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Direito da Insolvência

1. Direito e processo da insolvência

 Direito da insolvência:

Menezes Leitão define direito da insolvência como “complexo de normas jurídicas que tutelam a
situação do devedor insolvente e a satisfação dos direitos dos seus credores”.
Além disto, o direito da insolvência abrange um conjunto de normas jurídicas de índole processual
e de ordem substantiva que pertencem na sua essência ao Direito Privado, nomeadamente ao
âmbito as responsabilidade patrimonial, visto que por ele passam junto /perpassam conceitos de
autodeterminação e de auto-responsabilidade, que colocam frente a frente pessoas iguais em
direitos iguais.

 Processo de insolvência:
Note-se que quando falámos em Direito da I(nsolvencia falamos em mecanismos legais que se
destinam a fazer face a situações de crise económico-financeira. A lei estabelece vários
mecanismos de relação a estas situações que são adaptadas ao nível da crise em questão. Os
mecanismos regulatórios da crise empresarial são:
- mecanismos judiciais;
- mecanismos puramente extrajudiciais;
- mecanismos híbridos;
Ou também podem ser:
- mecanismos preventivos (destinam-se a prevenir uma situação de crise empresarial);
- mecanismos reativos (visam regair à situação de crise empresarial).

Numa situação de crise empresarial pode existir aqui 2 saídas:


 Mecanismos liquidatóros – é a saída de liquidação, na qual os bens são liquidados,
vendidos (é quas como uma ação executiva). Estes são mecanismos judiciários e o
mecanismo por excelência é o processo de insolvência.
 Mecanismos recuperatórios – são mecanismos que se destinam a recuperar a empresa.
São estes:
o Processo de insolvência;
o PER: processo especial de revitalização de empresas (processo hibrido; é um
acordo entre o devedor e os seus credores);
o PEAP: Processo especial para acordo de pagamento (hibrido);

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o SIREVE: sistema de Recuperação de empresa por via extrajudicial;
o PERSI: Procediemnto extrajudicial de regularização de situaçãoes de
incumprimento.

Neste âmbito surge o processo de insolvência. É um processo que se destina a obter a liquidação
de todo o património do devedor insolvente por todos os credores ( e não só). É um processo:
 Universal – pois, à partida, destina-se à liquidação de todos os bens do devedor, desde
que penhoráveis ou que, não sendo absolutamente impenhoráveis, tenham sido
voluntariamente apresentados pelo devedor (art. 46º CIRE). O art. 1º CIRE refere-se ao
processo de insolvência como um “processo de execução universal” (tudo quanto diz
respeito aquele devedor vai ser tratado no processo de insolvência).
 Concursal - umas vez que todos os credores são chamdos a intervir neste processo,
independentemente da natureza do seu crédito (apesar dos seus poderes substantivos e
processuais serem diferentes).
Além disso, é um processo concursal, porque lhe é subjancente (é imbuído, absorvido) o
principio da proporcionalidade das perdas dos credores (principio da par conditio
creditorum), de modo a que, em caso de insuficiência de património do devedor, sejam
repartidas por todos, proporcionalemente as perdas (art. 146º CIRE).
 Da natureza mista – pois inicialmente surge como processo declarativo (pretendendo a
apreciação e declaração da insolvência), sendo que depois da declaração da inslvencia
surge com uma feição executiva (visando a apreensão e liquidação do ativo para
pagamento dos credores).
 De caráter urgente – goza de precendencia sobre o serviço ordinário do tribunal, assim o
determina o art. 9º nº1 CIRE.
 Sujeito ao principio do inquisitório – a decisão do juiz, assim, será fundada em facyps que
não tenham sido alegados pelas partes (art. 11º CIRE).
 Especial autónomo – tem uma respetiva disciplina substantiva e processual regulada num
diploma autónomo, o código da insolvência e recuperação de empresas (CIRE).
Assim podemos determinar que o processo de insolvência é tanto um processo de recuperação,
como um processo de liquidação da empresa, abrindo o art. 1º CIRe caminho para estas duas
hipóteses. Atualmente, em 1ª linha, o processo de insolvência deve priveligiar e procurar a
recuperação da empresa, optando pela liquidação quando tal seja o mais adequado e no
interesse do credor. Na verdade, o processo de insolvência tem como fundamento a satisfação
dos credores (que têm um débito vencido que o devedor não paga).

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A revisão do CIRE em 2012 altera a redação do art. 1º do mesmo. Esta alteração era necessária,
pois até então o CIRE determinava somente a liquidação, sendo necessário redirecionar o
processo de insolvência para a recuperação empresarial. O art. 1º nº1 CIRE passou a determinar
que o processo de insolvência é “um processo de execução universal que tem como finalidade a
satisfação dos credores pela forma prevista num plano de insolência, baseado, nomeadamente,
na recuperação da empresa compreendida na massa insolvente, ou quando tal não se afigurar
possível na liquidação do património e a repartição do produto obtido pelos credores”. Esta
alteração linguística foi meramente semântica, levando a pensar que o processo de insolvência
serve para liquidar os bens. Contudo, o legislador continua a pretender uma recuperação em 1
linha.

Alem disso o art. 1º nº1 CIRE atribui prioridade à aprovação de um plano de insolvência, mas na
verdade a satisfação dos credores continua a dominar o processo de insolvência. Note-se que o
plano de insolvência pode ter objeto a recuperação da empresa e aí designa-se plano de
recuperação.
Nota: o processo civil aplica-se subsidiariamente ao processo de insolvência.

2. Pressupostos da declaração de Insolvência

 Para poder existir uma declaração de insolvência é necessário que se verifiquem,


cumulativamente 2 pressupostos:
o Pressuposto subjetivo;
o Pressuosto objetivo;

 Pressuposto subjetivo:

De acordo com o art. 2º nº1 CIRE podem ser objeto do processo de insolvência:
- a) – quaisquer pessoas singulares e coletivas;
- b) – herança jacente;
- c) – associações sem personalidade jurídica e comissões especiais;
- d) – sociedade civis;
- e) – sociedades comerciais e civis sob forma comercial até à data do registo definitivo do
contrato pelo qual se constituem;
- f) – cooperativas antes do registo da constituição;
- g) – estabelecimento individual de responsabilidade limitada;
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- h) – quaisquer outros patrimónios autónomos.
Nota: o art. 2º nº2 CIRE exclui expressamente de ser objeto do processo de insolvência:
 A) – pessoas coletivas públicas e as entidades públicas empresariais;
 B) – empresas de seguro, instituições de crédito, sociedades financeiras, etc.

 Pressupostos objetivo:

Além do pressuposto subjetivo, a declaração de insolvência depende da verificação do


pressuposto objetivo, que é a insolvência do devedor (art. 1º CIRE). A lei prevê 3 situações de
insolvência:

1. Insolvência do devedor;
2. Insolvência de entes especiais;
3. Insolvência iminente;

1. Insolvência do devedor.
O art. 3º nº1 CiRE consagra um conceito geral de insolvência, que é a impossibilidade de
cumprimento de obrigações vencidas. No entanto, a doutrina tem entendido que a impossibilidade
de cumprimento relevante para efeitos da insolvência não diz respeito a todas as obrigações do
devedor. Exige-se que as dividas pelo seu montante e pelo seu significado no âmbito do passivo
do devedor sejam reveladoras da impossibilidade de cumprimento da generalidade das suas
obrigações.
Note-se que estão excluídas para estes efeitos, o incumprimento que resulta do facto do devedor
não querer cumprir, por achar que não tem de cumprir ou por atuar ao abrigo de uma causa
injustificada (pois não revela impossibilidade de cumprimento).

Está aqui em causa o conceito de solvabilidade. Neste sentido, o passivo pode ser superior ao
passivo não existir insolvência (conseguindo receber crédito para pagar as dividas), assim como
o ativo pode ser superior ao passivo e o devedor encontrar-se numa situação de insolvência (por
falta de liquidez do seu ativo, pois dificilmente é convertido em dinheiro).

Nota: não pode estar em causa uma mera dificuldade financeira (ex: EU tinha que entregar bolas
de futebol há 3 meses atrás e por cada mês de atraso paga-se 100 000€, ou seja 300 000€. O
valor da pele é 300 000€. Faz-se uma nota de débito sobre a fatura e espero que mande uma
nota de crédito. Não estou insolvente, apesar de ter uma divida vencida).

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2. Insolvencia de entes especiais:

A lei prevê um conceito especial de insolvência que não se aplica a todos os devedores, mas sim
aos previstos no art. 3 nº2 CIRE, que são pessoas coletivas e patrimónios autónomos por cujas
dividas nenhuma pessoa singular responda pessoal e ilimitadamente, direta ou indiretamente,
para este efeito designadas de “entes especiais” (ex: herança jacente, EIRL: estabelecimento
individual de responsabilidade limitada, sociedade por quotas, sociedades anónimas).
Este conceito fica preenchido com a manifesta superioridade do passivo em relação ao ativo,
avaliados segundo as normas contabilísticas aplicáveis. Contudo as regras não serão aplicáveis
se o ativo exceder o passivo, com em alguns critérios previstos no art. 3º nº2 CIRE.
Atendendo à importância dos elementos da contabilidade da empresa para esse efeito, o art. 20º
nº1 h) CIRE acrescenta aos índices da situação de insolvência o atraso superior a 6 meses na
aprovação e depósito das contas a que essas entidades eventualmente estejam obrigadas por
força da lei.

Nota: Maria do Rosário Epifânio entende que a estes entes são aplicáveis, alternativamente, os 2
conceitos de insolência previstos no art. 3º nº1 e 2 CIRE, desde logo com base na interpretação
literal da norma (que utiliza a expressão “são também considerados insolventes”) e também com
base na ratio legis da mesma (proteger os credores do regime da responsabilidade dos sócios).

