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O ESTADO DE BARUÉ

Disciplina: HISTÓRIA DE MOÇAMBIQUE SÉC. XVI-XVIII

DISCENTE: Hipólito Estêvão Lourenço

TUTOR: Mestre, Nelson Tivane

INTRODUÇÃO

O presente ensaio tem como tema: O Estado de Barué. Para elaboração do ensaio, estabeleceu
como objectivo geral: Compreender o Estado de Barué; Específicos: Localizar
geograficamente o estado de Barué; Descrever o seu surgimento e desenvolvimento; Explicar
a aliança politica e ideológica; Apresentar a divisão interna do Estado; Caracterizar a
decadência do estado e por fim Analisar a revolta de Barué.

Barué foi produto da desagregação do Estado de Muenemutapa. Um dos eventos mais


marcantes da historia deste mesmo estado, foi a revolta de Barué. Calcula-se que na «revolta
do Báruè» de 1917 foram utilizados pelos Portugueses cerca de 30 mil voluntários do antigo
Império de Gaza, englobados com salários mensais e promessas de saque em gado, mulheres
e crianças. A vitória dos Portugueses foi ainda possível pelo tipo de espingardas que os nossos
antepassados empregaram e pela inexistência de artilharia. Havia, decerto, muitas
espingardas, introduzidas e comercializadas especialmente a partir de meados do século
XVIII, quando a escravatura se tornou mais intensa e o princípio dos negreiros consistia em
fornecer armas para os chefes locais capturarem escravos. Alguns nobres africanos puderam,
mesmo, mandar fabricá-las. Assim, segundo Isaacman, Hanga, príncipe herdeiro do Báruè,
possuía nos primórdios deste século pequenas fábricas de espingardas e munições em
Mungári e Missongue, onde igualmente se fabricaram mechas, iluminantes e balas de canhão.
1. O Estado de Báruè
1.1. Localização

VAN-DOKKUM (2015: 354), situa o Estado de Báruè, referindo que o mesmo era limitado a
norte pelo rio Luenha, a sul pelo rio Púnguè, a leste por uma grande linha que define os
prazos como: Massangano, Tambara e Gorongoza, e a oeste pela fronteira com a então
Rodésia, hoje Zimbabwe. Em seu estudo, SERRA (1983: 23), concorda com a mesm situacao
geográfica porem, acrescenta dados cartograficamente específicos, ao reiterar que o
comprimento máximo do Estado de Báruè, medido de Luenha a Púnguè, era de
aproximadamente 370 quilómetros.

1.2. Surgimento e desenvolvimento do Estado de Báruè

Segundo VAN-DOKKUM (2015: 354), em 1895 as operações vitoriosas sobre o Império dos
Vátuas no sul levaram a uma nova remodelação na administração militar portuguesa. No
mesmo período, criou-se o distrito militar de Tete, o qual continha os antigos distritos da
Zambézia, Tete e Zumbo, bem como o Barué, territórios que pertenciam à companhia de
Moçambique. No sul, para o distrito de Gaza, foi nomeado chefe Mouzinho de Albuquerque.

Para acrescentar, SERRA (2000:132), reitera que, Barué foi produto da desagregação do
Estado de Muenemutapa, reino bastante poderoso, conseguiu resistir à devastação Nguni e às
disputas com os Estados Militares vizinhos, apesar de constantes e sucessivas crises de
sucessão. Em suas analises, PELISSIER (1994: 49), sublinha que Bárué era impróprio para
qualquer exploração agrícola comercial, a cerca era ainda, em 1902, o único produto
negociado pelos Baruítas, juntamente com algum marfim de elefante e ouro de aluvião.

Com isso, pode-se concluir que Báruè era uma simples circunscrição directamente
administrada pelo estado português, cujas actividades se limitavam à cobrança de
impostos, mussoco, em língua local. Não foi, portanto, sob o impulso de um expansionismo
essencialmente financeiro que os portugueses agiram, as suas preocupações eram, antes de
tudo, políticas, pois, conforme sustenta VAN-DOKKUM (2015: 354), não podiam continuar
a tolerar junto de uma fronteira internacional, um estado independente que não só recolhia,
ajudava e estimulava tudo quanto na Zambézia meridional havia de “rebelde”, como também
se gabava de ser invencível. Essa suposta invencibilidade funda-se nas vitórias Baruitas e
seus aliados contra João de Azevedo Coutinho em 19 de Novembro de 1891 e Manuel
António de Sousa à 20 de Janeiro de 1892. O ter-se desembaraçado sucessivamente dos dois
(2) mais temíveis homens de guerra que os portugueses dispunham denotava, aos olhos dos
africanos, uma industrutibilidade do Báruè que não podia deixar de ser sobrenatural.

