Sie sind auf Seite 1von 66

CLARIANA SOUSA GELINSKI

CONTENÇÃO FÍSICA E QUÍMICA EM CERVÍDEOS DE


CATIVEIRO.

Monografia apresentada ao instituto


Qualittas de pós-graduação, como
requisito parcial à obtenção do título
de Pós-graduante em Medicina
Veterinária, Orientador: Profº.
MV.MSc,PhD Luis Fernando Fiori
Castilho.

Brasília

Abril de 2008
DEDICATÓRIA

A Deus, pela oportunidade da vida e do saber e a todas as pessoas


que de alguma forma me ajudaram.
AGRADECIMENTOS

A Deus, pois sem ele nada faria sentido, e sem ele nada existiria.

Ao instituto Quallitas de Pós-graduação, pela oportunidade de realizar este


curso.

À minha família pela atenção e prestigiar todos os momentos da minha


formação profissional.

Ao meu cão Lully, pelo amor, afeto, lealdade e pelos ensinamentos que
inspiram toda essa trajetória, e me ensinaram a amar e respeitar os animais, e
enxergá-los com os olhos do coração.

Ao Professor Castilho, por ter me aceito como aluna e por todos os


conhecimentos que me foi passado durante a realização deste trabalho, e em
outras jornadas de trabalho.

Àos meus queridos amigos Tiago Carpi, Mariza Papa, Camila Guimarães e
Eleonora Erbesdobler pelo carinho, companheirismo, por nossas conquistas
juntas e pelo apoio e compreensão nos momentos mais difíceis na realização
deste trabalho.

À Fundação Jardim Zoológico de Brasília - Jardim Zoológico de Brasília pela


oportunidade de realizar um trabalho muito gratificante e representativo na
busca da conservação e pesquisa de animais silvestres e ameaçados de
extinção.

Aos tratadores do Zoológico pela troca de experiência, carinho, amizade e pelo


ótimo trabalho de equipe que realizamos juntos.

Ao Sr. Raul Gonzalez Acosta pelo apoio e palavras amigas que jamais
esquecerei.

Aos animais por serem o sentido que moveu toda minha fé e determinação
para trabalhar em prol da conservação e buscar uma vida melhor para eles e
consequentemente para nós.
SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS............................................................................................1

RESUMO.............................................................................................................2

1.INTRODUÇÃO..................................................................................................3

2.REVISÃO DA LITERATURA.............................................................................4

2.1.Características de cervídeos.........................................................................4

2.2. Importância do estudo de contenção física e química em cervídeos de


cativeiro...............................................................................................................5

2.3. Estresse........................................................................................................6

2.4.Miopatia por captura(MC)..............................................................................7

2.5. Planificação com antecedência..................................................................10

2.6.Recintos.......................................................................................................12

2.6.1.Cercas.......................................................................................................13

2.6.2.Vegetação.................................................................................................14

2.6.3.Áreas de contenção..................................................................................14

2.6.4.Cambiamento............................................................................................16

2.6.5.Corredores de Manejo..............................................................................17

2.6.6.Bretes de contenção.................................................................................17

2.6.7. Solarium...................................................................................................17

3.Captura...........................................................................................................18

3.1.Alguns métodos de captura em cervídeos...................................................18

3.1.1.Redes de direcionamento (Drive Net).......................................................18

3.1.2.Rede de armação rápida..........................................................................20

3.1.3. Rede de armação rápida por veículo.......................................................21

3.1.4.Redes levantadas (“Jump Nets”)..............................................................22


3.1.5.Redes de arremesso.................................................................................23

4. Armadilhas.....................................................................................................23

4.1. Cevas..........................................................................................................23

4.2. Currais........................................................................................................24

5. Contenção......................................................................................................24

5.1. Contenção física.........................................................................................24

5.1.1. Uso de redes............................................................................................24

5.1.2.Uso de cordas...........................................................................................25

6.Contenção química.........................................................................................28

6.1. Derivados Diazepínicos..............................................................................29

6.1.1. Diazepam.................................................................................................29

6.1.2.Midazolam.................................................................................................30

6.2. Neurolépticos..............................................................................................31

6.2.1.De curta duração......................................................................................32

6.2.1.1.Acepromazina........................................................................................32

6.2.1.2. Azaperone.............................................................................................33

6.2.2. De média duração....................................................................................34

6.2.2.1.Haloperidol.............................................................................................34

6.2.2.2. Enandato de ferfenazina.......................................................................35

6.2.3. De longa duração (NLD)..........................................................................35

6.2.3.1. Haloperidol decanoato..........................................................................37

6.3.Drogas sedativas e imobilizantes................................................................37

6.3.1. Cloridrato de Etorfina...............................................................................37

6.3.2. Citrato de Carfentanil...............................................................................38

6.3.3. Cloridrato de Xilazina...............................................................................38


6.3.4. Detomidina...............................................................................................40

6.3.5. Cloridrato de Quetamina..........................................................................40

7. Associação de drogas....................................................................................41

7.1.Cloridrato de Tiletamina + Zolazepan..........................................................41

7.2. Quetamina + Xilazina +Atropina.................................................................42

7.3. Quetamina + Detomidina + Atropina...........................................................43

8. Antagonistas..................................................................................................44

8.1. Cloridrato de Ioimbina.................................................................................44

8.2. Atipamezole, Idazoxan, Tolazolina.............................................................44

8.3. Flumazenil...................................................................................................45

8.4. Sulfato de atropina......................................................................................45

9. Zarabatanas...................................................................................................46

10. Dardos.........................................................................................................47

11. Injeção com bastão aplicador......................................................................48

12. Projetores remotos.......................................................................................49

13. Discussão....................................................................................................50

14. Conclusões..................................................................................................52

15. Bibliografia...................................................................................................53
Lista de figuras

Página

Figura 01. Veado campeiro se jogando na rede armação rápida 20

Figura 02. Veado contido manualmente após o choque com a rede 21

Figura 03. Rede de contenção 22

Figura 04. Animal sendo capturado 22

Figura 05. Animal contido 22

Figura 06. Nó de laço simples (bowline) 26

Figura 07. Nó boca-de-lobo 26

Figura 08. Nó volta-do-fiel 26

Figura 09. (A) Nó direito; (B) Nó de correr; (C) Nó direito alceado 26

Figura 010. Nó-não-corrediço 28

Figura 011. Contenção química 29


RESUMO

A contenção física e química de cervídeos em cativeiro é de extrema


importância para a manutenção segura desses animais e da equipe técnica
que está envolvido nesse procedimento. A criação de animais em cativeiro se
torna fundamental no esforço conservacionista, uma vez que, além de
proporcionar uma oportunidade única para o desenvolvimento de programas de
educação ambiental, constitui uma importante reserva genética que em um
futuro próximo poderá ser manejada em conjunto com as populações silvestres
e também oferece condições para o desenvolvimento de pesquisas, muitas
vezes impossíveis de serem conduzidas em animais de vida livre. O objetivo
desse estudo foi verificar as técnicas mais adequadas e seguras para realizar
essas contenções preservando a integridade física dos animais e
consequentemente obter uma planificação de procedimentos mais eficaz.
Coletou-se dados demonstrando que para se obter uma contenção de
cervídeos de forma rápida, eficiente e com sucesso é necessário ter desde
uma boa estrutura física das instalações nas instituições até uma equipe
técnica bem treinada. A grande maioria dos animais selvagens mantidos em
cativeiro, em algum momento da sua vida, precisa ser contida e anestesiada.
Porém muitas vezes torna-se um episódio perigoso e difícil se comparado ao
manejo das espécies domésticas. Os cervídeos são animais reconhecidamente
sensíveis aos efeitos do estresse, sendo comum advirem acidentes
traumáticos, sérios problemas cardio-respiratórios e notadamente distúrbios
metabólicos graves, como a acidose e a miopatia de captura.
1.INTRODUÇÃO

Atualmente muitas espécies de mamíferos do Brasil e do mundo estão


ameaçadas de extinção. Os cervídeos, que fazem parte deste grupo de
animais ameaçados, estão reduzindo em função da destruição e redução do
seu habitat, provocado pela atividade agropecuária e urbanização, assim como
a ocorrência do tráfico de animais silvestres. Deste modo, tem-se como
fundamental importância para a conservação, a manutenção destes animais
em cativeiro, principalmente em Zoológicos e Criadouros Conservacionistas.
A grande maioria dos animais selvagens mantidos em cativeiro, em
algum momento de sua vida, precisa ser contida e anestesiada, por uma
variedade de razões, tais como: transporte, exames, tratamentos, recaptura de
animais ferozes, animais fugitivos dos recintos e etc. Porém muitas vezes
torna-se um episódio perigoso e difícil se comparado ao manejo das espécies
domésticas.
Atualmente, a captura de animais vivos está voltada principalmente para
a necessidade do manejo em zoológicos e fazendas de criação, e a
conservação de populações ou indivíduos em vida livre que necessitem de
operações como translocação e pesquisa científica (Clark & Jessup, 1992; Day,
1987).
Os cervídeos são animais reconhecidamente sensíveis aos efeitos do
estresse, sendo comum advirem acidentes traumáticos, sérios problemas
cardio-respiratórios e notadamente distúrbios metabólicos graves, como a
acidose e a miopatia de captura (Fowler, 1986).
Durante os últimos 20 anos, as técnicas de captura física de animais na
natureza tem sido aperfeiçoadas consideravelmente para pequenos, médios e
grandes cervídeos, utilizando desde cevas e iscas para atração para
armadilhas fixas, até currais ou redes de espera para onde os animais são
direcionados, sendo aí capturados física ou quimicamente (Jones, 1983).
O presente trabalho foi conduzido com o objetivo de relatar os principais
métodos de captura, contenção física e química em cervídeos de cativeiro,
métodos esses que são muito utilizados no manejo destas espécies visando
sempre a segurança tanto do animal como da equipe envolvida, o bem-estar
animal e um manejo bem sucedido.
2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Características de cervídeos.

Os cervídeos (família Cervidae) pertencem à ordem Artiodactyla, que se


caracteriza pela presença de cascos que recobrem totalmente os quatro dedos,
sendo que somente dois deles se apóiam no solo. São ruminantes (subordem
Ruminantia), possuindo quatro compartimentos estomacais (rumem, retículo,
omaso e abomaso), regurgitando e remastigando várias vezes o seu alimento.
Como todos os ruminantes, apresentam ausência de incisivos superiores, com
molares constituídos por quatro cúspides em forma de meia-lua (selenodontes)
(Dias, J.L. Catão et al., 2006).

Os machos possuem chifres, estruturas ósseas maciças que se


desenvolvem a partir de processos permanentes do osso frontal, recobertos
por pele, que se denominam pedúnculos. A parte basal dessas estruturas é
denominada de roseta, a partir da qual se desenvolvem os chifres. Quase
todos os cervídeos apresentam chifres, à exceção dos animais do gênero
Moshus e da espécie Hydropotes inermis, nos quais existem, nos machos, um
desenvolvimento dos caninos superiores (Tomas, W.M.; BeccaceciI, M.D.;
Pinder ,L.; 1997).

Na maioria dos cervídeos, os chifres são renovados todos os anos e, em


sua fase de crescimento, são recobertos por uma pele (velame), que tem a
função de depositar cálcio na matriz óssea do chifre. Após o chifre atingir o
tamanho ideal, a irrigação do velame é interrompida, fazendo com que essa se
desprenda do chifre, auxiliada pela abrasão que o animal realiza contra
arbustos e árvores (Dias, J.L. Catão et al., 2006).

A maioria das espécies brasileiras dá origem a somente um filhote por


parto, sendo raros os casos de gêmeos, com exceção da espécie veado-de-
cauda-branca (Odocoileus virginianus), em que partos gemelares são mais
freqüentes que simples. Ao nascer, eles possuem pintas brancas distribuídas
pelo corpo, com exceção do cervo- do- pantanal (Blastocerus dichotomus), que
nasce com pelagem uniforme, semelhante à do adulto. As pintas são perdidas
na primeira muda de pêlos, entre 2 e 4 meses (Tomas, W.M.; BeccaceciI, M.D.;
Pinder ,L.; 1997).

Os cervídeos têm uma grande variedade de glândulas odoríferas, que


funcionam como um sistema de comunicação entre os indivíduos de uma
mesma espécie. As principais são as metatarsais, tarsais, pré-orbitais, nasais e
as interdigitais. Todos os cervídeos têm o olfato, a audição e a visão muito
desenvolvidos (Dias, J.L. Catão et al., 2006).

No mundo existem 17 gêneros e 45 espécies de cervídeos (Walker,


1991), distribuídos na América, Europa, Ásia e norte da África. Eles tiveram
uma rápida radiação adaptativa durante o Pleistoceno (aproximadamente
2.500.000 m.a) na América do Sul, chegando a ocupar nichos ecológicos, que
em outros continentes como África, estão ocupados pelos bovídeos (Redford &
Eisemberg, 1984).

No Brasil existem hoje oito espécies reconhecidas: Blastocerus


dichotomus, Odocoileus virginianus, Ozotocerus bezoarticus, Mazama
americana, M.bororo, M.gouazoubira, M.nana e M.nemorivaga.

