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HIPÓTESES PRÁTICAS

DE DIREITO DA
FAMÍLIA
E DAS SUCESSÕES

Caderno de hipóteses práticas de apoio às aulas


práticas de Direito da Família e das Sucessões, sob
a regência do CONSELHEIRO FERNANDO
BRANDÃO FERREIRA PINTO.

Elaboração e Coordenação de LUÍSA SÁ GOMES, assistente da Universidade


Internacional

Universidade Internacional
Lisboa
1997/98
DIREITO MATRIMONIAL
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- DIREITO MATRIMONIAL -

André figura de relevo da sociedade portuguesa durante uma visita a Espanha conhece
Maria por quem se enamora.
A partir dessa altura desloca-se com frequência ao pais vizinho e oferece a Maria valiosos
presentes que esta aceita, mas que geram grande reprovação por parte da família de André.
Meses mais tarde André pede Maria em casamento.
Contudo, os pais da noiva aconselham a filha a celebrar com André um contrato esponsalício
onde fique estabelecido não só o regime de bens do casal mas também uma pensão vultuosa
(cláusula penal) a favor de Maria no caso de André não poder ou não querer casar com ela.
O contrato é ultimado e logo se iniciam os preparativos para o casamento.
Maria, que irá futuramente viver para Lisboa, veio de imediato para Portugal e instala-se
num luxuoso hotel da capital portuguesa.
André, pelo Natal, oferece-lhe um magnifico apartamento. Contudo, algum tempo depois,
Maria, não se adaptando ao tipo de vida dos portugueses, rompe o noivado e regressa a
Espanha.
André, desiludido e magoado com a repentina partida da noiva, dá uma entrevista a uma
revista de eventos sociais e aí acusa Maria de ter uma reputação duvidosa e de ter abusado da
sua situação económica.
Seguidamente, cai em profundo estado de desanimo, deixa de trabalhar e acaba por falecer
poucos meses depois em consequência de acidente de viação.
Os pais de André, inconsoláveis com a perda do filho e atribuindo a principal
responsabilidade ao caso com Maria, intentam contra ela uma acção onde pedem uma
vultuosa indemnização.
Maria contesta, alegando a nada estar obrigada, uma vez que nada tinha ficado estipulado no
contrato esponsalício e recovem pedindo à família de André uma indemnização pelos
prejuízos causados pela entrevista de André, para além de exigir a entrega de todas as
fotografias e correspondência dela pertencentes ao espólio de André.

Quid Juris?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- DIREITO MATRIMONIAL -

Afonso e Helena namoravam-se havia algum tempo.


Afonso, pessoa de poucos recursos financeiros, declarou um dia a alguns amigos mais
próximos que pretendia casar unicamente com vista a locupletar-se com a grande fortuna de
que Helena era já proprietária.
Tito, um desses amigos, avisou Helena da declaração de Afonso, mas ela levou o facto à
conta de brincadeira não querendo admitir tal desonestidade.
Afonso e Helena vêm a contrair casamento civil em Janeiro de 1997. Uns escassos dias
depois Afonso abandonou o lar conjugal e Helena veio então a descobrir que Afonso era já
casado quando contraíra casamento com ela, estando porém pendente uma acção de anulação
do primeiro casamento que veio a ser julgada procedente em Março de 1997.

Helena deseja ver invalidado o seu casamento.


Avalie as possibilidades que se lhe oferecem.

António, com 15 anos de idade e Berta, com 18, contraíram casamento católico em fins de
Dezembro de 1996.
O Conservador do Registo Civil recusou-se a fazer a transcrição do casamento.
Pouco tempo depois Berta ausentou-se para o estrangeiro e António vem a contrair novo
casamento com Carlota, já depois de ter atingido a maioridade.
Entretanto Berta regressa e pretende desfazer-se do seu casamento com António.

1. Existiam impedimentos aos casamentos de:


António/Berta
António/Carlota
2. Berta pode propor uma acção de anulação do seu casamento com António?
3. No fim do Verão de 1997 Carlota começou a ser vítima de maus tratos por parte do
marido, descobrindo simultaneamente que António já era casado com Berta quando
havia contraído casamento com ela. Pode anular o seu casamento? Com que
fundamentos?

António, agricultor, casou civilmente em 1975 com Maria, comerciante.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- DIREITO MATRIMONIAL -

António tinha muitos bens imóveis mas, sofria de periódicas faltas de dinheiro. Pelo
contrário, Maria era uma comerciante abastada e levava uma vida desafogada.
António pensou que com o casamento conquistaria a almejada liquidez financeira e Maria a
segurança da propriedade fundiária.
Contudo, em 1980 começaram a existir desavenças entre o casal.
Precisamente numa altura em que as relações estavam mais difíceis Maria resolve fazer um
cruzeiro. Aí conhece Daniel, por quem se apaixona. Uns meses mais tarde, Maria sofre um
grave acidente e nessa ocasião o seu maior desejo é casar com Daniel.
Na ignorância do anterior vínculo conjugal é celebrado o casamento católico urgente.
Desgostoso António, que só em 1995 tem conhecimento do novo casamento de Maria,
intenta no Tribunal de Família de Lisboa uma acção de anulação do segundo casamento.
Maria, por sua vez defende-se nesta acção alegando que o seu casamento é válido, uma vez
que o primeiro é nulo por se basear em clara intenção simulatória?
Quid juris?

Daniel contraí casamento, em 10 de Abril de 1992, com Eduarda, viúva de seu irmão
uterino Guilherme.
Exactamente dois anos depois Eduarda vem a falecer, e em 25 de Abril daquele ano Daniel
contraí novo casamento com Hermengarda filha do anterior casamento de Eduarda.
Em Janeiro de 1997, Daniel sofre um acidente de viação que lhe é fatal, tendo deixado
testamento em que dispunha de valiosas peças de arte a favor de sua mulher Hermengarda,
invalidando assim, um anterior testamento a favor de sua irmã Joana.
Em Agosto de 1997, Hermengarda vem a contrair novo casamento com Ivo seu antigo
namorado.

1. Havia impedimentos aos casamentos de:


a) Daniel/Eduarda ?
b) Hermengarda/Ivo ?
c) Daniel/Hermengarda ?
2. Joana que sempre contara receber as peças de arte de Daniel pretende evitar que
Hermengarda as receba, invocando a invalidade do casamento do seu irmão. Pode
fazê-lo?
3. Tem Hermengarda direito à deixa testamentária do marido?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- DIREITO MATRIMONIAL -

Em 1990 o Pedro e a Marta celebraram um contrato de promessa de casamento nos termos


do qual prometem casar um com o outro sob o regime da separação de bens.
Em Janeiro de 1991, Pedro sofre um acidente de viação e fica gravemente ferido, nesse
estado pede a Marta que se case com ele, pois tem medo de morrer e não poder cumprir a
promessa feita.
Marta não quer casar naquelas condições, mas com receio de advirem graves consequências
do não cumprimento da promessa de casamento, e ainda com receio que a sua recusa em
casar pudesse apressar a morte de Pedro, acaba por anuir.
Assim, é celebrado casamento católico urgente.
Todavia, contra todas as expectativas Pedro recupera.
Entretanto o Conservador do Registo Civil repara que Marta à data da celebração do
casamento tinha 15 anos e recusa-se a fazer a transcrição.
Aproveitando-se deste facto, Pedro resolve casar com Inês, sua actual companheira.
Furiosa com o facto Marta pretende anular o segundo casamento de Pedro.
Pedro e Inês opõem-se alegando que o primeiro casamento é nulo não produzindo quaisquer
efeitos.

Quid juris?

André conheceu Carla, em 04.08.90, numa discoteca em Cascais ficando perdidamente


enamorado dela.
Desde então, procurou-a com frequência pedindo-a em casamento por diversas vezes, tendo
ela sempre recusado o matrimónio.
Em Janeiro de 1991, André telefonou a Carla já de madrugada declarando-lhe, em grande
estado depressivo, que se suicidaria ainda nessa mesma noite se ela não acedesse a casar
consigo.
Aflita, porque conhecia o caracter arrebatado de André e porque não duvidava que ele faria
tal tentativa, Carla acedeu a casar com ele, no prazo de 24 horas, com a condição de ser
representada no acto por procurador em virtude de, daí a algumas horas ter de se deslocar ao
estrangeiro por motivos profissionais inadiáveis.
André, desconfiando que Carla acabava de arranjar um pretexto novo para não casar,
convenceu-a de que era impossível celebrar um casamento urgente através de procurador.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- DIREITO MATRIMONIAL -

Carla decidiu então casar, nessa mesma tarde, com André tendo ambos comparecido na
Conservatória do Registo Civil onde casaram, após André ter explicado ao conservador os
motivos pelos quais ambos estavam a celebrar um casamento urgente.
Carla, há duas semanas em conversa com o marido, veio a saber que na noite do telefonema
e no próprio momento do casamento André se encontrava totalmente embriagado, facto de
que ela não se tinha apercebido.

