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PROCESSO DE CONHECIMENTO

1. Processo e Procedimento
Processo corresponde a uma entidade imaterial.
Processo tem como objetivo movimentar a máquina judiciária, com a finalidade de obter a
prestação da tutela (proteção) jurisdicional (“juris dictio”: dizer o direito”).
O exercício da atividade jurisdicional é efetuado pelo poder judiciário, por meio dos seus órgãos:
juízes de direito (órgão monocrático – só um julga) e pelos tribunais (órgãos colegiados – vários julgam).
Procedimento diz respeito a prática de atos processuais pelos sujeitos (imprescindíveis), que
são os seguintes:
• Partes (art. 158 à 161, CPC);
• Juiz de direito (art. 162 à 165, CPC);
• Servidores e Serventuários do Judiciário (art. 166 à 171, CPC).
O promotor não participa de todas as demandas (art. 82, CPC). O promotor é o “dominus letis” –
dono da lide. A CF é que dá legitimidade ao promotor para ingressar com a denúncia.
Somente advogados inscritos na OAB têm capacidade postulatória.
Os atos processuais devem ser praticados de acordo com uma sequência lógica e cronológica,
conforme um rito ou procedimento estabelecido no CPC ou na legislação esparsa ou extravagante.
O rito ou procedimento varia de acordo com o embasamento da ação.
O rito ou procedimento é comum ou especial.
O rito ou procedimento comum é ordinário ou sumário (art. 272, CPC).
O rito ou procedimento comum ordinário é considerado como sendo o rito padrão, posto que
aplicável a todas as demais espécies de procedimento quer seja penal, trabalhista (fundamento legal:
art. 798, CLT), bem como aos procedimentos especiais.

O CPC é composto por 5 livros:


Livro I Processo de Conhecimento (art. 1 à 565)
Livro II Processo de Execução (art. 566 à 795)
Livro III Processo Cautelar (art. 796 à 889)
Livro IV Procedimentos Especiais (art. 890 à 1210)
Livro V Disposições Gerais (art. 1211 à 1221)

Procedimento Ordinário
Trata-se do procedimento padrão, sendo composto pelas seguintes fases:
1) Fase Postulatória: trata-se da fase onde as partes formulam requerimentos, postulações, pleitos.
O autor quer que o seu pedido seja acolhido e o réu quer que o pedido seja rechaçado.
Observe-se que o autor pede, enquanto o réu impede. (Esta regra tem exceção: Pedido
contraposto, reconvenção).
Somente o autor é que formula pedido (“petitum”) em juízo (art. 282, inc. IV), enquanto que cabe
ao réu rechaçar, repelir o pedido formulado pelo autor (réu - através da contestação).
É importante salientar que no procedimento sumário é lícito ao réu formular pedido contraposto
(art. 278, §1°). É a única situação, nas outras só pede que o pedido não seja acolhido.

- Não solicitamos nada em juízo → requeremos, postulamos


- O nome das partes varia de acordo com o rito

2) Fase Probatória: é aquela onde as partes apresentam provas (documentais) das suas alegações.
Cabe ao autor apresentar provas juntamente com a petição inicial (art. 283).
O réu exibe documentos juntamente com a contestação (fundamento legal: art. 396).
Na audiência de instrução e julgamento são produzidas provas de natureza oral:
→ Esclarecimentos prestados pelo perito,
→ Depoimentos pessoais das partes,
→ Prova testemunhal.

3) Fase de Saneamento: nesta fase compete ao magistrado determinar a regularização dos erros e
imperfeições, sendo cabíveis as seguintes providências:
a. Determinar a emenda, aditamento, retificação, conserto da petição inicial (art. 284);

Processo de Conhecimento - Norma 1


b. Cabe ao juiz indeferir a inicial, determinando a extinção da demanda sem resolução do mérito
(art. 267);
A extinção da demanda sem resolução do mérito permite a repropositura, valendo lembrar da
perempção (art. 268, parágrafo único).
c. O juiz poderá proceder ao julgamento antecipado da lide (art. 330), desde que ocorram as
seguintes hipóteses:
 Quando a matéria versada tratar apenas de questão de direito;
 Quando embora sejam discutidos fatos, estes já se encontram provados nos autos.
d. Cabe ao magistrado fixar os pontos controvertidos e determinar a especificação de provas orais
que serão produzidas (art. 331, § 2º).
Ver artigos 12, 467, 269, 522.

4) Fase Decisória: é aquela onde são proferidas decisões. É importante ressaltar que ao longo da
demanda são proferidas decisões interlocutórias (art. 162, § 2º), despachos ordinatórios ou de mero
expediente, os quais são irrecorríveis (art. 504), além da sentença (art. 162, § 1º). Em face da sentença
cabe apelação (art. 513).

Rito ou Procedimento Sumário (art. 275)


Esse rito é marcado pela concentração dos atos processuais, sendo importante lembrar que o
rito prevê a realização de uma só audiência (audiência una), onde serão adotadas as seguintes
posturas:
1. O magistrado tenta conciliar as partes. Obtido o acordo, este será reduzido a termo (art. 457), ou
seja, o acordo será escrito e homologado;
2. Se não houver acordo, passa-se à instrução, sendo apresentada a contestação.
Neste tipo de rito, do mandado de citação, deve constar a data de realização da audiência, bem
como a necessidade de que as partes compareçam acompanhadas das testemunhas.
Do mandado ainda deve constar a presunção de veracidade em face da falta de contestação
(revelia). Admite-se a contestação oral.
No rito sumário admite-se a formulação de pedido contraposto, isto é, o réu pode formular
pedido autônomo, por meio de uma simples petição - “simple petitio” (art. 278, § 1º).
O rito ou procedimento sumário será adotado nas seguintes hipóteses especificadas no art. 275:
I. Nas causas cujo valor não exceda a 60 salários mínimos (na justiça comum);
II. Em razão da matéria. É importante ressaltar que ao ser proposta a ação sob rito ou
procedimento sumário deve ser examinado o art. 275, inciso I (valor) e o inciso II (matéria).
A matéria a ser considerada prevalece sobre o valor.

Da petição inicial deve constar o rol de testemunhas a serem ouvidas, bem como o requerimento
objetivando a oitiva da parte adversária, além dos quesitos a serem respondidos pelos peritos, se for o
caso.
Este rito não será utilizado nas ações de Estado e capacidade das pessoas.
Ação de Estado: tem como finalidade a obtenção, defesa ou negação do estado da pessoa,
modificam o estado da pessoa (art. 275, parágrafo único). Ex. Adoção, divórcio, nulidade de casamento,
investigatória de paternidade, separação judicial.

► Juizados Especiais Cíveis (Lei 9099∕95)


O procedimento especial dos juizados é eminentemente oral, sendo que apenas um ato
processual deve ser formalizado por escrito → sentença, a qual deve ser registrada em livro próprio do
cartório.
Os atos são praticados no juizado de maneira oral, sendo registrados em fita magnética cassete.
Proferida a sentença e transitada em julgado, apaga-se a gravação, reutilizando-se a fita.
As ações dividem-se em:
● Ações de conhecimento
● Ações de execução
● Ações cautelares
As ações de conhecimento, por sua vez, subdividem-se em:
• Ações declaratórias ou meramente declaratórias.
• Ações condenatórias

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• Ações constitutivas
As ações mandamentais, teorizadas por Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda, caracterizam-
se por forte carga de mandamentalidade (mandamento).
O poder judiciário revê atos do executivo e do legislativo, mas ninguém revê atos do judiciário, a
não ser o próprio judiciário (em linha reta). Ex. de instrumentos para o controle de constitucionalidade:
- ADI: ação direta de inconstitucionalidade
- ADECON: ação declaratória de constitucionalidade

► Petição Inicial (art. 282): Trata-se de peça que inicia a relação jurídica processual, devendo ser
elaborada de acordo com o que determina este artigo.
Art. 282: A petição inicial indicará:
Inciso I. O juiz ou tribunal a que é dirigida, ou seja, a competência.
Endereçamento ou cabeçalho – Excelentíssimo Sr. Dr. Juiz de Direito → Não abreviar
Observe que o que não for especializado é cível. O que servirá para definirmos qual a vara
competente para a ação será a natureza da questão controvertida, ou seja, a matéria que envolva o
pedido.
A cautela que deverá ser tomada é de verificar se na localidade (comarca, foro) existem varas
especializadas em determinadas matérias (no âmbito civil). Exemplos:
- Vara de família e sucessões
- Vara da infância e juventude (ECA)
- Varas criminais
- Varas de Falência e Recuperação
- Varas de direito agrário
- Varas das Fazendas Públicas
- Onde tramita uma ação de retificação de nome na Capital? Na vara de Registros Públicos. Fora da
Capital, na tramita na Vara Cível.
- Onde tramita uma ação de usucapião? Se for na Capital, na vara de Registros Públicos. Fora da
Capital, na tramita na Vara Cível.
Na vara de Registros Públicos.
- Quem cuida da primeira instância da justiça eleitoral são as próprias varas comuns, não há órgão
especifico de primeira instancia para a justiça eleitoral.
- A vara cível é a vala comum, tudo o que não for especializado, é cível.

►São três as fontes de competência → CF, Código de Processo Civil e na Lei de Organização
Judiciária.

►Regra geral sobre competência → a ação será proposta no foro ou domicilio do réu (art. 94).
Se o advogado comete erro técnico e perde o prazo ou comete equivoco quanto à competência,
o cliente prejudicado tem o direito de entrar com representação contra o advogado e, além disso,
solicitar perdas e danos. O advogado poderá sofrer punições que podem chegar até mesmo à cassação
definitiva do seu registro na ordem.

Inciso II. Qualificação das partes (Nome, RG, CPF do adversário)


Desconhecendo-se a qualificação do réu, basta apontar na petição: “qualificação ignorada”.
Todavia, é absolutamente imprescindível apontar o nome e o endereço do citando (réu). Este último
com a finalidade de fixar a competência (foro é o domicilio do réu).

Inciso III. O fato e os fundamentos jurídicos do pedido.


