Sie sind auf Seite 1von 11

[1] Atingir o estado de Buda nesta existência

por Daisaku ikeda

TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 460, PÁG. 38, DEZEMBRO DE 2006.

Se o senhor deseja livrar-se dos sofrimentos do nascimento e da morte que tem suportado desde o tempo sem
início e atingir infalivelmente a suprema iluminação nesta existência, deve despertar para a verdade mística
que sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos. Essa verdade é Myoho-rengue-kyo. Recitar Myoho-
rengue-kyo o possibilitará compreender a verdade mística inata em toda vida. (Os Escritos de Nitiren
Daishonin [END], vol. I, pág.1.)

Em que consiste uma vida de profundo significado? Qual é a verdadeira felicidade? O Budismo de Nitiren
Daishonin é um ensino de esperança que nos possibilita estabelecer um estado de felicidade indestrutível e
insuperável e conduzir uma vida de supremo valor, enquanto ajudamos e inspiramos outros a fazerem o mesmo.

Todos possuem o potencial para atingir o estado de Buda e podem chegar a essa elevada condição exatamente
como são. O importante é que isso está assegurado no transcorrer desta existência. O Budismo de Nitiren
Daishonin mostra claramente o maravilhoso caminho para a iluminação.

O profundo ensino de Daishonin sobre a consecução do estado de Buda nesta existência foi um conceito
revolucionário que mudou radicalmente o pensamento budista dominante na época e que ainda hoje continua a
brilhar como um princípio capaz de transformar totalmente a era e de abrir um futuro brilhante para o mundo
moderno no século XXI.

Portanto, é com grande expectativa que gostaria de estudar com os senhores este escrito de Nitiren Daishonin,
que se intitula “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”, ao mesmo tempo em que empreendemos com
otimismo uma nova jornada de crescimento e desenvolvimento rumo ao 80o aniversário da Soka Gakkai (em
2010).

O profundo significado da recitação do Daimoku

“Sobre atingir o estado de Buda nesta existência” é um importante escrito que esclarece a base da teoria e da
prática do Budismo de Nitiren Daishonin. Os membros da SGI do mundo inteiro têm aprofundado sua
compreensão dos ensinos budistas considerando esta obra como uma diretriz para sua prática e estudo.

Apesar de o texto original não ter sido preservado e de tanto a data como o seu destinatário serem
desconhecidos, a maioria das fontes coincide com a possibilidade de ter sido escrito por volta de 1255 e
endereçado a Toki Jonin.1 Acredita-se que tenha sido composto em 1255, pouco depois de Daishonin ter
declarado publicamente seu ensino do Nam-myoho-rengue-kyo em 1253, em vista do conteúdo da carta, que
explica o significado da recitação do Daimoku em termos teórico e prático.

A prática da recitação do Daimoku é a base de todos os ensinos expostos por Daishonin ao longo de sua vida. O
Budismo de Nitiren Daishonin, diferente das escolas budistas de sua época, não consistia na veneração a uma
divindade ou um buda específico. Daishonin estabeleceu o meio para que todas as pessoas atingissem a
iluminação — o ideal do Sutra de Lótus — formulando a prática da recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, que
nos permite ativar nossa natureza de Buda inerente e manifestá-la como a condição de vida iluminada do Buda.

Há dois aspectos da recitação do Daimoku no Budismo de Nitiren Daishonin: o Daimoku de fé e o Daimoku de


prática. O primeiro se refere ao aspecto espiritual de nossa prática. Consiste, essencialmente, da luta que
travamos em nosso coração contra a escuridão ou a ilusão intrínseca, ou seja, uma batalha contra as forças
negativas e destrutivas que há em nós. Essa batalha implica em romper a escuridão que envolve nossa natureza
de Buda e fazer surgir, mediante a força da fé, o estado de Buda. O Daimoku de prática, por sua vez, refere-se à
recitação do Nam-myoho-rengue-kyo e à transmissão da Lei a outras pessoas. Essa prática implica em empenhar
esforços por meio de palavras e ações pela felicidade de si próprio e a dos outros como evidência de nossa luta
espiritual contra a negatividade e a ilusão.

Quando recitamos Nam-myoho-rengue-kyo, estamos proclamando o nome da natureza de Buda em nossa


própria vida e na dos outros como também fazendo-a se manifestar.

Quando nossa fé vence a dúvida e a ilusão, o poder de nossa natureza de Buda inerente é ativado mediante a
vibração sonora de nosso Daimoku e se manifesta espontaneamente em nossa vida.2

O ponto-chave que distingue o Budismo de Nitiren Daishonin de outras escolas budistas de sua época foi o
estabelecimento desse meio concreto para atingir o estado de Buda. Desde que recitou pela primeira vez o Nam-
myoho-rengue-kyo até o momento de sua morte, Daishonin dedicou-se incansavelmente em ensinar esse
caminho supremo para a iluminação a todas as pessoas da nação japonesa. No trecho inicial desse escrito, ele
expressa de forma clara e completa a filosofia básica da salvação que reside no coração de seu ensino, cujo
propósito é a felicidade de todas as pessoas:

“Se o senhor deseja livrar-se dos sofrimentos do nascimento e da morte que tem suportado desde o tempo sem
início e atingir infalivelmente a suprema iluminação nesta existência, deve despertar para a verdade mística que
sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos. Essa verdade é Myoho-rengue-kyo. Recitar Myoho-
rengue-kyo o possibilitará compreender a verdade mística inata em toda vida”. (END, vol. I, pág. 1.)

Analisarei o profundo significado desta passagem mais detalhadamente na próxima ocasião. Por ora, de maneira
breve, gostaria de dizer que manifestando do nosso interior a verdade mística inerente em todos os seres vivos,
podemos nos libertar dos sofrimentos incessantes do nascimento e da morte. O nome dessa verdade mística é
Myoho-rengue-kyo, e a forma de manifestá-la é recitando Myoho-rengue-kyo.