1. Pode André invocar a invalidade do seu casamento com fundamento em incapacidade


acidental?
2. E o Ministério Público?
3. Pode Carla invocar a invalidade do seu casamento com fundamento em coação
moral?
4. Foi correcta a afirmação de André de que de uma maneira geral o instituto do
casamento urgente não admite a celebração por procuração.

Ana, nascida em 15.01.1974, em Faro, e Daniel, nascido em 28.05.1971, no Porto,


contraíram, em Lisboa, casamento católico, em 22. 12. 1989.
Quando o processo foi enviado à Conservatória do Registo Civil competente, o Conservador
recusou-se a fazer a transcrição.
Pouco tempo depois, Daniel foi trabalhar para Paris.
Em 02.02.1992, Ana vem a contrair novo casamento com Francisco, no Porto, cidade para
onde entretanto fora residir.

1. Daniel regressou na semana passada a Portugal e tendo tido conhecimento destes


factos pretende saber se:
a) Existiam impedimentos ao seu casamento com Ana;
b) Existiam impedimentos ao casamento de Ana com Francisco.
2. Daniel pode propor uma acção de anulação do seu casamento com Ana?
3. A recusa da transcrição do casamento pelo Conservador foi legalmente correcta?
Porquê?
4. Em Abril de 1992 Francisco descobre que Ana já era casada com Daniel quando
contraiu matrimónio com ele. Tem legitimidade para requerer a anulação do seu
casamento?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- DIREITO MATRIMONIAL -

António e Maria casaram catolicamente no dia 27 de Janeiro de 1991. Localizando-nos no


dia de hoje, diga o que sucederá ou poderá suceder ao seu casamento, se:

1. Por sentença transitada em julgado em 3 de Junho de 1997 e devidamente registada


for decidido que Maria mudou de sexo, isto é, passou a ser do sexo masculino?
2. Maria tiver sido encontrada pelo António em 4 de Março de 1992, a ter relações
homossexuais com Berta no seu domicílio conjugal?
3. Depois de casados, por impotência couendi do António, nunca entre ambos houve
relações sexuais?

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António, nascido em 4.2.1950, conheceu, Maria, nascida em 17.12.1975, no mês de Abril de


1979. Maria é uma conhecida cantora de rock e António é um indivíduo que vive de
expedientes e tem alguns problemas com a justiça.
Alguns meses mais tarde, Maria pretende casar com António, mas este recusa. Exasperada,
Maria ameaça António de que se ele não casar com ela o denuncia às autoridades policiais.
Amedrontado, António vem a celebrar com ela casamento civil em 28.12.1990.
Contudo, em Maio de 1991, Maria que já se desinteressara há algum tempo de António
enceta uma ligação com Carlos.
Em 7.10.1991, Maria grávida e aprestando-se para dar á luz, celebra com Carlos casamento
católico urgente, desconhecendo este toda a anterior situação.
Em 15.10.1991, Maria dá á luz Diana.

1. Pode Maria intentar acção de anulação do seu primeiro casamento?

2. Carlos pretende saber se pode intentar uma acção de anulação do seu casamento com
Maria ou em alternativa uma acção de divórcio?

3. António pretende igualmente saber se pode intentar uma acção de anulação do seu
casamento com Maria ou em alternativa uma acção de divórcio?

4. Carlos beneficia da presunção "pater is est quem nuptiae demonstrat "?

5. E António? Em caso afirmativo, como pode impugnar a paternidade presumida?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- DIREITO MATRIMONIAL -

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Abel e Berta, namoram-se ás escondidas da família de Berta.


Os pais da Berta querem que ela se case com Emílio.
Em Julho de 1995, Abel acaba o curso de engenharia e oferecem-lhe emprego nos EUA.
Abel aceita e promete a Berta que mal tenha a sua vida estabilizada nos EUA virá buscá-la.
A vida nos EUA corre-lhe bem, e passado um ano Abel escreve a Berta pedindo-a em
casamento.
Berta aceita. Decidem então casar por procuração, às escondidas dos pais de Berta, após o
que ela irá ter com ele aos EUA.
Abel passa uma procuração ao seu pai Daniel e manda-lhe uma fotografia de Berta, pois o
pai não conhece a futura nora.
Entretanto Eduarda, irmã gémea de Berta, descobre que Berta se propõe casar com Abel,
nas condições que referimos, e como sempre gostara do Abel, decide prender a irmã em casa
no dia do casamento, apresentando-se a Daniel como se fosse a Berta.
O casamento é realizado.

1. Como pode Berta opor-se àquele casamento?


2. E Abel?

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Ana e Timóteo conheceram-se, no passado mês de Agosto, quando se encontravam de férias


no Algarve.
A Ana é portuguesa, tem 20 anos, reside em Lisboa onde trabalha como cabeleireira.
O Timóteo é brasileiro, jogador de futebol profissional, reside no Rio de Janeiro e encontra-
se desempregado.
Timóteo havia sido convidado pela equipa do Benfica para vir para Portugal jogar futebol.
Todavia, é pressuposto do convite que Timóteo se naturalize português, já que o Benfica já
atingiu o limite de jogadores de nacionalidade estrangeira a utilizar pelo clube no campeonato
nacional da 1.ª divisão.
Assim, Ana e Timóteo decidiram casar-se ainda durante o mês de Agosto, tendo Timóteo
assinado contrato com o Benfica na própria semana do casamento.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- DIREITO MATRIMONIAL -

Daí a uns dias Ana conhece Manuel, fervoroso sportinguista, por quem se apaixona
perdidamente.

1. Manuel, ao ter conhecimento dos factos, pretende saber como pode ser atacado o
casamento celebrado por Ana e procura-o no seu escritório de advogado.
Analise a situação de modo a esclarecer o Manuel quanto ao regime legal
aplicável a este caso.
2. Qual a posição doutrinária defendida pelo Conselheiro Ferreira Pinto
relativamente à solução adoptada pela Reforma de 1977 no que respeita à
legitimidade para requerer a anulação de um casamento por simulação?

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ADMINISTRAÇÃO DE BENS

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- ADMINISTRAÇÃO DE BENS -

Em Janeiro de 1996, António e Bárbara estipularam por convenção antenupcial, o regime


de comunhão de geral de bens. Em 1 de Fevereiro de 1996, celebraram casamento na
Conservatória de Registo Civil de Bragança.
Em 1 de Março de 1996, por motivos profissionais, Bárbara viaja para Londres onde passa
a frequentar um curso com a duração de 6 meses.
Em 1 de Abril de 1996, o automóvel que Bárbara herdara de seu pai e, que António usava
nas suas deslocações profissionais, sofre uma grave avaria.
António resolve então vendê-lo a Carlos para com o produto da venda adquirir um novo
automóvel.
Em 1 de Maio de 1996, António, pessoa bastante distraída, repara que a sua convenção
antenupcial não tinha sido registada e apressa-se a fazê-lo.
Em 1 de Setembro de 1986, Bárbara regressa de Londres e discordando do destino que
António dera ao automóvel que herdara do pai pretende invalidar o negócio, ao que este se
opõe alegando que era a ele que competia dispor do automóvel uma vez que o utilizava nas
suas deslocações profissionais.

Quid juris?

Abel e Joana casaram, em Janeiro de 1990, sob o regime de comunhão geral de bens.
Joana era médica e Abel professor do liceu.
Em 1993, Abel herdou do pai uma propriedade rural, em Alcobaça, de cuja administração
se ocupava habitualmente.
Em Julho de 1995, durante uma ausência do seu marido, Joana mandou abrir um poço de
grande envergadura na propriedade de Alcobaça.
Em Dezembro daquele mesmo ano, Joana contraiu uma dívida de 5.000 contos para
montar consultório.

1. Joana tinha poderes para sozinha mandar abrir o poço?


2. Abel é também responsável pela dívida de 5.000 contos?
3. Que bens respondem pelo pagamento dessa dívida?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- ADMINISTRAÇÃO DE BENS -

Abel e Berta contraíram casamento em Janeiro de 1990 tendo anteriormente celebrado


convenção antenupcial estipulando o regime de separação de bens.
Abel possuía um prédio de rendimento, tendo passado a habitar um dos andares desse
prédio após o casamento.
Com o casal coabitavam igualmente dois filhos menores de Berta.
Em Maio de 1995 Abel que concorrera a um lugar de tradutor na UE é admitido e parte
para Bruxelas onde passa a residir.
No Verão de 1996, tendo-se verificado vantagem em executar obras gerais de conservação
do prédio de Lisboa, Berta decide empreendê-las pensando ser essa também a intenção de
Abel. Pelo que, não lhe comunica sequer a sua decisão para lhe fazer a surpresa nas
próximas férias dele em Portugal.
Contrata então com Carlos, empreiteiro, a feitura das obras para o início de Outubro de
1996, pela quantia de 1.200 contos.
De regresso a Portugal, em férias, Abel toma conhecimento de todos estes factos tendo
manifestado a sua desaprovação e propondo-se mesmo invalidá-los logo que possível.

