .45 46. Veja-se as sugestões de F. Oliveira, O elo perdido, op. cit., pp. 116-7.
47. Esta formulação já aparece em K. Marx, Miséria da filosofia. Veja-se
a p. 209 da Ed. Costes.
•• 48
49
•
·=
composição orgânica do capital, com uma "composição política",
que corresponderia à sua cultura e tradição de luta. 49
expressam uma insistente preocupação na elaboração das iden-
tidades coletivas, como forma do exercício de suas autonomias. ••
••
A discussão sobre as condições postas pela divisão capita- Neste momento, portanto, o termo aparece mais como objeto
. lista de trabalho social em nosso país tem certamente sua de análise do que como ' instrumento conceituai. Assim, na fa-
.importância para a compreensão dos movimentos sociais. Mas mosa assembléia do Movimento do Custo de Vida, realizada a
na verdade as maiores interrogações começam a partir daí> O
que desafiou a inteligência dos que se interessaram pelo fenô-
meno foi a emergência de uma nova configuração dos trabalha-
~O de junho de 1976, dom Mauro Morelli, bispo da região sul,
proclamava que "nós devemos ser sujeitos da nossa própria
história" .51
••
dores, uma outra identidade social, nova forma de representação
coletiva. ·Por isso, se nossa pesquisa procurou captar os ele-
E foi provavelmente a partir das falas que emergem dos
movimentos que muitos autores assumiram o termo e procura- ••
••
mentos que conformaram a condição proletária eqi São Paulo, ram elaborá-lo teoricamente. Tomemos uma rápida amostragem:
ela se deteve particularmente no estudo dos movimentos sociais J. A. Moisés, tratando das lutas dos metalúrgicos de São
que reelaboraram essa experiência. Bernardo:
A identificaçãodos sujeitos
• . .. talvez seja o caso de admitir a existência de uma estratégia
subjacente a esses movimentos que apontam , precisamente , na
direção da constituição de um novo suieito coletivo. l!. a Juta pela
••
Tanto tenho usado a noção de sujeito para nomear os movi-
mentos sociais que já não posso me furtar a uma discussão
cidadania que dá conteúdo ao movimento sindical que, para se
afirmar, acaba entrando na política• .52
••
sobre o significado de tal conceito. Poucas noções sãp tão ambí~
guas, carregadas de sutilezas e ma l-entendidos como essá. Se
J. C. Petrini, ao descrever o desenvolvimento de uma comu-
nidade de base: ••
••
num enunciado ela pressupõe a soberania do ator, mim· outro "Teve início assim o lento processo de agregação popular ( . . . ) que
pressupõe sua sujeição. Em suma, da filosofia à lingüí~tica, constituiu aquelas pessoas como um sujeito popular, com uma
identidade própria, progressivamente conquistada , com a con sciên-
passando pela psicanálise, pisamos num terreno minado, palco
cia de ter uma história semelhante, problemas e esperanças comuns,
das mais acesas polêmicas. Não se trata aqui, evidentemente, de
trilhar toda a história polêmica do conceito, o que nos levari~
pelo menos até Descartes. 50 Mas estou obrigado a elucidar as.
os mesmos valores, e também um destino comum· ,53
••
••
res • in Processo de trabalho e estratégias de classe, Zahar, 1982. 51. Cf. Cadernos do CEAS, n.º 45, 1976.
50. Pude compreender melhor algo sobre o tema sobretudo graças ao 52. J. A. Moisés, "Qual é a estratégia . .. · , op. cit., p. 36, grifos meus.
estudo das anotações de um curso de Marilena Chauí sobre • A morte 53. J. C . Petrini , CEBs: um novo sujeito popular , Paz e Terra, ·1984,
da · consciência na (ilosofia contemporânea •.
•
p. 89.
50 51
·1
:
1•
•1
•• "povo" enquanto categoria histórica. Mas um traço comum é
••
do povo organizado, novo sujeito histórico emergente na sociedade e em cujo devir o próprio analista projeta suas perspectivas e
e na Igreja• .54 faz suas apostas. E outro traço comum, vinculado a este, é a
conotação com a idéia de autonomia, como elaboração da própria
•'
S. Caccia Bava, referindo-se a uma pluralidade de práticas identidade e de projetos coletivos de mudança socia l a partir das
dos trabalhadores que constituíram diversos movimentos sociais: próprias experiências.
e "A articulação destes ;;vos espaços públicos, a troca de experiên- A rigor a constituição de um coletivo qualquer enquan to
:1
•
cias e a criação de novos valores entre os trabalhadores através
destes processos de mobilização colocam como possibilidade histórica
a expressão independente e autônoma dos trabalhadores e sua cons-
tituição enquanto sujeito politico• .55
sujeito não implica sua autonomia. Temos vários exemplos
de sujeitos coletivos constituídos através de identidades que
lhes foram atribuídas. Podem os pensar desse modo a identidade
dos trabalhadores formada pelo getulismo. Aquele vasto movi -
.,
• ... voltado para a reconstrução das lutas operárias na região do
ABC, com o objetivo de colaborar na construção de um novo Mas .• se não há correlação necessária entre autonomia e
•
sujeito político histórico... "56
sujeito, o fato é que a autonomia presente nos movimentos
corroeu algumas das características que constituem a noção de
E Tilman Evers, discutindo o significado nos novos movi-
sujeito. De um lado a pluralidade dos movimentos, sem a neces-
mentos sociais:
e '
.r " ...0 que pode ser de relevância prática para os movimentos
sociais atuais são os primeiros e tímidos passos no sentido de
sária constitu ição de um "ce ntro estruturante", conspira contra
a idéia de um "sujeito histórico" capaz de ordenar a diversidade
e atribuir racionalidade aos dados. De outro, a extrema mutabi-
•• 54. L. Boff, E a igreja se fez povo, Vozes, 1986, pp. 58-9. O primeiro de enunciação" - porque refere mais diretamente a expressão
grifo é dele, o segundo é meu. subjetiva aos processos singulares de constituição coletiva - ,
55. S. Caccia Bava , Práticas cotidianas e movimentos sociais, dissertação num texto escrito com T. Negri, relaciona as novas formas de
••
de mestrado, USP, 1983, p. 9, grifos meus .
56. H. Martins, Igreja e movimento operário no ABC - 1954-1975,tese
de doutoramento, USP, 1987, p. 15, grifos meus .
58. Ver Oliveira, Velloso e Comes, Estado Novo: ideologia e poder,
57. T. Evers, • Identidade: a face oculta dos movimentos sociais" in
••
Zahar, 1982.
Novos Estudos, Cebrap, abril 1984, p. 18, grifos meus .
53
52
•
••
produção de subjetiv idad e com as mudanças ocorridas nos modos
de produção. Simplificando muito: à medida que as modali-
dades da produção cap italística invad em todos os · poros da
da estrutura social. O que acontece é que, a partir do momento
em que surgiram movimentos de contestação às concepções sis- ••
••
sociedade, provocam também uma inédita politização no socia l têmicas, vários termos foram reconotados. Touraine retomou a
e, com isso, um descentramento do político. 59 noção de ator, já pensado como um elemento dotado de auto-
E. Laclau também estuda os novos movimentos sociais a nomia. Nada impediria o mesmo com a noção de agente. O
partir de uma crítica à noção clássica de sujeito. Considera que
as transformações do capitalismo no século XX debilitaram o
vínculo entre as experiências dos trabalhadores no local da
fato é que no Brasil, a partir dos discursos presentes nas comu-
nidades de base, foi a noção de sujeito que emergiu com esse
novo sentido. Pr eferi por isso traba lhá-la, usando-a no sentido
••
produçã o e as vividas em outras esferas, que se multiplicaram
e ganharam mais importância. Em decorrência, o agente social
que a elabora Castoriadis, quando ela pode denotar tanto a
autonomia como a heteronomia. ••
••
não possui mai s unidade e homogeneidade, sendo dependente Quando uso a noção de sujeito coletiv o é no sentido de
de várias "posições de sujeito", através das quais ele é consti- uma coletividade onde se elabora uma identidade e se organi-
tuído em diversas instâncias. Procurando capitar a peculiaridade zam prát icas através das quais seus membros pretendem def en-
dos novos movimentos sociais, diz que sua característica central
••
do sistema social. O ator social, como aquele que representa E, sobretudo, a racionalidade da situação não se encontra na
um papel, designava o portador de papéis definidos no nível consciência de um ator privilegiado, mas é também resultado do
encontro das várias estratégias.
•••
••
•• o Consciente possa absorver e esgotar o Inconsciente, mas de O discurso que revela a ação reveJa também o seu sujeito .
••
que ele se torne a " instânc ia de decisão". Se, com Lacan, "o Assim, do discurso dependeria a atribuição de sentido às coisas,
inconsciente é o discurso do Outro ", a autonomia é o processo a partir do primeiro significad o, que permite o diálogo human o,
pelo qual meu discurso toma o lugar desse discurso estranho que é o d~ estabelecimento das identidades .
•• que está em mim e me domina. O "d iscurso Meu" não pode ser
a eliminação do "d iscurso do Outr o", que brota constantemente
nas pulsões inconscientes de cada um. Assim (mas simplificando
A jdentidade se revela no discurso? Mais do que isso. se
nos vollarmos para a Psicanálise, ela se constitui nessa operação .
Dela aprendemos que as pulsões do inconsciente só podem ser
• ••
e empobrecendo a exposição de Castoriadis) a máxima de Freud
não é tomada como idéia reguladora com referência a um estado
impossível, conclu ído, mas a uma sit uação ativa de uma pessoa
que não cessa de retomar suas fantasias sem deixar -se dominar
reconhecidas ao serem nomeadas e, portanto, inscritas na lin-
guagem. Mas, assim como a pa lavra que nomeia o desejo não
é o próprio desejo, a identidade expressada no discurso do
sujeito não é igual ao incons ciente mudo que o impeliu para a
••
lizados. E na verdade a primeira delas e que dá o molde pri -
de se haver; e sem esse objeto ela simplesmente não é. O sujeito
é também atividade, mas a atividade é atividade sobre alguma mordial através do qual daremos forma a qualquer de nossos
coisa, do contrár io ela não é nada . Ela é pois co-determi nada por impulsos. Ela é condição tanto no sentido de que nos "condi -
••
é pela dimensão do imaginário como capacidade de dar-se algo
além daquilo que está dado.
Desse modo, ao exprimir algo o sujeito não apenas comu-
nica algo aos outros mas também para si mesmo.
••
Diz Hannah Arendt que mesma falta, a mesma privação, mas ainda para saber de que há
• o ato humano primordial deve conter a resposta à pergunta que falta e privação. Como chega a isto? A intenção significat iva se
se faz a todo recém-chegado: 'quem és?' ".62 dá um corpo e conhece-se a si mesma buscando um equiva lente no
•• 56 57
•
sistema das significações disponíveis, que representam a lú1gua que
falo e o conjunto dos escritos e da cultura de que sou herdeiro.
manda do reconhecimento da própria dignidade pode ser satis-
feita por meio do trabalho árduo ou da preservação do fim de
·=
•
Para a intenção significativa , voto mudo, trata -se de realizar um
certo arranjo dos instrumentos já significantes ou das significações
já falantes (instrumentos morfológicos, sintáticos, léxicos, gêneros
semana para pescar, da liberdade indi vidual ou da integridade
da família, do culto religioso ou da liberdade política. ••
literários, tipos de narrativa, modos de apresentação do aconteci-
mento, etc.) suscitando no ouvinte o pressentimento de uma signifi-
cação outra e nova, e, inversamente, promovendo naquele que
Quando nos referimos a um "d iscurso" estamos pensando
no uso ordena do da linguagem, numa fala ou num texto em que
um sujeito se dirige a um público (ou, no limite, a uma segunda ••
fala ou escreve a ancoragem da significação inédita nas significações
já disponíveis. "64
pessoa). Os diversos discursos que lemos ou escutamos numa
sociedade num dado período - falas do Lula, sermões de dom
Paulo, discursos presidenciais - podem ser remetidos a matrizes
••
Recorrendo à linguagem, enquanto estrutura dada, para
poder expressar-se, o sujeito se inscreve na tradição de toda sua
cultura. Mas, nesse mesmo ato de expressar-se, operando um
discursivas que compõem, nessa sociedade e nesse tempo, um
modo - e suas variações - de nomear seus problemas, obje-
tivos, valol'es. Embora se expressem, através dos discursos, os
••
novo arra njo das significações instituídas, ele suscita novos
significados.
antagonismos e mecanismos de poder que constituem as lutas
sociais, não iremos encontrar sistemas compartimentados que ••
Se pensarmos num sujeito coletivo, nós nos encontramos,
em sua gênese, com um conjunto de necessidades, anseios, me-
dos, motivações, suscitado pela trama das relações sociais nas
separem de modo absoluto modelos discu rsivos de uns e outros.
E Foucault quem discute as relações intrincad as entre discurso
e poder:
••
quais ele se constitui. Assim, se tomarmos um grupo de tra-
balhadores residentes numa determinada vila da periferia, pode-
remos identificar suas carências, tanto de bens materiais necessá-
"I! precisamente no discurso que se art iculam o poder e o saber.
E por essa razão mesma, é necessário conceber o discurso corno ••
rios à sua reprodução quanto de ações e símbolos através dos
quais eles se reconhecem naquilo que, em cada caso, é con side-
rado sua dignidade. Mas essas demandas de reprodução material
uma série de segmentos desco ntínuos , cuja função tática · não é
uniforme nem estável. Mais precisamente: não se deve imaginar um
mundo do discurso dividido entre o discurso acolhido e o discurso
excluído ou entre o discurso dominante e o discurso domi nado;
••
e de reconhecimento simbólico encontram-se, antes dos discur-
sos, apenas em estado de existência virtual. Existem sem forma
mas como uma multiplicidade de elementos discursivos que podem
atuar em estra tégias diversas. I! essa distribuição que é preciso
restituir, com o que ela comporta de coisas ditas e coisas escondidas,
••
nem atualidade. E é claro que, quando nos referimos a essa exis-
tência virtual antes dos discursos, trata-se apenas de urna situa-
ção lógica, já que tais demandas jamais existem nesse estado
de enunciações requeridas e das proibidas; com o que ela supõe de
variantes e de efeitos diferentes segund o quem fala, sua posição
de poder, o contexto institucional em que se acha colocado; com o
••
mudo; em cada situação concreta se encontram materializadas
de um modo particular. :e
através dos discursos que tais deman-
das são nomeadas e objetivadas de formas específicas. através :e
que ela comporta também de deslocamentos e de re-utilizações de
fórmulas idênticas para objetivos opostos" ,65
59
58
••
•• sejam iguais e nem mesmo que derivem de uma mesma matriz
discursiva. Mas, tendo de interp elar um dado público, todo dis-
CaplÍulo
II
•• curso é obrigado a lançar mão de um sistema de referências
compart ido pelo que fala e por seus ouvintes . Constitui-se um
novo sujeito político quando emerge uma matriz discursiva
••
nheçam nesses novos significa dos . J?. assim que, formados no
campo comum do imaginário de uma sociedade , emergem ma-
trizes discursivas que expressam as divisões e os antagonismos
Sobreasexperiências
dacondição
proletária
emSãoPaulo
•• dessa sociedade .
Num sugestivo texto no qual expõe algumas premissas para
uma pesquisa sobre as origens do peronismo, Oscar Landi lança
••
"a realização exitosa de um sistema de interpelações pelo qual os
indiv íduos ou grupos sociais se reconheçam a si mesmos como
dava mais. "A gente veio com a cara e a coragem." O pai veio
partes de um 'nós' que os inclui . primeiro e alugou um quarto de 4 por 4 na Vila Guilhermina
Este processo não cons iste na conquista da adesão de diferentes se- (bairro da Vila Matilde, na zona leste) onde se alojaram os 13.
••
lidades que tinham no trabalho da lavoura de nada lhes serviam
de maneira temporária e conflit iva" .66
na cidade. Foram todos buscar trabalho em diferentes fábricas .
Assim, em nosso caso, na emergência dos novos atores O pai foi ser "ajudante geral". E os irmãos, "já com 12, 13 ou
••
setores sociais .
os membros da família em diferentes empregos, mas não anula
o lugar da família como núcleo de referência básico: o trabalho
66. O. Landi, "Lenguajes, identidades colectivas Y. actores políticos",
de cada um é visto como forma de "ajudar" a família, em que
mimeo, 1979, pp. 10-1.
•
• 1 1
todos se apóiam .
60
•• 61
••
Ela mesma começo u a trabalhar com 12 anos "em casa
de família e também costurando pra fora". Essa habiJidade
Assim foram se integrando na cidade. Aliás, o quarto da
Vila Guilhermina já havia sido abandonado, ·pois o pai com-
prara um terreno um pouquinho mais distante, na Cidade Pa-
••
••
doméstica foi o ponto de partida para s.ua integração no traba lho
industrial. "E depois que eu peguei a idade, mais ou menos triarca, onde a família foi construindo, aos domingos, a casinha
com 14 anos, que o juiz só au torizava com 14 anos, aí então onde ela morou durante 30 anos. 1
eu passei a trabalhar em fábrica." Começou como aprendiz de
cerzideira e trabalhou em fábrica têxtil até casar.
Estranhou muito o trabalho fabril, "porq ue eu não tinha
Já dessas indicações assim resumidas temos referências de
temas básicos da sua experiência de vida: a migração enquanto
projeto familiar; a redefinição da família na integração urbana;
••
aquela liberdade de poder sair, pra ir tomar café, pra ir no
banheiro a hora que quer. Era tudo regulado em fábrica". Fa-
lando disso quase 30 anos depois, ainda se lembra: "Tinha umas
o impacto da disciplina fabril e a reação operária; a construção
da casa própria através do trabalho dom~stico; o encontro com
as comunidades de base. Mas, antes de \Íer como a história de
Virgínia se cruza com outras na constituição de . movimentos
•••
chapinhas, a gente só podia ir no banheiro com aquelas chapi-
nhas. Então a nossa sala tinha umas 300 companheiras ( ... )
dessas 300 só 10. . . não, menos, acho que eram umas 5 chapi-
nhas. Então você vê, quando uma tava com a chapinha no banhei-
populares em São Paul o, observemos como elas compõem, na
multidão de trajetórias as mais díspares, uma presença primeira
dos trabalhadores na constituição do espaço metropolitano.
••
•••
ro, a outra podia estar morrendo de necessidade, não podia fr
enquanto ela não chegasse ( ... ) Daí eu era muito revoltada".
O desajuste entre os hábitos formados no trabalho rural e os Na voragem do progresso
encontrados no industrial produz essa indignação contra a
regulamentação que ignorava as necessidades de cada uma. O
sentimento de revolta encontra forma de expressão quando ela
recebe "u m pouco de orientação de outras pessoas, de falar
O que significou, para os indivíduos das classes populares,
viver em São Paulo nesses 20 anos entre 1960 e 1980? Ou,
em outras palavras, o que foi, nesse período da vida <la metró-
pole, a expe ri ência da condição proletária?
••
pra mim que eu não podia deixar passar isso barato". Ela se t•
dá conta de onde apoiar-se: "Con versando assim, com uma com-
panheira, com outra, elas falam assim, olha aí que a gente
tem direito de ganhar o dia quando falta por doença. Tem lei
A bem dizer não tivemos uma experiência da condição
proletária: um mesmo padrão que fosse compartido comumente
por uma coletividade homogênea. Diferenças devidas, de um
••
que favorece o trabalhador, qye tem de ganhar tanto, o mínimo,
menos do que isso não pode ganha r". Ela se dá conta da exis-
tência de direitos e vai à Justiça contra a empresa. Assim, se o
lado, aos diversos lugares ocupados na "d ivisão do trabalho
social" e, de outro, aos diversos padrões cultura is existentes
produziram experiências diversas. Por isso teremos de captar,
•
desajuste inicial tinha por base a cultura rural, já sua rebeldia ao lado dos processos sociais ma is gerais que envolveram a
se manifesta através d_e referências atuais da vida urbana. região metropolitanâ, as diversidades ocorr ida s.
Para que possamos nos introduzir nesse universo , vejamos
Contá também que, por insistên cia do pai e da avó, de
primeiramente dois registros loca lizados dessas experiências.
"tra dição · da família, assim, ser católico, cum prid or dos seus
O primeir o é de Francisca, que veio da roça na Paraíba,
deveres", foi participar numa comun id ade de jovens da igreja
em 19~5, para morar numa favela no Grajaú e se empregar
e partiu " pra essa luta assim no bairro". A incorporação à comu-
numa fábrica. Perguntada sobre o que mais a impressionara
nidade da igreja, est igiulada pelo catolicismo tradicional da
família, ganha um outro' sentido graças às experiências coletivas
no bairro. t. Depoimento dado ao autor.
62 63
•1
••
••
ao chegar em São Paulo, respondeu que "é a correria, o pequeno -foi a Rodovia dos Imigrantes, desapropriando centenas de imóveis,
espaço de descanso da gente ... " eliminando 11 campos de futebol de várzea e praticamente toda a
Em seguida adiciona que "por outro lado, é aquele tal de Vila Imprensa. Em 1968, a construção da Linha Norte-Sul do
.,•
•• Metrô é oficialmente inaugurada. Concluída, ela trouxe confor to,
'emprego dá dinheiro'". Crítica da situação e do sistema (mili- mas também muito transtorno ... "4
tante ativa de comunidade de base), ela diz que o dinheiro não
dá para nada, mas não deixa de reconhecer que ele permite o Através do olhar nostálgico desta narrati va ficamos sabendo
acesso a recursos que não teria na roça. 2
.,
que o barulho das· máquinas de terraplanagem, britadeiras e
O segundo é uma reportagem publicada no jornal O Estado caminhões com pedra e terra estavam desfazendo o sossego
de S. Paulo em 1980, com a narrativa das profundas muda nças do velho bairro. As ruas, tomadas por intenso tráfego de ônibus
ocorridas no bairro do Jabaquara. Desde os anos 50 o Jabaquara e automóveis, já não comportavam as conversas despreocupadas
•I não é mais periferia, e lá se encont ram parcelas significativas de de vizinhos e as brincadeiras das crianças. As relações de vizi-
•
desfigurava o bairro. Pavimentação de ruas, extensão das redes melhorias reivindicadas pelos próprios moradores. Assim, um
de água e esgotos, canalização de córregos, abertura de estações deles, conselheiro da Sociedade Amigos de Bairro de uma das
••
.t
• 111
'i 1
de metrô, um anel rodoviário e uma nova rodovia, um grande
viaduto eram expressões desse progresso que viera desfazer um
modo de vida caracterizado pela tranqüfüdade de ruas onde as
crianças brincavam, por uma convivência comunitária, praças
vilas do Jabaquara , após lembrar a vida comunitária anterior-
mente existente, quando "a gente colocava cadeiras na frente
das cas,as e todos se conheciam", diz que co.m as obras todas,
que dotaram a localidade de toda a infra-estrutura necessária
••
como "resultado do progresso" .
"Não prec isou muito tempo para que o crescimento da região e o Teria sido interessante saber como os diferentes setores
progresso, levado pelas melhorias públicas, alterassem toda a estru -
desse bairro viveram tais mudanças. Infelizmente não temos
tura anterior. Em 16 anos sua população passou de 50 mil para
•• 1 300 mil, que há 12 anos enfrentam obras consecutivas. Primeiro tais informações, mas a própria reportagem deixa indicações
sobre diferenças entre os que - nostalgias à parte - se bene-
ficiaram com as melhorias (sem falar dos recém-chegados, que
••
el
2. Depoimento dado ao autor.
3. A SEPLAN (Secretaria de Economia e Planejamento do Governo do
Estado) dividiu os distritos da Capital em 8 áreas homogêneas a partir
certamente nem teriam tais nostalgias) e aqueles que foram sacri-
ficados por tal progresso. Ou seja, não só os que tiveram de
se mudar porque as obras públicas derrubaram suas casas, mas
••
4. Celia Romano, "Jabaquara, hoje um bairro desfigurado" in O Estado
gundo as condições de vida, as da área I eram as que apresentavam os
de S. Paulo, J0/2/80. Anote-se que os dados que ela apresenta sobre a
padrões mais elevados. O Jabaquara estava na área VII. Cf. SEPLAN.
elevação da população não correspondem às estatísticas existentes, ainda
Subdivisão do município de São Paulo em áreas homogêneas, 1977 .
que não refutem sua caracterização geral.
•• 64 65
••
também os que, com a valorizaç _ão dos terrenos, foram empurra-
dós para novas periferias, de custos mais baratos.
· 'Os depoimentos ademais se caracterizam por amalgamar na
como uma "correria" que deixa pouco espaço para o descanso
das gentes ... ••
••
Essa tal voragem foi , em primeiro lugar a experiência de
noção de "progresso" o conjunto das mudanças feitas, tanto as viver numa metrópole num crescimento vertiginoso que, para
queridas como as indesejadas, aparecendo estas, em geral, como realizar-se, teve de destruir e refazer constantemente seu am-
••
o preçô J?ago pela obtenção das primeiras. biente construído.
Temos aqui algo dessa experiência da vida metropolitana Foi na década de 50 que São Paulo se tornou a "cidade
que poderíamos chamar de "voragem do progresso". O termo que mais cresce no mundo", alcançando a taxa de crescimento
"voragem" me veio a partir de observações feitas · por Jorge
Wilheim a propósito de wn padrão de vida urbana em São
Paulo, numa entrevista em que descreve uma característica des-
anual geométricp de 5 ,6 % . O ritmo foi decrescente nas décadas
seguintes, mas não deixou de ser bem elevado. A população de
1960 - que já era resultado de um crescimento notável nos
••
.personalizante desta metrópole, onde seus moradores não reco-
nhecem seus lugares.
passados 1O anos - aumentou mais de duas vezes e meia até
1980. ••
"Todos sabemos que São Paulo é uma cidade que cresceu, em
primeiro lugar, por correntes migratórias, principalmente na década
de 50. As pessoas que ainda vêm para cá estão deixando lugares
EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO RESIDENTE
••
onde a vida é pior do que aqui. Onde existe menos oportunidade
do que aqui. Quando aqui chegam, a diversificação de mercado,
de emprego, de oportunidades faz com que todos os migrantes se SP município
Em mil habitantes
1960
3.709
1970
5.905
1980
8.493
Taxa cresc . geométrico
1970-60
4,79%
1980-70
3,67%
••
lancem com grande veemência na conquista ._dessa terra nova e
dessas oportunidades novas.
Isso faz com que cada cidadão se comporte de uma forma indivi-
SP região metropolitana 4.791 8.140 12.588 5,44%
O termo voraz me pareceu apropriado para assinalar um Anote-se, nos números, o aumento relativo da região metro-
••
traço marcante da experiência de vida na metrópole p~ulista.
Só que, pelo :menos para os casos que estamos examinando, a
voragem aparece primeiro como um atributo de processos exte-
politana. Quer dizer que o crescimento populaciona _l se estende
sobretudo por outros municípios da Grande São Paulo. Não
se deve entender por aí que o município da capital já tivesse
••
riores e independentes .'das vémtades dos indivíduos. É o pro- esgotado sua capacidade de expansão demográfica. Na verdade,
gresso que é vivido como um processo objetivo, com vida
própria, que traz melhorias para os que sabem (ou podem)
aproveitar-se dele, mas também traz pe~das e sacrifícios para os
se tomarmos os incrementos populacionais em termos absolutos,
veremos que a maioria se localizou na capital, sobretudo em suas
periferias. (Ver Anexo 1.)
••
que não conseguem "pegá-lo pelo lado certo". O progresso,
como algo inerente à metrópole, é percebido como um cresci-
mento vertiginoso, que provoca transformações ininterruptas,
Procuremos , além dos números, olhar os processos sociais
que eles registraram. Observaremos então as trajetórias percor-
ridas pela população metropolitana, procurando localizar-se na
•
cidade em mutação.
Dos estudos feitos acerca dos padrões habitacionais das
5. Entrevista com J. Wilheim, "Cada um por si e São Paulo para todos" populações de baixa renda em São Paulo, Nabil Bonduki nos
in Folhetim de 27/1/80. dá uma primeira abordagem:
66 67
-
•1
:1
••
• A trajetória habitacional de milhares de migrantes que chegam
montagem dos equipamentos urbanos que se fazia em função
entre 1940 e 1970 em São Paulo apresenta uma significátiva seme-
lhança: na chegada o abrigo em casas de parentes/conterrâne.os ou, 'delas. Assim também se localizavam próximos às suas fontes de
emprego (tal proximidade aparecia como um dos motivos da
••.,
para os que não têm nenhum conhecido, o aluguel de um comodo
no cortiço ou no fundo de lote na periferia; depois, para todos, o fixação nessas áreas, se bem que a alta rotatividade no emprego
aluguel se generaliza como a solução mais simples; no entanto, freqüentemente os obrigava aos maiores e mais complicados
0 destino mais comum, depois de passar algum tempo pagando deslocamentos). E junto com os operários e os aspirantes ao
aluguel, era a compra de um lote desprovido de qualquer melh?·
trabalho industrial foram os que subsistiam com atividades vol-
••
ramento e a construção de alguma edificação que pudesse servir
de abrigo· ,6 tadas para a própria vizinhança : os que abriram bares, empó-
.1
. 1
Procurando fugir dos aluguéis, os trabalhadores vão bus-
cando (ou produzindo) novas periferias, mais distantes , menos
equipadas e, por isso, mais acessív~is ~os~se~s recurs~s. !:1ªs eles
rios, quitandas, açougues; as cabeleireiras, os sapateiros, enca-
nadores, eletricistas, mecânicos, borracheiros. Assim, os núcleos
industriais foram se estabelecendo ab longo das vias de acesso
e, à medida que se afastavam do centro, foram criando suas
•• não podem se fixar em lugares cuJa distancia torne rnviav_el sua próprias periferias e as cidades-dormitórios da Grande São Paulo .
locomoção até as regiõ~s onde se localizem seus ;,ventu_a1se~- As décadas de 60 e de 70 foram de intensa e contínua
pregos. Se N. Bonduki data da década de ~O o . P~?rao pen- remodelação urbana: quarteirões derrubados, avenidas rasgadas,
.t,
Em meados dos anos 50 inicia-se um novo surto mdustr~al, na cidade, esse aumento, por sua vez, exigiu uma enorme amplia-
·e ~'I
:1
baseado em un idades produtivas mais modernas, tendo po~ eixo
a indústria automobilística. Nesse momento, segundo P. Smger,
ção das vias de trânsito que permitissem seu fluxo. O enfrenta-
mento das grandes distâncias e de longos períodos nos trajetos
esgotavam-se as "economias externas" que a localização central diários entre a casa e o trabalho incorporou-se à experiência da
,1
••
oferecia para as indústrias. A elevação do preço do sol_o e as vida urbana para os trabalhadores. E estas maiores exigências
dificuldades crescentes com os transportes numa zona Já con- de vias de transporte constituem um fator a mais no sentido de
gestionada empurravam as indústrias ?~ra ~ periferia. Na ver- uma rápida transformação da paisagem urbana.
•• I
dade, boa parte das indústrias tra~1c10na1s permaneceu nas Nesse contexto, a vida da maioria das famílias trabalha-
antigas zonas fabris (Brás, Mooca, Ip1ra~ga): M~s sobretu _do ~s doras foi marcada por constantes mudança s. I~so não quer
novas foram se estendendo pelo vale do no Prnhe1ros em d1reçao dizer que eles não procurassem se fixar e, mais que isso, fixar
••
guind~ a rota das indústrias, aproveitando as vias de acesso e a Ao observarmos os mapas e tabelas da distribuição da
população pelo espaço metropolitano, encontramos um registro
do modo como seus diferentes setores viveram o "progresso da
••
6. Nab il Bonduki, • O surgimento de propostas alte1;1ati~as de produção
habitacional sob controle de associações populares , m1meo, ANPOCS,
cidade que mais cresce no mundo''. Na rápida expansão das
per iferias da Grande São Paulo encontramos sobretudo aqueles
1984, p. 6. • . - b CEN
7. Cf. P. Singer, Desenvolvimento econom1co e evoluçao ur ana, , mais recentemente chegados à metrópole, os de rendimentos
•• 1977.
68
mais baixos, os mais jovens. Da luta pelo sucesso na cidade
69
••
••
grande, uma das formas através das quais seus resultados se
fazem mostrar mais flagrantemente é no lugar de moradia, assi-
• Nos dias de hoje estar desempregado significa correr perigo, pois
se somos presos a polícia nos registra ·como marginais, vagabundos.
A carteira registrada é sinal de boa conduta para a polícia". ·
••
nalando os que progredi _ram e os que perderam na voragem do
progresso.
Das lembranças do seu primeiro tempo de desemprego ••
A ordenação pelo trabalho
ficara-lhe o sentimento de solidariedade entre os gue compar -
tiam a mesma condição.
••
Em fins de 1972 circulou clandestinamente um texto mi-
meografado assinado por P. Torres intitulado "Urµa experiência
• Existe uma unidade que vai desde sair juntos para buscar em-
prego, como de repartir o dinheiro que se tem ou então um 'bico'
para trabalhar. ••
junto ao proletariado". P. Torres foi o "nome de guerra" usado
por um jovem metalúrgico que trabalhara em indústrias do ABC.
Depois de uma breve passagem pelo PCB, tornara-se militante
Esta unidade fica um pouco apagada na hora da contratação.
Na hora do 'pegar carte.ira' não se vê outra coisa a não ser o
chefe da seção pessoal e o interesse de que nossa carteira seja ••
da Ação Popular, e é na qualidade de membro dessa orgariização
que procura transmitir quais e~am as condições concretas da
escolhida. E a solidariedade do desempregado ao novo contratado
é um 'boa sorte', e certa tristeza por ser protelado na venda de
sua força de trabalho." ••
luta nas fábricas naquele momento (roais particularmente entre
1968 e 1970). Ao lermos hoje esse texto quase nos sentimos
transportados àquela situação.
A solidariedade por partilhar o mesmo drama é minada
pela concorrência no mercado de trabalho. E a concorrência
••
Antes de falar da fábrica, ele fala do desemprego, como
uma situação cujo significado só pode ser entendido por quem
aumenta com a integração no emprego. Mas ele expõe antes o
processo de seleção para o ingresso nas grandes fábricas. ••
passou por ela. Significa a falta · de recursos para a própria
subsistência, mas ainda é algo mais do que isso:
• Nos dias de hoje as indústrias estão exigindo uma série de papéis
que vão desde a Carteira Profissional até o currículo profissional
e familiar ( . .. ) E junto aos papéis está o fator idade. Os compa-
••
"O desempregado fica totalmente desvinculado de seu meio. Se
sente desmoralizado diante da família (ele, o homem da casa, sem
condições de fazer nada), diante dos vizinhos (não trabalha, meio
nheiros que já contam com mais de 30 anos de idade e não são
especializados dificilmente encontram trabalho. As empresas apenas
buscam mão-de-obra jovem e barata que oscila entre os 19 e os 25
••
vagabundo) e diante enfim da sociedade (um pária, inútil). Nas
conversas se pode sentir ist.o, e alguns preferem ficar gastan·do os
últimos cruzeiros em bares do que voltar para a casa e sofrer a L
anos. ( ... )
Para sermos admitidos numa fábrica temos que passar por algumas
provas e algumas delas bastante difíceis. A primeira prova é o
••
••
pressão da família". preenchimento de urna ficha pedindo o emprego à empresa. Nesta
ficha, além dos dados pessoais, existem várias perguntas que de-
Sente-se aí como a desmoralização sofrida est? ligada a uma finem o ingresso ou a dispensa das demais provas. Perguntas como:
ferida produzida no âmago de uma identidade construída do
"trabalhador honesto e responsável", que assegura o sustento
da família e tem seu lugar na sociedade . O trabalhador desem-
- é sócio do sindicato?
- participa de alguma associação política ou religiosa?
- aceita o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço?
••
pregado sente-se em culpa pelo desemprego. Além disso, naqueles
tempos , estar desempregado era também um risco, .como ele
adiciona em nota:
- aceita fazer horas extras?
- aceita ser mudado de serviço?
- aceita trabalhar de noite caso necessário?"
••
~
~
70 71
~
•
••
•• O segundo teste (a prova de aptid ões, incluindo o psico-
suas " reservas", prevendo uma eventual carreira interna do
••
teste) era o que, segundo seu relato, deixava os candidatos "mais
recém-admitido .
apavorados", pelo seu rigor e pelo despr eparo dos trabalhadores.
O terceiro era o exame médico . E a admissão é também um ensaio de recrutamento ideoló-
••
são mais inteligentes', 'mais capacitados', 'dignos de se incorpora- dução e pelo maldito horário noturno e diurno alternado• .s
rem à família GM', etc. Os 'outros' não foram capacitados e 'isto
deve significar muito paza vocês' . Há mais um aspecto da vida fabril assinalado por P. Torres
•• 11
'participando' de tudo aquilo - 'sua' empresa está em quase
todos os países, etc. descreve os mecanismos de colaboração entre os sistemas repres-
Só depois desta 'preparação' é que entra,mos para trabalhar, para
sivos montados pelas próprias empresas no seu interior e a
repressão externa, policial-militar. Os sistemas internos, em sua
•1
••
desenvolver tarefas que qualquer um poderia fazer, como trans-
portar material de uma seção para outra, encaixotar peças, varrer a
seção, trabalhar em políme.nto, ajudar na mecânica, etc. Serviços
descrição, teceriam uma rede que começava com chefes, encarre-
gados e supervisores, cuja função principal era "manter a
.1
.,
el
que qualquer ser humano pode desenvolver."
••
1 pessoal ou diretamente com a policia; e com aqueles que ele
teorizada pelos economistas , embora apenas do ponto de vista chamava de "meros puxa-sacos", que, para assegurar o emprego
dos fatores econômicos. Do ponto de vista do operário em busca e agradar os chefes, informavam-nos sobre tudo o que se pas-
••
de emprego, o processo aparece em primeiro lugar como mani- sava em suas seções. Quanto à ação do sistema externo no
festação impactante do poder da empresa. A seleção aparece,
de início, como modo de a empresa ditar suas regras, aprovando
•
cortes, foi publicado na revista Brasíl Socialista, n.• 3, 1975.
72
73
•-
• 1.
••
interior da fábrica, P. Torres narra que em uma das fábricas
o DOPS instalou-se numa sala da própria empresa para efetuar
Adentrar o espaço da fábrica era ingressar num lugar de
ordem e disciplina definidos "de cima" , por autoridade s desco-
nhecidas, roas cujos olhos e braços se faziam sempre presentes.
••
interrogatórios que permitissem descobrir os autores de boletins
e panfl.etos que Já circulavam. Em outra ele conta que agentes
do li Exército foram chamados para buscar um ativista sindical,
Aqueles que quisessem usufruir das vantagens prometidas por
uma carreira profissional na indústria deveriam se submeter às ••
••
suas regras.
que foi preso e torturado. Numa terceira, militantes presentes E essas vantagens eram muito visíveis no caso das ·indú s-
numa assembléia sindical foram delatados por um dedo-duro trias modernas, em geral multinacionais, de avançadas tecnolo-
••
e todos dispensados da fábrica . gias e alta produtividade. As diferenças salariais eram tantas
As características dos sistemas repressivos vigentes nos que, em 1977, enquanto o salário médio de um empregado na
anos 70 no interior das empresas já foram expostas por Celso indústria madeireira correspondia a 1,65 salário mínimo, de
Frederico, Amneris Maroni, Hamilton Faria, Lais Abramo, entre
outros. O que vemos é o despotismo inerente à organização
capitalista do processo de trabalho exacerbado pelo desconhe-
um outro na têxtil correspondia a 2,28, numa de material de
transport e a 5,02 e numa farmacêutica a 5,72. 1º Embora a dife-
renciação das indústrias segundo a modernização tecnológica não
••
cimento de qualquer interlocutor coletivo e pelo controle siste-
mático no sentido de tentar eliminar toda discussão e eventual
coincida com. sua distribuição por ramos industriais, é signifi-
cativo que aquelas de· maior dinamismo tecnológico predominem ••
••
contestação. Contando com a plena colaboração da repressão exatamente nos ramos que apresentam padrões salariais mais
estatal, os sistemas de controle da mão-de-obra manejados pelos elevados.
empresários visavam pulverizar os trabalhadores, aguçando os Essas fábricas modernas constituíram o principal lugar de
mecanismos de concorrência entre eles, de abandono de qualquer
veleidade d~ resistência sindical e de integração às políticas
patronais.
experiências coletivas dos trabalhadores relacionadas às condi-
ções de trabalho. Já suas dimensões favoreceram a concentração
dos operários e, apesar de todos os sistemas de controle, a
1•
•
Transcrevo o depoimento de um militante da oposição sin-
dical, que transmite o clima que eles viveram:
difusão de processos de resistência informal a partir dos inevi-
táveis contatos pessoais, troca de informações, solidificações
de confianças coletivas. Apesar de serem "capital intensivas" , t·:
• Você vivia assustado e sentia o medo dentro da fábrica. f. lógico,
os patrões aproveitavam esse medo aí. . . o clima dentro da fábrica
era também de terror porque você não tinha liberdade pra nada,
essas indústrias aumentaram significativamente sua parte na
mão-de-obra empregada. Os ramos mecânico, material elétrico e
transporte, que empregavam 6,7% da mão-de-obra industrial do
••
nem pra juntar cinco, seis pessoas e pedir um aumento. Isso aí município de São Paulo, em 1949, passaram a empregar 29,4 %
passou a ser considerado um negócio assim contra a lei. Absurdo, em 1974.
né? Mas existia. Quando a gente fez uma greve Já da hora extra,
Mas as fábricas modernas não se caracterizam apenas pela
a primeira coisa que o gerente falou foi isso: 'Vou mandar o
DOPS vir aqui'. Chamou um grupo, um de cada seção e falou sua dimensão e sim pelos efeitos que suas complexidades tecno-
que queria resolver aquele problema naquele dia mesmo senão ele lógicas provocam em seus sistemas de administração, dos quais
ia chamar o DOPS para fazer uma investigáção, saber quem tava se exige um controle minucioso sobre o processo de trabalho.
pregando aqueles papel no banheiro , quem tava encabeçando o A determinação mais estrita das tarefas a serem executadas por
movimento" .9
•
.,
••
•• cada setor (e às vezes por cada indivíduo) e o controle de sua
execução são ao mesmo tempo tornados viáveis pela incorpo-
ração de tecnologias computadorizadas na administração, e tor-
quando ainda era presidente do sindicato, em entrevist\ ,dada na
época, refere-se ao fato:
•I
••
Para o conjunto do setor de materiais de transporte aparecem
grandes diferenças salariais entre as pequenas empresas (em
geral de autopeças) e as grandes (em geral as montadoras),
Estas indicações já sugerem algumas peculiaridades na orga-
nização do trabalho vigente nas grandes empresas. Na verdade,
onde se registram os maiores padrões de remuneração. No setor a existência de mão -de-obra abundante e a possibilidade de
•• u
presas mecânicas os níveis salariais eram mais elevados, mesmo
se tratando de fábricas menores. Especificamente nas indústrias • Os resultados da pesquisa levaram-nos a uma conclusão surpreen-
. automobilísticas, Humphrey considerou que os salários mais altos dente , qual seja:
••
11.. J. Humphrey, • A fábrica moderna· ín Revista de Cultura e Politíca, 13. A. C. Fleury, "Rotinização do trabalho: o caso das indústrias mecâ-
5/6 . 1981, p. 50. Ver também do mesmo autor Controle capitalista e nicas" in A. C. Fleury e N. Vargas (orgs.), Organização do trabalh o,
luta operária na indústria automobilística brasileira, Vozes, 1982. Eu Atlas, 1983, p. 90. A amostra foi realizada em 12 empresas de 6 ramos
••
j á havia terminado a redação quando tive acesso ao excele.nte livro de indu striais diferentes. O aprofundamento da análise focalizou 32 em-
Ruy Carval~o. Tecnologia e trabalho industrial, L & PM, 1987. presas do setor de máquinas -ferramentas .
76
••
77
••
••
que asseguravam sua produção. Nessa situação, quan do insatis-
permite a formação de grupos de trabalho e separa as esferas feitos e· dada a quase inviabilidade da resistência sindical, era
do plànejamento e da execução. Mas, diferentemente da raciona- comum que operários qualificados tomassem a iniciativa de
••
lização, a rotinização não estabelece a maneira ótima de produzir, "pedir a conta" e irem buscar emprego em outra empresa.
n·ão procede à seleção e ao desenvolvimento científico do · tra- Baseados na existência de fortes disparidades nos padrões
balhador, não usa recompensas monetárias como fator motiva- salariais, os economistas passaram a tratar o mercado de tra-
cional para aumentar a produtividade. Fleury conseguiu identi-
ficar 3 diretrizes básicas no modelo utilizado: a) a "criação de
uma estrutura organizaciona l de apoio à produção" (departa-
balho como um sistema segmentado. Haveria um "mercado pri-
mário", constituído pelas grandes empresas, que determinariam
seus padrões de remuneraçã o segundo critérios interno s, com
••
mento de projetos, de engenharia industrial, de tempos e métodos
etc.) pro_porcional à incerteza das tarefas e necessária tendo
em vista a utilização de mão-de-obra desprov ida de conhecimen-
uma forte diversificação tendente a favorecer as ocupações mais
qualificadas; e um "mercado secundá rio", constituído pelas em- ••
••
presas tradicionais, onde o salário mínimo funciona como padrão
tos sobre o processo de produção; b) o estabelecimento de de referência. Paulo Renato Souza chega a construir um modelo
"tarefas simples individualizadas que permitam a substituição com 3 segmentos: o constituído pelas empresas modernas (com
••
temporária ou permanente" de qualquer operário; c) a "criação suas fortes disparidades internas), o const ituído pelas empresas
de um sistema hierárquico para a supervisão das tarefas, elimi- tradicionais e finalmente o chamado setor informal. Grosso
nando a necessidade de contato entre os operários para a coorde- modo, os trabalhadores · qualifi cados das grandes empresas si-
naçã o do fluxo produtivo". 14 Assim, as "fábricas modernas"
que se criaram em nosso solo privilegiaram muito mais os
tuam-se no topo da escalia, beneficiando-se de uma política que
••
~·
busca integrá-los a uma carreira interna na empresa; os traba-
objetivos de contenção e disciplinamento social dos trabalhado- lhadores não qualificado~ das grandes empresas misturam-se
res, beneficiando-se de maiores taxas de exploração e recorrendo com os das empresas trad\ôonais, no sentido de que podem
à contínua rotatividade da mão-de-obra, do que os de raciona- passar regularmente de um setor para outro e seus níveis sala-
·tização dos processos de produção com conseqüente aumento da riais não são tão diferentes; finalmente uma grande quantidad e lf .
produtividade. Seu padrão salarial mais elevado - sempre tendo só encontra ocupação em microempresas ou como autônomos , Ir.
por referência os padrões vigentes no setor tradicional - não.
se vinculou tanto a incentivos para aumento da produtividade
do operá rio e sua formação na empresa como a um mecanismo
muitas vezes sem registro, nos postos inferiores do setor ser-
viços.15
Já vimos a disparidade salarial segundo ramos industriais.
••
para fazer com que ele temesse perder seu emprego e aceitasse
as normas impostas.
f muito provável que a importância do tema da dignidade
Mas vale anotar que essa disparidade se acentuou na passagem
entre a década de 60 e a de 70, constituindo-se portanto numa
experiência viva dos trabalhadores no período que estamos
•
profissional entre os operários das grandes indústrias nesse pe- estudando. Enquanto o salário mínimo real cairia em mais de
ríodo esteja ligada à revolta contra essa versão nacional do 25% entre 1959 e 1973, o salário médio real de um operár io
taylorismo. da indústria madeireira permanecia praticamente estagnado, e o
De qualquer forma, no início da década de · 70, com a de material de transporte se elevava em 70%. (Ver Anexo 4.)
grande expansão indu strial, havia falta de operários qualificados Mais particulannente após a implantação da política salarial
e conseq üentemente o interesse das firmas em "segurar" aqueles dos governos mi,litares verificamos uma queda dos salários roí-
•
•1
•• de trabalho nesse setor permitem a utilização das habilidades
••
nimos .e maior dispersão nos salários médios dos diferentes ramos
industriais. desenvolvidas em várias atividades artesanais presentes em áreas
Se tomarmos, por outro ângulo, não os ramos industriais rurais de onde vieram migrantes. Ou seja, ele abre mais oportu-
•
••
metalúrgica caíra em 1,4%, o de um operador de carro industrial
caíra em 0,7%, mas o de um mecânico se elevara em 3,7%,
o de um eletricista em 4,6% e o de um analista de laboratório
trução civil exerce sobre a mão-de-obra recém-chegada à me-
trópole é o fato de "oferecer-lhe" um abrigo . O traba lhador
improvisa sua cama e o fogareiro nas obras, aproveitando-se de
suas instalações, economizando o transporte (e possibilitando
em 7 ,4 % . Todos os dados nos mostram não apenas a grande
••
Deixemos agora as fábricas e observemos outros lugares
O processo de trabalho nesse setor foi caracterizado por
onde se produziram outros tipos de experiências significativas
Sergio Ferro segundo o modelo da "divisão manufatureira do
das condições de trabalho em São Paulo nas décadas de 60 e 70 .
trabalho", conforme analisado por Marx.18 Com efeito, a unidade
•
cas e as ferramentas, rudimentares, adaptadas a cada operação,
migração-favela-trabalho na construção civil. Essa imagem .exige são manejadas pelos diferentes profissionais, cujas habilidades
sérios reparos. Em primeiro lugar porque a presença de migran-
• I! tes nas favelas não é significativamente diferente da observada
específicas caracterizam cada etapa da produção (os carpinteiros,
os eletricistas, os pedreiros, os armadores, os encanadores). Em
• 11 no conjunto da cidade. Em conseqüência, as relações positivas cada etapa uma equipe diversa de "oficiais" desempenha suas
• 1: entre migração recente e trabalho na construção civi~ e e~tre funções apoiada no esforço físico de um grande contingente de
••
rotatividade. Ora, são pessoas nessas condições de precariedade recontratados em outra obra e tendo de assegurar sua subsis-
de emprego que mais necessitam apelar para a habitação nas tência nos intervalos. Por isso também são fluidas as fronteira s
favelas. Por. outro lado, também as características do processo entre o trabalho não especializado na construção e as ocupações
•• 16. Cf. E. Bacha, Os mitos de uma década, Paz e Terra, 1976, p. 120.
t 7. Veja-se as pesquisas de Arlete Rodrigues, P.!ocesso mi~ratório_e
do chamado setor informal. Os dados sobre rotatividade no
emprego mostram que essa situação atinge particularmente os
"peões" da construção. (Ver Anexo 5.)
80
.Cadernos de Literatura e Ensaio, n.º 2, 1976.
81
••
••
Em 1980 cerca de 11% da pop ulação economicamente
ativa da Grande São Paulo tinha uma renda média mensal
Chama a atenção o número das empregadas domésticas.
Presentes em quase todas as casas de família de classe média ••
••
abaixo do salário mínimo legal. Esse número dá uma dimensão e alta, elas no entanto não constituem coletivo algum, isoladas,
aproximada das parcelas que não obtinham do trabalho nem o cada uma submetida a um domicilio diferente . Emprego adequa-
mínimo necessário para a subsistência. Trata-se de uma mera do para as mu lheres migrantes, porque requer as habilidades
aproximação, seja porque uma parte deles pode apenas comple-
mentar a renda familiar (e na verdade são as famílias as uni-
dades de subsistência, mais do que os indivíduos), seja porque,
(na cozinha, limpeza , arrumação doméstica) e os padrões cul-
turais que definem a submissão da mulher no lar. ••
••
Quanto aos assalariados sem especialização, eles constituem
em sen tido contrário, mesmo o salário mínimo não assegura
essa massa continuamente submetida ao desemprego , muitas
a subsistência. Aquilo que os economistas identificam como
vezes trabalhando sem carteira assinada e recebendo menos de
um "setor informal" - um contingente da mão-de-obra que
não é absorvido pelas empresas organizadas e que conseqüente-
mente não desfruta sequer das condições de emprego e salário
um salário mínimo. A insegurança e a instabilidade fazem parte
do seu cotidiano, de onde brotam continuamente tanto a revolta
como a subserviência.
••
••
estabe lecidas pelo setor capitalista - de algum modo recobre
o que os sociólogos de µma década atrás identificavam como Quanto aos autônomos do "setor informal"?º sem estarem
"setor marginal". Não vem ao caso agora uma discussão sobre diretament e submetidos a um patrão e depend endo a cada dia
••
a impropri edade dos termos , pois o que nos interessa aqui é a do êxito de suas estratégias para assegurar a sobrev ivência ,
identificação empírica desses grupos e a apreensão dos signifi- vivem mais fortemente na situação de insegurança e desamparo.
cados de seus modos de vida. Uma alteração das mais significativas, ocorridas nas con-
Os dados levantados pela Emplasa em sua pesquisa sobre dições de trabalho no período considerado, foi a que afetou um
•
t·•
Origem e Destino dos Passag eiros na Grande São Paulo em conjunto de atividades "não manuais" . Uma diversidade de
1977 nos permitem uma caracterização geral de tais grupos.
Do total de trabalhadores autônomos e assalariados, 25 % de-
sempenhavam atividades classificadas como de "baixa especiali-
zação". Algo mais que a metade destes (e 13,5% do total)
eram assalariados, uma parte deles prestando serviços não es-
"profissões" que requerem escolarização formal, mas, mais do
que isso, a participação num universo cultural nitidamente
demarcado da dos trabalhadores braçais foi atingida por mu-
danças nas condições de trabalho que estimularam aproximações
culturais significativas entre trabalhadores manuais e intelectuais.
I•.•
i;.
pecializados como contínuos, office-boys, faxineiros, serventes,
outra parte sendo operários sem especialização. E algo menos
De um lado tivemos um assalariamento crescente de ant igas
profissões liberais, sobretudo engenheiros e médicos. Os consul- ••
que a metade (sendo 11,5 % do total) foi classificada como
"autônoma". Mas, destes, 56% eram empregadas domésticas e
31 % desempenhavam as atividades típicas do "setor informal":
tórios privados enquanto lugar de trabalho autônomo vão
minguando , e o lugar por excelência dos novos contingentes de
••
ambulantes, carregadores, engraxates, prostitutas. Nota-se que
a categoria "baixa especialização" reúne um conjunto de ocupa-
ções habitualmente classificadas como "não especializadas" .19
pela Emplasa (Empresa Metropolit ana de Planejamento) em 1977. E ••
••
veja-se, sobreludo, o estudo de Ana Amélia Silva, Espaço e força de
(rabalho na Grande São Paulo, Emplasa, 1979.
20. P. Renato Souza considera que a mesma ocupação pode ser incluída
•,,
19. Mas nem todos os "não especializados" foram incluídos nessa no setor Lnformal ou não dependendo de sua clientela. Assim, a loca-
categoria. Entre os "semi-especializados" estavam incluídos, por exemplo, lização do bairro em que se estabelece um serviço seria indicador rele-
porteiros, zeladores etc. Cf. "Pesquisa de origem e destino " elaborada vante para tal caracterização . P. R. Souza, op. cil.
82 83
~
e
••
•• médicos são grandes hospitais, clínicas ou postos de saúde em "comunicações e publicidade", em 399%; em "educação e
cultura", em 489 %.24
••
geridos como empresas ou serviços públicos e onde eles sãê
assalariados do setor prívado ou funcionários públicos. Há finalmente uma outra característica marcante para
compreensão dos significados presentes na experiência do tra-
De outro lado tivemos um processo de deterioração econô-
.,
•• 25,4% em 1950 para 28,2% em 1970 e 32,8% em 1980 .
professores. 21 Seu prestígio e re~onhecimento social estavam Houve aumento da participação feminin~ em praticamente
vinculados a uma aura de "desinteresse" pelos ganhos materiais, todos os setores e ocupações, inclusive em ramos industriais
assegurada pela manutenção de condições mínimas para a repro- até então mais resistentes ao trabalho da mulher a partir de
dução de seu "capital simbólico". Mas já em 1980 a Associação
••
critérios como o da menor resistência física, das proteções asse-
dos Professores do Estado de São Paulo, reclamando contra a guradas pela CLT, da menor disponibilidade para horas extras
queda salarial da categoriá, comparava suas remunerações com etc. De um lado o crescimento de tecnologias de produção que
:1
o preço de um litro de gasolina (o salário de um professor requerem do trabalhador mais atenção e meticulosidade do
'
nível l comprava 1.250 litros de gasolina em_1970 e apenas 217, que esforço físico (por exemplo, na indústria eletrônica) e, de
1O anos depois) .22 outro, os ganhos obtidos com os salários mais baixos pagos às
•·
• '
Mas é especificamente o setor bancário, onde ocorre um
processo de informatização da organização do trabalho, que
provoca uma efetiva proletarização dos seus empregados. As
novas tecnologias implicam, de uma parte, um novo tipo de
mulheres parecem ter estimulad o a expansão do emprego femi-
nino na indústria. -
De qualquer modo, o trabalho feminino remunerado conti-
nuou predominando nos setores que já eram mais abertos para
· ~! funcionários com outras qualiflcações 23 e, de outra, a possibi- ele. Em 1976, eram 25 % as mulheres no total dos ocupados na
· ~! lidade qe desvalorização e rotatividade para o grande contingente indústria; no comérc io eram 27,5%; na prestação de serviços
• t: de não qualificados. já eram 48,8%. Tomando-se a já referida Pesquisa de Origem
••l
dado pela crescente adesão daqueles à forma de associação
sindical. No setor de "profissionais liberais" o número de empre- total das mulheres na PEA na Grande São Paulo). Um conjunto
gados sindicalizados aumentou em 363 % entre 1960 e 1978; de ocupações agrupadas como "assalariados semi-especializados
•e• l
berlan e M. S. Salerno, "Racionaliza ção e automatização: a organização
política no Brasil pós-64, p. 195.
do trabalho nos bancos" in A. C. Fleury e N. Vargas, op. cit .
84 85
. 1
••
Se bem que tenha aumentado a participação feminina nas
ocupações técnicas e científicas , continuou predominando o
padrão do trabalho feminino como não qualificado, precário e
nidas em função das condições de mercado. Num mercado de
trabalho altamente competitivo, o padrão de comportamento ••
mal remunerado .25 Enquanto 4,5% dos homens no município
de São Paulo recebiam menos de 1 salário mínimo, eram 16%
estimulado e predominante foi o da corrida individualista às
posições superiores . A busca por "qualificação", entendida como
habilitação para as ocupações mais procuradas pelas empresas,
••
das mulheres nessa situação no ano de 1980; sendo que 71 %
das mulheres recebiam até 3 salários para 47% dos homens.
A partir dos 25 anos começa a declinar a participação da mulher
está estampada no enorme crescimento das escolas técnicas e
profissiona is, dos cursos noturnos e mesmo em gera l da escolari -
uição das classes traba lhadoras. O padrão ind ividualista de
••
na "popu lação economicamente ativa", assinalando a relação
negativa entre trabalho remunerado de um lado e casamento e
maternidade de outro. A incorporação do trabalho feminino
"vencer na vida" está estampado no orgulho profissional dos
ferramenteiros, torneiros, fresadores, dos qualificados em geral, ••
••
que experi mentaram sua importâ ncia no processo de trabalh o ,
pareceu corresponder a tuna busca, pelos empregadores, de q_ue tiveram significativas melhorias materiais até a metade da
trabalhadores com os atributos vinculados à mulher a partir década, que tiveram força para barganha r com chefias das em-
••
do seu lugar subord inad o na inst ituição familiar: a submissão presas mais poderosas. Mas ele foi certamente superdimensiona-
e a paciência, o cuidado e a docilidade (p resentes inclusive na do nas caracterizações feitas na década de 70, porque corres-
imagem maternal das professoras e enfermeiras). 26 pondia aos etos dominantes. O orgulh o profissional expressa
Mas se o mundo do trabalho foi injetado de elementos do
mundo doméstico através das mulheres , também, no sentido
contrá rio, as relações entre os sexos e o lugar "natural" da
sobretudo a experiência da importância de seu trabalho para
o processo de produção. Por isso mesmo freqüentemente essa
atitude não implicou uma subm issão às normas patronais para
••
mulher foram alterados através dessa crescente emancipação
econômica feminina . E isso significa que aqueles atributos tidos
por naturais da mulher foram bastante afeta dos.
ascender na empresa. Frente a empresas que procuraram quase
sempre impor as normas rígidas e os salários mais baixos, esses
operários qualificados apreenderam a força da pressão coletiva
•,•.
Assim, resumindo , a experiência no trabalho - importante e mobilizaram as solidarieda des forjadas a partir das relações
não só porque condiciona fortemente o conjun to das condições
de vida na medida em que determina os rendimentos, mas ainda
pessoais. A experiência do tra balho foi assim a experiência de
rígidas disciplinas e de ordenações despóticas cont ra as quais ••
••
porque constitui em gera l a principal inserção do ind ivíduo na os trabalhadores se moveram.
rede social, sendo por isso o pr incipa l lugar de definição de As características dos processos de trabafüo implicaram
suas identidades - foi a experiência de uma exploração extre- uma significativa aproximação entre uma camada de operá-
mamente diferenciada. Diferenças notáveis quanto a remune-
ração , condições de trabalho e padrões contratuais foram exa-
cerbadas na década. Sufocadas as possibilidades de pressões
rios qualificados e um conj unto de assalariados de ocupações
não manuais. E não se tratou de alguma camada de operá-
rios qua lificados pertencentes a profissões formadas de longa
••
político-sociais, as condições de traba lho foram em geral defi- data e que já houvesse gerado alguma cultura própria, diferen-
ciada da massa trabalhadora. Esses operários qualificados assu - ••
••
miram seus postos através de carreiras relat ivame nte rápidas ,
25. Veja-se Letícia Costa, A participação da mulher no mercado de
já que não se requer ia sofisticadas formações prévias. Suas
trabalho , FEA, USP , 1982; Cristina Bru sch ini , Mulher e trabalho, Nobel,
1985; Sandra Briso la, "Sexualização das ocupações" in Cadernos de posições privilegiadas em relação aos demais dependeram mais
Pesquisa, 1979. de'~s~ \1 êxito na demonstração de habilidades fre nte a um
26. cr. C. füuschini, op. cit. crescimento industria l muito ráp ido, que exigiu mão-de-obra
86 87
.,
• •• qualificada então escassa no mercado. Por outro Jade, assistimos
a uma difusão de padrões de comportamento de trabalhadores
Grande São Paulo somavam 3.384.000 pessoas, das quais
1.871.000 vinham de Estados do Sudeste e 993.000 de Estados
••
para o de ajudante geral, de zelador para sucateiro, de empre- nalização, que atingem os migrantes pobres nas metrópoles .
gada doméstica para balconista. Aqui a dependência assume mil Numa pesquisa feita por J. C. Petrini numa comunidade de base
formas e muitas delas são disfarçadas. A subserviência, a re- na periferia de São Paulo, vemos a referência às condições da
=~i
beldia, o ressentimento e o desamparo, a valorização da liberdade metrópole, que desvalorizam os conhecimentos rura is, prodi1-
e a insubordinação estão aí presentes através das combinações zindo nos migrantes um sentimento de rejeição. Enfrentando
·~·
mais esdrúxulas. Na elaboração dessas experiências iam se for- uma cultura estranha, o migrante se sente perdido, isolado, sem
mando identidades coletivas. amparo, tendo , no entanto, de adequar-se a esse sistema.