O significado de nossa existência como seres humanos

Contudo, mesmo que recite e acredite no Myoho-rengue-kyo, se pensa que a Lei existe fora de seu coração, o
senhor não está abraçando a Lei Mística, mas um ensino inferior. (END, vol. I, pág. 2.)
O conceito de “atingir o estado de Buda nesta existência” refere-se a uma pessoa comum que atinge a iluminação
no curso desta presente existência. Por extensão, isso significa que se pode atingi-lo sem deixar de ser a pessoa
que é. Nesse sentido, “atingir o estado de Buda mantendo-se a forma atual” é sinônimo de “atingir o estado de
Buda na presente forma”, que é o enfoque da iluminação revelada no Sutra de Lótus e ilustrada pelo exemplo da
filha do rei-dragão3 no 12o capítulo, “Devadatta”.
Essa idéia contrasta acentuadamente com os ensinos pré-Sutra de Lótus, segundo os quais uma pessoa somente
podia atingir a iluminação depois de ter praticado austeridades ao longo de incontáveis existências. Como o
estado de Buda é inseparável da Lei Mística eterna e é repleto de sabedoria e benevolência infinitas, tende a ser
visto como algo completamente separado da vida das pessoas dominadas pela ilusão. Acreditava-se que para
atingir a iluminação era preciso superar esse abismo insondavelmente profundo entre o Buda e as pessoas
comuns. Isso deu surgimento à idéia de que tinham de praticar austeridades durante inumeráveis kalpas.

O Budismo de Nitiren Daishonin esclarece que esta presente existência, na qual pudemos nascer como seres
humanos, é o momento exato de tornar realidade o princípio de atingir o estado de Buda mantendo-se a forma
atual, revelado no Sutra de Lótus. Isso o levou a esclarecer seu profundo ensino sobre a consecução do estado de
Buda nesta existência.

Fazendo uma analogia com o cultivo de arroz, Daishonin observa que alguns grãos amadurecem cedo e outros
mais tarde, porém, todos acabam germinando e, no decorrer de um ano, estão prontos para a colheita. Explica
que os praticantes do Sutra de Lótus, da mesma maneira, atingirão o estado de Buda sem falta no decorrer desta
existência.4

Daishonin atribui grande importância à existência presente dos seres humanos. É obvio que não são somente os
seres humanos que possuem o estado de Buda e quem têm o potencial para atingi-lo em sua forma atual. O
motivo pelo qual Nitiren Daishonin ressalta a consecução do estado de Buda nesta vida é que seu foco, sempre,
em quaisquer circunstâncias, está na felicidade dos seres humanos.
O coração humano é sensível, multifacetado e rico; possui a capacidade de realizar façanhas incríveis. Mas, por
essa mesma razão, freqüentemente experimenta grandes sofrimentos e tormentos. Do mesmo modo, o coração
humano pode ver-se preso em uma interminável espiral negativa e decadente. Nossa vida transmigrará para
sempre nos caminhos do mal ou conseguiremos movê-la para a órbita do bem?
Como mostram muitos de seus escritos, Daishonin repetidamente enfatiza a importância da mente e do coração.
Nesse domínio interior da vida reside o potencial para a mudança drástica do mal para o bem ou do bem para o
mal. Por essa razão, o ensino de Daishonin sobre a iluminação pode ser visto como um processo que começa
com a mudança interior. Em outras palavras, empregando o recurso interior da fé podemos vencer as funções
negativas que habitam em nós — funções governadas pela escuridão fundamental que se aninham no coração
humano — e manifestar as funções positivas da vida, inseparáveis da natureza do Darma; ou seja, nosso estado
de Buda.
Esta presente existência em que nascemos como seres humanos representa uma oportunidade inestimável para
assegurar que nossa vida deixe de transmigrar nos maus caminhos e siga pelo caminho do bem.

Ênfase na mudança interior

Portanto, quando o senhor ora myoho e recita rengue, deve ter a profunda fé de que Myoho-regue-kyo é sua
própria vida. (END, vol. I, pág. 2.)

***

Manifeste uma profunda fé polindo seu espelho dia e noite. Como deve poli-lo? Não há outra forma senão
devotar-se à recitação do Nam-myoho-rengue-kyo.(END, vol. I, pág. 4.)

Em “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”, Daishonin explica que não podemos atingir a iluminação
sem uma profunda transformação em nossa própria vida; ou seja, sem mudarmos nosso coração e nossa mente.
Antes de mais nada, ele diz que a verdade mística da qual estão dotados todos os seres vivos revela o princípio
da “relação mútua e inclusiva de um único momento da vida e todos os fenômenos” (END, vol. I, pág. 2). Isso
significa que nossa vida ou nossa mente, a cada instante, abarca todos os fenômenos e os permeiam. Isso pode
ser descrito como um estado de vida inseparável do Universo.
Nitiren Daishonin também adverte que se buscarmos a Lei Mística fora de nós mesmos, por mais Daimoku que
recitemos, não poderemos atingir a iluminação; ao contrário, nossa prática budista só se converterá numa
“austeridade angustiante e sem fim” (END, vol. I, pág. 3). Ele diz claramente: “Mesmo que recite e acredite no
Myoho-rengue-kyo, se pensa que a Lei existe fora de seu coração, o senhor não está abraçando a Lei Mística,
mas um ensino inferior”. (END, vol. I, pág. 2.)
Daishonin explica que reunir uma forte fé é a chave para recitar Daimoku, e declara que quando assim fazemos,
podemos polir nossa vida e atingir a iluminação. Ele diz: “Portanto, quando o senhor ora Myoho e recita rengue
[ou seja, recita Daimoku], deve ter a profunda fé de que o Myoho-rengue-kyo é sua própria vida [lit. sua mente
em cada instante]” (END, vol. I, pág. 2); e “Manifeste uma profunda fé polindo seu espelho dia e noite. Como
deve poli-lo? Não há outra forma senão devotar-se à recitação do Nam-myoho-rengue-kyo” (END, vol. I, pág.
4).

