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Nossa

Umbanda
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Apostila de estudos no centro espírita Fé, Caridade e


Prosperidade caboclos 7 Flechas e Ubiratan

A Origem de uma Religião Genuinamente Brasileira.


Não se pode negar que a Religião de Umbanda nasceu da mistura de diversas
crenças, vindas de outras religiões. Talvez por isso a Umbanda seja a religião que
recebe a todos, sem discriminações, principalmente de credo religioso, muito ao
contrário do que acontece com o umbandista quando este é recebido por outras
religiões, mas não vamos falar disso aqui.
O importante mesmo é termos total consciência de que a Umbanda veio da cultura
afro, somada aos costumes indígenas tupiniquins, além é claro do sincretismo
católico, este último uma mistura de amor e imposição. Claro que ainda existem
influências orientais, cardecistas, místicas, uma verdadeira miscelânea de culturas.
Na minha opinião, a mais forte destas influências é do Candomblé, e tenho muito
orgulho de afirmar isso, pois apesar de a Umbanda ter nascido a menos de 100
anos (primeiro registro oficial), sua raiz africada é milenar.
Pai Zélio Fernandino de Moraes foi quem registrou em cartório a primeira tenda
Umbandista em 1908, sua casa, a Tenda de Umbanda Nossa Senhora da Piedade,
não tocava atabaques, mas estes instrumentos do Candomblé foram incorporados a
religião e hoje é difícil encontrar terreiro de Umbanda que não os possua em seus
rituais. De onde veio isso?

Com certeza, esta influência veio de nossos


queridos Pretos Velhos, entidades que se
manifestam na Umbanda e que foram em
vida, escravos de tempos antigos em nosso
País. Estes negros escravos, trazidos da
África eram adeptos do Candomblé, de
diversas nações diferentes, e a Umbanda,
ainda sem um código específico e singular,
administra seus templos individualmente
através das orientações de seus guias
patronos, ou seja, quem determina certos
fundamentos em uma casa de umbanda é o
Preta Velha Vovó Maria Conga em guia espiritual chefe desta casa, daí a forte
atendimento influencia dos rituais de nação trazidos por
nossos queridos Pretos Velhos.

Outra prova desta forte influencia e que também explica a entrada da cultura
européia através da romana religião Católica, é o sincretismo dos Orixás (que
vieram da África) com os santos católicos. Isso acontece simplesmente porque
nossos antepassados negros, enquanto escravos, não podiam adorar Orixás e
portanto adoravam santos católicos para não contrariar seus senhores, mas na
verdade, quando um negro rezava para São Jerônimo por exemplo, estava em seu
íntimo louvando a Xangô.
A religião de Pai Zélio, que está para completar 100 anos de seu primeiro registro
oficial, é uma mistura de crenças, ainda em formação, e tomara que continue
assim, pois a evolução humana não deve parar nunca, nunca devemos dizer que já
sabemos de tudo e que isso é assim e assado. Tomara que a Umbanda continue
evoluindo ainda mais e continue acima de tudo, uma religião eclética, sem
preconceitos.
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OS ORIXAS

Muita polêmica existe em relação aos Orixás, bem como, em relação as formas de
cultuá-los e na África foram e são deuses dos povos de diversas nações. Nossos
irmãos africanos possuem Orixás praticamente para tudo. Com a chegada dos
escravos africanos no período colonial, juntamente com eles vieram os seus cultos,
seus rituais e dogmas.

Na realidade os Orixás são formas espirituais de elevada envergadura, são seres


que nunca nasceram na Terra e que colaboraram inclusive na formação do próprio
planeta. Foram captados por todas as civilizações de nosso planeta independente
da educação de uma civilização para a outra. Como exemplo, nossos irmãos
africanos deram o nome de Iemanjá para a divindade das águas, os nossos índios
deram a mesma divindade o nome de "Iara" que em Tupi-Guarani significa "deusa
das águas". Na Antigüidade os gregos captaram a mesma divindade, porém, na
forma masculina e lhe deram o nome de Poseidon ou Netuno. Se nossos irmãos
africanos deram ao responsável pelos trovões o nome de Xangô, os nossos índios o
chamaram de Caramuru. Desta forma, não é importante o nome dado a essas
formas de elevada envergadura, a importância recai apenas no fato de que são
seres criados por Deus para ajudarem o homem.

Os Orixás não são vampiros e não são homens, desta forma, Orixás não comem e
não bebem sangue de animais como vemos nas cachoeiras, nas matas, etc. Quem
ensina essas atrocidades na realidade não sabe o que pratica como religião. O seu
próprio bom senso poderá lhe transmitir a verdade: por que seres altamente
evoluídos e enviados de Deus necessitariam de matanças e do sangue de animais
para se manterem, se esse Deus de amor e justiça faz com que nos animais
habitem espíritos embrionários, por que permitiria Ele tal atrocidade? A prática de
dar comidas, bebidas, matanças e sangue aos Orixás, tem origem nas senzalas
devido aos maus tratos que nossos irmãos africanos recebiam do branco
colonizador, que em forma de revide a esses maus tratos praticavam a milenar (e
poderosa) magia africana trazida ao Brasil no período colonial.

Em meio aos escravos não vieram apenas plebeus, vieram também reis, príncipes,
sacerdotes e feiticeiros. Com o tempo a deturpação infiltrou-se de tal forma nas
práticas africanas de culto aos Orixás, que ainda hoje é praticado o que era
praticado na senzala, na atualidade com o nome de Candomblé.

Ao Brasil chegaram aproximadamente 60 Orixás, o Candomblé cultua perto de 18


Orixás (existem muitas variações de um templo para outro) e a Umbanda cultua 14
deles. O Candomblé também conhecido como culto de nação, tem seus dogmas
fundamentados nas forças da natureza e no culto primitivo aos Orixás desenvolvido
nas senzalas que envolvia o sacrifício de animais.

A forma de cultuá-los na Umbanda difere de modo gritante da forma como são


cultuados no Candomblé e em outro culto conhecido como Cambinda. Pode-se
dizer que o único fato comum entre os cultos são o nome do Orixá, seus desígnios
e alguns de seus "fetiches".
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O Candomblé e o culto conhecido como Cambinda sacrificam animais em seus


cultos e consagram esses sacrifícios aos Orixás e a Umbanda não pratica e não
aceita em hipótese alguma qualquer tipo de sacrifício com animais ou qualquer
outro sacrifício que envolva ou não os animais.

Todo terreiro que se diz de Umbanda e seus dirigentes espirituais permitem o


sacrifício de animais, deve-se ao fato de que o Pai de Santo normalmente sem a
missão sacerdotal, vai buscar conhecimentos necessários para conduta em um
terreiro no Candomblé. Qualquer Pai de Santo sem a missão sacerdotal (missão
que vem do seu berço) que recorra aos conhecimentos do Candomblé, implantará
os sacrifícios de animais e para esses terreiros, recentemente se tem usado o
termo "Umbandomblé" para designar o terreiro que não é de Umbanda e também
não é Candomblé. O termo é pejorativo, já que esse terreiro não é nem uma coisa
nem outra e o fanatismo por lá impera.

Nesses terreiros, às vezes existem cultos que são divididos, de forma que em um
determinado dia de trabalho se diz praticar Umbanda e em outro dia pratica-se
Candomblé. E em casos mais graves as duas formas de culto ocorrem no mesmo
dia. O pessoal que pratica o Candomblé com seriedade de culto, não aceita essa
situação e caçoa dos terreiros com essas práticas. No Candomblé verdadeiro, os
cultos são direcionados de forma a se cultuar os Orixás, que seus praticantes
chamam de "encantados". Os espíritos que comparecem aos cultos de Umbanda,
como os caboclos e os pretos velhos, no Candomblé são chamados de "Eguns", que
significa espíritos dos mortos. Se acontecer de um caboclo baixar num terreiro de
Candomblé verdadeiro, ele será enxotado de lá com severidade.

O Candomblé não aceita a Umbanda e a quer longe de seus cultos e vice- versa.
Sabemos que a intenção dos dois cultos, não é desmerecer um ao outro,
simplesmente o Candomblé não aceita nossos dogmas, como também não os
aceitamos em seus dogmas, devido as enormes divergências que existem entre os
dois cultos. Tanto as pessoas do Candomblé, como as da Umbanda desejam
ardentemente a distinção entre os cultos, já que aquilo que é praticado em um
culto, nada tem em comum com o outro, de forma que se chega a abominar certas
práticas em ambos os casos.

A confusão na cabeça das pessoas ignorantes ao que praticamos se faz devido ao


uso de diversos fatores semelhantes nas duas religiões, como exemplo, os
atabaques, as roupas brancas, as guias que usamos, etc. Esses fatores é que
permitem a confusão. Por serem parecidos, mas não semelhantes, dão a idéia ou
impressão que são a mesma coisa, quando na realidade não o são. Nossa intenção
não é desmerecer as praticas do Candomblé, simplesmente não as aceitamos,
porque a Umbanda não as aceita. Todas as igrejas e seitas possuem bons e maus
seguidores, bons e maus praticantes e bons e maus dirigentes.

O Candomblé segue normas e princípios distintos e seu culto é regido de forma


hierárquica muito rígida. Essa hierarquia concede ao Pai de Santo de Candomblé,
poderes ilimitados em relação aos seus adeptos e seguidores. No Candomblé
somente ao Pai de Santo cabe transmitir as mensagens dos Orixás, dentro de um
ritual de cantos e danças ou através dos búzios, na Umbanda isso não ocorre, já
que os ensinamentos e emanações são transmitidos por nossos guias e protetores.
Esse poder ilimitado, gera em muitos casos o fanatismo e suas funestas
conseqüências.

A explicação das diferenças dos cultos é necessária para que se possa compreender
o que é a Umbanda e a sua moralidade. Se os Orixás estão presentes na Umbanda,
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temos que aprender a cultuá-los como a Umbanda ensina e não como os mal
preparados, sem a missão sacerdotal a praticam, por terem ido buscar
conhecimentos em culto totalmente oposto as praticas de Umbanda. Na realidade
os Orixás são hoje em muitos terreiros, cultuados de forma totalmente deturpada,
a falta de preparo desses maus dirigentes, fazem hoje dos Orixás, seres que só
aceitam ajudar os homens se beberem o sangue de animais sacrificados. Os
rituais de sacrifício só permitem a vampirização do sangue dos animais, feitas por
espíritos que erradamente se dizem ou são chamados de exus. Orixás não bebem
sangue e por serem formas espirituais de elevada envergadura, não sentem fome,
desta forma, não necessitam de alimento. Fazem hoje dos Orixás, algo que eles
nunca foram. Orixás não são vampiros. Sua própria razão pode lhe mostrar a
verdade:

"Se os Orixás são enviados de Deus ao nosso mundo, por que razão esse Deus de
amor e bondade, sobre tudo o que criou, permitiria o sacrifício de criaturas
inocentes por Ele mesmo criadas, em Seu nome ou em nome de Seus enviados?"

Os Orixás não são seres malignos, muito ao contrário, visam e sempre buscaram o
bem dos homens. Os homens que são a causa primária de todas as misérias de
nosso mundo é que os transformaram em seres malignos. Mas um dia isso irá
acabar, chegará o dia em que não veremos novamente tais práticas e elas
parecerão para humanidade futura, um grande pesadelo que se passou.

O Orixá dentro de sua linha vibratória influencia seus mensageiros espirituais, que
são por nós conhecidos como Guias de Umbanda. Esses espíritos Guias incorporam
nos médiuns durante os trabalhos que são realizados em nossos templos e
transmitem desta forma, seus ensinamentos, sentimentos, leis e emanações.

A força que possuem é imensa, para melhor compreensão, imagine o Orixá


conhecido como Oxossi. Na Umbanda Oxossi é o senhor das matas e praticamente
o senhor de todos os caboclos, constatamos em todos os terreiros que visitamos,
que o respeito que todos os caboclos tem por Oxossi, é imenso. Ele é conhecido
também como o Orixá caçador, mas não de animais e sim, de almas (o
catequizador). Sendo as matas os seus domínios, ele na realidade é a própria
mata, em toda a sua força e grandeza, capaz de gerar a vida, mantê-la e protegê-
la dentro das matas. Essa força em toda a sua magnitude, não pode ainda ser
compreendida pelo homem, podemos apenas pressenti-lo, através de seus fetiches
e do que aprendemos sobre ele, sobre o seu grande conhecimento, aliado a sua
imensa força espiritual.

Espírito - Perispírito - Corpo físico

Espírito é o ser indivisível, não material e imortal, criado por Deus. Os caboclos
dizem que um espírito é como se fosse uma palavra de Deus, que Ele nunca
repete. Portanto somos únicos, não existe um espírito igual a outro, podem ser
parecidos, mas nunca iguais.
Perispírito é o envoltório fluídico de um espírito e, é matéria não perceptível aos
nossos olhos. O espírito desencarnado pode dar a ele mesmo, a forma que desejar,
através do perispírito. O perispírito vibra num campo conhecido como astral.
E corpo físico é o seu envoltório material, no qual habita um espírito em sua
jornada pelo nosso mundo. Desta forma, podemos dividir o ternário acima, da
seguinte forma:

Mental - Astral – Físico


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Os Orixás agem nos campos mental e astral emanando Deles sentimentos e leis,
que refletem no plano físico através de seus enviados, por nós conhecidos como
guias de Umbanda. Um guia uma vez incorporado em seu médium, transmitirá os
ensinamentos oriundos dos Orixás.

OXALÁ

Dia da semana: Sexta-feira ou domingo.


Saudação: Êpa Êpa Babá ! (Viva o Pai).
Sincretismo: Jesus Cristo, N.Sr. do Bonfim.

Cores: Na Umbanda: Branca


Candomblé: Oxaguian , branca e azul claro. Oxalufã, branca, marfim , pérola e
chumbo.
Principais oferendas: Vela branca, rosa e flores brancas, suas comidas e frutas
típicas.
Elemento: Fé.
Algumas ervas: Tapete de Oxalá (Boldo), Saião (Folha da fortuna), Folha da
costa, Malva branca, Cana-do-brejo, Rosa branca.
Animal: Pomba branca.
Comida: Canjica branca cozida, acaçá, massa de inhame, arroz, milho branco, uva
branca, pêra, maçã, obi branco.
Domínio: Céu, Ar, Rios e Montanhas.
Particularidades: Pai de todos os Orixás, ele quem permitiu a todos os Orixás
escolherem seus domínios.
Alheio a disputas, brigas, violência, gosta de ordem, da limpeza e da pureza.
Características: Equilibrado, tolerante, calmo, grande respeitabilidade, força de
vontade, confiabilidade.
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Orixá maior da Umbanda, Ele é a própria Umbanda em sua magnitude, sua cor é o
branco, representando a paz, o amor, a bondade, a limpeza, a pureza espiritual,
enfim, tudo aquilo que possa indicar positividade. Os domínios de Oxalá são todas as
pessoas e todos os lugares. Seu reino é o nosso mundo.

Jesus Cristo é o chefe supremo da Umbanda, sincretizado a Oxalá, para Ele


convergem todas as outras linhas da Umbanda e de seus trabalhadores. Todos os
espíritos que trabalham na Umbanda tem por Jesus Cristo enorme devoção e aos
ensinamentos de seu Evangelho seguem fervorosamente, transmitindo-os sempre a
todos que a seus ensinamentos não conhecem.

O sincretismo Oxalá – Jesus Cristo é perfeito, pode-se dizer que ambos são o
mesmo ser com nomes diferentes. Dentro de uma análise lógica, não podemos dizer
que ambos são o mesmo ser, já que dentro dessa lógica, um Orixá é um ser
espiritual que nunca encarnou na Terra e Jesus esteve entre nós a dois mil anos.
Isso, no entanto, isso não nos importa, importa apenas, que o sincretismo perfeito
de ambos, impera dentro de nossos templos.
Não importa como os chamamos, se de Jesus Cristo ou de Oxalá. De Oxalá
conhecemos muito pouco; de Jesus, no entanto, conhecemos a sua vida e a sua
obra. A Ele devemos obediência e obrigação de aprender com os ensinamentos de
seu Evangelho e acima de tudo, de praticarmos esses ensinamentos. Jesus ama a
todos nós, bons ou maus, justos ou injustos, ricos ou pobres, brancos ou negros,
homens ou mulheres.
Todos os Orixás da Umbanda seguem a Oxalá, pregam a sua doutrina e seus
ensinamentos. Todos os espíritos seguidores de Jesus Cristo, trabalhadores ou não
na Umbanda, lutam contra as forças do mal, anulando trabalhos de magia negativa
ou outros tipos de maldade, gerados ou não por feitiços. Esses seguidores
intrometem-se nos lugares aonde o mal é praticado e anulam ou minoram os efeitos
desses trabalhos do mal e prosseguem na incansável luta contra essas forças,
pregando sempre a fé em Deus, a caridade, o amor ao próximo e a fraternidade.

Na divisão da linha de Oxalá, os Santos Católicos chefiam diversas falanges,


tornando ainda mais forte o sincretismo religiosos existente na Umbanda.
A forma de cultuar Oxalá na Umbanda, hoje é totalmente deturpada pela grande
maioria dos terreiros. Esse fato deve-se a busca de conhecimentos de alguns chefes
de terreiro do passado, que foram buscar no Candomblé os conhecimentos
necessários para conduta de um terreiro, implantando na Umbanda, rituais e
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dogmas que nada tem em comum com as nossas práticas.

