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MANUAL DE ATENDIMENTO

PRÉ-HOSPITALAR DO

CORPO DE BOMBEIROS DO PARANÁ

CURITIBA - 2006

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Copyright (c) 2006 - CORPO DE BOMBEIROS DO PARANÁ.

É dada permissão para copiar, distribuir e/ou modificar este documento sob os termos da Licença de Documentação Livre GNU, Versão 1.1 ou qualquer versão posterior públicada pela Free Software Foundation; sem Seções Invariantes, com os Textos da Capa da Frente sendo MANUAL DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR DO CORPO DE BOMBEIROS DO PARANÁ, e sem Textos da Quarta-Capa. Uma cópia da licença em está inclusa na seção intitulada ¨Licença de Documentação Livre GNU¨ (pag. 373).

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

APRESENTAÇÃO

Com o objetivo maior da contínua capacitação visando ampliar os conhecimentos técnicos dos Bombeiros Militares que atuam como socorristas no atendimento pré- hospitalar ao trauma no Estado do Paraná. Esperamos que estes conhecimentos sejam de extrema valia para o resgate e salvamentos de vidas.

Este manual é resultado da revisão do Manual de Atendimento Pré-Hospitalar do SIATE/PR de autoria da Dr. Vera Lúcia de Oliveira e Silva e colaboradores, editado em 1995 pela Imprensa Oficial do Estado do Paraná, este baseado na tradução do conjunto de apostilas produzido pela “Division of Vocational Educations, State Department of Education, Columbus, Ohio, USA”.

Esta revisão foi iniciada no Centro de Ensino e Instrução e concluída como resultado dos trabalhos do curso do Curso de Socorrista 2006 – Categoria Oficiais – do Corpo de Bombeiros do Paraná.

Além da revisão foram acrescentados e excluídos conteúdos o que caracteriza ela como sendo uma obra coletiva de compilação e adaptação, segundo o prescrito nos incisos XI e XIII, e § 2º do art. 7.º da Lei Autoral (9.610/98).

O manual é de livre uso, sendo permitido copiar, distribuir e/ou modificar, sob os termos da Licença de Documentação Livre GNU, devendo permanecer em constante evolução, para isso contamos com a colaboração de todos que enviem sugestões de alteração e/ou correção para o socorristas_parana@yahoo.com.br, lembrando sempre de citar eventuais fontes bibliográficas originárias destas alterações.

“Por Uma Vida Todo Sacrifício é Dever”

Curitiba, 04 de Agosto de 2006.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

CRÉDITOS

Autor Nomeado:

Porcides; Almir Júnior

Colaboradores:

Aguiar; Eduardo José Slomp Alves; Nilson Figueiredo Júnior

Araújo; Wagner Lúcio de Barbosa; Adriano

Barros; Edmilson Becker; Claudicir Borba; Dorico Gabriel Costa; Laor Donati; Vladimir

Gross; Gerson Kapp; Norton Alexandre

Konflanz; Douglas Martins

Manassés; Edson Menegatti; Dimas Clodomiro

Mocelin; Gabriel Junior Mota; Cristiano Carrijo G. Oliveira; Charles Elias de Sales; Arlisson Sanches Schreiber; Rogério Cortês Silva; Paulo Roberto da Sokolowski; Rivelto Spak; José Adriano P.

Almeida; Geferson Correa de Araujo; Rogério Lima de

Baumel; Luiz Fernando Silva Bezerra; Marcos Rogério Bortolini; Osni José Daverson ; Kleber Ferreira; Alexandre Dupas

Machado; Fernando Ferreira

Moreira; Paulo Cezar Mota; Sandro Marcos Rodrigues; Altemistocley Diogo Santos; Hamilton dos Schwambach; Ricardo Silva; Romero Nunes da Soster; Heitor Teixeira; Hudson Leôncio

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Sumário

Capítulo 1 - Ética e Humanização

1

Capítulo 2 - Anatomia e Fisiologia

5

Capítulo 3 - Direção Defensiva

47

Capítulo 4 - Cinemática do Trauma

60

Capítulo 5 - Equipamentos Usados no Atendimento Pré-Hospitalar

74

Capítulo 6 - Sinais Vitais

82

Capítulo 7 - Atendimento Inicial

92

Capítulo 8 - Vias Aéreas

105

Capítulo 9 - Ressuscitação Cardiopulmonar

119

Capítulo 10 - Hemorragia e Choque

142

Capítulo 11 - Ferimentos, Curativos e Bandagens

154

Capítulo 12 - Fraturas e Luxações

167

Capítulo 13 - Trauma Cranioencefálico (TCE) e Raquimedular (TRM)

177

Capítulo 14 - Imobilização e Remoção

189

Capítulo 15 - Trauma de Tórax

216

Capítulo 16 - Trauma de Abdome

230

Capítulo 17 - Trauma de Face

237

Capítulo 18 - Emergências Pediátricas

248

Capítulo 19 - Emergências Obstétricas e Trauma na Gestante

253

Capítulo 20 - Afogamento

266

Capítulo 21 - Queimaduras e Emergências por Frio Ambiental

280

Capítulo 22 - Eletricidade e Radiação Ionizante

291

Capítulo 23 - Intoxicações Exógenas

297

Capítulo 24 - Emergências Psiquiátricas

307

Capítulo 25 - Emergências Clínicas

311

Capítulo 26 - Rotinas Operacionais

323

Capítulo 27 - Preparo de Medicamentos e Biossegurança

338

Capítulo 28 - Catástrofes e Atendimento a Múltiplas Vítimas

354

Capítulo 29 - Produtos Perigosos

364

Capítulo 30 - Emergências Geriátricas

369

Referências Bibliográficas

380

Apendice I - Licença de Documentação Livre GNU

383

v

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

CAPÍTULO 1

A ÉTICA E HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR

1. Ética

Toda pessoa é dotada de uma consciência moral que a faz distinguir entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, capacitando-a a avaliar suas ações no contexto a que é so- licitado, ou seja, é capaz de nortear suas atitudes pela ética, a qual pode-se dizer é um conjunto de valores, que se tornam deveres em determinadas culturas ou grupos, sendo expressos em ações.

A ética é, normalmente, uma norma de cunho moral que obriga a conduta de uma determinada pessoa, sob pena de sanção específica, mas pode também regulamentar o comportamento de um grupo particular de pessoas, como, por exemplo, bombeiros, polici- ais, médicos, enfermeiros, etc. A partir deste momento, estamos nos referindo à ética pro- fissional, mais conhecida como deontologia, que caracteriza-se como conjunto de normas ou princípios que têm por fim orientar as relações profissionais entre pares, destes com os cidadãos, com sua guarnição de serviço, com as instituições a que servem, entre outros. Como a sua margem de aplicação é limitada ao círculo profissional, faz com que estas normas sejam mais específicas e objetivas, gerando o advento dos Códigos de Ética ela- borados por associações de classe, como, por exemplo, o Código de Ética Médica Brasi- leiro.

No caso do Corpo de Bombeiros do Paraná, o Decreto Estadual nº 5.075/98 (Regu- lamento de Ética Profissional dos Militares Estaduais do Paraná), prescreve em seu artigo

5º, que a

deontologia militar é constituída pelo elenco de valores e deveres éticos, tra-

duzidos em normas de conduta, que se impõem para que o exercício da profissão militar atinja plenamente os ideais de realização do bem comum, através da preservação da or- dem pública.” Assim como a atividade do médico e do enfermeiro possuem codificações próprias, o bombeiro militar também tem sua conduta pesada em Código próprio, que o obriga a prestar seu serviço de atendimento pré-hospitalar calcado em valores e deveres militares, não menos importantes, que o dos códigos dos profissionais de saúde.

Ao longo do Curso de Socorristas, são ensinadas normas técnicas que indicam fórmulas do fazer, que são apenas meios de capacitação, levando o homem a atingir re- sultados. Todavia a técnica não deve perder sua correlação natural com as normas éticas, que atenuam o sofrimento da vítima e humanizam o atendimento.

O socorrista deve saber equilibrar os dois pratos da balança que formam seu cará-

ter profissional: o lado técnico e o

lado emocional. Caso haja uma prevalência de qual-

quer um dos lados, o atendimento pode ser comprometido tanto pelo lado humano, quan-

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-

Ética e Humanização

to pelo lado científico. O bombeiro militar que tenha completo domínio do atendimento pré-hospitalar, mas que não tenha o discernimento necessário para atuar com atenção es- pecial nos casos que assim requeiram, não possui o caráter ético-profissional para ser so- corrista. O mesmo se aplica àquele que possua um equilíbrio emocional e não saiba as técnicas pré-hospitalares.

Para um atendimento pré-hospitalar satisfatório o socorrista deve possuir, além do equilíbrio emocional e da competência técnico-científica, uma competência ética, funda- mental para a humanização do serviço.

A competência ética no atendimento pré-hospitalar é formada por quatro vertentes de relacionamento, sendo elas:

Socorrista e outros militares;

Socorrista e profissionais de saúde;

Socorrista e vítima;

Socorrista e parentes/conhecidos/outros envolvidos.

As relações dos socorristas com outros militares e profissionais de saúde não tra- zem muitos problemas, pois a formação militar facilita o relacionamento. Resta-nos anali- sar e fundamentar os princípios para um relacionamento ético entre bombeiros e vítimas, e bombeiros e parentes/conhecidos/outros envolvidos no trauma. Estes dois tipos de rela- cionamentos estão baseados em três princípios fundamentais:

Respeito à pessoa;

Solidariedade;

Sentimento do dever cumprido.

Tendo por base estas três premissas, o socorrista saberá pautar suas atitudes e considerar as alterações emocionais decorrentes do trauma. Não se deixará influenciar pela conduta social da vítima incorrendo num julgamento errôneo (fará um atendimento imparcial), atentará para os cuidados com a exposição da vítima, terá atenção especial com crianças, e terá a seriedade como base para uma postura profissional que se espera.

Um atendimento perfeito ocorre quando, mesmo com o sucesso do emprego de to- das as técnicas dominadas pelo socorrista, atende-se a dignidade da pessoa humana em todo seu alcance, angariando o respeito e a admiração da vítima e outras pessoas envol- vidas, pelo elevado grau de profissionalismo existente na corporação.

2. Humanização: Um Abrandamento do Caráter Técnico da Medicina

A Portaria GM/MS n.º 1.863, de 29 de setembro de 2003, trata da “Política Nacional de Atenção às Urgências” trazendo novos elementos conceituais, como o princípio da hu- manização.

Parece estranho falar de humanização num campo em que deveria ser implícito o “amor ao próximo”, como é o caso da medicina. Todavia, com o advento da vida moderna,

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

a explosão demográfica e os parcos e poucos recursos e investimentos na área da saúde, fazem com que o profissional, muitas vezes, tenha uma sensação de impotência frente ao sofrimento de milhares de pessoas, e, com isso faz crescer no seu íntimo, mesmo que de modo imperceptível, mecanismos de defesa em que cria uma verdadeira “casca”, não vendo na vítima uma pessoa, mas um objeto que necessita de seus cuidados profissio- nais, visto que não tem a solução para todas as mazelas criadas por falta de políticas pú- blicas de saúde.

Necessário foi ao Ministério da Saúde humanizar o serviço, através de um progra- ma próprio, visando atenuar os efeitos desumanizantes, que retira da pessoa humana seu mais importante valor: a dignidade.

No caso do atendimento pré-hospitalar, o conhecimento cientifico deveria ser, por si só, motivo de sucesso para um resultado positivo quando no socorro à vítima. O que se tem observado recentemente é que este fator, somado à estressante rotina dos numero- sos atendimentos diários nos grandes centros, bem como a fragilidade do ser humano, tanto do paciente como do socorrista (ambos envolvidos com sentimentos de respeito, simpatia, empatia, angústia, raiva, medo, compaixão), o que tem gerado problemas no atendimento à vítima. Deixamos de ver nele muitas vezes o ser humano que está necessi- tado, hora pelo enfoque direto no trauma, hora pela banalização do acidente.

Necessário, então, é falar em humanização no atendimento pré-hospitalar. Então: o que é humanização ? Podemos entende-la como valor, na medida em que resgata o res- peito à vida humana, levando-se em conta as circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas presentes em todo relacionamento humano.

Humanizar o atendimento não é apenas chamar a vítima pelo nome, nem ter um sorriso nos lábios constantemente, mas também compreender seus medos, angústias e incertezas, dando-lhe apoio e atenção permanente.

O profissional humanizado deve apresentar algumas características que tornam o atendimento a um traumatizado mais digno:

Focalizar não somente o objeto traumático, mas também os aspectos globais que envolvem o paciente, não se limitando apenas às questões físicas, mas também aos aspectos emocionais;

Manter sempre contato com a vitima, buscando uma empatia por parte da mesma;

Prestar atenção nas queixas do paciente, tentando sempre que possível aliviar a dor do paciente;

Manter a vitima, sempre que possível, informada quanto aos procedimentos a serem adotados;

Respeitar o modo e a qualidade de vida do traumatizado;

Respeitar a privacidade e dignidade do paciente, evitando expor o mesmo sem necessidade.

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Ética e Humanização

Os profissionais da área da saúde e não oriundos da área da saúde, como os bom- beiros militares, por sua formação, dedicam-se ao atendimento humanitário. E, assim sendo devem ter sempre uma conduta humanista, no entender de Pablo González Blas- co 1 :

"humanista é o homem que define atitudes concretas diante da vida, fruto da sua reflexão e como conseqüência de uma filosofia que norteia sua existência. Se este homem humanista é médico, essas atitudes que envolvem a sua própria vida atingirão as outras vidas, aquelas que ele tem que cuidar, e portanto implicarão uma postura concreta diante da vida humana, da vida doente, do sofrimento e da dor, da vida que se acaba".

Humanizar também é, além do atendimento fraterno e humano, procurar aperfeiço- ar os conhecimentos continuadamente; é valorizar, no sentido antropológico e emocional, todos os elementos implicados no evento assistencial. Na realidade, a humanização do atendimento, seja em saúde ou não, deve valorizar o amor ao próximo, prestigiando a me- lhoria nos relacionamentos entre pessoas em geral.

1 Diretor Científico da SOBRAMFA- Sociedade Brasileira de Medicina de Família. Coordenador do Programa Eletivo em Medicina de Família do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde- EPM, UNIFESP. Membro Internacional da Society of Teachers of Family Medicine (STFM).

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

CAPÍTULO 3

DIREÇÃO DEFENSIVA

1. Introdução

Como motorista de uma ambulância, além de dominar todas as habilidades indis- pensáveis à prática da direção segura de veículos em geral, você deverá estar familiariza- do com conceitos próprios da condução de uma vítima e da equipe que lhe oferece aten- dimento, pois na qualidade de motorista você é responsável pela sua própria vida e das outras pessoas presentes no trânsito. Além disso, você é responsável pela segurança da sua equipe de socorristas e pelo bem estar da vítima conduzida no interior da ambulância.

2. Direção e Segurança

A maioria dos acidentes de trânsito, decorrem em sua maioria de erros humanos, pelos seguintes motivos:

Desrespeito as Leis, Normas e regulamentos de trânsito;

Abuso dos limites operacionais de segurança do veículo;

Pressa excessiva em querer chegar no local da ocorrência, e posteriormente ao hospital;

Descortesia no trânsito: ser cortês alivia o stress do trânsito, demonstra alto nível de educação e elevação social.

Irresponsabilidade agindo com negligência, imprudência ou imperícia;

Condição física do condutor, como cansaço, sonolento e sob efeito de dro- gas em geral (álcool, medicamentos, etc.)

3. Elementos de Direção Defensiva

Direção defensiva é dirigir de modo a evitar acidentes, apesar das ações incorretas (erradas) dos outros e das condições adversas (contrárias), que encontramos nas vias de trânsito.

Existem alguns elementos fundamentais para a boa prática da direção defensiva, com a observação dos mesmos o risco é diminuído, são eles.

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Direção Defensiva

3.1. Conhecimento

É o ato de estar sempre consciente das noções exigidas para a habilitação, os con-

teúdos do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e as informações sobre os riscos e a me- lhor forma de evitá-los. Embora a experiência seja uma fonte importantíssima de conheci- mento, demonstra-se que, o programa de treinamento aumenta em muito a capacidade

defensiva do motorista.

3.2. Atenção

Enquanto dirige, o motorista tem que estar alerta o tempo todo, zelando pela sua própria segurança, dos passageiros e da vítima que está transportando, bem como pelos demais presentes no trânsito. Estar alerta significa estar com a atenção concentrada todo o tempo no ato de dirigir, sem distrações, vendo tudo o que se passa adiante, atrás (espe- lhos retrovisores) e nas laterais do veículo. O pensamento deve ocupar-se exclusivamen- te do ato de dirigir e não de outros assuntos. Atento, o motorista pode reconhecer situa- ções de perigo potencial, reagir em tempo e agir de modo a prevenir acidentes.

3.3. Previsão

É a capacidade de antecipar ou antever situações e eventos, são muitas vezes fra-

ções de segundos, porém, tendo em mente uma atitude de previsibilidade, será suficiente, para tentar uma reação positiva, evitando um acontecimento. Se o motorista, vistoria o veículo antes de assumir o serviço, programa o itinerário, reduz a velocidade próximo a áreas de risco como cruzamentos, escolas, hospitais, etc., se o motorista, ao ver uma cri- ança brincando na calçada, antevê a possibilidade de que ela possa atravessar a rua re- pentinamente e diminuí a velocidade, terá melhores condições de frenagem ou desvio do veículo caso o inesperado aconteça.

3.4. Decisão

É a possibilidade da ação de decidir, diante de uma situação de risco. É saber es-

colher dentre as opções possíveis a de maior segurança naquele momento específico.