•••
A trajetóriados migrantes na cidade
88
28. J. C. Petrini, CEBs: um novo sujeito popular, op. cit., p. 30.
89
••
••
se estabelece no lugar de destino. Vive em uma sit uação, mas tem
o coração em outra. Isto é o que chamamos de desenraizamento" .29
Quando o trauma do desenraizamento não é superad o é
um sinal de que abortou o projeto de sua integração à nova ••
Tal caracterização, que capta com precisão a perda de ·
raízes, tem o defeito de fixar esse momento como se fosse um
realidade. Essa situação evidentemente existe mas não é única.
E, além disso, mesmo nos casos em que os migrantes são afetados
por mecanismos de exclusão e privação, na maior parte das
••
••
atributo essencial do migrante. Mas quando 1·etomamos com
cuidado o& relatos dos migrantes podemos talvez concluir que vezes o lamento, ou a revolta, já é feito através de valores
essa imagem, embora se refira a um fenômeno real, padece de que indicam a assimilação de padrões do mundo urbano. O
certa parcialidade . Ela registra com pertinência os traumas do
impacto da chegada a um mundo diverso, onde se defrontam com
padrões de conduta aos quais não estavam habituados. Falando
próprio texto referido assinala o fato ao dizer que, embora o
retorno seja o grande sonho, muitos acham vergonhoso "voltar
sem ter vencido na vida". Na verdade as próprias queixas da
••
sobre a nova realidade, estranha e desafiadora, os migrantes
reagem primeiro, muitas vezes, com a nostalgia daquilo que
perderam: da trama de relações pessoais e comunitárias onde
vida urbana já são feitas no interior de um quadro de referência s
onde predomina a busca de oportunidades para melhorar de ••
se reconheciam e eram reconhecidos. O quase isolamento no
qual se vêem na chegada a um ambiente desconhecido; a igno-
vida, e isto exclui o retorno à roça, a não ser sob a forma de
um lugar simbólico, onde projetam o reQonhecimento de suas
identidades . °É o lugar onde se forma ram seus hábitos e valor es ••
••
rância das regras urbanas e o medo de serem enganados; a
e onde imaginam serem reconhecidos como pessoas integr ais.
exigência de pap~is de identidade cuja obtenção é complexa e
cujo significado parece incompr eensível; a luta por empregos Tomemos o d~poimento de um migrante nordestino, que
em que os critérios de admissão não valorizam as habilidades veio da roça e que chamou os pais para virem também:
que têm; e, sobretudo, o ritmo de vida da cidade capitalista ;I:; •
- desde o controle do tempo na fábrica até os horários rígidos • Achava melhor para eles e para mim. Aquele lugar é poluído, ~1 •
para a condução, a comida e o demais - são temas _recorrentes que a roça lá também é poluída, é igua lmente São Paulo ( . .. ) 11 •
E que São Paulo a poluição de que se fala é sobre fumaça, sobre 1l"
nos depoimentos dos migrantes.
Mas a parcialidade da interpretação começa com uma trans-
crição acrítica da idealização do universo rural. Na fala dos
agitação, sobre tanta fábrica, tanto esgoto, tanto problema ( .. . )
Na roça é poluído também, mas tem um pouquinho de diferença: é
que a poluição da roça é que as pessoas não são todas bem
"
••
migrantes, a referência a uma situação melhor no campo serve
em geral para contrastar com as características adversas da expe-
riência da nova realidade. Mas essa situação mell1or se refere
a um tempo passado. É preciso ver que o sentimento de rejeição
tratadas ( .. . ) As crianças não são bem tratadas como as que mora
na cidade. A água que se bebe não é bem cuidada como a água
da cidade ( ... ) O ttabalho é na agricultura e a pessoa se corta,
se fura e, segundo meu conhecimento, a poluição da roça é isso
•
quase invariav elmente começa no próprio ponto de origem da aí. Eu pensei que deveria partir para outro lugar, para ficar mais
migração. "Por que veio para São Paulo?" "Porque lá na roça i.nsufocado, nrnis à vontade" ,31
não dava mais." Essa é a resposta repetitiva que obtemos ao
indagar das· razões dessa mudança tão difícil.3° Ante a caracterização da poluição urbana ele chama a
atenção para as privações da roça, que o incomodavam . Ao dizer
que as pessoas não são bem tratadas, ele se refere de um lado
29. Vários, Os nordestinos em São Paulo, Paulin as, 1982, p. 33.
30. Cf. E. Durharn, A caminho da cidade, Perspectiva, 1976; L. Pereira,
Trabalho e desenvolvimento no Brasil, Difel, 1965; M. Judith B. Muszyns-
ki, O impacto político das migrações internas, I desp, 1986. 31. Cit. in Os nordestinos em São Paulo, op. cit., p. 18.
90 91
••
•• ao maior conforto da vida mbana e de outro à maior dureza
Moura veio do sertão de Pernambuco porque sua familia ·
começou a ser expulsa dumas terrinhas gue tinha, e veio tentar
"o sonho mesmo do nord estino quando chega aqui em São Paulo
•• sociedade urbana .
Diz que não se dava bem na roça: Está de novo aí o registro do impacto negativo das con-
dições urbanas recém-encontradas e ainda a referência à ilusão
••
momento numa trajetória .
condição de aprender. Em segundo lugar eu ~osto de vJVer em Ao transferirem-se para a cidade grande, os migrantes que
um lugar bem diferente da roça, que tenha mais conforto. Eu me
chegam sem posses materiais (e que constituem a enorme maio-
esforçava em cada desejo, me esforçava para encontrar. Por
• 1:
• exemplo. se abrisse matrícula num colégio, eu já me. esforçava,_ se
tivesse um grupo de pessoas falando de alguma coisa . que visse
que servia pra gente, eu chegava para escutar, se v1:se. algu~
ria) sofrem ainda com aquilo que Lucio Kowarick chamou
"perda de propriedades cognitivas" (no sentido de que o estoque
de conhecimento que tinham pad o trabalho rural não lhes
e :· trabalho de arte, eu chegava para aprender. Realmente nao apr~nd1
tudo mas na cidade tem tudo isso, na roça não tem. Só tmha
serve mais dadas as características diversas do trabalho urba-
no )35 e tendem a ocupar posições mais penosas e mal remune-
•• meu' esforço, não tinha urna ajuda suficiente para aproveitar tudo radas no mercado de trabalho . O resultado disso está estampado
•1 ela oferecia já o atraiam, por contraste com o que tinha na ro?~· impacto político das migrações em São Paulo assinala que 50%
•1
•1
E para ter acesso a elas ele busca as oportunidades de mo~11I-
dade social oferecidas pela sociedade urbana. Isso quer d1ze,r
que os fundamentos da sociedade tradicional já es_tavam corr01-
dos migrantes vindos das zonas rurais de outros Estados que
não São P aulo habitavam as duas áreas homogêneas mais pobres
cio município da capital (segundo a classificação feita pela
•1 dos lá mesmo. A migração já aparece como tentativa de melho- Emplasa e já referida antes), quando menos de 1/5 da popula-
• 92
seus membros e de construção de projetos de vida. Ao apoiàr-se
.
,
••
Mas, se bem que tal constatação seja fundamental, é igual-
••
na família o migrante recupera (e reinterpreta) toda uma cons-
mente indispensável não parar aí. O decisivo será ver como a
situação de desajuste , de perdas culturais (que são também telação de normas e valores comunitários no interior das relações
societárias. A mobilização de parentes, vizinhos e conterrâneos
perdas de amarras), que constituem a experiência migrante,
1
1 ecebe respostas com que os migrantes procuram . enfrentar
desafio, e ·como o resultado dessa aventura se estampa na
o não constitui um resíduo de padrões tradicionais, que tenderiam
a sumir com o progresso da urbanização, mas são relações atuali-
zadas na vida urbana e constitutivos dela.
••
••
imagem que passam a ter da cidade, onde constroem os espaços
Todas as pesquisas apontam nesse sentido. Os grupos de
da solidariedade e os da selva, onde identificam um lugar para
migrantes ao chegarem procuram algum lug ar onde já estejam
as relações pessoais, o trabalho, a lei, os patrões, a fantasia.
estabelecidos familiares, conhecidos seus ou ao menos conter-
Como os migrantes identificam os problemas que enfrentam
ao chegar? Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Migrató-
rios assinalou:
râneos , que os ajudam oa informação - e às vezes mesmo na
recomendação - para obtenção do emprego, da documentação ••
1.•
legal, para o conhecimento dos itinerários, para identificar as
oportunidades e os percalços da vida urbana. O trabalho dos
- falta de moradia;
menores e seu aprendizado se dá no interior de um projeto
2 - falta de emprego;
3 - choque cultural;
4 - falta de profissão. 37
familiar . A colaboração se manifesta ainda no alojamento dos
que chegam ou no mutirao •·· - da c asa. 39
. - para a consw:uçao
Aqui cabe discutir o dualismo que contrapõe os padrões '••
M. Berlinck havia identificado:
1 - moradia;
2 - obtenção da documentação legaJ;
. da sociedade competitiva aos da sociedade patrimonial. Nesta
última, as pessoas buscam ser reconhecidas, e a condição para
isso é uma relat iva estabilidade socia l onde se forma a tradição,
•
que Jhes permite cumprir os papéis atribuídos, do que resultará
3 - emprego;
o ansiado reconhecimento pela comunidade . Na ordem competi-
4 - alimentação. 38
tiva, o objetivo buscado é progredir, melhorar, vencer. A con-
dição para isso é um quadro social de mobilidade e progresso,
Já se vê que houve diversidade na própria classificação.
que oferece oportunidades, aproveitadas diversamente conforme
Mas o mais importante é acompanhar às modalidades de que
cada indivíduo se habilite. E aí ~lcança ou não seu alvo, expresso
lançam mão para procurar resolver se~s problemas. ~anoel
em conforto, na aquisição de bens materiais e simbólicos.
Berlinck já havia anotado em sua pesquisa como os migrantes
Enquanto quadro heurístico para análises concretas, esse
se apoiavam na rede de contatos informais constituída. por
esquema . pode ajudar na compreensão de vários aspectos da
familiares e conterrâneos para resolver os problemas que iden-
ordem social competitiva. Ele permite uma abordagem possível
tificavam em sua adaptação à metrópole . 'E voltamos ainda uma
à reconstituição do que seria uma personalidade básica da so-
vez ao estudo de Eunice Durham, onde mostra como a família
ciedade capitalista urbano-industrial. 40 . Mas esse esquema mais
permanece lugar central de reelaboração de experiências de
distorce do que ilumina quando se ignora a presença de outras
95
94
e1
••
•• determinações ou, pior, quando é confundido com uma trans- ser radicalmente diversa daquela manejada pela teoria da mo-
crição real da passagem da vida rural para a urbana. Essa dernização.
ordem patrimonial já estava corroída no campo. E o que emerge
•• alterar essa ordem na qual se integram. ?ºr~s, e as rela?ões onde eles entram como pessoas e não como
tnd1v1duos. Assim, o drama dos migrantes não é o de enfrentarem
.,
Retorno ao relato de Moura, que chegou de Pernambuco e
u.ma sociedade racionalizada, impessoalizada, mas, pelo contrá-
.
Volks e por isso lhe deu essa orientação. Nove meses depois ele
pnmar~as, . pessoais - que constituem a base de apoio para
entrava na Volks. "Porque eu já tinha preenchido ficha na
obtençao do emprego, da casa, da documentação, das informa-
Volks e meu irmão, como trabalhava lá e tinha um alemão,
ções necessárias para a inserção na cidade desconhecida. Trata-se
~: que era vizinho nosso, e lá era mais cartucho naquela época aqui de uma reelaboração desse padrão de relações primárias.
• t·
e t:
mesmo ... " O alemão era vizinho e o que funcionava para obter
o emprego era cartucho. O cartucho no caso era o conhecimento
~e n_a s~a casa é preservada a pessoalidade das relações, já no
amb1to do espaço público as relações pessoais são instrumentali-
•
••
pessoal. Aí vemos como as relações pessoais eram instrumen,
talizadas dos dois lados . Do lado dos que buscavam emprego,
era fundamental mobilizar suas relações de amfaade e eles o
zadas em função das necessidades postas na vida societária.
Os estudos que se limitam, assim, a uma comparação entre
a situação dos migrantes recém-chegados com a situação dos
••
Pesquisa feita por G. Martone e J. C. Peliano com os dados
Estamos assim a léguas da dicotomia entre o rural-comuni- do censo de 1970 desdobrou as categorias em "não migrantes"
tário e o urbano-societário. Sou levado à interpretação de Ro- "migrantes recentes" (há menos de 10 anos na cidade) ;
•• relações pessoais. Daí sua interpretação do drama dos migrantes malandros e heróis, Zahar, 1983, p. 187.
97
'
••
96
correr do tempo. Transcrevo abaixo uma das tabelas que cons- vamente a proporção dos autônomos (20,6% contra 9,7% entre
truíram: Ós migrantes recentes e 14,1 % entre os não migrantes). 42
Temos aí a indicação de uma trajetória perco rrida. E claro
CONDIÇÃO MIGRATÓRIA E RENDA
que as estatísticas não distingue m , nas suas médias e percen-
ÁREA METROPOLITANA DE SÃO PAULO
tagens, os que ascenderam e os que decaíram. Mas somos obri-
1970 em percentagem gados, diante desses registros, a pensar o "desenraizamento" de
Indivíduos do sexo masculino modo mais dinâmico. A partir dessa situação decisiva, vivida
Rendimento ão Migrantes Migrantes por milhões de trabalhadores, constituem-se padrões de adapta-
mensal em Cr,S Migrantes migrantes recentes antigos ção que são também fatores de mudança na vida social <la
Sem rend. 1,0 1,7 1,5 0,7 metrópole. As formas culturais mobil izadas pelos migrantes para
1- 100 3,0 5,4 4,3 2,0 "vencer na vida" e não serem tragados na "selva do asfalto"
101- 200 23,0 20,0 36,9 16,4 estarão presentes tanto nas novas paisagens urbanas das perife-
201- soo 43,5 36,7 41,1 42,7 rias quanto nas organizações populares constituídas nos anos 70.
501 - 1000 18,9 21,6 10,3 23,8
1001 e mais 10,6 14,6 5,8 14,4
Fonte: G . Martone e J. C. Peliano, Migração, estrutura ocupacional e
ren.da n.as áreas metropolitanas .
Projetos familiares: o sonho da casa própria
98 99
•
representações coletivas". 46 Mas, mafa ainda, o exame do "modo
••
~I é indiferente para o sentido do curso da história, para o rumo
rias lutas de classe, para a conformação da sociedade, · O modo
como esse tempo livre, passado fora das unidades de produção,
de vida" dos trabalhadores na cidade deixou claro que a impor -
tância da organização familiar não constituía apenas um trans-
•• é vivido. 44
Nos intervalos de um tempo hostil que ameaça sugá-lo,
com as sobras de energias e recursos que ele salva e nos espaços
plante de instituição da vida rur~l trazida pelos migrantes .
Contraposta às tendências individualizadoras dominantes na vida
urbana, a família é a sede de uma experiência coletiva. Contra -
••
uma estratégia de sobrevivência ou um projeto de vida . Como
minantes da reprodução capitalista, a família é sede de outros
passa seu tempo livre? Como usa seu salário? Em vez de cons-
valores e princípios de funcionamento que não lhe são redutíveis .
tatar que ele se reproduz, procuremos saber como se reproduz.
•
Não se trata aqui de nenhuma idealização romântica da familia,
Como se reproduziram os trabalhadores nesta metrópole nesse
qu~ndo se ~a~e o quanto experiências coletivas e relações perso -
••
tempo em que se reproduziu tão espetacularmente o capital?
nalizadas v1v1das em instituições hierarquizadas podem ser mais
Para começar nos damos conta de que esse lugar de moradia,
opressivas que as vividas no anonimato da individualização. Mas
suporte da sua reprodução para o capital como da sua vida
º. ~~e nos inter~s~a ~qui é, em primeiro- lugar, assinalar a espe-
•• para si mesmo, constitui um espaço coletivo, onde habita uma
unidade doméstica, quase sempre uma família. E, de resto, é no
seio dessa unidade doméstica, quase sempre uma família, que
c1fic1dade. da dmam1ca familiar sob o capitalismo ; e!Il segundo
lugar, assinalar que os trabalhadores se apóiam nessa instituJção
•
para afirmar suas identidades .
-se efetuam as decisões mais importantes tanto a respeito do enga-
"É certo que a dinâmica da cidade conspirou fortemente
.,•
ti
.11 uso a ser feito dos rendimentos aí obtidos. 45
Aumentou o número de membros das famílias operárias
ão é possível, mais uma vez, deixar de referir-se aos
trabalhando fora de casa. Pesquisa do DIEESE realizada em
• 1
li estudos de Eunice Durham, que contrariaram idéias estabelecidas
acerca da perda de importância da organização familiar devido
às tendências individualizadoras e societárias da urbanização .
Já de suas pesquisas sobre os migran tes em São Paulo constatara
1974 comparava a família padrão das classes trabalhadoras em
São Paulo no ano de 1958, que tinha predominantemente um
membro ocupado . fora, com o padrão do ano de 1969, com dois
membros trabalhando fora. 47 Segundo a Pesquisa Nacional por
••
46. E. Durham, op. cit., p . 211.
44. Henri Lefebvre, A re-produção das relações de produção, Escorpião,
47. DIEESE (Departamento In tersindical de Estudos Econômicos So-
Porto, 1973. ciais e Estatísticos) "Família assalariada: padrão e custo de vida·, '1974.
45. "Incluir a reprodução da vida operária como cultura, como política,
••
48. E~sa pesqu isa se refere ao conjunto da população. Em geral as
como sociabilidade - e não apenas como reposição estrita da energia
pesquisas centradas nas popu lações de mais baixa renda assinalam taxas
física do trabalhador - significou trazer, entre outras coisas, a famfüa
ligeirament\! maiores. N. Patarra e L. Bógus encontraram, em 63% das
operária para o centro da interpretação sobre suas condições de repro -
f arnílias, duas pessoas ou mais na PEA em pesquisa em uma vila no bairro
••
dução ." (Maria Celia Paoli, "A família operária: notas sobre sua for-
do Jabaquara (" Percursos migratór ios e ocupação do espaço urbano:
mação histórica no Brasil", mimeo, 1984.)
101
•• 100
••
em geral distantes e muitas vezes com ho rários desencontrados,
há uma tendência à diminuição das ocasiões de convivência fa-
miliar, dificultadas ainda se adicionarmos os movimentos dos
das casas entre as mulheres. Quando saem - o casal e os ·filbos
- o mais freqüente são as visitas a parentes ou amigos. E a ••
••
"ligação com o mundo", permanente, é dada pela televisão ligada,
membros da família freqüentando escolas. que fornece os temas das conversações. 50 O padrão é rompido
O aumento de pessoas tra balhando fora e mais as distânc ias em geral pelos adolescentes, que tendem a criar seus espaços na
e o custo dos transportes devem ter contribuído para o aumento
de refeiç.ões tomadas fora de casa. Temos u1rni indicação nesse
sentido através de informações acerca dos gastos em alimentação.
"rua" e não na "casa": bailes, cinemas, praças , bares .51
A importância atribuída à família não pode ser medida ,
no entanto, pelo tempo passado em comum, ainda que isso
••
Em 1971-72 , 92,5% dos gastos em alimentação eram para
refeições domésticas, enquanto 7,5 % eram para refeições fora
do domicílio. Já em 1981-82, a proporção dos gastos com a
contribua para solidificar ou debilitar seus laços . Mas a família
se mantém, para a maioria, como o lugar simbólico onde o ••
••
trabalhador projeta seus valores. Transcrevo, à guisa de ilustra -
alimentação no domicílio caía para 86,8%, com a conseqüente ção, trechos de um depoimento colhido por L. F. Rainho:
elevação da alimentação fora, para 13,2% .49
••
São red uzidos os momentos de encontro durante a semana: • . . . o operário tem que dedicar ao trabal ho pra ele manter o
no café da manhã, tomado às pressas; no jantar (às vezes desen- sustento da família ( . .. ) porque satisfeito o patrão nunca tá. Isso
contrando-se os que chegam do trabail1o e os que saem para a é uma experiência própria que eu tenho ( .. . ) Nem o patrão que
••
ocê num conhece, nem o teu chefe que vive junto diariamente
escola, sem contar as vezes em que o turno da noite impede
com você, nem o supervisor da seção, nunca tá. Você nunca fez o
também esta ocasião) e diante da teJevisão antes de dorm ir. Mas negóc io direi t o. Sempre tá devendo. Agora, se você fizer além do
na maioria das vezes a constatação desse pouco tempo é feita norma l que você pode fazer . você nunca vai receber nem um
;..
b.
sob a forma de uma queixa e uma carência. Na maioria das muito obrigado ( . . . ) Agora, a família. . . acho que é importante
vezes a "vida em família" pensada como a referência ideal, o pro operário que se dedica à família. . . porque ele se dedicando à
família ele tá dando mais apoio e o filho que tem mais apoio ele
lugar onde cada um encontra sua identidade e deixa a marca
tá preparando o filho pra amanhã ( ... )
11 •
visível de seu "papel na sociedade". Por isso mesmo o fim de Por isso, em questão de família, a gente se preocupa é mesmo com
(;\
semana, ou o domingo, que é o verdadeiro "tempo livre", é os filhos . . . eu imagino pros meus filhos tudo que tem de melhor:
••
quase sempre passado com a família. A mulher esmera nos pratos ser honesto ao extremo e que eles estude e lute com a vida pra
de domingo, o marido fica ''sem fazer nada" - e essa gratuidade amanhã e eles ter muito ma is que eu tive. Porque o que eu tive
é o contrário do tempo obrigado de trabalho - ou faz pequenos meus pais já me deram demais, porque eles não tinham condições
••
ele me dar o que me deram. Uma coisa eles tinham de sobra pra
consertos domésticos , tudo isso entremeado de "bate-papos" com mim dar e isso me deram: é a moral. Eu me considero um homem
vizinhos - nos bares das redondezas entre os homens , no interior moral. Quero que eles, os filho meu, além . . . se eu consegu ir isso
já me considero realizado que eles tenham moral e sejam útil à
50. Cf. C. Macedo, op. cit.; T. Caldeira , op. cit.; J. S. Gonçalves, Mão-
••
morar, Nobel. 1985). C. Macedo constatou a média de duas em 50% dos de-obra e condições de trabalho na indústria automobilística do Brasil,
casos (A reprodu ção da desigualdade, Hucitec, 1979). Teresa Caldeira Huc itec, 1985; L. F. Ra inha, Os peões do Grande ABC, op. cit.
constatou que em 48,5% dos casos havia mais de duas pessoas traba- 51. J. M. Orliz Ramos e Silvia Borelli "Os offíce-boys e a metrópole:
lhando fora (A polftica dos outros , Brasi liense, 1984). lutas , luzes e desejos" in Des11ios, n.º 4, 1985. Ver também C. Macedo,
49. CL pesquisa de S. K. Endo e C. E. Carmo, .. Pesqu isa de orça- op. cít., e T. Caldeira , op. cit.
mentos familiares", Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). 52. Citado em L . F. Rain110, op. cit., p. 139.
102 103
••
•• Não pretendo que a "visão de mundo" expressa nessa fala nhecido coletivamente como um valor social, ainda que não seja
n~cessariamente seguido por todos.
••
seja alguma síntese ou média do que se encontre entre as ·classes
populares : Existem variações significativas . Mas o interesse desse Na prática, a importância do coletivo familiar já se manifes-
depoimento está sobretudo no fato de apresentar elementos ta nas decisões que afetam a inserção de cada um dos seus
••
filhos. Nela ele vê sentido para sua dedicação (diferentemente
da dedicação que teria no trabalho), voltada para a preparação da casa e as necessidades de aumentar a renda familiar com o
dos filhos. O objetivo da dedicação à família é assim a própria seu ingresso no mercado de trabalho. Houve aumento de emprego
•• família, o que a confirma como um valor em si mesma. E a feminino, mas, considerado "complementar", ele não foi em geral
preparação dos filhos tem por referência uma ética de honestidade assumido como uma "carreira" e sim como "expediente provi-
e de utilidade para "a sociedade". Poderia haver uma contradição sório", contribuindo para sua própria desvalcirização. 54
••
·1
'!
contradição é assinalada pelo entrevistado). Não importa, já que
o que lhe interessa é a "sociedade" enquanto referência ideal e
não a sociedade empiricamente observada e que se manifesta
gurar o orçamento doméstico, defender-se do pauperismo e possi-
bilitar projetos de melhorias. Nesse trabalho, sobre "Modo e
.1
condições de vida na Grande São Paulo" , constatamos as rela -
•
.. 11
através dos patrões, chefes e supervisores. Fecha -se assim o ções entre os arranjos familiares e os momentos do ciclo de vida
círculo de uma visão de mundo que começa e termina com a familiar. Af estão identificados: o "difícil começo" dos casais
família. Se os sociólogos de inspiração marrista que só viram
•• essa importância para a família . Encontramos os que preparam escolhas individuais. Mas estas têm de levar em conta as decisões que
valem para o ·coletivo" . Este pode se organizar segundo uma hierarqu ia
os filhos tendo por referência princípios mais pragmáticos. E mais autoritária, em que o "chefe" toma as decisões, ou formas mais
outros mais. Mas penso que na fala do metalúrgico transcrita ·democráticas".
to4
54. Cf. M. Celia Paoli, op. cit .
105
••-
••
dentes, quando principalmente os filhos começam a ser incor-
porados no mercado de trabalho (30% das famílias nesse caso);
ESTRUTURA DO ORÇAMENTO DOMÉSTICO(
Tipos de despesa 1958 1969-70
%)
••
o "esforço coletivo" das famílias com chefe feminino sem côn-
juge (13 6% dos casos); situações mais favoráveis dos casais
mais velhos (12% dos casos) já sem filhos menores e benefi-
Geral
Estra to
inferior
Estra to
médio
Estrato
superio r ••
ciando-se da combinação de vários recursos. 55
Por outro lado, na determinação dos gastos, se efetiva tanto
a prese nça real da família na vida de cada um de seus membros
Alimentação
Habitação
Vestuário
45,0
30,0
10,0
39,0
23,5
8,1
48,l
20,1
6,9
42,5
21,4
8,5
30,4
27,7
8,3 ••
••
Saúde 4,0 3,6 3,5 3,5 3,7
quanto a expre são de um estilo de vida. No ino?o de consumo H igiene pessoal 1,5 1,2 1,1 1,2 1,2
se realizam escolhas que expressam as adaptações de cada Limpeza doméstica 3,0 1,7 2,0 1,8 1,3
Equipamento doméstico 3,0 . 6,5 6,7 7,0 5,8
família às condições dadas, as estratégias elaboradas (explícita ou
implicitamente) para reagir a elas, seus sonhos e aspirações . O
que nos mostram os orçamentos domésticos · das ·famílias de
Transporte
Educação e cultura
Recreação e fumo
2,0
1,0
0,5
8,8
3,5
4,1
5,8
2,2
3,6
7,0
2,8
4,3
12,5
5,0
4,1
••
trabalhadores em São Paulo no período que estamos estudando?
Tomemos primeiramente umà informação valiosa, elaborada
pelo DIEESE, estabelecendo a comparação entre a estrutura do
100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: DIEESE, Família assalariada: padrão e custo de vida, 1974.
100,0
••
orçamento doméstico nos anos de 1958 e 1969-70.
Considerando que a medida dos três estratos de 1969-70
O padrão salarial sobre o qua l se pesqLúsou o orçamen to de 1958
correspo ndia a 2,74 salários mínimos da época . Para 1969-70 o estrato
inferior compreendia famnias com renda até 3,1 salários mínimos; o ••
••
apresentou uma queda na proporção dos gastos com alimentação estrato médio, familias com renda de 3 1 a 6,2 salários mínimos; o
(39% contra 45 % em l968), os autores da pesquisa observam superior correspondia a mais de 6,2. A tabela acima foi elaborada a par tir
da síntese de duas tabe las cio estudo citado.
que isso constitui um ·ind icador universal de melhoria no padrão
•••
de consumo, po is implica aumento na aquisição de outros
bens . Mas fazem a ressalva que, desagregando-se pelos três no leque salarial, com significativas melhorias jus tamente para
estra tos, a redução só se realizou para os grupos de renda média os trabalhadores de rendas mais elevadas .57 Assim, efetivamente
e superior . Já os autores de São Paulo 1975: crescimento e
pobreza, transcrevendo os da_dos do DIEESE, observam que,
para as famílias do estrato superior houve um ingresso notável
no consumo de outros bens , além da alimentação. Nos do ••
como houve queda na renda real das famílias assalar iadas no
período considerado, os dados expressam uma diminuição no
consumo per capita de alimentos. 56 Mas, na verdade, as informa-
estrato inferior v remos que houve também significativo aumento
na aquisição de bens duráveis, embora parcia lmente com o
sacrifício do consumo aliment ício. ••
ções que hoje dispomos sobre as tendências salaxiais na década
considerada assinalam uma diminuição sensível do salário míni-
mo em termos reais, ao mesmo tempo que uma forte dispersão
Já o item "habitação" não permite uma comparação esta-
tísticà, porque a família padrão da pesquisa de 1959 residia em
casa alugada , enquanto a maioria das pesq uisadas em 1969-70
vivia em casa própria. A proporção dos gastos com habita ção
••
em 1969-70 cresce com o aumento da ren da fam iliar ·. A explica-
55. Pesquisa coordenada por L. Kowarick, • Modo e condições de
vida na Grande São Paulo", DIEESE-CEDEC , 1986. ção pode ser encontrada no fato de as famílias mais pobres terem
56. C. Camargo e outro s, São Paulo 1975: crescimento e pobrei:a,
Loyola, 1976. Livro, de resto, notável na exposição das condições de vida
dos trabathador es em São Paulo nesse período. 57. Cf., entre outros , P. R. Souza, op. cit. , e E. Bacha, op. cit.
106 107
/ UERJ BIBLIOTECA
IESP
•I
•
•I
•• recorrido preferencialmente à "autoconstrução" na periferia, 0
.,
porte e do número de viagens necessárias para os deslocamentos qualificados e 66% entre os qualificados), 19% entre os mora-
• diários.
Outro item que registrou aumento significativo foi o de
equipamentos domésticos. Em 1969-70, quando examinamos
dores de São Miguel pesquisados em 1979-80. 58
Os dados disponíveis parecem sugerir a hipótese de ter
havido aumento na aquisição de bens duráveis em todas as faixas
• 111
• ~l que no superior. É provável que isso esteja a indicar o ingresso de
camadas mais pobres na aquisição de ele trodomésticos, enquanto
O padrão de consumo das famílias operárias parece indicar
uma busca de acesso aos padrões de "classe média", difundidos
•
,1! ..
.,, as famílias de trabalhadores de rendas mais elevadas já distri- pela publicidade. Essa tendência levou autores a falarem de
•1
••
buíam seus gastos na aquisição de automóvel, casa própria e
também em itens de educação e cultura.
Com efeito, enquanto os itens "saúde", "higiene pessoal"
"manipulação das aspirações" 59 e a se perguntarem se tais pro-
dutos não permaneciam "estranhos à cultura e padrões de vida
da classe operária", "símbolos equivocados de uma ascensão
••
particularmente de equipamentos domésticos. A posse de um
aparelho de televisão foi constatada em 78% das casas pesqui- 58. A pesquisa em operários da indústria cerâmica é de C. Macedo,
sadas de operá rios de uma indústria cerâmica da Grande São op. cit.; a da indústria automobilística do início dos anos 60 é de
••
Paulo em 1974, em 77% dos operários de uma indústria auto- L. M. Rodrigues em Industrialização e atitudes operárias, Brasiliense,
mobilística em 1976-77 (sendo 43% do total dos não qualifi- 1970. Da indústria automobilística em 1976-77 é de f. S. Gonçalves,
op. cit. Dos moradores da vila de S. Miguel é de T. Caldeira, op. cil.
cados, 81 % dos semiqualificados, 93% dos qualificados), 81 %
59. L. F. Rainho, op. cit., p. 270.
108
60. f. S. Gonçalves, op. cit., p. 109.
109
••
••
mente aqui a questão posta por Marilena Chauí acerca da visão
romântica sobre a cultura popular que se esquece de indagar
base de consumo coletivo: ela condiciona, por sua localização,
o uso dos transportes, do ambiente físico, dos serviços públicos
existentes. 62
••
· se, sob o discurso 'alienado' , submisso à crença nas virtudes de
um poder paternalista, não se esconderia algo que ouvidos român-
A aspiração à casa própria (como alternativa à alugada)
esteve relacionada com razões instrumentais: deixar de pagar alu- ••
ticos não são capazes de ouvir· .61
111
110
=
•
• Mas o que interessa particularmente agora é observar que
a própria execução desse projeto de "autoconstrução" implicou
Quando já vimos os padrões salariais vigentes podemos
concluir que a chamada "poupança de salário" deve ter signifi-
~
um reforço dos laços familiares, porque dependeu do esforço cado quase sempre também uma redução dos gastos familiares .
conjunto. Além disso, os depoimentos colhidos por Raquel Rolnik e Nabil
•'
24 % por terreno barato para construir casa própria; 21 % por afmal como algo acessível no curso da vida de uma família. A
casa barata para comprar ou alugar. 65 pesquisa já mencionada sobre "Modo e condições de vida na
••
do Campo encontrou em 67% dos casos a presença de amigos
e parentes ajudando a família proprietária, qu e não contou com significativa (78%) dos casais cujos parceiros tinham mais de
nenhum profissional remunerado; em 14% os proprietários tra- 50 anos morava em casas próprias . Se para os jovens casais
=~i
. r.:
1
A construção implicou grandes sacrifícios seja no consu-
mo da família, seja no esforço físico de seus membros. Levanta-
mento feito pela Secretaria de Economia e Planejamento do
Governo do Estado sobre a origem dos recursos para a constru-
mento do primeiro filho o espaço doméstico vai se firmando
como centro de gravitação, e o grande objetivo passa a ser o
da sua fixação através da casa própria. Para uma parcela sig-
nificativa, à custa de muito sacrifício e às vezes das energias
••
•• ção de moradias na periferia de São Paulo constatou que 29%
vinha de "poupança de salário", 23,6 % de horas extras e bicos,
13,4% de "redução de gast9s familiares". 67
de uma vida inteira, o objetivo é alcançado. 68 Na esfera privada
da vida familiar parece ocorrer então a história de um progresso.
Essa experiência de algo vivido como um progresso pode
••
65. Pesquisa CURA (Comunjdades Urbanas para Recuperação Acel~
rada) para Ttaquera e Vila Matilde, Prefeitura de São Paulo, 1974.
. 66. E. Maricato, A proletarização do espaço sob a grande indústria: o 68. Cf. DIEESE-CEDEC, Modo e condições de vida na Grande São
••
caso de S. Bernardo do Campo, dissertação de mestrado, USP, 1977. Paulo, op. cit .
67. SEPLAN, Construção de moradias na periferia de São Paulo, 1979 . 69. Cf. Emplasa, Sumário de dados da Grande São Paulo.
•
112 113
L!
••
~enfeitorias urbanas - ocorrida também na eletricidade, rede
de saúde e escolas - conquistadas por setores significativos da
população.
O espaço público e os pedaços da cidade
••
Mas aqui tocamos num outro ponto importante dessas expe-
riências das condições de moradia : o esgotamento do "padrão
Na experiência cotidiana dos trabalhadores nesse período
esteve presente uma desarticu lação de espaços públicos de expres -
são popular e sua ·paciente refeitura por caminhos que prenun - ti •
periférico" é a conseqüente expansão das' favelas. O encareci -
mento dos lotes urbanos de um lado, dos transportes de outro,
ciam a eclosão dos movimentos sociais. Assistimos tanto ao
fechamento de espaços públicos de manifestação política quanto ••
••
deve ter pressionado no sentido da favelização e mesmo da inten- ao fechamento de espaços públicos de convivência social, por
sificação do uso dos cortiç,os. A popµlação favelada cresceu onde se coletivizavam experiências sem incidência direta i:ia insti-
em cerca de 30 % ao ano na década, e ao seu final era estimada tucionalidade política. Vejamós os dois processos .
em qµase um milhão de pessoas só no município da capital. 7º
Mais . de três milhões viviam em cortiços. 71,.,E pela primeira :vez
Quanto aos espaços de manifestação política observamós o
processo que Vera Telles descreveu como "desestruturação/
reconstrução do público". Analisando a estratégia de poder ••
••
anotava-se uma queda relativa na proporção de casas próprias
instituída em 1964, ela não vê apenas o autoritarismo como se
em relação às alugadas: tinham sido 25% em 1940, 38% em
fosse prática do Estado contra a sociedade, mas como uma
1950, 54% em 1970, 5.1% em 1980 .72
práti ca social tornada experiência cotidiana. O efeito dessá
!Foi portanto claramente diferenciada: a experiência do pro- estratégia era
••
,.J'.•
gresso, e para muitos o que aconteceu foi justame nte o inverso:
nãóº só a' deterioração das condições de moradia como o estigma "apagar ' os sinais de reconhecimento popu lar e esvaziar o sen-
tido da ação coletiva como forma de participação na vida social
de uma margina lização, da exclusão à moradia legal e consi- ( ... ) 'despolitizar' a sociedade e desfigurar a política como coisa
derada digna e às benfeitorias . urbanas que caracterizaram o pública" .73
progresso metropolitano. A esses, permanecendo na esfE?ra pri-
•
vada das histói.:ias.familiares, restava a projeção dos mesmos Os espaços públicos se fecham para o debate político e o
sonhos na figura dos filhos. E por iss9 também a pressão por reconhecimento da legitimidade de interesses diversos e agentes
escolas foi algo tão f9rte nessas décadas . Preparar os filhos diversos. Os conflitos existentes são ofuscados quando não repri -
para talvez alcançarem o· que não alcançaram os pais . 1nidos, e as ações coletivas aparecem sob o signo da desordem
e do perigo . Na medida em que a política assume a forma de
uma racionalidade tecnocrática, isenta de paixões e interesses,
70. Cf. Arlete Rodrigues, op. cit. Os dados . do IBGE apontam 350 mi l acima de partidarismos e fruto da competência dós que a 'exer-
favelados em 1980 no mun icípio de São Paufo. Há um.a evidente subesti- cem74, o público se dissolve com o alheiai:nento dos indivíduos
mação , devida ao fato de não tei·em sido contabilizados os favelados na esfera privada .
de favelas com menos de cinqüenta bàrracos . Em "1980 a , Prefei tura
Falar do fech amento .do espaço público enq uanto lugar de
contabi lizou novecentos núcleos onde viviam duzentas miJ famílias ,
. correspondendo a cerca de 10% da população do município. Ver "Prefei- manifestação política não implica idealização da situação
tura aposta no Pró-M orar" in Folha de S. Paulo, 13/7 /80. anterior a 1964. Tampouco antes de 1964 a esfera pública era
71. Cf. o estudo "Cortiços de São Paulo: frente e verso" da Secretaria
Mun icipal de Planejamento, de 1986, que estimava em. 3,4 milhões os
moradores em cortiços. 73. Vera Telles, A experiência· do autoritarismo e práticas instituintes ,
72. Dados da pesqu isa de N. Bonducki , Construindo ... , op. cit. op. cit., pp. 20-1.
74. Ver M. Chauí, Cultura e democracia, op. cit.
114
1-15
•i
••
••
Brasil Grande diante da propaganda feita pelo regime. Um país
. lugar de constituição de sujeitos auto-organizados que incidissem que não existia desordem . Um país de trabalhador honesto. Um país
ativamente sobre o Estado. Mas na disputa político-eleitoral se onde o trabalhador tinha paz e o trabalhador esperava. por essa
legitimavam agentes políticos antagônicos; na relativa liberdade paz, esperava por esse progresso. Os viaduto começa à aparecer
•• ressonância nas esferas de poder para que o sistema funcionasse. tendo todas estrada asfaltada ... E ele esperava que esse milagre
fosse beneficiar ele, por isso o trabalhador esperou. Uns tinham
Além disso, os conflitos que eclodiam no cotidiano podiam ser
medo, era época das prisões, dos assassinatos, dos seqüestros e o
reconhecidos como legítimos graças à retórica política dominante trabalhador realmente não queria sair de casa: ir pra fábrica e
••
nacionais. A formação da opinião pública resultava em grande
medida dos "projetos de impacto " do governo, desde a declara- dominação plena do espaço público pelos discursos proferidos
ção da soberania nacional sobre a faixa de 200 milhas da costa a partir do Estado militar deve ser muito relativizada : Já os
•.~\
•· marítima e a construção da rodovia Transamazônica, que mani- resultados eleitorais a partir de 1974 assinalam a presença de
festavam a imagem de um "Brasil Grande", fruto do patriotismo outros fatores. Em 1970 o MDB havia tido 10% de votos mais
do que a Arena no município de São Paulo; em 1974 o MDB
do novo regime.
O depoimento de um militante da oposição metalúrgica de teve quase 4 vezes a votação da Arena, e em 1978 mais de 7
e i..: vezes. E esse voto teve o caráter de um protesto marcadamente
•• ~ São Paulo, colhido pela equipe da URPLAN, dá uma idéia dos
popular.77 Esses resultados, já em 1974, mostram como as men-
••
efeitos disso sobre os trabalhadores:
sagens oficiais deixavam fissuras, não cobriam todo o quadro da
• Existia um setor que acreditava no milagre e outros que não acre- opinião pública. (Diante da esmagadora vitória do MDB tanto
ditava mas num tinha formas de sair do problema e o sistema ele maior quanto mais pobres as regiões eleitorais dà Grande São
••
plesmente que exibiam fissuras. Mas seria uma afirmação equi -
vocada, posto que alguns elementos básicos do discurso oficial -
75. Para as transformações e contradições da "esfera pública burguesa·, referidos à ordem e à disciplina - que induziam à despolitização
veja-se J. Habermas , L'espace public, Payot, Paris, 1978. Cabe dizer que
•• 116
117
••
mais pelos pobres".) A maioria dos trabalhadores considerava a
política como função a ser exercida por elites competentes e, entre
os que se ofereciam ao voto, optava pelos que lhe pareciam mais
política direta, são espaços onde se forma um "público", pelo
intercâmbio de . comentários, informações, histórias . ••
acessíveis. Por outro lado , os resultados eleitorais - já em
1974 - mais do que apenas revelar tendências existentes mas
A própria concepção urbanística que · presidiu a . remodela-
ção metropolitana nesses anos expressou a prepotência e o ,
desprezo com que a tecnocracia dirigente tratou a qualidade de
••
silenciadas também produziram novos efeitos sobre as classes
populares. Se o ato de votar é solitário, atómizado, a divulgação
do seu resultado revela um coletivo. Os resultados eleitora is de
vida dos que não tinham automóvel e não viviam nas zonas
nobres da cidade. O "minhocão" 8º ínvadindo as casas, as grandes
vias de acesso, sem prever abrigos, bancos, lugares para os pedes-
••
1974, ao expressarem tão fortemente a existência de uma opinião
pública de oposição, abriram um ca mpo de referência e legiti-
mação para comportamentos de rebeldia, resistência, contestação.
tres. E os doi s gigantescos conjuntos habitacionais da COHAB
na periferia da Grande São Paulo - modelos da política ••
••
habitacional do governo -, em cada um deles vivendo cerca de
O fechamento dos espaços públicos de manifestação . política 100 mil habitant es, são também modelos dessa concepção de
se ,expressou também necessariamente no campo da indústria "cidades-dormitórios", receptáculos de mão-de-obra. Gabriel
cultural. Houve uma notável expansão da indústria cultural no
período pós-64, registrada no extraordinário crescimento da
televisão, no crescimento da venda de revistas e jornais e, sobre-
Bolaffi, que de resto considera tais projetos como êxitos d'? ponto
de vista econômico , observa qu e
••
tudo, no aparecimento e êxito de séries de livros de popularização
científica. 78 Essa expansão se deu ao lado de um mais rígido
controle sobre seus produtos. Tratou-se de apagar a presença
"embora por suas dimensões os referidos conjuntos constituem
verdadeiras cidades, não foram tratados como tais e neles não
há espaço para necessidades tão elementares como postos de gaso- ••
de debates, contestações, críticas, sendo o controle mais rígido
nos meios de maior impacto, como a televisão e. o rádio.
lina , oficinas mecânicas, botequins e até as padarias se não são
escassas, são mal distribuídas. Ainda pior, os conjuntos foram deli-
beradamente desenha dos para se rem· cid ades-dorm itórios" .81 ••
·Num outro nível, a restrição dos espaços públicos nesses
anos se deu através de um processo que Guattari chamaria
"alisamento da paisagem". 79 1!a deshuição física de lugares cul-
Também as grandes distâncias e o pouco tempo disponível,
os maiores ritmos de trabalho e o cansaço acrescido devem ter ••
turalm ente significativos como resultado do ritm? avassalador da
remodelação urbana: praças e parques, campos de várzea, bote-
contado para uma nítida diminuição das formas de lazer público.
A indicaç ão mais evidente disso está dada pela diminuição
absoluta do núm ero de cinemas na metrópole. O fato de a te-
••
quios ou quarteirões inteiros desaparecem ,, dissolvendo espaços
de convivência formados pelos encontros cotidianos na cidade.
Ou foram os deslocamentos tão freqüentes e às vezes bruscos,
levisão ter ocupado seu lugar bem expressa uma tendência à
privatização da vida urbana.
E no entanto em cada lugar novas referências são' télmo -
••
impelidos por essa própria remodelação ou por despejos ou
mesmo pela conquista de casa própria, que desfizeram (ao tornar
samente recriadas. E significativ o que na obra literária 'de um
escritor -metalúrgico que, sob a forma de contos, reconstitui ••
••
distantes) espaços de encontro e reconhecimento. · Sem incidência aspectos do cotidiano operáriq desses anos seu texto mais con-
••
78. Cf. Sergio Miceli , "E ntre no ar em Belíndia {A indústria cultu ral 80. • Minhocão" foi como torn ou-se conh ecida a via expressa elevada
hoje)" in Cadernos JFCH UNICAMP, n.º 15, 1984. que cortou o cen tro de São Paulo em direção à zona oeste.
79. f. Guattari, "Espaço e poder: a criação de territórios na cidade" in 81. G. Bolaffi, "O s mitos sob re o problema da habitação" in Espaço e
•
Espaço e Debates, n.• 16, 1985. Debates, n.º 17, pp. 26-7.
118 119
••
.,
••
•• ~agrado tenha por cenários o balcão de uma padaria e o estribo maçõe~ sobre emprego, futebol, a novela da TV, assim como
de um ônibus . A padaria era o lugar onde três amigos se encon- sobre a escola dos filhos, a excursão a Santos, sobre as conqu istas
travam depois de sair da fábrica, bebericavam, jogavam paliti- amorosas, a meningite, o Esquadrão da Morte, o incênd io do
••
tezas e alegrias dessa gente, que após o breve encontro entre
apresentou ao falar dos "pedaços" da cidade: os lugares, em
amigos se abarrota pulverizada nos ônibus antes de encerrar-se
na privacidade de suas casas, o autor cria um personagem cuja cada vizinhança, que constituem a mediação entre a casa e o
mundo.
el
•• diante dos ônibus repletos, quando ninguém mais conseguia
subir.
••
vam, todos o respeitavam, .todos p adoravam. Quando o ônibus A paisagem alisada sofre um " reestriamento" (o termo ainda
dava apenas uma maneirada, pra não atropelar de verdade a turma é de Guat~ari) nesses "pedaços" por ond~ fluem novos signifi-
que ficava quase no meio da rua, 'Tá vazio' saltava, voava, se
cados coletivos que expressam as interpretações formu ladas sobre
tornava um pássaro buscando a liberdade de ser pássaro. Suas
•
• ll/ l ..
mãos se fechavam como fortes tenazes em ferro quente, seus senti-
dos só objetivavam algo sólido na carroceria velha do ônibus
podre . 'Tá vazio' buscava, com desespero, sua humanidade nos
balaústres, nos frisos soltos, nos corpos dos oulros, nas portas
as condições de vida na metrópole. A retórica dominante -
que condenava a política como manifestação de interesses escusos
(a ser substituída pela gestão racional e patriótica) - é absor-
vida mas reinterpretada na semântica dos dominados, que sus-
• fechadas, até nas biqueiras d'água desses monstrengos.
'-r, peitam de todos os políticos e voltam-se para os seus interesses .
• ·!''
-' Era a glória para 'Tá vazio', já longe do ponto, ouvir palmas e
E desse solo que brotaram os movimentos sociais a partir da
••
vivas. Ele era gente, ele era o 'Tá vazio', o melhor 'tá vazio' vivo
até aquele momento. "82 metade da década de 70.
•
••
salões de baile, cabeleireiras, pontos de ônibus, fliperamas, foram
se reconstituindo espaços de encontros, onde se trocavam infor-
••
Movimento . F~i ainda traduzido e publicado na Inglaterra pela revista
O direito à cidade, Documentos, 1969. '
Voices .
121
•
120
••
ANEXO 1
(cont.)
••
GRANDE SÃO PAULO
POPULAÇÃO RESIDENTE, SEGUNDO OS MUNIC1PIOS E
SUB-REGIÕES: 1960 ~ 1970 ~ 1980
Munidpios e
Taxa
geométrica de
crescimento ••
••
sub-regiões 19601 19702 19802 anual(%)
1970/ 1980/
1960 1970
Taxa
••
geométrica de
Municípios e crescimento
19702 19802 anual(%) Diadema . . . . .. . .... 12.308 78.914 228.660 20,42 lJ,23
sub-regiões 19601
1970/ 1980/ Ribeirão Pires ... .. . 17.250 29.048 56.532 5,35 6,89
1960 1970 Rio Grande da Serra
Leste . . .. . .. ... .. . .
3.955
181.558
8.397
312.060
20.093
519.037
7,82
5,57
9, 12
5,22
••
Centro . . . . . . . . . . . . .
São Paulo . . . . . . . . .
Osasco . . . . . . . . . . . .
3.824.102 6.207.688
3.709 .274 5.924.615
114.828 283.073
8.967.769
8.493.226
474.543
4,96
4,79
9,44
3,75
3,67
5,30
Moji das Cruzes . . . .
Suzano ...... ' . ... .
Poá .............. .
94.482
27.094
15.829
138.751
55.460
32.373
197.946
101.056
52.783
3,92
7,43
7,42
3,62
6,18
5,01
••
Noro este .... . .. ....
Carapicuíba . . . . . . . .
48.533
17.690
112.135
54.873
297.978
H\5.816
8,76
12,05
10,27
12,97
1taquaquecetuba
Ferraz de Vasconcelos
Guararema ........ .
.. . . 11.456
10.167
9.130
29.114
25.134
9.557
73.064
55.055
10.653
9,78
9,47
0,46
9,64
8,16
1,09
.. •
•
Salesópolis ........ .
••
9.130 9.557 10.653., 0,46 1,09
Barueri .... .. ...... 16.671 37.808 75.336 8,53 7,14
Biritiba-Mirim ...... 5.712 9.033 13.377 4,69 4,00
Cajamar . ..... ..... 6.438 10.355 21.941 4,87 7,80
Santana do Parnaíba . 5.244 5.390 10.081 0,27 6,46
••
Nordeste . .... ... ... 118.818 263.543 579.227 8,29 8,19
Pirapora do Bom Jesus .2 .490 3.709 4.804 4,07 2,62
Guarulhos . . . . ... . . 101.273 236.811 532.726 8,87 8,45
Arujá . . . . . . . .. . . . . . 5.758 9.571 17.484 5,21 6,21
Oeste ....... . ..... 26.638 70.992 152.436 10,30 7,94 Santa Jsabel . ....... 11.787 17.161 29.017 3,33 5,39
Cotia . . . . . . . . . . . . . .
ltapevi ....... . ....
Jandira ..... . ......
14.409
10.182
2.047
30.924
27.569
12.499
62.952
53.441
36.043
7,94
10,47
19,83
7,37
6,84
11,17
Norte ......... . . . . .
Franco da Rocha . ..
50.177
25.376
82.681
36 .303
132.031
50.801
5,12
3,65
4,79
3,42
••
Sudoeste ...........
Taboão da Serra ....
37.103 101.954 287.466
97.655
10,64
19,03
10,92
9,08
Mairiporã . ' . . . .....
Caieiras . ..... . .. ...
Francisco Morato . . .
12.842
9.405
2.554
19.584
15.563
11.231
27.541
25.152
28.537
4,31
5,17
16,01
3,47
4,92
9,77
••
••
7.173 40.945
ltapecerica da Serra . 14.253 25.314 60.476 5,91 9,10
Embu . . ............ 5.041 18.148 95.800 13,67 18,10 Grande São Paulo ... 4.891.245 8.139.731 12.588.727 5,44 4,46
Embu-Guaçu .... . . . 4.773 10.280 21.043 7,97 7,43
Juquittba ...........
504.416
7.267
988.677
12.492
1.652.781
2,17
6,98
5,57
5;27
Fonte dos dados físicos: FlBGE; sinopse do Censo Demográ[ico do
Estado de São Paulo, 1970, 1980. e estimativa Emplasa.
••
Santo André .. . ....
São B. do Campo ..
São Caetano do Sul
245.147
82.411
114.421
418.826
20t.662
150.130
553.072
425.602
163.082
5,50
9,36
2,75
2,82
7,76
0,83
1. População recenseada.
2. População residente.
••
•
Mauá .... . ......... 28.924 101.700 205 .740 13,40 7,30
122
123
:
••
•• MUNIC1PI0 DE SÃO PAULO
EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃ O , SEGUNDO OS DISTRITOS,
(é'ont.)
•• D istritos, subdistritos
Taxa
geométrica de
crescimento
Distritos, subdistritos
e zonas 1960 1 19702 19802
cresc imento
anual( % )
1970/ 1980/
••
e zonas 19601 19702 19802 anual(%) 1960 1970
1970/ 1980/
1960 1970
Socorro .... ' ..... .. 28.463 165.437 452 .041 19,24 10,58
•• Centro histórico . . . .
Brás .. ' .. ... .... . . .
374.446
63.971
323 .617
54.391
321.885
48.588
- 1,45
- 1,61
- 0,06
- 1,11
!birapuera ........'
Parelheiros . . .. . .. . .
67.416
8.097
110.76 1
12.378
158.415
27.310
5,09
4,34 8,25
•• Belenzinho . . . . . . .. .
Cambuci . ....... . . .
Santa lfigênia . . .. . .
63.153
49.900
52.300
52.238
48.600
38.980
49.273
53.590
42 .551
-1,88
-0,26
_:_2,90
-0,58
0,97
0,86
Sudoeste . .. . . ... .. .
Vila Prudente . .. ...
Saúde . ....
- .. - .. . .
637.604
197.668
157.871
901.967
359.116
234.528
1.101.350
496.537
289.027
3,53
6,15
4,04
2,02
3,29
2,11
••
Mooca ...... . ... . . . 42.792 35 .298 36.175 - 1,91 0,23 lpiranga . .. ... - .. .. 156.766 171.338 179.353 0,89 0,45
Pari . . . . .... .... . .. 34.539 30.693 27 .748 - 1,17 - 1,00 Alto da Mooca . . . .. 125.299 136.985 136.433 0,90 - 0,04
Barra Funda ... . ... 32.454 29.762 30.685 - 0,86 0,31
Bom Retiro . ... . .. . 26.457 25 .606 25.068 - 0,33 -0,20 Leste 1 . . . . . .. . .... 531.372 851.589 1.098.752 4,44 2,53
•• Sé ... .........
Centro Expandido
. . . ..
.. .
8.880
818.843
8.049
934.123
8.207
1.154.465
0,98
1,34
0,17
2,11
Tatuap é . ....... . . .
Ermelino Matarazzo
Vila Matilde .... . ..
175.653
71.916
8 1.225
254 .281
152.167
151.162
279.757
241.652
239.739
3,77
7,28
6,41
0,96
4,73
4,72
••·· t ,1
'li
Lapa .... ... .. . ... ..
Perdizes .... .. . .. . .
Jardim Paulista .. ...
Vi1a Mariana . ......
105.995
91.3 10
80.173
76.899
122.512
100.161
91.927
80.919
135.515
127.935
118.450
108.282
1,46
0,93
1,38
0,51
1,00
2,49
2,40
Penha de França . . . .
Vila Formosa . .. .. .
Cangaíba . ' ..... .. ..
108.805
73 .608
40 .165
137.818
96.302
59.859
142.656
119.704
75.244
2,39
2,72
4,07
0,34
2;25
2,32
•• Sant a Cecília . . . .. ..
Conso lação . . . . . . . . .
Liberdade .. . . . .... .
60.501
51.698
55.873
67.899
62.226
59 .790
84.956
72.372
73.383
1,16
1,87
0,68
2,2'6
1,50
2,05
São Miguel Paulista
ltaim Paulista . . . .. .
ltaquera . . .... .. . ''
65.992
33.570
235.346
189.143
320 .132
125.071
414.888
13,56
18,87
6,59
8,15
••
Aclimação ....... ... 44.230 49.058 55.384 1,04 1,22 Guaianaz es . . ... .... 24.689 74.894 150.437 11,74 7,22
Jar dim América .. .. . 42.683 47 .197 55.291 1,01 1,60
Pinheiros . . . . . . . . .. 36 .201 44 .080 47.129 1,99 0,68 Norte 1 . . .. .. . ..... 94.115 186.999 288.892 7,11 4,48
Pirit uba . .. . . . . . . . . . 40 .119 86.261 117.773 7,96 3,17
••
Cer queira César . . . . 32.040 42 .616 65.447 3,13 4,14
Vila Jaguara .. ... .. . 34 .913 52.034 7 1.641 4,07 3.29
Bela Vista ... 57 .825 61.192 79 .367 0,57 2,62
Vila Madalena . .... . Jaragu á . . .. . .... . .. 9.817 20.937 51.075 7,87 9,33
30.112 33 .825 48.296 1,17 3,63
Perus . ...... .... . .. 9.266 27.767 48.403 l l ,60 6,72
••
Sul .. . ... . . . . . .. . . 302.258 861J64 1.670.415 11,04 6,86
Nossa Senhora do ó 62.439 141.109 · 173.856 8,50 2,11
Santo Amaro ..... . . 109.110 377.168 765.743 13,21 7,35
Vila Maria ... - ..... 94 .118 116.300 131.851 2,14 J,26
Jabaquara . . ... . .... 89.172 195.620 266 .906 8,17 3,14
Bras ilân dia . - . .. . ... 41.776 99.831 176.269 9,10 5,86
•• 124
125
•
••
(cout.)
ANEXO 2
••
••
Taxa Vejamos como se distribuiu a população na região metro-
geométric.a de politana . Para isso, tomei as tabelas elaboradas pela Emplasa,
Distritos, subdistritos crescimento que cruzam a distribuição da população economicame nte ativa
••
e zonas 19601 19702 19802 anual( %) segundo faixas de renda e seto r de atividade, por municípios d~
1970/ 1980/
1960 1970 Grande. S,ã~ Paulo e distritos do munic ípio da capital. Agrupei
os mumc1p10s segundo suas sub-regiões e os distritos segundo
Casa Verde ..... ' ..
Vila Guilherme . . . . .
79.226 93.931 110.634
77 .120
2,25
6,03
1,13
0,41
suas zonas, reduzindo também as faixas de renda . Considerando
••
.
41.202 74.028 as características do distrito do Ibirapuera, mais similare s às dos
Limão . . .. ....... _. _ 51.387 69.980 86.034 3,14 2,10
distritos do Centro Expandido qu e às dos da zona sul, resolvi
•
Vila N. Cachoeirinha 24.172 30.910 37.411 2,49 1,92
agrupá-lo -naquela zona e não nesta, como está na tabe la original.
Município de S. PauJo 3.709.266 5.928.615 8.495.246 4,79 3,67
. . ~os. bairros do Centro histórico anotamos uma proporção ,
••
termos absolutos , o incremento populacional ocorrido em 1960 e A. Fernandes, "Bairros centrais ind ustriais de São Paulo: uma
1970 foi de 3 ,3 milhões na região metropolitana, dos quais 2,2 primeira aproximaç ão" in Espaço e Debates, n .º 17 .) Mas é
milhões e deram no município da capital. Ressaltam os distritos também nos distritos do Centro histórico que se concen tra m os
da zona sul (Santo Amaro e Socorro desta cam-se), norte 2 (Tu-
curuv i), leste 2 (destacando-se São Miguel e Itaquera). Dentre
os demais imunicípios, tiveram maior crescimento Santo André
maiores números de moradores em cortiços, particula rmen te nas
zonas mai deterioradas do Bom Re tiro, Pari e Belenzinh o. Final -
mente caberia dizer que no núcleo central vemos uma enorme
••
e Guarulhos. Na década de 70 o incremento da região metro-
politana foi da ordem de 4,4 milhões, dos quais 2,ó se deram
população flutuant e dos que aí trabalham: bancários , balconistas ,
garçons e uma grande quantidade de emprega dos de escritó rio ••
••
no município de São Paulo, com os maiores volumes se concen - ou serviços de limpeza. A eles se juntam vendedores ambulantes
trando em Santo Amaro , Socorro, ltaquera e São Miguel. Fora engraxa tes, zeladores , jornaleiros e, ainda, os que passam diaria-
do município da capital o crescimento era maior em Guarulhos mente pelo centro na conexão de seus transportes entre a casa
••
São Bernardo e Osasco. Os números percentuais, por sua vez, e o trabalho.
mostram que as maiores tendências de cr scimento vão progressi -
A zona classificada como "Centro Expandido " apresenta
vamente se deslocando do centro de São Paulo para sua peri-
••
maior heterogene idad e social mas, de modo geral, ressaltam aí as
feria e daí para outras áreas da região metropolitana.