Aprendemos que a forma de agradar Oxalá são as orações e a boa conduta dos
homens. A irradiação de Oxalá ultrapassa qualquer culto a qualquer Orixá, como em
qualquer terreiro, as obrigações e as formas de cultuar são ensinadas desse modo:

Velas brancas (se você souber o que está fazendo com elas), cravos brancos, água
pura e mel.

O local para fazer sua obrigação pode ser qualquer lugar, como já citei o reino de
Oxalá é o mundo, desta forma, você pode cultuá-lo em qualquer lugar desde que
esse lugar esteja limpo. Só para lembrete cemitérios e encruzilhadas não são
lugares limpos.
Você pode fazer sua obrigação em sua casa, no terreiro, nas praias, nos bosques,
nas matas, nas igrejas (se o padre deixar ou não ver), nos jardins, etc. Não
importará o local, importará apenas a sua fé e a sua devoção no que está fazendo.

• Cor................Branco
• Domínios........O mundo
• Atuação.........Sobre a Fé
• Saudação....... Epa Babá Oxalá
• Elemento.......Terra, Água, Ar e Fogo

Comentário

Jesus Cristo é o mentor da Umbanda, o convívio do cristianismo entre nós muito nos
ensinou. A Egrégora Cristã foi vitoriosa em relação ao paganismo, já que Jesus
edificou sua igreja em Roma, a sede do mundo pagão naqueles tempos. E Jesus
através de suas curas, de suas parábolas, de seus milagres e principalmente do
ensino moral, deixou nas mãos da humanidade os meios para evoluir
espiritualmente.
Pregou sempre o amor ao próximo e o perdão das ofensas, lutou bravamente contra
a hipocrisia e a maldade reinantes naquela época. Todos os trabalhadores da
Umbanda sejam caboclos, pretos velhos ou outras entidades que comparecem aos
nossos templos, pregam esses ensinamentos.
De todos os ensinamentos de Jesus, um é supremo:

“O perdão sem limites”.

Isso foi o que Ele nos ensinou em vida e na hora de sua morte, pedindo a Deus o
perdão para aqueles que o colocaram na cruz.

Se não conseguimos ainda ser como Jesus e perdoar as grandes dores, traições e
ofensas devemos então ao menos perdoar as pequenas faltas.
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OGUM
Dia da semana: Terça-feira.
Saudação: Ogum iê, Patakori Ogum.
Sincretismo: Em São Paulo E Rio de Janeiro é São Jorge - 23/04 e na Bahia é
Santo Antônio - 13/06.
Cores: Vermelho (umbanda) azul marinho (candomblé)
Símbolos: Espada, lança.
Onde recebe oferendas: Nas estradas e estradas de ferro, campos, nas
encruzilhadas e na calunga.
Principais oferendas: Charuto, rosas vermelhas, suas bebidas e comidas.
Bebida: Cerveja Branca.
Elemento: Fogo e o ferro.
Algumas Ervas: Espada de São Jorge, Abre caminho, Arruda, Folha de
Seringueira.
Animal: Cavalo.
Comida: Feijoada com feijão fradinho, cará, inhame, carnes vermelhas, miudos.
Domínio: Caminho, estradas, tudo que é feito com ferro.
O que faz: Abre caminhos, executa a lei.
Características: Impulsivo, guerreiro, líder, intolerante.

Na região sudeste do Brasil, Ogum é sincretizado a São Jorge, Santo caçado pela
Igreja Católica. Acredita-se que São Jorge tenha pertencido ao exército romano e
converteu-se ao cristianismo sendo por esse motivo torturado e teve a cabeça
decepada a mando do imperador Diocleciano. Embora caçado, São Jorge continua
sendo o patrono ou o santo de muitas nações, como exemplo a Inglaterra e a
Rússia e de muitos exércitos como o brasileiro.

Na Umbanda São Jorge continua sendo o Santo que representa Ogum. Ele é o
Orixá protetor contra as guerras e contra as demandas espirituais. Ogum é o
protetor dos militares e de todos os seguidores da Umbanda e também daqueles
que sofrem perseguições materiais ou espirituais.

Sua cor é o vermelho encarnado, seu fetiche é a espada. Ele é o guerreiro que
trava batalhas espirituais contra as forças do mal e é respeitadíssimo dentro de
nossos cultos, como também pelos seguidores do mal. É comum os exús o
chamarem Ogum de “meu Senhor das armas”. Sob a sua responsabilidade está a
manutenção da lei e da ordem.
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Conhecido como o general de Oxalá, Ogum protege a todos que a Ele recorrem.
Seus domínios são todos os caminhos e todos os lugares. Em qualquer lugar que
exista a menor possibilidade da prática do mal Ogum é atuante, sejam nas
encruzilhadas, nas matas, nos cemitérios, nas praias, na subcrosta, etc.

A lei de Ogum é a lei da espada, sua linha é a mais atuante contra as forças da
Quimbanda, da magia negativa e suas funestas conseqüências.

Nas obrigações a Ogum são usados cravos vermelhos ou brancos, velas vermelhas,
vermelhas e bancas ou brancas, água, cerveja branca, essa é a sua bebida,
juntamente com a água.

O uso de água em nossos rituais é grande, espíritos trevosos ou malignos não


bebem água, desta forma se algum dia você desconfiar de mistificação em relação
a qualquer entidade, solicite a ela que beba água, se a entidade recusar a água,
sua máscara cairá. O uso de água contra demandas espirituais é comum, por ser a
bebida de Oxalá.

Recorra a Ogum sempre que se sentir ameaçado espiritual ou materialmente. Peça


ajuda a Ele, para você ou para qualquer pessoa que você notar estar embaraçada.

“Ogum jamais desampara aqueles que a Ele pedem ajuda”

• Cor..........................Vermelho
• Domínios..................Todos os caminhos e lugares
• Atuação...................Contra demandas e feitiços
• Saudação................. Ogum iê
• Elementos................Terra e fogo

Comentário

Em nosso terreiro não é adotado o uso da capa e do capacete no estilo dos


legionários romanos, durante a manifestação das entidades da linha de Ogum,
porém, o uso da capa e do capacete é válido em sua homenagem nos templos de
Umbanda, o uso é representativo e não causará mal a ninguém se tal indumentária
for adotada. Para Cultuar Ogum é simples, basta ter fé em sua grande força e boa
conduta na vida, isso já será o bastante para ter de Ogum a sua proteção.
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YEMANJÁ

Dia da semana: Sábado.


Saudação: Odoiá.
Sincretismo: Ave Maria, Nossa Senhora da Glória no Rio de Janeiro, Nossa
Senhora dos Navegantes no Rio Grande do Sul e Bahia e Nossa senhora da
Conceição em São Paulo.
Cor: Azul claro.
Símbolos: Um leque chamado abebé contendo uma sereia, estrela ou espelho.
Onde recebe oferendas: Nas praias.
Principais oferendas: Rosas brancas, palmas brancas, perfume de colônia.
Bebida: Champanhe branco.
Elemento: Água.
Algumas ervas: Folha de alfazema, folha de colônia, pariparoba, rosa branca.
Animais: Peixe de água salgada.
Comida: Peixes do mar, arroz, milho, camarão com côco, comidas brancas como
canjica e manjar.
Domínios: Oceanos.
Particularidade: Trabalha igualmente com todos acolhendo-os, fortalecendo-os,
trazendo esperança. Iemanjá "cria" a todos, é grande mãe de todas as cabeças.
Características: Generosa, caridosa, acolhedora, serena, possessiva.

Iemanjá é a mãe de todos os Orixás, segundo as lendas oriundas do Candomblé.


Sua cor é o azul claro, e seus domínios são as águas de todos os lugares, porém,
sua atuação maior é sobre os mares e oceanos. Protetora dos marinheiros, dos
pescadores, das viagens por mar e sobre toda a flora e fauna marinhas.

Sua atuação na Umbanda normalmente é sobre as mulheres casadas, embora


isso não seja uma regra, e principalmente sobre a maternidade.

Os oceanos, as praias, os rios, os lagos e as cachoeiras, são domínios de Iemanjá.


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A força vibratória das águas ou desses locais tem a função de devolver trabalhos
ou vibrações de qualquer natureza. O mar sempre devolverá tudo o que for nele
jogado ou vibrado. Nas obrigações à Iemanjá, é comum serem usados pentes,
perfumes, maquiagens, espelhos, ROSAS BRANCAS (só as pétalas da flor, sem
galhos e espinhos) e perfume, se possível de ALFAZEMA, iemanjá não aceita flores
que não sejam brancas, a bebida de Iemanjá é champanhe.

Na beira da praia faça seu pedido. Os espíritos trabalhadores na linha de Iemanjá


vão ouví-lo(a) e atendê-lo(a) em seu pedido, o mar por sua característica
vibratória, devolve rapidamente tudo que nele é atirado, mas não firma trabalhos
duradouros.
Os resultados, porém, são rápidos e seguros. Isso indica que a Iemanjá podemos
pedir ajuda em problemas de urgente retorno, como exemplo, as doenças. Faça
seu pedido, ela ouvirá e atenderá.
Alguns ignorantes e incautos vão às praias e lá vibram ou afirmam pontos
malignos. Como o mar, que por sua natureza vibratória devolve tudo que nele é
jogado, o incauto receberá de volta rapidamente tudo aquilo que pediu e vibrou.
Iemanjá é a mãe de todos os Orixás e também é sua mãe, respeite-a sempre.

Iemanjá é um dos Orixás mais cultuados e respeitados na Umbanda. Ela


está representada na figura da mãe que acompanha o ser humano por toda a
vida. É muito evocada nos templos de Umbanda através das sereias e outras
ondinas para limpeza fluídica das pessoas e do ambiente.

• Cor...............Azul claro
• Domínios........As águas de todos os lugares
• Atuação.........Sobre a maternidade. (proteção às mães)
• Saudação.......Adociába, ou Odóia
• Elemento.......Água.

Comentário

Os oceanos, os mares, as praias, os rios, os lagos e as cachoeiras são também


seus domínios e Iemanjá delega alguns desses domínios a outros Orixás, como
exemplo: as cachoeiras são consagradas a Oxum e a Xangô e os rios, ribeirões e
mangues a Nanã Boruquê.
Nos trabalhos desenvolvidos nos terreiros é comum a evocação de Iemanjá e suas
enviadas, tais como os elementais conhecidos como sereias e ondinas ou então a
linha dos marinheiros, no sentido de “limpar vibratoriamente” os locais de culto ou
descarregar pessoas necessitadas de reajustamento vibratório.
Quanto à forma de cultuar Iemanjá, existe barquinhos de isopor ou madeira,
pentes, maquilagens, perfumes, espelhos, etc. Enfim, coisas ou objetos que as
mulheres normalmente usam. E também bebidas como champanhe, soda
limonada, calda de ameixa ou de pêssego.

Na beira da praia, molhe as flores com o perfume, em seguida ajoelhe-se, faça


suas orações, o seu pedido e em seguida jogue as flores na água.
Compreenda que o mar, devido a sua natureza vibratória, devolve tudo que nele é
atirado ou vibrado. O mar, no entanto, não afirma trabalhos duradouros, mas os
resultados são rápidos e seguros.
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À Iemanjá podemos pedir ajuda para solução de problemas que necessitem de


urgente retorno, como exemplo; a cura para as doenças. Os espíritos
trabalhadores na linha de Iemanjá vão ouvi-lo e atendê-lo em seu pedido. Faça
sua obrigação e colha os resultados.

OXOSSI

Dia da semana: Quinta-feira.


Saudação: Okêaro!
Sincretismo: São Sebastião - Umbanda São Paulo e Rio de Janeiro - Candomblé
São Jorge - comemorado no dia 20 de Janeiro.
Cores: Verde na Umbanda e no Candomblé.
Símbolos: O arco e a flecha de ferro fundido.
Onde recebe oferendas: Nas matas.
Principais oferendas: Velas, charutos, frutas, suas comidas e bebidas.
Bebida: Vinho tinto e suco de frutas.
Elemento: vegetais.
Algumas ervas: Folha de guiné, peregum, alecrim do cruzamento, manjericão,
samambaia, etc.
Animais: Cervo, lebre e outros animais da selva.
Comida: Frutas, inhame, mandioca, milho.
Domínio: As matas.
Particularidade: Trabalha com cura e pajelança.
Características: Ágil, esperto, inteligente, calmo, responsável, sossegado, fiel e
muito curioso.

No sudeste do Brasil, Oxossi é sincretizado a São Sebastião. Quanto ao


sincretismo, a história informa que São Sebastião nasceu em Milão e foi oficial da
guarda pretoriana em Roma. Foi cristão convicto e ativo e por esse motivo
padeceu sob o domínio do imperador Diocleciano. Denunciado como cristão, São
Sebastião foi levado perante o imperador e confessou publicamente a sua fé em
Jesus Cristo. Acusado de traição foi condenado a morte. Amarrado a um tronco
teve seu corpo varado por flechas. No dia seguinte constataram que não havia
morrido. Levado novamente frente a Diocleciano, reafirmou novamente a sua fé, o
imperador mandou então açoitá-lo até a morte. Esse fato ocorreu por volta do ano
284.
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Na Umbanda, Oxossi é conhecido como o senhor das matas e da grande maioria


dos caboclos. Sua cor é o verde, representando as matas das quais é o senhor
absoluto. No Candomblé é conhecido como o “caçador” ou o protetor dos
caçadores. Na Umbanda também é conhecido como o caçador, mas não de
animais e sim, de almas e de homens, sendo a catequese seu maior objetivo. No
aspecto espiritual, se Ogum é conhecido por sua enorme força, ele, porém, é
muito agressivo. Oxossi já é conhecido por aliar a força com o bom senso, essas
características emanam de Oxossi que se manifesta nos trabalhos de Umbanda,
principalmente na manifestação dos caboclos e suas falanges. De Oxossi emana a
altivez que encoraja a todos os seguidores da Umbanda, transmitindo grande
segurança aos seguidores de nossos cultos.

As matas são para o umbandista os domínios de Oxossi. A função vibratória das


matas é afirmar ou dar resistência a trabalhos ou consolidar trabalhos e
obrigações.

Os enviados de Oxossi ao nosso plano físico, são normalmente os caboclos, os


índios de diversas nações de nossas matas e guerreiros africanos. Esses enviados
são os grandes conhecedores dos grandes segredos (raramente revelados) que
fazem curas, afastam influências negativas e protegem os seguidores da
Umbanda.

A altivez do caboclo, a sua autoridade, a seriedade, a força, a coragem, a


perseverança, o sentido de lutar para vencer, provém diretamente de Oxossi, pois
essas são algumas de suas características.
Oxossi como Ogum, é um grande guerreiro, é um grande lutador, destemido,
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corajoso e sempre pronto para defender os seguidores da Umbanda ou aqueles


que sob a sua guarda se colocam.
Nos trabalhos dirigidos unicamente por caboclos, nota-se a força e a altivez que
emana de Oxossi. Quem o evoca e sob a sua proteção se coloca, jamais cai,
fazendo valer o ditado umbandista:

“Filho de Umbanda balança, mas não cai”.

Nas obrigações a Oxossi, que devem forçosamente serem realizadas nas matas,
podem ser utilizadas flores brancas, como cravos e lírios, velas verdes ou brancas,
vinho tinto, água pura e frutas de toda espécie, proteja a natureza, se acender
velas proteja o local para não colocar fogo nas matas.

• Cor ........................ Verde


• Domínios ................ As matas
• Atuação ................. A catequese
• Saudação ............... Okê arô Oxossi
• Elemento ............... Os vegetais

Comentário

Como todos os Orixás, Oxossi não aceita sacrifícios de animais, desta forma nunca
os faça, lembre-se que se você é umbandista e umbandista não mata, seja lá o
que for.
Oxossi é um dos grandes Orixás da Umbanda, é respeitadíssimo nos nossos
templos por todos os seguidores umbandistas. Ele é invencível em qualquer
demanda espiritual.

Os caboclos seus enviados, transmitem aos seguidores de culto uma força


tremenda. O caboclo assumiu em nossos templos a figura de nosso pai biológico,
ou seja, aquele homem que queremos ter ao nosso lado, com seu braço sempre
forte a nos amparar nos momentos mais difíceis de nossas vidas. Esse
procedimento emana de Oxossi.
Na Umbanda existe o ditado “filho de Umbanda balança mas não cai” existem
centenas de pontos cantados que ensinam isso, no entanto, isso vale apenas para
os filhos corretos, não há como receber benefícios de um Orixá ou de seus
enviados, se uma pessoa não tem boa conduta moral.
Os caboclos são espíritos puros, muito altivos e enérgicos, mas também muito
simples. Essa simplicidade, bondade e força fazem com que se afastem dos
templos que tentem mudar essa imagem que deles irradiam.

OSSAIN

Dia da semana: Quinta-feira.


Saudação: Ewé O! Ewé O! (Oh! As folhas! Oh! As folhas!) ou Ewé Ewé Assa! (As
folhas dão certo!).
Sincretismo: São Benedito - comemorado no dia 05 de outubro.
Cores: Tanto na Umbanda como no Candomblé suas cores são o verde claro e o
branco.
Símbolos: O Igbá Òssanyin.
Onde recebe oferendas: Nas matas virgens.
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Principais oferendas: Fumo, cachaça e mel.


