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FAVELAS EM BELO

HORIZONTE.TENDÊNCIAS E
DESAFIOS1
Be....Dice MartiJuo Guimarie.
Doutora em Sociol" pelo lrucituto Univa"li,,"o de Peeqaiau do
Riode Janeiro <IUPERJ). profeuon·acbunta do Departamento d.
Sociologia fi AntrvpologlA d. Faculdade de Noeofta Citnciu
Humana (FAFlCH) da Univenickde Fl'Cleral deMina c.nb
(lJI1MC).

1 INTRODUÇÃO
Desde que surgiram, no panorama
urbano brasileiro, as favel.. têm sido objeto de
atenção do poder público cujas açõu têm· pautado
por orientações dívereee: ora a deaocupação do
terreno é vista como a l!Ioluçio adequada,
acom panhada ou não de programu de laUta
urbanizados ou da conatrução de conjuntoa d. CDU
para abrigar as famili.., oro docid.... pela
pennonêncio do populoçio no local o urbonizoçio
da área ti, mais recentemente, a resularização do
espaço ti a legalizaçio da paue da terra pu.aram a
ser ccneideredea e.trat'sio od.quodo, porto do
equacionamento do problema. Ao mamo tempo,
esforços são de.envolvidos na tentativa de impedir
que novaa invUÕM ocorram, eem muito 8Uceaao,
entretanto.
o obj.tivo deoto trobolho , onoIi.ar,
de uma penpeetiva hi.8t6rica, a origlm ti evolução do
problema d.. CaveJ.. em uma cidade planej.da e o
comportamento do poder público frente o ..to
realidade. Atrav6ll de um breve hist6rico, procuro
recuperar como se deu o proee.lo de formação e
crescimento das favel... em Belo Horizonte 8 a
IElite b'aba1ho , tIIU Mitul'a preÜlaiMl' do. dAdo. d. uma peequiM
ruio ....... q.. venho reoIiaIldo ....... -"" da _ .....
popular em Balo HorizoD...d*o.,_da <riaçIo da cidade(I1ll1)
." h*. e que ronca CGII:Il (J apojo do CoDMJho N.cioul de
De.tenvoMmen&o CieGtUko e Tecnol6p:o (CNPq). W&Qia Maria de
Aralijo e Karla BiUwinho GOIIITa foram aaziliare. da peeqaia
participuam do MvantalUllto e an.6Iiee de d&d.~,

