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Relatório da

acção-piloto AEO

PSA – Programa de Segurança das Alfândegas

24 de Agosto de 2006
0 Preâmbulo
O relatório apresenta os resultados dos trabalhos realizados na acção-piloto ALFÂNDEGA
2007 sobre os Operadores Económicos Autorizados (AEO).

A acção-piloto teve início em Janeiro de 2006 e terminou em Julho do mesmo ano.


Realizou-se uma primeira sessão plenária com todos os operadores económicos participantes
e as respectivas autoridades aduaneiras para explicar os objectivos da acção-piloto e preparar
as pré-auditorias dos operadores económicos. As autoridades aduaneiras realizaram a
pré-auditoria entre Janeiro e Março, tendo os respectivos relatórios sido objecto de discussão
na segunda reunião que teve lugar em Abril. Essa reunião visou igualmente preparar as
autoridades aduaneiras para futuros trabalhos com vista à realização de outros objectivos da
acção-piloto. Nos meses que se seguiram (Abril-Junho) essas autoridades avaliaram a forma
como os operadores económicos participantes poderiam efectuar a gestão de riscos e como
poderiam ser identificados na cadeia de abastecimento. As autoridades aduaneiras
apresentaram os resultados à Comissão e um projecto de relatório da acção-piloto foi
discutido na sessão plenária em Junho. Os resultados dessa acção foram apresentados aos
operadores económicos em Julho, tendo sido igualmente discutido juntamente com as
autoridades aduaneiras e a Comissão a melhor forma de avançar com os trabalhos.

Foi constituído um subgrupo para avaliar como o resultado do exame de um operador


económico poderia ser utilizado num outro Estado-Membro, quando um operador económico
equiparável apresentasse o seu pedido. O subgrupo compunha-se de representantes do Reino
Unido e da Suécia. O resultado da pré-auditoria relativa ao operador económico na Suécia foi
discutido em reuniões realizadas em Abril e Maio no Reino Unido, que contaram também
com a participação de operadores económicos da Suécia e do Reino Unido. As conclusões do
subgrupo foram apresentadas em Junho e integradas no relatório da acção-piloto.

Pretende-se com a acção-piloto apresentar uma ideia mais precisa da forma como efectuar
uma auditoria e um pedido AEO e de assistir o Comité do Código Aduaneiro nas discussões
sobre as disposições de aplicação do Regulamento (CE) n.º 648/2005, se bem que não tenha
sido inicialmente previsto.

0.1 Objectivos da acção-piloto


• O grupo do projecto para os AEO elaborou orientações a seguir durante a
pré-auditoria.
• Analisar se as questões abordadas nas orientações são adequadas. Caso contrário,
apresentar propostas sobre como as questões podem ser modificadas ou se devem ser
agrupadas em diferentes categorias relacionadas com as áreas dos operadores
económicos parte da cadeia de abastecimento, tendo igualmente em conta a situação
das PME e das empresas multinacionais;
• Exemplificar como se pode estabelecer e manter a gestão de riscos de um AEO.
Identificar como a gestão de riscos é efectuada nos Estados-Membros participantes
em relação aos operadores económicos fiáveis;
• Demonstrar como os AEO se podem identificar na cadeia de abastecimento e como se
pode partilhar a identificação com outros participantes;
• Analisar a possibilidade de introduzir outras simplificações e facilitações como
vantagens do estatuto;

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• Identificar outras necessidades do processo de execução (incluindo a comunicação /
consulta / troca de informações).

1 Contexto
1.1 Base jurídica
O estatuto de AEO foi introduzido pelo artigo 5.ºA do Regulamento (CE) n.º 648/2005. O
projecto das disposições de aplicação, o documento de trabalho TAXUD/1250/2005 ver. 6, a
seguir denominado “ projecto de disposições de aplicação”, contém os artigos 14.ºA – X
que se revestem de pertinência para as questões relativas ao AEO, estabelecendo critérios e
condições, bem como o pedido de concessão do estatuto.

1.2 Selecção dos participantes


Foram seleccionados onze operadores económicos e as respectivas autoridades aduaneiras
para participarem na acção-piloto AEO. Foi dada a todas as autoridades aduaneiras que
designaram operadores económicos a oportunidade de efectuarem uma pré-auditoria e de se
manterem associadas à acção-piloto. A Dinamarca foi o único Estado-Membro a fazê-lo,
estando, por conseguinte, associada à acção-piloto com o seu operador económico.

A selecção dos candidatos na acção-piloto visou representar, em conjunto, todas as partes da


cadeia de abastecimento (fabricante, exportador, expedidor, depositário, agente aduaneiro,
transportador e importador).

Perante uma resposta amplamente positiva dos Estados-Membros e dos operadores


económicos, e a fim de manter o aspecto muito prático da acção-piloto e dispor de um grupo
de dimensões razoáveis, os serviços da Comissão tiveram de seleccionar entre os participantes
designados.

A selecção baseou-se na combinação dos seguintes critérios:


1 experiência na área de programas de operador autorizado;
2 representação de várias partes da Comunidade;
3 participação de novos e de antigos Estados-Membros;
4 participação de grandes e de pequenos Estados-Membros;
5 representação de pequenos e de médios operadores económicos;
6 participação de operadores económicos multinacionais;
7 representação de diferentes tipos de modos de transporte;
8 Os operadores económicos devem representar todas as partes da cadeia de
abastecimento, devendo as diferentes áreas ter uma representação equilibrada.

No seguimento da aplicação destes critérios e a fim de obter uma amostra representativa dos
designados, os serviços da Comissão aumentaram para 11 o número de operadores

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económicos participantes e aceitaram que todos estivessem ligados a diferentes
Estados-Membros.

Foram seleccionados para participar na acção-piloto os 11 Estados-Membros e operadores


económicos seguintes:

Áustria Magna Steyr Fahrzeugtechnik


Bélgica Nike Europe Holding BV
França Renault, sas
Alemanha Hapag-Lloyd Container Line GmbH
Hungria MASPED Co Ltd
Itália Uno a Erre Italia Spa
Lituânia AB Lietuvos gelezinkeliai
Países Baixos Kuper Douaneservice BV
Eslovénia Gorenje, gosodinjski aparati d.d.
Suécia DHL Express (Sweden) AB
Reino Unido Cardinal Health

Obteve-se, assim, com esta selecção um equilíbrio entre as diferentes partes da cadeia de
abastecimento. Do lado dos operadores económicos estavam representados importadores,
produtores, exportadores, transportadores (marítimos, aéreos, rodoviários, ferroviários e
expresso), depositários e agentes aduaneiros, tem como pequenas e médias empresas e
empresas multinacionais.

Do lado dos Estados-Membros estavam representados Estados-Membros novos e antigos,


pequenos e grandes, do Norte, do Centro e do Sul, bem como Estados-Membros com
fronteiras terrestres, marítimas e mais centrais.

2. Metodologia
2.1 Pedido

2.1.1 Conclusões e soluções


2.1.1.1 Onde apresentar o pedido
O pedido é, na maioria dos casos, tratado pelo Estado-Membro, embora nos casos em que a
contabilidade principal seja mantida ou os registos estejam acessíveis no Estado-Membro e as
actividades do âmbito aduaneiro se realizem num outro Estado-Membro, deva ser apresentado
ao Estado-Membro onde é mantida a contabilidade principal. Nesse caso, a pré-auditoria deve
realizar-se como uma pré-auditoria conjunta entre os Estados-Membros. Segundo os n.ºs 1 - 2
do artigo 14.ºD das disposições de aplicação:

"1. O pedido é apresentado a uma das seguintes autoridades aduaneiras:


a) A autoridade aduaneira do Estado-Membro em que é mantida a contabilidade principal do
requerente relativa ao regime aduaneiro em causa, e em que é efectuada, pelo menos, parte
das operações cobertas pelo certificado AEO;

b) A autoridade aduaneira do Estado-Membro em que a autoridade aduaneira competente


tem acesso à contabilidade principal do requerente relativa ao regime aduaneiro em causa no
sistema informático do requerente, através de tecnologias da informação e de redes

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informáticas, em que são realizadas as actividades de gestão geral do requerente e em que é
efectuada, pelo menos, parte das operações cobertas pelo certificado AEO.

A contabilidade principal do requerente referida nas alíneas a) e b) incluirá registos e


documentação que possibilitem à autoridade aduaneira verificar e fiscalizar as condições e os
critérios necessários à obtenção do certificado AEO.

2. Se a autoridade aduaneira competente não puder ser determinada nos termos do n.º 1, o
pedido será apresentado à autoridade aduaneira do Estado-Membro em que é mantida a
contabilidade principal relativa ao regime aduaneiro em causa ou em que essa contabilidade
está acessível, tal como referido na alínea b) do n.º 1; neste último caso, as actividades de
gestão geral do requerente realizam-se no mesmo Estado-Membro.”

O grupo constatou que o texto anterior do projecto das disposições de aplicação não cobria
todas as necessidades, em particular porque as estruturas das multinacionais podem ser muito
específicas e também diferentes, pelo que poderia ser necessária uma certa flexibilidade que
permita aos operadores económicos autorizados agir de forma adaptada a determinada
situação, sem, no entanto, permitir que apresentem o seu pedido no Estado-Membro que
preferem (compra do certificado).

Durante a acção-piloto verificou-se que um operador económico tinha apenas uma sucursal
(sem personalidade jurídica) no Estado-Membro em que foi seleccionado para participar.
Todas as actividades de âmbito aduaneiro são efectuadas por essa sucursal e todos os registos
e documentos relativos às actividades aduaneiras são mantidos e estão acessíveis no mesmo
Estado-Membro. No entanto, a contabilidade principal do operador económico é mantida num
outro Estado-Membro. Nesse Estado-Membro não se realizam actividades de âmbito
aduaneiro. Decorre do artigo 14.ºC do anterior projecto de disposições de aplicação que o
operador económico deveria ter apresentado o seu pedido no Estado-Membro onde é mantida
a contabilidade principal. Foi apresentada uma proposta de alteração desse artigo em
conformidade. O texto foi alterado na versão 6 do projecto de disposições de aplicação,
cabendo presentemente ao Comité do Código Aduaneiro tomar uma decisão sobre matéria. O
anterior artigo 14.ºC passou a ser o artigo 14.ºD. Na opinião de um representante, o texto
ainda não é suficientemente claro, tendo em conta os operadores económicos multinacionais
que podem ter a gestão da segurança no nível máximo de gestão e a gestão logística num nível
de gestão inferior. Por vezes, a gestão logística e a gestão de segurança realizam-se em
diferentes Estados-Membros.

2.1.1.2 Métodos de trabalho das autoridades aduaneiras


Todas ou quase todas as autoridades aduaneiras participantes na acção-piloto consultaram
outros serviços das respectivas administrações aduaneiras para recolher informações sobre o
requerente antes de procederem à pré-auditoria. Algumas autoridades organizaram os
trabalhos seguintes com a pré-auditoria juntamente com os representantes de outros serviços,
tendo algumas consultado esses serviços antes, durante e depois da pré-auditoria.