Bebida: Cachaça.
Elemento: Terra/Matas.
Algumas ervas: Todas.
Animais: Pássaros.
Comida: Farofa de dendê com folhas verdes, milho vermelho, feijão fradinho
torrado, bodes, galinhas e galos em cores variadas.
Domínio: Mata virgem.
Particularidade: Trabalha com as ervas, tem domínio sobre elas, conferindo-lhes
força curativa.
Características: Feiticeiro, médico.
Quizila: Ventania.

Orixá da sabedoria, a sua importância é fundamental, pois nenhuma cerimônia


pode ser feita sem a sua presença, sendo ele o detentor do axé - o poder -
imprescindível até mesmo aos próprios orixás.

As folhas nascidas das árvores e as plantas constituem uma emanação direta do


poder sobrenatural da terra fertilizada pela chuva (água-sêmem) e, com esse
poder, a ação das folhas podem ser múltiplos, para diversos fins.

As folhas como as escamas e penas são e representam o procriado.

Nada se faz no umbanda sem este orixá, as folhas sagradas, para tudo se usa,
na iniciação há um boorí específico para Ossain, a cabeça do neófito é lavada com
um líquido composto de folhas associadas a diversos orixás, mas dependentes, em
última instância, para seu efeito, da colaboração de Ossain. Há um encarregado de
recolher as folhas frescas no mato e prepará-las, é chamado ossain.

Ossain é um orixá muito respeitado pelos umbandistas, mas não é


cultuado na Umbanda.

XANGÔ

Dia da semana: Quarta-feira


Saudação: Caô Cabiecilê!
Sincretismo: São Jerônimo - comemorado no dia 30 de setembro e também São
João Batista (24.6) e São Pedro (29.6).
Cores: Na Umbanda, marrom, no Candomblé, vermelho e branco.
Símbolos: O oxé, machado de lâmina dupla feita em pedra e a pedra de raio.
Onde recebe oferendas: Nas montanhas e pedreiras.
Principais oferendas: Velas, charutos, cravos brancos e vermelhos, suas comidas
e bebidas.
Bebida: Cerveja preta doce.
Elemento: Fogo.
Algumas ervas: Folha de fumo, taboa, jatobá.
Animais: Tartaruga
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Comida: Amalá, caruru (quiabo), bacalhau com quiabo, fruta do conde.


Domínio: A montanha, raio, trovão e pedreiras.
Particularidade: Trabalha principalmente com a justiça.
Características: Justiceiro, líder, calmo, egocêntrico, vaidoso, mandão.
Quizila: Morte e mortos (eguns).

Sincretizado a São Jerônimo, Xangô é o Orixá da sabedoria e da justiça, sua


cor é o marrom.

São Jerônimo nasceu na cidade de Estrido, Dalmacia, nas atuais fronteiras da


Iugoslávia, por volta do ano 340 e ele foi um dos grandes escritores de seu
tempo. Tornou-se monge e partiu para o Oriente, fixou-se na Síria entregando-
se a uma vida de penitências e orações. Regressando a Roma, foi feito
secretário do papa São Damaso que lhe deu a missão de traduzir as Sagradas
Escrituras para o latim, obra que ficou conhecida como Vulgata dando origem a
Bíblia atual.

Xangô é o responsável pela solução das pendências e das injustiças, dando a


quem merece o devido castigo e, a vitória ao injustiçado. Xangô simboliza a lei
de causa e efeito, seu fetiche é a machada de dois gumes ou a balança de dois
pratos, simbolizando a justiça e a imparcialidade.
Recorrem a Xangô todos os injustiçados, perseguidos espiritual e
materialmente.

Os domínios de Xangô são as pedreiras e as cachoeiras, de Xangô emanam


forças poderosíssimas, é a Ele que recorremos quando necessitamos de ajuda
nos processos que demandem muita energia, nas demandas espirituais, nos
processos judiciais, enfim, todos os assuntos ligados à lei e a justiça.

Nossos irmãos africanos nos ensinaram que Xangô é o Orixá atuante


simbolicamente sobre as tempestades e tudo que dela provenha como raios,
chuva com trovoadas, etc.
Xangô como todos os Orixás jamais desampara aqueles que a Ele recorrem.

De Xangô emanam a autoridade, a justiça e o saber. Ele jamais erra e não


permite o erro de seus filhos. É o protetor dos bons juizes, dos bons advogados
e de todos aqueles que tenham contato com as práticas das leis.
Nas demandas espirituais após Ogum ou os outros Orixás envolvidos nessas
demandas terem feito o seu trabalho, Xangô virá obrigatoriamente cumprir a
lei de Deus de causa e efeito.

A vibração de Xangô, nas evocações que ocorrem nos templos de Umbanda, é


fortíssima. Quando incorporado em nossos médiuns transmite sempre a
18

imagem de alguém forte como a rocha, todos pressentem sua tremenda força.

Em muitos pontos cantados de Xangô, ouve-se a “frase; “

“Não brinque com Xangô, porque Xangô não brinca não”.

Essa frase transmite claramente sua autoridade e intolerância com os erros dos
homens.
Xangô está sempre associado à força, Ele é autoritário, capaz de despertar o
respeito por suas determinações e leis, com poder para decidir sobre o bem e o
mal.
As suas determinações serão sempre obedecidas por todos, gostem ou não. Por
estar associado à firmeza da rocha e à estabilidade que as pedreiras
transmitem que são os seus domínios, delas emana a sua força.
Em suas obrigações podem ser usadas flores brancas, velas de cor marrom ou
branca, cerveja preta Doce e água da cachoeira. Nesse sentido, é comum ver
as obrigações que lhe são feitas nas pedreiras e cachoeiras.
Não há necessidade de pedir a Xangô a justiça, Ele a fará sempre mesmo que
você não peça ajuda a Ele. Na realidade evite pedir justiça, se você pedir a
justiça, tenha certeza que Ele atenderá o seu pedido, mas como qualquer ser
humano você tem em seu passado alguma coisa da qual se envergonha e
Xangô também vai ver os seus erros e lhe dará também, ao mesmo tempo, o
seu pagamento por suas obras.
Você se sente injustiçado? Então aguarde, Xangô fará a justiça por você, sem
que exista a necessidade de pedir coisa alguma a Ele; mas se pedir, prepare-
se, você também receberá o seu pagamento.
Se o assunto é ligado à lei e aos seus processos e você possui a verdade ao seu
lado, pode recorrer a Ele com toda a garantia de vitória, mas só proceda desta
forma se tiver à verdade ao seu lado, porque se você é o errado na questão,
tenha certeza que Ele vai puni-lo.
A justiça de Xangô é baseada em leis Divinas, leis que tem origem Divina e não
podem ser manipulado pelos homens, seja sábio.

• Cor ....................... Marrom


• Domínios ................ Pedreiras e cachoeiras
• Atuação ................. A justiça
• Saudação ............... Kaô cabecile
• Elemento ............... Raios e fogo

Comentário
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Não existe a necessidade de pedir justiça a Xangô, Ele a fará mesmo que você
não peça. Todos que pedem por justiça, na realidade querem a vingança. Se
desejam a punição do próximo, é porque alimentam prazer pela possibilidade
do castigo que será aplicado em outra pessoa.
O passado não pode mais ser mudado, se algo ruim aconteceu no passado
envolvendo você e outras pessoas, tenha certeza que todos desejariam voltar
no tempo e corrigir os seus erros. Isso, porém, não pode ser feito. Desta
forma, perdoe as ofensas e as traições. Se você é realmente umbandista, você
tem a obrigação moral de perdoar qualquer ofensa.
Você foi traído, foi injustiçado, foi roubado, ou lhe fizeram coisas que o
magoaram, esqueça-as; confie em Deus, em Xangô e em seus amigos
espirituais, porque eles farão justiça por você.
Jamais peça a Xangô a punição de outra pessoa, porque nesse caso você não
quer justiça, você quer vingança, sentimento nada típico de um médium ou de
um seguidor umbandista.

IANSÃ

Dia da semana: Quarta-feira.


Saudação: Eparrei
Sincretismo: Santa Bárbara, comemorado dia 4 de dezembro.
Cores: Amarelo-ouro (Umbanda) vermelho (Candomblé).
Símbolos: Sua espada e ventarolas.
Onde recebe oferenda: Nos bambuzais.
Principais Oferendas: Crisântemos amarelos, rosas amarelas.
Bebidas: Champanhe.
Elementos: Fogo.
Algumas ervas: Aguapé (gigoga vermelha), espada de Iansã, carqueja, folhas de
bambu.
Animais: Búfalo.
Comida: Acarajé.
Domínio: Ventos e raios.
Particularidade: Enfrenta os Eguns, e é guerreira.
Característica: Sensual, geniosa, alegre.

Sincretizada à Santa Bárbara, Iansã é conhecida como a Orixá dos ventos e das
tempestades. Essas tempestades são simbólicas, elas na realidade representam
as feitiçarias, sendo o combate às feitiçarias a maior atuação de Iansã. Ela é
ainda conhecida como a guardiã dos mortos (Eguns) ou a encarregada de
recebê-los após a morte nos cemitérios.
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Orixá guerreira é força de magia que afasta males e influências negativas,


amparando a todos que a ela recorram. Seu poder vibratório anula cargas de
enfeitiçamento, chamada simbolicamente de tempestades, vencendo nesse
sentido demandas e feitiços de qualquer natureza.

Sua cor na Umbanda é o amarelo e seus fetiches são a espada e os raios. Iansã
é um Orixá de temperamento muito forte. No entanto, Santa Bárbara a quem
foi sincretizada foi uma moça meiga que sofreu grande martírio, provavelmente
no Egito ou na Antioquia, entre os anos 235 e 313. A história de sua vida foi
escrita em diversos idiomas como o grego, o armênio, o sírio e o latim.
De acordo com a história, foi uma moça belíssima, filha de um nobre pagão
conhecido como Dióscoro. A todo custo seu pai muito ciumento, a trancou
numa torre a fim de resguardá-la de pretendentes. Certa vez Dióscoro viajou e
em sua ausência, Santa Bárbara se fez batizar cristã, atraindo a ira de seu pai.
Conseguiu fugir, mas foi capturada pelo pai e levada perante um tribunal
pagão, sendo nesse tribunal condenada a ser exibida nua por todo o país.
Padeceu de toda a sorte de suplícios, foi queimada com grandes tochas e teve
os seios cortados. Foi mais tarde executada pelo próprio Dióscoro que lhe
cortou a cabeça com uma espada. Logo após a sua morte, uma grande
tempestade se formou e um raio matou Dióscoro.
A imagem da Santa Católica mostra-a ao lado de uma torre, segurando um
cálice em uma das mãos e uma espada com a outra mão. Esses simbolismos
ensinam o seguinte:

A torre representa a sua prisão.

O cálice representa o Cristianismo.

E a espada a arma que lhe tirou a vida.

Nas obrigações a Iansã são usadas rosas amarelas sem os espinhos, velas
amarelas ou brancas e água pura. As bebidas, champanhe, licores de menta,
de.
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Os filhos e filhas de Iansã são (normalmente) atirados, extrovertidos, geniosos,


leais e muito francos e demonstram claramente esses sentimentos.
Com toda essa força que emana de Iansã, pode levar seus filhos a situações de
autoritarismo, dificilmente aceita pelas pessoas, o que os faz serem vistos
como pessoas geniosas.
Iansã no combate ao mal é a verdadeira fúria de um vendaval, ela livrará
qualquer pessoa que se coloque sob a sua proteção, desde que essa pessoa
não seja portadora de sentimentos de vingança. Iansã chefia uma das falanges
da linha de Xangô, isso indica que Ela também aplica a lei ao seu lado e é
extremamente ativa nesse caso.
Possui ainda a atribuição de atuar contra os fora-da-lei no âmbito astral e trava
ferrenhas batalhas contra esses seres do mal.
Nos terreiros, seus enviados manipulam os Silfos, que são seres elementais do
elemento ar. Isso ocorre principalmente nas defumações realizadas em nossos
templos.

• Cor ..................... Amarelo


• Domínios .............. A atmosfera
• Atuação ............... Contra feitiçarias e obsessores
• Saudação ............. Eparrei Iansã
• Elementos ............ Ar e fogo

OBA
Saudação: Obá.
Dia da Semana: 2° ou 4° feira.
Sincretismo: Joana D'arc ou Santa Catarina.
Elemento: Fogo.
Mineral: Cobre.
Algumas ervas de Obá: manjericão e mangueira.
Domínios: Águas Turbulentas.
Animal: Galinha de Angola.
Comida: Moqueca de ovos, manga, amalá.
Cores: Vermelho e branco ou amarelo e laranja.
Símbolos: Escudo e lança e um Ofá (arco e flecha).
Onde recebe Oferendas: A beira de um rio.
Comida para oferecer: Pato, cabra e coquem.
Particularidade: Assim como Xangô, também é uma justiceira

Muito confundida pelos umbandistas como Iansã, Obá é a orixá que aquieta
e densifica o racional dos seres, já que seu campo preferencial de atuação é
o esgotamento dos conhecimentos desvirtuados.

Comentar sobre nossa amada mãe Obá é motivo de satisfação, pois, nas
lendas, resumem sua existência ao papel de esposa repudiada por Xangô.
Mas, justiça lhe seja feita, as lendas vêm sendo repetidas a tanto tempo, e
às vezes de forma tão empobrecida pelas transmissões orais que, até como
lendas, deixam a desejar e mostram como é deficiente o conhecimento
sobre o campo de ação dos orixás.
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Saibam que a orixá Obá que nós conhecemos e aprendemos a amar e


reverenciar é uma divindade regida pelos elementos terra e vegetal, e
forma com Oxossi a terceira linha de Umbanda Sagrada, que rege o
Conhecimento. Oxossi está assentado no pólo positivo e irradiante desta
linha e Obá está assentada em seu pólo negativo ou cósmico, que é
absorvente.

Obá é uma orixá cósmica cujo elemento original é a terra, pois ela é orixá
telúrica por excelência e atua nos seres através do terceiro sentido da vida,
que é o Conhecimento, que desenvolve o raciocínio e a capacidade de
assimilação mental da realidade visível, ou somente perceptível, que
influencia nossa vida e evolução continua. Já o seu segundo elemento é o
vegetal. Enquanto o orixá Oxossi, o mitológico caçador, estimula a busca do
conhecimento (evolução), Obá atrai e paralisa o ser que está se
desvirtuando justamente porque assimilou de forma viciada os
conhecimentos puros.

O culto à orixá Obá iniciou-se a quatro milênios atrás com a irradiação


simultânea de uma de suas qualidades ou aspectos, a várias partes do
mundo, quando, então, ela se humanizou.

E se nossa amada mãe Obá já recolheu boa parte de seus filhos encantados
que se espiritualizaram, muitos ainda estão evoluindo nos dois lados da
dimensão humana.

Agora, deixando os aspectos individuais ou comentários de apoio, o fato é


que nossa amada mãe Obá é uma divindade planetária, regente do pólo
negativo da linha do Conhecimento, que é a terceira linha de forças de
Umbanda Sagrada.

Ela e Oxossi formam esta linha e atuam em pólos opostos: enquanto ele
estimula a busca do conhecimento, ela paralisa os seres que se
desvirtuaram justamente porque adquiriram conhecimentos viciados,
distorcidos ou falsos.

O campo onde Obá mais atua é o religioso. Como divindade cósmica


responsável por paralisar os excessos cometidos pelas pessoas que
dominam o conhecimento religioso, uma de suas funções é paralisar os
conhecimentos viciados e aquietar os seres antes que cometam erros
irreparáveis.

O ser que está sendo atuado por Obá começa a desinteressar-se pelo
assunto que tanto o atraia e torna-se meio apático, alguns até perdendo
sua desvirtuada capacidade de raciocinar.

Então, quando o ser já foi paralisado e teve seu emocional descarregado


dos conceitos falsos, ai ela o conduz ao campo de ação de Oxossi, que
começará a atuar no sentido de redirecioná-lo na linha reta do
conhecimento.

É certo que esta atuação que descrevemos é a que Obá realiza através do
seu aspecto positivo ou luminoso, por onde fluem suas qualidades, atributos
e atribuições positivas.
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OXUM

Dia da semana: Sábado.


Saudação: Ora iêiê ô !
Sincretismo: Nossa Senhora Aparecida (12 de Outubro)
Nossa Senhora da Conceição (08 de Dezembro).
Cores: azul escuro (umbanda), amarelo ouro (candomblé).
Símbolos: leque (abebé) com estrela e espelho.
Onde recebe oferendas: em rios, nascentes e cachoeiras.
Principais oferendas: velas, flores brancas e amarelas, perfumes, adereços,
espelhos, suas comidas e bebidas.
Bebida: champanhe.
Elemento: água.
Algumas ervas: catinga de mulata, oriri, malmequer, jasmim.
Animais: arara.
Comida: omolocum, xinxim, ovos, canjica, banana.
Domínio: água doce.
O que faz: dá riqueza, amor, fertilidade, protege o parto e o bebê.
Características: bonita, elegante, charmosa, doce, possessiva.