1. Admitindo que Abel regressa de férias a Portugal em Maio de 1997 estavam já as


obras concluídas e pagas, comente as possibilidades de invalidar os actos
praticados por Berta.
2. Antes de se reunir a Abel no Natal de 1997 Berta inscreveu os dois filhos menores
num dispendioso colégio interno em Lisboa.
Sabendo-se que algumas mensalidades não foram pagas pergunta-se de quem é a
responsabilidade dessa dívida e que bens respondem por ela?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- ADMINISTRAÇÃO DE BENS -

Diana e Fernando, ambos de 30 anos de idade, solteiros e sem filhos, ela programadora de
computadores e ele arquitecto, celebraram casamento civil em 04.02.90, sem convenção
antenupcial.
Em 06.10.90 Diana veio a herdar, por morte de seu pai um andar no Porto e a respectiva
mobília.
Em 11.12.90, Diana vendeu aquela mobília a um antiquário por 5.500 contos e com a
produto da venda adquiriu um computador e um carro, para afectar ao exercício da sua
profissão.
Fernando ao tomar conhecimento, em 03.01.91, dos negócios efectuados pela mulher
irrita-se por não ter sido consultado e pretende invalidá-los alegando que ela não os poderia
ter celebrado sem o seu consentimento.
Diana, agastada, com as intromissões do marido, decide, novamente sem o consultar,
arrendar o andar que herdou do pai por considerar que, dessa forma poderá obter um
rendimento mensal fixo para as suas despesas profissionais.

1. Fernando pode pedir a anulação da venda da mobília efectuada por Diana em


11.12.90?
2. E quanto à compra do computador e do carro, pode reagir de algum modo?
3. Que pode Fernando fazer para reagir contra o contrato de arrendamento
celebrado por Diana, sem o seu consentimento?

Francisco, nascido em 04.08.1969, em Lisboa, e Beatriz, nascida em 17.10 1971,


conheceram-se, em Coimbra, onde ambos eram estudantes de medicina.
Após alguns meses de convivência Beatriz ficou grávida. Como se aproximavam os
exames da época de Junho nem Francisco nem Beatriz se preocuparam com a gravidez.
De seguida, Beatriz teve de ir a Braga passar as férias, onde ocultou a gravidez. E em
Setembro, de regresso, a Coimbra novos exames a esperavam.
Terminado um dos exames Beatriz, dado o seu cansaço físico e psíquico, entra
prematuramente em trabalho de parto.
Levada de urgência para o hospital aí é celebrado casamento católico urgente em
28.10.1991.
Beatriz levou para o casal uma vivenda que possuía em Sintra, onde os cônjuges decidiram
fixar a sua residência conjugal logo que acabassem o curso.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- ADMINISTRAÇÃO DE BENS -

Entretanto, três meses antes de casar Francisco vendera um imóvel de sua propriedade sito
em Lisboa por 10 mil contos. Já na constância do matrimónio comprou, com o produto
daquela venda, um automóvel da marca Volvo.
Em 25.1.1992, o pai de Beatriz morre. Quando o seu testamento é aberto Francisco e
Beatriz vêm a descobrir que são irmãos consanguíneos, sendo Francisco filho do pai de
Beatriz, nascido fora do casamento e cuja paternidade só agora fica estabelecida.

1. Pode qualquer dos cônjuges pedir a anulação do casamento? Com que


fundamento?

2. Até que momento pode ser pedida a anulação do casamento? Qual o tribunal
competente?

3. Francisco comprou em Coimbra um apartamento no valor de 5 mil contos, para


onde o casal foi morar. Para tal tinha pedido um empréstimo ao Banco X não
tendo porém, pago até à data nenhuma das prestações em dívida. Quem é
responsável pela dívida e que bens respondem por ela?

4. Enquanto Beatriz esteve na maternidade Francisco mandou fazer obras na casa de


Sintra. Tinha legitimidade para isso?

5. Beatriz que não tinha muita prática em conduzir teve um acidente, tendo sido
condenada no tribunal a pagar 4 mil contos de indemnização a Carlos, o condutor
do outro veículo sinistrado. Carlos pretende saber se pode em algum caso pedir a
Francisco o pagamento dessa quantia.

6. Beatriz extremamente aborrecida com a situação resolveu desfazer-se do carro


alienando-o num negócio muito vantajoso pelo mesmo preço pelo qual este tinha
sido adquirido. Francisco pretende saber se esta venda feita sem o seu
consentimento é válida, e não o sendo qual o prazo de que dispõe para reagir.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- ADMINISTRAÇÃO DE BENS -

Jacinto, médico, e Lúcia, comerciante, casaram, em Lisboa, sem convenção antenupcial,


em Dezembro de 1965.
O pai de Lúcia ofereceu-lhe, em Agosto de 1972, um carro que o casal passou a utilizar
indistintamente na sua vida profissional.
Em Janeiro de 1976, Lúcia vende o carro sem conhecimento do marido.
Em Maio de 1990, Lúcia, no exercício da sua actividade comercial, dá o seu aval a uma
letra no valor de 2.000 contos e em Dezembro de 1991 é chamada a pagar a referida letra.
Em Janeiro de 1992, Jacinto contraiu uma dívida no valor de 1.500 contos para montar
consultório.

1. Lúcia podia sem consentimento do marido vender o carro?

2. Quem é responsável pelo pagamento do montante da letra e quais os bens que por
ela respondem?

3. Quem é responsável pela dívida contraída para montar o consultório e quais os


bens que por ela respondem?

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Francisco, comerciante, nascido em 10 de Outubro de 1943, e Isabel, dactilógrafa, nascida
em 7 de Janeiro de 1940, casaram em Lisboa, sem convenção antenupcial em 5 de Agosto
de 1965.
Em 15 de Julho de 1974, Isabel resolve vender sem o conhecimento do marido um
automóvel que José, seu pai lhe oferecera no ano anterior.
O automóvel era indistintamente utilizado por Francisco e Isabel nas suas vidas
profissionais.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- ADMINISTRAÇÃO DE BENS -

Em 28 de Maio de 1979, Francisco como comerciante dá o seu aval a uma letra de favor
no montante de 2.000 contos (a letra de favor não tem subjacente uma relação comercial,
sim amizade, confiança).
Em 7 de Agosto de 1980, Francisco é obrigado a pagar essa letra, contudo o seu
património é insuficiente e Alberto, o credor, pretende penhorar o património do casal.

1. Isabel podia vender o automóvel sem o consentimento do marido?


2. Quem é responsável pelo pagamento da dívida contraída por Francisco?
3. Que bens respondem pelo pagamento daquela dívida?
4. Pode Alberto, provando que Francisco só em Janeiro de 1987 teve conhecimento
da venda do automóvel, requerer a anulação do negócio? Porquê?

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DIVÓRCIO

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIVÓRCIO -

Abel e Maria são casados e têm dois filhos de 2, 3 anos de idade. Abel, em Junho de 1992,
emigrou para França em busca de trabalho e Maria ficou a viver na sua aldeia natal.
Durante o Inverno de 1992, Maria consentiu que muitas vezes depois do jantar um seu
primo afastado de nome Basílio, entrasse no domicílio conjugal onde vivia com os filhos,
em termos de concitar em alguns dos seus conterrâneos a suspeita da sua infidelidade ao
marido. Já depois de ter conhecimento destes factos, o Abel continuou a enviar dinheiro à
Maria mas, em Julho de 1993, intentou uma acção de divórcio por lhe ser intolerável
continuar a viver com a mulher.

Poderá Abel obter ganho de causa se se provarem todos os factos que acabam de ser
relatados?

Numa acção de divórcio, intentada em 1992.11.11, por Maria Armanda contra seu marido
José António, foi dada como provada a seguinte matéria fáctica:
- Autora e Réu, contraíram, sem convenção antenupcial, casamento católico no dia
1973.10.15;
- Deste casamento nasceram dois filhos: Manuel, nascido em 1975.11.17 e Maria
em 1978.12.25;
- Desde, pelo menos, Maio de 1987, o Réu sofre de alcoolismo crónico.

Em face destes factos e outros não foram dados como provados o juiz devia julgar ou
não a acção procedente e provada, decretando, consequentemente, o divórcio?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIVÓRCIO -

3.1.
Carla e Daniel casaram catolicamente em 1960.

Podia Carla intentar uma acção de divórcio litigioso contra Daniel em 1979?

