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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO

INSTITUTO DE FLORESTAS

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS E FLORESTAIS

ESTRUTURA E FLORÍSTICA DE FRAGMENTOS DE FLORESTAS


SECUNDÁRIAS DE ENCOSTA NO MUNICÍPIO DO RIO DE
JANEIRO

CLAUDIO ALEXANDRE DE AQUINO SANTANA

Sob a orientação do Professor

Dr. Luís Mauro Sampaio Magalhães

Tese submetida como requisito parcial para a


obtenção do grau de Mestre em Ciências Ambientais
e Florestais, Área de Concentração em Conservação
da Natureza.

Seropédica, Rio de Janeiro

Março/ 2002
ESTRUTURA E FLORÍSTICA DE FRAGMENTOS DE FLORESTAS

SECUNDÁRIAS DE ENCOSTA NO MUNICÍPIO DO RIO DE

JANEIRO

CLAUDIO ALEXANDRE DE AQUINO SANTANA

APROVADO EM 12/02/2001

Dr. Luís Mauro Sampaio Magalhães (Orientador)


Dra. Ariane Luna Peixoto (Banca)
Dr. Eduardo Campello (Banca)
DEDICATÓRIA

Minha querida bisavó Diva: obrigado por ter acreditado

em mim na infância.

Agradeço à senhora o que hoje sou, e espero que daí de

cima, do lugar que Deus lhe reservou, seja possível assistir ao

resultado de seu amor por este bisneto.


BIOGRAFIA DO AUTOR

Claudio Alexandre de Aquino Santana nasceu em 17 de abril de 1972, na cidade do

Rio de Janeiro, filho de Fernando Antonio Gonçalves Santana e Regina Lucia Porciuncula

de Aquino. Ingressou no curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal Rural do

Rio de Janeiro em março de 1991, tendo concluído sua graduação em março de 1996. No

mesmo ano, ingressou por concurso na Secretaria Municipal de Meio Ambiente da cidade

do Rio de Janeiro, iniciando suas atividades no mês de outubro. Em abril de 1999, iniciou o

curso de Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais da Universidade Federal Rural do

Rio de Janeiro, concluído em 12 de fevereiro de 2001.


AGRADECIMENTOS

Apesar de ser árdua a tarefa de citar nomes, entre tantos que colaboraram para que eu

chegasse até aqui, gostaria de agradecer a algumas pessoas que deveriam compartilhar

deste momento:

Minha esposa Renata, pelo incentivo para entrar neste curso, e pelo carinho e

paciência nos meus momentos de fraqueza;

Regina, minha mãe, que me deu a vida;

Minha tia avó, madrinha e segunda mãe Clarinda, pelo apoio na vida e nos estudos;

Minha saudosa avó Clara, que conversava com as plantas;

Tias Ana e Diva, pela ajuda em diversos momentos;

Meus sogros, João e Neuza, por me acolherem como se acolhe um filho;

Minhas cunhadas, Maristela e Marivalda, que muito colaboraram comigo nas

dificuldades;

Kátia Christina e Celso, da SMAC, pela compreensão e pela força;

Aos colegas do ETR-5, que “seguraram as pontas” durante minhas ausências;

Luciano Torres, meu primeiro chefe na SMAC;

Professor Luís Mauro, que, mais que orientação, me deu inspiração;


Ao curso de Mestrado em Ciências Ambientais e Florestais da UFRRJ, por ter me

dado a oportunidade de viver a Rural mais uma vez em minha vida;

A todos os colegas que participaram deste trabalho desde 1993: Nilo (que tudo

começou, por acreditar em seu delírio), Fabrício, Vânia, Jáderson, Álvaro, Alan, Carlinhos,

Magna, Renatinha, Sandrinha, Oclair, Zé Wilson, entre outros (foram tantos...), com um

muito obrigado especial para Cátia Cilene, meu braço direito nas atividades de campo;

Aos grandes amigos Wellington e Chacal, pelas caronas, ajuda e camaradagem;

E acima de tudo, a Deus; sem Ele nada é possível, nem tem razão de ser.
SUMÁRIO

DEDICATÓRIA iii
AGRADECIMENTOS iv
BIOGRAFIA DO AUTOR vi
SUMÁRIO vii
LISTA DE TABELAS ix
LISTA DE FIGURAS x
RESUMO xi
ABSTRACT xiii
1. INTRODUÇÃO 1
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 5
2.1 Ocupação da cidade do Rio de Janeiro 5
2.2. Ocupação dos morros da cidade 8
2.3. Desmatamento na Mata Atlântica e seus reflexos 9
2.4. Fragmentação florestal 11
2.5. Influência da floresta na estabilidade de encostas 14
2.6. Outras funções da cobertura vegetal 16
2.7. Problemas decorrentes da ocupação de encostas 18
2.8. Algumas idéias sobre a sucessão secundária, suas influências naturais e antrópicas 21
3. MATERIAL E MÉTODOS 31
3.1. Características da área de abrangência do estudo – o município do Rio de Janeiro 31
3.1.1. Localização 31
3.1.2. Clima 32
3.1.3. Vegetação 33
3.1.4. Pedologia 35
3.1.4. Geologia 35
3.2. Áreas de estudo 36
3.2.1. Área 1 (CEMAG) 37
3.2.2. Área 2 (Batalhão Tonelero) 39
3.2.3. Área 3 (Serra do Barata) 40
3.3. Metodologia de amostragem 42
3.3.1. Levantamento fitossociológico 42
3.3.2. Material utilizado 43
3.3.3. Identificação botânica 44
3.3.4. Parâmetros florísticos 45
3.3.5. Parâmetros fitossociológicos – Estrutura Horizontal 47
3.3.6. Distribuição de alturas 49
3.3.7. Distribuição de freqüências 49
3.3.8. Distribuição diamétrica 49
3.3.9. Comparação entre os fragmentos 50
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 51
4.1. Florística 51
4.1.1. Resultados por área 51
4.1.2. Similaridade florística entre as áreas de estudo 66
4.1.3. Discussão 68
4.2. Estrutura 79
4.2.1. Análise dos parâmetros fitossociológicos 79
4.2.2. Comparação entre estruturas horizontais 101
4.2.3. Comparação de diâmetros médios, distribuições diamétricas e áreas basais 104
4.2.4. Comparação de alturas 106
5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 108
6. BIBLIOGRAFIA 114
7. APÊNDICE 128
7.1. Ficha de campo 128
7.2. Esquema da distribuição de parcelas no estudo 129
7.3. Áreas de estudo 130
Área 1 - CEMAG 130
Área 2 - Batalhão Tonelero 131
Área 3 - Serra do Barata 132
Localização geral das áreas de estudo 133
LISTA DE TABELAS

Nº DESCRIÇÃO PÁGINA
1 Principais características das espécies pertencentes a diversos estágios sucessionais 29
2 Espécies encontradas no fragmento de floresta secundária do CEMAG 51
3 Espécies encontradas no fragmento de floresta secundária do Batalhão Tonelero 56
4 Espécies encontradas no fragmento de floresta secundária da Serra do Barata 61
5 Espécies com ocorrência em duas ou três áreas 67
6 espécies amostradas com cinco ou mais indivíduos 67
7 Número de espécies concentrando pelo menos 50% dos indivíduos 68
8 Famílias encontradas no estudo 69
9 Espécies encontradas e síndromes de dispersão 72
10 Índice de Shannon (H) para as áreas de estudo 74
11 Parâmetros fitossociológicos na área 1 – valores absolutos 79
12 Parâmetros fitossociológicos na área 1 – valores relativos 79
13 Parâmetros fitossociológicos por família na área 1 – valores absolutos 80
14 Parâmetros fitossociológicos por família na área 1 – valores relativos 80
15 Parâmetros fitossociológicos área 2 – valores absolutos 86
16 Parâmetros fitossociológicos área 2 – valores relativos 87
17 Parâmetros fitossociológicos por família na área 2 – valores absolutos 88
18 Parâmetros fitossociológicos por família na área 2 – valores relativos 88
19 Parâmetros fitossociológicos na área 3 – valores absolutos 93
20 Parâmetros fitossociológicos na área 3 – valores relativos 94
21 Parâmetros fitossociológicos por família na área 3 – valores absolutos 94
22 Parâmetros fitossociológicos por família na área 3 – valores relativos 94
23 Espécies de maior destaque nas três áreas de estudo 100
24 Diâmetros médios encontrados por área 102
25 Diâmetros dos estágios sucessionais segundo a legislação brasileira 102
26 Valores da área basal em cada estágio sucessional 104
27 Área basal por local de estudo 104
28 Parâmetros de estrutura vertical das áreas de estudo 104
LISTA DE FIGURAS

Nº DESCRIÇÃO PÁGINA
1 Grupos sucessionais encontrados na área 1 51
2 Riqueza de espécies por família na área 1 53
3 Padrões de dispersão das espécies na área 1 54
4 Curva espécies/ área na área 1 55
5 Grupos sucessionais encontrados na área 2 58
6 Riqueza de espécies por família na área 2 58
7 Padrões de dispersão das espécies na área 2 59
8 Curva espécies/ área na área 2 60
9 Grupos sucessionais encontrados na área 3 62
10 Riqueza de espécies por família na área 3 63
11 Padrões de dispersão das espécies na área 3 64
12 Curva espécies/ área na área 3 65
13 Proporções entre as síndromes de dispersão encontradas neste estudo 73
14 Distribuição diamétrica na área 1 81
15 Distribuição diamétrica de Acacia polyphilla 82
16 Distribuição em classes de altura na área 1 82
17 Distribuição de freqüências na área 1 83
18 Distribuição diamétrica na área 2 90
19 Distribuição diamétrica de Piptadenia gonoacantha 90
20 Distribuição diamétrica de Aspidosperma ramiflorum 90
21 Distribuição em classes de altura na área 2 91
22 Distribuição de freqüências na área 2 92
23 Distribuição diamétrica na área 3 95
24 Distribuição diamétrica de Gochnatia polymorpha 96
25 Distribuição em classes de altura na área 3 97
26 Distribuição de freqüência na área 3 98
RESUMO

A cidade do Rio de Janeiro possui características físicas peculiares, que, combinadas

ao processo de ocupação do território, criaram situações hoje consideradas críticas. A

cidade está localizada na região anteriormente ocupada pela Mata Atlântica, hoje reduzida a

aproximadamente 10% de sua área original devido ao desmatamento e à concentração da

população brasileira no litoral. A cobertura vegetal possui forte relação com a estabilidade

de encostas, com sua remoção resultando em deslizamentos e enchentes que, no Rio de

Janeiro, são a causa de graves acidentes. A revegetação e o manejo das florestas

remanescentes podem se mostrar como alternativas viáveis, sendo necessário, entretanto,

conhecer as características destas florestas. Visando caracterizar preliminarmente as

formações secundárias na cidade, foi realizado levantamento fitossociológico em três

diferentes locais, utilizando-se o método de parcelas, com unidades de 10 x 10 metros.

Utilizou-se CAP mínimo de 15 centímetros, equivalente a um DAP de 4,78 cm, e altura

mínima de três metros. As espécies que mais se destacaram foram Mangifera indica,

Acacia polyphylla, Piptadenia gonoacantha (CEMAG), Piptadenia gonoacantha,

Aspidosperma. parvifolium, Brosimum glaziouii, Machaerium nictitans, Machaerium


aculeatum e Cordia taguahyensis (Batalhão Tonelero) e Gochnatia polymorpha (Serra do

Barata). As famílias Anacardiaceae, Apocynaceae, Lauraceae, Leguminosae, Moraceae,

Melastomataceae, Meliaceae, Myrtaceae, Sapindaceae e Solanaceae ocorreram em pelo

menos dois locais de estudo. A interferência antrópica é significativa, através da

fragmentação florestal, introdução de espécies exóticas e ocorrência de incêndios, alterando

a composição de espécies e a estrutura, além de interferir no processo de sucessão. O fogo,

em particular, é um fator cujo controle deve ser considerado na adoção de qualquer prática

de manejo ou revegetacão.
ABSTRACT
The city of Rio de Janeiro has peculiar physical features, that, matched to the process

of occupation of the territory, had created critical situations. The city is locate in the Mata

Atlântica region, nowadays reduced to 10% of its original area, due to the deforestation and

the concentration of a great part of the Brazilian population. The vegetation has a strict

relation with the stability of hillsides, and its removal has landslides and floods as

consequences, what, in seasons of heavy rains, are the cause of serious accidents, with

material losses and deaths. The vegetation recovering and the management of the remaining

forests may be viable alternatives; however, it’s necessary to know about the characters of

these forests. Aiming at preliminarily to characterize the secondary vegetation in the city,

the fitossociologic survey in three different places was conducted. The parcel method was

used, with samples of 10 x 10 meters. Minimum CBH of 15 centimeters, equivalent to a

DBH of 4,78 cm, and minimum height of three meters, were used. The most important

species were Mangifera indica, Acacia polyphylla, Piptadenia gonoacantha (CEMAG),

Piptadenia gonoacantha, Aspidosperma. parvifolium, Brosimum glaziouii, Machaerium

nictitans, Machaerium aculeatum e Cordia taguahyensis (Batalhão Tonelero) and

Gochnatia polymorpha (Serra do Barata). The families Anacardiaceae, Apocynaceae,

Lauraceae, Leguminosae, Moraceae, Melastomataceae, Meliaceae, Myrtaceae, Sapindaceae


e Solanaceae has been found at least in two places of study. The antropic interference is

significant, through the forest fragmentation, introduction of exotic species and fire

occurrence, modifying the composition of species and the structure, with interference in the

succession process. The fire, in particular, is a factor whose control must be considered in

the adoption of any practical of management or vegetation recovering.


1. INTRODUÇÃO

A cidade do Rio de Janeiro constituiu-se numa metrópole nacional a partir de

meados do século dezenove, muito embora desde 1763 fosse a capital do país, situação que

perdurou até 1960. Por conta disso, atraiu e ainda atrai um grande contingente de

migrantes, em busca de melhores condições de vida (IBAM, 1993). A ocupação do

território sempre defrontou - se com características naturais muito particulares, gerando, ao

longo do tempo, uma série de conseqüências sociais e ambientais de grande relevância. A

natureza hoje vista na cidade é bastante influenciada pela atividade humana;

paradoxalmente, esta mesma natureza influenciou decisivamente na orientação de seus

vetores de crescimento e em seus aspectos sócio-econômicos.

O componente florestal da cidade foi paulatinamente afetado por sua expansão. As

formações florestais foram removidas, primeiramente nas baixadas, para abertura de áreas

para agricultura e habitação, e também para retirada de material para construção.

Posteriormente, as áreas de encosta seriam utilizadas para fins agrícolas, em particular no

ciclo do café, nos séculos XVIII e XIX. Houve reflexos no abastecimento d’água, com a

perda de perenidade das poucas nascentes que abasteciam a população carioca, localizadas

no maciço da Tijuca. Para tentar reverter este quadro, o Imperador D. Pedro II ordenou o
reflorestamento na região, talvez a primeira medida conservacionista de relevância no país

(DEAN, 1996; MARTINS, 1987).

O crescimento da área urbana, acompanhado de diversos acontecimentos sócio-

políticos, gerou uma grave crise habitacional entre o final do século XIX e o início do

século XX. Devido a este fato, as encostas passaram a ser ocupadas pela população. Entre

os anos de 1893 e 1894 iniciou-se o estabelecimento das primeiras comunidades nos

morros cariocas, que posteriormente seriam chamadas de favelas (ABREU, 1993). Este

fenômeno, que marca até os dias de hoje a paisagem do Rio de Janeiro, teve como

conseqüência o surgimento de diversas áreas de risco na cidade, devido à ocupação e

modificação de áreas inadequadas para moradia e à retirada da vegetação.

A vegetação florestal, em áreas montanhosas, estabelece importantes interações com

o componente geológico/geomorfológico, que, em última instância, proporcionam a

estabilidade das encostas (COELHO NETTO, 1993). No caso do município do Rio de

Janeiro, são freqüentes as ocorrências de deslizamentos e enchentes em períodos de chuvas

fortes, muitas vezes com o registro de mortes e prejuízos materiais (PENNA, MACHADO

e VIEIRA, 1993). Buscando minimizar estas conseqüências, o poder público recorre a

obras de contenção, drenagem e retificação de cursos d’água, entre outras. A partir dos anos

80, passou-se a dar atenção também ao reflorestamento como medida destinada à

conservação de encostas. Diversos órgãos já foram responsáveis por este serviço no

município do Rio de Janeiro, como a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente

(FEEMA), Instituto Estadual de Florestas (IEF), e Fundação Parques e Jardins (FPJ).

Atualmente, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) desenvolve sete tipo de

atividade, através do Projeto Mutirão Reflorestamento.


À parte os esforços de recomposição, deve-se lembrar da existência das florestas

remanescentes. Em grande parte secundárias e/ ou alteradas, encontram-se sob pressão

constante, resultante da ocupação do território, incêndios e criação de gado. Estas

formações quase sempre são deixadas em segundo plano sob o ponto de vista da

conservação, por não possuírem grande diversidade de espécies ou biomassa lenhosa

significativa. No entanto, se encaradas como um componente da paisagem da grande

metrópole onde se inserem, são importantes para a cobertura de solo e estabilização de

encostas, como fonte de alimento e abrigo para a fauna e como pólos de dispersão de

germoplasma para áreas circunvizinhas. Atuam também como corredores verdes

interligando áreas protegidas, para regulação hídrica e microclimática e como áreas de lazer

para a população.

Existem relativamente poucas informações relativas à sucessão de florestas

secundárias no município, a despeito dos esforços feitos por diversos órgãos executivos e

de pesquisa. Tais estudos podem fornecer importantes subsídios ao conhecimento da

sucessão florestal sob influência antrópica. De posse destas informações, seria possível o

desenvolvimento de práticas de manejo adequadas à conservação destas florestas,

permitindo e acelerando sua evolução sucessional.

Um aspecto considerado nos últimos anos é o da utilização das florestas como

sumidouro de CO2 atmosférico (TEIXEIRA, 1998; HALL e ROSILLO-CALLE, 1990),

estocando-o em sua biomassa, contribuindo para a redução do efeito estufa; a expansão da

área verde em áreas urbanas a partir de reflorestamentos ou manejo de florestas secundárias

pode ser uma alternativa viável dentro deste esforço.


Este trabalho possui como objetivo geral a caracterização preliminar de três florestas

secundárias de encosta no município do Rio de Janeiro. Como objetivos específicos, são

listados:

- a determinação de índices fitossociológicos e ecológicos relativos a estas florestas;

- identificação das principais espécies componentes;

- o fornecimento de subsídios para o refinamento da metodologia de amostragem e para o

manejo de fragmentos de florestas secundárias na cidade.

O presente estudo é parte do projeto de pesquisa “Estrutura e Dinâmica de Florestas

Secundárias de Encosta no Rio de Janeiro”, desenvolvido desde 1993 pelo Laboratório de

Manejo de Paisagens do DCA/ IF/ UFRRJ.


2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 - Ocupação da cidade do Rio de Janeiro

A cidade do Rio de Janeiro foi fundada por Estácio de Sá em 1º de março de 1565,

após anos de batalhas contra os franceses que tentavam se estabelecer na região. O primeiro

sítio ocupado pelos colonizadores portugueses localizava-se entre os morros do Pão de

Açúcar e Cara de Cão, em frente à desembocadura do rio Carioca, então a única fonte de

água potável disponível. O rio, por sua importância estratégica, seria fator determinante da

expansão inicial da cidade; mesmo quando da transferência do assentamento principal para

o morro do Castelo (onde hoje se localiza a esplanada de mesmo nome), continuou a ser

sua única fonte de água potável, situação que perdurou por muitos anos, influindo

decisivamente na ocupação do território (ABREU, 1992).

O relevo peculiar da cidade, situada entre o mar e a montanha, estabeleceu desde o

início de sua ocupação uma série de relações entre a população e os maciços existentes em

seu território. Utilizadas a princípio como local de defesa, as encostas passaram a ser

utilizadas para a agricultura e como fonte de materiais de construção (terra, pedra e

madeira). A partir do final do século XIX, passaram a ser ocupadas também para habitação,

num processo que perdura até hoje e é de fundamental importância para a cidade.
O maciço da Tijuca, em particular, por ter sido alvo de ocupação desde os primórdios

da cidade, pode ser tomado como síntese dos problemas ambientais do Rio de Janeiro até

os dias de hoje (ABREU, 1992). Durante os séculos XVII e XVIII as matas foram

devastadas para dar lugar a cultivos, principalmente o café. Por esta razão, as nascentes dos

rios foram afetadas, prejudicando o abastecimento de água da cidade. A origem do primeiro

grande esforço de recuperação ambiental no Rio de Janeiro deriva deste problema, pois o

imperador D. Pedro II ordenou o reflorestamento das áreas da Tijuca, Sumaré e Paineiras,

sob supervisão de Manoel Gomes Archer e Thomás da Gama. Archer, no entanto, foi o

responsável pela maior área recomposta, bem como pela adoção e aperfeiçoamento de

técnicas silviculturais (MARTINS, 1987). Apesar do credo popular, a Floresta da Tijuca

não foi inteiramente replantada: os registros indicam apenas 127 mil árvores plantadas em

30 anos, numa área de 32 km2; tal informação permite supor que, no caso da sobrevivência

de metade dos indivíduos plantados, teriam restado apenas 20 árvores por hectare (DEAN,

1996). Assim, a Floresta da Tijuca resulta, quase totalmente, de regeneração natural. No

entanto, o simples fato de terem sido interrompidas as pressões ambientais, devido à

desapropriação das terras promovida pelas autoridades do Império na primeira metade do

século XIX, permitiu o retorno da vegetação florestal, que nos dias de hoje encontra-se em

estágio avançado de regeneração. Em 1961 foi criado o Parque Nacional do Rio de Janeiro,

que em 1967 teve o nome modificado para Parque Nacional da Tijuca, ocupando 3360 dos

9423 hectares do maciço, constituindo um dos maiores parques urbanos do mundo (IBAM,

1998).