Sincretizada a Nossa Senhora Aparecida (para uns e Nossa Senhora da Glória para
outros). A pequena imagem da santa foi retirada do rio Paraíba por pescadores da
região em 1717. No início, a imagem de Nossa Senhora foi levada para casa de
um dos pescadores conhecido por Filipe Cardoso. Em 1737 foi construída uma
pequena capela nas margens do rio e cultuada por moradores da região. Em 1745
foi construída uma pequena igreja e em 1888, construíram uma nova igreja, que
ficou conhecida como basílica velha e em 1980, foi inaugurada a atual basílica.

Oxum é Orixá que domina as mulheres de modo geral. É conhecida como Orixá da
fertilidade, do amor e também a protetora das gestantes como Iemanjá.
Oxum tem grande atuação sobre as mulheres solteiras. Embora isso não seja uma
regra, é ela quem protege a juventude. Oxum domina as cachoeiras e chefia uma
das falanges da linha de Iemanjá, conhecida como a falange das sereias. Oxum
consolida nos filhos da Umbanda a força da mediunidade, fortificando-a nos banhos
de cachoeira.

Oxum representa a beleza e a pureza. Ela é evocada nos templos de Umbanda


para limpeza fluídica das pessoas e do ambiente dos nossos templos. Por
representar a moral e o modelo de mãe, ela é respeitadíssima nos templos de
Umbanda.
Oxum representa a fertilidade, é a ela quem recorrem as mulheres que desejam
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engravidar, sendo também como Iemanjá responsável pela gestação e pelos recém
nascidos. A Oxum recorrem todos que se sentem angustiados, desprezados e
estéreis.
A atuação de Oxum nos trabalhos de Umbanda indica alguém extremamente
caridoso, capaz de sacrifícios no lugar do próximo. Nos processos de descarga das
pessoas que procuram nossos templos em busca de ajuda, é Oxum quem
normalmente é evocada para efetuar inicialmente a limpeza fluídica. Oxum ajudará
qualquer pessoa, independente dos sentimentos que alimenta, ela descarregará as
pessoas através das sereias, seres elementais das águas manipulados pelo plano
espiritual, enviadas ao nosso plano físico.

Nas obrigações a Oxum são usadas rosas brancas sem os espinhos, velas de cor
azul escuro e água pura. Suas bebidas são o champanhe, licor de cereja.

Oxum é o exemplo de mãe que nunca desampara seus filhos. Tenha fé em Oxum,
aumente sua devoção por ela, faça como os caboclos, os pretos velhos, crianças e
protetores da Umbanda: respeite-a sempre.
Devido a sua característica de aliviar o sofrimento das pessoas que comparecem
aos terreiros, conquistou o respeito e a confiança de todos os seguidores da
Umbanda, sendo conhecida como uma das rainhas da Umbanda Sagrada.

• Cor ..................... Azul escuro


• Domínios .............. As cachoeiras
• Atuação ............... Fertilidade e maternidade
• Saudação ............. Ai, iê, iê, Mamãe Oxum
• Elemento ............. Água

Comentário

Desde os primeiros cultos nas margens do rio até os dias atuais, os peregrinos e
romeiros jamais deixaram de depositar aos pés da imagem suas súplicas, dores e
sofrimentos. Sendo creditadas à santa diversos milagres.

Dessas manifestações que a ciência não explica, ouvi falar de uma. Após a
inauguração da basílica velha em 1888, um romeiro tentou entrar na igreja
montado em seu cavalo. Os degraus da escada que dão acesso à igreja,
confeccionados em granito, fundiu-se gravando em baixo relevo as ferraduras das
patas dianteiras do cavalo. O degrau foi retirado e enviado ao Vaticano.

Em 1929, Nossa Senhora Aparecida foi proclamada a Padroeira do Brasil.


A cachoeira é um local sagrado para outro orixá, Oxumaré, que faremos um breve
25

comentário.

Oxumaré
É o orixá dos astros, é metade homem e metade cobra, fica no arco-íris purificando
o ar que respiramos.

Sempre foi um defensor da humildade. Oxumaré é o orixá que cuida das partes
mentais, psíquicas e respiratórias dos seres humanos. Ele traz consigo muitos
mistérios, além de ser o guardião dos outros planetas.

É o protetor dos astrólogos, psiquiatras, neurologistas e doentes mentais.

Cores: Todas Do arco-íris e Preto

Metais: Bronze, Cobre.

Predominância: Metal, Astros, Psíquico.

Dia Da Semana: Terça-Feira

Saudação: Aroboboye!

Características de filhos de Oxumaré:

É relativamente difícil estabelecer um arquétipo específico de comportamento


associado ao Orixá, já que ele é misterioso e cheio de sombras e mitos. Os filhos
de Oxumaré são bem mais difíceis de serem reconhecidos dos os guerreiros filhos
de Iansã, os calmos e sábios filhos de Oxalá e os maternais e familiares filhos de
Iemanjá, por exemplo.

Mesmo assim, algumas características básicas podem ser listadas. Há, porém,
divergências em relação às suas características ao consultarmos autores diferentes.
Para o renomado pesquisador Pierre Verger, por exemplo, Oxumaré pode ser
associado à riqueza: Oxumaré é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas;
das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não
medem sacrifícios para atingir seus objetivos.

Já Monique Augras, segundo sua visão a respeito dos filhos de Oxumaré, eles
costumam possuir o dom da vidência.

OBALUAÊ
Saudação: Atotô Ajuberú.
Cor: preto, vermelho e branco.
Símbolos: Leguidibá, Xaxará e Brajá de búzios.
Principais oferendas: Pipoca e suas comidas.
Elemento: Terra.
Algumas ervas: Folha de Omulu (canela de cachorro) pariparoba, mamona,
cambará, etc.
Animais: Cão.
Comida: Doburu (pipoca enfeitada com fatias de coco), Ewa Dudu (feijão preto
com dendê) Eram Kekerê (carnes em fatias), Dodokindó (banana da terra frita),
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cuscuz e milho.
Domínios: Os mortos e doenças.
Banhos: com Osé Dudu (sabão da costa) e ervas guinadas (colônia, saião,
manjericão).

Aprendi que Omulú, Abaluaê não são nomes do mesmo Orixá Sincretizado a
São Lázaro, existem algumas histórias sobre ele. A igreja católica alega ter sido
ele irmão de Marta e de Maria e que viveu em Betânia, local próximo a
Jerusalém. E quando Jesus chegou em Betânia, Lázaro já estava morto há
quatro dias, sendo ressuscitado por Jesus em seguida.

A tradição oriental informa que São Lázaro foi bispo de Chipre no ano 900 e os
franceses afirmam que ele foi bispo de Marselha e que foi martirizado durante a
perseguição de Nero.
A imagem do santo mostra-o de muletas com um cão lambendo-lhe as chagas
espalhadas pelo corpo todo. Os nossos irmãos africanos nos ensinaram que
Obaluayê é o protetor contra as doenças e contra a peste, que seu corpo é
coberto com uma roupa de palha que lhe esconde as feridas, por esse motivo o
sincretismo com São Lázaro ocorreu. A ele recorrem todos que sofrem de
moléstias tidas como incuráveis, o que lhe vale a fama de médico dos
miseráveis.

Orixá ligado às linhas de Oxalá e Africana, seus seguidores encaminham as


almas dos recém falecidos ao mundo espiritual e deles absorve os fluídos e
miasmas que exalam de um cadáver. Daí a sua ligação com os cemitérios,
aonde se condensam as vibrações desse gênero, bem como, nos cruzeiros em
geral, tais como os encontrados nas estradas, nos cemitérios e nas igrejas.
Desta forma Obaluayê é um Orixá que protege e é também uma das portas de
conhecimento que se abre para desmanchar magias maléficas.
É necessário muito conhecimento e muita segurança para trabalhar em sua
linha vibratória. Muitos Pretos Velhos trabalham na vibração de Obaluayê.

Suas cores são o branco e o preto, o branco simboliza o sentido da pureza


espiritual dedicado a Oxalá e nas contas negras está representada a ausência
da vida. Obaluayê não deve ser encarado como algo assustador, porque ele
27

não é. Obaluayê e seus enviados são atuantes nos cemitérios e impedem o


mau uso das energias e fluídos lá depositados, através dos cadáveres
sepultados, dispersando na atmosfera esses fluídos e energias que poderiam
ser usados por espíritos malignos em seus hediondos trabalhos de baixa magia.
Na África ele é o protetor contra a peste, contra a varíola e outras doenças
contagiosas.
Nas obrigações a Obaluayê são normalmente usadas velas brancas ou brancas
e pretas (metade de cada cor e evite usar essa vela a menos que saiba como
manipular velas. Se não sabe, use somente a cor branca), cravos brancos ou
outra flor branca masculina, água pura ou vinho branco doce. São usadas em
descarregos de pessoas doentes, a pipoca preparada sem sal.

Obaluayê é evocado nos nossos templos para descarga e cura de doenças de


pessoas tidas como desenganadas ou terminais ou ainda, para cura de doenças
causadas por feitiços, que não podem ser curadas pela medicina do homem.

• Cor ...................... Branco e preto


• Domínios .............. Cemitérios
• Atuação ............... Contra doenças e feitiços
• Saudação ............. Atotô, meu senhor
• Elemento ............. Terra

Comentário

Diferenças entre os orixás omulu e Obaluayê, Muitos templos confundem os


dois orixás que tem linhas de trabalhos muito parecidas, mas vamos tentar
explicar:

Omulu
Orixá da renovação

Omulu, dentro de uma nova visão espiritual umbandista, é o Orixá da energia


cósmica que ao penetrar em nossa atmosfera recaí sobre diversos habitats,
como Oxum e as águas doces, etc. Ele vive na Calunga pequena como
Obaluayê porem trabalha por cima das catacumbas, nível depois de desencarne
(cemitério), aí se dando a concentração maior de sua energia (positiva ou
negativa). Seus sensitivos, ao manifestarem a presença de Omulu, curvam seu
corpo a terra, ficando o mais perto possível dela. Representa também a grande
transformação do ser, ter que morrer para o pequeno e renascer para o
grande, sem precisar deixar a matéria (morte). Suas cores na Umbanda são o
preto e branco (mais relacionado aos preto-velhos).

Sincretizado no Rio de Janeiro com São Roque

Sua imantação compõe-se de deburu (pipocas feitas na areia), mamão, arroz.


Flor: monsenhor amarelo; essência: cravo ou menta.

Por sua relação com a morte, é reverenciado no cemitério ou campo santo e


extremamente temido. Esta é uma visão umbandista sem preconceitos ou
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tabus.

Características dos filhos de Omulu:

Os filhos de Omulu são pessoas extremamente pessimistas e teimosas que


adoram exibir os seus sofrimentos, daqueles que procuram o caminho mais
longo e difícil para atingir algum fim.

Deprimidos e depressivos, são capazes de desanimar o mais otimista dos


seres; acham que nada pode dar certo, que nada está bom. Às vezes, são
doces, mas geralmente possuem manias de velho, como a rabugice.

Gostam da ordem, gostam que as coisas saiam da maneira que planearam.


Não são do tipo que levam desaforo para casa e se se sentirem ofendidos
respondem no acto, não importa a quem. Pensam que só eles sofrem, que
ninguém os compreende. Não possuem grandes ambições.

Podem apresentar doenças de pele, marcas no rosto, dores e outros problemas


nas pernas. São pessoas sem muito brilho, sem muita beleza. São perversos e
adoram irritar as pessoas; são lentos, exigentes e reclamam de tudo.

Obaluayê
Orixá de transformação

Orixá da transformação energética, de toda energia produzida de forma natural


ou artificial, quer dizer, a energia natural é toda aquela emanada da natureza
ou do nosso próprio pensamento e a artificial é a fabricada (oferendas). Ele
transforma tudo e descarrega para terra.

Orixá da transição para a vida astral. Senhor dos segredos da vida e da morte.
Mestre das Almas.

Se Exu é o grande manipulador das forças de magia, o Sr. Obaluayê é o


Mestre.

Quando desencarnamos tem sempre um enviado de Obaluayê do nosso lado,


por isso é que ele sempre diz que temos que resgatar a nossa dívida; temos
que agir efetivamente para resgatarmos o nosso Karma.

• Sincretizado: no Rio de Janeiro com São Lázaro tem o seu dia


comemorado em 17 de dezembro.
• Reino: calunga pequena (cemitério).
• Cores: preta e amarela em proporções iguais.
• Elemento: terra.
• Dia da Semana de vibração maior: sábado
• Planeta: Saturno

Características dos seus filhos:

Pessoas fechadas, que passam por grandes transformações na vida,


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normalmente ligadas a perdas. São protegidos contra qualquer tipo de magia.


A mediunidade é aguçada desde muito jovem.

NANÃ
Dia da semana: Terça-feira.
Saudação: Saluba Nanã.
Cores: Roxo.
Sincretismo: Santa Ana comemorada em 26 de julho.
Símbolos: Vassoura e o Ibirí.
Onde recebe oferendas: Onde exista argila, barro.
Principais oferendas: Velas na cor lilás, pirão, paçoca de amendoim e sarapatel.
Bebida: Vinho.
Elemento: Argila, barro, terra.
Animais: Rã.
Comida: Pirão, jaca, sarapatel.
Domínio: Lugares com barro, pântanos.
Particularidade: É a responsável pela reencarnação, cuida do corpo dos mortos e
recria a vida.
Características: Interessante, madura, séria, super protetora, ranzinza e
vingativa.
Quizila: Objetos feitos de metal.

Sincretizada a Santana, a avó de Jesus Cristo é um dos Orixás menos conhecidos


e evocados na Umbanda. Nossos irmãos africanos explicam que Nanã é um Orixá
feminino já avó. Conhecida como a mais velha das deusas do mar, Nanã chefia a
falange das ondinas da linha de Iemanjá. Seus domínios são os rios e ribeirões e o
ponto de contato entre as águas do mar e a terra, local que chamamos de
mangue.

Nanã é a protetora nas situações tormentosas e nas perseguições kármicas e tem


grande atuação sobre as mulheres já avós, embora isso não seja uma regra.
A cor de Nanã é o roxo. Nas obrigações são usadas velas roxas ou brancas, flores
brancas ou roxas e a sua bebida também é água pura. Conhecida no meio
umbandista como a senhora da lei e da firmeza, a ela recorrem todos os que
estão em dúvidas nas situações tormentosas da vida.
Devido ao sincretismo com Santana, que por sua vez é a padroeira dos
boiadeiros, nota-se a devoção dos boiadeiros por Nanã Boruquê em seus pontos
cantados e na cor das velas, desta forma Nanã e Santana passaram a ser
reverenciadas pelos boiadeiros conjuntamente.
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É considerada um dos Orixás mais exigentes na escolha de seus filhos. Embora


transmita o exemplo da mãe, procura associar-se mais com a posição reservada
aos velhos em qualquer sociedade, por esse motivo na Umbanda são raras as
filhas de Nanã. Na Umbanda, Nanã Boruquê não afirma na cabeça de adeptos
masculinos, pelo menos nunca conheci nenhum filho masculino de Nanã.
A capacidade que Nanã tem de amparar as pessoas nas situações de grande
tormento, faz dela um Orixá de grande força, sendo respeitadíssima na Umbanda.

“Se um dia a dúvida pairar em sua cabeça, peça ajuda a Nanã, com certeza Ela o
ajudará”.

• Cor .................. Roxo


• Domínios .......... Ribeirões e mangues
• Atuação ........... Contra perseguições espirituais
• Saudação ......... Saluba Nanã
• Elemento ......... Água

Comentário

Da mesma forma que ocorre com Omulu, os filhos de Nanã são mais raros no
meio umbandista. Outra curiosidade que constatei é que Nana não afirma em
cabeça masculina, na verdade nunca conheci um filho masculino de Nana. Por ser
um Orixá que pouco se manifesta nos trabalhos, Ela é também muito pouco
conhecida no ambiente material da Umbanda. Até hoje conheci apenas um templo
dedicado a Nanã, mostrando que eles são realmente muito raros. O plano
espiritual, no entanto, a evoca com certa freqüência, principalmente nos trabalhos
de desobsessão pesada.
Sua atuação nesse sentido fez com que viesse a ser reverenciada com grande
respeito em nosso meio.
Suas enviadas quando incorporadas, dançam de forma lenta, dando a impressão
de uma mulher que embala uma criança em seus braços.

EXU
Dia da semana: Segunda-feira e Sexta-feira
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Saudação: Laroiê Exu - mojubá


Cores: Preto, vermelho.
Símbolos: Tridente, ogó, cabaças pequenas e o pênis.
Onde recebe oferendas: Nas encruzilhadas, nas estradas, nos cemitérios, etc.
Principais oferendas: Velas, charutos, carne, marafo, farofa, cebola roxa, óleo de
dendê.
Bebida: Marafo (Aguardente) e água.
Elemento: Terra
Algumas ervas: Pinhão Roxo, Arruda, Eucalipto, Salgueiro, Jurubeba, etc.
Animais: Bode, cabra, galinha da angola.
Comida: Carne vermelha com muito azeite de dendê, alho, cebola roxa e farofa
amarela.
Domínio: As encruzilhadas e estradas.
Particularidade: Combate as magias negras, imprimi respeito, trabalha com a
quebra de demandas e é o grande guardião das porteiras, estradas e encruzilhadas.
Características: Perverso, astuto, leal, vaidoso, ambicioso, etc.

Há que se entender de uma vez por todas que Umbanda e Candomblé são religiões
absolutamente distintas, que guardam muito mais diferenças do que semelhanças.