2.2. Importância do estudo de contenção física e química em cervídeos de


cativeiro.

A vida silvestre no mundo está declinando rapidamente. A destruição e


fragmentação de áreas naturais é um dos principais fatores responsáveis por
essa diminuição e tem como conseqüência a dificuldade na manutenção de
populações viáveis de espécies animais (Hutchins et al.,1991).

Neste contexto, a criação de animais em cativeiro se torna fundamental


no esforço conservacionista, uma vez que, além de proporcionar uma
oportunidade única para o desenvolvimento de programas de educação
ambiental, constitui uma importante reserva genética que em um futuro próximo
poderá ser manejada em conjunto com as populações silvestres e também
oferece condições para o desenvolvimento de pesquisas, muitas vezes
impossíveis de serem conduzidas em animais de vida livre (Conway, 1980).
Programas de manutenção, reprodução e pesquisa de espécies
ameaçadas vêm se disseminando e demonstrando sua importância na efetiva
conservação da biodiversidade. Esses programas têm como objetivos gerais a
organização dos grupos de animais em cativeiro, através de cruzamentos
orientados, padronização do manejo e estímulo à pesquisa (Gasparini et
al.,1997).

A manutenção em cativeiro de cervídeos é uma atividade complexa por


causa do estresse dos animais e da grande mortalidade decorrente dos
acidentes e erros de manejo. A reprodução dos cervídeos em cativeiro não é
difícil, mas sempre é superada pela mortalidade, quando um sistema adequado
de manejo não é instituído (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Torna-se frequentemente necessário capturar um animal para


tratamento médico ou para exames, antes que seja enviado a uma outra
instituição, para biometria, microchipagem ou outras técnicas de identificação,
sendo essencial, portanto, que todos os envolvidos com o manejo e que lidam
com esses animais sejam treinados em técnicas adequadas (Wemmer et al.,
2006).

Os animais selvagens são mais suscetíveis ao estresse e lesões que as


espécies domésticas, particularmente durante a captura, manejo, contenção
química e transporte. Procedimentos que aparentemente parecem simples,
como coleta de sangue ou exames físicos, podem causar angústia, agravando
o estresse (Dias, J.L.C. et al., 2006).

2.3. Estresse

O estresse é definido como um conjunto de reações do organismo frente


a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa dentre outros, capaz de
perturbar a homeostase (SELYE apud DINIZ, 1997). Também é conceituado
como síndrome geral de adaptação, ou seja, um conjunto de reações
sistêmicas não específicas que surge quando ocorre exposição do organismo a
agentes agressores, estando relacionado com a resposta imune do indivíduo. É
considerada situação estressante em cativeiro condições estranhas ao animal
como odores, sons de outras espécies, ruídos, presença do homem, clima,
diversidade e apresentação dos alimentos, separação mãe-filho, condição
social dominado-dominante, presença de predadores em recintos próximos,
contenção, injeção, medicamentos e, a frustração de não poder escapar do
cativeiro (FOWLER, 1986).

2.4 Miopatia por captura.

A miopatia por captura (MC) é uma síndrome gerada pelo intenso


esforço físico por um longo tempo, que geralmente leva a dor, rigidez
locomotora, incoordenação, oligúria e depressão seguida de morte. Essa
síndrome foi descrita inicialmente em bovídeos da África oriental.

É uma condição fisiopatológica descrita originalmente por Jarret &


Murray (1967), acometendo herbívoros selvagens na África oriental e
caracterizada por dor, rigidez locomotora, incoordenação, oligúria e depressão
seguida de morte.

Essas descrições provocaram o surgimento de sinônimos que buscavam


esclarecer características clínico-patológicas do processo. Termos como
miopatia do “stress”, doença do “stress”, polimiopatia, miopatia do transporte,
necrose muscular, doença do músculo branco, paresia espástica, necrose
muscular idiopática, rabdomiólise do exercício e miopatia transitória foram
utilizados (Bartsch et al., 1997). Porém, em 1978, diversos pesquisadores
reunidos em Washington, D.C., decidiram denominar este processo como
miopatia de captura (Spraker, 1980).

Além dos herbívoros silvestres, à MC já foi descrita em diversas


espécies de mamíferos e aves, incluindo primatas, pinepídeos, marsupiais,
bovinos, eqüídeos, canídeos, ovinos e flamingos (Chalmers & Barret, 1982;
Wallace et al., 1987).

Diversos fatores são tidos como predisponentes no surgimento da MC.


Aparentemente, altas temperaturas ambientais, associadas a elevada umidade
relativa do ar, parecem favorecer o surgimento de MC durante procedimentos
de captura (Harthoorn & Young, 1974; Lewis et al., 1977; Kocan et al., 1980;
Wallace et al., 1987).

A deficiência em vitamina E/selênio é tida por vários pesquisadores


como particularmente importante (Brady et al., 1978; Sprake, 1980 e 1993;
Chalmers &Barret, 1982).

Acredita-se que a sensação de medo desencadeie, por meio de ativação


do sistema nervoso e da liberação de catecolaminas, a “resposta simpática ao
estresse”, fenômeno caracterizado por diversas reações orgânicas, incluindo
hiperglicemia e aumentos do metabolismo celular, da glicogenólise muscular e
do tônus vascular, com conseqüente desvio sanguíneo para a musculatura
estriada esquelética (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Quando um animal é capturado, ocorre subitamente a interrupção da


atividade muscular esquelética e, dessa forma, o bloqueio de um processo
fisiológico conhecido como “bomba muscular”. Esse fenômeno é caracterizado
pela ação mecânica da contratura muscular sobre o plexo vascular, com
conseqüente expulsão do sangue dos leitos venocapilares. Dessa forma, tanto
o calor gerado pela atividade muscular é dissipado, como os subprodutos da
glicogenólise, em especial o ácido lático, são retirados do microambiente
muscular. A brusca interrupção da “bomba muscular” provoca, por um lado, o
acúmulo de ácido lático na musculatura e, por outro, a hipóxia decorrente da
estase de sangue venoso. Esses componentes, associados com a ausência de
mecanismos eficientes para a dissipação do calor, poderão acarretar em última
análise a morte celular (Dias, J.L.C. et al., 2006).

A morte dos miócitos causará extravasamento para o interstício, dentre


outras substâncias, de mioglobina e potássio, que serão captados pela
circulação sanguínea e distribuídos por todo o corpo. Porém, ambos os
componentes possuem, quando em elevadas concentrações plasmáticas,
ações deletérias sobre os locais específicos do organismo. Como
conseqüência, a mioglobina age como potente substância nefrotóxica,
induzindo, juntamente coma hipóxia decorrente da vasoconstrição mediana por
catecolaminas e pelo sistema nervoso simpático, a necrose aguda dos túbulos
contorcidos proximais e, dessa forma, pode acarretar ou colaborar com um
quadro de insuficiência renal aguda (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Por outro lado, o potássio tema capacidade de reduzir o potencial


elétrico das membranas das fibras cardíacas e, por essa via, impedir a
repolarização, contribuindo dessa forma para processos de fibrilação
ventricular e insuficiência cardíaca aguda (Dias, J.L.C. et al., 2006).

A MC pode ser subdividida em quatro categorias, levando-se em


consideração seus aspectos clínicos e patológicos: síndrome do choque de
captura; síndrome mioglobinúrica atáxica; síndrome do músculo rompido;
síndrome hieragudo-retardada (Dias, J.L.C. et al., 2006).

O diagnóstico da MC depende da correta interpretação das múltiplas


informações disponíveis, incluindo aquelas obtidas por meio de anamnese, dos
exames clínico-laboratoriais e da análise anatomopatológica dos animais
mortos. Também é importante ressaltar que, além da MC, outras formas de
miopatias acometem herbívoros selvagens, destacando-se dentre essas as
deficiências de vitamina E/selênio e as intoxicações por plantas como a Cássia
occidentalis e C. obtusifolia (Dias, J.L.C. et al., 2006).

O prognóstico dos animais acometidos por qualquer uma das formas de


MC é, geralmente, considerado de reservado a ruim. Apesar das diversas
abordagens terapêuticas, todos os animais acometidos de MC no National
Zoological Park (Washington, DC, EUA) entre 1975 e 1985, vieram a óbito
(Dias, J.L.C. et al., 2006).

O tratamento clássico preconizado é aquele dirigido para o controle da


hipoperfusão tecidual, incluindo fluidoterapia associada à administração de
diversas substâncias, tais como glicose, vitaminas C, E e do complexo B e
anticoagulantes. Corticóides devem ser utilizados com extrema moderação, em
decorrência da ação deletérica dessas drogas sobre os mecanismos de defesa
do hospedeiro (Dias, J.L.C. et al., 2006).

A profilaxia da MC compreende a adoção de medidas que contribuam


para a redução das condições estressantes, às quais os animais estão
expostos durante procedimentos de captura/imobilização. Dentre essas, a
composição de equipes bem treinadas e de métodos de captura adequados, a
adoção de horários que privilegiem os períodos mais frescos do dia e o
controle permanente da temperatura corpórea e do estado de hidratação do
animal podem ser importantes. A administração profilática no momento da
captura de vitamina E/ selênio e antibióticos é vista com certa restrição. Por um
lado, pelo fato da utilização do selênio pelos mecanismos celulares
antioxidantes não ser imediata, por outro, pelo risco crescente de seleção de
microorganismos resistentes (Dias, J.L.C. et al., 2006).

2.5. Planificação com antecedência.

Para se evitar estresse, angústias e situações de risco, o pessoal


envolvido no manejo deverá realizar planejamento minucioso antes de tocar no
animal, minimizando riscos durante o manejo (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Deve-se assegurar que todas as providências para minimizar os riscos


de traumas tanto para os tratadores como para os animais tenham sido
tomadas. Todas as pessoas envolvidas na captura de um animal devem saber
o que esperar dele, ao encontrar-se sob as circunstâncias incomuns de captura
e contenção (Duarte, J.M.B., 1997). O segredo do sucesso está na
compreensão da psicologia do animal (Wemmer et al., 2006).

Existe uma série de aspectos a serem observados:

• Determinar o grau de exposição prévia do animal a pessoas.


• Saber o sexo e a idade do animal a ser manejado. Em algumas espécies
as fêmeas são mais agressivas que os machos.
• Avaliar as condições físicas e psicológicas do animal.
• Conhecer a distância de luta da espécie.
• Saber se espécie a ser manejada é “territorialista”.
• Avaliar o terreno onde será realizado o manejo.
• Treinar as técnicas de contenção física e de tiro (rifle, pistola,
zarabatana).
• Conhecer a espécie que será manejada, incluindo comportamento,
reações ao estresse, habilidade de defesa e procedimentos físicos e
químicos adequados para a contenção.
• Considerar o motivo pelo qual o animal deve ser manejado, e se a
conduta é viável naquele momento.
• Verificar todo o material necessário e deixa-lo pronto para uso em local
de fácil acesso antes da captura.
• Restringir os procedimentos a serem adotados (é necessária apenas a
contenção física ou deverá ocorrer à contenção química simultânea? ).
• Escolher o melhor horário para realizar os procedimentos.
• Preparar com antecedência o recinto para a recuperação ou soltura do
espécime.
• Monitorar o animal durante a recuperação anestésica, introdução em
grupos ou ainda em recintos desconhecidos.
• Trabalhar com certa margem de segurança ao calcular doses,
minimizando efeitos cardiorrespiratórios indesejáveis.
• Ter sempre à mão fármacos e equipamentos para serem utilizados em
caso de acidentes ou emergências com animais ou membros da equipe.
• Trabalhar com uma equipe entrosada e com divisão de atribuições para
que o trabalho seja organizado e permita o máximo de informações
sobre o animal.

Mesmo tomando esses cuidados, ainda podem ocorrer mortes de


animais acidentes com o pessoal envolvido no manejo, cujo risco depende da
experiência e conhecimento das técnicas empregadas.

Em maior ou menor escala, todo animal oferece risco.

Portanto, todo animal, independentemente de tamanho, hábitos ou


situação, deve ser respeitado e tratado com todo cuidado. Mudanças de
comportamento com sinais de agressividade podem ser sinalizadas pelos
animais das seguintes formas:
• Posições elevadas da cauda, orelhas e olhos.
• Pêlos arrepiados.
• Urros, guinchos ou piados diferentes.
• Excitabilidade.
• Salivação excessiva (medo).
• Mostrar os dentes.
• Movimentação de escavar o chão (ruminantes) (Dias, J.L.C. et al.,
2006).

2.6. Recintos

Um bom recinto para cervídeos em cativeiro, deve oferecer três


princípios básicos:

1. Conforto, higiene e bem-estar animal;


2. Possibilidades de observação e contenção para fins de manejo;
3. Bem estar ao público observador, com um efeito educacional sobre os
mesmo.

