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VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER


ANÁLISE DAS ESTATÍSTICAS PRODUZIDAS ENTRE 2006-2010

Patrícia Rios Brandi1


Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Fábio Kühn2

INTRODUÇÃO

Iniciada originalmente em 2009 sob título Breve ensaio sobre as percepções históricas da
mulher, esta pesquisa foi elaborada para uma disciplina do curso de Licenciatura em História.
Contudo, na mesma proporção em que o trabalho era desenvolvido, diversos elementos que
extrapolavam as intenções propostas pela temática surgiam. E não fiquei indiferente.
Esta análise, através da perspectiva da História, tem por objetivo identificar o perfil das
vítimas3 e agressores partícipes da violência caracterizada pela Lei 11.340/2006, conhecida como
Lei Maria da Penha e apresentar questões adjacentes ao tema no espaço temporal compreendido
entre os anos de 2006 e 2010, momento em que a Lei passa a vigorar, até os dias atuais. Para
tanto, como fonte de pesquisa utilizo as estatísticas disponíveis articuladas às notícias veiculadas
on line, o relato oral de um delegado de polícia e de uma magistrada, a transcrição de um
julgamento do Tribunal do Júri4, um boletim de ocorrência e inquéritos policiais referentes a
delitos tipificados pela já referida Lei no município de Viamão, cidade onde as pesquisas foram
iniciadas.

1
Graduanda do curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
2
Orientador: Prof. Doutor em História do Brasil, Departamento de História, IFCH/UFRGS.
3
Cfe. rubrica jurídica “sujeito passivo de ilícito penal”. HOUAISS – Dicionário Eletrônico de Língua Portuguesa
versão 1.0. Editora Objetiva Ltda. Junho de 2009.
4
Também conhecido como “júri popular”, é reconhecido pelo item XXXVIII do art. 5º da Constituição Brasileira.
Trata-se de tribunal de jurados alistados entre cidadãos idôneos a quem compete o julgamento dos crimes dolosos
contra a vida.
2

As análises são realizadas sob a perspectiva da História do Tempo Presente5 - de matriz


conceitual francesa - em conexão teórica com a Micro-história. A opção da História do Tempo
Presente ocorre não sem problemas, uma vez que manter-se distante do tempo em que os fatos
históricos se produzem, é de regra teórica dominante no meio acadêmico da História, enquanto
ciência produtora de conhecimento. Contudo, é através das palavras de Rousso, um dos
fundadores da História do Tempo Presente, que justifico tal opção:

Eu compreendo que sempre existiu uma tensão no trabalho dos historiadores de todas as
épocas em relação à concepção de que não se pode investigar sobre o período
contemporâneo, pois não se poderia compreender um processo que é inacabado. [...] Nós
assumimos o fato de que as análises que vamos produzir sobre o tempo contemporâneo,
provavelmente terão certa duração e que os acontecimentos vindouros podem mudá-las. 6

Assim, esse “tempo que não passa” 7 é a busca da contextualização de eventos que
permanece válida enquanto os fenômenos estudados não sofrerem alterações significativas8.
Trata-se portanto de - sem qualquer constrangimento - reconhecer que esta produção
acadêmica é limitada à mutabilidade do tempo, que os resultados obtidos têm validade restrita aos
acontecimentos e interpretações posteriores, sem que isto represente um agravo à pesquisa. Nesse
sentido, acredito que negar à História do Tempo Presente uma possibilidade de interpretação
sobre a violência contra a mulher, necessariamente conduziria o debate em direção a outra
questão ainda mais problemática: a necessidade de estabelecer critérios consensuais de um tempo
histórico em que as vias teórico-metodológicas proporcionem análises consideradas legítimas
pela comunidade acadêmica.
Ainda, o aporte teórico da Micro-história italiana de característica perspectiva cultural é
entendido como melhor opção conceitual, por acreditar que o fenômeno da violência de gênero 9,
5
ROUSSO, Henry. Sobre a História do Tempo Presente: entrevista com o historiador Henry Rousso. Tempo e
Argumento: Revista do Programa de Pós-Graduação em História, Florianópolis, v. 1, n. 1, p. 201-216, jan./jun.
2009. Disponível em: <http://revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/viewFile/705/608>. Acesso em: 18 ago.
2010. “[...] o historiador investiga um tempo que é seu próprio tempo com testemunhas vivas e com uma memória
que pode ser a sua. A compreensão [...] que vem de uma experiência da qual ele participa como todos os outros
indivíduos’. p. 201-203.
6
Idem. p. 205-206.
77
Idem.
8
Idem. p. 208.
9
JOHNSON, Allan G. Dicionário de Sociologia: guia prático da linguagem sociológica. Rio de Janeiro: J. Zahar,
1997. p. 205-206. “Embora gênero seja uma palavra que tem uma longa história de usos diferentes, seu significado
sociológico refere-se a idéias culturais que constroem imagens e expectativas a respeito de machos e fêmeas.” Sem o
objetivo de reduzir o intenso debate a respeito dos termos gênero e sexo, para os efeitos objetivos específicos desta
análise, a “violência de gênero” será colocada no sentido de expressar a relação existente entre um sujeito do sexo
feminino que sofre a violência e um sujeito do sexo masculino autor da agressão.
3

