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<P Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

CNBB

O Messias, Filho de Deus,


caminha à nossa frente

Roteiros Homiléticos
do Tempo Comum
Ano B

Da Festa da Santíssima Trindade ao 21º Domingo


À Páscoa de todo o dia no seguimento de Jesus,
Caminho da Verdade que nos conduz à Vida!

Projeto Nacional de Evangelização


/
Queremos Ver Jesus
7) Caminho, Verdade e Vida

ay

EB. PAULUS
1º edição — 2006

Capa: Ilustração de Dom Ruberval Monteiro, osb


(Mosteiro da Ressurreição — Ponta Grossa — PR)

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O Pia Sociedade Filhas de São Paulo — São Paulo, 2006
Apresentação

Dentro do Projeto Nacional de Evangelização “Queremos


Ver Jesus: Caminho, Verdade e Vida”, apresentamos a nova se-
quência de Roteiros Homiléticos que abrange o Tempo Comum
a partir da Santíssima Trindade (11 de junho) até o 21º Domingo
do Tempo Comum (27 de agosto de 2006).
Passadas as grandes festas pascais e também o 15º Congres-
so Eucarístico Nacional de Florianópolis, as comunidades dos(as)
discípulos(as) de Jesus seguem experimentando, na cotidianidade
da vida, a vivência e o testemunho do projeto de Jesus. É por
isso que insistimos em afirmar a importância do Tempo Comum
e sua espiritualidade no discipulado de Jesus.
Estamos diante de “um tempo importante, tão importante
que, sem ele, a celebração do mistério de Cristo e a sua progres-
siva assimilação pelos cristãos seriam reduzidas a episódios
isolados, em vez de impregnar toda a existência dos fiéis e das
comunidades. Somente quando se compreende que o Tempo
Comum é um tempo indispensável, o qual desenvolve o mistério
pascal de modo progressivo e profundo, pode-se dizer que se
conhece o ano litúrgico. Dar atenção unicamente aos “tempos
fortes” significa esquecer que o ano litúrgico consiste na cele-
bração, com sagrada lembrança no curso de um ano, de todo o
mistério de Cristo e da obra da salvação” (cf. J. López Martin,
L'anno liturgico, Ed. Paoline, p. 200).
Agradecemos de coração a Maria de Lourdes Zavarez e
Maria do Carmo de Oliveira, que prepararam com muito esmero
e sensibilidade feminina os roteiros, reflexões bíblicas e suges-
tões para as liturgias contidas neste opúsculo. Recomendamos
para as equipes de liturgia a leitura das “Considerações gerais”

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e uma especial atenção às sugestões e preciosas orientações
apresentadas.
Caminhemos na estrada de Jesus Messias, o Filho de
Deus!

t Hélio Adelar Rubert


Bispo de Santa Maria — RS
Membro da Comissão Episcopal Para a Liturgia —- CNBB

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Considerações gerais

1. Durante cingiienta dias, a festa anual da Páscoa se pro-


longou como um grande e festivo domingo. Retomamos agora,
a cada domingo, o primeiro dia da semana como nossa Páscoa
semanal, revivendo a experiência da ressurreição em nosso dia-a-
dia e celebrando com alegria a festa da vida nas situações mais co-
muns e rotineiras: trabalhos, encontros, conflitos, cansaços, con-
vivência, sofrimentos, lutas e lazer. Cada celebração nos convi-
da ao compromisso generoso com a causa do Reino para que a
vontade do Pai seja realizada entre nós.
2. O evangelista Marcos continua nos conduzindo ao se-
guimento de Jesus, o Messias, o Filho de Deus, Caminho, Ver-
dade e Vida, com quem vamos encontrando de maneira inédita
e sempre sipreendente a cada domingo. Todo encontro com o
Senhor ressuscitado nos encoraja para realizar o projeto do Pai,
que é de vida abundante, dignidade, fraternidade, justiça e paz,
enfrentando as forças da morte e da exclusão que insistem em
prevalecer na nossa realidade.
3. Do 17º ao 21º domingo é o evangelista João quem nos
acompanha, com o belíssimo sermão sobre o Pão da Vida. Somos
conduzidos ao encontro com o Senhor, que nos propõe a superação
de todo tipo de acumulação egoísta e de todo poder dominador,
abrindo-nos à partilha e ao serviço fraterno. Neste ano, essa segiiên-
cia será interrompida com as festas da Transfiguração do Senhor
e da Assunção de Maria, as quais têm precedência ao domingo.
4. Neste período do Tempo Comum, além do domingo,
como festa semanal celebramos as festas do Senhor: o Santíssi-
mo Corpo e Sangue de Cristo (15/6), a transfiguração do Senhor
(6/8); fazemos memória de Maria em sua Assunção (20/8) e de
alguns santos como Pedro e Paulo (2/7).

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5. Este período do ano litúrgico é muito oportuno para
as festas dos santos(as) padroeiros(as) e outras comemorações
locais. É indispensável saber integrar os apelos que nascem
da piedade popular, das lutas e anseios do povo com a Páscoa
semanal.
6. Algumas ações simbólicas marcam o domingo como
Páscoa semanal: a comunidade reunida, a proclamação da Pala-
vra de Deus, a ceia do Senhor ou a ceia fraterna (ágape) no caso
das celebrações dominicais da Palavra. Que cada comunidade
encontre sua maneira de vivenciar cada um destes gestos como
expressão criativa de sua vida e compromisso de fé.
7. À luz do Projeto “Queremos Ver Jesus: Caminho, Ver-
dade e Vida”, será importante revalorizar nos domingos, durante
o Tempo Comum, o rito pascal de acender o Círio, assim como
o rito de aspersão ou toque na água batismal como renovação
da Páscoa e recordação do batismo, no início da celebração, ou
ligado à profissão de fé.
8. O Evangelho de cada dia, relatando um acontecimento
da vida de Jesus, ou mesmo as outras leituras e o Salmo sugerem
muitas vezes um símbolo que marca aquele domingo e ajuda a
comunidade a guardar a Palavra no coração, para testemunhá-la
no decorrer da semana.
9. À cor verde nas vestes litúrgicas caracteriza o Tempo
Comum como tempo em que, na esperança, o Reino vai desa-
brochando entre nós. Nas festas do Senhor e de Maria é usado o
branco e, na festa dos mártires, como Pedro e Paulo, o vermelho.

10. A espiritualidade litúrgica, sobretudo no Tempo Co-


mum, permite “fazer do rito um ato de amor” e desenvolver um
estilo mais espontâneo, afetuoso, orante, alegre e comprometido
de celebrar, em que as pessoas reunidas tornam-se o símbolo
primeiro e indispensável. É importante cuidar que cada gesto,
rito ou ação simbólica seja realizado com autenticidade, na intei-
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reza do ser, expressando o sentido teológico e a atitude espiritual
correspondentes.
11. Quanto ao canto, o Hinário Litúrgico 3 da CNBB
oferece um rico repertório para escolher, tendo como critério o
memorial da Páscoa, e não as chamadas celebrações temáticas
ou catequéticas. As melodias estão gravadas em CDs da série
“Liturgia” e “Festas litúrgicas”, produzidos pela Paulus. Também
o Ofício Divino das Comunidades traz diversas alternativas de
refrões, aclamações, hinos e versões de quase todos os Salmos
com melodias mais populares, garantindo seu caráter litúrgico e
a fidelidade aos textos bíblicos.

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Santíssima Trindade
| | de junho de 2006

Leituras: Deuteronômio 4,32-34.39-40; Salmo 32(33); Romanos 8,14-17;


Mateus 28,16-20 (Batismo em nome da Trindade)

“O teu amor repouse sobre nós, Senhor!”


(SI 32[33])

1. Situando-nos brevemente

À liturgia sempre celebra a Páscoa do Senhor, o Salvador, e


por ele dá graças ao Pai, o Criador, no Espírito de amor, o Santifi-
cador. Portanto, toda celebração é trinitária e a Páscoa, celebrada
o ano Inteiro, nos faz mergulhar no mistério imnefável da Trindade,
fonte, modelo e meta do peregrinar da humanidade.
Porém, com a festa de Pentecostes encerramos o tempo
pascal e, a seguir, celebramos a festa da Santíssima Trindade. É
uma festa relativamente recente. Entrou no calendário da liturgia
romana em 1334 e, com o Concílio Vaticano II, deixou de ser
temática, recebendo uma tonalidade mais bíblica.

Com isso, a festa de hoje faz uma síntese, juntando o sen-


tido da encarnação e da redenção realizados na história, onde o
Deus Vivo, a Comunhão Trinitária, é protagonista. Não é a festa
para desenvolver a doutrina sobre a Santíssima Trindade, mas
para renovação da aliança com o Pai que nos criou e nos libertou,
entregando-nos o dom da vida plena em Jesus Cristo, seu Filho
amado, o Verbo encarnado que, por sua vez, nos confiou com
sua morte e ressurreição o dom de seu Espírito.

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A festa da Santíssima Trindade é a festa da comunidade,
como muito bem definiu o 6º Encontro Intereclesial das Cebs, em
1986, acontecido em Trindade/GO: “A Santíssima Trindade é a
melhor comunidade”. Essa afirmação define muito bem o senti-
do da festa de hoje: somos chamados a renovar o compromisso
batismal de sermos comunidade, ícone da Santíssima Trindade,
sinais de comunhão, de ajuda mútua, de partilha, de solidariedade
e esperança, num mundo dividido, individualista, ganancioso,
desesperançado e violento.

2. Recordando a Palavra

o O Evangelho de hoje nos oferece uma tríplice mensagem:


a) Os onze discípulos duvidam da ressurreição, mas vão
à Galiléia como Jesus tinha indicado. A comunidade
dos discípulos tomou o rumo certo: a Galiléia, local de
grande significado teológico. Lá Jesus começa sua mis-
são (Mt 4,12-17), no meio de pessoas marginalizadas e
pisadas. É na Galiléia que Jesus leva a Boa-Notícia do
Reino. É também o lugar do testemunho e ação das pri-
meiras comunidades cristãs. Os discípulos se prostram
diante de Jesus, identificando-se com ele e seu projeto.
Contudo, há sempre o risco de não acolher plenamente o
significado da prática de Jesus: “[...] ainda assim alguns
duvidaram” (v. 17b).

O monte para onde se dirigem, mais do que localiza-


ção geográfica, é uma catequese. Constitui a memória
do monte das tentações (4,8-10), ou da transfiguração
(17,1-6), ou a montanha sobre a qual Jesus anunciou seu
programa de vida, as bem-aventuranças (5,1-7,29). É
memória também da montanha do encontro entre Deus
e o povo da primeira aliança na pessoa de Moisés, onde
recebe a Lei.
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b) Jesus entrega a missão aos discípulos. Na montanha da
tentação, onde Jesus não aceitou receber do demônio o
domínio sobre as nações, agora proclama que recebeu de
Deus essa autoridade. Ele aceita ser o Messias, contraria-
mente ao que havia declarado em sua pregação. Agora,
ressuscitado, possui “toda autoridade no céu e sobre a
terra” (v. 18b). Essa autoridade plena, dada pelo Pai, é
muito próxima da humanidade (Jesus “se aproximou
dos discípulos”, v. 18a). Não só está próxima, como é
entregue à comunidade cristã: “Vão e façam com que
todos os povos se tornem meus discípulos” (v. 19a). À
Galiléia é o ponto de partida e a meta: fazer com que
o projeto de Deus alcance a todos, tornando-os Povo
de Deus.
c) Por fm, o Ressuscitado reassume e cumpre a promes-
sa da presença divina do Antigo Testamento (v. 20b).
Jesus é aquele que caminha conosco. O Evangelho
termina com uma promessa: “Eis que eu estarei com
vocês todos os dias, até o fim do mundo”. Mateus havia
iniciado o Evangelho apresentando Jesus como o Ema-
nuel (Deus-conosco, Mt 1,23), e o conclui mostrando-o
continuamente vivo e presente na comunidade. Jesus
não se afasta do mundo; está presente na história, que
é ao mesmo tempo história de Deus e da humanidade a
serviço da justiça do Reino de Deus.
À primeira leitura apresenta Javé, o único Deus, e, conse-
quentemente, desmascara os ídolos que oprimem o povo.
Só quem livra o povo da escravidão é que deve ser consi-
derado Deus de Israel.
Não é um Deus de conceitos, mas alguém que age a favor
do seu povo. E a fé não é abstrata, porém está apoiada na
história, na experiência do Deus vivo, que atua libertando
para que todos tenham vida. Javé, o único Deus, tirou Israel

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do Egito, falou-lhe no Sinai e deu-lhe a Terra Prometida:
estas são as grandes ações de Deus que o povo sempre deve
celebrar. Deu a Lei conforme Israel podia assimilar. Mas o
que ele quer dar mesmo, não só a Israel, mas a todos nós,
hoje, é seu Espírito. Espírito que nos ajuda a retomar a
experiência do passado e nos convida a viver no presente a
aliança de Deus, em todas as circunstâncias da vida pessoal,
comunitária, social e política.
É na caminhada de nossas comunidades que Deus único
continua presente, suscitando liberdade e vida. É um Deus
próximo, acessível, que fala conosco, nos acompanha: ele
conta com a amizade de seu povo. Não é um Deus indife-
rente à nossa realidade.
O Salmo 32(33) é um louvor, salientando duas característi-
cas de Deus: ele é o Criador e o Senhor da história e de toda
a humanidade. Louvor cantado durante ou após o Exílio
da Babilônia (587-530 a.C.), quando o povo começou a
conhecer Deus como Criador. Com esse Salmo, louva-
mos a Deus, que é aliado da humanidade e com ela quer
construir um mundo de justiça e direitos iguais para todos.
A carta aos Romanos faz uma síntese dos ensinamentos
de Paulo às comunidades. O capítulo 8 pode ser resumido
pela frase: a vida no Espírito.
Pelo batismo, recebemos o espírito de filhas e filhos e
co-herdeiros de Deus. O Espírito de Cristo clama em nós:
“Abbá, Pai!”. É um Espírito de liberdade, não de escravi-
dão. O termo aramaico “Abbá” é a expressão da intimi-
dade filial, cheia de familiaridade e ternura entre Jesus e
seu Pai. O Pai é o doador da vida; por meio do Espírito,
nos torna filhos(as), em Cristo, merecedores da herança,
a Terra Prometida, com a condição de sermos fiéis ao
seguimento de Jesus, participantes de seus sofrimentos,

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morte e ressurreição. A Terra Prometida é o conjunto dos
bens divinos: o Reino, a vida plena, ressuscitados com
Cristo. O que é de Deus e confiado a Cristo, é também
nosso.

3. Atualizando a Palavra
A Palavra de Deus na liturgia de hoje nos apresenta a
Santíssima Trindade como a melhor comunidade. Pelo batismo,
somos mergulhados no mistério do seu amor, e nos tornamos
participantes da vida trinitária.
O mundo consumista de hoje fabrica deuses e facilmen-
te nos submetemos a seus caprichos e seduções. Esses deuses
favorecem a vida a uns poucos, gerando sofrimento e morte
de muitos. O único Deus verdadeiro é aquele que liberta para
que todos tenham vida. É nossa Mãe e Pai, nos dá o Reino em
herança, adotando-nos como filhos, e elimina, pelo Espírito de
Jesus, o medo que nos escraviza e aprisiona. Esse Deus se revela
na prática cristã de nossas comunidades, que vão refazendo os
gestos de Jesus, até que o mundo seja transformado e tudo se
torne posse da Trindade.
O batismo, feito em nome do Pai, do Filho e do Espíri-
to Santo, significa: consagração, ser marcado pela Trindade a
serviço da justiça, dedicação total e entrega a tudo o que Jesus
ensinou.
Deus é nosso Pai comum. Nossa relação com ele exprime
o que há de mais íntimo e carinhoso. Podemos, pelo Espírito,
chamá-lo “Abbá, meu Pai”, exatamente como Jesus o fez (cf.
Mc 14,36). Na condição de filhas e filhos, recebemos a herança
do Pai, que nada reserva para si. Senhor e dono absoluto de
todas as coisas, tudo nos dá. A síntese da herança é o Reino
de Deus.

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Somos convocados a ser sinal do carinho do Pai, cui-
dando da obra que ele criou, defendendo as pessoas, filhos e
filhas de Deus, trabalhando para a vida ficar do jeito que o Pai
sempre quis.
Por que ainda existem discriminações e desigualdades entre
nós, filhos de Deus”? Como herdeiros(as) da Trindade, vivemos
em comunhão, participamos da transformação da realidade
atual, até que o mundo todo seja sinal do mistério de nosso Deus
comunitário?

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Em toda a liturgia participamos mais intimamente da
comunhão trinitária. Louvamos, agradecemos e suplicamos ao
Pai, por Cristo no Espírito Santo, e somos renovados na certeza
de sermos filhos(as) e não escravos, promotores da vida e não
destinados à destruição e à morte.
Iniciamos a celebração em nome da Trindade que nos con-
voca, acolhe-nos e nos reúne como seu povo santo, consagrado
ao seu louvor, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo.
Na Profissão de Fé, renovamos nossa adesão, nossa fé em
Deus Pai Criador, em Jesus seu Filho, nascido pelo Espírito do
seio de Maria, como Redentor, e no Espírito Santo, animador e
santificador da comunidade até a plena realização do Reino.
Na Oração Eucarística, entoamos com Cristo nossa ação
de graças ao Pai e somos santificados pelo Espírito. Com Cristo
nos oferecemos ao Pai e na força de seu Espírito suplicamos
para sermos perfeitos no amor e assumimos ser fiéis aprendizes
e comunicadores da salvação a todos os povos.
Com a bênção da Trindade somos enviados em missão no
mundo, como testemunhas da Páscoa, instrumentos de comunhão.

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PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
l. Preparar o espaço celebrativo usando a cor branca. Onde
for possível, um ícone da Trindade ou um bonito painel
poderá compor o espaço. Realçar a dimensão trinitária de
toda a celebração.
Na procissão de entrada, convidar para participar pessoas
batizadas e crismadas recentemente na comunidade. A cruz
processional pode ser enfeitada com três fitas coloridas.
Fazer com especial atenção o sinal-da-cruz e a sauda-
ção inicial em nome da Trindade, aproveitando uma das
várias opções cantadas. Outra alternativa é a saudação “f”
(cf. IPd 1,1-2) proposta pelo Missal Romano, p. 390.
A bênção da água e a aspersão renovando o batismo serão
ritos muito significativos nesta festa. Somos batizados em
nome da Trindade!
O conjunto dos textos bíblicos merece uma boa preparação
por parte dos leitores/salmista para que sejam proclamados
de “coração” e todo o rito da Palavra simbolize diálogo de
aliança da Trindade com a assembléia celebrante, sacra-
mento da Páscoa, acontecimento de salvação.

