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O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA E A ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

NA CIDADE DE CAMPO GRANDE – MS.

PROFESSIONAL PHYSICAL EDUCATION AND FAMILY HEALTH STRATEGY IN THE


CITY OF CAMPO GRANDE – MS.

Camila Dihl Françasso1


Tatiana Silva Izidoro2
Márcia Cristina Bortoleto Rotta Ribas3

RESUMO

Esta pesquisa teve por objetivo analisar a atuação do profissional de Educação Física
inserido na Estratégia de Saúde da Família (ESF) através do projeto “Viver Legal” na
cidade de Campo Grande - MS. O estudo foi realizado em dezoito Unidades de Saúde na
cidade de Campo Grande - MS que possui profissionais de Educação Física atuando na
Saúde Pública. Como fonte de coleta de dados, utilizamos uma entrevista aplicada aos
profissionais de Educação Física e aos demais profissionais integrantes da equipe de
Saúde da Família. A pesquisa caracteriza-se de campo do tipo descritiva, contendo
análises de predominância qualitativa. Através da análise de dados coletada percebemos
que ainda não há o trabalho interdisciplinar entre os profissionais de Educação Física e
profissionais das Unidades de Saúde, porém em algumas Equipes de Saúde existe um
trabalho de apoio. Foi identificado também o perfil da maioria dos profissionais de
Educação Física e suas respectivas ações, sendo destas as mais desenvolvidas a
caminhada e a ginástica. Referente aos demais integrantes da Equipe de Saúde, se
posicionaram a favor à ação de profissionais de Educação Física nas UBSs, destacando
ser de grande relevância tal atuação, apontando a importância de se ter uma maior
freqüência semanal e maior tempo nas atividades diárias. Concluímos assim que para se
obter uma melhor eficácia destas ações, ocorra uma reestruturação que vise ampliar o
atendimento aos usuários, realizando um trabalho de prevenção e promoção a saúde
também direcionado aos usuários que não fazem parte dos grupos de risco.

Palavras-Chave: Educação Física; Estratégia de Saúde da Família; Atuação profissional

1
Profissional de Educação Física pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Campo Grande – MS camila.ef@hotmail.com
2
Profissional de Educação Física pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Campo Grande –MS tatianajute@gmail.com
3
Mestra em Psicologia da Saúde (UCDB), Especialista em Bases Metodológicas e Fisiológicas da Atividade Física Personalizada
(UNIFESP), em Terapia Manual e Postural (CESUMAR), em Fisioterapia Traumato-Ortopédica Desportiva (UNIDERP), Licenciada
em Educação Física (UFMS), Graduada em Fisioterapia (UNIDERP),
Professora Orientadora, Campo Grande - MS
marcia.rotta.ribas@hotmail.com.
SUMMARY

This research objective was to analyze the performance of physical education professional
entered in family health Strategy (ESF) through the project "living Law" in the city of
Campo Grande-MS. the study was conducted in 18 health units in the city of Campo
Grande-MS that have physical education professionals working in public health. As a
source of data collection, we use an interview applied to physical education professionals
and other professional members of the family health team. The research is descriptive
type field, containing qualitative predominance analysis. Through the analysis of data
collected we realize that there is still no work interdisciplinary physical education
professionals and professionals of health units, but in some teams there is a health
support. Been identified also the profile of most physical education professionals and their
actions, including the most developed the walking and gymnastics. Regarding other Health
team members, if positioned for the action of physical education professionals in the
UBSs, be of great relevance such action, pointing out the importance of having a greater
frequency of weekly and longer in daily activities. Concludes that in order to obtain better
effectiveness of these actions, a restructuring aimed at extending the service to users,
conducting a prevention and health promotion also targeted to users who are not part of
the risk groups.

Keywords: Physical Education; Family health strategy; Professional performance.