O maciço da Pedra Branca tem sua ocupação datada do final do século XVI, mais

precisamente o ano de 1594, quando Salvador Correia de Sá doou a seus dois filhos as
terras situadas entre as restingas da Tijuca e Guaratiba. No início do século XVII os

franceses utilizaram a Baixada de Jacarepaguá como passagem na tentativa de domínio do

Rio de Janeiro, levando os portugueses a empreender esforços para ocupar a região. O

século XIX viu o café ocupar o maciço. Posteriormente, já na década de 1920, o cultivo da

laranja ocupou algumas encostas na região. Na década de 1930 iniciou-se a subdivisão das

fazendas e o plantio de banana no maciço, que persiste nos dias de hoje. Em 1974, foi

criado o Parque Estadual da Pedra Branca, com 12.500 hectares, compreendendo

praticamente todo o território do maciço situado acima da cota dos 100 metros (IBAM,

1998).

O terceiro dos grandes maciços da cidade, o do Mendanha, espraia-se por três

municípios da região metropolitana (Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Nilópolis). A área

referente ao município do Rio é de 3.093 hectares, sendo 1.323 constituintes do Parque

Ecológico do Mendanha, de jurisdição do município do Rio de Janeiro e ainda não

efetivamente implantado. A história de sua ocupação inicia-se em 1603, quando suas terras

foram concedidas a Manoel Gomes e Diogo Montarois, que nela implantaram extensos

canaviais e construíram engenhos de açúcar. A exploração de madeiras nobres, abundantes

no maciço, foi outra forma de pressão experimentada no período. No século XIX as

encostas foram ocupadas por cafezais, substituídos pela urbanização com a chegada do

ramal Santa Cruz da Estrada de Ferro Central do Brasil a Bangu em 1890 e a implantação

da fábrica da Companhia Progresso Industrial, em 1893 – que ficaria conhecida como

Fábrica Bangu. Atualmente, as matas existentes são secundárias em estado avançado de

regeneração, abrigando ainda grande biodiversidade de flora e fauna (IBAM, 1998). Boa

parte da área tem acesso restrito pela existência de quartéis militares; para DEAN (1996), a
exclusão de atividades civis pode ter preservado as florestas do Mendanha, pois “as

reservas militares, entre todas as propriedades governamentais, eram, como salientou um

naturalista, ‘invioláveis’ ”.

Existem, ainda, pequenas serras isoladas na cidade, das quais podem ser destacadas:

Serra do Cantagalo/ Inhoaíba, Serra dos Coqueiros, Serra da Posse, Serra do Engenho Novo

e Serra da Misericórdia (IPLANRIO, 1998).

Cerca de 40% da cidade constituem-se atualmente em áreas urbanas; se forem

levados em consideração os assentamentos ainda não consolidados, este total eleva-se a

46,7% (SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE, 1997).

2.2 - Ocupação dos morros da cidade

Importante fator de pressão sobre as áreas de florestas no município do Rio de

Janeiro, as favelas surgiram num contexto sócio-político bastante complexo, vindo

posteriormente a se tornar uma característica da cidade.

A chegada da Família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro, em 1808, praticamente

dobrando a população do dia para a noite, trouxe grandes modificações à cidade. Em

primeiro lugar, houve o agravamento da já existente crise de abastecimento d’água; outro

problema foi a necessidade de infra-estrutura para abrigar o aparato de estado e os membros

da Corte. A necessidade de residências para os recém-chegados expulsou de suas

residências os donos das melhores casas. Este fato agravou a crise habitacional e a

proliferação de cortiços, habitações coletivas ocupadas pela população mais pobre, com

precárias condições de higiene. No início do século XX, o Rio de Janeiro passou por grande

reforma urbana, com a demolição de casas para o alargamento de ruas e para o saneamento
da cidade. A erradicação dos cortiços neste período levou boa parte da população das

classes inferiores ao desabrigo (ABREU, 1993; ABREU, 1992).

À questão social, deve ser somado o quadro político. Os anos finais do século XIX, e

os iniciais do século XX, também foram os primeiros da República, período de crises

institucionais como a Revolta da Armada (1893-1894) e a Guerra de Canudos (1896-1897).

Estes eventos exigiram o aquartelamento de tropas na então capital federal; para este fim,

foi autorizado o aquartelamento de tropas em dois morros – Santo Antônio e Providência.

No entanto, encerrados estes eventos, os assentamentos não só continuaram como

expandiram-se, sendo ocupados pela população expulsa dos imóveis demolidos na reforma

urbana e por vítimas da especulação imobiliária dela resultante. Além da questão

econômica, a favela era também uma possibilidade de moradia próxima aos locais de

trabalho. Este fenômeno de ocupação de encostas como alternativa barata de moradia veio a

ser conhecida como favela provavelmente apenas na década de 1920, quando se tornou

generalizado e incontrolável (ABREU, 1993; ABREU, 1992).

Atualmente, 34% da população do Rio de Janeiro reside em favelas e loteamentos

irregulares. Deste total, 30% ocupam as encostas (IPLANRIO, 1998).

2.3 – Desmatamento na Mata Atlântica e seus reflexos

A Mata Atlântica é considerada um dos ecossistemas mais diversos do planeta, e

também dos mais ameaçados (PEIXOTO, 1991; TERBORGH, 1992). Sucessivos ciclos

econômicos, atividades agropecuárias e o adensamento populacional na região levaram à

redução de sua superfície a menos de 10 % dos níveis do século XVI (FUNDAÇÃO SOS

MATA ATLÂNTICA/ INPE/ ISA, 1998; GOLFARI & MOOSMAYER, 1979;


TERBORGH, 1992; ZAÚ, 1998). A cidade do Rio de Janeiro possui, hoje, 20,3% de

cobertura florestal em diversos estágios de sucessão e alteração (SECRETARIA

MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE, 1997).

Segundo IBDF (1984) as florestas do estado do Rio de Janeiro resultam, em grande

parte, da regeneração natural. Para CÂMARA (1991), praticamente todas as formações da

Mata Atlântica foram, em maior ou menor medida, afetadas pelo homem, inclusive em sua

composição florística. Grande parte dos remanescentes são formações secundárias, com

fragmentos depauperados de matas primitivas, existindo poucos remanescentes com área

superior a 1000 ha.

MARTINS (1987) cita como causas do desflorestamento na cidade do Rio de Janeiro:

loteamentos irregulares, a ocupação desordenada das encostas, a expansão das favelas, as

retiradas clandestinas de saibro, as pedreiras, as queimadas extensivas, entre outras

influências antrópicas ou não. DEAN (1996) destaca a agricultura nos séculos XVIII e XIX

(em particular a cultura do café) como grande fator de desmatamento das encostas na área

de domínio da Mata Atlântica.

As formações florestais da área metropolitana do Rio de Janeiro são, em grande parte,

secundárias. Esta é uma tendência mundial, como visto em GÒMEZ-POMPA &

VÁZQUEZ-YANEZ (1985), que afirmam que vivemos em uma época que poderia ser

denominada “a era da vegetação secundária”, devido à extrema alteração dos ecossistemas

naturais; os mesmos autores afirmam ser evidente que as atividades humanas são a

principal causa de distúrbios na vegetação, e, evidentemente, da sucessão. Para

WIECHERS & GÓMEZ-POMPA (1979), a maior parte da vegetação de zonas tropicais no


mundo está constituída por vegetação secundária, o que já seria suficiente para justificar

estudos referentes à regeneração dos ecossistemas tropicais.

Um estudo da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (FEEMA)

elaborado por MARTINS (1987) afirmava que a área de encostas desmatadas na cidade era

da ordem de 20.000 hectares. Muito provavelmente, parte desta área não se constitui

necessariamente em terreno completamente desnudo, mas também em formações iniciais

da sucessão vegetal, geralmente não consideradas nos inventários de cobertura vegetal.

GUBERT FILHO (1993) lembra que as capoeirinhas, formações sucessoras compostas

basicamente por formas herbáceo-arbustivas, não se enquadram como formas florestais,

muito embora “sejam o ponto de partida para as outras tipologias florestais” – capoeira,

capoeirão, floresta secundária e formações mais avançadas.

2.4 - Fragmentação Florestal

Um aspecto presente nas florestas sob forte pressão antrópica é a fragmentação.

VIANA (1992) relata que este conceito deriva da teoria da biogeografia de ilhas, que

postula a diminuição exponencial do número de espécies em relação à diminuição da

superfície. Porém, a adaptação deste conceito, derivado de estudos em ilhas oceânicas, deve

ser feito com cautela; enquanto temos a colonização de novas ilhas através da expansão de

populações, no caso de fragmentos florestais ocorre a extinção de espécies determinada

pelo declínio das populações ou simples desaparecimento das mesmas. Um fragmento

florestal pode ser definido como qualquer área de vegetação natural contínua, interrompida

por barreiras antrópicas ou naturais (VIANA, 1990).


PEREIRA & ALMEIDA (1996), ao discutirem a relação entre biogeografia e

geomorfologia, afirmam que fatores geográficos, biológicos, climáticos e antrópicos, além

dos inerentes a cada espécie, são responsáveis pela distribuição das espécies no planeta.

Segundo os autores, as barreiras ecológicas fazem cessar o fluxo gênico, podendo levar à

diferenciação de espécies. A fragmentação é citada como uma destas barreiras.

Fragmentos pequenos apresentam problemas quanto ao tamanho das populações, que

tendem a conter poucos indivíduos, resultando na perda de biodiversidade e

sustentabilidade (VIANA, 1992). Tal fato agrava-se porque a atenção dos conservacionistas

tem se dirigido principalmente aos grandes fragmentos. Muito pouca atenção tem sido

dada para a preservação e o manejo de pequenos fragmentos florestais cuja proteção não

está prevista por lei e que hoje se encontram em propriedades particulares, apesar dos

mesmos freqüentemente conterem os últimos representantes de espécies, comunidades e

ecossistemas naturais. O resultado é que a maior parte destes fragmentos está abandonada e

em acelerado processo de degradação (VIANA, 1990).

Os aspectos a serem considerados na fragmentação florestal são relacionados a seguir

(VIANA, 1992):

• Histórias de perturbação, nas quais inúmeros fatores interagiram ao longo

do tempo, resultando em influências na estrutura e dinâmica florestal. A maior parte dos

remanescentes da Mata Atlântica sofreu algum tipo de perturbação antrópica nos

últimos quatro séculos;

• Forma, cujos efeitos sobre a diversidade biológica e a sustentabilidade da

floresta podem ser tão marcantes quanto os do tamanho do fragmento. Fragmentos de


área arredondada ou circular possuem menor razão borda/ interior em relação a

fragmentos alongados; esta razão é importante, pois indica a fração de área do

fragmento sob o efeito de borda;

• Tipo de vizinhança, que pode determinar barreiras para o trânsito de

polinizadores e dispersores, fontes de propágulos invasores (ex. gramíneas), poluentes

(ex. agrotóxicos) e perturbações (ex. fogo), e de modificações climáticas (ex.

pastagem);

• Grau de isolamento, que está ligado à distância entre fragmentos e ao tipo de

vizinhança. Estes fatores são determinantes para o trânsito (ou não) de material genético

(pólen, sementes) entre fragmentos de uma mesma região. Grandes distâncias podem

impedir o deslocamento de dispersores, assim como vizinhanças desfavoráveis (p.e.

canaviais);

• Tamanho efetivo dos fragmentos, determinado pela área do mesmo, grau de

diferença em relação à vegetação circunvizinha e o grau de isolamento. O tamanho

efetivo pode ser aumentado pela proximidade de outros fragmentos, corredores de

vegetação e vizinhança permeável;

• Borda, que é a área por onde geralmente se iniciam os processos ligados à

fragmentação florestal, e onde seus efeitos são mais pronunciados, como aumento da

luminosidade, umidade e velocidade do vento. Estas mudanças, por seus efeitos sobre

as espécies vegetais e animais, possuem influência na dinâmica florestal. ODUM

(1988) define a borda florestal como o ecotone entre a floresta e comunidades

adjacentes de gramíneas ou arbustos.


Para TERBORGH (1992), a fragmentação florestal resulta em redução da população

efetiva de muitas espécies e conseqüente redução da viabilidade genética. Também há

prejuízos aos padrões de dispersão e migração; alteração de inputs e outputs do

ecossistema; e acesso de espécies exóticas e/ ou não florestais às áreas isoladas, entre

outros efeitos.

Para ZAÚ (1998), o efeito de borda pode ser percebido em três níveis:

a) modificações na estrutura física da vegetação, que na borda apresenta menor

altura total, menor sobreposição de copas, menor diâmetro médio das espécies arbóreas

e maior espaçamento entre indivíduos de maior diâmetro;

b) modificações na composição florística, onde passam a predominar espécies

pioneiras e heliófitas, características de estágios iniciais da sucessão;

c) modificações na dinâmica populacional, com alterações na densidade e

arranjo espacial em relação a situações de não-borda.

No município do Rio de Janeiro, os únicos remanescentes florestais de tamanho

considerável encontram-se hoje em áreas de difícil acesso em seus três grandes maciços,

constituindo reservas legalmente protegidas (Tijuca, de jurisdição federal, Pedra Branca,

estadual, e Mendanha, municipal) (IBAM, 1998). Os fragmentos restantes são de tamanho

pequeno, estando ameaçados pela expansão urbana e suas conseqüências.

2.5 - Influência da floresta na estabilidade de encostas

A fragmentação, assim como as pressões diretas (desmatamento, p. e.), ao reduzirem

a cobertura vegetal, privam a população dos benefícios da floresta. PRANDINI et alli

(1976) consideram que a floresta é a associação florística de maior influência sobre os


processos superficiais de crosta. Estes autores mostram que a cobertura vegetal influi

positivamente na estabilidade de encostas, estruturando o solo através do sistema radicular;

retenção do material deslocado, com limitação da área afetada por escorregamentos;

interceptação das precipitações, nos diversos componentes do edifício vegetal; retenção de

fluxos através do escoamento hipodérmico; ação da transpiração e evapotranspiração,

rebaixando o lençol freático e criando pressões negativas, com o aumento da resistência dos

solos; restrição às amplitudes de variações de umidade e temperatura; e redução do

escoamento superficial, devido a sua adução para o escoamento hipodérmico, evitando

efeitos erosivos que comprometam a estabilidade do solo.

Por outro lado, também são levantadas algumas situações onde a vegetação florestal

pode influir negativamente na estabilidade de encostas, como o efeito de sobrecarga nos

taludes; ação dos ventos, imprimindo movimento de alavanca às árvores e comprometendo

localmente a estabilidade; e ação de cunha das raízes. Em florestas tropicais, de sistema

radicular superficial, este efeito é praticamente desconhecido. Os autores finalizam o

trabalho defendendo a abordagem multidisciplinar para o melhor entendimento da relação

floresta/ maciço, permitindo orientar o melhor uso dos recursos.

NUNES et alli (1992), analisando o papel dos sistemas radiculares na estabilidade de

encostas, mostram que estes podem atuar de duas maneiras: definindo rotas preferenciais de

percolação e concentração das águas, e atuando mecanicamente através da ancoragem das

raízes. No entanto, uma grande diversidade de variáveis revelam a complexidade que

envolve o estudo e a modelagem dos processos que governam a estabilidade das encostas,

devendo se levar vários fatores em consideração, conjuntamente.


GUIDICINI & NIEBLE (1984) mostram que a própria legislação brasileira reconhece

a importância da cobertura florestal na estabilidade de encostas, através da Lei Federal

4771/ 65 (BRASIL, 1965). É possível observar este reconhecimento em outros níveis de

administração, sendo que o Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro, a Lei Orgânica do

Município e diversos outros mecanismos legais estabelecem uma série de restrições à

ocupação de encostas, incluindo-se aí a determinação da cota de 100 metros sobre o nível

do mar como limite para urbanização através do Decreto Municipal nº 322/ 76 (RIO DE

JANEIRO, 1976).

2.6 - Outras funções da cobertura vegetal

Numa cidade caracterizada pelos acidentes do relevo, a função da floresta na

estabilização de encostas é considerada de grande relevância. No entanto, a floresta oferece

outros benefícios ao homem.

Para WIECHERS & GÓMEZ-POMPA (1979), as pesquisas sobre as árvores da

vegetação secundária deveriam ser ampliadas, de forma a se obter informações sobre os

elementos de utilidade para o homem, para a regeneração de ecossistemas perturbados, e

para a proteção contra a erosão, que é de grande importância em áreas desmatadas.

Segundo NAKASU et alli (1982), além da proteção ao solo, as essências nativas

possuem propriedades paisagísticas, através de suas florações ou outras características;

interesse para a fauna, como fonte de alimento ou abrigo; e muitas, comerciais ou não, são

fonte de alimentação para o homem. É possível, ainda, a utilização de áreas vegetadas

como objetos de lazer.


LAMPRECHT (1990) afirma que a floresta possui efeito de frenagem sobre as

correntes de ar. DUBOIS, VIANA e ANDERSON (1996) propõem o uso de faixas

arborizadas como quebra-ventos em áreas de agricultura e de plantios de espécies florestais.

OTTONI FILHO (1997) sugere a utilização de faixas de reflorestamento para redução

da evaporação de bacias de inundação por efeito dos ventos quentes e secos, visando a

conservação dos recursos hídricos no Nordeste brasileiro.

Para MILLER (1997), a vegetação em áreas urbanas possui as seguintes qualidades:

estética; redução da poluição visual; redução de poluentes do ar; modificação

microclimática; proteção de solo; lazer. Para este autor, floresta urbana é definida como a

soma de toda a vegetação florestal associada aos assentamentos humanos, incluindo-se aí

desde florestas naturais até parques públicos e arborização de ruas.

MAY et alli (1995), avaliando o reflorestamento realizado pela prefeitura da cidade

do Rio de Janeiro na comunidade de São José Operário, observou redução de custos em

trabalhos de desobstrução de canaletas de drenagem e galerias de águas pluviais a jusante

de uma área reflorestada, atribuindo tal fato à redução do escoamento superficial por ação

da cobertura florestal implantada. O mesmo autor constatou ainda a valorização imobiliária

no local. Embora se trate de uma área onde procedeu-se a regeneração artificial, fica

sublinhada a possibilidade de se obter resultados semelhantes através do manejo de

formações naturais secundárias.

Um papel que vem sendo considerado nos últimos anos para a floresta é o de

seqüestro de CO2 atmosférico, visando reduzir as mudanças climáticas resultantes de seu

acúmulo oriundo da queima de combustíveis fósseis. Seria possível a remoção de gases da

atmosfera através do reflorestamento de terras abandonadas e degradadas, embora deter o


desmatamento tenha um efeito mais significativo, pois a proteção de áreas remanescentes

de floresta poderia reduzir em 25% as emissões antropogênicas de CO2. As estimativas

globais de área a reflorestar para conter estes efeitos variam, chegando a até 500 milhões de

hectares, além de mais 200 milhões por razões que não o efeito estufa (HALL &

ROSILLO-CALLE, 1990). TEIXEIRA (1998) afirma que florestas secundárias, na

Amazônia, poderiam retirar de 0,05 a 1 bilhão de toneladas de carbono/ ano da atmosfera

apenas com a rebrota de 1/ 3 da área desmatada na região. Assim, tanto o manejo de

florestas secundárias quanto o reflorestamento ecológico poderiam contribuir de forma

considerável para o esforço de redução do CO2 atmosférico.

2.7 - Problemas decorrentes da ocupação de encostas

É característica da cidade do Rio de Janeiro a ocupação de encostas para habitação,

em particular pela população de baixa renda. No entanto, esta ocupação acontece de forma

desordenada, gerando diversos problemas. Segundo IBGE (1997), a taxa de urbanização

brasileira é de 78,4%, chegando a 89,3% na região Sudeste. Com o crescimento urbano

observado nas últimas décadas, tornou-se cada vez mais freqüente a ocupação de áreas em

condições topográficas pouco favoráveis (MAGALHÃES, 1996).

PENNA et alli (1990) afirmam que, devido às condições físicas locais do Rio de

Janeiro, são marcantes no processo de sua ocupação os aterros de rios e lagos, o desmonte

de morros e os desmatamentos de encostas. Ao longo do tempo, as encostas da cidade vêm

sofrendo descaracterização devido à ocupação residencial decorrente da expansão de áreas

urbanizadas, uso agrícola inadequado, ocupação por favelas, instalação de linhas de

transmissão de energia e propagação rápida do capim-colonião. Como resultado,


encontram-se sem proteção, o que favorece o deslizamento de terra e blocos de pedra, e

conseqüentemente o processo de inundações. Importante afirmação deste autor é que

“os freqüentes acidentes em encostas podem ser identificados como conseqüências

ecológicas da expansão urbana e tornam-se cada vez mais objeto de preocupação”.