maneira como o governo, no caso a Prefeitura


Municipal, enfrentou a questão. Em seguida
apresento um levantamento estatístico sobre a
evolução do fenômeno, tendo em vista avaliar a
dimensão do problema e o desafio que ele hoje
representa para o poder público e a sociedade em
geral.
o pnrneiro ebetéculc que se
enfrenta, ao se pretender realizar um estudo dessa
natureza, é a ausência e a imprecisão de dados
estatísticos sobre favelu. Tal fato revela não só a
dinâmica do fenômeno onde se tem um movimento
constante de população e de construções -a invasão
de áreas, o processo de expulsão seguido do
adensamento dee favelas já existentes e ou da
fonnação de novee . mas, tambêm, a maneira como li
questão vem sendo tratada. Como se verá ao longo
deete trabalho, o imediatismo e a improvisação,
característicos das primeiras ações do poder público
com relação à favela, foram seguid08 da criação de
6rgãos e programu destinado! a enfrentar o
problema, cujo deaempenho, entretanto, sofre solução
de continuidade e é aCetado por mudançu politicas e
de orientação.
2 BREVE HISTÓRICO
A origem das fovel.. em Belo
Horizonte remonta à Cue de conatrução da cidade.
Criada para eer o centro político e administrativo do
E.tedo de Min.. Gerai., plonejoda segunde
padrões arquitetônica-e urbanílticoa 08 mais
avançad08 da época, a construção da nova Capital
obedeceu a um plano rigorosamente elaborado, a
partir de um. modelo preconcebido, no qual,
entretanto, não havia sido previsto um lugar para
o1ojor o trobo1hodor encorregodo de construi-lo.
Trotovo·oe do projeto d. uma cidode-copito1
deotinado 00 oporoto odmini.trativo do governo e
voltodo paro umo populoçio eopocifico o
funcionalilmo público. A prelenço do trobolhador do
conatruçào civil era vista como temporária, o que
talvez aplique o foto de o projeto nio contempior um
local para a aua moradia.2
o poder público, deede o início, foi o
principal agente do procello de ocupação do solo pelo
controle que uercia sobre o ace.ao aOll terrenos e
conatruçõe. e, nUlle procesao, privilegiou os
funcionários públicoo e 00 propri.tárioo de Ouro
Preto. O. privil'sioo con<»didos foi umo das fonn..
de cooptaçio encontrada pelo governo para vencer a
reei.tineia doe que eram contrárioe à mudança da
Capital· velhoo burocrotoa, proprietários d. im6vei.
e comerciantea de Ouro Preee ao me.mo tempo,
> .,
ineentivar a vinda dei.. para Belc Horizonte.
Entr. 1893-1897, 'peco do
conatruçio do cidode, o populoçio loeol p....ou de 2
650 poro 12 mil hobitonteo, o que represento umo
2MUona ~dJre...queMio er GGi:m&rte. (1991).
Análiae &. Conjunturo, B.lo Horizonte, v.7, n. 2 e 3, meio/dez. 1992
taxa de creacimentc da ordem de 45.9% ao ano. A
hospedaria provisória feita pela Comiasão de
Construção para abrigar temporariamente o
trabalhador, com capacidade para 200 p.noas, fOI
insuficiente para acolher a tcdce 08 que chegavam, o
que provocou o surgimento de eefuee e barracos por
todos 08 lados. Em conseqüência, em 1895, dois anos
antes de ser inaugurada, Belo Horizonte já contava
com duo áreas de invasão -a do Cónego do Leitão e
a da Favela ou Alto da Estação com,
aproximadamente, 3 mil pessoas.
Inicialmente. o poder público não 8e
importou com o problema. preocupado que estava em
garantir a mêc-de-ebre necessária à construção da
cidade. Neeea perspectiva, não só não impediu que ai
invasões ocorressem, como até mesmo estimulou-u,
especialmente em áreas próximas aoa canteiros de
obras. Entretanto, à medida que o projeto da nova
Capital tomava-se uma realidade, a Prefeitura
:Municipal começa a regulamentar a situaçio das
invasões, incomodada com a presença da população
pobre na parte nobre da cidade. Xesse sentido, em
1902, designa um local para a moradia do
trabalhador -a Área Operária. e promove a primeira
remoção de fevelee.
É ia portante re..altar que a ação
da Prefeitura de Belo Horizonte, naua época, foi d.
vanguarda no País. Enquanto aqui havia a
preocupação em criar mecanismos que garantiuem,
de algum modo, o acesso do trabalhador ao terreno,
no Rio de Janeiro o problema de invaaão de terras
era tratado com a sumária ezpuleão da populaçio,
como simples caso de polícia. Deve-ee ter em mente,
entretanto, o fato de que Belo Horizonte era uma
cidade recém-criada, onde nio havia Meu"Z de
terrenos, embora já houvesse elp«Ulação,
especialmente nas áreas mais c.num e dotadaa de
infra-estrutura.
No entanto, o af1uzo conatante de
pcpulaçâc a íncepacidede da Ána Opariria .m
abrigar a todos l.varam à continuidad. do procaaao
de invuÃo em novu áreu, enquanto uma "trat'pa
de moradia da população maia pobre .m B.lo
Horizonte, e que começou a .er eram.nte
combatida. D.ntro do car'.ter cionillte
elitista impoeto ao proc»NO d. ocupaçio do sele, a
pr..ença da população pobre na parta c.ntral da
cidade passa a aer eonm.derada ind..j've1, tomandoee
cada vez mai. claro o lqar que cabia" peaou
na nova Capital: àa alitaa o centro, à população
pobre e trabalhadora a periferia, que Coi ndo
ocupada desordenadamente. N......ntido, ......
inicialmente de.ignada para a moradia do operário
na parta nobre da cidad m 1902 .ofra reduçio d.
espaço em 1909, vindo rapidamente a
descaracterizar-se enquanto tal, atrav6s d.. força
de mercado.
Eetabeleee-.e, então, entre
Prefeitura e trabalhadores, uma dinlmica que ee
torna característica do proceaeo de ocupação do solo
em Belo Horizonte: estes ocupavam, sob 08 euepfcics
do poder público e àe vezes com 8 conivência dele,
áreas desvalorizadas &lou onde fazia-se necessária a
presença da mãe-de-obra, até o momento em que
eram dali retíredee pela própria Prefeitura quando
sua presença não maia interessava, ou quando o
crescimento da cidade tornava valorizada aquela
área.
t o que se assiste especialmente noe
primeiros 30 anos de existência da cidade. À medida
que eram expulsos de uma éree. parte da população
confonnava-se em mudar para o lugar destinado pelo
poder público, em geral locais mais distantes, sem
infra-estrutura urbana e equipamentos, e parte
rebelava-ee indo formar novas favelas em área
próxima a que moravam e de onde, maia tarde, eram
novamente ezpul.08.
~o início, o que estava em jogo era o
modelo da cidade ameaçado pela presença da
população trabalhadora na parta nobre da cidade. A
existência de favelas na periferia não constituía
problema, uma vez que se achava distante do centro
e, portanto, não comprometia o modelo da nova
Capital. Como conseqüência de.sa política. no eapaço
de alguns ance, toou as favelu que mstiam na área
nobre foran removida.
Nos anoe trinta uma nova concepção
de modemizaçio e planejamento urbano impô..ae em
Belo Horizonte como condição para conter a
desordem urbana e promover o desenvolvimento da
cidade, quando o pod.r público começa a preocuparse
com a periferia, cuja ocupação, ati então, se dera
de forma descontrolada. Uma nava justificativa com
relaçio à remoção de favelu se introduz no discurso
oficial: a neceaaidade de removê-las, mesmo 88
localizadaa fora da área nobre da cidade, em virtude
da realização de obro d. natur.za urbanística e de
saneamento de intere.se da coletividade. Ao meamo
tempo, e pel. primeira vez, ..sceie- a imagem de
E..... p....m-paricu1oaidad.-àa favalas. a r
viatas como locaia de poeaíveia focoe de epidemio e
de criminalidade o ambiente onde prolifera a
margina1idad .
Começam entio a ser objeto de
remoção favel.. que haviam ocupado a periferia, e
somente escapam da ação da Prefeitura aquelas
localizada, em geral, nu putea mais alta ou em
1ugarea di.flceia de .erem ubanizad08 e que não
apre ntavam interw de mercado. Neae proce ec,
entretanto, a Prefeitura barra com a reeistincia
dos moradores d. alrum... favalas que voltevam a
ocupar o mesmo local, acabando por refazer o núcleo
anterior. Tal , o cuo, por exemplo, da Pedreira
Prado Lapa, a maia antiga de Belo Horizonte, do
Pindura Saia, do Acaba Mundo. dos Marmiteiroa,
que sofreram divenaa remoções 8 que aiatem até
hoje (quadro 1).
Análi..... Conjuntura, B.10Horizonte, v.7, n. 2.3, maio/dez. 1992
QUADRO 1
ÉPOCA DO SURGIMENTO E REMOÇÃO DAS PRIMEIRAS FAVELAS DE BELO HORIZONTE