3.5. Habilidade

É o requisito desenvolvido através do aprendizado e do treinamento. Conduzir um

veículo de socorro, é um ato de muita responsabilidade, muitas vezes a emergência, a adrenalina, o stress, tendem a dominar a situação, porém o bom motorista, se mantém paciente e calmo, não deixando-se dominar por sensações que tendem a alterar seu esta- do psicológico e as funções mecânicas do corpo físico. Necessitando o motorista, desen- volver a habilidade de realizar manobras entre veículos, ultrapassagens, cruzamentos, ca- naletas de expresso, entre outros. Mas, com condições, é fundamental demonstrar as suas ações para os outros motoristas, o que pretende fazer, qual a atitude que pretende tomar, lembre-se as outras pessoas não são obrigadas a adivinhar seu pensamento.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

4. Direção em Condições Adversas

Algumas condições climáticas e naturais afetam as condições de trânsito. Sendo fatores ou combinações de fatores que contribuem para aumentar as situações de risco no trânsito, podendo comprometer a segurança. Sob estas condições, o motorista da am- bulância, deverá adotar atitudes preventivas que garantam, como já foi visto, a segurança da equipe, da vítima e dos demais usuários das vias públicas.

4.1. Chuva

Reduz a possibilidade de ver e ser visto de todos os condutores, pelo acúmulo de água nos para-brisas e pelo embaçamento dos vidros no carro fechado, causado pela res- piração de seus ocupantes. Além disso, deposita uma lâmina de água sobre a pista, o que modifica a aderência dos pneus, dificultando a frenagem e favorecendo derrapagens, pro- porcionando a ocorrência de hidro ou aquaplanagem.

4.1.1. Atitudes defensivas do motorista:

Conserve e revise constantemente os limpadores de pára-brisas e seu siste- ma de acionamento e fusíveis;

Ao dirigir redobre os cuidados e a atenção;

Reduza a velocidade para aumentar a aderência dos pneus ao solo, evitan- do derrapagens e favorecendo as ações dos freios;

Aumente a distância com o veículo à frente, e evite ficar ao lado de outros veículos;

Se possível, deixe dois centímetros das janelas abertas, para evitar o emba- çamento e acione os dispositivos desembaçadores disponíveis;

Acenda os faróis baixos;

Não freie bruscamente, acione o freio suave e gradativamente;

Em caso de chuva torrencial ou chuva de granizo, que impeçam a direção com segurança e a perda de visibilidade, estacione em local seguro, acione as luzes de alerta, e aguarde que o tempo melhore.

4.2. Aquaplanagem

É quando o veículo flutua na água, perdendo a aderência do pneu com o solo, o motorista perde totalmente o controle do veículo, podendo ocorrer em qualquer tipo de pi- so.

4.2.1. Atitudes defensivas do motorista:

Observar com atenção presença de poças de água sobre a pista, mesmo não havendo chuva;

Reduzir a velocidade antes de entrar na área empoçada;

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Direção Defensiva

Quando o veículo estiver na poça, não utilize os freios, segure firmemente o volante, procurando mantê-lo reto com a pista, até conseguir novamente a aderência do veículo;

Sempre verifique a profundidade dos sulcos dos pneus da ambulância;

4.3. Vento

Produzido por condições climáticas ou pela passagem de outros veículos, pode deslocar o seu veículo, reduzindo e ocasionando a perda de estabilidade e o descontrole do veículo.

4.3.1. Atitudes defensivas do motorista:

Acostume-se a olhar a vegetação ao redor da pista, é um bom indicativo da velocidade dos ventos e sua direção;

Ao perceber um grande veículo em sentido contrário ou ultrapassando-o, re- duza a velocidade;

Tome o controle firme do volante, afaste-se um pouco para a direita;

Cuidado especial com pontes e viadutos.

4.4. Neblina ou Cerração

4.4.1. Atitudes defensivas do motorista:

Ligue os faróis baixos (a luz alta causa o fenômeno da reflexão, causando ainda menos visibilidade), ou a luz de neblina se tiver;

Redobre a atenção e o cuidado, diminuindo a velocidade;

Evite realizar ultrapassagens;

Caso não haja condições mínimas de segurança e visibilidade, estacione, e aguarde melhores condições de dirigibilidade;

Caso seja absolutamente necessário dirigir, procure seguir um veículo maior como caminhão ou ônibus, com certa distância segura;

Atenção com frenagens bruscas ou até mesmo paradas repentinas dos veí- culos à frente.

4.5. Iluminação

A intensidade da luz modifica a possibilidade de ver e ser visto. A luz em excesso ofusca a visão e a penumbra oculta as pessoas e outros veículos.

4.5.1. Atitudes defensivas do motorista:

Em condições de iluminação inadequada reduza a velocidade;

Havendo excesso de luz, abaixe o papa sol, em certos casos use óculos es- curos (crepúsculo matutino ou vespertino);

Desvie o olhar da fonte luminosa e busque referências, como o meio fio ou o traçado lateral da via;

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

À noite, use faróis baixos ao cruzar veículos e desvie o olhar do foco dos fa- róis que cruzam com você;

Em condições de penumbra deixe as luzes do veículo acessas, facilitando ser visto.

4.6. Condições Adversas da Via

O motorista da ambulância deve estar, atento as inúmeras alterações das condi- ções das vias, que são muito variáveis nos atendimentos das ocorrências, como:

Largura insuficiente;

Ponte estreita;

Trechos escorregadios;

Má conservação da pista;

Falta de acostamento;

Curvas mal dimensionadas;

Força centrífuga;

Falta de placas de sinalização;

Vegetação muito alta e muito próxima da pista;

Drenagem insuficiente.

5. Orientações Para Evitar o Desgaste Físico ao Dirigir

Dirija com os braços e pernas ligeiramente flexionados e relaxados, evitando tensões;

Apóie o corpo junto ao banco o mais próximo de um ângulo de 90º;

Procure manter a cabeça junto ao encosto, sem forçar a musculatura do pescoço;

A posição das mãos sobre o volante, deve estar na posição do relógio, às 09 horas e 15 minutos;

Procure manter os calcanhares apoiados sobre o assoalho, evite manter os pés sobre os pedais quando não estiver usando-os;

Nunca dirigir ao fazer uso de bebidas alcoólica ou drogas;

Nunca dirigir fumando ou ao telefone celular;

Nunca dirigir se estiver utilizando remédios que modifiquem o comportamen- to psicofísico, de acordo com o seu médico;

Evite dirigir após ter participado de discussões com seus familiares ou no trabalho;

Evite dirigir sob forte tensão, ou acometido de forte emoção;

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Direção Defensiva

Evite dirigir quando estiver com sono, os ficar muito tempo sem dormir, dor- mir pouco ou dormir mal;

Evite dirigir logo após realizar refeições muito pesadas, que induzem ao sono;

Certificar-se que não há nenhum objeto que possa ser deslocado quando em movimento;

Dirigir com roupas confortáveis, e adequadas a temperatura ambiente, para não sentir muito frio e nem muito calor;

Sempre faça check-up completo para constatar problemas, como histórico de problemas cardio-vasculares, pressão arterial fora dos padrões normais, com suspeita de epilepsia, ou qualquer outro que possa colocar em risco as seguras condições de direção. Ao constatar, solicite imediatamente afasta- mento das funções de motorista, desde que comprovadamente orientado por médico responsável;

Esteja sempre em dia com os exames oftalmológicos, para uso de óculos ou lentes corretivas;

Enquanto dirige converse apenas o indispensável com a equipe de serviço;

Quando a ambulância em movimento, o rádio deverá ser acionado por outro integrante da equipe;

6. Inspeção Veicular

Todo veículo, inclusive a ambulância, dispõe de equipamentos e sistemas impor- tantes para evitar situações de perigo que possam levar a acidentes, como pneus, siste- ma de freios, iluminação, suspensão, direção, etc.

Todos os componentes e equipamentos do veículo, se desgastam com o uso; o desgaste de um componente pode prejudicar o funcionamento de outros e comprometer a segurança. Isso deve ser evitado, observando-se a vida útil e a durabilidade definida pe- los fabricantes dos componentes, dentro de condições específicas de uso.

É de responsabilidade do motorista, em toda passagem de serviço, ao assumir a ambulância, realizar a manutenção preventiva e verificar o funcionamento de itens obriga- tórios. A observação é simples seja pela inspeção do painel ou inspeção visual/manual.

Realizar uma ficha de vistoria da ambulância, para facilitar o acompanhamento das manutenções e as condições gerais da ambulância, onde deverá conter: Identificação da ambulância, kilometragem, data, nome do motorista e deixar um espaço para anotar ob- servações apontadas pelo motoristas que está saindo de serviço.

Deverá ainda verificar obrigatoriamente:

Indicador do nível de combustível;

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Observar os reservatórios do nível de óleo do motor, do sistema de freio, di- reção hidraúlica e sistema de transmissão (câmbio);

Certifique-se que não há vazamentos presentes, ou sinais de consumo ex- cessivo;

Aferir as condições dos filtros de ar e óleo; marcar na ficha de apontamentos a quilometragem para a troca destes itens;

Nível do reservatório da água do radiador e do reservatório do limpador do pára-brisa;

Palhetas do limpador do pára-brisa, se estiverem danificadas ou ressecadas, solicite a substituição;

Funcionamentos das luzes dos faróis, luzes baixa, média e alta;

Funcionamento dos piscas, da luzes traseira, luz de ré e de freio;

Verificar sirene,luzes de emergência;

Pneus : verifique as condições gerais, desgastes, profundidade dos sulcos, existência de deformidades;

Calibragem: deve ser feita para as ambulâncias, pelo menos uma vez a cada três dias, siga as recomendações do fabricante para as libras de pres- são necessárias (não esqueça do estepe);

Verifique, os cintos de segurança, freio de mão, espelhos retrovisores, extin- tor de incêndio;

Verificar as mangueiras (combustível, óleo e água), procurando por vaza- mentos, ressecamentos e encaixes, os quais podem romper as mesmas;

Verificar visualmente as correias, atenção para a kilometragem recomenda- da para troca pelo fabricante.

Importante, é anotar todas as alterações encontradas, repassar imediatamente ao responsável para que providencie a imediata substituição, avise sempre durante a passa- gem de serviço, mostrando a ficha de apontamentos para o motorista que estará assumin- do a ambulância; quando houver qualquer alteração das peças acima, bem como a troca ou complemento do óleo da e água, também deverá ser anotado para controle. Perceben- do qualquer tipo de situação anormal com a ambulância, barulhos que não são normais, falhas de acionamento elétrico ou do motor, sons estranhos, etc., comunicar imediatamen- te, para evitar que o problema se agrave. Não se esqueça a vítima pode ser você. Assim você estará fazendo a sua parte, cuidando do bem público, aumentando a vida útil do veí- culo.

7. Velocidade e Tempo de Reação

Do ponto de vista da segurança devemos estar sempre muito atentos na condução de um veículo, pois a qualquer momento pode ser necessário tomar uma ação rápida para evitar se envolver em um acidente de trânsito. Quando um motorista precisar frear

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Direção Defensiva

bruscamente, o seu automóvel deve ter uma distância mínima do veículo que segue à frente para garantir a sua segurança e a dos outros. Mesmo que as condições do motoris- ta, do automóvel, dos freios, dos pneus e do asfalto sejam as melhores possíveis, existe um determinado tempo para que o motorista possa reagir a uma situação de risco. Esse tempo é denominado TEMPO DE REAÇÃO que varia de pessoa para pessoa (+ ou – de 0,75 a 1,5 segundo) e é decorrente de um estímulo e uma reação efetiva do condutor (resposta). Já a DISTÂNCIA DE REAÇÃO é o espaço percorrido pelo veículo no instante em que o motorista percebeu uma situação de risco potencial a sua frente, até o momento em que ele acionou o sistema de freios do seu veículo. Do momento em que o motorista acionou o pedal de freios até o ponto em que o veículo parou – nesse segmento, que va- ria segundo o estado dos freios, dos pneus, das condições da via pública (seca, rugosa, lisa, molhada, aclive, declive) – essa distância percorrida pelo veículo é chamada de DIS- TÂNCIA DE FRENAGEM. Para sabermos qual é o espaço necessário para parar o veícu- lo, deve-se somar a distância de reação à distância de frenagem. Quando estamos logo atrás de outro veículo é indispensável que exista uma distância de segurança que nos permita imobilizar o automóvel sem colidir com o veículo da frente, em caso de uma frea- da ou manobra brusca. Essa distância varia de acordo com a velocidade desenvolvida e a permitida para o local. A tabela 3.1 nos proporcionará uma idéia dos tempos de reação, distância de reação e de velocidade, necessários para um veículo parar em diferentes ve- locidades:

Tabela 3.1 Tabela comparativa entre velocidade e distância de parada para automóveis

Velocidade

Distância de reação 3/4s.(m)

Distância de

Distância de

Km/h

frenagem (m)

parada (m)

40

8,33

7

15,33

50

10,41

13

23,41

60

12,50

18

30,5

70

14,58

25

39,58

80

16,67

33

49,67

90

18,75

41

59,71

100

20,83

51

71,83

110

22,91

62

84,91

120

25,00

74

99

130

27,08

87

114,08

140

29,16

100

129,16

150

31,24

115

146,24

160

33,32

131

164,32

170

35,41

149

184,41

180

37,48

167

204,48

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Existem vários tipos de colisão que podem acontecer com o seu veículo, e os com- portamentos perigosos dos condutores nas vias também são bem variados, mas o fator mais comum nos acidentes é não ter conseguido desviar ou parar a tempo o seu veículo, evitando a colisão.

8. Como Parar

Você, condutor defensivo, deve conhecer os tipos de paradas do veículo, tempo e distância necessários para cada uma delas.

tempo e distância necessários para cada uma delas. Fig 3.1 – Esquema de distancias para parar

Fig 3.1 – Esquema de distancias para parar

Distância de seguimento – É aquela que você deve manter entre o seu veículo e o que vai à frente, de forma que você possa parar, mesmo numa emergência, sem colidir com a traseira do outro. O ideal é manter a distância de aproximadamente dois segundos em relação a um ponto fixo.

Distância de reação – É aquela que seu veículo percorre, desde o momen- to que você vê a situação de perigo, até o momento em que pisa no freio. Ou seja, desde o momento em que o condutor tira o pé do acelerador até colocá-lo no freio. Varia de pessoa para pessoa, mas no geral está entre 0,75 e 1,5 segundos.

Distância de frenagem – É aquela que o veículo percorre depois de você pisar no freio até o momento total da parada. Você sabe que o seu veículo não pára imediatamente, não é mesmo?

Distância de parada – É aquela que o seu veículo percorre desde o mo- mento em que você vê o perigo e decide parar até a parada total do seu veí- culo, ficando a uma distância segura do outro veículo, pedestre ou qualquer objeto na via. Ou seja, é a soma da distância da reação com a distância da frenagem.

9. Distância Segura

Para você saber se está a uma distância segura dos outros veículos, vai depender das condições climáticas (sol ou chuva), da velocidade, das condições da via, dos pneus e do freio do carro, da visibilidade e da sua capacidade de reagir rapidamente.

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Direção Defensiva

Existem tabelas e fórmulas para você calcular esta distância, principalmen- te nas rodovias, mas como elas variam muito, e dependem além do tipo e peso do veículo, de outros fatores que também variam muito, o melhor é manter-se o

mais longe possível (dentro de um juízo de bom senso), para garantir a sua segurança.

Porém, para manter uma distância segura entre os veículos nas rodovias, sem a utilização de cálculos, fórmulas ou tabelas, vamos lhe ensinar a usar " o ponto de refe- rência fixo":

Observe a estrada à sua frente e escolha um ponto fixo de referência (à margem) como uma árvore, placa, poste, casa, etc.

Quando o veículo que está à sua frente passar por este ponto, comece a contar pausadamente: mil e um, mil e dois. (mais ou menos dois segundos).

Se o seu veículo passar pelo ponto de referência antes de contar (mil e um e mil e dois), deve aumentar a distância, diminuindo a velocidade, para ficar em segurança.

Se o seu veículo passar pelo ponto de referência após você ter falado as seis palavras, significa que a sua distância, é segura.

Este procedimento ajuda você a manter-se longe o suficiente dos outros veí- culos em trânsito, possibilitando fazer manobras de emergência ou paradas bruscas necessárias, sem o perigo de uma colisão.

paradas bruscas necessárias, sem o perigo de uma colisão. Fig 3.1 – Esquema de distancia segura

Fig 3.1 – Esquema de distancia segura

10. Dirigindo uma Ambulância

10.1. Responsabilidade do Motorista de uma Ambulância

No atendimento pré-hospitalar a vítimas de emergências, o papel do motorista da equipe reveste-se especial importância, sem ele a unidade de atendimento não se deslo- ca e dele depende a segurança do conjunto socorrista-vítima, adotado em sua cidade:

Para desempenhar bem o seu papel o motorista da unidade de emergência deve:

Ser habilitado, atualmente o CTB, exige a categoria “D”, para ser motorista de ambulância;

Ter feito pelo menos um curso de direção defensiva;

Conhecer a cidade e dominar seu sistema viário, conhecendo as principais referências para se situar em qualquer bairro;

Saber situar com rapidez o destino para o qual é despachado e saber obter informações adicionais da central de operações, via rádio, para melhor loca- lizar o destino exato;

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Decidir-se pelo caminho mais rápido e seguro e dirigir-se diretamente para o local;

Dirigir com a rapidez possível, dando prioridade total á segurança da ambu- lância e sua equipe, dos demais veículos e seus ocupantes e dos pedestres;

Estacionar a ambulância cuidadosamente e em segurança;

Participar do atendimento da vítima (o ideal é que o motorista também seja socorrista);

Conhecer as lesões apresentadas pela vítima e o tipo de atendimento que deverá receber em rota, dirigindo de modo compatível com a segurança;

Cuidados com freadas bruscas, lombadas, deformações na pista, evitando agravar as lesões;

Usar o caminho menos acidentado e mais direto para o hospital destinado a receber vítima;

Usar de modo apropriado a sinalização da ambulância;

Administrar seu tempo de folga garantindo repouso pessoal adequado a um desempenho seguro.

10.2. Sinalização da Ambulância

A sinalização da ambulância tem por finalidade assinalar aos demais motoristas e

pedestres a presença de um veículo deslocando-se em regime de urgência, seja para chegar a um local onde um atendimento foi requisitado, seja por estar transportando uma pessoa em estado crítico, necessitando chegar a um hospital ao menor tempo possível, com segurança máxima. Somente nestes casos está indicado e justificado o uso da sinali- zação especial do veículo.