Exemplo do art. 3º nº3 a) CIRE – 1. A comprou x por 1 000€, e declara 10 000€, apesar de não
valer 1 000€. A pode ainda não ter corrigido o valor antigo, por isso ainda não está lançado o seu
justo valor. 2. A tem um pavilhão que necessita de obras, e queria fazê-las, mas o seu advogado
não deixou, pois numa insolvência este pavilhão vale pouco, mas com essas obras passaria a
valer muito.
Exemplo do art. 3 nº3 b) CIRE – uma empresa espanhola está interessada em adquirir por
trespasse um estabelecimento. O legislador viu que os processos passavam a não existir com o
trespasse, por isso eliminou este mecanismo. Pois o valor do trespasse é muito volátil.

3. Insolvência iminente:

O legislador equipara à situação de insolvência atual à situação de insolvência iminente, desde


que o devedor se tenha apresentado à insolvência (art. 3º nº4).

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Note-se que é um preceito muito pouco esclarecedor. Por um lado, não existe num critério auxiliar
à interpretação do conceito de insolvência iminente. Por outro lado, é muito ambíguo quanto à
equiparação de insolvência atual com a iminente. Assim:
- quanto À primeira questão, e consultando a lei alemã, entende-se que a iminência da
insolvência consiste na probabilidade do devedor não cumprir com as suas obrigações. Há,
assim, um juízo de prognose sobre a incapacidade de pagamento futura do devedor (aferindo-se
a diferença entre os meios disponíveis e possibilidades futuras de crédito e as dividas e
responsabilidades futuras).
- quanto à segunda questão, a lei é muito equivoca, apenas regulando um aspeto de forma clara:
restringe expressamente este fundamento de insolvência à hipótese de apresentação do devedor
à insolvência (só tendo o devedor legitimidade para evitar que os credores exerçam pressão na
antecâmara de insolvência).

 Índices da situação de insolvência

O art. 20º CIRE procede a uma enumeração de factos indiciados da situação de insolvência que
legitimam o requerimento da declaração de insolvência, por quem for legalmente responsável
pelas suas dividas, por credores ou pelo Ministério Público (como representante).
Ou seja, são índices de insolvência qualquer um dos factos previstos no art. 20º CIRE (p. ex: a
suspensão generalizada do pagamento das obrigações vencidas (alínea a)) ).

Este conjunto de factos apresentam uma multiplicidade de funções:

- Primeiramente, trata-se de um requisito indispensável para se preencher o pressuposto


da insolvência (quando o requerente não é o próprio devedor), pois para tal tem de se verificar
uma destas alíneas;
- Depois porque estes factos consubstanciam verdadeiras presunções ilidíveis de
insolvência (art. 349º cc ), constituindo assim condição suficiente para concluir pela existência de
uma situação de insolvência, pois se o devedor não deduzir oposição a própria lei considera os
factos confessados (art. 30º nº5 CIRE);
- E por ultimo, quando o devedor for titular de uma empresa, o incumprimento generalizado
de obrigações previstos no art. 20º nº1 g), durante pelo menos 3 meses faz presumir
inilidivelmente o conhecimento da situação de insolvência (art. 18º nº3), o que tem relencia para o
dever de apresentação (art. 18º nº1).

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3. Fase declarativa do Processo de Insolvência

O processo de insolvência é um processo especial, sujeito a uma tramitação com regras próprias
previstas no CIRe, aplicando-se subsidiariamente o código de Processo Civil (art. 17º CIRE). Este
processo (incluindo todos os seus incidentes, apensos e recursos) tem caráter urgente, gozando
de precedência sobre o serviço ordinário do tribunal (art. 9º nº1).

1. Competência dos tribunais:


Quanto à competência, esta subdivide-se em três:
 Competência territorial – o pedido de declaração de insolvência deve ser apresentado no
tribunal da sede ou do domicilio do devedor ou do autor da herança à data da morte (art. 7º
nº1). Além disso, também pode ser apresentado no tribunal do lugar em que o devedor
tenha o centro dos seus principais interesse (art. 7º nº2; é o lugar onde ele os administra
de forma habitual e cognos civil por terceiros). Isto deriva da necessidade de proximidade.
 Competência em razão da estrutura do tribunal – é exclusivamente competente o juiz
singular, independentemente do valor da causa (art. 7º nº3). Este preceito é muito
relevante. O processo de insolvência é um processo de execução universal e centrifuga
tudo, sendo por isso juiz singular competente para tudo o que involve este processo:
intrução, decisão, todos os termos do processo, todos os incidentes e todos os apensos. (e
isto faz sentido)
Nota: o valor da causa está previsto no art.15º.

 Competência em razão da matéria – de acordo com o art. 128º nº1 a) LOSJ compete à
secções de comércio preparar e julgar os processos de insolvência e os processos
especiais de revitalização (PER).

2. Legitimidade Ativa:
Nos termos dos art. 18º a 20º CIRE têm legitimidade para desencadear o processo de
insolvência:
 O próprio devedor;
 Qualquer responsável legal pelas suas dividas;
 Qualquer credor; Ministro Público;
 Art. 17º - G administrador judicial provisório, em certos termos.

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a. Devedor: o devedor tem desde logo o direito de se apresentar á insolvência. No caso do
devedor não ser uma pessoa singular, tem legitimidade para apresentar o pedido de
insolvência o órgão social incumbido da sua administração ou qualquer um dos seus
administradores (art. 19º). Note-se que o art. 6º prevê quem são os administradores para
efeitos CIRE.
Em certos casos, recai mesmo sobre o devedor a obrigação de se apresentar à insolvência
(art. 18º). De acordo com o art. 18º nº1 o devedor é obrigado a apresentar-se à
insolvência, dentro de 30 dias a contar da data do conhecimento da situação de
insolvência ou da data em que deveria conhecê-la. A lei presume inilidivelmente o
conhecimento da situação de insolvência previsto no art. 20º nº1 g).
De acordo com o art. 18º nº2, excluis-e esta obrigação no caso dos devedores pessoas
singulares que não sejam titulares de uma empresa na data em que incorrem em situação
de insolvência.

A violação deste dever dá origem a determinadas consequências:


- presunção de culpa grave no âmbito do incidente de qualificação da insolvência (art. 186º
nº3 a) e nº4);
- eventual preclusão da possibilidade de concessão da exoneração do passivo restante
(art. 238º nº1 d));
- sunsumissão no tipo legal de crime de insolvência negligente, sendo assim esta violação
relevante para o Direito Penal (art. 228º nº1 b) CP).

Nota: Alguma doutrina entende que a violação deste dever também pode ser constituída de
responsabilidade civil extracontratual perante credores, com fundamento na violação de
disposição legal destinada a proteger os interesses alheios. (art. 483º nº1 cc): esta recai de forma
solidária, sobre o devedor e os administradores de direito ou de facto, pelos danos resultantes do
atraso da apresentação da insolvência. Os danos indemnizáveis podem ser:
- créditos constituídos até à data em que o devedor se devia ter apresentado à insolvência
(calculados com base na diferença entre a percentagem do valor dos créditos se a insolvência
tivesse sido atempadamente pedida e a percentagem dos valores dos créditos efetivamente
percebida no processo de insolvência):
- créditos constituídos aos esse momentos (calculada de acordo com o interesse contratual
negativo, isto é, se tivesse conhecimento da situação do devedor e, por isso, não tivesse
celebrado qualquer contrato).

b. Responsáveis legais, credores e Ministério Público:


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Além do devedor, existem outros legitimados que podem desencadear o processo de insolvência,
que por sua vez estão previstos no art. 20º nº1. São estes:
i) responsável legal pelas dividas do insolvente;
ii) qualquer credor;
iii) ministério público;

Estes têm legitimidade para requerer a insolvência se estiver preenchido algum dos factos
previstos nas suas alíneas.

Exemplo:
 Da alínea b) – “pelas circunstâncias do incumprimento” – se vendo algo na minha loja e sei
que vai ser declarado ilícito e já até o foi declarado nos países fornecidos. Não vou ser
mais fornecido para o vender e vou até deixar de o poder fazer;
 Da alínea c) – a “fuga” tem que ser relacionada com a situação de insolvência e com as
inerentes dificuldades. Se uma pessoa tiver uma doença e for fazer um tratamento ao
estrangeiro, isto não é fuga.
 Da alínea d) – “dissipação” – colocar a placa a dizer trespasse, tirar fotografias e voltar a
tirar a placa; constituição fictícia de créditos – quando há propositura de uma ação que
toda a gente sabe que aquela entidade nunca foi credora daquela empresa.
 Da alínea e) – insuficiência de bens penhoráveis – existe agora um site na internet onde se
verifica se há ou não bens penhoráveis e se o processo de execução já correu.
 Alínea f) – plano de pagamento – acordo entre os credores da insolvência, apresentado
pelo insolvente pessoa singular, destinado à recuperação deste e assim evitar as
consequências ou efeitos da declaração de insolvência. Há declaração de insolvência mas
para efeitos sintéticos.
Plano de insolvência – há uma declaração de insolvência. Aplica-se às pessoas coletivas.
(se o plano tiver como objetivos a recuperação designa-se plano de recuperação).

