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CUIDADOR

DE
IDOSO

ANGELA CARVALHO
SENAC
IDOSO NO BRASIL

Os idosos são hoje 14,5 milhões de pessoas, 8,6%


da população total do País, segundo o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base
no Censo 2000. O instituto considera idosas as pessoas
com 60 anos ou mais, mesmo limite de idade
considerado pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) para os países em desenvolvimento. Em uma
década, o número de idosos no Brasil cresceu 17%, em
1991, ele correspondia a 7,3% da população.
O envelhecimento da população brasileira é reflexo
do aumento da expectativa de vida, devido ao avanço
no campo da saúde e à redução da taxa de natalidade.
Prova disso é a participação dos idosos com 75 anos
ou mais no total da população - em 1991, eles eram 2,4
milhões (1,6%) e, em 2000, 3,6 milhões (2,1%).
A população brasileira vive, hoje, em média, de
68,6 anos, 2,5 anos a mais do que no início da década
de 90. Estima-se que em 2020 a população com mais
de 60 anos no País deva chegar a 30 milhões de
pessoas (13% do total), e a esperança de vida, a 70,3
anos.
O quadro é um retrato do que acontece com os
países como o Brasil, que está envelhecendo ainda na
fase do desenvolvimento. Já os países desenvolvidos
tiveram um período maior, cerca de cem anos, para se
adaptar. A geriatra Andrea Prates, do Centro
Internacional para o Envelhecimento Saudável, prevê
que, nas próximas décadas, três quartos da população
idosa do mundo esteja nos países em desenvolvimento.
A importância dos idosos para o País não se
resume à sua crescente participação no total da
população. Boa parte dos idosos hoje são chefes de
família e nessas famílias a renda média é superior
àquelas chefiadas por adultos não-idosos. Segundo o
Censo 2000, 62,4% dos idosos e 37,6% das idosas são
chefes de família, somando 8,9 milhões de pessoas.
Além disso, 54,5% dos idosos chefes de família vivem
com os seus filhos e os sustentam.
A população mundial está envelhecendo e o Brasil
caminha neste mesmo sentido. A população idosa
brasileira é a sexta mais numerosa do mundo e cada
vez mais o país conta com pessoas muito idosas
precisando de auxílio e cuidados especiais.
Quase 10% da população brasileira - 18 milhões -
são indivíduos com 70 anos ou mais, e as projeções
demográficas apontam que alcançaremos mais de 30
milhões de pessoas com 60 anos de idade ou mais em
2025 (15%).
O envelhecimento, quase sempre, vem
acompanhado de limitações funcionais que geram uma
demanda de cuidados em várias áreas, que precisam
ser abordadas por profissionais habilitados a
reconhecer os distúrbios típicos das doenças ligadas a
essa fase da vida garantindo um melhor atendimento e
qualidade de vida ao idoso.
Diante das mudanças no aumento da expectativa
de vida e da necessidade de pessoas especializadas
para lidar com a terceira idade, a profissão de Cuidador
de Idosos vem ganhando cada vez mais notoriedade
entre a população brasileira.
O Cuidador de Idosos é o profissional responsável
por auxiliar o idoso na prevenção de doenças e
acidentes - sem dispensar o serviço de profissionais de
saúde, como médico e dentista -, além de ajudar o
idoso nas tarefas cotidianas e mantê-lo inserido no
convívio social.
O bom Cuidador de Idosos é aquele que observa
e identifica o que a pessoa pode fazer por si, avalia as
condições e ajuda a pessoa a fazer as atividades.
Cuidar não é fazer pelo outro, mas ajudar o outro
quando ele necessita, estimulando a pessoa cuidada a
conquistar sua autonomia, mesmo que seja em
pequenas tarefas. Isso requer paciência e tempo.
De olho nesse novo mercado as escolas técnicas
têm investido na formação desses profissionais que são
peça fundamental na difícil tarefa de proporcionar um
envelhecimento mais saudável e com menor
comprometimento funcional.
No curso de Cuidador de Idosos os alunos
aprendem também a identificar as modificações que a
idade opera no corpo e no organismo dos idosos, além
de, identificar as demandas e estimular a autonomia,
melhorando a qualidade de vida desses pacientes. "É
preciso muita dedicação, paciência, carinho e
segurança para esse trabalho cuidar bem de um idoso",
afirma Adriel Lima.
A antiga tradição de um dos membros da
família (geralmente uma mulher) cuidar do parente
idoso até a morte tende a ser cada vez mais rara. A
longevidade do brasileiro e a queda do número de
filhos por casal contribui para uma conta que pode
não fechar no futuro. De um lado, cada vez mais
pessoas irão precisar de cuidados, ao passo em
que os responsáveis naturais entre os familiares
serão mais escassos.
Dados do Ministério da Saúde apontam que 25%
dos idosos necessitam de auxílio para alguma das
necessidades básicas do dia-a-dia.
Trata-se de um universo de 4,5 milhões de
pessoas que não conseguem executar sozinhas
tarefas simples, como se alimentar ou fazer a higiene
pessoal. “Cada vez mais as pessoas vão envelhecer
solitárias. Isso abre perspectivas de gente de fora da
família cuidar desses idosos. E o desafio das políticas
públicas do setor é capacitar essa mão-de-obra”,
aponta o coordenador da Área Técnica da Saúde do
Idoso do Ministério da Saúde, o médico José Luiz
Telles.
O objetivo da capacitação é gerar um profissional
habilitado para atuar tanto na esfera da saúde, como
na da assistência social. Conforme explica Telles, o
cuidador deve auxiliar o idoso na prevenção de
doenças e acidentes – sem dispensar o serviço de
profissionais de saúde, como médico e dentista –,
auxiliá-lo nas tarefas cotidianas, mas também mantê-
lo inserido no convívio social.
“O que não queremos do cuidador é que ele
fique em casa com o idoso, vendo televisão. O
profissional tem papel fundamental em manter o
idoso ativo na comunidade”, salienta o médico.
É o que fazem as três cuidadoras que trabalham
com a aposentada Dolly Irene Roehring, 83 anos.
Solteira e sem filhos, Dolly conta com a ajuda das
profissionais contratadas por uma sobrinha para
monitorar os horários dos medicamentos e da
alimentação. Mas não só isso.
No revezamento, as três também fazem
companhia à aposentada e a levam para passear –
no dia em que a reportagem conversou com Dolly, ela
havia acabado de chegar da cabeleireira. “É ótimo ter
as cuidadoras comigo. Elas são muito
compreensivas e fazem de tudo para eu ter acesso
às coisas”, comenta a aposentada, que antes de
precisar de uma cuidadora chegou ela mesma a
cumprir o papel com a própria mãe.
Mesmo com 33 anos de experiência, Maria
Antônia de Almeida, 54 anos, que há pouco mais de
um mês cuida de Dolly, ressalta a importância da
qualificação. Ela freqüenta o curso de cuidadores de
idosos da empresa AGT, financiado pelo Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT), e diz que agora sabe
de técnicas que o cotidiano não a ensinou. “Aprendi as
posições corretas para mudar um idoso de lugar, para
tirá-lo da cama, da cadeira de rodas, além de aprender
muito sobre acessibilidade”, diz.
Entretanto, ressalta Maria, para que todo o
conhecimento técnico tenha resultado é essencial
que haja empatia entre o cuidador e o idoso. E
isso, explica ela, conquista-se com tempo e
paciência.
Como no caso de um senhor que ela cuidou anos
atrás e que ficou dez anos sem sair de casa por
decisão própria. “Após perder a esposa em um
acidente de carro e sofrer um derrame, ele ficou muito
triste. Mas aí comecei dando uma voltinha no jardim,
depois em volta da quadra, depois fomos à igreja, até
o dia em que o acompanhei em uma viagem ao Rio de
Janeiro”, recorda.

LEI PRETENDE REGULAMENTAR A


PROFISSÃO
Tramita no Congresso Nacional desde 2006 um
projeto de lei para regulamentar a profissão de
cuidador. Além de definir um piso salarial, o projeto –
de autoria do deputado federal Inocêncio Oliveira
(DEM-PE) – também define as qualificações que serão
exigidas para que uma pessoa trabalhe na área. Pela
proposta, para exercer a profissão, é preciso ter o
ensino fundamental completo e ainda ter feito um
curso de formação de cuidadores. O conteúdo didático
do curso seria definido pelo Ministério da Saúde.
Para embasar a proposta, Oliveira afirma que
98% dos cuidadores são membros das próprias
famílias, sendo 92,9% mulheres, a maioria também
idosas. “Cuidar do idoso ou de qualquer outra
pessoa necessitada em casa não deixa de ser
obrigação da família. Mas a faculdade de dividir os
cuidados com um profissional habilitado,
registrado em órgão fiscalizador de atividade, é
uma alternativa necessária e urgente”, afirma o
deputado em texto publicado na agência de notícias
da Câmara dos Deputados.
Paciente deve participar da escolha do
acompanhante
O principal indício da necessidade de um
cuidador é quando o idoso não consegue fazer
sozinho três ou mais atividades cotidianas – como se
alimentar, fazer a higiene pessoal e sair da cama, por
exemplo.