189~
-19i1O
FAVELA LOCALIZAÇÃO/BAIRRO EPOCA
Surgtmenrc I Remocão
Alto da Estação
Córrego do Leitão
Barroca
Praça Raul Soares
Pedreira Prado Lopes
Perrela
São Jorge (Morro d..
Pedraa)
Píndura Saía

Senhor dos Peeece


Acaba Mundo
Alto Vera Cruz
Palmital
eniversidade
Santo André
Buraco Quente
Cabana Pai Tomaz
Marmiteiroa
Morro do Querosene
Pombal
Edgar Wemeclt
Pau Comeu (Aparecida)
Buraco do Peru
Santa Tereza
Barro Preto
Barro Preto
Barro Preto
Lagomha
Santa Efigênia
Jardim América
Cruzeiro
Lagomha
Sion
Vera Cruz
Lagoinha
Stc. Agostinho
Lagoinha
Carmo-Sicn
Viste Alegre
Pe. Euetáquio
Luxemburgo
Serra
Horto Florutal
São Lucas
Carloe Pratea
1895
1895
1902
1910
1020145
1920
1922
1930
1930
1935
1935
1935
1935
1935
1940
1941
1942
1942
1944
1945
1948
1950
1902
1902
1942
1935
1942
1982
1960
1982
1982
Fonte.: TEt.i.l&RB8, R.otw. Pa'l'81u em.EWoHoNOD\6. Bolal.i.m Miuin. o.o,r..tl.a
. Wo HOlWOQle,e, 1, JI.1..:l1.Jul. 1geTj VBN'. Jikbal Maria. KatudocM _. c....LN
.
quauo bai.lTN po~c» BeloHOIUon~
PRAX18. iWo HorlIaD&e, ,. 19-39, 197~
Um caso curicec sobre Belo
Horizonte é o da Cavela de BalToea. Formada em
1902, quando da primeira remoção d. favela. em
Belo Horizonte, a do C6rrego do Leitão e Alto da
Estação, ela en.tiu por, aprozimadamente,
40 anos, na áre. central da cidade, sempre em
processo de remoção e novo reu.entamento.
Inicialmente, ela eurgiu no BarT'O Preto e cada vez
que era alvo de remoção, parte de aeUII moradoree
ia para outr08 lugal'M e parte mudava-se para u
prozimidadn, refuendo o núcleo. Denominada li
"latolll.ndia" da Capital, IIU daalocamento ocorria ao
longo da aVlaida OleJário Maciel. Em 1942, a favela
da Barroca é encontrada no atua! bairro do
Gutierrez, onda hoja , a A..embiéia Lesielativa e de
onde foram finalmente espw.a. oa últimOtl
mcredcree, indo parte para a favela dos Marmiteiroe
8 parte formar o Morto do Querosene, na avenida
RaJa Gabaglia, fora do perímetro da zona urbana
de Belo Horizonte.
o crncimento acelerado da
população, a partir doe anca quarente, ,
acompanhado do aumento do número de favelu, que
pusam a ocupar áre.. cada vez maia distantes,
próxima aos municipioa vizinhos, em e.pecia! o de
Contagem, onde aeha-ee localizada a Cidade
Industrial. O fenômeno coincide com um preceaac de
reabertura politica e de aumento da participação,
com um intellllo surgimento de movimentoa
anociativoe de defela de interM.lea da população
favelada " .. UaiÕ8tl de Defesa Coletiva e a
Federação d~
Trabalhadores Favelados d. Belo
Horizonte.3
Em cOD.8&qüincia da organização
doa moradores de favel.. e dentro do espírito
populiate da época, pela primeira vez o poder publico
começa a tratar o problema como qu..tão social e a
favela torna- objeto d. polítieu. Neaae sentido. em
1955, é criado o Departamento de Bairros Popular..
(DBP), órgão da Prefoitura Municipal oncarregado da
questão, definindo-.e que .. remOÇÕP s6 ocorreriam
mediante a eonstruçio de COIQuntoe de ea.8U para
onde seria transfarida a população desalojada daa
CaveI... :Se realidade, Coi conatruído um único
col\iunto e teve continuidad. o ProeMSO de remoção
no. mold.. antigoll.
3eom ret.çJD aotIllMJ'rimtlnkM d.e~de r..vela, ver Atoruo.
.....0<10(1988)
Análise & Conjuntura, Belo Horizonte, v.7, n. 2 e 3, maio/dez. 1992
o perícde entre 1945 e 1964 é
caracterizado por açõea contraditórias do poder
público com relação às favelas, sendo também grande
a movimentação das associações de moradores. De
uma parte, teve continuidade a política de remoção,
até mesmo com o corte do abastecimento de água e
luz nas favelas para minar a resistência da
população. De outra, foi grande o apoio dado pela
Prefeitura, através de verbas e assistência técnica,
ao fortalecimento das associações de favelas. Ao
mesmo tempo, recrudesceu o movimento de invasão
de áreas, agora realizado sob o comando da Igreja
Católica e dos pertidce políticos de esquerda. e que
encontrou pouca resistência das autoridades.
Em 1963, é realizado o Primeiro
Seminário Nacional de Habitação e Refonna Urbana
no País, que propõe a definição de uma política
nacional de habitação popular. Em conseqüência,
pela primeira vez o governo do Estado de Minu
chama a ai a responsabilidade de tratar a queatão da
moradia popular e, em especial, a das favelas. Ne.sa
perspectiva, foi proposta a construção de uma grande
área de conjuntos habitacionais destinada a abrigar a
população favelada de Belo Horizonte, na época
calculada em, aproximadamente, 120 mil pellOU,
morando em 25076 domictlios (PLAMBEL, 1967).
Além da conotrução doe ccnjuntce,
previa-se também a url>anizaçio de quatro CaveI..
localizadu em áreu adjac.nt.. à cidade, o que
constituía inovação na politica e correapondia à
reivindicação do movimento de Cavelados, a qual
eeneeeve-ee no direito de permanecer no local
ocupado. na implantação de inCra-eatrutura urbana
nas fav.lu. O projoto de construção doe coJ\iuntoe Coi
elaborado e o governador do Estado chegou a aallinar
um decreto desapropriando a área neceesária à
realização da. obras. No entanto, o Golpe Militar de
1964 fez o governo voltar atrás na deci.ão.
Com a Revolução d. 1964, quo
coloca a questão da propriedade como a pedra de
toque do novo regim., a favela torna.... obj.to d.
eçêc policial. A r.preuão d ncadeada no Paia a
partir do Gclpe declara subv.rsiv.... aaaociaçõet d.
favela, prende 08 lídere. do movimento e, dentro da
nova orientação políâca, , criado um 6r,ão
encarregado, oficialmente, d. promover a nmoçio de
favel.. em Belo Horizonte. Houv., entio, um
prcceeec d. deaCav.lam.nto m precedent.. na
cidade, ju.tificado pela implantação do obra. como
sistema de viu de fundo de vale, muma vimo,
alongamento de vias ete., outr08 motivoa nem
sempre justificáveu. No espaço de 12 anoe
197111983 -a Coordenação do Habitação do Interes...
Social (CHISBEL) atuou em 423 ár... da cidade, de
onde removeu 10 mil barraccw, cerca d. 44 mil
p...oas (quadro 2). O d fevelam.nto ara C.ito
mediante indenização em dinh.iro em valor
insuficiente para adquirir um terTeno -, e provocou o
surgimento de novu favelas em ma mai. di.tantn
e também o adensamento d8.1 exiatent...
A partir do final dos anos setenta,
durante os últimos anos do governo militar, nova
orientação é imprimida à política de favelas. As
enchentes de 1979 e 1982, somadas à rearticulação
dos movimentos de feveladoll, em especial a ação da
Uniêc dos Trabalhador.. de Periferia (UTP) e a
reabertura política, provocaram mudanças na
situação. O desabamento de muitos barracos trouxe o
problema dos desabrigadol!l que, provisoriamente,
foram alojados em escolas públicas, impedindo o
inicio das aulas, o que levou à necessidade de
mll!didu para resolver a questão.
QUAOR02
ATUAÇÃO DA COORDENAÇÃO DE HABITAÇÃO DE INTERESSE
SOCIAL DE BELO HORIZONTE
1971-83

