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A chave esquecida para o Evangelismo Bíblico

“Outrora eu vivia sem a lei; mas assim que veio o mandamento, reviveu o pecado (Rm 7.9).
Assim ocorre também com os que se fiam que suas “boas” obras fazem deles pessoas justas,
e com os orgulhosos descrentes. Por não conhecerem a Lei de Deus, que está apontada em
sua direção, é impossível que conheçam o seu pecado. Portanto, não estão receptivos à instrução.
Se conhecessem a Lei, também conheceriam o seu pecado;
e o pecado para o qual agora estão mortos se tornaria vivo neles.”
Martinho Lutero

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Comentário de Kirk Cameron: Este ensinamento é criticamente importante. Para ser instruído de
maneira apropriada em como efetivamente alcançar os perdidos com o evangelho, precisamos
começar com a fundamentação bíblica para o evangelismo. Leia esta lição refletidamente. Não
deixe que coisa alguma o distraia enquanto descobre aquilo que Charles Spurgeon chamou de
“nosso mais hábil auxiliar” – ou seja, nossa arma mais poderosa.

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Perguntas e Objeções
“Eu sou tão bom quanto qualquer cristão!”

Um cristão, por si só, não é bom. Jesus disse que somente Deus é bom. A única “bondade”, ou
retidão, que o crente possui vem de Jesus Cristo (2 Coríntios 5:21; Filipenses 3:9). A Bíblia nos diz
que, sem Cristo, o homem é corrupto e imundo; “não há um que pratique o bem, não, nem um” (Sl
14.3) .

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Você alguma vez já pensou que “deve haver uma chave para alcançar os perdidos”?
E há mesmo – e ela está enferrujada por falta de uso. A Bíblia na verdade a chama de “a chave”, e
seu propósito é nos levar a Cristo e destrancar a Porta do Salvador (Jo 10.9). Ela não somente é
bíblica, mas foi usada através de toda a história para abrir as portas do avivamento. A maior parte da
igreja atual nem mesmo sabe que ela existe. O problema é que ela foi perdida perto da virada do
século XX.

Jesus usou esta chave. Paulo (Rm 3.19-20) e Tiago também (Tg 2.10). Estevão a usava quando
pregava (At 7.53). Pedro a utilizou para abrir a porta da libertação de 3000 almas aprisionadas no
Dia de Pentecoste. Jesus disse que os doutores da lei haviam “tirado” a chave e recusado usá-la para
deixar o povo entrar no reino de Deus (Lc 11.52). Os fariseus, por sua vez, não a retiraram; ao invés
disso, eles a entortaram para que ela não fizesse o seu trabalho (Mc 7.8). Jesus a devolveu à sua
forma original, exatamente como as Escrituras haviam profetizado que Ele faria (Is 42.21). Satanás
tem semeado o preconceito contra esta chave no meio da igreja. Ele a tem difamado, distorcido e,
certamente, escondido – ele odeia tal chave pelo que ela faz. Talvez você esteja querendo saber que
chave é esta. Logo saberá. Contudo é necessário que coloque de lado suas tradições e preconceitos e
observe o que a Palavra de Deus diz a esse respeito.

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Em At 28.23, a Bíblia nos conta que Paulo procurou persuadir seus ouvintes “a respeito de Jesus,
tanto pela lei de Moisés como pelos profetas.” Eis aqui dois meios efetivos de persuadir os
descrentes “a respeito de Jesus.”

Primeiro, verifiquemos como os profetas podem ajudar a persuadir os pecadores a respeito de Jesus.
As profecias cumpridas provam a inspiração das Escrituras. As previsões dos profetas se constituem
em um poderoso argumento da inspiração da Bíblia. Qualquer cético que ler as palavras proféticas
de Isaías, Ezequiel, Joel, etc., ou as palavras de Jesus em Mt 24, não terá alternativa a não ser
admitir que a Bíblia não é um livro comum.

A outra maneira pela qual Paulo persuadiu os pecadores a respeito de Jesus foi “pela lei de Moisés.”
A Bíblia nos conta que a Lei de Moisés é “boa se for usada como se deve (1 Tm 1.8). Para qual
propósito foi a Lei de Deus escrita? Os seguintes versículos nos informam: “A Lei não é feita para
as pessoas corretas, mas... para pecadores” (1 Tm 1.9-10). Ela até mesmo nos dá uma lista dos
pecadores: os desobedientes, irreverentes, assassinos, fornicadores, homossexuais, seqüestradores,
mentirosos, etc. A Lei foi escrita primeiramente como uma ferramenta evangelística. Paulo escreveu
que ele “não conheceu o que era o pecado, senão pela lei” (Rm 7.7). A Lei de Deus (os Dez
Mandamentos) é evidentemente a “chave do conhecimento” que Jesus mencionou em Lc 11.52. Ele
estava falando para doutores da lei – aqueles que deveriam estar ensinando a Lei de Deus para que
os pecadores recebessem o “conhecimento do pecado”, e então reconhecessem sua necessidade do
Salvador.

As profecias falam ao intelecto, enquanto a Lei fala à consciência. As profecias produzem fé na


Palavra de Deus; a Lei traz o conhecimento do pecado ao coração do pecador. A Lei é a “chave”
dada por Deus para destrancar a Porta da salvação.

A Bíblia fala no Sl 19.7: “A lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” As Escrituras deixam
bem claro que é a Lei que, na verdade, converte a alma. Para ilustrar a função da Lei de Deus,
vamos analisar por um instante um exemplo baseado na lei civil. Imagine que eu dissesse a você:
“Tenho boas notícias para você: alguém acaba de pagar uma multa por excesso de velocidade no
valor de R$ 60.000,00 para você.” Provavelmente, você reagiria dizendo: “Como é? Essas não são
boas notícias – não faz sentido. Eu não tenho uma multa de R$ 60.000,00.” Minhas boas notícias
não seriam boas novas para você, elas pareceriam uma tolice. Mas, além disso, tal atitude da minha
parte o ofenderia, pois estaria insinuando que você havia quebrado a lei, sendo que você não achava
que a tivesse quebrado.

Entretanto, se eu colocar a situação da seguinte maneira, ela fará mais sentido: “Enquanto você
estava dirigindo hoje, o radar da polícia marcou você passando a 120 km por hora em uma área
reservada para a convenção das crianças cegas. Havia dez claras placas informando que a
velocidade máxima era de 40 quilômetros por hora. O que você fez foi extremamente perigoso e,
daí, a aplicação da multa no valor de R$ 60.000,00. O juiz estava para emitir o mandato de sua
prisão quando alguém que você nem mesmo conhece apresentou-se e pagou a multa por você. Que
coisa boa, hein?”

Veja que o fato de informar precisamente o que você fez de errado primeiro, faz com que as boas
notícias façam sentido. Se não conduzirmos a pessoa primeiro à compreensão da violação da lei,
então as boas notícias parecerão tolice e uma ofensa, ao passo que, quando o indivíduo compreende
que quebrou a lei, as boas novas passam a se tornar, de fato, BOAS notícias.

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Da mesma forma, se abordarmos um pecador impenitente e dissermos: “Jesus Cristo morreu na cruz
por seus pecados”, isso lhe parecerá tolice e uma ofensa. Tolice porque não fará sentido. A Bíblia
alerta que “a palavra da cruz é tolice para aqueles que perecem” (1 Co 1.18). E será uma ofensa
porque estaríamos insinuando que é um pecador quando ele acha que não é, pois, para ele, há
muitas pessoas piores do que ele por aí. Contudo, se seguirmos os passos de Jesus, a mensagem fará
mais sentido. Se abrirmos a Lei divina, os Dez Mandamentos, e mostrarmos ao pecador
precisamente o que tem feito de errado – que ele tem ofendido a Deus, violando Sua Lei – e quando
for “condenado pela lei como transgressor” (Tg 2.9), as boas novas da multa sendo paga por ele não
mais serão uma tolice. Muito menos serão uma ofensa. Serão “o poder de Deus para a salvação”
(Rm 1.16)

Com isso em mente, analisemos algumas das funções da Lei de Deus para a humanidade. Rm 3.19
diz: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e
todo o mundo seja culpável perante Deus.”

Em Rm 3.20, lemos: “visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de
que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” Em Gl 3.24, aprendemos que a Lei de Deus age
como um professor (aio) para nos conduzir a Cristo, para que possamos ser justificados pela fé em
Seu sangue. A Lei não nos ajuda; ela apenas nos deixa desvalidos. Ela não nos justifica; ela apenas
nos mostra culpados diante de um Deus santo.

Charles Spurgeon, conhecido como o Príncipe dos Pregadores, afirmou: “Eu não creio que homem
algum possa pregar o evangelho sem pregar a Lei. A Lei é a agulha. Não se consegue passar o fio de
lã do evangelho pelo coração de uma pessoa sem antes furá-lo com agulha da lei, que lhe prepara o
caminho.”

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Perguntas
1. Como Paulo buscou persuadir seus ouvintes a respeito de Jesus? Por que ele fez isso?
2. O que é que, na verdade, converte a alma? (Veja o Sl 19.7)
3. Por que a pregação da cruz parece tolice e uma ofensa para um pecador irregenerado?
4. Portanto, o que devemos dizer primeiro ao pecador, antes de contar-lhe as boas novas de sua
multa ter sido paga por ele?
5. O que significa que a Lei “cala toda boca”? (Veja Rm 3.19)
6. Quais são as funções da Lei? (Veja Rm 3.19-20; 7.7; Gl 3.24)
7. Qual a definição Bíblica de pecado? (Veja 1 Jo 3.4)

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O Pregador
Eu, Cristão, estou esperando um ônibus na parada quando Mário Arisco se aproxima;
aparentemente ele também está esperando um ônibus. Meu coração começa a bater forte, pois eu sei
que esta é minha oportunidade de evangelizá-lo. O ônibus desponta no início da avenida; tenho
apenas dois minutos antes dele entrar no coletivo. Eu começo o diálogo falando de coisas naturais e,

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rapidamente, passo a falar de coisas espirituais:

Cristão: “Oi, tudo bem?”


Arisco: “Tudo”
Cristão: “Lindo dia, hein!?”
Arisco: “É mesmo.”
Cristão: “Você mora por aqui?”
Arisco: “Não”
Cristão: “Você já recebeu um desses aqui?”
Arisco: “Não. O que é isso?”
Cristão: “É um panfleto cristão. Você vem de uma família cristã?”
Arisco: “Mais ou menos. Eu ia à igreja quando era mais novo, mas parei.”
Cristão: “Sabe o que me fez pensar seriamente sobre as coisas de Deus?”
Arisco: “Não. O que?”
Cristão: “Os Dez Mandamentos. Jesus disse que só de você olhar para uma mulher com um desejo
impuro, você já adulterou com ela em seu coração.”
Arisco: “Caramba...”
Cristão: “E esse é apenas um dos Mandamentos. Isso mostra que todos somos culpados, não
acha?”
Arisco: “É mesmo.”
Cristão: “Então, você também já quebrou esse mandamento?”
Arisco: “Muitas vezes”
Cristão: “Deus não quer que você vá para o inferno. É por isso que você deve se arrepender e crer
em Jesus. Ele levou o castigo pelos seus pecados na cruz. Você tem Bíblia em casa?”
Arisco: “Tenho, tenho.”
Cristão: “Então, comece a lê-la. Aí vem o seu ônibus. Obrigado por me ouvir.”
Arisco: “Obrigado. Tchau.”

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Versículo para Memorização


“De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo,
a fim de que fôssemos justificados por fé.”
Gl 3.24

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Últimas Palavras

Martinho Lutero, o monge que Deus usou para sacudir o mundo, foi poupado de ser torturado até a

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morte . Quando veio a morrer, seus lábios estavam adornados com palavras das Escrituras. Quando
deu seu último suspiro, Lutero repetiu Jo 3.16 e este versículo do Sl 68:

“Nosso Deus é o Deus de quem vem a salvação.


Deus é o Senhor através de quem escapamos da morte.”
Sl 68.20

Com as mãos juntas, e sem o menor sinal de perturbação,


este grande homem de Deus terminou sua peregrinação.

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Fazendo com que a graça seja realmente maravilhosa

“O céu inteiro se interessa pela cruz de Cristo, o inferno inteiro a teme, enquanto os seres
humanos são as únicas criaturas que, de certa forma, ignoram o seu significado.”
Oswald Chambers

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Comentário de Kirk: A graça nunca havia feito tanto sentido para mim, nem havia se apresentado
tão linda, quando no momento em que a enxerguei à luz da Santa Lei de Deus. A Lei ilumina o
entendimento do pecador e revela que a graça de Deus é maravilhosa.

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Perguntas e Objeções
“A culpa é da Mãe Natureza”

Furacões, tornados, enchentes, secas e terremotos matam dezenas de milhares de pessoas a cada
ano. Multidões de pessoas têm doenças que as deixam paralíticas, passam por sofrimento e dor
inenarráveis. Muitos não-cristãos culpam uma insensível “Mãe Natureza” por nos infligir tamanho
sofrimento. Tais pessoas erram por não entenderem que a “Mãe Natureza” tem um chefe que se
chama Deus Pai.

Entretanto, se Deus é responsável por tanto sofrimento, um interessante dilema se arma. Se Deus é
um “Pai amor” como comumente ouvimos por aí, restam-nos três escolhas: 1) Deus meteu os pés
pelas mãos quando criou todas as coisas (ou seja, Ele é criativo, mas incompetente); 2) Deus é um
tirano, que se diverte vendo crianças morrerem de leucemia; 3) algo entre Deus e a humanidade está
radicalmente errado. Estas são nossas escolhas... e aqueles que tirarem um tempo para considerar as
evidências escolherão a opção três: algo entre Deus e a humanidade está radicalmente errado! A
Bíblia nos explica o problema.

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Há uma guerra ocorrendo. Sabemos que a humanidade é inimiga de Deus por causa de suas más
obras (Cl 1.21). Não é difícil de enxergar isso. A humanidade tem continuamente cometido atos
violentos como assassinato e estupro, mentira, roubo, etc., conforme vemos diariamente nos
noticiários. As pessoas têm usado o nome de Deus como uma palavra de xingamento, enquanto a
Mãe Natureza fica com a glória pela criação do Pai, isto é, até que aconteça um terrível desastre
(como a Tsunami na Ásia em 2004); aí as pessoas chamam isso de um “ato de Deus.”

É interessante saber que em inglês, a palavra ‘WAR’ (guerra) forma uma sigla curiosa: We Are
Right (Nós Estamos Certos). Qualquer país que faça guerra, a faz porque tem a convicção de que
está certo [e, assim, tem o direito de fazê-la]. Entretanto, uma rápida verificação na Lei de Deus
mostra-nos quem está certo e quem está errado. Nós, e não Deus, é que somos a parte culpada. Se
quisermos Sua benção de volta sobre o nosso país e nossas vidas, devemos fazer paz com Ele, e isso
só é possível através da fé em Jesus Cristo.

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As boas novas do evangelho são que, na cruz do Calvário, Deus estendeu Sua graça à humanidade.
Palavras não conseguem expressar as maravilhas de Sua graça ilustrada de maneira tão plástica na
[imagem] da cruz ensangüentada. A palavra ‘graça’ pode ser definida como “favor imerecido por
aqueles que só o mal mereceriam” ou, em outras palavras, “As Riquezas de Deus à custa de Cristo.”

A pergunta que deveria estar no coração de cada cristão é: qual a melhor maneira de mostrarmos a
maravilhosa graça de Deus a este mundo perdido? É curioso que quando dizemos aos pecadores que
Deus os amou de tal maneira que deu Seu único Filho para morrer em lugar deles, isso parece ter
menos importância de que a previsão meteorológica do dia. Na opinião deles, pelo menos a
“previsão do tempo para hoje” é aplicável imediatamente.

A solução para este dilema pode ser encontrada em Rm 5.20. Neste versículo ficamos sabendo para
que Deus nos deu Sua Lei: “A Lei veio para que a ofensa abundasse. Mas, onde o pecado abundou,
superabundou a graça.”

Quando o pecado abunda, a graça superabunda. De acordo com as Escrituras, o que faz com que o
pecado abunde é a Lei.

Podemos ver a obra da Lei de Deus ilustrado na lei civil. Por exemplo, quando não há nenhum sinal
visível da lei em uma rodovia, os motoristas geralmente transgridem o limite de velocidade.
Aparentemente, todo motorista infrator pensa consigo mesmo que lei esqueceu de patrulhar esta
parte da rodovia. Além do mais, ele só está 30 km acima do limite de velocidade e, afinal de contas,
ele não é o único a estar fazendo isso.

Note o que ocorre quando a lei aparece na rodovia com a sirene ligada e as luzes piscando. O
coração do infrator pára de bater por um segundo. Ele já não se sente mais seguro com o fato de que
há outros motoristas infringindo a lei junto com ele. Ele sabe que é pessoalmente culpado – tanto
quanto qualquer outro infrator – e ele pode ser a “bola da vez”, aquele que a lei vai mandar parar no
acostamento. O fato de que há outras pessoas fazendo o mesmo é irrelevante. De repente, seus
“meros” 30 km por hora não mais parecem algo tão desprezível assim; na verdade, eles parecem
abundar.

Observe a rodovia do pecado. O mundo inteiro está naturalmente indo com a maré. Quantos podem
dizer que nunca tiveram (ou desejaram ter) um relacionamento extraconjugal? Quantos na

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sociedade de hoje podem dizer que nunca contaram uma “mentirinha”? Quem nunca furtou nada de
outrem? Os pecadores sabem que o que estão fazendo é errado, mas sua segurança está no fato de
que há muitas outras pessoas tão culpadas quanto eles. Tem-se a impressão de que Deus esqueceu
de tudo a respeito do pecado e dos Dez Mandamentos. Então, o pecador diz em seu coração: “Deus
esqueceu-se; cobriu o seu rosto e nunca verá isto” (Sl 10.11)

Agora veja o que ocorre quando chega a Lei com sua sirene ligada e as luzes vermelhas piscando. O
coração do pecador pára de bater por um segundo. Ele tapa a sua boca com a mão. Ele examina o
velocímetro de sua consciência. Repentinamente, isso lhe mostra a medida de sua culpa sob uma
nova luz – a luz da Lei. Seu senso de segurança no fato de que há multidões fazendo o mesmo
torna-se irrelevante, pois cada pessoa prestará contas de si mesma perante Deus. O pecado não
somente se torna pessoal, ele parece “abundar”. Sua mera lascívia se torna adultério no coração (Mt
5.27-28); sua mentirinha, falso testemunho (Ap 21.8); seu jeito [pessoal de ser e de agir], se torna
rebelião; seu ódio, assassinato (1Jo 3.15) e seus dedos “leves” o condenam como ladrão – “A Lei
veio para que a ofensa abundasse.” Sem a chegada da Lei, o pecado nem é pessoal nem evidente:
“Pois sem a Lei, o pecado está morto [no sentido de que parece inócuo]” (Rm 7.8).

Foram os “Mandamentos” que mostraram a Paulo o pecado à sua verdadeira luz, ou seja, que ele é
“excessivamente maligno” (Rm 7.13). Paulo falou baseado em sua própria experiência, pois havia
sido educado aos pés de Gamaliel, o grande “doutor da lei” e, portanto, enxergava o pecado em suas
cores mais vívidas.

De acordo com as Escrituras, “[A verdadeira função da] Lei é fazer as pessoas reconhecerem e
serem conscientes do pecado [não uma mera percepção, mas um entendimento do pecado que
conduz ao arrependimento...]” (Rm 3.20).

Charles Spurgeon disse que “a Lei serve a um propósito muito necessário.” Quão verdadeiras são
suas palavras no que diz respeito aos pecadores: “Eles nunca aceitarão a graça até que tremam
diante de uma Lei justa e santa.” Os cristãos que compreendem o papel da Lei são Filhos do Trovão
antes de serem Filhos da Consolação. Eles sabem que os sapatos do orgulho humano devem ser
removidos antes de os pecadores poderem aproximar-se da sarça ardente do evangelho.

É importante perceber que é possível fazermos com que os pecadores nos dêem uma resposta
banhada em lágrimas ao dizer-lhes que Deus os ama. Tal mensagem é muito apelativa tanto para o
Cristão quanto para o pecador. Certamente que é mais fácil falar de amor do que de pecado. Muitos
anos atrás, antes de haver entendido a função da Lei do Senhor, eu falei a uma prostituta sobre o
amor de Deus e fiquei muito feliz de ela começar a chorar imediatamente. O que eu não sabia era
que suas lágrimas não eram lágrimas de arrependimento diante de Deus, mas meramente uma
resposta emocional à carência do amor de um pai. Em minha ignorância, eu alegremente a conduzi
na “oração de entrega”. Entretanto, algum tempo depois, fiquei desapontado quando ela se afastou e
seu coração, outrora tenro e aberto, tornou-se duro e fechado como um calo para as coisas de Deus.

Paradoxalmente, a Lei faz com que a graça abunde da mesma maneira com que a escuridão faz a
luz brilhar. Foi John Newton, autor de “Maravilhosa Graça” quem disse que um entendimento
equivocado da Lei e da graça produziria “erro tanto da mão direita quanto da esquerda.” Eu não sei
se algum de nós poderia achar que tem um entendimento melhor do que seja graça do que aquele
que escreveu tão maravilhoso hino.

Para ajudar os pecadores a entender que a graça é verdadeiramente maravilhosa, use a Lei Moral de
Deus. Conforme John Wesley aconselhou a um jovem evangelista: “Para que o evangelismo seja

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efetivo, pregue 90% Lei e 10% graça.”

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Perguntas
1. Qual a definição da palavra ‘graça’?
2. Por que um Cristão deve estar atento a como fazer com que a graça seja realmente
maravilhosa ao mundo?
3. O que é que faz com que a graça abunde?
4. O que fez com que o motorista infrator visse a seriedade de sua transgressão?
5. O que Charles Spurgeon disse a respeito da Lei?
6. Por que a prostituta chorou à menção do amor de Deus?
7. O que John Newton disse a respeito da harmonia entre Lei e graça?

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Penas para Flechas


Imagine-se voltando duzentos anos no tempo e tentando descrever um Jumbo. Você diz: “De onde
eu venho, nós temos umas latas de metal imensas, que pesam centenas de milhares de toneladas e
flutuam pelo céu com centenas de pessoas dentro.” Alguém diria: “Você está pensando que nós
somos burros? Isso é impossível. Existe algo chamado lei da gravidade. Nem mesmo uma pena
pode flutuar no céu sem ajuda.”

Entretanto, hoje nós sabemos que quando um objeto de uma forma geométrica particular viaja a
certa velocidade, ele passa [da esfera] da lei da gravidade para uma outra lei, a lei da aerodinâmica.
A lei da gravidade permanece, mas o objeto a transcende.

Também temos descoberto que quando uma pessoa torna-se um cristão, ele passa de uma lei para
outra. A lei da vida em Cristo Jesus transcende a lei do pecado e da morte. O cristão vive em um
plano superior: “Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da
morte” (Rm 8.2)

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Palavras de Conforto
Enquanto eu esperava no caixa de uma das lojas de material de construção de uma famosa rede
nacional, uma mulher bufava e apontava para o chão. Havia um montinho de areia branca que havia
caído de um saco de 20 quilos que eu havia colocado em meu carrinho. Acidentalmente eu havia
feito um buraco nele ao levantá-lo alguns minutos antes. Eu olhei para trás de mim e vi uma trilha
de areia branca de mais ou menos uns 50 metros marcando todo o meu percurso dentro da loja. A
trilha mostrava-se fina quando eu havia acelerado e grossa quando havia diminuído o ritmo. Tal
trilha não apenas revelava quando eu havia virado à esquerda e à direita, mas também conduzia
diretamente ao culpado por tudo, eu.

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Versículo para Memorização


“A Lei veio para que a ofensa abundasse.
Mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça.”
Romanos 5:20

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Últimas Palavras
“Ninguém jamais saberá que eu existi.
Nada a deixar para trás de mim.
Nada a passar adiante.
Ninguém para prantear por mim.
Este é o golpe mais amargo de todos.”
Tony Hancock
(comediante britânico)

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O problema do evangelho moderno

“O problema das pessoas que não estão buscando nem o Salvador nem a salvação, é que elas
não entendem a natureza do pecado. A função peculiar da Lei é levar tal entendimento à mente
e consciência das pessoas. Foi por isso que grandes pregadores evangélicos há 300 anos, no
tempo dos Puritanos, e também há 200 anos, na época de Whitefield e outros, sempre se
engajaram no que eles chamavam de “a preliminar obra da Lei”.”
Martyn Lloyd-Jones

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Comentário de Kirk Cameron: Pense profundamente nesta lição, porque a essência do Curso de
Evangelismo Bíblico como um todo se baseia na ilustração dada neste capítulo. Ela expõe o motivo
do pecador e revela as armadilhas da mensagem do evangelho moderno.

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Perguntas e Objeções
“Eu estou bem. Não preciso de Deus.”

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Muitas pessoas sentem-se assim por causa da mensagem do evangelho moderno. Tal mensagem diz
que Jesus vai ajudar seu casamento, acabar com o seu problema com as drogas, preencher o vazio
de seus corações, dar-lhes paz e alegria, etc. Ao fazer isto, esta abordagem restringe o campo de
influência do evangelho. Se a mensagem da cruz é só para pessoas que têm casamentos ruins, estão
solitárias e têm problemas em geral, então aqueles que estão felizes no momento não verão
necessidade de um Salvador.

Na verdade, o perdão de Deus em Jesus é tanto para pessoas com bons casamentos quanto para
aquelas com casamentos ruins. Ela serve tanto para os felizes quanto para os infelizes. Ela é tanto
para pessoas com problemas quanto para aquelas sem problemas. Ela é tanto para aqueles que estão
sofrendo com seus pecados quanto para aqueles que estão usufruindo dos prazeres transitórios do
pecado (Hb 11.25). Aqueles que acham que estão bem, precisam ser confrontados com a santa Lei
de Deus e alertados para o fato de que infringiram inúmeras vezes. Somente assim conseguirão se
enxergar através dos olhos do Juiz do Universo e correrão em direção ao Salvador.

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Quando comecei a analisar os registros de crescimento das igrejas de todo o país, fiquei horrorizado
ao descobrir que 80 a 90 % daqueles que tomavam uma decisão por Cristo estavam se afastando da
fé. O evangelismo moderno estava criando de 80 a 90 “desviados” para cada 100 decisões por
Cristo.

Por exemplo, em 1991, uma grande denominação americana conseguiu 294.000 decisões por Cristo.
Infelizmente, algum tempo depois, eles só conseguiram encontrar 14.000 dessas pessoas
congregando, o que significa que eles não podiam responder por 280.000 das decisões obtidas – e
este é um resultado normal no evangelismo moderno.

A tragédia do evangelismo moderno é que, na virada do século XX, a igreja abandonou a Lei em
sua capacidade de converter a alma e conduzir os pecadores a Cristo. Com isso, o evangelismo
moderno teve que encontrar outra maneira de os pecadores responderem ao evangelho. A maneira
escolhida foi a da “melhoria de vida.” O evangelho degenerou-se para algo como “Jesus Cristo lhe
dará paz, alegria, amor, realização pessoal e felicidade eterna.” O clichê que resume esta abordagem
é algo assim: “Você nunca encontrará a verdadeira felicidade até aceitar a Jesus. Você tem um vazio
em seu coração que só Deus pode preencher. Deus curará o seu casamento e acabará com seus
vícios. Ele resgatará você das dificuldades financeiras e se tornará o seu melhor amigo.” A seguinte
anedota ilustrará a natureza extra- bíblica deste ensino tão popular:

Dois homens estão sentados em um avião. O primeiro recebe um pára-quedas e é orientado


a colocá-lo para que tenha uma viagem melhor. Ele fica um pouco cético no início, pois não
consegue ver como o fato de usar um pára-quedas dentro de um avião poderia melhorar a
sua viagem. Mas, ele decide experimentar para ver se a promessa é verdadeira. Quando
coloca o pára-quedas, ele sente seu peso sobre os ombros e percebe que tem dificuldades
para sentar reto. Entretanto, se consola com o fato de que lhe disseram que o pára-quedas
melhoraria seu vôo. Então, ele decide dar um tempo para ver o que acontece.

Enquanto espera, ele nota que alguns dos outros passageiros estão rindo dele por usar um
pára-quedas dentro de um avião. Ele começa a se sentir um tanto humilhado. Eles
continuam a rir e apontar para ele até o ponto em que ele não agüenta mais. Ele se encolhe
em seu assento, arranca o pára-quedas e o lança ao chão. Desilusão e amargura preenchem o

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seu coração, pois, pelo que ele percebeu, contaram-lhe uma completa mentira.

O segundo homem também recebe um pára-quedas, mas ouça só o que é dito a ele: dizem a
ele para colocar o pára-quedas porque a qualquer momento ele terá que saltar do avião, que
está a 25.000 pés de altura. Ele fica grato e coloca logo o pára-quedas. Ele nem nota o peso
sobre seus ombros, muito menos que ele não consegue sentar direito. Sua mente é
consumida pelo pensamento do que aconteceria se ele saltasse sem o pára-quedas.

Analisemos, então, o motivo e o resultado da experiência de cada passageiro. O motivo do primeiro


para colocar o pára-quedas foi somente para melhorar sua viagem. O resultado de sua experiência
foi que ele foi humilhado pelos passageiros, ficou desiludido e um tanto amargurado em relação
àqueles que lhe deram o pára-quedas. Assim, ele põe na cabeça que nunca mais ninguém vai
conseguir fazê-lo colocar uma coisa daquelas nas costas outra vez.

O segundo homem colocou o pára-quedas apenas para escapar do salto vindouro e, por causa do seu
conhecimento em relação ao que aconteceria se ele saltasse sem o equipamento, passou a ter uma
profunda alegria e paz em seu coração, sabendo que estava salvo da morte certa. Tal conhecimento
dá a ele a habilidade de resistir à chacota dos outros passageiros. Sua atitude em relação a quem lhe
deu o pára-quedas é de verdadeira gratidão.

Agora ouça o que os métodos de evangelismo moderno têm dito: “Coloque o Senhor Jesus Cristo.
Ele dará a você amor, alegria, paz, realização pessoal e felicidade duradoura.” Em outras palavras,
Jesus melhorará a sua viagem. E os pecadores respondem ao apelo e, de uma maneira experimental,
colocam o Senhor Jesus para ver se a promessa é verdadeira.

E o que conseguem com isso? A prometida tentação, tribulação e perseguição – os outros


“passageiros” fazem chacota deles. Então, o que fazem? Tiram o Senhor Jesus; se sentem ofendidos
por causa da Palavra. Ficam desiludidos e amargurados... e com razão. Prometeram-lhes paz,
alegria, amor, realização pessoal e tudo o que conseguem são provações e humilhação. Sua
amargura é direcionada àqueles que lhe deram as “boas novas”. Seu último estado torna-se pior que
o primeiro (2Pe 2.20), e aumentam as fileiras dos chamados “desviados” inoculados e amargurados.
Ao invés de pregarmos que Jesus melhora a viagem, nós devemos é alertar os pecadores que eles
terão que saltar do avião – que aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disto, o
juízo (Hb 9.27). Quando o pecador entende as horríveis conseqüências de quebrar a Lei de Deus,
ele correrá para o Salvador, simplesmente para escapar da ira vindoura. Se quisermos ser
testemunhas verdadeiras e fiéis, é isso que devemos pregar – que há uma ira vindoura – que Deus
“ordena todas as pessoas em toda parte que se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há
de julgar o mundo com justiça” (At 17.30-31).

A mensagem do evangelho não se trata de melhoria de vida, mas de justiça. Não importa o quanto
um pecador possa estar feliz, ou o quanto ele está usufruindo dos prazeres transitórios do pecado;
sem a justiça de Cristo, ele perecerá no dia da ira. Em Pv 11.4 é dito: “As riquezas de nada
aproveitam no dia da ira, mas a justiça livra da morte.”

Paz e alegria são frutos legítimos da salvação, mas o que não é legítimo é usar tais frutos como uma
isca para salvação. Se continuarmos a fazer isto, os pecadores continuarão a responder com motivos
impuros, destituídos de arrependimento.

Você se lembra porque o segundo passageiro tinha alegria e paz em seu coração? Era porque ele
sabia que o pára-quedas iria salvá-lo da morte certa. Da mesma forma, como crentes nós temos

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“alegria e paz em nossa crença” (Rm 15.13) porque sabemos que a justiça vai nos livrar da ira
vindoura.

Com isso em mente, vamos analisar um incidente a bordo do avião: eis que uma comissária de
bordo novata está em seu primeiro dia de trabalho. Ela vem passando com uma bandeja de café
quente, esperando que seu primeiro dia fique marcado nos passageiros – e ela consegue! Pois,
quando vem caminhando pelo corredor, ela tropeça nos pés de alguém e despeja o café quente sobre
nosso segundo passageiro.

Qual a reação dele ao sentir o líquido fervente queimar sua pele? Será que ele diz: “Ai, que dor!”
Sim, diz sim. Mas, será que ele tira o pára-quedas, joga-o no chão e grita: “Seu pára-quedas
estúpido!”? Não. Por que ele faria isso? Ele não colocou o pára-quedas para melhorar sua viagem.
Ele o colocou simplesmente para salvar-se do salto mortal. Se é que o incidente com o café tem
algum efeito sobre ele, é o de fazer com que se agarre com mais força ainda ao pára-quedas
ansiando pelo salto.

Se colocarmos o Senhor Jesus pelo motivo correto, isto é, para fugir da ira vindoura, quando a
tribulação chegar, quando o vôo ficar turbulento, nós não ficaremos com raiva de Deus, e não
perderemos nossa alegria e paz. Por que haveríamos de perder? Nós não fomos a Cristo para ter
uma vida melhor, mas para fugir da ira vindoura. O que a tribulação faz é levar o crente para mais
perto do Salvador. Infelizmente, temos multidões de pessoas que confessam a Cristo, mas que
perdem sua alegria e paz quando a vôo fica turbulento. Por quê? Elas são produto de um
evangelismo humanista e vão ao Senhor sem arrependimento – e sem arrependimento não podem
ser salvos.

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Perguntas
1. Qual o percentual daqueles que tomam uma decisão por Cristo se deviam da fé?
2. Qual é a tragédia dos métodos modernos de evangelismo?
3. Qual foi o resultado da experiência do primeiro passageiro? (pág. 11)
4. Qual foi o resultado da experiência do segundo passageiro?
5. O que deveríamos estar dizendo aos outros “passageiros”?
6. O que a Bíblia diz que “livra da morte”?
7. Por que um Cristão deveria ter alegria e paz?
8. Como Cristãos, o que a tribulação deveria fazer conosco?

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O Pregador
Zé Morno: “Oi, Dona Amélia. Como vai? Elton já está no escritório?”
Dona Amélia: “Vão sair para almoçar de novo, hein? Não o vi passar por aqui ainda hoje. Ele veio
trabalhar com uma ressaca horrível na semana passada. Provavelmente aconteceu o mesmo hoje.
Como foi a culto?”

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Zé Morno: “Foi muito bom. O Pastor A. Guado veio fazer uma série de encontros de cura.
Centenas de pessoas entregaram seus corações ao Senhor. Estou encarregado do acompanhamento
delas. Nunca havia pensado como é tão fácil salvar as pessoas. Muitos foram curados e as pessoas
vinham ao altar sem nem precisar fazer o apelo.”
Dona Amélia: “Que benção. Ele foi lá na nossa igreja também. Ele defende o ‘evangelismo pela
amizade’, não é?
Zé Morno: “Sim, o tipo de evangelismo que eu gosto. É o que eu tenho usado com o Elton. Temos
nos tornado bons amigos com o passar dos anos.”
Dona Amélia: “Eu gosto dessa abordagem. É muito melhor que empurrar o evangelho pela
garganta das pessoas.”
Zé Morno: “É mesmo. Isso pode afastá-los. Eu estou esperando a hora certa de mencionar as coisas
de Deus para o Elton. Não quero que ele se sinta mal, sabe? Ele até já foi em um culto lá na igreja e
parece que gostou. É por isso que gosto do evangelismo sem confrontos. Mas, ele não entregou seu
coração a Jesus. Talvez hoje ele toque no assunto. Eu mesmo não toco nesse assunto porque não
quero ofendê-lo. Sou só um bom amigo e acho que esta é a abordagem correta.”
Dona Amélia: “Concordo. Vou ligar para o terceiro andar e falar com a secretária dele. Talvez ela
saiba porque ele está atrasado.”
Zé Morno: Certo.
Dona Amélia: “Jane, aqui é Amélia. Elton já chegou? É que o Zé Morno está aqui querendo. . .”
Zé Morno: “O que foi? A senhora está pálida!”
Dona Amélia: “Elton morreu esta madrugada. Ele teve um aneurisma enquanto dormia e faleceu às
8:17 h esta manhã...”

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Versículo para Memorização


“As riquezas de nada aproveitam no dia da ira, mas a justiça livra da morte.”
Pv 11.4

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Ultimas Palavras
Daniel Webster declarou pouco antes de sua morte:

“O grande mistério é Jesus Cristo – o Evangelho. Qual seria a condição de


cada um de nós se não tivéssemos a esperança de imortalidade?... Graças a
Deus o evangelho de Jesus Cristo trouxe a vida e a imortalidade à luz.”

Suas últimas palavras foram:


“Eu ainda vivo.”

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Como confrontar pecadores

“Procurar pegar a veia das pessoas e focar-se em suas carências é o estratagema do covarde
mordomo de Deus. Esta era a receita do sucesso dos falsos profetas do Antigo Testamento.”
R.C. Sproul

Comentário de Kirk Cameron: Nesta lição, veremos como o profeta Natã confrontou o Rei Davi
sobre seu pecado com Bate-seba. É bom que você primeiro revise este incidente em 2 Sm 12.1-9 em
sua Bíblia e se familiarize com a história.

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Perguntas e Objeções
“Estou fazendo o melhor que posso e sou sincero.”

Mesmo que se dedique muito mais que agora, ainda assim não será o suficiente, pois não se
consegue agradar a Deus [simplesmente] procurando ser bom (Gálatas 2:21), é preciso crer em
Jesus (Jo 1.12). Outra coisa: a sinceridade por si só não leva ao céu. E se estiver sinceramente
enganado? (Lembre-se de Jo 1.12). Se você está se pondo sua fé em sua própria sinceridade, é
porque você se considera bom demais até mesmo para estar com Deus. Apelar para sua própria
sinceridade é apelar para o seu orgulho, pois está apelando para algo que está em você e não para
Deus como o seu caminho para salvação. É preciso ter fé em Jesus!

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O amor de Deus: a apresentação bíblica


A mensagem do evangelho moderno é “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”.
Entretanto, a nossa idéia de “maravilhoso” e a idéia do mundo podem ser um pouco diferente.
Conduza um pecador pelas páginas do livro de Atos e mostre-lhe a cena das pedras quebrando os
ossos de Estevão. Então, sorria e sussurre: “Maravilhoso...” Leiam juntos e visualizem em suas
mentes o som do chicote de nove pontas cortando a pele das costas do apóstolo Paulo. Mostre aos
pecadores as diversas ocorrências da palavra ‘sofrimento’ nas Epistolas e veja se o mundo vai
conseguir sussurrar “Maravilhoso!” Diga aos pecadores que “devemos através de muita tribulação
entrar no reino de Deus” (At 14.22) e veja se os seus olhos ou os seus lábios conseguem balbuciar a
palavra “maravilhoso”. Depois deste passeio pela estrada da honestidade, eles poderão pensar que
os prazeres do pecado são mais atraentes que o chamado a “sofrer aflição com o povo de Deus” (Hb
11.25).

Quem será que quererá escutar nossa mensagem se formos tão abertamente honestos sobre a vida
cristã? Talvez não tantos quantos são atraídos pela conversa de um plano maravilhoso. A resposta ao

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nosso dilema é esclarecermos que a mensagem do Evangelho trata de justiça e não de felicidade.
Foi exatamente isso que Jesus fez. Ele usou os Dez Mandamentos para mostrar aos pecadores qual
era o justo padrão de Deus (Lc 10.25; 18.18-20). Uma vez que os pecadores virem o perfeito padrão
pelo qual serão julgados, eles começarão a temer a Deus e é pelo temor do Senhor os homens se
desviam do mal (Pv 16.6). Eles começarão a ter sede e fome da justiça que existe somente em Jesus
Cristo.

Se estudar o Novo Testamento, verá que o amor de Deus é quase sempre apresentado em direta
correlação com a cruz: porque Deus amou o mundo de tal maneira, Deus demonstrou o Seu amor,
etc. (Veja Jo 3.16; Rm 5.5-6,8; Gl 2.20; Ef 2.4-5; 5.2,25; 1 Jo 3.16; 4.10; Ap 1.5, entre outros.) A
cruz é o ponto focal do amor de Deus pelo mundo. Então, como podemos apontar para a cruz sem
fazer referência ao pecado? E como podemos nos referir ao pecado sem usar a Lei (Rm 7.7)? A
maneira bíblica para expressarmos o amor de Deus aos pecadores é mostrar-lhes o quão grande é o
seu pecado (usando a Lei – veja Rm 7.13; Gl 3.24), e então dar-lhes a incrível graça de Deus em
Cristo. Esta foi a chave para alcançar tantos no Dia de Pentecostes. Eles eram judeus ‘devotos’ que
conheciam a Lei e suas santas exigências e, portanto, prontamente aceitaram a misericórdia de Deus
em Cristo para escapar da terrível ira.

Quando usar a Lei para mostrar aos pecadores seu verdadeiro estado, prepare-se para receber seus
agradecimentos. Pela primeira vez na vida, tais pecadores verão a mensagem cristã como uma
expressão de amor e cuidado com seu bem-estar eterno, ao invés de um mero proselitismo em busca
de um estilo de vida melhor nesta terra.

Medite nesta citação de John MacArthur até que ela fique gravada nos corredores de tua mente:

“Nós precisamos ajustar nossa apresentação do evangelho. Não podemos


deixar passar em branco o fato que Deus odeia o pecado e pune os pecadores
com tormento eterno. Como é que temos a coragem de iniciar uma
apresentação do Evangelho dizendo a pessoas que estão caminhando em
direção ao inferno que Deus tem um plano maravilhoso para suas vidas? É
verdade que Deus tem um plano maravilhoso para suas vidas – mas este plano
é que tais pessoas se arrependam e confiem no Salvador para que recebam a
justiça de Cristo.”

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Fazendo os pecadores tremerem


Para uma ilustração bíblica de como confrontar pecadores através da justiça, analisemos a vida do
Rei Davi. Quando Davi pecou com Bate-seba, ele quebrou todos os Dez Mandamentos. Ele cobiçou
a mulher do próximo, viveu uma mentira, cometeu adultério, assassinou o marido desta mulher,
desonrou seus pais e, portanto, quebrou os outros quatro mandamentos ao desonrar a Deus.
Portanto, o Senhor enviou Natã, o profeta, para repreendê-lo (2 Sm 12.1-14).

Há um forte significado na ordem em que a repreensão foi feita. Natã apresentou a Davi, o pastor de
Israel, uma parábola sobre algo que ele poderia entender – ovelhas. Ele começou no nível natural,
ao invés de imediatamente expor o pecado do rei. Ele contou uma história sobre um homem rico
que, para não tirar uma ovelha de seu próprio rebanho, matou a ovelha de estimação de um pobre
homem para alimentar um visitante. Davi ficou indignado e sua auto-justiça veio à tona. Ele revelou
seu conhecimento da Lei ao declarar que o culpado deveria restituir o quádruplo e morreria por seu

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crime. Natã então expôs o pecado do rei ao tomar a “ovelha” de outro homem, dizendo. “Esse
homem és tu... Por que desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos?”
Quando Davi clamou: “Pequei contra o Senhor.” O profeta então lhe deu graça dizendo: “Também o
Senhor perdoou o teu pecado; não morrerás.”

Imagine se Natã, com medo de rejeição, tivesse invertido as coisas um pouco e dito a Davi: “Deus
te ama e tem um plano maravilhoso para tua vida. Entretanto, há algo que está te impedindo de
desfrutar deste plano maravilhoso; isso se chama ‘pecado’” Imagine se Natã tivesse decidido
ignorar a natureza pessoal do pecado de Davi e dito apenas que ‘todos pecaram e destituídos estão
da glória de Deus’ (Rm 3.23). Davi poderia ter reagido com a seguinte frase: “De que pecado você
está falando?”, ao invés de admitir sua terrível transgressão.

Pense nisto – por que ele clamaria: “Eu pequei contra o Senhor” ao ouvir tal mensagem? Em vez
disso, poderia, motivado por um sincero desejo de experimentar tal “plano maravilhoso”, ter
admitido que, como qualquer pessoa, ele também havia pecado e estava destituído da glória de
Deus. Se Davi não tivesse sido levado a tremer debaixo da ira da Lei, o profeta o teria privado da
maneira bíblica de produzir tristeza segundo Deus, tão necessária ao arrependimento (2 Co 7.10).

Foi o peso da culpa de Davi que o levou a clamar: “Eu pequei contra o Senhor.” A Lei o fez ficar
pesaroso; fez com que ele tivesse fome e sede de justiça; o iluminou para que ele visse quão séria é
a natureza do pecado segundo o padrão de Deus.

A declaração abaixo é de Paris Reidhead e trata da maneira bíblica para levar os pecadores a
clamarem a Deus por sua salvação:

“Se eu pudesse, declararia moratória à pregação pública do ‘plano de


salvação’ na América por um ou dois anos. Em seguida, convocaria todas as
emissoras de rádio e televisão cristãs e todos os púlpitos a pregar a santidade
de Deus, a justiça de Deus e a Lei de Deus até os pecadores clamarem: ‘O que
devemos fazer para ser salvos?’ Então, os levaria a um cantinho e sussurraria
o Evangelho em seus ouvidos. Não usem Jo 3.16. Tão drástica atitude é mais
do que necessária pois temos endurecido toda uma geração de pecadores em
relação ao Evangelho dizendo a eles como podem ser salvos antes mesmo de
terem qualquer compreensão da razão pela qual precisam ser salvos.”

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Perguntas
1. Por que não devemos dizer aos pecadores que Deus tem um plano maravilhoso para suas
vidas?
2. Dê um exemplo de quando Jesus usou os Dez Mandamentos para mostrar o justo padrão de
Deus aos pecadores.
3. Se mencionarmos o amor de Deus a uma pessoa perdida, em que contexto devemos fazê-lo?
4. Como Davi se deu conta de seu pecado? (Veja 2 Sm 12.1-13.)
5. Por que a simples citação de Romanos 3:23 a um pecador não é suficiente para conduzi-lo
ao arrependimento?

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O Pregador
Cristão: Como vai?
Zeca Chassa: “Péssimo!”
Cristão: Por quê?
Zeca Chassa: Muitos problemas.
Cristão: Que problemas?
Zeca Chassa: Minha esposa me deixou.
Cristão: Por quê?
Zeca Chassa: É que eu tenho um probleminha com bebida. . . e eu jogo, também. Se importa se eu
acender um cigarro?
Cristão: Fique à vontade.
Zeca Chassa: Me empresta uma grana? Bati meu carro um dia desses e tô precisando consertar.”
Cristão: Como foi isso?
Zeca Chassa: Tinha tomado umas e outras e estava indo pagar umas multas – tô quase perdendo a
carteira. Que droga!
Cristão: Você costuma orar?
Zeca Chassa: Oro o tempo todo. Já falei, cara, tô com muitos problemas.
Cristão: Você compreende que você precisa do perdão de Deus?
Zeca Chassa: Não.
Cristão: “Os Dez Mandamentos vão ajudar você a compreender isso...” (Cristão expõe os
Mandamentos e conduz Zeca ao Evangelho.)
Zeca Chassa: É, eu sei que sou culpado e que se morresse hoje à noite iria pro inferno, mas tô com
todos esses problemas pra resolver antes de cuidar disso aí que você falou.”
Cristão: Escuta, Zeca. Todos esses seus problemas, multiplicados por um milhão, não serão nada se
comparados ao problema que você terá no Dia do Julgamento se você se esquecer de se arrepender.
Talvez você não consiga enxergar isso agora, mas eu me importo com você o bastante para falar-lhe
a verdade. Não quero que você vá parar no inferno – muito menos Deus. Não adie sua salvação
eterna. Não há nada mais importante.

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Penas para Flechas


Certa vez, um pastor foi abordado por seu filho de seis anos de idade que dizia querer “aceitar Jesus
em seu coração.” O pai, suspeitando que a criança não tinha a compreensão do que era o pecado,
disse-lhe que ele poderia aceitar a Jesus quando fosse mais crescido e o mandou ir dormir.

Certo tempo depois, o garoto levantou-se da cama e perguntou ao pai se podia entregar sua vida ao
Salvador. O pai, que ainda não estava convencido da compreensão de pecado de seu filho, não

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querendo que a conversão da criança fosse insincera, mandou-lhe voltar ao seu quarto.

O filho voltou mais uma vez. Desta vez, o pai perguntou-lhe se ele já havia quebrado algum dos
Dez Mandamentos. O menino disse que achava que não. O pai então lhe perguntou se ele era um
mentiroso e a criança replicou que não era. O pai pensou por um instante e, em seguida, perguntou-
lhe quantas mentiras alguém precisa contar para ser considerado um mentiroso. Quando ficou claro
que basta uma mentira para qualificar alguém como mentiroso, a criança deu-se conta que já havia
mentido e caiu em um choro incontrolável. Então, quando o pai perguntou-lhe se queria “convidar
Jesus para entrar em seu coração”, a criança lançou nos braços do pai, balançando a cabeça
afirmativamente. A essa altura o garotinho já conseguia fazer mais do que ‘convidar’ Jesus a entrar
em seu coração” de maneira experimental. Ele acabara de descobrir a tristeza segundo Deus, o
arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo (At 20.21).

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Versículo para Memorização


“Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação,
o qual não traz pesar; mas a tristeza do mundo opera a morte.”
2 Co 7.10

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Últimas Palavras
William Shakespeare (1564-1616), a mais brilhante figura da literatura universal, viveu junto à sua
Bíblia, conforme se percebe pelas numerosas citações em suas peças e dramas. Ele deu seu último
suspiro com apenas 52 anos de idade. A declaração contida em seu testamento revela a sua fé em
Deus:

“Eu entrego minha alma nas mãos de Deus meu Criador, esperando e crendo
firmemente que, através dos méritos de Jesus Cristo, meu Salvador, sou co-
herdeiro da vida eterna; e meu corpo à terra, da qual foi feito.”

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Os Dez Mandamentos (parte 1)

“Não se pode dizer ‘Não, Senhor’ e validar ambas as palavras; uma anula a outra.
Se você diz não ao Senhor, então Ele não é o seu Senhor.”
D. James Kennedy

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Comentário de Kirk Cameron: Agora estudaremos a Lei de Deus para ver como ela serve de aio
para levar os pecadores a Cristo. Qualquer soldado que queira ser efetivo em combate deve tornar-
se intimamente familiarizado com suas armas. Pense nos Mandamentos como dez grandes canhões
dados por Deus, cada qual com um poder tremendo para destruir a auto-justiça. Se quisermos ser
efetivos em alcançar os perdidos, devemos estar intimamente familiarizados com estas grandiosas
armas que Deus nos deu. Ao seguimos os passos de Jesus, que revelou a natureza espiritual da Lei
ao lidar com pecadores, descobriremos a chave para o genuíno arrependimento.

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Perguntas e Objeções
“O Primeiro Mandamento diz, ‘Não terás outros deuses além de Mim.”
Isso prova que Ele não é o único Deus!”

Isso é verdade. As pessoas sempre criaram falsos deuses. Existe até mesmo um antigo dito popular
que fala assim: “Deus criou o homem à Sua imagem e o homem tem retribuído esse favor desde
então.” Os hindus têm milhões de deuses. Às vezes, esses deuses são feitos de madeira ou pedra;
outras vezes o homem cria um deus em sua própria mente. Qualquer que seja o caso, fazer um Deus
para a si se chama “idolatria”; fazer isso é transgredir tanto o Primeiro quanto o Segundo
Mandamentos.

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Nesta lição, estudaremos o Primeiro Mandamento:

“Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
Não terás outros deuses além de mim.”
Êx 20.2-3

Não devemos ter outros deuses além do único e verdadeiro Deus. Ele deve ser preeminente em
nossos corações. Jesus disse que “primeiro mandamento é: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o
único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o
teu entendimento e de todas as tuas forças.” (Mc 12.29-30).

Existe apenas Um que pode se apresentar sem condenação em relação a este mandamento. Jesus de
Nazaré viveu uma vida sem pecado; Ele foi perfeito em pensamento, palavra e ações (veja Hb
4.15). Tudo o que Ele fez agradou ao Pai de maneira absoluta. A cruz não apenas revelou que Ele
amava Seu Pai de todo seu coração, alma, mente e força, como também provou que ele ama o
próximo tanto quanto a Si mesmo.

Aqueles que professam guardar este mandamento fariam um bem a si mesmos ao passar os olhos na
Confissão de Fé de Westminster. Ela foi escrita por homens de Deus em 1646 e expressava seus
pensamentos (baseados nas Escrituras) sobre a essência deste Mandamento:

Os deveres requeridos pelo Primeiro Mandamento são conhecer e reconhecer


Deus como o único Deus verdadeiro e nosso Deus; adorá-Lo e glorificá-Lo, nele
pensar e meditar continuamente, dele lembrar-se, estimando-O, honrando-O,
adorando-O, escolhendo-O, amando-O, desejando-O, temendo- O, nele crendo,

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confiando, esperando, deleitando-nos, regozijando-nos, por Ele sendo zelosos,
entregando-Lhe todo louvor e graças, prestando-Lhe toda a obediência e
submissão; sendo cuidadosos para em tudo agradar-Lhe, quebrantando-se
quando em algo Ele for ofendido e caminhando humildemente com Ele.

Alguém, certa vez, disse: “Faz sentido raciocinarmos que aqueles que provêem de Deus e, por Ele,
são sustentados e seguidos pelas bênçãos da Providência; aqueles que, especialmente, são feitos
novas criaturas e agraciados são com toda sorte de bênçãos espirituais em Cristo, que esses tais
devessem entregar-se a Ele, alegremente O servindo em seu próprio tempo e geração.”

Os pecadores, entretanto, não amam a Deus. Nem se deleitam em fazer Sua vontade. Pelo contrário,
a Lei do pecado e da morte tem deixado sua sanguinária assinatura em todo ser humano que não
tem Deus (Rm 16.21-24). Nosso grito interior é: “Não a Tua vontade seja feita, Senhor, mas a
minha!” O diabo é nosso pai e sua vontade nós alegremente fazemos. A mente carnal não está
sujeita à Lei ou Deus e nem pode estar (Rm 8.7). Veja como a Lei condena a todos nós. Falhamos
ao não amar ao Deus que nos deu a vida.

O resultado inevitável é que o pecador acaba pensando que ele próprio é Deus. Seu orgulho domina
seu cérebro, como veremos na seguinte citação de Jeremy Rifkin em seu livro Algeny:

“Não nos sentimos mais como hóspedes na casa de alguém e, portanto,


obrigados a nos comportar de acordo com um conjunto de regras cósmicas pré-
existentes. Agora, a criação é nossa. Somos nós que fazemos as regras. Nós
estabelecemos os parâmetros da realidade. Nós criamos o mundo e, por causa
disso, não nos sentimos mais presos por forças externas. Não precisamos mais
ter que justificar nosso comportamento, pois, agora, somos os arquitetos do
universo. Nós não somos mais responsáveis por nada fora nós mesmos, pois
NÓS somos o poder e a glória para todo o sempre.”