3.2.
Eduardo e Fernanda casaram em 1938 sob a forma canónica.

Podia Eduardo intentar uma acção de divórcio litigioso contra Fernanda em 1972?

Alberto e Beatriz casaram em primeiras núpcias em 03.02.1992.


Em 04.03.1993, Alberto tomou conhecimento que Beatriz tinha um filho, nascido em
Espanha e aí residente com o respectivo pai, com quem Beatriz, sem se casar, vivera entre
Maio de 1991 e Julho de 1992.

Agastado pelo facto de a mulher lhe ter ocultado a situação, Alberto pretende saber se
existe fundamento para intentar uma acção de anulação ou de divórcio?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIVÓRCIO -

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FILIAÇÃO

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- FILIAÇÃO -

Asdrúbal perfilhou Berenice, em 4 de Março de 1994, e veio a falecer ab intestato, em 3 de


Maio de 1997.

Cleópatra irmã de Asdrúbal, que quando morreu não tinha qualquer outro parente vivo,
pode impugnar a referida perfilhação?

Se o pode, quem tem legitimidade passiva para a necessária acção judicial e que factos
tem ela de alegar e provar para obter ganho de causa?

Antónia ,estava casada com Bento, há mais de cinco anos, quando deu à luz Carlos que veio
a ser registado como filho de pais desconhecidos.
Daniel veio posteriormente a perfilhar Carlos.
Mais tarde morreu Bento e Antónia veio a casar com Eugénio.

Falecida Antónia, Eugénio pode, com base nos art.ºs 1824.º, 1825.º e 1818.º do Código
Civil, requerer ao tribunal que declare que Antónia é mãe de Carlos?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- FILIAÇÃO -

Numa acção de investigação de paternidade, tendo falecido o pretenso pai (António), que era
casado com Berta e tinha ainda como parentes vivos apenas um avô (Cândido) e três irmãos:
Danilo (casado com Gabriela), Efigénia (casada com Hércules) e Filomena (solteira),
quem tem legitimidade passiva?

Instaurada, em 20.02.1985, uma acção de investigação da paternidade de António, nascido


em 26.01.81, contra Bernardo, o Tribunal deu:
A - Como provado:
• António está registado apenas como filho de Carolina;
• Bernardo e Carolina começaram a manter relações sexuais entre si, com
regularidade, em Abril ou Maio de 1977;
• Bernardo, após breve ausência, regressou a Estremoz, em Julho do mesmo ano, e
recomeçou as relações sexuais com a mãe do menor;
• Pernoitava regularmente em casa dela;
• Passeavam-se ambos por diversos locais daquela cidade, normalmente às tardes de
Sábado e de Domingo;
• Este tipo de relações era do conhecimento dos vizinhos da mãe do menor;
• E mantinha-se nos primeiros 120 dias dos 300 que precederam o nascimento do
menor;
• Antes de se relacionar com o Bernardo, a mãe do menor mantinha relações de
sexo com vários homens;
• Carolina casara com Daniel em 20.01.70 e divorciara-se dele em 18.04.1976;
• Na constância do seu extinto matrimónio, a mãe do menor teve um filho, Zacarias,
que Moisés perfilhou.

B - Como não provado.


• Que durante os primeiros 120 dos 300 que precederam o nascimento do António, a
Carolina apenas com o Bernardo tivesse mantido relações sexuais, como foi
alegado pelo autor;

24
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- FILIAÇÃO -

• Que durante o período de tempo em que Carolina e Bernardo se relacionaram,


aquela teve relações de sexo com outro homem;
• Que era vista várias vezes, de noite e de dia, em atitudes públicas de amantismo,
em locais pouco iluminados, com um tal João e, inúmeras vezes, com um sargento
que a ia buscar junto aos correios da cidade, para com ela passear de automóvel,
como foi alegado pelo réu.

1. Em face dos factos dados como provados e não provados, a acção de investigação da
paternidade proposta contra o Bernardo devia ser julgada procedente ou
improcedente?
2. Supondo que Bernardo faleceu em 25.12.87, no estado de solteiro e tendo apenas
como parentes vivos a mãe, Teresa, um irmão, Júlio e um tio Gaspar, sem ainda,
estar julgada a acção de investigação da paternidade, diga contra quem deveria
prosseguir a acção, indicando os factos e as razões de direito em que baseia a sua
resposta.
3. Tendo o António 4 anos de idade quando foi intentada a acção de investigação da sua
paternidade, diga quem é que, em sua representação, a poderia intentar, indicando
os factos e os artigos em que se baseia a sua resposta.

António, residente em Lisboa, em 20.03.1984, perfilhou Bento, residente em Coimbra, que


ao tempo tinha 15 anos de idade.
Em 1995, Bento intentou, através duma petição inicial dirigida aos Juízos Cíveis da Comarca
de Lisboa, contra António uma acção de impugnação daquela perfilhação, na qual não alegou
factos donde possa resultar não ser o réu o seu pai biológico.

Deverá o juiz indeferir liminarmente a petição inicial?

25
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- FILIAÇÃO -

Abel e Berta, ambos solteiros, maiores e filhos de pais desconhecidos, viveram como se
fossem marido e mulher desde 12.12.1975 até 20.12.1978.
Em 25.01.79, separaram-se e Berta, em 05.03.1979, casou com Carlos, que não tinha
qualquer parente vivo.
Berta deu à luz em 14.05.1976 Daniel e em 16.05.1979 Francisca.
Do registo de nascimento de Daniel consta a Berta, como mãe, e o Carlos, como pai.
Em 15.12.1988, morre Berta e Eunice é nomeada tutora de Daniel.
Nunca foi intentada qualquer acção de investigação oficiosa para determinar a paternidade
jurídica de Daniel, que, todavia sempre foi tido como filho de Abel, ainda que este sempre se
negasse a considerá-lo como tal ou a contribuir com qualquer quantia para o seu sustento,
educação ou bem estar, mesmo quando vivia com a Berta.

1. Daniel quer ver reconhecido judicialmente que Abel é seu pai e propõe, em
12.03.1989, por intermédio da sua tutora, uma acção de investigação da paternidade
contra ele.
Qual a causa de pedir nesta acção e quais os factos instrumentais que têm de ser
provados para Daniel obter ganho de causa?

2. Abel considera-se pai biológico de Francisca e quer ser também o seu pai jurídico.
Descreva o que deverá fazer para conseguir tal desiderato, indicando a acção ou
acções que terá de propor e os factos que deverá alegar e provar para isso.

Abel nasceu no dia 20 de Dezembro de 1995, mas foi só registado em 1 de Janeiro de 1997,
por José, casado, médico, que declarou na Conservatória do Registo Civil que não sabia quem
era o pai, mas que sabia, por o nascimento ter ocorrido na sua casa e a ele ter assistido, que
Berta era a mãe.

26
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- FILIAÇÃO -

1. José podia proceder à declaração de nascimento de Abel?


2. Em caso afirmativo, a maternidade de Abel ficava logo estabelecida?

Daniel e Emília, são irmãos uterinos mas, apesar disso, têm uma ligação amorosa da qual
nasce Filomena que Emília regista como sua filha, omitindo, porém, o nome do pai.
O Conservador enviou ao Tribunal uma declaração integral do Registo.

Que deve fazer o curador de menores na hipótese de no processo de averiguação oficiosa


da paternidade obter provas concludentes de:
1. O pai ser efectivamente Daniel?
2. O pai ser Gabriel, tio de Emília?

António e Manuel são os únicos filhos de um casal que já não tinha ascendentes quando
morreu num acidente de viação.
Depois da morte dos pais, António viveu maritalmente com Noémia, tendo-se separado em
31 de Dezembro de 1987.
Em 2 de Fevereiro de 1988, António casou com Maria, de quem nunca teve filhos, e no dia
seguinte Noémia deu à luz Susana, que foi registada em 25 de Fevereiro de 1988, constando
do seu registo o nome da sua mãe biológica, mas não o do pai.

27
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

- FILIAÇÃO -

Em virtude disso, após ter corrido o processo de averiguação oficiosa da paternidade, o


Agente do Ministério Público junto do tribunal competente intentou contra o António uma
acção oficiosa de investigação da paternidade da qual, porém, este vem a ser absolvido do
pedido, por sentença proferida em 4 de Dezembro de 1992, que transitou em julgado.
António faleceu no estado de casado com Maria, em 3 de Janeiro de 1996, sem nunca ter
reconhecido Susana como sua filha ou ter demonstrado por qualquer meio que se considerava
seu pai.
Noémia nunca se conformou com a sentença de 4 de Dezembro de 1992 e mantinha que
António era o pai de Susana.

