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CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS AMÉRICA LATINA OBSERVATÓRIO DA JUSTIÇA BRASILEIRA RELATÓRIO DE PESQUISA PARA UMA

CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS AMÉRICA LATINA

OBSERVATÓRIO DA JUSTIÇA BRASILEIRA

RELATÓRIO DE PESQUISA

PARA UMA NOVA CARTOGRAFIA DA JUSTIÇA NO BRASIL

Belo Horizonte

maio de 2011

COORDENADOR:

Leonardo Avritzer

CO-COORDENADORES:

André Rubião Lilian Cristina B. Gomes Marjorie Marona

PESQUISADORES:

Débora Vales Helena Dolabela Pereira João Pedro Meira Reis Lidiane Neves Nogueira Lilian Bernardes Rafaela Lacerda Vanderson Carneiro

Helena Dolabela Pereira João Pedro Meira Reis Lidiane Neves Nogueira Lilian Bernardes Rafaela Lacerda Vanderson Carneiro

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil ÍNDICE Observatório da Justiça Brasileira   6 Para

ÍNDICE

Observatório da Justiça Brasileira

 

6

Para uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

7

I - Organização do Poder Judiciário Brasileiro

13

- Geografia da Justiça a partir da Análise de Mapas: Inclusões e Exclusões Estruturais

II

15

O caso da Defensoria Pública (Minas Gerais)

40

III - Acesso aos Tribunais: Desigualdade no acesso, Atores Recorrentes

45

Justiça Estadual - Primeira Instância: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo

45

Justiça Estadual - Tribunais: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo

64

Justiça Federal - Minas Gerais e Distrito Federal

77

IV - Considerações Finais

109

Apêndices

113

Apêndice 1 - Nota Metodológica

114

Apêndice 2 - Juizados Especiais

116

Referências bibliográficas

120

2

- Nota Metodológica 114 Apêndice 2 - Juizados Especiais 1 1 6 Referências bibliográficas 1 2

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil SUMÁRIO DE QUADROS, TABELAS, MAPAS; GRÁFICOS, E FIGURAS

SUMÁRIO DE QUADROS, TABELAS, MAPAS; GRÁFICOS, E FIGURAS

QUADROS

Quadro 1: Organização e Divisão Judiciárias 15 Quadro 2: Requisitos para Criação de Comarcas 16
Quadro 1: Organização e Divisão Judiciárias
15
Quadro 2: Requisitos para Criação de Comarcas
16
Quadro 3: Relação entre Total de Municípios e a Divisão Judiciária (ordem
decrescente do total de municípios)
17
Quadro 4: Relação da população exigida em lei e divisão judiciária (sede de
comarca)
20
Quadro 5: Distribuição dos intervalos do Indíce de Desenvolvimento Humano
(IDH) por Estado
22
Quadro 6: Síntese da relação entre a divisão judiciária e a variação no intervalo
de IDH
35
Quadro 7: Distribuição do IDH entre Sede de Comarcas e Não Sede de
Comarcas e existência de Defensoria Pública
44
Quadro 8: Acervo do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (2009)
65
MAPAS
Mapa 1: Divisão Judiciária Estado Minas Gerais
18
Mapa 2: Divisão Judiciária Estado Rio Grande do Sul
18
Mapa 3: Divisão Judiciária Estado Pará
19
Mapa 4: Divisão Judiciária Estado Rio de Janeiro
19
Mapa 5: Divisão Judiciária Estado Pernambuco
19
Mapa 6: Sedes de comarcas x População acima do exigido em lei - PA
21
Mapa 7: Sedes de comarcas x População acima do exigido em lei - RJ
21
Mapa 8: Sedes de comarcas x População acima do exigido em lei - MG
21
Mapa 9: Sedes de comarcas x População acima do exigido em lei - RS
21
Mapa 10: Sedes de comarcas x População acima do exigido em lei - PE
21
Mapa 11: IDH Municípios Estado de MG
24
Mapa 12: IDH Municípios Estado de RS
24
Mapa 13: IDH Municípios Estado de RJ
25
Mapa 14: IDH Municípios Estado de PA
25
Mapa 15: IDH Municípios Estado de PE
26
Mapa 16: IDH somente Municípios Sede de Comarcas - MG
27
Mapa 17: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas - MG
28
Mapa 18: IDH somente Municípios Sede de Comarcas - RS
29
Mapa 19: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas - RS
29
Mapa 20: IDH somente Municípios Sede de Comarcas - RJ
30
Mapa 21: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas - RJ
31
Mapa 22: IDH somente Municípios Sede de Comarcas - PA
32
Mapa 23: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas - PA
32
Mapa 24: IDH somente Municípios Sede de Comarcas - PE
33
Mapa 25: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas - PE
34
Mapa 26: Sedes com população acima do exigido em lei - MG
38
Mapa 27: Sedes com população abaixo do exigido em lei - MG
38
Mapa 28: Sedes com população acima do exigido em lei - RS
38
Mapa 29: Sedes com população abaixo do exigido em lei - RS
38
Mapa 30: Distribuição das Defensorias Públicas MG
41
3
Mapa 31: Sede de comarcas e existência de Defensorias Públicas
41
Mapa 32: Não Sede de comarcas e existência de Defensorias Públicas
42
Mapa 33: Existência de Defensoria x IDH
43

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil TABELAS Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de

TABELAS

Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo Horizonte

47 (Varas de Interesse ) Tabela 2: Movimentação Processual na Justiça Estadual de Minas Gerais
47
(Varas de Interesse
)
Tabela 2: Movimentação Processual na Justiça Estadual de Minas Gerais - 2009
52
Tabela 3: Acervo do Tribunal de Justiça do Rio Grande doSul (2009)
66
Tabela 4: Distribuição dos feitos do TJMG por natureza (cível ou criminal) - 2009
67
Tabela 5: Distribuição processual por natureza de ação - TJRS (2009)
71
Tabela 6: Movimento Judiciário TJSP (2009)
73
Tabela 7: Fluxo Processual do TRF1 (2004-2009) (Recursos originários de Minas
Gerais)
79
Tabela 8: Fluxo processual do TRF1 (2004-2009) (Recursos originários do
Distrito Federal)
80
Tabela 9: Fluxo Processual do TRF1 (2005-2009) (Recursos de natureza
econômica originários de Minas Gerais)
82
Tabela 10: Fluxo Processual do TRF1 (2005-2009) (Recursos de natureza
econômica originários do Distrito Federal)
83
Tabela 11: Tabela 11: Litigantes Frequentes no TRF1 (2009) (Recursos
originários de Minas Gerais)
88
Tabela 12: Tabela 12: Demanda Processual por categoria de parte (CEF) e tipo
de ação
90
Tabela 13: Demanda Processual por categoria de parte (Banco Central) e tipo de
ação
93
Tabela 14: Demanda Processual por categoria de parte (ECT) e tipo de ação
94
Tabela 15: Demanda Processual por categoria de parte (INSS) e tipo de ação
96
Tabela 16: Litigantes Frequentes no TRF1 (2009) (Recursos originários do
Distrito Federal)
97
Tabela 17: Demanda Processual por categoria de parte (CEF) e tipo de ação
98
Tabela 18: Demanda Processual por categoria de parte (União) e tipo de ação
101
Tabela 19: Demanda Processual por categoria de parte (Administração Indireta)
e tipo de ação
104
Tabela 20: Demanda Processual por categoria de parte (INSS) e tipo de ação
107
GRÁFICOS:
Gráfico 1: Evolução do Movimento Processual - Justiça Comum - 1ª Instância
45
Gráfico 2: de Distribuição do Acervo Total 2009 por instâncias do Poder Judiciário
de Minas Gerais
46
Gráfico 3: Demanda Processual da Comarca de Belo Horizonte - Justiça Comum
53
Gráfico 4: Demanda Processual da Comarca de Belo Horizonte pela categoria de
Bancos
54
Gráfico 5: Demanda Processual no Rio Grande do Sul por categoria de partes -
Pessoa Jurídica
55
Gráfico 6: Demanda Processual por categoria de partes - Pessoa Jurídica como
demandada/requerida
56
Gráfico 7: Demanda Processual por categoria de partes - Pessoa Física e
Jurídica
57
Gráfico 8: Demanda Processual por categoria de parte - Estado
58
Gráfico 9: Demanda Processual por categoria de parte - Bancos
58
Gráfico 10: Demanda processual por categoria de parte autora - Pessoa física e
Jurídica
59
4
Gráfico 11: Demanda Processual - Pessoa Física x Pessoa Jurídica
59
Gráfico 12: Demanda Processual por categoria de demandados - Pessoa Jurídica
60
Gráfico 13: Demanda Processual na Justiça Estadual de São Paulo
61

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Gráfico 14: Demanda Processual por categoria de partes

Gráfico 14: Demanda Processual por categoria de partes

 

62

Gráfico

15:

Demanda

Processual

por

categoria

de

parte

-

Atores

63

macroeconômicos

 

Gráfico 16: Demanda Processual por categoria de ator - Empresas de Telefonia

 

64

Gráfico 17: Acervo do Tribunal de Justiça de São Paulo (2000-2010)

 

67

Gráfico 18: Acervo dos Tribunais de Justiça (Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo)

68

Gráfico 19: Demanda Processual por categoria de atores - Bancos e Estado

 

69

Gráfico 20: Demanda Processual por categoria de ator - Bancos

 

70

Gráfico 21: Demanda Processual por categoria de atores - Estado e Macroatores econômicos

74

Gráfico 22: Demanda Processual por categoria de atores (Estado) - TJSP/2009

 

75

Gráfico

23:

Demanda

Processual

por

categoria

de

atores

(Prefeituras)

-

75

TJSP/2009

 

Gráfico 24: Eficiência dos Tribunais (processos distribuídos X julgados) - 2009

 

77

Gráfico 25: Demanda Processual por Grupos de Ação (Assunto) - Recursos de natureza econômica originários de Minas Gerais

84

Gráfico 26: Demanda Processual por Grupos de Ação (Dados desagregados) - Recursos de natureza econômica originários de Minas Gerais

85

Gráfico 27: Demanda Processual por Grupos de Ação (Assunto) - Recursos de natureza econômica originários do Distrito Federal

86

Gráfico 28: Demanda Processual por Grupos de Ação (Assunto) - Recursos de natureza econômica originários do Distrito Federal

87

Gráfico 29: Litigantes Frequentes no TRF1 - 2009 - (Recursos originários de Minas Gerais)

89

Gráfico 30: Demanda Processual por categoria de parte (CEF) e tipo de ação

 

91

Gráfico 31: Demanda Processual por categoria de parte (Banco Central) e tipo de ação

92

Gráfico 32: Demanda Processual por categoria de parte (ECT) e tipo de ação

 

94

Gráfico 33: Demanda Processual por categoria de parte (INSS) e tipo de ação

 

95

Gráfico 34: Demanda Processual por categoria de parte (CEF) e tipo de ação

 

100

Gráfico 35: Demanda Processual por categoria de parte (União) e tipo de ação

 