1. INTRODUÇÃO

A criação do Programa de Saúde da Família (PSF) ocorreu devido ao processo de


mudança da atenção da Saúde Pública, onde seu foco de assistência curativa passou
para uma atenção à promoção da saúde, tendo a atividade física como um dos principais
fatores de prevenção e também promoção a saúde, passando então a contar com a
atuação do profissional de Educação Física, que em 1997, através do da resolução Nº
218 o Conselho Nacional de Saúde reconheceu este profissional como também
profissional da saúde, se apresentando de extrema importância no Programa Saúde da
Família. Esta pesquisa dirigiu-se aos profissionais de Educação Física atuantes neste
programa através do projeto “Viver Legal”, utilizando como uma das fontes de referência,
a portaria nº 154 (Núcleo de Apoio a Saúde da Família - NASF) do Ministério da Saúde,
como também aos membros das equipes de Saúde da Família das Unidades que o
projeto atende.
Através desta nova área de atuação o profissional de Educação Física se destaca
junto a Estratégia de Saúde da Família (ESF), bem como a sua importância e sua
magnitude perante a sociedade, acadêmicos e a profissão de Educação Física. A
intensão da pesquisa é mostrar a realidade da atuação de tal profissional, tanto para a
sociedade que desconhece a relevância dessa inserção, quanto para os próprios
educandos de Educação Física que ainda detêm um desconhecimento do assunto
abrangido. Visando o contexto, buscamos responder algumas perguntas como: Que tipo
de trabalho está sendo realizado pelo profissional de Educação Física nas dezoito
Unidades de Saúde atendidas pelo projeto “Viver Legal” em Campo Grande/MS? Como
eles foram inseridos neste projeto? Receberam algum tipo de treinamento? Como foi a
inserção com os demais profissionais da equipe da Unidade de Saúde? Está ocorrendo
um trabalho interdisciplinar?
A pesquisa teve como objetivo geral analisar a atuação do profissional de Educação
Física inserido na Estratégia de Saúde da Família através do projeto “Viver Legal” na
cidade de Campo Grande - MS. E como objetivos específicos verificar se os profissionais
de Educação Física atuantes no projeto possuem algum tipo de especialização e se
receberam algum tipo de treinamento do projeto Viver Legal para atuarem nas Unidades
de Saúde, como também identificar os tipos de ações e práticas desenvolvidas pelo
profissional de Educação Física, verificando a existência ou não de um trabalho
interdisciplinar entre os membros das equipes, assim como a relevância do trabalho para
eles.
Através das respectivas respostas apresentamos a realidade desta inserção,
apontadas por estes profissionais de Educação Física no que diz respeito à nova área de
atuação, e também a satisfação dos mesmos em estarem contribuindo diretamente no
trabalho com a população atendida pela Saúde Pública.

2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE A SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL
Quando Getúlio Vargas, em 1930, assumiu a Presidência da República do Brasil,
iniciou-se uma nova visão de saúde que beneficiava somente os trabalhadores com
carteira assinada, pois, estes geravam lucros ao país devido ao grande processo de
industrialização da época. Para tanto, foi implantado os Institutos de Aposentadorias e
Pensões (IAPs) através da legislação brasileira, que na qual prestavam serviços de
aposentadoria e pensões, sendo considerado a base da assistência médica. Nessa
mesma década foram criados os Centros de Saúde em todo Brasil, desenvolvendo ações
de educação sanitária. Posteriormente foi inserido um novo modelo de assistência à
saúde mais abrangente, investindo mais em hospitais e ambulatórios. Com isso tivemos o
surgimento do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) em 1967, que visava
ampliar o atendimento aos seus segurados, porém não houve uma adaptação
considerável para a grande demanda. Para que isso ocorresse viu-se a necessidade de
uma reforma no sistema, para dar continuidade nessa expansão foi criado o Ministério da
Previdência e Assistência Social (MPAS) em 1974. (MELO et al, 2003).
A partir da década de 1980 muitas mudanças ocorreram decorrente da crise
financeira na previdência social, onde o serviço de atendimento que até então se prendia
apenas aos contribuintes teve que se estender a todos. Em 1988, através da Constituinte
se introduziu o Sistema Único de Saúde (SUS), sendo regulamentado pelas Leis 8080/90
e 8142/90, assim definindo que a partir daquele momento a saúde seria direito de todos e
dever do Estado. (SCLIAR, 2002).
Desde então a Saúde Pública vem se adaptando, a assistência à saúde ganha o
departamento de Atenção Básica, o SUS dinamizou a Saúde Pública através da criação
do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) em junho de 1991, na tentativa
de modificar o modelo de atendimento que antes se prendia apenas a cura de doenças,
para uma proposta de prevenção através da Atenção Básica direcionada a família.
Posteriormente, foi criado em 1994, o Programa de Saúde da Família, hoje chamado de
Estratégia de Saúde da Família, e as Equipes de Saúde da Família (ESF), realizando um
trabalho junto aos agentes comunitários de saúde. (COSTA, 2004).
Essa nova visão de Saúde Pública, tendo como princípio norteador a Atenção
Primária, sendo seus pilares a prevenção e promoção à saúde, destacando-se então a
prática regular de atividade física como um dos fatores atuantes na melhora da qualidade
de vida, intervindo nos fatores de risco como o sedentarismo, e o estilo de vida. (ACSM,
2003 apud COQUEIRO, 2006).