1.2. Á aliança política e ideológica

O Makombe sem muita clareza quanto à ordem de sucessão, fala-se de figuras que foram ou
se auto-intitulavam Makombe, como são os casos de Makombe: Chipitura, Kavunda,
Nongwe-Nongwe, Makosa entre outros. Na realidade alguns destes nomes podiam ter sido
simples chefes regionais vassalos do verdadeiro Makombe que aproveitando-se do momento
de crise “morte, e período de disputa de sucessão” ou como resultado de sublevações, auto-
nomearam-se de Makombe para legitimar o seu poder e serem aceites pela comunidade. O
culto dos espíritos chonas, era inseparável de toda e qualquer política anti-europeia. A cauda
mágica “o rabo de guerra” tão frequente nos conflitos Zambezianos, está bem patente no
Báruè (RIVIÈRE, 1995: 54).

Uma das particularidades do Makombe Kanga é ser-lhe atribuída a herança de u,m médium
designado Swikiro, um dos principais espíritos dos antepassados “Kabudo Kgoro”. Essa
cauda de animal tinha fama de possuir o poder de transformar as balas inimigas em água,
crença que foi a perdição de dezenas ou centenas de milhares de africanos até aos nossos dias
mas que suficientemente espalhada para, a princípio, paralisar o avanço dos Achicundas
alistados pelos portugueses: enquanto se não requisitou um médium anti-báruè cujas as
profecias foram depois utilizadas com conhecimento de causa.(idem)

1.3. Divisão interna do Estado

Para NEWITT (1997: 142), após a consolidação do Estado nos actuais distritos de Guro,
Báruè e Makossa foi organizada uma campanha de submissão de outros povos ao estado.
Como evidência, tem-se o facto de os nhangulos serem considerados donos da terra, de
acordo com o relato do académico Domingos Artur. Com efeito, Makombe chegou a controlar
a região que vai de Gorongosa aactual fronteira com o Zimbabwe, de Tambara, Mungari,
Chemba, a norte, ao rio Púnguè, a sul. Ora, estas conquistas foram impulsionadas
pelos mhondoros (Leões de Guerra). Até finais do Século XVII, os Makombe possuíam o
estatuto de uma unidade política independente do Mwenemutapa. Entretanto, apesar desta
situação, a maior fraqueza do Báruè consistia em ele estar dividido há anos, e, se bem que os
dois dirigentes que o disputavam se tivessem unido perante o perigo comum, anos e anos de
ódio e guerras intestinais não podiam ser apagados brandindo a cauda de um animal mesmo
que fosse magia.

Por seu turno, RIVIÈRE (1995: 134), sublinha que, Makombe Kanga viveu um clima de
independência e tranquilidade do “seu” Báruè, de pouco menos de 10 anos, antes que o seu
poder fosse contestado pelo seu irmão mais velho Samakande. Na verdade, Samakande era
instigado e auxiliado por George Taylor um Rodesiano aventureiro de origem norte
americana, como corolário Makombe Kanga foi forçado ao exílio, o que permitiu a seu irmão
mais velho Samakande tomar o trono em 1894. Ao que parece, Taylor era algo controverso:
para além de ter sido genro e Primeiro-Ministro de Samakande, George Taylao desempenhou
a função de representante da Companhia de Moçambique no Báruè e, a certa altura, foi
colector de impostos para a B.S.A.C (Britsh South Africa Company), entretanto, a subida de
Samakande foi como o sol de pouca duração, pois, na ausência do seu genro Taylor (que
nunca mais voltou), e aproveitando-se da sua impopularidade, o seu irmão Kanga destronou-
o com ajuda de dissidentes.

