Sie sind auf Seite 1von 9

Um Cântico na Agonia

Caio Fábio D'Araújo Filho

© 2003
Distribuição Gratuita.
Sua reprodução com fins comerciais é proibida.
O conteúdo deste e-book não deve ser alterado.
UM CÂNTICO NA AGONIA

Se você tivesse certeza absoluta do que lhe aconteceria nos próximos


dias, qual seria a sua atitude?
Qual foi a atitude de Jesus Cristo antes de sua crucificação, já
sabendo o que O esperava no dia seguinte?
Participou da Ceia com os apóstolos e depois cantou um hino de
louvor.
Tribulações irão surgir, quase que diariamente, mas saiba manter-se
tranqüilo ao ponto de poder cantar um hino de louvor, Um Cântico na
Agonia.

PREFÁCIO

Tragédias não escolhem hora, lugar ou pessoas. Simplesmente se


abatem sobre nós. Diariamente temos contato ou conhecimento delas.
A diferença consiste em como enfrentá-las, contorná-las e vencê-las.
Seguindo o exemplo de Cristo, nós como cristãos devemos observar os
seus derradeiros atos em nosso meio. Diante das mais terríveis
adversidades, Jesus enfrentou-as com extrema paz e fé nas promessas do
Pai.
Leia este pequeno livro com a intenção única de aprender a
enfrentar as mais variadas tragédias do nosso dia-a-dia, pois como o
próprio autor relata, "Viver é correr risco da tragédia". E seja capaz de
sempre poder entoar um Cântico na Agonia.
Maurício Soares

