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Síntese e degradação de bases púricas e pirimídicas - Rui Fontes

Síntese e degradação de bases púricas e pirimídicas

1- Os nucleotídeos contêm resíduos de ácido fosfórico, de um açúcar (em geral uma pentose: ribose
ou 2'-desoxiribose) e de uma base púrica ou pirimídica. Quer as bases púricas quer as pirimídicas
são anéis aromáticos heterocíclicos contendo átomos de azoto e carbono. As bases púricas podem
ser entendidas como constituídas por um anel pirimidina (anel com 6 átomos: 4C,2N) ligado a um
anel imidazol (anel com 5 átomos: 3C,2N). São bases púricas a adenina (6-aminopurina), a
guanina (2-amino-6-oxipurina), a hipoxantina (6-oxipurina) e a xantina (2,6-dioxipurina). São
bases pirimídicas a citosina (2-oxi-4-aminopirimidina), o uracilo (2,4-dioxipirimidina), a timina
(2,4-dioxi-5-metilpirimidina) e o ácido orótico (2,4-dioxi-6-carboxipirimidina).

2- Por hidrólise dos nucleotídeos (saída dos resíduos fosfato) geram-se nucleosídeos púricos
(adenosina, guanosina, inosina, xantosina) ou pirimídicos (citidina, uridina, timidina e
orotidina) que contêm uma base e uma ose ligados por uma ligação glicosídica de tipo N. No caso
dos nucleosídeos púricos as palavras que os designam terminam em “osina” e a ligação glicosídica
envolve o átomo N9 da base. A inosina é o nucleosídeo que contém hipoxantina; nos outros casos a
relação entre as designações da base púrica e do nucleosídeo respectivo é óbvia. No caso dos
nucleosídeos pirimídicos as palavras que os designam terminam em “dina” e a ligação glicosídica
envolve o átomo N1 da base.

3- Os nucleosídeos monofosfato (NMP) são os nucleotídeos mais simples e designam-se de acordo


com o nucleosídeo constituinte: adenilato (AMP), guanilato (GMP), inosinato (IMP), xantinilato
(XMP), citidilato (CMP), uridilato (UMP), timidilato (TMP) e orotidilato (OMP). Se não se
específica o contrário subentende-se que o fosfato está ligado (ligação fosfoéster) no hidroxilo 5’ da
pentose.

4- Os ácidos nucleicos constituintes da dieta são hidrolisados no lume intestinal por acção de
nucléases pancreáticas e fosfátases intestinais formando-se nucleosídeos que são absorvidos.
Contudo, a quase totalidade das purinas e a maior parte das pirimidinas que os constituem não são
incorporados nos ácidos nucleicos do organismo mas antes degradadas na mucosa intestinal e no
fígado sendo os produtos do seu catabolismo (ácido úrico no caso das purinas e CO2 + ureia + -
aminoisobutirato no caso das pirimidinas) excretados [1].

5- Na síntese de novo das purinas todas as enzimas são citoplasmáticas e todos os intermediários
contêm ribose-5’-fosfato. O primeiro nucleotídeo formado é a inosina-5’-fosfato (IMP) cuja base é
a hipoxantina (6-oxipurina). Sendo uma via complexa destacamos apenas alguns passos do
processo. Na primeira reacção a ribose-5-P, formada na via das pentoses-fosfato, funciona como
aceitador dos fosfatos - do ATP que se ligam no carbono 1 da ribose gerando-se fosfo-ribosil-
pirofosfato (PRPP); esta reacção é catalisada pela síntase do PRPP (ver equação 1). Na segunda
reacção ocorre rotura da ligação formada na primeira reacção e transferência do azoto do grupo
amida da glutamina para o carbono 1 da ribose formando-se 5-fosforibosilamina; esta reacção é
catalisada pela amido-fosforibosil-transférase da glutamina (ver equação 2). O azoto N9 do anel
purina deriva assim da glutamina. Sucessivamente vão-se incorporando a glicina (que origina os
átomos C4, C5 e N7 das purinas), uma unidade monocarbonada cedida pelo N10-formil-H4-folato
(C8), outro azoto do grupo amida da glutamina (N3), o CO2 (C6), o grupo amina do aspartato
(N1) e outra unidade monocarbonada cedida pelo N10-formil-H4-folato (C2). A equação geral
(ver equação 3) que descreve o processo da síntese de novo das purinas entre ribose-5-P e IMP
mostra que a formação de alguns dos intermediários fosforibosilo da via metabólica está acoplada
com a rotura de ligações fosfoanidrido do ATP.