Em toda petição inicial, devemos contar ao juiz a história. A história é a situação fática.
Os fatos referidos pelo legislador, diz respeito à situação fática efetivamente ocorrida.
“iura movit curia” – o juiz conhece o direito
O legislador refere-se aos fundamentos jurídicos do pedido, os quais devem ser indicados na
petição inicial. Embora não necessariamente, posto que o juiz conhece o direito.
“da muhi factum, dabo tibi ius” – dá-me os fatos e eu lhe darei o direito
Assim, basta que o autor refira-se a situação fática ocorrida. Cabendo ao julgador aplicar o
direito.
A indicação dos fatos deve ser clara e precisa, ou seja, os fatos deverão ser narrados, de
maneira clara e ordenada, de tal sorte que o magistrado possa tirar a conclusão adequada.
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É importante ressaltar que da narração dos fatos deve ficar clara a presença das condições da
ação (possibilidade jurídica do pedido, interesse e legitimidade – art. 267, inciso VI).

Inciso VI. O pedido com as suas especificações


Pedido vem do latim “petitum” – corresponde a aquilo que o autor pede, a pretensão (a
exigência de subordinação do interesse alheio o próprio) formulada em juízo.
“júris dictio” – dizer o direito – só ele pode direito jurisdicional
O pedido deve ser certo e determinado (art. 286).
O pedido é que fixa, traça os contornos da futura prestação da tutela jurisdicional.

Assim, é vedado ao magistrado julgar:


● “Ultra petita” – além do pedido, além daquilo que foi pedido.
● “Citra petita” – aquém, menos do que foi pedido.
● “Extra petita” – fora do pedido.
Pedido é o objeto da demanda, ou seja, corresponde ao objeto da ação e do processo.
Pedido é aquilo que o autor postula em juízo.

São dois os aspectos do pedido:


● Pedido mediato: corresponde a providência jurisdicional pleiteada em juízo.
● Pedido imediato: corresponde ao bem da vida que se pretende obter em juízo.
A conceituação de bem, foi buscada na economia.
Bem é tudo aquilo que pode vir a satisfazer uma necessidade.
O bem pode ser:
- Material ou corpóreo: é aquilo que pode ser apalpado. Ex: Imóvel, automóvel, jóia.
- Imaterial ou incorpóreo: é aquilo que é invisível aos olhos, mas que sabemos que existe. Ex: Direitos
autorais, marcas e patentes (não podemos reproduzir marcas conhecidas e patenteadas, mas se forem
reproduzidas, podemos pleitear danos morais. Os danos morais são uma consequência da
transgressão aos direitos.)
De acordo com o art. 286, o pedido deve ser certo e determinado, mas em algumas situações
permite-se a formulação de pedido genérico (art. 286, incisos I, II e III).
Ex. Direitos personalíssimos – para efetivar as obrigações de fazer personalíssimas, podemos ir a juízo
e impor a obrigação de fazer, sob imposição de multa (forma de pressão). Se um vizinho fizer barulho
depois das 22h00, pode-se aplicar multa.

O art. 287 cuida da obrigação de fazer e não fazer.


Veja-se que o dispositivo mencionado refere-se a possibilidade de incluir no pedido pena
pecuniária (multa) para o caso de descumprimento da obrigação.

O art. 288 refere-se ao pedido alternativo, ou seja, aquele em que o devedor da obrigação pode
cumprir aquilo que é devido por meio de mais de uma forma.
Na ação de depósito (art. 904), cabe ao autor formular pedido alternativo:
a. Entrega da coisa (“res”), ou seja, o bem pretendido;
b. Valor equivalente em dinheiro. Esse valor deve ser apurado por meio de periódicos ou revistas
especializadas ou certidões∕declarações emitidas por determinados órgãos (Bolsa de valores, BMF, IBC
– Instituto Brasileiro do Café).

Conforme dispõe o art. 289, só se conhece do pedido posterior, desde que não seja possível
acolher o anterior.
Lícito é ao autor cumular, juntamente com o pedido principal, sucessivamente, um pedido
subsidiário.
Assim, o pedido posterior (sucessivo) somente será acolhido, desde que não seja possível acatar o
anterior.

Com referência ao pedido sucessivo (posterior), na compra e venda de um bem imóvel “ad
mensuram”, possível é ao autor apresentar as seguintes hipóteses:
a) A área objeto do negócio jurídico (compra e venda)
b) Abatimento do preço, sendo a compra e venda parcelada
c) Devolução do preço, sendo a compra e venda à vista
Processo de Conhecimento - Norma 4
d) Desfazimento do negócio

Art. 290 – Prestações periódicas são aquelas que se vencem sucessivamente nos mesmos dias
e meses subseqüentes.
Tratando-se de prestações periódicas, estas podem ser incluídas no pedido, inclusive as
vincendas, as que irão vencer.
A sentença a ser proferida compreenderá todas as parcelas até a data da sua prolação.

O art. 291 refere-se à pluralidade de credores. Fica certo que, tratando-se de obrigação
solidária, qualquer dos credores poderá sozinho, ingressar em juízo e pleitear a totalidade da obrigação
solidária (obrigação condominial). Ex: Tratando-se de condomínio, a rigor, qualquer condômino tem
legitimidade para ajuizar uma ação em face do condômino que estiver em débito com o condomínio. Por
força de lei, o sindico tem legitimidade, posto que ele é eleito em uma assembléia e tem poderes
conferidos que podem ser provados através do estatuto condominial, para propor a ação.
O art. 292 trata da cumulação de pedidos. Permite este dispositivo que o autor formule mais de
um pedido, completamente autônomos e independentes entre si, mas desde que seja contra o mesmo
réu.

É possível a cumulação de pedido desde que observados os seguintes requisitos:


a) Deve haver compatibilidade entre os pedidos.
Ex: Ação de investigação de paternidade com petição de herança.
- Há discussão doutrinária quanto à ação de investigação de paternidade com alimentos, contudo, não
há consenso quanto à compatibilidade. Alguns argumentam de como é possível pedir alimentos se
ainda não foi reconhecida a paternidade? Estes acreditam que deve primeiro ser reconhecida a
paternidade e depois pedir alimentos.

b) O juiz deve ser competente para apreciar e julgar ambos os pedidos. Ex. Até antes da Emenda 45, o
mesmo juiz não podia cumular uma ação de acidente de trabalho (pedido envolvendo indenização em
face de acidente de trabalho) e uma ação de questão trabalhista (falta de pagamento de horas extras,
férias, 13º salário, entre outros) há um problema de incompetência do juiz, visto que um é federal e
outro é estadual.

c) Os pedidos cumulados devem manter identidade de procedimentos, ou seja, o mesmo procedimento


(comum ou especial. O rito ou procedimento comum pode ser ordinário ou sumário), deve ser utilizado
para todos os pedidos cumulados.
É importante registrar que pedidos envolvendo valores diferenciados (rito ordinário e sumário)
possam tramitar juntos, desde que o autor declare expressamente que abre mão do rito sumário, que
lhe é mais favorável. É possível cumular dois pedidos – um de rito ordinário e ou outro de rito sumário,
contanto, que os pedidos tramitem pelo rito ordinário. O contrário não é possível.
***Curiosidade - A ação monitória se cerca da seguinte particularidade: se o réu contestar, o rito
especial se transforma em rito ordinário. Se não houver contestação, continua o rito especial, o juiz
profere a sentença e o autor terá seu título executivo judicial.

Art. 282
Inciso V. Valor da causa
A toda causa será dada um valor, ainda que para efeitos fiscais (para o recolhimento das custas
do processo).
Diz o art. 259 que nas ações de alimentos o valor da causa será equivalente a doze vezes o
valor dos alimentos pleiteados.
Registre-se que o ajuizamento de toda e qualquer demanda exige o pagamento de custas
processuais (valor do recolhimento é de 1% sobre o valor dado à causa ou o valor mínimo
estabelecido).
Justifica-se o valor da causa em razão do seguinte:
a) Determina a competência do juízo (art. 91).
b) Determina o tipo de procedimento a ser seguido (Justiça comum: art. 275, I – rito ou procedimento
sumário até 60 salários mínimos ou procedimento ordinário, se o valor for maior; Lei 9099∕95 – Lei dos
Juizados Especiais, Cíveis e Criminais – 40 salários).

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c) Serve para a fixação da taxa judiciária (custas), que deverá ser recolhida, sob pena de indeferimento
da inicial.

Esclarece o art. 261 que o valor da causa poderá ser objeto de impugnação.
Inciso VI. Meios de prova
Cabe ao autor especificar na petição inicial os meios de prova dos quais pretende se valer (art.
283).
Especificamente no que se refere à prova pericial, é conveniente que o autor a requeira logo no
início (art. 331, inc. I). “allegatio et non probatio, quase non allegatio” → Alegou e não provou, é como
se nada tivesse sido alegado.
Todas as alegações formuladas em juízo devem ser provadas mediante provas.
A pericia deve ser utilizada quando não temos o conhecimento técnico necessário.
Há um momento próprio para se apresentar as provas. Os documentos devem ser exibidos pelo
autor junto com a inicial (art. 283).

Inciso VII. Requerimento para citação do réu


Lembre-se que a relação jurídica processual somente se aperfeiçoa quando da citação do réu
(art. 213). É essencial a citação do réu.
A falta de citação acarreta a nulidade do procedimento (art. 214).

Instrumento de mandato ou procuração: o fundamento legal está no art. 37. A legitimidade


para propor a ação é comprovada através do instrumento de mandato ou procuração.
É vedado postular em juízo sem instrumento de mandato, todavia, para evitar a ocorrência de
prescrição ou de decadência, ou para praticar ato reputado como urgente, a procuração poderá ser
exibida no prazo de 15 dias, prorrogável por outros 15 dias.

Como se outorga poderes para o advogado?


- Pessoa Física: basta a procuração.
- Pessoa Jurídica: procuração e contrato social.
- Sociedade Anônima: além da procuração, o estatuto e a ata de eleição da diretoria. Isso é pressuposto
processual, encontrado no art. 12 do CPC.

Endereço para intimações: Compete ao autor, mesmo quando as intimações ocorram pela
imprensa, informar o endereço, até mesmo para que se comunique a antecipação da audiência (art.
242, § 2).
No rito ou procedimento sumário, o réu é citado dos termos da ação e da audiência já
designada, além disso, é informado que deverá trazer testemunhas se for o caso, diferentemente do
que ocorre no rito ou procedimento ordinário, onde o réu é citado dos termos da ação.
Intimação: pressupõe-se uma ação em andamento.
Citação: só o réu é citado e só existe uma.

JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE DA PETIÇÃO INICIAL


Despacho liminar positivo: constatado pelo magistrado que a petição inicial encontra-se em
ordem e devidamente instruída com os documentos necessários, ou seja, as provas documentais
pertinentes (art. 282 e 283) ou se a inicial foi aditada∕emendada – art. 284 (consertada, retificada),
conforme determinado será procedida a citação do réu pelo correio (postal), por mandado (feita pelo
oficial de justiça), por carta precatória (quando o citado está em outra comarca), por carta rogatória
(quando o citado está em outro país) ou por edital.