2.2 Validação dos critérios

2.2.1 Conclusões e soluções


2.2.1.1 Necessidade de um período transitório com normas transitórias
O n.º 2 do artigo 14.ºO do projecto de disposições de aplicação dispõe que o certificado deve
ser emitido no prazo de 90 dias seguintes à apresentação do pedido. O prazo pode ser

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prorrogado por um período de 30 dias, quando a autoridade aduaneira não puder cumpri-lo.
Afigura-se necessário prever um prazo transitório para satisfazer a procura quando forem
muitos os operadores a apresentarem simultaneamente os seus pedidos e tendo em conta a
falta de experiência nesta área, bem como o número de auditores disponíveis nos
Estados-Membros. A prorrogação do prazo por mais trinta dias pode não ser suficiente. Pode
ser necessário autorizar os operadores a apresentarem o pedido de certificado AEO antes de o
conceito de AEO ser aplicável, por forma a que as autoridades aduaneiras possam iniciar o
exame dos pedidos; é óbvio que essa possibilidade só pode ser introduzida após a votação das
disposições de aplicação do Código.

Uma solução para o prazo poderia ser aceitar 300 dias durante um período transitório de dois
anos, enquanto não se aplicarem os 90 + 30 dias que estão presentemente a ser analisados no
texto legal. Durante dois anos os prazos podiam ser avaliados para determinar um prazo
aceitável. Os prazos poderiam também ser acordados com o operador económico, a fim de
não atrasar a autorização. Esta possibilidade deve, pois, ser incluída no texto legal.

Segundo alguns membros, os prazos devem voltar a ser examinados após o período
transitório, uma vez que as autoridades terão mais experiência e poderão avaliar o tempo
necessário para autorizar um AEO.

Um dos membros observou que a realização das auditorias periódicas previstas num período
de, pelo menos, três anos seria muito difícil, tendo em conta o volume de trabalho e os
recursos limitados. Segundo as estimativas de um Estado-Membro, estão previstos cerca de
20 000 pedidos na fase inicial do programa AEO e outros 20 000 dentro de poucos anos.

Tendo em conta as expectativas de um grande número de requerentes AEO, as autoridades


aduaneiras terão dificuldade em cobrir também as reavaliações. Propõe-se, por conseguinte,
que o período de três anos previsto no n.º 4 do artigo 14.ºQ comece a contar no fim do
período transitório. A título de exemplo, um operador económico avaliado e que obteve o
estatuto de AEO em 2007 será reavaliado em 2012 (período transitório de 2 anos + período
de reavaliação de 3 anos). As autoridades aduaneiras acompanham o cumprimento das
condições e dos critérios e exigidos procedendo, sempre que necessário, a uma reavaliação.
Na opinião do grupo, o artigo relativo à reavaliação deve ser alterado, a fim de esclarecer que
só é necessário proceder a uma reavaliação completa do operador, se se operar uma mudança
na sua empresa ou se houver alteração da legislação comunitária. Não era intenção do
legislador que cada AEO fosse completamente reavaliado em relação às condições fixadas na
legislação e de acordo com as orientações, mas assegurar que se efectuasse um
acompanhamento senão constante pelo menos regular do AEO. O objectivo da proposta é
assegurar que as autoridades aduaneiras não se limitem a autorizar um AEO sem voltarem a
examinar o respectivo processo. O grupo apresentou uma proposta ao Comité do Código
Aduaneiro ( ver também 2.2.1.6.)

Segundo os operadores participantes na acção-piloto, o processo de auditoria e de autorização


é burocrático. Na sua opinião, seria do interesse de uma empresa ter procedimentos
sistematicamente organizados, sendo importante que a administração aceite o processo de
auditoria como uma parte normal do trabalho dos funcionários que deve ser reconhecida e
valorizada.

Os operadores participantes referiram o ambiente hostil e a obrigação constante da eficácia


dos custos que representavam, frequentemente, um obstáculo que devia ser ultrapassado antes

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de o trabalho complementar de preparação para o processo de auditoria e de autorização ser
aceite pela administração.

2.2.1.2 Modelo COMPACT para a gestão de riscos


De um modo geral, as questões contidas no COMPACT são as mesmas que poderiam ser
utilizadas na pré-auditoria de acordo com o projecto de disposições de aplicação e com as
orientações, apesar de os capítulos relativos aos procedimentos aduaneiros terem sido
inicialmente excluídos das orientações pelo facto de a certificação e os critérios aplicáveis aos
AEO não estarem directamente relacionados com a utilização de procedimentos aduaneiros.
No entanto, quando da realização de uma gestão de riscos junto de um AEO, é necessário ter
também conta a utilização diária de procedimentos aduaneiros pelos operadores. Por
conseguinte, as orientações foram alteradas em conformidade com os capítulos do modelo
COMPACT relativo aos procedimentos aduaneiros, a fim de realizar a gestão de riscos
relativa ao cumprimento da legislação ou em matéria de segurança em conformidade com o
novo modelo COMPACT AEO. As orientações incluem os aspectos a considerar na
avaliação dos riscos pertinentes. As informações adicionais sobre o modo como os operadores
utilizam os procedimentos aduaneiros darão às autoridades aduaneiras a possibilidade de
efectuar um plano de controlo geral do operador que pode servir de base para uma vigilância
contínua.

Na sequência destas conclusões, o modelo COMPACT AEO e as orientações AEO foram


reformulados com vista a melhor reflectirem o resultado da acção-piloto. Os dados
pormenorizados figuram nos anexos 2 e 3 dos documentos de trabalho. Serão actualizados e
conterão exemplos práticos das áreas após os Estados-Membros terem adquirido experiência
na avaliação dos critérios.

Recomenda-se a utilização do modelo COMPACT AEO, mas este não é obrigatório, uma vez
que acção-piloto demonstrou que os métodos utilizados pelas administrações aduaneiras
conduziam à obtenção de resultados equivalentes.

2.2.1.3 Parceiros comerciais


Os operadores económicos devem garantir a segurança da sua parte da cadeia de
abastecimento, bem como da parte da cadeia atribuível aos seus parceiros comerciais, a fim de
ter seguro o fim da cadeia de abastecimento. Podem ser encontradas orientações sobre a forma
como aplicar este requisito por exemplo na norma ISO/PAS 28001 onde é referido que os
parceiros comerciais devem enviar declarações de segurança ao operador (denominado
“organização” na norma ISO). As declarações de segurança contêm informações sobre como
as mercadorias e respectivas informações são protegidas pelos parceiros comerciais. O
recurso a declarações de segurança pode representar um passo em frente, mas deve ser
igualmente possível que os AEO estabeleçam disposições contratuais com os seus parceiros
comerciais, tal como descrito no ponto D.

A segurança da cadeia de abastecimento de extremo a extremo significa que as medidas são


executadas do primeiro ao último ponto da cadeia. Sempre que possível, o AEO deve tornar a
cadeia de abastecimento segura. O AEO deve ter a possibilidade de verificar a validade do
certificado AEO ou de outro documento. O n.º 4 do artigo 14.ºX do projecto das disposições
de aplicação dispõe que a publicação dos nomes dos AEO está subordinada à sua autorização
prévia. A publicação de informações sobre os AEO permite-lhes verificar se um outro
operador económico é um AEO e de que tipo de certificado é titular um AEO. Uma solução
seria solicitar a todos os operadores económicos que apresentem um pedido de certificado

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AEO “Segurança e Protecção” uma declaração nos termos da qual autorizam a publicação de
informações sobre a validade dos seus certificados AEO, a fim de garantir a segurança da
cadeia de abastecimento. Essa declaração poderia fazer parte do formulário do pedido. A
obtenção do certificado AEO “Segurança e Protecção” estaria subordinada à assinatura dessa
declaração.

A segurança da cadeia de abastecimento pode ser garantida do seguinte modo:


A) O AEO é responsável por toda a cadeia de abastecimento
Só se pode considerar que a segurança da cadeia de abastecimento está plenamente
garantida, quando o AEO for o responsável por toda a cadeia. Por exemplo: um exportador
que também é o transportador da remessa de mercadorias para o destino final.

B) O AEO só trabalha com outros AEO ou com operadores equiparáveis


Uma outra forma de garantir a segurança de toda a cadeia de abastecimento é quando o AEO
só trabalha com outros AEO ou com operadores equiparáveis na cadeia. Por exemplo: um
importador que é um AEO recebe mercadorias de um fornecedor de um país terceiro. O
fornecedor é membro de um sistema semelhante reconhecido por uma autoridade aduaneira
de um país terceiro e todas as outras partes da cadeia de abastecimento são também membros
desse sistema ou de sistemas equiparáveis. A cooperação aduaneira internacional e o
reconhecimento mútuo de programas de parceria comercial são, por conseguinte, muito
importantes.

C) O AEO solicita aos seus parceiros comerciais declarações de segurança


Uma outra alternativa é trabalhar com declarações de segurança. Por exemplo: um
importador que é um AEO recebe mercadorias de um país terceiro. À excepção do
importador, ninguém da cadeia de abastecimento é um AEO. O importador solicita aos seus
parceiros comerciais declarações de segurança (como descrito na norma ISO PAS 28001) e a
todas as partes da cadeia de abastecimento que garantam a segurança da cadeia no âmbito das
respectivas responsabilidades.

D) O AEO estabelece disposições contratuais com os seus parceiros comerciais


Uma outra possibilidade é trabalhar com disposições contratuais. Por exemplo: um
importador que é um AEO recebe mercadorias de um país terceiro. À excepção do
importador, ninguém da cadeia de abastecimento é um AEO. O importador estabeleceu
disposições contratuais com os seus parceiros comerciais e solicitou a todas as partes da
cadeia de abastecimento que garantissem a segurança da cadeia no âmbito das respectivas
responsabilidades.

Existem outras normas de segurança que prevêem igualmente a obrigação de os parceiros


comerciais garantirem a segurança da cadeia de abastecimento como, por exemplo, no
Regulamento (CE) n.º 2320/2002 relativo à segurança da aviação, no que respeita a agentes
reconhecidos e a expedidores conhecidos. No entanto, as autoridades aduaneiras da CE não
efectuarão auditorias junto de parceiros comerciais de países terceiros, uma vez que tal não
faz parte das suas competências. Tal como anteriormente referido, as normas gerais aplicáveis
aos programas de parceria comercial, como o quadro SAFE no âmbito da OMA,
proporcionarão uma boa base de trabalho através da cooperação aduaneira internacional em
matéria de reconhecimento mútuo dos programas de parceria comercial.

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2.2.1.4 Todas as cadeias de abastecimento?
Os operadores podem ter muitos fornecedores e, por conseguinte, muitas cadeias de
abastecimento. Todas as cadeias devem estar cobertas por medidas de segurança. O AEO
deve aplicar medidas que garantam a segurança das cadeias de abastecimento, podendo
ser-lhe útil incluir os requisitos de garantia da segurança das cadeias de abastecimento em
acordos contratuais com os parceiros comerciais. Alguns dos operadores participantes na
acção-piloto solicitam aos parceiros comerciais declarações de segurança, enquanto outros
recorrem a outros meios. Em geral, os operadores participantes já garantem a segurança das
suas cadeias de abastecimento para outros fins (prevenção de perdas e furtos, para efeitos de
seguros ou de cumprimento de outros programas de segurança).

A maior parte dos operadores económicos da acção-piloto utilizam selos nas suas remessas.
No entanto, os selos devem ser apostos no início da cadeia de abastecimento e controlados por
um AEO ou por quem tenha estabelecido disposições contratuais com um AEO. O acrescento
de um selo numa fase posterior do processo significa apenas que a manipulação ilícita da
remessa será mais difícil a partir dessa altura, mas não significa que a remessa está segura,
porquanto não se tem conhecimento se houve manipulação ilícita antes da selagem.