127
126
••
:1
•• faixas de mais altas rendas. Esses bairros ainda reúnem a mais (na construção civil, comercio, bancos e funcionalismo), 23%
••
densa concentração de empregos . Se aí encontramos particular- nos bairros do Brás, Belenzinho, Mooca, Pari, V. Guilherme e
mente os novos assalariados (de "classe média") e trabalhadores V. Maria (nas indústrias), 17% da própr ia zona leste (na peque-
de melhores ren das (cerca de 280 mil pessoas com rendimento na indústria, comércio, bancos e prestação de serviços). (Cf.
• ••
construção .
Na zona leste 1 observamos outra forte concentração de
pessoas trabalhando na indústria e ocnstrução. Mas, ao mesmo
Mas, de um modo geral, podemos verificar que não são
tão grandes as diferenças de percentagem da população ocupada
na indústria entre as diferentes sub-regiões. Se tomarmos os
municípios mais densamente industrializados, veremos que sua
tempo, quando tomamos as tabelas que contabilizam a distri-
••
percentagem de autônomos (14% do tota l da PEA da zona).
municípios vizinhos da sub-região noroeste. Nas faixas até 3
Mas é na zona leste 2, portanto mais para a periferia, que se
sálários mínimos esta sub-região apresenta maior taxa de mora-
concentraram os trabalhadores de mais baixas rendas . ~ a zona dores empregados na indústria do que Osasco.
•• 128 129
PEA (PO PULAÇÃO ECONOMlCAME TE ATIVA ) SEGUNDO fA !XAS DE RENDA DO RENDIMENTO MEDIO
"'
o ME SAL (POR SALARIOS M1NIMOS) E SETOR DE ATIVIDADE POR SUB-REGIOES DA GRANDES . PAULO
(EXCETUA DO O MUNIClPIO DE SÃO PAULO)
(FAIXAS SALARIAIS)
ATÉ. 1 SM 1A 3
SETORES DE ATIVID "ADE SETORES DE A TIV1DADE
PEA Ind Constr Com Serv o In d Constr Com Ser v o
CH 168465 1329 194 1257 6039 920 24191 4099 11133 18324 15337
100% 0,79 0,75 3,58 0,55 14,36 2,43 6,61 10,88 9, 10
CE ( + Ibirapuera) 683713 2093 777 27 10 34627 3998 31546 15105 22209 98293 49828
100% 0,31 0,11 0,40 5,06 0,58 4,61 2,21 3,25 14,38 6,56
Butantã (O) 140778 1342 645 1526 7393 1403 15411 8041 8113 18551 14828
100% 0,95 0,46 1,08 5,25 1,00 10,94 5,71 5,76 13,18 10,53
s (- Ibirapuera) 639810 10174 3215 7737 33768 6099 137115 38790 34884 77379 53221
100% 1,59 0,50 1,21 5,28 0,95 21,43 6,06 5,45 12,0<l 8,32
SE 497996 9301 983 5114 18030 3172 111350 12245 26014 36443 38915
100% 1,87 0,20 1,02 3,62 0,64 22,36 2,46 5,22 7,32 7,81
L1 469163 10256 1422 6416 17800 3545 9403 1 14256 30746 41831 47369
100% 2,19 0,30 1,37 3,79 0,75 20,04 3,04 6,55 8,92 10,10
L2 391885 12694 2361 6664 19359 3851 84338 23377 24772 37908 37021
100% 3,24 0,60 1,70 4,94 0,98 21,52 5,96 6,32 9,67 9,45
Nl 121066 2371 447 1342 5023 1153 28369 5204 7410 10760 11215
100% 1,96 0,37 1,11 4,15 0,95 23,43 4,30 6,12 8,89 9,26
N2 670858 11315 2259 8026 29676 6007 121513 23386 42075 65550 72080
100% 1,69 0,34 1,20 4,42 0,89 18,11 3,48 6,27 9,77 10,74
Obs .: IND = Indústria, CONSTR = Construção, COM = Comércio, SERV = Serviços, O = Outro s
•••••••••••••••••••••••••••••••••• 1
1 ••••••••••••••••••••••••••••••••••
(.,,1
PEA (POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA) SEGUNDO FAIXAS DE RE DA DO RENDIMENTO MEDIO
N MENSAL (POR SALARIOS M1NIMOS) E SETOR DE ATIVIDADE POR SUB-REGIÕES DA GRANDES. PAU LO
(EXCETUANDO O MUNICIPIO DE SÃO PAULO)
(FAIXAS SALARIAIS)
ATE 1 SM 1 A 3
SETORES DE ATIVIDADE SETORES DE ATIVIDADE
PEA Ind Constr Com Serv o Ind Constr Com Serv o
Noroeste 111695 2613 718 1514 5158 1327 27904 9583 6141 10410 1170 1
100% 2,34 0,64 1,35 4,62 1,19 24 ,98 8,58 5,50 9,32 10,47
Osasco 192225 3009 808 2842 8266 1794 43795 8387 13286 14219 20079
100% 1,56 O 42 1,48 4 30 0,93 22,78 9,36 6,91 7,40 10,44
Oeste 56364 1539 377 662 3061 1098 14802 4011 2524 5418 5814
100% 2,73 0 ,67 1,17 5,43 1,95 26 ,26 7,12 4,48 9,61 10,31
Sudoeste 111479 2702 1046 1542 8488 1954 21428 10934 6059 16162 10658
100% 2,42 0,94 1,38 7,61 1,75 19,22 9,81 5,43 14,50 9,56
Sudeste 581942 15388 2450 7587 29832 5894 159491 23806 31093 38751 46260
100% 2,64 0,42 1,30 5,13 1,01 27,41 4,09 5,34 6,66 7,95
Leste 192943 6851 2031 3102 11986 8703 41300 11682 7971 12497 22987
100% 3,55 1,05 1,61 . 6,21 4,51 2140 6,08 4,13 6,48 11,91
Nordeste 228643 7416 1459 3483 ·11401 3586 60920 12224 10571 15755 21850
100% 3,24 0,64 1,52 4,99 1,57 26,69 5 35 4,62 6,89 9,55
orte 49515 1930 399 571 3349 809 10876 3294 1863 4341 7288
100% 3,90 0,80 1,15 6,76 1,63 21,96 6,65 3,76 8,77 14,72
Obs .: IND = Indústria, CONSTR = Construção , COM = Comércio, SERV = Serviços, O = Outros
3 A5 5 A 10 + DE 10
SETORES DE ATIVIDADE SETORES DE ATIVIDADE SETORES DE ATIVIDADE
lnd Constr Com Serv o lnd Constr Com Serv o lnd Constr Com Serv o
8097 2730 1736 2419 5517 3519 637 856 1045 2876 463 136 384 431 457
7,25 2,44 1,55 1,26 4,94 3,15 0,57 0,77 0,93 2,57 0,41 0,12 0,34 0,38 0,41
17454 3011 4051 3849 10253 11726 1199 2324 2058 5755 3309 310 1174 931 2500
9,08 1,57 2,11 2,00 5,33 6,10 O 62 1,2 1 J,07 2,99 1,72 0,16 0,61 0,48 1,30
3637 1032 737 944 2626 1608 281 338 466 1009 507 116 162 344 648
6,45 1,83 1,31 1,67 4 ,66 2,85 0,50 0,60 0,83 1,79 0,90 0,20 0,29 0,6) 1,15
51343 3385 1420 3011 4220 2444 849 720 1162 2159 666 182 428 563 773
4,79 3,04 1,27 2,70 3 ,78 2,19 0,76 0,64 1,04 1,94 0,60 0,16 0,38 0,50 0 ,69
83410 7842 10738 12022 29112 65792 3206 9176 8754 18372 28664 1222 6445 5057 10807
14,33 1,35 1,84 2,06 5,00 11,30 0,55 1,58 1,50 3,16 4,92 0,21 1,11 0,87 1,86
'13055 2794 2480 2976 9120 6814 1012 1811 1794 5739 2464 264 1298 958 3180
6,77 1,45 1,28 1,54 4,73 3,53 0,52 0,94 0,93 2,97 1,28 0,14 0 ,67 0,50 1,65
17946 3417 3787 4601 11137 9934 1255 2691 2672 6720 3405 374 1659 1276 2771
7,85 I,49 1,66 2,01 4,87 4,34 0,55 1,18 1,17 2,94 l ,49 0,16 0,72 0,56 1,21
2772 829 622 818 3010 1447 220 388 399 1325 565 50 189 156 345
5,60 1,67 1,26 1,65 6,08 2,92 0,44 0,78 0,80 2,67 1,14 0,10 0,38 0,31 0,70
,...
~
e.,., Obs .: TND = Indústria, co STR = Construção, COM= Comércio, SERV = Serviços, O = Outros
••
'o
ex,
~
Se examinarmos agora o mapa da expansão da mancha
urbana da Grande São Paulo, poderemos completar esta imagem ••
da distribuição dos trabalhadores na metrópole com uma di-
mensão dos seus vetores de expansão no tempo.
O maior vetor de expansão é o que se mostra na direção
••
ITII
leste. E que, praticamente esgotadas as possibilidades de moradia
barata na Penha, Tatuapé, Vila Prudente, a população migrante
dos anos 60 e 70 foi construindo as novas periferias do que se -•·
tornou a zona "leste 2", a partir de Ermelino Matarazzo e Vila
Matilde. Com as facilidades de locomoção criadas com a abertura ••
da Radial Leste nos anos 60, antigos núcleos urbanos que até
os anos 50 se comunicavam com São Paulo pela Estrada de
Ferro Central do Brasil incorporaram-se à aglomeração paulis- ••
tana, como São Miguel e ltaquera. Área mais distante dos
grandes pólos industriais, é também, como já vimos, onde se
concentra a população mais pobre .
••
A nordeste vemos outra linha de expansão acompanhando
,a via Dutra, por onde se implantou grande quantidade de ••
indústrias pesadas, constituindo-se Guarulhos na principal zona
de residência operária da região.
, Ao norte, após o crescimento ocorrido na década de 60
••
nos bairros de Santana, Tuc uruvi , Brasilândia, a urbanização
parecia enfrentar um obstáculo com a serra da Cantareira.
A oeste, acompanhando a via férrea, Osasco já constituía
••
...
oS
::,
~
um importante centro industrial contíguo à capital, formando
mancha contínua com os bairros do Butantã, Jaguara e Lapa.
Observa-se como, recentemente, houve uma notável expansão
••
~
V)
mais para oeste com o adensamento de Carapicuíba (onde
U,l se construiu um dos dois maiores conjuntos habitacionais da
1- COHAB, com 100 mil moradores , estando o outro localizado em
ltaquera).
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p
oS
u, Na direção sul pode-se observar um vetor qu e acompanha
!:
o o rio Pinheiros e a antiga linha da ferrovia Sorocabana. Se esta
~ > perdeu sua importância, a abertura da Avenida Marginal nos
l'I V) o
z ·;:;:
,c,j anos 60 ampliou as vias de acesso à reg ião. Ao longo do Pinhei-
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V)
Q.
ros, na direção sul, e sobretudo no eixo do Jurubatuba, em
Interlagos, estabelece-se o principal pólo da grande indústria
õ E no município de São Paulo . Os trabal hador es vão ocupando as
<< L,.. UJ
134 135
el
••
•• regiões menos valorizadas, nos barrancos entre as represas (en-
frentando uma legislação de proteção aos mananciais que impe-
diria a ocupação dessas áreas) e, do lado oeste do Pinheiros,
ANEXO 4
••
ponto regional de conexão dos transporte s mas ainda centro de de rota tividade para todos os setores (exceção feita à administra-
comércio e convivência onde ressaltam os traços de uma cultura ção pública) e mesmo nas faixas até 7 salários , é na construção
nordestina transplantada . onde os índices são mais espantosos. Na média para todas as
•• velhos trilhos da Santos-Jundiaí ligavam os mun icípios do ABC Não surpreende, pois, que uma parcela considerável de
a São Paulo, estabe leceu-se uma mancha contínua, servida pela "peões" da construção flutuem entre o emprego nesse setor e as
Via Anchieta (ao Jongo da qua l estabeleceram-se as maiores mais diversas atividades do "setor informal" .
.,
.
•1
.. 1
.11
empresas ligadas ao boom automobilístico). Ao lado da popu-
lação local mais antiga, concentrada em Santo André, somaram-
se grandes levas de imigrantes que encontraram empregos na
região e aí passaram a morar . Aí podemos distinguir particular -
mente o assentamento em Diadema, que se caracteriza por ser
a princ ipal cidade-dormitório da população mais pobre da região
.1
•l
•I
do de São Bernardo, onde, além da concentração industrial e
sem faltar as favelas, tenderam a residir os trabalhadores quali-
ficados, de melhores rendas .
••
••
••
•• 136 137
•
1NDICES DO SALÁRIO MÉDIO REAL NA INDÚSTRIA
SEGUNDO RAMOS INDUSTRIAIS ESCOLHIDOS
1952 - 1973
Salário Ind. Vest. e Ind. Ind . Ind. Ind . Ind. mat. Química e
roínirno têxtil calçado madeireira alimen t. metalúrgica mecânica transporte fa rrn acêu tica
1952 100 100 100 100 100 100 100 100 100
1959 107 123 116 121 143 119 t13 101 161
Fonte: P . Renato Souza, a partir de séries do Anuário Estatístico do IBGE, ln Emprego, salários e pobreza, Hucitec,
1980, p. 85.
ANEXO 5
{NDICE DE ROTATIVIDADE
Em meses por ano trabalhados por. empregrado , setor de atividade e classes de salário mínimo
Faixas de salário mínimo
Até 1 la3 3a7 7 a 10 10 a 15 +de 15 To tal
Indústria 5,76 7,68 9,48 10,20 10,32 10,32 7,80
lnd. util. pública 6,48 9,24 10,80 11,04 10,80 10,80 9,96
!nd . construção 3,72 5,04 6,48 7,68 8,04 8,52 5,04
Agric. e criação animal 5,88 7,68 8,52 9,12 9,48 9,24 7,20
Serviços 5,52 7,20 9,00 9,72 9,84 9,96 7,44
Entidades financeiras 5,64 7,32 9,36 10,56 11,04 11,04 9,48
Comércio 6,00 7,44 8,64 9,24 9,48 9,48 7,32
Adm. pública 9,84 10,80 11,28 11,40 11,16 11,16 10,92
Outros 6,96 8,04 9,48 9,96 10,03 10,32 8,28
Total 5,76 7,68 9,48 10,20 10,32 10,32 7,80
Fonte: A. Calabi e C. Luque, "Observações sobre o padrão de emprego e rem uner ação nos estabelecimentos brasileiros· ,
mimeo , FIPE. Os dados são baseados na declaração RAIS de 1977.
••••• •••••••••••••••••••••••••••••• 1
Capítulo
III
Matrizes
discursivas
141
Múltipla s forma s de expen encia da condi ção prol etári a (condi ção para que haja comuni cação social) , expr essam prátic as
compu seram o cotidi ano popul ar em Sãr:i Paulo nesses ano s. Em de resistência e projetos de rupfu ra . Constitu em nov as formas
sua heteroge neidade elas podiam pre nun cia r movime ntos , p rojetos de age nciamento social, qu e abrem espa ço para a elaboração de
e configurações valora tivas bem div ersos . De qu alqu er fr :ma, é ex periências até ent ão silenciadas ou int erpr eta das de outro
cer to qu e a vitalid ade dos mov imentos socia is gestados nos anos modo. As matri zes discur sivas devem ser, pois, entendid as como
70 está ligada ao fat o de terem tomado ~ desdobra do as qu t:stõe s modo s de abordagem da rea lidade, qu e impli cam diversas atri-
postas por esse cotidi ano. As expe riências da "vorage m do pro- bui ções de significa do. Impli cam tamb ém, em decorr ência, o
gresso" - com a remod elação in cessa nte da paisage m urbana uso de determin adas categ orias de nomeação e int erpretação (das
e as mud anças repetidas de casas e tr ajetos, as lon gas dist ância s, situaç ões, do s temas, dos atores) como na referência a determi-
a casa p rópria como sonh o e/ ou como rea lidade, o acesso a nado s valor es e objetivos. Mas não são simpl es idéias : sua
novos bens de consumo e a lin guagem da televisão, o ritmo febril produ ção e repro du ção depend em de lugares e pr áticas materiais
de cada dia -; as experiências da acultu ração dos mi gra ntes de ond e são emitid as as falas.2
na selva urb ana e da mobili zação da s re lações inform ais p ara Ao ob serva rmos os movim entos sociais que dão uma nov a
enf: entar . os _desa fios; as experiências do desempr ego e do des- configura ção social aos trabalhador es no cenário público n.a
potismo fabnl , das dif erenças de expl oração entr e profi ssion a is segunda met ade dos ano s 70 , nó s nos damos cont a da existência
e peões, jove ns e velhos, homens e mulh eres, já vividas carr e- de novo s signifi cados atribuíd os às suas condições de vida, e
gadas dos signifi cados culturais instituíd os, fora m reelaborada s esse s no vos sentid os nem se despr end em " naturalmente " do
através dos movimento s soci ais. cotidiano popul ar e nem decorr em dos discursos previamente
.~º.~ala r de acont ecim ent os decisivos, qu e abri ram espaços instituído s sob re os trabalhador es. Eles constituem reelabora ções
de v1s1b1lidade por onde os agentes identi fica ram suas realid ades filtrada s em novas matri zes discursivas - quer dizer : novos
emergi~·am novos signifi cados. N as lut as soc iais, os sujeito ~ luga res, ond e se constitu em diversamente os atores, estabelecem
envolvidos elaboram suas repr esentações sobr e os acont ecim entos nov as relações ent re si e com o meio e, port anto , abordam diver-
e sobr e si mesmos . Para essas ree laborações de sentid o, eles recor - sam ent e a realid ade. A pot encialidad e das novas matrizes está,
rem a matri zes discur sivas constituíd as, de ond e ex tra em moda - port anto , tão ligad a à consistência interna das suas categorias
lidades de nomeação do vivido. Porqu e há sempr e um a defasa- e mod alid ades de abordagem do vivido qu anto à sua abertu ra,
gem entr e rea lidade e represent ação, entr e acont ec imento e às fi ssura s qu e deixa para pod er incorporar o novo, aquilo qu e
palavr a, embora não seja jama is possível depu ra r um a da outra era ainda indi zível e para o que não pod eria necessariam ente
tão impr egnadas estão uma s das outr as. Ao usa r palavra s feita ; haver categoria s feitas.
para nomea r conflito s onde ju stamente se enfr entam interpr eta- Pod emos identificar na década de 70 a pr esença de 3 agên-
ções anta gônicas e se instaura m no vos signifi cado s, os sujeito s cias ou centro s de elabo raçã o discursiva que visam o cotidi ano
em luta opera m mudan ças de sentid o nessas mesma s palavr as
qu e eles usam .
O s sujeitos nã o são livres para pr odu zir seus discur sos 2. L. Althu sser apontou essa relação entre discur sos e institui ções em
Apar elhos ideológicos de Estado (Graa l, 1984). Suas sugestões aí me
e nem podem inventar ria hora seus sistemas de comuni cação .
foram de gra nd e valia embor a eu creia que : a) ele tenh a abu sado da
Eles reco rrem a matri zes discur sivas constituíd as e, em prim eiro no çã o de Estad o, qu e passa ria a abarcar pr aticamente tudo ; b) tenha
luga r, à matri z da própria cultur a instituíd a, reprodu zida atr avés mont ado um a noção estruturali sta dos aparelhos, que não deixa espaço
de um a pluralidad e de agências sociais. Mas encontramo s na para se ent end er a emergência de pr áticas discur sivas que alteram as
soc iedade agênci as qu e, embora parti cipand o da cultura instituíd a mod alidad es in stituíd as.
142 143
popular e o reelaboram da ótica de um a luta contra as condições mente aderi dos aos confli tos, são os mais "at uai s". Eles se cons-
dadas. Isto quer dizer que neste estudo os discursos da ordem tituem operando progressivo s deslizam entos de significados nas
são abstraídos, ou seja , tomados como dados da realidade. No fissuras dos discursos dominantes, produzidas nos enfrentamento s
Capítulo II, ao procurar referir os signific ado s elaborados pelos sociai s.
atores às diversas condições de sua s vidas, tentei captar dados Os movimentos sociais se constituem recorrendo a tais ma-
da cultura presente em suas experiências. Agora a atenção se triz es, que são adaptadas a cada situação e mescladas também
volta para a reelabora ção dessas experiências. Para entendermos entre si na produ ção das falas , personagens e horizont es qu e se
a sintax e dessas reelaborações , devemos analisar as agências que mo straram no final dos anos 70. E eles terão também modificado
produzirão novos discursos. as próprias matrizes que os alimentaram.
Encontramos 3 instituições em crise que abrem espaços para Procurei reconstituir essas 3 matrizes discursivas.
nova s elaborações. Tendo cada uma exper iment ado a crise sob Em primeiro lugar isso implicou reconhecer as caracterís-
a forma de um desco lamento com seus públicos respec tivos , essas ticas do lu gar de onde elas são emitida s, tanto em sua natureza
agências buscam nova s via s para reatar suas relações. interna quanto na forma particular de estabe lecer suas relações
Da Igreja Católica, sofrendo a perda de influ ência junto com o meio. Foi suposto que o mod o de orga nização social
ao povo , sur gem as comunidades de base . De grupo s de esquerda condiciona a constituição dos sujeitos da ação, as falas e seus
desarticulados por uma derrota política, sur ge uma busca de significados .
" novas formas de integra ção com os trabalhadores". Da estrutura Em seguida implicou a reconstituição de um molde, expres-
sindical esvaziada por falta de fun ção, sur ge um " novo sindica- so na organização argumentativa (os atos de linguagem envolvi-
lismo". Tanto a incid ência social quanto a consistência argu- do s e os principais enunciados, qu e remetem a alguns princípio s
mentativa são muito desiguais quando comparamos as 3 agências. "es truturais") .3
A matriz discursiva da teologia da liber tação, que emerge na s Não foi feita uma análise lingüí stica dos discurso s, entre
comunidade s da Igr eja, tem raízes mais funda s na cultura popular outras razões, porqu e não se tratava de descobrir as estrutura s
e apóia-se numa organização bem implantada. Beneficia-se do int erna s de determinado s discurso s, mas de reconstituir as agên-
"reco nhecimento imediato " estabelecido através da religiosidade cias sociais aqui caracterizadas na fun ção de matriz es discur sivas.
popular. A matriz mar xista não dispõ e dessa base, enfrenta Nesse sentido, os discur sos foram tomado s como meios para
um a profunda crise e ainda os grupos qu e a sustentavam vinham chegarmos às matrizes . Como o que interessava particularmente
de uma derrota desarticuladora. Ela traz, no entanto , em seu era os meio s de reelabora ção das experiências e o papel da atri-
benefício, um corpo teórico consistentemente elaborado a respeito buição de significados nesse processo , procurei saber em cada
dos temas da exploração e da luta sob (e contra) o capitalismo. caso como é nom eado o vivido ; que valores são invocados, como
A matriz sindicalista não extrai sua força nem da s tradi ções são nom eados os atores a que se faz referência e que predicado s
populares nem da sistematicidad e teórica, mas do lugar institu- lhe s são atribuídos; que objetivos são visados e que conclama-
cional em que se situa, lugar constituído para agenciar os ções são feitas.
conflitos trabalhistas. Por isso mesmo a çategoria da eficácia
será central nas suas representações. Na verdade , no caso dos
discursos do novo sindicalismo, torna -se mesmo problemático .3. 1nspir ei-me aq ui no trab alh o de Haquira Osakabe , Ar gum entação e
discur so políti co (Kairó s, 1979) , qu e pro cur a analisar os di scur sos de
pensar na existência de uma matriz própria até meados da
Getúlio Vargas pa ssando de um primeiro mom ent o de observa ção da s
déca da. Embebidos da cultura constituída e do s discursos domi- ·· condiçõe s de produção do discurso" a um segundo em que capta a
nantes, os discursos do novo sindicalismo são os mais imediata- "organização argumenta tiva" produzida pel o locutor.
144 145
O cristianismo das comunidades de base A prem ênc ia da ação junto com a paci ência para uma longa
caminhada compõem o quadro de um engajamento político no
Tomemos uma expressão concreta das práticas que estavam qual a imagem de Cristo é referência .para uma luta de liberta ção .
sur gindo no início da déca da de 70 a partir dos es paços da O roteiro indica ainda que os presentes cantariam o "Cami-
[greja. nhando", de Geraldo Vandré, e, finalmente, alguém proferiria
Foi no natal de 1972 , quando um a coorde nação de grupos as palavras finais de um texto previamente preparado, que se
de jovens ligados à Pastoral na região sul da capital preparou iniciava com uma interpelação. " E agora?":
um a celebração especial, na qual vincularam o tema da encar-
"Esse nata l dos grupos de jov ens pode dar nascimento a muita s
nação com o da justi ça socia l. Essa coo rd enação representava coisas boas para todos nós: maior entrosamento entre nossos grupos,
cerca de 10 grupos nos bairros de Vila Remo , Cidade Adernar , trabalho em conjunto , troca de experiências, pistas para levarmos
Cidade Dutra , Cidad e Leonor, reunindo cada grupo 20 ou 30 à frente nossos trabalho s para que brotem em nossas bases comu-
nidades vivas de jove ns que despertem do sono e possam acordar
jovens. Eles se agregavam para refl etir sobr e a realidade, tomar
os qu e continuam morto s no comodismo e no egoísmo. Tudo isso
contato com a popula ção de seus bairros , às vezes fazer um depende de você , de mim , de nós . Caminhemos de mãos dadas. Um
jornalzinho. "E ra uma coisa muit o devagarz inho . A situação não dia virá, você vai ver".
favorecia", lembra um dos p arti cipant es, invocando, além da
repressão, a influ ência ainda dominante dos cursilhos " mais Contraposto à " morte" referida ao egoísmo e ao comodismo,
alienantes." Mas enfim aquele natal "para aqu ela época foi aparece a "vida" da ação comunitária, visando uma " libertação " ·
uma atividade de massa incrível " .4 Contraposto a um catolicismo centrado na salvação individual e
no conformismo político, aparece um outro tipo de engajamento
Na celebração natalina um jogral recitou um texto que católico.
falava das desigualdad es existentes na sociedade e chegou até a Este foi apenas um dos múltiplos acontecimentos similares
denunciar tortura s ocorrid as na pr elazia de Marabá . Houve ocorridos naqueles anos e que traziam a "marca de Medellin " ,
também música e poesia e, em seguid a, os 150 pre sentes se onde a Conferência dos Bispos da América Latina havia querido
distribuíram em pequeno s grupos para reflexão, depois do que comprometer a Igreja na luta contra as causas sociais da miséria.
voltaram para entoar mai s um canto e rezar a oração final. Um Apareciam as primeiras comunidades de base na periferia de
texto, que serviu de roteiro para a cer imônia , é hoje registro São Paulo . Na Capela do Socorro temos notícia de um grupo de
dessa emergência de tema s e estilos da teologia da libertação em jovens vinculado a uma comunidade de base de 1968. Em 1970
grupos de jovens católicos que atuavam no s bairros da periferia: dom Paulo Evaristo Arns torna-se arcebispo de São Paulo. Em
janeiro de 1971 dois agentes pastorais que atuavam na região
"Cer tamente não basta refl etir , ver mais claro ou mesmo falar. i; sul - o padre Giulio Viccini e a assistente social Yara Spadini
necessár io agir. Esta é hora de ação . De ação intel igente e firme. - foram presos sob a acusação de terem distribuído panfl etos
Por isso assumimos contigo, Cristo , o compromisso de seguir o denunciando a morte do operário Raimundo Eduardo da Silva ,
exemplo de quem, com coragem, começou o caminho da libertação .
que se encontrava preso no Hospital Militar de São Paulo .
Não vai ser tar efa de uma hora nem de um dia ( ... ) mas vamos
ter a paciência e a firmeza de quem tem a ce rtez a da vitóri a" .5 Informado de que haviam sido torturados, dom Paulo protesta ,
reclama das autoridades fazendo do tema dos direitos humano s,
em face aos arbítrios do Estado Militar , sua mais insistent e
4. Depoimento dado ao autor. reivindicação. Quando , em 1975 , o jornali sta Wladimir Herzog
5. Folheto produzido na époc a. foi morto sob torturas infligida s na pris ão, o culto ecumênico
146 147
-·--- ----
celebrado na Catedral da Sé constituiu-se numa extraordi n ária procura pelos cursos de alfabetização era enorme , e os grupos de
manifestação política que desafiou o regime. educação popular partiam daí para despertar outras motivações.
Tais grupos se irradiam notavelmente, e as iniciativas do
Nesse mesmo ano de 1971 constituíam-se equ ipes de "edJ..t-
Centro Pastoral Vergueii:o e da Vila Remo se encontrarão numa
cação popular" na periferia sul, para promover a alfabet iz a~ã~
coordenação dos trabalhos de alfabetização da região sul.
segundo o método Paulo Freire, proibido pelo regime militar.
Grupos de jovens, grupos de educação popular, club es de
Por tal método, o aprendizado da leitura e da escrita é inse'pai·á-
mães, grupos de noivos ou de casais já inspirados nas reflexões
vel do uso que se faça desse instrumental na vida práticâ e,
da Igreja "pós-conciliar " começavam a aparecer por toda parte .
postulando um despertar crítico do educando, ele se dá vinc ulad o
Em 1973, logo após voltar de Roma , onde fora sagrado cardeal,
à tomada de consciência das condições de vida e à elab~:)tação
dom Paulo lançou a Operação Periferia, com o intuito de cria r
coletiva de projetos de auto-organização. O métod.o pressu põ
centros comunitários nos bairros pobres, lugares " do povo, onde
um "saber popular" que requer categorias para sei: elaborado
o povo pode ir, ter uma semiprofissiona lização, regularizar
?pondo-~e assim a uma concepção da educação como simpl e~
documentos, onde as crianças podem receber as primeiras ins-
111?ulc~çaode ui:n saber em seres puramente ignorantes. O padre
truções religiosas, e onde, aos sábados e domingos, as pessoas
G10rg10 Calegan, que havia sido preso com militantes de esq uer-
podem se encontrar e organizar o seu lazer". 6 Tratava-se, para
da,. ª.º ser liberado criou o Centro Pastoral Vergueiro, com 0
isso, de "despertar o espírito e a atuação missionária da Igreja
obJet1:o de resg~tar a mer~1ória de lutas e iniciativas populares ,
de São Paulo" .7 Todas as regiões episcopais foram mobilizadas
orgamzando-se ai um arqu ivo para subs idi ar os movimentos que
e participaram de uma detalhada programação de atividades, em
surgissem. Daí mesmo constituiu-se um núcleo de ed ucação
que ressaltaram o treinamento de animadores (150 leigos), que
popular reunindo padres, seminaristas, estudantes, militantes de
se engajaram em 17 com unid ades de periferia , e uma renovação
esquerda que buscavam incorporar o "povo " numa resistência
da prática das paróquias de periferia no sentido de seu envolv i-
ao regime (expressando, portanto, uma busca de alternativa à mento com as necessidades das populações locais. O luxuoso
prática então dominante do confronto aberto). Paralelamente, palácio episcopa l foi vendido, e os recursos obtidos foram desti-
na paróquia de Vila Remo , onde estava outra agente pastoral - nados a esse projeto. A Igreja de São Paulo se lançava com
lrma Passoni -, uma com issão conciliar procurava coor denar empenho na formação das comunidades ele base, que a partir de
as atividades pastorais de 80 paróquias da região sul e iniciava então iriam proliferar na metrópole.
também um trabalho de alfabetização segundo o método Paul o Não era a primeira vez que cató licos se engajavam em ativi-
Fre ire. Seus animadores criticavam as pretensões vanguardistas dades de "conscientização" de trabalhadores a partir de suas
de grupos de esquerda que não se preocupavam com a participa- co ndi ções de existência. Mas as iniciativas do início da década ele
ção ativa e consciente da população. 70 vão se in serir no quadro de uma alteração de conjunto na
ação da Igreja.
Para os educadores a alfabetização era um meio para a
Procurando captar o sentido da matriz discursiva das pas-
formação de consciências críticas no interior de coletividades
torais da Igreja, pesquisei:
auto-organizadas . Para os educandos a motivação inicial era a
capacitação para melhor enfrentar o mercado de trabalho e
poder "melhorar de vida". Afirma um dos educadores que havi a 6. Dom Paulo Evaristo Arns em entrevist a a G. Bittencourl e P. S.
uma enorme propaganda em torno do Mobral acerca da ed ucaçã Markum in D. Paulo Evaristo Arns, o card eal do povo. col. /-li stória
como forma de ascensão social, e isso mobilizava a imaginação f mecliata, n.º 4, Alfa-ómega, 1979, p. 59.
das pessoas cujas condições de vida eram as mais precárias. A 7. "Operação Periferia" in SEDOC, novembro de 1974.
148 149
a) a sua gênese, a partir da crise para a qual ela foi urna
mesmo da hierarquia católica, os setores conservadores desban -
rr.·.sposta;
caram os renovadores e abandonaram à própria sorte os grupos
b) o modelo doutrinário que a inspirou;
então perseguidos . E, no entanto, enquanto a ala conservadora
. ~) as práticas soci~is inst itucional izadas na forma de orga-
não encontrava (ou não produzia) um espaço social por onde
n1zaçao, de onde se emitem as fala s (as comunidades de base) ·
recuperar a influência perdida da Igreja, novas levas de mili-
d) os principais temas e enunciados que daí emerge m . '
tantes católicos preferiam lançar-se a atividades nas quais se
, ~a origem da_crise da qual sur ge uma reorientação da Igrej a opunham à ordem vigente, correndo os mesmos riscos que a
Catolica no Brasil , encontramos um a tomada de consciência militância de esquerda. Retomavam a mística dos cristãos perse-
de sua perd~ de influ ência entre a população mais pobre, sobre- guidos que não temiam sacrificar-se pela boa causa . Eles foram
tu~o a partir dos anos 50, frente ao crescimento do pentecos- evidentemente estimulados pelas conclusões do Concílio Vati-
taltsmo e da umbanda e, mesmo , do simpl es afastamento das cano II , que, ao falar da Igreja como "povo de Deus ", referia -se
práticas religiosas . Enqua nto a instituição ecles iást ica comandada à participação ativa de grupos comunitários, através da qual os
por sua hierarqu ia, permanecia um dos pilares da o;·dern, brota - leigos deixariam de ser meros "freg ueses " ou presentes pas-
vam de seu interior iniciativas que iam num outro sentido. O s sivos.9 A crítica às injustiças existentes em nome da doutrina
grupos leigos da Ação Católica (principalmente a Juventud e católica do direito natural irá agora engajar seus membros no
Universitária Católica e a Ação Católica Operária) vão se ligando estímulo aos dominados para que se organizem, reconhecendo
a lutas populares, denunciando a inju st iça da s estruturas vigentes e reclamando sua própria dignidade. Os grupos cristãos que
e assumindo progressivamente posturas de contestação política. s assim agiram encontraram-se com profundas e difusas aspira-
Em 1961 é criado o Movimento de Educação de Base, no Nor - ções presentes na sociedade, às quais faltavam formas para
deste , inspirado no método Paulo Freire, com a motivação inicia l ganhar corpo. Eles voltavam a apontar um caminho pelo qual
de fazer frente ao crescimento da influência esq uer dista , pro- a Igreja poderia recuperar a influência perdida. Em 1969, após
curando oferecer vias alternativas de mudan ça soc ial. No mesmo a decretação do Ato Institucional n.º 5, que marcaria o auge da
momento e com a mesma motiva ção setores do clero de Pernam - militarização do regime, os setores conservadores da hierarqui a
buco lan çam-se à criação de sindicatos rurais. Ainda quando 0 perdem posição, e os agentes pastorais que se ligavam a orga-
objetivo inicial de tais iniciativas parecia simplesmente comple- nizações populares e eram perseguidos por isso encontram mais
mentar ao da hierarquia , de combater o marxismo, o materialis- apoio na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) .
mo, fazer crescer a influ ênci a cristã na sociedade os víncu los Em 1968 tinha havido a Conferência dos Bispos latino-ameri-
cri_a~os produziam efeitos que alterava m o sentido o;·igina l dessa s canos em Medellin. Em 1969, no Brasil , mais um golpe repressivo
praticas. atinge a Igreja e com tais marcas de barbarismo que impedi a
. O efeito imediato do golpe militar de 1964 sobre a Igreja qualquer justificativa: um auxiliar de dom Helder fora seqües-
fo, o de amortecer ·as iniciativas mais populares. De um lado trado e martirizado e seu corpo deixado exposto pelos seus assas-
a repressão se abateu sobre os núcleos militares da Ação Católic ~ sinos.
e mesmo do MEB e sindicatos rurais. De outro, no interior As transformações ocorridas então na Igreja não podem ser
subestimadas. De um lado, a formação das comissões pastorais
e a das comunidades de base não devem ser vistas como simples
8. Veja -se P. Krischke e S. Mainwaring (orgs .), A Igreja nas bases em
sucedâneos de organização anteriores que incorporavam leigos
tempo de ..transiçã~, L & PM, 1986; C. P. Camargo , B. Muniz e A. F.
P1erucc1.' Com unidad es ec lesiais de base" in Singer e Brant , op. cit.;
B. Pucc1, A nova práxis educacio nal da Igr eja, Ed. Paulinas, 1985.
9. Cf. L. Boff, E a Igreja se fe z povo , Vozes , 1986, p. 41.
150
151
e diri giam suas ações p ara a vida "profa na". Ago ra tai s or ga- ci mento , por part e do hom em, dos valores supremos e de Deus,
nismos int erferiam tamb ém na próp ria orga nização int ern a da qu e d eles é a font e e o fim . Mais humanas, fin almente , e em
especi al, a fé, dom de D eu s acolhido pela boa vontade dos homens
igreja, alterand o o fun cion amento das paróqui as e o pap el do e a unidad e na ca rid ade de Cri sto , que no s chama a todos a
vigário s. De outro lado , as crí ticas fe itas à organi zação social parti cipar como filho s na vida de Deus vivo , Pai de todos os
não se limi tavam a qu estões secund árias, ma s denun ciavam o homen s ".11
próprio s fundamento s do sistema. In spir avam-se em Medellin .
Qu al era o " mold e de Medel1in? ". O " novo povo de Deus " serve para simultaneamente ins-
A li Confer ência Gera l do Episco pado latin o-ame ricano , crever a coletividade eclesial atual numa identidade já estabele-
reunid a nessa cid ade colombi ana, em 1968, foi pro gramada par a cida e consagrada e também marcar as diferenças que ocorrem
aplic ar as dir etriz es do Con cílio Vatican o II ao subcontinent e . em sua manifestação atual. O " novo povo de Deus " já não é
A Declaração de Medellin é domin ada por um chamam e nto apenas o conjunto do s filhos de Israel como no Antigo Testa-
à " pr esença mais int ensa e reno vada da Igreja na atual tran s- mento , nem apenas a Igreja como no Novo Testamento, nem
form ação da América Latin a" . Reconh ecend o o mom ento como a Cristandad e enquanto organização social dominada pelo poder
" decisivo", apont a para a necess idad e de conh ecer o homem temporal da Igreja como na Idade Média; são clérigos e leigos
latino -americano, para pod er agir " com a audácia do Espírito reunidos em uma comunidade que se forma em torno da
e o equilíbrio de Deu s" . 1º "palavra de Deus " . Essa presença de Deus é reconhecida inclu-
Já na sua introdução , no modo como id entifica o " povo sive na religiosidade popular, que deixa de ser simplesmente
de Deu s" e o objetivo supr emo da "s alvação ", nós podemos condenada. Reconhecendo uma diversidade cultural que produz
reconhecer renovaçõe s de significados que estavam sendo ope - diversidades na fé religiosa, o texto de Medellin afirma ser
radas: próprio da fé um dinamismo interior que a leva a superar suas
"motivações inautênticas " e ser função da Igreja aceitar e puri-
"Assim com o outror a Isra el, o anti go Povo , sentia a presen ça ficar esses sinais primeiros da presença divina.12 Assim, embora
sa lvífi ca de Deu s qu ando Ele o lib ertav a d a opr essã o do Egito , incorpore leigos e clérigos , a nova doutrina mantém uma hierar-
qu and o o faz ia atr avessa r o mar e o conduzia à conquist a da terr a
quia fundada na própria noção da Igreja enquanto manifestação
p rometida , ass im tamb ém nó s: novo povo de D eus não podemos
deixar de sentir seu pa sso qu e salv a, quand o se d á o ' ve rd ad eiro temporal da divindade.
desen volvim ento' , qu e é, para cad a um e para todos , a pa ssagem A "salvação" é anunciada na instauração de condições de
de condiç ões de vida meno s human as par a condiç ões mais humana . vida mais humanas. O "humano" aqui não está contraposto ao
Meno s humanas: as car ência s mat eriais dos que são privados do "divino", mas, pelo contrário, aparece como manifestação de
mínimo vital e as car ências morai s do s que são mutil ados pelo
Deus. Aqui temos a referência às carências materiais e às estru-
egoí smo. Meno s hum anas: as estrutura s opr ess oras qu e provenham
do s abus os da p osse do poder , da s ex plor aç õ es dos trabalhadore turas opressoras, embora a enunciação peça apenas o mínimo
ou da inju sliça das tra nsaç õ es. M ais hum anas: a p assagem da necessário e o fim dos abusos. Tal formulação expressa uma
misér ia p ara a posse do necessá ri o, a v itó ri a so bre as ca lamidad es conciliação entre diversas tendências e dá lugar igualmente para
soc iais, a ampli açã o do s conh ecim entos , a aquisi çã o da cultura . diversas interpretações. Refere-se também a valores morais, com
Mais hum ana s tamb ém : o aum ento d a con sid eração da dignidad e
a superação do egoísmo e as injustiças e o reconhecimento da
d os d emai s, a or ient ação par a o es p írit o d e pobr eza, a coopera çã o
.no bem comum , a vontade d e p az. M ais hum anas ainda : o reconh e- dignidade, solidariedade, paz. Ao qualificar aquilo que seria
10. Bispo s da América Latina, Conclus ões de Medellin , Ed . Paulinas , 11. Idem, ibidem, p. 7.
1984, p. 6. 12. Idem, ibidem , pp. 67 e ss .
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"mais humano" , os bispos expressam os atributos cristãos da Numa vertent e, tal formulação será interpretada como uma
humanidade, entre eles o "espírito de pobr eza", o reconhec i- rea firm ação de postura clássica · da Igreja ante o capita lismo:
mento de valore s supremos e a fé em Deu s, a caridade de afirma a sua doutrina , denuncia as injustiç as, mas, sabendo que
Cristo. Se, portanto , a Igr eja se abre para reconhecer as aspira - esse mund o sempre será imperfeito , coloca como prioritária a
ções e lutas " hum anas", a própria ca ract er ização daqui lo que conversão religiosa dos indivíduos . Mas num a outra vertente
é " verdad eiramente humano" repr esenta urna normalização , pela a conversão estará indissoluvelment e ligada à luta contra as
estruturas iníqu as, e a formulação será interpretada como afir-
qual ela jul ga os atos humanos através da sua doutrina. t em
mação de que só homens convertidos podem efetivamente reali-
nome do direito natural - ba sea da, portanto, em valores supre-
zar essa caminhada .
mo s que tran scendem qualquer relativismo soc iológi co - que
ela comba te a "imoralidade" expressa tanto na permissiv id ade E um aspecto decisivo nas declarações de Medellin é o que
sexual qu anto nas arbitrariedades poli ciais, tanto no ego ísmo se refere às condições da "s alvação ", que não se dá individual-
mente , ma s através da constitu ição de comunid ades, congregadas
da exploraçã o Lapitalista quant o na quebra dos laços familiares.
pelo anún cio da palavra de Deus e tendo por centro a celebração
A Igreja em Medellin reafir ma o papel central da " família
da eucaristia, perante a qual a "Igreja continuamente vive e
cristã" na preservação da moralidade que ela prega e que se
cresce" .14 E daí decorrem recomenda ções para a " pastoral das
vê ameaçada pelo crescimento de " uni ões ilega is" e " ocasionais ", ma ssas": estudos para se conhecer a religiosidade popular;
pelo "d ivór cio tão facilmente aceito", pelas "deso rdens sexua is", impregnar manifestações populares, como romarias e peregri na-
"acent uação do hedonismo e do erot ismo". No plano fam iliar, a ções da " palavra evangélica "; " procurar a formação do maior
norma do recato , da obediência à " lei divina" , manteve a Igreja número de comunidades eclesiais nas paróquia s, especialmente
como pilar da ordem social. Embora, ao denunciar as condições nas zonas rurais ou entre os marginalizados urb anos. Comunida-
econômicas do capitalismo que provocam a desagregação fami liar des que se devem basear na Palavra de Deus e realizar-se,
nas camadas pobre s da população , seu "co mbat e moral" vin- enquanto seja possível, na celebra ção eucarí stica, sempre em
cule-se a uma " denúncia política ". Por outro lado, o que gan ha comu nh ão e sob a depend ência do bispo"; entre outros. E
ênfa se em Medellin é precisamente a denúncia das estrut uras afirmava:
sociais, que geram profundas desigualdades , exploração e miséria.
• A comunidade se form a rá na medida em que seus membro s
O primeiro capítulo da Declaração trata particularme nte adquirir em um sent ido de pertença que os leve a ser solid ário~ numa
do tema da "J usti ça", inici ando-se com a apresentação da reali- missão comum, e co nsigam uma parti cipa ção at iva, c?ns~ 1ente e
frutifi ca nt e, na vida litúrgi ca e na convivênc ia comum_tána. Para
dade latino-americana. Aí é apontada a miséria, como " fato isso se torna mi ster fazê -los vive r como com unid ade, mculcando-
coletivo", qualificada de "injust iça que clama aos céus". Ao lh es' um ob jet ivo comum : a lcançar a salvação med iant e a vivência
denunciar a fome, a miséria, a opressão e a ignorância aponta-se de fé e do amor".15
sua origem no "egoísmo humano ". E explica:
As comunidades eclesiais de base (CEBs) se multiplicaram,
"A or igin alidad e da mensag em cristã não co nsiste tanto na afirma- primeira e principalmente na zona rural, mas também tomaram
ção da necessidade de uma mudan ça de estr uturas, quanto n a conta da per iferia das grandes cidades. Em 1981 calcu lava-se
insistência que dev e mos pôr na conversão do homem" . 13
154 155
em 80 mil para todo o país, mas os números eram muito im- conta com as pessoas mobilizadas em função de determinadas
precisos .16 iniciativas específicas; a quarta, mais vaga, é constituída por
Entre os motivos de seu êxito, podemos pensar no caráter aqueles que são atingidos pelas atividades (um jornalzinho,
um questionário etc.) .11
flexível de sua forma organizativa, na revivescência de relações
primárias como espaço de reconhecimento pessoal para seus A recusa dos militantes das CEBs em reconhe~er diferenças
membros, no acolhimento das formas da religiosidade popular. de níveis entre seus membros, ainda quando encubra certos
E seu próprio êxito significará que a prática das CEBs não se aspectos da sua realidade, não deve ser vista como pura ideolo-
conteve nos ditames eclesiásticos iniciais. gia, porque na sua prática eles efetivamente se empenham em
O caráter flexível das CEBs começa com o número de seus impedir que as diferenças se cristalizem institucionalmente. A
participantes: 10, 15, 30, 50. Em alguns lugares os coordena- motivação constantemente referida nas CEBs é a da participação
dores chegam a falar de 200 ou 300 e, outras vezes ainda, ativa e consciente de cada um, e esse objetivo pesa na avaliação
referem-se ao conjunto dos moradores do local como "a comu- de cada atividade tanto ou mais que seu êxito específico .
nidade". Embora se trate aqui de uma impropriedade, ela indica Como surge uma comunidade eclesial de base? Dom Luís
algo sobre a própria diluição das fronteiras desses organismos. Fernandes, um dos principais animadores das CEBs, diz que elas
A grande maioria dos escritos sobre as CEBs foi produzida podem surgir a partir de uma luta popular, ou da dinamização
por agentes imbuídos de seus valores comunitários e que ten- de uma capela tradicional , ou de uma novena, ou de um mutirão
deram a confundir o que "deve ser" com o "que é". Por isso ou de um encontro para refletir sobre o Evangelho. 18 No
tendem a não reconhecer diferenças e níveis ·de participação no entanto, é muito provável que ele estivesse querendo dizer
seu interior, pois trata-se de "comunidades de iguais". Mas ao que uma CEB poderia surgir de qualquer atividade solidária de
menos em um texto G. Petrini identificou quatro "esferas de um pequeno grupo inspirado no Evangelho. Porque, nas descri-
participação", ainda que, evidentemente, não institucionalizadas: ções empíricas da forma como efetivamente surgiram as CEBs,
na primeira vê um núcleo estável, de 5 a 10 pessoas, que cons- vemos que quase todas começaram por iniciativa de um agente
titui a liderança, que se encarrega da organização, propõe ativ i- pastoral - ou graças à sua presença - e em torno de moti-
dades; a segunda envolve aqueles que, embora sem assumir vações religiosas. No relato da comunidade Nossa Senhora das
as responsabilidades pelo núcleo, costumam participar da maio- Graças do Grajaú:
ria de suas reuniões e atividades; a terceira mais diversificada
' ' "Tudo começou em 1971, quando algumas famílias uniram-se e
solicitaram a presença de um padre para a celebração da missa.
16. Frei Betto calculou em 80 mil o número de CEBs, congregando Esta passou a ser celebrada na casa das famílias ( . . . )
cerca de 2 milhões de pessoas em todo o país em J 981 (O que é comu - Em 1974 a comunidade passou a se reunir num barraco abandonado .
nidade eclesial de base, Brasiliense, 1981, p. 17). Esse é o número citado Aqui o sacerdote celebrava a missa duas vezes por mês somente.
também por J. Sidney, O . Truzzi e Y. Fernandes em "Igreja e mobili- Neste ano algumas pessoas cheias de boa vontade organizaram uma
zação popular: as comunidades eclesiais de base" in Cadernos do CEAS , quermesse para construir um centro comunitário. Por falta de
n.º 75, 1981, p. 34. Já Roseli Elias em 1979 apontava o número de experiência, a quermesse não teve bons resultados ; afastou até alguns
50 mil núcleos com 1,2 milhão de participantes ("CEBs: movimento de membros ativos.
base da Igreja ou popular?" in Cadernos do CEAS , n.º 69, 1980, p. 48).
A. Pierucci diz que mesmo o organismo de estatísticas da CNBB tinha
apenas estimativas , e cita, para 1974, o número de 40 mil e, para 1979. 17. G. Petrini cit. in Sidney, Truzzi e Fernandes, op . cit., p. 38.
80 mil ("Comunidades eclesiais: origens e desenvolvimento" in Novos 18. Dom Luis Fernandes, Como se faz uma comunidade eclesial ele base,
Estudos, Cebrap, abril de 1982). Vozes, 1984.
156 157
Em 1975 com a ajuda de dois seminaristas iniciou -se o trabalho de O momento de reafirmação cotidiana das CEBs é o de suas
visitas às famílias do bairro. Foi ap erfeiçoada a preparação dos reuniões periódica s, em geral quinzenais, às vezes semanais, às
sacramento s, liturgia e especialm ent e cat equ ese infantil. A comu- vezes men sais, dependendo do dinamismo existente. Presentes
nidad e, perc ebendo que o meio de tran sporte co letivo naquele bairro
era qua se inexistente , destacou uma equip e e pas sou a reunir- se
10 a 30 pessoas em geral, desde o núcleo mais responsável
com ou tros bairro s qu e tinham os mesmo s problem as ( .. . ) " .19 até freqüentadores menos ativos e alguns esporádicos , o tema
pode ser uma refl exão a partir da Bíblia ou de folhetos litúr-
A comunidade de Santa Margarida, em Vila Remo, começou gicos, ou problemas vividos no cotidiano de seus membros ou
depois que o padre local promoveu um encontro para reflexão mesmo já os aspectos práticos de alguma iniciativa decidida pela
sobre as mudanças na Igreja com o Concílio Vaticano II e com unid ade . As reuniões são presididas por um coordenador,
Medellin. que deve limitar seu papel a essa função que seu nome designa:
propor a pauta, assegurar a circulação da palavra, sistematizar
"Começamos a ver , então , como era a nova Igreja: uma Igreja as decisões. Dada a ênfase no maior envolvimento possível de
pr eocupad a com a vida , as necessidad es e as labuta s do povo. todos, afirma-se constantemente a importância de uma rotati-
O lhamos o nos so bairro e a nossa vid a, e vimos que havia muita vidade na função de coordenação, embora nem sempre isso
coisa errada e ruim. Se essa era a Igreja daqui, a gente tinh a aconteça na prática pelos atributos que conferem a liderança a
que fazer alguma coisa para melhorar."
um dos membros. As vezes o coordenador é o próprio padre
da paróquia, mas mais freqüentemente é um outro agente pasto-
Logo depoi s formou- se um clube de mães, como ral (padre, freira ou leigo profissionalizado pela Igreja) ou
mesmo um voluntário local.
"um lugar ond e as mulh eres pud essem se encontrar para conversar
sobre seus probl emas e tentar ac ha r para eles uma solu ção co- O debate dos temas nas reuniões costuma pautar-se pelo
mum" .20 método de "ver-julgar-agir " . Com ele se pretende efetuar uma
reflexão crítica e voltada para a prática , de modo que as priva -
A comunid ade de São José Op erário, em São Mateus, come- ções vividas deixem de ser consideradas como fatalidades. O
çou em fins de 1970 com um salão com uni tá rio aberto pela "ver" consiste numa suce ssão de observações de cada um dos
paróquia. pres entes sobre o tema em questão (que pode ser o menor
abandonado, os conflitos matrimoniais, o custo de vida, as dro-
"Inicialment e o salão serviu para celebr ar a Mis sa e para dar aula gas, as eleições ou qualquer outro que interesse os presentes),
de catecismo para as cri anças, tornando-s e, aos poucos, o lug ar aduzindo elementos da experiência e as opiniões, muitas vezes
ond e div ersos serviços eram pr estado s aos moradores, desde o
refletindo as representações dominantes sobre o assunto. O obje-
curso de alfab etiza ção de adu ltos a té a esco linh a pr é-primária e o
cur so de corte e costura. Foram dado s, dessa forma , os primeiro tivo é, do confronto das observações, caminhar das impressões
passos para favor ecer o conh ecimento recíproco e a amizade. Em superfici ais para uma compreensão mais objetiva e que relacione
seguid a, um grupo de pessoa s, a maioria senhora s, começou a se o fato com suas causas . O momento do "julgar" implica o
reunir nas própria s casas , a cada quinz e dias. "21 contraste entre a realidade observada e os valores do cristia-
nismo , freqüentemente através da questão " como é que Jesus
agiria dian te disso?" Os fatos da realidade são julgados por
19. "Relatório das comunidade s do Estado de São Paulo" 111 SEDOC uma exigência ética , na medida em que a "palavra de Deus"
(Serviç o de Docum ent ação , Ed. Vozes) , outubro de 1978 .
20 . Id em, ibid em .
é trazida para o plano do vivido presente. Finalmente, no "agir"
21. J. C. Petrini , CEBs, um novo sujeito popular, op . cit., p. 89. trata-se de concluir sobre aquilo que aquelas pessoas poderiam
158 159
fazer diante do problema. Por mais insignificante que possa (que é uma divisão administrativa das reg1oes episcopais que
parecer a iniciativa local diante da dimensão do problema tratado compõem o arcebispado de São Paulo). Em cada setor uma
(a decisão de fazerem compras comunitárias depois de ter dis- comissão de agentes pastorais coordena a ação pastoral. A socia-
cutido sobre a carestia, por exemplo), o fundamental terá sido lização dos membros mais ativos das CEBs tem um momento
a experiência da possibilidade de intervir coletivamente sobre decisivo nas jornadas de estudo e nas de avaliação, nos encontros
a realidade dada, engajando cada um pessoalmente nesse pro- e treinamentos. Enquanto jornadas de estudo e encontros se
cesso. fazem em torno de temas de interesse geral, voltados para a
Quando observamos o modo de elaboração da realidade " conscientização" de um público mais amplo, os treinamentos e
usado nas comunidades de base, é difícil não se impressionar as avaliações reúnem as lideranças, tendo por tema as tarefas
com um certo "populismo teórico" com que se pretende valo- anteriormente definidas. As comunidades são evidentemente
rizar o "saber popular". De um lado, pretende-se que da simples afetadas pelas decisões, idéias e iniciativas emanadas das instân-
troca de informações e conhecimentos chegue-se à "realidade cias eclesiásticas, não sob a forma de obrigação, mas de forte
objetiva". De outro, pressupõe-se a existência dessa "real idade influência.
objetiva" como um dado irretorquível e sem ambigüidFtdes .22 A importância da Igreja para as CEBs decorre ai~da _do
Mas o fato é que - por mais ingênuo que seja - a prática fato de ela oferecer uma legitimação teológica para as aspiraçoes
desse confronto de informações , avaliações e propostas está terrenas de seus membros. Na medida em que a Igreja é reco-
ligada a ações que visam mudar a realidade tratada e produz nhecida como instituição de Deus na Terra e na medida em que
nos participantes uma dimensão crítica e uma capacitação trans- assumia os reclamos populares enquanto exigência evangélica,
formadora. ela abriu um espaço de legitimidade por onde os protestos sufo-
Embora as comunidades sejam autônomas, no sentido de cados vieram à tona. Nas ambigüidades da cultura popular ,
que são seus membros que decidem suas ações, as relações que entre o conformismo e o protesto, o conformismo costuma ~er
elas estabeleceram com a estrutura eclesiástica tiveram enorme resultado de uma experiência que diz que "as coisas são ass1i:n
importância em seu desenvolvimento. Representantes das comu- porque sempre foram, e as tentativas de mudar ~ó trazem mais
nidades participam dos conselhos paroquiais que coordenam a malefícios". Quando uma instituição como a Igreia sacramentou
execução do plano pastoral no âmbito da paróquia. A Igreja os sentimentos populares , a vontade de mudança encontr~u
ofereceu agentes pastorais cujos conhecimentos e dedicação fo- um lugar e um modo de ser proclamada. Daí a importância
ram indispensáveis para o funcionamento das comunidades , sua que os próprios membros das CEBs atribuíram à presença dos
continuidade e a capacitação de seus membros; ofereceu uma agentes da Igreja.
estrutura organizativa que permitiu trocas de experiências , dei i- O fato é que, por sua vez, a dinâmica das comunidades
berações mais amplas, acesso a meios de comunicação e autori- também afetou a organização eclesiástica e o seu próprio modelo
dades administrativas. Através das paróquias as lideranças
discursivo.
comunitárias participaram das reuniões de "setor" da Igreja As experiências mais fortemente constitutivas das CE~s
enquanto coletivo se deram no seu próprio interior ou a partir
22. Ver J. Boran , O senso crítico e o método ver-julgar-agir , Loyola. de suas iniciativas. No seu interior, além das reuniões de
1985. O livro expõe o método para uso nas comunidades e teve grande "reflexão crítica", já referidas, caberia mencionar os atos litúr-
difusão, atingindo em 1985 sua 7.' edição. O livro de frei Betto , já gicos promovidos pela própria comunidade: novenas, catequese
citado, também expõe esse método . f. verdade que o "objetivismo" está
ausente nesta exposição, que parece inspirar-se em C. Mesters. Veja-se infantil, preparação para os sacramentos. Essa participação dos
C. Mesters, "O futuro do nosso passado" in SEDOC, maio de 1975. leigos em ritos eclesiásticos concorre para a autovalorização
160 161
do grupo e o sentim ento de sua dignidade pelo exe rcício de O est ilo novo de pen sar é ref er ido à teologia da libert ação
"fun ções com conotação sagra da. e, resumid ament e, consistia em tomar como ponto de partida
Finalmente temos as iniciativas coletivas através das quai s ex posições que testemu nh am as condições de vida da população,
~-as CEBs atuaram no seu meio: um mutirão para levantar um ap resentad as pela s própria s pessoas implicada s; efetuar uma
salão paroqu ial, a organização de um a crec he comunit á ria , a reflexão teológica sobre esses fatos, confr ontando essa realidad e
mobilização para reclamar da falta de ônibu s, a circula ção de vivida com as sagra das escrituras; e conclu ir com a definição
um abaixo -assinado para reivindi car a coleta do lixo, a organi- de pi stas para a cont inuid ade do trabalho colet ivo de evange"
zação de um movim ento para def esa dos direitos dos morador es liza ção. O dif ere nt e inodo de ser Igreja é referido ao ap rendi-
em lote amento s clandest ino s, ou dos dir eitos aos serviços de za do que faz em seus membro s na vivência junto ao povo , pen-
saúde dos morador es do bai rro, ou dos direitos à educação e sado não apenas como o " gentio " a ser conver tido , mas também
uma grande diversidad e de organizações e movimentos populare s. (ou sobr etudo) como encarnação do Espírito, cuja religiosidad e
Já foi suficientemente assina lado como essas "ações para espont ânea é valor izada como premissa para a atividade pasto~al.
fora " de grupos comunitários da periferia expressara m novos Quanto à " nova Igreja ", percebe -se a conc iliação estabelecida
valores vinculados às reivindicações feitas. No lugar do pedid o entr e as du as orige ns po stuladas : ela nasce da velha - e com
de um favor apar ecera m as reclamações de um direito. Esses isso seus ideólo gos marcam um a cont inuid ade com a tradição -
valor es foram produto da própri a vida dessas comunidades . As e nasce tamb ém do povo , e com isso se anunc ia uma perturbação
relações prim árias de solid arie dade e as referê ncia s cristã s no princípio de autor idade na hierarq uia da institui ção. A con:
induziram à reelab oração idealizada de um a vida comunitária ciliação seria po ssível, porque se trata de um " Povo que cre
do passado rural. Nesse qu adro se produz uma forte coesão e qu e ass um e levar a causa do Eva ngelho ava nte " .24
interna e um reconhecim ento pessoal construído à base da con- Este reconhecimento do povo (mais freqüentemente enun-
fiança entre seus membro s. :É a partir dessa sociabilidade primá- ciado como os pobres, os excl uído s, os oprimidos) , como portador
ria que seus membro s efe tu am uma ree laboração das experi ên-
da s mensage ns de Deus , impli ca efetivamente uma alteração na
cias cotidi ana s de existênc ia , com ca tegor ias para criticá-las e
po stur a da Igr eja , mai s signifi cat iva do qu e o lema da "o pç~o
refer ências para ações coletiv as visando transformá-las.