objeto desta pesquisa, apresenta-se sobre um pano de fundo cultural cujos efeitos têm impacto no
âmbito social. Contudo, esse modelo conceitual, através das “rupturas introduzidas por Carlo
Ginzburg” e da “valorização dos fenômenos aparentemente marginais [...] cuja verdadeira
10
dimensão cultural e social acaba por ser demonstrada” expressa que o seu sistema indiciário11
não está ausente de aspectos sociais. Além disso, “na perspectiva de longo período [...] é difícil
compreender os problemas quotidianos de sobrevivência. A vida real [...] é largamente posta à
margem.” 12
Inicialmente estruturei o trabalho de forma a contemplar uma necessária digressão sobre
os aspectos culturais que historicamente situaram o sujeito feminino à margem da sociedade, o
caso Maria da Penha e considerações sobre a Lei 11.340/06. Contudo, ao concluir a pesquisa as
páginas haviam excedido – em muito - ao número previsto no regulamento do concurso, motivo
pelo qual o tópico foi suprimido.
A análise das estatísticas inclui minha sui generis experiência ao participar como
expectadora de um júri popular e com o objetivo de transmitir não apenas algumas impressões,
mas principalmente parte do diálogo que proporcionou conclusões imprescindíveis à pesquisa, a
composição textual se aproxima da narrativa de característica literária. Por fim, a conclusão é
apresentada através do “todo” de fragmentos disponíveis nestes quatro anos de Lei Maria da
Penha. É resultado também das limitações que permearam a pesquisa, mas este modesto “todo” é
fundamentalmente consciente de que embora as reivindicações das mulheres remontem há
séculos, medidas efetivas orientadas à igualdade de gênero são recentes e assim como a escrita da
História, em constante processo de construção.

ANÁLISE DAS ESTATÍSTICAS RELATIVAS À LEI MARIA DA PENHA: 2006-2010

10
GINZBURG, Carlo; CASTELNUOVO, Enrico; PONI, Carlo. A Micro-história e outros ensaios. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil; Lisboa: DIFEL, 1991. p. viii.
11
GINZBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais. São Paulo: Schwarcz. 1989. Atividade voltada para a análise de
casos individuais reconstituíveis somente através de pistas, sinais e indícios. “As ciências indiciárias são qualitativas
(diferente das ciências quantitativas dos paradigma galileano), tratam do singular, do individual” . p. 156.
12
Idem. p. 171. Ver também as considerações sobre a investigação quantitativa de longo período, passíveis de
“obscurecer e distorcer os fatos”. p. 170-71.
4

As histórias são de certo este espelho no qual o historiador não cessou jamais de
olhar, de interrogar-se sobre sua própria identidade: ele é esse que olha e é
olhado, questionador-questionado [...].13

O primeiro boletim de ocorrência14 transformado em inquérito policial caracterizado pela


Lei 11.640/06 realizado no município de Viamão fez parte das manchetes de jornais por seu
caráter inusitado. Uma jovem feita refém em cárcere privado pelo namorado conseguiu informar
as circunstâncias em que se encontrava ao tio através de um bilhete escrito em um pedaço de
jornal. A diligência resultou na prisão em flagrante por cárcere privado, tráfico de drogas
(cocaína, crack e maconha) e posse ilegal de arma de fogo. A jovem que apresentava lesões
corporais teve passagens na delegacia como vítima de violência em relações amorosas
posteriores.
Em 2009, o delegado Carlos Miguel Locks relatou que comparado à Capital, o Município
apresenta proporcionalmente um número maior de casos de crimes de violência contra a mulher.
Segundo Locks, que reivindica a instalação de uma Delegacia da Mulher, “a violência em geral e
principalmente contra a mulher está associada ao consumo de drogas, álcool e pobreza, uma vez
que ela contribui para a desagregação familiar”.15
O contato com este primeiro caso motivou a procura por estatísticas que apresentassem
informações sobre tais delitos, entre eles Violência Doméstica Lei 11.340/2006 – Estudo Técnico
nº 5016, cujo objetivo geral é investigar “o fenômeno da violência doméstica com base nos
17
boletins de ocorrência das Polícias Civil e Militar” (entre set./2006 e jun./2008). A estatística
revelou que dos 2.964 homicídios consumados, 267 eram vítimas do sexo feminino, dos quais 86
eram delitos tipificados na Lei Maria da Penha. Contudo, reconhece que tanto nos casos de
homicídio tentado quanto consumado, o número pode ser maior já que somente os casos
formalmente declarados como “relação de afeto” entre autor e vítima foram considerados.