103

Gráfico 36: Demanda Processual por categoria de parte (Administração Indireta) e tipo de ação

106

Gráfico 37: Demanda Processual por categoria de parte (INSS) e tipo de ação

 

108

Gráfico 38: Evolução do Movimento Processual - Juizado Especial em Minas Gerais (1998-2009)

 

118

Gráfico 39: Evolução do Movimento Processual - Justiça Comum de primeira instância em Minas Gerais (1994-2009)

119

Figuras

 

Figura 1: Mapas IDH municípios sede e não sede

 

37

Figura 2: Mapa da Divisão Judiciário da Justiça Federal brasileira

 

78

Figura 3: Organograma da Tramitação de um processo no Juizado Especial

 

117

5

brasileira   78 Figura 3: Organograma da Tramitação de um processo no Juizado Especial   117

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Observatório da Justiça Brasileira Criado em fevereiro de

Observatório da Justiça Brasileira

Criado em fevereiro de 2010, o Observatório da Justiça Brasileira (OJB) integra o Centro de Estudo Sociais América Latina (CES-AL), com sede no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (DCP-UFMG), tendo também como parceiro o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. 1 Além deste relatório Para uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil, desenvolvido pelo DCP-UFMG, o Observatório da Justiça Brasileira apresenta mais quatro trabalhos nesta sua primeira etapa 2 : i) Judicialização da política e demandas por juridificação: o Judiciário frente aos outros poderes e frente à sociedade, desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Direito Público; ii) Judicialização e Equilíbrio de poderes no Brasil: eficácia e efetividade do direito à saúde, desenvolvido pela PUC/RS; iii) Acesso ao direito e à justiça: entre o Estado e a comunidade, desenvolvido pelo DCP-UFMG; e iiii) Judicialização do direito à saúde: o caso do Distrito Federal, desenvolvido pelo Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero.

A proposta de todos esses relatórios é desenvolver análises sobre o

universo jurídico brasileiro, visando orientar o Ministério da Justiça em suas políticas públicas e reformas normativas, bem como apresentar sugestões para o aperfeiçoamento do sistema de justiça nacional.

O Observatório da Justiça pretende dar sequência a uma preocupação

expressa por Cappelletti e Garth ao final de Access to Justice (1978). Assim, por mais imperfeitos que sejam nossos sistemas jurídicos, não podemos ignorar os avanços institucionais adquiridos ao longo dos anos; de que maneira então reformar sem corromper nossas conquistas?

1 Sob coordenação do Professor Boaventura de Sousa Santos, o CES Coimbra gere há mais de dez anos o Observatório Permanente da Justiça Portuguesa. Por meio de um protocolo de cooperação, a metodologia utilizada pelo CES Coimbra foi cedida ao CES América Latina e ao Observatório da Justiça Brasileira.

2 Todos eles financiados pela Secretaria de Reforma do Judiciário.

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Latina e ao Observatório da Justiça Brasileira. 2 Todos eles financiados pela Secretaria de Reforma do
Latina e ao Observatório da Justiça Brasileira. 2 Todos eles financiados pela Secretaria de Reforma do

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Para uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Esta pesquisa pretende mostrar uma cartografia da justiça brasileira, pensando o território como chave para a produção da igualdade social. Nosso principal objetivo é estabelecer um marco analítico para estudar o acesso à justiça no Brasil, adotando como ponto de partida a tensão que existe entre o conjunto das relações de conflito vivenciadas por grupos e indivíduos e o processo seletivo de uma parte desses conflitos pelo sistema de justiça. Nas sociedades modernas, é possível analisar a estrutura de conflitos levando em conta um conjunto abrangente de áreas: i) as relações privadas, que são fortemente desiguais e marcadas pelas relações de gênero e de raça/etnia (Fraser, 2007); ii) as relações privadas e econômicas, que são fortemente marcadas por uma regulação seletiva do direito de propriedade (Santos, 2001; Holston, 2008); iii) uma visão estruturalmente estreita da sociedade civil que tenta reduzir esta última ao mercado (Avritzer, 2009); iv) uma regulação estatal seletiva das relações entre o indivíduo e o Estado (Santos, 2001). Esse conjunto de relações complexas entre indivíduos, grupos sociais e Estado mostra que o conflito social motivado pela identidade, pelo reconhecimento desigual de atores sociais ou pela exclusão social é uma das características mais fortes das sociedades contemporâneas. A pergunta que colocamos então nesta pesquisa é a seguinte: até que ponto o equacionamento dessas relações, feito pelo sistema formal de justiça, pode conduzir a formas perversas de seletividade? Uma das maneiras de abordar essa questão é por meio de uma análise crítica do conceito de sistema de justiça. Podemos defini-lo como as formas de administração do consenso e do dissenso, interindividual e coletivo, no interior de um determinado território, a partir de um conjunto de regras historicamente estabelecidas. Apesar de imperfeita, como toda definição, essa tentativa pode trazer algumas virtudes analíticas:

(1) Pelas noções de história e territorialidade: muito além do universo linear da justiça estatal, há um pluralismo jurídico, abrangendo diferentes espaços, cada uma com sua especificidade. Dessa forma, a ideia de que a

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um pluralismo jurídico, abrangendo diferentes espaços, cada uma com sua especificidade. Dessa forma, a ideia de

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil justiça está associada de forma homogênea a um

justiça está associada de forma homogênea a um determinado território e que para cada território existe apenas um sistema de justiça pode ser questionada de duas maneiras: primeiro, é necessário levar em conta que os atores sociais, através das suas práticas, criam direitos e exercem mediações nas questões de justiça (Offe, 1988; Santos, 2001) e, em segundo lugar, que mais de um sistema de justiça, da escala micro-local à internacional, pode existir em um território (Santos, 2001; Wolkmer, 2001). (2) Pela referência à coletividade: a justiça não se limita à defesa dos direitos individuais. Isso significa que atores coletivos frequentemente procuram o Poder Judiciário, mas este último responde estabelecendo uma assimetria entre atores individuais e atores coletivos. Assim, demandas de gênero, de grupos raciais e de atores que atuam coletivamente em relação à propriedade urbana e rural tendem ou a serem ignoradas ou a serem indivudalizadas pelos magistrados. Quando pensamos na economia e nos direitos coletivos, estes foram fortemente subestimados seja na organização da estrutura territorial do Poder Judiciário, seja pelos analistas do sistema de justiça (Trubek, 2006; Faria, 1993). (3) Pela ideia de regras advindas da relação entre o consenso e o dissenso: ao contrário de algo estático, assente num normativismo abstrato, a justiça é um movimento em busca do equilíbrio social. Nesse sentido, é fácil perceber que as regras de conduta, com forte enraizamento histórico e social, frequentemente acabam impedindo o próprio processo de equilíbrio entre o consenso e o dissenso. Elas são, muitas vezes, colonizadas por um formalismo que impede a renovação social ou a inovação política (Avritzer, 2009). Dito de outra forma, novas práticas criam novas regras e/ou desafiam regras constituídas, sendo que a justiça estatal nem sempre consegue absorver a complexidade dessa relação ou incorporar a inovação social (Santos, 2001). (4) Pelo conceito de formas de administração: a justiça depende de uma organização estrutural, em especial, e não exclusivamente, de corpos burocráticos dispostos de forma hierárquica. Frequentemente o interesse desses corpos administrativos prevalece em relação ao reconhecimento de novos direitos e demandas. Essa constatação é importante para nos lembrar

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prevalece em relação ao reconhecimento de novos direitos e demandas. Essa constatação é importante para nos

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil que existe uma relação direta entre a capacidade

que existe uma relação direta entre a capacidade de justiça e a forma como os mecanismos administrativos estão organizados (Sousa Junior et al., 1996). Esse exame crítico do conceito de sistema de justiça vem sendo feito

nas últimas décadas por diversas correntes de pensamento, buscando superar as incongruências do modelo jurídico advindo da modernidade ocidental. A esse respeito, não há como deixar de analisar, como ponto de partida, a colocação weberiana acerca do que torna o direito válido: “a probabilidade de que um conjunto de pessoas engajadas em um tipo de ação social ( ) subjetivamente considere uma norma existente válida e aja praticamente a partir dela de maneira a orientar a sua conduta” (Weber, 1968: 311). A colocação weberiana acerca do direito centra-se unicamente, como é sabido, na capacidade que ele tem de orientar ações e de, consequentemente, torná-las previsíveis do ponto de vista sociológico. Podemos, contudo, questionar a perspectiva weberiana em dois sentidos bastante claros: em primeiro lugar, existe um conjunto bastante amplo de formas de racionalidade, baseadas no hábito e no costume, que não são normativamente codificadas e que também tornam a ação previsível (Pitkin, 1967); em segundo lugar, o conjunto de conflitos e de formas de ação nas quais os indivíduos se envolvem são muito mais amplos do que o direito positivo supõe (Santos, 2001). Portanto, a linearidade racional do modelo jurídico proposto por Weber aparece corrompida desde a sua base, inviabilizando uma perspectiva legal e sociológica mais ampla da justiça que, nos últimos anos, vem despontando. Ou ainda seria possível defender, sem ressalvas, que a sociologia é capaz de descobrir “regularidades estatísticas que correspondem a um sentido

compreensível de uma ação social” (Weber, 1995: 39), para que essas

) (

regularidades, em seguida, possam ensejar a construção dogmática de normas jurídicas teoricamente aplicáveis (Weber, 1977: 133), visando a “colocar em

relação todos os princípios jurídicos elaborados pela análise de modo que eles

formem um sistema logicamente claro, sem se contradizer, e (

) sem lacuna”

(Weber, 1986: 44)? Não se trata de negar as conquistas advindas desse modelo, mas de mostrar a existência dos seus limites, além de investigar os meios para atingir uma nova realidade. Remetendo à nossa definição de sistema de justiça: (1)

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além de investigar os meios para atingir uma nova realidade. Remetendo à nossa definição de sistema

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Como valorizar ou recuperar juridicidades alternativas, legitimando cada

Como valorizar ou recuperar juridicidades alternativas, legitimando cada vez mais um pluralismo organizacional? (2) Como dar atenção maior aos atores e às causas coletivas, observando questões de gênero, de raça, de poder econômico, de representatividade? (3) Como ampliar os canais de comunicação, constituindo formas de poder compartilhado, para que a justiça contemple cada vez mais o equilíbrio social? (4) Como promover inovações administrativas, sobretudo transformando a formação e a organização dos corpos burocráticos de justiça? Essas questões, complexas e heterogêneas, integram o conjunto das atividades do Observatório da Justiça Brasileira. Não foi nosso objetivo responder a todas elas. Este relatório é um primeiro passo. Nosso objetivo foi levantar um conjunto de dados empíricos, em seis Estados da federação, referentes à organização e aos usuários do sistema formal de justiça, para ajudar a refletir sobre toda a dinâmica referente ao próprio conceito de sistema de justiça. A justificativa é de que, por um lado, não há como analisar questões tão abrangentes, como a necessidade de uma visão mais ampla de justiça, sem dialogar com a realidade empírica e, por outro, não é recomendável instituir políticas públicas no âmbito jurídico, como sugere Jacques Commaille (2005), sem o auxilio de uma cartografia detalhada do universo judiciário. No Brasil, apesar dos esforços que vêm sendo feitos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não há dúvidas de que esse levantamento estrutural ainda é bastante limitado, o que acaba gerando um déficit analítico para a visibilidade sociológica. O presente relatório visa, então, contribuir da seguinte forma para essa dinâmica:

(1) Em primeiro lugar, é necessário, tanto do ponto de vista analítico quanto empírico, determinar a distribuição e a localização das estruturas administrativas da justiça estatal e relacioná-las com algumas variáveis que organizam a população e seus conflitos. Será que existe uma relação entre a desigualdade social (medida pelo Índice de Desenvolvimento Humano - IDH) e a ausência de estruturas administrativas do sistema de justiça (verificada pelo tipo e número de corpos burocráticos-administrativos do sistema de justiça nas comarcas)? Começaremos este relatório com uma série de mapas que nos

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do sistema de justiça nas comarcas)? Começaremos este relatório com uma série de mapas que nos

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil levam empírica e topograficamente a responder essa questão

levam empírica e topograficamente a responder essa questão de forma afirmativa. Esses mapas tentam demonstrar que a questão do acesso à justiça não se resume à existência de normas jurídicas, mas também à presença de estruturas administrativas capazes de torná-la realidade. De que forma então analisar a relação entre a oferta institucional e as diferentes configurações sócioespaciais e econômicas no território brasileiro? Seria possível, a partir daí, pensar uma política de democratização do acesso à justiça? (2) Em segundo lugar, vale a pena realizar uma diferenciação entre os atores que fazem uso do sistema judiciário. Supostamente, a perspectiva weberiana não realiza nenhum tipo de distinção entre os atores sociais no que diz respeito à utilização da norma para a ação social. Será que atores sociais diferenciados seja com relação ao subsistema poder ou ao subsistema direito (Habermas, 1984; Luhmann,1982) podem ter acesso privilegiado aos órgãos jurisdicionais? Na segunda parte deste relatório, mostraremos uma série de dados, em especial no que toca aos atores financeiros, que parece comprovar essa hipótese. Esses atores, seja pela facilidade de acessar ao judiciário, seja pela capacidade de financiar tal acesso, tornam-se litigantes habituais, criando uma série de assimetrias no universo jurídico (Galanter, 1974). Quem são esses atores? De que forma eles criam desigualdades no sistema judiciário? Qual o volume e a natureza de suas ações? Seriam eles os principais responsáveis pelo congestionamento deste sistema? Este relatório inaugura a proposta de uma geografia da justiça que visa contribuir com o debate acerca do acesso à justiça, a partir de uma perspectiva sociológica, buscando compreender os processos de inclusão e de exclusão que a organização e o funcionamento do sistema de justiça implicam. Ao longo da história do Brasil, o processo de organização do sistema de justiça passou por diversas fases, sendo que o marco regulatório atual foi inaugurado com a promulgação da Constituição da República de 1988 (CR/88). Buscamos compreender como esse marco regulatório impactou no processo de inclusão e exclusão de atores e demandas. Realizamos este trabalho em seis Estados:

Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Pernambuco e Rio de Janeiro. Esses seis Estados representam bem a diversidade brasileira, na medida em que estão distribuídos por quatro regiões que expressam as

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representam bem a diversidade brasileira, na medida em que estão distribuídos por quatro regiões que expressam

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil desigualdades, as variações entre atores sociais e também

desigualdades, as variações entre atores sociais e também a concentração de atores econômicos. Para três desses seis estados apresentaremos dados sobre o uso do judiciário feito por macroatores importantes, em especial atores estatais e macroatores econômicos. Com o objetivo de apresentar essas questões, o presente relatório está organizado em três seções. Nas duas primeiras seções, apresenta-se a organização e distribuição do sistema de justiça formal do ponto de vista do território. Na terceira seção, apresenta-se o uso do Poder Judiciário no Brasil do ponto de vista dos macroatores.

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território. Na terceira seção, apresenta-se o uso do Poder Judiciário no Brasil do ponto de vista

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil I – ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO A

I ORGANIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO

A Constituição da República contém uma ampla regulamentação do

Poder Judiciário brasileiro, que determina a estrutura, a organização, os princípios gerais e a fixação de competência para juízes e tribunais, dedicando 35 artigos (art.92 a 126) ao Capítulo intitulado “Do Poder Judiciário”. Além disso, o Capítulo IV (Das Funções Essenciais à Justiça) conta com mais oito artigos que tratam do Ministério Público, da Advocacia Pública, da Advocacia Privada e da Defensoria Pública. Portanto, em boa parte, a própria Constituição da República fixa a estrutura e a competência dos órgãos do Poder Judiciário brasileiro, podendo- se extrair diretamente da Carta Magna a organização básica de diversos tribunais, como, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça. A organização interna dos tribunais brasileiros, por outro lado, é, de regra, fixada nos respectivos regimentos internos dos mesmos, conforme previsão do art. 96, I, a, da CR/88. Por fim, os Estados membros da Federação têm a estrutura fundamental de seus sistemas judiciários estabelecidos em suas respectivas Constituições estaduais, bem como nos Regimentos Internos dos Tribunais de Justiça e nos Códigos de Organização e Divisão Judiciária de cada Estado. Os órgãos que exercem a jurisdição no Brasil podem ser divididos em:

Tribunais Superiores, Justiça Comum (Federal e Estadual) e Justiça Especializada (Trabalhista, Eleitoral e Militar), integrando o Poder Judiciário, nos termos do art. 92 da CR/88.

O Supremo Tribunal Federal (STF), com sede na Capital Federal, é o

órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro, composto por 11 ministros nomeados pelo Presidente da República. Compete precipuamente ao STF a guarda da Constituição, embora possua, conforme o art. 102 da Carta Magna, uma ampla competência originária e recursal. Também sediado na Capital Federal, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme determina o art. 104 da CR/88, é composto por 33 ministros, nomeados pelo Presidente da República, sendo 1/3 dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais, 1/3 dentre desembargadores dos Tribunais de Justiça e

13

sendo 1/3 dentre juízes dos Tribunais Regionais Federais, 1/3 dentre desembargadores dos Tribunais de Justiça e

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil 1/3, em partes iguais, dentre advogados e membros

1/3, em partes iguais, dentre advogados e membros do Ministério Público Federal, Estadual, do Distrito Federal e Territórios. O STJ tem como função precípua a uniformização da jurisprudência no âmbito da Justiça Comum (Federal e Estadual), mediante o julgamento de Recursos Especiais, além de outras competências originárias, fixadas no art. 105 da CR/88. Enquanto as Justiças Trabalhista, Eleitoral e Militar possuem competência limitada às respectivas matérias e, por isso, são consideradas especializadas, a Justiça Federal e a dos Estados podem julgar matérias variadas, pertinentes a direito civil, penal, administrativo, tributário, ambiental, motivo pelo qual são classificadas como integrantes da Justiça Comum. Ressalte-se, contudo, que a competência da Justiça Federal encontra-se taxativamente prevista na Constituição da República, enquanto a competência das Justiças Estaduais é residual, ou seja, abrange tudo o que não for de competência dos Tribunais Superiores, da Justiça Especializada ou da Justiça Federal, sendo definida, portanto, por exclusão. De acordo com o que determina o art. 125 da CR/88, os Estados membros organizarão seu respectivo sistema judiciário, observando-se os princípios da própria Constituição, que fornece um modelo que compreende a existência de um Tribunal de Justiça em cada Estado membro, com competência definida na Constituição de cada Estado, e uma organização e divisão judiciária baseada em comarcas, que podem abranger um ou mais municípios. Dentro de cada comarca pode haver apenas uma vara, com competência ampla para todas as matérias da Justiça Estadual, ou várias varas, especializadas, em regra, em termos de varas Cíveis, Criminais, de Execuções Penais, de Tribunal do Júri, de Família, de Sucessões, de Falências e Concordatas, Agrárias, da Fazenda Pública e de Juizados Especiais (para causas de menor complexidade). As varas possuem um juiz titular e, por vezes, um substituto, denominados “juiz de direito” e os integrantes do Tribunal de Justiça são designados “desembargadores”. A organização e divisão judiciária dos Estados devem ser disciplinadas em leis estaduais, normalmente designadas Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado, podendo ser criada, ainda, uma Justiça Militar.

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designadas Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado, podendo ser criada, ainda, uma Justiça Militar.

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil II. GEOGRAFIA DA JUSTIÇA A PARTIR inclusões e

II.

GEOGRAFIA

DA

JUSTIÇA

A

PARTIR

inclusões e exclusões estruturais

DA

ANÁLISE

DE

MAPAS:

Nesta seção, a perspectiva analítica que nos orienta consiste na ideia de uma cartografia do sistema de justiça. O Poder Judiciário não está organizado de forma igual no território, que, por sua vez, também não é estruturado homogeneamente. Assim, o modo como o sistema judiciário se estrutura pode gerar exclusões de atores e demandas. Consequentemente, nem todos os conflitos sociais, econômicos e políticos que têm lugar no território são processados pelo Poder Judiciário, devido à forma de organização deste último.

Como dito anteriormente, os Estados membros, através da Constituição de cada Estado, organizam seus respectivos sistemas judiciários, nos quais há uma organização e divisão judiciária. Neste relatório, é apresentada a organização e divisão judiciárias dos Estados do Pará, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, conforme Quadro 1 abaixo.

Quadro 1: Organização e Divisão Judiciárias

   

Organização (Órgãos de Jurisdição)

 

Estados

Divisão Judiciária

 

I

Tribunal de Justiça; II Tribunal de Justiça Militar;

 

Minas Gerais

III

Turmas Recursais; IV Juízes de Direito;

Comarcas

V

Tribunais do Júri; VI Conselhos e Juízes de Direito do Juízo Militar; VII

 

Juizados Especiais.

 
 

I

- o Tribunal de Justiça; II - os Juízes de Direito;

Comarcas, regiões judiciárias, distritos, subdistritos, circunscrições e zonas judiciárias

Rio de Janeiro

III

- o Tribunal do Júri; IV - os Conselhos da Justiça Militar; V - os Juizados

Especiais e suas Turmas Recursais.

Pernambuco

I - O Tribunal de Justiça; II - Os Tribunais do Júri; III - Os Conselhos de Justiça Militar; IV - Os Juizados Especiais; V - Os Juízes Estaduais.

Comarcas, circunscrições, comarcas integradas, termos e distritos judiciários.

Pará

I

- Tribunal de Justiça; II - Juízes de Direito;

Comarcas, regiões judiciárias, termos, distritos, subdistritos

III

- Pretores; IV - Juízes de Paz; V - Tribunais do Júri; VI - Justiça Militar.

Rio Grande do Sul

- Tribunal de Justiça; II - Juízes de Direito; III - Tribunais do Júri; IV - Juizados Especiais; V - Pretores; VI - Juízes de Paz.