Ao observarmos os temas e enun ciados proferidos a partir pref ere nci al pelos pobres" pode suger ir . Com efeito , uma ate~Ǫ.º
das comunidade s de ba se, verificamos desloca mentos de ênfas e especial voltada para os " deser dados" não chega a constituir
e de sentido que produzem alterações no s moldes iniciai s postos novidad e na pr ática da Igreja . Novo seria aquilo que Leonardo
por Medellin. Boff caracterizou como passagem de um a estratégia da caridad e
De 6 a 8 de jan eiro de 1975, rea lizou-se o primeiro encontro para outra da lib ertação . Com zelo conciliató rio com qu e _os
nacional da s comunid ades de base, e sua ex istê ncia foi vista teó logos (mesmo os mai s radica is) cost umam tratar as rela~o~s
como sinal do na scimento de um a nova Igreja. O editorial do int er iore s da Igreja , Boff n ão pretendia condenar a estr.ategia
SEDOC, que apresenta as com unic ações e relatórios desse En- da caridade. Essa política de associaçã o com "os que tinham
contro, fala de para melhor ajud ar aos qu e não tinham " teria tido grand es
méri tos ao mitigar a fome dos humilde s. Só que não atac~ra
"um outro est ilo de pensar na Igreja ( ... ) um mod o de ser os fundamento s qu e reproduziam essa situa ção injusta. Ja a
difer ente na Igreja e ( . .. ) a emergê nci a de uma nova Igreja, nascid a estrat égia da libertação começa por ver nos pobr es uma expe-
da velha, Igrej a qu e nasce d o Povo" .23
162
163
riência de encontro com Deus e a possibilidade de serem sujeitos grau de "ir realismo" que possa haver nas estratégias e programas
conscientes de sua própria libertação. revolucionários; importa que seus articuladores são obrigados
a falar através de critérios do realismo político e das possibili-
"O discurso cristão deve começar com a anim ação do pobre Lázaro dades históricas racionalmente avaliadas), a idéia da libertação
para que se levante, descubr a sua dignidade , potencie a força da
conscientização e da uni ão e encete a caminh ada da libertação. "25
dos discursos pastorais estabelece outro tipo de relação com a
realidade. Tomemos uma fonte inspiradora numa encíclica pós-
conciliar:
Lázaro despertado não é igual ao sujeito constituído previa-
mente pelo discurso cristão. Através do uso das mesmas cate- "A met a é o Reino de Deus iniciado pelo próprio Deus da Terra,
gorias insinuam-se sutis alterações de significados. Vejamos os a ser este ndido mais e mais até que no fim dos tempos seja
temas enunciados nas falas dos militante s das comunidade consumado por Ele próprio ".26
cristãs; vejamos como é enunciada a realidade vivida, os obje-
tivos, os atores, os valores, os chamamentos. Aparecendo mais deslocada de processos de mudanças ins-
O tema central desses discursos é o da libertação, ao qual titucionai s (não apenas de fato, como pode também acontecer
se opõe a opressão, e que articula uma constelação de valores com a noção de revolução , mas também de direito, porque
positivos e negativos correspondentes: a solidariedade e o pertence a um outro registro), a " libertação " não permite sua
egoísmo; a justiça e a miséria; o serviço comunitário e o fecha - operacionalidade através de alguma racionalidade estratégica.
mento individualista; a capacidade crítica e a alienação; a luta Por isso mesmo suas manifestações na experiência cotidiana
e o conformismo; a identidade comunitária e a dispersão indi- (vistas como sinais em sua direção) não são tanto grandes pro-
ferenciada. Nessa concepção, não se trata apenas de que a cessos coletivos que afetem as estruturas sociais quanto o
solidariedade comunitária , a capacidade crítica e a luta do s "despertar das consciências" e o desencadear de práticas através
dominados levem à libertação. A própria libertação é libertação das quais cada pequena coletividade se sinta "sujeito de sua
do egoísmo, da alienação, da miséria e das injustiças, em suma , própria história". Não tendo por objetivo central a instauração
dos pecados pessoais e sociais. de uma nova estrutura, mas, antes que isso, a instauração de
A noção de libertação, tal como aparece nas falas pastorais, novos sentidos e valores nas ações humanas , a valorização prio-
pode ser talvez mais bem compreendida se a compararmos com ritária é a que se refere à promoção dos indivíduos que ocorre
a noção de revolução dos discursos socialistas e comunistas. no seio das comunidades.
Referidas à realidade social, as duas noções ocupam o mesmo Se tomarmos o Relatório das comunidades do Estado de
lugar nas respectivas matrizes discursivas. Elas indicam um São Paulo realizado em janeiro de 1978, veremos bem isso.
acontecimento totalizante que subverte e refunda a vida social Depois de expostas as experiências particulares, os presentes se
a partir dos ideais de justiça movidos pelo povo em ação . No dividiram em grupos para refletir sobre questões consideradas
que carregam de projeção de um recomeço radical, em que o mais importantes . Uma delas era "q uais os sinais de libertação
" mundo é posto de ponta-cabeça", uma e outra têm caracterí s- e quais os critérios para defini-los?" A questão anterior se
ticas míticas . Mas, enquanto a idéia da revolução se apóia em referia aos "s inais de escravidão", e as respostas se referiram à
acontecimentos empiricamente observados no passado e concre- " má distribuição das riquezas", à "fo me, ao desemprego, ao
tamente programados para o futuro (não importando aqui o salário baixo ", à "ig norância , ao egoísmo das pessoas, ao des-
25. Leonardo Boff , op. cit., p. 19. 26. Encíclica "Lumen Gentium" .
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respeito dos direitos humanos ", e sua raiz estaria no "capita- é entendida aq ui diferentemente dos discurso s dos teólogos e não
lismo, onde o valor único é o lu cro". Os "s inais de libertação " se confunde com "o povo de Deus ", mas é vista como o con-
seriam : "i níci o de tomada de consciência da rea lidade ", "atra- junto da hierarquia eclesiás tica e é julgada em função das
vés das ações, o povo vai percebendo a força da união e vai po sições assum idas diante do "processo de renovação". Há. o
formando grupo s solidários" , " as pessoas vão aprendendo a setor qu e ficou com os "poderosos" e aquele que " está com o
decidir junta s", "a renovação da Igreja e a comunidade de base , povo " . As " autorida des" não ouvem o povo e só pensam em
qu e é fruto da própria renovação", " todas as vezes que saímos seus interesses. Embor a não se confundam com os ricos , os
do egoísmo ajudando na solução do s problemas do irm ão damo s capitali stas, as autori dad es são vistas solidárias com eles.
passos de libertação ... "27 Usando as categorias de um discurso religioso - a verdade
A realidade é enunciada como " dur a, feia e triste ", corres- e a ju stiça, a Palavra de Deus e o Povo de Deus, o Pecado e a
pondendo aos "s inais da escravi dão" que pesam sobre o povo. Libertaç ão -, os discur sos pastorais aplicaram-nas a temas mais
Mas nessa realidade aparecem sinai s de uma "re novação " de profano s, da exper iência cotidiana de seus membro s. Constituí -
"um novo tempo ", dos quai s as próprias comunidades são ' o ram assim sujeitos imbuídos de fé numa luta terren a pela justiç a
28
indicador mai s significativo. O s valores em cujo nome se julga social.
essa realidade e as ações humanas são, como já vimos: a justi ça
e a verdad e tal como pronunciad as no Evangelho (e que se
opõem às injusti ças e falsidades da realidade pr esente), a solida- O marxismo de uma esquerda dispersa
riedade e a capacidade de doa ção, a capacidade crítica e a
disposição de luta . A comunidade aparece como o lugar e ex- "Você trocou Lenin por Paulo Fre ire!", exclamou indignado
pressão desses valor es. Nesse sentido , a incorpor açã o ness as um militant e dirigindo- se a um companheiro seu, que defendia
comunidades significa para seus membro s sua inscrição num a posiçõ es opostas no congresso de uma organização de esquerda
história pública , diver sa da comunidade familiar. Independente - realizado em 1980. Eu, que pr esenciei a confrontação, só a
mente das formulaçõ es explícita s dos discurso s pastorais (que ent end er ia melhor depois de reconstituir as atividades de pe-
quase nada falam sobre isso) a int egração da s mulh eres nesse s queno s grupos milit antes na periferia, às vezes no interior das
espaços de reflexão crítica coletiva e de luta social implica estrutur as da Igreja, às vezes em iniciativas autônomas. Grupos
uma pas sagem da esfera privada para a esfera pública, com de militant es desgarrados, disper sados com a desarticulação das
fundas conseqüências prátic as. organiza ções de esquerda, iam busc ar nov as forma s de " ligação
Entre os atores nom ea dos nesses discur sos, sobressaem-s e : com o povo ", alternativas ao vanguardismo derrotado . Na ver-
o " povo ", a " Igreja" e "as autoridades". O povo só se cons- dade seu autor de cabeceira não era o educador cristão exilado
titui enquanto tal qu ando os indivfoluos se congregam. Então do Brasil , mas Antonio Gramsci, cujas teses sobre a cultura
o " povo da s comunidades" aparece como expressão dos sujeitos popular e sobr e o pa rti do como int electual coletivo pareciam
autônomos que encetem a "caminhada da liberta ção". A Igreja abrir outras pista s para uma práti ca política.
Mas o fato é que , nessa " ida ao povo ", buscando ajuda r
num processo de fazer despertar a "co nsciência crítica" , o mé-
27. " Relató rio das co munid ades .. . " in SEDOC , outub ro de 1978, pp . 327 todo Paulo Freire esteve mais presente que os escritos de
e ss.
Gramsci , "Que fazer?", de Lenin , os livrinhos de Mao ou o
28. Idem, ibidem , p. 324. A expressão veio do relatório da Comunidade
de Santa Margarida, de Vila Remo , e foi ass umid a no rel ató rio final com o " Revoluç ão na revolução", de Debra y, de meteóric a car reir a.
sínt ese da situ ação geral. De um lado , porque um meio dominante de "ligar-se ao povo "
166 167
J
co ndi ções objetivas se esta belece a partir de uma pos1çao catas-
foi através de processos educativos, a começar pela alfabetiza ção. trofis ta que diag nostica a inviabi lidade do capita lismo, espec ialmen-
A dem anda era grande, e a ativid ade - legal e aparentement e te em sua ve rsão "dependen te', com lat ino-americana. Nis so coin-
inocente - pod er ia ser bem desemp enh ada por est udant es avul- cid em o cast ri smo (nas form ul ações de Gu evara ou Debray), trots-
sos como por militant es organizados. Os novos educadore s se kistas (revive nd o as cláss icas aná lises sobr e a impossibilidade de
debru çara m sobre os livro s de Paulo Freire - torceram o nari z crescimento das forças produtiv as) e mesmo os maoístas (retomando
as teses catastrofistas da Int ernacional Comun ista). ( . .. ) Em todos
para seu ideali smo filo sófico e seu hum anismo cr istão - e os casos, tr ata-se de sac udir os sujeitos da revolução de seu
procuraram absorver suas orientações metod ológicas para a ' torpor' , sejam eles a classe operária, o campes inato ou gener ica-
alfabetização popular . De outro lado , porque através do métod o mente 'a s massas'."29
Paulo Freire abria-se um lug ar para a elaboração crí tica e
coletiva das experiências da vida individual e social dos edu- Da luta ideológica contra o refor mismo às lutas de rua em
candos. Afinal , deixando-se de lado as pol êmica s filosóficas , os 1968 e à lut a armada entr e 1969 e 1971 , a esquerda revolucio-
militantes encontravam orient ações edu cac iona is qu e não estavam nária chegou logo ao seu apogeu com os enfrentamentos sonha-
muito distantes das formulações de Gramsci. do s, que foram, no enta nto , o momento de sua derro ta . As
Não pretendo dizer com isso que a "e duca ção popular " sucess ivas cisões das organizações partidárias, se no início im-
tenha sido em todas as parte s a forma dominant e da " nov a plicaram até maior din amismo político por desembaraçare m
rela ção" da esquerda com seu públic o, mas creio que ela deu grupos militant es de estrut ura s burocratiz adas, em seguida foram
o paradigma. Para entender melhor o proce sso voltemo-nos - debilitando cada grupo e deixando sempre resíduos de militant es
do mesmo modo que fizemo s com as comunidades cris tãs - para que não aderiam a nenhum a das facções. Os enfrent amentos
a gênese das novas práticas da crise da esqu erda , depois os armados, que ainda em 1969 parecia m deixar um saldo par a a
tema s e rumos da "a utocrítica " e, afinal, os lu gares e os con- esqu er da revolucionária - com as ações iniciais da VPR, o
teúdos das falas marxi stas que contribuíram para a elaboração " roubo do cofre do Adernar", o espetac ular seqüestro do
das experi ência s populares presentes nos movimentos sociais emb aixador americano -, começarão a produzir perda s cada
dos anos 70. vez mais pesadas , na s salas de tortura da polícia e das forças
A morte de Lamarca e Barreto , executados pelo Exército armadas. 30
no sertão baiano em deze mbro de 1971, pod e fornecer a dat a
para o fim do ciclo da "es querda revolucion ária ". Essa qu e
29 . M. A. Garcia , "Co ntribui ção para um a hi stória da esqu erda brasi -
foi a " nova esquerda" dos anos 60 , cont empor ânea da revoluç ão leir a" in R . Mor aes, R . Ant un es e V . Ferrante , Inteligência brasileira,
cubana, da revolução cultural chinesa, da guerr a do Vietnã , Brasiliense, 1986, pp. 218-9.
do Che e das guerrilhas latino -americana s, de maio de 68 30 . Para a reconstru ção dessa história, veja-se M. A. Garc ia "Con-
nascida em oposição ao conformismo e à burocratiza ção que' tribui ções para a hi stór ia da esqu er da bra sileira", dossiê publicado no
apontav a no PCB, viveu e colocou a revolução como tema de jorna l Em Tempo , a partir do n .º 77 (1979) até o n .º 107 (1980). Uma
atualidade. seleção de textos de orga ni zações de esquerda do período 1961-71
encontr a-se em D. Aarão Reis e J. Ferreira de Sá, Imagens da revolução,
"A nova esquerda revive em sua vert ente cláss ica o dualismo Mar co Zero , 1985. Outra co letâ nea interessante foi organiz ada por
co ndi ções objetivas/condições subj etiv as, considerando que es tão C. Frederico, A esquerda e o movimento operário 1964-1984, Novos
reu nid as as primeiras para qu e se faça a revolução, faltando apenas Rumo s, 1987. Já foi ed itado o volume l , que cobre o período 1964 a
as segund as, isto é, o partido , ou a va nguarda, em se ntido mai s 197 l. No livro de P . Cava lca nti e J. Ramos (coords .), Memórias cio exílio,
genérico . Produz -se uma parti cu lar arti cu lação de determinismo Arcádia , Lisboa, 1976, encontramos depoime nto s de grande . vali.a para
eco nômico e voluntarismo políti co, de vaz que a 'maturidade' das es te est ud o, como os de Herbert de Sousa e J. Barbosa . A História da
168 169
Embora os golpes desfechados pela repressão tenham con- A negação objetiva dos pro gra mas reformistas e conciliadores de-
figurado o aspecto mai s pungente e visíve l dessa derrota , eles cretou a abso luta necessidade do surgimento de uma condu ção
constituír am apenas um dos fatores da profunda crise que então revolucionária para a nova etapa em que penetrou a luta de classes
em nosso país. Mas as novas condições da luta de classes não
se abatia sobre a esquerda. O outro - que toca na sua própri a geram espontanea mente a linh a política acertada . A falência do
identidade - se origina no fato de que essa derrota se produziu reformi smo e do populismo não significa mecanica mente o apare-
em enfrentamentos no s quais os supo stos "s ujeito s revo luc io- cimento e enr aiza mento de uma perspectiva revolucion ária clara
nári os" (as " massas") não tiveram participação. Pensadas como que, situ ada desde um ponto de vista de classe pro letár io, coloque
prelúdio s de uma guerra revolucionária iminente, aquelas "ações as massas revolucionárias unificadas em torno de um programa e
de um a palavra de ordem de combate. "32
de vanguarda" teriam sentido em fun ção do espaço que abririam
para a posterior int erve nção das "massas populares ". 3 1 Não
A formul ação mais precisa dessa "pers pectiva revolucio-
tendo ocorrido essa passagem, elas se encerra ram numa história
nária " dependi a do enraiz amento dos grupos de vanguarda na
em qu e os protagonista s se limitaram às forças da repressão , de
din âmica própria do " movimento de massas". Duas resoluções
um lado , e aos grupos revolucionários, de outro.
aprovadas em 1974 aprofund am no mesmo rumo . Na primeira ,
Estampado o deslocam ento entre as supostas vanguardas e
sobre " no ssas tar efas no movim ento operário " , o objetivo central
suas supo stas massa s, sobrevém uma verdadeira crise de identi-
é definido como o de "orga nizar a resistência dos trabalhadore s" ,
dad e na esquerda revolucionária. A autocrítica que lhe corres-
transformando suas " débeis mani festações de luta " em uma
pond e tem como tema central ju stam ente a ligação das "van-
" resistênci a ativa, unificada e direcionada" .33 Na segunda , de
guardas revolucionárias" com as " massas trabalhadoras".
análise da conjuntura, referia-se à " derro cada militarista", cujo
O MR8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) -
organização que expressou de modo mais significativo a passa- processo de autocrítica levara o MR8 para o campo que ele
gem das lidera nça s estudanti s de 1968 (na Guanabara) para a caracterizava como " tend ência prol etária ", que atuava junto a
luta armada - já vive o ano de 1972 sob o signo da autocrítica. grupos operários independent es e oposições sindicais. No mesmo
Em dezembro desse ano uma conferência realizada no Chi le campo eram citadas a AP (Ação Popular) e a PO (Política Ope-
aprova nova s resoluções, e entre elas situa as raízes da cris e rária ou, simplesmente, Polop). 34
da esquerda. Independentem ente da delimitação dos campos de alianças
políticas definidas por cada organizaç ão, houv e um claro movi-
" . . . na contradição existent e entr e a falênc ia objetiva da perspecti va
refo rmista e a ausência de um a altern ativa políti ca proletária ( . . . ) mento no sentido de ligar-se às formas elementares de reagluti-
nação do movimento operário e, em menor medida, da organi-
zação popular nos bairros .
ação popular, de H. Lima e A. Arantes (Alfa-ómega , 1984), embora
excess ivamente marcada pela sua perspectiva ideológica, traz elementos
importante s. Veja-se também as publicaçõ es: Debate, Campanha e Brasil 32. MR8, "Resoluções do pleno de dezembro de 72" . Tese n.º 40.
Socialista, produzid as no exílio dos anos 70. Eu já havia concluído este 33. MR8, "Nossa s tarefas no movim ento operário", texto transcrito na
trabalho quando veio à publicação o livro indi spe nsável de J. Gorender, revista Brasil Socialista, n.º l , 1975.
Comb ate nas trevas, Atica, 1987. 34. MR8 , "Nossa análise sobre a atual conjuntur a". O "militarismo"
31. Veja-se os textos: Jamil Rodrigues "A vanguarda e as massas na aqui nom eado , como em outros textos da esquerd a da época, refere-se
primeira fase da revolução" (texto adotado pela VPR - Vanguarda a um "desv io políti co" da esquerd a no sentid o de superva lorizar o
Popular Revolucionária, 1969, ALN - Ação Libertadora Na ciona l), "O aspecto militar da sua lut a. Com relação à "te ndência proletária", veja-se
papel da ação revo lucionár ia na organizaç ão" , 1969. Textos transcritos o artigo de F . Almeida (da AP) "Constru ção partidária e tendência
in Reis e Sá, op. cit . proletária " in Brasil Socialista, n.º 6.
170 171
A AP já tinha vivido uma expenencia de " proletarização " questão, haver á uma c1sao na organização em torno do índice
(ou seja: de integração de militantes à vida proletária, indo salarial a ser sustentado por seus militantes. Embora as caracte-
trabalhar nas fábricas ou na lavoura e morando em bairros rísticas sejam diversas , muito da história das lutas internas e
populares) desde 1968, em função da criação de bases para uma das .polêmicas entre as várias organizações a partir de então
" guerra popular " , segundo os moldes maoístas. O objetivo se tem por tema as relações entre "es tratégias revolucionárias "
revelou inviável e pôs a perder boa parte do trabalho . No bojo e a apreciação da " dinâmica das massas".
das discussões, quando setores crescentes questionaram o "mo- A dualidade entre as estratégias revolucionárias e os acom-
delo chinês ", ocorreu uma cisão, com uma parte considerável panhamentos das pequenas atividades de reaglutinação dos tra-
aderindo ao PC do B. Depois de sofrer ainda sucessivas prisões balhadores produzia uma certa esquizofrenia ideológica. Os
e mortes, o setor que permanece na AP procura reconstituí-la temas centrais - cujas definições cimentavam a coesão de
centrando-se na sua imbricação com o que caracterizava de cada grupo ou alimentavam as polêmicas e provocavam as cisões
"vanguarda social " da classe operária. - referiam-se em geral ao " caráter da sociedade brasileira"
A Polop já ressurgira em 1970 em nome de uma prioridade (capitalista?, semifeudal?, neocolonial?), ao "ca ráter da revo-
para a atuação junto às lideranças produzidas na dinâmica lução" (socialista?, popular? , democrática? , de libertação nacio-
própria da classe. Seus militantes estarão ativos na organização nal?) , ao papel das classes nesse processo, aos rumos para a
das oposições sindicais. Nessas atividades de apoio às formas construção (ou fortalecimento) do partido revolucionário. Prin-
elementares de organização operária e popular , identificamos cipalmente a partir de 1974 , o lugar das lutas pelas liberdades
ainda a presença: da Ala Vermelha, que efetua uma autocrítica democráticas foi outra questão polêmica central, o que, de algum
do militarismo em 1971 e desenvolve intensa atividade em fá- modo, indicava a aproximação realizada em direção aos temas
bricas e bairros operários, dos grupos trotskistas e do PC do B, postos pela conjuntu_ra concreta. Mas o fato é que os problemas
sobretudo após a guerrilha do Araguaia (1972-74). suscitados especificamente pelas atividades de reaglutinação e
Nos rumos tomados por esse movimento de autocrítica é lutas dos trabalhadores não encontravam espaço nas polêmicas
possível reconhecer uma espécie de culto às virtudes da "pa- que polarizavam os embates ideológicos. Assim, a significativa
ciência pedagógica ". Ou seja, sem cancelarem estratégias revolu- presen ça dos militante s das organizações revolucionárias ~esses
cionárias elaboradas nos pequenos círculos conspirativos, esses movimentos deixou relativamente poucos registros no meio de
grupos procuram enraizá-las nas massas, vinculando-se às ações uma abundante literatura clandestina.
coletivas de resistência, por diminutas que fossem. Pensavam Por outro lado, essas atividades junto a oposições sindicais,
que ao longo dessas experiências - e desde que orientados por grupos de alfabetização e educação popular, associações de
suas "vanguardas" - os trabalhadores fariam o aprendizado bairros, grupos de fábrica, eram constantemente interrompida s
que os levaria à consciência de classe . Isso não quer dizer que ou ameaçadas pelos vínculos que tinham com a face conspira-
as estratégias deixassem de interferir na atividade imediata. No tiva das organizações.
caso da Polop - que mais fortemente considerava a luta operá- Será cada vez maior o riúmero de militantes que - indivi-
ria como o eixo de sua política -, sua direção estabelecia uma dualmente ou em grupos - começam a se desprender dessas
tal relação entre a " luta contra o arrocho salarial" e a "derru- organizações e a manter essas atividades junto aos trabalhadore s
bada da ditadura" que, inconformada com as concessões" já sem as referências totalizadoras das estratégias revolucio-
feitas pelas oposições sindicais nos dissídios salariais, orienta nárias. f: que essa crise da esquerda brasileira se deu num
seus militantes para a formação de "oposições sindicais prole- momento em que internacionalmente as estratégias revolucio-
tárias" , paralelas às existentes. E aliás , como desdobramento da nárias e a teoria marxista eram fundamente questionadas. Não
172 173
se tratava apenas de uma crise teórica, mas dos efeitos de um partir dos temas da saúde pública . Eles se tornaram elementos
decisivos na formação de movimentos populares em torno da
"desencantamento" das sociedades pós-revolucionárias do "so-
questão da saúde na zona leste.
cialismo real". No Brasil, o movimento de ruptura com orga-
nizações e estratégias revolucionárias teve, ao menos no início, C. tinha sido militante do PCB, com o qual rompera se-
um caráter bem pragmático. Os militantes não negavam a neces- guindo os passos de Marighella. Preso em 1969 e solto em 1971
sidade teórica de um partido de vanguarda e de uma estratégia procurou retomar a luta. Sua organização - a ALN - estav;
revol ucion ária, mas, como não os encontrassem no momento, quase desarticulada. Junto com os companheiros que conse-
deixavam a questão entre parênteses e atuavam sobre aquilo guiu estabelecer contato avalia que " tenha sido correto ter
que lhes aparecia, de qualquer modo, como condições indis- pego em armas", embora tivessem " cometido muitos erros "
pensáveis para a continuidade da luta. São vários os registros principalmente ao terem " subestimado o trabalho de massa"'.
que temos desse processo. Tomemos alguns. 35 Ele lembra-se da influência que tinha no bairro e que havia sido
E. fazia parte de um grupo que havia se desligado do desprezada. Agora, enquanto esperava pela rearticulação da
PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) e que pro- ALN, ele engajara-se nas atividades de base: na fábrica (pois
curava coletivamente discutir questões como a do isolamento era operário), na oposição sindical, no bairro, onde se integra
social provocado pela luta armada, a ética e a vida pessoal. num trabalho de educação popular . Se a sua "autocrítica"
Tentando integrar-se na dinâmica da população, E. e seus com- havia sido superficial, o fato é que o seu engajamento prático
panheiros procuraram também outros grupos com as mesmas leva-o bem longe das referências anteriores . Tanto assim que ,
preoc1,1paçõese foram contatados por um militante do MR8 - quando soube que a ALN tinha se extinguido, alguns anos
era no começo de 1973 -, que lhes falou da reorientação desse depois, isso já "não foi motivo de nenhuma preocupação " . Ele
grupo. O MR8 lhes propôs que se distribuíssem em pequenos era um elemento ativo na oposição sindical metalúrgica de São
grupos por São Paulo para acolherem seus militantes, que esta- Paulo.
vam na clandestinidade. Embora o objetivo da ação fosse comum V. participou do movimento estudantil entre 1966 e 1969
- "se entrosar no movimento de massa e fazer um trabalho e considera que então era quase inevitável que terminasse numa
de politização a longo prazo" -, o grupo de E. respondeu organização revolucionária. No caso foi a Ala Vermelha. Absor-
negativamente porque isso via mal toda a literatura maoísta, mas se identificava com a
causa dos explorados . Em 1969 quase todos os seus companhei-
"ia nos levar na prática a uma dificuldade de se relaciom1r com a ros de organização foram presos. Ela ficou livre, mas sem liga-
cidade e com os movimentos. Porque nós ficaríamos muito mais ções partidárias. Conheceu um padre que a convidou para
pre~cupad~s com a segurança, com a estabilidade desses compa -
nheiros .. . desenvolver um trabalho de " conscientização" na periferia sul,
e ela foi, engajando-se a fundo na organização de cursos de
Apesar disso, após a pnsao de um militante do MR8, a alfabetização e de educação popular. Não era católica e recorria
polícia chega até eles e todo o grupo é preso. Soltos pouco ao marxismo para a interpretação das condições sociais. Mas
tempo depois, retomam seus propósitos. E. e outros que est ud a- distanciava-se dos grupos de esquerda que participavam dessas
vam medicina, ao se formarem, deslocam-se para a periferia, iniciativas com o objetivo imediatista de ganhar aderentes. No
onde trabalham como sanitaristas orientando todos os seus interior das estruturas da Igreja encontrou espaço para sua
esforços para estimular formas populares de organização a ativ idad e política.
As características individuais e as trajetórias variam. En-
contramos militantes operários que passaram por organizações
35. Reconstituo aqui partes de depoimentos recolhid os na pesquisa.
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revolucionárias, se desligar am delas, mantendo no entanto refe - sindic ais, setores dos pastorais, grupos de educação popular,
rências ideol ógicas básicas (na análi se e na oposição ao capita- meios int electuais e sobretu do no movimento estuda ntil. Por
lismo , no pape l da classe operária, na luta pelo socialismo) , e meio deles as diferentes organ izações disputavam sua infl uência
atuando em grupo s de fábrica, oposições sindicais, movimentos entre as denominadas " lide ra nças sociais" . Mas, obri gados à
de bairro qu e lhes solicit avam novas reflexões. Encontramos clandestinidade, tampouco puderam constit uir verdadeiramente
milit antes de formação intelectual com a mesma traj etória de um público. Procurando referir as qu estões da atualidade à luta
desgarram ento de suas organizações e que buscaram vincula - revolucion ária contra o regime, tinham por públi co os setores
ções políti cas a partir de suas competê ncia s profissionais : que de algum modo reconheciam tal problemática. Nesses se-
advogados, arquitetos, assistent es sociais, prof essoras . Encontra- tore s - importantes por sua lid erança inte lectual - as men-
mos profi ssionai s sem essa traj etór ia, sem a passagem por sagens emitid as encontravam ressonância. Mas mesmo essa res-
organizaçõe s revolucionária s, mas influ enciado s pelo marxismo , son ância foi diminuindo na medida em que as mensagens
do qu al se servem nas atividades de organização popular a manif estavam um a enorme falta de aderência à realidade vivida
partir de qu estões do coti diano , como a habit ação, a saúde, a pela popul ação . Incapazes de tratá-la através dos termos em
educação etc. E encontramo s, finalmnete, células ou militantes que era vivida no cotidiano pop ular, most rava m-se sobretudo
avulsos de organizações partidárias que vão para esse trabalho inatu ais. E por isso mesmo os aspectos das formulações marxis -
de base e aí recr iam políticas e reflexões ind ependente s da s tas qu e circularam mais fluentemente e desempenhara m impor-
estratégias que os enquadravam. tante papel nas elaborações dos movim entos sociais não foram
Como caracterizar os lugares de onde eram emitidas as os referidos às diretriz es estra tégicas e nem mesmo às palavras
falas marxistas que contribuír am na s reelaborações da s expe- de or dem ; foram principalmente os que fa lavam do funciona -
riências populares nos anos 70? No caso do cristianismo da s mento do capita lismo, da exp loração da classe operária , das suas
pastorais da Igreja , pudemos id entificar , além das instâncias forma s de lut a, das expe riência s da sua hi stória . Há, por exem-
eclesiais internas, que reuniam apenas os agente s pastorais , um plo , um "c ur so de for mação básica", elabor ado originariamente
pela Polop, que, com pequenas varia ções, foi utiliz ado pelo MEP,
espaço público sob a forma das comunidades de base . Foi a
MR8, AP, POC e cujas formulações seriam , em maior ou menor
partir daí que os discursos da Igreja foram reelaborado s em
medid a, absorvidos pelas oposições sindicais, grupos de educa-
fun ção das experiências de seu público . No caso da esqu erd a ,
ção de ba se e mesmo nos treinamentos pastorais. As aulas básicas
a situação é mais compli cada . As inst âncias int erna s, no caso,
desse manu al sintet izam as exp licações mar xistas sobre: as lutas
são as organiza ções clande stinas. Ma s essa própria situação de
de classe e os modos de produ ção como etapas do desenvolvi-
clande stinidad e definia um " públi co" quas e conspirativo: eram
mento hi stórico; a exp loração cap italista, a parti r da análise da
os próprio s milit ante s e, dentre suas áreas de influ ência , aquel es
merca doria , da venda da força de trabalho e do conce ito de
restrito s setores nos quais se poderia ter confian ça para entregar
mai s-valia; o prol etariado como a "c lasse revolucionária de
um docum ento clande stino. Essa relação com seu " público "
nossos dias "; o Estado como instrumento de domina ção; o
definia sua linguagem, referida a um universo de significados
decifrado apenas por essa franja reduzida de leitores . B certo socia lismo e o comunismo. Embora desigualment e, essas idéias
foram absorvidas nos exercícios de interpreta ção das condições
que havia também os jornais clandestinos voltados para um
vividas que têm lugar nos movimentos sociais.
público mais amplo, e que houve um aumento deles na segund a
metade da déca da . Procuravam tratar das qu estões de atualidade Ma s também, como já vimos, uma parcela crescente dos
e, nesse sentido, atuaram como " formadores de opinião " entre port ador es das falas marxista s não estava mais ligada a orga-
militantes de movimentos sociais. Circulavam pelas oposições nizações com programas e estratégias definidas . Nutriam -se de
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teses formuladas no Cebrap, no jornal Opinião, em cursos e pretendiam tamb ém entregar ao Presidente id êntico documento
debates universitários, em autore s como Gramsci. Partic ular - desistiram do intento , dadas as dificuldade s em conseguir a audiên'.
eia presidencial " .37
~e~te _importantes, então, foram trabalhos sobre experiências sig-
mf1cat1vas para a constituição de uma história e de uma identi-
Por aí se tem uma idéia do rigor hierárquico e da distância
dade coletiva sobre: o "populismo", o golpe de 64, o PCB e 0
imperial que o governo estabelecia . diante de seus eventuais
reformismo, a greve de Osasco .. . 36
interlocutores. Enquanto para os operários de fábrica os diri-
Os lugares públicos decisivos onde se reelaboraram as gentes dos sindicatos apareciam como agentes de um aparelho
~xperiências populares foram constituídos pelas pastorais cató- de cúpu la, para o majestático "chefe da Nação " , eles eram repre-
l~cas e expressaram essa hegemonia. Mas essas pastorais não sentantes das " bases ", à espera humilde e imponderável de uma
tmham um discurso capaz de dar conta dos problemas das simples audiência.
lutas de cla~se e da~ .condições da sociedade capitalista, tal A humilhante insignificância que os sindicatos representa -
como requeriam os m1htantes. Foi por aí que entraram as teses vam para o governo era o reverso da medalha de sua perda de
d~ uma esquerda dispersada. Entraram desarticuladas dos seus funções enquanto organismo de representação das reivindicações
discurs~s ~e- origem, montados como programas e estratégia operárias. Sua principal função nesse campo - que se mani-
revoluc1onanas.
festava nos dissídios coletivos quando cada categoria batalhava
por melhores índices de reajuste salarial - fora totalmente
esvaziada em decorrência da legislação imposta pelo regime mi-
A emergência do "novo sindicalismo" litar sobre a política salarial. Pela Lei 4725 de 1965, os reajustes
- que não poderiam se efetivar em intervalo menor que um
. No dia 4 de maio de 1970, o jornal Notícias Popula res ano - seriam determinados com base no "salário real médio"
mformava que o presidente da República recebera uma dele- dos 24 meses anteriores, com o acréscimo de uma taxa que
gação de sindicalistas, que lhe entregou "uma série de reivindi- corresponderia ao "a umento da produtividade nacional " no ano 38
cações do operariado paulistano", listada desde 1969 . As de- anterior, sendo todos esses cálculos fornecidos pelo governo.
mandas dos sindicalistas não nos trazem nada de particularmente No contexto de repressão e controle sobre as atividades sindicais,
novo ou expressivo: são queixas, redigidas em tom bastante que já dominava a situação, essa lei instituciona liza o esvazia-
respeitoso, sobre as condições econômicas dos trabalhadore . mento do caráter reivindicativo dos sindicatos, estimulados a
Ma!s significativos são os comentários do jornal, que dizem partir daí a exercerem funções meramente assistenciais.
muito sobre as relações entre governo e sindicatos: A maioria dos dirigentes sindicais acomodou-se bem a essa
"Jô a p~i'.11eira vez qu,e .º chefe da Nação marca audiência específ:ca
situação, que na verdade decorre dos próprios fundamentos da
com dmgentes operanos, notadamente com os representantes das estrutura sindical criada pelo Estado Novo. 39 Alimentados pelo
cham~das ba~es operárias - os sindicatos. Eis que , por um a
questao ~~ ~1era~quia, a~enas as federações e confederações cos-
tumam. dmg1r-se as autoridades máximas do país. A audiência com 37. Jornal Notícias Populares, 4/ 5/1970.
o presidente Médici foi conseguida depois de vários meses de 38. V eja -se Heloi sa Martins, O Estado e a burocratização do sindicato
negociações , tendo servido como intermediário um deputado fede- no Brasil, Hucit ec, 1979 e também M . H erminia Almeid a , "O sindicato
ral por São Paulo. O s dirigentes sindicais da Guanabara, que no Brasil. .. ", op. cit.
39. O que n ão imped e que busquem defender reivindicações dos seus
representados dentro dos limites que lh es são impostos. Veja-se, entr e
36. Veja -se Vera Telles, A experiência do autoritarismo . . . , op. cit. outros, H. Martins , op. cit.; A . Sim ão, Sindicato e Estado, Dominus, 1966;
178 179
..
imposto sindical e sem a presença dese sta bilizadora de mobili- tratos coletivos de traba lho , plena liberdad e sindical. Além das
zações conflitivas na s bases fabris, esses dirigentes atuam como questões gera is atinentes ao salário, .º congresso manifestava já
gerentes de um aparelho burocrático com funções ass istenciais. preocupaç ão com as condi ções de trabalho nas empresas (as
A situação foi diferente nas categorias onde os conflitos fabri s horas extras, os turnos , a determinação das folgas e férias, a falta
localizados geraram pressões mais contundentes sobre os pró - de segurança, a rotatividade). Luis Iná cio da Silva, que já fazia
prio s sindicatos. Nestes casos, ou a mobilizaç ão fabril foi a parte da diretoria exec utiva de sde 1972, substitui Paulo Vida!
base de oposições que se lançaram contra direções sindi ca i na presid ência em 1975. A diretoria eleita em 1975 dá continui-
acomodadas (como entre os metalúrgico s da capital) ou as dire- dade à gestão de Vida!, embora enfatizando particularmente o
ções sindica is absorveram a inquietação das ba ses e operaram trabalho de base. Nesse processo, a oposição existente iria
uma " transformação de dentro " na prática sindical (como em sendo absorvida ou esvaziada .
São Bernardo) . Aí tivemos a emergência de uma corrente sin- No Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André estava outra
dical renovadora, nitidamente minorit ária durante os anos 70 equipe que comporia a corrente dos "a ut ênticos " . O pre sidente
que começou a questionar a organização sindical e a ser reco'. da entidade, Benedito Marcílio , começara como vice-presidente
nhecida como "sindicalismo autêntico" ou " novo sindicalismo". numa chapa eleita em 1965, após intervenção ministerial e com
Na origem, pois , dessa corrente, enco ntramo s o impulso de apoio dos interventores, contra oposição formada por esquerda
um grupo de dirigentes sindicais no sentido de superar uma católica e comunista. Nas eleições de 1967, o PC se compôs com
situação de esvaziamento e per da de repre sentatividade de suas a diretoria, separando-se da oposição. 41
entidades e de estimular e ass umir as lutas reivindicativas de No Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, após um período
seus representados. de predomínio do gru po que ascendeu à direção no bojo da
Quem foram esses dirigentes? intervenção mini sterial qu e se sucedeu à gre~e de 1968, foi
Em primeiro lugar os que compuseram a diretoria sob a eleita uma diretoria com Henos Amorina na pre sidência e com
presid ência de Paulo Vida!, no Sindicato dos Metalúrgicos de a participação de militantes da Frente Nacional do Trabalho e
São Bernardo, desde 1969. Vida! se opôs à esquerda e procurou de outros setores da oposição. Nas eleições de 1977, a esquerda
exorcizar o espectro da greve de Osasco, evocado pelas oposi- romp e com Amorina e lan ça uma chapa própria , derrotada .
ções. Dispondo-se a colaborar com o governo, a diretoria de Fustigado pela oposição, Amorina adotou as bandeiras desta no
Vida! reivindicava a contrapartida do respeito à dignidade do referente à política salarial, à estrutura sindical, ainda que sem
°
trabalhadores. 4 Considerando o departamento jurídico como a o mesmo apoio na formação de comissõ es de fábrica.
peça chave do sindicato, a diretoria procurou aparelhar-se tecni- Em Santos, o Sindicato do s Metalúrgicos este sob a pre-
camente para apoiar os trabalhadores nos conflitos surgidos sidência de Marcelo Gatto, expressão da militânci a comunista na
diariamente nas fábricas. No I Congresso dos metalúrgicos de categoria, em 1968 . Gatto foi substituído por Arnaldo Gonçalves ,
São Bernardo, realizado em 1974, foram aprovadas resoluções que deu continuidade a um trabalho de base, principalm ente
que expressavam a plataforma da própria diretoria: a revogaç ão na COSIPA - cuja gra nde dimensão contrastava com o resto
da política salarial e a negociação direta com os patrões, con- da s empr esas. Em Paulínia , o Sindicato dos Petroleiros, sob a
dire ção de Jacó Bittar , completava o núcleo principal daqu eles
qu e, em São Paulo, constituíam a corrente dos "autênticos".
L. M . Rodrigu es, Conflito industrial e sind icalismo no Brasil, Difel , 1966;
J. Albertino Rodrigues, Sindicato e desenvo lvim ento no Brasil, Difel,
1968. 41. Veja- se H eloisa Martins, Igreja e movimento operário no ABC
40. Veja-se L. Abramo, O resgate da dignidad e, op . cit. 1954-1975, tese de doutorado , USP , 1986.
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outro lado , as po tenci a lidad es qu e essa situa çã o produz para a ação dec idid a e ob stin àd a para in ve rt er este quadro tri ste e
gera ção d e dis curso s ca pa zes de int er pelar as ment alidades for - inaceitáv el " .44
madas p elos discur sos domin ant es . At ravés de su tis e p rog ress ivos deslizam ent os de signifi ca-
Em seu d iscur so de p osse, em 1975 , Luí s In ác io da Silva , do s, um di scur so da co n cilia çã o vai se torn and o um outro , da
o Lul a, recorri a a vá ri os lu ga res-co mun s p ara ca rac terizar o cont es taçã o . N ão se tra ta de alguma h ábil di ssimul ação atr avés
" mom ento hi stóri co ", numa r etóric a tradi cional em ta is soleni - da qual, des de o in ício, o di scur so da con ciliaçã o escond esse um
dad es, ma s já lh es dav a o se ntido de um co mpromi sso de luta. silen cioso prop ós it o de cont estação qu e espera sse a sua hora.
O proj e to de ab er tura do gove rn o G eise l, as m ac iças vot aç õ e Não. Com o tampou co se trat a de um a tra nsfor maçã o operad a
no MDB , expr essa ndo um a difu sa in sa ti sfação p opul a r, os pri - por algum pu ro imp acto de uma " realid ade" dos co nflit os sobr e
meiros mo vimento s o rga ni zad os de lu ta n as grand es fábrica s as "p alav ras " d a con cili ação . A p rim eira int erpr etação não d á
são acontecimento s qu e m arcav am a co njuntur a n a qual aqu ele cont a das genuína s oscila ções oco rr idas no pro cesso e fa z co in-
discurso foi p ro ferido. cidir a lógica hi stóric a - recon stituíd a apó s seu dese nrolar -
com as int enções do s a tores no mom ento em qu e agiam. A se-
El e fala va d a resp on sa bilid ade qu e ass umi a numa " hor a
gunda n ão é capaz de ex pli car por qu e a mesma " rea lid ade"
particul a rm ente grav e no mund o int eiro " , como um d esafio par a
não produziu as mes mas p alavra s em outro s atores. A pr ática
" todos qu e como nó s tem um id eal m a io r de bem-estar coletivo ".
discur siva do nov o sindi cali smo opera essa p assage m - q ue
não es tava pr eviam e nt e ins crit a em su a matriz nem na " reali-
"De um lado vemo s o homem esmagado p elo Estado , escravizado
pela ideologia marxista, tolhid o nos seus mais comezinhos ide ais dad e" -, po rqu e se " abriu " de um modo determin ado para os
de liberd ade ( . . . ) E no reve rso da situ ação, enco ntramo s o homem fato s qu e con stituiu co mo sua rea lid ade, abord and o-os atra vés
escravizado pelo poder econômico, ex plor ado por outros homens , de determin a das catego rias, e n ão outr as.
pri vados da dignid ade que o trabalho prop orcion a, tangidos pe la
Foi em São Bernard o , no sindic ato do s metalúr gicos, qu e
febre do lucro, jun gidos ao ritm o louco da produ ção, condicionado s
por leis bonit as mas inaplicáve is, equip ara dos às máquin as e fer - essa pas sagem se pro cess ou de modo m ais ex pr essivo .
ram ent as . ( ... ) E nesta hor a, eiuand o é fácil e lucrativ o tecer lou- Atrav és d as pág in as de a Tribu na Metalúrgica, o ór gão ofi-
vores à situação estabelecida, cientes de nossas limita ções e da cial do sindi cato , pod emos acompanh ar bem esse proc esso .
pouca ressonância da nossa voz, quere mos proclam ar alto e bom
som qu e as estrutura s de vem estar a serviço do hom em. Qu e os Se tomarmo s j á seus 5 prim eiro s núm ero s, qu e cobr em o
donos do poder em todo mundo estão qu erendo prov ar o acerto ano de 1971, pod emo s id entificar 3 gra nd es temas: um orgulh o
de suas teori as com o sac rifí cio e miséri a, a submis são e a escra- corporativo , proj etado na for ça do próprio sindi ca to; a reivindi -
vidão de milh ões de criaturas hum anas qu e con stro em riqu ezas e caçã o de um a co ntrapartida pela colabo ração pr estada aos pa-
não participam delas, qu e erguem palácios e moram em casebre s, triótico s a pelos do gove rno ; uma defesa " responsáve l" do s
qu e constro em máquin as e mot ores sofi sticado s e andam a pé,
que possibilit ara m o pr ogresso da ciência e o av anço tecnológi co inter esses dos trab alhado res .
e morr em nas filas do I N PS, qu e erguera m metrópole s e vivem em Um bom exe mpl o do prim eiro tema são as maté rias dos
favelas ." 2 primeiros núm ero s anunciando a futura nov a sede do sindi ca to.
No n.º 1, a m atéria prin cipa l da prim eira p ágina tem por títul o
t visível como o di sc ur so v ai ga nh ando for ça à medida " E scola profi ssional e nova sede" . Atr avés d a desc ri ção do
qu e se re fere ao s fa to s vivido s por e le e se u s companheiro s. que deveria ser a nova sede do ponto de vi sta do u so do seu
.t depoi s dess a denúncia da situ aç ão e le prevenia qu e não estava
quer endo " lan çar pedras ou end ereça r críticas a quem quer qu e
seja ", m as sim assinalar um di agnóstico que "nos impel e a uma 44. O di scur so está tran scrit o in Rainh o e Bargas, op. cil., pp . 186 e ss.
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espaço, aparece a projeção de um verdadeiro programa de at1v1- se m co n sult a aos trabalhadores , se m aceitar sugestões e, numa
dades : no l .º andar , 3 consultório s médicos, laboratórios, 3 gabi- pa lavr a , se m ad mitir a co lab oração do s Sindicatos previ sta pela
pr ó pria le i; lei que as autorid ades, zelo sa ment e, invo ca m para
netes dentários, farmácia, posto de abastecimento de gêneros fazer va le r sua s dete rmin ações" .
alimentícios; no 2. 0 , administração, departamento jurídico ,
biblioteca e salão nobre; no 3.º , esco la, cujo curríc ulo depen- E cita espec ialm ente a política salarial , "c have de uma
deria do tipo de demanda das indú strias . E constatava: " Não situação social desesperadora" e aplicada através de instrumentos
tem dúvidas que tal projeto é audacioso, ma s em fins de julho como a lei impeditiva da greve e restrições às liberdades dc s
próximo as obras da nova sede esta rão iniciadas ". 45 No n. º 2, a · sindicatos e dos trabalhadores.
primeira página é tomada por uma gravura de maquete da futura
sede, com a chamada "Olha, será nossa futura sede: ajude o "Não somos contrários às leis e decretos , ma s desejaríamos que
sindicato a construí-la ". A matéria aponta para a beleza e a e les n ão fossem o que aí está. Por isso , sempre defend emo s, a
título de co labora çã o co m o Governo, um a sé rie de medidas para
imponência da obra, que de algum modo exrressaria a grandeza
modificar essas leis e dec reto s injustos . "48
da própria classe : "Ela é sua " . E fala daquilo que deveria se
fazer no futuro prédio: assistência aos associados, ens iname nto s,
Os trabalhador es são, pela voz de seu sindicato, cidadãos
preparação das lutas necessá~ias. 46
respeitáveis que , sintonizando com as interp elações do governo,
A "co ntrapartida da colaboração " aparece através de uma exigem apenas ser respeitados.
série de matérias nas quais o jornal dos metalúrgicos responde E esse mot e se desdobra no terceiro tema, talvez o mais
pos1t1vamente aos chamados da propaganda do regime. Aplaude importante: o da defesa responsável dos intere sses dos trabalha-
a construção da Tran samazônica, a decreta ção da soberan ia dores . Tom ...m a lei a sério ou para solicitar sua mudança em
sobre 200 milhas da costa, o projeto Pró-Terra , desqualifica o nom e da s condições concretas dos trabalhadores , ou para cobrar
regime deposto em 64 e exulta com a perspectiva de um "Bras il suas prome ssas. Explicam a ai teraçã o na legislação sobre aciden-
Grande". Mas quer assegurar para os trabalhadores o lugar que tes de trabalho , a inadapta ção do INPS e os prejuízos acarreta-
aí lhes correspo nd e. Cônscios do seu papel na criação das rique- dos aos trabalhadores, mas concluem sugerindo possibilidades
zas e posto que nada têm a ver com a "s ubversão ", não podem jurídica s a serem exp loradas; exp licam o funcionamento do " 1~1ai
,s
aceitar serem marginalizados .47 Já no n.º 1 um texto bem des- importante departamento do sindicato" - o departamento iun-
tacado procura responder à questão "Sindicatos: órgãos de cola- dico - orientando sua utilização coletiva contra as manobras
boração?" E diz: de chefes e patrões; expõem a reivindicação do pagamento das
fér ias em dobro; discorr em sobre as doenças profissionais. E ,
"E stá na lei que os sindicatos são órgãos de colaboração com o
de modo crescente, as páginas vão se abrindo pa ra denunciar
Governo. Na verdade, nenhuma entidad e sindical de traba lh adores
tem fu gido ao reconh ec ime nto desse conceito , ao desenvolver suas abusos da s empr esas e orientar as luta s nas fábricas, qua se
atividade s visa ndo à def esa do s inter esses da categoria profissional sempre através dos meios jurídicos.
que rep rese nta. A bem diz e r, ta l di spos ição lega l é cumprida ao pé Numa análi se rica e pertinente da evolução desse discurso
da letra pelos sindi ca tos d e trab a lh adores . Quem a d esc umpre ,
sindi cal, Lais Abramo acompanha as variações assumidas pela
qua se semp re. é o pr óprio Governo , ao emitir leis e regulamentos
noç ão de dignidade , categoria recorrente nas página s da Tribun a
Metalúrgica. A noção aparece, segundo a autora ,
45. Tribuna Metalúrgica , n .º 1.
46. Tribuna Metalúrgica, n.º 2 .
4 7. Tribuna Metalúrgica , n.''" 1, 2, 4 , 5. 48 . Tribuna M etaltírgica, n .º 1.
186 187
..
" inicialm ent e associada à idéia de um trabalhador honesto , respon-
sá vel, de 'co mportam ent o exe mpl ar' , cu jos inter esses esta riam iden- À medida qu e os anos passam através dos números da
tificados co m os do 'd ese nv o lviment o do pa ís '. Aparece assoc iada Tribuna, vamos notando uma progressiva mudança na atit ude
à possibilidad e da constitu ição de um a id entidad e aut ova lor iza d a e diante do regime. O jornal não p assa a contestar a legítimid ade
socia lment e reco nh ec ida , co nstruíd a a p artir do trabalho árduo do governo e nem mesmo seus eventua is bon s propósitos. Mas
exe rcido no se tor mai s modern o da eco nomi a bra sileira , responsável
também vão minguando os ap lau sos.
em grand e medida pelas a ltas taxas de cresc iment o ent ão experi-
ment ada s. A identid ade de um traba lhado r sé rio, dotado de uma Uma das formas de comunicação de maior êxito passou a
'di gnidad e profi ssiona l' espec ífica e de ce rt a forma difer enciada ser significativam ente a das mensagens do "João Ferrador ", que
do conjunto da classe. apareceu pela primeira vez em março de 1972. Representando
Desde o co meço, porém , não serão esses os úni cos elementos pr e- o bom senso de um operário comum, dirige-se respeitosamente
sent es .no discur so. Sentindo-se int erpelado pelo projeto desenvol-
v1111ent1sta,o Sindicato dispõe-se a oferecer a sua colaboração e
mas com desenvoltura às autoridades. E é através da ironia
assumir os seus objetivos. Ao mes mo tempo , e por ca usa disso , que ressalta dos bilhetes do " João Ferrador" que o jornal vai
sente-se int er locutor do gove rno , e desde o começo , reclama o expr essando sua distância crescente em relação ao governo.
reco nh ec imento dessa co ndi ção ( ... ) A co ntrapartid a, portanto , do O " João Ferrador" dirige-s e às autoridades ("do meu Brasil
bom comportam ento e da adesão ao proj eto , é a reivindica ção grande e potent e", como aparecia sempre) pre ssupondo o patrio-
da parti cipação nos fruto s do pr ó prio trabalho . .. "49
tismo destas e sua legitimidade. Afirma sua ignorância e quer
ser esclarecido. Ent ão refere-se a algum fato ou proclama ção
A noção de dignidade se constitu iri a com a idéia de mer e-
oficia l e, expondo as condições concretas da vida operár ia,
cimento: a dignidad e implicaria o recebime nto (material e
revela o absurdo de dada situação. A força da sua argumenta ção
m~ral) daquilo que se merece. E, segundo a int erpretação de
contra sta com a modéstia e humildade da conclu são, quando
La1s Abramo, o jornal elaborará progressivam ente uma " ruptura
pede às aut oridad es qu e tomem provid ências. Provav elmente um
da s regras de reciprocidade" .so
dos fatore s do êxito dessa personagem deve ter estado no equilí-
De fato, de 1972 em diante , a par do aumento das notícia s
brio entre sua capacidade de investir-se da postura subalt erna
d?s ,f~brica s (que pa ssa a const ituir uma seção espec ífica) , os
do s dominados ao mesmo tempo que dava forma racional e
d1sstd1os coletivo s recebem maior importância e se fazem aco m-
cons istente às profunda s insatisfações com a situação.
panhar de matéri as sobre as condições de vida e de trabalho
Mas ao lad o dos bilh etes do " João Ferrador " continuou apa-
dos metalúrgi cos, contra stada s com o lucro das grandes em-
recendo a opi nião do pre sidente do sind icato. E neste haverá
pre sas. Se do lado da s ações na Justiça do Trabalho contra
empre sas - por exe mplo , a insalubridade na Ford - o sindicato respei to ante as autoridades, mas nunca humild ade. Nele se
anotou vitórias, do lado da s re ivindicações ante o gove rno e o projetava a possibilidade de a classe superar sua postura sub al-
legislativo - sobre a política salarial , acidentes do trabalho e as terna.
indenizações, fér ias em dobro - qua se só co lec ionou frustra- Essa possibilidade se mostrou de modo mais pleno nas falas
ções. A isso se sornava a experiência dos dissídios, quando os de Luis In ácio da Silva , o Lula. Ele partilha das modalidad es
empre sários se limit avam a apoiar-se na legislação para rechaçar operárias de expressa r-se no seu cotid iano ao mesmo tempo
todas as propo stas sindicais. que as projeta no cenário público, onde polemiza de igual para
igual co mos demais int erlocutores. Analisando os discursos de
49. Lais Abramo, op. cit., p . 146. Lula, diz H. Osakabe que neles se dá uma "ex plicitação da
50. Idem, ibid em. A noção de "ruptura de reg ras de reciprocidade" foi exper iência sensível " dos trabalhadores, formulada do seu
reco lhid a pela autora de H. Pellegrino, " Pacto soc ial e pacto edípi co .. interior. Por isso é um discurso " imperfeito ", que se permit e
in Folhetim, 11/9/83. refazer-se no próprio curso segundo as alterações da experiência
188 189
e da própria interlocução , e que dissolve as compartimentações que entendam esse significado. Posto nesse registro , certamente
entre a linguagem pública e a privada ou entre o conveniente e seus ouvinte s identificaram esse conflito com outros que cada
o inconveniente . f portanto a fala de um ator não domesticado um deve ter expe riment ado em sua vida. A pr epotência dos
pelas regras instituídas. 51 dominantes , a ju steza da causa dos trabalhadores , a carga moral
Tomemos um de seus discurso s. Era o dia 22 de março de com que se qualifica o comportamento de cada ator envolvido
1979 , no Estádio da Vila Euclides, 8 di as depois de iniciada urna expressam um modo de interpretação dos fatos que toca muito
greve, já declarada ilegal. Ele fala para 90 mil trabalhadores de perto aquele público. O mini stro do Trabalho, segundo ele ,
reunidos, tendo por pano de fundo a ameaça de intervenção no tivera um "comporta mento exemplar", com posições " hone stas ",
sindicato e cassação do seu mandato (o que efet ivamente se deu mas por outro lado ele diz nunca ter visto " tanta safadeza"
no dia seguinte). como a de "a lguns empresários". Um pouco depois volta a
Começa convocando seus ouvintes para deliberarem com dizer que
ele:
"pessoalmente eu acho que é muita sacanagem com os trabalh ado-
"Co mpanheiro s: hoje teremos qu e tomar aqui, quem sabe, uma res - feita princip almente pelos empregadores. por aqueles que
decisão muito mais importante ainda do que a decisão que tomamos ganham dinheiro como ninguém nest a terra . "
de entrar em greve".
Nestes termos, manter a greve é muito mais do que simples-
Referindo -se à importância da decisão a ser tomada ele mente lutar por um índice de reajuste contra outro. f afirmar
os interpela, no sentido pleno desta palavra. Todo o discu:so é a própria dignidade contra o desrespeito com que pret endem
efetivamente montado em cima de uma convocação, de um tratá-los (a "saca nagem ", nas pal avras inconvenientes e familia-
chamado para que se engajem, e não simplesmente que apóiem res de Lula).
passivamente os atos eventuais do presidente.
Ele lê um termo de acordo elaborado pelos representantes "Ta lvez, se es te movim ento não fosse no ABC, mas fosse lá em
Garanhuns, .nas pr ofund ezas de Pernambuco, fosse lá no Acre,
operários e pelos patronais. Diz qu e antes de expô-lo à votação
fosse lá nas fábri cas de mandio ca de Aracaju, talvez eles não se
dos pr esente s quer externar sua opinião. Depoi s de assinalar imp or ta ssem em dar o aumento. Acontece que em São Bernard o
que o documento não garantia nenhuma das reivindicações do Campo - e isso é histór ico -, no Sindicato dos Metalúrgicos
postuladas, ele observa com gravidade: de São Bernardo do Campo e Di ade ma, existe uma diretoria qu e
tem um co mpromi sso muito sér io com a classe trabalh ador a."
"Eu queria qu e vocês entendessem uma coisa muito importante.
Desde o prim eiro dia, desde a primeira assembléia que .nós fizemos , Aí está. Se fosse no s lugar es mais pobr es, parado xalmente
no sindi ca to ou aqui, eu dis se a vocês que a diretoria do sindicato Lula considera que concederiam o aumento. Isso quer dizer
e a comissão de sa lário s iriam até as ültim as co nseq üênc ias para
conseguir o no sso aumento de sa lário" .
que não concedem, em suas palavras, pela importância atribuída
aos metalúrgicos do ABC. Lula quer que perc ebam a impor-
O conflito salarial começa a ser investido de um sginificado tância pública de que estão revestidos para que cada um assuma
maior, vinculado à própria honra dos que o assumiram. para e o desafio com a mesma energia com que assumem os conflitos
ocorridos na história pessoal quando consideram que a honra
esse desa fio que Lula convoca se us ouvintes e por isso quer
está em jogo. E a dimensão histórica desse conflito é determinada
pela presença de uma diretoria sindical que, ao se comprometer
51. Haq uir a Osakabe , "A palavra imp erfeita" , mimeo, Unicamp , 1981. com a classe trabalhadora , desafiou os grandes. Ele, Lula, viera
190 191
de Garan hun s, das "profundezas de Pernamb uco", e chama seus ameaça da intervenção - numa cadeia de acontecimentos his-
companheiros, tantos deles com trajetórias sim ilares, para assu- tóricos plenos de significado.
mirem juntos aquela bri ga.