Assim, podemos dizer que esta legitimidade ativa depende do preenchimento comulativo de 2
requisitos: requisito de natureza objetiva (preencher um dos factos das alíneas) e um requisito de
natureza subjetiva (se o objeto é uma das entidades previstas no próximo/principio do nº1 deste
artigo).
i) Responsável legal pelas dividas do insolvente – são pessoas que por força da lei,
respondem pessoal e ilimitadamente pela generalidade das dividas do insolvente,
mesmo que seja subsidiariamente (art. 6º nº2). Assim,

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a. Incluímos aqui – sócio comanditado de sociedade em comandita (art. 175º nº1, 465º
nº1 csc), sócio de sociedade em nome coletivo (art. 175º nº1 csc), responsabilidade
de sócio único (art. 84º csc) responsabilidade de sócio da sociedade por quotas
unipessoal (art. 270º - F CSC), responsabilidade para com credores de sociedade
subordinada (art. 501º csc), as empresas agrupadas nos ACE (Base II nº2 da Lei
4/73 de 4 de junho), os membros dos AEIE (art. 24º nº1 do regulamento), os sócios
das sociedades civis (art. 997º cc);
b. Parece não estar incluído – por exemplo, os sócios das sociedades por quotas que
ilimitem a sua responsabilidade convencionalmente (art. 198º csc), cooperadores
que ilimitem convencionalmente a sua responsabilidade pelas dividas da
cooperativa (art. 35º CCop).
Nota: o fiador pode ser responsável e simultaneamente credor dessa pessoa.
ii) qualquer credor – qualquer credor pode requerer a declaração de insolvência, mesmo
que o seu crédito seja condicional e qualquer que seja a sua natureza. Podem requerer
indicidualmente a insolvência, independentemente do montante, não sendo ainda aqui,
um processo concursal.
Como incentivo ao impulso processual dos credores, o art. 98º CIRE consagra a
atribuição de um provilégio creditório geral aos créditos não subordinados de que seja
titular o credor requerente da declaração de insolvência.
Os credores não podem renunciar a esta faculdade, pois o processo de insolvência
desempenha um fim social, é do interesse social a declaração de insolvência quando
tal se justifica.

Ex: se eu for credor sou legitimado a requerer a insolvência de uma determinada empresa. Posso
ter um conjunto defaturas, uma sentença declarativa, uma sentença transitada em julgado em que
o juiz reconhece o direito de crédito, mas ainda assim sou abrigado a reclamar créditos tenho que
pedir o meu reconhecimento como credor, reconhecimento do meu crédito.

iii) Ministério Público – o Ministério Péblico pode, em respresentação das entidades cujo
interesse lhe estão confiados, requerer a declaração de insolvência do devedor. Ver art.
13º.
Este artigo 20º é atenuado pelo art. 22º, que prevê a responsabilidade do autor do pedido
infundado de declaração de insolvência em caso de dolo.

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Estes factos previstos no art.20º, como já referimos são índices da situação de insolvência,
são assim presunções iuris tantum, isto é, são ilidíveis mediante prova em contrário. Assim o
devedor pode afastar/atacar a presunção:
- atacando o facto que serve de base à presunção, afirmando que é falso; OU
- atacando a presunção, afirmando que apesar do facto ser verdadeiro, não se pode
concluir pela insolvência (aqui está verdadeiramente a ilidir a presunção).

Art. 30º - cabe ao devedor o encargo da prova da inexistência da situação e dos índices da
situação de mesma (normalmente quem invoca um facto tem que aprovar, mas neste caso há
inversão do ónus da prova – art. 342º e ss cc).

c) – Administrador judicial provisório:


Nos termos do art. 17º - G nº4, se o PER encerrar, o administrador judicial provisório emita um
parecer sobre se o devedor se encontra ou não em situação de insolvência e pode requerer a
insolvência do mesmo, em caso afirmativo. Deve a mesma ser declarada no prazo de 3 dias
úteis a contar da receção pelo tribunal da comunicação prevista no nº1 do art. 17º - G (art. 17º
- G nº3).

Nota:
1. Se for o devedor a propor a ação – diz-se que este apresenta-se à insolvência;
2. Se forem outros sujeitos a propor a ação – diz-se que este requereram a insolvência.

Art. 21º - os outros sujeitos podem desistir do pedido ou da instância até ser proferida
sentença, sem prejuízo do procedimento criminal, caso este couber. O devedor não tem esta
possibilidade (ex: se eu estou insolvente, tenho consciência disso e apresento-me à
insolvência, então não posso desistir da instância ou do pedido). É o devedor que conhece a
empresa, e ele que sabe se efetivamente esta está solvente ou insolvente. Admite-se todos os
meios de prova.)

3. Petição inicial:

Nos termos do art. 23º, a aprsentação à insolvência pelo devedor ou o pedido de declaração
de insolvência através dos outros legitimados faz-se através da petição escrita, na qual se
apresentam os factos relativos aos pressupostos da declaração de insolvência e se formula o
respetivo pedido. Esta petição deve conter determinadas referências obrigatórias, previstas
nas alieneas do nº2 do art. 23º b), c), d).. Também deve ser cumprido o art. 26º.
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Pedido apresentado pelo devedor:

Caso o pedido de insolvência tenha sido apresentado pelo devedor, deve ainda conter:
- a indicação da atualidade ou iminência da situação de insolvência (art. 23º nº2 a)); o
requerimento de exoneração do passivo restante (art. 23º nº2 a) e art. 236º nº1);
- o pedido da administração pelo devedor (art. 224º nº2 a));
- ou o pedido de plano de pagamento (art. 251º);

Quanto ao plano de insolvência, o devedor tem a faculdade de o juntar à petição, podendo, no


entanto, apresenta-lo mais tarde (art. 24º nº3 e art. 193º e ss). Além disto, o devedor deve ainda
juntar à petição os documentos nas alíneas do nº1 e nº2 do art. 24º. Noralmente o plano de
insolvência apresentado pelo devedor tem como objetivo a recuperação.
Pedido apresentado por outros legitimados.
Caso o pedido de declaração de insolvência tenha sido requerido por algum credor, este
requerente deve justificar na petição a origem, a natureza e o montante do seu crédito e oferecer
os elementos respeitante ao ativo e passivo do devedor que possua (art. 25º nº1).
Caso tenha sido requerido por algum responsável legal, este deve justificar, na petição, as suas
responsabilidades pelos créditos sobre a insolvência e oferecer os elementos respeitantes ao
ativo e passivo do devedor que possua (art. 25º nº1).
Qualquer requerente deve oferecer, com a petição, todos os meios de prova que disponha,
inclusivamente devendo juntar o rol de testemunhas, não podendo exceder os limites do art. 511º
CPP (art. 25º nº2).

Exemplos do art. 24º


 Alínea c) – é muito importante juntar a “relação de bens”, pois há de ser nomeado um
administrador que terá um mapa de bens efetivos, podendo ver logo aqui se há má fé ou
não do devdor.
 Alínea i) – mapa pessoal – a declaração de insolvência não determina a caducidade do
contrato de trabalho, faz sentido saber qual é a força de trabalho. Deve-se incluir os
salários e as categorias.

Nota: o juiz não suspende o julgamento pelo facto das testemunhas faltarem. Este decorre na
mesma.

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4. Apreciação liminar do pedido de declaração de insolvência (ainda estamos na
petição inicial):

Ao contrário do que acontece no processo civil, em que o juiz não intervem na petição inicial, aqui
o juiz inteira-se logo da petição inicial, aqui o juiz inteira-se logo da petição inicial e se está bem
construída ou não.
No próprio dia da distribuição ou, se caso não seja viável, até ao 3º dia útil subsequente, o juiz
deve proferir um despacho liminar, que pode assumir um destes conteúdos:
 Despacho de indeferimento liminar do pedido;
O juiz, no próprio dia da distribuição ou, não sendo tal possível até ao terceiro dia útil
subsequente, o juiz indefere liminarmente o pedido com os fundamentos previstos no art. 27º nº1.
Também se deve cumprir com o nº2 do art. 27º no caso do pedido de insolvência ter sido
apresentado pelo devedor.
 Despacho de correção de vícios;
Caso não haja motivo para indeferimento liminar e, caso existeam vícios sanáveis na petição (ex:
falta de requesitos legais, falta de documentos que devem instruir a petição ou quando a sua
ausência não é devidamente justificada), o juiz convida o requerente a, no prazo máximo de 5
dias, a corrigir esses vícios, sob pena de indeferimento liminar da petição (art. 27º nº1 b)).

Ex: faltam documentos. O juiz deve convidar à junção dos documentos que faltam, caso contrário
estamos perante uma nulidade processual nos termos do art. 145º CPC.

 Declaração, imediata de insolvência;

Caso o pedido de insolvência tenha sido apresentado pelo próprios devedor, a lei considera
existir um reconhecimento da situação de insolvência, que importa a sua declaração imediata até
ao 3º dia útil seguinte ao da distribuição da petição ou, caso existam vícios corrigíveis, ao da sua
correção (art.28º). é declarada a insolvência sem que tenham intervindo e sem que tenham sido
ouvidos no processo outros sujeitos, além do próprio devedor e o tribunal. Este preceito tem como
objetivo conferir celeridade no processo de insolvência.

Nota: por remissão expressa do art. 17º - G nº4, o art. 28º aplica-se, com as devidas adaptações
à hipótese de a insolvência ter sido requerido pelo administrador judicial provisório.

 Despacho de citação;

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Caso o pedido de declaração de insolvência não tenha sido apresentado pelo devedor e caso não
exista motivo para indeferimento liminar, sem prejuízo do disposto no art. 31º nº3, o juiz manda
citar pessoalmente o devedor (art. 29º nº1) até ao 3º dia útil seguinte à distribuição ou havendo
vícios corrigíveis, até ao respetivo suprimento (art. 28º ex. 29º nº1).
No ato de citação, o devedor tem de ser advertido para a cominação legal no saco de não deduzir
oposição, prevista no art. 30º nº5 e de necessidade dos documentos previstos no art. 24º nº1
estarem prontos para entrega imediata ao administrador da insolvência, caso esta seja declarada
(art. 29º nº2).
Quanto às modalisdades de citação do devedor, deve-se recorrer aos art. 225º e ss CPP por
força do art. 17º.

