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FICHEIR O CRIME 05 ACTUALIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES DO PAÍS Publicado por Greenpeace International MARÇO DE
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O CRIME
05
ACTUALIZAÇÃO DAS
INFORMAÇÕES DO PAÍS
Publicado por Greenpeace International MARÇO DE 2005
Portugal – Porta
de entrada para
madeira ilegal
“Existem várias indícios de que a
exploração ilegal de madeira
assenta em estruturas de crime
organizado
Tendo em
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GREENPEACE/BELTRA
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GREENPEACE/BARRINGTON

consideração que os compradores Europeus possuem um profundo conhecimento sobre a indústria, é possível concluir que estarão informados sobre as fontes ilegais da madeira. É assim seguro assumir que os compradores permitem esta exploração ilegal de madeira devido à forte pressão competitiva tendo em vista diminuir as despesas.” Crime ambiental organizado nos Estados-Membros da União Europeia, 2003

Aerial shot of the Arctic Sunrise sailing at Furo de Tajapuru.

As mais antigas florestas do mundo estão em crise. Uns gritantes 80% foram já destruídos ou degradados e os restantes 20% estão sob ameaça de práticas ilegais e destrutivas de exploração de madeira. Estas florestas são o habitat natural de dois terços das espécies terrestres conhecidas, e sustêm os modos de vida e padrões culturais de povos indígenas e outros povos tradicionalmente ligados à floresta 2 .

Algumas estimativas sugerem que o comércio de madeira ilegal representa cerca de um décimo do total do mercado da madeira, valendo

mais de 150 mil milhões de dólares (113 milhões de euros) a cada ano 3 .

O Banco Mundial estima que as perdas para os países produtores de

madeira, devido à sua exploração ilegal, atingem montantes na ordem dos

10

a 15 mil milhões de euros por ano 4 . Este valor é comparável com os

10

mil milhões de euros que a CE canalizou para ajuda em 2002 5 . A

exploração ilegal de madeira contribui para a desflorestação e para a perda de biodiversidade e ameaça a estabilidade internacional devido aos

subornos, à corrupção, ao crime organizado e ao desrespeito pelos direitos humanos. Reduz os montantes disponíveis sob a forma de impostos para

os países produtores, desestabiliza os mercados internacionais e prejudica

tanto os negócios legítimos como a gestão sustentável da floresta.

O principal motivo subjacente à exploração ilegal de madeira prende-se

com a procura sentida no mercado internacional. Grandes companhias comerciantes de madeira, atraídas pelas altas margens de lucro, continuam a fazer o ‘branqueamento’ da madeira proveniente de exploração ilegal e destrutiva. Fornecem madeira a países complacentes da Europa, América do Norte e Ásia, que fecham os olhos à sua origem. Os agentes alfandegários e da polícia têm reduzidas possibilidades de intervir, uma vez que não existe uma legislação eficaz para detectar e perseguir o comércio ilegal de madeira 6 .

Enquanto um dos principais importadores de produtos de madeira ilegal,

a Europa tem a responsabilidade de enfrentar este problema e assumir

um papel de liderança no sentido de transformar o comércio internacional de madeira e de implementar medidas que possam sustentar uma gestão responsável da floresta. Em reconhecimento desta situação, a União

Europeia está actualmente a implementar medidas de combate ao comércio de madeira ilegal, conhecidas sob a designação de Plano de Acção relativo à Aplicação da Legislação, à Governação e ao Comércio no Sector Florestal (FLEGT).

No âmbito deste plano, serão estabelecidas parcerias com os países produtores de madeira, sendo desenvolvido um esquema para verificar e garantir a legalidade dos produtos de madeira exportados para a União Europeia. Estes acordos terão ainda como objectivo promover uma melhor governação e a aplicação da legislação em vigor nos países fornecedores. Em complemento, o Plano de Acção prevê que seja considerada a criação de legislação adicional de forma a proibir a importação ilegal de madeira para a Europa e lutar contra os crimes associados a este comércio 7 .

Alguns países Europeus mais progressivos estão a apoiar uma rápida implementação do FLEGT, bem como, o desenvolvimento de mais medidas de forma a combater o comércio de madeira ilegal. Ao mesmo tempo que o primeiro conjunto de medidas é discutido e aprovado durante a cimeira de Primavera e Verão de 2005, o novo Governo português deve aproveitar esta oportunidade para tomar uma posição progressiva e desempenhar o seu papel na eliminação do comércio de madeira ilegal, ao mesmo tempo que promove uma gestão responsável da floresta em todo o mundo.