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Perguntas
1. Cite o Primeiro dos Dez Mandamentos. (pág. 19)
2. Por que você acha que a humanidade tem um entendimento tão raso sobre o que Deus exige
dela? (veja 2 Co 4.3-4.)
3. Qual você acha que deve ser o maior pecado da humanidade?
4. De que maneiras você tem transgredido tal Mandamento?
5. Usando o Salmo 14 e Rm 3.10-18, liste as características da natureza humana.
6. Como Jesus demonstrou que Ele guardava tal Mandamento?
7. Por que sempre devemos colocar Deus em primeiro lugar em nossas vidas?

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O Pregador

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Alex Perto: Oi, Cristão. Eu quero fazer esse seu teste pra ver se sou uma boa pessoa.
Cristão: Tem certeza?
Alex Perto: Tenho.
Cristão: Tá certo. Você já contou alguma mentira?
Alex Perto: Nunca.
Cristão: Nem mesmo uma vez? Uma mentirinha, uma meia-verdade ou um exagero?
Alex Perto: Jamais!
Cristão: Quer dizer que você sempre disse a verdade, nada além da verdade, em nome de Deus?
Alex Perto: É isso aí!
Cristão: Você alguma vez na vida já roubou algo?
Alex Perto: Nunquinha!
Cristão: Nem mesmo uma caneta?
Alex Perto: Na-na-ni-na-não!
Cristão: Tá certo. Você sempre guardou o Primeiro dos Dez Mandamentos?
Alex Perto: Sim, senhor.
Cristão: Então, o que diz o Primeiro Mandamento?
Alex Perto: Sei lá.
Cristão: É colocar a Deus em primeiro lugar em sua vida. Você sempre amou a Deus de todo seu
coração, alma, mente e força?
Alex Perto: Sim, sempre.
Cristão: A Bíblia diz que não há ninguém que busque a Deus. Então, um de vocês está mentindo –
ou você ou Deus. Só que a Bíblia diz que é impossível que Deus minta. Então, você já quebrou o
Primeiro Mandamento, sim – e acaba de quebrar o Nono ao mentir. Você estará em sérios apuros no
Dia do Julgamento.

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Penas para Flechas


Certa vez, um pai comprou um televisor para seus filhos assistirem desenhos animados à tarde.
Quando ele chegou em casa aquela noite, seus filhos não vieram saudá-lo – estavam muito
ocupados assistindo TV. A chegada do papai à casa tinha se tornado um acontecimento ‘de
segunda’. Ele se dirigiu ao televisor e o desligou, explicando que ele o havia adquirido para sua
diversão, mas se a TV se metesse entre eles, ele acabaria com ela. As crianças estavam pondo sua
afeição no presente e não em quem havia dado o presente. Se amarmos qualquer coisa que seja mais
do que Deus – nossa esposa ou esposo, filho ou filha, esportes ou, até mesmo, nossas próprias vidas
– é porque estamos nos concentrando no presente, ao invés do Presenteador. Colocar qualquer coisa
que seja acima de Deus é uma transgressão do primeiro dos Dez Mandamentos.

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Versículo para Memorização


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“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma,
de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.”
Mc 12.30

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Últimas Palavras
Kurt Cobain (em seu último bilhete antes de cometer suicídio):

“Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, sigam em frente, Courtney,
pela Frances. Pois, a vida dela será tão mais feliz sem mim. Amo você. Amo
você.”

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Os Dez Mandamentos (parte 2)


“Se a entrega da Lei, quando ela ainda não tinha sido quebrada, foi executada com uma
demonstração de um poder tão assustador, como será, então, no dia que o Senhor, com fogo
flamejante, se vingar de todos aqueles que, voluntariamente, a quebraram?”
Charles Spurgeon

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Comentário de Kirk Cameron: nesta lição, estudaremos o significado do Segundo dos Dez
Mandamentos. Não se pensamos muito neste Mandamento hoje em dia, mas criar falsos deuses é
muito mais comum do que achamos.

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Perguntas e Objeções
“Jesus ensinou o ódio ao dizer que o Cristão deveria ‘odiar’ seu pai e sua mãe.”

Isto se chama “hipérbole” – a utilização de extremos em uma afirmação, no caso, para contrastar o
amor ao ódio. A Bíblia faz isso com freqüência (Pv 13.24; 29.24). Jesus nos diz que o primeiro e
maior Mandamento é amar a Deus de todo o nosso coração, alma e mente (Mt 22.37-38). Ainda que
amemos nosso esposo ou esposa e família ou, até mesmo, nossa própria vida, não deve haver
ninguém a quem amemos e valorizemos mais do que Deus, ninguém que tenha precedência em
nossa vida. Colocar o amor por outra pessoa (incluindo nós mesmos) acima de Deus é idolatria.

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Nesta lição, estudaremos o Segundo Mandamento: “Não farás para ti imagem de escultura... Não te
encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito
a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam e uso de
misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Êx 20.4-6).

A idolatria é talvez o maior de todos os pecados porque abre a porta para o mal irrestrito. Ele dá aos
pecadores a licenciosidade não apenas para tolerar os pecados, mas para sancioná-lo, influenciados
pela intervenção demoníaca. Quando criamos um deus a nossa imagem e semelhança, um deus com
o qual nos sentimos à vontade, podemos também criar nossos próprios padrões morais aos quais
este deus terá de se encaixar.

Por exemplo, as feministas ficam irritadas com a afirmação Bíblica de que Deus criou o homem à
Sua imagem e semelhança. Isto não significa que Deus seja homem, nem que pareça com um
homem (Jo 4.24). Significa apenas que, quando Deus fez o homem e a mulher, Ele os dotou de uma
mente, emoções e vontade. Os seres humanos são seres morais e racionais com uma inerente
consciência de Deus. Entretanto, ao revelar-Se à humanidade, Deus descreve-Se no gênero
masculino usando termos como Pai, Filho, Noivo, etc. Aqueles que consideram Deus fêmea e
passam a chamá-lo de “Mãe” praticam a idolatria, pois, ao mudar, quem Deus revelou-Se ser é criar
um Deus à sua imagem e semelhança.

Alguns gostam de criar um deus que ache que uma mulher grávida tem o direito de matar seu
próprio filho no útero. Outros preferem criar um deus que recompensa o assassinato de pessoas
inocentes dando-lhes a vida eterna.

A seguinte carta ao editor, publicada na revista Time exemplifica perfeitamente o que é idolatria (o
mais antigo pecado na Bíblia):

“Excelente tópico! Eu realmente apreciei a leitura de “O Céu existe?” Sou um


cristão devoto e penso muito no céu. Minha espiritualidade não se baseia em um
deus antropomórfico pé-no- saco que lançará quatro gerações de crianças na
perdição eterna porque algum ancestral distante o irritou [veja Pv 28.5]. O Céu
é o outro lado da noção absolutamente selvagem de inferno que evoluiu debaixo
de um padrão mental de punição. . . Para mim, Deus é um símbolo de algo
imensurável, um completo mistério que preenche meu coração de alegria e meu
espírito de cânticos.”

Note o uso da expressão “Para mim...” Eis a chave da questão! Pois, se você quiser ser um idólatra,
é preciso que faça um deus que se conforme a você: um deus destituído de qualquer referência ao
pecado, à justiça e ao julgamento. Certifique-se que esse seu deus (ou deusa) goste das coisas que
você gosta e odeia aquilo que você odeia. Se você gosta de imoralidade sexual, seu deus também
deverá gostar. Se o seu deus não se importa com mentiras ou roubos, então você poderá mentir,
roubar e, também, praticar a imoralidade sexual ao gosto do seu coração. Seu Deus encherá seu
coração de alegria e seu espírito de cântico... até chegar o Dia do Julgamento.

Invista tempo para estudar 1 Co 10.1-14 e veja como a idolatria conduz ao pecado sexual. Então,
faça-se um grande favor: destrua seus ídolos. Um ídolo não precisa ser algo tangível; qualquer coisa
que tome o lugar de Deus em nossa vida serve como ídolo: pode ser o nosso emprego, uma pessoa,
bens materiais, etc. Busque compreender como Deus é de acordo com as Escrituras. Isso colocará o

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temor do Senhor em seu coração e libertará o seu coração do pecado ao mesmo tempo em que te
dará uma grande motivação para cumprir o que Ele diz a respeito da Grande Comissão.

Tenha em mente, ao falar com Católicos Romanos, que este mandamento não existe em seu
catecismo. Quando mencionar o Segundo Mandamento, não se surpreenda se eles pensarem que é
“Não tomarás o nome do teu Deus em vão.” Esta é a razão pela qual muitos Católicos Romanos
sinceros se curvam diante de estátuas, muito embora a Bíblia deixe muito claro que isso é um
grande pecado aos olhos de Deus. Adorar imagens ou dar honras divinas a um objeto (incluindo
pessoas) é uma violação deste Mandamento. Inacreditavelmente, aqueles que formularam o
catecismo Católico Romano oficial tomaram a liberdade de excluir o Segundo dos Dez
Mandamentos e, em seguida, dividir o Décimo em dois, conseguindo assim um total de dez. Veja
abaixo a versão Católica dos Dez Mandamentos:

1. Eu sou o Senhor teu Deus. Não terás outros deuses além de mim.
2. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão
3. Lembra-te de guardar o Sábado.
4. Honra teu Pai e tua Mãe.
5. Não mate
6. Não cometa adultério.
7. Não furte.
8. Não preste falso testemunho contra teu próximo.
9. Não cobice a mulher do próximo.
10. Não cobice os bens do teu próximo.

Eis a justificativa para a retirada do Segundo Mandamento (extraída de “The Commandments de


Deus,” The Catholic Encyclopedia, Volume IV (www.newadvent.org/cathen/04153a.htm):

“. . . o Décimo Mandamento engloba tanto o Nono quanto o Décimo da divisão


Católica. Parece, entretanto, lógico separá-los no final ou agrupá-los no
começo, pois, enquanto um único objeto trata de adoração, dois pecados
especificamente diferentes são proibidos na classe da cobiça; se adultério e
roubo pertencem a duas espécies de erro moral, o mesmo deve ser dito do desejo
de cometer tais perversidades. ”

Ainda assim, note o conteúdo explicito do Segundo Mandamento (aquele excluído):

“Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo
na terra, nem nas águas debaixo da terra. A elas não te encurvarás, nem as servirás”
Êx 20.4-5

1 Co 10.19 nos alerta que o que é oferecido a ídolos, na verdade, está sendo oferecido a demônios, e
não a Deus, e que não devemos ter parte com demônios.

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Perguntas
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1. Por que a idolatria talvez seja o maior pecado?
2. Por que você acha que a idolatria atrai a mente secular?
3. Antes de você ser salvo, qual era o seu conceito de Deus?
4. Pense em alguém que você sabe ser um idólatra? Como é o Deus dessa pessoa?
5. Como a versão Católica dos Dez Mandamentos burla tal proibição?

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O Pregador
Cristão: Oi, Marilu. Que bom revê-la. Você pensou naquilo que conversamos da última vez – que o
dia está chegando em que Deus julgará o mundo em justiça?
Marilu Dida: Sim, pensei... e isso não me preocupa nem um pouquinho, pois meu deus nunca
mandaria ninguém para o inferno.”
Cristão: Você não percebe que está quebrando o Segundo Mandamento ao dizer isto?
Marilu Dida: Como assim?
Cristão: Você criou um deus de acordo com as suas idéias e vontade. O seu deus nunca mandaria
ninguém para o inferno porque não poderia, pois ele não existe. Ele é fruto de sua imaginação. Você
criou um deus com o qual você se sentisse confortável. Isso se chama idolatria e é o pecado mais
antigo na Bíblia. Eu fiz o mesmo por muitos anos antes de me tornar cristão.
Marilu Dida: Ah, é? Mesmo assim continuo me achando uma boa pessoa. Eu creio em Deus e vou
à igreja. Acho que Deus me deixará entrar no céu, pois sou uma boa pessoa.
Cristão: Marilu, você acredita nisso porque o deus que você concebeu tem um baixo padrão de
moralidade. Você sabia que o Deus da Bíblia – o mesmo Deus a quem você terá que prestar contas
no Dia do Julgamento – ordena que sejamos perfeitos? Ele é perfeito e nos julgará de acordo com
Sua perfeita Lei.

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Penas para Flechas


Certa vez, um pregador ganhou ingressos para o musical Jesus Cristo Superstar. O elenco havia
estendido o convite, insistindo que ele comparecesse, então, para não ser indelicado, ele foi. Após a
apresentação, ele foi convidado para conhecer o elenco. Ele disse aos talentosos cantores que havia
apreciado suas apresentações, mas que o Jesus ali retratado não era o Jesus da Bíblia. A mulher que
havia feito o papel de Maria Madalena replicou: “Mas, nós estamos tornando Jesus aceitável ao
século XX.”

Sua afirmação era verdadeira. O homem tem tentado tornar Deus aceitável para si mesmo. Ele
prefere mudar Deus a mudar seus próprios caminhos pecaminosos. Isso se chama “idolatria”, ou
seja, criar um deus à nossa imagem e semelhança.

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Palavras de Conforto
Eu estava preparando uma xícara de café bem cedo pela manhã. No instante em que me curvei
sobre uma das bocas do fogão, repentinamente ouvi um ‘puf’. Olhei para trás e vi que a manga do
meu roupão estava em chamas. Foi quando ouvi outro ‘puf’ e vi o fogo se alastrar pela parte de trás
do roupão. Em seguida, houve outro ‘puf’ e a outra manga também se incendiou. Na mesma hora,
eu lembrei que havia comprado um extintor para uma ocasião dessas. O que eu deveria fazer agora?
Ficar a dois metros das chamas e apontar o extintor à base do fogo? Isso não ia ser fácil. Tirei o
roupão, joguei-o ao chão e ouvi mais um ‘puf’ quando o tecido inteiro pegou fogo. Os fabricantes
do roupão deviam ter obviamente o encharcado em gasolina para tornar a vida de quem o usasse
mais divertida.

Foi então que minha filha apareceu e disse: “Papai! Eu não acredito. Eu saio por dois minutos e, eu
mal viro as costas, e o senhor consegue pegar fogo.”

Aprendi duas valiosas lições com este incidente. Primeiro, não se curve sobre uma boca de fogão
acesa quando estiver de roupão e, segundo, um homem “no fogo” se move muito mais rápido.

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Versículo para Memorização


“Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que
quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”
Tg 4.4

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Últimas Palavras
“Todos os meus bens por mais algum tempo.”
Elizabeth I

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Os Dez Mandamentos (parte 3)


“Irrita vocês, meus amigos, o fato de o nome de Deus estar sendo tomado em vão e profanado?
Irrita vocês o fato de estarmos vivendo em uma era secularizada?. . . Mas, estamos, sim, vivendo
em tal era, e a principal razão por devermos orar por avivamento é estarmos ansiosos para ver o
nome de Deus justificado e Sua glória manifesta. Devemos estar ansiosos para ver algo
acontecer que tome as nações de assalto, sim, todos os povos, e os leve a parar e pensar.”
Martyn Lloyd-Jones

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Comentário de Kirk Cameron: Conforme estivermos estudando o Terceiro Mandamento,


considere como você se sentiria se alguém demonstrasse desrespeito suficiente pela sua mãe a ponto
de usar o nome dela como um palavrão. Sem dúvida que você se sentiria ofendido. Quanto mais
respeito o Deus Todo-Poderoso merece de nós, a quem Ele deu a vida.

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Perguntas e Objeções
“Não é blasfêmia chamar a Bíblia de a ‘Palavra de Deus’
quando ela faz com que Ele pareça tão mal?”

Vou falar-lhes algumas coisas sobre o meu pai que vão fazer com ele pareça mal. Ele geralmente
deixava minha mãe se virar sozinha em casa. Certa vez, fiquei horrorizado ao saber que ele
deliberadamente matou um animal indefeso. Como se não bastasse, ele me batia (com freqüência).

Eis as informações que estão faltando: A razão pela qual meu pai deixava minha mãe sozinha
durante o dia era que ele precisava trabalhar para ganhar o sustento para cuidar dela e de seus filhos.
Ele matou o animal porque o bicho havia sido atropelado e estava sofrendo. Ele freqüentemente me
disciplinava, pois me amava o bastante para me ensinar o certo e não o errado (eu era um menino
muito levado).

As porções da Bíblia que “fazem Deus parecer mal” meramente revelam que nos falta
entendimento. Jamais questionei a integridade de meu pai, pois confiava nele (veja Mc 10.15).

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Nesta lição, estudaremos o Terceiro Mandamento:

“Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão;


porque o Senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.”
Êx 20.7

A transgressão do Terceiro Mandamento reforça a tese de que a mente das pessoas irregeneradas é
hostil a Deus e à sua Lei e que tais pessoas “odeiam a Deus sem causa.” Tal pensamento é ofensivo
aos idólatras, que veementemente o contestam dizendo que não odeiam a Deus. Dizem isso por não
odiar o seu próprio conceito de Deus – o ídolo que eles mesmos criaram e com o qual tem um
amigável relacionamento.

Usar o nome de Deus de maneira profana é, talvez, a maneira mais simples e eficiente de as pessoas
demonstrarem seu desprezo por seu Criador. Os judeus devotos nem mesmo ousam pronunciar o
nome de Deus por ser tão santo, por outro lado, as pessoas irregeneradas o usam para expressar
repugnância.

Desdenhar do nome de alguém é insultar a própria pessoa. Mesmo um motoqueiro tatuado, boca-
suja e de coração duro tem um lugarzinho todo especial para sua mãe. Ele pode ter uma tatuagem
do diabo em um braço e “mamãe” no outro. A propósito, se você quiser ganhar uma plástica no

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rosto grátis, insulte a mãe de um motoqueiro deste tipo.

Quando Moisés pediu para ver a glória de Deus, note como Deus respondeu: “Eu farei passar toda a
minha bondade diante de ti, e te proclamarei o meu nome Jeová...” (Êx 33.19).

A glória de Deus, o Seu nome e a Sua bondade são sinônimos. Foi dito a Moisés que se ele visse
Deus face a face em toda Sua glória, ele morreria (Êx 33.20). Quão amedrontador será para uma
humanidade blasfema parar diante da inenarrável glória de Deus, em toda Sua bondade e prestar-
Lhe contas de cada palavra frívola proferida. A bondade de Deus exigirá que Sua justiça seja feita.

Também é interessante notar que quando perguntamos a um blasfemo por que ele faria tal coisa, sua
reação apenas confirma as Escrituras que dizem que ele está mesmo tomando o nome de Deus “em
vão”. Ele certamente responderá: “Eu, na verdade, não estava usando o nome de Deus no lugar de
um palavrão. É apenas uma palavra.” Em essência, para ele, o nome de Deus não tem nada de
especial e não é digno de respeito. Esta tentativa de justificação meramente adiciona ao seu pecado.
É difícil compreender como o mundo pode ter um desdém tal grande pelo nome de Deus e Jesus
Cristo, que o utilizam no lugar de palavrões. Nem mesmo o nome de Hitler parece ser tão
desprezível a ponto de ser utilizado de tal forma.

Quando você ouvir alguém usando o nome de Deus em vão, não diga a pessoa que tal prática o
ofende, use-a como uma abertura para o Evangelho. A Bíblia nos instrui a “repreender”, mas que
devemos fazê-lo com toda “longanimidade (paciência) e ensino” (2 Timóteo 4.2). É importante que
não afastemos a pessoa que estivermos tentando alcançar com o Evangelho. Nosso objetivo não é
reprová-la por ter nos ofendido com blasfêmia, mas alcançá-la para Cristo. É sábio tentar conduzir a
pessoa através de uma conversa sobre coisas naturais com o objetivo de testemunhar a ela. Por
saber que ela abertamente transgrediu o Terceiro Mandamento, quando perguntar a ela se alguma
vez já usou o nome de Deus em vão, você poderá gentilmente lembrá-la que a ouviu fazendo isso.

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Perguntas
1. O que a blasfêmia revela?
2. Por que algumas pessoas alegarão não odiar a Deus?
3. O nome de Deus é sinônimo do que? Por que isso inspira temor?
4. De que maneira os blasfemadores freqüentemente pioram ainda mais o seu pecado?
5. Como se deve reagir ao ouvir alguém usando o nome de Deus em vão?

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O Pregador
Lúcia Boca Suja: Ouvi o que você disse pra Marilu. Eu não fiz uma #!*$ de deus de acordo com as
minhas idéias e vontade. E também não acredito nem em céu nem em inferno.
Cristão: Posso lhe fazer umas perguntinhas?
Lúcia Boca Suja: Claro.

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Cristão: Você já usou o nome de Deus em vão?
Lúcia Boca Suja: Como assim?
Cristão: Você já usou o nome de Deus ao invés de um palavrão? Assim... quando algo dá errado,
você diz: “Ai, meu D_ us!”
Lúcia Boca Suja: É, já fiz isso muitas vezes. E daí?
Cristão: Você sabe o que está fazendo ao dizer isso?
Lúcia Boca Suja: Não. E não tô nem aí pra essa #!*$.
Cristão: Deixa eu dizer para você, então. Ao invés de usar um palavrão nojento para expressar
repugnância, você está pegando o santo nome do Deus que te deu vida e usando para expressar sua
ira.
Lucy Boca Suja: Eu não acredito nessa #!*$ de Deus!
Cristão: Isto não importa. Mesmo não acreditando, você vai ter que encará-lo no Dia do
Julgamento. O que você tem feito se chama blasfêmia e a Bíblia diz que “O Senhor não terá por
inocente todo aquele que tomar Seu nome em vão”. Deus te deu uma consciência. Você sabe
distinguir o certo do errado... e eu não gostaria de estar em sua pele no Dia do Julgamento nem por
todo o dinheiro do mundo. De qualquer forma, obrigado por me ouvir. Tchau.”

Jamais tenha medo de ser confrontador (em amor). Você se surpreenderá com o que se pode dizer a
alguém se seu tom de voz estiver no correto espírito de gentileza. Não tema usar o medo como
motivador. Qualquer que seja o medo que a pessoa possa ter agora por causa das palavras de
alerta que você a ela disser, nada será se comparado ao temor experimentado se ela “cair nas
mãos do Deus vivo.” O Lago de Fogo deve motivar o cristão a lançar fora todo o seu próprio medo
de rejeição que vem disfarçado no argumento de não querer ofender o descrente.

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Penas para Flechas


A Parábola dos Pescadores Parados

Havia uns pescadores que viviam cercados de riachos e lagos cheios de peixes famintos.
Regularmente se reuniam para discutir sobre o nobre chamado à pescaria, a abundância de peixes e
a emoção de conseguir pescá-los. Todos sempre ficavam muito animados a pescar!

Alguém sugeriu que era preciso se ter uma filosofia de pesca, então eles definiram e redefiniram
cuidadosamente a palavra ‘pescaria’ e também o propósito de ‘pescaria.’ Desenvolveram estratégias
e táticas de pesca. Então, se deram conta de que estavam fazendo o processo ao inverso. Tinham
abordado o tema ‘pescaria’ do ponto de vista do pescador e não do peixe. Assim, perguntaram-se:
Como os peixes vêem o mundo? Que visão os peixes têm do pescador? O que comem? Quando
comem? Todas essas coisas são muito importantes. Desta forma, começaram a fazer pesquisas e
participar de congressos sobre pesca. Alguns viajaram a lugares distantes para estudar os diferentes
tipos de peixes e seus diferentes hábitos. Alguns fizeram doutorado em “piscologia” (ciência que
estuda os peixes e, não, Psicologia). Mas, até então, nenhum deles tinha ido pescar.

Assim, formaram um comitê para enviar os ‘pescadores’. Como o número de lugares para pesca era
muito maior que o número de pescadores, o comitê precisou definir prioridades. A lista de pontos de

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pesca prioritários foi afixada nos murais de todas as associações de pescadores. Mesmo assim,
ninguém ainda estava pescando. Conduziu-se uma pesquisa para descobrir o motivo. A maioria dos
pescadores nem mesmo respondeu à pesquisa, mas, através daqueles que responderam, descobriu-se
que alguns deles se sentiam especificamente chamados a estudar ‘piscologia’, outros se sentiam
chamados a fornecer os equipamentos de pesca e outros, vários outros, diziam que seu chamado era
o de apenas encorajar (e treinar) os pescadores. No final das contas, com tantas reuniões, congressos
e seminários, eles simplesmente não tinham tempo para pescar!

Acontece que um rapaz chamado Chico, recém-chegado à associação dos pescadores, logo após
participar de sua primeira motivadora reunião semanal, foi ao lago e conseguiu pegar um enorme
peixe.

Na reunião seguinte, ele teve a oportunidade de contar como havia conseguido tal feito e foi
honrado diante de todos por sua conquista. Diziam-lhe assim: “Ah, Chico! Você tem um “dom
especial para pesca”.

Assim, logo convidaram Chico para dar palestras nas associações de pescadores de todo o país. No
entanto, com todos os convites que começaram a chegar e sua eleição para a direção da Associação
Nacional de Pescadores, Chico não tinha mais tempo para pescar. Não passou muito, porém, e
Chico começou a se sentir agoniado e vazio. Ele ansiava por sentir a ‘fisgada’ do peixe na linha.
Assim, cancelou as palestras, pediu afastamento do corpo diretivo da associação nacional e disse a
um amigo: “Vamos pescar!” E foram mesmo – só os dois – e pegaram um montão de peixes.

Os membros da associação dos pescadores eram muitos, os peixes eram abundantes, mas os
pescadores eram poucos.

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Palavras de Conforto
Descobri uma maneira excelente de inofensiva e efetivamente compartilhar a minha fé. Eu carrego
em meu bolso umas moedas de um centavo nas quais foram gravadas os Dez Mandamentos.
Quando vejo um estranho, tiro uma e digo: “Olhe, tenho um presente para você.” Quando entrego a
brilhante moeda, geralmente as pessoas perguntam: “O que é isso?” Eu respondo: “É uma moeda
com os Dez Mandamentos. Quantos Mandamentos você acha que tem conseguido guardar?”
Previsivelmente, eles respondem: “Acho que quase todos. Claro que, como qualquer pessoa, eu
também já quebrei um ou dois, mas nunca fiz nada tão grave como matar alguém. Então,
gentilmente, eu o faço refletir a respeito de cada Mandamento. Nunca falha.

Em certa ocasião, eu tinha apenas trinta segundos para falar com alguém que estava no elevador
comigo. Então, puxei uma moeda do meu bolso, entreguei a ele e disse: “Olha, tenho um presente
para você.” Previsivelmente, ele perguntou: “O que é isso?” Eu disse, “Um centavo com os Dez
Mandamentos. Quantos deles você tem conseguido guardar?” Esperava a resposta de costume, mas,
ao contrário, ele olhou para o centavo e disse: “Esse é o primeiro que eu vou guardar. Ninguém
jamais tinha me dado um desses antes.” E saiu andando sem que eu conseguisse dizer mais nada.

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Versículo para Memorização

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“Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome,
deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.”
Jo 1.12

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Últimas Palavras
O Duque de Buckingham, ateu assumido, confessou logo antes de morrer:

“Brinquei com o santo nome de Deus. Agora sou assombrado pelo remorso e,
temo, fui desamparado pelo Senhor.”

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Os Dez Mandamentos (parte 4)


“Não sou pregador legalista do Sábado. Eu prego o Evangelho. O Sábado do judeu é para ele
uma tarefa; o Dia do Senhor do Cristão, o primeiro dia da semana, é para ele uma alegria, um
dia de descanso, de paz e de ação de graças. E se vocês, Cristãos, conseguirem
determinadamente afastar todas as distrações, de maneira que possam descansar hoje, isso fará
bem aos seus corpos, almas, mentes, espírito, tanto temporalmente quanto eternamente.”
Charles Spurgeon

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Comentário de Kirk Cameron: Apesar de os cristãos não serem obrigados a guardar o Sábado, o
Mandamento revela nossa natureza egocêntrica. Quantas vezes já não desejamos que fossem oito, e
não sete, dias por semana para que pudéssemos gastá-los para correr a atrás de nossos próprios
interesses, e raramente separar um dia para as coisas de Deus?

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Perguntas e Objeções
“Creio que vou para o céu porque vivo pela Regra de Ouro.”

O mundo conhece a Regra de Ouro simplesmente como “Assim como quereis que os homens vos
façam, do mesmo modo lhes fazei vós também.” (veja Lc 6.31). De acordo com este versículo, se
conseguirmos viver por esta regra e amar o próximo com a nós mesmos, estaremos cumprindo a
Lei. Pergunte àqueles que alegam fazer isso se eles, alguma vez na vida, já mentiram, roubaram,

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odiaram ou olharam para alguém de maneira lasciva. Se já quebraram algum destes mandamentos,
então tais pessoas não tem amado aqueles contra quem praticaram tais atos. Isso mostrará que
violaram a Regra de Ouro e que estão debaixo da ira de Deus (Jo 3.36) e precisam
desesperadamente do sangue purificador do Salvador.

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Nesta lição, vamos estudar o Quarto Mandamento:

“Lembra-te do dia do Sábado para o santificar”


Êx 20.8

Algumas pessoas, hoje em dia, insistem que os cristãos devem guardar o dia do sábado e que
aqueles que adoram no primeiro dia da semana (domingo) estão em grande erro. Eles raciocinam
que a palavra ‘domingo’ (em inglês, Sunday) se origina da adoração pagã do Deus Sol e que Jesus e
Paulo guardaram o sábado para nos dar o exemplo, e que a igreja Católica Romana foi a
responsável pela mudança no dia de adoração. Aqueles que continuam a cultuar no domingo – estas
pessoas acham – receberão a marca da besta. Vamos estudar de maneira sucinta tais argumentos:

Primeiro, em lugar nenhum o Quarto Mandamento diz para cultuar no sábado. Ordena-nos a
descansar nesse dia:

“Lembra-te do dia do sábado, para santificá-lo.


Seis dias trabalharás e farás todo o teu trabalho, mas o sétimo é o sábado do Senhor, teu
Deus. Nele não farás trabalho algum... Pois em seis dias o Senhor criou os céus e a terra, o
mar e tudo o que neles há, e descansou no sétimo dia: portanto, o Senhor abençoou o
sábado e o santificou”
Êx 20.8-11

Os guardiões do sábado cultuam no sábado. Entretanto, a palavra “sábado” vem do latim,


dia de Saturno, um dia de culto pagão ao planeta Saturno (astrologia).

Se a salvação do cristão dependesse de se guardar um dia em especial, certamente Deus nos


teria dito. Em certa ocasião, os apóstolos se reuniram especificamente para discutir o
relacionamento dos crentes com a Lei de Moisés. At 15.5-11, 24-29 foi a oportunidade de
Deus deixar bem clara a Sua vontade para Seus filhos. Tudo o que Ele precisava ter feito
para salvar milhões da condenação eterna era ter dito: “Lembrem-se do sábado para
santificá-lo”, e milhões de cristãos genuínos, amantes a Deus e crentes na Bíblia teriam
alegremente guardado tal mandamento. Ao invés disso, os únicos comandos que os
apóstolos deram foi para “abster-se de comida oferecida a ídolos, e do sangue, e da carne
sufocada, e da prostituição” (At 15.29).

Não há um comando sequer no Novo Testamento para os cristãos santificarem o sábado. Na


verdade, somos ensinados a não deixar que nos julguem por causa do sábado (Cl 2.16), e
que o homem não foi feito para o sábado, mas o sábado para o homem (Mc 2.27). O sábado
foi dado como sinal a Israel (Êx 31.13-17); em nenhuma passagem é dado como sinal à
igreja. Milhares de anos após o Mandamento ser dado, ainda podemos ver o sinal que separa
Israel do mundo – eles continuam a santificar o sábado.

Os apóstolos reuniam-se no primeiro dia da semana para partir o pão (At 20.7). As ofertas

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eram tiradas no primeiro dia da semana (1 Co 16.2). Quando é que as pessoas que guardam
o sábado se reúnem para partir o pão ou tirar a oferta? Não é no mesmo dia em que fazia a
igreja primitiva. Sabemos que a igreja Católica Romana mudou o seu dia de adoração de
sábado para domingo, mas o que isso tem a ver com os discípulos guardarem o primeiro dia
da semana? Quem fazia isso era a igreja Católica Romana nos primeiros séculos, não a
igreja do Livro de Atos.

Rm 14.5-10 nos conta que uma pessoa pode estimar um dia da semana mais que outro,
outras pessoas estimam todos os dias do mesmo jeito. As Escrituras nos ensinam que cada
um deve estar inteiramente convicto em sua própria mente. Assim, não devemos julgar uns
aos outros em relação a que dia devemos prestar culto a Deus.

Jesus guardava o sábado. Ele tinha que guardar toda a Lei para ser o perfeito sacrifício. A
Bíblia deixa claro que a Lei foi satisfeita em Cristo. A razão pela qual Paulo ia à sinagoga
todo sábado não era para guardar a Lei; isto teria sido contrário a tudo que ele ensinava a
respeito de somente pela graça ser salvo (Ef 2.8-9). Muito pelo contrário, [o apóstolo] fazia
isso para que pudesse pregar o Evangelho aos Judeus, como se evidencia no Livro de Atos.
Paulo possuía um zelo evangelístico incrível pela salvação de Israel (Rm 10.1). Para o
Judeu, tornou-se Judeu, de maneira que pudesse ganhar os Judeus (1 Co 9.19-20). Isso
significa que ele ia onde quer que eles se reunissem no dia em que se reunissem – “ele
arrazoava na sinagoga todo sábado” (At 18.4).

D. L. Moody disse: “A Lei só consegue perseguir as pessoas até o Calvário – nada além disso.”
Cristo nos redimiu da maldição da Lei para que estivéssemos mais cativos à ela. Se tentarmos
guardar uma parte da Lei (mesmo por amor a Deus), somos obrigados a guardar toda a Lei (Gl
3.10) – todos os 613 preceitos. Se aqueles que insistem em guardar o sábado fossem tão zelosos a
respeito da salvação dos perdidos quanto são em relação aos outros cristãos guardarem o sábado, aí
haveria um grande avivamento.

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Perguntas
1. O que a Bíblia diz para fazermos no sábado?
2. De acordo com Êx 31, para quem o sábado foi feito?
3. Paulo prestava culto a Deus no sábado? Por quê?
4. Por que os Cristãos estão livres da Lei?

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O Pregador
Daniel Caspa: Acho os cristãos uns loucos!
Cristão: Por quê?
Daniel Caspa: São um bando de gente de mente fraca que precisa de algo em que se agarrar na
vida.

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Cristão: Você tem razão se essa coisa de que está falando for um pára-quedas para alguém que vai
ter que saltar de um avião.
Daniel Caspa: Hein?
Cristão: Você não percebe que algum dia terá que passar pela morte? É aí que precisará de um
Salvador – ou ‘dessa coisa para se agarrar’ que você falou. Quando você morrer, terá que encarar
uma Lei Moral que é muito mais dura do que a lei da gravidade.
Daniel Caspa: Eu não acredito na “Lei”.
Cristão: Isto não faz a menor diferença. Se alguém saltasse de um prédio de dez andares sem
acreditar na lei da gravidade, ainda assim teria que enfrentar as conseqüências de sua atitude, apesar
do fato de não crer nela... Você tem guardado a Lei de Deus, os Dez Mandamentos? Você alguma
vez contou uma mentira?
Daniel Caspa: Você está começando a me irritar.
Cristão: Apenas estou falando isso por me importo com você. Deus vai passá-lo no pente fino no
Dia do Julgamento. Julgará até mesmo os seus pensamentos e intentos do seu coração. Na verdade,
a Bíblia fala no Sl 68.21 que “Deus esmagará a cabeça de seus inimigos, o crânio cabeludo daquele
que prossegue em suas culpas.” Você precisa se arrepender hoje e colocar sua confiança em Jesus
Cristo.

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Penas para Flechas


Em 1969, vinte e quatro pessoas decidiram ignorar os avisos de que o Furacão Camille se dirigia
para o Mississipi. Ao invés disso, colocaram na cabeça que iriam passar por ele. Vinte e três delas
morreram no furacão. A cruz é um aviso do furioso furacão da ira de Deus, pelo qual ninguém
‘passará’ impune no Dia do Julgamento. A única maneira de fugir da ira vindoura é entregar-se ao
ilho de Deus – ao senhorio do Salvador Jesus Cristo. Aqueles que colocam sua esperança nele são
abençoados com perdão e vida eterna.

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Palavras de Conforto
Senti um terremoto outra noite. Fico impressionado com a sensibilidade que o corpo humano tem
para detectar não apenas o momento em que um terremoto começa, mas até mesmo o tamanho do
sacolejo. O fato de morar na Califórnia deu-me uma sensibilidade tão grande que consigo “chutar” a
escala do terremoto (com uma pequena margem de erro). O que eu senti recentemente deve ter sido
na faixa de, pelo menos, 5.5. Ele foi forte o suficiente para me acordar de um pesado sono e dizer
para Sue: “Uau! Esse foi um dos grandes...” Ela estava acordada e me disse que nada havia sentido.
Disse também que havia acabado de se virar na cama.

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Versículo para Memorização


“Um faz diferença entre um dia e o outro, mas outro julga iguais todos os dias.
Cada um esteja inteiramente convicto em sua própria mente.”

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Rm 14.5

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Últimas Palavras
“Que pena, que pena! Agora é tarde demais!”
Ludwig van Beethoven (1770-1827)
(compositor alemão)

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Os Dez Mandamentos (parte 5)


“Tantas pessoas comemoram o aniversário de Cristo! Tão poucas os Seus preceitos!
Ó como é tão mais fácil celebrar festas que guardar mandamentos.”
Benjamim Franklin

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Comentário de Kirk Cameron: O Quinto Mandamento trata de honrar seu pai e sua mãe. Quando
era adolescente, fui culpado de quebrar este Mandamento diariamente.

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Perguntas e Objeções
“Deus é injusto porque mandará tanto Hitler quanto uma pobre senhora
(que nunca aceitou Jesus) para o inferno.”

Os pecadores sempre acusam Deus de ser injusto, pois consideram que todos receberão a mesma
punição no inferno independentemente de seus pecados serem menores ou hediondos. O julgamento
de Deus, entretanto, será de acordo com a justiça (retidão) (At 17.31). Em Mt 11.24, Jesus disse:
“...no dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti.” e em Lc 10.14, vemos
que cidades mais pecaminosas como Corazin e Betsaida receberão um julgamento mais duro que
Tiro e Sidom. Estes versículos mostram que haverá graus de punição. (Veja também Lc 12.47-48 e
Hebreus 10.29).

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Nesta lição vamos estudar o Quinto Mandamento:

“Honra teu pai e tua mãe:

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para que teus dias se prolonguem sobre a terra que o Senhor teu Deus te concede”
Êx 20.12

Este Mandamento é singular, porque é “o primeiro Mandamento com promessa” (Ef 6.2). Honrar
nossos pais significa estimá-los, mostrar-lhes respeito e prestar-lhes obediência. O Novo
Mandamento instrui as crianças a “obedecerem a seus pais no Senhor: pois isto é justo” (Ef 6.1) e a
“obedecer a seus pais em tudo: pois isto é agradável ao Senhor (Cl 3.20). Será que os filhos devem
obedecer apenas o que quiserem ou o que parecer justo para elas? Não; para agradar ao Senhor,
devem obedecer “em tudo”. Isso não significa que seus pais sempre tomarão decisões sábias ou
tratarão seus filhos como devem, mas os pais prestarão conta disso diante de Deus.

Por que isto é tão importante? Visto que as crianças são naturalmente pecaminosas, precisam ser
instruídas nos caminhos do Senhor; os pais devem “instruir as crianças no caminho que devem
seguir” (Pv 22.6). Pv 29.15,17 alerta: “A vara e a repreensão dão sabedoria; mas a criança entregue
a si mesma envergonha a sua mãe... Corrige a teu filho, e ele te dará descanso; sim, deleitará o teu
coração.” Aqueles que não se submetem à autoridade de seus pais, que são os representantes de
Deus para treiná-los e discipliná-los, muito improvavelmente se submeterão à autoridade de Deus
ou obedecerão Suas Leis.

Em essência, este mandamento promete que, se os filhos não honrarem seus pais, nada irá bem em
suas vidas e que seus dias na terra não serão muitos. Esta é a razão por nada estar indo bem com
esta geração. Esta geração tem sido deixada na escuridão sobre os requerimentos da Lei e está
sofrendo as conseqüências de sua transgressão. Ela sofre com o vício do álcool e das drogas,
promiscuidade, doenças sexualmente transmissíveis, lares partidos e uma enorme taxa de suicídio
(visite o site www.1000deaths.com, clique nas fotos... e chore).

A Bíblia diz que o Messias engrandeceria a Lei e a tornaria gloriosa (Is 42.21). Jesus fez isso muitas
vezes, particularmente no Sermão do Monte. Mc 7.5-13 nos conta que os Fariseus haviam
desonrado a Lei ao honrar a Deus apenas com os lábios. Anularam os mandamentos pela sua
tradição, ensinando segundo os mandamentos dos homens. O Salvador devolveu honra à Lei ao
ensinar que ela era espiritual por natureza, e que guardá-la apenas exteriormente não era suficiente.
Deus exige a verdade no interior (pensamentos, intenção e motivos).

O uso legítimo da Lei revela o quão distante estamos do perfeito padrão de Deus. A Lei traz o
conhecimento do pecado. Mesmo os melhores de nós não honraram seus pais como deveriam.
Entretanto, ao evangelizar as pessoas, sempre encontraremos alguns que discutirão dizendo que
guardaram sim este Mandamento, tendo perfeitamente honrado a seus pais. Portanto, precisarão
primeiro ser confrontados com os pecados da carne antes de serem confrontados com este
Mandamento. Será que eles já contaram alguma mentira? Ou furtaram algo? Quase todos admitem
que sim; e ao fazê- lo desonraram o nome de seus pais ao se tornarem ladrões mentirosos.

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Perguntas
1. O que significa “honrar” pai e mãe?
2. Deveremos sempre honrar nossa mãe, mesmo que ela seja uma prostituta?
3. Por que é tão importante que as crianças obedeçam este Mandamento?

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4. Ao evangelizar, porque é importante que usemos os Mandamentos que lidam com os
pecados da carne antes de mencionar este?

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O Pregador
Norma Winfor Mada: Não acho que a Bíblia é confiável porque existem muitas versões. Qual
delas é a correta?
Cristão: Há versões em chinês para os chineses. Há versões em russo para o povo russo. Na
verdade, há centenas de versões da Bíblia – algumas em linguagem moderna, algumas em línguas
estrangeiras, outras em português arcaico. Poucas pessoas, na época da imprensa, podem alegar não
ter acesso às Escrituras em seu próprio idioma.
Norma Winfor Mada: A Bíblia é aberta à interpretação. Quer dizer, tantas pessoas acham que um
versículo significa uma coisa e tantas outras pensam em outro significado totalmente diferente. É
muito confuso.
Cristão: Tente decifrar isso, então: Jesus disse: “A não ser que você se arrependa, perecerá”.
Norma Winfor Mada: Hã!?
Cristão: Como você interpretaria isso?
Norma Winfor Mada: A Bíblia não tem mudado com o passar dos anos?
Cristão: Não. Deus tem preservado Sua Palavra. Qualquer pessoa pode hoje em dia ter acesso a
programa de computadores que fornecem as palavras gregas e hebraicas originais, e as únicas
“mudanças” são as que foram feitas por motivo de clareza. O versículo que acabamos de ver, por
exemplo. Em português arcaico é dito: “Exceto se vos arrependerdes, vós todos de igual modo hão
de perecer (Lc 13.3)”, enquanto a versão contemporânea registra algo assim: “Se não se
arrependerem, vocês também perecerão.”
Norma Winfor Mada: Ok. Estou entendendo a mensagem.

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Penas para Flechas


No Velho Oeste, vários homens estavam no primeiro andar de uma pensão divertindo-se jogando
cartas, quando ouviram um grito vindo da rua: “Fogo! Fogo!” Os homens simplesmente se olharam
de maneira incrédula. O amarelo das chamas toma conta de uma janela. “Espere!”, diz o
comerciante, “Vamos pelo menos terminar esta jogada; temos muito tempo – estou com a chave da
porta dos fundos.” Todos concordaram e reiniciaram o jogo. Preciosos minutos se passaram. Um
dos homens começou a ficar nervoso quando as chamas começaram a entrar pelos vidros quebrados
da janela. Com os olhos arregalados e testa suada, ele pede a chave: “Covarde!”, murmura o
comerciante ao jogar a chave. Todos correm em direção à porta e aguardam ofegantes conforme a
chave é colocada na fechadura. “Ela não gira!”, grita o homem. “Dê-me aqui!”, diz o comerciante.
Enquanto tentava em vão girar a chave, ele sussurrou: “É a chave errada!”

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Palavras de Conforto
Tenho uma misteriosa habilidade de ficar preso nos lugares. Quando era garotinho, fiquei preso em
um alto penhasco e alguém teve que me resgatar. Durante os meus trinta anos consegui ficar longe
de penhascos, mas, ainda assim, conseguia ficar preso. Certa vez, esqueci de levar a chave para usar
o banheiro que era compartilhado por diversos lojistas. Felizmente, a porta não estava trancada.
Entrei e bati a porta. Entretanto, descobri que não conseguira sair sem a chave. Tive que pôr minha
cabeça em uma fresta e, humildemente, pedir a um transeunte que fosse a loja e pedisse a chave
para me libertar.

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Versículo para Memorização


“Aparta-te do mal, e faze o bem: busca a paz, e segue-a.
Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor.”
Sl 34.14-15

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Últimas Palavras
São Francisco de Assis (1182-1226), fundador da ordem dos monges Franciscanos:

“Adeus, meus filhos; permaneçam sempre no temor do Senhor. Tentação e


tribulação estão à porta e, feliz daqueles que perseverarem no bem que
começaram. Apresso-me a ir para o Senhor, a cuja graça vos recomendo.”

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Os Dez Mandamentos (parte 6)


“Se não colocares o pecado à morte, terás o pecado até morrer. Não há alternativa. Se não
morreres para o pecado, morrerás pelo pecado. Se não matares o pecado, o pecado te matará.”
Charles Spurgeon

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Comentário de Kirk Cameron: Todos concordam que assassinato é um pecado muito sério. Muitos
de nós acham que estão livres deste Mandamento. Mas, do ponto de vida de Deus, nem você, nem
eu somos tão inocentes assim. Esta é uma lição para levar-nos à lucidez.

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Perguntas e Objeções
“Se o aborto não tivesse sido legalizado, teríamos muitas garotinhas pobres fazendo abortos
às escondidas e caindo na mão de açougueiros de fundo de quintal.
Pelo menos, desta maneira, elas recebem aconselhamento.”

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Tem razão. Pense nos pobres assassinos que estão condenados a ter que cometer assassinatos às
escondidas. Precisamos legalizar o assassinato também! Assim, poderão matar em um ambiente
limpo, agradável e seguro. Não terão mais que se sujar com o sangue que pode causar doenças, e se
pudermos oferecer aconselhamento, eles não terão trauma pós-homicídio pelas escolhas que
fizeram.

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Nesta lição, observaremos o Sexto Mandamento, e o que significa à luz da revelação do Novo
Testamento:

“Não matarás”
Êx 20.13

À fraca luz de sua ignorância, o mundo vê o Sexto Mandamento e se auto-proclama: “Inocente”.


Entretanto, Deus exige a verdade no interior (Sl 51.6). Em outras palavras, Ele vê os pensamentos –
as intenções, as motivações de cada ser humano. Se a lei civil conseguir provar que alguém está
planejando assassinar o Presidente, a pessoa pode ser processada e severamente punida. Esta lei,
entretanto, é limitada em sua busca por evidências, pois não pode ver o que as pessoas pensam.
Mas, não é assim com o olho de nosso Criador, que tudo vê. Sua Lei sonda o coração e Ele enxerga
os “maus pensamentos.” O simples fato de pensar em alguém de maneira odiosa já se qualifica
como transgressão do Sexto Mandamento.

Jesus disse: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e quem matar será réu de juízo. Eu,
porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo.” (Mt 5.21-
22). A Bíblia acrescenta ainda que se odiarmos alguém, somos assassinos (1 Jo 3.15). Há muitos
que gostariam de matar alguém, mas não o fazem por medo de punição. Contudo, Deus já os tem
como culpados de assassinato.

Mesmo que não tenhamos pensamentos de fisicamente assassinar alguém que odiamos, há uma
outra maneira pela qual podemos desejar sua morte. Jo 8.44 diz o seguinte a respeito do diabo: “ele
é homicida desde o princípio.” Apesar de Satanás não ter saído matando as pessoas fisicamente
desde o principio, ao tentar Adão e Eva, conseguiu trazer morte espiritual a toda a humanidade
através do pecado (veja Rm 5.12). Se odiarmos a alguém, o último pensamento em nossas mentes
será o de compartilhar o evangelho com essa pessoa. Neste sentido, nós também nos tornamos
assassinos, desejando a morte eterna da pessoa, por não darmos a ela as Palavras da Vida.

Alguns estados têm leis [nos Estados Unidos] que declaram que o indivíduo que presenciar um
crime e nada fizer para impedi-lo torna-se cúmplice. Do mesmo modo, Deus nos declara culpados
de assassinato se ficarmos apenas observando, sem nada fazer, enquanto alguém caminha para a
morte eterna. Deus requererá seu sangue de nós (veja Ez 3.18).

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Sessenta pessoas são assassinadas por dia nos Estados Unidos (as estatísticas do FBI revelam uma
média de 20,000 assassinatos por ano). O homicídio tem se tornado tão comum que quase não é
mais mencionado nos noticiários.

Algum tempo atrás, Thomas Lyndon Jr de Rocky Point, Long Island, confessou ter assassinado uma
mulher durante um assalto. Admitiu ter colocado a ponta de sua faca de caça (de quatro polegadas)
contra a garganta da senhora e, em seguida, “enfiado um pouquinho de cada vez” até ela começar a
se debater e lutar por sua vida. Veja o que ele disse ter feito após a vítima, Lea Greene. parar de se
mover: “Eu contei as batidas de seu coração por curiosidade de ver quanto tempo ela levaria para
morrer... Sabia exatamente o que estava fazendo... Sabia que era contra a lei... Senti-me poderoso –
invencível, sabe?” Quão verdadeiras as palavras de Charles Spurgeon, o Príncipe dos Pregadores:
“Vejam a natureza caída do ser humano”. Whitefield costumava dizer que era meio animalesca e
meio demoníaca. Eu me pergunto se tanto os animais quanto os demônios não se sentiriam
ofendidos ao ser comparados com as pessoas quando elas são entregues a si mesmas.”

Nos dias atuais, o aborto é uma ocorrência comum. Muitas pessoas tentam convencer-se de que
uma criança ainda não nascida não é nada além de uma “porção de tecido”, tornando aceitável o
fato de destruí-la. Mas, aos 21 dias de gestação, o coração da criança já apresenta batidas e, aos
quarenta dias, ondas cerebrais já podem ser medidas. Se pelo nosso critério médico a vida acaba
quando não há batimento cardíaco ou atividade cerebral, então, certamente, havendo sua presença,
podemos defender que a vida começou. A Bíblia claramente nos alerta que tirar a vida de pessoas
que estão por nascer é assassinato: “Não me matou no ventre de minha mãe. Assim minha mãe teria
sido a minha sepultura.” (Jr 20.17), e Deus prometeu punir aqueles que “porque fenderam o ventre
às grávidas” (Am 1.13). Deus, o Criador da vida, ordenou: “Não derrameis sangue inocente” (Jr
7.6).

Algumas pessoas comparam a pena de morte a assassinato e citam a ordenação de Jesus para
amarmos nossos inimigos (Mt 5.44) como evidência de que Ele não endossava a pena de morte.
Entretanto, não é porque amamos um inimigo que isso nos dá o direito de permitir que ele escape da
punição por assassinato. A Bíblia diz: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque
não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso
quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a
condenação. . . Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz a espada em vão; porque é ministro de
Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal” (Rm 13.1-4).

A Bíblia diz que qualquer pessoa que deliberadamente tirar a vida de alguém deve perder a sua
também: “Todo aquele que matar alguém, será morto conforme o depoimento de testemunhas; mas
uma só testemunha não deporá contra alguém, para condená-lo à morte. Não aceitareis resgate pela
vida de um homicida que é réu de morte; porém ele certamente será morto.” (Nm 35.30-31). Gn 9.6
diz: “Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado; porque Deus fez
o homem à sua imagem.” Isto mostra quanto valor a vida humana tem para Deus. A seriedade de um
crime é revelada na punição aplicada ao criminoso. É interessante perceber que quando Timothy
McVeigh, autor das explosões na cidade de Oklahoma foi condenado à pena de morte, 250 parentes
das vítimas por ele assassinadas pediram para assistir a execução. Seu desejo de ver a justiça feita
testifica do valor que tinham para eles seus entes queridos. Apesar de alegações contrárias, a pena
de morte detém sim o crime. A pessoa executada nunca mais conseguirá matar alguém.

Ainda assim, há líderes cristãos respeitáveis cuja consciência não permitirá que defendam a pena de
morte com a preocupação de que pessoas inocentes possam vir a ser vítimas de um sistema de

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justiça ímpio. Essa é a razão pela qual há um esforço tão grande para averiguar a culpa dos
acusados no caso de crimes cuja pena é a morte. De qualquer forma, apesar das imperfeições da lei
civil, a Bíblia nos ensina a nos submeter às autoridades.

Foi Deus que instituiu a pena de morte no início. O juiz do Universo decretou a sentença de morte
sobre toda a humanidade quando disse: “A alma que pecar, morrerá” (Ez 18.20).

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Perguntas
1. Por que a lei civil é limitada no que diz respeito a processar criminosos?
2. A maioria das pessoas alegará inocência em relação ao Sexto Mandamento. Explique a
perspectiva de Deus para esta questão.
3. Por que Deus considera o ódio como assassinato?
4. Existe alguém que você deteste a ponto de não querer vê-lo no céu? Você acha que Deus o
considera assassino por isso?
5. Você acha que Deus vê o aborto como assassinato? Por quê ou por quê não?
6. A Bíblia considera a pena de morte o mesmo que assassinato? Por quê ou por quê não?

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O Pregador
Ben Gay: Ei, Cristão, eu sou gay e a ciência já provou que eu nasci assim.
Cristão: É verdade. Eu também nasci com tendências homossexuais.
Ben Gay: Hã!?
Cristão: Também nasci com uma tendência a mentir, roubar, cometer adultério e fornicação. Isso se
chama “pecado” e existe em cada um de nós.
Ben Gay: Então, você está querendo dizer que irei para o inferno só porque sou homossexual?
Cristão: Nem mesmo mencionei o inferno. Para onde que você acha que vai quando morrer?
Ben Gay: Para o céu.
Cristão: Por quê?
Ben Gay: Porque sou uma boa pessoa.
Cristão: Você quer fazer um pequeno teste para ver se é bom mesmo?
Ben Gay: Quero.
Cristão: Já contou alguma mentira? Roubou? Usou o nome de Deus em vão?

A Bíblia nos diz que a Lei Moral foi feita para homossexuais (veja 1Tm 1.8-10). Se usarmos a Lei
para evangelizar, não precisaremos nem mencionar “preferência sexual”, e não corremos o risco
de ser processados por “preconceito.” A Lei mostra ao homossexual que está condenado apesar de
sua preferência sexual. Quando ele se arrepender verdadeiramente e pôr sua fé em Jesus, Deus

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retirará [dele] o espírito imundo e o dará um novo coração com novos desejos.