Algumas autoridades aduaneiras visitaram e controlaram todas as instalações do requerente


enquanto outras se limitaram a verificar algumas instalações.

Tal como referido no ponto 2.2.1.3 " Parceiros comerciais", a cadeia de abastecimento pode
ser composta por um ou mais operadores económicos. Se o próprio AEO não for responsável
por toda a cadeia de abastecimento, o ponto descreve o modo como se pode garantir a
segurança da cadeia de abastecimento. Compete aos Estados-Membros avaliar se o AEO
satisfaz os critérios, bem como determinar se continuam a existir riscos e a que nível serão
avaliados.

O próprio AEO é considerado um baixo risco quando tiver satisfeito os critérios para obter o
estatuto de AEO. No entanto, a utilização diária de procedimentos aduaneiros e a cadeia de
abastecimento têm de ser tidas em conta na avaliação dos riscos, tal como descrito nos
documentos de trabalho TAXUD 2006/1452 "Modelo COMPACT AEO" e TAXUD
2006/1450 “Operadores económicos autorizados - orientações sobre as normas e os
critérios”. Pode daí apurar-se que ainda existem riscos e estes devem também ser
considerados.

Alguns Estados-Membros participantes na acção-piloto propuseram descrever os riscos como


elevados, médios e baixos, bem como divulgá-los a todos os Estados-Membros após ter sido
concedida autorização ao AEO. Outros expressaram também o seu interesse em constituir
um grupo para avaliar o modo de prevenção dos riscos relativos a um AEO. No entanto,
decidiu-se continuar a analisar os riscos relativos a um AEO no âmbito dos actuais grupos de
trabalho para a gestão de riscos do programa ALFÂNDEGA 2007.

Propôs-se utilizar o número do certificado AEO para identificar o AEO na declaração


sumária. Decorrem as discussões sobre como identificar os operadores económicos que não
apresentam a declaração sumária.

2.2.1.5 Como realizar uma auditoria, incluindo como utilizar as orientações


Nas orientações AEO há algumas áreas que devem ser mais desenvolvidas e explicadas com
as melhores práticas após a introdução do conceito de AEO. Tal assegurará o estabelecimento

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de um nível comum sobre como utilizar as orientações, incluindo o nível das respostas nas
áreas. Sem nenhuma experiência prática complementar e perante uma situação muito
específica, em especial as divergências entre as empresas multinacionais e as PME, foi
impossível fornecer mais orientações nesta fase. Trata-se de uma área que terá provavelmente
de ser controlada e na qual se podem introduzir melhores práticas após as orientações terem
sido utilizadas durante algum tempo. É de grande importância partilhar e discutir estas
informações e experiência entre os Estados-Membros, a fim de estabelecer uma prática
comunitária geral.

Tendo em conta que a avaliação dos critérios de segurança constitui uma nova tarefa para as
autoridades aduaneiras, são necessárias explicações complementares das questões e
referências cruzadas com outras normas de segurança. Os Estados-Membros utilizaram as
orientações na acção-piloto, consultaram os respectivos peritos e enviaram muitas
observações sobre melhoramentos a introduzir nas orientações.

A) Um registo adequado do cumprimento das obrigações aduaneiras


São necessárias melhorias num caso. O modo de determinar se o requerente cumpriu as suas
obrigações varia consoante o requerente. As autoridades aduaneiras verificaram se os
requerentes cumpriram a regulamentação relativa aos procedimentos aduaneiros, se não
foram detectadas irregularidades fiscais ou aduaneiras e se não foram revogadas nem retiradas
aprovações ou licenças. Houve uma autoridade aduaneira que verificou todas as declarações
de trânsito. Algumas autoridades solicitaram igualmente informações dos serviços de
inteligência sempre que disponíveis. Alguns Estados-Membros não têm acesso a determinadas
informações dos serviços de inteligência nem estão autorizados a solicitá-las. Por
conseguinte, as referências à Interpol, à Europol e ao OLAF foram suprimidas das
orientações.

B) Um sistema satisfatório de gestão de registos comerciais e, sempre que adequado,


de transportes que permite controlos aduaneiros adequados
São necessárias melhorias num caso. Os requerentes tem sistemas que permitem controlos
aduaneiros adequados. Os movimentos das mercadorias podem ser seguidos nos sistemas dos
requerentes. Verificou-se que um requerente autorizou o acesso electrónico aos funcionários
aduaneiros responsáveis pelos controlos aduaneiros que lhe são aplicáveis. Alguns
requerentes têm um código de ética para os seus empregados enquanto outros permitem que
os novos empregados sigam um programa de introdução que aborda questões em matéria de
segurança. O pessoal de segurança recebe formação sobre procedimentos de segurança
específicos.

Os Estados-Membros verificaram que os operadores utilizavam normas e sistemas comerciais


para a conservação dos seus registos. Essas normas e sistemas são úteis e podem ser utilizados
para verificar o cumprimento dos critérios.

C) Solvabilidade financeira demonstrada


São necessárias melhorias em dois ou três casos. As autoridades aduaneiras consultaram
várias fontes como, por exemplo, associações de protecção de crédito, tendo igualmente
avaliado dados publicados das empresas. Uma autoridade aduaneira tomou conhecimento da
auditoria do relatório financeiro. Enquanto algumas autoridades calcularam, elas próprias, o
rácio financeiro, outras solicitaram-no a instituições de crédito. A prova de solvabilidade
financeira poderia também ser fornecida pela própria empresa durante o período de
apresentação do pedido. A empresa poderia, por exemplo, fazer referências ao relatório de

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auditoria, à sua classificação por um banco ou a informações bancárias. Esses documentos
poderiam em seguida ser verificados durante a pré-auditoria. Todos estes métodos são
aceitáveis, não havendo intenção de uma maior definição da solvabilidade financeira.

É comum que uma pequena empresa solicite por vezes o deferimento do pagamento. A
existência de pedidos isolados de deferimento do pagamento não deve conduzir a que se
considere que as empresas não podem pagar, sendo-lhes, por conseguinte, recusado o estatuto
de AEO.

Os critérios relativos ao cumprimento da legislação e à solvabilidade podem ser aplicados a


divisões ou unidades da empresa, se parte da pessoa jurídica estiver autorizada a apresentar
um pedido de autorização.

D) Normas de segurança e de protecção adequadas


São necessárias melhorias em três ou quatro casos. Foi controlado o acesso do requerente às
instalações e às unidades de carga. O acesso às instalações, às unidades de carga e às
mercadorias só é permitido ao pessoal e veículos autorizados. São utilizados vários sistemas
para respeitar a segurança física, como, por exemplo, os sistemas CCTV, vedações, sistemas
de alarme, controlo de portões, fechaduras, livres-trânsitos, patrulha das instalações, sistemas
de detecção de vidros partidos, etc.. Verificou-se num caso que o requerente não carrega
contentores que não tenham aposto o selo de alta segurança conforme à norma ISO-PAS
177121. Não foi possível realizar a auditoria a um requerente e verificou-se que um operador
utiliza apenas transportadoras especializadas que têm uma elevada reputação em matéria de
segurança.

As autoridades aduaneiras carecem de uma maior experiência sobre o modo como verificar os
critérios de segurança. Importa, por conseguinte, ter em conta os critérios de segurança
existentes, aplicados em razão de outros requisitos jurídicos ou comerciais. É altamente
recomendado conduzir a avaliação dos critérios de segurança juntamente com outras
autoridades quando estas avaliarem igualmente os operadores económicos no âmbito das suas
competências. Terão de ser desenvolvidas melhores práticas.

2.2.1.6 Reavaliação dos critérios e das condições


As reavaliações não devem implicar novamente o controlo, pelas autoridades aduaneiras, de
todos os critérios. Em vez disso, as autoridades aduaneiras devem assegurar que os critérios e
as condições aplicáveis ao certificado AEO continuam preenchidos. As autoridades
aduaneiras terão um controlo estreito sobre os AEO, na medida em que elaboraram planos de
controlo relativamente a cada AEO, sendo, por conseguinte, mais fácil assegurar que os
critérios e as condições continuem a estar preenchidos.

2.2.1.7 Informações no formulário do pedido e nas orientações


O formulário do pedido foi adaptado para incluir as conclusões da pré-auditoria de que seria
mais eficaz que o próprio pedido contivesse mais informações das orientações.

1
A ISO PAS 17712 estabelece procedimentos uniformes para a classificação, aceitação e levantamento da aceitação de selos para
contentores de carga mecânicos. Fornece uma única fonte de informações sobre selos mecânicos que são aceitáveis para garantir segurança
dos contentores de carga no comércio internacional. Não se aplica a selos para fins especiais como, por exemplo, selos de fibra óptica e
selos electrónicos sofisticados.

11
O requerente pode juntar anexos ao pedido como, por exemplo, certificados de segurança em
vigor e a prova de solvabilidade financeira (documentação do banco do requerente).

2.2.1.8 Autorizações em vigor ( alfândegas da CE)


As autorizações em vigor do operador devem ser tidas em conta na medida em que os
critérios sejam idênticos ou equiparáveis aos fixados no Código Aduaneiro Comunitário e nas
disposições de aplicação.

2.2.1.9 Certificações em vigor (para além das alfândegas da CE como, por exemplo, ISO,
ISPS, FoS, C-TPAT)
As certificações em vigor às quais o operador já se conforma devem ser tidas em conta na
medida em que os critérios sejam idênticos ou equiparáveis aos fixados no Código Aduaneiro
Comunitário e nas disposições de aplicação.

2.2.1.10 Medidas de segurança aplicadas pelos operadores


As medidas de segurança que os operadores aplicam devem ser tidas em conta durante a
pré-auditoria.

2.2.1.11 Horas de trabalho despendidas com a auditoria dos critérios e das condições
As autoridades aduaneiras despenderam entre 200 e 300 horas com a realização de auditorias
aos operadores económicos e a verificação do preenchimento dos critérios. Uma autoridade
despendeu 600 horas. Em contrapartida, houve um caso em que a auditoria se realizou em
poucos dias. Mas nesse caso a autoridade aduaneira limitou-se a visitar um sítio e concorda
que é necessário bastante mais tempo (referindo uma pré-auditoria para a concessão do
procedimento de domiciliação que levou três meses a ser efectuada). Num outro caso, foram
necessárias 40 horas. Devido ao facto de o número de funcionários aduaneiros envolvidos nas
pré-auditorias divergir, é difícil estimar o total exacto das horas de trabalho despendidas.

O número de horas de trabalho despendidas com a auditoria diminuirá provavelmente logo


que as autoridades aduaneiras tenham adquirido experiência na realização de auditorias aos
requerentes. Na acção-piloto, foi consagrado tempo à determinação da próxima etapa do
processo sobre a qual deve ser tomada uma decisão na próxima sessão plenária e à integração
da gestão de riscos decidida numa outra reunião com os operadores económicos. As horas de
trabalho devem ser avaliadas durante os dois primeiros anos, a fim de se introduzirem as
melhores práticas nesta área.