Segundo DE MEIS e XAVIER DA SILVA (1968), sob as condições climáticas atuais

as vertentes estão em equilíbrio com a cobertura vegetal, estando os movimentos de massa

restritos apenas às zonas de maior declividade. No entanto, desmatamentos e obras de

engenharia podem romper este equilíbrio, interagindo com as características geológico-

geomorfológicas na criação de zonas susceptíveis aos movimentos de massa.

A ocupação humana, de acordo com SALOMÃO & IWASA (1995), constitui o fator

decisivo da origem e aceleração dos processos erosivos. Deflagrados pela ocupação do

solo, os processos erosivos passam a ser comandados por diversos fatores naturais

relacionados às características da chuva, do relevo, do solo, e da cobertura vegetal.

CUNHA (1991) lista como principais causas antrópicas da erosão a remoção da

vegetação, a concentração de águas pluviais, a exposição de terrenos suscetíveis à erosão e

a execução inadequada de aterros.

Segundo AUGUSTO FILHO (1995), entre março de 1988 e março de 1991 foram

gastos na cidade do Rio de Janeiro 7,1 milhões de dólares em obras de contenção de

encostas. Os acidentes ocorridos nas enchentes do ano de 1988 vitimaram fatalmente mais

de 30 pessoas na cidade; no entanto, as enchentes de 1966, dentre as piores já ocorridas,

causaram mais de 100 mortes. Às perdas de vidas ocorridas nestes eventos, somam-se as

perdas materiais, com a destruição de moradias, gerando levas de desabrigados, e de obras

públicas, como ruas, redes de esgotos e águas pluviais, com grandes prejuízos financeiros.
O autor afirma, ainda, que este quadro resulta das características geológicas,

geomorfológicas e climáticas do país, que, aliadas a processos socioeconômicos como a

intensa urbanização e o empobrecimento, levam à ocupação de áreas suscetíveis a

escorregamentos sem os critérios técnicos mínimos recomendados.

As encostas da cidade também são freqüentemente utilizadas para a criação de

animais, gerando diversos problemas. GUIDICINI & NIEBLE (1983) citam uma feição

geomorfológica denominada “encosta em degraus”, resultante, provavelmente, de

processos variados e diversos. Esta feição pode recobrir encostas inteiras de uma região,

sendo muitas vezes provocada pelo pisoteio sistemático de trilhas pelo gado, o que pode

provocar adensamento do solo e até mesmo o desenvolvimento de pequenos planos de

escorregamento.

Dois subprodutos da ocupação das encostas são o lixo e o fogo, que trazem

conseqüências desastrosas para a cidade. O lixo, hoje, pode ser considerado como unidade

geológica do Quaternário, possuindo comportamento geomecânico bem definido e estando

normalmente associado ao alto risco de acidentes. Sob condições críticas de umidade,

podem arrastar o manto coluvionar existente e provocar corridas de massa com resultados

catastróficos (FERNANDES & AMARAL, 1996).

Em relação ao fogo, pode-se dizer que os seres humanos modificaram muito o seu

efeito, aumentando ou diminuindo sua influência de acordo com a ocasião (ODUM, 1988).

Este autor ainda afirma que, “sob condições úmidas, o fogo favorece o capim mais que as

árvores”. Para RIZZINI (1997), o fogo pode ser considerado um fator ecológico de índole

mista – climático-biótico – dada a influência humana. OLIVEIRA et alli (1995) falam

sobre modificação das características de florestas na vertente Norte do Maciço da Tijuca


causadas, entre outras razões, pelos incêndios constantes. Assim, a combinação de

queimadas para renovação de pastos e incêndios causados por queda de balões,

proximidade de residências ou estradas e vandalismo é fator de grande peso na degradação

das encostas e de sua vegetação. Além disso, constitui-se em importante elemento da

fragmentação florestal e da modificação dos remanescentes da cidade, como será

explicitado mais adiante.

2.8 - Algumas idéias sobre a sucessão secundária, suas influências naturais e

antrópicas

Para ODUM (1988), sucessão ecológica é o desenvolvimento do ecossistema, o qual

envolve modificações na estrutura de espécies e processos da comunidade ao longo do

tempo. Quando esta sucessão ocorre de acordo com mudanças determinadas pela própria

comunidade, é chamada autogênica, e se o fator de mudança é externo (p.e., incêndios), é

chamada alogênica. O padrão de velocidade das mudanças, no entanto, é determinado pelo

ambiente físico. A sucessão primária é aquela ocorrente num substrato previamente

desocupado, enquanto aquela que começa num local anteriormente ocupado por uma

comunidade (como uma floresta derrubada, ou um campo agrícola abandonado), é

denominada sucessão secundária. A presença e o sucesso de um organismo ou de um

grupo de organismos dependem de um complexo de condições, onde podem ser listados

como fatores limitantes: temperatura, luminosidade, água, macro e micronutrientes, solo e

fogo.

CLEMENTS (1916) estabeleceu os primeiros conceitos de sucessão de grande

aceitação, citando seis fases distintas do processo:


- Nudação – exposição do substrato pela remoção da vegetação;

- Migração – entrada dos organismos no ambiente;

- Estabelecimento – adaptação dos organismos às condições locais;

- Competição – fase subseqüente, de interações entre os organismos

estabelecidos;

- Reação – alterações no ambiente determinadas pelos organismos

presentes;

- Estabilização – desenvolvimento de uma vegetação climáxica.

Em SAMPAIO (1997), tem-se que as idéias de Clements sofreram diversas críticas

posteriormente, por considerarem a sucessão como um processo previsível. Na realidade, o

desenvolvimento de um clímax estaria associado a diversos fatores locais, como a

topografia. Os conceitos modernos tendem a aceitar a existência de perturbações

freqüentes, necessárias para a manutenção dos diversos grupos existentes na floresta.

WIECHERS & GÓMEZ-POMPA (1979) afirmam existir duas correntes totalmente

opostas em relação à problemática da regeneração dos ecossistemas tropicais. Uma afirma

que a regeneração é totalmente aleatória e não previsível; a outra, que a regeneração pode

ser predita e não é aleatória. Esta segunda corrente sugere que devem ser melhor

conhecidas as características de germinação, estabelecimento e dispersão, entre outras, a

partir do que é possível se prever até certo ponto o rumo que a sucessão pode tomar

Para GÓMEZ-POMPA & VÁZQUEZ-YANES (1985), a grande diversidade de

ecossistemas e complexidade estrutural do trópico úmido fazem com que a regeneração

natural seja complicada, devido à existência de diversos estágios intermediários antes que

se construa um ecossistema similar ao original.


A maneira como se dá a sucessão secundária está de acordo com a magnitude do

impacto sofrido pelo ecossistema. A sucessão pode ser afetada por características de solo e

da perturbação original (WIECHERS & GÓMEZ-POMPA, 1979). Em CARPANEZZI

(1990), é adotada a classificação segundo a qual ecossistema degradado é aquele que teve

eliminados, juntamente com a vegetação, seus meios de regeneração biótica (bancos de

sementes e plântulas, chuvas de sementes e rebrota), e ecossistema perturbado aquele que

sofreu distúrbio, mas manteve seus meios de regeneração biótica. A recuperação de um

ecossistema pode se dar de diferentes maneiras, pois o processo de regeneração natural,

numa área perturbada, encontra-se na dependência de diversos fatores, como presença de

banco de sementes, dispersores, alelopatia, interferências na germinação e condições

ecológicas (SEITZ, 1994).

LAMPRECHT (1990) afirma que as florestas secundárias possuem as seguintes

características:

- A composição e a estrutura são dependentes não apenas do sítio, mas

também da idade, alterando-se com a sucessão gradual;

- estrutura mais simples e menor diversidade de espécies;

- heterogeneidade de dimensões e idades dos indivíduos;

- espécies de baixo valor comercial;

- troncos com tortuosidades, devido à intensa competição.

Para VÁZQUEZ-YANES (1979), existem três grupos de vegetação secundária que

podem ser reconhecidos: o primeiro, onde predominam herbáceas, com grande número de

indivíduos e baixa diversidade; o seguinte, caracterizado por arbustos, correspondente a

comunidades de 2 a 6 anos; e, finalmente, o grupo dominado pelas árvores. Ainda segundo


o autor, as três etapas poderiam ser estudadas segundo metodologias distintas. Tal

concepção assemelha-se à de IBGE (1992), que mostra que o sistema secundário em área

de Mata Atlântica se desenvolve da seguinte forma:

1. Sucessão Natural: Colonização inicial por Pterydophytae nos solos

degradados serranos e Imperata brasiliensis (Gramineae) nas áreas baixas costeiras;

2. Primeira Fase: Colonização por hemicriptófitos, Leguminosae reptantes,

Verbenaceae, Labiatae, Portulacaceae e muitas outras caméfitas com exigências

rudimentares pioneiras;

3. Segunda Fase: Não precisa necessariamente passar pela primeira, de acordo

com o estado anterior da área, sendo caracterizada por hemicriptófitos graminóides,

caméfitos rosulados e nanofanerófitos de baixo porte. Dominam os gêneros Paspalum

(Gramineae), Solanum (Solanaceae), Compositae dos gêneros Mikania e Vernonia.

Primeiras lenhosas, dominadas por Compositae do gênero Baccharis e

Melastomataceae dos gêneros Leandra, Miconia e Tibouchina, com o último

dominando as comunidades submontanas das serras costeiras;

4. Terceira Fase: Domínio de Baccharis, com poucas caméfitas herbáceas e

muitas lenhosas e sublenhosas, sendo chamada capoeira rala. Terreno coberto com

plantas de médio porte, nanofanerófitos de até 3 m, porém bem espaçados; o gênero

Vernonia começa a substituir Baccharis;

5. Quarta Fase: Vegetação bastante complexa, dominada por microfanerófitos

de até 5 m, chamada capoeira propriamente dita. Nas formações secundárias

submontana e montana do Sudeste e do Sul destaque para Tibouchina estrellenis nas

serras e T. claussen nos contrafortes dos morrotes. No Paraná e Santa Catarina, a


vegetação é caracterizada por T. pulchra e Miconia cinammomifolia nas encostas, e T.

multiceps em brejos;

6. Quinta Fase: dominada por mesofanerófitos de até 15 m de altura. Fase

lenhosa, sem plantas emergentes, bastante uniforme. Esta comunidade é denominada

capoeirão.

Para GUBERT FILHO (1993), as diversas associações vegetais irão compor-se por

um conjunto de espécies que, sob condições idênticas, terá composição semelhante. As

diversas associações vegetais possuem uma fitofisionomia própria, determinada pelo meio

físico e evolução natural. À medida que a interferência humana se acentua, temos tipologias

alteradas e degradadas, bem como tipologias sucessionais, de acordo com o grau de

recuperação do ecossistema florestal. Desta forma, se faz necessário o estudo dessas

tipologias determinadas pelo fator antrópico e não apenas pela evolução natural. Os fatores

determinantes dos tipos florestais são:

a) físicos: temperatura, luminosidade, substrato;

b) bióticos: densidade, freqüência e abundância das espécies, biocenoses, micro

e macrofauna;

c) fatores antrópicos: intervenções das mais variadas no ambiente natural

(queimadas, desmates, explorações seletivas, pastoreio extensivo).

Ainda segundo este autor, floresta primitiva é a floresta nunca explorada pelo

homem, mantendo suas características originais; a floresta primária difere da floresta

primitiva por haver sofrido algum tipo de perturbação, embora ainda mantenha suas

características originais, podendo ser dividida em alterada e degradada, de acordo com o

nível de alteração antrópica; e a floresta secundária, finalmente, é aquela originada após o


corte raso da floresta original, que em função do tempo, pode atingir um alto nível de

complexidade, a ponto de ser confundida com a floresta primária. A floresta secundária é

precedida de tipos florestais sucessores, denominados capoeirinha, capoeirão e capoeira,

que, na verdade, representam um entendimento simplificado do progressivo enriquecimento

da formação florestal, partindo de formas herbáceo-arbustivas até matas com relativa

diversidade de espécies.

A composição da vegetação secundária pode depender da interação de múltiplos

fatores. O primeiro seria a composição do potencial florístico do solo, estritamente ligado à

flora local; depois, à acessibilidade do terreno e a características físicas, químicas e bióticas

do solo. O terceiro fator é o histórico de utilização da área e a natureza da perturbação. A

sucessão, primária ou secundária, inicia-se com a colonização da área por espécies

pioneiras, sendo vista como a ocupação de uma área por organismos envolvidos em um

intenso processo de ação e reação. Após o estabelecimento das primeiras espécies, o

desenvolvimento fisionômico e florístico da associação são influenciados pela quantidade

de tocos e outros elementos capazes de regeneração, remanescentes do sistema de

agricultura de derrubada e queima (BERNAL & GÓMEZ-POMPA, 1979).

Considera-se a regeneração a partir da rebrota de tocos extremamente importante no

processo de sucessão da Mata Atlântica. A transição mais lenta do estágio de capoeirinha

para formações mais avançadas é condicionada pela natureza do terreno de origem, em

geral trabalhado para agricultura, com virtual ausência de tocos e raízes (GUBERT FILHO,

1993). SAMPAIO (1997), em estudo realizado em floresta secundária com

aproximadamente 25 anos de regeneração, observou que os tocos deixados em estado

latente no terreno constituíam-se na principal fonte inicial de colonização por espécies em


áreas recém-abandonadas. BLOOMFIELD et alli (1997) observaram, em fragmentos de

floresta semidecídua sob exploração agrícola na cidade de Paty do Alferes, estado do Rio

de Janeiro, grande proporção de indivíduos resultantes de rebrota de tocos, com destaque

para o pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha Benth., Leg. Mimosoideae) e a garapa (Apuleia

leiocarpa (Vog.) Mcbr., Leg. Papilionideae).

Deve-se levar em consideração, ainda, a influência da introdução de espécies pelo

homem neste processo. No município do Rio de Janeiro, MARTINS (1987), ao expor

detalhes do reflorestamento realizado pelo Major Manuel Gomes Archer na Floresta da

Tijuca, lista diversas espécies introduzidas, entre elas Eucalyptus spp. e outras trazidas do

norte brasileiro. COELHO NETTO (1993) cita a jaqueira (Artocarpus integrifolia L.,

Moraceae) e os eucaliptos (Eucalyptus spp., Myrtaceae) regenerando-se espontaneamente

nas partes mais baixas da mesma floresta. No estado de Minas Gerais, em subosque de

plantios de Eucalyptus paniculata e E. grandis, foram encontradas respectivamente 49

espécies e 30 famílias, e 56 espécies e 32 famílias, concluindo-se que o banco de sementes

e a existência de reservas naturais nas proximidades contribuíram para a regeneração

natural (CALEGARIO, 1993).

Há casos, no entanto, de danos à regeneração natural. DEAN (1996), ao falar sobre o

capim-colonião (Panicum maximum Jacq., Gramineae), afirma que esta espécie, trazida

pelos portugueses para a região no século XVII, em seu ambiente original (semi-árido

africano) ocupa as bordas perturbadas de floresta. No Rio de Janeiro, entretanto, seu

comportamento é altamente agressivo, ocupando rapidamente grandes extensões de terreno

e provocando incêndios em períodos de seca, comprometendo a regeneração das espécies

florestais. Observações semelhantes são feitas por MARTINS (1987), IBAM (1993) e
OLIVEIRA et alli (1995), entre outros. Assim, a introdução de espécies alienígenas pode

ter efeitos positivos ou negativos na dinâmica de regeneração.

Um outro fator ambiental de grande influência sobre a dinâmica dos ecossistemas é a

orientação de encostas. Segundo OLIVEIRA et alli (1995), as diferenças ecológicas

marcantes entre as vertentes influem efetivamente na florística e na dinâmica da vegetação.

Em trabalho desenvolvido por estes autores no maciço da Tijuca, foram observadas as

seguintes diferenças entre as vertentes Norte e Sul:

- maior susceptibilidade a incêndios na vertente Norte devido ao

dessecamento promovido pela maior insolação;

- maior proporção de espécies raras na vertente Sul;

- empobrecimento da composição florística, na vertente Norte.

Os autores atribuem estas diferenças não só à maior exposição da vertente Norte à

insolação, mas também ao antropismo, pois a mesma é muito mais suscetível aos poluentes

devido à maior concentração populacional na região. Tal fator, combinado aos freqüentes

incêndios, vem promovendo a retração da floresta e à redução da diversidade florística,

devido à seletividade do ambiente. Assim, em trechos da vertente Norte, a mata vem sendo

substituída por formações compostas por espécies resistentes a poluição e a incêndios. A

melhor qualidade ambiental da vertente Sul pode ser explicada também pela maior

umidade, devido à influência do mar. ODUM (1988) afirma que os ventos oceânicos

carregados de umidade depositam a maior parte da mesma nas vertentes das serras

orientadas para o oceano; a “sombra de chuva resultante produz um deserto do outro lado

da serra”. Quanto mais alta a serra, maior o efeito, de modo geral.

O entendimento do estágio de sucessão de uma floresta está ligado a uma série de


aspectos do comportamento ecológico das espécies componentes e de características

mensuráveis das seres sucessionais.

BUDOWSKI (1965) identificou quatro grupos de espécies na dinâmica de sucessão

de florestas, em estudo realizado na América Central: pioneiras, secundárias iniciais,

secundárias tardias e clímax. As características principais, das espécies e das respectivas

seres, estão listadas na tabela a seguir:

Tabela 1 – Principais características ecológicas das espécies pertencentes a diversos

estágios sucessionais (adaptado de BUDOWSKI, 1965)

CARACTERÍSTICAS PIONEIRAS SEC. INICIAIS SEC. TARDIAS CLÍMAX


distribuição natural ampla muito ampla ampla restrita
diâmetros pequenos < 60 cm grandes grandes
tamanho da semente pequeno pequeno pequeno a médio grande
viabilidade das longa longa curta a média curta
sementes
fatores de dispersão vento, aves, vento, aves, morcegos vento gravidade, mamíferos,
morcegos aves
duração da vida das < 10 10 – 25 40 – 100 > 100
espécies (anos)
densidade da madeira mole mole média alta
folhas das espécies perenes perenes muitas são decíduas perenes
dominantes
idade (anos) 1–3 5 – 15 20 – 50 > de 100
número de espécies 1–5 1 – 10 30 – 60 > 100
lenhosas
subosque denso denso escasso escasso
arbustos muitos, poucas muitos, poucas poucas poucos, muitas espécies
espécies espécies
número de estratos 1 2 3 4–5
crescimento muito rápido rápido rápido a lento lento
epífitas ausentes poucas muitas, poucas muitas espécies
espécies

VÁZQUEZ YANES & SADA (1985) definem três grupos de espécies :

- Pioneiras: espécies de rápido crescimento, com germinação e

desenvolvimento a pleno sol, produção abundante e precoce de sementes, de pequeno


tamanho e com dormência. A dispersão, geralmente, é feita por animais;

- Clímax: de crescimento lento, germinação e desenvolvimento à sombra, com

sementes grandes, geralmente sem dormência;

- Secundárias, nômades ou oportunistas: germinam à sombra, mas necessitam

de luz para completar seu estabelecimento. São típicas de dossel, apresentando poucos

indivíduos por unidade de área. Segundo LAMPRECHT (1990), possuem o

comportamento de secundárias tardias ou pioneiras de longa vida.

SWAINE & WHITMORE (1988), citado por FONTES (1999), simplificam esta

relação, reduzindo-a a apenas dois grupos - pioneiras e clímax, por considerar imprecisa a

separação entre os grupos. OLIVEIRA FILHO (1993), e FONTES (1999), concordam que

a divisão em grupos ecológicos é apenas uma simplificação dos processos naturais, visando

seu melhor entendimento pelo homem, posto que todos estão representados na floresta

madura.
3 - MATERIAL E MÉTODOS

3.1 - Características da área de abrangência do estudo - o município do Rio de

Janeiro

3.1.1 - Localização

O município do Rio de Janeiro está compreendido entre os meridianos de 43º 06’30”

e 43º 47’40” e os paralelos 22º 45’05”e 23º 04’10”. Possui uma área de 1255,3 Km2,

confrontando-se ao Norte com os municípios de São João de Meriti, Nova Iguaçu,

Nilópolis e Duque de Caxias, ao Sul com o Oceano Atlântico, ao Leste com Magé, Duque

de Caxias e a Baía de Guanabara e a Oeste com a Baía de Sepetiba e o município de

Itaguaí. A altitude média é de 2 metros, tendo como ponto culminante o pico da Pedra

Branca, com 1025 m sobre o nível do mar (IPLANRIO, 1998)

A principal característica da cidade é sua topografia acidentada, com uma área de

36.200 ha de serras e maciços (IBAM, 1993). Segundo COELHO NETTO (1993), existem

dois domínios fisiográficos principais: o relevo montanhoso representado pelos maciços da

Pedra Branca, Tijuca e Gericinó (Mendanha), e as zonas de baixada circundantes

denominadas localmente de Santa Cruz, Jacarepaguá e Fluminense. Os maciços de baixa

altitude e os morros isolados nas baixadas permitem observar formas peculiares, morros

com vertentes convexas, suaves e topos arredondados, caracterizando uma grande área de
solos do tipo Podzólico Vermelho Amarelo, suas variações e intermediários (EMBRAPA/

SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE, 1999).

3.1.2 - Clima

A climatologia da cidade é influenciada de maneira significativa pela topografia,

sendo dividida por GALLEGO (1971, apud COELHO NETTO,) em quatro zonas

climáticas, seguindo a classificação de Köppen: Aw para as zonas de baixada; Am e Af as

vertentes Atlânticas das áreas montanhosas, maciços da Pedra Branca e Tijuca no primeiro

caso, Gericinó no segundo; e Cf (clima tropical de altitude) a porção superior das

montanhas.

