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Análise de Conforto Humano sobre Edifícios de Concreto Armado

Submetidos a Atividades Humanas Rítmicas


Human Comfort Analysis on the Reinforced Concrete Buildings
Subjected to Human Rhythmic Activities

Sidclei G. Gonçalves (1); Fernando R. da Cunha (2); Genival da S. Filho (2); José Guilherme S. da
Silva (3); Luciano Rodrigues O. de Lima (3)

(1) Aluno de Mestrado, UERJ / PGECIV - Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil


(2) Aluno de Graduação, UERJ - Departamento de Estruturas e Fundações
(3) Professor Doutor, DSc, UERJ - Departamento de Estruturas e Fundações
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, Faculdade de Engenharia, FEN, Rua São Francisco.
Xavier, N0 524, Bloco A, 50 Andar, Sala 5016-A, CEP 20550-900, Maracanã, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Resumo
Este trabalho de pesquisa busca estudar o comportamento dinâmico de pisos de edifícios de concreto
armado, quando submetidos a excitações dinâmicas oriundas de atividades humanas rítmicas (dança,
ginástica aeróbica e saltos à vontade). Assim sendo, este trabalho investiga o comportamento dinâmico de
modelos estruturais associados a edifícios de concreto armado, com andares múltiplos, considerando-se a
rigidez real das colunas. São empregadas técnicas usuais de discretização, via método dos elementos
finitos (MEF), por meio do programa ANSYS. Os resultados obtidos indicam que os limites previstos em
normas de projeto, no que tange aos valores das acelerações de pico (acelerações máximas) podem ser
violados em algumas situações específicas. Tal fato demonstra que essas atividades rítmicas podem gerar
níveis elevados de acelerações de pico violando critérios de projeto, no que tange ao conforto humano. Foi
constatado que a atuação dessas ações humanas rítmicas pode gerar perturbações importantes em pisos
pertencentes a pavimentos distintos daqueles onde são realizadas essas atividades, pois a influência
causada por ações dinâmicas em ambientes próximos aquele onde a carga é aplicada pode vir a
comprometer o conforto humano.

Palavra-chave: Edifícios de Concreto Armado, Dinâmica Estrutural, Modelagem Computacional.

Abstract
This work investigated the dynamic behaviour of reinforced concrete building floors, when submitted to
dynamic actions related to human rhythmic activities (dancing, gymnastics and free jumps). This way, this
paper investigated a dynamic behaviour of structural models associated to reinforced concrete buildings,
with several storeys, considering the actual columns stiffness. The computational models were developed
based on usual mesh refinement techniques present in finite element method simulations (FEM),
implemented in the ANSYS program. The numerical results indicated that the limits suggested by design
code recommendations, based on the peak acceleration values (maximum accelerations), were not satisfied
in specific situations. Such fact shows that these rhythmic activities may generate peak accelerations that
violated design criteria when the human comfort is considered. It was verified that these dynamic loads
generated considerable perturbations on adjacent floor. The influence caused by dynamic actions in adjacent
floors near where the load was applied also can compromise the human comfort.

Keywords: Reinforced Concrete Buildings, Structural Dynamics, Computer Modelling.