Em muitos casos, as autoridades aduaneiras dispõem já de muitas informações sobre os


operadores económicos que apresentam um pedido de certificado AEO. Essas informações
incluem informações recolhidas quando da apresentação dos pedidos de autorização aduaneira
pelos operadores económicos, informações das auditorias aduaneiras e informações contidas
nos sistemas aduaneiros informatizados relativas à utilização diária dos procedimentos
aduaneiros pelos operadores económicos. As autoridades aduaneiras devem utilizar essas
informações o mais possível no processo de autorização, a fim de reutilizar as informações de
que já dispõem. Tal assegurará uma condução eficaz desse processo.

A fim de diminuir o número de horas de trabalho da auditoria dos critérios e condições, o


grupo-piloto propôs incluir um maior número de informações no formulário do pedido AEO
que figura nas orientações. Tal assegurará que as autoridades aduaneiras já disponham de um
número considerável de informações sobre o operador económico quando da recepção do
pedido, estando, por conseguinte, numa melhor posição para preparar a auditoria. Os

12
operadores económicos devem considerar prepararem-se tão bem quanto possível antes da
auditoria. O grupo-piloto verificou que a comunicação entre os vários departamentos dos
operadores económicos pertinentes para a auditoria deve ser coordenada para que o processo
de auditoria seja eficaz.

2.2.1.12 Entidades jurídicas


É possível conceder o certificado AEO a apenas algumas instalações da entidade jurídica? A
resposta é que o certificado tem de ser válido para toda a entidade. No entanto, algumas das
autoridades participantes são de opinião de que se fosse possível identificar as instalações da
entidade jurídica, os critérios relativos ao cumprimento da legislação e à solvabilidade
financeira poderiam ser verificados em relação a toda a entidade jurídica e os critérios
relativos aos registos e às normas de segurança adequados poderiam ser verificados em
relação à parte pertinente dessa entidade. Não obstante, as discussões no âmbito do Comité
do Código Aduaneiro mostraram que a maioria dos Estados-Membros manifestava graves
preocupações quanto a essa possibilidade (por exemplo, dificuldades na gestão do sistema de
garantia, necessidade de investimentos consideráveis para a actualização do sistema, etc.).
Também não seria possível emitir um certificado para uma parte do fluxo de mercadorias (por
exemplo, o comércio de um determinado tipo de mercadorias com um dado país terceiro),
uma vez que, por norma, não há uma separação das rubricas comerciais específicas dentro das
próprias empresas.

2.2.1.13 Empresas-mãe/holding
No que respeita aos grupos de empresas, a definição só se aplica quando estes reúnem
critérios muito específicos estabelecidos no direito das sociedades. As filiais são entidades
jurídicas diferentes para as empresas-mãe/holding e as sucursais têm a mesma entidade
jurídica que a entidade a que pertencem, podendo apenas estar estabelecidas noutros locais. É
o operador que pretende utilizar o certificado que deve ser certificado. Se uma empresa
holding ou uma empresa-mãe apresentar um pedido, mas não tiver nenhuma actividade de
âmbito aduaneiro, esta situação não é aceitável. O artigo 14.ºD do projecto das disposições de
aplicação dispõe que o pedido deve ser enviado para o local “(...) em que é mantida a
contabilidade principal do requerente relativa ao regime aduaneiro em causa". Cumpre referir
que uma empresa multinacional pode voltar a utilizar os resultados da pré-auditoria, podendo
partilhar os resultados com as empresas coligadas. A pré-auditoria anterior será, em seguida,
e se necessário, tida em conta quando da realização da pré-auditoria da empresa coligada.

Na acção-piloto concluiu-se que tal não satisfaz todas as necessidades, porquanto algumas
empresas multinacionais têm estruturas diferentes. Pode ser necessária uma certa flexibilidade
que permita aos operadores económicos autorizados agir de forma adaptada a determinada
situação, sem, no entanto, permitir que apresentem o pedido no Estado-Membro que preferem
(compra do certificado) (Ver também o ponto 2.1.1.1 "Onde apresentar o pedido").

2.2.1.14 Sucursais
Uma sucursal faz parte da entidade jurídica que apresentou o pedido para obtenção do estatuto
de AEO. Presentemente, não é possível identificar uma parte de uma entidade jurídica à
escala europeia. No entanto, alguns Estados-Membros podem fazê-lo. O grupo de projecto
EORI ( Sistema de Registo e de Identificação dos Operadores Económicos) do programa
ALFÂNDEGA 2007 pode propor que parte das entidades jurídicas sejam registadas, sendo,
por conseguinte, possível que, no futuro, uma parte de uma entidade jurídica apresente um
pedido para obtenção do estatuto de AEO.

13
2.2.1.15 Instalações
Na acção-piloto verificou-se que alguns operadores económicos dispõem de instalações em
muitos locais diferentes. Gastar-se-ia muito tempo a examinar se todas as instalações reúnem
as condições necessárias. Por conseguinte, propôs-se a solução seguinte: se, no caso de um
grande número de instalações, o período de emissão do certificado não permitisse o exame de
todas as instalações pertinentes e a autoridade aduaneira não tivesse dúvidas de que o
requerente mantém normas de segurança que são correntemente utilizadas em todas as suas
instalações, poder-se-ia decidir examinar apenas uma parte representativa das mesmas.

2.2.1.16 Multinacionais
Quando uma empresa multinacional tiver obtido o certificado AEO, os resultados das
conclusões podem voltar a ser utilizados se, no mesmo ou noutro Estado-Membro, uma
entidade jurídica equiparável apresentar um pedido de certificado. Durante a acção-piloto, os
resultados do processo de autorização da DHL (Suécia) foram utilizados na avaliação da
DHL (Reino Unido). A pré-auditoria consumiu cerca de 410 horas de trabalho, distribuídas
do seguinte modo: 100 horas para as Alfândegas suecas, 200 horas para as Alfândegas
britânicas e cerca de 110 horas para a DHL do Reino Unido.

É necessário prever uma certa flexibilidade que permita aos operadores económicos
autorizados multinacionais agir de forma adaptada a determinada situação, sem, no entanto,
permitir que apresentem o pedido no Estado-Membro que preferem (compra do certificado).
(Ver também o ponto 2.1.1.1 "Onde apresentar o pedido").

2.2.1.17 Pequenas e médias empresas (PME)


A situação das PME deve ser tida em conta na pré-auditoria, bem como a situação especial de
uma PME. Não existe nenhum limite, como, por exemplo, o número de declarações
aduaneiras necessárias, para apresentar o pedido de obtenção do estatuto de AEO, mas o
processo é moroso, pelo que se recomenda a todos os operadores que efectuem uma análise
custos / benefícios antes de o apresentarem. Por outro lado, o AEO será considerado um
critério de qualidade, o que significa que pode ser benéfico até mesmo para uma empresa
muito pequena com muito poucas actividades de exportação / importação obter o estatuto de
AEO.

2.3 Informação e comunicação

2.3.1 Informação e comunicação; a médio e a longo prazos - sistema


electrónico de informação e de comunicação AEO, a curto prazo -
CIRCA
Um grupo de projecto do programa ALFÂNDEGA 2007 encontra-se a criar uma base de
dados que deve conter informações sobre todos os operadores económicos que tenham
contactos com as autoridades aduaneiras. O grupo EORI ( Sistema de Registo e de
Identificação dos Operadores Económicos) encontra-se a trabalhar no registo e na
identificação dos operadores económicos. Essas informações serão comuns a todos os
operadores económicos. As informações específicas exigidas para outros fins aduaneiros que
não sejam a identificação e o registo têm de ser armazenadas noutro local. O grupo definiu
essas informações como camadas de regras de negócio do sistema EORI. Por conseguinte, é
essencial identificar as necessidades do processo de informação e de comunicação dos AEO e
criar um sistema electrónico de informação e de comunicação AEO para esse efeito. O

14
sistema deve utilizar as informações de identificação de base que serão propostas pelo grupo
de projecto EORI. Em função do calendário previsto para se poder dispor das informações de
base relativas à identificação da proposta EORI, pode revelar-se necessário armazenar essas
informações no sistema AEO durante um período provisório. No futuro, a identificação de
um AEO através do número de certificado AEO pode ser substituída por uma chave de
identificação que pode ser proposta pelo grupo EORI.

Os operadores económicos terão acesso limitado ao sistema AEO que se prevê introduzir em
2009. Poderão consultá-lo para verificar se um outro operador económico tem o estatuto de
AEO.

Os operadores económicos não terão acesso ao CIRCA, mas serão publicadas informações
sobre os operadores com o estatuto de AEO para permitir aos operadores identificá-los. Será
publicada no CIRCA uma folha em formato Excel contendo um número mínimo de
informações sobre o AEO (número de certificado, nome e endereço do AEO) que os
Estados-Membros podem descarregar para ser integrada no respectivos sistemas e para
assegurar o acesso aos operadores económicos.

Os Estados-Membros devem manter uma cópia das informações enviadas para o CIRCA. As
informações do CIRCA podem ser reformuladas, embora se corra ao risco de perder as que
foram carregadas nos dias anteriores. O sistema está sempre disponível, mas é necessário
manter um sistema de cópia para o caso de avaria. Deve ser estudado um conceito para a
migração dos dados armazenados no CIRCA para o sistema electrónico AEO.

É importante substituir logo que possível a utilização do CIRCA pelo sistema AEO, uma vez
é díficil o tratamento, no CIRCA, de um grande número de pedidos e de certificados AEO.

2.3.1.1 Sistema electrónico de informação e de comunicação AEO


O sistema electrónico de informação e de comunicação AEO é necessário pelos seguintes
motivos:
- as autoridades aduaneiras devem informar-se mutuamente dos pedidos AEO (n.º 1 do
artigo 14.ºL das disposições de aplicação do Regulamento (CE) n.º 648/2005);
- as autoridades aduaneiras podem responder a um pedido AEO carregado por um outro
Estado-Membro (n.º 2 do artigo 14.ºL das disposições de aplicação do Regulamento (CE)
n.º 648/2005);
- as autoridades aduaneiras competentes consultam os outros Estados-Membros na
eventualidade de ser necessário verificar um ou mais critérios num outro Estado-Membro
(n.º 1 do artigo 14.ºM das disposições de aplicação do Regulamento (CE) n.º 648/2005);
- os Estados-Membros consultados comunicam os resultados de verificação dos critérios ao
Estado-Membro emissor (n.º 2 do artigo 14.ºM das disposições de aplicação do
Regulamento (CE) n.º 648/2005);
- as autoridades aduaneiras indeferirão o pedido se os critérios não estiverem preenchidos.
Todos os Estados-Membros devem ser informados de todos os operadores cujo pedido para
obtenção do certificado AEO seja indeferido. Tal impossibilitará a apresentação do pedido
num outro Estado-Membro;
- as autoridades aduaneiras emitirão o certificado AEO se os critérios estiverem preenchidos;
- as autoridades aduaneiras informam-se mutuamente dos certificados AEO revogados /
suspensos.

15
Todos os Estados-Membros devem ser informados de todos os operadores que obtiveram o
estatuto de AEO. Os Estados-Membros devem poder consultar o sistema AEO, a fim de tomar
decisões adequadas relativamente às vantagens decorrentes desse estatuto (por exemplo,
classificação mais baixa do risco e, por conseguinte, um menor número de controlos físicos
em geral).