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ribose-5-P + ATP  PRPP + AMP (1)


PRPP + glutamina  5-fosforibosilamina + glutamato + PPi (2)

ribose-5-P + 5 ATP + 2 glutamina + glicina + aspartato + 2 N10-formil-H4-folato + CO2 


IMP + AMP + 4 ADP + PPi + 4 Pi + 2 glutamato + 2 H4-folato + fumarato (3)

6- É a partir do IMP que se formam quer o AMP (por aminação do carbono 6) quer o GMP (oxidação
+
dependente do NAD e posterior aminação do carbono 2). O dador do grupo 6-amina do AMP é o
aspartato. Na formação do AMP a partir do IMP intervém a sintétase de adenilosuccinato (ver
equação 4); o adenilosuccinato formado sofre, de seguida, a acção de uma líase desdobrando-se em
AMP e fumarato (ver equação 5). A equação soma que descreve a síntese de AMP a partir de IMP é
a equação 6. O dador do grupo 2-amina do GMP é a glutamina; na formação do GMP a partir do
IMP intervém a desidrogénase do IMP que origina XMP (ver equação 7); o intermediário XMP
funciona, de seguida, como aceitador do grupo amina da glutamina (ver equação 8). A equação
soma que descreve a síntese de GMP a partir de IMP é a equação 9. Curiosamente, no processo de
aminação (carbono 6) do IMP e consequente formação do AMP consome-se “uma ligação rica em
energia do GTP” (ver equações 4 e 6) enquanto no processo de aminação (carbono 2) que origina o
GMP se consomem “duas ligações ricas em energia do ATP” (ver equações 8 e 9; notar que o PPi
formado vai sofrer hidrólise subsequente).

IMP + aspartato + GTP  adenilosuccinato + GDP + Pi (4)


adenilosuccinato  AMP + fumarato (5)
IMP + aspartato + GTP  AMP + GDP + Pi + fumarato (6)

IMP + NAD+  XMP + NADH (7)


XMP + glutamina + ATP  GMP + glutamato + AMP + PPi (8)
IMP + NAD+ + glutamina + ATP  GMP + NADH + glutamato + AMP + PPi (9)

7- Para além de poderem ter origem na síntese de novo, os nucleotídeos púricos também podem
formar-se (1) a partir das bases guanina, hipoxantina e adenina ou (2) a partir dos nucleosídeos.
A síntese a partir das bases envolve transferência de ribose-5’-fosfato do PRPP para as bases: base
púrica + PRPP  NMP + PPi. Nos mamíferos existem duas enzimas com este tipo de actividade: a
fosforibosil-transférase da guanina e da hipoxantina (ver equação 10) e a fosforibosil-
transférase da adenina (ver equação 11). A síntese a partir dos nucleosídeos envolve a acção de
cínases dos nucleosídeos (ver equação 12). As reacções catalisadas pelas fosforibosil-transférases e
pelas cínases de nucleosídeos também se designam por “vias de salvação” (ou “de recuperação”)
pois permitem recuperar, respectivamente, bases e nucleosídeos a nucleotídeos. Na ausência destas
“vias de salvação” as bases e os nucleosídeos (resultantes de nucleotídeos em processo catabólico)
gerariam ácido úrico que se perde na urina. Embora o processo de síntese de novo de nucleotídeos
púricos seja pouco activo os processos que levam à degradação destes a nucleosídeos e às bases
assim como as "vias de salvação" são, em muitos tecidos, processos importantes e com actividade
elevada.