I

Comarcas, comarcas integradas, distritos e municípios.

Fonte: Código de Organização e Divisão Judiciária dos respectivos Estados

Para efeitos da administração da Justiça Comum, o território de cada Estado é dividido em comarcas, que podem abranger um ou mais municípios, e estão distribuídas de forma desigual pelo território. É nas comarcas que se encontram os principais serviços jurisdicionais, sendo os distritos, subdistritos e demais divisões administrativas criadas em cada Estado vinculados a determinada comarca, frequentemente denominada sede de comarca. Neste

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criadas em cada Estado vinculados a determinada comarca, frequentemente denominada “ sede de comarca ” .

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil relatório, adotamos a definição “município sede de c

relatório, adotamos a definição “município sede de comarcapara os municípios que possuem algum serviço jurisdicional, e “município não sede de comarcapara os municípios que não possuem serviços jurisdicionais e estão vinculados à determinada sede de comarca. As leis estaduais de organização e divisão judiciárias determinam os limites geográficos de cada comarca. Nessas leis são definidos os critérios e requisitos para que os municípios sejam considerados sede de comarcas. De acordo com as Leis Estaduais dos respectivos Estados analisados neste relatório, para a criação das comarcas os municípios devem atender aos seguintes critérios ou requisitos.

Quadro 2: Requisitos para Criação de Comarcas

   

Requisitos para criação de comarcas

 

Estados

 

Movimento Forense (Feitos judiciais) - anual

Receita Tributária

 

População e eleitorado

municipal

Extensão Territorial

Minas Gerais

18

mil habitantes;

400

feitos judiciais

   

13 mil eleitores

-

-

Pará

Cita a exigência, mas não especifica mínimo

Cita a exigência, mas não especifica mínimo

Cita a exigência, mas não especifica mínimo

Certidão do I.B.G.E. quanto à extensão territorial;

Pernambuco

20

mil habitantes;

Mínimo de 300 (ano

Mínima igual a exigida para a criação de municípios

-

6

mil eleitores

 

anterior)

Rio de Janeiro

15

mil habitantes;

200

feitos judiciais

3 mil vezes o salário

mínimo vigente na capital

-

8

mil eleitores

Rio Grande do Sul

 

mil habitantes;

mil eleitores

300

feitos judiciais

Mínima igual a exigida para a criação de municípios

 

20

5

ingressados

anualmente

-

Fonte: Código de Organização e Divisão Judiciária dos respectivos Estados

A primeira orientação de pesquisa que seguimos foi contextualizar a divisão judiciária (municípios sede e não sede de comarcas) de cada Estado em relação ao número de municípios e à distribuição da população. 3 No caso da distribuição da divisão judiciária em relação ao total de municípios, podemos encontrar duas configurações, conforme Quadro 3 abaixo.

3 No caso da população, tivemos como parâmetro o mínimo exigido nas leis estaduais. Utilizamos a estimativa populacional de 2008 (IBGE).

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tivemos como parâmetro o mínimo exigido nas leis estaduais. Utilizamos a estimativa populacional de 2008 (IBGE).
tivemos como parâmetro o mínimo exigido nas leis estaduais. Utilizamos a estimativa populacional de 2008 (IBGE).

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Quadro 3: Relação entre Total de Municípios e

Quadro 3: Relação entre Total de Municípios e a Divisão Judiciária (ordem decrescente do total de municípios)

UFs

Nº total municípios

Nº total sedes

Municípios/Sede

Municípios/ Não Sede

MG

853

320

38%

62%

RS

496

164

33%

67%

PE

185

152

82%

18%

PA

142

115

81%

19%

RJ

92

66

72%

28%

Fonte: IBGE e Código de Organização e Divisão Judiciária dos respectivos Estados

De acordo com o Quadro 3, uma primeira configuração corresponde aos Estados de MG e RS, que, no total de municípios, possuem menor número de sedes em relação ao número de municípios não sede, sendo que do total dos municípios respectivamente em cada Estado, 38% e 33% são sedes e 62% e 67% não são sedes. Uma segunda configuração corresponde aos Estados de PE, RJ e PA, que no total de municípios possuem maior número de sedes em relação aos municípios não sede, sendo em PE uma relação de 82% para sedes e 18% para municípios não sede; no PA uma relação de 81% para sedes e 19% para não sedes; e no RJ uma relação de 72% para sedes e 28% para não sedes. Os mapas abaixo mostram territorialmente a divisão judiciária presente nos respectivos Estados. 4

4 Os mapas indicam municípios sede e não sede, sendo verde escuro para municípios sede de comarcas e verde claro para municípios não sede.

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sede e não sede, sendo verde escuro para municípios sede de comarcas e verde claro para
sede e não sede, sendo verde escuro para municípios sede de comarcas e verde claro para

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapas Divisão Judiciária (1 a 5) Mapa 1:

Mapas Divisão Judiciária (1 a 5)

Mapa 1: Divisão Judiciária Estado Minas Gerais

(1 a 5) Mapa 1: Divisão Judiciária Estado Minas Gerais Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
(1 a 5) Mapa 1: Divisão Judiciária Estado Minas Gerais Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária

Mapa 2: Divisão Judiciária Estado Rio Grande do Sul

Mapa 2: Divisão Judiciária Estado Rio Grande do Sul Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária

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Rio Grande do Sul Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais de Organização e

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 3: Divisão Judiciária Estado Pará Fonte: Elaboração

Mapa 3: Divisão Judiciária Estado Pará

Justiça no Brasil Mapa 3: Divisão Judiciária Estado Pará Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das
Justiça no Brasil Mapa 3: Divisão Judiciária Estado Pará Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir das Leis Estaduais de

Organização e Divisão Judiciária

Mapa 4: Divisão Judiciária Estado Rio de Janeiro

Mapa 4: Divisão Judiciária Estado Rio de Janeiro Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis
Mapa 4: Divisão Judiciária Estado Rio de Janeiro Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir das Leis Estaduais de

Organização e Divisão Judiciária

Mapa 5: Divisão Judiciária Estado Pernambuco

Judiciária Mapa 5: Divisão Judiciária Estado Pernambuco Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais
Judiciária Mapa 5: Divisão Judiciária Estado Pernambuco Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária

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Estado Pernambuco Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária
Estado Pernambuco Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil No caso da relação entre a população exigida

No caso da relação entre a população exigida em lei e a distribuição dos municípios sede, também encontramos duas configurações, conforme Quadro 4 abaixo.

Quadro 4: Relação da população exigida em lei e divisão judiciária (sede de comarca)

 

Total de Municípios com população acima do exigido em lei

Nº total

Maior que exigido em lei

Menor que exigido em lei

UFs

sedes

MG

200

320

60%

40%

RS

103

164

60%

40%

PE

95

152

63%

37%

PA

104

115

84%

16%

RJ

73

66

88%

12%

Fonte: IBGE e Código de Organização e Divisão Judiciária dos respectivos Estados.

De acordo com o Quadro 4, podemos constatar, em primeiro lugar, que a distribuição das sedes nos Estados, quando relacionada com a população e tendo como parâmetro o mínimo exigido em lei, indica que em todos os Estados a criação de sedes não obedece a esse critério especificamente, uma vez que encontramos municípios sede com população menor do que a exigida em lei.

Em segundo lugar, essa distribuição é desigual nos diferentes Estados. Os mapas abaixo mostram territorialmente a distribuição dos municípios sede de comarcas, nos respectivos Estados, em relação à população acima do exigido em lei (cor verde) e abaixo (cor laranja). 5

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do exigido em lei (cor verde) e abaixo (cor laranja). 5 20 5 Os espaços em

5 Os espaços em branco nos mapas indicam municípios não sede de comarcas.

(cor verde) e abaixo (cor laranja). 5 20 5 Os espaços em branco nos mapas indicam

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapas Sedes de comarcas x População acima do

Mapas Sedes de comarcas x População acima do exigido em lei (6 a 10)

Mapa 6: PA

Mapa 7: RJ

acima do exigido em lei (6 a 10) Mapa 6: PA Mapa 7: RJ Fonte: Elaboração
acima do exigido em lei (6 a 10) Mapa 6: PA Mapa 7: RJ Fonte: Elaboração

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária

Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária
Fonte: Elaboração OJB, 2010
A partir das Leis Estaduais de
Organização e Divisão Judiciária

Mapa 8: MG

Mapa 9: RS

e Divisão Judiciária Mapa 8: MG Mapa 9: RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das
e Divisão Judiciária Mapa 8: MG Mapa 9: RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária

Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária
Fonte: Elaboração OJB, 2010
A partir das Leis Estaduais de
Organização e Divisão Judiciária

Mapa 10: PE

de Organização e Divisão Judiciária Mapa 10: PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis
de Organização e Divisão Judiciária Mapa 10: PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária

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Mapa 10: PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão
Mapa 10: PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil A segunda orientação de pesquisa que seguimos foi

A segunda orientação de pesquisa que seguimos foi relacionar a lei que estabelece a divisão judiciária com variáveis empíricas que diagnosticam características da organização da população, entre as quais destacamos a desigualdade medida pelo Índice de Desenvolvimento Humano - IDH. A nosso ver, o IDH, ainda que não seja o melhor índice possível para determinar a desigualdade, é o mais recorrente. 6 Utilizamos diferentes intervalos de IDH (conforme Quadro 5), respeitando as particularidades de cada Estado. Esses intervalos foram medidos a partir de uma distribuição estatística (quintil), que dividiu os municípios em um conjunto ordenado de IDH em cinco partes iguais. Assim, a distribuição do IDH corresponde à realidade de cada Estado, sendo o primeiro intervalo correspondente aos 20% de munícipios com IDH mais alto no Estado e o quinto intervalo corresponde aos 20% dos munícpios com IDH mais baixo no Estado. Na confecção dos mapas, cada intervalo é relacionado a uma cor específica. Dessa forma, os mapas têm uma mesma identidade visual. Os intervalos para cada Estado foram distribuídos da seguinte forma:

Quadro 5: Distribuição dos intervalos do Indíce de Desenvolvimento Humano (IDH) por Estado

   

IDH -2000

Intervalo 1

Intervalo 2

Intervalo 3

Intervalo 4

Intervalo 5

UF/ Intervalos

Max-min.

Min.

Min.

Min.

Min.