A semelhança com o ambiente natural de ocorrência da espécie


proporciona uma melhor adaptação dos animais em cativeiro e ainda favorece
a educação ao público observador, que associa aquele indivíduo que o
sensibilizou aos demais que estão na natureza e que precisam ser
efetivamente protegidos. Existem diversos artifícios que podem ser utilizados
no desenvolvimento paisagísticos do recinto, que atendem diretamente a essas
necessidades, como o plantio de árvores e de um substrato verde (gramíneas)
(Hutchins et al., 1984).

Recintos para grupos nos quais é necessário um manejo intensivo não


devem ser muito grandes. Esse tamanho vai variar conforme o tamanho da
espécie e o número da formação de grupos. Um proporção razoável para 2 ou
3 indivíduos de um porte mediano varia de 900 a 1.500 m2. Vale a pena
ressaltar que animais muito ariscos ou vindos da natureza passarão por uma
prévia ambientação nos chamados “Bomas”, que são áreas pequenas, sendo a
cerca coberta com algum anteparo opaco, que não permite ao animal visualizar
o meio externo. Após a completa ambientação o animal poderá ser solto no
piquete propriamente dito (Hutchins et al., 1981).

Segundo (Duarte, J.M.B., 1997), o mais importante é ter acesso a


estruturas de contenção para as quais os animais possam ser conduzidos
calmamente e ainda formas de isolamento no caos de animais doentes, brigas,
partos dentre outros.

2.6.1. Cercas

Os cervídeos em geral não reconhecem a cerca como um obstáculo;


indivíduos com bastante tempo em cativeiro, costumam jogar-se
insistentemente contra a tela em situações de estresse, principalmente nos
cantos do recinto. Nesses episódios podem ferir-se gravemente, inclusive com
risco de fraturas cervicais e cranianas. Portanto, devemos minimizar os fatores
que ofereçam risco. Desta maneira:

• Os mourões de cerca, sejam eles de madeira ou concreto, devem


sempre se posicionar do lado externo do recinto, a fim de evitar choques
diretos;
• Os recintos devem ser construídos com os cantos arredondados, pois
isso evita que o animal insista em debater-se nesse local;
• Colocação de obstáculos visuais na cerca, com o intuito de oferecer uma
imagem visualmente mais fechada. Mesmo em zoológicos, isso pode ser
feito deixando um dos lados do recinto descoberto para que o público
possa observar os animais. Podem ser utilizados, tela sombrite com
75% de sombra, nas colorações preta ou prata, bambus, vegetação
seca (sapé) ou até mesmo cercas vivas. Estes podem ser utilizados
arbustos, algumas espécies de capim como elefante (Penissetum sp.) e
o colonião (Panicum maximum) (Duarte, J.M.B., 1997).

A cerca deve ter entre 1,80 e 2,20 metros de altura, mesmo para as
espécies de menor tamanho, para que os animais tentem pular. O material
ideal a ser utilizado é a tela de alambrado, que oferece bastante resistência
sem possibilidade de ferir o animal (Fradrich, H., 1987).
2.6.2. Vegetação

O recinto deve ter um substrato confortável para os animais, visualmente


agradável para o público e que possa ser controlado.

A utilização de gramíneas, como o coast-cross (Cynodon dactylon) e a


batatais (Paspalum mattatum), oferecem boas características para esse fim,
proporcionando um visual bonito ao recinto, são confortáveis para o
deslocamento e o descanso dos animais, seu crescimento é fácil de ser
controlado com podas periódicas e ainda oferecem uma alternativa alimentar
para os gêneros Blastocerus e Ozotocerus (Duarte, J.M.B., 1997).

Podem ser plantadas esparsamente no recinto moitas de leguminosas


para as espécies de hábito alimentar “browser”, ou seja, aquelas mais seletivas
que se alimentam basicamente de leguminosas.

Isso, além de complementar a alimentação dos animais, é uma maneira


de tentar normalizar o comportamento, distraindo-os e com isso diminuindo o
“stress” em cativeiro (Hutchins et al., 1984).

Devem ser oferecidos aos animais cativos muitas áreas sombreadas. Os


cervídeos tem se mostrado sensíveis a problemas de hipertermia e por isso
devem ser evitadas as exposições a temperaturas altas, principalmente em
momentos de “stress”. A existência de árvores no local é a alternativa mais
viável e mais natural para os animais, resolvendo plenamente o problema do
sombreamento do recinto (Foose, T.J., 1987).

2.6.3. Áreas de contenção

Os cervídeos são animais extremamente difíceis de serem manejados,


estressando-se com muita facilidade. Por esse motivo, devemos criar artifícios
que adaptem os animais a locais nos quais estes possam ser contidos com
facilidade. Para isso, a construção de baias, além se oferecer um abrigo, pode
auxiliar na contenção (Coetze, 1985).
As baias devem ser pequenas. Devem ser completamente fechadas e
cobertas, uma vez que em ambiente escuro os cervídeos permanecem mais
calmos. Os cantos devem ser arredondados para evitar ferimentos e o
acabamento das paredes liso, para evitar escoriações.

Para que os animais se adaptem às e as encarem como um local normal


dentro do recinto é aconselhável que a alimentação seja oferecida somente em
seu interior e também, se possível, que os animais sejam recolhidos à noite
dentro das baias (Duarte, J.M.B., 1997).

Os cervídeos, sendo animais herbívoros, necessitam de suplementação


com volumosos de boa qualidade. Tais alimentos devem ser oferecidos em
manjedouras onde o alimento possa se fixar, permitindo que os animais
utilizem os incisivos para apreender e cortar o alimento. Animais que não
utilizem os incisivos tem uma tendência ao amolecimento dos mesmos. A
manjedoura é sempre uma fonte de perigo, onde o animal pode e enroscar,
gerando frequentemente fraturas de membros e deslocamentos de vértebras
cervicais. Pra que isso não ocorra, é necessário que a manjedoura seja
confeccionada de forma que o animal não consiga introduzir a cabeça e
membros na mesma (Foose, T.J., 1987).

Sempre que for necessária a contenção de um animal na baia, a


manjedoura deve ser retirada.

A baia poderá ser utilizada, além do abrigo normal aos animais, para:

• Contenção química de um indivíduo. A baia poderá ter pequenas janelas


(20 X 10 cm), com acesso externo, de onde observadores possam atirar
dardos anestésicos através de armas ou zarabatanas. Uma vez
anestesiado o animal poderá ser manejado no próprio local, caso seja
um procedimento simples, ou então, transportado para o setor
veterinário.
• Quarentena: devido ao isolamento e à facilidade para higienização, se
não houver outra alternativa mais distante, a baia pode ser utilizada
para quarentena.
• Isolamento: caso não haja possibilidade de transferência de um
indivíduo doente para um setor veterinário isolado, a baia pode ser
utilizada para seu tratamento.
• Maternidade: a baia pode ser utilizada para o isolamento de fêmeas
gestantes próximo ao período de gestação.

2.6.4.Cambiamento

Na área de cambiamento deverão ser construídas baias individuais, para


que seja possível a separação de todos os animais. Isso possibilita um maior
controle do plantel. Os animais deverão permanecer o dia no recinto e de noite
serem levados ao cambiamento para alimentação e observação. Os cervídeos
neotropicais, em sua maioria, são crepusculares ou noturnos e terão maior
atividade durante a noite. Portanto, seria mais correto que os animais
permanecessem na área aberta durante a noite e no cambiamento durante o
dia, mas isso prejudicaria a visitação, no caso de zoológicos (Duarte, J.M.B.,
1997).

O cambiamento deve ser constituído por baias de alvenaria


semelhantes as que são utilizadas para eqüinos, com variação de tamanho
conforme a espécie que a ocupará. Para animais grandes como cervo-do-
pantanal recomenda-se 4m X 4m, enquanto para pequenos como Mazama ou
Pudu são recomendados 3m X 2m. A altura mínima das paredes das baias
deve ser de 2m, pois há a tendência de os animais pularem. As paredes devem
ser as mais lisas possíveis, o que evitará escoriações, no caso de os animais
se assustarem e se debaterem. O piso das baias deve ser de terra ou areia, ou
seja, não deve ser de cimento, pois além de isso imprimir um desgaste
excessivo aos cascos e pode propiciar acidentes, pois os animais escorregam
ao serem manejados (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Para que seja possível o recolhimento dos animais para as baias, é


necessário um sistema de corredores que conduza-os do piquete às baias.
Esses corredores também devem ser de alvenaria, mas se forem de tela,
devem possuir um sistema de proteção visual das telas, evitando que os
animais se atirem contra a mesma durante o manejo.
2.6.5. Corredores de Manejo

Os corredores de manejo são estruturas simples que facilitam muito o


manejo dos animais e possibilitam o uso de uma mesma estrutura de manejo e
brete de contenção por todos os recintos.

Através desse mecanismo bastante simples, podem ser feitas


transferências para diferentes recintos, troca de indivíduos, condução para área
clínica, local para anestesia, para brete de contenção e para transporte, sem a
necessidade de anestesiar animais, evitando-se assim, riscos desnecessários
(Dias, J.L.C. et al., 2006).

2.6.6. Bretes de contenção

Atualmente vem sendo desenvolvidos e utilizados, na África e nos


Estados Unidos, bretes de contenção para o manejo de cervídeos em cativeiro.
São utilizados bretes que restringem o espaço do animal, impedindo que ele se
debata (Duarte, J.M.B., 1997).

Ao contrário do que se imagina, os cervídeos respondem bem a esse


tipo de “stress”, principalmente porque, apesar de intenso, é bastante rápido
devolvendo em poucos minutos o animal à sua calma, proporcionando plena
recuperação (Hutchins et al., 1984).

Desta maneira, esse tipo de contenção deve ser utilizado apenas para
procedimentos rápidos, como vacinações, teste de tuberculina, coleta de
sangue, vermifugação e tratamento de ectoparasitos (Duarte, J.M.B., 1997).

2.6.7. Solarium

Conjugados às baias, é aconselhável a construção de pequenos


solariuns que são como mini recintos e que são extremamente úteis caso um
animal precise ficar mais tempo isolado, como no caso de partos, brigas entre
indivíduos exigindo separação e animais com doenças não contagiosas (Dias,
J.L.C. et al., 2006).

3. Captura
Os cervídeos são animais reconhecidamente sensíveis aos efeitos do
estresse, sendo comum advirem acidentes traumáticos, sérios problemas
cardío-respiratórios e notadamente distúrbios metabólicos graves, como a
acidose e a miopatia de captura ( Fowler, 1986).

Segundo Fowler (1978), quatro fatores devem ser considerados ao


selecionarmos uma técnica de captura:

1. Ela será segura para quem vai manejar o animal? (animais silvestres
podem infringir graves, às vezes fatais, injúrias);
2. Ela proverá o máximo de segurança para o animal?
3. O método de captura será totalmente viável de ser implantado?
4. Constante observação e atenção podem ser dadas ao animal até ele
estar plenamente recuperado dos efeitos da captura física ou química?

Uma vez que esses fatores tenham sido previamente analisados, então
uma técnica adequada pode ser selecionada (Duarte, J.M.B., 1997).

No Brasil, poucos trabalhos sobre captura de cervídeos foram


desenvolvidos. As espécies de várzea (cervo-do-pantanal) e de campo (veado-
campeiro) têm sido as mais estudadas, pela facilidade de captura e
visualização. A maioria dos métodos de captura se baseia no uso de redes
para contenção dos animais (Duarte, J.M.B., 1997).

3.1. Alguns métodos de captura em Cervídeos.

3.1.1 Redes de Direcionamento (Drive Net)

São redes posicionadas em locais pré-definidos onde se espera que o


animal passe após algum estímulo ou que seja conduzido até a mesma.

As redes de nylon ou polietileno são as mais universalmente


empregadas para capturar cervos fisicamente. Existem diversas maneiras d
como elas podem ser dispostas, dependendo das características do animal, da
topografia e da vegetação: como um “I” , linearmente, ou em forma de “J”, ou
“L”ou ainda em “V” (Duarte, J.M.B., 1997).
Suas dimensões variam, mas elas geralmente devem ser longas, com
altura de 2,5 a 3 metros, mesmo com espécies menores, para que um eventual
excesso de rede fique junto ao chão devidamente preso e forme um “saco” no
momento em que o animal entrar nela, evitando também que ele passe por
baixo (Charity et al., 1989).

O comprimento total pode ser de 30 até 300 metros ou mais, mas redes
contínuas com mais de 80 metros devem ser evitadas, simplesmente pelo peso
e volume excessivo que elas representam, difíceis de transportar.

O buraco da malha vai depender do animal a ser capturado, indo desde


5 cm até 30 cm (Charity et al., 1991).

Segundo a literatura, idealmente a malha deve permitir que a cabeça e


os membros possam passar, mas não o corpo (Kock et al., 1987; Pienaar,
1973).

O animal pode ser conduzido até a rede por pessoas a pé, no caso dos
animais em cativeiro (Charity et al., 1989).

Em qualquer condição é importante que se possa avaliar o grau de


excitação do cervo, e um tempo limite de condução deve ser estabelecido para
não deixa-lo exausto.