guanina ou hipoxantina + PRPP  GMP ou IMP + PPi (10)


adenina + PRPP  AMP + PPi (11)
nucleosídeo + ATP  NMP + ADP (12)

8- Em geral, a transformação dos nucleotídeos que contêm um resíduo fosfato (nucleosídeos


monofosfato; NMP) em nucleosídeos difosfato (NDP) e destes em nucleosídeos trifosfato (NTP)
envolve a acção de cínases que catalisam a transferência do fosfato terminal do ATP para os
substratos aceitadores. Na síntese de ATP a partir de ADP tem particular relevância a síntase de
ATP da membrana interna da mitocôndria. A diminuição do número de fosfatos dos nucleotídeos
pode envolver múltiplas enzimas como, por exemplo, fosfátases específicas e inespecíficas. A
hidrólise dos nucleosídeos monofosfato é catalisada por fosfátases que se designam de 5’-
nucleotídases.

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9- Os derivados 2’-desoxinucleotídeos (quer púricos quer pirimídicos) formam-se por acção da


redútase dos ribonucleosídeos difosfato e os agentes redutores directos são duas proteínas: as
formas reduzidas da tioredoxina e da glutaredoxina (ver equação 13). A manutenção da
tioredoxina e da glutaredoxina nas formas reduzidas depende, em última instância, do NADPH e da
acção catalítica de oxi-redútases específicas. Na acção da redútase da tioredoxina o redutor
directo é o NADPH mas na acção da redútase da glutaredoxina o redutor directo é o glutatião
(ver equações 14 e 15). A redução dos NDPs ocorre no hidroxilo 2’. São substratos da redútase dos
ribonucleosídeos difosfato o ADP, o GDP, o UDP e o CDP; os nucleotídeos da timina (TMP, TDP
e TTP) formam-se a partir do 2’-dUDP. Quando não se especifica o contrário subentende-se que a
ose da timidina e dos nucleotídeos da timina é a 2’-desoxiribose. Nos outros casos subentende-se
que é a ribose.

NDP + tioredoxina reduzida ou glutaredoxina reduzida 


2’-dNDP + tioredoxina oxidada ou glutaredoxina oxidada (13)
tioredoxina oxidada + NADPH  tioredoxina reduzida + NADP+ (14)
glutaredoxina oxidada + 2 GSH  glutaredoxina reduzida + GSSG (15)

10- No processo catabólico os nucleosídeos monofosfato (NMP) sofrem hidrólise na ligação fosfoéster
(5’-nucleotídase) formando-se os respectivos nucleosídeos (ver equação 16); a partir do AMP
forma-se adenosina e a partir do GMP guanosina. As vias catabólicas seguidas pela adenosina e
pela guanosina são algo distintas mas, em ambos os casos, o produto final é o urato, uma substância
que se mantém intacto o anel purina e que é excretada na urina. A adenosina formada pela acção da
5’-nucleotídase é desaminada a inosina por acção catalítica de uma hidrólase: a desamínase da
adenosina (ver equação 17). De facto, a conversão do AMP em inosina também pode seguir uma
sequência em que o primeiro passo é a desaminação (catalisada pela desamínase do AMP; ver
equação 18) e o segundo a hidrólise do fosfoéster do IMP, o nucleotídeo formado pela desamínase
do AMP (ver equação 19). A inosina, formada nesta última reacção ou por acção da desamínase da
adenosina, perde a pentose e gera hipoxantina (acção de uma fosforílase de nucleosídeos; ver
equação 20). As oxidações da hipoxantina a xantina e de xantina a ácido úrico são da
responsabilidade de uma mesma enzima: a oxiredútase da xantina. De facto, o produto do gene
+
codificador da enzima é uma desidrogénase dependente do NAD (desidrogénase da xantina; ver
equações 21 e 22) que se pode converter numa oxídase (oxídase da xantina; ver equações 23 e 24).
Aparentemente, in vivo, podem coexistir as duas formas da enzima [2]. A ribose-1-P formada
aquando da acção da fosforílase pode sofrer isomerização a ribose-5-P (ver equação 25).