É como querer comparar a religião Católica com a Evangélica. Existem


semelhanças? Sim como, por exemplo, os nomes de alguns Orixás, mas a forma de
entendimento do que seja Orixá e principalmente a forma de culto a esses Orixás é
absolutamente diferente.

Com Exu não poderia ser diferente. O Candomblé o entende como sendo
Orixá ou ainda nas palavras de Pierre Verger:

“Exu é a figura mais controvertida dos cultos afro-brasileiros e também a


mais conhecida. Há, antes de mais nada, a discussão se Exu é um Orixá ou apenas
uma Entidade diferente, que ficaria entre a classificação de Orixá e Ser Humano.
Sem dúvida, ele trafega tanto pelo mundo material (ayé), onde habitam os seres
humanos e todas as figuras vivas que conhecemos, como pela região do
sobrenatural (orum), onde trafegam Orixás, Entidades afins e as Almas dos mortos
(eguns).”

Como a nossa discussão não diz respeito as interpretações do Candomblé,


visto se tratar de outra religião, nos ateremos a Umbanda onde Exu não é Orixá.
Não é Orixá porque Orixá é energia emanada de Zambi (Deus), representada na
terra através das Forças da Natureza. Orixá é potencia de Luz.

Origens

A título de curiosidade apenas, ressalto que existem várias correntes que


afirmam diferentes origens para a palavra Exu, a saber:

"A primeira corrente afirma que a palavra Exu seria uma corruptela ou
distorção dos nomes Esseiá/Essuiá, significando lado oposto ou outro lado da
margem, nomenclatura dada a espíritos desgarrados que foram arrebanhados para
a Lemúria, continente que teria existido no planeta Terra.

A Segunda corrente assevera que o nome Exu seria uma variante do termo
Yrshu, nome do filho mais moço do imperador Ugra, na Índia antiga. Yrshu,
aspirando ao poder, rebelou-se contra os ensinamentos e preceitos preconizados
pelos Magos Brancos do império. Foi totalmente dominado e banido com seus
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seguidores do território indiano. Daí adveio a relação Yrshu / Exu, como sinônimo
de povo banido, expatriado.

A terceira corrente afirma que o nome Exu é de origem africana e quer


dizer Esfera.

“Saliente-se que entre os hebreus encontramos o termo Exud, originário do


sânscrito, significando também povo banido.” (Retirado do site de Jurema de
Oxalá)

Como disse anteriormente, é apenas a título de curiosidade, pois nada disso


interfere no trabalho de Exu nos terreiros de Umbanda.

Mitos
Isto esclarecido passemos a tentar esclarecer alguns pontos que são mitos
dentro da Umbanda. Mitos que foram criados por pessoas que não entendiam o
verdadeiro trabalho de Exu na Umbanda, aliás não entendiam o verdadeiro trabalho
da Umbanda.

A Umbanda em sua dinâmica básica lida com espíritos dos mais variados
graus de evolução. As entidades, guias e mentores que se apresentam nos terreiros
exercem um trabalho incansável contra as forças trevosas.

A origem de qualquer coisa em uma religião tem a ver com a função dela
dentro da mesma.

Na Umbanda a origem de Exu está em função da necessidade de existirem


guardiões, encaminhadores e combatentes das forças trevosas. Trabalho básico da
Umbanda. Por isso se diz que “Sem Exu não se faz nada”. Isso não porque Exu não
deixa, porque é vingador, traíra ou voluntarioso como querem fazer pensar
algumas lendas sobre Exu, mas sim porque não há como combater forças trevosas
sem defesa e proteção.

Então pode vir à pergunta: “Então nossos guias (caboclos e pretos velhos)
não nos protegem e defendem?” Claro que protegem e defendem, entretanto cabe
a Exu o primeiro combate, o combate direto contra as energias que circulam no
Astral Inferior. Esta é a especialidade de Exu, pois conhece profundamente os
caminhos e trilhas desse ambiente energético. É a sua função primeira, assim como
a dos Caboclos e Pretos Velhos é a de nos orientar e aconselhar.

Tudo na Umbanda é organizado, coerente e lógico.

Tendo isso em mente, um segundo mito a ser desfeito diz respeito a


confiabilidade de Exu. Como disse anteriormente, Exu não é traíra! Qual a lógica de
Orixá e entidades de luz o colocarem como guardião, defensor se ele fosse
“subornável”, se ele não fosse confiável?

Seguindo o mesmo raciocínio outro mito que não tem base alguma é “Exu
tanto faz o mal quanto faz o bem e depende de quem pede. Nós é que somos os
maus na história”. Não existe “defesa” pior para Exu do que esta, pois trata-se de
outra incoerência! Se uma criança sabe diferenciar o bem do mal, como Exu,
conhecedor de segredos de magia, manipulador de magia, defensor, combatente de
forças trevosas possa ser tão imbecil a ponto de não diferenciar o bem e do mal e o
que é pior trair a confiança de Caboclo e Pretos Velhos? E ainda por cima não ter
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nenhum tipo de aspiração evolutiva, ou seja, ficar sempre entregue a mercê de


nossa vontade nunca aspirando evoluir?

Aí vem outra pergunta: “Mas eu fui num terreiro e disseram que o trabalho
contra mim foi feito por um Tranca Ruas”. Resposta: o trabalho foi feito por um
obsessor se passando por Tranca Ruas. Aliás, obsessor se passa por tudo, inclusive
por enviado de Orixá, como Caboclo e Preto Velho.

E por que isso acontece? Por causa de médiuns invigilantes. Médiuns pouco
compromissados com o Astral Superior, médiuns e dirigentes ignorantes. Médiuns e
dirigentes que buscam os terreiros de Umbanda para satisfazer as suas baixas
aspirações, como válvulas de escape para fazerem “incorporados” o que não tem
coragem de fazer de “cara limpa”! Médiuns de moral duvidosa que gritam, xingam,
bebem, dançam de maneira grotesca para uma casa religiosa e imputam a Exu
esses desvarios. Caso estejam realmente incorporados estão na realidade é
sofrendo a incorporação de kiumbas (que são espíritos moralmente atrofiados ou
que buscam apenas tumultuar o ambiente). Nunca um Exu ou Pomba Gira de
verdade irá se prestar a um papel desses.

Outro ponto que gera muita confusão diz respeito a incorporação de Exu,
pois já ouvi a pergunta: “Se ele é guardião, quando está incorporado não está
“guardando” nada.” Novamente a lógica e a coerência devem falar mais alto do
que a ignorância e a incredibilidade.

O Exu Guardião não é o que incorpora nos terreiros. Os que incorporam


são Exus de Trabalho (como eu costumo chamar), de defesa pessoal do médium.
Esses Exus também participam dos trabalhos junto aos Exus Guardiões e
Amparadores no combate as forças do Astral Inferior, mas os Exus de Trabalho tem
um outro tipo de compromisso que é com a Banda do médium e para com a Casa a
qual o médium está. Por isso respeitam o templo religioso e não induzem o médium
a embriagues, algazarra ou a comportamentos chulos e deselegantes.

São espíritos de luz em busca de evolução. Que estão altamente


compromissados com as esferas superiores, com os guias e protetores do médium
e com toda a egrégora de luz da Casa na qual o médium está inserido. Trabalhando
diretamente com esta egrégora eles auxiliam no combate e encaminhamento dos
espíritos que são atraídos pela corrente de desobsessão do terreiro que fazem
parte. A exemplo de Nossa Casa os Exus de Trabalho de cada médium participam
diretamente dos trabalhos realizados pela Corrente de Desobsessão e Cura de
Caboclos.

Entretanto, cabe lembrar, que o estágio evolutivo de Exu de Trabalho está


abaixo de Caboclo e Pretos Velhos. Isso não significa que não sejam evoluídos
apenas encontram-se num estágio abaixo. Sua energia é mais densa.
Conseqüentemente a sua vibração ou energia de incorporação está mais próxima
(ou mais similar) a vibração de terra, exigindo do médium um nível de elevação
diferenciado do que quando vai incorporar um Caboclo ou Preto Velho ou até
mesmo outro enviado de Orixá. Ou seja, quando o médium se prepara para a
incorporação, ele tem que se concentrar e elevar a sua própria vibração, enquanto
a entidade incorporante baixa a sua. Quanto mais evoluída for à entidade
incorporante, mais sutil é a sua energia e mais exigirá do médium concentração e
elevação para a incorporação.

Outro aspecto a ressaltar é que esse estágio evolutivo não impede Exu de
trabalhar conjunta e harmoniosamente com entidades mais evoluídas, até porque
além de trabalharem sob as suas ordens, ou seja, sob as ordens de enviados de
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Orixá, a questão “hierarquia” é muito bem resolvida no Astral Superior. Lá não


existem “disputas” pelo “poder” ou se questiona quem “manda”. Todos estão
conscientes de seus papéis e do trabalho que precisa ser realizado, além de
trabalharem com um mesmo objetivo, a Caridade!

A palavra de ordem de Exu é “compromisso”! Por tudo isso ele não é e nem
nunca foi traidor ou do “mal”.

Sobre a Incorporação de Exu


Exu e Pomba Gira quando incorporados em seus médiuns, podem se
apresentar de duas maneiras básicas: alegres ou sérios. Mas mesmo na alegria não
há desrespeito ou comportamentos inadequados a um templo religioso.

E ainda vou mais longe, e o que vou dizer agora visa justamente
desmistificar outro mito ligado a Exu. Quando o Exu é deselegante o médium
também o é, só que disfarça quando não está “incorporado”.

Esse médium invigilante e portador de moral duvidosa ao receber a energia


de incorporação de Exu (que começa a se dar através da aproximação do mesmo),
por ser uma energia bastante similar a nossa e justamente por estar mais próxima
a crosta terrestre, onde o combate com o Astral Inferior se dá, passa a dar vazão
aos seus sentimentos menores, influenciando e interferindo diretamente na
incorporação do Exu, que assiste a tudo desconsoladamente. Transferindo para Exu
sentimentos e comportamentos que são seus.

Isso não chega a ser mistificação, ou seja, fingimento, porque existe a


energia de Exu ao lado ou perto do médium. A mistificação envolve o fingimento
puro e simples, sem envolvimento de energia ou proximidade de entidade alguma.
Mas trata-se de animismo.

A incorporação de Exu e Pomba Gira envolvem a manipulação energética


de chacras inferiores, e o que acontece no caso descrito acima é que o médium
deliberadamente utiliza mal essa energia. Digo deliberadamente, porque isso
envolve intenção, moral e mau aproveitamento da energia de Exu.

Com a continuidade da insistência do médium em se utilizar dessa energia


para a manifestação de seus desejos e aspectos menores, em pouco tempo há a
queda do médium... O Exu se arranca e fica o que? Kiumba que assume o nome do
Exu e aumenta os desvarios... E o médium não percebe porque no fundo usa a
influência do kiumba (aliás, um usa o outro) para brigar com a mulher, encher a
cara de cachaça, falar palavrão, fazer pedidos de oferendas nas encruzilhadas da
vida, matança de animais e outras aberrações.

Cabe a direção da Casa coibir veementemente esses comportamentos no


seu nascedouro, ou seja, no médium e assim que começam acontecer. Chamando-
o a realidade, orientando e desestimulando atitudes desse tipo. Tentando recuperar
o médium. Mas se for o caso não deve pestanejar em tomar medidas drásticas para
a solução do problema.

Sobre a capacidade de manipulação energética de


Exu
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Voltando a questão energética de Exu, já falamos que ele é um grande


manipulador de energias, transfigurando-se em formas diferenciadas de acordo
com o ambiente em que está.

A exemplo disso vemos Exu se apresentando aos obsessores que irão


combater em configuração que desperte medo e/ou respeito. Ele não poderia se
apresentar a um “inimigo” como se fosse uma linda Cinderela... Isso não assustaria
ninguém, então ele assume sim formas rudes, entretanto ele o faz por estratégia e
não por serem deformados, e muito menos eles têm chifres, rabos e pés de bode
como são tão mal retratados nessas imagens que encontramos em casas de artigos
religiosos.

Como Exu manipula energias para assumir outra configuração “física”? Em


primeiro lugar há que se dizer que a forma original de Exu é humana, nada tem de
partes de animais, porque os espíritos que compõe a falange de Exu são espíritos
como nós, muitos são contemporâneos inclusive.

Então Exu tem dois braços, duas pernas, uma cabeça, dois olhos, enfim...
Assim como nós. Foram homens e mulheres normais das mais variadas profissões.

Bem, em primeiro lugar em função do trabalho que irá executar ou da


“batalha” que irá travar Exu estuda o ambiente que irá entrar, em seguida vibrando
numa faixa bem acima do meio que irá adentrar, estuda os seus “adversários”,
suas intenções, seus planos, seus graus de compreensão, seus medos, etc.

Estabelece uma estratégia e assume a configuração que irá atingir o ponto


fraco da maioria do grupo que irá combater. Lembrando que Exu não trabalha
sozinho, isso é feito em agrupamentos sob a supervisão direta de um enviado de
Orixá.

Com isto vemos outra capacidade de Exu, vibrar em faixas diferentes de


energia. E detalhe importantíssimo: tudo isso sem a necessidade de sacrifícios de
animais em encruzilhadas, porque quem “recebe” tudo isso é kiumba! Lembrando
ainda que isso dentro do Ritual de Umbanda!

Salve os nossos amigos, defensores e compadres! Sarava Exu e Pomba Gira!

Laroyê Exu!

Ibeiji (Ibeijada) Erês


Ibejí ou Ibejís são os Orixás africanos que protegem as crianças. Foram
sincretizados a São Cosme e São Damião, são conhecidos na Umbanda como os
Orixás de amor e alegria.

Os santos católicos viveram no oriente e também foram perseguidos por


Diocleciano. Historicamente pouco se sabe sobre eles, sabe-se que eram
gêmeos e foram médicos.

Em grego eram chamados de “anargiros”, isto é, sem dinheiro. Isso porque não
cobravam por seus préstimos e curavam não somente os homens, mas também
os animais e pouco se sabe sobre a morte de ambos.
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Os espíritos trabalhadores sobre a influência de Ibejí, apresentam-se


normalmente sob a forma de crianças ou espíritos de crianças, porém espíritos
não têm idade, apresentam-se dessa forma de modo a facilitar a comunicação
com as nossas crianças. Esses espíritos puros trazem a cura para as doenças e
amparam todas as crianças enquanto elas manterem a inocência.

Seus domínios são os parques, jardins e grandes gramados. Sua cor é a rosa,
os espíritos que trabalham sob a irradiação de Ibejí são espíritos de grande
força espiritual.
Não devemos julgá-los fracos devido à forma como se apresentam, ou seja,
como crianças, depois de Oxalá são os únicos que dominam totalmente a
magia.
Nas obrigações a Ibejí, são utilizadas velas cor de rosa, flores com tonalidade
rosa e sem os espinhos ou ainda brancas. Também são usados doces como as
cocadas, balas, pirulitos, fatias de bolo, etc. A bebida é a água pura ou então
misturada com mel e mais recentemente são utilizados refrigerantes como o
guaraná.

Ibejí, São Cosme e São Damião são trabalhadores da linha de Oxalá e


pertencem a uma de suas falanges. A eles podemos pedir proteção contra
demandas e malefícios; pedir principalmente proteção para nossas crianças,
principalmente às enfermas.
Ao pedir ajuda a linha de Ibejí, faça-o com o coração isento de mágoas e
amarguras. Por serem extremamente positivos, afastam-se das pessoas
interesseiras, com pensamentos negativos e egoístas.
São raros os filhos de Ibejí, por não suportarem sentimentos negativos,
escolhem a dedo os seus filhos, na realidade preferem ficar perto das crianças,
enquanto manterem a inocência.
São poderosos aliados das forças do bem, nada maligno consegue resistir a
eles. No mês de Setembro de todos os anos, os terreiros preparam grandes
festas em sua homenagem, procurando desta forma devolver a eles a proteção
e o carinho que nos dispensam principalmente aos nossos filhos e as pessoas
doentes.

• Cor ....................... Rosa


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• Domínios ............... Parques e jardins


• Atuação ................ Contra doenças e feitiços
• Saudação .............. Salve
• Elemento ...............Terra

Comentário:

A linha de Ibejí, na qual comparecem os espíritos conhecidos como crianças,


são espíritos puros e não suportam pessoas com maus pensamentos e de má
vibração.

Julgá-los fracos devido à condição em que se apresentam é idiotice, nada vi em


toda a minha existência, na Umbanda, que pudesse resistir a eles. Na verdade
eles desmancham qualquer ponto afirmado na magia negativa e o que eles
afirmam ninguém desamarra.

Certa vez presenciei um transporte supervisionado por essa linha, no qual um


egun foi trazido todo imobilizado pelas crianças, que permitiam apenas que ele
falasse imobilizado no chão. O egun muito matreiro e incorporado num médium
muito forte fisicamente pediu para que o soltassem, pois queria ficar em pé e
prometeu comportar-se. A criança que chefiava o trabalho, conhecida como
“Maria Aninha” disse ao egun:

“-Tá bom, vou te soltar, mas se você não se comportar, te amarro de novo”.
Após soltar a entidade, ela levantou violentamente e esbravejou:

“-Agora está como eu quero, agora vou quebrar tudo!“

A Maria Aninha e as demais crianças que não se intimidaram com a ameaça,


cercaram a entidade de mãos dadas e dançando uma ciranda, cantaram o
seguinte:

Cosme e Damião
Damião, cadê Doum
Doum está passeando
No cavalo de Ogum.

