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AS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NA ESTRUTURA PATRIMONIAL E

SEUS ASPECTOS POSITIVOS EM NOME DA TRANSPARÊNCIA:

A LEI 11638

Lidianne Stelman Monsores

Graduando no Curso de Ciências Contábeis da Universidade Presidente Antônio Carlos– UNIPAC Juiz de Fora – MG. stelmanjf@yahoo.com.br

INTRODUÇÃO

Com a internacionalização da economia e a perspectiva de um único mercado, tem

evidenciado a necessidade de desenvolver um sistema de informação que harmonize as

práticas contábeis e que seja compatível para seus diversos usuários e interesses.

Foi nesse ambiente que os padrões internacionais de contabilidade foram

fortalecidos, e a busca pela convergência das praticas contábeis brasileiras pelas praticas

contábeis internacionais se fez necessária.

A CONTABILIDADE FRENTE ÀS MUDANÇAS

A Contabilidade caminha junto com o mercado econômico, por isso está sempre

em constante mudança, em decorrência da mundialização dos mercados. No entanto,

sua principal finalidade ainda permanece, conforme Iudícibus 1 (2000, p.20): “sua

finalidade é prover os usuários dos demonstrativos financeiros com informações que os

ajudarão a tomar decisões.”.

No entanto, a Contabilidade já não é só considerada como mero instrumento

decisório, mas como informações que possam ser vistas e entendidas

internacionalmente.

Assim com a aprovação da Lei 11638/2007 é que de fato se consagrou a

convergência, pois a mesma veio para alinhar as práticas contábeis do Brasil ao cenário

internacional, de forma que a divulgação das demonstrações contábeis sejam

padronizadas, em linguagem especificas e fácil, dentro de uma estrutura transparente

direcionada aos interessados.

1 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 6ª edição. São Paulo: Atlas, 2000.

ALGUMAS DAS PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES

As mudanças que a Lei 11638 introduziu no país seguem os padrões do IASB (International Accounting Standards Board), órgão internacional que emite normas e pronunciamentos internacionais de Contabilidade, que são as IFRS (International Financial Reporting Standards), contudo compete aos Órgãos Nacionais a normalizar de forma mais detalhadas de tais regras. Deste modo as principais modificações ocorreram nas: Demonstrações Contábeis, especificamente na estrutura do Balanço Patrimonial e no critério de avaliação da contas patrimoniais em relação a “primazia da essência sobre a forma”.

DEMONSTRAÇÕES

CONTÁBEIS,

BALANÇO PATRIMONIAL:

1. Na escrituração contábil

ESPECIFICAMENTE

O

De modo que após a elaboração das demonstrações contábeis, deverão ser feitos

alguns ajustes para atender ao fisco, fazendo registros em livros auxiliares. Conforme a

CVM, em Comunicado ao mercado 2 em janeiro deste ano (2008), “Foi criada uma nova

possibilidade, além da originalmente prevista em lei societária, de segregação entre a

escrituração mercantil e a escrituração tributária,

2º inciso II da Lei 11638:

”.

Conforme o artigo 177, parágrafo

II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários, na escrituração mercantil, desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo, devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários.

2 CVM. Comunicado ao Mercado. 14.01.2008.

2.

Na elaboração e publicação das Demonstrações Contábeis

A Lei nº11638 ampliou a abrangência da Lei nº6404, estendendo às sociedades de grande porte, questões relativas à elaboração e divulgação das demonstrações contábeis, bem como da obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na CVM. Deste modo foi incluída no rol das demonstrações obrigatórias para publicação a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) em substituição da Demonstração de Origem e Aplicação de Recursos (DOAR), e a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), para as Sociedades Anônimas de capital aberto. No entanto, em relação às Sociedades Anônimas de capital fechado não estão obrigadas a elaborar a Demonstração do Valor Adicionado. Destacamos que: “Excepcionalmente, para o exercício de 2008, a Demonstração de Fluxo de Caixa e a Demonstração do valor adicionado, poderão ser divulgadas sem a indicação de valores correspondente ao ano anterior.” , conforme palestra do CRCMG (2008), sobre a Lei em questão.