NMP + H2O  nucleosídeo + Pi (16)


adenosina + H2O  inosina + NH3 (17)

AMP + H2O  IMP + NH3 (18)


IMP + H2O  inosina + Pi (19)

inosina + Pi  hipoxantina + ribose-1-P (20)

hipoxantina + NAD+  xantina + NADH (21)


xantina + NAD+  urato + NADH (22)
hipoxantina + O2  xantina + H2O2 (23)
xantina + O2  urato + H2O2 (24)

ribose-1-P  ribose-5-P (25)

11- No processo catabólico da guanosina há, relativamente ao caso da adenosina, uma inversão na
sequência das reacções e forma-se directamente xantina em vez de hipoxantina. Aqui é a própria
guanosina que sofre fosforólise gerando a guanina (ver equação 26) e é a base (e não a guanosina
ou o GMP) que sofre desaminação hidrolítica (guanase; ver equação 27). Da acção da guanase (ver

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equação 27) resulta a formação da xantina que por acção da oxiredútase da xantina origina o urato
(ver equações 22 e 24).

guanosina + Pi  guanina + ribose-1-P (26)


guanina + H2O  xantina + NH3 (27)

12- O ácido úrico é excretado na urina. À condição em que, quer por excesso de formação, quer por
deficit de excreção (mais frequente) a sua concentração aumenta no plasma dá-se o nome de
hiperuricemia. Uma das causas possíveis de hiperuricemia é o aumento da velocidade de
destruição celular como a que ocorre em neoplasias durante a quimioterapia ou a radioterapia. Uma
causa rara de hiperuricemia é o síndrome de Lesch-Nyhan que se deve a alterações no gene que
codifica a fosforibosil-transférase da hipoxantina e guanina; nesta doença, a baixa actividade da
enzima prejudica a via de salvação das bases púricas hipoxantina e guanina havendo excesso de
produção de ácido úrico e alterações neurológicas de patogenia desconhecida (que incluem atraso
mental e comportamentos anormais de auto-mutilação). Na ausência de qualquer patologia, a
concentração normal de urato no plasma encontra-se perto do limite de solubilidade. Quando,
devido a concentração elevada, o ácido úrico precipita na sinovial de articulações pode haver uma
resposta inflamatória que provoca dor; esta condição patológica designa-se de gota. O tratamento
da gota e das hiperuricemias de qualquer causa pode incluir a administração de alopurinol, um
fármaco que inibe a oxiredútase da xantina. Aquando da administração de alopurinol, a hipoxantina
e a xantina aumentam anormalmente de concentração mas são mais solúveis que o urato e não
precipitam.

13- A via da síntese de novo dos nucleosídeos pirimídicos também é uma via complexa onde apenas
destacaremos alguns passos. Envolve, como primeiro passo, uma sintétase de carbamil-fosfato
citoplasmática (sintétase de carbamil-fosfato II) em que o dador de azoto é a glutamina (ver
equação 28). A segunda reacção é catalisada pela transcarbamílase do aspartato (ver equação
29). O carbamil-aspartato vai originar orotato que é o intermediário pirimídico que reagindo com o
PRPP gera o primeiro nucleotídeo desta via metabólica: o orotidilato (OMP); a reacção é catalisada
por uma transférase de fosforibosilo (ver equação 30). O OMP por descarboxilação gera o UMP
(ver equação 31). Por acção catalítica de uma cínase o UMP pode ser fosforilado a UDP que está na
origem quer do CTP quer do TMP. Os átomos N1, C4, C5 e C6 do anel pirimidina têm origem no
aspartato; o átomo N3 na glutamina e o átomo C2 no CO2. A equação soma relativa à síntese do
UDP (síntese de PRPP incluída; ver equação 1) é a equação 32.