2.2 INOVAÇÃO NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA – NASF


Em 24 de janeiro de 2008 o Ministério de Estado da Saúde cria os Núcleos de Apoio
a Saúde da Família (NASF) através da portaria Nº 154. Com isso tivemos a elaboração de
uma nova equipe para atuar na Atenção Básica, incluindo oficialmente o profissional de
Educação Física e outros para contribuir nos serviços prestados pela Saúde Pública.
Sendo esta equipe constituída por profissionais nas diferentes áreas do conhecimento
que atuarão em parceria com as ESFs. Em comum todos os profissionais que compõe o
NASF têm por objetivo ações de responsabilidade, como a elaboração de projetos
terapêuticos individuais, por meio de discussões periódicas que permitam a apropriação
coletiva das ESFs para um acompanhamento dos usuários, realizando ações
multiprofissionais e transdisciplinares. As ações de Atividade Física/Práticas corporais têm
caráter estratégico relacionado à qualidade de vida e à prevenção do adoecimento, tais
atividades devem buscar a inclusão de toda a comunidade adstrita, não devendo restringir
seu acesso apenas às populações já adoecidas ou mais vulneráveis. (BRASIL, 2008).
Seguindo o objetivo do PSF, o NASF vem trazer uma iniciativa que vai ampliar o
número de profissionais vinculados às Equipes de Saúde da Família. Porém o NASF não
é considerado uma porta de entrada do sistema, como acontece com a Equipe de Saúde
da Família que trabalha diretamente com os usuários. Os núcleos reunirão treze
profissionais na área da saúde, como médicos (ginecologistas, pediatras e psiquiatras),
profissionais de Educação Física, nutricionistas, acupunturistas, homeopatas,
farmacêuticos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e
terapeutas ocupacionais. Esses profissionais atuarão em parceria com as Equipes de
Saúde da Família. (BRASIL, 2008).
De acordo com a densidade populacional de cada região o NASF será dividido em
dois modelos, sendo eles o NASF 1 e o NASF 2. O NASF 1 será constituído de no mínimo
cinco profissionais e vinculado de oito a vinte Equipes de Saúde da Família. O NASF 2
será constituído de no mínimo três profissionais e estará vinculado a no mínimo três
Equipes de Saúde da Família. Observando que em nenhum município ou Distrito Federal
poderão ser inserido os dois modelos. Sendo que para fins de recebimento de recursos, o
município não poderá ultrapassar o número máximo do NASF1 calculado pela fórmula:
Municípios com menos de cem mil habitantes = Nº ESF do município/ 5 e para municípios
com cem mil habitantes ou mais = Nº ESF do município/ 8. Já o NASF2 será implantado
em municípios que tiverem densidade populacional abaixo de dez habitantes por
quilômetro quadrado, não podendo ultrapassar de um NASF2. (BRASIL, 2008).
Dados coletados até janeiro de 2009, mostram que já foram implantados no Brasil
421 Núcleos de Apoio a Saúde da Família (NASF), sendo deles 389 NASF 1 e 32 NASF
2. Dentre os profissionais que compõem essas equipes, temos a inserção de 209
profissionais de Educação Física somados entre NASF 1 e NASF 2 em todo território
brasileiro.4

2.3 PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA E ATIVIDADE FÍSICA


Importantes adaptações ocorreram na área da Educação Física, categoria esta que
também passou por alguns ajustes nos últimos anos. Em 06 de Março de 1997 através da
resolução nº218, o Conselho Nacional de Saúde reconhece os profissionais de Educação
4
Informações obtidas da palestra Política Nacional de Atenção Básica: Desafios e Perspectivas, ministrada por
Cristiano Busato, representante do Ministério da Saúde, no I seminário de Saúde da Família, realizada em 23 de março
de 2009 na Universidade Católica Dom Bosco- UCDB.
Física como profissionais da saúde (BRASIL, 1997), já em 1º de Setembro de 1998 com a
Lei 9696/98 regulamentou-se a profissão de Educação Física no Brasil (BRASIL, 1998),
então em Fevereiro de 2002 com a resolução nº46 o CONFEF descreve as
especialidades da Educação física – tendo como propósito prestar serviços que favoreça
o desenvolvimento da educação e da saúde. (CONFEF, 2002).
Em função disto o profissional de Educação Física passou a atuar junto às equipes
do Programa Saúde da Família (PSF) em algumas Unidades Básicas de Saúde, isto se
concretizou pelo fato de altos índices de sedentarismo, obesidade e doenças crônicas
degenerativas não transmissíveis, entre outras, que surgia na população. Sendo então
reconhecida a atividade física como um dos principais meios de prevenção e promoção à
saúde. (MIRANDA, 2007).
Desta forma, os profissionais de Educação Física poderão contribuir
expressivamente nas Unidades de Saúde, estudos já foram realizados para demonstrar
os benefícios que a atividade física pode causar. As adaptações metabólicas são de
grande relevância, em consonância com isso, Niemam (1999) diz que se as sessões de
exercícios aeróbicos forem realizadas com frequência regular, mudanças poderão ocorrer.
O coração pode bombear mais sangue por minuto, a capacidade de captar e consumir
oxigênio aumenta, os músculos armazenam mais carboidratos e são capazes de queimar
mais gordura. Exercícios físicos são recomendados desde que orientado e acompanhado
por um profissional qualificado.