É neste ambiente de caos que Chipituira encontra a morte, e sobe em seu lugar Kassiche,
outro chefe não menos “escovista” dos prtugueses. O seu compromentimento com estes
europeus era tal que (aceitou devolver aos portugueses a sua parte do Báruè). A demais,
Kassiche enviara para Lisboa dois dos seus grandes para pegar pé “fazer acto de fidelidade ao
rei”. Em 1900 Kassiche recebeu a missão do Tenente Coronel Arnolde e, enviado pela
companhia a partir da Rodésia, aceitou e concedeu a sua parte do Báruè aos portugueses.
Saindo Kassiche, assume o trono um homem designado Cavunda, este era tão intransigente
como o seu homólogo e rival Kanga, teve de renunciar aos abastecimentos de armas e
munições portugueses e, Kanga ao vê-lo, intensificou os ataques e parece ter levado a melhor
a Cavunda numa série de batalhas travadas em 1901. No entanto Cavunda tinha em lelevado
conceito o papel Makombe. Quando os portugueses lhes propuseram a reconstituição do seu
arsenal, respondeu que: “as quarelas entre ele e Kanga eram assuntos internos, que eram
ambos da mesma raça e pertenciam ao mesmo povo e quem quer atacasse um deles teria de
enfrentar também o outro”. De facto, Cavunda manteve o prometido e enviou homens seus
para combater em Inhachirondo/Missongue ao lado de Kanga (Idem).

Em linhas gerais, pode-se perceber que, devido a estas pretensões, surgiram rivalidades entre
os dois ramos reais do Báruè, que impediram a constituição de uma sólida frente. Nongue-
Nongue, que tinha estado sempre em Báruè e tinha regressado do exílio, dominava, a partir de
Mungari, o centro do antigo reino. Mas, mais a sul, na Gorongosa, levava-lhe a melhor outro
Makombe, seu primo Macossa. Ambos se diziam Makombes de direito e esperavam a derrota
do outro para reinar em todo Báruè. Foi necessário o impulso religioso de Mbuya – principal
médium (Swikiro) de espírito nacional (M’pondoro) de Báruè, o Kabudu Kagolo. Mbuya
fustigava ambos pretendentes e convidava-os a pegarem em armas para defenderem o seu
povo. E depois eram as mulheres, mais do que os homens, que suportavam, cada vez menos,
os abusos dos colonos, depois de serem espancadas, violadas e sujeitas a passar fome.

Segundo VAN-DOKKUM (2015: 354), as mulheres tinham que realizar a parte essencial dos
trabalhos agrícolas e/ ou de construção das vias. E Nongue-Nongue aproveitou a oportunidade
para obter o apoio do médium para a sua causa, declarando-se disposto a seguir os vaticínios
de M’buya e a rebelar-se contra os portugueses. Por isso, Nongue-Nongue popularizou o
descontentamento geral e atraiu para junto de si muitos chefes importantes, entre eles
partidários de Macossa. E este, ao sentir que os ventos favoreciam a militância, também
mudou de atitude, mas conservando uma certa autonomia a fim de defender o seu futuro. Para
evitar a repetição da derrota de 1902, Nongue-Nongue procurou unificar todas as tendências
anti-portuguesas de Sena a Zumbo, de ambos os lados do Zambeze ou mesmo até Beira. É
preciso reconhecer que Báruè, apesar de estar dividido, consegui reunir em seu redor aliados
africanos por não poder jogar a carta das rivalidades entre as potências europeias, o Báruè
transformou-se depois de 1892, no símbolo da resistência anti-portuguesa na Zambézia
meridional.

1.4. Decadência

Segundo SERRA (1983: 153) as operações militares levadas a cabo pelos portugueses nesta
região tinham como objectivo restabelecer a autoridade perdida após a morte, do Capitão-
Mor Manuel António de Sousa, que era considerado o senhor do Barué. Com a sua morte
esta região ficou insubmissa. Os portugueses tinham uma tendência para ver a mão de Kanga
onde quer que fosse contestado. Em resumo: precisavam de acabar com ele, e para isso nem
sequer seria preciso um casus belli, Kanga incomodava e tinha, portanto, de ser destruído. E
mais ainda porque Báruè constituía uma perigosa ameaça, dado que as vastas populações que
residiam no território da Companhia de Moçambique mal respeitavam o prestígio do governo
português e não tinham receio do seu fraco exército.