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Palavras de Conforto
Em Lakewood, Califórnia, um homem que havia lançado quatro bolas de golfe para dentro do lago
do clube de golfe concluiu que não era mesmo um golfista talentoso. Estava tão irritado com suas
tentativas [mal-sucedidas] que jogou sua bolsa de golfe dentro do lago e dirigiu-se ao seu carro
irritado. As pessoas que ali estavam acharam que ele tinha mudado de idéia ao vê-lo voltando,
entrando no lago e procurando pela bolsa. Ao encontrá-la, vasculhou seus bolsos até encontrar as
chaves de seu carro. Finalmente, após encontrar as chaves, retornou ao automóvel deixando a bolsa
de golfe lá no lago mesmo.

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Versículo para Memorização


“Todo o que odeia a seu irmão é homicida;
e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele.”
1 Jo 3.15

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Últimas Palavras
Edith Louisa Cavell (1865-1915) foi uma enfermeira britânica martirizada pelos alemães por
abrigar refugiados britânicos. Prestes a morrer, disse:

“Ao parar às vistas de Deus e da eternidade, como o faço neste momento. . .


Percebo que patriotismo não é suficiente. É preciso não ter ódio nem rancor
contra quem quer que seja.”

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Os Dez Mandamentos (parte 7)


“Em minha pregação da Palavra, dou especial atenção à seguinte questão:
que o Senhor me leva a começar com os pecadores onde Sua Palavra começa, isto é,
condenando a carne, expondo e sustentando que a maldição de Deus, pela Lei, tanto pertence
quanto sobrevém a todos que chegam ao mundo, por causa do pecado.”
John Bunyan

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Comentário de Kirk Cameron: Apesar de Jesus ter proferido um alerta muito sério sobre a quebra
do Sétimo Mandamento, este talvez seja o que é desrespeitado com maior entusiasmo e animação.

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Perguntas e Objeções
“Deus me criou homossexual e, portanto, não quer que eu mude.”

Os homossexuais argumentam que não fizeram uma escolha consciente em ser do jeito que são e,
por isso, deve ter sido algo natural. Eles nascem assim – igualmente a todos nós que nascemos com
natureza e desejos pecaminosos (Ef 2.1-3). Diga-lhes que é natural para eles, e para todos nós, ser
tentados a fazer coisas que Deus diz que são erradas. Da mesma forma, pedófilos, adúlteros,
alcoólatras, viciados em droga, etc., não tomam uma decisão consciente ao “escolher” estes estilos
de vida tão destrutivos; simplesmente se entregam aos seus desejos pecaminosos. Entretanto, apesar
de o pecado ser natural para os descrentes, isso não significa que Deus quer que permaneçam do
mesmo jeito. Deus pode libertá-los de sua natureza pecaminosa (Rm 7.23;8.2), dar-lhes novos
desejos (Ef 4.22-24) e ajudá-los a resistir às tentações (1 Co 10.13).

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Nesta lição, estudaremos o Sétimo Mandamento e o que significa à luz da revelação do Novo
Testamento:

“Não cometerás adultério”


Êx 20.14

A Bíblia disse que o Messias engrandeceria a Lei e iria torná-la gloriosa (Is 42.21). Os fariseus a
tinham desonrado ao pregar que Deus apenas requeria uma demonstração externa de piedade.
Entretanto, Jesus explicou que Deus julga até mesmo nossos pensamentos. Ele disse: “Ouvistes que
foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para
cobiçá-la, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (Mt 5.27-28). Ao fazê-lo, Jesus mexeu
com a parte mais sensível da humanidade. Os seres humanos vivem e morrem por causa da luxúria.
Para eles, é o maior prazer da vida e preferem ser condenados a dele abrir mão. Se a salvação fosse
obra das pessoas, ninguém seria salvo. Os esforços evangelísticos seriam inúteis. Mas, graças a
Deus é Ele quem nos traz o arrependimento que nos conduz ao conhecimento da verdade (2 Tm
2.25). É Deus que nos faz perceber e nos mostra o fim de nossas transgressões. Este Mandamento
talvez seja o mais potente dos poderosos canhões de Deus e, portanto, deve ser usado com
freqüência para acordar os pecadores para a terrível situação em que se encontram.

A lascívia é especialmente perigosa porque raramente se apresenta sozinha. Seus companheiros são
a fornicação, o adultério, a perversão, o estupro e, até mesmo, o assassinato. Ela arde no coração
das pessoas e, como um refluxo ácido, corre pela carne como uma grande e consumidora onda
como se tivesse vontade própria. A luxúria levou Herodes a assassinar João Batista, o maior de
todos os homens já nascidos de uma mulher [fora Jesus Cristo]. Ela não quer apenas a metade do
reino do indivíduo, quer sua cabeça em uma bandeja. Ela gera o pecado que quando concebido
conduz a morte. Pv 6.32 nos alerta: “O que adultera com uma mulher é falto de entendimento;
destrói-se a si mesmo, quem assim procede.”

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O sexo foi dado como presente por Deus para procriação e prazer. As Escrituras dizem que o único
período que o marido e a esposa devem abster-se das alegrias do sexo é quando estiverem orando e
jejuando; caso contrário, estarão dando uma grande brecha para serem tentados [por Satanás] (1 Co
7.5). A Bíblia diz ainda que todo homem deve regozijar-se sempre no amor de sua esposa (Pv 5.18-
20). A única estipulação é que seja nos seios de sua esposa que ele se regozije – não nos da mulher
da esquina.

As pessoas sempre se enganam ao achar que os Dez Mandamentos condenam apenas o adultério,
deixando-os livres para fazer sexo antes do casamento. Entretanto, a Lei condena qualquer atividade
sexual ilegítima. 1 Tm 1.8-10 nos conta que a Lei também foi feita para os fornicadores. Gl 5.19
coloca o adultério e a fornicação no topo das obras da carne.

Aqueles que renegam o casamento pensando que poderão aproveitar o sexo fora dos laços da
instituição, arriscam-se a contrair AIDS e inúmeras outras doenças sexualmente transmissíveis –
muitas das quais são incuráveis. É interessante percebermos que, dentro do casamento, um homem
e uma mulher podem relacionar-se sexualmente dez mil vezes e nunca correr o risco de contrair
uma DST.

Aquele que pratica a fornicação (do Grego Porneia, “relação sexual ilícita”) está tomando o que
legitimamente poderia ser um presente de Deus para si e o corrompe. Tal pessoa é como uma
criança que rouba uma nota de cinqüenta reais novinha em folha da carteira de seu pai, sem saber
que o pai pretendia presenteá-lo com ela pela manhã.

O fornicador não apenas peca contra Deus e incorre na ira da justiça eterna, mas peca contra a
própria consciência, e seu próprio corpo (1 Coríntios 6:18). Os fornicadores não herdarão o reino de
Deus (1 Co 6.9). As Escrituras alertam para nos “abstermos das concupiscências da carne que
militam contra a alma” (1 Pe 2.11).

Não fique desencorajado se você tiver uma batalha contra a lascívia. Se você estiver lutando, então,
pelo a menos está combatendo. Caso você não tenha problema algum com isso é porque você já
entregou seu coração a demônios e eles o arrastarão para o inferno. Tais palavras metem medo, mas
são necessárias para nos acordar em relação ao que está em jogo.

Você teria a coragem de levar materiais pornográficos para a igreja e olhá-los durante o culto? Pois,
lembre-se que Deus está tão presente em seu quarto quanto no prédio da igreja. Se você se entrega à
pornografia, encare o fato de que você pode não ser salvo. Examine-se a si mesmo para certificar-se
se Cristo vive em você (2 Co 13.5). Veja Rm 6.11-22; 8.1-14; Ef 5.3-8.

Entenda que quando você se entrega à pornografia, está cometendo adultério (Mt 5.27-28).
Compreenda a natureza séria de seu pecado. Jesus disse que seria melhor que ficássemos cegos e ir
para o céu do que os nossos olhos nos levarem a pecar e acabar no inferno (Mt 5.29). Aqueles que
se professam cristãos mas ficam babando em cima de material pornográfico, evidentemente não
possuem o temor de Deus (Pv 16.6). Cultive o temor do Senhor lendo Pv 2.1-5. Pense onde a
lascívia levou o Rei Davi. Ele se abriu a muitos outros pecados, incluindo assassinato e trouxe
miséria e vergonha sobre o nome de sua família. Leia o Sl 51 e faça dela sua oração pessoal.

Memorize Tg 1.14-15 e 1Co 10.13. Siga o exemplo de Jesus (Mt 4.3-11) e cite a Palavra de Deus
quando tentado (veja Ef 6.12-20).

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Não faça preparativos [para satisfazer] para sua carne (Rm 13.14; 1 Pe 2.11). Livre-se de todo
acesso a material pornográfico – internet, literatura impressa, TV, vídeos e filmes. Pare de alimentar
a fogueira. Ao invés disso, guarde seu coração com diligência (Pv 4.23). Não deixe o reino
demoníaco ter acesso a seus pensamentos. Se se entregar, você se tornará seu escravo (Rm 6.16).

Leia a Bíblia diariamente, sem falha. Ao se submeter a Deus, o diabo fugirá de vós (Tg 4.7-8). Na
próxima vez que a tentação chegar, faça cinqüenta flexões, e em seguida cinqüenta abdominais. Se
a tentação persistir, repita o processo (veja 1 Co 9.27).

Tenha confiança de que, apesar dos pecadores poderem rejeitar suas palavras quando falar a eles
sobre luxúria, eles acharão mais difícil rejeitar a convicção trazida pelo Espírito Santo. Plante a
semente da verdade no solo do coração. Conte-os o que Jesus falou sobre este pecado e, então, peça
em oração que o Espírito Santo faça a Palavra crescer em seus corações.

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Perguntas
1. Como o Messias tornou a Lei “gloriosa”?
2. Quais são alguns dos pecados que acompanham a lascívia?
3. O que a lascívia quer de você? (Veja Jo 10.10 e Tg 1.14-15)
4. Como você responderia a alguém que dissesse que os Dez Mandamentos não condenam
sexo fora do casamento?
5. Por que você não deve ficar desencorajado se tiver um problema com a lascívia?
6. O que a Bíblia diz àqueles que consideram o ato de ver pornografia como uma atividade
inofensiva?
7. O que podemos aprender com Provérbios 2:1-5?

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O Pregador
Cristão: Oi, Leo. Bom vê-lo de novo.
Leo Lascivo: Oi, Cristão. O que que há?
Cristão: Você acha que vai para o céu?
Leo Lascivo: Claro. Sou tão bom como qualquer Cristão.
Cristão: Essa não era a sua situação na última vez que nos falamos. Você continua com desejos
lascivos em relação às mulheres?
Leo Lascivo: Sem dúvida. Eu adoro isso. O que você vê como lascívia, eu vejo como prazer. Nada
há de errado em olhar para uma mulher e dizer: “Que linda.”
Cristão: Concordo. Não há nada de errado com isso. Mas, Deus diz que há algo de errado sim em
ter desejos lascivos em relação a ela. Ele chama isso de adultério.
Leo Lascivo: E como se sabe a diferença?

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Cristão: Sua consciência. Ela o avisa quando o seu olhar muda de um simples “olhar” para
“cobiçar” [sexualmente].
Leo Lascivo: Bem, é como eu disse: isso me dá prazer.
Cristão: Só por isso dar prazer, não quer dizer que é certo. O estupro pode dar prazer. Um
“animado” assalto a banco, também. Jesus disse que se seu olho o fizesse pecar, você deveria
arrancá-lo para que não deixasse com que o pecado o levasse para o inferno.
Leo Lascivo: Não acho que Deus vá me mandar para o inferno apenas por olhar para uma mulher.
Cristão: E não vai mesmo, mas vai mandá-lo para o inferno por cometer adultério em seu coração.
Obrigado por me ouvir. Avise-me quando quiser conversar mais, Leo.

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Penas para Flechas


Uma grande parte da miséria do mundo é auto-inflingida: AIDS, alcoolismo, obesidade, culpa,
dependência de drogas e nicotina com suas doenças relacionadas, etc. Veja as repercussões do
adultério nesta carta anônima:

“Onze anos atrás, eu saí de um casamento de doze anos. Minha esposa era uma
boa pessoa, mas por um longo tempo ela esteve debaixo de muito estresse. Ao
invés de ajudá-la, comecei um caso com sua melhor amiga. Foi um desastre. Foi
disso que abri mão: 1) ver minha filha crescer; 2) o respeito de muitos amigos
antigos; 3) a alegria da vida em família; 4) uma esposa que era leal, graciosa e
tentava fazer-me feliz. Isto foi o que consegui: 1) dois enteados que me tratavam
como lixo; 2) uma esposa que não sabia fazer nada para o jantar além de
reservar a mesa do restaurante; 3) uma esposa cujo único interesse em mim era
quanto dinheiro podia ganhar; 4) uma esposa que fazia comentários ofensivos
contra meus familiares e destruiu todas as minhas amizades; 5) no final das
contas, a melhor coisa que consegui foi um amargo e caro divórcio.”

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Palavras de Conforto
Uma senhora chamada Peggy entrou no saguão de nosso ministério e perguntou se poderia
estacionar seu imenso caminhão na frente de nosso prédio. Respondi que sim e em seguida dei-lhe
um de nossos brindes do Elvis. Ela olhou para ele e disse: “Parece o meu primeiro marido.”
Perguntei-lhe quantos já havia tido. Respondeu que já estava no quarto.

Eu me segurei para não dizer: “... e o que tens agora não é seu marido”, mas, ao invés disso, dei-lhe
um centavo com os Dez Mandamentos. Disse-lhe o que era e perguntei: “Acha que tem guardado os
Dez Mandamentos?” Quando ela admitiu que havia mentido e roubado, gentilmente disse: “Por sua
própria admissão, você é uma ladra mentirosa. Se Deus julgá-la pelos Dez Mandamentos no Dia do
Julgamento, você será inocente ou culpada? Ela disse que seria culpada e acabaria no inferno.
Disse-lhe que não era a vontade de Deus que ela acabasse lá e perguntei-lhe se ela sabia o que Deus
havia feito para que não precisasse ir para o inferno. Ela abriu bem os seus olhos e disse
sinceramente: “Ele deu Seu Filho unicêntrico.”

- 46 -
A maioria das pessoas conhece João 3.16, apesar de não sabê-lo muito bem.

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Versículo para Memorização


“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.
Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para cobiçá-la,
em seu coração já cometeu adultério com ela.”
Mt 5.27-28

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Últimas Palavras
Zuniger foi um professor de Medicina em Basel que, apesar de ser renomado por sua habilidade, era
uma crente de coração simples que vivia à luz da eternidade. Suas últimas palavras foram:

“Regozijo-me, sim, meu espírito salta de alegria, por a hora finalmente ter
chegado em que verei o glorioso Deus face a face; aquele por quem pela fé
tenho ansiado e por quem minha alma pulsa.”

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Os Dez Mandamentos (parte 8)


“A graça nada significa para a pessoa que não sabe que é pecadora e que isso significa estar
separada de Deus e condenada. Assim, é inútil pregar a graça até que as impossíveis exigências
da Lei e a realidade da culpa perante Deus sejam pregadas.”
John MacArthur

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Comentário de Kirk Cameron: Este Mandamento realmente serve para acordar a consciência. É
maravilhosamente efetivo para alertar os indivíduos em relação à séria condição de seus corações.
Lembre-se: roubar coisas miúdas também significa roubar.

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Perguntas e Objeções
“Será que não há circunstâncias em que violar a Lei de Deus se justifica?”

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Imagine que a esposa de um homem está morrendo e precisa de um remédio que só há em uma
farmácia, a qual está fechada. Eles estão longe demais de qualquer hospital, e o homem não teria
dinheiro para comprar o remédio mesmo que a farmácia estive aberta. Então, ele a arromba durante
a noite, rouba o remédio (mas não mexe em mais nada) e salva a vida de sua esposa. Isto é
moralmente correto? Isto é pecado?

A Bíblia diz:

“Não é desprezado o ladrão, mesmo quando furta para saciar a fome?


E, se for apanhado, pagará sete vezes tanto, dando até todos os bens de sua casa.”
Pv 6.30-31

Mesmo que alguém roube para salvar a vida de sua [própria] esposa, ainda assim, isto é roubo. Ele
é, portanto, culpado de quebrar tanto a lei dos homens quanto a Lei de Deus. Entretanto, qualquer
juiz com bom senso levaria em conta o motivo de sua transgressão e seria misericordioso.
Obviamente, Deus fará o mesmo no Dia do Julgamento com aqueles que se encontrarem nessa
mesma situação. Deus fará o que é certo. Entretanto, se nos aprofundarmos mais um pouco no
motivo da pessoa que pergunta se quebrar a Lei de Deus é justificável, provavelmente
descobriremos que nem ela nem um de seus entes queridos estão correndo risco de morte; Ela está
apenas criando cenários imaginários para tentar justificar seu amor ao pecado.

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Neste capítulo, estudaremos o Oitavo Mandamento:

“Não roubarás”
Êx 20.15

A maioria das pessoas não acha que Deus considere roubo como roubo até o valor envolvido O
impressione. Entretanto, se abrir sua carteira e tirar nem que seja um real, sou um ladrão, e a Bíblia
diz que os ladrões não entrarão no reino de Deus. O que valeria a pena roubar pela perda de sua
alma? Jesus perguntou: “Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua
alma?” (Mt 16.26).

É uma triste prova da maldade que há no coração humano quando o mundo honra uma pessoa
honesta. [Por exemplo,] alguém acha uma carteira cheia de dinheiro e devolve ao dono – sai em
rede nacional. É raro um ser humano fazer o que deve. O roubo facilmente nos atrai porque nosso
pai espiritual é um ladrão. Veio para matar, roubar e destruir – e a vontade dele, de bom grado
fazemos... e a adoramos. Quando era criança, usava um arpão de pesca amarrado a um pedaço de
corda para acertar as maças no quintal de meu vizinho e puxá-las pela cerca para nossa propriedade.
Tínhamos maçãs em casa, mas as maçãs roubadas pareciam mais doces.

Não percebemos como o pecado rasteja à porta do coração humano. Muitos nem sequer
imaginariam-se roubando algo até a tentação aparecer. Tome, por exemplo, a situação do dia 14 de
maio de 1993, em Chicago, quando $600,000 (seiscentos mil dólares) caíram de uma carro blindado
no meio de uma rodovia [nos Estados Unidos]. Diversos motoristas sobressaltados pararam seus
carros rapidamente e encheram seus bolsos de notas. Vários motociclistas foram vistos abarrotando
seus capacetes de dinheiro e arrancando à toda velocidade. Dois paramédicos entregaram $ 120,000
(cento e vinte mil dólares) à polícia. Fizeram isso simplesmente porque acreditavam ser dinheiro de
tráfico de drogas e, portanto, com “notas marcadas.” Perto de $ 450,00 (quatrocentos e cinqüenta)

- 48 -
mil dólares estão desaparecidos até hoje.

Geralmente, os pecadores mergulham de cabeça no reino da fantasia para tentar justificar seus
roubos. Dizem assim: “Quer dizer que você está me dizendo que se um homem rouba um pedaço de
pão para alimentar suas crianças famintas Deus chama isso de roubo?” A resposta é sim. É roubo e a
Bíblia diz que ele fará restituição por seu crime. Se alguém estiver com fome, a pessoa deve pedir
antes de roubar. Os pecadores geralmente admitem ter roubado, mas dizem que foi apenas uma
“barrinha” de chocolate quando era criança. Ou admitem ter roubado apenas uma vez na vida, mas
já se regenerou. Estes indivíduos precisam ser informados do fato que o tempo não perdoa pecados,
e que Deus ainda vê os pecados de ontem como se fossem cometidos hoje. Cale as bocas de tais
indivíduos usando a Lei (Rm 3.19). Mostre-lhes que a única saída para escapar às terríveis
conseqüências do pecado é a Porta do Salvador. Deixe o furacão da ira da Lei de Deus soprar as
folhas de sua auto-justiça para longe deles. Levem-nos a admitir sua transgressão pelo nome – que
são ladrões. Em seguida, mostre-lhes e peça que leiam 1 Co 6.9-10.

Charles Finney disse: “Esta Lei, portanto, deve ser apontada com toda sua majestade contra o
egoísmo e inimizade dos pecadores. Todos sabem que pecaram, mas nem todos estão convencidos
da culpa e merecida punição que traz o pecado. Mas, sem isso, não conseguem entender ou ser
gratos pelo método de salvação do Evangelho. Chega deste tipo de pregação água com açúcar que
foca apenas no amor de Cristo sem santidade ou discriminação moral em si. Chega de pregar o
amor de um Deus que não se ira com os pecadores a cada dia.”

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Perguntas
1. Por que o valor do item roubado é irrelevante?
2. O que o fato de alguém devolver uma carteira achada na rua cair nas manchetes dos jornais
revela sobre a natureza humana?
3. É errado alguém roubar para matar sua fome?
4. Como você reagiria se visse um milhão de dólares voando pela rua?
5. O que impediria você de roubar o dinheiro?
6. Por que não é suficiente para um ladrão se auto-regenerar?

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O Pregador
Cristão: Como vai?
Robin Banks: Ótimo. E você?
Cristão: Bem. Você sabe de alguma boa igreja por aqui?
Robin Banks: Não. Faz anos que não vou à igreja.
Cristão: Você vem de família cristã?
Robin Banks: Sim. Ia à escola dominical, mas parei de ir quando comecei a crescer.

- 49 -
Cristão: A propósito, me chamo Cristão. Qual é o seu nome?
Robin Banks: Robin Banks.
Cristão: Prazer em conhecê-lo. Você se considera uma boa pessoa... quer dizer, você tem guardado
os Dez Mandamentos?
Robin Banks: Tenho, tenho.
Cristão: Você já contou alguma mentira?
Robin Banks: Já.
Cristão: De que chamamos alguém que mente?
Robin Banks: De mentiroso.
Cristão: Você roubou alguma coisa na vida?
Robin Banks: Você está querendo fazer com que me sinta culpado.
Cristão: É mesmo. Qual Mandamento faz com que se sinta culpado – “Não dirás falso
testemunho”?
Robin Banks: Não.
Cristão: “Não roubarás?”
Robin Banks: Realmente não quero mais falar nisso.
Cristão: Desculpe. Realmente não quis ofendê-lo. Você trabalha em quê?
Robin Banks: Eu...hã...trabalho num banco. Tenho que ir. Tchau...”

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Palavras de Conforto
Certa vez, fiz um banco de uns quatro metros e meio para um ônibus que havia adquirido. Fiquei
muito contente, pois, pela primeira vez, deu tudo certo. Então, concentrei minhas energias para
fazer o outro banco para o outro lado do ônibus. Estava determinado a não estragar tudo desta vez,
então fiz o segundo idêntico ao primeiro. Fiz uma réplica exata, sabendo que não poderia dar errado
se assim a fizesse. Foi apenas no momento em que o levantei e tentei girá-lo para colocá-lo no outro
lado que me dei conta de meu pequeno erro. Foi um bum! quando o banco bateu em alguma coisa.
É que ele tinha quatro metros e meio de comprimento, mas o ônibus possuía apenas três de largura
– não consegui girar o banco para colocá-lo do outro lado.

Amava aquele ônibus. Colocamos versículos da Bíblia por fora e pintei uma grande figura de um
homem em um caixão na parte de trás dele. Por trás do desenho do homem, havia pilhas de dinheiro
desenhadas e abaixo disso, lia-se: “Do que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua
alma?” Por alguma razão, nunca havia muitos motoristas dirigindo colados na traseira de nosso
ônibus.

Era um ônibus bem grande. Na verdade, era tão grande que enquanto eu controlava o volante, Sue
controlava os pedais. Um dia, dirigia pela cidade e me vi em uma situação que teria que fazer uma
curva bastante fechada. Cuidadosamente verifiquei os retrovisores e dei marcha à ré. Então, ouvi
um barulho que jamais esquecerei: um sonoro Ne-ne-ne-ne-ne-ne-ne! Seguido por um barulho de
algo sendo arrastado. Olhei pelo retrovisor novamente, mas nada vi. Avancei. Outra vez ouvi o
misterioso barulho de algo sendo arrastado, então, encostei logo após a esquina para verificar o que

- 50 -
poderíamos estar arrastando. Subitamente, ouvi alguém batendo na porta do ônibus
desesperadamente. Abri a porta e vi um jovem com o rosto pálido. Ele havia parado bem atrás do
ônibus em um carro bem pequenino, quando o caixão com a frase “Do que vale ao homem ganhar o
mundo inteiro e perder a sua alma?” começou a mover-se em sua direção. Ele ficou buzinando Ne-
ne-ne-ne-ne-ne! enquanto o ônibus arrastava-se por cima de seu capô – avançando com o cadáver, o
caixão e a passagem bíblica direto para o seu pára-brisas. Coitado do rapaz!

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Versículo para Memorização


“Do que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
Mc 8.36-37

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Últimas Palavras
Sócrates (470-309 A.C.), filósofo grego de quem Platão se orgulhava tanto:

“Toda a sabedoria deste mundo não passa de uma minúscula jangada sobre a
qual devemos velejar quando deixarmos este mundo. Se, pelo menos, pudesse
existir um fundamento mais firme sobre o qual velejar, quem sabe uma palavra
divina.”

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Os Dez Mandamentos (parte 9)


“Não creio que alguém possa pregar o Evangelho sem pregar a Lei.”
Charles Spurgeon

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Comentário de Kirk Cameron: Uma mentira contada com “boas intenções” ainda assim é uma
mentira? Uma meia-verdade é uma meia-mentira? Uma mentira ainda é pecado, mesmo se contada
por uma “boa razão”? O que nos qualifica como mentirosos? Pelos padrões de quem seremos
julgados?

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Perguntas e Objeções

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“E se alguém disser que jamais mentiu, roubou, cobiçou alguém sexualmente ou blasfemou –
e negarem terem qualquer pecado?”

Pergunte a esta pessoa se ela guardou o primeiro dos Dez Mandamentos. Será que ela sempre amou
Deus sobre todas as coisas – de todo o seu coração, alma, mente e força (Mc 12.30)? Se disser que
sim, gentilmente diga: “A Bíblia diz que ‘não há ninguém que busque a Deus’ (Rm 3.11). Ninguém
(exceto Jesus Cristo) jamais guardou o Primeiro dos Dez Mandamentos. Um de vocês está
mentindo – ou você ou Deus – e a Bíblia diz que é impossível para Deus mentir” (Hb 6.18; Tt 1.2).

Nesta unidade estudaremos o Nono Mandamento:

“Não prestarás falso testemunho contra teu próximo”


Êx 20.16

É comum ao mencionar este mandamento ouvir a resposta: “Quer dizer que se uma senhora
perguntar-lhe se a acha feia, você deve dizer-lhe a verdade – que ela é?” Informe a pessoa que há
uma diferença muito grande entre discrição (sábia auto-restrição de discurso) e mentira (uma
declaração falsa com o intuito de enganar) – Deus sabe a diferença?

Será que é permitido ao Cristão em alguma circunstância contar uma mentira? Há muitas situações
em que podemos nos encontrar em uma posição difícil e perceber que contar a verdade trará
terríveis conseqüências. Por exemplo, um nazista o questiona se está escondendo algum Judeu em
sua casa. Será que você deveria contar-lhe que há dois [escondidos] debaixo da cama? Caso faça
isso, o resultado será a morte certa dos dois. Sua escolha é mentir e salvar vidas, ou falar a verdade
e colaborar para um assassinato? Outro exemplo é colocar “turista” em seu passaporte para China
ao invés de “traficante de Bíblias”, ou não contar à polícia de um país onde os Cristãos são
perseguidos os nomes dos membros da igreja subterrânea. Talvez a resposta seja que é o motivo que
importa. Entretanto, a questão depende da consciência de cada indivíduo.

A Bíblia nos diz que a Bíblia não mente, e o Nono Mandamento deixa claro que prestar falso
testemunho contra nosso próximo é errado. Prestar falso testemunho com o intuito de prejudicar os
outros, ou evitar as conseqüências de nosso comportamento errado, jamais será aceitável para um
Deus que conhece o nosso motivo.

O dicionário define mentira como uma declaração falso deliberadamente apresentada como
verdade; uma falsificação; algo cujo objetivo é enganar ou dar uma impressão errada. Muitas
pessoas alegam só terem contado mentiras com “boas intenções”. Mas, não existe diferença alguma
entre este tipo de mentira e uma “meia-verdade”, uma lorota ou um exagero. Todos são mentira aos
olhos de Deus. Quantos assassinatos alguém precisa cometer para ser chamado de assassino?
Apenas um. Da mesma maneira, se contarmos uma mentira sequer, não importa o tamanho, nos
tornamos mentirosos.

O Nono Mandamento requer a verdade, toda a verdade e nada além da verdade. Deus é um Deus de
Verdade e sua Lei exige honestidade absoluta do coração. Ainda assim, o coração humano é
considerado enganoso mais do que todas as coisas. Já foi dito que escolher o caminho mais fácil é o
que corrompe as pessoas. Veja esta citação:

“. . . 20.000 alunos do ensino fundamental e médio foram entrevistados pelo


Instituto de Ética Jefferson – uma organização sem fins lucrativos em Marina del
Rey, Califórnia, que se dedica a educação do caráter. Noventa e dois por cento

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dos adolescentes admitiu ter mentido para os pais no ano anterior, e 73 por cento
se autocaracterizaram como “mentirosos em série”, querendo dizer que mentem
toda semana. Apesar destas admissões, 91 por cento de todos os entrevistados
afirmaram que “estavam satisfeitos com sua própria ética e caráter.” (Reader’s
Digest, Novembro de 1999).

O caminho da mentira geralmente é um caminho fácil, mas leva ao inferno. A Bíblia alerta que
todos os mentirosos terão sua parte no Lago de Fogo (Ap 21.8). Que pensamento assustador! As
pessoas podem até pensar que a mentira não é um pecado sério, mas Deus acha. Devemos sentir
nossos corações partindo ao simplesmente pensar no destino dos ímpios.

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Perguntas
1. Como o dicionário define ‘mentira’?
2. Qual a diferença entre mentira e descrição?
3. Você acha que é permitido ao Cristão dizer uma mentira para proteger alguém? Por quê ou
por quê não?
4. Qual a diferença entre uma “mentirinha” [com boas intenções], uma meia-verdade e um
exagero?
5. Quantas mentiras alguém precisa contar para ser um mentiroso?
6. O que acontecerá com todos os mentirosos?

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O Pregador
Marlo Rota: Com licença, ouvi-o falando com aquela pessoa, e não acho que tenha o direito de
julgá-la. A Bíblia diz: “Não julgue para que não sejais julgado.”
Cristão: Não a estava julgando. Ele me disse que era uma mentirosa e acreditei nela.
Marlo Rota: Bem, não acho que tenha o direito de dizer-lhe o que disse. Você a constrangeu. Sou
Cristão e sei que o que fez foi errado.
Cristão: Apenas digo o que a Bíblia diz. Ela alerta que todos os mentirosos terão sua parte no Lago
de Fogo. Não se importa com a salvação dela?
Marlo Rota: Sim. Mas, não gostei da maneira que falou com ela.
Cristão: O que você teria dito?
Marlo Rota: Que Deus a ama.
Cristão: Posso lhe fazer uma pergunta?
Marlo Rota: Claro.
Cristão: Você se considera uma boa pessoa?
Marlo Rota: Sim.

- 53 -
Cristão: Tem guardado os Dez Mandamentos?
Marlo Rota: Sim.
Cristão: Nunca contou uma mentirinha, lorota, meia-verdade ou exagerou?
Marlo Rota: Nunca.
Cristão: Como pode se considerar uma boa pessoa quando a Bíblia diz que não há ninguém que
seja bom – nem mesmo uma pessoa?
Marlo Rota: Agora você está me julgando, seu idiota de !$*!#. Pare de ficar querendo empurrar
suas crenças pela garganta dos outros.
Cristão: Não estou fazendo isso. Apenas estou alertando que Deus julgará o mundo em justiça, e
que as pessoas precisam de um Salvador.
Marlo Rota: Se estas pessoas crerem em Deus e viverem uma boa vida, está tudo bem.
Cristão: Não, não está. Elas precisam arrepender-se e colocar sua esperança em Jesus Cristo.
Marlo Rota: É você que acha isso. E daí se já contei umas mentirinhas em minha vida? Não
machucou ninguém. Deus não vai me mandar para o inferno só por causa de uma mentirinha.
Cristão: Marlo, olhe para mim. Se seus olhos se encontrarem com os meus no Dia do Julgamento e
você ainda estiver em seus pecados... eu estarei livre do seu sangue. Não fui omisso em contar-lhe a
verdade. Precisa confessar e abandonar seus pecados. Não basta acreditar em Deus.

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Penas para Flechas


Duas mulheres do Sul da Califórnia estavam cruzando a fronteira com o México voltando para os
Estados Unidos quando viram algo que parecia muito com um animal doente na vala ao lado do
carro. Conforme analisaram o animalzinho na escuridão da noite, viram que era um pequeno
Chihuaua. Decidiram levá-lo para casa e cuidar dele até que ficasse bom. Entretanto, tiveram medo
de estar quebrando a lei e, por isso, o colocaram no porta-malas do carro e atravessaram a fronteira.
Ao chegarem aos Estados Unidos, tiraram o animal e cuidaram dele até chegarem em casa.

Uma das mulheres ficou tão preocupada com o pobre cãozinho doente que o levou para dormir com
ela em sua própria cama, e estendeu a mão diversas vezes aquela noite para tocar o animalzinho e
deixá-lo tranqüilo que estava ali.

O cão estava tão doente no dia seguinte que ela decidiu levá-lo ao veterinário. Foi aí que descobriu
que o animal não era um “cachorrinho dodói”. Era um rato d’água do México – e estava morrendo
de hidrofobia (raiva).

O mundo, na escuridão de sua ignorância, pensa que o pecado é um “cachorrinho” com que se ficar
brincando. É a Lei de Deus que traz luz ao pecador em relação ao fato de estar dormindo com um
mortal rato.

Outrora vivíamos “enganados, servindo a toda sorte de paixões e prazeres”, mas agora, mas agora,
se formos verdadeiros convertidos, nossos olhos estao abertos. Podemos ver o veneno além de sua
cobertura açucarada.

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Versículo para Memorização
“A falsa testemunha não fica impune, e o que profere mentiras não escapa.”
Pv 19.5

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Palavras de Conforto
Em Houston, Texas, a polícia ligou suas sirenes em perseguição a três assaltantes a banco, que
estavam fugindo em meio ao trafego da auto-estrada. Dois arrombadores que tinham acabado de
praticar um roubo também estavam na rodovia e saíram em alta velocidade erroneamente pensando
que as sirenes eram para eles. Então, a polícia empreendeu-lhes perseguição e conseguiu prendê-los
após baterem o carro em pânico.

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Últimas Palavras
Isaac Watts (Compositor de Hinos Evangélicos):

“É uma grande misericórdia [de Deus] que eu não tenha nem medo nem pavor
da morte.Posso, se assim Deus desejar, repousar minha cabeça e morrer sem
terror nesta tarde.”

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Os Dez Mandamentos (parte 10)


“Consideraria uma alegria maior ganhar uma alma para Cristo
do que montanhas de prata e ouro.”
Matthew Henry

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Comentário de Kirk Cameron: Este é o último Mandamento em nosso estudo. Após completar
esta lição, devemos revisar todas as dez para nos certificarmos de que entendemos a natureza
espiritual da cada uma. Lembre-se: estes Mandamentos são o espelho que mostrarão às pessoas o
seu pecado sob a verdadeira luz. Estude-os até memorizá-los. Elas se provarão armas valiosas ao
falar com os perdidos.

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- 55 -
Perguntas e Objeções
“Já quebrei os Dez Mandamentos, mas faço coisas boas para as pessoas.”

Muitas pessoas fazem coisas parecidas: roubam de seu patrão ou sonegam impostos e, em seguida,
fazem doações para instituições de caridade ou passam o Natal ajudando a distribuir cestas básicas
para famílias carentes. Acham que, assim, conseguirão equilibrar a balança: fazem algo mau e
compensam fazendo algo de bom. Entretanto, a Bíblia revela que o motivo destes pecadores é um
sentimento de culpa (Hb 9.14). Estão tentando subornar o Juiz do Universo. Contudo, neste caso, o
Juiz não será corrompido. Ele punirá todos os pecadores. Não se ganha misericórdia através de boas
obras, mas puramente pela graça de Deus. Ele perdoará nossa iniqüidade somente com base em
nossa fé em Jesus.

Nesta lição, estudaremos o Décimo Mandamento:

“Não cobiçarás... coisa alguma de seu próximo”


Êx 20.17

A cobiça talvez seja o mais sutil dos pecados. Parece pequeno se comparado ao adultério, roubo ou
estupro. Entretanto, antes de uma pessoa roubar, ela cobiça. Antes de estuprar ou adulterar, ela
cobiça. A cobiça é a faísca que faz o motor do pecado girar. É um pecado que se localiza próximo à
superfície de todo ser humano. Poucas crianças se contentam com dez balas quando a criança ao
lado ganha onze. A cobiça é companheira da inveja, ganância e lascívia. Foi esse silencioso pecado
que achou lugar no coração do Rei Davi, mesmo rico e abençoado como era. Seus olhos de cobiça
vagaram em direção à mulher de outro homem e abriram a porta para uma multidão de pecados.

Quantos de nós podem se levantar e dizer-se inocentes de nunca ter invejosamente desejado algo
que pertence a outra pessoa? Seja uma casa, carro, salário ou estilo de vida, nossa cobiça revela
falta de gratidão a Deus pelo que Ele já nos concedeu. É por isso que as Escrituras admoestam-nos:
“ ...ter a vida isenta de ganância, contentando-vos com o que tendes” (Hb 13.5). Aprenda a orar com
o salmista: “Inclina os meus ouvidos aos teus testemunhos e não à cobiça. Desvia meus olhos para
que não vejam a vaidade...” (Sl 119.36-37)

Matthew Henry disse: “O Décimo Mandamento atinge as raízes; não cobiçarás. Os outros proíbem
todo o desejo de fazer mal ao próximo, mas, este último, proíbe todo desejo errado de ter aquilo que
nos gratifica.”

Veja esta incrível citação de Martinho Lutero. Ela nos lembra da função e poder da Lei para revelar
nossos pecados “escondidos”:

“Se o indivíduo não for um assassino, adúltero ou ladrão, ele jurará que é justo.
Como Deus traz humildade a este tipo de pessoa a não ser pela Lei? A Lei é o
martelo da morte, o trovão do inferno e o trovão da ira de Deus para derrubar
os orgulhosos e hipócritas sem-vergonha. Quando a Lei foi instituída no Monte
Sinai, ela veio acompanhada de raios, tempestade, sons de trombetas, para fazer
em pedaços o monstro chamado auto- justiça. Enquanto o indivíduo achar que
está certo, ele continuará incompreensivelmente orgulhoso e presunçoso. Vai
odiar a Deus, desprezar Sua graça e misericórdia e ignorar as promessas de
Cristo. O Evangelho do perdão gratuito através de Jesus Cristo nunca fará

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sentido para sua auto-justiça. Este monstro da auto-justiça, esta besta teimosa,
precisa receber um golpe de machado. E é isso que a Lei é: um grande machado.
Assim sendo, o uso e a função corretos da Lei é ameaçar até que a consciência
esteja dura de medo.”

A Lei é importante para alertar aos culpados deste “inofensivo” pecado que de acordo com as
Escrituras: “Ninguém que cobice ou é idólatra herdará o reino de Cristo e Deus” (Ef 5.3-5). Ao
cobiçar, o individuo transgride não apenas o Décimo, mas também o Primeiro e Segundo
Mandamentos. Quando ama bens materiais mais do que a Deus, está colocando suas afeições no
presente e não Naquele que o Deu. Que pai não se entristeceria se seu filho amasse seus brinquedos
mais do que ele, que lhe deu os brinquedos? Os filhos devem amar seus pais acima de qualquer
posse. Devem amar aquele que deu o presente mais do que o próprio presente – e contentar-se com
o que tem.

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Perguntas
1. O que significa cobiçar?
2. Por que o sutil pecado da cobiça é tão perigoso?
3. Qual o antônimo de cobiça? (Veja Hebreus 13:5.)
4. O que podemos aprender no Salmo 23 sobre este pecado?
5. Existem áreas onde você é culpado deste pecado?
6. Por que você acha que a cobiça é algo tão comum?

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O Pregador
Phil Ósofo: Percebo que és uma pessoa religiosa que vive distribuindo tal literatura.
Cristão: Sim, senhor.
Phil Ósofo: Não acreditas nisto de verdade, acreditas?
Cristão: Claro que acredito.
Phil Ósofo: Já foi provado que a Bíblia está cheia de erros.
Cristão: Cite um.
Phil Ósofo: Não me lembro de nenhum neste instante, mas é fato sabido que os manuscritos têm
mudado com o passar do tempo.
Cristão: Não, eles não têm mudado. Os Papiros do Mar Morto provaram isso.
Phil Ósofo: De qualquer forma, prefiro por minha confiança em fatos provados pela ciência do que
em um livro antigo cheio de mitos.
Cristão: Você sabia que a Bíblia está cheia de fatos científicos e médicos escritos centenas de anos
antes da humanidade descobri-los?
Phil Ósofo: Não, não sabia.

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Cristão: O fato deles existirem na Bíblia prova que ela é sobrenatural em sua origem. E não apenas
isso, a Bíblia também está cheia de profecias que são 100% corretas.
Phil Ósofo: E Nostradamus e suas profecias?
Cristão: Nostradamus lia a Bíblia em segredo, roubava suas profecias e as apresentava como se
fossem dele. Qualquer pessoa ignorante em relação às profecias da Bíblia ficará impressionado com
as “profecias” de Nostradamus.
Phil Ósofo: Minha filosofia de vida é que devemos tratar os outros como gostaríamos de ser
tratados.
Cristão: Estas são palavras de Jesus. Você tem feito isso?
Phil Ósofo: Feito o que?
Cristão: Tratado os outros como gostaria de ser tratado.
Phil Ósofo: Ah, tenho, sim.
Cristão: Já mentiu para alguém?
Phil Ósofo: Já.
Cristão: Já roubou algo de alguém?
Phil Ósofo: Sim.
Cristão: Já que você mentiu e roubou de outras pessoas, não tratou os outros como gostaria de ser
tratado. Não tem conseguido viver de acordo com sua própria filosofia de vida. Sabe de que
chamamos isso?
Phil Ósofo: De que?
Cristão: De hipocrisia. Se Deus jugá-lo pelos Dez Mandamentos no Dia do Julgamento – levando
em conta que você é um ladrão mentiroso, culpado de hipocrisia – e que nenhum hipócrita entrará
no céu – você acha que será culpado ou inocente?

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Penas para Flechas


Anos atrás, a polícia do Sul da Califórnia conduziu uma operação interessante para capturar
criminosos. Havia uma lista de centenas de criminosos procurados que, de alguma maneira, estavam
fora da cadeia. Ao invés de arriscar suas vidas tentando prender cada um deles por vez, os policiais
enviaram- lhes cartas informando que haviam ganhado um grande montante de dinheiro em um
sorteio.

A polícia colocou faixas e cartazes em um prédio, e pôs balões e até mesmo um palhaço na porta
para criar uma atmosfera festiva e dar as boas vindas aos “ganhadores”. Quando cada criminoso
entrava no prédio, ouvia música e outros sons de comemoração. Em seguida, era conduzido a uma
sala onde sorria e recebia um aperto de mão. Seu semblante mudava no momento em que ouvia a
frase: “Parabéns! Acabou de ganhar um longo tempo na prisão!” Dezenas de criminosos entraram
por aquela porta, foram presos e conduzidos à cadeia pela porta dos fundos.

É curioso percebermos o que muitos dos meliantes admitiram ao serem presos: “Achei mesmo que
era uma armadilha da polícia!” Mas, não conseguiram evitar a prisão por causa de sua ganância.
Seu amor ao dinheiro os tinha cegado a razão. Não seja como eles. Pense profundamente sobre a

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eternidade, perguntando-se: “Do que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

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Palavras de Conforto
Há alguns anos, fiquei com muita pena de um vizinho meu. O pobre homem gastou um longo
tempo e muito dinheiro despejando concreto, hora após hora, noite após noite, semana após semana,
com o intuito de construir uma grande calçada para sua nova casa. O resultado final ficou lindo –
até começar a chover. Poças d’água se formaram por todo canto.

Assim, ele pegou uma marreta e passou hora após hora, noite após noite, semana após semana,
transformando a calçada em pedacinhos, os quais ele colocou em seu trailer e levou em várias
viagens até o depósito de lixo da cidade. Depois disso, ele agiu rapidamente, comprou mais
cimento, gastou hora após hora, noite após noite, semana após semana laboriosamente despejando
concreto. Por vários dias, ouvimos o som de sua betoneira fazendo concreto enquanto nosso vizinho
tentava retificar seu erro.

Finalmente, a obra foi concluída. O calçamento ficou ainda melhor que o primeiro. Podia-se até
dizer que parecia que um profissional o havia feito... até começar a chover e as poças reaparecerem,
revelando-se apenas ligeiramente mais rasas que a anterior.

Aí, ele se mudou.

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Versículo para Memorização


“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo.
Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.”
1 Jo 2.15

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Últimas Palavras
Anne Boleyn (1507-1536), segunda esposa de Henrique VIII:

“Ó Deus, tende piedade da minha alma.


Ó Deus, tende piedade da minha alma.”

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Nossa aliada: a consciência


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“Consciência é a percepção interna da Lei Moral de Deus.”
Oswald Chambers

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Comentário de Kirk: Tenho visto em minha própria experiência como a Lei pode acordar a
consciência das pessoas – mesmo quando ela tem estado morta por muitos anos devido a uma vida
de pecado. A Lei é como uma descarga elétrica transmitida pelo Espírito Santo que choca a
consciência de tal maneira que a ressuscita, levando-a a lançar sua luz sobre o coração do pecador.

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Perguntas e Objeções
“Você está tentando fazer com que me sinta culpado ao citar os Dez Mandamentos.”

Pergunte ao indivíduo qual dos Dez Mandamentos faz com que se sinta culpado. Simplesmente
declare: “A Bíblia diz: ‘Não roubarás.’ Se se sente culpado ao ouvir isto, por que acha que isto
acontece? Não seria porque, de fato, você é mesmo culpado?” Deus nos deu uma consciência para
que soubéssemos quando estivéssemos quebrando Sua Lei; a culpa que sentimos quando fazemos
algo de errado nos avisa que precisamos nos arrepender.

Vivemos em um mundo hostil que está em guerra contra Deus e contra aqueles que O representam.
É, portanto, um grande consolo para o soldado de Cristo saber que ele tem um fiel aliado bem no
coração do inimigo. Este aliado é a consciência do pecador. O dicionário define consciência como
“a faculdade humana que nos capacita a decidir entre atitudes ou comportamentos certos e errados,
especialmente em relação à nossa conduta.” É isto o que a Bíblia diz quando fala que Deus deu
“luz” a todos os homens. A palavra “consciência” (con + ciência) significa “com conhecimento”.
Quando quer que pecamos, o fazemos “com conhecimento” de que o que estamos fazendo é errado.

O problema é que o pecado é tão atraente para os perdidos que preferem viver na escuridão do que à
luz da consciência. Para os perdidos, a consciência é uma “estraga-prazer”. Assim, muitas pessoas
apagam a luz e abandonam-se ao escuro mundo do pecado, sem perceber as terríveis conseqüências
de suas ações. Como A. W. Tozer escreveu, a idolatria (criar um deus que se conforme a nós
mesmos) leva a uma consciência anestesiada:

“A justiça de Deus está para sempre contra o pecador em extrema severidade. A vaga e tênue
esperança em que Deus é bondoso demais para punir os descrentes tem se tornado um ópio
mortal para a consciência de milhões. Isso cala seus medos e os permite praticar todas as formas
agradáveis de iniqüidade enquanto a morte se aproxima a cada dia e o mandamento de arrepender-
se passa desapercebido. Como seres morais responsáveis, não ousamos brincar com nosso eterno
futuro..” (O Conhecimento do Sagrado).

Como são verdadeiras as suas palavras. Se a voz da consciência do pecador for silenciado, ele
prontamente abraçará a iniqüidade e não fugirá da ira vindoura. Devemos, portanto, fazer tudo o
que pudermos para acordar este aliado de maneira que possa fazer seu trabalho. Graças a Deus que
Ele nos deu algo para cumprir a missão: o estrondoso som de Dez Canhões de Sua Lei que sacode a
consciência adormecida. Charles Spurgeon disse: “A consciência do indivíduo, quando é realmente

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vivificado e acordado pelo Espírito Santo, fala a verdade. Ela toca o grande alarme. E se ele apenas
se virar para o outro lado na cama, este imenso alarme volta a tocar sem parar, alertando: “A ira
vindoura! A ira vindoura! A ira vindoura!”

Walter Chantry escreveu: “A ausência da santa Lei de Deus das pregações modernas é talvez um
fator tão responsável como qualquer outro fator para a impotência de nossas igrejas e missões.
Somente pela luz da Lei poderá o verme do pecado no coração ser exposto. Satanás tem
efetivamente usado um meio muito malicioso para silenciar a Lei, tão necessária como instrumento
para conduzir aqueles que perecem a Cristo. É imprescindível que os pregadores de hoje aprendam
a declarar a Lei espiritual de Deus; pois, até que aprendamos a machucar as consciências [daqueles
a quem pregamos], não teremos feridas nas quais usar os curativos do Evangelho” (O Evangelho de
Hoje: Autêntico ou Sintético?).

Já foi dito que, enquanto a consciência é a título que avisa do pecado, a Lei é as letras miúdas [do
contrato]. A natureza espiritual da Lei dá os detalhes daquilo que a consciência já sabe. Quando a
Lei é pregada, a consciência atesta sua verdade. Podemos verificar isso usando a Lei conforme o
pecador meneia sua cabeça em confirmação de cada Mandamento.

Infelizmente, no evangelismo moderno, poucos crentes lidam com a consciência dos pecadores
como deveriam. Spurgeon disse: “Em muitos ministérios, não há sondagem suficiente do coração
nem o despertar da consciência pela revelação da alienação de Deus, e pela declaração do egoísmo
e da iniqüidade de tal estado.”

Foi o uso da Lei de Deus, quando aplicada à consciência, a chave de grandes avivamentos no
passado. Martin Lloyd-Jones notou este fato:

“O problema com as pessoas que não estão buscando o Salvador, nem a


salvação – é que não entendem a natureza do pecado. É peculiar função da Lei
trazer tal entendimento à mente e consciência das pessoas. Foi por isso que
grandes pregadores evangélicos 300 anos atrás, no tempo dos Puritanos, e 200
anos atrás, no tempo de Whitefield e outros, sempre se engajaram no que
chamavam de “Obra da Lei”.

A pregação da Lei também foi a grande chave usada por John Wesley para abrir os corações de
homens e mulheres para o Evangelho. Ele disse:

“É o método comum do Espírito de Deus convencer os pecadores pela Lei. É


isso que, atingindo a consciência, geralmente quebra as rochas em pedaços. É
mais esta parte da Palavra de Deus que é viva e eficaz, cheia de vida e energia e
mais afiada que uma espada de dois gumes.”

Considere estas sábias palavras de Charles Spurgeon:

“Quando Deus Espírito Santo aplica a Lei à consciência, pecados secretos são
arrastados à luz, pequenos pecados passam a ser vistos em seu tamanho real, e
coisas aparentemente inofensivas revelam-se excedentemente malignas. Antes
desta terrível sonda de corações e esquadrinhadora de rins (Ap 2.23) penetrar a
alma, parecemos todos retos, justos, amáveis e santos; Mas, quando o Espírito
Santo revela a maldade escondida, a cena muda. Transgressões que outrora
chamávamos de pecadilhos, bobagens, erros da juventude, tolices, indulgências,

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pequenos escorregões, etc., passam a revelar-se em sua verdadeira cor, como
quebras à Lei de Deus, merecedores de punição à altura. ”

Nunca se esqueça que a consciência do pecador é seu aliado. Ela não luta contra o evangelista, mas
o auxilia. É independente aos seus desejos pecaminosos. No entanto, o pecado amarra a consciência
pelos pés e mãos e a amordaça. Devemos cortar as cortas com a afiada lâmina da espada da Lei de
Deus e tirar-lhe a mordaça. Não tenha medo de apelar diretamente para consciência do pecador:
“Deus lhe deu uma consciência; você sabe o que é certo e o que é errado. Escute a voz de sua
consciência. Ela te lembrará dos pecados que cometeu.” Você se sentirá encorajado em uma batalha
quando ouvir a voz da consciência [do pecador falando]. Esta é a obra da Lei escrita no coração do
pecador que dá testemunho da Lei de Deus (Rm 2.15).

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Perguntas
1. O que significa a palavra “consciência”?
2. Qual é a função da consciência?
3. Como os pecadores podem anestesiar a voz de sua consciência?
4. Como podemos (com a ajuda de Deus) despertar uma consciência?
5. De acordo com John Wesley, qual é o “método comum do Espírito”?
6. Cite algumas frases que podemos usar ao nos dirigir à consciência:

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O Pregador
Hilário Lascivo: Ouvi-o dizer que pornografia é errado. Eu discordo.
Cristão: Por quê?
Hilário Lascivo: Não há nada de errado com isso.
Cristão: Você acha que pornografia infantil é certo ou errado?
Hilário Lascivo: Errado.
Cristão: Então, você traçou uma linha moral entre aquilo você acha certo e aquilo que acha errado.
Em que idade então pornografia infantil se torna pornografia respeitável? É quando a criança
completa os 14, 15, ...17 anos de idade?
Hilário Lascivo: aos dezesseis.
Cristão: Não vê o que está fazendo? Está julgando se algo é moralmente aceitável baseado em
quando isso lhe dá prazer.
Hilário Lascivo: Mas...
Cristão: Deus lhe deu uma consciência. Você sabe o que é certo e o que é errado. Não é verdade?
Hilário Lascivo: Não.
Cristão: Então se alguém roubar sua carteira, você nem liga porque não tem a mínima idéia do que

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seja certo ou errado?
Hilário Lascivo: Tá. Sei distinguir o certo do errado.
Cristão: Você é como o homem que tirou as pilhas do detector de fumaça porque não quer que soe
o alarme. Escute a sua consciência. Ela está tentando alertá-lo do perigo. Jesus disse: “Aquele que
olhar para uma mulher para cobiçá-la, já cometeu adultério com ela em seu coração.” Você está em
apuros. Se não se arrepender e confiar no Salvador, acabará no inferno. No Dia do Julgamento não
haverá desculpas.

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Penas para Flechas


Certa vez, um bêbado idoso estava indo para casa cambaleando. Seu fiel cachorro o viu aproximar-
se e observava cada um de seus movimentos. Quando ele entrou em casa, seu cão o seguiu
alegremente. Quando o homem embriagado tombou no chão de sua sala, o cachorro se agasalhou ao
seu lado, esperando seu mestre acordar.

De repente, no meio da noite, o homem acorda assustado pelo latido do cão. A última coisa que
queria era um cachorro latindo no seu ouvido! Ele se arrastou, ficou de pé, agarrou uma cadeira,
jogou no cachorro e caiu no sono outra vez.

Na manhã seguinte, ele acordou e viu uma cena chocante. Ladrões haviam entrado em sua casa
durante a noite e roubado tudo o que tinha – tudo, menos a cadeira quebrada e o cachorro morto.
Seu fiel amigo estava tentando alertá-lo do perigo – e ele havia matado seu melhor amigo.