Nota: este artigo da citação do devedor deve ser confrontado com o art.12º. o art. 12º nº1 prevê a
possibilidade da audiência do devedor ou dos seus administradores, no caso do devedor não ser
uma pessoa singular (art. 12º nº3), ser dispensada com fundamento no risco de demora
excessiva, no caso do devedor residir no estrangeiro ou no caso do seu paradeiro ser
desconhecido. Contudo exige-se sempre que possível, que seja ouvido um representante, ou,
subsidiariamente o cônjuge (ou unido de facto) ou um parente do devedor, em substituição do
mesmo.

Quanto aos efeitos da citação do devedor,


Com o despacho de citação, e com fundamento no justificado receio da prática de atos de má
gestão, o juiz pode ordenar, oficiosamente ou a pedido do requerente, medidas cautelares que se
mostrem necessárias ou convenientes para impedir o agravamento da situação patrimonial do
devedor, até ao momento da prolação da sentença (art. 31º nº1).
Note-se que as medidas cautelares podem ser ordenadas previamente ao despacho da citação,
se tal se considerar indispensável para não perigar/por em perigo o efeito útil do processo de
insolvência, desde que a citação não seja adiada mais de 10 dias (art. 31º nº3).
A previsão de medidas cautelares na lei não tem um carater exaustivo. Por exemplo o legislador
prevê um carater exaustivo. Por exemplo, o legislador prevê como medida cautelar, a titulo de
exemplo: a nomeação de um administrador judicial provisório com poderes para a administração
do património do devedor ou para assistir o devedor nessa administração (art. 31º nº2).

Escolha e remuneração do administrador judicial provisório – art. 32º;


As suas competências – art. 33º - este tem 2 poderes:
Nº2 : poderes excluivos de administração do património – nº2

14
Direito da Insolvência
Poderespara assistir o devedor na administração do património – o juiz fixa a
modalidade: especifica – nº2 a) / genérica – nº2 b)
Sejam qual forem os poderes aplica-se no nº3.

Publicidade e registo da nomeação – art. 34º;

Nota: Menezes Leitão determina que a doutrina tem apontado, exemplificativamente, “a proibição
geral de o devedor praticar quaisquer atos de administração e disposição dos bens, a suspensão
de ações executivas contra o mesmo e a apreensão imediata dos respetivos bens”.

5. Oposição do Devedor

O devedor tem um prazo de 10 dias, a contar do momento em que se considera citado, para
deduzir oposição. É sobre o devedor eu recai o ónus de provar a sua solvência. A lei regula,
quanto à oposição do devdor:
 Os seus requisitos externos – o devedor deve juntar uma lista dos seu 5 maiores credores
para lém do credor requerente, indicando o respetivo domicilio, sob pena de
inadmissibilidade da oposição (art. 30º nº2).
Na oposição o devedor deve oferecer todos os meios de prova de que disponha, nos
termos do art. 25º nº2 ex vi do art. 30º nº1. (ex vi = força do );
 O seu conteúdo – o devedor deve opor-se ao pedido de declaração de insolvência, com
fundamento na inexistência do facto em que o requerente baseou o seu pedido ou com
fundamento na inexistência da situação de insolvência apesar da verificação do factos
índice, ilidindo assim a presunção legal que lhe corresponde (art. 30º nº3). Deve também
cumprir com o disposto no art. 30º nº4. Além disso, a doutrina tem entendido que o
devedor pode deduzir a sua oposição com base noutros fundamentos (ex: existência de
exceções dilatórias, como p.ex. a ilegitimidade do requerente da insolvência por não se
tratar de responsável legal ou de credor).

Caso o devedor não deduza qualquer oposição, tendo sido citado para o efeito (ainda que
editalmente e se encontre, simultaneamente, numa situação de revelia absoluta – art. 40º nº1 a))
consideram-se confessados os factos alegados na petição inicial, sendo a declaração de
insolvência declarada automaticamente no dia útil seguinte ao termo do prazo de oposição, nos
termos do art. 30º nº5. (a revelia é operante).

6. Audiência e Julgamento
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Direito da Insolvência
Se o devedor tiver deduzido oposição, ou se a sua audiência tiver sido dispensada (art. 35º nº5) o
juiz deve marcar a data da audiência de discussão e julgamento, para um dos 5 dias
subsequentes e nos termos do art. 35º nº1. Aqui pode ocorrer 1 de 3 situações:
 A não compaencia do devedor – se esta não comparecer e a audiência do mesmo não
tiver sido dispensada nos termos do art. 12º, isto equivale à confissão dos factos
apresentados na petição inicial (art. 35º nº2) e se um desses factos estiver previstos nas
alíneas do art. 20º o juiz tem de ditar logo para a ata a sentença de declaração de
insolvência (art. 35º nº4).
 A não comparência do requerente – caso o requerente não compareça e não se verifique a
hipótese do 35º nº2, isto vale como desistência do pedido (art. 31º nº3), devendo assim o
juiz atuar de acordo com o art. 35º nº4.
 Se ambos comparecerem ou em caso de dispensa de audiência do devdor, comparecendo
apenas o requerente – o juiz deve atuar em conformidade com o art. 35º nº5, 6, 7 2 8.

7. Sentença de declaração de insolvência

Na sentença que declare a insolvência, seja:


 Na sequência do art. 28º - apresentação do devedor à insolvência ou requerimento da
insolvência pelo administrador judicial provisório ex vi art. 176º nº4.
 Na sequencia do art. 30º nº5 – falta de oposição do devedor após a sua citação;
 No âmbito do art.35º nº4 – falta de comparência do devedor após a sua citação;
 Ou ainda no âmbito dos art. 35º nº7 e 7 – na sequencia da audiência de julgamento.
O juiz deve proceder ao indicado nas alíneas do art. 36º nº1.

Nota: é nomeado um administrador da insolvência, mas a administração da sociedade não cessa,


sendo certo que esta tem um dever especial de colaboração.

Tudo isto é regra, agora vamos referir casos especiais:

Insuficiência da massa insolvente.


Se, no momento da prolação da sentença declarativa da insolvência, o juiz apercebe-se que o
património do devedor não é previsivelmente suficiente para a satisfação das custas do processo
e das dividas previsíveis da massa insolvente e não existir qualquer garantia dessa satisfação,
profere uma sentença declarativa de insolvência apenas com as referências previstas no nº1 a) a
d) e h) do art. 36º (art. 39º nº1), desde que, antes da prolação da sentença não tenha sido

16
Direito da Insolvência
requerida a exoneração do passivo restante (art. 39º nº8). Se dispuser de elementos suficientes
que justifiquem a abertura do incidente de qualificação, o mesmo terá caráter limitado (art. 39º nº1
in fine e 36º nº1). Esta sentença (que podemos considerar limitada) tem profundas modificações
processuais e substantivas, previstas no art. 39º nº7.
Este pedido será julgado procedente se o requerente depositar à ordem do tribunal o montante
especificado pelo juiz ou caucionar esse pagamento através de garantia bancária (art. 39º nº3 e
4). Este montante de depósito ou de garantia é fixado pelo juiz de acordo com o razoavelmente
entenda necessário para o pagamento das custas e das dividas de massa e só poderá ser
movimentado ou acionado, respetivamente após ser comprovada a insuficiência da massa e na
medida dessa insuficiência.
Julgado procedente o requerimento (depois de preenchido os nº2 e nº3), o juiz deve agir em
conformidade com o art. 39º nº4.

Plano de pagamentos
A aprovação e homologação de um plano de pagamentos introduz vários desvios processuais e
substantivos ao processo de insolvência de um devedor pessoa singular não titular de uma
mpresa ou titular de uma pequena empresa, nos termos e para os efeitos dos art. 249º e 250º.
Transitada em julgado a sentença homolgatória do plano de pagamentos, o juiz declara a
insolvência do devedor no processo principal, proferindo uma sentença apenas com as
indicações das alíneas a) e b) do nº1 do art. 36º (art. 259º nº1).

8. Notificação e citação
De acordo com o art. 37º, são notificados de sentença declaratória de insolvência:
- o devedor (art. 37º nº2);
- os administradores do devedor (art. 37º nº1);
- o requerente, Ministério Público e a comissão de trabalhadores (art. 37º nº2);
ver também art. 37º nº3 a 8.

9. Registo
A sentença de declaração de insolvência, assim como a nomeação do administrador da
insolvência deve ser objeto de registo, oficiosamente, com base na respetiva certidão, para o
efeito remetida pela secretaria (art. 38º nº2);
- na conservatória do registo civil (art. 38º nº2 a) CIRE; 1 nº1 L) e 69º nº1 i) CRC);
- na conservatória do registo comercial (art. 38º nº2 b) CIRE e art. 9º i) e 64º c) CRcom);
- na entidade encarregada de outro registo público a que eventualmente se encontre
sujeito (art. 38º nº2 c));
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Direito da Insolvência
ver também art. 38º nº3 a 8.