A homilia, introduzindo ao mistério celebrado, poderá, após


um silêncio orante, ser concluída com um refrão que ligue
a mesa da Palavra com a mesa da eucaristia. Por exemplo:
“Ó Trindade, vos louvamos [...] que esta mesa favoreça
nossa comunicação!” (Hinário Litúrgico 3, p. 295).
Destacar a característica trinitária da Oração Eucarística e,
se possível, cantá-la ou, pelo menos, entoar o prefácio que
lhe é próprio, o “Santo”, as aclamações e a doxologia, com

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o amém final. O Hinário Litúrgico 3, pp. 65-68, propõe três
melodias alternativas, inclusive no ritmo de moda de viola,
indicadas para a louvação nas celebrações da Palavra. A
melodia foi gravada no CD “Ação de Graças no Dia do
Senhor”, produzido pela Paulinas/Comep.
O repertório litúrgico da solenidade da Santíssima Trin-
dade está no CD “Festas litúrgicas — 1”, produzido pela
Paulus.
Sugerimos a Oração Eucarística VIA, “A Igreja a cami-
nho da unidade” (cf. Missal Romano, p. 842). Cantar a
doxologia: “Por Cristo, com Cristo...”, com o amém final
da assembléia, que resume nossa vocação batismal, como
participantes do mistério trinitário.
10. À bênção final, sempre feita em nome da Trindade, poderá
ser cantada.

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Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo
|5 de junho de 2006

Leituras: Éxodo 24,3-6; Salmo 1IS(116); Hebreus 9,11-15;


Marcos 14,12-16.22-26

“Elevo o cálice da minha salvação,


invocando o nome santo do Senhor”
(SI 115[116],13)

1. Situando-nos brevemente

A festa de Corpus Christi, ou, mais exatamente, do Corpo


e do Sangue do Senhor, recorda que o mistério pascal está todo
presente na celebração eucarística.
Esta festa entrou na liturgia de toda a Igreja em 1247, em
meio a polêmicas sobre a presença real de Jesus na eucaristia.
Desde o início esta festa é marcada por grandes concentrações
populares e procissões majestosas pelas ruas. O Concílio Vati-
cano II deu-lhe novo significado, ligando-a à Páscoa do Senhor,
o mistério eucarístico por excelência. A eucaristia é a memória
da Páscoa — a ceia da nova e eterna aliança. É o centro da vida e
da missão de Jesus entre nós. Ele veio fazer de nós uma comu-
nidade de pessoas solidárias, que se amem, ajudem-se e vivam
em união comum e na partilha, capazes de vencer as divisões,
brigas, competições e a exclusão.

Corpo e Sangue do Senhor feito pão e feito vinho — sinal


sempre presente da comunhão viva e total do Cristo com a hu-
manidade, desde a encarnação até hoje e sempre. Sacramento
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PNE - QV) - CVV nº 29
do Senhor que não exclui ninguém, mas que se entrega para
comungar com todos e, assim, com todos formar um só corpo,
Pão e vinho transformados no corpo sacramental do Senhor
nos unem; fazem de nós, que comungamos, também o corpo vivo
do Senhor — seu corpo eclesial a serviço de seu corpo cósmico
e universal.
A eucaristia é também ação de graças e o maior louvor do
Pai, porque nela todos nos comprometemos à solidariedade, à
partilha, à comunhão, fazendo memória do que Jesus realizou
em toda sua vida: entregou-se como servo e, sobretudo, na
Páscoa, em que o Pai o exaltou, ressuscitando-o; o Pai vê nisso
uma grande força, que, aos poucos, vai nos unindo; uma força
que nos fará vencer todas as divisões, explorações, servidões,
desigualdades, dependências e exclusões.
Especialmente neste ano do 15º Congresso Eucarístico
Nacional realizado há pouco em Florianópolis/SC, somos con-
vidados a ser pessoas e comunidades pascais e eucarísticas,
capazes de dar a vida, de partilhar, de criar comunhão, de ser
agradecidas, de ser presença e testemunhas do Ressuscitado
no dia-a-dia. Enfim, fazer de nossa vida ação de graças, dom
gratuito para o louvor de Deus e a libertação da humanidade;
uma oferenda perfeita com Cristo pela ação amorosa e sempre
fecunda do Espírito Santo. E assim tornar autêntica a afirmação
de nossa fé: “Ele está no meio de nós!”.

2. Recordando a Palavra

o O Evangelho nos fala do primeiro dia, dia da preparação,


dia em que se imolava o cordeiro e se eliminava das casas
todo fermento, como o primeiro dia da festa de Páscoa que
durava oito dias. Os discípulos se dirigem a Jesus como
chefe da família, do grupo que vai celebrar a refeição pas-

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cal, para receberem orientação sobre a ceia. Os peregrinos
deviam encontrar uma sala no interior da cidade.

Tudo indica que a última refeição de Jesus recebeu as


características de ceia pascal. Foi uma refeição de pere-
grinos, celebrada no ambiente de uma festa que atualizava
a libertação e a aliança mosaica e reanimava a esperança
messiânica. Portanto, a eucaristia cristã é a nova Páscoa.

Chama a atenção neste Evangelho o fato de um homem


estar carregando uma bilha com água. Trata-se certamente
de um sinal, pois competia às mulheres o serviço de buscar
água.
Ao derramar seu sangue na cruz, Jesus completa a aliança
selada no Sinai com o sangue de animais. Implicitamente
proclama o cumprimento da nova aliança predita pelos
profetas e apregoa o valor universal do seu sacrifício
pela multidão, a humanidade toda. A expressão “sangue
da aliança” é a mesma de Éxodo 24,8. Jesus diz que vai
provar de novo o fruto da videira, no Reino de Deus, festa
messiânica predita por Isaías 25,6.
Não podemos separar a eucaristia da Páscoa judaica, porque
esta constitui teológica e historicamente seu contexto. A
ceia pascal de Jesus é a celebração antecipada da entrega
total de sua vida na cruz. À entrega do corpo e o derra-
mamento de seu sangue selam a nova aliança. Com ela o
Senhor nos dá uma nova vida e nos compromete a sermos
fiéis à sua proposta de amor e entrega ao Reino de Deus.
À primeira leitura retrata a aliança feita no Sinai, entre Deus
e seu povo, selada com sangue de animais. É a comunhão
com Deus, representado pelo altar, e comunhão dos hebreus
entre si.
O Salmo 115(116) nos fala da promessa de um sacrifício
de louvor. Como agradecimento por ter sido ouvida diante

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PNE - QV) - CVY nº 29
de um perigo mortal, a pessoa agraciada vai erguer o cálice
da salvação e invocar o nome do Senhor.
o A carta aos Hebreus proclama que Cristo foi livre ao en-
tregar seu sangue para nos purificar. Cristo realiza a nova
aliança, o novo sacerdócio e novo sacrifício. Ele foi ao
mesmo tempo sacerdote — o que oferece — e vítima — o que
é oferecido. Jesus, em sua morte e ressurreição, é o único
sacrifício da nova aliança.

3. Atualizando a Palavra

À eucaristia celebra a aliança eterna e definitiva de Deus


conosco, selada pelo sacrifício único de Jesus Cristo. Seu gesto
de amor e entrega basta para sempre e permanece atual em todo
tempo e no decorrer da história da salvação da humanidade.
No pão e no vinho da última refeição de Jesus, faz-se pre-
sente antecipada e simbolicamente o dom da vida entregue até a
morte sangrenta na cruz. “A entrega de Jesus, sua morte-ressur-
reição que aconteceram uma única vez (Hb 10,10-18), tornam-
se presentes para nós pela ação litúrgica, ou seja, toda vez que
fazemos memória destes fatos e de nossa salvação, anunciamos
a morte do Senhor, até que ele venha (1Cor 11,26). Não se trata
de uma repetição, mas de uma atualização.”! O sacrifício é um
só, o do Calvário.

Somos redimidos por um amor sacrificado, um amor que


doou corpo e sangue, isto é, doou vida. Não é o sangue por si
mesmo que salva. O que salva são o amor e a fidelidade que
levaram Jesus a enfrentar morte cruel e sangrenta. Depois da
sua morte, não há outro sacrifício de sangue na nova aliança,
pois não é o sangue em si que importa, mas a entrega, o amor de

| Buysr, Ione & SILVA, J. Ariovaldo. O Mistério celebrado: memória e compro-


misso I. São Paulo/Valencia (Espanha), Paulinas/Siquem, 2002. p. 77.

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PNE - QV] - CVV nº 29
quem o derramou, e este é válido para sempre. Unindo-nos ao
amor de Jesus, entreguemos também nosso corpo e sangue, toda
nossa vida a serviço dos irmãos. Assim seremos “uma oferenda
perfeita” com Cristo.
Se desejarmos participar da mesa eucarística de Jesus agora
e no banquete celeste, é preciso participar plenamente de seu
caminho de serviço sofredor.
“Se queres honrar o Corpo de Cristo, não o desprezes quan-
do está nu. Não o honres assim, na Igreja, com tecidos de seda,
enquanto o deixas fora, sofrendo frio e carente de roupa. Com
efeito, o mesmo que disse: “Isto é o meu corpo” e que o realizou
ao anunciar, também disse: *Viste-me com fome e não me deste
comida [...])' Começa por alimentar os famintos e, com o que te
sobra, ornamentarás o altar” (Catequese de S. João Crisóstomo).

O mundo vê em nós, cristãos, pessoas e comunidades pas-


cais e eucarísticas, capazes de dar a vida, de partilhar, de criar
comunhão, de ser agradecidas, de ser presença e testemunhas do
Cristo crucificado-ressuscitado?

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Hoje, com o “coração ao alto”, damos graças ao Pai pelo
Cristo que faz de sua vida dom total, Corpo entregue e Sangue
derramado, como alimento e bebida.

E a melhor maneira de dar graças é participar desse pão


e desse vinho que Cristo nos oferta, fazendo nossa a “ação de
graças” que Cristo oferece ao Pai. Com ele dedicamos nossa
vida e, ao sermos alimentados dele, nos comprometemos com
seu projeto.
E, assim, acolhemos na fé a salvação que esse mistério
eucarístico realiza em nós, saboreando desde já, pela comunhão
de seu Corpo e Sangue, o banquete eterno.

23
PNE - QV) - CVV nº 29
PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
l. Será muito bom que neste dia toda a liturgia, ou pelo me-
nos a parte eucarística, seja cantada: partes do presidente
e respostas da assembléia. A cor litúrgica é o branco.
Fazer com esmero os ritos Iniciais, que constituem a as-
sembléia como corpo vivo do Senhor. A presença real do
Senhor ressuscitado se manifesta também nos sinais sen-
síveis da comunidade reunida que ora e canta, pelo tom de
voz, pelo conjunto de gestos e atitude orante e consciente da
assembléia, de ministros(as) e, sobretudo, de quem preside.
Solenizar o rito da Palavra, com procissão do Livro, com
canto apropriado e uso de incenso. A proclamação das lei-
turas deve ser bem preparada, em especial do Evangelho,
que pode ser cantado. Cristo, Pão da Vida, se faz presente
e nos alimenta com a Palavra,
A segiiência é facultativa; onde for realizada, seria bom
cantá-la, ou pelo menos recitá-la, ou fazê-la dialogada.
A homilia deve ajudar a assembléia a assumir gestos
concretos de partilha, além de ligar bem o Evangelho e
toda a liturgia da Palavra ao que celebramos na liturgia
eucarística.
Na procissão das oferendas, além de pão e vinho, ofertar
outros dons que podem ser partilhados com os mais neces-
sitados da comunidade.

Celebrar com o pão ázimo, ou uma hóstia maior e mais


sólida, lembrando de fato o pão-alimento, como nos propõe
o Missal Romano (cf. IGMR, n. 283). Criar condições para
que todos comunguem sob as duas espécies: pão e vinho.

24
PNE - QV) - CVY nº 29
Valorizar, nos vários serviços ou momentos da celebração,
a participação das crianças, jovens e adultos que receberam
sua primeira comunhão neste ano ou que vão recebê-la
proximamente.
Fazer a oração do pai-nosso e o abraço da paz, evidenciando
seu sentido de comunhão.
10. Destacar bem o gesto de “partir o pão”, acompanhado com
o canto do “Cordeiro”. Que toda a assembléia perceba e
acompanhe esse gesto.
ll. Onde for possível, durante toda a liturgia eucarística, a
assembléia se aproxime mais do altar, à mesa da ceia.
12. Onde houver procissão eucarística pelas ruas, fazê-la após a
missa, e não antes. O culto eucarístico brota da celebração
do mistério pascal. Consagra-se uma hóstia grande para a
procissão. Omitem-se então os ritos finais.
13. O repertório litúrgico da solenidade de Corpus Christi
está no CD “Festas litúrgicas — 2”, produzido pela Paulus.

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PNE - QV) - CVV nº 29
| 1º Domingo do Tempo Comum
|8 de junho de 2006

Leituras: Ezequiel 17,22-24; Salmo 91(92);


2 Coríntios 5,6-10; Marcos 4,26-34

“O justo brota como a palmeira,


cresce como o cedro do Libano,
plantado na casa do Senhor”
(SI 91[92],13)

1. Situando-nos brevemente

Celebramos a Páscoa semanal, necessitados da graça do


Senhor para vivermos conforme sua vontade.
Hoje sua Palavra nos fortalece, ajudando-nos a descobrir
todas as pequenas manifestações de sua presença entre nós. O
crescimento do Reino ultrapassa nossas fragilidades e não se
baseia na eficiência de nossas organizações, de nossas inúme-
ras atividades e programas bem elaborados. Está intimamente
ligado à escuta atenta da Palavra de Deus, à confiança em sua
graça, ao confronto freqiiente com o Evangelho, na humildade
e na oração.
/
Qual insignificante semente lançada pela iniciativa gratuita
de Deus, o Reino aguarda nosso empenho laborioso, humilde e
paciente, movido pela sua graça, para atingir seu crescimento
no mundo.

27
PNE - QV] - CVV nº 29
2. Recordando a Palavra

A Palavra de Deus expressa hoje pelo Evangelho manifesta


o mistério do Reino de Deus, escondido e revelado aos
discípulos de Jesus e à multidão durante seu ministério.
A parábola dos vv. 26-29 se fixa no ritmo do crescimento
do Reinado de Deus. À ele compete passar a foice no mo-
mento exato, à hora da messe, no momento escatológico.
Essa parábola é uma resposta à crise que Jesus enfrentava
devido a seus adversários, e também na caminhada das
primeiras comunidades. Em meio a oposições, hostilidades
e resistências é preciso continuar semeando. É o que Jesus
fez e o que devem fazer os cristãos de todos os tempos.
O processo é lento. Para os apressados e os que querem
tudo pronto, essa parábola é um alerta. É necessário dei-
xar espaço para o Espírito agir na história. Quando nossas
comunidades estão sufocadas pela burocracia e estruturas
estreitas, a semente do Reino não pode crescer.
A parábola dos vv. 30-32 sublinha a desproporção entre o
tamanho da semente e a planta na qual se transformou. Nas
colinas do mar da Galiléia, o pé de mostarda atingia três
metros de altura, ou mais; porém, sua semente é minúscula.
Ao descrever a planta, a parábola se apóia em Ezequiel
17,23: “[...] estenderá ramos, produzirá frutos, tornar-se-á
um cedro magnífico. Todos os tipos de aves ali habitarão;
eles habitarão à sombra de seus ramos” (cf. Ez 31,6 e Dn
4,12-21). O Reino de Deus é uma árvore frondosa, larga e
acolhedora.
A parábola do grão de mostarda apresenta o contraste entre
o Início e o desenvolvimento da ação de Jesus e dos cris-
tãos. A proposta do Reino, pequena no início, insignificante
por causa dos conflitos e resistências, torna-se proposta
universal, aberta a todas as aves do céu: as nações e povos
28
PNE - QV) - CVV nº 29
que vão aderindo ao projeto de Deus semeado por Jesus
em benefício de toda a humanidade. O Reinado de Deus
é o ponto de encontro de todos os povos, realização plena
da humanidade no decorrer da história.
A conclusão do discurso, nos vv. 33-34, descortina a
pedagogia de Jesus, adaptando seu ensino à capacidade
da multidão que o ouvia, e aos amigos, discípulos que o
seguiam de perto. Não se trata de capacidade intelectual
apenas, mas da adesão livre e consciente. É preciso entrar
e fazer parte dessa caminhada. Estando fora não é possível
entender, nem superar crises, nem sentir a força que faz
crescer a semente do projeto de Deus.
A primeira leitura e o Evangelho de hoje se completam.
O profeta Ezequiel, deportado no ano 597 para a Babilô-
nia, vive o peso da opressão; de sacerdote do Templo de
Jerusalém que era, transforma-se em agricultor e profeta
para transmitir esperança e animar o povo exilado. Apre-
sentando Deus como agricultor, anuncia que ele tira um
galho da copa do cedro e o planta sobre o monte onde
se encontra o Templo de Jerusalém. É Deus quem o fará
crescer. À história não sai dos trilhos. O futuro está em
"suas mãos: faz a “árvore” elevada abaixar-se, eleva a que
rasteja e torna verde tudo o que está seco. A destruição
de Israel, de sua monarquia, seu Templo, sua capital, não
é motivo para duvidar da fidelidade de Deus em cumprir
sua promessa. A descrição da árvore majestosa, cheia de
frutos, com pássaros se aninhando em seus galhos e à sua
sombra, aponta para a sociedade de iguais, acolhedora de
todos os povos, sonho e promessa de Deus.
O Salmo 91(92) é uma ação de graças pelo nome do Altíssi-
mo, pelo seu amor fiel, pelos atos de justiça de nosso Deus.
A ação de graças é constante, dia e noite, a vida Inteira.

29
PNE - QV] - CVV nº 29
o A segunda leitura de hoje traz reminiscências do exílio
da Babilônia, como experiência histórica exemplar e
experiência individual dolorosa. À história que vivemos
enquanto moramos no corpo é comparável ao exílio, uma
existência longe do Senhor, caminhando na fé e não na
visão de Deus. “Habitar junto do Senhor” será a recom-
pensa a quem tiver feito o bem quando estava no corpo,
colocando-se na caminhada ascendente da história, como
quem deixa o exílio e volta para a pátria, À história tem
sentido e a pós-história pode ser o seu grau máximo de
plenitude!