A sinalização tem limitações no seu alcance, não garante que todos irão percebe-

la, nem tampouco garante que aqueles que perceberam vão colaborar e lhe dar passa- gem. Ou seja, embora usando toda a sinalização disponível, ainda assim o condutor da ambulância deve tomar todos os cuidados prescritos pela prática da direção defensiva.

A luz vermelha é mais eficaz como sinalização dirigida para os veículos que transi-

tam em sentido oposto. A sirene é mais efetiva para alertar os motoristas dos veículos à frente da ambulância, devendo ser ligada com antecedência, para ser ouvida de longe (acionar a sirene logo atrás do veículo da frente pode assustar o motorista, fazendo-o fre-

ar bruscamente, com risco de colisão). O comportamento desejado (e nem sempre produ- zido) é de que o condutor do veículo à frente libere a passagem, retirando seu veículo o mais o para a direita possível e parando até que o veículo de emergência ultrapasse. Quando mais de um veículo de emergência está em deslocamento, a distância mínima entre eles deve ser de 150 metros. Veículos de emergência não devem se ultrapassar.

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Direção Defensiva

10.3. Transportando uma Vítima

Poucas emergências exigem o deslocamento urgente para o hospital. Entre elas destaca-se a hemorragia incontrolável e os casos de nível 3. Mesmo neste caso, entretan- to, a segurança continua tendo prioridade sobre a urgência, uma vez que um acidente en- volvendo a ambulância produzirá considerável atraso na chegada da vítima ao seu desti- no.

Nas emergências em que o diagnóstico pré-hospitalar da vítima não seja muito gra- ve (nível 1 e 2), portanto, em que a urgência seja relativa, o deslocamento suave impede que as lesões apresentadas pela vítima sofram agravos secundários, decorrentes de sola- vancos, deslizamentos e deslocamentos, sendo de todo desejável. Isto é particularmente verdadeiro se a vítima apresenta fraturas, especialmente aquelas com lesão associada de vasos sangüíneos e nervos.

Nos pacientes com problemas cardiológicos, o tranporte deve ser o menos turbu- lento possível. São pacientes que experimentam uma aguda sensação de morte iminente, que pode ser acentuada pela remoção tumultuada. Em princípio está contra indicado o

uso da sinalização da ambulância, especialmente a sirene. Se o paciente encontra-se em parada cardio-respiratória, é claro que há urgência em se chegar ao hospital. Entretanto,

a equipe não pode manter uma RCP adequada se a ambulância estiver se deslocando em alta velocidade, o que impede manobras efetivas.

Pacientes psiquiátricos também se sentem melhor e mais cooperativos se transpor- tados sem a sinalização sonora.

Nas emergências obstétricas, o transporte também deve ser calmo e cuidadoso. Se

o parto se desencadeia, o melhor a fazer é estacionar a ambulância em segurança e aju- dar na realização do mesmo e no cuidado do recém-nato, após o que pode-se prosseguir até o hospital.

10.4. Seqüência de Procedimentos ao Estacionar a Ambulância

Aproximar-se do local da emergência com cautela;

Avaliar a área de estacionamento a ser utilizada;

Observar as condições de risco do local para pessoas e coisas;

Decidir sobre o local de estacionamento com base no emprego da ambulân- cia, facilitando o embarque da vítima;

Avisar o COBOM de sua chegada e das condições encontradas;

Estacionar de forma que se permita , se possível, a fluidez do trânsito, dei- xando espaço para outras viaturas;

Posicionar as viaturas de forma a proteger as guarnições;

Calçar a viatura e estabilizá-la quando for o caso;

Sinalizar a viatura e o local escolhido;

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Isolar a área;

Informar o COBOM sobre as áreas de estacionamento, e qualquer informa- ção que auxilie as outras viaturas que poderão ser deslocadas ao sinistro.

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Cinemática do Trauma

CAPÍTULO 4

CINEMÁTICA DO TRAUMA

1. Introdução

Trauma é uma lesão caracterizada por uma alteração estrutural ou fisiológica resul- tante da ação de um agente externo que resulta na exposição a uma energia (mecânica, térmica, elétrica), esta energia pode ter origens bio-físico-químicas.

As mortes ocasionadas por traumas ocupam entre a segunda ou terceira posição geral na morbidade dos países, (perdendo apenas para as doenças cardiovasculares e neoplasias). Porém entre os indivíduos das faixas etárias inferiores a 40 anos é a principal causa de morte.

Cada vítima de trauma aparenta ter suas próprias apresentações de lesões, mas na verdade muitos pacientes possuem métodos similares de traumatismos. O conheci- mento destes mecanismos de lesões permitirão ao médico e socorrista um rápido diag- nóstico ou pelo menos a suspeita das lesões através de métodos usuais.

No atendimento inicial do traumatizado devemos apreciar criteriosamente os meca- nismos que produziram os ferimentos. Entendendo os mecanismos de trauma e manten- do um alto grau de suspeita, o socorrista ganha em aptidão para diagnosticar os ferimen- tos ocultos e um precioso tempo na instituição do tratamento. Todo ferimento potencial- mente presente deve ser investigado, tendo em vista o mecanismo de trauma em ques- tão.

“Saber onde procurar lesões e tão importante quanto saber o que fazer após encon- tra-las”

Embora existam vários mecanismos de trauma os mais comuns relacionam-se com

o movimento, respondendo pela maioria das mortes por trauma.

Cinemática do Trauma é portanto o processo de análise e avaliação da cena do acidente, com o escopo de se estabelecer um diagnóstico o mais precoce possível das le- sões resultantes da energia, força e movimentos envolvidos. Através da cinemática do trauma o socorrista pode informar ao médico intervencionista e/ou regulador dados de suma importância para o tratamento mais adequado a ser dispensado na fase hospitalar,

e também guiar seu próprio atendimento pré-hospitalar. Esta ciência é baseada em princí- pios fundamentais da física:

- Primeira Lei de Newton -"Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em linha reta, a menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças impressas a ele." - Princípio da Inércia. (Mesmo que um carro colida e pare, as

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

pessoas no seu interior continuam em movimento até colidirem com o painel, direção, pa- rarias etc.)

Mas, por que este repentino início ou parada de movimento resulta em trauma ou lesões? Esta questão é respondida por um segundo princípio da Física:

A energia pode ser transformada de uma forma em outra em um sistema isolado, mas não pode ser criada ou destruída; a energia total do sistema sempre permanece constante”. Considerando-se o movimento de um carro como uma forma de energia (energia cinética), quando o carro colide, esta forma de energia é transformada em outras (mecânica, térmica, elétrica, química).

Considerando que E = m. V² ,

sendo E = energia cinética (movimento)

2 m = massa (peso) V = velocidade

Conclui-se que quanto maior a velocidade, maior a troca de energia resultando as- sim em maiores danos aos organismos envolvidos.

Para que um objeto em movimento perca velocidade é necessário que sua energia de movimento seja transmitida a outro objeto. Esta transferência de energia ocorre quan- do, por exemplo um objeto em movimento colide contra o corpo humano ou quando o cor- po humano em movimento é lançado contra um objeto parado, os tecidos do corpo huma- no são deslocados violentamente para longe do local do impacto pela transmissão de energia, criando uma cavidade, este fenômeno chama-se cavitação. A avaliação da ex- tensão da lesão tecidual é mais difícil quando não existe penetração cutânea do que quando há uma lesão aberta. Por exemplo, um soco desferido no abdome pode deformar

Por exemplo, um soco desferido no abdome pode deformar Fig 4.1 – Fenômeno da cavitação gerando
Por exemplo, um soco desferido no abdome pode deformar Fig 4.1 – Fenômeno da cavitação gerando

Fig 4.1 – Fenômeno da cavitação gerando cavidade temporária e definitiva nos ferimentos por projétil de arma de fogo

profundamente a parede abdominal sem deixar marcas visíveis externamente, mas com lesão de órgãos abdominais internos. Por isso é obrigatório pesquisar a história do evento traumático. Uma cavidade com deformação visível após um impacto é definida como per- manente. Já uma cavidade (ou deformidade) não visualizada quando o socorrista ou mé- dico examina a vítima é definida como temporária, na qual o tecido retorna para a sua po- sição normal. A diferença entre as duas está relacionada a elasticidade dos tecidos.

- 61 -

Cinemática do Trauma

Analisando o mecanismo de trauma é possível ao socorrista estimar o tamanho da cavidade no momento do impacto, assim como as demais lesões decorrentes do mesmo.

2. Fases da Cinemática do Trauma

Na avaliação da cinemática do evento que possa causar traumatismos em um indiví- duo podemos dividir sua evolução em 3 fases: Pré-colisão, Colisão e Pós-colisão. (Consideremos a colisão não apenas como acidente automobilístico mas também colisão de qualquer objeto, corpo ou forma de energia contra o corpo humano).

2.1. Pré-colisão: A história do incidente traumatizante começa com a pré-colisão com dados como ingestão de álcool ou drogas, doenças preexistentes, condições climáticas e ainda tamanho, peso, idade e sexo da vítima e/ou agressor.

2.2. Colisão: A segunda e talvez a mais importante fase na anamnese do trauma é a “fase da colisão propriamente dita”, fase esta que começa quando um objeto colide com outro e ocorre uma transmissão de energia entre eles. Os objetos podem estar em movimento ou um deles estacionado, e qualquer um dos objetos ou ambos, podem ser um corpo humano. Esta fase começa pelo início das trocas e transformações energéticas entre os corpos e termina quando a ação energética se extingue ou deixa de atuar sobre o organismo da vítima.

São considerações importantes para o atendimento:

A direção na qual a variação de energia ocorreu.

Quantidade de energia transmitida.

Forma com que estas forças afetaram o paciente. (Exemplo: altura da queda, calibre da arma, tamanho da lâmina).

2.3. Pós-colisão: As informações conseguidas nas fases anteriores são usadas para melhor abordagem da vítima na fase pós-colisão, fase esta que inicia tão logo a energia se extingua ou deixe de atuar sobre o organismo da vítima.

3. Trauma

Penetrante

Contuso

x

Trauma

Está diretamente relacionado ao ta- manho da superfície de contato do objeto contra o corpo no momento do impacto.

Se toda a energia do objeto está concentrada numa pequena área de con- tato com a superfície do corpo, se espera que a pele se rompa e o objeto penetre no corpo (trauma penetrante). Por outro

e o objeto penetre no corpo (trauma penetrante). Por outro Fig 4.2 – Trauma contuso -

Fig 4.2 – Trauma contuso - Apenas cavidade temporária

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

lado, um objeto grande, a energia vai se espalhar por uma grande área da superfície cor- poral e a pele pode não ser rompida (trauma contuso). Da mesma forma podemos con- cluir que o trauma contuso cria uma cavidade temporária, já no trauma penetrante a cavi- dade pode ser temporária ou definitiva. Por exemplo: um projétil de arma de fogo, rompe e penetra na pele cavidade definitiva — e no seu trajeto pelo corpo pode provocar deslo- camento de tecidos no sentido frontal e lateral — cavidade temporária.

De acordo com o exposto, podemos deduzir que o efeito do conjunto de forças que resulta em lesões corporais está diretamente relacionado ao conhecimento da anatomia do corpo humano e das diversas formas de energia.

anatomia do corpo humano e das diversas formas de energia. Fig 4.3 – Trauma penetrante cavidade

Fig 4.3 – Trauma penetrante cavidade temporária e definitiva

Considerando-se portanto, a relevância do movimento nos mecanismos de trauma, é obrigatória a análise clínica da vítima focada nos aspectos relacionados a cinemática dos corpos en- volvidos na cena do acidente.

O conhecimento da ocorrência de permuta de energia e de suas variáveis pela equipe de resgate, tem grande importân- cia prática. Isto pode ser evidenciado quando se compara duas equipes que atendem um motorista que se chocou violentamen- te contra o volante. A que conhece cinemática do trauma, mes- mo não reconhecendo lesões externas, saberá que ocorreu uma cavitação temporária e uma grande desaceleração suspei- tando de lesões de órgãos intratorácicos. Com isso, a conduta será mais agressiva, minimizando a morbi-mortalidade dos pa- cientes. Já a que não tem estes conhecimentos, não suspeitará de lesões de órgãos intratorácicos, retardando o diagnóstico e conduta das mesmas, influenciando diretamente na sobrevida dos pacientes.

4. Mecanismos de Lesão

4.1. Acidente Automobilístico – Colisão Frontal

4.1.1. Cabeça e Pescoço: Quando a cabeça colide contra o para-brisa geralmente ocorrem ferimentos corto-contusos em crânio e face, com possíveis lesões nos olhos, o crânio pode ser ainda comprimido e fraturado ocorrendo a penetração de fragmentos ósseos no cérebro. A coluna cervical sofre uma violenta compressão podendo ser angulada além de seus limites anatômicos, podendo sofrer luxações e/ou rupturas de vértebras com consequentes lesões aos tecidos moles do pescoço e medula espinhal.

com consequentes lesões aos tecidos moles do pescoço e medula espinhal. Fig 4.4 – Colisão frontal

Fig 4.4 – Colisão frontal em crânio

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Cinemática do Trauma

4.1.2. Tórax e Abdômen: Durante uma colisão, o movimento do corpo é suspenso, mas os órgãos da cavidade torácica e abdominal tendem a continuar o movimento para frente, estando sujeitos a se romperem no ponto onde estão ligados à

sujeitos a se romperem no ponto onde estão ligados à Fig 4.5 – Ações em crânio

Fig 4.5 – Ações em crânio e pescoço

Fig 4.6 – Colisão frontal em tórax

parede torácica e abdominal, como no pedículo vascular de órgãos (aorta ascendente, rins, baço, intestino delgado e grosso). Outra situação em conseqüência da desaceleração é a laceração do fígado, geralmente pela compressão do abdômen contra o volante. Com o aumento de pressão no abdômen, pode haver ruptura do diafragma.

de pressão no abdômen, pode haver ruptura do diafragma. Fig 4.7 – Lesões produzidas pelo impacto

Fig 4.7 – Lesões produzidas pelo impacto de tórax em colisão frontal

4.1.3. Joelho:

Quando o ocupante do veículo continua o movimento para a frente e para baixo depois que o carro para, o impacto do joelho contra o painel do veículo resulta em sua fratura ou luxação, com lesão de vasos

resulta em sua fratura ou luxação, com lesão de vasos Fig 4.8 – Ações em abdome

Fig 4.8 – Ações em abdome e membros inferiores

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que, se não detectada, pode levar até à amputação da perna.

A energia do impacto do joelho contra o painel, se transmitida, causa fratura de fêmur e/ou fratura e luxação de quadril. Esse tipo de fratura costuma provocar forte hemorragia, pondo em risco a vida da vítima.

4.2. Acidente Automobilístico – Colisão Traseira

Se o veículo parado ou que se desloca lentamente sofre colisão na parte traseira, a energia do impacto provoca aceleração rápida e o lança à frente, as- sim como tudo o que está em contato com ela. Se não houver apoio para a cabe- ça, pode acontecer a hiperextensão do pescoço e o risco de lesão na medula es-

pinhal. Geralmente, após a aceleração rápida, o veículo é obrigado a parar subi- tamente e seus ocupan- tes lançados para a frente, como no meca- nismo de colisão frontal. Como o veículo sofre dois tipos de impacto (frontal e traseiro), o so- corrista ficará atento a essa possibilidade e, na cena do acidente, bus- cará as lesões relacio-

nadas aos dois tipos de situação.

as lesões relacio- nadas aos dois tipos de situação. Fig 4.9 – Colisão traseira - risco

Fig 4.9 – Colisão traseira - risco de trauma cervical

4.3. Acidente Automobilístico – Colisão Lateral

O veículo sofre colisão na sua lateral, causando deslocamento no sentido do impacto. Toda a lataria do veículo é lançada sobre o lado do ocupante, que sofrerá lesões por duas maneiras:

Pelo movimento do carro - lesão bem-discreta se o passageiro estiver com o cinto de segurança.

se o passageiro estiver com o cinto de segurança. Fig 4.10 – Colisão lateral Pela projeção

Fig 4.10 – Colisão lateral

Pela projeção da porta para interior, comprimindo o passageiro.

Recebendo o impacto no tórax, haveria fratura de costelas pelo lado da colisão, além de contusão pulmonar, tórax instável, ruptura de fígado ou baço. A compressão

o

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Cinemática do Trauma

do ombro contra a clavícula causaria fratura desse osso.

A força lateral aplicada pela porta do veículo sobre a cabeça do fêmur,

forçando-o medialmente, resultaria em sua fratura e em fratura da pelve.

A coluna cervical está sujeita a flexão lateral e rotação pelo impacto lateral, e a

combinação desses dois movimentos é responsável por lesões graves de coluna

cervical.

O

socorrista

também

deve

estar

atento

à

possibilidade

de

colisão

dos

ocupantes do veículo entre si, principalmente entre cabeças e ombros.

4.4. Acidente Automobilístico – Capotamento

e ombros. 4.4. Acidente Automobilístico – Capotamento Fig 4.10 – Capotamento Num capotamento, o carro sofre

Fig 4.10 – Capotamento

Num capotamento, o carro sofre uma série de impactos em diferentes ângulos, assim como os ocupantes do veículo e seus órgãos internos. Assim, todos os tipos de ferimentos mencionados anteriormente podem ser esperados, além da probabilidade de trauma de coluna vertebral. Se as vítimas forem ejetadas do veículo (por estarem sem cinto de segurança), a situação geralmente é grave.

4.5. Cinto de Segurança

A maior parte das vítimas com as lesões descritas anteriormente não estava

utilizando o cinto de segurança. Vinte e sete por cento (27%) das mortes que ocorrem

nos acidentes de trânsito se devem ao fato de as vítimas serem ejetadas do veículo. Estas têm seis vezes mais chances de morrer. Entre as vítimas que não vão a óbito, grande parte sofre trauma de coluna e fica com seqüelas graves.