No âmago da questão está a polêmica sobre o significado
"E u disse a vocês, no di a da minh a posse, qua nd o nós est ávamos da greve. Para pessoas "de má-fé" a greve seria política . Ora, na
com mais de 20 m il co mp a nh eiros pr ese nt es: a ge nt e quando semântica popular, um ato político é aquele que é movido por
entra nu ma bri ga, a gent e quando se dispõe a defender uma ca usa interesses escusos e implica manipulações . Além disso, uma
a gente quando se d ispõe a lutar por alguma co isa qu e ac ha ce rt ~ longa experi ência dizia que quando atores "não políticos " se
e verdadeira, eu acho q ue, se for necessário, até a vida nó s temos
imiscuíam no cenário político cometiam um desafio passível
que dar. E eu me propus a isso em 1975. Me prop us a isso no
iní cio da greve. E ago ra pa ira so br e a ca beça do sindi cato uma
das mais duras punições.
intervenção. Po sso garan tir a vocês que a int erve nção es tá pronta , E aqui ele opera um extraordinário deslocamento de senti-
me parece , desde o dia 14 ou desde a quart a-fe ira em que nó s do. Ao discutir o " desafio" presente naquelas mobilizações, ele
entr amos em greve, porque a lgum as pessoas de má-f é ent en d era m
ou querem ent en der que a nossa greve é um a greve políti ca, que
parece aludir a uma antiga caracterização do povo brasileiro ,
a nossa greve é uma greve de de sa fio ao governo. E nós nunc a segundo a qual este é incapaz de mexer-se por "c oisas sérias".
desafiamos ninguém. O qu e nós desafiamos , isso sim , fo i a no sa Como essa desqualificação é feita pelos discursos dominantes
capac idad e de lut a, fo i a no ssa capac idade de reiv indic ação , e por que lamentam assim o "despreparo" do povo , Lula se coloca
isso. nós nos propusemos vir aq ui e aqui viemos durant e esses como alguém que pretende superar tal situação. A greve aparecia
di as, e se Deus quise r, qu em sabe aind a, va mo s v ir a partir d e como afirmação coletiva de que aquela multidão de trabalha-
ama nh ã. Conseguimos no s reunir aqu i durante dez ou quinze di as,
consegui mos dar um a demonstração de qu e não a pen as fut ebo l
dores era, sim, capaz de demonstrações de "fé" e de "grandeza".
consegue tr aze r gent e pa ra um está di o, que n ão é só fut e bol qu e Não estavam, pois, desafiando as autoridades, mas, até pelo
d~ ~úblico. Nós prov amo s às autorida des, p rovamos à opini ão contrário, mostrando-lhes que eram capazes de mobilizar-se por
publi ca em gera l, que um movim ent o sério , um a causa ju sta ta mb ém grandes causas. As autoridades aparecem junto à opinião pú-
é capaz de encher um estád io mais do que muitos times de futebol , blica como avalizadores de seu ato de grandeza. E, no entanto ,
dos mais fam osos do Brasil, num a seg und a-feira às 10 horas d a
as ações pelas quais provariam sua grandeza - e que os torna-
manh ã e numa sex ta-fe ira às 5 horas da tarde. O que nós fizemos
aqui foi um a verdadeira demon stração de gran deza . E eu acho riam supostamente mais dignos aos olhos de todos - consistiam
que nada neste mund o, a n ão ser a lgo m uit o superior à nossa numa luta que os levava a enfrentar não só o patronato como
capacidade de bri ga, pod e ev itar ou pod e faze r com que nós d ei- as leis e aparelhos repressivos das mencionadas autoridades.
xemos de no s reun ir aqu i e deixemo s de bri ga r pe lo nosso sa lá ri o. Em outras palavras ele estava dizendo que a defesa dos seus
que é o mínimo qu e nós temo s de fazer. "52
salários era o modo de afirmarem sua dignidade, e se para isso
tivessem de enfrentar grandes desafios, eles deveriam fazê-lo.
O trecho é carrega do de datas : o do dia da posse (ao que
tudo indica, ele se refere aqui ao segundo mandato , em 1978) ; o Assim as experiências vividas pelos trabalhadores ganhavam
dia em que se tornou pr esidente do sindicato , em 1975; o dia uma dimensão histórica. E ao projetar desse modo as insatisfa-
em que começou a greve . São datas carrega da s de compromissos , ções operárias no plano de enfrentamento político (ainda que
e ele inscreve o momento do discurso - quando pesava a não o identificasse como tal), Lula não só encarnava um desejo
social difuso e até então não formulado como ainda abria um
campo semântico para o encontro entre diversos movimentos
52. O discu rso está tra nscr ito in Lula - entre vistas e discursos , op. cit., que anunciavam a presença sufocada e inquieta dos trabalha -
pp . 303 e ss. dores .
192
193
Temas dos movimentos entre a importância do trabalho desempenhado, de um lado , e
a remuneração recebida e as precariedades das condições de
No fogo dos enfrentamentos e diante das interpelações da trabalho e vida, de outro.
matriz dominante, os movimentos sociais recorreram às matrizes Já os movimentos constituídos a partir de trabalhadores
discursivas da contestação para repensar o cotidiano das classes precários, de donas de casa, de favelados, tendo por base a
populares. "esfera da reprodução", teriam de se apoiar em outras referên-
cias. Tinham consciência da falta de poder de barganha e
Nas representações que daí emergiram iria ressaltar um
pressão na esfera da produção. Desenvolvendo suas reivindica-
certo tipo de humanismo. Nelas se valorizavam as práticas
ções na esfera da reprodução, não dispunham de um poder no
concretas dos indivíduos e dos grupos em contraposição às estru-
nível econômico para sustentar seus movimentos. Tampouco
turas impessoais, aos objetivos abstratos e às teorias preestabe -
podiam apoiar-se no plano legal: uma longa experiência most1:ava
lecidas. Valorizavam-se também os atos de solidariedade através
que as referências jurídicas aos direitos a serviços de saude ,
dos quais os indivíduos transcendiam a rotina vazia imperante
transporte, educação , à habitação só existiam nos ~alai:ques
na sociedade. E valorizava-se fundamentalmente uma sede de
eleitorais. O poder que haviam tido nas barganhas ele1to~·a1s.de
justiça que denunciava a situação social vigente. Em todos esses
tipo populista (na troca de votos por promessas de benfe1tonas_)
aspectos, as novas práticas discursivas atingiam a racionalidade
desaparecera com a instauração do regime_ 1;1(litaL Seus movi-
tecnocrática e o individualismo burguês dos discursos domi-
nantes. mentos apoiaram-se em estruturas comumtanas, fundad_as. na
solidariedade grupal. Excluídos de empregos estáveis , de d1re'.tos
No correr das lutas e na história concreta dos movimentos , · _ref~re~~ias.
consagrados , eles constituíram suas propnas ' · Apo1an- .
sociais, as matrizes se mesclaram e se transformaram. Mas as do-se na Igreja, encontraram tanto uma mst1tu1~ao. poderosa
ênfases foram diversas segundo as características · específicas em condições de proteger suas lutas quanto , pnnc1palment~.
dos grupos sociais que as manipularam. um discurso sobre a solidariedade e a justiça em nome dos quai s
Os movimentos que se constituíram a partir de trabalha- as travaram.
dores qualificados tenderam a apoiar-se na própria importância B verdade que o curso da história dos movimento: daq~ela
destes para o processo produtivo. Esses trabalhadores conhe- década iria também mesclar esses temas e as elaboraçoes feitas
ceram a importância de seu trabalho tanto no cotidiano fabril sobre eles.
quanto nas pequenas lutas que travaram no início da década.
Por outro lado, eles constituíam - sob a forma sindical -
sujeitos reconhecidos no plano dos direitos. Suas lutas se refe-
riam a um campo legal estabelecido, seja para fazer cumprir
direitos que estivessem sendo desrespeitados, seja para conquistar
novos direitos, ou mesmo simplesmente para regulamentações
mais favoráveis no interior da legislação dada. Apoiando-se nessa
existência legal e na percepçãc;> das suas próprias forças na
esfera da produção, os movimentos sustentados por trabalhado-
res nas empresas desenvolveram enfrentamentos com o p~fronato
e o governo num campo de referências onde o sindicato era
reconhecido como interlocutor legítimo. Tais movimentos iriam
tcrnatizar as inju stiça s pelo ângulo da falta de reciprocidade
194 195
Capltulo!V
Movimentos
sociais
197
1--
1
ções socms. Nesse aspecto a diversida.de em si mesm~ ~ã~ legítimo pelo discurso dominante, o mesmo não se dava com
constitui uma novidade. O que talvez se1a um elemento s1g111f1 - a manifestação autônoma de reivindicação de novos direitos, que
cativo, que diferencia os movimentos sociais da década de 70, por aí buscava se expressar. Os movimentos sociais tiveram
é que eles não apenas emergiam fragmentados, mas ainda se de construir suas identidades enquanto sujeitos políticos preci-
reproduziam enquanto f~rmas singulares de expressão. _Ou seja, samente porque elas eram ignoradas nos cenários públicos ins-
embora tenham inclusive desenvolvido mecanismos de coordena- tituídos. Por isso mesmo o tema da autonomia esteve tão pre-
ção, articulação, unidade, eles se mantiveram como formas sente em seus discursos. E por isso também a diversidade foi
autônomas de expressão de diferentes coletividades, não redutí- afirmada como manifestação de uma identidade singular e não
veis a alguma forma "superior" e "sintetizadora". como sinal de uma carência.
Uma comparação com os padrões existentes no período Encarei assim esses movimentos sociais como modalidades
1945-64 certamente ajudaria bastante na compreensão do pro- particulares de elaboração das experiências vividas pelos traba-
blema. Também nesse período a heterogeneidade social provo- lhadores. A isso me referi quando falei de uma nova configu-
cava a emergência de diversas formas de manifestação social: ração das classes populares no cenário público. Procurei com
de operários industriais, de posseiros, de assalariados agríco las, esta pesquisa contribuir para a compreensão desse fe_nômeno.
de consumidores contra a carestia, de grupos mobilizados pelo Para isso escolhi a história de movimentos que se articularam
tema do nacionalismo etc. No entanto, a diversidade tendia a em torno de 4 organizações diversas: a dos clubes de mãe~,- a
inscrever-se em registros unificadores, que ordenavam os d ife- do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo, a da opos1çao
rentes movimentos atribuindo-lhes lugares diferentes. Eles ga- metalúrgica de São Paulo, a das comissões de saúde da zona
nhavam sentido através do discurso estatal, segundo a versão leste.
dominante, getulist_a. Ou, então i 11:aC(?ritrapartida comun ista ,
através da unificação 1óperada pelo partiao.
Na década de 70 a diversidade se reproduzia enqua nto Clubes de mães da periferia sul
tal apesar da presença de referências comuns cruzando os vários
movimentos. Quando acompanhamos a história dos vários tipos Na história dos movimentos sociais ocorridos em São Paulo
de organização popular na Grande São Paulo nesse período, nos nos anos 70 os clubes de mães ocupam um lugar de destaque,
defrontamos quase sémpre com a presença da Igreja Católica e entre este~ ressaltam particularmente os da periferia sul. Lá,
sua rede de agentes pastorais e suas estruturas de funciona- entre as margens da represa de Guarapiranga e a estrad~ do
mento; com as matrizes discursivas da contestação, mescladas M'Boi-Mirim, a igreja de Vila Remo parecia um centro irra-
nas práticas concretas onde se encontraram; muitas vezes até diador de organizações populares.
com as mesmas pessoas circulando de um movimento para outro . Mas como começaram os clubes de mães? Quando nos
A pluralidade de movimentos não está indicando nenhuma com- falam sobre isso, suas participantes nos transmitem uma refe-
partiment1:1ção de supostas classes sociais ou camadas sociais rência aparentemente contraditória. Ao mesmo tempo que fa-
diversas. Está indicando diversas formas de expressão. lam da existência de clubes de mães anteriores a essa década,
Sua história nessa década transcorre fora do recon heci- elas não titubeiam em datar o começo da "sua história" no início
mento estatal. O "novo sindicalismo", do modo como se expres - dos anos 70 e, às vezes, mais concretamente, em 1972, na igreja
sou em São Bernardo, constituiu uma notável exceção no sentido de Vila Remo.
de ter-se desenvolvido no interior da institucionalidade dada. Seja pelos seus testemunhos, seja por outros regist.ro~,
Ainda assim, se o seu lugar institucional era reconhecido como ficamos sabendo da existência de clubes de mães e formas s1m1-
198 199
lares de organização de donas de casa desde, pelo menos, o
findar dos anos 50, patrocinadas às vezes pela prefeitura, às
vezes por associações benevolentes, ligadas à Igreja ou a enti-
dades como o Lions Club . Nessas associações, algumas mulheres ,
previamente capacitadas, ensinavam outras, pobres e necessita-
das, a bordar, costurar e fazer outros trabalhos manuais, além
de transmitir instruções de higiene e saúde.
Mas então a que se referem quando falam de um começo
datado do início dos anos 70?
Irma, uma das iniciadoras, que morava em Santa Margarida ,
bairro vizinho a Vila Remo, diz que entre 1971 e 1972 algumas
mulheres "resolveram criar um clube de mães que elas mesmas
dirigissem" .2 Conceição, outra das pricipais e primeiras anima-
doras, conta que mudou para Figueira Grande em 1972, e nesse
mesmo ano participou do início dos clubes de mães da região.
E diz que começaram com 3 clubes, de 3 bairros próximos
- Santa Margarida, Santa Teresa e Figueira Grande -, aos
quais logo se juntaria o de Vila Remo.3 Mas ao falarem do come-
ço dessa história, em 1972, há um acontecimento que é reiterada-
mente citado, como se fosse um desses "mitos fundadores " :
era um bazar de fim de ano, quando as moradoras resolvem
dispensar o trabalho das senhoras que faziam o trabalho bene-
volente e assumir elas mesmas a organização das suas atividades .
Vejamos , pois, a descrição desse acontecimento pela boca de
uma de suas participantes.
Odette estava em Vila Remo, e penso que seu testemunho é
particularmente valioso porque, além de estar lá, ela se refere
a esse acontecimento como um momento de despertar de sua
consciência.
Ela diz,: primeiro, que começou a participar "aí por 70" ,
mas observa que
• naquele tempo a gente não tinha ainda os clubes que só surgiram
da própria base, a gente tinha mulheres que vinham de fora para
dar aí para a gente uma aula de bordado, de culinária, de higiene,
de educação . . . •
200
Ela sabe qu e essas mulheres eram do Lions Club e que
tinham chegado dizendo ao padre que queriam "fazer o bem
alguma coisa pelos outros". Lembra que elas vinham uma ve~
por semana, traziam tecidos, trazia m lã, traziam tudo que elas
podiam imaginar e ainda trazi am pessoas para cuidar das crian-
ças enquanto elas se reuniam. Os trab alhos artesanais feitos
nessas aulas era m depoi s vendidos em lojinh as especializada s, em
lugares e esquemas que elas desconheciam. A ação de benevo-
lência estabelecia um a tal distância entr e assistentes e assistidas
que estas mantinham um misto de gratidão e suspeita acerca
da motivaç ão das primeiras.
"E então depoi s elas vendiam e eu não sei a que fins elas vendiam ,
se era para comprar novos mat eriais para trabalhar com outros
grupos ou se também elas embol savam, eu não sei dizer. "
"que se nós .não tiv éssemos pasta de dente para escovar os dente s,
escovasse com bicarbonato , se nós não pud éssemos ter desodorant e,
que usasse lim ão, que tamb ém saía o cheiro ".
201
própria vila tinham capacidade de fazer tudo aquilo por elas o papel do padre na determinação de um "novo começo" naqu ele
mesmas . As pobres senhoras ricas ficaram naturalmente desar - clube de mães de Vila Remo. Foi o padre que , sem antes nem
voradas, sem entender onde estavam suas faltas. Mas o interes- falar com elas, tomou a iniciativa de dispensar as senhoras
sante a anotar é que mesmo entre as mulheres da vila nem benévola s e propor-lhes que elas mesma s se organizassem.
toda s entenderam o gesto do padre , "para umas pessoas foi bom E aliás essa iniciativa do padre de Vila Remo correspondia
e para outras foi péssimo ". A decisão tinha sido iniciativa dele . a uma orientação geral de agentes pastorais da Igreja Católica.
Terminando o bazar , o padre chamou algumas delas e disse- Desde o início dos anos 70 uma com issão conciliar coordenava
lhes que elas deveriam se reunir e ver se elas poderiam , elas atividades de evangelização entre a população mais pobre da
mesmas, decidir se não tinham condições de fazer alguma coisa. zona sul, englobando cerca de 80 paróquias, em que a cate -
E é então que elas começaram a se reunir " por elas mesmas ". quese tradicional já se vinculava aos temas da libertação e ao
Ela lembra que "o pessoal de Santa Margarida já tinha clube ", estímulo à participação coletiva. Padres, freiras e leigos usavam
que "era por elas mesmas " .4 E integram-se numa coordenação o método Paulo Freire para aulas de alfabetização, promoviam
de Figueira Grande. reuniões de casais em que chamavam a atenção para um novo
Penso que existem três aspectos desse relato que estão sentido da existência humana, organizavam cursos profissiona -
indicando os fatores que lhes permitiam falar de um "novo lizantes onde também opunham a necessária dignidade do tra-
começo" na história dos clubes de mães: balhador ao individualismo amoral da sociabilidade capitalista.
1. a "organização por elas mesmas"; Vinculavam assim o cristianismo à idéia de uma existência com-
2. a constituição de uma coordenação de clubes de mães ; prometida com a luta pela justiça social, com a solidariedade,
com a participação consciente na vida coletiva. Nesse sentido,
3. a valorização da luta contra a injustiça no lugar do
assistencialismo caritativo. a expansão dos clubes de mães é inseparável da expansão das
comunidades de base no mesmo período .
Mas cada um desses aspectos merece agora um exame E é interessante observar como num outro bairro - na
à parte. Cidade Adernar - em região vizinha de implantação anterior,
o estudo de Anna Luisa Souto registrou um movimento similar.
Lá havia um clube de mães desde 1967, com assessoria da
A "organização por elas mesmas" prefeitura e da Caritas (associação ligada à arq~idioc_ese), on?e
se treinavam mulheres para que pudessem ensmar as demai s.
A imagem dos clubes de mães enquanto organizações sur- Havia uma oficina ligada aos vicentinos , onde se costurava para
gidas da própria base aparece sistematicamente como um traço os pobres. O clube contava, ademais, com o apoio. da L~giã~
peculiar dessa forma de associação nos anos 70. Brasileira de Assistência (LBA), que, entre outras c01sas, d1stn-
. buía leite para as famílias necessitadas. Pelas palavras de uma
Essa característica de auto-organização exige uma certa
participante , o clube de mães surgiu primeiro com um g1:upo de
qualificação. Vemos pelo próprio relato feito como foi decisivo
mulheres que se reuniam para aprender trabalhos manuais. ~ssa
atividade se desenvolvia, segundo o padre, dentro de uma lmha
4. Depoimento colhid o pelo Grupo de Educação Popular da URPLAN - assistencialista , paternalista: as reuniões tinham então como
Instituto de Planej amento Regional e Urbano da PUC-SP para a Rede objetivo máximo a confecção de roupas para os pobres. Até
Mulher. que, por volta de 1970, as
202 203
"E u costurava muito pra fora e não tinh a tempo pra nada. Qu ando
• mulheres perceberam que não adia nta trab alh ar dentro deste ia à missa aos domingos, o padre tinha a mania de apontar o
esquema, sem dar promo ção. A mulher precisa se desenvolver. A dedo e perguntar: 'Você!, o que você faz durant e a sema~:? ' .Aque~e
p artir daí houve um a mudança de qualidade" .5 ·você' caía sempre em cima de mim e minha consc1enc1a doia
muito. Um dia soub e de um grupo de mulh eres qu e se reuni~ e
A constatação de um papel decisivo dos agentes pastorai s decidi ir de qualquer jeito . Cheguei lá e as mulh eres estavam tnc? :
na constituição das novas formas de organização relativiza a tando c faze nd o croc hê e eu pensei: 'Isto aí eu não quero .. E~ lª
es tou cheia de costurar! ' Depoi s veio a reflexão e eu achei mte -
idéia de que estas foram criadas a partir da iniciativa das pró- ressante porqu e ca da um a falava alguma coisa sobre o Evangelho.
prias mulhere s, a partir da s simples motivaçõ es brotadas no Era a pr imeira vez que eu discutia o Eva ngelho com pessoas
cotidiano dela s. Em boa medida foram age ntes pastorais qu e co mun s. Ant es era sempre na igreja, on de só o padr e fala~~- No
propuseram novos padrões para club es de mãe s (fundados no final da reunião , a irm ã pediu para alguém assumir a reun~ao da
objetivo de desenvolver a participa ção ativa de seus membros, semana seguinte e eu me ofereci. Só qu e depoi s disso acabei assu-
de valorizar a noção da pes soa, de estimular a solidariedade mind o de vez" .6
grupal), que forneceram as refer ênc ias culturais para isso (a
Ao sen tir-se denunciada pelo padre, ela expunha um cor~:
leitura do Evangelho como parâmetro para julgar as injustiça
plexo de culp a que omitia sua " dupla jorn ada de trab~lho
da realidade cotidiana do grupo) , que lhes ajudaram a passar
(costurava para fora e não tinha tempo para nada). Mas, mter-
das relações informais para a formali zaçã o de objetivos e meios
pelad a por essa fala qu e desconhecia suas condições, ela acabou
necessários ao seu de senvolvimento, que lhes abriram um espaço
social onde a mobilização social podia se dar relativamente en contrando um espa ço para falar delas. Encantada por poder
" ' d omeçar a
protegida contra a repr essão políti ca, ev itando as prevençõe s discutir o Eva ngelho "c om pessoas comuns , po : : 'á de
refl et ir sob re os probl emas de seu cotidiano domestico , J
contra os políticos e as resistências dos maridos.
outra ótica.
Mas nada disso nega o fato de que efe tivam ente tratava-s e
de uma "o rganiza ção p ela ba se" e " por ela s mesma s". Quer dizer Se formos exa minar as motiva ções que levam donas de casa
que tanto a pos sibilidade daqu eles objetivos se realizarem quanto aos clubes de mães, encontramos, grosso modo, três ordens de
sua forma concreta dependiam do mod o pelo qual cada grupo razões.
de mães da periferia assumisse sua participa ção, seu sentimento Em primeiro lugar , para muitas tratou-se simplesmente de
de solidariedade, sua no ção de direito s, e desenvolve sse (ou não) achar um lugar onde se encontravam com out~as dona s d~
práticas coletiva s que desse m conseqüência a tudo isso. A hi s- casa, pod endo conversar, comentar a novela, os filho s, o cami-
tória dos clubes de mães mostraria como efe tivamente os pro- nhão de lixo que não pa ssou , o vizinho que andou bebendo , o
pó sitos genéricos dos agentes pastorais se materializaram (e se namoro da filha , 0 vestido que pretende fazer. Tr ata-se da
transformaram) no curso do desenvolvimento das práticas soc iais . exte nsão do mund o feminino , tal como constituído ~o espaço
Detenhamo-no s um pouco nos impulso s qu e leva ram dona s familiar. As distâncias da cidade grande, as separa çoes da fa-
de casa da periferia para os clubes de mães, ·para em seguida mília extensa, 0 esva ziamento da vida domé stica pelas .i~r? adas
examinar a prática interna destes e seus defeitos . de trabalho tornam o cotidi ano da casa às vezes sohtano. O
Comecemos de novo por um depoimento : clube de mães aparece aí como uma extensão das relações de
vizinhança.
206 207
E é de notar que os problemas que motivam as ações em choque com exigências de racionalização das atividades, ao
coletivas são aqueles rela .cionados com "tarefas" atribuídas à crescer o movimento.
mulher na divisão do trabalho instituída socialmente. A coordenação reunia-se mensalmente, com o objetivo de
Com essa dinâmica, os clubes de mães constituem-se em trocar experiências de cada clube, avaliar o trabalho feito e
espaços sociais em que as motivações de seus membros tornam- programar sua extensão. Não constituía, pois , alguma sorte de
se pontos de partida para um redimensionamento tanto de aspec- direção, que determinasse as tarefas de cada clube. Mas, ao
tos da vida doméstica (na medida em que repensam seus papéis oferecer propostas e meios para atividades que correspondiam
de "donas de casa") quanto de aspectos da vida política (na a expectativas dos membros dos clubes, ela se mantinha como
medida em que passam a pensar as carências de suas condições referência central. Quer dizer, ao propor campanhas , ou cursos ,
de vida como direitos que lhes estão sendo negados). Voltarei ou bazares, e ao prever os meios para isso (freqüentemente com
a isso. a ajuda de agentes pastorais ou de médicos, estudantes, professo -
res, dependendo da atividade), a coordenação oferecia os meios
para o reforço da coesão interna de cada clube. E, além disso,
A coordenação dos clubes de mães seu próprio caráter aberto e a proximidade entre ew e as parti-
cipantes de cada clube permitiam que estas a vissem como
A coordenação dos clubes de mães surgiu da iniciativa de genuína projeção sua.
mulheres ligadas à Pastoral, interessadas em projetar essas or- Uma das preocupações principais que envolviam a coorde-
ganizações para além do seu particularismo de origem, sem nação no seu início era a extensão dos clubes, vista como forma
sufocar os mecanismos de relações primárias e fluidas que lhes de mais mulheres "despertarem para a luta". Localizavam conhe-
davam coesão e vitalidade. cidas em bairros vizinhos - ou indicações de mulheres que
Ela não surgiu como coordenação para toda a cidade e nem teriam disposição para essa organização , feitas, em geral, por
mesmo para o conjunto da zona sul. Ela era apenas, no início, agentes pastorais - e iam fazer "uma visita" na casa dessas
uma coordenação dos clubes que a ela se vinculavam, situados pessoas. Falavam então dos objetivos dos clubes de mães - a
na região da Estrada do M 'Boi-Mirim. Reunia os clubes de organização das mulheres, no quadro da organização do povo
Santa Margarida, Santa Teresa, Figueira Grande. Logo depois para lutar por seus direitos; a necessidade de valorizar a condição
o de Vila Remo, Jardim Nakamura. E, assim, um bairro após da mulher, através da participação em atividades coletivas etc. -
outro, vão constituindo seus clubes e incorporando-se (sem falar e procuravam ver quais eram os problemas concretos mais sen-
de clubes já existentes antes da coordenação). tidos, as preocupações e motivações daquelas com quem falavam.
A coordenação reunia uma representante de cada clube, E, a partir daí, solicitavam que ela(s) convidasse(m) outras ami-
embora pudesse ir mais de uma. Havia o empenho priori- gas para formar mais um clube. A rede das igrejas constituía
tário de ir fazendo com que cada uma das participantes fosse uma base natural de apoio para esse trabalho - não só enquan-
"se desenvolvendo" naquela prática de fazer avaliações, rela- to base material, mas também como fonte de legitimação (abso-
tos, discussões, de assimilar outras experiências. Por isso lutamente necessária, ante a desconfiança e o medo que elas
mesmo, ainda que um pequeno núcleo de iniciadoras estivesse tinham dos "políticos manipuladores", ou dos "subversivo s
quase sempre presente, era muito alta a rotatividade das repre- perigosos").
sentantes. Essa fluidez da coordenação, funcional para a consti- Refletindo sobre o êxito então alcançado no sentido de
tuição de uma identidade comum entre elas, para a capacitação um engajamento de um número crescente de mulheres, Irma
de cada uma num espírito igu,alitário, entrava constantemente Passoni referiu-se ao método de trabalho, que consistia na jun-
208 209
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e da •eotogja ~ libertação. 'E se era o espaço onde o~ valores de higicn que cios mesmas po erlaro .id t1u, se tra smitlam
l; b :s eram expllci LdO:;e e;x-p0$roSà discus ão co!euve.,,ando também í11orm.içôcs sobre a precsrledacle ci servi os públicos
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as&ímreafirmados e t eíer dos às ativldadcs p rt.iculaze:.de ceda ne~úios prt$er,açfo ~ saúde da p laç o. O c•Jl'S O Ioi ~ t
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grupo. um s.uce:sso,tendo comcç.ad com 60 ~~ -, em 1973, ~ e n-
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As lC'$tss,qverm,: es, onsseio.sjunto,, também progumados cluido, ~ 1974, oom !10 pa ºcipan • DeJ:OÍsà11saul.n.. setnil- 1
coru.útuiam entre um espaço de idcnt ific.aç.ão •;inc~ 11<10 e C pecê, Cid.11dt Ade. r, Cidndc 1.1l ni, eom o ~01 scqiiçn(c
esses m mcntos de dlve:-sio qve or e men e eongrcg_:iv:.L s e scimcn o da t.Qo(ienaç1'o. Con~ içio Pere ; r d 21:lcll1~, '! ,,
fam las. Aí twam,se .profundns Jd~n 'dades comLmiCárins. ouc.rasavaHavamem O s 40. AI e<>mc)amI ter, Jém J:, coor- 1'
As "hJras <fo dlr a-di,3" r rn o npteudiwdo da cld.id-n11i,
o modo pelo qu pe;1savam suas privaç~ enquanto ·njustiçrus
en.içã.o, instl!ndo du ubeocrdcn i;õcs, 1gluti nn b· irros
maii pr6ximos.
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q e pode ·am.ser 5aTl óas e es pessoas inju&tiç:sd1u se <lispu~ · O número de clubes n·o fal u[lcleJ1terncnte sobre s u11 •'
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,cm lutar r se-ui,direitos. Elas • ro 8\'&n d!S queixas do n~ b irros. EstP. inha da c;:i5 •.nela de.sses nú- ' '
cotidiano, teg~dás r · informações robre modos p0$,S{veisde ulheres que conheciam (ou comtçovarn a o nheccr) ; 1:i1. ; 1
ll
torno da colel de li:·o, qu:e não h Ma. As~mjdo a<[u ilo como onde falteva d~ tudo; que se reunlam e brlam um no,;o hori· ..
um problema, dec'dira:m-se a ir pret i ure roc.latnar, ali q e wn e pau e e~is é eia pdb ica das donas d,: casa$. s im, um 1
ae estabeleceu a c~le a. o otdim A ·redo, onde a escol· fun. club de 15 mulheres aparecia oo o rd rência par ô 'as ,l
1
:
• '·..
•
e.tonava num. arraciio de madeiro que e-stáva q ase indo, ceate as ou e • miJhares de don s de cosa. (tue n e e ftt(J:riam ..; ..: i•- 1 ~ ;. •
menta do Custr- de Vida ó irnpe.nséve sem a referência a0$ l ~dotes. ?attlcip.:mtes dos e ubes de m.ies ( o 1 do d~ l\l~tubro
e ubcs de mif:S, g_Úelhe deram a ertebra~o bbica.' de comunidade., de baso e de ass ieçfoesc!e alr1 ) pt:rcom:m
cerca de 2 nü! ~w d vários bait~ da peri í, ri, , explicando
Considera..s,comoo início<lomovlmnto um· U:c a envi da $\JllSproocupaç coro o custo de vids e necessitL,dc ele fazer !•
pelo clube de m:íe:s<:loJa.rdimNok.i.muraà autorid11e , soUci• ver às a toridades ~ual era a ltusç~o de lill'C8opcrár' s. Le 11- : r
tsodo medl~ e ntra a elevnção do CU$ o c:!evida. Suriiu a • v11m um queslionáJio, onde se p:rg,m n't'u q 1.nl s ~S0'35 11
j, ·1
r::ntemeacecoru t . m9~malógic do&outros tem. de rc"vindic ção
oea . Ao procurn tn leviutar a q~estõesq e mn'5 as af lg,l.àm,
~ nc!ufracn e o princl'bal er a e1evaçlo ão custo de ~·Tcla.
n1ornvarnna c.1.sa,quantas t 1.lballu :im, q Qnto di1ilieito e 4V
por mês, quanto a família g.: tava em alimc ~.
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certa res.so.11
reclamar de um pro blem como falt:;t da
oo)eta de lixo; 1rm misto de desconíia.nçi, ante as :tl5es dos
govemant~ e de reeonheclm to dos seLtspoder-e.. A ea tem
nele, e muil03 pensa.lll que efetiva.."llen
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"entre e as" , p otegid,111pela co unidade de valores que a me odo le jl cose rcieita do trabalhl)S de b se daquete ~
gu• va o entend.iment(,, p~ a falo s dcsconl:ccidos, BQJ mo- tempo. Os abaixo-e~laedos coMtll 'sm um ritodo de compro- j
1
radores nõnímos, cuj::is li guagcns, rdc·~ ncl.as, e,q,ect.srivas misso dr» !TI rado rc com uma dade rdvind lça,•"'o s:m n u;ig~ · 1
e
eram uma interrogaçll . na viollncia d~ $lil o que ela 1den- eia de u!rem de sua C,A.Sas. De:sse modo, cc•ru ;u vi.sitas nn.s .,, : {
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rac:11o momento da "s ida pra fora", da amplia~o das atl ·• casas em tomo de pteoc •paçéY ..s cotidianas, a pc.squiH e o 1 :f
dadí:$. Uma o tra ala ao nsinú lar um de~ncontro de pa e •ras: ah2.lxo-assinado, o Movfmcn do !!Sl de Vida represonttl uma ,.
• A 11e:irei falar ~i illijUffiD coíu, 11. p•$$0 oiO J<l~lao q, Ddis
ocn inuidscc du mc> b-ilizeçõesenterio ~ fe[têl.s.1 ba~ os pcs 11
oomunitár 'os. Mas. a[ém <l diferençajã anot111 , de exigir wn
j ~slna falando, e:les fll.(a, m ou(ra l!tigu11·.10 ~t
' l re1a~o com _pc~Olt$de!conht ' das, esre mo• mcnto int dum
!J
l
Depois de ser ltr.ro 'Ui.ida no vocabulário inte ectual <las ot1tr11inovação; u objelivos ae ~p,esent.ov m co11,ocomuos ~
organizações populare.!, e , q e era tão próxima óu .suas ·vfz:i. a1>con 'e to doa ( tníli11,5de traba lhadores, ult?11p11 do. ssim, ·. J
nhas, j~ tlnna dificuld:1des para se ía"Lere.ntende.r. ·mbi o ti s vi2.i banças loc:ú, e se diri tam a , go trno r..dcrr,l. l~J,,
Coma aj~d:i d llfentes pes to~is e c~rud ntes, las reulllram
e efa orar.1m toda.s ~ iníonn ações co,ctadas. Comparar:;m s
pre,çc! wm os do ilno anterlQr ; cCll!lpar am Oi pr~
~alários; compararam<· con umo ~ com a quaa 'd~de min·
com os
A pa rtir da invoet1çãode valore f mm 's (s!io " ães cm des~·
pero" p eocup das oom suàs fom( i s) e de mobllh:a i do
ad.ren lcs atr vés das convcn.as de ca em ccsa, o ; vim .~o
va· to..eendouma ligaç:=:oentre o mundo d 1:.otidi:mo e o de
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atn.ixo-assio da, º"de se dirigiam o presidente da Ri!p6hll- Essa funç~o exerc'ds pelo ovüne1Jto do Custo d ida .,-~
ca, s-~~dol't?S, deputados fed era· t: estaduais. go emador , pre- corresponde t. t ~ .à sua própria constHuii:IS org tÚ, va,
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11.ai Impor ante que a proposta que, na fot"1n eJU qoc íoi
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fábricas para ti0 ber attlnatotas. •m bancos, scrltórios, lójas, ·'
prev,st , não se reallzcu) é a ~vali çã que fizeram d, uaçlío.
e6CO iis, o .ibai:t0•a$'$Ínad,,Vc1icorrendo. um docume a ,o interno
do MCV desse m menLo, temos l"Cji.stradoo sls iflcndo do abiil- •A ,u u1iio de um ciii, dQ Ju e.mi~ o t-ól$tO :l, vld rt. 1oee d•
~O<US.inado p1w1ireus pr<motores: colher mti·tas ssslnaiur s (era "W;tf[i,c1çlo d diCic11ldader 'l\J. &iO colccad ~ Iotmaa de luln s
o ohjetiv~ e:xplJcito): u •r mai, • pe.$SOas:dlEundir o MCV e jradicionais: u~l:Jéiu, comit1 es, ld las aulor dnd , de. Todn
ai ua~o de vida do povc: coovc · com "pessoas oov, , den<lc ·!SU orn,a , embora tenham d o s:gs fruto.1,ho ~ morl<lllll
e;zo tad Mn , Um momenro poUtico que ocnvest. moa n o ~ 1
opor tt1nidade. para elai dizerem o que pen ar": iotesrar mais
,, ;,zop'::io e e3te: tipo de ma11il~ ~ • A aut :ricfida ::ilo f.C .mo.·
oas no !Ta alho; refie ·r C'con&ci tltação") ,50bre a idéias
expres:;ada s e a pcsso.is ouvidas.
Ao cab"o de uma mi;ucios prepataç-6 no di!l 20 de junho
lnltn o mínimo srn.âreis b scivlndlcn~ do J-<>Tº, os poi clco
da opo çlo ~o com 11\l:QOdo AI-5 n1o que -e!n p ortieipor de
mor.Uesl!~e:s pci;iulare:s. . Por outro ledo, uma 2s iemb:lí'
q e o
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c,enUJe com o ~peno
des.scano rle 1976 reáliia..se uma ~robléta , no Co ég"o nla
Maria, em Sa Amaro, ,:oJll rM·r de 4 mll preseotc , con:.titu io- 80 !rac
rcpe~io
e :i;rtScacade aucor dedc:s ~to ~6cn~
o, J.)Otqtl'a s~:it o povo r J11oodo8:.'3. s ~esn,o. ~o ~r11 11,J '.
dn,se; pa~ a época, nurn extraordiná lo êxüo.
OIIlculdodc, de Qutro r.%rirer s ccloca.m pa_raa- t.u 111~11
ifcs1n~ü
E de is? Que con "nuid~dc dor 11 isso? A csSll ale ra j á - 4 fieu <11uruao ivel d;, p.art::;fpn~o do pov,,. n • ulco difícil
esta li bem ev·den n dferença profunda entre o Mo ímento iji l= r o pOYO do ~ç,lj 1111ctro UOtm:tl . ft!tâ '"º (1 f'(TIIQ ~ "
do ·sro de Vida e os demais roov· eitCOS qllt: os clubes de :une tcNi{i;sto o, co, CtJtró lugu g11~nio a I le oo~e e v,Yc.
mães havia lmpul:;io :i.,Jo. Quando lurovom por águ , creche, l'ars ctue esta$ peg,011 1e lspon~ern I
preciso qu~ }â teo m
ai, _r~ ~ m_Rlfcs1~~ d
rl<i coo e, e.lt. e, d1spci tb ilidi.de cc I C .
coI~ta do fo:o, Unh d~ cmH>u, o destino do rnovimcn1o es ava
Em 011r.as p.i.lavr.. t: :ss < formas de lut:is nl slio t.io p11l11rc •
Ugado aos progresso:i nn obtenção da rcivi dicaçlo .... mb-0ra o
oh1eüvo primeiro a lidt rança fosse a organização popular ~
Aí estso ex l'C65ads as principais co aclerís ·cas ql!'~·c1wol-
si mesma, ele ~ó ~ra 1 _ingido :, medlda que a populaçllo
vem ai. manifcsflições populat s ne pe. 'odo. L qu.:indo foi m
conctmida pefa reivindi.:a · o cspedfica .sen isse a hibilidade
que ''uma assembléia que niio conti;s• · eom o 111>0 · e 11rt:$C ,ça
concre do seu ate .dlmrnto. Os movimentos ertsciam em cimo
das conquistas ob das por coores que fo se.m. O Movimento
de utorldade$ estaria condenada o coss-o', expõem o nó
do Custo de Vida ha.vi.1 crescido es imutado pelas peq ena,s da questão. <le uma fonna que J) ce pa.adox:11.
vitórias do~ outros moviri1e:nt (e t.1mbém, possi Jmc: nte, pelo Afi Dl, corno csp poio ele ui.OIdades pa.ra mnnif Ls·
impacto ptlblico da imeosão do protesto social exprcs.!UI o na ~cs que as qu tiooem7 E que os movitM n.1o.s ,ornavam ~rpo
e;~tÕçg de !974) e p n c:ap cidade de organizsçlo p~la bue já no próprio es ,iço de 1-gi Imação das au(ondad•:.s. Q cr dizer:
e l.sten~. a éru dJ? impor;lnei a d da pela população à reivindi- os morado es do peri erla ~conheciam no~ vcrn n es 11 au O·
cação levaot~<UI.M ~ ~l~ llio mostr ra n nhum pro~ r.otável tidade Jegiwnarnenlc cons ituída, embor ess legltiraaç.,o ~
na sen 'bili ção da.s auco id~es. Televisão, rádi e jom j:s runcJ:1,se o prea upc) LO de que cJas estavam lã r,ar11prover s
notlciati1m o abaixo-assi-1 do e a as emb éi ; alguns poucos condlç!ies de exi ê-n le. da sõeiedatle. Quando os grupos de
depu ad 5 ("ii1.1t&11icos" 1 o MDB e religio. s dcr3m-cobertu1·J1 nora ores :se mobili2.avnmpartl rcivin<licQ n li ha de ônil U.!,
e legitimklsde aos fo os. Mas nenhuma eu orldade d·i;nou-sc o posto de uú~, rede de u:t·et c., ~les prec1s •am ! coeotl·
a respondu ao con•1ite01: a dar Jna d'e vida. tr3 r com s auto "ó oes respo ,ávei;s m ceda •..'ISO- 'fio uer
lldc::nnçu do 11'\0'/lmcnto hem eonsci~ncia dos ímp11.s- c.f.zerque cnnane:cesscmpassivos e submi»os 1111teos d"scu os
sc.s.Era jolho de 1977 eleP10nm· propo Lad nova forma de nçãot ~tu- .J?.elo·.oontriúo,--ÍO·.!lo ~JJirottt~ CCl1I-ela -<31 esses
f.Jue-$C' ttratcrralfnl' 18nu·fi" ·oon
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-~idé, movl.mentosforjararn uma vide poUt!cti.eon csta ore.
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das atividades de cdu.c.~çiiopópu :ir agot: t com:êntr d3.5 num
ri.unii.
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pop ula t para dobrar e« intcres.ses domi nlc.s; e oquel~ q u, ptoblemas que afcc.ivnmo cotiditioo populi -·, cl:i tnmhém rc e• l :
tinham opcn11sa e-xpcr-,ência 'o p<idcr eartibelecido e u upe, Jaratn os profundos prohlemtis imp fe dos n issa po Utiu o. n• .1; i
ra,•am senslhiliur 05 _iovemaotcs para liUIIS afliçõe3. Ora , oo quanto uma parcel::i d~s partkipa ntes CJ'ltl1!Vo na M~ic., elo en - ''i
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n~d menos que o mar dantes máximos do pa:.s,e as reivmdíc! · com um p oce so de cfütancill enro entre 1
~es Jmplicav~m a lert ,Õê$ tadleJ1~ na diretriz~ econõmcas. Essa C()l\!tatação parec~ ser ponto p::icíílco pllr ~ ulfcrcnc
O .encontro com os au <•tidades, necessárío p ra a politiznçi.o - endências, ~ndo obj to do dive gência I ena, l! 11ieslio de
e par::i a própria C()ntinuida de do movirnM~o -, cx\gi uma saber~ houve mani ul.s.Ço C> não, já ql'e esse pra<:ess-o5e
capa.;:itl,,.demuito ma.tor clest.ede 1mpot•-st ublicemente. deu em meio o uma Inten ifi<:oç-ão de lutas ·n nas sobretudo ·
5u cando :.cumula mais fo~ parn obriga rem a autor-i- enti-e O$ partidírio.s do PC do O e os dt Igreja . M.i o intercs.sài,te
d d s a ceitar o MCV c.omo int doi:uto.r _r,econheeldo, 1?S S\J s i ver! 'ca t o coodo romo ela 'dc n fica p ,btcm.a e enc.:i · i· 1 •
por minicoo rdenaç- s nos alr ros 1 cootdcm,ções nas giões é zir tudo aq ilo do modo como fatiam a lleriorm.entc. Mas,
a coordeoa,ção da Gra e S o Paulo. uta estavam r presen- enquanto v · fa onóo isso e feme1norando,l ul'Qd u 2: oottO$. e ·"°
tes das rceiões, q e s dbtrib u fsm entre os cnee rreiad o d
~,BJ1 m~IO$ que apontam outros fatores:
comiss?!o<li:,fiminçu, t,s ncarregadoa da comissão de red çlio
• A gene Coi =c~ndo a acelerar outt:1_1 1 o· ,. Hê t~i'.cuncole
(prop ganda em era!) e a "MC6 a", para os temai; mais e.ai . 11th que era ii;so ll!lesmoQue ia êlC OnJ~e , Concçc;u ~ DC:cle~o,Q f a
As propostas deve l m circu la por tod0$ os grupos ara ser qu~13o dt ahcrt\l po fli'4!. E:nrfo a soc:ii; J ~e c:ozno um iod o
apt'OVdE!. O que mai! resultou, no inicio, dessa. org:inh.a~o ]l ç0mcçou I r urn.i ~1Jlumladc pm 1111.1 tcU1mnd.l ( ... ) 6t '
foi a multiplicação de atividodCl. ele. "educnçlio po ulm" em CIT,1mot, C\I nclto que ,ouve n erro, hou,.ç •. i c Jll'C$4ntncn tc> d:C
um in.ipo n• :rn, r a ircçllo . m:har 1111eú11h11quo t 1,~ r "" Dn ,tíl
torno do lema <lo custo de vldo. l eurtl&:s entre. viz:i11 ho onde ifllclro. (.,,) Mas cu acho que nlo Coáro~, ui 11,a . roi 1000 um
Ee dis::utlam sjgniíic.a ,Jos o as cousas e os in teresse. envolvid~ 'Cm to qu oi laJ"&l\> ,; d ~mJo m 13 '111'
-P ftÕ'..l!nlc',11
no c2s e, e.m eguido, o que se poderfa fa1.c1· p.i alterar a
sltu ç o; peços de teltro, sessões de múú , ~l-~~~.?. _df: 11. O p;ol se t dacío · o â1tt!>r.
1:1 ·s ·exp 'c.1t'v3 1 de emas
·especcíícós
êômoa q_uestjoagrá-
218 2 19
A <llst-lncianão e.ta provocada apenas pelo modo de eoca. que res tou foram apenas estruturas or 6en;z:arJ11;s. intensn.
min ::imentoformulado p las lider nyllS,EJ.i a nuncia o fato de o
movi~to $e vtc pro jet~clo num cen.hio pofíti~ que Jbe lmpu.
mcliíliz&Çãopopular· a~ 7 nllo msis ~5ou I r suas vfos..
..
; .
1
dkan do Cl.lnge!amento dog preços dos gêneros ele p,imeirii que se opera no mo,•lme.nto dos clube de es.- 11
necessl ade, aumento de sa ,írio acima do e sto de vid e um 'Uma da millcantcs diZla QUé as mulheru se mooilluv:11n
abono dt: emergência. A ,:ampan.h:imobi i:za, ;ilém doa c::lubu de t discuti m do, menos a ullo que COíl$iderava ,n "poHtice":
:J
... i
do b irros, .rupos de
tnãe5, comunid;id s de b;ise e Bll QeiaÇOc.$ 1 : •;
opcwiç.õe sindicais. e tl ante:!, parla.r.entsres, mllitnnt do ·r fúca eu não di~uto ; 1al, você discutindo o 1•~ tlo le' "1io 1.,. !
220 22
l:l
'
' ;
houve todo 1.tn redí c:osioDament.od s eaferas di1 vida pnvada E tas fa as, que cct:iro d<.1&
de. Oimento.1 nscricos pelo ~:
:
e do cotldiant>. Proct,rando resumir o qt1e fizeram observou Grôpô de Educação ?apul'1r da URPLA e 1c.la Rec.lcM\tlhcr, • ~~· !
uma rielas que s o 'á hoje comun q1.1cnáo muJ.here.$ ~ clube$' de rnâe.sse põem ... -,
e!
pos o ao e] ent llsmo ~racteríslico d, s rcfoçõcs tradiciom1lsentre eontr da na I a por seus djrelt , u particiI a tes do clubes
os agentes polUioo:to a I camadas S1Jbaltmas. de mles se.confron e.li e.cm as e tor1dadc púbJ,cas, e esse encoll'- . ..
:'
~
esse sentido, como j::i vimo , a poUtiuç!o tooou - e tro é fonte de pofüiUIÇSO. àS id $ li.prefeí urr e OllS CÍSCU~SQCS ~
t.lterou - as .próprfas ~trut urH comunitárias de .seve.o diaDO, com os 1csponsáveis sobre O$se iços públicos 1 ue elas reí\'indi · r ,~,
a comc,çJu pela famtlh .. cavam, e !lS vão dessacralitando ll ntüo estat~I.vão p~rcebcndo '! ...
1
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1~
.
os jo s de interesu priva os por trás dns pt<lcnij~ púhlie. s
v o ap rendendo s rclnçôes de {orç s que rcdde as d - is6es
,· '·•.
'
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.
oom S'U:tpresa.Mtts cm ~uida vemos que n o se tr ta :ipcr.as~e ela , dâq'llele {çopo) , é diiqu I Q11e nós tev,.; r:w.i!~ gc:1ue , ~ ~
uma cd ca ao proccs.v.>de eseb a. Ela tinha co, becido a " rma olha gente, a gente ICm mu.ito resr.irc> po• assaa pc~ou, mas
no intc·o da comuniclade ·como freira, depois, de ~n te, eu qi:e boje ~ o kll'los coDt!~õ:s : fo2'er trabatho mui$ JunJO!. fnt . ~; ··-.
mesmn reebí q e a Jnna era timo r.J111dlda~ pa a e eição".
$11 aicl>o4t1JCdlvldio l ta!mc_nrn,e i:.so éi: cbo que foi RS,ln: L1m.o
1~1Jes mu it o 1 1 igJ'lt. cfo ao vamo , 12<>rquec!,, vtu C)Oeic o movl-
"!.
e ela diz que levou "muito tempo p:i.ra .mi 11ccltJir a hm:i m·cn10~ c:ontlnttlllillttn e mo ~· vam. cJc.! po, nm lc, nt n cu.li:..,
como deputada". A P-•rtlr da contrap(lsiç.io entre o mun~o dos porque. çotn loçl s us ,üverg~nc-iu qu e a. ge.urc1lnh, m Piio quer ia
btr {. .. ) ~ pro rav .m~ ficar jurilinlio ... ·Ll
"pequenos" e o d s "podero~o ", não era ádl assimi1°r a
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ovidt1de:
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b} Muitm oper:-'fiOSdlipo$ tO& a lut;r pela ela~ r11rnb .rr QI R que ha.Yia$C manife cado no C.Ong;resso
e depoii rompido com
.,
io dli::ato, e Oll pro Jcn1u eh cl9&Si! " a~muJ v-11mpor ~u sa do sua organização.
Mrocho $Ilia ·a1, ~ID33 condições cíe trabal o, persegu ões, c:rc.:
Utll pc uena brochura ellitada no mo mh de ruarçc
e) As tXpe,iênl!la, O.U$<:o, o e uma din::t.o a omb.itiva ora
apc A do $indleoto , 1 v.i que nio ra po<.SlYd rgnnlur de 197 por te wor cor.cte tzavi! de ou ro rotk.lOos problcmns
d2$$C ó cornI octJp~ç,Todo ,tndic.eto 11tRlado~ di OSM. . c~c rexio seus autore s t b~rn se ~nr~rn ob lg·•dos
d) / , ~rc-uio poli ai • ·a~ p ·acfpal m !\te 0s openrilll mai s a :rc~onstl1uir algo d sua história. Apôs $e mi, .!festAr.:m por 1
oorn~tivo.J e oon,cic.ib · •• uma "alternativa pnre n ~rru ur slndic~l vigel te", atr:iv , de f
ru~ ue pa.ssa~em· tombém ~lo in:erlo da esl~tufil sirt~i~l
os ob;erwos a que ela se propun~:
...
.
Apmeawn oficial, "na medida em que não se coglt~v~ de cnnr um smcl
calismo par.ilelo", e.aratérizam as tendtnc1a:sque, no período
• A opoe 5o c11t o n=• propondo ui:n ,embate
e defendmdo orpnil.t
estru 1uri, alndiC! I
o pela b e de cl~~ opelirla, come- de form~çio da OSM (atê 19 O), haviam rt!~tido a 1er• = 1
! ..
çando a ~u lir ul1t11r. ias ~rib d a, isola.:la~ d Comils!S: nnti :s.E noméi!lm : ! . ,i .: .
F,bric.11 e Crt1p~ de Fibrl •
• 1. 0 /oocio, 1 rmo 1Jeaprioel pai do I rno lm:nta =·
1:-1r.11;.te.r
·j .
Mas referem-se wnlém probletna3 que emb:içavam um ióClcoi com impla111.;1
ç.,o op~Tt ,a (... faw m•>Vimcn toS- orsn111-
1u.,8m os operjrins lt INl1l de suu e11ti datk$ je cJ • ~ hem ;
pouco a id~ idade: que, e 1 • nl_ç :u e s Jo~ iuidos, propt1ttSsem ., pArtlelpJ1,i u 1111 l' I,
lulb ,indicai t. , .}
En :mto c;u opo i~o oJnd.i ulan rnvl
polrt -:1 illil~o -
c ad.i pcfa herança de u. siruli~lf•mo ~ cúp,ul:i que se ln lere.c,,iv
mais pela octipaçil'o da miQ na sindie11! mo qu a.lrelada , do
1 roc::s
2. o /oqllíJit 10 ( . . . ) A ~uz; c;.iir.,<:el IJca p1 o '12 1 é ni.1 uf r um
y lcn snil!luraoo &.$ oçóu isolada!, bllSéond~ I; l1t c.ooJror,1 . çl'.ic
toc31fndns *"MlimÍ!C$ ro4.~ imos. 1n .se p1coc11r oc com o ~ rcsc, ,
..
!' .:., .
a~.
·' .•
q\l _ 111W4 dcutu 'çi, 1 lnv!stir pd r,cipalml!nl c n.a atu çSo e m=lo hQrlxon1:iild1 J ta & da.."SC$ , O e CD pio m~is f.acr.oso !.l~ ·
bo e. !!,tu 1encl€i:,c
1u mpn: fon,rn tQ~tc(,14
luU íCJq lata no 1nóc openiT io re ~ cve de 0,Q::SCO (. - . )
}, 0 tmoblllDno .. ,) ç;uj;i Fí posta 5f e tlU1va-te l't de:ia de ocup~r
Por aí j.i entendemos a importiincia que havia n carac eri- caoa O no ln;cr· do ;p~rel hl) sílllflçu of lci l. attll"és dn ne go-
zação da pr:dpria ide (joade d;a 0SM. Es~ defini , que ci aç:3o de ~araw e :po31,ç&s ( •• )· 1s
procura~m r nstr it II história e a identidade ces~a. organi-
zaç o, formn formuladas no seu 1 Con resso, realiza o nm em torno da hist~ la do mo,,
O conflil de interprel vÕ"..s ·i-
diu 24 e 25 da março de 197 ·, e estavam onge de fCr aceitas
pacificam.ente. Elas constituí:un i:iecessaramente m processo de
l1tterpr1Jaçãode aconte~i:roentru$Ígn·ílcativospeM!o movimento.
mento ~ra pute de uma po êmica tual sobre a posição que
devCTiam ter di1m~ do ert uturà tindical vige1ite. Yo tuemo s
dep Is I essa po êmfoa, e &6 a anuncio aqui 1-ora essi~alar
~:-·
3.l· ")j
'
·.•
Desde a desi~ação d s htos col\$ide1ldos 5ignlfi tivO.$ té a ordem de problemas com que nos de{ron roos ao rel~t. utru1 :· ! ~:: t
at.-ibuição de slg, ificado :i taL la .os, o trabalho de ·nterpretiçã ~ l!· . ·•
si!rie de acontecimentos, formas &çlo. v lor<s e o t1v {, •j. 1
eJq>ressauma luta. Assim, ao apo11t11r tendências que estari nm uma ide.otidade chamada Op sição Sindie11l '.'1etal 'rgÍcl.l de
Jmpr.dínd1> OSM de .ser c·011seqüen te com seus propósitos origi- s-o P~ulo (OSM-SP). El:i nõo te.in consi.sê_n:i11mcil·1·i11lcl '
• ,1
na' , os nut ms do doeu !nlo - rc:pl""..se ntnntes d setor majo- ufO.ll cssoa fí tca, de quero se pode traçar coo1 relativa segv- r ··1
226 127
~
,.l
nos referindo a uma j entidade pol mien, produzida ao tempo ;
et.rav~sde açõe~ mul tas "ezes conrraditória3, com slgni:1cad~
ambíguo,, muittis ve;i:esd~ fcit e tel'e.!ta acrovês cl-. aios que
esral.ielccem nova! -na~ clt contínuida<le e levam c:ínle rc!:i-
A fonnação tle uma íde11tídads .
! ';: -,.~
ÇÕe$ do _p1tssado.l6 A luenlitf, de uaos .4 ~e consr uiu 11::l fllCtlida C 11 <f Ui,; [11
t
0
Quando edito :es dli C0Je161aa ci1 do at:im o nasci• s utono iz va <,1 d uas fc~ncíos cxtc_riore:
;: e) o >rupos
men o da OS 1 m 1967·6H n~o faz<:odoum firm ção inânime que, convergindo, lhe dcrnm orlgem e oonslituí tm no i11kl..> Ô; 1 l
e Jnocente d a i um ! t(, evidente. El.i ~e tortlJii·ia a •,•emo
oricia a.a mediá rn.C$m em que :;cus utore& firmllr a
Cfpaços de e ahoraçãc (X)lilica e de contlnuidndc dn , ·M (st:tlJO
o OSM :ipt.MS um qinço de artirn J11~0 eles} b) o Sind1c o .•i l
hegemo_nfa no mo timento. Ma um de ei e:xpôs.:i.sa"ml;>iguides
,. .1
enq ilnto obje,ivo e espaÇ() ocup.af, eJn. .un\ ão do- q i I eln
inicisis: · definia se CDlendário uas ativi ades.
Co coemospor 1964. Nes e tino, comodec:otrãici:i iJo golpe li
·Pri mejro t~rh1moa que ~r qucstllo db prdp · no 1c da 0J)Oli o
( . . . ) O nome oponç: veio pel s üui~s na.s eleições s ndiuls :
ÚllQa sempre &ituaçio e op0$iç!o*.11
rnJ!itu o novo regime dei:reca a ln cr ençlo M Sin icato dos
Trabalhado n s-Indústrias M~t.alúrgicas-. Mec:lnica e de u
.(.
. :
te, al de Sao Pa1Jlo, pruidido eotio por Affonso Dclléli . A
primeira tsref dos interventores a.ri.a 11j
ud~r a pol(ci 11 loc::i·
Referindo-s chapas de op ição, fomadas nles de 964 !izar 1.800 delegndos itndice]s n s ~mpres.is. 'em SUéJ o lltOr
por um "pe~so l ds direita", ele :i. inal ·• dilicul ades de parte inte reo~ ou simp tizaotes iw Partidt C inunl~ta".11
íd ntiücação d O 1, qu~ tambtJ:n começar como mais utn · Denun_ciado •. demj ·dos .de u s ernpre a , pres<,!, muítu vu es
cb pa de oposição. Quando, no oorre1 dos anos 70, seus mem- tor u:r rlos, ficando nas list ! negru que lhe:$lmp«liam <leem·
bro3 com~ram a pensar--se como dQ.do continu·dade ;i lgo p nMe nas grande empr a , tsF...s me broa mois tives o
que teti começado em 967--68, estE.varo.atribuindo um slg- ant i5~ lrtdlcafümo se vintm desettlcul do . C•>m a .sjudn <ln
nificad undador aoir lmcn lo em que se oo st i uíu u no repreGs!o po icial e das v-çrbu do mini té ·o lriB , om~r !on o
chapa ife. pO.si o qu-c qu :stionav11a própria estrutura. sindlcc1.
L l'cinado de Joaquim dO$ Santos Andt.idc no Sindicl'II li
(1967) e em q e luta Oper.1riss ~obre.tudo O Sco, e...'<tlg- 1etalúrg1eos de o Poulo. Tendo ajudad o i,11e.rve
ma tiz da pc:J4ourr tendêacla ép<lnt · m p.ira a ltc:rmitiva 1964 ele se la e.ondidato únieo m 1965 .
de oomi ões e fábrica ( 968). Embor judada, 1 mbém, pelo clima gen l de pressão,
Através de sua bistó ' a, a 0 Siv foi constituindo um i cn· pelo medo que provocava qu q-Jer afüude coi1tcstadttrll, pela
tidade, embora cormd&pcir desCQntinuidades e uptu~ . EsSB rtleulscão dos adversários, nov direto;! ,lesperto u <les<le
ldcntldade resu ta de ·a p mênclas comun (a organi.z.aç!o de o início u~a oposlçao que ~mi os simpatiz t~ e.la Ol\tig ;,
diretoria enssada, e Urttll corrente Q\lC vinha si: for innclo em
16, V r, sobre f? c.a1a:o,
o e> lo de C. Cut.çnadis, 'Tntr clu)3o: n qu •
t:io do ru116ti o ~i mim10 opc.~tlo • in A ex~r1l1r o rlO 1111wl m.,.ri10 l 8. 1ra1t1 IOn ra,i a. 11 e.\'f' Ji:1:1;· Cl{r Jtl tt n · lt/1$ 1f» r Ístii11d,1- ,1
~rdrio, Oruillcn se, 1965. O sip;-,,~: di<Xll . lcttr!rJI~J:tJ ~ S5!) .J'aulo..c~ d./11/lm tio ·1ttc)l•Íf.-w11fo ,;
17. DepolmcntoQ.JJltldo
-,cJo ,;E(~..URPLAN.
..
.L
op,mirío. clis1cti ç- o d~ m11strnJo l'UC, l!laG. p , •
228 . 219
•
f
:\
torno da JOC (Juventud ,} Operáti& Católica) e j6 er crí tice de do quadro de c.oncestaçõt$ T:i<liuls que eelodiram e íora,n •'
...
j
toda a e [rll ur" s dica], p:,r eles cons"der a eupulisc . s íQClldMnGSC ano de 968, figuraram tamb•:m m~nifcstnçõe$ l 1
_P a as elel -cs slndlc.tis de 1967 fo mou-seume d a.pa de <lo protesto cper.árío. Sobrel do Osasco pe a"l~U como rtfc. ·
oposrçã e abeç.acfapor Waldc ar Ros i, miHta 1tc ormado n rêncfa obri ar6ria nas di e ·õ~ da millt• e operá i • Que 'li
JOC. S~guodo s as pa!.1!',ras; ,ignliieado 'nha? Um dos ,eus a pe.ct<>.soi 2.vo de f nd:is !: .. \
.;:
rii
1
;1
., .
•:
•' .
• 1
p.nbando o smd a.to ou ;,erdcndo o alnc:!i to. a 117ln:rpRI luta próximos e e era exprCS'$ o cabal d1l"pces sa e do annturciris mo 1 ..
r• CO'llln ~tratur• sind.e:il ( • . •) •s, ptq ul?TIO•burguês". Quiinl ao! mºJitan es e&.t.iicos vin <l~ ela ..
·'
1 1 .:
1 1.
JOC, ele$ nâo se e liAm ah' idos peles e5tr légia: de cnf nla· !