“Neste estágio, geralmente a família não


consegue atender o idoso sozinha, até em função
dos afazeres de cada um”, explica a presidente do
Conselho Estadual dos Direitos do Idoso (Cedi),
Schirley Follador Scremin. O ideal nesta situação é
recorrer a um cuidador profissional. E, se possível,
incluir o próprio idoso na seleção.
Schirley diz que os idosos que necessitam de
apoio se enquadram em dois perfis: o que está
incapaz e o dependente.
No primeiro caso, a pessoa, por problemas
mentais, não é mais capaz de discernir suas
atividades do dia-a-dia, como administrar o próprio
dinheiro.
No segundo, o indivíduo está na plenitude de
suas funções mentais, mas por problemas físicos não
consegue executar algumas atividades.
“Se o idoso conseguir executar suas atividades
civis sozinho, ele mesmo pode participar das
entrevistas com os candidatos à vaga de cuidador.
Afinal, ele tem de ser o protagonista de sua própria
história. Não é uma criança a quem se impõe
decisões”, enfatiza a presidente do Cedi.
O domicilio é visto hoje como um espaço em que
pessoas portadoras de doenças crônicas e outras
afecções, idosas ou não, podem viver com boa
qualidade de vida e manter a estabilidade da doença.
Assim, a experiência de cuidar de um doente em casa
tem se tornado cada vez mais freqüente no cotidiano
das famílias (GIRARDON-PERLINI, 2001).
Em consonância a esta tendência, as políticas de
atenção ao idoso defendem que o domicilio constitui-se
no melhor local para o idoso envelhecer, sendo que
permanecer junto à família representa a
possibilidade de garantir a autonomia e preservar
sua identidade e dignidade.
Cuidar de idosos dependentes acometidos por
uma patologia crônica ou aguda constitui-se então,
numa situação freqüente para muitas famílias.
Participantes ativos do cuidado, os cuidadores
familiares4 desempenham atividades voltadas a suprir
as demandas de acordo com as necessidades dos
idosos doentes no próprio local onde residem.
Numericamente os idosos têm aumentado
significativamente nos últimos anos, pois a velhice é
uma etapa do ciclo da vida, que uma parcela crescente
da população brasileira vem alcançando e desfrutando
por mais tempo, em virtude do aumento da expectativa
de vida e do acelerado envelhecimento populacional do
país nas últimas décadas.
Esta mudança no perfil demográfico, iniciada
na segunda metade dos anos 70, quando houve um
declínio da taxa de natalidade, aponta que para o
ano de 2025 existirá, no Brasil, aproximadamente 30
milhões de idosos, que representarão 15% da
população total (BRITO & RAMOS, 1996).
Tal fato tem despertado a atenção para os
problemas enfrentados pelos idosos e mostrando a
necessidade de se garantir condições que propiciem
envelhecimento com dignidade (CALDAS, 1998).
A Secretaria Nacional dos Direitos Humanos
considera, por lei, que o idoso é a pessoa maior de
sessenta anos sendo que “a família, a sociedade e o
Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os
direitos da cidadania, garantindo sua participação
na comunidade, defendendo sua dignidade, bem
estar e o direito à vida” (BRASIL, 1998, p.11).
Apesar dos esforços despendidos para garantir
uma velhice cada vez mais ativa e saudável, a maioria
dos idosos experimenta alguma fragilidade nessa fase.
A doença traz consigo um fator emocional de
regressão, no sentido de acentuar sentimentos de
fragilidade, de dependência, de insegurança. O
estado de doença acarreta algumas repercussões
psíquicas inevitáveis, como preocupações,
angústias, medos, alterações na auto-imagem e
algum nível de dependência (DIOGO & DUARTE,
2002).
Embora possuam diversos significados em meio a
tantas culturas ou mesmo indivíduos distintos, num
sentido mais geral, dependência segundo BALTES &
SILVERBERG, (1995), significa um estado em que a
pessoa é incapaz de existir de maneira satisfatória sem
a ajuda de outrem e autonomia, a capacidade do
indivíduo em manter seu poder de decisão.
Sobre dependência LEITE (1995) diz que esta
significa uma condição do idoso a qual se caracteriza
por degenerescência decorrente de doenças crônicas
ou de outras patologias, que lhe ameaçam a integridade
física, social e econômica, diminuindo ou impedindo a
capacidade do indivíduo para atender suas
necessidades.
Dentre as alterações que conduzem o idoso a
dependência destaca-se aquelas relacionadas ao
adoecimento, as quais por suas características de
cronicidade geram situações que necessitam da
presença de outrem por longos períodos, sendo, nestas
ocasiões, a família a principal fonte de cuidados. É
nessa hora que os membros da família costumam
assumir o papel de cuidadores, por terem uma
responsabilidade culturalmente definida ou vínculo
afetivo.
Ao falar em família, logo se pensa nas pessoas
que têm laços parentais sanguíneos, como pais, mães,
filhos, irmãos e primos, nos olvidando que outras
pessoas também podem manter laços familiares, pois,
além de estarem introduzidas nela, possuem vínculos
entre si.
A esfera familiar é uma unidade formada de seres
humanos ao longo de sua trajetória de vida, cuidando
de si próprio e de outros, sendo que as maneiras de
cuidar variam de acordo com os padrões culturais e se
relacionam com as necessidades de cada indivíduo
(SARTI, 1993).
A família vai ser a concretização de uma forma de
viver os fatos básicos da vida, se relacionando com o
parentesco, mas não se confundindo com ele. O
parentesco é uma estrutura formal que resulta de
relações de consangüinidade entre irmãos; da relação
de descendência entre pai e filho e mãe e filho; e da
relação de afinidade que se dá através do casamento.
Esta é uma estrutura universal, e qualquer sociedade
humana se forma pela combinação destas relações
(SARTI, 1993).
A saúde e a vulnerabilidade que a família possui
são, de acordo com ELSEN et al. (2002), os dois
elementos que dinamizam a estruturação deste sistema
de cuidados, que demanda a participação de cada um
de seus membros, não só para construí-lo, mas
também para consolidá-lo e manter sua vigência. Ao
ser cotidiana e coletiva esta construção requer
solidariedade e ética da parte dos membros do
grupo familiar.
Neste contexto o domicílio constitui-se no local
onde os indivíduos desempenham suas atividades,
formam laços de amor e ódio, interagem uns com
os outros, têm seus momentos de lazer e algumas
vezes, conforme as circunstâncias vividas tornam-
se cuidadores de seus familiares, quando alguém
adoece ou necessita de ajuda.
A atividade do cuidar de um familiar idoso doente e
dependente no domicílio dá-se no espaço onde parte
significativa da vida é vivida, no qual o conhecimento e
a memória de fatos e de relações íntimas são
importantes tanto para o cuidador como para quem é
cuidado.
Neste ambiente, segundo KARSCH (1998), os
cuidados têm suas peculiaridades. São regulados por
relações subjetivas e afetivas, construídas numa
história comum e pessoal. Os cuidados implementados
pela família têm a finalidade de preservar a vida de
seus membros para alcançar o desenvolvimento pleno
de suas potencialidades, de acordo com suas próprias
possibilidades e as condições do meio onde ela vive
(ELSEN et al. 2002).
Geralmente a função de cuidador é assumida
por uma única pessoa, denominada cuidador
principal, seja por instinto, vontade, disponibilidade
ou capacidade (MENEZES, 1994). Este assume
tarefas de cuidado atendendo às necessidades do
idoso e responsabilizando-se por elas. Outro fator
determinante para o familiar tornar-se cuidador,
segundo KARSCH (1998) é a obrigação e/ou dever que
o mesmo tem para com o idoso. Isto pode ser
entendido como um sentimento natural e subjetivo
ligado a um compromisso que foi sendo construído ao
longo da convivência familiar.
MENDES (1995) explica que o processo de
tornar-se cuidador pode ser mais imediato ou
gradual. As decisões para assumir os cuidados são
mais ou menos conscientes e, de fato, o que as
pesquisas revelam é que, embora a designação do
cuidador seja informal e decorrente de uma dinâmica
específica.
O processo parece obedecer a certas regras
refletidas em quatro fatores que estão relacionados com
o “parentesco, com freqüência maior para os cônjuges,
antecedendo sempre a presença de algum filho; o
gênero, com predominância para a mulher; a
proximidade física, considerando quem vive com a
pessoa que requer os cuidados e a proximidade afetiva,
destacando a relação conjugal e a relação entre pais e
filhos”.
Os cuidadores atribuem sua vontade e seu
compromisso à solidariedade com o companheiro (a) de
vida, ao desejo de retribuir os cuidados recebidos na
infância, ao seu horror ao asilamento e à ausência de
alternativas (KARSCH, 1998).
Famílias devem se preparar para cuidar de idosos
Por Lola Felix São Paulo, 02 (AE) - Poucos pensam
no assunto, mas pode acontecer: um dia, a relação
de dependência com os pais corre o risco de sofrer
uma inversão de papéis. E os idosos, que um dia o
alimentaram, precisarão de sua ajuda para fazer as
refeições.