A outra parte da equipe, pelo menos duas pessoas para cada veado,
deve se posicionar atrás da rede, para conter o animal imediatamente após sua
queda, para evitar que ele se machuque tentando escapar. Animais tem um
apurado sentido de olfato que parece ser exacerbado durante a captura. O
cervídeo deve ser vendado tão logo se tenha acesso a ele, além de atado com
peias e cintas de couro enquanto se fazem os procedimentos necessários, que
podem ser pesagem, marcação, medições e coletas de material (Clark &
Jessup, 1992). Cervídeos de maneira geral suportam bem curtos períodos de
contenção física; se um manuseio ou transporte mais prolongado precisa ser
feito, anestesia completa deve ser feita (Duarte, J.M.B., 1997).
3.1.2 Rede de Armação Rápida

Esse método foi utilizado para captura de veado-campeiro e veado-


catingueiro em áreas de campo, cerrado aberto e Pantanal. Para esse
procedimento são utilizadas redes de polipropileno preto com malha de 20cm,
com 100m de comprimento por 2,5m de altura (Duarte, J.M.B., 1997).

Nesses manejos utilizando redes, é importante que se possa trabalhar


com redes negras que são menos visualizadas pelos animais.

O trabalho com redes brancas possibilita que os animais as visualizem à


grande distância, dando tempo a eles de fugirem entre os condutores (Charity
et al., 1991).

O índice de perda de veados-campeiros por fraturas está em torno de


15%. Geralmente, os problemas de fraturas são gerados por erros na armação
da rede, que não se desprende dos ferros de suporte, provocando um grave
impacto do animal (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Fig. 01 – Veado campeiro se jogando na rede de armação rápida


Fig. 02 – Veado contido manualmente após o choque com a rede

3.1.3 Rede de Armação Rápida por Veículo

Este método foi idealizado para a captura do veado-campeiro (Duarte,


1992), que habita áreas abertas e portanto de fácil acesso para um veículo. O
método utiliza uma rede de polipropileno preta com malha de 20 cm, com 100
m de comprimento por 1,80m de altura.

Após a visualização do animal, o veículo circunda o mesmo em raios


cada vez menores até que atinja seu de ponto de fuga, que é percebido pelo
comportamento de inquietação à presença do veículo. Após a determinação da
distância de trabalho, o veículo pára e a equipe desce pelo lado oposto ao
animal, e nessa posição as pessoas iniciam a montagem da rede, que é
armada sobre ferros de 1/8’’, com uma dobra em sua extremidade. A armação
da rede é feita sob a proteção do veículo para que o animal não a perceba
(Duarte, J.M.B., 1997).

Após a montagem da rede em forma de semicírculo ao redor do animal,


o veículo continua seu trajeto, deixando os membros da equipe, o menos
evidente possível, no sentido oposto à rede. Com isso, faz-se um círculo,
formado de um lado pela rede armada e de outros pelas pessoas,
permanecendo o animal no centro. A partir daí as pessoas se levantam e
pressionam ao animal para a rede, contra a qual ele se choca, ficando
imobilizado sendo contido manualmente pela equipe. Em seguida, é procedida
a aplicação intravenosa de sedativos e analgésicos, culminando com a perda
da consciência do animal (Hutchins et al., 1984).

Esta técnica tem se mostrado eficiente, tanto no Pantanal como no


cerrado aberto. Em situações de fuga de animais em cativeiro, onde a área de
evasão for muito ampla, esta estratégia também torna-se útil e pode ser
utilizada como um plano de emergência. No Pantanal, obteve-se uma eficiência
de aproximadamente 50%, ou seja, de cada 10 armações de rede, 5 animais
eram capturados. Este nível decresce em áreas de cerrado para uma faixa de
25%, dependendo da facilidade de visualização do animal e do seu nível de
amansamento (Dias, J.L.C. et al., 2006).

3.1.4. Redes Levantadas (“Jump Nets”)

Um sistema usado com sucesso na Nova Zelândia, baseia-se na


colocação de redes estendidas no chão, que são levantadas rapidamente
por cordas, molas ou manualmente. Se plástico opaco é usado junto com à
rede, o animal sente-se como em um sólido curral (Duarte, J.M.B., 1997).

Fig. 03 – Rede de contenção Fig. 04 – Animal sendo capturado.

Fig. 05 – Animal contido


3.1.5 Redes de Arremesso

Esse sistema utiliza lançadores de rede, posicionados no chão ou na


carroceria de veículos. Baseia-se em uma caixa adaptada com sistema de
detonação (pólvora ou Co2) que aloja uma rede e contrapesos arremessados
contra um ou mais animais. Permite a captura de animais que vivem em grupos
(mamíferos herbívoros e aves), ao quais devem ser atraídos para uma área
aberta, oferecendo-se alimentos (ceva). Uma vez agrupados na área de
abrangência da rede (deve ser testada previamente), efetua-se o disparo. Uma
vez capturados, os animais são retirados da rede (Duarte, J.M.B., 1997).

As redes podem também ser usadas para cobrir o animal durante a


contenção físico-química. A vantagem desse sistema de proteção; e evitar o
uso de cordas para amarrar os membros do espécime contido, porém
dependendo do tamanho da rede (deve ser o suficiente para cobrir todo o
animal), o peso do equipamento dificulta seu uso (Dias, J.L.C. et al., 2006).

4. Armadilhas.

4.1. Cevas

A ceva pode ser tentada em situações onde não existe premência de


tempo para realizar a captura, pois depende muito de fatores que não são
fáceis de controlar. Baseia-se no princípio de atrair o animal, por sua própria
necessidade de alimento, convívio social ou reprodução, a um local onde ele
terá seu espaço restringido por um curral, uma caixa ou uma rede (Duarte,
J.M.B., 1997).

É necessário um bom conhecimento dos hábitos e demais itens da


biologia da espécie, para que se saiba empregar as “iscas” mais atrativas.
Vários itens tem sido usados para atração, como água, frutas (maçãs, pêras),
sal grosso, feno, plantas nativas, e leguminosas tenras (Howard & Engelking,
1974, Papez & Tsukamoto, 1970).

Essências provenientes dos próprios animais podem ser utilizados,


como a urina de fêmeas no cio ou produtos de glândulas de cheiro. Pedersen
(1977) atraiu cervos durante o verão mediante o uso de essências de anis e sal
comum (Duarte, J.M.B., 1997).

4.2.Currais

Existem várias formas de currais com possibilidades de uso para


cervídeos, feitos com redes de nylon, troncos de madeira roliços, telas de
arame, plástico opaco, tábuas ou chapas de madeira (Pienaar, 1973; Clark
& Jessup, 1992; Jones, 1983). Geralmente seu formato é o de um funil que
leva a espaços mais estreitos, separados entre si (para facilitar o manejo),
até uma área onde o animal pode ser conduzido até uma caixa e
transportado, ou então capturado mover manualmente ou quimicamente. A
altura da cerca não deve ser menor do que 2m, mas pode medir até 3m
para animais menores e ágeis, como os do Gênero Mazama e Ozotoceros
(Duarte, J.M.B., 1997).

5. Contenção

A grande maioria dos zoológicos sul-americanos não possui locais


adequados ao manejo de ungulados silvestres, e este fato é realmente o maior
problema (Hutchins et al., 1984).

Chegamos então à conclusão de que é mais importante podermos


contar com um local adequado de manejo do que nosso laçador mais
habilidoso, ou a droga mais eficiente que possamos ter à mão (Dias, J.L.C. et
al., 2006).

Seja ela física ou química, é preciso que se tenha consciência de que o


momento da contenção é o mais perigoso para o animal e para a equipe.
Assim toda a cautela e o cuidado na preparação nunca são excessivos.

5.1. Contenção física

5.1.1. Uso de redes

Estas podem ser do tipo “de espera”, jogadas com a mão, ou ainda sob
a forma de grandes puçás. Tais redes devem ser resistentes (polipropileno, fio
3/16”a 1/4"), largas e compridas o suficiente para cobrir (ensacar) o animal.
Normalmente são usadas logo após uma saída por onde o animal passa
sempre, ou ao longo da cerca do recinto (Karsten, 1974). Em cervídeo
pequenos, como o veado-catingueiro, é frequente e eficiente o uso dos puçás
grandes:operados por um tratador ágil, procura-se dar ao animal a impressão
que o caminho está livre, mas assim que o cervo tenta escapar coloca-se a
rede na sua frente com um movimento rápido. Esse método envolve riscos
para todos, pois implica em contenção manual (Duarte, J.M.B., 1997).

5.1.2. Uso de cordas

Apesar de frequentemente usado não é um sistema recomendável,


pelos riscos que oferece ao animal e à equipe. Consiste de uma ou mais
pessoas hábeis no manejo de laços de corda postadas em locais próximos a
passagem do animal, por onde são conduzidos por outras pessoas até a
captura (Karsten, 1974). O risco de enforcamento sempre existe, além de
lesões mais graves, como fraturas de pescoço (Dias, J.L.C. et al., 2006).
Se não recomendadas para a captura inicial, entretanto, as cordas são
largamente usadas em muitos processos de manipulação de animais, tais
como a contenção física de membros de cervídeos, ou durante a colocação
destes em caixas de transporte ( Fowler, 1978).
As técnicas de contenção física com cordas são semelhantes às utilizadas
em animais domésticos. Pode-se afirmar que as cordas não funcionam sem os
nós, e algumas características devem ser observadas:

• Os nós que são feitos, reduzem em torno de 50% a resistência das


cordas.
• Não existe um nó que sirva para todo tipo de trabalho.
• Uma vez feito o nó, ele deve apresentar uma certa “estética”. Forma
definida e sem cordas retorcidas ou sobrepostas.
• Um bom nó de mão deve ser fácil de desfazer, e seguro para realizar o
trabalho.
Segundo Fowler, variações do nó quadrado de cirurgia são usadas em
muitos aspectos do trabalho em corda. A amarra de cadarços de sapato é uma
variação do nó quadrado, sendo usada com freqüência em restrição de
movimentos, pois pode ser rapidamente desatada (Dias, J.L.C. et al., 2006).

O nó de laço (bowline) é o nó universal de contenção animal, sendo a base


para muitos nós especializados. Sua vantagem é a segurança, contudo permite
ser desatado facilmente apesar da pressão exercida sobre ele (Dias, J.L.C. et
al., 2006). Sugere-se outros tipos de nós de mão que podem ser utilizados
durante a contenção física:

• Boca-de-lobo: utilizado para ancoragens rápidas.


• Volta-do-fiel: também utilizado em ancoragens, tem a desvantagem de
deslizar sob trações extremas (acima de 400kg) e, por ser estrangulante,
é desaconselhável utilizá-lo para amarrar membros, principalmente o
pescoço.
• Nó direto: utilizado para emendar duas cordas de mesmo diâmetro.
• Nó de correr: feito com uma laça para apertar sempre que for puxado.
• Nó direito alceado: permite ser desfeito rapidamente ao se puxar uma
das alças, que desfaz o nó.
• Nó não-corrediço, nó-de-porco ou peia: muito utilizado em contenções
físicas de grandes animais domésticos, quando um animal deve ser
estirado, restringindo seus movimentos. Pode ser facilmente desatado.
Primeiro, o nó volta-do-fiel é colocado em uma das patas. A seguir, é
dada uma laçada com a outra ponta da corda ao redor dos dois
membros e é posicionado entre os pés, acima do nó volta-do-fiel. O
segmento da corda que foi enrolado nos membros é ancorado em forma
de anel (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Fig. 06 – Nó de laço simples (bowline). Fig. 07 – Nó boca - de - lobo.


A

Fig. 08 – Nó volta – do – fiel. C

Fig. 09 – (A) Nó direito; (B) Nó de correr; (C) Nó direito alceado.

Fig. 010 – Nó- não- corrediço.


6.Contenção Química

As contenções usadas para acalmar (tranqüilizantes) e capturar


(imobilizantes) animais são similares àquelas usadas na prática humana. Essas
drogas e suas combinações atuam em diversos pontos do cérebro produzindo
calma, depressão (sedação), perda da sensação dolorosa (analgesia) e a
completa perda da consciência (anestesia) (Clark & Jessup, 1992).

Essas drogas, quando usadas durante a captura, transporte e soltura de


cervídeos facilitam o trabalho e permitem um manuseio mais seguro.

Harthoorn (1976) sugere uma série de atributos ideais aos quais uma
droga ou uma associação de drogas deveriam preencher o mais amplamente
possível. Baseado nisso, o profissional da área pode melhor escolher o agente
ou a mistura que mais se adapta à sua rotina de trabalho. Os atributos são:

1. Ter larga margem se segurança;


2. Ser adequado para a maioria das espécies;
3. Apresentar rápida indução;
4. Manter as funções fisiológicas inalteradas;
5. Ter alta concentração e não ser irritante;
6. Ser facilmente solúvel em água e, portanto, miscível com outros
componentes, e ser estável por longo período;
7. Sua ação ser facilmente revertida;
8. Ser facilmente encontrada no comércio com um preço razoável.

Com base no exposto acima, e uma vez escolhido o melhor agente para
uma determinada situação, devemos calcular com extremo cuidado as
quantidades a serem injetadas, seja por qual via for (Duarte, J.M.B., 1997).