Daishonin fala também da “entidade mística do Caminho do Meio ou a realidade fundamental” (END, vol. I,
pág. 4); em outras palavras, a natureza mística e insondável da vida, de nossa mente e coração, que se manifesta
como o estado de Buda. Com base nisso, ele afirma que, quando recitamos Daimoku com profunda fé na Lei
Mística, podemos atingir o estado de Buda nesta existência.
“O Sutra de Lótus é o rei dos sutras, o caminho direto para a iluminação, por explicar que a entidade de nossa
vida, que manifesta tanto o bem como o mal em cada momento, é, na verdade, a entidade da Lei Mística. Se o
senhor recitar Myoho-rengue-kyo com profunda fé neste princípio, infalivelmente atingirá o estado de Buda
nesta existência.” (END, vol. I, pág. 5.)

Um ensino de autêntico humanismo

A seguir, analisarei a importância do ensino de Daishonin sobre a consecução do estado de Buda nesta existência
com base em três pontos.

Primeiro, gostaria de destacar que, quando Daishonin abriu o caminho para que todas as pessoas atingissem a
iluminação nesta existência com a recitação do Daimoku, estabeleceu pela primeira vez um ensino de autêntico
humanismo. Pode-se dizer que abrir o caminho para a iluminação de todas as pessoas é um requisito de qualquer
religião que se considere verdadeiramente humanísta. Este, acredito, é o significado filosófico ou religioso do
princípio de atingir o estado de Buda nesta existência.

Nitiren Daishonin possuía uma profunda compreensão do potencial humano, sabia que as pessoas podiam se
libertar de um ciclo de transmigração negativa e entrar numa órbita positiva, mediante uma profunda mudança
interior. Estabeleceu também um meio prático para que os seres humanos pudessem atingir isso. Por essa razão,
não há outro ensino que mereça ser qualificado como “humanista” além do Budismo de Nitiren Daishonin. Em
“O verdadeiro aspecto de todos os fenômenos”, Daishonin afirma: “Embora se pense que o Buda Sakyamuni
possua as três virtudes de soberano, mestre e pais em benefício de todos nós, seres vivos, isso não é verdade. Ao
contrário, são os mortais comuns que o dotam com as três virtudes”. (END, vol. V, pág. 248.) Esta passagem
descreve uma mudança de uma “religião autoritária” para uma “religião humanística, centrada nas pessoas”.5 O
Budismo de Nitiren Daishonin, que estabeleceu o meio concreto para atingir a iluminação nesta existência,
tornou essa mudança possível.

Quando o primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunessaburo Makiguti, formulou sua teoria do valor, não
incluiu a “santidade” ou o “sagrado”, que muitos outros pensadores que o antecederam haviam considerado
como valor religioso. Para Makiguti, o “grande bem” era o valor máximo que toda religião devia se empenhar
para atingir. A expressão “grande bem” refere-se ao valor supremo que os seres humanos e a sociedade são
capazes de atingir. Na teoria do valor do Sr. Makiguti, considera-se como verdadeira religião aquela que serve ao
bem-estar dos seres humanos. Quando Daishonin revelou o caminho para atingir o estado de Buda nesta
existência, estabeleceu uma religião que contribui para a felicidade do ser humano da maneira mais grandiosa
possível.

O significado de atingir o estado de Buda nesta existência em termos individuais

Segundo, ao revelar o caminho para atingir o estado de Buda nesta existência, Daishonin nos possibilitou viver
embasados no poder infinito da Lei Mística, ou seja, edificarmos uma vida sólida e segura, que nos proporciona
coragem e convicção para sermos indivíduos autônomos. Este é o significado de atingir o estado de Buda nesta
existência em termos de nossa vida individual.
No Budismo de Nitiren Daishonin, atingir o estado de Buda não é embarcar numa jornada inconcebivelmente
longa para tornar-se um buda, um ser divino que irradia luz. É realizar uma transformação profunda em nosso
próprio ser. Essa proposta revolucionária sobre a iluminação modificou por completo o modo como a prática
budista era tradicionalmente vista.
Em outras palavras, não é uma questão de praticar para escalar o ponto mais alto da iluminação em algum
momento do futuro distante. Este escrito trata de uma luta interior constante, que se realiza a cada momento,
entre duas tendências opostas: revelar nossa natureza do Darma inerente, ou deixar que nossa ilusão e escuridão
fundamental nos governem. Esse empenho incessante pelo aprimoramento de nossa vida constitui a essência, o
coração da prática budista.
Somente podemos triunfar na vida e revelar nosso pleno potencial quando vencemos nossa escuridão interior e
nossa própria negatividade. Somente assim podemos desfrutar uma satisfação genuína e profunda na vida. Nesse
sentido, quero frisar que a prática exposta no Budismo de Nitiren Daishonin para atingir o estado de Buda nesta
existência é o único meio para vencer a escuridão e a ilusão, que são a origem do mal do ser humano, e de
cultivar a verdadeira independência, construir uma identidade sólida e adquirir um estado de vida de felicidade e
paz de espírito ilimitadas. Portanto, atingir o estado de Buda nesta existência é o propósito principal que todo ser
humano deve ter na vida.

O significado de atingir o estado de Buda nesta existência em termos coletivos

O Sutra de Lótus é o rei dos sutras, o caminho direto para a iluminação, por explicar que a entidade de nossa
vida, que manifesta tanto o bem como o mal em cada momento, é, na verdade, a entidade da Lei Mística. Se o
senhor recitar Myoho-rengue-kyo com profunda fé neste princípio, infalivelmente atingirá o estado de Buda
nesta existência. Eis por que o sutra declara: “Após o meu nirvana, deve abraçar e manter este sutra. Aquele
que assim fizer, atingirá infalivelmente o Caminho do Buda”. Não tenha a mínima dúvida.(END, vol. I, pág. 5.)