Com o passar do tempo, a população indígena tornava-se mais renitente no pagamento dos
“impostos” e no fornecimento do trabalho forçado, considerado a situação do Báruè muito
mais desejável. Compreendendo o perigo que Báruè representava, a coroa portuguesa
recomendou sem qualquer sucesso, à Companhia de Moçambique, que cumprisse as suas
obrigações de pacificar a região. Face ao crescimento progressivo do poderio de Báruè que,
pesar de agudas crises de sucessão, já havia conseguido forjar alianças, Portugal decidiu
intervir.

Foi assim que João de Azevedo Coutinho elaborou um plano perfeito contra as duas aringas
rivais Inhachirondo onde vivia Kanga e Mungari onde residia o Cavunda, Coutinho pretendia
matar dois coelhos de uma só cajadada. Em 29 de Julho de 1902 as forças portuguesas
invadiram o Báruè. Após uma prolongada resistência, as unidades militares de Báruè,
comandados por oficiais corajosos como: Mafunda, Cambuemba, Cabendere e outros, foram
subugados ao fim de 1902, estes ataques foram tão fortes que nem o Rabo de Guerra
conseguia transformar as balas dos portugueses em água.

Para SERRA (2000: 118), Administrativamente, o distrito da Zambézia fora, mais uma vez,
dividido: Tete deixava, a partir de 1902, de depender de Quelimane. Não tendo a Companhia
de Moçambique querido ou pedido pagar as despesas da campanha, ficou o terreno de Báruè
na posse do Estado até em 1902, mas só daria por isso quinze anos depois, e com dor. A
vitória portuguesa deveu-se ao elevado número de reforços recebidos com os recrutamentos
feitos em Angola, Inhambane, Lourenço Marques e norte de Moçambique, deveu-se ainda,
ao facto de ter beneficiado de inovações tecnológicas no armamento, com o uso de
metralhadoras e artilharia, alguns erros tácticos e deserções contribuíram igualmente para a
derrota.

1.5. A revolta Báruè

SERRA (1983: 157) começa por definir a Revolta de Báruè, referindo que foi uma rebelião
pan-étnica que reuniu momentaneamente grupos tradicionalmente hostis (Báruè e
Monomutapa) aos seus antigos feudatários mais ao menos perdidos (Tongas, Gorongosa), e
por vezes seus inimigos (Chicundas e descendentes de alguns senhores dos prasos). Esta
revolta iniciou a 27 de Março de 1917, quando Chemba, Tambara e Chiramba foram atacados
e, paralelamente, os camponeses de Sena e Tonga se sublevaram. Em Abril, os portugueses
foram expulsos de Massangano, Cheringoma, Gorongosa e Inhaminga e instalaram-se na
Companhia de Moçambique. Os báruè cercaram Tete e Zumbo, estimulando outros povos
ainda oprimidos, sobretudo os do sul, a lutarem contra os invasores.

Para contextualizar o evento, VAN-DOKKUM (2015: 359), faz um recuo temporal e afirma
que, tudo começou em 1914, quando o governo português decidiu mandar construir uma
estrada ligando Tete e Macequece, passando por terras de Báruè, que permitisse um maior
controlo administrativo das zonas do interior e, igualmente um recrutamento mais fácil de
homens para lutarem contra os alemães que haviam penetrado em Moçambique pelo norte
vindos da Tanzânia no decorrer da primeira guerra mundial. Embora os Portugueses
afirmassem que a «revolta do Báruè» terminara no mesmo ano em que tivera início (1917) o
certo é que, segundo Isaacman, uma pequena força de resistentes atacou periodicamente bases
inimigas até 1920, nos derradeiros momentos de luta armada pré-FRELIMO do dito "Povo
moçambicano".

A situação agravou-se quando o governo português decidiu recrutar cinco mil soldados e
carregadores para a guerra contra os alemães. Face as dificuldades encontradas no
recrutamento devido à resistência da população as autoridade coloniais ordenaram o
recrutamento forçado para o exército de todos homens considerados capazes. Do lado dos
Baruitas, o mundo da magia entrou igualmente em 1917 no arsenal militar do levante do
Báruè: grande consumo de raízes e utilização de feitiços de guerra fizeram os que lutaram
contra os Portugueses, acreditando que, com o seu uso, poderiam transformar em água as
balas disparadas pelas espingardas do inimigo.(idem)
Para NEWITT (1997: 162), a revolta barruita, insere se dentro de um conjunto de acções com