O volume a ser aplicado pode ser calculado através de uma fórmula


simples:

Peso do animal (kg) X dose (mg/kg)

-------------------------------------------------------------- = dose em ml

Concentração (mg/ml)
Todos os dados relativos à sedação ou anestesia deverão ser anotados
em fichas próprias, para que estes dados possam ser utilizados em contenções
futuras (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Fig. 011 – Contenção química

6.1. Derivados Diazepínicos

6.1.1.DIAZEPAM (Diempax, Usafarma. Valium, Roche. Diazepam, diversos).

Apresentação: comprimidos com 2,5 e 10 mg. Ampolas com 10mg/2 ml.


Indicações: usado como pré-anestésico e para acalmar animais antes do
transporte, para reduzir “stress” e exaustão de captura, ou para facilitar a
adaptação a novos ambientes, pode ser administrado via oral, via intramuscular
(IM) e intravenoso (IV).

Farmacocinética: Os benzodiazepínicos são prontamente absorvidos pelo


trato gastrointestinal. A injeção intramuscular (IM) provoca absorção irregular e
o risco de formação de precipitados. O uso intravenoso é bastante difundido,
em particular, na pré-anestesia e no controle de convulsões (Spinosa et
al.,1999).

A distribuição é ampla por todo o organismo, atravessam a barreira


hematoencefálica e alcançam concentrações fetais semelhantes às maternais.
Ligam-se intensamente às proteínas plasmáticas (Spinosa et al., 1999).

Ação Farmacológica: o produto atua no sistema límbico e produz efeitos


ansiolíticos, bem como sedação e uma condição de hiporreflexia, dependendo
da dose e sensibilidade individual. Tem uma grande atuação reduzindo a
agressividade, não interferindo muito com a atividade motora; é usado também
como anticonvulsivante e encontra especial aplicação com dissociativos que
podem induzir esses efeitos colaterais, particularmente a quetamina. Após a
injeção, o efeito começa a se manifestar em 15 minutos e pode se prolongar
até por 10 horas. Por via oral os efeitos começam geralmente aos 45 minutos,
prolongando-se até 24 horas. O produto tem grande margem de segurança e
grandes sobredoses não costumam causar a morte (Duarte, J.M.B., 1997).

Doses: Via Intramuscular/ Venosa:...0,5 a 1,5 mg/ Kg

Via Oral- 1,0 a 10 mg/ Kg

Antagonista: Flumazenil ( Lanexart, Roche)

6.1.2.MIDAZOLAM (Dormonid, Roche)

Apresentação: ampolas de 3 ml com 5 mg/ml e de 5 ml com 1 mg/ml. O


midazolam produz efeitos comuns às outras benzodiazepinas, como por
exemplo efeitos sedativos, hipnóticos, anticonvulsivantes, amnésicos e
miorrelaxantes (Pieri et al, 1981), diferindo do diazepam pela sua
hidrossolubilidade , rápido início de ação, período hábil curto e rápida
eliminação (Vinik, et al, 1983). É duas vezes mais potente do que o diazepam,
e um terço menos tóxico. Como as outras benzodiazepinas, produz seus
efeitos clínicos por ação depressora do sistema límbico, sem depressão cortical
(Dundee & Haslet, 1970), inibindo a captação do GABA em sinapses centrais.
Pode produzir apnéia transitória logo após a administração. Uma grande
vantagem consiste em poder ser misturada a drogas hidrossolúveis, e assim
ser mais facilmente usada em dardos, aumentando sua utilização na
imobilização em cervídeos (Duarte, J.M.B., 1997).

Farmacocinética: Os benzodiazepínicos são prontamente absorvidos pelo


trato gastrointestinal. A injeção intramuscular (IM) provoca absorção irregular e
o risco de formação de precipitados. O uso intravenoso é bastante difundido,
em particular, na pré-anestesia e no controle de convulsões (Spinosa et
al.,1999).
A distribuição é ampla por todo o organismo, atravessam a barreira
hematoencefálica e alcançam concentrações fetais semelhantes às maternais.
Ligam-se intensamente às proteínas plasmáticas (Spinosa et al., 1999).

Antagonista: Flumazenil (Lanexat, Roche)

6.2.Neurolépticos

Drogas que exercem um efeito calmante, reduzindo a ansiedade sem


provocar acentuado relaxamento e perda do sensório.

As drogas neurolépticas são psicotrópicos, usadas em psiquiatria humana,


e recentemente vem sendo incorporadas ao manejo da fauna silvestre,
principalmente na África. Segundo Blumer (1991), estas drogas são capazes
de diminuir a ansiedade, a atividade motora e moderar a excitação. Elas tem
sido usadas sobretudo para ungulados silvestres, proporcionando:

• Alteração de comportamento
• Indiferença do animal às condições ambientais.
• Aumento da tolerância à presença humana.
• Redução de atitudes agressivas e dominantes.
• Redução de auto-injúrias.

Para obtenção de melhores resultados, quando se deseja uma


tranquilização prolongada, os neurolépticos podem e devem ser administrados
de maneira combinada, utilizando-se simultaneamente os de curta, média e
longa duração, tornado-se complementares (Duarte, J.M.B., 1997).

O uso de neurolépticos jamais deve servir para diminuir a qualidade do


manejo ou encorajar descuidos com relação à ocorrência de “stress” nos
animais. Os neurolépticos devem sempre ser usados com precaução, e a
subdosagem deve ser preferida ao risco de superdosagem, devido aos efeitos
sedativos ou às reações extrapiramidais. Estes efeitos podem se manifestar
por hiperatividade, ansiedade, fraqueza muscular, dor articular, torcicolo,
opistótono, movimentos espasmódicos, tremores, movimentos repetitivos e
incontroláveis da língua, lábios e boca (Duarte, J.M.B., 1997).

6.2.1.De curta Duração (derivados Fenotiazinicos e Butirofenonas)

Neurolépticos de duração relativamente curta tem sido usados com


sucesso no manejo de ungulados, por muitos anos. Entretanto, essas drogas
tem seu valor limitado, devido ao curto efeito residual, que dura apenas alguma
horas. Os agentes mais comuns são descritos:

6.2.1.1.ACEPROMAZINA (Acepran, Univet)

Apresentação: frasco ampola de 10 ml a 10 mg/ml.

Farmacocinética: Os benzodiazepínicos são prontamente absorvidos pelo


trato gastrointestinal. A injeção intramuscular (IM) provoca absorção irregular e
o risco de formação de precipitados. O uso intravenoso é bastante difundido,
em particular, na pré-anestesia e no controle de convulsões (Spinosa et
al.,1999).

A distribuição é ampla por todo o organismo, atravessam a barreira


hematoencefálica e alcançam concentrações fetais semelhantes às maternais.
Ligam-se intensamente às proteínas plasmáticas (Spinosa et al., 1999).

Ação farmacológica: é um potente derivado fenotiazínico, que atua como


tranqüilizante ao deprimir a atividade cortical cerebral. Altas doses em
cervídeos podem causar sonolência e relaxamento muscular, especialmente
naqueles muito mansos. Possuem atividade antiemética, hipotensiva e
hipertérmica. Doses clínicas produzem efeitos por cerca de 4-6 h, mas doses
mais elevadas produzem efeitos mais prolongados.

Indicação: geralmente são usados na pré-anestesia, em associações com


outras drogas para otimizar a imobilização, particularmente se o relaxamento
muscular é desejável (Duarte, J.M.B., 1997).
Precauções: reações tóxicas podem ocorrer se animais estão com
hipertermia, devido à interrupção de mecanismos de dissipação de calor. Não
aplicar via IV em animais excitados, podendo provocar morte súbita.

Doses: Via Intramuscular/Venosa:...0,1 a 0,5 mg/Kg

Antagonistas: Não existe nenhum específico (Fowler, 1978; Hall & Clarke,
1987).

6.2.1.2.AZAPERONE (Strenil, Johnson & Johnson).

Esta amina terciária pertencente à série das butirofenonas tem tido uso
mais freqüente em suínos domésticos como um sedativo ou pré-anestésico.

Quando aplicado sozinho, tem efeitos evidentes após 15 min, com um pico
aos 30 min, durando em cerca de 2 a 6 horas, às vezes podendo ter efeito
residual de até 36 horas. Em cervídeos, o azaperone sozinho não tem potência
suficiente para exercer um marcado efeito sedativo, mas, quando associado,
tem mostrado eficiência em reduzir os efeitos adversos no sistema cárdio-
circulatório causados pelos opiáceos, junto com os quais foi empregado com
sucesso na imbilização de mamíferos selvagens africanos. Esta droga tem
demonstrado suprimir a resposta ejaculatória usual à estimulação elétrica,
portanto deve ser evitada em procedimentos para o estudo de parâmetros
reprodutivos. (Young, 1973; Jones, 1983).

Farmacocinética: Os benzodiazepínicos são prontamente absorvidos pelo


trato gastrointestinal. A injeção intramuscular (IM) provoca absorção irregular e
o risco de formação de precipitados. O uso intravenoso é bastante difundido,
em particular, na pré-anestesia e no controle de convulsões (Spinosa et
al.,1999).

A distribuição é ampla por todo o organismo, atravessam a barreira


hematoencefálica e alcançam concentrações fetais semelhantes às maternais.
Ligam-se intensamente às proteínas plasmáticas (Spinosa et al., 1999).
Dose para leve sedação: Via IM/IV..........0,5 a 2,5mg/kg.

Antagonista: Não existe nenhum específico.

6.2.2.De Média duração

Os agentes desse grupo tem efeitos farmacológicos durante 12 a 24


horas.

6.2.2.1.HALOPERIDOL (Haldol, Janssen)

Apresentação: comprimidos de 1 e 5 mg, gotas com 2 mg/ml, ampolas de 1 ml


injetável, a 5 mg/ml). O lactato de haloperidol é um neuroléptico muito utilizado
em medicina humana como antipsicótico, sendo a droga de escolha no
tratamento emergencial de agitação e agressão psicomotora de qualquer
origem, principalmente por seu efeito rápido, espedificidade e pequena
alteração na termorregulação e ritmo cardíaco (Duarte, J.M.B., 1997).

Hoffmeyer ( 1981) conduziu um estudo relatando excelente resultado em


gazela Antidorcas marsupialis, que, com uma dose de 0,25 mg/kg, se tornou
excepcionalmente calma e tratável, durante cerca de 12 horas, não ficando
assustada significativamente durante exame físico e coleta de sangue. Ainda
que não reportado em ruminantes, existem evidências de que o haloperidol
seria efetivo por via oral, na dose de 1,0 mg/kg. Em cervídeos, o haloperidol é
eficiente na redução da ansiedade. Agressão e no estresse de captura e
transporte (Duarte, J.M.B., 1997).

Farmacocinética: Os benzodiazepínicos são prontamente absorvidos pelo


trato gastrointestinal. A injeção intramuscular (IM) provoca absorção irregular e
o risco de formação de precipitados. O uso intravenoso é bastante difundido,
em particular, na pré-anestesia e no controle de convulsões (Spinosa et
al.,1999).

A distribuição é ampla por todo o organismo, atravessam a barreira


hematoencefálica e alcançam concentrações fetais semelhantes às maternais.
Ligam-se intensamente às proteínas plasmáticas (Spinosa et al., 1999).
Doses: IM-0,1 a 0,3 mg/kg

Efeitos colaterais de natureza extrapiramidal, tais como torcicolo,


opistótono, hiperreflexia, mastigação, disfagia e parkinsonismo tem sido
observados após administração de altas doses, que usualmente se dissipam
com a interrupção do tratamento (Duarte, J.M.B., 1997).

Não existe antídoto específico, mas efeitos colaterais podem ser


controlados com doses únicas ou repetidas de 10-20 mg de Akineton, Knoll
(Edebes & Burroughs, 1989).

6.2.2.2.ENANTATO DE FERFENAZINA (Trilafon)

O enantato de ferfenazina, do grupo das fenotiazinas, tem sido usado


extensivamente como protocolo para a translocação de várias espécies,
produzindo aparente indiferença a locais não-familiares, redução da atividade
psicomotora, indiferença a pequenos estímulos dolorosos e diminuída resposta
a situações ameaçadoras, tudo isso sem sedar o animal moderando seu
comportamento. Os efeitos se iniciam em 15 a 30 minutos, durante 12 horas
(Duarte, J.M.B., 1997).

Farmacocinética: Os fenotiazepínicos são prontamente absorvidos pelo trato


gastrointestinal. A injeção intramuscular (IM) provoca absorção irregular e o
risco de formação de precipitados. O uso intravenoso é bastante difundido, em
particular, na pré-anestesia e no controle de convulsões (Spinosa et al.,1999).

Doses: Via IM-0,1 a 0,5 mg/Kg

Os efeitos colaterais incluem hiperexcitação e prolongado prolapso de


pênis. Não existe antídoto específico.