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1 Introdução
Nos últimos anos, tem-se percebido um aumento considerável dos problemas de
engenharia associados à vibração de pisos em estruturas de concreto armado, quando
submetidas a excitações dinâmicas induzidas por pessoas BACHMANN & AMMANN
(1987), FAISCA (2003), LOOSE (2007), MELLO (2008), MURRAY et al. (2003), SILVA
(2008), SILVA et al. (2008). O crescimento deste tipo de problema deve-se,
principalmente, ao fato de que a grande maioria dos projetistas desconsidera as ações
dinâmicas atuantes sobre estas estruturas.
Assim sendo, os sistemas estruturais correntes na engenharia civil são analisados
supondo-se que as cargas atuantes são aplicadas muito lentamente. Tal hipótese é a
base da análise estática, sendo apropriada para o tratamento, por exemplo, de ações
permanentes como o peso próprio da estrutura. No entanto, nos casos em que as ações
são variáveis ao longo do tempo (movimentos de pessoas sobre pisos, incidência de
vento sobre edifícios, tráfego de veículos sobre o tabuleiro de pontes, etc.), os efeitos
dinâmicos podem vir a ser decisivos para a resposta final do sistema, portanto,
certamente devem ser incluídos na análise e projeto de uma estrutura.
Quando esses efeitos dinâmicos (vibrações) são perceptíveis aos sentidos humanos,
podem vir a provocar efeitos que vão, por exemplo, desde o desconforto, a preocupação
com relação à segurança da estrutura, e até mesmo o declínio do nível de concentração
mental, dentre outros. Estes efeitos variam com a freqüência e amplitude das vibrações,
bem como com as atividades realizadas.
No que tange aos critérios de resistência e estabilidade desse tipo de sistema estrutural
(pisos de concreto), percebe-se que estes têm atendido aos estados limites últimos.
Entretanto, os problemas relacionados aos estados limites de utilização, associados as
vibrações excessivas, devem ser analisados de forma mais cuidadosa, procurando-se
buscar alternativas viáveis para minimizar os efeitos de vibrações induzidas por pessoas.
Deste modo, esta investigação tem por objetivo o desenvolvimento de uma metodologia
para análise dinâmica de modelos estruturais associados a edifícios de concreto armado,
com andares múltiplos, considerando-se a rigidez real das colunas, quando submetidos a
excitações dinâmicas rítmicas induzidas por seres humanos. Pretende-se estudar a
adequabilidade desse tipo de estrutura no que se refere aos critérios de conforto humano,
de forma a se evitar a ocorrência de vibrações excessivas que possam vir a causar
desconforto aos usuários.
Neste trabalho de pesquisa, o comportamento dinâmico de um edifício de concreto
armado é investigado. O modelo é submetido a cargas dinâmicas rítmicas provenientes
de pessoas dançando sobre as lajes de concreto. Inicialmente, são obtidas as freqüências
naturais e os modos de vibração do modelo. Em seguida, a resposta dinâmica da
estrutura contempla uma análise crítica acerca dos valores das acelerações de pico.

2 Vibração de Pisos Devido a Atividades Humanas


Durante o desenvolvimento de um projeto deve-se evitar que as freqüências naturais do
modelo estrutural, especialmente a freqüência fundamental, estejam próximas das
freqüências de ações dinâmicas, tais como aquelas referentes às atividades humanas de
caminhar, saltar e dançar, de forma a evitar problemas referentes a vibrações excessivas.

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Por outro lado, cargas dinâmicas podem produzir níveis de vibração, os quais podem
tanto comprometer a segurança estrutural como causar alteração na sensação de
conforto dos ocupantes dessas edificações. Assim sendo, nesta investigação estuda-se a
resposta dinâmica de um edifício de concreto armado, com andares múltiplos,
considerando-se a rigidez real das colunas, quando o modelo estrutural é submetido a
ações dinâmicas rítmicas provenientes de pessoas dançando sobre as lajes de concreto.

2.1 Modelo de Carregamento Dinâmico


Com base em resultados obtidos a partir de testes experimentais FAISCA (2003) foi
possível concluir que a função que melhor se adapta as ações dinâmicas oriundas de
atividades de ginástica aeróbica e saltos à vontade é a chamada função Hanning. Desta
forma, o modelo de carregamento empregado nesta investigação foi desenvolvido para
simular numericamente as excitações dinâmicas humanas rítmicas (ginástica aeróbica,
saltos à vontade, dança e show/torcida) e a função Hanning é empregada para descrever
matematicamente este tipo de carregamento.
A representação matemática deste tipo de carregamento dinâmico é feita por meio da
função Hanning, de acordo com a Equação (1). Em seguida, a Figura 1 facilita o
entendimento da função matemática adotada, pois esta ilustra os dois intervalos de tempo
significativos da referida função. Ressalta-se que a força dinâmica normalizada (FDN) é
representada na ordenada da Figura 1.


   2π   
F(t) = CDK pP 0,5 − 0,5cos t   para t ≤ Tc

   Tc    (Equação 1)

F( t ) = 0 para Tc ≤ t ≤ T

Onde:

F(t) : representação matemática do carregamento no tempo em (N);


CD : coeficiente de defasagem;
Kp : coeficiente de impacto;
P : peso da pessoa em (N);
T : período da atividade em (s);
Tc : período de contacto da atividade em (s);
t : tempo em (s).