Saneamento da petição inicial: constatadas as irregularidades na petição inicial, está será


emendada, aditada no prazo de 10 dias. O legislador não se refere ao número de vezes que a petição
inicial pode ser aditada∕emendada, ficando a critério do julgador, caso a caso.

Indeferimento da petição inicial: algumas situações provocam o indeferimento da petição inicial,


fato que enseja a inépcia da mesma (art. 295). A inicial será inepta quando não for apta a produzir os
efeitos desejados.
A inicial será inepta, por exemplo, quando faltarem os pressupostos processuais (art. 267, inciso
IV); as condições da ação (art. 267, inciso VI)
Processo de Conhecimento - Norma 6
Instituto de Direito Processual Instituto de Direito Material
Não
Perempção confundir
Prescrição
Preclusão Decadência
RESPOSTA DO RÉU E AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL
Princípio do Contraditório – art. 5º, inciso LV (55) a dialética processual compreende ações e
reações, ataques e contra-ataques.
Ao direito do autor de propor uma ação (art. 282), corresponde direito do réu de exibir reação
(contestação – art. 297).
Enquanto o autor é titular do direito de ação, o réu é titular do direito de defesa.
Assim, a defesa, corresponde ao direito público subjetivo, autônomo e abstrato de manifestar-se
durante o curso da demanda.
Todo aquele que sustentar uma pretensão resistida, pode acionar a máquina judiciária para fazer
valer seus direitos.
A defesa pode ser contra o processo e contra o mérito.

A defesa contra o processo pode ser direta e indireta. Se a defesa é contra o processo, admite a
repropositura da ação.
A defesa contra o mérito também pode ser direta e indireta. Se a defesa for contra o mérito e for
acatada, é caso de extinção da demanda com resolução do mérito.
- Se alego em defesa que houve pagamento e provo, a demanda não terá curso.
- Se alego decadência, prescrição, não tem defesa.
- Se alego a falta de pressupostos processuais, dependerá do caso concreto.

► Defesa contra o processo: Nesse tipo de defesa, cabe ao réu insurgir-se (voltar-se) contra a
sua sujeição ao processo, procurando paralisá-lo, criando obstáculos ao seu prosseguimento.
Exemplos de obstaculizar a marcha processual:
Exceção de incompetência relativa – trata-se de peça processual autônoma, a qual deverá ser autuada
em apartado e apensada aos autos principais, provocando a suspensão do curso (dos atos principais)
desses (art. 265, III – esta peça é denominada exceção de incompetência relativa ou exceção
declinatória de Foro – art. 112). A paralisação vai até o juízo da exceção.

A defesa contra o processo pode ser direta ou indireta.


A defesa será direta quando se dirige direta e imediatamente contra o processo, com o objetivo
de obter a declaração de sua nulidade ou ao julgamento de carência da ação (ocorre quando faltarem
as condições da ação – art. 267, VI).
A defesa será indireta quando ataca o processo, mas fazendo-o por meio da apresentação das
exceções processuais (exceções de impedimento e suspeição; impugnação ao valor da causa – art.
135, 137 e 264).
Aula 04.03.10
► Defesa contra o mérito: são aquelas que se voltam contra a pretensão. Essas defesas têm
como objetivo desfazer a pretensão do autor e, consequentemente obter a rejeição do pedido
formulado. A defesa contra o mérito pode ser direta ou indireta.
A defesa contra o mérito será direta quando se dirige contra o pedido, atacando seus
fundamentos de fato e de direito. Essa defesa pode consistir:
a) Na negação dos fatos jurídicos alegados pelo autor como fundamento do seu direito. Ex. Os fatos
não são verdadeiros ou são inteiramente diversos daquilo que foi alegado.
“Allegatio et non probatio, quase non allegatio” - Alegou e não provou, é como se nada tivesse alegado.
“Quod non est in actis, non est in mundo” - O que não está nos autos, não está no mundo.
b) Na admissão dos fatos alegados pelo autor, mas na negação das conseqüências jurídicas que lhes
são atribuídas pelo autor. Essa modalidade de defesa pode consistir na alegação de fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos do direito do autor.
- Fato impeditivo: falta de cumprimento da obrigação pela outra parte.
- Fato modificativo: pagamento parcial de uma dívida. Ex. João afirma que Maria lhe deve R$
100,00. Maria alega que já pagou R$ 20,00, então, Maria só deve R$ 80,00.
- Fato extintivo: prescrição (art. 205, CC), decadência (art. 207, CC).

A defesa contra o mérito será indireta quando:


Processo de Conhecimento - Norma 7
É possível também ao réu apresentar exceções.
Exceção é qualquer tipo de defesa, de natureza processual ou de mérito.
As exceções podem ser (art. 304): exceção de incompetência relativa, exceção de impedimento,
exceção de suspeição, impugnação ao valor da causa, incidente de falsidade (art. 391). Note que o
direito do autor subsiste, mesmo que aceitas as exceções.
A incompetência absoluta do juízo pode ser alegada em qualquer tempo ou grau de jurisdição,
por meio de preliminar de contestação.
A reconvenção, embora, seja um verdadeiro ataque do primitivo réu contra o autor é
considerada pela doutrina um meio de defesa (art. 297 e 315).

CONTESTAÇÃO (art. 297)


Trata-se da modalidade clássica de defesa. Por meio dela, exerce o réu, em sua plenitude, o
direito de contradição ou defesa.
Lembre-se que enquanto o autor pede, o réu impede.
Por meio da contestação, busca o réu impedir, obstaculizar a pretensão formulada pelo autor.
De acordo com o Principio da Concentração ou da Eventualidade, cabe ao réu formular na
contestação todas as defesas, as quais podem se voltar contra o processo e contra o mérito (art. 300).
A matéria de defesa referente ao processo são chamadas de preliminares de contestação e
deverão ser apreciadas quando do julgamento conforme o estado do processo (art. 328).

PRELIMINARES DE CONTESTAÇÃO
O art. 301 refere-se às preliminares de contestação.
Art. 301: Preliminares de contestação - compete ao réu, primeiramente, alegar.

Inciso I: Inexistência ou nulidade da citação. A citação é indispensável ao processo, visto que trianguliza
a relação processual. Ex. Processo tem 10 anos de demanda. Se for constatado que houve erro na
citação, todo processo é anulado. Tudo terá que ser feito novamente.

Inciso II: Incompetência absoluta, diz respeito à ordem pública, pode se alegada em qualquer tempo e
grau de jurisdição. O juiz pode reconhecê-la de oficio, sem provocação.

Inciso III: Inépcia da petição inicial (art. 295).


A petição inicial será considerada inepta quando ela não for apta a produzir os efeitos desejados.
A petição inicial será inepta quando desobedecer ao regramento contido no art. 282, bem como, não
vier acompanhada dos documentos pertinentes. Possibilidade de emenda ou aditamento.

Inciso IV: Perempção ocorre quando o autor provoca a extinção da demanda em três oportunidades
(art. 268, parágrafo único).

Inciso V: Litispendência (art. 301, §3º) ocorre quando se repete ação idêntica a outra já em curso, ou
seja, quando os elementos da ação (partes, objeto ou pedido, causa de pedir) são os mesmos.

Inciso VI: Coisa julgada (art. 301, §1º e art. 467) ocorre quando proferida a sentença, esta não mais
poderá ser alterada.
Aula 05.03.10
Inciso VII: Conexão (art. 103) é um dos fatores modificativos da competência. Reputam-se conexas
duas ou mais ações quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Se o juiz reconhecer a
conexão, haverá o apensamento das ações (transitarão juntas).

Inciso VIII: Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização das partes, ou seja,
representação das partes.
O instrumento para que uma pessoa possa procurar em juízo é a procuração ou o instrumento
de mandato.
- Pessoa Física: basta a procuração.
- Pessoa Jurídica: procuração e contrato social.
- Sociedade Anônima: além da procuração, o estatuto e a ata de eleição da diretoria. Isso é pressuposto
processual, encontrado no art. 12 do CPC.
Representação das partes → Procuração – mandato – art. 37.

Processo de Conhecimento - Norma 8


O advogado pode postular em juízo sem procuração? Pode. O juiz mandará apenas o autor
emendar a petição inicial no prazo de 15 dias, prorrogável por mais 15 dias.
Na petição inicial, é permitido grifar partes importantes da mesma, com a finalidade de facilitar
nosso trabalho.

Inciso IX: Convenção de arbitragem.


De todas as preliminares de contestação a única que não pode ser reconhecida de oficio
pelo magistrado é a convenção arbitral.
A Lei 9307/96 veio a instituir a arbitragem no Brasil. Esse diploma legal foi criado com o objetivo
de desafogar o judiciário.
Por meio da arbitragem as partes contratantes estipulam que eventual conflito surgido entre elas
será resolvido mediante a atuação de árbitro(s).
Lembre-se que os requisitos para que as partes possam se servir da arbitragem são os
seguintes:
 As partes contratantes devem ser maiores e capazes.
 As questões a serem resolvidas por meio da arbitragem somente podem versar sobre direito
patrimonial disponível.

Inciso X: Carência de ação: O autor será julgado carecedor da ação quando faltarem as condições da
ação (possibilidade jurídica do pedido, interesse processual e legitimidade – art. 267, VI).
Legitimidade e interesse - é possível o aditamento, emenda.
Frente à impossibilidade jurídica do pedido não é possível emendar.
Art. 3: para propor ou contestar a ação é preciso ter interesse e legitimidade.

Inciso XI: Falta de caução (instituto de garantia) de que possa ressarcir eventuais prejuízos causados.
Em razão de eventuais danos ou prejuízos causados, poderá o magistrado determinar que o
autor preste caução no sentido de que os prejuízos causados possam ser ressarcidos.
O legislador passou a admitir a fiança bancária.
Toda a matéria referida no art. 301 pode ser reconhecida pelo magistrado de oficio – “ex officio”
– independentemente de provocação, salvo o inciso IX, que se refere a convenção de arbitragem.
“ad cautelam” – por cautela, por cuidado.