6.2.3.De longa duração (NLD)

São produtos desenvolvidos e usados primariamente na medicina


humana, em pacientes psicóticos e esquizofrênicos, reduzindo a hostilidade,
deprimindo a atividade motora e moderando a excitação (Ayd, 1975 e 1978). O
uso dessas drogas como uma ajuda para amansamento, adaptação e
treinamento de animais silvestres é um conceito relativamente novo (Clark &
Jessup, 1992).

Basicamente, as maiores aplicações para os NDL são:

• Facilitar, tanto aos animais da vida livre como aos de cativeiro, a


adaptação a novos recintos, por reduzir ansiedade e agressão;
• Acalmar animais antes e durante o transporte e recolocação;
• Controlar animais agressivos e dominantes, especialmente machos;
• Acalmar animais durante hospitalização e tratamento.

As formulações dos neurolépticos de longa duração consistem em ésteres


de ácidos graxos dos compostos básicos (fenotiazínicos), que são dissolvidos
em óleos vegetais e medicinais, resultando em uma lenta liberação da droga
deverá ser preferencialmente intramuscular profunda, com agulha de calibre
adequado à excessiva viscosidade (Duarte, J.M.B., 1997).

A grande vantagem dos NDL baseia-se na sua facilidade de posologia, pois,


dependendo do produto, os efeitos após uma única injeção podem demorar de
1 a 3 dias para ter início, podendo se manter por 14 a 30 dias.

De acordo com Edebes (manuscrito), o pioneiro que introduziu o uso de


neurolépticos de longa duração em mamíferos africanos silvestres, essa classe
de drogas tem apresentado efeitos significativos durante transporte terrestre ou
aéreo, para a adaptação de animais a novos habitats, diminuindo
consideravelmente a mortalidade durante esses processos, que antes do
advento dessas drogas era muito alta (Edebes, 1991).

Novas formulações de NDL estão sendo desenvolvidas e estudadas,


visando conceber rápido e prolongado efeito, com menor sedação e/ou efeitos
extrapiramidais.
6.2.3.1.HALODERIDOL DECANOATO (Haldol Depot, Jansen, 50 mg/ml)

Os efeitos farmacológico se iniciam em 24-48 horas, podendo durar


aproximadamente 30 dias (Duarte, J.M.B., 1997).

Doses: 1,0 a 4,5 mg/kg.

6.3.DROGAS SEDATIVAS E IMOBILIZANTES

6.3.1.CLORIDRATO DE ETORFINA (M99, Immobilon)

Provoca depressão dos centros respiratórios e da tosse, diminuindo a


motilidade gastrintestinal, e induz alterações no comportamento (Clark &
Jessup, 1992).

A droga possui a propriedade altamente indesejável de produzir a


estimulação do SNC antes de sua depressão, resultando em um estado
excitatório, marcado por deambulação, tremores e convulsões, razão porque
sempre está associado a um tranqüilizante ou sedativo, como a acepromazina,
azaperone ou a xilazina (Hall, 1987; Harthoorn, 1973).

Em razão de sua extrema eficácia em baixos volumes, tem sido


extensivamente usada para a imobilizacão de grandes ungulados africanos,
como elefantes, rinocerontes, girafas, zebras e hipopotámos.

O produto não está disponível na América do Sul, mas pode ser


importado da Europa e África do Sul, aonde ainda é comercializado.

Além de ser um narcótico, estando sujeito a uma extensa lista de


exigências legais para sua guarda e uso, seu manuseio requer cuidados muito
especiais, pois o produto pode ser absorvido pela pele e causar a morte caso
não seja aplicado o antídoto imediatamente (Duarte, J.M.B., 1997).

Por essa e outras razões, a etorfina está sendosubstituída por outras


drogas mais seguras e modernas.
Doses (médias) IM-0,5 mg/500kg

Antagonistas: Cloridrato de diprenorfina (Revivon), e o Cloridrato de naloxone


(Narcan).

6.3.2.CITRATO DE CARFENTANIL

O carfentanil tem um espectro similar ao da morfina, mas é de 15 a 20.000


vexes mais potente. O produto é tido como bastante satisfatório como um
agente imobilizante para uma grande variedade de animais silvestres,
especialmente cervídeos.

A analgesia dura pro um prolongado período de tempo, e extremos de


temperatura devem ser evitados, bem como prolongada perseguição ou
qualquer outra atividade que aumente a temperatura corporal. A aplicação de
agentes sedativos como a xilazina pode ajudar a reduzir a incidência da
excitação e proporcionar uma recuperação suave. Os efeitos colaterais são
raros, mas podem acontecer taquicardia, taquipnéia, excitação durante
indução, regurgitação, espasmos musculares, opistótonos, sialorréia, e
retardada renarcotização (Duarte, J.M.B., 1997).

Igualmente a etorfina, o produto é muito controlado, por normas bastante


rígidas, mas poderia ser importado.

Doses para cervídeos (IM): 0,005 a 0,02 mg/kg.

A imobilização ocorre de 2 a 10 minutos. Animais excitados requerem


doses maiores (Duarte, J.M.B., 1997).

Antagonistas: Cloridrato de diprenorfina (Revivon), e o cloridrato de naloxone


(Narcan).

6.3.3.CLORIDRATO DE XILAZINA (Rompum, Bayer. Copazine, ICI Usafarma.


Kensol, Konig).

Apresentação: Frasco ampola de 10 ml com 20 mg/ml.


Indicações: Como agente sedativo, analgésico e relaxante muscular.

Ação Farmacológica: a droga possui forte efeito sedativo e analgésico por


atuação no S.N.C. (estimulando a liberação da noradrenalina no receptor Alfa 2
adrenérgico), produzindo relaxamento muscular por inibição de transmissão do
impulso nervoso; ocorre bradicardia, taquipnéia e hipotensão. Há ocorrência de
moderada sialorréia, abaixamento da cabeça, ptose palpebral e labial e
relaxamento do pênis (Duarte, J.M.B., 1997).

Farmacocinética: Após a administração pelas vias parenterais, a xilazina é


rapidamente distribuída pelos vários tecidos, em particular o SNC, e
biotransformada. Os ruminantes são mais sensíveis aos efeitos da xilazina e
especula-se que isto seja conseqüência da atividade de um ou mais
metabólitos ativos formados por estas espécies animais. A principal via de
eliminação é a retal (Spinosa et al., 1999).

A droga tem sido usada sozinha ou preferencialmente com narcóticos ou


agentes dissociativos, o que marcadamente aumente seus efeitos, podendo
melhorar a reversibilidade da combinação (Kock et al., 1989).

Durante a fase de indução, deve-se evitar ao máximo qualquer tipo de


estímulo, caso contrário a droga pode não agir totalmente.

Os efeitos começam entre 1 e 15 min., atingindo o máximo em 15 a 30


min., durando cerca de 2 horas (Duarte, J.M.B., 1997).

Precauções: Sobredoses podem causar profunda depressão cardio-


respiratória e morte. Há riscos de timpanismo se ruminantes são deixados em
decúbito lateral.

Doses: Intramuscular/ Venosa: 0,5 a 3 mg/Kg.

Antagonistas: O cloridrato de ioimbina provoca rápida e freqüentemente


completa recuperação da sedação pela xilazina.
6.3.4.DETOMIDINA (Domosedan, Ciba-Geigy)

Apresentação: frasco ampola de 5 ml, com 10 mg/ml.

Indicações: usado comumente em eqüídeos domésticos para pré-anestesia e


pequenas cirurgias, tem sido usada também para sedação e para facilitar
transporte, em alguns ungulados silvestres (Duarte, J.M.B., 1997).

Farmacocinética: Após a administração pelas vias parenterais, a xilazina é


rapidamente distribuída pelos vários tecidos, em particular o SNC, e
biotransformada. Os ruminantes são mais sensíveis aos efeitos da xilazina e
especula-se que isto seja conseqüência da atividade de um ou mais
metabólitos ativos formados por estas espécies animais. A principal via de
eliminação é a retal (Spinosa et al., 1999).

Ação farmacológica: provoca sedação, analgesia e relaxamento muscular.


Apesar de atuar nos mesmos receptores da xilazina e ser 10 vezes mais
potente, a detomidina aparentemente interfere menos nos parâmetros
fisiológicos. O efeito se inicia em 1 a 5 minutos e dura em média 1 hora. Tem
sido mais utilizada em associações farmacológicas sinérgicas, com a
quetamina (Duarte, J.M.B., 1997).

Precauções: ocorrência de hipertemia tem sido associadaà detomidina em


ungulados silvestres.

Doses: IM/IV-100-250 µgr/Kg.

Antagonistas: Cloridrato de ioimbina, idazoxan, tolazolina.

6.3.5.CLORIDRATO DE QUETAMINA ( Ketalar, Park-Davis)

Apresentação: frasco-ampola de 10 ml, a 50 mg/ml.

Indicações: usado para anestesia e imobilização, com curto período de


indução e efeitos. Possui grande margem de segurança.
Efeitos: o produto induz à chamada “anestesia dissociativa”, na qual os
reflexos estão presentes com um aparente estado de consciência, porém com
perda das reações normais e agressivas. Pode ocorrer salivação, controlada
com atropina; não ocorrem grandes alterações na freqüência respiratória nem
cardíaca. O animal usualmente retem o reflexo palpebral e laríngeo, o que evita
a aspiração de ingesta para a traquéia. A quetamina produz rigidez muscular, e
o nistagmo pode ser verificado. Pode ser usada sozinha, mas é mais comum
sua associação com seu parceiro clássico, a xilazina, ou ainda com
tranqüilizantes, para controle de seus efeitos indesejáveis. Em ungulados, o
retorno costuma ser bastante agitado, o que pode provocar hipertermia. Após a
injeção intramuscular, os efeitos começam a aparecer em 3 a 4 minutos,
através de incoordenação e decúbito, que dura de ½ a 1 hora (Duarte, J.M.B.,
1997).

Precauções: podem ocorrer convulsões, controladas pelo Diazepan. Não


expor animais a extremos de temperatura, pois a quetamina inerfere com o
sistema de termo-regulação.

Doses para cervídeos: Intamuscular/Venosa: 5 a 20 mg/Kg.

Antagonistas: Não existe nenhum específico. Em situações de emergência


pode-se tentar o cloridrato de ioimbina (Fowler, 1986).

7.Associações de drogas

Para cervídeos podemos usar algumas associações de modo a tornar a


imobilização mais eficiente, mais segura e menos volumosa, potencializando as
qualidades isoladas das drogas.

7.1.Cloridrato de Tiletamina + Zolazepan ( Zoletil, Virbac)

Apresentação: Liofilizado em frasco-ampola com diluente de 5 ml, ficando


com uma concentração de 50 mg/ml.

Indicações: Usado para anestesia cirúrgica e imobilização.


Efeitos: A tiletamina causa uma anestesia dissociativa, enquanto o zolazepan
é um ansiolítico, miorrelaxante, anticonvulsivante e ansiolítico. Pode ser
utilizado por via IM ou IV, sendo que por esta última a indução é rápida
(inferior a 30 segundos).

Se for necessário manter o plano anestésico por mais tempo, meias


doses podem ser reaplicadas, mas isso geralmente aumenta o tempo de
retorno, pelo acréscimo de fração tranqüilizante do composto. Por essa razão,
algumas pessoas costumam complementar com quetamina. O tempo de
retorno é dose-dependente, e costuma ser tranqüilo (Duarte, J.M.B., 1997).

Precauções: excessiva salivação pode ser controlada por sulfato de atropina.


Raras reações incluem rigidez muscular, tremores, vocalização, recuperação
prolongada, vômitos, apnéia, cianose e taquicardia.

Doses para Mazama sp IV: 4 a 15mg/Kg (Pachaly, 1992)

Duração do efeito varia de 20 a 90 minutos. Podem ser necessárias doses


subseqüentes via IV, porém usando a metade da dose inicial.

Antagonistas: Não existe nenhum específico.

7.2.QUETAMINA + XILAZINA +ATROPINA

Associação usada a mais de 30 anos com bons resultados, ainda continua


eficiente, barata e segura. Ao serem associadas e aplicadas por via IM ou IV,
essas drogas apresentam um evidente sinergismo, isto é, a soma de seus
efeitos combinados é bem maior do que seus efeitos isolados. O animal
apresenta uma rápida indução a analgesia, pela ação da quetamina, e uma boa
sedação e relaxamento muscular, efeitos da xilazina (Duarte, J.M.B., 1997).

A quetamina é absorvida em cerca de 3 a 5 min., eliminada aos 30 a 45


min., enquanto que a xilazina é absorvida em 15 a 30 min., e eliminada em 120
min.

Essa diferença entre a absorção e a eliminação entre essas drogas é


bastante boa, pois permite um retorno tranqüilo. Como todos são cloridratos,
podem ser concentradas em estufa e misturadas entre si, podendo ser
estocadas sem perda de efeito.

A imobilização pode ser mantida por muito tempo, através de injeções


adicionais de metade da dose inicial de quetamina.

Doses Via Intramuscular: Quetamina- 5 a 10 mg/Kg, Xilazina- 0,5 a


1,5mg/Kg, Atropina- 0,05 mg/ Kg.

