Sie sind auf Seite 1von 8

Pergunte a um Expert

Cristina Feijó Ortolani responde:

A radiografia de mão e punho é um dos métodos empregados na


determinação da idade esquelética do paciente, fornecendo informações
importantes para a elaboração do diagnóstico e plano de tratamento.
Recentemente, muitos trabalhos têm abordado a utilização da análise dos
indicadores de maturação das vértebras cervicais, visando avaliar o estágio
de crescimento e desenvolvimento.
Qual a validade e eficácia da observação das vértebras cervicais na
determinação da maturidade óssea do paciente?
Rosely Suguino

Introdução a idade fisiológica e a idade biológica15.


A determinação do estágio de crescimento e Muitos autores1,2,5,6,7,8,10,13,14 têm realizado pes-
desenvolvimento em que o paciente se encontra é de quisas com a finalidade de estabelecer métodos que
grande valia para o diagnóstico, plano de tratamento melhor possam avaliar o estágio de crescimento e
e prognóstico dos tratamentos ortodôntico-ortopé- desenvolvimento dos indivíduos (Fig. 1).
dicos.Para isso podemos utilizar a idade cronológica, Fatores genéticos, raciais, condições sócio-econô-

Idade Biológica Idade Fisiológica Idade Cronológica

Idade dentária

Variação de peso e altura

Idade esquelética

Radiografia de mão e punho

Análise dos indicadores de maturação


das vértebras cervicais.

Características sexuais secundárias que


acompanham a fase de pré-adolescência e da
adolescência propriamente dita.

Figura 1 - Métodos para avaliar o nível de maturação de um indivíduo.

R Clín Ortodon Dental Press, Maringá, v. 4, n. 1, p. 7-14 - fev./mar. 2005 • 7


Pergunte a um expert

micas, circunstâncias nutricionais, condições climá- maturação óssea das vértebras e correlacionaram
ticas e diferenças entre os gêneros contribuem para as mudanças dessa região com o crescimento das
que haja uma variação entre a idade cronológica e diferentes partes da mandíbula. Encontraram
a idade biológica1,3. Devemos, então, lançar mão de uma correlação entre os picos de crescimento das
métodos biologicamente confiáveis para estabelecer estruturas mandibulares e os estágios de maturação
uma previsão do crescimento remanescente12. óssea vertebral, de tal modo que estes poderiam ser
Para a determinação da idade esquelética são utilizados com confiança para a avaliação do período
utilizadas as radiografias de mão e punho e a análise das mudanças mandibulares na adolescência.
dos indicadores de maturação das vértebras cervicais Hassel e Farman10 usaram radiografias cefalo-
realizada na própria telerradiografia. Atualmente métricas em norma lateral de 220 indivíduos, com
existe uma tendência de eliminar a necessidade de idade entre 8 e 18 anos, para avaliar a maturação
uma radiografia adicional, minimizando a exposição da segunda, terceira e quarta vértebras cervicais,
dos pacientes à radiação ionizante. Este fato incen- e compararam com o desenvolvimento esqueletal
tivou diversos autores a pesquisarem a validade e avaliado nas radiografias de mão e punho, através do
eficácia da observação das vértebras cervicais para se método desenvolvido por Fishman. Para determinar
determinar a maturidade óssea do paciente. a maturação das vértebras cervicais durante o surto
Greulich e Pyle 9 no Atlas Radiográfico do de crescimento puberal definiram seis estágios na
Desenvolvimento Esquelético mostraram o desen- formação dessas vértebras:
volvimento geral e de mão e punho de meninos e
meninas, desde o nascimento até o final do cresci- Estágio de Maturação das Vértebras
mento. O grau de maturação esquelética do paciente Cervicais 1(EMVC 1) - Iniciação:
é definido pelo aparecimento de ossos específicos - Bordas inferiores da C2, C3 e C4 planas ou
no carpo e metacarpo e pela união epifisária das achatadas;
falanges. - Bordas superiores de C3 e C4, afuniladas de
Um Sistema para Avaliação do Desenvolvimento posterior para anterior;
Esquelético foi desenvolvido por Fishman4, onde - Expectativa de grande crescimento puberal, em
seis locais anatômicos são observados em radiogra- torno de 80% a 100%.
fias de mão e punho, proporcionando informações
do estágio de maturação esquelética. Para o estudo Estágio de Maturação das Vértebras
foram analisadas telerradiografias cranianas laterais Cervicais 2 (EMVC 2) - Aceleração:
e ântero-posteriores, radiografia de mão e punho e - Início do desenvolvimento da concavidade nas
medidas estaturais de 206 meninas e 196 meninos. bordas inferiores da C2 e da C3;
Lamparski11 observou as mudanças no tamanho - Borda inferior da C4, plana ou achatada;
e forma das vértebras cervicais e as comparou com as - C3 e C4 com formatos tendendo a retangu-
modificações ósseas das estruturas da mão e punho lares;
avaliadas pelo método de Greulich e Pyle. O autor - Expectativa de crescimento puberal significante
descreveu seis estágios de maturação, baseados nas (65% a 85%).
alterações morfológicas das vértebras cervicais, mais
precisamente da segunda à sexta vértebra. Con- Estágio de Maturação das Vértebras Cervi-
cluiu com sua pesquisa que as mudanças relativas à cais 3 (EMVC 3) - Transição
maturação, que ocorrem entre a segunda e a sexta Presença de concavidades distintas nas bordas
vértebra cervical, poderiam ser utilizadas para a inferiores da C2 e C3;
avaliação da idade esquelética de um indivíduo e - Início do desenvolvimento de uma concavidade
que a avaliação da idade esquelética por este método na borda inferior da C4;
é estatisticamente válida e confiável, apresentando - C3 e C4 apresentam-se retangulares em seu
o mesmo valor clínico que a avaliação da região de formato;
mão e punho. - Expectativa moderada de crescimento puberal
O’Reilly e Yanniello13 avaliaram os estágios de (25% a 65%).