Quando a corrente começou a cantar o ponto acompanhado pelos atabaques, o


egun deu um tremendo grito, mas foi o grito de alguém que expressou grande
dor, sendo em seguida, violentamente arrancado do ambiente dos trabalhos.
Isso prova que não devemos julgá-los fracos pela forma como se apresentam.
Eles são espíritos puros e iluminados, nenhum Egun vai conseguir resistir à
tremenda força positiva que deles emana.
Entre esses espíritos, sem dúvidas, existem aqueles que ainda mantém a
mentalidade infantil e não é muito difícil identificá-los em relação aos demais.
As entidades que ainda mantém a mentalidade infantil e normalmente são
trazidas por essa linha durante as festas, ficam rodeadas pelas crianças
materiais e as outras não tanto. Nota-se que essas entidades realmente
brincam como as nossas crianças, sendo que as outras permanecem mais
dedicadas à direção dos trabalhos na mesma ocasião.
Alguns videntes sérios que conheci me disseram que nesses trabalhos
comparecem entidades que se apresentam na forma de crianças de diversas
raças e outras entidades apresentam-se com a indumentária dos santos
católicos e outros com mantos brancos, rosa ou azul. Essa diversificação mostra
que a linha de Cosme e Damião é composta de espíritos de diversas categorias,
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mas todos eles de enorme evolução espiritual.

Pretos Velhos
Toda a magia Africana, o culto de nação do Candomblé que trouxe a devoção aos
Orixás em território brasileiro, teve como veículo os negros escravos de tempos
antigos, nossos ancestrais que não mais estão entre nós como encarnados, mas
encontraram na Umbanda um caminho para continuarem suas missões como
entidades que muita sabedoria nos tem a oferecer.

Adorei as almas!!!

Assim com estas palavras os Umbandistas recebem os Pretos Velhos, Vovôs e


Vovós como carinhosamente são chamadas estas entidades africanas responsáveis
por agregar algumas das práticas a nossa homogenia religião de Umbanda.
Com certeza, todo o carisma da Umbanda devemos a estas entidades, verdadeiros
símbolos de nossa religião, uma das giras mais populares.

Os pretos velhos cativam pela


humildade, pela paciência e pelo amor
de um avô para com os filhos de
Umbanda que encontram nestes
espíritos evoluídos o bálsamo
necessário para continuarem em sua
luta; a luta contra o preconceito, um
preconceito que eles conheceram
muito bem, que existe até hoje,
Vovó maria Conga infelizmente.

Para se aproveitar dos ensinamentos de um Preto Velho basta sentar-se diante


dele, sem necessidade de nada nas mãos, mas com o coração aberto e com a
consciência de que na sua frente se encontra um mestre entre dois mundos. Sábio
pela vivência e pela vida pós terra.

Mas, se ainda assim quiser agradá-lo


um copo de garapa ou café preto,
Vinho e Chás, são suas bebidas
preferidas. Para comer, um bolo de
fubá, um torresmo ou uma feijoada,
se acaso for dia de festa.

Vó Zinha

Mas garanto: Trocam tudo isso por um "Muito obrigado, meu pai".
Estes espíritos se manifestam como pessoas idosas. Vem encurvados, mal
conseguem andar.
Trabalham sentadas em troncos e apoiam-se em suas bengalas feitas de galhos de
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árvores ou plantas que se utilizam das folhas.


Arruda, guiné, manjericão, folhas para suas mirongas poderosíssimas.
Um cachimbo, um chapéu de palha, uma roupa branca, um terço de rosário, dois
pés no chão, 1.000 anos de experiência. 1.000 outras almas salvas por eles.

Os Caboclos de Oxossi

Provavelmente a mais popular gira de


Umbanda, a dos Caboclos de Oxossi,
os índios brasileiros verdadeiros donos
desta terra, que não diferente dos
Negros escravos, também foram
vítimas da perseguição dos que se
diziam "civilizados".

A Umbanda, enquanto mistura de diversas culturas religiosas, agregou também a


ameríndia e recebe na Gira dos Caboclos estes espíritos de índios que foram pajés,
caciques, caçadores, e possuíam uma fé inabalável em Tupã, Deus Supremo.
Os Caboclos trouxeram para a Umbanda toda a magia dos Pajés, a defumação
pelos charutos e cachimbos,e o poder milagroso das ervas.

Na hora de nosso desespero, um meio


a diversos problemas do cotidiano
atual, o que poderia ser melhor do que
se deparar com um espírito de um
Cacique sábio, envolto a seus hábitos,
o cheiro da erva que segura e da
fumaça dos seus fumos?? Ouvir os
sábios conselhos nesta hora parece ser
mesmo um presente de Tupã.

É bom sempre lembrar que, quando falamos Caboclo, se entenda Caboclo ou


Cabocla, pois lá estão também estas guerreiras, caçadoras, as nossas Juremas e
Jupiaras, índias com todos os méritos até agora descritos.

Nas giras destes maravilhosos


espíritos se destacam as danças
tribais que desenvolvem, a plástica
dos passes e cumprimentos, e o alto
valor que dão a natureza, hoje
destruída por nós "civilizados".

Cabocla Jupiara,
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Talvez por ser este o encontro do homem atual, civilizado, que destruiu suas matas
e natureza, com os antigos guardiões destas mesmas riquezas, a gira de Caboclos
de Oxossi, seja uma das que mais traduz o verdadeiro sentido da nossa Umbanda
Sagrada.
"A Umbanda também é a preservação da natureza".

Caboclos de Ogum.

A umbanda e suas entidades


humildes e prestativas, são
sinônimos de conforto, carinho; é
aquele cantinho dos avós Pretos
Velhos, praticamente nos mimando
com seu amor mesclado de sábios
ensinamentos escondidos nas
entrelinhas.
Sr Serenada

Muitas vezes em nossa vida, o que precisamos é de um pulso forte, um chaqualhão


bem dado. Um Pai que vê além da onde enxergamos. Que não tenha papas na
língua e nos mostre a verdade sobre nós mesmos.

Se vamos gostar ou não daquilo que


ele falar o importante é que vamos
ouvir, pois estas palavras virão
misturadas a verdades que até então
eram só nossas, ou achávamos que
eram.
Este Pai enérgico e indispensável é
Ogum.
Sr Sete Estradas

Os Caboclos de Ogum, ou como queiram chamar este espírito supremo em


postura, que outrora foi um guerreiro, um soldado antigo ou um general, e hoje é
uma fortaleza a nos guiar pelo melhor caminho, caminho este por ele mesmo
aberto.

A gira de Ogum abre os caminhos


para a prosperidade, o trabalho, o
bom relacionamento familiar e
amoroso.
A gira de Ogum é para pedir que se
faça acontecer às mudanças
necessárias em sua vida, aquela
mudança que muitas vezes nem nós
mesmos estamos prontos para que
aconteçam. Sr. Três Lançasn
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E o melhor é que eles premeditam, basta saber ouvir.


As entidades mensageiras do Orixá do ferro são apreciadoras da cerveja e da
carne, não gostam de cachaça ou outra bebida de teor alcoólico elevado. Também
se utilizam do charuto para as suas mirongas e defumações.
Como diz um de seus pontos cantados.: "Ogum não devia beber, Ogum não devia
fumar, mas a fumaça é a nuvem que passa e a cerveja a espuma do mar..."

Os Caboclos de Xangô.
Os mensageiros de Xangô são a representatividade mais perfeita da força da
Umbanda na quebra de demandas. Sua manifestação é tão forte e poderosa que
chega a assustar iniciantes e assistidos que não estejam familiarizados com estas
entidades das montanhas e pedreiras.

São caboclos, indígenas, que vivem ou


viveram mais isoladamente e, portanto
possuem um comportamento mais
rústico. Alguns ainda nem falam nosso
idioma. Talvez por isso, pouco se
pratica a Gira de Xangô na Umbanda,
mas quem o faz e acaba então
conhecendo melhor esta entidade,
descobre um verdadeiro Pai.
Sr. Pedra de Fogo

São amorosos, preocupados e acima de tudo muito justos.


Gostam de um bom fumo e do Amalá (quiabo com camarão), de pinhão cozido e
cerveja preta.
Também apreciam um vinho tinto.

Se utilizam do Oxé, um machado de 2


lâminas, geralmente feito de madeira
e pedra e dançam ao som do Alujá, o
toque de atabaque específico do Orixá
Xangô.
Para quem busca a justiça, ou deseja
que esta seja feita, não pode perder
uma gira de Xangô.
O Oxé de Xangô

Kawô Kabiensilê, é o cumprimento de Xangô que segundo Pierre Verger significa


"venham ver o Rei descer a terra". E ele é mesmo o nosso Rei da Umbanda.

A gira de Boiadeiros.
Uma das giras mais antigas dentro da Umbanda é a dos nossos queridos
Boiadeiros.
Uma manifestação de espíritos daqueles que foram muito acostumados a terra de
chão e tocavam o gado pelas estradas do interior de nosso Pais, em condições
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muito difíceis mas que nunca abalou a adoração desse povo pela lida no campo.

Os Boiadeiros, de um modo geral,


utilizam chapéus de vaqueiros, laços
de corda e chicotes de couro, são ágeis
e costumam chegar aos terreiros com
sua mão direita levantada, girando,
como se estivesse laçando,
esbravejando a inconfundível toada
"êeeee boi" como se ainda estivessem
tocando seu rebanho.

Boiadeiro Mané Baiano

O que mais agrada um Boiadeiro é uma boa comida da roça, bebidas simples, mas
sem dispensar as iguarias do povo mais moderno, afinal, já passaram necessidades
suficientes para não precisar mais se privarem de uma boa cervejinha se assim
forem ofertados.

A magia de sua gira é inconfundível,


as histórias que trazem na bagagem
são tão fascinantes como importantes
no exemplo que nos exprimem.
Um Boiadeiro traz consigo as lições de
um tempo onde o respeito aos mais
velhos e a natureza, a família e aos
animais, enfim, a boa educação e
bons costumes falavam mais alto e
faziam muito mais diferença do que
nos dias de hoje.

Coronel José Bento

Marranbá che tuá Boiadeiros, é uma das saudações para este povo, ou Chetu,
marrumbá Che, ou ainda simplesmente Sarava meu Pai Boiadeiro.

Sarava!

Ciganos
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Os mistérios desse povo nômade,


ronda também as Giras de Umbanda.
A presença dessas entidades é rara,
mas quando chegam trazem com eles
todos os mistérios da magia.

Mas não uma magia trabalhada apenas nas ervas e sim na destreza com que lidam
com o astral, com seus punhais, suas cartas, bola de cristal, adivinhações, são
verdadeiramente os "mágicos" da Umbanda, que em seus atendimentos conseguem
hipnotizar seu consulente.

São sutis, delicados, amorosos,


práticos.
Gostam da dança embaladas pelos
Banjos, da comida farta, gostam de
reunir sua "Companhia" em volta
de suas fogueiras, ou seja, gostam
da fartura e da liberdade.

Não criam raiz, vão onde está a fortuna.


Por não criar raízes, o povo cigano existe inclusive nos dias de hoje, em diversas
partes do mundo. Na umbanda, se manifestam ciganos que são de origem oriental,
como também ciganos de outras partes do mundo, inclusive brasileiros.

São especialistas em resolver


problemas financeiros e também
amorosos.
Uma dica para que sempre haja
fartura. Pegue uma taça grande, e
preencha-a com grãos de arroz,
milho, sementes de gira sol, folhas de
louro, moedas douradas.

Depois de enfeitado acenda uma vela colorida ou amarela ao lado do copo, e batize
o copo com o nome de um (a) cigano (a), e peça que haja sempre muita fartura e
muita riqueza em sua vida. E sempre que tiver moedas douradas, complete o copo.

Malandros na Umbanda
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Os malandros têm como principal característica de identificação, a malandragem, o


amor pela noite, pela música, pelo jogo, pela boemia e uma atração pelas
mulheres(principalmente pelas prostitutas, mulheres da noite, etc...). Isso quer
dizer que em vários lugares de culturas e características regionais completamente
diferentes, sempre haverá um malandro. O malandro de Pernambuco, dança côco,
xaxado, passa a noite inteira no forró; no Rio de Janeiro ele vive na Lapa, gosta de
samba e passa suas noites na gafieira. Atitudes regionais bem diferentes, mas que
marcam exatamente a figura do malandro.
No Rio de Janeiro aproximou-se do arquétipo do antigo malandro da Lapa, contado
em histórias, músicas e peças de teatro. Alguns quando se manifestam se vestem a
caráter. Terno e gravata brancos. Mas a maioria, gosta mesmo é de roupas leves,
camisas de seda, e justificam o gosto lembrando que: “a seda, a navalha não
corta”. Navalha esta que levavam no bolso, e quando brigavam, jogavam capoeira
(rabos-de-arraia, pernadas), às vezes arrancavam os sapatos e prendiam a navalha
entre os dedos do pé, visando atingir o inimigo. Bebem de tudo, da Cachaça ao
Whisky, fumam na maioria das vezes cigarros, mas utilizam também o charuto.
São cordiais, alegres, dançam a maior parte do tempo quando se apresentam,
usam chapéus ao estilo Panamá.

Podem se envolver com qualquer tipo de assunto e têm capacidade espiritual


bastante elevada para resolvê-los, podem curar, desamarrar, desmanchar, como
podem proteger e abrir caminhos. Têm sempre grandes amigos entre os que os vão
visitar em suas sessões ou festas.
Existem também as manifestações femininas da malandragem, Maria Navalha é um
bom exemplo. Manifesta-se como características semelhantes aos malandros,
dança, samba, bebe e fuma da mesma maneira. Apesar do aspecto, demonstram
sempre muita feminilidade, são vaidosas, gostam de presentes bonitos, de flores
principalmente vermelhas e vestem-se sempre muito bem.
Ainda que tratado muitas vezes como Exu, os Malandros não são Exus. Essa idéia
existe porque quando não são homenageados em festas ou sessões particulares,
manifestam-se tranqüilamente nas sessões de Exu e parecem um deles. Os
Malandros são espíritos em evolução, que após um determinado tempo podem
(caso o desejem) se tornarem Exus. Mas, desde o início trabalham dentro da linha
dos Exus.
Pode-se notar o apelo popular e a simplicidade das palavras e dos termos com os
quais são compostos os pontos e cantigas dessas entidades. Assim é o malandro,
simples, amigo, leal, verdadeiro. Se você pensa que pode enganá-lo, ele o
desmascara sem a menor cerimônia na frente de todos. Apesar da figura do
malandro, do jogador, do arruaceiro, detesta que façam mal ou enganem aos mais
fracos. Salve a Malandragem!
Na Umbanda o malandro vem na linha dos Exus, com sua tradicional vestimenta:
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Calça Branca, sapato branco(ou branco e vermelho), seu terno branco, sua gravata
vermelha, seu chapéu branco com uma fita vermelha ou chapéu de palha e
finalmente sua bengala.