 Defesas posteriores a contestação (art. 303): A contestação é a principal peça de defesa,


nela devendo ser concentradas todas as alegações contra o processo e contra o mérito.
No entanto, algumas questões podem surgir após a apresentação da contestação.
Art. 303:
Inciso I: Direito superveniente (posterior) – é aquele que se constituiu ou passou a existir depois da
contestação. Já apresentei a defesa e posteriormente, farei uma complementação desta.
Ex. Rendas ou aluguéis que se venceram depois da propositura da ação.
Existem contratos, aluguéis diferenciados, cujos valores estão condicionados a outro tipo de
coisas, ao valor da vendas efetuadas. Isso é legal. Não é uma prestação fixa, podemos ter que
impugnar valores diferentes. Geralmente ocorre em razão do ponto comercial, das luvas, das boas
condições de comércio que este ponto proporcionará. As luvas não fazem parte do aluguel.
Inciso II: Matéria que puder ser reconhecida pelo juiz de ofício.
Ex. Cabe ao juiz conhecer de ofício a prescrição (envolve direito material).
Toda a matéria do art. 301, salvo a convenção arbitral (matéria processual), pode ser
reconhecida de ofício.
11.03.10
Inciso III: Matérias que puderem ser alegadas e reconhecidas em qualquer tempo e grau.
As exceções de impedimento e de suspeição (art. 135, 137 e 305) podem ser alegadas a
qualquer tempo e juízo.

► Requisitos da contestação
No rito ou procedimento comum ordinário a contestação deve ser obrigatoriamente por escrito.
No entanto, no rito ou procedimento sumário admite-se contestação oral (art. 278).

1) A contestação deve combater, rechaçar, refutar todos os fatos alegados pelo autor na petição inicial
(art. 302).
Processo de Conhecimento - Norma 9
Os fatos poderão ser impugnados ou confessados.
Se a parte impugnar, cabe a esta provar os fatos alegados.
Observe-se que o ônus da prova cabe ao réu com relação aos fatos impeditivos, modificativos
ou extintivos do direito do autor (art. 333, inc. II).
Cabe ao autor a prova do fato constitutivo do seu direito (art. 333, inc. I).
Presumem-se verdadeiros os fatos não impugnados, ficando o autor liberado do ônus da prova (art.
302, parágrafo único) – revelia (falta de manifestação especificada sobre os fatos).
Todavia, nem sempre a falta de impugnação especificada dos fatos implica em revelia nas
seguintes situações:
Art. 302 - Casos em que não se presume a revelia:
Inciso I: Direitos indisponíveis. Desde que não seja admissível a confissão a respeito dos fatos. Nas
ações que versam sobre direitos indisponíveis, como por exemplo, ação de investigação de
paternidade, de maternidade, ação negatória de paternidade, ação de separação judicial, ação de
divórcio, ação de adoção, de interdição.
Essas ações que versam sobre direitos indisponíveis são chamadas de Ações de Estado, visto
que mudam o estado do indivíduo.

Inciso II: Documento essencial.


Existem certos negócios jurídicos que devem obedecer forma legal estrita, sendo considerados
inválidos desde que praticados de outra forma. Ex. A compra e venda de bem móvel somente pode ser
celebrado mediante escritura pública. O casamento também segue uma forma estrita.
Evidentemente que a falta do documento essencial (art. 283) provoca o julgamento de extinção
da demanda sem o julgamento do mérito (art. 267) ou determinar a emenda da petição inicial (art. 284).

Inciso III: Fatos em contradição com a defesa considerada em seu conjunto.


As peças processuais (petição inicial, contestação, réplica, tréplica) devem ser consideradas
conjuntamente pelo magistrado.
Reconhecida contradição entre os fatos alegados pelo autor e os argumentos defendidos pelo
réu, a conseqüência será o não reconhecimento da presunção de veracidade.
O advogado dativo (“ad hoc” - para o ato), o membro do Ministério Público e o curador especial
estão desobrigados de impugnar especificamente os fatos alegados pelo autor (art. 302, parágrafo
único).
Aula 12.03.10
2) Exposição dos fatos e dos fundamentos jurídicos
Compete ao réu alegar na contestação toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e
de direito por meio das quais impugna a pretensão do autor (art. 300).
Todas as peças devem ser feitas de maneira articulada. Em especial na contestação, a petição
inicial deverá ser combatida fato a fato, artigo por artigo.

As defesas contra o processo devem ser argüidas por meio de preliminar de contestação.
Dependendo do tipo de defesa apresentada, a conseqüência será a extinção da demanda
(prescrição, decadência, pagamento, entre outros).
Em outras situações, a conseqüência será a remessa dos autos para outro juízo.
Em determinadas situações, ainda se faz possível a emenda/aditamento.

Quando a defesa consistir na alegação de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito


do autor, torna-se evidente que esses fatos devem ser referidos na contestação, com clareza e
precisão, de tal sorte que o autor possa elaborar a réplica (art. 326).
Em face da réplica, será possível que o réu se manifeste por meio de tréplica. O art. 327, refere-
se a possibilidade, ainda que não se referindo à ela de maneira explícita, de serem supridas
irregularidades por meio da emenda/aditamento da inicial.
Em obediência ao princípio do contraditório (art. 5º, inc. LV da CF).
Lembre-se que o inciso II do art. 333 impõe o ônus da prova ao réu com relação aos fatos
impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor.

Observe-se que o réu deve especificar na contestação todas as provas que pretende produzir
(art. 300).

► Prazo para a contestação: o prazo é de 15 dias para todas as peças (art. 297).
Processo de Conhecimento - Norma 10
Carta de ordem: é utilizada entre os Tribunais de hierarquia diferente.
Carta precatória: é um instrumento utilizado pela Justiça quando existem indivíduos em
comarcas diferentes. É um pedido que um juiz envia a outro de outra comarca.
Carta rogatória: é um instrumento jurídico de cooperação entre dois países. É similar à carta
precatória, mas se diferencia deste por ter caráter internacional. A carta rogatória tem por objetivo a
realização de atos e diligências processuais no exterior, como, por exemplo, audição de testemunhas, e
não possui fins executórios.
O início do prazo – “dies a quo” – será iniciado a partir do momento da juntada aos autos do
mandado de citação, do AR (aviso de recebimento do correio), da última carta precatória/rogatória/de
ordem (da última porque pode ter mais de uma emitida).
Existem situações em que a citação não pode ser feita pelo correio (art. 222) – ações de estado,
adoção, investigação de paternidade, ações de execução, quando o citando for menor ou incapaz,
quando o autor requerer que seja de outra forma, contra as fazendas. Cumpridos estes atos, será dado
início a contagem do prazo que é de 15 dias comum a todos.
Litisconsórcio é o fenômeno pelo qual se verifica na demanda mais de uma parte no pólo ativo
ou passivo (art. 46).
Quando as parte contarem com procuradores diferentes, o prazo será contado em dobro (art.
191).
Quando a parte for a Fazenda Pública (Federal, Estadual e Municipal) o prazo será contado em
quádruplo - 60 dias - para contestar (art. 188) e em dobro para recorrer.

Conclusão final sobre a contestação: diversa é a natureza do pedido formulado pelo autor
daquele elaborado pelo réu.
Na contestação, limita-se o réu a requerer que não seja acolhido o pedido formulado pelo autor.

O direito de ação está sempre presente (art. 5º, inc. XXXV da CF).
O pedido é que será julgado – procedente, improcedente, parcialmente procedente.

EXCEÇÕES
O art. 297 é o fundamento legal das exceções.
As exceções representam meios de defesa, sendo apresentadas no prazo de 15 dias.

As exceções podem ser:


• Dilatórias são aquelas que têm por objetivo distender/procrastinar (causar morosidade) o curso
da demanda. Ex: Exceções de incompetência relativa, de impedimento, de suspeição, de
falsidade documental, etc. → Todas estas são apresentadas por meio de peça autônoma.
• Peremptórias são aquelas que têm como objetivo encerrar a relação jurídica processual. Ex.
Litispendência (ocorre quando se reproduz ação idêntica a outra já em curso – art. 301, §2º),
perempção (art. 268, parágrafo único), coisa julgada (art. 301, §1º e §3º) → Estas exceções
devem ser apresentadas no corpo da própria contestação, não são peças autônomas.

As exceções de impedimento, de suspeição e de incompetência relativa são chamadas


instrumentais, posto que formam um instrumento separado do processo principal, mas que será
apensado a este (art. 299).
Art. 304 - Qualquer das partes pode se valer das exceções de incompetência (art. 112), de
impedimento (art. 134) e de suspeição (art. 135).
- Prazo próprio: atribuído às partes (se o réu deixa de contestar em 15 dias, fica sem defesa)
- Prazo impróprio: atribuído a juízes e auxiliares (sua inobservância poderá acarretar conseqüências
administrativas).

O art. 305 esclarece que o direito de excepcionar pode ser exercido em qualquer tempo e grau
de jurisdição.
O art. 306, por sua vez, ressalta o caráter suspensivo das exceções (art. 265, III: suspensão do
feito principal em face do oferecimento da exceção).

O art. 134 traz as hipóteses de impedimento do juiz.


O art. 135 traz as hipóteses de suspeição do juiz.

Processo de Conhecimento - Norma 11


As exceções de impedimento e de suspeição são meios pelos quais qualquer das partes,
denunciando a falta de capacidade subjetiva do juiz, provoca seu afastamento da relação jurídica
processual.

As exceções dirigem–se contra o juiz, eis que este é um dos sujeitos processuais.

Cabe ao magistrado reconhecer-se impedido ou suspeito de oficio. Se o juiz assim não proceder
e vindo o tribunal a reconhecer o fato, ele será condenado ao pagamento das custas (art. 314).

Observe-se que o parágrafo único do art. 135 explicita que o juiz pode declarar-se suspeito por
motivo íntimo.
Os atos praticados por juiz impedido são inválidos, nulos de pleno direito. A sentença prolatada
por juiz impedido permite a propositura de ação rescisória (art. 485, II).

Partes:
• Excipiente: é aquele que apresenta a exceção. Pode ser o autor ou o réu.
• Excepto: é aquele contra quem é apresentada a exceção. É o juiz.

O prazo para apresentação da exceção é de 15 dias (art. 297), mas lembre-se que as
exceções podem ser apresentadas a qualquer tempo.

Início da contagem do prazo:


• Para o autor: conta-se a partir da
Em 2º Instância
distribuição da ação.
1º Instância É igual para as duas partes, a
• Para o réu: o prazo é contado a partir da
partir da designação do relator
citação.

