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A decisão dolorosa ficar com dinheiro.

Seth Klarman
Não seria demais reforçar que investidores enfrentam crises de baixos retornos: meno
res do que eles queriam ou esperaram, e retornos menores do que muitos deles nec
essitam. Investidores devem escolher entre duas alternativas. Uma é manter ações e fun
dos em carteira, atingidos no mercado os preços historicamente altos - com os rend
imentos travados naquilo que se pode chamar sub-retornos. Se os preços nunca caírem
e os retornos retornarem a um nível normal, esta terá sido a decisão correta. Mas, se
os preços caírem, fazendo com que o investimento perca até para a poupança, os investido
res experimentarão perdas potencialmente ruins, muito piores que o fato de terem s
ofrido com testes de paciência.
A outra alternativa é permanecer líquido, desafiando o persintente bate-estaca da pr
essão por resultados, esperando pela queda dos preços de pelo menos alguns ativos. (
Não é necessário que todo o mercado desabe para colocar o dinheiro para trabalhar, ape
nas um número pequeno de ativos pode ser suficiente). Esta via também envolve riscos
- não existe certeza de quando a queda vai ocorrer. De outra forma, os preços podem
subir e subir a partir do patamar atual, tornando a decisão de possuir dinheiro a
inda mais dolorosa. Enquanto isso, manter o dinheiro esperando por retornos melh
ores envolve um período (potencialmente longo) de retornos positivos muito baixos
(apesar de certeiros) disponíveis nos instrumentos de curto prazo do tesouro.
Mesmo tendo fortes suspeitas, não podemos dizer com certeza qual caminho mostrar-s
e-à mais sábio. O que é claro é que quase todos escolherão o caminho um. Envolvidos em negó
io de investimento competem com base no curto prazo, no desempenho relativo (não a
bsoluto) do investimento, e preferem seguir a manada (pagando como preço a certeza
da mediocridade) ao invés de permanecer afastado (arriscando-se à mediocridade de r
esultados pífios). Sob o aspecto de investimento, quão melhor é ativamente utilizar o
capital, mesmo que o investimento seja medíocre, do que paralisar-se na neutralida
de - os empregados permanecem ocupados, os clientes confundem decisões com determi
nação, atividade com percepção, e 'totalmente comprado' com 'possuir uma carteira que va
lha a pena'.
Quase todos os investidores fazem a mesma escolha. Os seres humanos, afinal de c
ontas, são dotados apenas com a paciência para eles suficiente. Poucos são capazes de
avaliar os resultados de curto prazo passados e concluir que 'qualquer coisa' of
erece retorno melhor que 'dinheiro'. Também, dada sua orientação por resultados relati
vos e sua natureza competitiva, investidores morrem de medo da possibilidade do
desempenho baixo que decorre de ficar sentado nas laterais - eles consideram mel
hor estar no jogo (exceto, é claro, nas quedas do mercado). Mais importante, enqua
dram-se na procura de uma ambição (quanto você consegue ganhar?) e distantes de um rec
eio (quanto você pode perder?), ambos parte do espectro de emoções de quem investe.
Investidores transformam-se em glutões de taxas consumados, procurando altas perce
ntagens de lucro sem dar ouvidos à possibilidade de realmente alcançarem o lucro nem
aos riscos resultantes do processo.
Acreditar que o mercado nunca irá retornar ao seu normal histórico - acreditar que nós
estamos numa era de novos preços e baixos retornos - envolve um risco grande de p
erda de capital. Por outro lado, acreditar que os preços vão declinar em algum pont
o no tempo envolve um custo de oportunidade cujas proporções não é possível antecipar.
Através do método de 'possuir ativos caros esperando lucros prospectivos baixos', as
pessoas escolhem o risco de perdas reais. Nós preferimos o risco de perder a opor
tunidade àquela de perder o capital, e aplicamos de corpo e alma o sentimento tran
smitido pelo respeitado investidor em valor Jean-Marie Eveillard quando disse: "
Acho melhor perder metade de nossos clientes investidores ... do que perder meta
de do dinheiro que nossos clientes possuem..."
Podem dizer que manter em caixa quantidade grande de dinheiro é um tipo de jogo...
E que ficar qualquer coisa diferente de possuir todo dinheiro em investimentos é
uma forma de atuar baseado em previsões de mercado. Mas a decisão crucial no mercado
é uma escolha do tipo 'sim' ou 'não'. Quem dirá que investir significa estar sempre c
om algo comprado, bom ou ruim? Um investidor que não pode ou não quer dizer 'não' perd
e talvez a sua melhor ferramenta. Charlie Munger, sócio de Warren Buffett, aconsel
ha aos investidores: "Procurem por um valor de fluxo de caixa superior àquele que
vocês estão pagando. Movimente-se somente quando estiver em vantagem. É muito básico. Te
m que entender as possibilidades e ter disciplina para apostar apenas quando as
possibilidades estão a seu favor".
Investidores esperam decisões cuidadosamente planejadas dos gestores de empresas,
tais como iniciar ou não a construção de novas fábricas, contratar equipes de trabalho o
u adquirir empresas concorrentes. O gerente de empresa que investisse em ativos
de retorno muito baixo, somente porque têm esses recursos à sua disposição e nada melho
r disponível no momento para investir, inevitavelmente encontraria a ira dos sócios
investidores dessa empresa. Por que, então, deveria qualquer investidor (de fundos
hedge, fundos de aposentadoria ou fundos privados) sempre depositar 100% do seu
capital em ativos de mercado, sem usar de rigor analítico nem da honestidade inte
lectual que ele cobraria dos gerentes de empresas? Como dissemos no ano passado:
Por que deveria a oportunidade imediata ser a única considerada, quando amanhã pode
rão aparecer oportunidades muito mais férteis que hoje?