Clark & Jessup (1992) tem usado uma proporção de quetamina:xilazina de


5:1 com muito sucesso na captura de cervídeos norte –americanos,
eventualmente chegando a usar também a relação de 10:1.

Para cervídeos sul-americanos, de porte menor e metabolismo mais


acelerado, existe a necessidade de uma relação de pelo menos 8 a 10:1 para
uma boa imobilização.

Antagonista: Nessa associação, o cloridrato de ioimbina também pode ser


usado, mas também pode ser usado, mas atua antagonizando somente a
xilazina, permitindo que a quetamina predomine, provocando um retorno
agitado. Por essa razão, recomenda-se esperar cerca de 30 a 45 minutos, para
que a maior parte de quetamina se metabolize, antes de aplicar a ioimbina
(Duarte, J.M.B., 1997).

7.3.QUETAMINA + DETOMIDINA +ATROPINA

Esta combinação tem sido usada em cervídeos com bons resultados


(Nunes, 1989; Charity et al., 1991), através de dardos ou seringas manuais.
Sua vantagem consiste no menor volume e diminuição dos efeitos colaterais.

Doses intramuscular: Quetamina- 5 a 8 mg/Kg; Detomidina 100 µgr/Kg e


Atropina 0,05 mg/Kg.

Antagonistas: é válido o mesmo procedimento descrito para a associação


quetamina + xilazina + atropina.
10.ANTAGONISTAS

10.1.Cloridrato de Ioimbina

Apresentação: A droga é disponível no mercado e preparada por farmácias


de manipulação. Assim, sua apresentação pode variar, mas a mais
comumente usada é de ampolas de 2 ml, com 3 mg/ml. Existe uma
apresentação comercializada no EUA, de nome “Antagonil” (Wildlife
Pharmaceuticus, Inc), que eventualmente pode ser importada.

Ação farmacológica: é um bloqueador não sintético dos receptores centrais e


periféricos alfa 2 adrenérgicos. A ioimbina é responsável pela excitação do
sistema nervoso central, provocando elevação da pressão sanguínea e dos
batimentos cardíacos. Pode ser aplicada via intravenosa ou intramuscular. Em
um animal de decúbito lateral completo, após a injeção endovenosa nota-se
uma imediata elevação da freqüência e profundidade respiratória, uma
progressiva tomada de consciência, notada pelo tremor das orelhas e piscar
dos olhos, seguida pelo decúbito esternal e estação. Tudo isso pode ser tão
rápido como 30 segundos, como também pode demorar alguns minutos
(Nunes, 1991). Em média, o anestesista deve estar preparado para retorno
entre 2 a 5 minutos.

Os alces, e alguns indivíduos de outras espécies de cervídeos, podem


não responder satisfatoriamente à ioimbina.

Doses: podem variar desde 0, 125 mg/Kg até 0,9 mg/Kg. Como média temos
usado com bom resultado, a dose de 0,3 a 0,5 mg/Kg.

8.2. Atipamezole ( Antisedan, Farmos), Idazoxan, Tolazolina.

São todos potentes e altamente seletivos antagonistas competitivos aos


adreno-receptores centrais e periféricos α2, sendo usados para reverter efeitos
da xilazina, detomidina e medetomidina, com um mínimo de efeitos
cardiovasculares colaterais (Spinosa et al., 1999).
O atipamezol é um potente antagonista competitivos de α 2-
adrenoceptores de rápida absorção, atingindo concentração máxima após 10
minutos. É altamente efetivo para reverter os efeitos dos agentes agonistas de
α2-adrenoceptores, como a medetomidina e a xilazina, bem como quando estes
estão associados à quetamina ou à tiletamina (Spinosa et al., 1999).

8.3. Flumazenil ( Lanexat, Roche)

Apresentação: ampolas de 3 ml.

Ação farmacológicas: a droga foi sintetizada da sedação, apnéia e


relaxamento muscular induzido pelos benzodiazepínicos. É virtualmente isenta
de efeitos farmacológicos se administrada sozinha, o que não acontece com
outros antagonistas (Duarte, J.M.B., 1997).

Doses: 0,6 a 3,0 mg/Kg.

8.4. Sulfato de atropina

Droga parassimpaticolítica, que atua basicamente na musculatura lisa


dilatando as vias respiratórias, estabilizando o batimento cardíaco, diminuindo
a salivação, o suor, as secreções gástricas e pulmonares, e a motilidade
gástrica. Seu efeito bloqueador do nervo vago induz a taquicardia. Sua maior
eficiência está relacionada com sua capacidade em diminuir a excessiva
secreção das glândulas salivares pela ação da quetamina e tiletamina. É
comumente usada como medicação pré-anestésica na prevenção do estímulo
reflexo vagal (braquicardia colinérgica) no coração durante a indução. Apesar
de indicações em contrário (Clark & Jessup, 1992), tem-se usad0 a atropina em
conjunto com agonistas alfa 2, como a xilazina e a detomidina, com o objetivo
de controlar os conhecidos efeitos bradicardizantes destes.

Doses: IM, IV, VO- 0,04 mg/Kg.

A resposta à atropina acontece de 1 a 15 minutos, dependendo da via de


aplicação. A atropina é considerada parte da medicação pré-anestésica
clássica, devendo assim ser aplicada cerca de 15 minutos antes das demais
drogas. Entretanto, a necessidade de se aplicar drogas através de dardos nos
tem obrigado a adicionar a atropina junto com agentes indutores e
tranqüilizantes, ao mesmo tempo. Na prática, porém, essa atitude não tem
provocado nenhum acidente ou efeito indesejável de espécie alguma em
dezenas de contenções químicas de cervídeos sul-americanos (Duarte, J.M.B.,
1997).

Animais que costumam dissipar calor através do suor podem ter problemas
com a hipertemia. Proteger a pupila dilatada da luz solar direta, para evitar
danos à retina. Em ruminantes, a atropina pode causar engrossamento da
saliva, que pode obstruir as vias aéreas superiores.

9.Zarabatanas

As zarabatanas são usadas há milênios por comunidades indígenas da


América do Sul, África e Ásia como instrumento propulsor de dardos
embebidos em soluções tóxicas. Os povos nativos fabricavam essa arma com
madeiras especiais, cortadas com até 3 m de comprimento, que permitem aos
caçadores mais experientes acertar o alvo a 40 m de distância. A propulsão do
dardo é feita com um forte assopro no bocal. As toxinas que os indígenas
utilizavam nesses dardos para a caça são extratos vegetais ou secreções
cutâneas de animais (por exemplo, alguns anfíbios da família Dendrobatidae),
com a capacidade de imobilizar a vítima por bloqueio neuromuscular, e até
levá-la ao óbito (Dias, J.L.C. et al., 2006).

O mecanismo de funcionamento da zarabatana utilizada por veterinários de


animais selvagens não mudou, e sua indicação é principalmente para espécies
que não permitem o contato físico, ou para injetar fármacos administrados via
intramuscular, sem o efeito indesejável do estresse da contenção física (Dias,
J.L.C. et al., 2006).

Em instituições como zoológicos, criadouros, circos, e outros centros que


mantenham animais perigosos tanto ao corpo técnico quanto à população, é
imprescindível possuir, no mínimo, uma zarabatana e que haja pessoal
treinado para utilizá-la (Dias, J.L.C. et al., 2006).
As zarabatanas são feitas de alumínio ou policarbonato, podendo ter peças
alongadas que aumentam o equipamento em 1 a 2m de comprimento,
melhorando a estabilidade e a distância de alcance do dardo (Dias, J.L.C. et
al., 2006).

O calibre das zarabatanas atuais variam de 11 a 16mm, sendo o maior


diâmetro desenvolvido na Suíça pela empresa Dist-Inject que após anos de
pesquisa, concluir que esse diâmetro permite maior distância permite maior
distância com menor esforço de propulsão(Dias, J.L.C. et al., 2006).

As zarabatanas, independentemente da sua construção (de série ou


artesanal), apresentam muitas vantagens: fácil utilização, baixo custo, silêncio
durante o disparo, pequena velocidade do projétil, menor impacto do dardo no
animal, baixo risco de lesão, fácil manutenção, possibilidade de fabricação
caseira, alcance médio de 5 a 10m, aplicável a várias espécies de animais
(Dias, J.L.C. et al., 2006).

Porém, há também desvantagens: menor alcance do projétil (dardo) em


comparação a pistolas e espingardas, perda de precisão quando se utilizam
dardos de maior capacidade volumétrica, o projétil sofre interferências na
trajetória quando arremessado sob correntes de vento, necessidade de
operador com preparo físico mínimo para disparas os equipamentos (Dias,
J.L.C. et al., 2006).

10. Dardos

Podem ser fabricados com dois materiais básicos: polietileno ou náilon


(dardos de “metal”), sendo estes os primeiros a serem utilizados pelos
profissionais da década de 1950. Os dispositivos de propulsão do conteúdo
líquido dos dardos podem ser de ar comprimido, gás butano, reações químicas
instantâneas e pólvora (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Os dardos comuns são feitos basicamente dos seguintes componentes:

• Câmara anterior: local que armazena o líquido que será utilizado no


alvo.
• Câmara posterior: Local onde se coloca o agente propelente para injetar
o líquido no alvo, sendo separado da câmara anterior por um êmbolo de
borracha móvel; possui sistema de válvula que permita armazenar certa
quantidade de propelente.
• Agulha: pode ser de calibre variado, mas que suporte o impacto. Pode
ter proeminências (colares) que ajudam na fixação no alvo, permitindo
que o conteúdo líquido seja injetado sem que o dardo caia. A abertura
frontal da agulha é obstruída e substituída por uma abertura por uma
abertura lateral.
• Êmbolo para agulha: peça de borracha ou silicone colocada pouco
abaixo do terço final da agulha. No momento do impacto, o êmbolo
desliza na agulha e a abertura é desobstruída para a injeção.
• Estabilizador de vôo ou “penacho”: parte do dardo feita de fios de lã,
plástico ou pena, que torna o projétil aerodinâmico e permite um Vôo
retilíneo.

Propelente: agente na forma de gás butano ou ar comprimido que


propulsiona o êmbolo de borracha, o qual separa as duas câmaras e permite a
injeção do líquido armazenado no dardo (Dias, J.L.C. et al., 2006).

11.Injeção com bastão aplicador.

É uma extensão do êmbolo de seringa hipodérmica, permite a aplicação


de fármacos a uma distância maior do animal (Dias, J.L.C. et al., 2006).

Nielsen recomenda o uso do bastão aplicador nas situações em que os


animais estejam restritos: armadilhas, gaiolas de prensa, recintos adaptados
para contenção física (por exemplo, bretes), caixa de transporte ou outros
locais fechados.

Independentemente do modelo de aplicador ou forma de restrição que o


animal se encontre, o uso do bastão deve ser rápido para evitar acidentes. As
principais desvantagens são: necessidade de alvo parado; uso dificultado em
jaulas (em razão das grades e telas); pode ser facilmente alcançado pelo
animal (primatas e carnívoros); e possibilidade da agulha dobrar ou quebrar
facilmente (Dias, J.L.C. et al., 2006).

12.Projetores remotos

O sistema remoto de injeção com arma de fogo foi desenvolvido em


1958, nos EUA, pela Palmer Cap-Chur, visando principalmente à captura de
animais da fauna africana. Com o aperfeiçoamento dos equipamentos,
surgiram projetores de dardos que utilizam ar comprimido ou gás carbônico,
menos traumatismos (Dias, J.L.C. et al., 2006).
13. Discussão

13.1.Instalações utilizadas para manter cervídeos em cativeiro.

A grande maioria dos animais selvagens mantidos em cativeiro, em


algum momento de sua vida, precisa ser contida e anestesiada, por uma
variedade de razões, tais como: transporte, exames, tratamentos, recaptura de
animais ferozes, animais fugitivos dos recintos e etc. Porém muitas vezes
torna-se um episódio perigoso e difícil se comparado ao manejo das espécies
domésticas. Visto essa dificuldade de manejo e contenção desses animais em
cativeiro, vale salientar a necessidade de ter as instalações necessárias para
facilitar o manejo e para se realizar os procedimentos com segurança. Deste
modo, é de extrema importância que os zoológicos e criadouros
conservacionistas tenham os recintos adequados para que os cervídeos que
estão em cativeiro e a equipe envolvida no procedimento corram menos riscos
e seja um manejo bem sucedido. Atualmente os recintos de cervídeos
existentes em Zoológicos e Criadouros Conservacionistas, geralmente não
oferecem as instalações adequadas aumentando assim os riscos de acidentes,
traumas e ocorrência de miopatia de captura (MC).