Terceiro, digo que o princípio de atingir o estado de Buda nesta existência é extremamente importante por
conceder esperança à humanidade e abrir o caminho para transformar o destino de todas as pessoas. Nesse ponto
reside seu significado coletivo ou universal.

Muitos intelectuais e pensadores prestigiosos admitem que a civilização moderna perdeu de vista o ser humano e
estancou em muitas frentes. Não há como negar que a maioria das pessoas dá pouca atenção ao domínio
espiritual e vive obcecada pelo conforto material, pela gratificação e pelo prazer proporcionados por elementos
externos, por coisas que estão fora delas.

Não podemos resolver os inúmeros problemas que o mundo enfrenta hoje, incluindo a obsessão pelo
crescimento econômico, a política desprovida de humanismo, os conflitos internacionais, a guerra, a crescente
desigualdade entre ricos e pobres e a discriminação atroz, sem vencer as ilusões humanas fundamentais, como a
avareza, a ira e a estupidez. Uma conclusão a que cheguei em meus diálogos com grandes pensadores é que a
única solução concreta reside na mudança interior do ser humano, na revolução humana.

Digo ainda que sem estabelecer uma visão correta da vida e da morte, é impossível vencer a escuridão e a ilusão
aninhadas no nível mais profundo da vida humana. É impossível atingir uma felicidade verdadeira e duradoura
sem uma visão da vida e da morte como a que sintetiza o Caminho do Meio, que rechaça os extremos das
doutrinas da aniquilação e da eternidade.6

Os seres humanos somente poderão mudar quando vencerem sua escuridão interior e resgatarem a dignidade
eterna que possuem na própria vida. Se os indivíduos cultivarem esse nobre espírito, do qual todos são dotados
originalmente, produzirão uma mudança direta no destino da humanidade. Com essa convicção, nós, da SGI,
viemos nos dedicando durante décadas para criar uma rede do bem que envolva o mundo inteiro.

No decorrer destas explanações, gostaria de comentar as expectativas e esperanças cada vez maiores que nosso
movimento está despertando em pessoas de todos os setores.

No final desse escrito, Daishonin diz: “Não tenha a mínima dúvida”. (END, vol. I, pág. 5.) Ele nos exorta a
termos absoluta convicção de que atingiremos o estado de Buda nesta existência. Suas palavras também contêm
uma advertência: se não mantivermos uma firme fé, será fácil perdermos de vista o objetivo fundamental da
iluminação e cairmos nas profundezas da escuridão e ilusão.

Todas as pessoas, no âmago de sua vida, anseiam atingir a iluminação. Porém, não há ensino mais difícil de crer
ou de compreender que a doutrina da consecução infalível do estado de Buda nesta existência. Nós, da SGI,
assumimos o compromisso de colocar em prática esse profundo ensino e de compartilhá-lo amplamente com
outras pessoas, tanto do Japão como do mundo inteiro.

Na sociedade atual, nós, como valentes Bodhisattvas da Terra, estamos dando provas reais e concretas do
potencial humano para transformar o destino. Orgulhosos de nossa nobre missão, continuemos compartilhando
alegremente o Budismo de Nitiren Daishonin — seu ensino sobre a consecução do estado de Buda nesta
existência — ao mesmo tempo em que vivemos da maneira mais significativa e satisfatória possível.

NOTAS 1. Toki Jonin: Um seguidor leigo de Daishonin que viveu em Wakamiya, distrito de Katsushika, província de Shimosa (parte da
atual província de Tiba). Serviu como vassalo do senhor feudal de Tiba. Recebeu muitos escritos de Daishonin, como “O objeto de
devoção para a observação da mente”, e os preservou cuidadosamente. 2. No escrito “Como aqueles que aspiram inicialmente ao
Caminho podem atingir o estado de Buda por meio do Sutra de Lótus”, Daishonin diz: “Quando reverenciamos o Myoho-rengue-kyo
inerente em nossa própria vida como o objeto de devoção, a natureza de Buda dentro de nós é evocada e manifestada pela recitação do
Nam-myoho-rengue-kyo. Este é o significado de ‘Buda’. Para ilustrar, quando um pássaro engaiolado canta, os outros que estão voando
pelo céu são evocados. Quando esses pássaros se reúnem ao redor da gaiola, o que está preso luta para libertar-se. Da mesma forma,
quando recitamos a Lei Mística com nossa voz, invariavelmente nossa natureza de Buda é evocada e manifestada”. (The Writings of
Nichiren Daishonin [WND], pág. 887.) 3. No 12º capítulo do Sutra de Lótus, “Devadatta”, a filha de 8 anos do rei-dragão Sagara
manifesta o desejo de atingir a iluminação ao ouvir o Bodhisattva Manjushri pregar o Sutra de Lótus. Ela oferece uma jóia a Sakyamuni e,
imediatamente, atinge a perfeição da prática de bodhisattva. Ela então aparece numa terra situada ao sul chamada de Mundo Imaculado e
manifesta o estado de Buda sem mudar sua forma física de dragão. Nessa terra, ela ensina o Sutra de Lótus a todos os seres que nela
habitam (cf. The Lotus Sutra [LS], cap. 12, págs. 187-189). 4. Em seu escrito “Itinen Sanzen Homon” (A doutrina dos Três Mil Mundos
num Único Momento da Vida), Daishonin declara: “Se os seguidores do Sutra de Lótus praticam de acordo com o ensino do Buda,
seguramente, sem uma única exceção, atingirão o estado de Buda ao longo desta existência. Fazendo uma analogia, se uma pessoa cultiva
os campos na primavera e no verão, então, mesmo que tenha feito o plantio cedo ou tarde, sem falta, no decorrer desse ano obterá a
colheita. Os praticantes do Sutra de Lótus caem nestas três categorias — pessoas de capacidade superior, média e inferior — e, no
entanto, todas, invariavelmente, manifestarão a iluminação durante esta existência”. (Gosho Zenshu, pág. 416). 5. Essa passagem foi
analisada em detalhes pelo presidente Ikeda na explanação sobre “Abertura dos olhos”, parte 2, Terceira Civilização, edição nº 438,
fevereiro de 2005. 6. A doutrina da aniquilação é o apego errôneo à idéia de que a vida começa com o nascimento e termina com a morte.
De acordo com essa visão, há somente a vida presente, e a morte representa o cessar completo da existência física e espiritual. A doutrina
da eternidade também é uma idéia equivocada por defender que o que existe no presente é permanente e imutável. Essa visão rejeita a
causalidade. Com base nessa doutrina, praticar o bem ou perpetrar o mal não produz nenhuma mudança nas condições do indivíduo.