As estatísticas comprovam que o cinto de segurança realmente salva vidas, considerando-se mais adequado aquele que cruza tórax e abdômen e atravessa a pelve (cinto de 3 pontos).

tórax e abdômen e atravessa a pelve (cinto de 3 pontos). Fig 4.11 – Uso do

Fig 4.11 – Uso do cinto de 3 pontos

Nos acidentes automobilísticos cujas vítimas utilizam o cinto de segurança, as lesões geralmente são poucas e de menor gravidade.

Quando o cinto utilizado apóia

somente a pelve, a energia do impacto é absorvida pelos tecidos moles da cavidade

abdominal, em retroperitônio, predispondo a lesões de órgãos abdominais internos.

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Ainda assim, seguramente, as lesões são menos graves do que as de quem não usa qualquer cinto de segurança.

Para crianças até 10 anos de idade é obrigatória a permanência no banco traseiro do veículo, e ainda existem cuidados especiais conforme a tabela abaixo:

Tabela 4.1 Tabela de fixação de segurança em veículos para bebês e crianças

Peso & Idade

Até 13 Kg ou 1 ano de idade

Posição

Voltada para a traseira do veículo, com leve inclinação das costas

De 13

a

18

Kg ou

Voltada

para

frente

na

posição

até 4 anos de idade.

vertical

De

18

a

36

Kg ou

até 10 anos de idade

No banco traseiro com cinto de 3

se altura

inferior a

pontos

1,45 m

 

Equipamento

Bebê conforto

a pontos 1,45 m   Equipamento Bebê conforto Fig 4.12 – Bebê conforto Cadeirinha de segurança

Fig 4.12 – Bebê conforto

Cadeirinha de segurança

Fig 4.12 – Bebê conforto Cadeirinha de segurança Fig 4.13 – Cadeirinha de segurança Assento de

Fig 4.13 – Cadeirinha de segurança

Assento de elevação

Fig 4.13 – Cadeirinha de segurança Assento de elevação Fig 4.14 – Assento de elevação Obs:

Fig 4.14 – Assento de elevação

Obs:

– Para garantir a segurança a cadeirinha deve estar corretamente instalada.

– O cinto de segurança do carro deve passar pelos locais indicados no equipamento, e não deve mover mais que 2 cm para os lados após a fixação.

– Leia atentamente as instruções do equipamento e o manual do veículo.

– Só compre cadeirinha que tenha o selo de certificação do INMETRO

Fonte: DETRAN-PR

4.6. "Airbag"

Bastante útil na colisão frontal, o air bag absorve a energia lentamente, aumentando a distância de parada do corpo na desaceleração rápida, o que amortece o impacto do corpo contra o interior do veículo.

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Cinemática do Trauma

Não registra grande benefício na colisão lateral, na colisão traseira, no capotamento e tampouco numa segunda colisão, visto que ele desinsufla rapidamente após o impacto.

visto que ele desinsufla rapidamente após o impacto. Fig 4.15 – Ação do Airbag Fig 4.16

Fig 4.15 –

Ação do Airbag

rapidamente após o impacto. Fig 4.15 – Ação do Airbag Fig 4.16 – Cinto de três

Fig 4.16 –

Cinto de três pontos e Airbag

O air bag deve associar-se ao uso do cinto de segurança.

4.7. Acidente Automobilístico – Acidente de Motocicleta

Os acidentes de motocicleta são responsáveis por grande número de mortes todos os anos. O mecanismo de trauma é o mesmo da colisão de veículo e segue as leis da Física.

O uso do capacete previne lesões de face e crânio.

Numa colisão frontal contra um objeto, a moto inclina-se para a frente e o motociclista é jogado contra o guidom, esperando-se trauma de cabeça, tórax e abdômen. Caso pés e pernas permaneçam fixos no pedal e a coxa colida contra o guidom, pode ocorrer fratura bilateral de fêmur.

Na colisão lateral do motociclista, geralmente há compressão de membros inferiores provocando fraturas de tíbia e fíbula.

membros inferiores provocando fraturas de tíbia e fíbula. Fig 4.17 – Acidentes com motocicletas. Nos casos

Fig 4.17 – Acidentes com motocicletas.

tíbia e fíbula. Fig 4.17 – Acidentes com motocicletas. Nos casos de colisão com ejeção do

Nos casos de colisão com ejeção do motociclista, o ponto de impacto determina

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a lesão, irradiando-se a energia para o resto do corpo. Como nos automobilísticos, geralmente as lesões são muito graves nesse tipo de acidente.

4.8. Acidente Automobilístico – Atropelamento

Na abordagem de vítima de atropelamento, é importante conhecer sua idade, pois existem mecanismos distintos de trauma entre adultos e crianças. Quando o adulto percebe estar prestes a ser atropelado, ele se vira de costas para o veículo, na tentativa de se proteger; logo, as lesões se localizam nas regiões posterior e lateral do corpo. Por outro lado, as crianças encaram o veículo atropelador de frente.

Existem três fases no atropelamento:

Impacto inicial nas pernas, às vezes atingindo coxa e quadril;

Tronco lançado contra o capô do veículo;

Vítima caída no asfalto – geralmente o primeiro impacto na cabeça, com possibilidade de trauma de coluna cervical.

Concluímos que se espera grande número de lesões em vítima de atropelamento, conforme análise de cada fase: fraturas de tíbia e fíbula, de pelve e terço superior de fêmur, trauma de tórax, abdômen e coluna vertebral, traumatismo craniano.

Na avaliação da cena do acidente, o socorrista deve determinar se, após o atropelamento a vítima não foi atropelada uma segunda vez por veículo que trafegava próximo.

Na criança, pelo fato de ser menor em altura, o fêmur ou pelve pode sofrer o primeiro impacto e fraturar já na primeira fase. Seguem trauma de tórax, cabeça e face. Lesões intratorácicas em crianças inicialmente seriam assintomáticas, devendo o socorrista estar atento a essa possibilidade.

devendo o socorrista estar atento a essa possibilidade. Fig 4.18 – Atropelamento. 4.9. Quedas A queda

Fig 4.18 – Atropelamento.

4.9. Quedas

A queda se caracteriza por uma desaceleração vertical rápida.

No atendimento às vítimas de queda, o socorrista deve conhecer:

altura da queda;

tipo de superfície com que a vítima colidiu. Exemplos: gramado, concreto etc.;

parte do corpo que sofreu o primeiro impacto.

Como a velocidade na queda aumenta com a altura, grandes alturas

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Cinemática do Trauma

predispõem a lesões mais graves.

Como referência, considera-se grave a queda de altura três vezes maior que a altura da vítima.

Chamamos de "síndrome de Don Juan" a queda de altura com aterrissagem pelos pés. Conforme a altura, acontece fratura bilateral de calcâneos. Após os pés, as pernas são as próximas partes a absorver a energia - fratura de tornozelos, ossos longos e quadril. No terceiro momento, verificar fratura com compressão de coluna torácica e lombar.

Se a vítima apóia as mãos na queda, espera-se fratura de punho.

Assim, cabe-nos determinar a parte do corpo que sofreu o primeiro impacto e, conseqüentemente, deduzir as lesões relacionadas.

4.10. LESÕES POR EXPLOSÃO

Essas lesões, antes relacionadas somente aos períodos de guerra, estão tornando-se cada vez mais comuns no mundo civilizado, visto acontecerem em refinarias, lojas de fogos de artifício, estaleiros, indústrias, minas e também em domicílios, pela explosão de botijões de gás.

A explosão tem três fases:

Causada pela onda de pressão proveniente da explosão, atinge particularmente órgãos ocos ou contendo ar, como pulmões e aparelho gastrointestinal. Podem ocorrer sangramento pulmonar, pneumotórax, perfuração de órgãos do aparelho digestivo. A onda de pressão rompe a parede de pequenos vasos sangüíneos e também lesa o sistema nervoso central. A vítima morre sem que se observem lesões externas. O socorrista, sempre atento a essas possibilidades, pesquisa sinais de queimadura nas áreas descobertas do corpo.

Em

vítima

atingida

por

estilhaços

e

outros

materiais

provenientes

da

explosão,

é

possível

encontrar

lace

rações,

fraturas,

queimaduras

e

perfurações.

Se a vítima é lançada contra um objeto, haverá lesões no ponto do impacto e a força da explosão se transfere a órgãos do corpo. Elas são aparentes e muito similares àquelas das vítimas ejetadas de veículos ou que sofrem queda de grandes alturas.

5. Traumas Penetrantes

5.1. Ferimentos Por Arma Branca

A gravidade dos ferimentos por arma branca depende das regiões anatômicas atingidas, da extensão da lâmina e do ângulo de penetração, lembrando que o ferimento no abdômen superior pode atingir o tórax, e ferimentos abaixo do quarto espaço intercostal, podem penetrar o abdômen.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

É fundamental, no atendimento pré- hospitalar de ferimentos por arma branca, cuja lâmina ainda se encontre alojada no corpo, não remover o objeto e, sim, imobiliário junto ao corpo e transportar rapidamente a vítima ao hospital.

A lâmina pode estar promovendo compressão das extremidades vasculares, o que contém hemorragias, só devendo ser removida em ambiente hospitalar.

5.2. Ferimentos Por Arma de Fogo

em ambiente hospitalar. 5.2. Ferimentos Por Arma de Fogo Fig 4.19 – Lesão por arma branca.

Fig 4.19 – Lesão por arma branca.

No atendimento a vítimas de acidentes por arma de fogo, o sococorrista tenta informar-se sobre o tipo da arma, seu calibre e a distância de onde foi disparada.

Calibre - diâmetro interno do tambor, que corresponde ao calibre da munição usada por aquela arma em particular.

Munição - usualmente projéteis construídos em liga de chumbo sólido que apresentam ou não uma jaqueta parcial de aço ou cobre; formato arredondado, chato, cônico ou pontiagudo; extremidade anterior do projétil macio ou côncavo para favorecer expansão e fragmentação.

macio ou côncavo para favorecer expansão e fragmentação. Fig 4.20 – Revolver calibre .38. Armas de

Fig 4.20 – Revolver calibre .38.

Armas de alta e de baixa velocidade - as que aceleram os projéteis a

velocidades mais baixas são menos letais, incluindo-se aqui todas as armas de

mão e alguns rifles. Ferimentos com essas armas são menos destrutivos que os

produzidos por projéteis que alcançam altas velocidades, embora também

causem ferimentos letais, dependendo da área de impacto.

causem ferimentos letais, dependendo da área de impacto. Fig 4.21 – Rifles altamente letais que disparam
causem ferimentos letais, dependendo da área de impacto. Fig 4.21 – Rifles altamente letais que disparam

Fig 4.21 – Rifles altamente letais que disparam projéteis em alta velocidade.

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Cinemática do Trauma

Fatores que contribuem para o dano tecidual.

Tamanho do projétil - quanto maior o projétil, maior a resistência oferecida pelos tecidos e maior a lesão produzida por sua penetração.

Deformidade do projétil - projéteis de "extremidade anterior macia" achatam-se na ocasião do impacto, resultando no comprometimento de superfície maior.

Projétil com jaqueta - a jaqueta se expande e amplia a superfície do projétil.

Giro - o giro do projétil amplia seu poder de destruição.

Desvio - o projétil pode oscilar vertical e horizontalmente ao redor do seu eixo, ampliando a área de destruição.

Distância

produzida.

do

tiro

-

quanto

mais

próximo

o

disparo,

maior

a

lesão

Densidade dos tecidos atingidos - o dano produzido é proporcional à densidade do tecido.

Órgãos altamente densos, como ossos, músculos e fígado, sofrem mais danos do que os menos densos, lembrando que, ao percorrer o corpo, a trajetória da bala nem sempre será retilínea, sofrendo desvios e atingindo órgãos insuspeitados, considerando os orifícios de entrada e saída.

Ferida

de

entrada;

Geralmente

óbvia,

pode

não

ser

identificada

se

a

vítima

não

for

completamente

despida

e

examinada.

Ferida de saída; Nem sempre existe (se o projétil não abandonar o corpo) e pode ser múltipla para um único projétil, devido à sua fragmentação ou à de ossos. Geralmente a ferida de saída é mais

ou à de ossos. Geralmente a ferida de saída é mais Fig 4.22 – FAF em

Fig 4.22 – FAF em tórax com orifício de entrada anterior e orifício de saída posterior.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

larga que a de entrada e apresenta bordos lacerados.

Feridas internas; Projéteis em baixa velocidade danificam principalmente os tecidos com os quais entram em contato. A alta velocidade produz prejuízos a distância, lesando tanto os tecidos com que o projétil faz contato, como transferindo energia cinética aos tecidos em redor. Nesse caso, a lesão é produzida por ondas de choque e pela formação de uma cavidade temporária ao redor da bala, com diâmetro trinta a quarenta vezes maior que o dela própria, criando imensa pressão nos tecidos.

Com relação ao atendimento de paciente com ferimento por arma de fogo, transportá-Io rapidamente ao hospital, principalmente se o ferimento atingir cabeça, tórax e abdômen. Mesmo pessoas atingidas enquanto usavam coletes à prova de bala podem apresentar contusões orgânicas graves, sendo mais sérias a miocardíaca e a pulmonar.

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Equipamentos Utilizados no Atendimento Pré-Hospitalar

CAPÍTULO 5

EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR

1. Introdução

No atendimento a uma situação de emergência é essencial que a viatura destinada a atender estes tipos de ocorrência, esteja equipada com todo o equipamento e material indispensável a oferecer assistência pré-hospitalar a vítima traumatizada. Além disso, a guarnição escalada na viatura deve estar perfeitamente treinada, com conhecimento pro- fundo quanto à identificação rápida dos equipamentos e materiais, bem como, das técni- cas de utilização dos mesmos, tornando assim o atendimento ágil e eficiente.

2. Classificação dos Equipamentos e Materiais

Para fins didáticos, estaremos classificando os equipamentos e materiais da se- guinte forma:

Equipamentos de comunicação móvel e portátil;

Equipamentos para segurança no local do acidente;

Equipamentos de reanimação e administração de oxigênio;

Equipamentos de imobilização e fixação de curativos;

Materiais utilizados em curativos;

Materiais de uso obstétrico;

Equipamentos para verificação de sinais vitais;

Macas e acessórios;

Equipamentos de uso exclusivo do médico.

3. Definição dos Equipamentos e Materiais

3.1. Equipamentos de Comunicação Móvel e Portátil:

Equipamentos de comunicação móvel, - rádi- os VHF/FM: são os mais utilizados no Corpo de Bombeiros, são capazes de identificar chamadas possuindo no mínimo 16 canais à 64 canais. Pos- suem scan com prioridade dupla e grande visor alfanumérico de 14 caracteres.

Pos- suem scan com prioridade dupla e grande visor alfanumérico de 14 caracteres. Fig 5.1 –

Fig 5.1 – Rádio móvel

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Equipamentos de comunicação portátil - rádios VHF/FM: O rádio Portátil possui várias opções e carac- terísticas que destacam seu desempenho sendo utiliza- dos no Corpo de Bombeiros modelos que possuem desde 16 canais à 64 canais, sem visor ou com visor al- fanumérico de 8 caracteres, várias faixas de freqüência PL/DPL, VOX integrada e múltiplas opções de baterias.

PL/DPL, VOX integrada e múltiplas opções de baterias. Fig 5.2 – Rádio portátil 3.2. Equipamentos para

Fig 5.2 – Rádio portátil

3.2. Equipamentos para Segurança no Local do Acidente

Equipamento de proteção individual – este conjunto de equipamentos destinam-se a proteção do socorrista e da víti- ma, objetivando evitar a transmissão de doen- ças, seja pelo contato com a pele ou através da contaminação das mucosas; materiais de uso obrigatório no atendimento no interior das viatu- ras do Corpo de Bombeiros: luvas descartáveis, máscara de proteção facial, óculos de proteção,

máscara de proteção facial, óculos de proteção, Fig 5.3 – EPI aventais e capacetes (em locais

Fig 5.3 – EPI

aventais e capacetes (em locais de risco iminen- te de acidentes)

e capacetes (em locais de risco iminen- te de acidentes) ● Equipamento de segurança no local
e capacetes (em locais de risco iminen- te de acidentes) ● Equipamento de segurança no local

Equipamento de segurança no local – este con- junto de equipamentos destinam-se a garantir a se- gurança das guarnições no local do acidente, bem como, das vítimas envolvidas e da população em geral; destacam-se entre esses materiais os cones de sinalização, lanternas, fitas para isolamento e ex- tintores de incêndios.

Fig 5.4 – Equip. Segurança

3.3. Equipamentos de Reanimação e Administração de Oxigênio

Cânula orofaríngea ou Cânula de Guedel – equipamento destinado a garantir a permeabili- dade das vias áreas em vítimas inconscientes devido a queda da língua contra as estruturas do palato, promovendo a passagem de ar através da orofaringe. Possui vários tamanhos

promovendo a passagem de ar através da orofaringe. Possui vários tamanhos Fig 5.5 – Cânula orofaríngea

Fig 5.5 – Cânula orofaríngea

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Equipamentos Utilizados no Atendimento Pré-Hospitalar

Reanimador ventilatório manual ou Ambu – equipamento destinado a estabelecer venti- lação artificial manual. Composto de bolsa, valva ou válvula e máscara, garantindo assim eficiente insuflação de ar e maior concentra- ção de oxigênio para a vítima. Equipamento disponível nos tamanhos adulto e infantil.