13
HARTOG, François. O Espelho de Heródoto: ensaio sobre a representação do outro. Belo Horizonte. Ed. da
UFMG, 1999. p. 38.
14
Registrado no dia 28/09/2006, disponibilizado para esta análise através da autorização de Carlos Miguel Locks,
Delegado da 3ª Delegacia de Polícia de Viamão.
15
Idem. Entrevista concedida em abril de 2009.
16
Realizado pela Divisão de Estatística Criminal (DEC), da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio
Grande do Sul. RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Segurança Pública. Divisão de Estatística Criminal
(DEC).Violência doméstica Lei 11.340/2006: Estudo Técnico nº 50: Homicídio (set/2006-jun/2008). Disponível
em:<http://www.scribd.com/doc/22472068/Estudo-sobre-os-Homicidios-que-tem-a-mulher-como-vitima-e-a-
Violencia-Domestica-Brigada-Militar-RS>. Acesso em 15 ago. 2010.
17
Idem. p. 3.
5

As ocorrências de homicídio tentado foram 7.021, entre elas 388 casos contra a vida de
mulheres e em 291 houve a tipificação da Lei. A relação proporcional demonstra que nos casos
de homicídio consumado as vítimas de violência doméstica representam 34,46% dos casos, sendo
os demais 65,54% mulheres vítimas de outros tipos de violência. O quadro se inverte nas
ocorrências de homicídio tentado: 75% são mulheres vítimas de violência doméstica e 25% não
se configuram nessa caracterização. Quanto ao ranking de homicídio consumado, produto da
violência doméstica nas cidades gaúchas, Porto Alegre aparece em primeiro lugar, seguida por
Viamão e Caxias do sul. Nas duas qualificações, o companheiro da vítima é o autor com maior
incidência e o local de agressão é a residência. Em 38,48% dos casos de homicídio consumado, o
motivo do crime foi uma discussão e nos tentados, a separação aparece como 44% das
motivações e em ambos os delitos a maior incidência é no horário da noite. Em 19,32% das
ocorrências, as vítimas de homicídio consumado possuíam registros criminais como autoras de
ameaça, porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal, e em 6,98% dos casos esses registros eram
de agressões aos efetivos autores do homicídio. Já nos casos de homicídio tentado, registros
anteriores contra as vítimas sobem para 46,37%%. O estudo conclui que estes registros podem
estar relacionados a “atitudes defensivas dessas mulheres” e esclarece também que nas relações
conjugais as mulheres podem “participar ativamente do circuito da violência” 18. Com relação aos
autores de homicídio, existe maior incidência de antecedentes criminais: 74% dos autores de
homicídio consumado possuíam antecedentes criminais por ameaça ou lesão corporal e 85% dos
autores de tentativa de homicídio.
A ameaça (47,83%), principal motivação ao registro de ocorrência pelas vítimas de
homicídio consumado e a lesão corporal (43,48%) são as principais agressões 19 sofridas pela
vítima antes do assassinato: 73,68% das vítimas fatais haviam manifestado o desejo de
representar20, maioria que aparece também nos registros anteriores dos casos de homicídio
tentado (98,53%). A medida protetiva21 foi solicitada por sete das 86 mulheres assassinadas, duas

18
Idem. p. 19.
19
Idem. A pesquisa define a ameaça como um tipo de violência física, “[...] comumente desvalorizada em benefício
das ocorrências de violência física” e diante dos números apresentados alerta para a necessidade de atenção à
violência psicológica”. p. 21. Ver também a média de espaço temporal entre a última agressão registrada e o
assassinato.
20
Cfe. art. 11 do Capítulo III da Lei 11.340/06 é a abertura de inquérito criminal contra o autor do delito.
21
Cfe. art.10 do Capítulo III da Lei 11.340/06, são medidas legais a serem tomadas pelas autoridades policiais
“cabíveis para a hipótese de iminência ou prática de violência familiar contra a mulher”.
6