3. Atualizando a Palavra
A Palavra de hoje nos incentiva à fé na ação de Deus na
história, tornando-a prenhe de sentido, grávida do Reino, aberta a
toda a humanidade. Chama-nos à esperança no processo lento do
crescimento da semente e do broto do Reino, frágeis e pequenos,
mas resistentes pela ação constante de Deus.
O Reinado de Deus não crescerá por puro esforço humano,
nem se desenvolverá com força e violência; seu desenvolvimento
é misterioso como o crescimento da semente plantada no silêncio
e escuro da terra. Exige esperança e paciência, como acontece
nim )

com quem prepara e planta a terra. Embora cultivemos o terre-


no, plantemos e cuidemos, a vitalidade, a capacidade de crescer
se encerra na semente. O poder escondido e misterioso da vida
acontecerá a seu ritmo. Foi Deus quem inseriu a força vital e
continua agindo na semente. É Deus quem faz crescer o Reino
(Tg 5,7; 1Cor 3,67). TT >>>
Ele foi plantado na terra pela encarnação, vida e ação de
Jesus Cristo. Ele crescerá em direção ao projeto indestrutível de
Deus. O acontecimento “Jesus” jamais será apagado da história.
Esta é a nossa fé e nossa esperança inquebrantáveis. O mundo,

30
PNE - QV) - CVY nº 29
muitos homens e seus projetos, pode recusar a realidade trazida
por Jesus de Nazaré, mas não será capaz de destruí-la jamais!
Jesus de Nazaré e seu projeto são sementes de mostarda,
pequenas, mas fecundas. Ele é o novo ramo de cedro; é a árvore
frondosa, nascida de pequena semente verde, e onde todos podem
se abrigar, principalmente os pobres e marginalizados.
Nossa esperança não é um risco, mas uma certeza. Jesus
é o Senhor da história humana, sua meta final, mesmo que os
projetos dos grandes e opressores da terra teimem em desmentir
essa verdade esperançosa. A luta da comunidade cristã para a
transformação do mundo não é medida pelos êxitos e fracassos
imediatos, porém pela confiança com que contempla e adere ao
seu único Senhor e caminha fielmente sobre seus passos.
À Palavra de Deus deste domingo ajuda a nos desligarmos
da ideologia de um Reino de Deus ostensivo, de uma religião
triunfalista, que se anuncia com ufanismo, sucesso, grandeza
visível e numérica. E nos convida a nos dedicarmos à missão e
ao serviço na comunidade que cresce organicamente, a partir do
que é pequeno e às vezes até invisível ao mundo.
Quais são os sinais de esperança que nossa comunidade
planta e ajuda a crescer?

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Na celebração, fazemos memória de Jesus que, como pe-
queno grão, aceitou ser lançado na terra pelo Pai, assumindo a
miserabilidade humana; e, na força amorosa do Espírito, rompeu-
se e desabrochou vitorioso no mistério de sua Páscoa. Inaugu-
rou um Reino de muitos, aberto a todos, a partir dos pequenos,
eliminando os limites de espaço e de tempo.
Por isso, confessamos confiantes e humildes nossa fragi-
lidade e pequenez. Mas nos alegramos porque nos reúne em seu
amor, como povo consagrado para o serviço de seu Reino.

31
PNE - QV) - CVV nº 29
Bendizemos ao Pai por tantos sinais do Reino presentes
entre nós. Suplicamos que o Senhor multiplique o pouco que
somos segundo a medida de seu amor.
Damos graças unindo-nos a todos que se fizeram sementes
do Reino, dando sua vida na radicalidade de sua fé a serviço da
vida.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
|. | A equipe de liturgia deve preparar bem os textos bíblicos
(leituras, Salmo e Evangelho) e as orações indicadas para
esta celebração, que se encontram no Missal Romano,
p. 355. A Oração Eucarística VI-C, “Jesus, caminho para o
Par”, expressa bem o mistério que hoje celebramos.
2. Fazer uma fraterna e alegre acolhida aos irmãos que chegam
para a celebração.
3. Proclamar bem as leituras e o canto do Salmo, de maneira
que a comunidade participe do diálogo de aliança com o
Senhor, acolhendo e respondendo com fé e humildade à
Palavra proclamada.
4. Após a proclamação do Evangelho, um(a) solista entoa,
alternando com a assembléia, em forma de responso: “O
Reino dos céus é como a semente lançada na terra! O Reino
dos céus é como um pequeno grão de mostarda!”.
5. —Quemfaza homilia precisa ajudar a comunidade a viver no
rito eucarístico o mistério que a Palavra hoje nos revelou:
em ação de graças, oferecer-se com Cristo, o precioso grão
que, lançado na terra, morreu e ressurgiu dando-nos vida

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PNE - QV) - CVV nº 29
plena. A ele nos unimos em comunhão e, na força de seu
amor, contribuímos com o crescimento do seu Reino.

Na procissão das oferendas, além do pão e do vinho, le-


var uma porção de sementes que, no final da celebração,
poderão ser abençoadas e distribuídas para quem quiser
plantá-las.
O repertório litúrgico para este domingo está no CD “Li-
turgia IX”, produzido pela Paulus.
Antes da bênção final, fazer a bênção das sementes:
D.: “Ó Deus da vida, tu que fazes frutificar toda boa semente e
toda obra boa. Abençoa estas sementes de... Cresçam vigorosas
e dêem fruto. Com elas, cresça também nosso compromisso de
orientar toda a nossa vida no serviço do teu Reino. Por Cristo,
nosso senhor. Amém” (cf. Dia do Senhor, Tempo Comum, Ano
B, 2003, p. 75).

Na próxima sexta-feira, dia 23/6, celebramos a Solenidade


do Sagrado Coração de Jesus. E, no dia 24/6, Solenidade
da Natividade de São João Batista. São duas festas muito
queridas de nosso povo e que merecem uma celebração
bem preparada.

33
PNE - QV) - CVV nº 29
12º Domingo do Tempo Comum
25 de junho de 2006

Leituras: Jó 38,1.8-1 1; Salmo 106(107); 2 Coríntios S,I4-17;


Marcos 4,35-41 (Tempestade no lago)

“Transformou a tempestade em bonança


e as ondas do oceano se calaram”
(SI 106[107],29)

1. Situando-nos brevemente
Experimentamos o sabor da ressurreição ao celebrar neste
domingo a Páscoa de Jesus. Hoje ele se revela Senhor das forças
da natureza, acalmando a tempestade. Sua Páscoa se prolonga em
nossa vida e na vida de tantas pessoas que, no meio das dificul-
dades e carências do dia-a-dia, permanecem firmes e confiantes
em Deus.
Vivemos num mar tempestuoso e nossa vida sempre corre
todo tipo de perigo. Nesta celebração, ao fazer memória da res-
surreição de Jesus, o Pai nos leva a passar do medo a uma atitude
de confiança, renovando nossa fé em sua presença permanente.
Ele conduz amorosamente nossa história, mesmo quando nosso
frágil barquinho é ameaçado por constantes e avassaladoras
tempestades.
Celebramos hoje, também, o Dia do Migrante, “com ora-
ções e palestras sobre o grave problema das migrações nacionais
e estrangeiras” (DL, p. 108), e, amanhã, o Dia Internacional do
Combate às Drogas, criado pela ONU em 1945.

35
PNE - QV) - CVV nº 29
2. Recordando a Palavra

A pergunta fundamental do Evangelho de Marcos é: Quem é


Jesus? Conhecê-lo requer um processo de aprofundar-se em
seu mistério, ouvindo sua Palavra, olhando, contemplando
a sua ação.

O Evangelho hoje nos apresenta um teste pessoal e comu-


nitário da fé e da coragem de quem segue Jesus na hora
dos conflitos. É toda a comunidade que se encontra em
alto-mar, batida pelo furacão. A Palavra e a ação de Jesus
enfrentam os poderes adversos (mar, diabo, doença, mor-
te...) e manifestam o Reino de Deus. À sua prática provoca
duas reações: a fé que faz compreender o mistério revelado
e a rejeição de quem não aceita as consequências do seu
seguimento.
Está entardecendo e Jesus manda “passar à outra margem”
(v. 35) do lago de Genesaré. Ir à outra margem significa
encontrar outros povos, os pagãos, para levar-lhes a força
da semente, a proposta do Reino. Com isso fica evidente
que ser comunidade cristã é estar a caminho, o qual, muitas
vezes, se torna penoso e assustador.
A frase “Outras barcas o acompanhavam” (v. 36) é sinal de
que não só a comunidade dos primeiros discípulos, mas as
de todos os tempos e lugares são convocadas à travessia.
A travessia é difícil e perigosa. É o que mostra o furacão
que se levanta no mar da Galiléia (v. 37). O mar sintetiza
as forças geradoras do mal e hostis ao projeto de Deus.
A tempestade no lago de Genesaré não pode ser entendida
como simples fenômeno natural, frequente nesse lago,
quando sopram os ventos do Mediterrâneo e os do deserto
sírio, tão bem conhecidos pelos pescadores. A cena toda
possui caráter simbólico e catequético, ajudando a buscar,
descobrir e superar quaisquer conflitos que emperram ou

36
PNE - QV) - CVY nº 29
tentam sufocar o projeto de vida e liberdade, herança dei-
xada por Jesus.
Em meio aos conflitos, a comunidade tem a sensação
de que Jesus está alheio aos dramas e tempestades que a
ameaçam, na verdade, ele se encontra na parte de trás da
barca e dorme sobre um travesseiro (v. 38). Jesus está atrás,
como lemos em Éxodo 14,19-20: “O Anjo de Deus, que
andava à frente do acampamento de Israel, deslocou-se e
postou-se na retaguarda. A coluna de nuvem também se
deslocou da frente deles e ficou atrás [...]”. Assim, prote-
gido pelas costas, o povo pôde atravessar o mar Vermelho,
libertando-se dos inimigos perseguidores. A pergunta dos
discípulos: “Mestre, não te importas que naufraguemos?”
(v. 38), nos remete novamente ao Êxodo. “O Senhor disse
a Moisés: Por que clamas a mim? Fala aos filhos de Israel
que se ponham a caminho!” (Ex 14,15).

Ãos discípulos cabe a tarefa de remar, enfrentando o fura-


cão, mesmo que não compreendam ainda, nem acreditem na
força que levam consigo no barco. De fato, as ordens de Je-
sus ao vento e ao mar: “Silêncio! Cale-se!”, e a consegiiente
bonança obtida (v. 39) revelam quem é Jesus. Aplacar o
mar e amansar-lhe as ondas é, segundo o Antigo Testamen-
to, prerrogativa exclusiva de Deus. Em Jesus age Deus.
À primeira leitura, pequeno trecho do livro de Jó, serve de
suporte ao Evangelho deste domingo. Através de longo
discurso sobre as maravilhas da criação, Deus mostra que
Jó sofre de “arrogância atrevida”. Respondendo a Jó na
tempestade, Deus se manifesta soberano sobre as forças
que geram o mal, aí simbolizadas pelo mar. Apesar de im-
petuoso e assustador, sua força é quebrada pela areia das
praias. Deus é maior e mais forte que todas as tragédias
humanas! Todos os fenômenos da natureza estão em suas
mãos e, a nós, cabe respeito e cuidado.

37
PNE - QV) - CVV nº 29
o O Salmo 106(107) é ação de graças, com tonalidade sa-
piencial. Com a tempestade em alto-mar, Deus manifesta
suas maravilhas de dois modos: mandando a tempestade e
depois a acalmando, transformando-a em brisa leve. Jesus
assumiu as características de Deus reveladas neste Salmo.
É o resgatador, e muda a sorte do povo.
o A segunda leitura (2Cor 5,14-177) nos diz que a estreiteza
de perspectivas e as divisões perdem o sentido diante do
essencial, que é o mistério do Cristo ressuscitado. A força
da comunidade cristã é o amor de Cristo. É esse amor que
nos impele. O amor é testado por nós em sua morte. Na
morte e ressurreição de Cristo, todos morremos a fim de
vivermos para ele (cf. Rm 5,8; 1Ts 5,10). Jesus entrega
sua vida para resgatar a humanidade da desobediência e
da dívida, conduzindo-a novamente à vida em Deus (v.
15). O mundo novo já foi inaugurado no evento pascal.
Estar em Cristo é participar dessa nova realidade, supe-
rando rivalidades e divisões, pois a força que impele a
comunidade à vida é o amor de Cristo levado às extremas
consequências.

3. Atualizando a Palavra

As comunidades cristãs e as pessoas que ainda sonham


com um país justo, igualitário, fraterno, sentem-se perplexas
diante do atual panorama social: miséria, doença, fome, corrup-
ção, injustiça, impunidade, mortes no campo e na cidade, crise
moral e social, corrupção e descomprometimento dos políticos,
poderosos e falsos cristãos.
Tudo isso é mar tempestuoso que ameaça engolir os an-
seios de vida e liberdade. Será que Deus está dormindo, alheio
a esta realidade”? Teria abandonado as comunidades à mercê dos
caprichos dos grandes? Estaria sendo omisso?

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PNE - QV) - CVV nº 29
Acreditar no Emanuel, Deus-conosco, anjo e nuvem que
nos protege constantemente, é praticar a fé e a coragem que
transforma em vida situações de morte. Representa a certeza
de que a força que nos anima é o amor de Cristo e sua presença
ressuscitada.
No mar da vida, somos enviados a lutar contra as forças
hostis que oprimem as pessoas. Deus é soberano sobre essas for-
ças, conduzindo as comunidades cristãs “para a outra margem”.
Jesus é alguém a quem precisamos aderir plenamente,
como condição única para realizar a travessia, a mudança de
uma margem à outra, a verdadeira conversão. Só quem adere
plenamente poderá reconhecê-lo como Filho de Deus, o Messias
enviado. Assumir seu projeto muda nosso modo de agir, nos faz
passar para outra margem. Passamos a considerar as pessoas e
fatos à luz da vida nova que Cristo trouxe a fim de fazer novas
todas as coisas.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Ao fazer memória da ressurreição de Jesus, cuja ação
acalmou mares e tempestades, recebemos com sua Palavra novo
ânimo e coragem para vencermos as ondas de corrupção política,
de violência, de desemprego e até de descaso pastoral que nos
atingem atualmente. Por isso, professamos nossa fé desafiando
todo tipo de medo que possa nos dominar.
Nossas preces sobem confiantes ao Senhor, abandonando-
nos a ele que já venceu todas as dificuldades e, mesmo “dormin-
do”, navega em nossa precária embarcação, aguardando que o
acordemos com nossa súplica, mesmo que seja desesperada.
Pelo rito eucarístico, damos graças ao Pai com Cristo
pela sua eterna misericórdia e participamos da refeição que ele
nos oferece, robustecendo nossa fé para a travessia do mar da

39
PNE - QV] - CVV nº 29
violência, da arrogância e da injustiça, o qual nos ameaça cons-
tantemente.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
l. Acolher afetuosa, espontânea e bem fraternalmente as
pessoas que chegam, para que, ao se reunir, a assembléia
seja, na verdade, uma família de irmãos.

Os migrantes poderiam ser reconhecidos e valorizados


nesta celebração, se possível, manifestando algumas ca-
racterísticas de sua terra de origem.
As leituras sejam feitas com esmero, principalmente o
Evangelho.
Durante a homilia, identificar o mar (símbolo do mal) e
as tempestades que hoje abalam nossa frágil embarcação.
Motivar a assembléia a professar sua fé naquele a quem
até “o vento e o mar obedecem”.
Valorizar os momentos de silêncio durante a celebração,
previstos pela liturgia, para oração pessoal e interiorização
da Palavra.
Nas preces dos fiéis, lembrar a realidade dos dependentes
de droga e dos migrantes. A atitude de confiança deve acom-
panhar as súplicas da comunidade.

Quem preside deve motivar a comunidade a participar do


rito eucarístico, não buscando o maravilhoso e o extraor-
dinário, mas aquilo que ele realmente significa para nós:
a certeza de ter Cristo conosco, em qualquer situação de
nossa vida.

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PNE - QV) - CVV nº 29
Dentre os prefácios do Tempo Comum do Missal Roma-
no, escolher o V, que realça nossa criação por Deus, à sua
imagem e semelhança, e a submissão de todas as outras
criaturas a nós.
Dar uma bênção especial para todas as pessoas que na
comunidade são migrantes.
10. O repertório litúrgico para este domingo está no CD “Li-
turgia IX”, produzido pela Paulus.

41
PNE - QV) - CVV nº 29
Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos
2 de julho de 2006

Leituras: Atos dos Apóstolos 12,1-11; Salmo 33(34);


2 Timóteo 4,6-8.17-18; Mateus 16,13-19 (Tu és Pedro)

“Eu me orgulho por causa de Javé: que os


pobres ouçam e fiquem alegres”
(SI 33[34],3)

1. Situando-nos brevemente
Celebramos neste domingo a Páscoa de Jesus, na vida, na
ação evangelizadora e na Páscoa de Pedro e Paulo, apóstolos e
testemunhas fiéis de Jesus.

Diferentes no temperamento, na formação religiosa, exer-


cendo atividades diversas e em campos distintos, chegaram
várias vezes a desentender-se. Mas o amor de Cristo, a paixão
pelo seu projeto, a força da fidelidade e a coragem perseverante
do testemunho os uniram na vida e no martírio, acontecido em
Roma sob o imperador Nero (54-68); Pedro por crucifixão e
Paulo por decapitação.
Celebrando, hoje, a Páscoa desses dois grandes apóstolos
de Jesus, a Igreja é lembrada que em todas as comunidades cristãs
precisam estar presentes, e muito ligados como duas faces, os
fundamentos da mesma missão evangelizadora: a vida eclesial
com sua dinâmica de comunhão e participação e sua ação trans-
formadora no mundo.

43
PNE - QV) - CVY nº 29
Hoje também rezamos especialmente pelo papa Bento X VI,
bispo de Roma, cidade onde se deu o martírio de Pedro e Paulo.
Sua missão é zelar para que a Igreja permaneça unida, fiel a Je-
sus Cristo e seu projeto, realizando com humildade e coragem
uma ação evangelizadora, cada vez mais inculturada, profética
e aberta a todos.