Equipamento disponível nos tamanhos adulto e infantil. Fig 5.6 – Ambu ● Equipamento de administração de

Fig 5.6 – Ambu

Equipamento de administração de oxigênio por- tátil – unidade portátil destinada a dar suporte de oxigênio a vítima acidentada no local da ocorrência inicial, com capacidade de 300 litros e fluxômetro a fim de dosar a administração de pelo menos 12 litros de oxigênio por minuto. Toda a ambulância possui uma segunda unidade fixa com capacidade de arma- zenamento maior, possibilitando a continuação da administração de oxigênio durante o deslocamento até o pronto socorro.

de oxigênio durante o deslocamento até o pronto socorro. Fig 5.7 – Oxigênio portátil ● Equipamento

Fig 5.7 – Oxigênio portátil

Equipamento para aspiração – destinado a as- piração de secreções da cavidade oral, as quais obstruem a passagem de oxigênio sendo indis- pensável uma unidade portátil e uma unidade fixa na ambulância.

uma unidade portátil e uma unidade fixa na ambulância. Fig 5.8 – Aspirador 3.4. Equipamentos de

Fig 5.8 – Aspirador

3.4. Equipamentos de Imobilização e Fixação de Curativos

Tala articulada de madeira e tala de papelão – são equipamentos indis- pensáveis na imobilização de fraturas e luxações.

Bandagens triangulares e ataduras de crepom – destinam-se à fixação de talas e curativos.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Cintos de fixação – cintos flexíveis e resistentes que destinam-se a prender a vítima junto a tábua de imobilização.

a prender a vítima junto a tábua de imobilização. Fig 5.9 – Talas e bandagens e

Fig 5.9 – Talas e bandagens e cintos de fixação

Tração de fêmur – equipamento destinado à imobilização de membros inferiores, com fratu- ras fechadas. Confeccionado em alumínio ou aço inox, possuindo regulagem de comprimen- to com fixação através de tirantes e sistema de catraca.

Colete de imobilização dorsal (ked)- equipamento destinado a retirada de vítimas do interior de veículos que estiverem sentadas, objetivando a imobili- zação da coluna cervical, torácica e lombar superior. Sua fixação dá-se atra- vés de tirantes flexíveis fixos e móveis.

dá-se atra- vés de tirantes flexíveis fixos e móveis. Fig 5.10 – Tração de fêmur Fig

Fig 5.10 – Tração de fêmur

flexíveis fixos e móveis. Fig 5.10 – Tração de fêmur Fig 5.11 – Colete de imobilização

Fig 5.11 – Colete de imobilização dorsal (ked)

fêmur Fig 5.11 – Colete de imobilização dorsal (ked) ● Colar cervical – equipamento destinado a

Colar cervical – equipamento destinado a imobilização da coluna cervical quanto à movimentos axiais, confeccionado em poli- etileno, dobrável e de vários tamanhos e modelos.

axiais, confeccionado em poli- etileno, dobrável e de vários tamanhos e modelos. Fig 5.12 – Colar

Fig 5.12 – Colar cervical

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Equipamentos Utilizados no Atendimento Pré-Hospitalar

Tabua de imobilização – equipamento destinado à imobilização da vítima deitada, de vários modelos e tamanhos, possuindo aberturas para fixação de cintos e imobilizadores de cabeça.

Imobilizadores de cabeça – equipamento destinado à imobilização total da cabeça da vítima acidentada. Confeccionado em espuma revestida de um material impermeável e lavável.

em espuma revestida de um material impermeável e lavável. Fig 5.13 – Tabua de imobilização com

Fig 5.13 – Tabua de imobilização com cintos e imobilizador lateral de cabe- ça

3.5. Materiais Utilizados em Curativos

Gaze, ataduras de crepom, bandagem, fita adesiva – material indispensável na limpeza superficial de ferimentos e con- tenção de hemorragias em vítimas.

3.6. Materiais de Uso Obstétrico

Material de assistência ao parto – mate- rial esterilizado, normalmente colocado em pacotes hermeticamente fechados, contendo campos duplos e simples, clamps para laqueadura umbilical, lençóis e tesoura.

clamps para laqueadura umbilical, lençóis e tesoura. Fig 5.14 – Curativos Fig 5.15 – Kit obstétrico

Fig 5.14 – Curativos

clamps para laqueadura umbilical, lençóis e tesoura. Fig 5.14 – Curativos Fig 5.15 – Kit obstétrico

Fig 5.15 – Kit obstétrico

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

3.7. Equipamentos para Verificação de Sinais Vitais

Esfigmomanômetro – equipamento destinado à aferição da pressão arteri- al.

Estetoscópio - aparelho destinado a ausculta cardíaca e pulmonar.

- aparelho destinado a ausculta cardíaca e pulmonar. Fig 5.16 – Esfigmomanômetro e estetoscópio ●

Fig 5.16 – Esfigmomanômetro e estetoscópio

Oxímetro de pulso portátil -

co destinado a medição de oxigênio.

aparelho eletrôni-

da saturação periférica

de oxigênio. aparelho eletrôni- da saturação periférica Fig 5.17 – Oxímetro de pulso ● Desfibriladores

Fig 5.17 – Oxímetro de pulso

Desfibriladores automáticos externos (DEA) – equipamento destinado a verificação de arritmias ventriculares (taquicardia e fibrilação), que se confirmadas através da obediência aos comandos emana- dos, resultará na aplicação de cho- ques buscando a reversão do quadro apresentado.

OBS: a Classificação do DEA, neste grupo deve-se ao mesmo atuar tam- bém como monitor cardíaco, identifi- cando o padrão de atividade elétrica do coração, é um material de uso de pessoal treinado, mas não necessari- amente de profissional de saúde, o que o diferencia do cardioversor.

mas não necessari- amente de profissional de saúde, o que o diferencia do cardioversor. Fig 5.18

Fig 5.18 – DEA

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Equipamentos Utilizados no Atendimento Pré-Hospitalar

3.8. Macas e Acessórios

Maca – equipamento destinado ao transporte de vítima, sendo confecci- onado em alumínio, com mecanismo de travamento, possibilitando que a maca aumente ou diminua a altura.

Cobertor e manta aluminizada – material destinado ao conforto térmico da vítima.

– material destinado ao conforto térmico da vítima. Fig 5.19 – Maca retrátil Fig 5.20 –

Fig 5.19 – Maca retrátil

conforto térmico da vítima. Fig 5.19 – Maca retrátil Fig 5.20 – Cobertor e manta térmica

Fig 5.20 – Cobertor e manta térmica

3.9. Equipamentos de Uso Exclusivo do Médico

Pode estar disponível no próprio veículo de emergência ou em uma maleta médica que é transportado pelo médico quando se dirige à cena. Inclui:

Laringoscópio - material de uso exclusivo do mé- dico, destinado a visualização da laringe a fim de realizar o procedimento de colocação de cânulas de entubação endotraqueal.

de colocação de cânulas de entubação endotraqueal. Fig 5.21 – Laringoscópio ● Cânulas de entubação

Fig 5.21 – Laringoscópio

Cânulas de entubação endotraqueal – equipamento que garante a ventilação manual ou mecânica, garantindo a per- meabilidade das vias aéreas devido ao um balonete que sela a traquéia.

per- meabilidade das vias aéreas devido ao um balonete que sela a traquéia. Fig 5.22 –

Fig 5.22 – Cânulas de entubação

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Monitor cardíaco – equipamento desti- nado ao monitoramento das atividades cardíacas da vítima, objetivando o acom- panhamento da melhora ou não do qua- dro clínico do paciente.

Medicamentos – são ‘drogas’ utilizadas no atendimento que aplicadas pelo mé- dico buscam estabilizar o quadro geral do paciente até a chegada ao pronto so- corro

quadro geral do paciente até a chegada ao pronto so- corro Fig 5.23 – Monitor cardíaco

Fig 5.23 – Monitor cardíaco

chegada ao pronto so- corro Fig 5.23 – Monitor cardíaco Fig 5.23 – Medicamentos ● Cardioversor

Fig 5.23 – Medicamentos

Cardioversor – equipamento desti- nado ao monitoramento das ativida- des cardíacas, conjugado com a ve- rificação de arritmias ventriculares (taquicardia e fibrilação), que se con- firmadas resultarão na aplicação de choque, a fim de restabelecer os ba- timentos cardíacos do paciente. Este equipamento só é operado pelo mé- dico de serviço.

cardíacos do paciente. Este equipamento só é operado pelo mé- dico de serviço. Fig 5.24 –

Fig 5.24 – Cardioversor

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Sinais Vitais

CAPÍTULO 6

SINAIS VITAIS

Os sinais vitais são indicadores das funções vitais e podem orientar o diagnóstico inicial e o acompanhamento da evolução do quadro clínico da vítima. São eles:

Pulso;

Respiração;

Pressão arterial;

Temperatura.

Sua verificação é essencial na avaliação da vítima, devendo ser realizada simulta- neamente à história e ao exame físico. São mais significativos quando obtidos em série, possibilitando o acompanhamento de suas variações, e seus valores devem ser analisa- dos conforme a situação clínica.

Na obtenção dos sinais vitais devemos considerar as seguintes condições:

Condições ambientais, tais como temperatura e umidade no local, que po- dem causar variações nos valores;

Condições pessoais, como exercício físico recente, tensão emocional e ali- mentação, que também podem causar variações nos valores;

Condições do equipamento, que devem ser apropriados e calibrados regu- larmente. O socorrista deve estar atento, pois o uso de equipamentos inapropria- dos ou descalibrados podem resultar em valores falsos.

1.

Pulso

Pulso é a onda provocada pela pressão do sangue contra a parede arterial cada vez que o ventrículo esquerdo se contrai. Em locais onde as artérias de grosso calibre se encontram próximas à superfície cutânea, pode ser sentido à palpação. Cada onda de pulso sentida é um reflexo do débito cardíaco, pois a freqüência de pulso equivale à freqüência cardíaca. Débito cardíaco é o volume de sangue bombeado por cada um dos lados do coração em um minuto.

A determinação do pulso é parte integrante de uma avaliação cardiovascular. Além da freqüência cardíaca (número de batimentos cardíacos por minuto), os pulsos também devem ser avaliados em relação ao ritmo (regularidade dos intervalos - regular ou irregu- lar) e ao volume (intensidade com que o sangue bate nas paredes arteriais - forte e cheio

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

ou fraco e fino). O pulso fraco e fino, também chamado filiforme, geralmente está associa- do à diminuição do volume sangüíneo (hipo- volemia).

Sob circunstâncias normais, existe um relacionamento compensatório entre a freqüência cardíaca e o volume sistólico. Esta compensação é vista claramente no choque hipovolêmico, no qual um volume sistólico di- minuído é equilibrado por uma freqüência car- díaca aumentada e o débito cardíaco tende a permanecer constante.

Podem ser considerados normais os seguintes índices de freqüência cardíaca:

normais os seguintes índices de freqüência cardíaca: Fig. 6.1 - Palpação do pulso radial. Fig. 6.2

Fig. 6.1 - Palpação do pulso radial.

cardíaca: Fig. 6.1 - Palpação do pulso radial. Fig. 6.2 - Palpação do pulso carotídeo. ●

Fig. 6.2 - Palpação do pulso carotídeo.

Adultos – 60 a 100 bpm;

Crianças – 80 a 120 bpm;

Bebês – 100 a 160 bpm.

1.1. Taquicardia

Taquicardia é o aumento da freqüência cardíaca (acima de 100 bpm nos adultos). Em vítimas de trauma pode ocorrer por hipóxia ou

hipovolemia. Pode estar associada também a derrame pericárdico ou a outras causas, como por exemplo, febre, medo, sepse e exercí- cios físicos. A taquicardia sem uma causa óbvia pode indicar um evento cardíaco primá- rio. Embora a ansiedade e a dor possam causar taquicardia, em vítimas de trauma, até prova em contrário, devemos julgar que ela seja decorrente de hipóxia ou choque hipovo- lêmico ou cardiogênico.

1.2. Bradicardia

Bradicardia é a diminuição da freqüência cardíaca (abaixo de 60 bpm nos adultos). Nas vítimas de trauma pode estar associada a choque neurogênico. Pode estar associada também a doenças primárias do coração ou doenças da tireóide.

1.3. Locais para Obtenção do Pulso

Os melhores locais para se palpar o pulso são onde artérias de grosso calibre se encontram próximas à superfície cutânea e

são onde artérias de grosso calibre se encontram próximas à superfície cutânea e Fig. 6.3 -

Fig. 6.3 - Ventilação.

- 83 -

Sinais Vitais

possam ser comprimidas contra uma superfí- cie firme (normalmente um osso). As artérias radiais, ao nível dos punhos, são mais comu- mente usadas na checagem do pulso em víti- mas conscientes. As artérias carótidas, ao ní- vel do pescoço, são normalmente usadas para palpação do pulso em vítimas inconsci- entes. Pode-se também sentir o pulso palpan- do as seguintes artérias: femoral na raiz da

coxa, braquial no braço, axilar na axila e pedi- oso no dorso do pé. Também podermos medir

o pulso pela ausculta cardíaca, no ápice ou

ponta do coração, no lado esquerdo do tórax,

levemente abaixo do mamilo (pulso apical).

do tórax, levemente abaixo do mamilo (pulso apical). Fig. 6.4 - Hematose. 1.4. Procedimentos para Palpação

Fig. 6.4 - Hematose.

1.4. Procedimentos para Palpação do Pulso

1) Relaxe a vítima. Para palpar o pulso radial, mantenha o braço da vítima des- cansando confortavelmente, preferencialmente cruzando a parte inferior do tórax. Para o pulso carotídeo, palpe a cartilagem tireóide no pescoço (pomo de Adão) e deslize os dedos lateralmente até sentir o pulso.

2) Use dois ou três dedos para encontrar e sentir o pulso. Use somente a ponta dos dedos e nunca o polegar (usando o polegar o examinador poderá sentir seu próprio pulso digital).

3) Evite muita pressão. Pressionando forte poderá interromper o pulso da víti- ma.

4) Sinta e conte o pulso durante 30 ou 60 segundos (se contar por 30 segun- dos, multiplique por dois). Use relógio que marque os segundos.

5) Anote a freqüência, o ritmo e o volume do pulso, bem como a hora da medi- ção. Exemplo: Pulso - 72, regular, cheio, 10h50min.

Em vítima com doença cardíaca, o ideal é medir o pulso durante um minuto. Sentir

o pulso de uma criança muito pequena é difícil: o pescoço de comprimento curto e, algu-

mas vezes, rico em gordura, torna difícil localizar o pulso carotídeo, sendo recomendável

que seja pesquisado o pulso braquial. Com o crescimento torna-se possível a palpação dos vasos periféricos. Ao atender uma criança pesquise os diversos locais de pulso até encontrar aquele mais acessível.

2.

Respiração

Respiração é o processo através do qual ocorre troca gasosa entre a atmosfera e as células do organismo. É composta pela ventilação e pela hematose. Na ventilação

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

ocorre a entrada de ar rico em oxigênio para os pulmões (inspiração) e a eliminação de ar rico em dióxido de carbono para o meio ambiente (expiração). A hematose consiste na li- beração de dióxido de carbono e captação de oxigênio feita pelas hemácias durante a perfusão pulmonar. Perfusão pulmonar é a passagem do sangue pelos capilares pulmo- nares, que por sua vez estão em íntimo conta- to com os alvéolos pulmonares.

A avaliação da respiração inclui:

freqüência respiratória (movimentos respirató- rios por minuto – mrpm), caráter (superficial e profunda) e ritmo (regular e irregular). Deve ser avaliada sem que a vítima perceba, prefe- rencialmente enquanto se palpa o pulso radi- al, para evitar que a vítima tente consciente- mente controlar a respiração. Avalie a freqüência respiratória tendo em vista os si- nais e sintomas de comprometimento respira- tório: cianose, inquietação, dispnéia, sons res- piratórios anormais.

A freqüência respiratória pode variar com a idade:

Adultos – 12 a 20 movimentos respiratórios por minuto (mrpm);

– 12 a 20 movimentos respiratórios por minuto (mrpm); Fig. 6.5 - Vítima consciente. Socorrista simula

Fig. 6.5 - Vítima consciente. Socorrista simula estar palpando o pulso radial enquanto conta os movimentos respiratórios, para evitar que o víti- ma controle a respiração.

para evitar que o víti- ma controle a respiração. Fig. 6.6 - Análise da respiração –

Fig. 6.6 - Análise da respiração – Ver, ouvir e sentir.

Crianças – 20 a 30 mrpm;

Bebês – 30 a 60 mrpm.

Outros fatores podem alterar a respira- ção como exercícios físicos, hábito de fumar, uso de medicamentos e fatores emocionais.

Em um adulto em repouso a profundidade da respiração ou o volume de ar inalado é aproximadamente 500 ml por inspiração. Uma freqüência respiratória rápida não signifi- ca, necessariamente, que a vítima está movimentando maior quantidade de ar. Por exem- plo: um adulto em condições normais, com 16 mrpm, mobilizaria 08 litros de ar por minu- to, enquanto uma vítima de trauma apresentando várias fraturas de costela, com 40 mrpm, mobilizando 100 ml de ar em cada movimento respiratório, mobilizaria 04 litros de ar por minuto.

Podem ser encontradas as seguintes alterações nos padrões respiratórios:

Apnéia – Cessação intermitente (10 a 60 segundos) ou persistente (parada respiratória) das respirações;

Bradipnéia – Respiração lenta e regular;

- 85 -

Sinais Vitais

Taquipnéia – Respiração rápida e regular;

Dispnéia – Respiração difícil que exige esforço aumentado e uso de múscu- los acessórios.

2.1. Procedimentos para Analise da Respiração

1) Se possível, estando a vítima consciente, coloque o braço da mesma cru- zando a parte inferior do tórax. Segure o pulso da mesma enquanto estiver obser- vando a respiração, como se estivesse palpando o pulso radial.

2) Aproxime sua face do rosto da vítima, olhando para o seu tórax. Com o tato da pele do seu rosto e com a sua audição você vai perceber o movimento da cor- rente de ar mobilizada pela respiração e com a visão você irá observar os movi- mentos de subida e descida do tórax e/ou do abdome.

3) Conte com os movimentos respiratórios durante um minuto (use relógio com marcação de segundos). Ao mesmo tempo observe o caráter e o ritmo da respira- ção.

4) Anote a freqüência respiratória, o caráter, o ritmo e a hora. Exemplo: Respi- ração normal, 16 mrpm, 10h50min.