8 • R Clín Ortodon Dental Press, Maringá, v. 4, n. 1, p. 7-14 - fev./mar. 2005


Cristina Feijó Ortolani

1) Inicialização 2) Aceleração 3) Transição

c3 c3
c3

c3
c3 c3

4) Desaceleração 5) Maturação 6) Finalização

c2

c3

c4

Figura 2 - indicadores de maturação das vértebras cervicais, Figura 3 - EMVC 1 Iniciação.


utilizando a vértebra C3 como exemplo. Método descrito por
Hassel e Farman10.

Figura 4 - EMVC 2 Aceleração. Figura 5 - EMVC 3 Transição.

R Clín Ortodon Dental Press, Maringá, v. 4, n. 1, p. 7-14 - fev./mar. 2005 • 9


Pergunte a um expert

Estágio de Maturação das Vértebras A pesquisa de Santos e Almeida14 teve como


Cervicais 4 (EMVC 4) Desaceleração objetivo verificar a confiabilidade da utilização das
- Presença de concavidades distintas nas bordas alterações das vértebras cervicais como um método
inferiores da C2, C3 e C4; de determinação do estágio de maturação esquelé-
- Formato da C3 e C4 aproximando-se de um tica, comparando-o com os eventos que ocorrem na
quadrado; região da mão e punho. Os autores concluiram que
- Expectativa reduzida de crescimento puberal os dois métodos apresentaram fácil aplicação e que
(10% a 25%). as alterações morfológicas das vértebras cervicais,
observadas nas radiografias cefalométricas laterais,
Estágio de Maturação das Vértebras constituem um método adicional útil na determi-
Cervicais 5(EMVC 5) - Maturação nação da idade esquelética.
- Presença de concavidades acentuadas nas bor- Franchi et al.5 avaliaram uma amostra de 24
das inferiores de C2, C3 e C4; crianças dos 3 aos 18 anos, com tomadas radio-
- Formato quadrado das vértebras C3 e C4; gráficas e aferições da estatura corporal anuais.
- Expectativa insignificante de crescimento pu- Nas radiografias cefalométricas em norma lateral
beral (5% a 10%); os autores observaram o crescimento mandibular
e as alterações morfológicas da segunda, terceira e
Estágio de Maturação das Vértebras quarta vértebras cervicais, de acordo com o méto-
Cervicais 6 (EMVC 6) - Finalização
- Presença de concavidades profundas nas bordas
inferiores de C2, C3 e C4;
- Altura das vértebras C3 e C4 ultrapassando a
sua largura;
- Crescimento puberal completo nesta fase.

Figura 6 - EMVC 4 Desaceleração. Figura 7 - EMVC 5 Maturação.

10 • R Clín Ortodon Dental Press, Maringá, v. 4, n. 1, p. 7-14 - fev./mar. 2005


Cristina Feijó Ortolani

significante entre os indicadores de maturação das


vértebras cervicais (EMVC) e os pacientes que se
encontravam no surto de crescimento puberal e
que este método é um parâmetro confiável para
determinar tal período.
Baccetti et al.2 estudaram o crescimento de 30
crianças. Para esta avaliação correlacionaram um novo
método criado para determinar o estágio da segunda,
terceira e quarta vértebras cervicais, o crescimento da
estatura corporal, o crescimento mandibular e o antigo
método de avaliação das alterações morfológicas das
vértebras cervicais proposto por Hassel e Farman10.
Através das radiografias cefalométricas em norma
lateral foram medidos o crescimento mandibular e
as alterações morfológicas das vértebras cervicais
dos dois métodos.
Os resultados demonstraram que o início da
aceleração do crescimento da altura corporal e man-
dibular no novo método ficou no estágio EMVC
I e o pico de crescimento puberal entre os estágios
EMVC II e EMVC III, o que ocorreu em 93,5%
das crianças avaliadas.