2. Recordando a Palavra

Jesus e os discípulos estão em Cesaréia de Filipe, cidade


construída junto às nascentes do rio Jordão, região perifé-
rica habitada por pagãos. Longe de Jerusalém, o centro do
poder político, econômico e ideológico, os discípulos são
estimulados a dar uma resposta plena de quem é Jesus.
Circulava uma imagem distorcida de Jesus, exatamente por
causa de sua humanidade. Ele se apresenta com a expressão
semita “Filho do Homem”, título que o situa no chão da
vida de todos os mortais: ele é carne e osso como qualquer
um de nós. Alguns identificam essa expressão com a palavra
de Ezequiel: o homem que sou, o humano (cf. Ez 2,1.3).
Vendo Jesus tão humano, as pessoas têm dificuldade de
aceitar sua messianidade.
Jesus interpela diretamente os discípulos que haviam visto
sua luta para implantar a justiça do Reino: “Para vocês,
quem sou eu?”. Pedro responde que ele é o Messias, o
Filho do Deus vivo. Jesus é a realização das expectativas
messiânicas, o portador da justiça que cria sociedade e
história novas.
Ao confessar que Jesus é o Messias, Filho de Deus, Pedro
é elogiado e recebe a responsabilidade de confirmar os
irmãos na fé: “Feliz és tu, porque recebeste uma revelação
especial de Deus Pai!”

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Simão, filho de Jonas, passa a ser Pedro — no grego, pé-
tros, palavra que designa uma pedra ou pedregulho que se
pode pegar e lançar; pétra representa uma rocha onde se
assenta qualquer edifício. Jesus é o fundamento do edifício
da comunidade que vem em seguimento à comunidade
sagrada gahalYhwh ou gahal! Yisrael (cf. Dt 23,2; IRs 8,22).
Simão terá uma missão especial na nova comunidade por
sua adesão a Cristo, não como pétra, mas como pétros
na mão do Senhor, único capaz de lançar a trajetória da
comunidade.
À primeira leitura nos mostra que a comunidade é solidária
a Pedro quanto à perseguição sofrida por ele. Com morte
decretada para o dia seguinte, ele tem a oração da comuni-
dade como apoio. Uma forma de resistência da comunidade
perseguida era a oração fervorosa que subia constantemente
a Deus e a confiança de que ele não abandona os que lhe
são fléis.
Com Pedro acontece, segundo Lucas, o mesmo que ocorreu
com Jesus. Tudo é ação de Deus. Há, inclusive, coinci-
dência de datas: referência à festa dos pães sem fermento
(cf. Le 22,1). Assim como o Pai libertou Jesus da morte, o
anjo do Senhor liberta Pedro da prisão. O aparato repres-
stvo de Herodes era grande: Pedro dormia amarrado com
duas correntes e acompanhado de dois soldados, dezesseis
soldados o vigiavam e havia sentinelas em guarda. Deus
intervém e rompe as grades, libertando Pedro. Este fato
pode ser chamado de Páscoa de Pedro.
Salmo 33(34): Jesus dá a este Salmo um sentido novo e in-
superável. O nome “Jesus” significa “Javé salva”. Resume,
assim, tudo o que fez em favor dos pobres, perseguidos e
Injustiçados que clamam. Ele acampou ao redor dos que o
temem.

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PNE - QV) - CVV nº 29
o Na segunda leitura, Paulo é perseguido e está preso em
Roma, acorrentado, próximo à morte violenta. Nessa situa-
ção, Paulo escreve a Timóteo, animando-o na missão. Faz
uma revisão de vida, olha para o passado e para o futuro,
reconhecendo que tudo é graça de Deus. É um “atleta” que
cumpriu sua missão com garra e coragem, por isso merece
a coroa da justiça. Chegou o momento de dar o grande
testemunho. Seu sangue derramado, ele o interpreta como
sacrifício de valor expiatório: “Já fui oferecido em liba-
ção”. À libação de vinho, água ou óleo era, nos sacrifícios
judaicos, derramada sobre a vítima (Ex 29,40; Nm 28,7).

Mesmo abandonado por alguns companheiros, Paulo lou-


va ao Senhor e dá testemunho alegre de uma vida inteira
dedicada à evangelização e ao cultivo da fé dos irmãos. A
Paixão de Paulo é o prolongamento da Paixão de Jesus.
O apóstolo não tem mais esperança de viver, embora sua
sentença tenha sido retardada por um tempo. Sua esperança
se fundamenta não numa salvação momentânea, mas na
intervenção definitiva de Deus, que o levará a salvo para
o seu Reino.

3. Atualizando a Palavra

No testemunho de Pedro e Paulo acolhemos duas dimen-


sões diferentes e complementares da missão, como seguidores
de Jesus. Apesar de divergirem em pontos de vista e na visão do
mundo, o amor de Cristo e a força do testemunho os uniram na
vida e no martírio. Em ambos, quer na vida, quer no martírio,
prolongam-se a vida, paixão, morte e ressurreição de Cristo.
Conheceram e experimentaram Jesus de formas diferentes, mas
é único e idêntico o testemunho que, corajosos, deram dele.

Por isso são figuras típicas da vida cristã, com suas fraque-
zas e forças. As contínuas prisões de Pedro fazem-no prolongar

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PNE - QV) - CVV nº 29
a paixão de Jesus. Não só aceita um Messias que dá a vida, mas
morre por ele e com ele. Convertido, Paulo se torna propagador
do Evangelho de Cristo, sofrendo como ele sofreu, encarando a
morte como Jesus a encarou.
À complementaridade dos carismas continua hoje na Igre-
ja. Às vezes há até tensão entre uma “teologia” romana e uma
latino-americana, mas isso é fecundo. Fundamental é conservar
a fidelidade ao projeto de Jesus Cristo, na solidariedade do “bom
combate” pelo projeto fundante, rocha da comunidade.
À comunidade nasce do reconhecimento de quem é Jesus.
Esse reconhecimento não é fruto de especulação ou de teorias, e
sim de vivência do seu projeto que passa pela rejeição, crucifixão,
morte e ressurreição.
Quando o testemunho cristão é pleno, o próprio Jesus age
na comunidade, permitindo-lhe “ligar e desligar”. O poder de
vida que Jesus tem, as chaves do Reino, é entregue a nós, seus
seguidores. A comunidade não é dona, apenas administra esse
poder pelo testemunho e pelo serviço a favor da vida. Organiza-se
como continuadora do projeto de Deus, a partir da prática do Mes-
tre, promovendo a vida e rejeitando tudo o que provoca a morte.
Jesus de Nazaré é para nós o mártir supremo, a testemunha
fiel... Os mártires da caminhada resistiram ao poder da morte e ao
aparato repressor de hoje. “A memória subversiva de tantos már-
tires será o alimento forte da nossa espiritualidade, da vitalidade
de nossas comunidades, da dinâmica do movimento popular”!
“Vidas pela vida, vidas pelo Reino! Todas as nossas vidas,
como as suas vidas, como a vida dele, o mártir Jesus!”

Como vivemos o testemunho de Jesus em meio aos con-


flitos, tanto da nossa comunidade como da sociedade? Como

| Ofício dos Mártires da Caminhada Latino-Americana, p. 7.

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Pedro e Paulo, sentimo-nos responsáveis pela continuação do
projeto de Deus?

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Animados pelo testemunho de Pedro e Paulo, vamos ao
encontro do Senhor que dá razão e sentido a nossa vida.
Acolhendo sua Palavra, renovamos nossa adesão a Cristo
e ao seu projeto.
Professamos com alegria nossa fé na Igreja una, santa,
católica, apostólica, aberta à comunhão universal.

Participando da eucaristia, somos identificados com Cris-


to e confirmados no seu caminho, para sermos disponíveis aos
nossos irmãos, até a morte.

Hoje, especialmente, suplicamos para que o Papa e todos os


pastores sejam pétros nas mãos do Senhor, fiéis ao Evangelho, na
condução da Igreja como servidora da vida e sinal e instrumento
da comunhão entre todos os povos.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
l. Na procissão de entrada, além da cruz e de velas, levar
imagens ou estampas de são Pedro e são Paulo e de márti-
res da caminhada. A cor litúrgica desta festa é o vermelho,
lembrando o sangue derramado pelo martírio.
2. Abrir a liturgia da Palavra com a entrada alegre do le-
cionário, rodeado de velas ou tochas e incenso, onde for
costume.

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PNE - QV] - CVY nº 29
Antes da proclamação das leituras, recordar a vida de Pedro
e Paulo. Fazer uma ligação entre a Páscoa deles, a Páscoa
de Jesus e a nossa Páscoa hoje.
Destacar toda a liturgia da Palavra, especialmente a pro-
clamação do Evangelho, que poderá ser encenado, con-
tado de cor, ou mesmo cantado. No final, quem proclama
beija o Livro, mostra-o para a assembléia que se inclina,
num gesto de reverência à Palavra. Em seguida, quem
proclama pergunta à assembléia: “E para vocês, quem
sou eu?”, A assembléia responde, cantando ou dizendo,
as palavras de Pedro: ““Tu és o Messias, o Filho do Deus
vivo! Aleluia!”. Este mesmo refrão poderá ser retomado
após a homilia.
Valorizar a profissão de fé que hoje poderia ser com a
renovação das promessas batismais, em forma dialogada,
diante do Círio aceso, no estilo da vigília pascal.
Lembrar nas preces dos fiéis o Papa como sinal de unidade
e pastor da comunhão universal da Igreja, que no próxi-
mo ano visitará o Brasil por ocasião da V Conferência do
Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida
do Norte, São Paulo.

A oferta deste dia, chamada “óbolo de São Pedro”, é


destinada às necessidades do mundo que a Igreja atende
fazendo-se solidária, sobretudo nas calamidades, catástro-
fes etc.

Existe um prefácio próprio (cf. Missal Romano, pp. 608-609)


com uma louvação em forma de Bendito indicada para a
celebração da Palavra, cuja melodia foi gravada no CD
“Ação de Graças no Dia do Senhor”, produzido pela Pau-
linas/Comep, faixa 21 (ver Hinário Litúrgico 3, p. 71).
Demais cantos para esta celebração estão no CD “Festas
litúrgicas — 2”, produzido pela Paulus.

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E bom cantar um bendito!
Um canto novo, um louvor! (bis)

Ó Deus, Pai santo e bondoso,


por Cristo, nosso Senhor.
Na festa dos dois apóstolos,
cantemos o teu louvor.
De Pedro nós recebemos
a fé no Cristo, Senhor.
De Paulo, o Evangelho
que aos pagãos anunciou.
Por isso o céu e a terra se unem
no seu louvor:
Santo, Santo, Santo...
(cf. Revista de liturgia, n. 128, p. 24).

A bênção final própria para esta solenidade encontra-se no


Missal Romano, p. 527.

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|4º Domingo do Tempo Comum
9 de julho de 2006

Leituras: Ezequiel 2,2-5; Salmo 122(123); 2 Coríntios 12,7-10;


Marcos 6,1-6 (Jesus em sua terra)

“Tem piedade, ó Senhor...


Estamos fartos do escárnio dos ricaços
e do desprezo dos soberbos”
(SI 122[123],3-4)

1. Situando-nos brevemente

O domingo é nossa Páscoa semanal em que celebramos a


festa da vida que vence a morte. Celebramos a fé naquele que
se encarnou no seio de Maria, fez-se homem, sofreu, foi morto,
sepultado e ressuscitou. Entramos em comunhão com ele, assu-
mindo nossa história humana com todos os riscos: indiferença e
rejeição, injúrias, perseguições e angústias.
Hoje somos chamados a passar da morte para a vida, com-
prometendo-nos a agir com mais generosidade para realizar a
vontade do Pai na terra, tão bem como no céu.

Celebramos a Páscoa de Jesus que experimentou a rejei-


ção em sua própria terra, de seu próprio povo e, hoje, continua
rejeitado na vida de tantas pessoas marginalizadas e excluídas
da vida social e até de nossas comunidades.

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2. Recordando a Palavra

No início da missão na Galiléia, Jesus foi aceito com


entusiasmo pela multidão que o ouvia e acolhia a Boa-
Nova, sobretudo entre os pobres e doentes. Mas ao mesmo
tempo sofreu rejeição em sua terra natal, por parte de
seus familiares e vizinhos. Seus conterrâneos esperavam
um messias forte e dominador e não podiam imaginá-lo
simples carpinteiro e filho de Maria. É o símbolo da não-
aceitação de um povo que mata os profetas enviados por
Deus.
Jesus vai a Nazaré e ensina na sinagoga. É uma visita
marcada pela admiração. No início, quem se admira são os
ouvintes. Porém, tal admiração não os leva à fé em Jesus, e
sim à rejeição, pois vêem nele “uma pedra de tropeço”. No
final desse Evangelho, é Jesus quem se surpreende com a
falta de fé do povo, o que impede a realização de milagres.
Fora do contexto de fé, um milagre perde o sentido. O poder
da fé não se limita a curas, mas à chegada e à manifestação
do Reino de Deus.
O que é extraordinário em Jesus-Messias é o fato de em
nada ser diferente da pessoa humana comum: é justamente
sua encarnação. O Filho de Deus se fez como qualquer um
de nós, inseriu-se na história de seu povo, onde aprendeu
e cresceu em humanidade.
À primeira leitura nos mostra que Deus sempre envia profe-
tas para nos chamar à conversão, mesmo quando não que-
remos escutá-los. A atividade de Ezequiel pode ser situada
entre 593-571 a.C., período de dificuldades e sofrimentos
para o povo de Deus exilado na Babilônia. Em ambiente
difícil e hostil, ele precisa manter lucidez profética. Sua
missão é dramática: está junto ao povo, mas não deve dizer
palavras agradáveis. É chamado de “filho do homem”, o

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PNE - QV] - CVV nº 29
que significa que pertence à frágil raça humana. Ele nada
mais é que um homem, um servo.

Ezequiel caído, prostrado como todo povo exilado, recebe o


espírito de profecia que o põe de pé e lhe permite discernir
em meio a situações difíceis e obscuras o que Deus fala.
Gostando ou não, deve ser porta-voz de Deus no meio do
povo. Profeta não é diplomata. Sua missão tem duplo sabor:
experimenta a doçura do mel que brota da Palavra de Deus,
mas esta mesma Palavra lhe causa amargura. Deve procla-
má-la, sendo aceita ou não, oportuna ou inoportunamente,
mesmo rejeitado.
Ser profeta é pôr em risco a própria vida. Para ele não há
previsão de elogios ou aplausos. O exílio não foi fruto do
acaso, como não o é a miséria, a dependência e a opres-
são em que vive o povo hoje. O sofrimento de muitos era
responsabilidade da elite que também se encontrava na
Babilônia: a “nação de rebeldes, filhos de cabeça dura e
coração de pedra”. Ela se torna surda aos apelos que Deus
faz por meio de Ezequiel. Mesmo sem ser ouvido, o profeta
é um sinal de que Deus não abandona seu povo.
O Salmo 122(123) é expressão do povo farto de sofrimento
e de desprezo. Contudo, em vez de abaixar a cabeça e o
olhar, está com os olhos fixos em Deus, até que dele se
compadeça.
A segunda leitura mostra-nos o que ampara o discípulo
de Jesus em sua missão. Paulo experimenta um “espi-
nho na carne”; conflitos que quem segue Jesus encontra
e enfrenta dentro e ao redor de si mesmo. Por dentro a
pessoa se sente repleta de fraqueza e de necessidades. Por
outro lado, há-os conflitos que vêm de fora: “fraquezas,
injúrias, perseguições e angústias sofridas por amor de
Cristo”.

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PNE - QV) - CVV nº 29
o “A você, basta a minha graça.” Nasce, assim, uma espi-
ritualidade do conflito, uma mística que descobre Deus
não no sucesso, mas justamente no aparente fracasso de
pessoas e projetos, pois o próprio Deus se manifestou
vitorioso no suposto fracasso de Jesus na cruz. É uma
presença que é graça, força, dinamismo. “Quando sou
fraco, então é que sou forte”, porque o que o ampara na
missão é a graça de Deus.

3. Atualizando a Palavra
À Palavra de Deus, neste domingo, nos faz um apelo: não
depositar nossa confiança nos grandes. Também não precisamos
ter medo de nossa pequenez e fraqueza. Na trajetória de Jesus, o
maior fracasso se transforma em vitória e ressurreição. Junto a
ele há lugar para os fracos. Em Cristo somos fortes.
Jesus fica admirado com a falta de fé das pessoas de sua
terra, as quais não acreditam que Deus possa falar através de
pessoas simples. A Palavra de Deus se reveste de roupagem hu-
mana e vem a nós com o auxílio da história e de pessoas frágeis,
enviadas por ele. A fraqueza humana dos enviados por Deus
cria um espaço de liberdade; quem ouve pode decidir a favor ou
contra. Às vezes, gostaríamos que Deus se revelasse mediante
atos maravilhosos e assim evitaríamos o trabalho de discernir
quando e por meio de quem Deus se revela.
Jesus se fez servo e, por isso, entra em choque com os
que preferem o privilégio e o poder. A encarnação continua nos
questionando.
Neste ano de eleições em vários níveis, é preciso saber
distinguir os poderosos que se revestem de aparente humildade
para manipular e enganar o povo, em proveito próprio. E muito

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comum também entre nós considerar o poderoso como único
capaz de realizar algo pelo povo.
A missão profética se insere numa realidade de conflitos.
Hoje as fraquezas e necessidades que batem à porta de quem se
dedica ao trabalho pelo Reino de Deus são o medo, diferentes
modelos de igreja, insegurança, despreparo, falta de recursos
materiais e humanos. Como transformar a fraqueza, a ponto de
ser nela que a força de Deus se mostra perfeita”?
O Documento de Puebla nos fala do “potencial evangeliza-
dor dos pobres”. O que podem nos dizer os pobres, os deficientes
de nosso país? Aceitamos a revelação de Deus vinda na fraqueza
de nossos irmãos e irmãs, na simplicidade do dia-a-dia”

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


A Palavra de Deus hoje nos convida a renovar nossa adesão
a Jesus, consagrando-nos mais generosamente à causa do Reino.
Esta nossa profissão de fé nos leva a confirmar que segui-
mos aquele que foi rejeitado por ser trabalhador, filho de Maria,
uma pessoa comum de seu tempo, vindo de uma aldeia e, por
isso, motivo de desprezo e rejeição.
Movidos por essa fé, rrunimo-nos em assembléia celebran-
te onde, pela sua Palavra, Jesus nos leva a assumir nossa evidente
fragilidade sem precisar mascará-la com falsa grandeza e a buscar
em sua graça a nossa força. Hoje, particularmente, nossas preces
precisam expressar esta realidade.
Acima de qualquer expectativa humana, o Senhor manifesta
sua grandeza na singeleza do pão e do vinho, frutos da terra e
do nosso trabalho. Na simplicidade da partilha entre nós, ele nos
confirma no seu caminho. É em nossa fraqueza que Deus continua
manifestando sua força.