Também terão de contar com a ajuda do filho


para preparar o almoço, fazer as compras e, com o
avançar do declínio físico e cognitivo, tomar banho, se
trocar ou se pentear. Alguns filhos assumem o papel
de cuidadores de idosos, função que também pode ser
exercida por gente de fora da família, e para a qual há
treinamento.
A escola de Enfermagem da Universidade de São
Paulo (USP), por exemplo, oferece cursos
periodicamente.
Segundo estimativas, o Brasil tem cerca de 1
milhão de cuidadores. No estudo "Idosos no Brasil -
Vivências, Desafios e Expectativas na 3ª idade", do
Sesc em parceria com a Fundação Perseu Abramo,
constatou-se que, entre os homens acima dos 70 anos
de idade, são as esposas as principais cuidadoras -
59% dos entrevistados disseram contar com a ajuda
das mulheres.
Já elas recebem mais auxílio dos filhos (30%) e,
em segundo lugar (20%), de cuidadores que não
moram na casa.
Não bastam habilidades com o transporte e
alimentação dos idosos. De um dia para outro, essas
pessoas têm de aprender a lidar com emoções
díspares como amor e ódio, paciência e desequilíbrio.
"A pessoa que toma conta do idoso deve aceitar
que pode ter sentimentos ruins, como raiva e
impaciência", diz a jornalista Marleth Silva, autora do
livro "Quem Vai Cuidar dos Nossos Pais" (Ed. Record).
A enfermeira Lucélia Aparecida Moraes, de 30
anos, diz que a primeira virtude que um cuidador de
idoso deve ter é a paciência. "Com jeitinho, você
convence o velhinho teimoso a fazer o que é bom
para ele. É preciso explicar o porquê de cada
coisa", aconselha a enfermeira, que há 18 meses
cuida de Leonor Gregório, 70 anos, portadora de
Alzheimer.
No começo, o marido de Leonor, Nelson
Gregório, executava o papel, mas, com o avanço da
doença, sentiu que era preciso contar com a ajuda de
alguém mais preparado. Hoje, Gregório e Lucélia
concordam que o trabalho conjunto da família com
a cuidadora melhorou muito o estado de saúde de
Leonor. "Se não tiver carinho, não tem paciência e, se
não tiver paciência, o idoso não colabora mesmo",
explica Lucélia, que trabalha doze horas por dia.

"Cuidadores também precisam se cuidar, manter


uma vida ativa", lembra Marleth. Não é fácil, mas é
preciso, às vezes, se afastar do idoso e saber que o
mundo não vai acabar.
TRATAMENTO ARQUITETÔNICO
Nem só de remédios se faz o tratamento do
Alzheimer e de outras doenças degenerativas. O
arquiteto norte-americano John Zeisel, um dos
maiores pesquisadores e referência mundial em
arquitetura voltada aos portadores de Alzheimer,
acredita que o meio ambiente tem influência decisiva
no desenrolar da doença.
Fundador da Hearthstone Alzheimer Care, um
centro para cuidados de Alzheimer, nos EUA, Zeisel
desenvolveu uma cartilha de arquitetura
comportamental, que visa melhorar a vida dos
pacientes por meio de alterações no projeto
arquitetônico. "O ambiente, assim como a química,
afeta o cérebro", diz Zeisel.
O primeiro aspecto a se pensar, segundo a
arquiteta Luana Radesco, do Hiléa, centro para
cuidados de Alzheimer, em São Paulo, é:
A iluminação da casa - "Idosos são sensíveis à luz, por
isso, é bom ter controle sobre ela." Luz natural é
importante, mas deve ser passível de controle,
através de cortinas.
Evitar pisos brilhantes é outra regra importante, pois
os pacientes poderão pensar que se trata de um chão
escorregadio.
As portas, bem iluminadas, devem ter as fechaduras
destacadas.
Se o ambiente tem jardim, valorize-o, para que o
idoso possa visualizá-lo e se sentir atraído a visitar
aquele cantinho.
"Em alguns casos, as mudanças podem fazer com que o uso
de calmantes seja diminuído", diz Zeisel.
CUIDANDO DE UMA PESSOA ACAMADA
Uma pessoa que esteja doente demais para se
levantar precisa de uma atenção especial. O corpo
enfraquece se a pessoa permanecer acamada por
muito tempo.
 Assegure-se de que a pessoa permaneça
em um quarto bem arejado e iluminado.
 Dê banho à pessoa todos os dias, usando
uma bacia e uma toalha. Mude a pessoa de
posição várias vezes ao dia, para evitar o
aparecimento de feridas.
Roupas e lençóis sujos ou molhados irritam a pele
e podem causar infecções. Se uma pessoa acamada
não tiver um controle completo das suas funções
fisiológicas, faça o seguinte:
 Coloque um pedaço de plástico coberto com
uma toalha macia no meio da cama e troque a
toalha quando estiver molhada.
 Tenha sempre uma comadre próxima à cama e
anime a pessoa a usá-la freqüentemente.
 Prenda uma toalha ao redor da pessoa e
troque-a quando estiver suja.
 Sempre que possível, ajude a pessoa a sentar-
se e a caminhar o mais breve possível.

PROBLEMAS DA PELE
 Geralmente a pele das pessoas idosas é
mais fina e seca e pode dar bastante
coceira. O óleo de coco fresco ou vaselina
podem ser úteis. Pode-se usar um
sabonete suave ao invés de sabonetes
comuns, os quais podem ser muito fortes.

PREVENÇÃO DE ACIDENTES
Ao envelhecerem, algumas pessoas começam a
perder o equilíbrio. Elas podem cair e se machucarem
mais facilmente. Os ossos das pessoas idosas podem
se quebrar mais facilmente.
Coloque um corrimão ao lado das escadas ou ao
redor das paredes da casa. Pense como os idosos
poderiam caminhar mais facilmente.
A instalação de suportes no banheiro para que as
pessoas se apóiem, poderá evitar quedas. Um penico
ou comadre deve permanecer próximo da cama para as
pessoas que têm dificuldade de locomoção ou que não
enxergam bem, pois assim, elas não precisam
caminhar muito para irem ao banheiro.
SURDEZ
Ao comunicar-se com uma pessoa que tenha
dificuldades para ouvir, fale claramente, olhando no seu
rosto para facilitar a compreensão.
FALECENDO
Algumas pessoas muito idosas não querem tomar
remédios ou ir para um hospital, quando adoecem. Elas
dizem que estão prontas para se ‘encontrar com Deus’.
Este desejo deve ser respeitado e discutido com um
profissional de saúde ou médico. Nunca é fácil cuidar
de um parente que esteja morrendo. A família não deve
ter receio de discutir sobre a morte de uma maneira
amável e sensível, bem como pensar em fazer
preparativos após o falecimento de parentes que
estejam muito doentes.
Acidentes na terceira idade são eventos freqüentes
e geralmente acabam tendo como conseqüências,
danos físicos irrecuperáveis e até a morte.
Cerca de 75% dos acidentes com idosos ocorre
dentro de casa. Os acidentes aumentam com a idade e
na maior parte dos casos é originada por quedas ao
solo. As quedas ocorrem com mais freqüência entre o
quarto e o banheiro, dentro do ambiente domestico; ao
atravessar as ruas e ao subir nos ônibus ou se
locomoverem dentro deles.
Estas quedas têm na fratura do fêmur a sua
principal e mais grave conseqüência. A diminuição da
visão, diminuição dos reflexos e da coordenação, o que
provoca uma maior tendência a síncopes (perda súbita
e momentânea da consciência) e os efeitos adversos
de medicamentos, principalmente os tranqüilizantes, e o
alcoolismo são as principais causas de quedas do
idoso.
Alem das quedas, os acidentes com idosos
incluem:

 Ferimentos com facas de cozinha


(principalmente ao cortar peixe congelado
ou carne com faca afiada);
 Queimaduras devidas à manipulação
desajeitada com produtos inflamáveis ou a
diminuição das faculdades sensoriais, como
a perda da sensibilidade ao calor, ou a
perda do olfato;
 Os acidentes de transito constituem
também causas importantes de acidentes na
terceira idade.