Podia ser posta nova acção para António ser reconhecido como pai de Susana?
1. Até quando?
2. Quem tinha para tanto legitimidade activa e passiva?

28
DIREITO DAS SUCESSÕES

29
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

António, solteiro, residente em Lisboa, é pai de Bento casado, segundo o regime da


comunhão geral de bens, com Carla; de Daniel, casado, segundo o regime da
comunhão de adquiridos, com Eugénia; e de Francisco, casado, segundo o regime da
separação de bens, com Gabriela.
Francisco não tem filhos de sua mulher, mas tem dois filhos adulterinos, Heitor e
Ilídio que perfilhou.
Em 1980 faleceu Francisco.
António, em 1979, doou a Heitor o prédio X, em 1985, doou a Carla o seu prédio Y e
em 1985, doou a Ilídio uma vivenda.
Nos terrenos que circundam a vivenda Ilídio, depois da doação fez uma piscina.
António morreu ab intestato em Janeiro de 1995 e no momento da sua morte tinha
apenas 37.000 contos em dinheiro.
A quando da abertura da sucessão o prédio X valia 5.000 contos, o prédio Y valia
10.000 contos e a vivenda 20.000 contos.
A piscina foi na mesma altura avaliada em 3.000 contos.

Proceda à partilha considerando que não há outros herdeiros a considerar.

Abel e Berta, no estado de casados, tiveram cinco filhos: Carlos, Daniel, Evaristo,
Fernanda e Gabriela.
Carlos vivendo amancebado com Hermínia teve desta um filho: Ilídio.
Daniel do seu casamento com Josefa, teve desta dois filhos: Leonel e Manuel.
Evaristo do seu casamento com Noémia teve desta um filho: Octávio.
Fernanda é solteira e não tem filhos.
Gabriela é casada com Paulo e não tem filhos.
Abel teve de Quitéria um filho: Raúl.

30
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

Berta teve de Saúl dois filhos: Teodoro e Ulisses.


Não existem outros parentes nem cônjuges.

1. Supondo que num acidente de aviação morrem, sem terem deixado testamento
ou qualquer disposição de última vontade, Abel, Fernanda e Gabriela, sem ser
possível determinar quem morreu primeiro e continuando todas as outras
pessoas vivas, explique quem são os herdeiros legítimos de:

a) Abel;

b) Fernanda;

c) Gabriela.

2. Supondo que depois de terem falecido Abel, Berta e Daniel morreu ab intestato
Fernanda tendo deixado 2.200 contos em dinheiro e que quando a Fernanda
faleceu Carlos estava em estado de coma do qual não recuperou, tendo morrido
um mês depois da irmã, proceda à partilha da herança de Fernanda.

Abel quando faleceu tinha como seus parentes vivos três irmãos germanos - Carlos,
Daniel e Eurico -, dois consanguíneos - Francisco e Gabriel -,dois uterinos - Helder e
Ilídio - ,e três sobrinhos - José (filho de Berta, sua irmã germana pré-falecida e de seu
marido Teodoro, ainda vivo), Leonel (filho de Francisco e de sua mulher Úrsula,
também viva) e Manuel (filho de Ilídio e de sua mulher Verónica, já falecida).
Todos os sobrinhos eram solteiros e os seus irmãos Carlos, Daniel, Eurico, Gabriel e
Helder estavam viúvos.
Em testamento, instituíra como seus herdeiros, Norberto (solteiro e pai de Octávio e de
Paulo), Quirino (casado com Zoé, ainda viva e pai de Raul e de Susana) e Xerxes
(casado com Yolanda, igualmente viva e sem filhos) em partes iguais de um quarto do
valor dos bens que tivesse à hora da sua morte.
Francisco faleceu horas depois de Abel sem ter aceitado ou repudiado a herança deste.

31
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

Daniel, Xerxes e Norberto repudiaram a herança de Abel.


Quando Abel faleceu deixou bens no valor de 1.200.000 contos.

Proceda à partilha, pressupondo que não há outros herdeiros legítimos ou


instituídos.

Abel tinha três filhos, dois de sua mulher Beatriz - Carlos, casado com Daniela, que
tem dois filhos (Eugénio e Francisco) e Gabriela, casada com Octávio que tem um
filho (Paulo) - e um de uma sua ligação extra matrimonial com Hermínia -Ilídio.
Beatriz, de um seu casamento anterior com João, tinha dois filhos - Leonel, casado
com Maria e Norberto.
Depois de já terem falecido Abel, Beatriz, Hermínia e João, veio a falecer Norberto
que tinha um património de 50.000 contos, depois de abatidos todos os encargos da
herança.
Em testamento deixou 10.000 contos a Carlos, o qual, porém, repudiou a herança do
irmão.
Gabriela faleceu sem ter aceitado ou repudiado a herança de Norberto.

Proceda à partilha sem se esquecer de mencionar as razões de facto e de direito em


que se baseou.

32
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

Anselmo e Berta, casaram em regime de separação de bens em Lisboa. Tiveram quatro


filhos: Diana e Eduardo nascidos em 12.10. 1969 e Fernando e Guiomar em
23.6.1971.
Anselmo havia doado a Guiomar uma herdade no valor de 10.000 contos em 4.8.1989,
mas que é hoje avaliada em 30.000 contos.
Guiomar doara essa herdade, por sua vez a Eduardo em 28.9.1989.
Guiomar faleceu em 10.1.1991 deixando sobrevivo o seu cônjuge Miguel, com quem
casara sob o regime da separação de bens em 14.10.1990 e dois filhos Inácio e João
nascidos respectivamente em 8.8.1988 e 11.11.1990.
Anselmo faleceu, em 7.11.1991, deixando uma herança no valor de 70.000 contos.
Por testamento, dispôs de metade da sua herança a favor de Paulo seu pai, que nascera
em 30.8.1918, e de um legado de 5.000 contos em benefício de Octávio seu primo.
Diana repudiou a sucessão.

1. A deixa testamentária feita a Paulo é inoficiosa?

2. E o legado a favor de Octávio?

3. Existe direito de representação de Miguel, Inácio e João, em relação a


Guiomar, na sucessão aberta por morte de Anselmo?

4. Quem tem direito de acrescer em virtude do repúdio de Diana?

5. Proceda à partilha da herança de Anselmo.

33
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

António e Branca casaram em 13.12.1944, tendo deste casamento nascido, em


15.11.1945, quatro filhos -César, Dalila, Edgar e Fauna.
César, que duma sua ligação com Glória, teve dois filhos -Heliodoro e Inês -
nascidos, em 14.11.1965, casou, em primeiras núpcias de ambos, com Josefina,
solteira, de 21 anos de idade, tendo deste casamento nascido, em 21.12.1966, duas
filhas -Leocádia e Mafalda.
Falecido César, em 31.12.1971, Josefina casou, em 13.11.1973, com Napoleão, do
qual teve uma filha -Ofélia.
Mafalda casou, em 12.11.1987, com Pio do qual teve dois filhos -Questor e Raquel-
nascidos, em 14.12.1989.
Fauna teve, de pai desconhecido, em 15.12.1965, uma filha Sabina, a qual, por sua
vez, também teve, em 18.11.1986, de pai igualmente desconhecido, um filho Tadeu.
António duma sua ligação com Urbana teve, em 14.12.1974, uma filha Virgolina.
Todos estes personagens não têm quaisquer outros parentes.

1. Suponha que em 21.11.1981 faleceram, sem testamento ou qualquer disposição


de última vontade, num acidente de aviação António, que ao tempo tinha de seu
40.000 contos, Josefina, que ao tempo tinha de seu 18.000 contos e Leocádia,
que ao tempo tinha de seu 10.000 contos.

Proceda à partilha dos patrimónios de António, Josefina e Leocádia, supondo mais


que não foi possível determinar quem faleceu primeiro.

2. Suponha que, depois de terem falecido em 21.11.1981 António, Josefina,


Leocádia ainda vieram a falecer durante o ano de 1991, Branca, Napoleão,
Mafalda e Glória.

Em 12.02.1992, faleceu Inês que deixou um património de 40.000 contos e um


testamento no qual deixava 10.000 contos a seu irmão germano.

Proceda à partilha do património de Inês.

3. Suponha que, depois de terem falecido em 21.11.1981 António, Josefina e


Leocádia, durante o ano de 1991, Branca, Napoleão, Mafalda e Glória, em
12.02.1992 Inês e em 12.03.1992 Fauna e Tadeu, faleceu em 13.04.1992, sem
testamento ou qualquer outra disposição de última vontade, Sabina, que deixou
um património de 60.000 contos.

34
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

Proceda à partilha do património de Sabina.