ANO REMQÇAO
IFamília População
~=,.....__I-Ar-.-a-~-"""'---I

1971 1
1972 36 691 3 038
1973 54 1 143 4815
1974 56 645 2 818
1975(1) 31 1076 5273
1976 19 950 4 703
1977 21 1093 5 774
1978 32 2 270 10 564
1979 53 445 2 252
1980 46 414 1938
1981 40 127 601
1982 8 435 2 209
1983 4 23 151
TOTAL 421 9313 44136
P'oc....: CHlSBBl. RaI.IItbrio da. .tI~
di. Coord.lrnaç;to da Hablt.t.ç60 di!
tnr..tni.. 90cW di! Belo HoriaoGte. BeM Honaon.... 1971. 1913. 1914. 1916,
1911, !917. 1918, 1979, 1910, 1911, lil12. 1983
(l).D 1m, a1Im .... &rui. foruD tuIb6m remo'l'tdu Jn&a W fam1Jw.,.
"Ima kltal. 3 i'1'9 PN'OU (1\». MPOClLuMftln~qutMnm ..ir du c.....1aa.
A Cavela torna-se entio objeto de
abanção do governo do Estado que, entre outras
providênciu, cria um programa de urbanização de
fa"'el.., o que representou o reconhecimento implícito
do direito d. a população permanecer na área
in.adid..
O Prosrama de Deeenvolvimenee d.
Comunidad.. (PRODECOM) da Secretaria de E.tado
do Plan.jamonto o Coord.nação Gorai (SEPLANIMG)
pautava-.. por uma propoeta de planejam.nto
participativo implementado juntamente com aa
aallocíaçÕM comunitUias. Poe.uia cinco linh.. d.
prognun.. do.tinados ia Cav.l.. o áre.. periféric..,
entre oe quais o de urbanização legalização de
po..o da tarre., aâvidadea .m que .ra auziliado pela
CliISBEL -para CUIU' oe deelocam.ntoe de
população neceuários ia obra., mantendo,
entretanto, lU (amai.. na me.ma área. Também o
Ph",.jlllllento da Região M.tropolitana do Belo
Horizonte (PLAMBEL) 6rgão do Estado
.ncarregado do plan.jamonto da Região
Metropolitana de Belo Horizonte -foi eeicnede para
.IÜKJrar um projeto de lei de uso do .010 e
parcelamento e.pedal, destinado àl áreas de favela.
Se d. uma parte estava garantida a
porman6ncia cIaa fevel.. .m.tente. em áreu
Antlioo'" Conj1U1tura, Belo Horizonte, v.7, n. 2.3, maio/d . 1992
públicas e urbanizáveis, o crescimento da população
levou à continuidade do processo de invasão de áreas
e fonnação de novas favelas, só que em locais mais
distantes. O controle sobre as invasões nas áreas
centraie tor-nou-se maior, provocando o deslocamento
da população para novos lugares, em especial junto
aos centros de emprego indu.!Itrial -as cidades
vizinhas de Betim e Contagem . onde uma ampla
ârea em torno da Fábrica Italiana de Automóveis
(FIAT) foi invadida. Também surgiram favelas em
loteamentos periféricos não-ocupados e de
parcelamento muito antigo, cujos proprietários, em
geral, residiam no interior do Estado e se
desinteressaram dos terrenos em virtude da pouca
valorização.
o PRODECOM representou um
marco na política de favelas, quando pela primeira
vez se desenvolveu um. programa de urbanização da
área com a participação da população local não só na
fa.e de planejamento para escolha do que iria ser
feito mas, também, diretamente, através do trabalho
em mutirão, na realização das obras. Em três anos
de atividade, o PRODECOM atuou em 11 áreas de
favela, beneficiando, aproximadamente, 70 mil
pesso.. (quadro 3). O programa de legalização da
posse da terra, todavia, ficou no projeto apenaa e
previa, na época, a legalização de 1 200 low na Vila
Cernig 8 de 800 no Cafezal. Na realidade, a Vila
Cemig, primeira favela de Belo Horizonte cujos
moradores receberam o título de prcpriedede, .6
realizou seu processo de legalização em 1986.
Em 1984, o PRODECOM foi
deeecívedc por razões políticas devido à mudança de
governo, não deixando, entretanto, de existir. Cm
ano antes, em 1983, havia sido criado o Programa
Municipal de Regularização de Favel.. (PRÓ.
FAVELA) qUI teve o mérito de ee conetituir no
instrumento através do qual o poder público
reconhecia, de forma explicita, o diroito do favelado à
propriedade de aua moradia. Sua "IJUlamantação,
entretanto, eé veio a ocorrer quase doi! moa mais
tarde quando, sob pr...io doa movimento. populares
e da Paatoral de Favelaa, foi aaainado o Decreto a. 4
762, de 10/811984, momento em que foi extinta a
CmSBEL.
Atrev6a do novo Pro,rama, 8.1
flvelaa localizadu em tarrenoo públicoa e paasívei.
de urbanização foram decrltadu Setor Eepocia! (SE·
4) , paaaando .eue habitantoo a terem aaaegurado o
direito de permanecerem no local, salvo caao de
remoção neceasária devido riaca. ou realização de
obras de urbanizaçio. Neliee sentido, foi elaborada
uma legislação e um C6di1fO de Poatur.. Eapociaia
para e 88 áreas, pennitindo um parcelamento a um
padrão de urbanização diferonciadOl. Para
implementação do PRÓ.FAVELA, .m 1986 foi criada
a Companhia Urbanizadora de Balo Horizonte
<URBEL), 61'Jlão da Prefeitura Municipal encarregado
de todu as queatõea afetas àa rav.lu: urbanização,
regularização, titulação e até remoção, quando
necessária.
FAVELA
IOBRAS ItEALlZADAS(l)
1981
chAfanse., eaLU d'''p. aeeoo
V1'na. c:a1~manLo.
praça. lI\uro
..rnll'lO, 4feNpln
B.trT1lpln Santa
L_ 1981 eaLç._nto. ae.NO V\áno. muro

"00 .m_
ç.bana Pai TOlDAI 1982 6000
eanahuç.lo NeM
Catoul 197M!2 6000
cn.l&nton. aC*11OV\M\O.
:!Te.....I'l'ln. calçamento. rede de
"cua. lu:.. llwrunaç&o puillica,
poIto policiaI, limpeu pubhea.
elOCll MW"O .mlno. praça
CeIN' 198<>1' (213400
pr~.~eaIçamMlto,
qua.. NIO'O.Llwn. pUbltca,
aceNO .uno, e-..da. Muro
un_
1981 (21s OC() ~UM Mt"I'. eocn.
.'IOto e dNnaptD
F4Ib~
(981 6600
Co_
c1nnquD. ca1ç&m. __Y\M\o.
etcada. muro&rnJNl, *1\1&. ~.