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Palavras de Conforto
Por algum tempo, fui um convidado regular de um interessante programa de rádio chamado
Religion on the Line. O programa de duas horas reunia um padre Católico, um pastor Protestante e
um rabino a cada semana.

Um dia, quando Sue e eu chegamos ao estúdio e estávamos assinando o controle da portaria, um


segurança perguntou: “Como foi o culto hoje?” Disse que havia sido bom e perguntei-lhe se era
cristão. Ele respondeu que já tinha sido, mas que havia se desviado. Sugeri que se examinasse à luz
dos Dez Mandamentos, ele voltaria à fé. Perguntei-lhe se já havia contado alguma mentira na vida.
Ele respondeu que sim, então, perguntei: “O que isto faz de você?” Ele se protegeu dizendo: “Um
contador de histórias.” Sorri e disse: “Vamos lá... o que isso torna você?” “Um mentiroso”, ele
disse. Ele também havia roubado e, portanto, era um ladrão. Mas, quando lhe questionei se já havia
quebrado o Sétimo Mandamento cobiçando alguma mulher sexualmente, ele disse que nunca. Não
acreditei nele, então, quando seus olhos baixaram [delatando-o], segurei em sua mão para que ele
olhasse nos meus olhos e disse: “Que é isso!? Seja honesto.” Então, seus olhos brilharam e ele
disse: “Eu sou gay.” Nisso, peguei um grande susto e quando olhei para baixo e vi que... eu estava
segurando-lhe a mão!

Às vezes as coisas não saem como planejadas.

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Versículo para Memorização
“Pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente
a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os.”
Rm 2.15

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Últimas Palavras
John Wilhot, o segundo conde de Rochester, vivia uma vida de pecado e infidelidade. Mas, Deus o
salvou de seu pecado e ceticismo. Logo antes dele morrer em 1680, ele pôs sua mão sobre a Bíblia e
disse de maneira solene e sincera:

“A única objeção [que pode existir] a este livro é uma vida perversa! Morrerei
agora, mas que glórias indescritíveis vislumbro! Quantas alegrias inimagináveis
ou inexprimíveis [já] me são sensíveis! Estou certo da misericórdia de Deus
para comigo através de Jesus Cristo. Ó, como anseio morrer!”

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A Necessidade de Arrependimento
“Há muitos que falam apenas do perdão dos pecados, mas que nada ou quase nada dizem a
respeito de arrependimento. No entanto, se não há perdão dos pecados sem arrependimento, não
se pode entender o perdão dos pecados sem arrependimento. Portanto, se o perdão dos pecados
for pregado sem arrependimento, as pessoas acabando imaginando que já receberam o perdão
dos pecados e, assim, tornam-se confiantes e destemidas, o que se caracteriza como um erro e
pecado ainda maiores do que todo o erro que precedeu o nosso tempo.”
Melanchton

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Comentário de Kirk: Às vezes, ao tentar sermos teólogos, complicamos as coisas. Arrependimento


simplesmente significa virar as costas para os pecados e voltar-se em direção à Deus.

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Perguntas e Objeções
“O que deveria dizer a alguém que reconhece seus pecados, mas diz:
‘Só espero que Deus seja misericordioso’?”

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Esta pessoa poderia ser definida como “acordada [para seus pecados], mas não alarmada.”
Explique- lhe que Deus é mesmo misericordioso – mas apenas com aqueles que se arrependem de
seus pecados. Pergunte-lhe: “Se morresse agora, para onde iria?” Se ela responder: “Inferno”,
pergunte se isso a preocupa. Se preocupar, então pergunte: “O que vai fazer a respeito disso?” Em
seguida, alerte-a que Deus ordena que se arrependa e confie no Salvador. Caso diga que não a
preocupa, fale-lhe sobre o valor de sua vida, a ameaça da perdição eterna e a descrição bíblica de
inferno. Alerte que ela não sabe do amanhã e apele que abra os olhos para realidade.

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Algumas pessoas insistem que “arrependimento” é uma palavra cafona que o mundo não consegue
entender. “Pecado” é outra palavra que entra nesta categoria. Entretanto, devemos cuidadosamente
verificar nossos motivos para evitar seu uso. Será que queremos substituí-las para ajudar o mundo a
compreender ou simplesmente queremos nos livrar da repreensão que vem com sua utilização? Se
os pecadores não compreenderem palavras espirituais, então precisamos explicar-lhes o sentido.
Pecado é a transgressão da Lei (1 Jo 3.4) e arrependimento significa virar as costas para o pecado. É
mais do que contrição (tristeza pelo pecado); arrepender-se quer dizer confessar os pecados e
abandoná-los – concordando com Deus que o pecado é errado, virar-se e avançar em uma nova
direção. Um velho soldado certa vez resumiu arrependimento assim: “Deus disse: ‘Atenção! Alto.
Meia-volta. Volver. Avante!’”

É verdade que numerosos versículos bíblicos falam da promessa da salvação sem menção alguma
ao arrependimento. Tais versos meramente nos dizem para “crermos” em Jesus Cristo para que
sejamos salvos (At 16.31; Rm 10.9). Entretanto, a Bíblia deixa claro que Deus é santo e que a
humanidade é pecadora, e que o pecado faz separação entre os dois (Is 59.1-2). Sem arrependimento
do pecado, a perversa humanidade não tem comunhão com um Deus santo. Estamos mortos em
nossos delitos e pecados (Efésios 2:1) e até os abandonarmos pelo arrependimento, não poderemos
viver com Cristo. As Escrituras falam sobre “arrependimento para a vida” (At 11.18). Devemos
virar as costas para o pecado e em direção ao Salvador. Foi por isso que Paulo pregou
“arrependimento para com Deus, e fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (At 20.21).

Jesus disse que veio para chamar “os pecadores ao arrependimento” (Mt 9.13). A primeira palavra
pregada publicamente foi “arrependam-se” (Mt 4.17). João Batista começou seu ministério da
mesma maneira (Mt 3.2). Jesus disse aos que O ouviam duas vezes que sem arrependimento eles
pereceriam (Lc 13.3-5).

Se bastasse crer para alcançar a salvação, então, a conclusão lógica seria que não precisamos nos
arrepender. Entretanto, a Bíblia nos diz que os falsos convertidos “crêem” e, ainda assim, não estão
salvos (Lc 8.13); continuam “praticantes de iniqüidade”.

Em seu livro One Thing You Can’t Do in Heaven (algo que não se pode fazer no céu), Mark Cahill
observa que, ao evangelizar, “se não há desejo em desviar-se do pecado, a pessoa não está
assumindo um compromisso verdadeiro com o Salvador. Em Jo 6.44, Jesus diz: “Ninguém pode vir
a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer.” Se Deus estiver trazendo a pessoa para Si, também
estará afastando a pessoa de seu pecado.”

Perceba o alerta das Escrituras: “Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas,
mentimos, e não praticamos a verdade” (1 Jo 1.6). As Escrituras também dizem: “O que encobre as
suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa [arrepende-se], alcançará

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misericórdia” (Pv 28.13). Jesus disse que há festa no céu por um pecador que se “arrepende” (Lc
15.10). Se não há arrependimento, não há festa, porque não há salvação.

Enquanto pregava no Dia de Pentecostes, Pedro ordenou que aqueles que o ouviam “se arrependem-
se para remissão dos pecados” (At 2.38). Sem arrependimento, não há remissão de pecados, isto é,
continuaremos debaixo da ira de Deus. Pedro acrescentou: “Arrependam-se...e convertam-se, para
que sejam apagados os vossos pecados” (At 3.19). Não podemos chegar à conversão, ou ter nossos
pecados apagados, a não ser que nos arrependamos. O próprio Deus “ordena que todos os homens
em todo lugar [sem exceções] se arrependam” (At 17.30). Pedro disse algo parecido em
Pentecostes: “Arrependei- vos e sede batizados todos vós” (At 2.38). As Escrituras dizem que o
Senhor “não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3.9).
Claramente, aqueles que não se arrependerem perecerão.

Se o arrependimento não fosse necessário para a salvação, por que então Jesus ensinou que
arrependimento fosse pregado a todas as nações (Lc 24.47)? Quando enviou seus discípulos de dois
em dois, eles “pregaram que todos se arrependessem” (Mc 6.12).

A necessidade de arrependimento ressalta a importância de usarmos a Lei com os pecadores. Se o


indivíduo não souber o que é o pecado, como poderá ele se arrepender? Qualquer “arrependimento”
seria meramente “arrependimento horizontal.” Assim, responde ao Salvador por ter mentido das
pessoas, roubado das pessoas, etc. Mas, quando pecou com Bate-Seba, Davi não disse: “Pequei
contra Urias.” Ele disse a Deus: “Contra ti, contra ti somente, pequei e fiz o que é mal aos teus
olhos” (Sl 51.4). Quando foi tentado sexualmente, José disse: “Como poderia fazer tal coisa e pecar
contra Deus?” (Gn 39.9). O filho pródigo disse: “Pequei contra o céu” (Lc 15.21). Foi por isso que
Paulo pregou “arrependimento para com Deus” (At 20.21). Quando não a pessoa não entende que
seu é primeiramente vertical, ela meramente exercitará um arrependimento superficial, experimental
e horizontal – e se “desviará” quando vierem a tribulação, tentação e a perseguição.

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Perguntas
1. Por que você acha que seria mais fácil [apenas] dizermos aos pecadores para “crer” do que
dizer-lhes que precisam se arrepender?
2. Como o velho soldado resumiu arrependimento?
3. Explique porque a salvação engloba mais do que meramente “acreditar em Jesus.”
4. Quem Deus chama ao arrependimento? (Veja Atos 17:30)
5. De acordo com as Escrituras, o que devemos pregar?

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O Pregador
Srta. Telemarketing: “Olá, Sr. Cristão. Como vai? O senhor poderia dar-me um momento de seu
tempo. Gostaríamos de oferecer-lhe a assinatura da revista Esportes Ilustrada juntamente com a
edição especial sobre “biquínis”. Ao assiná-la, o senhor terá a chance de ganhar uma viagem com
acompanhante para o Havaí, cerveja grátis por um ano ou um carro novo. O senhor ainda ganhará,

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absolutamente grátis, uma linda bolsa com a foto de seu astro dos esportes favorito. Como gostaria
de pagar pela assinatura – com Visa ou Mastercard?
Cristão: Posso lhe fazer uma pergunta?
Srta. Telemarketing: Certamente, Sr. Cristão. Ficaria feliz em responder quaisquer perguntas que
tenha.
Cristão: Você tem guardado os Dez Mandamentos?
Srta. Telemarketing: Hein!?
Cristão: Você tem guardado os Dez Mandamentos? Já contou alguma mentira na vida?
Srta. Telemarketing: Sim, Sr. Cristão. Tenho que admitir que já contei algumas mentirinhas
“inocentes”, mas isso foi no passado.
Cristão: O que isso torna você?
Srta. Telemarketing: Não me torna nada.
Cristão: Do que me chamariam se eu contasse uma mentira?
Srta. Telemarketing: De mentiroso.
Cristão: Então, você é o que?
Srta. Telemarketing: Uma mentirosa. Mas, isso foi no passado.
Cristão: Tudo foi no passado. Já roubou alguma coisa, ainda que tenha sido de pouco valor?
Srta. Telemarketing: Sim, senhor.
Cristão: O que isso torna você?
Srta. Telemarketing: Uma ladra.
Cristão: Jesus disse que se olharmos para alguém com lascívia [desejo impuro], cometemos
adultério no coração. Você já olhou para alguém assim?
Srta. Telemarketing: Várias vezes...
Cristão: Se Deus a julgasse pelos Dez Mandamentos no Dia do Julgamento, você seria inocente ou
culpada?
Srta. Telemarketing: Culpada.
Cristão: Você iria para o inferno ou para o céu?

Operadores de telemarketing são uma boa maneira de praticar o que pregamos. Não precisamos
olhá-los nos olhos. Eles não têm como nos agredir [fisicamente]. A pior coisa que podem fazer é
desligar na nossa cara. Se isso acontecer, alegre-se por eles terem sido tocados a ponto de fazer
isso. Não apenas teve o privilégio de plantar a semente da Palavra de Deus no coração de um
estranho, mas você se provou fiel a Deus, venceu o medo das pessoas e pode celebrar ter sido
rejeitado por causa da retidão. Se desligarem na sua cara, passe um momento orando por eles. Se
estiverem abertos a ouvir mais, conduza-os pela cruz, arrependimento e fé. Pergunte-lhes se têm
uma Bíblia em casa, encoraje-os a lê-la diariamente e agradeça- lhes por ouvi-lo.

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Versículo para Memorização

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“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados,
de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor.”
At 3.19

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Últimas Palavras
Felipe III, Rei da França:

“Como terei contas a prestar para com Deus! Como gostaria de ter vivido de
maneira diferente a que vivi.”

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Evangelismo pessoal: como Jesus o fez


“Antes de poder pregar o amor, a misericórdia e a graça,
tenho que pregar sobre o pecado, a Lei e o julgamento.”
John Wesley

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Comentário de Kirk Cameron: Nesta lição estudaremos a história da mulher no poço a partir de
uma perspectiva talvez muito diferente daquela que temos utilizado antes. Aqui vemos Jesus em
ação, evangelizando uma estranha em uma situação cotidiana. É tão instrutiva que a chamamos de
“O jeito do Mestre.”

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Perguntas e Objeções
“Já fiz as pazes com ‘o cara lá de cima.’”

Quando as pessoas se referem a Deus como “o Cara lá de cima”, revelam que não possuem nenhum
conceito sobre o Senhor, nem possuem um relacionamento pessoal com Ele. Usam tais palavras
pois se sentem desconfortáveis dizendo o Seu nome. Freqüentemente têm certa medida de
reverência por Deus, mas não o suficiente para obedecê-Lo. Pergunte a esta pessoa se ela acha que
vai para o céu quando morrer. Certamente dirá que sim. Entretanto, a única maneira pela qual os
pecadores podem fazer as pazes com Deus é através do sangue derramado pelo Salvador. Portanto,
é importante conduzir a pessoa pelos Dez Mandamentos para arrancar-lhe sua auto-justiça e sua
falsa segurança de salvação. Ao fazer isso, você poderá sentir mal por estar deixando-a
desconfortável, mas se se importa verdadeiramente por sua salvação eterna, precisa perguntar-se:

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“O que é pior: alguns momentos de desconforto ao som da Lei de Deus ou a eternidade no Lago de
Fogo?” A não ser que haja conhecimento do pecado (que vem pela Lei – Rm 7.7), não haverá
arrependimento.

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Em Jo 4.7-26, a Bíblia nos dá o exemplo de como compartilhar o Evangelho. Note que Jesus falou
com a mulher no poço quando ela estava sozinha. Em evangelismo, geralmente as pessoas ficam
mais abertas e são mais honestas quando estão sozinhas. Então, se possível, aborde alguém que
esteja sozinho.

Nestes versículos, podemos ver quatro princípios que devemos seguir. Chamo isso de método
RCCR. Vejamos como Jesus o colocou em prática.

RELACIONAR
Jesus começou relacionando-se com a mulher no nível natural (v. 7).

Ela era uma mulher irregenerada – e a Bíblia nos diz que “o homem natural não recebe as coisas do
Espírito de Deus” (1 Co 2.14). Assim, Jesus falou de algo com o que ela conseguiria se relacionar:
água. Muitos de nós conseguem iniciar uma conversa com estranhos no nível natural sem
dificuldades. Podemos dizer “Oi, como vai?” de maneira simpática, ou um sincero “Bom dia!” Se a
pessoa responder com simpatia, poderemos perguntar: “Você mora por aqui?” e, a partir daí,
desenvolver uma conversa.

CRIAR
Jesus criou uma oportunidade para falar sobre a realidade espiritual (v. 10).

Ele simplesmente mencionou as coisas de Deus. Para isso é preciso coragem. Podemos dizer algo
do tipo: “Você foi à igreja no domingo?” ou “Você viu aquele programa de TV Cristão na semana
passada?” Se a pessoa responder positivamente, a pergunta “Você vem de família Cristã?” vai
revelar um pouco de sua vida. A pessoa pode responder: “Ia à igreja quando era criança, mas, com o
tempo fui deixando.” Outra maneira simples para passarmos do nível natural para o espiritual é
oferecer à pessoa um panfleto evangelístico e perguntar: “Já ganhou um destes?” Quando ela pegar,
simplesmente diga: “É um panfleto cristão. Você vem de família cristã?”

CONVENCER
Jesus trouxe convicção usando a Lei de Deus (vv. 16-18).

Jesus gentilmente falou à consciência da mulher mencionando indiretamente que ela havia
transgredido o Sétimo Mandamento. Ele usou a Lei para trazer-lhe “conhecimento do pecado” (Rm
3.19-20). Podemos fazer o mesmo perguntando: “Você acha que tem guardado os Dez
Mandamentos?” A maioria das pessoas acha que sim, então, rapidamente prossiga perguntando: “Já
contou alguma mentira na vida?” Isto é confrontador, mas se a pergunta for feita em um espírito de
amor e gentileza, não haverá ofensa. Isto porque a “obra da Lei [está] escrita em seus corações” e
sua consciência também dá “testemunho” (Rm 2.15). Jesus confrontou o jovem rico em Lc 18.18-
21 com cinco dos Dez Mandamentos e não houve ofensa alguma. Tenha confiança em que a
confiança fará o seu trabalho e afirmará a verdade de cada Mandamento. Não tenha medo de
gentilmente perguntar: “Já roubou alguma coisa na vida, mesmo que de pouco valor?”

Aprenda a expor a espiritualidade da Lei e mostrar como Deus considera a lascívia como o mesmo

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que adultério (Mt 5.27-28) e ódio como assassinato (1 Jo 3.15). Certifique-se de que a pessoa
admita sua culpa. Em seguida, pergunte: “Se Deus julgá-la pelos Dez Mandamentos no Dia do
Julgamento, você acha que será considerada inocente ou culpada?” Se ela disser: “Inocente”,
pergunte “Por quê?” Se admitir sua culpa, pergunte: “Acha que vai para o céu ou para o inferno?”

A partir daí, a conversa pode tomar três rumos:

Ela pode dizer confiantemente: “Não acredito em inferno.”

Gentilmente, responda: “Isso não importa. Você terá que enfrentar a Deus no Dia do Julgamento
quer acredite ou não. Se eu parar no meio de uma rodovia quando um imenso caminhão estiver
vindo e disser: “Não acredito em caminhões’, minha descrença não vai mudar a realidade.” Em
seguida, amavelmente diga-lhe que já admitiu ter mentido, roubado e cometido adultério em seu
coração, e que Deus lhe deu uma consciência e a convicção do Espírito Santo fará o resto. Por isso é
essencial extrair uma admissão de culpa antes de mencionar o Dia do Julgamento ou a existência do
inferno.

Ela pode se dizer que é culpada, mas que irá para o céu.

Isso porque pensa que Deus é “bom” e que, portando, relevará os seus pecados. Explique que se um
juiz estiver com um assassino culpado diante de si, o juiz, se for um bom homem, não deixará o
criminoso escapar. Muito pelo contrário, ele deverá se assegurar de que o culpado seja punido.
Assim, se Deus é bom, Ele deve (por natureza) punir todos os assassinos, estupradores, ladrões,
mentirosos, adúlteros, fornicadores e todos aqueles que viveram em rebelião à luz interior que Deus
deu a todas as pessoas.

Ela pode admitir que é culpada e que, portanto, está indo para o inferno.

Pergunte-lhe se isso a preocupa. Fale-lhe sobre o valor de seus olhos e como ela deveria valorizar a
salvação de sua alma muito mais.

REVELAR
Jesus revelou-se para ela (v. 26).

Uma vez que a Lei tenha ministrado a devida humildade à pessoa, ela estará pronta para a graça. A
Bíblia diz que Deus resiste aos orgulhosos e dá graça aos humildes (Tg 4.6). O Evangelho é para os
humildes. Somente os doentes precisam de médico e somente aqueles que admitem ter a doença do
pecado irão verdadeiramente abraçar a cura do Evangelho. Aprenda como apresentar a obra da cruz
– que Deus mandou Seu Filho para sofrer e morrer em nosso lugar, e que Jesus ressuscitou dos
mortos e derrotou a morte. Lembre à pessoa sobre a lei civil dizendo: “É simples assim: Nós
quebramos a Lei de Deus, e Jesus pagou nossa dívida. Se você se arrepender e confiar no Salvador,
Deus perdoará seus pecados e cancelará o seu processo.” Pergunte-lhe se entendeu o que acabou de
ouvir. Se o indivíduo desejar confessar e abandonar seus pecados, crendo no Salvador para sua
salvação eterna, peça que ore e clame a Deus por perdão. Em seguida ore por ele. Consiga-lhe uma
Bíblia. Instrua-o a lê-la diariamente e obedecer ao que ler. Encoraje-o a ir a uma igreja que creia na
Bíblia e pregue Cristo.

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Perguntas

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1. Quais são os quatro princípios de Evangelismo que Jesus demonstrou com a mulher no
poço?
2. Liste algumas maneiras diferentes de nos relacionarmos no nível natural com os pecadores.
3. Por que é possível perguntarmos a alguém se ele tem guardado os Dez Mandamentos sem
parecer algo confrontador?
4. Por que a simples descrença em algo não nega a realidade?
5. Por que o pecador não pode se fiar que a “bondade” de Deus irá salvá-lo?
6. Em que momento do evangelismo devemos falar sobre o Salvador? Por quê?

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O Pregador
Cristão: Oi. Você sabe de alguma igreja perto daqui?
João A. Pático: Não.
Cristão: Você vem de família Cristã?
João A. Pático: Não, nem ligo para essas coisas.
Cristão: Então, nunca pensa na vida e na morte?
João A. Pático: Nunca.
Cristão: Você acha que tem guardado os Dez Mandamentos?
João A. Pático: A maioria, sim.
Cristão: Já contou alguma mentira na vida?
João A. Pático: Claro, quem nunca contou?
Cristão: O que isso torna você?
João A. Pático: Um mentiroso?
Cristão: Isso mesmo. Já roubou alguma coisa, mesmo que de pouco valor?
João A. Pático: Talvez uma ou duas coisas quando era mais jovem.
Cristão: O que isso torna você?
João A. Pático: Um ladrão.
Cristão: Então, por sua própria admissão, você é um ladrão mentiroso... e olha que nós só vimos
dois dos Dez Mandamentos. Alguma vez na vida já usou o nome de Deus em vão?
João A. Pático: Sim. É um hábito que venho tentando largar.
Cristão: Percebe o que tem feito?
João A. Pático: Não, o quê?
Cristão: Você pegou o nome de seu Criador – Aquele que lhe deu a vida – e o rebaixou ao mesmo
nível de um palavrão para expressar sua raiva. A Bíblia diz que não terá por inocente aquele que
usar o Seu nome em vão.
João A. Pático: É...

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Cristão: Se no Dia do Julgamento Deus o julgar pelos Dez Mandamentos, você seria culpado ou
inocente?
João A. Pático: Por este padrão, seria culpado.
Cristão: Iria para o céu ou para o inferno?
João A. Pático: Acho que para o céu.
Cristão: Por que acha isso? Será que é porque espera que Deus o absolva dos seus pecados por Ele
ser cheio de amor?
João A. Pático: Sim, é isso aí!

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Palavras de Conforto
O jornal Ouachita Mountain Neighbor de Arkansas noticiou o seguinte incidente em 26 de setembro
de 1995:

Uma jovem mulher de uma pequena cidade saiu de uma das lojas Wal-Mart,
colocou suas compras em seu carro e sentou-se para dirigir. Subitamente,
ouviu o som de um tiro quebrar o vidro traseiro e – no mesmo instante – algo
acertou a parte de trás de sua cabeça. Aterrorizada, colocou sua mão sobre a nuca
e teve a horrível sensação de seus miolos estarem escorrendo por entre os dedos.
Ela gritou de terror e entrou numa histeria descontrolada.

Várias pessoas ligaram imediatamente para a emergência, a polícia chegou e


correu para ajudar a histérica senhora. Após ouvir que a mulher estava
literalmente segurando seus miolos, um oficial gentilmente afastou sua mão e
encontrou uma massa de biscoito mole e quente na nuca da senhora. Ela havia
comprado uma lata da mistura, deixado-a exposta ao sol no carro, que, com o
calor, explodiu e mandou o conteúdo direto para sua cabeça.

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Versículo para Memorização


“Replicou-lhe Jesus: Todo o que beber desta água tornará a ter sede; mas,
aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário,
a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna.”
Jo 4.13-14

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Últimas Palavras
Thomas Hobbes (1588-1674) foi um famoso filósofo político inglês cuja obra mais famosa foi
Leviatã. Este culto e inteligente cético corrompeu muitos dos grandes homens de seu tempo. Mas
quanta desesperança permeou suas últimas palavras:

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“Se possuísse o mundo inteiro, da-lo-ia em troca de mais um dia de vida.
Alegrar-me-ei em encontrar um buraco em direção ao qual me arrastarei para
fora desta vida. Estou prestes a dar um salto para a escuridão!”

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A oração do pecador
“O Maior perigo do século XX serão a religião sem o Espírito Santo,
o Cristianismo sem Cristo, o perdão sem arrependimento, a salvação sem regeneração,
a política sem Deus, e o céu sem o inferno.”
William Booth

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Comentário de Kirk Cameron: Temos nos acostumado tanto com os métodos humanistas de
evangelismo e tradições da igreja que passamos a supor que nossas práticas são bíblicas, sem
averiguá-las. Está lição analisa profundamente a validade de uma tradição evangelística muito
comum e bem-intencionada.

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Perguntas e Objeções
“E se alguém disser: ‘Quebrei todos os Dez Mandamentos’?”

Não ache que, por alguém dizer isto, o indivíduo reconhece a gravidade de seu estado pecaminoso
diante de Deus. Ele pode dizer: “Realmente sou uma má pessoa!” Geralmente, esta é uma maneira
de tentar livrar-se da convicção do pecado. O Faraó admitiu ter pecado, mas seu arrependimento era
superficial. Diga-lhe assim: “Bem, vamos examinar os Dez Mandamentos um a um para ver se os
quebrou mesmo.” Enquanto o indivíduo estiver sendo confrontado pelo justo padrão da Lei Moral
de Deus, ore para que o Espírito Santo traga convicção do pecado. Talvez agora você já se sinta
razoavelmente à vontade para evangelizar usando a Lei para trazer o conhecimento do pecado. Já
sabe como apresentar a cruz e a necessidade de arrependimento para com Deus e fé em Jesus – mas,
e daí por diante? Será que isto basta para “fechar a venda” (como dizem os evangelistas
humanistas)? Ou será que deveríamos simplesmente deixar a pessoa nas mãos do fiel Criador?

Talvez a resposta venha ao observarmos o mundo natural. Contanto que não haja complicações
quando uma criança está nascendo, tudo o que o médico precisa fazer é guiar a cabeça do bebê. O
mesmo se aplica espiritualmente. Quando alguém “nasce de Deus”, tudo o que precisaremos fazer é
guiar a cabeça do pecador nos certificando que a pessoa entenda o que estamos fazendo. Felipe fez
isto com o eunuco etíope quando perguntou: “Entendes o que estás lendo?” (At 8.30).

Na Parábola do Semeador, o verdadeiro convertido (o ouvinte de “bom solo”) é aquele que ouve “e

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entende”. Este entendimento vem pela Lei (Rm 7.7) nas mãos do Espírito Santo, que “convencerá o
mundo do pecado, da justiça e do julgamento (juízo)” (Jo 16.8). Se o pecador se achar pronto para o
Salvador, é porque foi atraído pelo Espírito Santo (Jo 6.44). É por isso que devemos cuidar em
deixar o Espírito Santo fazer Sua obra e não nos apressar aonde os anjos temem entrar. Fazer a
oração de arrependimento com alguém que não está genuinamente arrependido pode deixá-lo com
um bebê prematuro nas mãos. Portanto, ao invés de fazer a oração de arrependimento por ele, é
sábio que a própria pessoa ore.

Quando Natã confrontou Davi com o seu pecado, ele não fez a oração de arrependimento pelo rei.
Se alguém cometeu adultério, e sua esposa esteja disposta a recebê-lo de volta, será que seria você
que teria que escrever uma carta pedindo perdão a ela? Não; a tristeza pela traição de sua confiança
deve jorrar dos lábios do próprio marido. A esposa, por sua vez, não espera palavras eloqüentes,
mas simplesmente arrependimento de coração. A essência de seu pedido de desculpas deve ser algo
assim: “Por favor, me perdoe. Traí sua confiança. Estou muito arrependido.” O mesmo se aplica à
oração de arrependimento. Se a pessoa está genuinamente arrependida (há tristeza em seu coração e
sua boca pára de tentar justificar-se), ela mesma é quem deve orar; o importante não são as palavras
que usa, mas a presença de “tristeza para com Deus”.

Devemos dizer ao pecador que se arrependa, isto é, que confesse e abandone seus pecados. Isso
pode ser feito de maneira “sussurrada” e, em seguida, podemos orar por ele. Diga-lhe:
“Silenciosamente confesse seus pecados a Deus, pedindo-Lhe que o perdoe e, em seguida, coloque
sua confiança na salvação de Jesus da mesma maneira que colocaria em um pára-quedas. Você não
acreditaria nele simplesmente; você o vestiria – confiando-lhe sua vida. Após ter feito isso, vou orar
com você e lhe darei um material para ler que vai ajudá-lo.” Se a pessoa não estiver certa do que
deve dizer, talvez a oração de arrependimento de Davi (Salmo 51) possa ser usada como modelo,
mas as próprias palavras do pecador são mais desejáveis.

Se estudarmos o ministério de Charles Spurgeon, descobriremos que ele convidava homens e


mulheres para virem a Cristo, não à frente ou púlpito. Veja como ele convidava os pecadores a
Cristo:

Antes de saírem deste lugar, suspire uma honesta oração a Deus, dizendo:
“Deus, tende misericórdia de mim, pois sou um pecador. Senhor, preciso ser
salvo. Salva-me. Clamo pelo Teu nome... Senhor, sou culpado e mereço a Tua
ira. Senhor, não sou capaz de salvar a mim mesmo. Senhor, gostaria de ter um
novo coração e um espírito correto, mas o que posso fazer? Senhor, nada posso
fazer, vem e faz uma obra em mim para que eu faça a Tua vontade”.

“Só Tu tens o poder, bem sei.


Para um miserável como eu salvar;
Aonde ou a quem poderia ir?
Se tentasse de Ti fugir?”

“Mas, agora, do fundo de minha alma clamo pelo Teu nome. Tremendo e crendo,
me lanço sobre Ti, ó Senhor. Confio no sangue e justiça de Teu querido Filho...
Senhor, salva-me hoje à noite, por causa de Jesus.”

“Vão para casa confiando em Jesus. ‘Eu gostaria de ir à sala de


acompanhamento para tirar minhas dúvidas,’ alguém pode dizer. Eu poderia
querer dizer assim: ‘Podem ir à sala de acompanhamento’, mas não queremos

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nos dobrar à superstição popular. Tememos que nestas salas as pessoas se
enchem de uma confiança fictícia. Pouquíssimos dos convertidos em ‘salas de
acompanhamento’ se dão bem. Vão direto a Deus de uma vez, onde quer que
estejam. Lancem-se sobre Cristo, de uma vez, antes mesmo de se mover um
centímetro de onde estão!”

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Perguntas
1. Como podemos “guiar a cabeça” em um nascimento espiritual?
2. Por que é importante entendermos isso?
3. De onde vem tal entendimento?
4. Por que as palavras do pecador não são importantes?
5. A igreja onde você congrega convida os pecadores ao altar, ou a Jesus?

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O Pregador
Zé Repetição: Sei que sou um pecador, mas confesso meus pecados a Deus toda noite. Peço-lhe
desculpas e digo que não pecarei novamente. O problema é que repito o pecado [logo no outro dia].
Cristão: Se você estivesse diante de um juiz em um tribunal com uma multa de $ 50.000,00 reais a
pagar, ele o deixaria ir embora só porque você diz que sente muito e que não cometerá o crime
novamente?
Zé Repetição: Não, não deixaria. Ainda teria que pagar a multa.
Cristão: Isso mesmo. Além disso, você deveria mesmo sentir muito por quebrar a lei, e claro que
não deveria cometer o crime novamente. Entretanto, se alguém entrasse em cena e pagasse a multa
de R$ 50.000,00, então você ficaria livre das exigências da lei. Deus não perdoará um pecador com
base no fato de ele estar arrependido. É claro que deveríamos nos arrepender do pecado – temos
uma consciência que nos diz que adultério, estupro, luxúria, assassinato, ódio, mentira, roubo, etc.,
são atitudes erradas. E claro que não devemos orar novamente. Deus, entretanto, nos liberará das
exigências divinas da justiça eterna se a multa for paga. Dois mil anos atrás, Jesus Cristo morreu na
cruz para pagar por nossos pecados. Suas palavras na Cruz foram: “Está consumado!” Em outras
palavras, a dívida foi integralmente paga. Todos os que se arrependerem e Nele confiarem receberão
o perdão dos pecados. Seu processo é encerrado por causa da morte sofrida de Jesus. Isso faz
sentido para você?”
Zé Repetição: Faz, faz sim.
Cristão: Percebe como apenas sentir tristeza pelo pecado – e até mesmo arrependimento – não é
suficiente para salvá-lo do inferno? Você deve confiar no Salvador. Se você nascer de novo, Deus o
dará um novo coração com novos desejos, de maneira que você não continuará a repetir os pecados
que cometia antes de sua conversão.

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Penas para Flechas
Há muitos anos tivemos em nossa casa uma aranha teimosa que insistia em fazer teias em todo
canto. Não importava quantas vezes nós a expulsássemos, suas teias sempre apareciam na manhã
seguinte. Certo dia, convoquei um de meus filhos para ajudar-me na missão. Pegamos uma pequena
vareta e inseticida. Pedi para meu filho bater na teia gentilmente enquanto eu imitava o som de uma
mosca desesperada. A faminta aranha saiu de seu esconderijo e acabei com ela usando o inseticida.

Existe uma teimosa teia de pecado que continuamente infesta a humanidade. É a teia da violência,
da corrupção, estupro, ganância, guerras, roubo, etc. Vivemos tentando expulsá-la por meios
políticos. Ainda assim, estes crimes resistem, e poucas pessoas parecem conseguir identificar a
causa raiz do problema – que continua escondida.

Precisamos usar a vareta da Lei de Deus para gentilmente cutucar o coração humano.
Repentinamente, a causa do pecado aparece. É aí que o pecado pode ser morto pelo poder do
Evangelho. É a Lei de Deus que revela o coração humano como desesperadamente perverso, e é o
Evangelho que nos livra do poder do pecado. Em Cristo nascemos de novo (Jo 3.3) e nos tornamos
novas criaturas.

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Palavras de Conforto
Entrei confiantemente no avião, seguido por minha filha e sua amiga. Como viajante experiente,
tomei a liderança. Eu não apenas era um exemplo de viajante em ação para minha filha e sua amiga,
Rebekah, mas era também o exemplo máximo em acessórios de viagem modernos. Antes mesmo da
moda de andar com malas pretas de rodinhas ter surgido, eu já possuía uma grande mala azul de
rodinhas. A única diferença é que a minha não era tão brilhosa como as do pessoal da equipe de
vôo. Eu não a puxava por um cabo de metal ajustável, mas por uma alça de um metro e vinte de
comprimento.

Entretanto, neste dia, fiquei surpreso em como foi rápido para minha família e amigos fazerem de
conta que nem me conheciam, meramente porque a mala engatou no braço de um dos assentos perto
da entrada do avião, rasgou-se, e mesmo assim, eu despercebidamente a continuei arrastando até o
meio da aeronave.

Um pouco antes disso, eles já haviam feito de conta que não me conheciam, simplesmente porque
uma de minhas bolsas havia caído quando subia numa escada rolante, indo em direção às pessoas
que vinham atrás de mim que, assustadas, tiveram que se desviar dela rapidamente.

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Versículo para Memorização


“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer;
e eu o ressuscitarei no último dia.”
Jo 6.44

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Últimas Palavras
O Capitão John Lee, que foi executado por falsificação, rejeitou a Deus durante toda a sua vida, mas
na hora de sua morte ansiava pela certeza e esperança da fé:

“Deixo ao mundo esta triste lembrança: não importa o quanto alguém possa ser
favorecido por qualificações pessoais ou distinguido por dons intelectuais, sua
genialidade será inútil, e suas habilidades lhe servirão muito pouco, a não ser
que sejam acompanhados pela religião e assistidos pela virtude. Ó, como
gostaria de poder possuir mesmo o mais simples lugar no céu, e ser capaz de
caminhar calmamente agora para um cantinho dele.”

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Verdadeiras e falsas conversões


“É por esta razão que temos tantos convertidos ‘cogumelo’:
[porque] seus pedregosos solos não são arados [antes do plantio];
Eles não têm a convicção da Lei; são pessoas cujo solo [do coração] é pedregoso.”
George Whitefield

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Comentário de Kirk Cameron: Achava que “desviar-se” era uma ocorrência comum e normal no
Cristianismo até entender a realidade das falsas conversões e sua prevalência nas igrejas de hoje.
Esta lição verdadeiramente lhe abrirá os olhos.

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Perguntas e Objeções
“Já fui um cristão evangélico. Agora acredito que isso tudo é uma droga!”

Quando alguém declara que um dia foi Cristão, mas que caiu em si, está dizendo que certa vez
conheceu o Senhor (veja Jo 17.3). Pergunte-lhe: “Você conheceu o Senhor?” Se ele responder que
sim, gentilmente diga: “Então, você admite que Ele é real e que está em rebelião à Sua vontade.” Se
ele responder: “Achava que tinha conhecido!”, isso lhe dá licença para dizer: “Se você realmente
não tem certeza, então é porque provavelmente não O conheceu.” Se ele não conheceu o Senhor,
portanto nunca foi Cristão (1 Jo 5:11-13, 20). Explique-lhe que a Biblia fala de falsa conversão, na
qual pessoas cujo solo [do coração] é duro recebem a Palavra com júbilo e alegria, mas, quando
vem o tempo de tribulação, tentação e perseguição, abandonam a fé. Se o indivíduo estiver aberto à
razão, conduza-o pelos Dez Mandamentos até a mensagem da cruz e a necessidade de

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arrependimento e fé no Salvador.

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Talvez um dos conceitos mais negligenciados no Corpo de Cristo contemporâneo é o da verdadeira


ou falsa conversões. O porquê de tal negligência é um mistério, pois o Novo Testamento está cheio
de ensinamentos sobre o assunto e dá muitos exemplos de falsos profetas, falsos mestres, falsos
apóstolos e falsos irmãos.

Uma compreensão clara do assunto nos assegurará de não sermos culpados de pregar um evangelho
que colhe falsos convertidos.

Quando Jesus deu a Parábola do Semeador a seus discípulos, parece que lhes faltava entendimento
se seu significado: “Jesus lhes disse: ‘Vocês não compreendem esta parábola? Como então
compreenderão todas as outras parábolas?’” (Mc 4.13). Em outras palavras, a Parábola do
Semeador é a chave que abre [as portas dos] mistérios de todas as outras parábolas. Se há uma
mensagem nesta parábola, é o fato de que quando o Evangelho é pregado, existem falsas e
verdadeiras conversões.

Uma vez que esta premissa é estabelecida, a luz da percepção começa brilhar sobre as outras
parábolas de Jesus sobre o reino de Deus. Se entendermos o princípio de que o verdadeiro e do falso
andam lado a lado, então os outros ensinamentos parabólicos fazem sentido: o Trigo e o Joio
(verdadeiro e falso), os Bons Peixes e os Maus Peixes (verdadeiro e falso), as Virgens Sábias e as
Tolas (verdadeiro e falso), e as Ovelhas e as Cabras (verdadeiro e falso).

Após ensinar sobre o Trigo e o Joio, Jesus deu a Parábola da Rede de Pesca:

“Igualmente, o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie
de peixes. E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os
ruins, porém, lançaram fora. Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus
dentre os justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Entendestes
todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Entendemos.” (Mt 13.47-51).

Note que os bons peixes e os ruins estavam juntos na rede. As pessoas do mundo não são pegas na
rede do reino dos céus; elas continuam no mundo. Os “peixes” que são pegos são aqueles que
respondem ao Evangelho – a “rede” evangelística. Eles permanecem juntos até o Dia do
Julgamento.

Os falsos convertidos não possuem uma genuína contrição por terem pecado. Eles fazem uma
profissão de fé, mas são deficientes em arrependimento bíblico – “Professam que conhecem a Deus;
mas em obras O negam, sendo são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.”
(Tt 1.16). Um verdadeiro convertido, entretanto, tem o conhecimento do pecado e tristeza para com
Deus, arrepende-se verdadeiramente e produz “coisas que acompanham a salvação” (Hb 6.9). Isto é
evidente pelos Frutos do Espírito, frutos da justiça, etc.

Judas era um falso convertido. Parece que ele foi um exemplo de pessoa cujo solo [do coração] era
espinhoso: “mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça de outras coisas,
entrando, sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.” (Mc 4.19). Alguns destes professos Cristãos
permanecem dentro da igreja, e são os que geralmente trazem descrédito ao nome de Jesus Cristo.

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Apesar dos falsos convertidos não se arrependerem de seus pecados, eles tem certa medida de
espiritualidade. Judas, por exemplo, tinha. Ele conseguiu convencer alguns dos discípulos de que
verdadeiramente se importava com os pobres. Ele parecia tão confiável que foi escolhido para
tomar conta das finanças. Quando Jesus disse: “Um de vocês me trairá”, os discípulos não
apontaram o dedo para o fiel tesoureiro, mas, ao contrário, suspeitaram de si mesmos, dizendo:
“Sou eu, Senhor?” Então, não é de trazer surpresa que poucos no Corpo de Cristo suspeitem de que
estamos cercados de pessoas da categoria de Judas. Entretanto, os alarmes deveriam soar quando a
igreja, que deveria ter uma influência massiva na sociedade, infelizmente não a tem no frigir dos
ovos. Mesmo com nossos 142 milhões de crentes professos, não conseguimos nem mesmo proibir o
assassinato de crianças nos úteros de suas mães.

Como escreveu William Iverson na revista Christianity Today: “Um quilo de carne certamente seria
afetado por duzentas e cinqüenta gramas de sal. Se este é o verdadeiro Cristianismo, o ‘sal da terra’,
onde está o efeito do qual falou Jesus?”

Deus sabe distinguir perfeitamente o verdadeiro do falso, e certamente irá separá-los no Dia do
Julgamento.

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Perguntas
1. O que Jesus disse aos discípulos quando O questionaram a respeito da Parábola do
Semeador?
2. Cite algumas das parábolas que Jesus usou para falar de falsas e verdadeiras conversões.
3. Quando os falsos convertidos serão desmascarados?
4. Que danos pode causar o Cristão que não compreende que de fato existem falsas
conversões?
5. Como podemos nos assegurar de que não seremos responsáveis por trazer falsos convertidos
para dentro da igreja?

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Penas para Flechas


A Bíblia nos conta em Lucas 22:47 que Judas levou uma “multidão” a Jesus. Seu motivo,
entretanto, não era levá-las ao Salvador para salvação. O evangelismo moderno também tem levado
“multidões” a Jesus. Seu motivo pode ser diferente do de Judas, mas o resultado final é o mesmo.
Da mesma maneira que as multidões de Judas abandonaram o Filho de Deus, as estatísticas
mostram que até 90% (noventa por cento) daqueles que chegam a Cristo pelos métodos do
evangelismo moderno abandonam a fé. Seu último fim é pior do que o primeiro. Crucificam
abertamente o Filho de Deus, só que de uma maneira diferente.

Em seu zelo sem conhecimento, aqueles que preferem a facilidade do evangelismo moderno ao
Evangelismo Bíblico traem a causa do Evangelho com um beijo. O que pode parecer amor pelo
bem- estar dos pecadores é na verdade eternamente prejudicial a eles.

Da mesma forma que Pedro (Lc 22.51), nosso zelo sem conhecimento está na verdade cortando as

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orelhas dos pecadores. Aqueles que erroneamente chamamos de “desviados” não darão ouvidos ao
nosso raciocínio. Até onde eles sabem, já tentaram uma vez e não funcionou. Que vitória para o
príncipe das trevas e que inenarrável tragédia para a igreja!

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Versículo para Memorização


“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei
diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens,
também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.”
Mt 10.32-33

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Últimas Palavras
William McKinley (1841-1901), vigésimo-quinto Presidente dos Estados Unidos, foi assassinado
seis meses após sua diplomação. Alvejado por um anarquista em uma exposição em Buffalo, Nova
Iorque, ele agonizou por oito dias. Suas palavras de despedida foram:

“Mais perto, meu Deus de Ti, é o caminho do Senhor. Adeus a todos!”

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Hipocrisia
“Andam me dizendo que os cristãos não amam uns aos outros.
Fico muito triste se isso for verdade, mas duvido muito,
pois suspeito que aqueles que não se amam mutuamente não são Cristãos.”
Charles Spurgeon

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Comentário de Kirk Cameron: Quando era adolescente, os hipócritas religiosos da TV eram a


maior razão por eu achar que o cristianismo era uma piada. Até que descobri que não haverá
hipócritas no céu.

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Perguntas e Objeções
“Você não devia falar sobre pecado, pois Jesus não condenou ninguém.

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Ele sempre foi amoroso e bondoso.”

Jesus é amoroso e foi por isso que Ele usou duras palavras de alerta com os pecadores. Em Mt 23,
Jesus chamou os líderes religiosos de “hipócritas” sete vezes. Disse-lhes que eram “tolos e cegos”,
filhos do inferno, cheio de hipocrisia e pecado. Levou seu sermão ao clímax dizendo: “Serpentes,
raça de víboras, como escapareis da condenação do inferno?” Então, alertou que diria aos ímpios:
“Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos” (Mt
25.41).

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Parece que ninguém suporta nenhum tipo de hipócrita. Entretanto, há algo particularmente
detestável a respeito daqueles que professam amar a Deus, mas cujas vidas não correspondem às
suas alegações. Um grande pregador certa vez disse que se a vida de um homem não
correspondesse com o que professava, e desejasse pregar o Evangelho, ele deveria ir para bem
longe de sua, e quando se levantasse para pregar, nada dissesse.

Um dos maiores obstáculos para as pessoas chegarem a Cristo é ver que a igreja está “cheia de
hipócritas”. Algumas pessoas dizem até que está cheia até a borda; outras admitem que existem
cristãos genuínos na igreja entre os falsos. Em qualquer caso, aqueles que apresentam tal argumento
geralmente fazem isso porque eles mesmos odeiam amam as trevas e odeiam a luz. Enquanto
podem ter uma genuína queixa contra esta situação, não poderão usar a hipocrisia dos outros como
desculpa legítima no Dia do Julgamento.

Hipócrita vem da palavra Grega que significa “ator” ou enganador. Hipocrisia é “a prática de
professar crenças, sentimentos ou virtudes que não se possui.” Hipócritas podem até freqüentar o
prédio da igreja, mas, na realidade não há hipócritas na Igreja. Em sua ignorância, o mundo acha
que a Igreja é o prédio, e que aqueles que a freqüentam são Cristãos. Entretanto, a Igreja é o Corpo
de Cristo, que consiste apenas de verdadeiros crentes; hipócritas são “enganadores” que se sentam
entre o povo de Deus. Vivem como cabras entre as ovelhas do Senhor, maus peixes entre os bons,
joio entre o trigo – até o dia em que Deus os separará.

É interessante perceber que o corpo humano rejeita todo corpo estranho – mesmo uma única raiz de
cabelo transplantada. O falso convertido (o hipócrita) não é parte do Corpo de Cristo. Jamais se
arrependeu de verdade, e por causa de seu pecado, é rejeitado como parte do Corpo. Deus sabe
quem são aqueles que O amam, a Bíblia alerta que todos os hipócritas – aqueles que meramente
fingem ser cristãos – acabarão no inferno (Mt 24.51).

A raiz da hipocrisia é a idolatria, que facilmente se enraíza no solo do coração pecador. O falso
convertido cria um deus que não teme. A árvore que cresce a partir da raiz dá frutos que todos
podem ver. É por isso que somos avisados a nos examinarmos e ver se estamos na fé, que Jesus
Cristo vive em nós (2 Co 13.5). Jesus disse: “Toda boa árvore dá bom fruto” (Mt 7.17). Devemos
seguir (fim da última pág???) o exemplo de Paulo e nos esforçar para ser devotos, justos e
irrepreensíveis à vista de um mundo perverso (1 Ts 2.10). Deus nos livre de que uma alma sequer
venha a tropeçar por perceber hipocrisia em nossas vidas. Será que nossos colegas de trabalho têm
nos ouvido rir de piadas obscenas? Temos sido vistos com vídeos “adultos”? Será que há ódio ou
amargura, ou qualquer fruto ruim em nossas vidas para o mundo ver? Então, devemos pôr o
machado à raiz.

Se há alguma falsidade em qualquer coisa que façamos, evidentemente é porque não tememos a

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Deus. Nosso conceito de Seu caráter é errôneo, e devemos cultivar um entendimento bíblico do qual
adquiriremos o correto temor de Deus.

Judas Iscariotes era um hipócrita, um enganador. Ele não tinha idéia de quem Jesus era. Reclamou
de que um ato de adoração sacrifical era uma perda de dinheiro; o caro bálsamo com o qual a
mulher ungiu Jesus deveria ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres. [Para ele,] Jesus de
Nazaré não valia tal extravagância. Em seus cálculos, Ele valia apenas trinta moedas de prata.

A Bíblia nos conta que Judas estava mentindo quando disse que se importava pelos pobres. Na
verdade, ele era um ladrão e, portanto, não possuía o temor de Deus, pois roubava dinheiro do saco
das ofertas (veja Jo 12.6).

É interessante notar que os pecadores detestam e hipocrisia na igreja. Detestam o “enganador.” Será
que isso significa que querem que os cristãos sejam genuínos? Será que querem que sejamos
verdadeiros e fieis em nosso testemunho e, portanto, que falemos do pecado, da justiça e do
ulgamento? Será que querem que vivamos em santidade em não em hipocrisia? Será que o mundo
quer que realmente nos posicionemos e falemos contra a pornografia, a ganância, o adultério, o
aborto, o homossexualismo, a fornicação, e outros pecados que amam tanto? Aos seus olhos, somos
condenados tanto se assim fizermos ou se deixarmos de fazer.

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Perguntas
1. Por que os descrentes argumentam que a igreja está cheia de hipócritas? O que é hipocrisia?
2. Por que podemos dizer que não há hipócritas na Igreja?
3. Qual será o fim dos hipócritas?
4. Qual a raiz da hipocrisia? Explique.
5. Por que devemos nos examinar?

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Penas para Flechas


A maneira de se treinar os caixas de banco a reconhecer notas falsas é fazê-los estudar cédulas
genuínas. Quando vêem uma nota falsa, conseguem identificá-la pois seus olhos foram treinados
para conhecer dinheiro autêntico. O autêntico no cristianismo é alguém que é fiel, bondoso, amável,
bom, sem hipocrisia, gentil, humilde, paciente, auto-governado e que fala a verdade em amor.

Então, na próxima vez que estiver assistindo TV e vir um hipócrita com barba do tipo Abraham
Lincoln de chapéu preto, embriagado, falando inglês arcaico, citando a Bíblia enfiando um punhal
nas costas do próximo “em nome do Senhor”, pergunte-se : “Será que este é um cristão genuíno?
Ele ama o próximo como a si mesmo? É bondoso, gentil, bom, generoso, auto-governado? Ama
seus inimigos? Faz o bem àqueles que o usam?” Se a resposta for não, então, o que vê é apenas
mais um descrente fingindo ser um cristão.

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Versículo para Memorização
“Hipócritas! bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:
Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim.”
Mt 15.7-8

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Últimas Palavras
James Buchanan (1791-1868), décimo-quinto Presidente dos Estados Unidos, retirou-se do cargo e
viveu em completo anonimato até sua morte. Suas últimas palavras foram:

“Ó Senhor Todo-Poderoso, seja feita a Tua vontade.”

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A certeza do julgamento
“Quando apenas nos dizemos maus, a ‘ira’ de Deus parece uma doutrina bárbara;
tão logo percebemos [o nível de nossa] maldade, [tal ira] parece inevitável,
um mero corolário da bondade de Deus...”
C. S. Lewis

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Comentário de Kirk Cameron: Da mesma maneira que os seres humanos valorizam a virtude da
justiça e exigem que a justiça seja feita quando alguém erra, Deus valoriza a justiça e promete
executar o julgamento sobre a humanidade de acordo com seu perfeito padrão. A criação inteira se
regozijará quando o Juiz do Universo vier trazer a verdade e a justiça sobre um mundo amante do
pecado.

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Perguntas e Objeções
“Por que o Antigo Testamento mostra um Deus de ira
e o Novo Testamento um Deus de misericórdia?”

O Deus do Novo Testamento é mesmo que o Deus do Antigo Testamento. A Bíblia diz que Ele
nunca muda. Ele é tão misericordioso no Antigo quanto no Novo Testamento. Leia Neemias 9 para
um resumo de como Deus misericordiosamente perdoou Israel, continuamente, após eles
repetidamente pecarem contra Ele e virarem-Lhe as costas. Os Salmos freqüentemente falam da

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misericórdia de Deus derramada sobre os pecadores.

Por outro lado, Ele é tão cheio de ira no Novo Testamento quanto no Velho. O Livro de Atos
registra o fato de Ele ter matado um marido e sua esposa simplesmente por terem contado uma
mentira. Jesus alertou que deviam temê-Lo por que Ele tem o poder de jogar tanto o corpo quanto a
alma no inferno. O apóstolo Paulo disse que persuadia as pessoas a irem ao Salvador porque
conhecia o “terror do Senhor.” Leia os terríveis julgamentos do Livro de Apocalipse que está no
Novo Testamento. Isso colocará o “temor do Senhor” em você, que incidentemente é “o princípio
da sabedoria.”

Talvez a demonstração mais assustadora da ira de Deus esteja na cruz de Jesus Cristo. Sua fúria
veio sobre o Messias que parece que Deus envolveu a face de Jesus na escuridão de maneira que a
criação não conseguia observar Sua inenarrável agonia. Quer gostemos ou não, nosso Deus é um
santo fogo consumidor (Hb 12.29). Ele não mudará. Assim, é melhor que nós mudemos – antes do
Dia do Julgamento. Se nos arrependermos, Deus, em Sua misericórdia, nos perdoará e concederá a
vida eterna no céu com Ele.

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O Profeta Jeremias alertou o Rei Zedequias repetidamente do vindouro Julgamento de Deus sobre a
tribo de Judá. Às vezes parecia que o rei realmente acreditava no profeta, então no momento
seguinte ele o mandava trancafiar na prisão.

Às vezes, os pecadores parecem acreditar no evangelho. Apreciam música gospel, gostam de


escutar as pregações de pastores da teologia da prosperidade e pensamento positivo – mas procuram
calar nossas bocas no momento em que falamos do julgamento vindouro. João Batista pregava
sobre o julgamento do pecado. Disse a Herodes que havia transgredido a Lei de Deus ao tomar a
esposa de seu irmão, o que custou sua vida (Mc 6.18). Aos olhos do mundo, não há nada de popular
ou positivo em pregar a realidade do Dia do Julgamento.