As exceções podem ser apresentadas a qualquer tempo, desde que o fato que a motivou seja
superveniente, ocorreu em outro momento, diferente da distribuição e da citação.
Aula 19.03.10
A suspensão envolve vício sanável, ou seja, desde que não argüida a exceção no tempo e modo
devidos, fica preclusa a faculdade de excepcionar o juízo, fato que presume a aceitação do magistrado.

A exceção deve ser veiculada por meio de peça processual autônoma, a qual será autuada em
apartado e apensada aos autos principais (art. 299).

As exceções deverão ser apresentadas por meio de peça escrita e devidamente fundamentada
com os documentos julgados pertinentes, necessários.
Desde que existentes testemunhas que possam comprovar os fatos alegados, poderá ser
apresentado o rol de testemunhas que serão ouvidas em juízo, razão pela qual será designada
audiência de instrução e julgamento.
Perceba-se que as exceções representam incidentes processuais, que devem ser resolvidos, por
meio de decisão interlocutória (art. 162, §2º) - (a qual desafia recurso de agravo → art. 522)
A resolução desse incidente é absolutamente necessária para que a relação jurídica processual
possa se desenvolver.

O art. 312 refere-se aos documentos e rol de testemunhas que podem ser apresentados.

O art. 313, em sua primeira parte, explicita que, julgando-se impedido o suspeito, o juiz
determinará a remessa dos autos ao seu substituto legal.
Outrossim, entendendo diferentemente, licito é ao julgador apresentar suas razões,
acompanhado de documentos e rol de testemunhas, remetendo os autos ao Tribunal (art. 313, segunda
parte).
Nos artigos 14 e 17 estão as hipóteses de litigância de má fé (se condenado, gera multa).
O art. 138 permite argüir as exceções de impedimento e suspeição, em face do órgão do MP - O
promotor pode atuar como parte, fiscal da lei – “custos legis” (art. 82 – relação meramente
exemplificativa), curador (art. 9º), do perito, do intérprete e dos serventuários do judiciário.

Processo de Conhecimento - Norma 12


► Exceção de incompetência relativa
Essa exceção deve ser argüida por meio de peça processual autônoma, denominada exceção
de incompetência relativa ou exceção declinatória de foro, a qual será autuada em apartado e apensada
aos autos principais, provocando a suspensão do curso deste (art. 112 e 265, III).
Arguido conflito de competência (quer seja pela parte, quer seja o juiz), este será julgado pela
Câmara Especial do Tribunal Judiciário Paulista (só julga conflitos de competência).
Lembre-se que a incompetência absoluta deve ser argüida por meio de preliminar de
contestação.
Prorroga-se a competência, desde que não seja argüida no tempo (15 dias) e modo (a exceção
deve ser argüida por meio de peça processual autônoma, denominada exceção de incompetência
relativa ou exceção declinatória de foro, a qual será autuada em apartado e apensada aos autos
principais) devidos (art. 114).
Diz o art. 305 que a incompetência relativa pode ser argüida a qualquer tempo, desde que
baseada em fato superveniente.

 Reconvenção (art. 297) – prazo 15 dias.


Na reconvenção, o réu passa a uma atitude não só passiva (defesa), mas também ativa
(ataque). A reconvenção consiste em um meio de ataque do réu primitivo contra o autor.
Reconvenção, de acordo com o jurista Paula Batista “é a ação proposta pelo réu contra o autor,
no mesmo feito e juízo em que é demandado.”
A finalidade da reconvenção é permitir a reunião em um processo único (“simultaneus
processus”) da ação do réu e da ação contra o autor, desde que haja conexidade entre elas, de tal sorte
que ambas possam ser julgadas pela mesma sentença, evitando-se assim decisões contraditórias.
Ressalte-se que a conexidade é mencionada no art. 315.
A reconvenção representa uma ação do réu contra o autor. Exige-se, como é natural, que o réu
tenha capacidade e preencha certos requisitos para que possa reconvir.
Assim, em tese, todo réu pode reconvir contra todo autor, sendo que o réu tornar-se-á réu
reconvinte, enquanto o autor será o autor reconvindo.
Não cabe reconvenção no rito sumário, neste caso, utiliza-se o pedido contraposto.

Pressupostos que viabilizam a propositura da reconvenção:


a) Que se verifique uma causa pendente. Evidentemente, o oferecimento da reconvenção exige uma
causa ainda em tramitação.

b) Que não esteja precluso o prazo para a defesa (15 dias). Observe-se que a preclusão diz respeito à
impossibilidade de ser praticado o ato processual em face do decurso do prazo.
Perdido o prazo para reconvir, resta ao interessado propor ação autônoma, requerendo, se for o
caso, antecipação da tutela (art. 273). Note que pode haver a necessidade de antecipação de tutela por
se tratar de assunto ou medida urgente, que não pode esperar a sentença.

c) Que se verifique identidade de procedimentos.


Considerando que a reconvenção representa uma pretensão do réu contra o autor, tendo em
vista que as duas ações tramitarão de maneira simultânea e considerando que serão julgadas pela
mesma sentença, elas tramitarão de maneira conjunta, desde que se observe o seguinte:
I. Ambos os processos adotam o rito ordinário.
II. Ação principal sob rito ordinário e reconvenção sob rito sumário: será possível desde que o
réu reconvinte declare expressamente que concorda em fazer tramitar sua demanda pelo rito
ordinário, que é o mesmo da ação principal.
III. Ação principal sob o rito ordinário e a reconvencional sob rito especial (Ex. ação monitória e
ação de busca e apreensão).
A ação reconvencional será possível desde que o rito especial da ação reconvencional, em
razão da defesa, possa ser transformado em rito ordinário.
Aula 26.03.10
d) Que a reconvenção seja conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa.
Deve haver conexão entre a ação principal e a reconvencional.
Lembre-se que, consideram-se conexas duas ações quando lhes for comum o objeto e a causa
de pedir (art. 103 e art. 315).

Processo de Conhecimento - Norma 13


e) Que seja competente o magistrado para conhecer as duas ações.
O juiz da ação principal deve ser competente para conhecer também da reconvenção.
O juiz incompetente para conhecer da ação reconvencional não se torna competente para ficar
atrelada a ação principal.
Lembre-se que a competência é a medida da jurisdição.
Regras sobre a competência encontram-se previstas na CF, no CPC e na Lei de Organização
Judiciária (cada Estado membro da Federação tem a sua Lei de Organização Judiciária).

f) Campo de aplicação da reconvenção.


Não cabe reconvenção rito ou procedimento sumário, tendo em vista a possibilidade de
apresentação do pedido contraposto (art. 278, §1º).
Na ação de execução, seja embasada em titulo executivo judicial, seja fundamentada em titulo
executivo extrajudicial, não se admite reconvenção, eis que a execução segue um rito próprio especifico
e determinado, previsto no Livro II (art. 566 à 795).
A defesa na execução chama-se embargos à execução (cabimento: título executivo extrajudicial)
ou impugnação (cabimento: título executivo judicial).
Os embargos à execução representam uma verdadeira ação, regulamentada por normas
próprias, cuja matéria a ser discutida vem apontada na lei.

g) Procedimento da reconvenção.
A reconvenção deve ser apresentada por meio de peça processual autônoma, a qual será
encartada aos autos principais (art. 299).
A reconvenção é uma peça escrita que deve obedecer aos requisitos do art. 282 (não pode ser
oral).
O réu passa a ser o reconvinte, enquanto o autor será o reconvindo.
O autor da ação principal não precisa ser citado acerca da reconvenção, bastando a intimação
pela imprensa sobre a apresentação da reconvenção.
Aula 08.04.10
Na reconvenção deve o autor sustentar uma pretensão autônoma. O ato judicial que indefere o
processamento da reconvenção é decisão interlocutória (art. 162, §2) passível de recurso de agravo.
Oferecida a reconvenção, cabe ao autor reconvindo oferecer contestação (art. 316), no prazo de
15 dias. Nessa contestação, cabe ao autor reconvindo alegar defesas contra o processo, inclusive,
aquelas previstas no art. 301, bem como aquelas próprias da reconvenção.
A ação principal e a reconvenção serão julgadas pela mesma sentença (art. 318).
Cabe julgamento antecipado da lide (art. 330), desde que isso seja possível com relação à ação
principal e a reconvenção.

► Desistência ou extinção da ação principal


O autor da ação principal poderá dela desistir, antes que o réu ofereça contestação, sem o
consentimento deste. Depois da apresentação da contestação, a desistência somente será possível se
o réu concordar (art. 267, §4°).

Oferecida a contestação, o autor poderá desistir da ação principal com a anuência do réu. Se o
autor pretende desistir da ação principal, mas o réu não concorda com isso, o pedido reconvencional
(reconvenção) terá seguimento normal. Nesse caso, a reconvenção tramitará normalmente.

A desistência da ação ou a ocorrência de qualquer causa que impeça o seu prosseguimento,


provocando a sua extinção não inviabiliza o prosseguimento da reconvenção (art. 317).
Observe-se que a recíproca é verdadeira, na medida em que a desistência da reconvenção ou a
ocorrência de qualquer causa que provoque a extinção da reconvenção não inviabiliza o
prosseguimento da ação principal.
Aula 09.04.10
AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL (artigos 5 e 325 do CPC)
Na contestação poderá o réu impugnar o direito que constitui fundamento do pedido do autor.
Ocorrendo essa situação, verifica-se a presença de uma relação jurídica prejudicial daquele direito. Se o
réu apenas alegar essa situação, mas não requerer que o juiz se manifeste expressamente a respeito,
não haverá coisa julgada. Trata-se, nesse caso, de matéria ser apreciada incidenter tantum, isto é (id
est), a ser resolvida no curso do processo. No entanto, o réu poderá requerer que o magistrado

Processo de Conhecimento - Norma 14


manifeste-se expressamente sobre o tema. Neste último caso, trata-se de ação declaratória incidental e
a decisão proferida sobre o tema faz coisa julgada (art. 470, CPC).
Dependendo do caso concreto, a decisão prejudicial poderá ou não influenciar no julgamento do
mérito, inviabilizando ou não o prosseguimento da ação principal.
O art. 325 do CPC refere-se à ação declaratória incidental promovida pelo autor. Se o juiz, ao
examinar a contestação, verificar que algum ponto alegado pelo réu influenciará a resolução da questão
principal, ou seja, trata-se de questão prejudicial ao mérito, determinará que o autor seja ouvido a
respeito, manifestando-se em réplica (art. 326 do CPC). Em face dessa situação, cabe ao autor uma
das seguintes posições:
a. Apenas refutar as alegações do autor;
b. Formular pedido de ação declaratória incidental.
O prazo para o autor requerer ação declaratória incidental é de 10 (dez) dias (art. 325, CPC).