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Oe.d. que começou a funcionar, a


URBEL já atuou em 17 áreao de favel... Seu
trabalho consi.te no levantamento da área,
regularização e urbanização, seguido da aprovação e
titulação doe lotes. O preeeeee é moroso, envolve
negociaçõel com a comunidade, e muitas vezes é
n.cea.ária a remoção interna de fanu1iaa para
viabilizar a urbanização da área. A comunidade
precisa ser conscientiuda e mobiliuda para
participar do programa que quaal sempre enfrenta
obstáeulOl, ..pecialmente com relação a diverginciaa
politica. entre comunidade e ....ociação, impedindo
lev'-lo a bom termo. Um ezemplo d....e cuo é a
favela do Vilta Alegre, wna daa primeiras do
trabalho iniciado pela URBEL (1988), o qual até hoje
não foi poatrivel terminar em virtude de problemas
pollticoa na ...ociação de moradore.. Até julho dI
1992 a URBEL conseguiu completar o proceuo de
regularização e titulação de ap"nu .ete árou.
AnlUise & Conjuntura, Bolo Horizonte, v.7, n. 2 I 3, maio'doz. 1992
~l'ADRO
4
A11.:ACAo 00 PROÓRA.\IA MtOOCIPAL DR REGtJU.1UZACAO 08 FAVElAS (PRoÓ-FAVBlJU KM BELO
HORlZOl'lt"E
".....
ANO l'JÚMBROOB POpuuCAo Nl."MERO OOMICluOB
FAVEUS
BE.~P'lClÁDAB

LOTES
23 004
"'96'.., J .,.
"88 J
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1281 I 197 , 09<1
8l1O 5715
TOTAL 17 1;182J Ll~77
6242
ronL*; COlnlNlnru. t:tbaruu.40'" da Belo Hortaonta IURBELl
(I, ~In
cM uma ra.eLa, (otam t&mW1rI uLUlaao. 2181" do Corvun~
Man.ano. Att,..\&.