António e Berta, no estado de casados, tiveram três filhos: Carlos (que tendo vivido
amancebado com Daniela desta teve duas filhas: Eugénia - que do seu casamento com
Francisco, teve um filho Gabriel; e Hermínia -); Ilídio (que do seu casamento com
Josefa, teve cinco filhos - Leonel, que do seu casamento com Maria, teve uma filha
Noémia; Octávio; Paulo; Quirino; e Renato -) e Saúl.
António de um seu casamento anterior com Teresa, teve dois filhos: Ulisses e
Verónica, e esta dum seu casamento com Xerxes teve uma filha Zoé.
Berta, no estado de casada com António, teve de Abel Augusto um filho Bernardo
Bártolo, o qual do seu casamento com Carla Catarina, teve um filho Dario Dextro.
Não existem mais familiares.

1. Ilídio, que se encontrava casado com Josefa segundo o regime da separação de


bens faleceu já depois de ter morrido Maria, tendo deixado uma dívida no valor
de 200 contos e 1.690 contos em dinheiro. No seu funeral foram gastos 150
contos.
Proceda à partilha.
2. Num acidente de aviação faleceram Berta e Eugénia, o que aconteceu já depois
de terem falecido Daniela, Ilídio e Maria. Berta da sua meação nos bens do
casal e depois de pagos todos os encargos da herança tinha um património de
1.600 contos e Eugénia também da sua meação nos bens do casal e depois de
pagos todos os encargos da herança tinha um património de 1.500 contos.
Proceda à partilha pressupondo primeiro que não foi possível determinar quem
morreu primeiro, se Berta se Eugénia e a seguir que morreu primeiro Berta.
3. Já depois de terem falecido Berta, Eugénia, Ilídio, Daniela e Maria, veio a
falecer António, que já depois do falecimento de Berta, de Ilídio, de Daniela e
de Maria deu 2.000 contos a Noémia, com os quais ela comprou:
• um frigorífico por 700 contos,
• um televisor por 200 contos,
• uma máquina de lavar roupa por 300 contos,

35
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

• um fogão de cozinha por 350 contos e


• um esquentador por 450 contos.
Mais tarde também deu 2.000 contos a Paulo com os quais este comprou da
mesma marca e categoria que a sobrinha comprara:
• um frigorífico por 800 contos,
• um televisor por 300 contos,
• uma máquina de lavar roupa por 500 contos e
• um fogão de cozinha por 400 contos.
Na altura da morte de António objectos absolutamente iguais àqueles que a
bisneta e neto compraram tinham os seguintes valores:
• um frigorífico por 900 contos,
• um televisor por 350 contos,
• uma máquina de lavar roupa por 600 contos,
• um fogão de cozinha por 300 contos e
• um esquentador por 350 contos.
No momento em que faleceu António tinha 13.700 contos em dinheiro e não tinha
dívidas, nem quaisquer bens. Com o seu funeral e missas foram gastos 350
contos. Num testamento deixou a Zoé 5.000 contos.
Proceda à partilha pressupondo que Leonel e Quirino repudiaram a herança.
4. Já depois de terem falecido António, Berta, Eugénia, Ilídio Daniela e Maria,
faleceu ab intestato, Saúl, que deixou um património de 7.000 contos.
Proceda à partilha pressupondo que Carlos e Ulisses repudiaram a herança.
5. Já depois de terem falecido António, Berta, Eugénia, Ilídio Daniela, Maria,
Saúl, Carlos e Gabriel faleceu ab intestato Hermínia, que deixou um património
de 9.000 contos.
Proceda à partilha.

António faleceu em Abril do corrente ano.


Sobreviveram-lhe seis filhos.

36
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

Um mês antes de falecer redigiu um testamento onde dispunha do seu património


avaliado em 45.000 contos, da seguinte forma:
• «Deixo a cada um dos meus filhos, Bernardo,
Carlos, Duarte e Eduardo 1/6 do meu
património.»
• «Deixo aos meus filhos Fernando e Guilherme o
meu apartamento no Algarve avaliado em 15.000
contos.»

Proceda à partilha do património de António, referindo onde imputa as


liberalidades?

Carlos, casado com Deolinda, é uma pessoa doente e, por isso, é normalmente assistido
por Daniel, médico de quem é muito amigo, há mais de vinte anos.
Em 03.05.1992, Carlos redigiu um testamento, onde dispunha o seguinte:
• «Por minha morte pretendo que os bens que
integram a minha quota disponível sejam
atribuídos ao meu velho amigo Daniel.»

Em 07.02.1993, Carlos faleceu vítima de um acidente de viação. Deolinda quer


saber se esta disposição testamentária é ou não válida.

10

37
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

Guilherme e Helena casaram em 12.10.1959, tendo deste casamento nascido em


23.03.1962 dois filhos - Isidoro e João.
Leonor, em 10.05.1985, casou com João de quem teve um filho, Manuel, nascido em
15.05.93.
Olívia de uma ligação com Isidoro deu à luz, em 14.12.1988, dois filhos, Pedro e Rui.
Em 18.03.1992, Isidoro e os filhos faleceram num acidente de viação que também
vitimou Guilherme e Helena.

Sabendo que, em 04.04.1989, Isidoro doara 5.000 contos a seu irmão, 10.000 contos
a seu pai e que à data da morte tinha um património avaliado em 20.000 contos,
proceda à partilha da herança aberta por óbito de Isidoro.

11

António, filho de Octávio, é casado com Belmira e tem reputação de grande


aventureiro, é dado como desaparecido durante uma expedição em África em que
participava com o seu irmão Nuno.
Em relação a ambos é declarada a morte presumida.
Além dos sujeitos referidos sobreviveram a António:
• O seu irmão Diogo, casado com Manuela, de quem tem um filho, Inácio.
• O seu outro irmão Carlos, casado com Eduarda e os filhos destes,
Fernando e Gonçalo;
• E os filhos de Heitor, João e Luis.
• Heitor, pai destes últimos e irmão de Fernando e Gonçalo, faleceu antes de
António.
• Octávio também não sobreviveu a António.
Vem a verificar-se que António fizera testamento em que, onde dispunha o seguinte:
• «Por minha morte, o Gonçalo é herdeiro de uma
quota de 1/8 do meu património, com o encargo
de, por morte, a transmitir a Inácio;
• Atribuo ainda, ao Fernando o meu automóvel, no
valor correspondente a 1/32 do meu património.»

38
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

1. Como defere a sucessão de António, atendendo que:


a) Diogo morre sem ter aceite ou repudiado a herança, que porventura
lhe caberia de António;
b) Manuela repudia a herança de Diogo;
c) Carlos repudia a herança de António;
d) Fernando tentou, comprovadamente, impedir António de alterar o
testamento que o beneficia; e
e) Todos os demais aceitam as deixas de que beneficiem.
2. Qual a medida em que sucede cada um dos sucessíveis que beneficia de
vocação?

12

Abel ,quando faleceu, tinha vivos os seguintes parentes:


• um tio solteiro Zacarias, irmão do seu falecido pai;
• dois irmãos germanos: Bento, casado com Claúdia e Dario, casado com
Eugénia;
• dois irmãos consanguíneos Gabriel, casado com Hermínia e Ilídio, solteiro;
• um irmão uterino, José, solteiro, que todavia faleceu minutos depois dele,
sem ter aceitado ou repudiado a herança;
• dois sobrinhos solteiros e sem filhos: Francisco, filho de Dario e Eugénia, e
Leonel, filho de José; e
• dois primos Mário e Norberto, filhos de um seu tio, Ulisses, já falecido.
Nenhum dos personagens referidos tem outros familiares vivos.
Quando António faleceu tinha unicamente 1.800 contos.
Gabriel, Ilídio, Bento e Daniel repudiaram a herança.

Proceda à partilha da herança de António.

39
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

13

Heitor e é casado com Leocádia e tem dois irmãos: Ícaro e Guilherme.


Do seu casamento com Leocádia, Heitor tem três filhos: Otelo, Micaela,
Nabocodonosor.
Seu irmão Ícaro tem um único filho Josué.
Micaela é causada com Palmiro de quem tem um filho Ramiro.
Em cumplicidade com Nabocodonosor, Guilherme premeditou matar Heitor. O que
veio a concretizar.
À data da morte de Heitor, revela-se ter este feito testamento em que além de
expressamente perdoar todas as pequenas e grandes faltas que os seus filhos contra si
cometeram ao longo da sua vida, nomeia legatários da sua colecção de selos o primeiro
filho que Otelo venha a ter.
Esta deixa é feita à custa da quota disponível de Heitor.