(cor azul)

(verde)

(cor amarelo)

(cor laranja)

(cor vermelha)

RJ

0,886-0,789

0,773

0,753

0,733

0,679

RS

0,87-0,817

0,798

0,777

0,754

0,666

MG

0,841-0,77

0,744

0,708

0,668

0,568

PA

0,806-0,71

0,681

0,662

0,631

0,525

PE

0,862-0,669

0,633

0,604

0,581

0,467

Fonte: PNUD (Atlas do Desenvolvimento Humano, 2000) e OJB

Lembramos que essa variação de IDH deve ser analisada separadamente nos Estados, não podendo ser utilizada para compará-los, uma

6 Foram utilizados os dados de IDH do ano de 2000 (PNUD).

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Estados, não podendo ser utilizada para compará-los, uma 6 Foram utilizados os dados de IDH do
Estados, não podendo ser utilizada para compará-los, uma 6 Foram utilizados os dados de IDH do

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil vez que a distribuição nos intervalos de um

vez que a distribuição nos intervalos de um Estado é diferente de outro. Por exemplo, o quinto intervalo no Estado do RJ corresponde ao IDH de 0,679 a 0,732, sendo que no Estado de PE essa variação está contida no primeiro intervalo correspondente ao IDH de 0,669 a 0,862. Por fim, cabe ressaltar que a distribuição a partir do quintil possibilita analisar, na comparação com a divisão judiciária, se há ou não variação na distribuição do IDH. Ou seja, tendo uma distribuição igual em cinco partes no IDH nos munícipios, veremos se essa distribuição sofre alguma variação quando filtramos pela divisão judiciária (munícipios sede de comarcas e munícipios não sede), e com isso verificar se há alguma relação entre a desigualdade social (medida pelo IDH) e a ausência ou presença de estruturas jurídicas (divisão judiciária). Para isso, foram feitos, para cada Estado, três mapas que correspondem: ao IDH dos munícipios; ao IDH somente das sedes; e ao IDH somente dos múnicpios não sede. Abaixo indicamos a distribuição territorial do IDH, tendo como referência os munícipios dos Estados pesquisados.

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Abaixo indicamos a distribuição territorial do IDH, tendo como referência os munícipios dos Estados pesquisados. 23

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapas Indíce de Desenvolvimento Humano dos Munícipios (11

Mapas Indíce de Desenvolvimento Humano dos Munícipios (11 a 15)

Mapa 11: IDH Munícipios do Estado de MG

(11 a 15) Mapa 11: IDH Munícipios do Estado de MG Fonte: Elaboração OJB, 2010 A
(11 a 15) Mapa 11: IDH Munícipios do Estado de MG Fonte: Elaboração OJB, 2010 A

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE e PNUD

Mapa 12: IDH Munícipios do Estado do RS

A partir do IBGE e PNUD Mapa 12: IDH Munícipios do Estado do RS Fonte: Elaboração
A partir do IBGE e PNUD Mapa 12: IDH Munícipios do Estado do RS Fonte: Elaboração

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE e PNUD

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A partir do IBGE e PNUD Mapa 12: IDH Munícipios do Estado do RS Fonte: Elaboração

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 13: IDH Munícipios do Estado do RJ

Mapa 13: IDH Munícipios do Estado do RJ

Justiça no Brasil Mapa 13: IDH Munícipios do Estado do RJ Mapa 14: IDH Munícipios do

Mapa 14: IDH Munícipios do Estado do PA

do Estado do RJ Mapa 14: IDH Munícipios do Estado do PA Fonte: Elaboração OJB, 2010
do Estado do RJ Mapa 14: IDH Munícipios do Estado do PA Fonte: Elaboração OJB, 2010

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE e PNUD

do PA Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE e PNUD Fonte: Elaboração OJB, 2010

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE e PNUD

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do PA Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE e PNUD Fonte: Elaboração OJB, 2010

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 15: IDH Munícipios do Estado de PE

Mapa 15: IDH Munícipios do Estado de PE

Justiça no Brasil Mapa 15: IDH Munícipios do Estado de PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A
Justiça no Brasil Mapa 15: IDH Munícipios do Estado de PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE e PNUD

Como podemos perceber nos mapas (11 a 15), há uma distribuição desigual no território quanto ao IDH. Por um lado, a distribuição desigual pode ser identificada a partir dos intervalos selecionados (Quadro 5), ou seja, ao selecionar os intervalos necessariamente distribuímos os municípios em cinco grupos. Por outro lado, essa divisão, quando analisada topograficamente, demonstra que ainda há uma distribuição desigual no território que divide os Estados em regiões que possuem IDH mais alto e regiões que possuem IDH mais baixo. Essa divisão não é perfeita, como podemos observar no caso dos municípios do estado do Pará que aparecem com forte presença de azul devido ao seu tamanho e obscurece as fortes zonas de desigualdade presentes naquele estado. Ainda assim, quando observamos os mapas, podemos identificar regiões nos Estados que concentram municípios com IDH mais alto e regiões que concentram municípios com IDH mais baixo e tal distinção nos auxilia a pensar os padrões de acesso à justiça. A pergunta, portanto, que nos colocamos é como essa concentração regional está relacionada ao acesso à justiça. Assim, a partir desses questionamentos sobre

a distribuição desigual do IDH no território, procuramos analisar se a mesma

desigualdade se apresenta na distribuição dos municípios sede e não sede de

comarcas. Como se trata de dinâmicas estaduais, descreveremos caso a caso

o acesso à justiça nos estados.

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sede de comarcas. Como se trata de dinâmicas estaduais, descreveremos caso a caso o acesso à

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil No caso do Estado de Minas Gerais, e

No caso do Estado de Minas Gerais, e como visto anteriormente no quadro 3, os municípios sede de comarcas correspondem a 38% do total dos municípios mineiros e os municípios não sede somam 62%. Entre os municípios sede de comarcas, a porcentagem de municípios com IDH no primeiro e segundo intervalos (valores mais altos de IDH) somam aproximadamente 62% do total das sedes, enquanto que, nos municípios não sede, a porcentagem de municípios com IDH nesses mesmos intervalos somam apenas 25% dos não sede. No caso de MG, podemos observar que há variações significativas entre os intervalos e que a distribuição nos cinco intervalos tem direção inversamente proporcional quando comparamos os municípios sede de comarcas com os municípios não sede de comarcas. Podemos assim perceber que o acesso à justiça obedece às estruturas de desigualdade social do Estado, na medida em que IDH baixo e municípios não sede praticamente coincidem. Nos mapas abaixo (16 e 17), podemos ver essas relações, bem como a distribuição territorial da relação divisão judiciária versus IDH.

Mapa 16: IDH somente Municípios Sede de Comarcas MG

Mapa 16: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – MG Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
Mapa 16: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – MG Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

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– MG Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 17: IDH somente Municípios Não Sede de

Mapa 17: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas MG

17: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – MG Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
17: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – MG Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

No caso do Estado do Rio Grande do Sul, os municípios sede de comarcas correspondem a 33% do total dos municípios gaúchos e os municípios não sede somam 67%. Entre os municípios sede de comarcas, a porcentagem de municípios com IDH no primeiro e segundo intervalos (valores mais altos de IDH) somam aproximadamente 52% do total das sedes, enquanto que nos municípios não sede a porcentagem de municípios com IDH nesses mesmos intervalos somam apenas 29% do total dos municípios não sede.

Assim, como em MG, no Estado do RS a distribuição nos cinco intervalos tem direção inversamente proporcional quando comparamos os municípios sede de comarcas com os municípios não sede de comarcas. Nesse sentido, também percebe-se a relação entre a estrutura de desigualdade social do Estado com a divisão judiciária, na medida em que IDH baixo e municípios não sede praticamente coincidem. Nos mapas abaixo (18 e 19), podemos ver essa relação, bem como a distribuição territorial da relação divisão judiciária versus IDH.

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e 19), podemos ver essa relação, bem como a distribuição territorial da relação divisão judiciária versus

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 18: IDH somente Municípios Sede de Comarcas

Mapa 18: IDH somente Municípios Sede de Comarcas RS

Mapa 18: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
Mapa 18: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei

Estadual de Organização e Divisão

Judiciária

Mapa 19: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas RS

19: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
19: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

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– RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil No caso do Estado do Rio de Janeiro,

No caso do Estado do Rio de Janeiro, os municípios sede de comarcas correspondem a 72% do total dos municípios fluminenses e os municípios não sede somam 18%. Entre os municípios sede de comarcas, a porcentagem de municípios com IDH no primeiro e segundo intervalos (valores mais altos de IDH) somam aproximadamente 44% do total das sedes, enquanto que nos municípios não sede a porcentagem de municípios com IDH nesses mesmos intervalos somam 23% do total dos municípios não sede. No caso do Estado do RJ, a distribuição dos intervalos nos municípios sede de comarcas tem uma redução importante no quinto intervalo (valor mais baixo), assim como esse mesmo intervalo tem um aumento importante nos municípios não sede de comarcas. Nos mapas abaixo (20 e 21), podemos ver essas variações, bem como a distribuição territorial da relação divisão judiciária versus IDH.

Mapa 20: IDH somente Municípios Sede de Comarcas RJ

Mapa 20: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – RJ Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
Mapa 20: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – RJ Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

30

– RJ Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 21: IDH somente Municípios Não Sede de

Mapa 21: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas RJ

21: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – RJ Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
21: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – RJ Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

No caso do Estado do Pará, os municípios sede de comarcas correspondem a 81% do total dos municípios paraenses e os municípios não sede somam 19%. Entre os municípios sede de comarcas, a porcentagem de municípios com IDH no primeiro e segundo intervalos (valores mais altos de IDH) somam aproximadamente 44% do total das sedes, enquanto que nos municípios não sede a porcentagem de municípios com IDH nesses mesmos intervalos somam 22% do total dos municípios não sede. No caso do Estado do PA, a distribuição dos intervalos nos municípios sede de comarcas tem pouca variação, já nos municípios não sede de comarcas há diferenças significativas entre os intervalos. Nos mapas abaixo (22 e 23), podemos ver essas relações, bem como a distribuição territorial da relação divisão judiciária versus IDH.

31

23), podemos ver essas relações, bem como a distribuição territorial da relação divisão judiciária versus IDH.

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 22: IDH somente Municípios Sede de Comarcas

Mapa 22: IDH somente Municípios Sede de Comarcas PA

Mapa 22: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – PA Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
Mapa 22: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – PA Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei

Estadual de Organização e Divisão

Judiciária

Mapa 23: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas PA

23: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – PA Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
23: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – PA Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei

Estadual de Organização e Divisão

Judiciária

32

– PA Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Por fim, no caso do Estado de Pernambuco,

Por fim, no caso do Estado de Pernambuco, os municípios sede de comarcas correspondem a 82% do total dos municípios pernambucanos e os municípios não sede somam 18%. Entre os municípios sede de comarcas, a porcentagem de municípios com IDH no primeiro e segundo intervalos (valores mais altos de IDH) somam aproximadamente 42% do total das sedes, enquanto que nos municípios não sede a porcentagem de municípios com IDH nesses mesmos intervalos somam 24% do total dos municípios não sede. Em PE, temos uma pequena variação dos intervalos nos municípios sede de comarcas. Destaca-se, no entanto, uma importante variação entre o primeiro intervalo (valor mais alto de IDH) e o quinto intervalo (valor mais baixo de IDH), principalmente nos municípios não sede. Nos mapas abaixo (24 e 25), podemos ver essa variação, bem como a distribuição territorial da relação divisão judiciária versus IDH no Estado de Pernambuco.