CO2 + glutamina + 2 ATP  carbamil-fosfato + 2 ADP + Pi + glutamato (28)


carbamil-fosfato + aspartato  carbamil-aspartato + Pi (29)
orotato + PRPP  OMP + PPi (30)
OMP  UMP + CO2 (31)

ribose-5-P + glutamina + aspartato + 4 ATP + NAD+ 


UDP + glutamato + PPi + AMP + 3 ADP + 2 Pi + NADH (32)

14- (i) O CTP forma-se por aminação do carbono 4 do UTP por acção da sintétase do CTP (o dador
do grupo amina é a glutamina que sai como glutamato; ver equação 33). O UTP que é substrato
desta sintétase forma-se por fosforilação do UDP (acção da cínase de nucleosídeos difosfato). (ii) O
TMP forma-se por metilação do carbono 5 do 2’-dUMP; o 2’-dUMP também tem origem no UDP.
Por acção da redútase dos ribonucleosídeos difosfato (ver equação 13) o UDP converte-se em 2’-
dUDP que, por acção da cínase de nucleosídeos difosfato, origina o 2’-dUTP. O 2’-dUMP forma-se
a partir do 2’-dUTP por acção catalítica de uma hidrólase específica que actua na ligação entre os
fosfatos  e  do 2’-dUTP (ver equação 34). Ao contrário do que acontece na generalidade das
reacções de transferência de unidades monocarbonadas que envolvem o ácido fólico, na reacção de
formação do TMP (metilação do 2’-dUMP) o produto da reacção não é o H4-folato mas o
dihidrofolato (H2-folato); a reacção é catalisada pela síntase do timidilato (ou síntase do TMP) e
é descrita pela equação 35. Ao contrário do H4-folato, o H2-folato não é aceitador de unidades
monocarbonadas; por isso a manutenção do processo metabólico exige a redução do H2-folato a

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H4-folato que ocorre à custa da oxidação do NADPH e é catalisada pela redútase do dihidrofolato
(ver equação 36). O N5,N10-metileno-H4-folato, dador do grupo metilo na síntese do TMP, pode
formar-se quer por acção da hidroxi-metil-transférase da serina (ver equação 37) quer por acção da
enzima de clivagem da glicina (ver equação 38). É costume agrupar as reacções em que o N5,N10-
metileno-H4-folato se converte em H2-folato (e o 2’-dUMP gera timidilato, ver equação 35), o H2-
folato se reduz a H4-folato (ver equação 36) e este último é novamente metilado a N5,N10-
metileno-H4-folato (ver equações 37 e 38) sob a denominação de ciclo do dihidrofolato.

UTP + glutamina + ATP  CTP + glutamato + ADP + Pi (33)

2’-dUTP + H2O  2’-dUMP + PPi (34)


2’-dUMP + N5,N10-metileno-H4-folato  TMP + H2-folato (35)
H2-folato + NADPH  H4-folato + NADP+ (36)
serina + H4-folato  glicina + N5,N10-metileno-H4-folato (37)
glicina + NAD+ + H4-folato  NH3 + CO2 + N5,N10-metileno-H4-folato + NADH (38)

15- Tal como no caso dos nucleosídeos das purinas também os nucleosídeos das pirimidinas podem ser
“salvos” por acção de cínases (ver equação 12). Tal como nos casos da hipoxantina, guanina e
adenina também o uracilo, a timina e o orotato (mas não a citosina) podem ser “salvos” por acção
de fosforibosil-transférases de que um exemplo é a fosforibosil-transférase do uracilo (ver
equação 39).

uracilo + PRPP  UMP + PPi (39)