Em crianças muito pequenas o movimento torácico é menos evidente que nos adul- tos e, usualmente, ocorre próximo ao abdome. A mão colocada levemente sobre a parte inferior do tórax e superior do abdome pode facilitar a contagem da atividade respiratória. Por causa do pequeno volume e da reduzida força do fluxo de ar, em crianças também é quase impossível ouvir a respiração normal ou sentir a movimentação do ar através da boca e do nariz.

3. Pressão Arterial

A pressão arterial (PA) é a pressão exercida pelo sangue no interior das artérias.

Depende da força desenvolvida pela sístole ventricular, do volume sangüíneo e da resis- tência oferecida pelas paredes das artérias.

O sangue sempre está sob pressão no

interior das artérias. Durante a contração do ventrículo esquerdo (sístole) a pressão está no seu valor máximo, sendo chamada pressão sistólica ou máxima. Durante o relaxamento do ventrículo esquerdo (diástole) a pressão está no seu valor mínimo ou basal, sendo cha- mada pressão diastólica ou mínima.

ou basal, sendo cha- mada pressão diastólica ou mínima. Fig. 6.7 - Esfigmomanômetro e o estetoscópio

Fig. 6.7 - Esfigmomanômetro e o estetoscópio – equipamentos utilizados para medir a pressão ar- terial.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

A pressão arterial é medida em milímetros de mercúrio (mmHg). O primeiro núme-

ro, de maior valor, corresponde à pressão sistólica, enquanto o segundo, de menor valor, corresponde à pressão diastólica. Não há um valor preciso de pressão normal, mas, em termos gerais, diz-se que o valor de 120/80 mmHg é o valor considerado ideal para um adulto jovem, entretanto, medidas até 140 mmHg para a pressão sistólica e 90 mmHg

para a diastólica também podem ser aceitas como normais.

Valores médios de pressão arterial considerados ideais de acordo com a idade:

04 anos – 85/60 mmHg;

06 anos – 95/62 mmHg;

10 anos – 100/65 mmHg;

12 anos – 108/67 mmHg;

16 anos – 118/75 mmHg;

Adultos – 120/80 mmHg;

Idosos – 140 a 160/90 a 100 mmHg.

A posição em que a vítima se encontra

(em pé, sentado ou deitado), atividade física recente e manguito inapropriado também po- dem alterar os níveis da pressão.

Vítimas particularmente sob o risco de alteração dos níveis tencionais são aqueles com doença cardíaca, doença renal, diabetes, hipovolemia ou com lesão craniana ou coluna espinhal.

hipovolemia ou com lesão craniana ou coluna espinhal. O local mais comum de verificação da pressão

O local mais comum de verificação da pressão arterial é no braço, usando como

ponto de ausculta a artéria braquial. Os equipamentos usados são o esfigmomanômetro e

o estetoscópio.

Fig. 6.8 - Método pressão arterial.

auscultatório

para

medir

a

Uma pressão sangüínea normal não deve ser considerada como uma clara indica- ção de estabilidade. Os pacientes saudáveis e jovens são particularmente propensos a compensar o déficit de volume.

3.1. Procedimentos para Medir a Pressão Arterial

Em casos de longa duração do atendimento pré-hospitalar (resgates em locais de difícil acesso e remoção), medir a PA a cada 5 minutos, anotando cada horário de tomada

e respectivos valores.

- 87 -

Sinais Vitais

Deve-se explicar para a pessoa o que será realizado. É comum entre profissionais de saúde ocultar da vítima o valor medido. Isto costuma resultar em grande ansiedade para a vítima e, algumas vezes, em descon- forto afetivo para ambos. O mais correto é, se a vítima perguntar o valor da pressão, infor- má-lo de forma neutra e imparcial.

A pressão sangüínea é difícil de ser ob-

tida em crianças. O manguito deve ter largura de dois terços em relação ao comprimento da porção da extremidade onde será medida a PA (manguitos maiores dão leituras falsamen- te baixas e manguitos menores dão leituras falsamente elevadas). Os dois métodos a se- guir descritos (palpatório e auscultatório) são usados para obter a PA em crianças. O este- toscópio deve ter um diafragma pequeno o su- ficiente para cobrir apenas a área sobre o ponto do pulso (estetoscópios pediátricos são úteis).

3.1.1. Método Auscultatório

1) Posicione a vítima com o braço apoiado a nível do coração. Use, sem- pre que possível, o braço não traumati- zado.

2) Localize o manômetro de modo

a visualizar claramente os valores da medida.

3) Selecione o tamanho da braça-

os valores da medida. 3) Selecione o tamanho da braça- Fig. 6.9 - Procedimento para medir

Fig. 6.9 - Procedimento para medir a pressão ar- terial – método auscultatório.

deira para adultos ou crianças. A largu- ra do manguito deve corresponder a 40% da circunferência braquial e seu compri- mento a 80%.

4) Localize a artéria braquial ao longo da face interna superior do braço palpan- do-a.

5) Envolva a braçadeira, suave e confortavelmente, em torno do braço, centra- lizando o manguito sobre a artéria braquial. Mantenha a margem inferior da braça- deira 2,5cm acima da dobra do cotovelo. Encontre o centro do manguito dobrando-

o ao meio.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

6) Determine o nível máximo de in- suflação palpando o pulso radial até seu desaparecimento, registrando o va- lor (pressão sistólica palpada) e au- mentando mais 30 mmHg.

(pressão sistólica palpada) e au- mentando mais 30 mmHg. Fig. 6.10 - Método palpatório para medir

Fig. 6.10 - Método palpatório para medir a pres- são arterial.

7) Desinsufle rapidamente o man- guito e espere de 15 a 30 segundos antes de insuflá-lo novamente.

8) Posicione o estetoscópio sobre a artéria braquial palpada abaixo do

manguito na fossa antecubital. Deve ser aplicado com leve pressão assegurando o contato com a pele em todos os pontos.

9) Feche a válvula da pera e insufle o manguito rapidamente até 30 mmHg aci- ma da pressão sistólica palpada registrada.

10) Desinsufle o manguito de modo que a pressão caia de 2 a 3 mmHg por se- gundo.

11) Identifique a pressão sistólica (máxima) observando no manômetro o ponto correspondente ao primeiro batimento regular audível.

12) Identifique a pressão diastólica (mínima) observando no manômetro o pon- to correspondente ao último batimento regular audível.

13) Desinsufle totalmente o aparelho com atenção voltada ao completo desapa- recimento dos batimentos.

14) Retire o aparelho do braço e guarda-lo cuidadosamente afim de evitar da- nos.

15) Anote a PA e a hora. Exemplo PA. 126X84, 10h55min.

3.1.2. Método Palpatório

Este método de medir a PA aplica-se somente é pressão sistólica e não é muito preciso. Em um veículo em movimento, toda via, ele poderá ser o único método viável, permitindo observar a tendência geral da pressão sistólica que, a rigor, é a que realmente importa no atendimento pré-hospitalar do traumatizado.

1) Coloque as pontas dos dedos no pulso radial. Sinta o pulso.

2) Infle o manguito até ultrapassar um valor em que cesse o pulso.

3) Vagarosamente esvazie o manguito, olhando o mostrador ou a coluna de mercúrio.

- 89 -

Sinais Vitais

4) Quando perceber o retomo do pulso, leia a pressão sistólica aproximada.

5) Anote a PA, hora e método usado. Exemplo: PA 120 (palpação), 10h55min.

3.2. Causas de Resultados Incorretos na Medida da Pressão Arterial

3.2.1. Causas Relacionadas ao Equipamento

Aparelhos descalibrados ou inadequadamente calibrados ou testados.

Defeitos do esfigmomanômetro: orifício de ar obstruído, manguito incomple- tamente vazio, tubulação defeituosa, sistema de inflação ou válvula de escape, mercúrio insuficiente no reservatório ou indicador zero errado.

Estetoscópio danificado.

Tamanho da braçadeira em desacordo com o do braço. Circunferência do membro em relação à variação da largura da braçadeira maior ou menor que 2,5 produz leituras de pressão indireta falsamente altas ou baixas respectivamente.

3.2.2. Causas Relacionadas ao Examinador

Braço da vítima sem apoio dão pressões falsamente altas.

O examinador posiciona o instrumento ao nível acima ou abaixo do coração ou comprime o estetoscópio demasiadamente firme sobre o vaso.

Mãos do examinador e equipamento frios provocam aumento da pressão sangüínea.

Interação entre examinado e examinador pode afetar a leitura da pressão ar-

 

terial.

4.

Temperatura

Existem vários fatores que influenciam no controle da temperatura corporal, sendo influenciada por meios físicos e químicos e o controle feito através de estimulação do sis- tema nervoso. A temperatura reflete o balanceamento entre o calor produzido e o calor perdido pelo corpo.

A temperatura do corpo é registrada em graus célsius (centígrados). O termômetro clínico de vidro, mais usado, tem duas partes: o bulbo e o pedúnculo. O bulbo contém mercúrio; um metal liquido, o qual se expande sob a ação do calor e sobre pelo interior do pedúnculo, indicando a temperatura em graus e décimos de graus.

Normalmente os termômetros clínicos são calibrados em graus e décimos de graus, na faixa de temperatura de 35ºC a 42ºC. Não é necessária uma faixa de tempera-

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

tura mais ampla, pois raramente o ser humano sobrevive com temperatura corporal fora desta faixa.

O índice normal de temperatura é de 37ºC, admitindo-se variações de até 0,6ºC

para mais ou para menos. As crianças têm temperaturas mais altas que os adultos, por- que seu metabolismo é mais rápido. Tem-se observado que a temperatura do corpo é mais baixa nas primeiras horas da manhã, e mais alta no final da tarde ou no início da noi- te.

A temperatura corporal pode se elevar em situações de infecção, trauma, medo,

ansiedade, etc. Exposição ao frio e choque são causas freqüentes de temperatura abaixo

do normal.

4.1. Procedimentos e Locais para Verificação da Temperatura

O termômetro deve estar seco (se necessário enxugue com algodão ou gaze) e

marcando temperatura inferior a 35ºC (se necessário sacudi-lo cuidadosamente até que a

coluna de mercúrio desça).

A temperatura corporal pode ser medida nos seguintes locais:

Boca – Temperatura Oral: Colocar o termômetro de vidro sob a língua da ví- tima, na bolsa sublingual posterior. Fazer com que a vítima mantenha o termômetro no local por 3 a 8 minutos com lábios fechados. O método oferece temperatura central e é indicado para aqueles que respiram pela boca com suspeita de infecção grave.

Canal anal – Temperatura Retal: Para o adulto, inserir 03 centímetros do termômetro lubrificado no ânus. Não forçar o termômetro. Mantê-lo no local por 2 a 4 minutos. É contra-indicado após cirurgia do reto ou ferimento no reto e em paci- entes com hemorróidas.

Axila – Temperatura axilar: Mais utilizado, tendo em vista a facilidade. Colo- car o termômetro no centro da axila, mantendo o braço da vítima de encontro ao corpo, e mantê-lo ali por 3 a 8 minutos. O método é conveniente, mas é contra-indi-

cado para crianças pequenas; em pacientes com estado mental alterado, trauma facial ou distúrbio convulsivo; após fumar ou beber liquidos quentes ou frios; duran-

te administração de oxigênio por cânula ou máscara; e na presença de sofrimento

respiratório.

- 91 -

Atendimento Inicial

CAPÍTULO 7

ATENDIMENTO INICIAL

O objetivo do atendimento inicial à vítima de trauma é identificar rapidamente situa-

ções que coloquem a vida em risco e que demandem atenção imediata pela equipe de so- corro. Deve ser rápido, organizado e eficiente de forma que permita decisões quanto ao atendimento e ao transporte adequados, assegurando à vítima maiores chances de so-

brevida.

O atendimento inicial à vítima de trauma se divide em quatro etapas seqüenciais:

1) Controle de cena;

2) Abordagem primária;

3) Abordagem secundária;

4) Sinais vitais e escalas de coma e trauma.

1. Controle de Cena

1.1. Segurança do Local

Antes de iniciar o atendimento propria- mente dito, a equipe de socorro deve garantir sua própria condição de segurança, a das víti- mas e a dos demais presentes. De nenhuma forma qualquer membro da equipe deve se expor a um risco com chance de se transfor- mar em vítima, o que levaria a deslocar ou di- vidir recursos de salvamento disponíveis para aquela ocorrência.

1.2. Mecanismo de Trauma

Enquanto se aproxima da cena do aci- dente, o socorrista examina o mecanismo de trauma (ver capítulo 4), observando e colhen- do informações pertinentes. Em uma colisão entre dois veículos, por exemplo, avaliar o tipo de colisão (frontal, lateral, traseira), veículos

o tipo de colisão (frontal, lateral, traseira), veículos Fig. 7.1 - Abordagem inicial de vítima em

Fig. 7.1 - Abordagem inicial de vítima em decú- bito dorsal. Socorrista aproxima-se da vítima

pelo lado para o qual a face da mesma está vol- ta, garantindo-lhe o controle cervical sem mobili- za-la da posição inicial e, tocando-lhe o ombro

do lado oposto, diz: “Eu sou o

(nome), do Cor-

po de Bombeiros, e estou aqui para te ajudar. O que aconteceu contigo?

e estou aqui para te ajudar. O que aconteceu contigo? ” Fig. 7.2 - Abordagem inicial

Fig. 7.2 - Abordagem inicial de vítima em decú- bito ventral. Mesmo procedimento utilizado para abordagem de vítima em decúbito dorsal.

de vítima em decú- bito ventral. Mesmo procedimento utilizado para abordagem de vítima em decúbito dorsal.
de vítima em decú- bito ventral. Mesmo procedimento utilizado para abordagem de vítima em decúbito dorsal.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

envolvidos, danos nos veículos, número de vítimas, posição dos veículos e das vítimas, etc.

2. Abordagem Primária

Visa identificar e manejar situações de ameaça à vida, A abordagem inicial é reali- zada sem mobilizar a vítima de sua posição inicial, salvo em situações especiais que pos- sam comprometer a segurança ou agravar o quadro da vítima, tais como:

a segurança ou agravar o quadro da vítima, tais como: Fig. 7.3 - Enchimento capilar –

Fig. 7.3 - Enchimento capilar – técnica utilizada para avaliação da perfusão dos tecidos periféri- cos. É realizada fazendo-se uma pressão na base da unha ou nos lábios, passando a colora- ção de rosada para pálida. Retirando a pressão, a coloração rosada deve retomar num tempo in- ferior a dois segundos. Se o tempo ultrapassar dois segundos é sinal de que a circulação peri- férica está comprometida (oxigenação/perfusão inadequadas). Lembre-se que à noite e com frio essa avaliação é prejudicada.

Situações

climáticas

extremas:

Geada, chuva, frio, calor, etc.;

Risco de explosão ou incêndio;

Risco de choque elétrico;

Risco de desabamento.

Obs.: Só se justifica mobilizar a vítima de sua posição inicial na abordagem primária quando a situação de risco não possa ser afastada. Por exemplo: Havendo risco de cho- que elétrico e sendo possível a interrupção da passagem de energia, não há necessidade de mobilizar a vítima.

Na abordagem primária, havendo mais de uma vítima, o atendimento deve ser priori- zado conforme o risco, ou seja, primeiro as

que apresentem risco de morte, em seguida as que apresentem risco de perda de mem- bros e, por último todas as demais. Esta recomendação não se aplica no caso de acidente com múltiplas vítimas (ver capítulo 28), onde os recursos para o atendimento são insufici- entes em relação ao número de vítimas e, por tanto, o objetivo é identificar as vítimas com maiores chances de sobrevida.

A abordagem primária é realizada em duas fases:

1) Abordagem primária rápida;

2) Abordagem primária completa.

2.1. Abordagem Primária Rápida

É a avaliação sucinta da respiração, circulação e nível de consciência. Deve ser completada em no máximo 30 segundos. Tem por finalidade a rápida identificação de condições de risco de morte, o início precoce do suporte básico de vida (SBV) e o desen- cadeamento de recursos de apoio, tais como médico no local e aeronave para o transpor- te.

vida (SBV) e o desen- cadeamento de recursos de apoio, tais como médico no local e
vida (SBV) e o desen- cadeamento de recursos de apoio, tais como médico no local e

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Atendimento Inicial

Na abordagem primária rápida devem ser seguidos os seguintes passos:

1) Aproximar-se da vítima pelo lado para o qual a face da mesma está volta, garantindo-lhe o controle cervical.

2) Observar se a vítima está consciente e respirando. Tocando o ombro da víti- ma do lado oposto ao da abordagem, apresente-se, acalme-a e pergunte o que

aconteceu com ela: “Eu sou o

estou aqui para te ajudar. O que aconteceu contigo?”. Uma resposta adequada permite esclarecer que a vítima está consciente, que as vias aéreas estão permeá- veis e que respira. Caso não haja resposta, examinar a respiração. Se ausente a respiração, iniciar as manobras de controle de vias aéreas e a ventilação artificial.

3) Simultaneamente palpar pulso radial (em vítima inconsciente palpar direto o pulso carotídeo) e definir se está pre- sente, muito rápido ou lento. Se ausen- te, palpar pulso de artéria carótida ou femoral (maior calibre) e, caso confir- mado que a vítima está sem pulso, ini- ciar manobras de reanimação cardio- pulmonar (ver capítulo 9).

4) Verificar temperatura, umidade e coloração da pele e enchimento capilar. Palidez, pele fria e úmida e tempo de enchimento capilar acima de dois se- gundos são sinais de comprometimento da perfusão oxigenação dos tecidos (choque hipovolêmico por hemorragia interna ou externa, por exemplo), que exigem intervenção imediata.

5) Observar rapidamente da cabe- ça aos pés procurando por hemorragias ou grandes deformidades.

6) Repassar as informações para a Central de Emergência.

(nome do socorrista), do Corpo de Bombeiros, e

Emergência. (nome do socorrista), do Corpo de Bombeiros, e Fig. 7.4 - Avaliação de vias aéreas.

Fig. 7.4 - Avaliação de vias aéreas. Socorrista verifica se há corpos estranhos na cavidade oral da vítima.

se há corpos estranhos na cavidade oral da vítima. 2.2. Abordagem Primária Completa Fig. 7.5 -

2.2. Abordagem Primária Completa

Fig. 7.5 - Avaliação da respiração – ver, ouvir e sentir.

