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Ética de espinoza

A Ética de Espinosa A Ética de Espinosa começa por demonstrar algumas definições que preparam a de
Deus, ou seja, prepara a definição de causa de si, de substância, de atributo e de modo. A estas se
acrescentarão a definição de liberdade e eternidade.
Partindo do axioma 1 que se segue ao enunciado «Tudo o que existe, existe em si ou noutra coisa», é
necessária uma explicação. Diz-se noutra coisa ( in alio ) tudo o que não pode existir de outro modo que
não seja como atributo de um sujeito, a título de qualidade ou de quantidade, de maneira de ser em geral;
é dito ( in se ) o que só pode ser sujeito e nunca atributo, o que não é uma maneira de ser, mas
propriamente um ser (um homem, uma pedra e não a cor ou o movimento).

Mais sobre: A Ética de Espinosa

Ética - David Hume

Sobre a gênese da moral a partir das paixões humanas, segundo David


Hume
Por Raulison Mendonça – UFPR

Ainda no berço do mundo, o exemplo


De geração-em-geração, o entendimento
Tudo o que já foi palavra tornou-se escrita
Traço e símbolo: sinfonia que tudo registra!

Ora! É o costume ― essa herança das conformações de nossos pais ― um


sopro latente que transita licenciosamente em nossos espíritos. Estamos impregnados de
toda história universal. Há em nós o movimento dos séculos, e estar no mundo, é
passado; posto que brevemente, apenas que uma pequena engrenagem do universo se
mova, e somos história. Aqui estamos para logo sermos essa nova força para este
misterioso sopro, este mesmo que nos permite estar no mundo em companhia de outros
homens.
Será obra da especulação, ou basta que observemos com a devida atenção, para
vermos que antes mesmo da fala, se é que houve um tempo em que nos faltou essa
aptidão, há uma tendência natural para seguirmos uma ação coletiva? Uma criança não
apenas acompanha seus pais, mas lhe imita os gestos. E tão logo domine alguns de seus
músculos faciais e aguce o seu entendimento, imitará a sua fala. E essa fala será
acompanhada dos mesmos gestos de seus parentes mais próximos. Uma multidão num
estádio é um exército coeso de movimentos e canções. Num teatro raramente ouvimos
palmas e vaias entrelaçadas. Há uma comunhão entre os espectadores, e logo após um
ato qualquer, ressoam ou palmas, ou vaias, como se um só homem houvesse dado a sua
aprovação ou censura. Mesmo que o sentimento individual tenha sido extasiante para
uns, moderados para outros, ou ainda que algum outro não tenho aprovado de todo o
que viu e ouviu, quando surgem as palmas, todos são impelidos a compartilhar desse
louvor. Estando na presença de alguns amigos, ao ouvir histórias engraçadas, mesmo
não achando graça alguma, nos forçamos ao riso quando percebemos que eles riem.
Sendo assim, talvez possamos afirmar que a força maior do costume está no exemplo,
mais do que no entendimento, na palavra e na escrita. Esta última, que permitiu aos
filósofos tantas especulações e discursos abstrusos, que deixou a pena ao gosto do
historiador, que outorgou os profetas e seus delírios, e concedeu ao poeta a eternidade
de suas paixões; à escrita, ainda lhe falta o vigor dos milênios. Pois o homem, habituado
que está a contemplar o mundo, não se volta com o devido cuidado às letras. Por outro
lado, a palavra comove multidões. Mas ao arrastar um povo para a sua desgraça, ou para
promover os caprichos de um homem eloquênte, ela mesma se enredou em caminhos de
confusão. À palavra, lhe falta a clareza das intenções. Que se faça uso da escrita ou da
palavra, sem entendimento, é o mesmo que escrever na água, ou o mesmo que falar ao
vento. Por fim, resta-nos o exemplo, ou a ação, que tem como propriedade inata o
movimento. E o próprio movimento é intenção. Ou seja, o exemplo, aliado a repetição,
é o mais básico sistema de formação de um costume, acessível até a outros seres
desprovidos de capacidade intelectual, o que prova a necessidade mínima do
entendimento. A força do exemplo possui o vigor dos milênios, carrega consigo o
princípio da sobrevivência de nossa espécie.