PALMIERI & SANTOS (1980) e EMBRAPA/ SECRETARIA MUNICIPAL DE

MEIO AMBIENTE (1999) citam os seguintes tipos de clima segundo a classificação de

Köppen: Cfa (chuvoso sem estação seca) - com precipitações frontais e orográficas, em

cotas próximas de 500 m, nas encostas mais úmidas voltadas para o mar; Af (úmido e

chuvoso de selva tropical) - todos os meses chuvosos, o mais seco com mais de 60 mm de

precipitação, nas vertentes leste da Serra da Carioca: Am (tropical chuvoso) - de monção

com inverno seco e menos de 60 mm de precipitação no mês mais seco, ocorrendo na

encosta leste do Maciço da Pedra Branca e Alto da Boa Vista, seguindo pela zona costeira a

leste até o lado sul da Ilha do Governador; Cwa (de inverno seco e verão chuvoso) -

ocorrendo nas cristas dos maciços da Tijuca, Pedra Branca e Gericinó; e Aw (tropical de

inverno seco e verão chuvoso) - domina a maior parte da área, é o clima das baixadas e

pequenos maciços.
As médias históricas de temperaturas na cidade, registradas entre 1901 e 1990, são de

26, 7 º C (máxima) e 20,4º C (mínima), sendo a média anual entre 1851 e 1990 de 23,2 º C

(IPLANRIO, 1998).

As precipitações anuais médias registradas no período de 1851 a 1990 foram de 1107

mm ao ano, com os valores máximos no verão (397 mm) e os mínimos no inverno (144

mm). A cidade registrou a média anual de 124 dias de chuva (IPLANRIO, 1998).

3.1.3 - Vegetação

Apenas 26,3% da superfície do município é coberta por formações naturais, sendo

20,3% constituídos por florestas em diferentes estágios sucessionais e graus de alteração

(SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE, 1997). A cidade está situada no

domínio original da Floresta Ombrófila Densa, que segundo IBGE (1992) se caracteriza

por macro e mesofanerófitos, lianas lenhosas e epífitos em abundância. Porém, sua

característica ecológica principal reside nos ambientes ombrófilos, com a característica

ombrotérmica da Floresta Ombrófila Densa estando presa aos fatores climáticos tropicais

de elevadas temperaturas (médias de 25º C) e de alta precipitação bem distribuída durante o

ano. A vegetação florestal da cidade espalha-se principalmente sobre os maciços

montanhosos (COELHO NETTO, 1993).

Das subdivisões desta formação, o objeto do presente estudo é a Floresta Ombrófila

Densa Submontana. Assentada sobre o dissecamento do relevo montanhoso e dos planaltos

com solos medianamente profundos, caracteriza-se por apresentar fanerófitos com alturas

aproximadamente uniformes. A submata é integrada por plântulas de regeneração natural,

poucos nanofanerófitos e caméfitas, além de palmeiras de pequeno porte e lianas herbáceas


em maior quantidade. Suas principais características ficam por conta dos fanerófitos de alto

porte, alguns ultrapassando os 50 m na Amazônia e raramente os 30 m nas outras partes do

país. (IBGE, 1992). RIZZINI (1997) denomina esta formação Floresta Pluvial baixo –

montana, situando-a entre as altitudes de 300 e 800 metros s.n.m., caracterizando-a através

de sucessivas elevações arredondadas, que no estado do Rio de Janeiro alcançam as

proximidades do mar. A porção superior dos morros é bastante seca, com as depressões, ou

grotas, apresentando umidade mais elevada. IBGE (1983) situa os limites altitudinais desta

formação entre 50 e 100 metros s. n. m., nas encostas das serras litorâneas.

Para EMBRAPA/ SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE (1999), as

principais formações florestais de encosta da cidade são:

- Floresta Subperenifólia - formações de altitude, de grande porte,

densas, das áreas de clima mesotérmico. Dependendo da duração do período

seco, algumas espécies perdem as folhas. Localização: Partes mais altas dos

maciços da Tijuca, Gericinó, Pedra Branca, encostas mais úmidas.

- Floresta Subcaducifólia – domina a maior parte do município,

ocorrendo nas encostas mais secas e pequenos maciços de baixa altitude. Seu

desenvolvimento é favorecido por climas locais mais secos, diferenciando-se da

floresta subperenifólia pelo menor porte, menor densidade e grande número de

espécies que perdem as folhas no período seco.

- Floresta Caducifólia – De pequena ocorrência, resumindo-se a

pequenas matas secas no morro de Guaratiba e Ponta da Joatinga.

Deve ser destacada, entre as características físicas do município, a ocorrência do

chamado campo antrópico, que recobre aproximadamente 1/5 de sua área, ou cerca de
25.600 ha. Estas áreas são ocupadas basicamente por gramíneas, em particular o capim-

colonião (Panicum maximum Jacq.), cobrindo 5.310 ha nas encostas dos maciços

(SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE, 1997).

3.1.4 - Pedologia

No domínio da Floresta Ombrófila Densa predominam os latossolos com

características distróficas e raramente eutróficas, originadas de rochas variadas, de

cratônicas (granitos e gnaisses) até os arenitos com derrames vulcânicos de variados

períodos geológicos, além dos podzólicos, com baixa fertilidade natural. Ocorrem, ainda,

solos litólicos em trechos das encostas (IBGE, 1992; EMBRAPA/ PCRJ, 1999). Segundo o

novo sistema brasileiro de classificação de solos, os podzólicos passaram a ser

denominados argissolos, e os solos litólicos passaram a compor a categoria dos neossolos

(EMBRAPA, 1999).

3.1.5 -Geologia

O município do Rio de Janeiro é constituído por rochas cristalinas do Pré-Cambriano,

cortadas por diques de diabásio, fondito, bostonito e lamprófiros, concentrando-se os três

últimos na parte ocidental do território. Na metade oriental do município dominam os

gnaisses, cortados por intrusões menores de granitos e rochas básicas, enquanto na

ocidental dominam os granitos, reaparecendo os gnaisses em extensão menor na região de

Santa Cruz e Sepetiba (PALMIERI e SANTOS, 1980).

Dos principais maciços da cidade, parte da Serra do Mendanha e pontos do Maciço

da Pedra Branca são formados por rochas intrusivas alcalinas, e os maciços da Tijuca,
Pedra Branca e Gericinó são oriundos da suíte intrusiva da Serra dos Órgãos e complexo

Paraíba do Sul (IPLANRIO, 1998).

3.2 - Áreas de estudo

Os locais de estudo foram escolhidos por possuírem


vegetação com fisionomia secundária e facilidade de acesso. A
fisionomia foi caracterizada a partir da avaliação das

espécies florestais predominantes e características gerais


(presença ou ausência de serapilheira, altura e diâmetro dos
indivíduos, presença e características do subosque). Como
apoio, foram utilizadas as resoluções do CONAMA referentes à
Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro (BRASIL, 1993 e
1994).

Duas unidades foram instaladas em grandes maciços, a


saber: Mendanha e Pedra Branca. Uma terceira unidade foi
instalada em uma serra isolada, sendo escolhida para este fim
a Serra de Inhoaíba, em Campo Grande, bairro da Zona Oeste da
cidade. Optou-se pela escolha de fragmentos de tamanho
pequeno a médio (de acordo com os parâmetros de VIANA, 1990),

predominantes na cidade.
Outra característica comum às áreas de estudo é o fato de
terem sofrido ação antrópica significativa em período
razoavelmente recente (menos de 50 anos).
A idade dos fragmentos foi estimada a partir de
informações recolhidas com moradores antigos das redondezas,
mapas e fotos aéreas dos sobrevôos feitos na cidade em 1976 e
1999, em posse do Instituto Pereira Passos, da Prefeitura da

Cidade do Rio de Janeiro.

3.2.1 - Área 1 (Vilar Carioca)

Características gerais

A área de estudo, localizada na Serra de Inhoaíba, em Campo Grande, possui

aproximadamente 7 (sete) hectares, orientada para Sul, com declividade de 36%, estando

localizada no interior do Centro Ecológico Metodista Ana Gonzaga (CEMAG), uma

Reserva Particular do Patrimônio Natural mantida pela Igreja Metodista. O fragmento

estudado possui cerca de 25 anos.

A área possui fragmentos de mesma fisionomia nas proximidades, além de ser

ladeada por dois reflorestamentos ecológicos, executados pelo CEMAG e pela Secretaria

Municipal de Meio Ambiente, este último ainda em execução. A área também possui divisa

com um antigo plantio de eucalipto, datado da década de 1940.

A vertente Sul da Serra de Inhoaíba é dominada por sítios, com cultivo de

hortaliças. A vertente norte possui a jusante sítios com cultivo de cana-de-açúcar, e um

grande assentamento de baixa renda no sopé, conhecido como Vilar Carioca. A criação de

gado bovino é comum a ambas as vertentes.

Antropismos

Como boa parte da área de influência da Mata Atlântica, a região foi dominada pela

cultura do café até o início deste século. Posteriormente a laranja constituiu-se na principal
atividade econômica, até que o abandono da cultura, causado pelo empobrecimento das

terras, levou à utilização do território como pastagem. A criação de gado estende-se até os

dias de hoje, sendo responsável por danos à regeneração por pisoteio, compactação de solo

e eventuais incêndios.

Outra atividade característica da segunda metade do século XX no local foi a

extração mineral, favorecida pelo predomínio de granitos na Serra do Cantagalo/ Inhoaíba

(IBDF/ FBCN, 1980), que perdurou na área do CEMAG até os anos 80. Ainda hoje podem

ser observados caminhos utilizados para o transporte de material, bem como blocos e

resíduos minerais abandonados.

Solos

Predominam na área Pva2 ( Associação Podzólico Vermelho Amarelo Tb álico +

Podzólico Vermelho Amarelo Tb eutrófico raso, ambos fase A moderado textura

média/argilosa + Solos litólicos indiscriminados fase substrato rochas gnáissicas ácidas,

todos fase floresta subcaducifólia relevo forte ondulado) e PVa3 ( Associação Pva Tb

álico raso A moderado textura média/ argilosa fase floresta subcaducifólia relevo forte

ondulado + Afloramentos de rocha ).

Vegetação

Grandes extensões da Serra de Inhoaíba são cobertas por gramíneas, e utilizadas

como pastagem extensiva. A vegetação florestal se constitui de diversos fragmentos

disjuntos, predominando aqueles pertencentes a estágios iniciais de regeneração, embora

eventualmente sejam encontrados remanescentes em estágios mais avançados, com

espécies como o jequitibá (Cariniana spp, Lecythidaceae). Existem, ainda, frutíferas, como

o abacateiro (Persea americana L., Lauraceae), mangueira (Mangifera indica L.,


Anacardiaceae) e jaqueira (Artocarpus integrifolia L., Moraceae). Em alguns trechos

existem remanescentes de reflorestamentos de eucalipto (Eucalyptus spp, Myrtaceae).

3.2.2 - Área 2 (Batalhão Tonelero)

Características gerais

A vertente da Serra do Mendanha voltada para o município do Rio de Janeiro passa,

atualmente, por um processo de transformação em Parque Municipal. O fragmento

estudado possui conexão com áreas mais extensas de floresta do maciço, tendo uma área de

aproximadamente 30 (trinta) hectares, em vertente Sul. A declividade é de 38%.

Funciona no local o quartel do Batalhão Tonelero, do Corpo de Fuzileiros Navais,

que eventualmente realiza exercícios nas matas locais.

Antropismos

A Serra do Mendanha foi dominada por culturas (cana-de-açúcar e café) até o final do

século XIX, após o que se iniciou a regeneração das florestas nas vertentes do maciço. No

entanto, nas áreas mais baixas os cultivos de subsistência e de cítricos continuaram a ser

feitos. Nos anos 60, para a instalação do quartel do Batalhão, houve a desapropriação de

pequenas propriedades no local, cessando assim as atividades intensivas há

aproximadamente 35 anos.

Outra atividade intensa no maciço, embora não exerça influência direta sobre a área

de estudo, é a extração de granito ornamental.

Solo
Na área de estudo predominam os solos PE1 (Podzólico Vermelho Amarelo tb

eutrófico A moderado textura média/ argilosa fase floresta subcaducifólia relevo ondulado)

e Pva2 (Associação Podzólico Vermelho Amarelo tb álico + Podzólico Vermelho Amarelo

tb eutrófico raso ambos moderado textura média/ argilosa + Solos Litólicos indiscriminados

fase substrato rochas gnáissicas ácidas todos fase floresta subcaducifólia relevo forte

ondulado).

Vegetação

A vegetação florestal da vertente Sul da Serra do Mendanha é predominantemente

secundária em estágio avançado de regeneração. Existem áreas de borda tomadas por

capim-colonião (Panicum maximum Jacq., Gramineae).

A área de estudo encontra-se na transição entre os estágios inicial e médio de

regeneração. Além das espécies nativas, são freqüentes mangueiras (Mangifera indica L.,

Anacardiaceae) e jaqueiras (Artocarpus integrifolia L., Moraceae), espécies exóticas

introduzidas pelo homem e bem aclimatadas ao país.

3.2.3 - Área 3 (Serra do Barata)

Características gerais

A Serra do Barata é parte do Maciço da Pedra Branca, situada em sua vertente Norte.

O bairro de Realengo, onde está situada a área, é bastante populoso, sendo intensa a pressão

sobre as áreas de encosta e remanescentes florestais.

A área de estudo, com aproximadamente 3 (três) hectares, situa-se numa depressão do

terreno, no topo da Serra; por esta razão, o terreno é bastante úmido. Sua declividade é de

20,2%.
A jusante da área existe uma comunidade de baixa renda denominada Cosme e

Damião, que participou da implantação de um reflorestamento de 66 hectares executado

pela Prefeitura do Rio de Janeiro entre 1988 e 1996.

Solo

Na área de estudo predominam os solos Lva1 (Latossolo Vermelho Amarelo álico A

moderado textura argilosa fase floresta subcaducifólia relevo forte ondulado)

Vegetação

Predomínio de gramíneas. Das formações arbóreas, além do reflorestamento citado,

composto por espécies variadas, existem pequenos fragmentos de baixa diversidade, onde

se destaca o cambará (Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr., Compositae).

Existe um grande fragmento em estágio avançado de regeneração, chamado Mata do

Piraquara, a uma distância aproximada de 2 km da área de estudo.

Antropismos

Após o abandono das atividades agrícolas e início da urbanização intensa, em meados

deste século, a região passou a ser utilizada como pastagem. São constantes os incêndios,

particularmente nos meses de junho a setembro.


3.3 - Metodologia de amostragem

3.3.1 - Levantamento fitossociológico

Foi utilizado o método de parcelas para a coleta de dados, visando estimar os

seguintes parâmetros:

- Estrutura horizontal;

- Distribuição diamétrica;

- Regeneração natural;

- Distribuição de freqüências;

- Índices ecológicos.

Foram utilizados transectos de 10 x 100 metros, divididos em parcelas contíguas de

10 x 10 metros. Nestas parcelas foram medidos todos os indivíduos com quinze centímetros

ou mais de circunferência à altura do peito (CAP) e três metros de altura ou mais, sendo

anotados espécie, CAP, altura total e posição do indivíduo na parcela.

Na Área 3 (Serra do Barata) foram utilizadas apenas cinco parcelas contíguas de 10 x

10 metros, devido ao pequeno tamanho do fragmento amostrado. Assim, o transecto

apresentou as dimensões de 10 x 50 metros.

Inicialmente, pretendia-se medir diâmetros a partir de cinco centímetros; no entanto,

devido ao uso de fitas métricas, e não diamétricas, optou-se pela medição de

circunferências a partir de quinze centímetros, que, de forma operacional, fornecem um

diâmetro mínimo (4,78 cm) próximo ao inicialmente pretendido.


Além do CAP, como critério de inclusão dos indivíduos na parcela considerou-se a

sua influência nos processos que se dão no interior da mesma. Assim, caso houvesse

curvatura no tronco e sua copa estivesse fora da parcela, considerava-se que por seu sistema

radicular encontrar-se no interior haveria participação no balanço de nutrientes, assim como

a copa inserida na unidade influi no sombreamento e deposição de folhedo, mesmo que a

projeção da área basal não esteja totalmente na área de estudo.

Para o cálculo dos parâmetros fitossociológicos e índice de diversidade, foi utilizado

o programa FITOPAC, versão 1, desenvolvido pelo prof. George Shepperd, da UNICAMP.

As distribuições diamétrica e de alturas permitem uma primeira inferência sobre a

dinâmica da formação, indicando os rumos do desenvolvimento da mesma.

Desenvolveu-se, ainda, a curva de espécies/ área (LAMPRECHT, 1990), para

avaliação da suficiência da área amostral em cada local de estudo.

3.3.2 - Material utilizado

- fichas de campo padronizadas, contendo os dados de interesse;

- clinômetro;

- bússola;

- estacas de madeira ou canos de PVC, para marcação das parcelas;

- barbante para delimitação das parcelas;

- podão, para coleta de material botânico;

- fita métrica;

- trena;

- fichas de PVC para marcação dos indivíduos arbóreos;

- pregos de cobre para fixação das fichas de PVC;


- caneta hidrocor, para marcação das fichas de PVC e dos exemplares

coletados;

- prensa, para preparação do material botânico;

- folhas de jornal, para acomodação do material;

- estufa;

- cartolina, para preparação de exsicatas.

3.3.3 - Identificação botânica

Todos os indivíduos acima de 15 centímetros de circunferência foram marcados com

placas de PVC, sendo nestas marcado o número de série do indivíduo no campo. Em cada

área, os indivíduos tiveram numeração independente.

As identificações foram feitas, sempre que possível, ainda no campo. Quando isto

não foi possível, coletaram-se amostras que foram comparadas com exsicatas dos herbários

da UFRRJ e do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foi utilizada, ainda, bibliografia de

apoio (BUDOWSKI, 1965; BARROSO, 1978, 1991a, 1991b; SANCHOTENE, 1989;

LORENZI, 1992, 1998; AGUIAR et alli, 1993; CARVALHO, 1994; CARAUTA, 1996;

BARBARÁ & FREIRE DE CARVALHO, 1996).. O material coletado encontra-se

armazenado no Laboratório de Manejo de Paisagens, para posterior depósito no herbário do

IB/ UFRRJ (RBR).

Além da identificação taxonômica, as espécies foram analisadas em seus aspectos de

dispersão, polinização, regeneração, fenologia, grupos ecológicos e utilização silvicultural.


3.3.4 - Parâmetros florísticos

Para avaliação da diversidade florística, afinidade entre os fragmentos e interações

com a fauna, foram avaliados os seguintes itens:

- Quociente de Mistura de Jentsch;

- Índice de Diversidade de Shannon;

- Índice de Similaridade de Sörensen;

- Curva de espécies/ área;

- Síndromes de dispersão de sementes;

- Grupos ecológicos.

KIKKAWA (1986) afirma que o conceito de diversidade diz respeito tanto ao número

total de espécies na comunidade (riqueza de espécies) quanto à distribuição dos indivíduos

entre elas (eqüabilidade). O tamanho da amostragem, entretanto, possui influência sobre a

riqueza, devido ao aumento do número de espécies acompanhar o aumento da área

amostral. Desta forma, é necessário se estabelecer a área mínima de amostragem,

determinada através da curva de espécies por área.

Segundo MUELLER DOMBOIS e ELLENBERG (1974), a área mínima deve ser

determinada através da curva de espécies/ área, onde à medida que são plotadas novas

unidades de amostra, considera-se o número de espécies cumulativamente, de forma que a

representação gráfica desta relação é uma curva que, ao assumir a orientação horizontal,
indica que um aumento do esforço amostral resultará em um aumento mínimo do número

de espécies.

Faz-se necessário, segundo LAMPRECHT (1990), se proceder a uma boa

estratificação da amostragem, pois a inclusão de diferentes fitofisionomias na mesma

amostra pode levar a distorções na curva e enganos no estabelecimento da área mínima.

Determinada a área mínima, pode-se então proceder à determinação de diversos

índices, entre os quais podem ser destacados:

- Quociente de Mistura (LAMPRECHT, 1990), que é representado pela relação entre

o número de espécies e o número de indivíduos. Este permite uma primeira inferência sobre

a homogeneidade da formação;

- Índice de Diversidade de Shannon, expresso por:

H = - Σ (ni/ N) log (ni/ N) ou - Σ pi log pi

Onde:

ni = valor de importância de cada espécie;

N = total dos valores de importância;

pi = probabilidade de importância de cada espécie = ni/ N

Este índice, frente a outros que medem a diversidade, permite fazer comparações,

sendo relativamente independente do tamanho da amostra. Outra característica é atribuir

um maior peso às espécies raras, representadas por um indivíduo (ODUM, 1988);

- Índice de Eqüabilidade (J), representado pela expressão

J = H’ / ln S
Onde:

J = Índice de Eqüabilidade

H’ = índice de diversidade de Shannon;

S = n. º de indivíduos por espécie.

A eqüabilidade expressa a uniformidade na comunidade, ao avaliar a distribuição

dos indivíduos entre as espécies existentes (ODUM, 1988);

KIKKAWA (1986) considera que espécies que dividem uma mesma história

biogeográfica possuem um pool de espécies associadas aos habitats de uma região. Já

ODUM (1988) considera que gradientes ambientais necessitam do uso de técnicas de

ordenação para o entendimento do desenvolvimento das comunidades; estas técnicas

podem exigir a comparação entre amostras, que pode ser feita através do Índice de

Similaridade de Sörensen (Is), representado por:

Is = 2C / A + B

A = número de espécies da formação A;

B = número de espécies da formação B;

C = espécies comuns às formações A e B.