foram concedidas e violadas e entre as 291 tentativas de homicídio, 21% das vítimas solicitaram
a medida e oito obtiveram a concessão.
Em um ano marcado pelo assassinato de Eliza Samúdio22 e da cabeleireira23 assassinada
após realizar oito registros de ocorrência contra o ex-marido, proibido de aproximar-se e que teve
a prisão pedida por três vezes, mas nunca cumprida, somam-se: E.F.M.24, C.G.S.25, A.P.O.26 e
outros. Tais casos indicam a relevância dos apontamentos do Estudo nº 50. Nele, o homicídio e a
tentativa aparecem praticado por companheiros ou ex-companheiros, tendo uma proporção
significativa das vítimas de homicídio consumado realizado registro prévio de ocorrências e
registrado interesse em representar contra o agressor, assim como também ocorreu nos casos de
tentativa de homicídio. Registros criminais contra a vítima podem ser interpretados em aspectos
distintos que merecem uma pesquisa específica: como possibilidade da tentativa de se proteger
ou, como membro ativo da agressão.
Embora o trabalho realizado pelo DEC não apresente uma conclusão dos dados, admite
falhas na elaboração da análise e suponho que entre elas esteja a ausência de informações
relativas a escolaridade e profissão de vítimas e autores. A primeira poderia fornecer indícios de
como a violência de gênero está relacionada com o grau de instrução e a segunda, como a
distribuição de renda se apresenta nesses delitos. Uma vez que um “significativo número de
27
ocorrências” apresentaram dados insuficientes para a perfeita identificação das informações” e
apenas os casos formalmente declarados sobre a relação de afeto 28 entre vítima e autor dos crimes
de homicídio foram computados, o número de vítimas fatais pode ser maior, uma vez que a os
dados “não informados” foram desconsiderados e a omissão dessa informação não exclui a
possibilidade de que tenham acontecido. Quanto aos dados inválidos por não constituir
informações suficientes, a estatística destaca a importância e profissionalismo que os policiais
devem dispensar ao registro das ocorrências, uma vez que “é a ocasião em que o Estado toma
conhecimento do crime sobre o qual deverá despender esforços por um longo tempo”.

22
Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=zTvWAcqXne0&feature=related>. Acesso em: 30 ago. 2010.
A ameaça de morte foi registrada pela vítima.
23
Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1458988-5598,00.html>. Acesso em: 30 ago. 2010.
24
Disponível em: <http://www.agoratreslagoas.com.br/ver_not.php?id=16115 >. Acesso em: 30 ago. 2010.
25
Disponível em: <http://www.jornaldimensao.com.br/?id=13&ed=573>. Acesso em: 30 ago. 2010.
26
Disponível em: <http://oglobo.globo.com/rio/mat/2006/12/13/287016699.asp>. Acesso em: 30 ago. 2010.
27
Estudo n. 50, p. 3.
28
A relação de afeto é uma das condições essenciais para a caracterização do delito na tipificação da Lei 11.340/06.
7

Para a execução comparativa desta pesquisa, solicitei ao DEC outra estatística quantitativa
e qualitativa que abrangesse o período entre 2006 e 2010. Nesta, os números de homicídio
aumentaram surpreendentemente no Rio Grande do Sul: de 86 (relatados no Estudo nº 50) para
2.355 entre 2006 e 2008 e totalizando 3.624 homicídios de 2006 a agosto de 2010. O homicídio
tentado foi suprimido e acrescentado os casos de maus tratos e lesões corporais.
Ano Porto Alegre RS
Maus
Homicídio L. Corporal Maus Tratos Homicídio L. Corporal Tratos
2006 140 12.223 848 734 65.038 3.231
2007 195 11.991 803 794 65.158 3.002
2008 142 11.226 669 827 63.856 2.970
2009 116 10.222 489 801 61.354 2.487
2010 59 5.243 247 468 32.444 1.298
Total 652 50.905 3.056 3.624 287.850 12.988

Fonte: SIP/PROCERGS – Dados29 extraídos em 12 de agosto de 2010.


Atualizado em 06/08/2010.

Para além das diferenças quantitativas que a mesma Secretaria apresenta, outro fato
chama atenção: na existência de lesões corporais que caracterizam a violência doméstica, é
necessário que a vítima seja submetida ao exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal 30
(IML). O Artigo 129 do Código Penal Brasileiro determina a penalidade segundo a qualidade do
dano, que pode ser de tipologia leve, grave ou gravíssima, a partir dos laudos periciais
concedidos pelo IML. Assim, procuro entender os motivos pelos quais a estatística apresentada
pela Secretaria de Segurança omite tais informações ou opta por generalizar a violência
doméstica em “lesão corporal” e “maus tratos”.
A busca pela tipologia das lesões corporais levou-me a entrar em contato com o Centro de
Referência da Mulher- RS (CPM). Após alguma insistência, “não obtemos tais dados” resume o
E-mail que recebi. Procurada, a Delegacia de Polícia da Mulher também não possuía as
29
Cfe. DEC, correspondem a vítimas entre 16 e 65 anos.
30
Fávero, Flamínio. Medicina Legal: introdução ao estudo da medicina legal. Identidade. Traumatologia.
Infortunística. Tenatologia. 11. ed. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Livraria Martins, 1980. v. 1, p. 205-235.
8