. :A.o e .loc1ar essas questões el j' a.ssioalava qonl em o mei-ito professad:as e praticad s or aquela r.o , a csqu>rda. foi
hsetivo pnnc:.ipa d co1r nte a q ue ele pe;Lencia e tinha em um outro ss~to da luta de Osasco úe lhes ;:traiu 111,is e quo
vis-taª-di •er ·cta~c e ag, upiimcn tos que comporia; ft ch.apa de ílcou, d modo imis gC11eraü:z.edo , como um sim· olo: il t>rgani•
oposiç.io: uma drssldêuci t do PCB, sindiealiscas que 1a,•iam e zação tendo por b~ e a fábr icG. A CQffli.SS.1• ele f'b d cõl dn
det,eotendido com a dlretc·ria, pequenos irupos de:~q u rd , além Cobrasms, q j e i, par ticulurmcntc
ma ex et•ioocla valori:z.:i<l
do$ t6 lc , pel2 Açiío Catóica Operária (ACO), foi pr0jel ta pano primeL·
. ~s resultados oficilis assina.ln, m 10.335 votos para 3 ro plano com a greve e 68.
s1tu11920 e 6.649 par a ,,po ição. De um modo ,:i:,, de uma lei
u de ou :ro es-sa c:ttxriê.11
_19_6~foi \lm ano m!rcado por acontecimentos carregados oper:í ia que s po itizs que tem de enfre \ttlr re prcsd!a
de 1gmfcc 9ãc:s pars a Q ; M. Dia ló de ab l <leflsgmva-5 uma estata l fi~ m rca a como re[ei:tncia b,s iea p 11·a aquelc-s opc·
_e no d:strito ind~st-ial de Contagem, periferia ti Belo
8t'CV rá rio que estavam b 1sc11n do for01a um:i o osiç o, o:io pe11:is
HotJton , a pnrtir e grnpos de !ábrlca. No di:l 1. 0
uemi i à <llret0tlll do !lnd·ca o, m:is · mbém à oslrut r ~irn.lica
l. Com
cm SiSo. P ulo , os Op0$ic;5es. ndical esrat'i m junto a g p~ o Al -5 e o ec:rudescimcnto d11 pce. - . cs, cs tnililanlcs se
, ett ud:uw s e d esquercw rad1cal numa ro ifestsç-o co tf,,. as deírontorlam cad v~ ais com uma po itiz ç-,, ÍOL'Ç:ll\1.1de suns
c.omemoraç- ofi tais. d t u· do o pal:i que, r. ~j :artdo O go-
li ídedcs.
vern11~0 e tornando cont l d~ pr ç . Ell1 ju b , ó mil o _r, ri s E-m ezcmbro de 1968 formoo, e :i nHic, Met lúrgic de
e tt na~ em BfeVe ~01 O ruco. ocupando as f.ibric s e entrando
Lu ta (U L , uunindo mllitaJlle.s cató licos 1e esq uerda (ô
em conflito com rep resflo poliofal-mllitat .-u,A$Sim. no íntcrior
··grupo do ~ i"), ..rupo! da ''esqu ida revo •1c:ionr.tia11 (prin-
1 ·,
1(
'l
19. Depolcnc11toe !hido pelQ O~l' ,URPLAN.
'-º· /~~bre • vo _4c
op. c,z.; A.
º""º E.spino Wdfon, t'flrti, Llllçáo ~
cm 1968, ver-: f.
cl-m pago., nci ~ ·cc::do
~ . C. B rrtlo, • Mnnl "!lo u b3!:m;o <1:a1reve d I I! o' e Jo lbcaJ,1111
c011 110: • • • :t, 'Dois pn -unTcf.aõêe fu1 -.-~Eõ1m-Ist.aí.n é. -t,rtifonci, A tsq:ii.rda o
nocbo der PrumU, n. ·-z,Apilr1~. 1978; ). 1· ahlm e
.Cn.d~mos lme11to o ,,~,/-, 1964/84, op . clt.
rn-011
.!i·1..
1 •
o 23 ,
1
..·1
cipaiment a AP) e .ndlcalista independe.nr.es .11 Era um;, orga - Para entender eomo a dire,ori:l de ]c.aquím dos S1.ntos n lrnde
izaçiio e nnd tl.'la, t{Ue edêt va u,n petju~o j rn.1 • di tríbufdo se firma jus arn~n e no morne.nco cm que se t.lcs~ol iú" rwi de
díssimuladamente nas f-'bric~s. A p .,tic.aeorupiratlv inrroc3tí.Zia qualquer a;.ao cole 'va dos tr~balhadol'llSe: s empresi.s é p cciso
militantes si dic.als 1 o untver o e rura de esquerd a, ond~ 0
& do Aparece,·come.o prin 'pai inimjgo. Ma<>·i em 1910 a
qu~ ·~tcmeroos o clima daq\lcli tpocta, 'lue não
apena a repressão e o medo e téSLSén: ia, mas também a
c:-npo tn
• 1
.·,
UML se ex-tinguida. En uanto sí dicalist.as i."ldep dentes e fanas.ias de asizn - o social. Em 1970 o 5irtà"eo!o criou urna .
., •'i
1
e tõllcos pretendiam consl tuir me organluçio n,:i ' perina - coopecs · ~ habitacional, que se somava lr s rcalir.eçõcs I•
Os incorfomados co_m a sit,J açâo, que procuravam resistir, como 90 de aeo dos e art ículeçõe enlN os dive~s gn,pos
erarn impl.aCêlvclmente petseguido . Mas m i os outros man inham
expecu1Uvas posi · as nas pro·e~ do "l.J'liagre eGOn8rnico". 23, Hclo l,a a rti111. O e a ~rati;aç5o
EJtArdc; do &intllt:rtio
110 IJr1r1il.
o . clt.. pp. 174 e. s .
1
24. DepQiro:nlo d <f1> ror. t
21. CL R . rma.Op. cil.. de.polmQitOScolhidospelooutor. .2~. .f.. · '91eUI\.Po qt1.t.maJacsr.:DSDlll Dúzs. Ccr.i::;. 1S.SÕ.-1>
~39.
1
-•,
22.. ti. ana, op. cit.
232
26. Depoimentoco[ ido pcfo GE ·URP(.A~ .
{
1
..,..
l
.i
·1
!-4
que, por diversas ,a e:s, se opõem ~ d'retoria iodiall. Bra síção Met 16rglca. B ilu.strátivo o qu cont, um dos Hdcn:, rlu
grande poss[bllidode de pa íc[a húi[tn1 ogenttl! pnra idenlili• OSM sob e rep:iração que fo:zinn, pai a p:ir·Lii.:ip:irç I tk1~
car mi itantes que seriem depois pen uidos , emitidos Ô:15 M1Jetnblt ie&eintliç.ats:
emprcsa.s ou pre!O:,, Po.r l!So mesmo as reimiõc 1am ml-
"Dlecuú:imo~.s pt pQ5i qttCf dc:,vmm..,, f r .:1, .i~ nir ·m• e
elandcscinas, e cadn p rtléipanle de u=i uni!i.o n~o sabl ao depois cscolltfa.mos os orad0te1. -:t e.;c:elh• dos orado~ a gen e
certo a iden . dade dos dema.u, onde trabalhavam e nem se eram proC11.~a d istdJ;.ui< as cueJ os. porq e nós t •n móS , cnd:i uru, CT!~
mes.mo mc!ahlrgloo,_ es as circt1nstâ aci s, "ª· ' 're unílles da mlnULOS pra fo]&.r ( . , .·} En~o <:1da' UJ'II IIUIJD a pt tt!:nVOIVU
Oposição" eram p:..ra c.at2belccu :tcordos entre. .reprnse lantes um clpo de raciocJn a u= prOpQII (·, e i l$O n ~ O~cl.t dbva
dos diferentes ' 'gru os d lnfluêocia" (d0$ católicos, -<Í<>Sdissi, um conjuoto bo Outros eram deiiaudos P,{~ e(o:ça a ptop
rnaÍ.i importantes .
donc~ comunistas, de difcren.es g po de e.~querda ou de
figuras ind.Mdualm!D influentes, que con.s· í m ~upos cm Maseotão inte feriam as contttwtrs ias poli ic11s:
tomo de ![). Cada grupode~es, pela c.opfiança existente entre 1
seus membros, .resf.o,dia pelo conjunto de CC$ e pela tarefas · • Eu me Lembrod 0110 que~ pTcp.urarnt,t 1:o e um tar &ado i -
que Jhegabiam. 8f , o pc I d11 CV Jm«o,ocional t . . . ele disse ue t a lt E1: ·1{
oucr p1opoata P'• u~t>1 ··a , B,,llo n6a t'luc pra e[&- (. · .) !
As IIIAis simp a.tiv dad sindicais envolviam grand~ você ~va. o:S que yo« ~
c:onâde:ra , J>QfÍ anro, detUg8ÓO C8
cuidados de e on.dcs1nida<lc, Pa dJ tribujr folhetos nas lábiicas eon ru.o(, .. ) AJ e!a recuou e óia,e. que i• t!dtttdt:r mt o o qu
sem serem t1pa.ntled1 pelos vigias áa e:np(i s ou pela po ·ci11, n<Sadnbamoe r 10. Ora, dt cu .a u~ll otin tw p~ ía ~r
Si p mente 110 dlo da a,acmbltin, el~ nSo fct., n5o defC'.1v9lv <:\1 o
os mlUtantes opcdt os t.i.nrul.m de reunir-se e planejar tninucio-
rn~Jo nJo qu I Ll:lha que d seovol'l'ar ,1 en Ire:; l n.u.Lose e
.9ament.e opaaç!o Ab,orçlO(Joilo q tõe, dií ,-r . Q le á ele ~5 200 miln.as .itf
Pel:i experi6oci I nesse ca~po, os grupos de esguuda iiu~ en- o u,ltó dos oo.ojo$.- - ·~7
raram sua influênci . O mais farte ~ a Ação Popular ·(AP), '
t
2S ·, 1
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e~ sindtca isras avulsos guc or4m, no coner d déced ; ção ind~pende:n , capaz de re.si&tir às ofcruivas da ~pressão 1
confluindo para m.aioi: ucld ade com os mlli antes d Pa.~torat. este.a que nstrum ntali:uva o própr.to tl nd tcato, foram orlenta-
O resultado eleitoral deu novamente ci vitória à. sítr.iaç 0 , çõei deeorreotes do roo o e mo oposição ivt u a experiên i s ·1 : ,
or 18 mil votos COl'l .ta 5.500, produz.indo gniode desãoiino n.o de&'Se$anos.
milit n Para a eompree.ns· o da "vírada" ocorri,la n1: histôria ela 1
.
·úm de lmcnto < ado em 1978, um d.o, mi ·tantcs de~ea- Oposêçio Meulúrg ie e Slo Paulo M.$Se:I anos, torna-se in ls- .[
dos da OSM divíd' ~ bis ó.ria deS"Semovlme.ntoem du:i fa e.s pmdvel a mcnç!o e 3 coojuntos e ncontc,:imemo (jtJC, na• 1
de.licnitod~s pelo ano cl 1~74. Ati: ent o efe i,oua;i .se Jcm r' quc h: m men~o. exp~avem mudemç.!1$na.s ehiçõc sociois e
de atividades da pr6pr·r! OS I fo a do s·t'ldicarô".Jé n "acgund po!ítíc.es. Em prime iro lagar 1> in{cio d:i e tameda "descom-
fase", d re refere o iuteiuse centr do nos confü tos fabris: pressio política", materíaJiuda na~ eleiç&s de novembro de
1974 e a votação recebida pelo MDB. Com:?y4t0a ampliar-se
• Eu C2n$1!i
d v T" enftent.,mcn to , por eiremp1o, {>t)ru~o do ho:irio as condições de defesa públic::: dos direitos de o g-a it.1~0 e
do c.a(6,por- ba:ruic:J1os suj~. po: llb cl~ 1est.aura11te ou ecm,da
manifestaç.io, eom oonseqüsnle diminuição tÍ".>terror Oibítrário
As ;pequenps lutas,. u ~quenat. paN.lisa96c , Cotem, erdacf~,
d11:tdo wna cefl 0011' lst ia para um traba lJ-.o 11~ ctJj a or.an- que pen t()b toáa a atfvldade ind!cal ind pettdente. E
cfo";21 segundo luga vitoriosas greves de· seções - • so retudo Cem1-
me.nra i s - e operações lart r.ign nas cmp1t1s,s automobtlis-
Ele fala, ºpoú, .da pliSS-agemde uma ,5imp)cs artir.til.ação tlcll de São Bernardo, que produmm um c.sthiulo pit.re lodo o
en re diversas co .rente,, lendo em vist1t o slndic:;co, para uma movimento operário. Bm tereerro lugar a e~re11Sãode rrobiliZJJ -
al:iidade foeaJizad no eonfnto febril. çõcs tle rnC>radoes d11.periferia - cm omo de reivimJieaçõcs
O perlodo entre Ol:· a_ó0$de 1973 até 1975 c.o.ns tiru[ com
ligadas ao ônibus, ~~s. crech.es e ao cu,cc e vicia - . a
efeito wn momento dec:sivo ria co formaçãoda posição m a- partir de clubes de mães, c:omunjd d & de ba etc. A ro~liuiç.:
hírgi, dv<S o Paulo . .1'Cli5esan ele$ vivem e.xpeti!ncia cuja de g,a des as~mbléi . e carav oas Lé pal11c:ios do go't'e no
el.alxm1çiío fomeee p d15CJ1de r~f~rên i para sua tuaçio. De p rc~m valorizando o " ahelho miúdo" que vlnb: sen o feito
w:n l do, vívem o rcsuf 11doextremo da re re..~ o ue os de · rti- a s biliros .
c:..ila, nlo de não e<ateauirem nem mesr.10 prc enter urna Nesses rios upouc m Juros cent rodas nM próprios t:,b,icas .
chapa que conoo.cxes~ is eleições aindk..ais de 1975. De outro, . a Mas y,,Ferguson.o~ trsbal ado~ ic mobi lz.am, e amMGO
os grupos de fábrica lig,1dos à Opo3ção partlcip.am de diverta da firma a rctirad do ôni u da cmprçsa. mai ermifüHn deno-
pequen:is Jutu na.s empresas que m11uifesr11ru es pos,ibllidades tados: os qtJe n-o nssinaram o acordo di, desist~ncia c!sa
concr-etas das orienteçée:. g rois que eles defendiam. Dispe ~dos " regali a" foram des-pedidou. ·e mem1s Ub 1La how,·e outrii
pe a rcp essãQ, 0$ mil it I te! d oposição ae multiplicam em um11 tt1obi izaçio p~ra ,exigir que Q café fosse M:n1do e modo a
plutll Idade de mobilizes~ locei:s que c:onslltuirão u bes~ de > penni l A livn movimcntaçf dos opcrárlos, e esse cas:>termi•
Utn m~vimento mais 001n.iste n pa tir de 1976. A va or!zeção nat m attndidos. Na Hobar t-Dayton, oper.irfos se neg:iram
oas pequ u lutJIS ·que liberam energia e cr'a · ided e, eonsti, o fot.er horas extru enquanto ruo obti,·e.ssejt1 um aume nto e
1uindo uma 01,1traldentic lade par a os op~rários, e uma organlu• ío rAm vito rioso ." N mo , conrn o preço e iruí qi.ralidn e
da .refeiç- Opct'àrio fizer&m um boicole ao rc$tau nle
2~. Clt. i11 tevista Cara a C<Jr
a, o.• '2, • 0$ cperári tomam a .9:.l.1yra ••
9,-2., , . ... •
2t, H . f uia, op. cÍI, pp. 1& \.
236, 237
da empresa até obter o c)::ige]amcoto dós p~ e melhorias Certame tç d!%:r q e a opnsiçi-o s refoi ça no mor, er:10
n refe.ição.30 Na Bum:,, os uabalhadore.sni pendera o t balho mesmoem que e! ê desbar11 tada s6 é pO$SÍVelho' , quünÚO, p.is-
qu.an o um companheiro foi su,pt.n,50 arbit:ru'amente e l - sados os acon c:irntal0$,veriliçamos q •e eles omílufrem n.r :1
coroaram enquanto a medida olio fosi;e revogtida e prometida consoUdaçlo desse movimento.En 1974 e 75 inguém poderl
uma revisio. na politica dai puniçiõe!. dizer que que a multípücid de de arupos e o !lll>riça e de
A mais impo ~le dc:sa épC>cafoi, no entanto a gr~e d ~i1e . as l i..s eram "exp essõcs" da "oposlçiio slndicnl". A
Me:.a.JúrgfoeV'llares, "o m,ivimen o fobril mels amplo no nfoio maior pa.rte dele& vincv av~ e di e amcnt ?I P1stor:ú Opc árlu.
da década, verdadeiro ponto de inflCJtãodas Jutu de resist~ncia". que rocurava co vergi.r ui.s ações pua o fc tt· locim on o da
nas lan s de Hamihon Feria.» EIA começou no dia 13 de opósição si.ndic.:il.Ouros p:irti de grupos couo o ela ·• n1er-
..,· dezccnbro de 1973, quanc!o os operár ios cru1.al"un os hraço.s í:íbrkas" a perií ri su . a haviam aincfa g pc s opeTério.sllg· ~
diante dns ,mtquinas dura te 20 minutos. Fnera o mesmo n<> dos a diversas ()(!aniuções de C$Cl e.r a que r mbêm se ,olo-
·~r
dia seguinte e ern. vários outros, em horário aHemados que cavam no eamp0 õas oposiçõc sindic ais . '1
~ucpteendiam a e efia. Di · e ~ seções mantiver m formR l\f\Íll plns 1tvidlluC$or.11nrefcd :u à "ºP'' ! ·ão indi.::il'',
de parali eç-o, que pr ur1va 1inglr n empreS-4sem ócc 3 .ir-sa r:1as o.to bAvi umo coordeneçfio entre elas . l1or is~o ti OSM 1~,
Wt greve C· enfrentar a rep;c-essiodki::ta. Oepo.1.$
disso, velo uma não logra co por uma chapa: p1m1 e.e çou e t975 . Os
op,eraçio tartaruga, at6 qu11 fã r' ca concedeu um aume o óe :, :i .
mi!icane.sm is joven , surgidos com a.s lutas iletquele nr:cs e
; •1J
24%, parcelado em_ J ao s.D predotninantes ria região sul, chegara.ma f nnul11r um propcm • ,\· 1 ••
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239
238 í
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1,
O fato 6 uc nio hot.1'YC então a dispemo que inha havido melhores, pela liberdade e pelo fim d11e.xplor~ do homem 1 . ~l
pela ho mern" ,H Os ptlroefro nümeros erom 1'11 imc.ogr.ifiltlt1s, il
•pós a derrota do 1972. Hm 1975 olcs formara m umo oov 3 ,:
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eoordon ção, com 16 membros, sendo 8 entregues para o p~soaJ com 8 páginas e uma tit gem de mil a 3 mil eicempli\rCS, vendid os X
...
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1
~
da 7.0na sul e 8 ps • o dt to aa le,te . De{ em diante Ir a se ciencro d"°-S
íábrius. Cerca dcsd as vezas por aoo até 9 79 (q1.111n-
firmando uma 07ianl%.afiio por "se tores" , trav~ .i sul>dfvisfo do sal o primeiro número imp esso) •aia esse jorn.ú, q e lorno u-
d!:$Ses dois pri meiros (sul leste). Que dizer qu e a d'vis!o ~ o porta-voz da Opos içi . Junto à crítica à eso uture sindica , '
por r e:íôt., ~ cld e correçava a ~ sobrepor à d!vis o po o jom faria a propaganda das comisstk""Sd1; fábrk11, àu
correntes poJfücaa. O peso des-fe&ni o des par-.ecia,ms pusava pequenat lutas q\lc dc•po ta am, e pracura a oricn e.r seus
a manifestar.se aettv6s dai ~s~ci~ or,ganlzativss da OSM, leitor~ e.'11a~ tos da tegisl.açio trabalhista .
que or.opava O lugar das representaçõesde correnteBorg:aniud28 . A repressão haví contribuído par-a o estat-ele:únento de J•,
Todos os ~!poiment~ :,nncu.lam e.ssa maJor e tt tureção
ln~e~a da Opos 9ã a um es_forço mais s~ emá~co, ~m a
ctiayao d~~ JXlSno interio &s 14bric-J1s , preocuuados em a r
um. corte na ~&tória da OSM• .Em eçms~ üMe ia du prl ~
de 1974, sobrevivênci a da OSM dependeu de csp11ço5e a tM-
d de n:u1ntidosprincipalmente pela Pastoral Oprréria. N,u p11:
r..·.
.! '
. ,
dM condlçf>csd tra alho oi. temu de pequena& ~tas que mo i- lavras de H. Faria:
fü ssem os oper rios [oce:.mente. 6 pode-se ·con.st.ata , nesse
p roc~so. o fortalecimento da corrente vincularia à Pa toral e de
milltantei avulsos formados ne~a prátEcs. O chamado "g rupo
l "Oi v•dos gni;i~
ma 1nh 1 correm ~
li!~d°' 1 uma p ,h' t
240 241
: '
A luta na fdbrica como alJernativa reiteração de u ~ co "dlano ond-e"n d ac:oo!ee", passam o st
vnlonzada enq nto sJo is de resistencia, '/mcul2du ou{ s,
Quando tefel'etl s mt.idlllly&S h v'd as na pnl tieu d num eon uno que lbes dã a d'lllÍd de de- 1 m "acon ccimeoto
Opó!içlo 1'letaJ6rgice nc, correr dn déced t: de 70, eu,5 me.-nbroi histórico' Atê me mo oonttdm Cos que i ntc, po clcr ia.rn
npre t, m em geJ.",al Ufü im gun 5Cmel1 rnntt à que citei t'3s, viv'd os como eitpress5o de \lme impotência .empre i ai U>mtr
d.Ilda por H~í1o Bomb:rrdi: o inlcio um.a al'tiet11Açaoe t:rc çam a sez visios como iut3! que. 5,-eln erem num mo·..-imenoo 1.
correat.es cfivcm!s, vi saudo uma a ua~ão no sindicato; d•po·s socia . •
unu organiza ção própri:i voltada p-:1n1a org11.oizaçlode gni_ a, Veja-s à chamado "luta do ôn ib t" ot usey •Pc!guson,
nu fáb.rlca . ~ certo que I ni'O n "pttmelr 11se" havia a r la ~d centenas de Veie$ por seus part cipor tcs com uma d.is
a orgarúzayão nas ltíbricas,qvant na ' 1seg1m•
preocupação <X>m mobiliz~çõts do inicio da década.
da rase" pennanec u a geoc:.upa ~- coma ã•ua920 no sin<licato.
Mas a inclfooção no; fel al :o sobre a base n qual se • A. Ma.1e· Linha J1 ~ 16 lioh.- d &lb , e como M de I do
ustentoua consolid e da Oposição. Encontramos r ferêncJ.i.s .i art te're que m.ntet cua& Jinh de õnibt is, ql.le ti bn de S o
P51.lo ln e.iro, Cbe6oll nu detel'mlna~ ·menta q e. ll ÍÍ.lmo
a gtupos organizados,. J-rocutaodo d envolver utas contra as q erlt th. r os õn lb e :p1opor ft1111 intc form a: cln dor' o
oondiç5es fob i em v.1Ji s (net a úcg'c s: n.a Masscy-Perguson, 0
t A dinâmica dC$58 "pequenas lucas" podeser b m c-apt.1cla • fpl.ia L m.P()Q ,e eu lenva prii eo o d.1 !librlee o jo a Op 11. o.
rtCQrteva um recorte p ra um, .recor1e p outro e tinha 1:1mrei• 1 ·~
;t
i• a .avés c;leoutro depolmento eolhi.dcipor H. F rta. T la-se de · ";mcnlO mc ito l'ande , 1 g.nte le. ne • de ,;m, de o tro, 1 :1
um militante cl OSM n ar n do uma Jur• do s operirios da Arn o
con II as condiç5es do re!eítório d íirm .
Pr lmciro ele fai a um enlimcnto de imp.ocê eia ;inlc o
reúlli do· , t,Ei. b1 1j um papi o, pa! ra um bolatlrziinho • •
cruru anterior, qu~ tr t que ti:nhn que p r pro podu p:ii tir
dc,poJs pu outras luC.,.. E ccmeç,m-os a fuer p1ma, o ~bJ' o- • _, .; lroi'C'l!Olí, i r Eu nio '°'1hc •- M .1,; de so!?~m JB , Cb
ssth1ado, i;asrsodo e • o e tç.ão, levt o pelo p soal, di:a ~ b<l"~y d aobremei., urna tnnravi a Ths11,n, I, r:is, duu relnd11
tlMtnc otc. Pauan , fc ums !-'bria ;,ua ou1n dcnuo de fiuJ1:;3 dt (111T111 cozida, u 9 C.!Uj). fi~ MB 6 ~ e mRl~ oc . 111 os i
f e1fi!, dCJJtro dóJ de ;enhos... • · cpoi~ com~ 11 pior.ir, i é out~ hi111rl . Aiora, f to dwo
to m&LI NIC3 um arup ho uc , lspoi$ lsvou vírl9t Jui.
equl, rMSs
Eles decidiram c;,rg:anh.r um boico e so res ,urante da
r,... -~o
mpréSa . A id6ía lhes viera da eitura dos jorna ii diários, ue
.notlciavam um lx>icoth que os ::iluno1; da SP tinham feito ao Sn.conlr mos Í, de Iorms. vlv , e rcfc ~ncis à ídbrica com
seu rc.s, eutAJHe ar baixar o pr-...;o.'"Vanio zer igual A um ugilr de utns d!: classe i às condições fabris como te tis
USP", d is era alguém. ,strsndo eom-0cr m contagiedos por um pare II cons11tui~ e mo lmCfltos ativ05 que produ:1.cmoi;~
(O ju nto d açõe s que configurav11 1n um q dro de resistência igni lcaliva.s.
pm nte na $0Cíedsde. !4sa referendas foram construícJ s l i51oril!;tmc r.tc. I 5
momento ~mergír.im discussõe,s que, segu d cl:, quer di zer que l~nsõcs e confµtos semcU.11ntespodh, 1 ocorre .
rovc 3\.' m a c:xist!neh1 de "du,11
1 ~irou' ' eocre os operári os. Co- antes sem, oo e anto, as~umilcm a formii de movimen10
heocr diveraência 1i pa:rtic\Jl:urnen•eimportante por vela lorizado:s'enqu.nto ?Speetos d coMtltu
ooletivo , sem ~crern 'Vft
ele que modo nova v 'otiução das •· quenas bt as'' tinha de ç.ão de uma identidade de cl.i e, sem 1,erern e abcrad s n
cnfrent.Tr uma nterlor concepção sobre ;eu sigruí'cado . mcmóri3 eolcti a com capítulo~ de arr I lua comum. Fo
"Tinha 1,,1 ouro milita le H t!e11 tro - um mil it~n e J:t Op iç o,
preck que. num ~r o momento . grupos d! ndividuo~ ínvcstis
ele 3c;J1~va e ert uma bC$kifil Iucr e!$ i: bo:cote à iôll,
po rq l>e era lut~ ic r mi lllh.:i;.,o Jm-poc1~ .«a wn:r.ta~Jo
mie·mo. ro···ii · a I atido f~ o lco e à com!:b na. hot:1 do . ld érn, ibfd at 1, pp . 12 u.
246 24
1
•I
'i
. ·I ~l
e~
um essas pO&ibllidade:; tcm;õesfabris) dme 1gnificado (de Segunoo esta tc-adiçio . 2s lutas na (llbrl (con ,o ualquer outra
1 " ocd"), dei ades po r .si mcsmllS (ou &ej , gul das por un
.1
..! 1
. prooess~ do eon,ti ufção de sujeitos políticos), para que elas
fo~Ecm1r.1h11~das; pa. que o que antes et.a despl'C:tadooomo díl\.ntle:1 lnt rn 1 , só lcv;m o ape fo·çoamenl~ do sisten • Per
isso, pars contribu! tcm pei'II • lnin síonn.:~5Q soe.foi <l_vem cn·
.
J 1
1
J
' ota por migal has' se tornasse experiência deelsiw1d~ consti-
llliçio poli ·ca da clnSSt
:. quadrar- e numa "luta globnl", cujo E1geot~ õ um P t·lJd r vo- 1
'"' e momeoto e :ibrJu com o golpe militar de 1g . e a lucion4r o. ~ ~te que, e frc: ndo a domina,· o n St:lc pon!o í
alter~cs políticas deh decorrcn ~. Trauma histórico, vivido nodal - do poder do Estado -, el bota tnne cslratégi- qtt 1
alimenta de ''lu as le>:ai ;", mas lh ! ordetts e d§ sentido s.etuf1do 1
. como derro , wmo fr,1stn.ção, CClllodesenga o, que àfe a,s
formas p.ré'via de expreiiio do movimen o pperario. A denota de
64 alimentaum onda -lc e tieaa n3o só à or·ent.açócs p rtid2.
rlt-s e sindi ~is até ent 1> predominIDlcs como também próp ia
o fim ltllylldO,da ru tum revolucionáiia .
Na tema aa iío fe ~ pua oposição m1relúrgíc ícllo o
refer~ncio esre po tido e e CS$ cstr tégj , ~ue defin ir iam o
,.
1
,Jorma de axpress-o pa :idárla e sind.cal, vbw corno cupulfa tas, ~igníficado, õ tu ir, o va r d 5 dífcrcnt~ prati<:-11
.. , ab rls. farta
1 .
1 ~ !\lhe.ia ÀS condÍÇÕC$Oô'JC~t&S da cluse I! de SC'I.JS movimentos. u encla decorre do pr prlo momento hJ<st6r'c!> vivido, e; 1 que 1
1
Além d~, 11 repress!lo sistem§fü.a s ormas conhecidas de parud s e esL ,it~gi.i re lucion 'rios , qu • _de for, , 11re1 cndi~m .1
orgaoiu ·o opedrla · ,cba espaços institucionA.isde expressão eondutlr a mov· nto opert.rlo av1om sido dcrrol~d~ . diz!•
coletiva. N"o ca dos meWúrgioo de São Paulo, o próprio mados, desmornliz:.:io, Mi,s~ " re•/são" da ntli 1 Sl ci:i~I l:1
slrn:iic:1tohavia se tci-m,do pe~ da m qulnari ele info1roa~es tciu dlíe~nh:s signi ic u0$ par r · l.lifo:re olcs v~rtcu lcs que com,
e repress o do regime. J pós 68 ,e o aniqui am(:DtOdos gru p<>sde põem a Oposiçno Me :iICl.rg ica. Pua a P.istorn! Operária, 11 rcfc·
con estsç:io pol( ·ea, t: li ~róp ria "grande poHrica" que p arcçia têt ci, ce trai. que e!rá presenl . nos ttçõcs <-e seus m ·mb~°:'·
eon dcmda. • oio é n i bordin o d "pectuenas lutas" a alsuma e.~tr3tc_g1u
ls nesse qu acl~ gu a Juia o~'áa nB fábric é inveistida ) predefinida , mas o empenho c.m utimul:lr r:oi,vlm tos a av~
como proocsso de oonsclc ção de st1jcitos po~ít.IOO!. dOliquais se ~J!.rzem pr · ·cas co[etiv de :ifir ç1ío<la pr6 r o
P3?8 tal llUltiza~, s grupo operárlos encontram as dignidade. E ausência de qua qu r c.rítério e.xterno ue VO•
rererlncl.as da t. ad ção ocfallsta (lna[~ ptttlcul u1mente em w e lia se a legilimitlaúe de e.ada prát iC<lllocal. . :iue lhe permlt.c
forma manei ta . A fiib lca é vista ne1;,5amatrii; comt1: est!mular tod rorma ele snipalização. do moh1Jluçã-C,des e q_u~
2) o :togaron<le e yfetua a exp or ção dos operários; ri:: orç:;s$e a soiidnti ode 1111 lu a por seus d ~t • . l>:tr.i m1h•
b) o ugar ond • , dcse1wo ve uma r~sis tênc;ia. e1cmenlar un tes pe ·rios formados n eadi ão socialis a, mni.d!spersodc>!
dos openh-iõ a essa cxpk>nção . con.sc:iindo-so a base do um pda derro ss dss 11r arúirsç!5es par idá ' as às ~ }$,1 ~iam
uta de clffles; ' estado li ado , e rlaacreditando dás propostos pamdn n s mdn
'{ ~
e) o lugar o.nde, gi tíçs ~ o tr ballw dos o per · 'ias. s pro- vigen s, permanecirun:i referência , u:" p;,rt[io e . •ma e w,- í~. i
d:.ucn as riquezas da. s1-.cie.óadecapltalirta. l~t,i• neeess.í los má'IG usente.s prov 1so. me t, ~:1xedos. ;"t.rc :' '
'.•
Ooí a referência a : mesmos como mcrobros de uma ç .. si!'· parênLC3e• N f Jt de um parútlo e de uma e~t ·11tég1a conÍ .l v~, ,
capaz d enírenta. a up loraçl<> ca t jsta o promov-r uma .e[es também ~tnn IAm tocl11 luta na [ébrice 10 pc~ pci;l1vn :i
,.
transform~o revoluclo1,áriaoo subsH ua a roc 'ed de 2 ua por constitu ição de grupOSautônomo! . I!, finBlm-c11tc,f\Ó$ tcmu. os
i.
outra. soei itta . - íllt ~tes que pemtancc;iam membros de org11n iz çw pnru ó· :! '
Uio p~on tes n.as elaboraçoos da dposiçio la$, port:idora de esrr t eias que dcs gnava o lugar rl=as
.E ses temas
metulllrgica. Mas,.ao me;r:no tempo, há um a to !u-ndamen tal utas no movi~n t poU l:o .ais g rtl. Es~ iµ-upo&lmhnm <l(
d.a tradição socla li.s~ (tmnsmitid pelo mAnúmo) que é revisto . uma·presença ~te- -prime· metade"11adéctrcia.dee do
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progressivamente dc-p,iis.As es-tralgies er;:im a mais diverS11S,
da últi ma di !dê eia do l'CU, qu tubordin V3 ti mobiü~ões
o a uig-0 ismo revolucionário fre n te ~o «pitnl, a proposto de
reform as no in!c io da:i. cm1>r s, a 1 :rne Í'.'8 dc1uocrn1il!:1
í ret1te ao sindlc.ito. E o momento cm que a opQSlçüo .eindic<ll
1
:i •
n11,9fá b r ca. ao obj ·vo d ret-omo.ds do $hidi to, aos grupos
d qucrd::i revolu lc, 1·rfo que ju lg~vam a lmp,orliinci::ie ju.stcz.a se mo trn m,1i~oslws ·vllm nt1.:-,com s greve e 76, qt111do
de tai.s mobiliz.~ç.õcs&çguruiosita inci tncia na confon t1çãode ,11 proposCAd comissões tle í 'bric.1 se 11nteri:ilit.11cm· úrios
uma forç.a soei rcv,>luelonár'o que demiliassc o reitme. O e1 preSll.i, é também do :tuge de 11n1, ce11:~o entre o~ e.s aços
qu4lquet forma, é &igniflcativo ano .:irq e, conquen o fo~ mui o insti ucionais ue e ~rvfo de rcCerên<:ia- sohfc ludl> o
io portante a prese n ça de destacamcnt0$ p:irútl!r os na opos[çã si dlc.ils - e: umn motiv ç5o tlc: ruplu ro p ol ullb mobllizl)-
met al ú.tgiea, ha ia unia tJ!l dJstância an re t.s rcfetênci:i, C5tra - çõe~ abris,
tégJcas q e as infot·mav a m e o~ problemas cocicretmpostos no
p · ica d opo.sição que era muito ír&ca a incidencl daquelas
reforuicia St1brc essa; pr~ticas. As comiss&s de Jdbricae o sindicato
I! ·ne e quad r o que as lutas fabns são usumida$ cowo
Con\ a onda grevista de J97f!~79,a Ü,XJ6iç:lo Sl d'cai Me-.
de
mo.lllento& u o..afinnaçãode g;rupo6 opedri s. que vê m
lalíirgfca de São Pa ulo lorn • - um movi t nto de ma!$asc3p11Z
ne.as o pr~ de sua constituição como su'eitos politleos.
~a.s essa :itribuiç.io d,1,ten ldô n- o pode r vis.a eomo $C fosse
de i ci ir coa.eretamente na:r relaçõe$ de po ier e nto n cm p r:-
ses quanto no sindicato. N~ grande m11íorisdi,s fábric s p· rudes
o to sobw no de un sujeito racio nal. Eh'I s.e rca li.i::i no c0n-
~ntre m lo e junlto de [!178, os g'tCVlsl~ r :p d r aro a dire"';10
fronlo entre diver os a gcn - que atri u m .significad dl-
,-e ~s ::.ontecim•ot:os - e no I go de ituaçõe.s CQOCt 111.s, sindical e r,econhccecam ltder nça do Op slçeo. En1 pelo menos
on de tili signi 1c do s ganh m eontorno, imprevistos. im, as 35 c~pt'C$as s co J ões de ábricai (o an1 reco nhecidas pe lo s
comissões da. ~brlco, q e: apartcel'll como fruto rinci.pal d s [)J1troes.• 1 od ~ lls iníorm açO.: coofi:1v~I$ falam de •itõria d ·
lut fabris e principal baJ)dei da opoiri~o mct~lll gl , a- Oposiçic nas e eiçõ::.spa rrt n dire.yio 5indic.1l d=c 11n , frauda--
nham e.o ot çõe:idivers as 6egimdoo mom o em que aparecem. das pela iretorla.' O êxito na.s re ! de maio-junho· criou
las silo, em primetl'O ugar, expressão do aafagonis:mo dos um disposiçãod lul nB categoria que pe m t.lu à Oposição
0,peri O$ ante organização pitllll!to. do pro::esso de iniba lllo. ocupa virtualmente o sindicato na conduçjo da I ve em no- • j'
Apar m, un,como agentes <le ma rup a com a ordem vembro de 1978 e, depois, em ovcmb o óe 1979. :i Mas, n[in 1,
dada; rupt ni presente cm cada luta qunndo os operários se as comissões e íebrka serão desboratad s pe a r-epr~ ão patro-
1 ne- a à obedecer i\ disc1plin11fab ' I: ruptu:r-a futura, espet11d na . e velha direçio sindical r~toma.n'i o e olro le sobre o • l
~ rui. Sllbvcrs.io do slslc~na. M, s ena~ comi.$56 s &ão I mbc:m uma ,tndic 10, wvidcncil!lndo a dime .são doo d,!$aíios o~e cs vtim i'
..
1
250 25 1
ft
li
_,
.1
tomada e es imu anelo çõcs similares. a CAterpjJlar, ru. Toshl- 1od.i, e irn..-duaJl:Ie con'l!!r4"JIe d·. evtm eu s1 q e · m um
.
.j
1
;
ba, na vfa~},.Ferguson. na Barbar e em vá , outras te.mos me io d t ntrcr cm C4Cllato co m a f~brlca, Voll .J, OS cornpl cfrc:3 '
rdalOll de dlfu ão de p nfle"tosou colagem de recort de jorn 1 inm ~ ~solv nm formu uma prlmeir• co !nãc'.
di.sc:1.lt
falando dÃSgreves que: eclodiam . Na Canoce ias ~io j' tinha
h.a:vldo um.a pllt'11lisaç5, no começo d ano, após a morte de um Como eram JO o membros de- comh,· fo. o gerente de·
,,. opctírio por acidente .re trabalho, e ela voltar ia parar depois
de maio. Os mHltan es da Oposi ção ortm também focos de
cidiu faur a te-união no réf itór·o, as tJ'lti
forem e 1tr1mdo
outro op:drios i: re fü.arsnr uma verodeir a us c:mbléi , com
m ia d 200. chdi começou ameaç; ndo, coJ o odvOgildo 1
QgJuti ação. r.um movimento m que se C5banj~va db po-Sição l
e luta ~ mecantsrr-os recon ecidos d.. o.rgan1uçãc. E e ~ roclema11do que a g~-..·c era i gal. Os o~ ni rios, no enlant o, 1 '!
oram i:nc:la centros d , elahora~ o de propostas de ação e de n se 'nt iruitlaram, e aph1udlram Aní.st , qve r1e gunlou .e nllb '
l· 1
relvind.i~ ção. No pr6p , i<>cc nílito , o mcvimen!o er rava seus orga- era Ilegal e saí,rto baixo e o alu8UC a !o. D 11ois que. · chctl:,
i . rusmo.s. que, embora iosplredos pelas propos as da OSM, não se reúrou, os presen tes e eseram um outr" Cl ni ão, nrni5 c-
corresponderem a elas. 10 e seguir ncge>-
pre..~tetivs . A firma propôs .5% de a teci p-i1çJ
,,- Um do lideres da ds 11 lemb t~-se de un & rei.mfüo quando ciando oom .a comissão, desde que Yotftlue Ao traba
l
o grupo da Tosbiba co1ounicou q 'e a rcve nes a fábrica estava ~ assembléia n o acci1ou o dia seguinte propos a era o 7%
para " toura ", e ele não linhiim clareza se e,·crl m u n- de sum n l mais 6% d ontccípação. A asselllbléí ainúa niio
c:riar urna com; io ç,i fáb ica que aSS"Uml$1ic publiC11.mente o aceitou. A i que chegi, m à _proposta de 101 t, cnlão (opós
mov mento. Oi-,cutiran a no !e a sem e egar a uma eon- 6 dfos e re e) s oper6 los f i r m a c:ontr pfoposta de L5%,
clu$âo. A Toshlba fo i n primeira 6brlca a pattlr em São P uio q e íoi accila , além da esta ilidade p r a cc•nissão' continuar
.l'tl\ vaga gr:evista d m io de 1 , e a comlss-o fo" cri a, ncgoci nóo.~3
Assim QU co01eça,-. m as greves no Anc. o srupo tfe fábri~ E.selo ai prcv..,ntes Jguns elementos ue contr:i ,os em
·vu gou bo eH s n::irn ~ido os fa o . Est'lln o resen~s o perári os
quase ce>d:tSas urru 1;reves mefa16rgieas d,: maío-ju11l10:o
d maior-::sie f6es d:i empresa (usiw !ªffi, estampa ria e rolamen-
i:íeito ~ti ul nle das gre.•1éS óo AD .; iasa i 3f~ção represada
tQ de mo or), elabo raram as re ivind·ea~õe&par UDlil erevc local
a é cn Iro pelo medo d! repressão $C tran.síom cm disposiç:i<>
(21 % de aumento, melllorla de comida, di1:scon íçõcs e cg •
rança , bí •iene e atendbne .o méd ico}. No <lin marcado . di.11, 30 de enfrentar o pattonaco· os m mbros da OSM !Jm3m ·e centros
de maio, com uma fac:ilid!lde qu~ surp recnd,:u seus organí-z . crosmovimentos, as greves t me$clam com a :amp11 ob,1 c.lcito-
dores. a :ibr'cs e~tava pu~ da. ral no $lndic to, niio contando eom a a·ud tia 1epress!:o policial
como ante e não vi 1alÍ'Lll do os "cab~l", 1s chefias 1can1
' O gererue de: pr<:d11ç
ão, a~11stAd , i1 p zs;.nc!o dç mit: ui. a cm
mâquí , de seção ena ~ii o. P~r ta Mio por que: o ~ 1 aiavq
afgo de~orie11 a
1acfas, chepnd:, apoior a formaç-o de comi!SBes
operam1s par p0derem negociar: e flnalment• os res ultndas ,
port.do. Ningulm re !pot)di , mas todo n> ndo dm1 ·, oho que i
pqr au0ten10'. • em termos de e qui, a , são aiamente snimiidorcs pari os ope-
rã ·os, cuja autOGO
nfian~a menta.
O re l ato é de nís10.Bat' sta , torneiro e candid ato na Ch11p Dctenhamo•nOG:1um pont o: o da$ comi ::õcs dé f, bnell.
3 da OSM) ms elclçõt:5 ,ind icais daq uele ano. E prossegue: Mar1:adistfoti da pt-0µ0 ta rias o siçõcs inclb 1is, íi formaç o
• Lo,o o; bcrnl!(I~ me ch1Dtn m , aahendo que eru <f ChqpJI J,
1:ram 0$ iuuit s p..-rwuntsr:i pta mim p r que 6 e tava todo 43. E.rn tr 11po,n.• 17. V r tambémA. ve~ IJ;fJ ~=~ t~ opsrifr io1, cot
rnund par , E.u n :tru~ei qoe ÍO&U111p par~ f6btic a t·füllfrio in Üdiofa, ti • .l 7 e s:s-
252 2
.~
1·
1
1
das comissões de fábrica ~ põe na o dem do dia em 197S, o s e uma or6anJzoçso do tr11balh que lhe en> cs nnl'11 e !insti . 1
~
''
',,
sen:c e a ~l'ltc não tab<a o q1& f t.er ct-m a uti5t:d~l do E.1tah.1o
d:t M=ey. A ge11te f~ cu ~,dklo pór q o o rm :ig ' eva Cmn iHiio difícil, já que punha f:ice a face gerentes tice:tumad0$ u iapen- ...' t i 1;
COl:I 1?$Clllts l0 . •,44 • !M n,m arie~ntc 01: c~mo r s po lfoia dia tn de q,i lq e 1110-
) l'irne~ açêo operária e Opérários acosturo:i<lo; ntuôlr cb111 dc_- .. .·
O que aconteci é a idéia que ünruim J.i comi$.S~O era
UC' tin.imente p:ira protegét'-$0 des e pocJcr nw '· oito. Qu. ndo 11~ .: j·
de um co trapoder Glle e.nfren ii. se o dupofümo tia ' chefie comlss6cs de f.õbrle.i raz io de ser da Oposi íio - -'e espn ha111
ompre arial. c~mo sent ·aro ue sitwl o C3tava mvi o lon e pe l s grand es {ábric . 6, a Oposição se v6 dua 1:i<la 11 r 11\-lns
d[$so - qualquc movi ncntação interna c rll <ru.tmlacomo (;a$() no ponlo de encontro entre a U!On<lmi 3 operário, firmo ~ ,,ia
de p0lfc 1 , os grupru de fábrica atuavam M !emiclandestºni- continuidade do confhco de classes, e a in sli ciona idD e tru-
dade. A _prepotencia parronal rcfor.ç.avaa perspecttva revoh,1cio- bllihi$te . ond,e e r ~ 111 neotari:im ASre açõer. de tnbal
nária qu~ informava r lideran openlríe: s comi sões tle Ai comJss~ se constitvinm. rnas tivera1u vlda b ve:
fábri só se constitulrf m ameaçando aberla~nte tod o o sis-
tema . • , . a g~n1c ac.'i"va qU>ta Comi$$ o &\J r;JnJo c l.:i rc.ilmal lt pn~$l1Y
a ru m pólo que o p.ilr o po, um cerio ttl'.IIF> nio ttnh !I coo~ç ·
Quando os petrõei, op6s felha.r a hipôlest da repre.."'Sio, de me~er ou ,u ve ·ac1c·foi que n· f• I
da . O qut s m;)5C~
procurorn os po~ ·vozci par negocrBr, formam- e a$ comissões. bCft'J is~ n.'io. A r~posui do p trilo ki em cimo. Q r d" er, o
A printeira rettC>ênclade<!opcr.ír'os q ndo inst:31':los
a envia e Comh ,i o qu aa(tt e nio tinh11e!AabalitlAde, 1 pe1tlr úc um 111
~ e 3 Jdi~ tavo. i;r,do p(ld.nd~ mcsmo,t ·1a $:ndo e11fn:nLlld>1
ma co mbs o ~ara parI11mcnar com a: chelfa deve se ao receio
v oi l\(1mtn lt pe o ai rio , m1111 .nd ~mbora •.. "•
de fotur s reprc~Lies con ril aquc ca que apareceriam corno
!(deres do mov [mento . Pôr i&SO colocaram como oondiçio révi~ Ap6ci s greve de novembro, 110 mornen , ílS
para a constituJção d~ \1ma comisSao gar nHo de e, abi ida 1 dispe n s se av lunlaram, ati na lndo p.iTticula•rn-:enle ''e,,!,
(em ger J po 2 nos) pna !e U$ membros. 0 prõCC S$0 de CSc;olha ças" i í eis. 1.20 ")perJ_riosfom n dlspensndn nos me l l(ttgie.as
da comissio também deu merg m a dú,·id . Muitos m'litont ~
áa Oposi1r-oestran 1wuo a idéia de uma ele,ção geral pii a de-
sigo~o dos membros cL1camlssão, porque concebiam es!J!c.omo
org&oisSmo "mais polífüo" e, por tanro, e>:.prcss o os núcl eos
de São Paul , clfu alta 6' se pensar que. ~ind I oio he ia mani-
fc:;taçõci de r"eCCSss.o
no setor. Mas 0 1 1 ig 1Hicntivo 1 da ·
a.sinalsr c.o,no ta.is dispensas ati iram a e )rnissõas. Em b$-
•
1
. .
1
1
J
anço feito cm 'eneil'o de 979, consta1a e-se que: na lngersol
mais combativos. Embo, a na çon~r·tu içao dess~ comº5s s hou- , nd, te>dos os membro.s da comisdo b vlam sido nrnn s<los
vesse uma vontad e colei va de e nfrenta r a arrogâo ci das cheíla s e: bors., ainda que hoUVt~ um aco,rdo Jnter > a 5cgur:tndo·J, es
254 > 2 55 ·1
e Labllídade; na M ey•Férgusoo havi:01 ido demi ido! 2 rccolocarnm impo-rtiln~i:>deci&iv::ido o rclho ~io lii.:,1 euqun
in egr ntcs da comisrio que tnh:lm cst bilida :: pot' 2 nno ; nas to interhx-u1or d. cotc:gorl. nos dissfJlos colct, ·os.~ t-.;s~ 1 v •
demais emptestis, onde nem ha •l ac:o.::tlode ~tobiliáade, a de 78-79 tivera toda ;i s m org;iniza fü1 e :sc.i i 1puls o igi-
dcmfas~es foram mais maciça.: na Cate pi][ r . e 40 m::rnbros 11.idoselos gru põs rrn cmprçstss on e , 1) po6içé'io pn;Jomi1rnvo
da coml:t$-o Coonacla.cm. Julho estavam rcd zido-s n 4i n l.,rgamente. M d s isov, , parn i gn ,ndc maio , i:1 do.s ~us
Filtros Maa haviam ddo demitido& 206 opernrl , en re os qua is participM l« , obteJJçlfo de m Jhoria& s:ifaríeis e, poL"isso,
r dos os roetnbros d:a oom~ão; a P, toda a comissão fora cri !ti ncce,sarfa n te de psssr:a pelo siodícaco. I?m Dio-
demltld:1.. A ~m dis1X1, logo as lidera nças ope ri s demlôd junl\o de 78, o que 01:am: são greve ,r fábric.l, n...--go
cíadas-
con c:oerbm na ptMlca o fuocionarne.nto d,aa "listns 11egres" d atravi.~ s. ColJ'jssõese oom p rtíclpaç:o mer me 11e formal do
FIESP: contrariameute ao que a~ntecia anres, não consesuJQ.m sindi~to .•? Mos em novembro jlÍ .se tr-at1 d áissfdlo dt oda
• 1 mai1>emprega e.rr1~Ddt$ empresas, me.."llloque {o"e 1ra- categona. A 0p,<)$iÇ.ão.P!Op& a grcv e.c1 assembléia elo i.indi·
'~ balhaàores qualtiiet,Jos, porq ue seus nom c:stav3n na, gerên- csro, bteve füS r;rova.çio e foi ela q1,1 1 orsaniio u a mobill·
cias d~~s emprcs-as como lndesej.ivei~.~6 zação e p· r lis~çio n fábrica"5. Foi t:\a prec ' rijl ocupaç~o
dos espaços indica.is. ão teodo o ç m ,1do do intlicoto, n o
Assim,~ cernis :ões de· bric.a, per.sad antes oomo gentes
conseguirnm c-vit.:ir que: se pr sídcnte (m:sst t1prov11r, nlgo 1 .
da uma. neg,11çãod:i ordem f bril, fl raram no esp ço c:. ·dguo 1
cerom I go com o fec, emento dwe t$~Ç.O çróp rêo pa- possível do rindicato e tomar º"
mãos u i.:onduÇo <.!.is -mobili· ~
t1onoto. u.ções. Toda II ua m ítânc.i-a v í às , s: em&l-Zi:!$, ! a gr ode ;l'
maioria dot membros dos comandos rcaiooois - inec n.iamo
'm ou ro de aro que se co oca para e OpO®ívãoMeta '
oprovado J>l! ra desce traliu a orgaoiuyã ,i - s:;'o p rt.ic:.ipntcs
glca é o do próprio 1indlcato, e se dá três moment0$: o <ll!'S l .
da cpo içlo. Atra,rés de:~ comandos reriona·, a mobi i:i: çõo
eleições sindicais de 78, o da greve por o<:asj-o do dissídlo a
,. no nl el da~ f "bricas encontra. tm espa~o (l(i arlicul:u;5o que
categori em novemhro, e o da g e e n dissíd io em novembro
1
de 1979.
pas va por dent do sindiCéltOsern ficar pri$iOneírc,da direto•
ri . A Oposição assun ,ta 11. virtu 1 di·e~ , do greve. Mas csci
.i
Uma eventual i ória as e eiçl5cs para e direçlio do indi- já cn{ren o um pac,on11 o e o go\' roo n feitos do surp ~ ,i cio
cato apsrecia como poss-ibilidad de ud lid -Jo.para a un[ficação ano antcrio , apn::sc aodo â m11 t opcnl1ia a nlte. na 'va. ent e t ·,
das lutas que então ci;Jodhtrn m1s empl' , A ~mpa nha lei- o roposta de u in ove ci si díc.a.l, q1,1eacahnva lle sul>stitúir { :
torai se de.qcnalava p:!r.:ilelmen e à onda grevisc , e .issorcfot· O que ro, do O rocho, C :1 reprc:s~ , Cl.11 11 clis•
O m<::"....anL,mo ~· .
:
1
çav enormeroe te n Opa içl!o. Scguo o mu ita$ evidenc.i"S, a
equipe de Joaquim do Sant Andrade só venceu desa vca,
i,cns.i p ai SrGVists na f:íbria e o ~\fLOpo lcfol co11
piquete!. ~ r do empenho e da com hal vlundc d~ una sittni•
Cr:1os
;r
•:, .
gr çes a fraudes na ptó rías ap irnçõcs:41 ic;ativa amada. ele mllitnntcs $i d ica is 11i1 :ih1·h;, , i1 r ·~..: ··~~;
arc:cia loque. da ~ pos Jbi id Je de ns luras nas fábricas t
de.sesuarern no sind icato. o entrutto, e~ ~:,ics n s dínídios
4&. V. Tc.llca ~ E, Sad r. 'EntJc li , o o , ,r_c!icol o, dc,níio, ...1:,
• !
256 257
'I
decisões d rn iod a. Dcmmçiovam ai uma " prá tic.n de rindl- 1 !êrio, o 4ue cabia ! er era subsLítuf-Jo po m outro, d mocrã- 1
cafümo para e o". Reafirmavam rua opo!iç!o cstnitura -'Índíc 1 tic:o, eorn ba~ n s fábricas, IIVTCd ela :ov m men!al
vi ,ente, mas considera• tm que o caminho pa rs muóá-lo passttot .J p·c - p:iro triis todo u pe tfodo de 01ma~io de n1ovi-
·j
pela ocup.a~o dos $h dic;itos existentes. mcnco: aquele no ua l ttS lutas na& fábr ica e as i.:omis.ões de
:1
N mesma página i~s~ jornal, membros d maioria e,cJlU· fnbri~ trtlm a:s.sun1 idos co1,10 prooc6eQ ele co, 1 itui1,,iiolle
&Oram:ma ven;ão e seu pon t<>ld ,·i$ta. De[<:ndem e tt~ .sid ade suje tos po líclcos, vlllq1·Jt~dos por si al.C$'
mQe, Agora, q,Landa e
de uma estrutura mais rígida par OSM. D~fendc , e <la OpO'Sição Siodietl . cta óttlca se con.t "tuía co r o .org:1nlU1çiiO
t1cuu 7 io de pre cnderet,t criar UtUsin ic;ito pnrolelo, m:is orgu- Ú [ic , com forçti p3r~ cfaputa r :! reprci.cn1 ç~o da
C:.1lcgorin,
meotam que prec~111nter uma pr.íHca indepertde n1c e deita eld reafitm a á o-rgatuzaçlo autõnoma das fobtl~ e mo bnsc {'
rnízes de ntro das fábricas 1~ pi,ra um sind i lo legítimo, Mas 6 a til forrll})ÇiOdesté - ou ..
Nas ce~ apr v da,, deifoe-se a OSM como fflda o papel seja, a lncitV.;.o
ci11 a lnstitucionalldad - que p:u a e ser o seu
de "de5mantelar atua l estrutllra e construir uma nova, inde- oujetlvo ccn _.ai.
~ dcn t" dos patrões e do g-0verno, a part'r Ili organizac;ão do
fábrica". 1 H'avie.m po,1tos básic0$ aceitos por prntic-.iroc..'lte
260 !
oi u,
..
!
A noção dos direif()Sa partir das comunidadesde base cimento dom~.t co, ao mesmo te. po I rcl c.ti:im sobn: a
l
questão da CllJU tis e Ô4l' aJTI um ea átcr e oner to o idc.1l pro-
A comunh:ladts de b te ivcrl!m ,11nráp i o cresd~n co, fessado da foaor nidede . A e peri! nci co,neyau cm 1974. Z[co
duranh: ., década de 70, n:i periferia este da capital. justamente foi t~ordena dor do gruJ]Cle, por isso, qtJ oclo se formou o tovi·
llO$ bairro roais pobrés do mi.mic ípio.~7 D~~de o in(clo da década m~ t do Cus to de Vid11,ele também pa. 1 1011 a cr ms pon ávc
já hnla um nú .co da Pas or l Oper ria ntu~ndo a p:irt ir da loc11l.
igrej de São Mateus . Os mlllcan tc, do Pas oral OpcrAria visav:im A chegada de dom Ang~lko S ndaL>, nome.:sdobispo d
tanto a organí2:açãonas áb cas como nos bairros. Difercn e~ egião em 197 , parece ter dado nm gmodi· imp 1'° ao tra alho
forro~s de roa.ni·estaçãodas lasses papulerc, - uc poderiam das C<l munidade$ no sen do de despertar dispo:sicíiod l utas
expressar difcrenb:s aspectw de .sues oondiçóes de existêncía- pelos' clireiros do. popu leçao. Ns mem61ia de Virgíni , qo~
se cruuivam atravês das com nidad.es edeslals. partic-ipa-v~ em outra comunidade de Vfoleu.s, foi por vo l n.
Veja-se o exemplo de Zko , que vier da roça O'Jm:N ano... de 97 que eh sentiu a mudança de um e• baJbo mois .is.sís1c11o-
Coro 20 anos fora •lleito tesoureiro do itndicafo doa trllbclha- ci11Usc.aps e oucro " de re.i lnd.ie ~õo".
dorcs ru is de Sao I Fé d Sul. T'ver seu rnandc10ce&$1!do em
1969 e en ~ o "r era p ara São Mat~s. Encontro u emp rego numa • • .. cem~u Juaumi:n!o p J ~ tia r;a,i Elitio ~ pie:
meta rgice e' tomori..se Ic ramen eiro. ln cgrou-se na Pastoral 1U que l!,1 um bPlr-ro anorme e nlc t11ib~ tenhum CCflUO do s:ul
Operária e a Op,c1a: iç!o Sind "cal. Mas tam bém, a p rtlr da o!o ti nh-i hosp lrnl, iíQ 1mh.i na d l!n L5Q ,, q ue que. n6.$ i.o n · r
VI• tu o pe$soa r.i lcv.or c.ompr rnldo· e'6s tav or-ndo qu
comu njclatle de basr. dC6envolv.iêlativi dades no próp rio b~1rr0. n o trn por li. Qcc i:ra de I ç to o povo ue cl'I'~ m 1!ninto
d.! wiüeccfa m~di~ . Af C!.\I j ;i sabil\ q e filha q-.ic ler mesmo.
teJY,M a prime ira omcirteraçlío elo t.• dt m~io, au im, Entil) a i :n p:irtiu pt"ll uma pc4uj ne> bb.i:-cc,e vimos qu~ ~i
41:e eu me rnbr>, que Jl.r;cntc cons::gui ajunta: , r.aqu a época, r:nlc11:pepva.m att cbi ó bus t:n \';o;[ o, 111:'laerin11çn . E gc:r.te
eo1;1~1 A ii 6t~3 do 1.• do malo prum moule ~ c;ampoot~ q~ vam ,Hê de lei ar o lil o pt& v~tiilQr,
l)Cf'tchia q e , 5 mães dcix11.
nunca lln.ha ouvl,.lo falar isso, n~ que Linh~ vi do da rdÇJI, que que tl'8 e bã--'ko, porque o <Ía a., indo uito C(! d l,) 111'ºou(!
Ma CUJ e:a u n ba.ltro q 1!c t va todo mundo cbeg:11tdo li. . . •n b I oi. oc:: o por c,c;e p[o pta P.n ~ , Víl., FormQsn, Cnrrio, qu:,
e ns i2m, Em ~o 11 1cn e, •Lr~vê, tl líl 1uiita, cor.ncçouo o~ n·
.1s reuniões d cómuoid de locel lcmbtou 11. ex er-lêncfa nlui o riº"º e J Vlr direto no Dú riló , io l'l;I Regiam,!, d:po '
de compra e prod aos grico!Ju f l t11scolctivacnecnc ~ntre os d R afana I parcr os PNI Scerera-rin. . ·~ ;,!
:•..
l'Qceiros de Santa Pt· do S J. ACentão um grupo de 12.. ~.'lmm as l-i
d comunided.? resx:> lveu refazer ..a expe i!ncia. Org~ni tira m um Co,w ncídas j~ dos cii ito!I que ~ ·1cr i11n te l", c!a.s busctJITI,
:it~vú dos pe.squlsa$, co ccer e naet.i m;n te os 11 ::ccssldade.s
t •
grupo de "co mpras comuoitá ri s" . O o jetivo vi o cr utl· 1
mul r a juda 6tu:1 diante de utn .prob ema prá. ico <lo aha.s te, senti dB.tJ;,clns d ais morador s. A pcisqu is1 n o era apcn:i 11m·
melo de cor.stat.ir a reeli aóo Era um m•>llo de, n.:tm i1 do o~
depoi ncos i dlv1dua1iz.tdosde mui as pessoas, orná-l~ um
.