10. Meios de reação


São 2 os meios possíveis de impugnação da sentença declaratória de insolvência, os quais
podem funcionar cumulativa ou alternativamente:
1. Oposição de embargos;
2. Recurso;

1. Oposição de embargos:
Nos termos do art. 40º, tem legitimidade para opor embargos À sentença declaratória de
insolvência as entidades previstas nas alíneas do nº1 do mesmo.
O prazo para apresentar os embargos é 5 dias a contar da data de notificação da sentença ao
embargante ou, havendo dilação, a contrar dos termo do prazo dilátorio respetivo (art. 40º nº2).
Estes têm como finalidade o afastamento dos fundamentos da declaração de insolvência, através
da alegação de factos ou o requerimento de meios de prova que não tenham sido tidos em conta
pelo tribunal (art. 40º nº2), suspendendo a liquidação e a partilha do ativo, salvo o disposto no art.
158º nº3 (art. 48º nº3) (ou seja, os embargos pressupõe uma omissão, que o juiz decide daquela
maneira porque não tinha acesso a estes factos, que são factos novos decisivos para uma outra
decisão).
O processamento e julgamento dos embargos estão previstos no artigo 41º.
Nota: quanto ao art. 41º nº2, faz sentido o administrador da insolvência ser notificado, pois já
houve sentença, este já foi nomeado e já se inteirou da situação e faz sentido notificar a parte
contrária, pois esta está interessada em ver declarada esta insolvência.

Da decisão sobre os embargos cabe recurso para o Tribunal da Relação, mas do acordo
proferido pelo Tribunal da Relação, não é admitido recurso para o STJ (exceto co caso do art. 14º
nº1.

2. Recruso.
Se acordo com o art. 42º nº1, tem legitimidade ativa para interpor recurso, de sentença
declarativa de insolvência, quem tem legitimidade para deduzir embargos, podendo estes entes,
então, lançar mão destes meios de impugnação da sentença comulativa ou alternativamente. A
lei prevê apenas uma exceção a este principio fundamental de equivalência: mesmo que o
devedor declarado insolvente não tenha legitimidade para deduzir embargos, é-lhe facultada a
possibilidade de interpor recurso. A interposição de recurso só pode ter como fundamento a

18
Direito da Insolvência
alegação de que, perante os factos apurados, não deveria ter sido porferida a sentença (art. 42º
nº1), suspendendo, a liquidação e partilha do ativo (art. 40º nº3 ex vi do art. 42º nº3).
Existe apenas um grau de recurso, da 1º instancia para o tribunal da Relação,
independentemente do valor da causa, salvo a hipótese do art. 14º nº1.

Oposição de embargos – vai-se carrear o que não se produziu. O juiz é confrontado com novos
factos.
Vs.
Recurso – vai-se impugnar o que se produziu. Não se trás novos factos, corrige-se a
interpretação dos factos alegados.

Art. 43º - a revogação da sentença de declaração de insolvência não afeta os efeitos dos atos
legalmente praticados pelos órgãos da insolvência. (ex. imaginamos uma padaria onde ainda há
pão e tem que se fechar a padaria por isso o administrador da insolvência tem de deixar vencer
aquele pão. Se houver uma apreensão de bens este não pode ser indemnizado, pois este atuou
nos domínios da lei).

Nota: quando a sentença indefere o pedido de declaração de insolvência, não se pode opor
embargos, mas é possível interpor recurso (art. 45º).
11. Sentença de indeferimento do pedido de declaração de insolvência.
A sentença de indeferimento do pedido de declaração de insolvência deve ser notificada apenas
ao requerente e ao devedor (art. 44º nº1), devendo atender também ao (art. 44º nº2).
De acordo com o art.81º - A nº1 a) CRC os averbamentos de factos respeitantes ao processo de
insolvência são eliminados imediatamente, depois do registo do trânsito em julgado da sentença
de indeferimento do pedido de declaração de insolvência.

Quanto à impugnação,
A sentença de indeferimento do pedido de insolvência apenas pode ser impugnada por via de
recurso e pelo próprio requerente. A lei não prevê um regime especial para o recurso da sentença
de indeferimento, aplicando-se assim o regime do recurso de apelação art. 644º cpc, com as
necessárias adaptações e em tudo o que não contraria o disposto no art. 14º.

Quanto à responsabilidade por pedido infundado,


O art. 22º regula as consequências da dedução de pedido infundado de insolvência, que por sua
vez é a responsabilidade civil. São responsáveis o devedor, pelos danos causados aos credores,

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Direito da Insolvência
e o requerente da insolvência, pelos danos que causados aos credores e devedores. Para tal os
danos têm que resultar de um pedido infundado e tem que haver 1 atuação com dolo.

Nota: a doutrina vau mais longe e entende que este artigo se deve aplicar, pelo menos à
negligência grosseira (principio culpa lata dolo equipara turi).

4. Órgãos do Processo de Insolvência

Os órgãos do processo de insolvência encontram-se regulados especificamente num capitulo


próprio (titulo III, capitulo II, art. 52º - 80º), que são 3, mas podem ser divididos em 2 categorias:
1. Administrador da insolvência (art. 52º - 65º) – órgão obrigatório;
2. Assembleia de credores (art. 72º - 80º); - ogão eventual;
3. Comissão de credores (art. 66º - 71º); - órgão eventual;

Nota: se numa ação declarativa ou executiva existe um processo de partes, aqui não, existem
vários intervenientes, cada um com a sua função. O processo de insolvência não é um processo
de partes, tem uma configuração muito própria.

1. Administrador da insolvência
Previsto nos art. 52º a 65º
Nomeação e destituição,
A nomeação do administrador da insolvência é da competência do juiz (art. 52º nº1) e tem lugar
na sentença declaratória da insolvência (art. 35º nº1 d)). A nomeação do mesmo deve seguir-se
por créditos cumulativos e está prevista no art. 32º nº1 e 52º nº2, devendo-se atender ao art. 52º
nº4 no caso do processo de nomeação ser de grande complexidade, ou ao art. 52º nº5 no caso
de divergência.
O administrador da insolvência escolhido pelo juiz pode ser substituído pelos credores, de acordo
com o art. 53º nº2, salvo o disposto no nº3.
O administrador da insolv~encia pode ser destituído a todo o tempo e ser substituído por outro,
com fundamento em justa causa, desde que tenham sido ouvidos a comissão de credores, o
devedor e o próprio administrador da insolvência (art. 56º nº1). Não existe uma previsão legal que
defina justa causa e não se associa qualquer sanção à destituição com justa causa (há quem
considere que, talvez, até poderia ser uma sanção, a condenação do administrador a restituir à
massa insolvente as remunerações recebidas desde a data de inicio de funções).

Estatuto e funções,
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Direito da Insolvência
O processo de recrutamento para as listas oficiais, assim como o estatuto do administrador da
insolvência, constam de diploma legal próprio (Lei nº22/2013 de Fevereiro), sem prejuízo do
disposto no CIRE (art. 52º nº3).
Uma vez notificado da sua nomeação, o administrador da insolvência assume de imediato a sua
função (art. 54º), desempenhando tarefas da comissão de credores, caso tenha sido cnstituida
(art. 55º nº1), e com a colaboração do próprio devedor (art. 83º). As suas tarefas estão não só
previstoas no art. 55º, mas também estão elencadas ao longo do CIRE. Cabe-lhe, no entanto,
especialmente as funções previstas no nº1 do art. 55º.
No exercício das suas funções, o administrador da insolvência está sujeito à fiscalização da
comissão de credores (art. 55º nº1) e o juiz nos termos do art. 58º.
O administrador da insolvência exerce as competências a seu cargo pessoalmente, com exceção
dos casos de patrocínio judiciário obrigatório, casos de necessidade de prévia concorrência da
comissão de credores e dos casos restritos de substabelecimento (art. 55º nº2).
Substabelecimento esse, previsto no art. 55º nº7.
De acordo com o artigo 81º nº4, o administrador da insolvência assume a representação do
devedor para todos os efeitos de carater patrimonial que interesse à massa insolvente. Estes
pderes atribuídos ao administrador têm a natureza de poderes – deveres ou poderes funcionais,
que devem ser exercidos no interesse de terceiros (especialmente os credores, apesar de em
determinados casos, devam atender à pessoa e ao agregado familiar do insolvente, p. ex no art.
84º).
Remuneração,
A remuneração do administrador da Insolvencia, está prevista no art. 60º e art. 23º e 24º do
estado. A remuneração do administrador, bem assim como o reembolso das despesas,
constituem dividas de massa insolvente (art. 51º nº1 b)).
Na hipótese de o administrador ter sido escolhido pela assembleia de credores, o montante da
sua remuneração será fixado pela assembleia de credores, na mesma deliberação que se
designa o administrador (art. 60º nº2).
Se este foi encarregado, na su assembleia de apreciação do relatório, de elaborar um plano de
insolvência, essa deliberação deve fixar a remuneração correspondente (art. 26º do estatuto).

Dever de informação e de prestação de contas,


Sobre o administrador recai um dever de apresentar um documento com a informação relativa ao
estado da administração e liquidação dos bens da massa insolvente, 3 meses após a data da
assembleia de apreciação do relatório (art. 61º nº1), assim como o dever de providenciar pelo
arquivamento de todos os documentos respeitantes à liquidação (art. 61º nº2).

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Direito da Insolvência
O art. 62º nº1 prevê uma obrigação inevitável de apresentação de contas, podendo ser obrigado a
prestar contas a qualquer momento (art. 62º nº2). Nestes 2 hipoteses as contas são feitas sob a
forma de conta corrente, nos termos do (nº3). Casos o administrador viole a obrigação de prestar
contas, aplica-se o art. 63º. Ver também o art. 64º relativo ao julgamento de contas.
O disposto nos art. 62º a 64º não prejudica o dever de elaborar e depositar contas anuais, nos
termos que forem legalemente obrigatórios para o devdor (art. 65º nº1).

Responsabilidade,
Para além dos processos disciplinares ou contraordenacionais a que possa estar sujeito, por
aplicação do disposto no art. 17º e ss. Do Estado, o administrador está sujeito a um regime
próprio de responsabilidade pelos prejuízos causados no exercício das funções, previsto, e
regulado no art. 59º. A culpa deve ser apreciada segundo o padrão de conduta de um
administrador da insolvência criterioso e ordenado (art. 59º nº1, 2ª parte. – Este é 1 técnico
qualificado há uma exigência de conduta especifica, daí o critério não ser um bom pai de família).