Destaca-se que o parâmetro CD, Equação (1), é um coeficiente de ponderação das ações
dinâmicas definidas em função da atividade realizada e do numero de pessoas que atuam
sobre a estrutura. Este coeficiente leva em conta os efeitos de multidão, ou seja, o grau
de sincronismo entre as pessoas que atuam sobre a estrutura. Deste modo, a definição
deste parâmetro considera possíveis defasagens e variações de ritmo que levariam a
redução da intensidade do carregamento. Em seguida, são apresentados, de forma
ilustrativa, alguns valores do coeficiente de defasagem, CD FAISCA (2003), para três
tipos de atividades humanas rítmicas, conforme ilustrado na Tabela 1 e Figura 2.
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Figura 1 - Representação genérica da função de carregamento dinâmico

Tabela 1 - Valores adotados para o coeficiente de defasagem CD FAISCA (2003)


CD
Número de Pessoas
Ginástica Aeróbica Saltos à Vontade
1 1 1
3 1 0,88
6 0,97 0,74
9 0,96 0,70
12 0,95 0,67

Figura 2 - Coeficientes de defasagem para atividades humanas rítmicas FAISCA (2003)

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No presente trabalho de pesquisa, de forma a simular numericamente as atividades
rítmicas de dança realizadas sobre as lajes de concreto do edifício, foram considerados
os seguintes parâmetros para a definição dos carregamentos dinâmicos FAISCA (2003):
T = 0,44 ± 0,09 s; Tc = 0,34 ± 0,09 s, Ts = 0,10 s; e Kp = 2,78 ± 0,60.

3 Modelo Estrutural Analisado


O modelo estrutural investigado neste trabalho de pesquisa corresponde a uma edificação
residencial de concreto armado com cinco pavimentos, conforme mostrado na Figura 3.
Destaca-se que as linhas na cor vermelha, apresentadas na Figura 3, delimitam as áreas
da edificação onde são aplicadas as cargas dinâmicas representativas das atividades
rítmicas de dança, Equação (1).
Estas áreas compreendem a sala de estar/jantar; e, bem como, toda a área da varanda
(balanço), de acordo com a Figura 3. Convém destacar, também, que estas ações
dinâmicas, Equação 1, foram aplicadas, inicialmente, sobre as lajes do quarto piso da
edificação.
Com referência às características físicas do concreto, este possui uma resistência
característica à compressão igual a 25 MPa (fck = 25 MPa), módulo do de elasticidade
longitudinal igual a 2,4 x 1010 N/m2 (E = 2,4 x 1010 N/m2), coeficiente de Poisson igual a 0,2
(υ = 0,2) e densidade de 2500 kg/m3 (ρ = 2500 kg/m3). Na seqüência do texto, a Figura
3 apresenta a planta baixa do modelo estrutural investigado.

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Figura 3 - Planta baixa do modelo estrutural investigado

4 Modelo Numérico-Computacional
O modelo numérico-computacional foi concebido utilizando técnicas usuais de
discretização, via método dos elementos finitos, por meio do emprego do programa
ANSYS (ANSYS, 2003).
Na presente investigação as vigas de concreto armado são simuladas por elementos
finitos tridimensionais, onde são considerados os efeitos de flexão e de torção. A laje de
concreto é simulada por meio de elementos finitos de casca. A Figura 4 ilustra o modelo
em elementos finitos desenvolvido neste trabalho de pesquisa.
Ao longo da análise, considera-se que o concreto trabalha no regime linear-elástico e que
em ambos os elementos finitos as seções permanecem planas no estado deformado. São
utilizadas, também, conexões rígidas do tipo “off-set”, de forma a se garantir a
compatibilidade de deformações entre os nós dos elementos de casca e os nós dos
elementos de viga tridimensionais.

b) Vista lateral do modelo

a) Perspectiva da malha em elementos finitos


Figura 4 - Modelo em elementos finitos da edificação investigada

O presente modelo numérico possui 10903 nós, 3259 elementos de viga tridimensionais
BEAM44 (ANSYS, 2003), 9875 elementos de casca SHELL63 (ANSYS, 2003) e 65361
graus de liberdade, conforme ilustrado na Figura 4.

5 Análise Dinâmica da Edificação


Inicialmente, a resposta dinâmica do modelo é determinada mediante a obtenção das
freqüências naturais e dos modos de vibração. Em seguida, com o objetivo de avaliar o
nível de conforto humano da edificação, de acordo com a metodologia de análise
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proposta, são obtidos os valores das acelerações máximas, provenientes das ações
dinâmicas rítmicas de dança realizadas sobre as lajes de concreto da estrutura.