vista a evitar o declínio do estado. retrospectivamente, a crescente opressão dos barruitas com
elevadíssimos impostos, o recrutamento de jovens para forçadamente trabalhar na construção
da estrada Tete Macequece, o recrutamento de jovens para formar um exercito que tinha como
missão combater os alemães que atacavam pelo norte, estes e os de mais estiveram na origem
da revolta de barue no ano de 1917\8 . A derrota de barue deveu-se a entre outros o clima de
instabilidade interna, não obstante se tenham as duas facções unido para fazer frente as
tentativas de ocupação e domínio português. De salientar que no decorrer da «revolta do
Báruè» os guerreiros empregaram palavras-- senhas e tiras de pano vermelho amarradas à
cabeça para evitar a infiltração de inimigos nas fileiras.

Para terminar, é essencial sublinhar que calcula-se que na «revolta do Báruè» de 1917 foram
utilizados pelos Portugueses cerca de 30 mil voluntários do antigo Império de Gaza,
englobados com salários mensais e promessas de saque em gado, mulheres e crianças. A
vitória dos Portugueses foi ainda possível pelo tipo de espingardas que os nossos antepassados
empregaram e pela inexistência de artilharia. Havia, decerto, muitas espingardas, introduzidas
e comercializadas especialmente a partir de meados do século XVIII, quando a escravatura se
tornou mais intensa e o princípio dos negreiros consistia em fornecer armas para os chefes
locais capturarem escravos. Alguns nobres africanos puderam, mesmo, mandar fabricá-las.
Assim, segundo Isaacman, Hanga, príncipe herdeiro do Báruè, possuía nos primórdios deste
século pequenas fábricas de espingardas e munições em Mungári e Missongue, onde
igualmente se fabricaram mechas, iluminantes e balas de canhão.
Conclusão

Após a realização do ensaio, concluiu-se que a presença portuguesa na região do Zambeze


tanto como nas outras áreas incomodavam os nativos, visto que eles viam os seus direitos
alienados pelos portugueses. A luta não foi fácil, apesar de no inicio o êxito for totalmente dos
báruès, visto que a preparação da guerra passou despercebida dos portugueses devido o
conflito que eles travaram com os alemães no norte de Moçambique. Por volta de 1918-1920,
os portugueses tomaram o controlo do conflito e os macombes juntamente com os homens
refugiaram para a Rodésia do Sul, onde foram desarmados. A revolta de Báruè serviu como
impulso para os movimentos de resistência contemporâneos em prol da liberdade. E do ponto
de vista da soberania, eles anteciparam a sua reconquista e o triunfo do nacionalismo africano.

Por outro lado, calcula-se que na «revolta do Báruè» de 1917 foram utilizados pelos
Portugueses cerca de 30 mil voluntários do antigo Império de Gaza, englobados com salários
mensais e promessas de saque em gado, mulheres e crianças. A vitória dos Portugueses foi
ainda possível pelo tipo de espingardas que os nossos antepassados empregaram e pela
inexistência de artilharia. Havia, decerto, muitas espingardas, introduzidas e comercializadas
especialmente a partir de meados do século XVIII, quando a escravatura se tornou mais
intensa e o princípio dos negreiros consistia em fornecer armas para os chefes locais
capturarem escravos. Alguns nobres africanos puderam, mesmo, mandar fabricá-las. Assim,
segundo Isaacman, Hanga, príncipe herdeiro do Báruè, possuía nos primórdios deste século
pequenas fábricas de espingardas e munições em Mungári e Missongue, onde igualmente se
fabricaram mechas, iluminantes e balas de canhão.
Bibliografia
NEWITT, Malyn. História de Moçambique. Publicação Europa-América, 1997.
SERRA, Carlos. História de Moçambique. Agressão Imperialista-1886-1930; Livraria
Universitária da UEM. Maputo; 2000;
Para a Historia da Arte militar Moçambicana (1505-1920).Maputo:
Cadernos Tempo, 1983
PELISSIER, René. História de Moçambique - Formação e Oposição 1854-1918; II Volume;
Imprensa Universitária; Editorial Estampa; Portugal; 1994;
RIVIÈRE, Claude. Introdução à Antropologia, México: Hachette Livre. TINDALL, P.E.N.
(1968). History of Central Africa, London: Longman Group Ltd, 1995
VAN-DOKKUM, André. Politics, History and Conceptions of Democracy in Barue District,
Mozambique, VRIJE UNIVERSITEIT, 2015