2. Assembleia de Credores

É um órgão eventual, colegial e um órgão deliberatório por excelência.

Composição,
O processo de insolvência destina-se à satisfação dos interesses dos credores, a assembleia dos
credores constitui um órgão modal do processo de insolvência e dado o carater concurso do
processo, assenta o principio de que qualquer credor pode participar nesta assembleia.
O art. 72º nº1 determina que todos os credores têm direito de participar na assembleia, assim
como os titulares dos direitos previstos no art. 95º nº2, que não possam ser exercidos no
processo. A participação dos titulares de créditos subordinados depende da verificação do art. 73º
nº1 e 4 ex vi art. 72º nº2. Os credores podem participar pessoalmente ou por intermédio de
mandatário com poderes especiais para o efeito (art. 72º nº3).
Casos se afigure necessário ao conveniente andamento dos trabalhos, o juiz pode determinar a
limitação da participação na assembleia dos credores, nos termos do art. 72º nº4. Ver também
nº5 e 6.

Convenção e funcionamento,
A assembleia de credores é convocada pelos juiz, nos termos do art. 75º.
É presidida pelo mesmo (art. 74º), que pode decidir a suspensão dos seus trabalhos, e
determinar que sejam retomados num dos 15 dias seguintes (art. 76º).
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Direito da Insolvência

Direito de voto,
Os créditos atribuem um voto por cada euro ou fração desde que se preencham determinados
requisitos (art. 73º nº1). Primeiramente, os créditos com direito de voto têm que se encontrar já
reconhecidos por sentença transitada em julgado proferida no apenso de verificação e graduação
de créditos ou em ação de verificação ulterior. No caso do primeiro não se verificar pode-se
aplicar, cumulativamente, os requisitos previstos no art. 73º nº1 a) e b). o legislador reservou um
tratamento especial a determinadas categorias de crédito:
 Créditos sujeitos a condição suspensiva – art. 73º nº2.
 Créditos subordinados – art. 73º nº3 e 212º nº2 b).
 Créditos impugnados – art. 73º nº4 e 5;
 Sem prejuízo do 73º 1ª a 6ª créditos com garantias reais – art. 73º nº7;

Deliberações,
A lei prevê uma regra supletiva para a aferição da maioria deliberativa da assembleia de
credores, prevista no art. 77º: a maioria é independente do número de credores presentes ou
representados o da percentagem dos créditos de que sejam titulares, sendo que as deliberações
da assembleia de credores são tomadas por maioria dos votos emitidos não se considerando,
como tal as abstenções. ( a maioria é dos votos, não por capital).
As deliberações da assembleia de credores são jurisdicionalmente controláveis, nos termos do
art. 78º.

Poderes e funções,
Para além dos poderes reconhecidos pelo legislador ao longo do CIRE, cabe, em especial, à
assembleia de credores pedir ao administrador de insolvência a prestação de informações que
considere necessárias (art. 79º). Também pode revogar as deliberações da comissão de credores
(independentemente de qualquer justa causa) e substituir a comissão de credores em todos os
casos em que alei exija a aprovação desta (art. 80º). Também tem os poderes previstos nos art.
67º nº1 e 53º.
As suas funções não estão reunidas todas no mesmo artigo, mas sim dispersas pelo código. São
exemplos:
- art. 84º nº1;
- art. 209º e 210º;
- art. 156º nº1;
- art. 156º nº2;
- art. 156º nº3;
23
Direito da Insolvência
- art. 161º nº1;
- art. 224º nº3 e 228º nº1 b).

Assembleia de apreciação do relatório,


Funções – a assembleia de apreciação do relatório encontra-se regulada no art. 156º e
desempenha 3 grandes funções neste previsto. O art. 156º nº2 refere o encerramento, que por
sua vez pode anteceder esta assembleia, nos termos do art. 157º.

Dispensa da sua realização – o juiz pode, no momento da prolação da sentença declarativa de


insolvência, dispensar esta audiência, fazendo disso menção obrigatória na própria sentença (art.
36º nº1 n)). Os fundamentos para esta dispensa não estão previstos na lei, mas o art. 36º nº2
contém um conjunto de circunstancias em que o juiz não pode dispensar a sua realização.

Nota: quando o art. 36º nº2 refere quando o administração da massa insolvente for entregue ao
próprio devedor na sentença declarativa da insolvência é nos termos do art. 224º nº1.
- art. 36º nº4 – articulação da solução legal com os preceitos que fazem referencia à assembleia;
- art. 36º nº5 – articulados de solução legal com a marcha processual;
Respondem a estas 2 grandes questões processuais que suscitem com a dispensa da
assembleia de apreciação do relatório.
3. Comissão de credores:

Está prevista nos art. 66º a 71º. É um órgão eventual e um órgão colegial.

Nomeação,
A comissão de credore é um órgão do processo de insolvência nomeado pelo juiz, em qualquer
momento processual anterior à primeira assembleia de credores, designadamente na própria
sentença (art. 66º nº1).
Quando é nomeada elo juiz é composta por 3 a 5 membros e 2 suplentes, devendo um deles
representar os trabalhadores titulares de créditos sobre o insolvente (art. 66º nº1). Pode ser
constituído por pessoas singulares ou coletivas (art. 66º nº4).
A comissão de credores, como já foi referido é de caracter eventual, podendo o juiz dispensar a
sua constituição com base nos fundamentos previstos no art. 66º nº2.

Intervenção da assembleia de credores,


A lei prevê um conjunto de faculdades no que diz respeito à constituição e destituição da
comissão de credores da assembleia de credores:
24
Direito da Insolvência
- pode prescindir da existência da comissão de credores, substituir membros ou suplentes
e eleger 2 membros adicionais, fazendo o total de 7 elementos (art. 67º nº1);
- no caso do juiz não ter constituído comissão de credores, a assembleia de credores pode
fazê-lo, composta por 3, 5 ou 7 elementos, mais 2 suplentes (art. 67º nº1);

Estas deliberações devem ser tomadas pela maioria exigida no art. 53º nº1, exceto quando se
trate de destituição de membro com justa causa (art. 67º nº3).

Nota: quando a assembleia de credores, intervenha na composição da comissão de credores, são


aplicáveis determinadas regras pativulares:
- os membros da cmissão de credores que sejam eleitos pela assembleia de credores não
têm de ser credores, nem têm que representar as várias classes de credores. (art. 66º nº1 a
contrario, ex vi art. 67º nº2).
- o presidente de comissão de credores não tem que ser necessariamente o maios credor
da empresa.

Função, poderes e funcionamento,


À comissão de credores compete, para além das funções em especial previstas na lei (ex. rt. 84º
nº1) tem a função prevista no art. 68º nº1, podendo, no exercício das suas funções realizar o
disposto no nº2.
As deliberações da comissão de credores são realizadas de acordo com o art. 69º.
Os membros da comissão de credores não são remunerados pelo exercício das suas funções,
mas tem direito ao reembolso das despesas estreitamente necessárias ao desempenho das suas
funções, o qual constitui um crédito sobre a massa insolvente, por força do art. 51º nº1 b) (art.
71º).

Responsabilidade dos seus membros,


Os membros da comissão de credores respondem perante os credores da insolvência pela
violação culposa dos seus deveres (art. 70º). Note-se que, aqui, o legislador omitiu qualquer
critério de aplicação de culpa, por isso questiona-se se é possível aplicar aqui o art. 59º nº1.
A responsabilidade da comissão de credores prescreve nos termos do art. 59º nº4 ex vi art.70º.

5. Efeitos da declaração de insolvência

O CIRE dedica um titulo (titulo IV) exclusivamente à temática dos efeitos da declaração de
insolvência, dividindo-se em 5 categorias:
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1. Efeitos sobre o devedor e outras pessoas (art. 81º a 84º)
2. Efeitos processuais (art. 85º a 89º);
3. Efeitos sobre os créditos (art. 90º a 101º);
4. Efeitos sobre os negócios em curso (art. 102º a 119º);
5. Resolução em beneficio da massa ensolvente (art. 120º - 127º).

Estes efeitos visam essencialmente proteger os credores, apesar de existirem outros efeitos que
tenham outra finalidade (excecionalmente a lei consagram efeitos que protegem o devedor).

1. Efeitos sobre o devedor e outras pessoas.


A lei prevê um conjunto de efeitos sobre o devedor e outras pessoas associadas À insolvência
(ex: há efeitos que se produzem sobre o devedor ou sobre os seus trabalhadores, etc), que tem
as mais diversas finalidades (ex: sancionatório, proteger a massa insolvente, etc). estes efeitos
podem ser:
1.1. Automáticos – são efeitos que se produzem em todo e qualquer processo de
insolv~encia, pela mera prolação da sentença de declaração de insolvência,
independentemente das circunstancias do caso concreto. Estes podem ainda ser diviidos
em:
1.1.1. Efeitos pessoais – quanto ao insolvente e outras pessoas incidem sobre a esfera
pessoal e podem traduzir-se numa situação de “incapacidade” (ex: efeitos jurídico-
familiares, jurídico-politiccos) ou podem desempenhar uma função instrumental do
processo de insolvência (ex: deve de apresentação, dever de colaboração, fixação de
residência, previsto no art. 36º nº1 c)).
1.1.2. Efeitos patrimoniais – são todos aqueles que recaem diretamente sobre o património do
insolvente, e que se destunam a proteger diretamente os credores concursais de
qualquer atuação prejudicial do insolvente sobre os bens que integram a massa
insolvente.
1.2. Eventuais – são efeitos que dependem da verificação, pelo juiz ou até em certoas
hipóteses pelo administrador da inssolvencia, no caso concreto, do preenchimento de um
conjunto de requesitos na lei.
Exemplos: direito a alimentos – art. 84º; inibição para aministrar património de terceiro – há
quem aplique o 110º e há quem diga que o mandato se mantém, podendo o mandante
revoga-lo nos termos do art. 1170º cc; inibição para o exercício do comércio – art. 189º nº2 c).