2.1

Balanço Patrimonial

O

Balanço Patrimonial foi segregado em circulante e não circulante, já

regularizado pela instrução da CVM nº488. E que sofreu alterações em sua estrutura, principalmente no Ativo Permanente e no Patrimônio Liquido. Em relação ao Ativo Permanente, no que se refere à estrutura, sofreu um deslocamento dos bens intangíveis, que antes eram classificados na categoria de Ativo

Imobilizado, agora estão em categoria própria, em “Ativo Intangível”, conforme artigo 178, parágrafo 1º, alínea “c”, da Lei 11638 3 porém já regulada pela deliberação da CVM nº488/2005.

O Patrimônio Liquido sofreu maiores mudanças, a conta de “reservas de

reavaliação” foi extinta, criou-se a conta de “ajustes de avaliação patrimonial”, que agruparão as contrapartidas referentes a aumentos ou diminuições de valor tanto do Ativo quanto do Passivo em decorrência de avaliações a preço de mercado; já a conta de

3 BRASIL.Lei nº11638, de 28 de dezembro de 2007. Institui normas relativas a contabilização e dá outras providências.

lucros e prejuízos acumulados” para “prejuízos acumulados”, não desapareceu totalmente, apenas deixou de permanecer no Balanço Patrimonial, de modo que todo o resultado deverá ser destinado; houve também a inclusão das “ações em tesouraria”. Além dessas alterações a lei 11638 criou também a “Reserva de Incentivos Fiscais”, que poderá ser realizada por parcela do lucro liquido que decorrer de doações ou subvenções governamentais para investimentos, conforme o artigo 195-A da referida podendo assim ser excluída da base de cálculo dos dividendos obrigatórios. A nova lei das sociedades por ações em relação aos critérios de avaliação do ativo estão disciplinados no artigo 183 da Lei 11638, em relação ao Ativo Financeiro, mas precisamente os títulos e valores mobiliários, devem ser avaliados pelo valor de mercado ou de aquisição. Já o passivo, especificamente as obrigações, encargos e riscos classificados no passivo exigível a longo prazo deverão ser ajustados a valor presente.

A “PRIMAZIA DA ESSÊNCIA SOBRE A FORMA”

Embora já estivesse mencionada nos Princípios Fundamentais de Contabilidade e pela Deliberação nº488/05 da CVM, veio de forma mais atuante frente à nova lei. Assim, para se classificar um item como Ativo, Passivo ou Patrimônio Liquido deverá levar em consideração a essência das transações para que ela se sobreponha à sua forma legal. De acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis 4 , no Pronunciamento Conceitual (item 51, p.16-17):

Ao avaliar se um item se enquadra na definição de ativo, passivo ou patrimônio liquido, deve-se atentar para a sua essência e realidade econômica e não apenas sua forma legal.

4 Contábeis, Comitê de pronunciamentos.Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis. item 51, p.16-17).jan.2008.

ASPECTOS POSITIVOS

A alteração legal levará a uma harmonização entre as normas contábeis nacionais com as internacionais, e deste modo o “grau de transparência” nas demonstrações contábeis permitirá uma maior credibilidade entre os mercados, pois refletirá a real situação econômica das empresas. Assim, uma mesma prática contábil, sendo aplicada em vários mercados, possibilitará que a divulgação sobre a situação patrimonial e financeira seja mais compreensível, ou seja, tornará mais fácil o entendimento pelos diversos usuários. Desta forma, a divulgação de demonstrações transparentes, conforme Madeira 5

(2004, p.79), “aumentam o nível de confiança do publico em geral, e essa é uma questão essencial no mercado de capitais.”, pois assim reduz as incertezas fortalecendo o mercado interno e servira de estímulo para o ingresso de recursos externos no país.