[2] O significado da recitação do Daimoku — conquistar uma


vida de suprema vitória
por Daisaku ikeda

TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 461, PÁG. 40, JANEIRO DE 2007.

A prática da recitação do Daimoku de Nam-myoho-rengue-kyo proporciona imensurável benefício por nos


possibilitar extrair da própria vida o poder infinito da Lei Mística, a Lei fundamental do Universo.

Nitiren Daishonin levantou-se para concretizar a felicidade de toda a humanidade por meio do poder benéfico e
ilimitado do Nam-myoho-rengue-kyo. A base doutrinal dessa luta se expressa de maneira concisa e simples no
trecho inicial de “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”: “Se o senhor deseja livrar-se dos sofrimentos
do nascimento e da morte que tem suportado desde o tempo sem início e atingir infalivelmente a suprema
iluminação nesta existência, deve despertar para a verdade mística que sempre existiu inerentemente em todos os
seres vivos. Essa verdade é Myoho-rengue-kyo. Recitar Myoho-rengue-kyo o possibilitará compreender a
verdade mística inata em toda vida”. (Os Escritos de Nitiren Daishonin [END], vol. I, pág. 1.)
Esse trecho condensa os profundos princípios do budismo e a revolução religiosa iniciada pelo Buda Sakyamuni
e completada por Nitiren Daishonin para que todas as pessoas atinjam a iluminação. Cada palavra e frase são
permeadas pela sublime sabedoria do budismo.

“Livrar-se dos sofrimentos do nascimento e da morte que tem suportado desde o tempo sem início” refere-se às
questões fundamentais da existência humana e ao propósito original da religião. “Atingir infalivelmente a
suprema iluminação” constitui a profunda resposta do budismo a essas questões. “Despertar para a verdade
mística que sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos” é essa resposta em sua expressão mais
profunda e precisa com base nos ensinos do Sutra de Lótus. E “Recitar Myoho-rengue-kyo” refere-se à prática
estabelecida por Daishonin para possibilitar todas as pessoas a colocar em ação a sabedoria budista. A realização
dessa prática é o fruto da grande benevolência que aspira à felicidade de todas as pessoas, e indica a natureza
verdadeiramente revolucionária do Budismo de Nitiren Daishonin.

Nesse escrito, em sua totalidade, observa-se claramente que a recitação do Daimoku estabelecida por Daishonin
é a prática budista suprema e correta. De fato, a breve passagem inicial expressa de maneira concisa as profundas
idéias filosóficas do budismo, expostas ao longo de mais de dois milênios, e também a benevolência e a
sabedoria de conduzir a humanidade à iluminação, próprias do Budismo de Nitiren Daishonin.

Nesta oportunidade, gostaria de confirmar que a recitação de Daimoku, estabelecida por Daishonin, constitui a
forma suprema da prática budista correta, e que seu estabelecimento marca o início de um autêntico “budismo do
povo” que possibilita a todas as pessoas a atingirem o mesmo estado de vida iluminado do Buda.

Libertar-se dos sofrimentos do nascimento e da morte e atingir um estado de felicidade eternal

Se o senhor deseja livrar-se dos sofrimentos do nascimento e da morte que tem suportado desde o tempo sem
início e atingir infalivelmente a suprema iluminação nesta existência, deve despertar para a verdade mística
que sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos. Essa verdade é Myoho-rengue-kyo. Recitar Myoho-
rengue-kyo o possibilitará compreender a verdade mística inata em toda vida. (END, vol. I, pág. 1.)

Comecemos analisando o profundo significado da primeira frase, “Se o senhor deseja livrar-se dos sofrimentos
do nascimento e da morte que tem suportado desde o tempo sem início”.
A menção aos “sofrimentos do nascimento e da morte que tem suportado desde o tempo sem início” apóia-se na
premissa de que a transmigração, conceito segundo o qual todos os seres passam por um ciclo incessante de
nascimento e morte, perdura do infinito passado ao eterno futuro. O budismo sustenta que esse ciclo
interminável, em última instância, origina-se dos desejos mundanos, e que o ciclo negativo de desejos
mundanos, carma e sofrimento faz parte da transmigração. Nesse sentido, os “sofrimentos do nascimento e da
morte que tem suportado desde o tempo sem início” também representam uma sucessão interminável de ilusões
e sofrimentos.

Pelo fato de a idéia dessa transmigração sem fim ser intolerável, as pessoas naturalmente querem acabar com
esse doloroso ciclo de nascimento e morte e libertar-se das correntes da ilusão e do sofrimento.