Portugal: Uma importante porta de entrada de madeira ilegal

Portugal é um país relativamente pequeno no seio da UE, com uma

população à volta de 10 milhões num total de 480 milhões de europeus. Contudo, importa uma percentagem desproporcional de madeira. O país

é

responsável por 15% das importações de madeira em toro para a UE,

o

terceiro maior importador a seguir à França e à Itália 8 .

Em 2000 o Greenpeace e a Quercus chamaram, pela primeira vez, a atenção em relação à importação por parte de Portugal de madeira proveniente de exploração destrutiva e ilegal. Nos cinco anos que se

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seguiram a esta campanha, pouco ou nada mudou. A maioria das importações de madeira tropical para Portugal continua a ser proveniente de duas das mais antigas áreas de floresta - a Bacia do Congo e a Floresta Amazónica - sem qualquer evidência credível de que a madeira tenha sido explorada de forma legal e sustentável. Estas duas áreas de floresta são tesouros, sustentando inúmeras espécies animais e vegetais e sendo a base de sustento para as populações locais que, contudo, estão a desaparecer a ritmos sem precedentes, devido à exploração destrutiva e ilegal de madeira.

A Amazónia

A bacia da Amazónia cobre 5% da superfície terrestre do planeta. As

suas florestas representam um dos mais relevantes ecossistemas da Terra, representando 45% das florestas tropicais do mundo, armazenando 40% do carbono disponível na vegetação terrestre e o maior rio em extensão e volume de água do mundo. Quase metade das espécies conhecidas vive na Amazónia; existem 353 espécies de mamíferos, incluindo o Jaguar (Panthera spp.) e mais de 2000 espécies de peixes de água doce.

Só no território do Brasil a Amazónia cobre 5.2 milhões de Km2 9 . Sustenta 20 milhões de pessoas, incluindo 170 diferentes populações indígenas e muitos mais caboclos – exploradores tradicionais da floresta de origem indígena e portuguesa. Providencia desde comida a abrigo, a ferramentas e medicamentos. Desempenha ainda um papel fundamental na vida cultural e espiritual dos povos que a habitam.

inacessíveis. Assim que o stock de madeira se esgota nestas terras públicas, o espaço é ocupado por ranchos para criação de gado.

A falsificação de títulos de propriedade de terrenos é o método mais

frequentemente utilizado pelos madeireiros, rancheiros e especuladores de terras para explorar as terras públicas. Proprietários ilegais tomam conta de parcelas de terras públicas forjando títulos de propriedade e usando a violência para expulsar populações informais e comunidades indígenas que têm direitos legítimos sobre as terras. Devido a inúmeras queixas e à falta de um registo central no Brasil, o total da área registada numa dada região pode ser superior à área efectiva dessa região.

A ausência de controlo permite que o Pará seja o estado do Brasil com

a mais elevada taxa de assassínios relacionados com a posse de terra.

De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), uma organização católica que faz campanha pelas pessoas sem terra e pelos pobres, das 1237 mortes de trabalhadores rurais ocorridas no Brasil desde 1985 até 2001, 40% ocorreram no Pará.

Entre os comerciantes internacionais de madeira que mais beneficiam com a destruição da Amazónia, e que fornecem madeira de exploração destrutiva e ilegal, encontra-se a companhia com sede na Dinamarca Dalhoff, Larsen e Horneman (DLH). Alguns fornecedores da Amazónia para o grupo DLH são: o Rancho da Cabocla, cujo proprietário

(Moacir Ciesco) foi recentemente preso devido às actividades ilegais da sua empresa no Pará; e Milton Schnorr, multado por exploração ilegal de madeira em 2001, 2001 e 2004. A madeira destas duas companhias

é habitualmente exportada para Portugal sob a marca DLH.

A Amazónia Brasileira possui uma das mais elevadas taxas de

destruição de floresta do mundo, em média cerca de 19 000 Km2 por ano nos últimos 10 anos. Em 2003 a desflorestação da Amazónia afectou 24 000 Km2 – quase um terço de Portugal transformou-se em madeira e cinzas.