2.4 ABORDAGENS SOBRE O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA E A ATENÇÃO


BÁSICA
Através da modificação da Atenção Básica o profissional de Educação Física vem se
tornando primordial, através de suas ações, nessa nova visão de saúde pública. Para
consolidar esse fato, anteriormente à criação NASF, a cidade de Sobral – CE, através da
Secretaria de Desenvolvimento Social e da Saúde, no ano de 2000 contratou profissionais
de diversas áreas da saúde como terapeuta ocupacional, psicólogos, fitoterápicos,
nutricionistas, fisioterapeutas, assistente social e profissionais de Educação Física para
atuar na ESF, percebendo assim a importância desses profissionais na Saúde Pública.
Podendo estes trazer suas contribuições, experiências e conhecimentos específicos de
cada área. A nova tendência vem proporcionar benefícios na qualidade de vida da
população que essas equipes atenderem, os usuários terão a oportunidade de receber
serviços prestados por estes profissionais e até mesmo conhecer um pouco mais desses
e entender a importância que cada um deles trará para a melhora de suas ações
cotidianas. (COELHO, 2002 apud, ALCÂNTARA, 2004).
Estudos revelam experiências do trabalho já realizado por este profissional atuante
nas Unidades de Saúde, o atendimento realizado é com grupos operantes já existentes.
Demonstrando assim, a preocupação com o atendimento eficiente e especializado a toda
a população. Convém observar que:
A inserção do educador físico na ESF contribuiu para a construção
de um trabalho interdisciplinar nas equipes do PSF a partir do ano
2000, onde este profissional através dos seus conhecimentos
relacionados à prática regular de uma atividade física orientada
tornou-se uma peça fundamental para a obtenção dos objetivos da
ESF (ALCÂNTARA, 2004. p. 56).

Alcântara, 2004, explicita que o trabalho interdisciplinar nas ESF é difícil de ser
concretizado em prática, pois há uma centralização de poder, sendo que ocorre uma falta
de aceitação de alguns profissionais perante outros.
Embora, o profissional de Educação Física seja oficialmente incluído na área da
saúde, a atuação deste ainda é alvo de preconceitos, existem barreiras na ação deste
profissional na área da Saúde Pública. Pesquisa realizada em 2005, no estado do Paraná,
mostra relatos dos secretários de Saúde expressando suas dúvidas sobre a atuação do
profissional de Educação Física na Saúde Pública. Foram encontrados resultados que
não favorecem a atuação do profissional de Educação Física no PSF. No entanto, os
entrevistados reconhecem a importância da atividade física, mas não consideram a
necessidade de se ter um profissional de Educação Física para a realização da mesma.
Ressaltando que durante a entrevista os secretários demonstraram insegurança e
pediram a presença de uma enfermeira para lhes dar suporte nas respostas, talvez devido
a falta de conhecimento no assunto em destaque, visto que a formação de alguns não
está relacionada a área da saúde. (COUTINHO, 2005).
Em contrapartida foi realizada uma pesquisa em 2007 na cidade de Coronel
Fabriciano – MG que avaliou a opinião de integrantes do Programa Saúde da Família em
uma Unidade Básica de Saúde desta cidade em relação à inserção do profissional de
Educação Física no programa, apontando que cerca de 80% dos indivíduos consideram
muito importante essa inserção e que 20% consideram ser razoavelmente importante. A
pesquisa vem mostrar o lado positivo, a valorização do trabalho deste profissional e o
entendimento dos benefícios para a qualidade de vida que este trabalho pode
proporcionar. (MIRANDA, 2007).
2.5 CONSIDERAÇÕES SOBRE SAÚDE PÚBLICA NO ESTADO DE MATO GROSSO DO
SUL E NO MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE – MS