Na seqüência, os valores das acelerações de pico, obtidas na fase permanente da


resposta do modelo estrutural investigado, são comparados com valores limites propostos
em recomendações de projeto, admissíveis sob o ponto de vista de conforto humano ISO
2631/2 (1989), MURRAY et al. (2003).
Ressalta-se, também, que na presente investigação foi considerado um coeficiente de
amortecimento para o modelo estrutural igual a 5% (ξ =0,05) MURRAY et al. (2003). O
peso de um ser humano foi considerado como sendo igual a 800N BACHMANN &
AMMANN (1987).
As ações dinâmicas induzidas pelos seres humanos foram consideradas em posições
simétricas em relação ao centro das áreas do modelo estrutural referentes à sala de
estar/jantar e varanda, conforme apresentado nas Figuras 3 e 5, de acordo com uma taxa
de distribuição de 1 pessoa/4m2 (0,25 pessoas/m2) BACHMANN & AMMANN (1987) e,
ainda, do número de pessoas realizando a atividade de dança.
As cargas dinâmicas aplicadas simulam as pessoas dançando sobre as lajes de concreto
do quarto piso da edificação. Os casos de carregamento investigados nesta análise
encontram-se descritos pela Figura 5 e Tabelas 2 e 3, de acordo com a posição das
ações dinâmicas sobre a sala de estar/jantar e varanda, respectivamente.

NÓ B NÓ A

a) 13 Pessoas na varanda b) 21 pessoas na sala de estar/jantar


Figura 5 - Esquema genérico representativo da aplicação das cargas dinâmicas sobre as lajes de concreto

Tabela 2 - Casos de carga e definição dos pontos de aplicação das ações dinâmicas (Varanda)

Casos de Carregamento Identificação do Ponto de Aplicação das Cargas na


Investigados Varanda (Balanço) (Ver Figura 5a)

Caso I - 01 Pessoa 7P
Caso II - 03 Pessoas 4P, 7P e 10P

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Caso III - 06 Pessoas 3P, 5P, 6P, 8P, 9P e 11P
Caso IV - 10 Pessoas 1P, 2P, 3P, 5P, 6P, 8P, 9P, 11P, 12P e 13P
Tabela 3 - Casos de carga e definição dos pontos de aplicação das ações dinâmicas (Sala de Estar/Jantar)

Casos de Carregamento Identificação do Ponto de Aplicação das Cargas na


Investigados Sala de Estar/Jantar (Ver Figura 5b)

Caso V - 06 Pessoas 20P, 22P, 23P, 25P, 26P e 28P

Caso VI - 09 Pessoas 20P, 21P, 22P, 23P, 24P, 25P, 26P 27P e 28P
14P, 15P, 16P, 20P, 21P, 22P, 23P,
Caso VII - 15 Pessoas
24P, 25P, 26P 27P, 28P, 32P, 33P e 34P
14P, 15P, 16P, 17P, 18P, 19P, 20P, 21P, 22P, 23P, 24P,
Caso VIII - 21 Pessoas
25P, 26P 27P, 28P, 29P, 30P, 31P, 32P, 33P e 34P

5.1 Análise das freqüências naturais e dos modos de vibração


A Tabela 4 apresenta os valores das freqüências naturais para o modelo estrutural
analisado. Em seguida, a Tabela 5 ilustra valores para freqüências críticas, de acordo
com a NBR-6118 (ABNT, 2003), no que tange a alguns casos de sistemas estruturais
submetidos a vibrações induzidas pela ação de pessoas.

Tabela 4 - Freqüências naturais do modelo estrutural


Freqüências Naturais da Edificação (Hz)
f01 f02 f03 f04 f05 f06
0,50 0,90 1,20 1,60 2,65 3,20
f07 f08 f09 f10 f11 f12
3,75 4,10 4,75 5,60 7,00 7,40
f13 f14 f15 f16 f17 f18
7,95 8,60 9,20 9,40 9,60 9,80

Tabela 5 - Freqüência crítica para alguns casos especiais de estruturas ABNT (2003)
Sistema Estrutural fc (Hz)
Ginásio de esportes 8,0
Salas de dança ou de concerto sem cadeiras fixas 7,0
Escritórios 3,0 a 4,0
Salas de concerto com cadeiras fixas 3,4
Passarelas de pedestres ou ciclistas 1,6 a 4,5