Além da atuação da L"RBEL nas


fevel ... do Bolo Horizonte, ern 1988 o PRODECOMfoi
reativado. Através de verbas dos governos alemão e
italiano e do Estado de Minas Gerais, realiza
benfeitoria nas áreas de aglomerados de favelas
epresta apoie técnico às 8880clações na capital e no
interior do Estado. presta apoio técnico àe
associações na capital e no interior do Estado.
Desde o .urgim.nto do
PRODECOM, em 1979; .......ociaÇÕ88 comunitári..,
dentro da concepção do planejamento participativo,
têm sido tratadas como os legítimoe interlocutores da
população de áreas periréric... e de favela, junto aoo
órgãos públicos encarregados de programas sociaia.
Seus reprfllentantes, juntamente com c» t6c:nicc»,
que decidem o que fazer e como, pila8ando aa
realizaçõu doo proçamu pelo aval da comunidade.
Se de um lado ena situação repre.enta avanço em
termos de planejamento participativo, uaegurando
08 interesses daa comunidades junto aos prop-amaa e
ao poder público, de outro .. aaociaçõea viram-
envolvidaa em um complao joro de intereue. e
""po.taa à corrupção, muita. ve.. daofilJU1'1UldOoM
enquanto legítimu repr...ntant.. du camadu
populeree. A conaoqüência ineviléval d.... proceuo
tom lido a reprodução do jO/lO político em nível du
fav.lu, onde proliferam aaaociaçõu liderança.
comunit6rias organizado em tomo da disputa peloo
reeursoe públicoo aloc:adoo nca maio divarooo
programas sociaia.4
t o fenômeno do -coroneülmo
urbano" com a tramformaçi.o d.u aaaociaçõu em
máquinas politicu de leu.' lidera em coron'i.-,
levando a disputo a antqoniamoo na própria
comunidade, que Um diJicultado e, U vezea, at'
mesmo impedido o bom d...mpenho da. Pl"OlRlDu
nas área..
Em que pese as mudançaa
verificadas na ori.ntaçio d.. políticu do governo
com relação ào favelu o à implomentação de
program'" nas áreu, o probloma eolé 10111. d.
encontrar uma aolução adequada. Além d.
"verdmI oaMWl&o Cunha (1991).
continuidade da formação de neves áreas de favela e
do adenaamento das existentes, não ocorreu,
confonne era esperado, a integração das favelas à
malha urbana. Pelo contrário, o padrão diferenciado
de urbanização e, em alguns casos, a identificação
deBeas áreu como ambiente de eriminalidade vêm,
cada vez mais, fazendo aumentar a discriminação e
a segregação de seus moradores, tcraendc-ee as
ravolu alvo da açio policial.
3 A DIMENSÃO DO PROBLEMA
TEND~CIAS
E DESAFIOS
A fim de avaliar a dimenaão do
problema de fav.lu, em Belo Horizonte, realizou-se
um levantamento estatístico sobre a evolução do
f.nômeno. Além da dificuldade em obtar mfcrmaçêee,
que nem .empn são confiáveia, evidenciam-se
diatorçõ...
Em 95 anoo de exiatôncia de Belo
Horizonte, foram realizado., oficialmente, sei.
levantaD1entOll lIobre favelas, doe quais quatro
CODItituem cadutramentos específica. e doi. são
dadoo do Canao Domogrifico. O primeiro
cadutram.nto data de 1955, época om que a
Prefoitura criou o Departamento do Bairroo
Populareo para tratar da questéo do rovela., o que
lovou ii necoooidade de o. realizar o lovantamento da
situação a fim d. conhecer a realidade em que se iria
atuar. Tr" ana. mail tarde, em 1958, eeee
levantamento foi atualizado, quando também II. tem,
pela primaira ve&, uma rolaçio du favel.. da cidade.
O terceiro cadutro é do 1963164, o roi realizado pela
Secretaria d. Trabalho Cultura do E.tado, quando
da alaboração do projeto para conatrução d. uma
área de c:onjuntoa d. C88U destinada a abrigar a
populaçio ravelada da Capital.
00 dadoo do 1970 e 1980 .ão
levantam.ntoo feito. pela Fundação Inetituto
Bruileiro de Goosrafia Eotatloti"" (IBGE), atravéa
do Conao Demogrifico, que puoou a inclwr oate tipo
do informação. Eoooo dadoo, quando confrontadoo
com 08 cadutramentoe projeçõe8 realizados, antes
depoi., revelam cliatorÇÕ8a. Nele. se evid.ncia a
Análie. '" Conjuntura, Belo Horizonta, v.7, n. 2.3, maio'd.z. 1992
não-inclusão de várias favelas que, provavelmente,
não foram consideradas como tais em virtude da
definição de favela utiliz:ada pelo Censo, que se
restringe à qualidade da casa, o que nem sempre
corresponde à realidade. ~uitas
casas de favela são
de alvenaria e muitas áreas possuem infra-estrutura