Mapa 24: IDH somente Municípios Sede de Comarcas PE

Mapa 24: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
Mapa 24: IDH somente Municípios Sede de Comarcas – PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

33

– PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 25: IDH somente Municípios Não Sede de

Mapa 25: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas PE

25: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir
25: IDH somente Municípios Não Sede de Comarcas – PE Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

Assim, a partir desses mapas, podemos fazer uma reflexão que responda às duas perguntas mencionadas anteriormente, a saber, se a distribuição desigual do IDH no território se mantém ou sofre alterações significativas quando relacionamos a divisão judiciária com o IDH; e se a concentração regional do IDH permanece quando relacionamos a divisão judiciária. Em relação ao primeiro questionamento, percebe-se que a distribuição do IDH no território tem alterações quando dividimos os municípios por sedes e não sedes e observamos a partir dessa divisão a variação nos intervalos de IDH. Podemos fazer duas observações a partir dessa relação entre a divisão judiciária e a variação no intervalo de IDH, conforme ilustrado no Quadro 6:

34

partir dessa relação entre a divisão judiciária e a variação no intervalo de IDH, conforme ilustrado

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Quadro 6: Síntese da relação entre a divisão

Quadro 6: Síntese da relação entre a divisão judiciária e variação no intervalo de IDH (%)

   

(A)

 

(B)

 

(c)

 

Variação externa (1º+2º intervalo)

Variação interna (1º intervalo)

Variação interna (5º intervalo)

%

Municípios/

 

%

 

%

 

%

sede

UF

Sede

Não sede

Sede

Não sede

Sede

Não sede

MG

62

 

25

75

 

25

19

 

81

38

RS

52

29

53

47

11

89

33

RJ

44

23

72

28

42

58

72

PA

44

22

96

4

80

20

81

PE

42

24

89

11

69

31

82

Fonte: OJB a partir das Leis Estaduais de Organização e Divisão Judiciária e PNUD

A primeira observação tem a ver com uma variação interna da proporção de municípios pertencentes a cada intervalo de IDH (colunas B e C). Nesse sentido, tendo como filtro a divisão judiciária, quando observamos a variação, em cada intervalo, em comparação ao 1/5 (quintil) do IDH dos municípios (mapas 11 a 15), percebemos que em todos os intervalos a proporção dos municípios tende a ser diferente de 20%. No entanto, é necessário observar que nos intervalos de IDH mais alto (primeiro intervalo) a proporção de municípios é muito maior naqueles que são sede de comarcas do que nos municípios não sede de comarcas. Sendo que o inverso também é encontrado, ou seja, nos intervalos de IDH mais baixo (quinto intervalo), a proporção de municípios é muito maior naqueles que são não sede de comarcas do que nos municípios sede de comarcas. Em ambos os casos, constata-se que há uma distribuição desigual em relação à divisão judiciária, uma vez que a distribuição igual por intervalo sofre alterações significativas quando tomamos como filtro a divisão judiciária. Uma segunda observação refere-se à variação externa entre os intervalos e à comparação dessa variação entre os munícipios sede e não sede (coluna A). Como vimos nos mapas (16 a 25), há variações significativas entre os intervalos, o que configura em alguns Estados (MG, RS) uma distribuição nos cinco intervalos inversamente proporcional quando comparamos os municípios sede de comarcas com os municípios não sede de comarcas. Ainda

35

proporcional quando comparamos os municípios sede de comarcas com os municípios não sede de comarcas. Ainda

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil em relação à comparação entre sedes e não

em relação à comparação entre sedes e não sedes, o Quadro 6 mostra que em todos os Estados a proporção de municípios com IDH no primeiro e segundo intervalos (valores mais altos de IDH) é maior nos municípios sede do que nos municípios não sede. Podemos assim perceber que o acesso à justiça obedece às estruturas de desigualdade do Estado, na medida em que IDH baixo e municípios não sede praticamente coincidem. Por fim, como mencionado anteriormente, a distribuição desigual no território em relação ao IDH sugere um segundo questionamento. Nesse caso, procuramos analisar se a concentração regional encontrada nos Estados permanece quando relacionamos a divisão judiciária com o IDH. Topograficamente podemos dizer que essa concentração se mantém, principalmente quando observamos nos mapas de IDH somente dos municípios sede que a distribuição do IDH agrupa-se nos intervalos 1 e 2, e estes concentram-se em regiões com índices mais elevados de desenvolvimento humano. Em termos visuais podemos perceber isso quando comparamos os mapas do IDH dos municípios com os mapas do IDH correspondentes à divisão judiciária. Veremos uma predominância das cores azul e verde nos mapas dos municípios sede, e das cores vermelho, laranja e amarelo nos mapas dos municípios não sede. A figura 1 abaixo agrupa os mapas do IDH dos municípios, sede e não sede, com o intuito de facilitar a visualização topográfica e a comparação da distribuição territorial.

36

e não sede, com o intuito de facilitar a visualização topográfica e a comparação da distribuição

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Figura 1: Mapas IDH municípios sede e não

Figura 1: Mapas IDH municípios sede e não sede

Divisão Judiciária

IDH Municípios

IDH Municípios Sede

IDH Municípios Não Sede

IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
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IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não
IDH municípios sede e não sede Divisão Judiciária IDH Municípios IDH Municípios Sede IDH Municípios Não

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Essa distribuição desigual das estruturas administrativas do sistema

Essa distribuição desigual das estruturas administrativas do sistema de justiça no território é percebida ainda com mais intensidade quando dividimos os municípios sede em dois grupos: sedes com população acima do exigido em lei; e sedes com população menor do que exigido em lei. Esses casos parecem ser exemplificados nos Estados de MG e RS. Os mapas abaixo (26 a 29) descrevem esses casos.

Mapa 26: Sedes com população acima do exigido em lei - MG

Mapa 26: Sedes com população acima do exigido em lei - MG Fonte: Elaboração OJB, 2010

Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

Mapa 28: Sedes com população acima do exigido em lei - RS

Mapa 28: Sedes com população acima do exigido em lei - RS Fonte: Elaboração OJB, 2010
Mapa 28: Sedes com população acima do exigido em lei - RS Fonte: Elaboração OJB, 2010

Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual de Organização e Divisão Judiciária

Mapa 27: Sedes com população abaixo do exigido em lei - MG

Mapa 27: Sedes com população abaixo do exigido em lei - MG Fonte: Elaboração OJB, 2010

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei

Estadual de Organização e Divisão

Judiciária

Mapa 29: Sedes com população abaixo do exigido em lei - RS

Mapa 29: Sedes com população abaixo do exigido em lei - RS Fonte: Elaboração OJB, 2010
Mapa 29: Sedes com população abaixo do exigido em lei - RS Fonte: Elaboração OJB, 2010

Fonte: Elaboração OJB, 2010

A partir do IBGE, PNUD e Lei

Estadual de Organização e Divisão

Judiciária

38

em lei - RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual
em lei - RS Fonte: Elaboração OJB, 2010 A partir do IBGE, PNUD e Lei Estadual

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil É possível observar nos mapas que os municípios

É possível observar nos mapas que os municípios sede de comarcas com população abaixo do exigido em lei estão localizados em regiões do Estado que possuem IDH mais elevado e, em alguns casos, estão próximos de sedes com população acima do exigido em lei que também têm IDH elevado. No caso de MG, por exemplo, esse recorte é exemplar. Encontramos poucos municípios sede de comarca com população abaixo do exigido em lei em regiões como o Vale do Jequitinhonha e Norte de Minas (regiões conhecidas como as mais carentes do Estado e que possuem baixo IDH, conforme indicado no mapa dos municípios). Pelo contrário, os municípios sede se concentram na região do Triângulo Mineiro, Sul de Minas e região Central (regiões com o melhor IDH do Estado). Esse dado é importante, pois, nos municípios sede com população abaixo do previsto em lei, a criação da comarca evidencia o peso do IDH mais elevado, bem como da desigualdade territorial que concentra municípios e sedes de comarcas em regiões de melhores índices de desenvolvimento humano. Podemos assim perceber uma relação entre a desigualdade social (medida pelo Índice de Desenvolvimento Humano - IDH) e a ausência ou presença de estruturas administrativas do sistema de justiça (verificada pela divisão judiciária).

39

e a ausência ou presença de estruturas administrativas do sistema de justiça (verificada pela divisão judiciária).

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil O caso da Defensoria Pública (Minas Gerais) Além

O caso da Defensoria Pública (Minas Gerais)

Além dessa análise feita a partir do sistema judiciário, é possível investigar o acesso à justiça por meio de uma cartografia da Defensoria Pública. Tal cartografia nos permite não só pensar o acesso à justiça da população de baixa renda pela presença de comarcas, mas também pela presença de meios para acionar o sistema de justiça, entre os quais a defensoria é um dos mais importantes instrumentos. Criada na Constituição de 1988, a Defensoria Pública, conforme o art. 134 da Carta, “é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados”. Trata-se de uma conquista institucional. Afinal, embora a origem do direito à defesa seja antiga, a criação de uma instituição pública especializada na assistência às pessoas vulneráveis representa um avanço considerável na luta pela justiça social. A partir da emenda constitucional n° 45, de 2004, as Defensorias Públicas estaduais ganharam autonomia funcional e administrativa. Cada Estado da federação é responsável por lei que dispõe sobre sua organização, desde que em consonância com a lei complementar n° 80, de 2004, que dispõe sobre as regras gerais de organização. Nesta última série de mapas, gostaríamos de analisar o caso de Minas Gerais, partindo do mesmo estudo sociológico feito anteriormente: será que existe uma relação entre a desigualdade social, medida pelo IDH, e a ausência de Defensorias Públicas nos municípios mineiros? Segundo a lei complementar 65/2003, que dispõe sobre a organização da Defensoria no Estado de MG, “é obrigatória a instalação de Defensoria Pública em todas as comarcas do Estado” (art. 41). No entanto, a partir dos mapas 30 a 32 abaixo, podemos observar que ainda é baixa a presença de Defensoria Pública nos municípios mineiros, e que sua distribuição territorial não atende especificamente à obrigatoriedade citada pela lei 65/2003 7 . De acordo com o mapa 30, temos 399 municípios com Defensoria Pública, o que representa 47% dos municípios mineiros.

7 As informações sobre as Defensorias Públicas foram coletadas na Pesquisa de Informações Básicas Municipais Munic, do IBGE, ano 2009.

40

Defensorias Públicas foram coletadas na Pesquisa de Informações Básicas Municipais – Munic, do IBGE, ano 2009.
Defensorias Públicas foram coletadas na Pesquisa de Informações Básicas Municipais – Munic, do IBGE, ano 2009.

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 30: Distribuição das Defensorias Públicas MG ção

Mapa 30: Distribuição das Defensorias Públicas MG

Brasil Mapa 30: Distribuição das Defensorias Públicas MG ção OJB, 2010 A partir do IBGE, Fonte:
Brasil Mapa 30: Distribuição das Defensorias Públicas MG ção OJB, 2010 A partir do IBGE, Fonte:

ção OJB, 2010

A partir do IBGE,

Fonte: Elabora

Já em relação ao Mapa 31, podemos observar que das 320 comarcas de Minas Gerais, temos a presença de Defensoria Pública em 195 comarcas, o que representa 61% dos municípios que são sede de comarcas.