3.3.5 - Parâmetros fitossociológicos – Estrutura Horizontal

Os parâmetros considerados no estudo da estrutura horizontal são os seguintes

(BRAUN-BLANQUET, 1950; DAUBENMIRE, 1968; MUELLER–DOMBOIS e

ELLEMBERG, 1974; LAMPRECHT, 1990; MARTINS, 1994):

- Densidade, que é o número de indivíduos por unidade de área (hectare);


- Dominância, que pode ser entendida como o grau de cobertura da espécie,

ou espaço por ela requerido, e expressa-se como a soma das projeções horizontais de

todos os indivíduos da espécie. Em florestas tropicais, dada sua complexidade, utiliza-

se a área basal dos indivíduos em lugar do diâmetro de copa, posto que existe uma

correlação linear rigorosa entre os dois;

- Freqüência, considerada como o a presença ou ausência de uma espécie na

unidade de amostra. Este parâmetro representa a primeira expressão aproximada da

homogeneidade de uma formação, sendo dado em porcentagem.

Isoladamente, entretanto, estes parâmetros não permitem compreender inteiramente a

participação das espécies nos processos da comunidade. Desta forma, CURTIS &

MCINTOSH (1950, apud MARTINS, 1991) propuseram a utilização de um valor que

permitisse ordenar as espécies na área de estudo. O Valor de Importância (VI) representa a

soma dos valores relativos dos três parâmetros anteriormente citados (Dominância,

Densidade e Freqüência). O uso de valores relativos visa reduzir a influência do tamanho

das parcelas na sua expressão.

A combinação da dominância e da densidade relativas fornece, ainda, o Valor de

Cobertura (VC), que oferece a noção do espaço ocupado por espécie na biocenose.

Na interpretação dos resultados, foi dado destaque às espécies que perfizessem 50%

do VI (adaptado de MARTINS, 1991).


3.3.6 – Distribuição de Alturas

As alturas foram divididas em intervalos de classe de 2 metros, exceto a primeira

classe, situada entre 3 e 4 metros. Utilizou-se para tal a metodologia constante em

SPIEGEL (1961).

Muito embora florestas secundárias não possuam estratificação definida, a análise da

distribuição de alturas pode fornecer informações relativas a tendências de

desenvolvimento, permitindo o planejamento de intervenções de manejo.

3.3.7 - Distribuição de freqüências

Segundo LAMPRECHT (1990), é possível avaliar a homogeneidade de formações

vegetais distribuindo suas espécies em classes de freqüência. Desta forma, procedeu-se ao

estabelecimento de cinco classes (0%-20 %, 21%-40%, 41%-60%, 61%-80%, 81%-100%),

onde foram alocadas as espécies. Grande concentração de espécies nas menores classes

indica alta heterogeneidade, assim como concentração nas maiores classes mostra maior

homogeneidade, com espécies de dispersão mais ampla no terreno.

3.3.8 - Distribuição diamétrica

Foi feita a distribuição geral de diâmetros, e também para as espécies cujas

populações apresentaram maior número de indivíduos (adaptado de RODRIGUES, 1989).

A análise desta distribuição permite avaliar, através do gráfico resultante, se a comunidade

possui muitos diâmetros pequenos e indivíduos jovens, caracterizando formações iniciais –

levando à forma de “j” invertido; e também se as populações podem ser consideradas auto-
perpetuantes (ODUM, 1988; LAMPRECHT, 1990). Como na distribuição de alturas, a

metodologia utilizada baseou-se em SPIEGEL (1961).

As classes de diâmetro utilizaram intervalos de cinco centímetros, sendo que a

primeira classe iniciou-se em 4,78 centímetros (diâmetro mínimo de inclusão, equivalente à

circunferência de 15 centímetros) e terminou em 10 centímetros.

3.3.9 - Comparação entre os fragmentos

Os fragmentos foram comparados entre si sob o ponto de vista estrutural,

dendrométrico e de diversidade. Foi utilizado para este fim o índice de similaridade de

Sörensen (ODUM, 1988). Também foi efetuada uma comparação com base na estrutura,

utilizando uma modificação do índice de Sörensen proposta por LAMPRECHT (1990),

onde o número de espécies é substituído pela Dominância Absoluta das principais espécies.
4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 - FLORÍSTICA

4.1.1 - Resultados por área

a) Área 1 - CEMAG

Espécies encontradas e seus grupos ecológicos

Foram encontradas 20 espécies, 19 gêneros e 12 famílias. A amostra contemplou 46

indivíduos, numa estimativa de densidade de 460 indivíduos por hectare. A composição

florística da área é dominada por espécies características de estágios iniciais da sucessão.

Das cinco espécies com maior número de indivíduos, apenas Mangifera indica, exótica,

não é pioneira ou secundária inicial. Este comportamento se estende às dez primeiras, onde

apenas duas espécies não possuem características de pioneiras. (Tabela 2).


Tabela 2 - Espécies encontradas no fragmento de floresta secundária do

CEMAG

Espécie Nome Vulgar Família Grupo No.


Ecológico Ind.
Acacia polyphilla DC. monjoleiro Leguminosae Sec. inicial 9
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan angico – branco Leguminosae Sec. inicial 3
Apuleia leiocarpa (Vog.) Macbr. garapa Leguminosae Clímax 1
Artocarpus integrifolia L. jaqueira Moraceae Exótica 1
Cecropia catarinensis Cuatrecasas embaúba Moraceae Pioneira 1
Cecropia pachystachya Trec. embaúba-do-brejo Moraceae Pioneira 1
Guarea guidonea (L.) Sleumer) carrapeta Meliaceae Sec. inicial 1
Lonchocarpus guilleminianus (Tul.) Malme guaianã Leguminosae Sec. inicial 1
Mangifera indica L. mangueira Anacardiaceae Exótica 8
Miconia prasina (Sw.) DC. pixirica Melastomataceae Sec. inicial 2
Miconia sp. cinzeiro – branco Melastomataceae Sec. inicial 1
Mimosa bimucronata (DC.) O. Ktze. maricá Leguminosae Pioneira 1
Nectandra rigida Nees canela Lauraceae Clímax 2
Peschiera fuchsiaefolia Miers. leiteira Apocynaceae Pioneira 4
Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr. pau – jacaré Leguminosae Sec. inicial 4
Psidium guajava L. goiaba Myrtaceae Pioneira 2
Seguiera langsdorfii Moq. agulheiro Phytolaccaceae Sec.tardia 1
Solanum inaequale Vell. peloteira Solanaceae Sec. inicial 1
Trema micrantha (L.) Blume crindiúva Ulmaceae Pioneira 1
Trichillia silvatica DC. catiguá Meliaceae Sec. inicial 1

O total de espécies de estágios iniciais de sucessão (pioneiras e secundárias iniciais) é

de 80 %. A figura 1 ilustra os grupos sucessionais presentes na amostragem.

10% 10% 24% Pioneira


5% Sec. Inicial
Sec. Tardia
Clímax
Exótica
51%
Figura 1 – Grupos sucessionais encontrados na área 1

A presença de duas espécies do gênero Miconia pode indicar que a comunidade está

próxima do estágio secundário de desenvolvimento propriamente dito, que é caracterizado

pela dominância de Melastomataceae dos gêneros Miconia e Tibouchina. O estágio

também pode ser denominado capoeira (DANSEREAU, 1974; IBGE, 1992).

Três espécies pertencem a estágios mais avançados da sucessão: Apuleia leiocarpa,

Nectandra rigida e Seguiera langsdorfii. É possível que sejam remanescentes de

associações pretéritas, ou resultantes de rebrota. Este ponto de vista é reforçado pelo fato

destas espécies, de crescimento lento, serem representadas por indivíduos que estão entre os

maiores encontrados na área.

Riqueza

A riqueza de espécies por família destaca a família Leguminosae, que possui cinco

espécies (25 % do total). Moraceae vem a seguir, com três, devido à presença de

Artocarpus integrifolia e duas espécies de Cecropia. Meliaceae e Melastomataceae têm

duas espécies cada, e as famílias restantes possuem apenas uma espécie. A Figura 2 ilustra

estas relações.
6
nº de espécies

5
4 3
3 2 2
2 1 1 1 1 1 1 1
1
0
M cea e
Le
M min

M cea
U stom
So cea
Ph ace
M lac
La acea
A cea
A yna
lm

po e
na ce
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gu

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ur e
a

ca ae
c
a

t
a ...

o
a

rd
ia
...
.
a

famílias
Figura 2 – Riqueza de espécies por família na área 1

Três das seis espécies com maior representatividade em número de indivíduos

pertencem à família Leguminosae (Acacia polyphilla, Piptadenia gonoacantha e

Anadenanthera colubrina), evidenciando a importância deste grupo na ocupação de áreas

no processo da sucessão secundária. Segundo MARTINS (1991), tal fato pode ser

explicado pela capacidade de fixação de N atmosférico através de nódulos radiculares,

embora neste caso Acacia polyphilla não apresente esta característica.

A existência de duas espécies exóticas na amostra (Mangifera indica e Artocarpus

integrifolia) atesta a influência antrópica, comum nas florestas da cidade do Rio de Janeiro.

As duas são frutíferas muito apreciadas pela população e também pela fauna. Por questões

culturais, costuma-se preservar estas árvores, que se mantém como fonte de alimento e

abrigo para a fauna em caso de remoção da cobertura vegetal. Estas espécies poderiam

funcionar, em determinadas situações, como mutualistas-chave (TERBORGH, 1986),

devendo seu potencial ser considerado em projetos de recuperação de áreas degradadas.


Padrões de dispersão das espécies

Constata-se a importância da dispersão zoocórica na composição florística local, com

55% de espécies apresentando este padrão (Figura 3).

5%
30%
Autocoria
Anemocoria
Zoocoria
Barocoria
55%
10%

Figura 3 – Padrões de dispersão de espécies - área 1

A zoocoria é considerada, juntamente com a anemocoria, um padrão típico de

formações abertas e pioneiras (AGUIAR, PIÑA-RODRIGUES e FIGLIOLA, 1993).

Índices ecológicos

O quociente de mistura de 0,43 foi o mais elevado encontrado neste estudo. O índice

de diversidade de Shannon encontrado foi de 2,634 e pode ser considerado relativamente

alto para florestas neste estágio de desenvolvimento, demonstrando um possível avanço do

estágio de sucessão, com o ingresso de novas espécies.

A equitabilidade de 0,879 indica alta heterogeneidade florística. Este fragmento

possui relativamente poucas espécies, com poucos indivíduos para cada uma delas, o que se

reflete neste índice.


Curva de espécies por área

A curva de espécies/ área não se estabilizou, como visto na Figura 4. É possível se

notar dois pontos em que a curva parece iniciar a estabilização, e abruptamente torna a se

elevar. Estes pontos são parcelas situadas em áreas de clareira, onde ocorrem condições de

estabelecimento de espécies pioneiras e secundárias iniciais.

25

20
nº de espécies

15

10

0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
parcela (100 m2)

Figura 4 – Curva espécies/ área na área 1


b) Área 2 – Batalhão Tonelero

Espécies encontradas e seus grupos ecológicos

Foram encontradas 35 espécies e 18 famílias (Tabela 2). Há sete espécies não

identificadas mesmo ao nível taxonômico de família.

Tabela 3 - Espécies encontradas no fragmento de floresta secundária do Batalhão

Tonelero

Espécie Nome Vulgar Família Grupo No.Ind


Ecológico
Apuleia leiocarpa (Vog.) Macbr. garapa Leguminosae Clímax 1
Aspidosperma parvifolium A.DC. guatambu Apocynaceae Sec. tardia 10
Brosimum glaziouii Taub. quiré Moraceae Clímax 9
Brosimum guianense (Aubl.) Hub. muirapinima Moraceae Clímax 3
Cariniana legalis (Mart.) Ktze. jequitibá Lecythidaceae Clímax 1
Casearia decandra Jacq. pau-lagarto Flacourtiaceae Sec. inicial 1
Casearia sylvestris Sw. pau- lagarto Flacourtiaceae Sec. inicial 2
Chorisia speciosa St. Hil. paineira Bombacaceae Sec. tardia 3
Cordia taguahyensis Vell. - Boraginaceae Sec. tardia 5
Cupania oblongifolia Mart. camboatá Sapindaceae Sec. inicial 1
Ficus gomelleira Kunth e Bouché ex Kunth gameleira Moraceae Sec. inicial 1
Guarea guidonia (L.) Sleumer carrapeta Meliaceae Sec. inicial 1
Piptadenia paniculata Benth. canjiquinha Leguminosae Sec. inicial 1
Luehea grandiflora Mart. et Zucc. açoita-cavalo Tiliaceae Sec. inicial 1
Machaerium aculeatum Raddi borrachudo Leguminosae Sec. inicial 6
Machaerium nictitans (Vell.) Benth. cateretê Leguminosae Sec. inicial 8
Metternichia princeps Mik. - Solanaceae Sec. inicial 2
Miconia cinammomifolia (DC.) Naud. jacatirão Melastomataceae Sec. inicial 3
Miconia prasina (Sw.) DC. pixirica Melastomataceae Sec. inicial 4
Nectandra rigida Nees canela – amarela Lauraceae Clímax 3
Peltophorum dubium (Spreng.) Taub. tamboril Leguminosae Sec. inicial 1
Persea pyrifolia Nees et Mart. ex Nees abacate-do-mato Lauraceae Clímax 2
Piptadenia gonoacantha (Mart.) Macbr. pau – jacaré Leguminosae Sec. inicial 21
Schinus therebinthifolius Raddi aroeira Anacardiaceae Pioneira 1
Schizolobium parahyba (Vell.) Blake guapuruvu Leguminosae Sec. inicial 1
Sparattosperma leucanthum (Vell.) K. Schum. cinco – chagas Bignoniaceae Pioneira 4
Spondias lutea L. cajá mirim Anacardiaceae Sec. inicial 5
Zanthoxyllum rhoifolium Lam. mamica-de-cadela Rutaceae Sec. inicial 2
NI1 - NI NI 1
NI2 - NI NI 1

Tabela 3 – Continuação...
Espécie Nome Vulgar Família Grupo No.Ind
Ecológico
NI3 - NI NI 1
NI4 - NI NI 1
NI5 - NI NI 1
NI6 - NI NI 1
NI7 - NI NI 1

É importante destacar que um dos maiores desafios da fitossociologia é a adequada

identificação do material botânico. Por um lado, muitas espécies, em especial as pioneiras,

são facilmente identificáveis apenas por caracteres morfológicos; entretanto, o fato de se

trabalhar com indivíduos de pequenas dimensões, que muitas vezes ainda não alcançaram a

fase reprodutiva, exige acompanhamento por um período superior ao decorrido nesta

dissertação (dois anos, sendo um dedicado às atividades de campo).

O número de indivíduos constantes da amostra foi de 109, numa densidade de 1090

indivíduos/ hectare. O grupo sucessional predominante é o de secundárias iniciais (48% do

total – Figura 5), com pioneiras e secundárias tardias nas posições seguintes. Embora a

espécie com maior número de indivíduos (Piptadenia gonoacantha) seja uma secundária

inicial, as duas seguintes (Aspidosperma parvifolium e Brosimum guianense) são,

respectivamente, secundária tardia e clímax. Naturalmente, a presença de uma proporção

significativa de espécies secundárias tardias indica evolução sucessional na área,


provavelmente como resultado do baixo nível de perturbações sofridas no local nas últimas

décadas.

Outro indicativo de mudanças na comunidade é o fato de Piptadenia gonoacantha

apresentar boa parte de seus indivíduos já em fase de senescência, tendendo a ceder espaço

para outras espécies.

6%
20%
Pioneira
Sec. Inicial
Sec. tardia
Clímax
17% 48% NI

9%

Figura 5 – Grupos sucessionais encontrados na área 2

Riqueza

A Figura 6 mostra a riqueza de espécies por família no local. O grupo de espécies não

identificadas é o mais significativo, junto a Leguminosae, com sete espécies cada.

8 7 7
7
nº de espécies

6
5 4
4
3 2 2 2 2
2 1 1 1 1 1 1 1 1 1
1
0
N

Le

M ino

A eae

Fl rdia

La rtia

M eae

A tom

Bi nac eae

Bo iac

Le inac

M ida

Ru eae

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I

na

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or

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ra eae

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ia
as
ca

ou eae

cy tac
ac ae

nd

ce
ac

ce
on e

th
m

a
c ae

ae
ce
a

e
s

e
e

famílias
Figura 6 – Riqueza de espécies por família na área 2

Padrões de dispersão das espécies

A principal forma de dispersão de propágulos encontrada foi a zoocoria, seguida de

perto pela anemocoria, particularmente encontrada em espécies pioneiras ou secundárias

tardias (Figura 7). É possível que este fato indique a ocupação da área por espécies do

segundo grupo, o que pode ser constatado com a existência de Bombacaceae e

Apocynaceae na área, famílias caracterizadas por espécies de dispersão geralmente

anemocórica e pertencentes a grupos sucessionais mais avançados. Estas espécies possuem

características das nômades (VAZQUEZ-YANES e SADA, 1985), ocupando clareiras

geradas pela queda de árvores. Tal fato pode relacionar-se à abertura do dossel causada pela

morte de diversas árvores no local, constatadas pela presença de tocos e indivíduos mortos

em pé, além de grande quantidade de material lenhoso de dimensões consideráveis no piso

florestal em estágios diversos de decomposição.

9%
20%

31% Autocoria
Anemocoria
Zoocoria
NI

40%
Figura 7 – Padrões de dispersão das espécies na área 2

Índices ecológicos

O quociente de mistura de 0,32 indica baixa intensidade de mistura, demonstrando

predominância de poucas espécies.

O índice de diversidade de Shannon para a amostra foi de 3,061, podendo ser

considerado alto para floresta secundária. Esta diversidade pode ser explicada pela

proximidade de fontes de propágulos, dada a existência de formações extensas e

relativamente bem preservadas nas cercanias.

O índice de equitabilidade encontrado foi de 0,861, podendo ser considerado alto,

indicando heterogeneidade florística.

Curva de espécies por área

A curva de espécies/ área não alcançou a estabilidade, indicando que existe uma

diversidade local maior do que a encontrada e mostrando a necessidade de ampliação da

amostragem em estudos futuros (Figura 8).

40
35
nº de espécies

30
25
20
15
10
Figura 8 – Curva espécies/ área na área 2

c) Área 3 – Serra do Barata

Espécies encontradas e seus grupos ecológicos

Foram encontradas 7 espécies, pertencentes a 7 gêneros e 6 famílias (tabela 4). Todas

as espécies pertencem aos grupos de pioneiras (71%) e secundárias iniciais (29%) (Figura

13). A densidade foi de 700 indivíduos/ hectare.

Tabela 4 - Espécies encontradas no fragmento de floresta secundária da Serra do

Barata

Espécie Nome Vulgar Família Grupo No. Ind.


Ecológico
Cecropia glaziouii Sneth. embaúba - vermelha Moraceae Pioneira 1
Cupania oblongifolia Mart. camboatá Sapindaceae Sec. inicial 1
Gochnatia polymorpha (Less.) Cabr. cambará Compositae Pioneira 28
Piptadenia paniculata Benth. canjiquinha Leguminosae Sec. inicial 1
Psidium guajava L. goiaba Myrtaceae Pioneira 2
Schinus terebinthifolius Raddi aroeira Anacardiaceae Pioneira 1
Vernonia cf. crotonoides Sch. Bip. ex Baker assa - peixe Compositae Pioneira 1
A espécie predominante na área, com 80% do total de indivíduos, é Gochnatia

polymorpha. Esta possui padrões autoecológicos típicos de pioneiras de áreas abertas, tais

como: dispersão anemocórica, resistência a incêndios e capacidade de rebrota. Existem

áreas consideráveis na cidade recobertas por populações praticamente puras de cambará,

conseqüência de incêndios, com fisionomia savânica. O fogo, muitas vezes, resulta na

estagnação do processo sucessional; este parece ser caso da área de estudo, que sofre

diversos incêndios anuais.

A família predominante na área, Compositae, figura sempre nos primeiros estágios de

sucessão da Mata Atlântica, juntamente com Leguminosae, Verbenaceae, Labiatae,

Portulacaceae, Solanaceae e Gramineae (IBGE, 1992).

A vegetação na área possui atributos suficientes para situá-la no estágio de

capoeirinha (IBGE, 1992).

29%

Pioneira
Sec. inicial

71%

Figura 9 – Grupos sucessionais encontrados na área 3


Riqueza de espécies por família

À exceção de Compositae, que possui duas espécies, todas as famílias são

representadas por apenas uma espécie. A baixíssima riqueza (Figura 10) evidencia não

apenas uma sucessão em seus estágios iniciais, como a existência de perturbações que agem

seletivamente no estabelecimento das espécies.


3

2
nº de espécies

1 1 1 1 1
1

0
Co

Le

Sa
na

yr
or

pi
gu
m

ca

tac
ac

nd
po

m
rd

ea

ac
in

ea
sit

ia

e
os

ea
e
ae

ce

ae

e
ae

famílias

Figura 10 - Riqueza de espécies por família na área 3

Padrões de dispersão das espécies

A presença de espécies que têm sua dispersão efetuada por pássaros, como a goiaba, a

aroeira, a embaúba vermelha e o camboatá, demonstra que está havendo enriquecimento do

fragmento a partir de outros locais nas circunvizinhanças, a despeito do maior número de

indivíduos pertencer a uma espécie anemocórica (Fig. 11).