Os maiores impactos devido à extracção de madeira foram sentidos no Estado do Pará – a região que mais madeira produz e exporta de toda a área da Amazónia. O Pará representa 40% de toda a actividade de exploração de madeira da Amazónia Brasileira e grande parte da sua produção resulta da exploração ilegal de terras públicas. Em 2001, o IBAMA (a Agência Brasileira do Ambiente) emitiu documentos que autorizavam a desflorestação de 5342 hectares, contudo, a área total sujeita a desflorestação, segundo imagens de satélite do INPE (Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais), revelaram que 523 700 hectares foram explorados durante esse mesmo período. Por outras palavras, em 2001, apenas 1% da área total desflorestada foi autorizada 10 .

Em 2004, mais de 350 companhias exportaram 158,8 milhões de m3, principalmente madeira já serrada e contraplacado, e uma pequena quantidade de peças de mobiliário do Pará, com um valor aproximado de 41,6 milhões de dólares (SECEX 2005). Portugal é o 5º maior importador mundial de madeira do Pará.

A realidade na Amazónia Brasileira é que é mais barato para as

companhias comprar troncos de áreas desflorestados do que de áreas com planos de gestão da floresta 11 . O mercado continua a alimentar este perverso ciclo de destruição e no Pará, milhares de quilómetros de estradas ilegais foram abertos com o objectivo de procurar espécies de madeira de alto valor comercial como a jatoba, ipê ou tatajuba, todas muito comuns no mercado português. A abertura de estradas facilita o processo de colonização e a ocupação de terras que antes eram

Em Fevereiro de 2005, uma freira de 74 anos de idade de origem Americana

e activista ambiental foi assassinada em Anapu, uma pequena cidade do

Pará. A sua vida foi dedicada à protecção da floresta tropical da Amazónia e dos seus residentes pobres, e a sua morte foi atribuída a rancheiros, madeireiros e especuladores de terras contra quem ela se bateu. A irmã Dorothy recebeu várias ameaças de morte desde 1999. Em 2003, graças à campanha social e ambiental da irmã Dorothy nesta região, 15 fornecedores

e companhias madeireiras foram multadas e viram o seu equipamento

confiscado durante uma gigantesca operação levada a cabo pelo Governo Federal. É conhecido que duas delas exportaram madeira para Portugal.

A República Democrática do Congo – o coração da Bacia do Congo Africana

A magnífica floresta tropical da África Central é a segunda maior

floresta tropical no mundo é alberga uma grande diversidade de espécies animais e vegetais. Milhões de exploradores da floresta, incluindo os semi-nómadas pigmeus, dependem directamente da floresta para abrigo, para a medicina, para a alimentação e para sua sobrevivência cultural e espiritual.

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Quase metade destas florestas ricas em termos biológicos, mais de 1
milhão de Km2 (aproximadamente o tamanho de França e Espanha
juntas), está localizada na República Democrática do Congo (RDC). Mais
de um milhar de espécies de aves, 400 espécies de mamíferos, 300 répteis
e
anfíbios podem ser encontrados na RDC.Três dos nossos parentes mais
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GP/MIZUKOSHI
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GP/MAUTHE

próximos, o Gorila (Gorilla spp.), o Chimpanzé (Pan troglodytes) e o Bonodo (Pan paniscus) podem ser encontrados aqui.

O futuro destas diversificadas florestas tropicais e das comunidades que delas dependem está ameaçado devido ao rápido aumento das actividades

de extracção destrutiva e ilegal de madeira. Entre as actividades ilegais

regularmente identificadas no sector da madeira encontram-se: o suborno de autoridades públicas, a exploração de madeira para além dos limites estabelecidos na autorização, aquisição ilegal de autorizações de exploração e até exploração de madeira no seio de reservas naturais.

A madeira desta região, incluindo espécies como a sapele, iroko e ekki,

continua a ser importada por Portugal, sem qualquer evidência credível de que foi extraída legalmente.

A indústria madeireira Portuguesa: Conversão de florestas antigas em produtos de madeira

A combinação de laços históricos com o Brasil e outros países com uma

indústria bem desenvolvida, de nível mundial e com elevado grau de especialização, levou a que Portugal se assumisse como um líder no processamento de troncos e madeira serrada, transformando-os em inúmeros produtos, desde portas a janelas até soalhos e madeira contraplacada. A indústria de processamento está centrada na parte Noroeste de Portugal, com os troncos, a madeira serrada e os contra- placados a serem enviados por navio desde a Bacia do Congo e da Amazónia para os portos de Leixões e Viana do Castelo.