OBS: A ação declaratória ou meramente declaratória limita-se a requerer que o judiciário (art. 4º, CPC):
I. A existência ou inexistência de uma relação jurídica;
II. Autenticidade ou falsidade de um documento.

Proposta a ação declaratória incidental pelo autor forma-se um processo cumulativo de pedidos,
os quais tramitarão juntos, sendo julgados pela mesma sentença, devendo ser apreciado em primeiro
lugar o pedido incidental.
Alguns juristas entendem que o pedido de ação declaratória incidental pode ser formulado na
reconvenção, mas esse entendimento não é razoável, posto que na reconvenção formula-se pedido
próprio, autônomo, embora conexo com o pedido estabelecido na ação principal. Sendo o pedido da
ação declaratória incidental formulado tanto pelo autor quanto pelo réu, a respectiva petição deve seguir
as recomendações prescritas nos incisos III, IV e VI do art. 282 do CPC.

As condições da ação declaratória incidental são as seguintes:


1. O objeto da ação declaratória incidental deve ser tão relevante a ponto de ser objeto de uma
ação autônoma.
2. A ação incidental (ação de conhecimento declaratória) deve tratar de um ponto prejudicial,
capaz de influenciar o julgamento da ação principal.
Aula 15.04.10
3. O ponto sobre o qual versa a ação declaratória incidental deve ser controvertido.
Certamente que a existência de uma lide (conflito de interesses qualificado por uma pretensão
resistida), ou seja, de uma pretensão resistida.
4. O juiz deve ser competente.

Formulado o pedido de ação declaratória incidental, por qualquer das partes, terá a parte
contrária prazo de 15 dias para resposta (art. 321).

Alegada matéria de mérito na ação incidental, bem como na resposta a esta, será o caso de
manifestação por meio de réplica e tréplica (artigos 326 e 327).

DA ANTECIPAÇÃO DA TUTELA
Tutela = proteção – art. 273
A antecipação de tutela representa uma das mais importantes modificações operadas na
processualística nos últimos 150 anos.
A nova redação do art. 273 foi proporcionada por meio da reforma processual que teve início em
1994.
Por meio da antecipação de tutela, procura-se antecipar os efeitos da tutela jurisdicional a ser
obtida quando do término da demanda, ou seja, quando completada a cognição judicial (conhecimento
– art. 130).
O legislador foi exigente ao estipular os requisitos cabíveis para que seja concedida a
antecipação de tutela são genéricos e específicos.
Os requisitos genéricos estão no caput do art. 273: prova inequívoca (aquela que não admite
contestação) e verossimilhança (é aparência do que é verdadeiro ou do que é verdade).
A prova inequívoca deve ser analisada juntamente com a verossimilhança, A fim de que o
magistrado exerça um juízo de probabilidade, com vistas a obter cognição mais completa ou exauriente.

Processo de Conhecimento - Norma 15


Os requisitos específicos encontram-se previstos no art. 273, inc. I. Quais sejam: fundado
receio de dano irreparável ou abuso do direito de defesa.

O convencimento do julgador deve ser fundado sobre todos esses requisitos, tendo em vista ser
bastante delicada a posição do magistrado, considerando que algumas concessões acarretam
conseqüências irreversíveis. Ex. Realização de cirurgia – são irreversíveis, a situação inadmite
reversão.

► Iniciativa: pertence ao autor, sendo que a antecipação pode ser requerida na inicial ou no
curso da demanda por meio de petição simples ou avulsa ou autônoma.
Todavia, nas ações consideradas dúplices (ex. ação de prestação de contas; ações
possessórias, pedido contraposto no rito ou procedimento sumário), permite-se que o réu requeira
antecipação de tutela.
Não é possível a concessão de ofício (sem provocação) da tutela antecipada.

► Momento: a antecipação pode ser requerida já na petição inicial ou em momento posterior,


desde que presentes os requisitos, genéricos e específicos, que a autorizem (art. 273, caput, incisos I e
II).
A concessão da tutela antecipada pode ser dada “inaudita altera pars”, isto é, sem a oitiva da
parte contrária.
Aula 16.04.10
Dependendo da situação fática e considerada, principalmente, a defesa apresentada pelo réu, a
antecipação anteriormente concedida pode ser revogada a qualquer momento.
Alguns juristas entendem ser possível requerer a antecipação da tutela a qualquer momento,
mesmo depois da audiência de instrução e julgamento. Outros doutrinadores como “Nelson Nery
Junior”, sustentam o entendimento de que após a audiência o requerimento de antecipação não será
possível.
Deferida a antecipação quando da sentença, este fato redundará na concessão de efeito
devolutivo (art. 520, inc. VII – este artigo tem que ser interpretado contrariamente) ao recurso de
apelação, ou seja, prossegue a ação principal por meio da extração (cópias) da carta de sentença, hoje
designada execução provisória.
Fica certo que inexiste preclusão com relação ao requerimento de antecipação de tutela, posto
que conforme já foi visto, antecipação pode ser requerida e deferida a qualquer momento, desde que
presentes os requisitos que a autorizem.

► Decisão
A antecipação pode ser concedida pelo magistrado com segurança, desde que não se verifique
a irreversibilidade do provimento (art. 273, §2°).
Inseguro o magistrado quanto à concessão da tutela será lícito que se determine a prestação de
caução, a exemplo do que ocorre no processo cautelar.
O §7° do artigo 273 veio a permitir a fungibilidade entre a antecipação de tutela e as cautelares,
isto é, o juiz pode, ao receber um pedido cautelar, antecipar a tutela, sendo a recíproca verdadeira.

Tendo em vista a provisoriedade da antecipação da tutela, esta pode ser revogada a qualquer
momento (art. 273, §4°).
Concedida a antecipação de tutela na sentença, seriam, hipoteticamente, cabíveis dois recursos:
Apelação e Agravo. Entretanto, em face do princípio da singularidade recursal, somente um recurso é
cabível em razão da mesma decisão.

PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES
O réu, ao contestar, pode alegar matéria de mérito. Cabe-lhe ainda argüir defesas diretas e
indiretas, contra o processo e contra o mérito.
Alegada matéria de mérito, compete ao juiz determinar que o autor manifeste-se por meio de
réplica (art. 326 – a alegação de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos, em face do direito do
autor, não permitem que a relação jurídica processual tenha segmento. Ex: Exceção de contrato não
cumprido; vícios do negócio jurídico).
Aula 22.04.10
O réu pode alegar, também, fatos modificativos. Ex: Novação; exceção de incompetência
relativa; cessão de crédito; ilegitimidade de parte.
Processo de Conhecimento - Norma 16
Modificativos: são aqueles que modificam, alteram o curso da relação processual.

Extintivos: são aqueles que ao serem alegados e reconhecidos pelo magistrado de ofício,
provocam a extinção da relação jurídica processual. Ex: remissão (perdão); pagamento da dívida; dação
em pagamento; prescrição; decadência; incompetência absoluta .

Impeditivos: são aqueles que impedem o desenvolvimento da relação processual. Ex: Exceção
do contrato não cumprido; vícios dos negócios jurídicos.

Alegados quaisquer das matérias supra mencionadas, cabe ao juiz determinar que a outra parte
manifeste-se no prazo de 10 dias, sendo possível juntar prova documental (art. 327).
Essa manifestação que se denomina réplica deve restringir-se apenas à matéria alegada em
preliminar, não discutindo o mérito.
Importante observar que nesse momento será apreciada apenas essa matéria de natureza
processual e não o mérito da demanda propriamente dita.
Apresentada a réplica, a outra parte deve se manifestar também no prazo de 10 dias, por meio
de tréplica.
Se o réu, por meio da tréplica, juntar algum documento sobre este será dada vista a outra parte
(art. 398).
Em face da matéria alegada, poderá ser necessária a designação de audiência de instrução e
julgamento, onde serão produzidas provas de natureza oral.
Cabe ao juiz determinar que as partes especifiquem as provas que pretendem produzir (art.
324).

JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO


Considerada toda a matéria (petição inicial, contestação, réplica, tréplica) apresentada e
discutida nos autos, o magistrado pode ou não se sentir seguro para decidir.
As nulidades argüidas podem ser sanáveis ou insanáveis. As sanáveis podem ter sido
regularizadas ou não.
A nulidade sanável pode ou não ter sido suprida. Ex: regularização da representação processual
(art. 12).
Tratando-se de nulidade insanável, a providência jurisdicional será o julgamento de extinção da
demanda.
Registre-se que a extinção da demanda pode ocorrer sem resolução do mérito (art. 267) ou com
resolução do mérito (art. 269).
Assim, cumpridas as providências preliminares será o caso de:
a) Extinção da demanda: julgamento de extinção da demanda com ou sem resolução do mérito;
b) Julgamento antecipado da lide (art. 330), podendo este ocorrer quando:
1. A matéria envolver somente questão de direito;
2. A matéria envolver questão de fato, mas os documentos pertinentes já foram juntados
aos autos
c) Saneamento do processo: sanear significa retirar as irregularidades processuais ocorridas.
As nulidades sanáveis deverão ser regularizadas.
As insanáveis implicam no julgamento de extinção.
Não sendo o caso de julgamento antecipado da lide e cumpridas as providências preliminares
será o caso de:
1. Especificação de provas, cuja produção foi requerida pelas partes. Com base nos
poderes instrutórios (art. 130), licito é ao magistrado determinar de ofício a produção das
provas consideradas necessárias.
2. Sendo caso de prova pericial, cabível a nomeação de perito.
3. Fixação para entrega do laudo, geralmente, é de 30 dias, podendo ser prorrogado.
4. O juiz formula quesitos a serem respondidos no laudo.
5. Permite que as partes formulem quesitos.
6. Fixa os honorários periciais. Aquele que requereu a perícia é quem será responsável
pelo pagamento dos honorários. Se for determinado pelo juiz de ofício, cabe ao autor
efetuar o pagamento (O valor fixado pode ser objeto de impugnação pelo próprio perito e
pelas partes. O perito ao impugnar o valor, poderá estabelecer o valor desejado, cabendo
ao o juiz acatar ou não o valor).
Processo de Conhecimento - Norma 17
7. Designa audiência de instrução e julgamento, onde serão produzidas as provas de
natureza oral.