14%
29%

Anemocoria
Zoocoria
Autocoria

57%

Figura 11 – Padrões de dispersão das espécies na área 3

Índices ecológicos

O índice de Shannon encontrado para a área foi de 0,850. O valor é extremamente

baixo, mesmo se considerando o fato deste estudo ser conduzido em fragmentos de pouca

diversidade. O Quociente de Mistura foi de 0,20, representando a concentração maciça de

indivíduos na espécie Gochnatia polymorpha.

A equitabilidade acompanha a tendência da diversidade, sendo de 0,437.

Curva de espécies por área

A curva é mostrada na Figura 12. Existem duas parcelas onde ocorrem saltos na

curva: a 2 a e a 4 a. Entretanto, em cada caso o acréscimo é de uma espécie. Embora o

fragmento seja de tamanho pequeno, a observação de fragmentos maiores na região, sob as


mesmas condições ecológicas mostra que se repete o padrão de predomínio do cambará. A

região situada na vertente noroeste do maciço da Pedra Branca, ao longo da Estrada do

Catonho, possui muitos fragmentos praticamente puros compostos pela espécie.


nº de espécies

8
6
4
2
0
1 2 3 4 5
parcela (100 m2)

Figura 12 - Curva espécies/ área na área 3


4.1.2 - Similaridade florística entre áreas de estudo

• Área 1 x Área 2

Utilizando-se o índice de Sörensen para comparação entre as áreas, encontra-se baixa

similaridade entre as áreas, pois apenas três espécies – Piptadenia gonoacantha, Guarea

guidonia e Miconia sp.1 - são comuns a ambas. O índice encontrado foi de 10,53 %.

• Área 1 x Área 3

A similaridade encontrada foi de 7,41 %. O valor é muito baixo, existindo apenas

uma espécie em comum entre as duas áreas - Psidium guajava, com um indivíduo cada.

Embora as duas áreas sejam pouco densas, a área 1 possui estrutura mais complexa,

com maior cobertura de solo e sombreamento, resultando em um maior número de

microambientes e de espécies, ao contrário da área 3.

• Área 2 x Área 3

O valor de 5,71 % para o índice de Sörensen reflete a existência de duas espécies

comuns, Piptadenia paniculata e Schinus terebinthifolius, cada uma ocorrendo com apenas

um indivíduo em cada área.

A área 2 possui características de estágios intermediários de regeneração, enquanto a

área 3 encontra-se em estágio inicial. Schinus terebinthifolius surge na área 2 em uma

situação de clareira, posto que a floresta já possui dossel relativamente fechado. Na área 3,

entretanto, a cobertura é esparsa, podendo-se prever que com o avanço da sucessão a

população desta e de outras espécies tenda a crescer.

Piptadenia paniculata ocorre nas duas áreas de maneira isolada e com indivíduos em

senescência, podendo indicar o fim de seu ciclo nestes locais.


4.1.3 - Discussão

Espécies encontradas e seus grupos ecológicos

Nenhuma espécie foi comum às três áreas de estudo. Foram encontradas ocorrendo

em dois locais Cupania oblongifolia, Guarea guidonea, Nectandra rigida, Piptadenia

gonoacantha, Piptadenia paniculata, Psidium guajava e Schinus terebinthifolius (Tabela

5):

Tabela 5 - Espécies com ocorrência em duas áreas de estudo

ESPÉCIE Área 1 Área 2 Área 3


Cupania oblongifolia x x
Guarea guidonea x x
Nectandra rigida x x
Piptadenia gonoacantha x x
Piptadenia paniculata x x
Psidium guajava x x
Schinus terebenthifolius x x

As espécies que foram amostradas com um mínimo de cinco indivíduos em pelo

menos uma das áreas foram as seguintes (tabela 6):

Tabela 6 – Espécies amostradas com cinco ou mais indivíduos

ESPÉCIE Área 1 Área 2 Área 3


Acacia polyphylla 9
Anadenanthera colubrina 3 11
Aspidosperma ramiflorum 10
Brosimum glaziouii 9
Gochnatia polymorpha 29
Machaerium aculeatum 6
Machaerium nictitans 8
Mangifera indica 8
Piptadenia gonoacantha 4 21
Sparattosperma leucanthum 4
Spondias lutea 5
Em geral, encontra-se uma maior concentração de indivíduos em poucas espécies, o
que é esperado para florestas secundárias, onde as comunidades são mais simples, partindo

posteriormente para uma organização mais complexa (ODUM, 1988) (Tabela 7).

Tabela 7 – Número de espécies concentrando pelo menos 50 % dos indivíduos

ÁRE N.º TOTAL DE N.º TOTAL DE Nº DE ESPÉCIES


A ESPÉCIES INDIVÍDUOS CONCENTRANDO PELO
MENOS 50% DOS INDIVÍDUOS
1 20 46 4
2 35 110 6
3 7 35 1

Predominam nas áreas amostradas espécies pioneiras e, principalmente, secundárias

iniciais. As proporções entre os grupos ecológicos são, juntamente com diversos

parâmetros fisionômicos, indicadoras de estágios sucessionais.

As pioneiras e secundárias iniciais predominam nas áreas 1 (perfazendo juntas 80 %)

e 3 (100 %), não significando necessariamente pouca idade dos fragmentos. Pode haver um

processo seletivo, por conta de perturbações antrópicas, como o fogo (OLIVEIRA et alli,

1995; SAMPAIO, 1997) e a poluição (GAETA et alli, 1989; POMPÉIA et alli, 1988;

OLIVEIRA et alli, 1995), comuns em áreas urbanas. Estas pressões seriam responsáveis

pela manutenção de espécies mais resistentes no sítio pelo espaço de tempo em que durem

as perturbações.

As secundárias iniciais e secundárias tardias predominam na área 2 (somando 55%

das espécies). SAMPAIO (1997) afirma que proporções altas destes grupos ecológicos

indicam avanço para etapas posteriores da sucessão.


Riqueza

As famílias encontradas no estudo são mostradas no Tabela 8:

Tabela 8– Famílias encontradas no estudo

FAMÍLIA ÁREA 1 ÁREA 2 ÁREA 3


Anacardiaceae x x x
Apocynaceae x x
Bignoniaceae x
Bombacaceae x
Boraginaceae x
Compositae x
Flacourtiaceae x
Lauraceae x x
Lecythidaceae x
Leguminosae x x x
Melastomataceae x x
Meliaceae x x
Moraceae x x x
Myrtaceae x x
NI x
Phytolaccaceae x
Rutaceae x
Sapindaceae x x
Solanaceae x x
Tiliaceae x
Ulmaceae x

Observa-se que as famílias que ocorreram em todas as áreas foram Anacardiaceae,

Leguminosae e Moraceae, esta última devido a espécies do gênero Cecropia. Apocynaceae,

Lauraceae, Melastomataceae, Meliaceae, Myrtaceae, Sapindaceae e Solanaceae ocorreram

em duas áreas.

A riqueza observada foi relativamente baixa, em comparação a outros estudos. Ainda

que áreas bem conservadas possam apresentar um número elevado de espécies arbóreas,
TABARELLI e MANTOVANI (1999) mostram que as árvores com mais de 10 cm de DAP

representam apenas 15 a 22% das espécies neotropicais, pois são excluídas as lianas,

epífitas, arbustos e pequenas árvores. Os mesmos autores, tomando como parâmetro um

DAP mínimo de 2,5 cm, afirmam que as famílias responsáveis pela maior riqueza de

espécies nas florestas atlânticas de encosta são Melastomataceae, Rubiaceae, Myrsinaceae,

Myrtaceae, Monimiaceae, Palmae e Flacourtiaceae.

RODRIGUES (1996), em um trecho de floresta em estágio avançado de regeneração

na REBIO do Tinguá, encontrou 781 indivíduos, 51 famílias, 73 gêneros e 189 espécies,

com o Índice de diversidade de Shannon alcançando o valor de 4,36.

Em floresta perturbada de baixada na cidade de Magé (RJ), GUEDES (1988)

encontrou 100 espécies arbóreas. KURTZ (1994), utilizando o método de quadrantes em

região submontana em Cachoeiras de Macacu (RJ), encontrou 592 indivíduos, 42 famílias,

85 gêneros e 138 espécies, caracterizando o estágio da formação como clímax. O estudo

utilizou o DAP mínimo de 5 centímetros, e o índice de Shannon foi de 4,20.

Florestas secundárias possuem uma riqueza bem menor. GAETA et alli (1989),

estudando a regeneração em cicatriz de escorregamento em encosta em Cubatão,

identificaram 34 espécies, pertencentes a 28 gêneros e 18 famílias. As famílias Rubiaceae,

Melastomataceae, Moraceae, Palmae e Piperaceae concentram 47,1% do total de espécies

encontradas.

GUAPYASSU (1994) encontrou 27 espécies em área de capoeira e 45 em área de

capoeirão. O número de gêneros foi de 25 e 40, respectivamente, para as duas fases, e o de

famílias, 19 e 29. Os valores para espécies se aproximam respectivamente dos encontrados

nas áreas 1 e 3 deste estudo, no primeiro caso, e da área 2 no segundo caso.


SAMPAIO (1997), em estudo conduzido na Ilha Grande (RJ), encontrou numa

floresta secundária de 25 anos as famílias Leguminosae, Melastomataceae e Rubiaceae

com seis espécies cada, e Lauraceae com quatro. O total de espécies encontrado foi de 59,

divididas em 46 gêneros e 33 famílias. O número de indivíduos amostrado foi de 318, em

12 parcelas, com quatro níveis de amostragem.

Dois dos três fragmentos do presente estudo têm a


idade próxima à apresentada pela autora. Entretanto,
perturbações e problemas ligados ao processo de
fragmentação, como distância (ou ausência) de fontes de
propágulos e falta de fauna dispersora, podem reduzir a
velocidade ou mesmo interromper a entrada de novas

espécies no ambiente. A área 3 talvez seja o extremo desta


situação, devido à vizinhança composta predominantemente
por gramíneas e as freqüentes perturbações causadas por
fogo.

Uma alta freqüência de incêndios, combinada a outros fatores, pode levar a floresta a

sofrer um processo de retração, havendo a substituição de uma formação arbórea por outra,

de aspecto savânico, composta por espécies de baixo porte e ciclo de vida curto (ou mesmo

anual) (OLIVEIRA et alli, 1995). GÓMEZ-POMPA e VÁZQUEZ-YANES (1985)

afirmam que em zonas tropicais, as savanas são decorrentes da falta de germoplasma e da

deterioração do solo, pois a tendência natural é que sejam substituídas por espécies arbóreas

de ciclo longo.

Padrões de dispersão das espécies


Predomina como padrão de dispersão em todas as áreas a zoocoria, seguida pela

anemocoria. Apenas a área 1 tem a autocoria como síndrome com grau de importância

significativo, vindo após a zoocoria.

Apesar do predomínio da zoocoria, as espécies de maior destaque em número de

indivíduos em duas das três áreas de estudo são autocóricas, oriundas do banco de sementes

do solo. Apenas a área 3 tem como espécie de maior abundância de indivíduos uma

anemocórica.

Quase todas as espécies zoocóricas são adaptadas à dispersão por pássaros e

morcegos, atuantes em áreas abertas e clareiras grandes (PIÑA-RODRIGUES et alli, 1990;

AGUIAR et alli, 1993).

A tabela 9 mostra as espécies encontradas em todas as áreas, e a Figura 13, as

proporções entre grupos ecológicos:

Tabela 9 – Espécies encontradas e síndromes de dispersão

ESPÉCIE NOME VULGAR DISPERSÃO


Acacia polyphilla monjoleiro autocoria
Anadenanthera colubrina angico – branco autocoria
Apuleia leiocarpa garapa autocoria
Artocarpus integrifolia jaqueira barocoria/ zoocoria
Aspidosperma ramiflorum guatambu anemocoria
Brosimum glaziouii marmelinho zoocoria
Brosimum guianense quiré zoocoria
Cariniana legalis jequitibá anemocoria
Casearia decandra pau – lagarto anemocoria
Casearia sylvestris pau – lagarto zoocoria
Cecropia catarinensis embaúba zoocoria
Cecropia glaziouii embaúba vermelha zoocoria
Cecropia pachystachya embaúba zoocoria
Chorisia speciosa paineira anemocoria
Cordia taguahyensis - anemocoria
Cupania oblongifolia camboatá zoocoria
Ficus gomelleira gameleira zoocoria
Gochnatia polymorpha cambará anemocoria
Guarea guidonia carrapeta zoocoria
Lonchocarpus guilleminianus guaianã autocoria

Tabela 9 – Continuação...

ESPÉCIE NOME VULGAR DISPERSÃO


Luehea grandiflora açoita – cavalo anemocoria
Machaerium aculeatum borrachudo anemocoria
Machaerium nictitans cateretê anemocoria
Mangifera indica mangueira barocoria
Metternichia princeps - zoocoria
Miconia cinammomifolia jacatirão zoocoria
Miconia sp. cinzeiro – branco zoocoria
Miconia prasina pixirica zoocoria
Mimosa bimucronata maricá autocoria
Nectandra rigida canela amarela zoocoria
Peltophorum dubium tamboril anemocoria
Persea pyrifolia abacate – do – mato zoocoria
Peschiera fuchsiaefolia leiteira zoocoria
Piptadenia gonoacantha pau – jacaré autocoria
Piptadenia paniculata canjiquinha autocoria
Psidium guajava goiaba zoocoria
Schinus therebinthifolius aroeira zoocoria
Schizolobium parahyba guapuruvu anemocoria
Seguiera langsdorfii agulheiro anemocoria
Solanum inaequale peloteira zoocoria
Sparattosperma leucanthum cinco – chagas anemocoria
Spondias lutea cajá – mirim barocoria
Trema micrantha crindiúva zoocoria
Trichillia silvatica catiguá zoocoria
Vernonia crotonoides assa peixe anemocoria
Zanthoxyllum rhoifolium mamica – de – porca zoocoria
NI1 NI1 ni
NI2 NI2 ni
NI3 NI3 ni
NI4 NI4 ni
NI5 NI5 ni
NI6 NI6 ni
NI7 NI7 ni
27% anem ocoria
40%
autocoria
barocoria
NI
15% zoocoria
13% 5%

Figura 13 – Proporções entre as síndromes de dispersão encontradas neste estudo

Índices ecológicos

Os quocientes de mistura foram baixos em todas as áreas. Esta tendência é típica de

florestas secundárias, onde poucas espécies iniciam o processo sucessional, com paulatina

entrada de novas espécies e diversificação de formas de vida.

Em se tratando de diversidade, os índices das áreas 1 e 2 possuem valores próximos.

A área 3 apresentou o valor mais baixo. Na Tabela 10, podem ser vistos os índices

referentes às três áreas:

Tabela 10 – Índice de Shannon (H’) para as áreas de estudo.


ÁREA ÍNDICE DE SHANNON
1 2,634
2 3,061
3 0,850

Índices de diversidade baixos são comuns em florestas secundárias, devido à

seletividade do ambiente, que exige alta capacidade adaptativa das espécies que nele se

instalem inicialmente.

Existe, ainda, a influência do gradiente na diversidade. A topografia é fator de

influência sobre este parâmetro, por induzir a clímaces diferentes do esperado para a flora

regional (SAMPAIO, 1997). Apesar de, teoricamente, esta característica poder levar a uma

maior diversidade, TABARELLI e MANTOVANI (1999) afirmam ser menor a diversidade

na Mata Atlântica de encosta, considerando espécies inclusas no DAP mínimo de 2,5

centímetros.

MARTINS (1991) expõe diversos valores do índices de diversidade de Shannon para

florestas atlânticas. Em Teresópolis, um levantamento utilizando DAP mínimo de 5

centímetros alcançou o valor de 3,71 para amostragem de 2250 m2 e de 3,61 para 1385 m2.

Entretanto, este estudo, como boa parte dos existentes, foi realizado em florestas com bom

estado de conservação. Para florestas secundárias, ainda há pouca quantidade de

informações disponíveis.

CALEGARIO (1993) encontrou valores do índice de Shannon de 3,080 e 3,337 para

duas florestas secundárias em subosque de eucalipto, das espécies Eucalyptus grandis e E.

paniculata, com 25 anos de idade. Neste caso, os índices relativamente altos se devem a
poucas perturbações no período, existência de remanescentes próximos e de meios de

resiliência (tocos e propágulos).

GUEDES (1988) encontrou valores de 1,89 e 1,69 em matas perturbadas de baixada

em Magé (RJ).

GUAPYASSU (1994), estudando diferentes fases sucessionais de floresta Atlântica

no estado do Paraná, encontrou valores de 1,771 para uma capoeira e 3,084 para capoeirão.

Ao se comparar estes resultados ao presente estudo, tem-se que a área 3 possui um valor

muito inferior ao da capoeira; a área 2 situa-se próxima ao capoeirão, seguida pela área 1

com valores intermediários entre a capoeira e o capoeirão .

Em se tratando da similaridade, a mesma foi baixa entre as áreas, o que pode

demonstrar:

- a capacidade de grupos distintos poderem ocupar os mesmos nichos de regeneração

no processo de sucessão secundária;

- a influência de fatores do sítio, como fertilidade de solos, presença de tocos ou

raízes no terreno, diferença entre vertentes, resiliência, proximidade de fontes de

propágulos, entre outros;

- a influência de fatores exógenos, como histórico de uso da terra, freqüência de

incêndios e corte seletivo.

A similaridade pode ser entendida pelo filtro do ambiente: apenas espécies

razoavelmente similares podem sobreviver em determinado ambiente abiótico

(BENGTSSON, 1994).

Curva de espécies por área


Pode-se interpretar que a área 1 sofre eventuais perturbações causadas por fogo ou

corte seletivo, resultando em abertura de clareiras e surgimento de novas espécies.

No caso da área 2, o fragmento é o maior do estudo, e certamente a amostragem não

foi suficiente para abarcar a diversidade existente. Além disso, a floresta se encontra em

transição para estágios mais avançados, tendo como conseqüência o crescente aumento da

diversidade.

A área 3 foi a única a ter sua curva iniciando a estabilização. Por se tratar de floresta

de baixa diversidade, provavelmente o tamanho de sua amostra é suficiente.


4.2 - ESTRUTURA

4.2.1 - Análise dos parâmetros fitossociológicos

a) Área 1 – CEMAG

Parâmetros fitossociológicos – Estrutura Horizontal

Os parâmetros fitossociológicos relativos à estrutura horizontal são expostos nas

tabelas 11 e 12. Observa-se que a espécie de maior importância – Mangifera indica –

possui quase 1/ 3 do VI total (92,11). O parâmetro de maior peso neste resultado foi a

dominância relativa, que respondeu por quase 60% do total da amostra (59,56%). A espécie

foi representada por alguns indivíduos de grandes dimensões, que provavelmente já se

encontravam no sítio antes do início do processo de regeneração natural, e por indivíduos

menores. A espécie também foi a de maior freqüência relativa e a segunda de maior

densidade relativa.

Acacia polyphylla foi a segunda espécie mais importante, tendo se destacado como a

de maior densidade relativa (19,57%). Foi, ainda, junto a Piptadenia gonoacantha, a

segunda mais freqüente.

Tem-se que as três espécies citadas respondem por aproximadamente 50% do VI

total da área; se forem consideradas as cinco espécies seguintes – Anadenanthera

colubrina, Peschiera fuchsiaefolia, Nectandra rigida, Psidium guajava e Miconia prasina –

esta proporção sobe a 75% para as oito mais importantes (40 % das espécies encontradas).

No que se refere ao Valor de Cobertura (VC), a ordem das oito primeiras espécies é a

mesma do VI, sendo as mesmas responsáveis por 80% da cobertura local.

O VI das doze espécies que ocorreram na área com apenas um indivíduo foi de 76,07

– equivalente a 25 % do total. Estas foram Artocarpus integrifolia, Mimosa bimucronata,


Seguieria langsdorfii, Apuleia leiocarpa, Cecropia catarinensis, Miconia sp, Trichilia

silvatica, Cestrum cf. sessiliflorum, Trema micrantha, Cecropia pachystachya,

Lonchocarpus muhelberghianus e Guarea guidonia. Estas espécies são pioneiras,

provavelmente próximas do final de seus ciclos de vida – Mimosa bimucronata, Cecropia

catarinensis, Cecropia pachystachya, Trema micrantha – ou indivíduos jovens de espécies

de etapas posteriores da sucessão.

Entre as famílias (tabela 13 e 14), Leguminosae, com quase 1/3 do VI (95,72),

seguida de muito perto por Anacardiaceae (93,08). As duas, assim, perfazem mais de 60 %

da importância local. Leguminosae ainda é a família de maior freqüência relativa (29,04) e

a segunda em dominância (25,38); a freqüência absoluta também é a maior, estando a

família presente em 90 % das parcelas. Anacardiaceae destaca-se nos parâmetros de

dominância absoluta e relativa, devido a grandes indivíduos de M. indica. É a segunda,

ainda, em freqüência.

O VC por família destaca as famílias Leguminosae, Anacardiaceae e Moraceae, que

somam 78,14 % da cobertura total.