16- O catabolismo dos nucleotídeos pirimídicos envolve a prévia libertação das bases (citosina,
uracilo e timina) por acção sequenciada de fosfátases que actuam nos nucleotídeos e de fosforílases
que actuam nos nucleosídeos. No caso da citosina o seu catabolismo envolve a prévia conversão em
uracilo por desaminação hidrolítica (ver equação 40). No catabolismo das bases pirimídicas, ao
contrário do que acontece no caso das bases púricas, o anel sofre rotura formando-se CO2,
amoníaco e -aminoácidos que podem ser catabolisados ou serem parcialmente excretados intactos
na urina; no caso da timina o -aminoácido formado é o -aminoisobutirato. As equações 41 e 42
são equações soma relativas aos catabolismos do uracilo e da timina. É de notar que, embora se
tratem de vias catabólicas, ocorre, durante o processo, um passo redutor em que se consome
NADPH. O amoníaco é transformado em ureia mas, dado o baixo metabolismo dos nucleotídeos
relativamente ao dos aminoácidos, o seu contributo para esta formação é relativamente pequeno.

citosina + H2O  uracilo + NH3 (40)


uracilo + NADPH + 2 H2O  NADP+ + alanina- + CO2 + NH3 (41)
timina + NADPH + 2 H2O  NADP+ + -aminoisobutirato + CO2 + NH3 (42)

17- As actividades das enzimas que catalisam as vias de síntese de novo e de recuperação das bases
púricas e pirimídicas têm mecanismos de regulação de que os mais estudados são os mecanismos
alostéricos. Uma reacção comum às vias metabólicas de síntese dos nucleotídeos púricos e
pirimídicos é a de síntese do PRPP (ver equação 1). Esta reacção é um dos pontos de controlo da
velocidade de síntese dos nucleotídeos. Outros cinco são os catalisados pela amido-fosforibosil-
transférase da glutamina, pela sintétase de adenilosuccinato, pela desidrogénase do IMP (na
via da síntese das purinas; ver equações 2, 4 e 7), pela sintétase de carbamil-fosfato II e pela
transcarbamílase do aspartato (na via da síntese das pirimidinas; ver equações 28 e 29). (i) A
síntase do PRPP é inibida por nucleotídeos quer púricos quer pirimídicos. (ii) A amido-fosforibosil-
transférase da glutamina, a primeira enzima específica do processo de síntese das purinas, é inibida
pelos nucleotídeos púricos e estimulada pelo PRPP. O PRPP é substrato da enzima mas o valor do
seu Km é superior ao das suas concentrações fisiológicas: a amido-fosforibosil-transférase da
glutamina é sensível às variações fisiológicas da concentração do PRPP. (iii) No processo de
síntese de AMP a partir de IMP uma “primeira” enzima (a sintétase de adenilosuccinato; ver
equação 4) é inibida pelo produto final, o AMP. (iv) De modo semelhante, no processo de síntese
de GMP a partir de IMP a “primeira” enzima (a desidrogénase do IMP; ver equação 7) é inibida

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pelo GMP. (v) A síntase de carbamil-fosfato II (ver equação 28) é activada pelo PRPP e inibida
pelo UTP e (vi) a transcarbamílase do aspartato (ver equação 29) é activada pelo ATP e inibida
pelo CTP.

18- A redútase dos ribonucleosídeos difosfato só está activa aquando da fase S do ciclo celular
(síntese de DNA). A sua actividade é regulada de forma muito complexa de forma a que o consumo
de 2’-desoxiribonucleosídeos trifosfato (2’-dNTP) na síntese de DNA seja compensada pela síntese
e que não haja excesso nem deficit de nenhum dos diversos 2’-dNTPs.