O sistema de informação e de comunicação AEO deve ser conectado à base de dados do


sistema de registo e de identificação dos operadores económicos na qual se encontra a
trabalhar o grupo de projecto EORI. O grupo definirá as informações que essa base deve
conter. O grupo apresentará a sua recomendação em Outubro de 2006 e, se já tiver
identificado as informações, as informações do anexo I do projecto das disposições de
aplicação exigidas para obtenção do certificado AEO não devem figurar no sistema de
comunicação e de informação AEO. Em vez disso, devem ser armazenadas na base de dados
EORI. Caso as informações não figurem na base de dados, devem então ser registadas e
armazenadas no referido sistema. O documento de trabalho TAXUD 2006/1453 relativo aos
requisitos do utilizador AEO contém as características do sistema. As competências da
Comissão estão apresentadas no ponto 2.2.4 e as dos Estados-Membros no ponto 2.2.5 do
documento.

2.3.1.2 CIRCA – Uma solução a curto prazo


As necessidades de comunicação surgem quando um operador económico apresenta um
pedido para a obtenção do estatuto de AEO. O artigo 14.ºL do projecto das disposições de
aplicação do Regulamento (CE) n.º 648/2005 prevê a obrigação de comunicar o pedido a
todas as autoridades aduaneiras da Comunidade no prazo de cinco dias úteis após a sua
recepção. A autoridade aduaneira competente carrega o pedido no CIRCA2 na pasta de
pedidos reservada aos Estados-Membros e assinala com um visto o campo "Start a newsgroup
discussion on the document“ ("Dar início a uma discussão de grupo sobre o documento"). Tal
permite a todos os utilizadores comentarem o pedido. A referida autoridade insere também no
campo respectivo o texto "Please give comments, if any, on the application. Your comments
will be taken into consideration in the pre-audit of the applicant" ("Agradecemos que comente
o pedido. Os seus comentários serão tidos em conta na pré-auditoria do requerente").

Foram definidas as informações a fornecer pelos outros Estados-Membros. Essas


informações encontram-se no formulário de pedido AEO que figura no anexo I do projecto
das disposições de aplicação. As autoridades aduaneiras dos outros Estados-Membros podem
enviar os seus comentários à autoridade aduaneira competente caso tenham constatado
irregularidades por parte do operador económico que não permitam a concessão do estatuto de
AEO. Para o efeito, inserem os seus comentários no campo seguinte ao do pedido que serão
automaticamente enviados ao funcionário que carregou o pedido. (O processo de informação
e de comunicação é apresentado no anexo 2 e os dados pormenorizados figuram no anexo 4
do documento de trabalho TAXUD 2006/1454).

Quando as autoridades aduaneiras competentes tiverem aceite o pedido de um operador


económico, verificam se estão preenchidos os critérios para obter o estatuto de AEO. A
autoridade aduaneira inicia a pré-auditoria.
2
O CIRCA é uma ferramenta extranet, desenvolvida no âmbito do programa IDA da Comissão Europeia, adaptada às necessidades das
administrações públicas. Permite a uma dada comunidade (p. ex., comité, grupo de trabalho, grupo de projecto, etc.) espalhada
geograficamente pela Europa (e não só) manter um espaço privado na Internet onde possa partilhar informações, documentos, participar em
diversos fóruns e utilizar várias outras funcionalidades. O endereço do CIRCA é o seguinte:
http://forum.europa.eu.int/Public/irc/taxud/Home/main

16
Se a autoridade aduaneira competente não puder decidir que o operador económico preenche
os critérios, pelo facto de um ou mais critérios só poderem ser verificados no outro
Estado-Membro, essa autoridade deve contactar a autoridade aduaneira onde os critérios
podem ser verificados. Este requisito está previsto no artigo 14.ºM do projecto das
disposições de aplicação do Regulamento (CE) n.º 648/2005. Nesse caso, o processo de
consulta é obrigatório, devendo os critérios ser verificados no outro Estado-Membro. A
autoridade aduaneira competente e, por conseguinte, a autoridade que carrega o pedido, deve
contactar o ponto de contacto do Estado-Membro em causa e informá-lo do pedido, indicando
os critérios que devem ser verificados. A autoridade aduaneira solicitada responde após ter
verificado os critérios, acedendo ao campo seguinte ao do pedido e inscrevendo os resultados
da verificação. Os resultados são enviados automaticamente ao funcionário que carregou o
pedido. Se forem positivos, o processo de autorização continua; caso contrário, é posto
termo ao processo, sendo o requerente informado do indeferimento do pedido.

Uma vez terminada a auditoria, a autoridade aduaneira terá apurado se o operador


económico satisfaz os critérios. Os resultados devem ser comunicados a todas as autoridades
aduaneiras. As informações que devem ser comunicadas no caso de os resultados serem
positivos figuram no anexo II do projecto das disposições de aplicação.

Foi sublinhado por um membro do grupo que importa assegurar que os dados carregados no
CIRCA estejam cobertos pelas regras de protecção de dados.

3 Identificação de um AEO
Tal como referido no ponto 2.3.1, a identificação de um AEO depende da introdução da
proposta do grupo de projecto EORI. O grupo propõe introduzir uma chave de identificação
como o único meio de identificação de todos os operadores económicos. Enquanto essa chave
de identificação não for adoptada, é necessário encontrar uma solução provisória para a
identificação de um AEO. Essa solução é seguidamente apresentada; caso seja introduzida
como acima descrito, é provável que seja a chave de identificação que será utilizada como
meio de identificação.

3.1 Reconhecimento do certificado AEO


O certificado AEO será reconhecido por todos os Estados-Membros. Em consequência, o
número do certificado permitirá identificar uma remessa de um AEO no momento em que as
autoridades aduaneiras precisam dessa informação. Tal pode ocorrer quando da apresentação
de declarações sumárias, juntamente com a gestão de riscos, a fim de determinar se a remessa
deve ser objecto de controlos físicos. O AEO deve obter uma classificação mais baixa do
risco e, caso a remessa seja seleccionada para controlo, este deve ser executado a título
prioritário e, se possível, da melhor forma logística para todas as partes envolvidas.

3.1.1 Razões para a utilização do número de certificado AEO


1. Para identificar as remessas de um AEO que chegam à estância aduaneira, a fim de lhes
atribuir uma classificação mais baixa do risco, adaptada ao tipo de certificado - mesmo se a
remessa chega a um Estado-Membro e o certificado AEO foi emitido noutro
Estado-Membro.
2. Para identificar os outros participantes da cadeia de abastecimento (por exemplo,
destinatário ou transportadora) associados a essa remessa específica. Determinar se existem
mais AEO na cadeia de abastecimento, ou seja, a remessa chega à estância de entrada, o

17
declarante e a transportadora são titulares de um certificado AEO - Segurança e Protecção e a
declaração sumária contém dados em nome do destinatário.
3. Para verificar se se trata de um AEO e o tipo de certificado AEO, permitindo uma rápida
verificação:
- do Estado-Membro que emitiu um certificado;
- das vantagens de que beneficia o titular do certificado.
Esta situação ocorre, por exemplo, quando uma autoridade aduaneira de um Estado-Membro
recebe um pedido específico de simplificação aduaneira de um operador económico.

3.1.2 A estrutura do número do certificado AEO


A estrutura do número de certificado AEO deve corresponder aos objectivos acima descritos.
O anterior grupo de projecto AEO, quando da análise desta questão, propôs que o número do
certificado começasse sempre pelo código do país ISO alfa-2. Esta proposta já havia sido
incluída nos anexos das versões anteriores do projecto das disposições de aplicação.
A fim de atingir o objectivo que visa informações rápidas e completas, propõe-se a estrutura
seguinte:
- o código de país ISO alfa-2
- seguido da menção “AEO”
- seguida de uma letra indicando o tipo de certificado (C=simplificações aduaneiras; S=
segurança e protecção; F= completo)
- seguida de qualquer outro número para fins nacionais (por exemplo, um número de
autorização abreviado atribuído pela estância aduaneira emissora).

4 Vantagens
4.1 Conclusões e soluções

4.1.1 Autorizações
Quando um operador económico apresentar um pedido de certificado AEO, a avaliação de
critérios já examinados para outras autorizações aduaneiras deve ser tida em conta. Tal
contribuirá para reduzir o tempo necessário para a realização da pré-auditoria. No entanto, os
critérios já preenchidos podem ter de ser verificados para assegurar que continuam válidos.

Na opinião de alguns representantes, o AEO deve beneficiar de mais vantagens, uma vez que
é um operador económico fiável e cumpridor. As autoridades aduaneiras poderiam, por
exemplo, considerar diminuir os prazos das decisões ou das autorizações aduaneiras.

4.1.2 Certificações
O projecto de disposições de aplicação já prevê que as normas internacionais em vigor devem
ser tidas em conta. Foi apresentada uma proposta de alteração das orientações introduzindo
uma coluna com as normas em vigor. Na pré-auditoria pode ser feita uma referência à área
pertinente na norma. Tal contribuirá para que a pré-auditoria se realize em menos tempo,
sendo mais fácil para o operador económico cumpridor satisfazer os critérios. As normas mais
importantes identificadas são várias normas ISO ( por exemplo, 9001, 14001, 20858, 28000,
28001, 28004), o código ISPS, o estatuto de agente reconhecido (aéreo), o estatuto de

18
operador seguro (transporte intermodal CE), a parceria C-TPAT e outros conceitos
equiparáveis. As normas não devem ser tidas cegamente em conta, mas devem ser igualmente
verificadas pelas autoridades aduaneiras.

4.1.3 Uma travessia das fronteiras mais rápida


O AEO deve ter uma classificação mais baixa do risco (pertinente para o tipo de certificado)
e no caso de se realizarem controlos das remessas que envolvem um AEO, estes devem ser
executados a título prioritário. Quer isto dizer que a travessia das fronteiras será mais rápida
para um AEO do que para outro operador. O número de certificado AEO deve ser
comunicado a todas as estâncias aduaneiras da Comunidade, por forma a que um AEO seja
facilmente reconhecido e a que a travessia da fronteira seja mais rápida. Estes dois requisitos
estão previstos no projecto das disposições de aplicação.

4.1.4 Classificação mais baixa do risco


O AEO deve ter uma classificação mais baixa do risco (pertinente para o tipo de certificado)
em todos os Estados-Membros, uma vez que o estatuto é reconhecido em todos os
Estados-Membros. Esta classificação deve ser inserida nos sistemas de gestão de riscos e nos
sistemas de declaração aduaneira, a fim de permitir que o AEO beneficie de um menor
número de controlos físicos e documentais nas operações diárias. Este requisito está previsto
no projecto das disposições de aplicação.

A gestão de riscos já está incluída na auditoria pelo facto de as orientações conterem


indicadores de risco, a descrição dos riscos e os aspectos a considerar. As respostas dadas
pelos operadores devem ser analisadas pelas autoridades aduaneiras que necessitam de
determinar se o risco está ou não coberto. As orientações foram também adaptadas a áreas
dos procedimentos aduaneiros para cobrir os riscos ligados à utilização diária dos
procedimentos pelo operador económico. O modelo da análise de riscos do sistema
COMPACT foi reformulado (anexo 2), podendo ser utilizado para determinar se os riscos
estão ou não cobertos. Em geral, o modelo de análise de riscos assenta no método de trabalho
seguinte: todos os indicadores de risco contidos nas orientações estão associados a uma
descrição dos riscos e aos aspectos a considerar. As descrições dos riscos esclarecem o grau
de importância de um indicador. Os aspectos a considerar podem ser utilizados para apurar se
os riscos são efectivamente pertinentes para um dado operador e para investigar as medidas
tomadas por esse operador em relação a esses riscos. Não é necessário elaborar de cada vez
um inventário dos riscos potenciais. Uma vez elaborado, o inventário pode ser utilizado em
todos os casos posteriores. O processo de cartografia dos riscos apresentado no COMPACT é
constituído por cinco etapas básicas: etapa 1: compreender a actividade empresarial (de um
operador), etapa 2: clarificar os objectivos aduaneiros; etapa 3: Identificar os riscos: riscos
que podem influenciar os objectivos aduaneiros; etapa 4: avaliar riscos; (quais os riscos que
são mais significativos); etapa 5: responder aos riscos; medidas a tomar em relação a riscos.