Tabela 11 – Parâmetros fitossociológicos na área 1 – valores absolutos

Espécie No. Ind. No. Amo. Dens. Abs. Dom. Abs. Freq. Abs.
Mangifera indica 8 5 80 7,0326 50
Acacia polyphylla 9 3 90 0,8793 30
Piptadenia gonoacantha 4 3 40 0,6796 30
Anadenanthera colubrina 3 2 30 0,9271 20
Peschiera fuchsiaefolia 4 2 40 0,2989 20
Nectandra rigida 2 2 20 0,2068 20
Psidium guajava 2 2 20 0,1034 20
Miconia prasina 2 2 20 0,0709 20
Artocarpus integrifolia 1 1 10 0,6447 10
Mimosa bimucronata 1 1 10 0,3323 10
Seguiera langsdorfii 1 1 10 0,2151 10
Apuleia leiocarpa 1 1 10 0,1575 10
Cecropia catarinensis 1 1 10 0,0518 10
Miconia sp. 1 1 10 0,0498 10
Trichilia silvatica 1 1 10 0,0319 10
Solanum inaequale 1 1 10 0,0319 10
Trema micrantha 1 1 10 0,0287 10
Cecropia pachystachya 1 1 10 0,0225 10
Lonchocarpus muhelberghianus 1 1 10 0,0216 10
Guarea guidonea 1 1 10 0,0203 10

Tabela 12 – Parâmetros fitossociológicos na área 1 – valores relativos

Espécie Dens. Rel. Dom. Rel. Freq. Rel. VI VC


Mangifera indica 17,39 59,56 15,15 92,11 76,96
Acacia polyphylla 19,57 7,45 9,09 36,1 27,01
Piptadenia gonoacantha 8,7 5,76 9,09 23,54 14,45
Anadenanthera colubrina 6,52 7,85 6,06 20,43 14,37
Peschiera fuchsiaefolia 8,7 2,53 6,06 17,29 11,23
Nectandra rigida 4,35 1,75 6,06 12,16 6,1
Psidium guajava 4,35 0,88 6,06 11,28 5,22
Miconia prasina 4,35 0,6 6,06 11,01 4,95
Artocarpus integrifolia 2,17 5,46 3,03 10,66 7,63
Mimosa bimucronata 2,17 2,81 3,03 8,02 4,99
Seguiera langsdorfii 2,17 1,82 3,03 7,03 4
Apuleia leiocarpa 2,17 1,33 3,03 6,54 3,51
Cecropia catarinensis 2,17 0,44 3,03 5,64 2,61
Miconia sp. 2,17 0,42 3,03 5,63 2,6
Trichilia silvatica 2,17 0,27 3,03 5,47 2,44
Solanum inaequale 2,17 0,27 3,03 5,47 2,44
Trema micrantha 2,17 0,24 3,03 5,45 2,42
Cecropia pachystachya 2,17 0,19 3,03 5,39 2,36
Lonchocarpus muhelberghianus 2,17 0,18 3,03 5,39 2,36
Guarea guidonea 2,17 0,17 3,03 5,38 2,35

Tabela 13 - Parâmetros fitossociológicos por família na área 1 – valores absolutos

Família No. Ind. No. Spp. Dens. Abs. Dom. Abs. Freq. Abs.
Leguminosae 19 6 190 2,9966 90
Anacardiaceae 8 1 80 7,0322 50
Moraceae 3 3 30 0,719 30
Apocynaceae 4 1 40 0,2987 20
Melastomataceae 3 2 30 0,1204 30
Lauraceae 2 1 20 0,2066 20
Myrtaceae 2 1 20 0,1039 20
Meliaceae 2 2 20 0,052 20
Ulmaceae 1 1 10 0,0283 10
Phytolaccaceae 1 1 10 0,2151 10
Solanaceae 1 1 10 0,0319 10

Tabela 14 - Parâmetros fitossociológicos por família na área 1 – valores relativos

Família Dens. Rel. Dom. Rel. Freq. Rel. VI VC


Leguminosae 41,3 25,38 29,04 95,72 66,70
Anacardiaceae 17,39 59,56 16,13 93,08 76,96
Moraceae 6,52 6,09 9,68 22,29 12,61
Apocynaceae 8,7 2,53 6,45 17,68 11,23
Melastomataceae 6,52 1,02 9,68 17,22 7,54
Lauraceae 4,35 1,75 6,45 12,55 6,10
Myrtaceae 4,35 0,88 6,45 11,68 5,22
Meliaceae 4,35 0,44 6,45 11,24 4,79
Ulmaceae 2,17 0,24 3,23 5,64 2,42
Phytolaccaceae 2,17 1,82 3,03 3,99 7,02
Solanaceae 2,17 0,27 3,03 2,44 5,47

Distribuição diamétrica

A distribuição de diâmetros é mostrada na Figura 14. O diâmetro médio encontrado

na amostragem foi de 13,38 cm, com a área basal/ hectare estimada em 11.807 m2. Pode-se

verificar a grande concentração de indivíduos na primeira classe de DAP (4,78-10),

equivalente a 58,70% do total. Esta característica é marcante em florestas no início da

sucessão, com grande número de indivíduos jovens, apresentando a tendência à forma de

“J” invertido.

A espécie Acacia polyphylla (Figura 15) possui seus indivíduos distribuídos entre

4,78 e 30 centímetros de DAP, mas predominando na classe 4,78 – 10 centímetros. Esta

espécie, junto a M. indica, que também possui presença marcante na primeira classe de

DAP, caracteriza as classes mais jovens do estrato arbóreo no local.

As outras espécies ocorrem com um número pequeno de indivíduos, não sendo

possível definir estruturas diamétricas.

A percentagem de indivíduos bifurcados é de 19,57 %.


nº de indivíduos

27
30
25
20
15
10 4 4 2 3 2
5 1 1 1 1
0
4,

10

15

20

25

30

35

40

45

50

55

60

65
78

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1
-1

-2

-2

-3

-3

-4

-4

-5

-5

-6

-6

-7
-1

0
0

classes de D A P
Figura 14 – Distribuição diamétrica na área 1
nº de indivíduos

5
6
4 1 1 1 1
2
0
4,

10

15

20

25
78

,1

,1

,1

,1
-1

-1

-2

-2

-3
0

0
classes de DAP

Figura 15 – Distribuição diamétrica de Acacia polyphilla na área 1

Parâmetros fitossociológicos - Estrutura vertical

A distribuição em classes de altura (Figura 16) teve predominância de indivíduos na

classe de 4,1 – 6 metros. Nesta classe ficaram 50 % dos indivíduos. Se forem somados os

indivíduos da classe de 3 – 4 metros, esta proporção chega a 54,35%.

Nesta fase de desenvolvimento da floresta, ainda não é possível observar a formação

de estratos distintos.

23
nº de indivíduos

25
20
15
10 7
2 4 3 4 2
5 1
0
3-

4,

6,

8,

10

12

14

16

18
1-

1-

1-
4

,1

,1

,1

,1

,1
6

10

-1

-1

-1

-1

-2
2

classes de altura

Figura 16 – Distribuição em classes de altura na área 1


Distribuição de freqüências acumuladas

Pode-se constatar na Figura 17 que a maior parte das espécies encontradas – 17 ou

95% do total - agrupa-se nas classes I e II (0 – 20 % e 21 – 40 %). Este fato pode ser

explicado em parte pela ocorrência agregada de algumas espécies, mas principalmente pelo

fato de muitas espécies ocorrerem com apenas um indivíduo.

Apenas Mangifera. indica está presente na classe III (40,1 – 60 % das parcelas). As

características desta espécie incluem-na entre as barocóricas (vide cap. 4); teoricamente,

sua dispersão seria limitada aos arredores da planta – mãe. A explicação mais plausível

para sua dispersão ser a mais ampla é a de o local de estudo ser um antigo pomar, havendo,

portanto, interferência antrópica no processo sucessional.

20 17
nº spp./ classe

15

10

5 2 1
0
I II III IV V
classes de freqüência

Figura 17 – Distribuição de freqüências na área 1


b) Área 2 – Batalhão Tonelero

Parâmetros fitossociológicos – Estrutura Horizontal

Os parâmetros estão expostos nas tabelas 15 e 16. A espécie mais importante é

Piptadenia gonoacantha, que comparece com VI de 66,53. Seguem-na as espécies

Aspidosperma parvifolium (22,98) e Brosimum glaziouii (18,44).

As seis primeiras espécies (17,14 %) contribuem com 52,76 % do VI total, e as 13

primeiras (37,14 %) com 75,43 % da soma do VI. Observa-se, assim, uma grande

concentração da importância em Piptadenia gonoacantha, Aspidosperma. parvifolium,

Brosimum glaziouii, Machaerium nictitans, Machaerium aculeatum e Cordia taguahyensis,

que declina proporcionalmente à inclusão de mais espécies.


Piptadenia gonoacantha, por ser a primeira espécie nos três parâmetros considerados

no VI – densidade, dominância e freqüência – pode ser considerada uma espécie de

distribuição horizontal regular (LAMPRECHT, 1990). Entretanto, pelo estado fitossanitário

de seus indivíduos, com muitos apresentando clara senescência, é necessário se avaliar

outros parâmetros, como a regeneração natural e a distribuição de diâmetros.

Aspidosperma parvifolium, a segunda em importância (VI de 22,98), é uma

secundária tardia, e pode estar indicando avanço da sucessão, tendendo a assumir a

primeira posição no caso de se confirmar o fim do ciclo de Piptadenia gonoacantha como

dominante no local.

As duas espécies do gênero Machaerium ocupam a quarta e a quinta posições em

importância, respectivamente com VI de 18,30 e 17,67.

A sexta espécie em importância é Cordia taguahyensis (VI de 14,37), espécie

característica da transição para estágios mais avançados de sucessão.

O Valor de Cobertura para as seis primeiras espécies segue a mesma ordenação do

VI, e responde por 57,90% do total. Se forem tomadas as dez primeiras, o valor total chega

a 75,97 %.

Das famílias presentes na área, destaca-se Leguminosae, com mais de 1/3 do VI

(113,7). Este valor é superior à soma dos VI das quatro famílias seguintes, Moraceae,

Apocynaceae, Melastomataceae e Lauraceae. A família tem os maiores valores em todos os

parâmetros, destacando-se a freqüência absoluta, que atesta sua presença em todas as

parcelas (tabelas 17 e 18).


Tabela 15 – Parâmetros fitossociológicos na área 2 – valores absolutos

Espécie No.Ind. No.Amo. Freq. Abs. Dens. Abs. Dom. Abs.


Piptadenia gonoacantha 21 9 90 210 6,4292
Aspidosperma parvifolium 10 3 30 100 1,9309
Brosimum glaziouii 9 5 50 90 0,6251
Machaerium nictitans 8 5 50 80 0,7654
Machaerium aculeatum 6 4 40 60 1,2330
Miconia cinammomifolia 3 2 20 30 1,4767
Cordia taguahyensis 5 4 40 50 0,4541
Spondias lutea 5 3 30 50 0,3494
Nectandra rigida 3 3 30 30 0,6371
Sparattosperma leucanthum 4 3 30 40 0,3222
Persea pyrifolia 2 1 10 20 0,9985
Chorisia speciosa 3 2 20 30 0,1981
Miconia sp1 4 1 10 40 0,3349
Brosimum guianense 3 3 20 30 0,2326
Metternichia princeps 2 2 20 20 0,2314
Casearia sylvestris 2 2 20 20 0,1229
Zanthoxyllum sp. 2 2 20 20 0,1137
Apuleia leiocarpa 1 1 10 10 0,4819
NI7 1 1 10 10 0,3237
NI1 1 1 10 10 0,1438
Cariniana legalis 1 1 10 10 0,1391
Peltophorum dubium 1 1 10 10 0,1273
Casearia decandra 1 1 10 10 0,1003
Schizolobium parahyba 1 1 10 10 0,0892
NI6 1 1 10 10 0,0790
Ficus gomelleira 1 1 10 10 0,0518
NI4 1 1 10 10 0,0498
Schinus therebinthifolius 1 1 10 10 0,0458
NI2 1 1 10 10 0,0458
Luehea grandiflora 1 1 10 10 0,0403
Cupania oblongifolia 1 1 10 10 0,0403
NI5 1 1 10 10 0,0319
Guarea guidonia 1 1 10 10 0,0258
NI3 1 1 10 10 0,0216
Piptadenia paniculata 1 1 10 10 0,0191

Tabela 16 – Parâmetros fitossociológicos na área 2 – valores relativos

Espécie Dens.Rel. Dom.Rel. Freq.Rel. VC VI


Piptadenia gonoacantha 19,09 35,11 12,33 54,2 66,53
Aspidosperma parvifolium 9,09 9,78 4,11 18,87 22,98
Brosimum glaziouii 8,18 3,41 6,85 11,59 18,44
Machaerium nictitans 7,27 4,18 6,85 11,45 18,30
Machaerium aculeatum 5,45 6,73 5,48 12,18 17,67
Cordia taguahyensis 4,55 2,97 6,85 7,52 14,37
Miconia cinammomifolia 2,73 8,06 2,74 10,79 13,53
Spondias lutea 4,55 1,91 4,11 6,46 10,56
Nectandra rigida 2,73 3,48 4,11 6,21 10,32
Sparattosperma leucanthum 3,64 1,76 4,11 5,4 9,51
Persea pyrifolia 1,82 5,45 1,37 7,27 8,64
Brosimum guianense 2,73 1,50 4,71 4,23 8,34
Chorisia speciosa 2,73 1,62 2,74 4,35 7,09
Miconia sp1 3,64 1,83 1,37 5,47 6,84
Metternichia princeps 1,82 1,26 2,74 3,08 5,82
Casearia sylvestris 1,82 0,67 2,74 2,49 5,23
Zanthoxyllum rhoifolium 1,82 0,62 2,74 2,44 5,18
Apuleia leiocarpa 0,91 2,14 1,37 3,05 4,42
NI7 0,91 1,77 1,37 2,68 4,05
NI1 0,91 0,79 1,37 1,7 3,06
Cariniana legalis 0,91 0,76 1,37 1,67 3,04
Peltophorum dubium 0,91 0,7 1,37 1,61 2,97
Casearia decandra 0,91 0,55 1,37 1,46 2,83
Schizolobium parahyba 0,91 0,49 1,37 1,40 2,77
NI6 0,91 0,43 1,37 1,34 2,71
Ficus gomelleira 0,91 0,28 1,37 1,19 2,56
NI4 0,91 0,27 1,37 1,18 2,55
Schinus therebinthifolius 0,91 0,25 1,37 1,16 2,53
NI2 0,91 0,25 1,37 1,16 2,53
Luehea grandiflora 0,91 0,22 1,37 1,13 2,50
Cupania oblongifolia 0,91 0,22 1,37 1,13 2,50
NI5 0,91 0,17 1,37 1,08 2,45
Guarea guidonia 0,91 0,14 1,37 1,05 2,42
NI3 0,91 0,12 1,37 1,03 2,40
Piptadenia paniculata 0,91 0,10 1,37 1,01 2,38

Tabela 17 - Parâmetros fitossociológicos por família na área 2 – valores absolutos

Familia No. Ind. No. Spp. Dens. Abs. Dom. Abs. Freq. Abs.
Leguminosae 39 7 390 0,8456 100
Moraceae 13 3 130 0,0951 70
Apocynaceae 10 1 100 0,1791 30
Melastomataceae 7 2 70 0,1812 30
Lauraceae 5 2 50 0,1636 40
NI 7 7 70 0,0696 50
Boraginaceae 5 1 50 0,0543 50
Anacardiaceae 6 2 60 0,0395 40
Bignoniaceae 4 1 40 0,0322 30
Flacourtiaceae 3 2 30 0,0223 30
Bombacaceae 3 1 30 0,0296 20
Solanaceae 2 1 20 0,0231 20
Rutaceae 2 1 20 0,0114 20
Lecythidaceae 1 1 10 0,0139 10
Tiliaceae 1 1 10 0,004 10
Sapindaceae 1 1 10 0,004 10
Meliaceae 1 1 10 0,0026 10

Tabela 18 - Parâmetros fitossociológicos por família na área 2 – valores relativos

Familia Dens Rel. Dom. Rel. Freq. Rel. VI VC


Leguminosae 35,46 49,45 28,8 113,7 84,9
Moraceae 11,82 5,2 10,61 27,62 17,01
Apocynaceae 9,09 9,78 4,55 23,41 18,87
Melastomataceae 6,36 9,89 4,55 20,8 16,26
Lauraceae 4,55 8,93 6,06 19,54 13,48
NI 6,36 3,8 7,58 17,74 10,16
Boraginaceae 4,55 2,97 7,58 15,09 7,51
Anacardiaceae 5,45 2,16 6,06 13,67 7,61
Bignoniaceae 3,64 1,76 4,55 9,94 5,4
Flacourtiaceae 2,73 1,22 4,55 8,49 3,95
Bombacaceae 2,73 1,62 3,03 7,38 4,35
Solanaceae 1,82 1,26 3,03 6,11 3,08
Rutaceae 1,82 0,62 3,03 5,47 2,44
Lecythidaceae 0,91 0,76 1,52 3,18 1,67
Tiliaceae 0,91 0,22 1,52 2,64 1,13
Sapindaceae 0,91 0,22 1,52 2,64 1,13
Meliaceae 0,91 0,14 1,52 2,57 1,05

Distribuição diamétrica

A distribuição geral de diâmetros (Figura 18) possui o padrão de concentração na

primeira classe (4,78 – 10 cm), com 46 indivíduos, ou 42,2% do total. A classe seguinte,

10,1 – 15 cm, possui 29 indivíduos (26,36% do total). Assim as duas menores classes

respondem por 68,18% de todos os indivíduos da área de estudos. A área basal é de 18.312

m2 por hectare.

O diâmetro médio na área foi de 12,88 centímetros. As espécies Piptadenia

gonoacantha e Aspidosperma parvifolium tiveram suas distribuições analisadas à parte.

P. gonoacantha tem indivíduos em classes sucessivas entre 4,78-10 cm e 25,1 – 30

cm, reaparecendo na classe de 35,1 – 40 cm. Assim, teoricamente possuiria uma

distribuição indicativa de sua permanência no local. Entretanto, como já citado, o aspecto

da maioria dos indivíduos é de senescência (Figura 19)

Aspidosperma parvifolium possui indivíduos distribuídos em seis classes, com quatro

indivíduos na classe de 4,78-10 cm. Entre as classes de 15,1 – 20 e 30,1 – 35, a espécie

possui cinco indivíduos, e uma na de 55,1 – 60 cm. Sua distribuição tanto em classes

inferiores quanto superiores indica a tendência de dominância futura no local (Figura 21).
A taxa de árvores bifurcadas no local é de 14, 68% do total de indivíduos.

50 46
nº de indivíduos

40
29
30
20
11 9 8
10 4 2 1
0
4,

10

15

20

25

30

35

40

45

50

55
78

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1
-1

-1

-2

-2

-3

-3

-4

-4

-5

-5

-6
0

classes de DAP

Figura 18 - Distribuição diamétrica na área 2

10
8
5
nº ind

6 3 4 4 4
4 1
2
0
4,

10

15

20

25

30

35
78

,1
,1

,1

,1

,1

,1
--2
-1

-1

-2

-3

-3

-4
0

0
0

classes de DAP

Figura 19 – Distribuição diamétrica de Piptadenia gonoacantha na área 2

5
4
4
nº ind./ classe

3
2
2
1 1 1 1
1
0
4,

10

15

20

25

30

35

40

45

50

55
78

,1

,1
,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1

,1
--2

--6
-1

-1

-2

-3

-3

-4

-4

-5

-5
0

5
0

0
Figura 20 – Distribuição diamétrica de Aspidosperma parvifolium na área 2

Distribuição de alturas

Ao se analisar a distribuição de freqüências de altura (Figura 21), observa-se um

início de distinção entre estratos, com uma tendência de agrupamento das classes entre 3 e

8 metros.

36
40 29
alturas

30 18
20 10 11
10 1 3 1
0
3-

8,
4,

6,

10

12

14

16
1-
1-

1-
4

,1

,1

,1

,1
10
6

-1

-1

-1

-2
2

classes de altura na área 2

Figura 21 – Distribuição em classes de altura na área 2

Distribuição de freqüências acumuladas

Predominam as classes I e II, com 91,89% do total de espécies (Figura 22). A classe

III possui duas espécies (Brosimum glaziouii e Machaerium nictitans), e na classe V apenas

Piptadenia gonoacantha está presente, sendo a de maior dispersão na área de estudo.


28
30
nº spp./ classe

20

10 6
2 0 1
0
I II III IV V
classes de freqüência

Figura 22 – Distribuição de freqüências na área 2


c) Área 3 – Serra do Barata

Parâmetros fitossociológicos – Estrutura Horizontal

A área é bastante pobre em espécies, com predomínio de Gochnatia polymorpha.

Esta possui VI de 202,97, equivalente a 67,66% do total (Tabela 19).

A espécie apresenta as mesmas características para os três parâmetros

fitossociológicos, sendo responsável por 80% da densidade e 81,3% da dominância, além

de estar presente em 100% das parcelas.

A única espécie que possui mais de um indivíduo no local além de Gochnatia

polymorpha é Psidium guajava, cujo VI é de 29,16 (9,72% do total). As outras espécies –

Schinus terebinthifolius, Piptadenia paniculata, Cecropia glaziovii, Vernonia crotonoides.

e Cupania oblongifolia – juntas totalizam 22,62% da importância.

A família que se destaca na área é Compositae, com 70,20% do VI total. As famílias

Myrtaceae, Anacardiaceae, Leguminosae e Moraceae, cada uma com apenas uma espécie,

concentram os 19,8% restantes (tabela 20).