É um efeito patrimonial a privação dos poderes de disposição e de administração, prevista no


art. 81º CIRE. Em consequência da declaração de insolvência, o devedor fica privado do
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poder de disposição e administração de todos os bens que integram a massa insolvente (art.
81º nº1).

Não podemos dizer genericamente que fica privado do poder de disposição e administração
de todos os bens, mas apenas dos bens que integram esta massa. A massa insolvente está
prevista, no art. 46º e é composta por todos os bens, desde que estes sejam prenhoráveis,
abrangendo assim os bens que existem à data de declaração da insolvência (bens atuais) e
os bens que ele venha a adquirir na pendência do processo (bens futuros). São penhoráveis
os bens que assim o são no processo civil (que aplica-se aqui subsidiariamente).

Ficando privado do poder de disposição e administração dos bens, estes ficam ao encargo do
administrador da insolvência, que assume a representação do insolvente para todos os efeitos
de caráter patrimonial que interessam à insolvência (art. 81º nº4).
Os atos de disposição e administração praticados pelo insolvente, depois da declaração de
insolvência, em violação do disposto do nº1, são ineficazes. O ato é válido e eficaz entre
partes, ficando destituído da sua eficácia em relação à massa insolvente (art. 81º nº5).
Considera-se de caráter relativo, pois:
1. Pelo o que está previsto no art. 81º nº6;
2. Os atos podem recuperar a sua eficácia com o levantamento dos efeitos da declaração de
insolvência em relação ao insolvente e em relação aos credores, por efeito do
encerramento do processo de insolvência (respetivamente art 233º nº1 a) e 233º nº1 c) e
d).

Note-se que existem desvios a esta privação do art. 81º nº1:


- na hipótese da administração da massa insolvente pelo próprio devedor (art. 223º e ss);
- se o insolvente for uma pessoa singular não titular de uma empresa ou titular de uma pequena
empresa, se for aprovado um plano de pagamento (por força do art. 259º nº1 2ª parte, é aplicável
o art. 39º nº7 a)).
- se o processo encerrar, por insuficiência da massa insolvente, para a satisfação das custas do
processo e das dividas previsíveis da massa insolvente (art. 29º nº7 a)).

Nota: na hipótese do terceiro desconhecer a insolvência seria injusto mantê-lo vinculado a um


contrato que não produzirá os seus efeitos ou os produzirá muito tarde. Neste sentido, Oliveira de
Ascensão aponta para 2 soluções possíveis:
- aplicação do regime de venda de bens futuros, se as partes os tiverem considerado como tais
(art. 893º cc);
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- aplicação do regime geral da anulabilidade do contrato, com fundamento em erro ou dodlo (art.
251º e 253º cc).

Há efeitos eu não se aplicam só ao devedor, mas também a outros sujeitos:

 Conjunto de deveres processuais (art. 83º) – são estes o dever de colaboração, o dever de
apresentação e o dever de informação. Estes não recaem só no devedor, mas também
sobre administradores, membros dos órgãos de fiscalização, em certos casos,
trabalhadores e prestadores de serviços. A violação destes deveres processuais podem ter
repercussões, nomeadamente pode ter relevância para a qualificação da insolvência, como
insolvência culposa (art. 186º nº2 i)), assim como, a violação com dolo ou culpa grave do
dever de apresentação constitui fundamento para o despacho de indeferimento liminar do
pedido de exoneração do passivo restante (art. 238º nº1 g)) – efeito automático pessoal.
 Efeitos sobre os órgãos sociais (art. 82º) – designam-se no artigo efeitos sobre os
administradores e outras pessoas. Os órgãos sociais do devedor permanecem em
funcionamento depois da declaração de insolvência (art. 82º nº1), mas os seus titulares
não serão remunerados, salvo se a administração da masa insolvente for atribuída ao
devedor (art. 227º). Perante isto, os titulares dos órgãos podem renunciar aos cargos, se o
fizerem nos termos do art. 82º nº2 – efeito automático.
 Efeitos resultantes da insolvência culposa – no âmbito do processo de insolvência há um
incidente que se chama incidente de qualificação da insolvência. Este incidente destina-se
a qualificar a insolvência como culposa ou fortuita (art. 185º). O art. 186º define apenas a
insolvência culposa, nada prevendo quanto à insolvência fortuita, portanto esta é fortuita e
quando não é culposa.

A insolvência é culposa quando a situação é criada ou agravada em consequência da atuação


dolosa ou com culpa grave, do devedor ou dos seus administradores, de direito ou facto, nos 3
anos anteriores ao inicio do processo de insolvência (art. 186º nº3). São afetados pela
qualificação da insolvência o devedor (pessoa singular) e os administradores do mesmo.
Sendo o devedor uma pessoa coletiva, os administradores são titulares de órgão social
competente para o efeito (art. 6º nº1 a)).

Nota: Maria do Rosário Epifânio entende que o art. 186º eve ser interpretado em harmonia com o
disposto no art. 189º nº2 a).

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O art. 186º depois de definir a insolvência culposa no nº1, prevê 2 conjuntos de presunções:
 o nº2 contém um elenco de presunções iuris et de iure de insolvência culposa de
administradores de facto e de direito do insolvente e do próprio insolvente pessoa singular.
Estas estão agrupadas em 3 categorias fundamentais:
1. atos que afetam, no todo ou em parte considerável, património do devedor (nº2 a) e c)).
2. Atos que, prejudicando a situação patrimonial, em simultâneo trazem benefícios para o
administrador que os pratica ou para terceiros (nº2 b), d), f) e g));
3. Incumprimento de certas obrigações legais (nº2 h) e i).

 O nº3 prevê um conjunto de presunções iuris tantum de culpa grave dos administradores
de direito ou de facto e do próprio insolvente pessoa singular. A maioria da doutrina e da
jurisprudência entende que o que resulta do art. 186º nº3 é apenas uma presunção de
culpa grave, exigindo-se a demonstração que a insolvência foi causada ou agravada em
consequência dessa mesma conduta, nos termos do art. 186º nº1. A minoria entende que
se trata de presunções de insolvência culposa, sob pena de esvaziar de utilidade estas
presunções.
Nota: no caso de ambas as presunções, é necessário o preenchimento do limite temporal dos 3
anos, previsto no art. 186º nº1.
Se existir uma insolvência culposa, acontece o previsto no art. 189º nº2:

 A) – o juiz deve identificar as pessoas afetadas pela qualificação da insolvência e fixar,


sendo o caso o respetivo grau de culpa.
 B) – inibição para administrar o património de terceiro. Esta aqui abrangida a figura do
mandato civil e comercial com ou sem poderes de representação. Esta inibição pode durar
2 a 10 anos e traduz-se na proibição do exercício do mandato. Isto significa que não se
pode ser mandatário, representante legal, ou seja, não se pode administrar o património de
terceiros. Esta inibição não pode ser suprida ( o art.190º que previa a nomeação de uma
curador, foi revogado). Este efeito por um lado tem uma faceta preventiva, pois protege o
3º de ver o seu património prejudicado pela atuação de pessoa que não oferece a
confiança necessária, por outro lado é sancionatório, pois este efeito não se aplica à culpa
leve.
No caso da violação desta inibição e tratando-se de um contrato de mandato, deve-se
aplicar as respetivas regras civis ou comerciais, conforme o caso.

Nota: a inibição da administração de património de terceiros levanta a questão da sua


compatibilização com o regime dos efeitos da declaração de insolvência sobre os negócios em
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curso. O art. 110º que regula os efeitos da declaração se insolvência sobre os contratos de
mandato em curso é omisso. A doutrina divide-se. Há quem aplique o art. 110º por analogia e há
quem defenda que o mandato se mantém podendo o mandante revoga-lo, nos termos do art.
1170º cc.

 C) – inibição para o exercício do comércio. O juiz pode, na sentença da qualificação,


decretar a inibição para o exercício do comércio pelas pessoas afetadas durante um
período de 2 a 10 anos, estando assim este proibido de exercer comércio, de forma direta
ou indireta (por interposta pessoa).
Os critérios orientadores da decisão não estão previstos na lei, mas a doutrina tem
entendido que o juiz deve ter em conta a gravidade do comportamento e do seu contributo
para a situação de insolvência ou do seu agravamento (essa gravidade pode ser aferida
em conformidade com o nº2 e 3º). A lei também afasta uma outra possibilidade, prevista no
art. 189º nº2 c) 2º parte.
A violação deste efeito não produz qualquer consequência jurídico-insolvente especifica,
devendo a resposta ser encontrada no direito comercial: a consequência que mais se
destaca é a privação da aquisição da qualidade de comerciante (oliveira Ascenção, diz que
não adquire a qualidade de comerciante, mas ficará sujeito às desvantagens de ser
comerciante, p.ex: solidariedade na responsabilidade, juros comerciais das dividas, que
são mais elevados que os juros civis).
 D) – esta alínea tem caratér sancionatório. A doutrina tem questionado a
constitucionalidade desta alínea, pois as pessoas afetadas pela qualificação da
insolvência, se forem credores de massa não podem obter a satisfação desse crédito, nem
podem reclamar a satisfação desses créditos. Se por ventura já receberam alguma coisa
são obrigados a restituir. A doutrina critica muito esta alínea, pois considera-a como um
“confisco-sanção”, ou seja, tem carater sancionatório e por isso é como se fosse uma
expropriação, que se considera excessivo. Importa relembrar que o foro da sanção é do
direito penal e não do direito civil, considerando-se assim inconstitucional, pois viola o
direito de propriedade.
 E) – obrigação de indemnizar. Os sujeitos passivos desta obrigação são as pessoas
afetadas pela qualificação de insolvência culposa: administradores de factos e de direito,
técnicos oficiais de contas e ROC (art. 189º a)). A obrigação de indeminização deve
constar na sentença que qualifica a insolvência como culposa. Podemos considerar que
estamos perante uma responsabilidade insolvencial extracontratual subjetiva. Estarão aqui
os factos constitutivos da responsabilidade extracontratual preenchidos?