J Ir
' '
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S7. O mo\'lm!nto de uúd ae co11,;.cnl 'OU m:tls n<n boim:,a &:>d. lrito
demanda coletiva. com isibilldê!d póbli c;. 1
de lt aqueta .· o i<[lli ( lar ~CU!n!í:cr JIJ d M>M1ll1*ÇÕ"' da• loeolidadCJ
R:lvi ndict1fÕCS. em tomo os tvlÇ,O!de uúde ·~ l uviom 1
om~ das. l lllqUcn, aUm de ses o ame óo d[st !O, d i: na Ctit1bém\ltt 1
b,1i.troq e o intei " · J .11
,s, ila.$ rdc r6ncl da pOpulciÇl!olOéhl, qu ~ndo l
sido ev1m1sda n tes. Em l 972 um gru . o de. mulheres tlo •
íehlm cm ltaquç:r a C8l po:nn ndo no b1i rro e n5c oo dbtri o. Slio · 1
Jn im V Cenle n~ri o, vil <lo b i rra de S:io lv c1teu , huvia.
M teus um outro b.útro )ocali;udo no dlscrilo de It:ique-ra, Ji rdl
No ü le, 11mou1ro.
~ Otpo imu ,to dado " u 1l01'
. ,9. Oq»imcD10 dadQ .io autor.
:.?62 J 'f
J.
coincçsc.lc ' debater ::i , 1Cê'lti ho.pito is e cen ro d saúde mi O tlcpo1men10 n11 ctrior, de um aqueles · tullal\l s. j:1
r-egião. Depoi5 de várias r uniões na igrej • elas f ra em "XpressatJ «:rf visao CfÍlit dos-enc.iminbume.n os r1nlc_rioru
comlss-o ot~ n Secr·htria da Saú<l~ l v, r a rcivindic~ o de um proposto pe Os .igentt:.s astorais. No caso consi<lc·.ivci lfue o
centro saúde para o l, ltto.do • ab.ú;,i;o-ssinti o .. bovia se tomado urna rolln rem m ior cíi ··'.
1'udo indi que o movimento te ou corpo com a chegada eia nl~ da uro--sati.sf~ç.ão dos seus proo10 ores. !-'OT<JUC ee
de médicos que se vincularam às oomunicitides, transmitlnclo-lbes hn\·la &Jmpesmente sido ntregue o um ogt n ostorol, <tuc
enviou Il.sautorid.idcs.
conhecJme tos sobre 01. cofennid!:des su s causas , sobre as
condições - nitár·as, os ,:uidados oo a $&údce. particularme!nte, Ele e am quatro ~t fintes e rna profcssoni. d.melo
ti •ndtmenlo num mnbulat6rio improvi~do r,as depencl1: ,-ciélSda
sobre vquJlo q-uc o Est11do . deve.ria esscgi.:rarpara a pap lação.
'No caso de saúde, os médicO! dl.spua am de -uma autoridade lir ej;. Tinham con~dEnci da pt"eGa.riedlo do .ilendímcnto
d o, cruu. ío l li p rtir c!e[e que erl · ram coudiçõ ca p:ire inkl r
mota que wwa resson ncla às ruas p lavra . Por volfll c:le 1975
di cussõe.s m tl popul~ o a TCli e· o da Jut,1 por melhor s con-
e B1,Jn médicos, cstud211tes de medicine, eofei-melras, começam
di õcs <leserviços de sa6de.
4 apoiar as alivldad<:3<la P3slo al a Sa(ide-.Vi,t· mm í vcl~~.
efe tua ram pcsquis-U plll a "ber quals wtam as doenças ele rua 0I:" 0
o dcpoiruento de uma dos mulheres que • s umirnm 11
incidênci3, promovcr:w, C-.JJ'$0 dç primeiros socorro~, org ni- li<l ra -Ç do movimcnlo, temos o fcgis lro ,lo :seu Cll111cço , t.lo
modo 001n e e fol .ivicl . ê Zu lttltrn, ntt• 1· do ra di) Jnnfü 1
za a_morien çiles " ge11 ntes, convcx..,rom semblêb$ pattl a
ordc te, m 'cJep fmento dado o Grupo ú~ .Educ, çiío Pt1t 'uli,r
discus · das e réocJ s nos $CIViçosda .si:úde. 1 da - RPLAN -PUC:
o J~tdim No,dcste, bairro de H~quera, tinh
ho.vido Ulllá
prlmeíra movimentação em 1974. Estudan e. de medicine: que • A11tcs 116 td tínhamos p;ir1lc!pado em I J>ó$ de i, j;i . í--"
a
2C11I :sé n::zava,rc:tav , e aqudo alo e ~Ci-$J9zla (. .) Oont~u
iropu slonaram o traba ho a _parti: de .976 procuranim se in- 1 vando a oa . Vinbil o p ~ ál do 11vclae CClll.z :i pg 111Js&i.
formar acen:a dcs,a p1fme[t.t experl!ncla e concluf_ra_mtec se nc? Aí a C11IC ju 11111•3 m li~~~ e dl l:i: "Na próx11J111 rc oião
t atado de um encsmlrilitmenro buroc~etizado, em qualquer 11um Irn; 11mquilo de tp1-alqu L·o,u p ro J>C~ t da ( ,c!;1 ,
c.1cJ
t;ô7' As m I e~ lr.tti., com muito gOSI, m nao re1olvl:a n.nd.o .
força de pres&Jo.
AJ c; e içoa mo11'endo, utcos do~lcs e i alendim n10 lêd iç
·comeyOu uma di ç~ ;s o da f)Or qud Q ob;,.i,xç.~$1 adq nüo lirúul Até dinh Iro• ~11le. c!Ava pr;u m e ~varem ;,j cri:an,;as t1CJ prorito-
(!do <:.erlo alt coito. :e.e<»n ~ dir.11ss5o o obj vo prl cl al socorto do Ta!U;i ~. q LH: em o rr ais perto t IIC linha, sabe? Ou
loi mostrar e o abal1(_0-u~lm1don o n!C!c~eo gr.11ud: orz;inl no centro de .n • da. Vlte R.é, que tJunbl!iI muico l 11gede,
doa lllOtedore;. Quer diKr, um.9 ·~:Se .15'inar um abojxo- Jl!rdim N r<lest ( ... ) Teve u-mat tz q · ia saram um ttbail<O-
l.l$i 9óe>e .e 1teomod r e l IO d$ fa ma , gu-inn prcuion, s \ltO- a str.ado rui ircja , n o me l<!mhroma t u1>ndl foi i•so, ~ sei q 1a
rldadei . N• medido e-ró que ~ lo ·d~ a pereebtm <;110por trii s foí levado 110 uma I)C8E03 nu Cl'eàn11 d~ S úde. 1:: ílcu , l.l
d o balll.0-:usina~ 1,e moradona co tln , m org8n1ud , estiia ena,.vctodo.
tan~ · tcs do ,e_u dtre ito, !C mo tt .am, pres:rion,1.111 or aquele f cm 1Si6 e .o zcnle ~lvçu lu r pc!,, çom, 1isln de 11111oc:nh<1
fel vo, enliio ai tim V3t 1e-
r um ignificadc, 1r1,1icT."' de Hltc!e. Nt::it uo npnre tam ao hmHtu ~o-de., e" cbom11,I ~
dom ngél co 1111ocud ..nle& de n1cdic;i 3 • ~ ·u ~lltl J•rinç.iv 1-
m,mlc o pc,uool da fo..el~ llm d~ p;!Slilrnm trn, íil ~ que 1110$( e11v:t
8l prl11ciJ>;iit doeoçH qu e a!acrun as ir ltaíh ,1don:~ rn111Iro, e
60. -P. 'alo,' Bm Sfto M1Jcç.1&,pc<>sacgtieit I tA OQntn ,
m_é it:n·, ·olha de S. Paul,. 9/4/84.
lt.11"'1• ~..-istên.ci_a sull3 r~mlll •.! - ~pidaim de cuhm:v.lon, •~11
mpo·, hc ti l,,, ol.!-..11
de v inOGe,Jl~rnii , <1~11,ç~ de Chasas, ma ~"'- · ~cc...
61. J. C. '[>d ºni 1 op. dl., l•P· 98 ~. E nõ. · C. • ,) fcn1os vc do tudo aq lo,' o ·P,'figo que se c<1 rri:1 1,
62. Depoim tõ d~ ao ,.itor. u • r.lí7 Pof_t QO lln!WI·nade. n lturn 1t<lle,, J)Drlleul. r, q nto
264 265
1n11ol$ um 51~to de .a úc!e. 11:!'IIJoa mulhe:n fol pt a ea,11 p,c,n- figu ra deles, rea li,: , e &SSÍm um tip o ;:wrti lar de
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~1ario d:i S1Gde ( •. • } (Om 11. id6ia de (u mo~ o .cun d
$11ldc p blicp e no, .nlegr:mcosna Secre 11·a ~ S úd:. pnr3 de.s n-
volvcrmos um rni°'",o u !)IV da uüdc pl1bGQ 11 E
S~o P~ulo. Ho1.1vcwn p !mlc~ na med"cin, pr11·enriva porq~c oa
o
Na J ia ~los postos elesat'ide,a jomurçúo das conrissõ8·
268 i
!·
~ perdluo, ~ impressio,. vam com oe ~ -)ais de r-,oderos:ent!ldos
r, n colcl.tr d4 c:aJa -, j qu a co1nposlpo d.a c;oml&fo de
i
no em.mbo das sales, no lu~o daa cac-ciros, nil sp ·~urn dos
Jaó~ .se1111>rc!t'lvolVWmaís a partldp Çjo de ctimu da C3 • • , '6s
ca peles, na scfisticaç[o da linguagem elos fuuc'onâr'os. Mas
discu iam cada experiência extraíam lições.
Av li ram a experi! eia an tior do abaixo-a515inedo,que
fle!ITTIcngavetsdc,. Foi exp icado éUe,e ça catre pru to d O chefe do departamento .sanltilio de Gu11ru.hos diss-cslh
aúde, pro to-5ocorro e hosp i~ I. Di6cutiram que era mal que pcOCtJ.UStmuma eaa nde p •desse ser ir.s D do • cen ro
neee sárlo e o C[Ut:, seria possível QOnçuisiar, evando-s-e em de 1aóde. la, enconl r· m uma casa d,: 2corJo com 11s e.xigên-
conta os inr.ere • que agiam obre li Secretaria da Saó e e
0 cía , comunicaramo fato e receb1m1m pro.me sii que e):? seriti
:, forya moradores. Os esttrda nles fa aram sobre o Crnballlo inaugur do c:rn m!'.ITÇo
de J917.
de prevenç&o das doenças e sobre a DCCe$.$d de de u ro têndi-
0
271
• '1 J
~
!.!li
p[ e oficial evad· pr lo governo .ira o in g'\u-nç."io,
()$ mem- de 55 mu r s lugou 11m ômbrJs psr.i lev11rao 5ccrc!6rio ü 1 1 ~
bros dn comls.sii'.oco ,)Caram un1 o lt"11,rt i$t1·:ruúo qul! $li.li
inst.'lla~!io h via sjdo ma "conquiar.n do povo" . Mas n.10 re
1 Sa íck !JS reivii1dkoçúa d tnavimc.ito , num b:iiit 11.-i;inml ,.
1
!
u lsflzcr m com o po ;to instalado.
com q OS(! 4 mi ttssíl': IUri!S. !,
Cm 1977 um [reir.o, que (inlu! 50 ~~1 .1ti do c1 i.:n1ci
D~e a be..rtura et s ~ der.im con a d pn:c:itiede do ma em e alUAV n - aitros de São MlltCUS·~ rv Cenl lllÍ • ,
poso. Ai m lheres que che-gavarnreclam3vAm mi;íto dns Etlas convidou os aa it risles que iohsm vindo t?: bnlhar n~ J1Ct,í-:o
]·
.,
da fo)t de acinas, d:1s exigência bu.rocriticruspeMJ mntr cu! ' pera q ue fi=em .Úiumo.s pole~tcns -º
re saódc pe a f;TUpos de • I ti
queoca.ste ndfarn n:1 uu mente ptovocsr conflitos catr e 01 comunid des de bue. Um grupo do b lr o d i lY Ctll tG1Járí,
funcioná o.s do posto de s:i1Jde 1 de um ado, e a clJentc • de
l
lunclonódc e c:lientelt pa â defenderem conjunlamen e obten. em 01hi região sobre dcsnu içiío, venn [no.ie, tu erc ulose , e
çio de rnt: hol'eS eondJ96esde ate dimento tw.i~ um grande interesse por pe e da pop' hção, Oess clis-
~-
;j .,..
For ularnm ,,ut:ro aõaix<>anill.1do exigin do mei$ mê- tu$S~ surg:ltamcornis.s e~ de saúde em beirrc:r da re~1ão. Seus
di<:0$, .mai3 f nclonáiios, maii. m11.lríc11los,tnais vacina , mai$ primeiros parlicip nte:seram mcmb~ cfe com 1nid dts de b se.
Jeit..1e o direito de pn,t icipJJ:ren, n3 estão d centro de saúd . Mas ao . e constitu ' rcm oomo tomiiK! s de s~úde, comei;~ m
g nesse momento que o JlJO\•imc11toganhou um caro le de
massa, eorn vjsibllldadc piiblic1. Em outu ro de 1978 .nlium
11 ~er ret111iõ p.ecülc sobre o tema e a i11.Cor;pora
oue não er m d comunid11c.lca
r cssoas
cl bosc. ' form:1lr1.
1n·a11 11
::~r
'
d
1 .
.li
l1
uma gr dt: asscmb éi i , qu comi $i\O preparou com grn de i~dcpemrne'a di1~COm~SÕ em rclAÇii-O n lgJ~ja. '1
'j.
cuidado, oon~ndo •lS morado , os grup()s popu lares r a- U11tmédioo que impulsionou es5e 1ab;lho le11 r q~·. ! 1:;1
! ·1
ni'Uldos da gJiio e rni:smo ~ at.itoridadcs. Foi um m menio de algvrn tempo ante • ,·verem pro )em s 01 o pcs ool <ln igrej11
ap escna9io eoleth•a das rcivindicaçõc:.s e afirmação de uma de !o Miguel.
disro3Jç- de lu10. Em uida a P~ torai clé S11úd d Re_giõo
• •. :ós Jcm105oo rrr i<ladô.!1 !)ro 11J reu l~ om • . t ,m\ ou ro
Ep scopa Leste promove;tj!l .11 C Rwni-o da Sa ·r.1e ela Zona Tllpo litf4;od~ ~querda que Muu 11.!n'I sna;,íbo, e o L · ;1J
Leste, com pa tkip:tç-io de todo s os grupos orgllnizaclos da d o i~cj d: SM>.Mig11cJ i'.itJlitlil, Cntiu, ncita <.li.$e~;.c>, lc3u c1
realiio em torn o do te a. Cer<.1 de 700 pe:ssoas ti eram pr - 7 , 77, a. poiiçlio d~$=s cor,panhéiros que csln\oanl em Cn11,o2.iba
sait na igrejE do C i.ngaíba e, cnl re as deleg..çõ::s prcsen c s. e a po ç,lo d ptó{trllis".f r-;lns da cham~ll J a$(orAl o S Ode,
~fcve a do Jardim ·)rdem .11 que nós i.,er ·nm0$ nm irtCQrpcr b nt r ~tu! d Smlt.10. nu
ti fendi ll posi;ão di(creale ( • .. ) •gtnl d e Corn u:11 :-vJ.
e11mbémne t momento que lnicinm e pencncfo !L"l'I o, cru nla ciio ~ q11tel~ dn s:1.ú • que pcrmit.t
"ca vanas " a,_ a S e ria da iúde, onde real izam verda dei- a Jl de tod ns f;ii,cq da po;,u[nçao, i1uk;,e1 e11te d .
':-~
ro.. coofro tos com iln utor" dnd cs. Levtin, rdvindi ç~, e~ religião e d pl)Si -o (lOlít1 . l'or q e? i>or 1uc há e,1>u,;:o n n
bra.m prcmes:r.is, arrartcom ccmpron is$0s. Na medi .i em ue w o 11 cu, niio, r.do c;nlóll~, 3.0 e:ndocrlst!lo .nno ~h::wo 00trcto
su s demanda s nã são m ls enviada s por intc rmecHi:ffos, m.:: ílc11r 11 19 posto .il 1·~ e.m iivid de s qua s 1o ~ e'Ya11~1:l!t.11çi!:o 1
( , ) O correio •t:.l"i_:itu um movimCfltO l 11 :tm lo e Jtt ·o ~ .,
apr cecnt.~dil.Sdiretam ,te, elH pcrmltem tn aprend iw1!0 cbrc e naco tmldod~ e os i,t o .i,ollllco ~r1l,lprr.e111 ço:, JunJ inc I" 11
r
os mecani n~ e asttkl .s Óe>sgo ec ,,rntcs u n cónhcci1uen t [1~111, eu fl',C IL!mh,o c1uc C$SO posiçüo f ' Cll~ : nú:i. Ai Í rcir:i n. :~ ,
de 5\111~próprias força e fraquezas. ITm out ubro um e rnva1111 car:'11 com r~ivn (. ) o ou ro rur-o policicc fofo11'I ~ ~ c ~ :1
puriõmO, era b11bo5Cira,e fiqv:i for.a de:;111nftic:vlnç.iO hl em
,:1
11. V r mir 2:s,dan, · i §o M tnétHoo ou $ nlo q~e (t i, llde povo~
fio t ,K'Jcl r,oc nusn <fino. · 11
i!L
iir E1nTe'lfpo, tt! 40,
72. 0~ "n:t n lo d-Jo AO ll Ul{)r .
' '
272
273 ·i
!i
1•
1:ie · ão teve o mesmo probletnà em S o Mateus, O pessoa
da igrejá considerou.q e suu poader:i96es ee-m ·ustaa, e 0
de São Mateus: a) ,e} or imediaa dos pouccs pos cft
j;
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movimento deveri11$er i dependente e n o c-onfess.lo al. · !I ' f 1
Ias, quao o diúa q ,ie o movimento de\leria r am lo, s:atJ e existe . !~
e rc íão; b) a constr uçao d~ no , o ccrJtlo~;
tratava.se pafa lo de uma ,,oncep~o mais geral sobre o tr:ibel o e) de um pronto-socorrocom matetntd:u.ie- d) de urn amhi1llló-
rio do Inamps ; e) a cl içfío de um e ase o de prescill'1nte:s
1 • .-'!
.' 1 ~ 1
a ser d~nvolvido. 81e ex1,õe rés dºretr izcs que hãviam ~uibc·
ccido para o movlm nto: da comunidades pa ílae.:illio o Iuncio .. amcnlo ,J.~tes órg~~s.
. 1
•~ ~ l
• PrJmclr• d.i1ec · que o tnoviin to tmh~ que •r d r,n a, cinlu l : ·,
c;ue ~ um movi:mmtl> m1i,l ~ n.Do um moyimec110 ~uc prMIC>
Entre o Movimento e o Estado, o co, e!hos de saúdi, !i)
8 a se m ou tro çompe.ohei,o tr&b a dor, dona de e,in. que , jl
dcspont:use como :1. var,i~aroa do rru>virv..i1to. (. , . ) A p riorJdade
cn que o mo lmea f~ ~ o mAis amplo po;~vc ptt 11tin ·r 0 Não foi p • :c:a decisão de tcivind ic re:n fisce izaçio t
rn i>CrIMilc:ro de pe$sc,u pcnsrvel. ;gunda qucatlo lmFQ!i nte ,; d06 centros de sc1úde . Al mas par ticipantes das coraissõc con.s.i-
que n&$ ( , • , ) en~a to ~S<>a$ mala pollfü:.1d oa com tbâ or d~a om que Ís!o era re.sponsa.bilidade <lo .Estado, e elas n o
c•perlrnci ~ políllea e co-o maior número de búo:,ruiç- , i ttrl.-e
deveri m assumir CSSQ aba h.o. M a maioria viu u1ru1forma
na ,~ . d.t sallcfoepú Fca ( ..• ) n o procur4i'r os 11lu;.r comQ
J"duanç~ do movimenfl). det~;mirniodo, so1u!Rdo e I o~ dc
0 ele aume r o poder da _própria popula~o e, coin isso, lr\cl-
r ma inçitln. A qtrar~ . era il"C o p~ o e>lf'C·mdtltnuc:. d·r S() e as relações pol'licas. Er.-iom outro mod de fazerem
Pro r~vamos dJ&c!.!lir.P, tUrivamm d.e ~t infortr.1~:5 1 t:n.llS a$1.U- a popuiaç:lo pai :dp&. da pol de , p rque o se releda a em:1s
mf1tmo1 ft~ ~'6c q mm lioidn l'ffl m.iioria., ml:$rr::oque 06' a~ :ratos e uma reprcten!eçi!io insHtudon , mas a :.1map r,ici•
íivÚM:tr1a, alrum dúvid.as d: uo efo:kia . ( . .• ) Um l~r;ceiro paç.ão direl a part 'r de um una CO, c:cta.m te v•vic!o.
ooto l:mpcrt l~ ' . . . ) foi o pe.so que !ra ~de :1 v,t~ri co ~ u.
1:.nt
ijo preo:u,açlo princi pitl nlo era foi.c:r neles e úociai, Da qualquer mo<lo, css~ con t ndiç!i.o $C rcpn cluxirr frc-
r ~r tolllll:e5taÇ(let ao s,~tielo de ftt1t. dCJl· i3 pctâtica.: , prto- qü~ntcrncnco n;i. h.Utór:í.i do movim nlo. 11 mer.lidn cm qu l! eh:
cup"~ cr te- vi1Õrill$ ,:ontrer • Carut1uir me lONl o , , to do mpliav$, inc rp<)~ a tores que se moYi m t1pcm1 l'l la
- úde onde cte e11:i,ta. ConJt uir o ee.i1ro ~ a ele onde- 1 GO
t:X.lst', e estiro pt>r dJàrLté. ( • •• } P r11q11co pc.!SOllJ , rons : 0
obte 1ç~oestrita de algu111.i $ nu:lhórfa.smatcri.:Ji: . rn fou clcs1cs,
goe10 de que 119 io"9a - · qua á e e IG.o .scil inovlmeoi.. - d~va havl aque es que se colocavam já o objetivo tle oll r.tt Sl!U
re4ultlido, ccfil.nia~, , . .. l papel na ()ciadade, de fau com ue o povo p r ici QSsc 011$
decisões, de transformar as relaç6es soc.i ts.
As comi;ssõesprocu~ (am conhecer quiii · .eram a necessi- o foto é que as comissões ecld[ram lutar pelo ·ormalttaçõ
dades da populaçlo na áre.:t da sa(ido . Em 1978 realiur m ma de coosetl:\~ popular reeonhecido~em sua Iumf o de fisc:i li-
ampla pesquisa, ent que ·.íonun en evistadcs tnH f amíliu. zar e conlro l.ar o funcion:i.meflto dos e r. s de sc1ú1c.U tz
Comas informaçõ s reunió is rentiam-sefortes para fündame Ul.f m L, as pioneiru oram as do Jardlm ordeste.
$tJ as ttiYin ic;ições. Os cmbrqs da çom!iSãode 11 (ide descobl'i ·m na Seére-
:No dia 27 de roaio de !979 rcali:um,m uma nd~ aw.::m- taria da Saúde um decreto autori :rando z cdaçSo · e co~lho~
b éia pObJica do m viment ,) de São Mateus, com a pmença de COmunitá.riMpara atuar fUOtoll0$ e ntros d~ SBÚdf. eguntJo O
quUõ mil pessoas.O seerctfr·o da Saúde este e prc5ene e ouviu ~$lipul.tdo, esses 'co se.hos seriam integrados pe o i ''ootâvci "
as reM dic~ s proi;enta .fa.e por rep resentantes de 11 bairros do bairro, como o deleg~do de polfci , o prc:sid 1, e do L10 s
Club ou d«;jRo ary, dlre res, de e colas. polí!Jeos . A omis-s-
7J, Dep i cnto dado ao au!o,·. de sa.útle quis aproveitar a rcche d s gc t3o legal p r propor
uma outra a nalivi: uro oonsclbo form.a(]opelai pessoa~c:iue
tle serv m dos centros. O oonselho devcri ser r,:prW?nta i o
274
275
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. ,,,,
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i !•
1
e nal in~titucíonafü:ado ara o controk. do sen•iço po p11 rte <la ·1
da popul ção e, pol,' 1.$:;o,eleº por voto direto. Mas devcti
po ulaç&O" ser at dida. ·1 !1
:1
tum ém u.r auto ríd de para fiiCa i2:ar os centros, e po i.ssose ' 1
:r !
.
?rocur.u-a c.a.ndida , s em ca<4 vlla pai compor um.
eh pa. Fizeram um b<Jl<" im ex ltcando à po1,u ~çiio o u er
o conselho e como ~cria a eJei ão. Foram 1ls rua dí!ru tir o
O Sindicato dos Me.1! ~ rgicos de Silo Di,rn,rdó !
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bo cfün coill os mor doces. Du iam que só com a fiscaliução / No curso o déc.icla de 70, o Si dic;1io ,i s , 2l úrg'c~ }
fo[ta. pelo p1óprio povo o a en d irovnlo médico iria melh r r. d: Sao Bcma rdo,n tcmou-se LJftl cfclt\lO 1.:ent1 o de elab raÇo
Procuraram ~m cada vi(:1 pelo menos uas c2ndldacas. Ao í1na d cxperi~ cias dl.)S pcrários nas indús I s m 1í 1~ . d;1
reuniram 13 no es, dat 6 vilas do fatdim o deste. Tit <11m
fo agrafias d s ciindidats;, p ta qu e os ele· Or« p1Jde~m iclcn l·
~ "' o. moldando um Uniu de resls ê.nciaco!c va que 1~rnunou ..
t
. ·
J)Ol'alt r- pro 'uf\domen te es rclnçõc.s de rst alho _i1ess ,1s é 1.,. 1 .,1.
fl~ .ia. . Prtp .ar ran, a.sd dul s eleitorais , <L i>m d apatos, p es:is e influencia o c,onj\lntO ôc ·pais/ ~ u:'l'c enc,d~d.: ,•11?.JI\ :l ..;>:·.
ítnproti!ar em s urnas. Ourante 10 dlas, cm m r,ço d 1979, _ expressão d pe d de f nçõ;;s ?º
sindiCJto no 11~k,lo_ dit
um irupo d.a c:o issão e s:iúde . percorreu s · e.à w,, cc, s, d~coda -, el se transformar· numo agencia ,Je org n,zuçm, e
missus, p.i a. rc~olhe~ os votos. Ao ' final, '8.H6 pessoas ha,.iaru mohi iz ção dos r bulh dores nn ~:fc · de eu ; <llt11:i o , f. es~a
ot~do, elegendo 2 don1 e use pAro co stitu írem o >rimeir-ô P ssage tem J>Orn co du101 ex ·ltimentc: :i lortn pelos d1rc~tos ·
conselho de saúde , por ·im prnz.o de ·2 anos. dos lrabaUiaúoret., tamand1i o qu odl'o legal êad > como rm:m1ss·
p, ro ítS QÇÕe~eolctl •u .
Elcllo o conselho, elt começoC!a se fC\lnir tlO próprio centro
de saúde. Fiscali:z:i amo atendimento, a,
c:.irência$, ~ ím:gu,I rl•
d d~. as rec m ç5e.s fc itas. Me,n$.Olmen 1c: passo u ti v,er rc u. 74, A clcnoonini1ç!o comp te t~ · 'Sl 11d;ci, to cl0&T r;1bnl, Jor n ln 111'
nlões do conselho o m cs méd cos e ux:Hiares par discussl!o 1.na, r.<i:-1.nl
· rs" c..s, Mo: n I ç ele I\IIQI inl t!l ' rict de Sõo ll<!.m J
Z76 77
~cç.it' a ci6c11d, o s·n ic to arcci~ mi.ito diat nle sindicato sofrera terve~ãà . ao fim d_aqual :,present, •$1! um11
dos tcabaiimi6'6& ~1~ 0 e do opo.síç-o sindica l p:·Qcurou, ch.np:i 'n 'c, p., :i a. eleições m 19.SS.O pretitlcnlo d.i tt:sliio
num ·~ o da época, ~, ctetizar o modo "como o sintlieet.o l965 67, Afonso Monteiro o C z, aprcscnti-6e como e· n<li•
·v'sto pelos operári ,:-'fie:e referia à! tírudcs en~ntrad s <lato à :-eeeíçãio em 1967 e enfrenta , entiQ, u11i<1e. ap o_po·
e tre os metalúrgicos do AOC e as elas ific:wa ~m quatro tipos. tçlo, denotand<>a. Para sua suo::.ssiio, llm t 969, ;i sic,1;1çc10
Par a maioria dos &'ÔCJ JS do ndicat • este ieria identificado apre nt o nome de Pau Vid l. que pa ücip,llll do diJ1:1ori,1nu
com seu prédio: gcs ão de 196 -69 contra nova chcipa d~ opo;ição, auslcntc
por fo~~s de esque:da. A !Jilu.eçic fol vitorio::-a, eocn Cérca tle
·Exi_s~ uma a~roçiio eo!rt 11, rcillWaded f.íbrlca, o sindic~to e 4 mil vo ~ contra . 00, nu-mac.empanllaconturbada em qu-
11.diretoria. Os dlr gtll.1&$ ,i nd icai ae 1n sJOçO'lõlr8m de ope:úrios
1!:111bvrocn Uls de GJ·:ri~ ( .. . ) Qu~ndo cxb!t."11 prob]c:11Ja_s uro dos m mbros dJ. chDpn <iposici.ontstachegou a se: preso
p-end.en eni dettrmir d.-, cmpr , diri,entC3 sindicais prt f~. e, tguodo seus companheiros torturado pela polícia politica .1
~ • ~tr.ar cm cooht11 c..im • àire1ona d n cmp n ó qvc::cem a avaliação, pots, que os etnbr<» orosiçlo f ·li m a
.i& mossu ~rllriH d~ m. a ( ••. ) os Ol)CTárl!U q ue ie l 1tcres., ""
. e,taJt:'I illll!
~lo ai dlcaro, t'8n\ qur 1r i.o ' cdJlk:lo', 11· ' si11di~mf dh-ccoria peS11.va toda essa lútór ia. M!!S é intttu.Santc VÇ;J'i!iCllr
lldad~ ri~sita SCT =r,mbe 'da. mostran do que o sindic.s o n!o i ql.le " constatação à~ distilncia entre o sindi1,a Q e a ;;:111cgot·ia
o odi fi:i o, 1i dica t 6 ~ luta. na I,brkA ' . t (cita pela própria ducloria, às vezes ::om a nc.,ma.spal~vr~s.
~mbora, na turalmcn1c as exp icaçõcs sejam 1dical me te difc-
l.J!m
segundo 1rru po, cu etertz do ccir.o os " de m is b:ii.xo ent~. No Jo n, l ~e 1 dic to, u i. coht I quu pl'\)l;unwu
r,!vel politico e culto~' considera que "n!o s 'evl!: mel r cm uplic r o indicalo no llnsjl, p ccc o terna.
imilca.co;poi perde 1;mprego. Si dica to ~ comuni_~ruo '' ~m
te c:eiro grupo, que ele considera de m ior combatividade, pre. · e.ema oc.&.r& se te dl•n1e do ,ei: rlndlc lOT Estari s3Cí.S!ello?
do min an e en(TCos ope1árlos mai$ capectalli.ado,, pe sava que: Ach11q ~ dicito nlo pnata Ou voo& .:laqaelcs qu~ dium
que :t Jir:na lhe d, tudo qcc preç· ( , .• ) /. VQ~ qvc d 1:z e 1ar
"o sindicato nlo r esolv.: na~; estariam des dldos wm o
ti fi:ilrJ, pcrs\U\tumos: satis ídto oom o q e? V d é d~qucle$
sindit. o. E, flnalrnente,a ma·or:a d05 ab lhadore s-ert ln<lí- qvi: f!Ç0(1 $():io só por o d-a s~ttm:·u m:.die2, dcn &riíl, pQr
" en.te: e usa , de [armici e do posto de abasteci cn o? Ou você t m
wmpddo seu Yet, promo~ ado a u da t·~!at e por lk ipAI1Jo
• Este sttor de:"=,onhece-0 que -seja luci ;in4l.;ltl a pi1:1,11n ~unúir- d3 hth•?
Sindi ato coiroau1 rd •le, com furdooà.rfos do s~roo. O s.ltidlca!o A ~ qv vive. ·tzcndo q e o alndlea o o.lo p,rClitO mia pe,~r •
t visto como Q1.1cm dá > aum~nto l11!1al.aquele q uc r:tt os •CQCdoe C;moli: ~ vo~ ptulll? o d' crn qut. todo! oi troboU1odor pr S·
'l :i de clms' ·:,s L~rtm o • dlc-ao v l p CII IQJl \bin ,. pcrqu o 1i1wfü:nlo n ~
apeou o pRdio oo su dlrcmía, miil$11o uni5o de iodas p;ar:i dclc: a
N~a inlerpretaç~o, a rcspon , bilídadc po r t.al situ:iç!o de n05$08 in tcrcnc, • .n
~b ia ê óire orla do sindicato, que ae fazia c6m'plí~ de umfl
estru ura sindic.iJ de submi ao ao S.,1 do, rao.s!o mando. E em t.egulúa perguitta e o leltor ão é •nais um d q e es
a 6im em " traidores de ·ua propri l&sse". que " metem o p u 11 dlr tori;," . mas nem :abem ''onde é 11
A violência véroal expréS.Sa :in1agonimos uguçad~ pd ..
in tervenção go emamett' al o 11 repressão militar . m 1964 o ·1&. Ver, pue óticos dllcrcn!C3, o jorAA I l..i cri çãr., n.• 15 (pvbllc$çlo
ci~ndl:itim1 , ~ - Açio l'opulii r· na época) , e a li\'fo ck O. -li~ .L. P.
R•iri O, OI), clt.
15. f.'.Tórtci: ·um111,
cxpetflr1cí1 )unto o prol:t' af • , 0(1. dl, 77 Tri ~ Mcuitllf8ic.cr, n." 2.
278 7 279
."
...j , .. l, :f·
1 1J
1 :.j, 1 ~
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sede do 5i. d:cato",pr,f.s quem dessa orm ts m r:ifü:a o .sin· sid de de i!.lrairos cpcn1nos 11 pnrti do ua , cxpeetoli-v licu lt:,,,
dleuo fa orece os pat1 e é, portanto, .. traidor det cio. e". li ta dominante entre eles. A e<lift~iio .d nnva $ede, cuJ s br.t$ 1:
No dcsencon!ró das interpreta ções op &ta$ cruu~se uma se inie[ m em Uln, é dlvemi~ vezes anu e iadn n s páginas tia
I"l
1 m«ma con$latAÇiosohre a dtst!ncia entte os trabalhador!:$ n~ ri urta ,{stal írg;~ como exp, o <la p~jnnça dit cntirlode. j;
1
Ubrlcaz e 06 dlrigeo $.indicais. U 01 terceiro registro pode · m 197 ro· nbeJ:to umti .suh~c:deem Oi~de nn . O St: ·Iro otloll • !l
'!
complet• r o o_uadro. J...ula, nanando seu ingress::>no sindic.ato, tológic:.oé presentllde>como ' o maio ( . .. ) do s1ndtc tismo 1
:·1;
I'
fala da "mudança de. perspec · u": paulista ". Alim cli6'SO,. dín: toria apresent ,i no quadro de suai 1 :· 1
1 , 'I
1
suas id1fa:s ote riores, 3SSinala m ém a noçi'lo d.e que o q e rnel'o que :i unei a posse d.i o va dire: oria, Vldal publica um 1:
faltava era um bom didgen te, pt?r ~rolver os p o 1cm s. rtigo ntlt ado "O que é o sindicato e por que você devo
A verda t que ~ diretoria eleita esforçou- e .iro ue o tomar-se mio .". Al ele &equeixa de que, if1> esar <leo sin<licaco
indica to fosse 8$ wnl J pe os lrn alludore como um órgão de cer "feito o -que est ' ao seu lca.nce par11'.l , iuformar -se ele va-
uts e n o SQménie ·< omo
uma sede com seta serviços $SÍS· mcnte no ' niéo e B'!I 8cnice órgão ~eh• doz intc.ress-ese
r tetJcia· . ·1 c.lireiros d0$ seus represcnt d0$" " cm f ltad J umn l i r 11 detfo
··',.
O'$ trab lhadore, no qu dro associativo, ouso:s d mon$U~çJ:ode
E, no oumto , o que ressai a da acivklaile s' ndic l nesse !
pet'otlo que va d %9 até 1972 é o empenho para d-0tcr o dcsco hecimeoto os beoe Idos que noss.i -:nt(d::ide pr~ta os
seus s!.ociados'', E pi!SSll a ri:laciol'l~r C.iis bencíriJio:;: mni~ cfc
t
'I { .
$iodic fo de uma infra,estrutur 11e air fsse O!S trabnlbndores
pe os setviços prestados. Embo ra reafir ando que a função 5 mil ateodimcntns médicos por m , e o.sa t .ndimenl\ : u<lunto-
ptineipa C011si ia 11 defesa dos inleresse.s dos trabalh:idote5 ruis ;1.
1,;
rebç es de trab:.llho, 1 direto.na parec ia dar..se con d.i occc:s- nl . PM! v~ d vctt1,s d ~oncccimcnro e : Tribunn ícffll11!1• r,
o: S; o rd.icio ~ L. O.loche 11e>li" TO d J, C P gul Ori!o , ,\ iomfTICfa
da Ford, Vozes, l~IJJ; de ln cnto de. Lula 'n L 1/a sei I ç,11 iu(f,
78, Lula um <:ni.sura.l/, ac3, 191>2
, p . 21,
op . cit.
280 .,.,,
ógico,, Jurídicos e os dos demais departamentos e.i;cisttn(es. sua iruport!ncl1t
. .Nas pé.gine, do Jornal do sJoé kato e n~s ascem•
E então adiciona: blélas. Paufo VJd:ll eitpfü:avu como tn'l:iScor,·um os (fü3(dlos.
• J o ~i:r.i tro da flm~o bá ica do Sindlc to,
idl!::tu ([l.!e dCTI
Pnrntirs enle Cl'3 representonles operários knvam su:is reivín-
dczm 3 e dezcnu de rcunlõi:3 s o ttàli7.adu com u dln:toxioada, dlcaçõe$ para uma IHJdlênei a no Tri un.il Regi,nlll do 1'rnbaU10.
div • empru..~s do G o~, no b· c:::i e sol~iio do problon
ut cbeg~ ,a ag OS9'1 ccml1·tdt1?enlo • o
em que o juiz tenl· v.i um 11cordoc.ntre s part !S. MM, cr.qu :tto
oG dele a os dos trab h~~o r~ Síl$;LV. l'l)•:IC I m uri:umcn to,;õcs • .!
-1~.,. ;i j
sobre .:i jus iç.a e J:. vinl>:lid.4 de suas propos t,.s, os rep ·cnLa ·
Procurando mc·O$ .Jc aumentar o número cJ,.,assQ~[!ldos a ces pakoneis limitavam-se i neg Civt1ou ao si· ncio, <lcdarar.do
diretor ia chegou a levan r hipótese de pleitear~ restrrção dos só aceitar nqu lo que ~teve estip-u[21(!0 em ld. õ .E: on 'o JI j:
reajustes Hlariais apenas tos ,indicafü:ado.s. i .13SMidéia (togo aeordo ent e as partes, o dfos( io ia a julgamento da Cor.te sem . 'I .J
abandooada), e por ur lado reafirmava urn padrão corpo~·
tM.sta do sindlcaro, P,>r outro eitpre..~ava um cmpen o na
particip >ão dll5 reprcstoteçõe.3 pattono.Is e tnhalh.isto. essa
in.stânc·a oormalmenlt ~ iuúe! reafinruivamó5 í.,,dii:cs oC.iciEii5
l \;:111
1
1,
.1
diS1ídios trnbalhi5t1s elin Lava m fundo e ceticismo 11.c rea de _ •1czcom melho r pt 9aroç o e .fundame1lti~ ,. A reJvl11d· • ç~o r' • .1 ·.,..,;
cm de m rcoj u te ti Cr 230,<JO pn , rodoi, o que itnp lk ario
:J.{·.
80. r íbrma Mt t4/f1r-1,;a. n :' 9, • : •I
81. Ver • .Re.,~c td p or; Of d ndl~Duda," in 'rr 'burJQ MCúll.:I,i 'CI!. n."
.'
m fndke de 102% 1,are quem g11hava C i 22.S,60, dimi-
uindo-sc té chcgu · a '.' % para u .m recel>es!ec,,3 1.0 ,00. vi en e, ignorando as l'll'ZÕes2present2des pd os trab~lha~~res.
A dJ,{t,toriaapres.entou:i proposta iios rep~e.,nfantes elos demai A matê ia desl.leà 3rnda a prefOtênc~ elos .roiresenmnlce 1ndus•
sindicatos, que tinlu1m dissídio na mesma dara, e 77 dos 3! triais: sue " tir-ada.s~are ~cic,s", !tas i:e.·p,oas fat.e11do··~a- ,,
'•
pre.scn aderiram a ela,33 A asaemb éia d catcgcria p·ovou ~ com as nossas reM11dicaç~··. A liç!o uu- ' e fol tle que
.ainda, corno pauca. d~ re·vmd'.cação: u piso salarial d~ Cr$ er pn:cito aior unid de e orgiLni:za~o par, que :' tr:'bnJh, •
350,00 (epoi ndo nu a recom~ndaçio do T ribunal Superior dores fücssc v2ler :u.5 dit itos. C..,ama l 11ten~o &me.lao
do Trab llio); férfas oc,m p gamento e.m dobo (argumentando modo corno a diretoria ex~ .aco recimen.tose ssinnl . os 0
que sõ sím o tr.>balucfor poderla e(eti\'11oiente gov;r as !érl~ difiçu[ó.ides, lr.tetpeland<>cad metlllúrgico para q~c. ~. mvist
e .recobrar su ene:rgia1;, o sindicl!to poi v ..se num projeto de das cxigê cios posta5 pan q e alç neem s11as rctvmdtc.:içüts.
1 i que · b.avi:I tido apruencsdo e rejeita o na Cãmu~ Federe.! Scg\Jlndo .ess lnha de preoc1.1paçõ s. o sin~i ciito defla-
gu e aco. par, a em a e ação
em l971); reajust~ serne'litrai.5 rou a campinha de 197l .atraves de um, ~es~ ·1sn entre s
do custo de vid ; ex :.os o do safnrio-fomí! ia à1: esposas ou tnibaJhado res sobre as reívindicq,çõese s 1· or dodes e_robrc
companheiras; sd ários por q .lnqü~J)i0$de ~crviço na me ma as formas de encaminhar campenr.a. Ch atea a.o cm
empresa; ~onhecimcnro dos c.lelcgaos smdic:ii s. porliculer para a alt rneuv e ncgoctar cm conj co oom
O enCIIJlllnhament~óas reivin:diei.ções foi !eito pelos repre· mais sindicstos do intcJ:ior ou cm Stpa o. Além_cfo eLv_m.
sentante da :Feduaç o d Mctn títg:icos em nome de 34 siodi - cfícaçôes ec nOmic s ]~ babi tu is (o rea juste . um í'.)1 sru rml,
c tog. O rlban ções operá1ias, r ou o
recw,oo as reivi dic11 ~l:>onode férias} e dos desconto$ em f.1vor de $Í _tl_cto,
reaJu$te em 24% (se I ndo o índice oficiBI e 1:once eu um ress ltavam reiyindicilçóesno se ti<lode í a·,, ccr a ul v1dadc
ese oto de Cr l ,00 :Je~ad· , opcrirío e f:ivor do siod.reto~. sindical no mt_c
riot .da empresas: estabilidac! -pot oo dz1cg~J
Não deLu d~ ser signíiic:stivo <JW!3 única reivindiea?o : 11pr slndic.ats, ctt,Jadro ele •avi1e dó lJJdk.ito cus e prcsn .. l1nlw
sentada n me~a de né:2ociações pelos lndic to.s de trabalhado · c.s icl de ôn ibU5 cm d"a de a,.semb ltl sh1dlt:ú, rccon l=~c nto
· re:..a«ilh lda pelo.Tribunal do Tra alho, fo.sscllqucla que con 1
do~ sn de empregos do 1,ind·ca o, iber.içnode 1clo x1~d1tnte
llnnav-111o cor4.ler co crn1·vo da ~l n: ura .sindlea . 0 dlri ente siodi nii fest da pr<xlttção. Ali!_ . dcss:is
h · 8rn OtJtr, reJvind cação de comlss/5,-, p~r ldan;i, n !
A t.lirct fo aprese o os rc:;ult;-1dcxs
n, primeira I tigina l.lo
seu jornal, convidaodo cada J itor "juJg~r (J jufgamen o' ';
u, u5 c-ommnls e míl crnpn:t.t dos, pilra 1:c ..1\JH'
1:mp•~
intern os a ~de uma ela .
1
,.
~ v,~,
.. 11· .
.10~
• Foi Jus:o Houve !a•b 37 Cl1Ul t!c"Votin,Kr o Jw&otnc>11 rorreto - Mals um ve2. os empresários se cccus.:munA negod r. e
1
Tr. fonn~-10 nvm ;11 e f~ça.. i Jwi;in,e;nto. Ocpob <en iJa ,eu 0 T ribunol ·ulgou o dfssídlo l' ra o coojunto dos 34 .slnd!c?tos
0
nrcd to co:n o no;sso ,. , ·114 represeolt.idos pefo Fede tição. O índice d reajusto foi o e.st1pu-
l do pelo ove roo.
m. pJgiaa interna a diretoria a cescntiwa ua aviilfaçiio. Esse talvez tenha sido o mame to ai:!edtico par t e sindi -
Relata o c3 orço de arg •ment-aça da rq>resenca rrH:l h'.irg ca, cato do po n to de vis d ua legitj idijde perante os base,.
iott flsiõenc·a patron.tl, o apelo cm v· o do Ju1.: para urn Seu ' cmr nho p1m1 <>btcr conq1:istis sig:nlfi~ti ,ros na nc:go-
ao rdo. Depois, no j •arnenro, os votos que reafirmam po lí ica cíaçõe, <X>m as empresas não tinha àlca~ç, do iuult ado. En-
.... 'i'sso t bcneíiciando.$e
(l l l8 IV •
de t1m• cooiuotura favo,.
,t
ved' n~
l .
83, Tribuna M~alúrglCJJ, n ' 7. m~rc-ado de robalho, .s1.1reem)versus fo-rmu de p~ ..~ •~ 11
M. Trib,ma.Mt!.4IltJtt1cá
, n:' 8. dos opcrãr-ioa so l'f> I!.$ em1 re :$ (d ncgat,va. m te11l%ti -~ums
28
extras à_spnralís.nçõe, de 1i<=Çóes)
1 com t1lgunsfl:$\Jl
.
ta os pos1h os.
• 1 '.
1. .
~i
m 1974 a diretoiia se l::inçoucom afã rul campanh , d«l· 1971 o 6incüeato ru iz11'la,oo 5egundo se .e.scre de cad ono.
dida encami n har por se.par ado, coovenc[da do oanforcnismo uma cempa ha pela an tecipação s-alEri1, como ío a de com-
dos reprcs.cntsntes da Jlederayão e dos sin icatos que a seguiam. pensar :1.-sperdss ocorrlôiis durantt o a l . Mát dC$t'avez o
A dfretor"a d São a e.rnardoprecisav romper com a rotioa dos sindicato reivindicava uma "repos'ção" e oão 6irnplesmence
dtssí dlos wn re&Ult do . Aeoote:ce que , para poder :represtn tat " an.tedpeçiío", qua ser'a d pott de.scona.la 01 &ca·base elo
legalmen te aua bl!6G, e, sindicato leria de receber a aprovação · dis-sídio. Vána:r forrt).4$ d~ prc.ss!lo estanrn do e:v.rcló no
de uma assembléia em· ue C$.Uvessempresen es ao menos 1/8 e nível de casdaempre5aem iniciativas ucônomas ~a base, e pres;-
se: ti sóc.io~. O quorum não foi tingido e, essim, a c::ilegorie foi sa::'ldou n maior d in&ro lsmo na ~tegoría e aprov i ando-te de
novamente rep r~eo 1ada pel& Pede: ç-o. um clima de p rda l d~mpircssio nt. ~ ,junttir das dciÇÕe$
Cessa vez as part~s chegaram a um ecor<lo,que foi orno de: novembro. descomp !o fo ef tívatnente burn nte ro-
s=do pe o Tribunal e saudado ~I-0-s dfrig-en ~ dn .Fcdef ç-o câ.rín. te de- em vis q e logo npós as ciç e$ fo • m cfoCui1•
C-Ott10 u1n vH6ria. Na ···rJbunaMeialúreka. Pa lo Yid apresen-
das maEsd~ 200 prisões s · e a trc os oper .)s d_aVo bw ngen. 96
t u cm decalh~s o . co r ·o cote ivo, fazendo $Ci::uir cad.i item cl.i o enc.a.ato a I cvirnentnçiio onscgtllu q e vnnnl e111prcs.u
opiJllêo dn diretori . e) reajuste s-.i rfo! íic r.1 1% 11citr1t1 o conccde.ssem um!! o.nteeiptiçiiosolarin l co 1ovt:1 bro, ~ m dc-
ín 1ce. oficia, mas a dlreto.'a de Slio D::.mnrdo .é rc:fc:a ilOS zçm bw o governo nunciou utn abono l,nio.t de IO% pnr a
índices d produtMdad e lucr das inchl tras da rqii.o pnra todOISos raõalll dores. •mbora ião corr ;:$_pondenéfo110 que
expor st1 lnsa i5f11
ç:io.·~1a considetou pôsitiv meucealguns ltemi, fora rcivínd!cedo, eram in ieadores de co1iqul· as pe lns qut1ls
como a extensão· tia t eaju~te 110s admitidos há menos de um o sindicato vinha luu,ndo desde o ln1clo ele dé-c.ada
ano. ~mo f6rmu1Ad,, combe tr as d ispe.n es em ma sa cm A imada com os result c!O$, dire tc ris s[ndl ·a a re a
véspera~ de dissídios; o fot'oocim~nto gtalulto dos u ifon:ncs c:impanha de 1975 convocandoroda a c11:egi:,rie _paa a luta.
exigido! pelas empEes~n; o de.scooto de Cr 10,00' de 'todo os E como tinha havido muda.nyasnos c'lculc.s pan os r~ ju tes,
em rq e.dos f vor do swdlcato; as reeo ,,cnci~çlles · s mp~ as e a enfntizav que tudo dependerla di! dis1,osfçl demons rada
para qu_ebuscassem fad li r ho~dos de empreg!dOs-es t tdiinl~; pelos prôprio. trabal baclorcs. A prim•ira 11ss_1 bléiil, c1 ianoiro,
e a dlV\Jlg çio .dos cornunleados a:.ndle.iú
s. Mas e p~ou sua nl; deu o quonim m?ces ·'ri o para ti.m C('IC.Ominharoc n o legal
avaliação dist.i.oêia do-s dos dirigentes [nd1caiJ qu se mos· independente da Federaç.ão , .' e s~im assu-niu u rtpresenlll:Çllo ·<·1
tr varo sati$'feH • Para g e. oonhecia o pap J dos mell!lúrgi::os. da~ metalúrgicos d São B-um ·do. ra e1""- a o entregaram ,,
·,f
·i·I'1' 1
.L
de São Bernardo p ut.1 QJguro a à .Fcd raç!o e. éOntin aruo tnobili:z.ando·se por . :
conta própr·a , chegando a re nlr 10 m,l as~oc1ad03 num
. :·r
' no 'milagre ·1c:, ' e nos luerD6da d nsse patto Jl, potltmos
dizer com c;,onvioc;i!\o a 'ula, ue m~i.3 uma v~ t11!28 à clu s asseo,bléía.
1111b11lhdo .1 o d rei 1) de partlclp~r dm 10, do ~u cru alho • J Foi s6 m1 e:tmpanh.a; de 1976 que o sindi to consegui 1
fazer ler seus direiros vés de um e ,:.aminh 111en o inde-
No segundo ~cme! tre desse a no, o slndlCDtovo1C · :i.rg:1
· des-saveit reivincrcando um repos i~ão salari L e se apoiava etn
1 pendente da Fcdcr11ç . Após o dissídlo, q . Íotll U[Jlll vez m i 1
condtn ido pela Fed eração , o Sindica o de H B mw lo apelou ·, f ..
cs at[&licasdo EESE. que po ntava ;s deterioração do uilá lo
real dea,d~ o mom ento fo rcajus·te, cm obr:il. a vetdade desd~
par. o Tribun J Superio do T balt:.o e a rminou sendo aiten- i
:1 l
1
I?~. CI. 0 &lad o dr S. Pttul4, 'i!.>//76, dL jn C. P crio:o, Cor1id4nc1a
as. Trió ma rfrlç(iJrglta, , .• 2Z, ol76(drla J'IO 8 '1Sil,Acia , S7S, p, 132. .. í
286 • 287
'!
<lido, oh endo i:eivindi ;aç&! q_uc havi m iclo 11 gadns no acordo
firma. o pc ti Fedcr1Jç·10. . reu id::i e I ccr • de 60Q cmpn:so:s (<:u lp' rc-s~ ..:llm .1s IO mi 1
ues prl~i.ros i e.su tado$ no p ano <ltlSnego iaç~~ abo- c:m que ~ j trlb iam • metalúrgj, 1 da c11p1tul),sc11~0 qu
rai , ainda Ut: mocfcitos, parecíom pre.mi r persist&ici do 50% do! operários era' tmpregadoa 1i11~ dnoo Ql'1ln<le,monlll•
slnd·ca o n exp oraç io de odns as poss bil idnde3 egais .u-11 dor.is d:: vc1cul.os.
afla'rn:tr s dire itos d seus rc:prescm elo . Mos eles não po( em ·ra graudc, -;orno já vimo&, o di I ãncia CJllrc: o i:ln iclllO
ser expllc~ os apcn11 1opelas ·negáveis quafd ades da dire tor'a e o.sfê.bd ca3. O .sindicato proc uta va toante ivr.. (')CC$e OÇA n.is ,'!
1
e sua as.scssori2jurídi,.:a. A abertur de um espaço real de nego · empresas através da tividad e dcs dincoru sindlcai.s bai;c, 1
las,õcs - superaDdO a situaç1!o anterior, em que os p11trõcs e que pertnanedaru llg dos à produ~o. l'mh m por refa, alto,
negavam e ouvir e o 'J ribuna) se limituva aplicar diU!mc$ do I· de ap iar as lutas s rgldas focalrnentt. distr ibui:' os mat rin t
govcr n - e.st~ vlnc · J.la a, de um. lado, ;io clim o ei:al cri do d sindke to e realttar o maior númtrQ possível e sin ic:i i,
com a po iítica de "clt~m p e8$áo" inícindo sob o com:indo do zaçõe . . ãc era um nb11lliofkíl, pois enfrenl ov , d m !. .io,
gcnc:a l Oelse na pn: 1j êaci da tp hli a, de outro, . dína- e desco n(i_ança ôos trob.ilhndorcs ; de 1,utro, o e.lima :cprt:s ho
mjsrno da l'C$LSê neis oper tfa no in erior dn c;n prc~s . A
poUticii d "d comp
i pl iCAr 11m.i ce
o pelo alto " do ~vemo Goieel. r:o
r-valo it.1ção de iru<llnci.i do parelho de
des empresa , sem conta a inc~ ri.1,RCÍa dos <li etores.8T O
oc:mtrole e as r~p=álies eram mai ores r a Volk4w,ig en na Mer-
c.od~-ne z, .,n mesmo n For ena Sconill-V ui~. rui. lí,ra 11'4nlc
I.
1r
J
Estcdo ntti enl5o $Ub el ida cúp êJ tlo c;ic;cct ivo, p.ocluzio 111ai-Srbemis, alé mesmo a inJic 1Lta.:5cera 111tmpr.ítrc.a 11uc
õert ur, s pani ::vcntua co.l.W~nl d~ algum s r· ivindka~es
nu,sc das na soclcdad I civ il. O Siod!cato d<>!Meta[úrgioos de. • tinEi:aque se, culhadc b c=co,1-di,las,nn$ .n m cm q11 diminuie
e viEi ãnc:iJSd chofra e do$ g.ard.r, çomo por ctnplo, clut 1e
Sio nemardo oub se fazer porta dor - e oube potcnc er - O Dk!90 ". H •
.1Jgumas ~sas p sõ:':S,que inham de $UE ba es, n~s empres s
da regiêo. A ?e quisa re alíza d i...ai A ramo re,eo
po pri:closos
depoimentossobre - e oon role pstl'mal, qu considerava a
ar idade siodica l mais banal como a 1:0 suspcJ li,. O- ii t'C
O Sindicato e a fábrica i dicais tlnhsm. d:: tomar; eui ado aia " não c,cpore1n" os d~
ro i trabalhadol't:;S s speiw os ,iiilat1lQ da mpresa, e
Uma particut ri ttle o ívcl rio Sinolcacoelos Metalüt·2icos freqüentemente permaneciam !l0%inh.o6nos Onl us d
de -o 13cmnrdo reslcllu na.".rua.Ç.llpr.cid:id de assl m lisr e c.sti-
. pelo receio que tln.ruun tl ma.l.sde se compromete
rn !Ar a, mú iplas e · Hfusa! formas de rosi~têncla operária que olho:; do~ chefes . Os teslcrnr n os dos e ~t 'rios que n o perten• ;.
esi1::,~a~ aç.õess nf,
ooor:i:ilm nns.en.1pr em gera[ m:ugcrn ~iam 1105 qua .r s simlJcais oo firmam e .sa i,- o, . se 1cferirem
d si d1coto, e sws 3gen1u ollmv11m o sindj to c::om m ita
scj~ inc resse q u inham pi.:los m1cetla~s e c.> índicn10 q >e
dcsconfl&1içá. t;is l r,nim,dio endo n:1le um meio fica?: ;:ir
lhel c heaa Y:im às mãos , teja o t.l~nl ecim nlo ptc!f i; de
a deles '1e stus 'ntcrcs f,
11gc11Jc5sin i ni, na fábrica .
O SlmHe lo e S. o Bernzmlo ~ nt[ 1·c teve de tl is~nsnr
granqe te.o o à vid;i d~ol.rOdas en presn$. S que sua ase 6 O inclicato pan:ce ter comcç;u.lo ;i ~ firo1u1 ci>n t.l uni
domin;id (Xlr algumeu grandes fábrica que eoncentram m:iJo- referencia pora a e.ate oria, a rnt.<liilaem que mostrou ua
ria d tr ballladorcs e cons lluem per i ep icentros c.lc o · e
influênw sobr~ 11 prl tlc~ dicsL Em 1978 o& ca.teg · estava S7. er • Abnimo , ap. ~., p~. 127 e
&8. l dem, ibl!idtn p. lla.
288
2 9
H
1. ,l'
até 1972. Só entiio terminou a causa, eo.m a v t6ri da posição ização de 1e115 emp e-gado . Não E.~ p n tn-OVL"f 1ç~ onlf'n 1·
assumida pelo sindicato. ' i
11sempresa e mo também ré para d ,w_n~a r s Mb~s, o :1 -1·
Nas pógin s da Trib1.maM~tal1írg1caregistramos niío só o
acompa ,ba enro de ptQce;so; contr,a empre as, mas t:lrnbén,
' ndica o depenc!ia n tu111 lme.nte Óll dispimç110 e dn DhVLaJ e
dos operários dentro d~ enô11fâhrica..
l ;1j
•I , t
ori::ncaç-o para os tt11b.illi:.dore!It0h re o modo de U$acem • • sq1.1i,nsfei~ a 1espelto elas ,:ondlções uc lr b:ilho ,! '
eia exi.stenlet defesa de eus lnt~rc:&~. l?m [971 o si dic-:1 to nos cnos 70, ressaltam as guclxn do, 011eril'ios respdlo ds
l•• j.•
1
$e di lge à V fll"C$ bu~caJ:ttloa e hnimíção de a~ntei insalubr,es obnp.;.ão que µnham de faz.er horn extr11s.~ "G E . casos
m mm.tos I' ·1;.
..
. ~
!,! . .
na seção d9 fundiç~o d fál,rica. e, enquanto nio se obtin hn ta o oompromls.sode tnbs J, r em or:i e.XIQS en cem 19il'o Pra
objetivo, r& rc crido o adcc·cnal de ima ubridade. ~ru 1972 é :idmlssãb ser.do a negatfvtl m tivo de d ispenSII. L. Abni. 10 obscr- \1!11
(
den ocia a metalCirgkil Cttfriz, guc mud ra ho trio de cra- 8 quê na Merced.$ as horas c:xtros ctain rcaliudn · nos ins ·•.
bal.bo, com um tomo até .is 22h30, em NI s6 rcglscn se como de ioelllaDA, já ue a emp1-esa "unckins I cem l~ turnos de
v. ío.ssc até as 22 h, com arfííclo ?lll'tl não Jªiªt dicl nal oito bo durontc a u.mán'3. :Oo mesmo ,:nodo q~e ru1 qu~tão :li
ootumo. A Bomb S• iVei e é de.nuoc·ad ··por co,ocar sevs opera- d ,i.nsaluhridode, nos casos da lroposíçs > d s horas e.xt i1.!I o 1 '
rios ante a al!erna ·va de se,em demitidos ou acc· a:em sa ári si dicsto proeur u explora as pcmibillcl ides legais na de(C64
maia b lxos. Aioda em 19;·2, o indicato fes eJa nova vitória, dos lnte~v..s d - seus as-sociados, acf ·alti nç.ar · l gumfls vlt6rfa1e
desta vci contr::ia Volkswa en: o Tribunal decidira pe a jusleut · b:1sud1u no prinoípto do d~aso em u1l cmw1er do e n
da posição defel\dlds pelo i1td cato no seotldo e que a empresa llmlle diário de du s honi extras.
deverla deposí r o dinheiro xirrespondeo e eo fundo de g;iran(ia Entre o gundo semestre de 1973 , o correr d · ano de
sobre horas ~tras trabalhadas, em atraso desde 1967. Contra 1974. uma sér·c de p ralisç.ões parclait e outrn3 ormn <lt
a Brastcmp ç a Arteb, o !lin,lica t~ move J1i,io pela ·incorporação
da3 ru cx1ni:.no 3.° sn1 ·rio e na remune çao das féri:is.
