Sie sind auf Seite 1von 4

Centro Universitário Claretiano

Graduação em Filosofia (Bacharelado)


Júlio Cesar Oehlmeyer
R.A. – 8023663

Cultura, religião e inculturação


Tutor: Jairo da Mota Bastos

Rio Claro
2019
Este trabalho apresenta algumas elucidações sobre cultura e religião, bem como suas
relações em circunstâncias locais e globais através das respostas para as perguntas: Qual a
diferença entre cultura e religião? Como elas se correlacionam? Como inculturar a
religião nas culturas locais e, sobretudo, na cultura global? Para tal, serão usados como
referência alguns fragmentos do pensamento do teólogo alemão estadunidense Paul Tillich,
bem como artigos relacionados à inculturação.

Cultura, religião e suas correlações

Entre outras definições, entendemos por cultura as manifestações humanas dotadas de


conjuntos de símbolos, sentidos, significados, valores e tradições de um determinado povo. A
religião é uma das esferas particulares da cultura, assim como a economia, a política, a arte,
etc. A principal diferença entre elas é que a cultura envolve o mundo natural, humano, a vida
social, enquanto as práticas religiosas se dirigem ao mundo sobrenatural, à Deus, à vida
espiritual.
Ambas estão diretamente ligadas, e sua correlação pode ser expressa na famosa frase
“Religião é a substância da cultura e cultura é a forma da religião”, o que implica também
estarem contidas uma na outra, sendo tanto conflitantes quanto concordantes na amálgama de
atividades realizadas pela humanidade.
A religião chama de secular a cultura a qual não estão incluídas suas práticas, rituais e
ensinamentos morais, etc.

Inculturação local e global

O mistério supremo da existência e a inevitável linguagem de imanência da cultura


global são um desafio de contrastes proposto pela complexidade e pluralidade do mundo
atual. No entanto, é o mesmo mundo, formado pelas mesmas pessoas, de forma colaborativa,
relacionadas por interesses em comum e procurando uma melhor maneira de convivência por
parte das nações, instituições e demais envolvidos.
Não obstante, é um mundo que se mostra violento, atroz, imoral, cheio de falhas e
subprodutos indesejáveis da “religião” materialista. É o “deus” dinheiro e a ordem de
consumo e sobrevivência em ritmos estressantes e calamidades humanas versus o humanismo
em sua essência, o amor como expressão máxima da virtude humana, a união em nome de
uma comunidade que não deve ter o global só nome, e sim, por questões de evolução e em
presença da divindade, deve entender-se como tal.
Nas culturas locais, o envolvimento com os problemas peculiares, bem como com suas
manifestações culturais têm seu acolhimento no carisma da religião cristã, na sua proposta de
envolvimento com o divino e na demonstração do sagrado atuando na realidade, de forma
imanente – pessoas, palavras, mensagem, solidariedade – num exercício de restabelecimento
do mundo vital de realidade e identidade construídos simbolicamente.
O século XXI é a chance de nos redimirmos pelo menos dos últimos dois séculos, em
que o avanço científico e a tecnologia mostram-se ineficientes no papel de instrumentos de
apetites de elites e autoridades mundiais de moral duvidosa e muita concentração de poder.
Sua irresponsabilidade para com a biologia terrestre e para com sua própria espécie deflagrou
um retrocesso talvez até mais inexplicável do que a própria fé: com séculos de Filosofia,
inúmeras obras com suas menções à ética e tantos avanços, como pode nosso mundo
apresentar tanta morbidez e entorpecimento por parte da publicidade, tanta devastação e
exploração por parte do complexo industrial, tanto sofrimento indevido com a guerra, tanta
frieza e distância entre uma população mundial que se diz conectada como nunca antes
esteve?
Entre os três elementos essenciais da inculturação, a dimensão da encarnação da vida e
da mensagem tem forte apelo e oferece aos seres humanos a oportunidade de conhecer seu
esplendor, o extraordinário contido em cada um, a imagem e semelhança que todos temos, o
que verdadeiramente nos conecta e apresenta nossa inteligência genuína e praticada de forma
massiva e intensa: o Cristo é para todos, é para toda a história da humanidade, está vivo e nos
quer como irmãos na presença do Pai. Sua mente foi capaz de vencer o mundo para nossa
salvação, seu exemplo a ser seguido é amparo e armadura moral para o oprimido, é perdão
para o pecador que se perdeu com a banalidade do mal e sofre com a ordem do mundo, é
esperança para a alma dos que se sentem perdidos numa realidade que deveria se superar,
cessar com sua impiedade, e ainda não o fez e não se sabe bem o porquê. É a chance de, entre
tantas mudanças, escolhermos a que nos trará de fato a felicidade, pois, se no mundo teremos
aflições, dentro de cada um estará o conforto por ter conhecido e vivido com a Palavra.
Referências:
Bastos, J. M.; Filosofia da Religião. Batatais: Claretianas, 2013. Vol. 4

e-Referências:
Higuet, E. A.; As relações entre religião e cultura no pensamento de Paul Tillich.
Revista Eletrônica Correlato, 2008. Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-
ims/index.php/COR/article/.../1155/1165

Revista Arautos do Evangelho; Artigos – História da Igreja. Inculturação e


evangelização das culturas, 2002. Disponível em: http://www.arautos.org/secoes/artigos/arte-
e-cultura/historia-da-igreja/inculturacao-e-evangelizacao-das-culturas-140647

Teixeira, F.; Inculturação da fé e pluralismo religioso. Diálogos, 2010. Disponível em:


http://fteixeira-dialogos.blogspot.com/2010/04/inculturacao-da-fe-e-pluralismo.html