Estatisticamente tem se observado que 30% dos


idosos apresentam um episódio de queda ao solo com
ferimento, a cada ano, o que representa um grande
fator de limitação de qualidade de vida e um grande
custo assistencial.
Cerca de 8% de todas as pessoas com mais de 60
anos procuraram um atendimento de emergência por
trauma em cada ano, e 30% destas pessoas atendidas
devem ser hospitalizadas em decorrência disto.
Os casos de maior gravidade, cerca de 10% dos idosos
que sofreram um trauma, virão a falecer em decorrência
do trauma.
Com algumas medidas simples e modificações
fáceis de serem executadas, podemos tornar nossos
lares mais seguros e adaptados aos moradores mais
velhos contribuindo para a diminuição das quedas.
PASSO -A- PASSO:
1. A cama não deve ser muito alta. Deve ter uma
altura entre 50 e 55 centímetros, para que a pessoa
possa firmar bem os pés antes de se levantar.

2. Os interruptores precisam ficar ao alcance da


pessoa na cama para que ela não tenha que se
movimentar no escuro antes de acender a luz.

3. O piso precisa ser antiderrapante e os tapetes


fixos no chão.

4. Barras de apoio no banheiro tanto no vaso como


dentro do box são fundamentais para evitar queda.

5. Os degraus devem ser substituídos por rampas de


inclinação leve. Toda escada tem que ter corrimão e
proteção antiderrapante e os beirais dos degraus
devem ser pintados com cores berrantes, como
laranja ou amarelo. O idoso deve ser orientado a
descer as escadas de lado, sempre mantendo a mão
mais firme no corrimão.

6. As tomadas devem ficar na altura dos


interruptores para evita que as pessoas tenham que
se abaixar muito para alcançá-las.

7. Os móveis devem ser adaptados para serem de


fácil alcance e devem ter os seus cantos
arredondados. Mesas ou outros móveis que sejam
muito utilizados como apoio, devem ser fixados às
paredes. A casa deve ter o mínimo de móveis
possível, afim de que os espaços livres fiquem
maiores. Os sofás devem ter braços largos para
ajudar os movimentos de se levantar e se sentar.

8. Adapte as cadeiras. Todas devem ter braços


laterais de apoio e encosto.

9. As prateleiras não devem se nem muito altas ou


baixas para evitar que a pessoa tenha que se esticar
ou abaixar para pegar algo.

10. Adapte as maçanetas, se necessário. Todas


devem ser de fácil manuseio, e as portas não devem
ficar trancadas.

11. Ilumine bem todos os ambientes da casa

12. O ideal é que sempre haja alguém em casa, pois


caso aconteça algo, ela poderá prestar ajuda.

QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE


A qualidade de vida na Terceira Idade pode ser
definida como a manutenção da saúde, em seu maior
nível possível, em todos os aspectos da vida humana:
físico, social, psíquico e espiritual (Organização Mundial
de Saúde, 1991).
Do ponto de vista físico, o fator mais importante na
manutenção da saúde é o cuidado com a alimentação –
existe até um ditado popular que versa sobre o assunto:
somos o que comemos... Uma alimentação saudável
implica em suprir o organismo com todos os nutrientes
de que ele necessita para o seu bom funcionamento e
para a conservação de um peso estável, fatores
importantes na prevenção de várias doenças.
Visitas regulares ao médico são fundamentais para
prevenir, diagnosticar e tratar possíveis doenças que
possam diminuir a qualidade de vida.
A prática regular de atividades aeróbicas e
exercícios, sempre de acordo com as limitações físicas
e com orientação especializada, contribui para a
conservação da saúde.
A atividade sexual, outro fator importante na
manutenção da saúde, deve ser mantida, pois o idoso
não perde a sua função sexual. A impotência sexual
masculina pode ter um componente orgânico
(problemas circulatórios e diminuição da sensibilidade
na região do pênis, por exemplo), mas em grande parte
das vezes em que ocorre, ela é de cunho emocional:
por sentir-se velho, por não possuir mais os atributos
sexuais de outrora e por considerar-se não tão viril e
atraente para o sexo oposto como antigamente, o idoso
torna-se angustiado e depressivo e, conseqüentemente,
impotente.
As mulheres idosas costumam rejeitar as atividades
sexuais em função de, ao longo de suas vidas, não
terem sido estimuladas de forma satisfatória por seu(s)
companheiro(s), tendo praticado sexo de forma
mecânica e não prazerosa, não atingindo, muitas
vezes, o orgasmo.
É importante salientar que os valores associados à
atividade sexual, nesta fase da vida, são diferentes dos
jovens: o que importa não é a virilidade, a
quantidade de ejaculações ou orgasmos, mas a
intimidade, a sensação de aconchego, o afeto, o
carinho.
A depressão, uma das principais doenças mentais
na população idosa, é de difícil reconhecimento e
diagnóstico, uma vez que a sociedade, de um modo
geral, encara como um fato normal à velhice. Puro
preconceito!
As causas da depressão ainda são desconhecidas,
mas acredita-se que vários fatores – biológicos
psicológicos e sociais – atuando de forma
concomitante, desencadeiem a doença. O
acompanhamento psicoterápico como complemento ao
tratamento medicamentoso, propicia a recuperação da
qualidade de vida do idoso.
A preparação para as grandes mudanças na vida
decorrentes da aposentadoria e da perda de amigos
e familiares é de suma importância para a saúde
psicológica, assim como um contato familiar
constante e a preservação e manutenção da
autonomia, independência e dignidade do idoso.
Saber usufruir de todos os momentos de lazer, a
interação social e o desenvolvimento de hobbies e
interesses diversos colaboram para que a mente
mantenha-se ativa e saudável.
É importante que o idoso seja respeitado como ser
humano que é, mesmo com todas as limitações
inerentes a sua idade!
Se já não possui a vitalidade da juventude, por
outro lado tem o conhecimento adquirido através
das experiências ao longo de toda uma vida. A
partilha desses conhecimentos com as novas gerações
proporciona ao idoso a possibilidade de manter-se
integrado à sociedade.
Esta integração é de suma importância para o idoso,
uma vez que um de seus maiores prazeres consiste em
relatar fatos acontecidos em sua vida e perceber que as
pessoas que o cercam dão-lhe a atenção devida.
Qualidade de vida é, portanto, a soma de todos
esses fatores acima citados, mas, principalmente, a
preservação do prazer em todos os seus aspectos...
O prazer de ter um corpo saudável e a aceitação de
seus limites, o prazer de interagir em sociedade, o
prazer da satisfação dos desejos na medida do possível
e aceitável, o prazer de compartilhar e de aprender...
Porque viver implica em manter-se num
processo de aprendizagem eterno...
Como dizia a minha avó: "Quando eu morrer, não
terei aprendido nem metade do que eu gostaria de
saber..."

Dra. Olga Inês Tessari


Psicóloga – Psicoterapeuta – Pesquisadora
CRP 06/19571-6
e-mail:otessari@hotmail.com

Assim, segundo (PIRES et al., 2002; BARBOSA, 2001;


BONACHELA, 1994; KRASEVEC & GRIMES; POWERS &
HOWLEY, 2000; SILVA & BARROS, 1996) as capacidades
físicas, as modificações anatomo-fisiológicas, as
alterações psicos-sociais e cognitivas, são regredidas
ao decorrer do processo de envelhecimento, bem
como:

 Capacidades Físicas - há uma diminuição de:


coordenação motora grossa e fina, habilidades,
equilíbrio, esquema corporal, visão e audição;
 Modificações Anatomo-fisiológicas - hipotrofia
cerebral e muscular, diminuição da elasticidade
vascular e muscular, concentração de tecido
adiposo, tendência à perda de cálcio pelos ossos,
desvios de coluna, redução da mobilidade
articular, altura, densidade óssea, volume
respiratório, resistência cardio-pulmonar,
freqüência cardíaca máxima, débito cardíaco,
consumo máximo de oxigênio e mecanismos de
adaptação (hermodinâmicos,
termorreguladores,imunitários e hidratação),
insuficiência cardíaca;
 Função Cognitiva - é expressa pela velocidade
de processamento das informações, assim
influenciadas pela quantidade de motivação e
estimulação. Com isso, só sofrerá negativas se
não for estimulada.
 Alterações Psicossociais - ocorre, a diminuição
da sociabilidade, a depressão, mudanças no
controle emocional, isolamento social e baixa
auto-estima, ocasionadas pela aposentadoria, pela
dificuldade auditiva, visual e motora, pela
síndrome do ninho vazio (saída dos filhos, de
casa), pela impotência sexual, entre outras.