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Facto voluntário (é o facto que serviu de fundamento à qualificação de insolvência como
culposa) culpa ( o art.186º nº faz depender a qualificação da insolvência como culposa,
expressamente do dolo ou culpa grave, sendo que a culpa se presume no nº2 e nº3 ), (não
satisfação dos créditos no processo de insolvência), nexo de causalidade entre o facto e o
dano (criação ou agravamento da situação em consequência da atuação presumida no nº2
do 186º) e a licitude (os factos que criaram ou agravaram a insolvência são ilícitos, pois
violam disposições legais destinadas a proteger interesses alheios).
Esta responsabilidade é:
- subsidiária (só quando a massa é insuficiente é que é acionada);
- solidária;
- limitada (abrange apenas o passivo a descoberto);
- vai até às forças dos patrimónios responsáveis (todo o património penhorável do devdor
responde pelo cumprimento da obrigação de indeminizar).
Responsabilidade societária (art. 82º nº4 e nº6 csc) e diferente de insolvência (art. 189º nº2
c) cire)
Tudo isto é relativo aos efeitos resultantes da insolvência culposa – efeito eventual.

 Efeitos jurídico-politicos – diz respeito à incapacidade eleitoral passiva para a ocupação de


membro da autarquia local (art. 6º nº2 da Lei Organica nº1/2001 de 14 de Agosto). Tem, no
entanto direito ao sufrágio (art. 49º CRP) e ao acesso a cargos públicos (art. 50º CRP), que
por sua vez são direitos fundamentais. – efeitos automáticos pessoais.
 Efeitos jurídico-penais – a tutela penal das situações de incumprimento é absolutamente
excecional, em que o incumprimento não encontra, em geral, tutela no direito penal, mas
sim no direito civil, no entanto, há um conjunto de crimes relacionado com a insolvência,
que estão nos art. 227º e 229º- A CP. Sõ excecionais os casos em que o incumprimento de
uma obrigação gera responsabilidade penal. (ex: crime de insolvência dolosa – art. 227º
cp; crime de frustração de crédito – art. 227º - A CP; crime de negligência insolvente – art.
228º cp e crime de favorecimento de credores – art. 229º cp.
 Efeitos jurídicos-familiares – aquele que for declarado insolvente não pode ser tutor, mas
apenas no que diz respeito ao património do incapaz (art. 1933º nº2 cc), ou seja, pode ser
tuto mas tendo exclusivamente a seu cargo a guarda e regência da pessoa meor ou do
interdito. O art. 1970º cc consagra 2 outros tipos de limitações pertinentes ao direito da
insolvência:
o Comina a proibição absoluta de o insolvente ser administrador de bens do interdito
ou do menor ex vi 139º cc.

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o Extende a proibição não só ao autor do crime da falência ou insolvência, mas
também ao seu cúmplice;
Não é causa automática de inibição das responsabilidades parentais, impondo-se, nesse caso, a
formulação de um juízo de inabilidade, contudo, a insolvência gera automaticamente a proibição
do exercício dos cargos de tutela, curatela, da administração de bens e do cargo vogal do
conselho fiscal.

2. Efeitos Processuais (externos)

Está aqui compreendido o conjunto de efeitos sobre as ações a propor ou pendentes em que o
insolvente é parte (como autor ou réu) e contrapõem-se aos efeitos processuais internos da
declaração de insolvência, isto é a tramitação (eminentemente executiva) subsequente à prolação
da sentença, designadamente, a apreensão e liquidação dos bens e pagamento aos credores.

É de notar que:
- o processo de insolvência é um processo universal, ficando vedados ao insolvente os atos de
disposição e de administração dos bens que integram a massa insolvente, assim como qualquer
ato que possa afetar os respetivos bens (congelamento da massa insolvente);
- e também é concursal, ficando vedado aos credores a possibilidade de obterem o pagamento
dos respetivos créditos por qualquer outra via, que não a via de processo de insolvência (vigora,
nesta matéria o principio da exclusividade fa instância insolvencial). – do ponto de vista executivo
e não declarativo.
Partindo destas carateristicas fundamentais, podemos compreender o alcance e a razão de ser
das soluções previstas no capitulo II do CIRE.

Efeitos sobre as ações declarativas:


As ações previstas no art. 85º nº1 poderão ser apesadas ao processo de insolvência, com
fundamento na conveniência para os fins do processo. A apensão é uma consequência do caratér
universal e concursal do processo de insolvência. As ações declarativas são apensadas ao
processo de insolvência se o juiz entender que são pertinentes para os fins do processo.
Levanta-se a questão de saber se no caso da ação não ser apensada, se a declaração de
insolvência de uma entidade importa a extinção “por inutilidade superveniente da lide, de uma
ação declarativa em que é demandado essa mesma entidade para efeitos de condenação no
reconhecimento de um crédito”.

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Acórdão uniformizador de jurisprudência nº1/2014 de 8 de Maio de 2013 – determinou que uma
vez transitada em julgado a sentença de declarar a insolvência, fica impossível de alcançar o
efeito útil normal da ação declarativa proposta pelo credor contra o devdor, destinada a obter o
reconhecimento do crédito peticionado, e por isso deve-se decretar a extinção da instânica por
unitilidade superveniente da lide nos termos do art. 287º c) CPC.

Podemos considerar que,


- se ação não for apensada e o credor não reclamar o seu crédito no processo de insolvência, a
ação declarativa condenatória mantém a sua utilidade, devendo apenas ser suspensa por
inutilidade da lide e não suspensa (art. 277º c) CPC).
- se o credor reclamou o seu crédito e deste foi objeto de sentença de verificaçõ e graduação de
créditos pode a instancia extinguir-se por inutilidade superveniente da lide 8art. 287º c) CPC). Na
verdade, a sentença de verificação e graduação de créditos proferida no processo de insolvência,
depois de encerrado o processo, constitui para o efeito titulo executivo (art. 233º nº1 c)).

Nota: E consequência de privação do poder de disposição e administração de bens que integrem


a massa insolvente, o devedor perde correspetividamente a sua legitimidade processual. Neste
sentido e de acordo com o art. 85º nº3 o administrador da insolvência vai substituir
processualmente o devedor, seja o insolvente autor ou réu. Esta substituição é automática.

Efeitos sobre as ações executivas,


De acordo com o artigo 88º, as ações executivas e as diligências executiva ou providências,
respetivamente propostas e requeridas pelos credores de insolvência contra o insolvente, ficam
suspensas de modo automático podendo a suspensão ser pedida por qualquer credor no
processo executivo, com fundamento no requerimento de declaração de insolvência (art. 793º
CPC). Assim como também não é possível propor novas ações executiva.
(ex: imaginemos que tinha sido proposta a ação e já tinha sido penhorado um bem, esta penhora
vai ser ineficaz, pois os credores têm todos de ser tratados de igual forma. A prioridade que a
penhora confere aquele credor é ineficaz apartir da declaração da insolvência (art. 149º nº1 a)).
Não adianta um credor propor a ação executiva para ter prioridade em relação aos outros
credores, pois aqui vigora a igualdade dos credores. O mesmo vale quanto ao arresto. Se o bem
na ação executiva já foi, vendido, mas ainda não foi entregue, esta é apreendido e volta para o
processo).
Ver também os efeitos nos art. 86º, 81º e 89º.

3. Efeitos sobre os créditos


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O art. 91º prevê o vebcimento imediato das dividas. Isto é, por força da declaração de insolvência,
nos termos do art. 91º, todas as dividas do insolvente vencem-se, passando a ser exigíveis pelos
credores. Isto permite que os credores possam reclamar os seus créditos no processo de
insolvência. Tendo em conta esta norma, todos os credores podem participar no processo de
insolvência, por isso se diz ser um processo concursal.

Nota: ver também: compensação – art. 99º; prazo de prescrição e caducidade – art. 100º;
contagem de juros – art. 48º b) e f);

4. Efeitos sobre os negócios em curso

Quando o devdor é declarado insolvente é possível que nesse momento existam alguns contratos
que ainda não foram cumpridos, nem pelo insolvente, nem pela contraparte, aquilo que se chama
negócios em curso.
(ex: um contrato de compra e venda em que nem o preço foi pago, nem a coia foi entregue e
entretanto uma das partes foi declarada insolvente. A contraparte para previr o incumprimento
não entrega a coisa enquanto não receber o €, p. ex. a isto se chama exceção do não
cumprimento do contrato).
Quem decide o destino do contrato é o administrador de insolvência. Aquele contrato fica sujeito a
regras próprias no que diz respeito ao seu destino, se este se mantém ou não e mantendo-se em
que termos se faz. O principio geral está previsto no art. 102º nº1 e as normas especiais estão
previstas até ao art. 119º. Tratam-se de normas imperativas, ou seja, se os contratos
convencionaram clausulas que contrariem estas normas, essas clausulas são nulas.

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