P:rocessos por il'l:al brlclad s o ovido contra a Seime::.,a !9. T Jbuna M úrg , 11.• 14.
9() Vcr L.. ,/\!>f"1.mO,op . dt .; f. fiumphrey , Fo: tndo o nlagrt1, .ºP. çj/ ,
A tomei~, 11 Frl$-M.oldu-Gu, Fe ropcças Villiics. r o eeu
">ti.
290
pressão operária cr-..orr•:famem gra des m t:ilúrgica$ da re iio . O orcsidcnte, P ulo Vida!, foi ~ prlmeiro II onca~r nego.'-
S us atores Íôl'llm, qll!se $C1llpr-, operár io qunlifc dos que va encé to$ iai iativo., que, seguo,lo le, punham :m risco
provciraram os deltO :i do boom autom.obíl(stico obre o mer- oda a !itivkla e smdíce{ e a regtm.nça peswal dos róprics
e:nvo{v'dos.Seu empa.nho voltou p t u ti n: om da d con-
'..,
cad de traba lho par.. pre..é$iouar seus pat.rõe5 110stntido e
melhores te Jusic8 salmiaia.' 1 Os ferrarncnteiros da Ford o an5- trol de. .resl.sEncia oper f por p rt1 do sl11dlca10, procur n o
nn -am uma operação :.arteruga, dimlnuincfo con6ideravc.lmence cene!i7.:irC$S ! encrgl!..$na caropanh.a saf:ui11le descstim I ot!o
açécs nutônom · nas ~mpres11s.
1 1'
~ ntve·! de produç,o, a~ obterem re&juscesco~ ·dorados s:iti.s· 1
1
l la '
fatóri~. O excroplo pi rcce ter anim~do seu, co egos da Voll..-s- Ma5 Jnsfamente ena pc»iç;'o 1h P ulo YiJnl gerou 111u '.'
wagen. m novembrl) d e ano, ceo::a e 3 mil metalurgiC(ls desconter.tllmento a parte de dir tN-e.s de bast-do sindicato ,
do setor db fenamem ma d.éssà eropres Irúcttlram p reseõe:s $~nsíve s às ttl<)bilJz.içõea oas empreas . l!ncnr:uulo e:$~& l t."!S
desde a pamlisaç o du hora extr s att· paraliE"a-ç3ode 7oda como portr:do1·iu de uru pot~fJcia[ posítiv , ú sint.lic:ito
.ativ'dade, faze: d cai,· a produ -o num momen -0 in1eri~ deveria sn~r ~ssimUer, um11p;i re ta diretori;i questionou s f
deti anda. A Volkswage •cedeu os 5°% de 11cm nto reivindieft.dQS, . o ient.1ç:õesdo preitlde;it , prov ciu1do um11e i • !J1lenrn. A ~rt.sc
1
etnbora dec arando que -o.~descon taria no pró)Úmo rc:ij\me gerai foi reY>lvlda com con« es de artt a ps , m~ o rcsul do .·:
de u15r' ~. A recw a ,le horas exu-as tomou-se a forma domi- principal, o, ongo pram, foi crh çâo e m Cooselho de
nante de prcs d> ne5$: mom co cm gue as g e rc:s e.s,avam Cool'dan11çl.!odos Trabalhos d• Be~ ,CCTn) . oo funç;;;o d
v:lrtualmeotc pxoi.bida , o início de ·1974 s ações foram efe-
toadM pc· ~ opetârlos d.a ~erced • Benz, da Villar-cs,da Bra5-
temp, depoJ na Chryslec. novas p rafüaç.ões etnriaí$ voltariam
11 ocorre nesse a.no n11 Volkswa .en, na Mercede$ na Fo d.
fazer av..nçar prescn~a do slndfoaton.s.semprc:sas.Ele pes l'i:l
ª' er a instância. de cooràenaçaoda uMdade tios diretores tle
base. Co eç11vati se abrir no tindlc.LC'O
Alnd
um espaço de :ua -o
para um11 pla camad.a de pe rios üvos cm sii s Ióbrica~. :z.
m 197.! (de 6 11. 8 de ;etr;mbro) re.t.ll:zou-sco
:
... J
1 i
'l
• . ssas mooil.i2.aç,õel
: certa etite favorecem a fÓrma-çio-·d.e !.
.,1, 1
Congre.ss-odos Tr&ball does as ln1!(ístrfa M 1.àlúrsius, 1~
pequenos e incipico :rrupo de opedrlo~. qcr , no interior d.1s dnicas e de Material E ét:lco de Sl•O n~mnrdo d e
po e ;,
cmp~~. se e tt\UD1cavam par-a a deíesDd seus interes~es cole- '
tivot, ES'S!)fato novo ta ia de incidir -sobre o pr6prJo .lnd 'ca o.
Diadema. Reunlmlo cerca de 750 trabn.Ihedon:s, dlreto ia qutS
fazer cio Congresso uma ocasifo para a f rmubyão rle orienta-
' : 1
'1'
!11
..
!•1
A pr tle.a da diretorla sind·cal ín.hn'tl z.borando a rma.s de ções q e cot·responde.l!Sllm à$ especific d d d:t ctitegorí . R Ji.
um11'luta pelos direíto, dos trabalhad t, e$limu ando a.ss1in Mn e cociu611cia..s::.obreas condiç:les co.rtcrelcs e rnbst{ o e .,,
1:
.s ações coletiva d cat~go la. 1~ permanecl.t aind m 50bn::a legislação t.robalhi, n exls1entc e, cm ugui a, os pa, icl- ,i ..
grilllde dlst!ncia entre a 11çfo sindical e o cotidiano fab il. pllntes deliberavam sobre 0$ ob" tive a sa.rem li$ umid ~ na :
Sobre udo, a diretori r~ vja como condutora na tural das lutas p ' tlca sindical. . .
m talúrgi<:aEem su ba~ ierrito rial, sabendo e ·ta os altos Concluído o Coi:\ resso, os pre5c 1tes provar.un a "[ .:cla-
ri.soo en o exi$1U)tes, Assim, se ·a obili:zaç~oa tônom.a nas ra.ção de Sao Bernardo do C mpo" , que se cooselltdu nwna
bases deveria reforça a própria ação riodic l, el.i tam.btm e con• platafo m prog emAtlu q\1e pA.Ssar · r distinguir o "no,•o
trari11reaisteucla numn <lirQÇãosindica ciosa de seu papel sindlcaUsmo". Em sua aberturt1, l)e, l rr.çi'ioexp ~a a óticz
-dcrigen18. partir · a qual os m te. úrgkos d S o r:emsr,cloencnrmmo dcsen~
1,,V« t...Ál>.tàln.o,op , dt,. pp , 11S e u.; r.fit1.mfÜI '/, op- cil ., 1'}), J20 ~2. "' L. Abrãmo, o • cil.; ' Da1 oa e n.~io o, c, p. cit.; J J(~mphrcy,
..al Cam afllr~, i 1.• '22.
e 121:l; JoCl' op. c11. 1 M A. G1rcí11,·o de.:ii!ics d.11.)1,1
r-:,nomla 01,c: 1~... ·, op. cit.
2~l
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.,
1
Fl ,
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A Jl
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~ exprcssav um se time tc, d: qvo 0$ P.lltrõcs
egcciafillm oom as "1114quinas parado". O in~ucesr.o<la.
!i.
'
'
!.
campanha pela fe siçio pe a~ vias da jlll lç11do trabalho só 1~ :f..··.
I"
Com as gre es, um ind{Cl:ita dt· massas íez refocça esse sentimen o.
Em março de 1978, no mÓ'men !o de ne. mính2.r erunpanha 1
:
f. ·,
Com M grc v . cx;orridi!.s rc 1978 e 1980 , o trlndi,:ato elo reaj\1$e alada! da ca.tegoria , a l!SSentb
léi .. aprovoi1 u a !• ,.
tomou- ., um ~!eip1tç11 pllhli~ operário'' m que os mct11i'tgicos resolução q1.1erom:pla com 4 r Ün3 dos tli.ssídios, cu mio nclo 1;
d rc i-o ·cons ltuír:inwe , como : m sujeito e leti o. Es3e se num elsbor3ç o das c.itpéril!n °cia dif todo :> correr do décaJ . l
novo a 'buo só se
tornou s!fvel atrav&da pre,cnça "'ª 0$ rmta rgicot e São e erdo ili in buscu m eord dir to
no intcrio d s emp<e.Ut.de v-ma ampl amad de opcr:frlo eQnt O! ?•trõcs . Isso signif C1' do L 1111,
• nio m•le comp tuar com ll 1,tr-aad 1 ~ocloç,õq p,ru o tuju \r.
. aal.a:ri~l, 11j eb ' ·vo fuul' ó iúr lcgit imi d.idc 11. um í:tdlcc e"'º: mvdou e •i QII~ cku• forma n:ldo nllltbr ' . Cl1el,l~i. J menlov J
, • . , . j u~Le arbítraria.me Me fj o ,Pelo · Oovemo, CO!'O b~c cm f.stor;,:.s m1;ole,ti COlllt1$à:>de que :r el•e cm r ari~ o~ q tt negoci ar
· · que nl!Jll . ao m ~ tabcmot ÇQffl() s~ , ocm1 guldé'.' ,iro com l-:ti tr b~ doru, D!t 1i~u IOd& ; a forç Irsícn alé 11
,. úlllo1n i@LI! de r. Por is.lo, Qilll na hor:i de ~i~.ru,nc,_s
o Jill i;>gl•
de lnd,;, " p:u1ir rtrzi n e c.icis, sem ni.euoJe o;,tf1 • .1u1
· ·A Jidemnça sJo.JJca · ca-p~ y~ ~o ar o d g:, _Lcdo~ cm:o_mi-
nh mentes Jurídicos e uma dispos[çao g rnl de g rna1 efeuva- •
g evldcnte qt1e e $Índk:i(o ni o foi ::s mnho : greve~ qui:
evitada o~ usad~ com rn ~ ~
i:n.cnce.A palavra "gi eve" 'ainda f.Clt ü tes as rd,.:.11, ei.:1<f~seu diri-
eclodiram cm mrio • .Erllm f.1,1t,q
cuidados, mas os c.>&roplosIocalu:.idos de conqu1$t:l~ pare i ,s
gente$ e •ttcs;sorts tt urna gre •e como ór:í;a fonna de obrig,.ir
ob.tidos tra êà de' Opêra9~ ' 'rar taru , ICCU de OtaS exr.ra ,
os emprca~dOs a ouvir os rccJam0$ dé GC'US,:mpre ades. Os nd i·
pa alisaç6~ i.e~iais , eraJn · frcq Óenlemen . citado nas n:uniões
caco PQr ce:w não o·rganizou &\l 'g:revc:s, p,llrte por querer
con CJ"38S.' I?articu a roente .oa)nd úsc:ria utomooilisl:ics, onde
pre ervar legalmente, em pa te por lne:xped!ncia no 11S$unto,El'.as
as ~p~as ..~Ais J~.~
99né_i::iliwn.aal~t~f·(,~ix~ .!~ . c,.i_ .<fü~tQ.?
prlncipaJmente por fa ar-lhe Inda o onbec.Jmentoc.xpresro
riveês, nOEú] imos 8 ,O seus·OP,~tO.S perotam essas regaba$
uma itr~s da outr . Am.m; r exemplo, na Pó d ha\•ia:mper- cc;,s
ope ~rios nas empresas pfra ~umír la! pape . Ol T
I•
dido·· a ·condução gr 'tis o ·u~ plano de u(íde que a emptesa Di= 12 de maio, o~ o~r:i ·os d' S1aruil-V bis pani.ram
i. oferecls Mt<:$ a · se ·s em_prega,dÕ$. Além diss.o, cm março de LOtalmente o trabalho, dei :i~~do uma 01d grcviscn quC:se.
"
1
oi reeleito presídent.;. No seu discurso de posse. ele recol 1a o que Os op.erários receberam o paga er.to, cfü1 10. A greve cd :j· 1
1
l;:'
~nt!mcn de rcvo)Ja difus;un ,ent_ç presente enrre os me úrgicos en tão uma ''r Ço in$tintiva" ê\J]too salán ill$UÍUent ? ão .
de sua. base eo
projf:ta a na cU&~ ussão sobr: ·ª "
bet ltllil demo- Su1t descrlçio f z. rçswtar a racfomlidãdc pre.scn:e n ' ação.
n
Cfâtica". por refer :o ia à situâç o dos · frllb lh dores qu e cl
av Ua o~ projetos de· ,ocrá cos (os questiona. Dii..qu aeredi ou
JO1. ldi!m , blt!,m , p, 60·.
na y. idade do ciiálo~oprçposto pelo aoverno.
102. V 'a<S~ : L, Abraoio. op dt . : Ilar-g l'lefa IQ, 011. ci: :, IH~ o
• .Poc o, p:-oc;urctó Go no:- i' rd Umb«n os ~pre;ióo, . A lu nl:$, A.t /orm~ irevt - co11JJ'tJnto enf, 1!, '"' .AIJC )h2Uima:
· Mll5 dej>Dls d OIIO ~. 1nrlhmcnti ten I di:z;r qu& ni:d;a '9JIJ/BJJ,liac de dou:oraclo, USP, l 8 . E para lnlo tt~~ e dcrC1hncnl
c;olhld époç,, us jo1n u f;u, Trru1p(J e Met,J m • 110. o ,om t 1', I m111
Mttal rti.t:a.n.• 46, pu~Ue-t;;:ão Hlsrw· Jmedlda. • A ·v~ ne ei
100. {d :m. ibidem, P·. 5 1. .so, rra llu<IO<"q· , Alfa .or:)e !!;,I, 1979.
1 . e:ja..cl. Abtftmo, op. ,;i/.
2:98
11
~
"Enl . urglu d I parl~ d:l il ntc.:
n f te remodi,:aa , ~'(i,f
~l a " rallsa;io7 Para que
o aa lrio. AJ mu Iras ft inam : • o
..ç~o. A no f i:l <le que , Scanin havlu pa rndo
m ior org:ini:r.
circula num clim <leüts úsf ç .o jé , 1;c como in ·il 01·n pou1
8 greve. m ior p rt daiJ cmp~iw ; p~ut:1 de rel~índic çies
'
• 11ijo l.r.!m e
segui.timr
'7, a íeuiimcnt e c»mCf",.OU .i p.lll'$Sion.a;
a coo-
las a palavra J~eve ·~ que tsl4V• dift · ~ nir. I!o o t> p11..~oal
roí elaborada depois <le parcll' m as n:.équmes .
O sindi~t o movfa-se num tem 1, min:ido. Su lider:inç
.
:1
·,
'
1
uma ccnveoção roleJva que con,:edis um usr&ntode l l %
Automor.ores (ANFAVE·A) p dit1 ctuc os tribunais decreWscm
· sua ilegalidade e a, vertlu p-ara os ~CO$ de gcn::callz.ayâo,pelo
T•efeí to demonstraç.i ", Os tribunais aten ccilm a seu F(dido no
<lia5eguin e, inas a greve j' re aia5trara pela olkswa i::n~ pe a
l
1
rn is uma. an~tip ~
.sc:ol'd
de 1J% plr o.s operá rios elo 5-elor. Esse
o 1omou-serelerên ia para l~ dcm is cu11rtSJts,esgornnd
c.sseciclo grevi.s em São lkrna tdo. Tr at11.vse de ums dupui.
vi 6ria para o sindica o: e]a$ c->nqtiistos m l r"ajj obtid~s e
Merceàes-Ben:t.O e,fo-tçodo sindicato ia no seJiridode SS&gl.[tar 1 u,n.i OOJ
por t conscilJido , fuuilmcnte, es.it1bclece ivençl!"oeole.-
a e istência de m espaçt:i p-at a manuten o da presslo oper&- tiva, iolçiando no· fuc nas 1 ·;,5es traba h s s.
ria até obrlg o pa nato a ncioclar . Como dccretaçfo cfa Em 1978 6 onda gre i ta ]legou de su presa as cl:lsses
"legal.idadenão inilioidara os gr,e-visrase como o govem niio se domin~ntes.Oemoll$tra.nrlo uma oi posiçeo i1, usp: tadn, o mo- 1·
disp un a, OCHJ\lelaC•)ojuntuta, a lil ça po cia contra qperários, vimento ddlagrado em Siio B~rH)rd logo se eslenàeri.~ por
qu.e perm cclmn rn massa e ordeiramenfe de bra9Q$ ru-udo odo· o E.stsdo d São Pnulo e, r-~ correr tio no, '8.mlit!m se.:
dian te de suu máquinas, slt ação ~nefl i.ava ~sa estrstigia m.snifestaria.cm outro:; Es·adoa . Além de n-o C$pernr mi dis-po•
sindi cal. Em nota o: 1~ o sind·c to rcvcl v e .tão :1 pr cupa- ~~ão de parce dos o_pen1río.s . a equipe lc tevc.:r110es · •;a ope-
çõe s e ob}etl 0$ qur motivavamsua liderança: rando um~ remodclnç5o do Slslem. polític que não ~nscllrnvn
o 50 tlc umn repressão gencrnUndt, como 11.:rio fr.1to no p:i~~-lldu
.
• 1. As a.cal' ,piei sao /r l)lO d dlfi,uldo_des cnf~nt~<Ull pe
1185<:~râ ri.a. ~ da littr nJ~ & que crocs encontrado no me.in
Em 1979, emp.re$Ar io.se governo e.i. av refeitos da surpresn.1 '
da çlas j!abo111,l; Em novem 1-0, o sin dicnlo iomou etmhcclmcnto <.lc v11,
2. Ar parar eçe tEn\ rido e ponr u ~ .at,avl!t ti ~, nõo htl {!ocumento da F«letaç:5odos dú 1tria_sorfonrnml o e"' 1'.1clos
lqucr esi:.ui:m, l:dcol.õg"coo polClico,
qu-cJi b como prou erem em U!O e gt em suas et11p as.
3. Rf:prova os IMOS a .: que porventQTIIqueJram ie ,vala- As. NX:omndaç&s dc'xttvaru chm · a disposi~o l! os
d.~<: D$1.âr.dnpara iJcirrar oo Ugerir &cl.uçõei oontrárw 11ot que sc,i ewpreg.adoe. Eni re eles:
lnlc:msaes dot l n lul udotca 1
•L B.!sieramo:s qou o !atos leonm ~ mC!.t dt god ;õti o que rc- • 2. N!o j,~aQrcm neo.!1
unu, liipóicsc ~otag pzrn ~$ e o c..stbc·
wlfttti em s uçties de.moerái<:a e r'JU>livci, e j"11BJ& sl.rvam de lecer oc;iodos de. compcruoçõcs, p11 b 1· ·0 c.itiiilndo no P.rai l (,,in do
p l'UCJl"to tll r~ radca,li ções, ,epreuõcs ou v-io nci2S;
S. Aos trabal11l1d ,1rts- rccocneod;,rr.o1 firme m iolêti: e e ll
p Ni e~ , ats sa·li' m CJ!CC • I&
J . 14:!nu,r de ·od
=~ () "ª
form.i • col?i:AT nt li"' il c1
a a mnpruu ;
Yla ilblít o.
tlerlun c:o.o&IMB didJoJ() cons(n:' ivo. Alerbm->1 tar& que nlo , .• ) Corn ~la provkJMC:la, ~~ m ~ po5l!ibUld:ul.& • ~o\'ol•r r
u de e:m iníl odar ~ pa11fü1to;d desrinos t pro vocadall:11 çoda r pú blic;o, ( • .• )
~ ra4 a t~ df comum com • ut i.los tr•bafhaá e3 e cwSln• ~. Suspc,idi:1 pnr 1,1mou d ·s cl' · (dlsçfp iMrm~lt) aquel !iUC
rfiç to. _t07 e.i,lrA~m oa f-ábdaft iOÕ oor.dlçiM ele lN bnih r e u-o cumprir
o p, omct!do. m úlcirn,1 ínft.llncl• d~p :nnr rr, cer ro núm:n;> de
' ; A preocupoção cm des.vinc la as grev~ c.lequnlq_ue " pe
p! i l~d
s per ju., • easasa. ~ . jva,to eom o m 008' cl ~: 6~c
, pedir 1nbalhaclor (\tte t umA determinll:do
quem a ideol6 'co' , radicalis mo v·sava evitar urrui repres ão 1 refa {a nci;alin caraderi ri um 14 de, iMubonlln11ç-). &Si
militar. ~ e sentido nota é l.imbém um co:npro.misso dc il aç:io gen in~!f'JttDÇII no :i;es.acel. Oen.lmenlc 8\)Ó: n pr5 tlCA
rc~r,elto à ord ein vir:ente. Pó~ outro lado, o sindl c to bgi in'u1o cuas cmpreg1;dos u o slncl!,ca10 pccfrão s~i tSa, dJspcru:..s,
movtrnento e escabeJ«e o objetivo: as necodaçõe$. ;i opondo voh;i o uabnlbo-,109
No dia !O o s ·ndicato d~ Mela.lúrgicos de São Bernardo
assina oo 1 o Sindiciito Empn;$UÍlll da. I dústria Auro bílí5 · 10!. CI. S odroni e Sade , op. e.· ; f, ·:lum ph~ y, ~p. clt; R. Antur.~s.
op. dl. ; M. A. Gsrci;, op. dt. ; !ta.rias,i R~inllo. ai>. if.
109. Triir.·.a Mr.<tlúriicq, n." '49.
107 Oi4ri(l do Grande ABC. t8/S/7
3 U2
O J» lronatl> e abo ara i.s experi!ncias du greves e , • ina- OU!, a p;,u(a Côn u:m tlCOro tia ~ [os J1i,1dica t0$ nm:rt(l~iC C
lava as (orJ:llasde golpear f ur~ moyimc-01-0s.O slnclicr1todos Lodo o füt.ido . Di de mn.r90 os pat rões n[ll'CM:Oli\ 11 1un
metal(ll'gieos lnmbém, por ~ u lado, procur:iv trair .is liçlícs ron !ra ropC$la. Os resjus1es ria 1 em1l I dtJS tlc 57% p:ir:i
d05 e ntocimentos e ctt1 a izar os próximas as. A Tribem os ~e g:i h:ivam "é 11-ês a.6ri s mínimos, • lé 4 % (que era
M~talútgú:ade u c·a a ofen iya parroool. U1J1J1 greve na VºUnres O índice or·cial) poro O que gm1h11 Ol.!Íll\t\ I; 11.)S d~rlos
tcrm1 a com .a. dispensa de tn 1s de :500 o~nír io.s. A Se ni.J e mínimos. Mat os índices iooidir. m a brc os $· ];irio!- e bril
Mercedes r0c uravam d.m1 ic i. dke on:: de base <losindicnto. de 78 {eliminilndo-sc, -port11nro,os J l % conquis 1t~S otis greve$
Na Vo1lmv&gen, onde a rep~são tt..mp.refora maior, e ~nor de maia) e dc!i<:ontariem0$ 1J,5% conc:didos ccn o o tecil);\ç5o.
a greve em 1978, os par 'c.ipanle.i do T I Congresso o lnd ·cato O piso s.alsrisl corresponderia 21 2 $.tlárlos mínimos. Os ite s
fl ram de tld . O jorn d si dlcato publicou em sun prlmefra
p'g 'na o documeDto da ft ~p e, ao ado, 1 orie.ntaçiio sindica.
sobre dt egedo sindicst, estnbi idll e, 40 or s e outTos ~em
foi:am oonsi.derad . Depois d~ elevarem pàre 63 % o fn<ficepa a
... ,
Afinnando que os p.i rf estão se org nize do para te11tor a menor fsixe :.atarial, os emprcsári c-gramum a.e rdo com
derrotar e d~moraliza r ~i vcs, o • dica:o ~menda cui• 8 Federação, retmpcnd<He asim a camp nh unil.íri tJos me a- j •
dado no seu wo, Os tral,tilhe.dores d uma unpresa e conflito lúrgicos do Estado. ·Os sindics too de Sã I Bcma lo, So_oto ndrt
são otienrad~ para pro1:urar o slnd.lcet.o, que cenlaría os e· e S~o Caet;ino n5o ace1tam o ~cordo. !rn de e ,J1S1d r r q ue
cursos do iálogo e -Sóreuimeod va a greve com a prévia l"C pa- os re.tj ,(es propC>Stospe O!l p~trõ,e:; pn ·... mente nnulnriam os
ra~ão. Aa grev de scçã11e~rn taxativam~nlé clesaconselhn t"l5, ga11bosop,e1·fttios do - 1\1\0 Mtcrior , L, lo ti~i.rn~.ivnque o rci-
devltlo à. p r !lo (l serl11(e(ta çon tra esce:$grevi5tas. viodic çii d, esuiôiltd:ide, pat, delegaJ· stutfu; 1·, e:, tmp:re-
Na campanha saloti I de 1979, diferentem n:e, pois, do qu $3$ , er o llem p nclpal, poi, as~iu ria co inuid de do
acontecera em 1978, o shdic;ito ~s m tia clarameo e: a di eçiio orgs iuiçiio operária na s2.
o rnovimtJlto grevista. /\ partir do início do no, os di cto À. meia-nolte do di 12 começou 1 greve dw mct;1hírg,lc0$
do sindic.aro comeyam a ;-ealiulr reu iões p<> empresas m1 ~de d todo o ABC pou • to. D"reíe re ente do ruio llnter'OT, não
da ntidade. O aúmeto ~e reu n DCSe de parlicipsnr s vai num foi um ,( e e gr ves de fábrlc.1, n1a! umE grr;ve gc I da
ec~ ndo q e transfo rm .a ro ·na do síndicato. Ao se ~pto iro r c:i11:gorí11,centrnlrLiltfono sindicato. m, bém nii<, fo[ ui u g_,cv~
a date do di í io, a de permancci:J oeup, d po Lrnb.alhdores de "braços cru:i:adosan e as máquinas .lilracJ s". Como o s:
vindos de · dlfct1.mte$!~1,rl as paro reaHurcm su s re iões, cato s bi.i já s rned ic.lu quo ac ·am :omadas n lntc r~or tlus
{orm.ulúr~ orien tações 11ptinclp ioE de o g:io1Mç5o pera um empresas ::o a o.s,g e"\'lsas. orient ç;io foi p3,íl t. uc 11tng11tn1
eve geral da catcgori . Ho cuno d~es r Diõesé pel r·!" os entrasse. Os grevistas !.Cntiam entilo a cessi ade de se asre--
de eu:s articipantes, o o tfd1 dó d \,fd a íab cil é lr~fi o pa g rarcrn de que e c.avam enóo se • ô.! . e_assim re. ~rgiram ~
sindicato, co solid:mdo a·islm o papel <leste enqua o cc,lll'O de piqu,etcs nas portn. das •fóbrícas ou tro1eto llos &-11 bus.
elaboração das exp ·êncl H dos meta lú rgie s do ião. E, desta vez o sin icsto s:ão ten eu ullwpossar os llmfccs - ,' ..
,·
As negoc'.açõcs com o p lronàto, como era de eipe!llr. Jogo ei.tobeÍecid~ pel:l legisl:iç o vigente. Oi• 1S o T i~m11t Rc ioMl
chega am um impa~Et. a pautl. tle reívirn!rcaçõcs presen- do Ttnl>:il. o d-ecrelo il 1>a l!dndc li movimc nlo e cs 1:1bcl. ~c
tada pelo slndic:ito co st va.m a r posiçllo tios % ( 11e s Ol· 0 fodic d~ 44~' , \Jn,o ;i•sem éin de 11111is,J · óO mil nd:tllír-
n ra um bàfld lra desde a c~mp:inlui d 1977) odicion:1d.i o gioos reunidas no E! ádio de futebol l.le_Vil ·~.;li~cs r\l;il!r.m~,
in<lice oficial; um piso s;ilarial de 3 sal:í.ios mínimos; estabili- cm cl'ma de p0teo:s~, ml'lnter seu I o imeoic nlc. a •,d na. .
dade p ra dcJ.gados sindicais; jomadl! scman l de 40 hora&; ~
outros .ponto . As rcivindic~es de
O'
rn rdo ittce f , , ln ·
l
f
Em u discur.so, Lula cz qucstfo tle frisar ,1uc.o g ·vi? e
pacífica (e ~omtndou aos operários que tvicasscm piquetes
305
os sent1mcoos dos ouvi tes n eli,boração de 1fücursos g e
n:u porcas Qas fá tices) e q e n-o queri1 m intr<>mi. de expre$:~vim a dlsp-0siç.ãode rú.-indicar u~ dimt0$, ele •e
"eleme tos estranhos'' e de obje ·vos pol'tlcos. ao m~m projeto como ume expre..~ão ds VOCI nde co ..ti a. Q• :i anil-
temp0 as reivindiea~l~5 do mO\rimento gan ,avam a wnotaç~o mente meºs de 50 mil metalúrgico e.n greve se enco travam no
de unta u a sagrada, Conchmumdoseus comJ)llnheirosa irem es .,.dio e ec t'CCOl'lhetiamnas pali ns da.qu~le que hav ia rcco-
"até o flm" nessa ta L~T ô'zia q'ue lhldo as maoíí• ta96ts di$pets d, u.ma rcbetdía longamcn e.
•a 11 a p11u:agm ~ui n.o cerra 6 curta, ~ n se pouco espaço
tuf cad. •
de tc:mpq, temos de ruir o miximo de nós, pata podcrtn0:1 e i ui• Por isso mesmo a io e-cvenç.ã<, mini~tori11lno "ndicuto,
llir o dfrc:iro de sn Jiq- de e ~a liUÍ a. o Oi bar 11. ( rente e vi r efetuadan mad.rugaá do dJa 23, chego provocar certa
ttm ~~o de cfunidadc•,UI>
de~ticulaf,ãO noi p imelros dl11s.Sem lig~çlklcom o líder, a
• l1lU! g;evtst-a não s bla a quem dui~ -se, reve 11ndocom isso
Na tJela conjunt11ra cm q e a ql.lipe militar no governo
também a5 prccari ;ide da orgaruu,;.ão oefo bnu. Assim o ue ·1
buscava ~rar uma lr:mslçio no sistemif e em oe a opo,iç~o
Ó.te Orfo C&S5:9ÔattSOlVeU V0 tar a &$ UOit CômO ndo do ttlOVl•
liberal centrava-se nar. qu~ o:i lnstituci n is par uma reorga-
rnento. ficou pa ente que o "sindicat•) ~ l" n·o ero aq• e e que
ização democrática ,Jo &t11do, greve mt:talt'.irgica emergiu
estava fundo n:.ndo n ,edc, sob in eiv ~o . Utilizando i igreja
o Ucamentt tr zclidc, ai. questões rncials pa.:rao foco das ~ en•
M rtz de São Berna do, eram s ir·retorias caa d s de São
Ç(ld . Os tema da lilte.rdade de greve, da uronomi sindlcal,
&tnardo e de S nto André e IJtS re~pcctivas comi ões de sal.f-
dn po itica llllnial, for trazid<is ao debate político a parfr
rios que ~unia o.s operários e.mg ~ve p ra deçidit · sobre $CU
d própria ute dos t ~balbad re:1. A:J gre\•c:s he iam se tornado
tnoYimento.
modalidade princip1<lde expressão dos ,malanado,. o:r se s
Q:iaodo, no início da tercei s.rrurn· . 11greve d onstrll
,.
primeiros 50 dlas de g,) •emo,o ~net 1 Figueiredo i;e defrontaria 1
co na-da mcn ue 100 greves. ,Pelo ua Impere ncl., a g evc 05 primeiros &in j 5 de pero d fõlei~o. ct;la\ 1r;ab.11lmdor ss vo
'
elo AOC ie tomar! o pó o de oda ag ela movimcntcç o ocl • lando ao trab Lho diante da aus.:n e quolquer perspectiva i1
Foi oe.ss conjuntura •11Je e om ~fats , os nrnis orlados,·pro- de ae oc ação, a idenuça d mo imento acerta um ''t 'gua"
airaram e mobiliz:ar pa.ra apoi r gre c 1 vista como m nifes-
taçiio de Iuta democri,tica conti o .qlme milicnr. O Fundo de
cem o [)11tro to. A greve seria ,uspt o por 5 dias, rio rent •
tiva de se heg.er ~ um ;cordo. Dw ·ancc a crc:gu:i
a llduanç
1
..
.
Oreve const[tul a eJll? ruo material desse ns o mo 'meo10 de gre i.sc promoveu reuniões dlárfas na igreja M trh: com a
solidarieda ~. Assim, Independe cc de ua vonttde e apesar de dlíerentes fábrir..u p.era eforça a c:q~e,zaçiio nesre níve l. Dia
L" de lll i , m is óe 130 mil ~soi s 1e :reuiüram no est:ldio,
I'
lruistentes cxplicaçõe.sda liderança meta úrglea de gu~ $e mo•
YllilCD o não era político, o fato ! que ele linha illnho uma. m dcmon aaçio apolo à J ta d03 metalúrgicos. Ao findar"$n
l, irrecusável conotação po tica. o pr:no d trégua, a Liderança propô, : à assembléia e ceit ção
E, desta , ceo,r10da gre e não [oi mais o do coojU!lto de UI nc:o~o CO!l'Io pafrônatt>, que p~e ·Ja um reaj~1$t'cde 63%
ele r,bricas, onde os arevi tas rmanee ' am dian dl!\Sm41quin.is Alérn di!w, extra.of1cialmence, o go•,erno fazia t1ber que tus-
parad.ns . O ce.ruirio agora era do Estiíclio de Ví a E\lcUd• , onde penàeria a intervc ção no sindica te! . A decfsã r!e não o llar
se realí:zavam a gran es 1Ssembl6ia:splcb iscitã '115 , Fo i proVâ- à gteve (0, tomada com um ~bor arnargo de frus r:.çfo , e pr in-
velmente Oe!"SIIS assembléias que se lirmou a ide nçil c-aris1á- cipalmen ,e,ores mais crganizadc~ se IDll!lif;;tacam c~ntr.S-
tiea de ulA en tre 1: .assa operaria do ADC. Sobeodo ~.PIU rios e .reUrar da a em léfa erH!c""ndoai líder nças. s
estas consid 111vemque II rc omad da ere11eimplic~ria uin en-
Crcntamcn Q com o rcgln1e, par o qutl C1foesüm1m prepiuaJ os,
0
307
r
1.
e preferiram concluir u movimento coletivamcnt e "em :ilto."
do que ti ixá-lo CSYBÚiMe,.
o ano ~ 1979 ,iqucla ond a grevi la !ltinRiris se oL e,
' uan&'gir em nade. No dia SCilJinto foi so1ioito.dQSe Tribu ai a
decre ~o da ilegalidade <lo movime to. Mas este julgou-G
incora~ten (c pa.~ t11oto e ainda propôs um reajusl~ qu já
estandendo-s~ pelu mars dive ~ s catcgodas e por todo o icrri- slg~IIica:rie 1.1maconquista em Cerm :,.s ec:onõm1c~. A c11tegofr
f.' tó io li e onal. Mas t.imb~. e.Jurante CSl:v ªºº·o governo se recusou o proposta, porque consld nv
principai era
llC su11t reivin k.aç6 e$
guetos que a5~eirur riam altcmçõt:S do qL 1 i-
t
1
p.rep rou ~ra con•ô-le.;Na verd d , já m2.1ornide.s greves
corr'das nesFCano te nlnaris em e nquis~ econõmicas, e ils ad.e nas proprfo condlçõcs de e:çJo da cln!;Sc: estabi!td de
l· vez,ts com d~ro 26 sifnific a ivas. Aavin, no ent no, um:: re-
beldia presente 011 aocledadc e q1.1eaproveii:i a ''dis1ensifo
no cm rego du o e um ano, o tc1:ohhccimcn(o ele lÍ ·lceoJo
.sínâicai , n r du~o d ornad.E.de traba.lho. F;riium assim de
polit.ica" pa a expr s ; e.. A continuidade d " r nsi 5o con- rcivind[~çôes que in ere.ssav2m o <.OnjuntolÍO 11SSJnrí cios o
tt0b1d " requeri :1 fre Jsem desse prÓoesso. co crode s uta . Com ÍS$0,davQn U1Uoutl'O CO< t.::údo soei· .
luta dc:m~rá ica em cun:o no pak
Em novomb o é d1;cretada um t-et'o.cm na Jc isl~ção sal
rial. d t 1aando reajustes aemes-tmis oom magnitudes difere Tanto o go et o quen o as dirc~ d, gnH1des cmpm os
tes gando a.s faixa, s 1.lariais. Os que coebiam alt J s.,t rios p ttn dfam justamente !tlfocar ess amu a. 1 nle do a. inl:n!n-
mínimos cebetiam 1(•% a m · do que o ín<ll :: d preços; .~j,gfnciaqUOf!Lo a cvent alldarl de reabertura de negociações.
enh J e 10 :se.a ãtio oúnimcs recebéiiam o co~pondentc ao conseguem que, nll 6'eg11.nda;:;emattA,o~ sindica.LO$de Cmmpíoes
índice de preços, . aci, , de 10 rece~tam 80% do Indioe de ~ São Caetano e re 'rcm CUtgr~v,. No "jo 1 u II c:mprcsa
preços . An1.U1 mente os u"rios e.eria'm umentados segun o de $5o Bemar<lo faz tim cordo c.m separodo, iiucfacJo com
índices de pl'Qduti•ádade de cada se or. nca ninguém soube timusla!m pe!~s s:revl~ta,. que it111T. aí uma ii.$s :i na " fn:nte
explicar como 'seria medido e_sseíndice de produt'vidade , rnas patronal" e sinal de q\J a:i emp ~a, men,oresniio derl· m
1\ prática o lmpóYt.a.tltffoi que os conflitos u-ab-~lhí~tas p1m~
a üentar m ·.. e prcs~ narie.m as gn1-1<lci. Pelo contrári , o que
riam a ~ d:ir em torno d fix ção desse rr.onLante, dimi nuindo
acon~ ceu então foi um - LrilJ>OneC! otens" n.ntigre'Yisrn rornnn,-
a ma RC de ísc«:pancias. O governo prcten<Íi com i.ssodcses-
ttmuJ~r novos movlm nt.:>sgrevista . Para '1queles gue insi. tis..em, dnda pelo governo. Dia 1 o Tri~!,!nal.decretou ilega idn e: o
a re:pte5Sâos ria mais oura, c:orno se revela i . nc.~ mesmo movimento. O Mlnlst lo <lo·Trab o . s d u emi sórios a
m .emSão Paulo. · · empresá.r'osdo -for com orientaçoes ~t 'do de não negocln-
o entan O, ~ ~q !!em o, co . momecto da cont an rem com os grevi as e com a ote, ta de flnruic i I nt s qu
1arial de 1980', à d~'PQsiçá<lgNM!ta seria ainda rn!l· r. A compensariam u dilíco dados .eco : tes dtt $r1lli ação. No
polit[zaç~o anuncl da roo ano aterior e flrmari esse. E a tU 18 o li ndlca 103 de Siio Berna do e anto And 'Ó s:ão pcst0$
cate otia alcança um ní1 1cl de o 2 nl2:aç~o u1 o toaior. Qu· ado tob lnlcrvenfio. AJoda assim, e are ! se me.ntinh • No dia 19,
11 greve foi decreta-d a ma1orin das emp esas parou sem e a imprcn•a calculava que 80% dos mib füadQrcscorni avarn
presonç de pique tes. Crs operá.dos ném se dirigiram par~ ru ..s p ra.dos.No dia 20 romCÇ,!lm as µrl~6e i do Uduança 'ndicnl de
f.ál)ricas.Durante a pre_r,er&çlo ~rlot' h vi~ eleito 400 reprc- outras figures oposicio istas. Dia 21 o proibidas tmolfes-
. cnblntes para uma comi.ssfo de salário! que ah.lou na Yenfade t~s púb licas no i"ádJode Vi.a E elides e no Pnyo unlcípa .
como um amp o ccroj \ de mo iltzação, org-a.ni:zsru:k> o rn.QVI
· Snq uan o polícui ocupa'lt s ru 1, d' ,::>lviae lorneraçõc:s,
me.Ptopelas bases. provoc ndo um climade tensão, potl" ·V :tes governa, cntnis e
Os me~ lúrgico.s 1: São Btm::i o pcrmanecerom 4 l dia.s empl'esnrhis se csfo~ -vam cm tlosmPrnli:iaro movinl nlo cotn
cin grc:vc, enfirentimdo a firme decl.$~ o e ~me ntaJ de ruio refe.r~nei s s[ttu1çl[o"p\iv·egi da " ,Jos me; alúcglcos cio ABC.
308
Proeuranm, efe.tiv2rne1,ce,
desf zt.r o b o de poío que
se ço stituíra cm twno d ~-eve. Noo baifl'O$ de to~ a Gund::
São P ulo formavam-se com it!s de apoio à greve. Aquelas orge-
nizaçõt., que c:xprc:ssavam2 ~sociedade civil" em opo lção ao
regime milit r - Ordem d i.s Advogedoi, Comis de Jus ça Algumas
considtrações
e Paz, entidades estuda t:is,scndicato~.orpniz 9ÕC$de mul.Jlt;res,
de negros, de arti s - a~ttmira. a luta dos· metalúrgico" do
ABC como ~ ~. A Igreja ofeteceu todo o apoio p A II ifiu ão
do fwldo de gre.,·e. A paniji;açi , que for dec!,u-adai e e.!,foi
ÇQn,siécr.,daegítima pelo bispo da região, dom C1a d!o Hummes,
e pe\o c:udea de Slo Paufo, dom Pa ulo B .uisto, provocando
~ a~do atrito com o govento.
Com greve de 1980, o movimcoto re lrueote CJrtravrou ....
~: de ew o jetivos eoonõmtc0$. Ele enf ntou o reg,ime b ç:mdo
' utnil altemativ do s trah lbedores _para A tx•o.siyio em curso.
Pa rla a haver co oatt:o m.2jeito político no cenário púhlico . .. ,,..
1
..• ·-
Os movimentos ~c'als que adcntruam no cenário públioo
1
.-
..
a trouxeram nc,;a!
(e o moclificuem) no findar da década p.a.~sad
,,..
í
moda.I'dadcs de elabora ão das oo disões de \li<la.do$ cl sses
1 TÇ.' e de eq,m. ão ~oci"!.
pe>pu ....
1
Sua ce.rac-erl.stica.scomuns ncs pc mltcm fal r <le uma
nova coníiHwaç.ãode cla5'$C . Ou seja: um outl lpo de rcpro-
sen ç.lc das cond"ções de cla!re, que r,ssalta qmmd o ccntru -
amos COOJ O ·po predomina te Antes d: 1964.
Da., experiên;ia;s do au oritari m , e expcri!nci~ da
izai; o C!cou ama ntitud.: ri, pro fu ., desco ío ça
au 0-01a11n
cm ode ins it cionalizaçao que cscnpt do controle direto dos
pessoas imp ·~da e uma. i u ln:eote ,~ofund:i v lorlt.1;; o d
a •tonomio de ~d.i movjme to. Por isso mesmo n. divers jd:,óc ele
movime to$, produirl11 pela d lversidach dRScomlições qu · ef}--
vo vem cada um, é reprod zido pelo empenho u l lcnlc cm
man er essa auJonotnia.
O r púdlo à forro in~tiruída d.e r rática política, enw1rada
como manJpuliÇI , teve po co trapanida a vo ,11:i~e de 5c.cm
"N}elcos d .ua pr6prl~ bitt6ris", Lomando nes miíos ns dcci -
õei q e oCet rn t uas condições de cxístê ~ja, Com 1~- actba,am
310 ·' H
• 1
r a a?pndo a propri noça<>eia po itica 1 pois poli lzaram mú[t:.ipllls , mn slorlzaç3o dn n:lw;ões p 1n~ i~ e d:i (HÓJlrln .iClrn1il·
esferas do seu co tldlaoo. ç o d s con ui s d fracemlclode . J, .:is corulssôes <l salí<l
pejando-se nos vsl c,res da ju s iça oont[s ns d~i u dades imos a \ alorl2açAo daa coriq_~tru obt id~ nos cspaç~ dos
1
lmperan es na so1ú:d:ade; da soJids ·edarlc ontre os doml, adof, ·serviços publlcos. Na oposiçãosindicpl, a .,loriz.,ç5o n or~ ni-
os trabaJhJJdoce , os pobres; da dig,nl~•de coo tll uí da n~ pnS ria uç.õ.o e da luta 11a í 'b:i cn. No sind' .nHs I! S!io B!!rn:acJo,
luta em ~o~ fa~m reco ltecer ~cu alor; fizera da afirmaçiío vi[orh:uç· c do r,ccuperação do siod •c to como esp~ço pvb teo
da própria 1dentidade um valo r que ;inteude c.ífeulos r cioaa is operár.io, e as reves e assernbJ,.fo1s de mas5,11 com for rn de
para • obtcnçOo de o jcti vos coocreros. afirmação p0UtiCél.
Da expe iência da ~es do fim da décad.:. - e tcci- As cla$Setpopuh>resse rg niz m numn extrcmn v:iricdcide
mentos e e· is mi elaboração que fizc a de sua !&tória, atri• e plan.os, seguado lugar d: trabal cu .. \O 11di, segundo
uind o-lhe$ um. 5entldõ dt tran ormec;ão social !leoa a idéfa alium roblema e_pecffico qut a~ cm~iv:i Oll eeg •ndo :ilgum
de qu 56 com a luta con1uista seu, dfr jtos . princfp lo comu.olmrio que as a~ a. Em cac!:'tfor,nn de 01ga.ni-
vlas já vimos que a dlve:-s-idade é urna das caraccerfstJcas uçlo :: 01.2.niesta a obsem-vn pr~c 11pç,o e rn ·a p óprin uto-
dMSeSm iment0s 60Ci.ais-edifícil, po · , peMar-se num p.i-drão nomia. Suas formas de c:xprcssiio I ão .is mílis v rindns, mns
homogêlleo ou num mo elo. que os n:presentmia e qoc servisse pr'vilegüirn s "ações dire ta ", 11tr~véi: Ôi!S q1.1i$ m:inilcst. Ul SlJOii
de pared ii!l' n do im;igioáiio d3s cl:issc.s ?QPufor~. As ide id . von dc::s v ·is, ti ,eis,
. ror l~~ tuúo Siio muito ia 1crml tcn 1c::s,11111ln
des cxmstituídas no.s e ub,s de mies, nos grupoi de fó.b 'cn, no ta• to q 111t1to in.sláveia.
"sindicalismo autêntico''. nas comissões de s úde, embora mu- O movimentos soei i não Sl,bati'ucm s 1a ti os nem
lá•,eis a mutu~ente influ~neiíveis, pcr-manc:ceramdlvcrs.is. Os podem cancelar a formas de r~P-rM!ntação 1 olí:I it. fas tcs
a oncccimcn os cr ci J;, o,1de $e encootraram I! que contü uin1m já n o e-o l'em LOdoo espaço ·d polftic:i e pe dem ua ubstiirtci
··momentos de íusão", 1 pr,Jduifr m no as ·orrnas de l nti atl~ na medida em que n!!o dão con a ú!Ssa oova ~lidn de
oolefr ll que crioram1·-dtrt.ocia! comuns mais abra ngentes e v! Os movi n os socil!.êsforam u dos clcf!'::r'ltos de tran [.
ett.los majores. Assim &ed,u baslcamente nas g'l'eve8de I9 9-BO.
ç.io política <ic::orria tntre 197 ,; 1985. E c:s CÃ{Jf1 am:n
Mas elas não disso lveram e inguleri<U1dedas múltiplas .forma
de moviroc.noir. ten<lf.nciasoroCund na soclcd2do Que sinaluvam il perd de
wst.ent.iç.âodi:>i;i tema po itico instiruído.Exp1=snv m a 11onr~
Tem assim, nessa neva con flguroçi'ioda:; c)1113ses
populares, dlstã da exis ente eotre os mecanismos políllcos in lilt.ddos e
formas diferenciada de e.>~pre.,são, qu n:me~ a dífe~n es as ornus da vid11 or.ial. ,1as forn mais do q• e iss : Jororn
história e experiê .cias. N< clube$ de m:es su8$ pr ricas expres-· fa ores que ace e ram essa c_r·sce 1ue apon :mi m um sea iid
para ns.C m11çãosoei l Hovia ne es ti promessa d... u o
diu renovação da vida poli~ico.
J. U ·um n 11açii cte ·room:n os dç fui.lo. no ~tido que fhe. eu
L KQwllricJc C-00>0"utu lfloa con' ntrrn i • onde de~r.mboetm utu qne Apontaram no sentido de umn iio ítica constiru(du. n pnrl1r
çatl\In.hnv m ,p:a11ralel
4, corno live1sldades' qi:e tcmporanft;IJler.te apruto, das q'ucstõcs da vida, cotid~ao.a.. Apo1ttnrnm parn um 00~11cem•
tmn lerntnloi il21Ut adonn . • .Ela tambfm .io 6 mt<'" mór!a d cepÇi do políllca, ,ft-porlír d folern!n!;l!O 1.U~ta da& intercss11 -
CXlleil:icl i &> p•,ndo , o ~~, momento de ena:mtro •prt. ~nla nl&ode dos. Colo::a m telvi dicaç!o, da d1?-noc1 :iei- t•dc-ríd::i s e_sforas
I\O'>'Q, Q 1111d ~t redefinem :u lorµ !IOCla&,g,erando p çw ns
c~dob:a cn os do íuturo • CL.' ownric:C.·os c;1 i bos do ert.ZQnCro
- dn vidA :;ocial, ern que n populllçlio r 1b:ilhiu.!ora
C$tli clird :tm\lJllc
lo·, mlmeo, e · EC. l m ,
rcllex&s S(lbre .is luC3J soeiq1s m Sio 1'011 i.ll:lplicada;nas fábrieas nos !i.Jld~to.s, no rvlços gúblicos e
p. 25). nas adrnfoi~traçõe$ nos bairro~.
J12
lJ
...
Elc:5'mostravam q11e hf.lvJ recantos da re:it"dadenão reco- da,queltispromes~s e tiycram aq .ie!es slgnlficádos. eoquanro po:t·
bertos pelos dí.scursos i stitufdos e olo ilumiaadoi nos ccnári s sibl 'dad postas numa situação aber a.
es abelocidos de vida f·Ública. ConS(it eram um e-$p aço púbico Elu toram pr0je~.d.ospars enfren Lame~los dectaivos qtrnn-
16m do sistema ·d.a epi escntaçao polftlc.i. do am<Ülma st lt nvillm CIOlll S i IÍOO 00 O suje..ilospo íel.CO
$. Q
ritmo de !!Uis histó rias oijg e :1 o mr:ama (Jue o d!! ? lCtica
Através de su s -o m2,de otgàttiz ç é de luta, e~ rull"i!· instllu!da, e foi e.sa que fücoue-s<)Ma$. LC)' u s '' prceoccmeo te'
Tsm as ronteJras 111•ol'tlca. Ne[es a.ponteva-se a a • ono mia aos embate, polftico.s, '*pcess.u a:m u i :iturld.nde enqua (1
dQ.Ssujeitos coletivos q e bll$cavarn o controle das suas ccndi- ahemat vas de poder no p.a o de repte.$1:ata~ pô. ieo.
çues de \lida ci:>ntraas ln$tit~dçõesde poder estllbelt~idas. M11sQ movim~ttl'$ soej.á tu(do n dktoa d.e 70,
' s c:o.n.stJ h
I"
Hoj , quando a t ·an$.içio polCticado paít s-e caruum :1, o 001n as formas de ex:pres! o que eles instl 1ínlm, _pus ram a
que era pro mtssa totJiO,H hi!tóris. As ques õ'es pos tfts e rtsol· constituir elell)e-ntoa vids ~U ·ca do país. Suas pro~as
verem de al llm modt>. Dif ,;as z,sp·r.a90esde ju$tiç social e dé nwna
·inscritas memótía co ttiva, podem .oetreatu li?adas. E elas
• r·
dcmomda, p.r:e.sen .tes 1,a socieiad~, fota.rn .recolhlda.s e elabo- ão, mesm0, oondlçiiopata um.a efeUv dcroocuc is ntre nós,
radas de 01.1tro modo fCla A(innga Pemoct-âtica q1,J ~ COJ'J
S itulu
a clla.á:!Ad "Nova R-epúhlica". Já partir de 1982, com o
esuibelécin etJ o do-, pdm~ros governo esta.áue:~ do PMDB., um
apm ho de Bs Rdo rac,sJomado começou a ab,r ir-se para reco-
r.hc~. a lef tirnidadc di!t ors:.nwçõas popula.tes e incorporá-las
em $U própria d. âmi,:a .• ão cabe àqu e análire desse novo
r gjmee das co- trad'ç&s guee.lcimpllca, e~t.re à preservaç-o de
wu ~stel?}& at1fOrit{tio e ia liberali ~ção bavlda; em ra a pro·
clama.çã de objetivos d,: justiça socla.le a be.g-e monia do r ode
capital, que acarre a lJ.ó)apolítica de $acrifíclospara 0$ trabalb -
dores. 13astadizer que, de u:m moda ou de utro, e te pI:ójekl
íoi Yitorloro, nu batalh 1s poU ·~" d.c(:is·va.s eot.te I982 e 984-.
Sua_na rativa j ã cons ·tvi unta outra hfa6rI&.
O que J\Of inter sca qul é q e, rttslle sen tido, o projt.to
pt>lJUeoimp .ícilo no:5-movimento, sociAis do fim da década óe
70 sofreu uma àc._"t'Ot.a. B é pot l!so me no que hoje .s s
e
promessa&são yfatas ir~ ilente t oom f U$Ôts, mistilicaçõt$,
en-o., de ava.l'.iação. ~ a ve dade é qoe ioda r~pre enta~o
pa$$ada contém " .i usõc,s'', porque , sertda contec)por~ms dos '.
aconte imentos que repr~.ots, n~o pode dor oont e de es cm sua
totalidade, nos desdóbr-1menta~ que ainda estã~ ocorrendo, e é
I,evsda, pelas necessidi11
!es da a • a Up<Jr m idéi a ger. l
sobre ~e sí 6nifieado. e :icntido, se bem qtJc:niio t~nhn.mos
mais s" 1usõ " que tir.hamOiS há 3 a.nos, oão podemos .csnc e
o fato ~o ~uc;
. efotivame1,re aqu~tes m vimeotos eram p rtadores
Jd 4
Posfácio
317
Este traço já é perceptível em sua juventude. No início dos mais tarde, sobre os sinais de reemergência dos movimentos
anos 60, primeiro como secundarista e depois como universitário, sociais no Brasil. Seus textos nada têm a ver com uma certa
Eder associa sua enorme curiosidade intelectual com a militância literatura própria dos ambientes rarefeitos do exílio . Ao contrá-
política no movimento estudantil mas, igualmente, na pequena rio, são análises lúcidas, sem nenhuma auto-indulgência e que,
Liga Socialista e, posteriormente na Organização Marxista por essa razão mesma, vão repercutir no debate que a esquerda
Revolucionária Política Operária, a POLOPE, que tanta influên- realiza sobre seu passado recente no interior do próprio Brasil.
cia exerceu na esquerda brasileira na década e da qual foi um Mas na Europa, Eder vai dedicar-se, igualmente, ao trabalho de
dos fundadores. Chama a atenção o fato dele ter-se colocado na solidariedade com a resistência do povo chileno. Vinculado que
contra-corrente das tendências dominantes na esquerda brasilei- estava ao Movimento de Esquerda Revolucionária, o MIR do
ra, impulsionando uma reflexão . política que em muito contri- Chile, ele desempenha uma atividade permanente de denúncia
buiria para a renovação do pensamento revolucionário naquele do terror pinochetista, ao mesmo tempo que lança luzes sobre
período. os tempos sombrios que vive a América Latina nos anos 70.
Eder, como toda sua geração foi atingido pelos efeitos do Parte da reflexão deste período seria reunida mais tarde em seu
golpe militar de 1964, pelo "golpe no golpe" de 1968 e pela livro Um rumor de botas, publicado no Brasil pela Editora Polis.
dura repressão que se abateu sobre todos os que se opuseram O período que ficou na Europa é decisivo para a inflexão
efetivamente ao regime militar. Em 1970, perseguido pelos por que passa seu pensamento político. As derrotas que as
organismos de segurança do Estado, teve de abandonar clandes- esquerdas haviam sofrido na América Latina, no Brasil e no
tinamente o país. Começou seu 'exílio de nove anos, no Uruguai, Chile em particular, somadas à grave crise que atingia os países
Chile e França. do "socialismo real", foram o ponto de partida para uma reflexão
O senfimento de uma derrota política e pessoal que ele que tinha como centro a crítica do vanguardismo, de uma con-
teve ao abandonar o Brasil, como revelaria mais tarde, não o cepção ao mesmo tempo iluminista e positivista do marxismo.
impediu de transformar estes anos passados no exterior em um Eder passa a valorizar extremamente o processo de recomposição
período extremamente rico intelectual e politicamente. dos movimentos sociais, em especial do novo sindicalismo brasi-
No Chile,. foi professor na Universidade Católica de San- leiro, enfatizando a importância de suas experiências na constru-
tiago e, posteriormente, na Universidade de Concepción, quando ção do que se convencionou chamar de consciência de classe.
dedicou grande p.arte de suas pesquisas ao estudo dos movi- Outro tema importante de suas preocupações de então é a
mentos sociais urbanos que haviam ganho particular relevância necessidade de repensar a questão da democracia, fora dos
n~ período entre 1970 e 1973. Foi um observador arguto do cânones instrumentalistas da esquerda tradicional ou das incon-
rico e complexo processo político que se desenvolveu no país seqüências de liberais e socialdemocratas.
durante ~ governo da Unidade Popular. Parte de suas reflexões Com este conjunto de preocupações não lhe foi difícil
forarri publicadas em distintas revistas latino-americanas e euro- inserir-se rapidamente no Brasil após seu retorno em princípios
péias, dentre as quais Les Temps Modernes. de 1979. Mais que isso: sua contribuição para o debate das
Com o golpe de Pinochet, em setembro de 1973 , Eder parte esquerdas e dos novos movimentos sociais se fez sentir de
para seu segundo exílio, desta vez na França. Lá sua atividade imediato.
se desdobra entre as funções de professor dos Departamentos Ele participou da fundação do Partido dos Trabalhadores,
de Sociologia e de Economia da Universidade de Paris VIII vindo mais tarde a ser seu dirigente em São Paulo, trabalhando
Vincennes e uma intensa intervenção política na imigração bra- diretamente ligado aos movimentos populares. As preocupações
sileira . Ele debate e escreve sobre a experiência da derrota e com o que chamaria de "novos personagens" e com o. papel
318 319
que eles desempenhariam no plano da política institucional for-
maram um campo de problemas que tematizou com rara lucidez
em debates e textos produzidos rio interior do coletivo da revista
Desvios, publicada pela editora Paz e Terra, da qual foi o
principal animador .
Bibliografia
consultada
Foi readmitido na Universidade de São Paulo, integrando
o Departamento de Sociologia. Aí, seus cursos e suas pesquisas
se fizeram na mesma direção de suas preocupações sociais e
políticas. Enfatizou, particularmente a necessidade de uma revi-
são do quadro categorial com que a sociologia de inspiração
marxista havia trabalhado a realidade social brasileira . Um regis-
tro dessa revisão está presente em seu livro Marxismo e Teoria
Revolucionária·que reúne vários textos de intervenção no debate
teórico e político destes últimos anos.
Eder Sader marcou como poucos sua geração. O impacto
que sua morte provocou advém seguramente da indignação que
A) Livros, artigos e teses:
em todos provocou o fato de ter sido vítima da incúria criminosa
com que são tratadas as questões de saúde no Brasil. Reflete Abramo, Lais. O resgate da dignidade (a greve de 1978 em São Bernardo).'
igualmente o sentimento de perda de uma das mais brilhantes dissertação de mestrado , USP, 1986.
cabeças da universidade e da esquerda brasileiras. Mas o que Almeida, Fabio . "Construção partidária e tendência proletária• in Brasir
talvez a maioria esteja lamentando é o desaparecimento de Socialista, n .º 6, 1976.
alguém cuja característica fundamental er~ a simplicidade e a Almeida , M. Herminia. "Sindicalismo no Brasil: novos problemas, velhas
estruturas· in Debate e Critica, n.º 6, 1975.
integridade moral. Avesso às formalidades , simples, direto, dono
---. "O sindicalismo brasileiro entre a conservação e a mudança·
de um extraordinário hutnor e de grande generosidade pessoal,
in B. Sorj e M. H. Almeida (orgs.), Sociedade e política no Brasil
Eder marcou a todos os que tiveram o privilégio de com ele pós-64, Brasiliense, 1983.
conviver na academia, nos sindicatos, no PT, etc. por uma Althusser, Louis. Aparelhos ideológicos de Estado, Graal, 1984.
capacidade muito grande de escutar e de levar em conta as Antunes , Ricardo. As formas da greve - confronto operário no ABC
opiniões de seus interlocutores, atributos que se fazem cada paulista: 1978/80, tese de doutorado, USP, 1986.
vez mais raros nos tempos que correm. Por tudo isso erigiu-se Arendt, Hannah . A condição humana , Forense, 1981.
como figura carismática em todos os ambientes que freqüentou , Bacha, Edmar. Os mitos de uma década, Paz e Terra, 1976.
com essa paradoxal capacidade de seduzir seus colegas e com- Bava, Silvio C. "Movimentos reivindicativos urbanos na Grande São
Paulo : um estudo de caso·, relatório à Fapesp, 1980.
panheiros, não pela espetacularidade de suas opiniões e atitudes
---. Práticas cotidianas e movimentos ·sociais, dissertação de mes-
mas pela transparência de seu caráter. A ausência de segredos trado, USP, 1983. .
foi seu segredo maior o que todos compreendemos tragicamente Bensaid, ':-
o. e A. Nair. "A proposito : dei problema de organizacion:
quando dele nos vimos privados. Lenin y Rosa Luxembourg" in Teoria marxista dei partido político
MarcoAurélio Garcia II, Pasado y Presente ; 1969.
Julho de 1988. Berger, P. e T . Luckman . A construção social da realidade, Vozes, 1978.
32() 321
Berlinck, Manoel. Marginalidade social e relações de classe em São
Evers, Tilman. "Movimentos de bair.ro em São Paulo: o caso d~ 'Movi-
Paulo, Vozes, 1977. mento do Custo de Vida' " in Alternativas populares da democracia,
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