Na abordagem primária completa segue-se uma seqüência fixa de passos estabe- lecida cientificamente. Para facilitar a memorização, convencionou-se o “ABCD do trau- ma” para designar essa seqüência fica de passos, utilizando-se as primeiras letras das palavras (do inglês) que definem cada um dos passos:

1) Passo “A” (Airway) – Vias aéreas com controle cervical;

(do inglês) que definem cada um dos passos: 1) Passo “A” ( Airway ) – Vias
(do inglês) que definem cada um dos passos: 1) Passo “A” ( Airway ) – Vias

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

2) Passo “B” (Breathing) – Respiração (existente e qualidade);

3) Passo “C” (Circulation) – Circulação com controle de hemorragias;

4) Passo “D” (Disability) – Estado neurológico;

5) Passo “E” (Exposure) – Exposição da vítima (para abordagem secundária).

Lembre-se de somente passar para próximo passo após ter completado o passo imediatamente anterior. Durante toda a abordagem da vítima o controle cervical deve ser mantido. Suspeitar de lesão de coluna cervical em toda vítima de trauma.

2.2.1. Passo “A” – Vias Aéreas com Controle Cervical

Após o controle cervical e a identifica- ção, pergunte à vítima o que aconteceu. Uma pessoa só consegue falar se tiver ar nos pul- mões e se ele passar pelas cordas vocais. Portanto, se a vítima responder normalmente, é porque as vias aéreas estão permeáveis (passo "A" resolvido) e respiração espontânea (passo "B" resolvido). Seguir para o passo "C".

Se a vítima não responder normalmen- te, examinar as vias aéreas. Desobstruir vias aéreas de sangue, vômito, corpos estranhos ou queda da língua, garantindo imobilização

da coluna cervical. Para a manutenção da abertura das vias aéreas pode ser utilizada cânula orofaríngea ou nasofaríngea (ver capí- tulo 8). Estando as vias aéreas desobstruídas, passar para o exame da respiração (passo "B").

passar para o exame da respiração (passo "B"). Fig. 7.6 - Avaliação do pulso – palpação

Fig. 7.6 - Avaliação do pulso – palpação do pul- so carotídeo.

2.2.2. Passo “B” – Respiração

Checar se a respiração está presente e efetiva (ver, ouvir e sentir). Se a respiração estiver ausente, iniciar respiração artificial (passo "B" resolvido temporariamente). Estan- do presente a respiração, analisar sua qualidade: lenta ou rápida, superficial ou profunda, de ritmo regular ou irregular, silenciosa ou ruidosa.

Se observar sinais de respiração difícil (rápida, profunda, ruidosa), reavaliar vias aéreas (passo "A") e solicitar a presença do médico no local. A necessidade de interven- ção médica é muito provável. Se observar sinais que antecedam parada respiratória (res- piração superficial, lenta ou irregular), ficar atento para iniciar respiração artificial.

Iniciar a administração de oxigênio a 12 litros por minuto, sob máscara de contorno facial bem-ajustado. Garantir que os passos "A" e "B" não sejam interrompidos antes de passar ao exame da circulação ("C").

passos "A" e "B" não sejam interrompidos antes de passar ao exame da circulação ("C"). -
passos "A" e "B" não sejam interrompidos antes de passar ao exame da circulação ("C"). -

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Atendimento Inicial

2.2.3. Passo “C” – Circulação com Controle de Hemorragias

O objetivo principal do passo "C" é estimar as condições do sistema circulatório e

controlar grandes hemorragias. Para tanto devem ser avaliados: pulso; perfusão periféri-

ca; coloração, temperatura e umidade da pele. Neste passo também devem ser controla- das as hemorragias que levem a risco de vida eminente.

2.2.3.1. Pulso

Em vítima consciente, verificar inicialmente o pulso radial; se este não for percebi- do, tentar palpar o pulso carotídeo ou o femoral; em vítima inconsciente, examinar o pulso carotídeo do lado em que você se encontre.

A avaliação do pulso dá uma estimativa da pressão arterial. Se o pulso radial não

estiver palpável, possivelmente a vítima apresenta um estado de choque hipovolêmico

descompensado, situação grave que demanda intervenção imediata.

Se o pulso femoral ou carotídeo estiver ausente, iniciar manobras de reanimação cardiopulmonar. Estando presente o pulso, analisar sua qualidade: lento ou rápido, forte ou fraco, regular ou irregular.

2.2.3.2. Perfusão Periférica

A perfusão periférica é avaliada através

da técnica do enchimento capilar. É realizada fazendo-se uma pressão na base da unha ou nos lábios, de modo que a coloração passe de rosada para pálida. Retirando-se a pressão a coloração rosada deve retomar num tempo in- ferior a dois segundos. Se o tempo ultrapas- sar dois segundos é sinal de que a perfusão periférica está comprometida (oxigenação/per- fusão inadequadas). Lembre-se que à noite e com frio essa avaliação é prejudicada.

2.2.3.3. Coloração,

Temperatura

e

é prejudicada. 2.2.3.3. Coloração, Temperatura e Fig. 7.7 - Avaliação do nível de consciência –

Fig. 7.7 - Avaliação do nível de consciência – estímulo doloroso aplicado comprimindo-se a borda do músculo trapézio.

Umidade da Pele

Cianose e palidez são sinais de comprometimento da oxigenação/perfusão dos te- cidos. Pele fria e úmida indica choque hipovolêmico (hemorrágico).

2.2.3.4. Controle de Hemorragias

Se o socorrista verificar hemorragia externa, deve utilizar métodos de controle (ver capítulo 10). Observando sinais que sugerem hemorragia interna, deve agilizar o atendi-

de controle (ver capítulo 10). Observando sinais que sugerem hemorragia interna, deve agilizar o atendi- -
de controle (ver capítulo 10). Observando sinais que sugerem hemorragia interna, deve agilizar o atendi- -

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

mento e transportar a vítima o mais brevemente possível ao hospital, seguindo sempre as orientações da Central de Emergências.

2.2.4. Passo “D” – Estado Neurológico

Tomadas as medidas possíveis para garantir o “ABC”, importa conhecer o estado neurológico da vítima (passo "D"), para melhor avaliar a gravidade e a estabilidade do quadro.

O registro evolutivo do estado neurológico tem grande valor. A vítima que não apre-

sente alterações neurológicas num dado momento, mas passe a apresentá-las progressi- vamente, seguramente está em situação mais grave que outra cujo exame inicial tenha

mostrado algumas alterações que permane- çam estáveis no tempo.

Na avaliação do estado neurológico o socorrista deve realizar a avaliação do nível de consciência e o exame das pupilas.

avaliação do nível de consciência e o exame das pupilas. Fig. 7.8 - Pupilas de tamanhos

Fig. 7.8 - Pupilas de tamanhos desiguais (ani-

socóricas) – olho direito apresentando midríase

e esquerdo miose.

– olho direito apresentando midríase e esquerdo miose . 2.2.4.1. Avaliação do Nível de Cons- ciência

2.2.4.1. Avaliação do Nível de Cons- ciência

Deve sempre ser avaliado o nível de consciência porque, se alterado, indica maior necessidade de vigilância da vítima no que se refere às funções vitais, principalmente à res- piração. A análise do nível de consciência é feita pelo método “AVDI”, de acordo com o ní- vel de resposta que a vítima tem dá aos estí- mulos:

A – Vítima acordada com res-

posta adequada ao ambiente.

V – Vítima adormecida. Os olhos

se abrem mediante estímulo verbal.

Fig. 7.9 - Avaliação das pupilas quanto à reação

à luz.

D – Vítima com os olhos fechados que só se abrem mediante estímulo dolo-

roso. O estímulo doloroso deve ser aplicado sob a forma de compressão intensa na borda do músculo trapézio, na região póstero-lateral do pescoço.

I – Vítima não reage a qualquer estímulo.

A alteração do nível de consciência pode ocorrer pelos seguintes motivos:

Diminuição da oxigenação cerebral (hipóxia ou hipoperfusão);

Traumatismo cranioencefálico (hipertensão intracraniana);

cerebral (hipóxia ou hipoperfusão); ● Traumatismo cranioencefálico (hipertensão intracraniana); - 97 -
cerebral (hipóxia ou hipoperfusão); ● Traumatismo cranioencefálico (hipertensão intracraniana); - 97 -

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Atendimento Inicial

Intoxicação por álcool ou droga;

Problema clínico metabólico.

2.2.4.2. Exame das Pupilas

Em condições normais as pupilas reagem à luz, aumentando ou diminuindo seu di- âmetro conforme a intensidade da iluminação do ambiente. O aumento do diâmetro, ou midríase, ocorre na presença de pouca luz, enquanto a diminuição, ou miose, ocorre em presença de luz intensa.

Quanto à simetria, as pupilas são classificadas em isocóricas (pupilas normais ou simétricas), que possuem diâmetros iguais, e anisocóricas (pupilas anormais ou assimétri- cas), de diâmetros desiguais.

O socorrista deve avaliar as pupilas da vítima em relação ao tamanho, simetria e rea- ção à luz. Pupilas anisocóricas sugerem trau- matismo ocular ou cranioencefálico. Neste caso a midríase em uma das pupilas pode ser conseqüência da compressão do nervo oculo- motor no nível do tronco encefálico, sugerindo um quadro de gravidade.

Pupilas normais se contraem quando submetidas à luz, diminuindo seu diâmetro. Se a pupila permanece dilatada quando submeti- da à luz, encontra-se em midríase paralítica, normalmente observada em pessoas inconsci- entes ou em óbito. Pupilas contraídas (miose) em presença de pouca luz podem indicar into- xicação por drogas ou doença do sistema ner- voso central.

por drogas ou doença do sistema ner- voso central. Fig. 7.10 - Exame segmentar da cabeça.

Fig. 7.10 - Exame segmentar da cabeça. Socor- rista verifica se há hematoma retroauricular.

Socor- rista verifica se há hematoma retroauricular. Se houver depressão do nível de cons- ciência e

Se houver depressão do nível de cons- ciência e anisocoria, ficar alerta, pois existe o risco de parada respiratória. Manter-se atento para o “ABC”.

Fig. 7.11 - Exame segmentar do pescoço.

3. Abordagem Secundária

Finalmente, no passo "E", expor a vítima, à procura de lesões. Entretanto, em nível pré-hospitalar, as roupas da vítima só serão removidas para expor lesões sugeridas por suas queixas ou reveladas pelo exame segmentar, respeitando seu pudor no ambiente público. No hospital, ao contrário, é imperdoável deixar de despir completamente a vítima antes de iniciar a abordagem secundária.

ao contrário, é imperdoável deixar de despir completamente a vítima antes de iniciar a abordagem secundária.
ao contrário, é imperdoável deixar de despir completamente a vítima antes de iniciar a abordagem secundária.

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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

Só iniciar a abordagem secundária de- pois de completada a abordagem primária. Examinar todos os segmentos do corpo, sem- pre na mesma ordem (exame segmentar): crâ- nio, face, pescoço, tórax, abdômen, quadril, membros inferiores, membros superiores e dorso. Nesta fase, realizar:

Inspeção: cor da pele, sudorese,

simetria, alinhamento, deformidade e ferimento;

Palpação: deformidade, crepita-

ção, rigidez, flacidez, temperatura e su- dorese;

Ausculta: tórax (campos pleuro-

pulmonares e precordial) - procedimen- to exclusivo do médico.

Durante todo o exame segmentar, man- ter-se atento a sinais de dor ou a modificações das condições constatadas na abordagem pri- mária da vítima. Exame segmentar:

1) Cabeça: palpar o crânio com os polegares fixos na região frontal, man- tendo o controle cervical. Palpar as ór- bitas. Simultaneamente, inspecionar cor e integridade da pele da face, he- morragia e liqüorragia pelo nariz e ouvi- dos, hematoma retroauricular (sugesti- vo de fratura de coluna cervical alta ou base de crânio), simetria da face, he- morragia e laceração dos olhos e fotor- reatividade pupilar (não a valorize em olho traumatizado). Retirar corpos es- tranhos (lentes de contato e próteses dentárias móveis) eventualmente rema- nescentes.

2) Pescoço: inspecionar o alinha- mento da traquéia e a simetria do pes- coço. Palpar a cartilagem tireóide e a musculatura bilateral. Inspecionar as veias jugulares: se ingurgitadas, princi-

Inspecionar as veias jugulares: se ingurgitadas, princi- Fig. 7.12 - Exame segmentar do tórax. Fig. 7.13

Fig. 7.12 - Exame segmentar do tórax.

princi- Fig. 7.12 - Exame segmentar do tórax. Fig. 7.13 - Exame segmentar do abdômen. Fig.

Fig. 7.13 - Exame segmentar do abdômen.

do tórax. Fig. 7.13 - Exame segmentar do abdômen. Fig. 7.14 - Exame segmentar do quadril.

Fig. 7.14 - Exame segmentar do quadril.

segmentar do abdômen. Fig. 7.14 - Exame segmentar do quadril. Fig. 7.15 - Palpação dos membros

Fig. 7.15 - Palpação dos membros inferiores.

segmentar do abdômen. Fig. 7.14 - Exame segmentar do quadril. Fig. 7.15 - Palpação dos membros
segmentar do abdômen. Fig. 7.14 - Exame segmentar do quadril. Fig. 7.15 - Palpação dos membros

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Atendimento Inicial

palmente com piora na inspiração, preocupar-se com lesão intratorácica grave (derrame de sangue no pericárdio, impedindo os movimentos normais do coração:

pericárdio, impedindo os movimentos normais do coração: Fig. 7.16 - Avaliação do enchimento capilar dos membros

Fig. 7.16 - Avaliação do enchimento capilar dos membros inferiores.

hemopericárdio com tamponamento cardíaco). Palpar as artérias carótidas separadamente e a coluna cervical, ve- rificando alinhamento, aumento de vo- lume, crepitação e rigidez muscular. Completado o exame, colocar o colar cervical.

3) Tórax: inspecionar a caixa toráci- ca (face anterior), buscando simetria anatômica e funcional, respiração para- doxal, áreas de palidez, eritema ou he- matoma (sinais de contusão) e ferimen- tos. Palpar as clavículas separadamen- te, buscando dor e crepitação. Palpar os arcos costais e esterno em busca de rigidez muscular, flacidez e crepitação. Examinar até a linha axilar posterior. Realizar ausculta pulmonar e cardíaca (procedimento médico).

4) Abdômen: inspecionar sinais de contusão, distensão e mobilidade. Pal- par delicadamente, analisando sensibi- lidade e rigidez de parede (abdômen em tábua).

sensibi- lidade e rigidez de parede (abdômen em tábua). Fig. 7.17 - Teste de mobilidade passiva.

Fig. 7.17 - Teste de mobilidade passiva.

em tábua). Fig. 7.17 - Teste de mobilidade passiva. Fig. 7.18 - Exame segmentar dos membros

Fig. 7.18 - Exame segmentar dos membros su- periores.

Fig. 7.18 - Exame segmentar dos membros su- periores. Fig. 7.19 - Exame segmentar do dorso.

Fig. 7.19 - Exame segmentar do dorso. Vítima sofre rolamento de 90º lateralmente. Ao retornar a vítima já é depositada sobre a tábua de imobi- lização dorsal.

5) Quadril: afastar e aproximar as asas ilíacas em relação à linha média, analisando mobilidade anormal e produção de dor. Palpar o púbis no sentido antero-posterior. A região genital também deve

anormal e produção de dor. Palpar o púbis no sentido antero-posterior. A região genital também deve
anormal e produção de dor. Palpar o púbis no sentido antero-posterior. A região genital também deve

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ser avaliada, sugerindo haver lesão conforme as queixas da vítima ou o mecanis- mo de trauma.

6) Membros inferiores: inspecionar e palpar da raiz das coxas até os pés. Ob- servar ferimento, alinhamento, deformidade, flacidez, rigidez e crepitação. Cortar a roupa onde suspeitar de ferimento ou fratura. Retirar calçados e meias. Examinar a mobilidade articular ativa e passiva. Executar movimentos suaves e firmes de fle- xão, extensão e rotação de todas as articulações. Palpar pulsos em tornozelos e pés. Testar sensibilidade, motricidade e enchimento capilar.

7) Membros superiores: inspecionar e palpar dos ombros às mãos. Observar ferimento, alinhamento, deformidade, flacidez, rigidez e crepitação. Cortar a roupa onde suspeitar de ferimento ou fratura. Palpar os pulsos radiais. Testar a mobilida- de ativa e passiva. Executar movimentos suaves e firmes de flexão, extensão e ro- tação de todas as articulações. Testar a simetria da força muscular nas mãos. Veri- ficar sensibilidade, motricidade e enchimento capilar.

8) Dorso: realizar a manobra de rolamento a noventa graus para examinar o dorso. Inspecionar alinhamento da coluna vertebral e simetria das duas metades do dorso. Palpar a coluna vertebral em toda a extensão, à procura de edema, he- matoma e crepitação. Terminado o exame do dorso, rolar a vítima sobre a tábua de imobilização dorsal.

Após completar o exame segmentar, fazer curativos, imobilizações e outros proce- dimentos necessários.

Fazem também parte da abordagem secundária os seguintes procedimentos, que são realizados por médicos no ambiente hospitalar: radiografias, sonda gástrica, toque re- tal, cateterismo vesical e lavagem peritonial.

Durante a abordagem secundária, o socorrista deva reavaliar o ABCD quantas ve- zes forem necessárias, principalmente em vítimas inconscientes.

Após a abordagem secundária, realizar a verificação de dados vitais (ver capítulo 6) e escalas de coma e trauma.

4. Sinais Vitais e Escalas de Coma e Trauma

4.1. Sinais Vitais

Avaliar pulso, respiração, pressão arterial e temperatura (ver capítulo 6).