A fase de saneamento encerra-se por meio do despacho saneador, o qual desafia recurso
de agravo (art. 162, §2º e art. 522).

JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE


Entendendo o juiz que o processo encontra-se “maduro” para o julgamento e não sendo o
caso de extinção, será o caso de julgamento antecipado da lide (art. 330).
Pode ser que exista os autos prova suficiente para formar a convicção judicial, mesmo sendo
caso de fato controvertido.
O juiz pode, a qualquer tempo, designar audiência visando a conciliação das partes (art. 125,
IV).
Cabe o julgamento antecipado nas seguintes situações:
a. Quando a matéria for somente de direito.
b. Quando for matéria de fato, mas as provas pertinentes já foram anexdas aos autos,
formando a convicção judicial.

AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO (art. 450)


A audiência envolve ato processual complexo, público, solene e formal, presidida pelo juiz de
direito.
Na audiência de instrução e julgamento, serão produzidas provas de natureza oral
(esclarecimentos prestados pelo perito, depoimento pessoal da parte, testemunhal).
A audiência deve ser celebrada com as portas abertas (art. 155, caput), sendo possível a
entrada e saída da sala a qualquer momento. De acordo com o art. 155, os processos são públicos.
Todavia, algumas ações devem tramitar sob segredo de justiça (art. 155, inc. I e II).
Aula 29.04.10
A audiência (de instrução e julgamento) é ato complexo, posto que nela se produzem atos
probatórios, postulatórios e decisórios (decisão interlocutória - indeferimento de pergunta, impugnação a
oitiva de uma testemunha – 162, §2°, sentença).
A audiência é ato público, posto que se realiza com as portas abertas (art. 155). É ato solene,
uma vez que sua realização e desenvolvimento encontram-se regulados em lei, a qual descreve em
detalhes seu procedimento.
Cabe ao magistrado exercer poder de polícia, determinando ao promotor e aos advogados que
se portem com urbanidade (art. 445 e 446).
Percebe-se que o juiz preside a audiência, conforme disposto no art. 446.
A audiência deve se realizar no dia e hora designados, comparecendo os advogados, partes e
testemunhas, devidamente intimados. É possível peticionar afirmando que a testemunha comparecerá
independentemente de intimação. Se a testemunha não comparecer poderá ser--- . (art. 330).
Os advogados podem requerer que as testemunhas compareçam independentemente de
intimação. As testemunhas devem ser arroladas (relacionadas, indicadas) no prazo de 10 dias antes da
audiência.
Art. 450: O juiz mandará apregoar as partes (cartorário, meirinho, porteiro do auditório).

O art. 453 refere-se ao adiamento da audiência.


Veja-se que compete ao advogado provar o motivo do não comparecimento, sendo possível ao
magistrado dispensar a prova requerida pela parte cujo advogado não compareceu.
A ausência da testemunha implica na sua condução coercitiva (art. 412), sendo possível o
magistrado determinar seu comparecimento “manu militari” (pela força das armas).
A audiência pode ser realizada para oitiva das testemunhas que compareceram, redesignando-
se outra data para oitiva da testemunha ausente.
A audiência de conciliação tem por objetivo obter acordo entre as partes. Realizado acordo, ele
será reduzido a termo, ou seja, transposto para o papel (art. 457) e homologado pelo magistrado.

► Instrução e julgamento
Diz o art. 451 que compete ao magistrado, antes de iniciar a instrução, fixar os pontos
controvertidos sobre os quais incidirá a prova.

Processo de Conhecimento - Norma 18


O art. 452 refere-se a ordem das provas a serem produzidas. Orais: esclarecimentos prestados
pelos peritos, depoimentos pessoais das partes e provas testemunhais. A mera inversão da ordem
prevista no art. 452, não causa prejuízo às partes, conforme entendimento jurisprudencial.
Encerrada a instrução, o juiz abrirá prazo para debates orais, sendo 20 minutos para cada parte
prorrogados por mais 10 (art. 454).
Os debates orais poderão ser substituídos por uma peça escrita chamada memoriais (art. 454,
§3°).
O prazo para apresentação de memoriais (resumo do processado, dos fatos, com destaque aos
pontos que são importantes para a parte) é convencional, posto que resulta de convenção/acordo entre
as partes. Usualmente é de 10 dias.
Apresentados os memoriais no prazo fixado, compete ao magistrado proferir sentença (art. 162,
§1° e 189)

Aula 30.04.10
TEORIA GERAL DAS PROVAS
Todas as alegações formuladas em juízo devem vir acompanhadas do material probatório
pertinente.
“allegatio et non probatio, quase non allegatio”: alegou e não provou, é como se nada tivesse sido alegado.
Provar é convencer o espírito do julgador acerca da veracidade dos fatos alegados pelas partes.

Um objeto: são os fatos alegados pelas partes como fundamento das suas alegações ou
das suas defesas.
A prova tem:
Uma finalidade: convencer o espírito do magistrado acerca dos fatos da causa.
Um destinatário: o juiz, encarregado de proferir sentença, decisão, resolvendo a
demanda.

A prova deve ser feita pelos meios adequados para fixá-la em juízo. A prova pericial, por
exemplo, é cercada de particularidades que devem ser obedecidas.
A prova tem por finalidade levar ao conhecimento do julgador a verdade dos fatos alegados.
Os meios de prova são utilizados para convencer o julgador dos fatos alegados.
O direito não é objeto de prova, mas apenas os fatos.

EXCEÇÕES
O direito não se prova apenas alega os fatos (art. 337).
O direito:
 Municipal: deve ser provado por meio de certidão de vigência (certidão que atesta que
determinada lei está vigente), que poderá ser obtida junto ao Legislativo Municipal (Câmara dos
Vereadores).
 Estadual: deve ser provado por meio de certidão de vigência, que poderá ser requerida junto ao
Legislativo Estadual (Assembléia Legislativa).
 Estrangeiro: a lei estrangeira terá validade, desde que homologada pelo STJ, a certidão de
vigência poderá ser obtida junto a embaixada ou consulado.
 Consuetudinário (costumes): os costumes devem ser registrados na Junta Comercial (órgão
estadual). A Junta Comercial (em SP – JUCESP) poderá emitir a certidão de vigência.
Lembre-se que “iura novit curia”: o juiz conhece o direito, razão pela qual, a legislação federal
não é objeto de prova. O direito Federal não precisa ser provado, tem vigência no Brasil inteiro.

Não são todos os fatos que dependem de prova, mas somente aqueles determinados e que
sejam relevantes para resolução (deslinde) da causa.
Assim, devem ser provados apenas os fatos:
 Controvertidos: são aqueles discutidos pelas partes e sobre os quais inexiste consenso;
 Fatos relevantes: são aqueles fatos que dizem respeito a causa discutida, podendo influir na
decisão dela.
 Fatos pertinentes: somente aqueles fatos relacionados à causa e que vão influenciar no seu
julgamento é que serão considerados.
Os fatos impertinentes devem ser desprezados.

Processo de Conhecimento - Norma 19


Os fatos notórios (aqueles que são públicos, sendo de conhecimento amplo e genérico)
independem de prova.

► Ônus da Prova (art. 333)


Ônus significa encargo, peso, diz respeito a necessidade, obrigação de efetuar a prova.
O ônus, ou seja, a obrigação da prova incumbe a quem alega.
Art. 333: O ônus da prova cabe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito.
Ex. O autor, em uma ação de cobrança, deve demonstrar sua posição de credor; em uma ação de
despejo, cabe ao autor demonstrar sua situação de locador (contrato de locação).
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
Diz o art. 333 que o ônus da prova incumbe ao réu com relação ao fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito do autor.
Aula 06.05.10
Matéria de direito não precisa provar (prescrição, decadência).
Já a matéria fática tem que ser provada (pagamento, perempção – juntar as 3 iniciais e a cópia
da sentença com trânsito em julgado).
O ônus da prova compete às partes. Todavia, o art. 130, permite que o juiz determine de ofício a
produção das provas necessárias.
O poder judicial que determina a produção de provas é supletivo, devendo ser exercido quando
o juiz entender necessário para convencer-se acerca do alegado.

► Inversão do ônus da prova


O art. 6°, inc. VIII do CDC (Lei 8078/90) veio a permitir a inversão do ônus da prova,
considerando-se a situação de hipossuficiência do consumidor.
A inversão do ônus da prova tem sido requerida nas mais variadas espécies de demandas,
mesmo inexistindo a relação de consumo.

► Meios de Prova:
São os instrumentos materiais (documentos) ou pessoais (testemunhas) trazidos aos autos para
comprovação dos fatos alegados (art. 332).

► Momentos da Prova:
Momento da Produção Momento do deferimento
Autor: Petição inicial (art. 283). Por ocasião do despacho saneador.
Réu: contestação (art. 396).
Autor e Réu: Audiência de instrução e julgamento.

Observe-se que o perito deve apresentar um laudo, o qual será objeto de questionamento oral
por ocasião da audiência de instrução e julgamento.
Art. 336, parágrafo único, permite a oitiva da testemunha em local diferente da sede do juízo.
Diz o art. 335 que o juiz pode servir-se de indícios, presunções e máximas de experiência
quando não for possível a prova direta do fato principal. Nesse caso, compete ao magistrado servir-se
de indícios ou circunstâncias que permitam concluir acerca da veracidade dos fatos alegados.

As regras da experiência não se verificam no pleno dos fatos, mas derivam da vivência do juiz
enquanto pessoa e cidadão.
Máximas da experiência correspondem a definições ou juízos hipotéticos de conteúdo geral,
independentes do caso concreto que se tem de julgar.

► Apreciação da prova
O juiz apreciará livremente a prova, mas deverá especificar na sentença os fatos, motivos ou
circunstâncias que lhe formaram o convencimento (art. 131).

► Sistemas que tratam da apreciação da prova


 Sistema da livre apreciação (sistema vigente perante o Código de 1939): o juiz é totalmente livre
para decidir, convencendo-se dos fatos baseado em valoração íntima, independentemente do
que consta nos autos.

Processo de Conhecimento - Norma 20


 Sistema das provas legais ou tarifadas: cada prova tem seu peso e valor. Assim, o juiz deve
calcular o valor de cada prova, somando-as e chegando a uma conclusão. Este sistema não
está em vigor.
 Sistema da persuasão racional (art. 131): ao juiz cabe apreciar livremente a prova, mas deverá
especificar na sentença os fatos, motivos e circunstâncias que lhe formaram o convencimento.
Certamente que o juiz deve considerar o material probatório juntado aos autos.
O princípio da fundamentação das decisões encontra-se previsto no art. 131 do CPC e art. 93,
inc. IX da CF.
Aula 07.05.10
► Prova emprestada
É possível utilizar prova produzida em outro processo. No entanto, faz-se necessário observar o
seguinte:
1. As partes devem ser as mesmas.
2. No processo onde as provas foram produzidas deve ter sido facultada a utilização do
princípio do contraditório.

IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA


A impugnação ao valor da causa é um meio de defesa manejado pelo réu, cabível quando o
autor deixou de observar os parâmetros referidos no art. 259 (o autor errou ou atribuiu o valor da causa
de maneira abusiva).
Trata-se de incidente processual, que deverá ser argüido no prazo da contestação, por meio de
petição autônoma, a qual deverá ser autuada em apartado (art. 261).
Oferecida a impugnação, o autor deverá manifestar-se no prazo de 5 dias, decidindo, o juiz em
10 dias.
Prazo para o réu oferecer impugnação → 15 dias
Sobre essa impugnação, o autor deve se manifestar em → 5 dias
O juiz deve determinar o valor da causa em → 10 dias

Esse incidente não suspende o curso da ação principal.


A impugnação deve ser apensada aos autos principais.

Nesse incidente cabe designação de perícia.

No rito ou procedimento sumário, a impugnação deve ser feita antes da audiência de


conciliação, instrução e julgamento (audiência una). Nesse rito, melhor será a impugnação antes da
audiência, mesmo porque a decisão sobre o valor da causa poderá influenciar o procedimento adotado.
Apresentada a impugnação por ocasião da audiência, cabe ao juiz decidir de plano
(imediatamente) (art. 277, §4°).

As custas derivadas do incidente serão de responsabilidade do autor ou do réu, tudo


dependendo do julgamento de procedência ou improcedência do pedido.

A impugnação ao valor da causa será resolvida por meio de decisão interlocutória, em face da
qual cabe agravo.
A falta de impugnação, no tempo (prazo de15 dias) e modo (petição autônoma) devidos acarreta
a presunção de veracidade, permitindo o julgamento, se for o caso, de procedência do pedido.
O juiz pode alterar o valor da causa de ofício.
Aula 13.05.10
SENTENÇA
É um ato solene, dada por escrito e que deve cumprir os requisitos previstos no art. 458:
Inciso I: relatório
Inciso II: fundamentação ou motivação.
Lembre-se que o juiz é livre para apreciar a prova, mas deverá especificar na sentença os fatos,
motivos e circunstâncias que lhe formaram o convencimento.
Na sentença, cabe ao magistrado apreciar os fundamentos jurídicos do pedido e da defesa, com
a finalidade de formar sua convicção. É ainda esse momento que o juiz vai explicitar seu
posicionamento com relação as preliminares que foram argüidas.
A falta de motivação (art. 93, IX da CF) acarreta a nulidade da sentença.
Processo de Conhecimento - Norma 21
Inciso III: dispositivo – é a parte final, a conclusão da sentença, onde o juiz resolverá as questões que
lhe foram submetidas. É o momento em que o pedido será julgado procedente, improcedente ou
parcialmente procedente. Nesta fase, cabe ao juiz também fixar a sucumbência (art. 20 e 21 – quem
perder pagará de 10% a 20% sobre o valor da causa).
Note: O juiz julga o pedido e não a ação.
A falta de decisão ou do dispositivo acarreta também a nulidade da sentença.
A sentença deve ser clara, certa e precisa. A falta desses requisitos enseja a propositura dos
embargos de declaração (art. 535). O prazo para a propositura dos embargos é de 5 dias.
Cabem embargos de declaração no caso de: omissão, contradição e obscuridade.
O art. 128 e 460 deixa claro que o magistrado deve ater-se aos limites do pedido (ultra petita –
além do pedido, citra ou infra petita – aquém, menos do pedido, extra petita – fora do que foi pedido).

► Fatos posteriores ou supervenientes à propositura da ação


A petição inicial pode ser emendada a qualquer tempo. Entretanto, se a emenda ocorrer após a
citação, o réu deverá ser novamente citado acerca dos termos do aditamento (art. 264 e 294).
Recorde-se que o art. 303 refere-se a matérias/defesas que podem ser apresentadas
posteriormente à contestação.
Para que o juiz considere na sentença essas matérias, deve ocorrer o seguinte:
I. Que essas matérias/defesas tenham ocorrido após a propositura da ação;
II. Que essas matérias/defesas possam influenciar o julgamento da demanda, da ação.

Veja-se que o art. 128 permite que o juiz conheça de ofício matérias de ordem pública.

► Publicação e intimação da sentença


Registre-se que ao prolatar a sentença o juiz cumpre o ofício jurisdicional.
Os efeitos da sentença somente serão produzidos após a publicação (a publicação serve para:
dar ciência e permitir o início da contagem do prazo – art. 242, §1°, 236, 238).
Prolatada a sentença em audiência, as partes saem dela intimadas, passando o prazo a ser
contado a partir do primeiro dia útil imediato/subseqüente (art. 184).

► Efeito da publicação
Por meio da sentença, o juiz presta a tutela jurisdicional.
Publicada a sentença, o juiz não mais poderá se retratar. Todavia, algumas situações admitem a
modificação da sentença pelo mesmo juiz que a prolatou (art. 463).
O inciso I do art. 463, refere-se a erros materiais (erro de soma, troca do nome das partes).
O inciso II do art. 463, trata da retificação da sentença por meio do recurso de embargos de
declaração (Uma das peculiaridades desse recurso é que ele será examinado pelo mesmo órgão
judiciário que prolatou a decisão – art. 535).
Os embargos de declaração interrompem o prazo para oferecimento de outros recursos. O prazo
é comum para as partes.
O art. 296 refere-se a outra exceção com referência a modificação da sentença pelo mesmo juiz
que a proferiu (trata-se do juízo de retratação) ou “reforma” da decisão.

É importante salientar que ao proferir sentença o juiz declara qual é o direito aplicável a espécie.
A sentença deve corresponder ao tipo de ação apresentada em juízo. Assim, a sentença pode
ser, considerado o processo de conhecimento: declaratória, condenatória ou constitutiva.

Algumas sentenças não transitam em julgado (alimentos – porque a situação do alimentante e


do alimentado pode mudar a qualquer momento, ação civil pública, quando julgada improcedente).

DA COISA JULGADA
Ao proferir a sentença o juiz encerra a atividade jurisdicional. Eventual recurso, ao ser apreciado,
modificará o resultado da sentença, mas saliente-se que será prolatada nova decisão (acórdão).
O fenômeno processual denominado coisa julgada compreende a imutabilidade dos efeitos da
decisão (art. 467).
A coisa julgada forma-se nas seguintes situações:
I. Quando todos os recursos cabíveis foram apresentados e julgados.
II. Quando a parte deixou de apresentar os recursos devidos.
Aula 20.05.10
Processo de Conhecimento - Norma 22
► Preclusão: refere-se a impossibilidade de se praticar o ato processual em face do decurso do
prazo.
Preclusão máxima: ocorre quando em face da sentença não cabe mais qualquer tipo de
recurso.
As sentenças definitivas são aquelas que provocam a extinção da demanda com resolução do
mérito (art. 269). Nesse caso, torna-se necessária a interposição de recurso, sob pena de se operar a
coisa julgada.
A sentença terminativa é aquela que encerra a ação sem resolução do mérito, fato que
permite a repropositura, atentando-se para a perempção (art. 268, parágrafo único). Perempção
é matéria de defesa, pode ser utilizada na preliminar de contestação. Para fazer prova: cópia da
petição inicial, sentença e trânsito em julgado. A única forma de cindir (restringir, destruir) a coisa
julgada é através da ação rescisória.

► Limites da coisa julgada


Limites objetivos: são fixados de acordo com o pedido e a causa de pedir (art. 282, IV). Os
limites do pedido são fixados de acordo com o pedido do autor.
A imutabilidade dos efeitos da decisão atinge somente a parte dispositiva da sentença, ficando
excluído desse efeito (imutabilidade) o raciocínio desenvolvido pelo magistrado quando da verificação
das provas e dos fatos alegados ao longo da ação.
Elementos subjetivos da sentença: são fixados pelas partes, na medida em que estas
correspondem aquele que pede ou contra quem se pede alguma coisa em juízo. Diz respeito as partes
que participarem da demanda.

A coisa julgada não pode beneficiar ou prejudicar terceiros (art. 472).

O art. 469 relaciona as situações que não fazem coisa julgada:


I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da
sentença;
Il - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença;
III - a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo.
A ação declaratória incidental é utilizada quando há ...., cabendo ao autor requerer que o juiz se
manifeste expressamente sobre o fato.
O inciso III do art. 469 refere-se a questão prejudicial decidida incidentemente no processo.
Lembre-se que as partes (art. 5 e 325) podem requerer que o juiz manifeste-se expressamente sobre
toda e qualquer questão que possa vir a atingir o mérito.
Não fazem coisa julgada:
I – os motivos mesmo que importantes para determinar a decisão;
II – a verdade dos fatos, considerada como fundamento da sentença;
III – a questão prejudicial, que foi decidida de forma incidente no processo.

AÇÃO RESCISÓRIA (art. 485)


A ação rescisória (é ação de conhecimento) corresponde a única maneira possível para
conseguir a anulação da sentença, ou seja, a cisão da coisa julgada
Trata-se de ação submetida aos requisitos previstos no art. 282.
Competência: essa ação deve ser proposta perante o órgão superior à aquele que proferiu a
decisão.
O art. 485 relaciona as situações que admitem a propositura da ação rescisória.
Prazo: 2 anos contados da data do trânsito em julgado, contados da data da sentença de mérito
objeto da ação rescisória.
A ação rescisória não pode ser proposta contra sentença terminativa, somente pode ser
proposta contra sentença de mérito.
As situações mencionadas no art. 485 são taxativas, não admitindo outras hipóteses.
A ação rescisória é ação de conhecimento, declaratória. Nessa medida, previstas audiências de
conciliação e de instrução e julgamento.
Admite-se a produção de provas documentais, periciais, depoimento das partes, testemunhais,
etc.
A decisão prolatada a final deixará claro que a decisão rescindenda (a que foi objeto da
decisória) fica sem efeito.
Processo de Conhecimento - Norma 23
NÃO CAI NA PROVA – COISA JULGADA E AÇÃO RESCISÓRIA

Processo de Conhecimento - Norma 24