Essa conclusão nos interessa neste ensaio, porque David Hume pressupõe a
gênese da moral a partir das paixões humanas, fazendo da moral um sistema de
aprovação ou censura coletivos. Sendo o costume aquilo que percorre nosso espírito
desde os nossos antepassados, é tudo o que está contido nele que compartilhamos com
os outros. Quando nos demos conta do mundo, já não estávamos sozinhos. Olhando
para o lado foi possível ver muitos outros iguais a nós. Chegando perto deles,
percebemos que outros homens era passíveis das mesmas impressões. Hume afirma
estar ao lado do “senso comum e da razão”1. Ou melhor, que o pressuposto da sua teoria
se firma naquilo em que os homens compartilham entre si, sem a intervenção dos
discursos confusos. Fui buscar no exemplo a formação do costume, porque é justo nele
que está o juízo coletivo. É a anterioridade do exemplo, o entendimento de um com o
outro, uma extrema convivência de um com o outro e mais as semelhanças das
percepções e paixões que fecundou a conformidade dos juízos em toda a espécie.
“...é provavel, eu dizia, que essa sentença final (que julga caracteres e ações
como amáveis ou odiosos, louváveis ou repreensíveis) se apóie em algum sentido
interno ou sensação que a natureza tornou universal na espécie inteira. Pois que outra
coisa poderia ter uma influência desse tipo?”2
Ora, toda a lei moral que chegou até nós, foi antes experimentada por nossos
pais, pelos pais dos nossos pais e assim por diante. É possível observar o mundo e
observar a si mesmo, para ver quais sentimentos contemplamos igualmente com outros
homens. As paixões naturais, diversas entre os seres humanos, são aquelas obrigações
naturais pela qual nos sentimos determinados a uma ação qualquer. Mas toda a
obrigação natural é contraposta a uma obrigação moral. Há uma interposição entre o
juízo e a ação. E se a determinação da natureza, ou a vontade e o desejo naturais, fossem
sentidas por um único homem habitante no planeta, nada lhe impediria de agir em favor
de suas paixões, suas ações seriam amorais. Todo o sistema moral é construído a partir
da convivência entre os homens. O fato de não estarmos sozinhos no mundo, e de
termos a companhia de outros seres da mesma espécie em alta estima é que faz de nós
um animal social, não por obrigação, mas pelo apreço que temos da presença um do
outro. E se não houvesse em nós nenhuma apreciação da vida social, não teríamos,
desde a antiguidade, nos identificado a um sistema comum que nos prometesse a paz.
Mesmo na ausência da linguagem é possível compartilhar de um sentimento
comum, apenas apreciando uma ação qualquer. É a ação anterior a fala, pois é possível
que multidões executem o mesmo movimento sem nenhum comando de voz, apenas
imitando o exemplo de um homem. Mas, ou por ordem divina, começando por Adão a
dar nomes a tudo o que via, ou por um estalo da natureza, que por um capricho outorgou
somente a nós essa aptidão, a linguagem se firmou de tal modo em nossos espíritos, que
hoje somos incapazes de imaginar um mundo sem fala, sem nomes, sem um significado
das coisas que vemos e sem o significado dos sentimentos e afecções. Se é a linguagem
a normatização do mundo material, daquilo que vemos e desejamos aplicar um nome
comum para entendimento mútuo, é também ela responsável pelos significados daquilo
que compartilhamos no espírito. E quando ouvimos das virtudes e dos vícios de um
homem, já em nós sentimos complacência ou aversão, quando nos imaginamos em sua
presença. Como a virtude e o vício derivam de um comportamento percebido por
outros, é na ação e no exemplo que aprovamos ou censuramos moralmente.
Independente da linguagem que herdamos, os sentimentos coletivos, as virtudes e os
vícios mais gerais são igualmente compartilhados por todos os homens.
“Pode parecer uma tarefa supérflua provar que as afecções benevolentes ou mais
gentis são estimáveis e que, onde quer que apareçam, granjeiam a aprovação e boa
vontade dos seres humanos. Os epítetos de “sociável”, “de boa índole”, “humano”,