13.2. Técnicas de captura


Os cervídeos são animais reconhecidamente sensíveis aos efeitos do
estresse, sendo comum advirem acidentes traumáticos, sérios problemas
cardio-respiratórios e notadamente distúrbios metabólicos graves, como a
acidose e a miopatia de captura (Fowler, 1986).
Durante os últimos 20 anos, as técnicas de captura física de animais na
natureza tem sido aperfeiçoadas consideravelmente para pequenos, médios e
grandes cervídeos, utilizando desde cevas e iscas para atração para
armadilhas fixas, até currais ou redes de espera para onde os animais são
direcionados, sendo aí capturados física ou quimicamente (Jones, 1983).
Durante alguns manejos realizados com cervídeos verifica-se a
necessidade de conter os animais mais rapidamente possível visando diminuir
o nível de estresse dos mesmos, pois o simples fato da demora de capturar
esses animais podem levá-los a miopatia de captura (MC), além de outros
distúrbios metabólicos graves que podem levar o animal à óbito de forma
fulminante.
14.Conclusões

A captura de animais selvagens pode ser necessária por uma variedade


de razões, tais como: transporte, exames, tratamentos, recaptura de
animais ferozes, animais fugitivos dos recintos e etc. A contenção causa
muita tensão e pode ser perigosa tanto para quem está manejando. É
necessário conhecer a conduta normal da espécie, e para a aproximação
do animal exige-se conhecimento sobre o seu comportamento e
conhecimento prático das ferramentas a serem utilizadas.

Quanto à imobilização química, deve-se saber que a escolha do produto


e da posologia são feitos não somente em função da imobilização as
também em razão das condições em que se efetua a captura.

O uso de bloqueadores neuromusculares não consiste atualmente uma


boa opção para contenção rotineira de animais, já que existem muitas
outras drogas seguras. O uso, porém, pode significar o ganho de alguns
minutos no tempo de imobilização do animal, diminuindo na maioria das
vezes a ocorrência de miopatia por captura (MC), lesões nos animais
durante o manejo e diminuindo o risco de acidentes graves tanto com os
animais quanto a equipe que está trabalhando.

A imobilização química dos ruminantes é mais complicada do que a dos


monogástricos, em razão da necessidade de preservar o funcionamento
digestivo.

O sucesso da imobilização de um animal selvagem depende, assim, não


somente do produto e do material empregados mas principalmente, da
experiência dos profissionais.
15.BIBLIOGRAFIA

AYD, F.J (1975). The Depot fluphenazines: a reappraisal after 10 years clinical
experience. Am. J. Psychiatrtry. 132:5.

AYD, F.J (1978).Depot fluphenazines: twelve year’s experience- an overview.


IN: Ayd, F.J. (edt.). Depot fluphenazines: Twelve Yeas’s Experience. Ayd
Medical Communications, Baltimore, Maryland USA pp. 136-158.

BARSTSCH, R.C., MCCONNEL, E.E., IMES, G.D., SCHIMIT, J.M. (1977). A


review of exertional rhabdomyolysis in wild and domestic animals and man.
Veterinary Pathologic, 14; 314-324.

BLUMER, E. (1991). A review of the use of selected neuroleptic drugs in the


management of nondomestic hoofstock. Proceedings of the American
Association of Zoo Veterinarians, Calgary, p.333-339.

BLUMER, E. (1991). A review of the use of selected neuroleptic drugs in the


management of nondomestic hoofstock. Proceedings of the American
Association of Zoo Veterinarians, Calgary, p.333-339.

BLUMER, E.S. & DEMAAR, T.W. (1993). “Manual Restraint system for the
management of nondomestic hoofstok. In: Proceedings of the American
Association of Zoo Veterinarians, Pag. 156-159.

BOTHMAN, J. du P. (1986). Game Ranch Management. Van Schalk, Pp.500-


504.

BRADY, P.S., BRADY, L.J., WHETTER, P.A., ULLREY, D.E., FAY, L.D. (1978).
The effect of dietary selenium and vitamin E on biochemical parameters and
survival of young among white-tail deer (Odocoileus virginianus). Journal of
Nutritional, 108: 1439-1448.

CHALMERS, G.A. & BARRET, M.W. (1982). Capture Myopathy. In: Hoof, J.L. &
Davis, J.W. (Eds). Noninfectious diseases of wildlife. Iowa State University
Press, Ames, Iowa, pp 84-94.
CHARITY, S.E., BUSCHINELLI, M.C.P., GASPARINI, R.L., TOMÁS, W.M.,
NUNES, A.L.V., OLIVEIRA, P., SANTIAGO, M.E.B., CURY, M. (1991). The use
of Ketamine/Detomidine Association in the Chemical Immobilization of Free
Living Marsh Deer Blastoceros dichotomus. Congresso Mundial de Veterinária,
Rio de Janeiro.

CLARK, R.K. & JESSUP, D.A. (1992). Mechamical or physical capture of


animals. In: Clark, R.K. & Jessup, D.A. Wildlife Restraint Series. International
Wildlife Veterinary Services, INC. USA, pp.3:1 -3.33.

COETZE, K (1985). A permanent facility (boma) for the temporary housing of


medium to large wild ungulates. Bontebok 4:17-24.

CONWAY, W.G. (1980). Where we go from here. Int. Zôo Yb. 20:184-189.

Day, G.I., Schemnitz, S.D., Taber, R.D. (1987).” Captura y Marcacion de


Animales silvetres” In: Tarres, R.R. (Ed.). Manual de Gestion de Vida Silvestre.
Wildlife Society, p. 63-64.

DIAS , J.L. CATÃO et al., Tratado de Animais Selvagens- Medicina Veterinária.


1ªed, São Paulo: Roca, 2006.

DINIZ, L.S.M. Primatas em cativeiro manejo e problemas veterinários: enfoque


para espécies neotropicais. São Paulo: Ícone, 1997.196p.

DUARTE, J.M.B. Biologia e Conservação de Cervídeos Sul-Americanos:


Blastocerus, Ozotocerus e Mazama. 1ªed., Jaboticabal: FUNEP, 1997.

DUNDEE, J.W. & HASLETT, H.K. (1970). The benzodiazebines: A review of


their actions and uses relative to anaesthetic pratice. Br.J. Anaesthesia. 42:
217-234.

EDEBES, H. (1991). Reduce deaths mith drugs. Natura, 23: 15-17.

EDEBES, H. (1976). An introduction to long acting neuroleptics for translocating


certain South African ungulates.Manuscrito.
EDEBES, H., & BURROUGHS, R. (1989). Long acting neuroleptics and
wildlife. Ms. Paper presented at tranquilizer Symposium, National Zoological
Gardens, Pretoria.

SPINOSA, H.S., GÓRNIAK, S.L., BERNARDI, M.M. (1999). Farmacologia


Aplicada à Medicina Veterinária. Segunda Edição, Editora Guanabara Koogan
S.A, São Paulo 1999.

FERREIRA, J.R.V., LUNA, S.P.L., CRUZ, M.L. (1995). Associação de


detomidina, quetamina e midazolan e xilazina, quetamina e midazolan. Tese de
mestrado em andamento.

FOWLER, M.E. (1983). Delivery systems for chemical immobilization. In:


Fowler, M.E. Immobilization of North American Wildlife. Wisconsin Humane
Society, Inc., Milwaukee, WI, pp.23-29.

FOWLER, M.E. (1986). Zôo al Wild animal medicine. Morris Animal Foundation,
1.127 pp-2ª Ed.

FOWLER, M.E. Zôo and Wild animal medicine. 3ª.ed. Philadelphia:


W.B.Saunders, 617p, 1993.

HALL, L.W. & CLARK, K.W. (1987). Anestesia Veterinária. Ed. Manole, São
Paulo, 452 p.

HARTHOORN, A.M. & YOUNG, E. (1974). A relationship between acid base


balance and capture myopathy in zebra (Equus burchelli) and a apparent
therapy. Veterinary Record, 95: 337-342.

HARTHOORN, A.M. (1973). Rewiew of wildlife capture drugs in common use.


In: Harthoorn, A.M. The capture and care of wild animals. Ralph Curtis Books,
Florida, p. 14-34.

HARTHOORN, A.M. (1976). The chemical capture of animals. Bailiere Tindall,


416 p.
HOFFMEYER, J.M (1981). The use of haloperidol as a long-acting neuroleptic
in game capture operations. Jnl. Of the South African Veterinary Association.
273-282.

HOWARD, V.W. & ENGELKING, C.T. (1974). Bait Trials for Traping Mule Deer.
Journal of Wildlife Management. 38(4): 946-947.

HUTCHINS, M., FOOSE, T., SEAL, U.S. (1991). The role of veterinary medicine
in endangered species conservation.J. Zoo Wildl.Med. 22:277-281.

HUTCHINS, M., HANCOCKS, D., CROCKETT, C. (1984). Naturalistic solutions


to the behavioural problems of captive animals. Zool. Garten 54: 11-27.

JONES, D.M. (1983). The capture and Handling of Deer. In: Rudge, A.J.B. (ed.)
The capture and Handling of Deer. Nature Conservancy Council Handbook, UK.

KARSTEN, P. (1974). Safety manual for zoo keepers. Alberta, Canadá. Calgary
Zoo.

KOCAN, A.A., THEDFORD.T.R., GLENN, B.L., SHAW, M.G., WOOD, R.


(1980). Myopathy associated with immobilization in captive white-tailed deer. J.
Am. Vet. Méd. Ass., 177: 879-881.

KOCK, M.D., JESSUP, D.A., CLARK, R.K., FRANTI, C.E., WEAVER, R.A.
(1987). Capture methods in five subspecies of free ranging bighorn shep: an
evaluation of drop-net, drive-net, chemical immobilization, and the net-gum,
Journal of Wildlife Diseases 23(4):634-640.

KOCK, M.D., JESSUP, D.A., CLARK, R.K., FRANTI, C.E., WEAVER, R.A.
(1987). Capture methods in five subspecies of free ranging bighorn shep: an
evaluation of drop-net, drive-net, chemical immobilization, and the net-gum.
Journal of Wildlife Diseases 23(4): 634-640.

KOCK, R.A., JAGO, M., GULLAND, F., LEWIS, J. (1989). The use of two alpha
2 adrenoreceptor antagonists, idazoxan and its analogue RX821002A in zoo
and wild animals. J.Vet. Anaesth. 16: 4-10.
LEWIS, R.J., CHALMERS, G.A., BARRET, W.M., BHATNAGAR, R. (1977)
Capture myopathy in elke in Alberta, Canada: a report of three cases. J. Am.
Vet. Med. Ass., 171: 927-932.

NIELSEN, L. Chemical Immobiklization of Wild and Exotic Animals. Iowa State


University Press, 1999. 346p.

NUNES, A.L.V. (1991). Uso de Antagonista Alfa 2 Adrenérgico (Cloridrato de


Ioimbina) em animais Sivestres. Arquivos da SZB, 12.

NUNES, A.L.V., BUSCHINELLI, M.C.P., CHARITY, S.E., TOMÁS, W.M. (1989).


Testes com Drogas Anestésicas em alguns Cervídeos Neotropicais. Anexo VII
EIA RIMA CESP, Ilha Solteira, dezembro.

PACHALY, J.R. (1992). Utilização da Associação de Tiletamina e Zolazepan na


Contenção da Mazama gouazoubira e Mazama rufina. XXII Congresso
Brasileiro de Medicina Veterinária, Curitiba, novembro.

PAPEZ, N.J. & TSUKAMOTO, G.K. (1970). The 1969 sheep trapping and
transplant program in Nevada. Trans. Desert Bighorn Council 14: 43-50.

PIENAAR, U.DEV. (1973). The capture and restraint of wild herbivores by


mechanical metods.p. 91-99. In: Young (Ed.) The capture and care of Wild
Animals. Ralph Curtiss Books, Holliwod, Fla, 224 p.

REDFORD, K. & EISENBERG, J.F. (1992). Mammals of neotropics. The


southern cone. Volume 2: Cjile, Argentina, Uruguay, Paraguay. University of
Chicago Press.

SPRAKER, T.R. (1980). Pathophysiology associated with capture of wild


animals. In: MONTALI, R.J. &MIGAKI, G. (Eds). Comparative Pathology of Zoo
Animals. Smithsonian Institution Press, Washington, D.C. pg 403-414.

SPRAKER, T.R. (1993). Stress and capture myopathy in Artiodactylid. In:


Fowler, M.E. (Ed). Zoo and Wildlife Animal Medicine. Current Therapy 3. W.B.
Saunders Company, Philadelfia, Pennsylvania, pg 481-488.
TOMAS, W.M.; BECCACECI, M.D.; PINDER, L. Cervo-do-pantanal(Blastocerus
dichotomus). In: DUARTE, J.M.B. Biologia e Conservação de Cervídeos Sul-
Americanos: Blastocerus, Ozotocerus e Mazama. Jaboticabal;FUNEP, 1997.
cap.2, p.23-40.

WALKER, E. (1991). Mammals of the world. Baltimore and London: John


Hopkins University Press. 1398p.

WALLACE, R.S., BUSH, M., MONTALI, R.J. (1987). Deaths from exertional
myopathy at the National Zoological Park from 1975 to 1985. Journal of Wildlife
Diseases, 23: 454-462.

WEMMER, C., TEARE, J.A., PICKETT, C. (2006). National Zoological Park-


Smithsonian Institution, Washington, D.C., USA. –Manual do técnico de
Zoológico-SZB.

Lista de Empresas Citadas

Palmer Chemical and Equipament CO., Inc., P.O. Box 867, Douglasville, GA
30133. Cap-Chur® equipament.