Mapa 31: Sede de comarcas e existência de Defensorias Públicas

Mapa 31: Sede de comarcas e existência de Defensorias Públicas ção OJB, 2010 A partir do
Mapa 31: Sede de comarcas e existência de Defensorias Públicas ção OJB, 2010 A partir do

ção OJB, 2010

A partir do IBGE,

Fonte: Elabora

41

Mapa 31: Sede de comarcas e existência de Defensorias Públicas ção OJB, 2010 A partir do

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Por sua vez, o Mapa 32 mostra a

Por sua vez, o Mapa 32 mostra a presença de Defensorias Públicas em municípios não sede de comarcas. De acordo com o mapa 32, temos 204 municípios não sede de comarcas com Defensorias Públicas, o que representa 38% desses municípios.

Mapa 32: Não Sede de comarcas e existência de Defensorias Públicas

ção OJB, 2010 A partir do IBGE, Fonte: Elabora
ção OJB, 2010
A partir do IBGE,
Fonte: Elabora

Esses dados nos levam a analisar se existe uma relação entre a desigualdade social, medida pelo IDH, e a distribuição de Defensorias Públicas nos municípios mineiros. O mapa 33 abaixo apresenta a distribuição das Defensorias Públicas nos municípios sede e não sede de comarcas em relação ao IDH:

42

apresenta a distribuição das Defensorias Públicas nos municípios sede e não sede de comarcas em relação

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Mapa 33: Existência de Defensoria x IDH 8

Mapa 33: Existência de Defensoria x IDH 8

no Brasil Mapa 33: Existência de Defensoria x IDH 8 ção OJB, 2010 A partir do
no Brasil Mapa 33: Existência de Defensoria x IDH 8 ção OJB, 2010 A partir do

ção OJB, 2010 A partir do IBGE,

Fonte: Elabora

De acordo com esse mapa, os municípios com Defensorias Públicas possuem aproximadamente 45% de municípios com IDH no primeiro e segundo intervalos (índices mais altos de IDH), levando ao entendimento da existência de uma relação entre a desigualdade social e a distribuição de Defensorias Públicas nos municípios mineiros. Podemos dizer ainda que esse mapa se assemelha ao mapa dos municípios sede de comarcas (mapa 16), apesar da relação entre a desigualdade social e Defensoria Pública ser menos intensa do que aquela encontrada entre a desigualdade social e divisão judiciária. Por sua vez, essa relação se intensifica quando dividimos a presença e ausência de Defensoria Pública entre os municípios sede de comarcas e municípios não sede de comarcas. É o que podemos observar no quadro 7 abaixo:

8 Tendo como base a distribuição do quintil de todos os municípios, similar ao que foi feito para os mapas de comarcas. Analisa a variação dentro de cada estrato.

43

todos os municípios, similar ao que foi feito para os mapas de comarcas. Analisa a variação
todos os municípios, similar ao que foi feito para os mapas de comarcas. Analisa a variação

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Quadro 7: Distribuição do IDH entre Sede de

Quadro 7: Distribuição do IDH entre Sede de Comarcas e Não Sede de Comarcas e existência de Defensoria Pública.

   

Sede Comarca

 

Não sede de Comarca

Municípios

/

Com

Sem

Com

Sem

IDH

Defensoria

Defensoria

Defensoria

Defensoria

1º intervalo

96

(49%)

28

(22%)

9 (4%)

36

(11%)

2º intervalo

40

(21%)

36

(29%)

35

(17%)

56

(17%)

3º intervalo

27

(14%)

26

(21%)

55

(27%)

67

(20%)

4º intervalo

17

(9%)

15

(12%)

57

(28%)

77

(23%)

5º intervalo

15

(8%)

20

(16%)

48

(24%)

93

(28%)

Fonte: OJB a partir da Pesquisa de Informações Básicas Municipais Munic, do IBGE, ano 2009, e Lei de Divisão Judiciária do Estado de MG.

A partir do quadro 7, podemos observar que as variáveis sede de comarca com Defensoria Pública e não sede de comarca sem Defensoria Pública reforça as análises realizadas na relação entre a desigualdade social (medidas pelo IDH) e a ausência ou presença de estruturas administrativas do sistema de justiça (verificada pela divisão judiciária), realizada anteriormente na análise das comarcas.

No caso das Defensorias Públicas, podemos dizer que quanto maior o IDH, maior a presença de Defensorias Públicas e quanto menor o IDH menor a presença de Defensorias Públicas. Além disso, a associação entre a presença de Defensorias Públicas e municípios sede de comarcas faz intensificar a relação entre altos índices de desenvolvimento econômico e a presença de estruturas administrativas do sistema de justiça. Neste sentido, não há como não apontar a existência de uma forte estrutura de desigualdade social influenciando o acesso a justiça no Brasil.

44

não apontar a existência de uma forte estrutura de desigualdade social influenciando o acesso a justiça

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil III. ACESSO AOS TRIBUNAIS: desigualdade no acesso, atores

III. ACESSO AOS TRIBUNAIS: desigualdade no acesso, atores recorrentes

Justiça Estadual Primeira Instância: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo

A Justiça Comum é notadamente conhecida pela falta de celeridade,

atrasando a prestação jurisdicional pleiteada. O Gráfico 1 abaixo, que apresenta a movimentação processual na justiça estadual de Minas Gerais, no período situado entre 1994 e 2009, corrobora a afirmação. O acervo tende a crescer, enquanto os processos julgados e encerrados obedecem a certa ordem de estagnação. No entanto, é importante saber quem são os usuários do sistema judiciário e, principalmente, os usuários mais frequentes, para entender como a falta de celeridade tem impacto diferenciado entre os diferentes grupos sociais.

Gráfico 1: Evolução do Movimento Processual - Justiça Comum - 1ª Instância

do Movimento Processual - Justiça Comum - 1ª Instância Fonte: Relatório 2009 TJMG O aumento da

Fonte: Relatório 2009 TJMG

O aumento da capacidade de julgamento, verificado ao longo dos anos,

não tem sido suficiente para atender à demanda, também crescente, havendo

45

julgamento, verificado ao longo dos anos, não tem sido suficiente para atender à demanda, também crescente,

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil um maior acúmulo de feitos no acervo da

um maior acúmulo de feitos no acervo da justiça estadual de Minas Gerais,

aumentando a carga de trabalho das secretarias de juízo.

O acervo processual de Minas Gerais é de 4,2 milhões de processos,

sendo que 96,6% encontram-se na Justiça Comum de primeira instância e nos

Juizados Especiais, como demonstra o Gráfico 2 a seguir.

Gráfico 2: Distribuição do Acervo Total 2009 por instâncias do Poder Judiciário de Minas Gerais

2009 por instâncias do Poder Judiciário de Minas Gerais Fonte: Relatório 2009 TJMG Em 2009 o

Fonte: Relatório 2009 TJMG

Em 2009 o acervo total da primeira instância em Minas Gerais era de

3.422.250, enquanto o acervo apenas da comarca de Belo Horizonte era de

670.854. Tal dado demonstra que a capital concentra um grande volume de

processos.

Utilizaremos em nossa análise os feitos cíveis que correspondem a 74%

do acervo de primeira instância da Justiça de Minas Gerais.

46

nossa análise os feitos cíveis que correspondem a 74% do acervo de primeira instância da Justiça

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Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo

Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo Horizonte (Varas de Interesse)

 

Acervo

Índices*

Vara

Distribuídos

Julgados

Encerrados

Audiências

 

Saldo em

IE

IJ

 

30/06/10

10ª Vara Cível

974

771

762

298

5588

0,78

0,792

11ª Vara Cível

960

828

822

248

4575

0,86

0,863

12ª Vara Cível

997

1328

1103

225

5813

1,11

1,332

13ª Vara Cível

960

1318

1089

346

4715

1,13

1,373

14ª Vara Cível

1004

1226

826

258

4212

0,82

1,221

15ª Vara Cível

980

926

858

222

5998

0,88

0,945

16ª Vara Cível

1030

1015

888

374

4923

0,86

0,985

17ª Vara Cível

977

879

869

343

6473

0,89

0,9

18ª Vara Cível

973

785

711

344

6155

0,73

0,807

19ª Vara Cível

954

726

623

143

7060

0,65

0,761

1ª Vara Cível

 

0,115

962

1108

671

246

6823

0,7

2

1ª Vara de Feitos Tributários do Estado

731

1150

968

0

12328

1,32

1,573

1ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal

1304

3012

3982

2

20751

3,05

2,31

(continua)

* Obs: Índices e Taxas: 1) Conceituação: IJ = Índice de Julgamento = Proc. Julgados / Proc. Distribuídos e IE = Índice de Encerramento = Proc. Encerrados / Proc. Distribuídos; 2) Avaliam a quantidade de processos julgados e de encerrados em relação às distribuições, ou seja, os novos processos. Os resultados desejáveis devem ser iguais ou maiores que 1. Estes resultados indicam que a unidade jurisdicional julga e encerra processos na mesma proporção ou acima do que recebe. Número índice abaixo de 1 indica acúmulo de processos carecendo de sentença e acúmulo de processos no acervo.

47

Número índice abaixo de 1 indica acúmulo de processos carecendo de sentença e acúmulo de processos
Número índice abaixo de 1 indica acúmulo de processos carecendo de sentença e acúmulo de processos

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo

Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo Horizonte (Varas de Interesse) (continuação)

 

Acervo

Índices

Vara

Distribuídos

Julgados

Encerrados

Audiências

Saldo em

IE

IJ

 

30/06/10

1ª Vara

Empresarial

261

251

308

4

752

1,18

0,962

20ª Vara Cível

952

730

520

74

6280

0,55

0,767

21ª Vara Cível

919

740

379

226

7942

0,41

0,805

22ª Vara Cível

941

691

523

190

7387

0,56

0,734

23ª Vara Cível

929

561

665

447

6072

0,72

0,6

24ª Vara Cível

1005

1284

846

292

7126

0,84

1,278

25ª Vara Cível

1000

1095

915

98

5968

0,92

1,1

26ª Vara Cível

1003

1093

660

306

6622

0,66

1,09

27ª Vara Cível

986

902

509

167

6575

0,52

0,915

28ª Vara Cível

941

864

617

343

6862

0,66

0,918

29ª Vara Cível

962

1001

750

83

6827

0,78

1,041

2ª Vara Cível

980

662

579

180

7233

0,59

0,676

2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias

1102

2171

1269

116

9755

1,15

1,97

2ª Vara de Feitos Tributários do Estado

691

691

623

12

14185

0,9

1

(continua)

48

1,15 1,97 2ª Vara de Feitos Tributários do Estado 691 691 623 12 14185 0,9 1
1,15 1,97 2ª Vara de Feitos Tributários do Estado 691 691 623 12 14185 0,9 1

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo

Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo Horizonte (Varas de Interesse) (continuação)

 

Acervo

Índices

Vara

Distribuídos

Julgados

Encerrados

Audiências

Saldo em

IE

IJ

 