Para alcançar os objetivos do novo foco da Saúde Pública, contamos com o auxílio
das Equipes de Saúde da Família em todo o Brasil. Desde o surgimento dessas equipes
até janeiro de 2009, o estado de Mato Grosso do Sul implantou um total de 380 Equipes
de Saúde da Família, distribuídas por todo o estado, cobrindo uma parcela de 80,39% da
população, sendo 63 destas no município de Campo Grande – MS. O ministério da saúde
com o intuito de melhorar o modelo de atenção a saúde pública, criou o NASF para atuar
em conjunto com as Equipes de Saúde da Família, para tanto, o Estado de Mato Grosso
do Sul até o momento dispõe de onze NASFs, sendo eles três NASF 1 e oito NASF 2.5
Entretanto na cidade de Campo Grande – MS, ainda não houve a implantação do
NASF, no entanto existem iniciativas para ampliar a diversidade do atendimento com a
introdução de profissionais das diversas áreas do conhecimento nas Unidades Básicas de
Saúde.
Visando essa modificação foi criado em maio de 2005, na cidade de Campo Grande
– MS o Projeto Viver Legal, tendo como precursor o assistente social e profissional de
Educação Física Cícero Nogueira da Silva, gerente na época da UBSF Mário Covas. O
projeto atende um público alvo envolvendo dois ciclos de vida sendo, pessoas acima de
45 anos e adolescentes, tendo como objetivo sensibilizar e estimular a prática regular de
exercícios físicos e de alimentação saudável para a comunidade usuária do Programa de
Saúde da Família, proporcionando melhoria e manutenção da sua saúde e contribuir para
a redução dos índices de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis (DANT’s), decorrentes
dessa ausência de hábitos de vida saudável. (PEREIRA, 2008).
O surgimento do projeto Viver Legal ocorreu devido a necessidade trazida pelos
usuários em dar continuidade no trabalho desenvolvido no ano de 2003 por Ernesto,
professor de Educação Física, de uma escola municipal, realizando atividades físicas
orientadas voluntariamente por solicitação da assistente social Marise do Nascimento
Lima da UBSF Macaúbas, uma das pioneiras da Estratégia de Saúde da Família em
Campo Grande – MS. As primeiras atividades realizadas pelo projeto Viver Legal foi a
modalidade Capoeira, realizada pelo professor Marcelo Felix da Silva, igualmente de
forma voluntária, contando com ajuda dos Agentes Comunitários de Saúde para a
5
Informações obtidas da palestra Política Nacional de Atenção Básica: Desafios e Perspectivas, ministrada por
Cristiano Busato, , representante do Ministério da Saúde, no I seminário de Saúde da Família, realizada em 23 de
março de 2009 na Universidade Católica Dom Bosco- UCDB.
divulgação do trabalho. Posteriormente, o projeto realizou parcerias importantes como,
por exemplo, FUNDAC, SESAU, SAS, SEMED e Universidades, onde viabilizaram a
remuneração do professor de capoeira e de novos profissionais, bem como o
fornecimento de materiais. A partir de 2006, o projeto estendeu suas atividades, contando
também com caminhadas orientadas e, em agosto do mesmo ano foram incluídos no
projeto de três profissionais de Educação Física vinculados à FUNESP realizando
atividades físicas e ações de práticas corporais. No início de 2007, o projeto não pode
contar com os profissionais de Educação Física, que estavam em seu período de férias, e
em respeito aos usuários, as atividades foram mantidas na época, pelo acadêmico de
Educação Física Cícero Nogueira da Silva, neste mesmo período foram inseridos
psicólogos e estagiários de nutrição no projeto. (PEREIRA, 2008).
De 2007, até os dias atuais o projeto passou por modificações, podendo contar no
ano de 2009 com quatro profissionais de Educação Física, que realizam atividades físicas
como: caminhadas, ginástica, lian-gong6, avaliação física, entre outros, se estendendo
aos usuários das dezoito Unidades Básicas de Saúde em diferentes regiões de Campo
Grande – MS, que em sua totalidade obtém cerca de sessenta e duas Unidades de
Saúde.

3. MÉTODO
3.1 TIPO DE PESQUISA
Pesquisa de campo do tipo descritiva que segundo Mattos (2004, p.15) tem como
característica observar, registrar, analisar, descrever e correlacionar fatos ou fenômenos
sem manipulações, procurando descobrir com precisão a frequência em que um
fenômeno ocorre em sua relação com outros fatores. A pesquisa contém análises de
predominância qualitativa.

3.2 PARTICIPANTES DO ESTUDO


Participaram do estudo, os profissionais de Educação Física atuantes através do
Projeto Viver Legal nas referentes Unidades de Saúde de Campo Grande/MS e demais
profissionais da equipe de saúde que consentiram em participar da pesquisa e assinaram
o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, como também a autorização para
gravação da entrevista.
A pesquisa foi realizada em dezoito Unidades de Saúde no município de Campo
Grande/MS atendidas pelo projeto Viver Legal, sendo elas:
6
Prática corporal chinesa realizada em 18 terapias. Informação obtida pela Sociedade Paulista de Lian- Gong.
Disponível em http:// www.liangong.com.br. Acesso em 24/09/2009.
UBS Dr. Walfrido Azambuja – Alves Pereira
UBS Dr. Olímpio Cavalheiro – Cohab – Universitário II
UBSF Dr. Mauro Rogério Wanderley – Iracy Coelho
UBS/ PSF Edson Quintino Mendes - Itamaracá
UBS/PSF Dr. Elias Nasser Neto - Jose Abrão
UBSF Drª Soni Lydia S. Wolf - Macaúbas
UBSF Mario Covas
UBSF Nossa Senhora das Graças - Cophasul
UBSF Nova Esperança
UBSF Dr. Beijamim Asato - Parque do Sol
UBSF Paulo Coelho Machado – Jd. Paulo Coelho
UBS Drª Eleonora Moura Quevedo Gomes - Silvia Regina
UBS/PSF Dr. Emílio Garbelote Neto - Tarumã
UBS Dr. Germano Barros de Souza - Universitário
UBS Dr. Milton Kojo Chinen - Vila Nasser
UBS/PSF Dr. Jurandir de Castro Coimbra - Zé Pereira
UBS/PSF Maria Aparecida Pedrossiam – MAPE
UBSF Vila Sobrinho
Esta relação das Unidades de Saúde é referente ao cronograma de atividades do
Projeto Viver Legal para o ano de 2009, fornecidas pelo Coordenador do projeto Cícero
Nogueira.