Novo método para avaliação da maturação


das vértebras cervicais proposto por
Baccetti et al.2

Estágios de maturação das vértebras cervicais


Figura 8 - EMVC 6 Finalização.
O novo método baseia-se:
- na presença de concavidade no bordo inferior
do corpo das vértebras C2, C3 e C4;
do de Hassel e Farman10. Os autores concluiram - na forma do corpo das vértebras C3 e C4
que o maior crescimento mandibular e de estatura (trapezóide, retangular horizontal, quadrada ou
corporal ocorreu no intervalo entre o EMVC 3 retangular vertical).
(transição) e EMVC 4 (desaceleração), indicando
o estágio anterior a este intervalo como o melhor EMVC I
momento para iniciar-se o tratamento ortopédico - Bordas inferiores da C2, C3 e C4 estão planas
do retrognatismo mandibular. ou achatadas;
Armond et al.1 observaram radiograficamente - Forma trapezoidal da C3 e C4, afuniladas de
as alterações morfológicas da primeira, segunda e posterior para anterior (Fig. 9);
terceira vértebras cervicais, de acordo com o mé-
todo de Hassel e Farman10, em 110 pacientes que EMVC II
se encontravam no surto de crescimento puberal. - Presença de concavidades distintas nas bordas
A inspeção radiográfica das vértebras cervicais foi inferiores da C2 e C3;
realizada por meio de telerradiografias laterais e o - Início do desenvolvimento de uma concavidade
surto de crescimento foi identificado através de na borda inferior da C4;
eventos de ossificação da mão e punho. Os autores - C3 e C4 apresentam-se retangulares na hori-
concluiram que houve correlação estatisticamente zontal (Fig. 10);

R Clín Ortodon Dental Press, Maringá, v. 4, n. 1, p. 7-14 - fev./mar. 2005 • 11


Pergunte a um expert

Figura 9 - EMVC I.

Figura 10 - EMVC II.

12 • R Clín Ortodon Dental Press, Maringá, v. 4, n. 1, p. 7-14 - fev./mar. 2005


Cristina Feijó Ortolani

Figura 11 - EMVC III. Figura 12 - EMVC IV.

Figura 13 - EMVC V.

EMVC III quadrado (Fig. 11);


- Presença de concavidades distintas nas bordas
inferiores da C2, C3 e C4; EMVC IV
- Formato da C3 e C4 aproximando-se de um - Presença de concavidades acentuadas nas bor-

R Clín Ortodon Dental Press, Maringá, v. 4, n. 1, p. 7-14 - fev./mar. 2005 • 13


Pergunte a um expert

das inferiores de C2, C3 e C4; medianamente confiável na determinação do índice


- Formato quadrado das vértebras C3 e C4 de maturação das vértebras cervicais.
(Fig. 12); Com base nos trabalhos levantados podemos
concluir que a avaliação radiográfica das alterações
EMVC V morfológicas das vértebras cervicais, nas radiografias
- Presença de concavidades profundas nas bordas cefalométricas em norma lateral, constitui um parâ-
inferiores de C2, C3 e C4; metro alternativo e prático na avaliação esquelética,
- Vértebras C3 e C4 com forma retangular na vindo a complementar a gama de informações que se
vertical (Fig. 13). deve obter do paciente em tratamento ortodôntico-
Generoso et al.7 correlacionaram a maturação ortopédico facial, e circunstancialmente substituir
das vértebras cervicais10 com a idade cronológica outros métodos de avaliação.
de 380 indivíduos de ambos os gêneros, com idade
variando dos 6 aos 16 anos. Os resultados mostra- Agradecimento
ram uma relação direta entre o aumento da idade As fotos referentes ao novo método proposto
cronológica com o aumento do Índice de Maturação por Baccetti et al.2 foram gentilmente cedidas pelo
das Vértebras Cervicais. Os autores concluiram Dr. Ticiano Baccetti da Universidade de Florença-
que a idade cronológica mostrou ser um parâmetro Itália.