Gosta muito de ser agradado com presentes, festas, ter sua roupa completa, é
muito vaidoso, tem duas características marcantes:
Uma é de ser muito brincalhão, gosta muito de dançar, gosta muito da presença de
mulheres, gosta de elogiá-las ,etc...
Outra é ficar mais sério, parado num canto assim como sua imagem, gosta de
observar o movimento ao seu redor mas sem perder suas características.
Às vezes muda um pouco, pede uma outra roupa, um terno preto, calças e sapatos
também pretos, gravata vermelha e às vezes até cartola.
Fuma cigarros, cigarilhas ou até charutos, bebe batidas, pinga de coquinho,
marafo, conhaque e uísque, rabo-de-galo; Cerveja, é sempre muito brincalhão,
extrovertido.
Seu ponto de força é na subida de morros, esquinas, encruzilhadas e até em
cemitérios, pois ele trabalha muito com as almas, assim como é de característica na
linha dos pretos velhos e exus. Sua imagem costuma ficar na porta de entrada dos
terreiros, pois ele também toma conta das portas, das entradas, etc...
É muito conhecido por sua irreverência, suas guias podem ser de vários tipos,
desde coquinhos com olho de Exu, até vermelho e preto, vermelho e branco ou
preto e branco.

o medium de umbanda
É o ponto chave do ritual de Umbanda no plano material, por isso, o medium
iniciante deve merecer dos filhos-de fé mais antigos toda atenção, carinho,
paciencia e respeito quando adentram o espaço interno das tendas, pois é mais um
filho da umbanda que ´dado a sua luz. Do lado espiritual, todo apoio lhe é dado,
pois os espiritos guias sabem que este é o periodo em que mais fragil se sente um
ser que traz a mediunidade. para o medium inicianteeste é o periodo de transiçao
em que todos os seus valoresa religiosos anteriores pouco valem, pois outros
valores lhes estão sendo apresentados. É, portanto, um periodo extremamente
delicado.alguns milhoes de pessoas, com um potencial mediunico magnifico, ja
foram perdidos para outras religioes, porque os dirigentes de tendas de Umbanda
não deram a devida atençao ao fator medium do ritual da Umbanda, assim como
não atentaram para o fato de que aqueles filhos, que lhes são enviados pelo plano
espiritual, no lado material dependem fundamentalmente deles. É chegado o
momento de todos os dirigentes espirituais imprimirim aos seus trabalhos mais
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uma vertente da Umbanda sagrada: a doutrinação em massa das pessoas que


afluem as tendas nos dias de trabalho, pois muitas ainda não possuem a menor
noção do que seja a religião: A Umbanda. Muitos umbandistas, movidos de nobres
e dignificantes intenções, buscam em linguas estrangeiras a explicação do termo
Umbanda. Alguns, chegam a mergulhar no passado ancestral em busca do real
siginificado desta palavra. Nada a opor de nossa parte, mas melhor fariam e mais
louvavel aos olhos dos Orixas seriam seus esforços, caso já tivessem atinado com o
verdadeiro sentido do termo Umbanda. Umbanda significa: o sacerdocio em si
mesmo no medium que sabe lidar tanto com os espiritos quanto com a natureza
humana. Umbanda ´é o portador das qualidades, atributos e atribuições que lhe
são conferidos oelos senhores da natureza: os Orixas. Umbanda é o veiculo de
comunicação entre os espiritos e os encarnados, e so um Umbanda esta apto a
incorporar tantos os do Alto quanto os do Embaixo, assim como os do Meio, pois
ele é, em si mesmo um templo:(continua) .Umbanda é sinonimo de poder ativo, de
curador, de conselheiro, de intermediador, de filho-de-fé, de sacerdotr. Umbanda é
religiosidade do religioso, é o sacerdote atuante, que traz em si todos os recursos
dos templos de tijolos, de pedras, pi concreto armado, Umbanda é o mais belo dos
templos, onde Deus mais aprecia estar, no intimo de ser humano. Umbanda
provem de " m´ banda, o sacerdote o curador.Umbanda é o sacerdocio na mais
completa acepção da palavra, pois coloca o medium na posição de doador das
qualidades de seus Orixas, que impossibilidados de falarem diretamente ao povo,
falam a partir de seus templos humanos os seus filhos-de-fé. Por osso, os pais e
mães espirituais devem olhar para todos os que lhes chegam não como seres
perturbados, mas como mediuns necessitandp de auxilio para ordenarem as
manisfestações dos espiritos que fazem parte de suas linhas de forças espirituais.
Mostrem-lhes que, se Orixa é um "santó", é mais que isso, Orixa é a natureza
divina manifestando-se de forma humana, para os espiritos humanos. Esclareçam
aos filhos recem chegados, que se sentem incomodados, que isto não é nada de
ruim, pois ha todo um santuario aprisionado em seus intimos que esta tentando
explodir por meio de sua mediunidade magnifica. Conversem demoradamente com
eles e procurem mostrar-lhes que a Umbanda não é a panaceia para todos os
males do corpo e da mareria, mas sim o aflorar de espiritualização sufocada por
milenios de ignorancia e descaso com as coisas do espirito. Expliquem-lhes que
devem preservar a sua coroa (cabeça), pois e nela que a luz dos Orixas lhes chega
e oos liberta dos vicios da carne e do materialismo brutal. E que, como templos
vivos devem manter limpo seu intimo, pois nesse intomo há uma centelha divina
animada pelo fogo divino que a tudo purificara sempre que entregar sua coroa a
seu Orixa. Ensinem aos mediuns que eles trazem em si mesmo um templo já
santificado, que nele se assentam os Orixas Sagrados e que intermedio desse
templo muitas vozes podem falar e serem ouvidas, porque Umbanda provem de
Umbanda, sacerdote. E o medium é um sacerdote, um embanda, um Umbanda.

OS PLANOS ESPIRITUAIS DE EXISTÊNCIA


Os planos espirituais de existência e evolução são em número de sete. Eles não se
acham separados no espaço, se interpenetram e todos existem ao nosso redor.
Para vê-los, não necessitamos ir a nenhum lugar: basta despertar as sentidos por
meio dos quais poderemos percebê-los.

A exposição desse assunto não pretende encher os leitores com uma cultura teórica
e inútil, ornamentada intelectualmente por nomes complicados. Pretende, isto sim,
torná-los conscientes da responsabilidade que têm em relação às suas próprias
vidas e em relação ao mundo de uma forma geral. Meta principal, pretende
também torná-los, através do conhecimento, mais aptos a trilhar o inevitável
caminho que leva à evolução espiritual. A exposição teórica do assunto visa os
objetivos práticos do autoconhecimento e do auto-aperfeiçoamento.
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Como já dissemos, sete são os planos espirituais e passamos a enumerá-los em


ordem decrescente de evolução e vibração:

1) MAHAPARANIRVÂNICO, que significa grande plano além do nirvana (de maha =


grande e para = além de). Também chamado ADI ou ÁDICO;

2) PARANIRVÂNICO, que significa além da nirvana. Também chamado ANUPADAKA


ou ANUPADÓQUIO;

5) NIRVÂNICO, também chamado ÁTMICO;

4) BÚDICO;

5) MENTAL;

6) ASTRAL

7) FÍSICO.

Cada um destes planos contém sete subdivisões, o que torna o assunto


extremamente longo. Não estaremos preocupados em descrever detalhadamente
cada uma dessas subdivisões.

A EVOLUÇÃO DO HOMEM
A concepção moderna da evolução nos diz que quanto mais variadas são as funções
de que um organismo é capaz, tanto mais complexa é a sua estrutura. A
comparação dos reinos mineral, vegetal, animal e humano nos demonstra isso. É,
pois, natural que o homem apresente uma complexidade que não se encontre nos
organismos menos desenvolvidos. Mas a complexidade do organismo humano, tal
qual nos é revelada pela anatomia e pela fisiologia, é apenas uma pequena parte da
complexidade total do homem quando este é analisado sob o ponto de vista
espiritual.

Ao nascer um indivíduo, concorrem diversos elementos para a formação dessa nova


unidade humana, a que denominamos "homem". São eles:

1o ) o Eu, a alma verdadeira do homem, do qual só uma parcela se pode manifestar


no corpo físico a cada encarnação. Esse Eu é a Individualidade, o Eu interior, o
Pensador.

2o ) a porção de Individualidade que se manifesta numa encarnação, numa


determinada época, numa raça particular, num tal país, para encontrar
determinadas pessoas, etc., como homem ou mulher. Essa porção da
Individualidade é a Personalidade temporária adequada àquela encarnação para
cumprir parte do karma total da Individualidade.

3o) a Personalidade, por ocasião de cada nascimento, toma para si um corpo


mental, um corpo astral e um corpo físico.

4o) cada um desses três corpos tem uma vida e uma "consciência" que lhes são
próprias, perfeitamente distintas da vida e da consciência da Personalidade que os
usa.
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5o) o corpo físico, fornecido pelos pais, é o resultado de fatores hereditários. Por
ocasião da formação do embrião, alguns desses fatores hereditários (gens
paternos) são postos em ação de modo a fornecer à nova Personalidade o veículo
físico mais apropriado ao resgate de uma parte do karma da Individualidade.

6o) os corpos astral e mental com que nasce uma criança são produtos dos corpos
astral e mental com que este indivíduo findou a encarnação anterior.

O homem é, portanto, uma entidade muito complexa, uma resultante de influências


de forças de três mundos: o mental, o astral e o físico. Para um estudo mais
coerente, poderemos dispor tais forças em três grupos:

1o) a Individualidade que vive no corpo causal permanente (do plano mental
superior) e que recolhe as experiências de todas as suas Personalidades.

2o) a Personalidade, uma representante mais ou menos parcial da Individualidade.

3o) a "consciência" corporal de cada um dos três veículos - mental, astral e físico -
que a Personalidade ocupa a cada encarnação.

Consideremos, primeiramente, as três espécies de "consciência" corporal.

O corpo físico tem uma consciência que, embora limitada, é suficiente às finalidades
de sua vida e funções. Esta consciência sabe como atrair a atenção do ocupante do
corpo quando é preciso. Se o corpo está fatigado, ela incita o indivíduo ao repouso;
se o corpo precisa de alimentos e bebida, ela desperta nele a vontade de comer e
beber. Não é o Eu que tem a necessidade de comer, beber ou descansar, quando
essas funções físicas se efetuam, mas unicamente o corpo físico. Quando o corpo
físico dorme, isto é, quando o seu dono o abandona temporariamente durante o
sono, ele é capaz de repuxar as cobertas para abrigar-se do frio, ou virar-se para
dormir numa posição mais confortável. Se sobrevem um acontecimento que lhe
pareça ameaçar a vida, faz logo o que pode, por mais fracos que sejam seus meios,
com o intuito de se proteger; quer se trate da detonação de uma arma de fogo ou
do estrondo de uma porta fechada com violência, ele recua instintivamente. A sua
consciência não é suficiente para distinguir entre o perigo que revela a detonação
de um tiro e a ausência de perigo conseqüente do estrondo da porta.

Muitas destas manifestações da consciência do corpo físico são demasiado simples,


não necessitando de nenhuma intervenção por parte da consciência do ocupante do
corpo. Mas algumas vezes é necessária tal intervenção, como quando se tem de
cumprir um dever e o corpo fatigado protesta, e temos de obrigá-lo ao trabalho. Ou
quando há um serviço perigoso a executar e a consciência do corpo físico, receosa
por sua vida, quer escapar, e deve ser mantida na tarefa pela vontade do dono do
corpo. É nas crianças que as manifestações da consciência física são mais
pronunciadas. Quando um bebê chora e grita, é a consciência do corpo físico que
manifesta suas objeções - razoáveis sob o seu ponto de vista, mas muitas vezes
não razoáveis quanto ao nosso, mas não é a alma do bebê quem grita e chora.

As consciências dos corpos astral e mental se sustentam da vida da Essência


Elemental, que é uma fase da vida do Segundo Logos num período de manifestação
anterior à vida do próprio mineral. Ela está no arco descendente da vida, descendo
à matéria, para se tornar mais tarde vida mineral, e mais tarde ainda, vida vegetal
e animal. A sua principal necessidade é sentir-se a viver do modo que for possível.
Para isso, precisa de variedade de vibrações, e quanto mais grosseiras, isto é, mais
tendentes para a materialidade, mais lhe agradam. É esta a "lei em meus membros
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que combatem contra a lei de meu espírito", de que fala São Paulo; "o pecado que
habita em mim".

A Essência Elemental do desejo (Terceira Essência Elemental) gosta de que o corpo


astral seja excitado; apetece-lhe, em verdade, vê-lo levar uma "vida excitante".
Variedade, novidade, coisas sensacionais, eis o de que a Terceira Essência
Elemental - do desejo - necessita no arco descendente da vida. Quanto à Essência
Elemental Mental (Segunda Essência Elemental), não aprecia que a mente se fixe
num pensamento único; é irrequieta e anseia por tantas vibrações mentais quantas
possa induzir o seu proprietário a dar-lhe, e daí a dificuldade que experimentamos
em nos concentrar, e a instabilidade da mente.

Mas o proprietário dos corpos astral e mental, o Eu, está no arco ascendente da
vida. Em várias Cadeias anteriores, ele viveu como mineral, planta e animal. As
experiências que as Essências Elementais mental e do desejo preferem agora, no
arco descendente em que se encontram, não são precisamente as que ele, o Eu,
que está no arco ascendente, julga úteis ao seu atual trabalho na vida. Daí a guerra
contínua, pela supremacia, entre o Eu e seus veículos; guerra pitorescamente
descrita por São Paulo nos seguintes termos: "Não faço o bem que quero, mas,
sim, o mal que não quero".

A tarefa do homem no vida é, portanto, dominar os seus veículos e aplicar a sua


energia no cumprimento de seu karma e de seu dharma. Ele poderá ser bem
sucedido, ou não, segundo a força de vontade do Eu e o seu conhecimento dos
meios a empregar. Esse campo de batalha é interior mas se manifesta
exteriormente através dos pensamentos, desejos e ações do indivíduo.

A Individualidade é o Eu, o Eu superior ou o Eu interior. Possui três atributos


fundamentais chamados Atma, o Espírito, do plano Nirvânico; Buddhi, a Intuição,
do plano Búdico; e Manas Superior, a Mente Abstrata, do plano Mental superior. Os
termos Vontade, Sabedoria e Atividade também descrevem a triplicidade
fundamental do Eu superior. A Personalidade é o Eu inferior e compõe-se do Manas
Inferior ou Mente Concreta, da natureza astral ou do desejo, das funções físicas e
dos três veículos em que se manifestam tais atividades. O Eu superior "faz descer"
uma porção de si mesmo à encarnação, para o trabalho de transformação de
experiências em faculdades.

Tudo depende, então, da vontade de que dispõe o Eu, e que ele manifesta no
controle de seus veículos. Se a vontade do Eu dominar os instintos de seus corpos
mental, astral e físico, a encarnação atingirá sua finalidade. Mas, se ao contrário, os
instintos dos corpos imperarem, tal encarnação terá sido um esforço quase inútil.
Para a maioria dos homens não há nem domínio completo nem escravidão total; de
algumas coisas conseguem domínio, de outras não.

As funções do corpo físico não são boas nem más; o corpo tem por dever comer
para viver e beber para satisfazer sua sede. O mal começa quando uma função
natural é intensificada, pela identificação da natureza do desejo do homem com a
função. Quando o corpo astral se deleita com as sensações puramente animais
oriundas da ingestão de alimentos e bebidas, o corpo se torna guloso e ávido de
estimulantes; no começo o corpo astral decide quando os desejos podem ser
satisfeitos, mas depois de algum tempo o instinto físico faz do corpo astral seu
instrumento. É muito natural que um selvagem primitivo seja um glutão e coma até
se enfartar; porém, quando um ser civilizado permite que uma função puramente
física hipnotize o seu desejo natural, neste momento ele desce ao nível do
selvagem. Tal processo de reversão está bem ilustrado no provérbio abaixo, que se
aplica ao fumo tanto quanto à bebida:
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O homem principia por um trago.


Um trago atrai outro trago,
E os tragos tragam o homem.

Mas, quando a vontade predomina, por meio das funções físicas o Eu desenvolve
qualidades permanentes de autodomínio e pureza. É muito útil ao Eu o domínio do
corpo físico, a fim de que o mecanismo deste possa responder rápida e
completamente ao seu controle, em suas atividades vitais. Nutrição racional, boa
saúde, exercício dos músculos e dos membros por meio dos esportes, são úteis à
transformação das funções físicas em autodomínio e pureza.

De maneira exatamente semelhante, é natural que o corpo astral deseje; é natural


que o corpo astral proteste contra cheiros desagradáveis e sons discordantes; é
natural que ele sinta prazer num meio harmonioso e de sons agradáveis. A
natureza do desejo do corpo astral proporciona um delicado instrumento de
conhecimento. O mal começa quando o instinto do corpo astral, ávido por satisfazer
seus desejos, domina e destrona temporariamente o Eu. Um desejo natural torna-
se, então, uma paixão imperiosa e o corpo astral escapa de qualquer domínio.
Quando um homem se encoleriza, manifesta não os atributos de uma alma humana
encarnada, mas os de um animal feroz, e volve momentaneamente a um período
anterior da sua evolução, arrastado pelo corpo astral que não pode dominar.

Como reverso deste quadro, os sentimentos de nosso corpo astral, quando


inteligentemente dirigidos, podem tornar-se extremamente sensíveis e delicados, e
podem ser transformados em revelações de afeição e simpatia da alma. O corpo
astral torna-se, então, um instrumento delicado de que nos podemos servir, de
modo a suscitar, no mundo invisível que nos rodeia, vibrações de emoções
inspiradoras e purificadoras.

O que se disse acima acerca da essência elemental do desejo do corpo astral,


aplica-se, com mais razão ainda, à essência elemental mental. A função do corpo
mental é responder ao pensamento; e o pensamento, quando exercitado pelo Eu, é
um meio de descobrir o mundo em que ele vive. O pensamento concreto pesa e
mede o universo, e a função do pensamento abstrato é transformar todas as
experiências dos corpos mental, astral e físico em conceitos eternos, suscetíveis de
serem incorporados à natureza da alma.

Mas os pensamentos desta espécie existem em pequeno número, e isto por duas
razões: em primeiro lugar, porque o corpo mental se liga freqüentemente aos
nossos pensamentos antigos, nossos "pré-conceitos", persistindo em repeti-los, a
despeito de nossos esforços para dominá-los; em segundo lugar, porque o que
pensamos é, regra geral , mais reprodução de pensamentos alheios captados
inconscientemente do que criação nossa.

Ao segundo tipo pertencem os pensamentos que os outros indivíduos espalham


continuamente na atmosfera mental do mundo, e que, chocando-se com o nosso
corpo mental, despertam automaticamente em nós, como resposta, pensamentos
semelhantes. Quando tais pensamentos buscam guarida em nós, precisamos
selecioná-los, acolhendo só os que são úteis ao trabalho de nossa alma e repelindo
firmemente todos os outros.

Você já pensou se o seu braço direito, por exemplo, passasse a agir totalmente fora
do seu controle? Ele poderia, então, roubar, matar, agredir outras pessoas - e até
seu próprio dono - sem que nada fosse feito para detê-lo. Você já pensou como
reagiria se seu braço direito resolvesse, por conta própria, lhe dar um soco? E se,
51

ao vestir uma roupa para trabalhar, esta se recusasse a sair de casa, resolvendo ir
repousar?