19- As células em multiplicação rápida como são as células dos tumores são sensíveis a fármacos que
interferem na multiplicação celular. Nalguns destes fármacos o seu mecanismo de acção é a
interferência no metabolismo das purinas e das pirimidinas. (i) O mais conhecido é o metotrexato
cuja acção é a inibição da redútase do dihidrofolato (ver equação 36) desta forma bloqueando o
processo de reaproveitamento do dihidrofolato para a síntese do TMP. (ii) Um outro exemplo é a 6-
mercaptopurina que de facto é um pró-fármaco: só tem acção depois de convertida no respectivo
nucleosídeo monofosfato por acção da fosforibosil-transférase da hipoxantina e guanina (ver
equação 10). O ribonucleosídeo monofosfato da 6-mercaptopurina é um potente inibidor de, pelo
menos, três enzimas da via de síntese das purinas nomeadamente: a amido-fosforibosil-transférase
da glutamina, a sintétase de adenilosuccinato e a desidrogénase do IMP (ver equações 2, 4 e 7). (iii)
Alguns antivirais também são pró-fármacos. O aciclovir, usado no tratamento do herpes, é um
análogo da guanosina em que a (desoxi)ribose está substituída por um outro composto que não têm
um grupo hidroxilo numa posição correspondente ao 3’-OH da (desoxi)ribose. A acção terapêutica
do aciclovir só se pode exercer depois deste composto sofrer fosforilação a aciclovir monofosfato e
esta fosforilação só ocorre nas células infectadas pelo vírus: a cínase que catalisa esta reacção é a
cínase de timidina codificada pelo genoma viral mas a cínase de timidina do hospedeiro não
reconhece o aciclovir. O aciclovir monofosfato é, de seguida, fosforilado por cínases do hospedeiro
em aciclovir trifosfato que se incorpora no DNA do vírus, mas que provoca a terminação da síntese
pois não tem hidroxilo na posição 3’.

1. Berthold, H. K., Crain, P. F., Gouni, I., Reeds, P. J. & Klein, P. D. (1995) Evidence for
incorporation of intact dietary pyrimidine (but not purine) nucleosides into hepatic RNA, Proc Natl Acad
Sci U S A. 92, 10123-7.
2. Nishino, T., Okamoto, K., Eger, B. T. & Pai, E. F. (2008) Mammalian xanthine
oxidoreductase - mechanism of transition from xanthine dehydrogenase to xanthine oxidase, Febs J. 275,
3278-89.

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Ribose-5-P glutamina
NAD+
ATP
XMP
AMP glutamato
NADH ATP
GDP+ Pi
PRPP PPi + 4 ADP + 4 Pi
Adenilosuccinato AMP
+ 2 glutamato + GTP + PPi
2 H4-folato +
fumarato aspartato fumarato PPi
IMP AMP GMP
NH3 H2O
intermediários fosforibosilo H2O
H2O ADP H2O PPi

4 ATP + 2 glutamina Pi
Pi Pi
+ glicina + 2 N10- ATP
formil-H4-folato + PPi
CO2 + aspartato + guanosina
inosina adenosina
2 H2O
NH3 H2O Pi
Pi

PRPP Ribose-1-P
Ribose-1-P

ATP adenina guanina


NMP hipoxantina
ADP PRPP PRPP
ATP
NDP xantina H2O
NADPH ADP
NH3

NADP+ NTP
2’-dNDP ÁCIDO ÚRICO

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CO2 + glutamina + 2 ATP Ribose-5-P

ATP glutamato CTP


2 ADP + Pi + glutamato
AMP glutamina
Carbamil-P ADP + Pi

aspartato ATP
UTP
PRPP PPi
Pi H2O +NADH CO2

Carbamil-aspartato Ácido orótico OMP UMP UDP


NADPH
+
Ribose-1-P NAD
-aminoisobutirato NADP+
2’-dUDP
timina ATP
Pi
citosina CO2 + NH3 ADP
nucleosídeos
uracilo 2’-dUTP
Pi H2O
ATP PRPP
H2O PPi
2’-dUMP
PPi UREIA
ADP Pi
N5,N10-metileno-H4-folato
H2O Pi
glicina
NMP ATP
ADP
H2O serina
ATP H4-folato
NDP
NADPH
ADP
NADP+
H2-folato
2’-dNDP NADP+ NTP NADPH
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TMP