urbana sem, entretanto, deixarem de ser favela, o
que as descaracteriza frente ao Censo.
Os dados de 1984 são estimativas
feitae pelo PLAMBEL e L"RBEL com base em
projeçôea de tuas de crescimento e através de um
cálculo deasae projeçôes, elaborado a partir de
levantamentos aerofotogramétricos das áreas
invadidas, baseadas em duas suposições: que um
barraco de favela ocupa, em média, 25m 2 e que o
número de moradores por barraco é igual a 5.6
pessoas. Como se pode ver, trata-se de uma mera
projeção feita em cima de estimativas que podem não
corresponder à realidade. Como o último Censo vem
demonatrando, a população do Pais, eCetivamente
pesquisada em 1991, está aquém da que Coi estimada
por cálculos de projeção, a partir de tendênciaa de
crescimento. Em 1991, por exemplo, a população de
Belo Horizonte ficou com, aproximadamente, 450 mil
pessoas a menos do que era esperado. passando,
inclusive. a ser a quarta capital do Paíll em termos
populacionais, substituída no terceiro lugar por
Salvador (Behia). o. dados de 1991 .ão ootimativIIB
caJcu1adaa a partir da tua de crescimento do
período.
Azt razões desse 'procedimento não
são conhecidas mas, ainda que se poaaa argumentar
que o movimento de população em áreu de Cavela é
constante. o que modifica cotidianamente o quadro e
desestimula a realização de levantamentos que.
malcompletadoe, já não correspondem à situação, é
inegável que eeee desconhecimento sobre a realidade
tem motivações políticaa.
Em que P'" u reaae.1vu
apontadaa, os dedce ezi.atente. são os úniCOII de que
se dispõe para avaliar li dimensão e evoluçio do
fenômeno des favela em Belo Horizonte (quadro 5).
QUADRO'
BVOLUÇÁO DAS PAVK1A8
DI 8.lrI ,
ANO NOJoRO POPIJUÇ NOJoRO NOJoRD
01 1.0 o. IIAllIT"'"'
PAVIl.\9 OOu~l.l!8/D().u-'-érõoo
lllllO
."'"
23
0)2& 001 ..... '1lO6 '.0
1909 ,. 41303 10:134 '.0
1964 ss 118 183
" 331 '.7
197. ., 1153 921 30m s» .... 73 2171'24 48831 ,... 31 371412 .. 02 e.s
1991 Iro 1tl408M1 81:112 '.0
o que primeiro chama a atenção na
análise dos dados é o aumento constante do número
de favelas e da população ao longo dos anO.!.
regiatrundo-ae uma diminuição em torno dos anos 80.
Esta queda se deve à atuação da CHISBEL
(1971/1983) Íl3 enchent.. de 1979, ocesiêc em que
muitos barracos Coram destruídos e grande parte das
famílias transCerida para conjuntos habitacionais
localizados na periferia e em municípios vizinhos de
Belo Horizonte.
o fenômeno de adensamento das
favelas é também notável. Em 1980, a média de
pessoas por domicílio era de 4.8. e passa para 5.6 em
1984, quase 6 pessoas por casa. o que significa uma
piora nas condições de vide dessas famílias. Cabe
aqui a ressalva de que os dadoe de 1984 são
pressupcetca e não medidaa reais. Os primeiros
levantamentos de 19915 apontam uma média de
cinco pessoas por domicílio, o que representa
aumento em relação a 1980, indicando o
adenaemente (quadro 6).
A proporção da população favelada
em relação à população total é crescente. Enquanto
que em 1970 os fav.lado. repr entavam 13.3% da
população total, em 1984 eram 19.8%. O. dados de
1991 foram eatimad.. supondo-se uma tua de
ereseimente igual à da populaçio total. o que
.ignifica sube.timação de fato. Na realidade, pod....
upor que a população de favel... om 1991 d.vo
beirar a ceee do. 500 mil, mantidas as tendêneiee de
crescimento verificadas entre oe anoe de 1980 e 1984.
o que representa uma proporção de 25%,
aprozimadamente, da população.
So último decênio, enquanto a
população da cidade cresceu a uma taxa média de
1.3% ao ano, a população de Cavelaa aumentou a uma
tua média d. 6.0% ao ano, sendo COQ.ltantes u
invuÕM de áreas noa municípios vizinhos que
pertencem à Região Metropolitana de Belc Horizonte,
ob.enoando-I., tamb6m. um aumento do número de
peaaoaa morando embaixo de pontea, viadutoe. ére..
públicas próximaa às vi.. _p....... revelando o lado
critico da situaç.io da moradia em Belo Horizonte e o
empebreeimente da população.
Das 150 fav.l.. hoje m.t.ntoo na
cidad.S , 105 são docrotadllB SE-<l, o que prante a
seue moradora a permanência no local. Deaaaa, 17 j'
foram tituladas o 5 509 famílias rocoberam títuloo