3.3 INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS


O projeto foi encaminhado à Secretaria de Saúde do município de Campo
Grande/MS - SESAU, e após a autorização para a execução da pesquisa o mesmo foi
encaminhado ao comitê de Ética em pesquisa da Universidade Católica Dom Bosco –
UCDB.
Utilizou-se uma entrevista, que foi aplicado aos profissionais de Educação Física,
inseridos no contexto das Unidades de Saúde do município e para os demais profissionais
das Equipes de Saúde.
A entrevista para os profissionais de Educação Física foi elaborada pelas
pesquisadoras composta por doze perguntas sendo elas quatro abertas contendo
questões sobre o tempo de atuação dos profissionais de Educação Física na ESF, carga
horária, renda mensal, quais profissionais compõem a equipe, e oito fechadas, abordando
em seus conteúdos questões da atuação e trabalho desenvolvido pelos profissionais de
Educação Física nas UBS/SF, entre outras. Para os demais profissionais utilizamos uma
entrevista contendo cinco questões, sendo três fechadas e duas abertas abordando
como, por exemplo, a importância do projeto Viver Legal, e os benefícios observados aos
usuários e a atuação do profissional de Educação Física. Para tanto, utilizamos a coleta
de dados por gravação em áudio para se ter uma melhor interpretação das informações
obtidas.

3.4 ANÁLISE DOS DADOS


As entrevistas foram transcritas na integra, e em seguida realizado a divisão por
tópicos para que seja possível a interpretação de acordo com a literatura como sugere
Bardin em (GOLDEMBERG, 2008).

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 IDENTIFICAÇÃO DOS RELATOS
Serão apresentados os relatos produzidos durante as entrevistas envolvendo o perfil
dos profissionais de Educação Física, assim como aspectos sobre a atuação, ações
realizadas e a inserção com a equipe de Saúde da Família. Participaram do estudo quatro
profissionais de Educação Física que atuam nas Unidades de Saúde através do Projeto
Viver Legal no município de Campo Grande/MS e onze funcionários das respectivas
Unidades atendidas pelo Projeto, abordando questões como a importância do projeto para
a Unidade e os benefícios já observados aos usuários. Para melhor visualização, análise
e discussão, os resultados foram agrupados e apresentados em forma de tabela e quadro
contendo as categorias que representam as respostas de forma mais concisa. Os títulos
da tabelas foram às próprias perguntas feitas aos participantes, ou o tema sobre o qual a
pergunta se referia. Percebe-se que o número de respostas não corresponde ao número
de participantes. Os participantes que fazem parte do grupo dos profissionais de
Educação Física são representados pela letra P seguida de um número, as Unidades
Básicas atendidas receberam letras de forma aleatória.

4.2 PERFIL DOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA


Na tabela I apresentamos o perfil dos profissionais de Educação Física atuantes nas
UBSs através do projeto Viver Legal no município de Campo Grande/MS.
TABELA I – Distribuição dos dados dos profissionais

Unidades
Entrevistado Sexo Idade Formação Local Renda Tempo na ESF Inserção Treinamento C. H. atendidas Decisões

P1 F 28 G UFMS 3 a 5 SM 1 a 2 anos Contratado Não 40 h A Não


B Não
C Não
D Não

P2 M 36 G IESF 5 a 7 SM 1 a 2 anos Contratado Não 40 h E Sim


F Não
G Não
H Não
I Não

P3 F 55 G UFSM 1 a 3 SM Mais 2 anos Contratado Sim 20 h J Sim


L Não
M Não

P4 M 34 G UCDB 5 a 7 SM Mais 2 anos Contratado Não 40 h N Não


O Não
P Não
Q Não
R Não
S Não

Legenda: Profissionais de Educação física (P), Feminino (F), Masculino (M), Graduação (G), Universidade
Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Instituto de Ensino Superior da Funlec (IESF), Universidade
Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Salário Mínimo (SM), Unidades
atendidas (A a S).

Podemos observar na tabela I que o perfil dos profissionais que trabalham no


atendimento nas UBS do município de Campo Grande/MS é 50% do sexo masculino e
50% do sexo feminino, a média de idade é de 38 anos, a formação de todos é graduação
em Educação Física, sendo que o tempo de trabalho na Estratégia de Saúde da Família
através o projeto Viver Legal é de em média 2 anos, a inserção foi feita através de
contrato pela secretaria de saúde do município (SESAU). Vale ressaltar que as
participantes do sexo feminino relataram receber um salário menor do que foi mencionado
pelos sexo masculino. Todos afirmam que não receberam nenhum tipo de treinamento
específico para respectiva função, com exceção de um que diz ter recebido orientações
através do acompanhamento do trabalho do pioneiro do projeto. Três dos profissionais
mantém uma carga horária de 40 horas semanais, e um a carga horária de 20 horas
semanais. Observamos também a relação das dezoito Unidades de Saúde onde se
realizou a pesquisa, sendo que na unidade D encontrasse com suas atividades
encerradas, pelo baixo número de participantes. Cada profissional atende em média de
quatro a cinco Unidades de Saúde, e afirmam em sua maioria não participar das decisões
e planejamentos junto à equipe de saúde, o principal motivo apontado pelos profissionais
de Educação Física foi a incompatibilidade de horários, sendo que apenas dois alegam
participar das decisões e planejamentos juntamente com a equipe. Como podemos
observar nos relatos:
“Sim. Inclusive segunda-feira vai ter um evento no Tarumã, onde é
passado pra nós o que nós podemos fazer, quais atividades podemos
levar para realizar com o grupo.” (E-P2)

“Estava sempre envolvida com os projetos, com a medica, estava sempre


presente buscando algumas pessoas para o projeto explicando a
importância, então existia essa interação” (J-P3).