Pois é exatamente isso que permitimos que nossos corpos, às vezes, façam
conosco. Permitimos que nossos corpos nos agridam, descontrolados, e assistimos
a isso passivamente. A preguiça, a ira, a gula, o pensamento incontrolável e os
excessos de quaisquer espécies não são atributos do nosso Eu imortal, são
atributos das essências elementais, em processo involutivo, que constituem os
nossos corpos, os nossos veículos, as nossas "roupas", o nosso braço direito ...

Para o homem, a evolução passa, portanto, pelo adquirir um completo domínio


sobre seus corpos. A tarefa do homem na vida é descobrir o que ele é, o que é o
mundo e o que é o Logos "em que vivemos, nos movemos e temos o nosso ser".
Longos períodos de experiência e ação são necessários antes que o homem comece
a notar esta sabedoria de Deus e a compreender o plano de Deus que é a evolução.
Tal, no entanto, é a sua tarefa eterna: conhecer nele e nos outros a centelha
divina. Toda a vida é uma oficina onde lhe ensinam a sua tarefa, e numerosos são
os instrutores que o vêm ajudar: são as religiões e as filosofias de seu tempo.
Todavia, o mais bem acolhido de seus instrutores pode ser o seu Eu interior, a
centelha divina que habita em nós, o "filho no seio do Pai", que lhe pode revelar o
plano de Deus com tal fascinação para a mente, e com tal inspiração para o
coração, que ele jamais poderá encontrar satisfação em qualquer outra revelação
exterior.

CHÁCRAS – CENTROS DE IRRADIAÇÃO E


RESPECTIVOS ORIXÁS NA LEI DE UMBANDA
É de suma importância, aos trabalhadores das lides umbandistas, o conhecimento
das estruturas mais sutis do nosso corpo físico, para que assim possam melhor
desenvolver seu trabalho e atender às Entidades, principalmente as que vêm para
os trabalhos de cura. Afinal, todos somos donos de um corpo físico e precisamos
conhecê-lo para melhor entender os males que o afetam. Por isso é importante que
conheçamos um pouco mais sobre os centros energéticos denominados “Chacras”,
que exercem influências positivas ou negativas em nossos corpos, de acordo com o
peso de nossa vibração mental, os nossos pensamentos. É através dos Chacras que
nosso corpo absorve e irradia “prana”, o princípio vital.

“Chakra” é palavra sânscrita que significa roda. São centros de irradiação,


estruturas energéticas que vêm de fontes superiores.

São os sete pontos etéreos que recaem sobre os sete fluidos cósmicos, para depois
se instalarem nos plexos do corpo físico. Possuem basicamente três funções:
manter a vitalidade do corpo físico, desenvolver a consciência e receber e transmitir
energia espiritual, transformando o Homem em ser espiritual.

Os principais Chacras do nosso Corpo Etérico estão alinhados ao longo do corpo


físico em sentido vertical: Os cinco inferiores vão da base da coluna vertebral até o
crânio, e os outros dois ficam situados entre os olhos e no alto da cabeça.

Cada um dos Chacras (centros de irradiação), possui ligações especiais com alguns
órgãos do corpo e com alguns estados de consciência. Esses centros de energia
cuidam do equilíbrio do corpo físico, intelectual, emocional, mental e espiritual do
homem.
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Assim como o nosso corpo, o planeta Terra também possui seus sete chacras
principais, que operam da mesma forma, mantendo o equilíbrio energético do
planeta.

Nossos sete Chacras básicos revelam também direcionamento individual de cada


ser, o seu foco pessoal. Por exemplo: uma pessoa que se identifica essencialmente
com os sentimentos, terá os Chacras Cardíaco e Umbilical mais desenvolvidos e
ativos do que os outros; já um indivíduo que apresenta um Chacra Frontal
brilhante, terá um grau intenso de integração pessoal, e um Coronário iluminado
revelará uma pessoa com um alto desenvolvimento de Consciência Espiritual.

A velocidade que cada um dos chacras tem é que determina o grau evolutivo de
cada ser humano encarnado. Quanto mais o Chacra estiver próximo às energias do
Cosmo, mais velocidade terá.

Os Chacras se localizam no duplo etérico e são responsáveis pela distribuição das


energias mentais, astrais e etéreas, de acordo com a necessidade de cada um de
nós, seres vivos, encarnados no planeta Terra.

As cores variam para cada Chacra, reluzindo e contribuindo para sua aparência de
flor. Num corpo físico saudável as formas dos Chacras demonstram equilíbrio e
harmonia em ritmos variados, de acordo com o temperamento de cada indivíduo.

Cada urn dos sete Chacras básicos tem uma afinidade maior com uma das sete
Vibrações Originais e uma das sete Linhas de Umbanda, mas nenhum pertence
exclusivamente a um só ORIXÁ.

Em cada encarnação eles assumem padrões diferentes de energia, pois encarnamos


para aprender e vivenciar novas experiências.

Assim, em cada encarnação surge toda uma combinação de Orixás em relação aos
Chacras, de maneira que esta combinação crie uma situação propicia a ajudar na
evolução do ser. Os chacras que já tem um padrão vibratório próprio, são
sobrepostos pela energia do Orixá que se faz presente em cada um deles: O
primeiro e ultimo chacra se abrem em posição vertical, os outros cinco são
horizontais e bipolares, se abrem para frente e para trás.

Nenhum desses chacras pertence exclusivamente a um só Orixá, vai depender do


Orixá que fatorou e rege a ancestralidade da pessoa. Esse será o regente do Ori, da
cabeça do médium e do Chacra Coronário. Nesse mesmo chacra os outros Orixás
estarão presentes como qualidades secundárias, pois a principal sempre será a do
Orixá que o fatorou.

Portanto, teremos como Orixá principal no Chacra Coronário, a flor de lótus, nosso
Orixá Ancestral, que, junto do recessivo, forma o casal de Orixás Ancestrais que
são os únicos que não mudam sua posição de encarnação para encarnação. Como
Orixá principal na abertura de frente do frontal, teremos o nosso Orixá de Frente;
como principal na abertura de trás do frontal fica nosso Orixá de Juntó (adjunto ou
ajuntó). Em volta da irradiação do Orixá principal temos outras seis, que no Ori dão
formação à “coroa do médium”... a força que o rege na cabeça...

CHACRA BÁSICO OU RAIZ

Do sânscrito “Muladhara”:
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Base e fundamento, suporte.

Representa a manifestação da vida.

O primeiro Chacra corresponde à vitalidade e manutenção das partes sólidas do


corpo. Sua cor é vermelha e possui quatro pétalas. Este Chacra é regido pelo
sentido de CRIAÇAO, é gerador, templo moderador das formas e estímulos. E muito
ligado às sensações físicas.

Na Umbanda corresponde à Vibração de lemanjá. Este centro energético está ligado


à procriação, geração de novas vidas, por isso está intimamente ligado à vibração
de lemanjá, a mãe de todos os Orixás.

PRIMEIRO CHACRA - BÁSICO

Localiza-se na base da coluna e está ligado às glândulas supra-renais. É


responsável pelo estímulo direto da energia e circulação do sangue.

CHACRA ESPLÊNICO

Do sânscrito “Swadhistana”:

Morada do prazer.

O segundo Chacra possui seis raios com as cores roxo, azul, verde, amarelo,
alaranjado, vermelho forte e rosa (posição hc zontal, se projeta para frente e para
tr Regido pelo SENTIDO DE EVOLUÇÃO transmutador, regula a distribuição e a
culação adequada dos recursos vitais.

Na Umbanda corresponde à Vibração Obaluaiê, senhor da morte e da vida, doença


e da cura, e o melhor dia para captar suas influências é segunda-feira.

SEGUNDO CHACRA - ESPLÊNICO

Localiza-se na região do baixo-ventre. É responsável pela irrigação dos orgãos


sexuais e também pela vitalização do feto em formação.

CHACRA UMBILICAL OU SOLAR

Do sânscrito “Manipura”:

Cidade das Jóias.

O terceiro Chacra possui dez pétalas raios e suas cores variam do vermelho ao
verde. Está situado um pouco abaixo do umbigo (posição horizontal, se projeta
para frente e para trás). Regido pelo SENTIDO DA JUSTIÇA, é equilibrador e
trabalha com a reflexão no ser. É o centro da vontade e está ligado à assimilação
dos alimento e seus nutrientes. O ser que possui este centro mais desenvolvido
percebe logo as intenções das pessoas, sejam elas boas ou ruins.

Na Umbanda corresponde à Vibração de Xangô, e, o melhor dia para captar suas


fluências é a terça-feira. Xangô é o senhor dos raios, do fogo e das pedras. Seus
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atributos são a firmeza de caráter, o senso de justiça, o amor à verdade, o orgulho


e a autoridade.

TERCEIRO CHACRA - UMBILICAL

Localiza-se no plexo solar. É responsável pela irrigação do sistema digestivo.


Quando é bem desenvolvido, facilita a percepção das energias.

CHACRA CARDÍACO

Do sânscrito “Anahata”:

Invicto, inviolado.

O quarto Chacra fica bem próximo do peito, na altura do coração (posição


horizontal, se projeta para frente e para trás. Regido pelo SENTIDO DO AMOR, é
agregador, ligado aos sentimentos e ao sistema circulatório. E o que mantém o
equilíbrio entre os três chacras abaixo e acima dele. Seu elemento é o ar, possui 12
raios de cor amarelo brilhante.

O ser que apresenta ligação forte com este Chacra é munido de compaixão,
sabedoria, desprendimento e amor incondicional, vivendo em harmonia com o
mundo interior e exterior.

Na Umbanda corresponde à Vibração de Oxum, e o melhor dia para a captação de


suas influências é a quinta-feira. Oxum tem como atributos o amor, a beleza, a
fertilidade, a riqueza e o poder da gestação, personificando a feminilidade. Seus
domínios são as águas doces, que irrigam e fertilizam o solo, e o ouro.

QUARTO CHACRA - CARDÍACO

Localiza-se no coração e está ligado à glândula timo. É responsável pela irrigação


do coração e considerado um canal de movimentação das emoções, sendo o mais
afetado pelo desequilíbrio emocional.

CHACRA LARÍNGEO OU CERVICAL

Do sânscrito “Vishudda”:

O purificador

O quinto Chacra possui 16 raios nas cores azul claro, turquesa, lilás e prateado.
Localiza-se na altura da garganta (posição horizontal, se projeta para frente e para
trás). Regido pelo SENTIDO DA LEI, é ordenador, ligado ao poder da palavra e
vontade divina.

Este Chacra funciona como uma passagem entre os outros dois grupos de Chacras.
E o primeiro do grupo de três Chacras superiores e relaciona-se com o Eu Superior,
o Espírito e a Alma.

Na Umbanda corresponde à vibração de Ogum e o melhor dia para a captação de


suas influências é a terça-feira. E o desbravador dos caminhos, tem a coragem e a
força como atributos.

QUINTO CHACRA - LARÍNGEO


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Localiza-se na garganta e está ligado à glândula tireóide. É responsável pela


irrigação da boca, garganta e sistema respiratório. É considerado um filtro que
bloqueia as energias emocionais.

CHACRA FRONTAL

Do sânscrito “Ajnã”:

Centro de Comando.

O sexto Chacra atua diretamente sobre a fronte do Homem. Fica entre as


sobrancelhas (posição horizontal, se projeta para frente e para trás). Regido pelo
SENTIDO DO CONHECIMENTO, é expansor e coordena a visão, audição, o tato e a
rede de processos de inteligência, como a palavra, a cultura, a arte e o saber. Este
centro energético possui 96 pétalas ou raios nas cores rosa e amarelo, azul e roxo.
É onde reside o comando de nossos poderes psíquicos.

Na Umbanda corresponde à vibração de Oxossi, e o melhor dia para captar sua


vibração é a quinta-feira. Seus atributos são a fartura e a perseverança, sempre
sabendo a hora certa de “atirar a flecha”. Seus domínios sáo as matas.

SEXTO CHACRA-FRONTAL

Localiza-se entre os olhos e está ligado à glândula hipófise. É o responsável pela


irrigação energética dos olhos. Quando em atividade, gera uma palpitação na testa,
como se fosse uma coração batendo.

CHACRA CORONÁRIO

Do sânscrito “Sahashara”:

O Lótus das mil pétalas.

O sétimo Chacra tem 960 pétalas ou raios, com uma flor no centro de 12 pétalas.
Possui cores variadas e pode atingir velocidades altíssimas. Fica logo acima de
nosso ORI (posição vertical, se projeta para cima).

Regido pelo SENTIDO DA FE, é congregador; recebe em primeiro lugar os estímulos


do Espírito, comandando os demais e vibrando com eles em regime de justa inter-
dependência. E onde habita a consciência maior do Homem, o centro da união com
o divino. Por meio do Chacra Coronário é possível se chegar aos mais elevados
graus de meditação.

Na Umbanda corresponde à vibração de Oxalá e o melhor dia para a captação de


suas influências é a sexta-feira.

Oxalá é o grande Orixá, herdeiro do Poder Absoluto. O domínio de Oxalá é a


criação. E o Orixá símbolo da pureza e do amor; Senhor Supremo que vibra sobre
todos os filhos da Terra e ocupa uma posição única do mais importante e mais
elevado Orixá na Lei de Umbanda.

SÉTIMO CHACRA - CORONÁRIO


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Localiza-se no topo da cabeça. Dos sete Chacras básicos é o mais importante, pois
é responsável pela irrigação energética do cérebro. Quando bem desenvolvido,
facilita a lembrança das projeções da Consciência.

Pontos Cantados, a magia das cantigas.

Na Umbanda, um dos mais importantes fundamentos é o ponto cantado, cantigas


em louvor aos Orixás e as linhas de entidades trabalhadoras. Estes pontos são
como mantras que evocam determinadas energias, servem para trazer as entidades
como para se despedir delas, além de muitas outras finalidades.

Pontos Riscados na Umbanda.

Os Pontos Riscados são desenhos feitos pelas Entidades incorporadas em seus


médiuns e possuem função mágica, podendo ter diversos significados diferentes.
Cada Entidade porem, possui um ponto de identificação e vários outros pontos para
suas magias e mirongas, o primeiro pode ser mostrado sem maiores restrições,
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como costumeiramente vemos nos nomes das casas de Umbanda e em livros, já os


outros são secretos e só a entidade possui seus segredos.

Considerações finais
Não vamos nos prolongar mais, Espero que seja útil e esclarecedora essa
pesquisa sobre nossa maravilhosa religião, e espero que este trabalho seja apenas
o estopim para uma nova vida de estudos e dedicação, o médium de umbanda tem
o dever consigo mesmo da busca do conhecimento, pois faz parte de sua evolução
espiritual e é o que esperam de nos nossas queridas entidades e o astral.

Aqueles que já conseguiram erguer um pouco o véu do conhecimento e encontrar


meios para o seu aperfeiçoamento espiritual devem partilhar, até onde é possível,
aquilo que descobriram e adotaram como verdade.
O que já alcançamos, embora nos pareça pouco, representará muito para os que
nada têm e vivem debatendo-se em crenças errôneas, angústias, ignorância e
preconceitos, procurando dignidade, sentido e coerência para o seu caminho
espiritual. Estamos preocupados com os que caminham tropegamente pelos
atalhos, procurando a mesma estrada que já encontramos, e a estes é dedicado
esse pequeno trabalho. Talvez o tempo perdido batendo em portas falsas venha a
desiludi-los de tal modo que não mais acreditem num portal que lhes seja aberto
por alguém de boa vontade.
Nossa missão é, portanto, aqui e agora. A herança mais valiosa que poderemos
deixar nessa existência será o grau de aperfeiçoamento e conhecimento que
tivermos conseguido e transmitido ao nosso semelhante.
A intenção dessa página, que reúne parte dos assuntos ministrados em aula aos
membros do Templo e Escola Umbandista Luz de Aruanda, é a de ser uma pequena
semente que, se Oxalá permitir, germinará no interior de alguns e se transformará
numa grande árvore de conhecimento.
Torna-se difícil conceituar, em poucas palavras, as bases principais da Umbanda
que praticamos e cada aspecto será desenvolvido posteriormente com riqueza de
detalhes. Mas, fundamentalmente, a nossa Umbanda se baseia:

na existência de um Deus, Único, incognoscível, Criador, Onipresente, origem de


todas as vibrações;

na existência de Jesus, o Cristo, a quem chamamos Oxalá, modelo de perfeição e


conduta que buscamos alcançar;

na existência de vibrações no Universo que denominamos Orixás;

na existência de entidades espirituais que se encaixam nessas vibrações;

na existência de planos espirituais de evolução;

na existência do espírito, sobrevivendo ao corpo físico do homem, em caminho de


evolução e buscando aperfeiçoamento;

na reencarnação e na lei kármica de causa e efeito;

na prática da mediunidade sob as mais variadas apresentações, tipos e


modalidades;
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na prática da caridade material e espiritual como meio de evolução;

na crença de que o homem vive num campo de vibrações que influem em sua vida
e que essas vibrações podem ser manipuladas quer para o seu próprio bem, como
fazemos, ou para o seu próprio mal, como combatemos.

Tudo isso é Umbanda, religião de fé, luz, caridade, esperança e, primordialmente,


de amor ao próximo.

Sarava a todos filhos de umbanda!!!!!

Pesquisa realizada por Luis Claudio da Rocha Santos