informações e sugeriu que eu procurasse a Secretaria de Segurança, o que já havia feito. Após
vários contatos telefônicos com o objetivo de marcar uma reunião, enviei um E-mail e da
Presidenta do Conselho Municipal da Mulher (COMDIM)- Viamão, a resposta foi exatamente
“responderemos assim que possível sua mensagem!!”. Ainda aguardo.
Por fim, contatei a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), também após
alguma insistência, retornou minhas correspondências eletrônicas indicando-me o link da
ouvidoria no site da Secretaria, local onde eu poderia encontrar um balanço semestral do perfil da
violência, que já havia pesquisado. Trata-se do Perfil da violência doméstica a partir do balanço
semestral da Central de Atendimento à Mulher31. Os dados obtidos através das ligações
telefônicas ao número 180 da SPM têm semelhança com o Estudo nº 50: as mulheres que buscam
o atendimento espontaneamente relatam que a lesão corporal e ameaça são as formas de violência
mais praticadas por maridos ou companheiros. As relações estáveis não impedem a violência na
maioria dos casos, e parte delas afirma sofrer essa prática desde o início do relacionamento. Das
343.063 mulheres atendidas, 50,3% afirmam correr risco de morte, 69,7% não têm relação de
dependência econômica, 68,1% dos filhos presenciam a violência e 16,2% são vítimas junto com
as mães. Quanto aos 62.301 registros de relatos de violência, a física aparece como a mais
freqüente, seguida por violência psicológica, patrimonial e sexual, além de casos de tráfico e
cárcere privado. Além disso, maioria das vítimas (48,3%) e agressores (55,3%) possui o ensino
fundamental como grau de escolaridade.
Embora as informações do balanço não indiquem uma efetiva denúncia oficial à Polícia
ou Ministério Público, demonstra um avanço prático na abordagem do tema, na medida em que
se orienta às questões sociais envolvidas na violência familiar: a maioria não depende
economicamente do marido ou companheiro, o ensino fundamental aparece como grau de
instrução da maioria das vítimas e autores, e demonstra que os filhos presenciam ou sofrem
violência.
Recentemente informações veiculadas pela imprensa32 apontam que 10 mulheres são
mortas por dia no país sem referir-se claramente ao período considerado para tal informação e
afirma que o Instituto Sangari, através de um “anexo ainda inédito do estudo Mapa da violência

31
Disponível em: < http://www.sepm.gov.br/noticias/ultimas_noticias/2010/08/teste>. Acesso em: 10 ago. 2010.
32
Disponível em: <http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/07/dez-mulheres-sao-mortas-por-dia-no-pais-aponta-
estudo.html>. Acesso em: 9 set. 2010. Ver também reportagem no Jornal Nacional exibida na edição do dia 19 de
agosto, disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Qy28AyoX-SY&feature=youtube_gdata >. Acesso em: 9
set. 2010.
9

no Brasil 2010” realizado entre os anos de 1997 e 2007, demonstra que as mulheres “morrem em
número e proporção bem mais baixo que os homens (92% das vítimas), mas o nível de
assassinato no Brasil fica acima do padrão internacional”.
Os números apresentados pelo Mapa da Violência 2010 – Anatomia dos homicídios no
Brasil33: “permite verificar que a taxa feminina do Brasil – 3,9 em 100 mil mulheres- é
extremamente baixa se comparada à dos homens: 47,2 em 100 mil homens. Em outras palavras,
34
para cada mulher vítima de homicídio no Brasil, morreram, em 2007, acima de 12 homens” .
Embora reconheça que o homicídio de mulheres é elevado em comparação ao contexto
internacional, as considerações concluem que “Ficou evidente que os índices de masculinidade da
violência homicida são muito elevados: em torno ou acima de 90% das vítimas de homicídio no
país são homens [...]” 35.
Porém, considerando-se as categorias etárias adotadas36 para a classificação das vítimas de
homicídios, estes números tornam-se discutíveis. O Estatuto da Criança e Adolescente 37 é
adotado para as categorias criança (0 a 12 anos) e adolescência (de 12 a 18 anos); a categoria
jovem é dividida em duas faixas etárias, uma adotada pelo Sistema das Nações Unidas (de 15 a
24 anos) e pela incorporação da noção de adulto jovem da Secretaria Nacional da Juventude (de
15 a 29 anos). Aqui temos dois problemas: o primeiro é que uma parcela das vítimas de
homicídio, estão incluídas nas categorias adolescência, jovem e adulto jovem, deixando de
computar-se as vítimas entre 29 e 65 anos. O segundo, é que foram consideradas vítimas de
homicídio por gênero pessoas entre 15 e 24 anos, excluindo-se as ocorrências entre 25 e 59
anos38. Dessa forma, se por um lado as categorias adotadas indicam -justificando a ênfase da
pesquisa- o aumento e interiorização do homicídio de jovens, constatando índices
“anormalmente elevados” 39 de vitimização juvenil, por outro reduzem o homicídio por gênero.