d. propriadade doo lotas. Também .ão .igniJlcativas
as melhoriaa urbanaa er.tuadu, temendo-se como
referinci. a situação ui.tente nce oito aglomeradoa
de favelas d. Belo Horisonte, onde vivem
aprozimadamonto, 60% da população favolada total.
50. dodoo do c..... d. 1991 ",WlY.. l po.-u-de C....
eoI:Il8ÇUIl a MI' cnbelbadoe. i' .. ditpoDdo de infO!'ll1&Çl6M lGbre 60
~de Cn....qlM toealiuna 162 297 ~.
36 874~.
AC<lmpanbia UrboDizadon de Bolo H_.to (URBELl",,",_ta
como dado oCldal de 1991 aU:cIacia de 221 ravela, Aqui
con8denm... apenal 1M. ama VeI que muita dela. alo apanJ6el
d. uma J:DHma 4rea da rav.la.
Análi 8< Conjuntura, Belo Horizonte, v.7, n. 2.3, maioid... 1992
QU-'I)RO 6
EVOLUÇAo DAS FAVEU9 1M 81LO HORlZON'rB
1960 . 1984
POPuu.çÃO
1900 ,sse,,,.
..6<
1970
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F'ontü: Fundaç.to (rablutD 8r...I-uo ~
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(1808), PraCeitura dlI Belo Hori.r.onte.ColDfU\bIa Urbaruaadoa da Be)oHonsonw Cl
"RB8Lt
,t l Pop~
eal.lm..da.
Em média. 90% das casas dispõem
de água, 93% têm luz elétrica e 70% esgoto, o que é
uma situação bem melhor do que a doa conjuntos
habitacionais da periferia da cidade, que não
dispõem desses serviçce.Nc entanto. há que se notar
que, apesar da melhoria do padrão de urbanização
nessu érees e da existência de serviços urbanos, a
qualidade de vida da população aotá aquém de um
padrão daoeJável, sela pela qualidade de eonstruçâ«
das cases, seja pelas condições de saneamento,
devendo-se rel!lsaltar que e8sa estratégia de moradia
tem-se revelado a única possível para um conjunto
Significativo da população.
Se houve melhoria nos padrõe. de
urbanização e atendimento de serviços básico., se o
programa de regularização de ue.. e do titulação
proaaepe, ainda que lentamente, garantindo a
propriedade, todas eseas açõee, no entanto, não
foram capazel de promover a integração du áreas de
favela à malha urbana. Estaa continuam eendo
difereneiadas, especialmente as localizada. na zona
4 REFEUNCIAS
BmLIOGRÁFIcAS
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5 CUNHA, Nolo SallbL No.. traIldo anel orpn1utinu anel
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6 CUNHA, Nolo S&liba. Uri>aIWooçAo do Ca..lao O balrroo do
periI'aria: CODOidanç/lOO IOb... a upori&Dcla do
PRODECOM om Bolo HorizoDto. ln: ENCONTRO
ANUAL DA ANPOCS. 6. 1982, FriburlIo· Fribw'J'''
ANPOCS. 1982.
sul da cidade, e, cada vez mais, identificadas como
áreas de criminalidade. Hoje faz parte da história
das grande. cídedee brasileiras a utilização das
favelas como redutos do tráfego de drogas e abrigo de
quadrilhas, sofrendo seus moradores dupla presaâc .
a do. marginais que ali vivem e da polícia que realiza
"batidas no morro" à procura de bendidce.
00 uma perspectiva da politica
pública é grando o do.aflo que hojo so coloca pera o
governo e a sociedade em geral o aumento crescente
da população dessas áreas e a deterioração da
qualidade de vida de eeue moradorea, sobretudo no
que diz respeite à pobreza o falta de segurança. A
neceslÔdade de políticas adequadas c"paz.. de
equacionar o problema, nu váriu dimecaões em que
ele 118 apresenta, ee faz cada vez mais W"J6nte a fim
de evitar poeetvel enfrentamento entre Cavelada.,
marginaia, policia e a população em goral.
7 GUIMARÃES, Berenic:e ~.
C.ArIM bamme ft
ba"'"""tl, lIelo Horimllte. cidado p1oDojada. Rio do
JODOlro: IUPERJ, 1991. ToM (Doutorado om
SocWntIio). r-ituto UDioo_ do Pooquiaao 110
Rio do JODOlro (IUPERJ). Sod....do BraaiIoira do
matruçIo, 1991.
8 LE VEN. MlchoI Morio. EItuclo do .la Caftlu o quetn>
balrroo ~do Bolo HorizoDto. PRAXIS. lIelo
HorIsoDto, p.llI-38. 1976.
9 MINAS GERALll. Socrataria elo PlaDojaD1Ollto o
CocmIoDoçIo GoraI. PRODECOM' Programa 110
~do ComW1ldadoL lleIo Horizonte.
1981.
10 MINAS GERAIS. Soc:ratoria do P\anojomonto o
Coordol1oçlo GoraI. PRODECOM Programa do
n...n?OI~
de Com·mjdede': trtI aIlDI de
otmdadoa. BoloHorizooto. 1982.
11PLAMBEL. Belo Hori&onte. Copside"lQ"-pobre qultlltAp
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Análiso ... Conjuntura, Bolo Horizonte, v.7, n. 2 e 3, maio/doz. 1992