Essas alterações podem ocasionar patologias físicas


e psíquicas. Cabe aos educadores físicos usarem a
profissão para minimizar e prevenir estas alterações,
tornando-os indivíduos/idosos mais saudáveis, aptos,
dispostos, independentes, reintegrados, com melhores
condições de vida, valorizando-se e sendo valorizado.

PIRES et al. (2002) consideram que, a velhice


sempre é vista como um período de decadência física e
mental. É um conceito equivocado, pois muitos cidadãos
que chegam aos 65 anos, já que esta é a idade oficializada
pela Organização das Nações Unidas, como limite entre
fase adulta e velhice, ainda são completamente
independentes e produtivos. Acreditamos na decadência
sim, mas da sociedade que perde, não dando valor ou
criando espaços adequados para as necessidades de
nossos velhos. A população idosa, em nosso país, cresce a
cada dia e com ela as dificuldades e as necessidades de
adequar soluções eficientes, junto aos órgãos públicos,
com o objetivo de tornar digna a vida de nossos idosos.
Na elaboração de um programa de exercícios físicos
é importante ter o conhecimento específico sobre a faixa
etária em que o indivíduo está inserido e sobre as
modificações que ocorrem neste período, além de
considerar também as peculiaridades individuais. Neste
sentido, diversos autores têm procurado apontar alterações
decorrentes do processo de envelhecimento, bem como as
implicações dessas alterações na elaboração e supervisão
desses programas.

O envelhecimento é um processo que, do ponto de


vista fisiológico, não ocorre necessariamente em paralelo
ao avanço da idade cronológica, apresentando
considerável variação individual; este processo surge
acompanhado por uma série de modificações nos
diferentes sistemas do organismo, seja a nível
antropométrico, muscular, cardiovascular, pulmonar, neural
ou de outras funções orgânicas que sofrem efeitos
deletérios, além do declínio das capacidades funcionais e
modificações no funcionamento fisiológico (FARO JR.,
LOURENÇO & BARROS NETO, 1996a, 1996b; YAZBEK &
BATISTELLA, 1994; MATSUDO & MATSUDO, 1993;
SKINNER, 1991; MCARDLE,, KARTCH & KARTCH, 1986).

O envelhecimento é marcado por um decréscimo das


capacidades motoras, redução da força, flexibilidade,
velocidade e dos níveis de VO2 máximo, dificultando a
realização das atividades diárias e a manutenção de um
estilo de vida saudável (MARQUES, 1996).

Ocorrem alterações fisiológicas durante o


envelhecimento que podem diminuir a capacidade
funcional, comprometendo a saúde e qualidade de vida do
idoso.

Essas alterações acontecem:


 Sistema cardiovascular sistema respiratório com
a diminuição da capacidade vital, da freqüência e
do volume respiratório;
 Sistema nervoso central e periférico, onde a
reação se torna mais lenta e a velocidade de
condução nervosa declina e;
 Sistema músculo-esquelético pelo declínio da
potência muscular, não só pelo avanço da idade
mas pela falta de uso e diminuição da taxa
metabólica basal (FARO JR., LOURENÇO &
BARROS NETO, 1996c; MATSUDO & MATSUDO,
1992; SKINNER, 1991).

Antes de iniciar qualquer tipo de exercício,


considera-se importante que o idoso seja submetido a uma
avaliação médica cuidadosa, constando preferencialmente
de um teste de esforço para prescrição do programa.

A partir do reconhecimento desses fatores é possível


compreender que o idoso é relativamente mais fraco, mais
lento e menos potente; verificando-se com o avanço da
idade uma redução no desempenho que requer regulação
do sistema nervoso, como no caso do equilíbrio e do tempo
de reação (SKINNER, 1991).

Cuidar de um idoso não é só lhe fazer companhia;


não é só lhe dar os remédios na hora prescrita; não é
só lhe servir as refeições (e, em alguns casos, ajudá-
los a comer) e não é só lhe medir a pressão arterial ou
verificar a temperatura.

Cuidar de um idoso é também dar atenção as suas


longas conversas, que podem ser cansativas; é
também levá-lo, quando possível, a passeios ou a
desenvolver atividades que lhe dão prazer; é também
dar carinho, amor e se doar.
Em alguns países, é recomendado que as férias dos
cuidadores sejam diferenciadas, pois o seu papel pode ser
muito estressante, demanda muita atenção, dedicação e
responsabilidade.

Por isso, quando se escolhe uma pessoa (ou quando


somos escolhidos) para cuidar efetivamente de um idoso
devemos ter em mente que é alguém tão ou mais especial
que a pessoa a ser cuidada para que possa exercer a sua
função com muito esmero.

Certifique-se que o cuidador realmente tem


condições físicas e psíquicas para o bom desempenho
da tarefa, se é alguém dotado de muita paciência, se está
habilitado a reconhecer as principais alterações orgânicas
em decorrência de doenças e se sabe ler (para não dar o
remédio errado, por exemplo).

DOENÇA DE ALZHEIMER

FASE INICIAL

Sem dúvida, é a mais crítica das fases, uma vez que


determinados sintomas iniciais são indulgentemente
suportados e explicados pelos familiares como “parte do
processo natural do envelhecimento” e dessa forma
subvalorizados, protelando-se a investigação
diagnóstica.
É consenso que, se bem que não haja tratamento
curativo para a doença de Alzheimer, o diagnóstico
precoce é fundamental no retardamento do
aparecimento de complicações e na instituição
imediata da terapêutica farmacológica disponível.

É, portanto, de vital importância que os sintomas


iniciais sejam valorizados, na tentativa de se
estabelecer um diagnóstico de probabilidade o mais
precocemente possível, o que infelizmente não é o
observado na prática diária.

Teoricamente essa fase dura de 2 a 4 anos.

O começo das alterações é lento e o paciente,


especialmente os de bom nível intelectual e social,
adaptam-se a determinadas deficiências com alguma
facilidade fazendo com que não se perceba ou não se
valorizem demais determinadas alterações.

A intimidade do dia-a-dia, a vida atribulada das


grandes cidades, entre outros fatores, especialmente
as de origem sócio-cultural, colaboram com a
aceitação pelos familiares de determinadas perdas e
alterações comportamentais, especialmente quando se
trata de pacientes idosos.

A primeira e mais característica marca do início da


doença está relacionada com o comprometimento da
memória recente ou de fixação. Essas alterações não
são constantes e se apresentam como falhas
esporádicas de memória que se repetem com
freqüência variável, sem constância.

Nesta fase, também se iniciam os episódios de


desorientação espacial, especialmente em lugares
desconhecidos podendo também ocorrer alterações na
orientação temporal. Todas essas alterações, no entanto,
como não se repetem com freqüência preocupante, são
entendidas como fato natural, em virtude do avanço da
idade, nervosismo e outras desculpas relacionadas com o
cotidiano.

As alterações comportamentais costumam


acompanhar essa evolução e, lenta e gradualmente, vai
havendo uma mudança no padrão habitual de
comportamento.

Dois grupos de comportamento são bastante


conhecidos:

 Um pela apatia, passividade e desinteresse;


 Outro onde a irritabilidade, egoísmo, intolerância e
agressividade são características. Indivíduos
gentis tornam-se rudes e agressivos, egoístas e
obstinados, desagradáveis e inflexíveis.

Nos casos onde a apatia é predominante, é


imprescindível que se faça um diagnóstico diferencial
com depressão (pseudodemência) e com a doença de
Pick.

A doença de PICK é neurodegenerativa fronto-


temporal rara. Causa aproximadamente 0,4-2% de toda a
demência e afeta mais mulheres que homens.

Além disso, esta desordem causa destruição


progressiva de células nervosas no cérebro e causa
acumulação de proteínas tau nos "corpos" de Pick, que é
uma característica defininda da doença.

Em média, a doença de Pick acontece a uma


idade um pouco mais jovem que doença de Alzheimer.
Na doença de Pick, os primeiros sintomas se aparecem
tipicamente na idade adulta, em pessoas entre 40-60 anos.
Porém, pode acontecer em adultos de qualquer idade.
Sintomas incluem afasia, depressão, irritabilidade,
agressão, paranóia, comportamento infantil, etc.

Costuma-se dizer que a doença de Alzheimer


enfatiza as características da personalidade prévia,
especialmente as negativas.