O AEO pode obter uma classificação mais baixa do risco (pertinente para o tipo de
certificado) que deve ser tida em conta quando da emissão de declarações aduaneiras. As
autoridades aduaneiras podem também ter em conta o facto de o AEO garantir a segurança da
cadeia de abastecimento sob a sua responsabilidade ou recorrer a parceiros comerciais como
descrito no ponto 2.2.1.3-4. Quanto mais segura for a cadeia de abastecimento, menor será o
risco, factor que deve estar reflectido nas classificações de risco atribuídas por todas as
autoridades aduaneiras. É necessário que haja um tratamento uniforme dos AEO na CE.

19
Deveria ser possível para um AEO escolher só utilizar o estatuto para determinadas
declarações aduaneiras cobertas pelos critérios de segurança. Esta questão depende da
verificação dos parceiros comerciais. Seria certamente um sinal de boa cooperação do AEO
se indicasse que não podia garantir integralmente a segurança de uma dada declaração, uma
vez que não pôde contar efectivamente com um dado parceiro comercial. As autoridades
aduaneiras poderiam ter isto em conta e realizar mais controlos dessa remessa/declaração
específicas.

É fundamental identificar o AEO. Sem identificação, um Estado-Membro não saberá se as


remessas estão associadas a um AEO e não será possível ter em conta a classificação de baixo
risco que lhe foi atribuída. Por conseguinte, reveste-se de grande importância a introdução no
mais curto prazo do sistema de informação e de comunicação AEO para armazenar e partilhar
informações sobre os AEO. Estão a ser procuradas soluções transitórias como o sistema FIR
e o CIRCA (Para mais informações consultar os documentos de trabalho "Information and
communication needs" TAXUD 2006/1454 e "AEO User Requirements TAXUD
2006/1453).

Não são os dados pormenorizados dos riscos que devem ser partilhados com os operadores,
mas as informações de carácter geral como, por exemplo, as orientações e o modelo AEO
COMPACT, a fim de ter em conta que o próprio operador económico precisa de ter a
possiblidade de proceder à avaliação dos riscos, de os identificar e de introduzir medidas
segurança.

4.1.5 Centro de serviços ou coordenador de clientes


Com vista a uma boa cooperação entre as autoridades aduaneiras e o AEO, este último pode
ter acesso a um centro de serviços junto do qual pode obter informações. Este centro de
serviços é um serviço criado pela autoridade aduaneira que emitiu o certificado AEO e
funciona como centro de contacto entre as autoridades aduaneiras e o AEO. O AEO pode
contactar o centro de serviços para pedir assistência relativamente a vários assuntos. O centro
de serviços não poderá responder a todas as questões, mas pode servir de ponto de contacto
inicial com as autoridades aduaneiras e orientar o AEO sobre a melhor forma de proceder,
encaminhando-o para a pessoa a contactar. O centro de serviços pode também tomar medidas
de acompanhamento do AEO depois de este ter obtido a autorização, a fim de assegurar que
cumpre os critérios e condições fixados. Pode também participar no acompanhamento da
utilização diária dos procedimentos aduaneiros pelo AEO, de preferência através da análise do
fluxo de mercadorias com vista a identificar os aspectos que exigem ser esclarecidos pelo
AEO. Este serviço pode igualmente prestar apoio a nível interno aos colegas das autoridades
aduaneiras relativamente a questões do âmbito do AEO e assisti-los quando da realização de
auditorias aos AEO.

Alguns Estados-Membros já introduziram centros de serviços e, nalguns casos,


"coordenadores de clientes". Um coordenador de clientes é uma autoridade aduaneira que
emitiu o certificado AEO e tem as mesmas atribuições do centro de serviços acima descritas.

4.1.6 O AEO reconhecido como um parceiro seguro e protegido


O AEO que também preencha os critérios relativos à segurança e protecção é considerado um
parceiro protegido e seguro na cadeia de abastecimento. Tal significa que o AEO faz tudo no
âmbito das suas competências para diminuir as ameaças à cadeia de abastecimento. Como
parceiro protegido e seguro da cadeia de abastecimento, o operador económico beneficia de
facilitações aplicáveis às medidas de segurança, por exemplo, uma classificação mais baixa

20
do risco. Essa classificação identifica também o operador económico como parceiro
protegido e seguro da cadeia de abastecimento, reforçando não só a sua reputação como
também a segurança da sua cadeia de abastecimento. Por conseguinte, o AEO pode ser
escolhido como parceiro comercial em vez de um operador não AEO, quando um outro
operador económico procura novos parceiros comerciais.

4.1.7 Reconhecimento mútuo


É fundamental o reconhecimento mútuo não só dos AEO, mas também das normas de
controlo e dos controlos. A OMA está a actualizar os dados relativos ao quadro de normas
SAFE e a incluir na parte do quadro SAFE consagrada ao AEO critérios da CE em matéria de
cumprimento das obrigações, registos contabilísticos e solvabilidade financeira. Uma vez que
um número elevado de membros da OMA se comprometeu a executar o quadro SAFE, serão
executadas medidas equiparáveis a nível mundial e também aplicado o reconhecimento mútuo
em vários países.

No âmbito da cooperação alargada entre os EUA e a UE foi feita uma comparação entre a
parceria comercial dos EUA (C-TPAT) e o sistema AEO da UE. Na sua 7ª reunião, o Comité
Misto de Cooperação Aduaneira UE-EUA reconheceu que as condições, metodologia e
critérios relativos ao AEO estabelecidos no projecto legislativo da UE reforçarão a segurança
da cadeia de abastecimento. Em especial, os requisitos de segurança de ambos os programas
de parceria comercial devem obter os mesmos resultados. Uma decisão final sobre o
reconhecimento do AEO pelos EUA dependerá da continuidade da sua aplicação.

Os operadores participantes na acção-piloto consideraram que o reconhecimento mútuo do


AEO pelos 25 Estados-Membros representava igualmente uma vantagem importante. O
reconhecimento mútuo deve conduzir ao tratamento uniforme dos AEO em todos os 25
Estados-Membros, designadamente no que respeita à classificação mais baixa do risco e,
assim, a um menor número de controlos.

4.1.8 Reconhecimento de outras normas de segurança


É também importante o reconhecimento de outras normas de segurança pelo operador, como,
por exemplo, as normas ISO 9001, 28001, ISPS e o estatuto de agente reconhecido. As
normas têm objectivos ligeiramente diferentes, sendo, por esse motivo, complementares, pelo
que não podem substituir-se umas às outras. O n.º 4 do artigo 14.ºK do projecto das
disposições de aplicação estabelece, por conseguinte, que se o requerente, estabelecido na
Comunidade, é titular de um certificado de segurança e/ou de protecção internacionalmente
reconhecido, emitido com base em convenções internacionais, de um certificado de segurança
e/ou protecção emitido com base na legislação comunitária, de uma norma internacional da
Organização Internacional de Normalização ou de uma norma europeia dos organismos de
normalização europeus, consideram-se os critérios preenchidos, desde que os critérios de
emissão destes certificados sejam idênticos ou equiparáveis aos previstos no Regulamento
(CE) n.º 648/2005.

4.1.9 Reforço da segurança


Um AEO seguro fará o que estiver ao seu alcance para reforçar a segurança da cadeia de
abastecimento e solicitará aos seus parceiros comerciais que participem activamente em
garantir a segurança da cadeia. Ao preencher os critérios de segurança, o operador económico
concluiu com êxito o processo de autorização no qual as normas de segurança aplicáveis
foram objecto de controlos aprofundados, a fim de verificar se preenchia os critérios nas áreas
seguintes: auto-avaliação, entrada e acesso às instalações, segurança física, unidades de

21
carga, requisitos não fiscais, transporte, entrada, armazenagem, produção e carregamento de
mercadorias, requisitos de segurança relativos aos parceiros comerciais, segurança do pessoal
e serviços externos.

4.1.10 Tratamento prioritário das remessas em caso de selecção para


controlo
O AEO deve ter uma classificação mais baixa do risco (pertinente para o tipo de certificado)
que permitará um menor número de controlos físicos e documentais. No entanto, se houver
indicações da existência de uma ameaça em matéria de segurança, as remessas têm de ser
controladas. Deve ser dada prioridade a estes controlos. Isto implica que as remessas devem
ser as primeiras a ser controladas no caso de terem sido igualmente seleccionadas outras
remessas de operadores não AEO. Este requisito já está previsto no projecto das disposições
de aplicação. Se a declaração for apresentada por um parceiro comercial que não é um AEO,
os serviços aduaneiros não podem assegurar atribuir uma classificação mais baixa do risco,
uma vez que a cadeia de abastecimento pode não se encontrar suficientemente segura. É
necessário continuar as discussões sobre o modo como tratar as cadeias de abastecimento
compostas por um, dois ou mais AEO.

4.1.11 Possibilidade de efectuar o controlo no local mais adaptado às


actividades do AEO
O controlo pode ser desviado para um outro local que se considera ser melhor para a sua
realização, tendo em conta a natureza do controlo, mas também, se possível, o local onde
pode ser realizado sem provocar atrasos ao AEO. O AEO pode eventualmente ser contactado
e aprovar com as autoridades aduaneiras esse local. No entanto, caberá sempre a estas últimas
decidir se o AEO pode ser contactado, bem como se o controlo se pode realizar num outro
local.

4.1.12 As facilitações relativas às medidas de segurança são válidas em


toda a Comunidade. As simplificações previstas na regulamentação
aduaneira só são válidas no Estado-Membro emissor
O AEO que preenche os critérios de segurança deve beneficiar de facilitações das medidas de
segurança tal como acima referido. As facilitações são válidas em toda a Comunidade como
estabelecido no artigo 5.ºA do Regulamento (CE) n.º 648/2005, sendo o número de
certificado AEO (ou, no futuro, a chave de identificação) que determina se se trata de um
AEO. O número de certificado AEO deve constar das declarações sumárias. Está igualmente
previsto um sistema de informação e de comunicação AEO e, enquanto não entrar em
funcionamento, será publicada uma lista de todos os AEO. Esta lista deve estar acessível ao
público.

O AEO deve, no entanto, apresentar o pedido para beneficiar das simplificações previstas na
regulamentação aduaneira no Estado-Membro onde pretende utilizá-las. Todas as
simplificações continuarão a estar disponíveis a todos os operadores económicos
independentemente do estatuto de AEO. Esta situação pode alterar-se quando da entrada em
vigor do Código Aduaneiro Comunitário modernizado.