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PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
1. Valorizar os ritos iniciais da celebração, como momento de
reunião de irmãos, constituindo uma assembléia de iguais.
Fazer uma alegre acolhida das pessoas.
Cada ministério litúrgico seja exercido com verdadeira
humildade e espírito de serviço.
O Evangelho merece destaque especial. Fazer a proclama-
ção com entusiasmo, seguida da apresentação do lecionário
ou evangeliário para toda a assembléia.
Nas preces dos fiéis, lembrar dos(as) “profetas” de hoje, que
também são rejeitados por causa de sua missão. Suplicar
também para que o Senhor confirme a luta dos pobres em
sua busca por libertação.
Destacar toda a liturgia eucarística, momento em que o
Pai nos entrega seu Filho como alimento e bebida. Toda
sua grandeza se manifesta neste ato de entrega e doação a
nós.
Dentre os prefácios do Tempo Comum do Missal Romano,
o 1 (“O mistério da salvação”) e o VII (CA salvação pela
obediência de Cristo”) parecem bem apropriados para este
domingo.
Retomando o tema da CF/2006, valorizar a participação
de pessoas deficientes. Muitas ainda sofrem rejeição na
família, na sociedade e mesmo na comunidade.

O repertório litúrgico para este domingo está no CD “Li-


turgia IX”, produzido pela Paulus.

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15º Domingo do Tempo Comum
16 de julho de 2006

Leituras: Amós 7,12-15; Salmo 84(85); Efésios 1,3-14;


Marcos 6,7-13 (Missão dos Doze Apóstolos)

“Amor e fidelidade se encontram,


justiça e paz se abraçam”
(SI 84[85],1 1)

1. Situando-nos brevemente
Celebrando nossa Páscoa semanal, fazemos memória de
Jesus, que chamou e enviou os apóstolos em missão e nos confia
a continuidade dessa missão. Hoje sua Páscoa se manifesta na
vida de todas as pessoas que se consagram dedicando a vida à
causa dos pequenos e pobres.
Neste encontro celebrativo, o Senhor nos fortalece e nos
ajuda a recuperar a alegria e o entusiasmo de nossa consagração
a serviço do Reino.
Amanhã, faremos memória de Inácio de Azevedo e seus
companheiros, mártires do século XVI, e Bartolomeu de Las
Casas, bispo defensor dos povos indígenas e dos negros, na
América Central, do mesmo século. É bom lembrar que este
bispo afirmava que não podia celebrar a eucaristia dignamente
quem explorasse o trabalho escravo dos índios.

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PNE - QV) - CVY nº 29
2. Recordando a Palavra

O Evangelho de Marcos é manual de iniciação cristã,


em que vamos descobrindo quem é Jesus e como ser seu
discípulo.
Depois de rejeitado em Nazaré, sua terra (Evangelho do
domingo passado), Jesus chama os discípulos e começa a
enviá-los dois a dois em missão, com o poder de expulsar
os espíritos maus e de curar os doentes. Mas impõe algumas
condições:
1º) 11 dois a dois, isto é, deve haver harmonia, bom entendi-
mento e ajuda mútua entre as pessoas que evangelizam;
2º) levar um cajado e ter sandálias nos pés, isto é, estar pre-
parados e dispostos para uma longa e difícil caminhada.
Não é possível deixar a missão por qualquer motivo;
3º) levar só o necessário, apresentar-se pobremente e nada
de supérfluo deve pesar ou atrapalhar a missão;
4º) contentar-se com a hospitalidade que é oferecida, mas
libertar-se da “poeira” dos que não aceitam o Evan-
gelho; não impor seus ensinamentos, mas anunciá-los
com liberdade a pessoas livres, sujeitando-se, porém, à
responsabilidade da recusa. Quem evangeliza deve ter
atitude tolerante e compreensiva, não desistindo de uma
nova oportunidade. Nunca impor o Evangelho, pois é
mais coerente com o jeito de Deus respeitar a liberdade
e a opção religiosa das pessoas.
É preciso desempenhar a missão de acordo com o modo
de Jesus e a pedagogia de quem veio curar e consolar. Não
são discursos e sermões, mas convite à conversão e à fé
acompanhada de sinais concretos: expulsar demônios (e
hoje são tantos!), curar, libertar. Destruir tudo o que oprime,

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PNE - QV) - CVV nº 29
escraviza, rebaixa e exclui as pessoas. Abrir-se para todas
as possibilidades de vida feliz e abundante.
Os discípulos expulsaram muitos demônios e curaram
vários enfermos. Dessa forma, os Doze foram adquirindo
autonomia e confiança em si mesmos e tomaram consciên-
cia de que eram capazes de realizar as mesmas coisas que
Jesus realizava. O enviado não escolhe a própria direção;
age em nome de quem o enviou.
Em um contexto de crescente desigualdade entre ricos e
pobres, de manipulação do rei à religião e ao culto, que
Amós, um simples vaqueiro e cultivador de sicômoros,
é escolhido por Deus para falar como profeta numa terra
que não era a sua. Sua palavra contesta o rei e a própria
religião oficial que encobre os desmandos dos poderosos.
O profeta foi logo rejeitado, expulso e intimado a voltar
para sua região de origem, Judá.
À vocação e missão do profeta não visam ao lucro e não
nascem de interesses gananciosos. Provêm de Deus para
defender a vida do povo.
Deus garante que o povo lhe pertence e ninguém poderá,
mesmo em nome da religião, manipulá-lo, explorá-lo e
oprimi-lo. Tal convicção encoraja e fortalece o profeta
diante das grandes dificuldades que a missão lhe impõe.
Cantamos o Salmo 84(85) à luz do mistério de Cristo.
Jesus, o “Bem-Amado”, é o amor e a fidelidade de Deus
para a humanidade, o verdadeiro caminho para a vida. Os
clamores por liberdade, vida, chuva (terra), saúde, justiça
são súplicas para que o Reino de Deus venha!
O início da carta aos Efésios (1,3-14) é um hino de bênção
e louvor, síntese de toda a carta. E uma anáfora litúrgica
exaltando o desígnio de Deus realizado nas pessoas por

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meio de Cristo. A bênção de Deus é considerada sob
aspectos sucessivos e inseparáveis: eleição, libertação,
recapitulação, herança prometida, dom do Espírito.
Somos chamados a aprofundar o sentido de nossa exis-
tência, marcada por intervenções divinas através de Jesus
Cristo, e a conformar nossa ação no mundo com o desígnio
de Deus.

3. Atualizando a Palavra

À Palavra de Deus deste domingo nos lembra que o segui-


mento de Jesus acontece no comum do dia-a-dia: trabalhando em
conjunto, comunitariamente, com desprendimento e disponibi-
lidade; anunciando a Boa-Nova, não como simples funcionário,
mas como profeta, respondendo a uma missão divina que não se
escolheu, porém para a qual se foi escolhido antes da criação do
mundo e enviado como servidor do povo. Escolha que é graça,
e também exigência de sobriedade, recusa de privilégio social
e econômico; autêntico desprendimento pessoal em um serviço
nem “profissional” nem funcional.
À nossa vivência religiosa tem consegiiência social, política
e econômica. Esta foi a postura de Jesus. É o próprio Evangelho
que nos propõe fazer política. Contudo, não uma política segundo
os Interesses do “rei” ou dos poderosos, mas conforme o Evan-
gelho, segundo o interesse do amor, da fraternidade, da justiça
e da opção pelos pobres.
Como discípulos de Jesus, recebemos uma missão ante o
capitalismo mundial, imperialista, invasor, explorador e exclu-
dente que não respeita o direito internacional da convivência entre
os povos. Também junto aos movimentos populares, os quais
lutam pelos direitos das minorias oprimidas, temos a proposta
de Jesus a oferecer.

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PNE - QV) - CVY nº 29
Fomos marcados por Cristo com o Espírito Santo para
assumirmos a ação transformadora de Deus. O compromisso do
cristão é fazer com que este mundo de injustiça se converta numa
sociedade de irmãos. Jesus sempre chamou à conversão, que não
é uma questão moral somente, mas a modificação integral de
nossa maneira de viver.
Como seguidores de Jesus, temos o Reino como projeto,
causa e missão”?

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


A assembléia eucarística é lugar privilegiado da salvação
cuja força vem da Palavra ouvida e acolhida em nosso coração
e do Espírito que nos faz, com Cristo, uma oferenda agradável
a Deus,
Participando da celebração, ele nos consagra como envia-
dos, entregando-nos seu Espírito, e nos fortalece para que nunca
percamos o entusiasmo e a alegria em nossa missão, fazendo
sempre bem cada tarefa que assumimos. O rito da unção com
óleo perfumado evidencia este mistério.
O profetismo também se manifesta na perseverança e na
radicalidade com que vivemos o nosso cotidiano.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
l. Valorizar, nos vários momentos da celebração, todas as
pessoas que trabalham com doentes e os próprios doentes
presentes.

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Lembrar, em momento adequado, nomes de profetas e
evangelizadores(as) de hoje que, como Amós, Jesus e os
discípulos, dão a vida pelos irmãos.
Nas comunidades onde só houver celebração da Palavra, a
segunda leitura (Ef 1,3-10) poderá servir como louvação,
após a liturgia da Palavra. Há uma versão cantada deste
hino no Ofício Divino das Comunidades, p. 253.
Depois do Evangelho, no momento da Profissão de Fé, fa-
zer a unção com óleo como sinal da salvação que o Senhor
realiza em nós, por meio de sua Palavra. Quem preside
pega uma vasilha com óleo perfumado e reza:
D.: Ó Deus, que ungiste Jesus com o óleo da alegria para anunciar
boas notícias ao teu povo, nós te bendizemos por este óleo e te
pedimos que, as pessoas que forem ungidas por ele, recebam a
força do teu Espírito e sintam a ternura da tua companhia. Por
Cristo, nosso Senhor. Amém!

Terminada esta oração, unge-se a fronte de cada pessoa com


óleo perfumado (mais pessoas podem ajudar), enquanto a
assembléia canta uma música adequada, como: “O Senhor
é meu pastor”, ou “O Espírito do Senhor/ nos unge e nos
envia/ para anunciar a boa nova da alegria!”, ou outra à
escolha.
Dentre os prefácios do Missal Romano, um dos mais ade-
quados é o VI, “O mistério da salvação em Cristo”.
Destacar o abraço da paz como momento de verdadeira
reconciliação entre as pessoas.
Valorizar os ritos finais como envio em missão. O que vi-
vemos e celebramos, o que o Senhor nos revelou na liturgia
não é para se guardar em segredo, mas para anunciar aos
outros e ser praticado.

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Na bênção final, dar atenção particular aos doentes presen-
tes. Pode-se, inclusive, com uma boa preparação, adminis-
trar o Sacramento da unção dos enfermos a um ou mais
doentes ou idosos, devidamente convidados e preparados,
usando o rito previsto no Ritual do sacramento dentro da
celebração eucarística.
O repertório litúrgico para este domingo está no CD “Li-
turgia IX”, produzido pela Paulus.

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16º Domingo do Tempo Comum
23 de julho de 2006

Leituras: Jeremias 23,1-6; Salmo 22(23); Efésios 2,13-18;


Marcos 6,30-34 (Urgência da missão)

“O Senhor é o pastor que me conduz”


(SI 22[23],1)

1. Situando-nos brevemente

Em cada celebração fazemos memória da Páscoa de Jesus


ressuscitado e vivo no meio de nós. Hoje, nós o contemplamos
como Mestre que se revela muito próximo e íntimo dos discí-
pulos e se comove diante da multidão faminta e desamparada
que o cerca.
Como bom pastor, ele se compadece de nossos sofrimentos,
guia-nos, fortalece-nos e defende nossa vida.
Hoje, a Páscoa de Jesus se prolonga na vida de tantas pes-
soas que são movidas em sua missão, em seu trabalho pastoral,
pela mística da compaixão, da ternura e da doação, vencendo todo
o tipo de autoritarismo, esnobismo e exploração interesseira.
Recordamos neste dia a morte violenta de oito adolescentes
enquanto dormiam na Candelária, no Rio de Janeiro, em 1993.
Durante a próxima semana, há várias festas que merecem
ser lembradas:
o 24/71: martírio de pe. Ezequiel Ramim, defensor dos pos-
seiros e mártir da terra, Rondônia, 1985;

65
PNE - QV] - CVV nº 29
25/7: são Tiago, apóstolo, e são Cristóvão, padroeiro dos
motoristas — Dia do Agricultor e dos Motoristas;
26/7: santa Ana e são Joaquim, pais de Maria — Dia dos
Avós;

29/7: santa Marta, dona de casa, discípula de Jesus — Dia


do Hóspede.

2. Recordando a Palavra

O Evangelho nos apresenta duas cenas. Na primeira apa-


recem os apóstolos cansados, mas felizes e cheios de entu-
siasmo pelo bom êxito da missão e por tudo o que tinham
conseguido realizar. Jesus os convida amigavelmente a se
retirarem para um lugar sossegado, à solidão do deserto, a
fim de refazerem suas forças e buscarem maior intimidade
com o Pai, pela oração. No Evangelho de Marcos e em
outros textos bíblicos, o deserto é o lugar onde Deus fala
a seu povo.
É indispensável para a missão o espaço da oração, o cultivo
da relação íntima e pessoal com Deus. É ele quem anima e
dá forças para enfrentar todas as dificuldades que apóstolos
e apóstolas de todos os tempos vão encontrar.
A segunda cena apresenta a chegada da multidão: povo
abandonado e desprezado pelos maus governantes, maus
pastores que, pela corrupção, abuso do poder, busca de
interesses pessoais e total descaso pelo povo, provocavam
o triste drama da miséria cada vez maior das multidões de
miseráveis, excluídas do sistema do Império Romano que
só beneficiava uma minoria de privilegiados.
Diante dessa multidão sofrida, Jesus moveu-se de compai-
xão, um traço característico de Deus. Deixa-se estremecer

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PNE - QV) - CVV nº 29
por dentro, tem um sentimento profundo como dores de
parto, escuta o gemido e suas entranhas comovem-se por-
que os pastores haviam abandonado seu povo nas mãos de
estranhos e exploradores.
À primeira leitura e o Evangelho evocam a figura do pas-
tor, como no 4º Domingo da Páscoa. O profeta Jeremias
faz uma acusação contundente aos pastores que traíram
as esperanças do povo, especialmente o rei Sedecias, cujo
nome significa “Justiça de Deus”, mas na prática impunha
sua justiça contra o povo, em nome de Deus.
Jeremias garante ao povo que nem tudo está perdido.
Deus mesmo vai cuidar de seu povo e lhe dará um pastor
segundo o seu coração, um Messias que se chamará “O
Senhor é nossa justiça”. A justiça e o direito expressam a
vontade de Deus.
Salmo 22(23): Jesus é esse pastor que se compadece do
povo explorado. Ele caminha à frente de seu rebanho, tanto
para chegar ao pasto e à água como para voltar ao curral
do repouso, já na escuridão da noite.
A segunda leitura é um hino cristológico. Cristo é a paz e
quem nos traz a paz; ele derrubou a parede divisória entre
judeus e gentios, que eram desconsiderados pelos primei-
ros. Como bom pastor, Cristo reúne a todos como um só
rebanho. Não há mais discriminação e Deus nos chama
para participar de seu Reino.
No Senhor ressuscitado desaparecem antagonismos e
injustiças que fazem com que homens e mulheres não
se entendam entre si. O Evangelho é uma mensagem de
caráter universal, derruba os muros sociais, políticos,
econômicos, culturais e irmana todos numa fraterna co-
munhão.

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PNE - QV) - CVV nº 29
3. Atualizando a Palavra

Pastor ou pastora é quem tem responsabilidade pelo bem de


outras pessoas. À atitude de Jesus nos lembra que esta é a forma
de ser de Deus e também deve caracterizar a comunidade cristã.
No seguimento de Jesus, somos ovelhas e pastores, convocados a
viver a “compaixão/sentir com” os pobres, ser “pastores amoro-
sos”, responsáveis pela sorte, pela vida, pela paz, pela felicidade
dos irmãos e irmãs.
Jesus traz a paz a todos sem exceção, porque vem da parte
de Deus, e Deus nos tem por filhos. A divisão entre judeus e pa-
gãos, crentes e não-crentes, brancos e negros, homem e mulher,
ou qualquer outra oposição, não pode ser aceita por nós.
O convite de Jesus para ir a um lugar tranqiilo e descansar
um pouco não é detalhe que destoa do resto do Evangelho. É
importante que em nossas comunidades criemos espaço para
o descanso, o lazer, a convivência prazerosa. A vida cristã não
se reduz a preceitos, normas, pecados, obrigações, orações,
devoções, abstinências, Jejuns, esmolas, apenas... mas é bom
caprichar na gratuidade, no aconchego, no convívio alegre e
fraterno.

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Como rebanho, encontramo-nos no regaço de nosso Pastor
para refazer as forças e ouvir sua Palavra. A celebração nos afasta
da correria dos afazeres da vida e da missão para permanecermos
na intimidade do Senhor e prosseguirmos mais animados em
nossa caminhada pascal.
Somos tocados pelo seu olhar compassivo. Sua presença
amorosa se faz sentir na comunidade de irmãos que juntos cele-
bram o sacramento de sua Palavra, a qual ecoa dos acontecimen-
tos, dos textos bíblicos, da homilia, dos cantos e do silêncio. E,

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PNE - QV) - CVV nº 29
num diálogo de aliança e compromisso, respondemos, professan-
do nossa fé e suplicando, desejosos que seu Reino venha logo.
Mas é no rito eucarístico que vivemos plena comunhão de
aliança com o Senhor. Agradecidos, oferecemos com ele nossa
vida ao Pai que nos brinda com a ceia, sacramento da entrega
de seu Filho na cruz.
Na comunhão de sua aliança, deixamo-nos tomar de com-
paixão pela multidão faminta, sofrida e desesperançada ao nosso
redor. Pela força do Espírito, como bons pastores, assumimos
doar nossa vida para que o mundo tenha vida e alegria.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
|. | Um ícone do Bom Pastor pode ficar em destaque no espaço
celebrativo.
2. — Acolher de modo bem fraterno e alegre as pessoas presen-
tes. Que todas possam experimentar a certeza e a satisfação
de serem “rebanho de Cristo, o Bom Pastor”.