30/06/10

2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal

1330

2576

2494

10

25352

1,88

1,937

2ª Vara

Empresarial

130

125

176

23

2145

1,35

0,962

30ª Vara Cível

969

837

676

137

5159

0,7

0,864

31 ª Vara Cível

1222

427

674

17

5944

0,55

0,349

32ª Vara Cível

925

938

656

346

6597

0,71

1,014

33ª Vara Cível

959

1019

896

228

5822

0,93

1,063

34ª Vara Cível

964

712

602

292

5725

0,62

0,739

3ª Vara Cível

948

1143

870

61

5163

0,92

1,206

3ª ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias

1056

1411

635

53

10705

0,6

1,336

3ª Vara de Feitos Tributários do Estado

696

1805

1240

1

12142

1,78

2,593

3ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal

1338

2180

2038

8

18856

1,52

1,629

(continua)

49

3ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal 1338 2180 2038 8 18856 1,52 1,629 (continua)
3ª Vara de Feitos da Fazenda Pública Municipal 1338 2180 2038 8 18856 1,52 1,629 (continua)

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo

Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo Horizonte (Varas de Interesse) (continuação)

 

Acervo

Índices

Vara

Distribuídos

Julgados

Encerrados

Audiências

Saldo em

IE

IJ

 

30/06/10

3ª Vara

 

Empresarial

179

225

235

5

1000

1,31

1,257

4ª Vara Cível

1017

771

729

108

6460

0,72

0,758

4ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias

1091

1588

861

181

10082

0,79

1,456

4ª Vara de Feitos Tributários do Estado

794

1240

1421

1

12585

1,79

1,562

4ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal

1342

3524

2325

8

22126

1,73

2,626

5ª Vara Cível

964

991

846

253

6958

0,88

1,028

5ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias

1108

1484

919

191

9983

0,83

1,339

5ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal

1335

2976

3158

10

18642

2,37

2,23

6ª Vara Cível

1088

757

829

314

7648

0,76

0,7

(continua)

50

3158 10 18642 2,37 2,23 6ª Vara Cível 1088 757 829 314 7648 0,76 0,7 (continua)
3158 10 18642 2,37 2,23 6ª Vara Cível 1088 757 829 314 7648 0,76 0,7 (continua)

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo

Tabela 1: Movimentação Processual na Comarca de Belo Horizonte (Varas de Interesse) (continuação)

 

Acervo

Índices

Vara

Distribuídos

Julgados

Encerrados

Audiências

Saldo em

IE

IJ

 

30/06/10

6ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias

1081

1461

962

114

9518

0,89

1,35

6ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal

1335

2976

3158

10

18642

2,37

2,23

7ª Vara Cível

971

899

725

136

6145

0,75

0,93

7ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias

1062

1787

1029

219

10377

0,97

1,68

8ª Cível Vara

945

706

457

214

6953

0,48

0,75

9ª Vara Cível

977

656

557

148

6785

0,57

0,67

Vara de

Precatórias

19950

0

19856

494

13952

1

0

Cíveis

 

71254

63022

72359

9169

466466

1,015

0,88

 

BH Total

Todas as

varas da

comarca de

132190

98665

121366

40419

691562

0,92

0,75

Belo

Horizonte

Fonte: Relatório 2009 TJMG

Quanto

à

natureza

dos

feitos,

a

Tabela

2

abaixo

movimentação processual no ano de 2009.

representa

a

51

2009 TJMG Quanto à natureza dos feitos, a Tabela 2 abaixo movimentação processual no ano de
2009 TJMG Quanto à natureza dos feitos, a Tabela 2 abaixo movimentação processual no ano de

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Tabela 2: Movimentação Processual na Justiça Estadual de

Tabela 2: Movimentação Processual na Justiça Estadual de Minas Gerais -

2009

Processual na Justiça Estadual de Minas Gerais - 2009 Fonte: Relatório 2009 TJMG Verifica-se que as

Fonte: Relatório 2009 TJMG

Verifica-se que as execuções fiscais são as ações judiciais distribuídas mais representativas em números (juntamente com as ações de família que não são objeto de análise da presente pesquisa), o que embasa nossa hipótese de que o Estado é um dos maiores atores judicantes, dado que ações desse tipo envolvem necessariamente o Estado. Para determinarmos se, de fato, o Estado e os atores econômicos são os principais litigantes, é necessário estabelecermos a relação quantitativa entre atores e demandas. É fundamental conhecer e caracterizar quem mais demanda e contra quem demanda, uma vez que na litigância cível é indispensável a manifestação de vontade da parte autora para dar início à demanda, pondo em marcha a prestação jurisdicional, que mobiliza o judiciário com o fito de resolver o conflito gerado no âmbito da sociedade. O Gráfico 3, abaixo, apresenta os maiores atores da Justiça Comum (sem distinguir se autor ou réu), isso é, aqueles que mais mobilizam a justiça estadual, no âmbito de competência da comarca de Belo Horizonte.

52

isso é, aqueles que mais mobilizam a justiça estadual, no âmbito de competência da comarca de

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Gráfico 3: Demanda Processual da Comarca de Belo

Gráfico 3: Demanda Processual da Comarca de Belo Horizonte - Justiça Comum

Processual da Comarca de Belo Horizonte - Justiça Comum Fonte: Site do TJMG/ Relatório 2009 TJMG

Fonte: Site do TJMG/ Relatório 2009 TJMG / Relatórios mensais das Varas Estaduais da Fazenda Pública

Tal representação gráfica nos mostra que o Estado, parte necessarimante envolvida nos feitos das Varas da Fazenda Pública Estadual e Municipal e nos feitos tributários, é sem dúvidas um dos atores processuais mais frequentes. Considerando especificamente o grupo BANCOS, como representativos dos macroatores econômicos, observamos que não há muita divergência entre o percentual de demandas que envolve o Banco do Brasil (empresa de economia mista) e as que envolvem os principais bancos privados, tais como o Bradesco ou o Itaú.

53

do Brasil (empresa de economia mista) e as que envolvem os principais bancos privados, tais como

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Gráfico 4: Demanda Processual da Comarca de Belo

Gráfico 4: Demanda Processual da Comarca de Belo Horizonte pela categoria de Bancos

da Comarca de Belo Horizonte pela categoria de Bancos Fonte: Site do TJMG/ Relatório 2009 TJMG

Fonte: Site do TJMG/ Relatório 2009 TJMG

Por outro lado, no Rio Grande do Sul, o volume total de processos da

primeira instância da Justiça Comum é de 2.996.551, sendo 2.770.070 os feitos

cíveis, representando 92% do total.

Segundo o relatório anual do TJRS de 2002 a 2005, houve grande

crescimento no acervo geral do TJ, visto que a quantidade de processos

distribuídos superava muito a quantidade de processos extintos. Porém, a partir

de 2006, notou-se a diminuição de tal diferença, apesar do acervo ter quase

dobrado a partir de 2004.

A fonte por nós utilizada para análise dos dados no Rio Grande do Sul,

diferentemente de Minas Gerais, agrupa os dados de Juizados Especiais,

juntamente com os demais feitos de primeira instância da Justiça Comum. Fato

esse que nos dá um panorama mais amplo da primeira instância do judiciário

no Rio Grande do Sul.

Como se observa nos Gráficos a seguir, o Estado e os bancos, assim

como em Minas Gerais, também figuram como os maiores litigantes no sistema

judiciário estadual do Rio Grande do Sul, quando considerado somente as

pessoas jurídicas.

54

litigantes no sistema judiciário estadual do Rio Grande do Sul, quando considerado somente as pessoas jurídicas.

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Gráfico 5: Demanda Processual no Rio Grande do

Gráfico 5: Demanda Processual no Rio Grande do Sul por categoria de partes - Pessoa Jurídica

Rio Grande do Sul por categoria de partes - Pessoa Jurídica Fonte: Relatório 2009 TJRS Quando

Fonte: Relatório 2009 TJRS

Quando se considera apenas os processos em que um conjunto de

atores figuram no pólo passivo, ou seja, na qualidade de réus/demandados, o

Estado e os bancos seguem sendo as pessoas jurídicas que aparecem de

forma mais significativa, pois dos 55% de ações movidas contra pessoas

jurídicas, 42% são movidas contra o Estado ou contra alguma instituição

financeira.

55

ações movidas contra pessoas jurídicas, 42% são movidas contra o Estado ou contra alguma instituição financeira.

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Gráfico 6: Demanda Processual por categoria de partes

Gráfico 6: Demanda Processual por categoria de partes Pessoa Jurídica como demandada/requerida

de partes Pessoa Jurídica como demandada/requerida Relatório 2009 TJRS Nota-se que os dados do Rio Grande

Relatório 2009 TJRS

Nota-se que os dados do Rio Grande do Sul agrupam as Varas Cíveis e

as Varas dos Juizados Especiais, razão pela qual aparecem, de modo mais

evidente, as empresas de telefonia. 9 Estas, na qualidade de rés/demandadas,

representam 6% das ações movidas contra pessoas jurídicas. Tal fato ocorre

pois, geralmente, os litígios contra empresas de telefonia derivam-se de

relações de consumo e contratos de adesão, questões recorrentemente

tratadas em Juizados Especiais.

9 Em Minas Gerais as demandas contra as empresas de telefonia são, em grande medida, deslocadas para a competência dos Juizados Especiais. Em Belo Horizonte foi criado um Juizado Especial para atender especificamente demandas desse tipo.

56

Juizados Especiais. Em Belo Horizonte foi criado um Juizado Especial para atender especificamente demandas desse tipo.
Juizados Especiais. Em Belo Horizonte foi criado um Juizado Especial para atender especificamente demandas desse tipo.

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Gráfico 7: Demanda Processual por categoria de partes

Gráfico 7: Demanda Processual por categoria de partes - Pessoa Física e Jurídica

por categoria de partes - Pessoa Física e Jurídica Fonte: Relatório do TJRS Por outro lado,

Fonte: Relatório do TJRS

Por outro lado, o Gráfico 8 abaixo nos mostra que, quando

consideramos apenas as ações que envolvem o Estado, é a administração

pública direta (Estado do Rio Grande do Sul) que sobressae em relação à

administração pública indireta, envolvendo-se em 82% das demandas judiciais.

Da administração indireta, destaca-se o IPERGS, que é o Instituto de

Previdência do Estado do Rio Grande do Sul, autarquia estadual que atua na

área de assistência (saúde e previdência).

57

do Estado do Rio Grande do Sul, autarquia estadual que atua na área de assistência (saúde

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil

Para Uma Nova Cartografia da Justiça no Brasil Gráfico 8: Demanda Processual por categoria de parte

Gráfico 8: Demanda Processual por categoria de parte - Estado

8: Demanda Processual por categoria de parte - Estado Fonte: Relatório TJRS 2009 Quando consideramos as

Fonte: Relatório TJRS 2009

Quando consideramos as demandas que envolvem especificamente os bancos, observamos, conforme o Gráfico 9 abaixo, que o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul S/A), empresa de economia mista, acumula percentual um pouco superior (18%) ao dos mais significativos bancos privados, o HSBC (13%), o Unibanco (12%)