Tabela 19 – Parâmetros fitossociológicos na área 3 – valores absolutos

Espécie No. Ind. No. Amo. Dom. Abs. Dens. Abs. Freq. Abs.
Gochnatia polymorpha 28 5 0,4734 560 100
Psidium guajava 2 2 0,3947 40 40
Schinus tertebinthifolius 1 1 0,3013 20 20
Piptadenia paniculata 1 1 0,2125 20 20
Cecropia glaziouii 1 1 0,077 20 20
Vernonia crotonoides 1 1 0,0575 20 20
Cupania oblongifolia 1 1 0,046 20 20

Tabela 20 – Parâmetros fitossociológicos na área 3 – valores relativos

Especie Dens. Rel. Dom. Rel. Freq. Rel. VI VC


Gochnatia polymorpha 80 81,3 41,67 202,97 161,30
Psidium guajava 5,71 6,78 16,67 29,16 12,49
Schinus tertebinthifolius 2,86 5,17 8,33 16,36 8,03
Piptadenia paniculata 2,86 3,65 8,33 14,84 6,51
Cecropia glaziouii 2,86 1,32 8,33 12,51 4,18
Vernonia crotonoides 2,86 0,99 8,33 12,18 3,84
Cupania oblongifolia 2,86 0,79 8,33 11,98 3,65

Tabela 21 - Parâmetros fitossociológicos por família na área 3 – valores absolutos

Familia No. Ind. No. Spp. Dens.Abs. Freq. Abs. Dom. Abs.
Compositae 29 2 580 100 0,47924
Myrtaceae 2 1 40 40 0,3947
Anacardiaceae 1 1 20 20 0,3013
Leguminosae 1 1 20 20 0,2125
Moraceae 1 1 20 20 0,077
Sapindaceae 1 1 20 20 0,046

Tabela 22 - Parâmetros fitossociológicos por família na área 3 – valores relativos

Familia Dens. Rel. Dom. Rel. Freq. Rel. VI VC


Compositae 82,86 82,29 45,45 210,6 165,15
Myrtaceae 5,71 6,78 18,18 30,67 12,49
Anacardiaceae 2,86 5,17 9,09 17,12 8,03
Leguminosae 2,86 3,65 9,09 15,6 6,51
Moraceae 2,86 1,32 9,09 13,27 4,18
Sapindaceae 2,86 0,79 9,09 12,74 3,65
Distribuição Diamétrica

O diâmetro médio na amostra foi de 9,66 centímetros. A taxa de bifurcações chegou a

51,43%, resultado provável da combinação da freqüência de incêndios com as

características vegetativas da espécie dominante.

Os diâmetros distribuíram-se em quatro classes, entre 4,78 e 25 centímetros. A maior

parte dos indivíduos concentra-se nas classes entre 5,78-10 cm e 10,1-15 cm, representando

77,124% do total. A figura 23 mostra a distribuição em classes de diâmetro.

20 15
15 12
nº ind.

10 6
5 2
0
0

5
-1

-1

-2

-2
78

,1

,1

,1
10

15

20
4,

classes de DAP

Figura 23 – Distribuição diamétrica na área 3

Gochnatia polymorpha está presente em todas as classes, com maior concentração

nas duas menores, que agrupam 82,145 de sua população (Figura 23).
14 12
12 11
10
nº ind

8
6
4 3
2
2
0
4,

10

15

20
78

,1

,1

,1
-1

-1

-2

-2
0

5
classes de DAP de Gochnatia polymorpha

Figura 24 – Distribuição diamétrica de Gochnatia polymorpha na área 3

As outras espécies ocorrem com 1 ou 2 indivíduos, não sendo possível efetuar

distribuição diamétrica.

Distribuição de Alturas

As espécies se distribuíram em apenas duas classes de altura, entre 3 e 6 metros

(Figura 25). Assim, se apresenta um aspecto de formação pioneira, monoestratificada,

dominada por uma só espécie.


25 23

20
nº indivíduos

15 12
10

0
3

4,
-4

1
-6
classes de altura

Figura 25 – Distribuição em classes de altura na área 3

Distribuição de freqüências acumuladas

Das sete espécies encontradas, a maioria – cinco, ou 71% – concentra-se na classe I,

ou seja, em até 20% das parcelas. Uma espécie ocorre na classe II – Psidium guajava – e

Gochnatia polymorpha ocorre na classe V em 100% das unidades (Figura 26).

Pode-se interpretar que uma formação composta apenas por Gochnatia polymorpha

vem sendo progressivamente enriquecida, devido à criação de nichos favoráveis de

estabelecimento de espécies com maiores exigências de sombra e umidade. Ao mesmo

tempo, a alta freqüência de incêndios leva a crer em um paradoxo, que é a estagnação do

processo sucessional. Esta suspeita ganha força pelo fato de Gochnatia polymorpha ser

uma espécie resistente ao fogo, formando agrupamentos quase puros em áreas abertas

atingidas por incêndios freqüentes. As características de espécies pirófilas descritas por

RIZZINI (1997), como esclerofilia, brotações laterais e gemíferas, e ritidoma espesso,

aplicam-se perfeitamente ao seu comportamento.


6
5
número de espécies 5

2
1 1
1

0
I II III IV V
classes de freqüência

Figura 26 – Distribuição de freqüências na área 3

4.2.2 - Similaridade estrutural entre as áreas de estudo

• Área 1 x Área 2
Utilizando-se o índice proposto por LAMPRECHT (1990), onde se considera a

dominância absoluta das espécies comuns às duas áreas, encontrou-se o valor de 46,04%. A

similaridade é alta, pois embora apenas três espécies (Piptadenia gonoacantha, Guarea

guidonea e Miconia sp) sejam comuns a ambas, desempenham idêntico papel no

desenvolvimento das comunidades, com destaque para Piptadenia gonoacantha.

• Área 1 x Área 3
A similaridade encontrada foi de 3,73%. Deve ser levado em consideração que

apenas uma espécie foi comum às duas áreas – Psidum guajava – e possui papel pouco

relevante em ambas.

• Área 2 x Área 3
O valor encontrado foi de 54,57%, e as espécies comuns foram Schinus

terebinthifolius e Piptadenia paniculata. A similaridade pode ser considerada alta, embora

as espécies tenham papéis pouco relevantes nas duas áreas.

4.2.3. - Comparação entre estruturas horizontais

Ao se observar as espécies de maior destaque nas áreas amostradas, constata-se que

algumas possuem importância no processo sucessional da floresta em mais de um local. A


Tabela 23 lista as espécies que compuseram grupos responsáveis por aproximadamente

75% do Valor de Importância total em seu local de ocorrência.

Tabela 23 – Espécies de maior destaque nas três áreas de estudo

ESPÉCIE ÁREA ÁREA ÁREA


1 2 3
Acacia polyphilla x
Anadenanthera colubrina x
Aspidosperma parvifolium x
Brosimum glaziovii x
Gochnatia polymorpha x
Machaerium aculeatum x
Machaerium nictitans x
Mangifera indica x
Miconia cinammomifolia x
Nectandra rigida x x
Peschiera fuchsiaefolia x
Piptadenia gonoacantha x x
Sparattosperma leucanthum x

As espécies Piptadenia gonoacantha, Acacia polyphilla, Anadenanthera colubrina,

Nectandra rigida e Sparattosperma leucanthum foram registradas em dois locais. Assim,

pode-se considerar que estas espécies possuem papel relevante nos estágios iniciais da

sucessão nestas áreas, à exceção de Nectandra rigida, que foi amostrada apenas com

indivíduos jovens na área 1 e com jovens e adultos na área 2, de estágio sucessional mais

avançado.

Piptadenia gonoacantha (área 2) e Gochnatia polymorpha (área 3) foram as espécies

de ocorrência horizontal regular encontradas neste estudo, ou seja, que se destacaram da

mesma forma nos três parâmetros que compõem o VI.


Entre as famílias, Leguminosae é a de maior Valor de Importância em duas das três

áreas. Apenas a área 3, sob condições peculiares, possui a família Compositae como a mais

a mais importante. Outras famílias significativas são Anacardiaceae (área 1), Moraceae e

Apocynaceae (área 2).

GUAPYASSU (1994) encontrou as espécies Tibouchina pulchra e Myrsine

ferruginea apresentando as maiores percentagens de importância em área de capoeira,

enquanto Cupania oblongifolia, Tibouchina pulchra, Pera glabrata e Matayba guianensis

possuíram os maiores valores em área de capoeirão. Em floresta primária, Psychotria nuda,

Rudgea jasminoides, Garcinia gardneriana, Marlieria silvatica e Cariniana estrellensis

foram as espécies mais importantes.

SAMPAIO (1996), em floresta de 25 anos, efetuou levantamento dividindo a

amostragem em quatro classes de inclusão. As classes III (10>DAP>2,5 cm) e IV (DAP>10

cm) são as que se aproximam do diâmetro limite utilizado neste levantamento. NA classe

III, as espécies Psychotria mapoureoides, Miconia prasina, Cordia magnoliaefolia,

Casearia decandra, Brosimum guianense, Amaioua guianensis, Miconia brasiliensis,

Rapanea umbellata, Psidium cattleyanum e Miconia holosericea foram as espécies de

maior importância, enquanto na classe IV Miconia cinammomifolia, Anadenanthera

colubrina, Tapirira guianense, Brosimum guianense, Tibouchina granulosa, Psychotria

mapoureoides, Casearia decandra, Ocotea glaziouii, Amaioua guianensis, Miconia

prasina, Sclerolobium glaziovii, Dictyoloma incanescens e Solanum carautei assumiram

este papel.

4.4 - Comparação de diâmetros médios, distribuições diamétricas e áreas

basais
Antes de se proceder a maiores discussões, deve-se lembrar que quase todas as

espécies ofereceram amostras muito pequenas, devendo se avaliar estas informações com

bastante cautela.

Os diâmetros médios encontrados nos três fragmentos estão situados numa faixa entre

os de formações pioneiras e secundárias iniciais, segundo os critérios expostos por

BUDOWSKI (1965) (Tabela 24).

Tabela 24 – Diâmetros médios encontrados por área

ÁREA DAP médio (cm) DESVIO PADRÃO DAP


1 13,38 12,292
2 12,88 6,819
3 9,66 3,611

Na legislação brasileira (BRASIL, 1993, 1994), são considerados três estágios de

sucessão: inicial, médio e avançado. As características de diâmetro de cada um são

mostradas a seguir (Tabela 25):

Tabela 25 – Diâmetros dos estágios sucessionais segundo a legislação brasileira

ESTÁGIO DAP médio (cm) AMPLITUDE DA DISTRIBUIÇÃO


Inicial 5 pequena
Médio 10-20 moderada, predominam pequenos DAP
Avançado 20 ou mais grande amplitude

A área 1 possui a maior média, o que se explica pela existência de grandes

indivíduos de Mangifera indica na amostragem. A áreas 2 possui um valor intermediário, e

a área 3 é a de menor média.

Os diâmetros médios nas áreas 1 e 2 situariam as mesmas no estágio médio;

entretanto, é preciso se observar também as amplitudes, a composição de espécies, grupos

sucessionais e síndromes de dispersão para estabelecer mais fielmente o estágio ao qual


pertence o fragmento. A área 3 possui o menor diâmetro médio, evidenciando ser o local

onde a sucessão encontra-se em sua fase inicial.

A distribuição de diâmetros na área 1 apresentou distribuição em “j” invertido, além

de pequena amplitude, características do estágio inicial de regeneração. Deve-se destacar

que o desvio padrão dos diâmetros neste local é o maior encontrado, o que se deve à

existência de indivíduos já existentes no local à época do início do processo de regeneração

natural, pertencentes principalmente à espécie Mangifera indica. Outra componente que

influencia este parâmetro é o corte seletivo de madeira feito pelos sitiantes do entorno, para

a confecção de cercas.

A área 2 teve a sua distribuição apresentando maior amplitude, o que, combinado à

composição de espécies, o situa numa transição para o estágio médio.

A área 3 possui pequena amplitude, baixo diâmetro médio e pequena amplitude

diamétrica.

A área basal é outro parâmetro considerado para avaliação do estágio sucessional da

floresta. A legislação brasileira (BRASIL, 1993, 1994) considera os seguintes valores

(Tabela 26):

Tabela 26 – valores de área basal em cada estágio sucessional

ESTÁGIO ÁREA BASAL (m2)


Inicial 0 – 10
Médio 10 – 28
Avançado > 28

Os valores encontrados neste estudo foram os seguintes (Tabela 27):

Tabela 27 – Área basal por local de estudo


ÁREA DE ESTUDO ÁREA BASAL/ hectare (m2)
1 11, 807
2 18, 312
3 5, 284

De acordo com o apresentado, as áreas 1 e 2 enquadram-se no estágio médio, enquanto

a área 3 enquadra-se no estágio inicial.

4.5 - Comparação de Alturas

O resumo das características dos três fragmentos estudado está na Tabela 28:

Tabela 28 – Comparação de alturas médias e desvio-padrão entre as três áreas de

estudo

ÁREA ALTURA MÉDIA DESVIO PADRÃO DA ALTURA


(m) MÉDIA
1 8,30 4,276
2 7,95 3,067
3 4,85 0,882

A área 1 apresentou a maior altura média, assim como o maior desvio padrão. Esta

segunda característica pode indicar a ação antrópica, através da extração seletiva de

madeira.

A área 3 mostra altura média inferior a cinco metros, além do menor desvio padrão,

demonstrando uma homogeneidade de crescimento oriunda do predomínio de uma só

espécie.
5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Esta dissertação naturalmente não esgota a discussão sobre o tema da regeneração de

florestas em áreas urbanas. Entretanto, alguns pontos puderam ser observados:

• a forma da amostragem se confirmou prática para a marcação e localização das

parcelas;

• existe a necessidade de ampliação da amostragem, posto que apenas na área 3

houve estabilização da curva de espécies/ área. Como solução a este problema,

poderia se adotar a implantação de parcelas até a estabilização da curva, ou no

caso de fragmentos pequenos, se proceder ao censo das populações;

• as áreas 1 e 2 foram as de maior similaridade florística. Entretanto, de maneira

geral, houve pouca semelhança entre as três áreas de estudo. Assim, pode-se

considerar que a interação de fatores bióticos, abióticos e antrópicos irá

determinar os rumos do processo de sucessão na área urbana da cidade do Rio de

Janeiro;

• a despeito de pressões externas (corte seletivo, fogo, pisoteio de gado), a sucessão

parece estar seguindo seu curso nas áreas 1 e 2. A área 3, entretanto, tem sua

estrutura alterada por influência do fogo, sendo necessário se proceder a

intervenções que a isolem deste fator para que os processos ecológicos ligados à

sucessão possam ser restabelecidos;


• as espécies Cupania oblongifolia, Guarea guidonea, Nectandra rigida,

Piptadenia gonoacantha, Psidium guajava, Piptadenia gonoacantha, Piptadenia

paniculata e Schinus terebinthifolius ocorreram em mais de um local de estudo;

• Mangifera indica, Acacia polyphylla, Piptadenia gonoacantha (área 1), P.

gonoacantha, Aspidosperma ramiflorum, Brosimum guianensis, Machaerium

aculeatum, Machaerium nictitans, Miconia cinnamomifolia (área 2) e Gochnatia

polymorpha foram as espécies mais de maior importância na estrutura dos

fragmentos estudados. Observe-se que apenas uma espécie – Piptadenia

gonoacantha – esteve presente em mais de uma área, reforçando a afirmação de

que uma interação de variáveis é responsável pela estrutura e composição

florística de diferentes sítios;

• a avaliação dos parâmetros de estrutura horizontal mostra concentração de valores

maiores em poucas espécies, o que é característico de florestas secundárias;

• as famílias mais importantes na regeneração do ecossistema florestal de encosta


neste estudo são Anacardiaceae, Apocynaceae, Lauraceae, Leguminosae,
Moraceae, Melastomataceae, Meliaceae, Myrtaceae, Sapindaceae e Solanaceae,
tendo ocorrido em pelo menos duas áreas;
• a diversidade encontrada foi compatível com a de outros estudos em florestas
secundárias e/ ou perturbadas;
• a fauna mostra grande participação no processo de sucessão secundária, tendo-se

em vista a quantidade de espécies encontradas no estudo que a têm como vetor de

sua dispersão; assim, tanto projetos de revegetação quanto de manejo devem

priorizar sua atração e sustento;

• observou-se que o padrão geral dos fragmentos é o de formações iniciais, com

baixa área basal e pequenos diâmetros médios. A área 1 pode ser considerada em
estágio secundário inicial; a área 2, como secundária tardia, e a 3 como formação

pioneira;

• a escala temporal parece ser menos importante que o nível de perturbações

exógenas e o grau de degradação pretérita no avanço da sucessão em áreas

urbanas;

• o fogo se apresenta como grande limitante ao desenvolvimento de florestas na

cidade, agindo seletivamente na composição florística de determinadas áreas de

maior ocorrência de incêndios.

• as pressões encontradas na cidade do Rio de Janeiro são diversas, variando com a

região da cidade, e são amplificadas por características ecológicas particulares.

Florestas localizadas em áreas militares, como no caso da área 2 (Batalhão

Tonelero), têm a possibilidade de maior proteção a danos diretos, como

desmatamentos, muito embora estejam sujeitas a danos eventuais, como incêndios

causados por queda de balões. Esta relativa proteção se reflete no estágio

sucessional, na composição de espécies e na estrutura;

• outro importante componente da regeneração natural é a presença de árvores

remanescentes na área, favorecendo o pouso de aves e, de acordo com a espécie

do vegetal, sua permanência na área, aumentando a possibilidade de incremento

da diversidade da floresta (SAMPAIO, 1997; REIS, ZAMBONIN e

NAKAZONO, 1999). Na área 1, isto foi observado de forma mais direta, com a

presença de Mangifera indica provavelmente proporcionando a presença de

avifauna no local, acelerando o processo de regeneração;


• a área 3 apresentou condições de pressão extrema, proporcionada principalmente

pela alta freqüência de incêndios. Muito embora tenha sido observada a entrada

de espécies zoocóricas dispersas por pássaros, o fragmento apresenta o

predomínio de uma espécie anemocórica resistente a fogo;

• a baixa diversidade dos fragmentos pode ser interpretada não apenas sob o viés da

idade, mas principalmente das perturbações antrópicas, onde pode ser incluída a

competição com espécies exóticas introduzidas. Para LAMPRECHT (1990), a

composição e as estruturas não dependem apenas do sítio, mas também da idade,

alterando-se com a sucessão;

• devem ser realizados estudos complementares relativos à regeneração natural,

análise de solos e estabelecimento de relações entre solos e vegetação, para maior

embasamento a projetos de RAD;

• o fogo se mostrou um agente capaz de impedir a regeneração natural e alterar

significativamente a composição florística e estrutura de florestas na cidade,

assim como comprometer a implantação de projetos de reflorestamento. Desta

forma, seu controle é fundamental, através da redução de material combustível

nos fragmentos e no entorno, representado principalmente por gramíneas, como o

capim – colonião;

• as espécies que se destacaram neste estudo são bastante utilizadas em projetos de

reflorestamento na cidade do Rio de Janeiro, bem como em outras localidades,

possuindo grande dispersão geográfica natural (RIZZINI, 1997; SAMPAIO,

1997; LORENZI, 1992, 1998; CARVALHO, 1994; CARPANEZZI et alli, 1990).


Entretanto, não se deve desprezar a possibilidade de aprofundamento de estudos

que permitam a elaboração de modelos de plantio mais adequados à região;

• em florestas secundárias, poucas espécies - geralmente pioneiras e/ ou

secundárias iniciais - ocorrem sustentando grande parte da importância. Assim,

deveriam ser pensados modelos de revegetação de acordo com este padrão,

utilizando menos espécies que nos modelos de alta diversidade tradicionalmente

propostos, e uma proporção mais reduzida de secundárias tardias e climáxicas;

• no caso previsto no item anterior, as espécies de estágios finais mais adequadas a

tal prática seriam aquelas com características de mutualistas-chave (REIS et alli,

1999; TERBORGH, 1992), que, por seu poder de atração de fauna dispersora de

sementes, podem acelerar o processo de recuperação de áreas degradadas;

• o manejo de florestas secundárias na cidade poderia contemplar as seguintes

medidas: controle de fogo; aumento da área efetiva, através de estabelecimento

de corredores de vegetação (TERBORGH, 1992; VIANA, 1990, 1992) e do

reflorestamento de áreas degradadas no entorno; enriquecimento e adensamento

utilizando principalmente espécies úteis à fauna;

• as espécies exóticas podem assumir papéis diferentes no processo de sucessão

secundária. No caso do capim – colonião, ocorrem danos e impedimento à

regeneração natural; entretanto, outras espécies podem se mostrar bastante úteis.

A mangueira, presente na área 1 (CEMAG), ou o jameloeiro (Syzygyum cuminii,

Myrtaceae), citado por CARPANEZZI et alli (1990), por suas características,

podem funcionar como mutualistas – chave, se prestando à atração, sustento e

abrigo para animais, em particular à avifauna.


6 - BIBLIOGRAFIA

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www.sosmataatlantica.com.br
128

7. APÊNDICE

7.1 - Ficha de campo

Nº NOME VULGAR NOME CIENTÍFICO DAP ALTURA DL DC OBS


129

7.2 - Esquema da distribuição de parcelas no estudo

10
metros

10
metros
130

7.2 – Áreas de estudo


131
132
133