No budismo, há dois enfoques fundamentais que explicam como transcender esse ciclo de sofrimento. Uma idéia
postula que as pessoas podem libertar-se erradicando os desejos mundanos que conduzem à transmigração pelo
domínio do carma. A outra é o enfoque do Mahayana, segundo o qual a essência da vida que experimenta a
transmigração não é um fenômeno transitório e impermanente.
Os ensinos do Mahayana, por exemplo, expõem o conceito de transcender o ciclo de nascimento e morte de
acordo com o juramento dos bodhisattvas de guiar as pessoas à iluminação. Também postulam que o nascimento
e a morte em si são um ciclo que se origina da vida ilimitada e fundamental do Universo e que a ela retorna. Este
último conceito pode ser melhor compreendido pela analogia com o oceano e as ondas: o nascimento é como
uma onda que se forma no oceano — que é a vida universal — enquanto a morte é o retorno dessa onda à massa
oceânica. Obter essa compreensão da essência de nossa vida, que repete o ciclo de nascimento e morte, é atingir
a “suprema iluminação”, o elevado despertar do Buda.

A verdade mística abarca todas as coisas e é inerente a elas

A frase “despertar para a verdade mística que sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos” significa
“atingir a suprema iluminação”. A sabedoria que permite compreender essa verdade universal e inerente
constitui a iluminação suprema do Buda.

Há um ponto que distingue totalmente o budismo do pensamento e da religião predominantes até então: o
budismo revelou na própria vida do indivíduo a “Lei” ou o poder interior ilimitado para solucionar todos os
sofrimentos no nível fundamental. O Buda é aquele que, com base nessa Lei, obteve a suprema sabedoria para
acabar com o sofrimento e edificar a felicidade inabalável.
O budismo é um ensino de humanismo insuperável que acredita no potencial ilimitado do ser humano. Por isso é
chamado de “caminho interior”.

“Despertar para a verdade mística que sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos” é “atingir a
suprema iluminação”, e é o único meio para uma pessoa se libertar “dos sofrimentos do nascimento e da morte
que tem suportado desde o tempo sem início”. Esse foi o ponto de partida de Sakyamuni e a conclusão do
pensamento budista. A escritura que proclama essa filosofia do “caminho interior” é o Sutra de Lótus, que ensina
que todas as pessoas podem atingir a iluminação. Pode-se dizer que Sutra de Lótus incorpora o princípio
supremo do respeito à dignidade da vida e do ser humano.
Nesse escrito, Daishonin afirma que “a verdade mística que sempre existiu inerentemente em todos os seres
vivos” é o “princípio da relação mútua e inclusiva de um único momento da vida e todos os fenômenos”. Este
último refere-se à relação insondável que existe entre nós — nossa mente ou cada momento de nossa vida — e o
Universo; significa que todos os fenômenos estão contidos em nossa vida, e que esta, por sua vez, permeia todos
os fenômenos. Sem dúvida, o significado deste princípio corresponde ao que Nitikan Shonin (1665-1726; grande
restaurador do Budismo de Daishonin) expressou como “princípio da inerência e permeabilidade”,1 ao descrever
a doutrina dos três mil mundos num único momento da vida.

A vida cósmica abarca e permeia tudo; por essa razão, é também inerente em todas as coisas. A inseparabilidade
da vida do Universo e nossa vida individual é a essência do “princípio da relação mútua e inclusiva de um único
momento da vida e todos os fenômenos”. Tomar consciência dessa verdade mística é atingir a “suprema
iluminação” do Buda.

Dar nome à verdade mística

A questão é como possibilitar às pessoas perceberem essa “verdade mística que sempre existiu inerentemente em
todos os seres vivos”. Não podemos falar de um budismo universal enquanto apenas um número limitado de
pessoas pode seguir o Caminho estabelecido para chegar à verdade mística. Antes de Daishonin, o Grande
Mestre Tient’ai da China tentou estabelecer o meio para perceber essa verdade mística com a contemplação e a
meditação enfocadas na Lei. Mas esse meio não era acessível às pessoas dos Últimos Dias da Lei.

O primeiro passo dado por Daishonin para abrir o grande caminho da iluminação universal foi dar um nome à
verdade mística. A verdade mística inerente e universal no início não tinha nome, mas, como explica Daishonin
em “A entidade da Lei Mística”, um sábio que despertou para essa verdade em sua própria vida foi capaz de dar-
lhe o nome mais apropriado (cf. The Writings of Nichiren Daishonin [WND], pág. 421).2 Designar ou nomear
algo é um processo criativo. Quando se estabelece um nome que compreende perfeitamente a essência de algo,
obtém-se um extraordinário resultado: colocar essa essência facilmente à disposição de todas as pessoas e
permitir-lhes compartilhar seu valor.
Em “Sobre atingir o estado de Buda nesta existência”, conforme indicado pela passagem, “a verdade mística que
sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos é Myoho-rengue-kyo”, Daishonin afirma claramente que
essa verdade mística que constitui a Lei fundamental do Universo não é outra senão Myoho-rengue-kyo. O
termo “Myoho-rengue-kyo” já existia antes, pois era o título do Sutra de Lótus. Mas Daishonin foi o primeiro a
identificar Myoho-rengue-kyo como o nome do princípio do “verdadeiro aspecto de todos os fenômenos”,3 que,
conforme ensina o Sutra de Lótus, é a profunda sabedoria de todos os budas. Além disso, embora o 16o capítulo
do Sutra de Lótus, “Revelação da Vida Eterna do Buda”, exponha a vida do Buda eterno do ponto de vista de
Sakyamuni, foi Daishonin quem revelou pela primeira vez que a essência dessa vida eterna do Buda — a
“essência do capítulo ‘Revelação da Vida Eterna do Buda’” — é Myoho-rengue-kyo (END, vol. V, pág. 211).
O Buda eterno, desde que atingiu a iluminação no remoto passado, sempre submeteu-se ao ciclo de nascimento e
morte como Buda, surgindo sob várias formas nos Dez Mundos para salvar todos os seres vivos. O capítulo
“Revelação da Vida Eterna do Buda” esclarece que os seres vivos dos Dez Mundos (incluindo os budas) e
também a vida e a morte, são manifestações da grande vida eterna do Universo. Pelo fato de Daishonin dizer que
“a essência do capítulo ‘Revelação da Vida Eterna do Buda’ é Myoho-rengue-kyo, podemos inferir que Myoho-
rengue-kyo é o nome dessa grande vida eterna e universal descrita no capítulo “Revelação da Vida Eterna do
Buda”.