Enquanto companhias noutros países começaram já a dar passos para assegurar que a madeira que adquirem provém de fontes sustentáveis e legais, Portugal continua a ficar para trás. Actualmente, o sistema de certificação do Forest Stewardship Council (FSC) para madeira e produtos de madeira providencia um sistema reconhecido internacionalmente e credível, que assegura que a madeira é obtida de florestas geridas segundo fortes critérios ambientais e sociais. O FSC também exige que a madeira possua um historial desde a floresta até ao mercado final, de forma a assegurar a legalidade da madeira. Serrações e transformadores de madeira de todo o mundo estão a participar neste sistema de certificação, para que possam seguir o rasto e comercializar madeira certificada pelo FSC.

Em Portugal nenhuma das maiores companhias está acreditada pelo FSC 12 . Quando, no final de 2004, o Greenpeace e a Quercus solicitaram a alguns dos comerciantes de madeira o apoio para a campanha destas duas organizações no sentido da legislação comunitária proibir a importação de madeira ilegal, dois deles, Sardinha&Leite e Sonae Indústria responderam positivamente. Nenhum dos outros respondeu à mensagem enviada. 13

Nos cinco anos que se seguiram, nada sugere que tais acções tenham sido tomadas. A corrupção e a contínua ausência de implementação da legislação em países produtores com o Brasil ou a RDC, significa que a madeira ilegal continua a inundar o mercado internacional. Nos países consumidores, tal como Portugal, os receios de prejudicar a competitividade da indústria transformadora de madeira e a preocupação com a elevação dos custos de produção, resultou na ausência de qualquer acção política tendo em vista acabar com o comércio ilegal de madeira. Como resultado, a madeira ilegal continua a inundar o mercado virtualmente intocável.

Contudo, ao nível Europeu as coisas estão a mudar. Em 2003, a Comissão Europeia desenvolveu o Plano de Acção FLEGT em reconhecimento da posição que a Europa ocupa enquanto destino de madeira e produtos de madeira de proveniência ilegal.

O Plano, se implementado em pleno, pode ter um impacto muito positivo na

gestão das florestas em todo o mundo. Estabelece que o sistema seja implementado de forma a verificar que a madeira foi explorada legalmente, depois é seguido o rasto desde a floresta até ao mercado europeu e para o estabelecimento de acordos de parceria com os países produtores, apoiar a promoção de uma melhor governação e a aplicação da legislação ou, se for necessário, rever a legislação sobre florestas.Também estabelece que seja explorada a possibilidade de implementação de legislação que proíba expressamente a importação de madeira ilegal para a Europa e encoraja os Governos dos Estados-Membros a introduzir políticas que promovam a aquisição ambiental, usando os fundos públicos para apoiar o comércio de madeira que comprovadamente tenha proveniência legal e de fontes sustentáveis.

Ainda que Portugal tenha afirmado que concorda com os objectivos estabelecidos no Plano FLEGT da Comissão Europeia, as acções concretas estão muito aquém do verificado noutros países importadores de madeira da UE. Em Dezembro de 2004 o primeiro pacote de medidas no âmbito do FLEGT foi discutido pela primeira vez ao nível ministerial, durante um encontro do Conselho europeu da Agricultura. Sete Estados-Membros, incluindo Espanha, França, Reino Unido e Bélgica, fizeram uma declaração conjunta enfatizando a importância das medidas indicadas no Plano de Acção FLEGT de forma a combater a exploração ilegal de madeira. Encorajaram a comissão a apresentar outras propostas legislativas tendo em vista controlar as importações de madeira explorada ilegalmente. Portugal absteve-se de apoiar esta declaração.

Uma declaração assinada por 200 organizações não governamentais a nível mundial que exige uma acção mais alargada, incluindo nova legislação europeia que criminalize a importação de madeira e de produtos de madeira ilegal, foi entregue aos membros do Conselho neste encontro ministerial.

Novo Governo Português: Nova oportunidade para acabar com o comércio ilegal de madeira

Quando a Greenpeace e a Quercus desenvolveram a campanha em 2000 para chamar a atenção para importação para Portugal de madeira explorada de forma destrutiva e ilegal, foi solicitado ao Governo Português que agisse de forma rápida para pôr fim a este comércio 14 .