Cabe ressaltar que a primeira freqüência natural da estrutura, correspondente ao modo de


vibração com preponderância de amplitudes modais referentes às lajes de concreto, de
interesse para a presente análise, é igual a 7,0 Hz (f11 = 7,0 Hz), Tabela 4. Neste modo de
vibração em particular os efeitos de flexão sobre as lajes do modelo são predominantes.
Convém chamar a atenção do leitor, para o fato de que as freqüências naturais mais
baixas (f01 = 0,50 Hz até f10 = 5,60 Hz), Tabela 4, estão associadas, principalmente, a
modos de vibração com preponderância de amplitudes modais referentes aos pilares do
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edifício e assim sendo não possuem interação com a ação dinâmica vertical, oriunda das
atividades de dança realizadas pelas pessoas sobre as lajes de concreto.
Na seqüência, a Figura 6 ilustra apenas os modos de vibração da estrutura onde existe
efetivamente uma preponderância de amplitudes modais referentes às lajes de concreto
armado, de interesse para este trabalho de pesquisa. Estes modos de vibração são
apresentados a partir do primeiro modo de vibração com predominância dos efeitos de
flexão nas lajes (f11 = 7,0 Hz, Tabela 4), de acordo com a Figura 6.

a) 10 Modo de vibração: f01=7,00Hz b) 20 Modo de vibração: f02=7,40Hz

c) 30 Modo de vibração: f03=8,60Hz d) 40 Modo de vibração: f04=9,20Hz


Figura 6 - Modos de vibração do modelo estrutural investigado

5.2 Análise de conforto humano


Na seqüência, a Tabela 6 apresenta os valores das acelerações de pico, obtidos na fase
permanente da resposta do sistema, quando submetido à ação dos diversos modelos de
carregamento apresentados na Figura 5 e Tabelas 2 e 3, onde são consideradas as
ações dinâmicas das pessoas dançando sobre as lajes de concreto do quarto piso.
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Tabela 6 - Acelerações de pico do modelo estrutural. Casos de carga referentes à varanda (balanço)
ap (m/s2)
alim (m/s2)*
Ponto de Obtenção da Casos de Carregamento e Número de Pessoas sobre a Laje
Resposta Caso I Caso II Caso III Caso IV
(1 pessoa) (3 pessoas) (6 pessoas) (10 pessoas)
0,049
NÓ A (varanda) 0,007 0,019 0,035 0,050
NÓ B (sala estar/jantar) 0,0005 0,0015 0,0028 0,0038
*Valor limite recomendado para pisos de edificações quando submetidos a atividades humanas rítmicas
ISO 2631/2 (1989), MURRAY et al. (2003).

Tabela 7 - Acelerações de pico do modelo estrutural. Casos de carga referentes à sala de estar/jantar
ap (m/s2)
alim (m/s2)*
Ponto de Obtenção da Casos de Carregamento e Número de Pessoas sobre a Laje
Resposta Caso V Caso VI Caso VII Caso VIII
(6 pessoas) (9 pessoas) (15 pessoas) (21 pessoas)
0,049
NÓ A (varanda) 0,004 0,007 0,011 0,015
NÓ B (sala estar/jantar) 0,007 0,012 0,013 0,017
*Valor limite recomendado para pisos de edificações quando submetidos a atividades humanas rítmicas
ISO 2631/2 (1989), MURRAY et al. (2003).

Percebe-se que o pico de aceleração mais elevado encontrado na presente investigação,


considerando-se um carregamento dinâmico correspondente a 10 pessoas dançando na
varanda (balanço) do quarto piso da edificação, foi da ordem de 0,050m/s 2 (ap =
0,050m/s2), Tabela 6. Constata-se que este valor de aceleração viola os limites
especificados para conforto humano (ap = 0,050m/s2 > alim = 0,049m/s2) ISO 2631/2
(1989), MURRAY et al. (2003).
Ao longo da análise, foi verificado que inúmeros valores de aceleração, correspondentes
a inúmeros casos de carregamento, Tabelas 6 e 7, encontram-se bem abaixo dos limites
especificados em normas e recomendações de projeto (alim = 0,049m/s2) ISO 2631/2
(1989), MURRAY et al. (2003), demonstrando que o sistema estrutural investigado, em
função da relação entre os vãos, rigidez dos pilares, vigas e lajes de concreto e, ainda, o
carregamento dinâmico considerado, certamente, apresentará problemas de desconforto
humano apenas em casos extremos, Tabelas 6 e 7.
Uma outra situação de carregamento foi investigada considerando-se a superposição das
ações dinâmicas atuando em conjunto (sala de estar/jantar + varanda), perfazendo um
total de 25 (vinte cinco) pessoas.
Nesta situação foi encontrada uma aceleração de pico igual a 0,045m/s 2 (ap = 0,045m/s2),
demonstrando que estas ações dinâmicas quando aplicadas simultaneamente em
ambientes distintos (sala de estar/jantar e varanda) podem vir a atenuar os efeitos
máximos da resposta, devido ao fato de que quanto maior for o carregamento dinâmico
aplicado na sala de estar/jantar, maior será a atenuação da resposta dinâmica no balanço
da edificação.
De forma a ilustrar o comportamento geral do sistema, quando submetidos aos
carregamentos dinâmicos descritos anteriormente, as Figuras 7 e 8 apresentam a
resposta dinâmica do modelo, em termos dos sinais no tempo de deslocamentos
translacionais verticais e acelerações. Essas grandezas foram obtidas para o Caso IV,
conforme Tabela 2, no centro da varanda (balanço), NÓ A, de acordo com a Figura 5.