3. Fazer a “recordação da vida”, tendo presente a realidade de


sofrimento em que vive hoje a multidão de empobrecidos,
a grande massa sobrante e excluída do processo de desen-
volvimento social, econômico e político em nosso país e
no mundo. À primeira leitura sugere forte ligação com o
momento político atual.
4. Valorizar os momentos de silêncio e oração pessoal durante
a celebração.
5. Proclamar bem os textos bíblicos e, na homilia, confrontá-
los com a situação política em que vivemos, como também

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PNE - QV) - CVV nº 29
questionar os tipos de liderança, “pastores”, que temos ou
somos nas comunidades. Neste ano de eleições, é preciso
ter consciência dos “maus políticos” — corruptos, traidores
do povo e das multidões sem rumo e sem dignidade -, e,
da mesma forma, dos “bons políticos” que exercem dig-
namente o seu mandato.
Dois dentre os prefácios do Tempo Comum do Missal Ro-
mano são apropriados para este domingo: o VIe o VIII.
Destacar a presença dos avós na celebração, lembrando
que o dia 26/7 — festa de santa Ana e são Joaquim, pais de
Maria — é Dia dos Avós. Se for oportuno, dar uma bênção
especial.
Informar sobre a festa dos motoristas e dos agricultores,
comemorada no dia 25/7, e, se for oportuno, dar uma
bênção especial para os motoristas e seus veículos, assim
como aos agricultores presentes.

Valorizar os momentos de envio à missão, que nos alimen-


tam para ela: conclusão da homilia, a comunhão, os avisos
no final e a bênção final.
10. O repertório litúrgico para este domingo está no CD “Li-
turgia IX”, produzido pela Paulus.

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PNE - QV] - CVV nº 29
|/2 Domingo do Tempo Comum
30 de julho de 2006

Leituras: 2 Reis 4,42-44; Salmo Id4(145); Efésios 4,1-6;


João 6,1-15 (Multiplicação dos pães)

“Vós abris a vossa mão prodigamente


e saciais todo ser vivo com fartura”
(SI 144[145],16)

1. Situando-nos brevemente
A partir deste domingo, interrompendo a segiiência do
Evangelho de Marcos, a liturgia nos propõe, por cinco domingos,
o capítulo 6 de João, com a narrativa da multiplicação dos pães
e o discurso sobre o Pão da Vida.
A multiplicação dos pães não é apenas uma imagem da
eucaristia, mas também do banquete messiânico no final dos
tempos, quando todos serão saciados e a morte, vencida. Este é
o verdadeiro sentido da missão de Jesus.
Neste domingo, celebramos Jesus ressuscitado, pão que
alimenta, dá sentido a nossa vida e é proposta de saciedade para
todo tipo de fome que angustia a humanidade.
Unimos ao memorial da Páscoa de Jesus a ação solidária
de todas as pessoas e grupos que se empenham fraternalmente
na luta contra a fome e a miséria crescentes do povo, desafiando
o sistema de acumulação que domina nosso mundo.

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PNE - QV] - CVV nº 29
2. Recordando a Palavra

A multiplicação dos pães é o quarto sinal do Evangelho


de João, sinal central dentre os sete que simbolizam
toda a ação de Jesus. É apresentado seis vezes nos
Evangelhos.
Jesus se encontra na Galiléia, região de trabalhadores
pobres mantida por latifundiários que moram na corte de
Herodes. A Páscoa dos judeus está próxima, mas o povo
prefere não ir a Jerusalém, e seguir Jesus; libertam-se,
assim, do poder explorador concentrado no Templo de
Jerusalém.
Jesus é o verdadeiro libertador que conduz à Páscoa au-
têntica; é o novo Moisés, que sobe ao monte e é rodeado
por muita gente que deseja escutá-lo. Às vezes vinham de
longe, atraídos pela fama dos sinais que realizava. Jesus
aproveita um desses momentos para ensinar a partilha,
característica fundamental de seu projeto. Começa inter-
pelando os discípulos sobre como solucionar o problema
da fome do povo.
É a mesma situação apresentada na primeira leitura. Pão
de cevada era comida modesta, de pobres ou gente sim-
ples, e o único alimento que tinham para partilhar naquele
momento.
Jesus não dá esmola; ele ajuda as pessoas a repartir o que
têm, mesmo que sejam cinco pães e dois peixes... Há uma
grande diferença entre dar esmola e o ato de repartir. A
solidariedade, o partilhar geram irmandade, trazem alegria.
A esmola, o paternalismo podem produzir desigualdade,
descontentamento, divisão, humilhação.

Jesus encarna a generosidade de Deus. O povo come o


quanto precisa e ainda sobram doze cestos. Doze é número

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PNE - QV) - CVY nº 29
simbólico que, às vezes, se refere à organização do povo.
Mas o que se torna claro é que não se deve desperdiçar o
dom de Deus.
A atividade profética de Eliseu teve lugar no Reino do
Norte. No seu tempo, muitos pobres, para sobreviverem,
submetiam-se a dívidas com os latifundiários, vendendo
seu trabalho por nada. Eliseu, homem de Deus, ajuda o
povo a se organizar para sair de tal situação. A libertação
não é um favor.
A multiplicação dos pães sacia cem pessoas, com vinte
pãezinhos de cevada, lembrando a fartura do maná, no
tempo de Moisés. Embora à primeira vista pareça não ser
suficiente para tanta gente, quando partilhado, satisfaz a
todos e ainda sobra.
Fartura, abundância, alimento à vontade são frutos da
partilha, a qual é sinal da realização do projeto de Deus,
da chegada do tempo messiânico que se realiza em Jesus
Cristo.
Com o Salmo 144(145),13-16, louvamos a fidelidade de
Deus, traduzida em suas obras amorosas: ele ampara, en-
direita, dá alimento, estende a mão e sacia. Ele ama os que
estão encurvados, os que caem, os oprimidos.

A segunda leitura é uma exortação à unidade. Paulo, na


prisão, suplica aos efésios que vivam de acordo com a
vocação a que foram chamados e se esforcem para manter
a unidade, já que receberam um mesmo batismo. O reco-
nhecimento da paternidade de Deus nos leva a admitir que
os “demais” são nossos irmãos!
A unidade é a essência da Igreja: um corpo, um espírito,
um Senhor, uma fé, um batismo, um Deus e Pai de todos.
E para manter essa unidade é preciso: humildade, paciên-

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PNE - QV) - CVV nº 29
cia e suportar-se mutuamente na caridade. A humildade e
a modéstia desempenham papel muito importante onde
a unidade é ameaçada. A mansidão, o espírito pacífico
e a docilidade são comportamentos que distanciam toda
espécie de rixa, evitam a agressividade e o sentimento de
superioridade. A paciência é um sinal essencial do amor
e torna possível a unidade e a paz. É o Espírito que cria e
conserva a unidade.

3. Atualizando a Palavra
À fome é uma questão que atinge todos nós. O desequilíbrio
entre nações ricas e a multidão de pobres é assustador. Como
cristãos somos seguidores de Jesus, que, a partir da realidade de
seu tempo, saciou concretamente pessoas que tinham fome e se
revelou como pão.
A revelação de Jesus como pão só se realiza no compro-
misso com a solidariedade, a partilha e o engajamento em uma
nova “multiplicação dos pães”, em escala nacional e mundial.
Compete a nós a sétima multiplicação de pães, para ser plena.
Se o povo passa fome, não é tanto pela pobreza em si, mas
pelo fechamento de quem não se importa com os demais. À parti-
lha marcou profundamente as primeiras comunidades cristãs. Ao
partir o pão, descobre-se a presença nova do Ressuscitado!
A salvação trazida por Jesus atinge nossa vida em todas
as suas necessidades; é total, não deixa ninguém com fome. Por
isso, nossa atuação e responsabilidade com as questões sociais,
econômicas e políticas são sinais da salvação que Deus quer
realizar, hoje, através de nós.

Ao multiplicar os pães, Jesus nos oferece critérios evangé-


licos fundamentais para vivermos a fraternidade, a partilha e a
solidariedade. E repartindo e sendo solidários que vamos realizar
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PNE - QV) - CVV nº 29
o projeto de Jesus, banquete de fartura e de alegria entre irmãos
que se amam. O dinheiro, a terra, os bens ou servem para criar a
fraternidade ou acabam dividindo e matando as pessoas.
Jesus ensina que a dinâmica do Reino é a arte de repartir.
Todo dinheiro do mundo não seria suficiente para comprar ali-
mento necessário para os que estão passando fome... o problema
não se soluciona comprando, mas repartindo.

À dinâmica do mundo capitalista é precisamente o dinheiro.


Cremos que sem dinheiro nada se pode fazer. Convertemos tudo
em moeda. No mundo puramente capitalista, não há espaço para
a gratuidade. Tudo tem seu preço! A gente já se esqueceu de que
a vida nos é dada por pura gratuidade de Deus.
Que ações concretas temos realizado para que haja pão em
todas as mesas neste país?
Nossas comunidades são sinais no Reino pela vivência da
partilha econômica?

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Necessitados de força, de coragem, de sentido para a vida e
de perseverança, participamos da ceia do Senhor onde se realiza
entre nós a multiplicação dos pães.
Jesus, o Pão da Vida, sacia nossa fome com a Palavra que
nos revela o sentido da vida e com a ceia eucarística, sacramen-
to da salvação, sinal e antecipação do banquete sem fim a que
somos destinados.

Ele nos convida a abrir nossas mãos e nosso coração para


gestos de partilha e solidariedade, a fim de vencermos nossas
dificuldades, a fome e a miséria do mundo.
À eucaristia é o pão que sacia a necessidade que temos
de alimento para conservar a vida, ter coragem, perseverança e
75
PNE - QV) - CVV nº 29
segurança; o pão que nos dá forças para superar as atribulações
que existem e atormentam nossa vida. E a segurança de que Deus
nos ama, e a certeza da ressurreição; é Deus-conosco.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
L. Confrontar o sentido das leituras (partilha e abundância
de pão) com o trabalho e a luta dos lavradores, cuja festa
celebramos no dia 25/7.
É importante que a equipe de celebração ou a própria as-
sembléia seja convidada a apresentar os acontecimentos
que marcaram a semana, para que a celebração dominical
seja o memorial da Páscoa do Senhor acontecendo em nossa
realidade. Poderá ser feito logo após a saudação de quem
preside, nos ritos iniciais.
A segunda leitura nos propõe a paixão pela unidade. Nesse
sentido, nos ritos iniciais a comunidade constitui um só
corpo em Cristo. Um gesto fraterno de acolhimento entre
as pessoas logo no início da celebração e, sobretudo, a
comunhão eucarística permitem que esta realidade seja
fortemente vivenciada neste domingo.
O Evangelho poderá ser dialogado ou cantado.
À homilia deve levar a comunidade a associar a Palavra de
Deus com a realidade em que vivemos e com o mistério
que celebramos.
Na preparação das oferendas, incluir produtos da roça,
frutos da terra e do trabalho agrícola, além de pães que
possam ser abençoados e, após a comunhão, repartidos,
especialmente com as crianças e os mais pobres.

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PNE - QV) - CVV nº 29
Onde for possível, confeccionar e usar pão ázimo, tendo
presente a proposta do Missal Romano, IGMR, n. 283, p.
84. Se houver condições, fazer um ágape fraterno após a
celebração.
Dar maior destaque a todo o rito eucarístico, cantando o
prefácio com o “Santo”, as aclamações e o amém final.
Entre os prefácios comuns do Missal Romano, escolher o
Lou V.

Quem preside deve realçar bem o gesto da fração do pão


acompanhado pelo canto “Cordeiro de Deus”, entoado pela
assembléia.
10. No envio em missão, sejam propostos gestos concretos de
partilha e ações de solidariedade para serem assumidos pela
comunidade, durante a semana. O milagre da multiplicação
acontece, em especial, pelo nosso empenho coletivo contra
a miséria e a fome, que não se reduz apenas ao nível emer-
gencial, mas também estrutural, educacional e político.

11. O repertório litúrgico para este domingo está no CD “Li-


turgia IX”, produzido pela Paulus.

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PNE - QV) - CVV nº 29
Transfiguração do Senhor
6 de agosto de 2006

Leituras: Daniel 7,9-10.13-14; Salmo 96(97);2 Pedro 1,16-19;


Marcos 9,2-10

“O céu anuncia a sua justiça, e os povos


todos contemplam a sua glória”
(SI 96[97],6)

1. Situando-nos brevemente

Hoje celebramos a festa da transfiguração do Senhor, que


tem precedência na liturgia sobre o 18º Domingo do Tempo
Comum,
Esta festa entre os orientais é considerada “Páscoa de
verão”. Entre nós, no Ocidente, começou a ser celebrada em
1456.

O Evangelho da transfiguração, com o tema da luz, foi


escolhido desde muito cedo como leitura fundamental para a
catequese litúrgica em preparação ao batismo. Os cristãos eram
chamados de “filhos da luz”. Por isso, até hoje, o mistério da
transfiguração faz parte do processo quaresmal (2º Domingo da
Quaresma), conduzindo-nos para a celebração pascal.
Jesus ressuscitará e será exaltado; este é o sentido da trans-
figuração que antecipa a ressurreição, fruto de sua entrega como
servo sofredor. E a vida cristã é compreendida como processo de
lenta transformação em Cristo até a transfiguração na imagem

79
PNE - QV] - CVV nº 29
de Cristo glorioso. Já começamos a vislumbrar a luz, mesmo na
travessia da noite e das trevas!
Como Pedro, Tiago e João no monte Tabor, somos chama-
dos a contemplar a presença luminosa de Jesus e a ouvir a voz
do Pai declarando-o seu Filho amado em quem deposita todo
seu amor.
E costume dedicar o mês de agosto às vocações e neste
primeiro domingo celebrar o Dia do Presbítero.
Celebramos também, neste dia, Bom Jesus da Lapa e Se-
nhor do Bonfim.

2. Recordando a Palavra

o No Evangelho de hoje, Jesus quer nos ajudar a entender


sua missão. Ele havia caminhado com os discípulos e lhes
revelado o necessário quanto ao Reino. Mas os discípulos
não compreendiam a possibilidade da morte de cruz. Eles
não podiam entender que o Mestre devia sofrer para entrar
na glória.
A tradição situou teologicamente a cena do Tabor como o
novo Horeb, ou o Sinai de Moisés e Elias. Moisés simboliza
a primeira aliança e Elias, a profecia. Os dois receberam
revelações extraordinárias de Deus. Agora são testemunhas
da glória de Jesus.
O verbo grego “transfigurou-se” corresponde a “trans-
formar”. Jesus, por um momento, mostra aos discípulos
toda sua glória, faz com que eles experimentem o gozo
antecipado da ressurreição. Por instantes, há um desvelar
provisório do mistério para três testemunhas. (Sugerimos
a leitura de Éxodo 24,9-18 para enriquecer a compreensão
do mistério que hoje celebramos.)

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PNE - QV) - CVY nº 29
Nessa experiência, eles recebem do Pai a certeza de que
Jesus, Filho do Homem, carpinteiro de Nazaré, é o Filho
amado, o escolhido, a quem devem escutar e seguir.

À fé dos apóstolos e a nossa fé saem fortalecidas a partir


desse fato, como Jesus também saiu fortalecido em sua
obediência e fidelidade ao Pai.

À primeira leitura é do livro de Daniel, texto apocalíptico


da época em que o rei Antíoco IV queria destruir a cultura,
os costumes e a religião dos judeus. Quem não se submetia
aos costumes da cultura grega era perseguido. A palavra do
profeta vem sustentar a esperança do povo fiel e, ao mesmo
tempo, provocar resistência contra os opressores.
O texto de hoje chama nossa atenção para o mistério que
governa e julga a história. O ancião é o próprio Deus;
os livros, onde ficam registradas as ações humanas, são
abertos dando início ao julgamento. A fera a ser julgada é,
principalmente, o Império e o misterioso filho do homem,
a personificação do povo fiel.
O Segundo Testamento vê Jesus como este misterioso
homem que vem do céu para instaurar o Reino de Deus.
Salmo 96(97): neste Salmo há uma espécie de teofania,
manifestação de Deus como Senhor universal. Surge seu
trono envolto em nuvens, em direito e justiça, com fogo
devorador, relâmpagos... O céu proclama a justiça de Deus
e os povos contemplam sua glória.
Na segunda leitura, Pedro, testemunha da transfiguração,
fala não apenas sobre o fato que viu com seus próprios
olhos, mas anuncia o sentido dessa experiência em sua vida.

Seu testemunho nos convida a contemplar Jesus ressuscita-


do, presente no meio de nós, mesmo se caminhamos entre
dificuldades e tensões.

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PNE - QV) - CVV nº 29
Para Pedro e para nós, as profecias e toda a Sagrada Es-
critura são lâmpadas que iluminam nossa noite, até que
amanheça o sol, ou seja, até a vinda gloriosa de nosso
Senhor, Jesus Cristo.

3. Atualizando a Palavra

A transfiguração vem completar o primeiro anúncio da Pai-


xão, dando uma resposta antecipada à rejeição da cruz, expressa
na atitude de Pedro. Talvez seja por isso que ele é convidado por
Jesus para presenciar o sinal de união entre ele e o Pai.
Na sugestão de Pedro — para que se ergam três tendas,
para Jesus, Moisés e Elias —, estão presentes o projeto igualitá-
rio € a profecia, que caracterizam o projeto do Reino. A “tenda”
verdadeira é a própria nuvem da presença de Deus que está em
Cristo Jesus.
Na transfiguração, Jesus nos manifesta o ápice de seu
processo de encarnação, de crescimento, de ressurreição que o
envolverá como Cristo glorioso. Revela-nos o sentido da vida e
da própria morte.
Nós somos convocados(as) a entrar no mesmo processo
de Jesus, em lenta transfiguração de nossa vida, até que sejamos
plenamente filhos(as) de Deus, Senhor da Luz. Quem, como Je-
sus, assumir a condição de servo fiel à vontade do Pai, por amor
à vida, terá o mesmo destino de Jesus: será transfigurado.
Num mundo em que predominam trevas de violência, de
corrupção, ganância, as quais provocam a fome de milhões de
pessoas, além de mentiras e enganos, o mistério da transfigura-
ção nos permite vislumbrar o que acontecerá à medida que nós,
corpo eclesial do Senhor, tivermos a mesma atitude de entrega
total da vida: toda a humanidade será transfigurada, divinizada,
transformada num corpo de glória.
82
PNE - QV) - CVV nº 29
Concretamente o que temos feito para mudar a realidade
atual?