33
Disponível em: <http://www.institutosangari.org.br/mapadaviolencia/MapaViolencia2010.pdf>. Último acesso em
10/08/2010.
34
Idem. p. 110.
35
Idem. p. 146.
36
Idem. p. 11-12.
37
Ver Parágrafo único do Estatuto: “Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas
entre 18 e 21 anos”. Disponível em: <http://www.amperj.org.br/store/legislacao/codigos/eca_L8069.pdf>. Acesso
em: 10 set. 2010.
38
O Artigo 1º do Estatuto do Idoso, considera nesta categoria as pessoas com “idade igual ou superior a sessenta
anos”. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2003/L10.741.htm>. Acesso em: 10 set. 2010.
39
Mapa da violência 2010. p. 137. Grifo do autor.
10

Quanto ao trabalho inédito citado nas reportagens, trata-se do anexo não publicado
Homicídio das mulheres no Brasil40 que apresentando números entre os anos de 2003 a 2007,
resume-se a uma tabela do aplicativo office excel, apresentando homicídios da cidades com
população superiores a 10.000 mulheres, não permitindo neste trabalho a conclusão que “dez
mulheres são mortas por dia” ou ainda, que “uma mulher é morta a cada duas horas no Brasil” 41
em 2010 (já que os números são até 2007), como as reportagens fazem supor.
As buscas na internet revelaram um aspecto da violência de gênero não abordado em
qualquer estatística: brasileiras assassinadas na Holanda, México, França, Itália, Alemanha e
Estados Unidos e na Espanha, onde o maior número de casos é maior. Em 2007 constatei três
homicídios; entre os meses de janeiro/dezembro de 2008, sete brasileiras foram mortas; em 2009
e 2010, dois casos em cada ano. Na maior parte dos casos os crimes foram cometidos por
companheiros ou namorados.
Movida pelo interesse de encontrar, no âmbito local as respostas que as estatísticas
insistiam em não fornecer, dirigi-me ao Fórum do Município de Viamão, imaginando que uma
análise nos autos de processos criminais tipificados nas normas da Lei Maria da Penha poderiam
ser úteis. Por questões legais não tive acesso aos documentos, apenas a autorização para consultar
os inquéritos policiais. Em um deles, a vítima (solteira, 25 anos com ensino médio concluído)
procurou a delegacia alegando sofrer maus tratos e a ameaças de morte por parte do
companheiro, obtendo o encaminhamento ao Ministério Público, solicitando a aplicação de
medidas protetivas. Outra mulher, casada e mãe de três filhos, vítima de lesão corporal, após
atendimento médico encaminhou-se ao posto policial que teve o mesmo procedimento do caso
anterior. Ambas tiveram seus processos de Lei Maria da Penha indeferidos e dessa forma negadas
as medidas protetivas estabelecidas por Lei.
Em uma entrevista concedida para a realização dessa pesquisa, Andréa Hofmeister, Juíza
da 2ª Vara Criminal de Viamão, afirma que o estado de falência observado nas famílias, em parte
se deve ao uso do crack e do álcool: “O crack hoje é uma bomba química, é uma arma química
prejudicando a família como um todo. Infelizmente não há política pública que atenda a essa
demanda toda. Infelizmente não há.”42 Assim, mulheres que sofrem dos abusos provocados por

40
Disponível em:< http://www.institutosangari.org.br/mapadaviolencia/homicidios_mulheres.html>. Acesso em: 10
ago. 2010.
41
Conforme O Globo em 10 de julho de 2010. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/07/10/uma-
mulher-morta-cada-duas-horas-no-brasil-917119514.asp>. Acesso em: 10 ago. 2010.
42
Transcrição do relato oral da Juíza Andréa Hofmeister, concedida em 9 setembro de 2010.
11

maridos, companheiros, filhos (e outros familiares), usuários de drogas e álcool, segundo a Juíza,
traço característico no uso da Lei Maria da Penha, “ganharam coragem para denunciar suas
agressões”. Por outro lado, a Lei está sendo utilizada como dispositivo legal para obter
tratamento contra a dependência química, geralmente de filhos ou netos, ou para obter uma
separação “sem enfrentar na vara da família, com a dissolução do casamento ou sociedade de
fato”, os problemas relacionados a guarda dos filhos e pensão alimentícia.

[...] para tirar o marido de dentro de casa, muitas vezes fazendo falsas ocorrências de
violência, opressão ou pintando com tintas mais fortes aqueles desentendimentos que
podem ser mais comuns, mais corriqueiros, mas que estão longe de ser uma agressão, de
ser um tipo de humilhação, mas um desentendimento do casal.43