UM CÂNTICO NA AGONIA

O que você faria hoje, se soubesse que amanhã se encontraria preso


a mais terrível e indescritível crise existencial? Se amanhã você se desse
conta de que seu melhor e mais íntimo amigo lhe houvesse faltado ao
dever humano e fraternal de solidariedade? O que você faria se, de
repente, aquela pessoa de quem você nem de longe desconfiara, na qual
você tanto investiu e que tanto usufruiu de sua cultura, seus afetos,
inclinações e bens maiores o traísse?
O que você faria se a religião na qual você foi criado, em meio a qual
foi inspirado, dentro da qual foi instruído, subitamente, estabelecesse uma
penalidade contra você?
Como você reagiria se, de hábito, se visse escarnecido, vilipendiado,
com a honra enxovalhada, a dignidade exposta a uma situação de
zombaria, motejo, galhofa e ironia?
O que faria se fosse alvo de grave violência física, de um estupro,
por exemplo, ou de uma surra absurda?
Qual seria a sua atitude se você tivesse certeza absoluta do que lhe
aconteceria nos próximos dias?
Houve um dia, na vida de Jesus, quando, olhando adiante, ele só
conseguia ver coisas absurdas e semelhantes a essas a que acabo de me
referir. Seu dia seguinte seria o dia do Getsêmani; dia da depressão, da
agonia; dia do encaramujar da alma; dia da vertiginosa descida à região
mais abissal; dia do choro, gemido, solidão profunda.
O dia seguinte seria aquele no qual faltaria a solidariedade dos
amigos. Ele gemeria, choraria, pediria, reclamaria; solicitaria apoio,
companhia, mas os amigos estariam dormindo. Voltaria a eles e em vão
questionaria: "Não pudestes vigiar comigo?
Não pudestes investir em mim sequer alguns minutos? Não
conseguistes vencer o sono? Será que a minha dor é menos importante
que o conforto e o sossego? Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar comigo
uma hora? (Marcos 14:37)
O dia seguinte também foi dia de traição, dia no qual Judas
Iscariotes -discípulo, apóstolo, amigo, amado - o troca por dinheiro. Judas
que fora investido de autoridade, aquele a quem se descortina o reino de
Deus, a quem é permitido sonhar com os que sonham na intervenção de
Deus na história; alguém aquinhoado com poder divino para realizar
curas, prodígios, expulsão de demônios; aquele que vivenciara realidades
concretas da chegada e da demonstração do Reino. E justamente ele que,
em função de um bom negócio, trai a amizade; é esse Judas que beija e
apunhala. É ele que dá um susto - não um susto no coração de quem não
sabia o que ocorreria, mas um susto naquele que, mesmo ciente do que
iria suceder, reserva-se, ainda assim, o direito de enfrentar cada momento
da vida como cada momento da vida, com seus temores, sonhos e
ambigüidades.
O dia seguinte é o dia no qual a religião judaica - segundo a qual foi
criado, na qual aprendeu a ler (porque naqueles dias aprendia-se a ler nas
escolas rabínicas, lendo a Torá, ou Escrituras), sendo instruído desde a
mais tenra infância - após o julgamento, o acusa de herético, não recebe
sua mensagem, rejeita sua proposta, considera-o demoníaco, expurga-o.
O dia seguinte é o dia da negação, negação de um dos melhores
amigos, amigo que diante de uma situação pública afirma jamais tê-lo
conhecido, não ter com ele a menor relação, não guardar a lembrança de
nenhum encontro; não haver história entre eles, hipótese alguma de
cumplicidade. Amigo que declara: "Não sei quem é esse homem; jamais o
vi, nunca lhe ouvi o nome; tampouco andei com ele." Amigo que nega a
fraternidade, o compromisso, a paixão e o sonho comum.
O dia seguinte seria dia de preterição, de troca: "Que preferes, a
Jesus, chamado Cristo, ou ao ladrão?" Seria dia no qual o poder público
faria opção pelo corrupto, em vez do justo; pela devassidão, e não pela
integridade. Seria dia no qual os sistemas e a máquina governamental, por
questões políticas, entregariam o inocente para ser condenado e
libertariam - com todas as condições de libertação e seus privilégios - o
assassino. Dia, pois, de ser trocado de maneira vil; de ser escarnecido -
soldados lhe poriam uma coroa de espinhos na cabeça para brincar com a
sua realeza (realeza, sim, mas de dor). Colocar-lhe-iam na mão um caniço
quebrável, como a dizer que o seu cetro é o cetro da fraqueza. Vesti-lo-iam
com um manto aparatoso, para significar que tipo de rei era ele: rei-momo;
rei-palhaço; rei do festival; debochariam dele expondo-o a cenas ridículas.
Para honrá-lo, cuspir-lhe-iam. A fim de declararem sua sapiência profética,
fechar-lhe-iam os olhos para lhe perguntar: "Quem foi que te bateu?"
Sarcasmo, ironia. O dia seguinte é o dia da cruz. Dia da violação. Dia
da profanação física. Dia da agressão. Dia de ser trespassado. Dia de ser
objeto.
O que você faria, se soubesse que os três próximos dias da sua vida
seriam dessa qualidade? O que você faria, se soubesse que o que o
aguarda é a depressão, a facada, a traição, o agravo, a perfídia, a barganha,
o julgamento, a exclusão da instituição, o desprezo, a rejeição, a falta de
solidariedade e ingratidão dos que se afirmavam amigos?
O que você faria se nos próximos dias você perdesse o emprego, ou
lhe roubassem a posição em favor do maior corrupto, de pessoas mais
convenientes àquela posição? O que faria você, se amanhã fosse o dia do
escárnio, do desdém, da injúria, do descrédito, do enodoamento do seu
nome, de sua imagem e do seu caráter?
O que você faria, se amanhã, ao entrar no táxi, fosse vítima de um
ato sádico, um assalto pavoroso, um seqüestro? Ou fosse dia no qual seu
marido chegasse bêbado a casa, e tomado pelo machismo arrebentasse seu
rosto, esmurrasse-a, atirasse-a ao chão, enchendo-a de hematomas,
ferindo-lhe os ouvidos com palavrões e impropérios?
Tenho certeza de que não estou sendo irreal, nem estou falando de
coisas que não lhe digam respeito. Porque todos nós, de um modo ou de
outro, corremos sempre o risco de estarmos na iminência de sofrer algo
desse tipo.
Viver é correr o risco de tragédia. Estar vivo é estar assistindo à
possibilidade de conflito, traição, preterimento, negação, fraude, injustiça,
roubo, desonra, calúnia, violência, depressão e "ilhamento".
Hoje, não sabemos o que nos pode acontecer amanhã ou depois.
Mas o Cristo ao qual me refiro conhecia o futuro - se bem que não do
ponto de vista de uma exacerbada onisciência, que lhe tirasse o direito e o
privilégio de rir e de chorar, de alegrar-se ou de sofrer a cada instante, a
ponto de a cada nova situação poder afirmar: "Eu já estava esperando que
isso acontecesse..." Porque o paradoxo da onisciência de Jesus é que ele
sabe tudo, mas vive tudo o que lhe acontece como se ignorasse que lhe
ocorreria. É o mistério que só se explica em Deus: saber tudo, e, no entanto,
viver tudo com a surpresa da chegada de cada coisa.
E qual a atitude de Jesus na véspera do tudo mal? Na véspera do
trágico? Na véspera do tudo-nada? Marcos conta, no cap. 14, v.22 e 23 que,
partindo o pão, ele disse: "Isto é o meu corpo"; e tomando o cálice,
acrescenta: "Isto é o meu sangue" - prova de que estava plenamente
consciente do que o aguardava. O v.26 diz mais:
"Tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras".
O que esperava por Jesus era o ser ele partido, rasgado, moído,
ultrajado, usado. No entanto, ele canta um hino! E que hino era esse? Era
justamente o hino que o judeu cantava na Páscoa, o Salmo 115, que afirma
o amparo de Deus; salmo que admoesta:
"Não confieis em ídolos. Têm boca e não falam; têm olhos e não
vêem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram. Suas mãos não
apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhes sai da garganta".
Ele exorta a que se confie no Senhor, em quem há amparo, refúgio,
conforto, segurança.
Parece ironia cantar um hino desses à véspera do que Cristo sabia
ser a moenda da sua alma, o trilhar do seu corpo, o lacerar e escalpelar da
sua carne. Sim, Jesus foi neste planeta o único homem que soube crer no
que Paulo articularia teologicamente mais tarde:
"Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que
amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Rm
8:28).
Qualquer um só faz arremedar essa prática, somente Jesus de
Nazaré cantou antes da agonia; cantou louvores no gemido. E diga-se: em
Cristo, o cantar, antes de tudo, equivale a cantar depois. Porque ele canta
não antes da surpresa absoluta, mas sabendo o que está por vir. O que
significa terminar a cruz em louvor.
O que estará a vida fazendo em nós? Que estará ela fazendo de nós?
O que o chicotear, o deprimir, o esmagar, o humilhar, o tripudecer, o
caluniar, o escarnecer, o decepcionar, o desacreditar, o roubar, o espatifar
de ilusões estarão criando em nós?
Será que os gestos, jeitos, modos, palavras e tudo mais que a vida
nos negou, não estariam gerando em nosso ser uma alma desértica, um
coração duro, frio, incapaz do amor, da dádiva, da troca, do sossego e da
paz? Será que não teria arrancado de nós a capacidade de sonhar, de crer,
de renunciar e de ser grato? Ou ainda não teriam criado em nós uma
mente inepta, paralisada ao fervor e à adoração?
Será que os fatos e as ocorrências do dia seguinte estão gerando em
nós a idéia de que Deus tem o braço encolhido? Que ele é um Deus
impotente, inoperante e alienado; um Deus-ídolo?
Ou será que, por sua graça, seremos capazes de enfrentar o que vier,
chorando e gemendo com louvor, com gratidão, na certeza de que aquilo
que dói em nós, magoa e fere fundo; aquilo que nos embaraça e tonteia
pelo impacto; que nos surpreende, decepciona e assusta, de maneira
nenhuma revela e retrata a inoperância e pouco-caso de Deus, que não
traduz sua fuga ou omissão. Ao contrário, espelha a certeza de que, por
trás do que se pode chamar bueiro da dor, espasmo da decepção, negrume
da solidão, haverá finalmente a estrada em direção ao único Pai - o único
Amigo - e à única vitória e certeza.
Certeza que nos capacita a viver apesar do desamor e abandono, da
aflição da perda irrecuperável; apesar do nojo e horror do amigo traiçoeiro
e traidor, do tédio da eterna criatividade vestida de pavão e corpo de
gralha; enfim, apesar da tristeza de tanto que iria ser e nunca foi, ou
parece ser e não é - nem nunca será.
Cristo canta a ressurreição. Ele canta a intervenção, celebra a vitória
antes dela.
Meu grande desejo é que, de alguma forma, o Espírito do Senhor
nos ajude a cantar um hino e sair... Sair para lutar! Sair para batalhar pela
felicidade, alegria e independência a que temos direito. Sair, enfim, para
viver a própria vida! Faça a vida a careta que fizer, use contra nós as
armas que usar, empunhe em nossa direção as foices traiçoeiras e
devastadoras que quiser. Pois, apoiados ao muro da esperança, em Deus,
iremos de peito aberto contra todo choque e toda cilada, celebrando de
antemão a vitória, a interferência e o amparo do Todo-Poderoso, em meio
à agonia.
Saia para glorificar o nome de Jesus, cantando antes, durante e
depois!