A associação freqüente de sintomas depressivos com a


doença de Alzheimer está comprovada.

As alterações da memória e da orientação espacial


causam estados depressivos que se manifestam por apatia
e desinteresse pelas tarefas e atividades até então
normalmente desempenhadas e inseridas no cotidiano
recente. Essa alteração do estado de ânimo tem sido
associada com a percepção que o indivíduo tem de suas
dificuldades, que tendem a se agravar, nunca
apresentando melhora.

O tratamento medicamentoso da depressão


melhora substancialmente o quadro demencial. Os
sintomas mais marcantes dos estados depressivos são a
apatia ou agitação, alteração do sono com insônia e
inapetência.

A hipocondria (MEDO DE DOENÇA) também se


agrava. Passam a valorizar mais o seu próprio corpo e
fazem uma verdadeira peregrinação pelos consultórios,
com queixas vagas e inconsistentes.

As alterações de comportamento e conduta


costumam ser desencadeadas por algum fato concreto.
Esse fato pode estar ligado ao ambiente, mudanças
bruscas de costumes e situações estressantes. Como
resposta a esses estímulos, os pacientes reagem
desproporcionadamente com relação ao fato em si, tornam-
se irrequietos, xingam, chegando até à agressão física.

Essa fase é muito difícil para quem convive com o


paciente, pois, em virtude dos períodos de bom convívio,
bom desempenho social e intelectual e aparente boa saúde
física, as explosões de ânimo ou as mudanças bruscas
e inexplicáveis de comportamento são altamente
angustiantes.

A dificuldade de comunicação também pode estar


presente, com dificuldades em encontrar as palavras
adequadas. A duração das frases se altera e apresentam
dificuldades com a gramática. Os distúrbios do sono,
com inversão de horários e as alterações com o
pensamento abstrato podem se manifestar já na fase
inicial, marcando uma fronteira na passagem para a fase
intermediária.

Na comunicação e linguagem, constata-se com


freqüência a ocorrência de pausas inadequadamente
longas entre as frases ou mesmo dentro delas. Outro
fato comum é o paciente esquecer momentaneamente
uma palavra e só após grande esforço e concentração
terminar por encontrá-la.

As medidas a adotar nestes casos são intuitivas e


racionais: dar-lhes tempo para que encontrem a palavra
desejada, não os pressionando, acalmando-os e
fornecendo-lhes algumas pistas, quando se nota que será
difícil que resolvam o problema sem ajuda.

A atitude do cuidador é fundamental. Uma postura


calma e segura gera no paciente um sentimento de
segurança, alivia a tensão e resulta em melhores
respostas.

O futuro incerto e a não-aceitação das perdas de


certas habilidades do paciente são fatores que
contribuem para que o cuidador se sinta ansioso e
angustiado, formando assim um círculo vicioso, onde
o paciente pressionado não responde bem, o cuidador
se angustia e o pressiona; o paciente pressionado
piora cada vez mais as respostas e o cuidador se
angustia mais e mais.

FASE INTERMEDIÁRIA

Pode durar de 3 a 5 anos e caracteriza-se


fundamentalmente pelo agravamento dos sintomas
apresentados na fase inicial.Esta fase está correlacionada
com o comprometimento cortical do lobo parietal afetando
as atividades instrumentais e operativas.

Instalam-se nesta fase as:

 Afasias (perda do poder de expressão pela fala,


pela escrita ou pela sinalização ou da capacidade
de compreensão da palavra escrita ou falada e
sem alteração dos órgãos vocais);
 Apraxias (incapacidade de executar os
movimentos apropriados para um determinado fim,
contanto que não haja paralisia);
 Agnosias (perda do poder de reconhecimento
perceptivo sensorial, auditivo, visual, táctil etc.)

Outra característica que marca a fase intermediária


tardia é o início das dificuldades motoras.

A marcha pode estar prejudicada, com lentificação


global dos movimentos, aumento do tônus muscular,
diminuição da massa muscular e conseqüentes
reflexos na aparência física pelo emagrecimento.
As diminuições dos movimentos dos membros
superiores ao andar e instabilidade postural são as
alterações mais encontradas.

As queixas de roubo de objetos e de dinheiro, total


desorientação têmporo-espacial, dificuldades para
reconhecer cuidadores e familiares, suspeita de
conspiração para ser enviado a asilo e o desenvolvimento
de atividades totalmente desprovidas de objetivos (abulia
cognitiva) são características da fase intermediária.

É comum apresentarem-se quadros de agitação e


alucinações, que acometem praticamente a metade dos
pacientes demenciados. A agitação psicomotora, ilusões e
as alucinações relacionam-se diretamente com o grau de
severidade da demência.

Uma advertência necessária: apesar de que estas


manifestações possam fazer parte da evolução da
doença de Alzheimer, é imperativo fazer-se a distinção
entre a evolução natural da instalação destas
alterações com doenças subjacentes que possam estar
intercorrendo.

A repetição de frases e palavras, sem interrupção e


sem nexo também costuma estar presente. As frases, via
de regra, são curtas, incompreensíveis e mal
construídas.

Perdem nessa fase a capacidade de ler e de entender


o que lhes é dito ou pedido, especialmente se recebem
ordens complexas ou perguntas com opção de respostas.
O paciente pode responder afirmativamente a uma
pergunta do tipo:

 “Você quer uma maçã?”, porém encontrará


dificuldade de se decidir.
 Se for perguntado se quer uma maçã ou uma
laranja. Ao invés de responder ou tentar
decifrar o enigma que se apresenta para ele,
costuma ignorar e continuar da mesma
maneira que se comportava imediatamente
antes de ser questionado.

A iniciativa está abolida ou seriamente prejudicada. O


paciente não costuma perguntar ou solicitar objetos e/ou
ações. O vocabulário estará na maioria das vezes limitado
a poucas palavras e à medida que evolui para a fase final
fica ainda mais restrito, passando a utilizar apenas as
palavras básicas.

Desenvolve nessa fase grande sentimento de


possessividade. A dificuldade em aceitar novas idéias ou
mudanças traduz-se por agitação psicomotora e
agressividade.

Perdem nessa fase a capacidade de cálculo,


pensamento abstrato e de julgamento. A apatia e
inafetividade também se manifestam ou se agravam.

A memória anterógrada também estará prejudicada, a


vagância geralmente associada à confabulação (falar
só) se instala. O fato de falar só é teorizado por alguns
autores como uma tentativa de manter um elo com a
realidade através de algumas recordações antigas.

Pode se perder, mesmo dentro de casa, uma vez que


sua concentração e sua orientação no tempo e no espaço
estão já a essa altura bastante prejudicadas. As tarefas
solicitadas verbalmente dificilmente são atendidas.

Os tremores e movimentos involuntários costumam


ser observados, especialmente os tremores de
extremidades e movimentos bucolinguais.

Nesta fase o paciente já se encontra em total estado de


dependência, necessitando de supervisão e cuidados
diuturnos. Podem, em alguns casos, realizar determinadas
tarefas extremamente simples, porém são incapazes de
sobreviver sem ajuda.

FASE FINAL

A duração desta fase varia de acordo com alguns


fatores. Quanto mais cedo a doença se instala mais rápida
costuma ser a evolução. Outro fator determinante, não
apenas nesta fase, como também na fase inicial e
intermediária, diz respeito aos aspectos preventivos e aos
cuidados recebidos pelos pacientes.

Pacientes bem cuidados, que foram tratados com


os medicamentos adequados e tiveram boa orientação
familiar apresentam uma melhor qualidade de vida e o
aparecimento de complicações é significativamente
mais tardio.

Pacientes que apresentam já na fase inicial


distúrbio de linguagem, alucinações e manifestações
como tremores e movimentos involuntários costumam
evoluir pior e mais rapidamente.

Nesta fase a memória antiga estará bastante


prejudicada e às vezes totalmente comprometida. A
capacidade intelectual e a iniciativa estarão seriamente
prejudicadas ou totalmente deterioradas.

O estado de apatia e prostração, o confinamento ao


leito ou à poltrona, a incapacidade de se expressar, quer
por fala ou mímica e especialmente a incapacidade de
sorrir são características desta fase.

As alterações neurológicas se agravam: a rigidez


aumenta consideravelmente e os movimentos estarão
lentificados e por vezes estereotipados.
As convulsões, assim como o aparecimento de
tremores e de movimentos involuntários, também são
mais freqüentes nesta fase.

A indiferença ao ambiente e a tudo que o cerca,


alternadas com alto grau de agitação psicomotora e o
aparecimento de incontinência urinária e fecal trazem,
nesta fase, grande carga de cuidados. O paciente torna-se
totalmente dependente, podendo chegar à manipulação de
fezes e a coprofagia (COMER FEZES).