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Nesta celebração, o Pai também nos reconhece como
filhos(as) amados(as), nos faz passar da morte para vida e nos
envia para transfigurar nossa realidade, fazendo com que tudo e
todos passem das trevas à luz.
À eucaristia que celebramos tem gestos e ações que escon-
dem e ao mesmo tempo revelam a presença do Ressuscitado:
assembléia reunida que ora e canta; a Palavra proclamada; a
pessoa dos ministros(as); pão e vinho partilhados em ação de
graças, na comunhão de irmãos.
Participamos do mistério da transfiguração escutando o
Filho amado e recebendo dele a certeza da ressurreição, que passa
necessariamente pelo mistério da cruz assumida numa atitude
de servos(as), até atingirmos plenamente nossa identidade de
“filho(as) da luz” na transfiguração definitiva.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
l. Preparar o espaço celebrativo com o Círio pascal, que
poderá ser aceso e incensado no início da celebração.
2. À proclamação do Evangelho poderá ser cantada ou dia-
logada. No final, repetir com a assembléia a frase: “Este é
meu Filho amado. Escutai o que ele diz”.
3. O momento da Profissão de Fé poderá ser seguido pela
L

bênção da água batismal e aspersão da assembléia. E


83
PNE - QV] - CVV nº 29
pelo batismo que somos iluminados por Cristo. Durante
a aspersão, cantar um hino apropriado, como: “Banhados
em Cristo somos u'a nova criatura/ As coisas antigas já se
passaram/ somos nascidos de novo! Aleluia! Aleluia! Ale-
luia!”, ou outro à escolha (melodia no CD da CF/2004).
No momento das preces, lembrar os presbíteros que exer-
cem o ministério presbiteral na comunidade.
Valorizar todo o rito eucarístico. A Oração Eucarística
HI do Missal Romano, com o prefácio próprio, está bem
adequada para hoje.
No abraço da paz, as pessoas se saúdam mutuamente di-
zendo: “Que a luz de Cristo resplandeça em você”.
O repertório litúrgico para esta celebração está no CD
“Festas litúrgicas IV”, produzido pela Paulus.

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|9º Domingo do Tempo Comum
|3 de agosto de 2006

Leituras: 1 Reis 19,4-8; Salmo 33(34); Efésios 4,30-5,2;


João 6,41-51 (Onwvir o Pai e crer)

“Provem e vejam
como o Senhor é bom!”
(SI 33[34],9)

1. Situando-nos brevemente

Fazemos neste domingo a memória semanal da Páscoa de


Jesus ligada aos fatos concretos de nossa vida, onde seu mistério
hoje se prolonga.
Jesus, conhecido como o filho de José e de Maria, se de-
clara o Pão Vivo descido do céu. Hoje ele se revela na partilha
do pão e em todas as pessoas, sobretudo em todos os pais que
lutam para sustentar e proteger a vida.
O Pai hoje nos convida a uma maior disponibilidade para
seguir Jesus, que vem ao encontro de nosso esmorecimento e
fraqueza e se oferece como sustento, pão que satisfaz, responde
às nossas angústias e nos anima a prosseguir, com coragem, em
seu caminho.
Neste domingo, Dia dos Pais, inicia-se a Semana Nacional
da Família.

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PNE - QV) - CVY nº 29
2. Recordando a Palavra

O Evangelho deste domingo nos garante que Jesus é o único


que desceu do céu como pão, dom de Deus ao mundo. A
multidão manifesta sua falta de fé por meio de discussões e
murmúrios, como o povo de Deus no deserto (cf. Ex 16).

É o Pai quem instrui e orienta para conhecer aquele que é


a plenitude da revelação. Os ouvintes da pregação de Jesus
não entenderam como ele podia se chamar o “Pão descido
do céu”. Ficaram presos à idéia do pão material que Jesus
lhes dera na multiplicação dos pães e não conseguiram
acolhê-lo como pão que alimenta para a vida sem-fim.
O pão vindo do céu (maná) e a água que jorrou da rocha
são os mesmos sinais da presença de Deus junto ao profeta
Elias, e que Jesus, presença do Pai, declara ser.

A palavra “carne” designa a realidade inteira da pessoa,


com suas possibilidades e fraquezas. João insiste no valor
salvífico da encarnação. Este pão entregue, pleno de po-
tencialidades que a morte não destrói, é “minha carne”, diz
Jesus (v. 51). Os judeus e as primeiras gerações cristãs tive-
ram problemas com a “carnalidade” de Jesus (cf. 1Jo 4,2),
com sua encarnação histórica. Tal situação só foi superada
pela revelação de Jesus, o Ressuscitado. Nele, a vida en-
cerra uma potencialidade transformadora implantada para
sempre na humanidade inteira.
O profeta Elias viveu num tempo em que a fé no Deus
verdadeiro estava sofrendo várias ameaças, por influência
do culto a Baal. Ele denunciou a situação, mostrando que
os profetas de Baal estavam a serviço das autoridades e
não se importavam com a vida do povo. Por causa disso,
foi ameaçado de morte e teve de fugir para o deserto.
Não se trata somente de uma fuga, mas de refazer a expe-
riência do êxodo para encontrar a fonte original da fé dos

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PNE - QV] - CVV nº 29
antepassados, reviver a história de seu povo em sua história
pessoal. Ele tem vontade de morrer, mas recebe o alimento
(maná) oferecido por Deus para que possa alcançar a “mon-
tanha de Deus”, o Horeb, onde Deus apareceu a Moisés.

Com o pão e a água, símbolos do antigo êxodo, Elias realiza


seu próprio êxodo e chega ao encontro com Deus. Reviven-
do a experiência de seu povo no deserto, ele liga o passado
ao momento presente e encontra sentido para prosseguir.

o O Salmo 33(34) é uma ação de graças. A parte que é pro-


priamente o agradecimento constitui uma catequese para
os romeiros, transmitindo uma experiência de vida. Não
tem conclusão, porque talvez a oração de agradecimento
terminasse com a oferta de sacrifício.
o Paulo escreve a carta aos Efésios após longa meditação
sobre o projeto de Deus que se cumpriu em Jesus Cristo,
para libertar a criação inteira e toda a humanidade.
O selo de garantia de nossa salvação é o Espírito Santo, o
Espírito de amor que brota do íntimo do coração do pró-
prio Deus. Mas tantas mesquinharias podem sufocar esse
Espírito em nós. Por isso, devemos imitar Deus no perdão
mútuo e amar como Cristo amou. Nossa vocação é sermos
semelhantes ao Pai, segundo o modelo de Cristo.
Esse modo de viver encontra fundamento na obra realizada
por Cristo ou na obra que o Pai cumpriu em Cristo. Como
Cristo ama e se entrega em sacrifício, devemos agir da
mesma forma.

3. Atualizando a Palavra
A Palavra de Deus deste domingo é uma catequese sobre a
vida. Nossas aspirações e lutas diárias giram em torno da vida:

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PNE - QV) - CVY nº 29
* a luta contra a fome e as doenças é para preservar e
prolongar a vida;
* a luta pela justiça e pela paz é para evitar os conflitos,
a violência e as guerras que destroem vidas;
* a luta pelo desenvolvimento é para melhorar os níveis
de vida;

* aciência faz esforços enormes para afastar as causas de


morte e elevar a expectativa de vida;

* a educação prepara para a vida;


* a filosofia pretende dar sentido e interpretar a vida...
Nossa busca fundamental é viver e nossa luta, para que a
vida seja mais humana e feliz. Nossa tragédia é não poder vencer
a morte. Diante desta realidade humana, Jesus apresenta-se como
Pão que dá a vida sem-fim ao mundo.
À experiência de Elias nos ajuda a enfrentar os dissabores
da missão que exige esforço demasiadamente grande para ser
realizada com as próprias forças. Há necessidade imperiosa
de caminhar sempre, apoiados nas forças do alimento que nos
mantém vivos, rumo à felicidade plena.

A chave da fé cristã é que a vida eterna começa com nossa


vida aqui, como nos diz Puebla, n. 228. Já podemos viver neste
momento a vida plena, pois Jesus se faz nossa vida através de sua
Palavra e da eucaristia. Nele temos, desde já, pela ressurreição,
uma semente de eternidade dentro de nós. Ela desabrochará em
plenitude, vencendo a morte.
Que o sacramento do Corpo de Jesus realize em nós a
alegria da comunhão e nos coloque sempre a serviço da vida,
semeando a ressurreição em lugares e pessoas onde a vida está
sendo desrespeitada.
O pão que comemos, mandado do Senhor, tem-nos mantido
de pé a caminho do seu projeto?

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4. Ligando a Palavra com a ação eucarística
Na celebração participamos da Páscoa de Jesus ao receber
a semente da vida eterna, busca fundamental de nossa vida.

Através da Palavra e da eucaristia, Jesus se faz nossa vida


e nos permite viver aqui a vida eterna, a vida plena, que é ele
mesmo.
Ele se proclama e se oferece como pão que nos satisfaz
plenamente, responde nossas inquietações, dá rumo a nossa
caminhada.
Reunidos em ação de graças e na partilha entramos em
comunhão com ele, renovamos nosso compromisso de viver
como irmãos, na ajuda mútua, no perdão e na solidariedade, e
nos colocamos também a serviço da vida para semear no mundo
a alegria de viver, a ressurreição.
Somente dando a vida seremos “imitadores de Deus”.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
l. O pão continua sendo o grande símbolo deste domingo.
Conforme orientações do Missal Romano, poderá ser
ázimo e, onde for possível, feito por pessoas da própria
comunidade.
2. Procissão de entrada com todos os pais presentes. Valorizar
a participação deles nos vários momentos da celebração.
3. À primeira leitura poderá ser cantada ou proclamada em
tom narrativo e a segunda leitura, proclamada por um
pai.

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O Evangelho de hoje merece especial destaque. Após ser
proclamado, a assembléia poderá repetir as frases mais
significativas, após momento de silêncio.
Nas preces dos fiéis ter presente a realidade dos pais e das
famílias.
Solenizar a Oração Eucarística, que pode ser a V (do
Congresso de Manaus), ou o prefácio da Santíssima
Eucaristia, I, com a Oração Eucarística II, mais as acla-
mações, o “Santo”, a doxologia e o amém final cantados
pela assembléia.
Destacar o gesto da fração do pão e da partilha do Pão da
Vida, no momento da comunhão.
Bênção especial para as famílias e pais presentes. Apro-
veitar as sugestões do Ritual de Bênçãos, próprias para as
famílias. Aqui vai uma proposta:
D.: O Senhor esteja convosco.
T.: Ele está no meio de nós.

D.: Deus, Pai da família humana, guarde e faça prosperar o lar


de todos vós.
T.: Amém!

D.: O Senhor Jesus, que viveu na família de Nazaré, faça de


nossas casas e moradias um lugar de aconchego, respeito,
diálogo e harmonia cristã.
T.: Amém!

D.: O Espírito Santo, que ilumina, anima e unifica, transforme


nossas igrejas e comunidades em verdadeiras famílias,
abertas, acolhedoras e dedicadas aos mais pobres.
T.: Amém!

D.: Abençoe-vos...

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Convidar grupos de famílias para se reunirem durante a
semana a fim de refletirem sobre sua missão. Aproveitar
a proposta feita pela Comissão Episcopal Pastoral para a
Família, da CNBB, para a Semana Nacional da Família.
10. O repertório litúrgico deste domingo está no CD “Liturgia
IX”, produzido pela Paulus.

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Assunção de Maria, Mãe de Jesus
20 de agosto de 2006

Leituras: Apocalipse 11 19a; 12,1-6a.10ab; Salmo 44(45);


1 Coríntios 15,20-27a; Lucas 1,39-59 (Visita de Maria e “Magnificat”)

“Ouça, filha, veja e incline o seu ouvido...”


(SI 44[45], 1 1)

1. Situando-nos brevemente

A festa de Maria que hoje celebramos recebeu, no início


do século IV, o nome de “dormição” (passagem para outra vida)
e só mais tarde foi chamada de Assunção.
Desde os primeiros séculos da Igreja, este mistério era
venerado tanto no Oriente como no Ocidente. Mas só em 1950
foi proclamado por Pio XII verdade de fé. No Brasil, a piedade
popular venera Maria assunta ao céu como Nossa Senhora da
Glória, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora da Abadia,
Nossa Senhora do Pilar...
Celebramos esta festa da Páscoa de Maria dando graças
ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e nela, a
“primeira da fila”, nos oferece o sinal da vitória definitiva de
toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo,
nosso Salvador.
Somos chamados a participar desta gloriosa vitória, viven-
do o projeto de Jesus que vence, pelo poder da entrega da vida, a
força enganosa e aparente do dragão que devora e destrói todas
as possibilidades de uma vida humana digna e feliz.

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PNE - QV] - CVV nº 29
Hoje, cantamos com Maria a esperança dos pobres e peque-
nos, a quem Deus, em sua grande misericórdia, liberta e exalta.
Na próxima quarta-feira (23/6) lembramos a fundação do
Conselho Mundial de Igrejas.

2. Recordando a Palavra

O Evangelho de hoje nos é muito familiar. Maria, grávida,


visita Isabel, também grávida. Encontram-se as duas mu-
lheres do povo num lugarejo sem recursos e sem impor-
tância. Maria é aclamada pela prima como bendita entre as
mulheres e recita uma oração de louvor pelas maravilhas
que o Senhor realizara nela, as quais seriam plenificadas
na vida da criança que estava em seu ventre.
Há uma explosão de alegria dessas mulheres, que reuniam
duas impossibilidades humanas de ser mãe: Isabel era idosa
e estéril; Maria, jovem e virgem.

Maria é aclamada com uma bem-aventurança: “Feliz és tu


que creste, porque se cumprirá o que o Senhor te anunciou”.
Seu coração transborda em canto-oração. Sua resposta é
ação de graças, é celebração profética e jubilosa, resumo de
toda a história da salvação. Ela é filha de Abraão e pertence
a seu povo. Em Maria, neste encontro entre o Antigo e o
Novo Testamento, se unem a promessa e a realização e,
ao mesmo tempo, se manifesta a predileção histórica do
Senhor pelos pobres e pequenos.
Ela fala de um Deus aliado dos pequenos: sacia de bens os
famintos, derruba os poderosos e eleva os humildes. Esta é
uma característica marcante do rosto de Deus que perpassa
toda a Bíblia. O Deus de Israel, o Deus de Maria, é quem tira
da humilhação as mulheres estéreis e escolhe justamente
seus filhos para grandes tarefas. Envia profetas para defen-

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PNE - QV] - CVV nº 29
der os que não têm defesa; é o Deus que rejeita sacrifícios
e ofertas no templo se houver injustiça contra os pobres.
O cântico de Maria apresenta um projeto, que é o mesmo
de Jesus: transformar o modo antigo e opressor de viver,
onde a prepotência e a auto-afirmação humanas saem
sempre ganhando, em uma ordem nova em que triunfa a
Justiça para os ofendidos, os desprezados e excluídos. O
Filho de Maria veio para inaugurar o novo relacionamento
entre todas as coisas.
A leitura de Apocalipse nos apresenta a mulher, símbolo
da comunidade. Ela está
adornada de todo seu esplendor;
veste-se de sol, sinal da glória do Senhor; tem aos pés a
lua, símbolo de alguém que não será vencido pelo passar
do tempo; usa uma coroa de doze estrelas, simbolizando o
povo de Deus, o antigo Israel, com suas doze tribos, do qual
nasceu Jesus, e depois o novo Israel, a Comunidade-Igreja,
Corpo de Cristo, Povo de Deus perseguido pelo dragão.
Está grávida, na hora de dar à luz, como Maria e a Igreja,
que fazem Jesus nascer na história e na vida das pessoas.
O Salmo de hoje celebra a festa de casamento de um rei e
uma princesa; mas para nós é a celebração da aliança que
Deus faz com seu povo. Costumamos rezá-lo pensando
em Maria de Nazaré como lindíssima esposa e primeira
da lista dos ressuscitados com Cristo.
A segunda leitura nos fala do combate entre as forças do
Reino e o mal. O sinal da vitória do Reino representa a
derrota da morte na ressurreição de Jesus. A morte é o úl-
timo inimigo a ser derrotado. Tendo certeza de que a morte
não significa um ponto final e a ressurreição é a palavra
decisiva sobre nossas vidas, todo o resto ganha nova luz
e nossos medos são dissolvidos pela confiança no poder
maior do Pai.

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PNE - QV) - CVV nº 29
3. Atualizando a Palavra

O Salmo de Maria, tradicionalmente chamado de Mag-


nificat, por causa da primeira palavra na tradução latina, é um
mosaico de citações a alusões do Primeiro Testamento.
Ela proclama que Deus cumpriu uma tríplice derrubada
de situações opressoras e falsas para restaurar o projeto de Deus
na humanidade: No campo religioso, Deus subjuga a auto-sufi-
ciência humana, a soberba. No campo político, Deus destitui do
trono ospoderosos e enaltece os humildes, destrói as desigual-
dades humanas. No campo social, Deus elimina os privilégios
estabelecidos pelo dinheiro e poder. Cumula de bens os famintos
e despede
os ricos de mãos vazias, para instaurar uma verdadeira
fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos somos
filhos
de Deus. —
Nossa ligação com Maria existe justamente por ser ela uma
entre os pequenos que Deus escolhe. Se houver muita homenagem
a ela e pouco compromisso com os famintos e desamparados,
estaremos fora da obra que Deus realiza com Maria.
Será que temos devoção real à Maria do Apocalipse e do
Magnificat, profeticamente do lado dos que nada têm?
Ao dizer: “Porque olhou para a humilhação de sua serva...”,
Maria faz um paralelo entre o Espírito criador de Deus e a situação
sofrida da mulher oprimida. De um lado o desmando dos sober-
bos, ricos e poderosos deste mundo e, de outro, a misericórdia de
Deus que envia seu Filho e revoluciona as relações desumanas e
iníquas, elevando os humildes e dando comida farta aos famintos.
Ele olha a condição oprimida do pobre, o estado de desgraça, de
aflição e humilhação em que vivem milhões de pessoas e envia
Jesus para propor um jeito novo de viver que seja bom para todos.
O que alegra Maria é ser parte integrante do projeto de Deus para
a humanidade — salvação das opressões pessoais, mas também
salvação nacional, salvação de um povo.