4.1.13 Número reduzido de dados para as declarações sumárias


O AEO deveria poder apresentar a declaração sumária com um número reduzido de dados. O
projecto das disposições de aplicação prevê diminuir o conjunto de dados para os AEO. Esse
conjunto de dados reduzido será discutido pelo comité aduaneiro competente. O relatório não

22
contém nenhuma proposta de dados reduzidos, mas o número de dados exigidos deve ser o
mínimo possível sem diminuir a possibilidade de realizar uma gestão de riscos adequada das
remessas. No futuro, esses dados devem continuar a ser examinados, a fim de o seu número
ser ainda mais reduzido.

Foi salientado por um operador económico participante na acção-piloto que o problema não
estava na recolha de dados (uma vez que estes podem ser apresentados a qualquer momento),
mas nos prazos fixados e também na questão de saber quem tem acesso aos dados, quando é
que podem ser consultados e quem os apresentará.

4.1.14 Prazos reduzidos


Na acção-piloto concluiu-se que, uma vez operacionais os sistemas de gestão de riscos e das
declarações prévias à chegada e à partida, se poderia examinar a possibilidade de diminuir os
prazos fixados para o AEO. Na fase actual, essa vantagem adicional seria prematura.

4.1.15 Vantagens colaterais


Os operadores participantes na acção-piloto salientaram que a necessidade de coordenação
entre os muitos serviços diferentes na mesma empresa (recursos humanos, centro de
distribuição, etc.) conduziria, em geral, a uma melhor compreensão dos procedimentos
internos e, deste modo, a uma maior racionalização dos mesmos a longo prazo. Em geral,
consideraram também positiva a necessidade de uma auto-avaliação.

As vantagens colaterais seguidamente apresentadas figuram na série de relatórios especiais da


IBM intitulada "Investing in Supply Chain Security: Collateral Benefits" (Dezembro de
2005, segunda edição). Qualquer requerente que preencha os critérios e obtenha o estatuto de
AEO terá também a possibilidade de beneficiar dessas vantagens.

A mais importante das vantagens colaterais para qualquer pessoa que invista no reforço da
segurança da cadeia de abastecimento é a facilitação do comércio. Estas vantagens
repercutem-se positivamente nas seguintes áreas: visibilidade e rastreabilidade, segurança do
pessoal, elaboração de normas, selecção de fornecedores e investimento, segurança do
transporte e meios de transporte, sensibilização e competências em matéria de infra-estruturas
organizativas, colaboração entre as partes da cadeia de abastecimento, investimentos em
tecnologia proactiva e cumprimento das regras de segurança.

Entre as vantagens referidas nos relatórios estão as seguintes:


- diminuição dos furtos e das perdas
- menor número de remessas em atraso
- melhor planeamento
- lealdade dos clientes
- empenhamento dos empregados
- menor número de incidentes de segurança
- diminuição dos custos de inspecção dos fornecedores e aumento da cooperação
- prevenção do crime e do vandalismo
- prevenção de problemas através do reconhecimento do trabalho dos empregados
- melhoria da segurança e da comunicação entre os parceiros da cadeia de abastecimento.

4.1.16 Autorização de saída antes da chegada/partida física


Segundo alguns operadores económicos participantes na acção-piloto, seria uma importante
vantagem dispor de uma notificação dos controlos das mercadorias antes da sua

23
chegada/partida física do território da CE. Para alguns operadores económicos a autorização
de saída das mercadorias antes da chegada é também considerada uma vantagem importante.

As autoridades aduaneiras participantes manifestaram a sua preocupação quanto a esta


pretensão que, pelo menos na fase actual, não consideram realista. As autoridades aduaneiras
salientaram que o projecto das disposições de aplicação prevê que as autoridades notifiquem
os operadores, caso decidam não proceder ao controlo das mercadorias. Trata-se igualmente
de uma importante vantagem para os operadores económicos, mesmo que não se tenha
avançado tanto quanto estes o desejariam. A autorização de saída das mercadorias antes da
chegada/partida física só seria possível se fossem declaradas para um regime aduaneiro e se a
declaração aduaneira fosse aceite. No procedimento de domiciliação isto é feito introduzindo
as informações relativas às mercadorias nos registos do operador (importador ou exportador).
Tal não seria possível se a declaração sumária não fosse simultaneamente uma declaração
aduaneira.

4.1.17 Transmissão electrónica de dados


Os operadores participantes na acção-piloto consideraram que a transmissão de dados
exclusivamente por via electrónica representaria uma vantagem importante. Este requisito está
previsto no projecto das disposições de aplicação.

4.1.18 Outras vantagens


Alguns operadores económicos participantes manifestaram a sua vontade de beneficiar de
outras vantagens relacionadas com o estatuto de AEO.

5 Conclusões
O conceito de AEO implica novos métodos de trabalho para as autoridades aduaneiras. A
introdução deste conceito deve ser cuidadosamente acompanhada, avaliada e actualizada com
as melhores práticas. É necessário atribuir várias tarefas às autoridades aduaneiras e à
Comissão. A necessidade de formação e o intercâmbio de funcionários aduaneiros devem ser
considerados instrumentos importantes para assegurar a introdução uniforme do conceito de
AEO na Comunidade e para continuar a desenvolvê-lo.

As recomendações serão formuladas (e foram formuladas durante a acção-piloto) não só pelo


Comité ALFÂNDEGA 2007 e pelo grupo “Alfândega Electrónica”, mas também pelo Comité
do Código Aduaneiro, a fim de recomendar melhoramentos legislativos nesta área e
aconselhar quanto à execução do conceito de AEO.

Os operadores económicos multinacionais devem poder apresentar um pedido de certificado


AEO no mesmo Estado-Membro em que utilizarão as autorizações aduaneiras. É
fundamental manter uma abordagem flexível sem dar a oportunidade às multinacionais de
escolherem o Estado-Membro para a obtenção dos certificados AEO (compra de certificados).

As pequenas e médias empresas (PME) devem também poder apresentar um pedido de


certificado AEO. Quando da avaliação dos critérios será tida em conta a situação única de
cada operador económico. A avaliação de uma PME pode, em muitos casos, ser mais rápida
que a de um operador económico multinacional, porquanto as informações necessárias, os
locais a visitar e os processos a controlar são, em geral, de mais fácil acesso e de mais fácil
auditoria.

24
É necessário estabelecer uma definição clara de segurança e de protecção. Tal é fundamental
para que as autoridades aduaneiras dos Estados-Membros possam realizar a sua própria gestão
de riscos e os controlos na fronteira externa. Sem uma definição clara de segurança e de
protecção, corre-se o risco de essas autoridades interpretarem de forma diferente as noções de
“segurança” e de “protecção” estabelecidas no Regulamento (CE) n.º 648/2005.

O modelo COMPACT AEO e as orientações são um instrumento de ajuda para as autoridades


aduaneiras na avaliação dos requerentes. Na acção-piloto determinou-se que todos os
Estados-Membros participantes trabalhassem com processos semelhantes aos estabelecidos
nesses documentos. A fim de utilizar os métodos de trabalho instituídos nos
Estados-Membros, os processos presentemente utilizados podem ser mantidos, servindo o
modelo COMPACT AEO e as orientações de ajuda e guia para os Estados-Membros.

5.1 Comité Aduaneiro, serviço de assistência técnica e a


necessidade de adquirir experiência
As novas medidas de segurança, incluindo o conceito de AEO, implicam novos métodos de
trabalho e novas responsabilidades para as autoridades aduaneiras. Implicam também uma
falta de experiência em como verificar o cumprimento dos critérios e em relação aos dados
pormenorizados do processo. Há uma grande necessidade de trocar experiências entre as
autoridades aduaneiras e de estabelecer as melhores práticas no que respeita às medidas de
segurança, incluindo o AEO. Poder-se-ia, por conseguinte, prever a criação de um comité para
discutir todas as questões relevantes relativas às medidas de segurança e ao AEO, o que
permitiria assegurar uma abordagem harmonizada a nível da CE. Os operadores económicos
solicitam uma abordagem harmonizada e uniforme.

5.1.1 Comité Aduaneiro (recomendação n.º 1)


Recomendação: Criar uma subsecção do Comité do Código Aduaneiro que deveria ser
responsável e tratar de todas as questões relacionadas com o AEO, bem como de todas as
questões relacionadas com a execução do conceito de AEO na CE. Caberia ao comité
deliberar, se necessário, sobre as questões relativas ao AEO e as questões conexas. Se
necessário, seriam consultados outros comités, por exemplo, sobre questões relativas à
gestão dos riscos.

Os operadores congratularam-se com esta recomendação, porquanto contribuirá para


assegurar a execução uniforme do conceito em todos os Estados-Membros e para
desenvolver as melhores práticas entre estes.

5.1.2 Serviço de assistência técnica (recomendação n.º 2)


Recomendação: Criar na DG TAXUD um serviço de assistência técnica que os funcionários
das autoridades aduaneiras possam contactar, a fim de obter esclarecimentos sobre questões
relacionadas com o AEO. Este serviço seria também responsável, juntamente com o ponto de
contacto nacional AEO, pela actualização das orientações, pela produção de material
conexo, por exemplo, informações e manuais, e pela inclusão de questões do âmbito do AEO
na ordem de trabalhos dos respectivos comités aduaneiros.

5.1.3 Revisão dos prazos para o processo de autorização (recomendação n.º


3)
Recomendação: Permitir a possibilidade de utilizar 300 dias durante o período transitório e
de rever o prazo de 90 + 30 dias para as autorizações após esse período, na medida em que

25
as autoridades aduaneiras e os operadores terão adquirido experiência, encontrando-se
numa melhor posição para avaliar o tempo necessário para conceder autorização a um
operador económico.

5.1.4 Revisão dos dados das reavaliações (recomendação n.º 4)


a. Recomendação: Permitir a possibilidade de rever os dados das reavaliações das
autorizações após o período transitório, na medida em que as autoridades aduaneiras e os
operadores terão adquirido experiência, encontrando-se numa melhor posição para avaliar o
tempo necessário para reavaliar o operador económico.

b. As reavaliações não devem implicar novamente o controlo, pelas autoridades aduaneiras,


de todos os critérios. Em vez disso, essas autoridades devem assegurar-se de que o AEO
continua a preencher os critérios e as condições para a concessão do certificado AEO. As
autoridades aduaneiras devem ter um controlo aprofundado do AEO, uma vez que
estabeleceram planos de controlo relativamente a cada AEO, sendo, por conseguinte, mais
fácil estabelecer se os critérios as condições continuam a estar preenchidos.

5.1.5 Abordagem de parceria (recomendação n.º 5)


A autorização deve ser concedida no âmbito de uma abordagem de parceria entre o
operador económico e autoridade aduaneira.

5.2 Orientações
O AEO deve cumprir os critérios estabelecidos no Regulamento (CE) n.º 648/2005 e no
projecto das suas disposições da aplicação. As orientações, um conjunto de aspectos a
considerar, foram elaboradas, a fim de assegurar uma interpretação uniforme dos critérios em
toda a Comunidade. Os Estados-Membros utilizaram as orientações na acção-piloto,
consultaram os respectivos peritos e enviaram muitas sugestões de melhoramentos das
orientações.

5.2.1 Utilização do modelo COMPACT AEO e das orientações


(recomendação n.º 6)
Recomendação: Utilizar o modelo COMPACT AEO e as orientações na auditoria do
operador económico, a fim de determinar se os critérios estão cumpridos, bem como na
gestão de riscos. O modelo deve ser visto como um instrumento de ajuda e orientação para as
autoridades aduaneiras que podem, por conseguinte, utilizar métodos de trabalhos
semelhantes.