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Figura 7 - Deslocamentos translacionais verticais obtidos no centro da varanda (Caso IV - NÓ A)

Figura 8 - Acelerações obtidas no centro da varanda (Caso IV - NÓ A)

Os sinais no tempo mostrados nas Figuras 7 e 8, em termos dos deslocamentos


translacionais verticais e das acelerações, respectivamente, apresentam um trecho
relativamente curto, da ordem de 1,0s, correspondente à fase transiente da resposta.
Nesse trecho alguns picos se apresentam ligeiramente mais elevados, mas percebe-se
que esses picos têm o seu valor amortecido, ao longo do tempo, e a fase permanente da
resposta dos modelos é rapidamente alcançada.
Na fase permanente da resposta desses gráficos (Figura 7), destaca-se o valor de
aceleração de pico da ordem de 0,050m/s2 (Caso IV - NÓ A: ap = 0,050m/s2), Tabela 6.
Observa-se que este valor de aceleração de pico viola os limites estabelecidos para
conforto humano (ap = 0,050m/s2 > alim = 0,049m/s2) ISO 2631/2 (1989), MURRAY et al.
(2003).
Por outro lado, destaca-se, novamente, que levando-se em consideração a relação entre
os vãos, rigidez dos pilares, vigas e lajes de concreto e, ainda, o carregamento dinâmico
aplicado, o sistema estrutural em estudo apresentará problemas referentes a conforto
humano apenas em situações extremas, Tabelas 6 e 7.
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Um outro ponto importante que deve ser salientado diz respeito ao fato de que atuação
dessas ações humanas rítmicas pode vir a gerar perturbações importantes, também, em
lajes pertencentes a pavimentos distintos daqueles onde são realizadas essas atividades,
pois a influência causada por ações dinâmicas em ambientes próximos aquele onde a
carga é aplicada pode vir a comprometer o conforto humano.

6 Considerações Finais
O desenvolvimento deste trabalho de pesquisa contribui para o estudo do comportamento
dinâmico de edifícios de concreto armado, quando submetidos a excitações dinâmicas
rítmicas induzidas pelos seres humanos.
A metodologia de análise desenvolvida considera o estudo do comportamento dinâmico
linear em regime de serviço de uma edificação residencial de cinco pavimentos de
concreto armado. Os modelos numéricos foram desenvolvidos com base no emprego de
técnicas usuais de discretização, via método dos elementos finitos, por meio da utilização
do programa ANSYS (ANSYS, 2003).
Com base na análise numérica realizada foi possível observar que apenas em uma
situação as acelerações máximas (acelerações de pico) foram superiores aos limites
prescritos por recomendações e normas de projeto (ap = 0,050m/s2 > alim = 0,049m/s2)
ISO 2631/2 (1989), MURRAY et al. (2003).
Este quadro pode ser um indicativo de que os critérios de projeto devem levar em conta o
caráter dinâmico da excitação e, especialmente, para o caso de modelos estruturais mais
flexíveis, a verificação do conforto humano deve ser feita com cautela por parte dos
projetistas de estruturas.
Por outro lado, considerando-se a relação entre os vãos da edificação, rigidez dos pilares,
vigas e lajes de concreto e, ainda, o carregamento dinâmico aplicado, o sistema estrutural
investigado apresentará problemas referentes a conforto humano apenas em situações
extremas.

7 Agradecimentos
Os autores agradecem ao Conselho Nacional de Pesquisa (CNPQ), a Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), e a Fundação Carlos Chagas
Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), o apoio financeiro
para o desenvolvimento deste trabalho de pesquisa.

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