Decisões finais sobre o primeiro pacote de medidas do FLEGT estão actualmente em discussão no seio do Conselho da UE, sendo expectável que sejam tomadas decisões até Setembro de 2005. Antes do Verão, a Comissão irá reportar ao Conselho opções em termos de medidas

legislativas adicionais de forma a proibir a importação de madeira ilegal. Existem oportunidades concretas para que o novo Governo Português possa desempenhar um papel positivo no processo do FLEGT e encorajar

o comércio de madeira legal e sustentável.

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Exigências

O governo Português deve aproveitar a oportunidade para tomar

iniciativas e combater o comércio de Madeira ilegal. Espera-se que existam novos debates ministeriais sobre o pacote FLEGT no âmbito do

Conselho, numa reunião que terá lugar em Maio deste ano. O Greenpeace

e a Quercus desafiam o Governo Português a publicamente apoiar em

pleno o processo FLEGT já existente a tempo da próxima reunião e, mais especificamente, a:

* Encorajar o desenvolvimento de nova legislação que proíba a importação para a UE de toda a madeira ou produtos das florestas de fontes ilegais, independentemente do país de origem. Esta legislação deverá promover uma gestão sustentável da floresta e fazer com que as companhias madeireiras sejam responsabilizadas pelas suas práticas no estrangeiro.

* Promover a negociação de acordos de parceria entre a UE e todos os países produtores de madeira. Com a efectiva participação da

sociedade civil (incluindo as comunidades locais e os povos indígenas)

o processo tenderá a conduzir a uma reforma política, uma melhor

governação (transparência, controle e sanções), aplicação da Lei e uma gestão social e ambientalmente sustentável do sector florestal.

* Apoiar o desenvolvimento e implementação do sistema de acompanhamento/licenciamento para toda a madeira e todos os produtos de madeira, de forma a garantir a legalidade dos produtos de madeira. Este sistema envolverá um mecanismo de acompanhamento do produto desde as fontes legais até ao ponto de

venda, incluindo a monitorização e verificação independentes, aplicada

a todos os produtos de madeira e a todas as exportações dos países

parceiros. De forma a evitar o ‘branqueamento’ da madeira ilegal, deverão ser exigidos a produtos importados de países não parceiros da UE, informações adicionais para a certificação da origem dos produtos.

* Implementar em Portugal uma política governamental de procura/aquisição ambiental para a madeira e produtos de madeira. É essencial desenvolver linhas mestras na procura de bens legais, de forma a adquirir apenas produtos de madeira certificada e promover uma gestão responsável das florestas. A despesa pública portuguesa deverá ser utilizada como um incentivo para promover as melhores práticas e o melhor sistema certificação, estandardização e rotulagem, como o Forest Stewarship Council (FSC), ou outro equivalente, garantindo que os produtos são provenientes de florestas legal e responsavelmente geridas.

O Greenpeace e a Quercus também apelam às empresas madeireiras portuguesas que:

* Obtenham a acreditação da cadeia de custódia FSC e desenvolvam imediatamente planos de acção de forma a remover das suas cadeias de fornecimento madeira suspeita de ter proveniência destrutiva ou ilegal.

* Assinem declarações públicas de apoio às iniciativas legislativas em desenvolvimento na UE para acabar com o comércio ilegal de madeira, tal como as empresas Sardinha & Leite e Sonae Industria já fizeram.

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Fontes

WRI World Resources Institute (2000) World Resources 2000-2001: People and Ecosystems:The Fraying Web of Life. Oxford University Press, Oxford.

OECD Environmental Outlook. (2001)

Greenpeace. Partners in mahogany crime: Amazon at the mercy of gentlemens' agreements. Manaus, 2001.

Greenpeace. State of Conflict: an investigation into the landgrabbers, loggers and lawless frontiers in Para State, Amazon.Manaus, 2003.

Secretaria de Comércio Exterior/Ministério da Industria e Comércio. Exportation data to Portugal. http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br/. Brasília, 2005.

Veríssimo, A.; Lima, E & Lentini, M. Pólos madeireiros do Estado do Pará. Imazon - Belém, 2002.