96
PNE - QV] - CVY nº 29
À exemplo de Maria e motivados por sua Assunção, respon-
demos imediatamente às necessidades dos irmãos e irmãs”? Que
espaço ocupam os pobres, as pessoas com deficiência, os idosos,
os marginalizados em nossa vida pessoal e comunitária”

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Como comunidade peregrina, grávida da salvação de Deus,
nos reunimos para celebrar. Vivemos a experiência de Maria,
que, vestida de sol e adornada de jóias bonitas, canta a esperança
oferecida aos pobres e humildes.
Com ela entoamos, alegres, nossa ação de graças pela sal-
vação realizada em Jesus Cristo, após termos ouvido e acolhido
a Palavra, guardando-a em nosso coração para vivê-la, como
Maria sempre fez.
Sentamos com ela à mesa do Pai e participamos do ban-
quete do Reino, com seu Filho, saboreando antecipadamente a
alegria de nossa elevação definitiva.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
l. Preparar o local da celebração com um painel, ícone ou
imagem de Maria, que pode 1r à frente na procissão, no
início da celebração.
2. Acor litúrgica de hoje é o branco.
3. —Acolher fraternalmente às famílias, que hoje poderão fazer
a procissão de entrada por ser encerramento da Semana
Nacional da Família.
97
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4. Organizar a procissão do lecionário no início da liturgia
da Palavra, acompanhada de velas, flores e um canto apro-
priado.
5. À primeira leitura deve ser proclamada por uma mulher.
Se possível, falada de cor. Durante as três leituras, sugerir
que uma família permaneça ao redor da mesa da Palavra
com velas acesas. Onde for costume, usar também incenso,
sobretudo na aclamação ao Evangelho.
6. Durante o canto do Salmo 44(45), seria interessante um
grupo de jovens ou crianças fazer uma dança ou expressão
corporal alegre e orante, ajudando a assembléia a interio-
rizar melhor o conteúdo do Salmo.
7. O Evangelho poderá ser dialogado ou encenado e o cântico
de Maria, cantado.

8. No momento das preces comunitárias, lembrar das famílias


e das religiosas(os) que trabalham na comunidade, dando
testemunho de serviço ao Reino, pela vida consagrada.
9. O prefácio é próprio. Na louvação, sobretudo onde não
houver missa, pode-se entoar o “Bendito” em forma de
repetição, conforme sugestão:
E bom cantar um bendito
um canto novo, um louvor!

Ao Deus do céu, Pai bondoso,


por Cristo, nosso Senhor!
Ao Deus que acolhe Maria
pra mãe do Salvador!
Ao Deus que enche de graça,
Maria, Mãe do Senhor!
Maria, mãe dos fiéis,
aos pés da cruz se encontrou!
Maria, mãe e modelo,
com Cristo a morte esmagou!

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Com a virgem mãe na sua glória,
a Igreja canta o louvor!
Santo! Santo! Santo... (Revista de Liturgia, n. 74, pp. 20-21).

10. Retomando o conteúdo do Evangelho, entoar o canto de


Maria no momento da comunhão. Demais cantos para esta
celebração encontram-se no CD “Festas litúrgicas IT”,
produzido pela Paulus.
11. Dar uma bênção especial às famílias presentes. Ver suges-
tões no Ritual de Bênçãos.
12. Bênção final: fórmula solene das festas de Nossa Senhora
(Missal Romano, p. 527, n. 15).

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21º Domingo do Tempo Comum
2.7 de agosto de 2006

Leituras: Josué 24,1-24.15-17.18b; Salmo 33(34); Efésios 8,21-32;


João 6,60-69 (Senhor, a quem iremos?)

“O Senhor pousa seus olhos


sobre OS justos...
(SI 33[34],16)

1. Situando-nos brevemente
Neste domingo, celebramos o mistério pascal pelo qual
Deus revelou em Jesus Cristo, até as últimas consegiiências, sua
opção pela humanidade, vencendo, pela cruz, todos os limites
que impedem a vida humana de ser também divina.
Damos graças por essa opção definitiva de Deus por nós
e nos abrimos à interpelação que Cristo nos faz, pela Palavra e
pela eucaristia, a uma adesão decisiva a ele, o único que tem para
nós “palavras de vida eterna” e por nós deu sua vida. Ele nos
encoraja a abandonar os ídolos de hoje, pelos quais facilmente nos
entregamos e que, em resposta, nos levam à destruição e à morte.
Essa escolha é dom de Deus, mas ainda livre resposta da
pessoa a quem o Pai quer livre e feliz.
Hoje, último domingo de agosto, comemoramos, de modo
especial, a missão dos(as) catequistas e de todas as pessoas que
se dedicam à ação evangelizadora em nossas comunidades.

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2. Recordando a Palavra

No Evangelho de hoje, Jesus pergunta aos discípulos, num


momento de crise, se eles também querem abandoná-lo. É
a hora da decisão, em que cada um tem de fazer sua opção,
dar sua resposta que terá consegiiências sérias.
LA

E a decisão/adesão que caracteriza o verdadeiro discípulo.


Os judeus esperavam um messianismo triunfal. Não po-
diam aceitar um Messias humilde, crucificado, alheio aos
sonhos teocráticos deles. Mais difícil ainda era aceitar que
a manifestação da glória de Deus se daria na fragilidade da
encarnação e no escândalo da cruz.
Jesus diz aos discípulos que, se eles estavam se escandali-
zando antes de sua paixão e morte, o que diriam quando o
vissem subir ao calvário? Antes de elevar-se para a glória
de Deus, ele assumiria a cruz, numa oferta total de sua vida.
Sua “subida” é o gesto supremo de serviço à humanidade
que precisa de cura, de redenção, de alegria. Muitos enten-
deram, outros não, e por isso deixaram de segui-lo, porque
sua proposta foi tornando-se muito exigente, humanamente
mnaceitável.
À primeira leitura põe o povo diante de uma escolha fun-
damental. Josué organiza a assembléia de Siquém, como
a reunião constitutiva do povo. É o ponto de partida de
um movimento novo que tem raiz no êxodo. O povo deve
aceitar sua nova identidade teológica, social, cultural.
As palavras “nos tirou, a nós e a nossos pais...”, tantas
vezes repetidas, se referem ao povo reunido em Siquém
que não saiu do Egito e, em sua maioria, não passou pelo
deserto. Mas todos estávamos lá, na casa da escravidão, e
todos fomos libertos. É a fé em Deus aliado dos pobres, e
não o sangue que os une nessa aliança tribal.

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PNE - QV] - CVV nº 29
Josué interpela o povo sobre a qual Deus quer servir, e o
povo reitera liturgicamente o compromisso de fé. O tema
central da assembléia de Siquém é fazer opção consciente
a quem desejam servir. É preciso identificar o Deus do
êxodo com aquele que vê a opressão do povo, que ouve o
grito de dor e conhece seus sofrimentos; que está decidido a
descer para libertá-lo do poder dos opressores (Ex 3,7-8). É
o Deus de seus pais, o Deus da história. Precisa-se também
reconhecer os deuses “estranhos”, imagens corrompidas de
Deus, que geram escravidão e morte.
As tribos de Israel fazem um pacto de amor com este Deus
dos pobres. Tal aliança exige decisão/adesão, como Jesus
exigiu e exige de seus(suas) seguidores(as).
O Salmo de hoje é o 33(34): constitui uma ação de graças
pela presença e ação libertadora de Deus em nossa vida.
Na carta aos Efésios, surge a forte influência cultural que
estabelece a desigualdade entre mulher e homem. Iumi-
nados pela aliança que Deus faz com a humanidade, a
qual é plenificada em Jesus Cristo, reconhecemos aí uma
interpretação sexista para nosso tempo. “O texto parece
bem distante daquela igualdade entre marido e mulher já
apresentada em 1Cor 7,3-5.10-17 e Mc 10,11-12”.

O versículo 21, que fala: “Vocês que temem a Cristo, sejam


solícitos (submetam-se) uns para com os outros”, deve
orientar os vv. 22-24. Não se pode tirá-los do contexto.
Seria uma afronta às mulheres e uma distorção do propó-
sito do autor que, nesta carta, desenvolve uma teologia da
Igreja: Deus revelou todo o mistério de sua vontade de unir
em Cristo todas as coisas.

| Cf. o comentário introdutório da segunda leitura do 21º Domingo do Tempo


Comum do Missal Dominical, Missal da Assembléia Cristã, p. 1001.

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PNE - QV) - CVV nº 29
3. Atualizando a Palavra

A fé exige decisão e adesão sem reservas àquele cujas


palavras prometem e comunicam a vida eterna. Jesus é efetiva-
mente o enviado que Deus consagrou, À escolha para segui-lo
não suprime a liberdade e não impede a possibilidade de traição.
Seguir Jesus impõe condições que nem todos aceitam.
Servir o Senhor da vida é penoso e exigente, e podemos
sucumbir à tentação de “ir embora” e largar o seguimento.
Hoje existem formas discretas de nos retirar da caminhada
sem dar muito na vista: ficar na comunidade sem assumir ou
sem se importar com o projeto de Jesus, vivendo uma religião
como rotina, para ter a consciência em paz; escolher trechos mais
convenientes do Evangelho e fingir não ver as exigências cristãs
da caridade, da justiça e da ação transformadora da sociedade;
inventar um Jesus a nosso gosto, que nos incomode pouco, ou
nada, e faça sempre a “nossa vontade”.
Será que é possível se dizer cristão, freqiientar a igreja,
sem de fato ter tomado uma decisão verdadeira de seguimento
de Jesus e de seu projeto?

4. Ligando a Palavra com a ação eucarística


Na celebração nos abrimos ao convite que o Senhor nos
faz pela Palavra a uma opção decisiva por ele, superando os
estímulos da “carne” para viver no Espírito. Professamos nossa
fé inspirada na afirmação de Pedro: “A quem iremos, Senhor?
Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reco-
nhecemos que tu és o Santo de Deus”.
Suplicamos que ele nos ensine a não fugirmos dos confli-
tos e a não perdermos a alegria de viver, apesar das dificuldades
encontradas em nosso caminho.

104
PNE - QV) - CVY nº 29
Na liturgia eucarística, agradecemos ao Pai, que, em Jesus,
fez uma opção amorosa e comprometedora pela humanidade.
Ao celebrar o “mistério da fé” somos provocados a superar as
aparências e olhar com os olhos da fé o mistério de nossa vida e
da vida dos irmãos e irmãs.

PREPARANDO A CELEBRAÇÃO

Sugestões
Ê. Preparar o espaço celebrativo com o Círio pascal. A mesa
da Palavra receba também destaque semelhante à mesa
eucarística: toalhas, flores, cor litúrgica (verde).

Valorizar a presença e a participação dos(as) catequistas


nos vários momentos da celebração, sobretudo na liturgia
da Palavra.
Após a proclamação da primeira leitura, a assembléia seja
convidada a repetir o v. 18 do texto de Josué e, em seguida,
faz-se breve silêncio.

A homilia deve ajudar a assembléia a fazer a renovação de


sua opção por Cristo. Ele não se impõe, mas se propõe. No
final da homilia, quem preside pode convidar a comunidade
a repetir, fazendo suas as palavras de Pedro: “A quem ire-
mos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos
firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”
(vv. 68-69).
No momento da Profissão de Fé, o grupo de catequistas
renove juntamente com toda a comunidade o seu compro-
misso na tarefa evangelizadora. A oração de compromisso
seja feita diante da Bíblia aberta e o Círio pascal aceso.

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A assembléia acompanha, pedindo o dom do Espírito e
estendendo a mão direita sobre o grupo de catequistas.
Sugestão para o compromisso dos(as) catequistas:
T: (cantando) Vem, Espírito Santo, vem! Vem iluminar! (erguer
o braço direito sobre os catequistas).
C.: Pai bondoso, com o batismo nos tornastes responsáveis pelo
anúncio de vossa Palavra. Nós aceitamos com gratidão e ale-
gria o convite que nos fizestes para colaborar no crescimento
do corpo de Cristo, a Igreja, como educadores e animadores
da fé em nossa comunidade.
: Vem, Espírito Santo, vem! Vem iluminar!
.: Fazei-nos cada vez mais dóceis à ação do Espírito Santo.
Enviai o Consolador para que, com o testemunho da vida e
da graça de Jesus, a Palavra encarnada, façamos ressoar na
Igreja e no mundo a viva voz do Evangelho.
: Vem, Espírito Santo, vem! Vem iluminar!

: Vinde, Espírito Criador, imprimi em nós o pensamento e


os sentimentos de Cristo: sua maneira de ver a história, de
compreender e julgar a vida, de amar sem medida, de agir
como servo e sempre a favor da vida, de contar com os peque-
nos, de compadecer-se dos fracos e excluídos, de anunciar
a esperança e combater a prepotência e a ganância. Unidos
na comunidade, queremos realizar o projeto da fraternidade,
da justiça, da dignidade humana e da paz no mundo.
T.: Vem, Espírito Santo, vem! Vem confirmar!

T.: Creio em Deus Pai...

Seja dado grande destaque a todo o rito eucarístico — como


momento alto de renovação da aliança, da entrega da vida,
na comunhão do Corpo e Sangue do Senhor.
Todas as aclamações, sobretudo da proclamação do Mis-
tério da Fé, sejam feitas com grande fervor e, se possível,
cantadas.

106
PNE - QV) - CVY nº 29
Ritualizar bem a bênção final, fazendo o envio especial a
todos(as) os(as) catequistas e também a toda a comunidade
com a missão de anunciar o Evangelho, a Boa-Nova de
vida e esperança.
LO. O repertório litúrgico para este domingo está no CD “Li-
turgia IX”, produzido pela Paulus.
11. O Ritual de Bênçãos traz uma celebração referente à cate-
quese, que pode oferecer elementos para uma bênção final
deste domingo. Aqui vai uma proposta:
(Catequistas se colocam na frente do altar.)

D.: O Senhor esteja convosco!

T.: Ele está no meio de nós!

D.: Senhor, Pai de misericórdia, confirmai com vossa bênção


paterna estas vossas filhas e filhos, que dedicadamente se
entregam ao trabalho da evangelização e catequese em nossa
comunidade. Dai-lhes luz, coragem e alegria para ajudarem
seus irmãos e irmãs a compreender e a viver a mensagem
do Evangelho de Jesus, realizando na Igreja e no mundo a
salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

T.: Amém!

D.: Deus Par, que em Cristo manifestou a verdade e a sua ca-


ridade, vos torne testemunhas do Evangelho e do seu amor
no mundo.

T.: Amém!

D.: O Espírito do Senhor esteja em vós, para que sejais “minis-


tros da Palavra de Deus” e formadores de comunidades de
fé, baseadas no amor e na justiça.

T.: Amém!

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PNE - QV] - CVV nº 29
D.: E a vós todos, abençoe-vos Deus misericordioso, Pai, Filho
e Espírito Santo.
T.: Amém!

D.: Ide e anunciai com alegria o nome do Senhor! Ide em paz


e que o Senhor vos acompanhe!
T.: Graças a Deus!

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PNE - QV] - CVV nº 29
Sumário

Apresentação... rrereeea rear ererer arara renata rear aaa r arara eae n arara raras eraene aero 5
Considerações gerais... irei o aerea tara raera eae ea cererirare cara n ira raaasaarerenos ]
Santíssima Trindade — 11 de junho de 2006
(Dt 4,32-34.39-40; SI 32/23]; Rm 8,14-17; Mt 28,16-20
[Batismo em nome da Trindade))............ sereias eerteaieateeecenees [1
Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo — 15 de junho de 2006
(Ex 24,3-8; SI 1IS[116]; Hb 9,11-15; Mc 14,12-16.22-20).......... 19
1º Domingo do Tempo Comum - 18 de junho de 2006
(Ez 177,22-24; S1 91/92]; 2Cor 5,6-10; Mc 4,26-34).........n eretas 21
12º Domingo do Tempo Comum — 25 de junho de 2006
(Jó 38,1.8-11; SI 106[107]; 2Cor 5,14-17; Mc 4,35-41 [Tempestade no lago]) ........... 35
Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos — 2 de julho de 2006
(At 12, 1-1]; SI 33(34]; 2Tm 4,6-8.17-18; Mt 16,13-19 [Tu és Pedro))...................... 43
14º Domingo do Tempo Comum — 9 de julho de 2006
(Ez 2,2-5; SI 122[123]; 2Cor 12,7-10; Mc 6,1-6 [Jesus em sua terra)... 51
15º Domingo do Tempo Comum — 16 de julho de 2006
(Am 7,12-15; SI 84/85]; Ef 1,3-14; Mc 6,7-13 [Missão dos Doze Apóstolos))............ 57
16º Domingo do Tempo Comum — 23 de julho de 2006
(Jr 23,1-6; SI 22/23]; Ef 2,13-18; Mc 6,30-34 [Urgência da missão))....................... 65
17º Domingo do Tempo Comun — 30 de julho de 2006
(2Rs 4,42-44; Salmo 144[145]; Ef 4,1-6; Jo 6,1-15 [Multiplicação dos pães))............ 1H
Transfiguração do Senhor — 6 de agosto de 2006
(Dn 7,9-10.13-14; S1 96[97]; 2Pd 1,16-19; Mc 9,2-10) ...........nn 19
19º Domingo do Tempo Comum — 13 de agosto de 2006
(IRs 19,4-8; SI 33(34]; Ef 4,30-5,2; Jo 6,41-51 [Ouvir o Pai e crer))........................ 85
Assunção de Maria, Mãe de Jesus — 20 de agosto de 2006
(Ap 11,19; 12,1-6a.10ab; Sl 44[45]; 1Cor 15,20-27a; Lc 1,39-59
[Visita de Maria e Magnificat)... reeerererererererererereeerenierenareraraerecerasarartereres 93
21º Domingo do Tempo Comum — 27 de agosto de 2006
(Js 24,1-2a.15-17.18b; S1 33/34); Ef 5,21-32,; Jo 6,60-69
[Senhor, a quem iremos?)) ............... erre rereeeeeeeerarere ne narerereearanaeaa 101