Considera ainda que as mulheres convivem com agressões por muito tempo, e quando
procuram ajuda, é porque já não agüentam a situação em que vivem. Constata que, quanto maior
o nível intelectual, maior a sofisticação da violência que essas mulheres enfrentam sendo a
delegacia utilizada como última opção. Sobre as conciliações em que as mulheres retornam à vida
conjugal com seus agressores ou interrompem o processo judicial, Hofmeister atribui uma
piedade nutrida pelo marido, pai do seus filhos ou ao medo de vingança, mas “[...] o que elas
querem de um modo geral é viver em paz”.
Para além dos resultados obtidos nas estatísticas e do relato da magistrada, assisti a um
julgamento popular, configurado como violência doméstica e homicídio de uma senhora com
mais de 70 anos, morta pelo ex-companheiro de pouco mais de 50 - inconformado com a
separação segundo a defesa. Instalada em um local privilegiado da sala, pude ver o réu, um
senhor de cabelos totalmente brancos, apoiado em duas muletas, de cabeça erguida, sem jamais
erguer os olhos. A audiência durou mais de sete horas, e a cadeira em momento algum foi
utilizada por aquele senhor, que nas fases mais críticas da acusação, passava um lenço no rosto
mesmo sem a presença de lágrimas.
O jovem promotor manteve sua tese de forma exasperada e dirigindo-se aos jurados,
exibia a arma do crime, uma faca com 22 cm de lâmina que o réu “enterrou até o cabo no peito da
idosa. [...] não se enganem, isso aqui é o sangue dela, está nos dois lados, aquelas muletas não
impediram ele de enfiar essa faca nela, [...] isso não é amor!” 44. A tese de que o réu atingiu a

43
Idem.
44
Transcrição da gravação do Tribunal do Júri, que mesmo sendo uma audiência de caráter público, optei por não
revelar a identidade dos envolvidos.
12

vítima acidentalmente e que dadas as suas condições de saúde não poderia ter atacado a esposa da
forma colocada nos autos, foi argumentada pelo defensor público, momento em que uma das
quatro filhas da idosa chorava copiosamente e outra saiu da sala.
Horas mais tarde, durante o recesso para que o júri formasse o veredicto, voltava para a
sala de espera quando fui chamada por uma das três irmãs do réu. Era uma senhora aparentando
mais de 50 anos e perguntou que eu era e o que fazia. Após responder a pergunta, disse-me que
queria falar sobre o irmão, concordando quando soube que a conversa seria gravada. As irmãs
abriram espaço para que eu ficasse entre elas e em sua versão “queria que o irmão pagasse pelo
que tinha feito, só isso”. Contou-me ainda que o casal estava separado há vinte anos -espaço de
tempo em que formou outra família em um estado do Norte- e que realmente amava a ex-
companheira, era “um homem bom e trabalhador”, que sofria muito no presídio, pois além do
“problema” nas pernas está acometido por câncer de próstata. Em dado momento, outra irmã
decidiu falar. E sua versão era completamente oposta: “aquele homem é um monstro, não sei o
que vou fazer se ele sair da cadeia”, sussurrava e colocou uma das mãos nos lábios ao dizer
“tenho medo que ele mate ela, ele disse que vai matar a L.”, referindo-se primeiro à irmã que
falava anteriormente e depois sobre uma das filhas da idosa. Ao fim de mais de 40 minutos de
gravação já não sabia o que pensar, apenas observava uma terceira irmã que durante toda a
conversa limitou-se a ler uma revista. Um pouco constrangida, imaginei como seria o relato das
filhas -testemunhas do crime- sentadas a menos de dois metros. Pouco depois o réu foi
considerado culpado.
Considero a conversa com as irmãs do réu parte relevante, senão fundamental na
elaboração desta análise. O relato indica que por trás das estatísticas, está uma realidade que os
números não são capazes de alcançar e é contraditória por definir uma característica da própria
experiência de vida de cada ser humano. Nesse sentido, a exemplo do Secretary-General’s in-
depth study on all forms of violence against women45, acredito que os estudos relativos à
violência de gênero carecem de uma abordagem multidisciplinar onde não apenas policiais,
juristas e médicos estejam envolvidos, mas também psicólogos, sociólogos, antropólogos e

45
Estudo promovido pela ONU em 2006 que apresenta todas as formas de violência contra a mulher e inclui:
contexto e causas (gerais e estruturais) da violência, conseqüências e custos, e principalmente no que diz respeito a
esta pesquisa, “alguns problemas em matéria de dados sobre a violência contra a mulher baseados na população” e
“formas de violência contra a mulher insuficientemente documentadas”. Disponível em: <
http://www.un.org/en/women/endviolence/documents.shtml>. Acesso em: 8 set. de 2010.
13

historiadores entre outros profissionais, que investiguem porque uma mulher é morta por ser
fumante46 ou porque o volume do aparelho de televisão estava muito alto47.