A mensagem de Jeremias também colocou sua vida em risco. Ele pregava abertamente que Judá
havia se desviado da Lei Moral e expôs claramente qual era o alcance da Lei ao revelar seus
pecados específicos (Jr 7.9). Haviam quebrado o Primeiro e Segundo Mandamentos ao seguirem
outros deuses. Eles quebraram o Sexto, Sétimo, Oitavo e Nono Mandamentos, e andaram em
hipocrisia (v.10). E permaneceram no pecado seguindo seus próprios conselhos e a imaginação de
seus corações.

O profeta também teve que contender com aqueles que pregavam uma mensagem de melhoria de
vida ao invés de pregarem o julgamento de Deus (Jr 28.1-17). A Bíblia nos conta que, na verdade,
essa mensagem era “uma rebelião contra o Senhor” (v. 16). E continua sendo. Quando
negligenciamos a pregação do Dia do Julgamento, as pessoas não vêem a necessidade de
arrepender- se. Por que deveriam, se não são alertadas da terrível conseqüência do pecado? (Veja Jr
23.14).

Quando Jeremias falou do julgamento de Deus sobre a nação, ele a descreveu como total e absoluto.
Sua mensagem não deixou brecha à duvida:

Porque assim diz o Senhor: Eis que farei de ti um terror para ti mesmo, e para
todos os teus amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e teus olhos o
verão. Entregarei Judá todo na mão do rei de Babilônia; ele os levará cativos

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para Babilônia, e matá-los-á à espada. Também entregarei todas as riquezas
desta cidade, todos os seus lucros e todas as suas coisas preciosas, sim, todos os
tesouros dos reis de Judá na mão de seus inimigos, que os saquearão e,
tomando-os, os levarão a Babilônia. (Jr 20.4-5)

Nestes dois versículos, a palavra “todo” (e suas flexões: toda, todos, todas) é mencionada seis vezes
e nove verbos são usados no futuro, demonstrando algo que indubitavelmente acontecerá.

Então, este é o cenário em que o rei de Judá questiona Jeremias por que ele prega o julgamento de
Deus:

Pois Zedequias, rei de Judá, o havia encarcerado, dizendo: Por que profetizas ,
dizendo: Assim diz o Senhor: Eis que entrego esta cidade na mão do rei de
Babilônia, e ele a tomará; e Zedequias, rei de Judá, não escapará das mãos dos
caldeus, mas certamente será entregue na mão do rei de Babilônia, e com ele
falará boca a boca, e os seus olhos verão os olhos dele; e ele levará para
Babilônia a Zedequias, que ali estará até que eu o visite, diz o Senhor, e, ainda
que pelejeis contra os caldeus, não ganhareis? (Jr 32.3-5)

A resposta de Jeremias à pergunta do Rei sobre a razão pela qual e pregava o julgamento de maneira
tão contundente é bastante estranha. Ele dá uma parábola que parece quase que sem relação à
pergunta. Isto é o que ele diz:

Veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: Eis que Hanamel, filho de Salum, teu
tio, virá a ti, dizendo: Compra o meu campo que está em Anatote, pois tens o
direito de resgate; a ti compete comprá-lo. Veio, pois, a mim Hanamel, filho de
meu tio, segundo a palavra do Senhor, ao pátio da guarda, e me disse: Compra o
meu campo que está em Anatote, na terra de Benjamim; porque teu é o direito de
herança e teu é o de resgate; compra-o para ti. Então entendi que isto era a
palavra do Senhor. (Jr 32.6-8)

A história parece não ter relação com a pergunta, até que entendamos os significados dos nomes
usados pelo profeta. O nome Hanamel significa “Deus tem compaixão.” Salum significa
“retribuição”. Hanamel e Salum eram pai e filho; ou seja, eram parentes. A compaixão de Deus
nunca poderia ser separada da retribuição de Deus; são “parentes.” Por Ele ser um justo Deus de
Retribuição e dever punir o pecado, Deus estava em Cristo reconciliando o mundo Consigo mesmo
por causa de Sua grande compaixão. Não haveria cruz caso não houvesse ira contra o pecado.

Quando o mundo nos pergunta por que pregamos que haverá um terrível Dia do Julgamento,
poderíamos simplesmente dizer que é porque a Bíblia ensina isso. Mesmo isso sendo verdade, essa
não é a única razão por estarmos certos que o Dia do Julgamento realmente ocorrerá. Nossa certeza
vem do fato que Deus revelou Sua retribuição e Sua compaixão no Evangelho, e agora oferece a
humanidade perdão no Salvador. É pelo poder do Evangelho que temos a segurança que o Dia do
Julgamento certamente ocorrerá.

Aqueles que buscarem segurança, a encontrarão no Salvador. Aquele que se arrepende e confia no
Salvador se torna uma nova criatura; nasce de novo. Nada pode convencer um pecador da realidade
das Santas Escrituras e do seu grande alerta da ira vindoura como uma nova vida com um novo
coração e novos desejos.

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Então, qual é melhor maneira de conduzirmos as pessoas ao Salvador? Pregando que o Deus da
compaixão também é o Deus da retribuição. Abrindo-lhes a espiritualidade da Lei Moral que
[demonstra que] as pessoas foram feitas para aperceber-se de sua culpa e ver o quanto necessitam
refugiar-se da ira vindoura:

Portanto, diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Toma estas escrituras de
compra, tanto a selada, como a aberta, e mete-as num vaso de barro, para que
se possam conservar muitos dias. (Jr 32.14)

Nós somos “as escrituras de compra.” Nos apresentamos como testemunho da transação do Deus
Todo-Poderoso. Fomos comprados pelo sangue de Jesus Cristo (At 20.28), selados pelo Espírito
Santo da promessa para o Dia da Redenção (Ef 1.13; 4.30), e agora temos as indescritíveis riquezas
deste tesouro em vasos de barro (2 Co 4.7).

Se formos testemunhas fiéis, nosso testemunho consistirá tanto da compaixão de Deus como de Sua
retribuição, e alertaremos as pessoas quanto ao Dia do Julgamento que está chegando.

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Perguntas
1. Por que João Batista foi aprisionado?
2. De acordo com Jeremias 28:1-9, o que disse o falso profeta? Por que aqueles que não
pregam sobre a punição vindoura estão, na verdade, ensinando “rebelião contra o Senhor”?
3. Como você compararia esta falsa mensagem ao evangelismo moderno?
4. Por que Deus julgou a Judá?
5. Você acha que os Estados Unidos estão sob julgamento? Se sim, por quê?
6. Explique de que maneira a retribuição e a compaixão de Deus estão relacionadas.

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Penas para Flechas


Um homem teve uma idéia brilhante para conseguir pintar as beiradas de sua casa cujo teto tinha a
forma triangular. Ele lançou uma corda por sobre o telhado e a amarrou com um nó bem seguro no
pára- choque de seu carro. Certificou-se ainda de puxar o freio-de-mão para que o não deslizasse
com o seu peso. Assim, deu a volta na casa, subiu no telhado e amarrou a corda firmemente em
volta de sua cintura. Em seguida, pendurou-se de costas, impressionado com sua própria
genialidade.

Pouco tempo depois, sua esposa, sem sequer suspeitar do que seu inventivo marido havia feito, saiu
da casa com suas chaves do carro na mão. Entrou no veiculo e saiu dirigindo, puxando seu marido
por cima do teto e jogando-o no chão do outro lado. O homem ficou seriamente ferido.

A moral desta história verídica é que muitas vezes colocamos nossa segurança em algo ilusório. Se
nos fiarmos na crença de que boas obras nos salvarão no Dia do Julgamento, seremos surpreendidos
por uma eterna e trágica queda no inferno.

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Versículo para Memorização


“Em verdade, em verdade vos digo que se alguém não nascer da água e do Espírito,
não pode entrar no reino de Deus.”
Jo 3.5

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Últimas Palavras
Cardeal Cesare Borgia (1476-1507):

“Durante minha vida, fiz provisão para tudo exceto para minha morte, e agora –
ai de mim – estou morrendo despreparado.”

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O Dia do Julgamento
“Dê-me cem pregadores que nada temam a não ser o pecado e nada desejem além de Deus, e não
darei a mínima se eles forem teólogos ou leigos. Tais homens sacudirão os portões do inferno e
estabelecerão o reino de Deus na terra.”
John Wesley

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Comentário de Kirk Cameron: Um amigo meu certa vez me perguntou, “O que é o Dia do
Julgamento?” Se os pecadores não estiverem cientes do Dia em que prestarão contas de suas vidas a
Deus, não verão a necessidade de atentar ao comando de Deus ao arrependimento: “[Deus] ordena
que todas as pessoas em todos os lugares se arrependam: porque determinou um dia em que julgará
o mundo em justiça” (Atos 17.30-31).

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Perguntas e Objeções
“Jesus não condenou a mulher apanhada em adultério, mas os que a julgavam.
Portanto, você não deve julgar aos outros?”

O cristão não está “julgando os outros”, mas simplesmente falando ao mundo sobre o julgamento de

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Deus – que Deus (e não o cristão) julgou o mundo inteiro como culpado diante Dele (Rm 3.19, 23).
Jesus foi capaz de oferecer perdão àquela mulher por seus pecados, pois estava a caminho para
morrer na cruz por ela. Ela O reconheceu como “Senhor”, mas ainda assim, disse-lhe: “Vá, e não
peque mais.” Se ela não se arrependesse, pereceria.

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Imagine uma cidade no Velho Oeste na qual não há justiça. Seus cidadãos são roubados, violentados
e assassinados. Os moradores se reúnem e decidem trazer à cidade um famoso xerife que tem a
fama de levar consigo a justiça onde quer que vá. Todos os bons cidadãos se regozijariam em ver os
culpados trazidos à justiça.

Durante a década de 1990 nos Estados Unidos, houve 200.000 assassinatos. Surpreendentemente, a
metade destes assassinatos ficaram sem solução. Isso significa que 100,000 assassinos nunca foram
levados à justiça. Portanto, 100.000 pessoas foram alvejadas, esfaqueadas, estranguladas,
empurradas de edifícios, mortas a machadadas, etc., e ninguém foi punido pelos crimes. A
humanidade pode ser capaz de tão terrível injustiça, mas Deus não é. Ele se certificará de que todo
assassino receba o que merece. No Dia do Julgamento, todos os assassinos, como também
estupradores, ladrões, mentirosos, adúlteros, fornicadores, etc., finalmente serão trazidos à justiça.

O Dia do Julgamento é o clímax das eras. É o dia pelo qual toda a criação anseia, um evento pelo
qual a própria terra clama. E vem clamando desde o dia em que foi derramado o sangue de Abel e
continuará a clamar até a última injustiça dos tempos. Deus ama a justiça – e a executará:

Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; ruja o mar e a sua plenitude. Exulte o


campo, e tudo o que nele há; então cantarão de júbilo todas as árvores do
bosque diante do Senhor, porque ele vem, porque ele vem julgar a terra: julgará
o mundo com justiça e os povos com a sua verdade. (Sl 96.11-13).

Não se preocupe por, ao referir-se ao Julgamento, estar causando medo nos pecadores. Eles
pecaram contra Deus e Sua ira habita sobre eles. Na verdade, a Bíblia os chama de “filhos da ira.”
Será, então, que não deveriam mesmo temê-Lo? Veja estas palavras de Isaac Watts:

Nunca conheci uma só pessoa durante todo o tempo de meu ministério que
reconhecesse que os primeiros movimentos em direção à religião começaram em
seu coração a partir do sendo da bondade de Deus: “Que darei eu ao Senhor
por todos os benefícios que me tem feito?” Muito pelo contrário: até onde tenho
conhecimento, as pessoas foram primeiramente motivadas a fugir da ira
vindoura pelo ardor do medo.

O Dia do Julgamento é a razão pela qual as pessoas são ordenadas a arrepender-se (At 17.30-31). Se
não pregarmos que Deus julgará o mundo em justiça, não deveremos nos surpreender que elas
fiquem passivas em relação a responder ao Salvador. Se dissermos que precisam apenas crer, então,
não devemos ficar surpresos quando a igreja encher-se de falsos convertidos que crêem, mas não
têm temor suficiente a Deus para Lhe obedecer.

Portanto, devemos nos lembrar que não é suficiente pregar a Lei Moral. Ela precisa ser pregada em
conjunção à punição futura. Já foi dito que a Lei sem conseqüência nada mais é do que um bom
conselho. Devemos pregar que aqueles que cometem adultério, aqueles que mentem e roubam, etc.,
serão punidos no Dia da Ira. É a pregação da punição futura que produz temor, e é pelo temor do

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Senhor que as pessoas abandonam o pecado (Pv 16.6). A Bíblia nos diz que a “Lei opera ira” (Rm
4.15). Martinho Lutero declarou: “O correto efeito da Lei é nos tirar de nossas tendas e
tabernáculos, isto é, da calmaria e segurança de onde vivemos, e da confiança em nós mesmos, e
nos conduzir à presença de Deus, para nos revelar a Sua ira, e nos colocar diante de nossos
pecados.”

Ninguém abandona seus queridos pecados a menos que veja razão para isso. O inferno é uma boa
razão. Entretanto, é difícil para qualquer Cristão pregar julgamento e a realidade do inferno sem
usar a Lei. Imagine se a polícia invadisse a sua casa, o prendesse e furiosamente dissesse: “Você vai
cumprir uma longa pena!” Tal conduta o deixaria desnorteado e furioso, pois o que acabam de fazer
parece irracional.

Por outro lado, imagine se a polícia invadisse a sua residência e lhe dissesse especificamente o que
você havia feito de errado: “Descobrimos 10,000 pés de maconha no seu quintal. Você vai cumprir
uma longa pena!” Então você entenderia o porquê de estar em apuros. O conhecimento da lei que
você transgrediu lhe fornece tal entendimento, e torna o julgamento racional.

Pregar o fogo do inferno sem o uso da Lei para mostrar aos pecadores a razão pela qual Deus está
irado com eles provavelmente os deixará desnorteados e furiosos – por considerarem tal julgamento
irracional. O pecador não consegue conceber o pensamento de que Deus mandará alguém para o
inferno, enquanto estiver enganado e pensando que o padrão da Justiça de Deus é o mesmo que o
dele. R. C. Sproul acertadamente disse: “Provavelmente não há em teologia um conceito mais
repugnante à América moderna do que a idéia da ira divina.” Isso ocorre porque a América foi
deixada na escuridão em relação a natureza espiritual da Lei de Deus e, portanto, não possui
entendimento da santidade absoluta e inabalável de Deus.

Entretanto, quando usamos a Lei legitimamente, ela apela para a “razão” dos pecadores. Paulo
arrazoou com Félix sobre seus pecados e o julgamento vindoura, de maneira que o governador
“estremeceu” (At 24.25). Ele repentinamente entendeu que era um pecador culpado à vista de Deus,
e o inferno se tornou algo razoável. Sem dúvida que a “justiça” da qual Paulo falou era a justiça que
é da Lei, o que fez com que o temor de Deus pesasse no coração de Félix.

Portanto, nunca subestime o poder que há em arrazoar com um pecador (usando a Lei) sobre a
realidade do inferno. Aprenda a apresentar cenários extremos que o coloquem em um dilema moral.
Por exemplo, você pode dizer: “Imagine se alguém estuprasse sua mãe ou irmã e, em seguida, a
estrangulasse. Você acha que Deus deveria puni-lo?” Se a pessoa for razoável, dirá: “Sim, claro.
Isso faz sentido.” Então, pergunte: “Você acha que Ele deveria punir os ladrões?” Em seguida,
pergunte à pessoa sobre os mentirosos (se Deus deveria punir os mentirosos), etc. Diga-lhe que
Deus é perfeito, santo, justo e reto, e que a “cadeia” que Ele preparou para punir os transgressores
se chama “inferno.”

Sempre conduza o pecador de volta aos seus pecados pessoais. Lembre-se de falar-lhe à
consciência: “Você sabe o que é certo e o que é errado. Deus lhe deu uma consciência.” Algumas
pessoas acreditam em um inferno temporário (purgatório), ou em “aniquilação” (que a alma
[simplesmente] deixa de existir após a morte). A Bíblia, por outro lado, fala de uma punição eterna
consciente. Se a pessoa disser que isso é muito duro, diga-lhe que é mesmo. Se acharmos a punição
eterna terrível, o que devemos fazer a respeito – levantar o punho a Deus? Quando tais pensamentos
tolos adentram nossas mentes, devemos ir ao pé da cruz e meditar no grande amor que Deus teve
por nós – que Ele estava em Cristo reconciliando o mundo a Si mesmo. Então, devemos transformar
o horror em preocupação e alertar os pecadores para que fujam da ira vindoura.

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Charles Spurgeon disse:

“Deus determinou um dia em que julgará o mundo, e suspiramos e choramos até


que termine o reino da impiedade e dê descanso aos oprimidos. Irmãos, devemos
pregar o vinda do Senhor, e pregá-Lo mais do que temos feito, porque é o poder
do Evangelho. Muitos têm prendido estas verdades e assim o osso foi tirado do
braço do Evangelho. Sua ponta foi quebrada; seu gume foi cegado. A doutrina
do julgamento vindouro é poder pelo qual as pessoas são despertadas. Existe
uma outra vida; O Senhor virá uma segunda vez; o julgamento chegará; a ira de
Deus será revelada. Onde esta mensagem não é pregada, ouso dizer que o
Evangelho não é pregado. É absolutamente necessário à pregação do Evangelho
de Cristo que as pessoas sejam alertadas a respeito do que acontecerá se elas
continuarem em seus pecados. Ôu, ôu, senhor cirurgião, o senhor é delicado
demais para informar ao seu paciente que ele está doente! Espera curar os
doentes sem eles tomarem conhecimento. Assim, o senhor os lisonjeia: e o que
acontece? Eles riem do senhor e dançam sobre suas próprias covas. E
finalmente morrem! Sua delicadeza é crueldade; suas lisonjas são veneno; o
senhor é um assassino. Será que devemos manter as pessoas em um paraíso de
mentira? Será que devemos adormecê-los em doces sonecas das quais apenas
acordarão no inferno? Será que devemos nos tornar colaboradores para sua
condenação através de nossas agradáveis conversas? Em nome de Deus, não!”

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Perguntas
1. Por que não devemos nos preocupar que, ao falar em julgamento, isso causará temor nos
pecadores?
2. Se não pregarmos sobre o julgamento vindouro, qual será o resultado?
3. Por que é difícil para os Cristãos pregarem sobre o julgamento e o inferno sem fazer
referência à Lei?
4. Qual a relação da Lei com o julgamento?
5. De acordo com R. C. Sproul, o que a maioria das pessoas acham da ira de Deus?
6. O que a punição eterna do pecado nos mostra sobre Deus?

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O Pregador
Vivi Duvidosa: Cristão, quero lhe fazer uma pergunta?
Cristão: Pois, não. Qual a pergunta?
Vivi Duvidosa: Admito que já contei lorotas e mentirinhas. Mas, Deus vai me mandar para o
inferno por contar apenas uma mentira?
Cristão: Você está dizendo que seus pecados são “pequeninos” e que, por isso, você acha que eles
não deveriam levá-los ao inferno?

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Vivi Duvidosa: Acho que é isso mesmo.
Cristão: Vamos analisar da seguinte maneira: Quantas mentiras já contou em sua vida: uma, duas
ou mais?
Vivi Duvidosa: Acho que a terceira opção.
Cristão: Então, o que isto torna você?
Vivi Duvidosa: ‘Uma mentirosa’ é que não! Essa palavra seria dura demais.
Cristão: Vivi, você contou muitas mentiras e, mesmo que tivesse sido apenas uma mentira, ainda
assim você seria uma mentirosa.
Vivi Duvidosa: Não vejo assim.
Cristão: Se eu cometer um homicídio, me torno um assassino. Se roubar um banco, me torno um
ladrão de bancos. Se cometer adultério uma única vez, me torno um adúltero. O mesmo vale para
mentiras.
Vivi Duvidosa: É. Faz sentido.
Cristão: Seus pecados podem parecer pequeninos para você, mas para Deus eles são muitos e
muito sérios. Se um juiz, por exemplo, aplicasse uma multa de R$ 5,00, concluiríamos que o crime
do transgressor tinha sido pequeno. A punição reflete o crime. Entretanto, se um juiz condenasse um
criminoso a cinco prisões perpétuas, concluiríamos que o crime havia sido hediondo. A punição de
Deus para o pecado é a condenação eterna no inferno. Isto demonstra como nossos “pecadinhos”
são inenarravelmente sérios à vista de um Deus santo.
Vivi Duvidosa: Certo.
Cristão: Então, você consegue perceber que tem uma multidão de pecados, dos quais está ciente, e
que corre o risco de ser condenada para sempre?
Vivi Duvidosa: Sim. Agora percebo.
Cristão: Vivi, Deus a ama de tal maneira que Se tornou um ser humano em Jesus Cristo para poder
receber o castigo pelos nossos pecados. Se você se arrepender e confiar em Jesus Cristo, por causa
de Sua morte e ressurreição, Deus poderá conceder-lhe a vida eterna.”
Vivi Duvidosa: Será mesmo? O que está dizendo parece bom demais para ser verdade?
Cristão: Se o que acabo de lhe dizer fossem apenas palavras humanas, seria mesmo bom demais
para ser verdade. Contudo, esta é a promessa do Deus Todo-Poderoso a todos aqueles que Lhe
obedecerem.”

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Penas para Flechas


Anos atrás, um anúncio de TV usava a voz grave de um locutor para fazer a seguinte pergunta: “O
que passa pela cabeça de um motorista no momento de uma colisão frontal se ele não estiver usando
o cinto de segurança?” Enquanto falava, o comercial mostrava um boneco sem o cinto de segurança
reagindo em câmara lenta à colisão. Conforme o boneco se movia para frente por causa do impacto,
o volante atravessava o seu crânio. Em seguida, o locutor melancolicamente continuava, dizendo:
“...o volante. Aprendemos muitas coisas com bonecos. Ponha o cinto de segurança!”

Como pôde a censura permitir tal tática que faz uso do medo? Este anúncio pôs bastante temor nos
corações dos motoristas. A razão é clara: o anúncio estava falando a verdade. É mesmo algo

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temeroso estar numa colisão frontal se não estiver usando o cinto de segurança.

O que estamos compartilhando com as pessoas é a verdade do Evangelho. A Bíblia alerta que
“temeroso é cair nas mãos do Deus vivo.” (Hb 10.31) É certo que os pecadores devam temer, pois
correm o risco da condenação eterna. Eles vão colidir de frente com a Lei de Deus. Deixem que
vejam o Dia do Julgamento passar em câmara lenta diante de seus olhos.

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Versículo para Memorização


“Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos,
e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
1 Jo 1.8-9

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Últimas Palavras
Karl Marx, revolucionário, morreu em 1883. Para sua empregada, que insistia que ele lhe dissesse
suas últimas palavras para que as registrasse para a posteridade, ele respondeu:

“Caia fora, ande – este negócio de últimas palavras é para tolos que não
falaram bastante.”

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A realidade do Inferno
“Salvem alguns, ó cristãos! De todas as maneiras [possíveis], salvem alguns.
Das chamas eternas e trevas exteriores, do choro, do pranto e do ranger de dentes,
procurem salvar alguns! Que isso seja, como no caso do apóstolo, seu maior objetivo na vida:
que de alguma maneira possam salvar alguns.”
Charles Spurgeon

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Comentário de Kirk Cameron: O inferno é um lugar onde jamais gostaríamos de ver meus entes
queridos – ou qualquer outra pessoa. Não posso fazê-lo desaparecer, então farei tudo o que eu puder
para conduzir os pecadores ao Salvador, o único que pode evitar que acabem lá.

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Perguntas e Objeções
“Será que você não está enganado em suas alegações
sobre o Dia do Julgamento e o Inferno?”

A existência do inferno e a certeza do julgamento não são alegações de pessoas falíveis. A Bíblia é a
fonte de tal alegação, e ela é absolutamente infalível. Quando alguém se torna cristão, tal pessoa
está admitindo que estava errada, e que Deus é justificado em Suas declarações em relação a nós
termos pecado contra Ele. Entretanto, vamos supor por um momento que não existam o Dia do
Julgamento e nem o inferno. Isso significaria que a Bíblia é uma grande fraude, com a qual mais de
quarenta autores colaboraram (durante um período de 1.500 anos) para produzir um documento que
revela o caráter de Deus como “justo.” Estes homens O retrataram como um justo juiz, que alertou
que um dia iria punir todos os assassinos, estupradores, mentirosos, ladrões, adúlteros, etc. Todos
estes escritores (que professavam ser santos) deram um falso testemunho, transgredindo os mesmos
Mandamentos que alegavam ser verdade. Isso significaria que Jesus Cristo era um mentiroso, e que
todas as alegações que Ele fez sobre a realidade do julgamento eram, portanto, falsas. Também
significaria que Ele entregou Sua vida em vão, como também fizeram milhares de mártires que
deram suas vidas por causa de Cristo. Além disso, se não há justiça suprema, então o Criador de
todas as coisas é injusto – Ele vê assassinatos e estupros e não dá a mínima, o que faz com que Ele
seja pior que um corrupto juiz humano que recusa exercer a justiça e punir os criminosos.

Contudo, eis a boa notícia se não houver inferno: você não saberá de nada após morrer. Será
[simplesmente] o fim. Nada de céu, nem de inferno. Absolutamente nada. Você nem mesmo terá
noção desta boa notícia.

Eis aqui a boa notícia se a Bíblia for verdadeira e [realmente] houver uma justiça eterna: Você se
verá diante do trono de julgamento de um Deus santo. Pense nisto: Um Criador santo e perfeito que
consegue enxergar seus pensamentos e todo pecado secreto que você já cometeu. Você tem uma
multidão de pecados, e Deus deve, por natureza, executar a justiça. Peça-Lhe que o lembre dos
pecados de sua juventude. Peça-Lhe que lhe traga a lembrança seus pecados sexuais ocultos, as
mentiras, a fofoca e outras palavras frívolas. Você pode ter se esquecido de seus pecados passados,
mas Deus não. O inferno será justamente o que você merecerá por isso, e não poderá por a culpa em
ninguém mais além de si mesmo. Quem diz isto é a Bíblia. Acreditando ou não, é a verdade. Isso
[certamente] acontecerá.

Contudo, há boas novas – notícias incrivelmente boas. Merecemos o julgamento, mas Deus nos
oferece a misericórdia através da cruz. Ele pagou nossa multa para que fossemos liberados da
condenação. Ele destruiu o poder da cova para todos que O obedecem. Simplesmente obedeça ao
Evangelho, e viva. Fazendo isso, você descobrirá por si mesmo que o Evangelho é a “verdade.”
Jesus disse que se O obedecer, você conhecerá a verdade e a verdade O libertará (veja Jo 8.31-32).
Ajoelhe-se hoje mesmo, confesse e abandone (vire as costas) aos seus pecados. Diga a Deus que
está verdadeiramente arrependido, em seguida confie no Salvador como confiaria em um pára-
quedas. A partir daí, você se verá em um terrível dilema. Saberá com toda certeza que o inferno é
uma realidade, mas quando criar coragem para alertar as pessoas com quem se importa a respeito,
elas darão um sorriso e passivamente perguntarão: “Será que você não está enganado em suas
alegações sobre o Dia do Julgamento e o Inferno?”

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As pessoas que estão aproveitando os prazeres temporários do pecado procurarão espantar os
pensamentos da eterna justiça de Deus soltando piadas do tipo: “Não me importo de ir para o
inferno. Todos os meus amigos estarão lá.” Obviamente, os que falam tais coisas tão
impertinentemente não acreditam no conceito bíblico de inferno. São como um criminoso “lerdo”
que acha que a cadeira elétrica é algo em que poderá sentar-se, colocar os pés para cima e relaxar.
Seu entendimento da natureza de Deus é errônea, então devemos ser sábios e falar por alguns
momentos sobre o quanto o inferno é algo racional. Explique que a Bíblia nos fala que Deus punirá
os ladrões, mentirosos, adúlteros, fornicadores e blasfemadores. Punirá até mesmo aqueles que
desejaram matar ou violentar alguém sexualmente mas nunca levaram seus planos a cabo. Deus nos
alerta que se odiamos alguém, cometemos assassinato em nossos corações. Se cobiçamos alguém
sexualmente, cometemos adultério no coração, etc. Todos são pecados que nos levarão ao inferno.

C. S. Lewis resumiu todos os terrores do inferno quando disse: “Não existe outra doutrina que eu
retiraria da Bíblia com mais boa vontade do que a doutrina do inferno – se tivesse poder para isso.
Mas, tal doutrina tem o apoio total das Escrituras e, especialmente, das próprias palavras de nosso
Senhor; sempre foi amparada pela Igreja Cristã, e possui todo o apoio da razão.”

Invista tempo para contar as pessoas sobre a realidade do inferno sua descrição bíblica. Alguns
pecadores gostam de “pintar” o inferno como um lugar divertido, hedonista e prazeroso onde
poderão engajar-se em todos os pecados sensuais proibidos aqui. Outros aceitam que o inferno é um
lugar de punição, mas acreditam que tal punição é ser aniquilado – ter sua existência consciente
cessada. Por não poderem conceber que um Deus de amor possa punir as pessoas com tormento
eterno, acreditam que o inferno é apenas uma metáfora para a cova. Se tais pessoas estiverem
certas, então, um homem como Adolf Hitler, responsável pela morte de milhões, está sendo
“punido” meramente com o sono eterno. Seu destino é simplesmente voltar ao estado de
inexistência em que se achava antes de nascer, no qual nem mesmo sabe que está sendo punido.

Se por um lado é verdade que Deus é amor (1 Jo 4.8), por outro, Ele é justo (Ne 9.32-33; 2 Ts 1.6) e
eterno (Sl 90.2; 1Tm 1.17). Portanto, Deus punirá o malfeitor (Is 13.11) e esta punição será eterna.
Ela também será consciente. As Escrituras nos falam sobre o homem rico que se achou no inferno
(Lc 16.19-31). Ele estava consciente e podia sentir dor, sede e experimentar remorso. Ele não estava
simplesmente dormindo na cova; estava em um lugar de “tormento.”

Tendemos a esquecer o que é a dor quando não a temos. Você consegue imaginar como seria estar
em agonia sem esperança ou alívio? Muitos seres humanos ficam loucos em simplesmente serem
isolados das outras pessoas por algum tempo. Imagine como seria terrível se Deus removesse todas
as coisas que tanto valorizamos: amizade, amor, cor, luz, paz, alegria, riso. O inferno não é apenas
um lugar com a ausência das bênçãos de Deus; é punição pelo pecado. É literalmente tormento, para
sempre. É por isso que a vida alerta que é algo terrível cair nas mãos do Deus vivo. O destino dos
descrentes é descrito com palavras tão terríveis como as seguintes:

“Vergonha e desprezo eterno” (Dn 12.2)


“Castigo eterno” (Mt 25.46)
“Choro e ranger de dentes” (Mt 24.51)
“Fogo Inextinguível” (Lc 3.17)
“Indignação e ira, tribulação e angústia” (Rm 2.8-9)
“Separação eterna da presença de Deus” (2Ts 1.9)
“Fogo eterno... o negrume das trevas para sempre” (Jd 7, 13)

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Ap 14.10-11 nos fala do destino final e eterno do pecador: “Será atormentado com fogo e
enxofre... a fumaça de seu tormento subirá para todo o sempre e não terão descanso nem de
dia nem de noite.”

As Escrituras são muito claras: o inferno é um lugar real. Não é simplesmente perda da consciência.
Não é temporal. É tormento eterno. Se o inferno fosse um lugar onde não nos daríamos conta de
nada ou uma simples referência à cova à qual vamos ao morrer, as declarações de Jesus sobre ele
não fariam sentido. Jesus disse que se sua mão, pé ou olho o fizesse pecar, seria melhor arrancá-la
de que “ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga: onde o verme não morre e o fogo não se
extingue” (Mc 9.43-48). Jesus falou mais sobre o inferno do que sobre o céu e passou muito tempo
alertando as pessoas para não irem lá. Assim, é fácil perceber que, se as pessoas simplesmente
parassem de existir, para que precisaríamos alertá- las? Se o inferno fosse temporal, elas sairiam
depois de um tempinho. Mas por ser eterno e consciente, devemos fazer tudo o que pudermos para
alertá-las.

Entretanto, o descrente não verá que o inferno é seu destino eterno a não ser que seja convencido
pela Lei que pecou contra Deus. Ele pode considerar o inferno um lugar apropriado para os outros,
mas não para si mesmo. É por isso que não devemos hesitar em abrir a Lei e mostrar que cada
indivíduo é pessoalmente responsável por seu próprio pecado, e que a ira de Deus habita sobre ele
por causa disso.

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Perguntas
1. Quais seriam as implicações se o inferno não fosse real?
2. Quais são algumas das maneiras que as pessoas “pintam” o inferno?
3. Quais são algumas das maneiras em que a Bíblia descreve o inferno?
4. Por que o conceito da aniquilação vai contra nosso desejo de justiça?
5. O que ajuda a convencer os pecadores da realidade do inferno?

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Palavras de Conforto
Acho que você provavelmente consegue entender como sou cuidadoso a respeito de algo como a
Super-Cola. Uma gota pode imediatamente grudar os dedos, então, com grande cuidado, tentei abrir
o pacote de plástico que continha um tubo de Super-Cola. Parei e pensei: “Não sou burro. Não vou
abri-la e acidentalmente arrancar a parte de cima.” Então, com a habilidade de um neurocirurgião,
cortei o papelão afastando o pacote com uma faca afiada, e cuidadosamente retirei o tubo de cola.
Então, cuidadosamente, retirei a tampinha e gentilmente apertei o tubo, mantendo minha pele
afastada do bico, sabendo que apenas uma gota sobre meus dedos poderia ter a conseqüência de
uma cirurgia para separá-los. Missão cumprida com sucesso. Consegui tirar a parte de cima sem
derramar uma gota sequer sobre meus dedos.

Tive, no entanto, uma sensação esquisita na minha mão esquerda. A afiada faca que havia usado
para cortar o pacote havia penetrado o frágil aço do tubo e as palmas de minhas mãos estavam

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cheias de... Super-Cola!

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Penas para Flechas


Quando o Surf começou, as pranchas eram muito mais longas. Os surfistas se ajoelhavam sobre elas
nesta posição, ao invés de irem deitados. Isto era de grande vantagem quando se passava muito
tempo surfando, pois possibilitava ao surfista ficar de pé e enxergar quando grandes formações de
ondas apareciam no horizonte.

Escutava-se algum surfista gritando: “Lá vem uma grande!” Então, os outros surfistas rapidamente
começavam a remar em direção ao horizonte, pois não queriam ser pegos despreparados e acabar
com a onda quebrando em cima deles.

Se um surfista se visse despreparado em uma situação como a descrita acima, ele tinha duas
escolhas apenas. Ele poderia agarrar-se a sua prancha e permitir que milhares de litros d’água
quebrassem sobre si, ou poderia descer da prancha e lançá-la o mais longe possível, mergulhando,
em seguida, para escapar do poder esmagador da onda. Se escolhesse permanecer sobre a prancha,
ele estaria tomando sua vida em suas próprias mãos. Se a prancha fosse arrancada de suas mãos e
batesse contra sua cabeça, ele poderia se afogar – então, seria prudente lançá-la o mais longe
possível.

Por milhares de anos os profetas têm gritado: “Lá vem uma grande!” A vinda do grande e terrível
dia do Senhor está mais próximo do que jamais cremos. Todas as pessoas têm uma escolha: podem
agarrar-se a seus pecados, ou lançá-los para longe de si e mergulhar bem fundo na misericórdia de
Deus, o que só é possível através de Jesus Cristo. Aqueles que escolhem se agarrar a seus pecados
descobrirão que aquilo que amam se voltará contra eles, se tornarão evidência de sua culpa e, enfim,
sua morte.

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Versículo para Memorização


“Se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só
olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no inferno, onde o seu verme não morre,
e o fogo não se apaga.”
Mc 9.47-48

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Últimas Palavras
Robert Green Ingersoll (1833-1899), famoso advogado americano e proeminente agnóstico,
palestrava sobre os erros e contradições bíblicas. Sua famosa palestra “Os Erros de Moisés” levou
um defensor da Bíblia a dizer que gostaria de ouvir Moisés falar por cinco minutos sobre “Os Erros
de Ingersoll.” De pé, ao lado de sua cova, seu irmão exclamou:

“A vida é um estreito vale entre os estreitos picos de duas eternidades. Lutamos

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em vão enxergar além das alturas. Gritamos alto, e o único eco é o eco de
nossos lamentos.”

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A pecaminosa condição do ser humano


“O evangelista que prega com vistas à eternidade nunca é grande em termos de números.
Ele não consegue contabilizar centenas de convertidos onde não há restituição, confissão
[de pecados] e nem grito de júbilo que proclame: ‘O perdido foi achado. O morto tornou à vida.”
E. M. Bounds

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Comentário de Kirk Cameron: A menos que a pessoa se veja como “não boa” – na verdade, como
imunda e pecadora – ela nunca terá a sede de justiça que está em Cristo. Alguém que se contenta
com seus próprios trapos de imundície não verá o valor infinito das vestes de justiça que Deus o
oferece. Não conseguiremos reconhecer nossa necessidade do Salvador até que nos vejamos como
Deus nos vê, e é somente então que conseguiremos ir a Ele em arrependimento e fé.

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Perguntas e Objeções
“Adão não morreu no dia que Deus disse que morreria!”

Certamente que morreu – espiritualmente. No momento que pecou, ele se tornou “morto em seus
delitos e pecados” (Ef 2.1). Ezequiel 18.4 diz: “A alma que pecar morrerá.” Ian Thomas explicou
isto desta maneira: “Nascemos mortos em nossos delitos e pecados, alienados, cortados, separados
da vida de Deus. No dia que o homem acreditou na mentira do diabo (que é o pecado), ele abriu
mão da vida que o distinguia do reino animal – a vida de Deus. Quando o pecado entrou, a vida
saiu.”

Por nascermos espiritualmente mortos foi que Jesus veio para nos dar a vida espiritual (Jo 5.40;
10.10; 14.6; etc.). Foi por isso que Jesus disse que devemos nascer de novo (Jo 3.3). Quando nos
arrependemos de nossos pecados e colocamos nossa confiança no Salvador, a Bíblia nos diz que
“passamos da morte para a vida” (Jo 5.24; Rm 6.13; 1 Jo 3.14).

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A maioria dos seres humanos acredita que uma certa quantidade de boas obras é suficiente para
ganhar acesso ao céu. Tal crença existe devido a um conceito falho sobre a verdadeira condição do
ser humano. Ajudando as pessoas a entenderem o conceito de “pecado original” as capacita a
enxergar sua necessidade do Salvador.

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Duas coisas se entendem pela expressão “pecado original”: o primeiro pecado de Adão, e a natureza
pecaminosa possuída por cada pessoa a partir de Adão, devido a primeira transgressão de Adão. Tal
natureza pecaminosa se chama “depravação.” A depravação consiste em quatro aspectos, que são
verdadeiros em qualquer indivíduo que nasce:

1. Ele é completamente vazio de justiça: “Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me


concedeu minha mãe.” (Sl 51.5);
2. Ele não possui qualquer afeição santa para com Deus: “Pois trocaram a verdade de Deus
pela mentira, e adoraram e serviram à criatura antes que ao Criador, que é bendito
eternamente.” (Rm 1.25). “Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há
quem busque a Deus.” (Rm 3.10-11). “Pois as pessoas serão amantes de si mesmas,...
amantes dos prazeres mais do que amantes de Deus” (2 Tm 3.2–4);
3. Nada há de fora da pessoa que a contamine; mas as coisas que provêm de seu interior,
essas sim, a contaminam: “Pois é do interior, do coração das pessoas, que procedem os
maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios, a cobiça, as
maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez; todas estas
más coisas procedem de dentro e contaminam as pessoas” (Mc 7.15, 21–23);
4. Ele tem uma tendência contínua em direção ao mal: “E Deus viu que a perversidade das
pessoas era grande na terra, e que cada fantasia dos pensamentos de seu coração era apenas
o mal, continuamente” (Gn 6.5).

Para que o termo “depravação” não seja mal compreendido, é importante que observemos o
seguinte, citado de Lectures in Systematic Theology de Henry C. Thiessen:

“De um ponto de vista negativo, “depravação” não quer dizer que todo pecador é
destituído de todas as qualidades agradáveis às pessoas; que ele comete todas as
formas de pecado; que é tão amargamente contrário a Deus quanto seja possível
ser... Jesus reconheceu a existência de qualidades agradáveis em alguns
indivíduos (Marcos 10:21; Mateus 23:23).

... Do ponto de vista positivo, isso significa que todo pecador é totalmente
destituído daquele amor a Deus que é o fundamental requisito da lei: “Ouve, ó
Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus
de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.” (Dt 6.4-5).
Veja Mt 22.35–38; que ele é supremamente dado a uma preferência a si mesmo
do que a Deus (2Tm 3.2–4); que ele tem uma aversão a Deus que às vezes se
torna uma ativa inimizade a Ele: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade
contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser.” (Rm
8.7); que cada faculdade sua está em desordem e corrupção: “entenebrecidos no
entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela
dureza do seu coração.” (Ef 4.18); que não tem pensamento, sentimento ou
atitude que Deus aprove totalmente: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha
carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o
efetuá-lo não está.” (Rm 7.18); e que entrou num processo de constante
progresso de depravação do qual não consegue de maneira alguma livrar-se com
suas próprias forças.”

O resultado da depravação das pessoas, ou da natureza pecaminosa, é sua espontânea vontade

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contra Deus. Tal atitude somente pode trazer maus resultados. Os terríveis resultados do pecado são
óbvios. Simplesmente não é possível ás pessoas continuarem a pecar sem receber uma colheita de
muitas dores do pior tipo. Paulo declara em Gl 6.8: “Porque quem semeia na sua carne, da carne
ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.” Oséias disse a
respeito de Israel: “Porquanto semeiam o vento, hão de ceifar o turbilhão; não haverá seara, a erva
não dará farinha; se a der, tragá-la-ão os estrangeiros.” (Os 8.7). Também declarou: “Lavrastes a
impiedade, segastes a iniqüidade, e comestes o fruto da mentira” (Os 10.13).

Precisa ser cego para não ver o resultado da pecaminosa depravação nas mentes e corpos da raça
humana nos dias atuais. Superstição, barbaridade e a mais terrível iniqüidade são vistas na terra
onde o evangelho ainda não chegou. Onde a mensagem da salvação do pecado já foi pregada e
rejeitada, a situação é ainda pior. Nos Estados Unidos, provavelmente a mais rica nação Cristã do
mundo, toda instituição de correção, toda prisão para punição, todo sanatório e manicômio estão
abarrotados dos resultados do pecado. Cada policial do país é um tributo silencioso à realidade do
pecado.

Tão devastadora é sua influência sobre a consciência humana que agora o pecado é exaltado de tal
forma na sociedade que já está sendo reconhecido na sociedade como algo que deve ser feito. Um
grande homem certa vez disse: “Nossa melhor defesa contra o pecado é chocar-se com ele”; quando
tal atitude cessa, o pecado completa seu mais nojento objetivo. Paulo, em sua lista de terríveis e
nojentas iniqüidades em Rm 1.24–32, apontou o ponto máximo da horrorosa situação quando disse:
“Os quais, conhecendo bem o decreto de Deus, que declara dignos de morte os que tais coisas
praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que as praticam.” (v. 32). Quando o
pecado perde sua aparência pecaminosa e as pessoas começam a deliciar-se nas mais nojentas
práticas pecaminosas, é porque resta pouca esperança... além da graça de Deus.

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Perguntas
1. Quais os dois significados da expressão “pecado original”?
2. Que termos se usa para definir a natureza pecaminosa?
3. Quais são as quatro maneiras em que os indivíduos são “depravados” ao nascer?
4. Alguns indivíduos alegam que as pessoas são basicamente boas. Como isso se encaixa ao
conceito de depravação?
5. Qual a melhor defesa contra o pecado?
6. Baseado na pergunta acima, como você acha que o Brasil está se saindo?

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Penas para Flechas


Conta-se uma história verídica de um jovem soldado na Guerra Civil. Após uma explosão deixá-lo
seriamente ferido, ele ficou caído no campo de batalha coberto de sangue. Um enfermeiro sentou-se
ao lado do pobre combatente, pressionando o seu polegar contra o pescoço do jovem para parar o
sangramento.

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No ardor da batalha, um médico chegou aos dois homens, examinou o ferimento bem de perto e
disse ao soldado que tinha tido muita sorte. O dano tinha acontecido muito perto de uma artéria
principal que, se tivesse sido atingida, ele teria morrido quase que instantaneamente.

O médico cuidadosamente suturou as pequenas veias que o enfermeiro havia ficado pressionando.
Alguns minutos depois, o médico foi chamado de volta. O aterrorizado enfermeiro pressionava a
artéria principal com seu polegar, quando subitamente estourou. O bom médico explicou que a
partir daquele momento nada mais poderia ser feito pelo combatente, pois, assim que o enfermeiro
retirasse seu polegar, o sangue iria jorrar rapidamente e não haveria maneira alguma de impedi-lo.

Nas três horas seguintes, o jovem e corajoso soldado agradeceu ao enfermeiro pelo que havia feito
por ele, escreveu cartas de adeus aos seus entes queridos, colocou suas questões em ordem e, enfim,
pediu ao enfermeiro que retirasse o polegar. O aterrorizado enfermeiro virou seu rosto do jovem
guerreiro e removeu o polegar – o soldado morreu em questão de minutos.

Quer tenhamos luz suficiente para entender isto ou não, o eterno Deus da criação sustenta nossas
vidas em Suas mãos. Quando a presença protetora de Sua mão é retirada, nós morremos. Nada
somos além de seres humanos mortais, e Nele vivemos, nos movemos e existimos”(At 17.28). Cada
vez que respiramos e cada batida de nossos corações, somente ocorrem porque Ele mantém sua
graciosa mão sobre nossas vidas.

Somente Ele é a origem da vida humana, Aquele que sustenta nossa existência.

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Palavras de Conforto
Minha adorável esposa é, por natureza, muito conservadora. Após uma refeição num shopping, ela
comprou um sorvete, estendeu sua mão para entregá-lo a mim e disse: “Olha para você... meu
homem!” Meu coração parou por um momento. Quase fiquei vermelho quando percebi que tinha
ouvido o que ela havia dito. Na verdade, o que ela disse foi: “Olha para você... tome!” Algo
parecido ocorreu duas semanas mais tarde. Falávamos ao telefone quando ela disse: “Vejo você
amanhã pela manhã... travesso.” Travesso! Uau! Fiquei tão animado que pedi que ela repetisse o
que havia dito. Ela disse: “Vejo você amanhã pela manhã... talvez.”

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Versículo para Memorização


“Como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda;
não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis.
Não há quem faça o bem, não há nem um só.”
Rm 3.10-12

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Últimas Palavras
Andrew Jackson (1767-1845), o sétimo Presidente dos Estados Unidos, amava ler sua Bíblia, e o

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céu sempre foi próximo e querido por ele. Logo antes de morrer, juntou sua família e empregados
em volta de sua cama e disse-lhes:

“Sofri muita dor física, mas meus sofrimentos não são nada se comparados aos
que o nosso bendito Redentor suportou sobre a maldita cruz, para que todos que
Nele puserem sua esperança sejam salvos.”

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Nossa principal tarefa


“Você nada tem a fazer além de salvar almas. Portanto, invista-se e gaste-se nesta obra.
E não vá apenas àqueles que precisam de você, mas àqueles que mais precisam... Não é o seu
negócio pregar tantas vezes, e tomar conta desta ou daquela sociedade; mas salvar tantas almas
quantas puder; levar tantos pecadores ao arrependimento quanto possível.”
John Wesley

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Comentário de Kirk Cameron: Oração e adoração são elementos vitais da vida do Cristão, contudo
se Deus quisesse que gastássemos a maior parte de nosso tempo conversando com Ele, nos levaria
direto para o céu para que pudéssemos fazer isso sem distrações. Jesus veio a este mundo por uma
razão: buscar e salvar os perdidos. Se quisermos viver como Ele viveu, orar como Ele orou e
obedecer a Sua Grande Comissão, então isto é o que devemos fazer: buscar e salvar os perdidos.
Amar e honrar Jesus significa obedecê-Lo, e Ele ordenou que pregássemos o evangelho a toda
criatura, em tempo e fora de tempo. Para os crentes ainda na terra, o evangelismo é nossa primeira
tarefa.

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Perguntas e Objeções
“Você acha que os cristãos são melhores que os não-cristãos?”

O cristão não é em nada melhor que o não-cristão, mas está infinitamente em uma melhor situação.
É como dois homens num avião, um dos quais está usando um pára-quedas e o outro não. Nenhum
é melhor que o outro, mas o homem que está com o pára-quedas está em melhor situação do que o
que não está. A diferença ficará clara quando ambos tiverem que saltar do avião a 20.000 pés de
altura. Jesus disse que se saltássemos para a morte sem Ele, pereceríamos.

Ainda mais dura que a lei da gravidade é a Lei de um Criador infinitamente santo e justo. As
Escrituras declaram que os pecadores são inimigos de Deus (Rm 5.10) e que “é algo terrível cair nas
mãos do Deus vivo” (Hb 1031).

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Um faroleiro ganhou uma reputação de ser um homem muito bondoso. Ele dava combustível
gratuitamente aos navios que erravam no cálculo da quantidade de combustível que precisavam
para alcançar seus portos de destino. Uma noite durante um temporal, um raio atingiu o seu farol e
apagou a luz. Ele imediatamente ligou o gerador que logo ficou sem combustível – e ele havia
doado suas reservas aos navios que passavam. Na escuridão da noite, um navio colidiu contra as
rochas e muitas vidas foram perdidas.

No julgamento do faroleiro, o juiz, que sabia de sua reputação, chorou a aplicar a sentença.
Condenou o faroleiro por negligenciar sua primeira responsabilidade: manter o farol aceso.
A igreja pode freqüentemente engajar-se em atos legítimos de bondade, como se posicionar pela
integridade política, alimentar os famintos, etc. – mas nossa primeira tarefa é alertar os pecadores
do perigo. Devemos manter a luz do evangelho acesa para que os pecadores possam evitar as
afiadas rochas da ira e escapar de ser condenados eternamente.

Imagine-se vendo um grupo de bombeiros dando polimento no carro de bombeiros do lado de fora
de um prédio em chamas enquanto pessoas permaneciam presas no último andar. Obviamente, nada
há de errado em limpar o carro – mas não enquanto pessoas estão presas num prédio em chamas!
Ao invés de ignorar seus gritos, os bombeiros deveriam ter um alarmante senso de urgência em
resgatá-los. Este é o espírito que deveria estar por trás da tarefa de evangelismo. Contudo, de acordo
com Bill Bright da Campus Crusade for Christ: “Somente dois por cento dos crentes da América
compartilham de sua fé em Cristo regularmente.” Isso significa que 98% dos que se professam parte
do Corpo de Cristo são “mornos” no tocante a obedecer a Grande Comissão.

Oswald J. Smith disse: “Ah! Meus amigos, estamos sobrecarregados com incontáveis atividades na
igreja, enquanto a verdadeira obra da Igreja, que é evangelizar e ganhar os perdidos, é quase que
completamente negligenciada.” Temos polido as máquinas do louvor, oração e adoração, mas
negligenciado a sóbria tarefa nos dada por Deus. Um bombeiro que ignore suas responsabilidades e
permita que as pessoas pereçam nas chamas [na verdade] não é um bombeiro. É um impostor.
Como poderíamos ignorar nossa responsabilidade e permitir que o mundo caminhe cegamente para
as chamas do inferno? Se o amor de Deus habita em nós, devemos alertar os perdidos. A Bíblia nos
diz: “Apiedai-vos... salvai-os com temor, resgatando-os do fogo; abominando até a túnica
manchada pela carne.” (Jd 22-23). Se não temos amor e compaixão é porque não conhecemos a
Deus – somos impostores (veja 1Jo 4.8). Charles Spurgeon disse: “Você não possui desejo algum
para que os outros sejam salvos? Então, você mesmo não é salvo. Tenha certeza disso.” Cada um de
nós deveria examinar-se à luz de tão alarmantes pensamentos (2 Co 13.5) para que não sejamos
parte da grande multidão que chamou Jesus de “Senhor”, mas recusou obedecê-Lo. Muitos crentes
professos ouvirão as terríveis palavras: “Nunca vos conheci: apartai-vos de mim” (Mateus 7:21-23).

Um popular episódio do “Andy Griffith Show” se chama “Man in a Hurry” (algo como Homem
com Pressa). Conta a história de um homem de negócios que vive correndo pela cidade de
Mayberry. Ele é estressado e inquieto, e acha a vida descansada das pessoas locais extremamente
frustrantes. Entretanto, com o tempo começa a apreciar o estilo de vida sossegado. Apesar desta ser
uma maravilhosa lição sobre não levar uma vida corrida, o “homem com pressa” deveria ser o
herói do Cristão. Estamos com pressa. Devemos trabalhar enquanto ainda é dia com um senso de
extrema urgência. Devemos pregar a Palavra em tempo e fora de tempo, sempre abundando na obra
do Senhor.

Coloque as seguintes palavras de Billy Sunday no coração: “Creio que a falta de obra pessoal é

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uma das falhas da Igreja atual. As pessoas da Igreja são como esquilos numa gaiola. Muita atividade
sem nada alcançar. Não é necessária uma vida Cristã para vender sopa de ostra ou promover um
bazar ou um brechó. Muitas igrejas não têm podido contar com muitos novos membros em sua
confissão de fé. Por que estes escassos resultados mesmo com tamanho investimento de energia e
dinheiro? Por que tão poucas pessoas adentrando o reino? Responderei – definitivamente não tem
havido esforço para definitivamente persuadir uma pessoa a definitivamente receber um salvador
em um tempo definido, e este tempo definido é agora.”

Que Deus nos renove o senso de urgência e nos conceda tamanho amor pelos pecadores que
sejamos convencidos por nossa consciência caso passemos por qualquer pessoa sem uma profunda
preocupação por sua salvação. Que Deus também trabalhe em nossos corações de maneira que
nossas orações sejam permeadas por um clamor por obreiros, para que este mundo seja alcançado
com a mensagem da eterna salvação.

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Perguntas
1. Qual foi o crime do faroleiro?
2. A atitude do juiz em puni-lo foi correta? Porquê?
3. Qual a primeira responsabilidade da Igreja?
4. O que disse Oswald J. Smith sobre nossas erradas prioridades?
5. Em que tarefas sua igreja está envolvida, enquanto negligencia o evangelismo?
6. O que está por trás do fato de não termos preocupação com os perdidos?

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Penas para Flechas


Uma história verídica sobre um milionário que mandou pintar um retrato de seu amado filho antes
de ele ir à guerra. O jovem foi tragicamente morto em ação e, pouco tempo depois, seu milionário
pai morreu de angústia. Seu testamento declarava que todas as suas riquezas deveriam ser leiloadas
e que a pintura deveria ser a primeira a ser vendida.

Muitos apareceram no leilão, onde as riquezas do falecido milionário foram apresentadas. Quando a
pintura foi apresentada à venda, nenhum lance foi dado. Era uma pintura desconhecida feita por um
desconhecido pintor retratando o desconhecido filho do milionário. Então, infelizmente, não houve
interesse. Depois de alguns momentos, um mordomo que trabalhava para o milionário, lembrou-se
o quanto seu ex-patrão estimava seu filho e, fazendo um lance, adquiriu o retrato por um baixíssimo
preço.