ISA - Instituto Sócio Ambiental. Estimativas sobre População Indígena na Amazónia Brasileira. http://www.isa.org.br/pib/portugues/quonqua/quantossao/difest.shtm#t1. Brasília, 2005.

Malhi, Y., and Grace, J. 2000.Tropical forests and atmospheric carbon dioxide.Trends in Ecology and Evolution 15,

332-337.

Biologist Alberto Val, from INPA - National Institute for the Amazon Research. In Revista Ciência Hoje. Rio de Janeiro. April 2001.

INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Deforestation rates in Brazilian Amazon. http://www.obt.inpe.br/prodes/prodes_1988_2003.htm. 2003.

EU FLEGT Action Plan, COM (2003) 251 final. Communication from the Commission to the Council and the European Parliament. Forest Law Enforcement, Governance and Trade (FLEGT). Proposal for an EU Action Plan. Brussels, 21.5.2003.

World Bank (2002) Revised Forest Strategy

1 |

http://europa.eu.int/comm/environment/crime/organised_environmental_crime_in_member_states.pdf

2 |

As florestas ancestrais significam aqui o remanescente das florestas mundiais formadas de forma natural e com

poucos efeitos das actividades humanas. O comércio ilegal de madeira inclui o abate, transporte e a compra ou venda de madeira em violação das leis nacionais. O processo de abate pode ele próprio ser ilegal, incluindo através do recurso a formas corruptas para obter acesso à floresta; o abate e extracção sem licença ou de uma área protegida; o abate de espécies protegidas; ou a extracção de madeira acima das quantidades permitidas. As ilegalidades podem também ocorrer durante o transporte, incluindo o processamento e a exportação ilegal, bem como a prestação de informação fraudulenta às alfândegas e a fuga aos impostos e outras taxas. No entanto, é importante salientar que grande parte da extracção legal de madeira é igualmente destrutiva.

|

3 OECD (2001) OECD Environmental Outlook. p 122.

|

4 World Bank (2002) Revised Forest Strategy

|

5 Relatório anual de 2003 da Comissão para o Conselho e o Parlamento Europeu sobre a Política de Desenvolvimento da CE e a implementação da Assistência Externa em 2002.

6 |

A Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies de Flora e Fauna Selvagem Ameaçadas de Extinção

(CITES) regula o comércio internacional num número muito reduzido de espécies de madeira. A larga maioria

das espécies de madeira exploradas e comercializadas ilegalmente não fazem parte da listagem da CITES.

|

7 primeiro pacote de medidas no âmbito do FLEGT foi apresentado ao Conselho pela Comissão Europeia em Julho de 2004.

O

8 |

Eurostat/Hardwood markets. Em 2003 Portugal importou 200400 cm3 de troncos e 101100 cm3 de madeira serrada.

9 |

Os 25 países da UE somam uma área quase 4 milhões de Km2.

10 |

11 |

Na Amazónia Brasileira o Governo autoriza a desflorestação até 20% da propriedade para desenvolvimento da agricultura e criação de gado.

A gestão da floresta pode ser descrita como "as melhores práticas de obtenção de madeira ou de outros

produtos que não madeira da floresta numa área específica, considerando as suas características, condições sócio-culturais, ambientais e económicas locais e o conhecimento técnico-científico. A gestão pode ser diferente entre unidades de gestão, de acordo com as taxas de colheita, solo, espécies, áreas ou espécies protegidas, etc. Deve ser sustentável a longo prazo.

12 |

As maiores empresas de madeira em Portugal incluem: J. Pinto Leitão, Madeicentro - Estância e Serração de

Madeiras Exóticas Lda, Indústrias Jomar S.A, Sardinha & Leite S.A, Vicaima S.A, Exoprancha Lda, Portopal

SA, A. A. Rodrigues & Rodrigues Lda, VALCO – Madeiras e Derivados S.A, Castro e Filhos SA, Darol – Madeiras e Derivados Lda, F.Costa S.A, IMPAR- Indústria de Madeiras e Parquetes SA, Sonae Industria.

|

13 Companhias contactadas: Vicaima, Ovarmadeiras, Sardinha&Leite, SONAE Indústria, COSIBOIS,Timborana.

14 |

Os protestos foram desenvolvidos contra a importação de madeira dos Camarões para Portugal por uma

companhia francesa SFID, uma companhia que comprovadamente explorava madeira ilegal na floresta tropical dos Camarões durante o ano de 2000.

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