Em relação ao questionamento sobre a inclusão com os demais profissionais da


Unidade, a maioria respondeu que a recepção foi muito boa, mas que não existe
envolvimento no trabalho em todas as unidades, ou seja, existe o reconhecimento da
importância no trabalho da Educação Física, porém ainda não ocorre um trabalho
interdisciplinar. Isso já foi mencionado por Alcântara, 2004, onde ele aponta que o
trabalho interdisciplinar é difícil de ser concretizado na prática, devido à centralização de
poder.

4.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS AÇÕES DESENOLVIDAS E INSERÇÃO DOS


PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA
O quadro I traz os percentuais de resposta das atividades que são desenvolvidas nas
Unidades Básicas de Saúde.
QUADRO I – Relação das atividades desenvolvidas
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Nº %
CAMINHADA 13 17,81
GINÁSTICA 12 16,44
LIAN-GONG 11 16,44
ALONGAMENTO 11 15,07
AFERIÇÃO DE PA 08 10,96
FORTALECIMENTO 05 6,85
AVALIAÇÃO FÍSICA 05 6,85
CAPOEIRA 03 4,11
MÉTODOS PARTICIPATIVOS 03 4,11
GINÁSTICA LABORAL 02 2,74
TOTAL 73 100

________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
Em relação as atividades realizadas nas Unidades de Saúde a caminhada
apareceu como a atividade mais desenvolvida, tendo 17.81% das respostas, seguido da
ginástica presente em doze Unidades, logo observamos o lian- gong, terapia chinesa,
presente em onze Unidades, assim como o trabalho de alongamento. Os exercícios de
fortalecimento são realizados em cinco Unidades, bem como a avaliação física. Temos
também a aula de capoeira e métodos participativos, que são considerados atividades de
socialização, dinâmicas, realizados em três Unidades. Os profissionais ministram aulas de
ginástica laboral para funcionários em duas Unidades. A aferição da pressão arterial
também realizada nos encontros é mencionada por P1 e P2 como atividade desenvolvida
em parceria com os demais integrantes de algumas Unidades de saúde. Vale destacar
que o P3 e o P4, consideraram a aferição da Pressão Arterial como atividade
desenvolvida, pelos mesmos, aparecendo em oito Unidades, como nos mostra o relato:

“Nessa Unidade a gente sempre começa vendo a aferição desse pessoal


para ver como está, pois a maioria deles ou é hipertenso ou é diabético e
60 70% deles são terceira idade, então a gente começa vendo essa
pressão arterial como é que está se está alta se não ta, e vendo isso se
está com a pressão alta a gente deixa ele separado, não faz atividade
física e então começamos a fazer o alongamento em torno de 30 minutos,
não é um alongamento pesado, mas porém que faça eles fazerem os
movimentos que eles tinham perdido no caso não estavam fazendo, e no
alongamento fizemos dinâmica de grupo que dê 30 minutos até 40
minutos, depois disso agente estipula 30 minutos de caminhada mesmo
num ritmo só, dando em torno de 1h a 1h 10min ao máximo, que agente
percebeu que é o máximo que eles suportam fora isso as vezes fizemos
aferição pós, geralmente uma semana sim outra não.” (N- P4)

Os profissionais de Educação Física alegam que a aferição da pressão arterial não é


realizada na maioria das vezes em todas as Unidades devido ao número reduzido de
profissionais divididos para atender as dezoito Unidades, sendo limitado o tempo em que
permanecem em cada UBS. Porém sabemos a importância de se acompanhar os níveis
pressóricos, pois Paizante, 2006 alerta que a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)
representa um dos principais fatores de risco à saúde a nível nacional, conforme o manual
de HAS do Ministério da Saúde.
A abrangência do trabalho realizado pelos profissionais de Educação Física, assim
como as estratégias adotadas, contribuem para uma melhor qualidade de vida e bem
estar dos usuários da Saúde Pública, através de atividades físicas, lúdicas, recreativas, e
palestras educativas. (COELHO, 2002 apud ALCANTARA, 2004). Portanto, o profissional
inserido nessa perspectiva pode desenvolver ações objetivando atingir tanto os grupos
portadores de agravos, como hipertensão, diabetes, quanto para a prevenção e promoção
á saúde, no combate ao sedentarismo. (COQUEIRO et al, 2006).
Para que isso se concretize e tenha uma implantação satisfatória, o profissional de
Educação Física precisa atuar em conjunto com os demais profissionais da Unidade de
Saúde em que atua. No entanto ao perguntarmos em relação à equipe da Unidade, a
maioria dos profissionais apresentaram dificuldade em citar os demais integrantes que
compõem a equipe de saúde, portanto, evidenciaram em sua maioria apenas os
profissionais que se envolvem com o projeto Viver Legal. Podemos observar nos relatos
que os profissionais mais envolvidos com as ações do projeto, mesmo que de maneira
sutil, são os enfermeiros aparecendo na maioria das Unidades, seguido pelos assistentes
sociais e técnicos de enfermagem.