Repentinamente, para surpresa geral, o leiloeiro bateu o seu martelo e deu o leilão por encerrado. O
testamento especificava que a pessoa que se importasse o suficiente para comprar a pintura se seu
querido filho deveria receber todas as riquezas de seu testamento.

Isto é precisamente o que Deus fez por nós através do evangelho. Aquele que aceitar o amado Filho
de Deus também recebe todas as riquezas de Seu testamento – o dom da vida eterna e “as delícias

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perpetuamente” (Sl 16.1). Tornam-se “co-herdeiros” com o Filho (Rm 8.16-17).

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Versículo para Memorização


“Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta,
com toda longanimidade e ensino.”
2Tm 4.2

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Últimas Palavras
Henry Wadsworth Longfellow (1807–1882), é o mais famoso dos poetas puritanos. Tendo a
perspectiva da vida tanto aqui como no porvir, Longfellow nos deixou este testemunho da
continuidade da vida alem da cova:

“Não há morte; o que assim parece é simplesmente uma transição.”

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O medo do homem
“Temos tão grande medo do homem por termos tão pequeno temor a Deus. Um causa o outro.
Quando o terror do homem assustá-lo, direcione seus pensamentos à ira de Deus.”
William Gurnall

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Comentário de Kirk Cameron: Se é como eu, você se importa com o que os outros pensam a
seu respeito, e a última coisa que quer que aconteça é que as pessoas o achem doido. Se por um lado
é bom preservar nossa reputação de integridade, por outro é bom lembrarmos que “o medo do
homem” vem de Satanás, e constantemente tentará desencorajá-lo e destruir seu entusiasmo para
falar com as pessoas sobre Jesus Cristo.

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Perguntas e Objeções
“O cristianismo é entediante.”

Então, é porque você não o experimentou ainda. Nenhum Cristão jamais dirá que o Cristianismo é

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chato; [ao, contrário,] é uma aventura. Há milhões de pessoas que se divertem muito sendo Cristãos.
O que você acha que fazemos o dia inteiro? Acha que vivemos sentados o dia inteiro lendo nossas
Bíblias? Na verdade, esquiamos, nadamos, praticamos esportes, lemos e passamos o tempo com os
amigos como ninguém. A diferença é apenas que fazemos isso sem pecado e, portanto, com menos
problemas. Talvez seja por ter tantos problemas que você não se sinta entediado.”

Alguém certa vez disse: “Guarde seus medos para só si. Compartilhe sua coragem com todos.”
Mesmo sendo verdade em termos de medos específicos, é um consolo saber que os heróis fazem
seus atos heróicos apesar de seus medos. Coragem não é a não ter medo, mas conseguir vencê-lo.
Se um herói não tivesse um medo a vencer, então, seu ato de coragem não seria verdadeiramente
um ato de coragem.

É consolador sabermos que quase todo Cristão tem uma batalha contra o “medo do homem” no que
diz respeito a alcançar os perdidos. Veja os medos do apóstolo Paulo (1Co 2.1-4). Ele afirmou que
quando foi ministrar o evangelho aos Coríntios, não o fez com “ostentação de linguagem ou de
sabedoria.” Declarou ainda que estivera em “fraqueza” (não se fiava em sua própria força ou
habilidade) e “medo” (em Grego, phobos, “sensação causada por susto”), o que resultou em “muito
tremor” (convicção de sua suficiência). Paulo lutava contra o medo do homem. Há certas chaves
que nos podem ajudar a colocar o medo em perspectiva. Uma delas é meditar naquilo que Deus não
nos pede para fazer. Eis um cenário: Você está na frente de um shopping e vê um homem sozinho e
sente uma forte convicção de que Deus quer que lhe dê um panfleto evangelístico. Seu coração
começa a bater forte. Pensamentos inundam sua mente: E se ele ficar com raiva? Ele vai pensar que
sou um fanático religioso que está tentando empurrar-lhe uma religião garganta abaixo. Eis o que
dizer a si mesmo para facilitar a tarefa. Deus não está lhe pedindo que suba num caixão de sabão e
que pregue para uma multidão. O Senhor não está lhe pedindo que faça isso num país onde possa
acabar na cadeia por distribuir literatura Cristã. Tudo o Deus está lhe pedindo é que entregue um
panfleto a um homem.

Quando a Marinha Americana treina pilotos de resgate, eles colocam tanta pressão psicológica em
cima dos recrutas que a metade deles desiste. A Marinha quer os melhores e, por isso, aqueles que
se alistam são levados aos limites de sua resistência como, por exemplo, serem lançados de
helicópteros em água gelada. Na água, outro soldado simula um afogamento e, quando aquele que
saltou para resgatá-lo o alcança, ele deliberadamente entra em pânico, agarra-o e o puxa para baixo.
O soldado em treinamento deve dominar a situação ou é desqualificado do curso. Ele precisa ter o
controle não apenas das circunstâncias, mas também de todos os seus medos.

Se quisermos resgatar a humanidade do fogo do inferno, devemos tomar o controle de nossos


próprios medos e rejeitar os temores que o inimigo sopra em nossos corações. Não deixe mais as
mentiras do inimigo penetrarem em sua mente. Lembre-se do comando: “Não temas, porque eu sou
contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a
destra da minha justiça” (Is 41.10).

Estar atemorizado ou desencorajado é desonrar a Deus. Já que Ele sempre está conosco, jamais
devemos perder a coragem. Lembre que Satanás é apenas uma criatura do Deus Todo-Poderoso.
Uma pulga cega, anêmica, bamba das pernas e de muletas teria uma chance maior de derrotar uma
manada de mil elefantes selvagens e desgovernados do que o inimigo tem de derrotar a Deus!

O Livro de Apocalipse diz a respeito de Jesus glorificado: “Da sua boca saía uma aguda espada de
dois gumes” (1.16). Soldado de Cristo, jogue fora sua bainha; ela não faz parte de sua armadura.
Sua espada, a Palavra de Deus, deve sempre estar pronta.

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Há poder na Palavra de Deus. Quando a luz do Mundo é falada, a escuridão do inimigo deve
desaparecer. Habitue-se a citar a Palavra de Deus quando o medo vier: “Aquele que habita no
esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu refúgio
e fortaleza, meu Deus; e Nele confiarei” (Sl 91.1-2).

Não devemos temer às pessoas, mas a Deus – aquele que tem poder para lançar no inferno (Lc
12.5). Talvez, isso o ajude a livrar-se do medo das pessoas e substituí-lo pelo temor a Deus: Ele
executa os covardes, desertores e traidores (veja Hb 10.26-27; Ap 21.8). Seu exército é para homens
e mulheres de fé. O combustível de nossa coragem é a nossa fé em Deus. Se não temos coragem, é
porque nos falta fé. Se nos falta fé, insultamos a integridade do Deus Todo-Poderoso.

Muitos anos atrás em uma igreja em Minneapolis, o pastor de evangelismo pegou o microfone. Ele
era um ex-policial e a emoção ficou evidente em sua voz quando falou de uma vítima de acidente
que segurou em seus braços certa vez. O homem, criticamente ferido, debateu-se por uns instantes,
suspirou profundamente e passou à eternidade. A voz do pastor encheu-se de emoção porque sua
própria igreja tinha mais de mil membros, mas apenas cinco freqüentavam sua aula de evangelismo.

Ficou óbvio que o foco da atividade do exército estava em todos os alojamentos do quartel, menos
no de evangelismo. Ele implorou: “O que há de errado com vocês? Não se importam que as pessoas
estejam indo para o inferno? Posso ensiná-los a livrar-se de seu medo...” E ele não estava se
gabando ao dizer isto. As portas da prisão do medo podem ser abertas com chaves muito simples:
conhecimento da vontade de Deus, prioridades ordenadas, amor que não é passivo, gratidão pela
cruz e o uso da Lei antes da graça – para citar algumas.

O que há de errado conosco? Como podemos não nos importar que os pecadores estejam sendo
engolidos pela morte? Porque nos preocupamos com nossos medos quando as pessoas estão indo
para o inferno? Devemos lamentar se nossos olhos estiverem secos quando orarmos pelos perdidos
ou quando falamos com eles.

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Perguntas
1. Como Paulo descreveu seus sentimentos ao evangelizar?
2. Será que algo de positivo pode vir do medo de alcançar os perdidos?
3. Como podemos colocar os nossos medos em perspectiva?
4. Qual a lição que a Marinha dos Estados Unidos quer que seus recrutas aprendam?
5. Por que devemos citar a Palavra de Deus face ao medo?
6. De acordo com William Gurnall, por que experimentamos o medo e como devemos vencê-
lo?

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Penas para Flechas


O Sr. Thorpe era membro do clube dos ‘infiéis’. Um seus divertimentos era fazer imitações de

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cultos religiosos, exibindo imitações de pregadores famosos. Thorpe, certa vez, foi ouvir uma
pregação de George Whitefield com o intuito de, em seguida, fazer chacota dele diante de seus
colegas. Ouviu Whitefield tão cuidadosamente que aprendeu a fazer até os tons de voz e os trejeitos
e, até mesmo, aprendeu algumas das doutrinas pregadas.

Quando o clube reuniu-se para ver sua imitação de Whitefield, Thorpe abriu a Bíblia para pregar um
texto à maneira de Whitefield. Seus olhos bateram nesta passagem: “Exceto se vos arrependeres,
vós também perecerás” (Lc 13.3). Ao proferir estas palavras ele ficou passado, o pensamento de
chacota sumiu de sua mente, falou com tanta honestidade e tornou-se o meio de sua própria
conversão! Ele foi tomado pela força da verdade além de sua intenção, como alguém que brinca
num rio, e é levado por sua correnteza.

“Mesmo o escarnecedor pode ser alcançado pelas flechas da verdade! As Escrituras tem com
freqüência sido a única coisa que o seu Autor divino usa para converter a alma.” Retirado do sermão
número 950 de Charles Spurgeon, “Meios para Restaurar os Banidos.”

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Palavras de Conforto
Tenho jeito com crianças. Ficou óbvio quando um menino de oito anos filho de um casal veio para
o meu lado. O garotinho me chamava de “Tio Ray” e era extremamente maduro para oito anos. Já
havia me hospedado na casa deste casal de amigos diversas vezes ao viajar para sua cidade e, assim,
me sentia na liberdade de partilhar meu conhecimento com ele. Ele estava comendo um ovo cozido.
Enquanto seus pais observavam, coloquei minhas mãos em seu ombro e disse com amor: “Jeremy,
você sabia que o que mais mata por sufocamento nos Estados Unidos são ovos cozidos? Então,
cuidado quando estiver comendo um. Vá comendo aos pedacinhos.” Nisso, saí satisfeito por ter
dado um pouco da minha sabedoria à criança.

Trinta segundos depois, ouvi uma confusão e voltei à cozinha. Meu estúpido conselho tinha
assustado o menino de tal forma que ele ficou histérico e vomitou ovo por todo o chão da cozinha.

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Versículo para Memorização


“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus;
eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.”
Is 41.10

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Últimas Palavras
David Hume (1711–1776), filósofo e historiador Escocês, informado por seu médico que estava um
pouco melhor, disse:

“Doutor, creio que o senhor não me contaria nada que não fosse verdade, então,
seria melhor que dissesse que estou morrendo tão rápido quanto meus inimigos

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poderiam querer – caso algum inimigo eu tivesse – e tão confortável e
alegremente quanto meus melhores amigos pudessem desejar.”

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A capacitação do Espírito Santo


“Não precisamos ser perfeitos para compartilhar do amor de Cristo com alguém.
Mas é indispensável estarmos buscando um relacionamento correto com Deus.
Se não estivermos, nosso evangelismo será ineficaz.”
Scott Hinkle

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Comentário de Kirk Cameron: Onde está a fonte de poder, ousadia e coragem para testemunhar
que encheu Pedro, Paulo e a igreja primitiva? Eu mesmo apenas toquei em um pedacinho do poder
do Espírito Santo que anseia por encher o crente de maneira transbordante.

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Perguntas e Objeções
“Deus me fez assim. O pecado é culpa Dele!”

Se isso não funciona numa corte civil, certamente não funcionará no Dia do Julgamento. Mesmo
com o mais especializado dos advogados de defesa, seria preciso um juiz muito despreparado para
cair na velha desculpa de que “Deus me fez fazer isso.” Somos agentes morais responsáveis. Foi da
mesma maneira com Adão: ele tentou culpar tanto a Deus quanto Eva por seu pecado; Eva pôs a
culpa na serpente. Faz parte da natureza humana arranjar desculpas, mas isso não funciona com
Deus.

Jesus disse aos discípulos que quando o Espírito Santo viesse sobre eles, receberiam “poder” e o
resultado seria que seriam Suas testemunhas. Estas são Suas palavras:

Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis


testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os
confins da terra. (At 1.8)

Note que não foi-lhes dito que seriam Testemunhas de Jeová. Se recebermos o Espírito Santo,
seremos testemunhas de Jesus Cristo. Falamos Dele, pensamos Nele, O amamos e queremos
obedecer Suas palavras porque Ele é o nosso Senhor. Jesus disse aos Seus discípulos que o Espírito
Santo falaria Dele:

Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o

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Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim (Jo 15.26).

Portanto, alguém que recebeu o Espírito Santo deve ser uma pessoa “cristocêntrica.” Na verdade, a
Bíblia traz um sóbrio alerta se não o formos: “Se alguém não ama ao Senhor, seja anátema
(amaldiçoado)! Maranata” (1Co 16.22).

Depois que Jesus voltou ao céu, Ele enviou o Espírito Santo para habitar os crentes, exatamente
como havia prometido que faria. Deus manteve Sua promessa de resgatar a humanidade da morte –
O Pentecostes foi o derramar da vida do Espírito sobre a humanidade. O Messias havia sofrido e
morrido, e seu corpo colocado no sepulcro. Três dias depois, na frieza mortal da escura cova, um
delicado som se ouviu. Era o som das batidas de um coração humano dentro do frio cadáver de
Jesus de Nazaré. Este delicado som trouxe conseqüências que ressoaram como um trovão em todo o
universo. O Pai havia aceito o sacrifício do Filho. A morte havia perdido o seu aguilhão! Jesus
Cristo saiu do sepulcro com as chaves da morte e do inferno. Todo o necessário para que os
discípulos levassem a mensagem da vida eterna àqueles à sombra da morte.

Entretanto, havia um problema. Os discípulos escolhidos estavam gelados de medo. Apesar de três
anos de treinamento intenso, eles fugiram face ao perigo. Haviam recebido as chaves do reino, mas
se escondiam atrás de portas trancadas. Precisavam do poder do céu.

Quando o Espírito Santo foi derramado em Pentecostes (veja Atos 2), o resultado imediato foi que
os amedrontados discípulos tornaram-se destemidos. Foram capacitados para serem testemunhas.
Eles não permaneceram em casa em adoração. Muito menos tiveram um tempo de comunhão ou
estenderam um tapete na entrada e convidaram os perdidos a entraram. Eles foram. O combustível
estava no tanque, a faísca havia acendido a chama, o poder estava lá, então eles colocaram o pé na
estrada e foram na direção dos perdidos. Tiago 3.6 nos diz que a língua é inflamada pelo inferno.
Em Pentecostes, Deus nos deu uma nova língua – inflamada pelo céu.

É evidente no Cristianismo contemporâneo que muitos que professam possuir o poder do Espírito
Santo não tiveram a mesma experiência que os discípulos. Eles sacolejam e tremem, vibram e
rolam... mas, lá dentro, continuam a se esconder-se. Conforme Bill Bright descobriu, apenas três
por cento dos crentes na América compartilham a sua fé em Cristo regularmente. Como pode então
alguém que alega possuir o poder para testemunhar não ser uma testemunha de Cristo?

Se você é Cristão, você tem o Espírito Santo habitando dentro de você, mas, você é cheio do
Espírito? Cheio de maneira transbordante? Será que você é como os fervorosos discípulos após
aquele dia? Você tem alertado os pecadores sobre a ira vindoura, que será a única coisa que
importará no Dia do Julgamento? Zelo evangelístico é evidência da presença e poder do Espírito
Santo. Se o temor for algo prevalente quando se trata de compartilhar sua fé, então, talvez, você
precise ser preenchido pelo Espírito Santo, algo que eu e você somos ordenados a ser (veja Ef 5.18).

Como se faz isso? Para poder ser preenchido pelo Espírito Santo de Deus, você precisa esvaziar-se
de si mesmo. Diz-se que nós não precisamos de mais do Espírito Santo, mas que Ele precisa de
mais de nós. Ajoelhe-se em um lugar tranqüilo e convide o Espírito a revelar-lhe seus pecados
escondidos. Confesse cada pecado revelado e submeta todo o seu ser – sua mente, emoções e
vontade – a Deus. Dê-lhe o controle completo de sua vida diária. Busque a Sua face, até estar tão
cheio do Espírito Santo que o seu amor por Jesus vai transbordar aos outros enquanto você vai pelo
mundo com o Evangelho da salvação.

Deixe estas palavras de Bill Bright encorajá-lo a ser uma testemunha ousada e obediente para

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Cristo:

Quando você representa o Senhor Jesus Cristo como Seu discípulo, pode estar
certo que está representando Aquele que possui todo o poder, sabedoria e
autoridade. Temos tudo quando temos a Ele. Jesus disse: “Em verdade vos digo,
quem quer que tenha fé em mim fará o que eu faço. E mais, fará coisas ainda
maiores que estas, pois eu vou ao Pai” (Jo 14.12). Você tem a promessa: “Aquele
que está em vós é maior do que o está no mundo” (1Jo 4.4). E tenha certeza que
nem mesmo os portões do inferno prevalecerão contra você (Mt 16.18).

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Perguntas
1. Por que Deus deu o Espírito Santo à Igreja?
2. O que os discípulos fizeram quando receberam o Espírito?
3. O que Bill Bright disse sobre a igreja contemporânea?
4. Em sua opinião, por que tantos não compartilham sua fé?
5. Como você pode ser cheio do Espírito?

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Penas para Flechas


No épico Ben-Hur, Judah era um escravo em uma galéia. Ele havia sido injustamente condenado e
mandado à morte como escravo de Roma. Entretanto, por seu rosto lembrar ao comandante de seu
filho que havia sido morto em combate, o comandante teve pena dele.

Antes de se prepararem para uma batalha, o comandante deu instruções de não prender o tornozelo
de Ben-Hur com as correntes. A prática de prender os escravos ao navio assegurava que haveria um
compromisso em remar durante a batalha, pois se o navio afundasse, todos afundariam com ele.

Durante a terrível batalha, o barco foi danificado e começou a naufragar. Os escravos gritavam em
pânico e tentavam arrancar as correntes de seus tornozelos, rasgando suas próprias carnes.

Ben-Hur era o único escravo desacorrentado e que podia deixar a embarcação. Entretanto, ao invés
de salvar-se sozinho, ele subjugou o guarda que tinha posse das chaves e libertou os condenados e
pobres prisioneiros.

Houve apenas Um livre das correntes do pecado e da morte – Jesus. Mas, ao invés de salvar-se
sozinho, ele foi até aquele que tinha posse das chaves e disse: “Sou aquele que vive e estava morto;
e, contemplai, vivo para sempre, Amém; e tenho as chaves do inferno e da morte” (Ap 1.18).

Através de Sua morte e ressurreição, Ele retirou as correntes do pecado e da morte da raça humana.
Agora, tudo o que precisamos fazer é dizer aos perdidos que se levantem e salvem do navio que
naufraga.

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Versículo para Memorização
“Mas o Ajudador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome,
esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.”
Jo 14.26

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Últimas Palavras
Sir Walter Raleigh (1552–1618), condenado à morte por Tiago I, disse ao carrasco:

“Mostre-me o machado. Mostre-me o machado. Isso não me dá medo. Não


passa de um afiado remédio para curar-me de todas as enfermidades.”

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Como chamar a atenção do mundo


“Certamente Deus não teria criado um ser como o homem, com a habilidade de vislumbrar o
infinito, para existir apenas por um dia. Não, não, o homem foi feito para a imortalidade.”
Abraham Lincoln

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Comentário de Kirk Cameron: Esta lição irá ensiná-lo uma excelente maneira de apelar a alguém
que pareça não estar interessado no cristianismo ou em Deus. Todas as pessoas partilham certos
pensamentos e reações – e possuem até o mesmo medo.

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Perguntas e Objeções
“Eu vou querer me arriscar!”

Arriscar? Arriscar o que? A sua eternidade? A eternidade é um tempo longo demais para nos darmos
ao luxo de estarmos errados. Por que você iria querer arriscar algo tão importante quanto o seu
destino eterno. Leva apenas um instante para confiar sua salvação a Jesus, mas haverá toda uma
eternidade de dor e remorso se você não o fizer.

Você não se arrisca com armas de fogo, se arrisca? Muito menos se arrisca a cruzar o sinal
vermelho, não é? Por que então você se arriscaria em relação a algo tão mais importante que essas

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coisas? Não se arrisque em relação a algo eterno. Não vale a pena.

Jesus disse que Ele era o único caminho para Deus. Ele perdoou pecados, andou sobre as águas,
acalmou a tempestade com um comando, ressuscitou pessoas dentre os mortos e ressuscitou a si
mesmo. Ninguém mais em toda a história jamais fez isto. Se Ele pode fazer tudo isto, você não acha
que deveria dar-Lhe ouvidos?

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Você alguma vez já pensou que “deve haver uma chave para alcançar os perdidos”? E há mesmo – e
ela está enferrujada por falta de uso. A Bíblia na verdade a chama de “a chave”, e seu propósito é
nos levar a Cristo e destrancar a Porta do Salvador (Jo 10.9). Ela não somente é bíblica, mas foi
usada através de toda a história para abrir as portas do avivamento. A maior parte da igreja atual
nem mesmo sabe que ela existe. O problema é que ela foi perdida perto da virada do século XX. É
muito comum que chaves se percam.

Jesus usou esta chave. Paulo (Rm 3.19-20) e Tiago também (Tg 2.10). Estevão a usava quando
pregava (At 7.53). Pedro a descobriu quando usou-a para abrir a porta da libertação de 3000 almas
aprisionadas no Dia de Pentecoste. Jesus disse que os doutores da lei haviam “tirado” a chave e
recusado usá-la para deixar o povo entrar no reino de Deus (Lc 11.52). Os fariseus, por sua vez, não
a retiraram; ao invés disso, eles a entortaram para que ela não fizesse o seu trabalho (Mc 7.8). Jesus
a devolveu à sua forma original, exatamente como as Escrituras haviam profetizado que Ele o faria
(Is 42.21). Satanás tem semeado o preconceito contra esta chave no meio da igreja. Ele a tem
difamado, distorcido e, certamente, escondido – ele odeia tal chave pelo que ela faz. Talvez você
esteja querendo saber que chave é esta. Logo saberá. Contudo é necessário que você coloque de
lado suas tradições e preconceitos e observe o que a Palavra de Deus diz a esse respeito.

Em Atos 28.23, a Bíblia nos conta que Paulo procurou persuadir seus ouvintes “a respeito de Jesus,
tanto pela lei de Moisés como pelos profetas.” Eis aqui dois meios efetivos de persuadir os
descrentes “a respeito de Jesus.”

Primeiro, verifiquemos como os profetas podem ajudar a persuadir os pecadores a respeito de Jesus.
As profecias cumpridas provam a inspiração das Escrituras. As previsões dos profetas se constituem
em um poderoso argumento da inspiração da Bíblia. Qualquer cético que ler as palavras proféticas
de Isaías, Ezequiel, Joel, etc., ou as palavras de Jesus em Mateus 24, não terão outra alternativa a
não ser admitir que este não é um livro comum.

A outra maneira pela qual Paulo persuadiu os pecadores a respeito de Jesus foi “pela lei de Moisés.”
A Bíblia nos conta que a Lei de Moisés é “boa se for usada como se deve (1Tm 1.8). Para que
propósito foi a Lei de Deus escrita? Os seguintes versículos nos informam: “A Lei não é feita para
as pessoas corretas, mas... para pecadores” (1Tm 1.9-10). Ela até mesmo nos dá uma lista dos
pecadores: os desobedientes, irreverentes, assassinos, fornicadores, homossexuais, seqüestradores,
mentirosos, etc. A Lei foi escrita primeiramente como uma ferramenta evangelística. Paulo escreveu
que ele “não conheceu o que era o pecado, senão pela lei” (Rm 7.7). A Lei de Deus (os Dez
Mandamentos) é evidentemente a “chave do conhecimento” que Jesus mencionou em Lc 11.52. Ele
estava falando para doutores da lei – aqueles que deveriam estar ensinando a Lei de Deus para que
os pecadores recebessem o “conhecimento do pecado”, e então reconhecessem sua necessidade do
Salvador.

As profecias falam ao intelecto, enquanto a Lei fala à consciência. Um produz fé na Palavra de

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Deus; o outro traz conhecimento do pecado no coração do pecador. A Lei é a “chave” dada por
Deus para destrancar a Porta da salvação.

A Bíblia fala no Salmo 19.7, “A lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” As Escrituras
deixam bem claro que é a Lei que, na verdade, converte a alma. Para ilustrar a função da Lei de
Deus, vamos analisar por um instante um exemplo baseado na lei civil. Imagine que eu dissesse a
você: “Eu tenho boas notícias para você: alguém acaba de pagar uma multa por excesso de
velocidade no valor de R$ 60.000,00 para você.” Provavelmente, você reagiria dizendo: “Como é?
Essas não são boas noticias – não faz sentido. Eu não tenho uma multa de R$ 60.000,00.” Minhas
boas notícias não seriam boas notícias para você, elas pareceriam uma tolice. Mas, além disso, tal
atitude da minha parte seria ofensiva para você, pois estaria insinuando que você quebrou a lei,
sendo que você não acha que a tenha quebrado.

Entretanto, se eu colocar a situação da seguinte maneira, ela fará mais sentido: “Enquanto você
estava dirigindo hoje, o radar da polícia marcou você passando a 120 por hora em uma área
reservada para a convenção das crianças cegas. Havia dez claras placas informando que a
velocidade máxima era de 40 quilômetros por hora. O que você fez foi extremamente perigoso e,
portanto, a aplicação da multa no valor de R$ 60.000,00. O juiz estava para emitir o mandato de sua
prisão quando alguém que você nem mesmo conhece apresentou-se e pagou a multa por você. Você
é muito afortunado!”

Veja que ao informar precisamente o que você fez de errado primeiro faz com que as boas notícias
façam sentido. Se eu não conduzir a pessoa à compreensão da violação da lei, então as boas notícias
parecerão tolice e um insulto, ao passo que, quando o indivíduo compreende que quebrou a lei, as
boas notícias passam a se tornar, de fato, BOAS notícias.

Da mesma forma, se abordarmos um pecador impenitente e dissermos: “Jesus Cristo morreu na cruz
por seus pecados”, isso parecerá tolice e uma ofensa para a pessoa. Tolice porque não fará sentido.
A Bíblia alerta que “a palavra da cruz é tolice para aqueles que perecem” ( 1Co 1.18). E será uma
ofensa porque estaríamos insinuando que ela é uma pecadora quando acha que não é, pois, pelo que
a pessoa saiba, há muitas pessoas que são muito piores do que ela. Mas, se nós seguirmos os passos
de Jesus, a mensagem fará mais sentido. Se abrirmos a Lei divina, os Dez Mandamentos, e
mostrarmos ao pecador precisamente o que ele tem feito de errado – que ele tem ofendido a Deus,
violando Sua Lei – e quando ele for “condenado pela lei com transgressor” (Tg 2.9), as boas novas
da multa sendo paga por ele não mais serão uma tolice. Muito menos serão uma ofensa. Serão “o
poder de Deus para a salvação” (Rm 1.16) .

Com isso em mente, analisemos algumas das funções da Lei de Deus para a humanidade. Rm 3.19
diz: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e
todo o mundo seja culpável perante Deus.”

Em Rm 3.20, lemos: “visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de
que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado.” Em Gl 3.24, aprendemos que a Lei de Deus age
como um professor (aio) para nos conduzir a Cristo, para que possamos ser justificados pela fé em
Seu sangue. A Lei não nos ajuda; ela apenas nos deixa desvalidos. Ela não nos justifica; ela apenas
nos mostra culpados diante de um Deus santo.

Charles Spurgeon, conhecido como o Príncipe dos Pregadores, afirmou: “Eu não creio que homem
algum possa pregar o evangelho sem pregar a Lei. A Lei é a agulha, e não se consegue passar o fio
de lã do evangelho pelo coração de uma pessoa sem antes furá-lo com agulha da lei, que prepara-lhe

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o caminho.”

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Perguntas
8. Como Paulo buscou persuadir seus ouvintes a respeito de Jesus? Por que ele fez isso?
9. O que é que, na verdade, converte a alma? (Veja o Sl 19.7)
10. Por que a pregação da cruz parece tolice e uma ofensa para um pecador irregenerado?
11. Portanto, o que devemos dizer primeiro ao pecador, antes de contar-lhe as boas novas de sua
multa ter sido paga por ele?
12. O que significa que a Lei “cala toda boca”? (Veja Rm 3.19)
13. Quais são as funções da Lei? (Veja Rm 3.19-20; 7.7; Gl 3.24)
14. Qual a definição Bíblica de pecado? (Veja 1 Jo 3.4)

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O Pregador
Eu, Cristão, estou esperando um ônibus na parada quando Mário Arisco se aproxima;
aparentemente ele também está esperando um ônibus. Meu coração começa a bater forte, pois eu sei
que esta é minha oportunidade de evangelizá-lo. O ônibus desponta no início da avenida; tenho
apenas dois minutos antes dele entrar no coletivo. Eu começo o diálogo falando de coisas naturais e,
rapidamente, passo a falar de coisas espirituais:

Cristão: “Oi, tudo bem?”


Arisco: “Tudo”
Cristão: “Lindo dia, hein!?”
Arisco: “É mesmo.”
Cristão: “Você mora por aqui?”
Arisco: “Não”
Cristão: “Você já recebeu um desses aqui?”
Arisco: “Não. O que é isso?”
Cristão: “É um panfleto cristão. Você vem de uma família cristã?”
Arisco: “Mais ou menos. Eu ia à igreja quando era mais novo, mas parei.”
Cristão: “Sabe o que me fez pensar seriamente sobre as coisas de Deus?”
Arisco: “Não. O que?”
Cristão: “Os Dez Mandamentos. Jesus disse que só de você olhar para uma mulher com um desejo
impuro, você já adulterou com ela em seu coração.”
Arisco: “Caramba...”
Cristão: “E esse é apenas um dos Mandamentos. Isso mostra que todos somos culpados, não

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acha?”
Arisco: “É mesmo.”
Cristão: “Então, você também já quebrou esse mandamento?”
Arisco: “Muitas vezes”
Cristão: “Deus não quer que você vá para o inferno. É por isso que você deve se arrepender e crer
em Jesus. Ele levou o castigo pelos seus pecados na cruz. Você tem Bíblia em casa?”
Arisco: “Tenho, tenho.”
Cristão: “Então, comece a lê-la. Aí vem o seu ônibus. Obrigado por me ouvir.”
Arisco: “Obrigado. Tchau.”

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Versículo para Memorização


“De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo,
a fim de que fôssemos justificados por fé.”
Gl 3.24

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Últimas Palavras

Martinho Lutero, o monge que Deus usou para sacudir o mundo, foi poupado de ser torturado até a
morte . Quando veio a morrer, seus lábios estavam adornados com palavras das Escrituras. Quando
deu seu último suspiro, Lutero repetiu Jo 3.16 e este versículo do Sl 68:

“Nosso Deus é o Deus de quem vem a salvação.


Deus é o Senhor através de quem escapamos da morte.”
Sl 68.20

Com as mãos juntas, e sem o menor sinal de perturbação,


este grande homem de Deus terminou sua peregrinação.

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Folhetos evangelísticos
“Quando compartilhamos nossa fé, uma situação ganha-ganha. Se as pessoas aceitarem o que
dissermos, ganhamos. Se plantarmos a semente da Palavra de Deus, ganhamos; e mesmo que
sejamos rejeitados, ganhamos. A Bíblia diz que quando isso ocorre, o Espírito de glória e de Deus
repousa sobre nós (veja 1Pe 4.14). Quando contendemos pela fé e somos rejeitados, devemos nos

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regozijar e saltar de alegria, pois grande é nossa recompensa no céu (veja Lc 6.22-23).
Todas as vezes que compartilhamos nossa fé é uma situação vitoriosa!”
Mark Cahill

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Comentário de Kirk Cameron: Eu tremia de medo só de pensar em dar um folheto cristão a


alguém. Eu não queria parecer um louco religioso. Mas, o contundente pensamento de que todas as
pessoas não- salvas acabarão no inferno onde passarão a eternidade me compele a fazer algo. Se
você não tiver a oportunidade de falar com alguém sobre o Senhor, um bom folheto pode falar por
você. Um panfleto pode não ser tão bom quanto uma boa conversa pessoal, mas um sincero folheto
cristão é melhor do que nada.

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Perguntas e Objeções
“Espero ir pro céu quando morrer.”

De todas as coisas que devemos ter certeza, nossa salvação é o mais importante. Dizer “espero ir
pro céu” é como parar à porta de uma avião a 25.000 pés de altitude e, ao ser questionado: “Você
está usando pára- quedas?”, responder: “Espero que sim.” A resposta correta seria “tenho certeza
que sim” – e podemos ter certeza de nossa salvação, pela simples obediência ao Evangelho. Se nos
arrependermos e pormos nossa fé em Jesus Cristo, Ele nos dará a vida eterna e poderemos saber que
nossa eternidade está segura. Por outro lado, em Jo 5.12-13, a Bíblia deixa claro que aqueles que se
recusarem a crer no Filho de Deus podem ficar certos de que não tem a vida eterna – permanecerão
mortos em seus pecados.

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Ao escrever para os cristãos de Corinto, Paulo explica a que ponto ele iria para compartilhar o
Evangelho: “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para
por todos os meios chegar a salvar alguns.” (1Co 9.22). É certo que se Paulo dispusesse dos meios,
ele teria usado folhetos evangelísticos para alcançar os perdidos.

Nunca subestime o poder de um folheto evangelístico. Após George Whitefield ler um folheto
chamado “A Vida de Deus na Alma do Homem,” ele disse: “Deus me mostrou que eu devia nascer
de novo ou estaria condenado.” Ele fez a seguinte oração: “Senhor, se não sou um cristão, ou se não
sou um cristão verdadeiro, em nome de Jesus, mostre-me o que é o cristianismo para que eu não
acabe sendo condenado!” Em seu diário podemos ler: “a partir daquele momento eu soube que
devia me tornar uma nova criatura.”

Um livro cristão relata uma história verídica de um mergulhador que viu um pedaço de papel
agarrado à concha de uma ostra. O homem a pegou, viu que era um folheto cristão e declarou: “Não
resisto mais. Sua misericórdia é tão grande que fez a Sua Palavra me seguir até o fundo do oceano.”
Deus usou um folheto para salvar o indivíduo. Ele também usou um folheto para salvar o grande
missionário Hudson Taylor e inúmeros outros.

Por que os cristãos devem usar folhetos? Simplesmente porque Deus os usa. Este fato por si só
deveria ser suficiente para incentivar os cristãos a sempre usar folhetos para alcançar os perdidos,

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mas há outras razões para os usarmos. Eis algumas:

• Folhetos podem abrir portas para compartilharmos a nossa fé. Fica fácil de observarmos a
reação das pessoas quando damos um folheto a elas e perceber se estão abertas às coisas
espirituais;
• Folhetos podem evangelizar por nós. Quando somos tímidos demais para falar com as
pessoas sobre as coisas de Deus, pelo menos podemos lhes dar um folheto ou largar um
deles em lugares estratégicos para que os achem;
• Folhetos falam aos indivíduos quando eles estiverem prontos; as pessoas não os lêem até
que estejam prontas;
• Folhetos são mais fazer de entrar nas residências das pessoas mais facilmente do que nós;
• Folhetos não “batem boca”, eles apenas apresentam a mensagem.

Oswald J. Smith disse: “A única maneira de cumprir a Grande Comissão é através da palavra
impressa.” Charles Spurgeon declarou: “Quando a pregação ou a conversação privada não forem
possíveis, precisamos ter um folheto em mãos... Muna-se de bons e impactantes folhetos. Um
tocante folheto pode ser a semente da vida eterna. Portanto, não saia de casa sem seus folhetos.”

Se quiser que as pessoas aceitem a sua literatura, tente saudá-las antes de oferecer-lhes o folheto. Se
elas responderem a um amistoso “Bom dia” ou “Como vai?,” isso provavelmente significa que
aceitarão o folheto. Após a saudação, não vá perguntar: “Você gostaria de um desses?”, pois
provavelmente perguntarão: “O que é isso?.” A pergunta a ser feita é: “Já ganhou um destes?.” A
pergunta tem um efeito duplo. Atiça-lhes a curiosidade e os faz perguntar: “Um o quê?.” É aí que se
entrega o folheto. Além disso, esta abordagem lhes dá a sensação de que estão perdendo algo... e
estão mesmo!

Talvez, você quase desmaie só ao pensar ao passar um folheto. Não se preocupe; você não está
sozinho. Todos nós lutamos contra o medo. A resposta ao medo é encontrada na oração. Peça a
Deus que lhe dê uma compaixão que engula os seus medos. Medite no destino dos descrentes.
Pense com profundidade sobre realidade do inferno. Enfrente aquilo que lhe dá medo!

Você gosta de montanhas-russas? Alguns cristãos gostam de saltar de pára-quedas ou bungee-


jumping. Não é estranho? Estamos preparados para arriscar nossas vidas por amor ao medo e, por
outro lado, deixamos um perdido ir parar no inferno pelo simples medo de passar um folheto.
Pergunte-se quantas pilhas de pedras ensangüentadas se podem achar onde cristãos foram
apedrejados até a morte por pregar o evangelho. Quanto solo chamuscado você consegue encontrar
onde cristãos foram queimados vivos em estacas? Nossos maiores medos são medos de rejeição.
Temos medo de parecer tolos. Esta é uma forma sutil de orgulho. A outra parte de nossa batalha
vem diretamente do inimigo. Ele sabe que o medo paralisa. Devemos resistir o diabo e as suas
mentiras. Se Deus estiver conosco, nada poderá estar contra nós.

Se você jamais entregou um folheto, por que não começa hoje? Se tiver medo de evangelizar, eis
aqui uma prática para a qual não é necessária muita coragem. Entre numa cabine telefônica. Abra o
catálogo telefônico nas páginas amarelas; ache “Abortos” e ponha um folheto nesta página. Em
seguida, vá para a categoria “Acompanhantes” e coloque outro ali. Muitas cabines telefônicas têm
porta, assim você pode fechá-la e fazer isto sem medo de ser visto. Você não está cometendo um
crime e deixando um folheto cristão nestes dois lugares pode não apenas evitar que alguém tome
uma decisão destruidora para sua vida, mas também pode levar o indivíduo à fé no Salvador.

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Desta maneira, todas as noites antes de fechar seus olhos e dormir, você terá algo muito especial
sobre o que orar – que Deus use os folhetos que você deixou em algum lugar. Você também terá um
profundo senso de satisfação por estar participando da Grande Comissão para alcançar este mundo
moribundo com o Evangelho. Não desperdice a sua vida. Faça algo pelo reino enquanto pode.
Lembre-se sempre: trate cada dia como se fosse o seu último – um dia será.

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Perguntas
1. Cite alguns indivíduos salvos por folhetos evangelísticos?
2. Cite cinco vantagens de se usar folhetos evangelísticos.
3. Descreva uma maneira efetiva de fazer com que as pessoas aceitem um folheto.
4. Se você tem medo de distribuir folhetos, quais são as fontes desse medo?
5. Como podemos conquistar nossos medos?
6. Que conselho Charles Spurgeon deu acerca de folhetos evangelísticos?

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O Pregador
Erasmo Lêza: “Sou cristão, mas acho melhor viver a minha vida ao invés de sair por aí falando
com as pessoas sobre Cristo.”
Cristão: “Por quê?”
Erasmo Lêza: “É que eu não tenho o dom de evangelismo. Fico sem saber o que dizer.”
Cristão: “Não existe ‘dom de evangelismo.’ É a mesma coisa que dizer que alguém tem o dom de
alimentar crianças famintas. Isso não é um dom – é amor em ação. Outra palavra para
‘evangelismo’ é ‘amor.’”
Erasmo Lêza: “Não havia pensado nisso. Mas, acho que preciso fazer seminário e estudar
primeiro.”
Cristão: “Quanto tempo a mulher samaritana do poço (Jo 4) passou no seminário antes de começar
a compartilhar a sua fé?”
Erasmo Lêza: “Mas...
Cristão: “Nada de ‘mas.’ Tome uma atitude para Jesus. Você consegue!”
Erasmo Lêza: “Acha mesmo?”
Cristão: “Claro. Diga a si mesmo: ‘Posso todas as coisas naquele que me fortalece!’”
Erasmo Lêza: “Como começo?
Cristão: “Comece ‘plantando’ um folheto aqui, outro ali.”
Erasmo Lêza: “Onde especificamente?”
Cristão: “Em qualquer lugar. Que tal em um carrinho de supermercado ou em um orelhão?”

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Erasmo Lêza: “É. Isso eu consigo fazer.”
Cristão: “Pense só – quando você recostar a cabeça para dormir à noite, terá a satisfação de ter
tomado uma atitude pelo reino de Deus.”

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Penas para Flechas


Pense na maneira que os cães atravessam a rua. Imagine um cachorro caminhando para o meio de
uma rodovia sem sequer perceber o perigo. Seu rabo balança enquanto se move descuidadamente
entre os carros. Os carros desviam bruscamente. Os pneus gritam. O barulho é ensurdecedor quando
os veículos colidem uns contra os outros. O sonolento cão para de sacudir o rabinho por um instante
e olha a pilha de carros fumegantes e destruídos na rodovia. Sua expressão trai os seus
pensamentos. Seu cérebro canino nem percebe que é ele o responsável por tamanho desastre.

Quando o ser humano caminha para a rodovia do pecado, seu rabinho balança de alegria. Pensa ele
que foi para isso que foi criado. Seus pensamentos acerca de quaisquer repercussões das duas ações
são vagas. Sua mente vagueia em direção à lascívia e previsivelmente em seguida em direção ao
adultério. Repentinamente, ocorre um desastre diante dele. Seu casamento é estilhaçado, seu nome
denegrido e seus filhos traumatizados e marcados. Porém, assim como o letárgico cãozinho, ele não
percebe nem por um minuto que é o total responsável por seu pecado. É por esta razão que a
perfeita Lei de Deus precisa ser aplicada diante de seus olhos cegos – para mostrar-lhe que sua
caminhada não está correta diante dos olhos de um Deus perfeito.

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Versículo para Memorização


Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos,
para por todos os meios chegar a salvar alguns.
1Co 9.22

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Últimas Palavras
Alexander Hamilton (1757-1804), mortalmente ferido em um duelo com Aaron Burr, declarou:

“Tenho tenra confiança na misericórdia do Todo-Poderoso, através dos méritos


de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sou um pecador. Olho somente para Ele em busca
de misericórdia.”

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- 119 -
“O Jeito do Mestre”
por Ray Comfort
e comentários de Kirk Cameron

Ray Comfort é o fundador-presidente do ministério Living Waters, com sede em Bellflower,


Califórnia, EUA. Seu ministério tem como objetivo capacitar os cristãos a evangelizarem de modo
simples e eficaz, baseado apenas nos padrões bíblicos de evangelismo.
Ray Comfort é autor de mais de 60 publicações.

Living Waters Ministries


www.livingwaters.com

Kirk Cameron é ator e evangelista, co-fundador do ministério The Way of the Master juntamente
com Ray, onde eles ensinam os métodos bíblicos de evangelismo pelas rádios e TVs americanas.
Kirk já participou de mais de 40 filmes e séries para TV. Seu trabalho mais recente foi o filme
Fireproof / Prova de Fogo.

The Way of the Master Ministries


www.wayofthemaster.com

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Todos os artigos foram traduzidos por Fernando Guarany Jr.


www.evangelismobiblico.com.br

Diagramação e organização por Marcio S. Costa.


www.cristoemvos.com.br

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- 120 -
O MAIOR SEGREDO DO DIABO
por Ray Comfort

No final dos anos 70, Deus muito graciosamente abriu-me um ministério itinerante. Conforme
comecei a viajar, passei a ter acesso aos registros de crescimento das igrejas e fiquei horrorizado ao
descobrir que algo perto de 80 a 90% das pessoas que tomavam uma decisão por Cristo estavam
desviando-se da fé. Ou seja, o evangelismo moderno, com seus métodos estava criando entre 80 e
90 “desviados” para cada 100 pessoas que se decidiam por Jesus.

Deixem-me tentar tornar a questão mais real para vocês. Em 1991, no primeiro ano da década da
colheita, uma grande denominação nos Estados Unidos foi capaz de obter 294.000 decisões por
Cristo. Isto é, em um ano, esta grande denominação de 11.500 igrejas foi capaz de obter 294.000
decisões por Cristo. Infelizmente, passado algum tempo apenas contavam com 14.000 destes
congregando, o que significa que eles já não podiam prestar contas por 280.000 das decisões
alcançadas. E estes são resultados normais do evangelismo moderno e, algo que descobri no final
dos anos 70; Algo que me preocupou muito. Comecei a estudar o Livro de Romanos diligentemente
e, especificamente, a maneira de proclamação do Evangelho de homens como Spurgeon, Wesley,
Moody, Finney, Whitefield, Lutero, entre outros, que Deus tem usado através dos tempos, e
descobri que eles usavam um princípio que é quase totalmente negligenciado pelos métodos
evangelísticos modernos. Comecei a ensinar este princípio; Providencialmente, fui convidado para
instalar o nosso ministério na cidade de Bellflower no sul da Califórnia, especificamente para trazer
este ensinamento para a igreja dos Estados Unidos. As coisas andaram devagar nos primeiros três
anos, até que recebi uma ligação de Bill Gothard, que havia assistido a mensagem em vídeo. Ele
pagou minha passagem de avião até San Jose no norte da Califórnia; Lá, compartilhei a mensagem
com 1000 pastores. Então, em 1992, ele exibiu o vídeo daquela pregação para 30.000 pastores. No
mesmo ano, David Wilkerson me telefonou de Nova Iorque. Ele ligou do seu carro. (estava ouvindo
a mensagem em seu carro e me ligou do próprio telefone do seu carro!) Imediatamente, ele me
colocou em um vôo de Los Angeles para Nova Iorque para compartilhar o mesmo ensinamento com
a sua igreja – de tão importante que considerou a mensagem. Recentemente, ouvi falar de um pastor
que escutou esta mensagem 250 vezes. Ficaria feliz se você ouvisse pelo menos uma vez este
ensinamento que se chama: “O Maior Segredo do Diabo.”

A Bíblia diz no Salmo 19, versículo 7, “A Lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” O que é
mesmo que a Bíblia diz que é perfeita e, no final das contas, converte a alma? Ora, as Escrituras
deixam bem claro: “A Lei do Senhor é perfeita para converter a alma.” Agora, para ilustrar a função
da Lei de Deus, vamos observar por um instante a Lei Civil. Imagine se eu dissesse a você: “Tenho
boas novas para você: alguém acabou de pagar uma multa de trânsito no valor de R$ 25.000,00 para
você!” Provavelmente você reagiria dizendo: “O que você está dizendo? Essas não são boas novas!
Isso [que você está dizendo] não faz o menor sentido. Não tenho uma multa de trânsito de R$
25.000,00!” As minhas boas novas não seriam boas novas para você: pareceria tolice! Mas, além
disso, seria uma ofensa, porque eu estaria insinuando que você havia cometido um crime (quebrado
a lei) quando você pensa não ter feito tal coisa. Entretanto, se colocar a situação da seguinte
maneira, ela fará mais sentido: “No caminho para cá, um radar da polícia (a lei) pegou você a 160
quilômetros por hora em uma área reservada para uma convenção de crianças deficientes visuais.
Havia dez avisos claros que a velocidade máxima era de 60 quilômetros por hora, mas você passou
por ali ”voando” a uma velocidade de 160 km/h. O que fez foi muito perigoso e, portanto, a multa
de R$ 25.000,00 era justa. A lei estava por ser aplicada quando alguém que você nem mesmo

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conhece entrou em cena e pagou a sua multa. Você realmente é um felizardo!”

Vejam que ao explicarmos precisamente o que foi feito de errado primeiro, fazemos com que as
boas novas verdadeiramente tenham sentido. Se eu não mostrar claramente que o indivíduo violou a
lei, então as boas novas parecerão tolice e serão recebidas como uma ofensa. Mas, a partir do
momento que entender que quebrou a lei, então as boas novas se tornarão boas novas de fato!

Assim, da mesma maneira, se eu abordar um pecador impenitente e disser: “Jesus Cristo morreu na
cruz por seus pecados”, isso soará como tolice e o ofenderá. Tolice porque não fará sentido. A
Bíblia diz que: “A pregação da cruz é tolice para aqueles que perecem.” (1Co 1.18). E também será
ofensivo porque estaremos insinuando que o indivíduo é um pecador quando ele acha que não o é!
Porque, até onde ele tem conhecimento, existem muitas pessoas piores do que ele. Contudo, se eu
dedicar tempo para seguir os passos de Jesus, a mensagem fará mais sentido. Se eu dedicar tempo
para abrir a Lei Divina, os Dez Mandamentos, e mostrar ao pecador precisamente o que ele fez de
errado, como tem ofendido a Deus ao violar a Sua Lei, então, quando ele estiver, conforme diz
Tiago, “convencido pela Lei como transgressor” (Tg 2.9) as boas novas da multa sendo paga não
parecerão tolice, mas serão “o poder de Deus para salvação” (Rm 1.16).

Agora, tendo em mente estes pensamentos como introdução, vamos ver o que diz Romanos 3.19.
Vamos analisar algumas das funções da Lei de Deus para a humanidade. Rm 3.19 diz assim:
“Agora, pois, sabemos que o que quer que a Lei diga, ela diz para aqueles que estão debaixo da lei,
para que toda boca seja calada e todo o mundo torne-se culpado diante de Deus.” Então, uma
função da lei de Deus é calar a boca. Fazer os pecadores pararem de se justificar e dizer: “Ah, tem
muita gente pior do que eu. Eu não sou uma má pessoa, não!” Ou seja, a lei cala a boca da
justificativa e deixa o mundo inteiro , e não apenas os Judeus, culpado diante de Deus.

Romanos 3.20 diz assim: “Portanto pelos feitos da Lei nenhuma carne será justificada à Sua vista:
porque pela Lei vem o conhecimento do pecado.” Então, a Lei de Deus nos informa o que significa
pecado. 1 João 3:4 diz: “Pecado é a transgressão da Lei.” Romanos 7.7 afirma: “O que diremos
então?” diz Paulo, “É a lei pecado? De modo nenhum, eu não conheci o pecado senão pela Lei.” O
que Paulo está dizendo aqui simplesmente é: “Eu não sabia o que era o pecado até a Lei me
ensinar.” Gálatas 3.24 afirma: “De modo que a Lei se tornou nosso aio [professor], para nos
conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados.” A lei de Deus age como um professor
para nos trazer a Cristo para que possamos ser justificados pela fé em Seu sangue. Assim, a Lei não
nos ajuda, ela apenas nos mostra nossa impotência. Ela não nos justifica, ela apenas nos deixa
culpados diante do julgamento de um Deus santo.

A tragédia do evangelismo moderno é que, na virada do século XX, quando a lei de Deus foi
abandonada e desprezada em sua capacidade de converter a alma, de conduzir os pecadores a
Cristo, os defensores do evangelismo moderno tiveram que encontrar outra razão para os pecadores
responderem ao evangelho. A maneira que os evangelistas modernos encontraram para atrair tais
pecadores foi a estratégia da “melhoria na qualidade de vida.” O Evangelho foi degenerado para
algo como: “Jesus Cristo vai te dar paz, alegria, amor, realização pessoal e felicidade duradoura.”
Agora, para ilustrar a natureza anti-bíblica deste ensinamento tão popular, gostaria que vocês
escutassem com bastante atenção a seguinte anedota, pois a essência do que estou ensinando baseia-
se nesta historinha que vou contar. Então, por favor, escutem atentamente:

Dois homens estão sentados em um avião. Ao primeiro é dado um pára-quedas e é orientado a


colocá-lo, pois, o pára-quedas melhoraria a qualidade do seu vôo. Ele fica um tanto cético no início
porque não consegue ver como o fato de usar um pára-quedas em um avião poderia melhorar a

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qualidade de seu vôo. Porém, depois de certo tempo, ele decide experimentar para ver se o que lhe
havia sido dito era mesmo verdade. Então, quando ele coloca o pára-quedas, ele nota o peso sobre
seus ombros e descobre que tem dificuldade para sentar-se direito. Mesmo assim, não tira o pára-
quedas de imediato, pois se consola com o fato de que lhe foi dito que o pára-quedas melhoraria o
seu vôo. Assim, ele decide dar um tempinho para ver se a tal coisa funciona mesmo. Enquanto
espera, percebe que alguns dos outros passageiros estão rindo dele, pelo fato de ele estar usando um
pára-quedas em pleno vôo. Ele começa a sentir-se um tanto humilhado. Quando os outros
passageiros começam a apontar e rir dele, ele não agüenta mais! Então, encolhe-se em sua poltrona
e arranca o pára-quedas, jogando-o ao chão. Desilusão e amargura preenchem o seu coração, pois,
pelo que parece, contaram-lhe uma mentira absurda!

O segundo homem também recebe um pára-quedas, mas escutem só o que lhe é dito: “Coloque este
pára-quedas, pois a qualquer momento você terá que saltar deste avião e nós estamos a 25.000 pés
de altura.” Ele fica muito agradecido e coloca logo o pára-quedas; Nem percebe o peso do objeto
sobre seus ombros, muito menos se incomoda com o fato de que não consegue sentar-se direito,
pois sua mente está consumida pelo pensamento do que aconteceria se saltasse sem o pára-quedas.

Vamos analisar o motivo e o resultado da experiência de cada um dos passageiros. O motivo do


primeiro homem para colocar o pára-quedas foi apenas para melhorar a qualidade de sua viagem. O
resultado da experiência foi que ele se sentiu humilhado pelos passageiros, ficou desiludido e
bastante amargurado em relação àqueles que lhe deram o pára-quedas. Ele precisará de um longo
tempo para recuperar- se da experiência e, possivelmente, nunca mais vai aceitar uma coisa
daquelas novamente. O segundo homem colocou o pára-quedas simplesmente para escapar do salto
para morte e, devido ao conhecimento do que aconteceria se saltasse despreparado, ele tem uma
profunda alegria e paz no coração, pois sabe que será salvo de uma morte certa e terrível. Tal
conhecimento dá-lhe a habilidade de suportar o escárnio dos outros passageiros. Sua atitude em
relação a quem lhe ofereceu o pára-quedas é de profunda gratidão.

Agora, escutem o que os métodos de evangelismo moderno dizem. Eles dizem assim: “Coloque o
Senhor Jesus Cristo. Ele te dará amor, alegria, paz, realização pessoal e felicidade duradoura.” Em
outras palavras, “Jesus melhorará a sua viagem.” Dessa maneira, o pecador responde ao apelo de
um modo experimental e “coloca” o Senhor Jesus para ver se a “propaganda” é verdadeira. E o que
vem sobre ele? Tentação, tribulação e perseguição. Os outros passageiros escarnecem dele. O que
ele faz, então? Arranca o Senhor Jesus e joga ao chão, pois se sente ofendido por causa da Palavra
(Marcos 4.17). Ficou desiludido e bastante amargurado, e com razão. Pois, prometeram- lhe paz,
alegria, amor, realização e felicidade duradoura, e tudo o que conseguiu foram provações e
humilhação. Então, ele passa a apontar sua amargura em direção àqueles que lhe deram as tão
famosas “boas novas”. Seu último estado é pior do que o primeiro: outro desviado inoculado e
amargurado.