Referências
1. ARMOND, M. C.; CASTILHO, J. C. M.; MORAES, L. C. 11. HASSEL, B.; FARMAN, A. G. Skeletal maturation evaluation
Estimativa do surto de crescimento puberal pela avaliação das using cervical vertebrae. Am J Orthod Dentofacial Orthop,
vértebras cervicais em radiografias cefalométricas laterais. Orto- St. Louis, v.107, no.1, p. 58-66, Jan.1995.
dontia, São Paulo, v. 34, n. 1, p. 51-60, jan./abr. 2001. 12. LANGLADE, M. Diagnostic orthodontique. Paris: Maloine,
2. BACCETTI, T.; FRANCHI, L.; McNAMARA JR., J. A. An 1981.
improved version of cervical vertebrae maturation(CVM) me- 13. O’REILLY, M. T.; YANNIELLO, G. J. Mandibular growth
thod for the assessment of mandibular growth. Angle Orthod, changes and maturation of cervical vertebrae: a longitudinal
Appleton, v. 72, no. 4, p. 316-323, Feb. 2002. cephalometric study. Angle Orthod, Appleton, v. 58, no. 2,
3. DEMIRJIAN, A.; BUSCHANG, P. H.; TANGUAY, R.; PAT- p. 179-184, Apr. 1988.
TERSON, D. K. Interrelationships among measures of somatic, 14. SANTOS, S. C. B. N.; ALMEIDA, R. R. Estudo comparativo
skeletal,dental and sexual maturity. Am J Orthod, St. Louis, de dois métodos de avaliação da idade esquelética utilizando
v. 88, no. 5, p. 433-438, Nov.1985. telerradiografias em norma lateral e radiografias carpais. Orto-
4. FISHMAN, L. S. Radiographic evalution of skeletal matura- dontia, São Paulo, v. 32, n. 2, p. 33-45, maio/ago.1999.
tion: a clinically oriented method based on hand-wrist films. 15. LINDEN, F. P. G. M. van der. Crescimento e ortopedia facial.
Angle Orthod, Appleton, v. 52, no. 2, p. 88-112, Apr. 1982. 1. ed. São Paulo: Quintessence, 1990.
5. FRANCHI, L.; BACCETTI, T.; McNAMARA JR., J. A.
Mandibular growth as related to cervical vertebrae maturation
and body height. Am J Orthod Dentofacial Orthop, St. Louis,
v. 118, no. 3, p. 335-339, 2000. Cristina Feijó Ortolani
6. GARCIA-FERNANDEZ, P.; TORRE, H.; FLORES, L.; REA, - Especialista em Ortodontia pela Universidade Paulista.
J. The cervical vertabrae as maturational indicators. J Clin - Mestre e doutora em diagnóstico bucal pela FOUSP.
Orthod, Boulder, v. 32, no. 4, p. 221-225, Apr. 1998. - Professora Titular da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de
7. GENEROSO, R.; TAVANO, O.; RIBEIRO, A.; PARREI-
Odontologia da Universidade Paulista (Campus São Paulo e
RA, M. L. P. Estudo da correlação entre a idade cronológica
Campinas).
e a maturação das vértebras cervicais em pacientes em fase de
- Professora Titular da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de
crescimento puberal. R Dental Press Ortodon Ortop Facial,
Maringá, v. 8, n. 4, p. 19-36, jul./ago. 2003. Fonoaudiologia da Universidade Paulista.
8. GEORGEVICH JR., R. Estudo longitudinal das correlações - Professora do Mestrado em Ortodontia da Universidade Paulista.
entre alterações morfológicas das vértebras cervicais,altura - Coordenadora do Curso de Especialização em Ortodontia da
corporal e tamanho da maxila e mandíbula. 2004. Disserta- Universidade Paulista - Campinas.
ção (Mestrado em Odontologia)-Instituto de Ciências da Saúde,
Universidade Paulista, São Paulo, 2004.
9. GREULICH, W. W.; PYLE, S. I. Radiograph atlas as skeletal Você tem uma pergunta que gostaria de ver publicada
development of the hand and wrist. 2nd ed. Stanford: Stan- nesta coluna? Envie para: Dental Press International
ford University Press,1959. Av. Euclides da Cunha, 1718, Zona 05 - Maringá - PR
10. HASSEL, B.; FARMAN, A. G. Skeletal maturation evaluation CEP 87015-180 - Fone: (44) 262-2425
using cervical vertebrae. Am J Orthod Dentofacial Orthop,
e-mail: revclinica@dentalpress.com.br
St. Louis, v. 107, no.1, p. 58-66, Jan.1995.

14 • R Clín Ortodon Dental Press, Maringá, v. 4, n. 1, p. 7-14 - fev./mar. 2005