4.2. Escala de Coma

A Escala de Coma de Glasgow, é baseada na avaliação da abertura dos olhos (AO), da melhor resposta motora (MRM) e da melhor resposta verbal (MRV). É uma esca- la prática para se avaliar a evolução do nível de consciência da vítima. Para cada um dos

É uma esca- la prática para se avaliar a evolução do nível de consciência da vítima.
É uma esca- la prática para se avaliar a evolução do nível de consciência da vítima.

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Atendimento Inicial

três itens avaliados é atribuído um número, conforme a resposta da vítima, que somados irão nos mostrar o nível de consciência da vítima no momento da avaliação.

Abertura dos Olhos

Espontânea

04

pontos

Olhos abertos espontaneamente, com movimentos normais.

À Voz

03

pontos

Olhos fechados que só se abrem mediante um estímulo verbal (não ne- cessariamente à ordem de "abra os olhos").

À Dor

02

pontos

Olhos fechados que só se abrem mediante estímulo doloroso.

Ausente

01

ponto

Não abre os olhos

Melhor Resposta Verbal

Orientada

05

pontos

Consegue descrever quem é, o que aconteceu etc.

Confusa

04

pontos

Responde às perguntas, mas não sabe descrever quem é, onde está ou

 

o

que aconteceu.

Palavras

Des-

03

pontos

Diz palavras isoladas e desconexas, não conseguindo formar frases completas.

conexas

 

Sons Ininteligí-

 

Não consegue sequer articular palavras, emitindo apenas murmúrios ou grunhidos.

veis

02

pontos

Ausente

01

ponto

Não emite qualquer som vocal.

Obs.: Impossível avaliar resposta verbal de vítima que não possa falar (trauma de face ou intubação oro traqueal). Nesse caso, registrar a impossibilidade no formulário pró- prio (RAS).

Melhor Resposta Motora

Obedece a Co- mandos

06

pontos

É capaz de executar movimentos mediante solicitação verbal, do tipo "mova a mão", "levante a perna".

Movimento

   

Apropriado

Dor

à

05

pontos

Consegue localizar a região onde está sendo estimulado dolorosamente

e

tenta remover a mão do examinador para impedi-lo.

Retirada à Dor

04

pontos

Localiza o estímulo doloroso e tenta escapar dele, retraindo a região es- timulada.

   

Ao ser estimulado, flexiona as extremidades superiores (e estende as

Flexão

mal

Anor-

03

pontos

extremidades inferiores), assumindo a chamada "atitude de decortica- ção."

Extensão

 

Ao ser estimulado, estende as extremidades superiores e inferiores, as- sumindo a chamada "atitude de descerebração".

Anormal

02

pontos

Ausência

de

   

Resposta

01

ponto

Não apresenta qualquer resposta motora.

Obs.: Considerar sempre a melhor resposta motora observada, embora ela possa ser isolada (em apenas uma extremidade).

Considerar sempre a melhor resposta motora observada, embora ela possa ser isolada (em apenas uma extremidade).
Considerar sempre a melhor resposta motora observada, embora ela possa ser isolada (em apenas uma extremidade).

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A avaliação da gravidade do comprometimento neurológico será feita com base no

resultado da escala de coma de Glasgow:

feita com base no resultado da escala de coma de Glasgow: Fig. 7.20 - Flexão anormal

Fig. 7.20 - Flexão anormal – atitude de decortica- ção.

TCE grave: 03 a 08;

TCE moderado: 09 a 12;

TCE leve: 13 a 15.

03 a 08; ● TCE moderado: 09 a 12; ● TCE leve: 13 a 15. Fig.

Fig. 7.21 - Extensão anormal – atitude de descere- bração.

Sempre que na avaliação da Escala de Coma de Glasgow, o estado neurológico for avaliado como igual ou menor que 9 (nove), torna-se necessário o acionamento de apoio médico no local da ocorrência.

4.3. Escala de Trauma

A escala de trauma leva em consideração os seguintes itens: freqüência respirató-

ria, pressão sistólica e escala de coma. Com base no valor de cada ítem, a cada um deles é atribuída pontuação de zero a quatro, cuja soma será o resultado da escala de trauma, que pode variar de zero a doze.

Pontuação

Freqüência respiratória

Pressão sistólica

Escala de coma

04

10

a 29

>89

13

a 15

03

 

>29

76

a 89

09

a 12

02

06

a 09

50

a 75

06

a 08

01

01

a 05

01

a 49

04

a 05

0

 

0

 

0

 

03

Interpretação do resultado da escala de trauma:

Trauma grave: 0 a 06;

Trauma moderado: 07 a 10;

03 Interpretação do resultado da escala de trauma: ● Trauma grave: 0 a 06; ● Trauma
03 Interpretação do resultado da escala de trauma: ● Trauma grave: 0 a 06; ● Trauma

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Atendimento Inicial

Trauma mínimo: 11 a 12.

Sempre que na avaliação da Escala de Trauma, for obtido resultado menor que 9 (nove), torna-se necessário o acionamento de apoio médico no local da ocorrência.

resultado menor que 9 (nove), torna-se necessário o acionamento de apoio médico no local da ocorrência.
resultado menor que 9 (nove), torna-se necessário o acionamento de apoio médico no local da ocorrência.

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CAPÍTULO 8

VIAS AÉREAS

1. Aspectos Anatômicos e Funcionais

As vias aéreas têm como função principal conduzir o ar entre o meio ambiente e os pulmões (alvéolos pulmonares), proporcionando a entrada de ar filtrado, aquecido e rico em oxigênio, assim como a saída de ar rico em dióxido de carbono do aparelho respirató- rio, participando assim do processo da respi- ração. Dividem-se em vias aéreas superiores e vias aéreas inferiores:

1.1. Vias Aéreas Superiores:

Cavidade nasal (nariz);

Cavidade oral (boca);

Faringe (Nasofaringe, orofaringe

e laringofaringe ou hipofaringe. Destas

três, a nasofaringe é exclusivamente via aérea, a laringofaringe é exclusiva- mente via digestiva e a orofaringe é um caminho comum ao ar e aos alimen- tos.);

a orofaringe é um caminho comum ao ar e aos alimen- tos.); Fig. 8.1 - Vias

Fig. 8.1 - Vias aéreas.

1.2. Vias Aéreas Inferiores:

Laringe.

Traquéia;

Brônquios/bronquíolos;

Pulmões/alvéolos pulmonares.

O acesso às vias aéreas superiores é

direto e sua visualização é quase completa, exceto pela nasofaringe (região posterior à ca-

vidade nasal e póstero-superior à úvula - "campainha”).

à ca- vidade nasal e póstero-superior à úvula - "campainha”). Fig. 8.2 - Vias aéreas superiores.

Fig. 8.2 - Vias aéreas superiores.

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Vias Aéreas

As vias aéreas superiores terminam e as inferiores têm início na laringe, com a epi- glote, estrutura que protege a abertura das vias aéreas inferiores, obstruindo-a durante o reflexo de deglutição e abrindo-a para a pas- sagem do ar. Seu acesso e visualização de- pendem de procedimento médico denominado laringoscopia.

2. Obstrução de Vias Aéreas

O atendimento pré-hospitalar da vítima

de Vias Aéreas O atendimento pré-hospitalar da vítima Fig. 8.3 - Vias aéreas inferiores. de trauma

Fig. 8.3 - Vias aéreas inferiores.

de trauma tem por objetivo, após rápida verifi-

cação do mecanismo de trauma e das condi- ções de segurança no local, prestar suporte

básico e avançado de vida, iniciando-se com a avaliação de vias aéreas (A). Esse processo denominado avaliação primária ou “ABCD” prioriza a abordagem das vias aéreas que, se estiverem comprometidas, de imediato afe- tam as funções vitais – respiração (B) e circulação (C).

Um processo de pensamento organizado e condicionado referente aos passos da avaliação primária, impedirá o socorrista de ter sua atenção voltada para alterações mais evidentes e menos urgentes, como ferimentos e fraturas, despercebendo-se de alterações nas vias aéreas, principalmente em se tratando de vítima inconsciente.

A avaliação e o controle das vias aéreas se fazem mediante condutas rápidas e

simples, não exigindo inicialmente qualquer equipamento, bastando a aplicação de técni-

cas manuais de controle e desobstrução, sem a necessidade de aguardar equipamentos ou pessoal.

Entende-se por obstrução de vias aéreas toda situação que impeça total ou parcial- mente o trânsito do ar ambiente até os alvéolos pulmonares. A restauração e manutenção da permeabilidade das vias aéreas nas vítimas de trauma são essenciais e devem ser fei- tas de maneira rápida e prioritária.

A vítima de trauma pode ter as vias aéreas comprometidas direta ou indiretamente por mecanismos distintos, sendo os principais os enumerados a seguir:

2.1. Inconsciência

A causa mais freqüente de obstrução de vias aéreas em vítimas de trauma é a in-

consciência, provocando o relaxamento da língua que se projeta contra a orofaringe (fun- do da garganta) da vítima em decúbito dorsal, impedindo a passagem de ar das vias aére- as superiores para as inferiores. Geralmente é causada por trauma cranioencefálico, cho- que ou situações clínicas. A inconsciência também favorece o refluxo do conteúdo gástri- co seguido de broncoaspiração.

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2.2. Trauma Direto Sobre Vias Aéreas

Trauma direto sobre as vias aéreas, causando sangramento em seu interior, com- pressão externa por edema e/ou hematomas e fraturas da árvore laringotraqueobrônqui- ca, e/ou broncoaspiração de dentes fraturados.

2.3. Queimaduras em Vias Aéreas

Queimaduras em vias aéreas podem produzir inflamação e edema de glote e de vias aéreas inferiores.

2.4. Corpo Estranho em Vias Aéreas

Fragmentos de próteses dentárias, alimentos, balas, chicletes e pequenos objetos podem causar obstrução de vias aéreas em diferentes níveis.

3. Obstrução de Vias Aéreas por Corpo Estranho (OVACE)

3.1. Causas

3.1.1. Causas de OVACE em Adultos

Embora a perda de consciência seja a causa mais freqüente de obstrução de vias aéreas, a obstrução por corpos estranhos pode ser causa de perda de consciência e pa- rada cardiopulmonar. A eventualidade de corpos estranhos obstruírem vias aéreas em pessoas conscientes ocorre mais freqüentemente durante as refeições, sendo a carne a causa mais comum. Outras causas de obstrução: próteses dentárias deslocadas, frag- mentos dentários, chicletes e balas.

A obstrução de vias aéreas pelo conteúdo regurgitado do estômago pode ocorrer durante a parada cardiopulmonar ou nas manobras de reanimação cardiopulmonar. Pes- soas com nível de consciência alterado também correm risco de obstrução de vias aéreas pela aspiração de material vomitado.

3.1.2. Causas de OVACE em Crianças

Em crianças a principal causas de obstrução de vias aéreas é a aspiração de leite regurgitado ou de pequenos objetos. Outras causas freqüentes são alimentos (balas, chi- cletes, etc.) e causas infecciosas (epiglotite). Neste último caso, a presença do médico ou o transporte imediato para o hospital se fazem imperiosos.

Os lactentes (até 1 ano de idade) são as principais vítimas de morte por aspiração de corpo estranho na faixa etária pediátrica.

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Vias Aéreas

3.2. Reconhecimento

O reconhecimento precoce da obstrução de vias aéreas é indispensável para o su-

cesso no atendimento. O socorrista deve estar atento, pois a obstrução de vias aéreas e

conseqüente parada respiratória rapidamente evolui para parada cardiopulmonar.

A obstrução das vias aéreas pode ser parcial (leve) ou total (grave). Na parcial, a

vítima pode ser capaz de manter boa troca gasosa, caso em que poderá tossir fortemen- te, apesar dos sibilos entre as tossidas. Enquanto permanecer uma troca gasosa satisfa- tória, encorajar a vítima a persistir na tosse espontânea e nos esforços respiratórios, sem interferir nas tentativas para expelir o corpo estranho.

A troca insuficiente de ar é indicada pela presença de tosse ineficaz e fraca, ruídos

respiratórios estridentes ou gementes, dificuldade respiratória acentuada e, possivelmen-

te, cianose. Neste ponto, iniciar o manejo da obstrução parcial como se houvesse obstru- ção total.

Em adultos, a obstrução por corpo estranho deve ser suspeitada em toda vítima que subitamente pare de respirar, tornando-se cianótica e inconsciente, sem razão aparente. Deve-se tomar cuidado na diferenciação de OVACE e parada cardiorespiratíria (ver capí- tulo específico – Ressuscitação Cardiopulmo- nar).

Em crianças a OVACE deve ser suspei- tada nos seguintes casos: dificuldade respira- tória de início súbito acompanhada de tosse, respiração ruidosa, chiado e náusea. Se essa obstrução se tornar completa, ocorre agrava- mento da dificuldade respiratória, cianose e perda de consciência.

dificuldade respiratória, cianose e perda de consciência. Fig. 8.4 - Vítima agarrando o pescoço. Sinal de

Fig. 8.4 - Vítima agarrando o pescoço. Sinal de asfixia por obstrução de vias aéreas.

3.2.1. Reconhecimento em Vítima Consciente

de

OVACE

A obstrução total das vias aéreas é re-

conhecida quando a vítima está se alimentan-

do ou acabou de comer e, repentinamente,

fica incapaz de falar ou tossir. Pode demons- trar sinais de asfixia, agarrando o pescoço, apresentando cianose e esforço respiratório exagerado. O movimento de ar pode estar ausente ou não ser detectável. A pronta ação é urgente, preferencialmente enquanto a vítima ainda está consciente.

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Em pouco tempo o oxigênio disponível nos pulmões será utilizado e, como a obs- trução de vias aéreas impede a renovação de ar, ocorrerá a perda de consciência e, rapi- damente, a morte.

3.2.2. Reconhecimento de OVACE em Vítima Inconsciente

Quando um adulto for encontrado inconsciente por causa desconhecida, suspeitar de parada cardiopulmonar por infarto, acidente vascular ou hipóxia secundária à obstru- ção de via aérea. Ele será avaliado pensando-se em parada cardiopulmonar, deixando para fazer o manejo de desobstrução de vias aéreas apenas se o fato se evidenciar. Tra- tando-se de criança, devemos suspeitar imediatamente de OVACE.

4. Desobstrução de Vias Aéreas

Os métodos de desobstrução de vias aéreas dividem-se em dois tipos, conforme a natureza da obstrução: obstrução por líquido (rolamento de 90º e aspiração) ou obstrução por sólido (remoção manual e manobras de desobstrução).

4.1. Obstrução por Líquido

4.1.1. Rolamento de 90º

Esta manobra consiste em lateralizar a vítima em monobloco, trazendo-a do decúbito dorsal para o lateral, com o intuito de remover secreções e sangue das vias aéreas superio- res.

Estando a vítima na cena do acidente, ainda sem intervenção do socorrista, ou seja, sem qualquer imobilização (colar cervical e tá- bua), havendo a necessidade da manobra, esta deverá ser realizada com controle cervi- cal manual.

Estando a vítima já imobilizada em tá- bua, proceder a manobra mediante a lateralização da própria tábua.

a manobra mediante a lateralização da própria tábua. Fig. 8.5 - Rolamento de 90º com um

Fig. 8.5 - Rolamento de 90º com um socorrista. Manobra de emergência para remoção de líqui- dos de de vias aéreas.

4.1.2. Aspiração

A aspiração de secreções e sangue pode ser realizada ainda na cena do acidente, mediante uso de aspiradores portáteis, ou no interior da ambulância, pelo uso de aspira- dores fixos. Os aspiradores devem promover vácuo e fluxo adequado para sucção efetiva da faringe, através de sondas de aspiração de vários diâmetros.

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Vias Aéreas

A unidade de sucção fixa instalada deve ter potência suficiente para um fluxo de 30

litros por minuto na extremidade final do tubo de entrada e um vácuo acima de 300 mm de mercúrio quando o tubo é fechado. Controlar a pressão de sucção em crianças e vítimas intubadas. Para a sucção traqueal, utilizar um tubo em "V" ou ''T', com abertura lateral para controlar a aspiração intermitente.

Quando aspirando a boca ou a faringe, mover o cateter de sucção de tal modo que atinja todas as áreas acessíveis, evitando que se fixe na mucosa e perca sua eficácia.

A inserção pode ser continuada lentamente, com movimentos rotatórios do cateter,

enquanto houver material a ser aspirado. Cuidado ao utilizar cateteres duros, para evitar

trauma da laringe. Aplicar a sucção por períodos de no máximo 05 segundos de cada vez, alternando-a com o suporte ventilatório.

4.2. Obstrução por Sólido

4.2.1. Remoção Manual

Durante a avaliação das vias aéreas, o socorrista pode visualizar corpos estranhos, passíveis de remoção digital. Somente remo- ver o material que cause obstrução se for visí- vel.

É difícil o uso dos dedos para remover

corpos estranhos das vias aéreas. Em muitos casos é impossível abrir a boca da vítima e in- serir os dedos para esse propósito, a menos que a vítima esteja inconsciente. Em alguns casos, especialmente envolvendo crianças e lactentes, um dedo adulto pode aprofundar o corpo estranho, causando a obstrução com- pleta.

o corpo estranho, causando a obstrução com- pleta. Fig. 8.6 - Avaliação de vias aéreas. Socorrista

Fig. 8.6 - Avaliação de vias aéreas. Socorrista verifica se há corpos estranhos na cavidade oral da vítima.

A técnica de remoção manual consiste em abrir a boca da vítima utilizando a mano-

bra de tração da mandíbula ou a de elevação do mento (abordadas à frente) e retirar o corpo estranho com o indicador “em gancho”, deslocar e retirar o corpo estranho. Estando o corpo estranho mais aprofundado, existe a alternativa de utilizar os dedos indicador e

médio “em pinça”. Em recém-nato e lactente, utilizar o dedo mínimo em virtude das di- mensões reduzidas das vias aéreas. Somente tentar a remoção se o corpo estranho esti- ver visível; se não, está contra-indicada a procura do material com os dedos.

4.2.2. Manobras de Desobstrução de Vias Aéreas em Adultos

São manobras realizadas manualmente para desobstruir vias aéreas de sólidos que lhe ficarem entalados.