Santos, ao invés de pregar que Jesus melhora a qualidade do vôo, nós deveríamos estar alertando os
passageiros que eles terão que pular do avião. Ou seja, “que está determinado ao homem morrer
uma só vez, e que depois disto virá o julgamento.” (Hb 9.27). E aí, quando o pecador entender as
horríveis conseqüências por quebrar a Lei de Deus, ele correrá para os braços do Salvador para
escapar da ira vindoura. E se formos testemunhas verdadeiras e fiéis, é isso que deveremos pregar:
que existe uma ira vindoura; que Deus “ordena a todas as pessoas em todos os lugares que se
arrependam” (At 17.30). Por que se arrepender? “Porque Ele estabeleceu um dia em que julgará o
mundo com justiça” (vs. 31). Entenda que não é uma questão de felicidade, mas sim de justiça. Não
importa o quanto o pecador possa estar sendo feliz ou o quanto ele possa estar aproveitando “os
prazeres passageiros do pecado” (Hb 11.25), sem a justiça de Cristo, ele perecerá no dia da ira. “De

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nada aproveitam as riquezas no dia da ira; porém a justiça livra da morte.” (Pv 11.4). Paz e alegria
são frutos legítimos da salvação, mas não é legítimo usar tais frutos como propaganda para a
salvação. Se persistirmos em fazer isso, os pecadores responderão à mensagem com um motivo
impuro, desprovidos de arrependimento.

Agora, vocês conseguem lembrar porque o segundo passageiro tinha alegria e paz no coração? Era
porque ele sabia que o pára-quedas ia salvá-lo da morte certa. E como crente, como Paulo diz, eu
tenho “alegria e paz em crer” (Rm 15.13), porque sei que a justiça de Cristo me livrará da ira
vindoura.

Agora, com esses pensamentos em mente, vamos analisar com cuidado um incidente a bordo do
avião. Aparece uma aeromoça novata. Ela carrega uma bandeja com café fervendo. É o seu primeiro
dia de trabalho. Ela quer que este dia fique marcado na mente dos passageiros, e consegue seu
intento, pois conforme está andando pelo corredor, tropeça e despeja café quente no colo do nosso
segundo passageiro. Qual a reação dele ao sentir o líquido fervente queimar a sua pele? Será que ele
grita: “Aaaaaii! Que dor!”? Sim, ele sente a dor. Mas será que arranca o pára-quedas e o joga ao
chão? Será que ele esbraveja dizendo: “Droga de pára-quedas!”? Não. Por que ele faria isso? Ele
não colocou o pára-quedas para melhorar a qualidade de seu vôo. Ele colocou para salvá-lo da
morte certa. Por isso, o incidente faz com que se agarre ainda com mais força ao pára-quedas e mal
consiga esperar a hora de saltar.

Então, se “colocarmos” o Senhor Jesus pelo motivo correto, isto é, para escapar da ira vindoura,
quando vier a tribulação, quando o vôo ficar turbulento, nós não ficaremos com raiva de Deus e
nem perderemos nossa paz e alegria. Por que faríamos isto? Não aceitamos Jesus para melhorar
nosso estilo de vida: nós o aceitamos para fugir da ira vindoura. Portanto, ao invés de nos levar à
ira, a tribulação conduz o verdadeiro crente para mais perto do Salvador. Infelizmente, temos
literalmente multidões de pessoas que se professam Cristãos, mas que perdem sua alegria e paz
quando o vôo fica turbulento. Por quê? Porque são produto de um evangelho humanista. Estes
crentes vêm a Jesus sem arrependimento, sem o qual não há salvação.

Recentemente, estive na Austrália ministrando e... – a propósito a Austrália é um pequeno país na


costa da Nova Zelândia – ...preguei sobre pecado, a Lei, justiça, santidade, julgamento,
arrependimento e inferno, e não me surpreendi com a quantidade de pessoas que quiseram “entregar
seus corações a Jesus”. Na verdade, o ambiente ficou muito tenso. Depois do evento, disseram-me:
“Há um jovem rapaz lá atrás que quer entregar sua vida a Cristo.” Eu fui lá e encontrei um jovem
que nem conseguia fazer a oração de entrega, de tão desesperadamente que chorava. Aquilo para
mim foi muito encorajador, pois, por muitos anos, sofri de “frustração evangélica”. Eu queria tanto
que os pecadores respondessem ao Evangelho egocêntrico que eu pregava. A essência do que
pregava era mais ou menos o seguinte: “Você nunca encontrará a paz verdadeira sem Jesus Cristo;
você tem um grande vazio em seu coração que só mesmo Deus pode preencher.” Eu pregava Cristo
crucificado e, só no finalzinho, pregava arrependimento. Quando alguém respondia ao apelo, eu
abria um dos meus olhos e pensava: “Ah, não! Esse cara quer dar o seu coração a Jesus, mas há uma
probabilidade de 80% de ele vir a desviar-se. Estou cansado de criar desviados. Preciso ter certeza
de que ele sabe mesmo o que está fazendo. É melhor que esteja sendo sincero!” Assim, me
aproximaria do rapaz com um espírito da Gestapo Nazista. Chegaria bem pertinho dele e diria: “O
que focê querr?” Ele diria: “Estou aqui para tornar-me um cristão.” Eu argumentaria: “Tem
certeza?” Ele responderia: “É. Tenho.”, Eu tornaria a perguntar: “Você tem realmente certeza?”. Ele
diria: “É. Podes crer.” “Tá certo, vou orar com você, mas é melhor que você ore com sinceridade,
do fundo do seu coração. Agora repita esta oração comigo! ‘Ó, Deus, eu sou um pecador’” Ele
dizia: “Ah, é... Deus, eu sou um pecador!” No que eu pensava: “Por que será que não há nenhum

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sinal claro de quebrantamento. Não há sinal visível de que este jovem possa estar no seu íntimo
realmente arrependido de seus pecados” Foi então, que entendi qual era o motivo: ele estava sendo
100% sincero. Ele estava tomando sua decisão de todo o seu coração. Ele sinceramente queria dar
uma experimentada neste Jesus para ver no que dava. Já tinha experimentado sexo, drogas,
materialismo, álcool. Ele pensava assim: “Já experimentei uma porção de coisas na vida. Por que
então não experimentar esse tal de Jesus para ver se Ele é tudo isso mesmo que esses crentes dizem
que ele é: alegria, amor, realização, felicidade duradoura.” O jovem não estava ali para fugir da ira
vindoura, pois eu não tinha pregado que havia ira alguma por vir! Isso estava fazendo uma falta
terrível nas minhas mensagens. O jovem não estava quebrantado, pois ele nem mesmo sabia o que
era o pecado. Lembram de Romanos 7.7? Paulo disse que não conheceu o pecado senão pela Lei.
Como alguém pode a vir a searrepender se nem mesmo sabe o que é o pecado? Então, qualquer
coisa que nós venhamos a chamar de arrependimento vem a ser algo que chamo de arrependimento
horizontal. A pessoa sente remorso por ter mentido para as pessoas, roubado das pessoas, etc. Mas,
quando Davi pecou com Bate-Seba e quebrou todos os Dez Mandamentos de uma só vez – quando
cobiçou a mulher do próximo, viveu uma mentira, roubou a mulher do próximo, cometeu adultério,
desonrou seus pais e, portanto, desonrou a Deus – ele não disse: “Eu pequei contra Urias” O que ele
disse foi: “Pequei contra Ti, contra Ti somente, e fiz o que era mal à Tua vista.” (Sl 51.4). Quando
José foi tentado sexualmente, ele disse: “Como poderia eu fazer tal coisa e pecar contra Deus?” (Gn
39.9). O filho pródigo disse: “Eu pequei contra o Céu” (Lc 15.21). Paulo pregava “arrependimento
para com Deus (At 20.21). E a Bíblia diz: “A tristeza segundo Deus produz arrependimento” (2Co
7.10). Então, quando a pessoa não entende que o pecado é primariamente vertical, ela simplesmente
conseguirá exercitar arrependimento superficial, experimental e horizontal – e se desviará quando
vierem a tribulação, a tentação e a perseguição.

A.B. Earl disse: “Descobri através de extensa experiência que as mais sérias ameaças da Lei de
Deus têm um papel importantíssimo na condução das pessoas a Cristo. Elas precisam se ver
perdidas antes de clamar por misericórdia; elas não fugirão do perigo até que o enxerguem.” Agora,
gostaria que vocês fizessem algo incomum. Não vou fazê-los passar vergonha. Dou minha palavra.
Mas, gostaria de perguntar-lhes quantos de vocês estavam pensando em outra coisa enquanto eu
estava lendo a citação de A.B. Earl. Quero admitir algo para vocês. Eu mesmo estava pensando em
outra coisa enquanto lia a citação! Sabem o que estava pensando? “Ninguém está me ouvindo. Eles
estão pensando em outra coisa.” Então, para ressaltar um ponto importante, gostaria que vocês
fossem realmente honestos comigo. Se você estava pensando em outra coisa e não faz a menor idéia
do que A.B. Earl disse, levante sua mão bem alto, bem alto. Geralmente, uns 70% das pessoas
levantam a mão. Vamos lá, estamos quase nos 70%. Muito bem, pastor, obrigado, por sua
honestidade.

A.B. Earl foi um famoso evangelista do século XIX que teve mais de 150.000 convertidos para
substanciar suas afirmações. Satanás não quer que vocês escutem o que eu estou dizendo, então,
prestem bastante atenção.

A.B. Earl disse: “Descobri através de extensa experiência que as mais sérias ameaças da Lei de
Deus têm um papel importantíssimo na condução das pessoas a Cristo. Elas precisam se ver
perdidas antes de clamar por misericórdia; elas não fugirão do perigo até que o enxerguem.”

É mais ou menos assim: tente salvar alguém de se afogar quando a pessoa não acredita estar se
afogando e veja se ela vai ficar muito contente com você. Você a vê no lago e pensa: “Acho que ela
está se afogando. Sim, acho que está se afogando mesmo.” Aí, você pula na água e a arrasta até a
areia sem dizer coisa alguma. Ela não ficará muito contente com você, pode ter certeza. Ela não vai
querer ser salva até ver que está correndo perigo. Da mesma forma, os pecadores não fugirão da ira

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vindoura sem antes a enxergarem!

Veja bem: se você viesse a mim e dissesse: “Olha, Ray. Isso aqui é a cura para o Mal de Groaninzin.
Vendi minha casa para levantar o dinheiro para comprar esse remédio. Tome. É um presente para
você”. Provavelmente eu reagiria assim: “O que? Cura para o que? Mal de Groaninzin? Você
vendeu sua casa para levantar o dinheiro para comprar esse remédio? E está me dando de presente?
Ora, muito obrigado. Tchau... Esse cara é louco.” Sabe, essa seria provavelmente a maneira como
eu reagiria se você vendesse sua casa para comprar o remédio para me curar de uma doença da qual
jamais ouvi falar. Ainda mais se viesse oferecê-lo a mim gratuitamente – acharia você muito
estranho.

Mas, se ao invés disso, você chegasse a mim e dissesse: “Ray, você está com o Mal de Groaninzin.
Já consigo ver dez claros sintomas em sua pele. Você morrerá em duas semanas.”, eu me
convenceria de que tinha a doença (já que os sintomas eram tão evidentes) e diria: “Oh! O que farei
agora?” Nisso, você responderia: “Não se preocupe. Tenho aqui a cura para sua doença. Vendi
minha casa para comprar este remédio. Tome. É um presente para você.” Nessa situação, eu não
desprezaria seu sacrifício. Ao contrário, ficaria grato e tomaria posse dele. Por quê? Porque, ao
enxergar a doença que me consumia, desejei a cura.

Lamentavelmente, o que tem acontecido nos Estados Unidos e no Mundo Ocidental é que temos
pregado a cura sem primeiro convencermos da doença. Temos pregado o Evangelho da graça sem
primeiro convencer os pecadores da Lei, ou seja, que são transgressores. Como conseqüência desta
pregação, que oferece a graça primeiro, quase todas as pessoas que tento evangelizar no sul da
Califórnia e no Cinturão Bíblico já “nasceram de novo” umas seis ou sete vezes. Quando digo:
“Você precisa entregar sua vida a Jesus Cristo.” A resposta que sai quase que instantaneamente é:
“Ah, já fiz isso quando tinha sete, onze, dezessete, vinte e três, vinte e oito, trinta e dois anos de
idade...” Na hora, você sabe que o indivíduo não é Cristão. Ele é um fornicador. É um blasfemo,
mas acha que é salvo porque “nasceu de novo”. O que está acontecendo? Ele está usando a graça de
nosso Deus para dar ocasião à carne. Não reconhece nem estima o sacrifício de Jesus. Para ele, não
há nada de mais em pisar o sangue de Cristo (Hb 10.29). Por quê? Por que jamais se convenceu de
que tinha a doença e, portanto, não é grato pela cura.

O Evangelismo Bíblico é sempre, sem exceção, Lei para os soberbos e Graça aos humildes. Não
existe uma passagem na Bíblia onde Jesus ofereça o Evangelho, as Boas Novas, a Cruz ou a Graça
de Deus a uma pessoa soberba, arrogante e que se considera boa aos próprios olhos. Não mesmo.
Com a Lei, Ele quebra o coração duro, e com o Evangelho, cura o coração quebrantado. Por quê?
Porque Ele sempre fez aquilo que agrada ao Pai. Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes
(Tg 4.6; 1Pe 5.5). “Todos os soberbos de coração”, dizem as Escrituras, “são abominação ao
Senhor” (Pv 16.5).

Jesus nos disse para quem é o Evangelho. Disse assim: “O Espírito do Senhor está sobre mim,
porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos
cativos, e restauração da vista aos cegos.” (Lc 4.18). Estas são declarações espirituais. Os pobres
(humildes) em espírito. Os quebrantados de coração (Is 57.15), os cativos são aqueles que Satanás
tem mantido presos à sua vontade (2Tm 2.26) e os cegos são aqueles que o deus desse mundo tem
cegado para que a luz do Evangelho não brilhe sobre eles (2Co 4.4). Somente os enfermos precisam
de médico (Mc 2.17) e somente aqueles que estão convictos de que têm a doença ficarão gratos e se
apropriarão da cura.

Vejamos alguns exemplos do uso da Lei com os soberbos e graça com os humildes. Lucas 10.24.

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Ah! Quando eu citar uma referência aqui do púlpito, repetirei duas vezes, pois sei que há homens
presentes – e os homens precisam escutar as coisas duas vezes para poderem entender... Os homens
precisam escutar as coisas duas vezes. E isso é sustentado biblicamente. Quando Deus fala com
homens na Bíblia, Ele usa seus nomes duas vezes: “Abraão, Abraão... Saul, Saul... Moisés,
Moisés... Samuel, Samuel...” Porque os homens precisam escutar as coisas duas vezes. As mulheres
apenas uma. Eu não sei quantas vezes nos cultos o pregador dizia “Lucas 10.25” e eu me virava
para minha esposa e dizia: “O que foi que ele disse?”. Ela respondia: “Lucas 10.25”. Aí eu dizia:
“Obrigado, querida!” AUXILIADORA IDÔNEA. Foi por isso que Deus criou as mulheres: porque
os homens não conseguem se virar sozinhos. O negócio é assim: Os homens perdem as coisas. As
mulheres as acham. “Onde estão as chaves, querida?” “Bem no seu nariz, querido.” Sabem, eu não
sei quantas vezes já abri o armário e disse: “Não tem mais doce, meu docinho” e ela respondeu:
“Está aqui, querido.” Onde os homens estariam sem as mulheres? Hein? Ainda estariam no Jardim
do Éden! Foi Eva quem achou a árvore. Adão nem mesmo sabia o que estava se passando. Na
verdade, se observarmos o processo de criação da mulher, a Bíblia diz que, para criar a mulher,
Deus colocou o homem em um profundo sono. Mas, não diz se ele jamais conseguiu acordar desse
sono!

Em Lucas 10.25, vemos um certo advogado se levantar e tentar Jesus. Este homem não é um
advogado comum, mas um professo especialista na Lei de Deus. Ele levantou-se e disse a Jesus:
“Como posso alcançar a vida eterna?” O que foi que Jesus fez? Deu-lhe a Lei. Por quê? Porque o
homem era soberbo, arrogante e se considerava muito bom. Eis um professo especialista na Lei de
Deus tentando o próprio Filho de Deus. Pois, na verdade, o espírito por trás de sua pergunta era: “E
o que você acha que devemos fazer para alcançar a vida eterna?” Por isso, Jesus aplicou-lhe a Lei,
dizendo: “O que está escrito na Lei?” Qual a sua leitura dela?” No que o advogado responde: “Ah,
deves amar o Senhor teu Deus de todo o teu coração, entendimento, alma e força; ama o teu
próximo como a ti mesmo.” Jesus afirmou-lhe: “Faça isso e viverás.” As Escrituras continuam
dizendo: “Mas, ele, querendo justificar-se, disse a Jesus: ‘Quem é o meu próximo?” A Bíblia Viva
mostra de maneira mais clara o efeito da Lei sobre o homem. Ela diz: “O homem quis justificar sua
falta de amor por certos tipos de pessoas; então perguntou: “Quais próximos?” Vejam só, ele não
tinha problemas com os Judeus, mais não gostava dos Samaritanos. Então, Jesus contou-lhe a
história que chamamos de “O Bom Samaritano” que não era “bom” em absoluto. Amando o seu
próximo tanto quanto amava a si mesmo, ele meramente obedeceu aos requerimentos básicos da Lei
de Deus. E o efeito da essência da Lei, a espiritualidade da Lei (daquilo que a Lei exige em
verdade), foi calar a boca do homem. Percebam, ele não amava seu próximo no nível exigido pela
Lei. A Lei foi aplicada para calar todas as bocas e deixar o mundo inteiro culpado diante de Deus.

De maneira parecida, em Lucas 18.18, o jovem rico chegou a Jesus, dizendo: “Como alcançarei a
vida eterna?” Eu fico me perguntando como a maioria de nós reagiria se alguém se aproximasse e
dissesse: “Como posso alcançar a vida eterna?” Certamente diríamos: “Ó... rápido! Faça essa oração
antes que você mude de idéia!” Mas, o que foi que Jesus fez com o Seu convertido em potencial?
Ele aplicou-lhe a Lei. Deu-lhe cinco Mandamentos horizontais, mandamentos em relação ao seu
próximo e, quando o homem afirmou: “Ah! Esses eu tenho guardado desde minha mais tenra
idade.”, Jesus respondeu-lhe: “Uma coisa ainda vos falta” e usou a essência do primeiro dos Dez
Mandamentos: “Eu sou o Senhor vosso Deus... Não tereis outros deuses além de mim” (Êx 20.2-3).
Jesus mostrou ao jovem que o seu deus era o dinheiro, e que não se pode servir Deus e a Mamon.
(Mt 6.24). Lei para os soberbos!

Também vemos a graça sendo dada aos humildes, como no caso de Nicodemos (Jo 3). Nicodemos
era um dos líderes dos Judeus. Era mestre em Israel. Portanto, era completamente versado na Lei de
Deus. Era humilde de coração porque veio a Jesus e reconheceu a Deidade do Filho de Deus. Um

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líder em Israel? “Sabemos que vens de Deus, pois nenhum homem pode fazer tais milagres a não
ser que Deus esteja com Ele.” Então, Jesus deu a ele – alguém que sinceramente buscava a verdade,
alguém de coração humilde e possuidor do conhecimento do pecado através da Lei – as Boas Novas
da multa tendo sido paga e “de Deus amando o mundo de tal maneira que sacrificou seu unigênito
Filho”. Assim, a mensagem não pareceu loucura para Nicodemos, mas o “poder de Deus para
salvação.”

Algo parecido ocorreu também no caso de Natanael (Jo 1.43-51). Natanael era um Israelita criado
de fato debaixo da Lei, em quem não havia dolo nem engano. Obviamente, a Lei foi a professora
(aIio) que conduziu esse judeu a Cristo.

Algo similar também ocorreu com os Judeus no dia de Pentecostes (At 2). Eles eram Judeus
devotos que, portanto, comiam, bebiam e dormiam a Lei de Deus. Matthew Henry, o Comentarista
da Bíblia, disse que a razão pela qual eles estavam reunidos no Dia de Pentecostes era para celebrar
a entrega da Lei de Deus no Monte Sinai. Então, quando Pedro levantou-se para pregar para esses
Judeus, ele não pregou sobre a ira vindoura. Não, a Lei aponta para a ira de Deus. Eles já sabiam
disso. Não pregou sobre justiça ou julgamento. Nada disso. Apenas contou-lhes as Boas Novas da
dívida sendo paga, o que os atingiu no coração e eles clamaram: “Irmãos, o que faremos?” (v. 37). A
Lei foi o aio para conduzir-lhes a Cristo para que pudessem ser justificados pela fé em Seu sangue.
Como escreveu o compositor (William R. Newell) de um famoso hino: “Pela palavra de Deus,
finalmente, meu pecado enxerguei; tremi, então, diante da Lei que rejeitara, até que, minha
pecadora alma, implorando, virou-se em direção ao Calvário.”

Em 1 Timóteo 1.8 está escrito: “Sabemos, porém, que a lei é boa se alguém dela usar com o
propósito para o qual foi criada” A Lei de Deus é boa se for usada legitimamente para o propósito
para o qual foi criada. Bem, com que propósito a Lei foi criada? O versículo seguinte nos informa:
“A Lei não foi feita para os justos, mas para os ímpios.” e nos dá uma lista de tipos de ímpios:
homossexuais, fornicadores. Se você quiser conduzir um homossexual a Cristo, não discuta com ele
sobre sua perversão, pois ele estará pronto para você com suas luvas de boxe. Não, não. Aplique-lhe
os Dez Mandamentos. A Lei foi feita para os homossexuais. Mostre-lhe que ele está condenado
apesar de sua perversão.

Se você quiser levar um Judeu para Cristo, solte o peso da Lei sobre ele. Deixe que ela prepare o
seu coração para a graça como ocorreu no Dia de Pentecostes. Se você quiser conduzir um
Mulçumano a Cristo, dê-lhe a Lei de Moisés – eles aceitam Moisés como profeta. Bem, dê-lhes a
Lei de Moisés e livre-os de sua auto-justiça. Em seguida, leve-os ao ensangüentado pé da cruz.
Ouvi falar de um Mulçumano que leu nosso livro O Maior Segredo do Diabo e Deus seguramente o
salvou, puramente através da leitura do livro. Por quê? Porque a Lei de Deus é perfeita para
converter a alma.

Pensem na mulher apanhada em ato de adultério (Jo 8.1-11) – violação do sétimo mandamento. A
Lei exigia o seu sangue (Lv 20.10) e ela se encontrava em uma situação muito difícil. Não tinha
saída, a não ser lançar-se aos pés do Filho de Deus por misericórdia; e essa é a função da Lei de
Deus.

Paulo falou de estar guardado debaixo da Lei (Gl 3.23) – a Lei condena. Diz-se por aí: “Você não
pode sair por aí condenando os pecadores!” Santos, eles já estão condenados. João 3.18: “Aquele
que não crê já está condenado.” Só o que a Lei faz é mostrar aos pecadores o seu verdadeiro estado.

Senhoras, vocês vão bem entender esta ilustração: A mesa de sua sala está precisando de limpeza.

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Então, você vai e limpa. A poeira some. Então, você abre as cortinas e deixa o sol da manhã entrar.
O que vê sobre a mesa? Poeira! O que vê no ar? Poeira! Foi a luz que criou a poeira? Não, a luz
meramente expôs a poeira. E quando você e eu decidimos abrir as cortinas (o véu) do Santos
dosSantos e deixamos a luz da Lei de Deus brilhar sobre os corações dos pecadores, só o que ocorre
é que eles passam a enxergar-se de maneira verdadeira. “Porque o mandamento é lâmpada, e a
instrução luz” (Pv 6.23). Foi por esta razão que Paulo disse: “Pela Lei vem o conhecimento do
pecado” (Rm 3.20). Foi por isso que ele disse: “pelo mandamento o pecado se manifestou
excessivamente maligno.” (Rm 7.13). Em outras palavras, a Lei o mostrou o pecado em sua
verdadeira luz.

Bom, geralmente a esta altura do ensinamento, eu cobriria os Dez Mandamentos um a um, mas, o
que vou fazer é compartilhar como eu pessoalmente evangelizo, pois creio que isso será mais
benéfico.

Vejam, eu creio firmemente em seguir os passos de Jesus. Jamais, jamais mesmo, eu abordaria
alguém e diria: “Jesus te ama.” Totalmente anti-bíblico. Não há precedente para isso nas Escrituras.
Também não chegaria a alguém e diria: “Gostaria de falar-lhe sobre Jesus Cristo.” Por quê? Porque
se quisesse acordar alguém de um profundo sono, não usaria uma lanterna em seus olhos, pois isso
o ofenderia. O que faria seria aumentar a luz bem gentilmente. Primeiro no nível natural e depois no
espiritual. Por quê? Porque “homem natural não recebe as coisas do espírito de Deus; nem consegue
discerni-las. São loucura para ele, pois são espiritualmente compreendidas” (1Co 2.14).

O precedente para Evangelismo pessoal é dado nas Escrituras em João 4. Lá, podemos ver o
exemplo de Jesus com a mulher samaritana. Jesus começou no nível natural, mudou para o
espiritual, trouxe a ‘convicção de pecado’ usando o Sétimo Mandamento, e então Se revelou como
o Messias. Assim, quando encontro alguém, falo do clima, esportes, etc: deixo que a pessoa perceba
um pouco de ‘juízo’ em mim. Conheço um pouco mais da pessoa. Conto uma piada aqui, outra ali, e
em seguida, deliberadamente mudo do nível natural para o nível espiritual. Faço isso com panfletos
evangelísticos. Temos em torno de 24 ou 25 “panfletos” (brindes) evangelísticos; somos um
ministério ao corpo de Cristo. Já imprimimos milhões de “panfletos evangelísticos” e nossos
“brindes” são realmente incomuns. Se você tiver acesso a eles, você vai precisar andar sempre com
um montão deles, porque as pessoas vão persegui-lo pedindo mais. Deixe-me dar um exemplo. Este
aqui é o nosso “panfleto” de ilusão de ótica. Qual dos dois é maior? Conseguem enxergar? O cor-
de-rosa parece maior? Vêem isso? Para aqueles que estão ouvindo esta mensagem em um CD...
Eles são do mesmo tamanho. É uma ilusão de ótica. Digo às pessoas: “Na verdade isso é um
panfleto evangelístico; as instruções estão no verso... como ser salvo, de fato.” Aí, digo: “Pode ficar
com ele” No que a pessoa responde: “Hei, obrigado! É ótimo... Puxa!”

Continuo dizendo: “Tenho outro presente para você” e do meu bolso eu tiro um “centavo com os
Dez Mandamentos”. Temos uma máquina que faz isso. Compramos os centavos novinhos no banco;
lindos centavos que colocamos em nossa máquina que os prensa (e também serve para amassar o
seu dedão se você ficar parado). Bom, a máquina prensa os centavos. O que não é contra a lei, pois
isto é considerado arte. Não se trata de deformar um centavo. Então, eu digo: “Olha um presente
para você.”, no que a pessoa responde: “O que é isso?” Eu digo: “É um centavo com os Dez
Mandamentos. Fiz com meus dentes... A letra ‘i’ é fácil, mas a letra ‘e’ dá bastante trabalho.”

Sabe, o que estou fazendo é lançar um teste para ver se ele está aberto às coisas espirituais. Se ele,
de maneira negativa, disser: “Dez Mandamentos? Muito obrigado.”, ele não está aberto. Mas, a
reação de costume é: “Dez Mandamentos... Puxa, obrigado! Valeu mesmo.” Então, eu digo: “Ah,
você acha que tem guardado os Dez Mandamentos?” Ele responde: “Ah, sim... acho que sim.” Eu o

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convido: “Vamos dar uma olhadinha neles? Já contou alguma mentira em sua vida?” Ele diz: “Ah,
sim... é... uma ou duas.” Eu pergunto: “O que isso faz de você?” Ele diz: “Um pecador.” Eu insisto:
“Não, não. Especificamente, o que isso faz de você?” Ele responde: “Hei, cara, eu não sou
mentiroso.” Eu pergunto: “Quantas mentiras você precisa contar para ser considerado mentiroso?
Não é verdade que se você contar pelo menos uma mentira, isso já faz de você um mentiroso?” Ele
diz: “É... acho que você está certo.” Eu pergunto: “Já roubou alguma coisa em sua vida? Mesmo
algo de pouco valor?” e ele diz: “Não” Então, digo: “Espere aí, você acabou de admitir que é um
mentiroso.” e pergunto: “O que isso faz de você?” Ele diz: “Um ladrão.” Continuo dizendo: “Jesus
disse que se você olhar para uma mulher para cobiçá-la, você comete adultério com ela em seu
coração.” (Mt 5.28). Já fez isso? Ele responde: “Já. Uma porção de vezes.” Então, por sua própria
admissão, você é um mentiroso, um ladrão e adúltero de coração, e terá que enfrentar a Deus no Dia
do Julgamento; e olha que nós apenas usamos três dos Dez Mandamentos. Há mais outros sete com
os seus canhões apontados para você. Você alguma vez já usou o nome de Deus em vão?” “É...
tenho tentado parar.” Então o questiono: “Sabe o que você está fazendo? Ao invés de usar uma
palavra nojenta de cinco letras que começa com ‘m’ para expressar sua raiva, você está usando o
nome de Deus em seu lugar. Isso se chama blasfêmia; e a Bíblia diz: “De toda palavra frívola que
alguém proferir, dela prestará contas no Dia do Julgamento’ (Mt 12.36). “O Senhor não terá por
inocente aquele que tomar Seu nome em vão.” (Êx 20.7) A Bíblia diz que se você odeia alguém,
você é assassino (1Jo 3.15).

Agora, o maravilhoso sobre a Lei de Deus é que Deus se ocupou de escrevê-la em nossos corações.
Romanos 2.15: “pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente à sua
consciência...” A palavra consciência significa “com conhecimento”. “Con” quer dizer “com” e
“ciência” significa “conhecimento”. Consciência. Então, toda vez que ele mente, cobiça
[sexualmente], fornica, blasfema, comete adultério, faz isso com conhecimento de que isso é errado.
Deus deu luz a todas as pessoas. O Espírito Santo os convence do pecado, da justiça e do
julgamento (Jo 16.8). O pecado que é transgressão da lei (1Jo 3.4); a justiça que é da Lei (Rm 10.5;
Fp 3.9); julgamento que é pela Lei. Sua consciência o acusa – a obra da Lei escrita em seu coração
(Rm 2.15) – e a Lei o condena.

Então, digo “Se Deus o julgar por este padrão no Dia do Julgamento, você será inocente ou
culpado?” Ele diz: “Culpado.” Então, digo assim: “E você acha que vai para o céu ou inferno?” e a
resposta de costume é: “Para o céu.” – um produto do “evangelho” moderno. Eu pergunto: “Por que
acha isso? Seria porque você acha que por Deus ser bom Ele vai relevar os seus pecados?” Ele
responde: “É isso aí. Ele vai relevar os meus pecados.” “Bem, tente isso em um tribunal. Imagine
que você cometeu estupro, assassinato, tráfico de drogas – vários graves crimes. O juiz diz: ‘Você é
culpado. Todas as provas estão aqui. Tem alguma coisa a dizer antes de eu proferir sua sentença?”
Você responde: “Sim, Senhor Juiz. Gostaria de dizer que acredito que o senhor é um bom homem e
vai relevar meus crimes.” O juiz provavelmente diria: “Tem razão em relação a uma coisa: sou
mesmo um bom homem e, por causa de minha bondade, me certificarei que a justiça seja feita. Por
causa da minha bondade, vou me certificar de que você seja punido.” E a mesmíssima coisa que os
pecadores acham que há de salvá-los no Dia do Julgamento – a bondade de Deus – será o que vai
condená-los. Por Deus ser bom, Ele deve, por natureza, punir todos os assassinos, estupradores,
ladrões, mentirosos, fornicadores e blasfemos. Deus vai punir o pecado onde quer que ele se
encontre.

Ora, com esse conhecimento, o pecador passa a ser capaz de compreender a mensagem. Ele, agora,
tem a luz necessária para entender que seu pecado é primeiramente vertical: que “pecou contra o
Céu” (Lc 15.21). Que violou a Lei de Deus e irou a Deus e que sobre ele a ira de Deus permanece
(Jo 3.36). Agora ele pode ver que foi “pesado na balança” da justiça eterna e “foi achado em falta”

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(Dn 5.27). Agora entende a necessidade de um sacrifício. “Cristo nos redimiu da maldição da Lei
fazendo-se maldição por nós.” (Gl 3.13). “Deus demonstrou Seu amor por nós, pois enquanto ainda
éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5.8). Nós quebramos a Lei. Cristo pagou a multa. É
simples assim. E se as pessoas se arrependerem e colocarem sua fé em Jesus, Deus cancelará os
seus pecados para que no Dia do Julgamento, quando o processo for reaberto, Deus possa dizer:
“Seu processo foi encerrado por falta de provas.” “Cristo nos redimiu da maldição da Lei fazendo-
se maldição por nós” e, portanto, o redimido passa a exercitar o arrependimento para com Deus, a fé
em nosso Senhor Jesus Cristo (At 20.21), coloca sua mão ao arado e não olha para trás, pois agora
está apto para o reino (Lc 9.62). A palavra apto significa “pronto para o uso”. O solo de seu coração
foi transformado para que pudesse receber as palavras gravadas que podem salvar sua alma (Tg
1.21).

Bom, eu não tenho tempo para compartilhar muitas citações com vocês, mas elas estão no material
impresso que vocês receberam. Estou certo que vocês reconhecerão estes nomes: John Wycliffe, o
tradutor da Bíblia. Ele disse: “O maior serviço que alguém pode fazer na terra é pregar a Lei de
Deus.” Por quê? Porque a Lei conduz os pecadores à fé no Salvador, à vida eterna.

Martinho Lutero disse: “O primeiro dever do pregador do Evangelho é declarar a Lei de Deus e
expor a natureza do pecado.” De fato, conforme lemos estas citações, reconhecemos nestes homens
uma convicção tão grande que podemos sentir seus dentes travados. Esses homens disseram coisas
do tipo: “Se não usarmos a Lei na proclamação do Evangelho, encheremos nossas igrejas de falsos
convertidos.” Pessoas com um coração cujo solo é pedregoso e que apenas inicialmente recebem a
mensagem com alegria.

Escutem só o que Martinho Lutero disse também: “Satanás, o deus de toda dissensão levanta novas
seitas diariamente. Uma de suas manobras mais recentes, que eu jamais suspeitaria poder vir a
existir, foi de levantar uma seita na qual se prega que as pessoas não deveriam ter medo da Lei, e na
qual as pessoas são gentilmente exortadas pela pregação da graça de Cristo”, o que resume
perfeitamente uma grande parte do evangelismo moderno.

John Wesley disse a um jovem amigo evangelista: “Pregue 90% lei e 10% graça” Então, pode-se
questionar: “90% Lei e 10% graça? Muito pesado. Será que não dava para ser 50% para cada uma?”
Pense assim: Eu sou o médico, você o paciente. Você tem uma doença terminal. Eu tenho a cura,
mas é absolutamente essencial que você esteja totalmente comprometido com a cura, pois, se não
estiver 100% comprometido, não funcionará. Como devo lidar com essa situação? Provavelmente
assim: “Venha cá. Sente-se. Tenho notícias muito sérias para dar-lhe: você tem uma doença
terminal.” Você começa a tremer. Eu penso comigo mesmo: “Ótimo. Ele está começando a perceber
a seriedade da situação.” Apresento gráficos, raios-X, mostro-lhe a doença consumindo seu
organismo. Falo-lhe por Dez Minutos sobre esta terrível doença. Quanto tempo, então, você acha
que eu terei que falar da cura? Não muito tempo. Então, quando você estiver tremendo depois dos
dez minutos, eu digo: “A propósito, eis a cura.” Você agarra o medicamento e o engole com
vontade. Seu conhecimento da doença e de sua horrível conseqüência fez com que desejasse a cura.

Sabem, antes de eu ser Cristão, eu tinha tanto desejo de justiça quanto um garoto de quatro anos tem
pela palavra “banho”. Qual a questão? Jesus disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de
justiça.” Mas, quantos descrentes você conhece que tem fome e sede de justiça? A Bíblia diz: “Não
há quem busque a Deus.” (Rm 3.11). Ela diz que eles amam a escuridão e odeiam a luz; não virão à
luz, a não ser que seus feitos sejam expostos (Jo 3.19-20). A única coisa que bebem como se fosse
água é a iniqüidade (Jó 15.16). Contudo, na noite em que fui confrontado com a natureza espiritual
da Lei de Deus e entendi que Deus exige a verdade no íntimo (Sl 51.6), que Ele via meus

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pensamentos e considerava a lascívia como o mesmo que adultério, e ódio como homicídio,
comecei a pensar: “Vejo que estou condenado. O que preciso fazer para me acertar?” Comecei a
sentir sede de justiça. A Lei pôs sal em minha língua. Ela foi o aio para me levar a Cristo.

Charles Spurgeon disse: “Não aceitarão a graça até tremerem diante de uma Lei justa e santa.” D.L.
Moody, John Bunyan, John Newton, que escreveu “Maravilhosa Graça” (e se alguém podia falar
sobre graça com tanta propriedade esse era Newton). John Newton disse que “a correta
compreensão da harmonia entre Lei e Graça nos preserva de ser enredados por erros tanto na mão
direita quanto na esquerda.”

Charles Finney disse “Cada vez mais, a Lei deve preparar o caminho para o Evangelho.” Disse
ainda: “Negligenciar isto na instrução das almas certamente resultará em falsa esperança, na
introdução de um padrão falso da experiência Cristã, e encherá a igreja de falsos convertidos.”

Santos, esta foi a primeira frase que David Wilkerson disse a mim quando me ligou do telefone do
seu carro: “Eu pensava que era o único que não acreditava em ‘acompanhamento.’” Vejam, eu
acredito que devemos alimentar um novo convertido; Creio que devemos nutri-lo. Creio que
devemos discipulá-lo – isto é bíblico e extremamente necessário. Mas, não acredito em fazer
‘acompanhamento’. Não consigo encontrar tal prática nas Escrituras. O Eunuco Etíope foi deixado
sem ‘acompanhamento’ algum. Como ele conseguiu sobreviver? Tudo o que ele tinha era Deus e as
Escrituras. ‘Acompanhamento’... Bem, deixem-me primeiro explicar o que é ‘acompanhamento’
para aqueles que não sabem o que é isso. ‘Acompanhamento’ é quando conseguimos decisões para
Cristo, ou através de cruzadas ou na igreja local, e designamos obreiros para fazer a colheita, sendo
tão poucos quanto os obreiros já são, diga-se de passagem, dando-lhes a desanimadora tarefa de
correr atrás destas decisões para se certificar de que prosseguirão com Deus. Isso na verdade é uma
triste admissão da quantidade de confiança que nós temos no poder de nossa mensagem e no poder
sustentador de Deus. Se Deus os salvou, Deus os sustentará. Se forem nascidos de Deus, jamais
morrerão. Se Ele começou uma boa obra neles, Ele a completará até aquele dia (Fp 1.6); Se Ele for
o autor de sua fé, Ele será [também] o consumador de sua fé (Hb 12.2). Ele pode também salvar
perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus (Hb 7.25). Ele é capaz de sustentá-los para que não
caiam e apresentá-los imaculados e jubilosos diante de Sua presença e glória (Jd 24). Jesus disse:
“Ninguém irá arrebatá-los da mão de meu Pai” (Jo 10.29).

Vejam, santos, o problema é que Lázaro já está com quatro dias de morto (Jo 11). Podemos entrar
na tumba correndo, podemos puxá-lo para fora, podemos colocá-lo de pé, podemos abrir os seus
olhos, mas ele “cheira mal” (v. 39). Ele precisa ouvir a voz do Filho de Deus. Os pecadores estão
mortos “há quatro dias” em seus pecados. Podemos correr a eles e dizer: “Façam esta oração.”
Ainda assim, precisarão ouvir a voz do Filho de Deus, ou não haverá vida neles; e o que prepara o
ouvido dos pecadores para ouvir a voz do Filho de Deus é a Lei. É o aio para levá-los a Cristo para
que possam ser justificados pela fé (Gl 3.24). Santos, a Lei funciona; ela converte a alma (Sl 19.7).
Torna a pessoa uma nova criatura em Cristo: “As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez
novo.” (2Co 5.17). Então, quando encontrar um pecador, experimente a Lei nele. Mas, ao fazer isso,
lembre-se desta anedota:

Você está viajando em um avião, saboreando seu café, beliscando um biscoitinho


e assistindo um filme. O vôo está ótimo, muito agradável mesmo, quando,
repentinamente, se ouve: “Aqui quem fala é o comandante. Tenho um
comunicado a todos. Como a cauda desta aeronave acabou de partir-se, nós
vamos cair. É uma queda de 25.000 pés. Há um pára-quedas sob sua poltrona.
Por gentileza, coloque-o agora. Obrigado por sua atenção e preferência.” Você

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diz: “O que? 25.000 pés!? Caramba, que felicidade estar de pára-quedas!” Aí,
você olha e vê o cara ao lado beliscando um biscoitinho, tomando um cafezinho
e assistindo um filminho e diz: “Com licença, você não ouviu o comandante?
Coloque o pára-quedas.” Ele vira para você e diz: “Ah, não acho que o
comandante se expressou direito. Além do mais, estou muito feliz assim.
Obrigado.” Agora, não vá se virar para ele de maneira sinceramente zelosa e
dizer: “Oh, por favor, coloque o pára-quedas. Será melhor que o seu filme.” Isso
não faz sentido! Se você lhe disser que o pára-quedas, de alguma forma, vai
melhorar o seu vôo, ele vai colocá-lo pelo motivo errado. Se quiser que ele
coloque o pára-quedas e continue com ele, avise-o sobre o salto. Vire-se para ele
e diga: “Com licença. Ignore o comandante se quiser, salte sem o pára-quedas.
Ploooooft no chão!” Ele diz: “Opa! Como é que você disse?” “Eu disse que se
você pular sem um pára-quedas, ploft no chão. Lei da Gravidade, lembra!?”
“Puxa vida! Agora entendi. Obrigado mesmo!” E enquanto este homem tiver o
conhecimento de que terá que saltar pela porta e enfrentar as conseqüências da
Lei da Gravidade, ninguém conseguirá arrancar-lhe o pára-quedas, pois sua vida
depende disso.

Agora, se olharmos à nossa volta, veremos vários passageiros aproveitando o vôo. Eles estão
desfrutando dos prazeres do pecado por algum tempo. Chegue a essas pessoas e diga: “Com licença.
Você ouviu a ordem do comandante sobre a salvação? ‘Coloque o pára-quedas de Cristo.’” A pessoa
se vira para você e diz: “Ah! Eu não acho que seja isso que Deus está querendo dizer. Deus é amor.
Além do mais, eu estou bem feliz assim como estou. Obrigado.” Não vá se virar de maneira zelosa,
mas sem conhecimento, e dizer-lhe: “Por favor, coloque o pára-quedas de Jesus Cristo. Ele te dará
amor, alegria, paz, realização pessoal e felicidade sem fim. Você tem um vazio em seu coração que
só Deus pode preencher. Se você tiver problemas no casamento, com drogas, álcool, só o que você
precisa fazer é entregar o seu coração a Jesus.” Não. Se fizer isso, você estará dando a essa pessoa o
motivo errado para o seu compromisso com Cristo. Ao invés disso, diga: “Deus, dê-me coragem!” e
avise sobre o salto. Só é preciso dizer: “Hei, está determinado às pessoas morrer uma só vez. Se
você morrer com seus pecados, Deus será forçado a fazer-lhe justiça – e o julgamento do Senhor
será completo. Pois, de Toda palavra frívola que as pessoas proferirem, prestarão contas no Dia do
Julgamento; Assim, se você alguma vez cobiçou alguém sexualmente, praticou adultério em seu
coração. Se, alguma vez na vida, sentiu ódio por alguém, você matou a pessoa em seu coração.
Jesus alertou que a justiça será completa – o punho cerrado da ira eterna virá sobre você (PLOFT!),
transformando-o em pó! Deus abençoe.” Entendam, santos, que não estou falando em pregar o fogo
do inferno. Tal pregação produz convertidos cheios de medo, o uso da Lei de Deu produz
convertidos cheios de lágrimas. Os primeiros vêm a Cristo por que? Porque querem escapar do fogo
do inferno, mas, em seus corações, acham que Deus é duro e injusto, pois a Lei de Deus não foi
usada para mostrar-lhes quão mal é o pecado. Não conseguem ver que merecem o inferno e,
portanto, não entendem misericórdia ou graça. Assim, falta-lhes gratidão a Deus por Sua
misericórdia. E gratidão é a motivação básica do evangelismo. Não haverá zelo no coração de um
falso convertido para evangelizar. No segundo caso, os pecadores vêm a Cristo sabendo que
pecaram contra Deus, que os olhos de Deus estão em todo lugar observando o bem e o mal; que
Deus vê a escuridão como se fosse pura luz; que Deus tem visto os seus pensamentos. Se Deus, em
Sua santidade, no dia da ira fizesse manifestos todos os seus pecados escondidos de seu coração,
todas as suas atitudes feitas às escondidas, se Ele fizesse manifesta toda a evidência de sua culpa,
Deus os tomaria por algo impuro e os lançaria no inferno, aplicando-lhes a justiça. Mas, ao invés
disso, Deus deu-lhes misericórdia, demonstrou-lhes o seu amor, pois enquanto ainda eram
pecadores Cristo morreu por eles. Assim, caem de joelhos diante da cruz manchada de sangue e
dizem: “Oh, Deus, se fizeres isto por mim, farei tudo por Ti. Me apraz fazer a tua vontade, oh, meu

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Deus. Tua Lei está escrita em meu coração.” E, da mesma maneira que o homem que sabia que teria
que saltar pela porta do avião e enfrentar as conseqüências por quebrar a lei da gravidade e, por
isso, jamais tiraria o pára-quedas pois sua própria vida dependia dele, assim também é todo aquele
que chega ao Salvador sabendo que terá que deparar-se a Deus face a face no dia da ira: jamais
desprezará a justiça de Deus em Cristo, pois sua própria vida depende disso.

Deixem-me ver se posso ilustrar bem a questão ao nos aproximarmos do término desta mensagem.
Estava em uma loja algum tempo atrás e o proprietário estava a servir um cliente usando o nome de
Deus de forma blasfema. Bem, se alguém usasse o nome de minha esposa de forma blasfema, isto é,
em lugar de um palavrão, eu ficaria extremamente ofendido com isso. Mas, aquele cara estava
usando o nome de Deus como um palavrão – o nome do Deus que lhe dera vida, seus olhos,
habilidade de pensar, seus filhos, seu alimento; todo prazer que já tivera até aquele momento lhe
tinha sido dado pela bondade de Deus – e ele estava usando o nome de Deus como um palavrão. De
maneira indignada, curvei-me entre ele e o freguês e disse: “Com licença, isso aqui é uma reunião
religiosa?” O cara se virou e disse: “Que diabos? Não!” “Ah, é sim! Pois agora você está falando do
diabo. Deixe-me dar um de meus livros de presente para você.” Então, fui até o meu carro e peguei
um livro que escrevi chamado Deus Não Acredita em Ateus: Evidência de que Ateus Não Existem.
É um livro que usa lógica, humor, raciocínio e racionalismo para provar a existência de Deus – que
é algo que se pode fazer em dois minutos sem usar fé. É algo muito simples para provar a existência
de Deus de maneira absolutamente conclusiva. Além disso, se prova também que ateus não existem.
Na verdade, deixem-me mostrar-lhes um de nossos adesivos para carro. “Dia Nacional do Ateu: 1º
de Abril”. [Continuando a história,] dei o livro ao proprietário da loja e, dois meses depois, voltei lá
para dar-lhe outro livro meu, Meu Amigos Estão Morrendo! Uma história verídica e pungente
sobre a ministração do Evangelho na parte mais perigosa de Los Angeles; um livro que também usa
humor em sua apresentação. Dei-lhe estes livros e, posteriormente, ele me ligou para contar-me o
que tinha acontecido: sua esposa começou a olhar feio para ele por estar lendo um livro chamado
Meus Amigos Estão Morrendo e dando risadas a cada dois minutos. Mas, acontece que ele estava
fazendo faxina em seu quarto e pegou o outro livro Deus não acredita em Ateus. “Ah!” (de maneira
desgostosa), disse ele, mas, ainda assim, leu a primeira página e, então, leu as outras 260 páginas do
livro. Ele me disse: “Aquilo foi estranho, pois detesto a leitura.” Aí, ele leu Meus Amigos Estão
morrendo!, entregou sua vida a Cristo, comprou uma Bíblia e, quando veio me fazer uma visita,
contou-me que, apenas dois dias após tornar-se Cristão, ele já tinha lido até o livro chamado Levi-
TÍ-co e, se eu me lembro bem, em seguida, ele iria ler o livro de Palmos e Jô. Seja como for, o fato
é que, até o momento de sua conversão o homem era um bruxo praticante. “A Lei do Senhor é
perfeita para converter a alma.”

É como se Deus estivesse olhando lá de cima para mim – durante todo o tempo em que, por muitos
anos, eu pregava em praça pública, combatendo o inimigo com o espanador de penas do
evangelismo moderno – e dizendo: “O que é que você está fazendo? As armas da minha milícia não
são carnais, mas poderosas em Deus, para demolição de fortalezas (2Co 10.4). Eis aqui dez grandes
canhões.” E, quando eu comecei a alinhar e apontar os dez canhões da Lei de Deus, os pecadores
pararam de caçoar e fazer pouco. Muito pelo contrário, seus rostos ficaram pálidos. Eles começaram
a erguer as mãos e dizer: “Eu me rendo” Entrego tudo a Jesus.” Começaram a vir para o lado dos
vencedores para nunca pensar em retroceder. Este tipo de convertidos se tornam ganhadores de
almas, ao invés de aquecedores de banco de igreja, obreiros, ao invés de preguiçosos, bens ativos,
ao invés de passivos para a igreja local.

E agora, santos, com suas cabeças erguidas e olhos abertos, e sem música alguma sendo tocada,
deixem-me desafiá-los sobre a validade de sua salvação. O evangelismo moderno diz: “Jamais
questione a sua salvação.” Porém, a Bíblia diz exatamente o contrário. Ela diz: “Examinai-vos a vós

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mesmos se permaneceis na fé” (2Co 13.5). É melhor que seja agora de que no Dia do Julgamento. A
Bíblia diz ainda: “Procurai fazer firme a vossa vocação e eleição” (2Pe 1.10) e alguns de vocês
sabem que há algo radicalmente errado com sua caminhada Cristã. Você perde sua paz e alegria
quando o vôo fica turbulento. Falta-lhe zelo para evangelizar. Jamais você caiu com rosto em chão
diante do Deus Todo-Poderoso e disse: “Pequei contra Ti, ó Deus! Tem misericórdia de mim!”
Nunca você correu para os braços de Jesus Cristo para ser limpo pelo seu sangue, clamando
desesperadamente: “Deus, tem misericórdia de mim, pois sou um pecador!” E tem mais: falta-lhe
gratidão, falta-lhe um zelo ardente pelos perdidos. Você não pode nem dizer que o fogo de Deus
queima em seu coração. Na verdade, há um grande perigo de estar entre aqueles chamados
“mornos” que serão cuspidos da boca de Cristo no Dia do Julgamento (Ap 3.16) quando as
multidões clamarão a Jesus: “Senhor, Senhor” e Ele dirá: “Apartai-vos de mim todos vós
[transgressores] que praticais a iniqüidade: nunca vos conheci.” (Mt 7.22-23). Ignoraram a Lei
Divina. A Bíblia diz mais: “Aparte-se da iniqüidade todo aquele que profere o nome do Senhor.”
Então, hoje mesmo, você precisa reajustar o motivo de seu compromisso. Amigo, não deixe o seu
orgulho impedi-lo. Gostaria de orar por você. Eu orarei daqui mesmo e você pode ficar aí onde está
sentado. E se você quiser se incluir nesta oração, eu gostaria que levantasse a sua mão, mas
lembrasse disso: se você pensar: “Bem, eu deveria levantar a minha mão, mas o que as pessoas vão
pensar?” Isso é orgulho, pois prefere a aprovação dos homens do que a de Deus (Jo 12.43). Todo
aquele que é orgulhoso de coração é abominação ao Senhor (Pv 16.5). Deus resiste aos orgulhosos,
mas dá graça aos humildes. Então, humilhe-se diante da poderosa mão de Deus e Ele, no tempo
certo, te exaltará (1Pe 5.5-6). Chame isso de renovação de compromisso. Chame de compromisso.
[Chame do que quiser.] Mas, seja lá de que você o chamar, certifique-se de seu chamado e eleição
(2Pe 1.10).

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VERDADEIRA E FALSA CONVERSÕES
por Ray Comfort

Esta noite, com a graça de Deus, gostaria de compartilhar um ensinamento chamado “Verdadeira e
Falsa Conversões.” Um ensinamento muito esclarecedor que creio ser extremamente necessário à
igreja contemporânea.

Tenho uma mensagem que se chama “O Maior Segredo do Diabo” que lida com o uso da Lei em
evangelismo. Na verdade, a Lei de Deus, os Dez Mandamentos, foi a essência da proclamação do
evangelho de homens como Wesley, Moody, Whitefield, Jonathan Edwards – todos estes
extraordinários homens que Deus usou grandemente. Eles disseram que se não usarmos a Lei, quase
que certamente acabaremos por levar as pessoas a falsas conversões.

Estava lendo na revista American Horizons – que é a revista oficial de uma das maiores
denominações dos Estados Unidos, contando com 11.500 igrejas por todo o país – que em 1991, seu
primeiro ano do que chamaram a “década da colheita”. . . esta denominação conseguiu 294.000
decisões por Cristo. Mais tarde, descobriram que somente havia 14.000 destes congregando. Ou
seja, não podiam mais contar com 280.000 das decisões por Jesus. E estas são estatísticas normais
do evangelismo moderno tanto em cruzadas quanto em igrejas locais.

Muitos convertidos não se desviam. Eles recebem acompanhamento e são encaixados na igreja local
onde são cercados de uma boa vida social, e continuam dentro da igreja sendo assegurados de que
estão salvos, mesmo quando não há base alguma para sua salvação, pois não possuem as marcas
que acompanham a salvação.

Bem, isto tem acontecido, esta grande tragédia tem acontecido, simplesmente porque não temos
seguido o exemplo bíblico e pregado a Lei aos orgulhosos e a graça aos humildes. Sempre, quando
vemos Jesus abordar uma pessoa arrogante, orgulhosa e soberba para falar-lhe do evangelho, Ele
usa a lei antes da graça. Sempre. Com a Lei Ele quebrava o coração duro e com o evangelho e
curava o coração partido.

Por que Ele fazia isso? Porque sempre fazia o que era agradável aos olhos do Pai. “Deus resiste aos
orgulhosos e dá graça aos humildes.”