“compassivo”, “grato”, “amistoso”, “generoso”, “benfazejo”, ou seus equivalentes, são
conhecidos em todas as linguagens e expressam universalmente o mais alto mérito que
a natureza humana é capaz de atingir.”3
A benevolência, uma disposição dos homens que anseia o bem social, carrega
em si o mérito da simpatia. Pois nossos olhos são atraídos a uma ação proveitosa,
mesmo que não sejamos atingidos diretamente por ela. Uma atitude benevolente agrada
aos espectadores, tem a sua aprovação, e recíprocamente coloca neles uma disposição
para o mesmo fim. Alcançar a estima dos homens e ser tomado em alta conta por nossos
mais próximos, nos faz perseguir as ações que agradam os seres humanos e que lhes são
úteis. “As virtudes sociais não são nunca consideradas separadamente de suas
tendências benéficas, nem vistas como estéreis e infrutíferas. A felicidade da
humanidade, a ordem da sociedade, a harmonia das famílias, o apoio mútuo dos amigos,
são sempre considerados como resultado do suave domínio dessas virtudes sobre os
corações dos seres humanos.”4 Os vícios e virtudes que se apresentam a nós e que tocam
nosso espírito recebem imediatamente reprovação ou louvor. E quando na presença de
muitos olhos, sabemos que haverá ali um julgamento. Há um disposição geral em nós,
sendo que não estamos isentos das impressões do mundo, de julgar uma ação qualquer e
compartilhar da aprovação ou da censura com os demais.
“Seria supérfluo provar que a justiça é últil à sociedade e, conseqüentemente,
que pelo menos parte de seu mérito deve originar-se dessa consideração”5 . Todo o
homem, quando convencido da justiça que lhe é aplicada, sendo ela benéfica ou não à
sua intenção particular, carrega no coração a sensação da justiça, porque foi ela mais
últil à socidade do que o seu fim individual.
“As regras da eqüidade ou da justiça dependem, portanto, inteiramente do estado
e situação particulares em que os homens se encontram, e devem sua origem e
existência à utilidade que proporcionam ao público pela sua observância estrita e
regular.”6
Na natureza encontraremos cavernas, montanhas, matas fechadas, terras virgens
para o plantio, frutos no alto das árvores e água potável a grandes distâncias. O mundo
não participa da intenção dos nossos confortos. Mas com o manejo das ferramentas e
engenhosidade de nossas criações, podemos extrair tudo o que é preciso da natureza e
gozá-los no conchego de nossas invenções. Nos daríamos ao estudo e trabalho árduo da
pesquisa e da técnica, se não houvesse em nossas criações utilidade alguma? Deriva daí
também o senso da propriedade, da divisão daquilo que é público e privado. Daquilo em
que toda a sociedade tem acesso, e aquilo que é justo de um homem, que no labor dos
dias e no uso correto do que lhe caiu nas mãos, prosperou diligentemente, e pode agora,
com a aprovação dos homens, gozar da sua particular recompensa. Compartilhamos da
riqueza dos outros, primeiro porque a desejamos em certo grau para nós mesmos,
segundo porque sentimos em nós a sensação do conforto alheio. Participamos dos
mesmos sentimentos de aprovação e censura. E quando um homem bem sucedido é
apresentado a nós como benevolente e justo, dividimos com ele o prazer de sua
companhia. A moral, herança de todas as ações mais remotas do nosso mundo, se
apresenta a nós como esse resultado de todas as experiências vividas por nossos
antepassados. A simpatia que temos por uma boa ação, é porque ela se tornou últil no
tempo, é benevolente no espírito, e traz em si a noção de justiça, pois o que é justo não é
mais do que o empirismo latente do passado que se acomoda em nossos corações.
“Do mesmo modo que na sociedade os mútuos conflitos e antagonismos de
interesse e auto-estima forçaram a humanidade a estabelecer as leis da justiça para
preservar as vantagens da mútua assistência e proteção, também as eternas
contrariedades devidas ao orgulho e à presunção dos seres humanos levaram à
introdução, na convivência social, das regras de boas maneiras ou polidez, para facilitar
o trato dos espíritos em um tranqüilo relacionamento e comunicação”7