Quando os indivíduos ainda possuem alguma reserva


motora, as quedas acidentais com fraturas ocorrem com
maior freqüência.

Passam a não reconhecer as pessoas mais


próximas e podem até mesmo não se reconhecerem
quando colocados em frente ao espelho.

Podem apresentar hiperfagia (alimentação em


excesso), aparecem as úlceras por pressão, devido a
permanências no leito ou poltrona, por longos períodos de
tempo, mesmo adequadamente cuidados.

Invariavelmente, caminham para um estado de


acamamento com suas previsíveis e temíveis
complicações, marcando assim a transição para a fase
terminal.

FASE TERMINAL

Esta fase caracteriza-se por restrição ao leito/poltrona,


praticamente durante todo o tempo.
Acabam por adotar a posição fetal. As contraturas
dos membros inferiores tornam-se inextensíveis e
irrecuperáveis.

Os membros superiores adotam posição fletida


junto ao tórax e a cabeça pende em direção ao peito. A
coluna também se flexiona e o paciente adota uma
posição conhecida como paraplegia em flexão ou
posição fetal.

Podem surgir lesões nas palmas das mãos, por


compressão destas pelos dedos flexionados; grandes
úlceras por pressão, preferencialmente localizadas nas
regiões trocantéricas, maléolos externos, região sacra,
cotovelos, calcanhares e até mesmo nos pavilhões
auriculares; incontinência urinária e fecal, total indiferença
ao meio externo (só respondendo a estímulos dolorosos);
mutismo e estado vegetativo.

Alimentam-se por sucção, sendo muitas vezes


necessário o uso alternativo de alimentação enteral (por
sonda). OBS: parenteral é através de acesso venoso
central.

Na metade dos casos a morte sobrevém em um ano,


devido a processos infecciosos, cujos focos
preferenciais são o pulmonar e o urinário.

É importante ressaltar que, mesmo com os cuidados


adequados, alguns pacientes acabam por atingir essa triste
condição, porém é certo também que se os cuidados forem
adequados isso deverá ocorrer mais tardiamente.

SUBTIPOS
São conhecidos quatro subtipos de doenças de
Alzheimer que se relacionam com a evolução.

a) Benigno: cuja característica principal é a evolução


lenta;

b) Mioclônico: (movimentos involuntários), apresentam


evolução rápida, com mutismo precoce (associado a
esquizofrenia, a isolamento);

c) Extrapiramidal: onde o declínio das funções


operativas e intelectuais associa-se com marcantes
alterações psicóticas;

d) Típico: evoluem com deterioração gradual sem outros


sinais característicos.

CONCLUSÃO

Esta divisão por fases tem efeito didático e é


estabelecida através de escores e métodos de valoração da
dependência. Não há fronteiras bem definidas entre elas
e alguns pacientes costumam evoluir de maneira
bastante particular.

A duração das fases e a sobrevida destes pacientes são


bastante variáveis. Acredita-se que a sobrevida em geral
duraria em torno de 5 a 8 anos, porém conhecem-se
casos com mais de 20 anos de evolução.

Para se explicar essas diferenças com relação à


gravidade da evolução, alguns aspectos devem ser levados
em conta:
 O primeiro estaria diretamente ligado à qualidade
dos cuidados prestados ao paciente e a terapêutica
adequada introduzida precocemente retardando o
aparecimento das complicações previsíveis e aumentando
significativamente não apenas a quantidade de vida como
também a sua qualidade.
 O segundo estaria ligado a características da
própria doença, de acordo com os subtipos da doença de
Alzheimer.

Síntese dos Sintomas – Fases

Na fase inicial os sintomas mais importantes são:

 Perda de memória, confusão e desorientação.


 Ansiedade, agitação, ilusão, desconfiança.
 Alteração da personalidade e do senso crítico.
 Dificuldades com as atividades da vida diária como
alimentar-se e banhar-se.
 Alguma dificuldade com ações mais complexas
como cozinhar, fazer compras, dirigir, telefonar.

O tratamento disponível atualmente nos permite basear


a estratégia terapêutica em três pilares:
 Melhorar a cognição;
 Retardar a evolução;
 Tratar os sintomas e as alterações de
comportamento.

A terapia colinérgica é a mais utilizada podendo


inclusive melhorar efetivamente a cognição e a
funcionalidade em um grupo restrito de pacientes, cerca de
20% a 33%.

Alguns autores propõem que essa terapia deve ser


iniciada logo que os primeiros sintomas apareçam,
mesmo que o processo demencial ainda não esteja
completamente instalado retardando o curso natural da
enfermidade.
O tratamento colinérgico visa melhorar a transmissão
colinérgica a nível cerebral. O nível de acetilcolina
(neurotransmissor decisivo no desempenho cognitivo) está
diminuído na doença de Alzheimer (DA) por diminuição
de produção ou por excessiva destruição pela ação da
enzima acetilcolinesterase.
Dessa forma os sintomas poderiam ser melhorados
com o uso de agonistas colinérgicos (MESMO EFEITO
DA ACETILCOLINA) ou por inibidores colinesterásicos
(EVITANDO QUE DESTRUA A ACETILCOLINA), ambos
aumentando a atividade colinérgica.

SINAIS DE ALERTA

 Piora súbita do estado geral


 Sonolência
 Mudança brusca do comportamento habitual
 Febre
 Mudança de peso
 Alterações do apetite
 Alterações do hábito intestinal
 Cianose
 Tosse produtiva
 Falta de ar
 Urina escura/mal cheirosa
 Incontinência urinária
 Incontinência fecal
 Distúrbios súbitos do aparelho locomotor

PNEUMONIA
A pneumonia é a doença que geralmente causa a
morte do paciente. Vários fatores contribuem e facilitam
essa terrível complicação.

Ao contrário do paciente adulto jovem, a pneumonia,


especialmente naqueles mais idosos, não costuma se
apresentar de modo clássico, com febre alta, tosse
produtiva, catarro amarelado (purulento), dores nas costas
e prostração.

Pode ocorrer de maneira absolutamente silenciosa,


e às vezes apenas uma alteração no padrão de
comportamento nos leva a cogitar essa possibilidade.

Alguns fatores contribuem de modo decisivo na


instalação deste quadro infeccioso de alta mortalidade.

Sabemos que a tosse é um mecanismo de defesa


do organismo promovendo a limpeza dos pulmões, por
eliminação de secreções.

 Nos pacientes demenciados e especialmente


em pacientes idosos, esse mecanismo
encontra-se prejudicado, promovendo o
acúmulo de secreções e facilitando, desta
forma, a instalação de uma infecção pulmonar.

Sabemos ainda que o estado de sub-hidratação


promove um espessamento das secreções,
dificultando a higiene brônquica.

A inatividade também dificulta a mobilização das


secreções pulmonares e sua conseqüente eliminação.

Outro fato relevante é que certos pacientes


apresentam distúrbios no mecanismo de deglutição,
engasgam constantemente e acabam por aspirar os
alimentos (especialmente os muito liquefeitos), causando
a pneumonia conhecida como aspirativa.
Doenças crônicas e debilitantes que resultam em
estados inadequados de nutrição levam também à
diminuição da defesa imunológica facilitando a instalação
de processos infecciosos.

Algumas medidas são realmente eficazes na prevenção


das infecções respiratórias.

INCONTINÊNCIAS

Incontinência é a impossibilidade neuromuscular


de controlar a micção (incontinência urinária), a
evacuação (incontinência fecal) ou ambos (conjunta,
mista ou associada), fazendo com que o paciente perca
urina e/ou fezes involuntariamente, causando
constrangimento aos pacientes que ainda conservam
algum discernimento.

Ao lado das úlceras por pressão, a incontinência


também é uma temível complicação que afeta tragicamente
a qualidade de vida do paciente resultando em enorme
sobrecarga física e emocional ao cuidador.

INCONTINÊNCIA PERMANENTE

Esse tipo de incontinência normalmente está


relacionado com o comprometimento neurológico. Nas
fases mais adiantadas da doença de Alzheimer, por
comprometimento do sistema nervoso central, a bexiga
contrai-se subitamente, sem aviso, esvaziando-se
completamente. Esse fato é conhecido como
hiperatividade detrussora ou supercontração da
musculatura vesical.

O exame físico detalhado inclui o toque retal, para


possível detecção de impactação fecal, avaliação da
próstata no homem e exame ginecológico completo nas
mulheres. De posse destes dados, os exames
complementares necessários para descartar a
incontinência transitória serão solicitados.