Vemos isso freqüentemente nas Escrituras, isto é, Jesus resistindo aos soberbos e dando graça aos
humildes. Tanto o jovem rico quanto o arrogante e soberbo doutor da Lei que se levantou para
tentá-lo. Em ambos os casos, Jesus deu-lhes a Lei. Deu-lhes os Dez Mandamentos. Quando pessoas
chegavam a Ele em humildade, com o conhecimento do pecado pela Lei, isto é, Judeus que
buscavam a Deus, Ele lhes dava a graça.

Paulo diz em Romanos 7.7: “Não conheci o pecado a não ser pela Lei.” Charles Finney disse:
“Continuamente a Lei deve preparar o caminho para o evangelho.” Bem, Finney teve uma taxa de
retenção de 80%. Ele disse: “Continuamente a Lei deve preparar o caminho para o evangelho. Se
negligenciarmos isto ao instruir as almas, o resultado quase que certamente será falsa esperança, a
introdução de um falso padrão na experiência Cristã e encherá a igreja de falsos convertidos.” Em
seguida, ele disse: “O tempo se encarregará de deixar isto bem claro.”

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John Wesley disse daqueles que não usavam a Lei de Deus em evangelismo: “Tudo isso procede da
mais profunda ignorância da natureza e propriedades e do uso da Lei, e prova que aqueles que assim
agem ou não conhecem Cristo ou são estranhos à fé viva, ou ainda são bebês em Cristo, e como tais,
despreparados na Palavra da justiça.”

Martinho Lutero, em seu comentário de Gálatas, que é o livro que fala sobre a liberdade da lei de
Deus, discorreu a respeito de uma seita que se levantou em seu tempo com uma doutrina satânica.
Veja do que se tratava tal doutrina. Ele disse: “Satanás, o deus de toda dissensão, levanta novas
seitas diariamente. A última delas, que jamais poderia ter previsto ou suspeitado, foi levantar uma
seita em que se prega que os Dez Mandamentos deveriam ser retirados da igreja, e que as pessoas
não deveriam mais ficar aterrorizadas pela Lei, mas gentilmente exortadas pela pregação da graça
de Cristo.”

Ele chamou tal prática de seita, uma nova seita que se levantou, uma sutileza satânica, e disse que
jamais suspeitaria que pudesse existir. Ficou horrorizado com o pensamento de que não deveríamos
usar a Lei, mas, ao invés disso, de que deveríamos gentilmente exortar as pessoas a virem a Cristo,
pregando apenas a graça, que resume perfeitamente os métodos do evangelismo moderno.

Charles Spurgeon disse: “Nunca aceitarão a graça até tremerem diante de uma Lei justa e santa.”
George Whitefield disse: “É por esta razão que temos tantos convertidos do tipo cogumelo.” Isto é,
aparecem, crescem e desaparecem do dia para a noite, pois seu solo pedregoso não foi arado. Não
possuem a convicção da Lei. São pessoas cujo “solo é pedregoso” ou “falsos convertidos.”

Agora, com estes pensamentos como introdução, vejamos Romanos 7.4: “Assim também vós, meus
irmãos, fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo, para pertencerdes a outro, àquele que
ressurgiu dentre os mortos a fim de que demos fruto para Deus.”

No livro “O Maior Segredo do Diabo”, damos uma ilustração de um motorista negligente que
atravessa uma cidade a uma perigosa velocidade de 180 km/h. Ele estava bêbado, mas não havia
qualquer lei estabelecendo o limite máximo de velocidade. Então a câmara de vereadores se reuniu
e aprovou uma lei que estabelecia 60 km/h como limite máximo de velocidade, e que qualquer
transgressor seria multado em R$ 200,00 para cada quilômetro excedido. O tal motorista
irresponsável volta a acelerar outra vez e é preso pela polícia. Ele é conduzido à presença do juiz,
que é o seu próprio pai, o único juiz da cidade. Ele é declarado culpado. Não tendo dinheiro, defesa
alguma a apresentar e sem poder levantar os R$ 24.000,00 da multa, ele é lançado na prisão.
Conforme aguarda na prisão, seu pai chega, abre a porta e diz a seu filho que vendeu todos os seus
bens para levantar os R$ 24.000,00 e pagar a multa. “Você está livre, meu filho” – diz o pai.

Após tal demonstração de amor, tão grande sacrifício da parte do pai, qual seria a atitude do filho
em relação à lei? Bem, primeiro, a lei foi satisfeita. Assim que a multa foi paga, o jovem pôde ser
liberado. Ele pôde rir da lei. O juiz pôde dizer: “você está livre.” A lei não tinha mais exigência
nenhuma sobre ele devido ao sacrifício e pagamento do pai. A lei havia sido satisfeita.

E qual a atitude do filho em relação ao seu pai? Qual sua atitude? Bem, ele fica cheio de gratidão
por causa do sacrifício, e é tomado por um quebrantamento por seu pai ter feito uma coisa assim por
ele, apesar de sua transgressão. O jovem passa a viver em honra ao pai. A partir deste momento, ele
quer viver para fazer a vontade do pai.

Vejam a atitude de um crente na Lei. Romanos 7.4 outra vez, “Assim também vós, meus irmãos,
fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo.” Eis o sacrifício do pai. Foi isso que satisfez

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a Lei; “Cristo nos redimiu da maldição da Lei fazendo-se maldição por nós.” “Assim também vós
fostes mortos quanto à lei mediante o corpo de Cristo,” A Lei não tem mais exigência sobre o
crente. “Não há condenação àqueles que estão em Jesus Cristo, que não andam segundo a carne,
mas segundo o Espírito.” “para pertencerdes a outro, àquele que ressurgiu dentre os mortos a fim de
que demos fruto para Deus.”

Então, o verdadeiro crente dá frutos de um novo estilo de vida, um estilo de vida que é agradável à
vista do Deus todo poderoso. Se estamos enraizados em Cristo, isso precisa estar evidente. Jesus
disse: “Eu sou a videira, vós sois os ramos. Aquele que habita em Mim e Eu nele, este dá muito
fruto.” Colossenses 1, falando do Evangelho, diz: “o Evangelho gera frutos no crente.”

Certo. O que a Bíblia quer dizer quando fala de frutos? Especificamente? Bem, Nº 1, o fruto de
arrependimento (Mt 3.8). Zaqueu tinha mais do que “lágrimas em seus olhos.” Ele disse: “Senhor,
se em alguma coisa tenho defraudado alguém, eu lho restituo quadruplicado. Darei metade de meus
bens aos pobres.” Ele conhecia a Lei de Deus. Ele era um judeu que buscava a Deus. Foi isso que o
trouxe a Cristo. Este foi o aio que o levou a Cristo, buscar a Deus por conhecer a Sua Lei. Ou será
que eu deveria dizer: “um judeu tornado humilde pela Lei.” Ele disse: “Senhor, se em alguma coisa
tenho defraudado alguém, eu lho restituo quadruplicado,” – era isto o que a Lei exigia.

Lembro que há alguns anos uma loja que divulgou em um jornal que havia achado uma sacola de
papel marrom em frente à sua porta na segunda pela manhã. Um funcionário da loja a abriu e
encontrou uma calça e um bilhete no qual estava escrito: “Roubei esta calça na sexta-feira, virei
Cristão no domingo. Aqui estão suas calças na segunda. Sinto muito.” Isso é que se chama fruto de
arrependimento.

Em segundo lugar, o fruto de boas obras. Colossenses 1.10. John Wesley disse: “Faça todo o bem
que puder, por todos os meios que puder, de todas as maneiras que puder, em todos os lugares que
puder, para todas as pessoas que puder, por todo o tempo que puder.”

Ah! E se houve alguém zeloso com Evangelismo, este foi John Wesley. Ele possuía um zelo que
virou o Reino Unido de cabeça para baixo. Mas, ele disse: “Faça todo o bem que puder”, pois vira
nas Escrituras que as boas obras são uma ferramenta legítima para o evangelismo.

Agora, a igreja moderna, devido ao que aconteceu com algumas ardentes organizações Cristãs ao
longo dos anos que se engajaram no serviço social, perceberam que começaram a pender para um
lado, e se desviaram das boas obras. Mesmo assim, a Bíblia diz no livro de Tito: “Aqueles entre vós
que têm crido em Deus, tende cuidado em manter as boas obras.” Jesus disse: “Que sua luz brilhe
diante dos homens para que vejam suas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está no Céu.”

Logo quando me tornei cristão, eu poderia ser considerado como fanático pelas pessoas do mundo,
quer dizer, fanático mesmo. E não mudei nada desde então! Eu fiz jaquetas de couro e casacos de
camurça sob encomenda durante anos. Acho que fiz uns 1500 num período de 10 anos, seguindo os
passos de meu Pai. Sabem quem foi o primeiro a fazer uma jaqueta de couro? O livro de Gênesis
nos informa. Foi Deus. . . foi Ele que vestiu Adão e Eva com pele de um animal. Sem essa de
homens das cavernas. Algo bem alinhado, com botões recobertos. Coisa fina, sabem? Quando Deus
faz algo, Ele faz direito.

Na verdade, eu divulgava os meus serviços através de um folheto que dizia: “Deus foi o primeiro a
matar um animal e a vestir os seres humanos com pele de animal.” Eu vivia dizendo que estava
seguindo os passos de meu Pai e que eu era protegido pela cobertura que Deus oferece através de

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Cristo Jesus.

Bem, mas na vitrine de minha loja, que media 3 metros por 2 metros e 40 centímetros, e que
permitia a entrada da luz em minha loja. . . Bom, um Hare Krishna foi salvo por Cristo bem ali na
frente da loja. O que o levou a Cristo? Será que foi uma pregação? Não, foi o aperto de mão de um
cristão. Ele sentiu algo tão autêntico neste aperto de mão que resolveu levar a mensagem do
evangelho a sério, entregou sua vida a Jesus e, em meia hora estava comendo uma bisteca.
Realmente foi liberto!

Então, perguntei àquele homem: “Ron, o que você faz da vida?” Ele respondeu: “Abro letreiros,
trabalho com sinalização.” Eu disse a ele: “É mesmo?” Aí, comprei uma peça de madeira de três
metros por dois metros e quarenta centímetros e o contratei para que abrisse um letreiro com o texto
de João 3.1-16 para colocar na minha vitrine. Um trabalho imenso para o coitado. Ele me contou
que ficou noite após noite fazendo a sinalização que eu havia solicitado e, certa noite, se sentiu
muito desanimado porque estava demorando cerca de meia hora por letra para que o resultado
ficasse bom. Assim, ele levantou-se de onde estava sentado abrindo o letreiro, afastou-se um pouco
para observar o resultado do que estava fazendo e leu: “Ninguém pode fazer estes sinais que fazes
se Deus não estiver com ele,” e sentiu-se grandemente encorajado pelo Senhor.

Seja como for, mandei colocar a placa na vitrine, e na porta mandei pôr: “Eis que estou à porta e
bato,” um montão de passagens bíblicas. E a mesma entrada da minha loja dava também para a loja
de um barbeiro. Certo dia, esse barbeiro me chamou e disse: “Ray, tenho que te contar uma
coisa. . .” Ele disse: “As pessoas vem aqui na minha loja e se sentam ali, olham para a sua loja e
dizem enojadas: “Que fanático esse seu vizinho.” E depois não dizem mais nada, até a hora de
saírem com uma expressão de reprovação no rosto.”

“Mas,” continuou ele, “há alguns meses quando você lançou aquele livreto Meus Amigos Estão
Morrendo e se engajou na luta contra entorpecentes, essas mesmas pessoas começaram a vir à loja,
sentar-se para cortar o cabelo e dizer: ‘Bom trabalho que esse jovem seu vizinho está fazendo.’”

Isso tudo era fruto de 1 Pedro 2.15. Escutem só: “Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo o
bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos.” “Porque assim é a vontade de Deus, que,
fazendo o bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos.” Se você for um cristão rico em boas
obras, as pessoas vão começar a dizer: “Não creio no que ele crê, mas, cara, posso ver que ele é
genuíno.” Você os fará silenciar, calará as suas bocas através de suas boas obras.

Percebi isso há alguns anos e, então, como pastor assistente de uma assembléia local, disse assim:
“Vamos começar a fazer boas obras.” Assim, fui a um lugar onde vendiam legumes e disse aos
proprietários: “Olhem, quero doar 100 sacolas de legumes nas redondezas de nossa igreja local.
Vocês poderiam ser nossos fornecedores?” Eles responderam: “Claro. Se você colocar o nome de
nossa loja nas sacolas faremos um preço bom para você. Na verdade, forneceremos o dobro do que
solicitou” E foi assim. Eles nos deram um saco de um metro de altura cheio de cenouras, repolhos,
milho, todo tipo de legume e colocaram a logomarca nas sacolas.

Então, pegamos um caminhão, colocamos uma cartinha em cada sacola que dizia algo assim: “Caro
Amigo...” Nada de “Saudações no maravilhoso nome de Jesus,” nada que fizesse referência ao
cristianismo. Bom, a cartinha dizia assim: “Caro amigo ou vizinho, nos importamos com você,
somos uma igreja local. Se pudermos ajudar a aparar a sua grama, consertar a sua cerca ou qualquer
outra coisa, por favor, conte conosco. Estamos aqui para servi-lo. Atenciosamente. . .” e
assinávamos. Em seguida, colocávamos as sacolas nos portões de 100 casas. E havíamos avisado

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para o pessoal que estava fazendo a entrega para não bater à porta, não bater papo com as pessoas e
não dar a impressão de que estávamos tentando nos intrometer.”

A reação foi incrível. As pessoas começaram a nos parar na rua e cair no choro. Certa mulher caiu
no choro de gratidão. Outra mulher disse assim: “Moro nesta região faz 60 anos, e esta é a primeira
vez que a igreja local faz algo por mim.” Outra disse: “Sou atéia, mas gostaria que soubessem que
lhes desejo tudo de bom junto à comunidade.”

Um outro sujeito, cuja namorada tinha se comprometido com o Senhor, ficou furioso e socou a
parede com ódio, pois era um ateu professo e não suportou ver um exemplo evidente do amor de
Deus naqueles legumes. Ficou realmente furioso. Foi algo maravilhoso, sabem? Outra mulher disse:
“Mal pude acreditar que aqueles legumes eram meus.” Dois dólares, dois dólares foi só o que nos
custou cada sacola daquelas. Dois dólares. “Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo o bem,
façais emudecer a ignorância dos insensatos.” “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens,
para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Fruto de boas
obras.

Número três, o fruto de ação de graças (Hb 13.15). Se você realmente for salvo, deverá haver um
clamor em seu coração: “Graças a Deus pelo seu dom inefável.” Se não houver o fruto de ação de
graças, se não houver gratidão queimando em sua alma, você pode não ser salvo.

Número quatro, os frutos do Espírito (Gl 5.22), que devem ser evidenciados em “amor, gozo, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”

Número cinco, o fruto de justiça [retidão] (Fp 1.11). Deve haver o fruto daquilo que é correto, o
fruto da retidão em seu estilo de vida. Lembrem-se que Mateus 3.10 diz assim: “Toda árvore que
não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.” Portanto, como cristãos, em nossos esforços
evangelísticos, devemos fazer todo o possível não apenas para conseguir decisões por Cristo,
porque “toda árvore que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.”

Agora vamos observar o que diz Marcos 4.3 para compreendermos o que nos impede de produzir e
o que produz frutos genuínos. Marcos 4.3.

Quando a Bíblia diz: “Ouça,” o que ela está fazendo é tocar uma trombeta e dizendo: “Isto é
importante.” Toda vez que Jesus dizia palavras como “ouça,” era como uma trombeta. No versículo
3 de Marcos 4, Jesus usa esta palavra com bastante ênfase, como uma grande trombeta para alertar
que aquilo que ele estava por dizer era extremamente importante.

Ele disse: “Eis que o semeador saiu a semear; e aconteceu que, quando semeava, uma parte da
semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. Outra caiu no solo pedregoso,
onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra em profundidade; mas, saindo o
sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou. E outra caiu entre espinhos; e cresceram os
espinhos, e a sufocaram; e não deu fruto. Mas outras caíram em boa terra e, vingando e crescendo,
davam fruto; e um grão produzia trinta, outro sessenta, e outro cem. E disse-lhes: Quem tem
ouvidos para ouvir, ouça.”

“Quando se achou só, os que estavam ao redor dele, com os doze, interrogaram-no acerca da
parábola. E ele lhes disse: A vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se
lhes diz por parábolas; para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam;
para que não se convertam e sejam perdoados.”

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“Disse-lhes ainda: Não percebeis esta parábola? Como pois entendereis todas as parábolas? O
semeador é aquele que semeia a palavra. E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a
palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi
semeada. Do mesmo modo, aqueles que foram semeados nos lugares pedregosos são os que,
ouvindo a palavra, imediatamente com alegria a recebem; mas não têm raiz em si mesmos, antes
são de pouca duração; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se
escandalizam. Outros ainda são aqueles que foram semeados entre os espinhos; estes são os que
ouvem a palavra; mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça doutras coisas,
entrando, sufocam a palavra, e ela fica infrutífera. Mc 4.20 Aqueles outros que foram semeados em
boa terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, a trinta, a sessenta, e a cem, por um.”
Acho que o versículo 13 é um dos versículos-chave em toda a Bíblia. Jesus lhes disse: “Não
entendeis esta parábola? Como então entenderão todas as outras parábolas?” Em outras palavras, a
parábola do semeador é a chave que revela o mistério de todas as outras parábolas. Quando
compreendemos que a parábola do semeador é sobre verdadeira e falsa conversões, isto é, pessoas
de solo pedregoso, pessoas de solo espinhoso, pessoas de bom solo que são, respectivamente, dois
falsos e um verdadeiro, começamos a entender as outras parábolas, ou seja, que tratam de
verdadeira e falsa conversões. Os bons peixes e os peixes maus – verdadeiros e falsos. As virgens
néscias (falsas) e as sábias (verdadeiras). O homem que construiu sua casa sobre a rocha, um
genuíno convertido. O homem que construiu sua casa sobre a areia, um falso convertido.

Sabem, eu pensava que o homem tolo que construiu sua casa na areia fazia referência aos
descrentes. Nada disso. Leia o que Jesus disse: “Aquele que ouve minhas palavras e não as obedece
é como o homem tolo que construiu sua casa na areia.” Os descrentes não ouvem as palavras de
Deus. A maioria deles conhece o versículo “Não julgueis, para que não sejais julgados.” e a regra de
ouro “Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também.” E
utilizam ambos os versículos de maneira distorcida, e não os compreendem.

Não, não, não! Nossas igrejas estão cheias de pessoas que ouvem as palavras de Jesus e não as
obedecem. Não evangelizam, mesmo tendo Jesus dito: “Vós sois minhas testemunhas”, “Deixe que
sua luz brilhe”, “Ide por todo o mundo e pregue o evangelho a toda criatura.” Desobedecem
continuamente. Essas pessoas são como o homem que construiu sua casa na areia.

Agora, usando a harmonia do evangelho, estudaremos seis características de um falso convertido, o


ouvinte de solo pedregoso.

Em primeiro lugar, com o falso convertido, de acordo com Marcos 4.5, os resultados aparecem
de imediato. Eles não pesam as conseqüências. O evangelho que ouvem não é um evangelho
precedido pela Lei. Eles não são levados a tremer diante do trono de um Deus santo. A única coisa
que querem é ter a certeza de que vão para o céu quando morrerem. Quer dizer, na verdade, já
acham que estão indo para o céu. A maioria das pessoas pensa assim. Por quê? Porque estabelecem
os seus próprios padrões de justiça, ficando ignorantes da justiça de Deus.

62% dos Americanos crêem em um inferno literal, mas não acreditam que estão rumando para lá.
Acham-se bons demais. Isso faz parte da natureza humana. “Muitos há que proclamam a sua
própria bondade” “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte.”
O evangelho moderno diz: “Tenha certeza de que está indo para o céu. Você não deve ir para o
inferno. Venha e entregue a sua vida a Cristo. Tenha fé em Jesus,” e pregam a Cristo crucificado.

Assim, o pecador, achando que merece ir para o céu mesmo, vai à frente e “entrega o coração a

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Jesus”, fortalecendo a sua certeza de que está indo para o Céu. Contudo, não possui qualquer
entendimento de pecado, e como Paulo disse: “Não conheci o pecado senão pela Lei.” 1 João 3.4
diz: “pecado é a transgressão da Lei.” Então, continuando, o pecador fortalece ainda mais a sua
certeza de estar indo para o céu, a igreja faz o seu acompanhamento e o integra à congregação. Ele
faz novos amigos, inicia um novo estilo de vida, reconhece que tem um problema com alcoolismo,
toma atitudes para resolvê-lo, e as coisas começam a caminhar.

Contudo, não há arrependimento, e quando não há uma compreensão do pecado, não há tristeza
segundo Deus, que opera arrependimento. Jesus disse: “Se não vos arrependerdes, todos de igual
modo perecereis.” E nossas igrejas estão cheias de pessoas que têm certeza de sua salvação – mas
cuja certeza não vem do Espírito Santo. São pessoas que não pesam as conseqüências, pessoas das
quais é fácil conseguir uma “decisão por Cristo” usando a isca da vida eterna.

Em segundo lugar, falta umidade (Lc 8.6). Não há uma sede por Deus, pelo Deus-Vivo.

Em terceiro lugar, não há raiz (Mt 13.6). Não há profundidade do caráter de Deus.

Em quarto lugar, recebem a Palavra com alegria. Não apresentam tristeza segundo Deus porque a
Lei não foi usada para que pudessem se enxergar de maneira verdadeira. A Lei de Deus é como um
espelho. Quando não há espelho, você pode sair por aí o dia inteiro com o rosto sujo, a menos que
alguém o alerte.

Todos os dias, nos olhamos no espelho para vermos nosso estado. Você se levanta de manhã e se
olha no espelho para ver o estrago que foi feito durante a noite. Quer dizer, não há evidência maior
de que somos uma criação caída do que quando nos olhamos no espelho pela manhã. Quer dizer,
descansamos à noite esperando estar ótimos pela manhã, mas quando nos olhamos no espelho
vemos aqueles olhões inchados e nossa cara amassada!

Assim, os pecadores não se enxergam pela perfeita Lei da liberdade. A Lei de Deus é um espelho!
Portanto, não se lavam no sangue de Cristo, pois não se vêem como pessoas desesperadamente
necessitadas do perdão de Deus. Paulo disse: “Pelo mandamento o pecado se manifestou
excessivamente maligno.” (Rm 7.13). Enfim, recebem a Palavra com alegria (Mc 4.16).

Em quinto lugar, recebem a Palavra com alegria. Seu júbilo não é transformado em pranto, nem
sua alegria em lamentação (Mt 13.20).

Em sexto lugar, crêem por algum tempo (Lc 8.13), ou seja, o que ocorre é uma genuína falsa
conversão!

Imaginem então a figura de duas plantas. Uma é forte e tem aspecto saudável. A outra parece meio
raquítica. E se estivéssemos arrumando o nosso jardim e tivéssemos que escolher uma das duas
plantas para ser arrancada, provavelmente escolheríamos a menorzinha, pois, em nossa concepção,
a grandona estava indo bem.”

Contudo, imaginem esta cena: o sol vem saindo e sua luz começa a fazer a plantona murchar,
enquanto a nossa amiga raquítica parece dizer “estou muito bem, obrigado.” O que será que está
acontecendo, então? A razão de a planta aparentemente forte estar murchando enquanto a plantinha
começa a prosperar é porque debaixo da primeira planta existe uma camada de rochas. Assim, as
raízes da planta grande não conseguem se aprofundar, pois abaixo dela, só há pedras. A plantinha,
por sua vez, tinha um aspecto raquítico porque, por debaixo de si, estava lançando suas raízes bem

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ao fundo em busca de umidade.

Conseguem perceber que a luz do sol revelou o que não conseguíamos enxergar? A condição do
solo das plantas? Percebem? A luz do sol foi fundamental para revelar o que não enxergávamos, a
condição do solo em que estavam as raízes das plantas.

Então, em termos espirituais, a planta é a vida regenerada do crente professo. O solo é a condição
de seu coração. Em termos espirituais, a luz do sol significa tribulação, tentação e perseguição.
Mateus 13.21, tribulação. Lucas 8.13, tentação e Marcos 4.17, perseguição. Da mesma maneira que,
em termos naturais, a luz do sol revelou a condição do solo das plantas – algo que ocorria onde não
podíamos ver – no nível espiritual, o que revela a parte invisível do professo crente são a tribulação,
a tentação e a perseguição.

Bem, se queremos que uma planta em nosso jardim cresça e prospere, a pior coisa que podemos
fazer é protegê-la do sol. Pense nesta situação: você compra uma linda e cara planta para pôr em sua
casa. Aí, você pensa: “Bom, gastei um bom dinheiro com essa planta. Preciso cuidar dela. Vou
guardá-la ali no armário.” Um armário aconchegante, com uma temperatura agradável e nada de
luminosidade. Claro que você não vai fazer uma coisa dessas! É a pior coisa que você pode fazer!
Escondê-la da luz do sol? De forma alguma. Se o solo for bom e ela tiver espaço para crescer, se ela
tiver umidade suficiente, certamente a luz do sol a fará prosperar ao contrário de acabar com a vida
dela.

Analogamente, a pior coisa que podemos fazer com um recém-convertido é escondê-lo da luz solar
da tribulação, tentação e perseguição. É a pior atitude que podemos tomar! Quando dizemos: “Olha,
Fulano de Tal recebeu a Cristo na prisão. Ele sai da cadeia na terça-feira. Vamos lá esperá-lo na
saída para o protegermos da tentação e o afastarmos de seus antigos amigos. E quando ele passar
por dificuldades a gente cuida dele.” Não, essa é a pior coisa que se pode fazer. Se ele for um
genuíno convertido, ele crescerá, se for falso, murchará e morrerá.

Há alguns anos, quando a Rússia perseguia os cristãos de maneira bastante intensa, um grupo de
cristãos professos estava em meio a uma reunião de oração. Repentinamente, as portas foram
abertas violentamente e dois guardas russos armados até os dentes entraram e disseram: “Saiam já
deste lugar se não quiserem morrer pela sua fé.” Metade dos presentes se levantou e saiu. Na
verdade, saíram correndo. “Louvado seja Deus” disseram os guardas, “Podem ficar tranqüilos
irmãos. Estávamos apenas separando as ovelhas das cabras para que pudéssemos congregar em
segurança.”

Certamente que Deus não usa os mesmos métodos daqueles guardas com muita freqüência. Ele usa
o método de abrir o chão e engolir o indivíduo. Sabem o que aconteceria se viesse uma grande
perseguição sobre a igreja agora? Ela livraria a igreja dos murmuradores, daqueles que causam
divisão, etc. Mais importante que isso, se uma grande perseguição viesse sobre a igreja, ela
mostraria ao indivíduo de solo pedregoso o erro de seus próprios caminhos.

Imagine a tragédia de “conduzir uma pessoa a Cristo” pelas técnicas de evangelismo moderno: sem
usar a Lei antes da graça, sem dar-lhe o conhecimento de pecado, sem mostrar-lhe que violou a Lei
de um Deus santo, sem mostrar-lhe que pecou e que pecado é a transgressão da Lei. Apenas é dito:
“Olhe, você tem um vazio que só Deus pode preencher em sua vida. Jesus pode dar-lhe a verdadeira
paz e amor. Só Ele pode preencher esse vazio. Entregue seu coração a Ele, e Ele irá ajudá-lo com
seus problemas. Ele estará com você em suas dificuldades e lhe dará a certeza de entrar no céu.”
Então, o pregador o conduz em uma sincera oração.

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Entretanto, há algo faltando neste “crente.” Ele não tem zelo pelos perdidos. Ele é estranho à
santidade. Não tem fome da Palavra. Não vai fundo em sua vida de oração. Então, quem o
“evangelizou” começa a enxergar essas carências e tomar providências para integrá-lo à
congregação, fazendo com que ele leia a Bíblia e passe a orar – já que foi o responsável por levá-lo
a Cristo. Em suma, começa a fazer o acompanhamento do recém-“convertido.”

Na verdade, o que acontece é que esta pessoa será “acompanhada” até o Dia do Julgamento, quando
a luz do olho do Deus onisciente provará que ele não passa de um hipócrita. De quem é a culpa,
então, se a pessoa foi “acompanhada” até o Dia do Julgamento? Não seria melhor ter deixado que
ele caísse? Não teria sido melhor deixa-lo exposto à luz do sol para que se revelasse a condição do
seu solo? Se ele fosse genuíno, ele cresceria, se for falso, murcharia e morreria.

Durante anos investi minha energia em cristãos professos, pessoas que “haviam dado seu coração a
Jesus”, pessoas que se provaram ser de solo pedregoso. Eu costumava perguntar: “Você está lendo a
Palavra?” e elas diziam: “Ando sem tempo. Preciso assistir TV e tenho uma porção de coisas a
fazer.” “Então, você vai à igreja este domingo?” “Cara, é que tem jogo do meu time. Não vai dar
não.” Gente, hoje em dia não faço mais isso, simplesmente os deixo à vontade. Se não ouvirem após
a primeira e segunda admoestações, apenas digo: “Tá certo. Deixa pra lá,” e concentro minhas
energias na salvação dos perdidos.

A Bíblia diz: “Deseje o puro leite da Palavra, se provaste que o Senhor é gracioso.” Uma ovelhinha
saudável tem um apetite saudável. Não é preciso alimentá-la à força. Alguém, que é
verdadeiramente salvo desejará o puro leite da Palavra. Eles mesmos se disciplinarão. A primeira
coisa que eu sabia que tinha que fazer quando me tornei cristão era comprar uma Bíblia e lê-la para
conhecer o que Deus queria que eu fizesse.

E eu amava os irmãos. Sabia que havia passado da morte para vida porque amava os irmãos.
Quando vi nas Escrituras: “não deixe de congregar, como é costume de alguns,” pensei “Certo. Vou
à igreja.” O surf ficou em segundo plano.

Se um recém-convertido apenas olhar para trás, Jesus diz que ele não serve para o Reino. Lucas
9.62, “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.” A palavra
“apto” em Grego é “euthetos” e significa “pronto para uso.”

Se pegarmos uma boa semente e a lançarmos em solo pedregoso, será que ela dará bons frutos?
Hmm. . . Claro que não. Se soubermos o que estamos fazendo como fazendeiros, ou possuirmos
massa cinzenta em nossa cabeça, pensaremos assim: “Tenho que revirar o solo, lançar fora as
pedras, assim, quando lançar umas boas sementes no bom solo, elas darão bons frutos.” Técnicas
simples de agricultura.

Deus diz que o solo do coração das pessoas é como pedra. Diz assim em Ezequiel 8: “Tirarei vosso
coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne.” Mesmo se pegarmos uma semente pura do
evangelho e a lançar-mos em um coração irregenerado, ela não dará frutos. Não conseguirá. O que
precisamos fazer é revirar o solo do coração das pessoas usando a pá da Lei de Deus. Expor as
pedras do pecado que só são removidas pelo arrependimento. Aí sim, a pessoa pode receber a
Palavra que pode salvar a sua alma.

Sabem, muitos grandes evangelistas, homens que respeito, como Greg Lorry e Billy Graham, que
admiro e respeito muito, não se alarmam com a média de 80% de desviados entre seus convertidos.

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Billy Graham foi entrevistado na televisão por David Frost. David Frost disse: “Em que você pensa
quando todas aquelas pessoas vêm à frente.” Billy Graham respondeu: “Bem, fico pensando que
apenas um em cada quatro é genuíno.” Em seguida, citou a parábola do semeador.

Contudo, não acho que a parábola do semeador existe como uma forma de consolo para os
frustrantes resultados evangélicos. Deus nos deu princípios para que possamos chegar ao
entendimento. Se estudarmos a parábola do semeador, veremos que o indivíduo ouve e compreende,
e dá fruto porque recebe a semente em seu bom e honesto coração. Quer dizer então que basta o
indivíduo possuir um coração bom e honesto que possuirá entendimento?

Ah! Então é assim? Será que na sociedade secular há pessoas que têm corações honestos e bom
entendimento e serão esses que receberão a semente do evangelho? Nada disso. Isso não é bíblico.
Romanos 3 diz: “Não há quem entenda” Quantos há que entendem? Nenhum. Diz ainda: “Não há
um bom, nem um,” o coração do homem é “enganoso, mais do que todas as coisas.”

Então, as virtudes do entendimento e bondade devem ter vindo de fora do coração, não de dentro,
pois não é do coração do homem possuir entendimento e bondade. O que será então que produz
entendimento? É o aio, nossa professora. A Lei é a professora que nos conduz a Cristo. Essa é a
função dos professores: trazer conhecimento. “Pela Lei vem o conhecimento do pecado.” Deus
disse: “Meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento da minha Lei.” (Os 4.6).

O que a Lei faz é nos trazer a luz do entendimento. O Mandamento é uma lâmpada, a Lei é luz.
Quando alguém se examina à luz da Lei de Deus, vê que pecou contra o Senhor e que Ele requer a
verdade no íntimo e considera lascívia como o mesmo que adultério, ódio como assassinato e que se
tirar pelo menos uma coisa que pertença a outra pessoa, independentemente de seu valor, isso faz do
indivíduo um ladrão e, portanto, não poderá herdar o Reino de Deus. Se o indivíduo contar uma
lorota ou “mentirinha” estará cometendo falso testemunho – e todos os ladrões terão sua parte no
Lago de Fogo. Transgressores da Lei, praticantes da iniqüidade.

Jesus disse: “Muitos dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor.’” E Ele dirá: “Apartai-vos de Mim, todos
vós que praticais a iniqüidade. Nunca vos conheci.” Quando o pecador compreende que pecou
contra Deus, quando o solo de seu coração tiver sido arado pela Lei, as pedras do pecado expostas,
ele estará pronto para remover estas pedras do pecado através do arrependimento e será capaz de
receber a semente que pode salvar a sua alma. Esta é a pessoa cujo solo é bom.

Portanto, a essência do que estou dizendo é que Deus colocou nas mãos da Igreja armas que não são
carnais, mas poderosas em Deus para derribar fortalezas e sob o Seu comando, com a ajuda do
Espírito Santo, podemos determinar sobre que solo a semente cairá, através do uso a Lei como uma
enxada para arar o solo do coração irregenerado.

Lembram do que George Whitefield disse: “É por essa razão que temos tantos convertidos
‘cogumelos’. Porque seu solo pedregoso não foi arado. Não têm a convicção da Lei. São pessoas de
solo pedregoso.”

Certo amigo disse a mim uma vez: “Ray, tem algo de errado com minha vida Cristã.” Ele disse:
“Não tenho o zelo que vocês têm.” Então, perguntei: “Richard, você possui amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio?” Ele me respondeu:
“Bem, não, eu não tenho oito destes frutos.” Ele só tinha um deles. Assim, eu disse: “Bom, Richard,
por sua própria confissão, não vejo nenhum indicativo para você se chamar de cristão.”

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Na verdade, ele realmente possuía um dos frutos do Espírito naquela época. Ele exercitava o fruto
do auto-domínio, pois em outra ocasião posterior me contou que havia desejado “fazer uma
plástica” em meu rosto com seus punhos. Mas não fez. Foi para casa e examinou-se para ver se
estava na fé, concluiu que não estava, arrependeu-se diante do Todo-Poderoso-Deus e, em três
meses, estava dando tantos frutos que nossa igreja resolveu encarregá-lo do ministério de nossa
cantina.

É por isso que a Bíblia diz para nos examinarmos e ver se estamos na fé. Colossenses 4.5 diz:
“Andai em sabedoria para com os que estão de fora, usando bem cada oportunidade.” Eu costumava
pensar “com os que estão de fora, quer dizer, os perdidos, a sociedade secular.” Não, a Bíblia está se
referindo às pessoas de solo pedregoso. O falso convertido pode estar em diversos lugares: dentro
de sua igreja, em seu grupo de jovens ou fora do corpo de Cristo.

A Bíblia diz: “Andai em sabedoria para com os que estão de fora, usando bem cada oportunidade.”
Se há alguém que consegue roubar muito do seu tempo são os falsos convertidos. Querem
aconselhamento, querem aconselhamento, querem aconselhamento... e sempre voltam porque têm
problemas e mais problemas. Eu mesmo passei muitas horas aconselhando pessoas que não
precisavam de aconselhamento, precisavam era de arrependimento.

Lembram da “plantona”? Do que ela precisava? “De fertilizante. Precisa de mais fertilizante. Cubra
a planta de fertilizante. Isso ajudará.” Hmm. . . A tendência quando se identifica um falso
convertido é pensar “Precisa de acompanhamento. Vamos fazer o acompanhamento do irmão. É,
vamos acompanhá-lo.” Nada disso! Esse não é o problema. Ele não precisa de fertilizante. O
problema é o solo, a condição do seu coração. Ele precisa de arrependimento.

Esse negócio de acompanhamento não é bíblico. Não é. Pode verificar na sua Bíblia. Não se
encontra essa prática nas Escrituras. Encontramos apascentar, instruir, disciplinar, mas não
encontraremos esta prática de “fazer acompanhamento” de novos convertidos. David Wilkerson, ao
ouvir o ensinamento chamado O Maior Segredo do Diabo, a primeira coisa que me disse, ao ligar
do telefone de seu carro, foi: “Pensei que eu era o único que não acreditava nesse negócio de
acompanhamento.” Isso não é bíblico.

Acompanhamento é meramente um triste testemunho da confiança que o evangelismo humanista


tem tanto em sua mensagem quanto no poder de Deus em sustentar o convertido. Se Ele for o Autor
de sua fé, será também o Consumador. “Deus pode também salvar perfeitamente os que por ele se
chegam a Deus. Ele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória
imaculados e jubilosos.” Quando Deus salva o perdido, Ele o sustenta. O eunuco etíope foi deixado
sem acompanhamento. Por quê?

Porque se for genuíno perseverará, se for falso, murchará e morrerá. O ouvinte de solo pedregoso
não precisa de acompanhamento. Por acompanhamento, não quero dizer apenas tomar conta de
alguém para se certificar de que leia a Bíblia. O que quero dizer é quando, por exemplo, realiza-se
uma cruzada e alguém fica com a função de fazer um acompanhamento das pessoas que tomam as
decisões no evento. Então, você visita as residências dessas pessoas na semana seguinte e diz:
“Com licença, vocês realmente precisam começar a congregar agora. Por favor, abra a porta. Eu
estou vendo você escondido aí em baixo da cama.”

Sabem, é o trabalho mais frustrante do mundo fazer o acompanhamento de pessoas que tomam
decisões por Jesus. Elas nunca estão quando telefonamos para suas residências. Elas não precisam
de fertilizante, precisam é de um bom solo.

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Há alguns anos, tive um pastor, pastor de uma igreja grande da qual eu fazia parte, que era o pastor
mais consagrado e dedicado que se pode imaginar. Realmente um homem de Deus. Quero dizer-
lhes como ele era, quanto pesava e que altura tinha, por uma razão. Ele tinha um pouco mais de um
metro e meio de altura, talvez um metro e sessenta. Seu nome era Peter Morrow, um adorável
homem de Deus.

Ele não era muito pesado. Talvez pesasse um pouco mais de cinqüenta quilos. Ele até fazia
brincadeiras com a falta de peso dele. Ele podia comer e comer e comer e não engordava. Acho que
ele tinha um corpo glorificado ou algo parecido. Sabem, só cabia uma listra no pijama dele. Ele
tinha que ficar correndo em círculos no chuveiro para conseguir se molhar – de tão magro que era.

Então, há alguns anos, baterem à porta de sua casa. Eram 03:00 da madrugada. Seu filho foi até a
porta e disse: “Pois, não?” e um indivíduo disse: “Gostaria de um aconselhamento de seu pai.” O
adolescente, conhecendo o coração de seu pai, sabia que ele não se importaria em levantar-se às
03:00 da madrugada para aconselhar uma de suas ovelhas. Assim, disse ao homem: “Vá ali para
sala e aguarde um instante que eu vou chamá-lo”.

Nisso, acordou seu pai, que se levantou e caminhou até a sala – e assim que entrou – de trás da
porta recebeu um golpe da lâmina de um facão de uns 30 centímetros. Seus dedos foram fatiados,
sua garganta cortada. Seus filhos correram para sala ao ouvir seus gritos e se depararam com o
sangue de seu querido pai em todas as paredes. Foi uma cena terrível.

Eles agarraram o homem que tinha feito aquilo e quase o mataram. Ele gritava: “Não consigo
respirar,” e eles diziam: “Morra, morra, então.” O homem foi preso. O pastor sobreviveu. Recebeu
literalmente centenas de transfusões de sangue.

No dia seguinte, outro pastor me telefonou e disse: “Já soube o que aconteceu à noite passada?”
Respondi: “Sim. Mal pude acreditar. Foi terrível.” Então, ele disse: “Bem, você não vai acreditar no
que eu vou dizer: ‘O cara que fez aquilo congregava em minha igreja. É uma das minhas ovelhas.”
Eu disse: “Está brincando,” no que ele respondeu: “É horrível como um cristão pode ter feito tal
coisa.”

“Espere aí,” repliquei “Se alguém tenta decapitar o pastor, podemos concluir que lhe falta amor,
bondade, benignidade. . .”

Ora, precisamos começar a levar as Escrituras a sério. Há argumentos para não sairmos por aí dando
boas vindas a qualquer pessoa sem antes ver seus frutos. De certa maneira, não importa muito nos
dias atuais, mas esperem até vir uma grande perseguição. Esperem até quando saírem por aí com
facões, e quando os cristãos pregarem todo o conselho de Deus, e formos odiados por causa de Seu
nome. Os cristãos que sofrem perseguição são aqueles que vivem uma vida piedosa em Cristo
Jesus.

Sabem, a Bíblia fala de falsos “irmãos” duas vezes. Fala de falsos apóstolos, falsos profetas, falsos
mestres e falsas conversões – e raramente ouvimos ensinamentos sobre tais coisas na igreja atual.

Queria ter comigo uma filmadora quando, há alguns anos, ocorreu um incidente comigo. Estava
para atravessar a rua quando subitamente ouvi “vrumm, vruuummm,” e olhei até o fim da rua. Era
um carro bem no meio da rua com o escapamento aberto e um cara dirigindo feito um idiota. Saltei
para trás, caindo na calçada. Pensei que ia ser atropelado.

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O carro passou por mim e, repentinamente, o indivíduo viu quem eu era. Ele me reconheceu. Esse
indivíduo era o falso convertido clássico. Já tinha ouvido falar que este mesmo ‘cara’ havia
ameaçado pastores em outra assembléia, por isso havia gravado o rosto dele. Ele me viu, pisou no
freio, deu marcha à ré, saltou do carro e disse: “Oi, Ray.”

Gostaria que o tivessem visto. Havia três adesivos de Jesus no pára-brisa de seu carro. Pendurado
em seu pescoço ele carregava uma cruz em meio à floresta de seu peito cabeludo, exposto por causa
da camisa desabotoada até o umbigo e cheio frases evangélicas “batidas.” Ele perguntou se eu teria
algum tempo disponível para dar-lhe aconselhamento. Respondi na hora que estava com a agenda
lotada o ano inteiro.

Sabem, falsos convertidos querem o seu tempo. São ferramentas de Satanás para gastar o tempo dos
santos. Lembrem-se: Satanás quer deixar os santos cansados. Ouvintes, mas não praticantes da
Palavra. Aquilo que fazem é apenas superficial, por não possuírem uma raiz profunda. Possuem
apenas galhos e folhas, mas nada de frutos.

Agora, entendam bem, creio em adesivos de Jesus. Se alguém quer usar uma cruz, tudo bem!
Camisetas também são algo ótimo. Contudo, descobrimos que, devido os falsos convertidos não
possuírem raízes profundas em seus corações, eles procuram compensar com um montão de galhos
e folhas com o objetivo de impressionar. Quer dizer, eles sempre têm as maiores Bíblias da igreja.
Bíblias chamativas na Nova Versão Revista e Falsificada da Editora Sepulcro Caiado, que produz
bíblias que ficam de molho por um mês e em seguida são amarradas ao pára-choque de um carro e
arrastadas durante duas semanas para dar a impressão de que foram muito usadas.

Falsos convertidos não dão frutos, mas têm um montão de galhos e folhas para impressionar as
pessoas à sua volta. Veja o que diz Mateus 7.15-20: “Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós
disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis.
Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz
bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.”

Escutem só isso: “Uma árvore boa não pode dar maus frutos;” Em outras palavras, se alguém é
genuíno, é genuíno, se é falso, é falso. “Nem uma árvore má dá frutos bons. Toda árvore que não
produz bom fruto é cortada e lançada no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.”

Por que será que devemos nos conhecer uns aos outros pelos frutos? Ora, vejamos Atos 20.29-20.
“Eu sei,” diz Paulo, “que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não
pouparão rebanho, e que dentre vós mesmos se levantarão homens, falando coisas perversas para
atrair os discípulos após si.”

Pois, de seu meio, homens se levantarão. Vejam só quantos seitas e heresias, e falsos profetas que
têm saído do meio do corpo de Cristo. Não são pessoas que conheceram o Senhor, muito menos o
caminho da retidão e depois se tornaram más, mas são pessoas que tiveram falsas conversões e não
conseguiram, portanto, dar frutos do arrependimento.

Os lobos gostam de pegar as ovelhas fraquinhas. É isso que eles fazem. Ah, seu eu fosse pastor e
tivesse minha própria congregação – sou pastor itinerante da Hosanna Chapel e viajo todo final de
semana. Mas, se tivesse minha própria congregação, ficaria de olho nos “recém-convertidos”,
ficaria de olho para ver se dão frutos. E seu eu começasse a perceber uns rapazinhos perto demais
das meninas, dando abracinhos, etc., chegaria junto e os puxaria para uma conversa. Fique de olho

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neles. Como disse antes, os lobos atacam as ovelhas mais fracas.

Como falei anteriormente, um convertido genuíno ficará firme independente do tamanho da


adversidade. Provérbios 12.3 diz: “a raiz dos justos, porém, nunca será, removida.” Quanto mais
forte o sol, mas fundo descem as raízes da planta.

Jesus enviou suas ovelhas em meio aos lobos (Lc 10.3) – uma prática tão diferente da que nós
tratamos nossos novos convertidos. Ficamos tentando protegê-los. Nada disso, ele nos enviou como
ovelhas em meio a lobos. Por quê? Porque o sol da tribulação, tentação e perseguição revela quem
são os falsos e quem são os genuínos.

Foi assim com Judas Iscariotes. Ele foi exposto. Judas não era cristão. Nunca foi. Como posso ter
certeza? Eis uma pequena pista. Jesus disse: “Um de vós é um ladrão.” Ah, essa é uma boa pista. Eu
lembro de uma amiga minha Winkie Pratney me contando quando viu a obra de arte ‘A Última
Ceia’ de Leonardo Da Vinci. Ela olhou para a pintura e disse: “Cadê o Judas? Quem é o Judas?”
Ficou procurando por alguém de narigão torto e mãos reviradas em um canto.

Mas, isso é algo totalmente anti-bíblico. Judas provavelmente era bonitão. Ele aparentava tanta
confiabilidade que se tornou o tesoureiro dos discípulos. Judas tomava conta deles. Ele cuidava dos
pobres. Tinha um coração para os pobres. Em uma ocasião, uma mulher fez um ato pródigo de
quebrar um vaso de alabastro cheio de um bálsamo muito precioso e despejá-lo sobre a cabeça de
Jesus, lavando seus pés e enxugando-os com seus cabelos. Quando isso ocorreu, Judas disse: “Por
que isso não foi vendido por tal qual quantia e o dinheiro dado aos pobres?” Estão vendo como ele
se importava com os pobres? Nada disso, a Bíblia fala claramente que ele estava preocupado
mesmo era com o dinheiro. Era um ladrão. Mas possuía a confiança dos discípulos. Quando Jesus
disse: “Um de vocês me trairá,” os discípulos não se sentaram e disseram entre si: “É. Sei de quem
ele está falando. É do narigudo ali. É do ‘mãos viradas.’”

Não, não disseram isso. Disseram: “Sou eu, Senhor? Sou eu?” Ele disse: “Aquele que mete a mão
no prato.” Era Judas quem fazia isso. Não disseram entre si: “Ah, é!” Nada disso. Quando Judas
saiu para trair Jesus, Jesus disse: “O que fazes, faze-o depressa.” Os discípulos ficaram pensando
que ele tinha ido dar dinheiro aos pobres. Judas era um cara tão bom. Conseguiu enganar a todos,
menos ao Senhor.

Vejamos Colossenses 4.7. Observemos a maneira como Paulo colocou seu selo de aprovação
naqueles que professavam estar na graça de Deus. Colossenses 4.7. Vejam como Paulo coloca seu
selo de aprovação em certos crentes.

“Tíquico, o irmão amado, fiel ministro e conservo no Senhor, vos fará conhecer a minha situação.”
Então, Tíquico é um ministro fiel e um conservo no Senhor.

Versículo nove: “Juntamente com Onésimo, fiel e amado irmão, que é um de vós.” Sabem, parece
que hoje em dia não importa muito quem entra em nossas igrejas e a quem elogiamos ou deixamos
de elogiar. Ah, mas naquela época importava, época em que os cristãos eram lançados aos leões
para morrer por sua fé.

“Eles vos farão saber tudo o que aqui se passa. Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e
Marcos, o primo de Barnabé (a respeito do qual recebestes instruções; se for ter convosco, recebei-
o), e Jesus, que se chama Justo, sendo unicamente estes, dentre a circuncisão, os meus cooperadores
no reino de Deus; os quais têm sido para mim uma consolação. Saúda-vos Epafras, que é um de

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vós, servo de Cristo Jesus, e que sempre luta por vós nas suas orações, para que permaneçais
perfeitos e plenamente seguros em toda a vontade de Deus. Pois dou-lhe testemunho de que tem
grande zelo por vós, como também pelos que estão em Laodicéia, e pelos que estão em Hierápolis.
Saúda-vos Lucas, o médico amado [que dispensa apresentações], e Demas.”

Não houve selo de aprovação sobre Demas. Se estudarmos 2 Timóteo 4.10, veremos: “Pois Demas
me abandonou, tendo amado o mundo presente.” É como se Paulo olhasse para Demas e pensasse:
“É, realmente não sei quem você é. Tem algo de errado com você. Não posso dizer: ‘Se Demas for a
você, receba-o.” “Demas me abandonou, tendo amado o mundo presente.” Um falso convertido. Ele
não apenas olhou para trás, ele retrocedeu. Não estava apto ao Reino, e a palavra “apto” significa
“pronto para uso” em grego.

Observamos, então, sucintamente, as características de uma falsa conversão. Assim, antes de


concluirmos a mensagem, observaremos rapidamente as características de um convertido genuíno.

De acordo com Mateus 13.23, ele ouve a palavra e a entende. Por isso é tão vital utilizarmos a
palavra de Deus em evangelismo e em nossas pregações. Porque sem a Lei, não haverá
entendimento da real situação que os perdidos se encontram diante de Deus. O que aparecerá será
apenas arrependimento horizontal, não a tristeza segundo Deus que conduz ao arrependimento.
Senão, não entenderão que pecaram contra Deus. Pensarão que pecaram contra as pessoas através
de suas mentiras e roubos, etc.

Mas, quando Davi pecou com Bate-Seba, ele disse: “Contra Ti, somente contra Ti pequei.” O filho
pródigo disse: “Pequei contra o Céu.” Paulo pregava “arrependimento para com Deus,” a parte
ofendida na história. A tristeza segundo Deus gera arrependimento. Sem a Lei não se pode ter o
entendimento necessário para exercitar a tristeza segundo deus que conduz ao arrependimento.

Se utilizarmos a Lei em nosso testemunho, será comum ouvir os pecadores dizendo coisas do tipo:
“Agora entendo o que está dizendo. Entendo isso. Nunca haviam me explicado desta maneira.” Essa
é a reação quase todas as vezes que uso os Dez Mandamentos, um a um, para mostrar que a razão
pela qual precisam de um Salvador é para escapar da ira vindoura. Deus determinou um dia em que
julgará o mundo em retidão.

Veja o que diz Mateus 13.15: “Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos
ouviram tardamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os
ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure.”

Vejam que primeiro precisa vir o entendimento ao coração para que se converta. Lembram que
Filipe perguntou ao eunuco etíope: “Compreendes o que estás lendo?” Lembram do doutor da lei
que se levantou e tentou a Jesus perguntando: “Como posso alcançar a vida eterna?” Jesus disse:
“Qual o seu entendimento da Lei? Qual a leitura que você faz dela?” Porque se não há
entendimento da Lei, não pode haver salvação, pois o pecado é a transgressão da Lei.

Paulo disse: “Não conheci o pecado senão pela Lei.” Charles Finney disse: “Considero a Lei a
regra, e a única regra, pela qual a culpa do pecado pode ser medida.” D.L. Moody disse: “É para
isso que Deus nos deu a Lei: para mostrar quem realmente somos.”

Já estive em eventos evangelísticos nos quais se usou manipulação psicológica pura, nos quais o
pregador estava discursando sobre fé ou algum incidente bíblico, e bem no meio de sua pregação,
ele dizia: “Vamos nos curvar e orar. Há pessoas aqui esta noite que não conhecem o Senhor. Vocês

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precisam entregar sua vida a Jesus.”

Em seguida, pregava a Cristo crucificado, mas já estive em eventos em que nem mesmo pregavam
sobre a crucificação de Cristo. Isso mesmo, nem pregavam a cruz. Pregavam apenas a fé e então
diziam: “Você precisa entregar o seu coração a Jesus porque há um vazio em seu coração que só
Deus pode preencher. Levante sua mão enquanto todas as cabeças estão abaixadas e todos os olhos
estão fechados. Ninguém está olhando.” Então, quando alguém levanta a mão, o pregador diz:
“Estou vendo uma mão. Deus te abençoe.” Na seqüência, ele diz: “Todos fiquem de pé. Aqueles que
eu vi levantarem as mãos, venham à frente enquanto a música estiver tocando. Os obreiros também,
venham à frente.”

Então, os obreiros saem na frente com um cartão de visitas. É por essa razão que os obreiros têm de
vir à frente, para facilitar o processo juntamente com a música. Assim, as pessoas vão à frente – e o
pastor fica lá em cima em uma plataforma. Eu olhava as expressões faciais daquelas pessoas que
estavam ali “entregando seus corações a Jesus.” Não havia tristeza segundo Deus, muito menos
quebrantamento. Logo após o evento, um dos obreiros disse: “Você devia ter visto como foi lá
atrás.” – levaram os “recém-convertidos” para uma sala e davam-lhes aconselhamento. Não havia
nem um pingo de tristeza segundo Deus. O que se ouvia das pessoas era: “Oi, Bertha, você por
aqui?” “Olá, Fred, o que faz por aqui?”

A expressão nos rostos daqueles que iam à frente era: “Como será que cheguei aqui? Sério! Eu
estava ali sentado e de repente apareci aqui na frente” – manipulação psicológica. Este pastor de
que estou falando tinha uma média de 96% de “desviados” em sua igreja, isto é, na última vez que
tomei conhecimento de suas estatísticas. Além disso, não acho que os outros 4% permaneceram ali
por muito tempo também. Pode até ser. Podem ter gostado de freqüentar o Clube Social “Cristão.”
Realmente não sei.

O verdadeiro convertido, por sua vez, é aquele que diz: “Ai de mim. Estou perdido. Deus, tenha
misericórdia de mim, um pecador.”

Amém.

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