a Lei

11638/07, ao possibilitar essa convergência internacional, irá permitir, no futuro, o beneficio do acesso das empresas brasileiras a capitais externos a um custo e a uma taxa de risco menor”. Com a adoção de normas padronizadas, reduzirá o custo das transações internacionais, pois serão confeccionadas uma única demonstração atendendo tanto o mercado interno como o externo. Na educação profissional de Contabilidade tenderá a reestruturação, em face da Lei 11638, enquadrando as novas normas contábeis ao processo educacional. Contudo, conforme estudo, acredita-se na valorização do profissional de Contabilidade, em face da adoção da lei, tendo em vista às novas tendências e procedimentos que o mesmo terá que adotar e deste modo, conforme, Eliseu Martins, em entrevista feita ao Jornal Valor Econômico 6 (2008, G1), “A credibilidade da Contabilidade vai aumentar muito.”.

A CVM, em comunicado ao mercado (2008, p.1), considera que: “

5 MADEIRA, Geová José. Harmonização de Normas Contábeis: um Estudo sobre as Divergências entre normas Contábeis Internacionais e seus Reflexos na Contabilidade Brasileira. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília:

Conselho Federal de Contabilidade, v. 33, n. 150, p. 74-83, il, color. nov./dez. 2004.

6 JORNAL VALOR ECONOMICO. Especial Balanços. Ganhos de Eficiência. Segunda-feira, SP, 29 de setembro de

2008.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante desse novo cenário econômico-social que estamos vivendo, com suas novas exigências, e principalmente com o advento da Lei 11638, percebe-se a mudança de foco da Contabilidade brasileira com o abandono da normalização Norte-Americana para o ingresso das normas contábeis internacionais que é de origem Européia. Em relação ao Balanço Patrimonial, foco do presente estudo, com sua nova estrutura e métodos de avaliação visou a transparência e a essência dos fatos, pois as normas de contabilidade brasileira são muito formais, deste modo não retratando de maneira tão evidente sobre a realidade patrimonial e financeira de uma entidade quanto pela norma internacional, por isso ser internacionalmente aceita. Entendendo desta forma, que a profissão do Contador passa a ser mais respeitada, pois deste modo, reduz a objetividade que estamos acostumados e aumentando a boa formação de julgamentos por parte dos Contadores. Do mesmo modo, com a obrigatoriedade de publicação de novas demonstrações contábeis, como o DVA e o DFC, que também aumenta o nível de transparência e confiabilidade, características essenciais no mercado de capitais Considera-se que, as alterações que a Lei 11638 trouxe, trarão benefícios a esse mercado e a classe contábil, mas que de certa forma as empresas enfrentarão muitos desafios durante a implementação.

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

AZEVEDO, Osmar Reis. Comentários às Novas Regras Contábeis Brasileiras. 1ªed. São Paulo: IOB, 2008. BRASIL.Lei nº11638, de 28 de dezembro de 2007. Institui normas relativas a contabilização e dá outras providências. CONTÁBEIS, Comitê de Pronunciamentos.Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis. item 51, p.16-17).jan.2008. Disponível em: <www.cpc.org.br/conceitual-basico.html> Acesso em: 11 fev. 2008. CVM. Comunicado ao Mercado. 14.01.2008. Disponível em: <www.cvm.com.br>. Acesso em: 11 fev. 2008. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 6ª edição. São Paulo: Atlas, 2000.

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. 5. ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2000. IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. Suplemento. 1.ed. 3.reimpr. São Paulo: Atlas, 2008. JORNAL VALOR ECONOMICO. Especial Balanços. Ganhos de Eficiência. Segunda- feira, SP, 29 de setembro de 2008. MADEIRA, Geová José. Harmonização de Normas Contábeis: um Estudo sobre as Divergências entre normas Contábeis Internacionais e seus Reflexos na Contabilidade Brasileira. Revista Brasileira de Contabilidade, Brasília: Conselho Federal de Contabilidade, v. 33, n. 150, p. 74-83, il, color. nov./dez. 2004. NIYAMA, Jorge Katsumi. Contabilidade Internacional. São Paulo: Atlas, 2005.