Vem a registar-se que quando Heitor morre:


1. Otelo encontra-se desaparecido havia já um ano, sem que a sua morte tivesse sido
declarada.
Prova-se depois que Otelo morreu seis meses depois de Heitor deixando um filho a
quem chamou Severiano.
2. Micaela não aceitou nem repudiou a quota que lhe pertencia da herança de Heitor.
3. Nabocodonosor já entrara na posse de bens suficientes para integrar o quinhão
hereditário.
4. Todos os não mencionados expressamente e só estes sobreviveram a Heitor.

Como defere a sucessão de Heitor?

40
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

14

António e seu filho Bento, em viagem de avião para os Açores, desapareceram durante
o trajecto sem deixar rasto.
Ao tempo do acidente o único familiar vivo de António, além de Bento, era o seu
irmão Carlos que tem um filho Eduardo e é casado com Francisca.
Bento era casado com Diana, não tendo filhos.

1. Quem beneficia da sucessão de António?


2. Se Carlos não aceitar nem repudiar a herança de António quem beneficia dessa
sucessão, e em que condições?

15

António e Bibiana, tiveram três filhos: Cícero, Daniela, e Emílio.


Cícero e Daniela mantiveram-se solteiros e sem filhos. Emílio casou com Fernanda,
tendo nascido deste casamento Gustavo - que se manteve solteiro e sem filhos - e
Helder, que casou, com Isadora, vindo dela a ter três filhos: Joaquim, Liliana e
Miguel.
Liliana e Joaquim mantiveram-se solteiros e Miguel casou com Natércia, da qual teve
quatro gémeos: Orlando, Olivia, Oscar e Olinda.
Não existem outros parentes ou afins.

1. Natércia morre mantendo-se vivas todas as pessoas referidas na hipótese.


Em testamento deixa a sua quota disponível a sua filha Olívia.
A herança é de 90 mil contos.
Proceda à partilha.
2. Helder morre depois de terem falecido os seus pais, avós, filhos e netos.
Em testamento instituí e seu único irmão como herdeiro universal.

41
HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- DIREITO DAS SUCESSÕES -

A herança de Helder é de 30 mil contos.


Proceda à partilha.
3. Emílio morre, no estado de viúvo, continuando vivas todas as restantes pessoas
da família, com excepção do seu filho Gustavo.
Em Testamento deixou 70.000 contos a sua bisneta Olívia.
Feitas todas as deduções a herança é de 90.000 contos.
Proceda à partilha de património de Emílio.
4. Natércia morre no estado de viúva, continuando vivas todas as restantes pessoas
da família.
Em testamento deixou 50.000 contos a sua afilhada Rosa. Feitas todas as deduções,
a sua herança é de 90.000 contos.
Proceda à partilha do património de Natércia.

42
EXAMES FINAIS

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- EXAMES FINAIS -

Ariosto e Bárbara, tendo 20 anos de idade, casaram, em primeiras núpcias de ambos em


02.02.1949 e no dia 01.01.1950 nasceram, deste casamento, três filhas Cloé, Dulcídia, e
Eufémia, que em 03.03.1964, casaram respectivamente, com Felismundo, Gumerzindo e
Hugolino, também irmãos gémeos, nascidos em 01.01.1948 e em primeiras núpcias de
todos eles.
Em 04.05.1965, a Cloé deu à luz duas filhas: Isolinda e Jazelina.
Em 01.01.1978, Cloé e Felismundo adoptaram plenamente Aarão, nascido em
20.08.1968.
Em 06.07.1966, a Dulcídia deu à luz três filhos: Ludovico, Mabílio e Narcisa.
Orlandina, solteira, de 20 anos de idade, filha de pais desconhecidos e secretária de
Felismundo deu à luz, em 01.01.1978, Penélope, que Hugolino logo perfilhou e, em
01.01.1979, Quitéria que foi registada na Conservatória do Registo Civil de Oeiras só com
o nome da mãe.
As pessoas que em Oeiras, localidade onde viviam todos os personagens referidos nesta
hipótese, conheciam estes, consideravam Quitéria como sendo filha de Felismundo e a
generalidade dos familiares deste também assim o entendiam. O próprio Felismundo
conquanto nunca tivesse expressamente referido que se considerava ou não como pai da
Quitéria, a quem sempre se referia como a minha menina, cuidou da mãe desta enquanto
se encontrava grávida, pagou as despesas da Casa de Saúde onde ela nasceu e até à hora da
sua morte - que ocorreu no dia 03.03.1981 - sempre a protegeu, pagando a renda da casa
onde vivia com a mãe a quem ainda dava mensalmente 50.000$00 para as suas despesas de
alimentação e vestuário.
Isolinda casou em 06.06.1981 com Rolando, solteiro de 30 anos de idade, filho de pais
desconhecidos e logo em 30.09.1981 deu à luz Salomão.
Narcisa, 19.09.1980, deu à luz Tobias, que foi registado na Conservatória do Registo Civil
de Oeiras só com o nome da mãe, mas era voz corrente que ele era também filho de
Mabílio.
Ludovico viveu como se casado fosse com Úrsula - casada com Vespasiano, que tendo
emigrado para a Austrália em 1980, dava noticias, mas nunca mais viera a Portugal - desde
Agosto de 1984 até que morreu em 01.01.1990. Durante este período Úrsula deu à luz
Xerxes, em 02.05.1086 e Zebedeu, em 02.06.1988, que foram registados como seus filhos
e de Vespasiano.
Isolinda a partir de Janeiro de 1982, tornou-se uma assídua companheira de Hugolino, que
enviuvara em Dezembro de 1981, acompanhando-o com exclusividade em lugares públicos
e com ele viajando para locais desconhecidos, fazendo assim crer à generalidade das
pessoas que viola o seu dever de fidelidade. Esta situação, que o Rolando tinha perfeito
conhecimento, manteve-se até que o Hugolino faleceu em 01.01.1986.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- EXAMES FINAIS -

Gumerzindo de Janeiro de 1979 até Julho do mesmo ano esteve ausente do lar conjugal
nunca tendo aparecido à mulher apesar de ter ido viver para um apartamento situado a 500
metros daquele e nunca lhe prestando durante esse período qualquer auxílio, conquanto
Dulcídia tivesse feito diversas tentativas para lhe falar.
Sem conhecimento do marido, Eufémia, em Janeiro de 1978, procurou um médico que a
inseminou artificialmente, tendo dado à luz, no dia 02.09.1978, Caim, que foi registado
como seu filho e do Hugolino.

1. A conduta de Gumerzindo preenche objectivamente a violação de qualquer dever


conjugal?

2. Com base nos factos relatados em Janeiro de 1982, Rolando podia intentar uma
acção de separação de pessoas e bens contra Isolinda?

3. Com base nos factos relatados, Hugolino, que só em Maio de 1979, teve
conhecimento que Caim nascera duma inseminação artificial da mulher, tinha
algum fundamento para intentar uma acção de divórcio contra Eufémia?

4. Hugolino, depois de ter conhecimento em Maio de 1979 que Caim nascera duma
inseminação artificial da mulher, podia impugnar, com esse fundamento a sua
paternidade jurídica em relação a este, em Abril de 1982?

5. Os casamentos de Cloé, Dulcídia e Eufémia com Felizmundo, Gumerzindo e


Hugolino, tendo em atenção só os factos relatados foi contraído com algum
impedimento?

6. O Ministério Público podia, em representação do Estado, intentar uma acção


oficiosa de investigação da paternidade de Tobias?

7. Úrsula, em Janeiro de 1989, podia intentar, em seu nome, uma acção para
impugnar a paternidade de Vespasiano em relação a Xerxes e Zebedeu?

8. Admitindo que a paternidade presumida do Vespasiano fosse impugnada com


ganho de causa, algo na hipótese lhe permite concluir que havia fortes

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- EXAMES FINAIS -

probabilidades de numa acção de investigação, intentada contra Ludovico, este


viesse a ser considerado como pai de Xerxes e de Zebedeu?

9. Algo na hipótese lhe permite concluir que havia fortes probabilidades de, numa
acção de investigação de paternidade, Felismundo vir a ser considerado pai de
Quitéria?

Para tanto, contra quem devia ser intentada, em 04.03.1985, essa acção?

10. Suponhamos que Quitéria se encontra registada como filha de Orlandina e de


Felismundo, que Caim continua registado como filho de Eufémia e de Hugolino e
que Tobias se encontra registado como filho de Narcisa e de Mabílio.

Suponhamos mais que, para além de todos os factos relatados na hipótese, Bárbara e
Dulcídia já tinham falecido, quando, num acidente de aviação ocorrido em Janeiro
de 1992, morrem Ariosto e Cloé, não sendo possível determinar quem faleceu
primeiro.

Suponhamos mais, finalmente, que Ariosto tinha um património que valia 60.000
contos e morreu sem testamento ou outra disposição de última vontade e que Cloé
tinha um património pessoal de 900.000 contos e deixou um testamento no qual
deixava 500.000 contos à Santa Casa da Misericórdia para obras de caridade.