A avaliação urodinâmica compreende a cistometria,


eletromiograma, avaliação de fluxo urinário e avaliação
radiológica. As avaliações sofisticadas devem ser
reservadas aos casos em que, após os procedimentos
citados, a causa de incontinência continua desconhecida e
as terapias propostas falharam.

Na fase inicial da doença de Alzheimer se houver


incontinência, o simples fato de conduzir ou estimular
o paciente a urinar com maior freqüência, apresenta
bons resultados.

Uma avaliação rigorosa deve incluir um registro


detalhado do histórico da incontinência, horários,
freqüência, severidade, duração, medicamentos em uso,
diabetes, dor / ardor ao urinar, coloração e cheiro da urina,
histórico de cálculo renal etc.

ESCLEROSE MÚLTIPLA
CONCEITO
Doença neuroimunológica (que envolve o sistema
nervoso e de defesa) de causa desconhecida que apresenta
lesões no Sistema Nervoso Central (SNC). Caracteriza-se por
surtos periódicos e tende a piorar a cada crise. Pode também
ser progressiva, com piora constante. Lesa a mielina, camada
que recobre o nervo e liga o cérebro ao corpo.

ESTATÍSTICA
10 em cada 100 mil habitantes têm a doença no Brasil
É mais comum em mulheres que em homens
Manifesta-se, em média, entre os 18 e 45 anos de idade

COMO SURGE O MAL


A comunicação entre o cérebro e o resto do corpo (células,
tecidos e órgãos) é feita através de uma rede de nervos, cuja via
central é a medula espinhal, de onde saem fibras nervosas para
todas as partes do organismo.

A rede nervosa é constituída por milhares de células


especializadas, que conduzem todo o tipo de mensagem vital para
a saúde do corpo. São, principalmente, os neurônios.

A ESCLEROSE MÚLTIPLA COMEÇA COM UM DISTÚRBIO NO


SISTEMA IMUNOLÓGICO. ALGUMAS CÉLULAS DE DEFESA,
QUE DEVEM PROTEGER O ORGANISMO, ESTRANHAM-NO E
PASSAM A DESTRUÍ-LO. A CAMADA DE MIELINA É LESADA.
O DANO À MIELINA, QUE TEM COMO FUNÇÃO CONDUZIR OS
ESTÍMULOS NERVOSOS, IMPEDE A TRANSMISSÃO DAS
MENSAGENS ENTRE O CÉREBRO E O RESTO DO CORPO.

SINTOMAS
Na maioria dos portadores, a doença provoca uma série de
crises. Os sintomas podem ser discretos ou intensos, aparecer
e desaparecer. Muitas vezes, as manifestações do mal são
confundidas com outras doenças, menos graves, como
labirintite.

DIAGNÓSTICO

Atualmente, o exame mais eficaz para reconhecer a


esclerose múltipla é a ressonância magnética. Com ele, são
notadas as lesões que surgem no sistema nervoso.
Na imagem abaixo, as manchas brancas acusam as regiões
do cérebro afetadas pela doença.

TRATAMENTO

A doença atualmente não tem cura, mas há medicamentos


adequados que conseguem reduzir a intensidade dos surtos,
tornar menos freqüentes as ocorrências e oferecer boa
qualidade de vida ao doente. Os remédios são distribuídos
pelo serviço público de saúde e devem ser exigidos. O médico
precisa sempre acompanhar o paciente para controlar
possíveis efeitos colaterais. O tratamento também pode
envolver:

• Fisioterapia • Terapia corporal

• Hidroterapia • Exercícios físicos

Se existirem lesões no Sistema Nervoso Central, seja


por doença ou traumatismo, a localização da lesão
determina a natureza dos sintomas resultantes. Os
sintomas aparecem devido à interrupção da condução dos
impulsos nervosos entre o Sistema Nervoso Central e o
resto do corpo. Por exemplo, lesões no cérebro podem
provocar:
»
Visão dupla;
»
Falta de força e de sensibilidade nos membros;
»
Falta de controlo dos movimentos finos das mãos: mão
"inútil";
»
Desequilíbrio;
»
Alterações na memória;
»
Fadiga;

De lesões da espinal-medula pode resultar, por


exemplo:

» Entorpecimento e fraqueza dos membros;


» Perturbações da bexiga;
» Espasticidade;
» Rigidez e sensação de membros pesados; dormência,
dores, comichão;
» Dificuldades de locomoção;

As lesões do nervo óptico, que estabelece a ligação


entre os olhos e o cérebro, provocam com freqüência visão
turva e perda da percepção das cores.

O tratamento adequado para a Esclerose Múltipla


começa por manter um bom estado de saúde geral,
prosseguir uma vida ativa, uma alimentação equilibrada,
repouso suficiente, de modo a sentir-se bem, mantendo a
forma física e psíquica.

É também fundamental um programa de exercícios e


ginástica muscular, na medida em que, ajuda os doentes a
recuperarem dos surtos e a diminuir a tensão muscular.
Exercícios de treino do equilíbrio podem ajudar os doentes a
tornarem-se mais autoconfiantes.
Em virtude da evolução da Esclerose Múltipla ser
imprevisível as necessidades e as capacidades variam
assim uma reavaliação médica periódica é fundamental.
Os medicamentos são também imprescindíveis.
Nomeadamente os relaxantes musculares, pois permitem
reduzir a tensão dos músculos e melhorar os movimentos.
Nos últimos anos utilizam-se diversos fármacos que atuam
no sistema imunitário, chamados imunomoduladores, como
os Interferões-beta e o acetato de glatiramero, entre outros,
que ajudam a modificar a alteração da doença.

Para além das conseqüências e limitações a nível físico,


inerentes à doença, são também muitas as conseqüências
psicológicas, para o doente e consequentemente, para o
cuidador, depressões e ansiedade são as mais freqüentes.
O grau de dependência que a Esclerose Múltipla
desencadeia, assim como as mudanças comportamentais
da doença, são fatores que esgotam bastante os familiares
e cuidadores do doente de Esclerose Múltipla, levando
muitas vezes a situações de solidão absoluta.
A taxa de divórcios em famílias em que um dos cônjuges
é doente é bastante elevada. Neste sentido a psicoterapia
individual e de grupo, assim como o aconselhamento,
ajudam bastante para enfrentar todas as limitações
causadas pela doença.

ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA

A Esclerose lateral amiotrófica (ELA) (também designada


por doença de Lou Gehrig e doença de Charcot) é uma doença
neurodegenerativa progressiva e fatal, caracterizada pela
degeneração dos neurônios motores, as células do sistema
nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos
músculos.

É a forma mais comum das doenças do neurônio motor e o


termo esclerose lateral refere-se ao "endurecimento" do corno
lateral da medula espinhal, no qual se localizam fibras nervosas
oriundas de neurônios motores superiores, formando o trato
cortico-espinhal lateral.

Os músculos necessitam de uma inervação patente para que


mantenham sua funcionabilidade e trofismo, assim, com a
degeneração progressiva dos neurônios motores (tanto superiores,
corticais, quanto inferiores, do tronco cerebral e medula), ocorrerá
atrofia por desnervação, observada, na clínica, como perda de
massa muscular, com dificuldades progressivas de executar
movimentos e perda de força muscular.

Entre as personalidades famosas afectadas por esta doença


encontram-se: Lou Gehrig (jogador de beisebol estado-unidense),
David Niven (actor britânico), o físico Stephen Hawking e os
músicos estado-unidenses Charles Mingus e Jason Becker. O
músico português Zeca Afonso também morreu da doença.
Trata-se de uma doença que ataca o sistema nervoso, até o
momento irreversível que degrada as funções básicas do ser
humano à medida que avança. A pessoa sente dificuldades de se
locomover, comer, falar; perde habilidade dos movimentos,
inclusive das próprias mãos, não consegue ficar de pé por muito
tempo pois a doença acaba por afetar toda a musculatura.
Geralmente atinge pessoas mais velhas, mas há casos de pessoas
que apresentaram a doença na faixa dos 20 anos de idade.

No final geralmente depois da perda das faculdades de


locomoção, fala deglutição, etc.., o doente acaba por falecer de
incapacidade respiratória quando os músculos associados à
respiração acabam por sucumbir.

É preciso que o paciente a partir de um determinado estágio


da doença, seja acompanhado de perto por outra pessoa porque
por si não tem capacidade de executar as suas tarefas básicas.
Como a doença não afeta as suas capacidades intelectuais, o
paciente percebe tudo que acontece a sua volta, vivencia por isso
lucidamente a doença e a sua progressão, sendo que um dos
fatores que mais o atormenta é não conseguir se comunicar, seja
através da fala ou através da escrita, tendo as pessoas que o
acompanham adivinhar quais são suas necessidades em cada
momento.