4.4 CONSIDERAÇÕES SOBRE AS UNIDADES DE SAÚDE


A seguir na tabela II apresentaremos os dados coletados dos demais profissionais da
Equipe de Saúde das respectivas Unidade de Saúde, em relação a atuação dos
profissionais de Educação Física do projeto Viver Legal.
TABELA II- Percepção dos demais profissionais das Unidades de Saúde
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
CONHECE O CONSIDERA
UNIDADES UNIDADES/ PROJETO IMPORTANTE ATENDE ESSA
DE ENTREVISTADOS VIVER LEGAL ESSE UNIDADE
SAÚDE TRABALHO
A E SIM SIM SIM
B E SIM SIM SIM
C AS SIM SIM SIM
D AS SIM SIM ATUALMENTE NÃO
E E SIM SIM SIM
H AS SIM SIM SIM
J AS SIM SIM SIM
L E SIM SIM SIM
N E SIM SIM SIM
P E SIM SIM SIM
R AS SIM SIM SIM

______________________________________________________________________
________________________________________________________________________
Legenda: Assistente Social (AS), Enfermeiro (E), Unidades Atendidas (A a R)

O projeto Viver Legal atendia até o início de 2009 dezoito Unidades de Saúde,
atualmente teve o encerramento de suas atividades na Unidade D, passando a atender
dezessete UBSs. De acordo com a tabela II, podemos observar que a entrevista com os
demais profissionais da equipe de saúde foi aplicada apenas em onze Unidades, sendo
que nas demais não foi possível realizar a mesma por motivos diversos atribuídos pelos
responsáveis das Unidades. Os profissionais entrevistados nas Unidades na sua maioria
têm formação em assistente social e enfermagem, onde todos declararam conhecer o
projeto Viver Legal, como também consideram importante o trabalho realizado pelos
profissionais de Educação Física.
Em relação aos benefícios observados aos indivíduos, os profissionais entrevistados,
na maioria das vezes, relataram perceber transformações positivas na vida dos usuários
do projeto, em âmbito de saúde, relacionado a níveis pressóricos e glicêmicos, melhora
na qualidade de vida, diminuição do sedentarismo e socialização. Isso já foi destacado
por Pereira (2008) em seu estudo que mostra significativa mudança na vida dos usuários
do projeto, como a redução nos fatores de riscos á saúde, como também a mudança na
qualidade de vida através das ações desenvolvidas pelos profissionais que apóiam o
projeto Viver Legal.
Os demais profissionais das Unidades de Saúde apontaram que essas melhorias
poderiam ser mais satisfatórias e amplas se o projeto atendesse cada UBS com um maior
tempo nas atividades diárias e maior frequência semanal, de forma que acarretaria num
melhor atendimento aos usuários, e a expansão do atendimento a todo público atendido
pelas Unidades.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A nova tendência em saúde se direciona para a qualidade de vida, prevenção contra
o adoecimento, com isso o profissional de Educação Física vem assumir seu papel que é
de extrema importância para a concretização desse novo ideal que os programas de
saúde apresentam. O trabalho iniciado pelo projeto Viver Legal no município de Campo
Grande/MS, já apresenta dados que comprovam a eficácia do profissional de Educação
Física atendendo os usuários das UBSs. No entanto, observamos que estas ações de
saúde poderiam se realizar de maneira mais ampla, se tornando algo rotineiro nas ações
públicas para a população. Observamos que o trabalho realizado ainda se prende na
forma curativa, sendo que os grupos atingidos pelo projeto em sua grande maioria
englobam a população com doenças e agravos não- transmissíveis já adquiridas. Sendo
que deveria também atingir de maneira ampla os demais usuários que não fazem parte
dos grupos de risco, na tentativa de promover a prática de atividade física e
consequentemente um trabalho de prevenção e promoção à saúde.
Sabemos das dificuldades enfrentadas pelos profissionais de Educação Física que
trabalham com a população atendida pela saúde pública, através do projeto Viver legal,
na qual se limitam as suas condições de projeto não fazendo parte da equipe de Saúde
da família, com isso o trabalho interdisciplinar acaba não ocorrendo de forma desejada de
ambos os lados, tanto da parte dos profissionais de Educação Física quanto dos demais
profissionais da equipe da Unidade.
A implantação do NASF seria uma maneira de agrupar os profissionais da Saúde
numa mesma perspectiva, e conseqüentemente ampliaria o atendimento para as demais
Unidades ainda não atendidas por esses profissionais, ou ainda incluir outros profissionais
como o profissional de Educação Física nas equipes já existentes da Saúde da Família.
Os resultados encontrados servirão para novas discussões e estudos do assunto em
destaque, visando sempre a melhoria na Saúde Pública e a importância do profissional de
Educação Física atuante nesta área como enfatizou o objetivo desta pesquisa.

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