Proceda à partilha dos dois patrimónios em causa.

11. Suponhamos que Quitéria se encontra registada como filha de Orlandina e de


Felismundo, que Caim continua registado como filho de Eufémia e de Hugolino e
que Tobias se encontra registado como filho de Narcisa e de Mabílio.

Suponhamos mais, que já depois de falecidos todos os personagens que na hipótese


foram dados como mortos e também Bárbara, Dulcídia, Ariosto, e Isolinda, veio a
falecer, em Março de 1992, Jazelina, que deixou um património no valor de
1.000.000 de contos e um testamento no qual deixava 400.000 contos a Tobias, seu

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- EXAMES FINAIS -

afilhado, e 200.000 contos ao Dr. Escolápio, seu médico assistente até à hora da sua
morte.

Proceda à partilha do seu património.

12. Suponhamos que Quitéria se encontra registada como filha de Orlandina e de


Felismundo, que Caim continua registado como filho de Eufémia e de Hugolino e
que Tobias se encontra registado como filho de Narcisa e de Mabílio.

Suponhamos mais, que já depois de falecidos todos os personagens que na hipótese


foram dados como mortos e também Bárbara, Dulcídia, Ariosto, e Isolinda, veio a
falecer, sem testamento ou qualquer outra disposição de última vontade, Quitéria
que deixou um património de 3.000 contos.

Proceda à partilha do seu património.

Acácio e Benilde, casaram em 1930 e tiveram dois filhos: Catão e Dalila, nascidos em
20.11.1931.
Catão casou com Glória, em 20.04.1961, e deste casamento nasceram dois filhos: Helena
e Irene em 20.04.1962.
Duma sua ligação adulterina com Josefa, Catão teve mais dois filhos nascidos em
12.04.1979: Leonel e Maria.
Glória, tendo enviuvado em 1980, casou com Norberto, em 13.12.1981, tendo deste
casamento nascido, em 04.08.1982, Octávio.
Dalila, em 18.04.1960, passou a viver maritalmente com Pedro, tendo, em 18.05.1960,
dado à luz Quintino e em 19.06.1962 Renato.
Helena casou com Sabino, em 11.12.1980, tendo deste casamento nascido Teodoro, em
24.01.1981, e Ulisses, em 20.03.1982.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- EXAMES FINAIS -

Irene duma sua ligação com Catão teve uma filha Verónica, nascida em 20.08.1976, que
foi registada somente com o nome da mãe, e em 11.02.1979 casou, segundo o regime da
separação de bens, com Xerxes, de quem teve um filho Zusarte, nascido em 14.04.1980.
Quintino casou, segundo o regime da separação de bens, em 20.01.1983, com Ester tendo
deste casamento nascido em 20.02.1984, Francisca e Filomena e em 20.02.1985, Fedra e
Florival.

1. Teodoro goza da presunção pater is est quem nuptiae demonstrand?

2. Na hipótese de a lei permitir que Teodoro seja considerado filho de Sabino, como
pode este fazer cessar tal presunção?

3. O Ministério Público pode intentar contra Catão uma acção oficiosa para
investigação da paternidade de Verónica?

4. Logo que Verónica foi registada o Conservador do Registo Civil, apesar de lhe
terem dito que o pai era Catão, devia ou não fazer remessa de uma certidão
integral do registo de nascimento ao agente do Ministério Público do tribunal
competente?

5. Verónica podia intentar uma acção de investigação da paternidade contra Catão,


em Janeiro de 1977?

6. Na hipótese de ter respondido afirmativamente à pergunta anterior, tal acção


podia ser intentada pela Irene?

7. Pedro podia, em 20.02.1961, ter perfilhado Renato, considerando que a gestação


deste foi normal?

8. Pedro podia, em 16.03.1960, ter perfilhado Quintino, considerando que a gestação


deste foi normal?

9. Ulisses, registado como filho de Sabino e de Helena, podia impugnar a paternidade


daquele?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- EXAMES FINAIS -

10. Na hipótese de ter respondido afirmativamente à pergunta anterior, contra


quem teria que ser proposta tal acção?

11. Proceda à partilha do património de Quintino, pressupondo que ele faleceu em


14.04.1991 e, ainda:

• que, no momento da sua morte tinha de seu apenas 40.000 contos em


dinheiro;

• que em 14.04.1985 fizera uma doação a Francisca no valor actual de 5.000


contos, sem dispensa de colação;

• que em 17.05.1988 fizera uma doação a Fedra no valor actual de 5.000


contos, com dispensa de colação;

• que em testamento deixara a Ester 20.000 contos; e

• que deixou uma dívida de 20.000 contos.

12. Já depois de terem falecido Acácio, Benilde, Catão, Glória, Sabino, Teodoro,
Ulisses e Irene, morreu Helena em 17.05.1991, a qual:

• deixou 50.000 contos em dinheiro; e

• num testamento deixou 20.000 contos a Florival.

Proceda à partilha do património de Helena.

13. Irene e Zusarte faleceram num acidente de aviação e não foi possível
determinar quem faleceu primeiro.

Supondo que todos os restantes personagens estavam vivos, proceda à partilha dos
bens de Irene e de Zusarte, tendo em atenção que:

• Irene tinha um património que no momento da sua morte valia 30.000


contos;

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- EXAMES FINAIS -

• Zusarte tinha um património que no momento da sua morte valia 20.000


contos; e

• que Irene num testamento deixara 15.000 contos a Fedra.

Abel e Berta, ambos solteiros e nascidos no ano de 1961, casaram em 01.04.1977.


Em 03.07.1977, Berta deu à luz uma filha Carla.
Em 10.01.1979, Berta deu à luz um filho Daniel.
Em 10.02.1979, nasceu de Eugénia, solteira, irmã de Abel, nascida em 10.01.1963,
Francisco.
Em 13.06.1980 faleceu Abel.
Em 13.04.1981, Berta casou com Eugénio, nascido em 10.05.1948, solteiro, mas pai de
dois filhos -Gabriel e Hermínio, gémeos, nascidos em 14.04.1982- que foram por si
perfilhados em 15.08.1982, conquanto do assento de nascimento não conste o nome da
mãe.
Em 16.04.1981,Berta deu à luz um filho Ilídio.
Em 20.03.1983, Berta deu à luz uma filha João.
Em 20.05.1984, Eugénio faleceu.
Em 12.02.1985, Berta casou com Luís.
Em 20.02.1985, Berta deu à luz um filho Manuel.
Em 25.04.1986, na terra onde ambos vivem, Berta, médica, chamou ao Luís, advogado,
quando este se encontrava a falar com dois clientes no átrio do tribunal, filho da puta e
seguidamente mandou-o para a puta que o pariu e isto porque ele não quis acompanhá-la
nesse dia a uma loja para comprarem uma mobília de quarto para o Manuel.

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS
SUCESSÕES

- EXAMES FINAIS -

Berta e Luís têm uma próspera situação económica e uma óptima posição social no meio
em que vivem e exercem as suas profissões.

1. Abel, pode ou não evitar que do assento de nascimento da Carla conste que é ele o
seu pai?

2. Registado Daniel logo dois dias depois do seu nascimento, pode ou não evitar-se que
do seu assento de nascimento conste que ele não é filho de Abel?

3. Eugénia em 20.03.1979 podia intentar, em representação do filho Francisco, uma


acção de investigação da paternidade contra Abel a quem atribui a paternidade
biológica daquele?

4. Considerando que nos termos do artº. 1800.º do C.C. se provou que o período de
gestação de Ilídio foi de 310 dias, a paternidade deste deve ser atribuída, de acordo
com a presunção de paternidade pater is est quem nuptiae demonstrant, a Abel ou a
Eugénio?

5. De acordo com a presunção de paternidade pater is est quem nuptiae demonstrant, a


paternidade de Manuel deve ser atribuída a Eugénio ou a Luís?

6. Admitindo que Norberta, casada com Octávio desde 10.05.1980, quisesse em


20.02.1983 que constasse do registo de nascimento de Gabriel e Hermínio que era sua
mãe, que procedimento deveria adoptar?

7. Luís com base nos factos ocorridos em 25.04.1986, podia intentar uma acção de
divórcio contra Berta e obter ganho de causa?

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HIPÓTESES PRÁTICAS DE DIREITO DA FAMÍLIA E DAS SUCESSÕES

ÍNDICE

DIREITO MATRIMONIAL..................................................................................................................................2
ADMINISTRAÇÃO DE BENS..................................................................................................................11
DIVÓRCIO............................................................................................................................................................18

FILIAÇÃO.............................................................................................................................................................22

DIREITO DAS SUCESSÕES..............................................................................................................................29

EXAMES FINAIS.................................................................................................................................................43

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