Os seres vivos dos nove mundos — sujeitos a experimentar repetidamente o ciclo de nascimento e morte —
também seguem o ritmo de vida e morte que os faz surgir e retornar novamente a essa grande vida universal de
Myoho-rengue-kyo. São abarcados pelo Myoho-rengue-kyo e, ao mesmo tempo, possuem a Lei dentro deles.
Por isso, Myoho-rengue-kyo é o nome da “verdade mística que sempre existiu inerentemente em todos os seres
vivos”.

Foi Daishonin quem declarou pela primeira vez que Myoho-rengue-kyo era o Daimoku que todas as pessoas
deveriam recitar e propagar nos Últimos Dias da Lei.

Com a prática da recitação do Daimoku para perceber a verdade mística estabelece-se o “budismo do
povo”

O Sutra de Lótus é o rei dos sutras, verdadeiro e correto tanto nas palavras como nos princípios. Suas palavras
são a realidade fundamental, e esta é a Lei Mística (myoho). É chamada de Lei Mística porque revela o
princípio da “relação mútua e inclusiva de num único momento da vida e todos os fenômenos”. Eis por que este
sutra constitui a sabedoria de todos os budas.
A vida em cada momento abarca o corpo e a mente, a vida e o meio ambiente de todos os seres sensíveis nos
Dez Mundos como também todos os seres insensíveis nos três mil mundos, incluindo as plantas, o céu, a terra e
até mesmo as minúsculas partículas de pó. A vida em cada momento permeia todo o mundo fenomenal e é
revelada em todos os fenômenos.(END, vol. I, págs. 1-2.)

O passo seguinte de Daishonin para abrir esse grande caminho foi estabelecer a prática da recitação do Daimoku.
Daishonin agregou a palavra “nam” (variação fonética de namu) à verdade universal de Myoho-rengue-kyo e
estabeleceu a prática que consiste em recitar ou entoar essa verdade. Nam significa “dedicar a vida a”. Recitar
Nam-myoho-rengue-kyo de forma audível expressa a determinação e o juramento de dedicar nossa vida à
verdade de Myoho-rengue-kyo em pensamentos, palavras e ações.

Ao mesmo tempo, a prática do Daimoku permite a cada pessoa edificar um modo de vida fundamentado na
verdade universal de Myoho-rengue-kyo. O ponto-chave na recitação de Daimoku no Budismo de Nitiren
Daishonin não está em simplesmente entoar o nome de uma “verdade externa”. A recitação do Daimoku é uma
prática para revelar a “verdade interior” que permeia tanto o Universo como nosso próprio ser, e viver de acordo
com essa verdade. Essa prática pode ser descrita como um processo de construir uma identidade capaz de ativar
e empregar como recurso a “verdade mística que sempre existiu inerentemente em todos os seres vivos”.

Analisando a história do budismo, embora o Sutra de Lótus expusesse que as pessoas deviam abrir os olhos para
a verdade mística, com o tempo elas perderam de vista que essa verdade existia dentro delas. Nesse contexto,
Tient’ai estabeleceu uma prática meditativa, fundamentada nos princípios dos “três mil mundos num único
momento da vida” e da “relação mútua e inclusiva de um único momento da vida e todos os fenômenos”. Dessa
forma, ele procurou possibilitar às pessoas manifestarem o estado de Buda em sua vida. O método da meditação
exposto por Tient’ai para “observar a mente” poderia ser visto como uma prática apropriada que restaurou o
caminho correto do Sutra de Lótus.

Por outro lado, para possibilitar que todas as pessoas percebessem e compreendessem a “verdade mística
inerente em todos os seres vivos”, Nitiren Daishonin deu-lhe o nome de Myoho-rengue-kyo e estabeleceu a
prática da recitação desse nome; ou seja, a prática do Daimoku. Com isso, ele revelou o caminho para que todos
dedicassem sua vida à verdade mística e vivessem com base nela.

Desse modo, Daishonin estabeleceu o meio pelo qual todos poderiam despertar para o fato de que a verdade da
vida e do Universo existia em cada ser humano, e manifestá-la ativamente. Essa verdade também é a sabedoria
iluminada de todos os budas, totalmente revelada no Sutra de Lótus, o ensino mais elevado do budismo. Quando
nos baseamos nela, podemos construir uma vida de supremo valor. O Budismo de Nitiren Daishonin revelou
esse mundo da fé de forma que qualquer pessoa, em qualquer lugar, época ou circunstância, tenha acesso a ele.
Não seria exagero dizer que a prática da recitação do Daimoku, no Budismo de Nitiren Daishonin, deu origem ao
“budismo do povo”. Ela constitui a suprema prática budista que possibilita a cada pessoa transformar sua vida no
nível fundamental.

Em outras palavras, recitar Daimoku também é manifestar nosso estado de Buda inato.4 É o caminho direto para
evidenciar essa condição incomparável de vida. A sabedoria e a benevolência do Buda que emergem com a
prática do Daimoku, enriquecem e enchem de felicidade tanto a nossa vida como a de outras pessoas. Conforme
mais e mais pessoas recitam Daimoku pela felicidade de si e dos outros, será possível criar uma aliança de
indivíduos comprometidos, cuja vida resplandece com a benevolência do estado de Buda, capazes de mudar até
mesmo o destino da humanidade.

Saudemos o alvorecer do Budismo do Sol

Outro ponto que devemos ter em mente sobre o verdadeiro significado do Nam-myoho-rengue-kyo é que
também designa a vida do Buda dos Últimos Dias da Lei, Nitiren Daishonin. O nome Nam-myoho-rengue-kyo e
a vida do Buda Original estão conectados de maneira indivisível. Poderíamos dizer que a verdade fundamental
de Myoho-rengue-kyo que permeia a vida e o Universo somente pôde ser identificada e estabelecida pela
primeira vez quando Daishonin a praticou e a manifestou em sua própria conduta. Ele deu expressão concreta à
Lei que, até então, as pessoas não foram capazes de perceber.