UM CÂNTICO NA AGONIA

Depois de ter lido este livro, para melhor entendimento e


memorização, reúna-se com um grupo de amigos de sua igreja, com sua
família ou comunidade e discuta este tema a partir das perguntas aqui
formuladas.
Refletindo nas respostas colhidas nesta reunião, você poderá traçar
um perfil de como vem sendo a sua vida cristã. Como poderá modificá-la
e colocar os seus objetivos futuros.
Certamente, após este debate, você poderá ter uma nova visão dos
Planos de Deus em sua vida. Mas, lembre-se que este questionário e esta
reunião não adiantarão de nada, se você não os responder com
sinceridade e clareza de coração.
Na verdade, nossa intenção não é saber se você está agindo
corretamente ou não, mas é poder proporcionar uma forma de meditação
e de conhecimento próprio.
PERGUNTAS:

l - O autor coloca o "dia do Getsêmani" como o ponto alto do sofrimento


de Jesus. Quais os sentimentos que o aguardavam?
2 - Quais os tipos de rejeições pelas quais Jesus teve que passar nesse dia
seguinte?
3 - Como homem, quais as grandes necessidades manifestadas por Jesus
quando próximo à agonia da cruz?
4 - Segundo o autor, qual o paradoxo das duas naturezas - humana e
divina -de Jesus?
5 - Qual a mensagem do hino cantado por Jesus antes da crucificação?
6 - Que benefício divino nos é colocado como solução para o
enfrentamento das feridas causadas pela vida?
7 - Como você enfrenta as diversas tragédias do cotidiano?

8 - De todas as tragédias que se abateram sobre Jesus, qual, para você,


teria sido a pior?
9 - Você já enfrentou problemas da mesma forma que Jesus, cantando?
Como foi?
10 - Você acredita no poder do louvor em transformar situações? Como?
11 - Gostaria de relatar alguma experiência a respeito do tema?

* * * *