5.2.2 Adaptar as orientações (recomendação n.º 7)


Recomendação: Deve ser nomeado um pequeno grupo de peritos que participaram na
acção-piloto, a fim de continuar a adaptar as orientações.

5.3 Centro de serviços


O AEO deve poder ter acesso a um ponto de contacto num centro de serviços das autoridades
aduaneiras.

26
5.3.1 Designar um centro de serviços ou um coordenador de clientes
(recomendação n.º 8)
Recomendação: As autoridades aduaneiras devem criar um centro de serviços ou nomear um
coordenador de clientes, tal como descrito no ponto 4.1.5.

5.3.2 Criar estruturas sistematicamente organizadas nas empresas para


assegurar um processo de auditoria e de autorização eficaz
(recomendação n.º 9)
Recomendação: As empresas devem ter estruturas sistematicamente organizadas para
assegurar um processo de auditoria e de autorização eficaz. A administração da empresa
deve reconhecer que o processo de auditoria e de autorização será, no futuro, um processo
normal que fará parte da rotina diária dos empregados que o devem executar.

5.4 Classificação mais baixa do risco


O titular de um certificado AEO está sujeito a um menor número de controlos físicos e
documentais do que os outros operadores económicos. No entanto, as autoridades aduaneiras
podem decidir em contrário, a fim de ter em conta um risco potencial. Decorre do acima
exposto que o AEO beneficiará de uma classificação mais baixa do risco.

5.4.1 Execução da gestão de riscos do AEO (recomendação n.º 10)


Recomendação: O certificado AEO deve ser tido em conta para a gestão de riscos a nível
comunitário, devendo as autoridades aduaneiras executar medidas nos respectivos sistemas
nacionais de gestão de riscos que permitam ao AEO obter uma classificação mais baixa do
risco. Os Estados-Membros devem conceder um tratamento uniforme aos AEO que sejam
seguros. Esta questão será examinada de forma mais aprofundada na instância adequada.
Importa continuar a harmonizar a gestão de riscos nos Estados-Membros, uma vez que se
tem de assegurar o tratamento equivalente do AEO em todos os Estados-Membros.

5.4.2 Cadeia de abastecimento de extremo a extremo (recomendação n.º


11)
Recomendação: Quanto maior for o número de AEO envolvidos numa cadeia de
abastecimento, mais segura será a cadeia. As autoridades aduaneiras devem ter igualmente
em conta o nível de segurança.

5.4.3 Nível dos riscos (recomendação n.º 12)


Recomendação: Os níveis dos riscos envolvidos podem variar consoante o AEO tenha sob
controlo a totalidade ou apenas parte da cadeia de abastecimento. O facto de um operador
económico estar estabelecido há menos de três anos pode constituir um outro indicador de
risco. Estas questões serão examinadas de forma mais aprofundada na instância adequada. É
necessário uma maior harmonização das práticas dos Estados-Membros.

27
5.5 Informação e consulta
Todas as autoridades aduaneiras devem ser informadas dos pedidos de obtenção do estatuto
de AEO, bem como de todos os certificados AEO emitidos. A consulta é também necessária
em determinados casos. Os operadores económicos devem ter acesso limitado às informações
sobre os AEO, mas devem, pelo menos, ter conhecimento do número de certificado AEO e
do nome e endereço do seu titular.

5.5.1 Sistema electrónico de informação e de comunicação AEO e o


CIRCA (recomendação n.º 13)
Recomendação: Utilizar o sistema electrónico de informação e de comunicação AEO como a
solução a médio e longo prazos e o CIRCA como a solução a curto prazo. Aprovar o
procedimento apresentado nos documentos de trabalho TAXUD 2006/1453 e 2006/1454
("AEO User Requirements" e "The use of CIRCA"). Importa substituir o CIRCA pelo
sistema electrónico de informação e de comunicação AEO com a maior brevidade possível.

5.5.2 Nomear um ponto de contacto para as questões relativas ao AEO


(recomendação n.º 14)
Recomendação: Todas as autoridades aduaneiras devem nomear, pelo menos, um ponto de
contacto para as questões relativas ao AEO no âmbito das suas competências.

5.5.3 Publicação dos nomes dos AEO (recomendação n.º 15)


Recomendação: As informações de base relativas ao AEO devem ser publicadas na Internet
e poder ser consultadas pelos operadores económicos. Os operadores económicos devem ter
acesso limitado às informações sobre os AEO, mas devem, pelo menos, ter conhecimento do
número de certificado AEO e do nome e endereço do seu titular. Os AEO devem dar a sua
autorização prévia antes da publicação. O grupo-piloto sugere a utilização do número de
registo para efeitos do IVA do AEO.

5.6 Concessão de autorizações aduaneiras e de autorizações de


outras autoridades públicas
As autorizações aduaneiras e outras autorizações oficiais podem ser tidas em conta na
pré-auditoria quando da determinação pelas autoridades aduaneiras do cumprimento dos
critérios.

5.6.1 Ter em conta as autorizações aduaneiras e as autorizações de


outras autoridades públicas (recomendação n.º 16)
Recomendação: Quando é recebido um pedido de obtenção do estatuto de AEO, todas as
autorizações aduaneiras e outras autorizações das autoridades públicas já concedidas
poderiam ser tidas em conta. As orientações devem conter uma lista dos certificados que
devem ser tidos em conta pelas autoridades aduaneiras. A elaboração dessa lista seria uma
das tarefas do futuro grupo responsável pela actualização das orientações.

5.7 Certificados de segurança


Os certificados de segurança em vigor devem ser tidos em conta na pré-auditoria quando da
determinação pelas autoridades aduaneiras do cumprimento dos critérios.

28
5.7.1 Ter em conta os certificados de segurança (recomendação n.º 17)
Recomendação: Quando é recebido um pedido de obtenção do estatuto de AEO, devem ser
tidos em conta todos os certificados de segurança já emitidos. Os certificados de segurança
pertinentes devem ser referidos no respectivo capítulo das orientações AEO, devendo ser
estabelecida uma lista desses certificados.

5.7.2 Cooperação com outras autoridades (recomendação n.º 18)


Recomendação: As autoridades aduaneiras podem, quando necessário, realizar a
pré-auditoria com outras autoridades e, tanto quanto possível, trabalhar em conjunto com
outras autoridades que tenham conceitos semelhantes.

5.7.3 Cooperação com os serviços da Comissão (recomendação n.º 19)


Recomendação: A Comissão deve trabalhar estreitamente com as outras DG, a fim de
alinhar conceitos de segurança semelhantes e disponibilizar às autoridades aduaneiras
informações sobre outros conceitos segurança utilizados.

5.8 Declarações de segurança e disposições contratuais


A fim de garantir a segurança da cadeia de abastecimento de extremo extremo no âmbito do
conceito de AEO, o AEO pode exigir declarações de segurança aos seus parceiros comerciais
ou estabelecer disposições contratuais nos termos das quais estes garantem a segurança da
cadeia de abastecimento sob a sua responsabilidade.

5.8.1 Utilização de declarações de segurança (recomendação n.º 20)


Recomendação: O AEO pode exigir declarações de segurança aos seus parceiros comerciais
e seguir o processo estabelecido na norma ISO PAS 28001.

5.8.2 Estabelecer disposições contratuais (recomendação n.º 21)


Recomendação: O AEO pode estabelecer disposições contratuais com os seus parceiros
comerciais nos termos das quais estes garantem a segurança da cadeia de abastecimento sob
a sua responsabilidade.

5.9 Reconhecimento mútuo


O reconhecimento mútuo de conceitos semelhantes é fundamental.

5.9.1 Obter o reconhecimento mútuo (recomendação n.º 22)


Recomendação: Todas as partes devem trabalhar no sentido do reconhecimento mútuo de
conceitos semelhantes.

5.10 Operadores económicos multinacionais


O resultado do processo de autorização relativo a uma entidade jurídica pode voltar a ser
utilizado quando outra entidade jurídica apresentar, no mesmo ou noutro Estado-Membro, um
pedido de certificado AEO.

5.10 Reutilização dos resultados do processo de autorização


(recomendação n.º 23)
Recomendação: Os Estados-Membros e os operadores económicos devem procurar reutilizar
os resultados do processo de autorização, em especial para os operadores económicos
multinacionais.

29
5.11 Intercâmbio de funcionários e necessidades de formação
A introdução do conceito de AEO implica novos métodos de trabalho para as autoridades
aduaneiras, sendo essencial, para que seja introduzido e desenvolvido de modo uniforme,
proceder ao intercâmbio de funcionários e colmatar as necessidades em matéria de formação.
Uma vez introduzido o conceito, devem ser desenvolvidas e utilizadas as melhores práticas.

5.11.1 Intercâmbio de funcionários (recomendação n.º 24)


Recomendação: Utilizar o programa ALFÂNDEGA 2007/2013 ou outros meios adequados
para o intercâmbio de funcionários entre Estados-Membros com vista à aprendizagem
recíproca dos métodos utilizados para tratar questões relativas ao AEO.

5.11.2 Necessidades de formação (recomendação n.º 25)


Recomendação: Utilizar o programa ALFÂNDEGA 2007/2013 para formação sobre a forma
como tratar as questões relativas ao AEO.

5.12 Definição de segurança e de protecção

5.12.1 Necessidade da definição de segurança e de protecção


(recomendação n.º 26)
Recomendação: Estabelecer uma definição clara de segurança e protecção.

5.13 Questões linguísticas


O modelo COMPACT AEO e as orientações AEO devem ser traduzidos em todas as línguas
oficiais da UE. Os formulários do pedido de obtenção do estatuto de AEO e do certificado
AEO serão também traduzidos em todas as línguas oficiais, uma vez que constituem anexos
das disposições de aplicação. Os dados dos formulários do pedido e do certificado podem, por
conseguinte, ser inscritos em todas as línguas oficiais da UE. Daí decorre que o sistema
electrónico de informação e de consulta AEO conterá informações em todas estas línguas.
Devem ser realizadas consultas formais entre os Estados-Membros que utilizam técnicas ou
modos de comunicação semelhantes, necessários para o procedimento de inquérito na área do
trânsito. No entanto, outras consultas entre Estados-Membros e o preenchimento de campos
de texto livre no sistema electrónico de informação e de comunicação AEO devem fazer-se
apenas em língua inglesa.

5.13.1 Tradução do modelo COMPACT AEO e das orientações AEO


(recomendação n.º 27)
Recomendação: O modelo COMPACT AEO e as orientações AEO devem ser traduzidos em
todas as línguas oficiais da UE.

5.13.2 Utilização da língua inglesa na consulta entre Estados-Membros e


no preenchimento dos campos de texto livre no sistema electrónico de
informação e de comunicação AEO (recomendação n.º 28)
Recomendação: As consultas entre Estados-Membros e o preenchimento de campos de texto
livre no sistema electrónico de informação e de comunicação AEO devem fazer-se apenas em
língua inglesa.

6 Anexos
1. Regulamento (CE) n° 648/2005

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2. Disposições de aplicação, documento de trabalho TAXUD 1250/2005 REV 6
3. Modelo COMPACT AEO, documento de trabalho TAXUD 2006/1452
4. Orientações actualizadas, documento de trabalho TAXUD 2006/1450
5. The use of CIRCA, documento de trabalho TAXUD 2006/1454
6. AEO User Requirements, documento de trabalho TAXUD 2006/1453

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