A vida de Nitiren Daishonin como Buda dos Últimos Dias da Lei foi totalmente dedicada à luta contra o mal e a
ignorância. A batalha para libertar as pessoas da desventura e infelicidade neste mundo, do carma negativo, dos
sofrimentos implícitos no nascimento, na velhice, doença e morte, em última instância, implicam numa luta
contra a escuridão fundamental e a ignorância que dão origem ao mal e ao sofrimento.

Daishonin diz que o Daimoku de Nam-myoho-rengue-kyo que ele recita pela felicidade de si e de seus
semelhantes, enfocado na realização do Kossen-rufu, “dissipa as nuvens da ignorância” (Gosho Zenshu, pág.
414), que tem o poder inegável de dispersar a escuridão. Quando recitamos Nam-myoho-rengue-kyo, o sol do
estado de Buda desponta em nosso coração, dispersando a ignorância e a ilusão, que até esse momento
encobriam o sol como um pesado manto de nuvens. Quando o sol do estado de Buda resplandece em nosso
interior, dissipa-se a penumbra da ignorância.

O Budismo de Nitiren Daishonin não é um ensino que permite somente a seu fundador brilhar como o Sol, mas
uma filosofia que possibilita a cada indivíduo fazer com que seu próprio sol desponte, tal como Daishonin fez.
Somos realmente afortunados por podermos irradiar a mesma condição de vida iluminada do Buda.

A esse respeito, Nitikan Shonin escreveu: “Quando uma pessoa abraça este Gohonzon com fé e recita Nam-
myoho-rengue-kyo, sua própria vida se transforma imediatamente no objeto de devoção dos três mil mundos
num único momento da vida. Torna-se a vida de Nitiren Daishonin”.5 A prática da recitação do Daimoku é, de
fato, o caminho supremo para atingir o estado de Buda e possibilitar que cada pessoa seja um sol esplêndido, por
direito próprio.

O poeta russo Alexander Pushkin (1799-1837) proclamou:

Na presença do alvorecer cada vez mais brilhante

Estremecerá e se apagará cada falsidade,

Rendida ante a chama perene da razão.

Celebremos a aurora, e que a sombra pereça!6

O Budismo de Nitiren Daishonin é o Budismo do Sol, que revela a toda a humanidade o caminho da vitória
suprema na vida. Com a declaração “Celebremos a aurora!” como brado apaixonado, avancemos dinamicamente
na luta para dissipar a escuridão que cobre o coração das pessoas.

Notas 1. Comentando a frase de Tient’ai, “Os três mil mundos existem na vida a cada momento”, Nitikan Shonin afirma em seus Escritos
em Seis Volumes: “A intenção deste sutra [o Sutra de Lótus] é revelar o princípio da ‘inerência e permeabilidade’. De acordo com esse
princípio, todos os fenômenos são inerentes a cada momento da vida, e cada instante da vida permeia todos os fenômenos.” 2. Daishonin
escreve: “Este comentário significa que o princípio supremo [que é a Lei Mística] no início não tinha nome. Quando o sábio observava o
princípio e atribuía nome a todas as coisas, percebeu a existência desta Lei única e maravilhosa [myoho] que possui simultaneamente
causa e efeito [rengue], e a chamou Myoho-rengue. Esta Lei única que é Myoho-rengue abarca dentro de si todos os fenômenos que
compreendem os Dez Mundos e os três mil mundos, sem carecer de nenhum deles. Todos aqueles que praticarem esta Lei obterão
simultaneamente a causa e o efeito do estado de Buda”. (WND, pág. 421.) 3. Verdadeiro aspecto de todos os fenômenos: A verdade ou a
realidade suprema que permeia todos os fenômenos e que não se encontra separada deles em nenhum aspecto. Princípio exposto no 2º
capítulo do Sutra de Lótus, “Meios”. No escrito intitulado “O verdadeiro aspecto de todos os fenômenos”, Nitiren Daishonin definiu
“todos os fenômenos” como todos os seres vivos e seu ambiente como os Dez Mundos, e “o verdadeiro aspecto” como a Lei de Myoho-
rengue-kyo, a realidade última que permeia todos os seres vivos e seu ambiente em qualquer dos Dez Mundos. Todos os fenômenos, ele
declarou, eram manifestações dessa Lei universal; os fenômenos e a verdade suprema eram inseparáveis e unas. O capítulo “Meios”
esclarece a verdade de que todas as pessoas são inerentemente dotadas do potencial para se tornarem budas e que são capazes de
manifestar esse potencial. Notas 4. Daishonin escreve: “Portanto, quando recitamos uma vez Myoho-rengue-kyo, com esse único som
despertamos e manifestamos a natureza de todos os budas, de todas as entidades, de todos os bodhisattvas, de todos os ouvintes, de todas
as divindades como Brahma, Shakra e rei Yama; do Sol, da Lua e das miríades de estrelas, das divindades celestiais e terrenas; e assim
sucessivamente até a daqueles que habitam nos mundos de Inferno, Fome e Animalidade, os asuras, os seres humanos e celestiais, e de
todos os demais seres vivos. Esse benefício é infinito e incalculável”. (WND, pág. 887.) 5. Comentário sobre “O objeto de devoção para a
observação da mente”, em Nichikan Shonin Mondanshu (Comentários de Nitikan Shonin), Tóquio Seikyo Shimbunsha, 1980, pág. 548. 6.
PUSHKIN, Alexander. Pushkin Threefold: Narrative, Lyric, Polemic, and Ribald Verse (Pushkin em três momentos: Narrativa, obra lírica
e versos irreverentes), Walter Arndt, trad. Nova York, E.P. Dutton & Co., Inc., 1972, pág. 20.