CONCLUSÃO

Durante a execução desta análise, enquanto os resultados das estatísticas soavam


frustrantes ou infrutíferos, o conselho do meu orientador foi uma constante: eu deveria perguntar
às fontes “somente o que elas pudessem responder”. Porém, constatei que essa negação também
constituía um tipo de informação. Perscrutar as fontes nesse caso significa interpretar até mesmo
os elementos indisponíveis nas estatísticas.
Já que os autos de processos relativos à lei Maria da Penha são indisponíveis, o Estudo nº
50 demonstrou que as fichas de ocorrências policiais seriam uma excelente fonte de informações
para análise, desde que fossem preenchidas adequadamente. Quanto ao perfil de vítimas e
agressores eles coincidem com o Balanço Semestral da SPM: a maior parte das vítimas sofre
agressão por parte de companheiros e ex-companheiros, e essa violência, em maior medida é a
lesão corporal ou homicídio, ficando ausentes registros sobre as demais. Além disso, o fato de
uma parte significativa das mulheres assassinadas terem -antes do crime- registrado ocorrência
contra os seus agressores indica que em algum momento as medidas protetivas estabelecidas pela
Lei não estão sendo aplicadas, resta identificar-se os motivos.
O estudo promovido pelo Instituto Sangari não permite fazer nesta análise qualquer
consideração sobre a violência familiar no ano de 2010. Além disso, aponta para a necessidade do
estabelecimento de critérios específicos da amostragem e do objeto de estudo, entendendo que a
violência a que estão submetidos homens e mulheres não podem ser nivelados em patamares de
igualdade e tão pouco as faixas etárias possam entrar em conflito.
Concentrando atenção às declarações concedidas por Hofmeister e ao testemunho oral das
irmãs, encontramos na prática um contexto social que não é abordado pelas estatísticas,

46
Disponível em: <http://ailimbraz.zip.net/arch2006-08-06_2006-08-12.html>. Acesso em: 30 ago. 2010.
47
Disponível em: <http://www.timbonet.com.br/blogs/boletins/index.php?paged=2.>. Acesso em: 30 ago. 2010.
14

lembrando que a violência doméstica é considerada um problema social 48 pela Secretaria Especial
de Políticas Públicas para Mulheres e que, portanto, exige uma abordagem orientada também aos
aspectos sociais. É a “afirmação por negação” a que me referi anteriormente, caracterizada pela
inexistência de informações oficiais relativas ao uso ou grau de dependência química nos casos
de violência doméstica, à escolaridade e condições econômicas dos envolvidos, à caracterização
dos delitos conforme o Código Penal (e não por generalizações abstratas), às análises que
considerem as características regionais dos delitos, ao impacto sócio-econômico da violência e
etc.
Essa afirmação por negação, também permite considerar, o não cumprimento do art. 8º
da Lei 11.340/2006 que estabelece entre as diretrizes a serem adotadas através da articulação “de
ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de ações não-
governamentais”:

II- a promoção de estudos, pesquisas, estatísticas e outras informações relevantes, com a


perspectiva de gênero e de raça ou etnia, concernentes às causas, às conseqüências e à
freqüência da violência doméstica e familiar contra a mulher, para a sistematização de
dados, a serem unificados nacionalmente, e a avaliação periódica dos resultados das
medidas adotadas.49

Em um ano marcado por dois crimes hediondos contra a mulher este trabalho não se
apresenta com o propósito da militância feminista ou ainda de reduzi-la ao papel de vítima, mas
entendendo que parte da construção de igualdade de gêneros, no que diz respeito à violência
familiar, requer necessariamente estudos científicos capazes de contextualizar a singularidade
existente no tema. Ou seja, para de fato combater-se a violência tipificada na Lei Maria da Penha,
é necessário conhecer os sujeitos envolvidos.
Assim, nessa breve análise das estatísticas disponíveis, realizada a partir de fragmentos de
informação, concluo que as atuais pesquisas oferecem dados parciais e não condizentes com a
realidade da violência de gênero. Dessa forma justifico o meu argumento sobre o caráter de
prioridade ao desenvolvimento de critérios específicos, bem como da colaboração interdisciplinar
ao desenvolvimento e interpretação de pesquisas científicas para a identificação de vítimas e

48
Ver: LAMOGLIA, C.V.A. ; MINAYO, M. C. de S.Violência conjugal, um problema social e de saúde pública:
um estudo em uma delegacia do Interior do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em:
<http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81232009000200028&script=sci_arttext>. Acesso em: 8 ago. 2010.
49
Lei 11.340/2006 . Título III- Da Assistência à Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar. Capítulo I-
Das Medidas Integradas de Prevenção.
15

autores da violência contra a mulher a fim de efetivamente resultarem em utilidade de aplicação


prática com vistas à formação de políticas públicas para combate, prevenção e reabilitação dos
membros envolvidos.

REFERÊNCIAS

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<http://www.amperj.org.br/store/legislacao/codigos/eca_L8069.pdf>. Acesso em: 10 set. 2010.

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<http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2003/L10.741.htm>. Acesso em: 10 set, 2010.
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Traumatologia. Infortunística. Tenatologia. 11. ed. Belo Horizonte, ed. Itatiaia; São Paulo,
Livraria Martins ed.. 1980. v.1, p. 205-235.

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Janeiro: J. Zahar, 1997. p. 205-206.

LAMOGLIA, C.V.A.; MINAYO, M. C. de S.. Violência conjugal, um problema social e de


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16

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(DEC).Violência doméstica Lei 11.340/2006: Estudo Técnico nº 50: Homicídio (set/2006-
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